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                    <text>USO DO NOME SOCIAL NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
E SUA ORIGEM NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Gustavo Pereira Leite Ribeiro (UFLA) - gustavoribeiro@dir.ufla.br
Miguel da Silva Fonseca (UFLA) - mcsfonseca@filosofia.ufla.br
Catarina Dallapicula (Ufla) - cdallapicula@hotmail.com
Resumo:
Este trabalho objetivou recontar a história da conquista da utilização do nome social de um
discente transgênero masculino, estudante do curso de Filosofia na Universidade Federal de
Lavras (UFLA), com o recorte das discussões em desigualdades de gênero e sexualidade. Foi
necessário abordar relações sociais e acadêmicas, e investigar como suas percepções se
refletem na luta pelo reconhecimento e pela quebra de estigmas na sociedade contemporânea.
Como linhas metodológicas foram adotados: memoriais, e relato de experiência, tratado por
meio da análise de discurso. A história do estudante transgênero demonstra que preconceitos
em sua vida social e acadêmica, marcados pela, foram abordados como postura de
enfrentamento que, corroborada pelo trabalho de uma equipe de servidores da UFLA, resultou
na aprovação de uma Resolução do Conselho Universitário (CUNI), que institucionalizou o uso
do nome social nessa Universidade.
Palavras-chave: Nome social. Relação de gênero. Transgeneridade. Gestão universitária.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
“Ele, então, não satisfeito com o fato de ver uma pessoa que não possui um falo entre suas
pernas e que não segue os padrões ‘cisheteronormativo’(sic) de nossa sociedade patriarcal, retornou,
ainda com tom agressivo, com a seguinte imposição ‘Vai ter que botar uma peruca!’” (Assinado, um
ser humano). É com esse trecho impactante de uma manifestação contra uma situação ocorrida na
Biblioteca Universitária (BU), em um dos órgãos de controle da Universidade Federal de Lavras
(UFLA), o qual constrangeu servidores e usuário, que iniciamos o debate a que se propõe esse relato.
Ao falarmos de normatividade, estamos nos referindo ao que Butler explica como “[...] uma prática
reguladora que busca uniformizar a identidade de gênero por via da heterossexualidade compulsória
[...]” (BUTLER, 2015, p. 67). É preciso entender que o termo prática refere-se a diversas redes de
significação que vão das piadas a agressões físicas, como “[...] técnicas familiares e corriqueiras de
educação e correção [...]” (FOUCAULT, 2013, p. 50). Uma perspectiva não normativa da educação
evitaria essas técnicas, pois seus agentes compreenderiam que a diferença nas identidades de gênero e
orientação sexual não precisam ser corrigidas, por não serem erro, mas manifestações de
possibilidades de vida.
A ação institucional abordada nesse estudo de caso, em direção a uma educação não normativa
em relação às identidades de gênero na UFLA, partiu da gestão da BU, após uma denúncia, pela
vítima, na ouvidoria da Instituição, sobre um caso de transfobia sofrido naquele setor. Uma postura
defensiva poderia ter sido adotada pela gestão, porém, ao contrário, optou-se por aprender com o caso
e promover mudanças que evitassem sua repetição. Partindo da análise do discurso do manifestante,
identificamos a dor, o sofrimento e a indignação relacionados ao fato ocorrido. Usamos trechos da
manifestação para entender o contexto social e sua aplicação, além de narrativas de vida do estudante.
Além disso, a legislação em vigor sobre a questão do uso do nome social no país também foi
revisitada. Nosso objetivo foi abordar o caso estudado, de forma a promover uma compreensão que
englobasse diferentes perspectivas e possibilitasse a reflexão sobre alternativas organizacionais, que
respeitem as diferenças e garantam o acesso e permanência no Ensino Superior a pessoas trans*, a
partir desse fato.

2 TRAJETÓRIA DA PESQUISA
O presente trabalho pode ser considerado, como relatório de pesquisa de um estudo de caso,
por abordar um fato, cuja ocorrência e seu meio não podem ser dissociados, considerar suas
implicações e reverberações, empreender uma abordagem complexa, envolvendo vários sujeitos
relacionados ao caso e diferentes abordagens teórico-epistêmicas e metodológicas, além de tentar
promover o acesso a outros sujeitos a quem possa interessar o caso estudado, em uma abordagem
acessível da escrita. Complementando o estudo, foi adotada a pesquisa documental que, segundo
Silva, Silva e Oliveira (2013), enquanto método de investigação da realidade social, não traz uma
única concepção filosófica de pesquisa, mas pode ser utilizada tanto nas abordagens de natureza
positivista como também naquelas de caráter compreensivo, com enfoque mais crítico. Assim, esse
texto configura-se como um relato de pesquisa, realizada com o uso de abordagens teóricometodológicas, que incluem diferentes campos das Ciências Sociais Aplicadas, na tentativa de traçar
um estudo de caso que reconheça a complexidade cotidiana dos temas abordados. O caso estudado
torna-se relevante, por incluir uma sequência de ações institucionais em relação à identidade de gênero
de um estudante e ao direito ao reconhecimento do nome social desse e dos demais sujeitos que
compõem a sociedade, ao entrarem em contato com a UFLA, enquanto universidade pública
brasileira.

3 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O nome social é o recurso utilizado para permitir que pessoas sejam tratadas pelo nome que é
conhecido em seu meio social, geralmente associado à questão de gênero. Porém, pode ser adotado
também para nomes vexatórios, diminuindo assim o constrangimento nos ambientes de convívio de
uma pessoa. É fundamental haver recursos para os que se sentem constrangidos em ter um nome que
não representa o seu gênero. Na construção de uma proposta inicial de resolução, que regulamentasse
o uso do nome social na UFLA, buscamos argumentações nas leis vigentes e no regimento da

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Universidade. Dentro de uma análise jurídica, foi entendido pelo Grupo PETI de Direito e pela
Câmara de Legislação do CUNI/UFLA, responsáveis pela primeira apreciação da proposta de
resolução, que, a proposta era oportuna e conveniente. No entanto, em termos de técnica legislativa,
houve alguns ajustes na minuta de resolução. Foram inúmeras reuniões, sendo uma delas com todos os
servidores da BU, por meio do Projeto Saber +, que tem como objetivo levar informações diversas, de
forma didática e descontraída para os servidores do setor. Além disso, como forma de dar mais
alicerce à nossa proposta, contamos com a experiência de professoras da própria Universidade,
especialistas na área de gênero e sexualidade. A presença das professoras, Cláudia Maria Ribeiro e
Catarina Dallapícula, especialistas na área, permitiu a abordagem de vários tipos de “pré-conceitos”,
relacionados a negros, pobres, mulheres, gênero, sexualidade e outros que percebíamos que acontecia,
veladamente, entre os servidores e também entre os usuários. Sexualidade e gênero, infelizmente,
ainda é uma questão muito delicada, polêmica, principalmente, ao ser tratado em meio tradicional.
Paralelamente às reuniões, uma proposta de Resolução foi formulada por um grupo de servidores e
encaminhada para apreciação do CUNI. Além disso, o Diretório Central dos Estudantes (DCE),
em reunião com o reitor, defendeu a pauta como prioritária para discussão pelo CUNI. Nas reuniões
do Conselho houve um longo debate, porém, uma das vigas da Universidade sustentou a decisão,: a
igualdade. Com a medida, estudantes e servidores terão assegurado o direito de utilização do nome
social nos registros acadêmicos e funcionais. Trata-se de mais um passo para se garantir a motivação
de diferentes públicos para ingresso no ensino superior, assim como sua permanência no ambiente
universitário. Garantindo que transgêneros, travestis e transexuais sejam nominados conforme sua
identidade de gênero. O reitor da UFLA, professor José Roberto Soares Scolforo, expôs que a decisão
é um avanço importante, “Se o nome de registro civil remete a um gênero com o qual a pessoa não se
identifica, os constrangimentos ocorrerão. Por isso, a identificação pelo nome social, na rotina
acadêmica, pode ter reflexos positivos, até mesmo sobre os índices de evasão, no caso dos estudantes”.
Pela Resolução, o nome social do estudante será o único a ser exibido em documentos de uso interno,
como diários de classe, listas de presença, divulgação de notas, resultados de editais, cadastro de
dados, comunicações e informações de uso social internas, endereço de correio eletrônico e nome de
usuário em sistemas de informação. No entanto, em documentos oficiais como históricos escolares,
diplomas e afins, será necessária a utilização do prenome constante no registro civil, seguido pelo
nome social do estudante entre parênteses. Os servidores que solicitarem a utilização do nome social,
também terão sua inscrição garantida nos mesmos registros e documentos citados, além de lista de
ramais telefônicos e outras formas de comunicação social da Universidade. Na identificação funcional,
o nome social estará na parte principal do documento e o prenome do registro civil aparecerá apenas
no verso.

4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
universidades devem estar preparadas para receber qualquer pessoa e proporcionar meios de
inclusão social, por meio de medidas de regulamentação e não esperar que aconteçam
constrangimentos para as vítimas, como houve nesse caso. Sabe-se que, como qualquer outra lei,
aprová-la e publicá-la, simplesmente, não é suficiente para que o preconceito e a discriminação sejam
ceifados. Logo, quais são os meios para conscientizar as pessoas e fazer com que elas reconheçam a
importância acerca do direito ao nome social? Entende-se que é necessário um trabalho de
sensibilização na Instituição. Uma Universidade com grandes ambições para o cenário internacional,
não pode permitir exclusão nesse contexto. Eventos com essa temática devem ser promovidos:
campanhas, levantamentos para identificar pessoas nessa situação e outras ações.

REFERÊNCIAS
BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismos e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2015.
FOUCAULT, M. Ditos e escritos IV: estratégia, poder-saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003.
SILVA, I. C.; SILVA, K. A.; OLIVEIRA, M. L. Sou metade Maria, metade José: Recontando uma história de
vida à luz das discussões de gênero. In: ENCONTRO ENANPAD, 37., 2013, Rio de Janeiro. Anais... Rio de
Janeiro: Anpad, 2013. p. 1-16.

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                    <text>USO DAS FONTES DE INFORMAÇÃO NA FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE

Rejane Sales de Lima Paula (UNIR) - paula.rejane23@gmail.com
José Lucas Pedreira Bueno (UNIR)
Resumo:
O presente trabalho é um recorte de uma pesquisa em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em
Educação Escolar - Mestrado Profissional da Universidade Federal de Rondônia (MEPE/UNIR), e tem como objetivo
investigar a utilização das tecnologias na atividade de busca de fontes de pesquisas na área de educação e desenvolver
inovações didáticas e tecnológicas capazes de facilitar a consulta bibliográfica nas bases de pesquisas na área de
educação. A pesquisa-ação foi o procedimento mais adequado às proposições desta pesquisa e a população deste estudo
está constituída pelos alunos do curso de licenciatura de Pedagogia da UNIR de Porto Velho RO.
Palavras-chave: Tecnologias da informação e comunicação. Fontes informacionais em educação. Formação
inicial docente.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea

temática:

Educação

de

usuários

e

competências

informacionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O presente trabalho trata de um recorte de uma pesquisa em desenvolvimento no
Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar - Mestrado Profissional (PPGEE/MEPE)
da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). A pesquisa visa investigar a seguinte questão:
Em que medida a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) na
atividade de busca de fontes de pesquisas na área de educação, durante a formação inicial
docente, pode desenvolver inovações didáticas e tecnológicas capazes de facilitar a consulta
bibliográfica e o processo ensino-aprendizagem da pesquisa em educação? Com o propósito
de responder a questão proposta, esta pesquisa tem como objetivo investigar a utilização das
TIC na atividade de busca de fontes de pesquisas na área de educação, durante a formação
inicial docente, para desenvolver inovações didáticas e tecnológicas capazes de facilitar a
consulta bibliográfica e o processo ensino-aprendizagem da pesquisa em educação.

2 Materiais e métodos
A pesquisa-ação foi o procedimento mais adequado às proposições desta pesquisa, a
qual é definida por TRIPP (2005) como “uma forma de investigação -ação que utiliza técnicas
de pesquisa consagradas para informar à ação que se decide tomar para melhorar a prática”. A
pesquisa obedece à normatização que rege o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) (Resolução
CNS 466/12) e está baseada na pesquisa exploratória com abordagem qualitativa voltada para
a busca de solução coletiva, dentro de um processo de mudança e de intervenção. O CEP
concedeu

parecer favorável ao desenvolvimento

da pesquisa registrada

no CAAE

53018115.1.0000.5300 em 29/02/2016.
A população deste estudo está constituída pelos alunos do curso de licenciatura de
Pedagogia da UNIR, Campus de Porto Velho. Para a coleta de dados utilizaremos dados
primários, definidos por Gil (2002) como aqueles que ainda não foram antes coletados, como
registros, anotações no ambiente observado e questionários semiestruturados com os alunos
do curso de pedagogia.

3 Resultados parciais
Num primeiro momento, explicitamos as contribuições do uso da tecnologia no
processo formativo dos profissionais da educação básica como sendo um dos desafios a ser

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

incorporado na formação inicial, para aprendizados referentes às novas competências
profissionais, tais como a alfabetização informacional, bem como a articulação de uma
linguagem tecnológica para os alunos em formação balizados pela tecnologia, baseado nas
orientações e ensinamentos de como utilizar, pesquisar, identificar, localizar, avaliar as fontes
informacionais disponíveis para a educação.
Uma proposta dessa amplitude vai potencializar a significação do conhecimento do s
sujeitos acerca das possibilidades de inovações didáticas e tecnológicas a partir do
desenvolvimento da pesquisa informacional bibliográfica para a formação inicial de
professores da educação básica.

4 Considerações parciais
Reconhecemos que, a inserção da tecnologia na formação inicial docente como
facilitadora da utilização das TIC na atividade de busca de fontes de pesquisas na área de
educação, pode ser considerada como uma das especificidades construções do chamado saber
acadêmico, que é adquirido nessa fase de constituição profissional docente. Por isto,
acreditamos que os cursos de formação têm o desafio de desenvolver profissionais capazes de
assumir e dominar os vários conteúdos informacionais espalhados na internet para que
possam informar-se e adquirir novos conhecimentos.

5 Referências
GIL, A. C. (2002). Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Resolução nº466 de 2012. Dispõe sobre pesquisa envolvendo
seres humanos. Bioética. 2012. Disponível em:&lt;
http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf&gt;. Acesso em: 28 de jan. de
2016.
TRIPP, D. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educ. Pesqui., São Paulo , v.
31, n. 3, dez. 2005. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n3/a09v31n3.pdf&gt;.
Acesso em 28 de jan. de 2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                    <text>UM OLHAR SOBRE O ACERVO DE PERIÓDICOS DA UNIRIO
Karolyne Sousa Amaral (UNIRIO) - karolyneamaral@id.uff.br
Thalita Oliveira da Silva Gama (UNIRIO) - gama.thalita@hotmail.com
Resumo:
O presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência de avaliação e inventário do acervo
de periódicos realizado na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas e Sociais
(BSCCHS) e Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (BSCCJP) na
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Derivada desse processo de
Inventário e avaliação da formação e desenvolvimento de coleções o trabalho aborda a
responsabilidade política, técnica e
social envolvidas. Boas práricas e projetos foram
desenvolvidos a partir dessa prática, dinamizando a coleção de periódicos e tornando-a mais
acessível e interessante aos usuários. Considera-se que essa atividade resultou em uma
reflexão acerca da qualidade, importância histórica e necessidade de atenção a esse acervo.
Palavras-chave: UNIRIO. Catálogo Coletivo Nacional. Periódicos. Biblioteca Universitária
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência de avaliação e inventário do
acervo de periódicos realizado na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas e
Sociais (BSCCHS) e Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (BSCCJP)
na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Essa atividade resultou em
uma reflexão acerca da qualidade, importância histórica e necessidade de atenção a esse
acervo.

2 Materiais e métodos
A avaliação é parte fundamental no desenvolvimento de coleções, pois reúne dados
para atividades destinadas a solucionar problemas e/ou tomada de decisões sobre o que fazer
com o acervo de uma biblioteca. Configura-se em uma importante ferramenta, que serve de
suporte ao administrador na verificação dos efeitos dos seus serviços, e promove os
ajustamentos necessários ao bom desempenho dos mesmos.
O objetivo do inventário da coleção de periódicos tanto da Biblioteca do Centro de
Ciências Jurídicas e Políticas e do Centro de Ciências Humanas é verificar a situação real do
acervo, pontos fortes e fracos e posteriormente, inserção e atualização dos títulos e fascículos
para a exportação do Catálogo de Periódicos do Sistema de Bibliotecas da UNIRIO para o
Catálogo Coletivo Nacional (CCN). A importância dessa inserção é que o CCN é um catálogo
de acesso público que reúne informações sobre as coleções de publicações seriadas nacionais
e estrangeiras disponíveis nas bibliotecas brasileiras. Desta forma, o acervo de periódicos será
divulgado de forma mais ampliada para a comunidade acadêmica, que poderá, inclusive,
solicitar os artigos através do Programa de Comutação Bibliográfica (COMUT).
A metodologia utilizada para a avaliação do acervo teve por base o método
comparativo. Para isso, foram gerados relatórios no sistema de gerenciamento de acervo, que
apresentava o número de títulos e exemplares que estavam inseridos no sistema juntamente
com uma ficha previamente preenchida que continha as informações pertinentes ao estado
real ao acervo na estante (quantidade de exemplares, estado de conservação, etc.). Utilizando
a abordagem quantitativa e qualitativa, conforme descrito por Miranda (2007, p.14),
"quantitativos (tamanho e crescimento) e qualitativos (julgamento por especialistas, análise do
uso real), em que os resultados são comparados e analisados, assegurando o alcance dos
objetivos da avaliação da coleção, garantindo uma melhor qualidade da política de
desenvolvimento de coleções”.

3 Resultados parciais/finais
Através do inventário do acervo de periódicos, constatou-se a necessidade de
manutenção do acervo, no que se refere à preservação das obras, ao desbaste e descarte de
fascículos duplicados.
 Potencial/Raridade do acervo retrospectivo para os cursos de Ciências
Humanas;
 Inclusão das obras no sistema do Catálogo Coletivo Nacional;
 Projeto de preservação da memória da produção de professores e alunos
autores de artigos presentes nos periódicos do acervo através de analíticas;
 Identificação dos periódicos produzidos pela UNIRIO para a indexação;
 Planejamento de uma política de incentivo ao uso e divulgação da coleção para
os usuários;

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

 Inventário com a situação real do acervo.

4 Considerações parciais/finais
O inventário do acervo documental faz parte do serviço de referência em biblioteconomia
(PIEROTTI; NEILS, 1985). Inventariar significa verificar ou confirmar a existência de
materiais (CHIAVENATO apud MOSER et al., 2008). O inventário é uma tarefa periódica
realizada pelas equipes de biblioteca. No entanto, há pouca literatura nacional sobre o tema e,
especialmente, com foco em bibliotecas especializadas como é o caso da de Ciências humanas
e a do Centro de Ciências Jurídicas e Política. A motivação para descrever o presente trabalho
se deu por ser o primeiro inventário realizado em muitos anos e sua importância para a
instituição e usuários. Igualmente, é fundamental que a atividade de avaliação do acervo seja
também aplicada em todas as bibliotecas que integram o Sistema.
Acreditamos que o trabalho realizado irá gerar bons frutos a partir de práticas já delimitadas
como a preservação e divulgação do acervo. É papel dos bibliotecários preservar a memória e
manter o CCN atualizado com a intenção de promover a biblioteca, seu acervo e fortalecer a
rede.

5 Referências
INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA.
CATÁLOGO COLETIVO NACIONAL. Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/informacaopara-ciencia-tecnologia-e-inovacao%20/catalogo-coletivo-nacional-de-publicacoesseriadas%28ccn%29&gt;. Acesso em: 20 abr. 2016.
MIRANDA, Ana Cláudia Carvalho de. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas
universitárias. Rev. Digit. Bibl. Cienc. Inf., Campinas, v. 4, n. 2, p. 1-19, jan./jun. 2007.
Disponível em: &lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/367/246&gt;.
Acesso em: 20 abr. 2016.
MOSER, E. M.; CASAS, J. C.; LEMOS, M. G. O inventário do acervo parcial do sistema
integrado de bibliotecas da biblioteca universitária da Universidade Regional de Blumenau
(FURB): relato de experiência. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, Campinas, v. 6, n. 1, p. 84-100, jul./dez. 2008. Disponível em: &lt;
http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/393&gt; Acesso em: 20 abr. 2016
PIEROTTI, M. DE L. C.; NEILS, V. R. Inventário rotativo: uma visão pragmática. Revista de
Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v. 13, n. 1, p. 59-65, jan./jun. 1985. Disponível em: &lt;
http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000002835&amp;dd1=01686: Acesso em: 20 abr.
2016

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                <text>O presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência de avaliação e inventário do acervo de periódicos realizado na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas e Sociais (BSCCHS) e Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (BSCCJP) na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Derivada desse processo de Inventário e avaliação da formação e desenvolvimento de coleções o trabalho aborda a responsabilidade política, técnica e social envolvidas. Boas práricas e projetos foram desenvolvidos a partir dessa prática, dinamizando a coleção de periódicos e tornando-a mais acessível e interessante aos usuários. Considera-se que essa atividade resultou em uma reflexão acerca da qualidade, importância histórica e necessidade de atenção a esse acervo.</text>
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                    <text>TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: O CENÁRIO ATUAL NA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE UBERLÂNDIA, MG

Maira Nani França (UFU) - mairanani@hotmail.com
Kelma Patrícia Souza (UFU) - kelma.biblio@hotmail.com
Resumo:
Nos últimos anos surgiram diversas reflexões relacionadas às rápidas mudanças nas mais
diversas áreas, resultantes das inovações tecnológicas. Vivencia-se, nesta segunda década do
milênio com maior intensidade e rapidez, os reflexos das mudanças conceituais e estruturais
relacionadas à educação, frente às novas configurações das universidades – e de suas
bibliotecas, em particular – decorrentes das políticas governamentais de reestruturação e
ampliação do ensino superior. Este trabalho objetiva identificar as tendências tecnológicas
implementadas nas bibliotecas universitárias brasileiras e apresentar os investimentos em
Tecnologias da Informação e Comunicação implantadas pelo Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU), nos últimos cinco anos.
Palavras-chave: Inovação tecnológica. Biblioteca Universitária. Tecnologias da Informação e
Comunicação – Bibliotecas universitárias. Tendências tecnológicas em bibli
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Nos últimos anos surgiram diversas reflexões relacionadas às rápidas mudanças nas mais diversas
áreas, resultantes das inovações tecnológicas. Vivencia-se, nesta segunda década do milênio, os
reflexos das mudanças conceituais e estruturais relacionadas à educação, frente às novas
configurações das universidades – e de suas bibliotecas, em particular – decorrentes das políticas
governamentais. A fim de acompanhar as novas tendências tecnológicas e aprimorar a qualidade
dos serviços informacionais, buscando a excelência, cabe aos gestores das bibliotecas acompanhar
essas tendências, implementar novos produtos/serviços que atendam a reais necessidades de seus
usuários, buscar novos modelos de gerenciamento organizacional, firmar parcerias que permitam
definir prioridades e alcançar objetivos comuns e, principalmente, aprimorar a gestão do
conhecimento. A International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA), em
2013, publicou um relatório com principais tendências que transformariam o ambiente da
informação, a saber: ampliação/limitação àqueles que têm acesso à informação pelas tecnologias;
democratização e rompimento com o ensino em escala global, por meio da educação pela internet;
redefinição dos limites de privacidade e de proteção; surgimento de novas vozes e novos grupos
de poder na sociedade hiperconectada e transformação da economia global da informação por
meio das tecnologias (IFLA, 2013). A partir dos trabalhos apresentados em dois grandes eventos
na área de Ciência da Informação, realizados em 2014, foi possível identificar as realidades
tecnológicas vivenciadas em bibliotecas universitárias brasileiras e as tendências, que apresentam
relação direta com àquelas indicadas pela IFLA como agentes de transformação: a) XV
ENANCIB: metadados, arquitetura da informação, repositórios digitais, Design Science,
publicação ampliada, redes sociais, E-Science, Big Data, ontologia, websemântica,
microformatos, inclusão digital, acessibilidade, indexação automática e b) XVIII SNBU: redes
sociais, ferramentas da web 2.0, marketing digital, arquitetura da informação, acervo eletrônico,
autoarquivamento, lei de acesso à informação, bibliotecas digitais, repositórios instituicionais,
tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID), tecnologias assistivas, capacitação em
ambiente virtual, acesso aberto, atendimento online (chat), serviço de descoberta e preservação
digital. Para garantir o valor das bibliotecas e conquistar o reconhecimento necessário para sua
manutenção e ampliação, os gestores, a partir do trabalho em equipe, são impulsionados a buscar
soluções para superar os obstáculos, vencer os desafios e acompanhar as tendências, “como uma
oportunidade para renovação” (CUNHA, 2000, p. 88).

2 Materiais e métodos
A metodologia adotada nesta pesquisa fundamentou-se nos pressupostos da pesquisa qualitativa,
de viés exploratório, a fim de buscar os subsídios necessários para a compreensão das questões
relativas ao tema, por meio de levantamento bibliográfico e documental e, observação direta com
o fenômeno analisado. Como objeto de pesquisa destaca-se o SISBI/UFU, criado em 1989,
composto por 9 bibliotecas, que desde 2011, tem priorizado o investimento em implementações
tecnológicas de modo a buscar novas soluções práticas para os problemas informacionais de seus
usuários. A análise e interpretação dos dados se deu a partir dos resultados apontados na literatura
confrontados com a realidade vivenciada. Neste trabalho objetivamos identificar as tendências
tecnológicas implementadas nas bibliotecas universitárias brasileiras e apresentar os
investimentos em Tecnologias da Informação e Comunicação implantadas pelo Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU), nos últimos cinco anos.

3 Resultados parciais/finais
Em 2011, o SISBI iniciou investimentos em tecnologia por meio da implantação do Software de
Gerenciamento de Aquisição de Material Informacional (SIGAMI) que proporcionou total
integração e acompanhamento pelos solicitantes de material informacional. No mesmo ano, foram
implantados equipamentos e dispositivos para segurança do acervo, por meio de soluções e sistemas
eletromagnéticos (EM), como Antena de detecção e etiquetas EM e, para coleta de dados nas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

etiquetas RFID afixadas nos itens foi adotado o Assistente Digital para Bibliotecas (DLA) e para
leitura de dados a Estação de processamento (PAD). Com as implantações das tecnologias EM e
RFID, a partir de 2013, foram instaladas nas bibliotecas da UFU, Estações de Trabalho (Boockchek)
para agilizar os serviços de circulação de obras, até então realizados manualmente. Os sistemas de
autogestão no empréstimo e na devolução de obras, proporcionaram a independência aos usuários
nas atividades de empréstimo e devolução. Destaca-se que o SISBI/UFU foi a primeira biblioteca
brasileira a implantar o modelo de sistema de autodevolução, Intelligent Return FX, mais moderno da
empresa 3M. Outra inovação de impacto, em 2013, foi a disponibilização de scanners planetários
para a realização do autosserviço de reprografía. As principais contribuições foram a diminuição do
dano físico às obras, a gratuidade do serviço e o desenvolvimento sustentável. O início do empréstimo
de netbooks, tablets e e-readers ocorreu no período de 2013/2014, com objetivo prioritariamente de
atender as demandas dos usuários de baixa condição sócioeconômica. O sistema de gerenciamento das
bibliotecas, Virtua, recebeu em 2014 duas novas ferramentas: interface CHAMO (refinamento de
busca por filtro) e aplicativo para dispositivos móveis MozGo. Enfim, destacam-se também outras
tecnologias de grande impacto, como: Videoconferêcia, Ilhas Multimídias e de Pesquisa,
Laboratórios Colaborativos, Rede sem fio Wi-Fi, Web TV, redes sociais e tecnologias assistivas
que contribuem para otimizar a relação tempo/espaço dos usuários permitindo-lhe um atendimento
mais personalisado e de qualidade na produção e geração do conhecimento relacionado às atividades
de ensino pesquisa e extensão. Confrontando as tendências tecnológicas para bibliotecas
universitárias apontadas na literatura com a realidade vivenciada no SISBI/UFU é possível
afirmar que 22% daquelas ainda não foram implementadas, como: aplicação dos conceitos de
arquitetura da informação na página eletrônica; sistema de gerenciamento da coleção com o
recurso de busca integrada; aplicação de métricas para avaliação de publicações científicas e
oferta de capacitação aos usuários por meio de ambiente virtual. No entanto, o retorno positivo dos
usuários em relação ao investimento tecnológico do SISBI/UFU, nos últimos cinco anos, tem
motivado os gestores a conhecerem novas possibilidades, como estas identificadas neste estudo e a
terem como meta maior a instalação das tecnologias existentes nas bibliotecas que ainda não oferecem
esses produtos/serviços, bem como ampliar naquelas onde a quantidade disponível não atende toda
demanda, de modo a garantir um atendimento equitativo à comunidade universitária e externa.

4 Considerações parciais/finais
Não nos é possível prever o futuro, porém algumas tendências se apresentam como referência para
pensar a gestão em bibliotecas: a necessidade de disponibilizar ambientes mais diversificados, a
importância de tornar o atendimento cada vez mais ágil e adequado ao perfil do público jovem –
nativo digital – que frequenta as bibliotecas, disponibilização de novos serviços/produtos, necessidade
de se saber um pouco mais de tudo e a importância de disponibilizar maior acesso ao acervo virtual.
Para tanto, é primordial que as bibliotecas conheçam as particularidades de seus usuários e busquem
soluções para atender suas demandas pontuais, de modo estruturado, possibilitando-lhes maior
autonomia. As tecnologias proporcionam rejuvenescimento, mudança considerável na conduta
social e nos padrões de investimento, além de significativa mudança institucional.

5 Referências
CUNHA, Murilo Bastos Cunha. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em
2010. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 29, n. 1, p. 71-80, jan./abr. 2000. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n1/v29n1a8&gt;. Acesso em: 28 nov. 2013.
INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS. Trend reports. Den Haag,
19 ago. 2013. Disponível em: &lt;http://trends.ifla.org/&gt;. Acesso em: 27 set. 2014.

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                <text>Nos últimos anos surgiram diversas reflexões relacionadas às rápidas mudanças nas mais diversas áreas, resultantes das inovações tecnológicas. Vivencia-se, nesta segunda década do milênio com maior intensidade e rapidez, os reflexos das mudanças conceituais e estruturais relacionadas à educação, frente às novas configurações das universidades – e de suas bibliotecas, em particular – decorrentes das políticas governamentais de reestruturação e ampliação do ensino superior. Este trabalho objetiva identificar as tendências tecnológicas implementadas nas bibliotecas universitárias brasileiras e apresentar os investimentos em Tecnologias da Informação e Comunicação implantadas pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU), nos últimos cinco anos.</text>
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                    <text>Sustentabilidade em serviços: ações da Biblioteca da EESC/USP
Teresinha das Graças Coletta (EESC USP) - coletta@sc.usp.br
Eduardo Graziosi Silva (EESC/USP) - edu.gs@sc.usp.br
Flávia Helena Cassin (EESC-USP) - cassinp@sc.usp.br
Resumo:
A preocupação crescente com o uso de recursos provenientes do meio ambiente motivou o
estabelecimento de ações para sua melhor gestão tornando-os, assim, mais sustentáveis.
Neste contexto, as Instituições de Ensino Superior têm desenvolvido estudos e projetos
voltados para melhor uso dos recursos naturais e nesse sentido, a Universidade de São Paulo
(USP), por meio do “Programa USP Recicla”, procura melhorar a gestão desses recursos.
Assim, a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP trabalha e desenvolve ações que
estimulem o ensino e a capacitação de recursos humanos voltados para pesquisa e inovação
em sustentabilidade e gestão ambiental. Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo
apresentar ações desenvolvidas e/ou propostas pelo Serviço de Biblioteca “Prof. Dr. Sergio
Rodrigues Fontes” da EESC/USP com base nos objetivos do Programa USP Recicla. Descreve
produtos e serviços que foram modificados ao longo dos anos visando a tornar os processos de
trabalho mais sustentáveis. Sua justificativa recai sobre a necessidade das bibliotecas
universitárias se adequarem a um contexto em que, cada vez mais, os recursos tornam-se
limitados e mostra possibilidades de adequação de suas atividades por meio do uso das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Produto de informação. Serviço de informação.
Sustentabilidade.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A preocupação crescente com o uso de recursos naturais motivou o estabelecimento de
ações para sua melhor gestão, tornando-os mais sustentáveis. Assim, as Instituições de Ensino
Superior têm desenvolvido estudos e projetos voltados para melhor uso dos recursos naturais
e nesse sentido, a Universidade de São Paulo (USP) também vem investindo em processos de
gestão ambiental, de forma a contribuir com uma gestão sustentável (AMARAL et al., c2013;
(LEME; MARTINS; BRANDÃO, 2012). Em paralelo, encontram-se as Tecnologias de
Informação e Comunicação (TICs) que trabalham em consonância com as questões de
sustentabilidade, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos no que se refere, por exemplo,
à criação de portais governamentais e serviços públicos online (BCSD PORTUGAL, 2009).
Apresentam-se ações desenvolvidas pelo Serviço de Biblioteca “Prof. Dr. Sergio
Rodrigues Fontes” da EESC/USP ao longo dos anos (PASCHOALINO, 2010) que visam
tornar os processos de trabalho mais sustentáveis. Este trabalho justifica-se pela necessidade
das bibliotecas universitárias se adequarem a um contexto de recursos cada vez mais limitados
e mostra possibilidades de adequação de suas atividades por meio das TICs.

2 Materiais e métodos
Apresenta-se aqui um levantamento dos produtos e serviços que puderam se beneficiar
do uso das TICs e se tornaram mais sustentáveis. O método adotado foi a análise do portal da
biblioteca1.
Ao serem identificados, eles foram categorizados nos seguintes tópicos: Infraestrutura;
Capacitação dos usuários; Comunicação; Produtos e Serviços; Eventos.

3 Resultados finais
O quadro a seguir elenca os produtos e serviços oferecidos que se tornaram mais
sustentáveis com o uso da TICs.
Quadro 1- Produtos e serviços sustentáveis da Biblioteca
Sala de pesquisa com 15 computadores para acesso à
internet
Infraestrutura

Sala de videoconferência para atender defesas,
qualificações, aulas e eventos
Sala de treinamento com 14 computadores
Elaboração de slides no Microsoft PowerPoint para as
palestras dos alunos de graduação e pós-graduação, no
âmbito do PEU (COLETTA et al., 1998)

Capacitação dos usuários

Comunicação

Utilização da ferramenta Moodle para gerenciamento
das disciplinas de pesquisa bibliográfica para a
graduação e pós-graduação
Adoção de mídias sociais, como Facebook e Twitter
Atendimento online com o uso do software Mibew
Criação do novo Portal da Biblioteca em 2015
Totem eletrônico para a comunicação interna,
exposição digital, informações acadêmicas e
públicas
Adoção do software Sisweeb desenvolvido pelo
IQSC-USP para Empréstimo entre Bibliotecas
Criação da BDTCC – Biblioteca Digital de Trabalhos
Acadêmicos em parceria com o CISC-USP
Criação de formulário para geração eletrônica de ficha
catalográfica para trabalhos acadêmicos

�2

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
Criação de formulário do Google Forms para o serviço
de solicitação de material bibliográfico
Produtos e
serviços

Criação de templates para elaboração de trabalhos
acadêmicos nos softwares Microsoft Word e Latex
Criação do sistema
bibliográfico on-line

de

doação

de

material

Digitalização retrospectiva de teses (projeto em
andamento)
Eliminação dos recibos de empréstimos e devolução,
ambos são enviados por e-mail
Troca eletrônica de documentos, iniciados em 1996
por meio de consórcio internacional

Eventos

Criação do Portal de Eventos Científicos da EESC2,
com o uso do software SOAC, customizado pelo
IBICT (http://soac.eesc.usp.br)
Criação de sites para gestão dos eventos: Semana “A
pós-graduação da EESC na Biblioteca” e “Semana do
Livro e da Biblioteca”
Realização de exposições digitais com o uso de totens
e da TV do saguão de entrada da biblioteca.

4 Considerações finais
Este trabalho apresenta os produtos e serviços oferecidos pela Biblioteca da EESC que
puderam se tornar sustentáveis com o uso das TICs. Essas ferramentas não só agilizam a sua
oferta, como também diminuem o uso de recursos, por exemplo, materiais de escritório como
papel, além de otimizar o tempo de atendimento.

5 Referências
AMARAL, R. C. et al. Aplicabilidade da pegada ecológica em contextos universitários. In:
PHILIPPI JUNIOR, A.; MALHEIROS, T. F. (Eds.). Indicadores de sustentabilidade e
gestão ambiental. Barueri: Manole, c2013. p. 495-521.
BCSD PORTUGAL. Sustentabilidade nas tecnologias de informação e

comunicação: manual de boas práticas. 2009. Disponível em: &lt;
http://www.bcsdportugal.org/wp-content/uploads/2013/11/publ-2009Sustentabilidade-TIC.pdf&gt;. Acesso em: 7 jul. 2016.
COLETTA, T.G. et al. Programa de educação de usuários. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10., Fortaleza, Anais eletrônicos... Fortaleza:
TECTREINA, 1998.
LEME, P. C. S.; MARTINS, J. L. G.; BRANDÃO, D. (Orgs.). Guia prático para
minimização e gerenciamento de resíduos: USP São Carlos / São Carlos:
EESC/CCSC/SGA-USP, 2012.
PASCHOALINO, R. A. Serviço de referência virtual no Serviço de
Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16.,
Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: [s.n.], 2010. p. 1-12.

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                <text>A preocupação crescente com o uso de recursos provenientes do meio ambiente motivou o estabelecimento de ações para sua melhor gestão tornando-os, assim, mais sustentáveis. Neste contexto, as Instituições de Ensino Superior têm desenvolvido estudos e projetos voltados para melhor uso dos recursos naturais e nesse sentido, a Universidade de São Paulo(USP), por meio do “Programa USP Recicla”, procura melhorar a gestão desses recursos. Assim, a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP trabalha e desenvolve ações que estimulem o ensino e a capacitação de recursos humanos voltados para pesquisa e inovação em sustentabilidade e gestão ambiental. Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo apresentar ações desenvolvidas e/ou propostas pelo Serviço de Biblioteca “Prof. Dr. Sergio Rodrigues Fontes” da EESC/USP com base nos objetivos do Programa USP Recicla. Descreve produtos e serviços que foram modificados ao longo dos anos visando a tornar os processos de trabalho mais sustentáveis. Sua justificativa recai sobre a necessidade das bibliotecas universitárias se adequarem a um contexto em que, cada vez mais, os recursos tornam-se limitados e mostra possibilidades de adequação de suas atividades por meio do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).</text>
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                    <text>Resgate e divulgação da produção científica dos docentes da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná Campus Londrina
Sandra Helena Schiavon (PUCPR) - sschiavon@gmail.com
Nadia Ficht (PUCPR) - nadia.ficht@pucpr.br
Resumo:
O trabalho em questão apresenta a implantação do serviço de resgaste e indexação das
publicações científicas dos docentes da Pontifícia Universidade Católica do Paraná Campus
Londrina. O serviço em questão é uma continuidade do mesmo, já implantado pelas autoras
em 2008, na mesma instituição. O resgate e indexação da publicação cientifica dos docentes,
facilita o acesso do acadêmico a publicação de seu professor, mantém uma espécie de
repositório das pesquisas e estudos realizados, bem como dados de produção de cada docente,
oferece informações relevantes durante uma avaliação do Ministério da Educação – MEC. O
serviço em questão continua em andamento em todas as bibliotecas do Sistema Integrado de
Bibliotecas da PUCPR.
Palavras-chave: Publicação científica. Separatas. Docentes.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O pôster em questão apresenta a implantação do serviço de resgaste e indexação das
publicações científicas dos docentes da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)
- Campus Londrina.
As Instituições de ensino superior têm como um de seus principais objetivos,
transmitir os conhecimentos gerados através de suas linhas de pesquisa, ensino e extensão. A
disseminação destes conhecimentos por meio de sua produção científica, seja ela de docentes,
discentes ou colaboradores.
“A produção científica representa uma parte materializada do conhecimento gerado e
sua disseminação constitui a socialização do saber (MACHADO; MEIRELLES, 2005, p.170).
O resgate e indexação das publicações dos docentes vinculados a PUCPR Campus
Londrina é uma continuidade do serviço já implantado pelas autoras em 2008, na mesma
instituição. Em 2008 foram levantados todos os artigos e publicações dos docentes vinculados
ao Hospital Universitário Cajuru e Campus Toledo da da Pontifícia Universidade Católica do
Paraná (PUCPR). O material recuperado foi indexado em forma de separata, no Sistema
Pergamum, criando um repositório institucional das publicações cientificas geradas pelos
pesquisadores da instituição. Neste “serviço de indexação”, são apenas incluídos artigos
publicados em periódicos e/ou apresentados em congressos, seminários colóquios e encontros.
Com a indexação de separatas é possível “[...] disseminar de forma organizada e
sistemática toda a produção científica e intelectual dos pesquisadores, com o intuito de criar
uma base de dados unificada de todo trabalho desenvolvido [...].” (MARQUES; SOUZA,
2008).
As bibliotecas universitárias são grandes depositárias de informação acadêmica, além
dos livros básicos e complementares utilizados em salas de aulas, as bibliotecas universitárias
servem de “guardiãs” das publicações realizadas pelos pesquisadores locais.

2 Materiais e métodos
O presente pôster é um relato de experiência, do serviço de indexação da produção
cientifica no Sistema Pergamum dos docentes vinculados a PUCPR.
Sua implantação deu-se em 2008, com as bibliotecas setoriais do Hospital
Universitário Cajuru e Biblioteca do Campus Toledo, em 2009 o serviço foi implantado
também na Biblioteca Campus Maringá e em 2015, iniciou-se na Biblioteca Campus
Londrina e Biblioteca Central.
Para atingir o objetivo proposto, foi realizado um levantamento de toda a produção
científica dos docentes da Biblioteca em questão. Primeiramente foram enviados ofícios aos
docentes solicitando que depositassem na biblioteca a sua produção científica, para que esta
fosse indexada e armazenada em forma de separata na biblioteca. Ocorrendo pouco retorno
por parte dos docentes, fez-se necessário o levantamento e busca através do currículo lattes de
cada docente até o ano de 2015. Os artigos recuperados foram impressos para o início da
indexação.
Após esta primeira etapa, iniciou-se a indexação propriamente dita, toda esta produção
foi indexada e controlada pelo Sistema PERGAMUM - Sistema Integrado de Bibliotecas que
é um sistema informatizado de gerenciamento de Bibliotecas, desenvolvido pela Divisão de
Processamento de Dados da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. A indexação
relaciona os principais assuntos e resumo de determinado artigo, auxiliando na localização da
informação de forma ágil e precisa.
Com esta indexação pode-se fazer a recuperação dos artigos indexados através do

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

autor, título, assunto, título do periódico e através de qualquer palavra do resumo.

3 Resultados parciais/finais
Neste trabalho foram recuperados 150 documentos de docentes da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná (PUCPR) - Campus Londrina, destes apenas 130 estão
dentro dos parâmetros selecionados para indexação e armazenagem.
As publicações foram na sua maioria localizados através da pesquisa no currículo
lattes, e recuperados em bases de dados, sites de universidades entre outros, para na sequencia
serem impressos e indexados como separatas.
A partir do levantamento realizado com a produção cientifica observa-se o curso que
mais realiza publicações e em que período. O serviço oferece também um repositório local
das publicações dos pesquisadores do Campus, informação relevante nas visitas do MEC,
bem como aos acadêmicos que solicitam os artigos de seus professores.
Pode-se se constatar que 70% das publicações recuperadas são da área de saúde, mais
especificamente vinculadas aos docentes do curso de medicina, seguido da teologia,
engenharia de produção e administração. As publicações concentram-se na maioria após o
2005, com três ou mais autores, mostrado a parceria entre os colegas. Percebe-se também que
a publicação em periódicos ainda é mais frequente do que em eventos, sendo um equivalente
a 85% do total.

4 Considerações parciais/finais
O resgate e disseminação das publicações dos docentes, é de suma importância para
divulgar o trabalho dos profissionais vinculados a cada campus da universidade.
Observou-se que a parceria dos autores é marcante na comunidade estudada,
pontuando assim que o trabalho em equipe é bem valorizado. O meio de divulgação escolhido
pelos autores é o artigo publicado em periódicos científicos. Verificou-se também que com a
indexação destas separatas pelas bibliotecas, o usuário pode ter acesso com mais rapidez ao
artigo, pois existem artigos publicados em periódicos que a biblioteca não possui a coleção.
Em fim o resgate e indexação da publicação cientifica dos docentes, facilita o acesso
do acadêmico a publicação de seu professor, mantém uma espécie de repositório das
pesquisas e estudos realizados, bem como dados de produção de cada docente, oferece
informações relevantes durante uma avaliação do Ministério da Educação – MEC.
O serviço em questão continua em andamento em todas as bibliotecas do Sistema
Integrado de Bibliotecas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

5 Referências
MACHADO, R. N.; MEIRELLES, R. F. Produção científica dos docentes da Universidade
Federal da Bahia da área de filosofia e ciências humanas no período de 1995-1999.
Transinformação, Campinas, v.17, n.2, p. 169-179, 2005.
MARQUES, F. L. N.; SOUZA, A. M. C. Projeto de resgate da produção científica do Instituto
Oswaldo Cruz. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 14.,
2006. Salvador. Anais...Salvador, 2006. 1 CD-ROM

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                    <text>Relatório como controle de qualidade no sistema Pergamum: uma
experiência no Processamento Técnico da Biblioteca Central do
Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, RJ

Ana Paula Lima dos Santos (UFF) - annalima27@gmail.com
Lucyene Almeida Faria Brito (UFF) - lucyenealmeida@hotmail.com
Resumo:
O artigo aborda o controle de qualidade por meio dos relatórios gerados pelo sistema
Pergamum. Desmitifica o relatório visto apenas como instrumento para levantamento de dados
estatísticos e qualitativos. Apresenta a rotina do Processamento Técnico (PROTEC) da
Universidade Federal Fluminense (UFF). Os relatórios são apresentados como instrumentos
de verificação para o controle de qualidade. Aborda a catalogação como uma importante
atividade para recuperação de informações. Conclui que é uma prática que permite manter a
coerência dos dados inseridos. Possibilita a verificação de possíveis erros que podem
contribuir para a não recuperação da informação, contribuindo para uma base limpa e
coerente.
Palavras-chave: Relatório. Controle de qualidade. Catalogação
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O Processamento Técnico (PROTEC) da Biblioteca Central do Gragoatá é responsável
por tratar tecnicamente os materiais bibliográficos, entre eles, livros, dissertações e teses da
Universidade Federal Fluminense (UFF) e de outras instituições, anais de eventos, CD’S,
DVD’S, entre outros recebidos por doação, compra e permuta, além de alimentar e manter
atualizado o cadastro de autoridade que inclui: séries, autorias e assuntos.
Devido ao grande volume de materiais tratados, no momento em que são geradas as
etiquetas para o preparo técnico dos materiais, percebemos alguns equívocos, como: erros de
digitação; alguns campos sem preencher, principalmente na tela de exemplar, em que os dados
são mais complexos e numerosos, especificamente com materiais de compras, em que as
informações como preço, número de patrimônio, nota fiscal, coleção entre outros devem ser
preenchidos. Ao identificar esses equívocos, em algumas vezes a etiqueta deve ser reimpressa
o que gera custos e duplicidade de trabalho, além de dificultar a recuperação de informações.
Então, como evitar esses equívocos e prezar pela qualidade mesmo com o grande volume de
materiais para tratar?
A resposta veio do próprio sistema gerenciador que utilizamos: Pergamum, que, digase de passagem, existe uma grande variedade de relatórios, entre eles: o 96 que são relatórios
para gerar dados de aquisição, o 102 que é para ver a situação do exemplar, o 116 de
autoridade, o 118 de exemplar, o 149 que é um relatório por campo, o 235 que são campos
bibliográficos do MARC. Obviamente existem outros, mas esses são os que mais utilizamos
para fazer o controle de qualidade e conferir todos os campos.
Os relatórios geralmente são utilizados para fins estatísticos ou instrumentos para
tomada de decisões para o planejamento das organizações. Entendemos que os relatórios
podem ir além, atuando também no controle de qualidade dos serviços de catalogação e
contribuir para que os dados inseridos no sistema estejam consistentes.

2 Materiais e métodos
Tendo-se em vista os objetivos deste trabalho e das características de uma exploração
técnica, tornou-se necessária a elaboração de uma sistemática para obtenção dos resultados
desejados pelo setor em questão. A metodologia utilizada é a descritiva, pois segundo Lakatos
e Marconi (1986) ela aborda quatro aspectos, a saber: a descrição, o registro, a análise e a
interpretação de fenômenos atuais, objetivando o seu funcionamento no presente. De acordo
com Alyrio (2008) ela busca essencialmente a enumeração e a ordenação de dados, sem o
objetivo de comprovar ou refutar hipóteses exploratórias, abrindo espaço para uma nova
pesquisa explicativa, fundamentada na experimentação. Sendo assim, descreveremos como é
a rotina do serviço:
A Superintendência de Documentação (SDC) é o órgão responsável pela compra dos
materiais bibliográficos para o sistema de bibliotecas da UFF, após o procedimento de
compra os livros recebem as notas fiscais e são encaminhados para as bibliotecas. Ao chegar
no PROTEC, é feita a conferência dos itens, que vem acondicionados em caixas e após a
conferência, de cada item (material bibliográfico), eles recebem uma etiqueta do patrimônio.
Após a colagem das etiquetas nos materiais, procedemos ao tratamento técnico dos mesmos.
Ao terminar o processamento de todos os itens contidos na nota fiscal, geramos o
relatório 96, que é um relatório por nota fiscal, selecionamos um período, a biblioteca, o tipo
de material e a opção sem visualizar área do conhecimento. Com o relatório gerado podemos
conferir se todos os campos do exemplar e título foram inseridos corretamente.
Com os materiais de doação, procedemos da seguinte forma:
� Após, tratados, uma vez por semana emitimos o relatório para conferir se todos os
dados estão corretos, se nenhum campo foi omitido e sem erros de digitação.
Com as autoridades, no final do dia emitimos o relatório 116 para conferir se todas as

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

autoridades inseridas estão corretas e não estão duplicadas, caso seja encontrado algum
equívoco, a correção é feita imediatamente.

3 Resultados parciais/finais
Os relatórios no Pergamum tem se mostrado muito eficazes não só no que se refere à
mensuração, no quantitativo e levantamento de dados sejam descritivos e quantitativos. Eles
são de estrema importância para o controle de qualidade dos dados inseridos no sistema. Um
relatório bem feito vai depender das informações que são inseridas no sistema, e a forma
como são inseridas.
Nesse sentido, o controle de qualidade faz toda a diferença e conseguimos:
� Eliminar os erros de digitação;
� Economia com impressões de etiquetas;
� Uma maior precisão na busca, pois uma informação com erro de digitação pode não
ser recuperada;
� Redução de duplicidade de catalogação;
� Uma base coerente e uniforme.

4 Considerações parciais/finais
A descrição bibliográfica é uma atividade de suma importância para as unidades de
informação, é por meio dessa atividade que o usuário tem acesso a informações e aos
materiais disponíveis na biblioteca. Logo, a padronização é necessária para que os dados
sejam recuperados e acessados pelos usuários.
Sabemos que a realidade de cada biblioteca é diferenciada, muitas não possuem
profissionais suficientes, outras não têm estrutura e assim cada uma vive as suas dificuldades,
a tecnologia ajuda, mais às vezes é falha. Qual catalogador que não teve a experiência de
fazer uma busca para certificar-se que o livro não existe na base, a resposta foi negativa,
quando na verdade era positiva? “que atire a primeira pedra”. O relatório utilizado como
controle de qualidade pode corrigir essas deficiências que podem ocorrer no dia a dia do
catalogador.
Entendemos que o relatório vai além do suporte a gestão para tomada de decisões, vai
além de levantamento de dados sejam eles estatísticos ou qualitativos, eles se utilizados para
esse fim, contribuem para uma base limpa e uniforme propiciando mais consistência nas
informações sejam para recuperá-las, sejam para tomada de decisões.

5 Referências
ALYRIO, R.D. Metodologia Científica. Seropédica: PPGEN: UFRRJ, 2008.
CASTRO, Douglas Bernardes de. Implantação do sistema de biblioteca Pergamum no
IFMG-Campus Bambuí: avaliação do uso e da satisfação dos alunos. Dissertação de
mestrado. Belo Horizonte, 2015.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de
pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados.
São Paulo: Atlas, 1986.
PERGAMUM. Manual de relatório. PUC-Paraná. Disponível em:
&lt;http://www.pergamum.pucpr.br/redepergamum/site_servico_rede_pergamum/pesquisa/arqui
vos/relatorios_WEB.pdf&gt;. Acesso em: 07.maio.2016.

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SIGAA NAS BIBLIOTECAS DOS CAMPI DO IFAL
Aparecida Maria da Silva (IFAL / Campus Satuba) - cidaliberdade@gmail.com
Franciane Monick Gomes de França (IFAL) - franciane.monick@gmail.com
Robson Beatriz Souza (IF-AL) - robsonbiblio@gmail.com
Resumo:
Apresenta o relato da implantação do Sistema Integrado de Gestão Administrativa e
Acadêmica (SIGAA), Módulo Biblioteca, no Instituto Federal de Alagoas, desde sua aquisição
até sua homologação para funcionamento; sendo abordada a gestão de atividades do software,
dentre elas o tratamento técnico: catalogação, indexação, etiquetagem e serviços de usuários.
O presente trabalho baseia-se no relato de experiência do Grupo de Bibliotecários do IFAL,
com objetivo de descrever como foi feito todo o processo de implantação do SIGAA - Módulo
Biblioteca no IFAL, sob a ótica do profissional Bibliotecário, enfatizando a importância de um
sistema de informação para as Bibliotecas do IFAL e seus benefícios para a instituição.
Palavras-chave: Sistema de informação. Sistema de Bibliotecas. Bibliotecários. Instituto
Federal de Alagoas.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão do Conhecimento e da Informação

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                <text>Apresenta o relato da implantação do Sistema Integrado de Gestão Administrativa e Acadêmica (SIGAA), Módulo Biblioteca, no Instituto Federal de Alagoas, desde sua aquisição até sua homologação para funcionamento; sendo abordada a gestão de atividades do software, dentre elas o tratamento técnico: catalogação, indexação, etiquetagem e serviços de usuários. O presente trabalho baseia-se no relato de experiência do Grupo de Bibliotecários do IFAL, com objetivo de descrever como foi feito todo o processo de implantação do SIGAA - Módulo Biblioteca no IFAL, sob a ótica do profissional Bibliotecário, enfatizando a importância de um sistema de informação para as Bibliotecas do IFAL e seus benefícios para a instituição.</text>
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                    <text>RECURSOS DE PESQUISA: UMA INVESTIGAÇÃO DA BIBLIOTECA
NA FACULDADE DE MEDICINA DA UFRGS
Shirlei Galarça Salort (UFRGS e UNISINOS) - shirleisalort@yahoo.com.br
Liana Franzen (UFRGS) - lfranzen@ufrgs.br
Barbara Pilatti Piffer (UFRGS) - bapiffer@gmail.com
Resumo:
O presente trabalho apresenta os resultados parciais de uma pesquisa quali-quantitativa,
realizada com estudantes do curso de Medicina, usuários da Biblioteca FAMED/HCPA, sobre o
uso dos recursos de pesquisa disponíveis, a fim de propor uma reflexão a respeito da
importância da utilização dos mesmos e de descritores autorizados nas pesquisas. Verificou-se
que a maioria dos acadêmicos, não costuma consultar o profissional bibliotecário para
esclarecimento de dúvidas em questões de pesquisa, bem como, não utiliza descritores
autorizados em suas buscas em bases de dados, o que indica a necessidade de uma maior
aproximação por parte da biblioteca com os usuários.
Palavras-chave: Recursos de pesquisa; Estudo de uso e usuário; Bibliotecas
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O presente trabalho apresenta os resultados parciais de uma investigação realizada com
estudantes dos diferentes semestres do curso de Medicina, usuários da Biblioteca da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do
Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Biblioteca FAMED/HCPA, sobre o uso dos
recursos de pesquisa disponíveis, a fim de propor uma reflexão a respeito da importância da
utilização destes e dos descritores autorizados em suas pesquisas.
A partir da identificação de que a maioria dos usuários respondentes, incluindo os
bolsistas de iniciação científica, não costuma consultar o profissional bibliotecário para
esclarecimento de dúvidas em suas questões acadêmicas de pesquisa, bem como, não utiliza
descritores autorizados em suas buscas em bases de dados, verifica-se a necessidade de uma
maior aproximação por parte da biblioteca com os usuários. Para tanto, é necessário refletir de
que forma a biblioteca poderá melhor auxiliá-los na recuperação de informação bibliográfica.
No que se refere aos bolsistas, Costa et al. (2012) destacam a importância da pesquisa de
iniciação científica para a entrada do acadêmico na pós-graduação. Tendo em vista que é a
partir dela que se inicia a construção do conhecimento acerca dos métodos de pesquisa pelos
bolsistas, acreditamos ser preocupante o desconhecimento das ferramentas necessárias à busca
de informação, principalmente no que se refere ao uso de terminologia apropriada. Visto que,
conforme apresenta Pellizzon (2004) para uma busca adequada em bases de dados, o primeiro
passo é localizar a terminologia autorizada e reconhecida mundialmente, ou seja, encontrar
um vocabulário estruturado, pois este é necessário para descrever, organizar e ajudar o usuário
a encontrar a informação que procura.

2 Materiais e métodos
O objetivo da investigação realizada com os usuários da Biblioteca FAMED/HCPA foi
traçar um perfil acadêmico e identificar seus conhecimentos com relação aos recursos de
pesquisa disponíveis.
A coleta de dados se deu através de envio de questionário eletrônico on-line à lista de
alunos matriculados no curso de Medicina no ano de 2015, no qual foram obtidas 43
respostas. O questionário foi composto por questões fechadas, para a coleta dos dados
quantitativos e questões abertas, para os dados qualitativos. A partir da análise destas
respostas, foi possível identificar algumas questões que merecem reflexão por parte da
biblioteca e dos profissionais bibliotecários, a fim de promover maior interação entre a
biblioteca e as demais atividades acadêmicas desenvolvidas na Faculdade de Medicina,
principalmente, no que se refere à iniciação científica.

3 Resultados parciais
Da amostra analisada, com o total de 43 respostas, 17 respondentes, ou seja, 40% são
bolsistas de iniciação científica.
A maioria dos estudantes que responderam à pesquisa, pertence ao sexto e oitavo semestre
da graduação, seguido do sétimo e décimo primeiro semestre, portanto, já cursou mais da
metade dos créditos da graduação, o que torna a aproximação da biblioteca ainda mais
necessária.
Sobre os dados coletados, do total dos respondentes, 74% não costuma utilizar descritores
em suas pesquisas, 51% nunca consultou um bibliotecário, e dos que já consultaram o
bibliotecário alguma vez, 71% foi referente ao funcionamento da biblioteca, seguido de 57%
referente ao acesso a livros eletrônicos, 33% sobre pesquisa em bases de dados on-line e 19%

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

sobre a Biblioteca digital (LUME). Demais informações, como o uso de descritores (palavraschave) e comutação bibliográfica tiveram menos de 10% das respostas. Confecção de ficha
catalográfica, normatização de trabalhos (referências, citações, etc.) e Direitos autorais não
foram assinaladas nas respostas (0%).
Já no que se refere especificamente aos bolsistas, obteve-se os seguintes resultados, 88%
não costumam utilizar descritores em suas pesquisas e 65% nunca consultaram o
bibliotecário, apesar de utilizarem os recursos disponibilizados pela biblioteca.

4 Considerações parciais
De acordo com os dados descritos acima, algumas questões ficaram evidentes, como a não
utilização de alguns recursos de pesquisa, a não consulta ao bibliotecário e a falta de
conhecimento em relação ao uso de descritores, principalmente pelos bolsistas de iniciação
científica.
A eficiência na obtenção de resultados em uma pesquisa pode ser bastante afetada pelo
não uso da terminologia autorizada, o que pode consequentemente prejudicar o
desenvolvimento do aluno enquanto pesquisador e também enquanto profissional no
atendimento à saúde. Já que no desenvolvimento de suas atividades profissionais também
necessitam estar atualizados no que se refere aos conteúdos (novos tratamentos, tipos de
patologia, entre outros), bem como aos recursos de informação disponíveis para o rápido
acesso a tais conteúdos.
Nesse contexto, a questão que cabe a nós bibliotecários e/ou à biblioteca responder é a de
como melhor auxiliar os usuários a utilizarem as ferramentas de forma adequada em suas
pesquisas, principalmente, com relação ao uso de descritores autorizados, para maior precisão
na recuperação da informação.

5 Referências
COSTA, Renata L. et al. Importância do Acesso ao Portal de Periódico da CAPES na
Investigação Científica dos Alunos de Iniciação Científica do IFG. In: SIMPOSIO IBEROAMERICANO DE APLICACIONES Y TECNOLOGÍAS DE INFORMACIÓN Y
COMUNICACIONES, 2012, Orlando. [Anais...]. Orlando: ATIC, 2012. Disponível em: &lt;
http://www.iiis.org/CDs2012/CD2012ADII/ATIC_2012/PapersPdf/AT984OD.pdf&gt;. Acesso
em: 15 abr. 2016.
PELLIZZON, Rosely de Fátima. Pesquisa na área da saúde. 1. Base de dados DeCS
(Descritores em Ciências da Saúde). Acta Cirúrgica Brasileira, São Paulo, v. 19, n. 2, p.
153-163, 2004. Disponível em: &lt; http://www.scielo.br/pdf/acb/v19n2/v19n2a13.pdf&gt;. Acesso
em: 09 jul. 2016.

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                <text>Recursos de pesquisa: uma investigação da Biblioteca na Faculdade de Medicina da UFRS. (Pôster)</text>
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                <text>O presente trabalho apresenta os resultados parciais de uma pesquisa quali-quantitativa, realizada com estudantes do curso de Medicina, usuários da Biblioteca FAMED/HCPA, sobre o uso dos recursos de pesquisa disponíveis, a fim de propor uma reflexão a respeito da importância da utilização dos mesmos e de  descritores autorizados nas pesquisas. Verificou-se que a maioria dos acadêmicos, não costuma consultar o profissional bibliotecário para esclarecimento de dúvidas em questões de pesquisa, bem como, não utiliza descritores autorizados em suas buscas em bases de dados, o que indica a necessidade de uma maior aproximação por parte da biblioteca com os usuários.</text>
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                    <text>REAPROVEITAMENTO DO PAPEL NAS BIBLIOTECAS DA UFU
COMO UMA PRÁTICA SUSTENTÁVEL
Maira Nani França (UFU) - mairanani@hotmail.com
Patricia de Oliveira Portela (ufu) - patriciap@ufu.br
Resumo:
O aquecimento do planeta, a falta de água, os inúmeros desastres naturais, dentre outros são
temas bastante abordados internacionalmente desde a década de 1970, e especificamente no
Brasil, a partir da ECO-92. Como contribuição do contexto de cuidar do meio ambiente, os
profissionais do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia ao observar os
usuários utilizando as mesas de estudo como rascunho, desenvolveram e aplicaram o projeto
de disponibilização ampla de papel rascunho nos ambientes de estudo, como parte integrante
de um projeto maior, denominado Campanha de Conservação do Patrimônio das Bibliotecas da
UFU. Este trabalho compreende no compartilhamento de uma prática sustentável
implementada nas bibliotecas da UFU, com o objetivo de contribuir com manutenção dos
recursos naturais necessários para uma melhor qualidade de vida e também, incentivar outras
unidades informacionais a utilizarem Planos B desta natureza.
Palavras-chave: Gestão sustentável. Papel –
Sustentabilidade em bibliotecas.

Reutilização.

Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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Papel

–

Reciclagem.

�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O aquecimento do planeta, a falta de água, os inúmeros desastres naturais, dentre outros são temas
bastante abordados internacionalmente desde a década de 1970, e especificamente no Brasil, a
partir de 1992, com a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(ECO-92 ou Rio 92). Desde então, o conceito sustentabilidade passou a ser mais discutido,
despertando nos cidadãos a necessidade de se preocupar e cuidar do meio ambiente, preservandoo para as gerações futuras. Neste contexto, as organizações, para mitigar seus passivos ambientais,
atingir e demonstrar um desempenho adequado que contribua com o controle dos impactos
ambientais de suas atividades, produtos e/ou serviços em consonância com as políticas
institucionais, nacionais e internacionais, precisam ter o seu Plano B, pautado nas ações essenciais
que qualquer cidadão deve seguir para uma gestão sustentável: Reduzir, Reutilizar e Reciclar,
conhecidas como 3R. Ao observar os usuários do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
de Uberlândia (SISBI/UFU), principalmente nos campi Santa Mônica e Umuarama, identificou-se
que os mesmos utilizavam as mesas de estudo como rascunho, em especial nos períodos das
avaliações acadêmicas. Diante deste problema os profissionais das bibliotecas optaram por
desenvolver e aplicar um projeto de disponibilização ampla de papel rascunho nos ambientes de
estudo, como parte integrante de um projeto maior, denominado Campanha de Conservação do
Patrimônio das Bibliotecas da UFU. Esta ação foi desenvolvida em parceria com os setores
internos das bibliotecas e com a Diretoria de Sustentabilidade da universidade, em consonância
com as recomendações do instrumento que subsidia o ato de credenciamento e recredenciamento
presencial de instituições de educação superior do Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior (SINAES), no que se refere às questões de responsabilidade social e sustentabilidade
socioambiental das instituições de ensino superior (BRASIL, 2014). De acordo com Grossi,
Banhara e Fávaro (2008) o papel é uma das maiores fontes de resíduos das universidades e
empresas que na maioria das vezes não possui planos de coleta, e que embora seja um material
biodegradável e orgânico demora cerca de 6 meses1 para se decompor nos aterros sanitários. Este
trabalho compreende no compartilhamento de uma prática sustentável implementada nas
bibliotecas da UFU, com o objetivo de contribuir com manutenção dos recursos naturais
necessários para uma melhor qualidade de vida e também incentivar outras unidades
informacionais a utilizarem Planos B desta natureza.

2 Materiais e métodos
O subprojeto Disponibilização de rascunho da Campanha de Conservação do Patrimônio das
Bibliotecas da UFU, aplicado desde 2013 na universidade, tem como público alvo os usuários das
bibliotecas da UFU, cujas etapas anteriores à sua execução foram assim planejadas: a)
mobilização no sentido de conjecturar o provimento do papel de rascunho que no projeto piloto
ficaria sob a responsabilidade da Prefeitura de Campus; b) customização e confecção das “caixas
de rascunho” para disponibilizar o papel a ser utilizado, de modo a serem, posteriormente,
encaixadas nas estantes do acervo de todas as bibliotecas do sistema, totalizando 29 caixas para
atender a demanda; c) customização e confecção das “caixas lixo limpo” para acondicionar o
papel já utilizado como rascunho nos diversos ambientes de todas as bibliotecas, inclusive setores
internos e principalmente nos ambientes de estudo, totalizando 26 caixas para atender a demanda;
d) elaboração da logística de recolhimento do papel para rascunho, distribuição aos
setores/serviços de referência das bibliotecas do SISBI e destinação do papel reutilizado às
empresas de coleta seletiva em cada cidade e e) negociação para recolhimento do material (lixo
limpo) das bibliotecas UFU com a prefeitura de campus e as cooperativas de recicladores das
cidades referentes aos campi da UFU, no caso de Uberlândia através de convênio firmado entre
prefeitura de campus e Cooperativa de Recicladores de Uberlândia (CORU).

1

Cf.: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/residuos/reciclagem/tempo_de_decomposicao_do_materiais.html.

�2

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

3 Resultados parciais/finais
Inicialmente, foi realizada uma campanha interna no SISBI/UFU incentivando os servidores de
cada setor a encaminhar os papéis reutilizáveis ao Setor de Apoio Administrativo da Biblioteca
Central para reaproveitamento na campanha. O papel rascunho, antes de ser disponibilizado,
deveria passar por uma triagem, onde documentos com dados pessoais fossem separados e
picotados e àqueles passíveis de reaproveitamento, fossem cortados ao meio, dificultando
entendimento do conteúdo escrito. O Setor de Restauração da Biblioteca Central Santa Mônica
ficou responsável pela customização e confecção dos dois tipos de caixas, encampadas com papel
personalizado do SISBI2 utilizado na restauração dos livros. Após sua reutilização, o material de
rascunho seria acondicionado de forma a garantir a coleta seletiva (lixo limpo)3, definida como
processo de separação e recolhimento dos resíduos sólidos conforme sua constituição: orgânico,
reciclável e rejeito, sendo a cor azul designada no código de cores para o resíduo papel (CORU,
[2013]). A divulgação da campanha, conscientização do reaproveitamento do papel, foi realizada
através das redes sociais e páginas eletrônica do SISBI/UFU, correio eletrônico nas listas de
discussão e veículos de comunicação da universidade, cartazes e divulgação da campanha nos
setores internos do SISBI\UFU, por meio da lista de discussão interna e visita local pela equipe
responsável pela campanha. A aplicação deste projeto, aplicada permanentemente nas bibliotecas
dos SISBI/UFU, além de ter possibilitado a execução de uma ação de sustentabilidade
compartilhada, envolvendo os diversos setores das bibliotecas da UFU, as unidades
administrativas (prefeitura de campus) e instituições da comunidade externa (Cooperativa de
Recicladores de Uberlândia), permitiu a aplicação dos 3R, a partir da redução (facilitação) do
número de papel utilizado e o trabalho do pessoal de zeladoria na manutenção dos ambientes das
bibliotecas, reutilização do papel gerado como resíduo dos serviços de reprografia, gráfica,
setores do SISBI e UFU em geral e reciclagem do insumo final garantindo a coleta seletiva do
papel reaproveitado e a oportunidade de emprego para os catadores de materiais recicláveis.

4 Considerações parciais/finais
As organizações, incluindo as bibliotecas universitárias, provocam impactos socioambientais e,
para que conquistem uma posição de destaque no que se refere ao uso responsável dos recursos
naturais, elas precisam de algum modo pensar em medidas que eliminem e minimizem estes
efeitos, ampliando assim o valor de seus produtos e serviços e reforçando compromissos e
responsabilidades sociais das instituições de educação superior com a preservação da humanidade.

5 Referências
GROSSI, F. H; BANHARA, R. A.; FÁVARO, G. A. A. Estudo do potencial de reciclagem
(reutilização) de papéis brancos na Faculdade de Engenharia Elétrica – UNICAMP. Revista Ciências
do Ambiente On-Line, [s.l.], v. 4, n. 2, p. 1-8, ago. 2008.
BRASIL. Ministério da Educação. Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. Avaliação
institucional externa: subsidia o ato de credenciamento e recredenciamento institucional e
transformação de organização acadêmica (presencial). Brasília, DF, 2014.
COOPERATIVA DOS RECICLADORES DE UBERLÂNDIA. Coleta seletiva. Uberlândia, [2013].
Disponível em: &lt;http://coru.freetzi.com/coleta.htm&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.

2

Este papel, na cor azul, é confeccionado pela gráfica da UFU. As caixas foram confeccionadas com encaixe
para as estantes. A escolha do local ficou a critério da equipe dos Setores de Referência das bibliotecas.
3
Para não perder sua capacidade de reciclagem e visando seu reaproveitamento, o papel não deve ser misturado
com outro tipo de lixo.

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                <text>O aquecimento do planeta, a falta de água, os inúmeros desastres naturais, dentre outros são temas bastante abordados internacionalmente desde a década de 1970, e especificamente no Brasil, a partir da ECO-92. Como contribuição do contexto de cuidar do meio ambiente, os profissionais do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia ao observar os usuários utilizando as mesas de estudo como rascunho, desenvolveram e aplicaram o projeto de  disponibilização ampla de papel rascunho nos ambientes de estudo, como parte integrante de um projeto maior, denominado Campanha de Conservação do Patrimônio das Bibliotecas da UFU. Este trabalho compreende no compartilhamento de uma prática sustentável implementada nas bibliotecas da UFU, com o objetivo de contribuir com manutenção dos recursos naturais necessários para uma melhor qualidade de vida e também, incentivar outras unidades informacionais a utilizarem Planos B desta natureza.</text>
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                    <text>QUALIDADE DOS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA DO INSTITUTO
FEDERAL DO SERTÃO PERNAMBUCANO – CAMPUS PETROLINA
Rejane Chaves Batista (IF Sertão-PE) - re.jane2006@gmail.com
Kellison Lima Cavalcante (IF Sertão-PE) - kellisoncavalcante@hotmail.com
Resumo:
A Biblioteca tem grande participação no contexto universitário, sendo o centro de informação
e conhecimento, nesse sentido, tem como finalidade a satisfação dos usuários. Este trabalho
teve como objetivo a avaliação do grau de satisfação dos usuários universitários em relação
aos serviços prestados pela Biblioteca do Campus Petrolina. A avaliação da qualidade dos
serviços foi realizada através do modelo de escala SERVQUAL, proposto por Parasuraman,
Zeithaml e Berry (1988). A pesquisa realizada tornou-se como um exercício eficaz na
identificação de meios para melhorias no serviço de informação da Biblioteca. Assim, fica
evidenciado que, para um bom desempenho nos serviços, a Biblioteca necessita implementar
processos de avaliação de forma continuada para aperfeiçoar e implementar melhorias.
Palavras-chave: Bibliotecas Universitárias. Serviços de Informação. Atendimento ao Usuário.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

QUALIDADE DOS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA DO INSTITUTO
FEDERAL DO SERTÃO PERNAMBUCANO – CAMPUS PETROLINA
Rejane Chaves Batista1, Kellison Lima Cavalcante2

1 Introdução
A Biblioteca tem grande participação no contexto universitário, sendo o centro de
informação e conhecimento, nesse sentido, tem como finalidade a satisfação dos usuários.
Dessa forma, fica evidenciada a importância da avaliação dos recursos da biblioteca e da
capacidade dos funcionários. Assim, de acordo com Silva e Leite (2015), a medida desta
satisfação do usuário é a diferença entre as expectativas em relação ao serviço e o
desempenho observado.
De acordo com Brito e Vergueiro (2013), a qualidade dos serviços de informação deve
ter como objetivo aprimorar seus serviços, tendo em vista atender ou até mesmo superar a
expectativa de seus clientes. Assim, este trabalho teve como objetivo a avaliação do grau de
satisfação dos usuários universitários em relação aos serviços prestados pela Biblioteca do
Campus Petrolina.

2 Materiais e métodos
A avaliação da qualidade dos serviços foi realizada através do modelo de escala
SERVQUAL, proposto por Parasuraman, Zeithaml e Berry (1988), que possibilita a
mensuração dos serviços de qualidade de acordo com a expectativa do usuário, a partir de 5
dimensões: receptividade; empatia; confiabilidade/credibilidade; garantia; e tangibilidade.
Aplicando-se a metodologia SERVQUAL é possível avaliar a qualidade dos serviços
prestados e verificar quais aspectos requerem maior atenção por parte da coordenação da
Biblioteca, com o intuito de melhorá-las, de acordo com as percepções dos usuários.
Para se obter os resultados foram aplicados 100 questionários, com 22 assertivas de
caráter exploratório entre os usuários internos dos cursos de graduação em Licenciatura em
Computação, Física, Música e Química e Tecnologia em Alimentos do Instituto Federal do
Sertão Pernambucano – Campus Petrolina. Para mensurar os questionamentos estabeleceu-se
uma escala de pontuação de 1 a 7, para expressar a opinião sobre as características dos
serviços por cada usuário, sendo a menor escala como discordância e aumentando a
pontuação de acordo com a concordância.

3 Resultados parciais
Foi possível levantar dados sobre a percepção dos usuários da Biblioteca do Campus
Petrolina, que serviram para avaliação da qualidade dos serviços. Para melhor compreensão,
pode-se observar o Quadro 01, com a pontuação de cada dimensão da avaliação.
Em relação a Receptividade, os quesitos de rapidez na prestação de serviços; guarda,
organização e disponibilização do acervo; serviços on-line; e horário de funcionamento foram
bem avaliados com pontuação máxima. Apenas os serviços relacionados a atualização do
acervo e novas aquisições foram pontuados de forma regular, sendo um item que merece
melhor atenção por parte da coordenação.
1

Bibliotecária do Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Petrolina, e-mail:
rejane.chaves@ifsertao-pe.edu.br;
2
Auxiliar de Biblioteca do Instituto Federal do Sertão Pernambucano – Campus Petrolina, e-mail:
kellison.cavalcante@ifsertao-pe.edu.br.

�2

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Quadro 01 – Percepção dos usuários da Biblioteca do Campus Petrolina
DIMENSÃO
Receptividade
Empatia
Confiabilidade
Garantia
Tangibilidade

1
2
0
0
0
0
0
0
0
0
0
5
Fonte: dados da pesquisa.

EXPECTATIVA (%)
3
4
5
2
9
5
0
1
1
0
1
3
0
3
4
14
18
17

6
8
7
7
8
25

7
76
91
89
87
21

Na dimensão Empatia, os quesitos de atendimento personalizado, empenho em atender
as necessidades de informação e facilidade de comunicação dos funcionários foram altamente
valorizados, destacando a concordância dos usuários em relação aos funcionários.
Os quesitos de confiabilidade e segurança nos funcionários e nas informações
fornecidas; confiabilidade nos produtos e serviços disponibilizados; e confiabilidade na
orientação quanto à seleção de fontes de informação foram considerados de grande
importância na dimensão de Confiança, com pontuação elevada.
Em relação a Garantia do serviço prestado, os quesitos de qualidade, cortesia e
acessibilidade; e domínio de fontes de informação, habilidade no uso de equipamentos e
comunicação também foram avaliados com grande importância.
As condições gerais do prédio, como a aparência física, limpeza, iluminação, acústica
e refrigeração e as condições de disponibilidade de equipamentos de informática e rede
elétrica foram considerados como relevantes para melhoria, com pontuação inexpressiva na
dimensão de Tangibilidade. Nesse mesmo aspecto, o quesito de material de comunicação
visual, como cartazes, folhetos, murais, sinalização e avisos foram bem avaliados.

4 Considerações parciais/finais
A avaliação consistiu em uma ferramenta de aproximação e de percepção entre os
usuários universitários da Biblioteca do Campus Petrolina. Nesse sentido, a pesquisa realizada
tornou-se como um exercício eficaz na identificação de meios para melhorias no serviço de
informação da Biblioteca. Assim, fica evidenciado que, para um bom desempenho nos
serviços, a Biblioteca necessita implementar processos de avaliação de forma continuada para
aperfeiçoar e implementar melhorias. Com essa avaliação, a Biblioteca do Campus Petrolina,
de acordo com a percepção dos usuários, necessita melhorias nas condições de equipamentos
de informática e rede elétrica, para melhor atender seus usuários.

5 Referências
BRITO, G. F.; VERGUEIRO, W. C. S. Avaliação da qualidade da biblioteca acadêmica: a metodologia Libqual+ e suas perspectivas de aplicação no Brasil. Brazilian Journal of Information Science, Marília-SP, v.7, n. Especial, p. 26-46, 2013.
PARASURAMAN, A; ZEITHAML, V. A; BERRY, L. L. Servqual: a multiple-item scale for
measuring consumer perceptions of service quality. Journal of Retailing, New York, v. 64, n.
1, p.12-40, 1988.
SILVA, H. A.; LEITE, F. C. D. Avaliação dos serviços em biblioteca universitária: o caso da
biblioteca setorial Cândido Athayde da UFPI. Revista Ponto de Acesso, Salvador, v. 9, n. 2,
p. 84-97, 2015.

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                    <text>PROJETO NEGOCIAÇÃO SOLIDÁRIA: GESTÃO SUSTENTÁVEL DO
ACERVO
Rejane Maria Rosa Ribeiro (UEFS) - rribeiro@uefs.br
Gerusa Maria Teles de Oliveira (UEFS) - gerusa@uefs.br
Solange dos Santos Rocha (UEFS) - solange@uefs.br
Maria do Carmo Sá Barreto Ferreira (UEFS) - carmo@uefs.br
Ana Martha Machado Sampaio (UEFS) - amms@uefs.br
Isabel Cristina Nascimento Santana (UEFS) - icns@uefs.br
Resumo:
Pretende-se, com este trabalho, apresentar um projeto piloto denominado Negociação
Solidária, implementado na Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC), cujo objetivo principal
é arrecadar obras literárias para a atualização do acervo da Biblioteca Setorial Monteiro
Lobato (BSML), através da troca de multas decorrentes de dias de atraso, na devolução de
materiais da BCJC, por livros de literatura. Busca-se, também, com este trabalho, mostrar a
importância e o impacto causado pelo projeto à comunidade acadêmica. Diante dos resultados
apresentados, a BCJC está dando continuidade ao projeto em 2016, intensificando ainda mais
a sua divulgação. O projeto piloto Negociação Solidária contribui para garantir a
sustentabilidade da BSML, com um acervo atualizado e de qualidade, favorecendo a
comunidade local que ela atende, como também para uma política sustentável de
desenvolvimento de acervo pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de
Santana (SISBI-UEFS).
Palavras-chave: Negociação solidária – SISBI-UEFS. Incentivo
desenvolvimento do acervo. Sustentabilidade.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As Bibliotecas no século XXI se deparam com uma nova necessidade, a gestão
sustentável, que esta associada à responsabilidade social. Assim, as bibliotecas devem estar
atentas à gestão socioambiental responsável que, vai implicar na adoção de práticas que vão
alem da educação de usuários ou gestão da qualidade (Biblioteca Sustentável, 2015).
Portanto, há uma preocupação em gerir de forma sustentável o acervo da Biblioteca
Setorial Monteiro Lobato (BSML) que, faz parte do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Estadual de Feira de Santana (SISBI UEFS) e que, atende a um público diversificado e que
busca informações em todas as categorias do conhecimento humano. Todavia, o seu acervo
foi formado inicialmente através de um convênio entre a UEFS e o Lions Club de Feira de
Santana e hoje a UEFS é a responsável pela atualização deste acervo. Contudo, a Biblioteca
Central Julieta Carteado (BCJC), administradora do SISBI, adquire anualmente obras para a
BSML e criou o Projeto Negociação Solidaria e este artigo tem como finalidade descrevê-lo.
O projeto consiste na redução ou abono dos dias de suspensão dos usuários do SISBI em
atraso no prazo de devolução de livros mediante a doação de obras literárias com o objetivo
de adquirir de forma sustentável a ampliação do acervo da biblioteca que atenda as
demandadas da comunidade, promovendo a educação dos usuários da BCJC, com a adoção de
praticas de responsabilidade social.
Com isso, a Biblioteca vai ter uma postura, uma gestão sustentável, mas o que é
sustentabilidade?
Sustentabilidade é um termo usado para definir ações e atividades humanas que visam
suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das
próximas gerações. Ou seja, a sustentabilidade está diretamente relacionada ao
desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os
recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro.
Seguindo estes parâmetros, a humanidade pode garantir o desenvolvimento
sustentável (BIBLIOTECA..., 2015, p.).

Assim, a biblioteca pode ser sustentável desde a construção de seu prédio onde
paredes e janelas de vidros vão contribuir para iluminação natural, jardins internos para
ventilação e iluminação, telhados com a capacidade de recolher a água da chuva para a
reutilização em limpeza, banheiros e irrigação de plantas. Como também, livros e outros itens que
compõem seus acervos que podem ser adquiridos através de doação, recuperados e reutilizados
por outros usuários que buscam a informação desejada. Esses itens podem ser adquiridos por
meio de campanhas publicitárias feitas na própria biblioteca, e/ou em outras bibliotecas, como
também, pro meio de mídias digitais e outros meios de publicidade possíveis de adquirir parcerias
que ajudem na divulgação da necessidade de aquisição de novas publicações.
Conseguimos assim, perceber que as bibliotecas, atendem aos princípios de
sustentabilidade, ao disponibilizar seus serviços e formações. Quando buscam ser
referencia em inovação, recuperação, preservação e disseminação da informação,
participam do desenvolvimento do individuo e logo de forma sustentável e
participativa, pois integram a sustentabilidade econômica, ambiental, espacial, social
e cultural, coletivas ou individuais, visando o alcance e a manutenção da qualidade
de vida, e tendo como perspectivas a cooperação e a solidariedade entre as pessoas,
em diferentes gerações (WEBER, 2011, p. 5).

2 Materiais e Métodos
Buscando analisar a temática proposta, este trabalho será pautado na investigação do
tema proposto. O objeto de estudo é o projeto piloto que foi implantado na BCJC no período

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

de agosto a outubro de 2015 sob a responsabilidade da Seção de Referencia da Biblioteca. A
população objeto do estudo foi constituída por usuários do SISBI em atraso no prazo de
devolução de livros. Como amostra foi utilizada 10% dos usuários e a observação foi o
instrumento de coleta de dados, que segundo Marconi &amp; Lakatos (1990, p.90) “...utiliza os
sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Consiste de ver, ouvir e
examinar fatos ou fenômenos.
No primeiro momento, a BCJC utilizou-se do Sistema Pergamum para gerar um
relatório de devedores. A partir desse relatório foi realizada uma reunião com a Direção e
bibliotecários do SISBI-UEFS onde foram definidos os critérios que seriam utilizados para o
abono total ou parcial das suspensões dos usuários da BCJC e quais as publicações que seriam
recebidas para compor o acervo da BSML.
Após a definição dos critérios, a BCJC fez a divulgação do projeto, através de cartazes
no campus da UEFS, na home page da biblioteca, e na sua página oficial no facebook.

3 Resultados Parciais/Finais
O Projeto Negociação Solidária trouxe como resultado no período de dois meses a
arrecadação de 102 livros, que passaram a compor o acervo da BSML e estão à disposição da
comunidade de Feira de Santana para consulta e empréstimo. Durante a aplicação do projeto
Negociação Solidária houve um estreitamento da relação da biblioteca com o usuário de
forma satisfatória, tanto para o usuário que estava suspenso, que muitas vezes tinha obras
literárias sem uso em casa, tendo a oportunidade de voltar a pegar livros emprestados e
contribuir para a atualização do acervo da BSML, assim como, para a Biblioteca que
colaborou na formação do usuário, educando-o, e ao mesmo tempo ampliando seu acervo
com redução do investimento financeiro.

4 Considerações Parciais/Finais
O Projeto Negociação Solidária é uma ferramenta a mais para a política de
desenvolvimento do acervo sustentável e é uma ação alternativa de desenvolvimento do acervo,
que contribui para a sustentabilidade da biblioteca e favorece a comunidade que ela atende. A
iniciativa da biblioteca, neste caso, está baseada na sustentabilidade econômica, social e coletiva.
Diante dos resultados apresentados a BCJC está dando continuidade ao projeto em 2016,
intensificando ainda mais a sua divulgação e adesão.

5 Referencias
BIBLIOTECA Sustentável. Disponível em: &lt;http://bibliosustentabilidade.blogspot.com.br/&gt;.
Acesso em: 05 nov. 2015.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 1990.
WEBER, Claudiane. As bibliotecas e o aporte para o desenvolvimento sustentável. In:
CONGRESSO RESPONSABILIDADE E RECIPROCIDADE: Valores Sociais para uma
Economia Sustentável. Atos... Recanto Maestro: Fundação Antonio Meneghetti; Faculdade
Antonio Meneghetti, 2011. Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/7479/64.130.1.SM.pdf?sequence=2&gt;.
Acesso em: 26 fev. 2016.

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                <text>Pretende-se, com este trabalho, apresentar um projeto piloto denominado Negociação Solidária, implementado na Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC), cujo objetivo principal é arrecadar obras literárias para a atualização do acervo da Biblioteca Setorial Monteiro Lobato (BSML), através da troca de multas decorrentes de dias de atraso, na devolução de materiais da BCJC, por livros de literatura. Busca-se, também, com este trabalho, mostrar a importância e o impacto causado pelo projeto à comunidade acadêmica. Diante dos resultados apresentados, a BCJC está dando continuidade ao projeto em 2016, intensificando ainda mais a sua divulgação. O projeto piloto Negociação Solidária contribui para garantir a sustentabilidade da BSML, com um acervo atualizado e de qualidade, favorecendo a comunidade local que ela atende, como também para uma política sustentável de desenvolvimento de acervo pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS).</text>
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                    <text>PROJETO CINEMA AO MEIO-DIA: A EXPERIÊNCIA DE AÇÃO
CULTURAL DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRR
Angela Maria Moreira Silva (UFRR) - angelsenhora@gmail.com
Francisco Laurenilson Sousa Silva (UFRR) - dom_lauro@hotmail.com
Rogerio de Carvalho Cordovil (UFRR) - rogercordovil@gmail.com
Karoll Gomes da Silva (UFRR) - karoll.gsgp@gmail.com
Resumo:
Apresenta o Projeto Cinema ao Meio-Dia criado pelo Setor de Multimeios da Biblioteca Central
da Universidade Federal de Roraima. O projeto se caracteriza como uma ação cultural a qual
realiza exibições gratuitas de filmes e documentários de cunho cultural, acadêmico, científico
e literário, em sessões diárias. Entre os seus objetivos destaca-se: promover a interação entre
o usuário e os elementos culturais disponíveis no acervo do Setor de Multimeios e contribuir
para a formação crítico-reflexiva dos discentes e da comunidade universitária como um todo.
O presente trabalho expõe a filosofia do Cinema ao Meio-dia enquanto ação cultural, suas
características, metodologia e resultados quantitativos e qualitativos.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Ação cultural. Projeto Cinema ao Meio-Dia.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Atividades de ação cultural em bibliotecas podem proporcionar a integração e
socialização da clientela, contribuir para a formação crítico-reflexiva do aluno e possibilitar a
ampliação do seu repertório cultural, estimulando sua criatividade, reflexão, expressão e senso
estético. Ciente das potencialidades das ações culturais, o Setor de Multimeios da Biblioteca
Central da Universidade Federal de Roraima criou o Projeto Cinema ao Meio-Dia, no ano de
2013, que realiza exibições gratuitas de filmes e documentários de cunho cultural, acadêmico,
científico e literário, em sessões diárias. Este trabalho apresenta a experiência do Projeto
enquanto ação cultural, suas características, metodologia e resultados.

2 Revisão de literatura
Conforme o entendimento de Coelho (2008), cultura deve ser vista na perspectiva da
ação, ação transformadora que visa transformar o mundo ou viabilizar as condições para que o
mundo se transforme. Na década de 1980, Almeida (1987, p.33) já apresentava um discurso
antenado com essa noção contemporânea de ação cultural em bibliotecas:
Busca a expressão e a criatividade dos indivíduos no grupo e na comunidade. Está
ligada à ideia de transformação, de emancipação a partir da expressão. Diz respeito
não apenas a produtos culturais acabados, como também às condições que levam à
capacidade criativa, à produção cultural. Relaciona-se por outro lado, ao processo de
educação coletiva, no momento em que desenvolve atividades práticas e abre espaço
para a troca de informações e a discussão sobre temas de interesse do grupo.

Silva, Souza e Moraes (1999) afirmam que a maior parte das bibliotecas universitárias
brasileiras não tem atuado de forma efetiva, para que possam atender ao público intra e extra
universitário. A ênfase dos autores, profissionais ligados à Universidade Federal de São
Carlos (UFSCar), se justifica pela ampla experiência das bibliotecas dessa Universidade com
ações culturais, culminando com a criação do Departamento de Ações Culturais da Biblioteca
Central. Esse texto é um dos poucos a discutir aspectos teóricos sobre ação cultural no interior
das bibliotecas universitárias.

3 Materiais e métodos
O Projeto Cinema ao Meio-Dia foi criado em agosto de 2013, com exibições diárias
e gratuitas de filmes e documentários de cunho cultural, acadêmico, científico e literário,
sempre no horário de meio-dia. Entre os seus objetivos destaca-se: promover a interação entre
o usuário e os elementos culturais disponíveis no acervo do Setor de Multimeios e contribuir
para a formação crítico-reflexiva do aluno.
Funciona na Sala de Miniconferências da Biblioteca Central e para a realização do
Projeto, o Setor de Multimeios conta com uma coleção própria de CDs e DVDs adquiridos
principalmente por doações. Inicialmente, houve a doação de mais de 102 filmes brasileiros
doados pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE) e posteriormente a coleção foi
aumentando e se diversificando com a realização de campanhas para aquisição de filme e
documentários originais, além de doações espontâneas.

4 Resultados parciais/finais
Com base nas estatísticas do Setor de Multimeios, até o ano de 2015, o Projeto teve
uma média de público de 12 participantes diariamente, perfazendo uma média de 6.200

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pessoas em um total de 511 seções. A maioria dos frequentadores é de discentes da graduação
da UFRR, havendo a participação de alunos do ensino médio e da pós-graduação.
No que tange aos aspectos qualitativos, ainda em 2013 foi feita uma pesquisa entre os
participantes para detectar o seu grau de satisfação em relação ao Projeto. Os respondentes se
mostraram satisfeitos e apontaram, entre outras opiniões, que o Cinema ao Meio-Dia:
- está contribuindo para aumentar seus conhecimentos, pois a programação é
diversificada com documentários, filmes literários e nacionais;
- está proporcionando aos participantes momentos de cultura, lazer e relaxamento;
- está incentivando a socialização, a partir do momento que alunos de vários cursos se
integram na sala de cinema.
Os resultados dessa pesquisa foram publicados em dois artigos, um na perspectiva de
ações que podem ser desenvolvidas pelos setores de multimeios (RODRIGUES, 2015), e
outro na perspectiva de ação cultural em bibliotecas universitárias (RODRIGUES et. al.,
2015).

5 Considerações parciais/finais
Na primeira semana de realização, que se deu em agosto de 2013, o Projeto teve
grande receptividade dos usuários, além de ter recebido ampla repercussão por parte da mídia
local. Dois meses depois, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Extensão (PROEX) convida
o Setor de Multimeios a registrar o projeto como extensão, sendo, a partir de então, o primeiro
projeto de extensão da Biblioteca Central.
É possível afirmar que o Projeto Cinema ao Meio-Dia se configura como uma
atividade de ação cultural na perspectiva de Teixeira Coelho, pois tem o compromisso de
contribuir para a formação crítico-reflexiva do aluno.
As discussões aqui apresentadas deixam evidente que o Projeto Cinema ao Meio-Dia
é uma atividade exitosa de ação cultural da Biblioteca Central da UFRR. O Projeto vem
mantendo a boa aceitação por parte dos usuários e vem atingindo os seus objetivos.

6 Referências
ALMEIDA, M. C. B. A ação cultural do bibliotecário: grandezas de um papel e limitaçõesda
prática. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 20,n. 1-4, p.
31-38, jan./dez. 1987.
COELHO, T. A cultura e o seu contrário: cultura, arte e política pós-2001. São Paulo:
Iluminuras/Itaú Cultural, 2008. 159 p.
RODRIGUES, D. S. Cinema ao meio-dia: uma estratégia exitosa da Biblioteca Central da
Universidade Federal de Roraima. In: FERKO, G. P. S.; ROSA, J. S. Olhares que revelam
saberes: experiências e reflexões nos bastidores da Universidade. Boa Vista: Editora UFRR,
2015. p. 85-109.
RODRIGUES, D. S. et. al. Cinema ao Meio-Dia: ação cultural em bibliotecas universitárias.
Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 11, n. 2, 2015.
SILVA, M. A P; SOUZA, L. M. S; MORAES, L. S. Biblioteca e ação cultural: apontamentos
conceituais a partir da experiência na Universidade Federal de São Carlos. Informação &amp;
Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 9, n.1, p. 1-6, 1999.

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                <text>Apresenta o Projeto Cinema ao Meio-Dia criado pelo Setor de Multimeios da Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima. O projeto se caracteriza como uma ação cultural a qual realiza exibições gratuitas de filmes e documentários de cunho cultural, acadêmico, científico e literário, em sessões diárias. Entre os seus objetivos destaca-se: promover a interação entre o usuário e os elementos culturais disponíveis no acervo do Setor de Multimeios e contribuir para a formação crítico-reflexiva dos discentes e da comunidade universitária como um todo. O presente trabalho expõe a filosofia do Cinema ao Meio-dia enquanto ação cultural, suas características, metodologia e resultados quantitativos e qualitativos.</text>
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                    <text>Projeto Amigos da Biblioteca: um relato de experência na
Biblioteca Setorial da Escola Normal Superior da Universidade do
Estado do Amazonas - UEA

Margarida dos Santos Valente Cruz (UFAM) - santos_margarida@hotmail.com
Maricelia Ferreira dos Santos (UFAM) - mariceliafs@hotmail.com
Leina Moraes Medeiros (UEA) - lmedeiros35@hotmail.com
Maria Inês de Melo Albuquerque (UEA) - mariaines_bibliotecaria@hotmail.com
Resumo:
A Biblioteca Setorial da Escola Normal Superior através do projeto “Amigos da Biblioteca
UEA” desenvolveu atividades de estímulo ao ato da leitura nos anos de 2011 e 2012, através
de uma proposta de extensão, sendo financiada e tendo como parcerias autores amazonenses,
escolas públicas e instituições filantrópicas, o que reforça a função social da biblioteca e do
bibliotecário, mas principalmente o que uma biblioteca universitária pode proporcionar à
comunidade externa, promovendo o uso dos livros e a importância da leitura e escrita, além de
propiciar o uso da biblioteca, sendo assim possível uma intervenção direta na comunidade. No
sentido de auxiliar nas mudanças individuais e sociais, as atividades desenvolvidas são
executadas com técnicas e metodologias para o desenvolvimento cultural e educacional e
estímulos para que crianças e pré-adolescentes obtenham conhecimento das obras literárias,
formas de leitura e escrita, além da presença de escritores, como forma de propiciar o acesso
aos materiais informacionais de forma dinâmica e interativa. Desta forma, o projeto contribui
para que não somente os alunos tenham um bom desempenho escolar, mas que a comunidade
a qual está inserida adquira habilidades de leitura e escrita para uma busca constante da
informação e geração de novos conhecimentos, o que também ajuda nas relações sociais,
profissionais e familiares, como também a divulgação de escritores locais.
Palavras-chave: Responsabilidade Social. Biblioteca Universitária. Leitura. Papel Social –
Bibliotecário. Projeto Amigos da Biblioteca
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Através da realização de projetos de extensão é possível uma intervenção direta na
comunidade interna e externa de uma universidade, no sentido de proporcionar ou auxiliar nas
mudanças individuais e sociais, empregando técnicas e metodologias fundamentais para o
desenvolvimento cultural e educacional.
O projeto “Amigos da Biblioteca UEA” iniciado em 2011 através de uma proposta de
atividade de extensão aos universitários desenvolveu atividades de incentivo ao ato da leitura,
o uso dos livros e a valorização de temáticas ambientais, artísticas e literárias que possam
propiciar o uso da biblioteca.
Sabendo que a falta de um costume rotineiro em realizar leituras dentro e fora de uma
sala de aula, em casa ou na biblioteca é uma problemática visível na sociedade. Desta forma,
o profissional bibliotecário através de sua função social desenvolve juntamente com demais
profissionais atividades que propiciam o acesso aos materiais informacionais de forma
interativa na comunidade a qual está inserido, para que, não somente os alunos tenham um
bom desempenho escolar, mas que a comunidade a qual está inserida possa adquirir
habilidades de leitura e escrita para uma busca constante da informação e geração de
conhecimento, sendo que essas aquisições ajudarão também nas relações sociais, profissionais
e familiares.

2 Materiais e métodos
Dentre as ações ressaltam-se os estudos preliminares de Koch e Elias (2011), quando a
leitura desenvolve o pensamento e constrói o entendimento, ampliando a leitura de mundo.
Sendo, desta forma, o bibliotecário contribuidor no incentivo à leitura através dos métodos
pedagógicos e lúdicos de como trabalhar narrativas, poesias, contos e estórias através de
práticas criativas.
De acordo com Machado (2009), as universidades e bibliotecas podem ser
consideradas agentes sociais, organizadas com o objetivo de servir a sociedade por meio da
criação e propulsão do conhecimento, além de estimular e facilitar o acesso. Assim, há a
interpretação e discussões sobre as atividades desenvolvidas para elaboração das práticas e
técnicos e função da biblioteca e dos profissionais, que direcionam os possíveis métodos a
serem desenvolvidos e explorados, destacando-se as seguintes ações:
 Palestras dinâmicas, com a participação de autores e suas personagens e encontro com
escritores amazonenses;
 Leitura de várias temáticas, tais como coleta seletiva, preservação da água e meio
ambiente em forma de histórias em quadrinhos impressas, cortadas e desordenadas
para que os participantes fizessem a ordenação sem o auxilio do texto;
 Contação de histórias e encenações por parte do contador, mostrando a importância de
saber ler e escrever, assim como ser um hábito contínuo, tendo no livro um mundo de
conhecimento a ser descoberto;
 Dinâmica em que a história foi iniciada por um instrutor e posteriormente cada aluno
finalizou a história escrevendo, ilustrando e pintando.
 Apresentação de forma divertida de uma temática ambiental por parte dos alunos de
Pedagogia da UEA, para que o público pudesse conhecer como plantar uma árvore e
como preservar o ambiente de forma divertida e com responsabilidade.
 Autoras de poesias realizaram de forma dinâmica e com a participação dos alunos a
leitura de poesias de sua autoria e de autoria de autores amazonenses, explicando
como realizar a leitura e a escrita de poemas, poesias e a interpretação dada para cada
poesia.
O público alvo escolhido para cada ano são alunos das escolas públicas adjacentes à

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

universidade, assim como a comunidade interessada, tendo geralmente em cada ação uma
turma de alunos com uma média de 45 crianças com faixa etária entre nove e doze anos idade.

3 Resultados parciais/finais
Em face dos resultados na busca pelo estímulo ao ato da leitura, promoção do livro e
da biblioteca nas escolas e comunidades adjacentes à universidade, constatou-se um interesse
maior das crianças em conhecer a biblioteca e o ambiente universitária, assim como os textos
de autores amazonenses, agregando mais conhecimento às aulas diárias, já que antes algumas
não sabiam a riqueza de informações que uma biblioteca e o bibliotecário poderiam
proporcionar, assim como algumas não tinham interesse nenhum em ler um livro ou
frequentar uma biblioteca.
O bibliotecário é um profissional que trata e dissemina com o bem mais precioso do
momento: a informação. Torna-se cada vez mais evidente que o acesso à informação, a sua
difusão e livre circulação são elementos essenciais em todos os aspectos da vida do indivíduo,
por isso novas atividades são acrescidas a cada dia ao seu processo de trabalho.
Neste sentido, o bibliotecário, como profissional dotado de uma consciência cidadã,
assume um papel fundamental neste processo de mediar a informação e de transmitir o
conhecimento, procurando adequar a informação de acordo com a realidade social onde cada
indivíduo se insere.
Portanto, além do estímulo os participantes puderam compreender e ter interesse pelo
universo acadêmico, expressar a criatividade, reconhecer as dificuldades de leitura, o dom
artístico, a importância da biblioteca, o conhecimento do que os autores amazonenses estão
produzindo e a capacidade de serem encorajados à tornarem-se cidadãos com conhecimento
cultural.

4 Considerações parciais/finais
A leitura é relevante para formação do sujeito crítico e participativo na sociedade.
Afirma-se assim que o bibliotecário como agente de mudança serve como um meio eficaz no
aprofundamento de estudos e aquisição de saberes que perpassam os muros da universidade.
O ato de ler é, fundamentalmente, uma forma especial da criança e pré-adolescente se
relacionar com o mundo, abrindo caminhos para o conhecimento, o que concerne na sua
transformação pessoal, profissional e pessoal.
Assim, as atividades desenvolvidas no Projeto Amigos da Biblioteca nos anos de 2011
e 2012 representaram uma pequena parte do que deve ser feito nas bibliotecas universitárias,
agregando valor aos profissionais bibliotecários na busca da mudança social para um
aprendizado e mudanças de atitudes através da leitura, tudo para o bem-estar do nosso país.

5 Referências
MACHADO, Marli. A biblioteca universitária e sua relação com o projeto pedagógico de um
curso de graduação. Disponível em:
&lt;http://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/92197/273668.pdf?sequence=1&gt;.
Acesso em 08abr.2013.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do
texto. 3.ed. São Paulo: Contexto, 2011.

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                <text>A Biblioteca Setorial da Escola Normal Superior através do projeto “Amigos da Biblioteca UEA” desenvolveu atividades de estímulo ao ato da leitura nos anos de 2011 e 2012, através de uma proposta de extensão, sendo financiada e tendo como parcerias autores amazonenses, escolas públicas e instituições filantrópicas, o que reforça a função social da biblioteca e do bibliotecário, mas principalmente o que uma biblioteca universitária pode proporcionar à comunidade externa, promovendo o uso dos livros e a importância da leitura e escrita, além de propiciar o uso da biblioteca, sendo assim possível uma intervenção direta na comunidade. No sentido de auxiliar nas mudanças individuais e sociais, as atividades desenvolvidas são executadas com técnicas e metodologias para o desenvolvimento cultural e educacional e estímulos para que crianças e pré-adolescentes obtenham conhecimento das obras literárias, formas de leitura e escrita, além da presença de escritores, como forma de propiciar o acesso aos materiais informacionais de forma dinâmica e interativa. Desta forma, o projeto contribui para que não somente os alunos tenham um bom desempenho escolar, mas que a comunidade a qual está inserida adquira habilidades de leitura e escrita para uma busca constante da informação e geração de novos conhecimentos, o que também ajuda nas relações sociais, profissionais e familiares, como também a divulgação de escritores locais.</text>
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                    <text>PROGRAMA NACIONAL BIBLIOTECA NA ESCOLA (PNBE):
LEITURA E BIBLIOTECA NO PROCESSO DE FORMAÇÃO ESCOLAR
Fabiana Sala (IFSP) - fabibuel@gmail.com
Resumo:
As políticas públicas de incentivo à leitura tem por finalidade inserir os alunos de escolas
públicas no universo da cultura letrada durante o processo de formação escolar. O Programa
Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) é uma política governamental que distribuí obras
literárias e didáticas às bibliotecas, alunos e professores das escolas públicas de ensino
fundamental que visa superar a carência do fornecimento desses recursos ao longo do tempo.
Este estudo pretende obter dados sobre o uso dos livros encaminhados às escolas e o impacto
do PNBE na formação de leitores, com a finalidade de analisar as praticas pedagógicas de
leitura em torno das obras distribuídas pelo Programa e realizar um diagnóstico sobre o que
os atores envolvidos no processo pensam sobre os materiais literários que recebem, quais as
praticas de leitura realizadas pelas escolas e o papel que a biblioteca representa no projeto
político-pedagógico das escolas públicas municipais de Presidente Prudente.
Palavras-chave: Leitura, Biblioteca Escolar, Políticas Públicas.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As políticas públicas de incentivo à leitura tem por finalidade inserir os
alunos de escolas públicas no universo da cultura letrada durante o processo de formação
escolar. Uma proposta que visa a reversão, histórica e social, de restrição do acesso aos bens e
serviços culturais limitados a parcelas privilegiadas da população. Instituir uma política de
formação de leitores é fundamental para democratizar o acesso as fontes de informação,
fomentar à leitura e garantir à formação de leitores competentes.
O Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) é uma política
governamental que distribuí obras literárias e didáticas às bibliotecas, alunos e professores das
escolas públicas de ensino fundamental que visa superar a carência do fornecimento desses
recursos ao longo do tempo.
Este estudo pretende obter dados sobre o uso dos livros encaminhados às escolas e o
impacto do PNBE na formação de leitores, com a finalidade de analisar as praticas
pedagógicas de leitura em torno das obras distribuídas pelo Programa e realizar um
diagnóstico sobre o que os diretores, coordenadores, professores, bibliotecários, pais e alunos
pensam sobre os materiais literários que recebem, quais as praticas de leitura realizadas pelas
escolas e o papel que a biblioteca representa no projeto político-pedagógico das escolas
públicas municipais de Presidente Prudente, colaborando para a reflexão das praticas de
leitura que são desenvolvidas nas escolas, à formação dos profissionais envolvidos e o espaço
físico apropriado para a biblioteca escolar, para que esta possa ser integrada como ambiente
centralizador no processo de aprendizagem e mediação da informação.

2 Materiais e métodos
Em relação aos procedimentos metodológicos visando à coleta e à
análise de dados, optou-se pela pesquisa qualitativa, uma vez que possibilita enfocar o
significado do comportamento do indivíduo ou de uma organização.
Escolheu-se dentre os diferentes métodos qualitativos o Discurso do Sujeito
Coletivo (DSC), segundo proposta elaborada por Lefrèvre e Lefrèvre. O DSC é um método
que se caracteriza pela reconstrução do discurso, a partir de diferentes discursos-sínteses, que
analisados em conjunto, formam uma representação social.
O DSC traduz o essencial do conteúdo discursivo. Esses mesmos sujeitos
são os sujeitos coletivos, pois o seu depoimento a sua fala, enquanto atores sociais expressam
o discurso de muitos sujeitos coletivos, “em síntese, o DSC é como se o discurso de todos
fosse o discurso de um” (LEFRÈVRE; LEFRÈVRE, 2003, p.83).
Dessa forma, pode-se afirmar que através de uma abordagem qualitativa é
possível reconstruir as representações sociais que se constituem na vivência das relações
objetivas dos atores sociais, e que lhe atribuem significados.

3 Resultados parciais/finais
Ao longo da formação escolar, as escolas e Bibliotecas desenvolvem
diversas atividades de leitura visando o desenvolvimento crítico dos alunos. “Nos últimos
anos intensificaram-se as discussões sobre o enfoque assumido pelo poder público sobre as
políticas públicas de leitura e acesso à informação” (CAVALCANTE, 2010, p. ).
Esse estudo é uma proposta que encontra-se em fase inicial e tem por
finalidade investigar a realidade das práticas pedagógicas em torno das obras distribuídas pelo
PNBE e verificar o papel da biblioteca no processo de formação escolar.
Segundo Brasil, (2008, p. 11) “uma política de formação de leitores deve ser encaminhada

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

para além de ações de compra e distribuição de livro”. Desse modo, “Conhecer essas políticas
faz-se importante no que tange à obtenção de recursos para variados fins, como a ampliação
do acervo, projetos culturais e capacitações da equipe” (RASTELI, 2013, p. 68).

4 Considerações parciais/finais
A leitura quando é desprovida da crítica pode ser considerada como uma
simples aquisição mecânica de informações e argumentos.
Quando a capacidade crítica do leitor é desenvolvida, ele pode se apropriar
da informação, um processo onde o leitor passa a fazer parte da produção e/ou construção de
um novo texto, no qual o leitor “[...] é entendido como co-autor, uma vez que não se concebe
um texto que exista por si só, sem a presença dele” (ALMEIDA JUNIOR, p. 97).
Para que ocorra o desenvolvimento pleno do leitor no ambiente escolar, é
imprescindível a inserção de uma biblioteca que seja atualizada, dinâmica e atenda às
necessidades do plano de ensino estabelecido pela escola a qual está inserida.
Realizar um planejamento estratégico e inserir estas atividades mediadoras
no cotidiano escolar, possibilita a transformação da realidade, e faz com que com que a
biblioteca escolar possa atuar de forma efetiva no sistema educacional, cumprindo seu papel
dentro da sociedade da informação.

5 Referências
ALMEIDA JÚNIOR, O. F. Leitura, mediação e apropriação da informação. In. SANTOS, J. P.
(Org.). A leitura como prática pedagógica na formação doprofissional da informação.
Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2007.
Brasil. Ministério da Educação. Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE): leitura e
bibliotecas nas escolas públicas brasileiras. Brasília: Ministério da Educação, 2008.
Disponível em: &lt;http://livrozilla.com/doc/843729/-pnbe---leitura-e-biblioteca-nas-escolasp%C3%BAblicas-brasile...&gt;. Acesso em: 29 de março de 2016.
CAVALCANTE, L. E. Cultura informacional e gestão de bibliotecas públicas municipais:
competências e usos da informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 11., 2010, Rio de Janeiro. Disponível em:
&lt;http://congresso.ibict.br/index.php/enancib/index&gt;. Acesso em: 05 de abril de 2016.
LEFRÈVRE; Fernando; LEFRÈVRE, Ana Maria Cavalcanti. O discurso do sujeito coletivo:
um novo enfoque de pesquisa qualitativa (desdobramentos). Caxias do Sul: EDUCS, 2003.
RASTELI, Alessandro. Mediação da leitura em bibliotecas públicas. 2013. 169 f..
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências,
Universidade Estadual Paulista, Marília, 2013. Disponível em:
&lt;https://www.marilia.unesp.br/Home/PosGraduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/rasteli_a_me_mar.pdf&gt;. Acesso em: 30 de
março de 2016.

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                <text>As políticas públicas de incentivo à leitura tem por finalidade inserir os alunos de escolas públicas no universo da cultura letrada durante o processo de formação escolar. O Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) é uma política governamental que distribuí obras literárias e didáticas às bibliotecas, alunos e professores das escolas públicas de ensino fundamental que visa superar a carência do fornecimento desses recursos ao longo do tempo. Este estudo pretende obter dados sobre o uso dos livros encaminhados às escolas e o impacto do PNBE na formação de leitores, com a finalidade de analisar as praticas pedagógicas de leitura em torno das obras distribuídas pelo Programa e realizar um diagnóstico sobre o que os atores envolvidos no processo pensam sobre os materiais literários que recebem, quais as praticas de leitura realizadas pelas escolas e o papel que a biblioteca representa no projeto político-pedagógico das escolas públicas municipais de Presidente Prudente.</text>
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                    <text>PROGRAMA DE TREINAMENTO DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA
CAPES: INTERLOCUÇÕES ENTRE AS ÁREAS DA SAÚDE E
ARQUITETURA

Márcia Meireles de Melo Diniz (UFMG) - marciamelodiniz@gmail.com
Jane Rodrigues Guirado (ufmg) - guiradojr@hotmail.com
Mariza Cristina Talim (UFMG) - marizatalim@gmail.com
Resumo:
Trata-se de programa de treinamento que visa capacitar as comunidades do Campus Saúde e
Escola de Arquitetura da UFMG para a utilização dos recursos do Portal de Periódicos Capes.
O propósito do treinamento é promover a interlocução entre as comunidades citadas que
apresentam características diferentes nas suas atividades científicas. Como resultado,
observou-se que o número de participantes das comunidades nos treinamentos oferecidos vem
crescendo consideravelmente a cada semestre, além de registrar outras demandas
decorrentes da oferta do treinamento. É importante destacar que os resultados esperados
estão sendo alcançados nas duas Unidades. Ressalta-se que a comunidade da Escola de
Arquitetura apresenta desafio maior a esse programa por causa das características próprias
da área, mas com o programa de treinamento tem conseguido intensificar a demanda por
pesquisa no Portal de Periódicos da Capes.
Palavras-chave: Treinamento de usuários. Educação de usuários.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As Bibliotecas Raffaello Berti da Escola de Arquitetura (EA) e J. Baeta Vianna Campus
Saúde são Unidades integrantes do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas
Gerais (SB/UFMG), e seus prédios estão proximamente localizados. Ambas as Bibliotecas
atendem além da sua comunidade local, a comunidade das demais Unidades da UFMG, como
também à comunidade externa da universidade.
Uma das funções da biblioteca é a de ser facilitadora na busca de informação para os seus
usuários. Dessa forma, o bibliotecário tem papel primordial, atuando como mediador entre o
usuário e as fontes de informação que ele utiliza (BARRETO, 1994; CRESTANA, 2003;
CRESTANA et al., 2008; MARTÍNEZ-SILVEIRA; ODDONE, 2007). Para exercer esse papel
de facilitadora, a biblioteca oferece, sistematicamente, programa de capacitação para sua
comunidade.
Entre esses programas, destaca-se o de capacitar as comunidades do Campus Saúde e Escola
de Arquitetura da UFMG para a utilização dos recursos do Portal de Periódicos Capes. O
programa iniciou-se no segundo semestre de 2012 e tem como finalidade ampliar o uso do
Portal de Periódicos da Capes; melhorar o desempenho de utilização do Portal de Periódicos
da Capes; incentivar as comunidades do Campus Saúde e da Escola de Arquitetura da UFMG
a utilizarem os recursos do Portal na sua totalidade; otimizar os recursos
físicos/materiais/pessoal; e promover a interlocução de informação e experiências
relacionadas à pesquisa nas áreas da Saúde e Arquitetura.
O propósito principal do treinamento é promover a interlocução entre as comunidades citadas
que apresentam características diferentes nas suas atividades científicas. A área da saúde
apresenta, notadamente, maior demanda e especificidades na pesquisa. A troca de informações
e experiências entre as áreas proporcionou visão maior das possibilidades de pesquisa
disponíveis para ambas as áreas. E, ainda, o programa se encontra em consonância com a
missão e objetivos do Portal de Periódicos da Capes em capacitar professores, pesquisadores,
alunos e funcionários na utilização da coleção do Portal de Periódicos nas suas atividades de
ensino, pesquisa e extensão (BRASIL, 2015).

2 Materiais e métodos
Para alcançar os objetivos foram realizadas ações, que consistiram em:
1. promover um programa de treinamento do Portal de Periódicos da Capes semestralmente;
2. atender às demandas dos professores e alunos das respectivas Unidades com aulas
expositivas e treinamentos;
3. oferecer serviço personalizado de levantamento bibliográfico nas bases de dados
disponíveis na coleção do Portal;
4. propiciar a ampla divulgação do Portal de Periódicos da Capes nos meios de comunicação
das Unidades;
5. inserir o programa de treinamento dos recursos do Portal de Periódicos da Capes na grade
curricular dos cursos, em conjunto com os professores das disciplinas.

3 Resultados parciais/finais
Observou-se que o número de participantes das comunidades nos treinamentos oferecidos
vem crescendo consideravelmente a cada semestre. O gráfico abaixo apresenta esses
resultados.

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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                    <text>PROGRAMA DE TREINAMENTO DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA
CAPES UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA (UEPG)
Maria Luzia Fernandes Bertholino dos Santos (UEPG) - mluzia@gmail.com
Angela Maria de Oliveira (UEPG) - amolivei@uepg.br
Ivani Silva (UEPG) - ivsilva@uepg.br
Eunice Silva Novais (UEPG) - enovais@uepg.br
Vera Lucia Braga da Silva (UEPG) - vlbsilva@uepg.br
Joseani Maria Ferro (UEPG) - jmferro@uepg.br
Resumo:
O estudo tem por objetivo apresentar os dados estatísticos da capacitação da comunidade
universitária da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) na exploração dos recursos
informacionais do Portal de Periódicos da CAPES, durante o período de 2005 a 2015. No
ínicio, quando a UEPG teve direito ao acesso ao Portal, a capacitação era realizada pelos
bibliotecários e no ano de 2010 também pelo Projeto Pró-multiplicar (alunos bolsistas
multiplicadores) com o apoio dos bibliotecários. Concluíu-se que é fundamental, a UEPG como
Instituição participante dar continuidade aos projetos de capacitação para atender as
necessidades informacionais da comunidade universitária e também possibilitar a sua
representatividade nos índices estatísticos do referido Portal.
Palavras-chave: Capacitação. 2. Usuários. 3. Buscas Base de dados. 4. Portal da CAPES.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

PROGRAMA DE TREINAMENTO DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA
CAPES UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA (UEPG)
RESUMO
O estudo tem por objetivo apresentar os dados estatísticos da capacitação da comunidade universitária da
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) na exploração dos recursos informacionais do Portal de
Periódicos da CAPES, durante o período de 2005 a 2015. Foram treinadas 2.141 pessoas. A capacitação era
realizada pelos bibliotecários e posteriormente pelo Projeto Pró-multiplicar com o apoio dos bibliotecários e
alunos multiplicadores. Concluiu-se que é fundamental dar continuidade aos projetos de capacitação para
atender as necessidades informacionais da comunidade universitária e também possibilitar a representatividade
da UEPG nos índices estatísticos do referido Portal.
Palavras-chave: 1. Capacitação. 2. Usuários. 3. Buscas Base de dados. 4. Portal da CAPES.

ABSTRACT
The study aims to present the statistics of training of the university community of Universidade Estadual de
Ponta Grossa (UEPG) in the exploitation of information resources of the CAPES Journal Portal, during the
period 2005 to 2015. Were trained 2,141 people. The training was carried out by librarians and later by the
Project Pro-multiply with the help of librarians and multipliers students. It was concluded that it is essential to
continue the training projects to meet the informational needs of the university community and also enable the
representativeness of the UEPG statistical indices of said Portal.
Keywords: 1.Training. 2. Users.3. Database searches. 4. CAPES Portal.

1 INTRODUÇÃO
A sociedade do conhecimento e a comunicação científica passam por um processo de
democratização da informação com a disseminação da publicação científica eletrônica. O
crescimento da pesquisa e das instituições contempladas pelo acesso à informação certamente
estão refletidas na produtividade científica.
A UEPG começou a acessar o Portal de Periódicos da CAPES em 2005.
Inicialmente, os bibliotecários receberam treinamentos e assumiram a responsabilidade em
repassar para a comunidade universitária. No ano de 2008, a CAPES lançou o Programa de
Formação de Multiplicadores (Pró-Multiplicar), cujo programa em 2010, a UEPG, integrouse. O Projeto teve como foco obter o apoio dos bolsistas de pós-graduação da CAPES, nos
anos iniciais do seu programa, para atuarem como monitores na divulgação e instrução do
Portal junto aos seus colegas de graduação e pós-graduação durante o período em que
estivessem cursando a pós-graduação. A Biblioteca juntamente com a Pró- Reitoria de
Pesquisa e Pós-graduação (PROPESP) sempre apoiaram o aluno bolsista em seus
treinamentos orientando-os para que pudessem repassar os conhecimentos à seus pares.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
Os treinamentos foram ministrados em laboratórios de informática ou em salas de aula
com os alunos utilizando seus próprios notebooks ou dispositivos móveis. O conteúdo
trabalhado foi a apresentação do Portal de Periódicos, criação do perfil no Meu Espaço e
execução de buscas nas bases de dados de acordo com área de conhecimento.

3 RESULTADOS
Desde que a UEPG começou a acessar o Portal de Periódicos da CAPES, 2.141
pessoas foram treinadas através do Programa Pró-multiplicar, pelos bibliotecários e editores
do Portal, cujos números estão representados no Gráfico 1.

�2

X Sem
XIX
minário Nacion
nal de Bibliote
B
ecas Un
niversitá
árias
BIBLIOTECA
A UNIVERSIITÁRIA COM
MO AGENTE DE SUSTEN
NTABILIDADE INSTITUC
CIONAL
Gráficco 1 – Treinam
mentos realizaados para capaacitação de usuários no uso do Portal 20005 – 2015

FONT
TE: As autoraas

Observva-se que a partir de 20010 obteve--se um cresccimento noss treinamen
ntos, devidoo
ao prrograma próó-multiplicaar. Em 20111 houve um
ma diminuiçãão dos treinnamentos, faazendo com
m
que, em 2012, os bibliotecários elaborassem um
m cronograama de treinnamentos por
p área doo
conhhecimento, convidando
c
os alunos de
d pós- graduação paraa participarr e dar contiinuidade aoo
projeeto. A colaboração de
d represenntantes de editoras na
n nossa instituição reforçou a
divullgação e diisseminaçãoo do Portal de Periódiicos da CA
APES.O Proograma Pró--multiplicarr
contrribuiu paraa a dissemiinação dos recursos informacion
i
nais do Porrtal de Perriódicos daa
CAP
PES, aumenttando assim
m, a represenntatividade da UEPG no
n referido P
Portal.

ONSIDER
RAÇÕES FINAIS
F
4 CO
Na exppectativa dee exercer seeu papel de disseminaddora dos reecursos info
ormacionaiss
do Portal da CA
APES, a Bibblioteca tem
m empreend
dido esforçoos no sentiddo de promo
over cursos,,
nta de buscaa
palesstras e treinamentos paara divulgar e estimularr o uso desssa importantte ferramen
de innformação científica, que ampliaa as fontes de pesquissa e recursos bibliogrráficos paraa
atinggir sua misssão de apoiio ao ensino, à pesquiisa e a exteensão univeersitária, aléém de criarr
mecaanismos quue facilitem
m o processso de pesquisa dos programas
p
dde pós-grad
duação quee
aperffeiçoam seuu desempennho e atinggem melhorres indices de avaliaçção perantee à CAPES
S
prom
movendo a visibilidadde da UEP
PG no pan
norama da pesquisa em nivel nacional e
internnacional
O estímuulo e incenntivo para explorar ass fontes dee informaçãão do Portaal geram o
aumeento dos índices estatíísticos e jusstificam suaa existênciaa e investim
mentos goveernamentaiss
federrais para suua manutençção. A UEP
PG como In
nstituição paarticipante deve dar co
ontinuidadee
aos treinamentos e incentivvo ao uso doo Portal de Periódicos
P
d CAPES.
da

5RE
EFERÊNC
CIAS
COO
ORDENAÇÃ
ÃO DE AP
PERFEIÇO
OAMENTO DE PESSOAL DE N
NÍVEL SU
UPERIOR CAP
PES.Portariia Nº 144,
1
de 20 de outubro de 20099. Dispon
nível em:
http:///sites.uepg.br/ppgg/Puublic/docum
mentos/885ff2c320a7f0aa1a21ddb755679603f66.pdf.
Acessso em: 25 mar.
m 2016.

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                    <text>Programa de Competência em Informação para a Rede Ametista de
Bibliotecas da CPRM – Serviço Geológico do Brasil: uma proposta e
primeiras ações.

Jean Charles Racene dos Santos Martins (CPRM - SGB) - jean.martins@cprm.gov.br
Margareth Lopes de Moraes (CPRM - SGB) - margareth.moraes@cprm.gov.br
Roberta Pereira da Silva de Paula (CPRM - SGB) - roberta.silva@cprm.gov.br
Resumo:
Apresenta a estruturação do Programa de Competência em Informação para a Rede Ametista
de Bibliotecas da CPRM – Serviço Geológico do Brasil. O objetivo foi promover novos saberes e
habilidades em informação visando potencializar o uso dos recursos de informação, assim
como os produtos e serviços de informação oferecidos aos nossos usuários internos e
externos, presencial ou remotamente. A Rede Ametista possui 13 (treze) bibliotecas em todo o
Brasil com foco na área de Geociências. Neste sentido a Rede Ametista assume papel
importante para o cumprimento da missão institucional da CPRM que é o de "gerar e difundir
o conhecimento geológico e hidrológico básico necessário para o desenvolvimento sustentável
do Brasil". Inicialmente, foi feito um teste da proposta na Biblioteca Octávio Barbosa
localizada no Escritório da CPRM no Rio de Janeiro para depois apresentá-lo, através de
videoconferência, para as Bibliotecas Regionais localizadas em outros estados do Brasil. O
Programa foi dividido em Ações com suas respectivas metodologias para a solução de
problemas no intuito de alcançar resultados que impactassem significativamente na
desenvoltura dos usuários quanto à recuperação, acesso e uso da informação geocientífica
disponibilizados através de variadas fontes institucionais e da comunidade científica nacional e
internacional.
Palavras-chave: Competência em informação. Programa Competência em Informação.
Treinamento de usuários. Rede Ametista. CPRM.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Este trabalho apresenta a estruturação de um programa de Competência em Informação para a
Rede de Bibliotecas da CPRM – Serviço Geológico do Brasil. O objetivo é promover novos
saberes e habilidades em informação visando potencializar o uso dos recursos de informação,
assim como os serviços e produtos oferecidos aos nossos usuários internos e externos.
A Rede de Bibliotecas possui 13 (treze) bibliotecas em todo o Brasil com foco na área de
Geociências. A CPRM tem como missão gerar e difundir o conhecimento geológico e
hidrológico básico necessário para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Inicialmente, foi
feito um teste da proposta na Biblioteca Central localizada no Rio de Janeiro para depois
apresentá-la, através de videoconferência, para as Bibliotecas Regionais localizadas em outros
estados. O Programa foi dividido em Ações com suas respectivas metodologias para a solução
de problemas, como vemos a seguir.

2 Materiais e métodos
A estruturação do Programa de Competência em Informação deve identificar as ações que
serão desenvolvidas, o público-alvo, os objetivos, a metodologia a ser empregada e as
respectivas datas. As diretrizes abaixo podem trazer contribuições para que outras bibliotecas
e unidades de informação possam elaborar ou atualizar o seu próprio programa.
Elementos
Ação

Ação 1
Visitas Guiadas

Ação 2
Atendimento
Individual

Público-Alvo

Admitidos no
último concurso
público e
visitante externo
Promover maior
utilização do
acervo da
Biblioteca e do
Multimeios
(acervo
fotocartográfico)

Pesquisadores

Objetivos

Metodologia

Visitas
em
grupos de no
máximo
10
(dez)
participantes.
Divulgação
e
agendamento
dos participantes
foram realizados
pela Divisão de
Recursos
Humanos
Data
08/10/2014
Fonte: Os autores.

Sanar
dúvidas
específicas
e
pontuais sobre as
ferramentas de
pesquisa
nas
bases de dados
bibliográficas e
georreferenciadas
disponíveis
da
CPRM

Atendimento
personalizado
com o horário
agendado e o
espaço definido
pela Biblioteca

20/05/2015

Ação 3
Treinamento
Presencial em
Grupos
Pesquisadores
da CPRM

Ação 4
Palestrantes
Externos
os
da

Técnicos,
Analistas
e
Pesquisadores.

Promover
a
melhor
utilização das
bases de dados
da
CPRM:
Catálogo
Online PHL,
Biblioteca
Virtual Acesso
Livre
e
Repositório
Institucional
RIgeo
Palestras
presenciais
ministradas
pela Equipe da
Biblioteca
com o objetivo
de transmitir
informações
claras
e
práticas

Promover
a
aquisição
de
novos
conhecimentos

Promover
a
aquisição
de
novos
conhecimentos e
habilidades
de
informação aos
funcionários da
CPRM

Palestras
ministradas por
palestrantes
externos,
realizadas
na
CPRM no Rio de
Janeiro,
com
transmissão para
todas as suas
Unidades
Regionais.

06/11/2014

30/09/2015

Cursos de
Capacitação com
baixo custo de
implementação
realizados na
CPRM no Rio de
Janeiro com
transmissão para
as suas Unidades
Regionais através
de
videoconferência.
16/07/2014

Todos
funcionários
CPRM

Ação 5
Treinamento
Distancia

a

�2

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

No quadro acima estão elencadas propostas de ações que estão sendo realizados na Biblioteca
Central da CPRM. As ações iniciaram no ano de 2014 até o presente momento. Sempre
atuamos em colaboração com outros setores da instituição, tais como: Divisão de Recursos
Humanos, Divisão de Editoração, Divisão de Marketing, Divisão de Informática e Assessoria
de Comunicação que auxiliam nas ações do programa.

3 Resultados parciais/finais
Nas Ações realizadas para o desenvolvimento da Competência em Informação dos Usuários
da Biblioteca Central da CPRM, registramos o interesse por elas através da quantidade de
usuários que as utilizaram como demonstramos abaixo:
Ação 1 - Visitas Guiadas na Biblioteca e Multimeios – 5 Grupos – 78 Visitantes;
Ação 2 - Atendimento Individual para usos específicos em bases de dados da CPRM – 22
Usuários;
Ação 3 - Treinamento Presencial em Grupos para orientação no uso das bases de dados – 3
Grupos – 48 Usuários;
Ação 4 - Palestrantes Externos – 1 Palestra sobre Gestão de Documentos – Videoconferência
com 30 usuários presenciais;
Ação 5 – Treinamento a Distância – 1 Treinamento da Base Elsevier – Videoconferência com
20 usuários presenciais;
Após essas ações do programa observamos um aumento significativo na utilização dos nossos
espaços e dos serviços que a biblioteca oferece, seja de maneira presencial ou virtual.

4 Considerações parciais/finais
Nesta construção, objetivou-se esclarecer a estruturação de um Programa de Competência em
Informação, o qual pretende servir de apoio para inovações e assim, obter resultados, como o
aumento da demanda e o reconhecimento da comunidade e seu público alvo.
Observou-se nas 5 (cinco) Ações desenvolvidas para o Programa de Competência em
Informação da Rede de Bibliotecas da CPRM, que todas as Ações programadas dependem de
fatores externos como: demanda de usuários, disponibilidade de palestrantes, temas de
interesse da comunidade técnico-científica e compatibilização de agendas dos palestrantes e
salas de videoconferência na CPRM. Observou-se também que o nível de satisfação do
usuário, registrado através de cartas de agradecimento, foi muito bom.
Conclui-se que o Programa é viável, teve uma boa receptividade e deve continuar se
aperfeiçoando dentro do seu propósito de habilitar os usuários na busca de informações nas
bases de dados da CPRM objetivando o seu aprimoramento no processo investigativo para a
construção do conhecimento em Geociências.

5 Referências
BELLUZZO, Regina Célia Baptista. O uso de mapas conceituais e mentais como tecnologia
de apoio à gestão da informação e da comunicação: uma área interdisciplinar da competência
em informação. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 2, n.2, p.78-89,
2006.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da
Informação, Brasília, v. 32, n. 1, p. 23-35, jan./abr. 2003.
LAU, Jesus. Guidelines on information literacy for lifelong learning. Vera Cruz:
Univ.Veracruzana, 2006. Disponível em:
&lt;http://archive.ifla.org/VII/s42/pub/ILGuidelines2006.pdf&gt;. Acesso em: 20 de mar. 2009.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Programa de Competência em Informação para a Rede Ametista de Bibliotecas da CPRM – Serviço Geológico do Brasil: uma proposta e primeiras ações. (Pôster)</text>
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                <text>Apresenta a estruturação do Programa de Competência em Informação para a Rede Ametista de Bibliotecas da CPRM – Serviço Geológico do Brasil. O objetivo foi promover novos saberes e habilidades em informação visando potencializar o uso dos recursos de informação, assim como os produtos e serviços de informação oferecidos aos nossos usuários internos e externos, presencial ou remotamente. A Rede Ametista possui 13 (treze) bibliotecas em todo o Brasil com foco na área de Geociências. Neste sentido a Rede Ametista assume papel importante para o cumprimento da missão institucional da CPRM que é o de "gerar e difundir o conhecimento geológico e hidrológico básico necessário para o desenvolvimento sustentável do Brasil". Inicialmente, foi feito um teste da proposta na Biblioteca Octávio Barbosa localizada no Escritório da CPRM no Rio de Janeiro para depois apresentá-lo, através de videoconferência, para as Bibliotecas Regionais localizadas em outros estados do Brasil. O Programa foi dividido em Ações com suas respectivas metodologias para a solução de problemas no intuito de alcançar resultados que impactassem significativamente na desenvoltura dos usuários quanto à recuperação, acesso e uso da informação geocientífica disponibilizados através de variadas fontes institucionais e da comunidade científica nacional e internacional.</text>
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                    <text>PROCESSO DE CONSOLIDAÇÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS
DO CEFET/RJ: MOTIVAÇÕES, INSPIRAÇÕES E DESAFIOS
Samantha Andrade da Rosa (CEFET/RJ) - samantha.rosa07@gmail.com
Lorena Alleyne Vannelle (CEFET/RJ) - loreninhazinha@hotmail.com
Luciana Souza Castro (UFF) - luucmail@gmail.com
Kellen Cristhiane Corrêa Faria (CEFET/RJ) - kellencorrea@hotmail.com
Resumo:
O presente trabalho consiste em relato de experiência sobre o processo de consolidação do
Sistema de Bibliotecas do CEFET/RJ. Objetiva comunicar o que está sendo feito nesse sentido
e, ao mesmo tempo, compartilhar com demais profissionais bibliotecários interessados no
tema. Cita as metodologias de benchmarking e análise de SWOT como ferramentas para o
desenrolar dos trabalhos. Informa, em seus resultados parciais, a criação do "Grupo de
Trabalho do Sistema" e a intenção de atualizações de regimento e regulamento do Sistema de
Bibliotecas do CEFET/RJ. Como considerações parciais relata a preocupação do Sistema de
Bibliotecas em contribuir para a sustentabilidade institucional do CEFET/RJ em constante
atualização e crescimento nos seus próximos anos de história de educação pública, gratuita e
de qualidade.
Palavras-chave: Sustentabilidade institucional. CEFET/RJ. Sistema de Biblioteca.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Muitas são as motivações, inspirações e desafios encontrados durante a consolidação
de um Sistema de Bibliotecas. No Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da
Fonseca (CEFET/RJ) não está sendo diferente. Por se tratar de uma Instituição de Ensino
quase centenária que vem congregando experiência, conhecimento e história dentre outras
bases imprescindíveis à construção permanente do seu legado informacional à sociedade,
promover mecanismos sistêmicos efetivos de organização, tratamento e disseminação deste
legado torna-se imperativo.
Com a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica
(RFEPCT), o CEFET/RJ expandiu-se e hoje, além do campus-sede Maracanã possui mais sete
campi, a saber: Angra dos Reis, Itaguaí, Maria da Graça, Nova Friburgo, Nova Iguaçu,
Petrópolis e Valença. O aumento do número de campi, ampliou também o número de
bibliotecas ocasionando a necessidade da regulamentação de um Sistema de Bibliotecas que
unificasse as demandas técnicas, a integração com os outros setores e que se responsabilizasse
pela representação das bibliotecas diante da Instituição de Ensino Superior a qual pertence.
Criado em 2007, por meio de portaria institucional nº 420, o Sistema de Bibliotecas do
CEFET/RJ vem buscando se consolidar dentro da instituição. A referida portaria, no entanto,
se mostra deficitária não correspondendo a atual realidade das bibliotecas sendo, neste
sentido, de extrema importância atualizações de regimento e regulamento que o definam e o
regulem a fim de consolidá-lo, dando apoio às ações e políticas da Organização, conferindo
sustentabilidade institucional ao refletir o CEFET/RJ da atualidade.
O objetivo do presente trabalho é apresentar o que está sendo feito neste sentido e
convidar representantes dos Sistemas de Bibliotecas de instituições congêneres e demais
profissionais bibliotecários interessados no tema à contribuírem nesse importante processo. O
grande desafio dessa consolidação é o da integração harmônica das bibliotecas do Sistema
através do destaque de suas similitudes evitando, no entanto, engessá-las em padrões que
ocultem suas diversas especificidades.
Cabe ressaltar que a relevância da temática em questão se evidencia no universo das
Bibliotecas da RFEPCT como um todo, sendo os “Sistemas de Bibliotecas” um dos objetos de
estudo do Grupo de Trabalho intitulado GT 07 - Gestão de Bibliotecas e Pessoas, conforme se
pode concluir do site da Comissão Brasileira de Bibliotecas das Instituições da Rede Federal
de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CBBI). (COMISSÃO BRASILEIRA DE
BIBLIOTECAS DAS INSTITUIÇÕES DA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA, [201-]).

2 Materiais e métodos
O ponto de partida do trabalho foram as reuniões realizadas em 2014 entre os
bibliotecários dos campi. Foi realizada a análise dos documentos referentes ao sistema, com o
objetivo de diagnosticar sua situação atual. Para aprender como outras Instituições trilharam,
com sucesso, o caminho de criação e consolidação de seus sistemas de bibliotecas, empregouse o processo de benchmarking (SCHERMERHORN Jr., 2007) através das metodologias de
observação e pesquisa, via Internet, de cinco instituições brasileiras de ensino. Destas, foi
selecionada uma para estudo mais aprofundado, em um primeiro momento. A escolha se deu
devido a semelhança com o CEFET/RJ e por entendermos se constituir modelo de excelência,
pelas definições claras e objetivas constantes em seus regimento e regulamento estabelecidos
para criação de seu sistema de bibliotecas, obtendo assim, sucesso em sua implantação. Foram
realizados contatos por meio de conversas por videoconferência, contato telefônico e correio

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

eletrônico (e-mail).

3 Resultados parciais
Em uma das reuniões periódicas dos bibliotecários do CEFET/RJ ocorridas no
primeiro semestre do ano corrente, instituiu-se o Grupo de Trabalho do Sistema de Bibliotecas
do CEFET/RJ (GT do Sistema), que ficou encarregado de dar prosseguimento à consolidação
do Sistema de Bibliotecas do CEFET/RJ, uma das metas referentes às bibliotecas previstas no
Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para o quinquênio de 2015 a 2019 (em fase de
avaliação)1. Tomando como base o objetivo de consolidação do sistema empenhado na
sustentabilidade institucional através da integração harmônica de suas bibliotecas e, de
mesmo modo, a valorização das especificidades de cada uma delas, o exame do material
pesquisado será orientado através da análise SWOT (SCHERMERHORN Jr., 2007). Por meio
dessa ferramenta de análise, a finalidade é de, paralelamente à “instituição-modelo” verificada
através de benchmarking, podermos também identificar as forças e fraquezas, bem como as
oportunidades e ameaças ao Sistema de Bibliotecas. Por meio do GT do Sistema, fomentando
ações conjuntas e integradas dos bibliotecários do CEFET/RJ, anseia-se, para o centenário da
Instituição em 2017, a produção de regimento e regulamento bem fundamentados para o
caminho efetivo da consolidação do Sistema de Bibliotecas.

4 Considerações parciais
O desafio da consolidação do Sistema de Bibliotecas do CEFET/RJ, assim
entendemos, advém da motivação de unificar e solucionar demandas técnicas das bibliotecas,
bem como de uma melhor integração com os demais setores da Instituição. Isso nos inspira a
ansiar pelo aumento da representação efetiva do Sistema nos futuros planejamentos e metas
institucionais. Assim sendo, um Sistema de Bibliotecas bem fundamentado com base nos
valores institucionais em seus principais documentos, diga-se regimento e regulamento,
poderá contribuir para a sustentabilidade institucional do CEFET/RJ em constante atualização
e crescimento nos seus próximos anos de história de educação pública, gratuita e de
qualidade.

5 Referências
CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA
FONSECA. Portaria nº 420, de 27 de agosto de 2007. Boletim de Serviço, Rio de Janeiro, n.
222, p.75-76, ago. 2007.
COMISSÃO BRASILEIRA DE BIBLIOTECAS DAS INSTITUIÇÕES DA REDE
FEDERAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA. GT 07:
Gestão de Bibliotecas e Pessoas. [201-]. Disponível em:
&lt;http://www.cbbionline.org/gestatildeo-de-bibliotecas-e-de-pessoas.html&gt;. Acesso em: 02
maio 2016.
SCHERMERHORN Jr., John R. Administração. 8.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2007.

Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI (2015-2019), de autoria do CEFET/RJ, com previsão de
ser publicado por este Centro ainda no ano de 2016.

1

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente trabalho consiste em relato de experiência sobre o processo de consolidação do Sistema de Bibliotecas do CEFET/RJ. Objetiva comunicar o que está sendo feito nesse sentido e, ao mesmo tempo, compartilhar com demais profissionais bibliotecários interessados no tema. Cita as metodologias de benchmarking e análise de SWOT como ferramentas para o desenrolar dos trabalhos. Informa, em seus resultados parciais, a criação do "Grupo de Trabalho do Sistema" e a intenção de atualizações de regimento e regulamento do Sistema de Bibliotecas do CEFET/RJ. Como considerações parciais relata a preocupação do Sistema de Bibliotecas em contribuir para a sustentabilidade institucional do CEFET/RJ em constante atualização e crescimento nos seus próximos anos de história de educação pública, gratuita e de qualidade.</text>
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                    <text>PRESERVAÇÃO E ACESSO À INFORMAÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA
EM ARQUITETURA: AÇÕES DA BIBLIOTECA DE ARQUITETURA E
URBANISMO DA USP

Marcia Rosetto (FAU USP) - mrosetto@usp.br
Dina Elisabete Uliana (FAU USP) - dina.uliana@gmail.com
Maria José Polletti (FAUUSP) - mjpollet@usp.br
Resumo:
Um dos principais movimentos sociais iniciados nesses últimos 60 anos é quanto à questão da
sustentabilidade representada em três pilares: desenvolvimento econômico, desenvolvimento
social, e salvaguarda do meio ambiente. Na área da educação a UNESCO estabeleceu o
período de 2005 a 2014 como a “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável
(DEDS)” com o objetivo de promover essa temática e um envolvimento mais enfático das
pessoas e organizações. Nesse contexto, se insere a questão da transferência do conhecimento
e sua compreensão como um dos aspectos estratégicos a ser destacado nas práticas
organizacionais da universidade. Seguindo esses preceitos, a Biblioteca da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) vêm realizando uma série
de projetos que tem como objetivo organizar e propiciar o acesso a um acervo especializado,
em especial às informações publicadas em periódicos nacionais e acervos pessoais de
docentes e arquitetos doados à FAUUSP como subsídio aos programas de ensino e pesquisa.
Palavras-chave: Arquitetura e Urbanismo. Acesso à informação e conhecimento. Índice de
Arquitetura Brasileira. Revista Acrópole Eletrônica. Biblioteca de Arquitetos.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Recursos de recuperação da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A partir dos anos 60 a sustentabilidade aparece com destaque em várias agendas de
programas desenvolvidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO) tornando-se como um dos principais movimentos sociais e consolidado
de forma sistêmica em três pilares: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, e
salvaguarda do meio ambiente, representados de várias formas e inseridos nas práticas
organizacionais.1 Conforme Matsuura (2005, p.1), a “Sustentabilidade é um preceito moral, e
também um conceito científico. Está intimamente ligada com a questão da paz, dos direitos
humanos e da equidade, e incluindo a ecologia e o aquecimento global. Estando conectada às
ciências naturais, econômicas e políticas, é também uma questão cultural”. Nesse contexto, a
educação é uma das áreas estratégicas para sua implementação e dessa forma a UNESCO
estabeleceu o período de 2005 a 2014 como a “Década da Educação para o Desenvolvimento
Sustentável (DEDS)”, com o objetivo de envolver de forma mais enfática as pessoas e
organizações (UNESCO and Sustainable Development, 2005). Em pesquisa realizada para
verificar como a sustentabilidade vinha sendo conduzida na esfera da educação em nível
superior constatou-se que a questão da transferência do conhecimento e sua compreensão
seria um dos aspectos estratégicos a ser inserido nos planos de ação das universidades
(WALS, 2014). Em conformidade com esse cenário, a Biblioteca da Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) vêm elaborando projetos com o
objetivo de organizar e propiciar o acesso a informações publicadas em periódicos nacionais e
acervos pessoais doados à FAUUSP. Além disso, intenta divulgar e compartilhar essas
experiências e práticas realizadas com a comunidade nacional e internacional.

2 Materiais e métodos
Segundo Cunha (2010), as bibliotecas universitárias são organizações complexas com
uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram sendo desenvolvidos ao longo do
tempo e, devido ao impacto da tecnologia digital, vem proporcionando serviços inovadores
destacando-se a seleção e digitalização de materiais e manutenção de repositórios digitais.
Alinhada a esse contexto, a Biblioteca da FAUUSP desenvolveu projetos que contemplassem
esses aspectos e que proporcionassem a sustentabilidade para projetos institucionais conforme
as ações a seguir: Estabelecer plano de ação contemplando os tipos de projetos que poderiam
ser realizados e os objetivos que se pretendia alcançar; Organizar equipes de trabalho para a
implantação, incluindo contato com especialistas que poderiam contribuir para os projetos a
serem realizados; Elaborar a arquitetura de informação para os projetos estabelecidos;
Selecionar e organizar os conteúdos e seus links de acordo com a arquitetura da informação
elaborada; Estabelecer parâmetros para gestão e manutenção técnica; Disponibilizar os
conteúdos para a comunidade usuária.

3 Resultados parciais/finais
Em conformidade com as ações definidas, a Biblioteca da FAUUSP desenvolveu
projetos que contemplam os propósitos delineados a seguir descritos: 1 - Índice de
Arquitetura Brasileira (IAB) - disponibilização, via rede internet, do IAB contemplando a
indexação de artigos dos principais periódicos brasileiros publicados na área de Arquitetura,
1

Os estudiosos dessa área identificam que o marco inicial da sustentabilidade ocorreu a partir da década de
1970, sendo fundamental a publicação do relatório da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento (CMMAD), editado em 1987, e mais conhecida como Comissão Brundtland (Nosso Futuro
Comum) (BARBIERI, 2010).

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Urbanismo, Design e Arte. Atualmente com mais de 63 mil artigos proporcion a difusão e
acesso às orientações da arquitetura e urbanismo brasileiro, com links para os artigos já
existentes em meio eletrônico; 2- Revista Acrópole Eletrônica – publicação pioneira na área
de arquitetura é considerada como um dos mais importantes registros documentais de uma
época da cultura brasileira e disponível desde 25 de junho de 2014 em website especialmente
elaborado para esse fim, sendo registrado mais de 220 mil visualizações conforme dados
coletados pelo sistema Google Analytics 2 ; 3- Biblioteca dos Arquitetos - como depositária de
inúmeros acervos pessoais de destacados docentes e arquitetos brasileiros, a Biblioteca da
FAUUSP estabeleceu a coleção “Biblioteca dos Arquitetos” que, de acordo com Camargo
(2009), são arquivos de pessoas que trazem valores para o campo da pesquisa que a
instituição de custódia pretende cobrir e que também estão conectados com a visibilidade
acadêmica e representatividade do acervo como um todo. Os documentos já tratados estão
disponíveis no catálogo online DEDALUS. 3

4 Considerações parciais/finais
Como resultado dos projetos desenvolvidos, descritos no item 3, acredita-se que a
Biblioteca da FAUUSP vem contribuindo com os docentes, pesquisadores, alunos e demais
interessados com a disponibilização de variados instrumentais que proporcionam o acesso à
informação especializada e tornando a biblioteca universitária, como identifica Arruda (2009),
como um organismo multifacetado com novas propostas e que estão diretamente relacionadas
com as competências acumuladas, a inserção e integração com o meio, além da capacidade
inovativa para participar do ambiente social como um todo.

5 Referências
ARRUDA, R. G. Unidades de informação e sustentabilidade: requisitos para organizações do
conhecimento, o caso Embrapa. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação,
Nova Série, São Paulo, v.5, n. 1/2, p. 28-41, jan-dez. 2009.
BARBIERI, J. C. et al . Inovação e sustentabilidade: novos modelos e proposições. RAE, São
Paulo, v.50, n. 2, p. 146-154, abr./jun. 2010.
CAMARGO, A.M.. Arquivos pessoais são arquivos. Revista do Arquivo Público Mineiro,
Belo Horizonte, n.2, p. 26-39, jul/dez. 2009.
CUNHA, M. B. Da A biblioteca universitária na encruzilhada. DataGramaZero Revista de
Ciência da Informação, v.11, n.6, p.1-22, dez. 2010.
IFLA. Declaración acerca de las Bibliotecas y el Desarrollo Sostenible, 2002. Disponível em:
http://www.ifla.org/ES/publications/declaraci-n-acerca-de-las-bibliotecas-y-el-desarrollosostenible Acesso em: 20 de abril 2016.
MATSUURA, K. Sustainable development, our common task. In: UNESCO and
Sustainable Development. Paris: UNESCO, 2005 p. 1.
UNESCO and Sustainable Development. Paris: UNESCO, 2005.41p.
WALS, A.E.J. Sustainability in higher education in the context of the UN DESD: a review of
learning and institutionalization processes. Journal of Cleaner Production, n.62, p.8-15,
2014.

2
3

Disponível em: http://www.acropole.fau.usp.br
Disponível em: http://dedalus.usp.br/F?RN=872299955

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                <text>Um dos principais movimentos sociais iniciados nesses últimos 60 anos é quanto à questão da sustentabilidade representada em três pilares: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, e salvaguarda do meio ambiente. Na área da educação a UNESCO estabeleceu o período de 2005 a 2014 como a “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (DEDS)” com o objetivo de promover essa temática e um envolvimento mais enfático das pessoas e organizações. Nesse contexto, se insere a questão da transferência do conhecimento e sua compreensão como um dos aspectos estratégicos a ser destacado nas práticas organizacionais da universidade. Seguindo esses preceitos, a Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) vêm realizando uma série de projetos que tem como objetivo organizar e propiciar o acesso a um acervo especializado, em especial às informações publicadas em periódicos nacionais e acervos pessoais de docentes e arquitetos doados à FAUUSP como subsídio aos programas de ensino e pesquisa.</text>
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                    <text>PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS NA BIBLIOTECA DE CIÊNCIAS DA
SAÚDE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Rosane Maria Costa (UFC) - rosane.costa@ufc.br
Raimundo Cezar Campos do Nascimento (UFC) - rcezarufc@yahoo.com.br
Resumo:
Relata as práticas sustentáveis implementadas pela Biblioteca de Ciências da Saúde para
gerenciar suas atividades e rotinas de trabalho baseadas no Plano de Logística Sustentável da
Universidade Federal do Ceará. Objetivou-se criar um plano para sensibilizar seus
funcionários a manterem o equilíbrio com o ambiente onde se inserem respeitando os limites
para uso de materiais de consumo, reutilização de bens descartáveis, contenção nos gastos de
água e energia elétrica. Uma pesquisa feita junto aos funcionários serviu para apoiar e
direcionar as ações. Apresenta um quadro com os resultados parciais alcançados e considera
ampliar sua ação para os usuários da Biblioteca de Ciências da Saúde.
Palavras-chave: Sustentabilidade. Bibliotecas Médicas. Planejamento. Universidades
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O Plano de Logística Sustentável (PLS) da Universidade Federal do Ceará (UFC)
prevê a definição e implantação de práticas sustentáveis na instituição visando a redução do
consumo de recursos naturais, reciclagem e reutilização de materiais de alta durabilidade e a
racionalização dos gastos. Tem como objetivo estabelecer metas e ações a fim de implantar a
gestão ambiental na universidade, de maneira articulada e sustentável (UFC, 2013). Em uma
época em que se faz urgente cuidar dos recursos naturais, sob pena de se tornarem escassos, a
Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) da UFC, integrante do Sistema de Bibliotecas que
conta hoje com 18 unidades, elaborou seu próprio plano baseado nas diretrizes do PLS, com o
objetivo de sensibilizar, num primeiro momento, seus funcionários a manterem o equilíbrio
com o ambiente onde se inserem respeitando os limites para uso de materiais de consumo,
reutilização de bens descartáveis, contenção nos gastos de água e energia elétrica. Ainda que
isso não ocorra facilmente, como disse Crestana et al. (2013), as bibliotecas universitárias têm
como pressuposto da qualidade a adoção de ações de responsabilidade sócio ambiental para
atender com excelência e cumprir sua missão dentro da universidade.

2 Materiais e métodos
O plano foi elaborado por dois funcionários da BCS, uma bibliotecária e um assistente
em administração, que pesquisaram junto aos demais colegas hábitos de consumo no dia a dia
do serviço. Os recursos humanos da BCS são constituídos de: oito bibliotecárias, cinco
assistentes administrativos, dois encadernadores, cinco funcionários terceirizados, sendo: dois
auxiliares administrativos, dois zeladores e um porteiro. A partir das respostas fornecidas o
plano foi traçado, proporcionando aqui uma visão das inciativas, ações implementadas e
resultados alcançados.

3 Resultados parciais
Os resultados serão descritos da seguinte forma: iniciativa/ação/resultados alcançados.
Reduzir o consumo de energia elétrica/ revezamento no funcionamento dos dois salões de
estudos/economia de 5677 kWh≈26,7%/mês; Reduzir o consumo de energia elétrica/os dois
salões de estudo funcionando durante o período letivo fechando os condicionadores de ar
meia-hora antes do final do expediente/economia de 217,14 kWh/mês≈1%; Reduzir o
consumo de energia elétrica/colocação de janelas de vidro que deixam entrar a iluminação
natural/economia de 176,68kWh≈1,86%; Reduzir o consumo de papel A4, bobinas de mini
impressoras, copos descartáveis e cartuchos de tintas para impressoras/os recibos de
empréstimo, devolução e renovação emitidos pelo balcão de empréstimo são enviados para o
e-mail dos usuários/redução de 63,5% na emissão de papel; Reduzir o consumo de papel A4,
bobinas de mini impressoras, copos descartáveis e cartuchos de tintas para
impressoras/fotocópias solicitadas para o Comut, escaneadas e enviadas para o e-mail dos
usuários/redução de 94%; Reduzir o consumo de papel A4, bobinas de mini impressoras,
copos descartáveis e cartuchos de tintas para impressoras/normalização de trabalhos
acadêmicos feita nos arquivos recebidos por e-mail/redução de 100% no uso de papel;
Reduzir o consumo de papel A4, bobinas de mini impressoras, copos descartáveis e cartuchos
de tintas para impressoras/teses, dissertações e monografias recebidas em formato digital e
arquivadas no repositório da instituição/reduzido a zero no recebimento em papel; Reduzir o
consumo de papel A4, bobinas de mini impressoras, copos descartáveis e cartuchos de tintas
para impressoras/certificados de treinamentos de usuários emitidos por e-mail/reduzido a zero

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

de emissão de papel/ Reduzir o consumo de papel A4, bobinas de mini impressoras, copos
descartáveis e cartuchos de tintas para impressoras/diminuição no uso de copo
descartável/adesão de 70% dos funcionários; Reduzir o consumo de papel A4, bobinas de
mini impressoras, copos descartáveis e cartuchos de tintas para impressoras/emissão de
declaração de nada consta por e-mail/pretende-se atingir 100% em 2017; Promoção da
Biblioteca visando à preservação dos acervos, equipamentos e mobiliários com a participação
de seus usuários/ampliação de wifi na biblioteca para promoção de treinamentos de
usuários/capacidade de atendimento de 200%; Promoção da Biblioteca visando à preservação
dos acervos, equipamentos e mobiliários com a participação de seus usuários/campanhas,
exposições e visitas guiadas/ alcançam visitantes e alunos do primeiro semestre; Restauração
e encadernação de material bibliográfico/os livros são enviados para o laboratório de
encadernação da BCS onde se realizam consertos na lombada e na capa, quando necessário,
colocação de capa plástica, costura dos cadernos, inserção de capítulos extraídos, colagem de
dispositivo de segurança/média de 230 livros/ano; Uso de computadores, scanners,
impressoras-copiadoras e recursos eletrônicos nas tarefas administrativas da BCS/ofícios
recebidos e enviados por e-mail/redução de 38,5% de emissão de papel; Usar computadores,
scanners, impressoras/copiadoras e recursos eletrônicos nas tarefas administrativas da
BCS/Instruções enviadas por e-mail para alunos atualizarem seus dados cadastrais no sistema
da biblioteca/100% de adesão; Usar computadores, scanners, impressoras/copiadoras e
recursos eletrônicos nas tarefas administrativas da BCS/recebimento de cronogramas de
trabalho, atas de reuniões e boletins de notícias do sistema de bibliotecas por e-mail, google
docs, dropbox/redução de 100% no uso de papel.

4 Considerações parciais
A BCS precisa aprimorar o plano envolvendo a totalidade de seus funcionários que
precisam se comprometer na implementação das ações a fim de que as metas sejam
alcançadas. A sensibilização dos usuários deve ser iniciada o mais breve possível, pois é
necessário distribuir as responsabilidades com a conservação e preservação do ambiente da
biblioteca com aqueles que mais usufruem.

5 Referências
CRESTANA, Maria Fazanelli et al. Programa de sustentabilidade como estratégia na
biblioteca universitária. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. Anais
eletrônicos...Florianópolis,
2013.
Disponível
em:&lt;
portal.febab.org.br/anais/article/download/1591/1592&gt;. Acesso em: 24 fev. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. Plano de logística sustentável. Fortaleza, 2013.
Disponível em:&lt;http://www.ufc.br/gestao-ambiental/plano-de-logistica-sustentavel&gt;. Acesso
em: 24 fev. 2016.

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                <text>Relata as práticas sustentáveis implementadas pela Biblioteca de Ciências da Saúde para gerenciar suas atividades e rotinas de trabalho baseadas no Plano de Logística Sustentável da Universidade Federal do Ceará. Objetivou-se criar um plano para sensibilizar seus funcionários a manterem o equilíbrio com o ambiente onde se inserem respeitando os limites para uso de materiais de consumo, reutilização de bens descartáveis, contenção nos gastos de água e energia elétrica. Uma pesquisa feita junto aos funcionários serviu para apoiar e direcionar as ações. Apresenta um quadro com os resultados parciais alcançados e considera  ampliar sua ação para os usuários da Biblioteca de Ciências da Saúde.</text>
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                    <text>POLÍTICA INSTITUCIONAL DE APOIO À CULTURA, UM PROJETO
ARTICULADO ENTRE BIBLIOTECA E ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL
Criselen Jarabiza (IFFarroupilha) - crysbiblio@yahoo.com.br
Richelli Daiana Pinheiro (IFFarroupilha) - richelli.pinheiro@iffarroupilha.edu.br
Elisabete Scherer dos Santos (IFFarroupilha) - elisabete.scherer@yahoo.com.br
Resumo:
A biblioteca do Instituto Federal Farroupilha, Campus Santa Rosa vem desenvolvendo ações
de incentivo a leitura e a formação cultural dos indivíduos. Através de uma política
Institucional de apoio a cultura com engajamento da Assistência Estudantil, foi realizado o
Concurso Literário Jovem Escritor que buscou estimular a leitura e o desenvolvimento da
escrita dos alunos, os quais tiveram a oportunidade de demonstrar sua capacidade de fazer
literatura, através da composição de poesias e contos. Esses textos foram selecionados por
uma comissão julgadora, resultando na publicação do livro "Jovem Escritor Farroupilha:
coletânea de contos e poemas do Instituto Federal Farroupilha Campus Santa Rosa".
Palavras-chave: Política institucional. Concurso literário. Biblioteca. Assistência estudantil.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

POLÍTICA INSTITUCIONAL DE APOIO À CULTURA, UM PROJETO
ARTICULADO ENTRE BIBLIOTECA E ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL
1 Introdução
A presente pesquisa refere-se a uma política institucional de apoio à cultura, na qual
foi realizado um trabalho articulado entre a Biblioteca e a Assistência Estudantil do Instituto
Federal Farroupilha, Campus Santa Rosa.
As ações culturais desenvolvidas estão vinculadas ao Programa Institucional,
destinado a Promoção da Cultura, Esporte e Lazer, aprovado pela Resolução do Conselho
Superior – CONSUP n° 18/2012 atendendo também a Lei 12.343/2010, que tem como um dos
seus objetivos estimular a presença da arte e da cultura no ambiente educacional,
preconizando a liberdade de expressão, criação e fruição.
Buscou-se incentivar a criatividade, o desenvolvimento cognitivo da escrita e o
encurtamento da distância entre os jovens e os livros. Foi realizado um projeto de apoio à
cultura intitulado “Jovem Escritor”, com objetivo de estimular a leitura e a escrita dos alunos
do IFFarroupilha, Campus Santa Rosa e propiciar, momentos de confraternização,
fortalecendo os vínculos entre os discentes e a instituição.

2 Materiais e métodos
Essa pesquisa é qualitativa de natureza aplicada, utilizando fontes bibliográficas para
compor o aporte teórico. Ao longo do seu desenvolvimento contou com a participação da
Biblioteca, Assistência Estudantil, Grêmio Estudantil e direção do campus, todos engajados
para a realização do projeto. A problematização da presente pesquisa foi em torno de
perguntas, como a biblioteca poderia incentivar a leitura e a escrita de forma que houvesse um
engajamento institucional.
Primeiramente foi realizada a elaboração de um projeto que foi submetido e aprovado
nas instâncias da instituição de ensino. Após, foi realizada a publicação de um regulamento do
concurso cultural, possibilitando que todos os discentes matriculados concorressem ao
concurso cultural com até duas poesias e dois contos.
Todos os trabalhos foram entregues à comissão organizadora composta pelos
servidores da biblioteca do Instituto Federal Farroupilha, Campus Santa Rosa. A comissão
julgadora era composta por servidores na área de letras e escritores convidados, tendo como
atribuição avaliar as poesias e os contos quanto aos critérios de originalidade, criatividade,
coesão e coerência.
De acordo com o previsto no regulamento, foram selecionados para publicação os 50
melhores textos, sendo que os três melhores, ainda foram contemplados com troféus. Após a
escolha dos textos, o material passou por um processo de correção e diagramação do livro. Os
recursos que viabilizaram a realização foram oriundos da Assistência Estudantil, atendendo a
Resolução n° 18/2012.

3 Resultados parciais/finais
A utilização da política institucional de apoio à cultura buscou estimular a leitura e o
desenvolvimento da escrita dos alunos. Destaca-se a importância da leitura, de acordo com
Orlandi:
Atribui-se à leitura um valor positivo absoluto: ela traria benefícios óbvios e
indiscutíveis ao indivíduo e à sociedade – forma de lazer e de prazer, de
aquisição de conhecimentos e de enriquecimento cultural, de ampliação das
condições de convívio social e de interação. (ORLANDI [et. al.], 2005, p.
19).

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A leitura e o livro como ferramenta de difusão cultural é expresso através da Lei nº
10.753, a qual é nomeada como “Lei do Livro” de 30 de outubro de 2003 e que institui a
Política Nacional do Livro, a qual define o livro como:
O meio principal e insubstituível da difusão da cultura e transmissão do
conhecimento, do fomento à pesquisa social e científica, da conservação do
patrimônio nacional, da transformação e aperfeiçoamento social e a da
melhoria da qualidade de vida. (BRASIL, 2003).

A Lei do Livro retrata o valor da literatura e do livro na cultura e no fazer social. O
livro é um importante instrumento de educação, cultura e de mudança na sociedade. Nesse
contexto cabe às bibliotecas disseminar a informação e tornar acessível à comunidade na qual
está inserida.
O concurso literário resultou na publicação do livro: "Jovem Escritor Farroupilha:
coletânea de contos e poemas do Instituto Federal Farroupilha, Campus Santa Rosa" escrito
pelos alunos da Instituição, os quais tiveram a oportunidade de demonstrar sua capacidade de
fazer literatura. Os textos foram avaliados por uma comissão julgadora que selecionou os
melhores textos, resultando na publicação dessa coletânea. O Concurso premiou todos os
jovens escritores com um exemplar do livro, troféus aos três primeiros colocados, além de um
exemplar para cada colaborador do projeto.

4 Considerações parciais/finais
Foi realizado um evento cultural de lançamento do livro a fim de socializar e divulgar
a publicação dos alunos. Contou apresentação teatral, grupo musical, leitura dos contos que
foram publicados na coletânea e declamação das poesias.
Os quinhentos exemplares da coletânea foram disponibilizados para doações às
bibliotecas, centros de informação e documentação, a fim de disseminar o fazer literatura.
Sem dúvida, a publicação do livro foi uma política institucional entre a biblioteca e assistência
estudantil que servirá de estímulo para os que participaram do projeto e outros jovens
demonstrarem seus dons e habilidades como escritores.

5 Referências
BRASIL. Lei nº 10.753 de 30 de Outubro de 2003. Institui a Política Nacional do Livro.
Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.753.htm&gt;. Acesso em: 07
maio 2016.
_____. Lei 12.343/2010. Institui o Plano Nacional da Cultura. Disponível em : &lt;
http://www.cultura.gov.br/documents/10907/963783/Lei+12.343++PNC.pdf/e9882c97-f62a40de-bc74-8dc694fe777a&gt;. Acesso em 06 maio 2016.
Heliton Manys. A importância da leitura para o aprimoramento da escrita no ensino médio.
Revista eletrônica. Disponível em:
&lt;http://www.feati.edu.br/revistaeletronica/downloads/numero8/aImportanciaLeituraAprimora
mentoEscritaEnsinoMedio.pdf&gt;. Acesso em 06 maio 2016.
ORLANDI, Eni Pulcinelli... [et. al.]. Leitura: perspectivas interdisciplinares. 5. ed. São
Paulo: Ática, 2005, 115 p.

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                    <text>Planejamento em bibliotecas universitárias: diagnóstico
organizacional da Biblioteca de Música e Artes da Universidade
Federal de Ouro Preto

Paulo Vitor Oliveira (UFOP) - paulo.vitoroliveira@yahoo.com.br
Márcia Maria Palhares (@cervus.doc) - mmpalhares@gmail.com
Resumo:
O estudo em questão tem por objetivo a verificação da situação atual da biblioteca
DEMUS/DEART e desenvolver um instrumento para diagnóstico visando adequar seu
funcionamento, recursos humanos, recursos informacionais, comunidade usuária, serviços e
produtos oferecidos.
Após análise, ficou explícita a necessidade de reestruturação para readaptação dos produtos e
serviços oferecidos pela biblioteca, visando melhorias na qualidade do atendimento junto à
comunidade acadêmica e do Departamento de Música e Artes.
O trabalho demonstrou-se válido e pertinente, quanto à mensuração dos dados apresentados,
dos quais foi possível a verificação de situações inadequadas nas dependências da Biblioteca,
permitindo traçar um plano de ação para sanar as possíveis deficiências apontadas neste
diagnóstico.
Palavras-chave: Planejamento. Diagnóstico organizacional. Bibliotecas universitárias.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Biblioteca do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura (IFAC) está localizada no centro
histórico de Ouro Preto - MG e abrigava um acervo especializado nas áreas de Filosofia,
Artes, Música e Teatro. Com a instalação dos cursos de música e artes cênicas para o Campus
Morro do Cruzeiro, houve a necessidade de remanejamento do acervo de música e artes
cênicas para o mesmo Campus, criando-se assim a Biblioteca do Departamento de Música
(DEMUS) e do Departamento de Artes (DEART) que possui um acervo especializado nas
áreas de Artes, Música e Teatro. A biblioteca atende os alunos dos cursos de graduação nas
áreas de Música, Artes Cênicas e Direção Teatral. A Biblioteca do IFAC permanece com suas
atividades no centro histórico conservando atualmente somente o acervo do curso de
Filosofia.
O estudo em questão tem por objetivo verificar a situação atual da Biblioteca
DEMUS/DEART e desenvolver um instrumento para diagnóstico visando adequar seu
funcionamento, recursos humanos, recursos informacionais, comunidade usuária, serviços e
produtos oferecidos.

2 Materiais e métodos
Nota-se que a Biblioteca DEMUS/DEART necessita de atenção especial, visto que há
cinco anos não consta com um profissional bibliotecário no quadro de servidores da
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) para execução de suas atividades e
administração, aglomerando um excesso de material para processamento técnico e dispondo
apenas de quarenta por cento (40%) do seu acervo informatizado e disponível no catálogo
online para a comunidade acadêmica.
Almeida (2007) define diagnóstico organizacional como “processo sistematizado, com
tempo e espaço definidos, de avaliação de serviços em organizações”.
O diagnóstico consiste numa intervenção na rotina da biblioteca, usando conceitos e
métodos para avaliar o estado da organização em um determinado momento. (ALMEIDA,
2005).
Chiavenato (2006), afirma que a “[...] análise dos dados colhidos, passa-se a sua
interpretação e diagnóstico: procura-se identificar preocupações e problemas, suas
consequências, estabelecer prioridades e estabelecer os alvos e objetivos".
Neste sentido, nossa análise substanciou-se com foco no diagnóstico organizacional, da
entrevista aos servidores da Biblioteca DEMUS/DEART e aos usuários reais da biblioteca, onde
se pode identificar pontos fracos e fortes na estrutura e no funcionamento da organização que se
apresenta no decorrer deste trabalho.

3 Resultados parciais/finais
Diagnostica-se que por meio dos dados obtidos nas entrevistas e análise prévia do
bibliotecário-documentalista que a Biblioteca DEMUS/DEART apresenta em suma maioria
pontos fracos, podendo citar:
 o local onde a biblioteca está instalada não está adequado com a estrutura específica
exigida para o bom funcionamento da mesma;
 a biblioteca encontra-se em frente ao RU, local de muito movimento e barulho,
comprometendo-a na prestação dos seus serviços que deve proporcionar ao usuário
um ambiente adequado para estudo, pesquisa e leitura;
 ausência de cabine para estudos individual e em grupo;

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

 mau cheiro insuportável gerado pelo esgoto que se encontra nos fundos da biblioteca,
sendo impossível abrir a janelas por causa do odor, tornando o ambiente sem
ventilação e com excessivo calor;
 espaço muito pequeno, comportando apenas uma mesa para estudos dos discentes;
 a biblioteca não consta de instalações com bebedouros e banheiros, sendo assim, os
servidores e usuários terem que se deslocar até o prédio mais próximo (DEGEO);
 ausência de escaninhos para segurança dos materiais dos usuários;
 relato dos servidores, que com chuvas fortes há goteiras e infiltrações nas paredes;
 o horário de funcionamento da biblioteca não atende à demanda dos usuários, por falta
de recursos humanos;
 faz-se necessário a contratação de no mínimo três (03) bolsistas com urgência para
dar suporte no grande volume de materiais para processamento técnico (carimbagem,
fixação de etiquetas, manutenção das estantes do acervo) e apoio para a expansão do
horário de funcionamento da biblioteca;
 em relação ao processamento técnico, consta na biblioteca uma sala com um montante
expressivo de doações nas áreas de música e artes cênicas;
 há também chegada de material por aquisição realizado pelo SISBIN.
Fica explícito que a biblioteca necessita de reestruturação e adaptação para
atendimento adequado e de qualidade a comunidade acadêmica do Departamento de
Música e Artes.

4 Considerações parciais/finais
Assim que houver oportunidade e disponibilidade de um espaço maior na
universidade, realizar a mudança da biblioteca para um local apropriado com um
layout que atenda a demanda dos usuários.
Para avaliar a coleção que se encontra em desbastamento, o ideal é criar uma
comissão (bibliotecários, assistentes administrativos, professores e coordenadores)
para avaliação do acervo de doações que futuramente irá integrar a coleção da
biblioteca DEMUS/DEART, assim após esta etapa o bibliotecário fará o trabalho de
catalogação, classificação e inserção dos dados bibliográficos na base de dados.
Outra demanda é a troca das etiquetas do acervo para padronização de acordo
com o novo software de gerenciamento do acervo (Pergamum).
Este estudo mostra-se válido e pertinente, uma vez que com a análise dos
dados foi possível verificar uma série de situações inadequadas da Biblioteca
DEMUS/DEART, permitindo traçar um plano de ação para sanar as possíveis
deficiências apontadas neste diagnóstico.

5 Referências
ALMEIDA, Maria Christina Barbosa. Planejamento de bibliotecas e serviços
de informação. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos, 2005;
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 5. ed.
São Paulo: Makron Books, 1994;
______. Recursos humanos: o capital humano das organizações. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2006.

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                    <text>PENSANDO COLEÇÕES ESPECIAIS EM BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA
Vagner Almeida dos Santos (UFGD) - vagnerbibliotecario@hotmail.com
Resumo:
O texto deste resumo expandido trata do tema coleção especial em biblioteca universitária.
Desta a necessidade de uma boa organização dessas coleções no contexto dessa biblioteca
para melhor atendimento de sua comunidade acadêmica. Verifica-se que as coleções especiais
nas bibliotecas universitárias são materiais de informação que devido suas características
peculiares de formato e assunto devem ser alocadas em acervos separados do geral.
Apresenta como está formada a coleção especial da biblioteca da Universidade Federal da
Grande Dourados. Os critérios adotados por esta biblioteca para formação de sua coleção
especial se restringe ao formato dos documentos, independente dos conteúdos.
Palavras-chave: Coleções especiais; acervos de biblioteca; biblioteca universitária
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
O presente resumo trata da organização das coleções especiais em biblioteca
universitária baseando-se no princípio da organização dos materiais de informação na
biblioteca da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Qual o papel das coleções
especiais em biblioteca universitária? A partir desse questionamento, busca-se alguma
resposta possível para aclarar esse questionamento. Neste breve texto, o objetivo é
contextualizar a importância dessas coleções para a biblioteca universitária a partir de uma
breve referência a ideia de coleção especial empregada nessas bibliotecas.
Destaca-se que a formação das coleções especiais em bibliotecas universitárias resulta
da separação de acervos que em razão de suas características, quando devem ser organizadas
pelas levando em conta suas peculiaridades de formatos e conteúdos, tornando assim inviável
mantê-las juntas ao acervo principal, já que normalmente o acervo geral de uma biblioteca
acadêmica é mais extenso do que o das coleções especiais.
O professor Valdomiro Vergueiro aponta que o desenvolvimento de coleções é um
projeto institucional, e como tal necessita de um bom planejamento baseado nos objetivos
institucionais, e no caso das bibliotecas universitárias precisa levar em consideração cada um
dos segmentos, principalmente docentes, alunos de graduação e pós-graduação, motivos esses
que deve justificar a política para desenvolver e manter cada uma das coleções dentro dessa
biblioteca (VERGUEIRO, 1989).
Na área da Biblioteconomia, coleção especial é aquela mantida em separada do acervo
geral em razões de suas características de formato físico, temático, data de publicação além de
outras características (CUNHA, CAVALCANTE, 2008). Uma coleção é considerada especial
pelas instituições de custódia, em decorrência do valor do conjunto em seu todo, tendo em
vista a trajetória de quem a reuniu, a importância de seu conteúdo (UNICAMP, 2016).
Foi realizada uma consulta em instituições públicas em suas páginas na internet para
verificar o que elas consideram como coleção especial. Foram registradas as experiências da
Biblioteca do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) que considera sua coleção especial os
periódicos, obras de referência e multimeios, documentos referentes ao CEFET-PB,
documentos referentes à história da Paraíba, apostilas, normas (ABNT), monografias,
dissertações, teses, coleção cativa (livros de consulta) e documentos afins (IFPB, 2016). Este
exemplo assemelha-se ao encontrado na Biblioteca da Universidade Federal da de Santa
Catarina (UFSC).
Nota-se dessa forma que as razões para a formação de coleções especiais vão além da
constituição de patrimônio, referência à bibliotecas ou coleções particulares de autores
renomados ou mesmo por antiguidade de publicações etc. É preciso que justifique seu projeto
dentro da instituição em função da possibilidade de acesso e uso pela comunidade acadêmica
a qual pertence.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Este relato está baseado na experiência e observação sobre o entendimento que se deu
às coleções especiais na Biblioteca Central da UFGD, na perspectiva do profissional
bibliotecário, tomando como base os relatórios de formação e desenvolvimento de coleções
dessa instituição bibliotecária. Até o momento a referida biblioteca apresenta em sua
organização de acervos bibliográficos as seguintes coleções: acervo geral; teses e
dissertações; obras raras; acervo de referência; coleções especiais; acervo sobre Mato Grosso
do Sul. Toda comunidade acadêmica da UFGD pode usar localmente e efetuar empréstimo
domiciliar de todos os itens desses acervos, exceto o de referência. O que está sistematizado
na referida biblioteca como coleção especial é, portanto, o acervo formado pelas publicações
das séries Primeiros Passos; Os pensadores; Grandes cientistas sociais; Viagem pela

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

geografia; Os Economistas; Os grandes lideres; Princípios; Tudo é História; Encanto radical;
Mentor UNESCO Art Book; O cotidiano da História dentre outras.

4 RESULTADOS
O critério adotado pela Biblioteca da UFGD para formação de sua coleção especial é
basicamente a forma dos documentos, independente dos conteúdos. Quando os itens
bibliográficos apresentam tamanhos reduzidos, padronizados e pertencentes às séries acima
citadas, o material passa a pertencer à coleção especial da biblioteca. A organização desses
documentos é feita pela classificação de assunto conforme o Código de Classificação de
Dewey (CDD) dentro de cada série e o armazenamento em acervo fisicamente deslocado do
principal. É mantida próxima de outras coleções que, embora não estão catalogadas como
coleções especiais nesta biblioteca, possui tais características conforme o entendimento global
encontrado na literatura da área e nas instituições bibliotecárias pesquisadas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Verificou-se que a ideia de coleção especial é globalmente entendida como todas as
coleções que devido a sua importância para os objetivos institucionais, suas particularidades
como a forma dos documentos, assuntos e datas de publicações etc., merecem ser mantidas
em coleções fisicamente deslocadas dos acervos gerais, assim justificando essa separação,
principalmente para facilitar a localização posterior dos documentos. O emprego de nomes
específicos para cada uma dessas coleções na biblioteca acadêmica, como coleção de
referência, obras raras, tese e dissertações etc. se relacionam a finalidades de cada uma dessas
coleções especiais.
Ficou elucidado que a ideia de coleção especial na Biblioteca da UFGD não é
integralmente aplicada aos materiais que nas instituições pesquisadas ficou demonstrado que
fazem parte da coleção especial. Na Biblioteca da UFGD somente um tipo de material
pertence à coleção especial. Nas bibliotecas pesquisas, os documentos bibliográficos que não
pertencem à coleção geral formam vários acervos com diferentes denominações, constituindo
assim as coleções especiais. Ainda sim, a Biblioteca da UFGD, como foi visto mantém
pequenas coleções deslocadas do acervo geral, que apesar de não incluídas inteiramente no
conceito de coleções especiais, são mantidas a parte. Essas mesmas coleções nas bibliotecas
observadas são consideras acervos de coleções especiais.

6 REFERÊNCIAS
CUNHA, M. B.; CAVALCANTI, C. R. O. Dicionário de biblioteconomia e arquivologia.
Brasília, DF : Brinquet de Lemos, 2008.
INSTITUTO FEDERAL DA PARAÍBA. Biblioteca do Campus. Disponível em:
&lt;http://www.ifpb.edu.br/campi/joao-pessoa/biblioteca/normas/colecoes-especiais-1&gt; Acesso
em 20 mar. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINAS. Sistema de Bibliotecas da Unicamp.
Disponível em: &lt;http://143.106.108.41/portal/index.php/colecoes-especiais/colecoesespeciais-e-obras-raras&gt; Acesso em 20 mar. 2016.
VERGUEIRO, V. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Editora Polis, 1989.

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>O texto deste resumo expandido trata do tema coleção especial em biblioteca universitária. Desta a necessidade de uma boa organização dessas coleções no contexto dessa biblioteca para melhor atendimento de sua comunidade acadêmica. Verifica-se que as coleções especiais nas bibliotecas universitárias são materiais de informação que devido suas características peculiares de formato e assunto devem ser alocadas em acervos separados do geral. Apresenta como está formada a coleção especial da biblioteca da Universidade Federal da Grande Dourados. Os critérios adotados por esta biblioteca para formação de sua coleção especial se restringe ao formato dos documentos, independente dos conteúdos.</text>
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                    <text>O uso de tutoriais como ferramenta facilitadora para divulgação
dos serviços e produtos do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Amazonas

Rafael Lima Medeiros Ferreira (UFAM) - faelmedeiros.br@gmail.com
Milene Miguel do Vale (UFAM) - milavale@hotmail.com
Claudina Assunção Moraes (UFAM) - camclaudina@outlook.com
Resumo:
Visando o melhor atendimento e capacitação do usuário, o Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB UFAM) deu início em janeiro de 2016 a criação
de tutoriais online para a divulgação de seus produtos e serviços mais utilizados pelo usuário,
realizados a partir da ferramenta online: Prezi. A divulgação dos tutoriais é realizada no site
do SISTEBIB UFAM, redes sociais e a partir de QrCodes disponibilizados em cartazes
impressos nas bibliotecas. O pôster trás informações estatísticas dos acessos aos tutoriais
online a partir da ferramenta Google Analytics, e da interação dos usuários nas páginas das
bibliotecas nas redes sociais.
Palavras-chave: Tutoriais online. Treinamento de usuários. Divulgação de produtos e serviços
informacionais. Bibliotecas universitárias. Ferramentas online para unida
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Para melhor uso dos seus serviços as bibliotecas universitárias devem encontrar seu
público em âmbito presencial e online, na busca de uma forma de promover o uso correto de
seus serviços e produtos o SISTEBIB UFAM utilizou-se de “Tutoriais Online”, por meio
desses tutoriais o usuário passou a conhecer mais sobre os produtos e serviços da biblioteca.

2 Materiais e métodos
Estamos presenciando a informação nos mais variados meios. As bibliotecas fazem
parte do processo de desenvolvimento, e são instituições com a missão de disseminar, mediar
e levar a informação em todos os seus suportes, de forma eficiente e competente, como
afirmam Girard e Pires (2014).
A sociedade está cada vez mais conectada, porém dispondo de pouco tempo para
assistir a treinamentos ou palestras presenciais, com isso, o SISTEBIB, em janeiro de 2016,
deu início à atividade de produção de tutoriais online, produzidos a partir do site PREZI.
O PREZI permite criar apresentações semelhantes ao PowerPoint (Microsoft), o
diferencial desta nova ferramenta seria as ampliações de imagens e gráficos sem perda da
qualidade da mesma, permitindo a percepção de detalhes não identificáveis em tamanho
normal. Após criado, o tutorial pode ser publicado em redes sociais, sites e/ou blogs.
O SISTEBIB UFAM funciona com uma Biblioteca Central e suas Setoriais (capital e
interior), os tutoriais são produzidos pela Divisão de Tecnologia da Informação, setor
subordinado à Biblioteca Central. As setoriais publicam os tutoriais em suas páginas nas redes
sociais, o site do SISTEBIB UFAM é constantemente atualizado para dar destaque a cada
tutorial. Os tutoriais são ser apresentados em cartazes online e físicos, na sua versão impressa,
o acesso é feito a partir de QrCodes.
O objetivo dos tutoriais online é divulgar os serviços da Biblioteca à comunidade
acadêmica: alunos, professores e servidores, mas ao disponibilizar esse produto na internet, o
SISTEBIB UFAM busca influenciar outras bibliotecas a utilizarem esta modalidade no
treinamento de seus usuários.

3 Resultados parciais/finais
Desde de Janeiro de 2016 foram produzidos 6 tutoriais referentes ao acesso das Bases
de Dados disponíveis nas bibliotecas e serviços do Sistema Pergamum. Inicialmente os links
dos tutoriais foram disponibilizados separadamente do site, mas notou-se o descontrole
quanto às visualizações, com isso adotou-se os QrCodes com rastreio elaborados a partir do
Google Analytics, que por usa vez, disponibiliza estatísticas de acessos.
Tutorial
Base de livros online
Evolution
Como elaborar ficha
catalográfica
Nada consta online
Comutação
Bibliográfica
Renovação de livros
Reserva de livros
online

Site

QrCode

Redes Sociais

193

-

-

86

-

-

241

16

37

2

25

10

26

107
29
195

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Os tutoriais aqui apresentados estão dispostos conforme suas devidas publicações no
site (http://biblioteca.ufam.edu.br/index.php/capacitacao/tutoriais) e em redes sociais. A
quantidade de acessos de cada notícia independe do período em que foi criado e
disponibilizado, o tutorial “nada consta online” possui mais acessos do que o tutorial “como
elaborar ficha catalográfica”, por exemplo.
Em relação ao site do SISTEBIB UFAM, torna-se mais palpável o controle de acessos
com o auxílio do Google Analytics, quando divulgados em QrCode, o tutorial pode ser
conferido a cada leitura. Já em redes sociais temos somente uma perspectiva quanto às
“curtidas” e/ou “compartilhamentos”.
Os serviços e produtos da biblioteca estão disponíveis no site do SISTEBIB UFAM
(http://biblioteca.ufam.edu.br/), os tutoriais funcionam como apoio ao usuário ao uso dos
recursos da biblioteca. O site do SISTEBIB UFAM não possui campo para feedback, mas já
há projetos nesse sentido.

4 Considerações parciais/finais
A elaboração de tutoriais online no SISTEBIB UFAM é uma atividade recente, os
resultados apresentados são relativos aos meses de janeiro a junho. Quanto às escolhas de
assuntos, optou-se pelos serviços e produtos mais utilizados nas Bibliotecas Setoriais, e que,
consequentemente, geram mais dúvidas aos usuários.
Após a finalização do projeto para feedback o SISTEBIB UFAM pretende mensurar
de que forma os tutoriais online impactaram na utilização dos produtos e serviços por parte
dos seus usuários.

5 Referências
FROTA, M.; FROTA, M. H. Acesso à informação: estratégia para a competitividade. 1. ed.
Brasília: CNPq/IBICT, 1994.
GIRARD, C. D. T.; PIRES, E. A. D. N. O Fourquare como ferramenta de marketing: uma
análise sobre a Biblioteca Central da Universidade Federal do Pará (UFPA). Revista ACB,
Florianópolis, jan./jun. 2014. 13.

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                <text>Visando o melhor atendimento e capacitação do usuário, o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB UFAM) deu início em janeiro de 2016 a criação de tutoriais online para a divulgação de seus produtos e serviços mais utilizados pelo usuário, realizados a partir da ferramenta online: Prezi. A divulgação dos tutoriais é realizada no site do SISTEBIB UFAM, redes sociais e a partir de QrCodes disponibilizados em cartazes impressos nas bibliotecas. O pôster trás informações estatísticas dos acessos aos tutoriais online a partir da ferramenta Google Analytics, e da interação dos usuários nas páginas das  bibliotecas nas redes sociais.</text>
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                    <text>O SOFTWARE SOPHIA E A ESTATÍSTICA DE EMPRÉSTIMO NA
TOMADA DE DECISÃO
Rosângela Maria Moreira Kavanami (FAMERP) - rokavan@famerp.br
Natalia Aparecida Martins Vieira (FAMERP) - natalia.vieira@famerp.br
Iara Rodrigues de Paula Freitas (FAMERP) - iara.freitas@famerp.br
Resumo:
O presente trabalho aplicou uma metodologia para elaboração de diferentes métodos
estatísticos, a fim de agregar valores na gestão do processo de aquisição de determinados
títulos. Todo o processo foi elaborado com base na extração de relatórios estatísticos do
software Sophia Biblioteca. Pode-se notar que apesar do pouco tempo de desenvolvimento ás
estatísticas já proporcionaram dados relevantes, para o processo de compra e organização dos
títulos mais retirados por cada tipo de usuário, pois através deste processo, consegue-se
realizar uma economia considerável no orçamento da instituição. Além de ser possível a
identificação de quais são os docentes que mais incentivam a retirada das obras pelos seus
alunos.
Palavras-chave: 1. Métodos Estatísticos. 2. Software Sophia. 3. Estatística de Empréstimo.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Recursos de recuperação da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016

Eixo Temático: Recursos de recuperação da informação

O SOFTWARE SOPHIA E A ESTATÍSTICA DE EMPRÉSTIMO NA
TOMADA DE DECISÃO
Rosângela Maria Moreira Kavanami
Natalia Aparecida Martins Vieira
Iara Rodrigues de Paula Freitas

Modalidade da apresentação: Pôster

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RESUMO
O presente trabalho aplicou uma metodologia para elaboração de diferentes métodos
estatísticos, a fim de agregar valores na gestão do processo de aquisição de determinados
títulos. Todo o processo foi elaborado com base na extração de relatórios estatísticos do
software Sophia Biblioteca. Pode-se notar que apesar do pouco tempo de desenvolvimento ás
estatísticas já proporcionaram dados relevantes, para o processo de compra e organização dos
títulos mais retirados por cada tipo de usuário, pois através deste processo, consegue-se
realizar uma economia considerável no orçamento da instituição. Além de ser possível a
identificação de quais são os docentes que mais incentivam a retirada das obras pelos seus
alunos.
Palavras-chave: 1. Métodos Estatísticos. 2. Software Sophia. 3. Estatística de Empréstimo.

ABSTRACT
The present study applied a methodology aiming at stablishing of different statistical
methods in order to add value to the process management of purchasing certain book titles.
The entire process was based upon the extraction of statistical reports from the software
SophiA Biblioteca. It may be noted that despite the short time of software development, the
statistics already provided relevant data for the purchasing process and organization of the
most borrowed book titles by each type of user. This process offers considerable savings to
the budget of the institution. Besides, it is possible to identify, who are the professors who
best encourage their students to borrow book titles from the library.
Keywords: 1. Statistical Methods and Procedures. 2. Software Sophia. 3. Loan Statistics

Introdução
Com o avanço da acessibilidade á tecnologia, é notável o aumento do alcance da
população á inúmeras informações, compondo um cenário extremamente desafiante, sendo
assim faz-se necessário o desenvolvimento de ferramentas de mensurem a real necessidade de
qualquer ambiente de trabalho. Com base nesta temática, a elaboração de métodos estatísticos
forma uma base fundamental para auxílio na tomada de decisão. Este trabalho tem como
objetivo ressaltar a importância das estatísticas na gestão do processo de aquisição e
determinação dos títulos que mais requerem exemplares, evitando a duplicação de obras
pouco utilizadas.
Logo, a composição de todo o acervo será melhor desfrutada pelo público, pois há
convicção de quais são obras que atendem ás necessidade de cada tipo de usuário, evitando
assim a compra de matérias que serão consequentemente esquecidos, pelo pouco uso,
ocasionando em uma economia considerável no orçamento de qualquer instituição, já que o
orçamento apertado infelizmente faz parte do cotidiano de muitas universidades. Outro
problema que requer a atenção é a falta de espaço físico, para a guarda de o todo material, é
notável que houve uma explosão bibliográfica, atualmente centenas de obras são divulgadas
diariamente, e graças a internet é possível ter acesso a muitas dessas obras. Por consequência
é extremamente necessário que seja disponibilizado um rico acervo virtual, para que o acesso
á informação seja integral.

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Materiais e Métodos
O projeto tem seu desenvolvimento na biblioteca da Faculdade de Medicina de São
José do Rio Preto (FAMERP). O processo se inicia á partir da extração de relatório dos títulos
mais retirados em determinada data, do software Sophia Biblioteca, porém para ter acesso á
informações mais detalhadas sobre cada título é necessário á exportação do relatório para o
Excel, principal ferramenta utilizada na evolução da estatística. Entretanto, deve-se considerar
a diversidade dos usuários que utilizam diariamente o acervo, além de graduandos, o acesso é
permitido ao público geral, incluindo docentes, funcionários de todos os departamentos,
estagiários, residentes, pós-graduações, o que torna á técnica mais detalhada. O processo
inclui além da tradicional listagem dos títulos mais retirados, o desenvolvimento de gráficos e
tabelas dinâmicas.

Distribuição de Retiradas por Usuários 2015

Medicina

Enfermagem

Docentes

Residentes

Pós-Graduação

Func. Famerp

Func. Funfarme

Estagiários

Aperfeiçoamento

Aprimoramento

Resultados Parciais/Finais
Com pouco tempo de desenvolvimento ás estatísticas até o momento, já
proporcionaram dados relevantes, como a identificação dos trabalhos mais utilizados por cada
categoria de usuário, minimizando o problema da falta de um mesmo título devido ao
aumento da procura. Além da identificação do perfil dos usuários que mais frequentam a
biblioteca, entre o corpo de docentes foi possível identificar quais são os professores que mais
fazem os alunos retirar obras. Ao longo dos anos, projetamos montar uma base sólida de
pesquisa sobre as estatísticas, assim é possível montar um comparativo de movimentação ano
a ano, não somente de títulos, mas também de pessoas. Além do acompanhamento contínuo
do uso de cada obra, sendo possível identificar quando o material deverá ser substituído.

Considerações Parciais/Finais
O processo de elaboração dos métodos estatísticos apesar de possuir várias etapas,
ocasionando em um projeto longo, dependendo do período que se escolhe, o tempo de

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trabalho pode durar de um a dois meses, nos fornece dados extremamente relevantes, que
auxiliam no direcionamento do desenvolvimento de qualquer projeto. Por fim, é através
desses estudos que podemos definir o nível de eficiência do acervo, além de nos proporcionar
um direcionamento fundamental no processo de tomada de decisão, principalmente com
relação a aquisição de novos títulos, pois com o orçamento restrito, a atenção deve ser
redobrada, para que não falte o prioritário.

Referências
CAFÉ, Lígia; SANTOS, Christophe; MACEDO, Flávia. Proposta de um método para escolha
de software de automação de bibliotecas. Ciência da Informação, Brasília, v. 30, n. 2, p. 7079, 2001. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v30n2/6213&gt;. Acesso em: 13 fev.
2016.
CUNHA, Murilo Bastos. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em
2010. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 1, p. 71-89, 2000. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n1/v29n1a8&gt;. Acesso em: 13 fev. 2016.
MELO, Luiza Baptista. Estatísticas e avaliação da qualidade e do desempenho em bibliotecas
e serviços de informação: investigações recentes e novos projectos. In: CONGRESSO
NACIONAL DE BIBLIOTECÁRIOS ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS, 8., 2004,
Estoril. Anais... Estoril: e-Lis, 2004. Disponível em: &lt;http://eprints.rclis.org/6478/&gt;. Acesso
em: 13 fev. 2016.
MIRANDA, Ana Cláudia Carvalho. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas
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Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 2, n. 2, p. 1-19, 2007.
Disponível em: &lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/367/246&gt;.
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RABETTI, Ana Maria; SODEK, Ladaslav. Desenvolvimento de software para estatística
de uso de periódicos da Biblioteca do Instituto de Biologia – UNICAMP. Trabalho
apresentado no XIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias – SNBU, Natal, 2004.
Disponível
em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/anais_anterior/13snbu/Poster/Red_Rec_Inf/Aval%20do%
20Uso%20de%20Serv%20de%20Inf/Ana%20Ma%20Rabetti%20%20Desenvolvimento%20de%20software.pdf&gt;. Acesso em: 13 fev. 2016.

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                <text>O presente trabalho aplicou uma metodologia para elaboração de diferentes métodosestatísticos, a fim de agregar valores na gestão do processo de aquisição de determinadostítulos. Todo o processo foi elaborado com base na extração de relatórios estatísticos do software Sophia Biblioteca. Pode-se notar que apesar do pouco tempo de desenvolvimento ás estatísticas já proporcionaram dados relevantes, para o processo de compra e organização dos títulos mais retirados por cada tipo de usuário, pois através deste processo, consegue-se realizar uma economia considerável no orçamento da instituição. Além de ser possível a  identificação de quais são os docentes que mais incentivam a retirada das obras pelos seus alunos.</text>
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                    <text>O BLOG COMO FERRAMENTA WEB PARA A DIVULGAÇÃO DE
ACERVOS DE PERIÓDICOS: O CASO DA BIBLIOTECA DO
INSTITUTO BIOMÉDICO DA UFF

Daniel Ribeiro dos Santos (UFF) - danielrdossantos@yahoo.com.br
Mariângela Gonçalves da Silva (UFF) - mariangela.uff@gmail.com
Patricia Mota Lourenço da Silva (UFF) - patr9379@gmail.com
Alanda do Valle Vitorino (UFF) - alandavitorino@gmail.com
Vanja Nadja Ribeiro Bastos (UFF) - vanjanadja@yahoo.com.br
Resumo:
Este trabalho relata a experiência da Biblioteca do Instituto Biomédico, da Universidade
Federal Fluminense, no fomento de um blog para divulgação de seu acervo de periódicos. O
blog busca, não somente se integrar na dinâmica moderna de comunicação da web 2.0, mas
também agregar valor aos seus produtos, criar um serviço de divulgação de acervos de
periódicos em ambiente virtual e estabelecer um canal entre pesquisadores e a biblioteca,
contribuindo para a redução da distância entre a comunidade acadêmica e os acervos
científicos especializados. Apresenta a estrutura de organização do blog, os serviços através
dele oferecidos e os padrões utilizados.
Palavras-chave: Blog. Periódico Científico. Acervo de Periódicos. Biblioteca Universitária.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Serviços de referência presencial e virtual

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Na sociedade contemporânea, lidamos constantemente com as evoluções tecnológicas
que trazem como consequência transformações nos processos de divulgação da informação.
Como exemplo, temos as bibliotecas que utilizam o blog como uma ferramenta de
disseminação de serviços e acervos, em virtude da facilidade de uso, alimentação e rapidez na
veiculação de informações, além de permitirem maior interação com os usuários.
Considerando que o periódico científico é um canal formal de disseminação da
ciência, das descobertas científicas e de publicização de pesquisas, a Biblioteca do Instituto
Biomédico da Universidade Federal Fluminense, criou um blog especificamente para o seu
acervo de periódicos, com a finalidade de dar maior suporte informacional aos seus usuários,
além de conferir maior visibilidade e promoção à este tipo de acervo. O objetivo deste
trabalho é, portanto, relatar a experiência de desenvolvimento deste blog e os serviços através
dele oferecidos.

2 O periódico científico nas bibliotecas universitárias
Com o advento da ciência moderna surgiu a necessidade de um canal formal de
comunicação, rápido e de alcance mais amplo. Dessa forma, o periódico científico nasceu em
um contexto em que “[...] o importante passou a ser a comunicação rápida e precisa sobre uma
experiência ou observação específica, que permitisse a troca também rápida de idéias [...]”.
(MUELLER, 2000, p. 73).
Os periódicos representam elementos importantes nas bibliotecas, pois são meios mais
ágeis de atualização da informação científica e tecnológica. A divulgação destes materiais,
portanto, e a criação de políticas direcionadas para a sua disseminação no ambiente virtual
tornam-se prementes em virtude não apenas das possibilidades atuais para comunicação
científica, mas também em função da necessidade de pesquisadores e profissionais em
manterem-se atualizados e informados sobre o estado da arte em suas áreas de atuação.
O uso de blogs tem sido gradualmente expandido entre pesquisadores e a comunidade
acadêmica, e o fato de “[...] concentrarem e referendarem, por meio de links, publicações e
conteúdos reconhecidamente científicos” (ALCARÁ; CURTY, 2008, p. 90), prova o seu
grande potencial informativo e comunicacional. Tendo em vista, conforme Fachin e
Hillesheim (2006, p. 41) que “os periódicos científicos têm como função primordial a
disseminação e a recuperação da informação, além do importante papel de visibilidade, tanto
para as publicações, como para seus autores e editores”, o uso de blogs enquanto ferramenta
web de divulgação científica e de acervos de periódicos constitui-se, portanto, em um espaço
não apenas de divulgação de serviços e acervos, mas também de disseminação de informação
especializada e de comunicação e interação com usuários.

3 O Blog de Periódicos da Biblioteca do Instituto Biomédico: contexto de criação
e ações desenvolvidas
O Blog de Periódicos da Biblioteca do Instituto Biomédico foi criado em outubro de
2014 com o objetivo de promover uma maior divulgação do acervo de periódicos da
biblioteca, focado em Ciências da Saúde e Ciências Biológicas, incluindo títulos nacionais e
estrangeiros, abrangendo temas variados como Microbiologia, Parasitologia e Infectologia.
O acervo físico é formado por 47 títulos nacionais e 92 títulos estrangeiros, compondo
um total de 139 títulos, dentre os quais estão publicações de reconhecida relevância no meio
científico como “Nature”, “Science” e “Journal of Parasitology”.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O público que se almeja atingir inclui discentes e docentes de dez cursos de graduação
da área de saúde da Universidade Federal Fluminense, de dois programas de pós-graduação,
de uma especialização e os demais interessados em Ciências da Saúde.
O Blog de Periódicos da Biblioteca do Instituto Biomédico é estruturado na plataforma
Blogger e disponibiliza informação atualizada sobre toda a coleção impressa, indicando dataslimite, intervalos, falhas e links de redirecionamento para consulta às versões on-line quando
disponíveis. Com uma equipe de três bibliotecários, periodicidade de atualização quinzenal e
com característica de sumário corrente on-line, o blog também publica postagens regulares
sobre as novas aquisições do acervo, com um pequeno resumo das edições, destacando os
artigos de maior relevância ou relacionados às áreas temáticas de interesse da comunidade
acadêmica atendida, os quais são redirecionados para sua versão on-line de acesso aberto. Os
títulos das postagens se referem aos títulos dos volumes indexados e são padronizados em
formato de difusão internacional na área de saúde, o formato Vancouver.
Cada postagem é ainda indexada com marcadores de conteúdo extraídos do
vocabulário estruturado “Descritores em Ciências da Saúde” (DeCS), criado pela BIREME
para servir como linguagem única de indexação de artigos e outros tipos de materiais. O blog
permite também a verificação do histórico de postagens por ordem cronológica e a consulta
por assunto através dos marcadores de conteúdo com indicação do número de ocorrências,
além de disponibilizar mecanismo integrado de busca livre Google.
Enquanto espaço de acesso à informação especializada, o blog procura ainda divulgar
matérias e conteúdos relacionados à pesquisa em periódicos, bases de dados, revistas
científicas e informações sobre os próprios serviços oferecidos pela biblioteca, como consulta
local, solicitação de artigos e comutação bibliográfica, além de listar links redirecionáveis
para revistas científicas da área de saúde com conteúdo aberto e indicar portais ou bases de
dados de periódicos científicos. Outra linha de atuação do blog é a divulgação da produção
científica do corpo de docentes e pesquisadores da universidade, aproximando e incentivando
uma maior interação entre a biblioteca e a comunidade acadêmica.

4 Reflexões Finais
É preciso cada vez mais vislumbrar novos usos e formas de subtrair as potencialidades
máximas dos blogs para sua melhor utilização. O Blog de Periódicos da Biblioteca do
Instituto Biomédico busca assim, não somente se integrar na dinâmica moderna de
comunicação da web 2.0, mas também agregar valor aos seus produtos, criar um serviço de
divulgação de acervos de periódicos em ambiente virtual e estabelecer um canal entre
pesquisadores e a biblioteca, contribuindo para a redução da distância entre a comunidade
acadêmica e os acervos científicos especializados.

Referências
ALCARÁ, A. R.; CURTY, R. G. Blogs: dos diários egocentristas aos espaços de comunicação
científica. In: TOMAÉL, M. I. (Org.). Fontes de informação na Internet. Londrina: Eduel,
2008. Cap. 4, p. 81-96.
FACHIN, G. R. B; HILLESHEIM, A. I. A. Periódico científico: padronização e organização.
Florianópolis: Ed. da UFSC, 2006.
MUELLER, S. P. M. O periódico científico. In: CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B. V.;
KREMER, J. M. (Org.). Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo
Horizonte: Ed. UFMG, 2000. Cap. 5, p. 73-95.

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                <text>Este trabalho relata a experiência da Biblioteca do Instituto Biomédico, da Universidade Federal Fluminense, no fomento de um blog para divulgação de seu acervo de periódicos. O blog busca, não somente se integrar na dinâmica moderna de comunicação da web 2.0, mas também agregar valor aos seus produtos, criar um serviço de divulgação de acervos de periódicos em ambiente virtual e estabelecer um canal entre pesquisadores e a biblioteca, contribuindo para a redução da distância entre a comunidade acadêmica e os acervos científicos especializados. Apresenta a estrutura de organização do blog, os serviços através dele oferecidos e os padrões utilizados.</text>
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                    <text>O BIBLIOTECÁRIO NO INCENTIVO À EDUCAÇÃO
SOCIOAMBIENTAL: UM PROJETO DE EXTENSÃO
Francisco Leandro Castro Lopes (IFMT) - francisco.lopes@alf.ifmt.edu.br
Resumo:
A participação do bibliotecário, enquanto disseminador de informação possa lidar e educar
para a realidade ambiental, que possui paradigmas e situações que remete a diálogos e ações
que influenciam diretamente como o meio em que se está inserido. Pesquisa através de
leituras, usos de mídias e com a participação da comunidade no uso consciente do meio
ambiente. Aborda o que viabiliza ou pode melhorar as questões socioambientais locais.
Analisa temas correlacionados como ecologia, reciclagem, sustentabilidade e dentre outros.
Realização de palestras e oficinas com participantes do Instituto Federal de Mato Grosso
(IFMT), Campus Alta Floresta e do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), em
Alta Floresta - MT, essas atividades relacionadas com a informação ambiental a partir de suas
vertentes e relações. Avaliar possíveis contribuições relevantes ao assunto para que, assim
sejam disseminadas.
Palavras-chave: Informação ambiental. Sustentabilidade. Bibliotecário.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O aumento de pesquisas, estudos e investigações por pesquisadores e estudiosos, onde
caminhos levam para a discussão sobre preservação ambiental. Já que existe, [...] pressão
mundial sobre os governos e as empresas em razão da crescente degradação da natureza e do
clamor mundial acerca dos riscos que pesam sobre a vida humana fizeram com que todos
encetassem esforços para conferir sustentabilidade ao desenvolvimento (BOFF, 2013).
O bibliotecário possa vim ao encontro dessa discussão e dando sua contribuição [...] às
transformações sociais e, para acompanhar tais transformações, foi obrigado a se modificar, a
se adequar às necessidades informacionais da sociedade. [...] As reivindicações da população,
em especial a de acesso à educação, exigem uma mudança da biblioteca e, por sua vez, do
perfil dos que nela atuam (ALMEIDA JÚNIOR, 2000).
É de fundamental importância promover o acesso das pessoas à educação ambiental,
atraindo a comunidade através do incentivo à preservação do meio ambiente e a reutilização
de resíduos, colaborando com o desenvolvimento sustentável local, então se pode fazer isso a
partir da aprovação no edital 053/2015 da PROEX – IFMT com o projeto de extensão
intitulado “INCENTIVO À EDUCAÇÃO SOCIOAMBIENTAL PELO IFMT - CAMPUS
ALTA FLORESTA”, tendo como área temática: Sustentabilidade ambiental (resíduos sólidos,
eficiência energética, efluentes, minimização de agroquímicos, recursos naturais, educação
ambiental, entre outros), no cargo de Coordenação desse projeto o profissional bibliotecário
pode organizar atividades relevantes ao assunto.
Assim, difundir os valores da informação ambiental a partir da comunidade assistida,
visando à preservação e uso consciente dos recursos naturais, bem como a reutilização de
materiais recicláveis descartados inadequadamente que degradam o meio ambiente local.
Sendo esta perspectiva tratada e difundida, neste caso, principalmente a partir de palestras e
oficinas.

2 Materiais e métodos
Através do levantamento bibliográfico e de uma efetiva pesquisa bibliográfica e
documental, partimos para uma leitura e entendimento do assunto tratado.
A organização e elaboração de palestras sobre informação ambiental apresentada pelo
Bibliotecário e Coordenador do projeto e de oficinas ministradas, assim os colaboradores,
dessas atividades, respectivamente, que foram uma graduanda em Agronomia e um
graduando em Jornalismo, ambos da UNEMAT, pudessem tratar sobre abordagens
importantes como informação ambiental e sustentabilidade num viés social.
O público atendido foi pessoas do CRAS (Centro de Referência em Assistência
Social), em Alta Floresta - MT; alunos do Curso Técnico Integrado ao Ensino Médio em
Administração e alunos do Curso Técnico Subsequente em Turismo do Instituto Federal de
Mato Grosso, Campus Alta Floresta , mas a maior parte atendida foi a comunidade externa.

3 Resultados parciais/finais
A partir de um levantamento estatístico chegamos as seguintes informações sobre as
oficinas e palestra com o público atendido, logo abaixo.
Tabela 1 - Atividades e público externo beneficiado pelas atividades.
Atividade

Criança

Oficina com materiais recicláveis 2

Adolescente Idoso Adulto Total

8

10

7

27

�2

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Exposição de Painel Alusivo com 15
110
30
155
fotos de atividades realizadas
Fonte: Relatórios das atividades do projeto de extensão citado.
Tabela 2 – Atividades e público interno beneficiado pelas atividades.
Atividade

Oficina: Fotografia e
meio Ambiente

Docente

1

Téc. adm.

2

Estudantes

8

Estagiários

Total

11

Palestra sobre
100
100
Informação ambiental
Fonte: Relatórios das atividades do projeto de extensão citado.
No momento final do projeto aconteceu uma exposição de fotos de produtos gerados a
partir de materiais reciclados feitos pelos participantes das oficinas, no Evento Miss e Mister
da Escola Pública Rui Barbosa, em Alta floresta - MT, onde houve um desfile com roupas de
materiais reciclados pelos alunos.
A educação ambiental “[...] é parte integrante do processo educativo. Sua tendência é
reforçar o sentido dos valores, contribuir para o bem-estar geral e preocupar-se com a
sobrevivência da espécie humana” (UNESCO, 1997). Sendo, um processo contínuo de
aprendizagem e de interação entre os seres humanos, proporcionando o desenvolvimento
intelectual e social que visa o equilíbrio do ser humano no meio em que vive.

4 Considerações parciais/finais
Assim, partindo do pressuposto que existe a necessidade do bibliotecário abranger,
lidar e disseminar o tema a partir de um entendimento conceitual e de informações atuais, a
visão de que o uso de atividades mais participativas pode-se fazer com que os interessados
venham pesquisar, estudar e conhecer melhor o meio o qual estão inseridos, podendo,
possivelmente, proporcionar mudanças significativas na realidade atual.
Sendo, as discussões sobre a realidade ambiental, os efeitos e as consequências do
mau uso dos recursos naturais com a influencia humana no meio ambiente estão muito
presentes, fica inevitável a preocupação e ações de indivíduos para que existam
transformações positivas na relação homem e natureza.
Para assim, haver um engajamento cada vez mais de indivíduos envolvidos a respeito
das questões socioambientais, numa possibilidade de torná-los ativistas dessa causa de
proporção mundial.

5 Referências
ALMEIDA JÚNIOR, O. F. Profissional da informação: entre o espírito e a produção. In:
VALENTIM, M. L. P. (Org.). O profissional da informação: formação, perfil e atuação
profissional. São Paulo: Polis, 2000. p. 31-51.
BOFF, L. Sustentabilidade: o que é, o que não é. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
UNESCO. Educação ambiental: as grandes orientações da Conferência de Tbilisi. Brasília:
IBAMA, 1997.

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                    <text>O acervo de Obras Raras da Biblioteca Central da Universidade de
Brasília: tentativa de estabelecer suas origens
Ana Regina Luz Lacerda (BCE - UnB) - analacerda@bce.unb.br
Resumo:
Este trabalho visa apresentar o setor de Obras Raras da Biblioteca Central da Universidade de
Brasília, as edições raras de comprovada importância ao estudo e à pesquisa. Trata-se de
elencar e fazer algumas considerações a respeito das coleções (bibliotecas particulares)
adquiridas pela BCE por doação ou compra.
O acervo em questão é muito rico, com obras de valor inestimável, o sendo tanto no que tange
ao patrimônio internacional como ao nacional, revelando com isto a necessidade de
aprofundamento do conhecimento destas coleções.
Este trabalho tem, portanto, o objetivo de esclarecer as origens da formação deste acervo
construindo assim subsídios para sua história.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Obras Raras; Acervos Raros
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Acervos raros e especiais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O acervo de Obras Raras da Biblioteca Central da Universidade de
Brasília: tentativa de estabelecer suas origens.
Ana Regina Luz Lacerda1
1 Introdução
Este trabalho visa apresentar o setor de Obras Raras da Biblioteca Central da
Universidade de Brasília. Trata-se de elencar e fazer algumas considerações a respeito das
coleções (bibliotecas particulares) adquiridas pela BCE por doação ou compra.
O acervo em questão é muito rico, com obras de valor inestimável, o sendo tanto no
que tange ao patrimônio internacional como ao nacional, revelando com isto a necessidade de
aprofundamento do conhecimento destas coleções.
Este trabalho tem, portanto, o objetivo de esclarecer as origens da formação deste
acervo construindo assim subsídios para sua história.

2 Leituras e pesquisa em arquivo
O problema principal é encontrar subsídios para estabelecer as origens do acervo de
Obras Raras da BCE.
Esta pesquisa tem como base para seu desenvolvimento a leitura das fontes
bibliográficas disponíveis, manuais de serviços e dos documentos do arquivo da BCE. Sendo
como suporte artigos de periódicos, entrevistas, manuais acima citados e projetos, relatórios e
outros documentos encontrados no Arquivo da BCE.

3 Compra de coleções privadas
A seção de Obras Raras da BCE-UnB faz parte da Divisão de Coleções Especiais, o
empréstimo não é permitido, as visitas e pesquisas são realizadas apenas por agendamento e a
consulta é local.
O acervo é formado por manuscritos antigos e modernos, primeiras edições de
autores brasileiros e portugueses, periódicos literários nacionais e portugueses do século XIX
e início do século XX e edições raras de comprovada importância ao estudo e à pesquisa e
diversos assuntos. Possui também edições de arte, obras em miniatura, folhetos, separatas,
jornais, ex libris, mapas, medalhas e moedas.
Em 1962 Darcy Ribeiro, que era, na época, Ministro da Educação chamou Edson Nery
da Fonseca para montar a Biblioteca da então nascente Universidade de Brasília, a partir daí
começou a montar a biblioteca comprando coleções privadas de viúvas, tal como se pode
atestar em matéria publicada na Revista Piauí:
As primeiras foram de Homero Pires (“um intelectual devoto de Rui
Barbosa, como todo baiano, que tinha mais coisa de Rui Barbosa que a própria Casa
de Rui Barbosa”), Pedro de Almeida Moura (“um paulista professor de filosofia, que
tinha toda a literatura grega e romana”), Agripino Grieco (“morava no Méier, fui
com os filhos diplomatas ver a biblioteca e encontrei ali todas as literaturas do
mundo”) e Carlos Lacerda (“impressionante, ficava numa casa em Petrópolis”).
1

Bibliotecária - CRB1 2684 - Seção de Obras Raras / Arquivo Carlos Lacerda - Biblioteca
Central – BCE - Universidade de Brasília - UnB

�2

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
(Pires, 2012, p. 76).

4 Considerações finais
A partir destas constatações pode se verificar a origem de algumas coleções, mas ainda
existem outras para investigar sua origem como: doações e compras de professores que
aconteceram após este período inicial da Universidade e da Biblioteca, desta forma é dentro
desse escopo que se insere a presente proposta.

5 Referências
FONSECA, Edson Nery da. Biblioteca central da Universidade de Brasília: história
com um pouco de doutrina e outro tanto de memórias. R. Bibliotecon. Brasília, v. 1, n. 1, p.
35-42, jan./jun. 1973.
FUB, BCE. Processamento do acervo bibliográfico acumulado na BCE: bibliotecas
particulares e do CBEP, 1986.
FUB, BCE, Divisão de Seleção e Compras. Critérios de seleção para o acervo da
biblioteca central da Universidade de Brasília, 2010.
FUB, BCE, Seção de Obras Raras. Normas de acesso, segurança, preservação e
conservação da Seção de Obras Raras (OBR) da Biblioteca Central (BCE) da
Universidade de Brasília (UnB), 2015.
PIRES, Carol. O memorialista: as amizades e os livros de Edson Nery da Fonseca.
Revista Piauí, n. 72, p. 72-76, set. 2012.
REIFSCHNEIDER, Oto Dias Becker. A importância do acesso às obras raras. Revista
Ibero-americana de Ciência da Informação (RICI), v. 1, n. 1, p. 67-76, jan./jun. 2008.
Universidade
de
Brasília.
Biblioteca
&lt;http://www.bce.unb.br/acervo/&gt; Acesso em: 24 abr. 2016.

Central.

Disponível

em:

VEIRA, Anna de Soledade. Visão estratégica da Biblioteca Central (BCE) da
Universidade de Brasília (UnB). FUB-BCE, 1994.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Este trabalho visa apresentar o setor de Obras Raras da Biblioteca Central da Universidade de Brasília, as edições raras de comprovada importância ao estudo e à pesquisa. Trata-se de elencar e fazer algumas considerações a respeito das coleções (bibliotecas particulares) adquiridas pela BCE por doação ou compra. O acervo em questão é muito rico, com obras de valor inestimável, o sendo tanto no que tange ao patrimônio internacional como ao nacional, revelando com isto a necessidade de aprofundamento do conhecimento destas  coleções. Este trabalho tem, portanto, o objetivo de esclarecer as origens da formação deste acervo construindo assim subsídios para sua história.</text>
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                    <text>NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS: A EXPERIÊNCIA
DAS BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA
Clivea Farias Souto (UFRR) - cliveasou@hotmail.com
Angela Maria Moreira Silva (UFRR) - angelsenhora@gmail.com
Keyla Rebouças Soares (UFRR) - keyla_soares@ymail.com
Layonize Félix Correia da Silva (UFRR) - layonize@hotmail.com
Marcilene Feio Lima (UFRR) - marcilene_feiolima@hotmail.com
Resumo:
Apresenta a experiência das bibliotecas da Universidade Federal de Roraima com a atividade
de normalização de trabalhos científicos. As bibliotecas desenvolveram produtos e serviços
como publicação em livro do Manual de Normas para Apresentação dos Trabalhos
Técnico-científicos da UFRR, a realização de treinamentos de usuários em salas de aulas e a
orientação personalizada feita pelas autoras do livro. Como resultados pode ser citado o fato
do livro de Normas ser o mais vendido pela Editora da UFRR, os treinamentos de usuários já
terem atendido uma média de 720 alunos e as orientações personalizadas abrangerem um
grande número de alunos. Essas ações contribuíram para elevar o nível técnico dos trabalhos
no âmbito da UFRR e para aumentar o capital simbólico das bibliotecas junto à comunidade
universitária.
Palavras-chave: Ciência da informação. Bibliotecas universitárias. Normalização de trabalhos
científicos.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Os serviços de bibliotecas universitárias voltados para a normalização dos trabalhos
acadêmico-científicos da comunidade universitária, não deve se restringir somente aos
serviços de disponibilização de normas técnicas e orientação. O constante aumento no
ingresso discente, a busca constante por informações e orientações em conjunto com o
crescente nível de qualificação da clientela, exigem que as bibliotecas universitárias reúnam
uma força tarefa para atender essa grande demanda desenvolvendo assim serviços
diferenciados e produtos que possam auxiliar os bibliotecários a prestarem serviços de
qualidade.
Inseridas no contexto acadêmico-científico, as bibliotecas da Universidade Federal
de Roraima (UFRR) passam pelos desafios inerentes ao meio universitário, no que diz
respeito aos serviços de orientação e educação dos usuários sobre normalização. Este trabalho
apresenta a experiência dessas bibliotecas no desenvolvimento de serviços e produtos
voltados para orientar a elaboração dos trabalhos acadêmico-científicos.

2 Revisão de literatura
Como nas universidades e institutos de pesquisa a comunicação científica é feita
através de vários tipos de formatos, pois, conforme Theobald (2010, p. 1), a escrita de textos
se apresenta em forma de “resumos, resenhas, memoriais, relatórios, projetos, artigos,
monografias e similares, obedecendo aos rigores das regras básicas para a produção de textos
científicos”, a demanda pelos serviços dos bibliotecários são cada vez maiores e exigem cada
vez mais conhecimentos qualificados.
Teterycz e Littiere (2010) afirmam que ao falar em serviços de orientação em
normalização de trabalhos supõe-se que as questões tratadas se restrinjam às normas. No
entanto, as questões trazidas pela clientela vão além, pois surgem dúvidas especificas na
elaboração dos trabalhos como delimitação do tema, objetivos, dificuldades de pesquisa e
redação, até questões de ordem pessoal, profissional e de relacionamento.

3 Materiais e métodos
Atualmente, as bibliotecas da UFRR desenvolvem os seguintes serviços e produtos
sobre normalização:
- Livro Manual de normas para apresentação dos trabalhos técnico-científicos
da UFRR: de autoria de sete bibliotecárias da UFRR, foi publicado pela Editora da UFRR e
encontra-se em sua segunda versão (SILVA, 2012). É oficialmente, desde 2011, o
instrumento de normalização de trabalhos da UFRR, defini pelo Conselho de Ensino Pesquisa
e Extensão (CEPE) através da Resolução nº 009/2011-CEPE, sendo que seu formato de
Resolução está disponível na íntegra e para download no site das Bibliotecas da UFRR. Sua
primeira versão foi publicada ainda em 2007 com o financiamento do Programa de Pósgraduação em Recursos Naturais (PRONAT) da Instituição;
-Treinamento de usuários: caracterizam-se pela realização em salas de aulas ou em
laboratórios de informática do curso solicitante, em horários previamente agendados e
determinados pelos professores. Seu conteúdo versa sobre como elaborar e normalizar os
trabalhos acadêmicos com base no Manual de Normas da UFRR;
- Orientação personalizada ao usuário: com a participação de várias bibliotecárias
envolvidas na produção do Manual de Normas, foi acordado com a Biblioteca Central que

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

todas as envolvidas com esse projeto realizariam as orientações no âmbito da UFRR quando
solicitado pela clientela, se tornando, assim, um serviço personalizado e diferenciado.

4 Resultados parciais/finais
O livro de Normas da UFRR teve sua primeira versão publicada em 2007 esgotando
no ano de 20101. A segunda versão foi publicada em 2012 e atualmente também encontra-se
esgotada e, por esse motivo, os bibliotecários da UFRR já se articulam para a elaboração de
uma nova versão. Vale ressaltar que, mesmo com o formato Resolução disponíveis para
download pelo site das bibliotecas da UFRR, a contar da sua primeira versão, o livro de
Normas da UFRR é o livro mais vendido da Editora da UFRR
Desde a criação da primeira versão das Normas da UFRR em 2007 até o ano de
2015, as Bibliotecas da UFRR deram treinamento sobre as Normas da UFRR a uma média de
720 alunos de graduação e pós-graduação. A estratégia de realizar os treinamentos nos
horários de aulas dos alunos e em seu espaço de estudo gerou uma aproximação maior entre a
Biblioteca e os cursos, pois difunde a noção de que não é só a comunidade que vai à
Biblioteca, a Biblioteca extrapola seu espaço tradicional de atuação e também vai à
comunidade universitária.

5 Considerações parciais/finais
A grande vendagem do livro de Normas da UFRR e a realização dos treinamentos de
usuários contribuíram para elevar o capital simbólico das Bibliotecas da Instituição diante da
comunidade interna e externa. Os bibliotecários são valorizados e chamados a contribuir com
seus conhecimentos em vários setores como a Editora Universitária da UFRR, o Comitê de
Editores de Revistas Científicas (COMED) ligado à Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação e
a Diretoria de Extensão ligada à Pró-reitora de Assuntos Estudantis e Extensão.

6 Referências
SILVA, A. M. M. (Coord.). Manual de normas para apresentação dos trabalhos técnicocientíficos da UFRR. Boa Vista: Editora UFRR, 2012. 102 p.
TETERYCZ, T.; LITTIERE, L. F. O aspecto psicológico do serviço de orientação à
normalização de trabalhos técnico-científicos. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16, 2010, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro:
CBBU, 2010. Disponível em: http://www.sibi.ufrj.br/snbu2010/pdfs/orais/final_297
.pdf. Acesso em: 20 abr. 2016.
THEOBALD, I. M. Produzir monografia final: um desafio ou uma obrigação? Revista
Virtual P@rtes, 2010. Disponível em: &lt; http://www.partes.com.br/educacao.asp&gt;. Acesso em:
20 abr. 2016.

1

SILVA, A. M. M. Normas para apresentação dos trabalhos técnico-científicos da UFRR: baseadas nas
normas da ABNT. Boa Vista: Editora UFRR, 2007. 107 p.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Souto, Clivea Farias; Silva, Angela Maria Moreira; Soares, Keyla Rebouças; Silva, Layonize Félix Correia da; Lima, Marcilene Feio </text>
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                <text>Apresenta a experiência das bibliotecas da Universidade Federal de Roraima com a atividade de normalização de trabalhos científicos. As bibliotecas desenvolveram produtos e serviços como publicação em livro do Manual de Normas para Apresentação dos Trabalhos Técnico-científicos da UFRR, a realização de treinamentos de usuários em salas de aulas e a  orientação personalizada feita pelas autoras do livro. Como resultados pode ser citado o fato  do livro de Normas ser o mais vendido pela Editora da UFRR, os treinamentos de usuários já terem atendido uma média de 720 alunos e as orientações personalizadas abrangerem um  grande número de alunos. Essas ações contribuíram para elevar o nível técnico dos trabalhos  no âmbito da UFRR e para aumentar o capital simbólico das bibliotecas junto à comunidade universitária.</text>
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                    <text>Modelo para teses e dissertações em LaTeX utilizando a classe
USPSC
Eliana de Cássia Aquareli Cordeiro (USP/IQSC) - eliana@iqsc.usp.br
Flávia Helena Cassin (EESC-USP) - cassinp@sc.usp.br
Marilza Aparecida Rodrigues Tognetti (PUSP-SC/USP) - marilzatog@gmail.com
Ana Paula Aparecida Calabrez (PUSP-SC/USP) - aninha@sc.usp.br
Maria Cristina Cavarette Dziabas (IFSC) - mcdziaba@ifsc.usp.br
Regina Célia Vidal Medeiros (ICMC/USP) - rcvm@icmc.usp.br
Resumo:
As Bibliotecas do Campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), através de suas
equipes de referência, oferecem serviços voltados à normalização de documentos científicos e
capacitação de usuários visando facilitar e auxiliar a comunidade acadêmica na produção
normalizada de tais documentos. O uso do LaTeX é muito difundido nas instituições de ensino
e pesquisa brasileiras para elaboração de dissertações e teses na área de exatas, utilizando as
normas de informação e documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Mediante esta percepção, foi estabelecida uma equipe composta por pessoas vinculadas às
Bibliotecas das Unidades do Campus USP de São Carlos, incluindo a Biblioteca da Prefeitura
do Campus USP de São Carlos (PUSP-SC), para o desenvolvimento de um modelo em LaTeX
que permite a elaboração de trabalho acadêmico. O objetivo do presente trabalho é apresentar
a classe USPSC e o Modelo para teses e dissertações em LaTeX utilizando a classe USPSC,
solução em conformidade com a ABNT NBR 14724, as Diretrizes para apresentação de
dissertações e teses da USP e normas e padrões estabelecidos pelas Unidades.
Palavras-chave: LaTeX. abnTeX. Classe USPSC. Editoração de texto. Normalização da
documentação. Tese. Dissertação. Documentos (elaboração). Documentos
eletrônicos.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As Bibliotecas do Campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), através
de suas equipes de referência, oferecem serviços voltados à normalização de documentos
científicos e capacitação de usuários visando facilitar e auxiliar a comunidade acadêmica na
produção normalizada de tais documentos.
O uso do LaTeX é muito difundido nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras
para elaboração de dissertações e teses na área de exatas, utilizando as normas de informação
e documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Para Kozakevich (2016) LaTeX é um sistema ou programa de marcação para a
editoração de documentos de alta qualidade tipográfica e específico para a elaboração de
textos científicos.
Mediante esta percepção, foi estabelecida uma equipe composta por pessoas
vinculadas às Bibliotecas das Unidades do Campus USP de São Carlos, incluindo a Biblioteca
da Prefeitura do Campus USP de São Carlos (PUSP-SC), para o desenvolvimento de um
modelo em LaTeX que permite a elaboração de trabalho acadêmico e garante a
sustentabilidade deste produto, tendo autonomia para implementar novos recursos, efetuar
compatibilizações necessárias em decorrência de alterações de normas da ABNT e/ou normas
e padrões estabelecidos pelas comissões de pós-graduação das Unidades, incluir novos
programas de pós-graduação das Unidades, dentre outras razões.
O objetivo do presente trabalho é apresentar a classe USPSC e o Modelo para teses e
dissertações em LaTeX utilizando a classe USPSC, solução em conformidade com a ABNT
NBR 14724 (ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS, 2005), as Diretrizes
para apresentação de dissertações e teses da USP (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO,2009)
e normas e padrões estabelecidos pelas Unidades.

2 Materiais e métodos
Para o desenvolvimento do Modelo para teses e dissertações em LaTeX para as
Unidades do Campus USP de São Carlos, optou-se pela criação da classe USPSC mediante a
customização da abntex2.cls, versão 1.9.5. Utilizou-se o MiKTeX 2.9, que provê as
ferramentas necessárias para gerar documentos utilizando a linguagem TeX/LaTeX, a classe
abnTEX2 e o Modelo canônico de trabalho acadêmico com abnTEX2.
O Modelo desenvolvido atende às especificidades da ABNT NBR 14724
(ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS, 2005), das Diretrizes para
apresentação de dissertações e teses da USP (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO,2009) e das
normas e padrões estabelecidos pelas Unidades. Empregou-se o editor TeXstudio 2.9.4 e
gerenciador de referências JabRef 2.10 como facilitadores.

3 Resultados parciais/finais
A solução que compreende a classe USPSC e o Modelo para teses e dissertações em
LaTeX visa atender inicialmente às Unidades de Ensino e Pesquisa do Campus USP de São
Carlos: Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), Instituto de Arquitetura e Urbanismo
(IAU), Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), Instituto de Física de
São Carlos (IFSC) e Instituto de Química de São Carlos (IQSC).
O referido modelo é um documento cujo código fonte é um tutorial para o uso da
classe USPSC e do pacote abntex2cite. Consiste do arquivo USPSC-modelo.tex, que utiliza
os seguintes arquivos para gerar o documento pdf: USPSC.cls; USPSC-modeloreferences.bib;
USPSC-modelo.tex; USPSC-pre-textual-UUUU.tex; fichacatalografica.tex; USPSC-Cap1-

�2

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Introducao.tex; USPSC-Cap2- Desenvolvimento.tex; USPSC-Cap3-Citacoes.tex; USPSCCap4-Referencia.tex;
USPSCCap5-Conclusao.tex;
USPSC-Apendices.tex;
USPSCAnexos.tex; fichacatalografica.pdf e folhadeaprovacao.pdf.
No arquivo USPSC-modelo.tex o autor deverá indicar a sigla da Unidade e a sigla do
programa de pós-graduação que está vinculado, que constam da planilha USPSC-Siglas
estabelecidas para os programas de pós-graduação por Unidade.xlsx.
Para cada Unidade foi estabelecido um arquivo com dados pre-textuais nominado
como USPSC-pre-textual-UUUU.tex, onde UUUU é a sigla da Unidade. Inicialmente estão
disponibilizados os pré-textuais das Unidades do Campus USP de São Carlos: USPSCpretextual-EESC.tex; USPSC-pre-textual-IAU.tex; USPSC-pre-textual-ICMC.tex; USPSCpretextual-IFSC.tex; USPSC-pre-textual-IQSC.tex e USPSC-pre-textual-OUTRO.tex.
O modelo foi concebido de forma a atender as especificidades de cada Unidade e
disponibiliza as seguintes alternativas de formatação: duas opções de fonte: Latin Modern ou
Times New Roman; impressão anverso e verso ou somente anverso; opção de p. ou f. na
referência da Errata, do Resumo e do Abstract, em conformidade com a opção de impressão
anverso e verso ou somente anverso; dois tipos de cabeçalhos de páginas; duas opções de
idiomas do texto: português ou inglês; citações alfabéticas ou numéricas; inicialmente
disponibiliza 76 possibilidades de preâmbulos codificados nos arquivos pré-textuais, de
acordo com as siglas estabelecidas para os programas de pós-graduação das Unidades do
Campus USP de São Carlos; versão original ou final/corrigida; elaboração da ficha
catalográfica em LaTeX ou inclusão da ficha fornecida pela Biblioteca.

4 Considerações parciais/finais
O Grupo desenvolvedor da classe USPSC e do Modelo para teses e dissertações em
LaTeX utilizando a classe USPSC acredita que esta ferramenta propiciará o aprimoramento
da qualidade dos trabalhos acadêmicos produzidos pelos alunos de pós-graduação das
Unidades de Ensino e Pesquisa do Campus USP de São Carlos, contribuirá para garantir a
normalização e padronização estabelecidas, facilitando o trabalho de orientação e conferência
das equipes de referência das Bibliotecas.
A expectativa é que a classe USPSC e o modelo proposto aprimorem a qualidade dos
trabalhos acadêmicos produzidos pelos alunos de pós-graduação das referidas Unidades de
Ensino e Pesquisa do Campus USP de São Carlos, garantindo a normalização e padronização
estabelecidas. Acreditamos que tal solução seja adotada por outras Unidades da USP e outras
instituições interessadas, sendo que a facilidade de customização fatalmente contribuirá para
tanto.
Já está sendo elaborado o Modelo para Trabalhos de Conclusão de Cursos em
LaTeX utilizando a classe USPSC.

5 Referências
ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 14724: informação e
documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: 2005. 9p.
KOZAKEVICH, Daniel Norberto. LaTeX para principiantes. Disponível
&lt;http://mtm.ufsc.br/~daniel/amcom/LATEX/latex_tut.html&gt;. Acesso em: 24 abr. 2016.

em:

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Sistema Integrado de Bibliotecas. Diretrizes para
apresentação de dissertações e teses da USP: documento eletrônico ou impresso. Parte I
(ABNT) 2.ed. São Paulo: SIBI, 2009.

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                <text>As Bibliotecas do Campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), através de suas equipes de referência, oferecem serviços voltados à normalização de documentos científicos e capacitação de usuários visando facilitar e auxiliar a comunidade acadêmica na produção normalizada de tais documentos. O uso do LaTeX é muito difundido nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras para elaboração de dissertações e teses na área de exatas, utilizando as normas de informação e documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mediante esta percepção, foi estabelecida uma equipe composta por pessoas vinculadas às Bibliotecas das Unidades do Campus USP de São Carlos, incluindo a Biblioteca da Prefeitura do Campus USP de São Carlos (PUSP-SC), para o desenvolvimento de um modelo em LaTeX que permite a elaboração de trabalho acadêmico. O objetivo do presente trabalho é apresentar a classe USPSC e o Modelo para teses e dissertações em LaTeX utilizando a classe USPSC, solução em conformidade com a ABNT NBR 14724, as Diretrizes para apresentação de dissertações e teses da USP e normas e padrões estabelecidos pelas Unidades.</text>
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                    <text>“VOCÊ SABIA” QUE É POSSÍVEL DIVULGAR BENS E SERVIÇOS DA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA POR MEIO DA COMUNICAÇÃO
VISUAL?

Fabíola Maria Pereira Bezerra (UFC) - fabbezerra@gmail.com
Francisco Jonatan Soares (UFC) - fjonatan.soares@gmail.com
Diana Flor Rifane (UFC) - dianarifane@gmail.com
Nirlange Pessoa Queiroz (UFC) - nirlange@ufc.br
Resumo:
Apresenta os resultados alcançados com a ação de comunicação visual adotada pela Biblioteca
Universitária da Universidade Federal do Ceará denominada “Você Sabia?”, no período de
abril de 2015 a abril de 2016. O novo serviço de disseminação da informação utiliza as mídias
eletrônicas para destacar os produtos, serviços e conteúdos informacionais disponibilizados
pela biblioteca para a construção do conhecimento pela comunidade acadêmica,
focalizando-se nesse estudo a veiculação de posts no Facebook. Destaca a imagem como meio
de facilitar o entendimento da mensagem, aliado a um conteúdo textual da comunicação
elaborado na forma interrogativa para reforçar a intenção de estabelecer ou fortalecer as
ligações com os usuários, na perspectiva da Educomunicação. O levantamento das métricas da
rede social utilizada mostrou resultados satisfatórios, dada a grande visibilidade das
postagens, que validou a ideia inicial do potencial redes sociais, cujo alcance é cada vez mais
amplo, para divulgação dos banners digitais produzidos pelo Sistema de Bibliotecas e para
intensificar a interação com os usuários.
Palavras-chave: Comunicação Visual. Educomunicação. Biblioteca Universitária.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016

Eixo Temático: ​Educação de usuários e competências informacionais.

“VOCÊ SABIA” QUE É POSSÍVEL DIVULGAR BENS E SERVIÇOS DA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA POR MEIO DA COMUNICAÇÃO
VISUAL?

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Modalidade da apresentação: ​Comunicação oral

RESUMO
Apresenta os resultados alcançados com a ação de comunicação visual adotada pela
Biblioteca Universitária da Universidade Federal do Ceará denominada “Você Sabia?”, no
período de abril de 2015 a abril de 2016. O novo serviço de disseminação da informação
utiliza as mídias eletrônicas para destacar os produtos, serviços e conteúdos informacionais
disponibilizados pela biblioteca para a construção do conhecimento pela comunidade
acadêmica, focalizando­se nesse estudo a veiculação de ​posts ​no Facebook. Destaca a imagem
como meio de facilitar o entendimento da mensagem, aliado a um conteúdo textual da
comunicação elaborado na forma interrogativa para reforçar a intenção de estabelecer ou
fortalecer as ligações com os usuários, na perspectiva da Educomunicação. O levantamento
das métricas da rede social utilizada mostrou resultados satisfatórios, dada a grande
visibilidade das postagens, que validou a ideia inicial do potencial redes sociais, cujo alcance
é cada vez mais amplo, para divulgação dos ​banners ​digitais produzidos pelo Sistema de
Bibliotecas e para intensificar a interação com os usuários.
Palavras­Chave:​ Comunicação Visual. Educomunicação. Biblioteca Universitária.

ABSTRACT
Presents the results achieved with the action of visual communication adopted by the
Biblioteca Universitária of Universidade Federal do Ceará (BU/UFC) called "Did You
Know?", from April 2015 to April 2016. The new information dissemination service uses
electronic media to highlight products, services and informational content provided by the
library for the construction of knowledge by the academic community, focusing this study the
placement of posts on Facebook. Highlights the image as a means of facilitating the
understanding of the message, with a textual content of the communication prepared in the
interrogative form to reinforce the intention to establish or strengthen links with users in view
of Educommunication. The survey metrics of social network used showed satisfactory results,
given the high profile of the posts, which validated the initial idea of ​the potential social
networks whose scope is becoming wider, for dissemination of digital banners produced by
BU/UFC and to intensify interaction with library users.
Keywords:​ ​Visual communication. Educommunication. University Library.

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1 Introdução
A Comunicação Visual está inserida no contexto da sociedade contemporânea, seja
por meio de signos, imagens, desenhos ou gráficos, sendo indiscutível sua eficácia. O uso da
imagem chega mais rapidamente ao receptor, enquanto o texto precisa ser lido e interpretado.
Partindo­se desse princípio, e na expectativa de criar uma nova forma de comunicação
com a comunidade universitária, em abril de 2015, os serviços e produtos do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) passaram a ser divulgados
semanalmente em forma de ​banner​. A proposta com a divulgação visual foi propiciar uma
maior absorção das informações publicadas à comunidade acadêmica.
Inicialmente, foram listados produtos e serviços estratégicos do Sistema de Bibliotecas
a serem divulgados numa proposta inovadora. Dentro do projeto de comunicação visual do
Sistema surgiu a ação denominada “Você sabia?”. A escolha desse título para a ação foi no
sentido de mostrar os produtos e serviços em forma de frases interrogativas, provocando um
questionamento na comunidade universitária sobre o conteúdo do que estava sendo divulgado.
A criação da comunicação visual dessa ação compreende a produção de ​banners ​em
formato.PNG no site /www.canva.com, posteriormente divulgados via lista de e­mails de
alunos, professores e servidores da UFC, na página de busca do Sistema Pergamum (catálogo
online ​do acervo) e no Facebook.
O presente trabalho apresenta os resultados alcançados com essa ação no período de
abril de 2015 a abril de 2016. Isso posto, o objetivo do trabalho é apresentar os resultados
dessa comunicação visual adotada pela Biblioteca Universitária. Do objetivo geral, decorrem
os seguintes objetivos específicos: avaliar a repercussão dessa ação no contexto acadêmico;
descrever o engajamento dessa ação no contexto do Facebook.
A justificativa desse trabalho se dá pela necessidade de se entender a importância
dessa ação para o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará e a contribuição
real para a comunidade acadêmica.

2 Revisão de literatura
2.1 A biblioteca universitária no contexto acadêmico
O compromisso das universidades se renova a cada dia com a formação de
profissionais cada vez mais qualificados, tornando­se imperativo, para as universidades,
reformular sua forma de ensinar e de formar profissionais. As bibliotecas universitárias
aparecem nesse contexto como disseminadoras da informação e promotoras da construção do
conhecimento, oferecendo produtos e serviços otimizados à a sua comunidade acadêmica,
dando suporte informacional às atividades educacionais, cientificas, tecnológicas e culturais.
As Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará foram surgindo à medida que novas

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unidades de ensino foram sendo incorporadas ou criadas. Atualmente, aos 60 anos de história
da Universidade, o Sistema de Bibliotecas da UFC, coordenado pela Biblioteca Universitária,
compreende 13 bibliotecas em Fortaleza e 5 no Interior do Estado, contando com um acervo
de mais de 500.000 exemplares.
As Instituições de Ensino Superior (IES), notadamente as públicas, têm como baluarte
as dimensões de Ensino, Pesquisa e Extensão. Estas dimensões por sua vez têm por
sustentáculo essencialmente a produção de conhecimento, o qual irá alimentar os
procedimentos nas universidades, sejam educacionais ou administrativos.
As bibliotecas por sua vez precisam dar suporte informacional a essa produção, com
seus diversos serviços e produtos, os quais promoverão um uso adequado dos conteúdos
(dados, informações e conhecimeto por parte dos usuários), dispostos nas bibliotecas da
universidade ou em qualquer outro suporte informacional.
A BU/UFC tem primado nos últimos anos pela construção de um cenário proprício
para este fim, usando entre outros mecanismos, a comunicação visual, especialmente em sua
página institucional na ​Web​. Identificou­se portanto que seria necessário um refinamento e
mais efetividade das muitas informações relativas aos seus produtos e serviços, constantes da
sua página eletrônica, portanto, a partir desta constação surge a ideia do “Você Sabia?”.

2.2 Comunicação Visual
É imperativo para a construção do embasamento teórico deste trabalho apresentar
conceitualmente a temática “comunicação”, uma vez que por meio dela adotou­se uma
estratégia visual para divulgar produtos, serviços e assuntos correlacionados com as ações que
o Sistema de Bibliotecas da UFC desenvolve.
Valentim (c2014) apresenta os seguintes conceitos:
● Comunicação​: sistema de troca de mensagens que envolva pelo menos um emissor e
outro, receptor.
● Comunicação sonora​: comunicação que acontece por meio de sons e requer a
percepção auditiva para sua recepção.
● Comunicação tátil​: aquela que se dá, principalmente, por meio de símbolos gráficos
com texturas diferenciadas elou em relevo ou pela emissão de impulsos vibratórios e
requer a percepção tátil para sua recepção.
● Comunicação visual​: comunicação que se dá por meio de imagens e requer a
percepção visual para sua recepção.
Nessa perspectiva, é importante ressaltar que tendo em vista que a comunicação visual
baseia­se em sinais ­ imagens ou caracteres escritos e ainda que é por meio da combinação
destes elementos visuais que se compõe a mensagem que se deseja comunicar, assim a
escolha adequada de formatos, cores, fontes e texto certamente contribuirá de forma positiva
para a compreensão da mensagem que se deseja transmitir, tornando mais fácil a compreensão
por parte do usuário em relação ao conteúdo que está sendo informado.

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Outro aspecto importante, com base em Munari (1997), no que diz respeito à
comunicação visual: é possível entender conceitualmente, que praticamente tudo o que vemos
seja uma flor, um pássaro, um cartaz, uma paisagem, seja ela qual for, dependendo do
contexto em que estão inseridas, certamente transmitirão informações divergentes, contudo,
entre as muitas mensagens que poderão transmitir, pelo menos duas distinções é possível
identificar, ou seja, se foi intencional ou casual. No caso da BU, utilizamos a comunicação
visual de forma totalmente intencional e tendo em mente os seguintes objetivos: ​Direcionar a
informação aos pontos principais; ​Instruir sobre os procedimentos de uso de materiais,
equipamentos etc.; ​Normatizar regulamentando o comportamento e uso de produtos e
serviço das Biblioteca e por último ​Alertando quanto às questões importantes e relativas as
responsabilidades, deveres e direitos dos usuários/público­alvo a quem a comunicação está
sendo direcionada. (VALENTIM, c2014)
Valentim (c2014) também ressalta a importancia de se ter bem definidos os seguintes
aspectos: o público­alvo, o tipo de ambiente onde a comunicação será realizada (empresas
publicas, ou privadas etc), tipos de comunicação (interna ou externa), e no caso da biblioteca,
utilizar o nome da biblioteca; a sigla do nome da biblioteca; ter uma imagem relacionada ao
nome (marca) que deve ser claro e bem elaborado; além do fato de que a marca deve
respeitar as cores e a marca da organização a qual a biblioteca está inserida, respeitando o tipo
de organização e aparecer em todos os materiais utilizados na comunicação visual.
Isto posto, fica patente a necessidade de utilização de uma ferramenta gráfica
adequada que torne possivel adotar todas essa especificações e a partir daí criar as peças de
comunicação visual a serem utilizadas na divulgação a ser feita. No caso da BU/UFC,
optou­se pelo uso da ferramenta ​online ​chamada “Canva”, que será detalhada em um próximo
tópico.

2.3 Práticas educomunicativas
Comunicar de forma expressiva, socializando o conhecimento a partir da construção
de relacionamentos entre aqueles que emitem e os que se beneficiam das mensagens. Assim
pode ser entendida a Educomunicação, que consiste em desenvolver práticas educativas
utilizando os meios de comunicação, visando a criação e o fortalecimento das interações dos
membros que compõem as comunidades educativas, o diálogo aberto e democrático e a
capacidade de expressão das novas gerações (SOARES, 2002).
Segundo o Prof. Ismar de Oliveira Soares, da Escola de Comunicação e Artes
(ECA/USP), estudioso desse novo campo transdisciplinar de estudos, a Educomunicação pode
ser caracterizada da seguinte forma:
“Definimos, assim, a Educomunicação como o conjunto das ações inerentes ao
planejamento, implementação e avaliação de processos, programas e produtos
destinados a criar e a fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos
presenciais ou virtuais, assim como a melhorar o coeficiente comunicativo das ações
educativas, incluindo as relacionadas aos usos dos recursos da informação no
processo de aprendizagem.” (SOARES, 2002, p. 24 )

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Soares (2002) afirma que, na concepção norte­americana, o campo da
Educomunicação passa por duas vertentes de “intervenção sócio­político­cultural”: ​mediações
tecnológicas nos espaços educativos​, como necessidade de desenvolvimento das habilidades
de uso adequado dos recursos de informação e comunicação por professores e estudantes, não
só no processo de ensino­aprendizagem, mas como meio para sua manifestação. Trata­se da
literacia ou competência informacional, entendida como o domínio do campo informacional,
ou seja, a capacidade de processar, assimilar e fazer uso de informações ­ que no contexto
contemporâneo são criadas e fluem rapidamente e em grande volume ­, com autonomia e
senso investigativo e crítico, gerando valor para si como indivíduo e cidadão e para a
sociedade. A segunda vertente diz respeito à educação que se preocupa com os efeitos dos
meios de comunicação sobre crianças e adolescentes.
Focalizando­se a primeira vertente, na nova cultura da informação na sociedade
contemporânea, o pensamento crítico surge no bojo de um novo modelo educacional que
busca privilegiar a construção do conhecimento, de acordo com Belluzzo (2004). O
pensamento não crítico faz parte do contexto de uma educação mais tradicional, baseada
sobretudo na transmissão de conhecimentos.
Desse modo, essa nova cultura é uma das experiências da sociedade contemporânea,
constituindo­se em processo dinâmico, que possibilita: melhoria na capacidade
intelectual; desenho e desenvolvimento dos meios e das formas de comunicação
para a gestão do conhecimento; impulso na compreensão e no entendimento, não
somente na socialização da informação, cuja finalidade é incrementar o repertório de
conhecimentos e experiências das pessoas e das atividades humanas. (BELLUZZO,
2004, p. 30)

Na concepção de Sartori e Soares (2005), a Educomunicação abrange quatro áreas:
“educação para a comunicação”, que se ocupa da leitura crítica dos meios de comunicação;
“mediação tecnológica na educação”, abordando os impactos do uso das tecnologias da
informação na comunicação; “gestão comunicativa”, voltada para a construção de relações
que favoreçam a relação dos educadores com os pais e a comunidade, ao mesmo tempo em
que enfoca o planejamento de ações que tornem o ambiente favorável ao desenvolvimento de
projetos de uso das tecnologias e de educação para uso dos meios de comunicação; e
“reflexão epistemológica”, que se refere às pesquisas acadêmicas sobre a inter­relação entre
Educação e Comunicação na composição desse novo campo do saber.
Observa­se cada vez mais que o campo educacional abre­se a novas possibilidades de
interação por meio das vias comunicacionais, com a utilização dos mais diversos recursos e
mídias disponíveis, com destaque para os meios eletrônicos e novos recursos midiáticos,
gerando mais possibilidades de interação entre as pessoas. Nesse contexto, compreende­se
que o público atendido pode e deve atuar como criador e có­criador da informação e do
conhecimento, não como mero “receptor de mensagens” e, por outro lado, os gestores da
comunicação não devem se posicionar como simples transmissores do conhecimento e
detentores da verdade, devm estar propensos ao diálogo. A educação, aliada à comunicação,
nessa visão, fortalece seu poder transformador.
Nessa perspectiva, entende­se que no ambiente educacional é uma rica seara onde se
pode estabelecer uma comunicação que seja instigante, criativa, expressiva e que fale a

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linguagem dos educandos; na qual se pode buscar estabelecer diálogo e cooperação visando
conhecer e abordar os interesses e demandas dos mesmos, a fim de propiciar a geração de
conhecimentos, novas visões, experiências e a transformação das atittudes.

2.4 Ferramentas de design gráfico
Dentre as ferramentas de design gráfico existentes, como citado mencionado acima,
utilizamos o “Canva”, uma solução integrada e simplificada que não exige conhecimentos
aprofundados e complexos de softwares de design, tais como o Photoshop e CorelDRAW.
O Canva é uma ferramenta ​online ​gratuita de design gráfico​, criada pelos empresários
Melanie Perkins e Cliff Obrecht, tratando­se de uma ​startup ​australiana, que possibilita a
criação de ​layouts ​profissionais sem o conhecimento técnico necessário para criação de
design. O modelo utilizado no Canva é conhecido como ​freemium​, ​muito popular em serviços
na internet, ​onde o uso do serviço é gratuito, porém, existem algumas funcionalidades que são
pagas.
A plataforma do Canva é ​online​, o que facilita o acesso em qualquer local, desde que
conectado à Internet. Por meio do Canva, é possível acessar ​centenas de elementos ​e ​fontes
gratuitos​, o que amplia o universo de possibilidades na criação dos modelos de design, ou,
selecionar, a partir da biblioteca do Canva​, mais de 1 milhão de fotos e figuras premium ​no
valor de U$1. Na elaboração dos ​banners da BU/UFC, todas as imagens e recursos gráficos
utilizados foram gratuitos.
Outro detalhe que merece destaque é o fato de o ​Canva.com disponibilizar alguns
templates ​prontos, como sugestão e com possibilidade de adaptação, grande parte desses
templates ​são focados em diversas redes sociais, tais como Facebook, Twitter, Instagram,
Google+ e Pinterest. Sendo eles: ​Facebook Covers; Kindle Covers; Social Media; Pinterest;
Blog Graphs; Flyers; Apresentações; Convites; Cartões de Visita e Pôsters.
Além da possibilidade de criar conteúdos com medidas personalizadas, usando o ​“​Use
custom dimensions”​. Com os formatos pré­definidos citados, facilitou o trabalho de criação
dos ​banners​, uma vez que não foi preciso pesquisar os tamanhos a serem utilizados. ​Vários
destes recursos também são editáveis, dependendo do caso. Isto acontece com ​frames​, balões
de diálogo, estampas e botões, por exemplo. A simplicidade no uso da ferramenta foi a grande
vantagem no uso do mesmo, bastando para isso um simples cadastro informando o e­mail e
uma senha, ou então, realizar login através das redes sociais. O acesso ​gratuito e ​online está
disponível em: http://www.canva.com/.

3 Materiais e métodos
Com a expectativa de criar uma nova forma de comunicação para intergir com a
comunidade universitária, em abril de 2015, os serviços, produtos e temas diversos
pertinentes ao funcionamento da BU/UFC passaram a ser divulgados semanalmente em
formato de ​banner ​digital.
O trabalho é de natureza descritiva, relata a experiência vivida na BU/UFC com o uso

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da comunicação visual, assim como é de natureza exploratória, à medida em que utiliza as
métricas disponibilizadas no ​Facebook Insight ​para analisar e quantificar o engajamento dessa
ação junto à comunidade universitária. O período de cobertura da pesquisa é de abril de 2015
a abril de 2016.
O estudo em pauta descreve a utilização da ferramenta online “CANVA” para criação
do design da comunicação visual do Sistema de Bibliotecas da UFC, em uma de suas opções
que é o “Facebook Post”, produzindo peças de divulgação no tamanho 940px X 780px no
formato “.png”. A produção em alta resolução e com diversificação de opções gráficas
valorizou e dinamizou a forma de comunicação com a comunidade universitária.
A princípio foi elaborada uma lista com os assuntos a serem divulgados, sendo eles:
funcionamento da Biblioteca de Humanidades e da Biblioteca de Ciências e Tecnologia aos
sábados; catalogação na publicação; Guia de Normalização da UFC; treinamentos; renovação
on line; recebimento de TCC, teses e dissertações em formato eletrônico; Missão da BU;
Repositório Institucional; Visão da BU; Valores da BU; Normas ABNT; Libras; Uso do
sistema Pergamum por meio dos dispositivos móveis (​tablets e smartphones​); Ficha
catalográfica; Como acessar o Portal da Capes ­ acesso fora da universidade para a
comunidade acadêmica; Empréstimo ­ Quantidade de livros e prazo para devolução; Nada
consta; Cuidados com os Livros. Definidos os assuntos iniciais, o passo seguinte foi planejar
o modelo a ser utilizado na divulgação; posteriormente outros assuntos foram sendo
acrescentados, baseados na retroalimentação envolvida nos processos de comunicação
estabelecidos.
Em um segundo momento, foi definida a denominação dessa ação, sendo indicado o
título “Você Sabia?”, onde cada ​banner ​iniciava com essa chamada. Em seguida, era exposta
uma imagem que expressasse de forma direta o assunto abordado e finalizado com uma frase
interrogativa. A ideia com essa estrutura era simular uma conversa entre Sistema de
Bibliotecas e a comunidade, a partir das vivências do atendimento cotidiano aos usuários.
A criação dos banners foi de responsabilidade da equipe de bibliotecários da Divisão
de Coordenação de Bibliotecas da UFC, aproveitando as habilidades midiáticas de um
membro da equipe. À medida que os modelos eram criados, foram compartilhados com toda a
equipe e selecionados por meio de votação. Após definição do modelo escolhido, eram
divulgados para a comunidade acadêmica via lista de e­mails de alunos, professores e
servidores da universidade, na página de busca do Sistema Pergamum (na opção catálogo
online​) e no Facebook.
Seguindo o objetivo da pesquisa, que é avaliar a repercussão dessa ação dentro do
contexto acadêmico, utilizamos como amostra os 37 banners criados no período de cobertura
desse estudo, sendo elas ilustradas nas Figuras 1 e 2 abaixo.

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Figura 3 – Gerenciador de anúncios ­ Publicações do Facebook

​

​Fonte: ​Fan Page ​da Biblioteca Universitária no Facebook

4 Resultados parciais/finais
O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC), ao longo dos anos,
vem implementando novos serviços e produtos que reforçam cada vez mais a comunicação
com a comunidade acadêmica, seja por meios de serviços presenciais ou, mais recentemente,
por meio da utilização das tecnologias disponíveis pela Web 2.0, sempre buscando
potencializar a democratização da informação. Dessa forma, está presente nas redes sociais
por meio do ​Twitter, Facebook e Blog.
A presença dessas bibliotecas do sistema nas referidas redes, torna o contato com sua
comunidade usuária mais dinâmico e proporciona maior divulgação e visibilidade aos seus
produtos e serviços.
Nesse mesmo sentido, Aguiar (2012) corrobora quando afirma que a Web 2.0 é uma
“nova geração de ferramentas na Internet que possibilitam a comunicação, a socialização, a
interação, a colaboração, a participação, a criação e o compartilhamentos de conteúdos”, o
que levou a estar presente de forma intensiva na vida e no cotidiano das pessoas. Dentro dessa
perspectiva, justifica­se cada vez mais a utilização das ferramentas da ​Web ​2.0 pelas
Bibliotecas Universitárias, à medida que facilitam a relação biblioteca x usuário. Aguiar
(2012) destaca ainda que, dentre as ferramentas oferecidas na ​Web ​2.0, a rede social é a que
melhor pode ser aproveitada pelas bibliotecas universitárias, “por sua popularidade entre
usuários e suas características”.
Essa nova interface que propicia o dialogo inovador, que amplia a capacidade de
compartilhamento e interlocuções, que provoca uma atitude autônoma, criativa e criadora por
meio do uso da inteligência coletiva, ganha cada vez mais adeptos, pois permite cada vez mais

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o engajamento e participação de usuários da Internet.
A inicativa visava também a ampliação do número de perguntas direcionadas ao
sistema, abrindo espaço para o Serviço de Referência Virtual, funcionando ainda que
informalmente via Facebook e e­mail, mobilizando uma equipe de bibliotecários dispostos a
dialogar com os usuários, não só fornecendo respostas pontuais, mas na perspectiva de
ampliar a sua visão do potencial dos recursos disponibilizados pela biblioteca para favorecer a
construção do seu conhecimento acadêmico.
Ao fazer levantamento das métricas no ​Facebook Insight observou­se o impacto e
repercussão de todas os 37 banners publicados dentro do ​Facebook​, conforme ilustrado no
Quadro 1 abaixo:
Quadro 1 – Levantamento das métricas das 37 publicações no ​Facebook Insight
Pessoas Alcançadas

90.868

Curtidas

845

Compartilhamentos

643

Comentários

50

O levantamento das métricas mostrou resultados satisfatórios, a grande visibilidade
das postagens validou a ideia inicial quando apostamos na popularização das redes sociais
para divulgação dos banners produzidos pelo Sistema de Bibliotecas.
Os comentários deixados nas postagens registram de forma espontânea a satisfação do
usuário em relação ao novo serviço, um deles afirmou: "Show de bola esse novo layout".
Satisfação essa compartilhada para outros colegas, por meio das inúmeras marcações feitas
nas postagens que levou a outros usuários também tomarem conhecimento do assunto
abordado em cada banner.
Observou­se ainda que o banner que apresentou maior engajamento, curiosamente,
abordou um assunto que a princípio parecia de conhecimento de todos, ou seja, que as
bibliotecas do sistema estão disponíveis para consulta local para o público em geral, conforme
ilustrado anteriormente na Figura 3, resultando em 70.401 pessoas alcançadas, 435 curtidas,
525 compartilhamentos e 34 comentários. Esse assunto entrou em pauta em virtude de uma
série de telefonemas recebidos pelo sistema. Dentre os comentários manifestados podemos
citar: "Tô pra ir todo dia"; "Ai que tudo! Todos merecem mesmo!" ; "Eu pelo menos não
sabia que podia" ; "Muito massa" ; "Quando é mesmo que vamos? Agora?" ; "Vou quase me
sentir uma estudante lá”. Além do feedback na rede social, podemos citar um e­mail recebido
de uma docente da UFC: “​ Parabéns aos colegas, por mais essa ação. Sucessos mais”.
É tudo muito significativo. O alto número de pessoas alcançadas com a ação, a
quantidade de curtidas, o elevado número de compartilhamentos, os comentários registrados
pelos usuários na​ Fan Page​.

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5 Considerações parciais/finais
Na ação “Você Sabia?” utiliza­se a imagem como meio de facilitar o entendimento da
mensagem, buscando provocar o interesse do público beneficiário e atrair novos públicos. O
conteúdo textual da comunicação, elaborado na forma interrogativa, reforça a intenção de
estabelecer uma ligação com os usuários, de forma a instigá­los à análise e reflexão sobre os
benefícios do uso da informação veiculada, e ao mesmo tempo, abrindo espaço para a
manifestação de suas opiniões. Ampliam­se assim as possibilidades do usuário esclarecer
dúvidas e ampliar suas informações sobre os serviços e produtos oferecidos pela biblioteca
utilizadno as mídias que estão presentes de forma marcante no seu cotidiano, como é oc aso
do Facebook.
O principal motivador da inserção deste novo serviço ao usuário foi a constatação de
que era necessário encontrar um mecanismo dinâmico e eficiente de informar e suscitar no
usuário o interesse e uso dos produtos e serviços da biblioteca e o quanto estes poderiam
agregar valor a sua vida acadêmica e consequentemente seu ensino e sua aprendizagem,
resultando em bom desempenho e produção acadêmica satisfatória. Os resultados da pesquisa
demonstram claramente que agora o usuário foi encontrado pela biblioteca e ele está alinhado
com o potencial informacional (serviços e produtos) que a biblioteca oferece, notadamente
potencializando a sua vida acadêmica e levando­o a um uso exitoso das possibilidades
informacionais ao seu alcance.
Assim, consideram­se profícuos e animadores os resultados obtidos com a inserção no
cotidiano da biblioteca de uma ação comunicativa com apelo visual que visa a instruir e
alertar sobre os produtos e serviços disponibilizados pela biblioteca, mas ao mesmo tempo
provocar reações, e que consegue impactar um grande número de pessoas por meio das mídias
digitais, fortalecendo a imagem e os elos da biblioteca com a comunidade acadêmica. O bom
resultado se reflete nas interações e compartilhamentos que demonstram o interesse gerado
pelos conteúdos publicados e avaliados pelos usuários, que realimentam o processo com
novas informações e demandas baseadas em suas questões e interesses.
Quanto à atuação do bibliotecário, aos papéis já tradicionais de intermediário e
mediador da informação, como sabemos, está sendo exigida a incorporação de novas posturas,
o que significa assumir responsabilidades mais complexas, em função das transformações na
sociedade dinâmica na qual estamos inseridos. Assim, novas competências são requeridas,
tais como a gestão comunicacional, cujo exercício buscou­se exercitar com a concepção e
implementação do “Você Sabia?”.

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6 Referências
AGUIAR, Giseli Adornato de. ​Uso das ferramentas de redes sociais em bibliotecas
universitárias: um estudo exploratório na UNESP, UNICAMP e USP. ​2012. 184f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola de Comunicações e Artes da
Universidade de São
Paulo.
São Paulo: USP, 2012. Disponível em:
&lt;http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde­03122012­160409/pt­br.php&gt;
.
Acesso em: 19 abr. 2016.
BELLUZZO, Regina Célia Baptista. Formação contínua de professores do ensino
fundamental sob a ótica do desenvolvimento da information literacy, competência
indispensável ao acesso à informação e geração do conhecimento. ​Transinformação,
Campinas, v. 16, n. 1, p. 17­32,
abr.
2004. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103­37862004000100002&amp;lng=e
n&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
MUNARI, Bruno. ​Design e Comunicação visual.​ São Paulo: Martins Fontes, 1997.
SARTORI, Ademilde S.; SOARES, Maria S. P. Concepção dialógica e as NTICs: a
educomunicação e os sistemas educomunicativos. ​In: ​COLOQUIO INTERNACIONAL
​5.,
​2005​,
Recife.
Disponível
em:
PAULO
FREIRE,
http://www.usp.br/nce/wcp/arq/textos/86.pdf​. Acesso em: 05 jul. 2016.
SOARES, Ismar de Oliveira. Gestão comunicativa e educação: caminhos da educomunicação.
Comunicação &amp; Educação, Brasil, n. 23, p. 16­25, abr. 2002. ISSN 0104­6829. Disponível
em: &lt;http://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/37012/39734&gt;. Acesso em: 18 abr.
2016.
VALENTIN, Marta. Comunicação visual em bibliotecas. Marília: Unesp, c2014. Disponível
em: &lt;http://docplayer.com.br/11738480­Comunicacao­visual­em­bibliotecas.html&gt;. Acesso
em: 15 mar. 2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Apresenta os resultados alcançados com a ação de comunicação visual adotada pela Biblioteca Universitária da Universidade Federal do Ceará denominada “Você Sabia?”, no período de abril de 2015 a abril de 2016. O novo serviço de disseminação da informação utiliza as mídias eletrônicas para destacar os produtos, serviços e conteúdos informacionais disponibilizados pela biblioteca para a construção do conhecimento pela comunidade acadêmica, focalizando-se nesse estudo a veiculação de posts no Facebook. Destaca a imagem como meio de facilitar o entendimento da mensagem, aliado a um conteúdo textual da comunicação elaborado na forma interrogativa para reforçar a intenção de estabelecer ou fortalecer as ligações com os usuários, na perspectiva da Educomunicação. O levantamento das métricas da rede social utilizada mostrou resultados satisfatórios, dada a grande visibilidade das postagens, que validou a ideia inicial do potencial redes sociais, cujo alcance é cada vez mais amplo, para divulgação dos banners digitais produzidos pelo Sistema de Bibliotecas e para intensificar a interação com os usuários.</text>
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                    <text>“PROJETO TEXTOS COMPLETOS EM HANSENÍASE”: RELATO DE
EXPERIÊNCIA DO PROCESSO DE DIGITALIZAÇÃO E PUBLICAÇÃO
ONLINE DA REVISTA LEPROSY REVIEW DE 1928-2001

Andrea Cristina Bogado (ILSL) - ac_bogado@yahoo.com.br
Juliana Lourenço Sousa (BIREME/OPAS/OMS) - sousajul@paho.org
Marcos Virmond (ILSL) - mvirmond@ilsl.br
Alessandra Carriel Vieira (ILSL) - alecarriel@hotmail.com
Resumo:
Trata-se de um relato de experiência cujo objetivo é compartilhar o processo da execução da
digitalização e disponibilização em meio eletrônico da Revista Leprosy Review, ação que faz
parte do Projeto Textos Completos em Hanseníase, e divulgar este trabalho na comunidade
cientifica, a fim de dar visibilidade aos estudos sobre hanseníase em âmbito nacional e
internacional. Constitui-se de um relato baseado na observação dos profissionais envolvidos na
execução do projeto. Os resultados parciais evidenciam que os principais objetivos do projeto
foram alcançados, pois a revista já está operando em meio eletrônico em caráter de acesso
aberto, mesmo com a fase de indexação não finalizada, e até o momento todas as etapas foram
concluídas dentro dos critérios estabelecidos inicialmente no projeto.
Palavras-chave: Relato de experiência 1. Digitalização 2. Periódico científico 3. Biblioteca
Virtual em Saúde Hanseníase 4. Acesso aberto 5
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Acervos raros e especiais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O projeto de Textos Completos em Hanseníase, desenvolvido em parceria entre o
Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e
Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/
OPAS/ OMS) tem como objetivo publicar e oferecer acesso aberto à parte da coleção
científica sobre hanseníase que compõe o acervo da Biblioteca e Centro de Documentação
Luiza Keffer – ILSL, criando um repositório da memória científica em hanseníase com vistas
de promover o aumento da visibilidade, acessibilidade e uso da informação no Brasil e no
exterior, através de uma coleção de títulos representativos do tema. (BIREME, 2007)
O Projeto teve início no ano de 2008 com o objetivo fortalecer a Biblioteca Virtual em
Saúde Hanseníase (BVS Hanseníase) como forma de acesso equitativo, on-line e integral a
documentos sobre hanseníase, de forma a contribuir para sua disseminação e preservação de
documentos. (BIREME, 2010). Ao todo foram digitalizadas as seguintes coleções:
Hansenologia Internationalis (1976-2004); Livros, Monografias e Manuais do ILSL; Teses e
Dissertações; Revista de Leprologia de São Paulo (1933-1935); Revista Brasileira de
Leprologia (1933-1970), Revista International Journal of Leprosy (1978-2002) e Revista
Leprosy Review (1928-2001).
O presente relato de experiência pretende descrever o trabalho de digitalização e
disponibilização em meio digital da coleção impressa de 1928 a 2001 da revista Leprosy
Review, último periódico processado no projeto. A revista Leprosy Review é uma revista
acadêmica inglesa de grande impacto na área e de grande valor histórico nas esferas
institucionais e sociais, que publica artigos originais sobre todos os aspectos da hanseníase,
incluindo pesquisas sobre investigação dos aspectos médicos, físicos e sociais da doença e
informações relevantes para o controle da hanseníase (LEPRA, c2016). Passou a ser
publicada on-line a partir do ano de 2002 na pagina da revista1, dessa forma tornou-se
possível acessar parcialmente a coleção. Através da iniciativa do Projeto Textos Completos
em Hanseníase foi possível resgatar toda a memória da revista, deixando-a disponível online
integralmente.
Este relato tem como objetivos principais compartilhar a experiência do processo de
digitalização e disponibilização da Revista Leprosy Review e divulgar o Projeto Textos
Completos em Hanseníase na comunidade científica, a fim de dar visibilidade aos estudos
sobre a doença em âmbito nacional e internacional, tendo como objetivos específicos
apresentar o processo de digitalização e disponibilização em meio eletrônico da revista
Leprosy Review e detalhar os critérios, políticas e procedimentos definidos para a formação e
o desenvolvimento da coleção de obras digitalizadas.
Segundo o Ministério da Saúde, “no Brasil, apesar da redução drástica no número de
casos, de 19 para 4,68 doentes em cada 10.000 habitantes, no período compreendido entre
1985 a 2000 a hanseníase ainda se constitui em um problema de saúde pública” (BRASIL,
2002, p.9). Dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) ilustram que a
região das Américas é a segunda no mundo a mais notificar novos casos de hanseníase,
ficando atrás somente da Ásia, como exemplifica Tabela 1 no ranking mundial por regiões da
OMS.

1

https://www.lepra.org.uk/leprosy-review

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Tabela 1 - Tendências na detecção de casos novos de hanseníase, por região da OMS, 2005-2014

Fonte: WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2015. (tradução nossa)

Analisando os números do boletim da OMS publicado em 2015, é possível observar
que os dados da região das Américas foram fortemente influenciados pelo número de casos
notificados pelo Brasil, 31.064 novos casos em 2014. Dos 33.789 novos casos das Américas
92% são casos notificados no Brasil.
Dessa forma é de grande relevância a divulgação de ferramentas de pesquisa de acesso
aberto e gratuito em meio digital e de conteúdos científicos que contribuam para estudos
sobre a doença que levem o país a diminuir a incidência de novos casos e posteriormente à
erradicação da hanseníase. Da mesma maneira, é fundamental que a experiência obtida
através da realização do Projeto Textos Completos em Hanseníase seja compartilhada, para
que profissionais de áreas afins conheçam como se deu o processo de trabalho e as
dificuldades enfrentadas e possam através dessa experiência aplicar o conhecimento obtido no
seu cotidiano.

2 Revisão de literatura
Segundo Appolinário (2006, p.12), “o tema de uma pesquisa é o assunto geral que
desejamos investigar [...]. Trata-se de uma definição ampla, que servirá de ponto de partida
para todo esforço subsequente do pesquisador” (APPOLINÁRIO, 2006). Assim, o tema do
presente trabalho é delimitado a partir das definições sobre digitalização de acervos e
bibliotecas digitais, em especial à Biblioteca Virtual em Saúde.
Greenhagh (2011) cita a importância do processo de digitalização no atual contexto
das evoluções tecnológicas, sendo ela uma alternativa para preservar e facilitar o acesso à
informação, promovendo a difusão do conhecimento. A digitalização garante acesso ao
conteúdo informacional sem a necessidade de manusear o original, fator importante
principalmente quando se trata de acervos com exemplares únicos ou de difícil acesso na área,
e também de documentos com alto valor histórico e cultural.
Da mesma maneira, conforme cita Nardino e Caregnato (2005, p. 383), o documento
eletrônico deve ser considerado como “um novo suporte para o registro de informações, que
surge não para substituir o livro impresso, mas para complementa-lo em suas limitações”.
Portanto, é imprescindível que o documento original permaneça armazenado em local
apropriado para sua preservação física, como também para que seja uma fonte de validação
das informações dispostas em ambiente digital.
Os autores citam ainda que com o processo de digitalização o documento ganha novas
formas de acesso e com sua disponibilização em bibliotecas digitais podem se lançar no
espaço virtual, assim, a publicação em uma biblioteca digital possibilita buscar obras do
passado, oferecendo a elas maiores perspectivas de uso no futuro.
Arms (2001) define biblioteca digital como uma coleção de informações gerenciada,
organizadas sistematicamente, onde os dados são armazenados em formatos digitais e

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acessíveis por meio de redes de computadores. Assim, acompanhando as mudanças
tecnológicas das últimas décadas, a BIREME como medida estratégica evoluiu investindo na
construção e desenvolvimento da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) que a partir de 1998,
apresentou-se como “espaço comum de convergência do trabalho cooperativo de produtores,
intermediários e usuários de informação”. Garantindo assim, “o desenvolvimento de uma
rede de fontes de informação científica e técnica com acesso universal na internet, [...] e
possibilidade real de acesso equitativo à informação em saúde”. (BIREME, 2010, p. 11)
Dessa forma, ainda de acordo com Bireme (2010, p. 12),
a BVS organiza a informação em uma estrutura que integra e interconecta
bases de dados referenciais, diretórios de especialidades, eventos e
instituições, catálogo de recursos de informação disponíveis na internet,
coleções de textos completos, com destaque para a coleção SciELO
(Scientific Electronic Library Online) de revistas científicas, serviços de
disseminação seletiva de informação, fontes de informação de apoio à
educação e a tomada de decisão, notícias, listas de discussão e apoio a
comunidades virtuais.

No ano de 2007, da parceria entre a BIREME e do Instituto Lauro de Souza Lima, foi
criada a Biblioteca Virtual em Saúde Hanseníase, cujo objetivo é oferecer acesso à fontes de
informação científica e técnica sobre hanseníase. (BIREME, 2010).
A base para formação inicial da BVS hanseníase e do projeto Textos Completos em
Hanseníase foi o acervo documental da Biblioteca e Centro de Documentação Luiza Keffer do
ILSL. O acervo é considerado singular, pois registrou ao longo dos últimos 70 anos
experiências de um país com diferentes políticas de controle e intervenções terapêuticas
utilizadas no combate à hanseníase. (BIREME, 2010).
Partindo do contexto de gestão e informação, o Projeto Textos Completos em
Hanseníase foi considerado como marco precursor ao avanço e sucesso da BVS Hanseníase,
pois possibilitou maior acessibilidade às produções científicas do ILSL, bem como de
pesquisadores renomados na área por meio da disponibilização dos documentos, fazendo com
que a BVS Hanseníase seja uma importante ferramenta de informação e conhecimento para
subsidiar processos de decisão em saúde na área. (BIREME, 2010).

3 Materiais e métodos
O desenvolvimento do processo de digitalização e disponibilização em meio digital da
revista Leprosy Review, ocorreu na biblioteca do ILSL e nas dependências das empresas
contratadas, teve início no ano de 2014 e ainda encontra-se em fase de finalização.
A execução do projeto compreendeu as seguintes etapas: realização de inventário do
acervo, obtenção de cessão dos direitos autorais, digitalização, processamento técnico,
preservação dos arquivos digitalizados, preservação dos materiais impressos, disponibilização
em meio eletrônico, indexação dos artigos em bases de dados e divulgação.
Este relato de experiência é baseado nas observações dos profissionais do ILSL e
BIREME envolvidos na execução do projeto, dessa forma segue a descrição das etapas
realizadas:
 Inventário do acervo da revista: etapa de responsabilidade do ILSL. Foram localizados
281 fascículos, contendo 21.108 páginas, publicadas entre 1928-2001. Algumas
páginas possuíam manchas amareladas causadas pela idade do documento, e
constatou-se a ausência de sete fascículos. Através de pesquisa bibliográfica e contato
com o editor da revista, foi determinado que o ILSL não possuía somente um fascículo
dos sete não localizados, o restante eram números que não haviam sido publicados. O
fascículo que faltava foi enviado pelo editor para completar a coleção do instituto.
 Cessão de direitos autorais: etapa de responsabilidade do ILSL. Foi realizado contato

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

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

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junto ao editor da revista para obtenção da cessão para direitos de publicação na
Internet na modalidade acesso aberto, de acordo com a lei nº 9.610, de 19 de fevereiro
de 1998 que estabelece critérios sobre direitos autorais.
Digitalização: através de processo licitatório, foi contratada empresa especializada. Os
critérios para definição das características da empresa que realizariam o serviço e dos
equipamentos que seriam adquiridos foi executado com a cooperação da BIREME.
As digitalizações foram realizadas, exclusivamente, no scanner Zeutschel, modelo
Omniscan 12000, equipamento de alta resolução de propriedade do ILSL, essa etapa
teve duração de três meses. Por segurança das obras, todo o trabalho foi realizado nas
dependências da biblioteca por um profissional designado pela empresa contratada.
Parte do acervo se encontrava encadernado para fins de preservação, dessa forma,
antes de ser encaminhado para o laboratório de digitalização, foi necessário que o
material fosse encaminhado ao Setor de Encadernação do Instituto para
desencadernação, e ao final do processo, reencaminhado para nova encadernação.
Processamento técnico: a empresa contratada realizou tratamento das imagens, para
retirada de manchas das páginas e efetuou o processamento de OCR no texto
(Reconhecimento Óptico de Caracteres), para posterior conversão dos documentos em
formato PDF pesquisável (Formato Portátil de Documento). Também, foi atribuído
DOI (Digital Object Identifier) aos artigos.
Preservação dos arquivos digitalizados: após a digitalização do acervo indicado foram
gerados 57GB de imagens em formato JPEG com resolução 600x600 BPI e 9 GB de
arquivos PDF, ambos disponibilizados no servidor de dados do Instituto. Para maior
segurança desses arquivos foi realizado copia de backup em HD externo. Todos os
arquivos gerados receberam nomenclatura de acordo com a Metodologia SciELO, a
fim de evitar a utilização de caracteres inválidos e posterior perda dos arquivos. Os
artigos foram nomeados de acordo com seu volume, número e sequencia em que
aparecem na revista (volume 29, número 1, artigo número 1 = v29n1a01.pdf).
Preservação do material impresso: todos os fascículos impressos da revista foram
encaminhados para a Seção de Acervo Retrospectivo da Biblioteca, onde foram
armazenados em acesso restrito, com iluminação adequada e com controle de umidade
par fim de preservação do material.
Disponibilização em meio eletrônico: através de processo licitatório, foi contratada
empresa especializada em desenvolvimento de página na Internet, para criação da
página de repositório dos artigos. Essa etapa teve a duração de seis meses. Foi
desenvolvida a página de Internet que constitui o repositório dos artigos digitalizados,
tem caráter de acesso aberto aos documentos e ferramenta de busca, que visa facilitar a
recuperação de documentos no momento da pesquisa. Utiliza como fontes de busca os
campos: título, autor, volume e ano de publicação. Permite também a utilização de
operadores booleanos. A página foi desenvolvida em língua inglesa para ampliação do
acesso.
Indexação: etapa de responsabilidade do ILSL. Com duração prevista de 12 meses,
deve ser iniciada no próximo semestre, e compreenderá a indexação dos artigos na
BVS Hanseníase, será realizada por bibliotecários do Instituto utilizando a
metodologia Lilacs, que foram previamente treinados pela BIREME.
Divulgação: de responsabilidade conjunta entre o ILSL e a BIREME. Encontra-se em
andamento, pois o portal de repositório já está ativo, sendo possível o acesso online e
gratuito aos artigos.

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4 Resultados parciais/finais
Os resultados parciais evidenciam que os principais objetivos do projeto foram
alcançados. Todo o acervo da revista Leprosy Review encontra-se digitalizado atendendo os
critérios de qualidade previamente definidos e operando em meio eletrônico com acesso
aberto, através do endereço http://leprev.ilsl.br/.
Figura 1 – Homepage da Leprosy Review

Fonte: Leprosy Review, 2016.

Desde a disponibilização da página de Internet em março de 2016 já foram
contabilizados cerca de 4.000 acessos, conforme exemplificado na figura 2.
Figura 2- Total de acessos ao site da Leprosy Review em março e abril de 2016

Fonte: StatCounter – Leprosy Review, 2016.

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De acordo com o Quadro 1 é possível visualizar que a maior parte das etapas do
projeto já foram concluídas em tempo hábil de forma satisfatória. Para finalização restam
somente as etapas de indexação dos documentos na BVS Hanseníase, que já conta com
pessoal qualificado e prazo de execução estipulado, e a etapa de divulgação, que teve inicio a
partir da publicação do repositório digital da revista e não possui estimativa de término, pois
será de ação continua.
Quadro 1 – Etapas do projeto

Etapa
Realização de inventário do
acervo
Obtenção de cessão dos
direitos autorais
Digitalização
Processamento técnico
Preservação dos arquivos
digitalizados
Disponibilização em meio
eletrônico
Indexação dos artigos em
bases de dados
Divulgação

Responsabilidade

Período de realização Status

ILSL

out. 2013 a jan. 2014

Concluída

ILSL e BIREME

fev. 2014

Concluída

ILSL e BIREME

mar. 2014 a maio
2014
jun. 2014 a jun. 2015

ILSL

jul. 2015

ILSL

ago. 2015 a mar. 2016 Concluída

ILSL e BIREME

jun. 2016 a jun. 2017

ILSL e BIREME

inicio em mar. 2016

ILSL e BIREME

Concluída
Concluída
Concluída

Em
andamento
Em
andamento

Fonte: elaborado pelo autor.

5 Considerações parciais/finais
A digitalização e disponibilização em meio eletrônico de uma coleção das proporções
da Revista Leprosy Review é um processo longo, trabalhoso, de alto investimento e que
necessita do forte envolvimento da equipe de trabalho para sua realização e conclusão de
forma satisfatória. No caso do Projeto Textos Completos em Hanseníase a parceria com a
BIREME, instituição com expertise na área de informação em saúde, foi um diferencial para o
sucesso do projeto.
Durante a execução do processo de digitalização o fato de parte do acervo da revista
estar encadernado tornou essa etapa mais lenta, pois era necessário encaminhar o volume para
desencadernar e a partir desse momento manuseá-lo de forma muito cuidadosa, uma vez que
com as páginas soltas a possibilidade de mistura-las ou perde-las era grande. Dessa forma,
após a digitalização foi necessário que um profissional conferisse as páginas uma a uma para
tornar a encaderna-las.
Outra dificuldade encontrada ocorreu com a contratação da empresa responsável pelo
desenvolvimento da página de repositório dos arquivos digitalizados. A empresa vencedora no
processo de licitação nunca havia trabalhado com periódicos científicos, dessa forma, não
conhecia sua estrutura e particularidades. Para contornar essa dificuldade foi necessário o
envolvimento direto dos bibliotecários e analista de sistemas do ILSL, conferindo as
informações publicadas e oferecendo suporte técnico direto a empresa contratada.
Para os profissionais da informação diretamente envolvidos com o projeto, foi um
momento de aprendizado teórico e prático únicos, pois possibilitou contato com excelentes

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profissionais e instituições na área de informação científica, tonando possível seu aprendizado
e crescimento profissional.
Dessa forma, se conclui que a digitalização e publicação em meio eletrônico de
coleções com o valor científico, cultural e social da Leprosy Review é de extrema importância
para a comunidade científica, pois pluraliza o acesso ao conteúdo que antes atingia um
pequeno grupo de pesquisadores e também contribui para a preservação do material original
impresso.

6 Referências
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>“Projeto textos completos em Hanseníase”: relato de experiência do processo de digitalização e publicação online da Revista Leprosy Review ed 1928 a 2001.</text>
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                <text>Bogado, Andrea Cristina; Sousa, Juliana Lourenço; Virmond, Marcos; Vieira, Alessandra Carriel</text>
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                <text>Trata-se de um relato de experiência cujo objetivo é compartilhar o processo da execução da digitalização e disponibilização em meio eletrônico da Revista Leprosy Review, ação que faz parte do Projeto Textos Completos em Hanseníase, e divulgar este trabalho na comunidade cientifica, a fim de dar visibilidade aos estudos sobre hanseníase em âmbito nacional e internacional. Constitui-se de um relato baseado na observação dos profissionais envolvidos na execução do projeto. Os resultados parciais evidenciam que os principais objetivos do projeto foram alcançados, pois a revista já está operando em meio eletrônico em caráter de acesso aberto, mesmo com a fase de indexação não finalizada, e até o momento todas as etapas foram concluídas dentro dos critérios estabelecidos inicialmente no projeto.</text>
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                    <text>¬AVALIAÇÃO DAS INCORREÇÕES DAS ENTRADAS DE NOMES
GEOGRÁFICOS COMO ASSUNTO NO CATÁLOGO DE
AUTORIDADES DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFRGS

Inês Maria de Gasperin (UFRGS) - inesmaria.degasperin@gmail.com
Edina Maria Gomes da Cunha Pureza (UFRGS) - edinadabiblio@yahoo.com.br
Elisa Alves de Oliveira (UFRGS) - eaorcg@yahoo.com.br
Renata Cristina Grun (UFRGS) - renata.grun6@gmail.com
Vanessa Inácio (UFRGS) - vanessa@bc.ufrgs.br
Ana Paula Araujo Cabral da Silva (UFRGS) - anapaula.araujocabral@gmail.com
Resumo:
Este artigo apresenta o resultado da avaliação das incorreções nas entradas de nomes
geográficos como assunto no catálogo de autoridades do SBUFRGS, em relação às regras do
documento Entradas de Nomes Geográficos como Assunto: Padrão para o Sistema de
Automação de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SABi/UFRGS). Inclui
referencial teórico sobre processo de indexação e indexação de nomes geográficos, além de
uma breve descrição do Padrão. Descreve as etapas da avaliação de 10.308 descritores, que
foram analisados para identificar incorreções. Essa análise permitiu a identificação dos tipos
de erros mais frequentes, bem como em quais categorias de nomes geográficos houve mais
incorreções. Observa-se que a maioria das incorreções encontradas tem relação direta com a
aplicação de regras específicas do Padrão. Concluiu-se que o Padrão foi eficiente na redução
das incorreções no catálogo de autoridades, no entanto, constatou-se a necessidade de
atualização do Padrão e da realização de capacitações para os indexadores.
Palavras-chave: Indexação (Biblioteconomia). Nomes geográficos.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Os nomes geográficos como assunto são pontos de acesso que, por suas características,
requerem um tratamento diferenciado em sua representação.
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os nomes geográficos como
assunto passaram a ter um campo específico a partir do ano 2000, após a implementação do
software Aleph. Com a necessidade de padronização dessas entradas e de outras demandas na
área de indexação, em 2005 foi criado o Grupo de Estudos em Indexação (GEI), composto
por bibliotecários atuantes nas bibliotecas do SBUFRGS.
O GEI, desde então, estuda e elabora padrões e políticas para uniformizar as entradas
de assuntos no catálogo de autoridades do Sistema de Automação de Bibliotecas (SABi).
Tem como objetivo principal orientar o trabalho dos bibliotecários indexadores do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SBUFRGS), otimizando a prática
de indexação e, consequentemente, qualificando a recuperação da informação pelos usuários.
O primeiro resultado das atividades do GEI foi o documento intitulado Entradas de
Nomes Geográficos como Assunto: Padrão para o Sistema de Automação de Bibliotecas da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SABi/UFRGS), denominado no SBUFRGS de
Padrão, e que se tornou ferramenta de trabalho obrigatória para os indexadores.
Após a implantação do Padrão, em 2007, o GEI analisa, periodicamente, as entradas
de nomes geográficos como assunto. Quando necessário, solicita que os indexadores realizem
as correções dessas entradas.
Apesar da obrigatoriedade do uso do Padrão e do monitoramento constante do
catálogo de autoridades, persistem incorreções em descritores de assuntos geográficos. Por
essa razão, houve a necessidade de realizar uma avaliação detalhada das incorreções
verificadas nessas entradas, a fim de identificar as suas possíveis causas. Além disso, buscouse verificar a aplicabilidade do Padrão, bem como identificar prováveis lacunas em suas
regras.
A avaliação realizada considerou a quantidade de descritores incorretos, os tipos de
erros mais frequentes, assim como em quais categorias de nomes geográficos ocorreram o
maior número de incorreções de acordo com o Padrão.
Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados obtidos com essa avaliação.

2 Revisão de literatura
Na elaboração deste referencial teórico, foi considerado relevante abordar os tópicos
relativos ao processo de indexação e à indexação de nomes geográficos. Além disso, para
esclarecer a avaliação realizada nos descritores geográficos, foi incluída uma breve
apresentação do Padrão utilizado no SBUFRGS.
2.1 Processo de indexação
O processo de indexação em bibliotecas é uma das principais etapas do tratamento da
informação, pois tem como objetivo descrever um documento através de seu conteúdo para
que ele possa ser recuperado. Uma indexação realizada de forma consistente poderá garantir
ao usuário o acesso ao documento que irá atender as suas necessidades informacionais.
Conforme Rubi e Fujita (2003, p. 67): “[...] pode-se considerar a indexação como a
parte mais importante dentro de um sistema de recuperação da informação. É a partir da
realização desse processo que os resultados da questão de busca do usuário estarão
condicionados”.
Para que a indexação seja realizada de forma eficiente, é importante que o indexador

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disponha de instrumentos que possam orientá-lo nesse processo. Segundo Sousa e Fujita
(2014, p. 32): “O processo de indexação é uma atividade complexa e as normas e políticas são
suportes, com os quais o profissional pode ter amparo na execução da tarefa, ao invés de
adotar a perspectiva do bom senso”.
O uso desses instrumentos auxiliares à indexação contribui para a consistência do
catálogo de autoridades. Sobre isso, ressalta Assumpção (2016, p. 12):
[...] a compreensão do controle de autoridade possibilita o desenvolvimento e o
aperfeiçoamento de meios para garantir a consistência e a padronização à
catalogação, e ainda o desenvolvimento de catálogos que assegurem precisão no
acesso à informação e atuem efetivamente como um meio através do qual as
informações contidas nos recursos informacionais dos acervos das bibliotecas e
demais unidades de informação possam chegar aos usuários que delas necessitam.

A indexação realizada de forma consistente e o controle do catálogo de autoridades
são fundamentais para uma eficiente recuperação da informação, através dos diversos pontos
de acesso de assunto. Dentre esses, os nomes geográficos se destacam por representarem uma
importante área do conhecimento e por possuírem características que requerem tratamento
diferenciado.
2.2 Indexação de nomes geográficos
Os nomes geográficos são nomes próprios que têm a função de identificar lugares.
Segundo Maroun e Neves (1996, p. 7):
Os nomes geográficos são uma expressão viva da interação entre o homem e o meio
ambiente. Desta forma quando um lugar ou um elemento geográfico adquire uma
significação determinada para o homem, surge a necessidade de identificá-los. Esta
identificação só gera uma informação precisa quando seguida de uma padronização.

Os nomes geográficos podem ser o assunto principal de um documento ou o
delimitador geográfico de um assunto principal. São pontos de acesso importantes, e por suas
características, necessitam de regras específicas em sua padronização. Conforme a Fundação
Getulio Vargas (1995, p. 33):
A padronização dos nomes geográficos tem sido matéria de constantes debates entre
geógrafos, cartógrafos e filólogos, em busca da uniformização internacional. Na
linguagem documental esta padronização constitui um capítulo a (sic) parte, já que
muitas vezes se afasta dos princípios e regras estabelecidas para as linguagens
controladas, a fim de melhor se adequar aos parâmetros internacionalmente aceitos.

Considerando essas peculiaridades, os nomes geográficos requerem políticas e
instrumentos específicos que padronizem suas entradas. Conforme mencionado
anteriormente, no SBUFRGS este instrumento é o Padrão, o qual será tratado no tópico
seguinte.
2.3 Padrão
Até 2007, as Normas do IBGE1 eram a única fonte utilizada pelos indexadores do
SBUFRGS para auxiliar na definição das entradas de assuntos geográficos. Porém, em muitos
1

MAROUN, Maria Célia dos Santos; NEVES, Maria de Lourdes Therezinha Pacheco. Nomes geográficos:
normas para indexação. Rio de Janeiro: IBGE, 1996.

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casos, essas normas não contemplavam todas as especificidades dos nomes geográficos
incluídos no SABi. A partir dessa constatação foi elaborado o Padrão, tendo como base a
publicação do IBGE, que foi adaptada e complementada para atender as necessidades do
SBUFRGS.
Conforme Kautzmann et al. (2009), o Padrão está dividido em quatro partes:
a) Regras Gerais: pontuação, qualificador geográfico, grafia, categoria administrativa
como parte integrante do nome de um topônimo e nomes geográficos como
adjetivos que indicam direções ou partes;
b) Nomes Geográficos com Categoria Administrativa: países, estados, províncias,
condados, distritos, municípios, vilas, bairros, regiões e áreas associadas a estes
lugares;
c) Nomes Geográficos sem Categoria Administrativa: rios, regiões de acidentes
topográficos, ilhas, áreas de folhas topográficas, bacias sedimentares, cidades
extintas, cidades da antiguidade e sítios arqueológicos;
d) Acidentes Topográficos Artificiais: portos e aeroportos, cemitérios, ginásios de
esportes, conjuntos residenciais, condomínios, palácios, pontes, viadutos,
barragens, represas, edifícios, museus, bibliotecas, monumentos, túneis, canais,
ruas, avenidas, estradas, rodovias e ferrovias e outras construções; parques, praças,
reservas, assentamentos, reservas indígenas, comunidades quilombolas entre outros
lugares.
As regras do Padrão buscam orientar o indexador na construção de entradas de assunto
de forma que cada nome geográfico seja identificado, respeitando sua unicidade. Nesse
sentido, a representação correta de nomes geográficos requer a definição da categoria do
nome geográfico, a distinção de homônimos, o uso correto de qualificadores, a identificação
do tipo de acidente geográfico, a pesquisa para identificação do nome geográfico oficial, entre
outros aspectos.
A partir de 2007, o Padrão passou a ser o instrumento que orienta a definição das
entradas de nomes geográficos como assunto no SBUFRGS. Periodicamente, os novos
descritores geográficos autorizados no catálogo são analisados pelo GEI. Logo após, aqueles
que apresentam discordância com as regras do Padrão são corrigidos.
Em 2009, algumas regras do Padrão foram revisadas e atualizadas. A modificação
mais significativa ocorreu no item “Acidentes Topográficos Artificiais”, onde, além da
revisão, foram incluídas regras específicas. Essas alterações resultaram na segunda edição do
Padrão vigente até o momento.

3 Materiais e métodos
Este estudo teve como objetivo avaliar as entradas de nomes geográficos como assunto
no catálogo de autoridades do SABi em relação às regras do Padrão.
Trata-se de um estudo avaliativo que, para uma melhor compreensão, será descrito em
três etapas.

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3.1 Primeira etapa – Emissão de lista
Na primeira etapa, foi solicitada à gerência do SABi a emissão de uma lista com todos
os descritores do campo de assunto geográfico do catálogo de autoridades, incluídos de
janeiro de 2000 até janeiro de 2016. Essa lista, contendo 10.308 descritores, foi gerada em
uma planilha Excel e ordenada alfabeticamente. Com a finalidade de otimizar o processo de
análise, essa lista de descritores foi dividida entre sete (7) integrantes do GEI.
3.2 Segunda etapa – Análise dos descritores
Nesta etapa, cada integrante do GEI analisou os descritores de sua lista, separando-os
em três planilhas: descritores corretos, descritores incorretos e dúvidas com relação à entrada
correta.
Os descritores que apresentaram incorreções foram assinalados e a entrada correta foi
indicada ao lado de cada um. Os que geraram dúvidas quanto a sua entrada foram levados
para análise e discussão entre todas as integrantes do GEI. Após, esses descritores foram
identificados como corretos ou incorretos, e transferidos para a planilha correspondente.
Ao término dessa etapa, todos os descritores foram reagrupados em duas planilhas:
descritores corretos e descritores incorretos.
Para auxiliar nessa etapa do trabalho, foram utilizadas outras fontes além do Padrão,
sendo que as principais foram a Base de Dados Geográficos Geonames 2, o Banco de Dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística3 e sítios eletrônicos de órgãos
governamentais.
3.3 Terceira etapa – Avaliação dos dados
A última etapa consistiu em avaliar e quantificar os dados obtidos a partir da análise
da planilha dos descritores geográficos incorretos. Os erros encontrados nesses descritores
foram classificados em quatro grupos: erros de ortografia, erros de digitação, representação
incorreta do nome oficial e discordância com regras específicas do Padrão.
Além disso, foi identificada em qual das divisões do Padrão há o maior número de
descritores incorretos. As divisões consideradas foram: Nomes Geográficos com Categoria
Administrativa, Nomes Geográficos sem Categoria Administrativa e Acidentes Topográficos
Artificiais.
Para verificar a eficácia da aplicabilidade do Padrão, foi realizada uma comparação
entre a porcentagem de incorreções da lista emitida em 2007, antes da implantação do Padrão,
e a porcentagem de incorreções da lista emitida em 2016.

4 Resultados finais
Foram verificadas 10.308 entradas de nomes geográficos como assunto, das quais 638
(6,18%) apresentaram algum tipo de erro. Posteriormente, as entradas incorretas foram
analisadas pelo tipo de erro, pela quantidade de erros por divisão do Padrão e em relação à
porcentagem de erros constantes na lista emitida em 2007. Os resultados dessas análises estão
descritos a seguir.

2

GEONAMES. Disponível em: &lt;http://www.geonames.org/&gt;. Acesso em: 10 fev. 2016.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Disponível em:
&lt;http://www.ibge.gov.br&gt;. Acesso em: 10 fev. 2016.
3

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A divisão Nomes Geográficos sem Categoria Administrativa apresentou a maior
quantidade de incorreções, com 39,34% dos descritores incorretos. A divisão Nomes
Geográficos com Categoria Administrativa apresentou 36,05% de descritores incorretos,
enquanto que Acidentes Topográficos Artificiais apresentou 24,61% de descritores incorretos.
Observa-se que há pouca variação com relação à quantidade de erros por divisões do
Padrão. Isso ocorre devido à quantidade de descritores, que, provavelmente, é semelhante em
cada divisão, sem a prevalência de uma ou outra.
4.3 Comparação entre as listas de descritores geográficos de 2007 e 2016
A última análise realizada foi uma comparação entre a lista emitida em 2007, antes da
implantação do Padrão, e que continha 4.300 descritores, com a lista emitida em 2016,
contendo 10.308 descritores.
O quadro a seguir demonstra essa comparação:
Quadro 1 – Comparação das listas de 2007 e 2016
Ano
2007
2016

Total de descritores
4.300
10.308

Descritores incorretos
684
638

Porcentagem
15,90%
6,18%

Fonte: Elaborado pelo autor.

Percebe-se que houve uma diminuição na porcentagem de descritores incorretos em
comparação com a lista emitida em 2007. Naquela lista havia 15,90% de descritores
incorretos, enquanto que na lista atual o percentual é de 6,18% de incorreções.
Conforme mencionado anteriormente, até 2007 as Normas do IBGE eram o único
instrumento de indexação para nomes geográficos, e não contemplavam todas as suas
especificidades. A partir de 2007 essa carência foi minimizada com a implantação do Padrão.
A redução significativa das incorreções na lista de 2016 demonstra a eficácia do Padrão como
instrumento de padronização de entradas de nomes geográficos.

5 Considerações finais
A partir da análise das entradas de nomes geográficos como assunto do catálogo de
autoridades do SABi, foi possível avaliar a aplicabilidade do Padrão na representação desses
assuntos.
Através da primeira análise, referente aos tipos de erros, pode-se observar que a
maioria das incorreções encontradas tem relação direta com a aplicação de regras específicas
do Padrão, seguida pela representação incorreta de nome oficial, erros de digitação e erros de
ortografia.
Quanto à discordância com regras específicas, determinados erros são recorrentes. Isso
se deve à falta de clareza na redação, visto que em alguns casos, apesar da existência da regra,
essa não é aplicada de forma correta. Outro motivo para esses erros pode ser a carência de
regras ou de exemplos para determinados tipos de nomes geográficos. É visível a necessidade
de atualização do Padrão, que deve ser realizada com a inclusão, exclusão ou alteração de
regras, e com o acréscimo de novos exemplos.
No tipo de erro relativo à representação incorreta do nome oficial, ficou evidente a
falta de pesquisa do indexador em fontes de referência, embora o Padrão indique diversas
fontes para consulta.

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Já os erros de digitação e ortografia encontrados nos descritores geográficos podem ter
ocorrido por desconhecimento de regras gramaticais ou por desatenção do indexador. Este
problema poderá ser minimizado através do controle de autoridades realizado com mais
frequência.
Essa primeira análise possibilitou concluir que algumas incorreções encontradas
ocorreram por lacunas do Padrão. Supõe-se que outras incorreções ocorreram por falhas de
procedimento do indexador, que não consultou o Padrão, que não aplicou corretamente as
regras, ou que não realizou pesquisa nas fontes especializadas no momento de definir uma
entrada de nome geográfico.
Na segunda análise, com relação à quantidade de erros por divisão do Padrão
constatou-se pouca variação entre as três divisões, o que demonstrou a necessidade de uma
revisão geral do Padrão e não apenas de uma divisão específica.
Finalmente, quanto à eficácia da aplicabilidade do Padrão, foi constatada uma
significativa redução nos erros dos descritores geográficos após sua implantação. Observou-se
também uma maior consistência na padronização das entradas, qualificando, assim, a
recuperação da informação.
Esta avaliação detalhada das incorreções das entradas de nomes geográficos como
assunto foi de grande relevância, pois demonstrou a iminente necessidade da elaboração da
terceira edição do Padrão, e consequentemente, a realização de capacitações para os
indexadores, que contemplem todo o seu conteúdo. Outro resultado dessa avaliação foi a
comprovação da importância da criação do Padrão como instrumento auxiliar no processo de
indexação.
Este estudo atingiu seus objetivos visto que forneceu elementos para auxiliar o GEI na
definição de políticas de indexação para o SBUFRGS.

6 Referências
ASSUMPÇÃO, Fabrício Silva; SANTOS, Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa. A
importância do controle de autoridade: uma abordagem baseada nos objetivos e nas funções
dos catálogos. In: ENCONTRO NACIONAL DE CATALOGADORES, 1., 2012, Rio de
Janeiro. Anais eletrônicos... Rio de Janeiro, 2012. Disponível em:
&lt;https://www.academia.edu/7848443/A_importância_do_controle_de_autoridade_uma_abord
agem_baseada_nos_objetivos_e_nas_funções_dos_catálogos?auto=download&gt;. Acesso em:
19 abr. 2016.
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Divisão de Tecnologia da Informação. Rede Bibliodata.
Manual de cabeçalhos de assunto: normas e procedimentos: versão 1.0. Rio de Janeiro:
FGV, 1995.
KAUTZMANN, Carolina et al. Entradas de Nomes Geográficos como Assunto: padrão
para o Sistema de Automação de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(SABi/UFRGS). 2. ed. rev. e ampl. Porto Alegre: UFRGS, 2009. 52 f.
MAROUN, Maria Célia dos Santos; NEVES, Maria de Lourdes Therezinha Pacheco. Nomes
geográficos: normas para indexação. Rio de Janeiro: IBGE, 1996. (Documentos para
disseminação. Fontes de documentação, 2).

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RUBI, Milena Polsinelli; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes. Elementos de política de
indexação em manuais de indexação em sistemas de informação especializados. Perspectivas
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SOUSA, Brisa Pozzi de; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes. Análise de assunto no processo
de indexação: um percurso entre teoria e norma. Informação &amp; Sociedade: estudos, João
Pessoa, v. 24, n. 1, p. 19-34, jan./abr. 2014.

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                <text>Este artigo apresenta o resultado da avaliação das incorreções nas entradas de nomes geográficos como assunto no catálogo de autoridades do SBUFRGS, em relação às regras do documento Entradas de Nomes Geográficos como Assunto: Padrão para o Sistema de Automação de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SABi/UFRGS). Inclui referencial teórico sobre processo de indexação e indexação de nomes geográficos, além de uma breve descrição do Padrão. Descreve as etapas da avaliação de 10.308 descritores, que foram analisados para identificar incorreções. Essa análise permitiu a identificação dos tipos de erros mais frequentes, bem como em quais categorias de nomes geográficos houve mais incorreções. Observa-se que a maioria das incorreções encontradas tem relação direta com a aplicação de regras específicas do Padrão. Concluiu-se que o Padrão foi eficiente na redução das incorreções no catálogo de autoridades, no entanto, constatou-se a necessidade de atualização do Padrão e da realização de capacitações para os indexadores.</text>
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                    <text>WEBMARKETING E O DESENVOLVIMENTO DE UMA POLÍTICA DE
REDES SOCIAIS: ESTUDO DE CASO DA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS

Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Simone Assis Medeiros (UFLA) - siamedeiros@biblioteca.ufla.br
Fernanda Vasconcelos Amaral (UFLA) - fernandaamaral@biblioteca.ufla.br
Rosiane Maria Oliveira (UFLA) - rosianemaria@biblioteca.ufla.br
Juliana Soares Nascimento (UFLA) - juliana.soares@biblioteca.ufla.br
Resumo:
Este trabalho tem como objetivo verificar como a Biblioteca Universitária (BU) da
Universidade Federal de Lavras (UFLA) utiliza das ferramentas de webmarketing, como as
redes sociais, para realizar suas ações de marketing. A metodologia adotada foi uma
abordagem qualitativa, utilizando-se de revisão bibliográfica e estudo de caso. Devido ao
grande alcance das novas formas de comunicação na web e as possibilidades de uso de
ferramentas de mídias sociais como marketing em bibliotecas, motivou-se a elaboração de uma
política de redes sociais e o desenvolvimento de ações estratégicas para popularizar os canais
(perfis) da BU nas diversas mídias sociais, tais como Facebook, Youtube, Twitter, Instagram e
Whatsapp. Pela análise realizada na BU pode-se perceber que os recursos advindos da internet
estão sendo usados em concretude pela Biblioteca, pois são perceptíveis as vantagens desse
uso, tendo como principais resultados uma maior interação com o usuário, agilidade na
comunicação, maior rapidez na divulgação e acesso as informações e maior visibilidade da BU.
Palavras-chave: Política de mídias sociais. Webmarketing. Marketing digital. Redes sociais.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Com o advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) houve várias
mudanças significativas em relação as formas de comunicação. A revolução digital com
acesso global e capacitação do usuário vem possibilitar novas estratégias para as
organizações. O ambiente comunicacional e informacional da internet vêm propiciando a
emergência de múltiplas formas de relações interpessoais e interorganizacionais permitindo
enormes ganhos em nível de prestação de serviços e da gestão das organizações. O que se
percebe no contexto atual que devido a essas transformações os profissionais e as
organizações estão se adequando para atender melhor seus clientes. Mudaram-se os processos,
as atitudes e o comportamento das pessoas e das organizações.
A diversidade das mídias e tecnologias da internet possibilitou a emergência de uma
nova forma de encarar o marketing que deve ser aproveitado pelas organizações, incluindo-se
aí as bibliotecas. Diante desse cenário, surgiu a necessidade das bibliotecas se manterem
atuantes e exigiu-se que elas se modificassem acompanhando esse processo de evolução,
buscando adotar uma nova postura no uso das informações, dos recursos tecnológicos
existentes dos processos de comunicação, buscando uma participação mais ativa com seu
público por meio das redes sociais.
Hoje, muitas bibliotecas ao redor do mundo têm adotado o conceito de rede social
como um meio de prestação de seus serviços de informação on-line para os usuários. As
vantagens oferecidas pela internet como o webmarketing e as ferramentas advindas das redes
sociais estão servindo como meio de buscar maior interação com os usuários e levar a
informação e os serviços prestados pelas bibliotecas de forma virtual.
Dessa forma, os ambientes em rede e o uso dos recursos tecnológicos tornam-se
imprescindíveis para o melhor desenvolvimento dos serviços nas bibliotecas, colocando-a
numa posição visível e relevante, alcançando a satisfação dos mesmos. Segundo Kotler (2005,
p. 19), “uma empresa tem apenas duas funções básicas: a inovação e o marketing.” Segundo
ele, qualquer empresa com um produto ou serviço deve ser capaz de pensar em novas
maneiras de diversificá-lo, modificá-lo e combiná-lo para prestar um serviço diferenciado
para o seu público.
Nesse cenário, torna-se oportuna a análise do uso das redes sociais virtuais como
ferramenta para a disseminação da informação e fator estratégico para as bibliotecas
universitárias como proposta de interação entre os usuários, a transferência e o
compartilhamento das informações, tendo como fonte de pesquisa a Biblioteca Universitária
(BU) da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Assim sendo, torna-se importante
estabelecer uma política de redes sociais para nortear como o bibliotecário utilizará tais
recursos no processo de marketing da biblioteca e ações a favor do usuário e da instituição.
Este artigo tem como objetivo verificar como a BU utiliza das ferramentas de
webmarketing por meio das redes sociais para realizar suas ações de marketing, bem como,
analisar a prática e o uso dessas ferramentas no contexto da Biblioteca, observando seus
benefícios. Dessa maneira, torna-se oportuno a contextualização do marketing no contexto
das bibliotecas e o uso das redes sociais como estratégia para melhoria na prestação dos
serviços, dando maior visibilidade à biblioteca e maior interação com os usuários.

2 MARKETING EM BIBLIOTECAS
Questões sobre marketing têm sido discutidas ao longo dos anos e isso pode ser
considerado como um processo de gestão responsável pela identificação, antecipação e
satisfação dos consumidores de forma mais eficaz e eficiente. Para sobreviver e ser bem
sucedida, a organização deve atrair recursos suficientes, convertê-los em produtos, serviços e
ideias e distribuí-los para vários públicos. Essas tarefas são normalmente realizadas numa

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

estrutura coparticipante. Dessa forma, como propõe Weingand (1999) o marketing será uma
relação de troca: um processo proporcionando benefícios mútuos para ambas as partes na
transação.
Segundo Santos (2008, p. 24) “o marketing em biblioteca pode ser entendido como
uma ação integrada e sistemática para atender mútua e satisfatoriamente às necessidades do
usuário e aos objetivos da organização na qual ela está inserida.” Ainda Cronin (1981)
esclarece que, em princípio, marketing em unidades de informação tem como objetivo a
otimização das relações entre prestadores de serviços e usuários, ajustando os recursos e
capacidades de quem presta um serviço as necessidades, expressas e não expressas, a quem
deles se utiliza. Marketing no sentido mais amplo segundo Kotler (1988) é a análise, o
planejamento, a implementação e o controle de programas projetados para propiciar trocas
voluntárias de valores com mercados-alvo, no propósito de atingir os objetivos
organizacionais.
É possível usar variadas categorias de marketing como estratégias para obtenção da
satisfação do usuário nas unidades de informação. Ao escolher as estratégias de marketing, é
importante o conhecimento do fluxo das atividades da unidade de informação para selecionar
as melhores opções que devem ser implantadas de forma a atingir o objetivo desejado. Neste
panorama, é necessário o uso eficiente das ferramentas tecnológicas, principalmente a
internet, visando consolidar os objetivos e metas propostas da unidade de informação. Na
prática, uma organização flexível e engajada com a inovação, conseguirá se manter no
mercado e com isso conseguirá melhores resultados e a satisfação do seu público alvo.

3 WEBMARKETING EM BIBLIOTECAS
As possibilidades com o uso da internet e as ferramentas usadas para a comunicação e
interação são inúmeras. Entre as ferramentas disponíveis podem-se destacar: redes sociais,
blogs, correios eletrônicos, wikis e outros. As bibliotecas, como precursoras do acesso ao
conhecimento e a informação, devem investir nessas ferramentas para promoverem seus
serviços e buscar a interação com seus usuários.
Segundo Las Casas (2006), o crescimento do marketing pela internet deu-se devido a
vários benefícios como conforto, rapidez, custos mais baixos, informações, relacionamento
mais próximo e ainda a possibilidade de coletar dados com maior detalhamento. Nesse
sentido, alguns autores citam o webmarketing, o qual está ligado diretamente a web e as novas
tecnologias e que traz grandes benefícios para as organizações, o qual também pode ser
denominado como marketing digital.
O webmarketing é definido por Peruzzo (2002) como uma nova ferramenta de
comunicação e distribuição por meio de recursos digitais, em que organizações e
consumidores buscam interatividade nos seus relacionamentos, proporcionando uma troca
rápida e dinâmica. O webmarketing veio para intensificar a comunicação e o relacionamento
entre os internautas. Essa ferramenta deve ser estudada e implantada a fim de realizar ações
de marketing na biblioteca, visando maior acesso, visibilidade e sucesso no alcance dos seus
objetivos e metas institucionais.
No entanto, a não utilização do marketing pelas bibliotecas nesse contexto de
tecnologias pode tornar as bibliotecas invisíveis do ponto de vista da sociedade em geral.
Conforme salienta Melgarejo (2007) a não utilização eficaz do marketing, seja por
desconhecimento, ou por incompreensão, diminui a sua aceitação perante a comunidade,
promover uma imagem dinâmica e positiva da biblioteca é uma maneira de garantir o seu
fortalecimento e o seu crescimento.
Para dar visibilidade à biblioteca perante o seu público-alvo é determinante que utilize
estratégias de marketing digital, as quais são apontadas por Kendzerski (2009), posicionar o

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site de forma eficiente nos mecanismos de busca; Criar ações de relacionamento com seu
público-alvo; Desenvolver campanhas de comunicação digital; Transformar a empresa numa
marca “forte” no ambiente Web; Ampliar os negócios da empresa.
Nesse sentido, iniciativas de marketing possibilitam a divulgação das atividades e
serviços de promoção ou divulgação de recursos de informação ou eventos, que são
incorporadas ao site da biblioteca, promovendo uma forma de comunicação mais aberta entre
a biblioteca e seus usuários.

4 REDES SOCIAIS
Para Silva (2007, p. 2), “a sociedade de informação é aquela onde se faz uso das
tecnologias de informação e comunicação (TIC) para fazer a troca de informação digital entre
indivíduos e assegurar a comunicação entre estes.” As práticas sociais e culturais sofreram
mudanças em decorrência desse processo, fazendo surgir, novas exigências e desafios para a
sociedade. Com as ferramentas tecnológicas, promovidas pelo advento da internet, surge em
nossa sociedade novas formas de comunicação e interação, vínculos que não se delimitam as
fronteiras geográficas e culturais, entre elas, merecem destaque o estudo de redes sociais
virtuais. Essas tecnologias se tornaram aliadas na capacidade de delinear novas perspectivas
na prestação de serviços e a comunicação com os usuários.
Dentro dessa perspectiva, as organizações tiveram que se adaptar e se inserir nesse
meio digital para atrair novos usuários e reter os existentes. A web se tornou o primeiro local
onde as pessoas buscam informações. Cada vez mais relacionamentos humanos são criados
através da web por meio de sites de redes sociais virtuais.
As redes sociais aparecem como uma rede de relacionamento, que conectam pessoas
com interesses ou características comuns, o número de conectados cresce a cada dia e vem se
tornando um hábito comum entre os internautas. Segundo Meijer (2012), o Brasil continua a
ser o líder no uso de quase todas as formas de redes sociais, não apenas na América Latina,
mas no mundo e o potencial de divulgação nestas mídias no país é muito grande.
Esta forma de relacionamento humano através de redes sociais tem se posicionado
como um dos meios de comunicação on-line mais popular na internet, atingindo um número
superior a 200 milhões de usuários que a utilizam como forma primária de comunicação
(LORENZO-ROMERO; GÓMEZ-BORJA; ALARCÓN-DEL-AMO, 2011). Inseridas nesse
contexto, as bibliotecas estão buscando cada dia mais as oportunidades oferecidas pelas redes
para estreitar os laços de comunicação e interação com seus usuários. As redes sociais estão
se tornando aliadas da biblioteca para que essa consiga uma ampla divulgação dos seus
serviços, permitindo uma interação prévia com os usuários, possibilitando agilidade e rapidez
nos seus serviços.
De acordo com estudo realizado por Vargas (2011) entre os principais benefícios
relatados pelas bibliotecas pesquisadas quanto ao uso das redes sociais estão:
a)
b)
c)
d)

maior visibilidade da biblioteca para o público;
maior e mais rápida comunicação com o público;
aumento da participação do público nas atividades da biblioteca;
aumento da frequência dos usuários na biblioteca e à formação de novos públicos.

Dessa forma, as mídias sociais estão mudando a forma como as organizações
trabalham usando essas mídias como um canal de informação, ou seja, novas formas de
divulgar informações, melhoria na prestação de serviços e facilidade no acesso a informação.
Esta comunicação se dá de maneira rápida e direcionada para seu público específico.
Atualmente, as redes sociais na web são uma das melhores fontes utilizadas para conhecer o
que os usuários pensam e acham sobre determinada instituição e seus serviços. Por meio de

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conversas em mídias sociais, as bibliotecas podem obter insights sobre o que os usuários
querem e precisam e, finalmente, compreender melhor seus usuários (FERNANDEZ VILLAVICENCIO, 2009; BURKHARDT, 2010).
Ainda segundo Fernandez-Villavicencio (2009) no campo das redes sociais, ele cita o
Facebook e como uma das ferramentas mais importantes para as bibliotecas. Segundo ele, o
Facebook é o mais utilizado por bibliotecas como um meio de promoção e comunicação com
seus usuários. Por meio dessa ferramenta, é possível ter um feedback dos usuários, pois
através de comentários, os bibliotecários podem conhecer pontos importantes de vista dos
usuários para melhorar ou criar novos serviços.

5 METODOLOGIA
Devido ao grande enfoque e as novas formas de comunicação na web e as
possibilidades de uso dessas ferramentas como marketing em bibliotecas, motivou-se a
elaboração deste trabalho. Este estudo foi desenvolvido na Biblioteca Universitária da UFLA.
A Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Lavras (BU/UFLA) vem se
consolidando, ao longo dos anos, como referência imprescindível para as atividades de
ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas no âmbito da UFLA. Além disso, por se tratar de
um organismo pertencente a uma instituição pública, a biblioteca presta serviços para
segmentos variados da população de Lavras e região, sobretudo aqueles vinculados ao sistema
educacional (OLIVEIRA; OLIVEIRA; AMARAL, 2014).
Como técnica de pesquisa adotou-se uma abordagem qualitativa, utilizando-se de
revisão bibliográfica e o método é o estudo de caso. Para a coleta de dados foi adotada a
análise documental.
Quanto aos meios de investigação, utilizou-se a técnica de estudo de caso por permitir
um conhecimento mais detalhado sobre o fenômeno e o contexto delimitado. Yin (2015)
afirma que o estudo de caso representa uma investigação empírica e compreende um método
abrangente, com a lógica do planejamento, da coleta e da análise de dados. Segundo, ainda,
este autor, o estudo de caso único pode ser classificado como crítico e revelador.

6 PERFIL DAS REDES SOCIAIS DA BU/UFLA
As redes sociais estão mudando a forma como as organizações trabalham, usando
conexões autênticas e de confiança como estratégia competitiva, ou seja, para divulgar
informações, melhorar a prestação de serviços/produtos e facilitar o acesso a informação
(HUNT, 2010). Nesse contexto, em 2010, iniciou-se a participação da BU nas mídias sociais
consideradas mais populares e com maior índice de participação de seus usuários, criando os
seguintes perfis (fanpages):
Facebook1: em 25 de outubro de 2010 foi criado o perfil da BU. Devido ao grande número de
pedidos de amizade, em janeiro de 2012, todos os amigos do perfil foram migrados para uma
fanpage. Hoje, possui 6.348 curtidas/seguidores, sendo 56% do sexo feminino e 44% do
masculino. A média semanal de alcance das publicações é de 64,2% dos seguidores, um valor
considerável de visualização dos posts da biblioteca. A atualização da fanpage acontece
semanalmente, com média de 3 posts por semana.
Twitter2: em janeiro de 2010 foi criado o perfil da BU. Atualmente, possui 348 seguidores,
segue 124 perfis de outras bibliotecas, instituições de ensino e outras fontes de informação no
1
2

Dados de 25/01/2016. Mais informações: www.facebook.com/biblioteca.ufla.br
Dados de 25/01/2016. Mais informações https://twitter.com/BibliotecaUFLA

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Twitter e já postou 558 tweets.
No início de sua criação, o Twitter da BU foi muito utilizado para divulgar as novas teses e
dissertações da UFLA inseridas na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), que
foi substituida pelo Repositório Institucional (RIUFLA) em fevereiro de 2012. Os outros
“tweets” foram sobre assuntos relacionados principalmente sobre a UFLA e replicas das
publicações dos outros perfis da BU em outras mídias sociais.
YouTube3: em julho de 2011 foi criado o canal da BU. Atualmente, o canal possui 13 vídeos
publicados, com alcance de 1.399 visualizações no total e 7 inscritos. O seu objetivo é
divulgar os vídeos instrucionais dos serviços prestados pela BU, tais como autoempréstimo,
reserva, renovação, emissão de GRU, elaboração de ficha catalográfica, entre outros.
WhatsApp: em 29 de maio de 2015 foi criado o grupo da BU no aplicativo WhatsApp com a
participação dos servidores da Biblioteca Universitária. O objetivo desse grupo é a troca de
informação e comunicação entre os servidores da ativa. Nessa mídia, os participantes têm a
oportunidade de comentar sobre assuntos profissionais e de interesse particular. A
participação no grupo é opcional, por isso nem todos os servidores da BU fazem parte do
grupo, então, toda informação de interesse profissional também é veiculada em uma lista de
discussão via e-mail institucional.
Além dos perfis nas mídias sociais citadas, ainda estão serão estudadas as
possibilidades de criação de perfil no Flickers, mídia de hospedagem e partilha de imagens
fotográficas; e no Instagram, rede social de imagens, que possibilita tirar fotos com o celular,
aplicar efeitos e compartilhar com seus amigos ou seguidores.
7 POLÍTICA DE MÍDIAS SOCIAIS DA BU/UFLA E AÇÕES ESTRATÉGIAS
As mídias sociais surgiram voltadas para o público em geral, com o objetivo de
conectar pessoas de diferentes lugares e compartilhar informações de forma pública. Por isso,
a princípio, sua utilização era informal e espontânea. Contudo, atualmente, essas ferramentas
são utilizadas profissionalmente por várias empresas e instituições, tanto privadas como
públicas, e devem ser analisadas com a mesma seriedade que os meios tradicionais de
comunicação, como o jornal impresso ou a mídia televisiva, por exemplos. Qualquer
irregularidade pode gerar uma crise de imagem sem precedente para a unidade, dada a rapidez
com que uma informação se dissemina no ambiente virtual. Por isso, torna-se necessárias
algumas diretrizes para uma boa comunicação através das redes sociais.
Como os princípios institucionais da BU são replicados nas mídias sociais, tornou-se
necessário a criação de uma “Política de Mídias Sociais” com a finalidade de estabelecer
como esses valores devem ser demonstrados no espaço da mídia social on-line e orientar a
participação dos servidores/colaboradores nesta área. Além disso, por se tratar de uma
ferramenta relativamente nova e de grande visibilidade, foi necessário criar algumas diretrizes
para dar consistência às informações divulgadas por esse meio, evitando potenciais crises de
imagem para a unidade. É fundamental sempre lembrar que as mesmas regras que se aplicam
as mensagens e comunicações na mídia tradicional (website oficial e e-mails) também se
aplicam no espaço das redes sociais.
Outra finalidade dessa política é fazer com que as mídias sociais da BU/UFLA alcance
todo seu potencial como uma fonte de informação rápida e utilitária para a comunidade
atendida. Para atingir essa meta, é necessário estabelecer estratégias para otimização de
mídias sociais (Social Media Optimization - SMO), de forma que a informação chegue ao
3

Dados de 28/01/2016. Mais informações: www.youtube.com/user/BibliotecadaUFLA

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maior número possível de usuários.
Para os propósitos dessa política, entende-se mídia social como as tecnologias que
possibilitam a criação e publicação de conteúdos que podem ser compartilhados e facilitam a
interação social e o diálogo com outros indivíduos. Exemplos incluem, entre outros,
Facebook, Whatsapp, Twitter, YouTube, Instagram, Flickr, LinkedIn, Google+,
Academia.edu., blogs.
Atualmente, os responsáveis pelas mídias sociais na BU são os bibliotecários da
Coordenadoria de Atendimento ao Usuário (CAU), com a colaboração dos responsáveis pela
Coordenadoria de Recursos Tecnológicos (CRT), Diretoria, Secretaria e Setor de
Comunicação e Marketing.
A BU segue uma linha editorial para elaborar e compartilhar conteúdos em suas
mídias sociais. O assunto desses conteúdos deve ter algum impacto sobre a comunidade
universitária e o foco principal é em temas relacionados diretamente com bibliotecas, leitura e
outros de interesse da comunidade acadêmica.
Quando compartilha-se conteúdo retirado de outras fontes, é dado o devido crédito
para a fonte original de informação. Na política, as páginas web que não respeitam os direitos
autorais ou promovam a “pirataria”, como por exemplo, sites não autorizados para download
de livros, não devem ser mencionados.
No tocante ao relacionamento, as interações virtuais tendem a ser mais frias e
impessoais que as presenciais, por isso o devido cuidado na escolha das palavras e
observando as regras de “etiqueta” para não haver interpretações equivocadas. O texto escrito
em caixa alta (letras maiúsculas), por exemplo, é indicativo de que a pessoa está “gritando” e
sua utilização para enfatizar palavras pode ser muitas vezes mal interpretado, soando rude ao
leitor. A orientação é que em caso de necessidade, utilizar emoticons para ajudar amenizar ou
expressar melhor uma situação.
Na medida do possível, as respostas das dúvidas dos usuários devem ser na mesma
“língua” do público atendido, ou seja, não recaia em linguajar muito técnico ou jurídico, pois
respostas desse tipo tendem a potencializar a insatisfação do usuário e de toda a comunidade
que eventualmente venha a ler o conteúdo. Em caso de necessidade, são copiadas partes de
regulamentos, normas ou regimentos da Biblioteca e da UFLA, mas utilizando trechos
pequenos e sempre explicando primeiro em linguagem simples sobre a situação, sendo o
trecho utilizado apenas como uma forma complementar e comprobatória.
As mídias sociais são ambientes para informações rápidas e pontuais, por isso é
necessário ser conciso. Se necessário, os usuários são direcionados para o website oficial da
Biblioteca ou da UFLA para obter formulários, documentos, serviços on-line e outras
informações necessárias para melhor esclarecimento.
A BU se reserva o direito de remover qualquer conteúdo que julgue violar a Política,
qualquer lei ou regulamento da UFLA. Conteúdos que se encaixem nas categorias a seguir
não são permitidos nas mídias sociais da BU e devem ser removidos:
a) linguagem obscena, violenta ou pornográfica;
b) conteúdos que promovam qualquer tipo de discriminação (racial, religiosa, de
gênero, orientação sexual, etc.);
c) ofensas pessoais ou conteúdo difamatório;
d) apoio ou oposição político-partidário;
e) atividades de comércio, incluindo, a propagandas de serviços ou produtos;
f) encorajamento de atividades ilegais ou antiéticas;
g) informações que possam comprometer a segurança das pessoas ou dos sistemas
tecnológicos da instituição.
A BU não se responsabiliza por qualquer conteúdo postado em seus perfis em mídia

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social que não seja originário dos servidores ou colaboradores autorizados da BU.
A BU se manifestará em posts publicados em mídias sociais de terceiros mediante
identificação de equívocos relacionados às suas atividades ou integridade de suas finalidades
ou quando a equipe responsável considerar relevante o esclarecimento de qualquer fato, por
ventura, transmitidos aos leitores de forma errônea.
Há várias metodologias e recursos para impulsionar o alcance dos conteúdos
publicados nas mídias sociais, de forma que a visibilidade dessas mídias seja maior e a
Biblioteca se aproxime mais dos usuários. É importante lembrar que os posts da BU, muito
provavelmente, aparecerão para na conta de seus usuários em meio a posts de amigos,
familiares e de outras instituições, sendo, portanto, necessário algum apelo para que o
conteúdo da BU se destaque em meio as outras centenas de posts que aparecerão na conta do
usuário, em sua página principal de notícias. As estratégias adotadas pela BU para melhorar o
engajamento das mídias sociais com o público são:
a) utilizar imagens que sintetizam visualmente o conteúdo dos posts;
b) descrever títulos e conteúdo curtos e concisos;
c) analisar quais os horários e dias que geram mais audiência e programar os posts
para esses horários;
d) divulgar o material mais de uma vez e em horários diferentes para alcançar mais
pessoas;
e) publicar o link do post em grupos de discussão relacionados com a UFLA;
f) utilizar vídeos, pois esse formato privilegia conteúdo em formato multimídia;
g) fazer perguntas no final do post para gerar comentários;
h) responder todas as questões ou comentários pertinentes que surgirem no post;
i) citar pessoas conhecidas ou influentes, que podem vir a se interessar pelo assunto e
responder ao post;
j) analisar quais os horários e dias que geram mais engajamento e programar os posts
para esses horários, normalmente, às 8, 13, 15, 19 e 21 horas;
k) seguir pessoas e instituições de interesse institucional;
l) utilizar hashtags interativas;
m) publicar com uma periodicidade de pelo menos um post por dia.
Cabe ainda mencionar outras ações estratégicas que podem colaborar com a
popularização dos perfis da Biblioteca nas mídias sociais e a ampliação do alcance das
publicações neles postadas. A seguir, no Quadro 1, o cronograma de ações para as mídias
sociais da BU para o ano de 2016:
Quadro 1 – Ações para mídias sociais da BU / 2016

AÇÃO

OBSERVAÇÃO

DATA

Divulgação da fanpage
da BU no Facebook.

* Inserir link da fanpage no Programa
de Capacitação de Novos Usuários
(PCNU) da BU;
* Fazer marcadores de páginas
convidando os usuários a curtirem a
fanpage.

Maio de 2016 - início do
1º semestre letivo de
2016 na UFLA.

Publicação de vídeos
instrucionais sobre a
BU.

* Publicar os vídeos instrucionais da
BU sobre como funciona o
autoempréstimo e autodevolução,
como renovar um livro, como fazer
uma pesquisa no catálogo eletrônico,
entre outros.

Maio de 2016 - início do
1º semestre letivo de
2016 na UFLA.

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Publicação de vídeos
sobre livros e leitura

* Convidar docentes da UFLA a
gravarem vídeos sobre livros didáticos
que possam ajudar os alunos a
compreender as disciplinas que
ministram;
* Convidar os usuários a gravarem
vídeos sobre seus livros preferidos ou
indicação de livros que ajudaram a
compreender certa disciplina e enviar
para o e-mail da BU.
* Divulgação será feita no canal do
YouTube da BU e compartilhado nas
demais mídias sociais da Biblioteca.

A partir de maio/2016
com duração,
previamente,
permanente.

Publicação de dicas de
fontes de pesquisa

* Criar post com dicas de fontes de
pesquisa, seja específica a uma área do
conhecimento ou generalizada,
conforme interesse dos usuários da BU,
voltados para os cursos oferecidos na
UFLA.
* A divulgação será feita na fanpage do
Facebook e no Twitter da Biblioteca.

A partir de maio de 2016
fazer um post,
quinzenalmente, sobre
determinada área do
conhecimento.

Retrospectiva dos
eventos promovidos
pela BU.

* Divulgação de fotos das edições da
A partir de maio de 2016
Semana do Livro e da Biblioteca
fazer um post
retrospectivo da BU.
(SLBU) da UFLA;
* Divulgação de fotos das exposições
realizadas na BU;
* Convidar os usuários a comentarem
nos post se eles participaram e a
opinião deles sobre o evento.
* Divulgação será feita no Facebook da
BU, criando álbuns por evento.

Identificação coletiva
de fotos antigas da
Biblioteca e da UFLA.

* Entrar em contato com o Museu Bi
Moreira para obter fotos;
* Criar um álbum de fotos no
Facebook da BU e convidar a
comunidade para identificar os locais
específicos do campus e pessoas que
aparecem nas fotos.

Maio de 2016 - início do
1º semestre letivo de
2016 na UFLA.

Concurso “Ganhe um
livro”.

* Criar campanha para curtir a fanpage
da BU, curtir e compartilhar posts,
fazer comentários e marcar um amigo;
* Fazer um ranking dos 5 (cinco)
usuários mais bem colocados em
concursos de leitura e distribuir livro
de literatura.

A campanha começará
em maio de 2016 e terá a
entrega dos em livros em
junho do ano corrente.

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Publicação de
comentários sobre
livros.

* Publicar os comentários sobre livros
que já existem no Pergamum;
* Convidar a comunidade a enviar
comentários sobre livros para o e-mail
da Biblioteca;
* Convidar pessoalmente alguns
servidores da UFLA para escrevem
comentários sobre livros literários
(convidados iniciais seriam os
servidores da BU e professores do
curso de Letras).

A partir de junho/2016
com duração,
previamente,
permanente.

A BU incentiva todos seus servidores e colaboradores a explorarem as mídias sociais
para se informarem, buscarem conhecimento, estabelecerem e manterem contato com pessoas
e instituições que contribuam para o desenvolvimento das atividades dentro da universidade,
obterem opiniões sobre melhorias de ações e serviços da Biblioteca e descobrirem sobre
demandas não atendidas. Utilizada de forma consciente e com parcimônia, a mídia social é
um poderoso instrumento para crescimento pessoal e profissional.
Contudo, é importante estar atento para que opiniões pessoais não atinjam a
instituição. Os servidores que, em suas contas pessoais de mídia sociais, façam comentários
relacionados à Biblioteca ou a UFLA devem deixar claro que não falam em nome da BU. A
Biblioteca reconhece o direito de livre expressão, mas é necessário estar ciente do impacto e
consequências de tais comentários e da possibilidade de usuários verem tais informações
como representação oficial dos valores e pontos de vista da Biblioteca ou da UFLA.
Outras recomendações pertinentes são:
a) as comunicações administrativas devem ser feitas, exclusivamente, pelo meio
tradicional de comunicação da BU: o e-mail institucional, memorando impresso ou
eletrônico, pois nem todos os servidores utilizam mídias sociais;
b) recomenda-se que servidor observe elogios e críticas sobre a BU e comunique
imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse do
setor para as providências cabíveis;
c) os servidores são instruídos a não responderem as mensagens negativas ou
depreciativas encontradas nas mídias sociais sobre a Biblioteca ou UFLA. São
orientados apenas para avisarem sobre a situação para que as medidas cabíveis sejam
adotadas;
d) o servidor deve responder, em todas as instâncias, pelas consequências das ações ou
omissões de própria parte que possam pôr em risco ou comprometer a imagens da
Biblioteca, da UFLA ou de terceiros;
e) outra orientação é que os servidores lembrem-se que o conteúdo publicado na internet
é um registro permanente, pois é replicado por diferentes pessoas, e se dissemina
rapidamente pelo espaço virtual.
Segundo Ribeiro (2015) transportando os conceitos apresentados sobre redes sociais
para a realidade das bibliotecas brasileiras, pode-se observar inúmeras iniciativas com o
objetivo de utilizar sua reputação nas redes sociais para oferta de produtos e serviços mais
qualificados, porém, observa-se pouca maturidade e planejamento para lidar com esse recurso
cada vez mais presente no cotidiano dos usuários em geral. Por isso, é vital para as
organizações que pretendem utilizar esse recurso devem primeiramente estabelecer suas
políticas e definir suas estratégias de ações.

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8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Atualmente, a internet é uma das principais fontes de informação para grande parte da
população e as mídias sociais tornaram-se formadoras de opinião sobre os mais diversos
assuntos. Nesse contexto, a BU optou por participar das mídias sociais de forma consciente,
comprometida em assegurar informações corretas e idôneas. Essas ferramentas foram
desenvolvidas para auxiliar nossos usuários a participarem do dia-a-dia da Biblioteca e
mantê-los atualizados e informados sobre fatos relevantes e de interesse para sua vida
acadêmica na universidade. Dessa forma, as mídias sociais gerenciadas pela BU é um
instrumento para compartilhar informações da unidade; promover serviços e eventos da
Biblioteca ou de interesse do público atendido; ouvir e se aproximar dos usuários; e criar
canais de diálogo e troca de informações entre os usuários e os servidores da Biblioteca.
Neste artigo, discutiu-se o uso das ferramentas do webmarketing como as redes sociais
para promoção e ações de marketing nas bibliotecas, com enfoque das ações desenvolvidas na
BU. Entre os principais benefícios com a utilização da internet relatados na literatura estão
conforto, rapidez, custos mais baixos, acesso a informações, relacionamento mais próximo e
ainda a possibilidade de coletar dados com maior detalhamento.
Pela análise realizada na BU, pode-se perceber que os recursos advindos da internet
estão sendo usados em concretude pela Biblioteca, pois são perceptíveis as vantagens desse
uso, tendo como principais resultados uma maior interação com o usuário, agilidade na
comunicação, maior rapidez na divulgação e acesso as informações e maior visibilidade da
BU. Nesse contexto, os ambientes em rede e o uso dos recursos tecnológicos tornam-se
imprescindíveis para o melhor desenvolvimento dos serviços nas bibliotecas, colocando-a
numa posição visível e relevante, alcançando a satisfação dos mesmos. Além do marketing, o
simples ato de ter conversas e criar relacionamentos com os clientes é extremamente útil. Por
meio de conversas em mídias sociais, as bibliotecas podem obter insights sobre o que os
usuários querem e precisam e, compreendê-los melhor.
Ao desenvolver este estudo, espera-se compartilhar a experiência com
o
desenvolvimento e uso das ferramentas das redes sociais para aplicação do marketing nas
bibliotecas, oferecendo a outros bibliotecários insights sobre o impacto e uso de tais
ferramentas.

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          <name>Dublin Core</name>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo verificar como a Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal de Lavras (UFLA) utiliza das ferramentas de webmarketing, como as redes sociais, para realizar suas ações de marketing. A metodologia adotada foi uma abordagem qualitativa, utilizando-se de revisão bibliográfica e estudo de caso. Devido ao grande alcance das novas formas de comunicação na web e as possibilidades de uso de ferramentas de mídias sociais como marketing em bibliotecas, motivou-se a elaboração de uma política de redes sociais e o desenvolvimento de ações estratégicas para popularizar os canais (perfis) da BU nas diversas mídias sociais, tais como Facebook, Youtube, Twitter, Instagram e Whatsapp. Pela análise realizada na BU pode-se perceber que os recursos advindos da internet estão sendo usados em concretude pela Biblioteca, pois são perceptíveis as vantagens desse uso, tendo como principais resultados uma maior interação com o usuário, agilidade na comunicação, maior rapidez na divulgação e acesso as informações e maior visibilidade da BU.</text>
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                    <text>WEB 2.0: POTENCIALIDADES DE RECURSOS ELETRÔNICOS PARA
INTERAÇÃO E DIFUSÃO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFAM
Luiz Fernando Correia de Almeida (Ufam) - luiz_11_fernando@hotmail.com
Maria Lígia Said Sena (UFAM) - lgsaid2@gmail.com
Resumo:
Potencialidade de ferramentas eletrônicas da Web 2.0 para difusão e interação no Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas. Com o intuito de investigar essas
potencialidades este trabalho faz uma análise de caráter descritivo e exploratório, em que
foram estudados quais benefícios essas ferramentas podem agregar valor à prestação de
serviços em bibliotecas universitárias. Para isso foi realizado levantamento bibliográfico sobre
o tema para a fundamentação teórica, e ainda foi realizada uma análise no ambiente virtual
para identificar quais dessas ferramentas são usadas e com quais finalidades pelo Sistema de
Biblioteca da UFAM, e ainda levantar outros potenciais usos que ainda não são aplicados pela
mesma instituição. Com a pesquisa de dados em ambiente virtual foi possível localizar:
fanpage no Facebook do setor de periódicos da Biblioteca Central e fanpage da Biblioteca
Setorial Setor Norte. O uso das redes sociais apresenta pouco uso diante das várias
possibilidades de uso destes recursos. Não foram encontradas páginas no YouTube, Twitter ou
blogs.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; Web 2.0; UFAM; Rede social;
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Universidade é um ambiente dinâmico de transmissão de cultura, formação de
profissionais e produção do conhecimento, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão.
Neste ambiente a biblioteca universitária possui o importante papel de atender as demandas
informacionais por meio da prestação de serviços, disponibilização de acervos, de serviços
mais próximos ao usuário, e que possa atender de forma mais ágil o mesmo.
No entanto, com as transformações tecnológicas acerca da disponibilização da
informação que a internet trouxe, faz com que o papel da biblioteca universitária seja
discutido, uma vez que a mesma passa a concorrer com este ambiente virtual. Identifica-se a
oportunidade da biblioteca se reconfigurar e se utilizar das ferramentas que a internet
disponibiliza para que dinamize sua oferta de informação, promovendo novos serviços para o
usuário que acessa este ambiente.
Partindo deste contexto, esta pesquisa buscará contextualizar a evolução da Internet,
inserida na Sociedade em Rede. É discutir sob as bibliotecas universitárias e a sua
reconfiguração frente às novas tecnologias assim como, conhecer as potencialidades das
ferramentas que compõem a Web 2.0 que são as redes sociais, blogs, microblogs, repositórios,
e revistas eletrônicas, para discutir os pontos fortes, fracos e oportunidades destes ambientes
levantando suas funcionalidades, aceitação e utilização pelo público e de que forma que a
biblioteca poderá se apropriar destas ferramentas para alavancar seus produtos e serviços e
principalmente aproximar os seus usuários e por fim continuar cumprindo com o seu papel no
âmbito da universidade.
A internet alcançou grande amplitude e importância global nos diversos setores da
sociedade. As ferramentas que disponibiliza gratuitamente têm fomentado não só a
comunicação e interação entre estes setores e seus clientes, como também tem contribuído
para a promoção dos mesmos. Em se tratando de bibliotecas, muito tem se discutido sobre a
reconfiguração destes ambientes e dos serviços que disponibilizam. É o que as bibliotecas se
adaptem aos avanços tecnológicos, se utilizando os mesmos para se aproximar mais de seus
clientes, oferecendo produtos e serviços que atendam às suas demandas e expectativas.
A biblioteca universitária está integrada à universidade e busca atender a demanda
informacional dos cursos de graduação e pós-graduação é o ambiente acadêmico é
extremamente dinâmico em relação à produção de conhecimento. Neste sentido, a biblioteca
universitária tem uma parcela relevante de contribuição no subsídio desta produção. No
entanto, com o crescimento exponencial da informação por meio da internet, faz com que este
se torne um meio mais rápido e com maior oferta o que pode ocasionar o desinteresse da
clientela universitária pelo espaço e serviços que a biblioteca oferece.
A biblioteca universitária como espaço tradicional da leitura e da informação
científica, que está sendo ocupado por novos operadores que concorrem no espaço virtual que
é a Internet. Isto não pode ser visto como uma ameaça e sim uma oportunidade para que os
bibliotecários aprendam a se utilizar deste espaço para fornecer serviços mais competitivos.
A biblioteca universitária, uma vez que avalie seus produtos, serviços e sua função
dentro de uma instituição, pode encontrar no ambiente virtual uma oportunidade de promover
seus serviços e até criar novos que atendam a esta nova demanda de usuários que preferem
este ambiente.
As ferramentas eletrônicas disponíveis no ambiente virtual de forma gratuita podem
contribuir para esta dinamização e o estudo do potencial destas ferramentas poderá colaborar
para que se discuta esta postura da biblioteca universitária mediante o uso dessas ferramentas
e as vantagens deste uso, assim como os pontos fracos que poderão ser identificados nesta
investigação.
Sendo assim, esta investigação objetiva discutir as potencialidades das ferramentas

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

eletrônicas da Web. 2.0 para as bibliotecas universitárias de instituições públicas da cidade de
Manaus. Para isto, buscará contextualizar Web 2.0, que se trata de uma web com ferramentas
que agregam mais interatividade, autonomia e liberdade de expressão ao usuário, além de
rapidez no compartilhamento de informações em vídeo, texto e imagens. O modelo Web. 2.0
trouxe um conjunto de estratégias inovadoras para os processos de interação social mediados
pelo computador, proporcionando novas formas de trabalho coletivo, de produção e
circulação de informações o que fomenta o dinamismo de diversos setores neste espaço,
dentre eles a biblioteca universitária.

2 Revisão de literatura
A sociedade contemporânea existe sob uma rede em que há alto fluxo de informação e
cujo contexto é marcado por mudanças sociais que se intensificam diariamente, motivadas por
sua dinâmica. É importante ressaltar que os princípios de uma sociedade em rede, já existiam
na década de 1970 e seu advento proporcionou o surgimento de melhorias no sistema de
busca pela informação. A utilização em massa da rede mundial de computadores e as
possibilidades de interação entre usuários desta, influenciam diretamente na forma como estes
acessam, recuperam e utilizam a informação.
No contexto desta sociedade (em rede), surge um novo formato de Web, que apresenta
a interação e a colaboração entre rede e usuário, chamada de Web 2.0 em que irá adquirir um
caráter de Web social, pela forte interação, em um processo de “muitos para muitos” e
“colaboração de muitos-muitos” (ANTOUN, 2008). As transformações que ocorrem na
sociedade servem como um terreno fértil para que a Internet sofra um processo de evolução.
Nesta versão a web se torna muito mais colaborativa e interativa, se tornando um ambiente
interessante para que as bibliotecas possam continuar ofertando seus serviços. Diante das
novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) a biblioteca se depara com a
necessidade de reformula sua forma de prestação de serviço, e ainda expandir sua relação com
usuário.
Uma biblioteca universitária, diante de mudanças para o mundo digital, seja na
pesquisa seja no ensino [e na extensão], deverá cada vez mais integrar-se com o
centro de informática da universidade ou com consórcios universitários para seus
novos serviços de acesso. (TAMMARO; SALARELLI, 2008).

Assim a criação de programas junto à comunidade acadêmica para que venham
pesquisar e avaliar o uso de novas tecnologias para a biblioteca, e consequentemente
potencializar os serviços na mesma.
Este trabalho é fruto de um projeto de iniciação cientifica que teve como objetivo
discutir as potencialidades das ferramentas eletrônicas da Web. 2.0 para o Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas.
As ferramentas que são disponibilizadas gratuitamente têm fomentado não só a
comunicação e interação entre instituição e seus clientes, mas estimulado a liberdade de
expressão, como também tem contribuído para a promoção dos mesmos. Em se tratando de
bibliotecas, muito tem se discutido sobre a reconfiguração destes ambientes e dos serviços
que disponibilizam. É necessário que as bibliotecas se adaptem aos avanços tecnológicos, se
utilize os mesmos para se aproximar mais de seus clientes, oferecendo produtos e serviços
que atendam às suas demandas e expectativas.
No processo evolutivo a Web ganha novas formas, se torna mais dinâmica e interativa
sendo chamada de Web 2.0, surgiu da necessidade de haver maior interação entre o ambiente
virtual e a colaboração do usuário, de modo que ocorresse contribuição mútua entre ambos,
demandada pelo contexto da sociedade em rede. É considerada uma nova concepção de Web

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caracterizada pela liberdade do usuário de usá-la expondo discussões e opiniões e por meio
dela agregar valor ao fluxo de informação presente na Web.
Araújo (2013) afirma que o processo de evolução da Web 2.0 afeta áreas como a
comunicação, a ciência e tecnologia e passa a potencializar as formas de publicações, de
compartilhamento, ao passo que organiza as informações e amplia espaço de interação entre
os envolvidos na construção da informação.
Para Kroski (2007) a Web 2.0 é uma Web social em que ocorre interação entre usuário
e rede, numa a troca de informação mútua, criando conteúdos originais e dotadas de
ferramentas, serviços e plataformas. Kroski (2007) defende que não seria apenas uma nova
tecnologia, mas uma versão que implicaria em uma nova atitude de seus utilizadores. Essa
nova atitude apresentada pelo autor diz respeito ao pensamento e comportamento do usuário e
se refere ao ciberespaço onde há interação e deflagração com outras ideias, tornando a Web
um ambiente para mudanças que afetam o cotidiano.
Nesse sentido, Anderson (2006) explica que a linha entre produtores e consumidores é
menos nítida:
Os consumidores também são produtores. Alguns criam a partir do nada; outros
modificam os trabalhos alheios, remixando-os de maneira literal ou figurativa. No
mundo dos blogs, falamos de “ex-público” – leitores que deixaram de serem
consumidores passivos e passaram a atuar como produtores ativos, comentado e
reagindo à grande mídia por meio de seus blogs (ANDERSON, 2006, p. 81)

Pelo exposto, os pensamentos de Anderson (2006) evidenciam que a produção de
conteúdo apresenta uma característica de multidirecionalidade e ocorre a queda do que
delimitaria a fronteira entre consumidor e produtores. O usuário produz e consome e ainda
pode reeditar conteúdos disponíveis na Internet.
Umas das ferramentas mais notáveis da nova Web são as redes sociais, que Marteleto
(2001, p. 72) apresenta como “[...] um conjunto de participantes autônomos, unindo ideais e
recursos em torno de valores e interesses compartilhados”. O avanço das redes sociais é
impulsionado pela autonomia que o usuário tem e seus elos são criados a partir da
reciprocidade dos usuários.
Surge o termo lautor (Bellei, 2003), o leitor que se torna autor, decorrente da interação
entre usuário e rede. A ideia de Bellei é muito próxima às linhas de Anderson e Antoun, pois
aborda a questão da queda de divisa entre consumidor e produtores. Um fato interessante é a
criação de espaços para discussão temática entre usuários, que surgem por afinidade com
assunto, tornando-se uma atividade produtiva muito utilizada por estudantes, graduandos,
mestres e doutores para a comunicação científica.
Targino (2006) chama a atenção justamente para o uso da rede pelos
docentes/pesquisadores, uma vez que este ambiente não deve ser usado somente para
publicações de linguagem hermética, colocando a produção científica em uma linguagem
mais fácil e acessível, para que seja revertido à sociedade.
Apesar de haver grande demanda de busca por informação na rede, especificamente na
Internet, temos um problema, quanto à confiabilidade dessas informações. Atualmente, o
principal desafio compreende na configuração de um sistema de qualidade para analisar se
toda informação é verdadeira e fidedigna. No contexto da Web 2.0, a qualidade do conteúdo é
importante para informar de forma correta, pois a informações sendo errônea ou incompleta
pode gerar influencias negativas no indivíduo que a busca.
Keen (2009) diz em um ambiente em que o usuário está livre para publicar qualquer
tipo de idéia, sem que lhe seja cobrado credencias, a mídia está vulnerável a qualquer
informação errada.
A biblioteca universitária e o uso destas ferramentas podem aperfeiçoar a oferta de

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informação, melhorar e avaliar a qualidade do serviço prestado através do feedback, divulgar
aquisições, servi como meio para treinar o usuário diante de algumas ferramentas da própria
biblioteca, e ainda realizar mensuração das demandas do usuário.
Yamashita e Fausto (2009) discutem sobre a ameaça que algumas bibliotecas e
bibliotecários sentem como o avanço da Web, e afirmam que este momento seria uma
oportunidade para que a biblioteca mostre sua relevância social, que se entende ser a
disseminação da informação e contribuição para a consolidação das transformações sociais.
A contribuição da Web possibilita a execução de serviços de referência e informação
no ciberespaço; a divulgação de ações e projetos realizados pela unidade de informação;
eventos e mais uma gama de serviços que, por meio da Web, se torna viável, contribuindo
para que haja melhor comunicação com o usuário e para que ocorra um feedback mais
eficiente acerca dos serviços prestados.
Marcos (2009) afirma que ideia de Web 2.0 em bibliotecas é uma excelente
oportunidade para conhecer mais os usuários de seus serviços, bem como seus interesses e
necessidades, principalmente pelas redes sociais em virtude de uma quantidade elevada de
discentes e docentes que as utilizam, sejam para fins de entretenimento ou discussões
temáticas.
As redes sociais na biblioteca são ferramentas que oferecem grande possibilidade de
interação e colaboração no eixo mediação usuário-biblioteca-bibliotecário. O uso dessa
ferramenta é bom e rentável, pois na rede social englobam-se serviços como postagem de
fotos, com possibilidade de comentários; postagem de textos; compartilhamento de links;
compartilhamento de material audiovisual; interação por meio de chats; notas; depoimentos e
mensagens off-line; além de ser útil na dispersão de informação para a comunidade acadêmica
e outros segmentos da sociedade. A rede social mais popular atualmente é o Facebook, que
permite seus usuários interagirem não só com pessoas, mas com páginas de instituições e
entidades.
No âmbito dos vlogs, o YouTube é considerado a maior comunidade de vídeos da
Internet. Webb (2007) menciona algumas formas de utilizar desta ferramenta para auxiliar
serviços e recursos informacionais desenvolvidos por unidades de informação. Segundo a
autora, o YouTube pode ser usado como depósito de vídeos de instrução, de modo a auxiliar
treinamentos de usuários para uso dos recursos informacionais da biblioteca, tutoriais para
utilização de bases de dados em que poderia ser associado print e um vídeo explicativo de
como usar a base de dados, bem como promover a divulgação de serviços oferecidos pela
unidade de informação.
O Flickr, segundo Cunha e Lourenço (2012), é bem mais aceito pela comunidade da
Ciência da Informação no que tange à sua utilização nas bibliotecas. Dentre as possibilidades
encontram-se a possibilidade de licenciar as imagens, incluir tags nas imagens, criação de
coleções particulares, acompanhamento de acessos de cada imagem, além de permitir
comentários.
Stephens (2009) lista algumas maneiras de usar o Flickr: editar o perfil e fazer
contatos; colocar tags (etiquetas) nas imagens do perfil com localização geográfica da
biblioteca, bem como nome, universidade, escola ou instituição a qual pertença para facilitar a
busca; divulgar imagens via RSS; criar conjuntos de informações sobre programas, eventos e
especialidades através da ferramenta de aplicativos do Flickr e hospedar imagens do blog ou
sítio web da biblioteca por meio do código HTML.
Observando, que a possibilidade de utilidade das ferramentas da web depende da
criatividade de quem usa seus serviços, podendo variar de acordo com cada Biblioteca
Universitária.
Além das funcionalidades apresentadas por Stephens (2009) e Lourenço (2012)
esclarecem que o Flickr ainda pode ser utilizado na divulgação de novas aquisições e na

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

disponibilização de materiais bibliográficos digitalizados, cujos originais que não podem ser
manuseadas por sua fragilidade material, contribuindo para a manutenção da integridade
física de documentos de valor histórico, como obras raras, por exemplo.
Outra ferramenta que integra o grupo de ferramentas de difusão e interação são os os
blogs, que se caracterizam como diários virtuais em que seus usuários podem divulgar
informações em formato de vídeo, áudio, imagem e texto. É uma ferramenta bastante popular
atualmente. Alguns blogs atuam como verdadeiros formadores de opinião e são espaços para
crítica acerca de realidades das mais diversas naturezas. São páginas de pequenos artigos
postados de forma cronológica, de modo individual ou coletivo, que podem ser comentadas
por usuários.
Os blogs funcionam também como porta de entrada para outras ferramentas, como a
inclusão de vídeos do YouTube e etiquetas dos sites como o Delicious. Na rede, temos
exemplo de alguns serviços de blogs mais conhecidos, como o Wordpress, o Blogger. Os
blogs são ferramentas que podem ser usadas para divulgação de serviços, abrindo espaços de
comunicação interpessoal, buscar conversação com o leitor, em uma comunicação
unidirecional em que a biblioteca evidencie que além da forma tradicional de comunicação,
utiliza-se de outros meios de comunicar-se com seus usuários.
Blogs citados anteriormente têm um padrão, possui layout editável, design dos mais
simples aos mais complexos, linguagem simplista, possibilidade de postagem em mídia
(fotos, vídeos, animações e etc.). São características assim que tornam os blogs atraentes para
seus usuários, e que podem ser usufruídas pelas BUs.
Finalmente, os micro-bloggings são ferramentas que servem para disseminação rápida
e curta. Normalmente, esses microblogs permitem postagens de textos de no máximo 200
caracteres, no objetivo de comunicar ideias curtas que expressam clareza e objetividade. Esta
ferramenta oferece um serviço interessante, que consiste no compartilhamento de links de
outras redes sociais ou páginas na Web. Para a biblioteca, pode ser útil no processo de
disseminação da informação, pois permite que isto aconteça de forma rápida, bem como criar
postagens com textos curtos acompanhados de links que direcionem para outras páginas que
possam ser úteis para seus usuários.
Conhecendo e avaliando as potencialidades da Web 2.0 para o Sistema de Bibliotecas
da UFAM, é podendo atingir uma quantidade maior de indivíduos, podendo realizar o
processo mais rápido de comunicação, e ainda avaliar a satisfação de seus usuários.

3 Materiais e métodos
Esta pesquisa buscou investigar as potencialidades das ferramentas da Web 2.0 para o
Sistema de Bibliotecas UFAM, e buscou familiarizar essas potencialidades entre o que já é
utilizado e o que pode ser aplicado. A pesquisa é de caráter: exploratória porque busca
delimitação do tema estudado e suas conceituações, a fixação de objetivos e seus enfoques
atuais e ainda formular hipóteses da pesquisa ou descobrir novas tendências; é descritiva por
observar por meio da literatura já existente os movimentos e tendências do estudo, descrever
as características de tal fenômeno, e observar as características dos grupos de ferramentas.
O levantamento de corpo teórico se deu por pesquisa bibliográfica: que consistiu em
artigos, livros e ainda blogs de profissionais que apresentam conhecimento sobre o tema
tratado; as avaliações de informações em ambiente virtual em que foram pesquisadas quais
ferramentas são utilizadas pela Instituição e como são usadas.
A pesquisa originalmente buscou levantar informações de todas as bibliotecas
universitárias de Instituições públicas de Manaus, mas pela extensão da pesquisa foi escolhida
uma amostra do universo da pesquisa. Das três instituições de caráter público da cidade de
Manaus, foi dada preferência a UFAM por ser a que mais utiliza recurso da Web 2.0.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A formação e descriminação em grupos de ferramentas se basearam no trabalho
realizado por Fernandes (2011), em que propõem grupos de ferramentas eletrônicas como:
grupo de interação e difusão (Facebook, YouTube, Flickr, Twitter e os Blogs) e o grupo de
armazéns virtuais (revistas eletrônicas, repositórios e biblioteca digital). Mas aqui será
apresentado apenas o grupo de interação e difusão. A escolha das ferramentas que compõem o
grupo se deu: maior recomendação na pesquisa bibliográfica e as redes que apresentaram
maior popularidade entre os usuários da rede.
A pesquisa de caráter qualitativo em que se busca a dinâmica entre o real e a
subjetividade, em que não se pode traduzir em números. A interpretação de fenômenos e
atribuição de significados são requisitos básicos da pesquisa qualitativa (PRODANOV;
FREITAS, 2013).

4 Resultados parciais/finais
Será apresentado um quadro que irá categorizar as potencialidades em: postagem,
mostrando o que pode ser postado; compartilhar, se a ferramenta dá liberdade para o usuário
compartilhar uma publicação que lhe agrade no seu perfil; e por último a forma de interação
da ferramenta entre usuário e biblioteca.
Potencialidades das Ferramentas
Ferramenta
Postagem
Facebook
Postagem de status,
com menção ao
estado emocional;
de arquivos de
mídia e
documentos;
divulgação de
eventos em
calendários;
Youtube
Postagem de
arquivos de vídeo
em diversos
formatos; de
eventos realizados
na biblioteca; e
servindo de canal
de comunicação
televisiva;
Flickr
Postagem de
arquivos de
imagem e vídeo em
diversos formatos;
inserção de tag;
check in, mostrando
a localização onde
o arquivo foi
gerado;
armazenamento de
acervo de imagens

de Interação e difusão. Fonte: Autor.
Compartilhação
Interação
O usuário pode
O Facebook tem
compartilhar o
serviço de chat,
conteúdo da
podendo até
fanpage da
realizar
biblioteca.
videoconferência.

O Youtube
possibilita a
compartilhação de
vídeos em outras
redes sociais, que
aumenta a
divulgação.

Criação de tutorial
para a capacitação
de usuários da
biblioteca. Não
apresenta serviço
de chat.

O Flickr não
compartilha uma
postagem no perfil
de outro usuário,
por questões de
direito de imagem e
autoral. Mas
permite a
compartilha em
outras redes, como
forma de

Não apresenta chat,
mas e possível criar
grupos temáticos de
imagens, postandose comentários.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

é a divulgação das
imagens via RSS.

Blog

O blog apresenta
uma vasta
quantidade de tipos
de postagem,
podendo postar
links, vídeos,
musica, áudio em
geral, textos,
postagem de
arquivos.

Twitter

Postagem de texto
curtos de até 140
caracteres,
utilização de hastg
(tag), e até serviço
de check in.

divulgação de
imagens, e para
atrair novos
usuários.
Alguns blogs
permitem a
compartilhação
apenas em outras
redes, mas a grande
maioria apresenta
possibilidade de
compartilhação na
própria plataforma.

Interação; espaço
para discussão
temática; fóruns;
espaço de
construção de
saberes; interação
através de email e
comentários e
possível também
conhecer o perfil de
quem acessa a
pagina, por meio do
serviço de
mensuração.
Apresenta
possibilidade por
meio de twites
direcionado para
outro usuário, e
ainda existe o
serviço de
mensagem
privativa.

Apresenta a
compartilhação
com a terminologia
de retwitter, que e
consiste em
compartilhação.

Pontos fortes e pontos fracos das ferrament as de interação e difusão. Fonte:
Autor.
Ferramentas
Pontos fortes
Pontos fracos
Facebook

Ampla forma de disseminação Cuidado

e

bom

senso

na

de serviços e atividade; pode se moderação da pagina, uma vez
manter controle do marketing da que valor e missão da instituição
biblioteca,

quando

pode (UFAM) devem condizer com

acompanhar o que o usuário diz que se manifesta na página.
a respeito da biblioteca.
Youtube

Disseminação de informação por
meio de vídeos e sendo útil

__

como capacitação do usuário.
Flickr

A possibilidade de criar um
acervo virtual; preservação de
__

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

documentos raros; e ainda pode
adicionar créditos autorais a
postagem.
Blog

Fácil

manuseio;

linguagem

gráfica acessível; pode ser usado
como meio de comunicação
oficial

(amparado

em

__

documentos oficiais);
O grupo de ferramenta apresenta muito mais pontos fortes, em vez de pontos fracos. É
interessante frisar, que essas potencialidades não se resumem somente ao que está sendo
expostos, os recursos usados e como serão usados dependendo da estratégia e criatividade da
gestão que está à frente das Bus, uma vez que esta ferramenta é umas das que mais
apresentam flexibilidade no seu uso.
De todo o potencial uso, o Sistema de Biblioteca da UFAM se utiliza apenas do
Facebook em duas unidades, que são: a Biblioteca Setorial Setor Norte e Serviço de
periódicos da Biblioteca Central.

5 Considerações parciais/finais
A escassez nos resultados obtidos pode se dá por diversas atribuições, que podem
variar: desde a falta de interesse e aversão do bibliotecário pelo uso de recursos eletrônicos;
falta de estrutura para que ocorra a implantação deste serviço; falta de estimulo institucional,
uma vez que por burocracias acaba sendo ideias perdidas; falta de ensino durante a formação
do bibliotecário, em que por vezes a grade não estimula o uso de novas tecnologias.
Durante a pesquisa foram encontrados dados que apresentam valor significativo na
prestação de serviços em algumas bibliotecas universitárias, como exemplo: a
disponibilização de cervo fotográfico da biblioteca do Congresso Americano, que a fim de
minimizar o acesso a esse documento e não comprometer sua qualidade e estado, foi
digitalizado e disponibilizado na rede social de postagem de fotos Flickr; e ainda algumas
universidades americanas usam o YouTube como meio para treinar seu usuário a usar as bases
de dados, observando que na maior parte das vezes os treinamentos são fornecidos pela
mesma empresa, e com isso implica em custos para a Universidade, e utilizando um recurso
gratuito como YouTube a biblioteca e a Universidade teriam menos gastos em seu orçamento
para atender a demanda de informação para a comunidade acadêmica.
Os dados obtidos no Sistema de Bibliotecas da UFAM foram apenas uma pequena
parcela do que poderia ser aproveitados. Mas com eventos e divulgação de dados de pesquisa
como essa e possível expandir e melhorar a comunicação entre biblioteca e comunidade
acadêmica, e ainda propor novos meios de divulgação e disseminação de informação durante
a formação do bibliotecário. Com tudo isso atendendo a necessidade da comunidade
acadêmica e disponibilizando informação até para futuros alunos da instituição.
Durante a pesquisa: no processo de fundamentação teórica, percurso metodológico, é
na análise de resultados foram observadas as potencialidades da Web 2.0 para o Sistema de
Biblioteca da UFAM.
Fazendo a discussão entre a pesquisa e seus objetivos, resulta que essas ferramentas
podem ser implantadas em bibliotecas universitárias de Manaus, não somente no Sistema de

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Bibliotecas da UFAM. Ressaltando, que antes da implantação recomenda-se realizar um
planejamento para a tal implantação, e que serviços podem ser instalados.
Este trabalho alcançou seus objetivos, em estudar as potencialidades da Web 2.0 em
bibliotecas universitárias públicas da Cidade de Manaus. Conheceu o que já existe em uso,
identificou ações que estão em processo de implantação e mostrou o que pode ser usado.
Através desta pesquisa, foi possível visualizar deficiências e o que já existe, seria
recomendado para trabalhos futuros desenvolver projetos para a implantação destas
ferramentas em bibliotecas, não somente em bibliotecas universitárias, mas em diversos
outros tipos de unidades de informação.
E fica a proposta de implantação e utilização de ferramentas presentes na Web 2.0,
com isso aumentaria a relação entre biblioteca e usuário, e ainda dinamizaria informações
para comunidade acadêmica.

6 Referências
ANDERSON, Chris. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de
Janeiro: Elservier, 2006.
ANTOUN, Henrique. As transformações na sociedade hiperconectada. In: Web 2.0:
participação e vigilância na era da comunicação distribuída. Rio de Janeiro: Mauad, 2008.
Cap. 1, p.11-27.
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira. A prática pedagógica no ensino de Biblioteconomia: interação e
colaboração no contexto da Web 2.0. Encontros Biblio: Revista Eletrônica de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v. 18, n. 36, p. 129-155, jan.-abr.
2013.
Disponível
em:
&lt;https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/15182924.2013v18n36p129/24525&gt;. Acesso em: 05 Ago. 2015.
BELLEI, Sergio Luiz Prado. O livro, a literatura e o computador. Florianópolis: EDUSFSC,
2003.
CUNHA, M. B; LOURENÇO, D. Produtos e serviços da web 2.0 no setor de referência das
bibliotecas. Perspectivas em Ciências da Informação, vol. 17, n. 1, jan./mar, 2012.
Disponível: &lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/885&gt;. Acesso
em: 05 Ago. 2015.
FERNANDES, Tatiana B. A comunicação científica no ambiente virtual: desvelamento do
ecossistema. Manaus: [s.n], 2011. (dissertação de mestrado).
KEEN, A. O culto do amador. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2009.
KROSKI, E. The social tools of web 2.0: opprtunities for academic libraries. Choice, V.44, n.
12, p. 2011-2021, aug, 2007.
MARCOS, M. La biblioteca em La Web 2.0. Santiago: DuocUC, 2009.
MARTELETO, Regina Maria. Informação, rede e redes sociais: fundamentos e
transversalidades. Informação &amp; Informação, [S.l.], v. 12, n. 1esp, p. 46-62, dez. 2007. ISSN
1981-8920.
Disponível
em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/1785/1521&gt;. Acesso em:

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

05 Ago. 2015.
PRODANOV, C. C; FREITAS, E. C. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas
para pesquisa e do trabalho acadêmico. Novo Hamburgo: Feevale, 2. Ed, 2013.
STEPHENS, M. Priceless images: getting started with Flickr. Tame the
Web. 2009. Disponível em: &lt;http://tametheweb.com/2008/01/02/priceless-images-gettingstarted-with-flickr/&gt;. Acesso em: 05 Ago. 2015.
TAMMARO, A. M.; SALARELLI, A. A biblioteca digital. Brasília, Briquet Lemos, 2008.
TARGINO, M. G. Olhares e fragmentos: cotidiano da biblioteconomia e ciência da
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WEBB, P. L. YouTube and libraries: it could be a beautiful relationship. College &amp; Research
Library
News,
v.
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Disponível
em:
&lt;http://crln.acrl.org/content/68/6/354.full.pdf&gt;Acesso em: 05 de Ago. 2015.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Potencialidade de ferramentas eletrônicas da Web 2.0 para difusão e interação no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas. Com o intuito de investigar essas potencialidades este trabalho faz uma análise de caráter descritivo e exploratório, em que foram estudados quais benefícios essas ferramentas podem agregar valor à prestação de serviços em bibliotecas universitárias. Para isso foi realizado levantamento bibliográfico sobre o tema para a fundamentação teórica, e ainda foi realizada uma análise no ambiente virtual para identificar quais dessas ferramentas são usadas e com quais finalidades pelo Sistema de Biblioteca da UFAM, e ainda levantar outros potenciais usos que ainda não são aplicados pela mesma instituição. Com a pesquisa de dados em ambiente virtual foi possível localizar: fanpage no Facebook do setor de periódicos da Biblioteca Central e fanpage da Biblioteca Setorial Setor Norte. O uso das redes sociais apresenta pouco uso diante das várias possibilidades de uso destes recursos. Não foram encontradas páginas no YouTube, Twitter ou blogs.</text>
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                    <text>VALORAÇÃO DE SERVIÇOS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
UM ESTUDO NA BIBLIOTECA CENTRAL SANTA MÔNICA DA UFU
Maira Nani França (UFU) - mairanani@hotmail.com
Patricia de Oliveira Portela (ufu) - patriciap@ufu.br
Kelma Patrícia Souza (UFU) - kelma.biblio@hotmail.com
Resumo:
Os benefícios dos serviços oferecidos por uma unidade informacional têm sido caracterizados
pelos resultados desejados como por exemplo, a resposta efetiva de uma questão pelo usuário
sendo os valores constituídos de dados bastantes concretos se considerados em termos
monetários, ou seja, qual é o custo para disponibilizar tais serviços. Atribuir e medir valor a
cada um dos serviços informacionais oferecidos pelas bibliotecas universitárias é uma das
tarefas gerenciais mais desafiadoras e menos aplicadas nos ambientes informacionais. Com
este trabalho objetiva-se atribuir valor econômico aos serviços prestados por uma biblioteca
universitária brasileira, a fim de desenvolver uma ferramenta que venha auxiliar os gestores
nos processos de tomada de decisão e avaliação das unidades informacionais visando a
garantia da qualidade dos serviços prestados.
Palavras-chave: Custo-benefício.
Serviços
informacionais.
Biblioteca
universitária.
Planejamento estratégico. Universidade Federal de Uberlândia. UFU.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

“O planejamento faz o tempo trabalhar a nosso favor”
(SLOMA, 1985 apud ALMEIDA, 2005, p. 2).

1 Introdução
Também chamada de “era da informação e do conhecimento”, a era pós-industrial se
diferencia das demais perceptivelmente no setor econômico de modo especial em serviços,
tecnologia e desenvolvimento social. Sua organização acontece em torno da informação, do
conhecimento, da comunicação e do acesso aos seus serviços e produtos. Acompanha-se o
crescimento vertiginoso do setor quaternário da economia responsável pela produção,
processamento e distribuição de mercadorias da informação. Setor altamente intelectualizado
que inclui investigação, desenvolvimento e inovação. A informação é um insumo utilizado
por todas as organizações e, quando bem gerenciada, torna-se um recurso estratégico,
essencial para o processo de tomada de decisão. Neste contexto os gestores das bibliotecas
universitárias, para promover o acesso à informação por meio de produtos, serviços e difusão
da produção intelectual acompanhando as mudanças tecnológicas, culturais e sociais, são
desafiados a planejar o futuro, de modo inovador buscando nova maneira de se reinventar por
meio de novos modelos de gestão.
A gestão da informação e consequentemente a gestão do conhecimento, são modelos
que passaram a ser discutidos e registrados na literatura a partir da década de 1980
(MARCHIORI, 2014) e que tem ocupado espaço cada vez mais relevante, nas unidades de
informação por preocupar-se em investir na capacidade profissional de se produzir melhores
resultados, de forma otimizada para se atingir os objetivos propostos e as atividades
programadas identificando as necessidades de informação, a busca, o uso e o seu
compartilhamento (LEITE; SOUZA, 2014, p. 12).
Em qualquer modelo de gestão o planejamento é uma prática indispensável para o
exercício da administração. Sendo apontado por Almeida (2005, p. 2) como um “processo
contínuo, permanente e dinâmico que fixa objetivos, define linhas de ação, detalha as etapas
para atingi-los e prevê os recursos necessários à execução desses objetivos”. Dentre as
diversas etapas do planejamento a autora afirma que a avaliação permite aferir o sucesso na
implementação da proposta e definir novos objetivos e metas. O Dicionário de
Biblioteconomia e Arquivologia define avaliação como “mensuração quantitativa e qualitativa
do grau de qualidade do acervo, dos serviços e programas de uma biblioteca [...] em relação
ao nível de atendimento das necessidades dos usuários” (AVALIAÇÃO, 2008, p. 41).
Garantir a qualidade de um serviço oferecido é uma estratégia fundamental do processo de
avaliação. Exige a adequação da unidade informacional às necessidades de seus usuários e aos
padrões determinados pela profissão visando a satisfação daquele que utiliza os serviços e a
realização daqueles que o oferecem.
Neste contexto, este trabalho objetiva atribuir valor econômico aos serviços prestados
por uma biblioteca universitária brasileira, a fim de desenvolver um protótipo de ferramenta
que venha auxiliar os gestores nos processos de tomada de decisão e avaliação das unidades
informacionais visando a garantia da qualidade dos serviços prestados.

2 Revisão de literatura
Chamamos de serviço o desempenho de qualquer trabalho, préstimo, proveito,
utilidade, interligado ou não a um produto físico representando a intangibilidade de um bem.
A prestação de serviços por exemplo, não concede ao adquirente a posse exclusiva de um
benefício exceto, nos casos que existe contrato de exclusividade. Embora de natureza
intangível os serviços prestados por muitos setores exigem grandes estruturas e equipamentos

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físicos e consomem grandes quantidades de recursos.
Como a informação é matéria-prima das bibliotecas, um serviço de informação
consiste em uma atividade de identificação, aquisição, processamento e transmissão de
informação e, por muitas vezes no fornecimento de um produto de informação. Além da
característica de intagibilidade o serviço de informação é heterogêneo, simultâneo e volátil, o
que implica na atenção especial em gestão de processos (BARBALHO, 1997; DHOLAKIA;
MUNDORF; DHOLAKIA, 1997), como no caso das bibliotecas. Dentre os serviços mais
comuns oferecidos pelas bibliotecas destacam-se o empréstimo nas mais diversas
modalidades, a comutação bibliográfica, a elaboração de fichas catalográficas, as orientações
para pesquisa em bases de dados, a normalização de trabalhos acadêmicos, dentre outros. Para
identificar o preço justo pelo serviço oferecido, uma série de variáveis devem ser
consideradas como por exemplo, o ambiente (aluguel do espaço), o funcionário responsável
pelo atendimento, etc.
A relação custo-benefício de um produto ou serviço é a análise referente entre o que
se gasta e o que se recebe como lucro1. Para Balbinoto Neto ([2016]), esta relação ocorre
“quando duas ou mais estratégias são comparadas considerando-se suas consequências e
custos.” Trazendo o termo para as unidades de informação, a análise deve justificar a
permanência de determinado serviço em função dos benefícios que resultam dele. Os
benefícios do serviço de informação têm sido caracterizados pelos resultados desejados como
por exemplo a resposta efetiva de uma questão pelo usuário sendo os custos constituídos de
dados bastantes concretos, se considerados em termos monetários, ou seja, quanto se gastou
para disponibilizar tais serviços.
De acordo com Lancaster (1996), para se determinar o valor real do serviço de
informação deve-se levar em conta todos os custos inclusive, aqueles em que se incluem os
usuários pois, não se deve dizer que o tempo gasto no uso dos serviços de informação não
tem custo. Para o autor uma relação custo-benefício pode ser melhorada no sentido de
aumentar os benefícios sem aumentar os custos ou ainda, reduzir os custos sem reduzir os
benefícios.
[...] os benefícios dos serviços de informação costumam ser intangíveis, e
porque não podem ser expressados facilmente na mesma unidade, como os
custos (por exemplo, em valores monetários), os verdadeiros estudos sobre
custo-benefício são praticamente irrealizáveis em nosso campo
(LANCASTER, 1996, p. 1).

Embora reconhecendo que os benefícios dos serviços de informação não podem ser
expressos com igual infalibilidade dos custos, ainda na tentativa de identificá-los nas mesmas
unidades de medidas em que se expressam os custos, ou seja, em valor monetário, acredita-se
numa análise de resultados aproximada que não deve ser desprezada quando se planeja as
ações de uma biblioteca, pelo contrário tal avaliação é fundamental na tomada de decisão
referente a manter ou adquirir determinado tipo de serviço.
Identificar o benefício que o trabalho desenvolvido em unidades informacionais
representa para a sociedade, considerando os aspectos econômicos, sempre tem sido um
grande desafio para os gestores. Apesar de Lancaster (1996) defender que os estudos sobre
custo-benefício são praticamente irrealizáveis em nossa área ou indica que tentativas desta
1

Nota das autoras: Como as unidades de informação não visam o lucro, a proposta para precificar os serviços
informacionais limita-se à identificação de custo. Outro fator limitador não considerado no estudo é a
intangibilidade do bem. Por exemplo, ao definir o custo de um Empréstimo Entre Bibliotecas (EEB) de um
livro pertencente ao acervo de uma biblioteca estrangeira, poderia (e deveria) ser contabilizado o fato de que
para conseguir o serviço o interessado teria que viajar para os EUA, por exemplo.

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natureza, com variados graus de sucesso, tem sido realizadas como exemplificadas a seguir. A
Rede de Bibliotecas do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha (CSIC,
2012) aponta os estudos de retorno sobre o investimento aplicado às bibliotecas, como uma
das tentativas para suprir esta demanda.
A Massachusetts Library Association (MLA) foi a pioneira na criação de uma planilha
para calcular e divulgar o valor dos serviços oferecidos pelas bibliotecas, posteriormente a
Chelmsford Public Library2 adaptou a calculadora da MLA e a disponibilizou para acesso via
Web e permitiu o compartilhamento da mesma para outras instituições. De acordo com o
CSIC (2012) a calculadora é uma ferramenta desenvolvida para auxiliar as bibliotecas na
compreensão e divulgação do valor dos serviços prestados sendo possível expansão,
adaptação e correção de propostas de acordo com as necessidades de cada biblioteca.
Atualmente a ferramenta é utilizada por várias bibliotecas nos Estados Unidos, tais como:
America Library Association3, Vermont Library Association4, Maine State Library5, Sno-Isle
Libraries6, National Network of Libraries of Medicine7 e New York Library Association8.
Em 2010, a Rede de Bibliotecas do CSIC divulgou a iniciativa de adaptação da
ferramenta da MLA, para quantificar economicamente o benefício resultante da utilização dos
serviços propostos pelas bibliotecas. Em um primeiro momento foram definidos os tipos de
serviços, a unidade de medida adotada para contabilizar a sua utilização, o preço estimado do
serviço (ano base 2011), a fonte usada para calculá-lo e a fórmula/dados necessários para
definição (CSIC, 2012) (Quadro 1). Quanto a coleta dos dados,
[...] os cálculos podem ser feitos por bibliotecas ou redes de bibliotecas para
o ano em curso ou por períodos mais curtos, como uma amostragem do valor
dos serviços prestados, ou pelos usuários para saber quanto custaria para
adquirir estes recursos de uma só vez ou ao longo de um período de tempo
(CSIC, 2012, tradução nossa).

Os serviços informacionais considerados pela rede espanhola foram: empréstimo de
livros, livros e revistas consultados9, reprografia, comutação bibliográfica, empréstimo entre
bibliotecas, uso de salas de estudo ou reunião, formação de usuários, capacitação de
bibliotecários, uso de computadores, downloads de artigos científicos e documentos da
biblioteca digital e serviços de referência, para os quais foram atribuídos uma unidade de
medida (volumes, fotocópias, originais, artigos, horas, assistentes, downloads e consultas
(Quadro 1).
Para cada um dos serviços são apresentados preços estimados. Os preços definidos
podem ser aplicáveis em bibliotecas ou redes de bibliotecas que tenham características
semelhantes à Rede de Bibliotecas do CSIC (2012). Visando a consistência dos dados
fornecidos com a realidade econômica da biblioteca e do ambiente em que se insere, os
autores destacam a necessidade de atualização constante dos preços. O CSIC (2012) destaca
ainda que para calcular cada um dos preços foram estabelecidas fontes que refletem melhor o
custo de cada serviço informacional. A maioria dos preços foi baseada em médias adotadas
por organizações semelhantes à Rede de Bibliotecas ou aplicados por organizações e
2

Cf. http://www.chelmsfordlibrary.com/library_info/calculator.html.
Cf. http://www.ala.org/advocacy/advleg/advocacyuniversity/toolkit/makingthecase/library_calculator.
4
Cf. http://web.archive.org/web/20071010131408/http://www.vermontlibraries.org/value.html.
5
Cf. http://www.maine.gov/msl/services/calculator.htm.
6
Cf. http://www.sno-isle.org/valuecalc/
7
Cf. https://nnlm.gov/mcr/evaluation/calculator.html
8
Cf. https://www.nyla.org/max/4DCGI/cms/review.html?Action=CMS_Document&amp;DocID=1181&amp;MenuKey=advocacy
9
Orientam que os dados podem ser coletados manual ou automaticamente pelo sistema de gestão da biblioteca,
módulo empréstimo. Caso não sejam recolhidos sistematicamente, orientam a adoção de amostragem.
3

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associações, de classe como (REBIUN, Sedic e COBDC) ou serviços de entrega de
documento como (SUBITO, BLD, OCLC, INIST, etc.). Em alguns casos foi definido um
preço estimado com base nos prestadores de serviços similares disponíveis em sítios
(cibercafé, aluguel de salas, etc.). As fórmulas adotadas para definição de cada preço estão
listadas no Quadro 1.

3 Materiais e métodos
A metodologia adotada para desenvolvimento deste trabalho fundamentou-se nos
pressupostos da pesquisa qualitativa combinada com recursos da abordagem quantitativa, de
viés exploratório, na intenção de fornecer os subsídios necessários para a compreensão das
questões relativas à avaliação de bibliotecas, qualidade dos serviços ofertados, levantamentos
estatísticos, custo-benefício. Para Gunther (2016), o envolvimento emocional do pesquisador
com o tema de investigação caracterizaria a pesquisa qualitativa, entendida como um processo
de reflexão e análise da realidade, através da adoção de técnicas para melhor compreensão do
objeto de estudo em seu contexto histórico ou segundo a sua estruturação, como um ato social
de construção do conhecimento. Por outro lado, os recursos da abordagem quantitativa
consideram os dados estatísticos expressos em quantidades, excluindo crenças e valores
pessoais como fontes de influência no processo científico.

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Quadro 1 - Precificação dos serviços informacionais da Red de Bibliotecas del CSIC
Serviço

Medida

Preço em
Euro

Preço em
Real

Libros prestados

Volúmenes

37,64 €

R$ 151,31

Libros consultados en sala

Volúmenes

37,64 €

R$ 151,31

Revistas consultadas en sala
Reprografía o fotodocumentación

Volúmenes
Fotocopias

5,48 €
0,15 €

R$ 22,03
R$ 0,60

PI originales más tarifas de PI

Originales

45,64 €

R$ 183,47

PI artículos tarifas de PI
Uso de salas de estudio o reunión

Artículos
Horas

10,48 €
15,00 €

R$ 42,13
R$ 60,30

177,00 €

R$ 711,54

177,00 €
3,00 €

R$ 711,54
R$ 12,06

Formación de usuarios para socios Asistentes
Formación de bibliotecarios para
socios
Asistentes
Uso de ordenadores
Usuarios/Hora

Fonte do preço

Fórmula
Σ Gasto en compra de monografías / Σ
REBIUN: precio medio de las monografías Monografías compradas
Σ Gasto en compra de monografías / Σ
REBIUN: precio medio de las monografías Monografías compradas
(Σ Gasto en suscripción de revistas / Σ
revistas compradas) / (4 números al año
REBIUN: precio medio de los artículos
x 10 artículos por número)
CSIC: precio reproducción en A4
Precio para fotocopias A4
(Σ Gasto en compra de monografías / Σ
Monografías compradas en el año) +
REBIUN: precio medio de monografías
Tarifas PI para préstamo de originales
((Σ Gasto en suscripción de revistas / Σ
Revistas compradas) / (4 números al
año x 10 artículos por número)) +
REBIUN: precio medio de artículos más
Tarifas PI para copias
Precio estimado por hora
Estimación
Σ Precio de cursos organizados / Σ
SEDIC y COBDC: precio medio de cursos Cursos organizados
Σ Precio de cursos organizados / Σ
SEDIC y COBDC: precio medio de cursos Cursos organizados
Cibercafés: precio medio estimado por hora Estimación
SUBITO, BLD, BNF y REBIUN: precio
Σ Precios de los servicios de obtención
medio por envío electrónico de copias
de documentos / Σ Proveedores
SUBITO, BLD, BNF y REBIUN: precio
Σ Precios de los servicios de obtención
medio por envío electrónico de copias
de documentos / Σ Proveedores

Descargas de artículos en línea

Descargas

13,00 €

R$ 52,26

Descargas de Digital.CSIC

Descargas

13,00 €

R$ 52,26

Servicios de Referencia

Consultas

15,00 €

R$ 60,30 Precio estimado por consulta

Estimación

Fonte: Adaptado de CSIC (2012).
Para aproximar-se da realidade brasileira, os valores dos serviços em Euro foram convertidos para Real. Cotação de 21/04/2016. Cf.
http://www4.bcb.gov.br/pec/conversao/conversao.asp.

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Para formular questões ou problemas, Marconi e Lakatos (1990, p. 77), apontam a
aplicação da pesquisa exploratória que permite “desenvolver hipóteses, aumentar a
familiaridade do pesquisador com o ambiente, fato ou fenômeno para a realização de uma
pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar conceitos”.
A coleta de dados se deu a partir de levantamentos bibliográfico e documental
pertinentes ao tema publicados em livros, artigos científicos, teses e dissertações, documentos
oficiais governamentais e institucionais e demais documentos disponíveis na internet e ainda,
o método de custeio, para compor uma estimativa do preço dos serviços utilizado pelo
mercado.
As informações referentes aos custos bem como suas análises, são subsídios
estratégicos na tomada de decisões pelos gestores na otimização do desempenho das
organizações. Para a realização das análises de custo é necessária a utilização de sistemas de
custeio que se referem à forma de determinar os custos dos produtos ou serviços por
determinada empresa. Para esta pesquisa adotou-se o sistema de custeio baseado em
atividades (ABC), que “parte do princípio de que não são os bens ou serviços que consomem
recursos, mas, sim, os recursos que são consumidos pelas atividades e estas, por sua vez, são
consumidas pelos bens ou serviços” (ABBAS; GONÇALVES; LEONCINE, 2003),
mesclando “recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros utilizados para produzir
bens e serviços.” (MARTINS, 2000, p. 100).
A análise e interpretação dos dados foi realizada a partir das informações obtidas na
literatura (levantamento bibliográfico e documento), confrontadas com os dados coletados
(dados estatísticos de serviços oferecidos pela Biblioteca Central Santa Mônica, coletados no
ano base 2015 e preços de serviços informacionais no mercado).
Considerando as indagações apontadas pelas autoras: Quanto vale os nossos serviços?
Existe no Brasil alguma iniciativa desta natureza, que atribui preço aos serviços
informacionais prestados pelas bibliotecas? e o fato de não ter sido identificado no universo
pesquisado, nenhuma ferramenta adaptada àquelas disponibilizadas pelas bibliotecas do
exterior (EUA e Espanha), surgiu a intenção de identificar as categorias e definir critérios para
precificar os serviços prestados nas unidades informacionais. A definição das categorias partiu
do modelo adotado pela Red de Bibliotecas do CSIC (Quadro 1), adaptado conforme a
realidade vivenciada nas bibliotecas da UFU, objeto em questão. Dentre as categorias
analisadas e identificadas chegou-se às seguintes categorias: Empréstimo, Consulta,
Reprografia, Comutação Bibliográfica, Acesso, Download, Uso de ambientes coletivos,
Capacitação de usuários, Formação de servidores, Uso de computadores, Serviços de
Referência, Catalogação na Publicação e Informações na página eletrônica.
A Biblioteca Central Santa Mônica, definida como objeto deste estudo, foi a primeira
grande biblioteca da UFU construída, inaugurada em 1991 com espaço físico referente a
5.735m². Nesse edifício concentram-se a diretoria do SISBI/UFU, as divisões que
desenvolvem os serviços internos tais como: seleção, aquisição, preparo, catalogação,
classificação e tratamento de todo material informacional adquirido para as oito bibliotecas do
sistema, além do acervo de obras das áreas: Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas,
Ciências Sociais Aplicadas, Engenharias, Linguística, Letras e Artes (UFU, 2016). Dentre os
serviços oferecidos destacam-se: achados e perdidos; aquisição de material informacional;
catalogação na publicação; abertura de cadastro; empréstimo de material informacional;
empréstimo de netbooks, tablets e e-readers; empréstimo entre bibliotecas; nada consta;
renovação; reserva; doação de material informacional; comutação bibliográfica; guardavolumes; levantamento bibliográfico; listagem de acervo; normalização; recebimento de
comissão do MEC; submissão de teses ou dissertações à BDTD; sugestões de obras literárias:
treinamentos; VídeoSaúde Fiocruz (indicação de vídeos na área da saúde); autosserviços
(devolução, empréstimo, escaneamento de textos; ilha multimídia; ilha de pesquisa;

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laboratórios colaborativos; aplicativo do software de gerenciamento do SISBI/UFU para
dispositivo móvel; rede sem fio wi-fi; SIGAMI (Sistema de Gerenciamento de Aquisição de
Material Informacional; vídeoconferência; sistema de áudio 7 em 1; tecnologias assistivas;
sala 24 horas; sala de audiovisual; sala de reserva; ambiente para utilização de materiais
audiovisuais.
Enfim, este trabalho é um estudo preliminar a partir do qual pretende-se elaborar um
plano de aplicação para desenvolver, em parceria com o Centro de Tecnologia da Informação
(CTI), uma ferramenta para calcular o valor dos serviços oferecidos pelas bibliotecas da UFU
que será instalada na página eletrônica do SISBI/UFU de modo que outras instituições
possam se beneficiar da mesma. Por se tratar de uma universidade pública, a intenção é que o
código fonte da Calculadora seja disponibilizado aos interessados para que façam adaptações
conforme as peculiaridades de sua instituição corroborando os princípios do Ministério do
Planejamento, Orçamento e gestão (MPOG) (BRASIL, [2016a]) de gestão de recursos e
gastos de informática mais racionalizada e, ampliação de parcerias e reforço da política de
software livre no setor público. A Calculadora será um produto tangível10, resultado do
estudo da descrição dos serviços oferecidos pelas bibliotecas e do levantamento do valor
destes serviços.

4 Resultados parciais/finais
A fim de cumprir o objetivo proposto para este trabalho atribuir valor econômico aos
serviços prestados por uma biblioteca universitária, a partir dos serviços indicados pela Rede
de Bibliotecas do CSIC (Quadro 1) confrontados com a realidade vivenciada na Biblioteca
Central Santa Mônica da UFU foram definidos os seguintes serviços informacionais11 para
compor a realidade de uma biblioteca universitária brasileira:
 Empréstimo de livros, DVD, CD, partituras, EEB e EIB: indica o número de
exemplares emprestados, no período de tempo analisado, conforme dados
estatísticos da biblioteca;
 Empréstimo de dispositivos móveis: indica o número de unidades emprestadas, no
período de tempo analisado, conforme dados estatísticos da biblioteca;
 Livros consultados: indica o número de exemplares consultados nas dependências
da biblioteca, por meio de coleta manual;
 Revistas e jornais consultados: indica o número de fascículos consultados nas
dependências da biblioteca;
 Reprografia: indica o número de páginas escaneadas na biblioteca;
 Comutação bibliográfica: indica o número artigos solicitados;
 Acesso à audiobooks e músicas: indica o número de acessos;
 Download de e-books e documentos de bases de dados assinadas e acesso a
artigos do Portal Capes e, teses e dissertações da BDTD: indica o número de
itens baixados;
 Uso de salas de estudo, multimídias e de videoconferência: indica o número de
horas que os usuários utilizam estes ambientes, conforme dados coletados
automaticamente;
 Capacitação: indica o número total de usuários capacitados (em grupo ou
individualmente) (participações) para utilizar os serviços e produtos (visita
orientadas, pesquisa em bases de dados e normalização) da biblioteca;
 Formação: indica o número total de servidores (bibliotecários e assistentes) que
10

Algo que possa ser utilizado por outra pessoa, não apenas como informação, mas com instruções ou manual de
utilização, com exemplos de aplicações (UFU, 2014).
11
As unidades de medida estabelecidas estão com o destaque sublinhado em cada um dos serviços.

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frequentam cursos de formação continuada e/ou participam de eventos na área de
atuação (participações);
 Uso de computadores: indica o número de horas que os usuários utilizam os
computadores da biblioteca para pesquisa acadêmica conforme dados coletados por
amostragem
 Serviços de Referência: indica o número total de atendimentos realizados pelo
serviço de referência (orientação no uso do equipamento de autoempréstimo e do
catálogo online, sobre como efetuar pagamento de multa, na localização de livros
nas estantes, informações gerais sobre a universidade e os serviços da biblioteca,
entre outros), conforme coleta de dados realizada manualmente;
 Catalogação na publicação: indica o número total de fichas catalográficas
elaboradas pelos bibliotecários;
 Informação por meio da página eletrônica: indica o número de horas dedicadas
para atualização da página eletrônica da biblioteca, por um bibliotecário (Quadro
2).
Para cada um dos serviços foi estabelecido um preço estimado baseado em valores
praticados pelas empresas prestadoras de serviços para o SISBI e para a UFU ou aplicados
por organizações e associações de classe como a Associação de Bibliotecários de Minas
Gerais (ABMG) ou serviços de entrega de documento como o COMUT. Em alguns casos, foi
definido um preço estimado com base nos prestadores de serviços similares disponíveis no
mercado (cibercafés, aluguel de salas, etc.). As fórmulas adotadas para definição de cada
preço são apresentadas no Quadro 2.
No Quadro 2, as categorias em destaque (vermelho) não foram consideradas na
aplicação da pesquisa na Biblioteca Central Santa Mônica, no período analisado, por falta de
dados consistentes no momento de coleta dos dados, porém, estão descritas uma vez que as
mesmas serão consideradas na ferramenta a ser desenvolvida, próxima etapa deste estudo.
A Tabela 1 mostra que o valor dos serviços informacionais da Biblioteca Central Santa
Mônica referente ao ano de 2015, ultrapassou R$30.000.000,00. Ressalta-se que 2015 foi um
ano atípico uma vez que a biblioteca ficou fechada no período de 17/03 a 25/05/2015, em
função da greve dos servidores técnico-administrativos em educação da Universidade Federal
de Uberlândia (UFU), o que impactou na média anual em relação aos outros anos e,
consequentemente no valor total dos serviços prestados, no ano em questão.

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Quadro 2 - Precificação dos serviços informacionais da Biblioteca Central Santa Mônica/UFU
Serviço

Empréstimo

Consulta

Medida

Preço

Fonte de consulta - Valor

Fórmula
Ʃ Valor total dos pedidos de livros nacionais e
estrangeiros / Ʃ Número de exemplares

Livros

Exemplares

SISBI/UFU: preço médio de itens
R$ 176,15 solicitados (2015)

DVD

Exemplares

SISBI/UFU: preço médio de itens
R$ 90,33 solicitados (2014)

Ʃ Valor total de DVD empenhados / Ʃ Número de
exemplares adquiridos

CD

Exemplares

SISBI/UFU: preço médio de itens
R$ 99,87 solicitados (2012)

Ʃ Valor total de CD empenhados / Ʃ Número de
exemplares adquiridos

Partituras

Exemplares

SISBI/UFU: preço médio de itens
R$ 65,82 solicitados (2014)

Ʃ Valor total de partituras empenhadas / Ʃ Número de
exemplares adquiridos

Empréstimo Interbibliotecas
UFU (EIB)

Exemplares

SISBI/UFU: preço médio de itens
R$ 176,15 solicitados (2015)

Ʃ Valor total dos pedidos de livros nacionais e
estrangeiros / Ʃ Número de exemplares

Empréstimo Entre
Bibliotecas (EEB)

Exemplares

SISBI/UFU: preço médio de livros
R$ 176,15 solicitados (2015)

Ʃ Valor total dos pedidos de livros nacionais e
estrangeiros / Ʃ Número de exemplares

Dispositivos móveis

Unidades

SISBI/UFU: preço médio de itens
R$ 762,94 adquiridos (2013)

Ʃ Valor total de equipamentos empenhados / Ʃ
Número de unidades adquiridos

Livros

Exemplares

SISBI/UFU: preço médio de livros
R$ 176,15 solicitados (2015)

Ʃ Valor total dos pedidos de livros nacionais e
estrangeiros / Ʃ Número de exemplares

Revistas

Fascículos

Jornais

Fascículos

SISBI/UFU: preço médio de itens
R$ 0,00 assinados

Ʃ Valor das assinaturas/renovações empenhadas / Ʃ
Número de fascículos adquiridos

Reprografia

Páginas

SISBI/UFU: preço médio de itens
Ʃ Valor das assinaturas/renovações empenhadas / Ʃ
R$ 0,00 assinados
Número de fascículos adquiridos
UFU (Bloco 5O - Campus Santa Mônica):
R$ 0,10 preço da cópia (2015)
Valor da cópia por página

Comutação bibliográfica

Artigos

R$ 6,60 COMUT: valor médio por artigo (2016)

Audio books

Acesso

Música

Acesso

SISBI/UFU: valor da assinatura da base de Ʃ Valor da assinatura/aquisição / Ʃ Número de títulos
assinados/adquiridos
R$ 2,18 dados Naxos Spoken Library (2015)
Itunes e Amazon: preço médio por
R$ 3,49 download (2016)
Valor médio de cada download

E-books

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Acesso

Download

SISBI/UFU: preço médio de itens
R$ 101,81 solicitados (2013)

Valor cobrado pelo Comut (R$2,20 a cada 5
páginas/artigo) - Média: 15 páginas/artigo

Ʃ Valor total de e-books empenhados / Ʃ Número de
títulos adquiridos

�10

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
Serviço
Documentos - Bases de
Dados assinadas

Medida

Downloads

Artigos - Portal de Periódicos
Capes/MEC
Downloads

Fonte de consulta - Valor
SISBI/UFU: valor da assinatura das bases
de dados Naxos Sheet Library, Jstor e
R$ 6,60 UpToDate(2015)

Fórmula
Valor cobrado pelo Comut (R$2,20 a cada 5
páginas/artigo) - Média: 15 páginas/artigo

R$ 6,60 COMUT: valor médio por artigo (2016)

Valor cobrado pelo Comut (R$2,20 a cada 5
páginas/artigo) - Média: 15 páginas/artigo

Downloads

Valor cobrado pelo Comut (R$2,20 a cada 5
COMUT: valor médio por dissertação/tese páginas/trabalho) - Média: 90 páginas/tese ou
dissertação
R$ 39,60 (2016)

Horas

B2B Virtual Office: preço do aluguel da
R$ 35,00 sala por hora (2016)

Valor médio cobrado, por hora, por uma sala
climatizada e equipada com data show, telão, flip
chart, quadro branco e internet.

Visita orientada

Participantes

Content Mind: preço médio de cursos
R$ 11,25 (2016)

Valor médio de curso de capacitação na área, por
hora

Bases de dados

Participantes

Content Mind: preço de curso na área
R$ 10,00 (2016)

Valor médio de curso de capacitação na área, por
hora

Normalização

Participantes

Content Mind: preço médio de cursos
R$ 8,33 (2016)

Valor médio de curso de capacitação na área, por
hora

Bibliotecários e assistentes

Participantes

Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações
Uso de salas de estudo em grupo,
multimídia e de videoconferência

Capacitação

Preço

Formação
Participação em eventos e
reuniões
Uso de computadores para pesquisa
acadêmica

Participações
Horas

Serviços de Referência
Catalogação na publicação

Atendimentos
Fichas

Informações por meio da página eletrônica

Horas

Fonte: adaptado de CSIC (2012).

Divisão de Capacitação (DICAP)/UFU:
R$ 0,00 preço médio de cursos
Sistema de Concessão de Diárias e
Passagens (SCDP)/UFU: preço médio de
R$ diárias, passagens e inscrição em eventos
1.303,57 (2015)
Cibercafés: precio medio estimado por
R$ 3,00 hora (2016)

Ʃ Valor investido em curso de capacitação / Ʃ
Número de participações
Ʃ Valor investido em participação em eventos / Ʃ
Número de participações
Valor médio cobrado, por hora, em cibercafé

Média remuneração/hora bibliotecário
R$ 22,92 (nível E) - Edital UFU (2015)
R$ 132,00 ABMG (2016)

Média da remunerção de um bibliotecário, por hora
15% do salário mínimo

Média remuneração/hora bibliotecário
R$ 22,92 (nível E) - Edital UFU (2015)

Média da remunerção de um bibliotecário, por hora

�11

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Tabela 1- Valoração dos serviços informacionais da Biblioteca Central Santa Mônica/UFU
Serviço
Quantidade Valor Referência
Livros
60.685
R$ 176,15
DVD
796
R$ 90,33
CD
31
R$ 99,87
Partituras
339
R$ 65,82
Empréstimo Empréstimo Interbibliotecas
UFU (EIB)
627
R$ 176,15
Empréstimo Entre Bibliotecas
(EEB)
39
R$ 176,15
Dispositivos móveis
1.439
R$ 762,94
Livros
69.075
R$ 176,15
Consulta
Revistas
0
R$ 0,00
Jornais
0
R$ 0,00
Reprografia
73.205
R$ 0,10
Comutação bibliográfica
33
R$ 6,60
Audio books
47
R$ 2,18
Acesso
Música
7.629
R$ 3,49
E-books
12.949
R$ 101,81
Documentos - Bases de
27.582
R$ 6,60
Dados assinadas
Artigos - Portal de Periódicos
Download
Capes/MEC
384.983
R$ 6,60
Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações
Uso de salas de estudo em grupo, multimídia e
de videoconferência
Visita orientada
Capacitação Bases de dados
Normalização
Bibliotecários e assistentes
Formação
Participação em eventos,
reuniões
Uso de computadores para pesquisa
acadêmica
Serviços de Referência
Catalogação na publicação
Informações por meio da página eletrônica
TOTAL

Valor do Serviço
R$ 10.689.662,75
R$ 71.902,68
R$ 3.095,97
R$ 22.312,98
R$ 110.446,05
R$ 6.869,85
R$ 1.097.870,66
R$ 12.167.561,25
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ 7.320,50
R$ 217,80
R$ 102,46
R$ 26.625,21
R$ 1.318.337,69
R$ 182.041,20
R$ 2.540.887,80

0

R$ 39,60

R$ 0,00

12.542
1.255
1.709
260
0

R$ 35,00
R$ 11,25
R$ 10,00
R$ 8,33
R$ 0,00

R$ 438.970,00
R$ 14.118,75
R$ 17.090,00
R$ 2.165,80
R$ 0,00

13

R$ 1.303,57

R$ 16.946,41

50.204
54.877
636
163

R$ 3,00
R$ 22,92
R$ 132,00
R$ 22,92

R$ 150.612,00
R$ 1.257.780,84
R$ 83.952,00
R$ 3.735,96
30.230.626,61

R$

Fonte: As autoras.
Outro fator que influenciou o valor total foi o fato de não ter sido possível coletar
dados para algumas categorias (destacadas em vermelho na Tabela 1). No caso de consultas e
jornais estes dados não são coletados nem mesmo manualmente, não sendo possível fazer
amostragem como apontado pelo CSIC (2012). O TEDE1, software da BDTD, não permite
extração de dados estatísticos referente ao número de downloads. Estima-se que em breve
será possível coletar estes dados considerando que o SISBI/UFU está em processo de
migração das teses e dissertação do TEDE para o DSPACE (repositório institucional) que
fornece estas informações.
Os resultados apontam o quão valioso são os serviços oferecidos pela Biblioteca
Central Santa Mônica. Analisando os dados da Tabela 1, constata-se que na maioria das vezes
os valores dos serviços superam o valor investido na aquisição de produtos que se

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transformam em serviços. Como exemplo destaca-se que basta apenas uma modalidade de
empréstimo para superar em mais de 10 vezes o orçamento destinado à aquisição de material
informacional para todo o SISBI/UFU.
Na contramão dos serviços supervalorizados, Reprografia não supera o montante
investido na aquisição de dois scanners planetários, R$126.000,00 em 2013, sendo necessário
neste contexto, aproximadamente 10 anos para “pagar’ cada equipamento. No entanto, a
satisfação do usuário, a agilidade no atendimento, a contribuição com meio ambiente e a
possibilidade de execução de serviços internos, como a digitalização de Teses e
Dissertações12, justificam a aquisição do equipamento.

5 Considerações parciais/finais
Para se alcançar o proposto para este trabalho: imputar valor econômico aos serviços
oferecidos pela Biblioteca Central Santa Mônica, foram realizados vários estudos e análise
destes serviços. Dentre os diversos desafios a definição de uma fórmula para precificação dos
serviços foi considerada a tarefa mais complexa. A experiência de outras bibliotecas do
exterior, especificamente no que diz respeito ao desenvolvimento/disponibilização de
calculadoras para aplicação em bibliotecas, norteou as autoras facilitando em parte, a
elaboração deste trabalho.
Como apontado nos objetivos, este estudo, não se esgota por aqui. A próxima etapa
será a elaboração de um plano de aplicação para desenvolvimento de uma ferramenta para
calcular os valores dos serviços informacionais com foco na realidade brasileira. Até a
construção do plano de aplicação os serviços apontados neste trabalho bem como a fórmula
de precificação, serão reavaliados pela equipe do Sistema de Bibliotecas da UFU que também
contarão com o apoio dos colegas de outras instituições visando construir um instrumento que
seja aplicável a qualquer biblioteca universitária brasileira.
A presente pesquisa apresentou importantes contribuições para as ações de gestão do
SISBI/UFU pois permitiu a identificação de pontos que precisam ser melhorados na coleta de
dados e ampliou o universo de argumentos que justificam a necessidade de maior
investimento financeiro nas bibliotecas da UFU. Com a divulgação dos dados para a
comunidade universitária da UFU, espera-se alcançar maior valorização dos serviços
ofertados e da equipe profissional das bibliotecas e futuramente, com a implantação da
calculadora, contribuir de abrangência global.

6 Referências
ABBAS, K; GONÇALVES, M. N.; LEONCINE, M. Os métodos de custeio: vantagens, desvantagens
e sua aplicabilidade nos diversos tipos de organizações apresentadas pela literatura. Contexto, Porto
Alegre, v. 12, n. 22, p. 145-159, 2. Sem. 2012. Disponível em:
&lt;http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/oliveira/materiais/Artigo_3.pdf&gt;. Acesso em: 19 abr.
2016.
ALMEIDA, M. C. B. de A. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed. rev. e ampl.
Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros, 2005.
AVALIAÇÃO. In: CUNHA, M. B.; CAVALCANTI, C. R. de O. Dicionário de Biblioteconomia e
Arquivologia. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2008. p. 41.

12

Digitalização das Teses e Dissertações recebidas antes do dia 15 de setembro de 2005 quando passou a ser
obrigatório a entrega da cópia eletrônica para inserção na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFU.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Valoração de serviços em bibliotecas universitárias: um estudo na Biblioteca Central Santa Mônica da UFU.</text>
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                <text>Os benefícios dos serviços oferecidos por uma unidade informacional têm sido caracterizados pelos resultados desejados como por exemplo, a resposta efetiva de uma questão pelo usuário sendo os valores constituídos de dados bastantes concretos se considerados em termos monetários, ou seja, qual é o custo para disponibilizar tais serviços. Atribuir e medir valor a cada um dos serviços informacionais oferecidos pelas bibliotecas universitárias é uma das tarefas gerenciais mais desafiadoras e menos aplicadas nos ambientes informacionais. Com este trabalho objetiva-se atribuir valor econômico aos serviços prestados por uma biblioteca universitária brasileira, a fim de desenvolver uma ferramenta que venha auxiliar os gestores nos processos de tomada de decisão e avaliação das unidades informacionais visando a garantia da qualidade dos serviços prestados.</text>
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                    <text>Uso do Facebook como canal de divulgação das publicações da
Biblioteca de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do
Ceará

Aline Rodrigues de Lima Mendes (UFC) - alinemendes.ufc@gmail.com
Érica Filomena Araújo Barros (UFC) - filomenaerica@gmail.com
Francisco Feitosa Moura Filho (UFC) - mourafilho13@gmail.com
Resumo:
As redes sociais permitem que às instituições tenham uma maior interatividade com seus
clientes e tem acarretado em mudanças significativas no comportamento do consumidor. Este
trabalho tem como objetivo analisar o uso da rede social Facebook como ferramenta para
divulgação de uma ação promocional de marketing da Biblioteca de Ciências e Tecnologia da
Universidade Federal do Ceará. A comunicação de marketing proposta consiste na divulgação
de livros novos, adquiridos por compra ou doação, na fan page da biblioteca e uma divulgação
in loco por meio de uma exposição desses livros. A metodologia aplicada está pautada no
relato de experiência da biblioteca, na revisão de literatura sobre marketing e mídias sociais, e
na análise de tabelas e gráficos desenvolvidas durante esse processo.
Palavras-chave: Marketing. Web 2.0. Promoção
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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1 Introdução
A eficácia na comunicação para com o cliente é determinante para incentivá-lo a agir,
de modo a acreditar e consumir o produto ofertado.
Persuadir consumidores-alvo quanto aos méritos de um produto específico e incentiválos a agir em momentos específicos, é um componente vital da comunicação eficaz de
marketing (LOVELOCK; WIRTZ; HEMZO, 2011).
Tal comunicação deve ser planejada, possuir objetivo(s), meta(s) e metodologia para
avaliação de seu desempenho e eficácia, permitindo uma retroalimentação do processo e
correções para melhoria da ação.
A promoção, o quarto P do composto de marketing, utiliza a comunicação persuasiva
para assegurar que os públicos-alvo conheçam suas ofertas, acreditem que experimentarão
benefícios prometidos e sejam inspirados para agir (KOTLER; LEE, 2008). Para Las Casas
(2006, p. 377), “promover se relaciona com a função de informar, persuadir e influenciar a
decisão de compra do consumidor”.
Ao longo de sua história as ações de marketing foram amplamente utilizadas por
empresas privadas, porém estas ações podem ser aplicadas às instituições públicas e que não
visam lucro, como as bibliotecas. Tal afirmativa pode ser inserida tomando por base Kotler,
segundo o qual a troca é o conceito central de marketing. É a oferta de valor a alguém, em
troca de valor (1994).
O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) apresenta
mensalmente, através de uma lista de referências, a divulgação das publicações inseridas na
Base Pergamum. Além desta divulgação, a referida base permite um serviço de Disseminação
Seletiva da Informação (DSI), a partir do cadastramento do usuário para receber notificações
de publicações inseridas na base, mediante cadastramento de suas áreas de interesse.
Para Amaral (2008), o pensamento recente sobre marketing da informação sugere que
a tarefa das bibliotecas e demais unidades de informação não seja apenas satisfazer
necessidades de informação momentâneas, mas também inovar com a oferta de produtos e
serviços, capazes de atender aos interesses da clientela no futuro.
Corroborando o pensamento de Amaral ao conceito de promoção de marketing a
Biblioteca de Ciências e Tecnologia (BCT), umas das 17 bibliotecas que compõem o Sistema
de Bibliotecas da UFC, com o objetivo de promover uma divulgação com maior impacto e
alcance aos usuários, propôs uma nova metodologia para divulgação das novas publicações
adquiridas, bem como a avaliação dessa metodologia para medir sua eficácia e deste modo
proporcionar informação para à Direção da biblioteca, a fim de auxiliá-la na tomada de
decisão.
Considerando que a maior parte do público atendido pela biblioteca (estudantes de
graduação dos centros de: Ciências, Agrárias, Tecnologia, Instituto de Educação Física e
Desporto e o Instituto de Cultura e Arte) é formado por jovens que utilizam o Facebook como
canal de comunicação, além da própria biblioteca usar essa mídia para a promoção dos seus
serviços, resolveu-se divulgar as novas publicações adquiridas através dessa rede social.
Para a ação de marketing não ficar restrita ao meio virtual e levando em conta que o
ambiente da biblioteca possui um grande fluxo de pessoas, as publicações também foram
divulgadas em um formato de exposição no hall da sala de empréstimos, local estratégico que
liga o balcão de empréstimos ao acervo.
Ficou estabelecido um período de divulgação, física e on line, de 15 dias e foi
desenvolvida uma planilha na qual se permite fazer o acompanhamento das publicações
divulgadas.
Os resultados alcançados até então, nos levou a adotar essa estratégia de divulgação
para outros tipos de publicações, tais como: livros doados à biblioteca, periódicos, livros

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existentes no acervo que não eram tomados por empréstimo há mais de um ano, ou livros que
abordem temáticas relacionadas com algum evento promovido pela biblioteca.

2 Revisão de literatura
2.1 Marketing
De acordo com Kotler, “marketing é um processo social e gerencial pelo qual
indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de
produtos de valor com outros” (1998, p. 27).
Ainda tomando por base Kotler e considerando a definição acima, pode-se afirmar que
o “marketing objetiva o acontecimento de trocas voluntárias de valores [...], o especialista de
marketing tenta oferecer ao mercado-alvo benefícios que possuam suficientes atrativos a fim
de produzirem uma troca voluntária” (1994, p. 21). Nesse sentido o marketing sendo um
processo gerencial de troca de valores pode ser aplicado a diversos tipos de instituições, sejam
elas empresas privadas ou públicas, que visam ou não ao lucro.
Para Amaral (2008), a unidade de informação precisa ser vista como um “negócio”,
assim como qualquer outro, quando se trata da gestão da informação e do conhecimento,
ainda que seja necessário considerar suas especificidades, pois a informação é a matéria-prima
do conhecimento e ambos são os ativos intangíveis de relevância estratégica na sociedade da
informação e na sociedade do conhecimento em que estamos inseridos.
Sendo o marketing um processo gerencial, possui como propósito alcançar os
objetivos organizacionais. No setor comercial, o principal objetivo é o lucro. Já no setor nãocomercial, o principal objetivo é geralmente declarado em termos de interesse público. Uma
universidade tem como primeiro objetivo formar profissionais. Para tal dispõem de diversos
recursos como, professores, laboratórios e bibliotecas. As bibliotecas universitárias possuem
como objetivo apoiar o ensino e a pesquisa, através de recursos e serviços informacionais.
Para alcançar os objetivos de marketing, utiliza-se o composto de marketing, que é
formado pelo 4Ps, a saber, produto, praça, preço e promoção (KOTLER, 1998).
Embora seja o uso do conjunto dessas ferramentas que proporcionem o alcance dos
objetivos do marketing, este trabalho aborda especificamente o quarto P, a promoção, ou a
comunicação de marketing.
No marketing, a comunicação envolve toda e qualquer oportunidade em que algo ou
alguém da instituição, de alguma forma, tenha algum contato, direto ou indireto, com os
públicos, passando algum tipo de mensagem. (COSTA; TALARICO, 1996).
De acordo com Kotler e Lee, “a comunicação de marketing é utilizada para informar,
educar e, geralmente, persuadir um mercado-alvo sobre um comportamento desejado” (2008,
p. 156).
Ainda citando Costa e Talarico (1996), a comunicação no marketing possui diversas
ferramentas, sendo elas, propaganda, publicidade, promoção de vendas, merchandising e
venda pessoal. Quando se deseja a médio prazo o conhecimento e a consciência do produto ou
serviço, ou da própria imagem institucional as ferramentas mais adequadas serão a
propaganda e a publicidade. Já Kotler (2000) tentando englobar a revolução nas
comunicações e os efeitos que causariam no marketing enunciou que o composto de
promoção é formado por promoção de vendas, publicidade, força de vendas, relações
públicas, mala direta, telemarketing e Internet para alcançar os canais de distribuição e os
clientes-alvo.
Para alguns autores e profissionais da área de marketing não há diferença entre
propaganda e publicidade, no entanto neste trabalho adotamos os conceitos diferenciados.

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O conceito mais comumente aceito de propaganda é “qualquer forma paga de
apresentação impessoal e de promoção de ideias, bens ou serviços por um patrocinador
identificado” (KOTLER, 1998, p. 554).
Publicidade é
a estratégia que explora o caráter informativo da comunicação, a criação de
fatos e provocação de notícias, desenvolvendo um trabalho de formação e
fortalecimento da imagem corporativa da empresa e a informação do
lançamento, modificações e de características específicas de produtos
(COSTA; TALARICO, 1996, p. 57).

Partindo-se dos conceitos acima apresentados, entende-se que a Biblioteca de Ciências
e Tecnologia da UFC adotou como estratégia de comunicação com os seus clientes a
ferramenta de promoção, publicidade.
Utilizando as redes sociais como canal de comunicação, a biblioteca está realizando o
marketing de mídia social, que
permite aos indivíduos promoverem suas páginas web, produtos ou serviços
por meio de canais sociais on-line e se comunicarem e explorarem uma
comunidade muito mais ampla que pode não estar disponível nos canais de
publicidade tradicionais. A mídia social, de maneira mais importante,
enfatiza o coletivo em vez do individual (WEINBERG, 2010, p. 3).

A comunicação dessas novas publicações adquiridas pela biblioteca foi realizada
através da rede social Facebook, mídia social, sem, contudo, esquecer-se da mídia tradicional,
observada com a exposição desses livros em um lugar de destaque na biblioteca, a utilização
de expositores para destacá-los e sinalização informativa indicando do que se trata a
exposição.
O desenvolvimento de estratégias de comunicação integrada, ou seja, a combinação
das mídias tradicionais e mídias sociais segundo Hanna, Rohm e Crittenden (2011) permite
uma ampla esfera de influências, visto que passam a alcançar os consumidores em uma
infinidade de plataformas. Ainda para Hanna, Rohm e Crittenden (2011) através das mídias
sociais, o marketing expande-se e transforma a consciência dos consumidores para uma maior
lealdade à marca.
Neste cenário, a biblioteca utiliza as atividades de marketing como nova forma de
transacionar e fazer trocas, utilizando as oportunidades oferecidas em ambiente eletrônico ou
digital, também conhecido como ciberespaço. Kotler (1999 apud SILVA, 2011, p. 249)
afirma que "o ciberespaço nos conduzirá a uma era em que a compra e venda se tornarão mais
automatizadas e convenientes." Necessitarão melhorar suas habilidades de gerenciamento de
clientes e aliados individuais, e envolver seus clientes no ato de co-projetar seus produtos
desejados" (KOTLER, 1999 apud SILVA, 2011, p. 250).

2.2. Web 2.0 e mídias sociais
A internet causou uma verdadeira revolução na maneira que consumimos a
informação. Se antes a comunicação era midiática, partindo de um emissor para vários
receptores, com a segunda fase da internet, chamada de Web 2.0, a comunicação se
horizontalizou, passou a ser dialógica, onde vários emissores e vários receptores produzem e
compartilham informações em uma quantidade e rapidez absurdas.
A Web 2.0, definida por Zarrella e Zarrella (2011), como uma plataforma que usa
várias ferramentas e websites para permitir a criação, a troca e o consumo de conteúdos entre
seus utilizadores, propiciou uma interatividade tal que o conteúdo da informação não seja

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consumido de maneira passiva por seus usuários. Com os desdobramentos da Web 2.0
surgiram as redes sociais, elas facilitaram a comunicação interpessoal entre seus usuários
colocando-os para partilhar experiências, desejos, reclamações em tempo real com qualquer
outro disposto a interagir.
Para Kaplan e Haenlein (2010) as redes sociais são altamente eficientes na
comunicação e Qualman (2010) afirma que elas estão a transformar a forma como as pessoas
vivem e fazem negócios.
Tal avanço tecnológico e comunicacional levou muitas empresas a rever suas
estratégias de marketing, visto que a aproximação entre os clientes e as suas marcas passou a
se dar em tempo real e por uma comunicação interativa, a qual um diálogo passa a ser
estabelecido entre as partes, e que, dependendo da mídia social utilizada pode replicar quase
que exponencialmente, por exemplo, uma insatisfação com a marca. Para Kietzmann et al.
(2001) as mídias sociais democratizaram a comunicação corporativa e transferiram o poder
dos marqueteiros e relações públicas da organização para os indivíduos e comunidades.
Uma repentina decepção com um produto ou serviço e o cliente pode negativar uma
organização, repercutindo para um número grande de potenciais outros clientes dessa
organização. De outra forma a satisfação com um produto ou o desejo de seguir uma empresa
virtualmente pode não só repercutir positivamente para que indivíduos do seu grupo social
passem a ser também atingidos pela marca, quanto para que a empresa possa ter um
conhecimento mais efetivo do público alvo a quem se destinam seus serviços e produtos.
Qualman (2010) verificou em seus estudos que 76% das pessoas confiam naquilo que
os outros consumidores dizem a respeito de um determinado produto, ao passo que apenas
15% confiam na publicidade. Essa diferença de confiabilidade em uma sociedade cada vez
mais conectada faz com que as redes sociais, compreendida aqui como páginas
fundamentadas em perfis que incentivam usuários com experiências relativamente
comparáveis para conhecer e iniciar relações uns com os outros (WEINBERG, 2010, p. 20),
exerça um papel preponderante e cada vez mais decisivo na tomada de decisão do
consumidor.
As mídias sociais introduzem mudanças substanciais e generalizadas para a
comunicação entre as organizações, comunidades e indivíduos. Isto representa um enorme
desafio para as empresas, já que muitos métodos de gestão estão mal adaptados para lidar com
clientes que querem ouvir as empresas, serem ouvidos e se envolverem com elas
(KIETZMANN et al., 2011). O Facebook, Twitter, Youtube e muitas outras redes começaram
a revolucionar o estado do marketing e publicidade, transformando a Internet de uma
plataforma de informação para uma plataforma de influência (HANNA; ROHM;
CRITTENDEN, 2011).

2.3 Facebook marketing
De acordo com Smith, Fischer e Yongjian (2012), o Facebook é uma rede social
fundada em 2004 em que seus utilizadores podem criar perfis com informações pessoais,
interesses, fotos, e outros, e podem ser “amigos” de outros utilizadores da rede social. Eles
também podem participar de uma ampla gama de atividades, como escrever na cronologia dos
amigos, comentar, “curtir” de conteúdos partilhados, participar de fóruns de discussão, e
"curtir" marcas.
Para Patterson (2012), o Facebook e outras redes sociais originaram mudanças
dramáticas no comportamento do consumidor. As pessoas começaram a participar de forma
ativa junto das empresas, através de partilhas de conteúdo, e a expressar as suas opiniões
dentro das páginas (espaços virtuais onde os consumidores podem interagir diretamente com
uma marca).

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A biblioteca ao escolher utilizar o Facebook como plataforma de divulgação da
promoção, optou pela facilidade de se comunicar com diversos alunos e o por um baixo custo
financeiro para realizar a publicidade. De acordo com Qualman (2010), utilizar as ferramentas
e os anúncios gratuitos nas mídias sociais é mais oportuno e mais eficaz em termos de custos
do que a publicidade tradicional e tem a capacidade de influenciar o comportamento dos
consumidores e de potenciais clientes.
Como toda ferramenta de marketing, o Facebook também tem suas peculiaridades,
Kerpen (2011) diz que o funil de vendas do Facebook não inclui somente a venda – o
caminho para chegar até a venda é mais longo. Em primeiro lugar, está a consciência, através
de um gosto. Depois será feita uma interação e envolvimento, através dos conteúdos. Por fim,
quando o fã está pronto para comprar, a venda pode ser feita.
Levando esses conceitos para o nosso estudo, se queremos aproveitar os recursos
comunicacionais de um marketing de Facebook o primeiro passo é orientar essa interatividade
para a compra, entendida aqui como o empréstimo do livro divulgado, para isso devemos
buscar o máximo de interação com os clientes sobre esses livros, a biblioteca deve publicar
constantemente matérias e temas relacionados aos livros que compõe o acervo. Acredita-se
que, através da participação ativa em comunidades, os consumidores geram confiança e
compromisso com as marcas (FLAVIÁN; GUINALÍU, 2006).
Apesar da interação com o cliente ser um caminho mais longo, quando pensamos em
unidades de informação, a mesma tem grande influência na fidelização dos clientes e cada
fase da partilha de informação deve ser direcionada para um marketing de conteúdo que
atenda a necessidade informacional desses clientes, gerando empatia pela marca.
As empresas precisam entender as motivações de seus membros e quais benefícios
eles buscam em troca de uma participação ativa. Quando um indivíduo explora uma página de
uma determinada marca, ele comenta, partilha uma foto ou uma experiência, interage com a
empresa, faz pergunta sobre a marca ou produto, isto é, este membro está a participar nas
atividades de uma comunidade, e a comunidade invisível se torna visível (LAROCHE et al.,
2013), visto que o consumidor ao interagir com a página, permite que esta interação seja
visível a outros amigos que fazem parte do Facebook, aumentando assim, a visibilidade da
própria comunidade, quanto mais essa comunicação se espalha, maior é o benefício para a
marca.
A chave para o marketing no Facebook é manter a sua página no feed de notícias dos
seus membros e fornecer o conteúdo que os faz querer comentar ou partilhar. Quando um
utilizador interage com o seu conteúdo, seus amigos irão ver isso em seus feeds de notícias,
dando maior visibilidade na sua página (ZARRELLA; ZARRELLA, 2011, p. 173), o
algoritmo do Facebook atua como um verdadeiro curador passando a entender que as notícias
dessa página são relevantes para o utilizador o que implicará em uma aparição mais frequente
no feed de seus clientes.
Kerpen (2011) diz que o conteúdo é destacado no feed de notícias do Facebook
quando tem os seguintes fatores: quão recente é o conteúdo, força e a relação com a pessoa ou
página que partilhou o conteúdo, quantos comentários e curtidas o conteúdo gerou.
Os dados do Facebook Insights, ferramenta estatística das fan pages do Facebook,
indicam que os dias que a página tem maior alcance são os dias da publicação dos livros, além
da experiência diária demonstrar que o post de divulgação dos livros costuma ser o que recebe
mais comentários e curtidas e, consequentemente, ser o mais visualizado diariamente. Isso
nos leva a crer que a divulgação tem alcançado seu objetivo de marketing no Facebook e tem
contribuído para a disseminação da marca.
A tecnologia transformou o modelo tradicional de comunicação de marketing e as
unidades de informação devem desenvolver estratégias de marketing de conteúdo para

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interagir de maneira clara com seu público alvo, fomentar necessidades, identificar e dar
resposta aos desejos dos seus clientes.

2.4 Marketing de conteúdo
O marketing de conteúdo surgiu em 2010 fruto do desenvolvimento das Tecnologias
da Informação e Comunicação (TIC) e da interatividade proporcionada pela Web 2.0 que
alavancou o número de informações circulantes, visto que agora os usuários da rede de
computadores passam a produzir e a compartilhar informações.
Essa profusão de conteúdo traz uma série de alterações na forma que os gestores da
informação e as Unidades de Informação devem lidar com a informação. Antes os clientes
tinham que ir atrás da informação que desejasse, hoje, com o sucesso das redes sociais não se
busca mais a informação, ela acaba por chegar até o usuário. A quantidade de informação no
Facebook é tão grande que ela já chega aos clientes de maneira pré-selecionada, através de
uma curadoria digital feita com base nos gostos do cliente. Cabem as unidades de informação,
no contexto do marketing digital, selecionar informações relevantes ao seu público - curadoria
de conteúdo manual - e adicionar o ponto de vista da organização para a construção de um
diálogo permanente com seus clientes.
De acordo com Rockcontent (2015, p.1),
marketing de conteúdo é uma maneia de engajar com seu público-alvo e crescer sua
rede de clientes e potenciais clientes através da criação de conteúdo relevante e
valioso, atraindo, envolvendo e gerando valor para as pessoas de modo a criar uma
percepção positiva da sua marca e assim gerar mais negócios.

Dessa maneira o gestor de conteúdo tenta inserir a marca no dia-a-dia das pessoas,
deixando de lado o marketing intrusivo e investindo em relacionamento.
O conteúdo é a melhor maneira de se ganhar visibilidade da página e ter novas
“curtidas”, bem como, para manter os membros da página atraídos e entretidos de fato
(ZARRELLA; ZARRELLA, 2011, p. 153).
Para Pulizzi (2014), marketing de conteúdo é um processo para atrair e reter clientes
de forma consistente relativamente ao conteúdo criado, a fim de alterar ou melhorar um
comportamento do consumidor. Portanto, para um conteúdo deixar de ser informe e passar a
ser marketing de conteúdo, tal conteúdo deve comunicar de forma efetiva, construir
comunidades e incitar a mudança de comportamento de seus clientes e potenciais clientes,
orientando-os para a compra, sem, contudo, esquecer que também é função da empresa de
informar sobre o ambiente externo do qual todos fazem parte.
Os editores de conteúdo devem buscar o estabelecimento de uma influência on line
sobre seus clientes, para tal deve coletar o melhor conteúdo sobre um tema de nicho,
direcionar o conteúdo a audiência certa, interagir com os comentários dos clientes de modo a
melhorá-los. A interação propiciada pelas mídias sociais permite que editor perceba com mais
precisão as necessidades informacionais de seus clientes e possa ir alternando a forma de se
comunicar com eles. Beth Kanter enunciou as diretrizes da curadoria de conteúdos em:
pesquisar e se atualizar com notícias da sua área, dar sentido à informação e trocar recursos
com todos que se encontram à sua volta (INTUITIVA COMUNICAÇÃO WEB, 2016).

3 Materiais e métodos
O presente trabalho é fruto de uma ação de promoção da Biblioteca de Ciências e
Tecnologia da UFC, que desencadeou em uma política de marketing da informação. O mesmo
pode ser caracterizado como um trabalho descritivo e exploratório. Descritivo por relatar a

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experiência de uma unidade informacional e exploratório pelo desenvolvimento e análise de
uma série de métricas para auxiliar na tomada de decisão por parte da direção.
Primeiramente foi criada, em janeiro de 2012, na plataforma Facebook a fan page da
Biblioteca de Ciências e Tecnologia para divulgar serviços e notícias da biblioteca, bem como
informações do mundo acadêmico, e eventos dos cursos atendidos por esta biblioteca. A
escolha do Facebook deu-se por ser a principal rede social utilizada no Brasil, em abril de
2015 a rede constava com 92 milhões de usuários, estima-se que esse número continua a
crescer. Entre os jovens, público principal da comunidade acadêmica, o uso do Facebook é
corriqueiro e constantemente usado para auxiliar como ferramenta didática, prova disso é a
existência de grupos de todos os cursos atendidos pela Biblioteca de Ciências e Tecnologia,
bem como grupos criados para que os alunos troquem informações sobre atividades de
determinada disciplina, muitos deles contando com a presença dos professores e/ou
monitores.
Considerando que a divulgação das novas publicações inseridas na Base Pergamum,
pelo Sistema de Bibliotecas da UFC não se mostrava atrativa - trata-se de uma lista
mensalmente disponibilizada para download na home page do Sistema de Bibliotecas onde
consta por escrito os títulos das novas publicações, o nome dos autores e a unidade da
informação que a publicação se encontra - e considerando o alcance das redes sociais, foi
proposto pela Biblioteca de Ciências e Tecnologia da UFC, a divulgação das publicações
adquiridas por compra, utilizando a página da biblioteca no Facebook
(https://www.facebook.com/BibliotecadeCienciaseTecnologiadaUFCE), que consta hoje com
4642 seguidores, como canal de comunicação.
Os recursos do Facebook permitiu que fosse utilizada a imagem da capa da
publicação, título do livro, número de chamada, resenha do livro, link que dá acesso as
funções da rede Pergamum, como é apresentado na figura 1:
Figura 1 – Exemplo de divulgação de livros através da fan page da Biblioteca de
Ciências e Tecnologia da UFC

Fonte: Página da Biblioteca de Ciências e Tecnologia da UFCE no Facebook (2016)

Com intuito de chamar mais a atenção para essa divulgação e assim aumentar seu
alcance, resolvemos compartilhar esse post com os grupos dos cursos que a priori apresentam
maior interesse relacionado a área de cada publicação, fazendo com isso um direcionamento
seletivo da informação, aproximando os usuários da biblioteca e promovendo a exposição da
publicação. Para isso foi criado um perfil, chamado Bibliotecando BCT
(https://www.facebook.com/bibliotecando.bct), atualmente com 1675 amigos, esse perfil

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permitiu fazer amizade com alunos e professores da Instituição e fazer parte dos grupos
criados por estes.
Foi decidido fazer uma segmentação para a divulgação destas publicações, analisamos
o conteúdo desse livro e identificamos quais os cursos que o livro possa interessar e
compartilhamos com esses grupos. Por exemplo, se um livro trata do assunto águas,
especificamente sobre seus aspectos jurídicos, sugere-se que o livro possa interessar aos
cursos de engenharia, biologia, geologia, geografia, agronomia, química, etc., e seja
divulgado nos grupos desses cursos.
O perfil Bibliotecando BCT entra em contato com os grupos, solicitando ser
adicionado, se apresenta como um serviço da Biblioteca de Ciências e Tecnologia e solicita o
apoio dos grupos nas divulgações da biblioteca. Outra função do perfil é interagir com os
membros dos grupos curtindo e compartilhando suas publicações que estejam relacionadas
com a biblioteca e com as áreas de ciências, tecnologia, esportes e arte, além de esclarecer
dúvidas relativas aos serviços da Biblioteca. Lembremos que quanto maior for o número de
curtidas, compartilhamentos e diálogos entre o perfil e seus amigos mais vezes o perfil
aparecerá no feed de notícias de seus amigos, aumentando a visibilidade da Biblioteca.
A divulgação das publicações é feita duas vezes com o intervalo de uma semana entre
elas, concomitante a essa divulgação o livro fica em exposição no hall do balcão de
empréstimos da biblioteca por quinze dias ou até todos os exemplares desse título serem
emprestados, quando outro título será divulgado. No decorrer do desenvolvimento do
trabalho, essa exposição foi recebendo uma decoração relacionada a períodos festivos do
calendário ou eventos da Universidade, como forma de chamar atenção para a mesma.
Figura 2 – Exposição dos livros no hall de empréstimos da Biblioteca
de Ciências e Tecnologia da UFC.

Fonte: Página da Biblioteca de Ciências e Tecnologia da UFCE no
Facebook (2015)

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Para acompanhar de maneira fácil a entrada e saída desses livros da exposição,
elaboramos uma planilha como forma de avaliar o efeito da divulgação e deste modo decidir
pela sua continuação, melhoria ou interrupção. No intuito de facilitar o acompanhamento,
desenvolvemos um método de sinalização por cores, que entre outras possibilidades nos
permite identificar se o livro divulgado já teve algum exemplar emprestado antes da
divulgação, quantos exemplares foram emprestados durante a divulgação, se o empréstimo do
exemplar foi a partir da exposição ou se foi um exemplar retirado do acervo, se o título
divulgado teve todos os exemplares emprestados.
Figura 3 – Planilha de acompanhamento da divulgação

Fonte: MOURA FILHO (2013)

A seguir apresentamos o resultado da análise das publicações divulgadas durante os
anos de 2013 a 2015.

4 Resultados parciais
Este trabalho analisou as publicações divulgadas no período de 2013, 2014, 2015, e
obteve respectivamente 301, 421 e 423, publicações divulgadas. Realizou-se uma série de
relações estatísticas para compreender melhor a efetividade ou não da publicidade realizada
Os totais de livros divulgados nos três anos foram de 1145 e o total de livros
emprestados no mínimo uma vez foi de 673 livros, o que implica em 58,8% de livros
emprestados pós-divulgação. Em 2013 83,7% dos livros divulgados foram emprestados, esse
número caiu para 58,9% em 2014 e para 40,9% em 2015. O número de livros que tiveram
todos os seus exemplares emprestados foram de: 128 livros em 2013, 88 livros em 2014 e 90
livros em 2015, com uma porcentagem de respectivamente 42,5%; 20,9% e 21,3%.

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Gráfico 1 - Relação de divulgação x empréstimo

Fonte: Elaborado pelos autores

Como se pode observar na tabela abaixo, os livros foram divididos, primeiramente,
entre publicações com registro de empréstimos anterior à divulgação e publicações sem
registro de empréstimos anterior à publicação. Esta divisão foi feita por se considerar que
estes dados são mais representativos quanto ao aspecto promocional questionado, já que até
então passaram despercebidos pelos usuários. Compreende-se que esses livros não foram
emprestados por desconhecimento da existência dos mesmos ou pela ineficiência do método
de divulgação utilizado pelo Sistema de Bibliotecas, visto que a grande maioria deles
compõem a bibliografia básica ou complementar dos cursos atendidos.
Tabela 1 - Empréstimo x divulgação
Total de
Período de Livros
divulgação Divulgados
2013
301
2014
421
2015
423
Soma
1145

Livros sem
Registros de
Empréstimos
(Prédivulgação)
139 (46,2%)
294 (69,8%)
153 (36,2%)
586 (51,2%)

Livros com
Registros de
Empréstimos (Prédivulgação)
162 (53,8%)
127 (30,2%)
270 (63,8%)
559 (48,8%)

Fonte: Elaborado pelos autores
Entre os livros sem registros de empréstimos pré-divulgação, 103 foram emprestados
em 2013, 135 em 2014 e 61 em 2015. Já entre os livros com registros de empréstimos prédivulgação: 149 foram emprestados em 2013, 113 em 2014 e 112 em 2015. Vide a tabela
abaixo:
Tabela 2 – Comparativo de empréstimo após divulgação
Livros sem
Livros
Livros com
registros de
emprestados registros de
empréstimos
pósempréstimos
Período pré-divulgação divulgação pré-divulgação
2013
139 103 (74,1%)
162
2014
294 135 (45,9%)
127
2015
153 61 (39,9%)
270
Soma
586 299 (51,0%)
559
Fonte: Elaborado pelos autores

Livros
emprestados
pósdivulgação
149 (92,0%)
113 (89,0%)
112 (41,5%)
374 (66,9%)

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A partir de 2014 a planilha foi aperfeiçoada para medirmos o número de exemplares
emprestados que saíram diretamente da exposição e os que, durante os 15 dias de divulgação,
saíram do acervo. Em 2014, 223 exemplares foram emprestados da exposição e 116
emprestados do acervo; em 2015, 200 exemplares foram emprestados da exposição e 60 do
acervo.

5 Considerações parciais
No que se refere ao marketing de conteúdo, as publicações dos livros novos são os posts
que normalmente apresentam o maior alcance, o que nos leva a crer que a estratégia de
compartilhar com os grupos se mostra acertada, já que muitos alunos costumam interagir com
o perfil após essas publicações, e que esse tipo de conteúdo tem grande aceitação entre os
clientes. Aqui não podemos desconsiderar o efeito integrado da exposição no hall do balcão
de empréstimos, uma promoção de mídia tradicional, com as ações de marketing no Facebook
e todas as idiossincrasias que uma mídia social pode oferecer em termos de publicidade.
A atividade de promoção de marketing proposta serviu para publicitar o acervo de livros
novos, sejam eles adquiridos por compra ou por doação, da Biblioteca de Ciências e
Tecnologia da UFC. O simples fato de haver 586 livros emprestados (51,2% da amostra total)
sem registros de empréstimos anteriores e que destes 299 foram emprestados durante o
período da exposição (51,0% dos livros sem registros de empréstimos pré-divulgação e 26,1%
da amostra total) faz com que o trabalho se mostre relevante, visto que os mesmos passaram
meses sem registrar nenhum empréstimo e que após a divulgação foram emprestados em um
período curto de promoção. Isso nos permite inferir que muitos deles permaneceriam por um
longo tempo sem empréstimos e que o método de divulgação utilizado pelo Sistema de
Bibliotecas não tem efetividade comprovada.
Como não podemos desconsiderar a queda na porcentagem de empréstimos
anualmente, analisamos o material divulgado e constatamos que as divulgações de 2013 eram
em sua totalidade livros adquiridos por compra e que compõem a bibliografia básica e
complementar dos cursos, e que a partir de 2014 os livros doados à biblioteca também
passaram a ser divulgados. Outro fator relevante que pode vir a explicar essa queda é o
número de divulgações de livros em outra língua que não o português: 31 livros em 2013, 77
livros em 2014 e 109 livros em 2015; sabe-se que livros em outro idioma normalmente são
menos emprestados em função da barreira linguística encontrada por boa parte dos alunos de
graduação, maior parte do público atendido pela biblioteca.
Os resultados obtidos nos levaram a adotar a divulgação para outros tipos de
publicações, tais como: livros adquiridos por doação, periódicos e livros que já existiam no
acervo, e que não eram tomados por empréstimo a mais de um ano.
Consideramos a porcentagem de empréstimo, principalmente a dos livros sem
registros de empréstimos anteriores à divulgação, baixo. No intuito de aumentar essa
quantidade de empréstimos, propomos uma maior divulgação entre os influenciadores do
mundo acadêmico, os professores, visto que eles são os responsáveis por grande parte das
sugestões de compra de livros e doações para a biblioteca. Analisando os perfis dos que
seguem a fan page da Biblioteca de Ciências e Tecnologia, nas redes sociais, foi constatado o
baixo número de docentes, quando comparado ao total de professores existentes na
Universidade. Sugere-se então a identificação desses professores e a marcação dos mesmos na
divulgação dos livros novos, para que a interação desses com os alunos possam influenciar no
maior número de empréstimos.

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6 Referências
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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Uso do Facebook como canal de divulgação das publicações da Biblioteca de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Ceará.</text>
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                <text>Mendes, Aline Rodrigues de Lima; Barros, Érica Filomena Araújo; Moura Filho, Francisco Feitosa </text>
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                <text>As redes sociais permitem que às instituições tenham uma maior interatividade com seus clientes e tem acarretado em mudanças significativas no comportamento do consumidor. Este trabalho tem como objetivo analisar o uso da rede social Facebook como ferramenta para divulgação de uma ação promocional de marketing da Biblioteca de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Ceará. A comunicação de marketing proposta consiste na divulgação de livros novos, adquiridos por compra ou doação, na fan page da biblioteca e uma divulgação in loco por meio de uma exposição desses livros. A metodologia aplicada está pautada no relato de experiência da biblioteca, na revisão de literatura sobre marketing e mídias sociais, e na análise de tabelas e gráficos desenvolvidas durante esse processo.</text>
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                    <text>UMA REFLEXÃO SOBRE AS MUDANÇAS NA PRATICA
BIBLIOTECONOMICA A PARTIR DO CONTEXTO DA E-SCIENCE
Esdra Basilio (UFG) - basilio.esdra@gmail.com
Dayane Basilio (UFG) - aninhaxpinheiro@gmail.com
Resumo:
Objetiva-se, analisar as competências essenciais que os bibliotecários (as) devem desenvolver
no atual contexto da E- Science. Competência pode ser compreendida como o conjunto de
habilidades, conhecimentos e técnicas para desenvolver uma atividade. A E- Science surge
para facilitar a captura, analise e a curadoria dos dados científicos. Esta pesquisa é
classificada como exploratória, usamos a técnica de pesquisa bibliográfica. Buscamos,
selecionar e analisar textos referentes a E-Science e competências do profissional bibliotecário
(a). As análises das bibliografias referentes ao tema revelam que as competências essenciais
do profissional bibliotecário (a) proposta pela Classificação Brasileira de Ocupações podem ser
adaptadas com o contexto da E-Science.
Palavras-chave: Profissional da informação. E- Science. Competências. Curadoria Digital.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

UMA REFLEXÃO SOBRE AS MUDANÇAS NA PRATICA
BIBLIOTECONOMICA A PARTIR DO CONTEXTO DA E-SCIENCE.
Resumo
Objetiva-se, analisar as competências essenciais que os bibliotecários (as) devem desenvolver
no atual contexto da E- Science. Competência pode ser compreendida como o conjunto de
habilidades, conhecimentos e técnicas para desenvolver uma atividade. A E- Science surge
para facilitar a captura, analise e a curadoria dos dados científicos. Esta pesquisa é
classificada como exploratória, usamos a técnica de pesquisa bibliográfica. Buscamos,
selecionar e analisar textos referentes a E-Science e competências do
profissional bibliotecário (a). As análises das bibliografias referentes ao tema revelam que as
competências essenciais do profissional bibliotecário (a) proposta pela Classificação
Brasileira de Ocupações podem ser adaptadas com o contexto da E-Science.
Palavras-chave: Profissional da informação. E- Science. Competências. Curadoria
Digital.
Abstract
The present work aims to analyse the essentials competencies which the librarians must
develop in the current context of E-Science. Competence can be understood as a set of skills,
knowledge and techniques to develop an activity. The E-Science arise to facilitate the capture,
the analysis and the curation of scientific data. This research is classified as exploratory. We
used the bibliographic method technique. We seek to select and analyse texts concerning EScience and competences of the professional librarian. The analysis of bibliographies referred
to the topic, reveal that the essentials competencies of the professional librarian proposed by
the Brazilian Classification of Occupations can be adapted with the E-Science.
Keywords: Information professional. E-Science. Competencies. Digital curation.

1 Introdução
A todo momento são criados novos caminhos e teias para se armazenar e produzir
informações1, as novas tecnologias são ferramentas que possibilitam compartilhar e
sistematizar as informações, em relação ao seu formato, disponibilização e volume, as redes
de se ampliam cada vez mais, nos ambientes organizacionais, como nas bibliotecas
universitárias. Portanto, destacamos a necessidade latente da atualização das competências e
habilidades dos bibliotecários/a, que é o principal objetivo desta pesquisa. Relembramos aqui,
as cinco leis criadas por Ranganathan: os livros são para usar. A cada leitor o seu livro. A
1

Entendemos a palavra informação de acordo com a definição de Mey &amp; Silveira onde: Informação, e um
conjunto de signos-´ palavras, frases, imagens, números ou quaisquer outros signos- que tenha um sentido.
Portanto, nossas representações se constituem em informação e por ela são constituídas. Em síntese, tomando
como base um conhecimento registrado, produzimos informações sobre ele, de modo a subsidiar o acesso das
pessoas a este conhecimento. Mey,Eliane Serrão Alves. Catalogação no plural. Brasilia: Brinquet de
Lemos,2009. p.2.

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cada livro o seu leitor. Poupe o tempo do leitor. A biblioteca é um organismo em crescimento.
(Ranganathan, 2009, p.6), compreendemos que as novas dinâmicas ressignificam as leis
propostas por Ranganathan, porém, o cerne da questão sempre será o usuário. A informação
precisa estar em tempo hábil para um usuário em especifico. Sobre a atuação do
bibliotecário/a, é imprescindível que ele desenvolva competências especificas para este
cenário visando otimizar e incrementar o desenvolvimento das pesquisas científicas, e
também gerir a organização desses dados. Nessa perspectiva, o bibliotecário (a) tem que ser
um profissional multifacetado.
Nesse sentido, a E- Science é a ciência orientada para dados científicos. Envolve três
atividades básicas a coleta de dados científicos, o seu tratamento que é a curadoria e sua
disponibilização para comunidade cientifica. Com a E- Science acontece o aproveitamento de
dados primários reduzindo custos e tempo durante a pesquisa cientifica. No contexto
científico, antes, a preocupação era em como conseguir a informação desejada para
desenvolver as pesquisas, atualmente, a grande preocupação é em como tratar o grande fluxo
de informações e também qual a melhor forma de armazenar e recuperar essa grande gama de
informações.
Partimos do seguinte questionamento: “ Quais as competências e habilidades que os
bibliotecários/a precisam desenvolver no contexto da E – Science? ” As conjecturas
levantadas são: Os profissionais da informação ainda não estão familiarizados com as novas
tecnologias da informação de modo como as instituições organizacionais e também científicas
necessitam. Os bibliotecários (as) devem buscar se relacionar de maneira mais aprofundada
com outras áreas ligadas a informação (Tecnologia da Informação, Gestão, Arquivologia,
Informática, dentre outras) para que possam oferecer um serviço informacional mais eficiente
e eficaz.
As bibliotecas universitárias têm um papel primordial no desenvolvimento da E –
Science, pois, uma de suas principais funções é gerir os dados provenientes das pesquisas do
seu corpo docente e discente e também promover um ambiente de acesso facilitado, o que
implica diretamente na visibilidade do conhecimento produzido na instituição, por
conseguinte, interfere no subsídio informacional para a promoção do ensino, pesquisa e
extensão.
Vivemos atualmente em um cenário onde a informação em todos os seus formatos
(digital ou impresso) circula de forma rápida e de maneira desordenada. Com o avanço das
tecnologias esse fluxo de informação tem aumentando consideravelmente. Compete aos
profissionais ligados a informação, a seleção, organização e a divulgação dessas informações
de maneira personalizada e otimizada com o foco no usuário, especialmente o pesquisador (a).
O profissional bibliotecário (a) deve acompanhar essa evolução da ciência e tecnologia
desenvolvendo diversas competências, buscando uma forma de se inserir no âmbito das
tecnologias que são indispensáveis para a transferência de conhecimento, tratamento,
organização, armazenamento e recuperação dessas informações cientificas.

2 Revisão de literatura: Alguns conceitos
Na literatura pesquisada, foi possível perceber que a habilidade faz parte do conceito
de competência. A habilidade adquirida contribui para o desenvolvimento da competência.
Robbins em seu livro Administração: mudanças e perspectivas Robbins (2005) divide
habilidade em duas categorias: - Gerais que são habilidades conceituais as quais ajudam a
raciocinar na resolução de problemas e tomar decisões; habilidades interpessoais
correspondem as relações pessoais no trabalho, a habilidade de motivação da equipe;
habilidades técnicas correspondem à aplicação da experiência no trabalho, ao fazer o trabalho,
com o tempo a pessoa desenvolve habilidade; habilidades políticas o poder de criar relações

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interpessoais para se ter os contatos que ajudam na carreira. – Habilidades específicas são
habilidades especificas que o cargo exige.
A competência está fortemente ligada à ação na prática de determinadas situações,
tanto no trabalho quanto na vida pessoal do individuo. Miranda (2004) coloca competência
como “um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes correlacionados que afeta parte
considerável da atividade de alguém”. Miranda (2004) conceitua competência no trabalho,
quando o individuo coloca seus conhecimentos adquiridos anteriormente com as técnicas do
trabalho exercendo sua função. Já Freury &amp; Freury (2001) falam que competência é percebida
como um estoque de recursos, que o indivíduo detém, então, é a relação de conhecimentos,
habilidades e atitudes que demonstram o auto desempenho. O conhecimento adquirido ao
longo da vida profissional torna o indivíduo mais competente na função que vai exercer.
Teoricamente se juntar o conhecimento adquirido, que são suas experiências, com a técnica,
que são as habilidades na função que exerce, essa pessoa vai ter competência no que faz.
A competência pode ser classificada, segundo autores da área de administração
(Fleury, Bateman e Snell e Chiavenato e outros) de várias formas, entre elas estão:
interpessoais, conceituais, técnicas, individuais, organizacionais. As competências técnicas
estão relacionadas com as técnicas do trabalho tais como: operar maquinas, fazer um relatório.
Já as competências conceituais são a capacidade de resolver imprevistos e problemas, saber
reconhecer oportunidades de crescimento. As interpessoais são a capacidade de trabalhar em
grupo, responsabilidade social. As competências individuais, assim como o conhecimento,
são as habilidades em geral que cada pessoa possui. Finalmente, as organizacionais são a
combinação do fluxo de trabalho com o conhecimento adquirido.
Para Fleury e Fleury (2001) competência deve estar ligada a um valor a um verbo de
ação:
A noção de competência aparece assim associada a verbos como: saber agir,
mobilizar recursos, integrar saberes múltiplos e complexos, saber aprender, saber se
engajar, assumir responsabilidades, ter visão estratégica. As competências devem
agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo.
(FLEURY; FLEURY, 2001, p. 4)

Bateman e Snell (1998) afirmam que uma empresa deve ter competências essenciais
que é o diferencial, uma especialidade que a empresa cumpre melhor que as outras do mesmo
mercado. A garantia de qualidade no produto ou serviço, a busca de inovação e atualização,
através de cursos de reciclagens. Essa competência é uma vantagem competitiva. Cada
empresa possui uma competência essencial, juntando com outras empresas com competências
diferentes, se completam dominando o mercado que atuam.
O autor da área de administração Chiavenato (2006, p. 79) discorre sobre a
importância da competência nas organizações: “As organizações requerem competências para
utilizá-las adequadamente e alcançar seus objetivos ”. Ele diz também que a competência está
entre as pessoas que trabalham na instituição e devem ser valorizadas e incentivadas. As
competências essenciais criam um diferencial, uma vantagem única. Ele ainda complementa
apresentando os passos necessários para que a organização possa tratar a competência:

O primeiro passo é a identificação e o mapeamento das competências. O segundo
passo é sua classificação e estruturação. O terceiro é o seu armazenamento para
disponibilização futura. O quarto, sua divulgação e disseminação entre todos na
organização. Daí para frente é desenvolvê-las cada vez mais e aplica-las em
resultados concretos. A organização deve agir de acordo com elas (CHIAVENATO,
2006, p. 79).

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Para Mascarenhas (2008) o conceito de competência pode ser definida como um
conjunto de três elementos: Conhecimento- aprender e reaprender, sempre a busca pelo
aprendizado constante na rotina de trabalho, práticas; Habilidade – usar a criatividade para
resolver problemas, saindo dos problemas criando novas oportunidades; Atitude – Faz
acontecer, não esperar a chegada do problema para resolvê-lo, anteceder.
Leme (2006) coloca competências comportamentais como o diferencial de cada
profissional: Atitude – querer fazer. Competência técnica: Conhecimento – saber e
Habilidade – saber fazer. Esse conceito é conhecido como CHA. Ele também fala da
importância da competência dos funcionários para a organização. O coeficiente de
desempenho do colaborador colocado por ele é o percentual de desempenho das perspectivas.
Essas perspectivas podem ser calculadas com foco em competências: Perspectivas técnicascompetências necessárias para exercer a função que ocupa, identificar se o colaborador sabe
exercer a competência necessária; Comportamental – mapeamento das competências pela
gestão de pessoas; Resultados- metas sejam negociadas com os funcionários de forma
humanizada; Complexidade- o funcionário desempenha sua função em relação a
complexidade.
Competência é a junção de habilidades que é saber fazer o trabalho; conhecimento
que é adquirido ao longo da vida, conhecido também como experiência e atitude que a
antecipação dos acontecimentos. Então é o saber fazer sua função de maneira pró – ativa, não
como um robô e sim o exercício da função junto com suas experiências profissionais.

2.3 COMPETÊNCIAS DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO
Segundo Borges (2004) “A tecnologia tornou-se ao mesmo tempo “oportunidade” e
“risco””. Cabe a esse profissional encontrar nos avanços da tecnologia uma oportunidade para
se inserir e atualizar constantemente. Borges (2004) fala que o bibliotecário (a) deve ser:
Um profissional que seja capaz de utilizar novos processos e instrumentos
tecnológicos, estar inserido nessa sociedade da informação e do conhecimento, que
faz uso intensivo e em larga escala do computador para processamento de dados,
redes de informação e comunicação, automação de processos produtivos, enfim que
esteja inserido no contexto da informação, do conhecimento e das tecnologias de
informação disponíveis. (BORGES, 2004, p. 57)

O maior desafio para o bibliotecário (a) é saber lidar com o grande número de
informações e com as crescentes modificações dos seus suportes e formas. Segundo a
Classificação Brasileira de ocupações a descrição sumária, o bibliotecário (a) tem a
capacidade de:
Disponibilizar informação em qualquer suporte; gerenciar unidade como bibliotecas,
centros de documentação, centros de informação e correlatos, além de redes e
sistemas de informação. Trata tecnicamente e desenvolve recursos informacionais;
dissemina informação com o objetivo de facilitar o acesso e a geração do
conhecimento; desenvolvendo estudos e pesquisas; realizam difusão cultural;
desenvolvem ações educativas. Podem prestar serviços de assessoria e consultoria.
(BRASIL, 2015, não paginado).

O profissional não é só um “guardador de livros”, ele deve disponibilizar a
informação independentemente do suporte em que se encontra. O bibliotecário (a) também

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não gerencia somente as tradicionais bibliotecas que continham praticamente só livros, mas
sim, devem gerenciar redes e sistemas de informação.
Em 2002 o Ministério do trabalho atualizou a Classificação Brasileira de Ocupações
que enumera as competências pessoais. Os Profissionais da Informação devem:
Manter- se atualizado, liderar equipes, trabalhar em equipe e em rede, demonstrar
capacidade de análise e síntese, demonstrar conhecimento de outros idiomas,
demonstrar capacidade de comunicação, demonstrar capacidade de negociação, agir
com ética, demonstrar senso de organização, demonstrar capacidade empreendedora,
demonstrar raciocínio lógico, demonstrar capacidade de concentração, demonstrar
pró – atividade, demonstrar criatividade (Brasil, 2002, não paginado)

As informações em rede conferiram um contexto globalizado no escopo de trabalho
do bibliotecário (a), isto trouxe a necessidade de desenvolvimento de competências para
trabalhar em um ambiente multidisciplinar e com acesso a fontes de informações espalhadas
pelo mundo procurando atender da melhor forma o seu usuário.
Valentim (2002) e Silveira (2008), falam das competências e habilidades que o
bibliotecário deve desenvolver que foram discutidas no Encontro de Diretores de Escolas de
Biblioteconomia e Ciência da Informação do Mercosul, quais sejam: - Competência de
Comunicação e Expressão, que é a forma do bibliotecário(a) se comunicar com seu usuário,
através dos recursos informacionais, catálogos, treinamentos e todos os meios de
comunicação direta e indireta que o bibliotecário(a) tem com os usuário da unidade de
informação, sempre aperfeiçoar a comunicação através de estudos de Usuários. –
Competências Técnico-Científicas, processar informação independente do seu suporte e
formato, planejar e organizar redes de informações, desenvolver e contribuir para pesquisa na
área de biblioteconomia, verificar a autenticidade e a procedência das informações. Competências Gerenciais, administrar unidades de informações e serviços de informações
independente ajudando no planejamento econômico e financeiro desta unidade além de
gerenciar redes globais de informação. Valentim (2002, p.123-127); Silveira (2008, p. 90).
O profissional da informação deve se adaptar e ver como oportunidade essa nova era
da informação. O profissional deve aprender a trabalhar no contexto virtual. Costa e Cunha
destacam que:
[...], cabe aos profissionais da informação entenderem seus papéis nesse importante
contexto de mudanças. Pesquisas precisam ser desenvolvidas para clarificar qual a
necessidade de informação cientifica e tecnológica que propicie o avanço
tecnológico do Brasil. Os profissionais da informação precisam compreender esse
novo cenário de dilúvio de dados e como podem contribuir para uma gestão
eficiente da informação. (COSTA; CUNHA, 2014, p.201)

Nessa perspectiva, parece evidente que as competências exigidas para que o
bibliotecário (a) possa atuar de forma pró ativa, acompanhando as tendências do contexto
científico caminhem no sentido de afirmar que a “tradicional” biblioteca não traduz seu único
laboratório de estudo uma vez que atualmente a informação e o documento, como matériaprima, tornam-se objetos de trabalho desse profissional em qualquer suporte ou local em que
estejam disponibilizados, especialmente na Internet, softwares e na própria biblioteca física e
digital.

3 Materiais e métodos

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Minayo (1994, p. 53) informa que o campo de pesquisa pode ser definido como “o
recorte que o pesquisador (a) faz em termos de espaço, representando uma realidade empírica
a ser estudada a partir das concepções teóricas que fundamentam o objeto da investigação”.
Neste estudo procuramos analisar através da pesquisa bibliográfica, as competências
necessárias que os bibliotecários (as) devem desenvolver frente às novas tecnologias e
especificamente no contexto da E – Science.
Essa pesquisa é de abordagem qualitativa “caracterizada pelo estudo profundo e
exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado
conhecimento [...]”. (GIL, 2006). Buscando, selecionando e analisando textos referentes aos
assuntos estudados ao longo da pesquisa. De classificação exploratória usando a técnica de
pesquisa bibliográfica que é segundo o Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia
(MURILO, 2008) “[...] busca sistemática, e muitas vezes exaustiva, das informações
bibliográficas que se relacionam com o tema [... ]”. O estudo qualitativo é definido por
Boccato como sendo:
[...] a busca a resolução de um problema (hipótese) por meio de referenciais teóricos
publicados, analisando e discutindo as várias contribuições científicas. Esse tipo de
pesquisa trará subsídios para o conhecimento sobre o que foi pesquisado, como e
sob que enfoque e/ou perspectivas foi tratado o assunto apresentado na literatura
científica. Para tanto, é de suma importância que o pesquisador realize um
planejamento sistemático do processo de pesquisa, compreendendo desde a
definição temática, passando pela construção lógica do trabalho até a decisão da sua
forma de comunicação e divulgação (BOCCATO, 2006, p. 266).

4 Resultados parciais/finais
No contexto da sociedade da informação a democratização da informação e das
redes, as fontes de informação vão se multiplicando cada dia mais. A E-Science também
chamada de ciência orientada a dados ou o quarto paradigma (O primeiro foi a ciências
empíricas, estudava as ciências naturais; segundo mais teórico, usando modelos; terceiro mais
computacional, simulação de fenômenos.), entre outros nomes, surge para facilitar esse
processo de captura, analise e curadoria dos dados científicos.
Segundo Cordeiro et al (2013, p 73):
Nos últimos anos, estamos observando o aparecimento de um quarto paradigma, a
exploração de grandes quantidades de dados, muitas vezes chamado de e –Science
(e- ciência), que unifica teoria, experimentos e simulação, ao mesmo tempo em que
lida com uma quantidade enorme de informação (CORDEIRO et al, 2013, p73).

Dados primários que são capturados por telescópios, satélites, anotações de
cientistas durante as pesquisas e testes de laboratório são de grande utilidade quando
processados adequadamente para o avanço da ciência. A tecnologia é a ferramenta
fundamental da E – Science. Sayão e Sales (2012) dizem que muitos tipos de dados
científicos produzidos durante as etapas das pesquisas devem ser vistos como componentes
fundamentais para a realização de outras pesquisas, assim, os dados podem ter um longo ciclo
de vida. Os pesquisadores (as) das agências de fomento e pesquisa começam a perceber que
os dados científicos tratados, preservados e gerenciados podem ser uma fonte inesgotável de
recursos informacionais. Estes mesmos autores destacam a importância para esse novo

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ambiente da interação entre cientistas da computação e da informação e de diferentes
domínios para o tratamento, arquivamento e disponibilização dos dados. A ciência se torna
praticamente unificada, utilizando dados de outras áreas que se relacionam com a pesquisa em
desenvolvimento.
O termo E –Science foi criado em 2000 pelo diretor do Gabinete de Ciência e
Tecnologia do Reino Unido Jonh Taylor (PACHECO, 2012). A E – Science é a ciência que,
por meio dos avanços tecnológicos usa um grande numero de dados para auxiliar a divulgação
das informações em rede e em qualquer computador para dar apoio e suporte à pesquisa
científica. A colaboração de informações e dados na Ciência é de extrema importância para o
seu avanço, sendo assim, a ciência de hoje, a E- Science permite essa colaboração em grande
escala, tornando um grande volume de dados disponíveis para a comunidade pesquisadora
através da internet não importando a distância física. Com essa tecnologia, anos de pesquisa
poderão ser poupados, por exemplo, quando um pesquisador estiver fazendo o experimento da
sua pesquisa, ele poderá procurar em um banco de dados o resultado de uma pesquisa similar
e buscar a confirmação de sua Hipótese.
Sayão e Sales (2012) exemplificam esse processo:
[...] quando um pesquisador deposita seus dados brutos, ele abre a possibilidade dos
seus pares replicá-los e, dessa forma, verificar o que está sendo defendido na
publicação científica; isto possibilita também que outros pesquisadores reusem os
dados, de forma que novas pesquisas podem ser geradas (Sayão; Sales, 2012, p.
183).

Jim Gray o vencedor do prêmio Turing, conhecido como o “prêmio Nobel da área da
computação” e um dos pioneiros na aplicação de tratamentos de dados científicos fala em
uma palestra em Mountian View, na Califórnia para o Conselho Nacional de Pesquisa dos
Estados Unidos em 11 de janeiro de 2007, em seus Slides que os astrônomos não olham mais
através de seus telescópios, e sim na central de dados, onde já possuem os dados que precisam
para suas pesquisas. Os dados estão disponíveis em uma rede mundial, não só local como era
feito anteriormente.
O foco da E – Science é o armazenamento adequado, compartilhamento e o reuso
dos dados de experimentos, medições e de todas as etapas da pesquisa cientifica. Com o
aproveitamento de resultados de pesquisas anteriores acontece a economia de recurso
financeiro porque não é necessário repetir etapas já realizadas anteriormente.
Denis Pacheco em 2012 relata o exemplo brasileiro de uma iniciativa ligada à EScience, o Núcleo de Pesquisa em E-Science da USP que foi institucionalizado em 2012 pelo
Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP). Esse núcleo de pesquisa tem aproximadamente vinte
professores de várias áreas e algumas parcerias com outras Universidades, “Sua principal
preocupação é realizar análise, armazenamento e visualização de grandes quantidades de
dados” PACHECO (2012). Um dos projetos de maior destaque desse núcleo é o “scriptlattes”,
que é um software que explora e junta os dados dos pesquisadores segundo sua área de
pesquisa, usando os currículos lattes dos docentes, um sistema integrador de currículos lattes.
Nessa perspectiva, a biblioteca universitária tem um papel fundamental para o
desenvolvimento da E- Science. Com os Repositórios institucionais ela incentiva a pesquisa
cientifica, conservação e acesso independente onde o pesquisador (a) estaria. A universidade
produz a pesquisa e a biblioteca universitário tem o papel de tratar as informações, armazenar
e divulgar para o usuário final. A E- Science captura os dados primários que o pesquisador
produziu, trata (curadoria), armazena e divulga para que outro pesquisador (a) reutilize esses
dados.

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Para que os dados não se percam, é preciso que eles sejam tratados de maneira
correta em todo o seu ciclo de vida. Esse tratamento na E- Science é chamado de curadoria
digital.
Curadoria digital que é uma área de pesquisa interdisciplinar que aborda o
desenvolvimento do ciclo documental de informações digitais, envolvendo todo o
gerenciamento de dados. Santos (2014) em um curso técnico de Preservação Digital,
promovido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBCT), fala que
a curadoria digital é “Resultante de iniciativas internacionais para preservação da informação
científica”. Ela conceitua curadoria digital como:
Ações necessárias para manter dados de pesquisa em meio digital e outros materiais
ao longo de seus ciclos de vida e do tempo para as gerações atuais e futuras de
usuários. Inclui os processos de arquivamento digital e preservação digital, os
processos necessários para criação de dados de qualidade e gestão, e a capacidade de
acrescentar valor aos dados para produção de novas fontes de informação e
conhecimento (SANTOS, 2014, p. 21)

O bibliotecário (a) pode ter um papel fundamental na curadoria digital, no cenário da
E-Science, uma vez que esses profissionais já estão familiarizados com a tradicional cadeia
documentária.

5 Considerações parciais/finais: Bibliotecário (a) e suas competências diante da EScience.
A guisa de conclusão, entendemos que a curadoria digital se assemelha com a gestão
do ciclo documental da biblioteconomia tradicional. Mey &amp; Silveira no livro Catalogação no
Plural, fala das etapas do documento: seleção; analise do conhecimento (indexação) e das
características físicas do documento (nos documentos cyber espaciais a analise inclui o
vínculo de acesso); a escolha da localização (classificação); a preparação do documento
(etiqueta, carimbo); elaboração dos catálogos para sua divulgação que é a disseminação.
(MEY&amp;SILVEIRA, 2009). Embora seja possível afirmar que a curadoria digital também
ocorre de forma cíclica, ressalta-se que o mesmo ocorre predominantemente em formato
digital, com ausência de registro físico para ser tratado. No contexto da curadoria digital de
dados de pesquisa, o objeto de tratamento são os dados primários das pesquisas cientificas e
seu objetivo é o uso e o reuso desses dados pela comunidade cientifica.
O profissional bibliotecário (a), segundo a Classificação Brasileira de Ocupações já
possui as competências necessárias para atuar frente a E- Science, só precisa aprimorar e se
dedicar mais frente as novas tecnologias. O profissional deve saber lidar com as multiáreas
que a informação em rede mundial exige. O profissional bibliotecário (a) deve se preparar
através de cursos de atualizações na área da tecnologia e sempre buscar se relacionar com
outras áreas ligadas a informação.
As bibliotecas universitárias têm um papel importante no desenvolvimento da E –
Science, pois, sua função é promover um ambiente de acesso facilitado ao subsídio
informacional para a promoção do ensino, pesquisa e extensão.
É preciso que os bibliotecários (as) possam inovar nos tipos de produtos e serviços
de informação que as bibliotecas, em especial universitárias, disponibilizam aos
pesquisadores. Primeiramente, faz-se necessário que estes profissionais atuem como
curadores de dados de pesquisa, auxiliando no tratamento destes dados e oferecendo
ferramentas que possam permitir a manipulação eficiente destes dados.

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O bibliotecário (a) pode ser o profissional em destaque na curadoria dos dados de
pesquisa, uma vez que atuam no tratamento de informações em diversos formatos. A EScience traz uma oportunidade inovadora para que os bibliotecários (as) possam demonstrar
sua capacidade de adaptação no processo de lidar com grande volume de informação
envolvidas nas pesquisas científicas.

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digitais de pesquisa. Informação &amp; Sociedade, João Pessoa, v. 22, n. 3, p. 179-191, set/dez.
2012. Disponível em &lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/viewFile/12224/8586&gt;.
Acesso em: 09 out. 2015.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
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VALENTIM, Marta Lígia Pomin. Formação: competências e habilidades do profissional da
informação. In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.). Formação do profissional da informação.
São Paulo: Polis, 2002, p.117-132
ZARIFIAN, Philippe. Objetivo competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas, 2001.

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                <text>Objetiva-se, analisar as competências essenciais que os bibliotecários (as) devem desenvolver o atual contexto da E- Science. Competência pode ser compreendida como o conjunto de habilidades, conhecimentos e técnicas para desenvolver uma atividade. A E- Science surge para facilitar a captura, analise e a curadoria dos dados científicos. Esta pesquisa é classificada como exploratória, usamos a técnica de pesquisa bibliográfica. Buscamos, selecionar e analisar textos referentes a E-Science e competências do profissional bibliotecário (a). As análises das bibliografias referentes ao tema revelam que as competências essenciais do profissional bibliotecário (a) proposta pela Classificação Brasileira de Ocupações podem ser adaptadas com o contexto da E-Science.</text>
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                    <text>UMA NOVA PERSPECTIVA EM GESTÃO DE BIBLIOTECAS
PÚBLICAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO UFABC
Marcio Rodrigo da Silva Monteiro (UFABC) - marciors.monteiro@gmail.com
Maria do Carmo Cardoso Kersnowsky (ufabc) - maria.cardoso@ufabc.edu.br
Eduardo Fernandes Vieira dos Santos (UFABC) - eduardo.fernandes@ufabc.edu.br
João Victor Cavalcante dos Santos (UFABC) - joao.victor@ufabc.edu.br
Resumo:
O presente artigo apresenta a reestruturação organizacional implantada no Sistema de
Bibliotecas (SISBI) da Universidade Federal do ABC (UFABC) e suas consequências nos
processos administrativos e nas aquisições. Para isso, buscou-se fundamentação teórica
quanto ao planejamento e gestão para a definição da estrutura, bem como para seus objetivos,
considerando os principais problemas enfrentados pelo SISBI. Ainda, realizou-se um estudo de
caso com levantamento de dados gerados nos últimos quatro anos de gestão para mensurar se
com a nova estrutura houve melhoria no desempenho em relação ao fluxo dos processos
administrativos e, por conseguinte, nas aquisições de materiais e contratações de serviços.
Palavras-chave: gestão de bibliotecas; planejamento de bibliotecas universitárias; processos
administrativos; aquisições.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O Sistema de Bibliotecas (SISBI) da Universidade Federal do ABC (UFABC), órgão
responsável pelas bibliotecas da instituição foi criado em 2006 e está subordinado à ViceReitoria da UFABC, uma instituição de ensino superior pública, mantida pela União e
vinculada ao Ministério da Educação, existente há 10 anos, criada pela Lei Federal nº
11.145/2005, em resposta à antiga demanda da região do Grande ABC Paulista por ensino
superior público e de qualidade.
Atualmente a universidade, contextualizada em números, possui dois campi, sendo um
no município de Santo André e outro em São Bernardo do Campo, contendo três centros
acadêmicos interdisciplinares, que ofertam 26 cursos de graduação e 37 cursos de pósgraduação (Stricto Sensu). Sua comunidade acadêmica possui, em registros oficiais 1, 14.623
discentes de graduação, 1.271 discentes de pós-graduação, 617 docentes (doutores), 738
servidores do quadro e 386 funcionários terceirizados.
A instituição foi consolidada nos pilares da interdisciplinaridade, conceito pedagógico
que combina múltiplas áreas do saber na construção da formação acadêmica, proporcionando
aos discentes maior amplitude de conhecimento e um ambiente de aprendizagem em consenso
de verossimilhança às demandas cotidianas da sociedade.
Para efetivo e eficaz atendimento às demandas de ensino, pesquisa e extensão da
universidade e fortalecimento, o SISBI disponibiliza2, atualmente à comunidade acadêmica
um acervo físico de 88 mil exemplares, sendo 57 mil títulos diferentes distribuídos em duas
unidades, respectivamente, em uma área de 2.900 m² no Bloco C, em Santo André, e 870 m²
no Bloco Beta, em São Bernardo do Campo, totalizando 3.770 m².
O SISBI possui atuação departamentalizada por seus serviços como disciplina
Chiavenato:
A estrutura por produtos/serviços é indicada para circunstâncias ambientais
instáveis e mutáveis, pois induz à cooperação entre especialistas e à
coordenação de seus esforços para melhor desempenho do produto/serviço
(Chiavenato, 2014, p.215).

Além de ser apontada como o tipo de departamentalização indicada para instituições
de ensino, considerando suas particularidades: “Uma instituição de ensino pode departamentalizar

suas atividades em curso fundamental, de secretariado, de aperfeiçoamento técnico, etc”
(CHIAVENATO, 2014).

Logo, as atividades inerentes à biblioteca foram segmentadas em 04 divisões de
acordo com os serviços prestados: desenvolvimento de coleções e aquisições, processamento
técnico, referência e atendimento da unidade Santo André e referência e atendimento da
unidade São Bernardo do Campo.
Esta configuração, presente desde sua concepção, permitiu que as divisões do Sistema
de Bibliotecas pudessem trabalhar individualmente, com seus serviços em alto grau de
especialização, porém sem que houvesse o rompimento dos vínculos internos entre as
atividades, preservando a interdependência entre as tarefas e seus segmentos, situação que
evidencia o caráter holístico do órgão, proposto por Bertalanffy, em sua obra Teoria de
Sistemas, com aplicação defendida por Luporini:

1

Dados divulgados pela Pró-reitora de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da UFABC. Disponível
em: &lt;http://propladi.ufabc.edu.br/informacoes/ufabc-em-numeros&gt;. Acesso em: 01 maio 2016.
2
Dados
divulgados
pelo
Sistema
de
Bibliotecas
da
UFABC.
Disponível
em:
&lt;http://portal.biblioteca.ufabc.edu.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=194&amp;Itemid=163&gt;.
Acesso em: 01 maio 2016.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A Escola de Sistemas defende basicamente a ideia de que a organização deve
ser estruturada com base nas redes de informação e nos dispositivos de
comunicação mais eficazes para tomadas de decisão. Destaca a importância
das interações, tanto dentro da organização – entre as suas diferentes seções como fora dela – entre a instituição e o seu meio ambiente (Luporini, 1985
apud MACIEL; MENDONÇA, 2006, p.9).

A partir do ano de 2014 houve a mudança de administração do Sistema de Bibliotecas
da Universidade Federal do ABC, em consonância à posse da atual reitoria e seu novo plano
de gestão. Baseada na concepção de uma organização mais eficaz para tomadas de decisão e
desempenho de suas atividades, a nova gestão instituiu uma nova divisão, em face do alto
número de resserviços na instrução de processos que se encontravam dispersos em outras
áreas do SISBI, o que ocasionava a má distribuição das tarefas e, ainda, fazia com que o
profissional bibliotecário investisse grande parcela de sua rotina em trabalhos administrativos
em detrimento das atividades mais específicas e estratégicas do bibliotecário, neste caso, às
políticas de desenvolvimento de coleções.
Em razão disto, a divisão recém-concebida recebeu a incumbência de centralizar tais
atividades, a fim de conferir maior efetividade aos processos por meio da departamentalização
por serviços, já aplicada às demais áreas do Sistema de Bibliotecas.
A proposta da nova área, denominada Divisão Administrativa, era concentrar força de
trabalho intelectual especializada na área dos serviços a serem prestados, em particular da
macro área do conhecimento de ciências sociais aplicadas, que engloba ciências como
administração, gestão pública, economia, contabilidade, dentre outras correlatas, a fim de
separar as atividades de apoio das bibliotecas de suas atividades finalísticas, especialmente as
tarefas de aquisição de materiais para composição dos acervos e controle orçamentário, de
modo a aumentar seu desempenho. Diante desta demanda, foram selecionados, inicialmente,
três servidores que possuíam tal perfil, compondo a equipe um administrador com formação
em administração de empresas, um assistente em administração com formação em engenharia
de gestão e um assistente em administração estudante de economia.
Aliando o novo grupo de suporte administrativo à equipe técnica de bibliotecários já
presente, foi possível implementar, na prática, um modelo de governança institucional para as
bibliotecas da universidade, baseado na interdisciplinaridade, alinhado com a missão e o
plano de desenvolvimento institucional, num ambiente organizacional sistêmico, que articula
seus agentes em fluxos inter-relacionais, na perspectiva de balancear as atividades laborais
dos envolvidos e, consequentemente, culminar na progressão da qualidade dos produtos e
serviços oferecidos à comunidade acadêmica.

2 Revisão de literatura
O Século XX trouxe consigo grande preocupação com a qualidade de produtos e
serviços. Como parte integrante da sociedade, as universidades e, neste caso especifico, as
bibliotecas universitárias, também passaram a refletir sobre a qualidade dos produtos e
serviços oferecidos. Para Vergueiro (2002, p. 5), a preocupação dos profissionais da
informação e alinhamento com os teóricos da qualidade podem ser percebidas desde a década
de 30, nas cinco leis de Ranganathan:
1. Os livros são para serem usados;
2. Todo livro tem o seu leitor;
3. Todo o leitor tem o seu livro;
4. Poupe o tempo do leitor;
5. Uma biblioteca é um organismo em crescimento.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Segundo Maciel; Mendonça (2006, p. 7):
seja qual for a categoria e a realidade em que se enquadre, a biblioteca deve
ser vista como uma organização, como uma empresa. [...]. Acredita-se que
esta seja uma estratégia que possibilitaria à biblioteca competir, com maior
acerto, no ambiente de inovações e incertezas que caracterizam o período.
Um modo de facilitar o seu gerenciamento e acrescentar qualidade aos seus
produtos e serviços, evidenciando o seu papel social junto às comunidades
envolvidas.

Em um sistema de bibliotecas, o desenvolvimento de coleções é uma das tarefas de
ordem técnica e intelectual das mais importantes desempenhadas pelo profissional
bibliotecário, segundo Mattos e Dias (2009 p. 39):
Cabe a biblioteca universitária satisfazer as demandas informacionais de
seus usuários para que eles desempenhem adequadamente suas atividades de
ensino, pesquisa e extensão. Uma das funções que mais necessita de atenção
na administração de uma biblioteca é o desenvolvimento de coleções,
processo conhecido durante muito tempo apenas como seleção. Desde então,
tem sido destacada como uma das mais importantes atividades intelectuais
do bibliotecário.

A partir deste entendimento, ao assumirmos a coordenação, e com base nos dados da
realidade, nos deparamos com um cenário onde se apresentavam situações de retrabalho,
distribuição desequilibrada das tarefas e ainda, maior dedicação do profissional bibliotecário
com atividades administrativas referentes à aquisição em detrimento às atividades inerentes ao
desenvolvimento de coleções. Diante deste cenário faziam-se necessárias mudanças e
adaptações que asseguram-se a sobrevivência institucional e afastar a possibilidade de
colapso, conforme evidenciado por Drucker:
Em ambientes turbulentos, a primeira tarefa da gerência é certificar-se da
capacidade da instituição para sobreviver, certificar-se de sua força estrutural
e de saúde, de sua capacidade de resistir a um golpe, de adaptar-se a uma
mudança brusca e de ser capaz de buscar novas oportunidades (Ducker apud
CARAVANTES; CARAVANTES; KLOECKNER, 2010, p. 56).

Em virtude deste cenário onde os resultados pretendidos não eram alcançados e
buscando maior eficiência nos resultados evidenciava-se a necessidade de criação da divisão
administrativa centralizando as atividades de suporte administrativo, sobretudo de aquisição e
contratação, indo ao encontro da tendência da departamentalização por serviços das atividades
inerentes às instituições de ensino (CHIAVENATO, 2014).
Ainda, sobre as vantagens da departamentalização por serviços e produtos traz consigo
algumas vantagens, conforme Chiavenato (2014, p. 211):

Fixa a responsabilidade dos departamentos para um produto ou linha
de produto ou serviço. O departamento é avaliado pelo sucesso do produto
ou serviço.

Facilita a coordenação interdepartamental, uma vez que a preocupação
básica é o produto/serviço, e as diversas atividades departamentais tornam-se
secundárias e precisam sujeitar-se ao objetivo principal.

Facilita a inovação, que requer cooperação e comunicação de vários
grupos contribuintes para o produto/serviço.

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
É indicada para circunstâncias externas e mutáveis, pois induz à
cooperação entre especialistas e à coordenação de seus esforços para melhor
desempenho do produto.

Desta forma, a criação da Divisão Administrativa dentro da estrutura organizacional
do SISBI, promoveu a coesão holística qualificando razão de ser do sistema de bibliotecas e o
alcance de seus objetivos, conforme evidenciado por Deming (1997, apud CARAVANTES;
CARAVANTES; KLOECKNER, 2010 p. 39): “Um sistema é uma rede de componentes

interdependentes que trabalham em conjunto para tentar realizar o objetivo do sistema; um sistema
deve necessariamente ter um objetivo. Sem um objetivo não existe sistema”.

3 Materiais e métodos
Com a nova configuração do Sistema de Bibliotecas há ao menos dois anos, buscou-se
analisar por meio desta pesquisa, contemplando uma abordagem quantitativa (FONSECA,
2002), tendo como base dados gerados pelo próprio Sistema de Bibliotecas e, com isso,
mensurar se de fato houve melhoria no desenvolvimento das atividades inerentes aos
processos administrativos após a reestruturação. Sendo assim, qualifica-se a pesquisa como
descritiva, onde, segundo Perovano (2014), visa a identificação, registro e análise das
características, fatores ou variáveis que se relacionam com o fenômeno ou processo. Pode-se
classificar também, esta pesquisa como um estudo de caso em que, após coleta dos dados,
realiza-se a análise das relações entre as variáveis para posterior determinação dos efeitos
resultantes (PEROVANO, 2014; GIL, 2002).
Para subsidiar a pesquisa, os dados coletados dizem respeito aos processos que foram
encaminhados para contratação, ou seja, processos com êxito ou não, quantificando-os e
classificando-os, considerando fatores internos e externos, bem como, a execução do
orçamento destinado à Biblioteca durante o período de 2012 à 2015, baseando-se também no
planejamento orçamentário anual de cada período. O período selecionado para o estudo
decorre da impossibilidade de realizar o levantamento de dados nos anos anteriores. Dessa
forma, buscou-se o desdobramento de variáveis que remetessem a eficiência e eficácia, que
são formas de se medir o desempenho organizacional segundo Megginson et al. (1998, p.11).
Para os autores:
eficiência é a capacidade de ‘fazer as coisas direito’, é um conceito
matemático: é a relação entre insumo e produto (input e output). Um
administrador eficiente é o que consegue produtos mais elevados (resultados,
produtividade, desempenho) em relação aos insumos (mão-de-obra, material,
dinheiro, máquinas e tempo) necessários à sua consecução. Em outras
palavras, um administrador é considerado eficiente quando minimiza o custo
dos recursos usados para atingir determinado fim. Da mesma forma, se o
administrador consegue maximizar os resultados com determinada
quantidade de insumos, será considerado eficiente.

Por outro lado,
eficácia é a capacidade de ‘fazer as coisas certas’ ou de conseguir resultados.
Isto inclui a escolha dos objetivos mais adequados e os melhores meios de
alcançá-los. Isto é, administradores eficazes selecionam as coisas ‘certas’
para fazer e os métodos ‘certos’ para alcançá-las” (MEGGINSON et al,
1998, p. 11).

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Com isso, possibilitando o comparativo entre as duas estruturas organizacionais do
SISBI.
Em relação aos dados dos processos de contratações, levou-se em consideração as
variáveis:
• Tempo médio destinado a instrução processual - tempo em dias, que o SISBI
demandou para a realização da instrução processual, ou seja, desde a concepção do termo de
referência, pesquisa de mercado e inserção de documentos cabíveis às diferentes modalidades
pretendidas para os processos com contratação efetivada;
• Número de resserviços – diz respeito ao número de vezes em que o processo de
contratação retornou ao SISBI para adequação, seja por ausência de documentos, vícios,
fundamentações insuficientes, interpretações equivocadas ou erros propriamente na instrução
dos processos com contratação efetivada.
• Número de processos com e sem êxito dos instruídos – processos instruídos ao longo
de cada ano, sendo que, analisado se o mesmo retornou a devida contratação ou não, ou seja,
se houve efetivamente êxito. Se negativo, ainda ressalta-se a observação se isso foi devido a
fatores internos ou externos.
No tocante ao orçamento, Frezatti conceitua,
Orçamento é um plano financeiro para implementar a estratégia da
instituição em um dado período, sendo mais do que uma simples estimativa,
já que deve estar baseado em compromisso dos gestores com metas
estabelecidas e prazos a serem alcançados (FREZATTI, 2006, p.44).

Para Passarelli (2004), pode-se identificar como básicos e fundamentais três tópicos:
• Previsão: estudo prévio das alternativas e suas possibilidades de realização;
• Orçamento: objetivos e meios escolhidos, escritos formalmente e detalhados;
• Controle: apuração das diferenças entre o estimado e realizado com as
correspondentes medidas corretivas.
Portanto, a execução orçamentária e sua relação com o prévio planejamento
evidenciam a capacidade do SISBI de alcançar suas metas estipuladas para o exercício
posterior, assegurando assim, a eficiência e eficácia na execução.

4 Resultados
4.1 Execução Orçamentária
O orçamento do SISBI é composto por recursos destinados aos gastos de custeio e
investimento, que conforme Lei Nº 4.320 de 17 de março de 1.964, são classificados como:
custeio são as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados,
inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens
imóveis.
investimentos são as dotações para o planejamento e a execução de obras,
inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à
realização destas últimas, bem como para os programas especiais de
trabalho, aquisição de instalações, equipamentos e material permanente e
constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter
comercial ou financeiro.

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Sendo que, o orçamento é planejado para sua execução no ano posterior, assim como
os demais setores da UFABC. Devido a isto, realizar suplementações demanda da área prévia
justificativa e análise quanto a disponibilidade de recursos, ou seja, não há garantias de que
será contemplado.
4.1.1 Custeio

Valor

Gráfico 1: Evolução dos Recursos Orçamentários – Custeio
R$900.000,00
R$800.000,00
R$700.000,00
R$600.000,00
R$500.000,00
R$400.000,00
R$300.000,00
R$200.000,00
R$100.000,00
R$-

R$820.522,00
R$554.900,00
R$452.700,00

R$328.300,00

R$531.540,00

R$274.302,00

R$523.013,00

R$112.116,00

2012

2013

2014

2015

Ano
Orçamento

Orçamento Utilizado

Fonte: Dados da Pesquisa
Como pode-se observar, o SISBI nos anos de 2012 e 2013 não executou o orçamento
previsto, correspondendo a 60,6% e 30,15% respectivamente de execução.
Diferentemente destes anos, em 2014 houve a necessidade de suplementação, tendo
em vista que, aquilo que fora planejado não correspondeu às necessidades demandadas ao
longo de 2014. Constatou-se na pesquisa o acumulo de serviços que deveriam ser realizados
nos anos anteriores, bem como oportunidades que foram efetivadas por conta da
disponibilidade de suplementação orçamentária.
Findo este período de ajuste, em 2015 a execução se deu em conformidade com o
previsto, tendo como saldo valores decorrentes da modalidade pertinente para a contratação.
4.1.2 Investimento

Valor

Gráfico 2: Evolução dos Recursos Orçamentários – Investimento
R$1.700.000,00
R$1.600.000,00
R$1.500.000,00
R$1.400.000,00
R$1.300.000,00
R$1.200.000,00
R$1.100.000,00
R$1.000.000,00
R$900.000,00
R$800.000,00
R$700.000,00
R$600.000,00
R$500.000,00
R$400.000,00
R$300.000,00

R$1.568.451,00
R$1.561.000,00
R$1.149.800,00

R$1.267.620,00
R$1.105.776,00

R$931.138,00

R$600.000,00
R$451.377,00

2012

2013

2014
Ano

Orçamento

Fonte: Dados da Pesquisa

Utilizado

2015

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Quanto aos recursos de investimento, o SISBI solicitou suplementação em todos os
anos analisados pela pesquisa, com tendência reduzida a partir de 2014. As suplementações
ocorreram para atendimento às demandas de aquisições de materiais bibliográficos que não
foram contempladas quando da formulação dos orçamentos. Entretanto, a partir de 2014,
buscou-se juntamente com a Pró-reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional
(PROPLADI) da UFABC, abarcar a demanda existente, justificando a necessidade de haver a
garantia dos recursos para tais aquisições e, com isso, assegurar o emprego da política de
desenvolvimento de coleções do SISBI. Já que o risco de não ter suplementado o orçamento é
alto, principalmente nos dias atuais de contingenciamento de gastos.
Ainda, cabe ressaltar que o recebimento dos materiais bibliográficos a partir de 2014
ocorreram de tal forma a atingir maior controle junto aos fornecedores, fazendo com que os
materiais fossem recebidos o mais breve possível e, com isso, tornando mais preciso o
planejamento para o ano subsequente.
4.1.3 Média entre a execução orçamentária de custeio e investimento
Gráfico 3: Execução Orçamentária Média

Porcentagem

160%

147%

145%

140%
133%
120%

104%
100%
80%
2012

2013

2014

2015

Ano
Execução Orçamentária

Fonte: Dados da Pesquisa
No Gráfico 3 é possível verificar o comportamento da execução orçamentária levandose em consideração o que foi utilizado efetivamente do orçamento no que tange a média dos
recursos provenientes de custeio e investimento.
4.2 Controle de Processos
Tabela 1: Levantamento dos processos instruídos pelo SISBI
Processos
2012
2013
2014
Encaminhados para contratação
23
25
36
Concluídos (Contratações realizadas)
16
16
34
Não Concluídos (fatores internos)
7
7
1
Não Concluídos (fatores externos)
0
2
1
Fonte: Dados da Pesquisa

2015
23
19
2
2

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Na Tabela 1 são contabilizados os processos que foram instruídos pelo SISBI, sendo
eles discriminados entre:
• Processos encaminhados contratação – que são os processos enviados à Divisão de
Compras da UFABC para análise e contratação para fornecimento de serviço ou material;
• Concluídos – ou seja, processos que tiveram sua contratação efetivada;
• Não concluídos (fatores internos) – processos que foram instruídos, entretanto, sem
efetiva contratação por motivos institucionais, como: tempo hábil para análise processual,
prioridade de análise por parte dos setores envolvidos na tramitação, instrução indevida e
restrição orçamentária não prevista.
• Não concluídos (fatores externos) – processos que foram instruídos, entretanto, sem
a efetiva contratação por motivos exteriores à UFABC, como: irregularidade fiscal da empresa
no ato da contratação, fornecimento de documentos em desconformidade e o não
encaminhamento dos documentos requeridos.
Gráfico 4: Evolução do desempenho na instrução processual
100%

94%

Porcentagem

90%
83%

80%
70%

70%
64%

60%
50%
40%
2012

2013

2014

2015

Ano

Processos com êxito

Fonte: Dados da Pesquisa
O Gráfico 4 demonstra a relação entre os processos que foram encaminhados para
análise e contratação e àqueles quando da efetiva contratação. Portanto, nota-se que o
desempenho a partir de 2014, ano da implementação da Divisão Administrativa, obteve-se
grande melhoria em relação aos anos anteriores, resultando em maior eficiência e eficácia na
gestão dos processos.
Essa melhoria é alcançada principalmente em virtude da redução da variável de
processos não concluídos por fatores internos, conforme Tabela 1.

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4.3 Tempo Médio de Processo
Gráfico 5: Tempo Médio em Dias do Processo no SISBI
70

60

61,27

Dias

50
40

35,60

31,50

30

19,06

20

10
0
2012

2013

2014

2015

Ano
Tempo Médio

Fonte: Dados da Pesquisa
O Gráfico 5 externa o tempo médio em que o processo se manteve no SISBI para a
devida instrução, desde sua abertura ao envio à Divisão de Compras da UFABC. Levando-se
em consideração, o tempo despendido em caso de necessidade de adequações no processo
durante a tramitação do mesmo.
4.4 Resserviço

Nº Resserviços

Gráfico 6: Número de Resserviços dos Processos
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
2012

2013

2014

2015

Ano
Quantidade Média de Resserviço

Fonte: Dados da Pesquisa
A situação apresentada no Gráfico 6 reflete o decréscimo no número de resserviços
que tiveram de ser realizados nos processos instruídos pelo SISBI, ou seja, quando do retorno
para adequações de acordo com os motivos elencados neste trabalho.

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5 Considerações finais
Com o estudo deste artigo foi possível constatar que o Sistema de Bibliotecas ao
identificar que a estrutura ora estabelecida não correspondia às necessidades estabelecidas,
buscou reestruturar o SISBI, e diante das possibilidades, vislumbrou que uma possível
solução seria a criação da Divisão Administrativa, no intuito de elevar o desempenho quanto
as atividades que obtinham baixa eficiência.
Para isso, de acordo com as variáveis propostas, e após análise dos 107 processos
encaminhados para contratações no período de 2012 à 2015, conforme Tabela 1, pode-se
constatar que houve melhoria na instrução processual, impactando no tempo em que os
processos demandavam para formulação e no número de resserviços, resultando em maior
eficiência nos tramites processuais e, por conseguinte, nas contratações realizadas.
Como consequência dos processos apresentarem maior eficiência e eficácia, é possível
correlacionar com a execução orçamentária, tendo em vista que uma coisa implica na outra.
Ao gerir melhor os processos, também haverá melhor gestão do orçamento conforme
evolução apontada nos gráficos 1, 2 e 3. Desde que, e fundamentalmente, haja planejamento
quanto as demandas e união nos esforços para que os objetivos do planejamento sejam
alcançados. Depender de suplementações orçamentárias para atender demandas que deveriam
ser previamente elencadas é de certa forma irresponsável e sem garantias de sucesso.
Obviamente, algumas demandas são passiveis de planejamento, todavia, quanto menor for a
necessidade de suplementação, maiores são as chances de sucesso no atendimento destas
demandas não previstas.
Conclui-se, portanto, que diante deste estudo, evidencia-se que o que fora proposto de
reestruturação organizacional, gerou resultados positivos para o SISBI, com a melhoria de
desempenho quanto a tramitação dos processos administrativos e gestão orçamentária,
corroborando pela assertividade na nova estrutura.

6 Referências
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Brasília: Briquet de Lemos, 2005.
BRASIL. Lei 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro
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FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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              <description>A language of the resource</description>
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                  <text>Português</text>
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              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Uma nova perspectiva em gestão de bibliotecas públicas universitárias: o caso UFABC.</text>
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                <text>Monteiro, Marcio Rodrigo da Silva; Kersnowsky, Maria do Carmo Cardoso; Santos, Eduardo Fernandes Vieira dos; Santos, João Victor Cavalcante dos </text>
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                <text>O presente artigo apresenta a reestruturação organizacional implantada no Sistema de Bibliotecas (SISBI) da Universidade Federal do ABC (UFABC) e suas consequências nos processos administrativos e nas aquisições. Para isso, buscou-se fundamentação teórica quanto ao planejamento e gestão para a definição da estrutura, bem como para seus objetivos, considerando os principais problemas enfrentados pelo SISBI. Ainda, realizou-se um estudo de caso com levantamento de dados gerados nos últimos quatro anos de gestão para mensurar se com a nova estrutura houve melhoria no desempenho em relação ao fluxo dos processos e, por conseguinte, nas aquisições de materiais e contratações de serviços. </text>
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                    <text>UM ESTUDO BIBLIOMÉTRICO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE
LIVRO ELETRÔNICO EM EVENTOS DA BIBLIOTECONOMIA
BRASILEIRA

Fabiola da Silva Costa (UFCA) - fabiolacosts@outlook.com
David Vernon Vieira (UFCA) - davidv.vieira@gmail.com
Resumo:
A introdução de livros eletrônicos em bibliotecas universitárias é uma questão cada vez mais
contemporânea. Neste sentido, o artigo apresenta os resultados da análise da produção
científica sobre livros eletrônicos em eventos da área de biblioteconomia brasileira (CBBD,
ENANCIB e SNBU) nos últimos seis anos (período entre 2010 a 2015). Como unidade de
análise foram considerados as publicações por ano, por região, por autor e por instituição. O
estudo bibliométrico permite afirmar que o livro eletrônico está ganhando espaço no mercado
editorial e que as bibliotecas universitárias estão aliar estas novas tecnologias como forma de
buscar e ter acesso à informação.
Palavras-chave: Livros eletrônicos; Direitos Autorais; Formação e Desenvolvimento de
Coleções Digitais.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Desde o seu surgimento o livro trouxe uma enorme responsabilidade seja no âmbito
educacional ou de entretenimento, da mesma forma os e-books, que além do suporte
diferenciado também atendem a um público distinto. Os e-books tem várias vantagens, dentre
elas a facilidade ao acesso às informações, a acessibilidade e principalmente a praticidade de
carregar conteúdo em um único suporte. Os mesmos não vieram para substituir o suporte de
papel, mas para aliar-se a ele e oferecer subsídio aos leitores, que estão cada vez mais
exigentes dentro desse contexto de mobilidade em que vivemos.
Serra (2012) afirma que a entrada das tecnologias nas bibliotecas não pode ser
ignorada e que a mesma necessita passar por algumas mudanças para se adaptar e acompanhar
esse ritmo de desenvolvimento.
Cabe às bibliotecas o empenho em adaptar-se a nova realidade e buscar
integrar os desafios impostos pela tecnologia, desenvolvendo um novo
modelo de negócio de forma a permitir que os e-books sejam aliados no
processo de modernização, representando um caminho sem volta nas
unidades de informação (SERRA, 2012, p. 2).

Durante séculos as bibliotecas vêm se adaptando ao seu usuário, desde às suas
necessidades individuais às coletivas, e nesse novo contexto entra o livro eletrônico e seu
suporte, como afirma Serra (2012):
Os livros eletrônicos estão mudando radicalmente a realidade das bibliotecas
e sua inclusão nos acervos deve ser pensada na forma de somar forças com o
mercado editorial, garantindo a permanência dos negócios e cumprindo com
sua função original: de preservação de publicações e acesso ao público.

Ou seja, nesse novo contexto, em que o usuário se insere e com as novas tecnologias
servindo de apoio, os e-books ganham espaço nas editoras, onde começam a ser
comercializados e distribuídos, e ao mesmo tempo ganham força dentro das bibliotecas.
O uso de livros eletrônicos tem crescido cada vez mais, sua popularidade vem
alcançando um patamar de grande importância no mercado, a utilização dos mesmos é mais
popular no meio acadêmico, onde a maior produção científica tem sido de artigos para revistas
eletrônicas. Como afirmam Dias et al (2013, p. 192) "a partir do ano de 2010 os livros
eletrônicos vieram despontar no mercado editorial no Brasil, como uma forma de
disponibilização de informação".
O livro eletrônico nada mais é do que uma tecnologia aprimorada do livro de papel, e
como o mesmo precisa de suporte, os e-books ganharam o meio eletrônico para suprir suas
necessidades, como observam Silva et al. (2012):
Em decorrência ao surgimento dos e-books, originaram-se também suportes
específicos para sua reprodução, conhecidos como leitores de e-books ou
simplesmente ebook readers, que para a EBooksBrasil (2003, p. 1), “[...] são
programas e/ou aparelhos que permitem que você leia um e-book com
funcionalidades de um livro de papel”. Com o surgimento destes
dispositivos, as editoras passaram a adequar seus produtos, dispondo de
informações armazenadas tanto em suporte impresso quanto digital.

Para Dourado e Oddone (2013, p. 4) o livro eletrônico é somente aquele que pode ser
acessado através de aparelhos de leitura, ou seja, um aparelho cuja funcionalidade é exclusiva
para visualização de arquivos em formatos digitais.
No mercado existem diversos e-books readers, que são softwares de leitura para
formatos digitais, segundo Silva et al., (2013, p. 5-6), existem alguns exemplos mais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

conhecidos no mercado, como o Kindle, desenvolvido pela empresa Amazon, o Ipad, da
Apple e o Mix Leitor D, desenvolvido pela empresa brasileira “Mix tecnologia”, que foi
criada para fins educacionais.
Para Reis e Rozados (2014) não importa o formato, os mesmos continuam sendo
veículos de comunicação da mesma forma que os tradicionais:
Em geral, a estrutura e a organização do livro digital se assemelham à do
livro impresso, ou seja, contém capa, folha de rosto, sumário, capítulos,
índices, glossário etc. Contudo, alguns elementos pré-textuais, como sumário
e folha de rosto, e pós-textuais, como índices, podem ser ocultados, já que a
possibilidade de pesquisar palavras dispensa esses elementos.

Tendo em vista a necessidade do bibliotecário brasileiro de conhecer aspectos
relacionados ao desenvolvimento de coleções digitais, a implantação, o empréstimo digital e
aquisição de e-books o artigo procura saber “Como se deu a produção científica relacionada
com o uso de e-books, livros eletrônicos ou livros digitais em bibliotecas universitárias em
eventos da área de biblioteconomia no período de 2010 a 2015?”.
Para isso na revisão de literatura o artigo aborda a formação e desenvolvimento de
acervos baseados em livros eletrônicos bem como sua aquisição e empréstimo. Além disso,
aborda o impacto da implantação dos e-books em bibliotecas universitárias brasileiras, por
último ressalta algumas questões de direitos autorais que essas bibliotecas devem observar ao
introduzi-los no seu espaço.
2 Revisão de Literatura
Assim como os bibliotecários precisam se adaptar a esse novo suporte informacional
as bibliotecas devem acompanhar esse crescimento, tanto em sua organização quanto na sua
formação de acervo. Para Martins e Carmo (2015, p. 2) “Essa alteração de suporte
informacional provoca mudanças nos modelos de armazenamento, aquisição, gerenciamento e
disseminação da informação”.
O desenvolvimento de coleções digitais, especialmente a aquisição de ebooks comerciais, é um desafio que se impõe aos bibliotecários, uma vez que
estes materiais têm mais restrições em seus modelos de negócio que os livros
impressos (SILVA, 2012, p. 3).

Para a formação de um acervo de e-books é necessário que se estabeleçam regras e
diretrizes, tanto em relação a utilização do mesmo, quanto do que será proposto pela
biblioteca, sejam elas a compra de conteúdo, manutenção e atualização desse material. E que
em primeiro lugar seja feito um estudo de usuário, para que esse conteúdo venha a ser
consumido e disseminado (MARTINS; CARMO, 2015).
Ela deve ser realizada através da elaboração de práticas inovadoras ou de
adaptações aos processos existentes nas bibliotecas e precisa ser realizada
através de novas metodologias de trabalho. Esses aperfeiçoamentos
metodológicos são possibilitados devido aos avanços das áreas de
Gerenciamento e das Tecnológicas (MARTINS; CARMO, p. 293).

Com relação a aquisição se deve principalmente a importância de se planejar a
formação do acevo, pensando nas formas de acesso do usuário ao conteúdo. Nas bibliotecas
universitárias norte-americanas a situação de empréstimo digital já se encontra préestabelecida, nas formas de: assinatura, compra permanente e pay per view, como afirma
Serra (2012).
Um livro eletrônico pode ser emprestado de acordo com a política de

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circulação definida pela biblioteca, que contempla a quantidade de obras que
podem ser utilizadas por leitores simultaneamente e o período de uso,
alinhados com o perfil do usuário (SERRA, 2012, p. 3).

Ou seja, a forma de empréstimo de um e-book, livro digital ou e-reader vai ser
determinada pela política da própria biblioteca e existem diversos mecanismos implantados
pela mesma que venham a impedir a cópia ilegal do conteúdo e/ou atraso na devolução do
material digital.
Magalhães e Ceravolo (2015) fizeram um mapeamento de todas as Instituições de
Ensino superior (IES), utilizando a base – Ministério da Educação e Cultura (MEC), e
constataram que a maior concentração de coleções de livros digitais em bibliotecas
universitárias se encontra nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, e os dados ainda apontam para
um crescimento dessas coleções.
Embora os resultados indiquem que as bibliotecas universitárias adotam
critérios tanto gerais como específicos para seleção de títulos de livros
digitais, inclusive a maior parte das bibliotecas assinalou que existem
políticas formalizadas e que contemplam os recursos eletrônicos, a prática de
seleção de livros digital é pouco exercida pela maioria dos profissionais, em
função da dependência do que existe no mercado atualmente para formação
dessas coleções. A possibilidade de integrar um grande volume de recursos a
partir das assinaturas das bases de dados sobrepôs à ação da seleção
(MAGALHÃES; CERAVOLO, 2015, p. 136).

Para que bibliotecas universitárias criem políticas de seleção, aquisição e formação de
coleções digitais necessitam primeiramente que o profissional bibliotecário esteja à frente do
projeto e disposto a superar as barreiras, visto que ainda há a dependência do mercado
editorial.
Neste sentido, dentre as regras e diretrizes a editora Springer (2011) disponibiliza um
manual com dez passos básicos para a implementação de um acervo de e-books, que são: 1)
determinar a estratégia de desenvolvimento para o seu acervo (escolha individual, ou um
conteúdo que gere uso intenso-massa crítica); 2) avaliar diferentes modelos de negócios, onde
entram questões de quantidades de usuários simultâneos, propriedade versus assinatura das
obras, política de arquivamento, entre outras; 3) obter suporte interno; 4) planejar mudanças
nas políticas internas com especialistas da área, onde serão discutidas e abordadas o impacto
dessas novas aquisições, tanto para a biblioteca quanto para os usuários; 5) discutir a
implementação com a equipe técnica; 6) selecionar acervo e fornecedores; 7) conectar os
ebooks com o catálogo OPAC, tornando visível ao usuário a disponibilidade deste material; 8)
comunicação com os usuários, para promover as novas aquisições de material digital; 9)
baixar estatísticas de uso; 10) revisar e /ou renovar os títulos disponíveis.
As bibliotecas têm acompanhado as inovações tecnológicas, desde o fato de adotarem
a automação e implantarem sistemas que utilizam serviços de otimização da mesma. Como
afirmado Duarte et al. (2013) “na era das novas tecnologias, surgem os e-books, ou livros
eletrônicos, que vem provocando inquietações e sentimentos antagônicos de admiração,
desejo ou desprezo”, há ainda a incerteza na possibilidade de inserção deste suporte.
Ainda em seu artigo Duarte et al., (2013), descrevem uma pesquisa realizada com
discentes da UFMG com relação a utilização dos livros eletrônico e fazendo comparativos, se
a universidade oferecesse material tanto no suporte físico quanto no eletrônico. O resultado
traz o indicativo de que a maioria dos discentes (74%), optam pelo suporte físico.
Independente do suporte, o livro tem enorme importância para as bibliotecas, e, para o
ser humano, por ser uma fonte de informação. Ganhou força e popularidade somente no
século XXI, como afirma Silva (2013),

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Os suportes de informação em formato eletrônico ganharam força em
meados do século XX, devido à explosão informacional derivada dos
avanços científicos e tecnológicos no cenário pós-guerra. Entretanto, o texto
escrito em formato digital tornou-se popular somente na virada para o século
XXI, em virtude da popularização dos computadores e da Internet. Na esteira
da evolução tecnológica da computação surgiram os tablets, os smartphones
– que têm a leitura de arquivos de textos entre suas tantas funções – e os
ereaders, aparelhos dedicados à leitura de e-books (livros eletrônicos).

Brufem e Sorribas (2009) afirmam que "o livro eletrônico tem sido uma possibilidade
de solução", trazendo isso tanto em relação à comodidade do usuário quanto ao
armazenamento de inúmeros textos em apenas um dispositivo, tendo a perspectiva de maior
acesso e as possibilidades oferecidas pelo mesmo. Os pontos negativos destacados pelos
autores estão relacionados à tecnologia, como a utilização de energia para recarregar os
dispositivos, isso comparados ao modelo de livro convencional.
Reis e Rozados (2014) apontam que "as restrições de acesso e o elevado preço do livro
digital para bibliotecas constituem-se em um obstáculo a aquisição e um duro golpe a
disseminação da informação", ou seja, a inserção de livros digitais na coleção de uma
biblioteca é uma via que levanta não só questões de aceitação dos usuários, mas também
questões econômicas.
E com essas novas formas de acesso surgem questões de suma importância tanto para
o mercado editorial quanto para o usuário final, que é o direito autoral, que vão encontrar
algumas barreiras impostas pelas editoras e distribuidoras de conteúdo, uma forma de impedir
a comercialização ilegal desse conteúdo.
No Brasil não existe lei específica sobre os direitos autorais de utilização e/ou
reprodução de material em formato eletrônico, porém a lei aplicada aos direitos autorais
desses materiais são as mesmas do Direito autoral. A Lei de n° 9. 610, de 19 de fevereiro de
1998, com o Art. 7º, título II- Das obras intelectuais, capítulo I- Das obras protegidas, afirma
que:
São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por
qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível,
conhecido ou que se invente no futuro, tais como: I - os textos de obras
literárias, artísticas ou científicas. (BRASIL, 1998).

Ou seja, não há lei no país que reserve o direito autoral nos e-books. Há sim os direitos
para com as editoras de livros digitais, em relação à distribuição e venda. No ano de 2013, a
Lei de n° 12.853, de 14 de agosto de 2013, teve alteração nos arts. 5°, 68, 97, 98, 99 e 100,
para dispor sobre a gestão coletiva de direitos autorais e dá providências.
No art. 2º, os arts. 5º, 68, 97, 98, 99 e 100 da Lei de n° 9.610, de 19 de fevereiro de
1998, passam a vigorar com alterações, na qual os direitos autorais são reconhecidos, no caso
de reprodução e distribuição de material. Tendo seus direitos reconhecidos o mesmo passa a
cobrar e receber pela utilização de seu material.

3 Materiais e métodos
A presente pesquisa trata-se de uma revisão bibliográfica, como afirmam Marconi e
Lakatos (2003) "A citação das principais conclusões a que outros autores chegaram permite
salientar a contribuição da pesquisa realizada, demonstrar contradições ou reafirmar
comportamentos e atitudes. " Trata-se também de uma pesquisa descritiva, com base em
artigos apresentados em eventos da área de biblioteconomia, com o objetivo de avaliar os
conceitos utilizados e aceitação de e-books em meio acadêmico e nas universidades
brasileiras.

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A pesquisa é descritiva pois analisa e registra dados sem interferir no mesmo, como
afirmam Prodanov e Freitas (2013):
Procura descobrir a frequência com que um fato ocorre, sua natureza, suas
características, causas, relações com outros fatos. Assim, para coletar tais
dados, utiliza-se de técnicas específicas, dentre as quais se destacam a
entrevista, o formulário, o questionário, o teste e a observação
(PRODANOV; FREITAS. p. 52).

Para essa pesquisa foram utilizadas um levantamento bibliométrico para identificar o
número de publicações por região relacionados com o tema, alguns artigos foram utilizados
para embasamento teórico, buscados pelos seguintes escritores: “E-books”; “livro
eletrônico”; “livro digital”. Na pesquisa foram utilizados alguns artigos como referencial
teórico, dentre os trinta e oito artigos encontrados dos eventos: ENANCIB - Encontro
Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas
Públicas e CBBD – Congresso Brasileiro em Biblioteconomia e Documentação, entre o
período de 2010 a 2015. Esse recorte teve como principal objetivo levantar o número de
publicações produzidas em eventos da área de Biblioteconomia que abordassem como tema o
livro eletrônico.
Para Pritchard (1969) apud Santos e Kobashi (2009) a bibliometria foi caracterizada
"como conjunto de métodos e técnicas quantitativos para a gestão de bibliotecas e instituições
envolvidas com o tratamento de informação." A pesquisa se deu no período de nove meses, de
agosto de 2015 a abril de 2016. Todo a produção pesquisada de anais dos eventos da área de
biblioteconomia foi encontrada nos sites dos mesmos ou através de links diretos aos arquivos
publicados nos anais conforme a tabela a seguir.
Tabela 1. Sites dos eventos pesquisados.
Evento

Ano

Site do Evento

SNBU

2010

http://www.sibi.ufrj.br/snbu2010/resumos.html

ENANCIB

2010

http://enancib.ibict.br/index.php/enancib/xienancib/schedConf/presentations

CBBD

2011

http://febab.org.br/congressos/index.php/cbbd/xxiv/schedConf/presentations

ENANCIB

2011

http://enancib.ibict.br/index.php/enancib/enancibXII/schedConf/presentations

SNBU

2012

http://www.snbu2012.com.br/anais/busca/

ENANCIB

2012

http://enancib.ibict.br/index.php/enancib/xiiienancib/schedConf/presentations

CBBD

2013

https://portal.febab.org.br/anais/issue/view/4/showToc

ENANCIB

2013

http://enancib.ibict.br/index.php/enancib/xivenancib/schedConf/presentations

SNBU

2014

https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/anais/

ENANCIB

2014

http://enancib2014.eci.ufmg.br/programacao/anais-do-xv-enancib

CBBD

2015

http://www.acquaviva.com.br/cbbd2015/trabalhos_CBBD.php

ENANCIB

2015

http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2015/enancib2015/schedConf/
presentations

Fonte: Elaborado pelos autores.

A seguir será descrito a análise dos resultados.

4 Resultados finais
Nos últimos seis anos houve um número considerável de trabalhos realizados em

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eventos da área de Biblioteconomia que abordavam essa temática, a maior produção se deu no
ano de 2013, com a maior participação de autores de Universidades da região Sudeste,
apresentando sete artigos, seguidos da região Sul, com seis artigos, e Nordeste, com apenas
um artigo. A região Centro-Oeste não apresentou nenhum trabalho no período pesquisado
(20102015). A região Norte apresentou três trabalhos, dois deles no ano de 2015 e um em
2014, mas não tendo participação entre 2010 e 2013.
Tabela 2. Produção de Artigos de Instituições representando as Regiões por ano
Região

Ano

Sudeste
Sul
Nordeste
Norte
Centro-Oeste

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2
2
2
-

1
1
-

2
1
-

7
6
1
-

2
2
1
1
-

4
1
2
2
-

Número de
publicações
16
9
8
3
-

Fonte: Elaborado pelos autores.

Fica explícito que região Centro-Oeste não teve nenhuma participação nesses eventos
durante os seis anos analisados, talvez uma possível justificativa da ausência de trabalhos da
região seja porque só aconteceu um evento na região nesse período de seis anos, dos eventos
pesquisados. Quatro edições desses eventos ocorreram na região sudeste e quatro a região sul,
seguidas pela região nordeste com dois eventos.
Tabela 3. Lista dos Eventos com o respectivo ano e local onde foi realizado
Evento
Ano Local onde ocorreu o evento
SNBU

2010

São Conrado, RJ

ENANCIB

2010

Rio de Janeiro, RJ

CBBD

2011

Maceió, Al

ENANCIB

2011

Brasília, DF

SNBU

2012

Gramado, RS

ENANCIB

2012

Rio de Janeiro

CBBD

2013

Florianópolis, SC

ENANCIB

2013

Santa Catarina, SC

SNBU

2014

Belo Horizonte, MG

ENANCIB

2014

Belo Horizonte, MG

CBBD

2015

São Paulo, SP

2015 João Pessoa, PB
ENANCIB
Fonte: Elaborado pelos autores.

As publicações por Região foram observadas a partir da participação de Instituições
nos eventos, tendo a UNIRIO seis publicações, uma em 2011, duas em 2013 e 2014 e uma em
2015. A USP conta com quatro publicações, duas em 2013, uma em 2014 e 2015.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Figura 1. Produção por Instituição no período

Fonte: Elaborado pelos autores.

Pressupõe-se que a UNIRIO e a USP estejam em estágio avançado nas pesquisas
quando o assunto é a inserção de livros eletrônicos em bibliotecas universitárias, visto que nos
sites das instituições são apresentadas uma lista com as assinaturas da biblioteca. Na web site
da USP encontra-se um informe afirmando que a coleção tem cerca de 184 mil livros
eletrônicos atualizados constantemente.
Uma pequena observação foi feita, vinte e uma instituições participaram dos eventos
no período de 2010- 2015, mais de uma instituição apresentou mais de um artigo em um
evento e teve colaboração de autores vindos de outras instituições, como o Enancib de 2011,
com o trabalho "A arquitetura do livro digital na plataforma Google: um estudo exploratório",
das instituições UFBA e UFRJ, de Dourado e Oddone (2011); no Enancib de 2013, com "Em
busca de uma definição para o livro eletrônico: o conteúdo informacional e o suporte físico
como elementos indissociáveis", de Dias, Vieira e Silva (2013), UFPB e UFPR; Enancib
2015, com "Contribuições teóricas e metodológicas da arquitetura da informação pervasiva
para o processo editorial de livros eletrônicos", de Oliveira, Lima, Borsetti e Vidotti (2015),
da UFPB e UNESP, totalizando trinta e oito produções. Isso reforça que os programas de pósgraduação estão produzindo em conjunto os artigos com colegas orientados que são
originários de outras instituições.

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Tabela 4. Autores com maior Publicação de Artigos por Ano
Autor
ODDONE, N. E
SERRA, L. G.
DOURADO,S. M.
SILVA, J. F. M. da
NASCIMENTO
JUNIOR, C. A. S.
DIAS, G. A.
GRAU, I.
REIS, J. M.
ROZADOS, H. B. F.

2010
1
1
-

2011
1
1
-

2012
1

2014
1
2
1
1
1

2015
1
1

-

2013
2
1
1
1
-

1
1

Total
6
5
4
3
2

-

-

1
1
-

1
1
1

1
1

1
-

2
2
2
2

Fonte: Elaborado pelos autores.

5 Considerações finais
Independentemente do número de publicações que abordem os e-books como novo
suporte informacional, ou que omitam sua existência o fato é que eles estão despontando no
mercado e ganhando cada vez mais espaço em bibliotecas e editoras. É sabido que a
bibliotecas estão procurando aliar as novas tecnologias como uma forma de buscar e ter
acesso a informação de forma rápida e prática, se adequando ao novo perfil de usuário.
O objetivo do artigo foi o de apresentar todos os trabalhos publicados em três eventos
da área de Biblioteconomia no período de seis anos (2010 a 2015). Foi atingido com êxito,
tendo essa temática sido recuperada pelos seguintes descritores: E-books; Livros eletrônicos;
Livros digitais.
Foi observado os anos em que mais foram produzidos artigos relacionados ao tema,
que foi em 2013 e 2014, proporcionados pelos eventos SNBU e CBBD, tendo a maior
participação das Regiões Sul e Sudeste. Totalizando um número trinta e oito publicações, com
média de 7,6 publicações por ano (cálculo de média simples: total de publicações dividido
pelos anos pesquisados).
A questão que fica em pauta é o quanto se sabe sobre o assunto, o que ainda precisa se
saber e o que ainda será feito quando se fala em e-books, livros eletrônicos, ou livros digitais
nas Bibliotecas Universitárias Brasileiras? Sabendo-se que é uma inovação no mercado
editorial, que ainda existem barreiras impostas pelas editoras e desafios a serem enfrentados
pelos bibliotecários, o que poderia ser feito para enfrentar essas barreiras e possibilitar aos
usuários essa nova ferramenta?
É de suma importância que se dê mais atenção a publicação de trabalhos nesta
temática, visto, segundo a pesquisa, que é pouco abordada e que as bibliotecas universitárias
brasileiras já estão incluindo os livros eletrônicos em seus acervos. Conclui-se que as
próximas questões a serem discutidas são em relação ao acompanhamento da inserção desse
material como suporte informacional e o comportamento dos usuários diante da possibilidade
e oportunidade de pesquisarem com suportes em formato digital.

Referências
BRASIL. Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação
sobre os direitos autorais e dá outras providências. Diário oficial da república Federativa
do Brasil. Brasília, DF, 19 fev. 1998. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9610.htm&gt;. Acesso em: 5 out. 2015.

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BRASIL. Lei n° 12.853, de 14 de agosto de 2013. Dispor sobre gestão coletiva dos direitos
autorais e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília,
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abr. 2016.
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para o livro eletrônico: o conteúdo informacional e o suporte físico com elementos
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INFORMAÇÃO, 14, ENANCIB, 2013, Florianópolis-SC. Anais eletrônicos... Florianópolis:
UFSC, 2013. Disponível em:
&lt;http://enancib2013.ufsc.br/index.php/enancib2013/XIVenancib/paper/viewFile/283/199&gt;.
Acesso em: 25 ago. 2015.
DOURADO, Stella M.; ODDONE, Nanci. O livro digital como inovação editorial para a
cadeia produtiva das editoras universitárias brasileiras. In: ENCONTRO NACIONAL DE
PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14, ENANCIB, 2013, Florianópolis-SC.
Anais... Florianópolis: UFSC, 2013. Disponível em:
&lt;http://enancib2013.ufsc.br/index.php/enancib2013/XIVenancib/paper/viewFile/465/298&gt;.
Acesso em: 30 ago. 2015.
DUARTE, Adriana B. S.; LOPES, Aline Q.; ANTUNES, Maria L. A.; FERREIRA,
Emanuelle G. A.; PEREIRA, Ana Lúcia. Livro eletrônico: o que dizem os bibliotecários da
Universidade de Minas Gerais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA
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&lt;http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1413/1414&gt;. Acesso em: 1 out. 2015.
MAGALHÃES, Carolina S. S.; CERAVOLO, Suely M. Seleção de coleção de livros digitais
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Informação, v. 8, n. 1, p. 120-138, 2015. Disponível em:&lt;
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SERRA, Liliana G. Empréstimo digital: como atender editores, bibliotecas e usuários: estudo
sobre novos modelos de negócio. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
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AGRADECIMENTOS
Agradecimento à Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPI) da
Universidade Federal do Cariri (UFCA) por apoiar este projeto de pesquisa PIBIC, dando
oportunidade aos universitários na produção de conhecimento.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Um estudo bibliométrico da produção científica sobre livro eletrônico em eventos da biblioteconomia brasileira.</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>A introdução de livros eletrônicos em bibliotecas universitárias é uma questão cada vez mais contemporânea. Neste sentido, o artigo apresenta os resultados da análise da produção científica sobre livros eletrônicos em eventos da área de biblioteconomia brasileira (CBBD, ENANCIB e SNBU) nos últimos seis anos (período entre 2010 a 2015). Como unidade de análise foram considerados as publicações por ano, por região, por autor e por instituição. O estudo bibliométrico permite afirmar que o livro eletrônico está ganhando espaço no mercado editorial e que as bibliotecas universitárias estão aliar estas novas tecnologias como forma de buscar e ter acesso à informação.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>TEORIA ATOR-REDE SOB A LUZ DA GESTÃO DA INFORMAÇÃO:
ANÁLISE DA PÁGINA WEB DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UFPB

Edna Gomes Pinheiro (UFPB) - ednagomespi@yahoo.com.br
Marynice Medeiros Matos Autran (UFPB) - marynice.autran@gmail.com
Rosilene Agapito da Sliva Llarena (UFPB) - lenellarena@gmail.com
Gabriella Domingos de Oliveira (UFPB) - gabryellaholiveirah@gmail.com
Eliane Bezerra Paiva (UFPB) - paivaeb@gmail.com
Resumo:
Este artigo reflete a Teoria Ator-Rede (TAR) e a gestão da informação (GI) em inter-relações
sobrepostas no âmbito da Ciência da Informação. Apresenta contribuições teóricometodológicas e conceituais no âmbito da página web da Biblioteca Central da Universidade
Federal da Paraíba (SISTEMOTECA). A pesquisa tem como objetivos: a) tecer considerações
sobre a GI e TAR interligando-as entre si; b) levantar ações de GI voltadas para a questão das
redes, baseadas em autores de referência; c) relacionar ações de GI estabelecidas na página
web da biblioteca central da UFPB; d) relacionar as ações de GI na citada página e de que
forma elas podem interconectar-se com a TAR efetivando a missão, visão e objetivos do
SISTEMOTECA da UFPB em sua página web; e) construir um desenho organizacional das
citadas ações. Caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, exploratória e descritiva.
Utiliza a análise de conteúdo como procedimento de análise dos dados. Os resultados da
pesquisa apontam que a TAR pode se configurar como uma teoria da agência, uma teoria do
conhecimento e uma das teorias das máquinas, unindo num mesmo propósito humanos e
não-humanos; explora o caráter da organização como efeito ou consequência de uma interação
e os efeitos sociais que envolvem estrutura da própria organização, denunciando, assim, o
ponto de ligação entre a TAR e a GI.
Palavras-chave: Teoria Ator-Rede. Gestão da Informação.
Universitárias. Ciência da Informação

Páginas

web.

Bibliotecas

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Arquitetura da informação (usabilidade, ergonomia, entre outros)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Neste estudo procuramos refletir sobre as possíveis contribuições que a Gestão da
informação (GI) voltada para a Teoria Ator-Rede (TAR) pode oferecer para as bibliotecas
universitárias. Embora complexa, a relação entre a TAR e a GI, pode ser estabelecida de
maneira que os entrelaçados teórico-conceituais e metodológicos emerjam diante das
reflexões que contribuem com seu corpus e que se fazem entrelaçados nas redes dos conceitos
(ARAÚJO, 2014). A gestão em si é a grande responsável pela sua efetividade e, junto a TAR,
pode permitir a disseminação do conhecimento científico de modo que os atores que
compõem a biblioteca universitária (bibliotecários, usuários e tecnologias) se entrelacem para
alcançar seus objetivos.
O fio condutor deste artigo é constituído pelas reflexões estabelecidas em um grupo de
pesquisa por meio das discussões sobre a gestão da informação frente à utilização de
tecnologias, especificamente a página web do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
da Paraíba (SISTEMOTECA). Se agregada à TAR, como aquela que entende que humanos e
não-humanos, ou seja, homem e máquina se entrelaçam de maneira em que máquina e vida se
confundem nessa relação (a exemplo dos ciborgues), para compor uma característica
contemporânea que estabelece novas relações sociais na busca pela informação e pelo
conhecimento (LATOUR, 2012), a GI pode adquirir novo significado quando percebe e
estuda a informação em recursos tecnológicos surgidos junto à evolução histórica da
humanidade.
Este fio condutor busca novos horizontes de pesquisa e delineia sua pertinência nos
estudos relacionados às dinâmicas e artefatos informacionais no interior da Ciência da
Informação, onde a GI e a TAR ocupam seu lugar no contexto epistemológico, com
possibilidades multi ou até mesmo interdisciplinares.
Nesse contexto, este estudo preza-se por uma problemática central: De que maneira a
GI, relacionada à TAR, pode ser percebida no estudo da página web do
SISTEMOTECA?
Para responder à essa problemática, determinamos como objetivos desta investigação:
a) tecer considerações sobre a GI e TAR interligando-as entre si; b) levantar ações de GI
voltadas para a questão das redes, baseadas em autores de referência; c) relacionar ações de
GI estabelecidas na página web da UFPB; d) relacionar quais as ações de GI na citada página
e de que forma elas podem interconectar-se com a TAR efetivando a missão, visão e objetivos

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

do sistema de biblioteca da UFPB em sua página web; e) construir

um desenho

organizacional das citadas ações.

2 A TAR no âmbito da GI
Também conhecida como ‘sociologia da tradução’, a TAR caracteriza-se por um corpo
teórico e empírico que trata das relações sociais, incluindo o poder e a organização, como
efeitos de rede. Trata-se de uma abordagem das ciências sociais cuja essência está em
descrever e explicar estruturas sociais, organizacionais, científicas e tecnológicas, processos e
eventos, dos quais, independentemente de seus componentes (humanos e não-humanos)
formam uma rede de relações heterogêneas que podem ser mapeadas e descritas,
simultaneamente, entre coisas e conceitos (materiais e semióticas), numa mesma linguagem,
analisados nas mesmas condições, estabelecendo uma única rede em busca de objetivos
pertinentes às suas necessidades.
Para Latour (1994) a TAR se faz presente no entendimento do ‘eu’ social, do
sujeito/indivíduo, ou o ator que compõe as redes estabelecidas socialmente, passando
continuamente do local ao global, do humano ao não-humano, estabelecendo os nós da rede
de práticas e de instrumentos, de documentos e traduções de linguagens adaptadas aos
sistemas de uma organização ou instituição, para refletir a questão do sujeito/indivíduo e seu
papel social. É na subjetividade humana, envolta pelas transformações culturais, que as
interconexões são refletidas e o estabelecimento de novas relações e novas aprendizagens se
configuram pela busca da informação e do conhecimento por meio de técnicas que evoluem
com a história da humanidade.
A TAR utiliza-se de dois princípios: o da simetria generalizada e o da imparcialidade.
O primeiro, visa justificar que a natureza e a sociedade devem ser descritas da mesma
maneira, com os mesmos termos. Este princípio propõe manter sob o mesmo arcabouço de
análise elementos humanos e não-humanos, natureza e cultura, crença ingênua e ciência,
aquele que estuda e aquele que é estudado, teoria e prática, coisa e representação,
interioridade e exterioridade, ciências da natureza e ciências humanas, entre outras, evitando
falsas dicotomias e visões compartimentalizadas da realidade (DOSSE, 2003). O segundo,
visa explicar o sucesso e o insucesso, assim como o verdadeiro e o falso na mesma
proporcionalidade. A utilização desses dois princípios permearão os resultados dessa pesquisa
junto às ações de GI na análise que nos propomos.
Na Ciência da Informação (CI), a TAR busca entender os fenômenos da realidade na
perspectiva das redes, cujas interações humanas e não-humanas também estabelecem

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processos de traduções e interpretações. O fato da CI ter nascido no período moderno, em
meio ao crescimento exponencial de informação científica e técnica, possibilita refletir com
maior propriedade como ela e as ciências sociais estabelecem uma nova relação para a
questão do conhecimento: o envolvimento entre o sujeito e o objeto, de forma que o objeto
torna-se uma extensão do sujeito e vice-versa, viabilizando a relação entre a TAR e a CI
(ARAÚJO, 2014).
A GI assume o conceito de estudo dos processos informacionais, do modo como a
informação pode ser organizada, armazenada, recuperada e utilizada para a tomada de
decisões e para a construção do conhecimento (DUARTE, 2011). Caracteriza-se por um
conjunto de estratégias que visa identificar as necessidades informacionais, mapear os fluxos
formais de informação nos diferentes ambientes da organização, assim como sua coleta,
filtragem, análise, organização, armazenagem e disseminação, objetivando apoiar o
desenvolvimento das atividades cotidianas e a tomada de decisão no ambiente corporativo
(VALENTIM, 2004).
3 A GI no âmbito das Bibliotecas Universitárias
A Sociedade do Conhecimento modificou as formas de produção de bens e serviços. O
trabalho intelectual e as competências das pessoas são; o capital humano torna-se essencial,
pois o ser humano é o único elemento capaz de assimilar informação, desenvolver-se e
compartilhar ideias e experiências. As organizações foram impelidas a investir no capital
humano, ao reconhecerem que o conhecimento é um recurso vital para a sua sobrevivência.
Nessa nova configuração, as bibliotecas universitárias "são consideradas estratégicas,
pois contribuem para aumentar a capacidade das nações de gerar conhecimento e convertê-lo
em vantagens competitivas, o que representa riqueza e crescimento" (DIB; SILVA, 2006,
p.21), podendo, assim, serem consideradas um dos pilares da vida acadêmica, uma vez que
têm a função de apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade
fornecendo recursos informacionais seletivos, diversificados e organizados (SILVEIRA,
2009). Desempenham papel preponderante no desenvolvimento da sociedade, ao atuarem
como mediadoras no processo de geração e produção do conhecimento acadêmica (PAIVA,
2002). Ademais, representam um fenômeno social e são caracterizadas como organismos
dentro de um organismo maior, tornando-se, ao mesmo tempo, beneficiárias e vítimas da
infraestrutura das instituições em que estão inseridas (MIRANDA, 1980).
O modelo usual das bibliotecas universitárias é o de "não possuir estratégias próprias e
agir em função das demandas, muitas vezes desorganizadas, provenientes de diversos grupos

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existentes dentro da universidade" (HEEMAN; COSTA; MATIAS, 2000 apud DIB; SILVA,
2006, p.21), mas, sim, fortalecer sua imagem, renovando-se, adotando práticas gerenciais
modernas e monitorando o ambiente em que está inserida (DIB; SILVA, 2006).
Aliar às práticas cotidianas da biblioteca universitária a gestão da informação, que é
um processo que se configura como "um conjunto estruturado de atividades que incluem o
modo como as empresas identificam as necessidades informacionais, obtém, distribuem e
usam a informação” (DAVENPORT, 2002, p.50).
Uma robusta proposição desta pesquisa é que a GI torna-se parte integrante da TAR,
no que concerne às suas ações de gestão estratégica e gestão de tecnologia da informação
(TI). Sobre a gestão estratégica, as ações explicitadas por Amorim e Tomaél (2011)
estabelecem: o desenvolvimento de projetos de responsabilidade social referente aos serviços
oferecidos à comunidade acadêmica e a toda a sociedade; a gestão de relacionamentos com o
público; a avaliação da utilização dos serviços oferecidos etc. Quanto à gestão de TI, a GI se
efetiva quando: estabelece portais corporativos com tecnologia livre; gestão eletrônica de
documentos, disponibilização dos conteúdos na Internet; sistemas de busca e acessibilidade e
compartilhamento e uso das informações.
Essa reflexão pressupõe que a TAR estabelece conexão com GI à medida que as redes
estabelecidas são responsáveis por construírem conhecimentos que devem ser utilizados de
maneira apropriada. Para tanto, o contexto onde ela se dá, neste caso, o ambiente web, precisa
ser gerenciado na medida em que fluxos, circulações, alianças, tensões, movimentos, são
constituídos através de seres animados e inanimados, conectados e agenciados, se
materializando na informação.
Para Ramalho (2006), uma página da web é utilizada pelas organizações para
comunicar, ligar, trocar, intercambiar ideias, pensamentos, conhecimentos, informações ou
teorias de maneira atraente aos usuários. Nas organizações públicas, torna-se grande aliada à
gerências de recursos de informação (GRI), caracterizando-se como parte integrante no
processo de efetividade dos seus objetivos.
3.1 Arquitetura da informação e usabilidade
Segundo Agner (2012), a arquitetura da informação se propõe a identificar as
necessidades de informação dos usuários e representar essas necessidades durante a
elaboração do design e desenvolvimento do projeto. Isto significa a organização da
informação de um website em rótulos, agrupamentos, hierarquia, menus de navegação, ou
seja, a estrutura do conteúdo do website, o sistema de busca e navegação etc.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A usabilidade, por sua vez, corresponde à capacidade de um produto ser “[...] usado
por usuários específicos para alcançar objetivos específicos com eficácia, eficiência e
satisfação em um contexto específico de uso” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2002, p.3). A norma ISO 9241 refere-se à usabilidade e foi publicada pela
International Organization for Standardization (ISO) em 1998. Conforme a referida norma,
são características de qualidade de software: funcionalidade, confiabilidade, eficiência,
portabilidade e possibilidade de manutenção (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2002).
É no cenário da arquitetura da informação e usabilidade, aliadas a GI e à TAR que
pretendemos analisar o website do SISTEMOTECA da Universidade Federal da Paraíba
(UFPB).
A UFPB lançou sua primeira Home Page no ano de 1996. Inicialmente, conhecida
como site da UFPB, exibia apenas informações institucionais, porém sem nenhuma menção
ao Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA). Em 2000, o website da UFPB, passou a exibir
novo formato, dispondo novos links, entre eles, o da biblioteca central. Os usuários eram
conduzidos a um Localizador Padrão de Recursos (URL)1 que exibia informações sobre o
SISTEMOTECA, contudo não permitia nenhuma interação com o usuário. No ano de 2002,
foi adicionado um link ao Portal de Periódicos da CAPES. Em 2003, com novos layout e
links, os usuários passaram a ter acesso ao acervo do SISTEMOTECA.
Em 2005 a página foi substituída, passando a ter nova URL2 e no mesmo ano ocorreu
nova mudança para a URL3, a qual se mantém até os dias atuais. A página disponibiliza
acesso às coleções de livros, dissertações, teses, periódicos, multimeios, portais de periódicos
digitais e bases de dados de e-books. De acordo com as informações colhidas no próprio site,
a inscrição nas Bibliotecas do Sistema deve ser feita diretamente pelo Sistema Integrado de
Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA)4 da UFPB.

3 Materiais e métodos
A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, exploratória e descritiva. Para a análise
da página web da biblioteca central da UFPB utilizamos os critérios da usabilidade na
perspectiva da GI e da TAR.

1

http://www.sistemoteca.ufpb.br,
http://www.iblioteca.ufpb.br/
3
http://www.biblioteca.ufpb.br/
4
https://sistemas.ufpb.br/sigaa/verTelaLogin.do
2

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Para responder à questão da investigação e cumprir com os objetivos propostos,
adotamos a análise de conteúdo de Bardin (2004) como procedimento de análise dos dados.
Ao analisarmos a referida página, por meio de observação direta, procuramos
concentrar as percepções em três categorias:
 CATEGORIA 1 – Ações de GI baseadas em autores de referência.
A escolha de tais autores, cujas ações são descritas no Quadro 1, justifica-se em razão de
serem os mais citados na literatura sobre GI.
Quadro 1: Ações de GI propostas pelos autores de referência.
Modelo proposto por Choo (2003)
etapas:
Identificação
informação

das

necessidades

de

Aquisição de informação
Organização e armazenamento
informação

da

Desenvolvimento
de
informacionais e serviços
Distribuição da informação
Uso da informação

produtos

Modelo proposto por
Davenport (2002) etapas:

Modelo proposto por McGee e Prusak (1994)
etapas:

Determinação de exigências de
informação

Identificação de necessidades e requisitos de
informação

Obtenção de informação
Distribuição da informação

Aquisição e coleta de informação
Classificação, armazenamento,
apresentação da informação

tratamento

e

Utilização da informação

Desenvolvimento de produtos e serviços
informação
Distribuição e disseminação da informação
Análise e uso da informação

de

Fonte: Baseado em Souza; Duarte, 2011.

 CATEGORIA 2 – Descrição das ações de GC baseadas na estrutura da página. Para
tanto elencamos duas subcategorias:
a) Arquitetura da informação, distribuição das informações disponíveis e
facilidade de uso e originalidade – Trata-se da distribuição e organização das
informações da maneira como são consideradas pela organização, de modo a
garantir a eficácia de seu gerenciamento. Além disso, trata, ainda, do
estabelecimento de dispositivos que objetivam motivar o usuário a buscar as
informações necessárias, superando as barreiras de acesso ou a busca de outras
páginas para conseguir as informações necessárias.
b) Interatividade e redes de comunicação – Trata-se dos links estabelecidos
com outras redes de contatos que possibilitam informações adicionais além
daquelas oferecidas pelas organizações em foco.
 CATEGORIA 3 – Ações de GI interconectadas com os objetivos da TAR. Para
alcançar essa categoria elencamos as atividades de GI que estabelecem relações de
essencialidade

com

as

tecnologias

da

informação

e

comunicação

nomeadamente: o computador, a Internet e as redes colaborativas.

(TIC),

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

4 Resultados finais
Na análise da referida página pudemos perceber resultados que se coadunam com as
atividades sugeridas pelos autores de referência:
CATEGORIA 1:
Quadro 2: Ações de GI comuns entre os autores de referência
Modelo proposto por
Choo (2003)

Modelo proposto por
Davenport (2002)

Identificação das
necessidades de
informação

Determinação de
exigências de
informação

Aquisição de
informação e uso da
informação

Obtenção de
informação

Organização e
armazenamento da
informação

______

Desenvolvimento de
produtos
informacionais e
serviços

Distribuição da
informação
_____

______

Distribuição da
informação
Utilização da
informação

Modelo proposto por
McGee; Prusak
(1994)
Identificação de
necessidades e
requisitos de
informação
Aquisição e coleta de
informação
Classificação,
armazenamento,
tratamento e
apresentação da
informação
Desenvolvimento de
produtos e serviços de
informação

Distribuição e
disseminação da
informação
Análise e uso da
informação

Ações de GI percebidas na análise do site estudado
Ícone de busca; disponibilidade de números de
telefones, agenda e contatos; disponibilidade de
acesso à canais de conteúdo, canais de atendimento,
acesso à informação, serviços, participação e
legislação pertinentes; links com as redes sociais
(facebook, twitter, youtube); serviços de informações.
Ações de conexão com as bibliotecas setoriais, com
as instituições de fomento e com os professores de
departamentos da UFPB por meio de solicitação de
serviços e aquisição de informações.
Criação e alimentação de bases de dados da
instituição; editor de serviços.

A ênfase do site está nos seguintes serviços
informacionais: doação de livros, elaboração de ficha
catalográfica, empréstimo de materiais, portais de
pesquisa e bases de dados, visitas dirigidas, seção de
periódicos, orientação à utilização das NBRs, BDTD
– orientações para publicação, agendamento do
auditório.
Site oficial da biblioteca central, canais através das
redes sociais na internet.
No site, não há informações sobre a utilização e
análise da informação, como processo avaliativo, nem
no que refere aos usuários, como aos funcionários da
biblioteca e também pelo próprio sistema. A
inferência fica por conta dos clicks e acesso ao site.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.

CATEGORIA 2:
c) Arquitetura da informação, distribuição das informações disponíveis, facilidade de
uso e originalidade - Os ícones informativos do site são organizados de maneira simples.
As informações estão bem distribuídas e de fácil acesso. Os dispositivos apresentam
poucas cores, ícones e movimentos. Torna-se necessário despertar no usuário a motivação
pela busca das informações, superando as barreiras de acesso ou a procura de outras

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páginas para conseguir as informações. Consideramos que o site presenta uma arquitetura
simplificada e de fácil acesso.
d) Interatividade e redes de comunicação – O site disponibiliza links de
compartilhamento de informações remetendo os usuários aos seguintes sites: Minha
Biblioteca, Cengage Learning, Target GEDWeb, Ebrary, SciFinger, BMJ Learning,
Slavery &amp;Anti-Slavery, Periódicos, BDTD/UFPB, Biblioteca UFPB Digital, UpToDate,
Portal de Periódicos Científicos Eletrônicos da UFPB, Portal Domínio Público, Portal de
serviços do Governo Federal e a interconexão com o SIGAA/UFPB.
CATEGORIA 3:
Ações de inter-relação entre GI e TAR observadas:
1. A primeira refere-se aos serviços prestados pela biblioteca pelo SIGAA/UFPB. Os
usuários podem acessar diretamente o site, ou realizar as buscas pelo próprio sistema.
Permite o acesso remoto ao acervo, às bases e a outros serviços.
2. Acesso fácil e rápido ao site de Atuação Governamental canais de conteúdo e de
acesso à informação.
3. Links interativos com as redes sociais: Facebook, Twitter e Youtube, onde as
informações circulam de maneira interativa e motivadora para utilização da
informação no contexto atual, em que a informação assume forma e movimentos
diferenciados.
A partir dessas observações, apresentamos o desenho organizacional das ações
identificadas, seguidas das sugestões para a consecução das ações de GI interligada à TAR,
não apenas na construção do site da Biblioteca Central da UFPB, mas para a execução das
ações de gerenciamento da biblioteca (Figura 1).
Figura 1: Ações de GI de comuns aos autores de referência
AÇÕES DE GI DE
ACORDO COM OS
AUTORES DE
REFERÊNCIA

Identificação e
determinação das
necessidades e
exigências de

Aquisição e obtenção
da informação

Classificação,
organização e
tratamento da
informação

Desenvolvimento de
produtos e serviços
informacionais e
utilização da
informação

Distribuição e análise
da informação

Análise e uso da
informação

Fonte: elaborado pelos autores, 2016.

Dentro das ações gerais, são caracterizadas as ações específicas do site, citadas no
Quadro 2. Algumas estão interconectadas de maneira a confundir elementos humanos e nãohumanos para a efetividade das ações. Dessa forma, as ações de interconexão se apresentam

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5 Considerações finais
Sobre a TAR percebemos que sua relação pode ser estabelecida com a GI nos
meandros da corrente teórica da CI apresentando contribuições teórico-metodológicas e
conceituais no âmbito da página web da Biblioteca Central da Universidade Federal da
Paraíba (SISTEMOTECA).
Consideramos que os objetivos da pesquisa foram alcançados interpostos nas três
categorias de análise e na apresentação de um desenho organizacional que descreve a interrelação entre as ações de GI e a TAR no âmbito da Home Page da Sistemoteca da UFPB.
Os resultados da pesquisa apontam que a TAR pode se configurar como uma teoria da
agência, uma teoria do conhecimento e uma das teorias das máquinas, unindo num mesmo
propósito humanos e não-humanos; explora o caráter da organização como efeito ou
consequência de uma interação e os efeitos sociais que envolvem estrutura da própria
organização. Aqui, a nosso ver, está o ponto de ligação entre a TAR e a GI.
Essa relação pode desmitificar toda uma cultura organizacional e cultura informacional
sendo necessária sua aplicabilidade aos processos de gerência de organizações, portanto, na
gerência do site da Biblioteca Central. Dessas reflexões acreditamos que conseguimos
conjecturar, mesmo que timidamente as contribuições que a TAR tem oferecido à GI.

6 Referências
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.
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BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. 4.ed. Lisboa: Edições 70, 2004.
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DAVENPORT, T.H. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não basta para o
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DIB, S. F.; SILVA, N. C. Unidade de negócio em informação - UNINF: o futuro das
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�11

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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                <text>Este artigo reflete a Teoria Ator-Rede (TAR) e a gestão da informação (GI) em inter-relações sobrepostas no âmbito da Ciência da Informação. Apresenta contribuições teórico-metodológicas e conceituais no âmbito da página web da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba (SISTEMOTECA). A pesquisa tem como objetivos: a) tecer considerações sobre a GI e TAR interligando-as entre si; b) levantar ações de GI voltadas para a questão das redes, baseadas em autores de referência; c) relacionar ações de GI estabelecidas na página web da biblioteca central da UFPB; d) relacionar as ações de GI na citada página e de que forma elas podem interconectar-se com a TAR efetivando a missão, visão e objetivos do SISTEMOTECA da UFPB em sua página web; e) construir um desenho organizacional das citadas ações. Caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, exploratória e descritiva. Utiliza a análise de conteúdo como procedimento de análise dos dados. Os resultados da pesquisa apontam que a TAR pode se configurar como uma teoria da agência, uma teoria do conhecimento e uma das teorias das máquinas, unindo num mesmo propósito humanos e não-humanos; explora o caráter da organização como efeito ou consequência de uma interação e os efeitos sociais que envolvem estrutura da própria organização, denunciando, assim, o ponto de ligação entre a TAR e a GI.</text>
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                    <text>TENDÊNCIAS DAS PESQUISAS DO PROGRAMA DE
PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOCIÊNCIAS (GEOQUÍMICA) DA UFF
Verônica de Souza Gomes (UFF) - veronisg@yahoo.com.br
Resumo:
O presente trabalho apresenta o levantamento dos temas abordados nos trabalhos de
dissertações e teses do Programa de Pós-Graduação em Geociências (Geoquímica) da
Universidade Federal Fluminense (UFF), através de metodologias que utilizam indicadores
para analisar e medir a produção científica de uma área do conhecimento. Foi levantado e
analisado o total de oitenta e seis trabalhos defendidos, dos quais foram extraídos dos resumos
trezentas palavras-chave ao final da exclusão das palavras repetidas. Desse número,
destacou-se os vinte e seis termos mais abordados, e a análise realizada permitiu a
visualização do desenvolvimento das pesquisas dentro das linhas do programa no período
abrangido. Concluiu-se que é de suma importância a realização e a frequência de estudos que
demonstrem as características, as tendências e as relações de uma área do conhecimento, por
meio dos levantamentos estatísticos da produção científica, a fim de orientar nas possíveis
demandas e nas políticas de CTI.
Palavras-chave: Produção científica; Indicadores de produção científica; Mapeamento
temático; Geoquímica.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Ciência gera diferentes conhecimentos, além disso, ela precisa mostrar para a
sociedade a sua importância e os seus avanços. Contudo, para visualizar o seu progresso, se
faz necessário à realização de uma constante avaliação. Uma das formas de se avaliar a
Ciência é por meio da produção científica de uma determinada área do conhecimento. A
produção científica é um dos indicadores que demonstra o quanto o conhecimento produzido
têm se transformado em informação acessível para a sociedade, já que de alguma forma esse
conhecimento foi publicado.
A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ), desde sua criação em 1978,
tem sido responsável pela organização e armazenamento de toda a produção científica gerada
pelo Programa de Pós-Graduação em Geociências (Geoquímica) – PPG-Geo da Universidade
Federal Fluminense – UFF. No entanto, percebe-se a falta de estudos que avalie as tendências
das pesquisas realizadas pelo programa, bem como estudos que contribuam na verificação do
nível de produção e no seu reconhecimento pela sociedade.
Sabendo da importância dos indicadores gerados a partir dos estudos que procedem da
Biblioteconomia, por fornecer metodologias que possibilita identificar o nível de
desenvolvimento, a produtividade, as tendências, as características de um campo. Pois os
resultados obtidos a partir do uso de métodos qualitativos e quantitativos para realizar as
análises necessárias podem influenciar nas tomadas de decisões que subsidiam os programas
das Universidades. O que motivou a realização da pesquisa foi a preocupação em verificar a
representação do campo da Geoquímica – que trata da Química da Terra como um todo e de
seus componentes, no Programa de Pós-Graduação em Geociências (Geoquímica) da UFF,
uma área de conhecimento que abrange disciplinas de diversas áreas, com a intenção de
identificar informações representativas que faça o programa refletir sobre o seu desempenho e
desenvolvimento, contribuindo assim para a construção e divulgação da Ciência.
A configuração da produção científica do campo também se justifica por ser um dos
cursos mais tradicionais de Pós-Graduação na área de Geociências do Brasil, tendo iniciado
suas atividades em 1972 com o curso de Mestrado e em 1991 com o curso de Doutorado. Na
última avaliação foi classificado com nível 6 pela CAPES e conta com um corpo docente de
formação interdisciplinar, como: químicos, geólogos, biólogos, entre outros. Com o passar
dos anos o programa adquiriu uma grande representatividade não só no contexto institucional,
como também nacional e internacional.
Partindo do pressuposto da importância de ter ciência dos avanços de uma área, e que
para isso as mesmas precisam ser acompanhadas, estudadas, a fim de serem mensuradas e
avaliadas, pois tais estudos podem subsidiar os investimentos, as medidas que se devem
adotar, as políticas a serem empregadas, foi levantada a seguinte questão: Qual a tendência
das pesquisas abordadas nos trabalhos finais dos discentes e sua relação com as linhas de
pesquisa do PPG-Geo no período de 2011 a 2015?
Deste modo o objetivo principal da pesquisa é verificar os temas abordados nos
trabalhos finais dos discentes do PPG-Geo da UFF no período de 2011 a 2015, a fim de
identificar a tendência das pesquisas produzidas pelo Programa. Os objetivos específicos da
pesquisa são: mapear os temas dos trabalhos defendidos do Programa de Pós-Graduação em
Geociências (Geoquímica) da Universidade Federal Fluminense; e averiguar a relação das
temáticas apresentadas com as linhas de pesquisa do Programa, fazendo uma possível ligação
aos professores do PPG-Geo.
Espera-se que essa pesquisa contribua para a visualização do progresso, das tendências
das pesquisas científicas realizadas nos últimos cinco anos pelo Programa de Pós-Graduação
em Geoquímica da UFF, e que também forneça para o programa e a autora subsídios para
estudos futuros, a partir do levantamento realizado neste trabalho.

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2 Revisão de literatura
É difícil mensurar o valor que as produções científicas têm exercido sobre o
desenvolvimento da ciência e para a sociedade, pois através do conjunto de trabalhos
produzidos dentro das universidades, propagados por meio de livros, artigos de periódicos,
dissertações e teses, trabalhos apresentados em eventos, entre outros, é que as pesquisas
buscam cumprir o seu papel – de divulgar os resultados encontrados para a sociedade, a fim
de demonstrar o progresso da ciência.
Estudos relacionados à investigação científica vêm crescendo desde a década de 90,
demonstrando assim a maturação da área (OLIVEIRA, 2004). Segundo Meadows (1999) a
produção científica de um pesquisador está relacionada à qualidade e a quantidade do que se
produz e se comunica. E de acordo com Velho (2011) ocorre nas políticas de ciência,
tecnologia e inovação (CTI) a necessidade de um controle de qualidade “no contexto de
aplicação e incorpora interesses sociais, econômicos e políticos.” Devendo combinar
relevância com excelência acadêmica.
Segundo Kobashi e Santos (2008, p. 108) na área da Ciência da Informação há grandes
discussões a respeito das relações entre os métodos quantitativos e qualitativos. Para os
autores “o conhecimento qualitativo pode ser objetivado por relações quantificadas, provindas
de técnicas bibliométricas.” E que o conhecimento qualitativo não exclui a quantidade, mas
serve “como meio para compreender e explicar, de modo a quebrar a clivagem entre o modo
quantitativo e o modo qualitativo de analisar objetos.”
Desta forma, os estudos realizados por meio da produção científica de um campo
possibilitam a identificação do desempenho, as tendências e os avanços de uma determinada
área do conhecimento, através de uma metodologia capaz de gerar indicadores que subsidiam
a tomada de decisão. E conforme Kobashi e Santos (2008, p. 109) “o mapeamento e avaliação
da ciência são questões consideras cruciais, na sociedade contemporânea, principalmente a
partir de sua caracterização como fator de produção.”
Quanto mais ativo e produtivo o ambiente científico, mais freqüentes e rigorosas são
as rotinas de avaliação vigentes. Estes processos avaliativos se fundamentam,
principalmente, em duas metodologias: a avaliação qualitativa, feita pelos pares,
fortemente ancorada na reputação adquirida pelo avaliado; e a que se deriva de
critérios quantitativos, baseados em métodos bibliométricos e cientométricos
(VANZ; STUMF, 2010, p. 67).

Conforme Glänzel (2014) é preciso estar atento em quando se deve ou não fazer uso
das técnicas bibliométricas, pois as mesmas precisam ser utilizadas num contexto apropriado
e serem relacionadas com os “métodos qualitativos”. E a melhor forma de se aplicar essa
combinação de métodos pode ser no estudo do perfil da carreira e do contexto de trabalhos
dos pesquisadores. Ainda de acordo com Glänzel (2014), a utilização dos dados
bibliométricos visualmente e numericamente retratam aspectos relevantes quanto o
desenvolvimento de um cientista.
A bibliometria é uma metodologia usada para o levantamento das atividades
científicas e correlatas, através de análise de dados que apresentem as mesmas características.
Essa metodologia possibilita quantificar os trabalhos publicados: em um período prédeterminado, pelo autor, pelo campo, área de conhecimento ou por instituição, entre outros
elementos. Pode-se também, levantar “dados para comparar e confrontar os elementos
presentes em referências bibliográficas” das publicações (KOBASHI; SANTOS, 2008, p.
109).
De acordo com Silva e Bianchi (2011), como forma de mensurar o progresso
científico, a fim de que as distribuições de recursos e os investimentos na ciência sejam feitos

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de forma mais eficaz, a cientometria é outro método utilizado para analisar e medir de forma
quantitativa as atividades, a produção e por fim o progresso da ciência.
Para Kobaschi e Santos (2008) os indicadores são parâmetros utilizados para medir as
atividades da pesquisa científica e fornecem subsídios para a compreensão do que foi
proposto na pesquisa, da estrutura do campo, e dos impactos causados na sociedade, na
política e na economia de um país.
Licht, Mello, e Silva (2007) tratam das bases científicas da Geoquímica, o seu
desenvolvimento ao longo dos séculos XVIII, XIX, XX, e ressalta que foi em 1838 que o
termo “geoquímica” foi apresentado pela primeira fez a sociedade por meio de um artigo do
químico e professor Christian Friedrich Schönbein. Mason (1971) define de forma simples a
geoquímica “como a ciência que trata da química da Terra como um todo, e de suas partes
componentes” e que “trata da distribuição e da migração dos elementos químicos dentro da
Terra no espaço e no tempo.”
Conforme Novo (2007) a Geoquímica nasceu com a evolução da ciência e suas
disciplinas, a partir do momento em que buscaram tornar a Geologia mais quantitativa, em
que se incluiu em suas disciplinas estudos de Química, Física e da Matemática – “chamadas
ciências básicas”, para resolver problemas geológicos e “descobrir leis que controlam a
distribuição dos elementos individuais”. É um campo interdisciplinar, de muitas facetas, pois
aborda estudos que vão das Ciências Exatas e da Terra, às Ciências Humanas. De acordo com
a Tabela de Áreas do Conhecimento da CAPES1, a Geoquímica é uma subárea da Geologia e
está dentro da grande área Geociências.
Segundo Rohde (2008, p. 39), a geoquímica tida como clássica “é uma disciplina que
dividiu a realidade em compartimentos que vão desde o cosmo até os solos, passando pelas
rochas. E está voltada para as “questões de abundância, distribuição e valores limites ou
limiares dos elementos químicos nos diversos compartimentos terrestres”.
E cabe ressaltar que as pesquisas que envolvem estudos métricos, como os indicadores
bibliométricos, que se preocupam em medir a produção do conhecimento são de suma
importância para as Universidades e instituições financiadoras de pesquisa. Pois esses estudos
permitem analisar a produção desenvolvida pelos pesquisadores de uma determinada área de
conhecimento e traçar metas a partir das tendências das pesquisas.

3 Materiais e métodos
Trata-se de uma pesquisa do tipo exploratória, que utilizou da abordagem qualitativa e
quantitativa para sua realização. O campo empírico representado na pesquisa foi o Curso de
Pós-Graduação em Geociências (Geoquímica) da UFF, e o objeto de estudo para o
levantamento dos dados foram as dissertações e teses do PPG-Geo defendidas no período de
2011 a 2015.
Deste modo, foram estabelecidas as etapas a serem seguidas para o tratamento dos
dados:
 Levantamento do número de trabalhos por ano e sua especificação (tipo);
 Mapeamento dos temas abordados pelos discentes nos resumos dos seus trabalhos
de dissertações e teses nos últimos 5 (cinco) anos;
 Cruzamento das temáticas apresentadas com as linhas de pesquisa do Programa e
posteriormente relaciona-las com a atuação dos professores do PPG-Geo;
A coleta de dados foi realizada de forma manual, consultando o acervo de dissertações
1

A tabela está disponível em: http://www.capes.gov.br/avaliacao/instrumentos-de-apoio/tabela-de-areas-doconhecimento-avaliacao.

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e teses registrado na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica da UFF. Essa etapa não foi
dificultosa, visto que a biblioteca possui um espaço reservado para a “Produção intelectual”
do PPG-Geo, mantendo um exemplar dos trabalhos defendidos, e os mesmos estão
organizados por ordem cronológica. A seguir, foram localizados 86 (oitenta e seis) trabalhos
defendidos no PPG-Geo. De onde foram elencadas todas as palavras-chave localizadas nos
resumos, os respectivos títulos e orientadores destes trabalhos. Os dados coletados foram
listados e trabalhados em planilhas do Software Excel.
Assim sendo, a análise dos dados foi feita por meio do método bibliométrico,
utilizando-se indicadores pertinentes para alcançar os objetivos propostos. Que tornou
possível a visualização das tendências das pesquisas realizadas nesse período e uma possível
prospecção dos estudos futuros.

4 Resultados parciais/finais
A partir da localização dos 86 trabalhos defendidos no Programa de Pós-Graduação
em Geociências (Geoquímica) da Universidade Federal Fluminense, foi realizada uma breve
análise para identificar o tipo dos trabalhos (dissertação ou tese) e a respectiva quantidade
distribuída pelo período de abrangência da pesquisa – 2011 a 2015, como mostra a (Tabela 1).
Apesar da pesquisa não ter o intuito de analisar o número dos trabalhos defendidos ao longo
desse período, pode-se perceber que houve um decréscimo das produções relacionadas aos
trabalhos defendidos no programa.
Tabela 1 – Trabalhos defendidos no PPG-Geo de 2011 a 2015
Ano

Dissertações

Teses

2015
2014
2013
2012
2011
Total

9
10
10
13
12
54

4
7
7
8
6
32

Total de
trabalhos
13
17
17
21
18
86

Fonte: Elaborada pela autora, 2016.

Com fundamento nos 86 (oitenta e seis) resumos avaliados, reuniu-se um total de 423
(quatrocentos e vinte e três) palavras-chave citadas. Sendo que após a exclusão de algumas
palavras que se repetiam, chegou-se ao total de 300 (trezentos) palavras-chave, o resultado
demonstra a variedade dos assuntos apresentados nas pesquisas dos discentes do PPG-Geo no
período abordado.
Assim, do total final das palavras-chave elencadas, foram selecionadas as 26 (vinte e
seis) mais citadas (Tabela 2). Na tabela a seguir, percebe-se que os termos mais citados nesse
período referem-se a “Matéria orgânica”, seguido de “Metais”, a região de “Cabo Frio (RJ)”,
e a “Baía de Guanabara (RJ)”.
Os demais termos que não foram relacionados na tabela abaixo, apresentaram um total
de 45 (quarenta e cinco) palavras-chave citadas 2 (duas) vezes, como: Água intersticial,
Análise de Componentes Principais (ACP), Arquipélago das Cagarras, Arsênio, Bacia
Amazônica, Baía de Sepetiba, Contaminação ambiental, Estuários, Gases do efeito estufa,
Paleoambiente, entre outras. E as demais foram citadas apenas 1 (uma) vez, totalizando 229
(duzentos e vinte e nove), dentre elas estão: Acumulação de carbono, Água subterrânea,
Amazônia, Avaliação ambiental, Biomonitores, Contaminação por metais, Erosão, Gestão

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ambiental, entre outros.
Tabela 2 – Termos mais citados
Palavras-chave
Matéria orgânica
Metais
Cabo Frio (RJ)
Baía de Guanabara (RJ)
Intemperismo
Isótopos
Esteróis
Foraminíferos bentônicos
Isótopos estáveis
Metais-traço
Mineralogia
Nutrientes
Óxido nitroso
Ressurgência
ACAS (Água Central do
Atlântico Sul)
Bioensaio
Biomarcadores
Cádmio
Elementos-traço
Estado trófico
Extração seqüencial
Holoceno
Mineração
Nitrogênio
Sedimento
Várzea

Vezes citadas
8
7
6
5
5
5
4
4
4
4
4
4
4
4
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3

Fonte: Elaborada pela autora, 2016.

Na pesquisa de Novo (2007) que buscou analisar e evidenciar a interdisciplinaridade
da área da Geoquímica dentro do PPG-Geo, por meio da classificação de áreas de
conhecimento a partir das palavras-chave apontadas nas teses defendidas e das definições dos
seus conceitos no período de 1999-2005, a autora levantou 123 (cento e vinte e três) palavraschave. Destas palavras foi possível verificar que apenas 29 (vinte e nove) (Quadro 1)
permaneceram entre as 300 (trezentos) levantadas no período de abrangência desta pesquisa,
mostrando que houve o aumento de 271 (duzentos e setenta e um) novos termos utilizados na
representação do domínio da área da Geoquímica, apoiados nos novos interesses de pesquisa.
Esta análise faz refletir à necessidade de uma nova pesquisa para cobrir o período (20062010) que não foi contemplado pelas pesquisas descritas, a fim de ter uma visualização
sequencial das mudanças dos termos ocorridas no campo.

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Embora esta pesquisa não tenha conseguido realizar o levantamento das temáticas da
área de conhecimento da Geoquímica, por meio dos termos identificados – por serem muitos
e de uma abrangência interdisciplinar, e nem cruzar as temáticas com as linhas de pesquisa do
programa e relaciona-las com os professores do PPG-Geo da UFF. O levantamento realizado
possibilitou um estudo inicial das tendências das pesquisas e demonstrou a
interdisciplinaridade da área do campo da Geoquímica dentro do PPG-Geo da UFF, desta
forma pretende-se em estudos futuros concluir os objetivos que não foram alcançados neste
trabalho.

5 Considerações parciais/finais
Diante do que foi apresentado e a protuberância dos estudos biblométricos nas análises
das produções científicas dos programas das universidades, faz-se necessário à realização de
um estudo mais aprofundado dos termos relacionados. Que busque visualizar as temáticas
mais abordadas e as relações com as linhas de pesquisa e com os professores do Programa de
Pós-Graduação em Geociências (Geoquímica) da Universidade Federal Fluminense. De forma
a perceber as características e as tendências do campo da Geoquímica no PPG-Geo da UFF.
Com um olhar prospectivo, observa-se que no período abordado pela pesquisa, o PPGGeo teve suas pesquisas direcionadas às mudanças climáticas e ambientais, contaminações e
poluições, com aspectos muito relacionados aos efeitos da química na atmosfera e aos
ambientes aquáticos. Também pode-se observar que a região onde ocorreu o maior número de
pesquisas se deu principalmente no Estado do Rio de Janeiro.
Ainda que não tenha sido possível atingir todos os objetivos propostos neste trabalho,
este estudo possibilitou a identificação dos temas mais abordados nos trabalhos de
dissertações e teses, no período de 2011 a 2015, através do levantamento das palavras-chave
identificadas nos resumos dos trabalhos dos discentes do PPG-Geo. Também foi possível
relacionar os termos e os trabalhos com as linhas de pesquisa do PPG-Geo, identificando
assim a linha mais produtiva do programa.
Nesse sentido, constatamos o quanto é importante à realização de estudos que
demonstrem as características, as relações, por meio dos levantamentos estatísticos da
produção científica de uma área do conhecimento. E poder compreender o progresso da
Ciência através desses estudos, possibilita orientar as possíveis demanda das políticas de CTI
e verificar as tendências para a produção de novos conhecimentos de uma área. Contudo, o
estudo só se torna eficaz quando as análises de avaliação são contínuas.

6 Referências
KOBASHI, N. Y.; SANTOS, R. N. M. Arqueologia do trabalho imaterial: uma aplicação bibliométrica
à análise de dissertações e teses. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da
informação, Florianópolis, n. esp., 1º sem. 2008. p. 106-115. Disponível em:
&lt;https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2008v13nesp1p106/868&gt;. Acesso em:
02 mar. 2016.
KUNSCH, M. M. K. A produção científica em relações públicas e comunicação organizacional no
Brasil: análise, tendências e perspectivas. Boletín Comunicación, ALAIC, v. 3, n. 11, 2003.
Disponível em: &lt;http://www.eca.usp.br/alaic/boletin11/kunsch.htm&gt;. Acesso em: 16 set. 2015.
MASON, Brian. Princípios de geoquímica. Tradução de Rui Ribeiro Franco. São Paulo: Editora da
Universidade de São Paulo; Editora Polígono, c1971.

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MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Tradução de Antonio Angenor Briquet de Lemos.
Brasília: Briquet de Lemos Livros, 1999. p. 79-115.
NOVO, Hildenise Ferreira. A elaboração de taxonomia: princípios classificatórios para domínios
interdisciplinares. 2007. 172 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Programa de PósGraduação em Ciência da Informação, Universidade Federal Fluminense, Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia, Niterói, 2007.
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&lt;http://geoquimica-uff.org&gt;. Acesso em: 15 ago. 2015.
OLIVEIRA, H. V. de. Fatores influentes na visibilidade internacional da comunicação científica de
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ROHDE, Geraldo Mario. Geoquímica ambiental e estudos de impacto. 3. ed. São Paulo: Signus
Editora, [2008]. 174 p.
SILVA, José Aparecido da; BIANCHI, Maria de Lourdes Pires. CIENTOMETRIA: A MÉTRICA DA
CIÊNCIA. Paidéia, v. 11, n. 20, p.5-10, 2001.
VANZ, S. A. de S.; STUMPF, I. R. C. Procedimentos e ferramentas aplicadas aos estudos
bibliométricos. Informação &amp; Sociedade: Estudos, v. 20, n. 2, p. 67-75, 2010.
VELHO, Léa. Conceitos de Ciência e a política científica, tecnológica e de inovação. Sociologias,
Porto Alegre, ano 13, n. 26, jan./abr. 2011, p. 128-153.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente trabalho apresenta o levantamento dos temas abordados nos trabalhos de dissertações e teses do Programa de Pós-Graduação em Geociências (Geoquímica) da Universidade Federal Fluminense (UFF), através de metodologias que utilizam indicadores para analisar e medir a produção científica de uma área do conhecimento. Foi levantado e analisado o total de oitenta e seis trabalhos defendidos, dos quais foram extraídos dos resumos trezentas palavras-chave ao final da exclusão das palavras repetidas. Desse número, destacou-se os vinte e seis termos mais abordados, e a análise realizada permitiu a visualização do desenvolvimento das pesquisas dentro das linhas do programa no período abrangido. Concluiu-se que é de suma importância a realização e a frequência de estudos que demonstrem as características, as tendências e as relações de uma área do conhecimento, por meio dos levantamentos estatísticos da produção científica, a fim de orientar nas possíveis demandas e nas políticas de CTI.</text>
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                    <text>SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL: CAMPANHA PELO
SILÊNCIO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFU
Maira Nani França (UFU) - mairanani@hotmail.com
Guilherme Augusto da Silva Gomes (UFU) - guilhermeaugg@gmail.com
Resumo:
As universidades, e consequentemente suas bibliotecas, como espaços públicos urbanos
fomentam a interação social de distintos grupos de indivíduos. Na busca de se conquistar um
ambiente equilibrado, adequado e agradável, em 2013, foi implantado o Projeto Campanha
pelo Silêncio e uso adequado das bibliotecas do SISBI, objeto de estudo deste trabalho.
Motivados pelos resultados obtidos e pela temática deste XIX Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (Manaus, 2016): A Biblioteca Universitária como agente de
sustentabilidade institucional, com este trabalho propõe-se compartilhar com os demais
colegas uma das ações de sustentabilidade desenvolvidas pelo SISBI/UFU, bem como
disponibilizar a arte do material gráfico, em arquivos abertos, utilizado na campanha
educativa para que outras bibliotecas possam implementá-la, caso tenham interesse.
Palavras-chave: Poluição sonora. Educação de Usuários. Espaço e Uso das Bibliotecas.
Campanha pelo Silêncio. Sustentabilidade institucional.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução/Revisão de Literatura
As universidades, e consequentemente suas bibliotecas, como espaços públicos
urbanos fomentam a interação social de distintos grupos de indivíduos. A concentração
populacional nos grandes centros urbanos, por um lado, sempre contribuiu diretamente para
sua evolução, porém este “inchaço” cada vez mais tem interferido negativamente na
sustentabilidade ambiental.
Desde 1994, a Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho
estabeleceu a obrigatoriedade de toda instituição identificar os riscos ambientais e, elaborar e
implementar um programa de prevenção “visando a preservação da saúde e da integração dos
trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da
ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho”
(BRASIL, 1994), ancorada nas três premissas básicas que definem a sustentabilidade: o viés
econômico, social e ambiental. A normativa indica os cinco principais riscos ambientais, a
saber: os físicos (ruídos, vibrações, frio, umidade, etc.), químicos (poeiras, fumos, gases, etc.),
biológicos (fungos, parasitas, etc.), ergonômicos (postura inadequada, esforço físico, etc.) e de
acidentes (iluminação e armazenamento inadequados, animais peçonhentos, etc.).
Dentre as variáveis que condicionam as ações e atividades humanas que visam suprir
suas necessidades, destaca-se o ambiente sonoro em constante transformação, cada vez mais
ruidoso nos espaços públicos, com recorte específico, neste trabalho, para as bibliotecas
universitárias. As bibliotecas que integram o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
de Uberlândia (SISBI/UFU) vêm enfrentando, principalmente, nos últimos anos, um grande
problema em relação ao excesso de ruídos nos espaços destinados para estudo, quase sempre
desrespeitando o limite máximo de decibéis permitidos normatizado pelo Ministério do
Trabalho, Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), conforme apontado na Figura 1.
Figura 1 – Escala de decibéis

Fonte: Magano (2012).

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Infelizmente não há uma cultura pelo silêncio e uso adequado estabelecido para estes
ambientes. Inúmeras são as reclamações recebidos pelos gestores, tanto pelos servidores da
unidade, quanto pelos usuários registradas através de e-mails, pessoalmente e pela avaliação
da Comissão Própria de Avaliação (CPA)1, que somadas às orientações de consultores de
parceiros em busca de um melhor ambiente de trabalho e de estudo, já realizadas pelo
SISBI/UFU, evidenciaram a necessidade de intervenção para mitigação dos efeitos
ambientais, sociais e econômicos do ruído nas bibliotecas. Na busca de se conquistar um
ambiente equilibrado, adequado e agradável, em 2013, foi implantado o Projeto Campanha
pelo Silêncio e uso adequado das bibliotecas do SISBI, objeto de estudo deste trabalho.
Motivados pelos resultados obtidos e pela temática deste XIX Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (Manaus, 2016) A Biblioteca Universitária como agente de
sustentabilidade institucional, com este trabalho propõe-se compartilhar com os demais
colegas uma das ações de sustentabilidade desenvolvidas pelo SISBI/UFU, bem como
disponibilizar a arte do material gráfico, em arquivos abertos, utilizado na campanha
educativa para que outras bibliotecas possam implementá-la, caso tenham interesse.

2 Materiais e Métodos
2.1 O projeto
A Campanha pelo Silêncio foi planejada, como uma campanha a ser aplicada
semestralmente nas bibliotecas da UFU, para educar os usuários para a cultura de silêncio e a
utilização consciente do espaço das bibliotecas.
Definiu-se como objetivo principal a reeducação dos usuários sobre a forma de
utilização do espaço das bibliotecas do SISBI, conscientizando-os sobre a necessidade de
manutenção do silêncio e objetivos secundário:
a) criar condições para que os usuários possam refletir sobre os inconvenientes do
excesso de barulho;
b) propor parceria com usuários para aumentar a tranquilidade no ambiente das
bibliotecas, incentivando-os a manterem silêncio nos locais de estudo;
c) propiciar aos usuários um ambiente adequado para estudo e leitura.
Como público alvo apontou-se a integralidade dos usuários de todas as bibliotecas do
SISBI/UFU e também os transeuntes desse ambiente, como foco na comunidade universitária
das Bibliotecas do campus Santa Mônica e do Pontal, onde o problema do excesso de ruído é
mais a acentuado.
Por entender que o processo educativo é algo contínuo planejou-se a implantação da
campanha por meio de ações intercaladas semestralmente divididas em três fases.
a) Fase 1 e 3 – Silêncio nas bibliotecas (15 a 26/07/13 e 11 a 22/11/13);
b) Fase 2 e 5 – Pausa das atividades. Desenvolvimento da Campanha Preservação
do acervo e da Biblioteca;
c) Fase 4 e 6 – Retomada da Campanha para o Silêncio (9 a 28/09/13 e 17/02 a
01/03/14).
O material gráfico utilizado na campanha foi composto de expositores (displays)
afixados nas mesas de estudo das bibliotecas, no formato de prisma, em quatro modelos, com
nome, símbolo, slogan e mensagens relacionadas ao tema da campanha (Anexo A);
marcadores de livro com o tema da campanha (Anexo B), distribuídos aos usuários no Setor
de Circulação; cartaz com informações sobre a campanha (Anexo C); banner representativo
1

Comentários de discentes, docentes e técnicos administrativos, a respeito do excesso de barulho nas bibliotecas:
2010 – 5 registros; 2011 – 10 registros; 2012 – 6 registros.

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da campanha, simbolizando o pedido por silêncio (Anexo D) e cards de advertência e
parabéns. O material utilizado na Campanha foi confeccionado na gráfica da universidade,
conforme descrição, especificação e distribuição indicadas abaixo:
a) displays de mesa2 – 1.000 unidades, sendo 250 de cada modelo (Quadro 1);
b) marcadores de livro3 – 5.000 unidades, sendo 2.500 de cada modelo (Quadro 2);
c) cartazes4 – 150 unidades (Quadro 3);
d) banners5 – 8 unidades;
e) cards6 – 1.800 unidades, sendo 900 de cada (Quadro 4);
f) camisetas – 250 camisetas, sendo 2 para cada servidor das bibliotecas do SISBI.
Ficou definido que os displays seriam afixados sobre as mesas de estudos em grupo ou
individual com uma fita adesiva. O posicionamento do prisma (centro, lado esquerdo ou
direito) ficaria a critério da equipe do Setor de Referência. Cada biblioteca receberia uma
quantidade a mais em relação à quantidade de mesas existentes para reposição, se necessário,
de algum prisma que pudesse ser danificado ou extraviado.
Quadro 1 - Quantidade de display de mesa por modelo e por biblioteca
Texto do Modelo
Evitar conversas pelo cel...
Falar mais perto...
Esticar as pernas...
Silêncio, paz e estudo...
Total

MON UMU
120
70
120
70
120
70
120
70
480
280

Quantidade por Biblioteca
FIS ESB HCU PON MTC PAT TOTAL
10
5
2
25
10
10
252
10
5
2
25
10
10
252
10
5
2
25
10
10
252
10
5
2
25
10
10
252
40
20
8
100
40
40
1008

Recomendou-se que os marcadores de livros fossem preferencialmente distribuídos
nos Setores de Circulação das bibliotecas após o empréstimo de obras.
Quadro 2 - Quantidade de marcadores de livro por biblioteca
Texto do Modelo
O barulho incomoda...
Cada um tem seu jeito...
Total

MON
1.200
1.200
2400

Quantidade por Biblioteca
UMU FIS ESB HCU PON MTC PAT TOTAL
500 100
200
20
280
100 100
2500
500 100
200
20
280
100 100
2500
1000 200
400
40
560
200 200
5000

Os cartazes foram encaminhados à secretaria das Bibliotecas Santa Mônica e
Umuarama e aos responsáveis pelo Setor de Referência das demais bibliotecas setoriais, para
que se responsabilizassem com o envio às coordenações de curso de seus respectivos campus,
ao DCE7, bem como, garantir que o cartaz fosse afixado em locais de grande visibilidade,
como biblioteca, cantina, centro de convivência, entre outros. O Setor de Comunicação e RH
(SECOM) da biblioteca central se responsabilizaria pelo envio do material a Reitoria/ViceReitoria e demais pró-reitorias.
2

F/11 x 38,5 cm (aberto). F/11 x 15,5 cm (fechado) com 7cm de base. 4x0 cores. Papel Duplex 350g. 3 dobras.
Vincos. Acabamento com cola.
3
F/6x20 cm. 4x0 cores. Duplex 350g. Corte reto.
4
F/29,7 x 42,0 cm. 4x0 cores. Couchê fosco 170g.
5
F/0,90 x 1,40m. Impressão digital em lona. Acabamento com tubete, ponteira e cordão.
6
F/ 10 x 5 cm. 4x0 cores. Couchê fosco 230g.
7
Biblioteca Central Santa Mônica e setoriais Umuarama e Itutiutaba.

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Quadro 3 - Quantidade de cartazes por biblioteca
Quantidade por Biblioteca
Modelo

MON

Cartaz

UMU

80

15

FIS
10

ESB

HCU

5

5

PON
15

MTC
10

PAT
10

TOTAL
150

Os banners deveriam ser disponibilizados dentro da biblioteca em um local de grande
visibilidade, de preferência próximo à área de maior foco do problema: ambientes de estudo
em grupo e os cards distribuídos aleatoriamente por alunos indicados pelo DCE, em horários
esporádicos, pré-determinados, a ser combinado com a chefia do Setor de Referência de cada
biblioteca.
Quadro 4 - Quantidade de cards por biblioteca
Texto do Modelo
Advertência
Parabéns
Total

MON
300
300
600

Quantidade por Biblioteca
UMU
FIS ESB HCU PON MTC PAT TOTAL
70
65
70
5
250
70
70
905
70
65
70
5
250
70
70
905
140 130 140
10
500
140 140
1800

A equipe definiu que as camisetas (Anexo F) a serem utilizadas na segunda fase da
campanha seriam adquiridas por meio de patrocínio.
Durante o período de aplicação da campanha, foi previsto intervenções nas bibliotecas
por colaboradores voluntários da comunidade acadêmica8. Para a primeira fase definiu-se que:
em períodos pré-determinados seria atribuído um cartão que incentivasse a colaboração pelo
silêncio, a partir do comportamento dos usuários. Por exemplo, era entregue um card (Anexo
D1), aos usuários que estavam conversando com o volume de voz alterado e um card (Anexo
D2) para aqueles que estavam contribuindo com a cultura do silêncio nos ambientes
destinados a estudo e apresentação de vídeo educativo com uma passagem do filme Asas do
Desejo9, do diretor Wim Wenders, lançado em 1987, nos monitores de WebTVs
disponibilizados nas bibliotecas. Para o segundo semestre previu-se além das atividades
planejadas para a primeira fase, a utilização de camisetas personalizadas com o mote da
8

Discentes indicados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) de Uberlândia e Ituiutaba e discentes dos
cursos de teatro, dança e artes de Uberlândia.
9
“O filme se desenvolve no interior da Biblioteca Estatal de Berlim e arredores [...]. Os anjos [...] caminham
(deslizam) pelos corredores. [...]. Leitores, estantes e mesas enfileiradas. Passeamos com eles e, aos poucos,
vemos outros anjos na Biblioteca. Sabe-se que são anjos porque se cumprimentam com leves sorrisos e com
movimentos assertivos de cabeça. [...] Anjos-bibliotecários que guardam os leitores e auxiliam os estudantes.
[...] demonstram gostar daquele ambiente, sentem-se à vontade na biblioteca. Ouvem-se murmúrios, sussurros.
Vozes mentais dos leitores que, num crescente, formam uma Babel. [...] De repente, um velho sobe pelas
escadas. É Homero, um contador de histórias. [...] é o único a quem podemos ouvir. Cansado, ofegante,
lamenta não ter mais a quem contar histórias: "Com o tempo, aqueles que ouviam a mim, tornaram-se meus
leitores. Não sentam mais em círculo, mas a sós. E um não sabe nada do outro. Sou um velho de voz fraca, mas
o conto ainda surge do fundo." A biblioteca não é somente o lugar da memória. É o único lugar onde se
consegue um átimo de paz em meio à cidade arruinada. O lugar da concentração. É também a "nave da
narrativa" onde mora a palavra que tem os anjos como sentinelas. (Breschand, 1997, p. 99) [...] Homero folheia
um livro de imagens. Retratos de velhos. Imagens do século no livro de August Sander, Hommes du XXe
Siècle. Assim, além de preservar a memória, a biblioteca se transforma também no lugar da reminiscência
(Breschand, 1997, p.101). [...] A biblioteca de "Asas do desejo" é o lugar da humanização (dos anjos) e da
cultura. Lugar onde a memória não apenas está guardada, mas de onde ela se desprende para circular entre os
leitores. Lugar que abriga a palavra e que acolhe e torna possível a narrativa”. Cf.
http://www.ofaj.com.br/imagemsemelhancas_conteudo.php?cod=2.

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campanha pelos servidores das bibliotecas, além de performance de pedido de silêncio,
realizada pelos discentes do curso de teatro, dança e arte da universidade e mobilização para
que todos os usuários e servidores, em uma data pré-determinada, fossem estudar/trabalhar
com uma camiseta branca, em prol do silêncio nas bibliotecas.
Planejou-se divulgar a campanha na página eletrônica da UFU e da biblioteca, nas
redes sociais do SISBI (Facebook e Twitter), correio eletrônico10, chamadas no rádio e na TV
universitária e material gráfico (cartazes, displays de mesa, marcadores de livro, totens,
adesivos). Também foi previsto o lançamento oficial da campanha durante as atividades de
recepção dos ingressantes dos campi, antecedido pelo lançamento interno nas bibliotecas do
SISBI, como uma ação de marketing institucional voltada para o público interno
(endomarketing), com objetivo de apresentar o projeto aos servidores do SISBI, conscientizálos da importância e dimensão do projeto e convidá-los a serem parceiros/multiplicadores
desta ideia.
Ao final da campanha previu-se uma avaliação pelo público por meio de uma enquete
a ser disponibilizada na página eletrônica da biblioteca e do Facebook, bem como uma
avaliação interna a ser realizada pelos servidores através de um pequeno questionário
divulgado na lista de discussão do SISBI.
A etapas de planejamento, execução, acompanhamento e avaliação da campanha foi
composta por uma equipe interdisciplinar a saber: bibliotecários de referência (responsáveis
pelo acompanhamento das etapas da campanha, reedição do projeto), assistentes
administrativos (responsáveis pela criação e elaboração da parte gráfica e marketing e,
preparação e execução da campanha); bibliotecária coordenadora de atendimento (responsável
pela coordenação e supervisão da campanha), representante docente (responsável pela
idealização do projeto, acompanhamento e aconselhamento) e representantes discentes
(parceiros na divulgação e conscientização dos discentes).

2.2 Defesa da Identidade visual da comunicação
A Campanha pelo Silêncio na consecução de sua proposição contou com reuniões para
discussão do mote e da proposta para formulação das ideias para a identidade visual. Nas
dinâmicas de grupo utilizadas para concepção e desenvolvimento desta etapa – a
brainstormings, na terminologia da administração e marketing – realizados, suscitou-se a
necessidade de uma campanha educativa que passasse aos usuários das bibliotecas da UFU
uma ideia de paz e calma e da necessidade de silêncio no ambiente, que fosse de uma
comunicação de forma educativa e não coercitiva.
Para o tema da campanha foi definido que seriam utilizadas as imagens de anjos. A
inspiração para esse tema surgiu a partir do filme Asas do Desejo, no qual continha a cena de
uma biblioteca que as pessoas estudavam em silêncio e os anjos se faziam presentes. A
imagem de anjos também pode ser associada com a tradição judaico-cristã que considera
esses seres entidades mensageiras de Deus. Sendo mensageiro do que se considera divino na
cultura da maioria dos usuários das bibliotecas, a imagem de anjos na campanha visava
geração de impacto positivo com a comunicação visual e sua proposta de silêncio. Em alguns
momentos, foram utilizados anjos também com fones de ouvido, fazendo alusão ao barulho
no espaço da biblioteca.
Na parte não-verbal da campanha, ou seja, nas imagens, foram utilizados dois anjos
um com livro nas mãos para remeter especificamente ao espaço da biblioteca e outro com
fones de ouvido, aludindo a um barulho mínimo, mas que ainda assim incomodava o outro.
10

Envio de memorando com cartazes à Reitoria, vice-reitora, Pró-reitorias, diretorias de unidades
acadêmicas/administrativas e DCE.

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Nas cores, optou-se pela utilização do azul claro em contraste com branco primordialmente e
verde/rosa para a roupa dos anjos. O azul, a partir da psicodinâmica das cores em
comunicação, possui associação afetiva com paz, serenidade, espaço, infinito e sentimento
profundo. O branco com limpeza, paz e divindade. Dessa forma, essas cores predominantes e
associadas, conferiam a intenção de comunicação pelo silêncio.
Para as letras utilizadas no layout, no título optou-se por fontes não-serifadas. As
serifas são os traços finais nas letras que conferem a elas pontas ou linhas que estilizam as
letras de forma a parecer mais próximas de uma caligrafia, como exemplo, a fonte Times New
Roman. As fontes não-serifadas são mais curvilíneas e com menos traços, dando assim mais
leveza e fluidez às peças, como exemplo a fonte Arial. Além disso, optou-se por uma escrita
não cursiva, dando mais conforto ao layout e leitura para quem visse a comunicação mais
distante. Para a parte verbal da campanha optou-se pelo título “Asas do Silêncio”, inspirada
pelo filme Asas do Desejo, citado anteriormente. A associação, ao ler o título, deveria ser do
ponto fundamental da campanha, portanto, a palavra “silêncio” foi indispensável. E, para ligar
as imagens da comunicação com os textos, a palavra “asas” foi escolhida por ser uma imagem
associativa com leveza e com os anjos.
Nos textos explicativos, a linguagem utilizada foi a coloquial, bem como nos balões de
expressões de pensamento de um dos anjos foi utilizada a linguagem da internet de hashtags e
de uma abreviação bastante utilizada da expressão “só que não”: “sqn”, comumente utilizada
de forma irônica para repreender ou ironizar a atitude de alguém, no caso da comunicação do
anjo que fazia barulho. Os grifos estavam ligados às palavras importantes na mensagem e que
estavam contrastados na campanha como: “barulho incomoda e atrapalha”, “aprender e se
concentrar”, “ambiente harmônico e de paz” e “evite grupos muito grandes e conversas”.
Todos os elementos combinados deram origem às peças de comunicação definidas
como fundamentais para alcance da campanha aplicada nas bibliotecas da UFU, incentivando
o silêncio e a paz nos espaços de estudo.

3 Resultados parciais/finais
Ao avaliar a Campanha pelo Silêncio a equipe conclui que esta iniciativa cumpriu o
objetivo de conscientizar os usuários sobre a importância do silêncio e do uso adequado das
unidades do SISBI/UFU. Seu desenvolvimento permitiu a criação de condições para que
servidores e usuários pudessem refletir sobre os inconvenientes do excesso de barulho;
envolver os usuários, como corresponsáveis no processo de aumentar a tranquilidade no
ambiente das bibliotecas, incentivando a preservação do silêncio nos locais de estudo e
propiciando um ambiente adequado para leitura.
Foi possível confeccionar todo material gráfico (displays de mesa, marcadores de
livro, cartazes, banners e cards). Por falta de patrocinador, as camisetas não foram
confeccionadas. Das intervenções, durante a aplicação da dinâmica de distribuição dos cards,
que até então seriam entregues pelos discentes do DCE, os servidores dos setores de
referência, motivados pelo resultado da campanha se organizaram e participaram ativamente
desta etapa de reeducação direta. Não foi possível firmar parceria como os cursos de teatro,
dança e artes, para o desenvolvimento das performances, considerando o excesso de
atividades extracurriculares programadas anteriormente.
Além da observação in loco, constatou-se por meio de análise dos relatórios da
autoavaliação institucional, que a categoria silêncio no ambiente das bibliotecas não tem sido
uma das fragilidades do SISBI/UFU como constado nas reclamações de 2011 a 2013, com
destaque para o ano de 2012, em que de acordo como relatório a categoria em questão foi
apontado pelos discentes que participaram do processo como um dos piores itens de avaliação
da universidade, classificado como péssimo/regular (UFU, 2012a). No Caderno de Respostas

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publicado pela CPA, em 2012, a partir dos comentários dos gestores das unidades avaliadas, é
possível identificar que a Campanha pelo Silêncio foi uma das ações propostas pelo
SISBI/UFU a fim de transformar suas fragilidades em potencialidades, conforme
exemplificado no trecho a seguir:
Outro exemplo a ser citado são os comentários referentes ao barulho na biblioteca,
os quais apareceram em quantidade significativa na avaliação institucional dos anos
de 2010, 2011 e 2012. No próximo semestre letivo (1º sem./2013), o SISBI, em 90
parceria com docentes dos cursos de Filosofia, Teatro, Dança e o Diretório Central
de Estudantes (DCE), lançará a campanha pelo silêncio “Asas do Silêncio” nas
bibliotecas. O objetivo é educar e conscientizar os usuários quanto à necessidade de
se usar adequadamente os espaços de estudo oferecidos pelas bibliotecas (UFU,
2012b, p. 89-90).

O lançamento da referida Campanha foi publicado no Relatório da CPA, de
2013, a saber: “Barulho - O SISBI lançou, em 2013, a Campanha “Asas do Silêncio”, em

parceria com docentes e discentes [...]. (UFU, 2013, p. 73). No mesmo documento é possível
identificar uma melhor avaliação das bibliotecas, pela comunidade universitária (discentes,
docentes e técnicos administrativos), na categoria silêncio no ambiente das bibliotecas, com
destaque para a Biblioteca Setorial Monte Carmelo que neste quesito foi considerada uma
potencialidade (81,3% - discentes; 89,7% - docentes; 89,2% - técnicos administrativos)
(Quadros 5 a 7). Na avaliação dos técnicos administrativos, além da Biblioteca Setorial Monte
Carmelo, as bibliotecas Setorial Patos de Minas (88,5%), Setorial Itutiutaba (Pontal) (72,2%)
e Setorial Umuarama (70%), também foram consideradas potencialidade, na categoria em
análise (Quadro 7).
Quadro 5 - Avaliação dos discentes dos cursos de graduação presencial em relação à
"biblioteca" nos campi da UFU

Fonte: UFU (2013).

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Quadro 6 - Avaliação dos docentes das Unidades acadêmicas ou Especiais de Ensino em
relação à "biblioteca" nos campi da UFU

Fonte: UFU (2013).
Quadro 7 - Avaliação dos técnicos administrativos das unidades em relação à "biblioteca" nos
campi da UFU

Fonte: UFU (2013).
Comparando os relatórios da autoavaliação institucional da CPA, no período de 2010 a
2014, é possível concluir que inicialmente a biblioteca era avaliada pela comunidade
universitária em 5 categorias, das quais o silêncio não era diretamente avaliado: instalações
físicas, atendimento ao usuário, equipamentos, automação do sistema e horário de
atendimento (UFU, 2010). P partir do relatório de 2012, observa-se ampliação das categorias
de avaliação, de 5 para 12, sendo o silêncio no ambiente uma delas:
Em relação às Bibliotecas, qual sua avaliação sobre: Iluminação; Ventilação;
Mobiliário e Equipamentos; Acessibilidade; Silêncio no ambiente; O atendimento
ao usuário; Automação do sistema; Qualidade e atualidade do acervo;
Disponibilidade da bibliografia básica; Horário de atendimento; Acesso à base de
dados científicos; Penalização por atrasos na devolução [...]. (UFU, 2012a, p. 6/8,
destaque nosso).

Após análise dos documentos publicados pela CPA, em 2014, é possível constatar que
a Campanha pelo Silêncio promovida pela SISBI/UFU, a partir de 2013, contribuiu
consideravelmente com o problema de excesso de ruído nos ambientes de estudo das
bibliotecas, uma vez que a categoria silêncio no ambiente não foi apontada como uma
fragilidade, conforme apresentado nos Quadros 5 a 7. Pelo contrário, identificou-se melhoria

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

neste quesito, uma vez que algumas bibliotecas foram apontadas como potencialidades nesta
vertente.

4 Considerações parciais/finais
Realizar campanhas permanentes de conscientização para a responsabilidade no uso
das bibliotecas é uma das ações de fluxo contínuo propostas pelo SISBI/UFU, registradas no
Plano Institucional de Desenvolvimento e Expansão (PIDE) da universidade (UFU, [2015]).
Ao propor esta Campanha pelo Silêncio a equipe do SISBI/UFU pode alcançar seu
objetivo geral de reeducar seus usuários sobre a forma de utilização do espaço das bibliotecas,
conscientizando-os sobre a necessidade de manutenção do silêncio, uso adequado e
preservação do ambiente. O projeto apresentado e analisado foi pautado em princípios básicos
como:
a) RESPEITO: se vamos pedir respeito, devemos começar pelo exemplo dando
respeito aos outros, mesmo com quem esteja fazendo barulho ou com outro
comportamento inadequado;
b) PAZ: que seja uma campanha não-violenta, incondicionalmente pacífica;
c) PACIÊNCIA: o processo de educação, que implica a mudança da cultura
organizacional, é um trabalho que exige paciência, pois os resultados não serão
imediatos. Quando se trata de alterar a opinião pública é preciso um longo trabalho
de esclarecimento e campanhas dirigidas para os valores éticos e não para a razão;
d) DETERMINAÇÃO: a campanha deve ser intensa nos períodos de matrícula, início
e término de semestre, quando o uso da biblioteca é maior, com manutenção dos
sistemas de comunicação (avisos e instruções) constantes durante os intervalos.
Ao compartilhar os problemas11, anseios e resultados obtidos em uma prática
sustentável, orgânica e cíclica, os gestores das bibliotecas promovem ciclos de
desenvolvimento e ações de divulgação, conscientização e capacitação, na busca de se
conquistar um ambiente equilibrado, adequado e agradável no que se refere às questões de
responsabilidade social e sustentabilidade socioambiental das instituições de ensino superior.

5 Referências
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho.
Portaria nº 25, de dezembro de 1994. Aprova o texto da Norma Regulamentadora nº 9: riscos
ambientais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 30 dez. 1994. Seção 1, p. 21.280-21.282.
Disponível em:
&lt;http://acesso.mte.gov.br/data/files/FF8080812BE914E6012BEA44A24704C6/p_19941229_
25.pdf&gt;. Acesso em: 17 mar. 2016.
MAGANO, Paulo. Decibéis: escala. In: CORREIA, Manuela. Opus 5. 14 out. 2012.
Disponível em: &lt;http://opus5dc.blogspot.com.br/2012/10/poluicao-sonora.html&gt;. Acesso em:
20 mar. 2016.

11

Notas dos autores: com a aprovação deste trabalho, toda a arte gráfica da Campanha será disponibilizada e
compartilhada na página do SISBI/UFU, para que outras bibliotecas, que tenham interesse, possam alterar
apenas a logo da instituição, imprimir os produtos e aplicar o projeto.

�10

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Acompanhamento das metas (2010 a 2014) do Plano Institucional de Desenvolvimento e
Expansão (PIDE) da Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, [2015]. Disponível
em:
&lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/Acompanhamento%20das%20Metas%20do%20
PIDE.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Autoavaliação institucional da Universidade Federal de Uberlândia: 2010. Uberlândia,
2010. Disponível em: &lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/RelatorioAutoAvaliacaoInstitucional-UFU-2010.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Autoavaliação institucional da Universidade Federal de Uberlândia: 2012. Uberlândia,
2012a. Disponível em: &lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/RelatorioAutoAvaliacaoInstitucional-UFU-2012.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Caderno de respostas: autoavaliação institucional da Universidade Federal de Uberlândia:
2012. Uberlândia, 2012b. Disponível em:
&lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/Caderno_de_Respostas__Autoavaliacao_Institucional_UFU_-_2012.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Comissão Própria de Avaliação.
Relatório parcial de autoavaliação institucional da Universidade Federal de Uberlândia:
2013: primeira etapa do ciclo avaliativo. Relato institucional: parte 1. Uberlândia, 2013.
Disponível em: &lt;http://www.cpa.ufu.br/sites/cpa.ufu.br/files/Relatorio-Parcial-AutoavaliacaoInstitucional-UFU-2013_1.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.

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Anexos
Anexo A – Modelos dos displays de mesa

Anexo B – Modelos dos marcadores de livro

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Anexo C – Modelo do cartaz

Anexo D – Modelo do banner

Anexo E – Modelos de cards

E1 – Card Advertência
E2 – Card Parabéns

�13

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Anexo F – Modelo da camiseta

F1 – Camiseta Lateral
F2 – Camiseta Frente e Costas

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                <text>As universidades, e consequentemente suas bibliotecas, como espaços públicos urbanos fomentam a interação social de distintos grupos de indivíduos. Na busca de se conquistar um ambiente equilibrado, adequado e agradável, em 2013, foi implantado o Projeto Campanha pelo Silêncio e uso adequado das bibliotecas do SISBI, objeto de estudo deste trabalho. Motivados pelos resultados obtidos e pela temática deste XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (Manaus, 2016): A Biblioteca Universitária como agente de sustentabilidade institucional, com este trabalho propõe-se compartilhar com os demais colegas uma das ações de sustentabilidade desenvolvidas pelo SISBI/UFU, bem como disponibilizar a arte do material gráfico, em arquivos abertos, utilizado na campanha educativa para que outras bibliotecas possam implementá-la, caso tenham interesse.</text>
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                    <text>SUSTENTABILIDADE E VISIBILIDADE DA PRODUÇÃO
CIENTÍFICA: A CONSTRUÇÃO DO PORTAL DE PERIÓDICOS
ELETRÔNICOS CIENTÍFICOS DA UNICAMP

Gildenir Carolino Santos (UNICAMP) - gilbfe@unicamp.br
Resumo:
Após 350 anos da descoberta dos primeiros periódicos científicos, a área da comunicação
científica acompanhou a transformação mundial da tecnologia da informação referente às
publicações periódicas, despontando consideravelmente nas instituições públicas como as
universidades. Sendo assim, é possível perceber que os periódicos eletrônicos por si só já
operam grandes mudanças nos ambientes de pesquisa, construindo um elo entre a prática e a
teoria referenciadas nos artigos científicos. Este trabalho tem como objetivo apresentar os
critérios e procedimentos metodológicos que foram utilizados para a construção do Portal de
Periódicos Eletrônicos Científicos (PPEC) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
ao longo da existência dos seus 50 anos de criação. Em consonância dessa implantação, o
PPEC teve grandes resultados como na participação na Rede Brasileira de Preservação Digital
Cariniana, sendo parceiro integral da rede, aquisição de DOI para todos os periódicos
vinculados ao Portal, e reconhecimento como um portal de indexação por possuir o protocolo
OAI-PMH, das publicações ingressantes do Portal da Universidade.
Palavras-chave: Portal de periódicos eletrônicos. Publicações periódicas. Produção científica
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

SUSTENTABILIDADE E VISIBILIDADE DA PRODUÇÃO
CIENTÍFICA: A CONSTRUÇÃO DO PORTAL DE PERIÓDICOS
ELETRÔNICOS CIENTÍFICOS DA UNICAMP
Resumo:
Após 350 anos da descoberta dos primeiros periódicos científicos, a área da comunicação
científica acompanhou a transformação mundial da tecnologia da informação referente às
publicações periódicas, despontando consideravelmente nas instituições públicas como as
universidades. Sendo assim, é possível perceber que os periódicos eletrônicos por si só já
operam grandes mudanças nos ambientes de pesquisa, construindo um elo entre a prática e a
teoria referenciadas nos artigos científicos. Este trabalho tem como objetivo apresentar os
critérios e procedimentos metodológicos que foram utilizados para a construção do Portal de
Periódicos Eletrônicos Científicos (PPEC) na Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP) ao longo da existência dos seus 50 anos de criação. Em consonância dessa
implantação, o PPEC teve grandes resultados como na participação na Rede Brasileira de
Preservação Digital Cariniana, sendo parceiro integral da rede, aquisição de DOI para todos
os periódicos vinculados ao Portal, e reconhecimento como um portal de indexação por
possuir o protocolo OAI-PMH, das publicações ingressantes do Portal da Universidade.
Palavras-chave: Portal de periódicos eletrônicos. Publicações periódicas. Produção
científica. Ferramentas de comunicação e colaboração
Abstract
After 350 years of the discovery of scientific journals former, the area of scientific
communication accompanied the global transformation of related information technology to
periodicals, blunting considerably in public institutions such as universities. So you can see
that the electronic journals alone already operate major changes in research environments,
building a link between practice and theory in scientific articles referenced. This paper aims to
present the criteria and methodological procedures that were used to build the Portal of
Scientific Journals Electronics (PPEC) at the State University of Campinas (Unicamp)
throughout the life of its 50 years of creation. In consonance of this implantation the PPEC
had great results as the participation in the Brazilian Network of Digital Preservation
Cariniana, being full partner network, acquisition of DOI for all journals linked to the Portal,
and recognition as a portal for indexing by having the OAI -PMH, the freshmen publications
of the University Portal.
Keywords: Portal electronic journals. Periodicals. Scientific production. Tools of
communication and collaboration

1 Introdução
Após 350 anos da descoberta dos primeiros periódicos científicos, a área da
comunicação científica acompanhou a transformação mundial da tecnologia da informação
referente às publicações periódicas, despontando consideravelmente nas instituições públicas
como as universidades. Sendo assim, é possível perceber que os periódicos eletrônicos por si
só já operam grandes mudanças nos ambientes de pesquisa, construindo um elo entre a prática
e a teoria referenciadas nos artigos científicos. (SANTOS, 2015).

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Cada vez mais, as universidades desenvolvem e implantam seus portais de periódicos
para agregar em massa as produções científicas. De modo geral, um portal é uma página
específica na internet, que serve como ponto de acesso direto a outros conjuntos de serviços e
informações, contendo subdivisões específicas sobre determinado tema ou área do
conhecimento. No que se refere a periódicos científicos, um portal exerce a função agregadora
e funciona como um índice, tendo por objetivo ajudar os pesquisadores a encontrar
informações específicas acerca de autores, títulos, temas, etc.
Um portal de periódicos, além da função de agregar informações, aplicações e serviços
relevantes aos usuários − bem como de organizar a informação periódica −, realiza o filtro de
várias informações por meio de uma interface única, garantindo a visibilidade da produção
institucional.
Hoje em dia, com os sistemas de gerenciamento editoriais é possível administrar em
qualquer parte do planeta uma ou mais publicações que estejam configuradas em um desses
sistemas. Como exemplo bem-sucedido de software gratuito para organização de periódicos e
portais, citamos o Open Journal Systems (OJS), ferramenta de gerenciamento de publicações
periódicas on-line que foi lançado em 2002 como software de código aberto distribuído pelo
Public Knowledge Project (PKP). No Brasil, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência
e Tecnologia (IBICT) – batizou-o de Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER),
oferecendo o ambiente customizado de acordo com a identidade visual da instituição.
(SANTOS; FERREIRA, 2014).
Assim como temos o Repositório Institucional da Produção Científica da
Universidade, foi criado também, com o propósito de garantir a visibilidade da produção
científica relatada em publicações seriadas, o Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos da
UNICAMP, que tem como finalidade a reunião dos periódicos da Universidade no mesmo
local.
O objetivo principal dele, portanto, é garantir e apoiar a qualificação e a visibilidade
das publicações periódicas científicas vinculadas aos institutos, faculdades, centros, núcleos
de pesquisa e órgãos complementares da UNICAMP, arbitrados por pares e institucionalmente
ligados à Universidade, garantindo a diversidade institucional e regional e o livre acesso a
toda comunidade científica.
Dessa forma, o Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos da UNICAMP −
idealizado a partir do projeto de pós-doutorado do autor e mantido pela Coordenadoria Geral
da Universidade e pelo Sistema de Bibliotecas (SBU) − nasce da necessidade de se ter, em
uma única plataforma, a reunião de todos os periódicos editados e produzidos no âmbito da
Universidade.

2 Revisão de literatura
A comunicação científica que continua passando por processos de mudanças sempre
teve como principal função dar continuidade ao conhecimento científico. (MEADOWS,
1999).
Segundo Grants, Oliveira e Phillipi (2011, p.5),
A produção científica como fruto da construção do conhecimento individual ou
coletivo propicia a potencial visibilidade evolutiva dos delineamentos teóricos
gerados pelos pesquisadores bem como contribui para o enriquecimento de novos

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
saberes. No entanto, como uma atividade eminentemente social, precisa ser
comunicada para que alcance o seu reconhecimento entre seus pares e também
motive outras descobertas.

Essas descobertas científicas, traduzidas para a produção científica no âmbito das
universidades procuram promover cada vez mais investimentos nas formas de armazenamento
dessa produção em diversos ambientes acessíveis buscando a visibilidade dos trabalhos
realizados por essas universidades.
“A introdução do periódico significou a formalização do processo de comunicação,
tornando-se o canal formal de divulgação, permitindo que as pesquisas fiquem disponíveis
por longos períodos de tempo para um público amplo.” (MEADOWS, 1999 apud SOUZA,
2002, p.23).
Nessa mesma proporção, os portais de periódicos refletem alterações, tanto nas
atividades de busca quanto nas atividades de disseminação de informações contidas nas
publicações seriadas, visto que os portais periódicos modificam as estruturas de comunicação,
ampliando as possibilidades de estratégia de buscas precisas e sofisticadas diretamente nos
artigos de vários periódicos (SOUTO, 2007 apud GARRIDO; RODRIGUES, 2010).
De acordo com Grants, Bem e Alves (2014, p.2),
As publicações eletrônicas decorrem do desenvolvimento de Tecnologias de
Informação e Comunicação” (TIC’s), que alcançaram grande avanço nas últimas
décadas possibilitando, através de recursos eletrônicos, a disponibilização dessas
publicações. Elas lembram que sob o prisma da atividade editorial, tanto em termos
das publicações tradicionais, quanto das eletrônicas percebe-se o empenho em tornar
as informações cada vez mais acessíveis e “assimiláveis” (sentidas) pelos diversos
públicos.

Um portal de periódicos, além da função agregadora de informações, aplicações
e serviços relevantes aos usuários, tem como vantagem o filtramento de variedades de
informação por meio de uma interface única.
A definição de portal de periódicos, segundo Alves et al. (2012), está classificada
como ambientes estruturados que reúnem e/ou integram diversas fontes de
informação. Além disso, muitos deles utilizam protocolo OAI-PMH e mecanismo de busca
para a recuperação de um artigo ou uma publicação de forma completa.
No campo da indexação, os portais se diferem das bases de dados, mas às vezes se
confundem com os diretórios. Eles são sites na Internet que funcionam como centros
distribuidores de conteúdo para uma série de outros sites ou subsites dentro, e também
fora, do domínio ou subdomínio de uma instituição ou empresa gestora do portal.
(SANTOS, 2015).
Hoje em dia, com o avanço dos sistemas de gerenciamento editoriais é possível
administrar em qualquer parte do planeta qualquer publicação que esteja configurada em um
desses sistemas. Citando um exemplo bem sucedido e um software fantástico para
organização de portais é o Open Journal Systems (OJS), plataforma de gerenciamento de
publicações periódicas on-line que foi lançado em 2002 como software de código
aberto distribuído gratuitamente pelo Public Knowledge Project (PKP), que traduzido no
Brasil pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) configurou-se

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

em Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), com o ambiente customizado de
acordo com a identidade visual da instituição. (PKP, 2014).
Esse sistema além de gerenciar uma publicação pode ser instalado para a estruturação
de Portais de Periódicos/Revistas em qualquer instituição que deseja dar visibilidade em suas
publicações, ou seja, a utilização do software é pública e gratuita.
Araújo (2012) apud Grants, Bem e Alves (2014, p.2) “considera a biblioteca
universitária como um importante componente no sistema de comunicação científica”.
Ela informa que “o papel do bibliotecário no processo de editoração de periódicos
vai além de fazer a divulgação do portal e, por conseguinte, dos periódicos e dar
suporte aos editores e outros usuários. Pois, ele pode ocupar também os cargos: de
gestor do portal de periódicos, de avaliador técnico das revistas, de capacitador de
editores, etc.

Portanto, os portais como gerenciador de periódicos é uma grande ferramenta
consolidada atualmente para sustentar e dar visibilidade as produções científicas armazenadas
nas publicações periódicas.

3 Materiais e métodos
O Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos (PPEC), como dito anteriormente, é
fruto do projeto de pós-doutorado, concluído em 2012, do autor deste trabalho, o qual, em
companhia de sua supervisora do pós-doc, agendaram uma reunião com o vice-reitor e
responsável pela Coordenação Geral da Universidade para fosse apresentada a funcionalidade
do Portal, o qual teve aceitação unânime e foi aprovado para implantação imediata na
Universidade. A partir de então, foi criada, por intermédio da Portaria GR-012/2014,
instituída pela Reitoria da UNICAMP, o Grupo de Trabalho (GT) para a elaboração de
diretrizes e procedimentos com a condição de selecionar esses periódicos para ingresso no
Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos da UNICAMP (PPEC). Dessas diretrizes,
surgiram 13 requisitos básicos para credenciamento de periódico no Portal, descritos abaixo:
- publicar artigos originais de caráter científico;
- possuir abrangência nacional e/ou internacional quanto aos autores e conselho
editorial;
- publicar no mínimo cinco artigos originais por fascículo;
- apresentar, na identificação do periódico, as seguintes informações: escopo,
política editorial e instruções aos autores, preferencialmente em português, inglês e
espanhol, além de filiação completa dos autores, acompanhada de e-mail do autor
correspondente;
- contemplar a máxima diversidade institucional e regional de autores nacionais e
internacionais, evitando a concentração de autores locais;
- estar classificado no Qualis/CAPES, nos estratos A e B;
- ter tempo de existência de três (3) anos;
- possuir número internacional normalizado para publicações seriadas (ISSN e/ou EISSN);
- possuir padrões nacionais e internacionais de normalização para publicação de
periódicos e trabalhos científicos;
- ter periodicidade mínima semestral, com pontualidade na publicação dos
fascículos;
- publicar artigos com título, resumo e palavras-chave, no idioma do texto do artigo
e no idioma inglês, quando este não for o idioma do texto;
possuir, preferencialmente, indexação em base de dados nacional ou internacional;
- ter implementado o gerenciamento do periódico a partir do SEER – Sistema de

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Tendo detectado os possíveis periódicos que comporiam o Portal por meio da
utilização do OSJ/SEER, a coordenação contatou os editores, e por meio de um termo de
adesão, apresentou-lhes as vantagens e os compromissos que cada um deles teria ao entrar no
Portal.
Para que a página inicial do PPEC possuísse uma entrada interativa, e nos mesmos
moldes do Portal de Revistas da USP, a coordenação do Portal de Periódicos Eletrônicos
Científicos da UNICAMP junto com a equipe técnica de analistas de sistema, coordenação do
SBU e um programador colaborador da Assessoria de Comunicação da UNICAMP,
estruturou em WordPress uma página com o código fonte cedido pela USP para que os
editores acessassem diretamente da página principal, o seu periódico, bem como foram
agregadas informações funcionais que deixassem o Portal mais dinâmico e moderno com
banner de informações aos editores e comunidade, links de acesso aos dados sobre o Portal e
equipe, etc. como podemos observar na figura1 a seguir:

Figura 1 – Site estruturado em WordPress do Portal
Fonte: http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs
Hoje, o PPEC possui 25 títulos de periódicos em todas as áreas, conforme quadro 1 a
seguir, aguardando a adesão de demais editores para compor a sua totalidade de 45 títulos
mencionados inicialmente.
Quadro 1 – Periódicos integrados ao Portal
Título do periódico

Unidade/Centro/Núcleo/Órgão

Área de Conhecimento

Brazilian Journal of Oral Sciences

Faculdade de Odontologia de Piracicaba Ciências da Saúde

Cadernos de Estudos Linguísticos

Instituto de Estudos da Linguagem

Linguística

Cadernos Pagu

Núcleo de Estudos de Gênero Pagu

Ciências Humanas

Conexões

Faculdade de Educação Física

Ciências da Saúde

ETD - Educação Temática Digital

Faculdade de Educação

Ciências Humanas

Filosofia e Educação

Faculdade de Educação

Ciências Humanas

Labor &amp; Engenho

Faculdade de Engenharia Civil

Ciências Tecnológicas

LIAMES: Línguas Indígenas

Instituto de Estudos da Linguagem

Linguística

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
Americanas
Opinião Pública
PARC Pesquisa em Arquitetura e
Construção

Centro de Estudos de Opinião Pública

Ciências Humanas

Faculdade de Engenharia Civil

Ciências Sociais Aplicadas

Pitágoras 500

Instituto de Artes

Artes

Pró-Posições
RDBCI: Rev. Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação

Faculdade de Educação

Ciências Humanas

Sistema de Bibliotecas

Ciências Sociais Aplicadas

Remate de Males

Instituto de Estudos da Linguagem

Linguística

Resgate

Interdisciplinaridade

Revista Arqueologia Pública

Centro de Memória
Núcleo de Estudos e Pesquisas
Ambientais

Revista HISTEDBR On-line

Faculdade de Educação

Ciências Humanas

RUA

Linguística

Segurança Alimentar e Nutricional

Laboratório de Estudos Urbanos
Núcleo de Estudos e Pesquisas em
Alimentação

Serviço Social &amp; Saúde

Serviço Social – HC

Interdisciplinaridade

Terrae Didatica

Instituto de Geociências

Ciências Humanas

Instituto de Estudos da Linguagem
Instituto de Filosofia e Ciências
Humanas

Linguística

Trabalhos em Linguística Aplicada
URBANA: Rev. Elet. Centro Interd.
Estudos sobre a Cidade
Fonte: PPEC, 2015.

Ciências Humanas

Interdisciplinaridade

Ciências Humanas

Em relação à equipe técnica que fomenta a gestão do Portal está estabelecida, da seguinte
forma:
 Coordenação: bibliotecário do projeto da construção do Portal de Periódicos
Eletrônicos Científicos da UNICAMP foi designado como coordenador responsável
pelas atividades do Portal. A princípio o bibliotecário não existia para essa função,
mas em comum acordo entre as unidades e o compromisso da Coordenação Geral da
Universidade em criar a vaga, para designar o responsável pelo Portal.
 Comitê Consultivo: constituído pelos próprios membros que iniciaram os trabalhos
pelo GT instituído pelo Reitor e inclusão após a elaboração das diretrizes da
coordenação do SBU. É formado pelos docentes assessores da PRP, PRPG, CGU,
pesquisadora que supervisionou o projeto e bibliotecários (coordenadora do SBU e
idealizador do projeto).
 Equipe técnica: constituída por um bibliotecário, um bolsista, um estagiário e conta
também, com o auxílio técnico especializado do analista de sistemas da Diretória da
Tecnologia da Informação do SBU.
Indiretamente, faz parte também da equipe do PPEC, os editores dos periódicos, pois
os mesmos estão vinculados aos institutos, faculdades, centros, núcleos e órgãos
complementares da Universidade. As responsabilidades deles permanecem as mesmas do
fluxo editorial de qualquer periódico, tendo apenas como compromisso com o PPEC o de
participarem das reuniões, treinamentos e convocações extras, além de manterem atualizados
os metadados das publicações no Portal.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Em relação às instalações físicas e à logística do PPEC, foram adquiridos mobiliários e
equipamentos de informática para configurar o ambiente físico no prédio da Biblioteca
Central da Universidade. O servidor que abriga o Portal está instalado na Diretoria da
Tecnologia da Informação do SBU, sendo exclusivo para essa finalidade, monitorado pelo
administrador de redes, com realização de backups diários e também preservados digitalmente
na Rede Cariniana.
Os periódicos estão assegurados sob a licença de uso do Creative Commons, que não
permite a utilização do material para fins comerciais e garante seu livre acesso.

4 Resultados parciais/finais
Como resultados desse trabalho, vale a pena informar que o PPEC é o único Portal no
Brasil a ser registrado no Centro Brasileiro do ISSN, sob o número 2446-5267, assim como
outros portais internacionais: Portal do Latindex2, Portal do ROAD – Directory of Open
Access Scholarly Resources3, entre outros.
Apesar de ser uma fonte indexadora restrita, o PPEC é considerado também um
indexador para as suas publicações, pois permite a cada uma delas que sejam nele instaladas
e baseadas no protocolo OAI-PMH, oferecendo mecanismos de busca, serviços à comunidade
e possuindo os metadados, que seguem o padrão Dublin Core de registros.
Preocupada com o reconhecimento da sua produção científica, a UNICAMP encontrase afiliada à CrossRef/PILA (Publishers International Linking Association), por meio da
ABEC – Associação Brasileira de Editores Científicos, para a aquisição e atribuição do DOI
em suas publicações, garantindo assim, a efetivação e persistência dos seus registros em
qualquer ambiente digital da internet, e isso, comprovadamente, é um passo importante para a
internacionalização da publicação.
É esperado que o PPEC pudesse apresentar a produção científica registrada nele de
modo mais visível para a comunidade, uma vez que anteriormente encontravam-se divulgados
internamente em sites dos institutos, faculdades, centros e núcleos (destaque para estes dois
últimos pelo motivo da grande concentração dos periódicos) de forma mais tímida. A partir da
implantação do PPEC, o marketing institucional começa a possuir mais visibilidade e
consistência detectada em uma única plataforma de localização e recuperação das fontes
originais de pesquisas reconhecidas e publicadas nos periódicos efetivamente destacados no
Portal.
Outro grande resultado benéfico com a implantação do PPEC é a utilização do
software OJS/SEER para portais, pois além de ser gratuito, sem ônus e implementado por
uma equipe colaborativa do PKP – Public Knowledge Project, a Universidade não teve custo
algum em reinventar a roda ou realizar gastos com a aquisição de um software proprietário
para a elaboração do seu Portal. Apenas, agregou-se à equipe criada um bibliotecário
coordenador transferido de outra unidade para coordenar os serviços do Portal. Além disso,
como citado anteriormente, a UNICAMP faz parte como parceiro integral, da Rede Brasileira
de Preservação Digital Cariniana, preservando inicialmente todos os títulos de periódicos que
utilizam o software OJS/SEER.
2
3

Disponível em: http://www.latindex.unam.mx/
Disponível em: http://road.issn.org/

�9

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Com isso, é notório que todos esses itens citados anteriormente e o relato da
metodologia utilizada permitiram a consolidação de um serviço que era necessário para a
Universidade há muito tempo, permitindo demonstrar, dessa forma, a potencialidade de uma
equipe de funcionários motivados em colaborar no crescimento e expansão desse serviço
como uma extensão universitária, visto que a mesma está prestes a completar 50 anos de
existência, presenteada pela fomentação e implantação do Portal de Periódicos Eletrônicos
Científicos.

5 Considerações parciais/finais
Espera-se que o PPEC, inaugurado oficialmente em 02 de dezembro de 2015 pela
reitoria e o SBU, consolide-se em um modelo a ser seguido de organização da informação, de
forma prática e simples. Sabemos que existem outros portais mais experientes e com mais
tempo de existência, mas o que pretendemos aqui é ampliar esse quadro e destacar a
possibilidade e importância de se ter um portal de periódicos eletrônicos preocupado em
permitir a visibilidade de sua produção científica em um suporte tão evidenciado em todo o
planeta, como os periódicos.
Entretanto, convenhamos que ainda exista entre algumas universidades estranheza na
forma de conceber seu portal de periódicos. É fato que surgem muitas questões e desafios no
desenvolvimento de portais de periódicos institucionais, tais como: a definição de políticas
envolvendo tipologias das seções a serem implementadas numa publicação periódica,
disponibilização dos trabalhos para o uso da comunidade, sistema de validade e edição dos
metadados, gerenciamento dos textos completos, preservação digital e, principalmente, a
questão dos direitos autorais. No entanto, podemos assegurar que os gerenciadores eletrônicos
de periódicos, como o exemplo adotado pela UNICAMP, como o OJS/SEER é uma
plataforma ideal e gerenciável para todos esses questionamentos, garantindo a estabilidade e a
sustentabilidade da publicação pelo editor pela adoção do movimento do acesso livre de
publicações.
Com tudo isso, podemos concluir que os portais de periódicos eletrônicos são
instrumentos essenciais para promoção da visibilidade da produção científica das instituições
acadêmicas e de pesquisa, já que viabilizam o acesso e uso dos conteúdos de forma eficiente,
democrática e gratuita na maioria das vezes.

6 Referências
ALVES, M. B. M. et al. Fontes de informação on line: nível básico. Florianópolis, 2012. 54
slides, color. Disponível em: &lt;http://www.bu.ufsc.br/design/pptOficialNivelBasico.pdf&gt;.
Acesso em: 10 abr. 2016.
GARRIDO, I. dos S.; RODRIGUES, R. S. Portais de periódicos científicos online:
organização institucional das publicações. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v.15, n.2, p.56-72, maio./ago. 2010. Disponível em:
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/ view/943/732&gt;. Acesso em: 5
maio 2016.
GRANTS, Andréa Figueiredo Leão; OLIVEIRA, Alexandre Pedro de; PHILIPPI,
Tatyane Barbosa. Sistema eletrônico de editoração de revista (SEER) : processo editorial.

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Florianópolis : UFSC/Biblioteca Central , 2011. Disponível em:
&lt;http://www.bu.ufsc.br/design/e-book-seer-ufsc-unisul-1.pdf&gt;. Acesso em: 8 maio 2016.
GRANTS, A.F. L.; BEM, R.M. de; ALVES, B. M. Competência informacional do editor de
periódicos científicos e o papel educacional da biblioteca e do bibliotecário na
disponibilização de conteúdos com qualidade: o Portal de Periódicos da UFSC. Disponível
em: &lt;https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/46105/4QT4.pdf?sequence=1&gt;.
Acesso em: 5 maio 2016.
MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília (DF): Briquet de Lemos, 1999.
PKP – Public Knowledge Project. OJS – Open Journal System. Disponível em: &lt;https://pkp.
sfu.ca/ojs/&gt;. Acesso em: 5 maio 2016.
SANTOS, G. C. Visibilidade e vantagens na publicação de periódicos em portais
institucionais. Newsletter ABEC Brasil, Botucatu, Ano 1, N.14, out. 2015. Disponível Em:
&lt;http://www.abecbrasil.org.br/index.asp?include=noticias_newsletter&amp;id=15&amp;parte=2&gt;.
Acesso em: 5 maio 2016.
SANTOS, G. C; FERREIRA, D. T. Gestão editorial: do conceito ao gerenciamento
eletrônico. In: Souto, Leonardo Fernandes (Org.). Gestão da informação e do
conhecimento: práticas e reflexões. Rio de Janeiro, RJ: Interciência, 2014. p.221-242.
Cap.11.
SOUZA, M. F. S. Periódicos científicos eletrônicos: apresentação de modelo para análise de
estrutura. 2002. 154 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade
Estadual Paulista (UNESP), Marília, SP, 2002.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Sistema de Bibliotecas. Portal de
Periódicos Eletrônicos Científicos. Disponível em: &lt;http://periodicos.sbu.unicamp.br&gt;.
Acesso em: 5 maio 2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Após 350 anos da descoberta dos primeiros periódicos científicos, a área da comunicação científica acompanhou a transformação mundial da tecnologia da informação referente às publicações periódicas, despontando consideravelmente nas instituições públicas como as niversidades. Sendo assim, é possível perceber que os periódicos eletrônicos por si só já operam grandes mudanças nos ambientes de pesquisa, construindo um elo entre a prática e a teoria referenciadas nos artigos científicos. Este trabalho tem como objetivo apresentar os critérios e procedimentos metodológicos que foram utilizados para a construção do Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos (PPEC) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) ao longo da existência dos seus 50 anos de criação. Em consonância dessa implantação, o PPEC teve grandes resultados como na participação na Rede Brasileira de Preservação Digital Cariniana, sendo parceiro integral da rede, aquisição de DOI para todos os periódicos vinculados ao Portal, e reconhecimento como um portal de indexação por possuir o protocolo OAI-PMH, das publicações ingressantes do Portal da Universidade.</text>
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                  <elementText elementTextId="50159">
                    <text>Suporte à pesquisa e gerenciamento de dados: proposta de
concepção de serviço para Biblioteca Universitária da UFSC
Tatiana Rossi (UFSC) - tatiana.rossi@ufsc.br
Roberta Moraes Bem (UFSC) - roberta.bem@ufsc.br
Karyn Munyk Lehmkuhl (UFSC) - karyn.lehmkuhl@ufsc.br
Edson Mario Gavron (UFSC) - edson.gavron@ufsc.br
Luciana Bergamo Marques (UFSC) - luciana.b@ufsc.br
Resumo:
Este artigo presenta as primeiras iniciativas para a concepção de um serviço de suporte à
pesquisa e gerenciamento de dados de pesquisa na BU/UFSC. Inicialmente realizou-se um
levantamento da literatura sobre o tema visando elucidar o estado atual das discussões acerca
dos serviços de gerenciamento de dados de pesquisa, curadoria de dados e o papel das
bibliotecas universitárias e bibliotecários nesse contexto. As discussões estão em fase inicial.
Há uma comissão de trabalho envolvida no projeto, a qual aponta as principais ações a serem
realizadas: equipe e parceiros, diagnóstico institucional, sensibilização e criação de políticas,
estrutura de tecnologia da informação, softwares e aplicação de um projeto piloto.
Palavras-chave: Gerenciamento de dados de pesquisa. Suporte à pesquisa. Curadoria de
dados. e-Science.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Toda pesquisa científica envolve custos os quais, muitas vezes, inviabilizam avanços
científicos. As tecnologias de informação e comunicação (TIC) oferecem os meios para que
muitas inovações consumam menos tempo e recursos financeiros, principalmente no que
tange à obtenção de dados. Sob o ponto de vista das TIC, pode-se dizer que não há limites
para a interação entre os pesquisadores e para o compartilhamento de informações. O que
ocorre é o desconhecimento de que isso pode ser legal e deve ser estimulado, assim como
preconiza o programa Horizon 2020 (EUROPEAN COMMISSION, 2016).
Há uma tendência global em compartilhar dados, seja para acelerar o processo de
descobertas científicas, seja para possibilitar que pesquisas com poucos insumos financeiros
possam ser realizadas. Conforme Davenport (1998) na ecologia da informação a atenção deve
se voltar ao uso eficiente de certo montante de dados, em detrimento da produção
descontrolada.
Tendo em vista esse contexto, a proposta da Biblioteca Universitária da Universidade
Federal de Santa Catarina (BU/UFSC) é criar uma infraestrutura para a gestão dos dados de
pesquisa, proporcionando o depósito dos dados de forma organizada e a comunicação com e
entre grupos de pesquisa. Tem-se o objetivo de aperfeiçoar a produção de dados no âmbito da
instituição, evitando o retrabalho e ainda promovendo a transparência necessária à validação
dos resultados frente às publicações científicas renomadas.
Os acadêmicos necessitam de profissionais aptos a lhes prover soluções para que
seus projetos atendam a requisitos como acesso aberto e garantia de preservação dos dados. O
profissional da biblioteca universitária, na medida em que conhece os grupos de pesquisa de
sua instituição e as ferramentas tecnológicas disponíveis para o acompanhamento dos projetos
- desde a sua concepção e conquista de fontes de financiamento, até a fase de curadoria de
dados digitais -, tem grande responsabilidade na condução desses grupos à visibilidade e ao
crédito por um trabalho colaborativo.
Pretende-se sensibilizar a comunidade acadêmica para uma preocupação constante
com a preservação dos dados produzidos em suas atividades, sendo preciso, para tanto,
entender as principais dificuldades dessa população na aderência a um programa de gestão de
dados e curadoria digital. A partir disso, poder-se-á apresentar aos pesquisadores as possíveis
contribuições de diferentes setores da universidade para o melhor aproveitamento do seu
trabalho, propondo softwares customizados, ou desenvolvidos conforme as suas necessidades
de registro e utilização. Dessa forma, procura-se contribuir para produção científica mais
organizada, com ampliação do seu rol de aplicações e maior rendimento dos recursos
investidos em pesquisa.
Assim, o presente artigo aborda os passos iniciais para a concepção de um serviço
que visa dar suporte aos projetos de pesquisa desenvolvidos na Universidade Federal de Santa
Catarina, colocando a biblioteca universitária não apenas como colaboradora, mas como
parceira dos pesquisadores.

2 Revisão de literatura
As tecnologias de informação e comunicação trouxeram relevantes contribuições ao
fazer científico. Do planejamento à comunicação das descobertas, há ferramentas que
facilitam a colaboração, a coleta e análise de dados e ampliam a visibilidade do que é
produzido. Segundo Hey, Tansley e Tolle (2009) a ciência deixou os paradigmas mais
experimentais e teóricos e está no quarto paradigma, o qual é marcado por intensa
colaboração, é mais computacional e voltado a dados.
Esse é o cenário da e-Science. Conforme Costa e Cunha (2014) trata-se do ponto em

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que as TIC encontram-se com a pesquisa cientifica, caracterizando a importância das TIC no
ambiente atual do pensar a ciência.
Gore (2011) define a e-Science como uma nova metodologia a qual se utiliza dos
avanços tecnológicos disponíveis hoje a serviço da ciência. O uso intensivo de dados e a
existência de redes de pesquisadores são suas principais características.
Além de revolucionar as atividades relativas ao trabalho de pesquisa, os avanços
tecnológicos também possibilitam uma geração de dados de forma exponencial, tanto em
tamanho como na variedade de formatos.
Isto posto, passou-se a atribuir grande importância a preservação desses dados, sua
divulgação e mesmo a reutilização. O dado de pesquisa, por si só, constitui informação
essencial para validar os estudos e ainda pode fomentar novas pesquisas, agilizando as
descobertas e o avanço da ciência. Nesse sentido, Hey, Tansley e Tolle (2009) afirmam que a
e-science deve ir além do armazenamento de dados e sistemas fechados, esforçando-se para
permitir o acesso aos dados das pesquisas àqueles que têm interesse, disponibilizando fontes e
interfaces para a comunidade científica.
Ademais, o compartilhamento de dados tem fomentado um nível sem precedente de
iniciativas de acesso aberto entre cientistas, promovendo o trabalho em equipes
interdisciplinares para solução de problemas complexos, e tem permitido que outros cientistas
utilizem os dados para objetivos além daquilo que foi planejado inicialmente (E-SCIENCE...,
2014).
A importância dos dados e as possibilidades que os mesmos representam para o
avanço científico chamaram a atenção de diversas agências de incentivo à pesquisa com
relação ao destino dos dados brutos. Afinal, eles compõem um rico conteúdo gerado com seu
apoio financeiro. Como exemplo, em 2011 o National Science Foundation (NSF), EUA,
começou a requerer planos de gerenciamento de dados na maioria dos pedidos de
financiamento. Nesses planos é necessário informar os dados a serem coletados, os metadados
a serem adotados, os procedimentos de coleta, e as políticas e mecanismos para
compartilhamento dos dados quando necessário (HEIDORN, 2011). Assim como a NSF, o
National Institutes of Health (NIH) começou a cobrar planos de gestão de dados ante as
propostas de concessão de recursos para operar as pesquisas.
Como consequência dessas exigências, surge a preocupação em criar ferramentas e
serviços que promovam a coleta, organização e preservação dos dados de pesquisa.
Considerando que esses dados já nascem em formato digital, uma alternativa é a criação de
repositórios de dados ou mesmo o armazenamento de dados nos repositórios institucionais já
existentes.
Ademais, algumas publicações também estão exigindo a submissão e/ou a
disponibilização dos dados como pré-requisito para o aceite e publicação dos artigos. Em
junho de 2014 o Grupo Nature Publishing, lança o primeiro número da revista Scientific Data,
a qual é uma revista de acesso aberto, revisada por pares, cujo objetivo é publicar os
descritores de dados (data descriptors), dados simples ou conjuntos de dados de pesquisa.
Segundo informações da própria revista o objetivo é promover o compartilhamento e o reuso
dos dados, além de atribuir crédito aos produtores de dados que nem sempre recebem crédito
na publicação dos resultados da pesquisa (SCIENTIFIC DATA, 2016). Embora armazene
somente os descritores de dados, a revista sugere uma lista de repositórios confiáveis para o
armazenamento dos dados, caso os pesquisadores não tenham repositórios próprios.
Outra importante iniciativa para a gestão dos dados foi a criação do Data Citation
Index (DCI), criado pela Thomson Reuters em 2012. Esta base de dados recolhe dados dos
artigos indexados na Web of Science, fazendo um link entre a base e os repositórios dos dados
científicos oriundos das pesquisas. São considerados na indexação dos dados de pesquisa os
seguintes metadados: autores, instituições, palavras-chave, citações e outros metadados. (THE

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DATA… 2016).
Seja para disponibilização dos dados em repositórios ou mesmo sua submissão no
processo de comunicação científica, é preciso criar estratégias para gestão adequada de dados.
De acordo com Surkis e Read (2015), a gestão de dados garante que a história do processo de
coleta de dados de um pesquisador seja organizada, compreensível e transparente.
Portanto, as ações para assegurar a gestão adequada de dados devem permear todo o
ciclo de vida dos dados. Conforme a Figura 1, as etapas do ciclo compreendem a criação dos
dados, seu processamento, análise, preservação e disponibilização. Após a disponibilização
pode ocorrer o reuso dos dados, dando início a um novo ciclo.
Figura 1 - Ciclo de vida dos dados de pesquisa

Fonte: Adaptado de UK Dara Archive por Surkis e Read (2015)

Na gestão de dados estão implícitas atividades relacionadas a curadoria digital. Lee e
Tibbo (2007) definem curadoria digital como a gestão ativa na preservação dos recursos
digitais ao longo do ciclo de vida de interesse acadêmico e cientifico, e ao longo do tempo,
para usuários atuais e futuros. Os mesmos autores ainda defendem que é necessária a criação
de processos capazes de uma boa gestão de dados, e agregar valor a estas novas fontes de
informação e conhecimento.
Para Abbott (2008), a ideia de curadoria digital de dados de pesquisa vai além da
gestão dos dados, pois, compreende todo o processo envolvido no ciclo de vida dos dados, da
criação ao reuso, isto implica um plano de gestão que garanta a seleção, indexação e
disponibilidade para novos reusos, adotando formatos de citação e referência que garantam
maior visibilidade aos dados de pesquisa.
Devido a natureza dos serviços prestados pelas bibliotecas e seus profissionais, as
atividades de curadoria digital e a consequente gestão dos dados de pesquisa passam a ser
naturalmente incorporadas por elas. Conforme reforça Heidorn (2011) as bibliotecas são
escolhas lógicas para servir de repositório do conhecimento da sociedade e estão entre as

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poucas instituições com capacidade para realizar a curadoria de muitos tipos de dados.
Mais importante que as ferramentas em si, são os profissionais que irão conduzir esse
trabalho. Diversas atividades inerentes à curadoria de dados não fazem parte do arcabouço de
habilidades dos pesquisadores. Para Surkis e Read (2015) o gerenciamento de dados
representa uma nova oportunidade para bibliotecários oferecerem suporte no processo de
pesquisa. A experiência com a organização da informação e, sua consequente
disponibilização, são habilidades necessárias para oferecer serviços de gerenciamento de
dados, atuando como parceiros dos pesquisadores.
Já Cunha (2010) acredita que ao tomar para si a responsabilidade da gestão dos
conteúdos e recursos informacionais gerados nas universidades, os bibliotecários precisam
conhecer, não apenas os tradicionais conteúdos geridos pelas bibliotecas, mas também
aqueles hospedados nos laboratórios de pesquisa.
As oportunidades e desafios apresentados pela e-Science são encontrar novas formas
de comunicar o valor das habilidades que os bibliotecários já possuem e desenvolver papéis
que inicialmente não estavam associados a eles, por exemplo, o entendimento do ciclo de vida
dos dados de pesquisa (GORE, 2011).
Chiware e Mathe (2015) apontam as competências necessárias aos bibliotecários
atuantes no suporte à pesquisa, como conhecimento de ferramentas e gerenciadores
bibliográficos, bibliometria, processo de publicação, direitos autorais, open access,
tecnologias de comunicação. Os autores são afiliados à Biblioteca Universitária da Cape
Peninsula University of Technology, África do Sul, a qual já está promovendo ações para
implantação de um serviço de suporte a pesquisa e gerenciamento de dados. Nessa instituição
já foi criado um plano de aperfeiçoamento para os bibliotecários o qual pretende, no prazo de
três anos, capacitar os profissionais para atuar nesse serviço.
No Brasil, as discussões já ocorrem, porém ainda não há iniciativas ou relatos de
práticas com relação ao suporte à pesquisa e ao gerenciamento de dados de pesquisa
envolvendo bibliotecas universitárias.
Em 2014 a Revista da FAPESP (MARQUES, 2014) abordou a exigência das revistas
científicas da Public Library of Science (PLoS) de condicionar a aceitação de novos artigos à
divulgação em repositórios públicos dos dados de pesquisa. São apresentadas também
algumas poucas iniciativas de natureza semelhante por parte de publicações brasileiras.
Outra iniciativa nacional é o Guia de gestão de dados de pesquisa para bibliotecários
e pesquisadores, editado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), com o
objetivo de “[...] apresentar os elementos básicos, conceitos, ferramentas, referências e
melhores práticas para o planejamento da gestão dos dados de pesquisa e para a efetiva ação
ao longo de todo o ciclo de vida dos dados.” (SAYÃO; SALES, 2015, p. 6).
Por fim, é necessário mencionar que Costa e Cunha (2014) já discutem o papel do
bibliotecário no contexto da e-Science e questionam as habilidades a serem desenvolvidas
pelos profissionais da informação brasileiros.

3 Materiais e métodos
Para a realização deste trabalho foram identificadas publicações sobre o tema,
visando analisar os aspectos que possam elucidar o estado atual das discussões acerca dos
serviços de gerenciamento de dados de pesquisa, curadoria de dados e o papel das bibliotecas
universitárias e dos bibliotecários nesse contexto.
Para contextualizar a origem da proposta, em 2013 a BU/UFSC tornou-se membro da
International Association of University Libraries (IATUL). A IATUL oferece diversas
iniciativas para o fortalecimento do networking entre seus membros, dentre elas está o
Programa Internacional de Estudos.

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Nesse programa é possível que um bibliotecário visite e realize um estágio técnico de
pelo menos duas semanas em uma das bibliotecas-membro. A intenção do programa vai além
da possibilidade de conhecer o funcionamento e a realidade da unidade de informação
visitada, sendo necessário desenvolver um projeto que traga benefícios mútuos, especialmente
para a biblioteca de origem do visitante.
Assim sendo, houve a possibilidade, em 2015, da participação de uma bibliotecária
da BU/UFSC no Programa. A proposta no momento da candidatura foi conhecer a Biblioteca
Universitária da Technischen Universität München (TUM), na cidade de Munique,
Alemanha. Essa biblioteca está em fase avançada de implantação de um serviço de suporte a
pesquisa e gerenciamento de dados, por meio de uma iniciativa chamada eResearch Communication and Infraestructure (eRIC).
Assim, de 1º de junho a 03 de julho foi possível conhecer, in loco, os serviços
oferecidos pela Biblioteca Universitária da TUM, com enfoque na iniciativa eRIC. As
atividades englobaram diversas reuniões com pessoas chave naquela Biblioteca e outras
bibliotecas parceiras da iniciativa.
Nesse período também foi possível delinear uma estratégia para iniciar as discussões
na UFSC, conforme mapa mental apresentado na Figura 2. A estratégia engloba os principais
aspectos a serem analisados para dar os primeiros passos na concepção, e posterior
implantação, de um serviço de suporte à pesquisa e gerenciamento de dados.
Figura 2 - Plano para a formalização do serviço de apoio à pesquisa e gerenciamento de dados
na UFSC

Fonte: Lehmkuhl (2015)

Em outubro do mesmo ano o projeto foi apresentado às Pró-reitorias de Pesquisa e de
Pós Graduação, em reunião com a direção da BU/UFSC. Em fevereiro de 2016 foram
retomadas as discussões e em março é criada a comissão de Concepção do Serviço de Suporte
e Gerenciamento de Dados de Pesquisa.

4 Resultados parciais
O ponto de partida para os trabalhos da comissão foi a socialização das informações
obtidas durante o Programa de Estudos, além de apoio na literatura para aprofundar os
conhecimentos relacionados à e-Science e iniciativas de bibliotecas universitárias quanto ao
suporte à pesquisa, gerenciamento de dados de pesquisa e curadoria digital. Essa etapa foi
fundamental para nivelar o conhecimento dos integrantes da comissão quanto ao tema.
Como resultados parciais estão a identificação dos principais pontos a serem
discutidos, que vão ao encontro do que foi esboçado na Figura 2, apresentada anteriormente.

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4.1 Equipe e parceiros
A equipe a integrar a comissão é composta por bibliotecários, os quais, em sua
maioria, possuem conhecimentos-chave para o projeto em virtude de sua experiência como
ministrantes no Programa de Capacitação da BU/UFSC. A equipe conta, ainda, com
bibliotecários das áreas de desenvolvimento de coleções e TIC.
Para concretização de uma iniciativa dessa magnitude será fundamental o
envolvimento de outros parceiros dentro da universidade. São eles a Pró-reitoria de Pesquisa
(PROPESQ/UFSC) e a Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da
Informação e Comunicação da UFSC (SeTIC/UFSC). A Pró-reitoria de Pós-Graduação
(PROPG/UFSC) também deverá ser incluída, pois a maioria das pesquisas realizadas na
universidade ocorre em seu âmbito.
Além dos parceiros internos, a intenção é contar com o apoio de outras instituições.
Aproveitando o contato realizado com a TUM, pretende-se seguir as diretrizes do eRIC e
tornar-se membro efetivo de tal iniciativa.
No eRIC, o suporte à pesquisa envolve o acompanhamento de todo o ciclo de um
projeto pesquisa (Figura 3), o qual compreende quatro estágios:
a)
b)
c)
d)

estágio 1: identificação dos tópicos da pesquisa e revisão do status quo;
estágio 2: preparação de um cronograma e aquisição de recursos;
estágio 3: coleta de dados e análise;
estágio 4: publicação dos resultados e dos dados, transferência de conhecimento.

Figura 3 - Estágios do ciclo de vida dos projetos de pesquisa

Fonte: Mitscherling (2014).

Assim, essa iniciativa vai além de ações de curadoria digital e gerenciamento de
dados. A biblioteca é parceira em todos os momentos e, por isso, os bibliotecários precisam
estar capacitados para ofertar o auxílio necessário de acordo com cada estágio.
4.2 Diagnóstico institucional
Com o estabelecimento da comissão de trabalho e definição de parceiros, o próximo
passo lógico é o diagnóstico da instituição. É preciso conhecer a realidade da UFSC e as

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necessidades de seus pesquisadores. Alguns aspectos a serem identificados são os tipos de
dados produzidos e as atuais práticas de gestão desses dados.
Pretende-se utilizar o instrumento de pesquisa adotado na Universidade do Minho
como base para criação de um questionário a ser submetido aos pesquisadores da
universidade (RODRIGUES et al., 2014).
4.3 Sensibilização e criação de políticas institucionais
A sensibilização da comunidade acadêmica já deverá acontecer antes mesmo do
diagnóstico, tendo continuidade nas ações futuras.
A aplicação do questionário será precedida pela apresentação do projeto às Câmaras
de Pesquisa e de Pós-Graduação da UFSC, explicando a intenção da BU/UFSC e reforçando a
importância dos pesquisadores nesta iniciativa.
Com os resultados do diagnóstico, o próximo passo será a criação de políticas
institucionais para armazenamento dos dados. Nessa etapa são previstas discussões acerca de
dados abertos e acesso aberto. Na sequência, serão definidos os papéis de cada setor da
universidade envolvido no serviço de suporte e gerenciamento dos dados de pesquisa,
especialmente as funções a serem assumidas pela biblioteca universitária.
A realização de um workshop voltado aos pesquisadores e bibliotecários integrará as
estratégias de sensibilização e esclarecimento da iniciativa, antes da aplicação de um piloto
com um projeto de pesquisa.
4.4 Estrutura de TI e softwares
A estrutura de TI é fundamental para a implantação de um serviço de suporte a
pesquisa e gerenciamento de dados. Na primeira reunião com as pró-reitorias, a segurança dos
dados e a confiabilidade dos softwares adotados foram as principais preocupações. Porém, no
momento, a comissão de trabalho entende que é uma discussão precoce já que decisões a esse
respeito deverão ser tomadas em estágios mais avançados do trabalho.
Sobre o aspecto tecnológico, os primeiros passos são: o estabelecimento da parceria
com a SETIC/UFSC, com a participação de um representante desse setor na comissão, e
análises preliminares de softwares que atendam aos requisitos necessários para o serviço.
Pensando na sustentabilidade do projeto estão sendo reunidas informações acerca de
opções de acesso aberto as quais serão apresentadas na sequência:
a)
eRIC software: plataforma de comunicação e interação que acompanha todos
os estágios do ciclo de vida dos projetos de pesquisa. É open source, podendo ser
moldada de acordo com as necessidades de cada projeto e/ou instituição parceira (ERIC, 2016);
b)
mediaTUM: é o repositório da Technische Universität München (TUM),
servindo para armazenamento de documentos digitais e dados primários de pesquisa.
O software foi desenvolvido no âmbito da universidade, é totalmente interoperável
com as demais soluções de repositórios existentes atualmente. Além disso, já possui
componentes pensados para o gerenciamento de dados de pesquisa (TECHNISCHE
UNIVERSITÄT MÜNCHEN, 2016);
c)
DSpace: software livre que possibilita a criação de repositórios digitais com
funções de armazenamento, gerenciamento, preservação e visibilidade da produção
intelectual. O sistema foi criado de forma a ser facilmente adaptado. Os repositórios
DSpace permitem o gerenciamento da produção científica em qualquer tipo de
material digital, dando-lhe maior visibilidade e garantindo a sua acessibilidade ao
longo do tempo. (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E

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TECNOLOGIA, 2016).
4.5 Projeto piloto
O passo final para implantação do serviço de suporte a pesquisa será a execução de
um piloto contemplando um projeto de pesquisa real. Com isso será possível ter uma
dimensão da dinâmica do trabalho para assim realizar os ajustes necessários.

5 Considerações finais
O Serviço de apoio à pesquisa e gerenciamento de dados da BU/UFSC está em fase
inicial, ainda definindo escopo, diretrizes e parceiros. Há um longo caminho pela frente.
Todavia a equipe está motivada e trabalhando para tal. Parcerias estratégicas como a área de
Tecnologia e de Pesquisa da universidade são primordiais para impulsionar o projeto.
Entende-se que é uma área inovadora de atuação, a qual não se tem muitos estudos e
relatos de experiência brasileiros. Por outro lado, trata-se de uma tendência global
considerando que as agências de fomento e a área de comunicação científica cada vez mais se
preocupam em conhecer e manter os registros e etapas do processo de pesquisa.
Invariavelmente a gestão desses dados e o acompanhamento desse processo irão
recair sobre a responsabilidade de alguém. Nada mais lógico que seja de responsabilidade da
biblioteca, considerando que é da natureza desta instituição a gestão dos mais variados
recursos de informação.
Além disso, é uma nova e promissora possibilidade de atuação dos bibliotecários em
uma era em que não só a gestão de acervos e a disponibilização de espaços físicos pelas
bibliotecas são suficientes, fazendo-se necessário investir em serviços inovadores.

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&lt;http://link.periodicos.capes.gov.br.ez46.periodicos.capes.gov.br/sfxlcl41?url_ver=Z39.882004&amp;url_ctx_fmt=infofi/fmt:kev:mtx:ctx&amp;ctx_enc=info:ofi/enc:UTF-8&amp;ctx_ver=Z39.882004&amp;rfr_id=info:sid/sfxit.com:azlist&amp;sfx.ignore_date_threshold=1&amp;rft.object_id=35200000
00003984&gt;. Acesso em: 22 abr. 2016.
SURKIS, Alisa; READ, Kevin. Research data management. Journal of The Medical
Library Association, [s.l.], v. 103, n. 3, p.154-156, jul. 2015. Disponível em:
&lt;http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4511058/&gt;. Acesso em: 22 abr. 2016.
TECHNISCHE UNIVERSITÄT MÜNCHEN (TUM). MediaTUM: media server. 2016.
Disponível em: &lt;https://mediatum.github.io/en.index.html&gt;. Acesso em: 19 abr. 2016.

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                <text>Este artigo presenta as primeiras iniciativas para a concepção de um serviço de suporte à pesquisa e gerenciamento de dados de pesquisa na BU/UFSC. Inicialmente realizou-se um levantamento da literatura sobre o tema visando elucidar o estado atual das discussões acerca dos serviços de gerenciamento de dados de pesquisa, curadoria de dados e o papel das bibliotecas universitárias e bibliotecários nesse contexto. As discussões estão em fase inicial. Há uma comissão de trabalho envolvida no projeto, a qual aponta as principais ações a serem realizadas: equipe e parceiros, diagnóstico institucional, sensibilização e criação de políticas, estrutura de tecnologia da informação, softwares e aplicação de um projeto piloto.</text>
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                    <text>SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E O PAPEL DA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA
Katiussa Nunes Bueno (Unilasalle - UFRGS) - katybueno@bc.ufrgs.br
Tamara Cecilia Karawejczyk (UNILASALLE CANOAS) - tamara.karawejczyk@unilasalle.edu.br
Resumo:
O presente artigo cotextualiza as mudanças nas relações econômicas, sociais, de trabalho e
organizacionais que ocorreram a partir da crise gerada pela implantação dos modelos
taylorista e fordista. Aborda algumas questões relacionadas às novas exigências quanto ao
emprego do capital humano, dentre as quais a da necessidade de o trabalhador investir mais
em formação de nível superior para aquisição de conhecimento. A biblioteca universitária está
inserida como mediadora no processo de formação e é influenciada pelas novas tecnologias da
informação. A questão central deste artigo está focada no entendimento quanto ao papel da
biblioteca universitária nessa nova sociedade do conhecimento e à sua relação com as
tecnologias.
Palavras-chave: sociedade do conhecimento - biblioteca universitária - fordismo/taylorismo –
tecnologias da informação.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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1. Introdução
As formas de produção de bens e serviços sofreram uma grande mudança a partir da
década de 70 com a crise do modelo taylorista-fordista. Segundo Harvey (1992), esses dois
modelos eram formas de maximizar a produção e o lucro, o que era feio sem haver uma
preocupação com o trabalhador, que era explorado e considerado como um ser não pensante.
Essa crise gerou um novo modelo de acumulação chamado de modelo flexível, que implicou
grandes mudanças econômicas, sociais, de trabalho e organizacionais.
Entre as grandes mudanças no século XX, podem-se destacar as novas exigências de
capital humano e o desenvolvimento tecnológico. Como sugere Antunes (1999), o modelo de
acumulação flexível trouxe o estímulo à competitividade, exigindo um trabalhador mais
competente, que desenvolvesse várias atividades e que tivesse novas habilidades.
No final do século XX, houve a valorização do conhecimento e do saber do
trabalhador, o que tornou essa época conhecida, por muitos autores, como a da “Sociedade do
Conhecimento” ou “sociedade da informação” e “era da informação” (STEWART, 1998).
Nesse contexto, passou-se a dar valor ao capital intelectual das organizações e exigir um
indivíduo mais qualificado e preparado para competir no mercado de trabalho. A informação
e o conhecimento passaram a ser o principal ativo das organizações no lugar da matéria-prima
e dos ativos físicos. O conhecimento e a informação predominavam na cadeia de valor.
Com essas novas exigências de “capital humano”, como define (STEWART, 1998),
somadas ao avanço das tecnologias e à valorização do conhecimento, houve uma busca por
qualificação, especificamente em cursos superiores. No Brasil, esse movimento relaciona-se
ao do crescimento na oferta e demanda de matrículas no Ensino Superior. De acordo com
dados do Ministério da Educação/Inep, durante os anos de 2009 a 2012, o número de alunos
matriculados nesse nível de ensino passou de 2.065.082 para 2.747.089.
No âmbito das Instituições de Ensino Superior, as bibliotecas universitárias são
indispensáveis como mediadoras no processo de formação esperado pela Sociedade do
Conhecimento. As bibliotecas, que representam espaços de interação em que são
disponibilizadas novas tecnologias e serviços, constituem um recurso inestimável no que diz
respeito ao ensino e à pesquisa, à preservação e ao auxílio na construção do conhecimento.
Como elas se inscrevem nesse novo modelo de sociedade, que preconiza mudanças de
comportamento, proatividade e domínio de tecnologias da informação?
Este artigo tem a intenção de responder a essa questão, avaliando o papel da “nova”
biblioteca universitária e investigando a forma pela qual esta deve se adaptar a chamada
sociedade do conhecimento na era da informação. Para tanto, esta pesquisa organiza-se em
três seções: na primeira, discute a crise do modelo Taylorista-Fordista; na segunda, faz-se
uma relação entre essa crise e as novas exigências do capital humano e, na terceira, aborda-se
o papel das bibliotecas universitárias na sociedade do conhecimento.

2. A crise do modelo Taylorista- Fordista: mudanças econômicas, sociais, de
trabalho e organizacionais.
No século XX, foram criadas formas para maximizar a produção e o lucro nas fábricas.
Iniciado por Frederick Winslow Taylor, o método conhecido como Taylorismo visava à
execução de tarefas num menor tempo possível sem a necessidade de o trabalhador ter
conhecimento de toda a produção. Esse modelo defendia a hierarquização: havia um gerente
que coordenava e fiscalizava o tempo que o operário deveria levar na sua operação e que
aplicava possíveis repreensões e punições àqueles que não cumprissem o determinado. Taylor
acreditava na divisão do trabalho entre intelectual e mecânico, considerando como inferiores
intelectualmente os que executavam as tarefas:

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2
Um tipo de homem é necessário para planejar e outro diferente para executar
o trabalho. [...] em quase todas as artes mecânicas, a ciência que rege as
operações do trabalho é tão vasta e complexa que o melhor trabalhador
adaptado a sua função é incapaz de entendê-la, quer por falta de estudo, quer
por insuficiente capacidade mental (TAYLOR, 1990, p. 43).

O trabalho tornava-se repetitivo, padronizado e controlado por alguém
hierarquicamente superior. Em um processo de continuidade do Taylorismo, Henry Ford criou
um modelo que ficou conhecido como Fordismo. Ele introduziu a linha de montagem em que
cada operário era responsável por uma atividade (como, por exemplo, apertar um parafuso).
Nesse modelo, a máquina acabava determinando as relações de trabalho. Na linha de
montagem, o trabalho era realizado mediante a utilização de uma esteira, o que envolvia uma
sincronicidade de movimentos repetitivos a serem realizados pelo trabalhador responsável
pela continuidade dessa operação: caso houvesse atraso nessa atividade, todo o restante da
produção seria prejudicado.
Como sugere Harvey (1992), os dois modelos têm princípios que tiravam dos
trabalhadores o controle da produção, desvalorizando o raciocínio e impedindo que estes
pudessem intervir na elevação da produção. Há características marcantes nas duas formas de
organização, que dão continuidade a um modelo de acumulação capitalista, concentrado na
expropriação da força de trabalho.
Um dos aspectos diferenciais do Fordismo em relação ao Taylorismo é o de que, no
fordismo, a linha de montagem gerava não apenas uma produção em série, com controle de
tempos e movimentos, mas um consumo em massa. Conforme Harvey,
O propósito do Fordismo do dia de 8 horas e cinco dólares só em parte era
obrigar o trabalhador a adquirir a disciplina necessária à operação do sistema
de linha de montagem e dar a eles renda e tempo de lazer suficientes para
que consumissem os produtos produzidos em massa que as corporações
fabricavam em grandes quantidades. (HARVEY, 1992, p.122)

Há um reconhecimento explícito de que produção de massa significa consumo de
massa. Havia a promessa de que a elevação da produtividade resultaria em aumentos salariais,
pois, dessa forma, o trabalhador teria condições econômicas para consumir o que havia sido
produzido.
As formas de organização capitalista e o consumo em massa geram, até hoje,
desigualdades sociais, que, segundo Braz (2012), representam uma das consequências do que
ele chama de “capitalismo contemporâneo”. O autor fala da má distribuição de renda, de
alimentos e das diferenças sociais que são gerados pela forma de organização capitalista. Braz
(2012, p.475) comenta que a padrões de consumo exagerados podem trazer um esgotamento
dos recursos naturais:
Segundo especialistas, se continuarmos nesse ritmo para atender aos padrões
de consumo atuais, e se a massa populacional da China, da Índia, do Brasil e
de alguns países africanos (como África do sul) consumir em proporções
mais ou menos semelhantes à dos países centrais, precisaremos de pelo
menos mais dois planetas Terra para suprir essa demanda.

Esse modo de produção e consumo em massa, além de levar ao esgotamento dos
recursos naturais, também não beneficia a todas as classes sociais.
Ainda segundo Harvey (1992), um dos problemas do fordismo era a rigidez do
modelo, porque havia rigidez nos mercados, nos contratos de trabalho e dos investimentos de
capital fixo de larga escala e de longo prazo em sistemas de produção em massa (impedindo,
assim, a flexibilidade do planejamento). Essa rigidez passou a gerar descontentamento nos
operários, pois o processo gerava a intensificação da jornada de trabalho extenuante e a
eliminação do saber do indivíduo como elemento constitutivo do todo. De acordo com Harvey

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(1992), o fato de os trabalhadores se acumularem em fábricas de larga escala (típicas do
fordismo) trazia a ameaça de uma organização trabalhista mais forte, o que poderia contribuir
para o aumento de poder da classe trabalhadora.
De acordo com Antunes (2002), a produção tinha como base o trabalho parcelado e
fragmentado e a decomposição de tarefas. Reduzia a ação operária a um conjunto repetitivo
de atividades. Dessa forma, o trabalhador não era incentivado a se desenvolver
intelectualmente. O operário não se identificava com o trabalho por não entender o processo
final, e sim, somente uma parte em separado, o que gerava pouca satisfação.
Por outro lado, com a intervenção do Estado, que arrecadava impostos assegurando
direitos trabalhistas, e dos patrões, que se comprometiam em pagar salários mais altos pela
produtividade, os trabalhadores suportaram, por algum tempo, as explorações impostas pelo
modelo fordista/taylorista. Por conta dos problemas gerados por esse modelo ao trabalhador,
esse período foi marcado por lutas e resistências nos locais de trabalho. Começaram a ocorrer
movimentos sociais, mobilizações nas fabricas e nas ruas, o que veio a desencadear uma crise
no modo de regulação do trabalho. Com o acirramento das lutas de classes e a recusa dos
trabalhadores em se submeter ao modelo fordista, instaurou-se uma crise contra esse regime,
que defendia a acumulação intensiva, baseada na produção e o consumo em massa.
A década de 70 foi marcada pela crise do modelo fordista, iniciada pela contrariedade
dos operários ao modelo gerando, segundo Harvey (1992), o surgimento de novas
necessidades no que se refere ao consumo, crise que se manifestou fundamentalmente pela
falta de demanda efetiva de produtos. Essa crise conduz à ascensão de um novo modelo de
acumulação, que, de acordo com Harvey (1992), foi chamado de regime de acumulação
flexível, no qual houve a substituição do modelo de acumulação baseado na rigidez produtiva
por um regime baseado na flexibilidade dos processos de produção, consumo e organização
do trabalho. Neste regime, a fabricação de produtos opera em pequenas quantidades, com
estoques reduzidos, diferentemente do que ocorria na produção em massa do fordismo.
Alguns autores denominam essa mudança de pós-fordismo e Toyotismo. Essa nova forma de
organização da estrutura produtiva teve como características, de acordo com Harvey:
[...] o surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras
de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas
altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e
organizacional. (HARVEY, p.140, 1992)

A produção em pequenas quantidades visava garantir que o sistema produtivo operasse
em contextos que exigissem mudanças rápidas, o que tornaria possível adaptar continuamente
as variações de demanda. No mercado de trabalho, houve reestruturações relevantes, como diz
Harvey:
a acumulação flexível parece implicar níveis relativamente altos de
desempregos estrutural, rápida destruição e reconstrução de habilidades,
ganhos modestos (quando há) de salários reais e o retrocesso do poder
sindical”. Este período foi marcado pelo aumento da competitividade no
mercado com o estreitamento das margens de lucro e os patrões tirando
proveito do fato de os sindicatos estarem enfraquecidos e a mão de obra ser
excedente para impor contratos de trabalhos mais flexíveis. (Harvey,1992,
p.141).

O modelo de acumulação flexível envolve, portanto, uma organização e controle
particular do trabalho, bem como um novo perfil de trabalhador. A seção seguinte aprofunda
esses dois tópicos e oferece as bases para o que se pode chamar de “Sociedade do
conhecimento”.

3. Novas exigências de capital humano

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Além da crise do modelo Taylorista-fordista e da criação do Toyorismo, a década de
80 foi marcada pelo avanço da ciência e da tecnologia. O uso de computadores e tecnologias
de informação nas fábricas passou a ser o principal ativo estratégico das empresas. Stewart
(1998, p.45-46) reafirma e complementa essa ideia quando diz:
A exploração do conhecimento científico e técnico, a rápida difusão e o
poder crescente e veloz da tecnologia da informação, a participação cada vez
maior do conhecimento no valor agregado da empresa, a acessão do
trabalhador do conhecimento levam a importantes novos tipos de modelos
organizacionais e novos métodos gerenciais.

Nesse contexto, criaram-se novas formas de organização do trabalho, com novas
exigências para o trabalhador. De acordo com Antunes (1999), o toyotismo estimulou a
competitividade e a competência, exigindo do trabalhador a realização de diversas atividades
ao mesmo tempo e a aquisição de novas habilidades. Essa forma de organização do trabalho
gerou, como consequência, marcantes índices de desemprego. Dessa forma, o trabalhador viuse obrigado a buscar novas formas de qualificação e operar novas funções dentro do local de
trabalho, o que contribuiu para estimular seu espírito de empreendedorismo e de investimento
em si próprio.
Com a criação desse novo modelo de produção (toyotismo) e o avanço das
tecnologias, as empresas passaram a depender mais das habilidades do trabalhador. A esse
respeito, Antunes (1999) traz o conceito de capital humano, referindo-se às habilidades e
destrezas humanas como capital em potencial. Para o autor, esse tipo de capital envolve uma
nova subjetividade do trabalhador, que modifica a exploração da força de trabalho,
intensificando as formas de flexibilização típicas do toyotismo e a precarização por meio do
trabalho intelectual abstrato.
Em Ruíz (2007, p.15), o capital humano é
[...] um conjunto de capacidades, destrezas e talentos que, em função do
avanço do capitalismo, deve se tornar valor de troca. Para isso acontecer,
esses atributos humanos precisam, de certa maneira, ser abstraídos das
pessoas concretas que os detêm, das concretas das quais existem, e precisam
se articular em função de um fim externo a elas. Argumentaremos, portanto,
que o “humano”, um conjunto de habilidades, destrezas e aptidões próprias
dos homens, adquire valor de mercado e se apresenta como forma de
“capital”- entendido este como uma soma de valores de troca que serve de
base real a uma empresa capitalista.

Segundo Ruíz (2007), o ser humano é o detentor de ativos importantes para a empresa
– por isso se torna um “capital” imprescindível, um ativo produtivo que exige investimento. A
partir de Stewart (1998), pode-se definir o capital humano como capital intelectual. O autor
retoma a ideia de “material intelectual”, que está presente na definição de Klein e Prusak:
“material intelectual que foi formalizado, capturado e alavancado a fim de produzir um ativo
de maior valor” (KLEIN E PRUSAK citados por STEWART, 1998, p.61). Nesse sentido, o
capital humano torna-se tangível e compartilhável: o material intelectual está em “um
endereço em um pedaço de papel, um relatório que caiu atrás da estante,
um brainstorming durante o trajeto até o trabalho, uma noticia urgente ouvida por um
representante de vendas que não tem como chegar ao telefone” (STEWART, p.61).
Stewart (1998) defende que o conhecimento tornou-se o componente mais importante
da atividade de negócio com a chamada era da informação ao final do século XX. Para ele,
este se tornou mais importante que a matéria-prima e, até mesmo, que o dinheiro. O autor
afirma que, “considerados produtos econômicos, a informação e o conhecimento são mais
importantes que automóveis, carros, aço e qualquer outro produto da era industrial”. Isso
porque o conhecimento permite descobrir melhores formas de desenvolver produtos de
maneira sustentável.

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Considerando as relações entre a definição de capital humano e o conhecimento como
matéria-prima para as novas formas de produção, pode-se dizer que o início do Século XXI é
a Era do Conhecimento. Neste período, houve a substituição de materiais e ativos físicos pelo
conhecimento e pela predominância da informação na cadeia de valores. Para a economia, as
fontes de riquezas, que, na era fordista-taylorista, estavam centradas nos recursos naturais e
no trabalho físico, passaram a ser representados pelo conhecimento e pela comunicação. No
fordismo-taylorismo, o trabalho era manual, medido e remunerado por alguma espécie de
pontuação numérica; hoje, os profissionais são avaliados não pelas tarefas, mas pelos
resultados alcançados (STEWART, 1998).
Stewart (1998, p.62) diz, ainda, que “grande parte do capital intelectual consiste em
conhecimento tácito, não expresso – como, por exemplo, o conhecimento especializado e os
relacionamentos que um vendedor constrói ao longo de anos de trabalho em um território”.
Esse conhecimento tácito é o que ele chama de intuições, regras gerais, mentalidades, regras
não escritas e valores inconscientes. Trata-se de um conhecimento adquirido ao longo dos
anos pelas pessoas – sem que estas se lembrem de tê-los adquirido -, que lhes permite
desenvolver habilidades, informações e formas de trabalhar, as quais são internalizadas por
elas. “A maior virtude do conhecimento tácito é que ele é automático, exigindo pouco ou
nenhum tempo ou reflexão” (STEWART, 1998, p.65).
Se a economia na Era do conhecimento depende dos investimentos em capital
humano, Viana e Lima (2010) trazem à tona a relação com a educação formal. Segundo os
autores, “a educação torna as pessoas mais produtivas, aumenta seus salários e influencia o
processo econômico” (Viana e Lima, 2010, p. 138). Os autores defendem esse investimento
no capital humano em nível educacional para a atividade econômica por ajudar a melhorar o
nível de produtividade, reduzir as desigualdades econômicas, amenizar as discrepâncias
salariais e impactar no sistema econômico como um todo. Segundo os autores,
Investir em capital humano parte do princípio de que uma força de trabalho
instruída, com qualidade de vida, com acesso aos serviços sociais básicos e
plena cidadania será mais produtiva e eficaz nas suas atividades. (VIANA e
LIMA, 2010, p. 146).

Segundo Paiva (2001), a necessidade de níveis mais elevados de escolaridade já se
dava nos anos 80 para possibilitar um enfrentamento adequado às novas características que o
capitalismo estava adquirindo. O autor diz que, “do ponto de vista do trabalho (assalariado ou
não), níveis formais mais elevados de escolaridade começam a ser exigidos, seja do ponto de
vista da diplomação, seja do ponto de vista de conteúdos”.
As mudanças no mundo do trabalho ao longo dos últimos 40 anos estão relacionadas
às novas exigências desse chamado capital humano, que passou a ser um ativo importante
para o crescimento e desenvolvimento das organizações e da economia. O investimento em
educação formal – e, sobretudo, de nível superior – é um tema que dialoga diretamente com
esse contexto sócio-histórico. Na seção seguinte, esse diálogo é aprofundado, tomando por
referência o papel das bibliotecas universitárias com espaços privilegiados de interação com
novas tecnologias e serviços.

4. Sociedade do conhecimento: o papel da biblioteca universitária
Na Era da informação e do conhecimento, alteraram-se as formas como os produtos e
serviços são produzidos. Passou-se a depender de investimento em capital humano e em
material intelectual com vistas à elaboração e circulação de novos produtos, para a inovação e
para o desenvolvimento social. Cunha (2000, p.87) fala da importância das universidades para
a aquisição de conhecimento e, com isso, reforça seu papel no que diz respeito à melhoria da
qualidade de vida de uma população:

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Esta claro que, à medida que um povo educado e com conhecimento se
transforma no elemento chave da prosperidade, segurança e bem estar social,
a universidade nessa era de transformações rápidas, destaca-se como uma
das mais importantes instituições do nosso tempo.

As universidades destacam-se na sociedade do conhecimento pelo duplo papel de
formar pessoas e gerar inovações. Segundo Santos (2000), a finalidade das universidades,
desde o século XIX, é a de assegurar a excelência da produção de conhecimento científico. De
acordo com Santos (2000, p.199), “A busca desinteressada da verdade, a escolha autônoma de
métodos e temas de investigação, a paixão pelo avanço na ciência constituem a marca
ideológica da universidade moderna”. A universidade tem o papel de avançar na ciência por
meio da pesquisa científica, e a sua reputação é medida pela produtividade no domínio da
investigação. Cunha (2000) previu um futuro em que as universidades seriam geradoras de
conhecimento:
A evolução para uma educação centrada no aprendiz é irresistível e
desafiadora. Como resultado, a educação superior poderia transformar-se em
um sistema de faculdades e universidades, que, de fato, podiam organizar-se
em uma verdadeira “indústria” do conhecimento e aprendizado.
Considerando que, paulatinamente, as nações reconhecem a importância da
educação superior, essa indústria, certamente, terá uma abrangência mundial
e será uma das mais promissoras do futuro. (CUNHA, 2000, p.73)

Cunha (2000, p.75) defende que a missão das universidades vai além do que está
contida na trindade ensino, pesquisa e extensão. Para ele, “esses papéis podem ser vistos
como uma simples manifestação do século XX e ligados aos papéis fundamentais de criação,
preservação, integração, transmissão e ampliação do conhecimento”.
É visível o crescimento, desde a década de 80, do número de instituições de nível
superior (IES) no Brasil, pois as demandas por informação e conhecimento forçaram esse
aumento, conforme pode ser observado na tabela 1, abaixo, mostra esse crescimento.
Tabela 1
Aumento do número de IES nas esferas pública e privada no Brasil.
Ano
1980
1990
2009
2010
2011
2012

Quantidade total de IES (públicas e privadas)
882
918
2.314
2.378
2.365
2.416

Fonte: Ministério da Educação/Inep
Em 1980, eram 882 IES e, pelo último dado encontrado no INEP, em 2012, eram
2.416. Nos anos de 2010 para 2011, houve um decréscimo nesse número, que poderá ter ser
dado por fusões ou aquisições de instituições pelos concorrentes. Outro dado interessante, que
ilustra o aumento do interesse em qualificação e conhecimento no Brasil, é o número de
ingressantes no ensino superior, que cresce a cada ano. A tabela 2 mostra esse crescimento de
2009 a 2012.
Tabela 2
Número de ingressantes no ensino superior de 2009 a 2012 nas esferas pública e privada. Corresponde
ao total de ingressantes em todas as formas de seleção/ingresso.
Ano
2009
2010
2011

Número de ingressantes
2.065.082
2.182.229
2.346.695

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2012

2.747.089

Fonte: Ministério da Educação/Inep
De 2009 a 2012, houve um aumento de 682.007 ingressantes no ensino superior
(graduação) no país. Na esfera pública, o que também pode ter contribuído para esse aumento
foi a criação do programa de apoio aos planos de reestruturação e expansão das universidades
federais (REUNI), decreto n° 6.096 de 24 de abril de 2007. Entre as ações desse programa,
está o aumento de vagas nos cursos de graduação e a ampliação da oferta de cursos noturnos.
Inseridas no contexto de ensino, pesquisa e extensão, as bibliotecas universitárias são
indispensáveis como mediadoras no processo de produção de conhecimento. Cunha (2000,
p.73) traz esse raciocínio dizendo que “através dos séculos, o ponto focal das universidades
tem sido a biblioteca, com seu acervo de obras impressas preservando o conhecimento da
civilização”. Contudo, as bibliotecas universitárias vêm mudando seus serviços e seus
acervos, pois as tecnologias da informação têm exigido novas formas de preservar
conhecimento e acessar informação. Cada vez mais, há formas digitais e virtuais de acessar
informações.
Santos e Andrade (2008, p.3) falam dos desafios das bibliotecas universitárias na
sociedade do conhecimento citando o envolvimento e desenvolvimento das tecnologias da
informação:
Nessa nova sociedade os padrões devem estar pautados no novo, no flexível.
Parece contraditório e é. São esses os novos desafios que as tecnologias da
comunicação e informação nos apresentam. E a biblioteca universitária deve
estar pronta para desempenhar uma das suas funções primordiais que é
disponibilizar informação científica acadêmica, de qualidade. Destaca-se
ainda que o papel não é mais o seu suporte principal, os formatos
eletrônicos, e principalmente a internet, que vem sendo suporte preferido
pela academia. Garantir acessibilidade com qualidade continua a ser a
missão biblioteca.

Para os autores, ainda que a influência das tecnologias tenha mudado a forma de
acesso dos usuários a informação, o papel da biblioteca continua sendo o de disponibilizar a
informação de qualidade, o que implica a necessidade de esta estar preparada para isso.
Bazillion (2001), apud Santos e Andrade (2008), diz que “a biblioteca do futuro deverá estar
preparada para oferecer instalações especiais para as novas tecnologias de comunicação e
informação, transformando-se em um componente com valor agregado na educação superior”.
Cunha (2000) cita que, já em 1970, foram implementados os catálogos em linha e o
acesso a banco de dados e que, na década de 80, era possível recuperar referências
bibliográficas e textos completos através do CD-ROM. Estes foram, possivelmente, os
primeiros registros dos avanços tecnológicos que estavam por vir. O autor faz uma previsão
de que, até 2010, os serviços de desenvolvimento de coleções teriam grandes transformações,
devido aos avanços que a tecnologia teria, e que aquele era um momento de integração
crescente das fontes eletrônicas aos acervos e serviços existentes nas bibliotecas.
As demandas informacionais no século XXI passam a ser cada vez mais presentes no
ciberespaço. Os usuários são mais autônomos para buscar informação, e as bibliotecas
precisam se adaptar a essa nova realidade. Serra (2013) comenta que futuro das bibliotecas,
com base nos avanços tecnológicos, dependem de certos fatores que devem ser considerados,
como o que envolve uma mudança no comportamento dos usuários, pois eles são mais
independentes para buscar informação; é preciso levar em consideração a explosão de
informação existente e que são diversas as fontes e suportes de pesquisa; a possibilidade de
múltiplos acervos de forma remota (de qualquer lugar e horário). Todas estas questões têm o
foco na mudança do tipo de usuário que busca informação, o qual, por intermédio das

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tecnologias, torna-se autônomo. Para que a biblioteca se adapte a essas questões, segundo
Serra (2013), é necessário fazer uso de conteúdos digitais e virtuais privilegiando a
informação através de interfaces de busca alinhadas com as tecnologias da Web 2.0.
Santos e Andrade (2008) relacionam que as mudanças trazidas pela sociedade do
conhecimento para as bibliotecas universitárias oferecem possibilidades de crescimento e
melhorias da oferta de produtos e serviços, por causa das tecnologias da informação, as quais
permintem agilidade na produção e disseminação do conhecimento com ampliação nas
possibilidades de acesso e interação por parte de produtores e consumidores de informação.
Costa (2007) apresenta uma alternativa para promover a generalização do acesso à
sociedade da informação e do conhecimento: a dos consórcios entre instituições. A autora
apresenta o projeto Biblioteca do Conhecimento on-line (b-on), que é um consorcio do qual
varias instituições fazem parte e por meio do qual estas têm acesso a conteúdos como artigos
de periódicos e e-books. Segundo a autora, esse tipo de negociação e aquisição proporciona a
facilitação a artigos em texto integral de um conjunto relevante de publicações científicas,
publicadas por editoras e titulares de bases de dados internacionais, explorando economias de
escala possibilitadas pela compra centralizada de conteúdos.

5. Conclusão
A partir da década de 70, têm ocorrido grandes transformações nas formas de
produção de bens e serviços. Antes desse período, os modelos existentes serviam para
maximizar a produção e o lucro nas fábricas: deixando o bem estar do trabalhador era deixado
de lado e a este era sugerindo que deixasse de pensar para executar suas tarefas. Com a
desvalorização do trabalhador, os modelos de produção entraram em crise, mudando a forma
de se produzir e até mesmo de se relacionar com os operários.
Juntamente com as mudanças na forma de produção e consumo, decorrentes da
criação do toyotismo, houve o avanço das tecnologias da informação e comunicação. Assim,
foram criadas novas formas de organização do trabalho, com novas exigências para o
trabalhador. O capital humano passou a ter mais valor que os ativos físicos. As habilidades do
trabalhador passaram a ser consideradas para a execução do seu trabalho. A informação e o
conhecimento tornam-se fontes de riqueza para as organizações. Com isso, passaram, a ser
criadas novas exigências de capital humano, que demandam formação de nível superior,
acesso à cultura e ao conhecimento. O ser humano (trabalhador), que, durante o período
fordista/taylorista, não precisava pensar, a partir de então, viu-se obrigado a buscar
conhecimento, ter habilidades e mostrar resultados.
Com as novas exigências de capital humano, houve um crescimento do número de
instituições de ensino superior e também do número de ingressantes. Inseridas neste contexto,
as bibliotecas da IES tornaram-se fontes imprescindíveis para o ensino, pesquisa, preservação
e construção de conhecimento. O avanço das tecnologias e a mudança no perfil do usuário
representam um ponto de partida para a criação de uma nova biblioteca universitária, voltada
para o virtual e digital.
A biblioteca universitária, na sociedade do conhecimento, na era da informação, está
voltada também para o ciberespaço e para o virtual, pois o avanço das tecnologias gerou essa
exigência. Com isso, o perfil do usuário também mudou, passando a ser mais autônomo,
proativo e com melhor domínio das tecnologias.
Para que a biblioteca se adapte a essa nova sociedade, voltada para a informação e o
conhecimento, e para que esta garanta informação científica acadêmica de qualidade com
acessibilidade, é necessário fazer uso de mais conteúdos virtuais e digitais com alinhamento
das tecnologias da web 2.0.

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O consórcio entre instituições desponta como uma importante alternativa para as IES,
uma vez que tal recurso possibilitará um melhor acesso a mais conteúdos virtuais e digitais a
um custo mais acessível.

6. Referencias
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São Paulo: Boitempo, 2002.

BRAZ. M. Capitalismo, crise e lutas de classes contemporâneas: questões e polêmicas. Serv.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O presente artigo cotextualiza as mudanças nas relações econômicas, sociais, de trabalho e organizacionais que ocorreram a partir da crise gerada pela implantação dos modelos taylorista e fordista. Aborda algumas questões relacionadas às novas exigências quanto ao emprego do capital humano, dentre as quais a da necessidade de o trabalhador investir mais em formação de nível superior para aquisição de conhecimento. A biblioteca universitária está inserida como mediadora no processo de formação e é influenciada pelas novas tecnologias da informação. A questão central deste artigo está focada no entendimento quanto ao papel da biblioteca universitária nessa nova sociedade do conhecimento e à sua relação com as tecnologias.</text>
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                    <text>SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E MÍDIAS SOCIAIS: o papel das
bibliotecas e dos bibliotecários do Instituto Federal Goiano
Johnathan Pereira Alves Diniz (IF Goiano) - johnathan.diniz@ifgoiano.edu.br
Resumo:
Aborda o surgimento da Sociedade da Informação, bem como as transformações e avanços na
comunicação que este movimento trouxe às sociedades globais. Procura-se verificar o papel
que a informação tem na sociedade e as principais mudanças de modo de vida em geral.
Dentro deste contexto, enfatiza-se qual seria o papel das bibliotecas e dos bibliotecários do
Instituto Federal Goiano (IF Goiano) no processo de ação cultural. O intuito é verificar como
as bibliotecas e os bibliotecários do IF Goiano estão usando as mídias sociais para interagir
com a comunidade escolar e acadêmica, promovendo a visibilidade de suas ações nesses meios
de comunicação. Os produtos e serviços criados, e os que poderão surgir, a partir dessas
experiências e os relatos de usos de mídias sociais com maior frequência pelas bibliotecas e
pelos os usuários, como recurso estratégico na comunicação e na melhoria de produtos e
serviços, observando suas vantagens, dificuldades de manutenção e o que agrega ao papel de
agentes culturais que as bibliotecas naturalmente possuem. Pretende-se analisar a estrutura e
a dinâmica das práticas culturais em bibliotecas, e sua inserção no novo contexto
informacional. Todos esses aspectos são analisados numa abordagem bibliográfica e de
campo, sob o olhar biblioteconômico.
Palavras-chave: Sociedade da Informação. Mídias sociais. Práticas culturais em bibliotecas.
IF Goiano.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Compreender a sociedade da informação não é tarefa fácil, para isto é preciso
contextualizar os aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais das nações, para entender
o impacto que a Sociedade da Informação pode ganhar. O conceito de Sociedade da
Informação adquiriu importância em escala mundial, fundamentado na crença de que sua
consolidação favorece a integração global. A Sociedade da Informação também pode ser
definida como um estágio do desenvolvimento social caracterizado pela capacidade de
cidadãos, empresas e administração pública – obter, difundir e compartilhar informação, de
forma simultânea e imediata.
Em que pese à globalidade implícita no conceito "Sociedade da Informação", deve-se
levar em conta que cada país apresenta suas próprias particularidades em aspectos tão
variados como o da economia, da sociedade, da geografia e da cultura.
Por isso é imprescindível que o desenvolvimento da Sociedade da Informação se
adapte às particularidades de cada um, respeitando-as e até mesmo potencializando-as. À
medida que esse desenvolvimento avance, essas diferenças tenderão a se reduzir como
consequência da globalização, ocasionando uma convergência entre todos os modelos em
longo prazo.
Diante desse cenário de globalidade e uso de tecnologias da informação e
comunicação cada vez mais frequentes, teve-se o anseio de investigar o papel das bibliotecas
e dos bibliotecários do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), e suas respectivas práticas
culturais, no processo de integração da sociedade nessa ênfase de informação, posto às novas
formas de comunicação, as ditas mídias socais.
O IF Goiano é uma instituição federal de ensino, ligada ao Ministério da Educação
(MEC) e oferece cursos técnicos, de nível médio até a pós-graduação (mestrados e
doutorados). A instituição possui campus no interior do Estado de Goiás, tendo somente a
Reitoria (órgão administrativo) na capital. No contexto da dinâmica dos Institutos Federais, as
bibliotecas tem ganhado um novo papel, pois são unidades híbridas, que atendem a
praticamente todos os níveis de ensino e a comunidade em geral. Por isso estas unidades não
podem ficar mais isoladas e estáticas, pois mais importante que priorizar o desenvolvimento
do acervo, é promover a capacidade do usuário no acesso a informação e produção de novos
conhecimentos.
Inicialmente será feita uma contextualização sobre o que é Sociedade da informação,
enfocando a sociedade, o Estado e a cultura na integração de redes para a comunicação da
informação. Serão abordados, também, os papéis dos das bibliotecas e dos bibliotecários do
IF Goiano no desenvolvimento de práticas e ações culturais que podem ser desenvolvidas em
ambiente rede, com foco na comunidade escolar e acadêmica. Será dado enfoque as
habilidades e competências do profissional bibliotecário e os meios socioeconômicos que
podem ser utilizados no desenvolvimento de praticas culturais dessas unidades.
A ação cultural não se limita somente a disponibilização dos bens culturais, outrossim,
deve possibilitar a participação e a criação de novos bens culturais e conhecimento. As
bibliotecas devem proporcionar um ambiente para que o usuário se pronuncie, no sentido de
opinar, formular e criar.
Por quais meios às bibliotecas possam oferecer seus serviços e produtos e como os
bibliotecários devem preparar essas condições fornecendo recursos, utilizando as mídias
sociais, na qual seu público-alvo possa explorar e expressar suas capacidades criadoras e
disseminá-las em seu círculo de amizades.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

2 Revisão de literatura
São muitas as percepções dadas por estudiosos para se entender melhor a Sociedade da
Informação. Um das percepções mais interessantes é a que situa a Sociedade da informação
como o terceiro elo do estágio de evolução da sociedade moderna. O primeiro salto
qualitativo foi o da revolução industrial, que permitiu a aquisição de bens de consumo. O
segundo passo foi o pós-industrial, com a oferta de serviços. Finalmente, chegamos à fase da
Sociedade da Informação, que por intermédio da tecnologia facilita o processo comunicativo e
disponibiliza o acesso e a troca de informação e de conhecimento.
Os choques entre culturas e difusão dos meios de comunicação e informação
impulsionaram o mundo a direcionar para um novo modelo de organização, no qual o
controle e a melhoria dos processos industriais eram substituídos pelo processamento e
manejo da informação como ‘chave’ econômica. Iniciava-se assim, a globalização, um dos
principais elementos que constituem a Sociedade da Informação.
Segundo Pepulin (2001, p.2) à medida que os primeiros obstáculos, físicos e
geográficos foram eliminados, a informação começou a ganhar ‘peso’ e valor. O valor
econômico da informação parte do pressuposto de que a informação gera conhecimento e
esse, quando acumulado, possibilita a produção científica e tecnológica responsável pela
geração de bens e serviços. Por isso a Sociedade da informação é pautada na importância em
saber como tratar a informação para seu usuário, dentro de um processo comunicativo
eficiente.
Como enfatiza Pereira (2013 apud KAPLAN 1993), a comunicação é um elemento
estratégico que permeia as ações e favorece o alcance dos objetivos das instituições e
organizações. Uma boa comunicação consiste na emissão e recepção de informações junto ao
público-alvo. Essa é a premissa básica da Sociedade da Informação.
O conceito de Sociedade da Informação, ainda, não é bastante claro para a maioria das
pessoas. Uma das possíveis razões é a utilização de uma expressão similar denominada
inclusão digital que é empregada como divulgação da Sociedade da Informação entre as
classes menos favorecidas.
Sociedade da Informação é denominada por Telefônica (2003) como “um estágio de
desenvolvimento social caracterizado pela capacidade de seus membros (cidadãos, empresas e
administração pública), de obter e compartilhar qualquer informação, instantaneamente de
qualquer lugar e da maneira mais adequada”.
Tarapanoff (1999, p. 28) define como:

Assim:

Uma sociedade que surge, com nova estrutura, novos canais de comunicação, novas
formas de atuação social e de trabalho. Muda a estrutura de poder, as instituições e
nova cultura e comportamento se instalam compreendidos e assimilados, de forma
mais completa com maior interesse e de forma mais intuitiva pela nova geração.

Rapidamente nos adaptamos a essas novidades e passamos a viver na sociedade da
informação, uma via em que a informação flui a velocidades e em quantidades há
apenas poucos anos inimagináveis, assumindo valores sociais e econômicos
fundamentais (TAKAHASHI (org.), 2000 p. 3).

O cenário mundial sofreu transformações sociais, políticas e econômicas. Portanto “as
mudanças sociais são tão drásticas quanto o processo de transformação tecnológica e
econômica” (CASTELLS, 2010 p.40).
A Sociedade da informação caracteriza-se especialmente pelo o acesso ilimitado a
informação. A sociedade deste período, como afirma Castells (2010), recebe vários tipos de

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informações, culturas, modos de vida graças às novas Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC) que estão interagindo com o mundo interligado em redes globais e
instrumentalidade.
A consequência do surgimento de uma sociedade em rede originou um termo
denominado por Castells (2010) de “aldeia global”. Como o próprio nome já diz se trata de
um lugar onde a sociedade capta as informações do mundo e as envia para outras sociedades,
criando redes de relacionamentos e difundidos culturas e costumes antes restritos àquela
região. As pessoas dessa aldeia global podem estabelecer contatos no mundo inteiro com a
mesma facilidade dos contatos com os vizinhos de sua mesma localidade. As relações
comunicativas entre as pessoas de diferentes etnias, crenças, costumes se tornou um ponto
estratégico para a globalização.
As redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada integrando
novos “nós”, desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, compartilhem os
mesmos códigos de comunicação. Castells (2010, p. 566) afirma que:
Redes são instrumentos apropriados para a economia capitalista, baseada na
inovação, globalização e concentração descentralizada; para o trabalho e
trabalhadores e empresas voltadas para a flexibilidade e adaptabilidade para uma
cultura de desconstrução e reconstrução continuas.

O princípio da Rede é englobar todos os indivíduos e sociedades para que estas
interajam uma com as outras, obtendo informações e consequentemente, produzindo
conhecimento.
A sociedade em rede representa uma transformação qualitativa da experiência
humana, pois o conhecimento hoje é sinônimo de poder. Uma nação se desenvolve pelo fato
de ter capacidade de coletar, distribuir, processar informações e também agir com base nelas.
Dentro desse contexto temos de um lado, o bibliotecário, um dinamizador preocupado
em recuperar e armazenar a informação em qualquer tipo de suporte e, do outro lado, temos a
Sociedade da Informação, fruto da produção de conhecimento, um ato contínuo e dinâmico
inerente ao ser humano. O bibliotecário teve que redefinir seu perfil profissional na Sociedade
da informação, transformando-o assim em gestor da informação.
Davenport (2001) afirma que a gestão da informação é um conjunto estruturado de
atividades que incluem o modo como às instituições produzem, obtêm, distribuem e usam a
informação, tendo a tecnologia como facilitador do processo. O bibliotecário gerencia a
informação e não mais se apega ao documento físico, no caso o livro. Consequentemente a
biblioteca viu-se redefinida não como um lugar (como estaria a sugerir a sua etimologia), mas
como um serviço de informação integrado em redes e sistemas de informação a partir da
experiência de cooperação desenvolvida e graças às tecnologias impostas na montagem de sua
infraestrutura (MIRANDA, 2003 p.52).
As TIC afetam as bibliotecas, dinamizando as formas de trabalho e inserindo os
conteúdos em novos contextos interdisciplinares. Evidencia-se, o real objetivo das TIC, que é
gerenciar o uso do “objeto transformador”: a informação. A informação e o conhecimento são
elementos essenciais em um mundo cada vez mais conectado, pois permitem novos padrões e
possibilidades de comunicação. Entre elas, destacam-se as mídias sociais, agregando ainda
mais valor ao conteúdo informacional desejado, devido às possibilidades de suporte e de
transmissão desta informação.
Telles (2010) afirma que mídias sociais são “Ferramentas online que são usadas para
divulgar conteúdo ao mesmo tempo em que permitem alguma relação com outras pessoas”.
Nesta perspectiva, é possível afirmar que as mídias sociais têm um sentido mais amplo, sendo
ferramentas de interação social, e que tem como base pessoas que se juntam e interagem por
alguma razão onde é possível a produção de conteúdo descentralizado.

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A adoção das mídias sociais entre os usuários têm surgido, nos últimos anos, como a grande
novidade para bibliotecas e bibliotecários que, aos poucos, se aproximam e se apropriam
destas ferramentas. Aranalde (2005) destaca uma nova realidade cultural, onde a cultura
escrita cede lugar à cultura digital. Nesta realidade, o bibliotecário deve se adaptar a esta nova
exigência, desenvolvendo novas competências, responsabilidades e habilidades.
A cultura digital cria imperativos de adaptabilidade e de capacidade de
transformação e enfatiza um começar de novo a cada instante. Tal cultura tem como
consequência a característica mais marcante da sociedade de informação, a saber, a
ausência de comprometimento a longo prazo. Assim, temos que a rapidez e a
flexibilidade acabam ultrapassando os limites de sua aplicação ao campo da
tecnologia, sendo inseridas como imperativos de ação. Desse modo, mesmo no
âmbito das relações humanas, a flexibilidade é a nova ordem frente à rapidez com
que as mudanças se processam. Entretanto, isso é um caminho de duas vias, pois a
exigência por flexibilidade acaba acelerando os processos de mudança
(ARANALDE, 2005, p. 342).

A busca crescente de respostas aos processos de interação e adaptação as novas TIC,
tem despertado a preocupação de organizações de ensino, no que se refere à conectividade das
instituições com o seu público, utilizando as mídias sociais. Os Institutos Federais de
Educação, Ciência e Tecnologia, inseridos na rede federal de educação profissional, científica
e tecnológica e vinculados ao Ministério da Educação (MEC), representam os anseios locais e
regionais da população brasileira, estão distribuídos por todo o território brasileiro, funcionam
em estrutura multicampi e oferecem cursos de educação básica, profissional e de educação
superior (BRASIL, 2008). Foram criados por meio da Lei Federal nº 11.892 de 28 de
dezembro de 2008. Dentro dessa Rede, se constituiu o Instituto Federal Goiano (IF Goiano),
juntamente com outros 37 (trinta e sete) Institutos Federais.
As bibliotecas, neste contexto, atuam como agentes fundamentais na concretização da
missão dos Institutos Federais (IF's), atendendo plenamente às necessidades de seus diferentes
tipos de público, e reforçando a ideia de ensino público de qualidade. Por isso as bibliotecas, e
consequentemente, os bibliotecários têm papel importante na promoção e desenvolvimento da
cultura.
Para que as bibliotecas possam ser referência dentro da instituição de ensino, é
necessário construir meios de preservação, conservação e divulgação desses novos
conhecimentos e de Patrimônio Cultural, seja ele tangível ou intangível, se apropriando das
mídias sociais e estas possibilitem novas criações, despertando o interesse pelos usuários que
frequentam estas unidades, deixando de serem apenas lugares de rede de Internet com wifi
gratuito

3 Materiais e métodos
Para estudar o tema proposto neste artigo, foi realizado um levantamento de dados de
variadas fontes. Esse material-fonte geral foi útil não só por trazer conhecimentos ao campo
de interesse, como também delimitar o objeto a ser estudado. Para determinar quais
procedimentos seguir, é necessário o pesquisador possuir métodos de pesquisa que satisfaçam
seus reais objetivos. Um método de pesquisa é o conjunto das atividades sistemáticas e
racionais que com maior segurança e economia, permite ao pesquisador alcançar o objetivo,
detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.
A metodologia utilizada no estudo se baseou no método qualitativo, pois “permite ao
pesquisador estar próximo aos dados, desenvolvendo de outra forma, os componentes
analíticos, conceituais e categóricos da explicação a partir dos próprios dados” (BRENNER
apud SOUZA, 1989).

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Com uma contribuição às tentativas de fazer distinção entre os termos, podemos dizer
que o método se caracteriza por uma abordagem mais ampla (abstrata) ou mais restrita
(concreta). Para este estudo foi empregado uma abordagem restrita, baseada em fatos reais e
verídicos. Esta abordagem também é denominada de método de procedimento. Um método de
procedimento constitui uma etapa mais concreta da investigação, “com finalidade mais
restrita em termos de explicação geral dos fenômenos menos abstratos. Pressupõem-se uma
atitude concreta em relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular”
(LAKATOS; MARCONI, 2010 p. 204).
Um método de procedimento está intimamente ligado às Ciências Sociais, que
estudam fatos concretos para explicar a existência dos fenômenos. Existem diversos métodos
de procedimento aplicados às Ciências Sociais. Para este estudo será usado o método de
procedimento estruturalista que “caminha do concreto para o abstrato e vice e versa,
dispondo, na segunda etapa, de um modelo para analisar a realidade concreta dos diversos
fenômenos” (LAKATOS; MARCONI, 2010 p. 93).
Nesse caso, o concreto são as práticas culturais das bibliotecas e dos bibliotecários do
IF Goiano podem oferecer aos seus usuários potenciais (as comunidades escolar e acadêmica).
O termo abstrato seria de que forma as mídias sociais seriam agregadas a prática cultural das
bibliotecas, e dos bibliotecários, na promoção de produtos e serviços disponibilizados pelos
mesmos.
Assim a pergunta a ser respondida foi: investigar o papel das bibliotecas e dos
bibliotecários do Instituto Federal Goiano, como agentes culturais, frente às TIC, em um
mundo cada vez mais globalizado e conectado pelas mídias sociais na era da Sociedade da
Informação.
A pesquisa foi realizada, no intuito de verificar o perfil dos bibliotecários, como
agentes culturais, das bibliotecas como centros de promoção de ação cultural e da comunidade
como ela vê o papel da biblioteca nesse processo de difusão cultural por meio das mídias
sociais. Portanto o estudo abordou as bibliotecas do IF Goiano nos contextos educacional,
científico e cultural e o seu papel cultural dinamizador nas novas formas de comunicação.

4 Resultados parciais/finais
A partir dos procedimentos adotados, será apresentada a análise dos dados e sua
interpretação a guisa da compreensão dos questionamentos que fundamentaram este estudo.
Com o advento de novos aparatos tecnológicos, cada vez presentes na sociedade, permitindo a
internacionalização e a globalização da informação, encurtando distâncias ao acesso a
informação favoreceu a ocorrência de nos hábitos e padrões culturais.
As bibliotecas do IF Goiano estão interligadas em formato de Sistema Integrado de
Bibliotecas (SIBI). O SIBI tem como objetivo, atender as necessidades e demandas da
comunidade do IF Goiano e assessorar as bibliotecas dos campi, a fim de estabelecer
condições e procedimentos para a utilização dos serviços, materiais e instalações, de forma a
garantir o perfeito funcionamento de suas atividades e a qualidade do acervo e dos serviços
oferecidos, com foco no atendimento aos usuários.
O Sistema atualmente possui contas nas principais redes socais (Facebook, Instagram
e Twitter), porém a atuação das bibliotecas nas redes sociais é pequena, sendo que o número
de seguidores das redes sociais representa cerca de quinze por cento (15%) dos usuários
efetivos das bibliotecas do IF Goiano.
Referindo-se aos benefícios observados pelo uso das mídias sociais nas bibliotecas
apontam benefícios na utilização das Redes, entre os benefícios destacam-se as seguintes
vantagens:

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•
•
•
•
•

Aumento na interação com o usuário;
Maior nível de informação sobre a biblioteca por parte dos usuários;
Facilidade na divulgação de serviços e notícias;
Comunicação em tempo real entre biblioteca e usuários;
Aumento no compartilhamento de informações.

Observando ainda o fator central de comunicação propiciado pelas mídias sociais, foi
apontado que a divulgação dos serviços das bibliotecas do SIBI é escasso e pouco divulgado,
apesar de haver constantes postagens na rede social Facebook, elas só replicam notícias de
outras páginas e ocasionalmente produz conteúdo próprio, o que impede do usuário conhecer
os serviços disponíveis de cada biblioteca. A criação dos perfis do SIBI nas mídias sociais foi
uma alternativa que as bibliotecas vislumbraram para manterem-se atuantes, participativas e
com um processo de comunicação ativo com seus usuários em potencial.
Referindo-se aos tipos de informações a fan page do SIBI veiculou no Facebook
observou-se que:
•
•
•
•
•

Em geral circulam novidades sobre o SIBI como um todo;
Circulam informações sobre notícias oriundas de outros perfis e páginas;
As informações sobre eventos e ações que acontecem na biblioteca também são
disseminadas;
Raramente circulam informações sobre funcionamento, regras e horários;
Apresenta informações sobre eventos na área de Biblioteconomia e da própria
Instituição.

No entanto, o total de seguidores da fan page ainda é pequeno, se comparado som
outras páginas destinada aos estudantes e servidores do IF Goiano. Atualmente a página é
controlada pela maioria dos bibliotecários da instituição, porém devido ao acúmulo de
trabalho nas bibliotecas, muitas vezes a página na rede social Facebook fica vários dias sem
qualquer movimentação, o que ocasiona o movimento de debandada de seguidores o que
impede a promoção das atividades e a interação com o usuário.
O que se pretende ressaltar é que o novo contexto da Internet pode ser utilizado como
ferramenta pelo bibliotecário na prática cultural. Esses ambientes de personalização e
colaboração, criado e mantido por comunidades de indivíduos compartilhando interesse
comum, é um campo que pode ser explorado pelo profissional da informação, tanto no
tratamento e organização da informação, como projetando novas interfaces de navegação com
caráter dinâmico e colaborativo, tornando-a um veículo de expressão e valores culturais.
É necessária a visão crítica por parte dos bibliotecários, para que o mesmo possa
oferecer possibilidades individuais de criação e difusão da informação, expandir as
possibilidades individuais, e ao mesmo tempo não interferir nesse processo, e sim trabalhar
como mediador da informação. As bibliotecas precisam abrir a interação com o usuário,
sendo localmente na biblioteca, seja nas mídias sociais. A informatização de bibliotecas vai
muito além do simples catálogo online, vai à criação de produtos e serviços eficientes e na
promoção da leitura, seja em que plataforma for, visando à disseminação de informação e
produção de conhecimento.
Contudo nessa constatação, será preciso investigar a fundo o papel cultural dos
bibliotecários, mapeando as necessidades de leituras dos usuários, para isso essa pesquisa se
transformará em uma dissertação de mestrado que abrangerá elementos cruciais que apontarão
caminhos pelos quais as bibliotecas e bibliotecários do IF Goiano vão trilhar, como agentes
culturais, na promoção da leitura em um ambiente mediado pelas mídias sociais e
tradicionais.

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5 Considerações parciais/finais
Conforme discutido, a ação cultural não se limita a disponibilização de informação, só
isso não é suficiente, os bibliotecários devem trabalhar essa informação com objetivo de gerar
novos conhecimentos, criar oportunidades e apresentar caminhos para que os envolvidos
reflitam e sejam capazes de criar conclusões e gerar novos conhecimentos.
Outro ponto abordado, de grande importância, é a necessidade de o profissional criar
parcerias, ter uma Política Cultural bem definida, pois vemos que a prática cultural, tem
caráter transformador na sociedade, tanto no desenvolvimento econômico como aspectos
sociais. práticas culturais, combinando representações, mapeamentos e interfaces que
promovam a interatividade e o processo de criação do indivíduo.
Ao adotar o marketing cultural em bibliotecas, os bibliotecários deve atentar-se que o
usuário é encarado como consumidor de informação, o objeto cultural se torna, no entanto um
produto cultural. Nesse caso, o foco está no desejo e a necessidade do usuário, e a partir disso,
irá orientar o produto cultural para suprir essa necessidade.
Em relação às mídias sociais, constata-se que no IF Goiano existe uma iniciativa de
manter um diálogo com usuários, utilizando as mídias sociais, porém estas ainda não fazem
parte da paisagem das bibliotecas, considerando-se o baixo percentual de bibliotecas que as
utilizam.
Contudo, tanto no que se refere à construção dos ambientes virtuais, quanto aos efeitos
da presença das ferramentas colaborativas nas bibliotecas para os serviços realizados por estas
– quer sejam voltados para a organização da informação quer para o atendimento das
demandas informacionais dos usuários – aponta-se para a necessidade de estudos qualitativos.
Nesse sentido, para além de saber se as bibliotecas estão presentes no ambiente de
rede ou se utilizam as mídias sociais, é necessário o desenvolvimento de pesquisas que visem
investigar quais tem sido os usos e as apropriações que bibliotecas e demais equipamentos
informacionais vêm fazendo dessas ferramentas e dos ambientes virtuais.
Para tanto esse artigo se transformará em Projeto de Pesquisa para que seja submetido
a um curso de Mestrado para que possa investigar com maior amplitude o real papel dos
bibliotecários e das bibliotecas, como agentes culturais. Para isso o foco recairá nos usuários,
neles serão feitos mapeamentos sobre suas necessidades e anseios, para depois retornar às
bibliotecas e avaliar as reais potencialidades que os agentes culturais natos possam oferecer a
seus usuários.

6 Referências
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Questão, Porto Alegre, v. 11, n. 2, p. 337-368, jul./dez. 2005.
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Tecnologia, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília-DF, 30 dez. 2008b.
Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11892.htm.&gt;
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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

8

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Aborda o surgimento da Sociedade da Informação, bem como as transformações e avanços na comunicação que este movimento trouxe às sociedades globais. Procura-se verificar o papel que a informação tem na sociedade e as principais mudanças de modo de vida em geral. Dentro deste contexto, enfatiza-se qual seria o papel das bibliotecas e dos bibliotecários do Instituto Federal Goiano (IF Goiano) no processo de ação cultural. O intuito é verificar como as bibliotecas e os bibliotecários do IF Goiano estão usando as mídias sociais para interagir com a comunidade escolar e acadêmica, promovendo a visibilidade de suas ações nesses meios de comunicação. Os produtos e serviços criados, e os que poderão surgir, a partir dessas experiências e os relatos de usos de mídias sociais com maior frequência pelas bibliotecas e pelos os usuários, como recurso estratégico na comunicação e na melhoria de produtos e serviços, observando suas vantagens, dificuldades de manutenção e o que agrega ao papel de agentes culturais que as bibliotecas naturalmente possuem. Pretende-se analisar a estrutura e a dinâmica das práticas culturais em bibliotecas, e sua inserção no novo contexto informacional. Todos esses aspectos são analisados numa abordagem bibliográfica e de campo, sob o olhar biblioteconômico.</text>
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                    <text>Sistema Inteligente de Indexação Automática de Ofícios do
Departamento de Computação da UFVJM
Aline Pereira da Costa (UFJF) - alinenovaera@gmail.com
Victor Oliveira Almeida (UFVJM) - victor.almeida.ti@gmail.com
Cristiano Grijó Pitangui (UFSJ) - pitangui.cristiano@gmail.com
Alessandro Vivas Andrade (UFVJM) - prof.alessandrovivas@gmail.com
Luciana Pereira Assis (UFVJM) - lupassis@gmail.com
Resumo:
Este projeto tem por objetivo sanar uma deficiência do Departamento de Computação da
UFVJM – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Tal Departamento não
possui um local tanto físico quanto digital para armazenar seus ofícios. A falta de uma
organização eficiente e padronizada destes ofícios inviabiliza o acesso aos documentos e
dispende muito tempo na localização e recuperação da informação, podendo trazer grandes
prejuízos para a instituição. Visando solucionar o problema de
recuperação e organização das informações contidas nos ofícios, propõe-se a criação de um
Sistema Inteligente de Indexação Automática utilizando um vocabulário controlado, tesauro,
para que seja possível localizar com rapidez o ofício desejado. É importante que o sistema
esteja em ambiente virtual para que o acesso seja democratizado e o processo de tratamento
de novos ofícios seja automatizado. O projeto permeia o espaço de 2011 a 2014, totalizando
239 ofícios, sendo estes a base para a criação do tesauro. Sendo positiva a implementação do
projeto, sugere-se que os demais departamentos da UFVJM utilizem o mesmo sistema para
organização dos seus documentos, ganhando agilidade nos processos e satisfação do usuário
final na localização do que procura.
Palavras-chave: Vocabulário Controlado 1. Tesauro 2. Sistema Inteligente 3. Indexação 4.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Preservação de acervos digitais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Diante do conceito de informação, faz-se necessário delimitar o contexto de sua
aplicação para utilizá-la de maneira mais adequada. A proposta deste estudo trata da
informação que se localiza em ambiente administrativo e organizacional. Rousseau e Couture
(1998) consideram que a informação deve ser tratada, numa empresa, como um recurso tão
importante quanto os recursos humanos, materiais ou financeiros
Essas informações aliadas às novas tecnologias assumiram um papel importante no
compartilhamento do conhecimento. Trata-se de grandes volumes de informação e
conhecimento, que são utilizados e compartilhados por inúmeras pessoas ao mesmo tempo.
Em uma instituição pública, grande parte da informação gerada são correspondências oficiais
denominadas ofícios. Entende-se por ofício uma correspondência oficial, enviada
normalmente a funcionários ou autoridades públicas. É o tipo mais comum de
correspondência oficial expedido por órgãos públicos. Seu destinatário pode ser outro órgão
público, como particular.
Este trabalho tem o objetivo de, através do uso de vocabulário controlado, criar um
Sistema Inteligente de Indexação Automática para localização dos ofícios do Departamento de
Computação da UFVJM – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Os
ofícios recebidos e expedidos neste departamento discorrem sobre solicitações, deferimentos,
aquisições e diversas outras ações e recomendações importantes para o andamento das rotinas
e processos desenvolvidos no departamento.
Para que este projeto fosse desenvolvido, foi necessário lidar com o controle do
significado das palavras e escolher os melhores termos para a construção do vocabulário
controlado. Este processo é tecnicamente chamado de indexação que, segundo a NBR 12676,
é: “o ato de identificar e descrever o conteúdo de um documento com termos representativos
dos seus assuntos e que constituem uma linguagem de indexação”.
A indexação possui como finalidade principal traduzir a linguagem natural utilizada
pelos usuários para uma linguagem documental padronizada, aumentando a eficiência na
entrada de dados no sistema e a recuperação da informação.
Espera-se que com a conclusão do projeto, o usuário final tenha acesso aos ofícios do
Departamento de Computação da UFVJM e que consiga localizar o que necessita com
agilidade na hora da busca.
Este trabalho se organiza como segue. A seção atual, a introdução, apresenta e justifica
os objetivos do projeto. A segunda seção apresenta uma revisão da literatura e expõe os
fundamentos teóricos nos quais este trabalho se baseia. A terceira seção descreve a
metodologia utilizada na execução do trabalho. A quarta seção apresenta os resultados parciais
já alcançados. Finalmente, a última seção, indica os próximos passos a serem seguidos
visando a implantação completa do sistema.
1.1 Justificativa
Identificou-se que o Departamento de Computação da UFVJM não possui um local
onde seja possível pesquisar os ofícios já expedidos. Quando há uma determinada demanda
em localizar um ofício, recorre-se a e-mails enviados ou a alguma pasta arquivada no
computador ou fisicamente - o que dispende muito tempo na busca. Surgiu então, a
necessidade de procurar uma solução para este problema: arquivar os ofícios de uma forma
que seja mais fácil e mais rápida sua recuperação.
Para sanar tal deficiência na busca pelos ofícios, propõe-se o desenvolvimento de um
tesauro, tipo de vocabulário controlado. Vocabulário controlado é definido por Naves (2004,
p. 10-11), “como um tipo de linguagem artificial. Esta é construída cuidadosamente, através

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

do processo minucioso da escolha dos termos a serem usados, o significado de cada um e as
relações que apresentam.”. O tesauro servirá como base para uma indexação automática dos
documentos e, assim, classificar os ofícios, de tal maneira que o usuário localize o que
procura.
Após a construção do vocabulário controlado, será necessário indexar os ofícios
utilizando os termos definidos no tesauro.
Segundo Lancaster (2004, p. 84) a prioridade da indexação precisa ser o usuário final,
pois:
a indexação de assuntos é normalmente feita visando a atender às
necessidades de determinada clientela, ou seja, é preciso que se tome
uma decisão não somente quanto ao que é tratado no documento, mas
que por ele se reveste de provável interesse para determinado grupo de
usuários. (LANCASTER, 2004, p. 84).
A necessidade de informação do indivíduo é expressa no momento da busca. Este
processo pela busca da informação é cíclico: digamos que um usuário está em um centro de
informação (biblioteca, arquivo) e necessita de uma informação. Ele então irá procurar o
especialista da informação, um bibliotecário, por exemplo, e diante do diálogo entre os dois,
será feito um pedido, uma solicitação do usuário, para o bibliotecário do que ele deseja.
Diante deste pedido, o especialista da informação prepara uma estratégia de busca, utilizando
para isso os termos da indexação. A estratégia de busca será então confrontada em uma Base
de Dados. Após a busca, alguns itens serão recuperados. O especialista da informação fará
uma filtragem e apresentará ao solicitante somente as informações pertinentes ao seu pedido.
Tal ciclo é representado na Figura 1.

Figura 1 – Fatores que influem nos resultados de uma busca pela informação
em uma Base de Dados

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O grande desafio para a gestão documental e do conhecimento nas empresas é,
corroborando com Araújo (2006, p. 62), estabelecer métodos que ofereçam ao usuário
“documentos que sejam realmente relevantes para ele, que contribuam para satisfazer suas
necessidades de pesquisa e, desse modo, a construção do conhecimento” de forma eficiente e
rápida, diminuindo o gasto de recursos e tempo. Neste contexto, elaborar eficientes políticas
de indexação e um sistema de recuperação são imprescindíveis para o sucesso da gestão da
informação no meio organizacional.
Com o intuito de otimizar o acesso, a busca e a recuperação da informação, propõe-se
neste trabalho um Sistema Inteligente de recuperação de informação que utilize um
vocabulário controlado elaborado através do conjunto representativo dos ofícios do
Departamento de Computação da UFVJM, emitidos no período de 2011 a 2014.
1.2 Objetivo geral
Propor a criação de um Sistema Inteligente de Indexação Automática, através do uso
de vocabulário controlado, para localização dos ofícios do Departamento de Computação da
UFVJM.
1.3 Objetivos específicos
 Construir um tesauro como instrumento base para a indexação automática do sistema;
 Propor um método de ranqueamento dos ofícios, para que a busca retorne em primeiro
lugar o que o usuário solicita.

 Criação de um Sistema Inteligente de Indexação Automática online para implementar
o objetivo específico acima citado e armazenar/recuperar os ofícios.

2 Revisão de literatura
Para que este projeto fosse desenvolvido, foi necessário lidar com o controle do
significado das palavras para uma futura recuperação dos termos para a construção do
vocabulário controlado.
O vocabulário controlado é um instrumento que através de termos previamente
determinados, isto é, uma linguagem padronizada, permite a representação e a recuperação de
documentos. Segundo (SOUZA, 2010), os vocabulários controlados são:
utilizados desde 1950 principalmente nas agências dos governos dos Estados Unidos
e dos países da Europa com o objetivo de gerenciar melhor a explosão do
conhecimento registrado na literatura científica e tecnológica de áreas
especializadas. (Souza, 2010).

Existem diferentes tipos de vocabulários controlados como mostra a Figura 2. São
eles: lista, anel de sinônimo, taxonomia e tesauro. O direcionamento da régua mostra um
aumento da complexidade das estruturas existentes. Essa complexidade é determinada pelas
formas de relacionamentos que cada tipo de vocabulário possui.

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Figura 2 – Crescimento estrutural da complexidade
entre tipos de Vocabulário Controlado
Observando-se a Figura 2, percebe-se que taxonomia e o tesauro são os tipos mais
complexos, enquanto que a lista e o anel de sinônimos são mais simples. Enquanto o tesauro
possui vários tipos de controles e relacionamentos em sua estrutura de termos, tais como
ambiguidade, sinonímia, relações hierárquicas e associativas, a lista considerada simples, é
uma lista de palavras em ordem alfabética ou em outra lógica evidente, sem nenhum outro
tipo de controle ou relacionamento. Segundo a ANSI/NISO Z39.19 (2005), as listas são
utilizadas para descrever aspectos do conteúdo de objetos ou entidades que tem um número
limitado de possibilidades.
Este trabalho utiliza o tesauro, tipo de vocabulário controlado, devido à complexidade
(ambiguidade dos termos, sinonímia, relações hierárquicas e associativas) dos ofícios.
Em 1990, a Norma Internacional de Elaboração de tesauros ANSI/NISO Z39-19-1993,
publicada pela National Information Standards Organization (NISO), sediada nos Estados
Unidos, define tesauro como:
um vocabulário controlado organizado em uma ordem conhecida na qual as relações
de equivalência, de homografias, hierárquicas e associativas entre os termos são
claramente exibidas e identificadas por meio de indicadores de relação
padronizadas, que devem ser empregados de forma recíproca (ANSI/NISO Z39-191993)

É, portanto, como salienta Sales (2008, p. 103), “uma linguagem documentária
caracterizada pela especificidade e pela complexidade existente no relacionamento entre os
termos” que representam uma determinada área do conhecimento.
Quanto à funcionalidade dos tesauros, a norma ANSI-NISO Z39. 19-2003 define
quatro funções distintas: a tradução, meio pelo qual a linguagem natural dos autores,
indexadores e usuários é traduzida para um vocabulário controlado usado na indexação e
recuperação da informação. A consistência que promove a coerência na escolha dos termos no
processo de indexação. A indicação de relacionamentos, que indica os relacionamentos
semânticos, ou seja, de sentido e significado entre os termos. E a recuperação, que serve como
auxílio na busca e na recuperação de documentos.
Lancaster (1993) sugere como método para construir vocabulário controlado:
 Gerar vocabulário empírico com base em um conjunto representativo de documentos.
 Modificar um vocabulário existente.
 Extrair o vocabulário de outro já existente.
 Reunir termos de diferentes fontes: especialistas, dicionários, glossários, índices, etc.

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Como mostra a Figura 3, para a elaboração de um vocabulário controlado é necessário
que a linguagem natural do usuário seja traduzida para uma linguagem padronizada
construída através de termos/descritores que sintetizem o conteúdo do documento através do
processo de indexação. A partir destes termos são elaborados índices que norteiam a
construção das linguagens documentárias. A partir desta linguagem documentária obtém-se o
vocabulário controlado e, consequentemente, o tesauro.

Figura 3 – Construção de vocabulário controlado
Em 2005, a norma ANSI/NISO Z39.19, estabeleceu diretrizes e convenções
consideradas como “um conjunto de recomendações baseadas em técnicas e procedimentos
preferenciais” utilizadas para o conteúdo, visualização, construção, ensaios, manutenção e
gestão dos vocabulários controlados. A elaboração do vocabulário controlado deve ser
efetivada observando três importantes princípios:
 Definição do escopo ou significado dos termos;
 Relação de equivalência de sinônimos e quase sinônimos;
 Distinção entre homógrafos.
Essas diretrizes visam nortear e padronizar a construção de vocabulários controlados
para facilitar o processo de recuperação da informação.
No entanto, segundo Lancaster (2004, p. 88-89), alguns fatores podem afetar a
qualidade do processo de indexação e consequentemente a elaboração do vocabulário
controlado. Estes fatores podem estar ligados ao: indexador, vocabulário, documento,
processo e ambiente.
A inexistência de conhecimento prévio sobre o assunto, a excessiva ou falta de
experiência no ato de indexar, o nível de capacidade de concentração em processos
minuciosos e cansativos e da capacidade de leitura, compreensão e síntese dos textos, são
fatores que podem influenciar negativamente a qualidade da indexação realizada pelo
profissional indexador.
O tipo de sintaxe utilizada para a criação do vocabulário controlado, a falta de controle
da ambiguidade ou imprecisão dos termos, a eficiência da estrutura de classificação dos
termos escolhidos e a falta da disponibilidade de instrumentos auxiliares, por exemplo,
dicionários e glossários especializados, afetam diretamente o processo de indexação.
O processo de indexação também pode ser influenciado de acordo com as regras
estabelecidas para a indexação, o nível de produtividade exigida para a tarefa, a exaustividade
da indexação, definida por Lancaster (2003, p. 23) como sendo “[...] o emprego de termos em
número suficiente para abranger o conteúdo temático do documento de modo bastante

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completo”, e o tipo de indexação escolhida: por atribuição, onde os termos são selecionados a
partir do vocabulário controlado ou por extração, que utiliza a linguagem natural empregada
pelo autor do documento.
Vale ressaltar ainda, que a qualidade da indexação pode ser afetada por fatores
ambientais que agem diretamente no processo intelectual e na capacidade de concentração do
profissional indexador: temperatura (frio/calor), iluminação, ruídos, entre outros.
De acordo com Oliveira (2008) os Sistemas de Recuperação da Informação (SRIs)
foram criados para atender as necessidades de organização, gestão, acesso e recuperação da
informação de forma que as demandas informacionais sejam sanadas com maior rapidez.
Portanto, a qualidade da indexação e da construção do vocabulário controlado é de vital
importância para a alimentação do sistema e para nortear as estratégias de busca.
Os SRIs, em instituições, têm como objetivos coletar, organizar, preservar e
disponibilizar informações e a produção do conhecimento organizacional. Elaborar um
Sistema Inteligente em ambiente virtual proporciona uma maior visibilidade dos documentos
recebidos e produzidos, e viabiliza o acesso em qualquer tempo e lugar de forma rápida e
eficiente.
Essa disponibilidade de informações de fácil acesso em um único repositório contribui
para que as necessidades informacionais do usuário final sejam atendidas prontamente, e a
gestão documental se torne mais eficiente, segura e ágil. No entanto, para que o sistema possa
recuperar informações relevantes relacionadas a necessidade informacional, é de extrema
importância que os documentos sejam indexados de acordo com uma linguagem padronizada;
um vocabulário controlado. O vocabulário controlado tem por finalidade categorizar,
organizar e representar o conteúdo dos documentos e se torna um instrumento imprescindível
para ampliar a eficiência na recuperação da informação por Sistemas Inteligentes.
A análise do acesso de informações relacionadas a legislação e especificadamente a
portarias em alguns SRIs de instituições públicas que utilizam vocabulários controlados na
indexação de seus documentos mostraram alguns aspectos importantes que valem ser
ressaltados: no site do INMETRO1 por exemplo, foi observada a existência de várias bases de
dados distintas em um único repositório e campos com possibilidades de buscas padronizadas
que diminuem a polissemia dos termos e melhoram as chances de sucesso e precisão na
recuperação da informação. Já no portal da UFJF2 a categorização deste tipo de informação é
realizada apenas por ano e/ou número da portaria, sem campos que orientem ou possibilitem
uma busca avançada. Isto é um aspecto que limita o acesso ao documento, pois, o usuário
precisa ter um conhecimento prévio para ter acesso à informação desejada. Na UFSC3 a
pesquisa por portarias pode ser feita através de várias possibilidades de categorização e
critérios de pesquisa/classificação que podem refinar a procura, apresentando, assim, maior
relevância dos resultados obtidos. A UFAL4 também possui um sistema com campos
padronizados para estabelecer as estratégias de busca por portarias, o que favorece a
autonomia do usuário no processo de recuperação da informação.
O vocabulário controlado, portanto, é uma ferramenta importantíssima para a
representação da informação e padronização da linguagem a ser utilizada no momento da
busca. Os termos definidos na política de indexação e utilizados por SRIs norteiam o usuário
nas estratégias de busca, favorecendo a autonomia no acesso à informação, a ampliação da
relevância, precisão dos resultados, e agilidade no processo.

1

Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO. Disponível em: &lt;www.inmetro.gov.br/legislacao/&gt;.

2

Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. Disponível em: &lt;http://www.ufjf.br/portal/legislacao/portariasufjf/&gt;.

3

Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Disponível em: &lt;http://notes.ufsc.br/aplic/portaria.nsf&gt;.

4

Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Disponível em: &lt;http://sistemas.ufal.br/portarias/&gt;.

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3 Materiais e métodos
3.1 O Sistema Proposto
Diante dos problemas encontrados no Departamento de Computação da UFVJM, tais
como a falta de organização dos ofícios, falta de padronização no armazenamento e,
consequentemente, difícil recuperação desses ofícios, foi proposto um Sistema Inteligente de
Indexação Automática, que possibilita o armazenamento de forma organizada, padronizada e
digital, facilitando a recuperação dos ofícios. O Sistema de Indexação foi uma estratégia
encontrada com o propósito de sanar essas deficiências, e se utiliza de estudos aprofundados
das Ciências da Informação junto às Ferramentas Computacionais que apoiam em todo o
processo.
A metodologia aplicada a este projeto foi uma pesquisa documental embasada nos
ofícios do Departamento de Computação da UFVJM para dar suporte ao Sistema de
Indexação Automática. Para o sistema proposto foi utilizada a linguagem de programação
JAVA Standard Edition e JAVA Enterprise Edition, bem como o banco de dados MYSQL para
armazenamento dos dados referentes aos atributos do sistema.

3.2 O algoritmo simplificado do sistema
Inicialmente, foi feita a construção de um vocabulário controlado, extraindo todos os
termos relevantes dos 239 ofícios, compreendidos entre o período de 2011 e 2014. Esse
vocabulário deu suporte a toda implementação do Sistema Inteligente de Indexação
Automática de ofícios do Departamento de Computação da Universidade Federal dos Vales
do Jequitinhonha e Mucuri. O conjunto de termos extraídos dos ofícios, chamado de Tesauro,
foi inserido no banco de dados do sistema, uma vez que ele define a união dos termos mais
representativos de todos os ofícios analisados do Departamento de Computação, e todas as
relações existentes entre estes termos, que serão utilizados para representar (indexar) os
ofícios. As relações de cada termo são definidas no Tesauro, assim, cada termo pode possuir
ou não termos afins. Por exemplo, o termo docente é definido no Tesauro possuindo os termos
afins: mestres, doutores, gestor, representante, avaliadores, professores, professor substituto,
professor avaliador, professor adjunto, professor assistente, professor temporário, professor
palestrante, e professor visitante.

3.2.1 Indexação de um Ofício
Quando um novo ofício é inserido, o sistema recupera todos os termos presentes neste
ofício e todo o conjunto de termos representativos do Tesauro (presente no banco de dados).
Os termos do ofício que acabam de ser inseridos no sistema são comparados aos termos do
Tesauro existente. Logo, todos os termos em comum, pertencentes aos dois conjuntos, são
selecionados para a criação de um novo Tesauro.
Após feita a interseção e criação do novo Tesauro, serão escolhidos três termos (valor
arbitrário e sujeito a mudança em estudos posteriores), mediante à pertinência dos mesmos,
que é definida por meio da contagem individual da ocorrência de cada termo em todos os
ofícios indexados na Base de Dados do Sistema. Quanto menor o número de ocorrências para
um determinado termo, pressupõe-se uma especificidade maior para aquele termo, já que ele
está inserido em um número menor de ofícios, tornando-o mais representativo.
Posteriormente, é feito um ranking com todas as pertinências e selecionado os três
primeiros termos do ranking – considerados os mais representativos do novo ofício a ser
indexado – e, então, o ofício é indexado a estes três primeiros termos e aos seus termos

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interligados, pré-definidos no Tesauro.

3.2.2 Recuperação de um Ofício
Para a recuperação de um ofício, o usuário precisará entrar com dados do expedidor,
data do ofício e termos chaves. O número de termos chaves desejados será escolhido pelo
usuário arbitrariamente (num total de no máximo cinco). Em seguida, com a ajuda do sistema,
que irá propor opções de termos chaves baseadas no Tesauro, e também possíveis expedidores
baseados nos usuários já cadastrados no sistema, o usuário preencherá os dados.
Após a inserção destes dados, o sistema realizará uma busca ao banco de dados,
recuperando todos os ofícios que se “ligam” (casam) a todos os dados fornecidos pelo
usuário. Ademais, o sistema ordenará o resultado de acordo com o peso de cada “ligação”
individual entre ofício e termo, que é definida pela combinação da pertinência do termo
(explicado anteriormente como a frequência do termo dentre todos os ofícios cadastrados no
sistema)

3.3 Exemplo de Indexação e Recuperação de um Ofício
Para exemplificar, foi feita a inserção de um ofício no sistema - conforme a Figura 4, e
em seguida, automaticamente, foi capturado todos os termos do ofício que fazem intersecção
com o conjunto representativo de termos.

Figura 4 – Modelo de ofício

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Dentre os termos intersecionados pertencentes aos conjuntos ofício e Tesauro, estão:
docentes, computação, gabinetes, e impressoras multifuncionais.
O sistema identificou quais dos termos mencionados acima possui menos ocorrências
no conjunto total de ofícios armazenados no sistema, para então conseguir analisar a
pertinência de cada termo e criar um Ranking. Neste caso, os três primeiros termos do
Ranking foram: impressora multifuncional, computação e gabinetes; o sistema excluiu o
termo docentes, pois este possui um número relativamente alto se comparado aos outros
termos, tornando-o um termo fraco para a indexação.
Em seguida, o sistema busca no Tesauro por todas as palavras interligadas aos três
primeiros termos do Ranking. Neste exemplo, os termos interligados foram: renovação de
garantia, decom, ufvjm e cômodos. Essas ligações e termos estão definidos em nosso Tesauro,
sendo o termo renovação de garantia ligado ao termo impressoras multifuncionais, decom e
ufvjm ligados à departamento de computação, e gabinetes ligado a cômodos.
Após a indexação do ofício aos três termos ranqueados e a todos os seus afins,
qualquer usuário poderá recupera-lo facilmente. Para recuperar o ofício indexado basta inserir
os dados relativos a esse ofício, que no caso seriam os termos indexados ao ofício, citados
acima. A Figura 5 mostra uma busca que retornaria o ofício indexado.

Figura 5 – Modelo da tela de busca do ofício
Nesse exemplo, foi inserido a data do ofício, expedidor e alguns dos termos indexados
– definidos pelo algoritmo do sistema quando o ofício foi adicionado – que neste caso foram:
cômodos e computação. Como mostra na Figura 5, à medida que é digitado os termos
desejados, o sistema propõe termos para guiar o usuário ao acesso direto do Tesauro do
Sistema, o que faz a busca se tornar eficaz.

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3.4 Algumas telas do Sistema de Indexação Automática
Conforme apresenta a Figura 6, o sistema tem como página principal uma tela para
login que permite o acesso ao sistema.

Figura 6 - Página principal do sistema de indexação

Figura 7 – Página de inserção de novo ofício no sistema
Conforme apresenta a Figura 7, o Sistema possui três caixas de entrada na aba de
anexar ofício: Destinatário, Data de Expedição, Assunto, e o botão para carregar ofício. A
indexação de um ofício só poderá ser efetuada por algum usuário cadastrado no sistema.

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3.3 Pendências do Sistema
Na medida em que novos ofícios são inseridos, novos termos podem se tornar eficazes
para representação dos ofícios do Departamento, e, portanto, terão de ser inseridos no Tesauro
do Sistema. Devido a necessidade de mecanismos para prover a atualização constante do
Tesauro, devido ao aumento de ofícios e, consequentemente, o aumento de novos termos que
possam vir a representar novos conteúdos, está-se desenvolvendo um algoritmo que propõe a
auto alimentação do Tesauro ao longo do ciclo de vida do Sistema, com a análise de
relevância de novos termos em novos ofícios que advirão.
Acredita-se que com esta metodologia será possível sanar a deficiência do
Departamento de Computação da UFVJM de maneira rápida e satisfatória.

4 Resultados parciais/finais
Os resultados parciais deste projeto são: o Tesauro, que já está concluído e o Sistema
Inteligente de Indexação Automática que está sendo desenvolvido. O desenvolvimento do
Sistema precisa ser concluído, alimentado e implantado, para verificar sua utilidade e precisão
na recuperação dos ofícios desejados.

5 Considerações parciais/finais
A partir do estudo sugerido neste projeto, elaborou-se um Sistema Inteligente de
Indexação Automática (ainda em desenvolvimento), através do uso de um vocabulário
controlado. O Sistema foi construído utilizando-se técnicas da biblioteconomia e de técnicas
computacionais, sendo um sistema que utiliza tanto das análises qualitativas – feita
inicialmente para a construção do vocabulário controlado por uma bibliotecária – quanto das
análises quantitativas – utilizadas no algoritmo de auto alimentação do vocabulário
controlado.
Sendo positiva a implementação do projeto, sugere-se que demais departamentos da
UFVJM utilizem do mesmo sistema para organizar seus documentos. Espera-se, com isso,
agilidade nos processos, bem como a satisfação do usuário final ao localizar o que procura.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                <text>Este projeto tem por objetivo sanar uma deficiência do Departamento de Computação da UFVJM – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Tal Departamento não possui um local tanto físico quanto digital para armazenar seus ofícios. A falta de uma organização eficiente e padronizada destes ofícios inviabiliza o acesso aos documentos e dispende muito tempo na localização e recuperação da informação, podendo trazer grandes prejuízos para a instituição. Visando solucionar o problema de recuperação e organização das informações contidas nos ofícios, propõe-se a criação de um Sistema Inteligente de Indexação Automática utilizando um vocabulário controlado, tesauro, para que seja possível localizar com rapidez o ofício desejado. É importante que o sistema esteja em ambiente virtual para que o acesso seja democratizado e o processo de tratamento de novos ofícios seja automatizado. O projeto permeia o espaço de 2011 a 2014, totalizando 239 ofícios, sendo estes a base para a criação do tesauro. Sendo positiva a implementação do projeto, sugere-se que os demais departamentos da UFVJM utilizem o mesmo sistema para organização dos seus documentos, ganhando agilidade nos processos e satisfação do usuário final na localização do que procura.</text>
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                    <text>SEGURANÇA, GERENCIAMENTO E AUTOMAÇÃO DE
BIBLIOTECAS: VANTAGENS E CRÍTICAS AOS RECURSOS DE
AUTODEVOLUÇÃO DE MATERIAIS BIBLIOGRÁFICOS

Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Márcio Barbosa de Assis (UFLA) - marcio.assis@biblioteca.ufla.br
Resumo:
Este trabalho tem como objetivo apresentar as vantagens e as principais críticas aos recursos
de autodevolução de materiais bibliográficos adotados em bibliotecas universitárias. Foram
selecionadas 16 instituições públicas ou privadas que divulgaram em páginas oficiais de suas
bibliotecas a disponibilidade do recurso. Na pesquisa foi utilizada uma entrevista estruturada
de caráter exploratório e de coleta de informações visando identificar a posição dos gerentes
de bibliotecas Universitárias e/ou dos bibliotecários responsáveis pela preservação e
conservação do acervo. Concluiu-se que apesar das barreiras, dificuldades e problemas
identificados, o custo benefício da implantação é considerável e é recomendada a implantação
dos recursos àquelas bibliotecas que buscam inovar seus serviços e dar mais autonomia aos
seus usuários.
Palavras-chave: Inovação em bibliotecas. Autodevolução de materiais bibliográficos. RFID.
Bibliotecas Universitárias.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução

A Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Lavras (BU/UFLA) vem se
consolidando, ao longo dos anos, como referência para as atividades de ensino, pesquisa e
extensão, desenvolvidas na UFLA. Além disso, por tratar-se de um organismo pertencente a
uma instituição pública, a Biblioteca presta serviços para segmentos variados da população de
Lavras e região, sobretudo aqueles vinculados ao sistema educacional. Assim, como forma de
inovar o atendimento aos seus usuários, o projeto de autodevolução foi elaborado a partir da
constatação da necessidade de aperfeiçoar os serviços prestados pela Biblioteca.
RFID é uma tecnologia composta por equipamentos (leitores e respectivas antenas) e
tags (etiquetas) que se comunicam através da Rádiofrequência, que por intermédio de um
software usado para "interpretar" os dados contidos nas tags, disponibiliza informações e
potencializa a execução de inúmeras operações para o usuário final.
O RFID possibilita que dados sejam capturados mesmo que um determinado produto
esteja em movimento, como na linha de produção. Essa tecnologia está sendo bastante
utilizada para controlar o caminho dos produtos por toda sua cadeia de produção, ou seja, ele
pode ser localizado desde a sua fabricação até o seu destino final.
O sistema de identificação funciona de uma forma muito simples, são colocadas
etiquetas eletrônicas com um microchip no objeto, que pode ser rastreado por ondas de rádio.
Para transmitir as informações, essas etiquetas respondem ao sinal de rádio de certo
transmissor e envia de volta os dados de sua localização e sua identificação.
Diante dessa tecnologia e a crescente necessidade de aperfeiçoar os serviços
oferecidos pela Biblioteca, foi elaborado o projeto para autodevolução. No final do ano de
2012, iniciou-se a aquisição e implantação de equipamentos com tecnologia RFID para
automatizar diversos serviços da Biblioteca Universitária da UFLA, entre eles a
autodevolução.
Os recursos de autodevolução buscam agilizar o processo de “devolução em tempo
real” de materiais bibliográficos, por meio de interface simplificada, intuitiva e de fácil
utilização pelo usuário. Assim, a proposta é que o tempo de retorno do item à prateleira
reduza substancialmente, aumentando a produtividade da equipe e a satisfação do usuário. A
tecnologia utilizada, RFID, possibilita a classificação dos itens nos carrinhos de devolução,
oferecendo ainda tarefas administrativas como geração de recibos, relatórios e sistemas de
diagnósticos.
Porém, mesmo com todos os recursos, ainda, existem críticas relevantes que devem
ser observadas para o investimento nesse recurso por bibliotecas universitárias. Nesse sentido,
o objetivo deste trabalho é apresentar as vantagens e as principais críticas aos recursos de
autodevolução de materiais bibliográficos adotados em bibliotecas universitárias, para
segurança, gerenciamento e automação de bibliotecas.
2 Referencial teórico
Há décadas, as empresas têm procurado otimizar seus processos, inserindo novas
tecnologias, com o intuito de simplificar e agilizar os procedimentos e produzir maior
segurança aos envolvidos e aos produtos, assim, buscam de forma sistemática atingir o
máximo de eficiência operacional. As instituições de ensino fazem parte desse bojo
tecnológico, desenvolvendo suas atividades inseridas e permeadas pela automatização
tecnológica. Naturalmente as bibliotecas não poderiam ficar aquém das novas tecnologias,
pois estão latentes em seu cotidiano, de modo a facilitar as rotinas do ambiente, assegurando
aos profissionais, agilidade nos processos, sobretudo, os mais complexos, e também
autonomia aos usuários na execução de procedimentos rotineiros. A tecnologia do sistema de
autoatendimento desponta de maneira promissora, na perspectiva de revolucionar os serviços

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de empréstimo e devolução das bibliotecas. A priori, esse sistema permite a execução das
atividades sem a interferência do profissional, proporcionando ao usuário autonomia e
praticidade.
Com o crescimento exponencial do número de publicações e de usuários nas
bibliotecas, é mister e urgente que sejam implantadas formas eficazes para o gerenciamento
do acervo, visando proporcionar agilidade no atendimento e credibilidade no armazenamento
de dados (CAMARGO; BRITO, 2009). Paralelo a essa realidade, observa-se que as
bibliotecas estão se deparando com um impacto significativo de novas tecnologias de
informação e comunicação em suas atividades (VIERA; VIERA; VIERA, 2007).
Conforme Almeida (2011), Camargo e Brito (2009), Chen, Tavares e Silva (2007),
França e Carvalho (2014), Messias et al. (2014) e Viera, Viera e Viera (2007), entre outros, a
tecnologia de Radio Frequency Identifier ou Identificação por Rádio-Frequência (RFID), tem
se apresentado como um grande avanço no controle de informações, associada a aplicações de
acervos, como livros, periódicos, filmes, jornais, CDs, quadros etc. Ou seja, está sendo
introduzida em várias bibliotecas do mundo, com o objetivo de proporcionar a gestão
eletrônica dos acervos e a implementação de novos serviços.
O sistema de autoatendimento utiliza a tecnologia RFID, que se utiliza de uma etiqueta
inteligente (tag), contendo um microchip que armazena os dados de identificação da obra. A
onda de rádio-freqüência é captada por uma antena (com leitores) conectada a um software no
computador, que gerencia as informações do sistema RFID (SOUSA, 2010).
Embora a tecnologia RFID seja recente na utilização das bibliotecas, há anos vem
sendo utilizada por outros setores (VIERA; VIERA; VIERA, 2007). A introdução desta
tecnologia surgiu na década de 40, contudo, sua epifania se deu por volta dos anos 90,
surgindo como solução para automação na captura de dados. Diante dessa nova tecnologia, as
empresas começaram a desenvolver seus modelos de negócios de forma automatizada, sendo
que a RFID é uma das tecnologias que mais tem impulsionado esta automação, pois permite
acesso em tempo real sobre a localização de bens e equipamentos (ALMEIDA, 2011; CHEN;
TAVARES; SILVA, 2007; PINHEIRO, 2006).
A tecnologia RFID auxilia no armazenamento seguro de informações, na identificação
automática de itens, no controle de inventários e possibilita serviços eficientes e eficazes,
como o autoempréstimo e a autodevolução do acervo (SANTINI, 2008).
Viera, Viera e Viera (2007) apresentam que diversas bibliotecas, pelo mundo todo,
substituíram seus sistemas de códigos de barra e os sistemas de segurança eletromagnéticos
pela tecnologia RFID, com o intuito de agilizar as suas diversas atividades e fornecer novos
serviços. Todos os itens do acervo, como livros, revistas, CDs etc. recebem etiquetas RFID.
Segundo esses autores, inclusive bibliotecas públicas, como por exemplo, na Holanda e nos
Estados Unidos também estão adotando a tecnologia RFID para gerenciamento, a fim de
permitir o autoatendimento, e também garantir maior segurança contra furtos. Desta forma, o
empréstimo e a devolução de materiais são feitos de maneira rápida e eficiente, e os
colaboradores são liberados para outros serviços, como atendimento aos usuários, de forma
mais personalizada, ou outras questões que demandam mais tempo (MESSIAS et al., 2014).
Diversas bibliotecas já possuem balcões de autoatendimento, isso permite que os usuários
realizem empréstimo e devolução dos materiais do acervo com autonomia.
Por meio desta tecnologia, as bibliotecas podem dispor de serviços de autoatendimento
para empréstimo e devolução de materiais, sem a necessidade de intervenção dos funcionários
(CAMARGO; BRITO, 2009).
Viera, Viera e Viera (2007) comentam que a implantação dos leitores RFID também
torna a realização de inventários mais ágil e precisa, sem necessidade de remoção dos
materiais. Além disso, esse equipamento é utilizado para procura de itens do acervo tornando
mais ágil a localização.

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Neste contexto, a implantação desta tecnologia pode complementar diversas
atividades, como no armazenamento seguro das informações, na realização de inventários ou
na identificação e rastreamento de materiais do acervo.
Segundo Viera, Viera e Viera (2007, p. 199), a adoção dessa tecnologia permite
implementar novos serviços tais como: “serviços de autoatendimento para empréstimo e
devolução de materiais para os usuários, classificação automática de materiais na devolução,
serviço 24 horas de devolução de materiais”.
Viera, Viera e Viera (2007) apresentam algumas vantagens na implantação da RFID
nas bibliotecas:
a) redução do tempo gasto em procedimentos como, circulação de materiais,
atividades de empréstimo e devolução de materiais;
b) agilidade na incorporação de novos itens ao acervo (processamento técnico);
c) grande redução de tempo na realização de inventários;
d) otimização dos procedimentos da equipe que trabalha na biblioteca;
e) possibilidade de implantação de sistemas de autoatendimento e autodevolução de
materiais do acervo da biblioteca;
f) melhorias no gerenciamento do acervo, com a utilização de equipamentos para
realizar inventários do mesmo, reduzindo o tempo na localização de materiais que se
encontram em locais errados;
g) possibilita a implementação de equipamento de segurança contra furtos, com a
identificação individual dos itens do acervo;
h) ampliação da autonomia aos usuários, pois podem utilizar as estações de
autoatendimento, sem necessidade de assistência dos colaboradores da biblioteca;
i) redução de ocorrências de lesões por esforços repetitivos dos colaboradores da
biblioteca;
j) agilidade do atendimento aos usuários, diminuindo as filas para empréstimo e
devolução de materiais;
k) possibilita que as bibliotecas ofertem o serviço de devolução além do horário de
atendimento, sem necessidade de gerar horas adicionais aos colaboradores.
Para Ceccotti, Sousa e Martins (2008), a maior vantagem dessa tecnologia na
biblioteca é a agilidade e comodidade para os usuários, proporcionando mais satisfação dos
mesmos em relação aos serviços da biblioteca.
Segundo Messias et al. (2014), tanto o procedimento de autoempréstimo quanto o de
autodevolução é bastante simples de ser executado. Contudo, pode haver uma dificuldade
quanto ao equipamento de autodevolução, pois a instalação do mesmo exige um ambiente
amplo para a acomodação dos baús de coletas, da esteira e do computador; diferente do
autoempréstimo, que é um aparelho que ocupa um espaço bem reduzido, semelhante a um
desktop e um monitor de computador.
Os sistemas de gerenciamento da informação é uma realidade nas bibliotecas e centros
de documentação. A modalidade de autoatendimento oferece um novo formato nos serviços
de autoempréstimo e autodevolução, surgindo para dinamizar, simplificar e agilizar rotinas e
procedimentos biblioteconômicos. Essa estrutura de atendimento assegura ao usuário
autonomia e segurança nesses processos, garantindo aos colaboradores praticidade no
gerenciamento do acervo (MESSIAS et al., 2014).
Nesse contexto, desde que foi concluídauma grande reforma, em 2008, a Biblioteca
Central Irmão José Otão da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
passou a ser conhecida como “a biblioteca mais tecnológica da América Latina”. Uma das
ações estratégicas responsáveis por esse título se deve à implantação de um planejamento
inovador que contou com vários recursos tecnológicos, entre eles, o uso de dois
equipamentos de autodevolução de materiais bibliográficos na entrada do prédio da

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Biblioteca, monitorados continuamente pela equipe de atendimento, utilizados pelos usuários
que tem pressa e prefere não ir até o balcão. As máquinas contam com vários carrinhos onde
são depositados automaticamente os livros devolvidos, de acordo com as áreas a que
pertencem ou que estejam com alguma reserva (VICILI, 2010).
3 Metodologia
A pesquisa bibliográfica foi de grande importância, pois proporcionou aos
pesquisadores o conhecimento necessário para embasar as argumentações durante a análise do
estudo. Para Gil (1999, p. 65), a revisão bibliográfica foi desenvolvida, principalmente, a
partir de material já elaborado, constituído de relatos de experiência apresentados em eventos.
A pesquisa proposta apresenta características de pesquisa descritiva. De acordo com
Gil (1999, p. 44) “[...] as pesquisas descritivas a partir de seus objetivos, são adotadas para
proporcionar uma nova visão do problema [...]”.
Na pesquisa também foi utilizada uma entrevista estruturada de caráter exploratório e
de coleta de informações visando identificar a posição dos gerentes de biblioteca
Universitárias e dos bibliotecários responsáveis pela preservação e conservação do acervo de
instituições que ofertam o recurso de autodevolução de materiais.
Em âmbito nacional, foram selecionadas 16 instituições públicas ou privadas que
divulgaram em páginas oficiais de suas bibliotecas a disponibilidade do recurso.
Por fim, a análise de conteúdo foi de grande importância, e, documentos primários
como portarias, decretos, relatórios e outros foram observados de forma que foi possível
coletar dados significativos para o desenvolvimento deste trabalho.
4 Resultados
Para manter o sigilo das informações repassadas pelas instituições, os nomes originais
foram substituídos, em ordem aleatória, pelo termo “Instituição”, seguido de um indicativo
em romano, na apresentação dos resultados. Com a implantação do sistema algumas ações
foram desenvolvidas, também foram necessárias algumas alterações de rotinas da biblioteca .
É importante considerar que, para a implantação do recurso de autodevolução há a
necessidade de reorganização estrutural, visto que requer planejamento de obras, iluminação e
outros, para adequação das bibliotecas que desejam ofertá-lo. É relevante um diálogo muito
próximo com os fornecedores para ajustar datas de entrega, data de montagem do
equipamento e a adaptação do ambiente. Para mais eficiência nessa etapa sugerimos que a
estrutura seja adaptada anteriormente à montagem do equipamento, com orientações do
fornecedor, para evitar que poeira danifique o acervo ou o próprio equipamento, em função da
sensibilidade das peças.
Com relação ao período de implantação do recurso de sistema de autodevolução, na
Instituição III, segundo seus próprios relatos, o período durou aproximadamente um ano e
meio. No caso dessa instituição, o sistema de autodevolução e autoempréstimo iniciou com a
apresentação do projeto em uma chamada pública, por intermédio da pró-reitoria de pósgraduação e pesquisa da própria universidade, a qual foi contemplada. A partir da aprovação
iniciou-se a pesquisa do melhor equipamento, negociação e pregão. Em seguida iniciou-se a
preparação do local para instalação do equipamento, executando testes, aprovação e
disponibilização do recurso para os usuários.
Já na Instituição VI, foi explanado que os equipamentos foram adquiridos por meio
da apresentação de um Plano de Trabalho (PTA), muito comum no serviço público. Nessa
instituição a implantação do projeto foi de aproximadamente 1 a 2 anos, tempo médio das
demais instituições que implantaram o autoserviço.

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Na Instituição VII, os responsáveis informaram que não utilizam uma máquina de
autodevolução e sim computadores normais no autoatendimento de empréstimo. Nesse caso
não foi possível identificar como é feito o controle de empréstimo e devolução, bem como as
rotinas de controle do material devolvido no sistema e a reposição nas estantes.
Em outro caso, na Instituição IV, foi exposto que possui apenas o recurso de
autoempréstimo, apresentando a diferença das duas, sendo que a de autoempréstimo faz
empréstimos e devoluções. A de autodevolução, necessita da tecnologia RFID e deve ser
instalada de maneira que os usuários possam devolver livros 24h por dia, sem necessidade da
biblioteca estar aberta. Ela possui uma face para o exterior, onde as pessoas inserem os livros
a serem devolvidos, e após a efetuação da devolução são encaminhados para diferentes
carrinhos, de acordo com a classificação.
Do ponto de vista do usuário, a Instituição IX apontou que foi uma das melhores
aquisições, por facilitar e agilizar a devolução do material emprestado. Segundo essa mesma
instituição, para os servidores (colaboradores), inicialmente, houve o receio da implantação
em função de suas preocupações com relação aos seus serviços prestados, pois imaginaram
que seus postos de trabalho iriam se extinguir. Porém, após melhor conhecimento sobre a
tecnologia, entenderam a sua função e gostaram muito.
Para a Instituição XI, o nível de aceitação foi satisfatório, sendo a tecnologia de fácil
manuseio e compreensão, porém algumas pessoas necessitaram de auxílio, sendo fundamental
o apoio do servidor/colaborador do atendimento na primeira experiência do usuário com a
interface do recurso. Informaram que receberam vários elogios quanto aos quesitos de
praticidade, rapidez e autonomia. Segundo essa mesma instituição o serviço de
autoatendimento, que conta com uma tecnologia inédita na maioria das bibliotecas brasileiras,
foi bem aceito entre os usuários, sendo que as dificuldades apresentadas foram pontuais e a
falta de prática pelos usuários foi solucionada por meio da convivência com essa tecnologia
que ainda é recente no país e nas universidades.
A Instituição VI citou que foi possível proporcionar liberdade para o usuário devolver
o material emprestado a qualquer hora, durante 24 horas, sete dias da semana e sem ter que
deslocar até o balcão de atendimento da biblioteca, pois o seu terminal foi implantado com
interface do lado de fora da biblioteca, não sendo necessário guardar seu material para entrar
na biblioteca. Possibilitou ainda a redução de fila para devolver o material. Situação
confirmada pela Instituição IX, confirmando os benefícios do recurso de autodevolução.
Abaixo, destacamos algumas vantagens desse recurso, do ponto de vista de gestão e
dos usuários, apontadas com mais frequência pelas instituições participantes desta pesquisa:
a) acelerar o retorno dos itens para as prateleiras;
b) aumentar a satisfação e fidelidade do usuário;
c) devolver o material em tempo real;
d) diminuir os riscos operacionais;
e) monitorar a quantidade de itens devolvidos;
f) obter informações acuradas para tomada de decisões;
g) obter maior confiabilidade na gestão de dados;
h) dimensionar o número de servidores/funcionários lotados no atendimento ao
usuário;
i) monitorar e diagnosticar remotamente o funcionamento do equipamento, além do
fluxo de usuários;
j) pode ser implementada em uma ampla gama de modelos arquitetônicos;
k) reduzir a execução de rotinas repetitivas de devolução de materiais;
l) solucionar problemas e obter estatísticas a partir de qualquer localização;
m) verificar e melhorar a eficiência de processos;
n) reduzir de filas.

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Apesar da maior parte das instituições citarem a redução de filas como uma vantagem,
a Instituição VIII, ponderou que a automação não agrega agilidade ao processo. Segundo
essa instituição apenas substitui o servidor/colaborador. Porém, a atividade continua sendo
individual, item a item, não inibindo formação de filas.
Além disso, foram apontadas outras barreiras ou dificuldades para implantação, entre
elas, relacionadas ao programa ou código do sistema ou aplicativo (CIP) que nem todo
Software de Biblioteca possui ou não é compatível, o que impede a sua implantação por
completo, sendo necessários ajustes pelos técnicos em tecnologia da informação (TIs) da
instituição. Outras estão relacionadas à infraestrutura como desocupação de sala, retirada de
janela e recorte na parede, bem como toda infraestrutura lógistica necessária para trazer até ao
local pontos de rede e de tomadas elétricas. Outras situações referem-se à preservação e à
conservação do acervo. Além disso, apontaram as seguintes desvantagens:
a) danos aos livros, quando caem de mau jeito, devido ao arranque das alavancas
organizadoras e da queda muito brusca entre a esteira e os carrinhos coletores;
b) livros que agarram na esteira;
c) custo ainda elevado, considerando a infraestrutura necessária para que a solução
funcione: antenas, leitoras, software para tratamento da informação capturada,
desenvolvimento de aplicativos, sistema de comunicação, etc.;
d) o campo magnético de um metal interfere na propagação da onda RFID,
diminuindo muito a distância de leitura, reduzindo sua eficiência;
e) rotinas incompatíveis entre o software do equipamento de autodevolução e o
sistema de gerenciamento da informação da biblioteca.
Entre as críticas ao recurso, a Instituição VII, expôs que modelos que recebem os
livros e os encaminha por uma esteira para uma espécie de empilhadeira, a qual os desce até
os carrinhos, como que um elevador são mais eficientes e interessantes. Nos formatos
tradicionais adquiridos por algumas bibliotecas brasileiras, os livros são direcionados pela
esteira e, literalmente caem/despencam nos “carrinhos coletores”. Com isso as obras sofrem
os danos causados pela queda, descolam lombadas, páginas, rompem costura etc.
Ainda, a Instituição III, apontou como barreira o custo e algumas características,
como peculiaridades das etiquetas que envolvem desde a compra de hardware, software e
materiais, como consultoria e treinamento de funcionários, bem como, a instalação dos
equipamentos. No que diz respeito às etiquetas, algumas vezes é possível comprometer um
sistema RFID, pois colocando dois ou mais itens de uma vez, as etiquetas são sobrepostas,
anulando alguns sinais e assim dificultando a leitura.
Nesta mesma esteira, a Instituição VIII ressaltou que o sistema do
fabricante/fornecedor do equipamento adquirido por aquela biblioteca não é compatível como
o Sistema de gerenciamento de bibliotecas adotado, ou seja, ele não permite configurações
como, por exemplo, de tamanho, peso ou limite do número de páginas permitidas para
devolução.
De acordo com a Instituição VII, para solucionar a situação, foram realizados alguns
acertos na esteira, pela empresa, trocando a caixa em que os livros ficam após passar pela
autodevolução. Os atuais carrinhos possuem molas melhores e o fundo fica mais alto, e vai
abaixando conforme o peso. Assim melhorou bastante. Nesse contexto, é entendimento da
equipe que sempre vai ter o risco do livro cair de forma que prejudique sua encadernação,
principalmente os livros maiores e mais pesados. Outra ação, segundo a Instituição VII, foi
maior o investimento em serviço de reparo de livros.
Segundo a Institução VIII, apesar das campanhas educativas e dos avisos afixados
próximos à entrada da máquina, o usuário se utiliza de artimanhas impossíveis de serem
contidas. Temos conhecimento de usuários que, no caso de obras mais espessas, posicionamna aberta. Com isso, qualquer material pode ser devolvido, causando ainda maior dano e,

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

dano é dano, em menor ou maior proporção gera necessidade de recuperação. Teoricamente
livros maiores, mais pesados têm a possibilidade de serem mais danificados. Independente de
tudo isso, quando a obra sofre danos, ela deve ser recuperada para voltar à circulação e isso
gera custo. Ou seja, além do custo gerado pela aquisição, há o custo da recuperação, em
muitos casos de obras novas, recém adquiridas.
Ainda, segundo essa mesma instituição, o serviço de recuperação é terceirizado, por
não possuírem especialistas ou laboratórios na área de preservação e conservação próprio. O
envio à terceirização requer controle minucioso do material, pois é patrimônio da instituição
que sairá do seu espaço físico. Quanto ao envio, não se justifica o envio unitário. Isso implica
em agrupar número suficiente e uma série de procedimentos a serem realizados antes e após o
retorno do material ao acervo. Há um dispendioso serviço de vários colaboradores. Mas, o
mais importante: o período que a obra fica afastada para empréstimo, desde o envio para
recuperação até o retorno ao acervo, descumprindo sua função principal que é servir de fonte
de informação para o usuário.
Contudo, a Instituição III, expôs que a tecnologia RFID nas bibliotecas deve ser
considerada uma excelente opção na hora da atualização da infraestrutura tecnológica de
gestão eletrônica do acervo, principalmente nas bibliotecas que possuem um grande volume
de obras e usuários, pois é fundamental que os serviços acompanhem a evolução tecnológica
e modernizem as rotinas de trabalho, visando oferecer qualidade nos produtos e serviços. Já a
Instituição VI, expõe que, apesar do custo, não se deve adquirir a quantidade de "sorter"
(carrinho) menor que 7, pois a distribuição por classe, reservas, devolução de outras unidades,
material com algum problema, ficam comprometidas. Atualmente há outros modelos e marcas
mais sofisticados no mercado internacional com muitas melhorias. Citou que visitou algumas
bibliotecas no mundo que utilizam esses equipamentos, na Holanda na cidade de Delf, uma
em Beleuve (Biblioteca KCLS)1 próximo a Seattle que a considerou a melhor. Pois, além de
separar, utiliza um carrinho que recebe o livro, colocando ele na classe, todos com a lombada
do mesmo lado, e o mesmo carrinho coletor é o mesmo que utiliza para levar o material no
acervo.
Segundo a Instituição I, um dos seus colaboradores teve a oportunidade de ver uma
estrutura do recurso funcionando em uma biblioteca comunitária de Ottawa, Canadá. No seu
relato expõe que essa estrutura ocupava uma sala inteira interligada com serviços de malote,
inclusive com uma esteira para conduzir os documentos distribuindo-os em caixas box para o
transporte. Expôs ainda que, para investimentos deste vulto é interessante visitar organizações
que já usam o equipamento, observando in loco como é o funcionamento, a manutenção, a
operação etc.
5 Conclusão
Em função da alta circulação de itens e do volume de usuários na Biblioteca
Universitária da UFLA, bem como do tamanho da sua coleção, e do compromisso com a
manutenção de acervo, e a necessidade de serviços de qualidade, em 2012, iniciou-se a
automação de algumas rotinas com tecnologia RFID, entre elas o recurso de autodevolução,
como uma opção viável de investimentos. Assim, foi possível eliminar esforços repetitivos e
agilizar algumas atividades de responsabilidade dos colaboradores e alcançar outros
benefícios com esse projeto. Nessa mesma esteira, outras bibliotecas têm voltado suas
1

Automated Materials Handling at the Bellevue Library. Disponível em:
&lt;https://www.youtube.com/watch?v=NFSu6slB6oo&gt;. Acesso em: 19 fev. 2015.

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atenções para as vantagens dessa tecnologia, porém, identificamos algumas barreiras e ou
dificuldades relatadas, por algumas instituições, nessa pesquisa.
As vantagens estão relacionadas em sua maioria a questões relativas à mobilidade e
autonomia do usuário, pois, o recurso proporciona mais liberdade para a devolução de
materiais, economia de tempo, redução de rotinas de colaboradores e a possibilidade de
devolução 24 horas por dia. O que nem sempre é possível, em função da estrutura ou do local
em que foram implantados os terminais de autodevolução em cada instituição.
As principais barreiras ou críticas estão relacionadas à dificuldade de adequar os
espaços para instalação do equipamento, especialmente à conservação e preservação do
acervo. Danos aos livros, quando caem de mal jeito, devido ao arranque das alavancas
organizadoras e da queda muito brusca entre a esteira e os carrinhos coletores, livros que
agarram na esteira foram problemas citados em boa parte das equipes das bibliotecas que
oferecem o recurso.
Por fim, apesar de alguns pontos negativos, os resultados dessa pesquisa nos mostra
que o recurso de autodevolução, bem como soluções de autoserviços com tecnologia RFID ou
outra têm sido adotadas nas bibliotecas brasileiras a passos largos. Entendemos que os pontos
positivos sobrepões às barreiras ou dificuldades identificadas nesse estudo. Cabe aos gestores
de unidades de informação estabelecerem as prioridades e identificarem as melhores soluções
que se adequem às suas bibliotecas.
REFERÊNCIAS
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freqüência - rfid. 2011. 97 p. Monografia (Graduação em Engenharia de Teleinformática) Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2011.
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15., 2008, São Paulo. Anais... São Paulo: SNBU, 1008. p. 1-8.
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Informação e Comunicação do CETAC-MEDIA, Porto, n. 5, p. 47-66, 2007.
FRANÇA, M. N.; CARVALHO, A. M. G. Tecnologias da informação e comunicação no
sistema de bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia: relato de pesquisa. In:
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Aires. Anais... Buenos Aires, 2014. p. 1-28.
MESSIAS, L. C. da S. et al. Implantação do sistema de autoatendimento na biblioteca da
unesp do campus de Bauru: perspectivas de otimização nos serviços de empréstimo e
devolução. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17.,
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PINHEIRO, J. M. S. Identificação por radiofreqüência: aplicações e vulnerabilidades da
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&lt;http://www.unifoa.edu.br/pesquisa/caderno /edicao/02/18.pdf&gt;. Acesso em: 28 jan. 2016.

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BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013,
Florianópolis. Anais... Florianópolis: FEBAB, 2013. p. 1095 - 1105. Disponível em:
&lt;http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1327/1328&gt;.
PUERTA, A. A. et al. Experiência na implantação do autoatendimento com tecnologia RFID na
Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
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&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QRS.pdf&gt;.

SANTINI, A. G. RFID: conceitos, aplicabilidades e impactos. Rio de Janeiro: Ciência
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SOUSA, M. F. de. RFID e suas aplicações: um estudo de caso com prateleiras inteligentes.
2010. 105 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Teleinformática) - Universidade
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VIERA, A. F. G.; VIERA, S. D. G.; VIERA, L. E. G. Tecnologia de identificação por
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Disponível em: &lt;http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/430/416&gt;. Acesso
em: 2 fev. 2016.
Questões levantadas
1.
2.
3.
4.
5.
6.

Quais as principais vantagens? E as desvantagens?
Como lidaram com as desvantagens?
Como foi a reação dos usuários? E dos colaboradores?
Houve alguma barreira ou dificuldade para implantação?
Com relação ao custo e benefícios. Você recomendaria a implantação dessa solução?
Há alguma informação relevante que gostaria de expor?

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Segurança, gerenciamento e automação de bibliotecas: vantagens e críticas aos recursos de autodevolução de materiais bibliográficos.</text>
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              <elementText elementTextId="50116">
                <text>Ribeiro, Nivaldo Calixto; Assis, Márcio Barbosa de </text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo apresentar as vantagens e as principais críticas aos recursos de autodevolução de materiais bibliográficos adotados em bibliotecas universitárias. Foram selecionadas 16 instituições públicas ou privadas que divulgaram em páginas oficiais de suas bibliotecas a disponibilidade do recurso. Na pesquisa foi utilizada uma entrevista estruturada e caráter exploratório e de coleta de informações visando identificar a posição dos gerentes de bibliotecas Universitárias e/ou dos bibliotecários responsáveis pela preservação e conservação do acervo. Concluiu-se que apesar das barreiras, dificuldades e problemas identificados, o custo benefício da implantação é considerável e é recomendada a implantação dos recursos àquelas bibliotecas que buscam inovar seus serviços e dar mais autonomia aos seus usuários. </text>
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                    <text>Relato da revitalização de uma biblioteca universitária
Clélia Junko Kinzu Dimário (USP/IQSC) - bibiqsc@iqsc.usp.br
Bernadete de Lourdes da Costa Barbosa Figueiredo Filho (USP/IQSC) - bernadete@iqsc.usp.br
Cibele Cristina David Baldan (USP/IQSC) - cibele@iqsc.usp.br
Eliana de Cássia Aquareli Cordeiro (USP/IQSC) - eliana@iqsc.usp.br
Wilneide do Carmo Marchi Maiorano (IQSC/USP) - wilneide@iqsc.usp.br
Fábio Boracini da Silva (USP/IQSC) - fabioboracini@iqsc.usp.br
Resumo:
O presente artigo visa compartilhar experiências das ações desenvolvidas no Serviço de
Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos e demonstrar como a mudança
para uma nova postura de gestão pode transformar a biblioteca universitária em um espaço de
socialização da vida acadêmica, com ambientes e recursos que favoreçam a criação do
conhecimento e o apoio ao processo de ensino-aprendizagem. O conhecimento do modelo
CRAI e a análise de seus conceitos, confirmou que os objetivos da equipe coincidiam com as
propostas descritas, das quais muitas já haviam sido implantadas nesta biblioteca. Esta
iniciativa foi fundamental para a visualização e o planejamento do que ainda pode ser
implementado. A biblioteca que conseguir adotar uma postura proativa e dinâmica dará um
passo à frente na inovação e nas mudanças necessárias, fazendo renascer assim, seu real
sentido de existir e ser valorizada pela sua Instituição e toda a comunidade.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária, Modelo CRAI, Inovação
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Perfil profissional e práticas renovadoras

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O avanço acelerado das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) continua
exigindo mudanças constantes de comportamento do profissional da informação, para que
seja possível acompanhar a evolução de um mundo interligado por apenas um clique.
As universidades estão inseridas nesta dinâmica social por atuarem na construção do
conhecimento e, do mesmo modo, suas bibliotecas, por exercerem um papel fundamental na
organização e na disseminação da produção intelectual.
Desta forma, o mediador da informação deve atuar na implantação de ações
renovadoras, contribuindo com seus conhecimentos técnicos e com a interligação entre os
recursos disponíveis e as necessidades dos usuários. Um novo olhar sobre o potencial de
atuação de profissionais de bibliotecas implica na adoção de uma postura norteada pela
abertura às mudanças e pela preocupação com a formação e socialização de seus usuários.
Desde o final da década de 90, o Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de
Química de São Carlos (SBI/IQSC), da Universidade de São Paulo, tem tido a preocupação de
acompanhar a evolução tecnológica na divulgação da informação, utilizando diferentes
suportes, aplicativos interativos, produções audiovisuais e multimídia.
Nos últimos tempos, com a mudança de pensamento proveniente de um novo estilo de
gestão, esta biblioteca tem promovido efetivamente ações em seu ambiente com a
implementação de novas práticas e serviços, visando uma maior interação e engajamento com
toda a comunidade acadêmica.
Assim sendo, o conhecimento do modelo europeu de Centros de Recursos para el
Aprendizaje y la Investigación (CRAIs) veio ao encontro de uma realidade que o SBI/IQSC já
vinha constatando em suas atividades cotidianas e no contato com seus usuários: a
necessidade de transformar a biblioteca em uma extensão da sala de aula, oferecendo recursos
e serviços diferenciados que possibilitem a integração e interação entre seus profissionais,
docentes e discentes.
Em linhas gerais, o presente artigo visa compartilhar experiências das ações
desenvolvidas no SBI/IQSC e demonstrar como a mudança para uma nova postura pode
transformar a biblioteca em um espaço de socialização da vida universitária, com ambientes e
recursos que favoreçam a criação do conhecimento.

2 Revisão de literatura

A biblioteca deve se pautar por uma atuação dinâmica, procurando sempre
acompanhar as tendências sociais, culturais e científicas, e um dos seus maiores desafios
atualmente é a percepção de que essa mudança deve ser constante e diária.

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Por um tempo significativo a maior preocupação das bibliotecas foi com a organização
do acervo; posteriormente, procurou-se promover o acesso à informação através da
disponibilização de recursos automatizados, e atualmente verifica-se um movimento no
sentido de utilizar seu espaço para facilitar a construção do conhecimento e a interação entre
seus usuários.
Baseado nessa constatação, Powell (2002) sinaliza a tendência dos designers em
bibliotecas para o século XXI, no sentido de criar ambientes que facilitem a aprendizagem,
considerando mais especificamente a aprendizagem centrada no aluno e não mais no ensino.
O mesmo autor comenta que as TICs contribuíram bastante para essa tendência, e que
as estruturas físicas das bibliotecas precisam estar preparadas para implantação das novas
tecnologias, tendo em vista que seu layout deve possibilitar o oferecimento de espaços
abertos, criando opções de acomodação flexíveis de acordo com as necessidades dos usuários.
Os espaços das bibliotecas centradas nos usuários devem se destacar por duas
características: a flexibilidade, que consiste na capacidade de alterar o layout para adaptação
às necessidades pontuais dos usuários e a variedade, que se refere à percepção da importância
do oferecimento de diferentes áreas de estudo, de acordo com a finalidade de sua utilização
(silêncio/ruído, individual/em grupo). Powell (2002) sugere assim a criação de múltiplos e
diferenciados espaços, inclusive o chamado “social space”, onde é permitido conversar com
amigos, comer e beber, a fim de que, através da criação e gestão de um ambiente favorável,
seja fornecido o apoio à aprendizagem vinculado à interação social.
Outra colocação interessante do mesmo autor é a importância do conhecimento in loco
das experiências de outras bibliotecas, para que seja possível o intercâmbio de ideias e
informações além de vivenciar na prática as diversas possibilidades.
Cunha (2010) relata esta nova tendência da biblioteca universitária em priorizar o
atendimento aos alunos. Comenta também, que o desafio mais crítico talvez seja o de superar
as dificuldades que a impedem de acompanhar as necessidades de usuários em constante
mudança. Os recursos informacionais precisam estar disponibilizados nos mais diversos
formatos, propiciando a acessibilidade em qualquer hora e local.
Em consonância com o exposto acima, verifica-se também a necessidade da
universidade criar novas propostas de ensino-aprendizagem e de convívio sociocultural e,
dessa forma, a biblioteca universitária precisa acompanhar este processo para que seja
possível uma atuação conjunta e eficaz.
Neste sentido, Castro Filho (2011) nos apresenta o modelo europeu dos Centros de
Recursos para el Aprendizaje y la Investigación - CRAIs.
Como Centro essa nova unidade de informação, é uma entidade física, que não só
armazena documentos e equipamentos, mas se constitui como um espaço atrativo e de
socialização, considerando que, com a grande expansão das bibliotecas virtuais, a biblioteca
física se mantém como ponto focal e natural para a aprendizagem. (CASTRO FILHO, 2011,
p. 32).
Quanto aos serviços diferenciados propostos no modelo CRAI, Castro Filho (2011),
sugere a reorganização dos ambientes da biblioteca em:
● serviço e material de informática;
● serviço de salas equipadas com TICs;
grupo;

● salas de aula com estações de trabalho com TICs para apresentação de trabalhos em

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● salas de trabalho, de reuniões, exposições, debates e apresentações;
● espaços destinados à socialização da vida universitária;
● espaço para descanso.
Tendo como base estes conceitos, observa-se que as bibliotecas universitárias
precisam se adequar às novas necessidades dos usuários a partir do oferecimento de
tecnologias de informação e comunicação atualizadas, da readequação de sua estrutura física e
de novas práticas de gestão, relacionadas principalmente à mudança e quebra de paradigmas
de toda a equipe.
Castro Filho (2011), também enfatiza conceitos relevantes para a implantação do
modelo CRAI nas bibliotecas universitárias do Brasil:
● Os gestores das bibliotecas universitárias precisam se conscientizar de que esse
modelo será de grande utilidade para os usuários, uma vez que os serviços e recursos para o
atendimento pessoal, virtual e tecnológico estarão disponibilizados em um único local;
● A universidade deve adotar uma postura de buscar novos processos metodológicos
para o ensino, tendo em vista que o conceito apresentado preconiza a capacitação autônoma
através do estudo virtual. Para tanto, é necessário que as bibliotecas também reorganizem sua
gestão para que possam oferecer um atendimento qualificado aos usuários, sejam eles
docentes ou discentes;
● Deve ser efetuada uma análise criteriosa dos recursos necessários e das
características específicas da universidade, para viabilizar a centralização na biblioteca de
produtos e serviços relacionados ao acesso à informação, assim como à formação dos alunos.
Além disso, uma gestão compartilhada em que toda a equipe tenha possibilidade de
participar e opinar propicia um ambiente favorável à elaboração de práticas renovadoras e de
empreendedorismo. De acordo com Bezerra (2016), pensar o empreendedorismo na
Biblioteconomia é antes de tudo mudar o padrão de pensamentos dos bibliotecários, mudar o
modelo mental acerca da profissão e pensar nas diferentes possibilidades de atuação,
O ponto de partida para que novas ações aconteçam será a mudança do modelo mental
acerca da biblioteca e da atuação do profissional da informação. Para efetivar essas ações
nesse novo tempo, é necessário assumir novos papeis que permitam disponibilizar diversos
tipos de suportes da informação, maneiras de acessá-la.
Partindo desse princípio, torna-se fundamental promover a disseminação do
conhecimento por meio de ideias e práticas renovadoras, que possibilitem o acesso à
informação de maneira presencial ou virtual.

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3 Materiais e métodos

A equipe do SBI/IQSC tem utilizado continuamente as seguintes práticas para a
efetivação de ações renovadoras:
● Pesquisas de opinião com usuários através de ferramentas disponíveis em redes
sociais e formulários do Google, a fim de promover uma maior interação com a equipe da
biblioteca e a embasar a tomada de decisão sobre as ações a serem implantadas;
● Readequação de espaço físico e melhor distribuição do mobiliário. Foram realizadas
visitas técnicas a outras bibliotecas para verificação da utilização dos ambientes de acordo
com as demandas dos usuários locais;
● Análise de dados estatísticos de circulação de material e frequência de usuários
como forma de comparar dados e verificar a necessidade de melhorias nos serviços
oferecidos;
● Avaliação dos recursos físicos e tecnológicos disponíveis para realocação de acordo
com a nova organização da biblioteca sem a utilização de recursos externos;
● Apoio da Comissão de Biblioteca e de outros setores do Instituto de Química de São
Carlos, tanto as mudanças administrativas, bem como para a realização de atividades
socioculturais;
● Parceria com a Seção de Informática para desenvolvimento de sistemas de
informação e programas destinados à automatização dos produtos e serviços.
Somente com a participação de todos, os docentes, discentes e funcionários do
Instituto de Química de São Carlos, tem sido possível desenvolver os projetos e colocar em
prática as ações inovadoras.
É importante assinalar que atualmente as propostas elencadas pelo modelo CRAI têm
sido norteadoras dos planejamentos e ações da biblioteca.
Para atingir resultados positivos tem sido necessário, acima de tudo, o envolvimento
de toda a equipe na apresentação de ideias, sugestões e principalmente na adoção de uma
cultura de mudança. Além disso, é fundamental o comprometimento de todos os
colaboradores para tirar as ideias do papel e colocá-las em prática.
É importante ressaltar que o processo de transformação da biblioteca do SBI/IQSC
encontra-se em desenvolvimento, pois é imprescindível a receptividade contínua a novos
conceitos e ideias.

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4 Resultados parciais/finais

O início desse processo de mudança ocorreu quando se teve a ideia de adequar um
espaço na biblioteca para que os alunos tivessem a oportunidade de fazer uma leitura
descontraída, visto que o acervo era constituído somente por livros didáticos na área de
Química e Ciências Exatas. Não é que deu certo?
Atualmente este espaço está sendo utilizado com frequência, não somente pelos alunos
do IQSC, como também pela comunidade externa. O resultado positivo ficou claro através de
depoimentos espontâneos recebidos dos usuários, o que motivou a equipe a desenvolver
outras ações voltadas à cultura e extensão universitária, com a finalidade de atender às
demandas atuais.
O constante interesse por mudanças motivou a busca de embasamento na literatura
para o direcionamento de novas ações na biblioteca. O conhecimento do modelo CRAI e a
análise de seus conceitos, confirmou que os objetivos da equipe coincidiam com as propostas
descritas, das quais muitas já haviam sido implantadas no SBI/IQSC. Esta iniciativa foi
fundamental para a visualização e o planejamento do que ainda pode ser implementado.
Através dessa nova concepção de biblioteca, desenvolveu-se um novo conjunto de
serviços, dentre os quais destacam-se:
● Readequação do espaço físico
Para acompanhar estes avanços foram criados espaços flexíveis, proporcionando aos
usuários maior interação e também liberdade de escolha quanto ao local de preferência de
estudo, ou seja, dependendo da atividade a ser realizada na biblioteca, é possível aos usuários
optarem pelo espaço adequado.
Exemplificando as mudanças ocorridas na biblioteca, é descrito abaixo o novo layout
do SBI/IQSC. Os três pisos da biblioteca foram divididos por nível de ruído com os seguintes
propósitos:
Piso 1 – piso interativo e de fácil mobilidade para atividades como seminários, aulas
com docentes, atividades extraclasse ou mesmo como um ponto de encontro.
Piso 2 – neste piso, o nível de ruído é moderado. As salas de estudo estão
disponibilizadas para estudo individual ou em grupo, alguma inclusive com lousas. Estas salas
têm sido utilizadas também para reuniões de professores, treinamentos para defesas, aulas de
idiomas, entre outros. Para este fim, as salas administrativas deste piso foram remanejadas
para que fossem liberados mais locais de estudo.
Piso 3 – foi estruturado para que os alunos pudessem estudar individualmente e em
silêncio. Os usuários que precisam escrever artigos, redigir dissertações e teses têm utilizado
com frequência este piso.
Com esta reestruturação do layout da biblioteca por nível de ruído (troca de ideias,
moderado e silêncio), está sendo possível o atendimento dos usuários de acordo com suas
necessidades de estudo. Constatou-se também que a utilização do espaço da biblioteca
aumentou consideravelmente, e seu relacionamento com a equipe tornou-se muito mais
amigável.

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● Sala multiuso
Foi instalada uma sala com recursos de informática para oferecer assistência aos
estudantes, professores e pesquisadores, tendo como objetivo oferecer local apropriado para
treinamentos, aulas, cursos de capacitação tanto para alunos quanto para funcionários. Além
disso, também pode ser utilizada como sala de informática quando outras atividades não
estiverem sendo realizadas.
● Mídias sociais e repositório institucional
Além do blog já existente desde 2009, que não somente tem a função de canal de
comunicação com o usuário, mas também possui a função website, foram desenvolvidos:
➢ Repositório institucional IQSC: contribui para ampliar a visibilidade das pesquisas
desenvolvidas na unidade, bem como preservar sua memória intelectual.
➢ Facebook: Tendo em vista a crescente adesão por parte da população e das
empresas de todos os setores por esse tipo de tecnologia, criou-se a fanpage da biblioteca do
IQSC no Facebook. Esta mídia social tem se tornado uma das principais ferramentas de
comunicação e divulgação de eventos da biblioteca. Além disso, através de aplicativos
específicos para Facebook, que permitem a confecção de abas personalizadas em fanpages,
foi possível implementar e oferecer ao usuário interfaces para sistemas corporativos, como o
Portal de Busca Integrada e o SISWEEB.
● Atividades de cultura e extensão
➢ Artesanato solidário: Com a finalidade de integrar toda a comunidade do IQSC e
da USP/São Carlos, foi realizada a Primeira Oficina de Artesanato, que contou com a
participação de docentes, alunos e funcionários do IQSC e de outras Unidades, que
confeccionaram peças artesanais. As peças produzidas foram vendidas e doadas para o Bazar
de Artesanato Beneficente do Instituto de Câncer de São Carlos. Este evento possibilitou a
integração nas dependências da biblioteca entre as pessoas que se reuniram para compartilhar
ideias, conhecimentos e projetos como hobby.
➢ Exposição de trabalhos e atividades lúdicas: Como parte das Atividades da Semana do
Livro e da Biblioteca, foi disponibilizada a área de exposições para as crianças que
frequentam a Creche e Pré-Escola São Carlos – SAS/USP. Durante a exposição de seus
trabalhos, promovida em conjunto com a Comissão de Cultura e Extensão, foram
desenvolvidas várias atividades lúdicas.
➢ Workshop: Com a finalidade de oferecer atividades para a Graduação, a biblioteca
promoveu, com o apoio da Comissão de Biblioteca e em parceria com a Comissão de
Graduação, um evento de capacitação profissional para os alunos do 3º e 4º anos, a fim de
capacitá-los para a participação de processos seletivos.

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➢ Aplicativos
Criação e desenvolvimento: A maioria dos recursos e serviços oferecidos já estão
automatizados, sendo que alguns foram elaborados pelo próprio SBI/IQSC e desenvolvidos
pela Seção Técnica de Informática da Unidade, entre eles destacam-se:
➢ Sistema de gerenciamento de empréstimo entre bibliotecas (SISWEEB);
➢ Sistema de requisição de ficha catalográfica para teses e dissertações;
➢ Sistema de requisição de ficha catalográfica e página de rosto para solicitação de
ISBN;
➢ Banco de sugestões de aquisição de livros.

Aquisição: Software anti-plágio: Plagiarism Detector destinado elaboração de
trabalhos acadêmicos.

5 Considerações parciais/finais
Os resultados obtidos foram satisfatórios e são fonte de motivação para a continuidade
do trabalho de readequação e revitalização da biblioteca em benefício da comunidade
acadêmica. Novos projetos estão em processo de desenvolvimento para serem aplicados ainda
neste ano, como, por exemplo, o novo layout, em fase de finalização por um arquiteto do
Campus USP de São Carlos.
De acordo com a experiência vivenciada, pode-se afirmar que as bibliotecas
universitárias precisam se adequar às novas necessidades de seus usuários, fazer uso de novas
tecnologias de informação e comunicação, readequar sua estrutura física, com ou sem
orçamento, usar a criatividade da equipe e quebrar paradigmas através de novas práticas de
gestão.
A biblioteca que conseguir adotar uma postura proativa e dinâmica dará um passo a
frente na inovação e nas mudanças necessárias, fazendo renascer assim, seu real sentido de
existir e ser valorizada pela sua Instituição e toda a comunidade.

6 Referências
BEZERRA, F. Bibliotecários: é necessário queimar pontes. In: PRADO, J. Idéias
emergenciais em biblioteconomia: atitudes. São Paulo : FEBAB, 2016. p. 55-59.

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CASTRO FILHO, C. M.; VERGUEIRO, W. Convergências e divergências do modelo
europeu do Centro de Recursos para el Aprendizaje y la Investigacion (CRAI) em relação às
bibliotecas universitárias brasileiras. Bibl. Univ., Belo Horizonte, v.1, n.1, p. 31- 40, jan./jun.
2011.Disponível
em:&lt;https://www.bu.ufmg.br/rbu/index.php/localhost/article/viewFile/10/13&gt; Acesso em: 10
abr. 2016.
CUNHA, M. B. Construindo o futuro:a biblioteca universitária brasileira em 2010.Ci. Inf.,
Brasília, v. 29, n. 1, p. 71- 89, jan./abr. 2000. Disponível em: &lt;
http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n1/v29n1a8.pdf &gt;. Acesso em: 10 abr. 2016.
POWELL, M. Designing library space to facilitate learning: a review of the UK higher
education sector. Libri, v. 52, p. 110 - 120, 2002. Disponível em:
&lt;http://www.librijournal.org/pdf/2002-2pp110-120.pdf&gt;. Acesso em: 10 abr. 2016.

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                <text>O presente artigo visa compartilhar experiências das ações desenvolvidas no Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos e demonstrar como a mudança para uma nova postura de gestão pode transformar a biblioteca universitária em um espaço de socialização da vida acadêmica, com ambientes e recursos que favoreçam a criação do conhecimento e o apoio ao processo de ensino-aprendizagem. O conhecimento do modelo CRAI e a análise de seus conceitos, confirmou que os objetivos da equipe coincidiam com as propostas descritas, das quais muitas já haviam sido implantadas nesta biblioteca. Esta iniciativa foi fundamental para a visualização e o planejamento do que ainda pode ser implementado. A biblioteca que conseguir adotar uma postura proativa e dinâmica dará um passo à frente na inovação e nas mudanças necessárias, fazendo renascer assim, seu real sentido de existir e ser valorizada pela sua Instituição e toda a comunidade.</text>
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                    <text>REFLEXÕES SOBRE A UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS DO
MARKETING EM BIBLIOTECAS DA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA

Caroline da Rosa Ferreira Becker (IF Catarinense) - carolbecker@ifc-riodosul.edu.br
Resumo:
O artigo reflete sobre a utilização de ferramentas do marketing em bibliotecas da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT). O estudo foi feito por
meio de uma fundamentação teórica sobre as bibliotecas da RFEPCT, sobre o marketing em
bibliotecas e sobre ferramentas do marketing em bibliotecas. Tem o objetivo de sensibilizar
bibliotecários e gestores sobre a importância da aplicação de algumas ferramentas do
marketing para se oferecer produtos e serviços nas bibliotecas da Rede que realmente
atendam e satisfaçam as necessidades e os desejos dos usuários. Analisa quais questões
podem ser levantadas, analisadas e implantadas para se utilizar das ferramentas do marketing
para se promover estas bibliotecas. Conclui que o uso das ferramentas do marketing em
bibliotecas permite ao bibliotecário identificar as falas, anseios, necessidades e sentimentos
“ocultos” dos usuários em relação às bibliotecas.
Palavras-chave: Marketing em Bibliotecas; Bibliotecas da Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica; Ferramentas do Marketing; Biblioteca
2.0.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Em virtude das transformações e mudanças que estão ocorrendo na sociedade, devido
ao surgimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), da explosão da
informação e da implosão do tempo, o marketing vem adquirindo um maior conceito em seus
significados e abrangência na sua aplicação. Segundo Kotler e Keller (2012), a maior parte do
marketing de hoje está se mudando do mercado para o ciberespaço.
No caso das bibliotecas, aonde os produtos e serviços oferecidos são informações,
deve- se focar na satisfação dos usuários, descobrindo suas necessidades, desejos e anseios,
para poder prover qualidade nos produtos e serviços. Para isso, tem-se que trabalhar para que
haja reconhecimento, credibilidade e participação efetiva da biblioteca dentro do contexto
organizacional. Um plano e o uso das ferramentas de marketing auxiliará o bibliotecário a
verificar o quanto os produtos e serviços oferecidos apoiam as atividades da organização e são
percebidas pelos usuários.
Os usuários possuem necessidades de leitura e uso, construção e colaboração do
conhecimento que outrora não existiam, seja no caso da informação, como também no seu
suporte. Em virtude disso, também as bibliotecas têm que se adequarem a esta nova demanda,
oferecendo serviços e produtos de qualidade. Mas como medir a satisfação dos usuários?
Como se antecipar aos desejos destes? E ainda mais: como criar desejos? Numa sociedade
aonde a informação “parece” poder ser encontrada com um clique, as bibliotecas precisam
repensar seus objetivos, metas e ações.
Nesse sentido, esta reflexão busca apresentar algumas ferramentas de marketing que
poderão subsidiar o bibliotecário a encontrar caminhos para qualificar cada vez mais os
produtos e serviços das bibliotecas que compõem a Rede Federal de Educação Profissional,
Científica e Tecnológica (RFEPCT). Ouvir a voz do usuário, identificar e entender seus
desejos, planejar, agir, controlar e refletir as ações e melhorar continuamente, é fazer a
biblioteca cumprir com sua missão social de formar cidadãos conscientes de seu papel na
sociedade de contribuir para um mundo mais justo e humano.
A RFEPCT possui em suas instituições bibliotecas dos mais variados tamanhos, com
diferentes tipos de materiais no acervo, com produtos e serviços diferenciados, com
bibliotecas recentes e também bibliotecas centenárias. Em virtude disso, é importante refletir
sobre a qualificação, sobre a mudança, sobre novos tempos, sobre compartilhar saberes e
melhores práticas.
Assim sendo, esta reflexão tem o objetivo de sensibilizar bibliotecários e gestores
sobre a importância da aplicação de algumas ferramentas do marketing para se oferecer
produtos e serviços nas bibliotecas da Rede que realmente atendam e satisfaçam as
necessidades dos usuários. Analisa ainda, quais questões podem ser levantadas, analisadas e
implantadas para se utilizar das ferramentas do marketing para se promover estas bibliotecas.
O referencial teórico foi elaborado por meio de uma fundamentação teórica sobre as
bibliotecas da RFEPCT; sobre o marketing em bibliotecas; e sobre as seguintes ferramentas
do marketing aplicadas em bibliotecas: Benchmarking, Servqual, SWOT, plano de marketing
e pesquisa de marketing. Alguns caminhos para que se possa pensar e repensar as bibliotecas
da RFEPCT e as aplicações destas ferramentas do marketing nestas bibliotecas são sugeridos
a seguir.

2 As bibliotecas da RFEPCT
As bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica são
compostas pelas bibliotecas pertencentes às seguintes instituições: Institutos Federais (IFs);
Universidade Tecnológica Federal do Paraná; Colégio Pedro II e Centros Federais de
Educação Tecnológica (CEFETs) de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Como esta Rede foi

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criada em 2008, porém possui instituições inclusive centenárias, houve uma reorganização
destas antigas instituições que se transformaram em Institutos Federais e também se
implantou novos Institutos Federais. Atualmente existem 38 Institutos Federais, os quais
possuem mais de 562 unidades/campi localizados em todos os Estados brasileiros. Estas
Instituições que compõem a RFEPCT oferecem cursos de educação profissional de todos os
níveis; cursos de qualificação; ensino médio integrado; cursos superiores de tecnologia e
licenciaturas, pós-graduações.
A preocupação com a organização das bibliotecas das Instituições que foram
incorporadas aos IFs foi apresentada na literatura brasileira, a partir dos estudos de José Maria
de Araújo Souza, que escreveu, em 1965, o livro “Instalação de bibliotecas em escolas
técnicas industriais”. E também de Dóris de Queiroz Carvalho, que escreveu, em 1966, o livro
“Manual de serviços para bibliotecas de escolas técnicas industriais” e, em 1970, como
atualização desta última obra citada, o livro “Bibliotecas de escolas técnicas industriais:
manual de organização e funcionamento”.
Segundo Carvalho (1970), existiam 23 bibliotecas instaladas nas Escolas Técnicas
Federais. Os objetivos dessas bibliotecas também foram apresentados por Carvalho (1970)
que afirmava possuírem elas um ambiente facilitador do ensino, que fornecesse acervo
adequado para uso de professores e alunos; como um ambiente que desenvolvesse em
professores e alunos o gosto pela boa leitura, e o hábito de utilizar os livros; como um
ambiente que desenvolvesse em professores e alunos a capacidade de pesquisa, enriquecendo
suas experiências pessoais e tornando-os mais preparados para progredirem nas suas
profissões.
Como funções dos bibliotecários, a autora aborda a aquisição de material bibliográfico
adequado e a organização desse material para uso dos alunos e professores; o fornecimento do
acervo para ilustrar e enriquecer os programas escolares; a orientação aos alunos sobre como
usar o acervo; o desenvolvimento nos alunos do prazer de ler e da capacidade da pesquisa.
Ainda segundo Carvalho (1970), a biblioteca também deve oferecer as seguintes facilidades:
acervo atualizado sobre as matérias do currículo; sala de estudos e pesquisa; livre acesso à
biblioteca, onde o acervo encontra-se organizado de acordo com o assunto a que se refere;
empréstimo do acervo; cursos de leitura, com sala e projetos de leitura em grupo; orientação
de leitura e sala de vídeo para exibições de filmes educativos.
Há 46 anos já se pensou no que deveriam ser as bibliotecas das Instituições que
compunham a Rede Profissional de Educação Profissional e Tecnológica: ambiente
aconchegante e organizado, composto por acervo qualificado e em diferentes suportes; com
profissionais comprometidos com a formação do leitor dos alunos e com o incentivo e
orientação à leitura e à pesquisa; o livre acesso à informação; a liberdade de uso; os serviços
oferecidos.
Entretanto, as bibliotecas têm passado por desafios na sociedade atual, entendida como
Sociedade da Informação ou do Conhecimento, já que a busca, a pesquisa e o uso da
informação que antes acontecia presencialmente no espaço físico da biblioteca, agora passa a
acontecer também, e preferencialmente, virtualmente. Em virtude disso, as bibliotecas
precisam fazer uso das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação para dialogar,
oferecer serviços e aproximar as relações com seus usuários. Além disso, os bibliotecários
gestores devem ser proativos e buscar, como missão e objetivo primeiro da biblioteca,
entender e satisfazer diariamente as necessidades dos usuários. Até porque em uma sociedade
informacional aonde se convive com usuários nativos e outros imigrantes digitais, as
bibliotecas precisam estar preparadas para atender ambos os grupos. A tabela abaixo, de
Cassany e Ayala (2008, p.56), apresenta as características deste “antigo” e “novo” tipo de
usuário:

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Nativos digitais
Imigrantes digitais
Processamento paralelo: multiáreas
Processamento sequencial: monoáreas
Processamento e interação rápidos
Processamento e interação lentos
Acesso aberto: hipertexto
Itinerário único: passo a passo (linear)
Multimodalidades
Prioridade pela língua escrita
Conexão online com a comunidade
Trabalho individual, isolamento
Pacotes breves da informação
Textos extensos
Aprendizagem com diversão e jogos
Aprendizagem com trabalho sério e pesado
Autoaprendizagem mediante tutoriais Atualização mediante consulta física (livros,
interativos.
revistas, cursos)
Como as bibliotecas da RFEPCT oferecem desde cursos de qualificação até cursos de
pós-graduação, atendem estudantes nativos e também estudantes imigrantes digitais. Por isso
o bibliotecário deve gerir a biblioteca de modo que consiga oferecer produtos, serviços,
ambiente e tecnologia para ambos os grupos.
A criação da RFEPCT, e em consequência dos IFs, oportunizaram um repensar sobre a
qualidade e como estão sendo gerenciadas as bibliotecas desta Rede, pois várias bibliotecas
unem-se para fazerem parte de um mesmo Instituto, o que faz com que inicie-se um diálogo
entre os bibliotecários atuantes nestas bibliotecas e um convergir das ações destes
profissionais e dos encaminhamentos destas bibliotecas. No ano de 2011, foi criada a
Comissão Brasileira das Bibliotecas da RFEPCT - CBBI (Fórum Nacional..., 2011), com
representantes de todas as regiões do país, fato que demonstra a necessidade de se pensar e
articular ações em prol destas bibliotecas.
Pacheco (2009, p.8) enfatiza que os IFs “são caracterizados pela ousadia e inovação,
necessárias a uma política e um conceito que buscam antecipar aqui e agora as bases de uma
escola contemporânea do futuro e comprometida com uma sociedade radicalmente
democrática e socialmente justa”. Essa ousadia e inovação também refletem na qualidade
destas bibliotecas, pois uma Instituição educacional contemporânea do futuro e comprometida
com a sociedade, no mínimo, deve oferecer por meio das bibliotecas um ambiente
informacional atualizado, organizado e planejado, que oportunize acesso à informação para
todos em diferentes suportes, com bibliotecários que ensinem os usuários a entenderem,
encontrarem, avaliarem, usarem e disseminarem a informação, em terem autonomia no uso da
informação e que possam transformar essa informação em conhecimento, em qualidade de
vida, em igualdade social.
Torna-se importante citar que as instituições que compõem a RFEPCT possuem
bibliotecas e que, em praticamente todas, o bibliotecário é o profissional gestor. Portanto, são
mais de 500 bibliotecas e de quinhentos bibliotecários em todo o Brasil e a pergunta é a
seguinte: essas bibliotecas oferecem espaços, produtos e serviços de qualidade que realmente
atendem as demandas dos usuários nativos e imigrantes digitais da atual sociedade da
informação e do conhecimento?
Parece ser fácil se falar de qualidade em bibliotecas, porém é difícil se medir o quanto
se está ou não satisfazendo as necessidades dos usuários, ainda mais com estudantes
modernos e sedentos por inovação, informação e tecnologia, e outros estudantes mais
tradicionais, sedentos por informação impressa, ambientes aconchegantes e silenciosos. E
nem sempre as bibliotecas estão acompanhando as transformações da sociedade, o que faz
com que, na maioria das vezes, a visita dos usuários na biblioteca seja destinada
exclusivamente a atender alguma pesquisa para provas, trabalhos ou informação em materiais
que não foram encontrados na Internet.
As bibliotecas oferecem serviços aos usuários, e estes são difíceis de serem medidos e
mensurados, porque o ato de oferecer nem sempre pressupõe o satisfazer. Becker, Faquetti e
Silva (2014), após um levantamento nacional em 317 bibliotecas que compõem a RFEPCT,

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usuários. A busca, a produção, o estoque, a embalagem e a distribuição de informações
constituem um dos principais setores econômicos da sociedade hoje. (KOTLER, KELLER
(2012)).
Em tempos de globalização da economia, política, buscando novos caminhos calçados
nos valores humanos, gestão da qualidade total, concorrência acirrada, privatizações,
valorização do código de defesa do consumidor, aperfeiçoamento evolutivo das tecnologias
aplicadas à informação, crescimento exponencial e obsolescência da informação, necessidades
de informação múltiplas e diversificadas dos usuários, vale pensar no aperfeiçoamento das
técnicas gerenciais dos recursos informacionais disponíveis, evidenciando as novas
prioridades do marketing. (AMARAL, 1996).
O emprego de marketing em bibliotecas objetiva provocar trocas de informação onde
não existem e estimular trocas onde existem, isto é, sensibilizar o usuário potencial para
torná-lo beneficiário do sistema e incentivar a utilização pelos usuários efetivos. Atualmente,
entende-se a função do marketing como a arte de bem fazer trocas. A implementação dessa
função requer uma série de atividades administrativas ou gerenciais no sentido de analisar e
identificar o mercado, definir estratégias mercadológicas visando a otimização do uso da
informação, proporcionando interação com o setor produtivo. (SILVEIRA, 1993).
Corroborando com esta ideia, Amaral (2008) relata que a biblioteca orientada/que faz
uso do marketing, requer uma mudança de atitude profissional, um conhecimento técnico, o
comprometimento da alta direção, treinamento de pessoal e muito planejamento e gestão.
Através do marketing, poderá haver o reconhecimento da importância da biblioteca
pela sociedade, e, por sua vez, poderá refletir-se em retribuição do mantenedor com o
aumento do investimento na unidade de informação. (GRUPO, 2008).
Assim, as bibliotecas têm que mostrarem o valor dos produtos e serviços oferecidos,
se não quiserem tornar-se obsoletas, ou deixarem de existir. Até porque em virtude da
explosão informacional que vivenciamos na sociedade, as bibliotecas deveriam ser os locais
onde há informação qualificada e atualizada, e o profissional da informação para tratar essa
informação.
A modernidade contemporânea impõe aos bibliotecários que querem continuar com a
existência das bibliotecas onde atuam, neste milênio, o desenvolvimento de duas habilidades
de marketing essenciais: visão estratégica (bibliotecários bem-sucedidos sabem muito bem
como utilizar sua capacidade pró-ativa e antecipatória, muito antes que seus concorrentes
tenham condições de fazê-lo) e saber transformar a visão estratégica em ação estratégica
(realizar e concretizar a ação por meio da iniciativa e do trabalho das pessoas). (MATOS;
CHIAVENATO, 1999). “Trabalhar com marketing tem muito mais a ver com a predisposição
das pessoas em aceitar e praticar, de fato, o princípio maior de satisfazer necessidades, anseios
e expectativas das pessoas, do que simplesmente complicar as coisas”. (GRUPO, 2008, p.2).
O novo paradigma, voltado para o virtual, alterou os mecanismos de criação,
organização e disseminação do conhecimento, levando as bibliotecas a realinharem seus
produtos e serviços, voltando o foco na satisfação dos usuários, e não na burocracia.
(REBELLO, 2004). Embora ainda o bibliotecário utilize grande parte do seu tempo de
trabalho para a realização de tarefas burocráticas (um exemplo é o processamento técnico do
acervo, que demanda tempo, análise e interpretação de cada material a ser incorporado ao
acervo), os usuários requerem um atendimento rápido, especializado, de preferência online e
que, contribua para o seu desenvolvimento educacional. Nesse sentido, o profissional deve
repensar suas ações e ter como foco principal a satisfação do usuário.
Estas alterações no foco de ação podem ser visualizadas na tabela 1, que compara a
biblioteca orientada para o produto (burocrática), com a biblioteca orientada para o marketing
(satisfação do usuário):

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PONTO DE PARTIDA
Atitude da biblioteca em
relação aos usuários
Enfoque em relação aos
usuários
Relação com os usuários
Prazo para obtenção do
produto/serviço
Oferta de produto/serviço
Inovação
Atitude frente aos produtos e
serviços
Avaliação das necessidades
de informação
Retroalimentação
do
produto/serviço

ORIENTAÇÃO PARA O
PRODUTO
Concentra-se na geração do
produto/serviço
de
informação
Espera as solicitações dos
usuários
Instrumental (a mais breve
possível)
Depende do processamento e
da aquisição
Limitada ao que se encontra
sobre o assunto
Direcionada para a redução
dos custos de produção
A biblioteca oferece apenas o
que produz
Limitadas principalmente aos
documentos impressos
Em função sobretudo da
eficiência operacional

ORIENTAÇÃO
PARA
MARKETING
Ajusta-se às necessidades
informacionais dos usuários
Se antecipa, levando as
informações aos usuários
Relação
aberta
e
de
disponibilidade em auxiliar
Depende das atividades do
usuário
Aberta ao exterior e segundo
o enfoque específico
Permite um melhor serviço
aos usuários
A biblioteca se esforça em
produzir o que deve oferecer
Informação
ampla
e
multivariada
Em função sobretudo da
eficácia em relação aos
usuários

Tabela 1: Diferenças entre a administração da biblioteca orientada para o produto e para o marketing, segundo
Savard (Apud Amaral, 1993, p.102).

Como existem bibliotecas centenárias, mas também bibliotecas recentes nas
instituições que compõem a RFEPCT, e isto não quer dizer que aquela biblioteca é melhor
que esta, tem-se que procurar desenvolver estratégias para avaliar se os produtos e serviços
que estão sendo oferecidos vão ao encontro das necessidades, anseios e desejos dos usuários.
As ferramentas de marketing citadas a seguir podem ser um caminho para esta avaliação e
também para que estas bibliotecas sejam frequentadas, e não se tornem ambientes obsoletos.

3.1 Ferramentas do marketing em bibliotecas
Segundo Amaral (2008, p.65), o uso das ferramentas do marketing em bibliotecas
poderá fazer com que um novo tipo de biblioteca surja:
Uma biblioteca que abra suas portas para o mundo; inove em conjunto com todos,
sobretudo com os seus usuários, compartilhe recursos que antes eram guardados a
sete chaves; utilize o poder da colaboração em massa e se comporte como biblioteca
verdadeiramente global.

O uso de ferramentas e técnicas de marketing nas bibliotecas visa, não apenas a atrair
os usuários para as instalações físicas da biblioteca, como também provocar-lhes o desejo de
usar exaustivamente todos os recursos disponíveis. (SPINA; KLAES, 1993).
Almeida (2000, p.48), apresenta alguns questionamentos que podem levar a identificar
problemas na biblioteca, que posteriormente poderão ser verificados através do uso das
ferramentas do marketing:
 O pessoal da unidade de informação suspeita que exista algum problema?
 Há dados que sugiram problemas nessa área?
 O nível de desempenho baixou ou é inadequado comparado a desempenho anterior?
 O custo dos serviços aumentou substancialmente nos últimos meses?
 Houve mudanças na instituição, nos usuários ou em outros fatores externos, exigindo
adequação dos serviços ou atividades?

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 Os usuários manifestam insatisfação?
 Em que medida os serviços da biblioteca contribuem ao cumprimento dos objetivos da
instituição?
 Em que medida esses serviços atendem as necessidades de informação de seus
usuários?
 Os recursos necessários para o andamento desses serviços e atividades são bem
aplicados?
 Qual o grau de mudança possível nesses serviços ou atividades?
Embora existam inúmeras ferramentas de marketing, algumas inclusive online, aqui se
abordará as seguintes: o Benchmarking, o Servqual, o SWOT, a pesquisa em marketing e o
plano de marketing, sendo todas estas ferramentas direcionadas para a aplicação nas
bibliotecas.
O Benchmarking aplicado em bibliotecas é a arte de aprender com as bibliotecas que
apresentam um desempenho superior em algumas tarefas. O objetivo é aprimorar ou copiar os
produtos e serviços oferecidos pela biblioteca com base em “melhores práticas” de outras
bibliotecas. Pode-se utilizar como referência bibliotecas nacionais ou internacionais, do
mesmo tipo ou semelhantes. O benchmarking deve ser realizado em sete etapas segundo
Kotler e Keller (2012), aqui adaptado às bibliotecas: 1) a determinação dos serviços ou
produtos aos quais aplicar o benchmarking; 2) a identificação das variações-chave de
desempenho a serem identificadas; 3) a identificação das melhores bibliotecas nos quesitos
avaliados; 4) a avaliação do desempenho das melhores bibliotecas nos quesitos avaliados; 5) a
avaliação do desempenho da biblioteca; 6) especificação de programas e ações para acabar
com as defasagens ou para a implantação de um serviço novo; 7) a implementação e o
monitoramento dos resultados.
Em 1985, Parasuraman, Zeitham e Berry criaram um modelo da qualidade de serviços,
que agruparam os problemas de qualidade em 5 lacunas ou Gaps. Estes Gaps identificados
representam grandes obstáculos na tentativa de se atingir um nível de excelência na prestação
de serviços. Por meio deste modelo, os autores afirmam que a qualidade de serviços
percebida, é dependente diretamente da comparação entre o serviço esperado e o serviço
percebido. Como esse modelo de Gaps não disponibilizou uma ferramenta para a medição da
qualidade de serviços, os próprios autores criaram em 1988, uma escala de mensuração das
percepções e expectativas dos clientes sobre a qualidade de serviços, chamada SERVQUAL.
Esta escala tem por objetivo permitir analisar o grau de satisfação do cliente em relação à
prestação de serviços oferecidos, sendo aplicável em todos os tipos de organizações do setor
de serviços, podendo, segundo os autores, sofrer adaptações para que reflitam melhor a
realidade de cada investigação.
A SERVQUAL utiliza um formato de comparação entre expectativas e percepções,
sendo composta por 22 itens, que derivam de cinco dimensões da qualidade de serviços,
apontadas como fundamentais na qualidade de serviços prestados: confiabilidade (habilidade
de prestar um serviço de modo preciso e confiável conforme foi prometido, com exatidão);
presteza (disposição em ajudar os clientes e fornecer o serviço com presteza e prontidão);
garantia (conhecimento e cortesia dos funcionários e suas habilidades em demonstrar
confiança e segurança aos clientes); empatia (grau de cuidado e atenção individualizada
dispensada aos clientes); aspectos tangíveis (envolve a aparência das instalações,
equipamentos, funcionários e material de comunicação). Freitas, Bolsanello e Carneiro
(2007), apresentam um modelo da aplicação da ferramenta SERQUAL em bibliotecas
universitárias:

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A ferramenta de marketing, técnica ou análise SWOT, sigla em inglês para forças
(strenghs), fraquezas (weknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (Threats) é
empregada no âmbito do planejamento estratégico. Para Araújo Junior (2005), a análise
SWOT é uma espécie de “fotografia” das ocorrências nos ambientes organizacionais, daí a
sua consideração de forças e fraquezas intrínsecas à organização, coletadas no ambiente
interno e de oportunidades e ameaças extrínsecas à organização, coletadas no ambiente
externo.

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Os quatro elementos a serem coletados e analisados podem ser definidos como: 1)
Forças ou pontos fortes: são como características internas que propiciam se reforçadas,
amplas condições para a organização cumprir sua missão e atingir seus objetivos; 2)
Fraquezas ou pontos fracos: são debilidades intrínsecas à organização que impõem obstáculos
no cumprimento da missão e dos objetivos pré-estabelecidos; 3) Oportunidades: são
condições ambientais externas que, se aproveitadas, podem ajudar a organização a cumprir
com efetividade sua missão e os seus objetivos; e 4) Ameaças: são condições ambientais que
impedem o cumprimento da missão e dos objetivos organizacionais (Araújo Júnior, 2005).
Na publicação sobre a Análise SWOT, da Escola Secundária Dr. José Afonso, de
Portugal, em 2011, apresenta-se ideias e ações diante do cruzamento entre as 4 forças da
matriz SWOT, conforme tabela a seguir:

Assis, Magalhães e Oliveira (2014), apresentam na tabela abaixo, a aplicação da
ferramenta
SWOT
em
uma
biblioteca
universitária:

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Wallace (2004) enfatiza que há cinco elementos chave num plano de marketing
estratégico para bibliotecas: pesquisa (para determinar o público alvo, as necessidades e
desejos dos consumidores, e níveis de satisfação do cliente e para coletar outros dados
relevantes); planejamento (para desenvolver serviços e métodos de entrega); estratégias
(para implementar métodos efetivos para providenciar o serviço); comunicação (para
construir conhecimento e transmitir o valor do que é oferecido) e avaliação (para
monitorar a efetividade) . Nesse mesmo sentido, Spina e Klaes (1993, p.169), também
traçam os passos que um plano de marketing deve seguir:
a) Estabelecer objetivos;
b) Inteirar-se dos problemas da biblioteca;
c) Escolher as informações específicas necessárias;
d) Definir um método de pesquisa;
e) Determinar o público (segmento de mercado) a ser atingido;
f) Determinar a amostra da população;
g) Aplicar recursos, métodos e técnicas para desenvolver o plano;
h) Estabelecer mecanismos de avaliação e controle.
A pesquisa de marketing corresponde à elaboração, à coleta, à análise e a edição de
relatórios sistemáticos de dados e descobertas relevantes sobre uma situação específica de
marketing enfrentada por uma empresa/organização.
Lubisco (2011) publicou livro que aborda sobre elementos, critérios e diretrizes para o
planejamento, avaliação e gestão da biblioteca universitária, material muito rico que
apresenta indicadores, conceitos e critérios de análise, em escala de 1 a 5, sendo a
pontuação 5 o melhor conceito.
Todas estas ferramentas e técnicas citadas podem oferecer subsídios para um melhor
desempenho das atividades e serviços prestados nas bibliotecas, mas principalmente
podem evidenciar a necessidade da oferta de novas atividades e serviços requeridos por
uma geração de usuários sedentos por informação, por tecnologia, por processos
colaborativos, por aprendizagem colaborativa, por agilidade na busca, no uso e na
disseminação da informação.
Nessa linha de pensamento, O'Reilly (2005) criou o conceito de Web 2.0 que faz
referência a uma série de serviços web que se caracterizam por utilizar determinadas
tecnologias (AJAX e RSS principalmente) ou ter uma certa atitude para o usuário. Os sites
da Web 2.0 tornaram o usuário em um criador de conteúdos, não apenas em consumidor. A
aplicação de tecnologias e a filosofia da Web 2.0 para coleções e serviços de bibliotecas,
tanto virtuais como presenciais, foi descrita por Margaix Arnal (2008), como a roda da
Biblioteca 2.0, apresentada a seguir:

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Nota-se que na roda da biblioteca 2.0 há 3 eixos principais, cada qual com algumas
tecnologias/habilidades/ideias de gestão, a saber: eixo 1) Atitudes: utilização de inteligência
coletiva; confiança radical; melhora contínua; eixo 2) Conteúdo social: comentários;
avaliação; rótulos; outras contribuições; e eixo 3) ferramentas: blogs, wikis, RSS, software
social, mashups.
Em tempo de mudanças, também e principalmente nas bibliotecas para que possam
acompanhar o desenvolvimento tecnológico e o surgimento de usuários com novas e
diversificadas necessidades de informação, ACRL... (2014) elenca as principais tendências
para as bibliotecas universitárias: dados; serviços com dispositivos digitais neutros; evolução
da abertura do ensino superior; iniciativas de êxito dos estudantes; aprendizagem baseada em
competências; altmetrics (bibliometria); e humanidades digitais.
Como as biblitoecas da RFEPCT oferecem também cursos superiores, podem se espelhar
nestas iniciativas e tendencias das bibliotecas universitárias.

4 Procedimentos metodológicos
O estudo foi feito por meio de uma fundamentação teórica sobre os Institutos Federais
e o histórico das suas bibliotecas, e sobre o marketing e algumas de suas ferramentas.
Como instrumento de coleta de dados utilizou-se a análise documental e realizou-se uma
investigação bibliográfica sobre a criação dos IFs e também sobre suas bibliotecas, além
disso, pesquisou-se sobre o marketing e aspectos da utilização de ferramentas do marketing
em bibliotecas.

5 Considerações Finais
Apesar de terem sido criadas há sete anos, as instituições pertencentes à RFEPCT
ainda estão em fase de implantação e consolidação de suas ações e, muito ainda se precisa
melhorar. Não diferente desta situação estão as suas bibliotecas, que começam a serem
estudadas e pesquisadas para que se consiga atender ao que está proposto nos objetivos,
propostas e características da RFEPCT e, principalmente, se consiga pensar no usuário como
razão de existir e de ser da biblioteca.
Nesse sentido, o artigo faz constatar que há muitos critérios analisados pelas

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ferramentas de marketing que oportunizarão ao gestor da biblioteca identificar os desejos e
anseios dos usuários e executar medidas que vão ao encontro das necessidades dos usuários, a
saber: o Benchmarking oportuniza aprender, implantar, melhorar e desenvolver serviços a
partir da aprendizagem com quem é/faz melhor; com o SERQUAL é possível identificar as
expectativas e percepções dos usuários, comparando-as e tomando medidas para que se
busque atender as expectativas do usuário, procurando não deixar uma lacuna muito grande
entre aquilo que o usuário percebe e aquilo que ele possui de expectativa; a análise SWOT
permite compreender o ambiente interno e externo das bibliotecas, por meio da identificação
de oportunidades, ameaças, pontos fortes e pontos fracos; um plano de marketing permite
pensar o presente e o futuro, repensar o passado, planejando as ações, organizando as etapas
de execução; e a pesquisa em marketing que coloca o plano de marketing em prática e o
avalia.
O uso das ferramentas do marketing em bibliotecas permite ao bibliotecário identificar
as falas, anseios, necessidades e sentimentos “ocultos” dos usuários em relação às bibliotecas.
Há muito que ser realizado nesta área do conhecimento, e o comprometimento dos
bibliotecários é primordial para a implantação, desenvolvimento e continuidade de
planejamentos e ações que satisfaçam, atendam e despertem as novas necessidades dos
usuários num mundo globalizado aonde a implantação de bibliotecas 2.0 é urgente e
emergente.
Por fim, parafraseando Cortez (1985), que há 31 anos teve a sensibilidade de extrair
um conceito sobre como aproximar usuário e biblioteca por meio do marketing: são as mentes
e as emoções das pessoas que precisam ser postas em movimento, se queremos movimentar a
mercadoria = informação, até os usuários.

6 Referências
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issues affecting academic libraries in higher education. C&amp;RL News, June 2014. Disponível em:
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O artigo reflete sobre a utilização de ferramentas do marketing em bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT). O estudo foi feito por meio de uma fundamentação teórica sobre as bibliotecas da RFEPCT, sobre o marketing em bibliotecas e sobre ferramentas do marketing em bibliotecas. Tem o objetivo de sensibilizar bibliotecários e gestores sobre a importância da aplicação de algumas ferramentas do marketing para se oferecer produtos e serviços nas bibliotecas da Rede que realmente atendam e satisfaçam as necessidades e os desejos dos usuários. Analisa quais questões podem ser levantadas, analisadas e implantadas para se utilizar das ferramentas do marketing para se promover estas bibliotecas. Conclui que o uso das ferramentas do marketing em bibliotecas permite ao bibliotecário identificar as falas, anseios, necessidades e sentimentos “ocultos” dos usuários em relação às bibliotecas.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                <name>Text</name>
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                  <elementText elementTextId="50096">
                    <text>Reestruturação de layout: impactos na biblioteca universitária da
UFVJM - Campus Do Mucuri
Paulo Vitor Oliveira (UFOP) - paulo.vitoroliveira@yahoo.com.br
Gilson Rodrigues Horta (UFVJM) - gilsonmax@hotmail.com
Resumo:
Apresenta ações resultantes do trabalho de reestruturação do layout para reorganização do
acervo realizado em uma das bibliotecas setoriais da UFVJM, situada no Campus do Mucuri
em Teófilo Otoni - Minas Gerais. Trata dos processos de estudo de layout e modificação por
transposição das obras entre as estantes para reorganização do acervo, visando acessibilidade
da coleção ao usuário. Descreve sobre a aplicação da metodologia de trabalho, gestão de
pessoas, expondo os impactos a partir dos resultados alcançados.
A adaptação e aceitação dos usuários frente às modificações ambientais realizadas na
biblioteca foram imediatas. Houve um retorno positivo quanto à padronização do acervo,
introdução de legendas nas estantes e a criação do mapa de sinalização.
Palavras-chave: Organização do acervo. Layout. Biblioteca universitária.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Acessibilidade (produtos, serviços e tecnologia)

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Na organização de bibliotecas e centros de documentação devemos dar ênfase a
alguns aspectos, dos quais, o físico e o técnico. O aspecto físico envolve as condições de
espaço ocupado pelo acervo seguindo determinado layout, enquanto o aspecto técnico
envolve processos pelos quais é possível classificar, organizar, preservar, catalogar e indexar.
Neste trabalho abordaremos sobre a atividade de transposição de obras entre estantes da
biblioteca universitária do Campus do Mucuri para reorganização do acervo.
A biblioteca universitária do Campus do Mucuri é uma das setoriais que compõe o
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri
(UFVJM). O sistema é regido pela Superintendência de Bibliotecas – Sisbi. Composto pelas
bibliotecas dos Campus I e Campus JK em Diamantina - MG, Campus Mucuri em Teófilo
Otoni / MG, Campus Janaúba e Campus Unaí, ambos nas respectivas cidades que os
denominam.
A Biblioteca atende principalmente aos cursos de Administração, Ciência e
Tecnologia (BC&amp;T), Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Engenharia Civil,
Engenharia de Produção, Engenharia Hídrica, Matemática (Licenciatura), Medicina e Serviço
Social e também a comunidade do Vale do Mucuri.
O acervo é constituído predominantemente de livros, com resquícios de alguns
periódicos avulsos adquiridos por doação. Abaixo podemos visualizar a UFVJM em
números, com destaque para o Campus do Mucuri:
DISCENTES
Qtde. de
Cursos

Vagas
Anuais

Matriculados

Diplomados em
2014

Total
Diplomados
Pelos Cursos

27

1570

4860

600

5521

10

600

2131

275

950

6
5

400
320

243
130

0
0

0
0

48

2890

7364

875

6471

Graduação Educação a Distância EaD

4

435

735

0

0

Subtotal 2 - Graduação
Presencial + EaD

52

3325

8099

875

6471

15

256

388

120

435

1

12

12

0

0

Pós-Graduação Lato Sensu

10

841

542

0

2

Subtotal 3 - Pós-Graduação

26

1109

942

120

437

78

4434

9041

995

6908

Modalidade
Graduação Campus JK Diamantina
Graduação Campus do Mucuri Teófilo Otoni
Graduação Campus Janaúba
Graduação Campus Unaí
Subtotal 1 - Graduação
Presencial

Pós-Graduação Stricto Sensu Diamantina
Pós-Graduação Stricto Sensu Teófilo Otoni

Total Geral Graduação
+ Pós-Graduação + EaD
Fonte: Portal UFVJM 2016

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A missão da biblioteca do Campus do Mucuri está subordinada ao Sistema de
Bibliotecas, tal qual, prover o acesso e uso da informação de forma eficiente e eficaz,
subsidiando o ensino, a pesquisa e a extensão, contribuindo para a educação universitária e
formação profissional do indivíduo, para que o conhecimento adquirido seja aplicado no
desenvolvimento da sociedade.
O expediente é ininterrupto de segunda a sexta-feira das 8hs às 22hs, com sábados
letivos das 8hs às 12hs. Ademais, as bibliotecas são abertas para consulta in loco pela
comunidade externa e tem seu público alvo a comunidade acadêmica com acervo voltado
especificamente para os cursos e disciplinas oferecidos na UFVJM. Podem registrar-se como
usuários: docentes, discentes regularmente matriculados, técnico-administrativos e
funcionários terceirizados.
A biblioteca do Campus do Mucuri presta os seguintes serviços aos usuários:











Emissão de nada consta;
Empréstimo/Devolução;
Elaboração de fichas catalográficas;
Orientação no uso de Normas ABNT/NBR para elaboração de trabalhos acadêmicos,
monografias, dissertações, teses.
Renovação/Reserva de títulos on-line;
Atendimento a solicitação de artigos científicos, dissertações e teses através do Sistema
de COMUT do IBICT e BIREME;
Solicitação de carteira;
Treinamento de usuários para uso da biblioteca e de seu software;
Treinamento em pesquisa bibliográfica nas bases do portal de periódicos da CAPES;
Marketing informativo da biblioteca e da UFVJM via fanpage do Facebook.

Conforme destaca Chiavenato (2005), os serviços nem sempre são tangíveis e visíveis.
Não têm cores, formas ou tamanhos como os produtos, pois são atividades especializadas que
as empresas oferecem ao mercado e podem assumir uma enorme variedade de características
e especializações.
O Sistema de Bibliotecas possui seu acervo automatizado pelo software SIGA, que é a
sigla para Sistema Integrado de Gestão Acadêmica. Trata-se de um sistema computacional
para ser executado em ambiente web, encarregado de criar e gerir sistemas de informação.
Tem quatro módulos básicos principais: ensino, administração, recursos humanos e biblioteca.
Estes módulos são compostos por rotinas de cadastro, consulta, relatórios e outros tipos de
transação. Podem ser acessadas pelos usuários do sistema, de acordo com as permissões
específicas de cada tipo de gerência.

2 Revisão de literatura
Compactuando com as ideias de Silveira (2014), as bibliotecas universitárias são
importantes produtoras de conhecimento científico, exercendo um papel fundamental no
processo de ensino, pesquisa e extensão, tripé do Ensino Superior no Brasil. É na universidade
que se percebe com mais clareza a produção do conhecimento científico e como este é
influenciado pelo uso da tecnologia. No contexto da atual Sociedade da Informação –
extremamente dinâmica, rápida e com intenso fluxo de informações –, as tecnologias da
informação e comunicação são responsáveis por grande parte desses processos de produção e
recuperação de informações e conhecimento.
A noção de layout trabalhada por Davok, Pereira e Ordovás (2011), diz respeito à
disposição física de materiais, móveis e equipamentos em um ambiente, de forma a facilitar e
aperfeiçoar os fluxos existentes nesse ambiente, racionalizando o aproveitamento dos espaços
e recursos materiais disponíveis. Ademais, o estudo do layout é uma das partes fundamentais

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do planejamento de organizações. Para tanto, deve-se desenvolver um estudo preliminar para
identificar as necessidades, deficiências, pontos fracos e fortes, verificando documentos e
levantando informações in loco, que possibilitem a elaboração de um diagnóstico da situação
objeto do estudo de layout.
Definido por Silva e Rentes (2012), o layout ou arranjo físico do setor de produção de
uma organização pode ser definido como a localização e a distribuição espacial dos recursos
produtivos, como máquinas, equipamentos, pessoas, instalações, no chão de fábrica. Esta
distribuição impacta diretamente o desempenho da unidade.
Dias (2009), descreve layout como uma proposição global inseparável em seus
diversos elementos, já que a melhoria das condições de operação, em determinado setor pode
ser completamente neutralizada se outro setor dependente não é beneficiado por esta ação.
Para Camargo et al. (2015), o desenvolvimento de um layout eficiente é primordial
para o bom andamento da produção, por isso é necessário acompanhá-lo para que os ajustes
sejam realizados, caso contrário, tal atividade não irá agregar valor ao produto. A otimização
do layout possibilita a eliminação de uma série de desperdícios, como por exemplo, os
referentes à movimentação e transporte de materiais e produtos. O arranjo físico ou layout de
uma organização está relacionado com o posicionamento e distribuição dos recursos físicos.
Santos e Andrade (2010), entendem que as bibliotecas universitárias devem se adequar
aos processos de reestruturação nos quais são fundamentais os redesenhos estruturais que
possam acomodar as forças que surgem dessas interações, das novas práticas de gestão e dos
aparatos tecnológicos que demandas por novos produtos e serviços.
Segundo Neuman e Scalice (2015), apud Camargo et al. (2015), o planejamento de
layout pode melhorar a comunicação, aumentar a moral dos funcionários, evitar acidentes de
trabalho, melhorar o acesso dos clientes e aumentar a eficiência da mão-de-obra e de
máquinas.
Torna-se relevante compartilhar aqui as ideias de Segundo, Araújo e Lopes (2013),
sobre o entendimento da biblioteca como um ponto de referência na organização, além dos
serviços informacionais que oferece, sendo um espaço que promova acesso e troca de
informações. De modo que as funções e serviços básicos de uma biblioteca, seja ela grande ou
pequena, necessitam considerar itens como os fluxos informacionais, conforto, acessibilidade
e segurança de suas atividades. De acordo com Pradella, Furtado e Kipper (2012), as
organizações que quiserem prosperar na era da informação, devem utilizar metodologias de
análise e redesenho de processos tendo como base as estratégias e capacidades da
organização. Essa metodologia deve ser capaz de representar e traduzir os objetivos
estratégicos em metas mensuráveis, por meio de processos consistentes, para que possa
agregar maior valor ao cliente final e aos agentes do processo.
Silva e Rentes (2012) estabelecem um modelo de projeto de layout dividido em três
macroetapas: Levantamento da situação atual: levantamento dos produtos oferecidos,
definição dos produtos de maior representatividade, identificação das semelhanças entre os
produtos, semelhanças entre processos, frequência e volume da demanda, tempo de ciclo do
produto, construir o mapa da situação atual, quantificação as distâncias físicas percorridas e
realização da análise crítica da situação atual; Projeto da situação futura (Novo layout): fazer
o mapa do fluxo de valor da situação futura, identificar no mapa do fluxo de valor os ciclos de
implantação e selecionar um para iniciar o projeto do layout, dimensionar o espaço físico
necessário, utilizar conceito de célula de produção e projetar módulo em ciclos indicando os
recursos restritivos internos, fixar o módulo de layout projetado em blocos, verificar se o
módulo projetado é satisfatório, fazer análise da alternativa indicando as vantagens e
desvantagens, verificar se a alternativa de layout é satisfatória; Implantação e
acompanhamento: planejamento da mudança de ambiente, definição das ações, definição da
equipe de mudança, acompanhamento para estabilização das mudanças, definição das
medidas de desempenho.
Francischini e Gurgel (2010), abordam sobre as funções usualmente exercidas no
Sistema de Administração de Materiais: a) classificação b) gerenciamento, c) aquisição, d)

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armazenamento e, e) controle. Sendo as normas de administração de materiais, a atividade que
redige, analisa, supervisiona, atualiza e regula o sistema, com o objetivo de estabelecer
padrões uniformes de comportamento administrativo.

3 Materiais e métodos
Para mapeamento do ambiente e auxílio no planejamento estratégico para execução
deste trabalho foi utilizado o software livre Autodesk Homestyler, criado pela Autodesk, sendo
um serviço on-line gratuito que permite fazer criação e edição gráfica 2D e 3D de plantas e
projetos para interiores de edificações. Utilizou-se também, o software Adobe Photoshop CS6
para inserção de dados gráficos limtados ao Autodesk, visando facilitar a leitura da planta que
representa a estrutura fisica da biblioteca e melhor entendimento da equipe da proposta sobre
o modo de execussão da transposição dos livros entre as estantes.
Fizeram parte da equipe, um bibliotecário, quatro terceirizados e um assistente
administrativo, no processo de transposição dos livros entre as estantes em uma jornada de
trabalho que perdurou o total de trinta e duas horas e pouco mais de quatro dias de labore.

4 Indicadores de problemas no layout da biblioteca universitária do Campus do
Mucuri
Foi detectado um problema grave na biblioteca que diz respeito à organização do
acervo, tendo em vista que os livros não estavam acondicionados nas estantes de forma
ordenada em conformidade com a Classificação Decimal de Dewey (CDD), utilizada pelo
Sistema de Bibliotecas da UFVJM. Entendemos a organização do acervo pela ordem das
classificações CDD e notação de autoria CUTTER como fator básico e primordial em
bibliotecas e centros de documentação e/ou informação.
A carência de sinalização visual para orientação e a forma desordenada de
acondicionamento do acervo nas estantes resultavam em dificuldades na localização das obras
pelos usuários. Os desvios na rotina funcional de atendimento aos usuários por parte dos
terceirizados para sanar as dúvidas recorrentes sobre a organização do acervo e o constante
auxílio na localização das obras gerava grande desgaste, afetando a qualidade na prestação
dos serviços.
Segundo Chiavenato e Sapiro (2003), conhecer a intenção estratégica de uma
organização é necessário, mas não é suficiente, pois, para alcançar um desempenho excelente,
a organização precisa identificar também a intenção estratégica dos clientes, fornecedores,
parceiros e concorrentes. É necessário que haja algum mecanismo que consiga transformar a
intenção estratégica em ação e que a torne realidade.
Vergueiro (2002), citando Peters (1987), elucida que, as pessoas em qualquer ambiente
de trabalho têm a tendência de achar que tudo está bem quando as coisas estão funcionando na
sua normalidade. Dão-se por satisfeitas quando não se registram problemas, descuidando-se
de questões menores, pequenas e constantes imperfeições que solapam as atividades, aos
poucos se tornando incontroláveis. No ambiente competitivo, essa postura tem se mostrado
suicida para empresas que atuam no fornecimento de bens ou serviços, representando perdas
até mesmo para conglomerados empresariais antes intocáveis.
Este dilema se assemelha a realidade em que se encontrava a Biblioteca do Campus do
Mucuri até julho de 2015, conforme demonstra Figura 1 abaixo:

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FIGURA 1 – Layout antigo da Biblioteca do Campus do Mucuri - UFVJM

Analisando a Figura 1, nota-se que não há uma linearidade no layout que configurava
a biblioteca. A ordem de classificação iniciava da direita para esquerda partindo da entrada
para o fundo da biblioteca, como visto na parte superior da figura, em uma sequência
quebrada, com continuidade na parte inferior, sendo da esquerda para direita, partindo do
fundo para a entrada.

5 Estratégias para o estudo do layout, implantação e acompanhamento
No processo de transposição dos livros entre as estantes, fizeram parte da equipe, um
bibliotecário, quatro terceirizados e um assistente administrativo. Houve um entendimento
inicial quanto ao remanejamento das obras nas estantes para fins de preservação física e
ordem sequencial pela CDD. Apenas as estantes de 01 a 24, localizadas na parte superior da
Figura 1 tiveram suas obras remanejadas. O remanejamento se deu de forma cruzada, do
ponto de início (estante 01) à extremidade na qual ocorreu a quebra (estante 24) de modo que
houve uma divisão do trabalho em duplas. O espaço que era liberado em uma extremidade por
uma dupla, era preenchido pela outra dupla na extremidade oposta e idem. A sincronia da
equipe durante todo remanejamento foi crucial para que não ocorressem erros no processo de
transferência. O trabalho perdurou numa jornada total de trinta e duas horas, resultando na
organização exposta pela Figura 2, abaixo:

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FIGURA 1 – Layout atual da Biblioteca do Campus do Mucuri - UFVJM

O layout padronizado conforme a CDD e notação de autoria CUTTER atualmente é
ordenado de modo linear, permitindo aos usuários o entendimento que o número de chamada
encontrado nas lombadas dos livros tem ordem regida por um sistema de classificação e
relação direta entre assuntos abordados em outros diversos livros organizados na mesma
estante, com numeração semelhante, conforme especificidades dos assuntos.
Aplicada aos livros, de acordo com Barbosa (1969), a classificação tem por finalidade
primordial arranjar o acervo da melhor maneira para uso, não sendo considerada classificada
uma coleção em que os livros estão apenas agrupados, sem obedecer a um princípio
sistemático. A melhor maneira de organizar livros para uso, deve permitir: a) localizá-los
dentro da coleção; b) retirá-los para consulta, com rapidez; c) devolvê-los à coleção, sem
dificuldade; d) inserir novos livros aos já existentes, na coleção, sem que percam suas ordens
lógicas; e) inserir novos livros, de novos assuntos, sem quebrar a seqüência.

6 Aspectos sobre adaptação dos usuários frente as modificações ambientais
realizadas
Conforme esperado, as alterações no layout causaram maior impacto sobre os usuários
mais antigos da biblioteca que sentiram notável dificuldade inicial no processo de localização
dos livros, habitualmente mais consultados e, que mudaram de posição nas estantes. Por outro
lado, houve retorno positivo destes usuários quanto à padronização do acervo, introdução de
legendas nas estantes e criação do mapa (ver apêndice). De fato, a adaptação e aceitação dos
usuários frente às modificações ambientais realizadas foram imediatas.
Faz-se necessário ressaltar que neste processo, preocupou-se estar em conformidade
com a NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos
visando atender os requisitos propostos:
a distância entre estantes de livros deve ser de no mínimo 0,90 m de largura. Nos
corredores entre as estantes, a cada 15 m, deve haver um espaço que permita a
manobra da cadeira de rodas. Recomenda-se a rotação de 180º. (NBR 9050, 2004).

As bibliotecas universitárias devem concentrar seus esforços e investirem em infraestrutura adequada para promover a acessibilidade dos usuários portadores de necessidades
especiais visando um atendimento qualificado a este público.

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7 Resultados e indicadores de desempenho
Após as alterações no layout para ordenação do acervo, houve grande redução na carga
de trabalho dos terceirizados. Consequentemente percebeu-se maior satisfação destes no
exercício de suas atividades, tal qual, melhorias no índice de desempenho e da qualidade na
prestação de serviços. A comunicação entre terceirizados e usuários decorreu de forma mais
satisfatória que anteriormente percebido, devido ao impacto das mudanças no layout, que na
prática possibilitou maior autonomia dos usuários, reduzindo as demandas operacionais dos
terceirizados. Para Vanz e Cuty (2012), o layout que prima pela simplicidade e facilidade na
comunicação com o público torna o ambiente fácil de entender e convidativo para o uso. A
disposição do acervo deve ser pensada com a intenção de facilitar o acesso. O uso de
mobiliário que promova a acessibilidade e a exposição do acervo pode aumentar as taxas de
uso e consulta dos documentos.
Segundo Tadeu e Salum (2012), o aperfeiçoamento de processos resume-se na
realização de um conjunto de atividades complementares que induzem a um melhor
desempenho das equipes de trabalho.
Na visão de Lima (2008), não basta planejar e implementar os planos de ação, pois, é
preciso monitorar os resultados em relação às metas definidas de forma sistemática, sendo
que, a etapa de acompanhamento dos resultados revela a eficácia das estratégias definidas e
implementadas.
Concomitantemente, os usuários tornam-se independentes na medida em que adquirem
a compreensão do ambiente e de seu funcionamento. Na concepção de Campello (2003), a
função educativa da biblioteca torna-se visível com o aparecimento do “serviço de referência”
(reference service) e se amplia com a introdução da “educação de usuários”, conjunto de
atividades que, ao contrário do serviço de referência, apresentam uma característica proativa,
realizando-se por meio de ações planejadas de uso da biblioteca e de seus recursos. Assim
sendo, os recursos visuais utilizados para orientação do uso da biblioteca tornam-se um meio
facilitador que conduz os usuários ao acesso rápido à informação de modo prático facilitando
sua pesquisa, otimizando a qualidade na prestação de serviços por parte da biblioteca.

8 Considerações finais
Trabalhos que envolvem práticas voltadas para atividades operacionais geralmente não
tem grande visibilidade quanto às atividades técnicas. O caso específico da Biblioteca do
Campus do Mucuri é uma exceção devido à especificidade situacional da biblioteca que
possuía uma infraestrutura com condições ideais para funcionamento, mas sem a devida
organização ou sinalização. É importante entender que a biblioteca, já informatizada, após
cinco anos de funcionamento no prédio atual não possuía seu acervo alocado nas estantes de
forma adequada, seguindo uma ordem de acordo com a CDD, sistema de classificação
utilizado pelo Sisbi. Outra questão a ser considerada, parte da resistência da gestão quanto à
aceitação das mudanças de layout para organização das estantes, resultando num embate
devido ao impacto que tais mudanças causariam na conjuntura até então existente.
Segundo Fleury et al. (2007), quando o gerenciamento da cultura implica manutenção
dos padrões vigentes, as possibilidades de planejamento e controle dos elementos simbólicos
reforçadores do tecido cultural são maiores. A questão se torna bem mais complexa quando a
proposta é de mudança de padrões culturais, pois, nestes casos, as resistências dos vários
segmentos da organização são significativas.
Concluímos com a citação de Luckesi et al. (2005) que a universidade e todo o seu
corpo deve ser constituído por pessoas capazes de refletir e abertas à reflexão, ao intercâmbio
das ideias, à participação em iniciativas construtivas. De modo que, todo o corpo
universitário, professores – alunos – administração, precisa comprometer-se com a reflexão,
criando-a, provocando-a, permitindo-a e lutando continuadamente para conquistar espaços de
liberdade que assegurem a reflexão.

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Referências
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Apêndice 1

LAYOUT DO ESPAÇO FÍSICO – BIBLIOTECA DO CAMPUS DO MUCURI

Legenda:
01 – 001.2 a 102

19 – 543 a 572

02 – 104 a 192

20 – 572 a 610.69

03 – 192 a 303.483

21 – 610.69 a 616.047

04 – 303.483 a 320.981

22 – 616.07 a 616.12

05 – 320.981 a 330.9

23 – 616.33 a 618.1

06 – 330.9 a 334

24 – 618.2 a 618.929

07 – 334 a 338.064

25 – 620 a 621.252

08 – 338.064 a 342

26 – 621.3 a 621.367

09 – 342 a 346.81

27 – 621.381 a 624.153

10 – 346.810 a 362.740

28 – 624.171 a 641.03

11 – 362.76 a 372.704

29 – 650 a 657.450

12 – 372.72 a 510.7

30 – 657.458 a 658.15

13 – 510.7 a 515

31 – 658.15 a 658.403

14 – 515 a 515.35

32 – 658.403 a 658.8

15 – 515.35 a 519.5

33 – 658.8 a 691

16 – 519.5 a 530

34 – 691 a 778.9

17 – 530 a 532

35 – 780.092 a 910.285

18 – 532 a 543

36 – 910.4 a 994.07

10

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Apêndice 2

SINALIZAÇÃO ATUAL DA BIBLIOTECA DO CAMPUS DO MUCURI

11

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Apêndice 3

SINALIZAÇÃO ATUAL DA BIBLIOTECA DO CAMPUS DO MUCURI

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                <text>Apresenta ações resultantes do trabalho de reestruturação do layout para reorganização do acervo realizado em uma das bibliotecas setoriais da UFVJM, situada no Campus do Mucuri em Teófilo Otoni - Minas Gerais. Trata dos processos de estudo de layout e modificação por transposição das obras entre as estantes para reorganização do acervo, visando acessibilidade da coleção ao usuário. Descreve sobre a aplicação da metodologia de trabalho, gestão de pessoas, expondo os impactos a partir dos resultados alcançados. A adaptação e aceitação dos usuários frente às modificações ambientais realizadas na biblioteca foram imediatas. Houve um retorno positivo quanto à padronização do acervo, ntrodução de legendas nas estantes e a criação do mapa de sinalização.</text>
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                    <text>RECURSOS WEB 2.0 ENQUANTO PRODUTOS E SERVIÇOS
INFORMACIONAIS: UM ESTUDO EM BIBLIOTECAS PÚBLICOUNIVERSTÁRIAS FEDERAIS DO BRASIL

Rogerio Ferreira Marques (UFPB) - rogerioferreiramarques1@gmail.com
Zayr Claudio Gomes da Silva (UFPB) - zayr10@gmail.com
Resumo:
Estudo em decurso sobre os recursos web 2.0 que podem ser utilizados pelas bibliotecas
universitárias no contexto da sociedade em rede. Problematizamos os recursos web 2.0 como
produtos e serviços informacionais de bibliotecas público-universitárias federais do Brasil.
Identificamos e descrevemos as características desses recursos utilizados pelas bibliotecas
público-universitárias federais do Brasil. Tratamos como uma pesquisa bibliográfica e
exploratória. Fazemos uma revisão de literatura, utilizando levantamentos bibliográficos em
periódicos eletrônicos do campo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia. Utilizamos a
Netnografia e a Análise de Conteúdo para sistematizar as coleta e análise dos dados. O
universo da pesquisa se constitui nas bibliotecas centrais público-universitárias federais,
pertencentes aos Sistemas de Bibliotecas de cada estado. Constatamos que poucas bibliotecas
universitárias utilizam recursos web 2.0, em destaque o Facebook e o Twitter. Além de
pontuar a necessidade maiores aprofundamentos teórico-metodológicos, bem como a
aproximação do bibliotecário em relação aos recursos web 2.0.
Palavras-chave: Web 2.0. Produtos e Serviços Informacionais. Biblioteca 2.0.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Trata-se de uma investigação sobre os recursos web 2.0 que podem ser utilizados pelas
bibliotecas universitárias como produtos e serviços informacionais no contexto da sociedade
em rede.
A partir do avanço exponencial das tecnologias digitais de informação e comunicação,
especialmente, a internet e a web, a formação e caracterização da comunicação mediada pelo
computador se altera cada vez mais. De modo que os recursos web 2.0 possam reconfigurar
os mecanismos de interação e compartilhamento entre sujeitos e objetos, alterando as
configurações do tempo e espaço.
Discute-se as aplicabilidades desses recursos em vários contextos, espaços e locais de
trabalho e de convivência, por exemplo, nas unidades de informação, especificamente, nas
bibliotecas como espaço de organização, disseminação e uso da informação, objetivando a
produção de conhecimentos.
A partir desse contexto, há uma questão que materializa a problematização da
pesquisa: Quais os recursos web 2.0 são usados pelas bibliotecas universitárias enquanto
produtos e serviços informacionais?
Buscando elementos que possibilitem responder tal questionamento, tem-se como
objetivo geral: estudar os recursos web 2.0 enquanto produtos e serviços informacionais em
bibliotecas universitárias. Com base na operacionalização da pesquisa para atingir este
objetivo, busca-se através de intentos específicos: a) mapear as bibliotecas públicouniversitárias federais das capitais brasileiras; b) identificar os recursos web 2.0 utilizados
pelas público-universitárias federais das capitais brasileiras; e, c) descrever características de
produtos e serviços de informação dessas bibliotecas.
Nosso referencial, basicamente, parte de três macro conceitos, bibliotecas, tecnologias
web 2.0 e produtos e serviços informacionais. Compreendemos bibliotecas enquanto uma
rede de coleções materiais e imateriais de informação; já as tecnologias web 2.0, temos como
um conjunto de técnicas e linguagens focadas no compartilhamento, interação e colaboração
na plataforma web; e, produtos e serviços informacionais enquanto atributos e ofertas
objetivando satisfazer as necessidades dos usuários através dos processos de armazenamento,
organização, disseminação e uso de informações.
Metodologicamente, trata-se de pesquisa bibliográfica e exploratória. Utilizamos de
duas técnicas, a saber: a Análise de Conteúdo e a Netnografia para coletar, sistematizar e
analisar os dados empiricamente na pesquisa.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O universo deste artigo se constitui nas bibliotecas público-universitárias federais,
pertencentes aos Sistemas de Bibliotecas dos estados brasileiros. E, por conseguinte, a
amostragem aqui é delimitada como as bibliotecas centrais público-universitárias federais das
capitais de cada estado.
Constatamos que algumas bibliotecas universitárias utilizam recursos web 2.0
enquanto produtos e serviços informacionais, em destaque as mídias sociais Facebook e o
Twitter. Além de pontuar a necessidade de aproximação na formação dos bibliotecários em
relação as tecnologias digitais, podendo fornecer perspectivas teóricas e práticas em novos
produtos e serviços de informação para usuários no ambiente web.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Sociedade em Rede e a Web 2.0
As tecnologias de informação e comunicação desde os primórdios vem alterando as
formas de organização da sociedade. Entendemos que as sociedades se fundam a partir das
interações individuais que se propagam em série entre vários elementos humanos e nãohumanos, isto é, entre ideias, homens, dispositivos tecnológicos etc. De modo que as
interações entre sujeito e objeto, por exemplo, coexistam cada vez mais de forma
multidimensional, associada e diferentemente (TARDE, 2006).
A noção de sociedade em rede é comumente apontada ao pensador Manuel Castells.
Este tipo de sociedade, segundo Castells (2000), é apenas uma caracterização das sociedades
dos últimos séculos, que não surge somente a partir das tecnologias de informação e
comunicação. Mas, sobretudo, com um tipo de reestruturação dos modos de produção
capitalista e o desenvolvimento da comunicabilidade pela circulação de dados e fluxos de
informação, estes por sua vez, intensificados pela difusão de computadores e novos meios de
telecomunicações redefinindo também as noções de tempo e espaço.
A internet e web, sem dúvida, são um dos mais apropriados mecanismos que
possibilitam descrever as noções de sociedades onde infinitas redes se formam. Estas como
fluxos de indivíduos interconectados por pensamentos, ideias, computadores, regras,
instituições etc., uma vez que este emaranhado de elementos heterogêneos se conecta nos
mais variados tipos de associações. De acordo com o próprio Castells (2006), rede é um
conjunto de nós interconectados. Diríamos que estes próprios “nós” já são redes elementares,
não somente um ou o conjunto, mas suas associações que os fazem assim serem. Como
ressalta Serres (1968, apud MUSSO, 2004, p. 30), a rede é constituída “de uma pluralidade de

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

pontos (picos ligados) entre si por si por uma pluralidade de ramificações (caminhos)”.
Nos últimos anos, a web vem transformando os modos de produção e circulação de
dados e informação, em processos de comunicação cada vez mais interativos e
compartilhados. Configurações da web potencializam novos padrões comunicativos através
de diferentes mídias sociais, as quais permitem os usuários interagir e compartilhar dados e
informações independente de espaço e tempo. Esta tipologia da web caracterizada pelos novos
processos de informação e comunicação compartilhados e interativos é considerada uma nova
geração da web, com nomes como web 2.0 e web social.
A web 2.0 emerge na transição dos últimos séculos com outra roupagem de recursos
web. Ela se baseava em uma distribuição radicular. Depois veio a ser rizomática. Partia -se de
elementos centralizadores, isolados e monológicos, uma vez que os administradores e os
gestores de sites, por exemplo, criavam seus conteúdos direcionados aos usuários e passou-se
à uma “estrutura integrada de funcionalidades e conteúdo” (PRIMO, 2007, p. 3). Isso quer
dizer que a web se desenvolveu para uma rede redistributiva baseada e caracterizada pela
interatividade, autonomia do usuário, coletividade, descentração e compartilhamento.
De acordo com O’Reilly (2005), várias mudanças ocorreram como transferências
tipológicas e metodológicas de softwares (Mídias Sociais, Blogs, Wikis), os quais surgiram
com a capacidade cooperativa e colaborativa de informações antes nunca vista. As páginas de
Sites Pessoais dariam espaço aos Blogs, as Enciclopédias à Wikipedia, as Taxonomias à
Folksonomia. Atualmente, as mídias sociais Facebook, Twitter e aplicações de mensagens
instantâneas se operacionalizam dentro dessa comunicação colaborativa. 1 No entanto, mesmo
havendo transformações ao longo do tempo dos modelos de tecnologias web, não se funda
aqui a trocar de modelos, mas identificar e descrever tecnologias web 2.0 metodologicamente.
A processualidade e a efetividade dos fluxos de informação nessa web se tornam bem
mais colaborativa e dinâmica, de modo que os usuários criam seus próprios conteúdos e
tendências de negócios e organizações, se revelando muito mais dialógicas e descentradas.
Logo, as diversas organizações tiveram que se adaptarem as mudanças da plataforma web. E
as bibliotecas não poderiam ficar para trás e tiveram que adentrar nesse espaço da web 2.0.

Vale ressaltar que estamos ciente que as tecnologias web já sofreram várias transformações ao longo do séc.
XXI. Por exemplo, já se encontra em uso novas mecanismos da web, como a dita web 3.0 ou web semântica.
Esta por sua vez, se funda como uma web mais inteligente. Aqui os aportes tecnológicos são tratados como
inteligíveis. No entanto, decidimos fundamentar somente a web 2.0, tendo em vista o foco temático do artigo.
1

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

2.2 Bibliotecas Universitárias e As Tecnologias Web
Os recursos da web 2.0 vêm transformando as organizações em geral, tendo em vista
as formas de reestruturação funcional do trabalho e da produção de conhecimento dentro das
unidades organizacionais. Pois, estas tecnologias possibilitam que novos produtos e serviços
sejam utilizados e desenvolvidos com o auxílio das plataformas web 2.0, haja visto, seus
mecanismos de compartilhamento, interação e colaboração via internet.
Nesse contexto, as Bibliotecas Universitárias (BU) como ambientes responsáveis em
estabelecer uma linha ténue e dinâmica entre os usuários, a informação e o conhecimento,
recebem uma responsabilidade em fornecer aos seus usuários novos subsídios de
disseminação e recuperação da informação na chamada sociedade em rede.
A relação biblioteca-tecnologia se apresenta cada vez mais de forma incidente. Não
que isso seja novo, mas que as tecnologias web possibilitam que os usuários dentro e fora da
unidade possam compartilhar informações e interagir com funcionários e, consequentemente,
coma própria biblioteca. Assim, vêm se constituindo em novos mecanismos de trocas de
informações e uma espécie de vantagem competitiva no mundo das organizações. Em outras
palavras, isso permitiu uma “maior colaboração, interatividade e dinamização quanto ao fluxo
de conhecimento no meio organizacional, seja no âmbito interno ou externo, ampliando o
potencial coletivo” (SCHONS, 2008, p. 80).
A partir das aplicações dessas tecnologias web 2.0, as bibliotecas foram nomeadas por
alguns pesquisadores como (MANESS, 2007; CASEY, SAVASTINUK, 2006) library 2.0, em
português, biblioteca 2.0 – aquelas bibliotecas que utilizam as ferramentas da web 2.0 como
produtos e serviços informacionais. De acordo com Maness (2007, p. 44) biblioteca 2.0 pode
ser definida como “aplicação de interação, colaboração, e tecnologias multimídia baseadas em
web para serviços e coleções de bibliotecas baseados em web, e sugere que esta definição seja
adotada pela comunidade biblioteconômica”.
Entretanto, como ressalta Maness (2007), não há necessidade de usar este termo no
ambiente da biblioteca, mas com enfoque nos serviços web, estes, por sua vez, centrados ao
usuário (usuários participam na criação de conteúdos e serviços que eles veem a biblioteca na
web, por exemplo, o OPAC2), oferecem experiência de multimídia (serviços que contém
componentes de áudio e vídeo, Youtube, por exemplo, onde a biblioteca pode divulgar vídeos
acadêmicos etc.), atemporais e a-espaciais (compartilhamento de informação e produção de
conhecimento de forma síncrona e assíncrona, à distância, exemplo, Wikis, Messengers
2

Online Public Acess Catalogue, em português, Catálogo Aberto de Acesso Público.

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(aplicações de mensagens instantâneas), baseados na coletividade (os usuários participam
como indivíduos dentro de uma coletividade em conjunto com as bibliotecas; comunidades
virtuais formadas em mídias como Facebook e Google Plus são exemplos).
Todos esses conceitos e características relacionadas ao uso das tecnologias web, no
caso web 2.0, pelas bibliotecas estão imbricadas aos questionamentos que emergem em
relação aos profissionais bibliotecários, às questões políticas das instituições a que se
reportam as unidades, o desenvolvimento contínuo das tecnologias e os próprios usuários.
Logo, não adianta somente atentar-se as possibilidades que as tecnologias web podem
fornecer e esquecer questões cruciais como resistências de profissionais de cunho tradicional,
bem como, necessidades de estudos em busca de novos produtos e serviços na web,
compreensão de demandas dos coordenadores e pró-reitores e avanço exponencial dos
recursos web 2.0.
Bax (1998) aponta para um arcabouço teórico desenvolvido pela ciência da
informação, uma vez que as pesquisas fomentam à necessidade de formação e capacitação
para os profissionais da área, tendo em vista as possibilidades de atuação das unidade s de
informação no ambiente web. Reforça-se, então, “a necessidade premente em formar
profissionais capazes de entender os mecanismos de criação e disponibilização de recursos
digitais na Internet” (BAX, 1998, p. 6).
Ciente das especulações e predições abordadas na fundamentação, a seguir
descreveremos algumas plataformas de web 2.0 que podem servir de produtos e serviços
informacionais no âmbito das BU.
2.3 Recursos Informacionais Web 2.0
Consideram-se recursos informacionais web 2.0 aquelas ferramentas que contém
propriedades (colaboração, interatividade, compartilhamento) dessa geração da plataforma
web. Conforme adiantado, descrevemos abaixo algumas definições e características de
algumas dessas ferramentas. Na literatura, a partir do levantamento bibliográfico,
encontramos alguns tipos de organização e classificação dos recursos de acordo com suas
peculiaridades. Não centralizamos em um só autor, apenas buscamos elencar conforme as
especialidades de cada recurso e algo próximo do que fizeram os pesquisadores, que servem
como aporte teórico-metodológico para o estudo.
Recursos sob o enfoque das trocas de informações síncronas são comumente
chamados Messenger, Mensagens Instantâneas ou Chats. Estes focam na interatividade
através de mensagens de textos entre indivíduos. Segundo Maness (2007), as bibliotecas

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começam a utilizar esses produtos para prover serviços de “referência por chat”, de modo que
os usuários possam se comunicar sincronamente com profissionais bibliotecários como se
fosse face-a-face. Já Rosa (2008), afirma que “este serviço pode ser utilizado para perguntas
específicas que envolvam pesquisas, estudo, indicações ou perguntas casuais como horário de
funcionamento, localização de materiais entre outros”.
Fato é que, atualmente estes recursos de mensagens instantâneas contêm
características dos chamados Streaming Media ou Transmissão de Mídias (tradução livre).
Digamos que é uma completude dos Messengers, pois contém características próximas, mas
tem o intuito de acrescentar o leque de possibilidades de formas de interatividade, isto é, não
só texto enquanto uma explanação estática, mas de áudio e vídeo em uma interação mais
dinâmica (MANESS, 2007).
Já os Sites de Redes Sociais são recursos da web 2.0 que se concretizam meios de
formação para as redes sociais, ou seja, uma ferramenta. Para Recuero (2009) uma mídia
social só se qualifica como uma rede social na web quando existe interação entre atores ou
coletivos

(indivíduos

ou

grupos

de indivíduos

compartilhando de

informações,

dialogando), e não somente a ligação via software. Exemplos dessas mídias sociais podem ser
o Facebook e o Google Plus. Também são formadas redes sociais no microblogging3 Twitter.
Blogs e Wikis possuem especificidades próprias da web 2.0. Têm características de
publicação que se prolifera rápido em compartilhamentos e em larga escala. “Eles habilitam a
produção e o consumo rápidos de publicações baseadas em web” (MANESS, 2007, p. 47).
Existem outros recursos como RSS Feed e Folksonomia com enfoques na organização,
disseminação e rotulação de outros sites, blogs e etiquetas, respectivamente.
Além disso, percebem-se na literatura (MANESS, 2007; CONTI E PINTO, 2010;
AGUIAR E SILVA, 2014) as similaridades e diferenças conceituais e de interpretação dos
recursos web 2.0.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 Tipo de Pesquisa
Trata-se de uma Pesquisa Bibliográfica e Exploratória, a primeira sendo aquela que se
constitui em materiais já elaborados, publicações, tendo um enfoque na análise de
informações em artigos, livros etc., e a segunda focada no registro e análise dos fenômenos
3

Um mecanismo de pequenos dados e textos de blogs que permite aos usuários compartilharem informações em
textos, imagens e vídeos.

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estudados com busca e identificação de suas causas e efeitos através da aplicação da
interpretação possibilitada pelos métodos quantitativos e qualitativos (RICHARDSON, 1999;
GIL, 2007).
Neste caso, a pesquisa bibliográfica é realizada sob um levantamento bibliográfico em
o campo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia, especificamente em periódicos
eletrônicos dessas áreas, sobretudo, em revistas brasileiras, para explorar os elementos
teórico-metodológicos em torno dos objetos/fenômenos em estudo.
3.2 Universo e Amostra da Pesquisa
O universo de um estudo corresponde ao conjunto de dados envolvidos na pesquisa.
De modo mais preciso, de acordo com Richardson (2008), trata-se do conjunto de elementos
que possuem determinadas características, como uma população específica que se efetiva em
torno dos objetos e fenômenos estudados. O universo deste são as bibliotecas centrais
público-universitárias federais, pertencentes aos Sistemas de Bibliotecas.
Considerando a totalidade das unidades supracitadas, entende-se como amostra do
estudo somente os recursos das bibliotecas centrais das capitais de cada estado brasileiro.
Nesse sentido, segundo Richardson (2008, p. 158), a amostra é “qualquer subconju nto do
conjunto universal ou da população”.

4 COLETA E SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS
A coleta e a sistematização dos dados são realizadas empiricamente em dois
momentos, a saber: a fase bibliográfica e a fase descritiva. A primeira, trata-se da realização
de levantamentos bibliográficos em periódicos eletrônicos da Ciência da Informação e da
Biblioteconomia; e em um segundo momento, busca-se explorar e descrever analiticamente
de forma sistemática os elementos e propriedades do corpus da pesquisa, através de duas
técnicas de análise: a Análise de Conteúdo (AC) e a Netnografia.
De acordo com Bardin (1977), a AC permite deduções lógicas (inferências) a partir de
descrições analíticas em mensagens de vários tipos de materiais, sejam textos , áudios, vídeos
etc. Aqui se realizam inferências e, por conseguinte, descrições a partir dos textos de
periódicos eletrônicos, bem como em materiais na internet referentes aos recursos.
Além disso, para Amaral, Natal &amp;Viana (2008), a netnografia 4 ou etnografia virtual é
uma prática metodológica que busca observações em objetos da comunicação virtual, sejam

4

O neologismo “netografia” (nethnography = net + ethnography).

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fases do processo de adoção [as mídias], mas proporcionar uma experiência
para o usuário de bibliotecas universitárias capaz de creditar estas
ferramentas como algo de que o usuário venha a participar.

Constamos, portanto, que as bibliotecas avaliadas, têm buscado se aproximar dos
relacionamentos virtuais com seus usuários, reafirmando sua representatividade e imagem no
ciberespaço, na web. A respeito, Maness (2007) afirma que as bibliotecas passam a utilizar
esses recursos para mediar a informação de forma virtual com seus usuários. Com isso, houve
a possibilidade de identificar que a mediação da informação realizada por estas bibliotecas
não somente se reduz ao seu espaço e relacionamento físicos, se constituindo, deste modo, no
espaço virtual.
Quanto à outra mídia, o Twitter, através das análises netnográficas, verificamos que,
em sua maioria, os tweets (mensagem disseminada em até 140 caracteres) foram utilizados
por seus usuários de forma bastante satisfatória. Vimos que estas estão disseminando através
de seus tweets, informações que de modo geral, são sempre relacionadas ao marketing da
instituição, a eventos, à leitura e cultura, à interação com os usuários e notícias em geral.
Em outro momento, por meio da leitura dos tweets postados pelas bibliotecas, foram
analisados alguns dos serviços prestados por estas unidades. Desse modo, a netnografia, com
base na etnografia, conforme ressalta Geertz (2001), nos possibilita fazer uma leitura de
informações, por meio de dados expostos em tweets.
Observamos que há uma divulgação dos serviços internos das bibliotecas como
horário de funcionamento; Disseminação Seletiva de Informação 7 (DSI); divulgação de novos
produtos adquiridos pela biblioteca; visita orientada pelos bibliotecários ou outros servidores
da mesma; disponibilidade de acesso a normas técnicas; informações sobre o acervo;
divulgação de eventos e cursos realizados na Universidade a qual a biblioteca pertence e em
outras instituições afins; divulgação de informações relacionadas à leitura e à cultura, etc.
Em uma análise sobre o uso do Twitter pelas bibliotecas universitárias federais
brasileiras Silva, Albuquerque, Paula e Oliveira. (2012), aventam que estas unidades têm a
preocupação que as informações postadas sejam constantemente atualizadas, visto que assim,
há a possibilidade dos usuários se apropriarem de informações de forma rápida e atualizada.
Notamos que apenas 2 (duas) bibliotecas das 27 que utilizam algum recurso web 2.0,
usam a mídia de fotos Instagram. Este recurso é utilizado para divulgação de novos materiais
adquiridos pela biblioteca como postagens de imagens e frases relativas a específicos livros e
7

Para Cunha e Cavalcanti (2008, p. 130), DSI é uma “difusão automática, selecionada, permanente e
personalizada de informações correntes, relativas a assuntos específicos [...]”

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às leituras, e de respostas de outros perfis de Instagram em áreas afins. Segundo, Maness
(2007) este tipo de mídia possibilita que os usuários fiquem sabendo e compartilhem
simplesmente ao verem as coleções dos outros. Isto é, utilizam este recurso para divulgar
livros em destaque e incentivar à leitura, além de colaborar com outros usuários e outras
unidades através de seus perfis.
No caso do Foursquare, é um recurso um pouco diferente das plataformas web 2.0
tratadas no referencial. Pois, ele uma rede geossocial e um microblogging que possibilita
através de “check-in” os usuários compartilharem informações em textos e imagens
mostrando sua localidade, permitindo, portanto, a localização de contatos próximos da sua
região local.
Assim, usuários de bibliotecas podem utilizar do Foursquare8 para efetuar seus
“check-ins” e interagir sua localidade com outros usuários. Isto é, realizar um “cheguei na
biblioteca... Estou lendo”, além compartilhar, claro com a própria unidade. Ou seja, a
biblioteca fica sabendo quando seu usuário está presente. E dependo da interação, qual a
leitura. É desse modo que se vem constituindo os novos conceitos de sociedade,
especificamente, dentro de espaço complexos como são as bibliotecas, uma vez que as
interações passam a ser entre diversos atores, sejam humanos (usuários) ou não humanos
(celulares, mídias sociais) elementares, intersubjetivamente (TARDE, 2006).
Já o Flickr é um site que permite consideravelmente a formação de redes sociais,
através do compartilhamento e interatividade de imagens. Além disso, possibilita o usuário
indexar suas imagens por etiquetas – termos chaves que facilita a recuperação da imagem,
mecanismo comumente chamado de Folksonomia (BLATTMANN; SILVA, 2007; ROSA,
2008).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabe-se que os usuários a cada dia estão presentes na internet e utilizando recursos
web 2.0. Então, pode-se dizer que as bibliotecas precisam se inserir nesses espaços, visto que
lhe são propiciadas novas ferramentas que possibilitam a adaptação e mudança de paradigmas
dos produtos e serviços prestados à comunidade usuária.
É fato que as bibliotecas universitárias federais do Brasil utilizam consideravelmente
alguns recursos web 2.0, em contraponto, há uma considerável insuficiência no uso tendo em
8

Lembremos que atualmente, este recurso está dividindo em dois aplicativos. Sendo ele próprio direcionado às
dicas de lugares como restaurante, locais diversos, ou seja, recomendações; e, o Swarm, este por sua vez, é mais
direcionado aos serviços antes prestados pelo Foursquare de compartilhamento de localização geográfica.

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vista a pluralidade de recursos com características e objetivos diferentes. Portanto, torna -se
necessário que estas unidades estejam mais próximas aos seus usuários e, assim, se adaptarem
com novos produtos e serviços, para que possam satisfazer às necessidades informacionais de
seus usuários. E consequentemente, é preciso que os profissionais bibliotecários estejam
atentos às mudanças em relação aos recursos de web 2.0.
Por fim, entendemos que há uma necessidade de maiores aprofundamentos nos
elementos teórico-metodológicos e empíricos relacionados à temática, e consequentemente,
ao estudo. De modo que se possa trabalhar as bases conceituais e teóricas, além de maiores
detalhes nas observações em realização das técnicas e dos próprios objetos analisados. Se
fazendo necessário, de fato, novas discussões em se tratando de uma temática tão dinâmica e
atual.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Recursos Web 2.0 enquanto produtos e serviços informacionais: um estudo em bibliotecas público-universtárias federais do Brasil.</text>
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              <elementText elementTextId="50080">
                <text>Marques, Rogerio Ferreira; Silva, Zayr Claudio Gomes da</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Manaus (Amazonas)</text>
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            <name>Publisher</name>
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                <text>UFAM</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2016</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Estudo em decurso sobre os recursos web 2.0 que podem ser utilizados pelas bibliotecas universitárias no contexto da sociedade em rede. Problematizamos os recursos web 2.0 como produtos e serviços informacionais de bibliotecas público-universitárias federais do Brasil. Identificamos e descrevemos as características desses recursos utilizados pelas bibliotecas público-universitárias federais do Brasil. Tratamos como uma pesquisa bibliográfica e exploratória. Fazemos uma revisão de literatura, utilizando levantamentos bibliográficos em periódicos eletrônicos do campo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia. Utilizamos a Netnografia e a Análise de Conteúdo para sistematizar as coleta e análise dos dados. O universo da pesquisa se constitui nas bibliotecas centrais público-universitárias federais, pertencentes aos Sistemas de Bibliotecas de cada estado. Constatamos que poucas bibliotecas universitárias utilizam recursos web 2.0, em destaque o Facebook e o Twitter. Além de pontuar a necessidade maiores aprofundamentos teórico-metodológicos, bem como a aproximação do bibliotecário em relação aos recursos web 2.0.</text>
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                    <text>RECESSO ACADÊMICO COMO OPORTUNIDADE DE
PLANEJAMENTO: ATIVIDADES DIFERENCIADAS OTIMIZANDO
PROCESSOS E RESOLVENDO PENDÊNCIAS

Luis Rodrigo de Mesquita Tiago (UFABC) - luis.rodrigo.tiago@gmail.com
Ronalde Baptista de Lima Júnior (UFABC) - ronalde.lima@ufabc.edu.br
Resumo:
Traz um relato de experiência das inovadoras “Atividades Diferenciadas de Recesso”
realizadas na Biblioteca Santo André (SA) pertencente ao Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do ABC no terceiro quadrimestre de 2015. A metodologia empregada foi
o estudo de caso, utilizando-nos da descrição do ferramental empregado para o planejamento
e execução das atividades. Recorreu-se ainda a um levantamento bibliográfico em livros e
periódicos na área de Biblioteconomia e Administração. Como resultado foi obtido um valor
percentual oriundo de uma parametrização da realização ou não realização das atividades
propostas, ainda considerando o nível de importância das mesmas. Constatou-se que a
utilização do precioso tempo de recesso acadêmico proporcionou a conclusão de parte
expressiva das atividades planejadas.
Palavras-chave: Inovação, Planejamento, Atividades Diferenciadas
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1. Introdução
A Universidade Federal do ABC (UFABC) foi instituída em 2006, e desde a sua
criação tem se consolidado como uma das mais promissoras instituições de ensino superior do
país. A UFABC vem se expandindo nas diversas áreas do saber, através de trabalhos e
projetos desenvolvidos por seu corpo docente e discente, além de diversos convênios com
instituições nacionais e internacionais, que suscitam na promoção e reconhecimento da
UFABC no Brasil e no mundo.
A UFABC conta com um Sistema Integrado de Bibliotecas (SISBI-UFABC) que é
composto por duas bibliotecas, uma situada na cidade de Santo André e a outra situada na
cidade de São Bernardo do Campo. O Sistema conta com um acervo de cerca de 90 mil
exemplares e um fluxo anual de cerca de 50 mil pessoas. O Sistema tem elevado o número de
itens do acervo com o objetivo de atender aos novos cursos criados pela universidade,
resultando num aumento significativo do fluxo de usuários na biblioteca.
Com um fluxo tão intenso de pessoas e materiais é inevitável o surgimento do
problema da falta de tempo para o planejamento e execução de tarefas, visto que o período
letivo demanda atenção especial ao atendimento da comunidade. Diante disso, tornou-se
necessário o planejamento de atividades diferenciadas, entendendo-as como uma importante
novidade para gestão com excelência a partir do conceito de inovação incremental. Este
trabalho busca mostrar a experiência do projeto executado nomeado Atividades Diferenciadas
de Recesso no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do ABC, experiência essa
iniciada em 2015 e finalizada no início de 2016.

2. Revisão de Literatura
A inovação é o requisito incontornável para a sobrevivência das organizações. Sua
manifestação é efetivada principalmente por meio de produtos e serviços oferecidos aos
clientes. Por vezes, a inovação é identificada como resultados vinculados a descobertas ou
pesquisas científicas, entretanto ela está presente igualmente dentro de qualquer tipo de
organização, incluindo-se aí as bibliotecas universitárias.
Para Quandt (2009) a inovação refere-se à transformação efetiva do conhecimento em
valor, a partir da introdução no mercado de novos produtos, processos ou sistemas. Inovação
vem do termo em latim innovare, significa “fazer algo novo”. É um processo de fazer de uma
oportunidade uma nova ideia e de colocá-la em prática (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008).
De acordo com esses autores, a inovação pode ser considerada como uma mudança e neste
enfoque é dividida em quatro tipos: inovação de produto (mudança nos produtos/serviços),
inovação de processo (mudança na forma como produtos/serviços são criados ou entregues),
inovação de posição (mudança no cenário em que produtos/serviços são introduzidos no
mercado) e inovação de paradigma (mudança nos modelos mentais da organização) (TIDD;
BESSANT; PAVITT, 2008).
A inovação pode ser radical ou incremental. a) Inovação radical: desenvolvimento ou
introdução de um novo produto, processo ou forma de organização inteiramente nova. Pode
representar uma ruptura estrutural com o padrão tecnológico anterior, originando novas
indústrias, setores ou mercados. (LEMOS, 1999); mudança significativa que pode afetar ao
mesmo tempo o modelo de negócios e a tecnologia de uma organização (DAVILA, EPSTEIN,
SHELTON, 2006); b) Inovação incremental: melhorias contínuas em produtos, serviços ou
processos. Os produtos raramente são novos. (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008); modo de

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extrair o máximo de produtos e serviços sem realizar mudanças significativas ou grandes
investimentos (DAVILA, EPSTEIN, SHELTON, 2006).
A inovação gradual, passo a passo, também é inovação - e é tão necessária, ou até
mais, que a versão radical. Isso é o que realmente torna um negócio sustentável. Acreditamos
que essa foi a inovação na Biblioteca SA da Universidade Federal do ABC através da
execução das Atividades Diferenciadas de Recesso, pois com o aumento do fluxo de usuários,
a demanda de serviços amplia-se, e o tempo para o planejamento e execução de tarefas se
torna escasso, exigindo a criatividade e espírito inovador s para tratar dessa questão.

3. Metodologia
A primeira estrutura criada para o desenvolvimento das atividades consistiu em
estabelecer um compilado de atividades que constavam nas expectativas de realização da
divisão, ou seja, aquelas que já haviam sido discutidas em reuniões. Nesse instante, buscou-se
sistematizar, por meio de um plano de ações, o conjunto das atividades provenientes das
demandas e projetos, gerando uma subdivisão definida como espaços, processos, serviços e
acervo, vide figura 1.
Figura 1 – Criação de plano de ação para sistematizar a realização das atividades.

Fonte: AUTORES, 2015

As atividades relacionadas à subdivisão espaços corresponderam às alterações de
layout e estrutura física do ambiente, ressaltando que tais mudanças não implicariam somente
em questões visuais, mas promoveriam, principalmente, modificações na dinâmica do
trabalho e uso do espaço. A subdivisão processos correspondeu no plano de ações às
atividades que tinham como propósito a produção de normas e procedimentos de serviços
novos ou já existentes, além da validação de mudanças propostas em novo regulamento. Com
relação aos serviços, foram estabelecidos estudos e consolidação de propostas para
oferecimento de novos serviços no âmbito do atendimento. O grupo de atividades da
subdivisão acervo foi definido por todas as ações que implicavam em organização, estudo e
verificação dos materiais componentes do acervo físico de responsabilidade da divisão.
O plano de ações foi constituído mediante um cronograma, figura 2, criado com
perspectivas diferenciadas, uma vez que estas visavam à compatibilidade com a
disponibilidade da escala de trabalho dos servidores envolvidos, continuidade de trabalhos
anteriores e também o preparo de atividades inacabadas a serem finalizadas após o recesso.
Também foram previstos ajustes relacionados a possíveis interferências com questões
externas ao atendimento, tais como possíveis obras na edificação ou demandas de outros
setores da própria biblioteca, como está esquematizado na figura 3.
Cada atividade foi previamente descrita e estudada, possibilitando uma exposição das
mesmas para a equipe de trabalho, que também foi previamente organizada levando em conta

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as competências e participações dos servidores em projetos anteriores. A tabela 1 é resultado
da descrição e estudo das atividades, e esta fundamentou o plano de ações; ressalta-se que a
atribuição de cada atividade a um grupo de servidores, equipe, foi pensada como forma de
garantir a consolidação do processo de realização, uma vez que foram atribuídas atividades e,
consequentemente, responsabilidades sob a realização e excelência das mesmas, por meio da
produção e avaliação de relatórios.
Figura 2 – Cronograma estabelecido para a execução das atividades do plano de ações

Fonte: AUTORES, 2015
Figura 3 – Esquema para definição do cronograma diferenciado.

Fonte: AUTORES, 2015

O registro, organização e desenvolvimento de cada atividade relacionada na tabela 1
ficaram condicionados ao preenchimento de um relatório padrão, denominado RAD
(Relatório de Atividade Diferenciada). Tal relatório contou com duas partes: a primeira foi
uma preparação técnica para execução das atividades, onde foi delineada a descrição dos
procedimentos a serem adotados, que foi fundamental para orientação dos trabalhos, haja
vista que a equipe responsável pela atividade não necessariamente executou a mesma; a
segunda parte, que é o desfecho do trabalho, foi estruturada para apresentar os resultados e
avaliação, quando aplicáveis, que são importantes elementos para parametrizar futuros
processos relacionados à execução de atividades em recesso.
A figura 4 representa um resumo do processo estabelecido para a elaboração,
descrição, atribuição, execução e avaliação das atividades de recesso, destacando que tal
estrutura visava à alimentação, em termos documentais, de processos e projetos posteriores.

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Tabela 1 – Descrição das atividades e suas respectivas equipes responsáveis

Nome

Descrição

Criação de metodologia para avaliação a densidade do acervo, com forma
de propiciar embasamento para as atividades de ampliação e distribuição
do acervo.
Colocar novas estantes no acervo, atentando-se para layout e normas de
Ampliação do
biblioteconomia e segurança. Necessária montagem mínima de 10 estantes
Acervo
para propiciar melhorias no acervo. Contatar outras áreas da UFABC.
Auxílio nas atividades de implantação do novo portal da Biblioteca, com
Novo Portal
revisões textuais e sugestões estruturais para o mesmo.
Biblioteca
Analisar o atual layout das mesas de estudo e espaço do piso inferior e
Layout das Mesas
propor modificações para o mesmo, tais como melhor utilização do espaço,
de Estudo Piso
criação de novos espaços (para alimentação) e ampliação área de estudo.
Inferior
Contatar outras áreas da UFABC.
Alterar layout de posicionamento do acervo, movendo os livros de
literatura e história para estantes altas ou, como alternativa, reposicioná-las
Layout do Acervo
na fileira de mesas de estudo que será reposicionada. Contatar outras áreas
da UFABC.
Realizar testes no Sophia para viabilização do serviço de malote
Implantação
(solicitação e acompanhamento) para os usuários no terminal web. Criação
Malote no Sophia
de Manual para operadores e usuários.
Analisar o atual layout das mesas de estudo e espaço do piso superior e
Layout das Mesas
propor modificações para o mesmo, tais como melhor utilização do espaço,
de Estudo Piso
criação de novos espaços (para alimentação) e ampliação área de estudo.
Superior
Contatar outras áreas da UFABC.
Realizar remanejamento de acervo, conforme planejamento e estudo
Remanejamento
prévio, como forma de garantir que não haverá posterior abarrotamento.
do Acervo
Fazer leitura das estantes, para identificar se os livros, CD's ou DVD's
estão alocados nas posições corretas, conforme orientações e normativas de
Leitura de
biblioteconomia. Criar sistema periódico de leitura de estantes durantes os
Estantes
períodos de aula.
Definir procedimento do material de consulta local e realizar estudo sobre
as quantidades estabelecidas anteriormente, além das que serão atribuídas
Revisão Consulta
para o atual acervo, fazendo devido remanejamento. Contatar
Local
Processamento Técnico.
Implementação do Revisão do regulamento quanto às aplicações no Sophia. Realização de
testes para averiguar se as mudanças no sistema, tais como as de
Novo
penalidade, serão adequadamente executadas no sistema.
Regulamento
Elaboração de manual sobre as atividades de cadastramento de usuários
Criação Manual
que serão acrescentados pelo novo regulamento, sendo que estes não
de Cadastramento
possuem vínculo direto, ou seja, sem número de registro.
Preparar as estantes de periódicos para que os mesmos sejam devidamente
dispostos. Organizar tais materiais como forma de facilitar a consulta e
Organização dos
disposição dos mesmos. Se necessário mover estantes, Contatar outras
Periódicos
áreas da UFABC.
Instalação do novo balcão de atendimento e mudança do acervo de
consulta local. Verificação da criação de tomadas para computadores e
Reestruturação
tomada única para impressora, além de cabos de rede para computadores e
Balcão
impressora.
Após realização do remanejamento do acervo deverá ser realizado o
inventário, que constará na leitura de todos os livros presentes nas estantes.
Inventário do
Atentar-se para informar Processamento Técnico sobre o início e término
Acervo
das atividades. Deverá ser realizado um trabalho minucioso, visando leitura
de 100% dos livros.
Criação de calendário de exposições, conforme datas importantes ao longo
Planejamento
do próximo ano ou semestre, além de elaborar um projeto de atividades
Atividades
culturais, que contemplem eventos e exposições.
Culturais
Fonte: AUTORES, 2015
Estudo Densidade
do Acervo

Equipe
A
B
C

D

E

F

G

H

A

B

C

D

E

F

G

H

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Figura 4 – Resumo esquemático do plano de ações das atividades diferenciadas de recesso

Fonte: AUTORES, 2015

Finalmente, como forma de estabelecer prioridades e definir quais atividades com
maior impacto na divisão, considerando diversas análises em termos de execução em períodos
de recesso ou letivo, para cada atividade foi definido um valor de importância, denominado
peso, conforme consta na figura 5. Tais pesos tratam de uma métrica para avaliar os resultados
do plano de ações, sendo que estes foram atribuídos avaliando a importância da execução da
atividade durante o recesso e, consequentemente, a possibilidade de execução da atividade em
outros períodos; além disso, foi considerado o impacto da atividade na promoção de novos
serviços ou manutenção e organização da atual estrutura.
Figura 5 – Quadro com os valores de importância, peso, definidos para cada atividade

Fonte: AUTORES, 2015

Em termos de avaliação foi definido que: atividades totalmente finalizadas receberiam
parâmetro igual a 1; atividades parcialmente finalizadas receberiam parâmetro igual a 0,5; e

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atividades não realizadas receberiam zero como parâmetro. Ao final das atribuições dos
parâmetros, com a multiplicação dos parâmetros pelos seus respectivos pesos, gerou-se um
valor de avaliação para cada atividade, que somado, apresentou um valor percentual final, que
será subsídio para discussão dos resultados e comparativos com futuros planos de ações.

4. Resultados
Cada atividade finalizada, ou parcialmente finalizada, foi registrada mediante um
RAD com número de controle, conforme tabela 2. As atividades que não foram
suficientemente executadas foram registradas com número de controle, porém não serão
apresentadas na tabela. Além disso, as atividades sem conclusão receberam parâmetro zero na
avaliação final, exceto pelas atividades que não foram realizadas devido a interferências de
obras de grande porte, como será relatado posteriormente. O ANEXO 1 deste trabalho
corresponde ao RAD.010.2016, como forma de exemplificar o conteúdo dos relatórios e a
identificação das estruturas principais: procedimentos e resultados.
Tabela 2 – Relação dos RADs finalizados

Nome

Relatório

Situação

Novo Portal Biblioteca

RAD.016.2016

Finalizado

Ampliação do Acervo

RAD.002.2016

Finalizado

Implantação Malote no Sophia

RAD.005.2016

Finalizado

Leitura de Estantes

RAD.008.2016

Finalizado

Implementação do Novo Regulamento

RAD.010.2016

Finalizado

Criação Manual de Cadastramento

RAD.011.2016

Finalizado

Organização dos Periódicos

RAD.012.2016

Finalizado

Reestruturação Balcão

RAD.013.2016

Parcial

Inventário do Acervo

RAD.014.2016

Finalizado

Fonte: AUTORES, 2015

A tabela de cálculo presente na figura 6 apresenta a avaliação final concernente à
execução das atividades, com algumas ressalvas para o valor de 92% obtido. As atividades
que constam em destaque na tabela (Reestruturação do Balcão, Remanejamento do Acervo,
Layout das Mesas de Estudo Piso Inferior, Layout Acervo e Layout Mesas de Estudo Piso
Superior) não foram realizadas e, mesmo assim, obtiveram valor 1 como parâmetro, haja vista
que a não ocorrência do processo de execução foi resultado da realização de obra não prevista
no cronograma. A instalação do elevador no prédio da biblioteca foi informada pelo setor
responsável da UFABC apenas algumas semanas antes do início da mesma, momento este em
que as atividades diferenciadas já estavam na fase de finalização do descritivo de
procedimentos nos RADs. Sendo assim, foi atribuído o valor 1 como parâmetro visando o não
comprometimento da avaliação final, ainda ressaltando que as atividades de maior
importância foram todas devidamente finalizadas e registradas nos RADs.
Ressalta-se que, diferentemente das demais atividades não finalizadas devido à obra
do elevador, a atividade de Reestruturação do Balcão de Atendimento conta com RAD
registrado, uma vez que a mesma era dividida em duas etapas, sendo a primeira a definição do
layout de mudança e a segunda a montagem do mesmo, sendo que esta última era de
responsabilidade de outro setor, Prefeitura Universitária, que não executou devido à obra do

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elevador.
Figura 6 – Quadro com os valores de importância, peso e avaliação final para cada atividade

Fonte: AUTORES, 2015

5. Considerações finais
Com a escassez de tempo determinada pelo cumprimento das atividades de rotina
pelos profissionais da biblioteca concomitante à necessidade de planejamento, organização e
controle, preconizados pela Administração para a excelência dos produtos e serviços, surge a
necessidade de inovar. O caminho escolhido por nossa instituição foi o da inovação
incremental, a partir da criação de criteriosos ferramentais.
Constatou-se que a utilização do precioso tempo de recesso acadêmico proporcionou a
conclusão de parte expressiva das atividades planejadas, algo impraticável nas rotinas diárias.
Isso ajudou a fomentar a tomada de decisão em nossa unidade de informação.
Examinou-se ainda que a metodologia criada é reproduzível por sua consistência e
rigor e, também, permite um maior envolvimento da equipe da biblioteca.

6. Referências
ALMEIDA, M. C. B. de. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed. ,
rev. e ampl. Brasília: Briquet de Lemos Livros, 2005.
CHIAVENATO, I. Administração de materiais: uma abordagem introdutória. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2005.
DAVILA, T., EPSTEIN, M. J., SHELTON, R. D. As regras da inovação: como gerenciar,
como medir, e como lucrar. Porto Alegre: Bookman, 2007.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

GOMES, Henriette Ferreira; LION, Samir Elias Kalil. As práticas gestoras na biblioteca
universitária. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17.
2012, Porto Alegre. Anais eletrônicos... Porto Alegre: UFRGS, 2012. Disponível em:
&lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4RAE.pdf&gt;. Acesso em: 19 abr. 2016.
LEAL, Janaina. Reengenharia em bibliotecas. Revista Digital de Biblioteconomia &amp;
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LUBISCO, Nídia Maria Lienert (Org.). A biblioteca universitária brasileira: um modelo para
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Disponível em: &lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000005075&amp;dd1=9d9bc&gt;.
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MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica. 4. ed. São
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PRADO, Heloísa de Almeida. Organização e administração de bibliotecas. TA Queiroz,
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QUANDT, C. O. Inovação tecnológica. In: SILVA JUNIOR, R. G. (Org.).
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SILVA, Fátima Santana. Administração de bibliotecas em instituições privadas de ensino
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TIDD, J.; BESSANT, J.; PAVITT, K. Gestão da inovação. 3. ed. Porto Alegre: Bookman,
2008.

�ANEXO A - Relatório de atividade diferenciada (R.A.D.)
Recesso 1.2016

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC – SISTEMA DE BIBLIOTECAS
DIVISÃO SERVIÇOS DE REFERÊNCIA E ATENDIMENTO

Relatório de atividade diferenciada: RAD.010.2016
Denominação da Atividade: Implementação Novo Regulamento
Responsável(s) pela Atividade:
Relator(s):

ETAPA 1 – ANTERIOR EXECUÇÃO
1.1. Descrição
Revisão do regulamento quanto às aplicações no Sophia. Realização de testes
para averiguar se as mudanças no sistema, tais como as de penalidade, serão
adequadamente executadas no sistema.

1.2. Cronograma
As atividades serão realizadas entre os dias 04 e 08 de janeiro de 2016.

1.3. Distribuição de atividades
As atividades serão realizadas pelos responsáveis das mesmas, conforme
identificação no topo deste documento.

1.4. Materiais
Não serão utilizados materiais.

1.5. Procedimentos
A atividade conta com os seguintes procedimentos:
1.5.1. Mudança do parâmetro de sanção no software, sendo 2 dias de penalidade
para atrasos de materiais sem reserva e 7 dias de penalidade para atrasos
de materiais com reserva.
Sistema de Bibliotecas da UFABC – (11) 4996 7933 – www.portal.biblioteca.ufabc.edu.br
Bloco C – Rua Abolição, s/n° – CEP: 09210-180 – Bairro: Bangu – Santo André/SP

�1.5.2. Realização de testes para verificar se materiais sem reserva entregues com
atraso recebem a sanção de 2 dias de bloqueio por dia de atraso.
1.5.3. Realização de testes para verificar se materiais com reserva entregues com
atraso recebem a sanção de 7 dias de bloqueio por dia de atraso.
1.5.4. Criação de tabela para análise da aplicação de penalidade descritas nos
itens 1.5.2 e 1.5.3 levando em consideração os dias em que o material ficou
com reserva durante o período de empréstimo.
1.5.5. Entrar em contato com o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) para
averiguar a metodologia usada para aplicação de penalidade diferenciada,
haja vista que o regulamento do SBU foi base para mudança do novo
regulamento em análise.

ETAPA 2 – POSTERIOR EXECUÇÃO
2.1. Resultados
A tabela 1 apresenta os resultados para simulações realizadas no Sophia para
aplicação de sanções, considerando os parâmetros trazidos para o novo regulamento.
Tabela 1 – Resultado das simulações realizadas no Sophia para novos parâmetros de sanção.

Teste

Dias de atraso

Reservado

Teste 1
Teste 2
Teste 3
Teste 4
Teste 5
Teste 6
Teste 7
Teste 8
Teste 9
Teste 10

0
1
1
10
10
40
40
40
100
100

Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Sim
Não

Dias Material
em Reserva
0
1
0
10
0
1
0
30
1
0

Penalidade
0
7
2
70
20
280
80
280
700
200

2.2. Avaliação
Como pode ser verificado na tabela 1 o software é incapaz de realizar uma
ponderação no cálculo da penalidade, haja vista que o parâmetro de 7 dias para material
reservado é aplicado conforme o momento de devolução, implicando em contradição na
amenização buscada pela redução de 5 para 2 dias para materiais com atraso de material
sem reserva.
Sistema de Bibliotecas da UFABC – (11) 4996 7933 – www.portal.biblioteca.ufabc.edu.br
Bloco C – Rua Abolição, s/n° – CEP: 09210-180 – Bairro: Bangu – Santo André/SP

�Por exemplo, os testes 6 e 7 podem retratar dois usuários diferentes, sendo que o
primeiro entregou o material no momento em que havia 1 reserva registrada, o que
implicou em uma sanção de 7 dias por todos os dias em atraso; por outro lado, o segundo
usuário entregou o material logo após, quando já não havia mais reservas, e teve uma
sanção de 2 dias, gerando uma grande diferença de aplicação de penalidade para casos
estritamente parecidos.
A tabela 2 é um exemplo de como deveria funcionar a aplicação da penalidade no
software: quando um material entra em reserva em um determinado dia, ou mesmo
permanece, este dia deve contar como 7 dias de penalidade para todos os usuários em
atraso de tal material, independente do momento de devolução.
Tabela 2 – Exemplo de como deveria funcionar a aplicação da nova sanção em estudo.

Teste

Dias de
atraso

Reservado

Teste 1
Teste 2
Teste 3
Teste 4
Teste 5
Teste 6
Teste 7
Teste 8
Teste 9
Teste 10

0
1
1
10
10
40
40
40
100
100

Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Sim
Não

Dias
Material
em
Reserva
0
1
0
10
0
1
0
30
1
0

Penalidade
aplicada
0
7
2
70
20
280
80
280
700
200

Penalidade
Diferença
correta
0
7
2
70
20
85
80
230
205
200

229%
22%
245%
-

Fonte: Autores, 2015

Como pode ser averiguado na tabela 2, os testes 6, 8 e 9 apresentam um
percentual elevado, que é referente a quanto excessivo foi acrescido à penalidade devido
o sistema não realizar corretamente a aplicação da sanção conforme dias de reserva e
não por reserva no momento da devolução.
Conclui-se que não deve ser realizada a aplicação da penalidade 2 e 7, sendo
necessário continuar 5 dias para todos os casos, haja vista a não operação do Sophia nas
conformidades que homologuem a aplicação de sanção de forma clara e sem prejuízos.

2.3. Observações
Ressalta-se aqui que a mudança de penalidade teve embasamento no regulamento
do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), sendo que este também utiliza o software
Sophia. Em contato com Mariana, via telefone (19) 3521-6494, que é responsável pelas
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Bloco C – Rua Abolição, s/n° – CEP: 09210-180 – Bairro: Bangu – Santo André/SP

�configurações do Sophia no SBU, a mesma informou que a proposta da aplicação da
sanção deveria ser a mesma identificada em nossa avaliação, aqui novamente
reproduzida: “quando um material entra em reserva em um determinado dia, ou mesmo
permanece, este dia deve contar como 7 dias de penalidade para todos os usuários em
atraso de tal material, independente do momento de devolução”. Entretanto, ao realizar
alguns testes no sistema, Mariana identificou que o sistema não realiza tal forma de
cálculo, o que expõe a aplicação da penalidade sem prévio trabalho de verificação da
possibilidade de implementação no sistema.

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Bloco C – Rua Abolição, s/n° – CEP: 09210-180 – Bairro: Bangu – Santo André/SP

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Traz um relato de experiência das inovadoras “Atividades Diferenciadas de Recesso” realizadas na Biblioteca Santo André (SA) pertencente ao Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do ABC no terceiro quadrimestre de 2015. A metodologia empregada foi o estudo de caso, utilizando-nos da descrição do ferramental empregado para o planejamento e execução das atividades. Recorreu-se ainda a um levantamento bibliográfico em livros e periódicos na área de Biblioteconomia e Administração. Como resultado foi obtido um valor percentual oriundo de uma parametrização da realização ou não realização das atividades propostas, ainda considerando o nível de importância das mesmas. Constatou-se que a utilização do precioso tempo de recesso acadêmico proporcionou a conclusão de parte expressiva das atividades planejadas. </text>
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                    <text>PRÁTICAS DE INOVAÇÃO E MARKETING EM BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA: OFERTA DE RECURSOS NÃO-CONVENCIONAIS PROTETORES AURICULARES, SACOLAS E GUARDA-CHUVAS

Patricia Valerim (Universidade Feevale) - patricia.valerim@gmail.com
Bruna Heller (Universidade Feevale) - bruninhah.heller@gmail.com
Sabrina Leal Araujo (Feevale) - sabileal@yahoo.com.br
Resumo:
O presente trabalho aborda práticas de inovação e marketing realizadas pela Biblioteca da
Universidade Feevale, que são a oferta de guarda-chuva e sacolas retornáveis e a oferta de
protetores auriculares. Os objetivos da pesquisa foram descrever o contexto que originou a
proposição destes serviços considerados não convencionais, e constatar seus benefícios e
impactos, tanto para instituição quanto para os públicos atendidos, através do referencial
teórico e da análise de dados. A metodologia trata-se de uma pesquisa bibliográfica, descritiva
e exploratória quanto aos fins. Quanto à sua natureza, é uma pesquisa qualitativa. Estas ações
acarretaram resultados positivos para os públicos, para a instituição e para as bibliotecas, pois
oportunizaram a melhoraria no relacionamento, a divulgação, a valorização da marca, o
fortalecimento da imagem e o reconhecimento do posicionamento inovador, e também a
preservação do acervo, a facilitação da vida acadêmica, no que tange o transporte, proteção e
conforto ambiental.
Palavras-chave: Inovação; bibliotecas; empréstimo não-convencional; preservação do acervo
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Por muitos anos, as bibliotecas foram as principais fontes de recuperação de
informação, pois multiplicaram-se após a invenção da imprensa de Gutemberg, adentrando à
sociedade e às diversas comunidades que não tinham acesso a qualquer fonte de informação.
Com o aprimoramento das tecnologias de informação e comunicação houve um upgrade das
bibliotecas que, adaptaram-se ao cenário da época, assim sistematizando a informação,
passando de modelos que muitos e muitos anos foram tradicionais, à inovação que veio a ser
um facilitador.
Ainda, não somente a parte técnica biblioteconômica precisou adequar-se ao novo
cenário da informação, ou seja, houve a necessidade de acompanhar também o usuário e as
suas respectivas necessidades, pois com a popularização da internet a recuperação da
informação online tornou-se de mais fácil acesso do que frequentar uma biblioteca física.
Para isso, as bibliotecas reinventam-se 1 e criam estratégias para a sua adaptação.
Observa-se no ambiente das bibliotecas universitárias uma crescente preocupação na oferta de
serviços diferenciados, como forma de atender às expectativas de seus usuários ou ainda de
captar a atenção deles para continuarem frequentando o espaço físico, frente à concorrência
digital que oferece uma gama de atrativos, além do fator comodidade.
Neste contexto, algumas questões merecem atenção, como a preservação do acervo e o
conforto ambiental, que podem ser trabalhadas por meio de ações que desenvolvam a
conscientização dos alunos quanto ao cuidado com os livros e materiais emprestados e
também quanto ao bem-estar do público quando usa o ambiente da biblioteca.
A Biblioteca 2 da Universidade Feevale, ao longo dos anos, vem implementando novos
serviços que reforçam cada vez mais a comunicação com a comunidade acadêmica, seja por
meios de serviços presenciais ou por meio da utilização das novas tecnologias disponíveis
pela Web 2.0. Não tratam apenas de serviços técnicos, mas também de ações que agregam na
formação cultural e social dos usuários.
Inserida em uma instituição de ensino superior com ações inovadoras, a Biblioteca da
Feevale vem sempre se desafiando a repensar suas ações, ouvindo as sugestões dos seus
públicos, observando as tendências de mercado e adaptando à sua realidade. Seguindo o
exemplo do empréstimo de fone de ouvido e de lupas de aumento para pessoas com baixa
visão, que são recursos que auxiliam no processo de acesso à informação, a Biblioteca da
Feevale passou a emprestar dois itens inusitados: sacolas e guarda-chuvas retornáveis.
Também passou a ofertar, gratuitamente, protetores auriculares como forma de minimizar os
ruídos da futura obra de ampliação.
A partir do exposto, o presente trabalho pretende descrever o contexto que originou a
proposição do serviço de empréstimo de recursos sacolas e guarda-chuvas e da oferta de
protetores de ouvido, e constatar os benefícios e impactos destes novos serviços, tanto para
instituição quanto para os públicos atendidos, através do referencial teórico e da análise de
dados. Espera-se também, que este estudo sirva de referência para encorajar outras bibliotecas
na oferta de serviços diferenciados, a exemplo dos que serão descritos neste artigo.

2 Revisão de literatura
A preservação e conservação do acervo sempre foi uma preocupação das bibliotecas
que permanece até hoje, pois além de ser o meio de preservar o conhecimento, é o meio de
permitir o maior uso dos materiais pelo maior número de usuários. Conforme sugere o
1

Reinventar, segundo o dicionário Aurélio (2004, p. 1726), significa “inventar outra vez”.
Optou-se por usar Biblioteca da Feevale para o Sistema de Bibliotecas, que é composto por duas bibliotecas
(Câmpus I e II).
2

�2

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

documento “Diretrizes Para Salvaguardar o Patrimônio Documental” (EDMONDSON, 2002,
p. 19), “A documentação cuidadosa e o controle das coleções – a ‘boa administração’ – é uma
condição prévia indispensável para a preservação”. Assim, é fundamental que ações de
preservação sejam incluídas nas atividades e serviços da biblioteca.
O constante manuseio, muitas vezes inadequado, de livros e documentos é um fator de
degradação que ocorre em muitas bibliotecas. De acordo com Cassares (2000, p. 22), “o
manuseio abrange todas as ações de tocar no documento, sejam elas durante a higienização
pelos funcionários da instituição, na remoção das estantes ou arquivos para uso do
pesquisador, nas foto-reproduções, na pesquisa pelo usuário etc.”.
Mársico (2013, p. 2) aponta que, além do uso inadequado, existem fatores internos
(qualidade do papel, sua conservação, entre outros) e externos de degradação, que seriam os
fatores de exposição ambiental a que o acervo está exposto: “umidade, temperatura, luz,
poluição atmosférica”.
No Brasil, a preocupação com a salvaguarda dos bens patrimoniais culturais foi
legalizada somente no fim da década de 30, com a lei n° 378 de 13 de janeiro de 1937, que
criou o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. E conforme relata Aranibar
(2011), a função de conservador era exercida por profissionais que estudavam em escolas
especializadas na Europa, já que no Brasil não existiam instituições que ofereciam tais cursos.
A partir deste cenário, a preocupação com todos os tipos de acervos foi crescendo,
obrigando instituições e profissionais a se especializarem com a finalidade de preservar seus
patrimônios culturais. E como não poderia deixar de acontecer, as bibliotecas também
começaram a se preocupar com este quesito.
Conforme Martins (2012, p. 19),
[...] as BUs 3 buscam fazer a gestão através da inovação de produtos e serviços
baseadas na gestão do conhecimento, que visa a estudar e implementar novas
possibilidades de inovação, e assim, atender as demandas do ambiente educacional
com diferencial.

A preocupação vai além dos materiais do acervo, engloba também a qualidade do
espaço ofertado à comunidade acadêmica. Ainda nos dias atuais, as bibliotecas são muito
procuradas, pelo ambiente de silêncio que facilita a concentração de seus usuários. Porém o
silêncio absoluto é impraticável, em vista da biblioteca ser um espaço de integração entre
pessoas, que também a procuram para socializar e realizar seus trabalhos em conjunto. Em
vista desta questão contraditória, e muitas vezes considerada retrógrada, de manter o silêncio,
as bibliotecas precisam encontrar um meio termo para agradar o seu público.
Segundo a NBR 10152 (1987), norma que avalia o ruído em áreas habitadas, tendo
por objetivo o conforto da comunidade, os valores dB(A) dos níveis de ruído para conforto
acústico, ou seja, o nível de ruído aceitável dentro de uma biblioteca, seria de 35 a 45 dB.
Pereira, Silva e Sales (2011, p. 66) salientam que o ruído ocupacional excessivo pode
ocasionar redução de até 60% da produtividade e o comprometimento de órgãos e funções do
organismo, estresse, cansaço, entre outros.
Conforme destacam Silveira e Silva (2010, p.1), “os esforços devem ser em
conscientizar os usuários de que existem níveis de ruídos toleráveis para ambientes como uma
biblioteca”. Constata-se que a intervenção dos atendentes é fundamental neste processo,
sempre atentos aos ruídos exagerados e se há pessoas que possam se incomodar com barulho.
Ainda segundo Silveira e Silva (2010), há as bibliotecas que adquirem dispositivos
micro controlados que comandam sensores visuais e sonoros que são ativados quando o nível
atinge os limites estabelecidos.
3

Bibliotecas universitárias.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Em relação às duas questões, a preservação e a oferta de um ambiente de estudo
adequado, há a necessidade de elaborar ações e políticas, e para isso, é de suma importância
trabalhar o marketing de serviços e produtos. O marketing é um processo muito importante na
administração de empresas, não importando o ramo em que elas atuem, pois faz a conexão
dos serviços e/ou produtos com os seus clientes. A cada geração que surge (X, Y), as
tendências mudam, obrigando as empresas a se reinventarem para se reposicionarem no
mercado, com o intuito de atingir seus clientes com maior eficácia.
De acordo com a American Marketing Association apud Kotler (2006, p.4):
[...] o marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que
envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a
administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu
público interessado.

O setor de serviços tem crescido muito nos últimos anos devido à mudança na
economia mundial, o que levou as empresas a perceberem que o marketing tradicional não
conseguia ser aplicado da mesma maneira que as empresas que vendem bens.
A intangibilidade é um fator predominante na prestação de serviços, pois não pode ser
experimentado ou testado, segundo Hoffman (2003, p.10) “o conhecimento do serviço é
obtido por meio da experiência de receber o serviço real”. Por isso se torna difícil mensurar de
que maneira os produtos oferecidos pelas empresas prestadoras de serviço atingem os seus
clientes.
Além dos fatores apresentados, a concorrência entre as empresas, faz com que as
mesmas usem estratégias de inovação e de marketing de relacionamento para fidelizar e
conquistar novos clientes.
Pensando nas questões da preservação do acervo e a preocupação com o conforto ambiental
dos usuários, o empréstimo de sacolas e guarda-chuvas juntamente com a disponibilização de
protetores para o ouvido, podem ser consideradas ações inovadoras, pois foram serviços
pensados para melhorar o transporte do acervo, tornando-o mais seguro aos fatores do tempo
e do manuseio, além de possibilitar a minimização do impacto que o ruído causa no ambiente
frequentado pelos usuários.

3 Materiais e métodos
O trabalho é caracterizado como uma pesquisa empírica quanto aos meios e que se
utilizou de pesquisa bibliográfica, descritiva e exploratória quanto aos fins. Quanto à sua
natureza, é uma pesquisa qualitativa.
Empírica porque é constituída a partir de fontes diretas (pessoas) que conhecem,
vivenciam ou tem conhecimento sobre o tema, utilizando-se do conhecimento tácito das
autoras que atuam como bibliotecárias na instituição em estudo.
É considerada descritiva, uma vez que objetiva relatar a experiência de ofertar serviços
diferenciados como o empréstimo de itens não documentais como sacolas e guarda-chuvas
retornáveis, além da oferta de protetor auricular, e evidenciar os impactos para a biblioteca e
para os públicos atendidos.
Para Lakatos e Marconi (1991, p. 183), “[...] a pesquisa bibliográfica não é mera
repetição do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, pois ela propicia o exame de um
tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras”.
Os estudos exploratórios, de acordo com Triviños (1995, p. 109) “[..] permitem ao
investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema”. Marconi e
Lakatos (1999) contribuem dizendo que a pesquisa exploratória tem por finalidade aumentar a
familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno e ainda o esclarecimento

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de conceitos. Gil (2002) comunga com autores já citados, dizendo que a pesquisa exploratória
visa proporcionar maior familiaridade com o problema, aprimorar ideias ou descobertas de
intuições. O planejamento deste tipo de pesquisa é bastante flexível e geralmente envolve
levantamento bibliográfico, pesquisa documental e entrevistas não-estruturadas. Para este
artigo foram analisados os comentários dos públicos realizados no Facebook da Universidade
Feevale e da Biblioteca.
A análise dos dados descritos e coletados permitiu considerar os seus efeitos no
ambiente estudado.
4 Contextualização
Mantida pela Associação Pró-Ensino Superior em Novo Hamburgo (Aspeur), uma
entidade sem fins lucrativos e reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e
municipal, a Universidade Feevale é uma instituição que atua em todos os níveis de formação.
Criada há mais de quatro décadas, a partir de demanda da comunidade, hoje se dedica
à formação de cidadãos em diferentes áreas do conhecimento.
Um de seus objetivos maiores é o desenvolvimento regional nas dimensões
educacional, cultural, tecnológica, social e econômica. Com cursos e ações inovadoras e
projetos de caráter comunitário, se destaca nos cenários estadual e nacional, e também se
projeta internacionalmente em função de parcerias com instituições estrangeiras. A
Universidade Feevale oferece cursos de graduação, especialização, MBA, mestrado,
doutorado e extensão, e ainda mantém uma Escola de Aplicação, que oferece educação básica,
média e profissionalizante. Na pesquisa, são vinte e cinco grupos com cento e vinte e seis
projetos em execução. E na extensão, são quarenta e seis projetos.
Em 2010 o Centro Universitário Feevale foi oficialmente credenciado pelo Ministério
da Educação como universidade. Foi o coroamento de um intenso esforço iniciado em 1969,
quando um grupo de pessoas se reuniu para buscar, através do conhecimento, o atendimento
das demandas da comunidade e da região.
A Instituição atualmente conta com mais de dezessete mil alunos em todos os níveis de
ensino e mil e quinhentos funcionários.
Os ambientes acadêmicos e os espaços de convivência dos câmpus convergem com
as diversas áreas culturais, como a Pinacoteca, o Museu Nacional do Calçado e o Teatro
Feevale, o maior do Rio Grande do Sul, modernos laboratórios e suas bibliotecas.
A Universidade Feevale possui duas bibliotecas, uma em cada Câmpus. A biblioteca Gestão
José Spohr, localizada no Câmpus I, foi recentemente ampliada e contempla
aproximadamente a área de 742,49m² englobando a brinquedoteca e a biblioteca infantil,
ambientes lúdicos, que despertam a curiosidade e instigam a criança a entrar no mundo dos
livros. A Biblioteca Paulo Sérgio Gusmão, localizada no Câmpus II, conta com os seguintes
espaços: área administrativa e processamento técnico, laboratório de informática, área
destinada ao acervo, ao estudo individual, aos estudos em grupo, totalizando 2.651,87m². Para
atender a demanda de aumento do acervo, além de uma oferta maior de ambientes de estudos,
a instituição tem previsto para 2017, a ampliação da estrutura do prédio da Biblioteca do
Câmpus II em aproximadamente 3.300m².

5 Resultados parciais
As bibliotecas da Universidade Feevale estão inseridas em um ambiente com ações
inovadoras. A inovação é um dos princípios orientadores da Feevale, que a compreende como
sendo o processo de melhorar ou criar algo diferente que agregue valor à Instituição e a
sociedade, possibilitando o avanço do conhecimento, a partir da promoção de um ambiente

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que estimule os indivíduos a agir de forma criativa e empreendedora.
Neste contexto, a Biblioteca vem sempre se desafiando a repensar suas ações, ouvindo
as sugestões dos seus públicos, observando as tendências de mercado, adaptando à sua
realidade, não somente no que se refere à parte técnica, mas também à formação cultural e
social dos seus usuários, atendendo às suas mais diversas necessidades da comunidade
acadêmica e geral.
Alguns processos buscados por algumas bibliotecas já são realidade na Feevale há
algum tempo, como por exemplo: o plano de ensino integrado ao sistema de gestão, débitos
de multa automáticos sem cobrança presencial, renovação por telefone, negociação de multa,
decoração sustentável e caracterização em datas festivas, empréstimo com prazo estendido
nas férias, mapa 3D para localização do acervo no catálogo online, entre outros.
Assim, no que tange o processo de circulação, a Biblioteca da Feevale aproveitou que
já fazia o empréstimo de fone de ouvido e de lupas de aumento para pessoas com baixa visão,
que são recursos que auxiliam no processo de acessibilidade à informação, e passou a
emprestar dois itens inusitados e/ou não convencionais em bibliotecas, que são sacolas e
guarda-chuvas retornáveis. Também passou a ofertar gratuitamente protetores auriculares
como forma de minimizar os ruídos da futura obra de ampliação.
A sacola para transporte de livros era uma demanda recorrente, sinalizada pelos
públicos atendidos pelas bibliotecas, através de relatos aos atendentes no momento do
empréstimo e pelas avaliações institucionais, além do histórico de aumento de danos nos
materiais em dias de chuvas. Foram pensadas em várias alternativas que pudessem
contemplar a questão de praticidade de transporte e conservação do acervo, a sacola plástica
foi descartada em virtude da preocupação ecológica, e a alternativa mais adequada era a
sacola de tecido. A ideia começou a tomar forma no segundo semestre de 2013, com a
parceria da Biblioteca com o Projeto Moda em Produção da Universidade, vinculado ao Curso
de Moda, e desta forma, além do objetivo inicial buscado, atendia também outras demandas
como sociais e ambientais.
Desde 2008, o projeto de extensão Moda em Produção capacita mulheres e
adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social nos bairros de Novo Hamburgo RS, por meio de oficinas semanais sobre artesanato e técnicas de costura, aproveitando os
resíduos das indústrias da região. O projeto incentiva a socialização, a qualidade de vida, além
da responsabilidade do trabalho em grupo.
A ação social incrementou a renda de quatro artesãs atendidas pelo Projeto Moda em
Produção, que orientadas pela líder do projeto e professora do Curso de Moda, fabricaram
manualmente um primeiro lote de 200 sacolas com forte apelo estético devido às padronagens
exclusivas. As sacolas receberam uma etiqueta com a logomarca da Universidade Feevale,
uma menção ao Projeto Moda em Produção e o slogan “Produzido artesanalmente com o
conceito Ecosocial”.
Figura 1: Primeira edição das sacolas retornáveis para transporte de livros.

Fonte: Biblioteca Feevale.

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O empréstimo das sacolas retornáveis envolveu diversos públicos que têm acesso aos
serviços das duas bibliotecas da Feevale, além dos alunos da graduação, verificou-se o
empréstimo para alunos da escola, alunos da pós-graduação, professores e funcionários.
A sacola repercutiu de forma positiva para os públicos, atingindo os objetivos
propostos, os atendentes percebem no momento do atendimento aos públicos a satisfação pela
demanda atendida, principalmente em momentos em que o usuário tem a necessidade de
retirar uma quantidade razoável de livros ao que ele não havia previsto, ou em dias chuvosos,
proporcionando o acondicionamento e transporte adequados. Outro fator é a sustentabilidade,
devido ao caráter ecosocial do produto.
Passados um pouco mais de dois anos do lançamento das sacolas, constatou-se sucesso
na ação e, uma 2ª Edição com mais 200 sacolas retornáveis foi pensada, como uma das
novidades preparadas para a comunidade acadêmica para o início do ano letivo de 2016.
As 200 sacolas inicialmente confeccionadas, proporcionaram mais de 2.800
empréstimos para transporte de livros e outros fins à comunidade acadêmica. Algumas sacolas
sofreram desgaste pelo uso contínuo e foram inutilizadas, sendo que muitas sacolas não
retornaram às bibliotecas. Esta situação de não devolução já estava prevista dentro do escopo
do serviço, ocorrendo a cobrança do valor de custo em caso de não devolução dentro do
período de empréstimo proposto, devido ao usuário se interessar em adquirir a sacola por seu
atrativo estético e funcional.
A opção por uma sacola retornável, confeccionada com resíduos das indústrias da
região e não por sacolas plásticas, contribuiu para minimizar o impacto ambiental, levando-se
em consideração o número de sacolas emprestadas. Por outro lado, a circulação do produto,
englobando a não reposição para a biblioteca e o desgaste devido ao uso, também pode ser
considerada uma ação positiva e gera uma economia solidária, sustentável, porque criou a
solicitação de um novo lote de 200 sacolas, gerando novamente renda às artesãs do Projeto
Moda em Produção.
Só no ano de 2016, abrangendo o período dos meses de janeiro a março, entre os dois
câmpus foram emprestadas 269 sacolas retornáveis, com o início da 2ª edição do serviço.
Já o empréstimo de guarda-chuvas foi idealizado em 2015, ao identificar relatos dos
usuários no momento da devolução de livros que foram danificados por terem sido molhados
pela chuva. A ideia foi discutida na instituição e em parceria com o Setor de Marketing,
foram confeccionadas 100 unidades.
O início do empréstimo foi integrado à Campanha de Preservação do Acervo, e neste
momento, a Biblioteca da Feevale recebeu uma decoração especial, próximo ao balcão de
atendimento, foram instalados móbiles em formato de nuvens e gotas de chuva, elementos
que lembram sobre a importância de cuidar dos livros, evitando que eles tenham contato com
líquidos de todos os tipos. Outros cuidados com o acervo também são abordados na ação.
Figura 2: Guarda-chuvas para empréstimo.

Fonte: Biblioteca Feevale.

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A circulação dos guarda-chuvas, no período de janeiro a março de 2016, totalizou
entre os dois câmpus, 165 empréstimos.
No mês de março, um usuário caminhando pelas ruas da cidade de Novo Hamburgo
foi flagrado utilizando o guarda-chuva, ressaltando que o uso deste serviço auxilia a vida da
comunidade acadêmica.
Figura 3: Usuário flagrado nas ruas de Novo Hamburgo com o guarda-chuva.

Fonte: Biblioteca Feevale.
Para o gerenciamento do empréstimo de ambos os produtos, utiliza-se o Sistema
Pergamum. Foram criados dois tipos de obras: Sacola retornável e Guarda-chuva retornável, e
escolhidos alguns campos do MARC para descrevê-los, que são: 245 (Título principal), 250
(Edição), 260, subcampo c (Data de Publicação), conforme figura 4.
Figura 4: Cadastro em MARC das sacolas retornáveis.

Fonte: Biblioteca Feevale.

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Para cada acervo, foram inseridos o número de exemplares correspondentes ao
produto.
Figura 5: Exemplares referentes às sacolas retornáveis.

Fonte: Biblioteca Feevale.
Tanto para as sacolas, quanto para os guarda-chuvas, concede-se o prazo de 15 dias
para devolução e, visando uma imagem positiva do serviço e o bom relacionamento, não é
cobrada multa pelo atraso e também não é cobrado o ressarcimento em caso de avarias. O
valor do produto somente é cobrado do usuário após 30 dias que ele não efetiva a devolução,
neste momento o valor é acrescido à mensalidade, no entanto, devido ao apelo estético do
produto, alguns usuários manifestam o interesse em possuir o produto e realmente não
realizam a devolução da sacola ou do guarda-chuva.
Já a ideia de distribuir protetores auriculares surgiu também a partir de avaliações
institucionais sobre a questão de ruído. Estando prestes a vivenciar uma obra de ampliação do
espaço da Biblioteca do Câmpus II, a oferta teve como objetivo minimizar a questão, um
certo “pedido de desculpa” pelos transtornos, para que cada indivíduo pudesse criar o seu
próprio silêncio, enquanto se está em construção para proporcionar ambientes mais propícios
ao estudo e concentração.
Para divulgar suas ações, a Biblioteca da Feevale tem o apoio do Marketing da
instituição que divulga em diversos meios como: o site institucional e o jornal impresso da
instituição. O Marketing ainda divulga para os meios externos à IES 4, como jornais, rádios e
TVs, que geram mídia espontânea. As ações também são divulgadas nas mídias sociais da
Universidade Feevale e, desde 2014, a biblioteca possui sua própria Fanpage. O Facebook da
Feevale conta com 120.240 seguidores e a Fanpage da Biblioteca com mais de 2.200
seguidores.

4

Instituição de Ensino Superior

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Tabela 1 - Estatísticas dos serviços de agosto de 2013 a março de 2016.

Empréstimos
Distribuição
Não devolvidos 1.
ed.
Não devolvidos 2.
ed.
Descartados/dano
1.ed.
Descartados/dano
2.ed.
Post Facebook
institucional
Post Facebook
biblioteca
Site institucional
Jornal de
circulação nacional
Visualizações
Curtidas
Compartilhamentos
Comentários

Protetores
auriculares

Sacolas

Guarda-chuvas

3.086 (de agosto
2013 a março
2016)
-------------

449 (de outubro
2015 a março
2016)
------------

107

6

-------------

10

------------

-------------

3

7

-------------

2

------------

-------------

1

3

0

4

3

1

1

1

0

1

0

0

4.922
24.714
94
1.156
2
63
6
40
Fonte: as autoras.

----------300

2.664
40
13
0

Quadro 1 – Comentários no Facebook sobre os guarda-chuvas e sacolas
Comentários

Guarda-chuva

1. Eu faço uso do serviço e aprovo. Não foram poucas às vezes em que
deixei este em casa e me molhei quando de viradas repentinas no tempo.
Agora não mais... kkkkkk.
2. Preciso de um também.
3. É empréstimo de guarda chuva, isso?
4. Hahaha bom investimento.
5. Preciso de um.
6. MUITO útil Emoticon heart
7. Já me salvou de cada banho de chuva!
8. Adorei a campanha de preservação do acervo, com as ideias da
sombrinha e da bolsa.
9. Grande ideia. Parabéns!
10. Parabéns a Feevale pela bela iniciativa.
11. Muito legal!
12. Olha aí [cita o nome de outra IES, grifo do autor] Não tem cobertura de
um setor a outro e ainda querem vender guarda-chuva!!
13. Feevale é best. Só tem a crescer e melhorar.... #adoro.
14. Olha que tri não vamos mais nos molhar kkkkk.
15. vamos buscar já que a minha quebrou HAHAHAHAHA.
16. Feevale é toop...não me vejo em outra instituição..

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17.
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
25.
26.
27.
28.
29.
30.
31.
32.
33.
34.
35.
36.
37.
38.

Sacolas

39.
40.
1.
2.
3.
4.
5.
6.

Show!
Eu já usei ontem
Essa é pra ti [cita o nome de uma colega, grifo do autor]!!!
Emoticon smile hehehe
Olha [cita o nome de uma colega, grifo do autor]!!!
Parabéns Feevale. São as pequenas ações q valorizam a Universidade que
são.
Eh por isso que eu não vejo a hora de voltar a estudar.
Eu achei essa ideia demais! Parabéns!
Iniciativa!
Que legal.
Muito legal!!!!
Adorei, q show.........
Que demais!
Demais!!!
Parabéns pela iniciativa Universidade Feevale !!!!
Pras quartas vamos precisar! Verdade!
Não é uma passarela coberta até a oficina, mas já tá de bom tamanho
Emoticon grin
Siiiim.
Isso era tudo que a gente queria.
! Seus problemas acabaram.
Emoticon tongue
Muito show. Parabéns a equipe envolvida na iniciativa de educação de
seus usuários. Emoticon wink
Show!
Olha que ideia genial essa biblioteca teve Emoticon smile
Por essas e outras que te amo Universidade Feevale!
Emoticon heart
Bah vi esta foto ontem no jornal Feevale.
Sempre inovando!
Bela ideia!
Curiosa...

Fonte: as autoras.
Percebe-se pelos comentários realizados na rede social Facebook da Universidade e da
Biblioteca, que o público reconhece que os novos serviços proporcionam benefícios em sua
vida acadêmica, e por outro lado, também trazem benefícios para a instituição porque é
percebido a valorização da marca e o fortalecimento da imagem institucional. Isso
caracterizaria uma existência de relação de trocas, que é o conceito central do marketing.
Segundo Kotler (1994, p. 24), “Através de trocas, unidades sociais – indivíduos, pequenos
grupos, instituições, nações inteiras – obtêm os inputs de que necessitam. Ao oferecer algo
atraente, recebem em troca o que precisam. Uma vez que todos participam do processo
concordam em trocar, todos sentem-se melhor após a troca”. Em relação à imagem
institucional Kotler (2005, p. 59) contribui dizendo que a imagem é a soma de crenças, ideias
e impressões que uma pessoa tem de algo.
Tendo em vista o número de pessoas atingidas na rede social Facebook na divulgação
destes três serviços inusitados, evidenciado pela quantidade de 32.300 visualizações, 1.290
curtidas, 78 compartilhamentos e 46 comentários, além de outras mídias como: Jornais de
circulação regional, outras mídias sociais, site institucional, Jornal e TV Feevale, percebeu-se
a adesão do público alvo, que começou a demandar pelos serviços e reconhecê-los como
inovadores, reafirmando o posicionamento da Universidade Feevale. As modalidades de
empréstimo relatadas neste trabalho, descaracterizam a ideia de biblioteca tradicional, pois
não lida apenas com livros e outros multimeios de informação. Elas reforçam o compromisso
da Universidade com a inovação, que no ano de 2015 integrou mais uma vez o ranking das

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organizações mais inovadoras do Sul do Brasil 5.
Cabe também relatar, que a Biblioteca da Feevale recebeu contatos de outras
Instituições de Ensino Superior intressadas em saber como foi operacionalizado o processo,
contatou-se com isso, que foram atingidos públicos além da Universidade, podendo servir de
modelo para novas iniciativas.

6 Considerações parciais
Através dos dados apresentados e da análise realizada, pode-se afirmar que este estudo
visualizou os resultados positivos que as ações geraram tanto para a instituição quanto para os
usuários da biblioteca.
O principal benefício direto, constatado pelos usuários, foi a facilitação da vida
acadêmica, devido ao auxílio no transporte proporcionado pelas sacolas, o caráter de proteção
da possibilitou concluir resultados positivos tanto para os públicos atingidos quanto para a
chuva proporcionado pelo guarda-chuva, e a minimização do ruído proporcionado pelo
protetor auricular.
Já os benefícios para a Instituição, foram a melhoraria no relacionamento com seus
usuários, a divulgação, a valorização da marca, o fortalecimento da imagem e o
reconhecimento do posicionamento inovador, e também a preservação do acervo e a melhoria
dos serviços das bibliotecas.
Outros benefícios indiretos percebidos foram o impacto social e ambiental, devido à
geração de renda para a comunidade e o uso de resíduos industriais, que resultou na reedição
das sacolas. As ações sustentáveis promovem a cultura de educação ambiental, ocasionando
uma transformação em toda a comunidade acadêmica e geral.
Cabe ressaltar que o estudo teve suas limitações, devido principalmente ao uso dos
dados obtidos pelas curtidas, compartilhamentos e comentários realizados em mídia social.
Desta forma, seria interessante que a pesquisa fosse complementada com outros estudos,
utilizando uma amostra mais representativa e de instrumentos mais formais como
questionário e/ou entrevistas.
Por fim, espera-se que o artigo sirva de referência para encorajar outras bibliotecas na
oferta de serviços semelhantes aos descritos neste estudo, visto os resultados positivos que
pode vir a trazer para a biblioteca e seus usuários.

6 Referências
ARANIBAR, Silvana Salazar. Terminologia de conservação do papel: uma ferramenta
necessária. 2011. 80 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)-Universidade Federal de
Pelotas, Pelotas, 2011. Disponível em: &lt;
https://conservacaoerestauro.files.wordpress.com/2013/05/silvana-s-tcc_cr.pdf&gt;. Acesso em: 2
abr. 2016.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152 - Níveis de ruído
para conforto acústico: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.
CASSARES, Norma Cianflone. Como fazer conservação preventiva em arquivos e
bibliotecas. São Paulo: Arquivo do Estado, 2000. Disponível em: &lt;
http://www.vsilva.com.br/dados/Como%20Fazer%205%20Conservar.pdf&gt;. Acesso em: 2 abr.
5

O projeto Campeãs de Inovação é realizado pelo Grupo Amanhã, em parceria com a consultoria especializada
Edusys e com apoio técnico da Fundação Dom Cabral.

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2016.
EDMONDSON, Ray. Memória do mundo: diretrizes para a salvaguarda do patrimônio
documental. [ S.l.] : Unesco, 2002. 67p
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa.
3. ed. rev. e atual. Curitiba: Positivo, 2004.
GIL, Antonio Carlos. Técnicas de pesquisa em economia e elaboração de monografias.
São Paulo: Atlas, 2000.
HOFFMAN, K. Douglas; BATESON, John E. G. Princípios de marketing de serviços. São
Paulo. Thomson, 2003.
KOTLER, Philip. Marketing sem segredos. Porto Alegre: Bookman, 2005. 159p.
KOTLER, Philip; FOX, Karen F. A. Marketing estratégico para instituições educacionais.
São Paulo: Ed. Atlas, 1994. 440 p.
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo:
Pearson, 2006.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia
científica. 3. ed., rev. ampl. São Paulo, SP: Atlas, 1991. 270 p.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa:
planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração,
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MÁRSICO, Maria Aparecida de Vries. Noções básicas de conservação de livros e
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http://www.repositorio.ufma.br/xmlui/bitstream/handle/1/428/Artigo%20Luhilda.pdf?sequenc
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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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                <text>O presente trabalho aborda práticas de inovação e marketing realizadas pela Biblioteca da Universidade Feevale, que são a oferta de guarda-chuva e sacolas retornáveis e a oferta de protetores auriculares. Os objetivos da pesquisa foram descrever o contexto que originou a proposição destes serviços considerados não convencionais, e constatar seus benefícios e impactos, tanto para instituição quanto para os públicos atendidos, através do referencial teórico e da análise de dados. A metodologia trata-se de uma pesquisa bibliográfica, descritiva e exploratória quanto aos fins. Quanto à sua natureza, é uma pesquisa qualitativa. Estas ações acarretaram resultados positivos para os públicos, para a instituição e para as bibliotecas, pois oportunizaram a melhoraria no relacionamento, a divulgação, a valorização da marca, o fortalecimento da imagem e o reconhecimento do posicionamento inovador, e também a preservação do acervo, a facilitação da vida acadêmica, no que tange o transporte, proteção e conforto ambiental.</text>
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                    <text>PRÁTICAS DE MARKETING E ENDOMARKETING EM
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Elaine Cristina de Brito Moreira (UFPB) - elainemoreir@gmail.com
Emeide Nóbrega Duarte (UFPB) - emeide@hotmail.com
Resumo:
O estudo investiga as práticas de marketing e de endomarketing aplicadas nas bibliotecas
universitárias
e registradas na produção científica do evento Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU), entre os anos de 2008 a 2013. De natureza quantitativa é
de caráter bibliográfico, exploratório e descritivo e adota a cientometria. Os resultados obtidos
na pesquisa evidenciaram que as bibliotecas universitárias estão preparadas para atender,
receber e encantar seus clientes, buscando sempre a inovação tecnológica e competitividade
mercadológica, tornando-se um organismo vivo na sociedade. O bibliotecário, gestor e
mediador da informação tem consciência do seu papel na sociedade da informação. Pode-se
concluir que as técnicas de marketing e de endomarketing em que se adotam práticas bem
definidas e bem estruturadas, utilizando o benchmarking, poderão conduzir a biblioteca
universitária a conquistar seu lugar na sociedade e a atingir a competitividade no mercado
atual e no ambiente organizacional.
Palavras-chave: Marketing. Endomarketing. Biblioteca Universitária.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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                <text>Práticas de marketing e endomarketing em bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>Moreira, Elaine Cristina de Brito; Duarte, Emeide Nóbrega</text>
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                <text>O estudo investiga as práticas de marketing e de endomarketing aplicadas nas bibliotecas universitárias e registradas na produção científica do evento Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), entre os anos de 2008 a 2013. De natureza quantitativa é de caráter bibliográfico, exploratório e descritivo e adota a cientometria. Os resultados obtidos na pesquisa evidenciaram que as bibliotecas universitárias estão preparadas para atender, receber e encantar seus clientes, buscando sempre a inovação tecnológica e competitividade mercadológica, tornando-se um organismo vivo na sociedade. O bibliotecário, gestor e mediador da informação tem consciência do seu papel na sociedade da informação. Pode-se concluir que as técnicas de marketing e de endomarketing em que se adotam práticas bem definidas e bem estruturadas, utilizando o benchmarking, poderão conduzir a biblioteca universitária a conquistar seu lugar na sociedade e a atingir a competitividade no mercado atual e no ambiente organizacional.</text>
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                    <text>PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DE UM REPOSITÓRIO DE OBJETOS
DE APRENDIZAGEM NO ENSINO A DISTANCIA DO IFPI
Josué de Moura Costa (IFPI) - mourajosue@yahoo.com.br
Ana Ursula Farias Pereira (IFPI) - anaursula@ifpi.edu.br
Antonio Francisco da Silva Júnior (IFPI) - tony@ifpi.edu.br
Luana Karen Rodrigues de Carvalho (IFPI) - luana@ifpi.edu.br
Neila Marta Sa (PI) - neilamarta@yahoo.com.br
Resumo:
O objetivo principal deste artigo é propor a implantação de um repositório digital de objetos
de aprendizagem com o intuito de promover o compartilhamento e reutilização de materiais
elaborados por professores conteudistas na educação à distância do Instituto Federal do Piauí
(IFPI). A metodologia utilizada foi bibliográfica e descritiva, com abordagem qualitativa. No
primeiro momento um levantamento bibliográfico para identificar as plataformas tecnológicas
já utilizadas foi apresentado e, a seguir, os materiais e métodos utilizados são descritos
visando contextualizar o assunto em questão e adquirir conhecimentos para fundamentar a
proposta. Como resultados finais/parciais sugere-se o esboço do repositório digital e, na
sequência apresenta-se as considerações finais/parciais sobre a importância da integração de
repositórios digitais no contexto educativo, visto que as novas tecnologias dispostas com
repositórios digitais contribuem de maneira singular para a pesquisa e ensino, principalmente
quando se referem à utilização dos objetos de aprendizagem.
Palavras-chave: Repositório. Objetos de Aprendizagem. Educação à distância
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Nos últimos anos a educação tem recebido uma atenção especial, pois todos tiveram
que se adaptar às mudanças nos processos de ensino e aprendizagem ocasionados pelo
surgimento das tecnologias.
De acordo com Teles (2008) a comunicação humana pelo computador teve um
aumento considerável para fins educativos e isso ocasionou uma proliferação de tecnologias
com o propósito de oferecer ambientes educacionais online.
Com o surgimento das tecnologias novas possibilidades se consolidaram no âmbito da
educação. Um cenário repleto de vídeos, jogos digitais, hipertextos, hipermídias, interfaces
gráficas e inteligentes, se abriu, permitindo novas aplicações e usos educacionais.
Realizou-se esse estudo com objetivo de elaborar a proposta de criação do repositório
de objetos de aprendizagem e, com o propósito de promover o compartilhamento e
reutilização do material elaborado pelos professores conteudistas e formadores do Ensino à
Distância do IFPI.
Sendo assim, o objetivo maior desse trabalho é apresentar uma proposta de criação de
um Repositório que reúna toda a produção acadêmica dos professores conteudistas e
formadores do Ensino à Distância do IFPI.
A pesquisa ainda está em curso, sendo que este trabalho apresenta resultados parciais
do que fora desenvolvido até o presente momento.

2 Revisão de literatura
No atual contexto do uso das novas tecnologias de comunicação e de informações, os
repositórios são reconhecidos como um fato inovador frente ao sistema de comunicação da
ciência e na maneira como o acesso à informação é gerenciado.
Em sentido amplo, a expressão ‘repositórios digitais’ significa os diversos tipos de
aplicações de provedores de dados que são destinados ao gerenciamento de informação
científica, constituindo-se em vias alternativas de comunicação científica. Repositórios
digitais, segundo o IBICT (2005, p. 47), são “sistemas de informação que armazenam,
preservam, divulgam e dão acesso à produção intelectual de comunidades”.
Basicamente são identificados três tipos de repositório: repositórios institucionais:
voltados à produção intelectual de uma instituição, especificamente nas universidades e
institutos de pesquisa; repositórios temáticos ou disciplinares: referem-se à produção
intelectual de áreas específicas com conhecimento particular; e repositórios de teses e

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dissertações: aqueles que lidam especificamente com teses e dissertações (LEITE, 2009).
Conforme Tomaél e Silva (2007), a concepção de repositórios, embora não seja
recente, está intimamente relacionada aos conceitos de acesso aberto (open access) ou acesso
livre à informação, de arquivos abertos (open archives) e de softwares libres (open source);
conceitos esses incrementados diante do cenário tecnológico que ora se apresenta por conta do
desenvolvimento crescente das tecnologias de informação e comunicação. Na sua essência,
salientam Ribeiro e Vidotti (2009) que os repositórios são tidos como ferramentas que buscam
a promoção científica através da disponibilidade de informação para as pesquisas científicas
de modo gratuito, facilitando o acesso ao mundo acadêmico e alcançando como resultado a
obtenção do conhecimento e incentivo à pesquisa. Complementam Camargo e Vidotti (2008)
que, além de serem ambientes informacionais digitais que gerenciam e controlam a produção
acadêmica e científica de instituições, também apresentam como vantagens o acesso irrestrito,
interoperabilidade dos dados e, ainda, a preservação da informação ao longo prazo.
Nessa abordagem, emerge a compreensão dos repositórios digitais institucionais de
acesso à informação científica, os quais tratam da produção intelectual de uma instituição,
excluindo, portanto, conteúdos externos ou de outra natureza. De modo específico,
repositórios institucionais constituem-se em um conjunto de serviços oferecidos para os
membros de sua comunidade visando ao gerenciamento e disseminação do material digital
gerado pela instituição. Márdero Arellano (2008, p. 124) define repositórios institucionais
como “[...] sistemas de informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso a
produção intelectual de instituições e comunidades científicas [...]”.
Os repositórios são utilizados, dentre outras funções, para: melhorar a comunicação
científica na instituição; maximizar a acessibilidade, o uso e a visibilidade e impacto da
produção científica; reunir, armazenar, organizar, recuperar e disseminar a produção científica
da instituição (LEITE, 2009), comprovando-se assim uma série de benefícios que a adoção e
uso efetivo dos repositórios proporcionam a uma comunidade educacional.
Não obstante, é importante destacar que os benefícios da adoção de repositórios
dependem das possibilidades tecnológicas, do planejamento elaborado e contextualizado para
sua implantação, e das funções a serem desempenhadas. Nesse sentido, duas são as
abordagens acerca da implantação dos repositórios institucionais: a rígida e a flexível.
Na abordagem rígida, Leite (2009) informa que os repositórios priorizam conteúdos
submetidos a processos avaliativos pelos pares, pois visam a um controle de qualidade,
potencializando a comunicação científica formal ligada ao sistema de publicações científicas;
ao passo que na abordagem flexível amplia-se a destinação dos repositórios ao contemplar,

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além de conteúdos científicos avaliativos, outros conteúdos de natureza científica produzida
por membros da instituição, como os produtos da literatura cinzenta, conteúdo audiovisual,
imagens, vídeos e, dentre estes, os objetos de aprendizagem.
Os objetos de aprendizagem dispostos em repositórios proporcionam facilidade aos
interessados na busca de informações, servem de base para os processos de mediação
pedagógica e isto tem influenciado a instituições de ensino a optarem por dispor desses
repositórios em forma digital, demonstrando a utilização de recursos tecnológicos como
ferramentas relevantes, uma vez que essas ferramentas permitem ao professor uma
acessibilidade maior ao mundo de interesse dos alunos, por tratar o conhecimento de forma
mais colaborativa e interativa, e, nesse contexto, o conhecimento deixa de ser unilateral e o
aluno passa a ter papel mais ativo nesse processo (GALLOTA, 2006), já que pode também ter
acesso aos objetos de aprendizagem.
Além disso, conforme Pavão (2010, p. 51), um repositório institucional sustenta
“mudanças tecnológicas com o intuito de preservação e, o mais importante, oferecer os
recursos necessários para o apoio à pesquisa e ao ensino da instituição”.
Conforme Ochoa e Durval (2009), disponibilizar os objetos de aprendizagem
significar efetivamente promover e facilitar a aprendizagem, uma vez que, o ato de publicar
torna-se responsável pela disseminação de conteúdos educacionais. Pressupõe-se que o uso de
repositórios associados a objetos de aprendizagem representam sistemas que possibilitam o
aproveitamento e reutilização desses objetos, estruturando, desse modo, um acervo dinâmico
que atenderá as múltiplas práticas pedagógicas de uma instituição educacional.
Portanto, é salutar a integração de repositórios digitais no contexto educativo,
porquanto, como destaca Leite (2009, p. 22) no mundo inteiro as instituições “utilizam os
repositórios institucionais e o acesso aberto com o intuito de gerenciar informação científica
provenientes das atividades de pesquisa e ensino oferecendo suporte a ambas”, demonstrando
assim que as novas tecnologias dispostas com repositórios digitais contribuem de maneira
singular para a pesquisa e ensino, principalmente quando se referem à utilização dos objetos
de aprendizagem.

3 Materiais e métodos
No primeiro momento fizemos o levantamento bibliográfico sobre a criação e
implantação de repositórios, com o objetivo de contextualizar o assunto em questão e adquirir
conhecimentos para fundamentar a nossa proposta. Em uma segunda fase buscou-se conhecer

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as Instituições que já possuem Repositórios, como por exemplo: o Repositório REI da
Universidade Federal da Paraíba e o Lume da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFGRS), como também, o Banco Internacional de Objetos Educacionais do Ministério da
Educação (MEC).
A fase de planejamento e desenvolvimento de um Repositório envolve custos iniciais
como: hardwares e softwares, instalações e políticas, recursos humanos, treinamentos, dentre
outros; custos de implementação: convencimento da comunidade, suporte técnico, etc.; e
custos futuros: manutenção, segurança da informação, preservação digital e desenvolvimento
de novas funcionalidades (LEITE, 2009).
Para a implantação do Repositório Digital do IFPI é preciso ter algumas diretrizes:
criação de uma equipe interdisciplinar para organizar, administrar e manter o referido
repositório. De acordo com Gibbons (2004) um repositório institucional deve ser um projeto
com representação de toda a Instituição incluindo profissionais de várias especialidades, entre
eles: bibliotecários, analista de sistema, design gráfico, auxiliares de administração e demais
representação de todos os segmentos do grupo de usuários: alunos, técnico-administrativos,
professores e pesquisadores.
Existem alguns processos fundamentais na implantação um Repositório: planejamento
e definição de quais os serviços que serão oferecidos a comunidade; formação de uma equipe
para assumir as responsabilidades e manutenção; qual será a tecnologia utilizada (escolha do
software e da plataforma), pois um repositório deve ser de fácil utilização; divulgação do
repositório, é essencial para atrair utilizadores que façam uso ao repositório;
desenvolvimento de um projeto-piloto, pois ao desenvolver um projeto-piloto é mais fácil ter
a noção do que está bem e do que ainda pode ser melhorado na implementação do repositório;
lançamento do repositório é uma boa divulgação para que o mesmo seja procurado nesta fase
inicial; manutenção do repositório para garantir a qualidade do mesmo.
3.1 Utilização da Plataforma DSpace
O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) é a instituição que
ajuda a implantação do RI nas Instituições no Brasil e, desde 2003, realiza estudos sobre
ferramentas para repositórios institucionais.
O IBICT distribui o software DSpace, desenvolvido pelo Massachussetts Institute of
Technology MIT, em conjunto com a Hewlett Parcart (HP). O DSpace é um software de uso

gratuito destinado à construção e manutenção de repositórios digitais. Esse sistema captura,

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armazena, indexa, preserva e dissemina a produção intelectual de universidades, institutos de
pesquisa, tribunais e escolas em formatos digitais. Essa plataforma pode ser customizada de
acordo com o perfil institucional e as comunidades que serão inseridas, aceitando todas as
formas de materiais como arquivos de texto, imagem, vídeo e áudio, livros, artigos, relatórios
técnicos, teses. Está escrito em Java e esse utiliza versão atualizada do vocabulário de
metadados em Dublin Core que facilita a busca e recuperação dos itens no processo de
submissão de documentos, permite a interoperabilidade com outras aplicações que,
porventura, possam ser incorporadas ao repositório.
O DSpace, que atualmente está sendo o software para construção de repositórios
institucionais mais usados internacionalmente, no Brasil é utilizado por mais de 70 Instituições
para a criação de seus repositórios. A rede internacional de repositórios institucionais que usam o
DSpace provê amplo conteúdo e serviços entre instituições de ensino e pesquisa, além de possuir
uma federação já constituída.

3.2 Metadados
O termo metadado surge como instrumento de tratamento, estruturação e
administração dos recursos de informação da internet.
Basicamente, a literatura conceitua metadados de maneira bem simples como sendo
“dados sobre dados”. De forma mais rebuscada, pode-se dizer que são dados que descrevem a
essência e atributos de um recurso, caracterizam suas relações, possibilitam a sua recuperação,
seu uso e sua existência no ambiente eletrônico.
Segundo Turner (2004), os metadados servem para “descrever e estruturar, de maneira
estável e uniforme, as informações registradas sob os diferentes suportes documentais,
permitindo o acesso fácil a essas informações”.
O DSpace permite três tipos de metadados: descritivos, administrativos e estruturais.
No de contexto descritivo é possível criar campos adicionais para resumos e palavraschave dos documentos, o que facilita sua identificação e o gerenciamento das informações. Os
metadados administrativos são utilizados na gestão de recursos de informação e referem-se
aos direitos de autor com três campos obrigatórios: título, idioma, e data de depósito, sendo
todos os outros campos opcionais. Já os metadados estruturais descrevem a forma como os
objetos se interligam.

4 Resultados parciais/finais

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Começamos pelo esboço de como faríamos a interface do repositório: página inicial, a
seguir visualizada:

Figura 1: Esboço do Repositório Digital (Ideia inicial)

A partir do desenho da interface do Repositório demos início a instalação do DSpace
versão 5.2 usando a interface JSPUI em um servidor utilizando o sistema Linux.
As normas que regem a Política Institucional de Informação Técnico-Científica do
IFPI quanto ao seu Repositório e a portaria de criação de uma equipe interdisciplinar para
organizar, administrar e mantê-lo está em fase de escolha dos membros, dentre os quais, irão
ser contemplados servidores de áreas diversas do conhecimento e membros da comunidade
interna do IFPI.

5 Considerações parciais/finais
Ao longo da pesquisa e em face à fundamentação teórica apresentada sobre
Repositório acreditarmos que a proposta de implantação do mesmo é viável devido a grande
quantidade material produzida pelos professores conteudistas e formadores do Ensino a
Distância.
Instalarmos o DSpace em um servidor onde está sendo customizado de acordo com as
necessidades das informações a serem introduzidas nele. A perspectiva é que em breve iremos

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disponibilizá-lo para teste junto à comunidade acadêmica do IFPI.
A criação do repositório se mostra de grande valia para Instituição à medida que
reafirma seu caráter educacional e a possibilidade de aprimoramento profissional por meio do
acesso aos conhecimentos gerados pelo IFPI através do aproveitamento e reutilização dos
objetos de aprendizagem que atenderá as múltiplas práticas pedagógicas presentes na
Instituição.

6 Referências
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digitais. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS SNBU.15., 2008, São Paulo, Anais... São Paulo: Unicamp, 2008. Disponível em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008//site/pdfs/3560.pdf.&gt; Acesso em 24 maio 2016.
GALLOTTA, A. Objetos de aprendizagem a serviço do professor. Disponível em
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LEITE, F. C. L. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica
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                <text>Costa, Josué de Moura; Pereira, Ana Ursula Farias; Silva Júnior, Antonio Francisco da; Carvalho, Luana Karen Rodrigues de; Sa, Neila Marta</text>
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                <text>O objetivo principal deste artigo é propor a implantação de um repositório digital de objetos de aprendizagem com o intuito de promover o compartilhamento e reutilização de materiais elaborados por professores conteudistas na educação à distância do Instituto Federal do Piauí (IFPI). A metodologia utilizada foi bibliográfica e descritiva, com abordagem qualitativa. No primeiro momento um levantamento bibliográfico para identificar as plataformas tecnológicas já utilizadas foi apresentado e, a seguir, os materiais e métodos utilizados são descritos visando contextualizar o assunto em questão e adquirir conhecimentos para fundamentar a proposta. Como resultados finais/parciais sugere-se o esboço do repositório digital e, na sequência apresenta-se as considerações finais/parciais sobre a importância da integração de repositórios digitais no contexto educativo, visto que as novas tecnologias dispostas com repositórios digitais contribuem de maneira singular para a pesquisa e ensino, principalmente quando se referem à utilização dos objetos de aprendizagem.</text>
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                    <text>PROJETOS CULTURAIS EM BIBLIOTECAS: um relato de
experiência do Projeto Farol Cultural: Contando histórias de Goiás
a Paraty do Sistema de Bibliotecas do Instituto Federal Goiano

Patrícia Regina de Oliveira (IFGoiano) - patricia.oliveira@ifgoiano.edu.br
Bethânia Oliveira Silva (IF Goiano) - bethania.silva@ifgoiano.edu.br
Ilana Boianovsky (IF Goiano) - ilana.boianovsky@ifgoiano.edu.br
Resumo:
O estabelecimento de um projeto cultural institucional voltado para unidades de informação,
para que ocorra conforme o esperado, não pode prescindir de minucioso planejamento. Nesse
sentido, o presente artigo aborda as características fundamentais do processo de
desenvolvimento de projetos culturais em bibliotecas, e traça, de maneira específica, a
execução do Projeto Farol Cultural: Contando histórias de Goiás a Paraty do Sistema de
Bibliotecas (SIBI) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IF Goiano),
que, em linhas gerais, consiste em Concurso de Contos realizado no âmbito de todos os Campi
do IF Goiano, em que a premiação aos vencedores é uma viagem para a Festa Literária
Internacional de Paraty (FLIP). Dessa forma, pretende-se elucidar, de maneira pontual, as
diversas etapas concernentes à implementação do referido Projeto, o qual ocorre anualmente
na instituição desde o ano de 2013, tendo se revelado uma experiência de muito sucesso.
Palavras-chave: 1. Projeto Farol Cultural: Contando histórias de Goiás a Paraty. 2 . Projeto
cultural. 3. Planejamento de Projetos. 4. Sistema de Bibliotecas. 5. Inst
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Os projetos culturais, de maneira geral, advêm de um contexto social, histórico e cultural.
Nesse sentido, para que um projeto cultural possa ser planejado, é imprescindível conhecer a
realidade na qual, por meio dele, ocorrerá uma intervenção, analisar em qual contexto ele será
“desenhado” (o que está acontecendo à nossa volta), avaliar oportunidades e riscos, bem como
conhecer trabalhos semelhantes e entender como estes têm sido desenvolvidos. É também
importante considerar o público-alvo ou o público beneficiado como o conjunto de pessoas que
se pretende atingir positivamente nas ações do projeto.
De acordo com Cunha, 2007 no planejamento de um projeto é preciso levar em
consideração as políticas e diretrizes específicas dos planos e programas em que estão inseridos.
Muitas vezes, os projetos são desenhados, desde o início, a partir dos programas dos quais fazem
parte, pois resultam do processo de um planejamento, e por isso, são facilmente percebidos
como integrados às políticas que constituem tal programa. Em outros casos, os projetos são
elaborados para um objetivo independente (projeto isolado) e podem ser ajustados ou inscritos
em um determinado programa ou edital, na medida em que possuem afinidades com suas
diretrizes e linhas de atuação. Cunha destaca, ainda, que para cada projeto, devem ser
considerados alguns pontos, tais como: levar em conta o público que com ele se pretende
beneficiar; compreender o contexto social, histórico e cultural no qual está inserido e construir,
para cada, um percurso lógico próprio.
Projetos culturais são verdadeiras ferramentas para o processo de aperfeiçoamento do
desenvolvimento de serviços prestados por centros de informação. Por possuírem caráter
transformador, quando voltados à formação de leitores, contribuem de maneira educativa dentro
das unidades nas quais ocorrem (ROSA, 2009). Neste cenário, o presente artigo tem por objetivo
divulgar a experiência de sucesso do Projeto Farol Cultural: Contando histórias de Goiás a
Paraty do Sistema de Bibliotecas (SIBI) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
Goiano (IF Goiano), o qual consiste, de maneira geral, em um Concurso de Contos voltado à
comunidade discente do IF Goiano. Com o objetivo de desenvolver a criatividade e o hábito da
leitura entre os discentes, o Projeto, por meio de concurso, destaca talentos da arte da escrita, e,
como premiação, oferece aos vencedores viagem custeada à Festa Literária Internacional de
Paraty (FLIP), um dos principais festivais literários da América do Sul.

2 Revisão de literatura
O escopo do Projeto Farol Cultural: Contando histórias de Goiás a Paraty é o incentivo
à realização da atividade cultural por parte da comunidade discente de todos os campi do IF
Goiano. Compreender a relação das unidades de informação com a prática de ações culturais é
de fundamental importância, uma vez que, para garantir a qualidade do desenvolvimento deste
tipo de projeto, deve ficar estabelecido, de maneira sólida, o papel da biblioteca como
multiplicador cultural (e não apenas reprodutor). Segundo Barros (2007) “Vale dizer que a ação
cultural é um eficiente instrumento pedagógico-informacional, mas que também imprime ao
trabalho (até mesmo ao uso do próprio espaço) a dinamização pretendida”. Acerca do tema, é
importante colocar que os serviços bibliotecários devem ir sempre além daqueles que advêm de

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

atividades essencialmente técnicas, e, por isso, ações culturais são primordiais à prática da
natureza dinâmica das bibliotecas. Dessa forma;
(…) a ação cultural (AC) dinamiza toda e qualquer biblioteca, por meio de um
projeto bem articulado, que envolva informar (prerrogativa também da nossa
profissão)-debater-criar/resgatar conhecimento, vale a pena refletir sobre a
diferença que programas de AC podem fazer em benefício do usuário, além de
firmar e afirmar a imagem positiva do profissional tanto quanto da biblioteca
como um organismo vivo e atuante, como indispensáveis ambos (BAROOS,
M. H. T. C, 2007).

Um projeto parte de um diagnóstico que retrata a realidade no qual ele está inserido e que
permite identificar, de forma ampla e objetiva, problemas e demandas relativas à sua execução,
bem como o que se deseja propor como seu objeto de trabalho. Para tanto, em um primeiro
momento, é necessário conhecer o contexto em que ele está inserido, o público-alvo, e as
demandas com as quais serão necessárias lidar, e, por fim, propor intervenções. Dessa forma, é
essencial haver clareza com relação ao ponto de partida pelo qual se pretende iniciar uma ação
de elaboração de projetos culturais.
Cunha (2007) coloca que, depois da fase de planejamento, as oportunidades e riscos,
demandas e estratégias (o que, como, quem e quando), é o momento de organizar as ideias em
formato de projeto para torná-lo factível. A carta de apresentação (ou de encaminhamento), ao
ser encaminhada juntamente ao projeto, tem como objetivo situar o leitor que o receberá e
auxiliá-lo em sua análise, portanto, deve se apresentar seu conteúdo de forma sucinta e objetiva.
Em relação ao público-alvo do projeto, é importante compreender que, quanto menos genérico
ele for, mais fácil se tornará a avaliação de seus impactos, como também os serviços de
comunicação disponíveis podem ser melhor dirigidos e eficazes.
É importante ressaltar que, em geral, projetos são direcionados a públicos específicos e
mensuráveis. Pode ser que ocorra certa imprecisão nessa mensuração, como, por exemplo, nos
casos de propostas inéditas, entretanto, de maneira indireta, isso pode vir a beneficiar outras
pessoas. De todo modo, fazer uma estimativa e indicar as quantidades e os tipos de públicos
indiretos que o projeto pode vir a ter, são informações quantitativas e qualitativas que devem ser
observadas e registradas no projeto.

3 Materiais e métodos
Através de comissão institucionalizada via portaria de serviço composta por
bibliotecários, docentes e outros servidores técnicos administrativos em educação do IF Goiano,
foram realizadas as seguintes atividades para o desenvolvimento do Projeto:
Intermediação e condução dos processos entre os diversos Setores envolvidos, tais como PróReitoria de Extensão e Ensino; Direções Gerais; Diretorias de Extensão e Ensino;
Departamentos Financeiros; Assistência Estudantil e Assessoria de Comunicação;

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Definição e montagem do Edital do Concurso de Contos, avaliação, classificação, seleção e
posterior divulgação dos contos vencedores do Concurso, de acordo com os critérios do Edital;
Organização de hospedagem, visita técnica, transporte e demais atividades relacionadas à
viabilização da viagem de premiação dos vencedores do Concurso à Festa Literária Internacional
de Paraty (FLIP). Na ocasião da Festa, os discentes são acompanhados por docentes e servidores
técnico-administrativos do IF Goiano;
Preparação do material para a publicação do Livro de Coletânea dos Contos e Diário de Bordo
da Viagem dos autores vencedores da edição do primeiro semestre de 2015. Projeto em parceria
com a Pró-Reitoria de Extensão; Comissão de Publicações do IF Goiano e Setor de
Comunicação;
Correção e revisão dos contos para a publicação, avaliação, diagramação e design do livro.
.

4 Resultados parciais/finais
O Projeto Farol Cultural teve início no ano de 2013, no Campus Morrinhos do IF
Goiano. Sua primeira edição foi aprovada pela Comissão de Projetos Institucionais via PróReitoria de Extensão, o que o tornou um projeto institucionalizado. Assim, a partir de 2014,
passou a ser organizado pelo SIBI e Pró-Reitoria de Extensão. Como principal estratégia
realizou-se a centralização do Projeto na Pró-Reitoria de Extensão, a qual se responsabilizou
pela articulação do Concurso, institucionalização, divulgação dos Editais e custeio com a
publicação do Livro de Contos. Ao SIBI coube desenvolver a programação e executar estratégias
de incentivo à participação dos discentes no Concurso, por meio de oficinas de contos,
exposições literárias em parceria com o corpo docente de literatura, e, finalmente, a elaboração
de roteiro da viagem à cidade de Paraty, no Rio de Janeiro. A Pró-Reitoria de Ensino arcou com
o custeio da premiação dos discentes autores dos contos vencedores por meio de recursos da
Assistência Estudantil.
Algumas questões desafiadoras tiveram de ser contornadas ao longo do planejamento do
Projeto para que ele pudesse ocorrer. As principais foram a de torná-lo institucional, devido às
divergências no processo de execução orçamentária das onze unidades do Instituto, atender as
premissas da Pró-Reitoria de Extensão em relação à execução de projetos culturais, bem como
acompanhar a dinâmica da Pró-Reitoria de Ensino, esta responsável pela liberação orçamentária
dos recursos relativos à premiação do Concurso. No contexto das metas atingidas ao longo do
planejamento e execução do Projeto, seguem as principais:
Conseguir aprovação do colégio de dirigentes para a realização do Projeto;
Definir as questões orçamentarias;
Regulamentação e organização do Concurso pela Comissão de Treinamentos, Cultura e Eventos
do SIBI e pela banca de docentes da área de Letras do IF Goiano;
Mobilização da comunidade por meio da integração entre docentes e as bibliotecas do Sistema;

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Fortalecimento da logomarca do Concurso através do trabalho desenvolvido pelo SIBI e
Assessoria de Comunicação do IF Goiano ao ser traçado um plano de marketing em mídia
impressa e eletrônica.
Dessa forma, o Projeto constitui um Concurso de Contos regulamentado e organizado
pela Comissão de Treinamentos, Cultura e Eventos do SIBI e pela banca de docentes da área de
Letras do IF Goiano. Para que os resultados deste trabalho fossem positivos, seus objetivos
foram bem delimitados, sendo eles:
Incentivar e destacar talentos da literatura, contadores de histórias e amantes da leitura;
Estimular o acesso a bens literários do acervo das bibliotecas do IF Goiano, resgatando o
fenômeno literário e o prazer no desenvolvimento da escrita;
Incluir no planejamento do acervo das bibliotecas acervo literário e de lazer, de modo a
desenvolver instrumentos e condições que favoreçam as práticas da leitura, pesquisa, e reflexão
para a formação e exercício da cidadania;
Fazer promoção da leitura e da escrita de forma multidisciplinar;
Estimular o hábito da leitura na comunidade discente do IF Goiano;
Contribuir para um trabalho cooperativo de estímulo à leitura entre as bibliotecas do IF Goiano e
os docentes da área de produção de textos;
Proporcionar novas oportunidades de acesso à arte e cultura aos discentes autores que se
destacam na produção de contos;
Promover a marca do IF Goiano na Festa Literária Internacional de Paraty, um dos mais
importantes eventos culturais das Américas.
Colocado isso, seguem tabelas com demonstrativos numéricos relativos à evolução do
Projeto ao longo de suas três edições:
Tabela 1
Evolução do Projeto
Ano

Contos enviados

Admitidos

2013
2014
2015

67
138
307

48
109
259

Contos vencedores
quantidade
10
15
22

Valor da bolsa para a
viagem
750,00
750,00
900,00

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Tabela 2
Ganhadores por Campus
Campus
CATALÃO
CERES
CRISTALINA
HIDROLÂNDIA
IPAMERI
IPORÁ
MORRINHOS
POSSE
RIO VERDE
TRINDADE
URUTAÍ
TOTAL

2013
/
01
/
/
/
01
0
/
04
/
04
10

2014
/
03
/
/
/
03
03
/
03
/
03
15

2015
01
03
01
01
01
03
03
01
03
01
03
22

Legenda: “/” - Campi em implantação nos anos de 2013 e 2014.
Observação: Na primeira edição do Projeto o formato foi de concorrência livre. A partir da
segunda edição, adotou-se o critério de vagas por Campus, em razão da distribuição e divisão dos
custos.

Tabela 3
Participação de Docentes em Banca
Campus
CATALÃO
CERES
CRISTALINA
HIDROLÂNDIA
IPAMERI
IPORÁ
MORRINHOS
POSSE
RIO VERDE
TRINDADE
URUTAÍ
TOTAL

2013
/
02
/
/
/
0
0
/
0
/
01
01

2014
0
0
0
01
0
01
01
0
0
/
01
04

2015
01
01
0
01
0
04
0
0
0
01
02
10

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Tabela 4
Participação de Servidores Técnicos administrativos do SIBI
Campus
CATALÃO
CERES
CRISTALINA
HIDROLÂNDIA
IPAMERI
IPORÁ
MORRINHOS
POSSE
RIO VERDE
TRINDADE
URUTAÍ
REITORIA
TOTAL

2013
/
01
/
/
/
01
03
/
03
/
01
01
10

2014
/
02
0
02
0
01
01
0
03
/
01
02
12

2015
01
01
0
01
0
01
01
01
04
01
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15

Ainda com relação aos resultados parciais e finais do Projeto, cabe colocar alguns
apontamentos acerca da logística de concessão de bolsas e diárias:
1. Nas duas primeiras edições do Concurso cada discente vencedor recebeu bolsa através
de recursos da Assistência Estudantil no valor de R$ 750,00 (setecentos e cinquenta
reais). Foram premiados dez vencedores na primeira edição, já na segunda, diante do
aumento do número de campi, aumentou-se o número de premiações para quinze;
2. Na edição de 2015, devido à expansão do IF Goiano, foram vinte e dois discentes
premiados e as bolsas foram no valor de R$ 900,00 (novecentos reais);
3. Aos servidores que acompanharam os grupos às viagens, efetuou-se o pagamento de
diárias, as quais foram custeadas pelo respectivo campus de lotação de cada servidor.
Os custeios com combustível e pedágios do ônibus foram custeados pela Pró-Reitoria
de Extensão.

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5 Considerações parciais/finais
O Projeto Farol Cultural: Contando histórias de Goiás a Paraty tem alcançado seus
objetivos de forma satisfatória, e, inclusive, é possível dizer que vão além daqueles
inicialmente imaginados. Obtiveram-se vários resultados positivos, tais como o grande
número de alunos escritores que enviaram trabalhos (quantitativo este que,
progressivamente, vem aumentando), a qualidade dos contos escritos, o sucesso da
organização e execução das viagens de premiação, o gradativo aumento de docentes
envolvidos, parceria satisfatória entre a Direção e o SIBI IF Goiano, e, ainda, a conclusão
de cada edição com a publicação do Livro de Contos.
A premiação do Concurso com a viagem de ida à FLIP tem alcançado aspectos de
grandiosidade e encantamento. Tendo como cenário uma das mais belas paisagens do
Brasil, a Festa é regada a muita leitura, “contação” de histórias, poesia, teatro, música,
demonstrações artísticas que são produzidas e reproduzidas em grandes palcos, nos
corredores de pedra da cidade de Paraty, no ônibus, e até nos quartos da hospedagem. É
possível perceber que o Projeto tem imenso potencial. Para as próximas edições pretendese, inclusive, incluir um maior número de modalidades de literatura por meio de variadas
expressões das artes, como a música e o cinema, e, também, expandir a atuação do Projeto
a outros eventos culturais, como, por exemplo, à Feira Internacional de Cinema (FICA) em
Pirenópolis (GO).
Tornar o Projeto institucional foi um passo que representou muita importância, pois
possibilitou seu status de continuidade. Realizar, anualmente, Projeto de tamanho porte,
reforça institucionalmente a importância do trabalho desenvolvido pelas bibliotecas que
compõem o SIBI IF Goiano. Praticar e manter a difusão cultural que a realização do Projeto
promove para os diversos campi envolve trabalho árduo, e entende-se que os desafios nunca
deixarão de ser uma constante para a execução de suas edições. É possível dizer que o Farol
Cultural tem sido a materialização de sonhos para toda a comunidade que nele se envolve.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

6 Referências
CUNHA, Maria Helena. Gestão cultural: Profissão em formação. Belo Horizonte: DUO
Editorial, 2007.
NATALE, Edson (Org.). Guia brasileiro de produção cultural. São Paulo: Natale MPA, 2001.
ROSA, Anelise Jesus Silva da. A prática de ação cultural em bibliotecas. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 14, n. 2, p. 372-381, jul./dez. 2009.
BARROS, M. H. T. C. Mente aberta. Infohome. ago. 2007. Disponível em:
&lt;http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=312&gt;. Acesso em: 23 março 2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Projetos culturais em bibliotecas um relato de experiência do Projeto Farol Cultural: contando histórias de Goiás a Paraty do Sistema de Bibliotecas do Instituto Federal Goiano.</text>
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                <text>O estabelecimento de um projeto cultural institucional voltado para unidades de informação, para que ocorra conforme o esperado, não pode prescindir de minucioso planejamento. Nesse sentido, o presente artigo aborda as características fundamentais do processo de desenvolvimento de projetos culturais em bibliotecas, e traça, de maneira específica, a execução do Projeto Farol Cultural: Contando histórias de Goiás a Paraty do Sistema de Bibliotecas (SIBI) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IF Goiano), que, em linhas gerais, consiste em Concurso de Contos realizado no âmbito de todos os Campi do IF Goiano, em que a premiação aos vencedores é uma viagem para a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Dessa forma, pretende-se elucidar, de maneira pontual, as diversas etapas concernentes à implementação do referido Projeto, o qual ocorre anualmente na instituição desde o ano de 2013, tendo se revelado uma experiência de muito sucesso.</text>
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                    <text>Projeto: Vamos Ler!
Aline Pereira da Costa (UFJF) - alinenovaera@gmail.com
Flávia Carvalho dos Santos (UFJF/GV) - flavia.carvalho@ufjf.edu.br
Resumo:
Este projeto tem como objetivo, incentivar o hábito da leitura de textos poéticos e prosas nos
servidores e discentes da Universidade Federal de Juiz de Fora - Campus Governador
Valadares. Dando ênfase para as poesias, poemas, pequenos versos, rimas e textos curtos,
visto que os discentes já possuem uma carga muito grande de leitura no decorrer dos cursos.
Pensou-se neste tipo de literatura justamente por ser breve e não demandar muito tempo.
Escolheu-se como local do projeto o ônibus universitário que transporta os estudantes e
servidores para o refeitório e no próprio refeitório. Espera-se com o projeto que os discentes e
servidores fiquem curiosos para ler mais sobre a obra ou o autor referido à cada edição do
projeto e que consigamos alcançar o objetivo que é despertar no usuário o hábito pela leitura
além dos textos técnicos.
Palavras-chave: Incentivo a leitura 1. Projeto 2. Poesias 3. Poemas 4. Produção cultural 5.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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1 Introdução
A leitura é um meio de formação de uma sociedade mais consciente, mais crítica, mais
politizada. No entanto, é inquestionável que o hábito de ler só acontece quando as pessoas são
expostas à leitura de qualidade e com grande frequência. Por isso, principalmente nos espaços
educacionais, é necessário viabilizar o acesso à leitura em diversos locais, além do espaço
físico da biblioteca. Esse fato é verificado por Aguiar e Bordini (1988, p. 27), onde ele
ressalta que “todo hábito entra na vida como um jogo que, por mobilizar emoções, inspirar
prazer, exige repetição contínua e renovada”.
Pensando nisso, o setor de biblioteca da UFJF/GV - Universidade Federal de Juiz de
Fora Campus Avançado de Governador Valadares, em parceria com o setor de Comunicação,
Cultura e Eventos, elaborou o projeto “Vamos Ler!” que busca despertar o interesse da
comunidade acadêmica, em especial dos discentes, pela leitura. Tudo isso visto que,
principalmente o universitário, tem suas leituras mais voltadas para a academia, para o que o
docente lhe solicita.
A proposta do projeto é que o hábito da leitura não técnica se torne presente no
cotidiano dos servidores e discentes. Por isso, a ação foi desenvolvida a partir de textos de
fácil leitura, como poemas, poesias, versos, letras de músicas, em locais estratégicos como o
ônibus universitário e o RU - Restaurante Universitário.
O “Vamos Ler!” é uma adaptação do projeto “Leitura para todos” da UFMG Universidade Federal de Minas Gerais, que também afixa textos como poemas, poesias,
crônicas, dentre outros, nas cadeiras dos ônibus de algumas linhas da cidade de Belo
Horizonte – Minas Gerais.
O projeto da UFMG foi adequado à nossa realidade. A UFJF/GV ainda não possui
sede própria. As atividades acontecem em espaços alugados em duas universidades
particulares da cidade, sendo distribuídas entre campus do bairro Centro, ICSA - Instituto de
Ciências Sociais Aplicadas e o campus do bairro Santos Dumont, ICV - Instituto de Ciências
da Vida.
No ICSA, que se localiza no centro os textos são afixados nas grades e corrimões do
RU, pois o RU é bem próximo as salas de aula, como demonstra a Figura 1. Já no ICV, as
salas de aula são afastadas do RU, sendo necessário utilizar o ônibus universitário para o
deslocamento até ele, neste caso os textos são afixados dentro do ônibus, como demonstra a
Figura 2.
O Vamos Ler! utiliza poesias, poemas, contos, (textos curtos) para dar tempo dos
servidores e discentes lerem, pois o trajeto para o RU e o tempo de permanência na fila é
curto, sendo possível ele ler todo o texto naquele momento.

Figura 1 - Foto no RU.

Figura 2 - Foto no ônibus

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1.1 Objetivo geral
Incentivar a leitura nos discentes e servidores da UFJF/GV.
1.2 Objetivos específicos






Incentivar a leitura;
Disseminar conhecimento;
Promover o desenvolvimento do vocabulário;
Possibilitar o acesso a diversos tipos de leitura: poemas, poesias, contos e outros;
Despertar no indivíduo através da leitura, a oportunidade de novos horizontes
culturais, pessoais, promovendo sua formação crítica;
 Contribuir na formação de público para diferentes linguagens artísticas, através da
literatura;
 Integrar diferentes instituições e setores do campus avançado em prol do projeto.

2 Justificativa
É possível compreender a importância da literatura no desenvolvimento humano. No
entanto, com os avanços tecnológicos e supercarga de atividades diárias, há uma queda
constante da leitura por parte das pessoas. Há uma perda de leitores e também da qualidade de
leituras feitas. É preciso buscar alternativas que formem leitores proficientes, ou seja, aqueles
capazes de compreender e entender um texto escrito, leitores que tenham um posicionamento
crítico e de análise diante daquilo que lê. Tendo isso em mente, o setor de biblioteca começou
a avaliar a atual situação dos discentes e servidores do campus avançado da UFJF/GV no
quesito literatura.
Devido à falta de espaço dentro das bibliotecas, que funcionam em locais alugados, o
acervo é totalmente direcionado às áreas técnicas, impossibilitando o acesso da comunidade
acadêmica à literatura dentro do campus. Em paralelo notou-se um tempo ocioso que os
discentes e servidores têm no trajeto para o RU no ICV e na fila de espera para o almoço no
ICSA. Buscando minimizar os problemas de acesso à literatura por falta de espaço físico na
biblioteca e tentando otimizar o tempo no horário do almoço dos discentes e servidores, foi
criado o Projeto Vamos Ler!.
A ação integrada entre a Biblioteca e o setor de Comunicação, Cultura e Eventos é
convergente com a proposta da universidade de articular projetos de cunho interdisciplinar.
Neste caso o projeto também busca contribuir na formação de público para outras áreas
artísticas culturais, ampliando assim o trabalho de produção cultural dentro da universidade.
Sabe-se que através da leitura o ser humano consegue se imaginar no desconhecido, ter novas
sensações e emoções, vivenciando experiências que geram conhecimento e agregam valor.
Por isso, no campo da cultura, é visível a importância da formação de bons leitores para a
formação também de espectadores para outras linguagens artísticas, como o teatro, cinema,
dança, entre outras. Afinal, a literatura é de suma importância na produção de trabalhos
artísticos.
A articulação desenvolvida pela Biblioteca em parceria com o setor de Comunicação,
Cultura e Eventos recebeu grande apoio dos outros setores da universidade. Destaque para o
setor de Transporte, que torna possível o acesso aos ônibus para a inserção dos poemas, além
de contribuir na fiscalização e manutenção do acervo. Outra importante parceria institucional
foi com o Instituto Psia, um empreendimento cultural que realiza ações de arte e cultura no
Vale do Rio Doce – Minas Gerais com o objetivo de ampliar o acesso à cultura, em especial

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

de ações de literatura, e proporcionar a construção da cidadania.
Iniciado em janeiro de 2016, o Vamos Ler! chega ao seu quarto mês de realização
apresentando boas conquistas. Um exemplo é a articulação realizada no mês de março, onde o
projeto ganhou a parceria do Coletivo de Mulheres do campus avançado, o (R)existo.
O (R)existo, é um grupo de mulheres de diversos cursos UFJF/GV, que tem por
objetivo combater as ações machistas que acontecem no campus seja no campus avançado ou
no campus sede em Juiz de Fora/MG. O grupo contribuiu na produção do projeto indicando
autoras que abordam a temática mulher.
Especialmente no mês de março o projeto buscou efetivar a ideia de que com a leitura fosse
possível os servidores e estudantes ampliassem sua compreensão de mundo, melhorando o
seu comportamento social em relação às questões de gênero, tendo uma posição mais crítica
sobre o assunto. A proposta da parceria foi tão importante que integrou o cronograma do mês
de março da Diretoria de Ações Afirmativas da UFJF.
A Diretoria de Ações Afirmativas da UFJF foi criada através de Portaria nº 1172 de 15
de setembro de 2014, a qual a vincula ao Gabinete do Reitor. Ela possui a finalidade de
promover condições institucionais que permitam a implementação e acompanhamento de
políticas públicas voltadas às ações afirmativas da instituição, entre discentes, docentes e
técnicos administrativos.
Neste sentido, o projeto Vamos Ler! se mostra muito importante para o trabalho e o
dever da UFJF/GV de incentivar a leitura, de unir os setores, de agregar projetos, propiciando
aos discentes e servidores momentos que possam despertar o gosto pela leitura, a consciência
do quão importante e saudável o hábito de ler e a possibilidade de se atingir novos horizontes,
além da possibilidade de interação com outros projetos da instituição.

3 Revisão de literatura
O hábito de ler é ponto fundamental na educação do indivíduo. Seria interessante que
a iniciação pela leitura fosse construído bem cedo, quando ainda na gestação fossem lidos
histórias infantis, quando criança gibis e livros educativos e que fosse evoluindo com o passar
dos anos. Infelizmente não é isso que acontece com a maioria da população.
Quando incentivada, a criança quer descobrir novos mundos: como livrarias, museus,
bibliotecas, aguça uma gana por cultura, por já existir em sua residência um ambiente
favorável para a leitura.
Embora, a realidade da família brasileira mediana não reflete uma atmosfera propícia
para a leitura, por diversas razões, sejam elas financeiras ou culturais sem possuir um
ambiente adequado para fomentar o hábito de ler. Assim, Orlandi (1998, p. 29) explica:
O ato de ler só se dá verdadeiramente entre um leitor virtual, que
é constituído no próprio ato da escrita e um leitor real, na
medida em que esse leitor imaginário, criado pelo autor, dialoga
com esse leitor real, com esse leitor que lê o texto e dele se
apropria.
Neste sentido percebemos que o discente possui a vontade de ser um leitor real,
porém, ele não tem tempo e nem muito acesso a demais tipos de literatura. Contudo, existe
sempre a vontade de incentiva-lo ao hábito de ler, como acontece na UFRRJ – Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro, a Pró-reitoria de Graduação faz uma campanha de incentivo
a leitura e raciocínio desde 2008. É distribuído gratuitamente exemplares de revistas na
recepção dos calouros, democratizando o acesso à leitura diversificada, essa distribuição de

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revistas acontece desde o balcão de matrículas até com uso de banca no RU em diversos
campus da UFRRJ. Outro exemplo é a Faculdade Guairacá, o Colegiado de Administração
possui um projeto de incentivo à leitura e a pesquisa, no intuito de estimular a comunidade
acadêmica na busca do conhecimento favorecendo o contato com diversos materiais
disponíveis na instituição. Seu idealizador, o professor Jean Koszalka, observa que mesmo
sendo um trabalho opcional, os alunos demonstraram motivados com as leituras.
Para que seja atingido o objetivo desejado que é o incentivo a leitura, no processo de
construção do conhecimento a mesma deve ser um “impulso, impacto que altere o
conhecimento” (ALMEIDA JÚNIOR, 2011, p. 372), tendo o usuário a possibilidade de obter
mais informações e consequentemente um aumento no seu intelecto científico e cultural para
gerar conhecimento.

4 Materiais e métodos
A produção do Vamos Ler! tem três etapas fundamentais: definição de temática;
produção de material; inserção dos poemas.
Na primeira etapa as equipes dos setores de Biblioteca e de Comunicação, Cultura e
Eventos se reúnem para definir a temática a ser tratada no mês subsequente. A definição do
tema é feita a partir da análise das datas comemorativas do mês ou então da relevância de
alguma temática para a reflexão do campus avançado. Sendo assim, nos primeiros quatro
meses do projeto, os temas escolhidos foram:
Janeiro - Para celebrar o aniversário de 178 anos da cidade de Governador Valadares
(30/01), o Vamos Ler! foi produzido com poemas de diferentes poetas valadarenses,
apresentando para os leitores um pouco da história da cidade e o olhar dos artistas a cerca do
desenvolvimento da cidade. A escolha do tema foi oportuna uma vez que os estudantes e
servidores do campus avançado representam mais de 150 municípios brasileiros, sendo uma
ótima oportunidade para que todos conhecessem mais sobre a história da cidade. Conforme
cartaz na Figura 3.
Fevereiro - redesenhando a imagem dos brasileiros a cerca do Carnaval, o Vamos Ler!
trouxe poemas que representam esse momento para poetas do país inteiro, apresentando aos
seus leitores versões diferentes sobre a importância dessa festividade para o país e recordando
as críticas à manifestação cultural, que também pode ser vista como algo que aliena.
Conforme cartaz na Figura 4.
Março - em parceria com o coletivo de mulheres (R)existo, o Vamos Ler! levou até os
leitores diferentes poemas e textos escritos por mulheres que lutam ou lutaram pela igualdade
de gêneros no Brasil e no mundo. A proposta foi permitir que a comunidade acadêmica do
campus avançado refletisse sobre as comemorações do 8 de março e também conhecesse
melhor as escritoras. O projeto ganhou destaque dentro da programação da Diretoria de Ações
Afirmativas da universidade. Conforme cartaz na Figura 5.
Abril - atentos à situação das questões indígenas no Brasil, o Vamos Ler! trouxe até o
público versos de índios e não índios, apresentando à comunidade acadêmica parte do
patrimônio cultural dos índios brasileiros, através de sua língua e de suas manifestações
acerca dos problemas e conquistas indígenas. Conforme cartaz na Figura 6.

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Figura 3 - Janeiro

Figura 5 - Março

Figura 4 - Fevereiro

Figura 6 - Abril

Após a definição do tema, é confeccionado um cartaz formato A3, para que todos
saibam a temática do referido mês, como demonstram as Figuras 3, 4, 5 e 6. Os textos são
impressos em formato A5, colados, plastificados, perfurados, passado barbante, para
amarração, como demonstra a Figura 7.
Em seguida, os cartazes são afixados em locais estratégicos no ônibus e no RU, e os

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textos, são afixados nos assentos dos ônibus e em pontos estratégicos do RU, como grades e
corrimão.
4.1 Materiais utilizados
 Papel cartão;
 Papel ofício;
 Papel contact;
 Papel A3;
 Barbante;
 Furador;
 Cola.
Importante ressaltar a colaboração dos bolsistas da Biblioteca na confecção do material,
assim como a cooperação do Departamento de Transportes e do RU para que o projeto seja de
fato executado.

Figura 7 - Modelo
4.2 Temporalidade do Projeto
 Mensal

5 Resultados parciais/finais
Após quatro meses de atuação, o Vamos Ler! apresenta-se como um trabalho
promissor no fomento à leitura dentro do campus avançado. Nesse período o projeto já
conseguiu consolidar uma parceria continuada, com o instituto Psia, e vem ganhando, a cada
edição, novos apoiadores. Na terceira edição o projeto foi adotado pelo coletivo de mulheres
(R)existo e no quarto o Nutei, que atua com questões indigenas. É interessante ver que os
grupos já articulados dentro da universidade percebem no projeto uma forma interessante de
ampliação de divulgação de suas lutas e indagações sobre a realidade que vivemos.
O projeto também é reconhecido pela Direção do campus avançado como estratégico
na ampliação dos trabalhos culturais da UFJF/GV. Desde o seu lançamento o trabalho foi
muito bem recebido e tem tido apoio, em diversos momentos, da Direção.
O Vamos Ler! Também conquistou muita visibilidade para o campus avançado, através

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de diferentes inserções na mídia. Logo que foi lançado o projeto já foi destaque no Diário do
Rio Doce, o maior jornal impresso da região. O Vamos Ler! também ganhou visibilidade no
jornal do SINTUFEJUF - Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação
das Instituições Federais de Ensino no Município de Juiz de Fora. Recentemente a revista do
Conselho Regional de Biblioteconomia de Minas Gerais solicitou uma entrevista sobre o
projeto. De acordo com a jornalista responsável pela revista, o projeto demonstra grande
potencial e é de simples aplicação. A proposta é que, abordando o assunto na revista, eles
consigam incentivar outros bibliotecários e instituições a replicarem o projeto.
Outro ponto que demonstra a importância e eficácia do projeto são as constantes
indagações dos discentes e servidores, feitas pessoalmente, a respeito das próximas edições do
Vamos Ler!. Há uma procura muito grande para que o projeto, em uma edição, apresente
textos feitos pela comunidade acadêmica. Essa proposta já está sendo analisada e será
executada em breve.
Agora, já estabelecido, o projeto inicia uma fase de avaliação, apurando-se dados que
possam quantificar os retornos do trabalho. Esse trabalho visa ampliar a avaliação qualitativa
que já vem sendo realizada desde a implantação do Vamos Ler!.

6 Considerações parciais/finais
Diante do trabalho realizado e dos resultados avaliados de forma informal em relação
ao projeto Vamos Ler!, através das frequentes parcerias realizadas com demais setores da
universidade e também do feedback de estudantes e servidores, é possível perceber que o
projeto conseguirá alcançar, a médio prazo, o seu propósito, que é fazer com que a
comunidade acadêmica passe a ter mais interesse em textos literários com a frequente
exposição aos poemas.
A proposta é contribuir para que a comunidade acadêmica amplie seu gosto pela
literatura. Como lembrou Freire (1999, p. 11), em relação ao ato de ler, esclarece que essa
prática “não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas
se antecipa e se alonga na inteligência do mundo”. E é exatamente isso que se pretende com
este projeto, que todos os integrantes do universo acadêmico do campus avançado de
Governador Valadares consiga enxergar o mundo com um olhar mais crítico, mais apurado.

6 Referências
AGUIAR, Vera Teixeira de; BORDINI, Maria da Glória. Literatura, a formação do leitor:
alternativas metodológicas. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998.
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Desafios e oportunidades em um contexto de
mudanças: a inclusão informacional para o século XXI. Revista ACB: Biblioteconomia em
Santa Catarina, Florianópolis, v. 17, n. 2, p. 365-381, Jul. / dez. 2012.
FACULDADE GUAIRACÁ. Colegiado de administração lança projeto de incentivo à leitura
e pesquisa. Disponível em: &lt;http://guairaca.com.br/colegiado-de-administracao-lanca-projetode-incentivo-leitura-e-pesquisa/&gt;. Acesso em: 08 abr. 2016.
FREIRE, Paulo. A pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e terra, 1999.

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ORLANDI, Eni Puccinelli. A leitura e os leitores. Campinas: Pontes, 1998.
PIRES, Erik André de Nazaré. A importância do hábito da leitura na universidade. Revista
ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 17, n. 2, p. 365-381, Jul. / dez.,
2012.
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO. Pró-reitoria de Graduação –
PROGRAD. Campanha de incentivo à leitura. Disponível em: &lt;
http://r1.ufrrj.br/graduacao/paginas/home.php?id=Incentivo-Leitura &gt;. Acesso em: 08 abr.
2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este projeto tem como objetivo, incentivar o hábito da leitura de textos poéticos e prosas nos servidores e discentes da Universidade Federal de Juiz de Fora - Campus Governador Valadares. Dando ênfase para as poesias, poemas, pequenos versos, rimas e textos curtos, visto que os discentes já possuem uma carga muito grande de leitura no decorrer dos cursos. Pensou-se neste tipo de literatura justamente por ser breve e não demandar muito tempo. Escolheu-se como local do projeto o ônibus universitário que transporta os estudantes e servidores para o refeitório e no próprio refeitório. Espera-se com o projeto que os discentes e servidores fiquem curiosos para ler mais sobre a obra ou o autor referido à cada edição do projeto e que consigamos alcançar o objetivo que é despertar no usuário o hábito pela leitura além dos textos técnicos.</text>
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                    <text>PROGRAMA DE FORMAÇÃO DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECA
SETORIAL DO INSTITUTO DE SAÚDE E BIOTECNOLOGIA –
ISB/UFAM: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Denise Xavier Costa (UFAM) - denise.costa45@yahoo.com.br
Karina Batista de Sales (IFAM) - ninaformare@gmail.com
Kedima Miranda Cardoso (UFAM) - kedmacardoso@hotmail.com
Renato de Sena Mendes (AM) - renato_elm@hotmail.com
Resumo:
Apresenta os resultados da implantação do Programa de Formação de Usuários da Biblioteca
Setorial do Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas. O
programa ofereceu três treinamentos diferentes com o objetivo de apresentar aos usuários
ferramentas que possibilitem o acesso, busca e recuperação de informações que contribuam
para a sua formação acadêmica. Também foi realizada a aplicação de questionário para
avaliação das atividades realizadas, bem como para investigar os motivos que levaram a não
participação dos avaliados. Houve pouca adesão aos treinamentos e, verificou-se que os
motivos podem ser superados com melhor planejamento e engajamento da equipe da
biblioteca juntamente com os docentes da instituição.
Palavras-chave: Formação de usuário. Treinamento de usuários. Construção do
conhecimento. Acesso à informação. Universidade Federal do Amazonas.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Na sociedade contemporânea está cada vez mais notória a necessidade de estar bem
informado, e no ambiente acadêmico não é diferente. Ter acesso às fontes de informação,
principalmente no que diz respeito à construção de conhecimento dentro da universidade, é
imprescindível para a progressão e formação da comunidade acadêmica.
Baseando-se nisso a Biblioteca Setorial do Instituto de Saúde e Biotecnologia – ISB,
da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, criou o Programa de Formação do Usuário
com o objetivo de apresentar aos seus usuários meios de acesso, busca e recuperação da
informação que vão além do espaço físico da biblioteca, proporcionando habilidades e
competências quanto à usabilidade de produtos e serviços oferecidos pelo Sistema de
Bibliotecas da UFAM – SISTEBIB.
Como integrante do SISTEBIB, a Biblioteca Setorial do ISB tem como missão
“cultivar o saber em todas as áreas do conhecimento por meio do ensino, da pesquisa e da
extensão, contribuindo para a formação de cidadãos e o desenvolvimento da Amazônia”.
(SISTEMA..., 2016).
Localizado no município de Coari, Amazonas, o ISB oferece seis cursos de graduação,
a saber: Biotecnologia, Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição e as Licenciaturas em Ciências:
Biologia e Química e Ciências: Matemática e Física. Disponibiliza, ainda, um Programa de
Pós-graduação em Biotecnologia, onde o acervo da biblioteca, tanto o físico quanto o virtual,
são voltados para estas especialidades.
Como em qualquer outra instituição, o ISB também carece de alguns serviços para seu
melhor desenvolvimento e um destes é a dificuldade de acesso à internet, porém isto não foi
problematizado para a operacionalidade do Programa de Formação do Usuário. Ao contrário,
refletiu-se muito a percepção de que a comunidade acadêmica necessita da qualidade deste
serviço, a fim de que usufruam de ferramentas que melhorem seus resultados na busca e
recuperação de informações digitais e que contribuam para a construção e/ou formação de
seus conhecimentos durante a sua vida acadêmica.
No entanto, não bastou esta percepção. Notou-se também que eles precisam
saber/conhecer a existência destas ferramentas, pois muitos dos que formam a comunidade
acadêmica ainda consideram a biblioteca como um espaço somente de estudos, empréstimo e
devolução de livros.
Hoje muitas unidades de informação já ultrapassam suas fronteiras físicas e não é
diferente com a Biblioteca Setorial do ISB, pois esta já disponibiliza ferramentas digitais que
tornam o seu acesso mais fácil, rápido e prático, assim como a disponibilidade ou contato com
os bibliotecários que nela atuam.
Este artigo apresenta os resultados da participação dos usuários nos treinamentos
oferecidos através do I Programa de Formação dos Usuários realizado no período de março a
abril de 2016.

2 Revisão de literatura
Em bibliotecas universitárias, a disseminação de fontes de informação é uma das
maiores razões de sua existência, pois é através deste serviço que os usuários da biblioteca
tomam conhecimento dos registros da produção do conhecimento humano, seja qual for o
suporte, necessários para a sua formação e progressão.
Como diz Santos (2012, p. 3), “a matéria-prima da universidade é a informação, e o
órgão responsável pelo gerenciamento da informação na universidade é a biblioteca”, pois

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além de disseminá-las também faz todo o processo de coleta, seleção e aquisição, tanto físico
quanto digital ou virtual, a fim de melhor atender as necessidades de seus usuários.
[...] diversas fontes importantíssimas para a busca de informações estão
disponibilizadas on-line. Obras de referência (como, por exemplo, bibliografias,
índices e resumos), antes impressas e publicadas em papel, estão sendo substituídas
por bases de dados digitais. Algumas dessas bases já oferecem, além do dado
referencial e resumo do documento, o seu texto integral. Paralelamente surgiram as
bibliotecas virtuais, que facilitam o processo de busca e o acesso à informação pelos
cientistas, pois disponibilizam documentos eletrônicos para consulta em tela ou
mediante impressão.
Os repositórios digitais também fazem parte da realidade de muitos pesquisadores.
Eles operam com a tecnologia e a filosofia dos arquivos abertos (open archives), e
estão em processo de consolidação e reconhecimento como fontes confiáveis de
informação científica [...]. (LOPES; SILVA, 2007, p. 26).

Disponibilizar fontes de informação voltadas para a construção de conhecimento
técnico e científico, não é tarefa fácil, mas as bibliotecas e os bibliotecários têm procurado se
adequar a essas demandas.
Reis (2008, p. 60) diz que “ensino, pesquisa e extensão são palavras chave na
concepção de uma universidade e com a implantação da pós-graduação, as bibliotecas
universitárias se fortalecem”, ou pelo menos procuram se fortalecer melhorando produtos e
serviços que satisfaçam as necessidades de seus usuários.
Essas necessidades sempre são voltadas para a busca e recuperação da informação de
qualidade e os bibliotecários, atuantes em bibliotecas universitárias, já estão atentos è elas.
Tanto é verídico que Mendonça, em trabalho apresentado no XVI Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias, sobre a educação de usuários nas bibliotecas da Universidade
Federal do Ceará, já afirmou que
[...] há por parte dos bibliotecários uma preocupação no sentido de buscar atingir a
comunidade usuária, especialmente nas bibliotecas universitárias, não só para o uso,
mas também para suscitar nos alunos, o interesse pela pesquisa de qualidade, tendo
em vista as diversas ofertas de fontes de pesquisa viabilizadas por estas. (2010, p. 3).

Em paralelo a isso se deve enfatizar o setor de referência e os bibliotecários que nele
atuam, pois estes não somente disponibilizam a informação para o uso, mas também
trabalham para desenvolver atividades que apoiem o
ensino e à pesquisa, favorecendo o acesso aos recursos informacionais por meio de:
seleção dos recursos pertinentes; definição de uma estratégia de busca; acesso às
fontes de informação, principalmente as bases de dados; tratamento dos resultados;
localização dos documentos (no local ou em linha); e qualquer outra questão sobre
pesquisa de informações. (ACCART, 2012, p. 25).

Um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, focado nos
pesquisadores sobre a busca da informação em comunidades científicas, afirma que “[...] No
Brasil, reconhece-se que mais de 80% das pesquisas são desenvolvidas nos centros de
investigação das universidades, habitualmente vinculados a programas de formação de pósgraduação (mestrados e doutorados)”. (LOVISOLO, 1997 apud LOPES; SILVA, 2007, p. 2324).
Mas não podemos esquecer que além dos programas de pós-graduação, existe também
nas universidades o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC, onde
alunos de graduação começam a praticar suas habilidades de pesquisa.
Cientes de que a razão de existência de toda e qualquer biblioteca sempre serão os

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usuários, sejam eles alunos de graduação ou pós-graduação, professores, pesquisadores ou
servidores de modo geral, se faz necessário à realização de planejamentos que visam à
elaboração e execução de atividades que envolvam os mesmos.
Esse planejamento tem origem no setor de referência das bibliotecas, pois é a partir
dele que acontece a interação entre informação, biblioteca e usuário, auxiliando nos processos
de acesso, busca e recuperação de informações.
Os bibliotecários atuantes neste setor devem estar sempre atentos às necessidades dos
usuários e tão logo promover ou realizar atividades para saná-las. Outra questão bastante
importante é o domínio ou afinidade que o bibliotecário deve ter com o processo de ensinoaprendizagem, pois também são estes que, na maioria das vezes, ficam a frente das atividades
propostas.
[...] Os bibliotecários organizam, então, sessões de capacitação para os estudantes
sobre a utilização de instrumentos bibliográficos. Às vezes, participam de atividades
curriculares com o objetivo de explicar qual é o papel da biblioteca, a ajuda que
pode ser ministrada pelos bibliotecários no quadro dos estudos universitários, ou a
situação global da pesquisa bibliográfica. O sítio que a biblioteca mantiver na Rede
pode oferecer instrumentos de autoinstrução sobre informações disponíveis em
linha. (ACCART, 2012, p. 25).

Logo se percebe a função educativa da biblioteca por meio do setor de referência e dos
bibliotecários que nele atuam para com os usuários, pois as atividades de capacitação e
treinamentos não deixam de ter esta característica.
Um dos segmentos que proporciona a dinâmica entre usuários e biblioteca trata-se da
educação, a qual proporcionará contato direto com o indivíduo e acarretará mudanças de
comportamento, além de despertar habilidades e aptidões que permitirão a estes usuários
tornarem-se independentes, efetivos e críticos no processo de busca da informação.
(SANTIAGO; AZEVEDO NETTO, 2012)
Em estudo realizado por Kuhlthau (1996 apud CAMPELLO; ABREU, 2005, p. 2), o
mesmo afirma que os “usuários competentes em informação estão preparados para aplicar
habilidades informacionais e de uso de biblioteca ao longo de sua vida”, onde uma vez
treinados e capacitados poderão levar consigo o aprendizado para qualquer tipo de
necessidade e em qualquer ambiente institucional.
Vale lembrar que, atualmente, o acesso, a busca e a recuperação de informações não se
remetem somente aos documentos em suporte físico, pois o volume de informações em meio
digital e virtual vem crescendo diariamente e estes também devem ser considerados.
Portanto, as bibliotecas devem acompanhar o desenvolvimento destes novos suportes
informacionais a fim de levar aos usuários fontes de informação de qualidade e
confiabilidade, assim como meios e formas para seu acesso.

3 Materiais e métodos
Este trabalho apresenta um estudo a partir de atividade desenvolvida pela Biblioteca
Setorial do Instituto de Saúde e Biotecnologia – ISB, da Universidade Federal do Amazonas –
UFAM, sobre o interesse da comunidade acadêmica quanto aos treinamentos oferecidos
através do I Programa de Formação dos Usuários realizado no período de março a abril de
2016.
Esta atividade teve como finalidade levar aos usuários conhecimentos sobreo acesso e
utilização do Portal de Periódicos da CAPES, base de acesso às Normas Brasileiras de

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Regulamentação – NBR da Associação Brasileira de Normas Técnicas –ABNT, Sistema
Pergamum e, ainda, abordar sobre o funcionamento e serviços da biblioteca.
Como atividade promovida pela primeira vez, procurou-se não sobrecarregar o
conteúdo dos treinamentos realizados, os quais foram escolhidos através de discussões com os
bibliotecários acerca das necessidades dos usuários que são constatadas diariamente no
ambiente da biblioteca. Outra abordagem entre os bibliotecários foi quanto à flexibilidade dos
horários dos treinamentos, o que acarretou na extensão da programação por duas semanas.
Por se tratar de uma instituição de ensino ainda de pequenas dimensões físicas, a
divulgação do Programa de Formação dos Usuários foi através de murais fixados no interior
da instituição, rede social, correio eletrônico(este somente para servidores docentes e
técnicos-administrativos), comunicação dos colaboradores da biblioteca (bibliotecários e
bolsistas) no balcão de atendimento e visitas em salas de aula.
Para a participação da atividade foi estipulado um período de inscrições, onde foi
limitada a quantidade de participantes por turma (20 no total)a fim de que quando da
aplicação do treinamento não houvesse dispersão dos mesmos ou até mesmo prejuízo no
processo de ensino-aprendizagem.
Os treinamentos foram realizados em uma sala de aula do próprio ISB com
disponibilidade de data-show e notebook, onde foi possível realizar os treinamentos através
de apresentações pré-elaboradas e as mesmas posteriormente ficaram disponíveis para acesso
em um computador na biblioteca.
Após o período de realização do Programa de Formação dos Usuários foi aplicado um
pequeno questionário aos usuários da biblioteca, de apenas cinco perguntas, dentro do próprio
espaço da unidade de informação no intuito de buscar respostas quanto à adesão ou não das
atividades por parte da comunidade acadêmica.

4 Resultados parciais/finais
De acordo com informações obtidas no próprio Instituto de Saúde e Biotecnologia,
atualmente temos como população ativa, no primeiro período letivo de 2016, de 1083 pessoas
os quais se considera: 984 discentes de graduação, 46 docentes efetivos, 35 técnicosadministrativo, nove professores substitutos e nove alunos de pós-graduação.
Quanto à adesão com base no controle de inscrições, houve um total de 100 inscritos,
sendo contabilizadas todas as turmas, a saber: 60 para Acesso às Normas da ABNT, 26 para
Portal de Periódicos CAPES e 14 para Sistema Pergamum, Funcionalidades e Serviços da
Biblioteca, como aponta o quadro 1.
Quadro 1 – Comparativo entre inscritos e participantes.
TREINAMENTOS

INSCRITOS

Acesso às normas da ABNT
Portal de Periódicos CAPES
Sistema Pergamum, Funcionamento e Serviços
da Biblioteca
Fonte: Elaborado pelos autores.

60
26

PARTICIPAÇÃO
EFETIVA
21
23

14

12

Como também pode ser observado no quadro acima, no comparecimento aos
treinamentos os números mudaram e, ainda houve turmas vazias, onde se registrou apenas 23
participantes para Portal de Periódicos CAPES, 21 no treinamento para Acesso às Normas da
ABNT e 12 para Sistema Pergamum, Funcionalidades e Serviços da Biblioteca.

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Com base no número populacional em que se constitui a comunidade, as inscrições
realizadas e presenças registradas no I Programa de Formação dos Usuários, não passaram de,
aproximadamente, 9,5% e 5,5%respectivamente,quando considerado o seu total, evidenciando
o baixíssimo nível de interesse dos mesmos quanto às atividades propostas.
Com estes dados ainda podemos destacar os perfis dos participantes: 16 discentes de
graduação em Enfermagem, 12 de graduação em Nutrição, dois de graduação em Ciências –
Biologia e Química, dois docentes, um discente de pós-graduação e um técnico
administrativo. Estes números nos mostraram o real número de pessoas que participaram da
atividade, resultando também no conhecimento de que alguns destes participaram de mais de
um treinamento proposto.
Com a aplicação do questionário obtemos um total de 132 participantes, a saber: 128
discentes de graduação, dois discentes de pós-graduação, um docente e um técnico
administrativo. Estes, quando questionados sobre o conhecimento dos treinamentos propostos,
107 pessoas afirmaram que tinham conhecimento da programação, outras 23 negaram e ainda
houve dois que não responderam.
Analisando somente os conhecedores da programação, 65 destes afirmaram interesse,
mas não inscreveram. Outros 15 se inscreveram, mas não participaram dos treinamentos. 14
pessoas se inscreveram e participaram, e 13 não tiveram qualquer interesse.
Gráfico 1 – Interesse dos conhecedores da programação a partir do questionário.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Quanto às 65 pessoas que afirmaram interesse, mas não se inscreveram, 47 delas
assinalaram a opção OUTRO no formulário, onde as maiores justificativas foram “estava em
outra atividade”, “estava em aula” e “não tive tempo”. Outras 10 pessoas afirmaram não
participar dos treinamentos porque os mesmos não emitiam certificados com horas. Quatro
não tinham interesse em novas ferramentas de pesquisa e três já conheciam as ferramentas
que foram apresentadas através do Programa de Formação do Usuário. Ainda houve uma
pessoa que não respondeu qualquer alternativa.

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Gráfico 2 – Justificativas quanto a não participação dos treinamentos.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Quanto às 15 pessoas que se inscreveram nos treinamentos, mas não participaram dos
mesmos também se justificaram, em sua maioria, com “conflito de horários”, “estava em
aula” e até mesmo “esquecimento”.
Das 14 pessoas que afirmaram participação no Programa de Formação dos Usuários,
10 visionaram a oportunidade de conhecer novas ferramentas de pesquisa, três a oportunidade
de adquirir novos conhecimentos, e um foi motivado a participar por curiosidade em saber o
que foi proposto na programação. Os 13 participantes do questionário que afirmaram não ter
interesse nos treinamentos o justificaram pela não emissão de certificado com horas.
Como atividade realizada pela primeira vez no ISB, foi criada muita expectativa na
adesão ao Programa de Formação dos Usuários, porém houve certa decepção como mostram
os números acima foram apresentados.

5 Considerações parciais/finais
A realização do Programa de Formação do Usuário foi importante para despertar nos
participantes o conhecimento sobre novas ferramentas e fontes de informação que estão
disponíveis para seu acesso e uso além do ambiente da biblioteca, assim como os serviços por
ela oferecidos.
Porém, como foi possível ser notado nos resultados, o número de participantes não foi
de encontro com as expectativas dos bibliotecários em relação ao planejamento da atividade e,
com os dados analisados após a aplicação do questionário, ficou bem nítida a falta de
interesse por parte da comunidade acadêmica na atividade.
Com certeza é necessário refletir sobre novas estratégias, como por exemplo a emissão
de certificados com carga horária, a fim alcançar maiores participantes da comunidade
acadêmica – em especial os alunos da graduação – para as futuras atividades que serão
promovidas pela biblioteca.
Vale ressaltar que os docentes também são peças fundamentais para o planejamento de
estratégias que visam alcançar os usuários, pois estes tem bastante influência sobre os alunos
e podem despertar neles o interesse por novas e diversas ferramentas que os auxiliem em suas

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atividades de ensino, pesquisa e extensão na universidade. Desta forma, podemos firmar
maiores laços de comunicação e parcerias no intuito de alcançar maiores e melhores
resultados.
É claro que quando se pensa em educação de usuários não basta apenas disposição da
biblioteca e de seus bibliotecários em oferecer atividades que promovam sua capacitação, a
troca de conhecimento ou a promoção do ensino-aprendizagem. A comunidade acadêmica
também precisa se mostrar disposta a essa interatividade, tornando-se responsáveis não só
pelo seu próprio processo de formação na universidade, mas também pelo desenvolvimento
de informações e conhecimentos científicos dentro deste ambiente.
Tendo em vista os aspectos abordados, a Biblioteca Setorial do Instituto de Saúde e
Biotecnologia encontra-se satisfeita por ter realizado esta atividade, pois algo como o
Programa de Formação dos Usuários nunca foi proporcionado para a comunidade acadêmica
a qual está inserida.
Logo se pretende implantar de forma permanente o Programa de Formação do
Usuário, fixando-o em seu calendário de atividades, a fim de que produtos e serviços do
SISTEBIB sejam continuamente assimilados pelos usuários, evidenciando a educação dos
mesmos através dos aspectos pedagógicos que a biblioteca pode lhes proporcionar.

6 Referências
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Brasília, DF:
Briquet de Lemos / Livros, 2012.
CAMPELLO, Bernadete; ABREU, Vera Lúcia Furst Gonçalves. Competência informacional
e formação do bibliotecário. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.
10, n.2, p. 178-193, jul./dez. 2005. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/2/150&gt;. Acesso em: 13 abr.
2016.
LOPES, Marili Isensee; SILVA, Edna Lúcia da. A internet e a busca da informação em
comunidades científicas: um estudo focado nos pesquisadores da UFSC. Perspectivas em
Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.12, n.3, p. 21-40, set./dez. 2007. Disponível em: &lt;
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/145/6&gt;. Acesso em: 11 jul.
2016.
MENDONÇA, Marina Alves de et al. Biblioteca pra quê te quero? Uma proposta de educação
de usuários na Universidade Federal do Ceará. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: SIBI –
UFRJ, 2010. Disponível em:
&lt;http://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0070/trabalhos/final_362.pdf&gt;. Acesso em: 14
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REIS, Marivaldina Bulcão. Biblioteca universitária pública e a disseminação da
informação. 2008. 244 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)-Instituto de
Ciência da Informação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008.
SANTIAGO, Sandra Maria Neri; AZEVEDO NETTO, Carlos Xavier de. Educação de
usuários: um estudo junto ao Sistema Integrado de Bibliotecas da UFPE. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 17, n. 2, p. 246-268, jul./dez. 2012.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Disponível em:&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/viewFile/835/pdf&gt;. Acesso em: 02
maio 2016.
SANTOS, Marivaldina Bulcão dos. Biblioteca universitária: acesso à informação e
conhecimento. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17,
Gramado, RS. Anais... Gramado, RS: UFRGS, 2012.Disponível em: &lt;
http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QHV.pdf&gt;. Acesso em: 02 maio 2016.
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS.
Disponível em: &lt;http://biblioteca.ufam.edu.br&gt;. Acesso em: 12 abr. 2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta os resultados da implantação do Programa de Formação de Usuários da Biblioteca Setorial do Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas. O programa ofereceu três treinamentos diferentes com o objetivo de apresentar aos usuários ferramentas que possibilitem o acesso, busca e recuperação de informações que contribuam para a sua formação acadêmica. Também foi realizada a aplicação de questionário para avaliação das atividades realizadas, bem como para investigar os motivos que levaram a não participação dos avaliados. Houve pouca adesão aos treinamentos e, verificou-se que os motivos podem ser superados com melhor planejamento e engajamento da equipe da biblioteca juntamente com os docentes da instituição.</text>
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                    <text>Programa de Competência em Informação da UnB: multiplicando
conhecimento
Fabiane Nogueira Freitas (UnB) - fabifreitasn@gmail.com
Elmira Simeão Melodia (Unb) - elmirasimeao@gmail.com
Gabriella Maia de Oliveira (UnB) - gabriellagaba@gmail.com
Victória de Abreu e Silva (UnB) - victoria.abreu95@gmail.com
Denise Oliveira de Araújo (UnB) - deoliveiraraujo@gmail.com
Resumo:
Esse trabalho tem como objetivo apresentar o programa de competência em informação
oferecido na UnB e analisar práticas de capacitação desenvolvidas por este projeto no segundo
semestre de 2015. O tema competência em informação tem tomado uma grande amplitude nas
bibliotecas e universidades, ações de capacitação em informação são aplicadas no meio
educacional por meio das bibliotecas, as quais atuam como instrumentos de apoio ao ensino,
pesquisa e extensão nas instituições de educação de nível superior. O projeto visa a
capacitação dos alunos de graduação para que saibam manejar a informação e,
posteriormente, multiplicar o conhecimento adquirido no programa a outros indivíduos. Além
da apresentação de aspectos teóricos durante as diversas ações do programa, foram propostas
práticas de pesquisa em bases de dados e normalização de trabalhos acadêmicos, das quais
posteriormente foram analisadas através de uma avaliação dos exercícios efetuados por alguns
alunos. Foi possível perceber a importância de continuar trabalhando e apoiando ações
relacionadas a aprendizagem informacional e a necessidade de adequar alguns aspectos deste
programa de formação.
Palavras-chave: Competência Informacional. Tutoria. Biblioteca universitária.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

PROGRAMA DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO DA UNB:
MULTIPLICANDO CONHECIMENTO
Resumo
Esse trabalho tem como objetivo apresentar o programa de competência em informação
oferecido na UnB e analisar práticas de capacitação desenvolvidas por este projeto no
segundo semestre de 2015. O tema competência em informação tem tomado uma grande
amplitude nas bibliotecas e universidades, ações de capacitação em informação são aplicadas
no meio educacional por meio das bibliotecas, as quais atuam como instrumentos de apoio ao
ensino, pesquisa e extensão nas instituições de educação de nível superior. O projeto visa a
capacitação dos alunos de graduação para que saibam manejar a informação e,
posteriormente, multiplicar o conhecimento adquirido no programa a outros indivíduos. Além
da apresentação de aspectos teóricos durante as diversas ações do programa, foram propostas
práticas de pesquisa em bases de dados e normalização de trabalhos acadêmicos, das quais
posteriormente foram analisadas através de uma avaliação dos exercícios efetuados por alguns
alunos. Foi possível perceber a importância de continuar trabalhando e apoiando ações
relacionadas a aprendizagem informacional e a necessidade de adequar alguns aspectos deste
programa de formação.
Palavras-chaves: Competência em informação. Tutoria. Biblioteca universitária.

Abstract
This writing aims to introduce the information Literacy Program offered at UnB and analyze
training practices developed by this project in the second semester of 2015. The theme
information literacy has taken a great importance in the libraries of universities. Information
training activities are applied in the educational environment through libraries which act as a
mean of support to teaching, research and extension in the tertiary education. The Information
Literacy Program has as its goal qualification of tertiary students so that they learn how to
handle the information and afterwards multiply the knowledge acquired in the program to
others. During the program were introduced theoretical aspects, but also research practices on
database and standardization process of academic works, which were analyzed through the
evaluation of the students exercises. Finally, it was possible to realize that is important to keep
working and supporting action linked to information learning and to its necessity of
adequating some aspects of this training program.
Keywords: Information literacy. Tutoring. University library.

1 Introdução
O intuito deste trabalho é trazer uma compreensão acerca da importância da
competência em informação no âmbito acadêmico e a discussão de seu atrelamento aos
currículos dos diversos cursos de graduação. Será feita uma análise sobre as temáticas que
impactam o projeto para a melhor explanação e compreensão do tema. Além da avaliação de
alguns exercícios propostos aos alunos participantes das ações do programa.
O trabalho aqui exposto tem como ponto de partida uma discussão acerca da utilização
de tutorias em sala de aula voltadas para a temática de competência em informação, mais
precisamente para ações de normalização de trabalhos acadêmicos e técnicas de pesquisa em

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bases de dados. Analisando atividades aplicadas a Turma de Tópicos Especiais em
Biblioteconomia, ofertada a estudantes de Biblioteconomia, dos quais são aprendizes e
multiplicadores/tutores do processo e, também, analisando atividades aplicadas aos alunos da
Faculdade de Comunicação (FAC). Todas realizadas no segundo semestre de 2015.
Desta maneira, busca-se apresentar os benefícios que uma orientação acerca de
normalizações e técnicas de pesquisa em bases de dados podem trazer ao estudante.
Principalmente, os de graduação, que estão entrando em contato com o mundo acadêmico e
podem desconhecer, portanto, diversos caminhos e técnicas de suma importância para a
prática científica.

2 Revisão de literatura
2.1 Competência em informação
A amplitude que a competência em informação tem tomado na área da Ciência da
Informação contribui para que seja disseminada a ideia de domínio do conhecimento e de
habilidades individuais para lidar com a informação, buscando melhorar seu desempenho
individual. (GAMA, 2013).
O conceito de competência em informação tem se mostrado como uma expressão mais
abrangente do que os outros termos usados na área. A competência é um estágio em que o
indivíduo é capaz de analisar a informação criticamente e saber usá-la de forma inteligente.
(GAMA, 2013). Saber usar, acessar, avaliar, organizar a informação e ainda transformá-la em
conhecimento são os princípios máximos para se definir um indivíduo competente.
A prática da competência é de suma importância para o indivíduo da sociedade atual,
pois o instiga a aprender a aprender, tornando-o assim, alguém que conquistou o seu lugar
diante da multidão de informação produzida atualmente. De acordo com Kuhlthau (1987), não
basta só o indivíduo localizar a informação seja em qual meio for, mas é especialmente
importante a interpretação dos resultados encontrados. Saber procurar qualquer informação
está intimamente ligado a saber distinguir o que se achou.
Segundo Gama (2013), a importância da competência em informação é tirar o
indivíduo da mera condição de aprendiz e colocá-lo no estado de poder desenvolver trabalhos
originais e apresentar respostas apropriadas às demandas. Essa condição tem que ser abordada
na infância, na fase adulta, na escolar, na universitária, quanto mais cedo estes aspectos forem
trabalhados surgirão melhores resultados.
A biblioteca é um ambiente de aprendizagem onde os indivíduos acham as ferramentas
necessárias ao aprendizado. A biblioteca universitária deve ser um ambiente voltado para a
construção de um indivíduo competente em informação. De acordo com Andrade et al.
(2012), a biblioteca deve ensinar seus usuários através de programas de educação,
treinamentos, orientação quanto ao uso de fontes e ferramentas para acessar à informação. O
uso de métodos certos pode trazer resultados positivos ativando a aprendizagem e
estimulando a competência de forma que os indivíduos, ou alunos, possam aplicar os métodos
aprendidos na busca e solução de problemas no dia a dia. (ANDRADE et al., 2012).
2.2 Bibliotecas universitárias e currículos acadêmicos
As bibliotecas universitárias têm como sua primordial função servir de apoio às
necessidades acadêmicas da Universidade à qual estão subsidiadas. Segundo Silveira (2009,
p.127) “As bibliotecas universitárias são agências sociais criadas para fomentar o alcance de
atividades fim das universidades”, desta maneira, devemos pôr em questão a importância
deste tipo de unidade trabalhar em consonância com os cursos oferecidos pela universidade à

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qual ela faz parte, fornecendo insumos para o aprendizado e fontes de informação adequadas
para cada uma das áreas.
Com o surgir de novos cursos, novas vertentes e novas possibilidades de estudo, faz-se
necessário o repensar do acervo encontrado nas bibliotecas universitárias. Acervo este, o qual
deve estar em constante atualização para servir de fomento necessário a tantas demandas,
além da coleção devemos pensar nos serviços que esta biblioteca deve fornecer.
O processo de alinhamento entre as bibliotecas e os currículos oferecidos pelos cursos
passam por obstáculos para sua consolidação devido à diversos fatores. Segundo Silveira
(2009, p. 127), há uma complicação advinda “[...] da diversidade, pluralidade de segmentos
que devem ser atendidos da forma mais conveniente possível e, também, das interferências
inerentes à sua condição de subsistema, condicionado às vertentes e forças políticas internas e
externas, muitas vezes conflitantes e adversas”.
Na literatura da área, pouco é encontrando quando se trata desta explicação, é possível
encontrar reflexões acerca das bibliotecas universitárias no sentido de recursos humanos,
tecnologias atuais ou sobre os serviços oferecidos por estas. Portanto, é de se deixar em
suspenso a importância de pôr tal questão em pauta, pois, este alinhamento seria benéfico
tanto para a área administrativa da biblioteca, com economia de gastos e de espaço,
atualização de acervo, coleções atreladas às necessidades dos cursos, quanto aos usuários, que
teriam suas demandas curriculares atendidas de forma mais qualificada, com bases de dados
específicas, acervo com obras presentes em suas ementas e estruturas curriculares.
2.3 O Programa
A Universidade de Brasília (UnB) é uma instituição pública de ensino superior,
existente desde 1962. Sua comunidade acadêmica é de 36.372 alunos de graduação, 7.926
alunos de pós-graduação e residência, 3048 docentes e 2693, servidores técnicoadministrativos." (UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2014). Dividida em quatro campus,
localizados no Plano Piloto e em algumas cidades satélites presentes no Distrito Federal:
Darcy Ribeiro, multidisciplinar, Faculdade da Ceilândia, cursos da área de saúde, Faculdade
do Gama, cursos da área de engenharia e tecnologia, Faculdade de Planaltina, cursos da área
agrária.
A Biblioteca Central é a unidade responsável por prover informações às atividades de
ensino, pesquisa e extensão da Universidade. De forma mais precisa, do campus Darcy
Ribeiro, embora também seja responsável por gerenciar as atividades das bibliotecas
presentes em outros espaços físicos do mesmo campus e nos demais campi. Ao todo são 6
unidades: a Biblioteca Central, de caráter multidisciplinar e gestora de todas as bibliotecas; a
Biblioteca do Hospital Universitário, voltada para as atividades dos médicos e residentes do
hospital; o Centro de Documentação Edgar Graeff, voltado ao curso de Arquitetura e
Urbanismo; a Biblioteca da Faculdade da Ceilândia, disponível para atender as demandas dos
cursos da área de saúde presentes no local; a Biblioteca da Faculdade do Gama, criada para
dar suporte aos cursos de engenharia e tecnologia do campus; e a Biblioteca da Faculdade de
Planaltina, focada no atendimento dos cursos da área agrária presentes na faculdade.
A Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB) e a Faculdade de Ciência da
Informação iniciaram o Programa, intitulado Competência em informação na BCE: teoria e
prática para a capacitação de alunos e multiplicadores, no ano de 2011. O primeiro momento
deste programa foi constituído pela sensibilização da equipe da Biblioteca Central da UnB
quanto ao tema competência em informação1. Sensibilização realizada por meio de eventos
1
Tema similar ao letramento informacional e alfabetização em informação, contudo com algumas pequenas
diferenciações teóricas (GASQUE, 2012), mais de cunho conceitual, das quais não impactaram na ação do
Programa. Podendo ser considerado um projeto que abarca qualquer uma destas terminologias citadas.

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voltados aos colaboradores da biblioteca e oferta de disciplina na pós-graduação centrada
nesta temática, disponível também aos servidores. Após esta etapa, a equipe efetivou-se em
suma por docentes, bibliotecários, alunos de pós-graduação e graduação, técnicos
administrativos, pesquisadores e colaboradores estrangeiros. Em um total de 45 pessoas que
contribuem das mais diversas formas, com: apresentações, treinamentos e aulas; pesquisas e
análise de dados; gestão do grupo e atividades da equipe; elaboração de materiais e conteúdos.
Dentro do contexto da UnB e de suas respectivas bibliotecas, o objetivo do programa é
"[...] contribuir para a melhoria dos processos de competência em informação da UnB, além
de potencializar a troca de conhecimentos que promovam uma melhor formação do aluno de
graduação" (FREITAS; VIEIRA, 2015, p.1). Propõe-se um modelo de aprendizagem voltado
para a prática de pesquisa, uso de documentação pertencentes às unidades de informação2 da
Universidade (NUNES et al., 2015) e normalização para a escrita acadêmica.
As ações do programa começaram, de fato, no segundo semestre do ano de 2014. Com
a oferta de uma disciplina para estudantes de graduação. Esta disciplina foi ofertada a três
grupos alunos: de biblioteconomia, da área de saúde e da área de ciências agrárias. Este
formato se estendeu em 2015 com a adição de um grupo focado em estudantes participantes
do Programa Jovens Talentos3.
Além da oferta da disciplina para os grupos elencados acima, desde a concepção
inicial do Programa, houve a expansão das ações do projeto por meio do processo de
transmissão do conteúdo e difusão das práticas realizadas em sala de aula, pelos alunos do
curso de Biblioteconomia matriculados na disciplina. Esta transferência de conteúdo e das
práticas deu-se por meio de tutorias, aplicadas em diversos cursos de graduação e comunidade
externa. Segue figura que apresenta a quantidade de indivíduos impactados pelo Projeto até o
momento, bem como a forma que foram atingidos, por meio da matrícula na disciplina ou da
participação nas atividades de tutoria:
Figura 1 - Quantidade de indivíduos impactados pelo Programa Competência em Informação na BCE: teoria e
prática para a capacitação de alunos e multiplicadores

Fonte: Elaborado pelos autores
2

Para este trabalho entende-se unidades de informação como as bibliotecas, arquivos, museus entre outros
centros.
3
Programa promovido pela Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior com o intuito de
promover o incentivo à iniciação científica (COMISSÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DO
NÍVEL SUPERIOR, 2012).

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Até o momento, 841 indivíduos já participaram do Programa. Em 2016, o grupo de
pesquisadores participantes utilizou o primeiro semestre para desenvolver análise dos dados
oriundos de suas respectivas ações e reestruturar o formato das atividades, das quais deverão
ser retomadas com mais pujança no segundo semestre deste mesmo ano, e dentro de uma
nova perspectiva.
2.4 Tutorias
A tutoria é uma prática, a qual existe desde a Antiguidade e que, embora, tenha
passado por diversas mudanças e evoluções com o decorrer dos séculos, manteve sua essência
de transmissão e multiplicação de conhecimentos, sejam esses culturais, didáticos, filosóficos
ou teológicos. De acordo com La Cruz, Campos e Hernández (2006, p. 1366-1367, tradução
nossa), a tutoria constitui um:
Processo formativo de caráter sociocognitivo, personalizado e direcionado a
converter os novatos em indivíduos competentes, mediante a sua integração a
comunidades de práticas [...] e redes de especialistas, que resolvem problemas em
ambientes dinâmicos e complexos, criam e recriam a ação profissional e, em seu
caso, geram conhecimento avançado.4

As tutorias, aqui expostas, foram desenvolvidas no âmbito da disciplina Tópicos
Especiais em Biblioteconomia – Competência em Informação Científica. Neste contexto, as
tutorias tinham como objetivo a capacitação dos discentes de Biblioteconomia, visando a
posterior multiplicação dos conhecimentos em competência em informação para os demais
cursos dos campi. Tal objetivo acabaria por conseguir no que David Ausubel chamaria de
Aprendizagem Significativa, aquela na qual as “[...] ideias expressas simbolicamente
interagem de maneira substantiva e não-arbitrária com aquilo que o aprendiz já sabe.”
(MOREIRA, 2012, p. 30, tradução nossa)5. Neste sentido, a tutoria acrescentaria
conhecimentos acerca da competência em informação científica aos conhecimentos prévios
daqueles que estão recebendo os ensinamentos, e os tutores, por sua vez, ao transmitirem os
conteúdos acabariam aprimorando sua cognição acerca desses, bem como, absorvendo
conhecimentos de seus pupilos. Paulo Freire apresenta um pensamento semelhante ao dizer
que “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Quem ensina,
ensina alguma coisa a alguém.” (FREIRE, 1996, p. 12).
O grupo de tutores durante os três semestres, 2/2014; 1/2015; 2/2015, nos quais o
programa se desenrolou, era composto majoritariamente por alunos de Biblioteconomia.
Sendo que, no segundo semestre de 2014, quando o programa foi iniciado, contava-se com 13
alunos; já no primeiro de 2015, o cenário se modificou um pouco, 25 alunos estavam
matriculados; e no último semestre de 2015, dispunha de 55 estudantes.
Os conteúdos transmitidos aos tutores, por meio da disciplina Tópicos Especiais em
Biblioteconomia, durante o programa foram: breve histórico da Universidade de Brasília e
Darcy Ribeiro; visita técnica à BCE, visando o conhecimento a respeito dos produtos e
serviços oferecidos pela biblioteca; tutorial acerca do Currículo Lattes; normalização apresentação das NBRs 14724; 6023; 10520; 6028; 6024; e 6027; pesquisa em bases de dados
(específicas e multidisciplinares) e metabases(Portal de Periódicos da CAPES); e técnicas de
4

“Processo formativo de carácter sociocognoscitivo, personalizado y dirigido a convertir a los novatos em
individuos competentes, mediante suintegración a comunidades de práctica [...] y redes de expertos, que
resuelven problemas en ambientes dinámicos y complejos, crean y recreanlaacciónprofesional y, ensu caso,
generanconocimientoavanzado.” (LA CRUZ; CAMPOS; HERNÁNDEZ, 2006, p. 1366-1367).
5
“[...] ideasexpresadassimbólicamenteinteractúan de manerasustantiva y no arbitraria conlo que el aprendiz
yasabe.” (MOREIRA, 2012, p. 30, tradução nossa).

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pesquisa explorando a exaustividade, a especificidade, a revocação e a precisão, por meio, por
exemplo, do uso de operadores boolenaos. Parte desses conteúdos foram, posteriormente,
multiplicados aos alunos de outros cursos que recebiam as tutorias.
De acordo com Freitas e Vieira (2015), no segundo semestre de 2014, o programa foi
aplicado durante a Semana Universitária da UnB para 56 estudantes de Ensino Médio do
Distrito Federal, sob a coordenação de 106 graduandos dos cursos de Biblioteconomia e Artes
Plásticas. No decorrer do primeiro semestre de 2015, 105 discentes da UnB receberam os
ensinamentos ministrados no programa de multiplicação de conhecimento, sendo, 80 desses
provenientes de turmas de Educação e os outros 25 de Odontologia. Já no segundo semestre
de 2015, houve um sutil aumento no número de discentes que recebeu as tutorias, somou-se
125 alunos de cursos diversos – 15, de Comunicação; 30, de Odontologia; 20, do mestrado em
Saúde Coletiva; 40, de Pedagogia; e 20 de Educação Física.
A condução das tutorias se deu, a priori, através da divisão dos grupos de tutores por
área de conhecimento - Comunicação, Saúde, Educação e Tecnologia - e da definição de datas
de aplicação das práticas de multiplicação. Após a conclusão das etapas anteriores, cada
grupo, acompanhado por um bibliotecário – servidor técnico administrativo da BCE – era
enviado para sua respectiva tutoria. Durante a aplicação havia uma breve apresentação dos
conteúdos teóricos por parte dos bibliotecários, seguida da execução de exercícios práticos,
conduzidos pelos tutores e realizados pelos alunos.

3 Materiais e métodos
Para análise apresentada neste material, propomos a execução de tarefas a alguns
grupos que participaram do nosso Programa, no segundo semestre de 2015. Segundo
Connaway e Poweel (2014), a pesquisa avaliativa consiste em uma verificação aplicada com o
intuito de examinar a aplicação de um conhecimento dentro de um projeto ou programa
específico. Este tipo de método, além de avaliar os participantes da pesquisa, podem gerar
dados para melhoria e adequação. Por meio da medição de desempenho podemos analisar o
impacto das ações na comunidade participante.
No segundo semestre de 2015, aplicou-se atividades práticas referentes à normalização
de trabalhos acadêmicos e pesquisa em bases de dados aos grupos de alunos impactados pelo
Programa de Formação. Incluindo estudantes de diversos cursos, em uma população de 332
indivíduos. Nossa amostra foi dividida em participantes das atividades práticas de
normalização e pesquisa, e, após isso, pertencentes a determinada área do conhecimento. Esta
divisão se deu em razão das etapas práticas terem sido realizada em datas distintas para o
mesmo grupo, o que impactou em quantidade de pessoas diferentes em cada aula. Outro fator
que interferiu foi o dos estudantes muitas vezes participarem da parte teórica, contudo alguns
não entregarem a parte prática. Toda a amostra totalizou em 70 pessoas.
Para análise dos dados também levamos em questão o tipo de atividade a ser
desenvolvida, pesquisa ou padronização de trabalho acadêmico, e a área do conhecimento
pertencente aos estudantes. Na parte de pesquisa, o grupo de Comunicação recebeu
orienteções sobre o tema antes de executar a tarefa, o que não ocorreu para o grupo de
Biblioteconomia. Já na parte de normalização ambos os grupos receberam uma orientação
teóricas antes da atividade proposta.
Após a execução da ação, analisamos os exercícios conforme a figura abaixo:
Figura 2 - Aspectos considerados na análise dos dados
6

Somente 10 dos 13 estudantes matriculados na disciplina, no segundo semestre de 2014, participaram das ações
de tutorias.

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Figura 2 - Aspectos considerados na análise dos dados

Fonte: Elaborado pelos autores

4 Resultados parciais/finais
A aplicação de atividades na própria turma de Tópicos Especiais em Biblioteconomia Competência em Informação Científica, citada previamente, objetivava capacitar os alunos,
que posteriormente seriam responsáveis por conduzir tutorias à turmas de cursos diversos, da
Universidade de Brasília. As atividades relativas às técnicas de pesquisa foram, por esses
alunos, executadas sem o lecionamento prévio do conteúdo.
Uma turma ofertada pela Faculdade de Comunicação (FAC), da Universidade de
Brasília, foi escolhida para a realização das tutorias, onde, à estes alunos foram explicados os
direcionamentos para pesquisas acadêmicas, utilizando-se de termos, codificações, pesquisas
especializadas, busca em bases de dados e etc. Logo após a apresentação da explicação e
exemplificação das diferentes formas de pesquisa, foram aplicados exercícios para examinar o
desenvolvimento e absorção dos conteúdos previamente administrados.
Considerando os dois contextos apresentados, os dados que serão apresentados têm
por escopo explicitar o contraste nos resultados das pesquisas realizadas pelos dois grupos de
alunos supracitados: os que não tiveram a apresentação prévia dos conteúdos e os que
tiveram. Esta atividade de pesquisa consistiu em efetuar um levantamento bibliográfico acerca
de temas referentes às áreas de conhecimento dos estudantes.
A título de exemplificar os resultados da aplicação dos exercícios citados,
apresentamos duas tabelas que mostram uma análise a partir dos resultados de ambas as
turmas, a Tabela 1 é referente à utilização ou não de técnicas de pesquisa e a Tabela 2 à
quantidade de títulos repetidos.

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Tabela 1 – Uso de técnicas nas pesquisas realizadas

Uso de operadores booleanos
e filtros

Tópicos
Especiais
Turmas
FAC

Total 7

Sim

Não

36

212

248

20

12

32

Fonte: Elaborado pelos autores

A partir da análise da Tabela 1, pode-se inferir que, embora apresente um número
menor de pesquisas, a turma da Faculdade de Comunicação mostrou significativo nível de
exploração das técnicas de pesquisas expostas durante a orientação teórica das tutorias,
quando comparada com a turma de Tópicos Especiais. Colocando em números é possível
afirmar que, aproximadamente, 85,4% dos discentes de Tópicos Especiais não fizeram uso de
técnicas de pesquisa - que incluem uso de operadores booleanos, filtros, aspas, sinônimos,
pesquisa avançada, dentre outros recursos - em detrimento de 37,5% da turma da FAC. Tais
resultados impactam substancialmente na variedade de documentos recuperados durante a
pesquisa, como será demonstrado a seguir.
Tabela 2 – Repetição de títulos

Turmas

Números de títulos

Tópicos Especiais

32 (dentro dos quatro temas
propostos)

FAC

5 (dentre os dois temas
propostos)8

Fonte: Elaborado pelos autores

Mesmo com o número de temas maior, observa-se que a quantidade de repetições
dentro da turma de Tópicos Especiais é substancialmente maior do que o da turma oposta.9
Podemos perceber que, por terem sido apresentadas técnicas de busca avançada previamente à turma da FAC, nos é trazido um leque de opções maior, ainda mais se estas
7

Total de pesquisas realizadas.
Para a turma da FAC, dois temas foram sugeridos e para a turma de Tópicos, quatro. Os dadosapresentados
correspondem aos totais das junções dos temas.
9
Em uma média, fazendo-se a divisão deste total de repetições com o número de temas, por exemplo: ao dividir
5 repetições por dois temas, têm-se, aproximadamente, 2 repetições por tema, enquanto que 32 repetições por 4
temas, têm-se 8 repetições por tema, sendo assim, se comparados, o segundo valor é superior.
8

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

buscas não estão focalizadas primordialmente nas bases de dados, e sim em caixas de busca
generalistas como, por exemplo, o Google.
Conclui-se aqui, através da análise dos dados, que os alunos que obtiveram melhores
resultados, em termos de especificidade e originalidade na busca, em sua maioria, tiveram
acesso a uma orientação prévia - no caso as tutorias - e fizeram uso dos recursos explanados
durante tal orientação.
Foi aplicado à turma de Tópicos Especiais em Biblioteconomia - Competência em
Informação Científica e para a turma de Comunicação um exercício de normalização que
visava capacitar os estudantes a elaborar trabalhos acadêmicos de acordo com a ABNT.
Antecipadamente foi ministrada uma aula para conhecimento de formatação, citação e
referência, de acordo com os padrões exigidos para normalização.
Foram analisados os principais erros levando em consideração os elementos de um
trabalho científico e a elaboração de citações e referências.Além disso, também foram
levantadas as maiores dificuldades durante a execução do exercício. Abaixo será apresentada
uma tabela para melhor entendimento acerca do que foi falado acima:
Gráfico 1 – Número de pessoas que não aderiram ao padrão de normalização exigido

Fonte: Elaborado pelos autores

Observando a tabela é possível perceber que existiram erros em vários dos elementos
de um trabalho científico, sendo a dificuldade maior no elemento “alíneas” e o segundo maior
no elemento “anexo”, seguido por “apêndice” em terceiro lugar.

5 Considerações parciais/finais
A evolução do Programa desde sua concepção até o momento é evidente e pode ser
vista a partir do crescimento do número de discentes que o integram, bem como do número de
indivíduos afetados pelas práticas, por ele empregadas. Os resultados obtidos e analisados
são, também, precípuos para expor o impacto que a prática de tutorias traz - na realização de
pesquisas e no desempenho da aplicação de normalização - não só pelos que recebem os
ensinamentos, mas também, por aqueles responsáveis por transmiti-los.
O incremento nas ações do programa é alvo de constante perseguição, a utilização do
primeiro semestre de 2016 para reestruturação das atividades desenvolvidas é prova disso.
Admite-se, porém, que tal incremento não deve se restringir ao plano interno, pelo contrário, é
necessário um esforço para que haja expansão desse para o ambiente externo através, por

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

exemplo, da divulgação das práticas realizadas objetivando a constante multiplicação de
conhecimentos para cada vez mais indivíduos e a captura de novos parceiros.
Deve-se chamar atenção também para o citado alinhamento entre as práticas da
biblioteca e o currículo dos cursos, que, embora constitua uma tarefa difícil de ser atingida em
sua completude, é de suma importância para a biblioteca como um todo, bem como para
aqueles que dela dependem.
Os resultados apresentados expõem o papel e importância que a biblioteca
universitária e seus serviços têm na comunidade acadêmica, à medida que essa é responsável
por fornecer, dentre seus diversos serviços, os aqui abordados treinamentos relacionados à
pesquisa e normalização de trabalhos acadêmicos, que constituem tópicos exaustivamente
explorados no decorrer da maioria dos cursos de graduação e numa posterior vida acadêmica
voltada à realização de estudos e confecção de trabalhos diversos.
A análise dos resultados permite ainda a percepção acerca dos efeitos e importância
das tutorias, já que a explanação prévia das citadas práticas de pesquisa conseguem em um
significativo aumento na qualidade dos documentos recuperados, ao passo que uma das
premissas de certas bases de dados é hospedagem de materiais publicados e avaliados por
pares; e também na maior variedade de documentos recuperados, como explicitado na Tabela
2 – Repetição de títulos.
Os resultados no tocante à normalização de trabalhos acadêmicos também têm seu
valor, embora analisados de outra forma, quando comparados aos de pesquisas. Os dados
apresentados não tinham como escopo a contraposição de turmas distintas e seus respectivos
desempenhos, o objetivo na verdade compunha a análise das maiores dificuldades
concernentes à aplicação das normas apresentadas pelos discentes na execução da atividade
proposta. Nesse sentido, o que foi percebido não deve ser ignorado, mas sim utilizado como
ponto de partida para que os erros mais recorrentes possam receber mais ênfase e que sejam, a
partir deles, desenvolvidas novas técnicas para a transmissão dos conteúdos de forma a sanar
todas as dúvidas e dificuldades manifestadas.

6 Referências
ANDRADE, Cristiane Beserra; SANTOS, Kleber Lima dos; RIBEIRO, Maria do Livramento
et al. Ações de extensão em uma biblioteca universitária: promovendo a competência em
informação e a pesquisa escolar em escolas públicas. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado/RS. Anais... Gramado: UFRGS,
2012.
CAREGNATO, Sônia Elisa. O desenvolvimento de habilidades informacionais: o papel das
bibliotecas universitárias no contexto da informação digital em rede. Revista de
Biblioteconomia e Comunicação, Porto Alegre, v. 8, p. 47-55, jan./dez. 2000.
CONNAWAY, Lynn Silipigni; POWELL, Ronald R. Basic researchmethods for librarians.
5. ed. Califórnia: Greenwood, 2014.
FERREIRA, Luciana Alves; MAIA, Luiz Cláudio Gomes. Gestão da informação em
bibliotecas universitárias: as práticas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de
Goiás (Sibi/UFG). Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., [s.l.], v. 18, n. 36, p.181-202,
17 abr. 2013. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Disponível em:
&lt;https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2013v18n36p181&gt;. Acesso
em: 04 abr. 2014.

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&lt;https://www.unisul.br/wps/wcm/connect/993d7833-2da2-4257-ba3484ca55c9d19b/materiais-apoio_pedagogia-da-autonomia_integracaouniversitaria_tb.pdf?MOD=AJPERES&gt;. Acesso em: 25 mar. 2016.
FREITAS, Fabiane; VIEIRA, Josina da Silva. A competência informacional e a Semana
Universitária na Universidade de Brasília. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA EDOCUMENTAÇÃO, 16., 2015, São Paulo. Resumo expandido...
São Paulo: Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e
Instituições, 2015. Disponível em:
&lt;http://sisconev.com.br/Uploads/CBBD15/Trab14400206920150331_000000.pdf&gt;. Acesso
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GAMA, Ana Claudia Soares Cavalcante. Competência informacional: aprendizado
individual ao longo da vida. 2013. 509 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) –
Faculdade de Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 2013.
GASQUE, Kelley Cristine Gonçalves Dias. Letramento Informacional: pesquisa, reflexão e
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KUHLTHAU, Carol Collier. Information skills for an information society: a review of
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LA CRUZ, G.; CAMPOS, T.; HERNÁNDEZ, L. Modelo integrador de la tutoria. Revista
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NUNES, Denise et al. Proposta de integração da ação bibliotecária e ação docente no
programa de formação para competências em informação na biblioteca universitária. In:
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SILVEIRA, Júlia Gonçalves da. Gestão de recursos humanos em bibliotecas universitárias:
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Programa de Competência em Informação da UnB: multiplicando conhecimento.</text>
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                <text>Freitas, Fabiane Nogueira; Melodia, Elmira Simeão; Oliveira, Gabriella Maia de; Silva, Victória de Abreu e; Araújo, Denise Oliveira de</text>
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                <text>Esse trabalho tem como objetivo apresentar o programa de competência em informação oferecido na UnB e analisar práticas de capacitação desenvolvidas por este projeto no segundo semestre de 2015. O tema competência em informação tem tomado uma grande amplitude nas bibliotecas e universidades, ações de capacitação em informação são aplicadas no meio educacional por meio das bibliotecas, as quais atuam como instrumentos de apoio ao ensino, pesquisa e extensão nas instituições de educação de nível superior. O projeto visa a capacitação dos alunos de graduação para que saibam manejar a informação e, posteriormente, multiplicar o conhecimento adquirido no programa a outros indivíduos. Além da apresentação de aspectos teóricos durante as diversas ações do programa, foram propostas práticas de pesquisa em bases de dados e normalização de trabalhos acadêmicos, das quais posteriormente foram analisadas através de uma avaliação dos exercícios efetuados por alguns alunos. Foi possível perceber a importância de continuar trabalhando e apoiando ações relacionadas a aprendizagem informacional e a necessidade de adequar alguns aspectos deste programa de formação.</text>
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                    <text>PROCESSO DE AQUISIÇÃO BIBLIOGRÁFICA: FATORES EXTERNOS
E INTERNOS A SEREM CONSIDERADOS
Luciana Souza Castro (UFF) - luucmail@gmail.com
Marcelo Jasmim Meiriño (UFF) - marcelo@latec.uff.br
Resumo:
O presente artigo aborda o tema da aquisição bibliográfica enfatizando a sua importância na
estrutura das bibliotecas e na sua relação com usuários e instituição, através da percepção de
alguns fatores internos e externos, identificados durante a observação da práxis do processo
de aquisição bibliográfica em uma biblioteca de Instituição de Ensino Superior (IES). O
objetivo é apresentar os fatores identificados, e analisar comparativamente suas abordagens
nos documentos (publicados e administrativos) relacionados com o tema. Foi realizada uma
análise de conteúdo para comparar as percepções da autora e a literatura da área observando
a freqüência de aparecimento. A intenção foi verificar se estes fatores estão sendo previstos
nas discussões, abordagens, publicações e documentos administrativos da área. Propõe-se
uma maior discussão sobre a questão levantada, uma vez que tais fatores se somariam aos
parâmetros de análise para tomada de decisão e controle já existentes, e traria novos
conceitos reforçando a análise da seleção do material a ser adquirido, proporcionando uma
maior integração da biblioteca aos interesses da IES a qual pertence e das novas propostas da
administração pública.
Palavras-chave: Bibliotecas Universitárias. Gestão de bibliotecas. Aquisição bibliográfica
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O crescimento desordenado das coleções está na gênese de muitos problemas dentro de uma
biblioteca, tais como o uso próximo de zero de muitos itens, ou também a alocação indevida
de recursos financeiros, físicos e de pessoal. A preocupação gerencial com a minimização de
tais problemas foi, portanto, o que deu lugar a este estudo.
A análise crítica dos fatores a serem considerados em um processo de aquisição bibliográfica,
que abordamos aqui, é um dos aspectos de um trabalho mais amplo que está sendo
desenvolvido como dissertação de Mestrado Profissional no Laboratório de tecnologia /
Universidade Federal Fluminense e que tem por objetivo a otimização de um processo de
aquisição bibliográfica.
A Biblioteca do Campus Petrópolis um dos campi descentralizados do Centro Federal de
Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), autarquia de regime especial
vinculada ao Ministério da Educação, que atua desde a educação profissional técnica de nível
médio à pós-graduação stricto sensu e que desenvolve, com qualidade crescente, o ensino, a
pesquisa e a extensão. (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO
SUCKOW DA FONSECA, 2010). O campus em questão foi inaugurado em 2008 e a
biblioteca iniciou suas atividades em 2009 onde, há alguns anos, vem desenvolvendo um
processo de aquisição bibliográfica crítico, integrado e analítico em suas definições e
objetivos, o que levou à observação da importância de se considerar, durante a execução do
processo, fatores que de alguma forma influenciavam em seus resultados, refletindo na
efetividade da atuação da biblioteca.
A Biblioteca Universitária (BU), no cumprimento de suas funções, deve buscar absorver
novos conceitos e acompanhar mudanças, para se posicionar sempre à frente como provedora
de espaços, ferramentas e serviços apropriados ao acesso irrestrito à informação. Segundo
Dziekaniak (2008),
No âmbito da educação superior, compete à Biblioteca Universitária (BU)
assumir este papel, por ser um importante instrumento que a universidade
dispõe para exercer sua função social e de cidadania e oferecer uma
formação global. A evolução do ensino, da pesquisa e da extensão nas
universidades brasileiras tem contribuído para o desenvolvimento do país em
todos os níveis (tecnológico, social, econômico, cultural e ambiental) e,
sendo assim, crescem as exigências para o desenvolvimento,
aperfeiçoamento, melhoria contínua e responsabilidade social das
Bibliotecas Universitárias.

A aquisição bibliográfica tem sido foco na literatura da área de biblioteconomia, pela
necessidade de se abordar certos fatores de importância para a formação do acervo,
principalmente no que diz respeito à avaliação dos cursos de graduação pelo Ministério da
Educação (MEC), através do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP)
(BRASIL, 2015). Vários autores como Strehl et al. (2010), Maia e Santos (2015), Rietjens e
Pinheiro (2014) e Lubisco (2001) dentre outros tomam o assunto abordando diferentes
aspectos como sua deficiência e sua aplicação impositiva.
A pesquisa em questão pretende expandir-se um pouco mais na atuação das políticas do
governo como “norteadoras”, somando à questão da avaliação, tão abordada no contexto da
aquisição bibliográfica, outros fatores como a sustentabilidade e a gestão, assim como os
fatores ligados à biblioteca e às instituições de ensino superior (IES) na qual as bibliotecas
estão inseridas.
Considerar tais fatores identificados implica em um aumento na qualidade e efetividade do

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material adquirido e a incorporação de novos conceitos ao processo. Ponderação importante
no momento em que passou a ser uma demanda institucional acompanhar as mudanças
ocasionadas pelos novos modelos de gestão pública que, de acordo com Jesus (2014), devem
ser regidos pela eficiência, prevendo práticas administrativas norteadas por políticas públicas
que considerem os aspectos ambientais, econômicos e sociais.
Para tal, a pesquisa buscou alguns documentos que abordassem a questão do processo de
Desenvolvimento de Coleções em BU. Tomando por base Vergueiro (1989), Weitzel (2006) e
Evans (2005), este se constitui por seis etapas interdependentes: Estudo da comunidade;
Políticas de seleção; Seleção; Aquisição bibliográfica; Avaliação e Descarte.
A análise de conteúdo foi realizada tendo como base de comparação os fatores identificados
na observação direta do processo de aquisição bibliográfica quais sejam: a) Fatores internos
ao ambiente da biblioteca, b) Fatores internos Institucionais e c) Fatores externos norteadores.
Apresenta-se como problema de pesquisa o seguinte questionamento: Como os fatores
identificados estão sendo abordados nos documentos relacionados ao tema?
O objetivo é apresentar os fatores identificados, e analisar comparativamente suas abordagens
nos documentos (publicados e administrativos) relacionados com o tema.
Pretende-se, com isto colaborar com um maior entendimento e fomentar a discussão sobre
estes fatores no contexto das bibliotecas, especificamente no que diz respeito ao processo de
formação e desenvolvimento do acervo por compra, no sentido de se considerar e discutir a
absorção de novos conceitos e abordagens que de fato atendam a demandas locais reais o que
resultará na cooperação e no atendimento às demandas por práticas administrativas mais
condizentes com políticas públicas, ambientais, econômicas e sociais atualmente sugeridas e
incentivadas por ações e documentos normativos direcionados a melhorias na prestação de
serviços na administração pública.

2 Revisão de literatura
É crucial destacarmos o papel do acervo da biblioteca, independente de sua forma e suporte,
como uma razão importante dentro da discussão por melhorias nos processos e pela qualidade
na oferta de serviços, pois ele é o epicentro gerador de demandas, de ofertas de serviços, de
atividades e o objetivo fim dos usuários. A consideração de tais ações relativas ao acervo é,
portanto, vital para a estrutura de qualquer biblioteca.
Para tanto, a estrutura de uma BU deve estar preparada para atender aos múltiplos desafios
impostos por um desenvolvimento tecnológico contínuo e impositivo, aí consideradas as
tecnologias da informação, e à busca incessante pelo conhecimento registrado em seus
diferentes suportes, constantes em seu acervo.
Segundo Maciel (1995, p. 12),
[...] a biblioteca é uma organização formalmente estruturada para fornecer
aos indivíduos o maior e o mais impalpável dos bens: a leitura, a informação,
o conhecimento acumulado nos registros bibliográficos e multimeios. Para
atingir este objetivo a biblioteca conta com uma estrutura algo complexa,
onde se incluem as coleções (acervo) de que dispõe, os serviços, recursos e
critérios que ela adota para traduzi-las e levá-las aos usuários (catálogos,
serviços de alerta, referência, etc.), o pessoal interno que aciona o sistema, o
espaço físico que a abriga, etc.

Para que a biblioteca reflita tal objetivo, é importante estar sempre atualizada em suas
políticas e instrumentos em que são pautadas as tomadas de decisões administrativas, por isso
a importância de se considerar sempre novos conceitos e questões que de certa forma somarão
a sua atuação diante da IES e da sociedade, e aí incluímos, no caso de instituições públicas, a

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necessidade de se absorver e acompanhar as mudanças ocasionadas pelos novos modelos de
gestão pública.
Reis e Blattmann (2004, p. 6, destaque da autora), em seu artigo sobre gestão de processos em
bibliotecas, identificaram os setores diretamente envolvidos com a prestação de serviços. Os
de “seleção e o de aquisição, os processos de tratamento técnico e o de atendimento ao
usuário” têm influência direta não só na criação de produtos e serviços, mas também na
qualidade dos serviços prestados pela biblioteca, que impacta diretamente na satisfação do
usuário, na estrutura funcional e organizacional da biblioteca e na sua relação com a IES a
qual se subordina.
A influência atestada anteriormente reforça a importância de se discutir sobre as decisões
tomadas para a elaboração das políticas que sustentam o processo de aquisição até o
momento. Faz-se necessário rever tais políticas, considerando novas questões e conceitos.
Binderman (201-), quando levanta a questão das compras públicas sustentáveis, enfatiza as
seguintes questões: a responsabilidade de consumidor, comprar somente o necessário,
promover a inovação e a abordagem do ciclo de vida do produto. Sugere que devemos
considerar estes aspectos durante todo o processo para compra/aquisição de materiais, ou seja,
tais considerações devem estar previstas nas políticas que serão adotadas na execução do
processo de compra.
O “Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização” (BRASIL, 2010), destaca os
conceitos que refletem o que se entende hoje por excelência em gestão pública, a saber:
pensamento sistêmico, Aprendizagem organizacional, cultura da inovação, Liderança e
constância de propósitos, orientações por processos e informações, visão do futuro, geração
de valor, comprometimento com pessoas, Foco no cidadão e na sociedade, Desenvolvimento
de parcerias, Responsabilidade social, controle social e gestão participativa.
A análise de conteúdo identificou algumas abordagens importantes. Batista et al. (2013),
destacou a importância de se considerar, durante a execução do processo, estatísticas e alguns
aspectos quanto ao uso das bibliografias básica e complementar, o empréstimo
interbibliotecas e a realocação de acervo, e que,
Devido ao constante crescimento informacional, torna-se cada vez mais
necessário planejar a qualidade e seletividade dos materiais que irão se
incorporar ao acervo para suprir as necessidades dos usuários. Faz-se
necessário, para um maior desenvolvimento e qualidade do acervo, otimizar
recursos financeiros, humanos e verificar o espaço físico disponível.
(BATISTA et al., 2013, p. 1)

Rietjens e Pinheiro (2014, destaque da autora), ressaltaram a exigência por parte do MEC, no
atendimento aos critérios constantes em seus instrumentos, no caso, os relacionados às
bibliografias dos cursos e que as necessidades dos usuários ultrapassam estas bibliografias, o
que aumentam os esforços para a captação por mais recursos financeiros e, em se tratando de
instituições públicas, bem mais burocráticos.
A necessidade de se atender as demandas reais e locais das bibliotecas, foi abordada por
Strehl et al. (2010), que em seu relato de experiência, enfatiza o uso de estatísticas para um
melhor aproveitamento dos recursos direcionados a aquisição e questiona a inexistência de
estudos que corroborem com as estimativas definidas nos instrumentos do MEC.
Em sua política de desenvolvimento de coleções, a Universidade Federal do Paraná (2013, p.
11), aborda informações sobre seu modelo de gestão e chama atenção para a responsabilidade
social da instituição destacando que o Sistema de bibliotecas “[...] direciona seus recursos de
forma sustentável e com políticas afirmativas tendo, assim, uma gestão responsável para que
suas atividades contribuam no desenvolvimento de uma sociedade igualitária”.

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3 Materiais e métodos
Para o atendimento do objetivo e questionamento definidos para a pesquisa, a metodologia foi
desenvolvida em duas etapas:
A primeira, realizada em dois estágios, consistiu na observação critica, por parte da autora, do
processo de aquisição bibliográfica realizado pela biblioteca do campus Petrópolis –
CEFET/RJ onde, foram identificados fatores que, de acordo com a práxis do processo,
deveriam ser considerados nas tomadas de decisão e planejamentos relacionados ao processo.
Em seguida, foi feito o levantamento bibliográfico e a identificação de documentos
(científicos e administrativos) que refletisse as seguintes características: abordagem do tema
desenvolvimento de coleções em BU; ter como objeto instituições públicas; ter sido elaborado
no período entre 2010 e 2016. Foram identificados como universo para a análise de conteúdo,
11 (onze) documentos (5 artigos e 6 administrativos (anexo 1).
Na segunda etapa, análise de conteúdo, fez-se a análise comparativa entre os fatores
identificados na observação crítica e os textos dos documentos selecionados, seguido do
tratamento e organização dos dados através da elaboração de tabelas (anexo 2).

4 Resultados parciais
Conforme definido no objetivo desta pesquisa, apresentaremos inicialmente os fatores
internos e externos ao ambiente da biblioteca, identificados através de observação crítica do
processo, seguido do resultado da análise de conteúdo.
Fatores internos ao ambiente da biblioteca:
1- estatísticas (uso e aplicabilidade),
2- recursos financeiros (planejamento) e humanos, infraestrutura (física e
material),
3- consulta ao acervo (local e dos outros campi)
Fatores internos institucionais:
1- Orçamento institucional (Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA));
2- Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), apresenta a missão e os
objetivos prioritários da instituição orientados pela legislação vigente, assim
como sua estrutura organizacional e o projeto de ação a ser desenvolvido
num período de quatro anos o que envolve a atuação das Bibliotecas.
3- Os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs), são processos de planejamento
que tem como referência as diretrizes e os instrumentos orientadores da
educação profissional e tecnológica elaborados pelo Conselho Nacional de
Educação e seus órgãos adjacentes.
Fatores externos norteadores:
1- “Instrumento de avaliação de cursos de graduação presencial e a distância”
(BRASIL, 2015). O MEC, através do Inep, conduz todo o sistema de
avaliação de cursos superiores no País. Fazem parte destas avaliações as
autorizações para os cursos superiores. O Instrumento em questão subsidia
os atos autorizativos de cursos – autorização, reconhecimento e renovação
de reconhecimento nos graus de tecnólogo, licenciatura e bacharelado para
a modalidade presencial e à distância. A avaliação atribui um conceito ao
curso.
2- “Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização (GesPública)”
(BRASIL, 2010), consiste em um instrumento da avaliação da gestão

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pública, que visa a contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços
públicos prestados ao cidadão. O programa tem por referência o Modelo
de Excelência em Gestão Pública.
Este modelo de excelência em gestão, de padrão internacional, que expressa
o entendimento vigente sobre o “estado da arte” da gestão contemporânea, é
a representação de um sistema de gestão que visa aumentar a eficiência, a
eficácia e a efetividade das ações executadas. É constituído por elementos
integrados, que orientam a adoção de práticas de excelência em gestão com a
finalidade de levar as organizações públicas brasileiras a padrões elevados de
desempenho e de qualidade em gestão. (BRASIL, 2010, p. 9)

3- “Guia de compras públicas sustentáveis uso do poder de compra do
governo para a promoção do desenvolvimento sustentável”
(BINDERMAN et. al., [201-]), apresenta uma perspectiva das compras
públicas pelo caminho sustentável, intenciona inserir o conceito de
consumo sustentável nos processos licitatórios.
Toda vez que uma compra ou contratação pública é realizada, são gastos
recursos públicos para a aquisição de produtos ou contratação de serviços.
Pode não parecer, mas esse tipo de decisão é muito importante, e pode
causar significativos impactos. Nesse momento, várias considerações
deveriam ser feitas pelo agente tomador de decisão. Primeiramente, deveria
ser avaliada se existe uma necessidade real de aquisição do(s) produto(s).
Em segundo lugar, a decisão poderia ser tomada baseada nas circunstâncias
sob as quais o produto foi gerado, levando em conta os materiais com os
quais foi feito e as condições de trabalho de quem o gerou. Em terceiro
lugar, deveria ser feita uma avaliação em relação ao seu futuro, ou seja,
como este produto se comportará durante sua fase útil e após a sua
disposição final [...] (BINDERMAN et. al., [201-], p. 15)

Os documentos selecionados, na segunda etapa, foram comparados com os fatores acima
descritos e os resultados da análise são apresentados a seguir:
Quadro 1: Fatores internos ao ambiente da biblioteca – Análise de freqüência
Ordem
Fator
Frequência
1
F2) recursos financeiros (planejamento)
9
2
F1) estatísticas (uso e aplicabilidade)
8
F4) infraestrutura e
3
3
F5) consulta ao acervo (local e dos outros campi)
4
F3) recursos humanos
1
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.
Quadro 2: Fatores internos institucionais – Análise de freqüência
Ordem
Fator
1
F3) Os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs)”
F1) Orçamento institucional (Projeto de Lei Orçamentária
2
Anual (PLOA)) e
F2) Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI)
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Frequência
9
2

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Quadro 3: Fatores externos norteadores - Análise de frequência
Ordem
Fator
F1) “Instrumento de avaliação de cursos de graduação
1
presencial e a distância” (BRASIL, 2015)
F2) “Programa Nacional de Gestão Pública e
Desburocratização (GesPública)” (BRASIL, 2010) e
2
F3) “Guia de compras públicas sustentáveis uso do poder de
compra do governo para a promoção do desenvolvimento
sustentável” (BINDERMAN et. al., [201-])
Fonte: Elaborado pela autora, 2016.

Frequência
10

-

Cabe ressaltar alguns pontos referentes aos quadros acima. Quanto aos fatores internos ao
ambiente da biblioteca, apesar de aparecerem nos documentos, observou-se que estes não
influenciam diretamente na compra. Quanto aos fatores internos institucionais, a utilização
dos PPCs está ligada apenas ao cumprimento das orientações constantes nos instrumentos de
avaliação dos cursos, sem nenhuma avaliação crítica por parte da biblioteca ou qualquer
correlação com os fatores internos ao ambiente da biblioteca. Não foram encontradas
referências ou análises quanto ao planejamento para a aquisição nos planos institucionais.
Observou-se que todos os documentos analisados referenciam o instrumento de avaliação de
cursos sem, contudo, relacioná-lo ao uso efetivo do acervo ou mesmo buscar analisar a
aquisição de forma sustentável. Isto reflete a preocupação apenas com o cumprimento da
diretriz, onde chamamos atenção a atribuição de nota, que de certa forma irá afetar a imagem
institucional.

5 Considerações parciais
Considerando a importância do acervo na estrutura da biblioteca universitária, observou-se
que através do planejamento e da definição de políticas mais abrangentes e integradas à
estrutura da IES na qual se insere, pode-se obter resultados efetivos em quase todos os seus
processos, serviços, no aproveitamento dos seus espaços, orçamentos e no seu relacionamento
com outros setores e coordenações de cursos.
Para isso é fundamental que se se veja o livro, independente do seu formato ou suporte, como
a mola mestra que sustenta a estrutura da biblioteca e a mantém viva e dinâmica ao olhar do
usuário e de todo o seu ambiente externo.
Ao desenvolver alguns processos de aquisição bibliográfica para formar o acervo da
Biblioteca do Campus Petrópolis – CEFET/RJ, tive a oportunidade de observar o quão
importante e complexo ele é, pois os fatores indicados e que me levaram a uma abordagem a
nível de pesquisa foram se concretizando aos poucos na vivência e na experiência de estar
gerente da biblioteca em questão.
O que representa um livro sem uso em uma BU? Falta de incentivo à leitura ou um erro na
seleção e avaliação da aquisição do título?
A resposta se reflete em apenas uma palavra “INTEGRAÇÃO”, desde que, em muitos dos
documentos lidos e analisados para o desenvolvimento deste trabalho, a ligação e o
envolvimento da BU com a sua mantenedora é ressaltado. Tal alegação de relevância me fez
associá-la diretamente aos documentos internos que norteiam o funcionamento da biblioteca e
o quanto estes devem refletir este envolvimento.
Aqui no processo de aquisição bibliográfica, o conceito de “INTEGRAÇÃO” precisa ser
praticado integralmente, para que realmente o acervo reflita a demanda da instituição. Ela

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precisa acontecer, não só com o envolvimento de pessoas, mas com a utilização de fato de
documentos normativos e com a aplicação consequente de conhecimento técnico. Os desejos
da instituição precisam estar representados nas políticas que norteiam o processo, que são
definidas por bibliotecários, fundamentados por seus conhecimentos sobre a sua organização,
armazenamento e manutenção somados aos instrumentos e documentos normativos que
devem ser considerados na elaboração de tais políticas.
O resultado da pesquisa evidenciou a importância de abordar o tema de forma mais
abrangente e que se considere, no momento em que se vai avaliar um título para compor o
acervo de uma biblioteca, que a política que vai ditar a sua avaliação contemple realmente
todas as questões importantes para que o seu uso seja garantido e não que sua aquisição seja
feita simplesmente para ter. A qualidade de um acervo está diretamente ligada ao seu uso, o
seu quantitativo precisa ser muito bem controlado e planejado.
E por isso, reforço não só a utilização dos fatores aqui sugeridos baseados em uma
experiência, mas que se incluam outros e que se discuta amplamente a formação dos nossos
acervos, sua importância diante do ensino, pesquisa e extensão os três pilares que sustentam
as Instituições de Ensino Superior.

6 Referências
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                <text>O presente artigo aborda o tema da aquisição bibliográfica enfatizando a sua importância na estrutura das bibliotecas e na sua relação com usuários e instituição, através da percepção de alguns fatores internos e externos, identificados durante a observação da práxis do processo de aquisição bibliográfica em uma biblioteca de Instituição de Ensino Superior (IES). O objetivo é apresentar os fatores identificados, e analisar comparativamente suas abordagens nos documentos (publicados e administrativos) relacionados com o tema. Foi realizada uma análise de conteúdo para comparar as percepções da autora e a literatura da área observando a freqüência de aparecimento. A intenção foi verificar se estes fatores estão sendo previstos nas discussões, abordagens, publicações e documentos administrativos da área. Propõe-se uma maior discussão sobre a questão levantada, uma vez que tais fatores se somariam aos parâmetros de análise para tomada de decisão e controle já existentes, e traria novos conceitos reforçando a análise da seleção do material a ser adquirido, proporcionando uma maior integração da biblioteca aos interesses da IES a qual pertence e das novas propostas da administração pública. </text>
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                    <text>POSTURA PROFISSIONAL DO BIBLIOTECÁRIO FRENTE ÀS NOVAS
TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO
Andreza Gonçalves Barbosa (UFMG) - goncalvesandreza@hotmail.com
Cleiton Martins de Oliveira (UFMG) - thonmartins@hotmail.com
Daniel Silva Miranda (UFMG) - danielrsmiranda@gmail.com
Raissa Gabrielle Cirilo (IEP) - raissa.gabrielle@yahoo.com.br
Francileide Miguelina dos Santos Faria (UFMG) - fmsfaria@yahoo.com.br
Resumo:
Os profissionais da informação enfrentam as mudanças constantes no cenário mundial da
informação, decorrentes das inovações, sobretudo tecnológicas, que exigem dos profissionais
constante atualização e inovação frente à nova perspectiva mercadológica. Diante este cenário
- em que o processamento da informação cresce velozmente e as demandas dos usuários
tornam-se mais pontuais - é primordial que seja oferecido à sociedade algo transformador e
inovador. Deste modo, os profissionais da informação, sobretudo os bibliotecários - lutam para
expandir sua gama de habilidades, tornando-se cada vez mais criativos e interdisciplinares,
“reinventando-se” na mesma velocidade em que as tais mudanças ocorrem. Este artigo
pretende elucidar como o profissional bibliotecário se prepara para enfrentar os novos
desafios infligidos pelo cenário contemporâneo, como estes têm se comportado, e as
ferramentas que utilizam como aliadas a fim de não se tornarem obsoletos atendendo as
necessidades tanto dos usuários quanto do mercado.
Palavras-chave: Novas Tecnologias da Informação, Profissional Bibliotecário, Ciência da
Informação, Internet
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Perfil profissional e práticas renovadoras

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Abstract
Information professionals face the constant changes in the global information scenario,
resulting from innovation, especially technological, requiring professionals constantly
updated and innovation forward to the new marketing perspective. Faced with this scenario where information processing is rapidly growing and the demands of users become more
specific - is primordial provide to society something transformative and innovative. Thus,
information professionals, especially librarians - are struggling to expand their range of skills,
becoming increasingly creative and interdisciplinary, "reinventing themselves" at the same
speed at which these changes occur. This article aims to elucidate how the professional
librarian prepares to face the new challenges inflicted by the contemporary scenario, how
these have behaved, and the tools they use as allies in order not to become obsolete meeting
the needs of both users and the marke.

Keywords: New Information Technologies, Professional Librarian, Information Science,
Internet.

1 Introdução
Desde épocas remotas o homem vem tentando registrar e organizar o conhecimento através
dos instrumentos considerados inovações tecnológicas para cada época utilizando-se para isso
dos rolos de papiro, tábuas de argila, até o formato códice utilizado atualmente e também da
invenção da imprensa que possibilitou a rápida disseminação da informação. Nas épocas mais
remotas como a idade média, o conhecimento tinha um cunho mais religioso para sustentar a
prática religiosa. Aparecia ali a figura dos monges copistas também conhecidos por escribas,
estes eram responsáveis por reproduzir textos religiosos e manter a organização dos mesmos,
sendo assim, estes já faziam o papel de Bibliotecários mesmo ainda não existindo esta
nomenclatura. Cada mosteiro continha uma biblioteca que era abastecida pelos trabalhos dos
escribas. (BARATIN; SANTOS, 2000, p.248).
Atentando-se para isso é importante remeter a figura do Bibliotecário à época da biblioteca de
Alexandria, onde o intelectual que alcançasse o cargo de Bibliotecário - Chefe teria ao mesmo
tempo alcançado a glória. (SANTOS, 2012, p.182). Ainda segundo Baratin e Jacob (2000,
apud SANTOS, 2012, p.182).
As atribuições do bibliotecário-chefe transcendiam as funções
habituais, pois eles eram também humanistas e filólogos, encarregados
de reorganizar as obras dos autores. Além disso, eram encarregados
também da tutoria dos príncipes reais, a quem deveriam orientar nas
leituras e no gosto (BARATIN; JACOB, 2000 apud SANTOS, 2012,
p.182.).
Nessas épocas a figura do Bibliotecário ainda era tida como alguém responsável apenas pela
guarda e organização dos acervos, importante ressaltar que na cidade de Constantinopla
capital de vários impérios na antiguidade, existiam grandes bibliotecas particulares cuja
propriedade eram de imperadores ou grandes nobres. Muitas dessas bibliotecas contavam com
copistas e um Bibliotecário encarregado de manter a ordem dos acervos. (SANTOS, 2012,

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

p.184).
Foi a partir da criação das Bibliotecas Universitárias, que o
bibliotecário surgiu de fato, como o organizador da informação e
consequentemente, no Renascimento, consolidou seu papel como
disseminador do conhecimento. Nas bibliotecas de Caen e Angers, o
bibliotecário se tornou a figura central (MARTINS, 2002 apud
SANTOS, 2012, p.185).
Após o breve histórico do Bibliotecário através das épocas remotas, percebe-se que estes
profissionais vêm se adequando constantemente às novas tecnologias e moldando-se para um
novo mundo, este agora utilizando-se das novas tecnologias da informação.
O desenvolvimento das (NTI´S) novas tecnologias da informação, e sua aplicação no âmbito
informacional - impulsionou transformações nas unidades de informação, no modo de
interação usuário-informação, bem como na prática profissional do bibliotecário.
No intuito de atender à nova demanda informacional dos usuários da denominada geração
internet, as unidades de informação e os profissionais das unidades de informação buscam
inovar em seus serviços e produtos visando se adaptar ao novo contexto “informação tecnologia - geração internet”.
As NTI´S não tornaram as bibliotecas e o profissional bibliotecário obsoleto, pelo contrário,
sua inserção no âmbito das bibliotecas possibilitou a mutação da biblioteca convencional em
bibliotecas híbridas, virtuais e digitais, bem como agregou valor às práticas profissionais do
bibliotecário. Emerge então um novo perfil de bibliotecário, o bibliotecário inovador, apto a
lidar com as NTI´S e atender às novas necessidades informacionais dos usuários reais e
potenciais das unidades de informação.
Pretende-se no presente artigo elucidar sobre como o profissional bibliotecário se prepara para
enfrentar os novos desafios infligidos pelo cenário contemporâneo, como estes têm se
comportado, e as ferramentas que utilizam como aliadas a fim de não se tornarem obsoletos
atendendo as necessidades tanto dos usuários quanto do mercado.

2 Revisão de literatura
2.1 Novas tecnologias da Informação e a Biblioteca
Para Rezende (2002) a tecnologia da informação (TI) “pode ser conceituada como o conjunto
dos recursos tecnológicos e computacionais para guarda de dados, geração e uso da
informação e de conhecimentos”. Em seu artigo o autor discorre sobre a evolução da
Tecnologia, segundo ele tal evolução ocorreu do processamento de dados à tecnologia da
informação, esta evolução estar representada na imagem (Figura 1) abaixo:

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Fonte: Resende (2002).
Nota-se na Figura 1 que na década de 80 a tecnologia era relacionada ao processamento de
dados, cujo foco era o acesso aos dados armazenados em grandes computadores. Já na década
de 90 o uso da tecnologia agrega valor e seu foco é voltado para a automação do sistema,
tomada de decisões e, por conseqüência o acesso amplo dos dados. A partir dos anos 2000 o
foco está na gestão de negócios, segundo o autor as organizações passaram a perceber a
importância da informação na gestão de negócios. Dentre elas podem-se citar as unidades de
informação, em especial, as bibliotecas que aderiram ao uso dessas novas tecnologias.
As novas tecnologias da informação (NTI´S) impulsionaram transformações nos meios de
produção, organização e disseminação da informação independentemente do suporte que esta
se encontra. Torna-se visível as mudanças que o uso dessas novas tecnologias vem
ocasionando nas unidades de informação, e também nas atividades desenvolvidas pelos
profissionais bibliotecários.
Neste contexto de inserção das NTI´S nas unidades de informação, a biblioteca tradicional
teve e continua a ter um papel importante tanto na preservação quanto na disseminação da
informação. As NTI´S não tornaram as bibliotecas tradicionais obsoletas, muito pelo
contrário, a sua utilização agregou valor aos serviços que essas instituições disponibilizam aos
seus usuários reais e potencias. Neste sentido percebe-se que a “contemporaneidade não
exclui a biblioteca tradicional [...], porém, exige uma prática bibliotecária ampliada para
atender às expectativas dos usuários” (SOARES et. al. 2014 p. 3).
O uso das NTI´S no âmbito informacional impôs transformações nas estruturas das
bibliotecas, no modo de o usuário interagir com a informação e na prática profissional do
bibliotecário.
Neste novo cenário, emergem as bibliotecas híbridas que disponibilizam aos seus usuários
produtos e serviços informacionais tanto no formato convencional quanto eletrônico. Ainda
neste novo contexto tecnológico surgem também as bibliotecas digitais e virtuais.
Em meio a essa mutação do convencional ao eletrônico no âmbito da biblioteca SOARES et.
al.(2014 p. 2-3) relata que a evolução da escrita para a digitalização, do concreto para o virtual
e do estático para o movimento intermitente dos hipertextos - demonstram que o conceito de
biblioteca se ampliou, tornou-se “universal” abarcando características indispensáveis para

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

atender às demandas provenientes das NTI´S.
Esses novos tipos de bibliotecas visam atender a um tipo de usuário que segundo Menha e
Tomael (2015 p.6) é o usuário que faz parte da geração da internet. São jovens que nasceram
no âmbito das novas tecnologias digitais e são aptos a realizar várias tarefas simultaneamente,
ou seja, conseguem realizar trabalhos escolares, conversar no MSN, escutar músicas, navegar
no facebook, twitter e assistir a filmes em telas de duas polegadas ao mesmo tempo.
2.2 Os Profissionais Bibliotecários na Contemporaneidade
Os inúmeros desafios que os profissionais da informação vêm enfrentando são decorrentes de
variados fatores, dentre eles: o mercado globalizado cada vez mais expansivo; o
processamento da informação que cresce com rapidez; as demandas dos usuários, demandas
estas mais pontuais e especificas; e a gestão da informação e do conhecimento, que exige
mais eficácia. Essas mudanças possibilitaram ao profissional da informação, especificamente,
o Bibliotecário, expandir o mercado, de modo que o mesmo possa atuar em diferentes áreas.
Os autores Castro Filho, Faria e Santos afirmam que:
A evolução no mercado de trabalho dos profissionais da informação é constante e
que, devido à diversidade de funcionalidades e peculiaridades que o tratamento da
informação traz para o currículo dos bibliotecários, a atuação profissional e o leque
mercadológico estão sendo ampliados constantemente, e a atuação característica e
específica nas bibliotecas está cada vez mais ramificada e estendida para outras
áreas. (VALETIM,M. l. P; ALMEIDA, D. P. REIS; SILVA, E apud CASTRO
FILHO, Faria; SANTOS 2013, p.19-20)

Ainda versando sobre a inovação na prática profissional do bibliotecário, Antônio (1991, p. 76
- 83) afirma que o bibliotecário deve assumir uma nova postura profissional adaptando-se às
mudanças tecnológicas inerentes ao exercício de sua profissão. O referido autor acrescenta
que a capacidade intelectual do bibliotecário deve sobrepor-se às suas habilidades
operacionais.
Outro ponto tratado pelo autor é que com o uso dessas novas tecnologias surgem tendências
de transformação do posicionamento do bibliotecário, de profissional passivo para agente da
informação. Para esse novo profissional da informação desempenhar sua função de forma
eficiente são indispensáveis características como: adaptabilidade, especialização e capacidade
intelectual.
Este profissional deve assumir uma postura inovadora e empreendedora, visto que será
simultaneamente, perito em um determinado assunto, na área de conhecimento de Ciência da
Informação, além de exercer sua função de indexador, analista, colaborador e mediador da
informação.
Para Tomaél et all.(2014 p.106) as mudanças na sociedade atual afetam diretamente o modo
de atuação de diversos profissionais no mercado de trabalho, mercado este que tornou-se mais
competitivo, onde os profissionais precisam inovar seu modo de trabalho. Segundo a autora,
os bibliotecários também precisam assumir uma postura profissional inovadora visto que as
tecnologias e a mudança de comportamento das atuais gerações de usuários ocasionaram
mudanças no modo de realizar suas práticas profissionais.
Neste contexto é preciso que o bibliotecário reveja os meios pelos quais realiza seu trabalho e

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

busque práticas renovadoras que proporcionem o desenvolvimento e aprimoramento dos
produtos e serviços oferecidos na unidade de informação em que atua. Para tal, seu trabalho
deve passar por um processo de inovação. Tomaél et al. (2014 p.86) caracteriza o processo de
inovação em duas dimensões: prática de inovação técnica e prática de inovação
organizacional. A autora as define da seguinte forma:
Prática de inovação técnica inclui a utilização de novos materiais físicos como, por
exemplo, máquinas e equipamentos de TI, que entram em uso num determinado
momento do processo de desenvolvimento e oferta de um produto ou serviço.
Práticas de inovação organizacional envolvem atividades criadas e/ou adotadas pela
organização e estão diretamente relacionadas com o comportamento dos
colaboradores da empresa no contexto de suas funções no momento em que
desenvolvem e oferecem um novo produto ou serviço (TOMAÉL et al. 2014 p.86).

Como já foi ressaltada, a mudança no perfil do bibliotecário frente às inovações trazidas pelas
novas tecnologias é imprescindível. Nesse sentido, Valls (2014 p. 4) ressalta que o
profissional bibliotecário deve assumir uma postura inovadora e como profissional inovador
deve repensar sua atuação no contexto atual do uso das NTI´S e então inserir práticas
renovadoras em suas atividades profissionais de modo a atender as demandas dos usuários da
informação bem como do ambiente organizacional em que atua.
A figura do profissional da informação nos dias de hoje, em relação às novas tecnologias e o
seu papel como gestor da informação (ARRUDA; MARTELETO; SOUZA, 2000, p.14),
reafirma a ideia de que o profissional da informação hoje tem que ser um indivíduo antenado,
não mais enraizado somente ao que foi conferido na academia e sim um profissional que saiba
trabalhar com as mais variadas formas de informação e suportes informacionais existentes.
Um entrave que pode ser observado constantemente é o pensamento errôneo de que estes
profissionais ficam restritos às bibliotecas ou centros de memória quando na verdade o campo
de atuação dos mesmos ultrapassa e muito estes pensamentos. Isso fica bem expressado na
fala de Silva e Reis (apud SANTOS, 1996).
Os profissionais da informação são todos aqueles indivíduos que, de uma forma ou
de outra, fazem da informação o seu objeto de trabalho, entre os quais: arquivistas,
museólogos, administradores, analistas de sistema, comunicadores, documentalistas
e bibliotecários, além dos profissionais ligados à informática e às tecnologias da
informação e às telecomunicações. (SILVA,E.S e REIS,M.B apud SANTOS,1996.)

3 Materiais e métodos
Com a evolução tecnológica, especificamente a evolução das tecnologias da informação surge
questionamentos tais como: As novas tecnologias da informação tornariam os profissionais da
informação, especificamente os bibliotecários, e as bibliotecas tradicionais obsoletas? O uso
das tecnologias no âmbito informacional causou mudanças no comportamento informacional
dos usuários, que passaram a ser mais interativos no uso da informação, diante disto será que
as bibliotecas e os bibliotecários estariam aptos para atender de forma eficaz e eficiente às
demandas informacionais desses novos tipos de usuários? Que postura profissional o
bibliotecário deve assumir para garantir seu espaço no mercado de trabalho que se torna cada
vez mais competitivo com o uso das tecnologias da informação?
No presente artigo os autores discorreram e buscaram respostas para tais questionamentos.
Para tal realizou-se pesquisas bibliográficas, como fonte de informação, em periódicos

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

científicos do campo de Ciência da Informação e em Anais eletrônicos de trabalhos
apresentados no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias.

4 Resultados parciais/finais
Nota-se na literatura pesquisada para realização do presente artigo que os profissionais da
informação já perceberam que no cenário tecnológico atual em que as unidades de informação
estão inseridas eles devem buscar nas novas tecnologias formas de inovar suas práticas
informacionais, tanto na realização das atividades técnicas quanto no papel de gestor
informacional.
Observou-se também que diante da efervescência tecnológica é
imprescindível que os profissionais da informação entendam o importante papel que as
tecnologias da informação podem desempenhar na qualidade dos produtos e serviços
produzidos e ofertados no âmbito das unidades de informação, visto que elas agregam valor
às suas práticas profissionais.
Os profissionais da informação, sobretudo os bibliotecários - lutam para expandir sua gama de
habilidades, tornando-se cada vez mais criativos e interdisciplinares, “reinventando-se” diante
das evoluções tecnológicas e mudanças mercadológicas. Neste contexto emergi um
bibliotecário inovador que buscar uma constante adaptação ao seu ambiente profissional no
que se refere aos recursos tecnológicos, bem como estar atento às novas demandas
informacionais dos usuários que estão cada vez mais familiarizados com as tecnologias.
Partindo desse pressuposto pode-se dizer que a adoção das tecnologias no ambiente
informacional pelos bibliotecários além de melhorar suas atividades rotineiras pode também
facultar a oferta de serviços de qualidade que atendam as necessidades informacionais dos
usuários. Outro ponto relevante apresentado neste artigo é que assim como os bibliotecários
as bibliotecas tradicionais também não se tornaram obsoletas, mas vem se reinventando e se
adequando ao uso das NTI´S.

5 Considerações parciais/finais
Neste cenário contemporâneo que tem como pano de fundo a inserção de Novas Tecnologias
nas Unidades de Informação, o bibliotecário deve assumir uma nova postura profissional
adaptando-se às mudanças tecnológicas inerentes ao exercício de sua profissão. Com o uso
dessas novas tecnologias surgem tendências de transformação do posicionamento do
bibliotecário, de profissional passivo para agente da informação. Nesse sentido é preciso que
o bibliotecário reveja os meios pelos quais realiza seu trabalho e busque práticas renovadoras
que proporcionem o desenvolvimento e aprimoramento dos produtos e serviços oferecidos na
unidade de informação em que atua, bem como estar atento às novas demandas
informacionais dos usuários que estão cada vez mais exigentes, e, concomitantemente, às
novas tendências mercadológicas.

6 Referências
ANTONIO, I. Do bibliotecário ao agente da informação: seu perfil diante de novas
tecnologias. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 24, n. 1/4,
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VALENTIM, Marta Lígia Pomim; ALMEIDA, Daniela Pereira dos Reis de; SILVA, Elaine
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Acesso em: 04 mar. 2016.

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                <text>Os profissionais da informação enfrentam as mudanças constantes no cenário mundial da informação, decorrentes das inovações, sobretudo tecnológicas, que exigem dos profissionais constante atualização e inovação frente à nova perspectiva mercadológica. Diante este cenário - em que o processamento da informação cresce velozmente e as demandas dos usuários tornam-se mais pontuais - é primordial que seja oferecido à sociedade algo transformador e inovador. Deste modo, os profissionais da informação, sobretudo os bibliotecários - lutam para expandir sua gama de habilidades, tornando-se cada vez mais criativos e interdisciplinares, “reinventando-se” na mesma velocidade em que as tais mudanças ocorrem. Este artigo pretende elucidar como o profissional bibliotecário se prepara para enfrentar os novos desafios infligidos pelo cenário contemporâneo, como estes têm se comportado, e as ferramentas que utilizam como aliadas a fim de não se tornarem obsoletos atendendo as necessidades tanto dos usuários quanto do mercado.</text>
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                    <text>PORTAL SAÚDE BASEADA EM EVIDÊNCIAS: DIVULGAÇÃO E
CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE
UBERLÂNDIA

Fabiana Oliveira Oliveira Silva (UFU) - fabianas@ufu.br
Roberta Conde Conde dos Santos (UFU) - robertaconde@ufu.br
Isabella de Brito Alves (UFU) - isabella@ufu.br
Resumo:
Frente à dinamicidade e a diversidade das fontes de informação na área médica, faz-se
necessário estabelecer estratégias e práticas informacionais com o objetivo de colaborar e
facilitar a recuperação de informações relevantes para todos envolvidos na construção do
conhecimento. Para isso, o Portal Saúde Baseada em Evidências (PSBE) trás a evidência
científica na prática da Medicina. Com base na experiência do programa Pró-Multiplicar, o
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI-UFU) apresenta uma
proposta e desenvolve um projeto de disseminação/capacitação para profissionais da área
médica. Tendo como base a experiência do programa supracitado, este artigo apresenta
sugestões para o desenvolvimento de um programa destinado a disseminar o PSBE para os
usuários da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Para isso, busca-se aperfeiçoar o
serviço de referência para com os usuários, fomentar o desenvolvimento das atividades de
pesquisa e extensão realizadas no âmbito UFU, aumentar a satisfação do público alvo
(docentes, discentes, técnicos administrativos), no sentido de promover diversos recursos
informacionais e conscientizá-los sobre a importância de se utilizar bases de dados cientificas,
além de disseminar o conteúdo e os recursos informacionais (texto completo, vídeos, imagens,
etc.) disponíveis no PSBE.
Palavras-chave: Serviço de Referência. Educação de usuários. Portal Saúde Baseada em
Evidências. Universidade Federal de Uberlândia. Sistema de Bibliotecas.
Programa
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Serviços de referência presencial e virtual

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1 Introdução
1.1 Apresentação do tema abordado
O artigo apresentado visa divulgar o projeto do Serviço de Referência (SR) proposto
pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI-UFU), que
contribui no crescimento do acesso à informação para usuários da área da saúde através do
uso do Portal Saúde Baseada em Evidências (PSBE).
O PSBE foi criado pelo Ministério da Saúde (MS), em parceria com a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (CAPES/MEC). O
Portal tem por finalidade a disponibilização de inovações tecnológicas que possam ser
incorporadas às novas competências na disseminação da Medicina Baseada em Evidências,
para isso, houve total apoio das bibliotecas das Instituições Federais de Ensino Superior
(IFES)1, segundo Brasil (2016). O mesmo acrescenta que o projeto é voltado para a educação
de usuários na prática da pesquisa e à disseminação da informação, principalmente a usuários
que atuam junto às necessidades de acesso à evidência científica para a prática medica. Visa
ainda contribuir com estratégias e técnicas junto às atitudes e habilidades necessárias ao
profissional da informação, de modo que facilite a atuação junto às equipes de profissionais
da saúde, discentes e docentes. O acesso às pesquisas contempla as seguintes áreas
profissionais: Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e
Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição,
Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Técnico em Radiologia (BRASIL, 2016).
A Medicina Baseada em Evidencias (MBE), segundo Cheuen Neto et al (2008, p.33),
foi um conceito que surgiu na década de 1990, é a “ciência baseada na lógica e no
conhecimento científico, integrado à experiência prática do médico”. Cheuen Neto et al
(2008) adicionam ainda que este movimento se deve aos avanços da informática, dos métodos
estatísticos e da autoformação continuada, reduzindo a incerteza na tomada de decisões
médicas.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)2 vêm crescendo de maneira
exponencial no uso acadêmico, mas Lopes (2004) ressalta que há dificuldade de
acompanhamento tempestivo das novidades e ainda da complexidade em se avaliar a
qualidade dessa informação, pela “descentralização do processo de produção da informação e
da inexistência de mecanismos de controle de qualidade dessa informação”.
Segundo Lopes e Silva (2006, p.1):
Com o avanço e a incorporação das TICs, especificamente da Internet,
nas atividades das unidades de informação ocorreu deslocamento de
objetivos dessas instituições, pois passaram a visualizar sua atuação e
o fluxo de suas atividades através de um novo paradigma, o paradigma
de acesso a informação, em substituição ao paradigma de posse da
informação (grifos das autoras).

A partir do pressuposto da sobrecarga informacional da internet e de sua fonte não
confiável, o PSBE vem como uma ferramenta confiável. E neste momento a biblioteca
assume seu papel pleno no acompanhamento desta mudança através de treinamentos para
disseminação desta informação e na manutenção de canais abertos com seus usuários.
1
2

Entre as IFES estão universidades federais e centros de ensino tecnológico.
As TICs podem ser todo e qualquer dispositivo que tenha a capacidade para tratar
dados e ou informações, tanto de forma sistêmica como esporádica, quer esteja aplicada ao produto, quer esteja
aplicada ao processo (BARBOSA E ABREU, 2009).

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1.2 A questão
A estratégia de divulgação para acesso do PSBE trás difusão do conhecimento e
crescimento do acesso na comunidade acadêmica (UFU)?
1.3 Problema
Conforme Grogan (1995), o serviço de referência tem a finalidade de permitir que as
informações fluam entre as fontes de informação e quem a necessita. E ressalta que os agentes
da informação viabilizam essa aproximação, de forma que o fluxo jamais cesse ou se torne
ineficiente. Ou seja, o SR precisa informar e atender prontamente as solicitações de seus
consulentes. A partir da missão do SR em colaborar para o fortalecimento dos três pilares que
alicerçam a Universidade, Ensino, Pesquisa e Extensão, para o aperfeiçoamento de suas
práticas diárias de estágio ou labor e com informações fundamentadas em comprovações
científicas de qualidade ímpar no PSBE. Partindo da premissa econômica de que os recursos
são escassos e as necessidades são infinitas, subutilizar o Portal é um descaso com o dinheiro
público e com a informação de qualidade.
1.4 Justificativa
Considerando o sucesso da experiência obtida na implantação do Programa “PróMultiplicar”, desenvolvido pela CAPES, com o intuito de capacitar alunos bolsistas de
mestrado/doutorado em instituições credenciadas, para atuarem como monitores e
multiplicadores na divulgação e instrução sobre o uso do Portal de Periódicos, junto à seus
pares. O SR do SISBI-UFU, propôs apresentar e divulgar o PSBE, renovando o compromisso
que o governo brasileiro tem de aperfeiçoar o exercício dos trabalhadores da saúde.
Democratizando dessa maneira as condições de acesso, nas suas áreas de atuação, a conteúdos
cientificamente fundamentados na perspectiva de melhor atender à população (CAPES/MEC,
2013). Adiciona ainda que o PSBE fornece os meios para acesso rápido aos conteúdos de
conhecimento científico por meio de publicações atuais e sistematicamente revisadas, com
informações providas a partir de evidências científicas que são utilizadas para apoiar a prática
clínica, como também à tomada de decisão para a gestão em saúde e qualificação do cuidado,
auxiliando assim os profissionais da saúde. O acesso aos recursos disponíveis no PSBE
contempla profissionais das 14 áreas da saúde: Biologia, Biomedicina, Educação Física,
Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina,
Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Técnico em
Radiologia (BRASIL, 2016).
Diante dos avanços alcançados na promoção à saúde, a inserção dos diferentes
profissionais no PSBE tornou-se necessário a constante implementação de TICS nas
bibliotecas das universidades que contemplam a área de saúde, uma vez que, as mesmas
precisam acompanhar estas mudanças e disseminar serviços e produtos que colaborem com a
prática profissional e educacional, assim como, lançar canais de comunicação com os
usuários, de forma a interagir com os profissionais da saúde em tempo real.
Esse projeto propôs o desenvolvimento de uma forma de divulgar o PSBE para
comunidade acadêmica da UFU, a partir de suas bibliotecas com o intuito de difundir o
conhecimento para as áreas contempladas. A ideia é fornecer os meios para acesso rápido aos
conteúdos de conhecimento científico por meio de publicações atuais e sistematicamente
revisadas, informações, providas de evidências científicas, que são utilizadas para apoiar a
prática clínica, como também a tomada de decisão para a gestão em saúde e qualificação do
cuidado, auxiliando assim os profissionais da saúde (CAPES/MEC, 2013).

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1.5 Objetivos
O objetivo geral do projeto é aumentar efetivamente o número de acessos ao PSBE pela
comunidade acadêmica da UFU.
Os objetivos específicos são: conscientizar a importância de utilizar bases de dados
científicas que apoiam a prática clínica; disseminar os recursos disponíveis no PSBE;
capacitar discentes e docentes para atuarem como multiplicadores dos recursos do PSBE e
informar que a falta de acesso às bases acarretará em descredenciamento das mesmas.

2 Revisão de literatura
O PSBE possui conteúdo científico atualizado e gratuito à disposição do profissional de
saúde em tempo real e acesso remoto. Ele auxilia na redução das incertezas nas tomadas de
decisões em saúde. Nas palavras de Lopes (2000), “[...] Medicina Baseada em Evidências tem
ajudado a ampliar a discussão sobre o ensino e a prática da medicina, embora o termo
Medicina Baseada em Evidências tenha sido introduzido recentemente”. Segundo o mesmo
esta disciplina está voltada para a formação de profissionais com espírito crítico aguçado e
aptos a manter o processo de educação continuada. E tem ajudado a definir novas estratégias e
métodos didático-pedagógicos, além de divulgar outros métodos anteriormente
desenvolvidos. Já Sackett e colaboradores (1996) corroboram acrescentando que as práticas
clínicas baseadas em evidências, têm sido definidas como o uso consciencioso, explícito e
criterioso das melhores evidências disponíveis na tomada de decisão clínica sobre cuidados de
pacientes individuais.
Contudo, o MS no intuito de atender o anseio da sociedade de uma prática médica de
qualidade, criou o PSBE, apoiando os profissionais da saúde fornecendo ferramentas de
conhecimento científico de acesso rápido e gratuito para a comunidade acadêmica das IFES e
profissionais registrados nos Conselhos Federais pertencentes à área de saúde.
O conteúdo da aplicação do PSBE está condensado em um portal que engloba várias bases
de dados (BRASIL, 2009), a saber:

Access – Medicine: com acesso rápido e direto as informações necessárias para
conclusões de avaliações, diagnósticos e decisões clínicas. Disponibiliza milhares de
imagens ilustrativas;

Access Physiotherapy: dedicada ao estudo, instrução e prática da Fisioterapia, oferece
conteúdo de livros destacados na área. Contém vídeos, imagens e ilustrações;

BVS – Atenção Primária à Saúde: faz a gestão da informação científica e técnica
relacionada à atenção primária à saúde e as Redes de Atenção além das produções do
programa Telessaúde Brasil Redes;

DynaMed: uma espécie de enciclopédia médica, fornece tópicos médicos com
interface organizada por temas e com atualização periódica constante. É uma ferramenta
de referência clínica para uso no local de tratamento, “criada por médicos para médicos”;

Micromedex 2.0: acesso a dois módulos, o primeiro, Diseasedex – Emergency
Medicine, apresenta dados e informações para as primeiras 72 horas de uma emergência
médica, com suporte à vida, tratamentos e apresentação clínica. O segundo, Diseasedex –
General Medicine, engloba o período posterior às primeiras horas de emergência como
prevenções, sintomas e complicações;

Rebrats: busca promover e difundir a área da Avaliação de Tecnologia em Saúde
(ATS) no Brasil. A rede estabelece a ponte entre pesquisa, política e gestão, fornecendo
subsídios para decisões de incorporação, monitoramento e abandono de tecnologias no
contexto de suas utilizações nos sistemas de saúde.
Pensando em atender os profissionais e alunos da Universidade Federal de Uberlândia,

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foi iniciado o projeto de treinamento do uso do Portal com vistas a disseminar a importância
do mesmo e colocar em prática o SR contribuindo com os profissionais da saúde.
3 Materiais e métodos
No período de 20 a 24 de outubro de 2014, durante a Semana Nacional do Livro e da
Biblioteca (SNLB), foi realizada uma ampla divulgação e treinamentos intitulados
“Apresentação Portal Saúde Baseada em Evidências” oferecido pelo SISBI-UFU com carga
horária de 2h, na Biblioteca Setorial Umuarama4.
A divulgação dessa ferramenta obteve colaboração dos servidores dos setores de
Referência do SISBI/UFU. Formamos parceria com os editores de cada Base de Dados
pertencentes ao Portal e estes ministraram palestras. Os temas foram específicos para cada
área profissional. O primeiro treinamento abordou orientações básicas de apresentação do
PSBE, assim como o cadastro de uso acordado via reitoria da UFU em parceria com o MS.
Quadro 1: Cronograma de atividades:
Data
Responsável
projeto
Julho/2014
Fabiana

Atividade
Divulgação do
internamente
Elaboração do material de
divulgação e confecção de
material didático
Divulgação do projeto
externamente
Aplicação do projeto
Avaliação do projeto

Agosto/2014

Guilherme Gomes

Agosto/Setembro/2014

Equipe de Referência

Outubro/2014
Março /2015

Setores de referência
Equipe envolvida

Recursos Materiais: Material fornecido pelo MS como folhetos e marcadores de livro,
distribuição da WEBTV em monitores da biblioteca, Banners, Folders específicos informando
sobre o projeto, cartazes e/ou faixas informativos nos Campi.
Recursos Humanos: Bibliotecários e assistentes administrativos do Setor de Referência do
SISBI-UFU.
4 Resultados parciais/finais
De acordo com o Anuário 2014, a UFU possui 3.038 Técnicos Administrativos; 969
Docentes; 28.063 alunos e 9.481 cadastrados como usuários no SISBI. Portanto, 32.070
usuários potenciais. Diante desse quadro foram propostas atividades na SNLB de 2014. No
evento, a maior procura foi pelos alunos do curso de Medicina para efetuar o cadastro no
PSBE. Atualmente a maior demanda pelo cadastro no PSBE se mantem entre os alunos de
Medicina. Há relatos dos alunos de Medicina Veterinária e Enfermagem que os conteúdos
específicos são restritos ou ausentes. Os profissionais de Fisioterapia encontram dificuldade
de cadastrar-se por falta de comunicação entre seu Conselho Federal e o PSBE. Pois, o
respectivo conselho se nega a enviar os dados dos seus usuários para serem carregados no
PSBE. Mas, o PSBE tem atendido individualmente aos profissionais que o procuram.
Anualmente o PSBE disponibiliza estatística para averiguação de resultados obtidos a
___________________
4

Biblioteca especializada na área da Saúde do SISBI-UFU.

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pedido do MS e das bibliotecas participantes. Desde a introdução da UFU no PSBE,
verificamos que os objetivos almejados no projeto foram alcançados, pois assumimos nos
dois últimos anos as posições de 3º e 2º lugar em números de acessos, conforme quadro a
seguir que corrobora com dados de 2016.
Quadro 2 – Ranking do número de acessos das IFES:

Fonte: PSBE (2016).
A seguir, a estatística das buscas em palavras-chave mais usadas na Universidade
Federal de Uberlândia:
Quadro 3 – Descritores mais buscados no PSBE pelos usuários da UFU:
Continua...
Ranking Descritores para Evidências Científicas
1
Infectious Diseases
2
Gastroenterology and Hepatology
3
Drug Information
4
Pediatrics
5
Neurology
6
Hematology
7
Endocrinology and Diabetes
8
Pulmonary and Critical Care Medicine
9
Cardiovascular Medicine
10
Nephrology and Hypertension
11
Oncology
12
Rheumatology
13
Primary Care (Adult)
14
General Surgery
15
Allergy and Immunology
16
Obstetrics, Gynecology and Women's Health

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18
19
20
21
22

Emergency Medicine (Adult and Pediatric)
Dermatology
Psychiatry
Calculators
Patient Information
Anesthesiology
Fonte: PSBE (2016).

No quadro 4, encontramos o número de acessos por base de dados disponíveis no
PSBE. A partir desta ferramenta, usamos de argumento junto aos treinandos para que façam o
acesso efetivo nas bases de seu interesse e que estes difundam o Portal.
Quadro 4 - Base de Dados e seus acessos:

Fonte: PSBE (2016).

5 Considerações parciais/finais
Devido ao crescimento da literatura especializada, decorrente do desenvolvimento
crescente de inúmeras pesquisas científicas, o profissional da área de saúde pode se deparar
diante de dificuldades para localizar conteúdos, relevantes e atualizados, baseado em
evidências científicas. Isto pode levar à desatualização gradativa de seus conhecimentos
técnicos e científicos, caso este profissional não acompanhe a evolução de sua área através de
literatura especializada.
Observou-se que as investigações realizadas em consonância entre o bibliotecário e os
profissionais da saúde para encontrar informações relevantes, em diferentes suportes, no
PSBE, possibilitaram a recuperação de resultados relevantes para o atendimento médico,
clínico e acadêmico.
O incremento no uso do PSBE pelos profissionais da saúde ainda está aquém do
desejado. Estamos em segundo lugar no ranking nacional, mas comparando-nos com a
Universidade de Brasília, temos somente a metade de seus acessos (495/10, 40% contra
1039/21,83%). Conforme gráfico a seguir:

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GROGAN, D. J. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos, 1995.
196 p.
LOPES, A. A. Medicina Baseada em Evidências: a arte de aplicar o conhecimento científico
na prática clínica. Revista da Associação Médica Brasileira, Brasil, v.46, n.3, p.285-288,
2000.
LOPES, I. L. Novos paradigmas para avaliação da qualidade da informação em saúde
recuperada na Web. Ciência da Informação, Brasília, v.33, n.1, p.81-90, jan./ abr. 2004.
Disponível em: &lt;http://repositorio.unb.br/handle/10482/12709&gt;. Acesso em 11 jul. 2016.
LOPES, M. I. ; SILVA, E. L. da. . As bibliotecas universitárias e a mediação da informação na
comunicação científica. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS,14., 2006, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2006. v. 1, p. 1-15.
Disponível em: &lt; http://www.snbu2006.ufba.br/soac/ viewabstract.php?id=87&gt;. Acesso em:
10 jul. 2016.
ROCHA, A. G.; CANDENGUE, M. A interferência da biblioteconomia clínica para o
desenvolvimento da saúde. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação,[S.l], v.9, n.1, p.150-165, July 2011.
SILVA, F. C. C. A atuação do bibliotecário médico e sua interação com os profissionais da
saúde para busca e seleção de informação especializada. Revista Digital de Biblioteconomia
e Ciência da Informação, Campinas, v.3, n.1, p.131-151, 2005. Disponível em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/326&gt;. Acesso em: 8 jul.
2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Anuário 2014: ano base 2013. Diretoria
de Planejamento: UFU, 2014.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Frente à dinamicidade e a diversidade das fontes de informação na área médica, faz-se necessário estabelecer estratégias e práticas informacionais com o objetivo de colaborar e facilitar a recuperação de informações relevantes para todos envolvidos na construção do conhecimento. Para isso, o Portal Saúde Baseada em Evidências (PSBE) trás a evidência científica na prática da Medicina. Com base na experiência do programa Pró-Multiplicar, o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI-UFU) apresenta uma proposta e desenvolve um projeto de disseminação/ capacitação para profissionais da área médica. Tendo como base a experiência do programa supracitado, este artigo apresenta sugestões para o desenvolvimento de um programa destinado a disseminar o PSBE para os usuários da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Para isso, busca-se aperfeiçoar o serviço de referência para com os usuários, fomentar o desenvolvimento das atividades de pesquisa e extensão realizadas no âmbito UFU, aumentar a satisfação do público alvo (docentes, discentes, técnicos administrativos), no sentido de promover diversos recursos informacionais e conscientizá-los sobre a importância de se utilizar bases de dados cientificas, além de disseminar o conteúdo e os recursos informacionais (texto completo, vídeos, imagens, etc.) disponíveis no PSBE.</text>
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                    <text>POLÍTICA INSTITUCIONAL DE INFORMAÇÃO NO COLÉGIO
PEDRO II: DIRETRIZES PARA A IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIO
INSTITUCIONAL

Priscila de Assunção Barreto Côrbo (Colégio Pedro II) - prysab@hotmail.com
Tatyana Marques de Macedo Cardoso (CPII) - tatyana_marques@yahoo.com.br
Resumo:
O presente artigo apresenta um estudo sobre Política Institucional de Informação voltado às
questões concernentes ao planejamento e a implementação de repositório institucional para
preservação e acesso a produção científica em longo prazo. Discorre inicialmente sobre o
conceito e funcionalidades de repositórios institucionais. Trata-se de uma abordagem
teórico-conceitual sobre Políticas Públicas de Informação para abarcar o campo de estudos
das Políticas Institucionais de Informação. Destaca o Colégio Pedro II, instituição tradicional
de ensino público brasileira, que ao longo dos seus 179 anos de existência, produziu e mantém
preservados acervos de importância histórica e institucional para o país e para a sociedade em
guarda nas suas unidades de pesquisa: Centro de Documentação e Memória e Biblioteca de
Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura. Aponta a necessidade de se preservar e tornar
público suas experiências e atividades de ensino, bem como promover o acesso aos trabalhos
intelectuais desenvolvidos pela comunidade de pesquisadores, alunos e servidores. Conclui o
presente estudo com uma breve reflexão sobre os aspectos que devem ser considerados para a
implantação dos repositórios institucionais nesta instituição de ensino, de forma a estabelecer
um novo parâmetro para a comunicação científica. Esse novo parâmetro deve trazer não
apenas visibilidade no meio institucional, mas também uma nova concepção do fazer científico.
Palavras-chave: Política Institucional de Informação. Repositório Institucional. Colégio Pedro
II. Preservação Digital.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O Colégio Pedro II, fundado em 2 de dezembro de 1837, na cidade do Rio de Janeiro,
em homenagem ao Imperador-Menino, constitui-se, hoje, em uma autarquia federal do
Ministério da Educação, integrado à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica nos termos da Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, e, equiparado, no que
diz respeito a sua estrutura e organização, aos Institutos Federais de Ensino Superior na
redação dada pela Lei nº 12.677, de 25 de junho de 2012. Caracteriza-se como uma instituição
de ensino básico, profissional e superior, pluricurricular e multicampi, especializada na oferta
de educação básica e de licenciaturas.
Oferece cursos que vão desde o primeiro segmento do ensino fundamental ao nível
médio, além de programas de especialização profissional, cursos de pós-graduação lato sensu
e stricto sensu, na área de educação e formação de professores. Destacam-se alguns projetos
já iniciados pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura (PROPGPEC):
o Programa de Residência Docente; o Mestrado Profissional em Matemática em Rede
Nacional (PROFMAT); o Mestrado Profissional em Sistemas de Gestão pela Qualidade Total
em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF); e, o Mestrado Profissional em
Práticas de Educação Básica. Este último tem por objetivo a formação continuada de
professores das escolas municipais e estaduais.
O Colégio Pedro II possui acervos de importância histórica e institucional para o país e
para a sociedade e a cada dia aumenta sua produção intelectual em guarda nas suas unidades
de pesquisa. Na Biblioteca da PROPGPEC encontra-se a produção técnico-científica dos
discentes que inclui as dissertações, os relatórios de trabalho (memorial circunstanciado) e os
produtos finais (monografia desenvolvida na área de conhecimento do professor residente). O
Centro de Documentação e Memória (CEDOM) é um importante guardião da memória desta
instituição, pois mantém sob sua custódia importantes documentos históricos, constituídos a
partir das suas próprias atividades de ensino e ao cotidiano da administração escolar nos
séculos XIX e XX. O Centro possui ainda valioso acervo raro e coleções especiais que
refletem a influência humanística na formação do corpo docente e discente do Colégio Pedro
II.
A memória histórico-institucional e a produção técnico-científica em guarda no Centro
e na Biblioteca da PROPGPEC são insumos para pesquisas que geram novos conhecimentos
de temas relacionados ao Colégio e sobre a história da educação no Brasil. Desta forma, o
Colégio precisa preservar e tornar público suas experiências e atividades de ensino, bem como
promover o acesso aos trabalhos intelectuais desenvolvidos pela comunidade de
pesquisadores, alunos e servidores, e, principalmente, os documentos históricos do CEDOM.
Entendemos que o Colégio Pedro II é um polo de cultura e educação, configurando-se
como um centro institucional por excelência e como um canal indispensável para o fomento
da informação. Portanto, para viabilizar a produção e a disseminação do conhecimento
científico gerado e oferecer serviços online, como catálogos em rede, entre outros, com vistas
a acompanhar o progresso da sociedade, faz-se necessário implementar o repositório
institucional, com a finalidade de tornar visível a produção intelectual de professores, alunos e
técnicos administrativos da referida instituição, disponibilizando um amplo acervo e
flexibilizando serviços através do uso das novas tecnologias de informação e comunicação.
Neste sentido, o Colégio Pedro II vem trabalhando para modernizar sua estrutura e
formas de operacionalização, investindo em recursos e promovendo serviços para melhor
atender sua comunidade escolar. Essas ações tornam-se prerrogativas em busca de novos
caminhos para o compartilhamento da produção intelectual desta instituição de ensino.
Vale destacar a constituição do Grupo de Trabalho, através da Portaria nº 4.904, de 15
de setembro de 2014, pela Seção de Bibliotecas da Pró-Reitoria de Ensino (Proen), formado

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por uma equipe de bibliotecários e auxiliares de bibliotecas desta instituição para desenvolver
políticas e ações fundamentais para o planejamento e a implementação de um repositório
institucional no Colégio. Hoje, a equipe investiga nas experiências nacionais e internacionais,
diretrizes para o estabelecimento deste projeto.
A visibilidade da produção científica é uma das maiores vantagens dos repositórios
institucionais, conforme pode ser observado na literatura. Mas, além de darem visibilidade, os
repositórios institucionais são ferramentas potencializadoras para a disseminação e
preservação da produção intelectual de suas instituições (RUMSEY, 2006; HOCKX-YU,
2006).
Nesta perspectiva, a questão principal desta investigação é apontar alternativas para
facilitar o acesso, preservar, disseminar e dar visibilidade à produção científica institucional.
Dentre as opções disponíveis, ressaltamos os repositórios institucionais, os quais devem ser
concebidos sob uma estrutura apoiada em plataformas de padrões e linguagens,
universalmente aceitas. Tal iniciativa proporcionará mais um recurso informacional, voltado
para a disseminação e geração de novos conhecimentos.

2 Repositórios Institucionais
Os repositórios institucionais são frequentemente conceituados segundo suas funções
de armazenar, disseminar, preservar e dar acesso à produção intelectual de uma instituição e
de sua comunidade científica. Possibilitam, também, às instituições e aos pesquisadores
aumentar a visibilidade de seus trabalhos de pesquisa e constituem-se em uma ferramenta de
gestão do conhecimento.
No contexto específico dos repositórios, os documentos adquirem novas configurações
e são denominados objetos digitais ou estrutura de dados digitalmente codificados, composta
pelo conteúdo de informação, metadados e identificador (BEKAERT; VAN DE SOMPEL,
2006). Numa classificação não excludente diz-se que os repositórios podem ser temáticos –
focados em determinado domínio do conhecimento – e institucionais – focados na produção
de uma instituição específica.
Repositórios institucionais (institutional repositories) são coleções que capturam e
preservam a produção intelectual de uma ou mais universidades ou comunidades
(CROW,2002) ou ainda um conjunto de serviços que uma universidade oferece – aos
membros de sua comunidade – a fim de gerenciar e disseminar materiais digitais criados pela
instituição e membros da comunidade (LYNCH, 2003). Portanto, o que caracteriza os
repositórios institucionais é o fato de serem orientados para a informação produzida no
ambiente das instituições, sendo desenvolvidos, implementados e mantidos por elas.
Qualquer que seja o tipo enumerado por Lynch (2003, p. 32), os repositórios
institucionais, de uma maneira geral, “[...] são sistemas de informação que servem para
armazenar, preservar, organizar e difundir os resultados (a produção científica) de uma dada
instituição, utilizando um software”. No mesmo sentido, Kuramoto (2006, p.16) define-os
como “[...] um conjunto de serviços oferecidos por uma instituição aos membros de uma
comunidade para a gestão e disseminação da sua produção técnico-científica em meio
digital”.
Para potencializar os repositórios, foram criados os softwares: Eprints – voltado para
servir aos repositórios temáticos ou institucionais; DSpace – software para construção de
repositórios institucionais. Ambos são iniciativa das instituições University of Southamption
(Inglaterra) e Massachussetts Institute of Technology – MIT, respectivamente. Atualmente, o
DSpace é o software mais utilizado internacionalmente, adotando o protocolo para coleta de

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metadados da OAI-PMH (Open Archives Initiative), tendo sido o software adotado como
referência no Brasil pelo IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia).
Podemos enumerar como principais características dos repositórios: conteúdo em
regime de acesso aberto; garantia de preservação digital do conteúdo em longo prazo
(memória da produção científica); preservação dos direitos autorais em longo prazo (autoarquivamento); sistema de gestão integrado com outros serviços; interoperabilidade com
sistemas e padrões universais, como o protocolo OAI-PMH.
A concepção de repositório está intimamente relacionada aos conceitos de acesso
aberto (open access) ou acesso livre à informação, de arquivos abertos (open archives) e de
softwares livres (open source), conceitos que, embora não sejam novos, vêm sendo
incrementados de modo significativo com o advento de tecnologias de última geração, a
otimização dos espaços de armazenagem e a variedade de pontos de compartilhamento das
informações. Conforme Costa (2006, p. 49), “não parece restar dúvidas, portanto, de que a
filosofia aberta tende a se constituir no fundamento inexorável da comunicação científica
daqui por diante”. A filosofia do acesso aberto está, então, na base dos repositórios. A referida
autora destaca a diferença entre arquivos abertos e acesso aberto: o primeiro caso refere-se à
interoperabilidade das máquinas que armazenam os repositórios; o segundo trata da
acessibilidade total aos conteúdos digitais disponíveis (COSTA, 2006).
Os repositórios institucionais fazem parte da via do acesso aberto caracterizada pelo
auto-arquivamento (OAIR – Open Archives Institutional Repositories), chamada também de
“via verde” (green way) e, a outra, a “via dourada” (golden way), que se refere aos periódicos
de acesso aberto (OAJ – Open Archives Journals).
Revelando-se uma tendência mundial no meio científico, com movimentos em favor
do acesso livre à informação, os repositórios possuem formas de armazenamento de objetos
digitais, com capacidade de manutenção e gerenciamento de materiais por longos períodos, e
acesso adequado que, juntamente com a investidura nos protocolos de coleta de metadados da
Iniciativa dos Arquivos Abertos (OAI-PMH), diminuem as dificuldades dos autores na
disponibilização dos resultados de suas pesquisas.
Na perspectiva de Lawrence (2003, p.23), entender os repositórios institucionais é
perceber a “[...] manifestação visível da importância emergente da gestão do conhecimento na
educação superior”. Nesse sentido, é válido ressaltar, conforme enfatiza Crow (2002, p.14),
que os repositórios institucionais constituem “[...] um sistema global de repositórios
distribuídos e interoperáveis que fundamentam um novo modelo de publicação científica”.

3 Política Institucional de Informação
O presente tópico traz inicialmente uma abordagem teórico-conceitual sobre “Políticas
Públicas de Informação” e, em seguida, para fins deste estudo, apresenta as diretrizes para a
implantação dos repositórios institucionais no Colégio Pedro II.
A concepção de políticas públicas de informação é empregada de diferentes formas e
não existe uma única, nem melhor definição sobre o termo. No entanto, existe certo consenso
entre os especialistas da área em definir o termo como um campo de estudo dentro da política
pública que busca compreender o papel do Estado e suas implicações na sociedade
contemporânea. Neste sentido, observam-se as formas de interação e relações entre esses
atores.
Para Hernon e Relyea (1991 apud JARDIM, 2009, p. 9) política de informação pode
ser definida como “um conjunto de princípios, leis, diretrizes, regras, regulamentos e
procedimentos inter-relacionados que orientam a supervisão e gestão do ciclo vital da
informação: a produção, coleção, organização, distribuição/disseminação, recuperação, uso e

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preservação da informação”.
Jardim (2008, p. 6) enfatiza que o estudo sobre política de informação ganhou nova
dimensão entre as políticas públicas: “governos de diferentes países passaram a reorientar
suas estratégias com relação ao desenvolvimento da área de informação”. Sua concepção
tende a ser naturalizada e a designar diversas ações e processos do campo informacional como
arquivos, bibliotecas, internet, tecnologia da informação, governo eletrônico, sociedade da
informação, informação científica e tecnológica, entre outros. Para o autor,
Um conjunto de decisões governamentais no campo da informação não resulta
necessariamente na constituição de uma política pública de informação. Uma
política de informação é mais que a soma de um determinado número de programas
de trabalho, sistemas e serviços. É necessário que se defina o universo geográfico,
administrativo, econômico, temático, social e informacional a ser contemplado pela
política de informação. Da mesma forma, devem ser previstos os diversos atores do
Estado e da sociedade envolvidos na elaboração, implantação, controle e avaliação
dessas políticas. Políticas públicas de informação são norteadas por um conjunto de
valores políticos que atuam como parâmetros balizadores à sua formulação e
execução. Podem estar "difusas" no âmbito de outras políticas públicas, mas não
implícitas. O Estado democrático é, por princípio, incompatível com políticas
públicas de saúde, educação, habitação ou informação, que não sejam explícitas.
(JARDIM, 2008, p. 6).

Neste contexto, o autor apresenta de forma sucinta o conceito sobre políticas públicas
de informação: “constituem o conjunto de premissas, decisões e ações – produzidas pelo
Estado e inseridas nas agendas governamentais em nome do interesse social – que
contemplam os diversos aspectos (administrativo, legal, científico, cultural, tecnológico, etc.)
relativos à produção, uso e preservação da informação de natureza pública e privada.”
(JARDIM, 2009, p. 9).
No entanto, para o autor, uma política pública não pode ser definida simplesmente
como um conjunto de decisões. Deve ser “concebida, formulada e implementada a partir de
atores sociais diversos que se relacionam e se influenciam mutuamente em um ambiente de
conflitos e consensos.” (JARDIM, 2009, p. 17).
Frohmann (1995) ressalta que a abordagem dos estudos de política de informação em
Ciência da Informação e Biblioteconomia acaba por apresentar um aspecto reducionista tal
como sua abordagem voltada para a produção, organização e disseminação da informação
técnico-científica. Segundo o autor,
o foco da Ciência da Informação sobre o tema seria mais evidente em aspectos como
a implementação de tecnologias, o aprimoramento da comunicação agências
governamentais e a ampliação do acesso aos documentos dos governos. Essa ênfase
ocorreria em detrimento da realização de pesquisas sobre as relações entre
informação e poder, ou as formas pelas quais o poder é exercido em e através de
relações sociais mediadas pela informação. (FROHMANN, 1995 apud JARDIM,
2008, p.6).

González de Gomez (2012, p.43) apresenta uma reflexão teórico-conceitual sobre
regime de informação como conceito analítico de ordem da política e da informação. A autora
afirma que a noção de regime de informação baseia-se no “modo informacional dominante em
uma formação social, o qual define quem são os sujeitos, as organizações, as regras e as
autoridades informacionais e quais os meios e os recursos preferenciais de informação, os
padrões de excelência e os modelos de sua organização, interação e distribuição, enquanto
vigentes em certo tempo, lugar e circunstância”.
Para a autora o conceito de política não é “auto evidente”. Em certas circunstâncias
encontra-se associada a critério espacial (como esfera, domínio, território), e, em outras,
identificada como modo de ação ou tipo de atividade (na definição já clássica, uma atividade
através da qual as pessoas geram, preservam e corrigem as regras gerais sob as quais vivem).
“A construção e a história do conceito de ‘política’ e suas derivações são elas mesmas objeto e
indagação de proposições alternativas” (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2011, p.183).

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Utilizando a teoria do regime para uma análise da política de informação, Braman
estabelece que “[...] a política de informação é definida pelo conjunto de leis e regulações
pertinentes a qualquer criação, processamento, fluxos e usos de informação – como um
conceito guarda-chuva para políticas de informação, comunicação e cultura”. (BRAMAN,
2011, p.42).
A autora enfatiza que o estudo sobre a teoria do regime apesar te (de) ter surgido
inicialmente no âmbito das relações internacionais na década de 1980 por estudiosos desta
área, hoje é adotado em outras esferas de análise. A teoria do regime é utilizada em
praticamente todo estudo sobre o domínio das políticas emergentes: “[...] As negociações
sobre o acesso à informação, em si mesmo um objeto de regime de políticas, também são
entendidas como elementos significativos dos processos de formação dos regimes”. (SOUSA;
KLYZA, 2007 apud BRAMAN, 2011, p.42).
Delimitando o domínio específico de sua operacionalização, Braman complementa o
conceito de regime de informação trazendo uma abordagem sobre “cadeia de produção de
informação” que varia conforme a finalidade com que é incluída em seus trabalhos, porém
certos momentos e componentes seriam constantes, dois deles, em especial, interessam ao
escopo desta pesquisa. O primeiro estaria relacionado à armazenagem e preservação da
informação; formação e consolidação de memórias sociais e culturais. Sendo o segundo
relacionado à busca de informações, devendo diferenciar-se o acesso à infraestrutura de
informação (acesso à Internet de Banda Larga, por exemplo), do acesso intelectual e pleno às
próprias fontes e conteúdos. (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2012, p.48).
Para Braman, a teoria do regime não substitui, mas realimenta os estudos da política
de informação: “[..] b) contribui para pensar instituições, ações e instrumentos políticos
novos, sem que isso signifique necessariamente a desativação dos “sistemas” já existentes; c)
unifica um domínio de tomada de decisão, evitando a dispersão gerada pela pluralidade de
canais, de meios e de fluxos de informação. (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2012, p.52).
De modo geral, e independentemente do ambiente e do âmbito, uma política de
informação cobre os objetivos, diretrizes, práticas e intenções organizacionais que servem
para fortalecer as decisões locais. Assim, a política não é apenas o caminho para exercer a
autoridade, mas é também uma arte para alcançar o consenso corporativo. Para a elaboração
de uma política de informação é importante a participação de todos os envolvidos, pois sem
um consenso geral sobre os princípios e diretrizes de quem faz o quê, quando e como, não se
podem criar os fundamentos para a construção da autossuficiência informacional (information
superiority). (STRASSMANN, 1994). Caso não haja aceitação entre os principais atores e o
entendimento dos relacionamentos e caso não possua os meios para resolver divergências, a
maior parte da energia será desviada para conflitos internos em vez de ser direcionada para
lidar com os desafios externos.
Para Kuramoto (2009), as instituições precisam estabelecer suas políticas de
informação para garantir o autoarquivamento e a qualidade dos documentos depositados no
repositório. O estudo sobre repositório institucional é parte de uma política institucional de
informação e seu planejamento e implementação precisa estar de acordo com os objetivos e
finalidades da instituição que irá contemplá-lo, de maneira a formular políticas de gestão
adequadas às características, interesses e necessidades institucionais que, na maioria das
vezes, têm muitas especificidades.
A Política, baseada na cultura da instituição, deve prever aspectos relativos a: a)
responsabilidade pela criação, implementação e manutenção do repositório; b) conteúdo
proposto e implementado; c) aspectos legais relativos a documentos e licenças de softwares;
d) padrões; e) diretrizes para preservação digital; f) política e níveis de acesso; g)
sustentabilidade e financiamento do repositório.

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Os tópicos apresentados são resultados de buscas, estudos e reflexões realizados a
partir da literatura e demonstram a importância de se planejar repositórios institucionais com
base em estudos detalhados sobre o ambiente de trabalho e os atores envolvidos no processo.
Nesta perspectiva, práticas e ações devem ser estabelecidas pela instituição como um
meio não só de preservação e acesso à informação/memória em longo prazo, mas também de
comunicação do saber produzido, permitindo um amplo acesso à documentação variada,
oriunda das múltiplas atividades realizadas no Colégio Pedro II.
A seguir, veremos possíveis diretrizes para a implantação do repositório institucional
na referida instituição de ensino como uma medida de democratização das informações lá
geradas.

4 Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo qualitativo e exploratório sobre a temática central de política
institucional de informação, repositório institucional e preservação digital. Procura-se
identificar critérios para o planejamento e a implementação de repositório institucional como
ferramenta tecnológica estratégica para a preservação e acesso à produção intelectual do
Colégio Pedro II.
Desenvolve-se um estudo de campo, tendo como lócus da pesquisa o Colégio Pedro II,
mas, especificamente, o Centro de Documentação e Memória e a Biblioteca da PROPGPEC.
Para alcançar os objetivos foram realizados levantamento e análise de dados. A revisão da
literatura especializada concentrou-se principalmente em livros, bases de dados e periódicos
científicos nacionais e internacionais, assinaladas na bibliografia. Para o levantamento do
percurso histórico do Colégio Pedro II foram consultados documentos institucionais
pertencentes aos setores do Centro, a saber: Núcleo de Documentação e Memória;
Laboratório de Digitalização do Acervo Histórico; Museu Histórico; Biblioteca Histórica; e,
Coleções Especiais de Professores da Casa. O material coletado constituiu-se uma das fontes
principais para a análise de dados.
Com base na literatura técnica, busca-se para a análise de dados: manuais, normas e
documentos de pesquisa produzidos no país e no exterior - analisam-se as experiências e
modelos de repositórios institucionais e suas opções técnicas, tecnológicas e gerenciais. Da
mesma maneira são analisados os padrões e os protocolos abertos oferecidos pelas áreas da
Ciência da Informação, Tecnologia de Informação, Biblioteconomia e Arquivologia.

5 Diretrizes para a implantação de um repositório no Colégio Pedro II
A implantação de um repositório institucional no Colégio Pedro II pode contribuir para
a preservação da memória institucional, assim como aumentar a visibilidade e a transparência
das ações lá realizadas, beneficiando diversos usuários de todo o país. Dessa forma, o
repositório institucional facilitará o acesso e o uso das informações, aumentando o
intercâmbio e a cooperação dos usuários envolvidos. O estabelecimento de repositórios
institucionais é o reconhecimento que a vida intelectual e acadêmica de uma instituição será
progressivamente representada, documentada, e compartilhada de forma digital.
A seleção dos critérios apontados neste tópico pautou-se nas diretrizes estabelecidas
por Tomael (2007) em seu trabalho intitulado: “Repositórios institucionais: diretrizes para
políticas de informação”.

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A gestão e a administração de repositórios institucionais deve ser um projeto em
colaboração entre diversas unidades de uma instituição, que reúna especialistas e esforços de
várias unidades, com representação de toda a instituição. Westell (2006) considera necessário
que as responsabilidades sejam divididas. Para isso, enfatiza que é essencial a participação de
um grupo com distintas competências e influência na instituição. Em condições ideais, a
equipe de um projeto de repositório institucional, para Gibbons (2004), deve incluir pessoas
com uma grande variedade de especialidades, tais como: preservação digital; metadados;
usabilidade; design gráfico; marketing; relações públicas; propriedade intelectual; e
tecnologia da informação. Não se pode excluir a representação de todos os segmentos do
grupo de usuários: alunos, professores, pesquisadores e pessoal técnico. As responsabilidades
dos bibliotecários no âmbito dos repositórios institucionais estão fundamentadas na produção
de metadados e na atuação como agentes, com o propósito de assegurar o controle da
qualidade dos registros produzidos, atendendo a padrões internacionais. A organização e
manutenção de conteúdo digital, especialmente aquele apresentado por autores da instituição,
é a principal função dos bibliotecários.
O conteúdo de um repositório institucional está diretamente relacionado à comunidade
de usuários que, segundo Gibbons, determina o que deve ser depositado e tem a
responsabilidade de fazer o depósito – auto-arquivamento – bem como determinar a
amplitude de cobertura ou o âmbito do repositório (assunto/disciplina). Os membros dessa
comunidade são também autores e proprietários dos direitos autorais do conteúdo. O conteúdo
de um repositório institucional reflete ou demonstra o conhecimento, a pesquisa e o interesse
de uma organização. Antes de tudo, o conteúdo de um repositório institucional destina-se ao
compartilhamento. Tão importante quanto o conteúdo é a definição sobre os objetos digitais
que poderão ser armazenados (formatos: doc, pdf, html, jpeg, gif, mpeg). Para tanto, a
ferramenta de tecnologia de informação adotada e sua customização são fatores
determinantes.
O acesso pode diversificar em grandes proporções, assumindo vários níveis, desde o
acesso limitado aos membros de um mesmo departamento, até o que alcança pesquisadores do
mundo inteiro.
As diretrizes relativas aos aspectos legais representam grande desafio para o gestor do
repositório institucional porque devem abarcar questões relativas a licença de softwares,
licença para publicação e propriedade intelectual, o que tange sem dúvida na política de
distribuição. Por tratar-se de iniciativa de acesso livre, todos os trabalhos depositados em um
repositório institucional devem continuar sendo propriedade dos autores. Dessa forma, cabe
aos autores a responsabilidade sobre o que é submetido e a decisão sobre quais conteúdos
poderão ser acessados ou não, garantindo assim sua propriedade intelectual. Como os
repositórios institucionais adotam, na maioria das vezes, o autoarquivamento pelos próprios
autores, é uma boa política solicitar que eles assinem uma licença (nonexclusive licence) que
conceda ao repositório, permissão para depositar, distribuir e preservar materiais do
repositório.
A adoção de padrões para repositórios institucionais é fundamental para definição do
grau de interoperabilidade e de outros aspectos a serem implementados, uma vez que há uma
diversidade de recursos comprometidos com o desenvolvimento e aplicação de padrões de
metadados, estratégia de open access, conexões e uma cuidadosa gestão para preservação, que
assegure que importantes ativos de conhecimento digital serão protegidos e acessíveis para
futuras gerações.
As estratégias para preservação de objetos digitais representam um aspecto
indispensável da política para repositórios. A preservação, de modo geral, toca em pontos
muito caros à sociedade, especialmente a preservação dos conteúdos intelectuais das obras.
Mas a preservação digital não se atém ou não significa somente preservação de conteúdo,

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porque, para que o conteúdo intelectual seja preservado é preciso considerar também a
preservação física com foco nas mídias, e a preservação lógica que foca os formatos, aspectos
dependentes do hardware e do software.
Um repositório institucional necessita de suporte financeiro para garantir sua
integridade e sustentabilidade. Sem o comprometimento institucional com o projeto, os custos
e as responsabilidades com um repositório institucional, serão, provavelmente, muito grandes,
inviabilizando que um departamento ou unidade possam sustentá-los. Para assegurar a
sustentabilidade é indispensável o apoio da alta administração da instituição e, como qualquer
outra iniciativa institucional, os objetivos do repositório devem estar alinhados com o
planejamento acadêmico institucional.

6 Resultados Parciais
Por se tratar de um projeto ainda em implantação, alguns resultados obtidos são
passíveis de alteração e/ou complementação. Nesta primeira fase, pretende-se instalar o
Software DSpace em servidor com espaço suficiente para suportar o sistema e o
armazenamento dos objetos, com segurança de acesso às informações e fluxo estruturado de
backup, garantido por suporte técnico; customizar a interface de pesquisa com a identidade
visual da comunidade escolar do Colégio Pedro II; testar, no repositório, documentos de todas
as coleções (imagens, áudios, vídeos, textos), para que seja possível obter uma primeira
avaliação e realizar os ajustes necessários; definir e configurar os metadados e a forma de
apresentação, para cada tipo de material; digitalizar o material impresso, como fotografias e
documentos antigos; testar a catalogação e a submissão dos arquivos para validar os
metadados definidos e certificar a recuperação dos registros; elaborar um manual de
catalogação, para uso dos responsáveis pela submissão e validação dos registros a serem
cadastrados no repositório; elaborar o termo de autorização dos autores para a publicação dos
documentos; apresentar o repositório para o Colégio Pedro II, após o registro dos primeiros
itens cadastrados para cada coleção. Contando com o comprometimento de toda a equipe de
trabalho para o cadastramento dos materiais, espera-se, em uma segunda fase, a total
consolidação do repositório, tornando-se assim, a principal fonte de consulta e pesquisa da
história da educação pública federal.

7 Considerações Finais
Fundado no período regencial brasileiro, o Colégio Pedro II integrava um projeto
civilizatório mais amplo do Império no Brasil, do qual faziam parte a fundação do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro e o Arquivo Nacional. Foi o primeiro a ministrar ensino
secundário no Brasil e designado como colégio padrão na educação oficial no Município da
Corte. Serviu de modelo para aulas avulsas, liceus e outras instituições particulares de ensino.
“Os critérios do saber erudito que configuram o perfil do Imperial Colégio refletiam o sistema
de valores da sociedade da época e o ‘lugar’ da educação no projeto de construção do
Estado/Nação.” (COLÉGIO PEDRO II, 2000, p.24, grifo do autor).
A memória histórico-institucional do Colégio Pedro II se constituiu a partir dos vários
acontecimentos que marcaram sua trajetória, e nos revela costumes e tradições que passaram a
fazer parte da memória nacional.
Podemos considerar, ainda, que parcela significativa da memória histórico-institucional
se constituiu a partir dos testemunhos de alunos, professores e funcionários, autores que
escreveram sobre o papel de destaque assumido pelo Colégio, em muitos momentos, de forma

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singular. Entre memórias individuais e coletivas, o Colégio Pedro II revive sua história e se
reafirma como lugar de memória (ANDRADE, 1999).
Assim, levando-se em consideração a necessidade de preservar esse vasto material de
pesquisa, optou-se por implementar um repositório institucional no Colégio Pedro II. Tal
iniciativa, ainda em estudo, deve ser realizada com base em diretrizes detalhadamente
delineadas e estruturadas, constituindo assim a política de informação institucional.
No caso do repositório institucional, é imprescindível que essa política seja muito
bem explicitada porque sua implantação envolve grandes mudanças na forma como a
pesquisa é disseminada, publicada e preservada. Portanto, por dar nova configuração ao
ambiente da comunicação científica, os repositórios institucionais devem facilitar o
armazenamento e a disseminação do material armazenado de forma a otimizar o seu acesso,
permitindo a preservação e a divulgação, através dos arquivos digitais, a produção científica
ou documental de uma instituição.
O trabalho realizado até o momento tem caráter piloto, ou seja, ainda está sendo
debatido com a equipe, por meio de reuniões mensais. As ações e os desafios são muitos. Se
não houver a participação de toda a comunidade escolar, esse projeto não será consolidado. A
união faz a força, já dizia o ditado, e assim, esperamos de todos os setores administrativos e
acadêmicos sua participação e colaboração para o sucesso desta empreitada.

Referências
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Garcindo de Sá. Rio de Janeiro, 1999. Tese (Doutorado em História Social) – Instituto de
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente artigo apresenta um estudo sobre Política Institucional de Informação voltado às questões concernentes ao planejamento e a implementação de repositório institucional para preservação e acesso a produção científica em longo prazo. Discorre inicialmente sobre o conceito e funcionalidades de repositórios institucionais. Trata-se de uma abordagem teórico-conceitual sobre Políticas Públicas de Informação para abarcar o campo de estudos das Políticas Institucionais de Informação. Destaca o Colégio Pedro II, instituição tradicional de ensino público brasileira, que ao longo dos seus 179 anos de existência, produziu e mantém preservados acervos de importância histórica e institucional para o país e para a sociedade em guarda nas suas unidades de pesquisa: Centro de Documentação e Memória e Biblioteca de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura. Aponta a necessidade de se preservar e tornar público suas experiências e atividades de ensino, bem como promover o acesso aos trabalhos intelectuais desenvolvidos pela comunidade de pesquisadores, alunos e servidores. Conclui o presente estudo com uma breve reflexão sobre os aspectos que devem ser considerados para a implantação dos repositórios institucionais nesta instituição de ensino, de forma a estabelecer um novo parâmetro para a comunicação científica. Esse novo parâmetro deve trazer não apenas visibilidade no meio institucional, mas também uma nova concepção do fazer científico. </text>
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                    <text>PLANEJAMENTO DA AVALIAÇÃO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS DO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
CEARÁ

Francisco Edvander Pires Santos (UFC) - edvanderpires@gmail.com
Francisco Jonatan Soares (UFC) - fjonatan.soares@gmail.com
Izabel Lima dos Santos (UFC) - zbel.lima@gmail.com
Juliana Soares Lima (UFC) - juliana.lima@ufc.br
Resumo:
Aborda o processo de planejamento e elaboração da avaliação dos produtos e serviços
oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. Apresenta o
referencial teórico que embasou o desenvolvimento das atividades. Metodologicamente, o
trabalho faz uso de pesquisa bibliográfica, documental e observação participante. Expõe e
discute as etapas do processo de construção do questionário de pesquisa a fim de frisar o uso
dessa ferramenta simultaneamente enquanto instrumento de avaliação e de marketing dos
produtos e serviços da biblioteca. Apresenta e descreve a estrutura de cada dimensão que
compõe o questionário, bem como os motivos dessa estruturação. Destaca as inter-relações
entre as dimensões adotadas no instrumento de pesquisa e os documentos normativos
relacionados às bibliotecas universitárias. Indica possibilidades de cruzamento, análise e uso
dos dados que serão coletados na aplicação da pesquisa de avaliação. Finaliza apresentando
as impressões iniciais obtidas na coleta de dados e reforçando a importância desse tipo de
processo avaliativo.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Avaliação - serviços de biblioteca. Marketing da
informação. Estudos de usuários. Métodos de pesquisa e análise.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

PLANEJAMENTO DA AVALIAÇÃO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS DO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
CEARÁ
Francisco Edvander Pires Santos
Bibliotecário da Biblioteca do Curso de Física da Universidade Federal do Ceará
Especialista em Gestão de Documentos e Informações
edvanderpires@gmail.com
Francisco Jonatan Soares
Diretor do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará
Mestre em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior
jonatan@ufc.br
Izabel Lima dos Santos
Bibliotecária da Biblioteca da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e
Contabilidade da Universidade Federal do Ceará
Graduação em Biblioteconomia
zbel.lima@gmail.com
Juliana Soares Lima
Bibliotecária da Biblioteca de Ciências Humanas da Universidade Federal do Ceará
Graduação em Biblioteconomia
juliana.lima@ufc.br

RESUMO
Aborda o processo de planejamento e elaboração da avaliação dos produtos e serviços
oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. Apresenta o
referencial teórico que embasou o desenvolvimento das atividades. Metodologicamente, o
trabalho faz uso de pesquisa bibliográfica, documental e observação participante. Expõe e
discute as etapas do processo de construção do questionário de pesquisa a fim de frisar o uso
dessa ferramenta simultaneamente enquanto instrumento de avaliação e de marketing dos
produtos e serviços da biblioteca. Apresenta e descreve a estrutura de cada dimensão que
compõe o questionário, bem como os motivos dessa estruturação. Destaca as inter-relações
entre as dimensões adotadas no instrumento de pesquisa e os documentos normativos
relacionados às bibliotecas universitárias. Indica possibilidades de cruzamento, análise e uso
dos dados que serão coletados na aplicação da pesquisa de avaliação. Finaliza apresentando as
impressões iniciais obtidas na coleta de dados e reforçando a importância desse tipo de
processo avaliativo.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Avaliação - serviços de biblioteca. Marketing da
informação. Estudos de usuários. Métodos de pesquisa e análise.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ABSTRACT
This paper approaches the planning and preparation process of the evaluation of products and
services offered by the Academic Library at the Federal University of Ceará. It presents the
theoretical concepts that based the development of those activities. As scientific methods, it
was chosen documental and bibliographic research and also the participant observation. After
that it presents and discusses the stages of planning and finishing the questionnaire, which
was used to carry that evaluation out, focusing on its structure as a research, evaluation and
marketing tool, simultaneously. In this respect, each division of that questionnaire was
explained based on why each one of that was chosen, mainly through the analysis of
institutional documents about evaluation in academic libraries. Finally, this study presents
some possibilities to analyze, compare and use the data which will be collected from that
evaluation, which has been considered so important to academic libraries.
Keywords: Academic libraries. Evaluation - library services. Marketing. User studies.
Analysis and research methods.

1 Introdução
As bibliotecas universitárias têm demonstrado crescente preocupação com a qualidade
dos produtos e serviços por elas ofertados. Essa preocupação se reflete na realização de
avaliações, que têm os mais diferentes pontos de referência. Dentre os referenciais adotados,
avaliar a visão que a comunidade de usuários tem dos produtos e serviços informacionais
disponibilizados se mostra um dos mais férteis meios para obter dados que fomentem a
autocrítica e a criatividade dos profissionais e das instituições. Nesse sentido, o trabalho na
linha de frente do atendimento, em contato direto com o usuário, com suas necessidades e
demandas, possibilitou pensar numa forma de avaliação que contemplasse as principais
dificuldades e exigências do usuário no que se refere ao contato com os produtos e serviços
oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas/Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal
do Ceará (UFC).
Segundo Almeida (1995, p. 45), “avaliar é uma forma de restabelecer compromissos
com a sociedade”, então, ao realizarem avaliações pautadas na visão dos usuários, as
bibliotecas universitárias, especialmente se estiverem inseridas em instituições públicas,
ganham duplamente nesse processo, pois tanto obtêm dados para subsidiar seu
desenvolvimento quanto sinalizam para a comunidade que estão interessadas em atender as
suas demandas, reforçando, assim, o relacionamento biblioteca-usuário.
Nesse contexto, este trabalho foi desenvolvido tendo como base a etapa de
planejamento da terceira pesquisa de avaliação dos produtos e serviços oferecidos pelo
Sistema de Bibliotecas da UFC. Essa avaliação tem sido uma das metas a serem alcançadas
pela Comissão de Serviços e Comissão de Acessibilidade da BU. Há, ainda, a parceria
firmada com o Laboratório de Estatística e Matemática Aplicada (LEMA) da UFC por meio
das consultorias na etapa de estruturação e definição do leiaute do questionário, assim como
irá ocorrer na etapa de análise dos dados e composição do relatório final de avaliação.
Portanto, este trabalho tem como objetivo compartilhar algumas das experiências no
planejamento dessa avaliação, bem como discutir cada uma das dimensões que foram levadas
em consideração na estruturação do questionário.

2 Referencial teórico
O principal embasamento dessa avaliação foi o marketing de serviços (LAS CASAS,

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2012), tendo em vista a necessidade de divulgação dos produtos e serviços oferecidos pelo
Sistema de Bibliotecas da UFC. Las Casas (2012, p. 24) destaca que “existem necessidades
essenciais incluídas em cada serviço que devem ser identificadas pelos profissionais”.
Voltando a atenção para o cenário das bibliotecas universitárias, entende-se que essa definição
pode ser colocada em prática por meio da avaliação do nível de satisfação dos usuários e da
qualidade dos produtos e serviços oferecidos pela biblioteca, bem como por meio da
identificação das necessidades de informação da comunidade acadêmica e do que precisa ser
mais divulgado.
Marques (2014) aborda os novos paradigmas da avaliação: da visão centrada no
sistema à visão orientada para o mercado, ou seja, para as reais necessidades e opiniões dos
usuários, agregando valor ao que a biblioteca universitária almeja definir como avaliação ou
como instrumentos gerenciais que norteiam as tomadas de decisão, dentre relatórios,
documentos normativos, metas etc. A autora considera que:
[...] o sucesso da gestão das organizações do novo milénio está imbricado na sua
capacidade de partilha democrática do poder [na medida em que opinamos sobre um
determinado produto ou serviço] com aqueles que são a grande razão da sua
existência – os clientes [...] Introduz-se assim o conceito de qualidade total das
organizações estabelecida em conformidade com as especificações dos utilizadores,
a partir daqui entendidos como clientes [e/ou usuários], isto é, como únicos juízes da
qualidade dos produtos e/ou serviços das organizações. Nesta perspetiva, a avaliação
centrada no sistema traduzir-se-á num mero exercício teórico que, a médio ou longo
prazo, se transformará num balão de oxigénio para a organização, a qual verá
ameaçada a sua existência, devido à ausência efetiva de uma estratégia concertada,
entre o valor da oferta e a procura do cliente. Esta nova visão do objeto da avaliação
concebe a qualidade das organizações em função da sua capacidade para satisfazer
as necessidades dos seus clientes [...] e o Marketing como a ferramenta que as vai
ajudar nesta tarefa, ao permitir estudar essas necessidades e contribuir
substancialmente para a sua medição através do conhecimento das suas atitudes e
comportamentos. (MARQUES, 2014, p. 124-125, grifo da autora).

A referida autora também enfatiza a medição da qualidade e a medição da satisfação,
no sentido de que a avaliação da qualidade e a avaliação da satisfação se complementam, ao
mesmo tempo em que se alternam entre si, levando-se em consideração os seus respectivos
percursos, visando avaliar o desempenho das organizações como um todo.
Além disso, os conceitos de “eficácia” e de “qualidade”, aplicados ao contexto das
bibliotecas universitárias, embasaram o delineamento de cada uma das questões que
compõem o questionário de avaliação da BU. De acordo com Maximiano (2009, p. 74-75),
Eficácia é o conceito de desempenho que envolve a comparação entre objetivos
(desempenho esperado) e resultados (desempenho realizado). Eficácia significa o
grau ou taxa de realização dos objetivos finais da organização [...] Quando a eficácia
é considerada, a definição de qualidade se amplia. A inclusão do cliente [ou usuário]
na definição da qualidade torna-se prioritária [...] Qualidade, quando se pensa no
cliente [ou usuário], significa fornecer o produto ou serviço certo, que atende a
necessidades específicas [sejam elas pontuais ou não] [...]

Nesse sentido, o autor destaca a satisfação dos clientes (entenda-se dos usuários) como
um dos importantes indicadores de desempenho final da organização, trazendo para o centro
da nossa discussão, desempenho final das bibliotecas universitárias, indo diretamente ao
encontro da nossa proposta de mensurar o grau de satisfação dos usuários acerca de
determinados produtos e serviços oferecidos pela BU.
No tocante à avaliação, atualmente, no âmbito das bibliotecas universitárias, dentre
vários documentos normativos, existe o instrumento de avaliação de cursos de graduação

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presencial e a distância do Ministério da Educação (MEC). O próprio documento que norteia
as avaliações divide em dimensões cada um dos indicadores/requisitos/critérios de análise
adotados pelo MEC, e a dimensão correspondente à avaliação na biblioteca é a de
INFRAESTRUTURA, na qual constam como indicadores as bibliografias básica e
complementar (BRASIL, 2015a, p. 30-32), cujos critérios de análise focam na quantidade de
exemplares, portanto, dados relativos à composição do acervo.
Contudo, quanto à necessidade de avaliação em bibliotecas universitárias, Bezerra
(2010, p. 9) reforça que a avaliação deve ir além das dimensões acervo e infraestrutura,
contemplando também outras dimensões e indicadores que merecem a devida atenção da
gestão da biblioteca. Há ainda o instrumento do MEC que norteia os atos de credenciamento,
recredenciamento e transformação da organização acadêmica, no qual a biblioteca é avaliada
mais amplamente, pois, além da infraestrutura física e da existência de um plano de
atualização do acervo, são levados em consideração também os recursos e serviços online
(BRASIL, 2014, p. 26-27).

3 Procedimentos metodológicos
Os procedimentos metodológicos adotados para este trabalho foram os mesmos que
embasaram o planejamento da pesquisa de avaliação do Sistema de Bibliotecas da UFC:
pesquisa bibliográfica e documental e observação participante.
No que se refere à pesquisa bibliográfica, a mesma teve por base, principalmente, os
trabalhos de Accart (2012), Bezerra (2010), Góis (2009), Las Casas (2012), Lubisco (2011),
Marques (2014) e Maximiano (2009), considerando que os trabalhos de Bezerra (2010) e Góis
(2009) foram usados por apresentarem dados de avaliações realizadas anteriormente no
âmbito da BU. Já a pesquisa documental teve por base a análise dos resultados da segunda
aplicação da pesquisa, realizada no ano de 2012 (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ,
2014). Essa análise foi realizada com foco na estrutura do questionário, então utilizado, e na
tabela de recomendações gerada a partir dos resultados obtidos. Além disso, também foram
consultados os instrumentos de avaliação do MEC (BRASIL, 2002, 2014, 2015a, 2015b),
com destaque para os aspectos referentes à biblioteca, presentes no Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Superior (SINAES).
O dia a dia na linha de frente do atendimento possibilitou recorrer à observação
participante como mais um procedimento de pesquisa, na medida em que foram constatadas
as principais dificuldades e exigências dos usuários acerca dos produtos e serviços oferecidos
pela BU. Nesse sentido, Cunha (1982, p. 13) define a observação participante como sendo:
“[...] aquela em que um participante vai captando os acontecimentos fazendo o papel de um
repórter, sem, entretanto, participar ou influir no fluxo dos acontecimentos [...] Permite o
registro dos acontecimentos simultaneamente com a sua ocorrência espontânea [...]”.
Foi a partir desse levantamento que se optou por dividir o questionário em dimensões.
Após os ajustes, o instrumento de pesquisa ficou dividido em 65 questões, entre abertas e
fechadas, que foram divididas em sete dimensões: Serviços e Recursos online, Atendimento,
Normalização de Trabalhos Acadêmicos, Educação de Usuários, Acervo, Infraestrutura e
Acessibilidade. Além dessas dimensões, o questionário contém espaço denominado
Informações Iniciais, dedicado à coleta de dados básicos sobre os respondentes, e outro
denominado Informações Finais, dedicado à coleta de dados sobre a experiência dos
participantes ao responderem o questionário. Essas dimensões acabaram por refletir, na
verdade, cada uma das comissões especializadas de estudo da BU, conforme a figura a seguir:

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Figura 1 – Comissões especializadas de estudo da Biblioteca Universitária da UFC.

Fonte: Comissão de Serviços BU (2015).

Dentre essas comissões, a Comissão de Serviços é a responsável pelo planejamento e
execução da terceira pesquisa de avaliação dos produtos e serviços oferecidos pela BU. Para
tanto, fez-se necessário entrar em contato com a Comissão de Educação e Usuários, visando
conhecer as estratégias de avaliação utilizadas por esta comissão para avaliar as ações de
educação de usuários, e com a Comissão de Acessibilidade, com a qual a interação foi maior,
pois esta comissão contribuiu para a elaboração e avaliação das questões que compõem a
dimensão de Acessibilidade do questionário, principalmente quanto à avaliação dos níveis de
acessibilidade (legibilidade do mesmo por leitores de tela usados por deficientes visuais) do
questionário em si e à viabilização da tradução do conteúdo de cada uma das dimensões para
a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), contando com o apoio da Secretaria de
Acessibilidade UFC Inclui.
Outro setor da universidade consultado foi o LEMA, desde a etapa inicial de
planejamento, onde foi discutida em conjunto a abrangência da avaliação na estruturação do
questionário, com opiniões dadas pelos professores coordenadores do laboratório (que
contribuíram na escolha do leiaute, das opções de resposta e da escala para análise), pelos
bolsistas (que acabaram por representar os discentes da universidade) e pelos bibliotecários da
Comissão de Serviços (que estiveram à frente do planejamento e da execução da pesquisa).
Nessas consultorias, os professores do laboratório orientaram quanto à estruturação de um
questionário voltado para a análise quantitativa, enquanto que os bolsistas opinaram na
escolha da linguagem do questionário, mais especificamente sem termos técnicos, enxuta e
direta. Por outro lado, coube à Comissão de Serviços estruturar as questões para a análise
qualitativa, denotando o alinhamento com a divulgação dos produtos e serviços, por meio de
uma questão que traz um rol do que a BU oferta, com a avaliação do nível de satisfação dos
usuários e da qualidade dos produtos e serviços, bem como a identificação das necessidades
de informação da comunidade acadêmica e do que precisa ser mais divulgado (objetivos da
pesquisa).
Após o fechamento definitivo do questionário, passou-se para a primeira fase de préteste, realizada com a Comissão de Acessibilidade. A segunda etapa de pré-teste foi realizada
em reuniões com a Direção da BU, e a terceira com discentes dos cursos de Estatística e
Matemática Industrial da UFC. Por fim, houve a inclusão dos vídeos em LIBRAS para o
fechamento definitivo do questionário e efetiva aplicação da pesquisa, com o link de acesso
ao questionário disponibilizado pelo período de um mês para acesso da comunidade
universitária. Além dos canais oficiais de comunicação da BU, tais como site da biblioteca,

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página inicial do catálogo online e Facebook institucional, houve notificações enviadas
estrategicamente por e-mail à comunidade acadêmica, além do apoio da Coordenadoria de
Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC, que divulgou o questionário no portal
da universidade e em seus canais de comunicação, a partir dos quais observamos um maior
alcance na divulgação.

4 Estruturação do questionário de avaliação
Desde a primeira etapa de planejamento da avaliação, foi preocupação da Comissão de
Serviços a estruturação de um questionário voltado para o marketing de serviços, tendo em
vista, principalmente, os resultados obtidos na pesquisa anterior, que apontaram uma certa
“lacuna” na divulgação dos serviços, ao mesmo tempo em que fora recomendada a
intensificação da divulgação. Além disso, foi de extrema importância estruturar o questionário
com base na prática do serviço de referência, pois estar frente a frente com o usuário
possibilitou identificar algumas de suas reais necessidades de informação, bem como dúvidas
e principais dificuldades ao recorrer aos produtos e serviços oferecidos pela BU.
Partindo do pressuposto e do consenso de que todos os produtos e serviços oferecidos
pela biblioteca poderiam ser considerados como importantes para os usuários, descartamos a
utilização da escala que mede o grau de importância das variáveis em avaliação. Recorremos,
então, apenas à escala que mede o nível de satisfação do usuário, com notas atribuídas de 1 a
5 (Escala de Likert), que foram definidas com base nos seguintes conceitos: 1 – Ruim; 2 –
Regular; 3 – Bom; 4 – Ótimo; 5 – Excelente.
Optou-se também por fazer do questionário um instrumento de marketing, na medida
em que foram formuladas questões sobre os canais de divulgação e o rol dos produtos e
serviços. Objetivou-se avaliar o alcance dos produtos e serviços por meio de uma questão
específica que versa sobre qual(is) dos canais de divulgação utilizados pela BU o usuário
melhor identifica a divulgação, dentre o site da biblioteca, a página inicial do catálogo online,
as mídias sociais existentes e as notificações enviadas por e-mail. Aliado a isso, foram
listados, numa outra questão, os principais produtos e serviços oferecidos, visando saber do
usuário qual(is) daqueles produtos e/ou serviços ele mais utiliza.
Ao mesmo tempo em que o usuário irá registrar a sua opinião acerca de cada questão,
a intenção também é aguçar a sua curiosidade acerca do produto ou serviço em questão. Há,
nesse sentido, a possibilidade de se gerarem novas demandas e/ou interpretações por parte do
usuário, ao listar o rol de produtos e serviços, bem como de provavelmente o usuário
desconhecer tal produto ou serviço e, portanto, não ser ou não se sentir capaz de opinar,
assim, de uma forma ou de outra, o objetivo de divulgar um determinado produto ou serviço
será alcançado. Contudo, algumas das dimensões são perfeitamente passíveis de avaliação por
parte do usuário, tais como Atendimento, Educação de Usuários, Acervo etc.
As nove primeiras perguntas do questionário visam traçar um perfil básico dos
respondentes. Elas permitirão identificar o vínculo institucional dos respondentes, quais deles
se declararam pessoas com deficiência e quais bibliotecas, produtos e serviços eles utilizam.
As demais questões foram divididas em sete dimensões: Serviços e Recursos online;
Atendimento; Normalização de Trabalhos Acadêmicos; Educação de Usuários; Acervo;
Infraestrutura e Acessibilidade. Ao fim do questionário, há três questões destinadas à
avaliação do instrumento de pesquisa. As dimensões nas quais o questionário está dividido
não possuem número fixo e/ou uniforme de perguntas, adequando-se, assim, às peculiaridades
e necessidades avaliativas de cada aspecto do Sistema de Bibliotecas da UFC.

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4.1 Serviços online e educação de usuários
Os serviços são constituídos por uma série de atividades e recursos cuja definição nem
sempre é simples de traçar. Entretanto, eles tendem a possuir algumas características comuns.
Todos os tipos de serviços – e não somente os oferecidos por unidades de informação – são
intangíveis, inseparáveis, heterogêneos, simultâneos e perecíveis. Intangíveis porque neles
não se pode tocar; inseparáveis porque sua produção e consumo ocorrem simultaneamente;
heterogêneos porque o prestador do serviço e/ou as exigências dos usuários causam mudanças
na prestação e percepção acerca do serviço utilizado; perecíveis, pois o processo de prestação
e consumo de um serviço ocorre simultaneamente (LAS CASAS, 2012).
No contexto específico das bibliotecas universitárias, um importante documento que
estabelece padrões mínimos referentes aos serviços prestados pela biblioteca é o Manual de
verificação in loco das condições institucionais, elaborado pelo MEC (BRASIL, 2002). No
indicador 4.2.3 do referido documento, são elencados os serviços presenciais e online que
uma biblioteca universitária deve oferecer à sua comunidade, e, como será possível observar
no quadro a seguir, esses serviços exigidos fazem referência a ações desempenhadas tanto no
plano digital quanto no analógico:
Quadro 1 – Serviços – definições.

Fonte: (BRASIL, 2002, p. 60-61).

Tendo em vista a aplicação desta pesquisa, foram inseridas questões referentes à
avaliação de recursos e ferramentas online disponibilizados pelo Sistema de Bibliotecas da
UFC, primeira dimensão a ser avaliada pelos respondentes. Nem todos os itens avaliados são
produzidos pela biblioteca, mas todos integram o rol de recursos informacionais, cuja oferta e
disseminação estão na base de atuação da biblioteca enquanto instituição, que visa fornecer
suporte às atividades educacionais, científicas, tecnológicas e culturais desenvolvidas na
universidade.
As oito questões – sendo sete de múltipla escolha e uma aberta, destinada a
comentários – integrantes dessa dimensão no questionário de avaliação fazem referência ao

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site da biblioteca, às notificações enviadas pelo sistema de gerenciamento adotado pela
instituição, ao catálogo online, ao Portal de Periódicos da CAPES, à Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações e ao Repositório Institucional da UFC. Objetivou-se, com a inserção
dessas questões, primeiramente identificar o nível de conhecimento que a comunidade
acadêmica possui acerca dos serviços oferecidos pela BU. Ademais, pretende-se identificar o
nível de satisfação com cada um dos serviços online oferecidos, por isso optou-se pela
definição de questões voltadas para cada um deles.
Ao comparar as questões do questionário com o manual elaborado pelo MEC
(BRASIL, 2002, p. 60-61), é perceptível que essa dimensão focou principalmente na
avaliação do que é exigido pelo item E, que aborda a necessidade da existência de serviços de
consulta a bases de dados. Além disso, também foram considerados para avaliação o conteúdo
da página institucional da BU na Internet e o recebimento das notificações automáticas
(comprovantes de empréstimo e devolução, material em atraso e liberação de reserva)
enviadas pelo sistema adotado pelo Sistema de Bibliotecas da UFC. É impossível dissociar os
serviços oferecidos pela BU da educação de usuários, um dos “carros-chefe” do serviço de
referência. Por isso, definiram-se questões para compor essa dimensão de avaliação.
A educação de usuários possui elevada abrangência, consistindo numa série de
atividades e ferramentas “[...] que vão desde a instrução, o treinamento, a apresentação de
interfaces amigáveis, o marketing, a divulgação de artigos e reportagens, manuais, tours,
cursos de acesso a bases de dados, até a orientação bibliográfica.” (DUDZIAK; GABRIEL;
VILLELA, 2000, p. 8). No Sistema de Bibliotecas da UFC essas atividades são coordenadas
pela Comissão de Educação de Usuários e realizadas tanto periodicamente, a partir de
calendário de treinamentos anual, quanto a partir de demandas específicas da comunidade
acadêmica. Além dos treinamentos, a Comissão disponibiliza no site da BU tutoriais
referentes aos principais recursos informacionais disponibilizados pela instituição. As cinco
questões – quatro de múltipla escolha e uma aberta, destinada a comentários – que foram
definidas para o questionário visam identificar o nível de conhecimento e participação da
comunidade acadêmica nas ações de educação de usuários, bem como a satisfação dos
mesmos com as ações das quais haviam participado.
As ações voltadas para a educação de usuários desenvolvidas pela BU têm crescido
em quantidade e em alcance nos últimos anos. Essas atividades são realizadas especificamente
por bibliotecários, uma vez que é esse profissional o mais indicado para guiar o usuário da
BU (discente, docente ou técnico-administrativo em educação) no desenvolvimento de
habilidades de busca e recuperação da informação a curto prazo, bem como na construção de
sua competência em informação a longo prazo. Ressalta-se aqui a atuação do bibliotecário
nesse tocante porque o Manual de visitas in loco das condições institucionais deixa claro que
um dos pontos a ser verificado no tocante à oferta de serviços pela biblioteca é se o pessoal
técnico, dentre eles os bibliotecários, “[...] é suficiente e capacitado para o atendimento aos
alunos do curso [...]” (BRASIL, 2002, p. 60).
Outros aspectos importantes e relevantes a serem destacados são a relação e a
influência que as atividades de educação de usuários têm no processo de divulgação e adoção
pela comunidade de usuários dos serviços oferecidos pela biblioteca. Isso ocorre porque
muitas dessas atividades são voltadas para o treinamento visando à capacitação para o uso de
bases de dados especializadas – e também para aspectos de normalização de trabalhos
acadêmicos –, que são alguns dos serviços tidos como essenciais nas bibliotecas
universitárias. Essa relação de proximidade e suporte demonstra como, mesmo dividido em
dimensões, o questionário não excluiu os vínculos existentes entre os múltiplos aspectos que
constituem a BU, assim como retrata, sobretudo, os processos de inter-relação existentes entre
os produtos e serviços por ela oferecidos.

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4.2 Atendimento e normalização de trabalhos acadêmicos
Se a educação de usuários pode ser considerada um dos “carros-chefe” do serviço de
referência, o atendimento é a “alma do negócio”. De acordo com Accart (2012, p. 113, grifo
do autor),
A noção de atendimento ao público é essencial em qualquer instituição, tendo sido
introduzida pela abordagem do marketing adotada no setor privado e comercial, que
coloca o cliente no centro de qualquer estratégia. Aos poucos, o setor público tem
adotado esse caminho, e, por conseguinte, o mundo das bibliotecas e dos
profissionais da informação. O usuário é considerado, portanto, como um
elemento fundamental da política global da instituição, sendo colocado no seu
centro: discussões, estudos [dentre pesquisas de avaliação] e consultorias permitem
melhor focar suas necessidades.

Foi nessa perspectiva que foram definidas as 10 questões – sendo nove de múltipla
escolha e uma aberta, destinada a comentários – que compõem a dimensão Atendimento do
questionário. Dentre os indicadores levados em consideração estão: o horário de
funcionamento das bibliotecas, a cordialidade e empatia por parte dos servidores responsáveis
pelo atendimento, a necessidade, ou não, de auxílio dos referidos servidores no momento da
pesquisa, o atendimento, ou não, por parte de um bibliotecário, o atendimento de comutação
bibliográfica (COMUT) e a emissão de declaração de nada consta.
Ao comparar as questões do questionário com o manual elaborado pelo MEC
(BRASIL, 2002, p. 60-61), percebe-se que essa dimensão se adéqua às exigências do item G,
que aborda a existência de pessoal para cobrir o horário de funcionamento da biblioteca, bem
como em atender de acordo com o perfil de cada serviço oferecido. Com base nos resultados a
serem obtidos, acredita-se ser possível a elaboração de um manual de padronização de
atendimento no Sistema de Bibliotecas da UFC e a educação continuada sobre as boas
maneiras em atendimento ao público, bem como ratificar a importância de haver sempre um
bibliotecário na linha de frente, intermediando o contato com o usuário, dando suporte ao
servidor que não possui formação em Biblioteconomia, mas que precisa entender a forma
como se dá a função de referência (ACCART, 2012, p. 113-129).
No que se refere à dimensão sobre a Normalização de Trabalhos Acadêmicos, a
educação de usuários também foi fator determinante na composição das questões. São oito
questões – sendo sete de múltipla escolha e uma aberta, destinada a comentários –, que
contemplam: o acesso a ferramentas de auxílio à normalização de trabalhos acadêmicos,
disponíveis no site da biblioteca (tais como Guia de Normalização de Trabalhos Acadêmicos
da UFC, coleção ABNT e gerenciadores de referências), a indagação se o usuário já recorreu à
orientação nesse sentido em alguma das bibliotecas do Sistema, quais os meios e/ou recursos
que ele utiliza ao realizar o seu levantamento bibliográfico e se já solicitou, ou não, a
elaboração de ficha catalográfica, bem como qual o seu nível de satisfação na eficiência desse
serviço.
As questões elaboradas nessa dimensão vão diretamente ao encontro dos itens H e I do
Manual de visitas in loco das condições institucionais (BRASIL, 2002, p. 60-61), portanto, a
avaliação estará pautada com base em instrumentos normativos que norteiam os serviços
oferecidos pelas bibliotecas universitárias.
4.3 Acervo, infraestrutura e acessibilidade
No contexto relacionado aos bibliotecários que atuam nas Instituições de Ensino
Superior (IES), são conhecidos certos meios de trabalho observados com bastante frequência
nas bibliotecas, inclusive é sabido o fato de que muitas vezes o profissional não está

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preparado, ou sequer possui a devida vivência, a experiência para lidar com o processo de
preparação para receber uma visita do MEC, por exemplo. Por muitas vezes, faz-se necessário
que o bibliotecário conheça e consulte alguns dos principais documentos institucionais
levados em consideração no momento da avaliação, tais como: os instrumentos de avaliação
do MEC, o Projeto Pedagógico de Curso (PPC), as ementas de disciplinas, o Plano de
Desenvolvimento Institucional (PDI), o Projeto Pedagógico Institucional (PPI), a Comissão
Própria de Avaliação (CPA), dentre outros. Ao desconhecer ou ignorar o fato de que essa
documentação é importante para a formação do acervo das bibliotecas universitárias, o
resultado poderá ser catastrófico, sendo necessário até reestruturar e/ou implantar novos
acervos e serviços. Nesse sentido, há situações em que o bibliotecário recebe a tarefa de
analisar o PPC e verificar o que existe ou não na biblioteca em nível de acervo, e, em seguida,
preencher a documentação solicitada pelo MEC.
Uma das grandes novidades e inovação nas atualizações das últimas versões dos
instrumentos de avaliação do MEC é o fato de que antes não se era possível considerar que
livros eletrônicos fizessem parte das bibliografias. Com o novo incentivo, que também
representa vantagens e economia em alguns aspectos, os e-books agora podem ser
considerados como parte das bibliografias básica e complementar, transformando mais ainda a
forma de calcular as quantidades de compras de exemplares, levando em consideração
número de alunos matriculados, vagas ofertadas e cursos que efetivamente utilizam aquele
acervo.
Foi tendo em vista essa realidade que, na dimensão Acervo, foram definidas seis
questões – sendo cinco de múltipla escolha e uma aberta, destinada a comentários – que
levam em consideração a opinião do usuário no que se refere à bibliografia básica e/ou
complementar do seu curso, bem como à quantidade máxima de exemplares emprestados, e
de dias de empréstimo, ao conhecimento, ou não, dos canais de divulgação de novas
aquisições (ferramenta inserida no marketing de serviços) e ao acervo de livros eletrônicos (ebooks). Assim, será possível, após a análise dos dados da pesquisa, comparar os resultados
obtidos (baseados na perspectiva do usuário) com os relatórios emitidos pelo sistema com o
qual trabalhamos e com o estudo de bibliografias realizado pela Divisão de Desenvolvimento
do Acervo (DDA) da BU, visando verificar se estão condizentes, ou não, com os critérios de
avaliação do MEC.
No que está relacionado à infraestrutura e também à acessibilidade, pode-se levar em
consideração as rampas de acesso, elevadores, banheiros para deficientes, balcões de
informação e atendimento e rotas de fuga e saídas de emergência, pois também são pontos
importantes que foram pensados no momento da composição do nosso questionário de
avaliação. No quesito acessibilidade, a NBR 9050 (ASSOCIAÇÃO..., 2015) estabelece
critérios técnicos voltados a mobiliários e espaços externos, ou seja, considerações como: área
de manobra para cadeiras de rodas, inclinações de rampas, utilização de mapa tátil, entre
outros. Trata-se de informações para o desenvolvimento de projetos arquitetônicos, e de
infraestrutura, voltados à acessibilidade.
Com isso, na dimensão Infraestrutura, foram abordados no questionário, por meio de
seis questões – sendo cinco de múltipla escolha e uma aberta, destinada a comentários –, os
seguintes indicadores: climatização, luminosidade, quantidade de mobília, quantidade de
computadores para pesquisa e qualidade da internet sem fio (rede Wi-Fi). Por fim, na
dimensão Acessibilidade, foram considerados: o acesso no entorno e no prédio da biblioteca;
a qualificação, ou não, dos servidores responsáveis pelo atendimento; o conhecimento e a
satisfação quanto ao serviço BU em LIBRAS (disponível no site da biblioteca); com questões
exclusivas de preenchimento para quem se declarou pessoa com deficiência: serviço de
levantamento bibliográfico, digitalização, módulo acessibilidade do catálogo online e a
composição do acervo em formato acessível. Nessa dimensão, foram definidas 10 questões,

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sendo uma aberta, destinada a comentários, quatro destinadas aos usuários que se declararam
com deficiência e cinco destinadas ao público em geral.
Nas informações finais, foram inseridas três questões visando avaliar se, na opinião do
usuário, o questionário contemplou todas as dimensões do Sistema de Bibliotecas da UFC,
bem como avaliar o nível de compreensão do respondente acerca das perguntas e o tempo
gasto nas respostas. Como última questão, há um espaço destinado a comentários, críticas
e/ou sugestões sobre a estrutura do questionário.

5 Considerações finais
Como já esclarecido, a proposta deste trabalho se constituiu em compartilhar o
planejamento da terceira etapa de avaliação dos produtos e serviços oferecidos pelo Sistema
de Bibliotecas da UFC, a qual tem por objetivo identificar os avanços alcançados nos
planejamentos estratégicos realizados pela BU, bem como a implantação das recomendações
advindas das avaliações anteriores.
A fase de planejamento agora avaliada constitui-se numa ferramenta agregadora de
valor antecipado à elaboração do questionário, à sua aplicação e aos seus resultados. Por meio
dela, foi possível identificar as estruturas dos dois questionários anteriores, constatando que as
mesmas tinham que ser agregadas de novas dimensões e questões, tendo em vista o momento
atual dos produtos e serviços ofertados pela BU, muitos deles acrescidos das sugestões
advindas dos resultados encontrados nas avaliações anteriores. Outra decisão estratégica
ocasionada pelo planejamento foi a decisão de usar as redes sociais para aplicação do
questionário, fato este que apresenta uma confirmação da consolidação desse ambiente para o
bom relacionamento da instituição com o usuário.
O fato de dividir o questionário em dimensões também foi agregador de valor oriundo
do planejamento; ainda que tenha ficado um questionário extenso, o mesmo abrangeu todos
os produtos e serviços oferecidos pela BU. Conclui-se, portanto, que o planejamento desta
ação foi de fundamental importância e relevância para o bom êxito da elaboração e aplicação
do questionário, que tem como finalidade a avaliação dos produtos e serviços da BU,
consolidando as decisões e fortalecendo o trabalho colaborativo e prospectivo, com a
possibilidade de aumentar os acertos trazidos por meio da gestão participativa no Sistema de
Bibliotecas da UFC.
A meta inicial da Comissão de Serviços foi a de alcançar 300 respostas, porém, até o
fechamento deste trabalho, que coincidiu com o último dia de aplicação da pesquisa, foi
alcançada a marca de 440 respondentes, dentre alunos, professores e servidores técnicoadministrativos em educação da UFC. No entanto, decidiu-se prorrogar por mais uma semana
o período de aplicação da pesquisa, contabilizando, assim, 475 respostas para a etapa de
análise e interpretação dos dados. De antemão, a Comissão considera como bem-sucedida a
etapa da coleta das respostas, dada a extensão do questionário de pesquisa (65 questões), que,
nesse primeiro momento, visa ao mapeamento em nível macro para passar, então, a trabalhar
estrategicamente com os níveis de especificidade dos produtos e serviços nas próximas
avaliações. A análise dos dados ficará a cargo do LEMA da UFC, priorizando, assim, a
imparcialidade no cruzamento dos dados, nos resultados a serem obtidos e na composição do
relatório final de avaliação.

6 Referências
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Tradução: Antonio
Agenor Briquet de Lemos. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros, 2012.

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Conhecimento e sua inserção nos novos paradigmas educacionais. In: SEMINÁRIO
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indicadores na Biblioteca de Ciências Humanas da UFC. 2009. 135 f. Dissertação
(Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão da Educação
Superior, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2009. Disponível em:
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qualidade dos sistemas à satisfação dos clientes. Páginas a&amp;b: arquivos e bibliotecas, 3ª
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para as disciplinas TGA e introdução à Administração. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
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Relatório de avaliação sobre a percepção da comunidade acadêmica a respeito dos
serviços, atividades e produtos do Sistema de Bibliotecas: aplicação 2. Fortaleza, 2014.
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&lt;http://www.ufc.br/images/_files/a_universidade/avaliacao_institucional/regimento_interno_c
pa.pdf&gt;. Acesso em: 10 abr. 2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aborda o processo de planejamento e elaboração da avaliação dos produtos e serviços oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. Apresenta o referencial teórico que embasou o desenvolvimento das atividades. Metodologicamente, o trabalho faz uso de pesquisa bibliográfica, documental e observação participante. Expõe e discute as etapas do processo de construção do questionário de pesquisa a fim de frisar o uso dessa ferramenta simultaneamente enquanto instrumento de avaliação e de marketing dos produtos e serviços da biblioteca. Apresenta e descreve a estrutura de cada dimensão que compõe o questionário, bem como os motivos dessa estruturação. Destaca as inter-relações entre as dimensões  adotadas no instrumento de pesquisa e os documentos normativos relacionados às bibliotecas universitárias. Indica possibilidades de cruzamento, análise e uso dos dados que serão coletados na aplicação da pesquisa de avaliação. Finaliza apresentando as impressões iniciais obtidas na coleta de dados e reforçando a importância desse tipo de processo avaliativo.</text>
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                    <text>PESQUISA-DIAGNÓSTICO PARA DEMANDA DE CAPACITAÇÃO
ONLINE DE USUÁRIOS DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Cláudio Márcio França (Ufes) - claudio.franca@ufes.br
Gleice Pereira (UFES) - gleiceufes@gmail.com
Resumo:
Apresenta o resultado de uma pesquisa diagnóstico realizada no período de 15 de outubro de
2014 a 15 de dezembro de 2014 na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da
Universidade Federal do Espírito Santo. O objetivo da pesquisa é descobrir se há demanda,
por parte dos estudantes de graduação do Centro, em capacitações on-line para uso de bases
de dados por meio de uma versão virtual do curso já ministrado na Biblioteca Central. O
método da pesquisa consistiu em entrevista e o número de entrevistados foi de
aproximadamente 100 estudantes. Os resultados da pesquisa demonstraram que existe
interesse por uma versão on-line do curso de capacitação, porém a versão deverá apresentar
flexibilidade e se adequasse à necessidade dos usuários, sobretudo no que se refere a dias e
horários.
Palavras-chave: Educação de usuário. Competência informacional. Biblioteca 2.0. Webinar.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução

A ampla disponibilidade de bases de dados e o fácil acesso à informação mudaram o
comportamento dos usuários de informação científica, que passaram a ter maior autonomia
nas pesquisas acadêmicas. No entanto, a diversidade de oferta das bases de dados, proporcionalmente, tende a gerar inquietação no usuário, quanto aos recursos disponíveis para emprego
na recuperação da informação, bem como a relevância das variedades de fontes de informação
disponíveis. Por essas razões, emerge um novo perfil do bibliotecário, o qual não mais se li mita a ser o mediador entre informação e usuário. Esse profissional atualmente tem a função
de educador, conforme pesquisa de Campello (2009); Perroti e Pieruccini (2007), devendo
acompanhar as necessidades desse novo usuário e desenvolver meios de capacitá-lo, para que
atinja sua autonomia plena e a competência de busca, avaliação e recuperação, das fontes de
informação on-line.
Para isso, a Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo BC-Ufes implantou o projeto de extensão intitulado “Desenvolvimento de Competências Informacionais
em Ambiente Virtual”, no qual ministra cursos para capacitar os usuários a realizarem pesquisas acadêmicas em fontes de informação on-line. O curso é realizado exclusivamente na modalidade presencial e no campus de Goiabeiras, coordenado por dois bibliotecários, para atendimento dos alunos de graduação e pós-graduação dos campi de Goiabeiras e de Maruípe, e
dos campi do interior do estado, nos municípios de Alegre e São Mateus.
Entretanto, a partir dos relatos dos bibliotecários que ministram o treinamento, verificou-se que os alunos dos campi de Maruípe, Alegre e São Mateus, precisavam deslocar-se
para o campus de Goiabeiras – onde é ministrado o curso - localizado geograficamente distante. Assim, buscaram-se alternativas para atender os outros campi, em um primeiro momento, a
opção seria a oferta do curso na versão on-line, na perspectiva de ampliar o número de usuários atendidos.
Além disso, foram surgindo barreiras à realização do curso presencial, como a falta de
espaço para acomodar o número de estudantes inscritos.
Percebeu-se também a necessidade de se capacitar o usuário de fontes de informação
on-line para que ele tenha autonomia e segurança ao realizar as buscas e as pesquisas na Internet, considerando o aumento significativo da demanda por atendimento individual aos alunos.
Dessa forma, objetivando averiguar a possibilidade de expandir esse serviço para a
modalidade on-line, realizou-se uma pesquisa-diagnóstico, no Centro de Ciências da Saúde,
pois essa unidade apresenta o maior número de inscritos participantes dos cursos de capacitação presenciais.
A justificativa da pesquisa decorre em analisar a viabilidade de adaptações ao curso
presencial para posterior planejamento, elaboração, implantação e execução do curso no
formato on-line, com público mais abrangente.

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2 Revisão de literatura
2.1 As possibilidades de atendimento Virtual
As novas tecnologias digitais geraram mudanças significativas na dinâmica da
interação entre a biblioteca e o usuário. A biblioteca tradicional possui um modelo unilateral e
não interativo mantido por séculos (TEOTÔNIO, 2011). Esse modelo foi impactado pelo
surgimento da Internet, com sites e seminários inicialmente estáticos (MANESS, 2007). Com
o surgimento Web 2.0, afloram novas possibilidades da interatividade. A Web 2.0, definida
como a Internet que se caracteriza pela interatividade, com conversação, rede interpessoal,
customização e individualismo. Desde então, o termo Web 2.0 tornou-se frequente nas
bibliotecas, que passaram a se chamar Bibliotecas 2.0 ao utilizarem essas ferramentas, sendo
que alguns teóricos dizem que a Biblioteca 2.0 irá superar de vez o modelo tradicional
(TEOTÔNIO, 2011).
A Biblioteca 2.0 atende usuários mais dinâmicos, eles são autossuficientes, utilizam
recursos avançados e usam redes sociais, blogs, microblogs. Além disso, estão cada vez mais
satisfeitos com a quantidade da informação disponibilizada na Internet, reduzindo a consulta
ao acervo impresso das bibliotecas para desenvolver suas pesquisas (TEOTÔNIO, 2011).
Nesse contexto, a questão é até que ponto a Internet é utilizada adequadamente para busca,
recuperação ou comunicação da informação? (TEOTÔNIO, 2011).
Devido ao grande fluxo de informações, sempre existe o risco de que os usuários
estejam utilizando os recursos de maneira equivocada, ou muitas vezes acabam se “perdendo”
com o volume de dados disponíveis, devendo ser instruídos adequadamente pela Biblioteca
2.0 para que consigam localizar informação e avaliar o valor delas.
Assim, é evidente que a biblioteca utilize os recursos da Web 2.0 para alcançar esses
usuários, interagir com eles e capacitá-los na utilização correta da busca e acesso a
informação. A Web 2.0 oferece um ambiente de participação e colaboração ativa que permite a
inter-relação entre pessoas e conteúdos favorecendo a geração de novos conhecimentos.
Considerando essas características, entende-se que a Web 2.0 pode ser empregada pelas
bibliotecas tendo em vista a melhoria da comunicação com os seus usuários, aumentar sua
visibilidade e de suas ações e ainda aproximá-la de seus usuários (TEOTÔNIO, 2011).
Nesse contexto, como aporte à aplicação dos recursos da Web 2.0, faz-se uso do
conceito de letramento informacional, com auxílio de outros que definam a importância das
ferramentas de Internet para as funções da biblioteca e do bibliotecário. Esses conceitos
auxiliares serão baseados na ideia de Biblioteca 2.0, a biblioteca que utiliza as ferramentas
interativas da Web 2.0 para cumprir suas funções (MANESS, 2007). Dessa forma, o diálogo
com os autores Dudziak (2001), Maness (2011), Paiva (2004) e Wang; Hsu (2008) busca
explicar a importância da Internet para o trabalho do bibliotecário, que não apenas auxilia o
usuário, mas o ensina a localizar a informação desejada.

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2.2 Letramento Informacional
O conceito de letramento informacional é importante para entender as bibliotecas
atuais, pois explica o presente paradigma do bibliotecário, que deve ensinar o usuário da
biblioteca a buscar e recuperar as informações por si só. Dessa forma, o bibliotecário tem
assumido uma função de educador, realizando um trabalho pedagógico. Segundo Dudziak
(2001, p.147), “information literacy” é definida como: “A pesquisa, estudo e aplicação de
técnicas e procedimentos ligados ao processamento e distribuição de informações com base
no desenvolvimento de habilidades no uso de ferramentas e suportes tecnológicos”.
Desse modo, o bibliotecário realiza um trabalho importante para fornecer ao usuário
letramento informacional, cumprindo função de ensinar. Para Dudziak (2002, p.10), sob a
perspectiva do letramento informacional,
“[...] a biblioteca é vista como sistema aprendente, centro de aprendizado, ambientes
multicultural; a abordagem cooperativa entre todos os setores da infraestrutura
informacional e da infraestrutura educacional”.

Dessa maneira, o bibliotecário age como um agente educacional, ativamente
envolvido com os conteúdos e práticas pedagógicas, também visto como cidadão atuante na
comunidade (DUDZIAK, 2002, p.10). Para definir uma pessoa que possua letramento
informacional, segundo a American Library Association, citado por Dudziak (2002, p. 11):
Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer
quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de localizar, avaliar e
usar efetivamente a informação... Resumindo, as pessoas competentes em
informação são aquelas que aprenderam a aprender. Elas sabem como aprender, pois
sabem como o conhecimento é organizado, como encontrar a informação e como
usá-la de modo que outras pessoas aprendam a partir dela. (American Library
Association - Presential Committee on Letramento informacional1989, p.1)

2.3 Biblioteca 2.0 e Biblioteca Digital

A Internet pode ser considerada uma forma de auxiliar e de aumentar a função de
educador do bibliotecário.
Como afirma Vidotti (2004, p. 30):
A navegação na rede possibilita ao usuário um contato com inúmeras formas de
aquisição de conhecimento, que pode conduzi-lo a uma aprendizagem, pela
determinação da própria seqüência de recupe-ração de informações, liberando-lhes a
imaginação e a criatividade, de forma que ele possa descobrir e sintetizar
conhecimentos por si mesmo.

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O conceito de Biblioteca 2.0 permite entender como a Internet auxilia o bibliotecário
em sua função de educador. De acordo com Maness (2007, p. 49), a Biblioteca 2.0 pode ser
definida como “[...] a aplicação de interatividade, colaboratividade, e tecnologias multimídia
baseadas em Web para serviços e coleções de biblioteca”. Assim, segundo o mesmo autor, “a
Biblioteca 2.0 [irá] levar o pacote completo de serviços de biblioteca para um meio eletrônico.
A biblioteca tem tido presença na Web por muitos anos, e com Biblioteca 2.0, seus usuários
serão convidados a entrar nela” (MANESS, 2007, p.49).
A Biblioteca 2.0 é importante porque;
Possibilita o acesso à informação para a sociedade, o compartilhamento dessa
informação, e a sua utilização para o progresso da sociedade. Biblioteca 2.0,
realmente, é meramente uma descrição da última instância de uma instituição
duradoura e testada pelo tempo em uma sociedade democrática. Web 2.0 e
bibliotecas casam bem, e muitos bibliotecários têm reconhecido isso. ( MANESS,
2007, p.49)

De acordo com Maness (2007), a Biblioteca 2.0 usa dos recursos interativos da Web
2.0 para favorecer o usuário. Entre esses recursos, incluem-se seminários da Web, ou Webinar.
O conceito de Biblioteca 2.0 ainda não está totalmente desenvolvido e precisa de mais testes e
experimentos para expandir sua definição de Biblioteca 2.0. No entanto, os bibliotecários já
reconhecem a importância da Web 2.0 para o trabalho em bibliotecas (MANESS, 2007).
Portanto, o uso de Web em conferência para capacitar usuários a usar banco de dados pode ser
um novo uso interessante para a Biblioteca 2.0.

2.4 EAD – Ensino a Distância
A Biblioteca 2.0 é uma ferramenta de ensino relevante com o recurso do EaD (Ensino
a distância). De acordo com Paiva et al. (2004, p. 50), é caracterizado “[...] pela separação
física entre o professor e o aluno e por um objetivo comum: disponibilizar um conjunto de
recursos e técnicas a pessoas que desejem estudar em regime de auto-aprendizagem[...]”.
Segundo Paiva et al. (2004, p. 8), o EaD passou a incorporar o desenvolvimento
científico e tecnológico, formando um espaço de excelência que permite consolidar o ensino a
distância como uma alternativa real ao ensino e aprendizado tradicionais. A Web passou a ser
uma das tecnologias mais recentes utilizadas no EaD, recebendo um número crescente de
adeptos, da mesma forma que tecnologias cada vez mais sofisticadas, como as
videoconferências (PAIVA et al, 2004)1
A Web e os recursos dela para comunicação criaram oportunidades para a proliferação
de comunidades, turmas, institutos, escolas e até mesmo universidades virtuais, com diversos

1Videoconferências” são “encontros/reuniões mantidos entre indivíduos espacialmente afastados, recorrendo para além do
som à imagem” (PAIVA et al, 2004, p.59)

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Tipos de interação, metodologia e tecnologias para ensino e aprendizagem por
meio da Internet. Dessa forma, o EaD tornou-se um fortíssimo instrumento pedagógico
(PAIVA et al, 2004, p. 8). No caso das bibliotecas atuais, é fácil perceber que os recursos para
EaD são importantes e talvez até mesmos imprescindíveis para o bibliotecário cumprir a
função pedagógica do seu novo paradigma em letramento informacional.

2.5 Webinar
A videoconferência ou Webinar, que são definidas como seminários baseados na Web
ou um seminário por intermédio da Internet (VERMA; SINGH, 2009), é uma ferramenta
capaz de transmitir áudio, vídeo e imagens, além de permitir aos usuários compartilhar
aplicativos, com o objetivo de trocar informações em tempo real e em formato de mão dupla.
Webinars podem ser feitos nos seguintes formatos: (a) um apresentador e vários participantes
de um site; (b) um apresentador e vários participantes de vários sites; e (c) vários
participantes de um local e vários participantes de um ou vários sites. Além dos estudos em
videoconferência e as ferramentas de bate-papo, poucos estudos investigam como ferramentas
Webinar podem facilitar a interação online para aprendizagem (WANG; HSU, 2008, p. 176).
Entre as vantagens do Webinar, destaca-se a maneira como cria oportunidades para
educadores e alunos. O Webinar permite experimentar diversos níveis de interação on-line,
essencialmente diferentes de outras formas de comunicação, abordagens como postagens de
discussão de bordo e e-mails (WANG; HSU, 2008). Webinars conectam instrutores e alunos,
mesmo quando estão localizados em diferentes áreas geográficas. Além disso, permite
aprender de maneira mais relaxada, no conforto de casa, evitando a timidez que algum
participante possa sentir na socialização de uma sala de aula tradicional. É possível mencionar
também, que Webinars podem ser mais fáceis de serem conduzidos em virtude da facilidade
dos horários em que podem ser combinados. O áudio e o vídeo em tempo real dos Webinars
permitem interação próxima da presencial, com uso de comentários e estímulo à interação,
como expressar opinião (WANG; HSU, 2008, p. 184).

3 Metodologia
Para coleta dos dados, a pesquisa utilizou a observação direta extensiva realizada por
meio de formulário, definido como coleção de questões perguntadas e anotadas por um
entrevistador em uma situação face a face com outra pessoa (NOGUEIRA apud LAKATOS,
2003, p. 212). Considera-se o formulário adequado para esta pesquisa devido às seguintes
qualidades: utilizar a presença do pesquisador, que pode explicar os objetivos do estudo,
orientar o preenchimento e deixar claro o que significam as perguntas que não estejam claras;
garantir a uniformidade dos símbolos, porque é preenchido pelo próprio entrevistador; e
facilitar a obtenção do número necessário de entrevistados, garantindo que a amostragem
planejada seja alcançada (LAKATOS, 2003, p. 213).
As perguntas do formulário foram desenvolvidas com base nos objetivos do estudo.

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Optou-se por adotar uma amostragem com 103 graduandos do Centro de Ciências da
Saúde, e a escolha se deu em decorrência de ser o Centro de Estudos que apresenta maior
índice de participantes, buscou-se incluir representantes de cada curso de graduação
vinculados a ele, a saber: Medicina, Farmácia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia,
Odontologia, Enfermagem, Fonoaudiologia e Nutrição. Os entrevistados foram alunos
escolhidos aleatoriamente na Biblioteca.
O formulário incluiu as seguintes perguntas:
1) a) Você sabe pesquisar em fontes de informação on-line?
b) Quais fonte você costuma usar?
2) Você conhece o curso presencial de capacitação oferecido pela Biblioteca Central da
Universidade Federal do Espírito Santo sobre como utilizar fontes de informação on-line?
3) Você tem interesse em uma versão on-line do curso de capacitação para uso fontes de
informação? Incluímos também informações sobre o curso e o ano de matrícula do
entrevistado para compor as chaves primárias.

3.1 Pré teste
A partir de um pré-teste realizado inicialmente com quinze estudantes, foram
necessárias algumas adaptações no formulário. Percebeu-se que as perguntas 1 e 3 deveriam
ser agrupadas para averiguar se havia relação entre conhecimento prévio e interesse.
1: Você sabe fazer pesquisas acadêmicas em fontes de informações on-line? E da pergunta,
3: Você tem interesse em uma versão on-line do curso de capacitação para uso fontes de
informação?
A pergunta sobre as fontes de informação online que mais utiliza, foi inserida no
formulário, porém não foi analisada, a configuração da pergunta objetivou saber se o aluno
conhecia outras fontes diferentes do Google.
Além disso, houve também a necessidade de incluir a opção de comentários, caso o
entrevistado desejasse expressar o porquê da resposta; sugestões ou crítica. A recorrência dos
resultados permitiu formatar as respostas em palavras-chave.
Por outro lado, o pré-teste demonstrou que a abordagem pessoal foi adequada, porque
permitia explicar as perguntas e recolher possíveis comentários dos usuários.

4 Exposição e análise dos resultados
Foram entrevistados 103 alunos no total, entre os dias 15 de outubro e 15 de dezembro
de 2014, no período matinal de atendimento da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da
Saúde. Os resultados podem ser conferidos nos gráficos a seguir:

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Ao direcionar aos entrevistados as perguntas: você sabe pesquisar em fontes de
informação on-line?; e você tem interesse em uma versão on-line do curso de capacitação
para uso fontes de informação? obtiveram-se os dados compilados na figura a seguir:

10
16

Sim-Sim
Sim-Não
Não-Não

77

Gráfico 1- Síntese das perguntas 1 e 3 do questionário

De acordo com os dados analisados, gráfico 1, 77 alunos entrevistados (74%)
responderam que sabem fazer pesquisas e que, mesmo assim, teriam interesse em fazer o
curso on-line. 16 alunos (15,5%) responderam que sabem fazer pesquisa, e não tem interesse
em fazer o curso on-line. Apenas 10 alunos (10,5%) responderam que não sabem fazer
pesquisa e mesmo assim não tem interesse no curso on-line. Dessa forma, infere-se que
conhecimento prévio não significa falta de interesse em participações futuras.
Fato também constatado na pergunta aberta, fig. 2, em que o aluno poderia expressar o
porquê da resposta dada: 28 alunos entrevistados responderam que sentem necessidade de
aprofundar os conhecimentos. Assim infere-se que há demanda para o aprofundamento dos
conhecimentos existentes.

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11 2 3
3

4
5

37

7

13

23

18

Scielo
Pubmed
Google Acadêmico
Portal Capes
New England Journal of Medicine
Google web
Bireme
Jama
Up To Date
Lilacs
BVS
Medline

Gráfico 2 - Comentário agrupado por palavra-chave da pergunta aberta.

No entanto, ao agrupar as sugestões contidas no gráfico. 2, sobre o formato do curso,
há evidências que o formato de Webinar não é adequado à disponibilidade dos alunos.
Dentre os entrevistados, 8 alunos (10%) afirmaram que o formato do curso deveria ser
“simples”, querendo dizer com isso que preferem vídeos gravados ou tutoriais que sejam
breves. Outros 8 alunos (10%) informaram ser essencial produzir um curso com horário
“flexível”, que possa ser assistido a qualquer dia e em qualquer hora. 9 entrevistados (11%)
afirmaram que não cursariam o curso devido à falta de tempo.
Embora o formato Webinar, tenha grande aceitação nas bibliotecas 2.0, constatou-se
que sua realização não seria viável.
Apesar de um quantitativo reduzido, 4 alunos entrevistados (5%), verifica-se também
que o idioma é um entrave quanto ao uso das bases de dados, considerando que grande parte
das bases que tratam da área da saúde encontram-se no na língua inglesa. Este fato pode servir
de desestímulo à participação nos cursos ofertados pela Biblioteca Central.
Quanto à falta de interesse no curso on-line, 3 alunos (4%), afirmaram que eram
alunos finalistas; 3 alunos (4%) estavam ainda iniciando o curso: 13 alunos (16%) julgavam
ter conhecimentos suficientes; 3 alunos (4%), que já fizeram o curso da BC e 3 alunos (4%),
que já tiveram aula sobre o assunto.

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A pergunta aberta foi agrupada em termos de palavras-chaves a partir dos comentários
feitos por 80 alunos (78% do total de entrevistados), apenas 23 alunos entrevistados (22%)
não manifestaram opinião.

10
16
Sim-Sim
Sim-Não
Não-Não

77

Gráfico 3 - Quais as fontes de informações que você utiliza.

No gráfico 3, foi possível inferir que os alunos entrevistados utilizam fontes de
informações on-line, com maior credibilidade acadêmica.

5 Conclusão
O estudo teve como principal objetivo analisar a viabilidade da implantação do curso
de Desenvolvimento de Competências Informacionais em Ambiente Virtual na modalidade
on-line. Os resultados da pesquisa demonstraram que existe interesse por uma versão on-line
do curso de capacitação manifestada por 77 alunos (74% dos alunos entrevistados). Percebese o interesse principalmente dos alunos que consideram ter algum conhecimento prévio nesse
tipo de pesquisa, mas que desejam aprimorar o conhecimento (35% dos entrevistados). Isso
contraria a pressuposição de que o maior interesse viria de alunos que consideram não ter
conhecimento de pesquisa.
No entanto, as observações feitas pelos alunos indicaram que o formato de Webinar
seria inadequado, pois 16% dos alunos entrevistados que manifestaram opinião, afirmaram
que o curso deveria ter formato “simples” e horário “flexível”. Além disso, 11% deles
afirmaram que não têm tempo. Isso permite deduzir que esses alunos prefeririam um curso

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que fosse curto e que pudesse ser acessado em qualquer dia e a qualquer horário. Dessa
maneira, o formato Webinar não os atenderia, porque este formato exige que o horário da
transmissão da aula seja programado, impedindo a flexibilidade de horário necessária para os
alunos. Provavelmente o melhor formato para o curso seria de tutoriais on-line ou vídeo-aulas
gravadas que pudessem ser acessadas a qualquer tempo.
Os dados obtidos nessa pesquisa-diagnóstica evidenciaram que o curso no formato
presencial tem aquiescência da maioria dos alunos. Com base nessa análise, considera-se a
possibilidade de expandir o curso presencial, para os campi fora do campus de Goiabeiras,
local da realização do curso, oportunizando aos alunos a capacitação nas bases de dados online.
6 Referências
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Informação) – Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo
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DUDZIAK, Elisabeth Adriana. A information literacy e o papel educacional das
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DUDZIAK, Elisabeth Adriana. Information Literacy e o papel educacional das bibliotecas e
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LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia
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http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/viewArticle&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
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Softciências, 2004. Disponível em: &lt;http://nautilus.fis.uc.pt/cec/el/ead-paiva-et-al-2004.pdf&gt;
Acesso em: 14 abr. 2016.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Pesquisa-diagnóstico para demanda de capacitação online de usuários do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo.</text>
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                <text>Apresenta o resultado de uma pesquisa diagnóstico realizada no período de 15 de outubro de 2014 a 15 de dezembro de 2014 na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo. O objetivo da pesquisa é descobrir se há demanda, por parte dos estudantes de graduação do Centro, em capacitações on-line para uso de bases de dados por meio de uma versão virtual do curso já ministrado na Biblioteca Central. O método da pesquisa consistiu em entrevista e o número de entrevistados foi de aproximadamente 100 estudantes. Os resultados da pesquisa demonstraram que existe interesse por uma versão on-line do curso de capacitação, porém a versão deverá apresentar lexibilidade e se adequasse à necessidade dos usuários, sobretudo no que se refere a dias e horários.</text>
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                    <text>PARADIGMAS CIENTÍFICOS E QUESTÕES ÉTICAS EM PESQUISAS
ENVOLVENDO SERES HUMANOS NA BIBLIOTECONOMIA E NA
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Suzinara da Rosa Feijó (UDESC) - suzinara.feijo@poa.ifrs.edu.br
Luhilda Ribeiro Silveira (UDESC) - luhilda@yahoo.com.br
Ana Paula Grillo Rodrigues (UDESC) - agrillorodrigues@yahoo.com.br
Resumo:
Este artigo busca contextualizar aspectos que envolvem as questões éticas em pesquisa,
especialmente a questão da ética em pesquisa envolvendo seres humanos. Fazemos uma
reflexão acerca do paradigma da ciência e da possível construção de um novo paradigma
dentro do fazer científico que abre espaço para uma abordagem humanista, onde o ser
humano é o cerne das questões éticas. Partimos de uma abordagem ampla da questão, para
em seguida discutirmos a o desenvolvimento deste tema, especificamente, no campo da
Biblioteconomia e da Ciência da Informação, objetivando analisar como estas tratativas
comparecem nesse cenário a partir da análise da produção científica das áreas, considerando
para isso, alguns dos aspectos relativos às publicações periódicas de maior destaque nestas
áreas.
Palavras-chave: Paradigma científico. Biblioteconomia.
Pesquisa envolvendo seres humanos.

Ciência

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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da

informação.

Ética.

�PARADIGMAS CIENTÍFICOS E QUESTÕES ÉTICAS EM PESQUISAS
ENVOLVENDO SERES HUMANOS NA BIBLIOTECONOMIA E NA
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Ana Paula Grillo Rodrigues1
Gisela Eggert Steindel2
Luhilda Ribeiro Silveira3
Suzinara da Rosa Feijó3
Resumo: Este artigo busca contextualizar aspectos que envolvem as questões éticas em
pesquisa, especialmente a questão da ética em pesquisa envolvendo seres humanos. Fazemos
uma reflexão acerca do paradigma da ciência e da possível construção de um novo paradigma
dentro do fazer científico que abre espaço para uma abordagem humanista, onde o ser humano
é o cerne das questões éticas. Partimos de uma abordagem ampla da questão, para em seguida
discutirmos a o desenvolvimento deste tema, especificamente, no campo da Biblioteconomia
e da Ciência da Informação, objetivando analisar como estas tratativas comparecem nesse
cenário a partir da análise da produção científica das áreas, considerando para isso, alguns dos
aspectos relativos às publicações periódicas de maior destaque nestes dois campos do
conhecimento.
Palavras-chave: Paradigma científico. Biblioteconomia. Ciência da informação. Ética.
Pesquisa envolvendo seres humanos.

PARADIGMS SCIENTIFIC AND ETHICAL ISSUES IN RESEARCH INVOLVING
HUMAN SUBJECTS IN LIBRARIANSHIP AND INFORMATION SCIENCE
Abstract: This article seeks to contextualize aspects involving ethical issues in research,
especially the issue of ethics in research involving human beings. We still a reflection on the
paradigm of science and possible construction of a new paradigm within the scientific work
that makes room for a humanistic approach, where the human subjects is at the heart of the
ethical issues. We start from a wide approach, to then discuss the issue specifically in the field
of Library and Information Science, aiming to analyze how this subject appears in this
scenario based on the analysis of scientific production areas, considering of the aspects related
of the most prominent periodicals publications of the areas.
Keywords: Scientific paradigm. Librarianship. Information Science. Ethics. Research
involving human subjects.

1

Professora Doutora em Administração. Docente do Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação da
Universidade do Estado de Santa Catarina.
2
Professora Doutora em Educação. Docente do Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação da
Universidade do Estado de Santa Catarina.
3
Bibliotecárias. Discentes do Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação da Universidade do Estado
de Santa Catarina.

�1 INTRODUÇÃO
Como se desenvolve a ciência? Como ela avança ao longo do tempo? O que
determina as bases sobre as quais o modelo do fazer ciência se solidifica? Tais
questionamentos acerca do que estrutura o conhecimento científico, são algumas das
perguntas que vez por outra comparecem no cenário da ciência e que certamente impulsionam
as descobertas e as mudanças, traçando os caminhos e os modos do fazer científico.
A discussão acerca da evolução dos paradigmas científicos ocupa lugar de destaque
no cenário acadêmico, desde as ideias defendidas por Aristóteles, às proposições de Newton
até as concepções de Kuhn, que discorre sobre o “fazer ciência” ao longo dos tempos, são as
proposições refutadas, defendias, acatadas ou modificadas por pesquisadores de campos
comuns ou não, que faz emergir um paradigma.
A exemplo disso, sobre a estruturação do conhecimento, podemos destacar que: “A
obra de Newton, no século XVIII é considerada a grande síntese das obras de Copérnico,
Kepler, Bacon, Galileu e Descartes, pois apresenta uma completa formulação matemática da
concepção mecanicista da natureza” (RODRIGUES, 2010, p. 5). Assim observamos que para
o cientista o conhecimento não era resultado da intuição pura do pesquisador, mas sim de seu
entrosamento e desdobramento com o objeto de estudo, e o fazer ciência e as teorias vão
sendo desenvolvidas em meio às influencias, de modelos e descobertas anteriores.
O que temos hoje como modelo de ciência moderna é fortemente influenciado pelas
concepções de Thomas Kuhn, que traz a ideia de paradigma científico como um modelo do
fazer ciência que se estrutura ao longo dos tempos. Segundo Kuhn (2009) a ciência só existe
quando seu estudo estabelece fluxos e gera conhecimento. E também estabelece mais
premissas, que a investigação possa ser averiguada segundo o método de seu criador, possa
ser compartilhada e assim seja a aceita pelos membros de seu campo. Assim, a formação da
ciência é caracterizada por todo um conjunto de atividades diversas e por toda uma
desorganização que só mediante a adoção de um paradigma pode se estruturar.
Pensando em termos de estruturação do fazer científico, nos propomos a pensar sobre
os modelos que regem as considerações éticas no que se refere à pesquisa que envolve seres
humanos no campo da Biblioteconomia e Ciência da Informação. Pois se existem modos que
são seguidos para o fazer científico como um todo, certamente existem, estruturas e padrões,
também, nesse âmbito. Como se dá, mais especificamente, o fazer ciência envolvendo seres
humanos nas pesquisas em Biblioteconomia e Ciência da Informação?
Para averiguarmos estas proposições a metodologia adotada para construção deste
trabalho é de cunho bibliográfica e documental. Buscou-se em fontes impressas e digitais as
discussões apresentadas em torno do tema para fundamentarmos nossa investigação. Assim
como, as normas de publicação das revistas envolvidas neste estudo e a legislação brasileira
pertinente as pesquisas envolvendo seres humanos, aplicadas nas áreas de Biblioteconomia e
Ciência da informação.
Nessa perspectiva, nos propusemos neste artigo a analisar como as questões
paradigmáticas que se referem às questões éticas na pesquisa que envolve seres humanos
estão comparecendo no cenário da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, a partir da
apreciação de aspectos de publicações periódicas científicas das áreas, com ênfase especial
para as pesquisa que situam-se no âmbito da Pós-Graduação.

2 PARADIGMAS CIENTÍFICOS E PESQUISA EM BIBLIOTECONOMIA E
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

�O modo como a comunidade científica produz e utiliza a informação para gerar o
conhecimento, bem como os métodos por ela empregados nesse contexto, refletem não apenas
os avanços e as estruturas científicas e tecnológicas de uma dada época, eles personificam o
fazer científico. Estabelecendo com isso não apenas as soluções modelares para a ciência, mas
também os modos como se articulam os problemas para se chegar a elas.
Podemos crer que no contexto de desenvolvimento do conhecimento e da realização
de pesquisas, as áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação partilham, assim como as
demais áreas do conhecimento, desse processo paradigmático de construção do saber sobre
diversos modos e diversos contextos históricos.
Assim, a análise do fazer científico em Biblioteconomia e em Ciência da Informação
pode refletir mais que o seu contexto de descobertas frente às demandas de seu tempo e
espaço, pode refletir uma estrutura que se relaciona com pressupostos abrangentes que
constituem os princípios do fazer ciência que abarcam as estruturas da área como um todo –
são eles seus paradigmas.
Mas antes que se possa pensar em pressupostos abrangentes sobre o fazer ciência e
assim defini-lo como paradigma, consideramos importante pensar mais um pouco sobre: o
que efetivamente é um paradigma? O que ele representa para um campo do conhecimento?
Estes nos parecem ser questionamentos prévios pertinentes para que possamos tentar
estabelecer quaisquer comentários acerca dos modelos científicos empregado em uma dada
época, e assim determinar quais seriam os paradigmas atuais no que concerne à pesquisa
envolvendo seres humanos.
Segundo Kuhn, “[...]‘paradigmas’ são as realizações cientificas universalmente
reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma
comunidade de praticantes de uma ciência.” (KUHN, 2009, p.13). Embora consideremos que
aqui a concepção de “ciência” apresentada por ele se situa sobre a perspectiva das ciências da
natureza, que estabelecem regras e padrões que ao longo dos tempos podem ser superados.
Assim, Kuhn aponta que problemas e soluções modelares de uma ciência em uma dada época
é o que caracterizaria fundamentalmente o que ele chama de “Estrutura das Revoluções
Científicas”, pois “[...] a transição sucessiva de um paradigma a outro, por meio de uma
revolução, é o padrão usual de desenvolvimento da ciência amadurecida” (KUHN, 2009, 32).
Considerando tais colocações para pensar sobre o modo de fazer ciência, e assim o modo
como se processam as pesquisas envolvendo seres humanos, podemos pensar em termos de
paradigmas para pesquisas nesse âmbito, já que na definição de paradigma de Kuhn (2009),
apresentada acima, estaria contida a ideia de que haveria dentro de uma ciência questões de
cunho teórico-conceituais, metodológicas e instrumentais que seriam compartilhados.
Desse modo, destaca-se que ao longo dos tempos, nos parece que a forma como seres
humanos foram envolvidos em pesquisa tem sofrido alterações ao longo dos tempos, uma vez
que o ponto de vista procedimental tem que se (re)adequar para considerar os imperativos do
ponto de vista da ética, quando estes são vigentes. Nesse sentido estaríamos diante de novas
questões metodológicas que estariam sendo compartilhados no fazer científico.
2.1 Aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres humanos
É certo que antes dos aspectos que tratam das relações éticas entre pesquisadores e
sujeitos de pesquisa (que se situam no bojo da bioética) está a ética pessoal do pesquisador, e
em seguida a ética profissional, que em geral define condutas éticas a partir de documentos
específicos em um determinado campo, que definem questões de confiabilidade, honestidade
no âmbito da atuação profissional. Quando as relações de trabalho se deslocam para a

�pesquisa e o envolvimento de sujeitos de pesquisa, a regulação dos aspectos éticos vai além,
alcançam o campo da bioética.
No caso da pesquisa com seres humanos, a ênfase da bioética estará nos efeitos que
o projeto desenhado pelo pesquisador terá sobre os participantes. A função
prioritária da ética em pesquisa é proteger o participante, um indivíduo que se
submete voluntariamente a um risco, vivenciando com frequência condições de
vulnerabilidade ou por razões sociais – pobreza, subnutrição, falta de poder – ou por
ser portador de doenças que podem ou não ser o motivo de seu recrutamento para o
estudo. (KOTTOW, 2008, p.8).

Antes desses imperativos que visam proteger o participante de pesquisa, o que se
tinha historicamente eram ações sem qualquer controle ou respeito ao ser humano. Podemos
dizer que o que existia era um “código de ética” pernicioso dos tempos de guerra, onde
médicos nazistas, em nome da ciência, sacrificaram vidas humanas para fazer experimentos e
conhecer os limites de tolerância a condições extremas, como hipotermia, déficit de oxigênio
e injeção massiva de germes patogênicos. Quando veio à tona muitas das atrocidades
cometidas nesse período, parece que o mundo começou a despertar para o valor da vida e da
dignidade humana. Muitos dos pseudocientistas que cometeram tais experimentos a partir de
então foram considerados criminosos de guerra. A publicidade desses julgamentos foi o
marco para o surgimento do Código de Nuremberg em 1947, (KOTTOW, 2008).
O Código de Nuremberg de 1947 se constituiu num conjunto de 10 princípios éticos
que fundamentam as pesquisas da área médicas, centrados, fundamentalmente, no sujeito
participante da pesquisa, trazendo para essa relação a autonomia e a proteção dos interesses
do paciente. (CÓDIGO DE NUREMBERG, 1947).
Ainda no caminho da proteção aos participantes de pesquisas da área médica, a
Declaração de Helsink, originalmente formulada em 1964 e que teve reformulações
sucessivas (1964-2000) é:
“uma declaração de princípios éticos para fornecer orientações aos médicos e outros
participantes em pesquisas clínicas envolvendo seres humanos. [e prevê ainda que]
Pesquisas clínicas envolvendo seres humanos inclui pesquisas com material humano
identificável ou dados identificáveis”. (WORLD MEDICAL ASSOCIATION, 19642000).

O item 5 da introdução da Declaração de Helsinque (1964-2000) determina que o
bem-estar dos participantes da pesquisa deve prevalecer sobre os interesses da ciência e da
sociedade. Assim entendemos que, a proteção aos direitos do sujeito participante, em
consonância com princípios defendidos pela bioética, se sobrepõem aos próprios princípios
ponderados pela ética profissional.
No cerne das normativas, no que se refere à participação de seres humanos em
pesquisas, no Brasil temos a resolução 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS)
que tem como objetivo maior proteção à vida e o respeito à dignidade humana, especialmente
se tratando de participantes de pesquisa científicas. Tal resolução se insere no conjunto das
documentações que visam proteger os seres humanos submetidos a experimentos de pesquisa
especialmente nas áreas de saúde e tecnologia.
Os princípios éticos fundamentais que regem a Resolução 466 do CNS estão pautados
no respeito à vida, considerando a dignidade, a liberdade e a autonomia do ser humano. Para
tanto são incorporados os referenciais da bioética: autonomia; não maleficência;
beneficência; justiça e equidade, dentre outros. (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE,
2012).
Vale ressaltar que a bioética tem como prioridade o cuidado com a vida, e o respeito
pelos seres vivos. Dentro desta lógica aparece o homem, os animais e as plantas, ou seja,

�todos os seres vivos, que de alguma forma possam ser afetados pela ação do homem. Quando
pensamos nos avanços científicos e suas implicações que devem servir a humanidade e ao
meio ambiente que os rodea, fica difícil crer que a ciência e o conhecimento nela imbricados
em sua concepção possam gerar resultados diferentes aos fins estabelecidos pela ética, o fazer
o bem, fazer o que é correto. No entanto, as práticas nos mostram que em termos de ciência
isso nem sempre se dá, necessitando que um instrumento ou algo da ordem de uma legislação
seja postulado para tentar sanar ou ao menos minimizar eventuais desajustes entre o progresso
científico e tecnológico e a ética.
A resolução 466/2012 considera que todo progresso da ciência deve sempre respeitar a
dignidade, a liberdade e a autonomia do ser humano. A consideração de autonomia
apresentada na resolução está intimamente ligada à capacidade de esclarecimento do sujeito e
à sua capacidade de fazer escolhas. A autonomia colocada na resolução pode ser entendida
como a faculdade que o sujeito tem de agir sobre suas próprias regras e escolhas. Nesse
sentido, está implicado aqui a questão da liberdade, pois há nessa perspectiva uma liberdade
para a ação, onde o sujeito da ação é livre para fazer escolhas, livre para agir. A liberdade aqui
nos parece ser uma necessidade para a ação. É preciso que o pesquisador tenha o
consentimento livre e esclarecido do sujeito antes de qualquer atividade. A resolução prevê
ainda que não devem ser realizadas pesquisas com sujeitos vulneráveis quando os mesmos
resultados podem ser obtidos com sujeitos não vulneráveis, a menos que a investigação possa
trazer benefícios específicos a este grupo. Isso nos aponta para a preocupação em se preservar
sujeitos que eventualmente não sejam capazes de fazer suas escolhas de modo livre, que não
sejam assim plenamente dotados de esclarecimento, apontando para consideração ética de que
o uso adequado da autonomia não é apenas utilizar a sua autonomia para fazer escolhas, mas
também o uso da autonomia em defesa do outro. Ou seja, só é ética a ação que considera os
dois aspectos, a sua autonomia e a do outro. (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE, 2012).
As normativas aqui apresentadas se constituem parte importante dos princípios que
fundamentam a moderna ética em pesquisa em seres humanos. Observamos que o livre
esclarecimento figura com papel de destaque nesse conjunto normativo. Nesse sentido,
podemos ainda destacar o papel da informação na consideração ética, pois sua inserção
comparece como base fundamental para a realização da pesquisa como seres humanos, ainda
a resolução 466/2012 preconiza que o sujeito deve ser informado sobre todos os aspectos da
pesquisa que ele irá participar. Nesse mote, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE) é um documento que deve ser assinado pelo sujeito confirmando sua aceitação em
participar da pesquisa, que pressupõe o esclarecimento do sujeito diante da escolha de
participação no experimento. Por isso, o TCLE deve ter linguagem clara e acessível para o
fácil entendimento de quem se propõe a participar da pesquisa. O foco aqui está no direito à
informação, que se constitui como um pressuposto básico para o esclarecimento do sujeito,
pois só pode ser dotado de esclarecimento aquele que tem informação e é capaz de fazer
adequado uso dela. Assim, o papel da informação é abrir caminho para o esclarecimento do
sujeito na possibilidade de conduzi-lo a uma livre escolha.
Temos ainda que mencionar, a existência no Brasil, do Sistema Nacional de
Informação sobre Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos (SISNEP) que é um sistema
de informações via internet sobre pesquisas envolvendo seres humanos, que visa facilitar o
registro das pesquisas e orientar a tramitação de cada projeto para que todos sejam submetidos
à apreciação ética antes de seu início. Esta é uma iniciativa do Conselho Nacional de Ética em
Pesquisa (CONEP) que implementa tais diretrizes. A atuação do Conselho se dá através de
uma rede de Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) que são responsáveis pela avaliação e
acompanhamento dos aspectos éticos de todas as pesquisas envolvendo seres humanos,
organizados nas instituições onde as pesquisas se realizam, ou numa instituição próxima.
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016).

�A revisão ética feita pelos CEP nas instituições é feita por comissão multiprofissional
que revisa todos os projetos que a ele são submetidos, independente da área do conhecimento
a qual pertença. Aqui cabe salientar que dada toda a história, ligada às áreas biomédicas, que
constituiu o arcabouço teórico das iniciativas que visam normatizar a participação de seres
humanos em pesquisa, eventualmente surgem controvérsias e questionamentos quanto a
considerações das especificidades de pesquisas que fazem parte das áreas não biomédicas – a
áreas das ciências humanas e sociais.
Nesse mote Barbosa, Corrales e Silbermann (2014, p. 488) afirmam que:
[...] torna-se essencial que a regulamentação da ética em pesquisa no Brasil
contemple e reconheça a existência de múltiplas formas de fazer pesquisa e que
diferenças na metodologia de pesquisa das áreas não biomédicas não retiram seu
mérito ético, científico e social, o qual deve ser considerado pelos CEP em sua
revisão ética, bem como para a devida elaboração de resolução complementar
voltada para as ciências humanas e sociais.

Tais controvérsias, que circundam as questões éticas em pesquisa envolvendo seres
humanos, nas ciências humanas e sociais, encontra fundamento na própria Resolução nº
466/2012 do CNS, que abre espaço para considerações acerca das particularidades que teriam
tais ciências e prevê a criação de um dispositivo jurídico específico para a matéria, isso é
mencionado no tópico XIII.3 - “As especificidades éticas das pesquisas nas ciências sociais e
humanas e de outras que se utilizam de metodologias próprias dessas áreas serão
contempladas em resolução complementar, dadas suas particularidades”, (CONSELHO
NACIONAL DE SAÚDE, 2012, grifo nosso). No entanto, embora haja tal menção, o que
ocorre por hora é uma lacuna nessa matéria, já que tal resolução complementar ainda não
existe.
Controvérsias à parte, não podemos deixar de reconhecer que o conjunto de
normativas se constitui numa possibilidade de auxiliar o pesquisador no alcance da excelência
na construção do conhecimento, de modo que busque os melhores resultados, mas que se faça
isso respeitando princípios e normas que garantam a dignidade das ações sobre as quais se
alicerçam as estruturam desse conhecimento.
Na maioria dos países democráticos contemporâneos existe uma percepção, cada vez
mais aceita socialmente, mas também com algumas reticências, sobretudo de tipo
corporativo, segundo a qual toda pesquisa, conduzida em qualquer área do
conhecimento e que envolva seres humanos como objetos da investigação, deve
necessariamente ser revisada, em seus aspectos científicos e éticos, por uma
instância que tenha competência adequada e reconhecida em âmbito epistemológico,
metodológico e ético por seus pares e a sociedade como um todo. (SCHRAMM,
2004, p. 774).

Com tudo isso, seria possível dizer que um novo paradigma se estabeleceu ou está se
estabelecendo para o fazer científico? Para além das controvérsias, uma coisa é certa, a
inclusão das considerações éticas na pesquisa se constituem enquanto garantias do respeito à
dignidade humana e igual consideração dos interesses, reivindicando uma universalidade nos
aponta Singer (1993) quando trata da ética, que pode se estender ao campo da pesquisa.
Nessa perspectiva, reivindicar a universalidade como qualidade da ética é
compreender que os interesses universais se sobrepõem aos pessoais, pois “quando fazemos
juízos éticos, vamos para além de preferências e aversões [...] A ética exige que nos
abstraiamos do ‘eu’ e do ‘tu’ e que cheguemos à lei universal, ao juízo universal, ao ponto de
vista do espectador imparcial ou do observador ideal” (SINGER, 1993, p. 3). Ainda que seja
difícil formular bases teóricas que sustentem a noção da universalidade como fundamento
para uma “teoria ética” que possa guiar todo juízo ético, o aspecto universal da ética ainda

�assim, sustenta uma razão convincente, mesmo que não seja conclusiva, que envolva a melhor
escolha para todos os afetados pela ação.���������� .

3 O PARADIGMA DA ÉTICA NA PRÁTICA: como são conduzidas as
pesquisas em Biblioteconomia e na Ciência da Informação envolvendo seres
humanos
O arcabouço normativo no campo da pesquisa com seres humanos advém da
necessidade de proteger as pessoas principalmente no campo dos experimentos científicos das
áreas biomédicas, com destaque para as áreas médica e farmacêutica. Nessas áreas pode haver
maior probabilidade de pesquisa com seres humanos, enquanto que nas áreas humanas e
sociais, como é o caso das áreas que aqui nos interessam de um modo especial, a
Biblioteconomia e a Ciência da Informação. Nestas, o que o ocorre com maior frequência é a
pesquisa envolvendo seres humanos. Há diferenças entre pesquisa com seres humanos e
pesquisa em seres humanos, sobre tais diferenças, Barbosa, Corrales e Silbermann (2014, p.
485) apontam que:
[...] a diferença entre uma e outra é que a pesquisa com seres humanos requer
interlocução entre pesquisador e pesquisado, enquanto a pesquisa em seres humanos
implica intervenção corpórea, ou seja, consiste em testes de medicamentos ou
equipamentos sendo, portanto, pesquisa invasiva.

A questão que se coloca é – no cenário da Biblioteconomia e da Ciência da
Informação, como observamos estas questões? Sabemos que as normativas da bioética tem
uma abrangência que se sobrepõe a códigos profissionais específicos. No entanto, o mais
acertado é que tais normas se complementem, e seguindo essa perspectiva observamos que o
Código de Ética do Profissional Bibliotecário figura de acordo com pressupostos éticos que
preservam a pessoa humana, pois na sessão que trata dos deveres e obrigações ele postula:
“Art. 3º:- Cumpre ao profissional de Biblioteconomia: a) preservar o cunho liberal e
humanista de sua profissão, fundamentado na liberdade da investigação científica e na
dignidade da pessoa humana;” (CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA, 2002).
Como possibilidade para uma análise desta temática, no cenário da Biblioteconomia
e da Ciência da Informação, decidimos por considerar aspectos relacionados à pesquisa nessas
áreas enfocando principalmente a Pós-graduação. Pois acreditarmos que de um modo geral, as
pesquisas mais abrangentes sejam feitas nesse segmento, considerando a natureza e propósito
da formação. Como primeiro passo fizemos uma apreciação do Documento de Área Ciências
Sociais I da Capes4, e assim observamos que esse, como os demais Documentos de Áreas do
Conhecimento, não faz qualquer menção ao tema ética ou pesquisa envolvendo seres
humanos na postulação dos critérios de avaliação para dar notas aos programas ou para a
estratificação dos periódicos. Não há qualquer menção aos temas “pesquisa envolvendo seres
humanos”, ou “comitê de ética em pesquisa”, no que trata dos aspectos considerados na
avaliação dos programas de Pós-Graduação.
Seguindo a trilha da análise das pesquisas, nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, escolhemos analisar os veículos de comunicação científica onde tais pesquisas
estariam sendo comunicadas. Para isso, selecionamos as publicações periódicas de maior
destaque nas áreas: Transinformação, Informação e Sociedade e Perspectivas em Ciência da

4

Documento que contem as considerações, requisitos e orientações a respeito do estágio atual da área, das
propostas de cursos novos, da avaliação trienal, do Qualis e classificação de livros, eventos e produtos técnicos,
de critérios de internacionalização, além da Ficha de Avaliação a ser utilizada no triênio para programas
acadêmicos e profissionais. (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2014a).

�Informação, todas classificadas com estrato Qualis5 A1 pela Capes na sua última avaliação
realizada em 2014, no intuito de verificar como tem comparecido aspectos relacionados à
ética no tange às pesquisas que envolvem seres humanos, buscando identificar a existência de
padrões éticos na publicação dos artigos por elas comunicados.
O primeiro aspecto que observamos nos websites, de cada um dos periódicos acima
mencionados, foi no que diz respeito às normas de submissão e diretrizes aos autores, para
verificar a existência ou não de normas a serem seguidas ou documentos específicos a serem
apresentados quando as pesquisas envolvem seres humanos. Nesse sentido, constatamos que
apenas a revista Transinformação apresenta exigências explícitas quanto à temática, figura no
site da revista, em sua sessão “Diretrizes para Autores” o seguinte texto:
Os manuscritos submetidos, quando derivados de estudos que envolvem seres
humanos, devem obrigatoriamente ter sido aprovado por Comitê de Ética em
Pesquisa, conforme preconizam as diretrizes e normas da Resolução 196/96. Os
autores deverão inserir a cópia digitalizada da declaração de aprovação do Comitê
de Ética em pesquisa da instituição. (TRASINFORMAÇÃO, [200-]. Grifo do autor)

As demais publicações não fazem qualquer menção a procedimentos quanto à
pesquisa que envolva seres humanos, nem quanto à aprovação de um Comitê de Ética em
Pesquisa, ou referência à Resolução 466/2012, ou ainda a necessidade de aplicação do Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido, que é sem dúvidas um instrumento que fortalece o
respeito ao principal referencial da bioética, a autonomia do sujeito da pesquisa.
O fato de não haver questões expressas quanto aos procedimentos éticos para a
publicação de pesquisas que envolvam seres humanas nos dois periódicos mencionados, não
significa que os mesmos não publiquem artigos fruto desse tipo de pesquisa. A partir do
levantamento e análise dos artigos divulgados nesses periódicos, ao longo do ano de 2015,
observamos que foram publicados pelo menos 18 trabalhos frutos de pesquisas que envolviam
seres humanos, sendo pelo menos 5 na revista Informação e Sociedade e 13 na revista
Perspectivas em Ciência da Informação. Em geral, esses artigos envolviam seres humanos
com a aplicação de questionários, ou a realização de entrevistas com os participantes, mas
houve ainda um caso onde foi realizado um treinamento e posterior avaliação dos
participantes após o uso de uma determinada ferramenta de informação.
Na área da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, assim como nas demais
áreas do conhecimento, a confiabilidade e o prestígio de uma publicação periódica científica
estão intimamente relacionados aos seus aspectos normativos, que incluem uma política
editorial respeitável, uma avaliação por pares qualificados para que se chegue a uma seleção
de trabalhos com potencial para influenciar e impulsionar o desenvolvimento da área. Então,
por que não somar-se a isso a inclusão de aspectos éticos, incluindo-se aqui aspectos
específicos quando se tratar de pesquisas que envolvem seres humanos para garantir que os
estudos tenham sido conduzidos com rigor ético e científico, já que o que buscamos é a
excelência, e ela só pode vir a partir de aperfeiçoamentos e mudanças que vão nos mostrando
melhores caminhos a serem seguidos com o tempo.
A maioria das pesquisas científicas bem-sucedidas resulta numa mudança do
primeiro tipo, e sua natureza é bem capturada por uma imagem habitual: a ciência
normal é aquilo que produz os tijolos que as pesquisas científica está sempre
adicionando ao crescente acervo de conhecimento científico. (KUHN, 2006, p.23).

5

Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da qualidade da produção
intelectual dos programas de pós-graduação. A classificação de periódicos é realizada pelas áreas de avaliação
e passa por processo anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da
qualidade - A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C - com peso zero. (COORDENAÇÃO DE
APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2014b).

�A construção da ciência se dá ao longo dos tempos e ás vezes incluindo oposição a
conhecimentos anteriores, Silva (1999, p.108) afirma que cada cultura possui a sua forma
característica de ver o mundo, em torno da qual se organizam as sociedades em geral. Quer
mediante consenso ou conflito, há o predomínio de um certo conjunto de ideias sobre outro,
durante um certo período de tempo, de maneira alternada ou simultânea, explícita ou
implícita. Assim, quando observarmos as formas de fazer ciência, esta ação pode nos levar
não só ao conhecimento e à reflexão sobre os conteúdos científicos produzidos, mas sobre a
prática histórica do fazer ciência.
Nesse sentido vale a reflexão sobre quais rumos queremos que siga o fazer científico, e
quais os valores que desejamos que sejam implementados nesse fazer que constituem as bases
dos nosso paradigma científico.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa científica, indiscutivelmente, é o que impulsiona a ciência, e
consequentemente, as comunicações dos seus resultados figuram na linha de frente desse
processo, que tem nos canais de comunicação científica a sua mola propulsora. O que se
observa atualmente no cenário da pesquisa científica é que questões relacionadas a aspectos
éticos têm comparecido de forma marcante, então, é de se esperar que questões éticas
compareçam nos canais por onde passam a comunicação científica.
Embora bastante tratado de um modo geral no cenário da pesquisa científica, nas
áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação isto ainda não nos parece um paradigma
consolidado, pelo menos não no segmento das publicações periódicas científicas, visto que
duas das três revistas mais bem avaliadas das áreas ainda não se estruturam sobre os
pressupostos e normas que visam às questões éticas que envolvem seres humanos em
pesquisas.
Nesse sentido, consideramos que pensar e estabelecer critérios e normas para
estruturar o fazer científico é não só tentar estabelecer valores desejáveis de uma ciência, mas
também de um cientista. Assim, entendemos tais pressupostos como construtores de valores
desejáveis para quem faz ciência, e também para os cientistas profissionais da informação.
Apesar de eventuais discrepâncias que ainda se encontram nas normativas, temos que
reconhecer que as iniciativas que regulam os aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres
humanos são instrumentos que se constituem enquanto ferramentas que auxiliam no alcance
da excelência na pesquisa nesse aspecto, e não devem ser vistos apenas como obstáculos a
serem transpostos.
As discussões sobre ética estão presentes no cenário onde a tecnologia e o progresso
em outrora pareciam ter seu predomínio. Se isso efetivamente se concretiza em reais
benefícios aos seres humanos é uma questão a se observar na prática, e em meio a tudo isso
vale à pena refletir sobre o momento em que estamos vivenciando em termos de “problemas e
soluções modelares” no nosso atual modelo de fazer ciência. Seria o fim do paradigma
tecnológico? Ou sua oposição, ou ao menos a construção de um caminho para um paradigma
humanista? Considerando que este seja um caminho mais humanista, é bem pertinente e
desejável que a Biblioteconomia e Ciência da Informação integrem esse modelo que tem
como foco o humano e o seu livre esclarecimento.
Destarte, a inclusão e o respeito às normas éticas em pesquisas que envolvem seres
humanos e consequentemente nos meios em que seus resultados circulam é não apenas
garantir uma postura ética no plano dos valores desejáveis para uma área do conhecimento, é
garantir uma integridade ética no que diz respeito à construção de valores desejáveis para o
progresso científico como um todo, é fortalecer modelos desejáveis do ponto de vista moral, é
fortalecer paradigmas onde valores humanos estão acima dos fins.

�REFERÊNCIAS
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este artigo busca contextualizar aspectos que envolvem as questões éticas em pesquisa, especialmente a questão da ética em pesquisa envolvendo seres humanos. Fazemos uma reflexão acerca do paradigma da ciência e da possível construção de um novo paradigma dentro do fazer científico que abre espaço para uma abordagem humanista, onde o ser humano é o cerne das questões éticas. Partimos de uma abordagem ampla da questão, para em seguida discutirmos a o desenvolvimento deste tema, especificamente, no campo da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, objetivando analisar como estas tratativas comparecem nesse cenário a partir da análise da produção científica das áreas, considerando para isso, alguns dos aspectos relativos às publicações periódicas de maior destaque nestas áreas.</text>
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                    <text>OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS BIBLIOTECÁRIOS PARA A
INTRODUÇÃO DE DISPOSITIVOS MÓVEIS EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS DA REGIÃO DO CARIRI-CE

Danilo Cândido dos Santos (UFCA) - danillo_candido@hotmail.com
David Vernon Vieira (UFCA) - davidv.vieira@gmail.com
Resumo:
O crescente avanço tecnológico proporcionou à biblioteca uma reformulação no acesso à
informação. Nos últimos anos ela vem sofrendo mudanças conceituais e estruturais
relacionadas a um acesso mais amplo antes só possível por meio do papel. A pesquisa foi
realizada em bibliotecas universitárias da região do Cariri, no sul do Ceará, com base na
concepção de que essas unidades da informação como disseminadoras da informação,
poderiam usar os dispositivos móveis como uma ferramenta de disseminação da informação.
Diante das circunstâncias apresentadas consideramos como fonte artigos científicos que
envolviam essa temática e com base nelas, foi elaborado questionário a ser aplicado a
bibliotecários nesses espaços de informação e conhecimento, trazendo uma representação real
do uso das tecnologias de informação e comunicação nesse ambiente. Na aplicação dos
questionários foram analisados o domínio do bibliotecário diante do uso de dispositivos móveis
levando em questão o uso desse meio em bibliotecas universitárias. Conclui-se que ao
introduzir os dispositivos móveis em bibliotecas universitários precisa-se discutir os melhores
métodos a serem utilizados, de modo que amplie os serviços e assim favoreça a disseminação
da informação.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Dispositivos Móveis. Gestão de bibliotecas
universitárias. Planejamento em bibliotecas universitárias. Tecnologias da
Inform
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Dispositivos móveis em contexto acadêmico

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Região Metropolitana do Cariri (RMC) é formada pela conurbação dos municípios
de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha e mais outros seis que estão localizados no sul do
Estado do Ceará. A população da região em 2011 estava estimada em 564 mil habitantes. Ela
tem se beneficiado da oferta de cursos superiores com a chegada da Universidade Federal do
Cariri e, também da criação de várias faculdades particulares que oferecem cursos de
graduação para estudantes que antes tinham que se deslocar para as capitais nordestinas mais
próximas.
Na região do Cariri Cearense a oferta de serviços de telecomunicação está em
expansão com a instalação de lojas das operadoras Oi, TIM e Claro e, já se anuncia a entrada
da Vivo. A disponibilização de sinal exclusivo dessas operadoras em cidades da região onde
antes não havia também reflete o crescimento na demanda na região, embora os serviços de
acesso à internet por meio dessas operadoras ainda sejam vistos com problemas pelos
usuários (DIÁRIO DO NORDESTE, 2013).
Neste contexto, foi implantada a Universidade Federal do Cariri a partir do
desmembramento do campus da UFC-Cariri (Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha) e a criação
dos campi de Icó e Brejo Santo quando serão criados 27 cursos de graduação para atender a
cerca de 6.490 estudantes. Além disso, a região conta ainda com um polo universitário
formado por diversas instituições públicas e privadas. Na iniciativa pública tem-se a
Universidade Regional do Cariri – URCA, o Instituto Federal de Educação Ciência e
Tecnologia - IFCE e a Faculdade de Tecnologia CENTEC – FATEC. Na iniciativa privada se
destaca a Faculdade de Juazeiro do Norte - FJN, a Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro
do Norte - FMJ, a Faculdade Leão Sampaio - FALS e a Faculdade Paraíso - FAP. Assim, estas
oito IES disponibilizam, em sua infraestrutura, de bibliotecas universitárias para dar o suporte
ao ensino, à pesquisa, à extensão e também à preservação da cultura da região com a agilidade
e precisão exigidas pelo ambiente acadêmico atual.
Esse trabalho tem como finalidade analisar as diversas ocorrências encontradas pelos
bibliotecários junto da sua instituição diante da não utilização de dispositivos móveis no
ambiente das bibliotecas universitárias da região do Cariri Cearense. Partindo para uma
análise dos desafios que podem ser encontrados caso houvesse a implantação de algum
aplicativo móvel nesse ambiente.
É perceptivo que grande parte dessas universidades se encontra em um processo de
reformulação, saindo da construção de leitura só nos livros tradicionais e começando a
adentrar diante de uma nova sociedade tecnológica, fazendo com que o leitor comece a deixar
de ler no formato impresso e passe a ler no formato digital. Essa inovação pode trazer
algumas reestruturações nos serviços oferecidos pelas bibliotecas da região, resultando na
busca por iniciativas que permita uma melhor aproximação do usuário através do ambiente
digital com suas respectivas bibliotecas.
A crescente tendência gerada pelas editoras em oferecer conteúdo no formato digital,
vem obrigando muitas bibliotecas universitárias, inclusive as da nossa região a remodelarem
as políticas para manterem o acervo atualizado. Assim, em vez de comprar só livros impressos
essas bibliotecas estão modificando sua política de desenvolvimento de coleções, levando a
uma construção social dentro de um ambiente inovador que requer uma nova política de
seleção de material, que nesse caso é a compra de livros no formato digital que podem ser
disponibilizados por meio de aplicativos ou sítios online. (CUNHA, 2010).
O presente trabalho tem como objetivo observar os desafios enfrentados pelos
profissionais bibliotecários, na construção de aplicativos que permitam o uso de dispositivos
móveis no ambiente de aprendizagem. Uma dessas dificuldades é o advento dos telefones

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

inteligentes (em inglês smartphones) e tablets, que podem gerar uma nova configuração
tecnológica no ambiente das bibliotecas universitárias, já que os bibliotecários poderiam
empregar estes aparatos para auxiliar o leitor na busca por informações e oferecer outros
serviços da biblioteca aos usuários. Objetivou os seguintes critérios específicos: a) identificar
as dificuldades encontradas para o emprego de dispositivos móveis nas bibliotecas
universitárias da região do Cariri; b) discutir possíveis soluções sobre a utilização e
desenvolvimento de aplicativos voltados para esses dispositivos móveis no espaço das
bibliotecas universitárias da referida região. Vale ressaltar, que os bibliotecários precisam
melhor conhecer como estão sendo utilizados estas ferramentas, e como o próprio
bibliotecário pode desenvolver atividades que incorporem as tecnologias móveis nas
bibliotecas.

2 Revisão de literatura
Os avanços tecnológicos nos últimos anos vêm desencadeando algumas
transformações não só na sociedade, mas ao mesmo tempo nas bibliotecas, uma dessas
mudanças é o advento dos tablets e smartphones que tem proporcionado aos leitores buscar
possíveis informações sobre aquilo que estão procurando, usando da mobilidade que a
internet móvel propicia. A sociedade tecnológica passou por três fases que vêm desde o
surgimento da fala e da escrita, e agora experimenta a linguagem digital. (MONTRESOL,
2010).
A linguagem digital está voltada para o surgimento dos livros eletrônicos (em inglês ebooks) e a leitura no formato digital, que vem trazendo algumas modificações dentro das
bibliotecas. No Brasil essas transformações vêm acontecendo lentamente, fazendo surgir
alterações nesse ambiente. Apesar dessas mudanças serem demoradas, o Brasil vem buscando
novas alternativas que faça o leitor interagir com esse ambiente.
Novas tecnologias surgem a cada dia, e com elas, o aumento da demanda,
por parte dos usuários, dessas inovações. As tecnologias da informação estão
sendo criadas, disponibilizadas e aperfeiçoadas dentro de sistemas de
representação e recuperação de informações, extrapolando limites dos
tradicionais catálogos referenciais em fichas, alcançando as bases de dados
em linha. (SOUZA; PAULIN; MARTINS, 2009, p. 1-2)

Mas a realidade é que a maioria dos usuários que precisam de acesso a um documento
eletrônico não está confortável para lê-lo na tela do computador, e, provavelmente, acaba por
imprimir algumas partes ou ele no todo. (MONTEOLIVA; PÉREZ-ORTIZ; REPISO, 2008).
Na acepção do livro eletrônico (as obras), é possível encontrar uma proliferação de
formatos dos arquivos de livros eletrônicos, como por exemplo: pdf, epub, txt, (PROCÓPIO,
2008), e modalidades de acesso, que são muitas vezes interconectadas. (MILLÁN, 2008).
Serra (2012) observa ainda que existem dificuldades de atuação da biblioteca
universitária em um mercado onde os modelos de negócios não foram completamente
definidos quanto ao acesso das obras. A maioria das bibliotecas franqueia o acesso às
publicações eletrônicas aos usuários registrados em seus sistemas, respeitando o histórico de
empréstimos, assiduidade nas devoluções e demais características que são definidas pela
direção da biblioteca. Isso possibilita ao usuário ter acesso ao documento por meio de
download ou utilizando-se de barreiras que impossibilitem a cópia ou impressão com acesso
restrito utilizando do Gerenciamento de Direitos Autorais (em inglês Digital Right
Management ou DRM).
As bibliotecas universitárias são conhecidas como organizações onde a informação é
armazenada e disseminada, e são nesses espaços que grande parte do conhecimento é gerado e

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preservado. O bibliotecário cujo papel primordial é organizar, recuperar e disseminar
informações, faz com que esse ele possa procurar e oferecer novos serviços que ajudem numa
melhor recuperação e disseminação do conhecimento, fazendo com que a partir disso ele
busque ou crie alguns mecanismos. O aplicativo móvel é um desses, onde o usuário ao usá-lo
possa desempenhar uma melhor agilidade na recuperação da informação, favorecendo a
disseminação da informação e trazendo maior rapidez ao buscar ou acessar um determinado
documento no formato digital.
Trénor (2011) levanta alguns pontos importantes sobre os prós e os contras de uma
biblioteca ser totalmente digital. Embora que esse tipo de biblioteca em si pode trazer uma
melhor qualidade de serviço e inovação, já que ela pode tratar de diversos fatores, desde a
compra dos arquivos em formato digital, fazendo com que tenha um menor custo de
armazenamento como até possibilitar que os usuários tenham agilidade no acesso à
informação que pode estar disponível 24 horas durante os sete dias da semana. No entanto, o
uso de livros eletrônicos nas bibliotecas universitárias ainda está passando por uma série de
avaliações, pois existem diversos fatores a serem tratados como, por exemplo, a licença para o
uso dos direitos autorais, as mudanças que o próprio profissional bibliotecário vai ter que
enfrentar na sua rotina de trabalho e muitas vezes a resistência dos usuários para lerem este
tipo de livro, pois muitos ainda preferem o papel no lugar do livro eletrônico. Quanto à
realidade brasileira Silveira (2014, p. 72) destaca que:
[...] o grau de desenvolvimento tecnológico nas bibliotecas universitárias no
Brasil é muito desigual, mas é inegável a necessidade de atualização e
modernização, para que se mantenham atuantes e, principalmente, para
auxiliar o usuário a produzir conhecimento técnico e científico.

Esse conceito de Silveira (2014) sobre a desigualdade de desenvolvimentos
tecnológicos nas bibliotecas universitárias no Brasil, pode dar-se por causa da grande parte
dessas universidades ainda não terem uma política para lidar com essas inovações
tecnológicas, já que esse meio está em constante modificação levando em si uma
desigualdade entre essas universidades. Cunha (2010, p.2) ressalta que:
Estas mudanças vão além da mera incorporação de avanços tecnológicos.
Elas incluem o repensar da essência do que define uma biblioteca
universitária, o seu sentido de lugar, de produtos e serviços para a
comunidade acadêmica, coisas que, todos concordam, têm caracterizado a
biblioteca ao longo dos séculos passados.

Caso ocorra alguma modificação no ambiente das bibliotecas universitárias da Região
do Cariri, antes é necessário elaborar uma política de desenvolvimento de coleções digitais
para lidar com esses avanços tecnológicos e, a partir disso, avaliar como seria a utilização
desses dispositivos móveis no seu ambiente. Tomando como ponto essa realidade, é bom
trazer alguns tipos de vantagem na sua utilização, fazendo com que ela possa superar os
desafios caso esse aplicativo ou dispositivo fosse instalado neste ambiente.
Embora as bibliotecas universitárias juntamente com os bibliotecários sempre estarem
passando por reformulações os autores como, Paiva; Torino, L. e Torino, E. (2008, p. 12)
destacam que:
O uso da tecnologia da informação na biblioteca, geralmente proporciona
benefícios, tanto aos profissionais bibliotecários, aos técnicos e auxiliares no
desenvolvimento de suas atividades, quanto aos usuários no atendimento das
suas necessidades de pesquisa. Um ponto positivo é que muitos dos usuários
já dominam as ferramentas de informática, sobretudo a internet.

Apesar dessas diversas modificações que vem acontecendo com o uso destas novas
tecnologias no ambiente das bibliotecas universitárias e os seus diversos benefícios, ainda

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assim nem sempre os profissionais que lidam com isso têm habilidade para adotar esses novos
meios, mas isso não impede que esses profissionais se aperfeiçoem com essas novas
mudanças e, que a partir delas comecem a gerar informação que possa chegar ao uso de todos.

2.1 O bibliotecário frente a utilização desses dispositivos móveis.
A utilização de dispositivos móveis nas bibliotecas universitárias vem trazendo
algumas reflexões a respeito do perfil do profissional bibliotecário frente ao uso desses
dispositivos. Acredita-se que a partir dessa utilização a informação possa ser melhor
armazenada e que haja uma melhor disseminação dessa informação nas bibliotecas
universitárias, embora isso possa levar as mesmas a se tornarem-se uma fonte secundária. O
conhecimento e o acesso à informação são fatores de fundamentais importâncias na
construção de uma biblioteca, mesmo que isso possa levar ela a buscar outras direções.
(CUNHA, 2010).
Surgem dessa forma algumas indagações: Será que o bibliotecário estará capacitado a
inserir-se nessas reformulações que estão sendo adotadas, ou ele terá que recorrer a
profissionais como, os da área de Tecnologia da Informação (TI) para ajudá-los? Eis a
questão, não sabemos ainda se todos os profissionais bibliotecários estarão aptos a se inserir
nesse novo contexto. Esta reformulação não vem só para atingir o profissional bibliotecário,
mas, ao mesmo tempo, os próprios usuários.
Diante desse novo contexto que o bibliotecário está sendo inserido, será que ele vai
conseguir encontrar algumas dificuldades dentro dessas novas transformações tecnológicas,
uma vez que, foi preparado com o conhecimento tecnológico anterior? Os autores, como
Tomaél et alli (2014, p. 94) ressaltam que: “Um ponto relevante para as bibliotecas está na
constatação de que o ambiente virtual possibilitou a disponibilização de recursos acessíveis a
um número maior de pessoas”.
A biblioteca universitária perante a disponibilização de livros eletrônicos e físicos, fez
com que o bibliotecário na função de gestor da informação, buscasse alternativas para lidar
com esses avanços. Mas será que as alternativas existentes atualmente darão conta do acesso à
informação que temos no nosso dia a dia? Tomaél et alli (2014, p. 90) evidenciam que:
[...] as funções dos bibliotecários estão centradas em avaliar, negociar e
adquirir produtos e serviços relevantes para as necessidades de seus usuários
e, ainda, integrar os produtos adquiridos com os sistemas existentes. Outra
grande oportunidade para o bibliotecário é a especialização na pesquisa, com
essa competência terá mais condições de fornecer ao usuário final algo que
esse não seja capaz de obter por si só, por meio dos provedores que estão
disponíveis.

O bibliotecário embora venha encontrando dificuldade na construção de bibliotecas
universitárias, vem buscado algumas alternativas que atenda às exigências que os usuários
necessitem daquele ambiente, já que nesse novo século a informação é de extrema
importância para a criação da própria cidadania e educação deste usuário. Cunha (2010, p.
18) comenta que:
O problema é que nessas mudanças existem inúmeras questões culturais,
tecnológicas e comerciais, mas o principal fio condutor delas deve ser a
redução dos custos da biblioteca e o aumento da qualidade dos serviços e
produtos disponíveis a usuários locais e remotos. Portanto, a busca por
qualidade, por entrega mais rápida ao usuário do documento e/ou informação
e da sustentabilidade, possivelmente serão os grandes desafios a serem
enfrentados pelas bibliotecas nos próximos anos.

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A falta de experiência dos bibliotecários ao conhecer a aplicação do uso de
dispositivos móveis em seu ambiente e a desigualdade das diversas bibliotecas universitárias
junto ao uso das tecnologias vem acarretando muitas vezes que essas instituições encontrem
algumas dificuldades na implementação de sistemas de gestão de acervo ou até mesmo na
utilização aplicações que adotam a tecnologia por trás desses dispositivos. Essas dificuldades
fazem com que as instituições junto com os bibliotecários acabem buscando novas soluções
para resolver esses problemas que são encontrados diante dessa situação.

3 Materiais e métodos
Para a realização dessa pesquisa, inicialmente elaborou-se um levantamento
bibliográfico a respeito de como estavam sendo desenvolvidos estudos que ressaltem os
desafios encontrados pelas bibliotecas universitárias diante de uma nova política de
desenvolvimento de coleções digitais, procurando inserir neste ambiente o desenvolvimento
da aplicação voltada para o uso de dispositivos móveis no entorno dessas bibliotecas e quais
seriam suas dificuldades caso essas aplicações já estivessem funcionando. Após essa análise,
procurou-se levantar as dificuldades caso essas aplicações voltadas para dispositivos móveis
fossem implementadas nas universidades da região do Cariri Cearense.
A pesquisa é de cunho exploratório, Gil (2007, p. 41) ressalta, que “Estas pesquisas
têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo
mais explícito ou a construir hipóteses”. A coleta de dados foi realizada por meio de
questionário com conteúdo voltado para descrever o perfil do bibliotecário e os serviços
disponibilizados por meio de dispositivos móveis.
No levantamento bibliográfico foram utilizadas as seguintes palavras-chave:
dispositivos móveis, e-books, livros eletrônicos, celulares, tablets, mobile applications e
academic library, podendo assim ajudar na construção do mesmo.
Foram aplicados sete questionários nas bibliotecas universitárias da região, com o
intuito de melhor avaliar a adoção de dispositivos móveis nesse ambiente de trabalho,
possibilitando uma compreensão melhor do emprego dos dispositivos móveis nessas unidades
de informação, permitindo entender quais as ferramentas que os bibliotecários conheciam e
tinham domínio sobre o elas, e quais instrumentos ou mecanismos as instituições utilizam
para disponibilizar o acesso a informação ou preservá-las.

4 Resultados Finais
Os instrumentos coletados tiveram como objetivo explanar a utilização dos
dispositivos móveis por parte de uma possível aplicação desses dispositivos em biblioteca
universitária, trazendo as facilidades e as dificuldades do bibliotecário diante de algumas
utilizações.

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A representação do gráfico, traz um possível conhecimento por parte dos bibliotecários
da região do Cariri, em relação ao uso destas tecnologias móveis, em dispositivos móveis nas
bibliotecas universitárias.
Na análise observa-se, como as mais utilizadas são o Bluetooth, LTE – Long Term
Evolution. (3G/4G), Protocolo 802.11ac (rede Wifi), representando 100% dos resultados, no
entanto os menos conhecidos ou poucos utilizados são eles: Realidade Aumentada e o NFC
(Near Field Communication) representando só 28,6% dos resultados.
O emprego do Código QR em bibliotecas universitárias, ocasiona um envolvimento da
biblioteca com os dispositivos móveis, o Código QR é um tipo de código bidimensional onde
ele permitir a incorporação de qualquer tipo de textos, mensagem, imagens e outros. Vieira e
Cunha (2015, p. 662) ressaltam que:
A recuperação da informação utilizando um leitor de código QR pode
agilizar a busca do usuário que possui dispositivos móveis. O usuário que
deseja usar essa tecnologia precisa ter além de um dispositivo móvel com
câmera fotográfica e acesso à internet, baixar e instalar uma aplicação no
aparelho que faça a leitura de código QR, como, por exemplo, o QR Code
Reader ou o I-nigma, conforme o sistema operacional que for mais
conveniente.

Com base no contexto de Vieira e Cunha (2015) a biblioteca assim como o
bibliotecário precisa ter conhecimento de sua utilização, facilitando a incorporação do mesmo
no seu ambiente de trabalho. Mas apesar disso é preciso também tomar algumas diretrizes ao
tentar representar a informação por meio do Código QR, não adianta querer gerar esses
códigos QR e não saber estabelecer pontos estratégicos onde a biblioteca possa colocá-los.
A utilização da rede sem fio (em inglês Wifi) no ambiente das bibliotecas
universitárias permitiu ao usuário uma aproximação com o conhecimento, tornando esse
emprego algo pedagógico. Vieira e Cunha (2013) destacam a importância das bibliotecas
universitárias em se preocupar com a utilização da internet e a inserção do WiFi no seu
ambiente de trabalho, pois o mesmo tende a promover a disseminação ao conhecimento e o
acesso a ela, permitindo ao usuário uma melhor mobilidade e conectividade com as
informações que são disponíveis por meio da internet. A preocupação dentro desse contexto é
saber se os usuários estão conseguindo utilizar as fontes para recuperar a informação, como a
uma enorme diversidade de informações onde a uma dispersão de informações, isso pode
dificultar o usuário a recuperar um determinado tipo de informação, levando muitas vezes o
usuário a não recuperar as informações que ele queria.
A Realidade Aumentada (RA) segundo Freire et al (2012, p. 5) “seria o predomínio do
mundo real sobre o virtual”. Gasiglia e Geisler (2007, p. 17) destacam que “A idéia de simular
a realidade, imitá-la ou transformá-la sempre causou enorme fascínio no ser humano”, no
entanto para colocá-la em prática em biblioteca universitária precisaria de uma série de
requisitos, Gasiglia e Geisler (2007, p. 17) destacam que.
Para que haja uma aplicação apropriada de Realidade Aumentada em livros é
necessário se elaborar um software de desenvolvimento de aplicações em
RA, devidamente ajustado e configurado para as informações que se deseja
reproduzir; marcadores que reproduzirão as imagens 3D e serão anexados às
páginas dos livros; e webcam ou óculos 3D, que farão a captura e reprodução
das imagens 3D.

Na abordagem exposta por Gasiglia e Geisler (2007) ao introduzir a realidade
aumentada em livros sem que venha apresentar problemas, precisa-se rever uma série de
medidas a serem tomadas na sua aplicação exigindo um trabalho minucioso, já que cada
biblioteca pode tentar adotar um tipo de software diferente, tentando incorpora-la de acordo
com a necessidade da sua biblioteca. No entanto Arroyo-Vázquez (2016, p. 5 traduzido)

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Com base nos resultados alcançados, o que se analisa é que outros tipos de conteúdo
estão começando a ser introduzidos nas bibliotecas da região inclusive as assinaturas online
de revistas comerciais, que começam a ganhar força e destaque nas bibliotecas região e
podem vim a se tornar um dos requisitos a ser adquiridos por parte das bibliotecas
universitária na região.
O usuário como consumidor de informação, começa a ganhar oportunidades de buscar
por informação em diversos tipos de suporte, onde possa promover um alcance mais amplo do
seu conhecimento.

5 Considerações finais
A utilização de aplicativos móveis no ambiente das bibliotecas universitárias da região
do Cariri ainda é algo recente, as mesmas precisam melhor conhecer como estão sendo
utilizados estas ferramentas. Vale ressaltar, que o próprio bibliotecário precisa desenvolver
atividades que incorporem as tecnologias móveis nas bibliotecas.
A não utilização de aplicações voltadas para o uso nestes dispositivos móveis em
muitas das bibliotecas universitárias do Brasil, inclusive dessa região, pode dar-se por alguns
motivos, que vai desde a instituição já possuir um sistema de gestão do acervo que dispõe de
uma ferramenta de buscas online que é incompatível com possíveis aplicativos que usam os
dispositivos móveis e os livros digitais ou até mesmo um repositório que expõem esses livros
no formato digital, fazendo com que a biblioteca acabe se acomodando com o ambiente no
qual já está inserida.
As bibliotecas físicas hoje ainda são muito utilizadas, mas cabe a nós vermos como
elas serão daqui há alguns anos, pois, as bibliotecas digitais começam a ganhar novos espaços
dentro delas, fazendo que esse ambiente conquiste mudanças sonhadas pelos usuários. Essas
modificações vêm acontecendo gradativamente por causa da necessidade de os usuários
buscarem novas alternativas para lidar com grande excesso de informação que temos hoje e
por causa do próprio custo físico que estas bibliotecas teriam que lidar diariamente caso elas
só adquirissem livros no formato físico nesse novo século. Mas isso não nos leva a julgar que
daqui há algum tempo as próprias bibliotecas físicas acabarão e as bibliotecas digitais irão
migrar para esse ambiente, já que a biblioteca física tem um papel importante na construção
da memória da humanidade.
As bibliotecas físicas continuarão na busca por inovação, fazendo com que elas
consigam lidar com as mudanças que o próprio usuário impõe. Isso ocorre, por causa das
diversas transformações tecnológicas que vem acontecendo nas últimas décadas. As
bibliotecas físicas são espaços de conhecimentos, mediação de leitura, cultura, educação e
interação social direcionado à comunidade.
Os bibliotecários da região têm conhecimento da importância dessas tecnologias no
ambiente da biblioteca, o mesmo precisa buscar se capacitar por meio de treinamentos, aulas
online ou físicas sobre a introdução desses novos suportes digitais que estão ocorrendo no seu
ambiente de trabalho, de modo a saber a real importância desses suportes para os usuários e
para divulgação do acesso ao conhecimento.
Falar sobre dispositivos móveis no atual contexto tecnológico que estamos
vivenciando, onde a tecnologia está passando por mudanças a cada segundo, possibilita a nós
uma oportunidade de conhecimento e aprendizado dos diversos tipos de suportes
informacionais no ambiente das bibliotecas universitárias, tendo uma visão da importância do
mesmo para essas bibliotecas.
Diante do apresentando ficam possíveis sugestões para futuras pesquisas nessas
temáticas: 1) Que atividades nos ambientes das bibliotecas universitárias são mais favoráveis

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

a introdução dos dispositivos móveis? 2) Qual a percepção dos bibliotecários em torno da
incorporação das tecnologias móveis em bibliotecas universitárias? 3) De que forma é
possível se utilizar das tecnologias móveis para a formação do usuário de bibliotecas
universitárias?

Referências
ARROYO-VÁZQUEZ, Natalia. Experiencias de realidad aumentada en bibliotecas: estado de
la cuestión. BiD: textos universitaris de biblioteconomía i documentació. Barcelona –
Espanha, n. 36, p. 1-7, junho. 2016. Disponível em &lt;http://bid.ub.edu/es/36/arroyo.htm&gt;.
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CUNHA, Murilo B. A biblioteca universitária na encruzilhada. DataGramaZero Revista de
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&lt;http://www.dgz.org.br/dez10/Art_07.htm&gt;. Acesso em: 5 set. 2014.
DIÁRIO DO NORDESTE. Telefonia celular conta com novas lojas no Cariri. Caderno
Regional, 08 jan. 2013. Disponível em:
&lt;http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/telefonia-celular-conta-comnovas-lojas-no-cariri-1.77413&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
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electrónicos. El profesional de lainformación, v. 17, n. 4, p. 396-402, 2008. Disponível em:
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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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possibilidades de promoção do acervo. RBBD. Revista Brasileira de Biblioteconomia e
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https://portal.febab.org.br/anais/article/view/1424 &gt;. Acesso em: 08 jun. 2016.

AGRADECIMENTOS
Agradecimento à Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(FUNCAP) por apoiar este projeto, dando oportunidade aos universitários na produção de
conhecimento.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Os desafios enfrentados pelos bibliotecários para a introdução de dispositivos móveis em bibliotecas universitárias da região do Cariri-CE.</text>
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                <text>O crescente avanço tecnológico proporcionou à biblioteca uma reformulação no acesso à informação. Nos últimos anos ela vem sofrendo mudanças conceituais e estruturais relacionadas a um acesso mais amplo antes só possível por meio do papel. A pesquisa foi realizada em bibliotecas universitárias da região do Cariri, no sul do Ceará, com base na concepção de que essas unidades da informação como disseminadoras da informação, poderiam usar os dispositivos móveis como uma ferramenta de disseminação da informação. Diante das circunstâncias apresentadas consideramos como fonte artigos científicos que envolviam essa temática e com base nelas, foi elaborado questionário a ser aplicado a bibliotecários nesses espaços de informação e conhecimento, trazendo uma representação real do uso das tecnologias de informação e comunicação nesse ambiente. Na aplicação dos questionários foram analisados o domínio do bibliotecário diante do uso de dispositivos móveis levando em questão o uso desse meio em bibliotecas universitárias. Conclui-se que ao introduzir os dispositivos móveis em bibliotecas universitários precisa-se discutir os melhores métodos a serem utilizados, de modo que amplie os serviços e assim favoreça a disseminação da informação.</text>
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                    <text>O USO DE INDICADORES DE DESEMPENHO DA ISO 11620 PARA
AVALIAR BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Elaine Cristina Tomás Pimenta (Ufes) - elapimenta@yahoo.com.br
Thalmo de Paiva Coelho Junior (Ifes) - thalmo@ifes.edu.br
Resumo:
O uso de indicadores de desempenho para avaliar a qualidade em unidades de informação,
tem se tornado cada vez mais uma ferramenta de apoio a gestão ajudando no planejamento. O
objetivo desta pesquisa é identificar quais as vantagens e desvantagens de se fazer avaliação
em bibliotecas universitárias usando indicadores de desempenho da ISO 11620. A pesquisa foi
baseada em pesquisa bibliográfica, onde foi feito o levantamento de bibliografias nacionais e
internacionais dando embasamento teórico aos assuntos da pesquisa. Fazer a avaliação das
bibliotecas universitárias usando os indicadores de desempenho da ISO 11620 auxilia o gestor
a agir de modo que diminua as ameaças ao meio, buscando sempre a eficácia, eficiência e
inovação em seus serviços, além de poder aplicar de forma mais eficiente os recursos da
biblioteca, a fim de garantir um melhor desempenho de sua função.
Palavras-chave: Avaliação de Desempenho.
Indicadores de Desempenho.

Bibliotecas

Universitárias.

Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação

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ISO

11620.

�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A avaliação reúne dados que são necessários para determinar quais dentre várias
estratégias existentes escolher as que mais possui a probabilidade de se obter os resultados
almejados, ajudando ao administrador a alocar recursos de modo mais eficiente
(LANCASTER, 1996). E hoje para avaliar a qualidade em unidades de informação usa-se
indicadores de desempenho, que tem se tornado cada vez mais uma ferramenta de apoio a
gestão ajudando no planejamento.
Para Rozados (2004, p. 13) “a avaliação é um procedimento que permite aos serviços
de informação conhecer a adequação de seus serviços, seu rendimento e suas falhas”, bem
como, servir de ferramenta para avaliar a qualidade e a eficácia dos serviços prestados, assim
como valorizar a eficiência dos recursos destinados pelas unidades de informação para estes
serviços e atividades. Ao implementar o processo de avaliação, faz-se necessário a criação de
um modelo de avaliação estabelecendo indicadores que sejam apropriados ao uso daquela
biblioteca.
A preocupação com qualidade em biblioteconomia começou a ser abordado em 1990,
foi quando as unidades de informação iniciaram a busca de implementação da qualidade em
seus processos de trabalho, tendo como objetivo atingir a excelência na atuação e melhor
satisfação dos clientes (VERGUEIRO; CARVALHO, 2011). A preocupação com medidas
sistemáticas de eficiência e eficácia em unidades de informação teve início com as bibliotecas
públicas, e a criação da ISO 11620 trouxe uma norma que pode ser usada para fazer essas
medidas sistemáticas em todos os tipos de biblioteca. Nos países desenvolvidos, o uso de
indicadores em unidades de informação para avaliar o desempenho de serviços tem sido uma
preocupação muito presente, especialmente nos Estados Unidos e em países da Europa que
possuem uma marcante representação de estudiosos do assunto. No entanto, no Brasil, o uso
de indicadores para avaliar serviços de informação ainda não é uma prática comum
(ROZADOS, 2004).
As bibliotecas que utilizam os indicadores da ISO 11620 para se fazer avaliação de
desempenho, são: Biblioteca da Universidade do Estado de Iowa nos Estados Unidos;
Bibliotecas da Universidade de Liverpool John Moores na Inglaterra; Biblioteca da
Universidade Regional de Munster na Alemanha, etc. No Brasil, encontramos a tese de
dissertação de Helen Beatriz Frota Rozados aprovada em 2004 que teve como objetivo propor
um conjunto de indicadores de desempenho que fossem aplicados à mensuração e a gestão
dos serviços brasileiros de informação tecnológica com foco no usuário, a biblioteca da
Fiocruz elaborou um instrumento para medir o desempenho de suas bibliotecas usando a ISO
11620 que no ano de 2006 estava em fase de implementação, e a dissertação de Elaine
Cristina Tomás Pimenta aprovada em 2016 que teve como objetivo avaliar a Biblioteca
Central da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) usando indicadores selecionados
da ISO 11620.
O uso de indicadores de desempenho da ISO 11620 para avaliar bibliotecas
universitárias é uma ferramenta vantajosa para se obter resultados almejados em uma
avaliação de biblioteca universitária?
A presente pesquisa poderá ajudar aos profissionais de bibliotecas universitárias a
optarem por usar ou não os indicadores da ISO 11620 dentre as diversas formas de avaliação
de bibliotecas existentes.
O objetivo desta pesquisa é identificar quais as vantagens e desvantagens de se fazer
avaliação de desempenho em bibliotecas universitárias usando indicadores de desempenho
usando a ISO 11620.

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2 Revisão de literatura
2.1 Bibliotecas universitárias
Durante os séculos de nossa história, a Biblioteca tem mudado de função. Como no
romance O nome da rosa de Umberto Eco (1983), que é ambientado em um mosteiro
medieval, a biblioteca era um espaço onde os monges “guardavam” e monopolizavam a
informação, apenas na função de guardiões desses monumentos, acumulados pelo homem em
seu trabalho de conquista do mundo físico e desenvolvimento de suas capacidades intelectuais
e espirituais. Hoje a biblioteca não tem mais esta característica e sim a de promover e
estimular o uso da informação, a integração e a disseminação do material impresso e
eletrônico, a biblioteca passou a ser e as universidades são centros transmissores do
conhecimento, através do ensino e dos livros (LEITÃO, 2005; PRADO, 2003).
Apesar das bibliotecas universitárias terem sua origem na idade média, elas estão
inseridas em um meio onde as mudanças vem alterando sua função ao longo dos anos, onde é
preciso que elas deixem de ser depósito de materiais bibliográficos para se tornarem em local
de acesso ao conhecimento.
A biblioteca universitária mostra sua evolução ao desempenhar o papel de estimular,
apoiar, fomentar e desenvolver o saber em seus múltiplos aspectos, seja por meio de seus
acervos ou das relações que nela estabelecem. Estudiosos da Biblioteconomia reconhecem a
especificidade da função da biblioteca e apontam a relação com o usuário como sua maior
missão (LEITÃO, 2005).
Para Rodríguez et al. (2014) a globalização trouxe mudanças para sociedade do
conhecimento como a mudança de paradigma que se constituiu na aquisição e disponibilidade
de informação tanto do ponto qualitativo quanto quantitativo, onde os indivíduos com uma
maior quantidade de informação se envolve em ações de maior alcance do que aqueles que
possuem pouca informação.
As transformações tecnológicas trouxeram consequências e impactos diretos no
contexto das bibliotecas universitárias devido o aumento do fluxo de informações, a fluidez
das relações interpessoais, a automatização de diversos processos e produtos, a quebra de
paradigmas e o surgimento de novos conceitos como a globalização e as tecnologias da
informação. Nesse momento, surge uma sociedade da informação que não somente valoriza a
informação e o conhecimento, mas também os reconhece como essenciais (SILVEIRA, 2014).
As tecnologias não são apenas instrumento facilitador do processo de ensinoaprendizagem, mas é também uma ferramenta provocadora que traz profundas alterações no
ambiente das bibliotecas universitárias, uma vez que essas mesmas tecnologias estão
presentes na universidade, no ensino, na pesquisa e na extensão afetando os serviços e
produtos que são gerados e oferecidos à comunidade acadêmica (CARVALHO, 2004).
Hoje as bibliotecas disponibilizam informações de qualquer parte do mundo por meio
das redes eletrônicas de informação. Deixando de ser a biblioteca que se dedica apenas a
reunir, organizar, disseminar e/ou até produzir o conhecimento registrado, se tornando como
serviço social de extrema importância para a evolução da sociedade em geral. No entanto,
bibliotecários do século XXI, precisam acompanhar os movimentos de democratização da
informação assumindo outros encargos, a exemplo da avaliação, planejamento, implantação
de redes de informação; programas de gerenciamento de informação; e edição de revistas
técnico-científicas (TARGINO, 2010).
As bibliotecas vêm mudando de paradigmas, e o modelo de biblioteca centrado na
disponibilidade está sendo substituído por um novo modelo centrado na acessibilidade. Onde
a biblioteca tradicional vem dando lugar à biblioteca com ação cultural, e o importante é
suprir as demandas do usuário, de forma imediata, independente de suporte ou localização

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(TARGINO, 2010).
Nesse contexto, Silveira (2014, p. 73) afirma que com “o suporte da informação
evoluindo, o papel deixou de ser protagonista, e os formatos eletrônicos vêm sendo preferidos
pela academia”. No entanto, “[...] a grande missão da biblioteca universitária continua sendo a
mesma: aproximar produtores e consumidores de conhecimento”.
Podemos verificar que as bibliotecas universitárias passaram por transformações ao
longo dos anos tendo que vencer os desafios que trouxeram mudanças para estas bibliotecas, e
a necessidade de tornar cada vez mais acessível a informação vem fazendo com que as
bibliotecas busquem, cada vez mais, formas de agregar um bom desempenho e buscando a
qualidade aos seus serviços.

2.2 Qualidade em organizações como bibliotecas
O termo qualidade passou a existir desde o início do processo produtivo do homem e
passou por diversas fases ao longo do tempo.
A Revolução Industrial trouxe a exploração das máquinas e da mão de obra dos
operários, aumentando a produção e padronizando os produtos. Com o surgimento do modelo
taylorista que teve novos conceitos e procedimentos, surgiu a figura do inspetor que era o
responsável pela qualidade. No período de 1908 a 1927 Ford adotou um sistema de
padronização de medida para facilitar os ajustes das peças usadas em sua linha de montagem.
Já na década de 1930 o conceito de qualidade evoluiu bastante com a criação de ferramentas
de controle estatístico e do surgimento de normas específicas voltadas para o controle de
qualidade (ANDRADE, 2004; CARVALHO, 2012).
Com a Segunda Guerra Mundial o controle de desperdício passou a ser mais rígido e
foi criado técnicas avançadas para o controle pela qualidade de processos e produtos. Ao fim
da Segunda Guerra Mundial o Japão sai derrotado e os japoneses se esforçam para recuperar o
país adotando a qualidade como um ideal a ser conquistado. Nos meados dos anos 1960 o
Japão cria o Círculo de Controle de Qualidade (CCQ), e neste período também foram
estruturados conjuntos de ferramentas de qualidade (ANDRADE, 2004; CARVALHO, 2012).
Em 1987, surge a primeira norma criada pela International Organization for
Standardization (ISO) para a área de Gestão da qualidade que é a ISO 9000 (CARVALHO,
2012).
A qualidade foi incorporada a produção industrial na década de 1920 para evitar que
produtos defeituosos chegassem aos consumidores, já na biblioteconomia o assunto começou
a ser abordado na década de 1990, a partir daí, no mundo inteiro, unidades de informação de
todas as áreas se engajaram na busca de implementação da qualidade em seus processos de
trabalho, desejando assim atingir a excelência na atuação e melhor satisfação dos clientes.
Essa tendência, se iniciou nos países mais desenvolvidos e aos poucos se espalhou para outras
partes do mundo, atingindo os países em desenvolvimento. O Brasil não ficou alheio a essas
influências mundiais, com muitas bibliotecas respondendo de forma entusiasta aos desafios da
qualidade (VERGUEIRO; CARVALHO, 2011). Desde então, as bibliotecas vêm buscando
incessantemente a qualidade em seus produtos e serviços de forma a satisfazer com maior
eficiência as necessidades de informação de seus usuários.
Historicamente, a qualidade da biblioteca vem sendo medida pela sua coleção
tamanho, número de títulos e amplitude de cobertura, variedade de livros e jornais e número
de usuários, mão de obra e serviços. Em passado recente, este conceito foi mudado para a
natureza do serviço prestado pelos bibliotecários e não apenas sobre sua coleção e tamanho da
biblioteca, hoje a avaliação passa pelo crivo do usuário que é envolvido no processo de
avaliação de modo a conseguir resultados aceitáveis e válidos, e a qualidade do serviço nas
bibliotecas foi definido como a diferença entre percepções e expectativas dos usuários no

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desempenho dos serviços, e o conceito de qualidade do serviço passou a ser importante para
as bibliotecas desenvolverem seus serviços (DASH; PADHI, 2010; BAHRAINIZADEH,
2013).
Para Milet (1997, p. 189) projetar qualidade em um serviço é preciso não apenas
entender o cliente mas entender o próprio serviço. E quando abordamos a qualidade em
serviços com estas definições os conceitos ficam prejudicados devido a algumas
características especiais dos serviços que são intangíveis, heterogêneos, a pessoa que presta
serviço faz parte do próprio serviço, não se pode separar a produção do consumo, não são
passíveis de uma inspeção final antes da entrega, não são estocáveis, não são passíveis de
devolução e não são transportáveis.
Durante o processo de execução do serviço o cliente e o fornecedor interagem o tempo
todo. A percepção do cliente quanto a qualidade é influenciada tanto no processo quanto no
resultado do serviço, tornando necessário compreender a forma que o cliente percebe e avalia
a qualidade dos serviços, que muitas vezes avalia o serviço comparando com o que ele
esperava receber com o que ele recebeu (MILET, 1997; PAULA et al., 2015).
As bibliotecas devem ser geridas tendo como foco a qualidade no atendimento das
necessidades informacionais dos usuários, e deve estabelecer no planejamento os padrões que
a biblioteca deseja atingir, visando a melhoria contínua dos seus serviços, focando na
satisfação do usuário e buscando ser uma organização de excelência.
A gestão da qualidade em bibliotecas busca a satisfação do usuário, satisfação essa que
só pode ser alcançada através de serviços eficientes e eficazes. Com isso se faz necessário a
busca pela excelência onde é preciso que seja feito um levantamento sistemático de dados e
de informações, onde pode ser usado indicadores de desempenho como uma ferramenta para
mensurar a satisfação do usuário e a qualidade dos serviços prestados, usado para avaliação e
tomada de decisão (ROZADOS, 2005). A aplicação das teorias da qualidade em serviços de
informação juntamente com a definição de indicadores pode constituir-se em estratégia viável
para ser utilizada por bibliotecas. (VERGUEIRO, CARVALHO, 2001).

2.3 Indicadores de desempenho a busca pela qualidade em bibliotecas
A ISO 11620 estabelece que indicadores são: “Expressão (numérica, simbólica ou
verbal) empregada para caracterizar as atividades (eventos, objetos, pessoas), em termos
quantitativos e qualitativos, com o objetivo de determinar o valor das atividades”
(INTERNATIONAL STANDARDIZATION, 2014, p. 5, tradução nossa). Já Rozados (2005)
determina indicador como sendo uma ferramenta de mensuração, utilizada para levantar
aspectos quantitativos e/ou qualitativos de um dado fenômeno, com o objetivo de avaliar e
subsidiar a tomada de decisão.
Para medir desempenho não se pode adotar indicadores a partir de qualquer dado e sim
indicadores que são coletados de forma sistemática e normalizada, e de fontes previamente
determinadas (LUBISCO, 2008).
Para definir os indicadores a serem usados em uma organização deve-se ter uma
concepção precisa da organização a ser gerenciada, podendo apresentar diferentes níveis de
facilidade ou complexidade. Os indicadores permitem medir os mais variados tipos de
atividades da organização e atingir objetivos diversos, eles se adequam aos objetivos, metas e
missão da organização (ROZADOS, 2005).
Adotar um grupo de indicadores para medir desempenho nas organizações, permite
acompanhar o resultado das atividades desenvolvidas, auxiliar na tomada de decisões,
aumentar a satisfação dos clientes, melhorar a qualidade dos produtos e/ou serviços, bem
como otimizar seus processos, adequando custos aos benefícios (LIRA; VALE; BARBALHO,
2013).

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O uso de indicadores é uma ferramenta que para o gestor possibilita verificar os pontos
fortes e os pontos fracos do desempenho da organização, e ao identificar os pontos fracos
permite ao gestor empenhar esforços para encontrar soluções para o problema. Mas para se
definir os indicadores de desempenho é preciso conhecer os objetivos, as metas e a missão da
organização, bem como saber o grau de importância dos serviços, onde é necessário conhecer
o ponto de vista dos prestadores de serviços e dos usuários.
As bibliotecas universitárias, segundo Lira, Vale e Barbalho (2013) compõem nas
instituições de ensino superior um papel chave de apoio que é o gerenciamento dos serviços
de informação. Para isso, é preciso que o sistema de medição de desempenho seja composto
por um grupo de indicadores que tem o objetivo de agregar valor a seus serviços, de modo
que a biblioteca possa atender com eficiência, eficácia e efetividade as necessidades de
informação da comunidade acadêmica.
A ISO 11620 é uma norma usada para medir desempenho em bibliotecas, e cada
biblioteca deve decidir quais são os indicadores representativos para o seu tipo em particular e
para o que ela deseja medir.
Segundo a ISO 11620 indicador de desempenho é a “expressão numérica, simbólica
ou verbal, derivado de estatísticas da biblioteca e os dados utilizados para caracterizar o
desempenho de uma biblioteca” (INTERNATIONAL STANDARDIZATION, p. 7, 2014,
tradução nossa)
O propósito dos indicadores de desempenho é funcionar como uma
ferramenta para determinar a qualidade e a eficácia dos serviços
oferecidos pela biblioteca e outras atividades relacionadas à biblioteca
e para determinar a eficiência dos recursos alocados pela biblioteca
para cada serviço e outras atividades (INTERNATIONAL
STANDARDIZATION, p. 10, 2014, tradução nossa).
Para Merlo Vega (2000) os indicadores têm uma dupla função: um têm uma natureza
descritiva, que permite verificar o estado e o desempenho do negócio e; o outro têm um
caráter avaliador, permitindo avaliar as causas e os efeitos a eles derivados. O autor coloca
que os indicadores são essenciais para avaliar o desempenho da biblioteca, pois são derivados
de medidas quantitativas que ajudam a estabelecer os elementos que indicam a eficácia da
biblioteca, tornando possível estabelecer planos de melhoria.
Em uma unidade de informação os indicadores de desempenho buscam medir a
eficiência, eficácia, custos e produtividade. O objetivo de medir a rapidez do fornecimento de
documentos pode ser caracterizado como eficiência, a exatidão do fornecimento de
documentos caracterizado como eficácia, o custo unitário do fornecimento de documentos
pode ser descrito como os custos, e o número de documentos disponibilizados para
empréstimo num determinado período significa produtividade (ROZADOS, 2004).
Coletta e Rozenfeld (2007, p.132) ressaltam que, “ao se definir indicadores,
independente da visão de cada responsável por um determinado conjunto, é necessário julgar
quais são efetivamente mais importantes para a organização”. Os autores recomendam “[...] a
definição de um conjunto pequeno e balanceado de indicadores, pois em grande quantidade
estes podem dificultar e gerar a perda de foco da alta administração”.
Os indicadores de satisfação em uma unidade de informação muitas vezes dizem
respeito a aspectos como horários de abertura, número de lugares disponíveis para leitura,
pesquisa, consulta em terminais de computador, disponibilidade de documentos, serviços de
empréstimo, serviço de empréstimo entre bibliotecas, serviço de referência, comportamento
do pessoal, ergonomia dos catálogos on-line, sinalização do acervo ou referir-se a uma
apreciação mais global. Para se eleger um indicador é importante saber o grau de importância
atribuída a uma dada prestação de serviço ou característica do serviço ou produto
(ROZADOS, 2005).

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2.4 Avaliação de bibliotecas usando a ISO 11620
Avaliar biblioteca é uma forma de buscar a qualidade nos serviços oferecidos, a
avaliação mostra os pontos fortes e os pontos fracos dos serviços, com isso, os gestores
podem trabalhar para melhorar os pontos fracos e também alocar de forma mais eficiente os
recursos disponíveis.
A ISO 11620 coloca que avaliação é o “processo de estimar a eficácia, eficiência,
utilidade, facilidade e relevância de um serviço” (INTERNATIONAL STANDARDIZATION,
2014, p. 4, tradução nossa).
A avaliação é um processo que resulta da dialética entre o ambiente externo e o
ambiente interno de cada organização, das competências adequadas que permitem que a
organização se mantenha competitiva no mercado, o que implica na mobilização e motivação
da equipe. Aproveitando as oportunidades de agir de forma a diminuir as ameaças do meio,
buscando sempre a melhoria contínua de criação e recriação da forma de interagir com os
diferentes usuários (MACHADO; OCHÔA, 2012).
Segundo Lancaster (1996, p.1), “uma avaliação é feita não como um exercício
intelectual, mas para reunir dados úteis para atividades destinadas a solucionar problemas ou
tomar decisões”. Existem várias razões para os gestores de bibliotecas fazerem avaliação dos
serviços oferecidos. Uma delas é para estabelecer uma escala e mostrar em que nível de
desempenho o serviço está funcionando (LANCASTER, 1996). Para o gestor de bibliotecas
fazer avaliação é imprescindível para tomada de decisões.
A avaliação, como um processo da gestão organizacional é preciso controle e
acompanhamento dando subsídio ao planejamento, para tal é preciso que haja controle e
instrumentos de controle, permitindo o acompanhamento das atividades executadas, medindo
os resultados, corrigindo os possíveis problemas e alterando as estratégias se necessário
(BARBOSA; FRANKLIN, 2011).
Targino (2006) recomenda que para se fazer a avaliação de bibliotecas é preciso ser
feito o estudo específico de cada atividade mantida, mensurando o grau de satisfação do
usuário e os custos de serviço. Também é preciso que os processos de medição e avaliação
sejam feitos regularmente, em que os resultados devem ser comunicados de forma que
informe os processos de tomada de decisão e demonstre como a biblioteca cumpre a sua
missão (INTERNATIONAL STANDARDIZATION, 2014).
A avaliação pode medir o serviço oferecido e como os funcionários interagem com os
usuários de forma, a saber se os recursos informacionais são acessíveis e com que qualidade
são oferecidos aos usuários.
No contexto da gestão na universidade a avaliação da biblioteca tem grande
importância, pois sua função não é apenas a de quantificar os serviços oferecidos, mas sim, o
de mensurar os dados quantificados e propor melhorias para que possa atender às
necessidades da comunidade acadêmica e firmar-se como órgão necessário dentro da
universidade (MAIA; SANTOS, 2015).
A qualidade dos serviços de biblioteca está relacionada com o tópico mais amplo de
gestão da qualidade e garantia da qualidade. As Normas Internacionais ISO publicaram a ISO
9004 e a ISO 2789, que são voltadas para padrões e qualidade em bibliotecas, mas que
possuem uma lacuna relativa à avaliação de desempenho e que foi sanada com a Norma
Internacional ISO 11620 que teve sua primeira publicação em 1998, foi atualizada em 2008 e
essa edição teve uma emenda em 2013, sua última atualização foi em 2014.
O objetivo da ISO 11620 é o de endossar o uso de indicadores de desempenho em
relação a qualidade dos serviços de biblioteca e difundir o conhecimento sobre como conduzir
a medição de desempenho, garantindo assim a qualidade dos serviços. Ela fornece orientações
sobre como implementar indicadores de desempenho em bibliotecas onde esses indicadores

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ainda não estão em uso. O propósito de seus indicadores é o de ser ferramenta que permita
determinar qualidade e eficiência aos serviços bibliotecários. Possui um conjunto de
indicadores de desempenho que traz três conceitos fundamentais do processo de
planejamento, que são: objetivos, meios e resultados. A ISO é um ponto de referência de
criação de um padrão para todo processo de avaliação e a principal finalidade de utilização de
indicadores de desempenho em bibliotecas é o autodiagnostico (INTERNATIONAL
STANDARDIZATION, 2014).
Para que os indicadores sejam usados a biblioteca terá que decidir quais são os mais
adequados a sua situação em particular, decisão essa que deve ser tomada à luz da missão,
metas e objetivos da biblioteca, bem como, os dados desejados com relação ao desempenho
da biblioteca (INTERNATIONAL STANDARDIZATION, 2014).
A ISO 11620 é uma norma que se aplica a todos os tipos de bibliotecas de todos os
países. No entanto, nem todos os indicadores de desempenho aplicam-se a todas as bibliotecas
é preciso que seja feita uma seleção dos indicadores adequados a sua realidade. Nesta Norma
os indicadores de desempenho podem ser usados para comparação com o tempo da mesma
biblioteca, mas é um trabalho que deve ser feito com cuidado (INTERNATIONAL
STANDARDIZATION, 2014).
A cada indicador é dado um único nome, que por vezes difere da literatura sobre a
qual se baseia sua descrição, e tais diferenças são documentadas em suas descrições. Os
indicadores de desempenho encontram-se em uso generalizado, bem documentados na
literatura, e foram testados e validados. Algumas das descrições incorporam modificações de
indicadores descritos em outros lugares, estes refletem a experiência prática ou a necessidade
de generalizar (INTERNATIONAL STANDARDIZATION, 2014).
Alguns serviços e atividades que as bibliotecas possuem podem não ter indicadores de
desempenho especificados na ISO 11620, os motivos para isso, são: ou porque tais
indicadores não foram propostos e testados no momento da formulação da presente norma; ou
porque não cumpriam os critérios especificados. Os indicadores de desempenho incluídos na
ISO 11620 não refletem todas as medidas possíveis ou técnicas de avaliação, e não se destina
a excluir a utilização de indicadores de desempenho não especificados nela, mas para isso o
indicador de desempenho deve ser exaustivamente testado, validado e preferencialmente
documentado na literatura. Os indicadores de desempenho que estão em uso generalizado em
bibliotecas podem ser aceitos, embora eles não tenham sido explicitamente documentados
(INTERNATIONAL STANDARDIZATION, 2014).
Os critérios usados pela ISO 11620 para testar um indicador de desempenho são:
conteúdo informativo, confiabilidade, validade, adequação, praticidade e comparabilidade.
Em 1992, Robert S. Kaplan e David P. Norton deram início a metodologia Balanced
Scorecard (BSC), uma técnica que visa a integração e balanceamento dos principais
indicadores de desempenho existentes em uma organização, podendo ser usado para avaliar a
eficácia dos processos de planeamento e orçamento. Possui quatro perspectivas: financeira,
cliente, processos internos, aprendizado e crescimento e fornece uma visão equilibrada do
desempenho operacional atual e futuro (KAPLAN; ROBERT, 1996; KAPLAN; ROBERT,
2001).
A apresentação dos indicadores de desempenho da ISO 11620 segue a abordagem
BSC. Esta abordagem cria um quadro de indicadores de desempenho com quatro grandes
áreas de medição, como segue:
1) Recursos, acesso e infraestrutura: nesta perspectiva apresenta indicadores que medem a
adequação e a disponibilidade de recursos e serviços de bibliotecas. Por exemplo: pessoal,
coleções e lugares de usuário;
2) Uso: esta perspectiva apresenta indicadores que medem a utilização de recursos e serviços
de bibliotecas. Por exemplo: empréstimos, downloads e utilização de instalações;

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3) Eficiência: esta perspectiva apresenta indicadores que medem recursos e serviços de
eficiência em bibliotecas. Por exemplo: custos por empréstimo, tempo necessário para
adquirir ou processar documentos, e a produtividade dos funcionários em processamento de
multimídia;
4) Potenciais e Desenvolvimento: esta perspectiva fornece indicadores que meça a biblioteca
e sua capacidade de obter recursos emergentes e financiamento suficiente para o
desenvolvimento em áreas de serviços. Por exemplo, porcentagem de funcionários da
biblioteca que presta serviço via atendimento eletrônico e treinamento formal
(INTERNATIONAL STANDARDIZATION, 2014).
Cada indicador é apresentado no formato padrão descrito abaixo:
• Nome: cada indicador deve ter um nome único descritivo;
• Objetivo: cada indicador deve ter um objetivo explícito, declarou em termos de
serviço (s), atividade (s) ou uso (s) de recursos a serem avaliados;
• Âmbito: o âmbito de aplicação deve indicar os tipos de bibliotecas para que o
indicador pode ser aplicado;
• Definição do indicador: cada indicador deve ser definido unicamente em termos de os
dados a recolher e /ou a relação de ser estabelecida entre os dados;
• Método: os dados a serem coletados e os cálculos a serem realizados devem ser
descritos de forma concisa;
• Interpretação e fatores que afetam o indicador: a declaração interpretação pode incluir
as informações necessárias para interpretar os resultados de usar o indicador de
desempenho;
• Fonte(s): as referências são fornecidas para documentar a fonte do indicador;
• Indicador relacionado(s) (opcional): se necessário, uma declaração está incluída a
relação do indicador para outros indicadores nesta Norma (INTERNATIONAL
STANDARDIZATION, 2014)
A gestão da qualidade em bibliotecas busca a satisfação do usuário, satisfação essa que
só pode ser alcançada através de serviços eficientes e eficazes. Com isso se faz necessário a
busca pela excelência onde é preciso que seja feito um levantamento sistemático de dados e
de informações, com a finalidade dos resultados serem usados como elementos do
planejamento estratégico. Diante do exposto, enxergamos os indicadores de desempenho
como uma ferramenta para mensurar a satisfação do usuário e a qualidade dos serviços
prestados, usado para avaliação e tomada de decisão (ROZADOS, 2005).

3 Materiais e métodos
A pesquisa foi baseada em pesquisa bibliográfica, respaldada com dados oriundos da
literatura sobre o objeto de estudo, onde foi feito o levantamento de bibliografias nacionais e
internacionais dando embasamento teórico para a pesquisa sobre os assuntos: Bibliotecas
universitárias, Qualidade em bibliotecas, Indicadores de desempenho, Avaliação de
Bibliotecas e ISO 11620.

4 Considerações parciais/finais
O uso da ISO 11620 para avaliar bibliotecas universitárias é uma ferramenta que ajuda
no autodiagnostico da biblioteca, podendo determinar a qualidade e a eficiência dos serviços
oferecidos e determinar onde será mais eficiente alocar os recursos da biblioteca. Por apontar
os pontos fortes e os pontos fracos da unidade de informação, auxilia o gestor a solucionar
problemas e subsidiar tomadas de decisões, mas para isso é necessário definir um conjunto
pequeno de indicadores que sejam realmente os mais importantes e necessários para avaliar a

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organização para não correr o risco de perder o foco do que se pretende avaliar,
Como seus indicadores são derivados de medidas quantitativas ajudam a estabelecer o
grau de eficácia dos serviços, possibilitando com que a biblioteca ao fazer o planejamento
estabeleça metas que possam melhorar os serviços que tenham um baixo grau de eficácia.
Os indicadores de desempenho da ISO 11620 além da qualidade também mede o uso e
o custo dos serviços e a produtividade. Ao indicar que o serviço não possui uma boa
usabilidade é preciso verificar quais os motivos fazem com que ele tenha pouco uso,
identificar o custo de um serviço em bibliotecas universitárias onde os recursos estão cada vez
mais escassos pode ser de muita importância principalmente na hora de alocar recursos, e nos
setores onde indicar uma baixa produtividade é preciso identificar as causas e buscar soluções
para combate-las.
Apesar da ISO 11620 poder ser usada em todos os tipos de bibliotecas, é preciso que o
pesquisador conheça bem a biblioteca onde será aplicada a avaliação, principalmente nas
bibliotecas universitárias que apresentam diferentes níveis de complexidade.
Os indicadores que não estiverem especificados na ISO 11620, com exceção dos que
são de uso generalizado em bibliotecas, para serem usados é preciso que sejam testados,
validados e documentados na literatura, o bibliotecário, ao querer fazer uso desses indicadores
acabará fazendo com que aumente substancialmente o tempo para aplicação da avaliação.
As bibliotecas universitárias têm como função estimular, apoiar e fomentar o
conhecimento, além de ser considerado o trinômio do ensino, da pesquisa e da extensão na
instituição na qual estão inseridas, e as novas tecnologias vem afetando os serviços que são
oferecidos aos seus usuários. Fazer a avaliação das bibliotecas universitárias usando os
indicadores de desempenho da ISO 11620 auxilia o gestor a agir de forma que diminua as
ameaças ao meio, buscando sempre a eficácia, eficiência e inovação em seus serviços, além
de poder aplicar de forma mais eficientes os recursos disponíveis garantindo, assim, a
manutenção de sua função.

5 Referências
ANDRADE, M. V. M. Gestão pela qualidade em bibliotecas universitárias: indicadores de
desempenho e padrões de qualidade. Dissertação (Mestrado em Sistema de Gestão) – Centro
tecnológico, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2004.
BAHRAINIZADEH, M. Identification of service Quality dimensions and measuring service
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BARBOSA, M. L. A.; FRANKLIN, S. Controle, avaliação e qualidade de serviços em
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CARVALHO, I. C. L. A socialização do conhecimento no espaço das bibliotecas
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2.1&amp;u=capes&amp;it=r&amp;p=AONE&amp;sw=w&amp;asid=316ef7d9344244f8d8f65ecbdb2b7667&gt;. Acesso
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www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/2645/3418&gt;. Acesso em: 15 fev. 2015.
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index.php/pci/article/view/435/245&gt;. Acesso em: 14 fev. 2015.

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                <text>O uso de indicadores de desempenho para avaliar a qualidade em unidades de informação, tem se tornado cada vez mais uma ferramenta de apoio a gestão ajudando no planejamento. O objetivo desta pesquisa é identificar quais as vantagens e desvantagens de se fazer avaliação em bibliotecas universitárias usando indicadores de desempenho da ISO 11620. A pesquisa foi baseada em pesquisa bibliográfica, onde foi feito o levantamento de bibliografias nacionais e internacionais dando embasamento teórico aos assuntos da pesquisa. Fazer a avaliação das bibliotecas universitárias usando os indicadores de desempenho da ISO 11620 auxilia o gestor  agir de modo que diminua as ameaças ao meio, buscando sempre a eficácia, eficiência e inovação em seus serviços, além de poder aplicar de forma mais eficiente os recursos da biblioteca, a fim de garantir um melhor desempenho de sua função.</text>
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                    <text>O uso de aplicativos de saúde para dispositivos móveis como fontes
de informação e educação em saúde
Ana Rachel Fonseca ((UERJ)) - fonseca.anarachel@gmail.com
Maria Simone de Menezes Alencar (UNIRIO) - salencar@gmail.com
Resumo:
O artigo propõe que a biblioteca universitária seja utilizada como um espaço de ensino e
incentivo ao uso de dispositivos móveis como auxílio educativo. Visto que tablets e
principalmente smartphones têm sido mais utilizados que o próprio computador pessoal,
trabalharemos assim o conceito de aprendizagem móvel e suas possíveis aplicações dentro do
espaço físico da biblioteca. Na realidade de uma biblioteca universitária que tem como
público-alvo alunos da área de saúde e, principalmente de Medicina, focaremos nos aplicativos
de saúde como fontes de informação, comunicação e educação. O bibliotecário deve assumir
então o papel de mediador e facilitador no uso destas novíssimas e emergentes tecnologias.
Palavras-chave: aprendizagem móvel; dispositivos móveis; aplicativos;
informacional; informação em saúde; bibliotecário médico
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Dispositivos móveis em contexto acadêmico

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competência

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016

Eixo Temático: Ecologia da Informação - dispositivos móveis em contexto
acadêmico

O uso de aplicativos de saúde para dispositivos móveis como fontes de
informação e educação em saúde

Modalidade da apresentação: Comunicação oral

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A forma de acesso à Internet tem sido modificada nos últimos anos à medida que os
computadores (desktops e notebooks) foram perdendo espaço por conta de suas versões
móveis no formato de tablets e smartphones. Em uma apuração recente divulgada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional Por
Amostra de Domicílios (Pnad), foi constatado que 80,4% das famílias brasileiras
entrevistadas utilizam o smartphone como principal meio de acesso à Internet, deixando para
trás computadores, tablets, TVs inteligentes e outros equipamentos (CETIC.BR, 2016). Além
de vantagens como banda larga móvel, os dispositivos móveis possuem um custo mais
acessível para a maioria da população, são mais fáceis de operar, são multitarefas e são
portáteis.
Atualmente, os aparelhos celulares, que antes serviam apenas para enviar e receber
ligações e/ou mensagens, ganharam nova utilidade conforme suas funções foram ampliadas
com serviços que possibilitam a seus usuários assistir vídeos, ler livros eletrônicos, acessar
mapas, navegar nas redes sociais, compartilhar informações, e muito mais. Na rebarba da
versatilidade que um aparelho móvel oferece, aliado às ferramentas da web 2.0 cujo traço
principal é a colaboração e interatividade, surgiram os aplicativos (apps) desenvolvidos
especialmente para estes aparelhos.
O uso de dispositivos móveis já é uma realidade no cotidiano das universidades
brasileiras. Uma gama de universidades disponibilizam para professores e alunos tablets para
uso pedagógico, com acesso a todo material didático dos cursos e livros eletrônicos. No
entanto, muitos dos que os recebem ainda não sabem como tirar melhor proveito desses
equipamentos. Atualmente, o conceito de aprendizagem móvel é discutido amplamente por
pesquisadores na área da Educação objetivando modernizar, dinamizar, ampliar e enriquecer
suas experiências pedagógicas.
Segundo Carvalho (1980), as bibliotecas universitárias (BUs) devem se posicionar de
forma proativa procurando se integrar sempre ao ambiente universitário que as cerca. Devem
avaliar seus serviços e redefini-los ao longo do tempo para que se adequem aos objetivos e
atividades da própria instituição. Partindo desta afirmação, pretendemos neste trabalho
aproximar a discussão sobre aprendizagem móvel das práticas biblioteconômicas. Como
trabalhar todas as possibilidades de um dispositivo móvel dentro das bibliotecas
universitárias?
Para tentar responder esta pergunta, apresentaremos aqui alguns aplicativos que podem
ser utilizados em atividades extracurriculares. Nossa proposta, dentro da realidade de uma
biblioteca universitária que atende aos usuários da área de saúde, contempla principalmente os
aplicativos desta área do conhecimento, porém a ideia da utilização destas ferramentas como
fontes de informação, educação e comunicação poderá ser aplicada em inúmeras outras áreas
do saber.
2 O bibliotecário médico e sua atuação na biblioteca universitária
Medicina e tecnologia são áreas do conhecimento que seguem de mãos dadas ao longo
dos anos, gerando avanços importantes e imprescindíveis em prol da saúde humana. Desta
maneira, faz-se necessário ao bibliotecário médico manter-se competitivo e acompanhar as
evoluções tecnológicas na intenção de suprir as expectativas de seus usuários. A informação
para saúde tem um caráter extremamente dinâmico e mutante e o bibliotecário deverá
acompanhar este ritmo em seu fazer diário.
Os desenvolvimentos tecnológicos no setor da saúde nos últimos 20 anos mudaram
radicalmente a maneira de se consumir e gerenciar este tipo de informação. Posto isto, a

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ênfase não está mais no espaço físico da biblioteca de saúde, e sim no bibliotecário médico.
(LAWTON; BURN, 2015).
Este profissional da informação atua na cooperação em diagnósticos médicos, realiza
pesquisas acadêmicas em bases de dados de saúde auxiliando estudantes, docentes e
pesquisadores e dissemina informações aos usuários utilizando fontes de informação de
inúmeras naturezas. Nas últimas décadas, com os avanços da informação médica
impulsionada pelo advento da Internet, o bibliotecário médico ganha mais uma função: a de
educador.
Os estudos acerca do tema competência informacional apontam que o bibliotecário é o
profissional indicado e competente para exercer a função de educador neste aspecto. Este
profissional da informação deve atuar no processo de ensino-aprendizagem tornando os
usuários hábeis e competentes para buscar e usar as informações. Habilidades que tornam a
recuperação da informação eficiente, precisa e eficaz devem ser obrigatórias em se tratando
de informação para a saúde, a qual se torna urgente e imprescindível no caso de vidas
humanas.
Entendemos ainda que este tipo de educação e treinamento deve ser iniciado desde o
início da graduação, formando alunos que futuramente conduzirão com propriedade uma
equipe médica apta para realizar uma investigação clínica de maneira ativa e independente, já
que, citando a American Library Association (1989, p.1 apud. Cunha; Orelo, 2013):
[...] para ser competente em informação a pessoa deve ser
capaz de reconhecer quando precisa de informação e possuir
habilidade para localizar, avaliar e usar efetivamente a
informação. Para produzir esse tipo de cidadania é necessário
que escolas e faculdades compreendam o conceito de
competência informacional e o integrem em seus programas de
ensino e que desempenhem um papel de liderança preparando
indivíduos e instituições para aproveitarem as oportunidades
inerentes à sociedade da informação. Em última análise,
pessoas que têm competência informacional são aquelas que
aprenderam a aprender. Essas pessoas sabem como aprender
porque sabem como a informação está organizada, como
encontrar a informação e como usar a informação, de tal forma
que outros possam aprender com elas.

As funções de um bibliotecário médico são redesenhadas conforme as necessidades
informacionais de seu público-alvo. Uma vez que o setor tecnológico tem beneficiado muito a
maneira de se estudar/trabalhar no campo da saúde, observamos a tendência, principalmente
através dos alunos de graduação da Universidade, de uma medicina rica em recursos
eletrônicos, conectada à Internet, e repleta de funcionalidades da tecnologia da Web 2.0, com
uso em massa de dispositivos móveis. Sendo assim, prevemos que o próximo know-how no
fazer da biblioteconomia médica será atuando na aprendizagem móvel, com conteúdos
audiovisuais, e principalmente utilizando fontes de informação provenientes de aplicativos de
saúde.
3 Aprendizagem móvel
Segundo a definição adotada pela Organização das Nações Unidas para a Educação,
Ciência e Cultura (UNESCO),
a aprendizagem móvel envolve o uso de tecnologias móveis,
isoladamente ou em combinação com outras tecnologias de
informação e comunicação (TIC), a fim de permitir a

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aprendizagem a qualquer hora e em qualquer lugar. A
aprendizagem pode ocorrer de várias formas: as pessoas podem
usar aparelhos móveis para acessar recursos educacionais,
conectar-se a outras pessoas ou criar conteúdos, dentro ou fora
de sala de aula. A aprendizagem móvel também abrange
esforços em apoio a metas educacionais amplas, como a
administração eficaz de sistemas escolares e a melhor
comunicação entre escolas e famílias.

As tecnologias móveis evoluem constantemente abarcando uma grande diversidade de
suportes, entre eles, smartphones, tablets, leitores de livros digitais (e-readers), aparelhos
portáteis de áudio e consoles manuais de videogames. De maneira geral, algumas
particularidades os unem, como por exemplo, o fato de serem digitais, serem portáteis, serem
de propriedade e controle de um indivíduo, todos tem acesso à Internet, são multitarefas e
incluem funções de multimídia.
A aprendizagem móvel ganha um alcance quase infinito ao considerarmos a
possibilidade de estender este tipo de prática para áreas físicas onde escolas, livros e
computadores são insuficientes. Conforme o preço dos aparelhos móveis, principalmente
smartphones, vai diminuindo, é possível vislumbrar um cenário de maior igualdade e oferta
educacional. Outro ponto interessante desta modalidade é o imediatismo. Enquanto alunos
teriam que esperar até a próxima aula para tirar dúvidas, receberem feedbacks e orientações,
desta vez é possível receber uma resposta de um professor ou até mesmo de um colega de
classe praticamente em real time.
Outro atributo favorável é a mobilidade. Os aparelhos permitem que se aprenda a
qualquer hora, em qualquer lugar, fora e/ou dentro do ambiente físico de ensino. Isto permite
uma autonomia maior na aprendizagem, respeitando os limites e disponibilidade do aluno,
sendo possível eleger qual tipo de tarefa realizar de acordo com o tempo disponível para tal e
no local e horário que desejar.
As vantagens e benefícios da aprendizagem móvel são inumeráveis, porém é
necessário que sejam adotadas diretrizes para a melhor aplicação desta variante educacional.
A UNESCO (2013) elaborou um guia de Diretrizes Políticas Para Aprendizagem Móvel, no
qual destacamos os principais pontos a seguir:
a) criar ou atualizar políticas referentes à aprendizagem
móvel;
b) treinar professores sobre como fazer avançar a
aprendizagem por meio de tecnologias móveis;
c) fornecer apoio e formação a professores por meio de
tecnologias móveis;
d) criar e aperfeiçoar conteúdos educacionais para uso em
aparelhos móveis;
e) assegurar igualdade de gênero para estudantes móveis;
f) ampliar e melhorar as opções de conectividade,
assegurando também a equidade;
g) desenvolver estratégias para fornecer acesso igual a todos;
h) promover o uso seguro, responsável e saudável das
tecnologias móveis;
i) usar as tecnologias para melhorar a comunicação e gestão
educacional;

A conjuntura atual na prática de ensino é de uma educação fortemente digital, focada
no aluno e de maneira interativa e colaborativa. Os nativos digitais são atores ativos no
quadro educacional, que vai desde o ensino básico até o ambiente universitário. A geração

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móvel de alunos, ou mais popularmente chamada “geração polegar” carece de planos
curriculares que incentivem o uso de tecnologias móveis para aprendizagem e aquisição de
conhecimento. Não podemos esquecer aqui que os próprios professores, docentes e demais
profissionais de ensino devem passar por uma reciclagem para usufruir desta modalidade
emergente em ensinança já que, na grande maioria, são “imigrantes digitais” pois não
nasceram já imersos no mundo digital e ainda estão aprendendo a utilizar as novíssimas
tecnologias de informação e comunicação.
Neste cenário a biblioteca deverá ser uma parceira presente e atuante fornecendo todo
apoio necessário em questões informacionais e especialmente no uso destes aparelhos, como
por exemplo, implantando programas de capacitação com intuito de demonstrar
funcionalidades e potencialidades destas inovações.

4 Os aplicativos para dispositivos móveis
Os aplicativos (apps) integram as chamadas Novas Tecnologias de Informação e
Comunicação (NTIC), e são gamas de ferramentas tecnológicas emergentes que tiraram
proveito dos artifícios da web 2.0 para capturar, armazenar, recuperar, analisar, receber e
compartilhar informação. Por serem tecnologias desenvolvidas para uso em aparelhos móveis,
trazem consigo a possibilidade de serem personalizados e individualizados. O usuário poderá
customizar os aplicativos baixados de acordo com suas preferências e particularidades.
Os apps são extremamente versáteis e com propósitos bastante diversificados. Muitos
agregam em uma única ferramenta recursos visuais e auditivos capazes de estimular o estudo
com auxilio de interfaces atraentes e extremamente amigáveis e intuitivas. Estes aplicativos
podem ser baixados em plataformas diferentes, contemplando assim usuários que utilizam
modelos e sistemas operacionais diversos.
O mercado de apps tem crescido em ritmo acelerado nos últimos anos e possuem um
prognóstico de se firmar na indústria de conteúdos digitais por muitos anos mais. Diariamente
são criados e atualizados incontáveis aplicativos que abrangem múltiplas finalidades que vão
desde entretenimento, até organização de finanças, negócios, utilização de meios de
transporte, saúde, bem-estar, fitness, viagens e muito mais. É importante frisar que existem
apps gratuitos e pagos. Geralmente os que demandam custos são relativamente a preços
acessíveis, e seus conteúdos e qualidade não os tornam melhores que os gratuitos, apenas são
mais completos em algumas especificidades.

4.1 Os aplicativos de saúde
Os aplicativos médicos são idealizados por uma equipe de profissionais de saúde e
concretizados por profissionais de tecnologia da informação. Geralmente os apps são
desenvolvidos ao longo de muitas pesquisas acadêmicas, o que daria a eles a credibilidade
necessária. No entanto, a chamada área de Mobile Health, principalmente no Brasil, ainda está
desprovida de mecanismos regulatórios que legitimem o uso desta tecnologia para a área de
saúde.
Dentre os milhares de aplicativos de saúde hoje existentes nas principais plataformas
de download, encontramos ferramentas que podem ser muito úteis nos campos de educação e
informação em saúde. Existem livros e atlas de anatomia totalmente adaptados para uso em
dispositivos móveis onde é possível aprender interativamente e de maneira agradável. Há
ainda jogos que criam casos clínicos para que alunos e professores testem seus conhecimentos
na área e mantenham-se atualizados sobre novos procedimentos médicos. Também existem
em formatos de aplicativos obras de referência, bulários e prescrições médicas que podem ser
consultadas a qualquer momento, em qualquer lugar.

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Através de leitura em periódicos científicos, principalmente da área médica, e
rankings de avaliação em sítios especializados e lojas online de aplicativos foram
selecionados alguns deles que podem ser utilizados no ambiente universitário, por alunos e
docentes a fim de servir como complemento pedagógico.
A proposta é que a biblioteca universitária faça um papel de mediadora entre estas
fontes de informação e seus usuários em potencial. O que estamos sugerindo neste trabalho é
que a biblioteca sirva como um grande observatório de monitoramento destas fontes de
informação e um espaço de ensino sobre como e com qual finalidade devemos utilizar estas
ferramentas. A sugestão é que ultrapassemos os limites da competência informacional focando
agora em uma app literacy.

4.2 Aplicativos para educação e informação em saúde
No quadro a seguir listamos aplicativos que podem e devem ser explorados como
complementos extraclasse. Foram selecionados 25 fontes de informação para exemplificar o
vasto alcance e possibilidades que estas ferramentas podem atingir nos campos da educação
em saúde.
Quadro 1 – Lista de apps de saúde com funcionalidades educativas
Título
BMJ OnExamination
Bulário Digital
Bulário veterinário
Calculate by QxMD
CID 10
Clinical Key
Clinical Sense
DailyRounds – Doctor’s App
Epocrates Plus
Figure 1 – Imagens médicas
Human Anatomy Atlas
JoVE – Journal of Visualized Experiments
Leia por QxMD
Medical News Online
Medscape
MedQuiz Residência Médica
Prognosis: Your Diagnosis
PubMed Mobile
Sobotta Anatomy Atlas
Terminologia médica
The Lancet
Touch Surgery
UpToDate
WebMD

Breve descrição
Quiz de perguntas e respostas de
conhecimentos médicos
Banco de dados de bulas de remédio
Banco de dados de bulas veterinárias
Calculadora médica
Consulta rápida e inteligente aos códigos e
descrições completas da CID10
Pesquisa clínica baseada em evidências
Jogo interativo para tomada de decisões
clínicas
Compartilhamento e testes de casos clínicos
Referência em informação clínica
Compartilhamento de casos clínicos através
de fotografias
Atlas de anatomia humana em 3D
Periódico em vídeo revisado por pares
Revista digital de literatura médica
Notícias médicas
Referência em informação clínica
Questões de prova de Residência Médica
Jogo interativo de simulação de casos clínicos
Referência em publicações científicas
Atlas de anatomia humana
Dicionário médico
Periódico científico
Simulador de cirurgia
Decisões médicas baseadas em evidência
Informação em saúde e apoio à tomada de

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decisão clínica
Guia de prescrições médicas e condutas
clínicas e tomadas de decisão

WhiteBook: clinical decision
Fonte: A autora, 2016.

A título de ilustração capturamos as telas de alguns aplicativos, apresentados nas
figuras 1, 2 e 3, para exemplificar a gama de possibilidades que podem ser disponibilizadas. .
Figura 1 – Telas do Figure 1

Fonte: Google Play Store, 2016.

Figura 2 – Telas do Prognosis: Your Diagnosis

Fonte: Google Play Store, 2016.

Figura 3 – Tela do CID 10

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Fonte: Google Play Store, 2016.

5 Considerações finais
A biblioteca universitária pode e deve servir de ponte entre as novíssimas tecnologias
de informação e seus usuários em potencial, lançando mão de seu espaço físico e de seus
profissionais qualificados para criar um ambiente de descobertas, monitoramento,
treinamento, e por que não de criação de conteúdos digitais próprios?
O bibliotecário, sendo ator efetivo na prática pedagógica, deve aproveitar ao máximo
as vantagens oferecidas pelas tecnologias móveis e seus instrumentos, capacitando docentes e
discentes de modo que estes possam incorporar e usufruir com sucesso as emergências
tecnológicas em benefício do ensino/aprendizagem. Esse campo ainda carece de muitas
pesquisas, trocas de experiências e práticas inovadoras.
Quando apresentamos aos alunos e professores as contemporaneidades tecnológicas
educacionais, ambos ganham novas competências que futuramente serão aplicadas com
sucesso em seus ambientes de trabalho. Ademais, os aplicativos que podem ser utilizados na
prática educativa aumentam a eficiência de educadores e alunos por automatizar a
distribuição, a coleta, a verificação e a documentação de avaliações e exames.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49037">
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Documentação&#13;
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                <text>O artigo propõe que a biblioteca universitária seja utilizada como um espaço de ensino e incentivo ao uso de dispositivos móveis como auxílio educativo. Visto que tablets e principalmente smartphones têm sido mais utilizados que o próprio computador pessoal, trabalharemos assim o conceito de aprendizagem móvel e suas possíveis aplicações dentro do espaço físico da biblioteca. Na realidade de uma biblioteca universitária que tem como público-alvo alunos da área de saúde e, principalmente de Medicina, focaremos nos aplicativos de saúde como fontes de informação, comunicação e educação. O bibliotecário deve assumir então o papel de mediador e facilitador no uso destas novíssimas e emergentes tecnologias.</text>
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                    <text>O USO DAS FERRAMENTAS DA WEB 2.0 PELOS BIBLIOTECÁRIOS
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: estudo do uso, interação e
aplicação nesses ambientes.

Priscila Pessoa Simoes (IFAM) - priehps@gmail.com
Maria Lidiane Chaves Silva (UFAM) - lidy.xaves@gmail.com
Resumo:
Trata-se de um estudo de uso das ferramentas da Web 2.0 pelos bibliotecários de bibliotecas
universitárias da cidade de Manaus. A Web 2.0 corresponde ao momento em que as
ferramentas disponíveis na rede passam a interagir com o público e este, se torna um
importante ator no processo de criação e disponibilização de conteúdos tornando o ambiente
virtual mais dinâmico. A inserção da sociedade no ambiente virtual tem colaborado para que
setores busquem a transformação e atualização de seus espaços e serviços garantindo sua
vivência neste novo ambiente. A biblioteca, neste contexto, necessita atender suas demandas e
ofertar serviços acompanhando estas transformações. No que tange a biblioteca universitária,
esta necessita transformar seus meios e processos garantindo que a informação continue
sendo ofertada de modo a atender as necessidades de quem a busca. Neste sentido, esta
pesquisa objetivou conhecer como os bibliotecários atualmente veem estas transformações,
como estes interagem com as ferramentas eletrônicas disponíveis na web para a execução de
suas tarefas contribuindo para que a biblioteca universitária cumpra com o seu papel.
Buscou-se identificar os bibliotecários atuantes nestes verificando com os mesmos as
motivações no uso das ferramentas como apoio as atividades nestes setores o uso e aplicação
das mesmas. Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, realizada por meio de Survey,
com abordagem qualitativa e quantitativa. Conclui que as ferramentas da Web 2.0 são
importantes para a interação do usuário com a biblioteca, porém em alguns momentos há
impedimento no uso dessas ferramentas por motivos das normas institucionais.
Palavras-chave: iotecas Universitárias. Bibliotecários. Ferramentas Web 2.0
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A biblioteca universitária é um setor de bastante relevância no âmbito da universidade,
pois subsidia as atividades de ensino, pesquisa e extensão, além de ser ferramenta importante
na construção do conhecimento por meio dos produtos e serviços que oferece.
No entanto, com a internet e a disponibilização de informação de fácil acesso e com
rapidez é necessário que a biblioteca se reconfigure e se transforme de modo que os produtos
ofertados alcancem o público ao qual se destina. Para isso, é fundamental que as bibliotecas
se adaptem aos avanços tecnológicos, utilizando-se dos mesmos para se aproximar mais de
seus clientes, oferecendo produtos e serviços que atendam as suas demandas e expectativas.
As transformações tecnológicas acerca da disponibilização da informação trazidas pela
internet, fez com que o papel da biblioteca universitária fosse discutido, uma vez que a
mesma passou a concorrer com este ambiente virtual. Com isso, identifica-se a oportunidade
da biblioteca se reconfigurar e se utilizar das ferramentas que a internet disponibiliza para que
dinamize sua oferta de informação, promovendo novos serviços para o público que acessa
este ambiente, assim como aproximar-se mais deste público através das ferramentas
interativas que a Web 2.0 disponibiliza.
Ademais, o profissional da informação, bibliotecários atuantes nestas bibliotecas, são
os principais atores neste processo de reconfiguração por meio das ações que serão realizadas
para que a biblioteca possa se inserir no ambiente virtual e assim se aproximar dos
usuários/clientes, além de oferecer por meio deste ambiente, serviços que se adequem a esta
nova necessidade do público que é a utilização dos serviços que a internet disponibiliza.
Para isto, é importante conhecer se estes profissionais se utilizam destas novas
ferramentas tecnológicas que a internet disponibiliza e como estes interagem com estas
ferramentas buscando conhecer se os mesmos já se utilizam destes veículos para promover
alguma atividade da biblioteca universitária.
Sabe-se que o modelo Web 2.0 trouxe um conjunto de estratégias inovadoras para os
processos de interação social mediados pelo computador, proporcionando novas formas de
trabalho coletivo, de produção e circulação de informações o que fomenta o dinamismo de
diversos setores neste espaço, dentre eles a biblioteca universitária. Diante desta nova
configuração das bibliotecas e a maior exigência do usuário, surge então a necessidade deste
profissional fazer uso das ferramentas da Web 2.0 com o intuito de fomentar não somente as
atividades da biblioteca universitária neste ambiente virtual, a comunicação e interação entre
estes setores e seus clientes, como também tem contribuído para a promoção dos mesmos.

2 Revisão de literatura
Para conhecer o uso das ferramentas eletrônicas da Web 2.0 pelos bibliotecários de
bibliotecas universitárias, utilizou-se um referencial teórico que aborda os seguintes aspectos:
Biblioteca universitária, seu conceito e sua importância na universidade; Internet e
ferramentas Web 2.0, destacando a importância dessas ferramentas para a biblioteca;
Bibliotecário na rede, tratando da importância do papel do bibliotecário na interação e
responsabilidade da informação.
3.1 Biblioteca universitária
O homem sempre teve a preocupação de buscar conhecimento e não só isso, mas
também registrá-lo, a fim de acumulá-lo para que posteriormente não fosse perdido, mas
aproveitado para que a partir dele fossem gerados mais conhecimentos. E como forma de
registro utilizou diversos tipos de suportes, que variaram desde tábuas de argila até

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documentos eletrônicos, os quais sofreram evoluções com passar dos anos.
Para que os conhecimentos registrados fossem dispostos de forma organizada, fez-se
necessário a reunião dos mesmos em um local onde ficariam agrupados e onde poderiam ser
acessados por grupos específicos de pessoas. Desse modo, surgiram as bibliotecas, que
segundo Milanesi (1993) têm a função de preservar a memória, organizando toda informação
que o homem precisa para que o mesmo possa usufruí-la.
Nesse sentido, a biblioteca pode ser compreendida como um departamento que tem a
função de oferecer suporte informacional (físico ou virtual) a uma determinada comunidade,
garantindo o acesso à informação e com isso contribuir para o desenvolvimento
socioeducacional e cultural do ser humano. As bibliotecas, em sua maioria não são
organizações independentes, estão geralmente ligadas a uma organização maior.
As instituições de ensino superior, conforme destaca Oliveira (2004), possuem a
função de construir, transmitir e compartilhar saberes e cultura da educação de uma
sociedade. E para que se possa garantir que essa função seja cumprida, é necessário que todas
as instituições de ensino superior possuam uma biblioteca como órgão apoiador destas.
As bibliotecas universitárias não são organizações autônomas, são dependentes de uma
instituição, neste caso a universidade, assim elas estão sujeitas a receberem influências
externas e internas do ambiente. O papel da Biblioteca Universitária e de garantir apoio a
busca do conhecimento dentre seus usuários.
Dessa maneira, no contexto acadêmico da universidade as bibliotecas universitárias
trabalham de forma a apoiar o ensino, pesquisa e extensão, por meio da prestação de serviços
aos alunos de graduação, pós-graduação, professores e funcionários da instituição, ou seja, a
comunidade acadêmica em geral, onde está inserida. (MACHADO, 2009).
Elas têm o importante papel de disponibilizar, principalmente aos discentes,
informações pertinentes como suporte acadêmico, de acordo com cada área e curso
(graduação ou pós-graduação) oferecido pela instituição, garantindo a eficiência no processo
ensino-aprendizagem.
Para que a biblioteca universitária venha auxiliar o processo de ensino-aprendizagem é
necessário dispor de fontes e serviços de informação que atendam os interesses e necessidades
de seus usuários e a missão e objetivos institucionais.
Com o advento e evolução da internet tornou-se possível a utilização de novas
ferramentas que auxiliem a biblioteca na interação com os usuários, entre elas existe a Web
2.0 que possibilita maior envolvimento com o usuário e consequentemente melhor
conhecimento sobre seus interesses e necessidades informacionais.
3.2 A Internet e as Ferramentas da Web 2.0
Muito se fala sobre as redes sociais, blogs, repositórios e pouco se tem estudado no
Brasil, sobre a utilização destas ferramentas no ambiente da biblioteca universitária como um
canal de interação entre usuários/bibliotecários/biblioteca. A partir do levantamento do uso
destas ferramentas por meio dos profissionais que atuam nestas bibliotecas, esta investigação
poderá conhecer como essas estão sendo exploradas, e se estão sendo trabalhadas nestes
ambientes. No caso de serem trabalhadas, é necessário identificar que conteúdos estão
inseridos, com que estratégicas e se há um resultado.
A Internet é uma rede de computadores interligados que se originou na década de 1960
na tentativa de compartilhar dados de vários terminais de computador. Com o passar dos anos
foi sendo aprimorada e, devido à facilidade de envio e recebimento de dados, passou a ser a
base tecnológica para organização das informações. De acordo com Castells (2003), as redes
têm uma extraordinária vantagem como ferramenta de organização em virtude de sua
flexibilidade e adaptabilidade, características essenciais para sobrevivência e sucesso em

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ambientes de rápida mutação.
Por meio da Internet é possível o acesso e compartilhamento de informações, é um
espaço onde ocorre troca, criação e geração, além de armazenamento de informações,
tornando-se uma importante ferramenta de colaboração entre participantes desta grande rede
digital.
Primo (2008, p.1) define a Web 2.0 como a segunda geração de serviços on-line que se
caracteriza por “potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de
informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo”.
Baseado nesse conceito, podemos compreender que a Web 2.0 não pode ser tratada tão
somente como mais uma ferramenta tecnológica. Ela é capaz de vincular não somente dados,
mas, também uma interação infinita de comunicação.
Corrêa (2012, p. 44) comenta que:
A Web 2.0 instalou uma nova espécie de participação do leitor enquanto coautor do
conteúdo que circula pela Internet. Desta forma, percebe-se um avanço considerável na
relação leitor-autor, eliminando barreiras que impediam uma comunicação direta entre esses.
O cidadão comum tem agora acesso quase ilimitado a todo e qualquer assunto postado na
rede, inclusive resultados de pesquisa e inovação científica e tecnológica, podendo inclusive,
interagir diretamente com o autor e seu conteúdo.
Dessa forma, nota-se que a Web 2.0 busca desenvolver aplicativos que aproveitem os
efeitos de rede e quanto mais são utilizados e através da interatividade e compartilhamento de
informações, pode-se colaborar para a construção dos conteúdos e com isso, esses aplicativos
podem tornar-se melhores, aproveitando, para tal, a inteligência coletiva, que é a inteligência
compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos em suas diversidades.
Com a Web 2.0, começaram a desenvolver software que são usados pela Internet e
vendidos como serviços, pagos mensalmente. Para que tudo funcionasse bem na Internet, foi
necessária a união de várias tecnologias, com interfaces rápidas e de fácil uso pelos usuários.
Quanto mais simples melhor, de modo a facilitar a retirada ou acréscimo de uma
funcionalidade ou compartilhamento de uma parte de um software com outro.
Segundo estes princípios, os softwares são desenvolvidos de modo que fiquem
melhores à medida que são usados, pois os usuários podem ajudar a torná-los melhores. Isso é
possível de diversas formas, um exemplo disso é quando um usuário avalia uma notícia, ele
ajuda o software, a saber, qual notícia é a melhor.
A Web 2.0 possui diversas ferramentas, as quais são de grande importância para o
compartilhamento e interação para a coletividade. Sua principal característica é ser focada no
usuário, suas ferramentas oferecem uma nova experiência multimídia que promove maior
envolvimento dos usuários, sendo assim com o uso da Web 2.0 a biblioteca se torna um
espaço mais atrativo, interativo e personalizado para o usuário.
Dentre essas ferramentas pode-se citar os blogs e wikis; as redes sociais, como o
Facebook, Linkedin, Google+, que permitem troca rápida de informações, por meio de
mensagens instantâneas; o Second Life, que é um ambiente virtual em 3D onde os usuários
podem socializar, personalizar um avatar, conectar-se e criar usando conversa de voz,
simulando a vida real e social. Temos ainda redes de compartilhamento de vídeo, como o
YouTube, entre outros.
Tendo em vista que o mundo tem sofrido diversas evoluções tecnológicas e com a
grande velocidade de compartilhamento de informações é necessário que as Unidades de
Informação se adaptem a esta realidade, a fim de não se tornarem arcaicas e com informações
ultrapassadas. só confirmando o que diz Cupani (2004, p. 494-495) quando analisa a
necessidade de reflexão a respeito da tecnologia, como um “aspecto ou dimensão da vida
humana impossível de ignorar”.
A partir da Web 2.0, pode-se incorporar novas tecnologias e comunicação dentro desse

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ambiente virtual criando um novo padrão de produtos e serviços ao usuário. Estas ferramentas
são mais intuitivas e convidativas quando bem utilizadas, podem se tornar poderosas aliadas
do bibliotecário e das bibliotecas.
Segundo Mercun e Zumer (2011) a Web 2.0 vai além da tecnologia, de novas
ferramentas, serviços e recursos, é importante entender primeiramente a filosofia por trás das
mudanças que ocorrem com a Web 2.0. Para isso, é necessário que o bibliotecário
compreenda a importância na mudança de comportamento na interação com o usuário,
precisando perpetuar a ideia de haver mais flexibilidade e colaboração para que seu objetivo
seja alcançado.
3.3 Bibliotecário na rede
De acordo com o Conselho Federal de Biblioteconomia – CFB (2011), o bibliotecário
é o profissional capacitado e responsável para interagir com processos de registro e
transferência de informação, interpretando a realidade social, com uma visão contributiva e
consciente de seu papel na sociedade e de sua atuação no avanço científico e tecnológico,
levando em conta as dimensões humanas e éticas do conhecimento, da tecnologia e das
relações sociais.
Verifica-se que o bibliotecário tem um papel fundamental na coleta, tratamento e
divulgação da informação para a sociedade, por essa razão ele deve se preocupar com
aspectos importantes para esse fim, tais como a qualidade, atualidade e a fidedignidade do que
é oferecido, além de qual público deseja atingir e quais os suportes e meios possíveis para a
disponibilização do material.
Anteriormente para se obter informações seguras e de qualidade, era necessário que o
usuário se locomovesse até uma instituição responsável por reunir material e divulgá-lo por
meio de um suporte físico, no entanto com o advento da internet, as informações tornaram-se
mais dinâmicas e com a disseminação em velocidade maior, consequentemente mais
atualizadas, isso contribuiu para uma queda na frequência do usuário nas bibliotecas físicas.
Entretanto, a Internet que parecia ser uma inimiga das unidades de informação, pode
ser transformada em uma poderosa aliada, visto que, por meio dela, o bibliotecário pode ter
uma aproximação maior com os usuários. A Web 2.0 vem a facilitar ainda mais esse contato.
Le Coadic (2004, p. 206) afirma que “não existe ciência sem tecnologia e nem
tecnologia sem ciência”. As ferramentas da denominada Web 2.0 são um meio com potencial
para permitir que o conhecimento seja produzido, compartilhado e disseminado
democraticamente entre a comunidade científica e a sociedade.
A biblioteca universitária está integrada à universidade conforme Arruda e Chagas
(2002) e busca atender a demanda informacional dos cursos de graduação e pós-graduação e o
ambiente acadêmico é extremamente dinâmico em relação à produção de conhecimento.
Neste sentido, a biblioteca universitária tem uma parcela relevante de contribuição no
subsídio desta produção. No entanto, o crescimento exponencial da informação por meio da
internet, faz com que este se torne um meio mais rápido e com maior oferta o que pode
ocasionar o desinteresse da clientela universitária pelo espaço e serviços que a biblioteca
oferece.
Arévalo (2011) aponta a biblioteca universitária como espaço tradicional da leitura e
da informação científica, que está sendo ocupado por novos operadores que concorrem no
espaço virtual que é a Internet. O autor ainda pontua que isto não pode ser visto como uma
ameaça e sim uma oportunidade para que os bibliotecários aprendam a se utilizar deste espaço
para fornecer serviços mais competitivos.
O bibliotecário uma vez que avalie os produtos, serviços e as funcionalidades dentro
da biblioteca universitária de uma instituição, pode encontrar no ambiente virtual uma

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oportunidade de promover seus serviços e até criar novos que atendam a esta nova demanda
de usuários que preferem este ambiente.
As ferramentas eletrônicas disponíveis no ambiente virtual de forma gratuita podem
contribuir para esta dinamização e o estudo do potencial destas ferramentas poderá colaborar
para que se discuta esta postura da biblioteca universitária mediante o uso dessas ferramentas
e as vantagens deste uso.

3 Materiais e métodos
Tratou-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, uma vez que buscou-se
contextualizar Web 2.0, assim como levantar as ferramentas eletrônicas disponíveis neste
ambiente que são utilizadas pelos bibliotecários das bibliotecas universitárias da cidade de
Manaus.
A pesquisa qualitativa e quantitativa possuem características próprias, porém ambas
podem ser utilizadas por se complementarem em uma pesquisa, conforme Ruiz (2004, p. 40)
“A pesquisa qualitativa busca identificar a presença ou não de certo atributo ou objeto no
fenômeno sendo observado, enquanto a quantitativa mensura tal atributo, medindo seu grau
de presença ou atuação”.
Nesse sentido, escolheram-se ambas as abordagens, pois trarão mais completeza para a
pesquisa, ressalta-se que nessa pesquisa utilizou-se como instrumento de coleta de dados
questionário com perguntas abertas e fechadas, característica do método qualitativoquantitativo.
São sujeitos da pesquisa 11 bibliotecários que trabalham em bibliotecas universitárias
da cidade de Manaus, a saber: Universidade Federal do Amazonas, Universidade Luterana do
Brasil, Universidade Nilton Lins, Universidade Estadual do Amazonas, Universidade Paulista,
Centro de Ensino Literatus, Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas, Faculdade
Boas Novas, Fundação de Análise Pesquisa e Inovação e Faculdade Metropolitana de Manaus
Para a seleção do grupo amostral foram utilizados os seguintes critérios de inclusão:
a) Ser bibliotecário;
b) Estar atuando em uma biblioteca universitária; e,
c) Aceitar participar do estudo após orientações.
A população excluída foi considerada de acordo com os seguintes critérios:
a) Aqueles que não atuam em bibliotecas universitárias; e
b) Aqueles que não aceitarem participar da pesquisa.
O estudo foi realizado por meio de um Survey eletrônico, onde primeiramente foi
realizado um mapeamento dos bibliotecários da cidade de Manaus, que atuam em bibliotecas
universitárias cadastrados em redes sociais e em ambiente virtual de modo geral.
Segundo Gil (2010, p. 102), “em pesquisas do tipo survey as técnicas de interrogação
mais utilizadas, são o questionário, a entrevista e o formulário”. Nesta pesquisa, o instrumento
utilizado foi o questionário, que se trata de um instrumento de pesquisa constituído por uma
série de questões sobre determinado tema.
Para Richardson (2008, p. 69), este instrumento possibilita obter informações de um
grande número de pessoas em um tempo relativamente curto, e permite tabular os dados com
maior facilidade e rapidez.
O questionário foi previamente testado, com o intuito de verificar se haveria
dificuldades por parte dos profissionais em responder as perguntas.
Os bibliotecários que possuem perfil nas ferramentas eletrônicas foram mapeados, e
convidados a participar da pesquisa por meio de um Survey eletrônico onde foram levantados
os objetivos, motivação e uso das ferramentas no qual possuem perfil. A aplicação do Survey
se deu por meio da ferramenta eletrônica Google Drive e a participação dos bibliotecários

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deu-se de forma voluntária e sem identificação.
Em uma pesquisa, segundo Mann e Stewart (2000 apud MENDES, 2009), “os dados
pessoais devem ser coletados com um propósito legítimo e específico”. Neste sentido, foi
elaborada uma carta de apresentação enviada por e-mail com o link do Survey esclarecendo
que os dados seriam confidenciais, uma vez que a ferramenta impede qualquer forma de
identificação.

4 Resultados finais
5.1 Dados de identificação
Os dados referentes à identificação dos bibliotecários que constituíram os sujeitos da
pesquisa foram obtidos por meio de Survey que foi realizado com 11 bibliotecários das
bibliotecas universitárias que integraram o universo da pesquisa, ressalta-se que para
preservar a identidade dos bibliotecários foi atribuída a letra B e o respectivo número para
caracterizar a identificação desses profissionais, no que corresponde a faixa etária, gênero,
nível de formação acadêmica, área, instituição que se graduou e tempo de atuação
profissional.
Conforme o quadro 1, pode-se observar que a maioria dos bibliotecários entrevistados
atuam na biblioteconomia em média de dois a dez anos e por sua vez 64% desses concluíram
especialização em áreas afins a biblioteconomia.
Quadro 1 - Dados de identificação dos bibliotecários.
Bibliotecário

Idade

Formação
acadêmica

Área

Instituição que
se graduou

Tempo de
atuação

B1

20-30

Especialização
concluída

Biblioteconomia e
Psicologia

UFAM

até 2 anos

B2

20-30

Bacharelado

Biblioteconomia

UFAM

até 2 anos

B3

+ de 40

Bacharelado

Biblioteconomia

UFAM

10-15 anos

B4

31-40

Especialização
concluída

Gestão Pública e
ecoturismo

UFAM

5-10 anos

B5

+ de 40

Especialização
concluída

Especialização em
arquivologia

UFAM

até 2 anos

B6

+ de 40

Especialização
concluída

Biblioteconomia

UFAM

+ de 15
anos

B7

20-30

Especialização em
andamento

MBA em gestão de
projetos e MBA em
gestão de pessoas e
coaching

UFAM

5-10 anos

B8

31-40

Especialização
concluída

Biblioteca escolar

UFAM

5-10 anos

B9

20-30

Especialização
concluída

Biblioteconomia

UFAM

2-5 anos

B10

20-30

Especialização em
andamento

Psicopedagogia

UFAM

2-5 anos

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B11

+ de 40

Especialização
concluída

Especialização em
arquivologia

UFAM

+ de 15
anos

Fonte: Autoria própria, 2014.

5.2 Bibliotecários e a Web 2.0
Com relação ao cadastro dos bibliotecários em redes sociais é importante destacar que
a maioria dos entrevistados possui cadastro em redes sociais, conforme pode ser visto no
gráfico 1, dos onze entrevistados, dez possuem cadastro nas redes.
Gráfico 1 - Cadastro em rede social.

Sim 91%
Não 1%

Fonte: Autoria própria, 2014.

Outro ponto observado foi a preferência desses profissionais pela rede Facebook, o
gráfico 2 mostra que todos entrevistados que possuem cadastro em redes socias têm conta no
Facebook. Essa preferência se dá pelo fato do Facebook atualmente ser a rede social mais
acessada no Brasil, o número de usuários ativos já ultrapassa 1 bilhão de pessoas (REVISTA
ISTOÉ, 2012 apud NASCIMENTO, 2013). Em contrapartida, percebeu-se que nenhum dos
entrevistados possui cadastro em blogs.
Gráfico 2 - Redes acessadas

Facebook
100%
Twitter
30%
Blog
0%
Google +
30%
Youtube
30%
Outros: Instagram 30%

Fonte: Autoria própria, 2014.

De acordo com o gráfico 3, ao utilizar as redes sociais os bibliotecários buscam
principalmente contato de amigos e informações profissionais, fator que é possibilitado pelas
redes sociais as quais possuem uma dinâmica interação entre os usuários, por meio de feeds
de notícias é possível saber atualizações de amigos e também contato mediante a utilização
dos bate-papos.
Gráfico 3 - Informações buscadas nas redes sociais

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Contato de amigos 90%
Informações profissionais 80%
Contato de outros profissionais 50%
Lazer 50%
Outros 10%

Fonte: Autoria própria, 2014.

Outra constatação foi que 70% dos sujeitos entrevistados estão cadastros em grupos
das redes, tais quais: bibliotecários do Amazonas, concurso Brasil, biblioteconomia da Ufam,
CRB11, bibliotecários do Brasil e bibliotecas digitais, reforçando o resultado do interesse dos
bibliotecários por informações profissionais e contatos de outros profissionais da área de
biblioteconomia.
Com relação à frequência de acesso a essas redes verificou-se que a maioria dos
profissionais utiliza assiduamente, 50% deles utilizam todos os dias, 30% três vezes por
semana, e os demais acessam esporadicamente.
No que diz a respeito das informações acessadas na internet pelos entrevistados, 80%
deles buscam informações de amigos e todos buscam fontes de notícias em geral. Fontes essas
como Jornal Acrítica (90%), A Folha de São Paulo (40%), Diário do Amazonas (20%),
Central Brasileira de Notícias - CBN (10%), Correio Brasiliense, G1 (10%) e Amazonas em
Tempo (10%).
5.3 Biblioteca e as ferramentas Web 2.0
A partir da análise das ferramentas da Web 2.0 utilizadas nas bibliotecas constatou-se
que das onze bibliotecas investigadas somente quatro estão cadastradas em redes sociais.
Consequentemente somente duas bibliotecas estão cadastradas em grupos nas redes sociais.
Porém, 80% dessas bibliotecas divulgam seus serviços em plataforma on-line, tais
quais: Facebook (54%), Twitter (9%) e Site da Instituição (36%). Percebe-se que o Facebook
é o meio de comunicação mais utilizado para a divulgação dos serviços da biblioteca, visto
que é a rede social que mais possui usuários no Brasil. Segundo Prado (2012 apud
NASCIMENTO, 2013, p.4) “o Facebook é uma grande vitrine em que a biblioteca pode expor
seus serviços e produtos, pois é possível o compartilhamento de vídeos, imagens, links e
eventos”.
Já a utilização do Twitter pela biblioteca possibilita que os usuários ao seguir o perfil
fiquem atualizados sobre os acontecimentos relacionados à biblioteca, como eventos,
aquisição de novos livros, dentre outros de forma rápida e prática. (NASCIMENTO, 2013).
Ressalta-se que o número baixo de bibliotecas cadastradas em redes sociais se dá pelo
fato das normas internas de algumas instituições não permitirem que as bibliotecas possuam
perfil próprio, disponibilizando apenas o site institucional para a divulgação on-line dos
serviços oferecidos. Por sua vez, muitos bibliotecários acabam divulgando esses serviços em
seu perfil pessoal.
Abaixo pode ser visto nas falas dos bibliotecários os motivos de não haver divulgação
dos serviços em redes sociais.
“Não existe motivo específico, apenas não é realizada, entretanto é uma
possibilidade futura” (B1).
“a instituição não permite acesso às redes sociais, logo não há como utilizar esse

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meio de comunicação para divulgar a unidade” (B2).
“em função da política de segurança da informação da instituição”. (B3).
“Não, porque o serviço não é necessário nessa biblioteca setorial”. (B4).
“Ainda está em construção”. (B9).
“Por não estar incluído no programa institucional, pois não temos acesso à rede
social durante o trabalho. Porém, acredito essa ser uma forma muito criativa da
divulgação das atividades e serviços desenvolvidos nas unidades de informação.
Quando preciso divulgar, utilizo meu portal pessoal mesmo”. (B10).

Quanto às bibliotecas que divulgam seus serviços por meio on-line, justificam seus
motivos da seguinte maneira:
“Maior visibilidade da UI, junto aos usuários internos e externos, através da rede”.
(B3).
“Para os alunos terem conhecimento dos serviços que existem na biblioteca”. (B5).
“informações dos cursos da instituição”. (B6).
“boletim informativo de eventos e de serviços”. (B7).
“divulgar nossas atividades”. (B8).
“divulgar informações como acesso, normas e torná-las mais conhecidas, já que a
instituição tem pouco tempo de mercado”. (B9).
“para divulgar os serviços oferecidos pela biblioteca e atingir um número maior de
usuários”. (B11).

Nesse sentido, a importância de informar seus serviços, faz com que os usuários
tenham aproximação com as atividades desenvolvidas pela biblioteca. As ferramentas da Web
2.0 vêm facilitar a interação do usuário com a biblioteca, além de demonstrar que a biblioteca
não está inerte perante as inovações tecnológicas que se despontam. (ROCHA, SILVA,
MAIA, 2012).
De acordo com os bibliotecários entrevistados, percebe-se que as informações
divulgadas por essas bibliotecas estão voltadas para as unidades de informação, como pode
ser visto abaixo:
“No site é divulgado o horário de funcionamento, políticas sobre o funcionamento
da biblioteca e é disponibilizado a reserva e renovação das obras do acervo”. (B1).
“Funcionamento, normas de acesso da biblioteca, acervo, etc.”. (B2).
“Novas publicações existentes, atualização do sistema da biblioteca, serviços, todo o
sistema, normas, regulamentos, funcionamento, atividades desenvolvidas pela
biblioteca”. (B3).
“Base de dados on-line; procedimentos de empréstimos; novas publicações;
bibliotecas virtuais; pesquisa de levantamento bibliográfico; empréstimo on-line”
(B5).
“Atividades realizadas na instituição: aniversários dos colaboradores e notícias das
mantenedoras da instituição” (B6).

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“Dados informativos de serviços, eventos”. (B7)
“Palestras e aquisições recentes”. (B8).
“No site da instituição, são divulgadas as informações básicas da biblioteca, como os
serviços oferecidos, normas, local e horário de atendimento.” (B9).
“Projetos, andamento do projeto implantado”. (B10).
“Serviços oferecidos, tais como pesquisa, renovação e reserva on-line pelo sistema
pergamum, treinamento em bases de dados para discentes, docentes e servidores,
dentre outros.” (B11).

Concluída a análise sobre o uso das ferramentas o uso das ferramentas da Web 2.0
pelos bibliotecários de bibliotecas universitárias a próxima etapa apresentará algumas
considerações sobre a pesquisa.

5 Considerações finais
O avanço tecnológico e advento da internet no decorrer dos anos fez com que os
usuários diminuíssem o interesse pela biblioteca, dessa forma a biblioteca teve que se
reinventar e aderir as novas tecnologias e as ferramentas disponíveis na Web para inserir-se no
mundo virtual e assim buscar estratégias que incentive o usuário a retornar e buscar os
serviços oferecidos pela biblioteca.
A Web 2.0 é uma ferramenta que traz uma nova perspectiva para o usuário por meio de
aplicações mais intuitivas, personalizadas e sensíveis ao seu contexto. Seu uso na biblioteca
universitária é de grande relevância, pois mediante estratégias definidas pelos bibliotecários
será possível a biblioteca estar integrada a realidade dos usuários e assim atraí-los para a
mesma.
Nesse sentido esta pesquisa teve como norte a seguinte questão: As ferramentas
eletrônicas da Web 2.0 são utilizadas pelos bibliotecários das bibliotecas universitárias das
instituições de superior na cidade de Manaus? Quais são elas e de que forma essas
ferramentas são utilizadas?
Diante do que foi apurado, a pesquisa permitiu compreender que os bibliotecários
fazem uso das ferramentas da Web 2.0, muito embora sua aplicabilidade na biblioteca
universitária ainda não seja totalmente possível, pois nem todas as instituições permitem esse
uso.
Das principais ferramentas utilizadas verificou-se que o Facebook é a mais usada, em
decorrências de sua popularidade, porém algumas instituições também utilizam o Twitter e
muitas possuem delas fazem uso do site da instituição.
Utilizam as ferramentas principalmente para divulgar serviços da biblioteca,
novidades, horário de funcionamento e boletins informativos. Com o objetivo de aproximar o
usuário com os serviços da biblioteca.
Espera-se com essa pesquisa que futuros trabalhos possam ser desenvolvidos com o
intuito de beneficiar e incentivar o uso das ferramentas da Web 2.0 em bibliotecas

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Trata-se de um estudo de uso das ferramentas da Web 2.0 pelos bibliotecários de bibliotecas universitárias da cidade de Manaus. A Web 2.0 corresponde ao momento em que as ferramentas disponíveis na rede passam a interagir com o público e este, se torna um importante ator no processo de criação e disponibilização de conteúdos tornando o ambiente virtual mais dinâmico. A inserção da sociedade no ambiente virtual tem colaborado para que setores busquem a transformação e atualização de seus espaços e serviços garantindo sua vivência neste novo ambiente. A biblioteca, neste contexto, necessita atender suas demandas e ofertar serviços acompanhando estas transformações. No que tange a biblioteca universitária, esta necessita transformar seus meios e processos garantindo que a informação continue sendo ofertada de modo a atender as necessidades de quem a busca. Neste sentido, esta pesquisa objetivou conhecer como os bibliotecários atualmente veem estas transformações, como estes interagem com as ferramentas eletrônicas disponíveis na web para a execução de suas tarefas contribuindo para que a biblioteca universitária cumpra com o seu papel. Buscou-se identificar os bibliotecários atuantes nestes verificando com os mesmos as motivações no uso das ferramentas como apoio as atividades nestes setores o uso e aplicação das mesmas. Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, realizada por meio de Survey, com abordagem qualitativa e quantitativa. Conclui que as ferramentas da Web 2.0 são importantes para a interação do usuário com a biblioteca, porém em alguns momentos há impedimento no uso dessas ferramentas por motivos das normas institucionais.</text>
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                    <text>O USO DA TEORIA DO CONCEITO PARA CATEGORIZAÇÃO
DOCUMENTAL E REPRESENTAÇÃO DA MEMÓRIA NA
MICROBIOLOGIA COMO ÁREA DO SABER DA UFRJ.

Patricia Mendes Mendes (FIOCRUZ) - patricia.mendes@icict.fiocruz.br
Ana Paula Alves Teixeira (UFRJ) - apteixeira@micro.ufrj.br
Daniele Masterson Ferreira (UNIRIO) - danimasterson@yahoo.com.br
Resumo:
Objetiva apresentar a contextualização da memória da área de Microbiologia na UFRJ numa
evolução histórica através da informação materializada no acervo da Biblioteca do Instituto de
Microbiologia. Identifica o acervo documental e realiza sua categorização. Utiliza a teoria do
Conceito e as supercategorias para a representação dos documentos de acordo com suas:
dimensões (tempo e espaço); entidade (objetos e princípios) e atividades (processos).
Seleciona e propõe a representação dos documentos iconográficos de acordo com a
característica gênero e também uma divisão por data de produção dos materiais como modo
de experimentação. O modelo de representação mostrou um caminho possível para a
representação dos outros documentos identificados que ainda serão categorizados e
trabalhados.
Palavras-chave: Teoria do Conceito; Categorização Documental; Documentos Imagéticos;
Memória da Microbiologia; Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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�O USO DA TEORIA DO CONCEITO PARA CATEGORIZAÇÃO
DOCUMENTAL
E
REPRESENTAÇÃO
DA
MEMÓRIA
NA
MICROBIOLOGIA COMO
ÁREA
DO
SABER
DA UFRJ

RESUMO
Objetiva apresentar a contextualização da memória da área de Microbiologia na UFRJ numa
evolução histórica através da informação materializada no acervo da Biblioteca do Instituto de
Microbiologia. Identifica o acervo documental e realiza sua categorização. Utiliza a teoria do
Conceito e as supercategorias para a representação dos documentos de acordo com suas:
dimensões (tempo e espaço); entidade (objetos e princípios) e atividades (processos).
Seleciona e propõe a representação dos documentos iconográficos de acordo com a
característica gênero e também uma divisão por data de produção dos materiais como modo
de experimentação. O modelo de representação mostrou um caminho possível para a
representação dos outros documentos identificados que ainda serão categorizados e
trabalhados.

Palavras Chave: Teoria do Conceito. Categorização Documental. Documentos Imagéticos.
Memória da Microbiologia. UFRJ.

ABSTRACT
Aims to present the context of memory in a historical evolution of Microbiology area at UFRJ
through information materialized in the collection of the Institute of Microbiology Library.
Identifies the document collection and performs its categorization. It uses the theory concept
and category greats for the representation of documents according to their: dimensions (time
and space); entity (objects and principles) and activities (processes). Selects and proposes the
iconographic representation of documents in accordance with the characteristic gender and
also a division by date of production of materials such as trial mode. The representation
model showed a possible way for the representation of other documents still to be identified
and categorized worked.

Key Words: Concept Theory. Document Categorization. Imagistic Document. Microbiology
Memory. UFRJ.

�INTRODUÇÃO
O progresso das ciências biomédicas e a organização de ações em saúde na Europa
estão intimamente relacionados aos interesses científicos e a política de saúde em fins do
século XIX no Brasil. Entretanto, a materialização das ciências microbiológicas se faz de
forma controversa. Debates que dividem os atores científicos, as dificuldades sociais e os
obstáculos tecnológicos ocorrem com frequência na política brasileira durante a virada do
século XIX para o século XX. Em meio aos diferentes espaços onde surgem os primórdios
nos campos da virologia e bacteriologia com a vacinação de seres vivos e cuidados com as
doenças infecciosas, a reforma de 1881-1889, iniciada por Vicente de Sabóia busca aprimorar
as instalações da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e incentivar a prática laboratorial
em consonância com ideais europeus.
As diversas espécies de micróbios que se apresentam sob as lentes dos cientistas
brasileiros ainda trazem a incerteza que se reflete na dificuldade do ensino médico e na
aceitação plena no campo da bacteriologia, mas com o decreto nº 3902 de 12 de janeiro de
1901, institui-se a cadeira de bacteriologia no terceiro ano do curso de medicina da Faculdade
de Medicina do Rio de Janeiro com o propósito de melhorar a instrução profissional e
implementar a medicina experimental (CARRETA, 2006). É a partir de 1911, que a cadeira
de bacteriologia é substituída pela cadeira de microbiologia na Faculdade de Medicina do Rio
de Janeiro. Ocupada pelo professor Bruno Lobo, a nova cadeira representa o fortalecimento
da teoria microbiana com a ampliação dos conhecimentos científicos a respeito da fisiologia
dos microrganismos.
No que se refere à trajetória da evolução da microbiologia no Brasil, havemos de levar
em consideração a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro como base na consolidação da
nova ciência, pois a dinâmica de ideias que circulam nos corredores, salas de aula e
laboratório está presente não só no movimento de estudantes e professores, como nos médicos
oriundos daquela Instituição que estendem seus conhecimentos em prol da Ciência Brasileira.
Portanto a Faculdade de Medicina torna-se participante do progresso científico no país
(ALMEIDA, 2005).
A área da microbiologia se expande e em meados dos anos de 1950 passa de
disciplina nas Faculdades de Enfermagem, Farmácia, Medicina a unidade própria na então
Universidade do Brasil. O Instituto de Microbiologia (IM), fundado por Paulo de Góes,
instala-se no campus da Praia Vermelha até a década de 1960, quando é transferido para a
cidade universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

�O desejo do fortalecimento do campo da microbiologia, tornando-o lugar para
capacitar o ensino e a pesquisa é relatado nas memórias do livro “Centenário do Professor
Paulo de Góes, 1913-1982” em decorrência das comemorações relativas ao centenário do
fundador do Instituto. Depoimentos daqueles que conviveram com suas ações para
materialização do espaço e as fontes documentais relativas ao tema microbiologia na
Universidade expressam o anseio permanente na continuação de um ambiente de destaque
para ciência. A concretização do Instituto se entrelaça indubitavelmente com a trajetória da
microbiologia na Universidade, o que possibilita a formação espaço de memória microbiano
no Brasil.
A percepção do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, como verdadeiro
patrimônio mnemônico, histórico, cultural e científico brasileiro demanda a contextualização
deste ramo da ciência biológica no Brasil. Mesmo diante trajetória histórica e representação
social explicitada, ainda há a lacuna quanto a representação documental produzida na
construção e consolidação da Microbiologia.
O presente trabalho propõe uma categorização documental que contribua para
representação dos diferentes tipos de manifestações, bem como as relações semânticas e sua
contextualização ao domínio/área para tratamento documental que possibilite a busca e a
recuperação desse material.

REFERENCIAL TEÓRICO
A "Era de Ouro" da microbiologia ocorre no período de 1850 a 1920, onde as
pesquisas estabelecem que alguns microrganismos causam as doenças em humanos, animais e
plantas, além das alterações químicas no ambiente, incluindo o solo e a água. Ao findar desta
época a microbiologia se estabelece como uma disciplina científica com identidade própria
(BROCK; WEYER,1972). É durante a era de ouro, que em 1911 ocorre na Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro instituição da cadeira de microbiologia ocupada por Bruno Lobo,
mentor de Paulo de Góes, estudante que inicia, por volta de 1930, seus estudos na Faculdade
de Medicina do Rio de Janeiro (CARRETA, 2006).
O Instituto de Microbiologia constitui-se um espaço de memória, tendo assumido a
sua materialidade desde o Hospital dos Alienados, primeiro polo dos estudos de
microbiologia da UFRJ, datado de 1950 até o que se conhece hoje como Instituto de
Microbiologia Professor Paulo de Góes. Para Halbwachs (2006) a memória coletiva de um

�grupo identifica-se no quadro espacial, não há gênero de atividade coletiva que não tenha
relação com o lugar e o lugar recebe a marca de cada grupo que passou por aquele espaço.
Para buscar sua identidade, o IMPPG fez o movimento de reunir o material de
memória que se encontrava em seus espaços. Objetos com características distintas fazem
referência à evolução da microbiologia e a materialização do Instituto em diferentes espaços
acadêmicos no Rio de Janeiro. Os documentos são fios condutores no desenvolvimento do
ensino da microbiologia até a criação do próprio Instituto de microbiologia Professor Paulo de
Góes, unidade pioneira no ensino dessa Ciência no Brasil.
Para além da contextualização de memória à evolução histórica da microbiologia na
Universidade através da informação materializada nos objetos do Instituto de Microbiologia, é
fundamental trazer algumas definições referentes ao termo documento.
Paul Otlet (1934) amplia o entendimento do conceito documento e promove o
deslocamento da ênfase no suporte físico para o assunto e conteúdo dos documentos,
independente de seu suporte e formato. Uma das principais contribuições foi a consolidação
do conceito de documento: “documentos bibliográficos” (folheto, monografias, ensaios, livro,
enciclopédias, dicionários entre outros); “documentos gráficos que não são obras impressas”
(manuscritos, mapas e plantas, estampas, partituras musicais, moedas, medalhas etc.) e
“documentos chamados substitutos do livro” (filmes, discos, obras de arte e outros).
Rendón Rojas (1999) apresenta para o conceito documento as seguintes
características: objetivação, ou materialização, do pensamento e em qualquer suporte; criado
para informar o que desmaterializa o pensamento; constitui-se instrumento de conservação da
memória social pela função comunicativa social, sintaxe reconhecível e lógica
Documentos textuais, objetos imagéticos e artefatos tridimensionais possibilitam
consolidar a história da microbiologia na UFRJ. Nesse sentido aponta-se a necessidade de
uma categorização documental.
Categoria pode ser visto como um conceito de alta generalização e de grande
aplicação que pode ser empregado para reunir outros conceitos. (JACK MILLS, 1960 apud
PIEDADE, 1977). Campos (2008, p.) compreende que:
A Categorização é um processo que requer pensar o domínio de forma
dedutiva, ou seja, determinar as classes de maior abrangência dentro da
temática escolhida. Na verdade, aplicar a categorização é analisar o domínio a
partir de recortes conceituais que permitem determinar a identidade dos
conceitos (categorias) que fazem parte deste domínio.

As categorias possuem importância fundamental na organização dos conceitos. Nesse
contexto, as categorias funcionam como classes maiores de fenômenos presentes de

�conhecimento geral ou em uma das suas partes. A categoria torna-se o principio para a
organização do pensamento de acordo com o nível de representatividade que se quer atribuir a
determinado recorte temático/contexto.
As categorias ou predicáveis de Aristóteles atribuem às classes gerais na quais
podem ser aplicadas, de forma ordenada, as ideias que se tem sobre as coisas e que constituem
os dez gêneros supremos, que são: substância, qualidade, quantidade, relação, duração, lugar,
ação, paixão, maneira de ser e posição. Substancia para Aristóteles seria a categoria básica
pois ela e o ser que existe. Parte das teorias que trabalham com palavras/termos/conceitos
detêm-se nas bases lógicas das categorias aristotélicas (PIEDADE, 1983; DODEBEI, 2002).
Seguindo a base aristotélica, Ingetraut Dahlberg, filósofa e bibliotecária alemã, traz
as denominações de conceitos e tipologia das características nas seguintes categorias: matéria
(substância), qualidade, quantidade, relação, processo, modo de ser, passividade, posição,
localização e tempo. (DAHLBERG, 1978). Um reagrupamento feito por Dahlberg das
categorias aristotélicas é apresentado por Dodebei (2002). São classes maiores denominadas
supercategorias, que correspondem a categorias necessárias a uma estruturação sintática para
formação de frases: entidade (princípios, objetos imateriais, objetos materiais); propriedades
(quantidades, qualidades, relações); atividades (operações, processos, estados) e dimensões
(tempo, espaço, posição).
Dahlberg (1978) considera o conceito uma unidade do conhecimento. Sua
estruturação e identificação estão cercadas de características capazes de individualizá-lo e
representá-lo por meio da padronização de termos que tornará possível a organização de um
sistema de classificação. A relação entre os conceitos é também fator importante, pois a
comparação entre eles permite a visualização de características comuns e o cruzamento de
relação entre os conceitos.
Um conceito forma-se por meio da representação de um determinado objeto cercado
por diferentes tipos de informação fixados por símbolos linguísticos. Cabe destacar o conceito
básico intimamente relacionado à informação contextualizada por Ribeiro (2002, p.37) que a
define como:
Um conjunto estruturado de representações mentais codificadas
(símbolos significantes) socialmente contextualizadas e passíveis de
serem registadas num qualquer suporte material (papel, filme, banda
magnética, disco compacto, etc.) e, portanto, comunicadas de forma
assíncrona e multidirecionada.

�Diante da concepção objeto/documento firmada por Otlet, Buckland (1998, p. 216)
aponta que “objetos em si mesmos podem ser considerados documentos se por observá-los
você recebe informação”.
A relação memória contextualizada em suportes informacionais distintos: artefatos,
monumentos e documentos, instrumentos de representação de identidades culturais e
reafirmação de cidadania, viabilizam os processos sociais de transferência da informação (LE
GOFF, 2003).
A análise de uma tipologia documental permite a investigação de como se constituem
suas principais categorias e, também, de acordo com os objetivos gerias e específicos que se
pretende representar o domínio de conceitos referentes ao universo patrimônio material
representativo de memória do grupo microbiano do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
As coleções bibliográficas do acervo físico no tema microbiologia são compostas por
livros, dissertações e teses representadas na 22a edição da Base Minerva (Sistema Aleph).
Entretanto, documentos com diferentes características que representam uma evolução do
campo, que segue de disciplina a formação de um Instituto na área microbiana, é constituído
por rascunhos de aulas, atas, mapas, diplomas, certificados; agendas de compromissos anuais,
caneta, porta-tinteiro, quadros, fotografias e outras tipologias que o sistema Aleph não atende
por não corresponder a uma politica de representação de documentos não bibliográficos. A
identificação da tipologia documental da Microbiologia nos mostra que o acervo a ser
trabalhado está de acordo com as características apresentadas por Gonçalves (1998) no quadro
a seguir:

DEFINIÇÃO TÉCNICA

EXEMPLOS

SUPORTE

Material sobre o qual as informações são Acetato / Papel / Filme de Nitrato / Fita
registradas
Magnética

FORMA

Estágio de preparação e de transmissão de
documentos.
Original - Cópia - Rascunho

FORMATO Configuração física de um suporte, de
acordo com a natureza e o modo como foi Cartaz - Livro - Planta
confeccionado.
GÊNERO

Configuração que assume o documento de Documentação--Audiovisual

�acordo com o sistema de signos utilizado Documentação--Fonográfica
na comunicação de seu conteúdo.
Documentação--Iconográfica
Documentação --Textual
ESPÉCIE

Configuração que assume um documento Boletim
de acordo com a disposição e a natureza Certidão
das informações nele contidas.
Declaração
Relatório

TIPO

Configuração que assume uma espécie Boletim de Ocorrência
documental, de acordo com a atividade que Certidão de Nascimento
a gerou.
Declaração de Imposto de Renda

Obs.: as definições acima relacionadas são as mesmas que se encontram em Dicionário de
Terminologia Arquivística. São Paulo: AAB-SP, Secretaria de Estado da Cultura, 1996.

Dentre as caracteristicas: suporte, forma, formato, gênero, espécie e tipo, elegemos o
aspecto gênero. No intuito de trabalhar com uma característica de documento por vez,
selecionamos para análise conceitual os documentos iconográficos e estabelecemos uma
divisão por data de produção dos materiais como modo de experimentação.
Documentos iconográficos são documentos em suportes sintéticos, em papel
emulsionado ou não, contendo imagens estáticas: fotografias (diapositivos, ampliações e
negativos fotográficos), desenhos, gravuras e obras artísticas. A organização do acervo
iconográfico relaciona o material imagético (fotografias, slides e outros) como fonte
documental e como registro da evolução da Instituição.
As imagens constituem documentos históricos que instigam os profissionais das
Ciências humanas a percorrerem a interdisciplinaridade. A imagem pode ser, segundo Burke
(2004), ambíguas e polissêmicas. Quatro aspectos gerais elencados pelo autor sintetizam que
informações os documentos imagéticos oferecem:

1. As imagens dão acesso não ao mundo social diretamente, mas sim a visões
contemporâneas daquele mundo, a visão masculina das mulheres, a da classe média
sobre os camponeses, a visão dos civis da guerra, e assim por diante [...]
2. O testemunho das imagens necessita ser colocado no “contexto”, ou melhor, em uma
série de contextos no plural (cultural, político, material, e assim por diante), incluindo
as convenções artísticas para representar [...]
3. Uma série de imagens oferece testemunho mais confiável do que imagens
individuais, seja quando o historiador focaliza todas as imagens ainda existentes que os
espectadores poderiam ter visto em lugares e épocas específicas [...], seja quando
observa as mudanças nas imagens [...] ao longo do tempo [...].
4. No caso de imagens, como no caso dos textos, o historiador necessita ler nas
entrelinhas, observando os detalhes pequenos, mas significativos – incluindo ausências

�significativas – usando-os como pistas para informações que eles não estavam
conscientes de possuir[...] (BURKE, 2004, p.237-238)

Às formas imagéticas cruza-se o tempo sob o qual foram produzidas,
contextualizando-as no âmbito da memória nacional onde subsistem grupos religiosos,
familiares e profissionais (HALBWACKS, 2006).
A continuidade da tradição de um grupo social se dá através da herança e manutenção
de uma memória coletiva, que é a memória da sociedade, formada por micromemórias
pessoais, sendo um elo de uma cadeia maior, a memória social, representado através do seu
patrimônio cultural (DUARTE, 2009).
Como primeira etapa, busca-se um modelo que sirva como diretriz para representação
dos outros tipos de documentos identificados. Dessa forma, os objetivos da pesquisa se
traduzem em identificar a tipologia documental do Instituto ainda não tratada para
disponibilização no sitio de dados institucionais; Elaborar um modelo categorial para
representação dos diferentes documentos de acordo com suas relações semânticas para
representação da Microbiologia como área também social do saberes e documentar a história
da criação do Instituto de microbiologia Paulo de Góes enquanto espaço de preservação e
divulgação da memória microbiana da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Dentre as diversas modalidades de documentos encontradas na unidade, escolhemos
parte dos documentos iconograficos que manifestam as diferentes épocas da Microbiologia,
através de diferentes formas de expressão imagéticas de personalidades que fizeram parte da
evolução desse ramo do saber.
Para iniciar os trabalhos, três documentos imagéticos foram selecionados:
A. Pintura de Bruno Lobo;
B. Foto de Amadeu Cury;
C. Caricatura de Paulo de Góes.

Para a representação do gênero iconográfico elencamos as supercategorias de
DAHLBERG sinalizadas por Dodebei (2002) e desdobramos as categorias relacionadas no
quadro abaixo na seguinte ordem de organização: dimensões (tempo e espaço); entidade
(objetos e princípios) e atividades (processos).

Memória Coletiva

�Dimensão
Dimensão
Entidade
Entidade
Atividade

Tempo
Localização
Objeto
Princípios constitutivos
Processo

Dimensão
Dimensão
Entidade
Entidade
Atividade

Tempo
Localização
Objeto
Princípios constitutivos
Processo

Séculos XX -XXI
Instituto de Microbiologia
Microrganismos
Evolução do saber
Ensino e pesquisa
Iconografia

Dimensão
Dimensão
Entidade
Entidade
Atividade
Dimensão
Dimensão
Entidade
Entidade
Atividade
Dimensão
Dimensão
Entidade
Entidade
Atividade
Dimensão
Dimensão
Entidade
Entidade
Atividade

Séculos XX – XXI
Instituto de Microbiologia
Grupo microbiano
Documentação imagética
Registro e Preservação
Retrato
Tempo
Séculos XX – XXI
Localização
Instituto de Microbiologia
Objeto
Grupo microbiano
Princípios constitutivos
Fotografia, desenho ou pintura.
Processo
Registro e Preservação
Retrato de Bruno Lobo
Tempo
1911
Localização
Instituto de Microbiologia - Sala da Congregação
Objeto
Bruno Lobo
Princípios constitutivos
Reprodução estética
Processo
Pintura
Retrato de Amadeu Cury
Tempo
1957-1960
Localização
Instituto de Microbiologia - Biblioteca
Objeto
Amadeu Cury
Princípios constitutivos
Captação imagética
Processo
Fotografia
Retrato de Paulo de Góess
Tempo
1969 -1970
Localização
Instituto de Microbiologia - Biblioteca
Objeto
Paulo de Góes
Princípios constitutivos
Representação caricatural
Processo
Desenho
As grandes classes para representação dos documentos imagéticos se traduzem na

própria formação e contextualização histórica da Microbiologia nos Brasil nos diferentes
cenários do fazer técnico científico da área. A proposta de representação do recorte
documental imagético se configura na apresentação dos elementos: Memória Coletiva,
Instituto de Microbiologia, Iconografia, Retrato, Retrato de Bruno Lobo, Retrato de
Amadeu Cury, Retrato de Paulo de Góes. A análise dos conceitos representam o
compromisso de representação da área e a instrumentalização e pesquisa para conceituação
dos documentos imagéticos foi realizada com apoio do Banco de Dados português Infopédia:

�http://www.infopedia.pt/dicionarios composto por uma central de conteúdos de referência que
abrange todas as áreas de conhecimento, com amplo conjunto linguístico, gráfico e
enciclopédico (CERVANTES, 2012).
A partir da análise de fontes orais, sonoras e textuais, foi possível relacionar as
imagens ao contexto social e período histórico das personalidades que compõem o grupo
microbiano na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As três tipologias imagéticas
escolhidas tem significância por endossarem a evolução do saber microbiano no espaço
acadêmico e dar sentido a documentos imagéticos que adornam os espaços do Instituto de
Microbiologia Paulo de Góes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta apresentada levou em consideração a literatura existente sobre o tema,
buscando adequar às metodologias e técnicas para representação da memória em imagens.
Contribuir com as diretrizes de representação de um acervo iconográfico que retrata a
memória de uma comunidade acadêmica, analisar e descrever as classes e categorias de
representação desses documentos de fato é um desafio por se tratar de uma tarefa inovadora
desenvolvida pela biblioteca do Instituto de Microbiologia.
A representatividade impressa em escritos, ilustrações, sons, imagens, ou em qualquer
outro formato, nos permitiu não só identificar os documentos, mas também contextualizá-los
como expressão que marca o próprio cenário da Microbiologia, numa dimensão social,
político e econômico, que constituiu a área e impulsionou o fazer técnico científico que é a
base do que temos hoje no país. Percebemos que a cooperação entre arquivos, bibliotecas e
museus são responsáveis pela transmissão da informação via documento em suas diversas
manifestações. Compreendemos que é preciso adotar princípios e métodos capazes de
representar com exatidão o acervo disponível, como também permitir que o acesso e a
recuperação da informação sejam realizados por meio de instrumentos de classificação bem
estruturados.
O acervo analisado tem relevante importância como fonte de informação histórica não
somente para o Instituto de Microbiologia, como também para UFRJ, uma vez que este
material serve como uma das fontes para o resgate de sua memória. O modelo de
representação mostrou um caminho possível para a representação dos outros documentos
identificados que ainda serão categorizados e trabalhados.

�REFERÊNCIAS
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Objetiva apresentar a contextualização da memória da área de Microbiologia na UFRJ numa evolução histórica através da informação materializada no acervo da Biblioteca do Instituto de Microbiologia. Identifica o acervo documental e realiza sua categorização. Utiliza a teoria do Conceito e as supercategorias para a representação dos documentos de acordo com suas: dimensões (tempo e espaço); entidade (objetos e princípios) e atividades (processos). Seleciona e propõe a representação dos documentos iconográficos de acordo com a característica gênero e também uma divisão por data de produção dos materiais como modo e experimentação. O modelo de representação mostrou um caminho possível para a representação dos outros documentos identificados que ainda serão categorizados e trabalhados.</text>
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                    <text>O SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL E AS PERSPECTIVAS DA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA: NOSSAS EXPERIÊNCIAS
E PROJEÇÕES

Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Rosiane Maria Oliveira (UFLA) - rosianemaria@biblioteca.ufla.br
Thiago Bellotti Furtado (UFLA) - thiagofurtado@biblioteca.ufla.br
Thiago Marcondes Sales (UFLA) - thiagoufla21@gmail.com
Resumo:
Apresenta-se o projeto de implantação do Serviço de Referência Virtual (SRV), com
atendimento via chat, da Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal de Lavras
(UFLA). O objetivo principal do projeto envolvido consistiu em fornecer mais uma alternativa
de comunicação entre o usuário e a BU. Quanto aos procedimentos metodológicos, utilizou-se
a técnica de estudo de caso por permitir um conhecimento mais detalhado sobre o fenômeno e
o contexto delimitado e também foi realizada uma pesquisa de opinião com 220 usuários. As
etapas para implantação do SRV na BU foram: levantamento bibliográfico; análise de
software; testes internos na Biblioteca com software escolhido; criação de política de
atendimento; elaboração e atualização das possíveis perguntas frequentes; estabelecimento do
horário de atendimento; capacitação dos servidores envolvidos no projeto; por último,
divulgação do novo serviço para comunidade acadêmica da UFLA. Conclui-se que a partir da
implantação do SRV, os usuários tiveram mais benefícios, como a resposta imediata de seu
problema e acredita-se que com o SRV, via chat, os usuários passaram a procurar mais a BU
para esclarecer suas dúvidas, ampliando o atendimento da Biblioteca para vários outros
usuários.
Palavras-chave: Serviço de referência virtual. Biblioteca universitária. Bibliotecário de
referência. Atendimento via chat.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Serviços de referência presencial e virtual

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Uma das principais atividades de uma biblioteca é o serviço de referência, por
desempenhar a função de mediação entre usuário e o acesso à informação, seja em formato
físico, seja virtual. No contexto mundial, é imensa e está cada vez mais crescente a
disponibilidade de recursos tecnológicos de informação e comunicação, justificando assim a
necessidade das bibliotecas acompanharem essas evoluções tecnológicas, visando a oferecer
produtos e serviços cada vez mais dinâmicos e interativos para comunidade na qual está
inserida.
Com a necessidade de seguir essas evoluções tecnológicas e expandir o serviço de
referência além do ambiente físico, disponibilizando informação rápida e precisa para o
usuário, independentemente do local onde se encontra a Biblioteca Universitária (BU) da
Universidade Federal de Lavras (UFLA), por meio do Programa de Bolsa Institucional de
Ensino e Aprendizagem (PROAT) da UFLA, criou-se o projeto denominado de “Serviço de
Referência Virtual” (SRV), com a orientação de uma bibliotecária-documentalista e a
participação de dois bolsistas do PROAT e um técnico em informática.
O objetivo deste projeto consistiu em fornecer um novo meio de comunicação entre o
usuário e a BU, visando a atender às expectativas deste usuário atual, que, acostumado às
novas tecnologias, esperam-se serviços mais modernos e práticos por parte das bibliotecas.
Assim, o atendimento do SRV foi criado para ser realizado via chat, por meio de um
software livre, o Mibew Messenger, que possibilita a troca de informações em tempo real,
para atender à comunidade universitária e, em geral, mantendo a mesma qualidade do serviço
já oferecido presencialmente e agilizando a transmissão de informação.
A Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Lavras (BU/UFLA) vem se
consolidando, ao longo dos anos, como referência imprescindível para as atividades
de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas na UFLA. Além disso, por se tratar de
um organismo pertencente a uma instituição pública, a biblioteca presta serviços
para segmentos variados da população de Lavras e região, sobretudo aqueles
vinculados ao sistema educacional. (OLIVEIRA; OLIVEIRA; AMARAL, 2014).

Portanto, neste trabalho descreve-se a experiência da BU na implantação do SRV, via
chat, e apresenta suas projeções. Acredita-se que este trabalho possa servir de orientação para
outros bibliotecários que desejarem aprimorar os serviços prestados aos usuários.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
Cresce a quantidade de pessoas que utilizam os serviços virtuais disponibilizados pelas
bibliotecas, tais como: pesquisas, solicitação de material, e-books, serviços de buscas,
renovação, reserva, comutação bibliográfica, orientações, entre outros. Com isso, exige-se das
bibliotecas constante acompanhamento das tendências atuais, com a utilização em massa das
tecnologias da informação, principalmente por meio das tecnologias virtuais.
Como a quantidade de usuários aumenta gradualmente a cada ano, a Internet torna-se
um meio de oferecer seus serviços a vários usuários simultaneamente e de forma remota,
levando mais comodidade e praticidade ao público atendido.
A evolução das tecnologias de informação e comunicação trouxe mudanças
significativas tanto no tratamento quanto na disseminação da informação. Seu uso
proporciona cada vez mais a facilidade da disseminação das informações, tornando
possível integrar usuários da rede e novas fontes, possibilitando, assim, a geração de
novos conhecimentos. (FERNANDES et al., 2006, p. 15).

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O serviço de referência se caracteriza no tradicional atendimento prestado no espaço
físico da biblioteca, no qual os usuários solicitam auxílio nas pesquisas bibliográficas e na
recuperação e acesso a documentos específicos; além disso, buscam informações sobre a
utilização dos vários setores da biblioteca, esclarecem suas dúvidas, consultam o acervo, entre
outras atividades de atendimento personalizado ao usuário. Esse serviço é de extrema
importância para o bom funcionamento de qualquer biblioteca. Pode-se dizer que um serviço
de referência visa a:
[...] proporcionar assistência aos usuários na busca por informações, identificando
suas necessidades, definindo suas estratégias de busca e favorecendo o acesso às
fontes informacionais. A sua qualidade está atrelada à avaliação e melhoria contínua
de suas políticas, procedimentos, capacitação de pessoal e infraestrutura
operacional, que devem estar em consonância com a demanda dos usuários.
(SANTANA et al., 2010).

A operacionalização do serviço de referência sofre com alguns empecilhos, como, por
exemplo, quando utilizado via rede telefônica, pois possui um alto custo com ligações locais
ou até mesmo interurbanas, além do congestionamento na linha telefônica por longo tempo,
frustrando o usuário na necessidade de se locomover até o espaço físico da biblioteca para
esclarecer suas dúvidas. Outro problema é que alguns usuários, por timidez ou inibição, têm
certa dificuldade de conversar pessoalmente com os bibliotecários de referência; algumas
vezes, o usuário até mesmo deixa de esclarecer suas dúvidas por receio de procurar ajuda.
(GROGAN, 1995).
O serviço tradicional tem sido feito via telefone; porém, devido ao alto custo das
ligações, o serviço pode ser substituído pelo correio eletrônico (e-mail) oferecendo
os mesmos serviços e tendo a vantagem do armazenamento das informações ou
impressão, outra vantagem é que o e-mail pode ser enviado a qualquer hora, não
dependendo do horário de atendimento do setor. (ARELLANO, 2001).

Com o avanço da tecnologia da informação, as bibliotecas colocaram seus serviços na
web, facilitando bastante a comunicação entre o usuário e o bibliotecário, criando, assim, o
SRV, o qual é realizado via chat.
No início dos anos 2000, nos Estados Unidos, a biblioteca denominada 2.0 passou a
oferecer Serviços de Referência Virtual (SRV) disponibilizando em seus sites, entre outros
serviços on-line, a possibilidade de se comunicar com o bibliotecário através de e-mail e
posteriormente de chats (ou bate-papo) em tempo real (NAKANO; JORENTE, 2014). A
iniciativa brasileira de atendimento por chat começou pela Biblioteca da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em 2002 (CARVALHO; MILMAN,
2008).
A análise dos serviços de referência e informação, disponibilizados através dos sites
das bibliotecas universitárias, demonstra um crescimento significativo entre os
ambientes tradicionais e os ambientes virtuais. O modelo de referência virtual
permite ao usuário uma forma de estabelecer comunicação com a biblioteca a um
custo mais reduzido, especialmente os usuários remotos. (CARVALHO; MILMAN,
2008).

Um dos vários meios de comunicação considerados bastante proveitosos é o SRV, via
chat, que oferece uma comunicação entre ambos os lados de forma clara, econômica, em
tempo real e de forma remota.
O chat consiste na troca instantânea de mensagens entre usuário e bibliotecário,
possibilitando que mais pessoas utilizem o serviço, sendo esse serviço acessado de qualquer

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

lugar que haja conexão com a Internet, melhorando a qualidade e agilidade no atendimento.
Esse serviço oferece a possibilidade de gravar as mensagens para um possível levantamento
de dados futuros e ainda garante o anonimato do usuário.
Em contrapartida, existem as desvantagens, como a falta de contato humano, sendo
que a expressão corporal pode influenciar na qualidade do atendimento, além de falhas na
conexão que podem prejudicar a comunicação e dependendo da quantidade de usuários, pode
haver fila de espera.
É importante que a equipe profissional envolvida nesse tipo de atendimento esteja
capacitada para a prestação do serviço, sendo submetida a cursos de capacitação para utilizar
o software escolhido, devendo haver um técnico especializado em manutenção de
computadores para resolver possíveis falhas operacionais do software, e os bibliotecários de
referência devem evitar cometer erros de ortografia e uso inadequado de gerúndio, e ainda
utilizarem a linguagem mais formal possível. De acordo com (RIBEIRO, 2013) os
bibliotecários têm que se adaptar a essa nova demanda; é preciso traçar um novo perfil desse
profissional da informação, além de necessitar dos requisitos já conhecidos como, atenção,
criatividade, paciência, conhecimento técnico etc. Ele deve desenvolver também seu lado
empreendedor.
Os critérios, como a qualidade do serviço, o conhecimento do bibliotecário, a exatidão
e o tempo da resposta, o fornecimento de referência apropriada, o horário de disponibilidade
do serviço devem ser considerados em relação à satisfação do usuário com serviço de chat.
É relevante destacar a importância da biblioteca virtual na propagação da informação
por meio da disseminação da informação. No contexto da implantação do SRV na BU,
verificamos como é realizado o atendimento desse serviço, via chat, em diferentes bibliotecas,
sendo analisadas sete nacionais e uma internacional: a Biblioteca da Área de Engenharia e
Arquitetura da Universidade de Campinas (BAE/Unicamp), a Biblioteca Central da
Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Biblioteca da Universidade Estadual Paulista,
câmpus de Botucatu (Unesp/Botucatu), a Biblioteca da Faculdade de Medicina Veterinária e
Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP), a Biblioteca do Instituto de Ciências
Matemáticas e de Computação da USP (ICMC/USP), a Biblioteca da PUC-Rio, a Biblioteca
da UNISINOS (UNISINOS) e uma biblioteca internacional da University of Washington.

3 METODOLOGIA
Quanto aos procedimentos metodológicos, utilizou-se a técnica de estudo de caso por
permitir um conhecimento mais detalhado sobre o fenômeno e o contexto delimitado. Yin
(2005, p. 32) afirma que “um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um
fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os
limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos.” Para compor o relato
em tela, foi realizada uma pesquisa de opinião com 220 usuários da BU.
As etapas para implantação do SRV na BU foram: levantamento bibliográfico; análise
de software; testes internos com o software escolhido; criação da política de atendimento;
elaboração e atualização das possíveis perguntas frequentes; estabelecimento do horário de
atendimento; capacitação dos servidores envolvidos no projeto; divulgação do novo serviço
para a comunidade acadêmica da UFLA; e por último, avaliação do serviço.
Em relação à escolha do software, Nakano e Jorente (2014) relatam que “existem
diversos softwares disponíveis gratuitamente no mercado; porém, é necessário que o
escolhido atenda às necessidades da biblioteca quanto à compatibilidade com o sistema da
universidade, quanto ao número de usuários e ao número de bibliotecários que estarão
trabalhando no atendimento.” Na BU foi feito um levantamento de vários softwares gratuitos

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

que oferecem o serviço de trocas de mensagens em tempo real. Os softwares pesquisados
foram: Crafty Syntax, EasyChat, LiveZilla e Mibew Messsenger.
Quadro 1 – Diferenças entre os softwares em 2003.
Instalação

Crafty Syntax
Desktop

EasyChat
Navegador

Operadores

Ilimitado

Não identificado

Não identificado

Não identificado

Sim

Não

Não identificado

Não identificado

Sim

Não

Sim

Não identificado

Não identificado

Sim

Não identificado
Todas as conversas
ficam salvas e há
possibilidade de envio
do histórico em anexo
no meio da conversa.

Sim
Todas as conversas
ficam salvas, o envio
do histórico é feito
posteriormente por
e-mail.

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Não identificado

Não identificado

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Não identificado

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Não identificado

Sim

Sim

Não identificado

Não identificado

Sim

Não identificado

Não identificado

Não identificado

Sim

Sim

Não identificado

Não identificado

Sim

Não identificado

Sim

Sim

Sim

Sim

Não identificado

Não identificado

Sim

Não

Envio de
documentos em
anexo
Operação via
webcam
Open source
Salva e envia
histórico da
conversa para o
usuário
Monitorar
conversas
Personalizar
bate-papo
Envio mensagem
off-line
Alerta sonoro
Perguntas préformuladas
Notificação de
visitante no chat
Conversa
simultânea
Controle de
visitantes
Mensagem
automática
Grupos de
conferência
Tradução em
tempo real
Corretor
ortográfico
Avaliação do
atendimento

LiveZilla
Desktop
Apenas 1 operador
gratuito.

Mibew Messenger
Navegador e desktop
Ilimitado

Após análise mais detalhada desses softwares, o LiveZilla e o Mibew Messenger foram
considerados os mais completos, ambos oferecendo recursos como: correção ortográfica no
meio da conversa com o usuário, possibilidade de envio de todo o relatório da conversa para o
usuário, interface de fácil manuseio, entre outros já especificados acima. Uma diferença
significativa entre esses softwares é que o LiveZilla permite o envio de documentos em anexo
no momento da conversa. No entanto, a versão gratuita desse software permite apenas o
cadastro de um operador. Nesse caso, considerando que no projeto da BU são necessários
vários operadores simultâneos para satisfazer às demandas dos atendimentos dos setores da
Biblioteca, optou-se em não utilizar esse software. O Mibew Messenger não contempla a

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

funcionalidade de envio de documentos em anexo pelo chat; porém, é possível o cadastro de
vários operadores, permitindo que atendimentos sejam realizados simultâneamente.
A escolha pela utilização do software Mibew Messenger foi justificada com base em
quatro requisitos principais: possibilidade de customização do software (open-source); o
acesso e manipulação do sistema poder ser feito via web; possibilidade de vários operadores
atenderem simultaneamente um determinando usuário e por ser um sistema que não demanda
custos financeiros para sua utilização.
Com a participação assídua de um técnico da informação (TI) e pelos bibliotecários da
BU, foram realizados vários testes no Mibew Messenger para customização, sendo realizados
ajustes na interface do software, criação de perfis para os atendentes, temática das janelas de
conversação, elaboração de respostas prontas e levantamento/atualização de perguntas
frequentes já disponíveis no site da Biblioteca.
Os servidores da BU foram capacitados para o uso do sistema, já que o SRV envolve
diversos setores que dão suporte à Coordenadoria de Atendimento ao Usuário (CAU), na qual
está centralizado o atendimento inicialmente.
A política de atendimento foi criada para direcionar e dar suporte ao servidor que atua
no SRV, no que se refere ao horário de atendimento, o uso da grafia correta, cordialidade ao
usuário, definição dos atendentes, entre outros. O seu objetivo foi criar mecanismos para o
atendimento aos usuários através do chat.
O atendente responsável pelo chat foi instruído a utilizar a língua portuguesa
corretamente, sem vício de gírias e erros gramaticais, evitando também erros de digitação e
atentando ao corretor automático gramatical que o próprio software oferece.
O SRV da BU está disponível de segunda a sexta-feira, das 8 às 21 horas.
Inicialmente, todos os atendimentos são realizados pelos servidores da CAU, caso haja por
parte do usuário alguma dúvida específica de outra coordenadoria, o atendimento é
encaminhado para o setor responsável na BU por meio do próprio chat. Mas antes de
direcionar o atendimento para outro setor, o servidor da CAU entra em contato com
responsável pelo outro setor e explica exatamente qual é a dúvida do usuário e caso esse
esteja apto a responder, ele acessará o Mibew Messenger e será transferido o atendimento pelo
próprio sistema.
A estrutura da BU está constituída, regimentalmente, pela Diretoria e pela
Coordenadoria de Atendimento ao Usuário, Coordenadoria de Desenvolvimento do Acervo,
Coordenadoria de Produtos e Serviços (Repositório Institucional), Coordenadoria de
Processos Técnicos, Coordenadoria de Recursos Tecnológicos e Coordenadoria de Serviços
Administrativos. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS - UFLA, 2012).
Em situações mais específicas, as quais não são possíveis a resolução do problema de
imediato, a orientação é que a resposta seja enviada via e-mail para o usuário até o próximo
dia útil, sendo o mais breve possível. Em situações em que as perguntas são relacionadas a
outros departamentos da UFLA e que o atendente não possua informação para respondê-las, a
orientação é que informe o telefone e/ou e-mail do departamento para o usuário entrar em
contato.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Em síntese, os resultados se referem à descrição dos fatos verificados no corpus
estudado; então, a discussão gira em torno de pontos a serem interpretados sobre esses fatos.
(SWALES; FEAK, 2004).
As aplicações da estatística se desenvolveram de tal forma que, hoje, praticamente
todo campo de estudo se beneficia da utilização dos métodos estatísticos. (MARTINAZZO;
CEREZER, 2015). Nesse contexto, identificamos as principais dúvidas e demandas dos

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

usuários em atendimentos realizados no SRV, desde a sua implantação em abril de 2015 até
março de 2016, como pode ser visto no Quadro 2.
Quadro 2 - Análise das atividades do SRV/BU/UFLA - 2015/2016.

MÊS/ANO

Gerenciamento Provisão de
de conta
documento
Abril/15
4
2
Maio/15
0
0
Junho/15
4
0
Julho/15
4
0
Agosto/15
0
0
Setembro/15
0
1
Outubro/15
3
0
Novembro/15
12
0
Dezembro/15
8
0
Janeiro/16
4
0
Fevereiro/16
9
0
Março/16
8
0
TOTAL

56

3

Atendimentos por categoria
Orientação
Trâmites
Recursos
Biblioteca TOTAL
bibliográfica pós-defesa tecnológicos
3
1
1
2
13
1
0
2
1
4
0
0
0
1
5
0
0
0
1
5
0
0
0
0
0
1
0
1
1
4
1
0
0
2
6
2
2
1
2
19
1
1
1
2
13
6
0
5
1
16
1
1
0
2
13
0
1
2
2
13
16

6

13

17

111

Para compreensão do quadro, é importante expor que as categorias foram
subdivididas:
a) gerenciamento de conta: trata-se de empréstimo, renovação, devolução, senha,
multa, reserva, afastamentos e nada consta;
b) provisão de documento: trata-se de comutação bibliográfica, arquivos do Repositório
Institucional (RIUFLA) e empréstimo entre bibliotecas externas;
c) trâmites pós-defesa: relacionam-se aos procedimentos solicitados para conclusão dos
cursos de mestrado e doutorado defendidos na UFLA, bem como para depósito da
dissertação e/ou tese no RIUFLA e atendimentos sobre emissão da ficha catalográfica
para trabalhos acadêmicos da UFLA;
d) orientação bibliográfica: abordam-se questionamentos sobre as normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sobre o manual normalização de
UFLA, sobre o Portal de Periódicos da Capes e outras pesquisas acadêmicas;
e) recursos tecnológicos: trata-se do recurso “Meu Pergamum”, de consulta ao acervo,
informações do site BU e demais sistemas da Biblioteca;
f) Biblioteca Universitária: abordam-se informações de modo geral, tais como o
horário de funcionamento da BU; os eventos promovidos pela Biblioteca ou de outro
departamento no anfiteatro ou sala de curso da BU; atendimento ao usuário sem
vínculo com a instituição sobre o Programa de Capacitação de Usuários (PCU)1 e o
Programa de Capacitação de Novos Usuários (PCNU) - Recepção de calouros2,
modalidades virtual ou presencial; sobre comentários de elogios, reclamações e
1

O Programa de Capacitação de Usuários (PCU) é uma iniciativa da Biblioteca Universitária (BU) da UFLA em
capacitar seus usuários na utilização de recursos informacionais com mais eficiência e eficácia, buscando um
melhor desenvolvimento nas atividades acadêmicas. Dessa forma, a BU aprimora os seus serviços de forma a
contribuir para o desenvolvimento das competências informacionais de seus usuários. (UFLA, 2016).
2
Apresenta aos novos usuários as informações essenciais do Regulamento da Biblioteca, a fim de torná-los
autônomos e aptos à plena utilização dos espaços disponíveis e dos serviços oferecidos. (UFLA, 2016).

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Nacional de Bibliotecas Universitárias

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sugestões; além de situações sobre a UFLA; e outros itens que não se enquadram nas
demais categorias.
No período de 19 de outubro a 13 de novembro de 2015, a BU realizou uma pesquisa
denominada
ominada de “avaliação 360 graus”, na qual os usuários puderam avaliar todos os serviços
e atendimentos prestados pela Biblioteca, inclusive o SRV, possibilitando assim receber
feedbacks simultâneos de diversas fontes. A “avaliação 360 graus” contou também com as
etapas de autoavaliação da equipe e desempenho individual dos servidores da BU.
Como resultado dessa “avaliação 360 graus”, a pesquisa teve uma participação de
220 usuários da BU, que utilizaram uma escala ordinal em que o respondente assinalou uma
alternativa de 1 (um) a 10 (dez), a fim de avaliar o quanto está satisfeito com o serviço. Para
os usuários que não tivessem condições de avaliar,
avaliar, bastaria marcar opção no formulário “Não
tenho condições de avaliar”. Destaca-se
Destaca se que, quanto mais próximo do número 1 (um) o
usuário se posicionasse, menos estaria satisfeito, e quanto mais próximo do número 10 (dez),
mais satisfeito estaria.
te considerar que dos 220 usuários que responderam ao
É importante
o questionário, 124
não souberam avaliar o sistema, sendo 56,36% da população inquirida,, como pode ser
observado no Gráfico 1.

Considerando os questionários que registram sua percepção sobre o serviço,
1,57% avaliaram com nota máxima; 21% com nota 9; 16,8 % com a nota
identificamos que 31,57%
8. Os demais se posicionaram entre as notas 1 e 7. Com os resultados podemos observar que o
recurso obteve grande aceitação pela comunidade acadêmica.
Com base naa avaliação do atendimento prestado pelo SRV,
SRV a equipe da BU propôs
algumas projeções futuras em um processo que deve envolver as decisões de como agir com
base no cenário atual e para um futuro próximo. Assim,
Assim foram definidas as seguintes
projeções:
a) feedback dos usuários a cada atendimento:
atendimento: será elaborado um formulário contínuo
de avaliação a cada atendimento;
b) expansão do horário de atendimento:
atendimento: como o projeto está em fase de implantação,
em alguns horários, o serviço fica off-line. A equipe entendeu que o serviço deve ser
prestado durante todo o horário de atendimento da Biblioteca;
c) ampliação e capacitação de colaboradores:
colaboradores: com ampliação do horário de
funcionamento, será necessário capacitar novos colaboradores para monitoramento e
atendimento ;
d) endomarketing:: serão definidas estratégias e ações voltadas para o público interno da
Biblioteca;

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

e) estratégias de divulgação para comunidade acadêmica da UFLA: serão adotadas
formas de comunicação em redes sociais, listas de discussão, estudo de usuários e
outros.
Na mesma linha de Letrari, Zwaretch, Zaninelli (2012), com relação à implantação do
SRV, temos a considerar que oferecer um serviço de referência virtual por chat em uma
biblioteca universitária é um desafio, mas que vale a pena o empenho e o investimento,
principalmente pelas vantagens que apresentam tanto para o usuário como para a biblioteca,
como a rapidez da resposta, evitando a demora de informação para o usuário e atendimento na
hora de sua necessidade. Para a biblioteca, o chat oferece vantagens de captar novos usuários
e poder contar com um serviço de última geração, ou seja, serviços virtuais de web 2.0 e, para
os bibliotecários, possibilita a realização de uma nova atividade, de desenvolver competências
para um novo serviço e forma diferente de interagir com os usuários.

6 CONCLUSÕES
A partir da implantação do SRV, os usuários tiveram mais benefícios, como a resposta
imediata de seu problema, que é algo de extrema importância nos dias de hoje, pois a cada
dia, as pessoas têm cada vez menos tempo para esses procedimentos. Acredita-se que pela
facilidade de acesso e comodidade oferecida pelo SRV, tornou-se possível uma maior
aproximação dos usuários com a BU. Além disso, por meio desse canal de comunicação foi
possível ampliar o atendimento da Biblioteca para toda a comunidade acadêmica e também
para a comunidade externa a UFLA.
A escolha do software foi um dos pontos mais importantes desse processo; por isso, o
estudo comparativo entre as opções de sistemas disponíveis foi considerado essencial para
optar pelo que melhor atendia às necessidades da BU. Além disso, um dos fatores mais
relevantes considerados na escolha do software foi o custo, possibilidade de adaptação do
sistema e a facilidade de gerenciamento e manuseio do software.
No decorrer do processo de implantação do sistema, o planejamento das atividades de
atendimento, funcionamento e gestão da aplicação foram realizados para identificar os
possíveis problemas que poderiam inviabilizar o funcionamento do serviço. Entre os
principais desafios, destaca-se a necessidade de articular as tarefas executadas diariamente
pelos servidores com as novas atividades geradas pelo sistema. Desse modo, foi preciso
ajustar a equipe para que os atendimentos realizados via chat não fossem prejudicados,
considerando que, após a implantação do sistema, não houve admissões de servidores
específicos para tal tarefa. Além disso, foi necessário adaptar o sistema do SRV para seguir as
mesmas regras de atendimento da Biblioteca, sendo realizado um trabalho conjunto entre a
equipe de TI e servidores da CAU. Desse modo, foi possível adequar o sistema para suprir
demandas e tornar mais dinâmico o serviço de atendimento ao usuário na BU.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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                  <text>UFAM</text>
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              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                  <text>2016</text>
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              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49042">
                  <text>Português</text>
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              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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            <name>Title</name>
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              <elementText elementTextId="49890">
                <text>O serviço de referência virtual e as perspectivas da Biblioteca Universitária da UFLA: nossas experiências e projeções.</text>
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                <text>Ribeiro, Nivaldo Calixto; Oliveira, Rosiane Maria; Furtado, Thiago Bellotti; Sales, Thiago Marcondes</text>
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                <text>Apresenta-se o projeto de implantação do Serviço de Referência Virtual (SRV), com atendimento via chat, da Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal de Lavras (UFLA). O objetivo principal do projeto envolvido consistiu em fornecer mais uma alternativa de comunicação entre o usuário e a BU. Quanto aos procedimentos metodológicos, utilizou-se a técnica de estudo de caso por permitir um conhecimento mais detalhado sobre o fenômeno e o contexto delimitado e também foi realizada uma pesquisa de opinião com 220 usuários. As etapas para implantação do SRV na BU foram: levantamento bibliográfico; análise de software; testes internos na Biblioteca com software escolhido; criação de política de atendimento; elaboração e atualização das possíveis perguntas frequentes; estabelecimento do horário de atendimento; capacitação dos servidores envolvidos no projeto; por último, divulgação do novo serviço para comunidade acadêmica da UFLA. Conclui-se que a partir da implantação do SRV, os usuários tiveram mais benefícios, como a resposta imediata de seu problema e acredita-se que com o SRV, via chat, os usuários passaram a procurar mais a BU para esclarecer suas dúvidas, ampliando o atendimento da Biblioteca para vários outros usuários.</text>
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                    <text>O SABER AMBIENTAL NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS DA AMAZÔNIA
Angela Maria Moreira Silva (UFRR) - angelsenhora@gmail.com
Shirdoill Batalha Souza (UFRR) - shirdoill.batalha@ufrr.br
Resumo:
O presente artigo consiste em uma revisão teórica sobre atuação das bibliotecas universitárias
na construção do saber ambiental voltado à busca de soluções para a crise ecológica
planetária. Discute acerca da configuração atual das bibliotecas no campo acadêmico e
científico e da atuação das bibliotecas universitárias federais da Região Norte do Brasil,
enquanto disseminadoras de informações científicas propulsoras da sustentabilidade da
Amazônia. As ideias têm como base os debates realizados pelo Grupo de Pesquisa Mídia,
Conhecimento e Meio Ambiente: olhares da Amazônia da UFRR e pela pesquisa de doutorado
Conhecimento científico e sustentabilidade da Amazônia: análise da produção do
PRONAT/UFRR sob a ótica da divulgação científica, em andamento.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Conhecimento
Sustentabilidade. Amazônia.

científico.

Saber

Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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ambiental.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O conhecimento científico é considerado um dos principais elementos para garantir a
sustentabilidade da Amazônia. Apesar da sua importância, não é o saber ultimo ou
privilegiado no trato das questões socioambientais, mas compõe de forma dialógica e em
conjunto com os saberes tradicionais (locais) e práticos, um todo chamado saber ambiental.
No âmbito do presente estudo, parte-se do pressuposto que, no campo científico
universitário, as bibliotecas universitárias são espaços privilegiados de diálogo dos saberes,
devido à histórica vocação das bibliotecas para reunião, circulação e disseminação do
conhecimento das mais variadas áreas e, por esse motivo, se caracterizam como instrumentos
fundamentais para a sustentabilidade. Com base nesses pressupostos, este artigo apresenta
uma revisão teórica com vistas a contribuir ao debate acerca do papel das bibliotecas
universitárias na construção do saber ambiental e da importância da atual configuração das
bibliotecas universitárias, principalmente da Região Norte, na busca de soluções aos desafios
socioambientais da Amazônia.

2 Revisão de literatura
Para debater a posição estratégica das bibliotecas universitárias da Amazônia diante
da produção científica em Meio Ambiente, faz-se necessário discutir teoricamente o que vem
a ser Saber ambiental e qual a configuração do conhecimento científico neste contexto.

2.1 Para Compreender a Concepção de Saber Ambiental
Os problemas ambientais chegam ao terceiro milênio como um dos maiores desafios
da agenda pública. Contudo, pela primeira vez na história da Terra, a crise do planeta não é
uma crise natural, mas uma crise de conhecimento, ou crise da civilização que, baseado na
superespecialização e visão fragmentada, levou ao desconhecimento da Natureza com sua
noção de recursos naturais ilimitados, de segregação social gerada pela apropriação
diferenciada do conhecimento científico e educativo, de apropriação privada dos saberes
tradicionais e de concentração do poder tecnológico (LEFF, 2010).
Morin (2005a) alerta que o conhecimento científico fragmentado, disciplinar e
pautado na neutralidade, é um dos grandes responsáveis pela destruição do planeta, tanto na
perspectiva da degradação ambiental como na perspectiva bélica. Outro fator a considerar é
que, conforme a noção clássica de conhecimento científico, a ciência é detentora do que se
pode chamar de conhecimento do real. A regra do jogo que coloca o respeito aos dados e a
obediência aos critérios de coerência como coluna de sustentação, dá à ciência a aura de
superioridade sobre qualquer outra forma de conhecimento.
É preciso superar, então, a ideia de que o conhecimento científico é reflexo do real e
encarar o fato de que ele é construído em meio ao caldeirão informacional, cultural e
ambiental, como qualquer outra atividade humana. A ciência é inseparável do seu contexto
sóciohistórico, dos interesses da sociedade, do poder econômico, do Estado, todos
influenciam com suas finalidades, programas, metas e recursos. Nesse caso, não há
neutralidade de dados quando as ideologias, sejam elas capitalistas, racistas, sexistas, exercem
forte influência sociocultural (MORIN, 2005a).
Com vistas à superação da noção de conhecimento científico enquanto palavra ultima
sobre o real, é necessário subverter a lógica disciplinar da ciência e se abrir para o diálogo
dos saberes, ou religação de saberes, onde a concepção inter e transdisciplinar passa a ser a
lógica mestra do processo de pesquisa (MORIN, 2005b, 2007; MORIN; CIURANA; MOTTA,

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2003).
Quando discute o diálogo dos saberes a partir da interdisciplinaridade, Edgar Morin o faz no
interior do campo acadêmico científico. Leff (2001, 2002, 2010), por sua vez, defende que o
diálogo entre os saberes deve estar presente tanto na construção do conhecimento científico
no interior da academia, como no âmbito da sociedade, na qual o conhecimento científico se
aliará com os saberes tradicionais e práticos. Enrique Leff chama esse diálogo de saber
ambiental, que se baseia na integração dos potenciais da natureza, nos valores humanos, nas
identidades culturais diferenciadas e em práticas produtivas sustentáveis.
Muitos autores defendem que não há como buscar soluções para a problemática
socioambiental dentro do paradigma cartesiano da ciência, ora predominante. É preciso
colocar em prática o pensar complexo que se alicerça no diálogo entre saberes científicos,
pautados na interdisciplinaridade, e nos saberes tradicionais (LEFF, 2001; MORIN, 2007;
PHILIPPI JR., 2013). A apropriação dos conhecimentos tradicionais e populares exige que os
pesquisadores tenham a responsabilidade de dar um retorno à sociedade acerca do
conhecimento gerado.
Cabe aqui delimitar o campo de atuação das bibliotecas universitárias nessa relação
dialógica que caracteriza o saber ambiental. Essas bibliotecas são responsáveis pela
disseminação do conhecimento científico produzido pela academia e institutos de pesquisa.
Nestes termos, como bem afirma o conceito de disseminação científica (PINHEIRO;
VALÉRIO; SILVA, 2009), elas visam o público especializado e universitário. Ao contrário da
divulgação científica que tem como foco levar o conhecimento para o público leigo com uma
linguagem mais acessível. Então, pode-se afirmar que as bibliotecas universitárias
contribuem para a construção do saber ambiental a partir de sua atuação junto ao
conhecimento científico.
É importante salientar que a disponibilização de informações de cunho ambiental,
voltada para o grande público, ficou concentrada em bibliotecas especializadas ligadas a
instituições públicas e Organizações Não Governamentais (ONG) ambientais. Essas
informações têm uma denominação específica chamada informação ambiental, que se encaixa
plenamente no conceito teórico de saber ambiental, pois trabalha tanto com o conhecimento
científico para especialistas como com o conhecimento prático e tradicional para o público
leigo. A informação ambiental surgiu a partir da realização da Eco-92, merecendo até um
número especial na revista mais importante para área de Ciência da Informação naquele
momento (CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 1992). Já se autoproclamava como inter e
multidisciplinar pois, como afirmava Caribé (1992) à época, ela leva em consideração os
conceitos científicos, filosóficos, sociais, religiosos, incluindo os valores políticos e
econômicos, além de discutir conceitos das ciências físicas e ambientais.
No âmbito das bibliotecas universitárias o conceito informação ambiental não
evoluiu, devido às suas bases conceituais serem muito imbricadas com a concepção de
informação científica e tecnológica, ficando a cargo das bibliotecas especializadas.
Atualmente, as bases teóricas da informação ambiental são muito discutidas na área de direito
ambiental e internacional, em decorrência da importância dada pelos protocolos e acordos
internacionais à democratização das informações ambientais para a sociedade em geral.

2.1.1 O conhecimento científico como vetor de sustentabilidade da Amazônia
Para mitigar os desafios amazônicos, como conter o desflorestamento e garantir a
equidade social, deve-se reconhecer a complexidade ecológica. É sabido que há diversos
caminhos para reverter as problemáticas socioambientais da região, mas existem muitos
conflitos de interesses que impedem a implementação e até mesmo o (re)conhecimento dos
projetos existentes. É “nesse contexto que se situa a contribuição crucial da ciência” para a

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Amazônia. A produção do conhecimento e a inovação podem concretizar as experiências já
existentes e “implementar um novo modo de produzir baseado no conhecimento, capaz de
utilizar o patrimônio natural sem destruí-lo e, inclusive, de alterar as relações sociais e de
poder” (BECKER, 2010, p. 16).
Ainda que a problemática ambiental englobe tanto problemas locais, como a
poluição de águas e rios até as condições de miséria das áreas urbanas, Becker (2010) alerta
que na Amazônia ainda predomina a visão de que essa problemática deve ser tratada somente
no campo ambiental, limitada à preservação dos recursos naturais, como é o caso de alguns
projetos governamentais aplicados à Região e realizados com apoio de cooperações
internacionais.
Val (2010) corrobora com Bertha Becker e afirma que a região amazônica não é
constituída somente de santuários de bichos e plantas, nela residem comunidades indígenas,
ribeirinhos, quilombolas, migrantes do Brasil e do mundo. Diante de toda essa riqueza natural
e cultural, é preciso incentivar um tipo de desenvolvimento da Amazônia que permita
compatibilizar geração de renda e inclusão social com a manutenção da floresta em pé. Para
tanto, os investimentos em Ciência e Tecnologia (C&amp;T) são fundamentais para agregar valor
aos produtos e serviços ambientais.
Os investimentos na produção de informações robustas sobre a Amazônia, acrescenta
Val (2010), são de vital importância para o seu desenvolvimento sustentável. No entanto, um
dos maiores desafios é superar os problemas relativos à produção de conhecimento científico,
pois a Amazônia possui pequena quantidade de cursos de doutoramento. Os cursos de pósgraduação strictu sensu se deslocaram do eixo Belém-Manaus para os demais estados da
Amazônia somente nos últimos dez anos. Outro desafio a superar, é a problemática da
disseminação desse conhecimento, devido à precariedade da integração regional por vias de
Tecnologias da Informação (TI) como a internet.
Ainda que atuando em meio às dificuldades pela carência de cursos de pósgraduação e pelas más condições de funcionamento das redes, as universidades amazônicas,
principalmente as federais, foram responsáveis pela geração e manutenção de grande parte
dos acervos sobre a Amazônia, sendo as suas bibliotecas as principais depositárias e
disseminadoras do conhecimento científico contido nestes acervos.

2.2 As Bibliotecas Universitárias Enquanto Espaço/Tempo de Disseminação do
Conhecimento Científico
Frente à antiguidade das bibliotecas como um todo, que datam da época dos Assírios
com a Biblioteca de Nínive (por volta de 700 A. C.), as bibliotecas específicas para as
universidades são um fenômeno recente e datam do chamado período moderno. Consta que na
civilização ocidental, essas bibliotecas remontam às principais universidades da Europa no
século XII. As bibliotecas universitárias têm seus conceitos relacionados às necessidades de
ensino, pesquisa e extensão das universidades a que servem. São moldadas de acordo com os
padrões, ideologias e valores que regem os modelos de universidade vigente. E, como a
universidade “é produto ou subsistema da sociedade na qual opera” (TARAPANOFF, 1982,
p. 74).
Avançaram no tempo/espaço com várias reversões a partir da expansão da produção
técnica e científica, que impulsionou o avanço das TI e fez com que a informação se tornasse
um dos principais insumos da atualidade. Até então, as bibliotecas tinham o formato livro
como importante veículo de informações, com a nova abordagem, a informação passa a ser o
foco, seja em formatos impressos ou digitais. Surgiu com isso a Ciência da Informação que
supre os profissionais das bibliotecas universitárias de arcabouços teóricos capazes de dar
conta da prática no novo cotidiano informacional. Esta proporcionou aos profissionais das

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bibliotecas condições para dialogar com a emergente realidade. Para Le Coadic (2004), a
ciência da informação tem por objeto, o estudo das propriedades gerais da informação: a)
análise dos processos de construção, comunicação e uso da informação; e b) a concepção dos
produtos e sistemas que permitem sua construção, comunicação, armazenamento e uso.
Francelin (2013, p. 4) afirma que por exigência de seu objeto de pesquisa e pelos
seus princípios teóricos, a Ciência da Informação é interdisciplinar por natureza. Gestada no
interior da “Nova Ciência”, ela possui uma mobilidade que lhe dá condições de se “relacionar
com outras disciplinas das ciências naturais, além das ciências humanas e sociais”. Para a
autora, é necessário compreender a Ciência da Informação como uma “ciência
contemporânea, que se baseia em pressupostos de uma ciência (nova) dinâmica, plural,
complexa e pluridimensional”.
A inovação perpetrada pelas novas tecnologias estreitou fronteiras geográficas,
temporárias, linguísticas e culturais. Remodelou as relações sociais, incorporando
características de uma sociedade em rede, ou também chamada de sociedade de informação.
Espaços físicos e materiais são recriados em novos formatos proporcionando o estar em
vários lugares ao mesmo tempo, fenômeno chamado de virtualização.
No campo específico das bibliotecas, a sociedade da informação subverteu a lógica
das bibliotecas físicas, pois nelas, os profissionais da instituição buscavam traduzir a
necessidade dos usuários e tentavam disponibilizar ao máximo a coleção que eles queriam.
Nessa perspectiva, o profissional da informação está no controle e atua com certa
independência. Na atual configuração digital, o usuário é quem está no controle em relação ao
sistema de informação, pois opera o “processo de acordo com a sua conveniência,
preservando o anonimato, selecionando fontes, descartando outras e buscando outros serviços
de referências” (OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000, p. 2).
Neste contexto, vemos que os sujeitos desta cultura transcendem o espaço/tempo e
demandam a disponibilização de qualquer informação em qualquer hora e lugar. Para atender
aos usuários nesse meio virtual, foram criadas as bibliotecas digitais, que são definidas por
Kuramoto (2005, p. 147) como “um conjunto de serviços apoiados por uma coleção de
objetos informacionais que suporta usuários interessados nesses objetos, assim como organiza
e preserva esses objetos disponíveis direta ou indiretamente por meio eletrônico ou digital.”
“Essa biblioteca digital pode estar „aberta‟ 24 horas por dia, sete dias por semana,
competindo em acesso com outras bibliotecas e outras fontes, a maioria bastante anárquicas”
(LEVACOV, 2005, p. 214). Os acervos digitais são disponibilizados em arquiteturas virtuais
como sites, blogs, nuvens, dando aos usuários a total autonomia diante do que pesquisar, onde
pesquisar e em que momento pesquisar.
Marília Levacov (2005) fala em competição entre os acervos, mas o que se vê é a
plena cooperação entre os acervos impressos e digitais. No Brasil, por exemplo, não existem
bibliotecas universitárias totalmente digitais, o que impera é o hibridismo. Para Garcez e
Rados (2002, p. 47), a biblioteca híbrida agrega diferentes tecnologias, diferentes fontes,
refletindo um estado que não é completamente digital, nem completamente impresso,
utilizando recursos para unir, em uma só biblioteca, o melhor dos dois mundos (o impresso e o
digital).

2.2.1 A disseminação científica no âmbito das bibliotecas universitárias da Amazônia
As bibliotecas universitárias foram as principais depositárias e disseminadoras do
conhecimento científico na Amazônia, em parceria com as bibliotecas de institutos de
pesquisa como o Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (INPA) e o Museu Paraense
Emílio Goeldi (MPEG). Antes mesmo da grande expansão dos sistemas de informações
direcionados para as questões ambientais no Brasil, notadamente criados a partir da Eco-92,

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as bibliotecas universitárias, em conjunto com suas bibliotecas parceiras dos institutos de
pesquisa, criaram de forma colaborativa sistemas de informação voltado para a disseminação
cooperativa do conhecimento científico gerado sobre a Amazônia.
Na década de 1980, seguindo as diretrizes federais das ações em C&amp;T, os estados
amazônicos ampliaram seus investimentos em pesquisas e sistemas de informações
pertinentes ao desenvolvimento da Região. A primeira experiência gestada nesse período foi o
Sistema de Informação Científica e Tecnológica da Amazônia Brasileira (INFORMAM). O
INFORMAM caracterizava-se como um sistema referencial de bibliografias científicas, com
recursos automatizados. (SILVA, 2009, 2011). No ano de 1986, o Sistema passa a ser
coordenado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) que investe na consolidação da
cooperação entre as instituições da Amazônia, a partir da estruturação em uma Unidade
Central e várias Unidades Cooperativas, distribuídas pela Região (AZEVEDO, 1989). O
INFORMAM também contribuiu para a atualização e capacitação dos bibliotecários da
Região, pois realizou treinamentos, reuniões técnicas, publicou artigos e outros produtos
como o Quem é Quem da Amazônia. Em 1995, suas bases de dados foram disponibilizadas
pela internet (SILVA, 2009).
Ainda na década de 1990, passa a ser o Centro Coordenador no Brasil do Sistema de
Informação da Amazônia (SIAMAZ), institucionalizado pela Associação das Universidades
Amazônicas (UNAMAZ), que funcionava como um sistema de informações científicas e
tecnológicas no âmbito dos países amazônicos (BELLESI; SILVA, 1992). Condurú (2007)
lamenta a descontinuidade dessas e de outras redes de informações amazônicas, que para a
autora, deve-se à forma isolada como os sistemas atuam e, principalmente, à falta de
continuidade dos financiamentos. Atualmente, o INFORMAM está desativado, mas alguns
dos seus serviços foram incorporados pelo Portal da Amazônia, mantido pela UFPA, e que
também possui bibliotecários em sua equipe de trabalho.
O próprio advento da internet veio contribuir para a descontinuidade das redes
cooperativas entre as bibliotecas universitárias da Região. Por outro lado, a rede de
computadores expandiu o leque de serviços e estreitou os laços de comunicação com os
usuários. Parte das bibliotecas universitárias públicas é hibrida, trabalham com acervos
impressos e digitais, sendo estes acessíveis pela web, através de sites próprios com conteúdos
diversos como catálogos on-line, bases de dados como a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD), o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), o Portal de
Periódicos da CAPES e outros (UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA, 2010;
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS, 2015; UNIVERSIDADE FEDERAL DO
PARÁ, 2015).

3 Materiais e métodos
A presente revisão teórica foi feita a partir do levantamento bibliográfico sobre
a atual configuração das bibliotecas universitárias, o conhecimento científico enquanto saber
ambiental e a produção científica na Amazônia. As fontes de pesquisas foram identificadas
pelo Portal de Periódicos da CAPES, Google Acadêmico e catálogo das Bibliotecas da
Universidade Federal de Roraima (UFRR).
No que diz respeito às informações sobre a atuação das bibliotecas das universidades
e dos institutos de pesquisa da Amazônia, utilizou-se o catálogo das bibliotecas da
Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT). As informações adquiridas, conquanto, já foram debatidas e publicadas
em trabalhos anteriores (SILVA, 2009, 2011).
As ideias aqui discutidas fazem parte dos debates ocorridos no âmbito do Grupo de
Pesquisa Mídia, Conhecimento e Meio Ambiente: olhares da Amazônia da UFRR, composto

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por professores e alunos de Jornalismo e Turismo, bibliotecários e biólogos, e da pesquisa de
doutorado intitulada Conhecimento científico e sustentabilidade da Amazônia: análise da
produção do PRONAT/UFRR sob a ótica da divulgação científica, em andamento.

4 Resultados parciais/finais
A partir das análises acima, vê-se que as bibliotecas universitárias vêm sendo
verdadeiros instrumentos para a sustentabilidade da Amazônia e que são capazes de contribuir
para a reversão dos modelos econômicos predatórios a partir dos preceitos apontados por
Bertha Becker (2010), os quais afirmam que para enfrentar o grande desafio amazônico, devese vislumbrar um novo modelo de desenvolvimento mediante uma verdadeira revolução
científico-tecnológica que contribuirá para manter a produção sem destruir a natureza.
Diante do exposto, é possível inferir que as bibliotecas universitárias contribuem
para a construção do saber ambiental nos termos defendidos por Enrique Leff, pois são
fundamentais na disseminação do conhecimento científico. Suas ações permitem a circulação
e produção de informações capazes de subsidiar a sustentabilidade, com base nos preceitos da
conservação ambiental e equidade social.

5 Considerações parciais/finais
Atualmente, as bibliotecas universitárias estão inseridas no contexto das TI que, por
sua vez, estreitaram as fronteiras geográficas, temporárias, linguísticas e culturais, além de
remodelar as relações sociais, incorporando características de uma sociedade em rede.
Espaços físicos e materiais são recriados em novos formatos proporcionando o estar em
vários lugares ao mesmo tempo, fenômeno chamado de virtualização. No cerne desta
realidade virtual ou digital, o usuário é quem está no controle em relação ao sistema de
informação e atua com certa independência. Essa configuração disponibiliza as informações
com mais rapidez e mais agilidade, pois parte do seu acervo está disponível durante 24 horas
por dia, levando discentes, docentes e pesquisadores, internos e externos, a realizarem suas
pesquisas a qualquer hora e lugar. Infere-se, com isso, que as bibliotecas universitárias se
apresentam como verdadeiros instrumentos para busca de soluções científicas aos desafios
socioambientais.
Na Região amazônica, as bibliotecas universitárias, em conjunto com as bibliotecas
dos institutos de pesquisas, foram as principais depositárias e disseminadoras do
conhecimento científico produzido sobre a região. O que leva a concluir que estas vêm
desempenhando um papel fundamental frente à sustentabilidade e são plenamente capazes de
contribuir para a revolução científico-tecnológica necessária à conservação da Amazônia.

6 Referências
AZEVEDO, A. R. P. A. Informação e documentação científica, tecnológica e cultural da
Amazônia brasileira. In: ARAGÓN, Luis E. ; IMBIRIBA, Maria de Nazaré O. (org.)
Informação e documentação na Amazônia. Belém : UFPA/ARNI/CELA, 1989. p. 13-28.
BECKER. B. Ciência, tecnologia e inovação. Parcerias estratégicas, Brasília, v. 15, n. 31,
ed. esp., part. 2, p. 15-33, jul./dez. 2010. Disponível em: &lt;http://www.cgee.org.br/parcerias/pa
rcerias.php&gt;. Acesso em: 12 jun. 2015.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

BELLESI, L. M.; SILVA, A. R. S. R. A informação ambiental em sistema cooperativo
automatizado : o Siamaz. Ciência da Informação, Brasília, v.21, n.1, p. 69-71, jan./abr. 1992.
CARIBÉ, R. C. V. Subsídios para um sistema de informação ambiental no Brasil. Ciência da
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente artigo consiste em uma revisão teórica sobre atuação das bibliotecas universitárias na construção do saber ambiental voltado à busca de soluções para a crise ecológica planetária. Discute acerca da configuração atual das bibliotecas no campo acadêmico e científico e da atuação das bibliotecas universitárias federais da Região Norte do Brasil, enquanto disseminadoras de informações científicas propulsoras da sustentabilidade da Amazônia. As ideias têm como base os debates realizados pelo Grupo de Pesquisa Mídia, Conhecimento e Meio Ambiente: olhares da Amazônia da UFRR e pela pesquisa de doutorado Conhecimento científico e sustentabilidade da Amazônia: análise da produção do PRONAT/UFRR sob a ótica da divulgação científica, em andamento.</text>
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                    <text>O papel das Bibliotecas Universitárias no desenvolvimento
sustentável: uma análise dos serviços da Biblioteca Central da
UFSC

Crislaine Zurilda Silveira (UDESC) - crislaine.bibliotecaria@gmail.com
Jordan Paulesky Juliani (UDESC) - jordanjuliani@gmail.com
Ricardo de Lima Chagas (UFSC) - ricochagas@gmail.com
Resumo:
A proposta deste artigo é discutir o papel das bibliotecas universitárias no desenvolvimento
sustentável a partir da análise dos serviços da Biblioteca Central (BC) da UFSC. O objetivo
geral é caracterizar como a BC da UFSC pode contribuir para o desenvolvimento sustentável
por meio de seus serviços. As bibliotecas são caracterizadas como sistemas abertos que
interagem com o seu meio. É estabelecida uma relação entre o desenvolvimento sustentável e
o acesso à informação. Como procedimentos metodológicos de investigação foram utilizados a
pesquisa bibliográfica e o estudo de caso. Os serviços oferecidos pela BC da UFSC são
descritos e analisados como promotores do acesso à informação. Concluiu-se que cada ação
desenvolvida por essa biblioteca, através dos seus serviços, caracteriza-se como uma troca
com o seu meio, que pode promover o desenvolvimento sustentável.
Palavras-chave: Bibliotecas Universitárias
Acesso à informação.

-

Autopoiese.

Desenvolvimento

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Serviços de referência presencial e virtual

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Sustentável.

�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ABSTRACT
The proposal of this article is discuss the role of university libraries any sustainable
development from the UFSC Central Library services analysis. The general objective is to
characterize as the BC UFSC can contribute to sustainable development through its services.
Libraries are characterized as open systems that interact with their environment. It established
a relationship between sustainable development and access to information. As methodological
research procedures were used bibliographic research and the case study. The services offered
by BC UFSC are described and analyzed as promoters of access to information. It was
concluded that each action developed by this library, through its services, is characterized as
an exchange with its environment, which can promote sustainable development
Keywords: University libraries - Autopoiesis. Sustainable development. Access to
information

1 INTRODUÇÃO
Todo o indivíduo tem direito à informação e, por isso, o seu acesso é condição
primordial para a construção da cidadania. O indivíduo enquanto cidadão tem a possibilidade
de interagir com a sociedade por meio de uma participação social efetiva. Por isso, pode-se
dizer que o indivíduo alimenta e é alimentado pelo sistema social, ou seja, por meio da
cidadania ele influencia a sociedade e é influenciado por ela.
Weber (2011) descreve que a biblioteca com seus serviços, suas vastas coleções, com
a variedade de suportes e serviços de orientação informacional, é apoio essencial para a
aprendizagem ao longo da vida e o desenvolvimento independente de todos. A mesma autora
complementa ainda que “[...] as bibliotecas, atendem aos princípios de sustentabilidade, ao
disponibilizar seus serviços e formações.” (2011, p. 495). Nesta perspectiva a biblioteca tem
um papel fundamental no contexto em que atua, uma vez que ela fornece meios ou condições
de acesso para que os indivíduos possam construir novos conhecimentos. Esse acesso torna-se
uma contribuição efetiva para o desenvolvimento sustentável e social.
A declaração acerca das Bibliotecas e do Desenvolvimento Sustentável da Federação
Internacional das Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) afirma que as bibliotecas
promovem o desenvolvimento sustentável quando conseguem assegurar o acesso a
informação de todos os indivíduos independente de raça, gênero e condição social (IFLA,
2002). Portanto, na perspectiva do acesso a informação, podemos observar que as bibliotecas
universitárias podem contribuir com o desenvolvimento sustentável, a partir da oferta de
produtos e serviços à sua comunidade.
No contexto do desenvolvimento sustentável podemos caracterizar a biblioteca
universitária como um sistema aberto, pois ela é influenciada pelas demandas advindas da
sociedade, e por sua vez deve influenciar os membros dessa sociedade através dos recursos
informacionais que oferece. Desta forma, por meio dos seus setores a biblioteca universitária
deve oferecer recursos informacionais que possibilitam o acesso à informação em defesa de
um desenvolvimento sustentável.
Entendendo a Biblioteca Central (BC) da Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC) como integrante do sistema educacional brasileiro, questionamos: de que forma ela
pode contribuir para o desenvolvimento sustentável? Desta forma, o objetivo geral deste
trabalho é caracterizar como a BC da UFSC pode contribuir para o desenvolvimento
sustentável por meio de seus serviços. Os caminhos norteadores para o cumprimento do

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

objetivo geral são: caracterizar as bibliotecas como sistema autopoiéticos, ou seja, como
sistemas abertos que interagem com o seu meio, conceituar as bibliotecas universitárias como
sistemas, relacionar o desenvolvimento sustentável com acesso à informação e por fim,
arrolar os serviços oferecidos pela BC da UFSC como promotores do acesso à informação.
O presente trabalho tem sua importância justificada pelos recentes debates promovidos
pela IFLA por meio do Manifesto de Lyon, cujo objetivo foi inserir as bibliotecas e outros
intermediários da informação como agentes promotores do acesso à informação, na Agenda
2030. Esta agenda é um documento norteador das políticas governamentais mundiais na área
do desenvolvimento sustentável das nações, entre o período 2016-2030. Além disso, as
recentes políticas educacionais de democratização do ensino superior brasileiro, que visam
incluir indivíduos marginalizados pela sociedade nas universidades, têm servido para reforçar
o papel das bibliotecas universitárias como provedoras de informação.
A estrutura deste trabalho parte desta introdução e segue para o referencial teórico que
abrange discussões acerca das bibliotecas como organismos autopoiéticos. Em seguida,
trataremos das bibliotecas universitárias a partir de uma perspectiva sistêmica. Caracterizamos
os procedimentos metodológicos adotados nesta pesquisa, assim como, também,
apresentamos os produtos e serviços oferecidos pela BC da UFSC como formas de acesso à
informação. Finalizamos esta pesquisa promovendo reflexões quanto ao papel da biblioteca
universitária no desenvolvimento sustentável.

2 BIBLIOTECAS COMO ORGANISMOS AUTOPOIÉTICOS
Para tratarmos da questão do papel das bibliotecas universitárias para o
desenvolvimento sustentável, partimos da concepção de enxergarmos as bibliotecas como
organismos autopoiéticos, baseada nas teorias sistêmicas. Segundo Luhmann (1997) a teoria
dos sistemas pertence a um modo de pensamento peculiar da intelectualidade moderna.
Sobretudo porque ela ainda pode englobar e conceber a ideia ou a condição do produzir-a-siprópria dentro de um mundo inobservável. Essa teoria não é um conceito unívoco na
discussão sobre a realidade atual, mas é, por assim dizer, uma variedade de experimentos
teóricos procedentes de diversas disciplinas diferentes, tais como: da teoria das organizações,
da biologia, da robótica, da inteligência artificial, da neurofisiologia, da psicologia, da
sociologia etc. Seguindo essa mesma linha de pensamento, Bertalanffy (1976, p. 1) acrescenta
que “[...] a teoria geral dos sistemas é interdisciplinar, isto é, pode ser usada para fenômenos
investigativos nos diversos ramos tradicionais da pesquisa científica”.
Um sistema, por exemplo, experimenta com as possibilidades de construção da
própria complexidade em sistemas autopoiéticos, precisando sempre se adaptar ao ambiente.
Caso não houvesse uma relação com o meio, esse sistema simplesmente iria parar de
processar sua autoprodução (LUHMANN, 1997). Maturana e Varela (1997) chamam esse
sistema de máquinas autopoiéticas. Para ele, nada mais seria do que uma máquina organizada
como um sistema de processos que produzem componentes. Elas geram os processos de
produção a partir das relações, interações e transformações contínuas que os produzem.
Bertalanffy (1976), diante de uma concepção ainda muito rente aos modelos biológicos de
organismo vivo, acrescenta que um sistema aberto é mantido em importação e exportação, em
construção e desconstrução de componentes materiais.
Para compreendermos melhor os sistemas autopoiéticos, achamos necessário
apresentar uma definição, mesmo que breve, do conceito de autopoiésis. Auto significa “si
mesmo” e se refere à autonomia dos sistemas auto-organizados, enquanto que poiesis

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significa “criação”, “produção” ou “construção”. Portanto, autopoiésis significa autoprodução
(MATURANA; VARELA, 1972 apud CAPRA, 1997). Este conceito surge na biologia e
designa a circularidade da autoprodução. Inicialmente há uma modificação no interior da
célula viva, no interior do organismo e, em seguida, ocorrem modificações em outros
sistemas. Ou seja, este conceito é a ideia da autoprodução das estruturas para os elementos do
sistema. Esses sistemas precisam produzir, eles próprios, todas as unidades que necessitam
para a continuidade de suas operações (LUHMANN, 1997).
Diante do exposto e, pensando nas organizações a partir da biologia, podemos entrar
no mundo corporativo. Não no mundo das organizações burocráticas, mas tratar das
organizações sobre o viés das teorias sistêmicas e holísticas. Com base neste princípio, “[...]
as organizações, assim como os organismos, são „abertas‟ para o seu ambiente e precisam
atingir uma relação apropriada com esse ambiente para poder sobreviver” (MORGAN, 2002,
p. 59). Como percebemos, a ideia de organização como sistemas abertos, trouxe uma grande
contribuição para a teoria da administração quando esta passou a compreender seus sistemas
sociais como sistemas vivos.
Compreender uma organização a partir desse viés é uma forma, também, de
transpormos esse pensamento para o campo da Biblioteconomia. Portanto, é necessário
enxergarmos as bibliotecas universitárias como organismos vivos na promoção ao acesso à
informação, uma vez que elas contribuem, também, para o desenvolvimento sustentável a
partir dos serviços oferecidos à comunidade.

3 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NA PERSPECTIVA SISTÊMICA
As bibliotecas podem ser consideradas como sistemas vivos ou autopoiéticos, pois
elas interagem e sofrem influências do meio social onde estão inseridas. De acordo com
Souza e Ramalho (2007) as bibliotecas, compreendidas como organismos vivos, devem
buscar formas de acompanharem as mudanças que ocorrem no meio. Esses aprimoramentos
devem sempre ter o intuito de oferecer ao usuário informação precisa, de qualidade e em
tempo hábil.
É através dessa concepção sistêmica que a biblioteca universitária se insere como um
subsistema que pertence a um sistema maior que é a universidade. Ainda nesta perspectiva,
podemos dizer que a biblioteca universitária é composta por processos. Esses processos
recebem insumos do meio externo e interno da universidade, e com isso, transformações são
realizadas gerando saídas através de produtos de serviços que são oferecidos à comunidade
universitária.
De acordo com Santiago e Paiva (2007) a biblioteca universitária é uma instituição
que tem como missão atender as necessidades informacionais da comunidade universitária.
Esta comunidade é formada por docentes, discentes, técnicos administradores e membros da
comunidade externa. Sendo assim, a biblioteca universitária é um espaço referencial para
qualquer usuário que busque informações ligadas ou não às questões científicas, sociais e
tecnológicas.
Como um espaço referencial para o armazenamento e para a recuperação da
informação, a biblioteca universitária “[...] é a responsável pelo patrimônio informacional e
tem como função educativa, orientar os usuários na utilização da informação” (SILVA,
ALBUQUERQUE, 2007, p. 243). Portanto, ela deve funcionar como parte integrante do
processo educacional da universidade, que é o seu sistema maior (PRADO, 2003).
No entanto, a biblioteca universitária para amparar o tripé da missão da universidade:

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ensino, pesquisa e extensão, não pode ser mera responsável pelo patrimônio informacional,
agindo apenas como uma guardiã de acervos. Ela deve ter como objetivo maior oferecer
produtos e serviços que visem proporcionar o acesso à informação aos usuários, e, desta
forma, enquanto instituição, influenciar positivamente o seu meio social. A responsabilidade
pelo acesso à informação transita por todos os setores que compõem a biblioteca, uma vez que
estes setores realizam os processos de transformação que visam tornar à informação acessível
aos seus usuários.
O acesso à informação nas bibliotecas universitárias perpassa pelo oferecimento de
variadas fontes de informação, sejam elas em meio impresso ou em formatos digitais, até no
fornecimento de um espaço físico adequado que proporcione um ambiente de estudo e de
concentração. Elas disponibilizam, ainda, coleções físicas e virtuais de diversas áreas do
conhecimento, possibilitando ao pesquisador o acesso a fontes documentais; oferecem,
também, serviços de capacitação aos usuários com relação à busca e recuperação de
informação, com o intuito de contribuir com o processo de aprendizagem e produção
acadêmica (CAETANO, 2013).
Por fim, as bibliotecas universitárias, como organismos sistêmicos de autoprodução e,
pertencentes ao sistema educacional, têm como desafio alinhar sua missão de proporcionar o
acesso à informação à sua comunidade acadêmica. Podemos dizer que esses desafios são
frutos das novas estruturas sociais e paradigmáticas que estamos vivenciando. Os gestores
dessas unidades devem estar atentos às transformações sociais e sempre abertos às novas
reflexões teóricas que nortearão as práticas cotidianas.
3.1 BIBLIOTECA CENTRAL DA UFSC
A UFSC foi criada pela Lei n. 3.849 do ano de 1960, por meio da integração das
Faculdades de Direito, Ciências Econômicas, Farmácia, Odontologia, Medicina, Filosofia,
Serviço Social e Escola de Engenharia Industrial. Em 1968, com a criação do Campus
Universitário da UFSC, no bairro Trindade, na cidade de Florianópolis (SC), foi criada a
Biblioteca Central da UFSC, com o objetivo de reunir os acervos das faculdades que
originaram a própria universidade (BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA UFSC, 2016).
No entanto, o prédio da Biblioteca Central, iniciado em 1972, foi inaugurado somente
em 10 de maio de 1976, no Campus Universitário, com 5.540 m2 (BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA UFSC, 2016). Pressionada pelo aumento do acervo e pelo aumento da
utilização, em 1995 o prédio da Biblioteca Central foi ampliado em 3.594m 2, resultando em
uma área total de 9.134m2, sendo inaugurado em maio de 1996. Portanto, este é o atual
tamanho da biblioteca universitária.
Em decorrência das necessidades advindas do meio em que a biblioteca está inserida,
houve a necessidade da criação de bibliotecas setoriais, cujo objetivo era atender um número
maior de usuários a partir de serviços especializados. Atualmente a UFSC possui um sistema
de bibliotecas, ainda não institucionalizado, que abarca a Biblioteca Central e as Bibliotecas
Setoriais. As bibliotecas setoriais que atualmente compõe o sistema estão espalhadas por
cinco cidades catarinenses: Florianópolis, Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville. As
bibliotecas setoriais estão descritas abaixo:
●
●
●

Biblioteca Setorial do Colégio de Aplicação – (CA)
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias – (BSCCA)
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Educação – (BSCED)

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●
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Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas – (BSCFM)
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde – (BSCCS)
Biblioteca Setorial do Campus de Araranguá – (BSARA)
Biblioteca Setorial do Campus de Blumenau (BSBLU)
Biblioteca Setorial do Campus de Curitibanos - (BSCUR)
Biblioteca Setorial do Campus de Joinville – (BSJOI)

No presente trabalho focaremos apenas nos serviços oferecidos pela Biblioteca
Central, uma vez que ela atende uma demanda maior de usuários.
Fazendo uma análise histórica da BC da UFSC, podemos perceber que em vários
momentos de sua história, ela precisou se adaptar às mudanças tecnológicas e sociais.
Atrelada ao pensamento sistêmico, essa instituição vem exercendo sua missão a partir de um
viés contemporâneo, quando sua autoprodução está voltada não só para os processos internos,
mas também, e principalmente, voltada para atender as demandas sociais das quais ela atende.
Portanto, como um organismo vivo e em crescimento, ela está em constante transformação,
mutabilidade e metamorfose. Estar aberta a essas novas configurações garante a sobrevivência
e a importância para a sociedade.
Essa concepção sistêmica da BC da UFSC está refletida nos serviços que são
oferecidos a sua comunidade, os serviços perpassam pelo empréstimo domiciliar, empréstimo
entre bibliotecas, empréstimo de netbook, comutação bibliográfica, promoção de eventos,
oferecimento de estágios, visita orientada, programas de capacitação, orientação de
normalização e bases de dados, ambiente de acessibilidade informacional, espaço de inclusão
digital, espaços para eventos, acesso wireless, dentre outros.
Portanto, com o advento das tecnologias da informação e comunicação e com as novas
necessidades informacionais dos usuários, a BC da UFSC precisou acompanhar essas
mudanças tecnológicas e transformações sociais para garantir o acesso à informação à sua
comunidade usuária. Uma prova dessa adaptação ao meio são os produtos e serviços
oferecidos à comunidade acadêmica. É através dessa troca com a sociedade que os sistemas
vão se autoproduzindo e exercendo sua missão, como forma de promover o desenvolvimento
social e sua sustentabilidade na sociedade.

4 SUSTENTABILIDADE E O ACESSO À INFORMAÇÃO
Na perspectiva de Sachs (2002) a preocupação com o meio ambiente está relacionada
com dois eventos, o primeiro deles foi a Segunda Guerra Mundial e o segundo, a ida do
Homem a Lua. A partir desses dois eventos, foi possível perceber o poder técnico do homem
e alertou a humanidade para a finitude dos recursos naturais no planeta.
A Conferência das Nações Unidades sobre o Ambiente Humano, em 1972, em
Estocolmo, proporcionou a inserção de temas sobre o meio ambiente numa agenda de debate
internacional (SACHS, 2002). Foi a partir dessa conferência que a Organização das Nações
Unidas (ONU) criou comissões que envolvessem os líderes mundiais para debater as questões
ambientais e o desenvolvimento sustentável.
O termo desenvolvimento sustentável foi cunhado em 1987 pela médica Gro Harlem
Brundtland. A Comissão Brundtland, como ficou conhecida, publicou o relatório “Nosso
Futuro Comum” ou “Relatório de Brundtland”. Neste relatório é apresentado o conceito de
desenvolvimento sustentável que consiste no “[...] desenvolvimento que encontra as
necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas

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próprias necessidades.” (ONU BR, 2016, p. 01).
Neste contexto, Sachs (2002) afirma que a relevância social, prudência ecológica e
viabilidade econômica são os três pilares do desenvolvimento sustentável. Torresi, Pardini e
Ferreira (2010) complementam que a questão ambiental é a mais importante, uma vez que as
questões econômicas e sociais só existem se for mantida a sustentabilidade ambiental. Com
isso, fica evidente que o ambiente que nos cerca precisa de cuidados especiais para que a
sociedade continue existindo.
Neste ínterim, é necessário questionarmos porque as bibliotecas precisam estar
inseridas nas discussões acerca do desenvolvimento social de forma sustentável. Para Weber
(2012, p. 493), “[...] ao pensarmos a biblioteca como é um organismo vivo, dinâmico e
crescente, é possível pensá-la como alicerçada nas diretrizes que norteiam a sustentabilidade.”
Para inserir as bibliotecas nessas discussões, a IFLA publicou a Declaração acerca das
Bibliotecas e o Desenvolvimento Sustentável, em 2002. Neste documento ela convoca as
bibliotecas e serviços da informação para defenderem e promoverem o desenvolvimento
sustentável (IFLA, 2002). Na declaração em questão, a IFLA (2002, p. 01, tradução nossa)
“[...] afirma que os serviços de bibliotecas e informação promovem o desenvolvimento
sustentável ao assegurar à liberdade de acesso à informação”.
Em 2014, foi elaborada a Declaração de Lyon, no Congresso Mundial da IFLA, cujo
objetivo foi sensibilizar os “[...] Estados-Membros das Nações Unidas a reconhecer que o
acesso à informação e as habilidades para seu uso de forma eficaz, são necessárias para o
desenvolvimento sustentável [...]” (IFLA, 2014, p. 3). A intenção dessa sensibilização foi
inserir esta temática nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Os ODS
são um conjunto de 17 (dezessete) objetivos universais e 169 (cento e sessenta e nova) metas
que compõem a Agenda 2030. Esta agenda é um documento norteador das políticas
governamentais dos Estados-Membros para o período 2016-2030.
A Declaração de Lyon se pauta no acesso à informação como uma força
transformadora do contexto social do indivíduo, uma vez que permite que ele possa exercer os
seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais; que possa ser economicamente
ativo, produtivo e inovador; possibilita a aprendizagem e a aplicação de novas habilidades nas
suas atividades cotidianas; permite o enriquecimento de sua identidade e expressões culturais;
possibilita que ele tome parte na tomada de decisão e participe de uma sociedade civil de
forma ativa e engajada; assegura a participação e o empoderamento, possibilitando que o
indivíduo possa medir e avaliar o progresso dos compromissos públicos e privados de
desenvolvimento sustentável (IFLA, 2014).
De acordo com Sordi (2015) o esforço da IFLA e de outras organizações, o acesso à
informação, a alfabetização universal, a salvaguarda do patrimônio cultural e natural, bem
como o acesso às tecnologias da comunicação foram fortemente representados nos ODS.
Desta forma, ainda segundo o pensamento da mesma autora, espera-se que as instituições e os
bibliotecários incluam os objetivos de desenvolvimento sustentável como pauta nas suas
discussões e práticas profissionais.
Portanto, podemos observar que as bibliotecas universitárias podem contribuir com o
desenvolvimento sustentável, a partir da oferta de produtos e serviços à sua comunidade.
Disponibilizar informação e capacitar usuários para o acesso à informação é uma maneira de
exercer sua função social e possibilitar que indivíduos possam exercer seus direitos civis,
políticos, culturais. Possibilita, também, que estes indivíduos exerçam sua cidadania e
reafirmem suas identidades como sujeitos participantes dentro da sociedade. Desta maneira,
defender nossos argumentos da reflexão de enxergarmos a biblioteca universitária como um

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sistema que muda estrutura de outros sistemas: indivíduos e sociedade.

5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta pesquisa tem o caráter exploratório, pois foi desenvolvida com o objetivo de
proporcionar uma visão geral da realidade e dos acontecimentos (GIL, 1999). Este tipo de
pesquisa, geralmente é utilizada o tema escolhido é pouco explorado. Portanto, analisar os
serviços da BC da UFSC numa ótica do desenvolvimento sustentável, pode ser considerado
como um problema que ainda carece de investigação.
A pesquisa bibliográfica e o estudo de caso foram os procedimentos adotados para
conduzir a presente pesquisa. Realizamos a pesquisa bibliográfica a partir de materiais já
elaborados: livros, artigos de periódicos, anais de eventos científicos etc., com o intuito de
reunir os conceitos norteadores e analisar os serviços da BC da UFSC como promotores do
desenvolvimento sustentável. De acordo com Gil (1999), a pesquisa bibliográfica permite ao
investigador ter acesso a uma gama de fenômenos que muitas vezes estão dispersos pelo
espaço.
A técnica mais utilizada para a pesquisa exploratória são os estudos de caso,
observações ou análise histórica. Seus resultados geralmente fornecem dados quantitativos ou
qualitativos. Para compreendermos como a BC da UFSC pode contribuir para o
desenvolvimento sustentável por meio dos seus serviços, optamos pelo método de estudo de
caso, tendo como análise de dados uma abordagem qualitativa. Entendemos que esse método
é o mais adequado para compreendermos os fatos estudados. Pois, segundo o pensamento de
Yin (2005) os estudos de caso representam a estratégia quando a pesquisa está voltada para
compreender questões do tipo “como” e “por que” os fenômenos ocorrem de certa maneira
dentro de algum contexto da vida real.
Como interpretação dos dados foi utilizada a abordagem qualitativa. Segundo
Richardson (1999, p. 79) “[...] a abordagem qualitativa de um problema, além de ser uma
opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma forma adequada para entender a
natureza de um fenômeno social”. Seguindo o pensamento do mesmo autor, ele afirma que a
pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como um tipo de pesquisa que tem a pretensão de
compreender significados e características situacionais apresentados por determinado local a
ser investigado.
6 ACESSO À INFORMAÇÃO A PARTIR DOS SERVIÇOS DA BC DA UFSC
Diante das transformações sociais, as bibliotecas universitárias necessitaram se
adequar às novas exigências e demandas vindas do meio social, sejam elas demandas dos
usuários, sejam das próprias estruturas tecnológicas. Nesse sentido, estas unidades devem
acompanhar a dinâmica do seu macro-ambiente, adaptando-se às mudanças sociais,
econômicas e tecnológicas, disponibilizando a informação em rede e socializando o
conhecimento (SANTOS, 2012).
As bibliotecas universitárias devem estar atentas ao ambiente em que se inserem, com
o intuito de desenvolver serviços pertinentes à comunidade. Além dos serviços tradicionais,
devem estar atentas aos serviços em rede e às tecnologias mais sofisticadas para proporcionar
acessos mais eficientes, uma vez que suas ações interferem e refletem diretamente no
desenvolvimento sustentável e no desempenho organizacional. Segundo Santos (2012), essas
bibliotecas, conectadas às novas tecnologias são responsáveis pela integração entre usuários e

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fontes de informação. Para essa autora, as práticas desenvolvidas pela instituição, a partir da
produção, coleta, disseminação e uso da informação, reforçam o desenvolvimento dos
cidadãos e da sociedade.
A partir dessas reflexões, da responsabilidade diante da comunidade acadêmica e da
sociedade em geral, a BC da UFSC oferece produtos e serviços informacionais que
proporcionam a sustentabilidade do acesso à informação na promoção do desenvolvimento
social. “Sua missão é participar no processo de disseminação da informação e do
conhecimento de forma articulada à administração da UFSC para o desenvolvimento das
atividades de ensino, pesquisa e extensão.” (UFSC, 2015, p. 165).
A partir dessas premissas, no Quadro 1 descrevemos esses serviços bem como seus
objetivos.
Quadro 1 - Serviços oferecidos pela BC da UFSC.
Serviços

Objetivo do serviço

Empréstimo
domiciliar

Possibilitar que usuários que têm vínculos com a Universidade possam retirar
materiais e utilizá-los no ambiente externo.

Empréstimo entre Possibilitar que os usuários possam ter acesso aos materiais disponíveis em
outras bibliotecas dos campi da UFSC e em acervos de instituições parceiras.
bibliotecas
Empréstimo
netbooks

de Possibilitar o empréstimo de netbooks e similares, por um tempo determinado,
para uso nas dependências da biblioteca.

Comutação
bibliográfica

Serviço que possibilita a solicitação de fotocópias de partes de documentos
bibliográficos, geralmente documentos de difícil acesso, a outras instituições.

Eventos

Promover mostras de filmes, palestras, encontros literários e outros projetos de
extensão de cunho cultural e educacional.

Estágios

Oferecer uma vivência prática, por meio de orientação e supervisão, aos alunos
da disciplina de estágio curricular obrigatório do curso de Biblioteconomia.
Para desenvolverem noção práticas sobre a profissão.

Visita orientada

Possibilitar que os usuários e a comunidade externa conheçam os espaços e a
organização da biblioteca por meio da orientação do bibliotecário.

Capacite-se

Oferecer aos usuários cursos e oficinas de capacitação, quanto à utilização dos
recursos informacionais oferecidos pela biblioteca.

Orientação
de Orientar os usuários sobre normalização de trabalhos científicos e uso das
normalização
e bases de dados bibliográficos por meio de atendimento personalizado
presencial, por e-mail e por telefone.
bases de dados
Ambiente
acessibilidade
informacional

de Atender demandas informacionais de alunos com deficiência da UFSC, por
meio de adaptações de materiais. Dispõe de espaço físico para estudo e
empréstimo de equipamentos adequados às necessidades desses alunos.

Espaço de inclusão Oferecer acesso à internet à comunidade universitária e à comunidade em geral.
digital

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Espaços
eventos

para Disponibilizar espaços para a realização de eventos de cunho acadêmico,
técnico-científico e cultural sem fins lucrativos à comunidade universitária.

Acesso Wireless

Oferecer acesso à internet sem fio aos usuários para que possam acessar, por
meio de seus dispositivos, os conteúdos informacionais oferecidos pela
biblioteca.

Mecanismo on-line Possibilitar que usuários gerem referências bibliográficas de forma automática,
para referências através de um sistema gratuito.
(MORE)
Ficha
identificação
obra

de Possibilitar que usuários gerem automaticamente a ficha de identificação de
da trabalhos acadêmicos (monografias, dissertações e teses).

Catalogação
fonte:

na Oferecer de forma gratuita a elaboração de ficha catalográfica para livros e
periódicos editados pelas unidades administrativas e acadêmicas da UFSC.

Orientação
de Orientar os usuários sobre os procedimentos de solicitação do ISSN e ISBN
para registro de suas produções.
registro de obras
Web TV

Divulgar, em parceria com a Capes, informações de cunho acadêmico e
científico à comunidade universitária por meio de televisores.

Fonte: Elaborado pelos autores, com base nos dados disponíveis em UFSC, 2015.

Podemos perceber que, por meio dos serviços descritos no Quadro 1, a BC da UFSC
promove o desenvolvimento sustentável através do acesso à informação nas suas mais
variadas formas. Esses serviços vão desde o provimento de acervos físicos até a possibilidade
de o indivíduo desenvolver sua competência informacional mediante o uso de ferramentas
tecnológicas, assim como também, por meio dos programas de capacitação. Geralmente os
resultados de pesquisas desenvolvidas pelos usuários, retornam à biblioteca através de
trabalhos de conclusão de cursos, artigos de periódicos, livros, dissertações e teses;
configurando, desta maneira, a retroalimentação do sistema.
De acordo com Santos (2012) podemos perceber que a biblioteca universitária é o
principal recurso para facilitar o acesso à informação na universidade. Desta forma, podemos
perceber que a BC da UFSC contribui para o desenvolvimento sustentável, quando oferece os
serviços que favorecem o desenvolvimento de sua comunidade.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas universitárias são instituições que têm como missão atender as
necessidades informacionais da comunidade universitária, para subsidiar o desenvolvimento
das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Elas pertencem a um sistema maior que são as
próprias universidades e devem estar atentas as modificações e transformações sociais.
Diante da exploração dessa temática e com base em uma análise de dados a partir de
uma abordagem qualitativa, chegamos às seguintes conclusões que servirão como norteadoras
para despertar a reflexão da nossa práxi enquanto bibliotecário e da reafirmação constante da
existência das próprias bibliotecas nos meios acadêmicos. Elas não devem ser passivas ao
meio em que estão inseridas ou fechadas em si mesmas. As bibliotecas universitárias devem

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existir como sistemas abertos para que possam modificar outros sistemas da organização
social.
Mostramos que as bibliotecas precisam estar inseridas nas discussões acerca do
desenvolvimento social e sustentável e para isso, elas devem ser percebidas como organismos
vivos, serem dinâmicas e estarem sempre em mutação. Para tanto, é necessário que elas
estejam engajadas com as diretrizes que norteiam as práticas sustentáveis.
A partir dessa explanação, percebemos como a Biblioteca Central da UFSC está
atrelada às linhas de pensamento discutidas neste trabalho. Seja ela vista como um organismo
vivo adaptada ao seu meio, seja ela caracterizada a partir dos diversos produtos e serviços
prestados à comunidade, promovendo a sustentabilidade através do acesso à informação.
Diante dessa perspectiva, podemos afirmar que cada ação desenvolvida por essa biblioteca,
através dos seus serviços, nada mais é do que uma troca com o seu meio, promovendo o
desenvolvimento sustentável.
Os diversos serviços prestados por essa instituição faz dela uma referência a ser
seguida por outras instituições que atuam no mesmo segmento. Pensamos que, desde o
empréstimo domiciliar até o programa de capacitação, a Biblioteca Central da UFSC
acompanha as transformações e demandas sociais, promovendo, desta forma, o
desenvolvimento sustentável por meio da informação.
Portanto, devemos enxergar as bibliotecas universitárias a partir de uma perspectiva
filosófica para enxergarmos além dos horizontes que demarcam estas estruturas. No entanto,
vale ressaltar que o assunto desse artigo não se esgota por aqui, mas que se torne o início de
outras pesquisas em nosso campo de atuação. Afinal, a ciência também é dinâmica e precisa
movimentar-se. Movimento que constitui a evolução necessária para qualquer área de
conhecimento.

REFERÊNCIAS
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psicossociais remetidas à inclusão/convívio pelo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
ATIVIDADE MOTORA ADAPTADA, 4., 2001, Curitiba. Anais... Curitiba: SOBAMA,
2001. p. 30-31.conhecimento.
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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFSC. Histórico BU. 2016. Disponível em:
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CAETANO, A.C. de S.. Bibliotecas Universitárias Federais e a noção de bens públicos. Atoz:
novas práticas em informação e conhecimento, Curitiba, v. 2, n. 2, p. 106-115, jul./dez. 2013.
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CAPRA, F. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo:
Cultrix, 1997.
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES E INSTITUIÇÕES

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BIBLIOTECÁRIAS (IFLA). Declaração de Lyon sobre o Acesso à Informação e
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GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: 1999.
LUHMANN, N. Niklas Luhmann. In: NEVES, C. E. B.; SAMIOS, E. M. B. Niklas
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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A proposta deste artigo é discutir o papel das bibliotecas universitárias no desenvolvimento sustentável a partir da análise dos serviços da Biblioteca Central (BC) da UFSC. O objetivo geral é caracterizar como a BC da UFSC pode contribuir para o desenvolvimento sustentável por meio de seus serviços. As bibliotecas são caracterizadas como sistemas abertos que interagem com o seu meio. É estabelecida uma relação entre o desenvolvimento sustentável e o acesso à informação. Como procedimentos metodológicos de investigação foram utilizados a pesquisa bibliográfica e o estudo de caso. Os serviços oferecidos pela BC da UFSC são descritos e analisados como promotores do acesso à informação. Concluiu-se que cada ação desenvolvida por essa biblioteca, através dos seus serviços, caracteriza-se como uma troca com o seu meio, que pode promover o desenvolvimento sustentável.</text>
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                    <text>O PAPEL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA GERAÇÃO DE
CONHECIMENTO CIENTÍFICO: A EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA
DIGITAL ZIKA – UNICAMP

Marcio Souza Martins (Unicamp) - marciosm@unicamp.br
Regiane Alcantara Bracchi (Unicamp) - regiane@unicamp.br
Oscar Eliel (UNICAMP) - oeliel@unicamp.br
Michele Lebre de Marco (Unicamp) - mlmarco@unicamp.br
Resumo:
O fenômeno da explosão informacional traz, às instituições de ensino e pesquisa, um grande
desafio, que é o de extrair da enorme massa de dados, aquilo que parece ser relevante para o
desenvolvimento de suas pesquisas e estudos. Diante disso, a seleção e sistematização de
informações úteis para as universidades e seus pesquisadores parecem ser cada vez mais
prementes e, nesse contexto, as bibliotecas digitais temáticas assumem importância central e
despontam como uma nova tendência, no que concerne à sistematização da informação
especializada para o acesso. Assim, o Sistema de Biblioteca da Unicamp, considerando as
necessidades informacionais de seus pesquisadores e da sociedade criou a Biblioteca Digital
Zika (BDZ), cujo objetivo é disponibilizar conteúdos científicos especializados que auxiliem no
desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas ao enfrentamento das doenças transmitidas
pelo mosquito Aedes Aegypti. Os resultados deste projeto demonstram a relevância das
bibliotecas no contexto social, científico e cultural de nossa sociedade, além de aumentar a
visibilidade e importância do trabalho do profissional bibliotecário.
Palavras-chave: Bibliotecas digitais temáticas.
Biblioteca Digital Zika.

Atuação

do

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Perfil profissional e práticas renovadoras

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

profissional

bibliotecário.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O PAPEL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA GERAÇÃO DE
CONHECIMENTO CIENTÍFICO: A EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA
DIGITAL ZIKA – UNICAMP
Regiane Alcântara Bracchi¹, Márcio Souza Martins², Oscar Eliel³, Michele Lebre de Marco4
¹ Coordenadora do Sistema de Bibliotecas da Unicamp. Mestre em Ciência da Informação.
Docente do curso de Biblioteconomia da PUC-Campinas, Campinas, SP. ² Diretor de Gestão
de Recursos do Sistema de Bibliotecas da Unicamp. Mestre em Ciência da Informação.
Docente do curso de Biblioteconomia da PUC-Campinas, Campinas, SP. ³ Diretor de
Tratamento da Informação do Sistema de Bibliotecas da Unicamp. Mestre em Ciência da
Informação. Docente do curso de Biblioteconomia da PUC-Campinas, Campinas, SP. 4
Bibliotecária da Diretoria de Gestão de Recursos do Sistema de Bibliotecas da Unicamp.
Especialista em Gestão da Informação.

Resumo
O fenômeno da explosão informacional traz, às instituições de ensino e pesquisa, um grande
desafio, que é o de extrair da enorme massa de dados, aquilo que parece ser relevante para o
desenvolvimento de suas pesquisas e estudos. Diante disso, a seleção e sistematização de
informações úteis para as universidades e seus pesquisadores parecem ser cada vez mais
prementes e, nesse contexto, as bibliotecas digitais temáticas assumem importância central e
despontam como uma nova tendência, no que concerne à sistematização da informação
especializada para o acesso. Assim, o Sistema de Biblioteca da Unicamp, considerando as
necessidades informacionais de seus pesquisadores e da sociedade criou a Biblioteca Digital
Zika (BDZ), cujo objetivo é disponibilizar conteúdos científicos especializados que auxiliem
no desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas ao enfrentamento das doenças
transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti. Os resultados deste projeto demonstram a
relevância das bibliotecas no contexto social, científico e cultural de nossa sociedade, além de
aumentar a visibilidade e importância do trabalho do profissional bibliotecário.
Palavras-Chave: Bibliotecas digitais temáticas. Atuação do profissional bibliotecário.
Biblioteca Digital Zika.

Abstract
With the big amount of information the teaching and research institutions has been facing a
very big challenge, which is to extract from the huge amount of data what appears to be
relevant to the development of their research and studies. Therefore the selection and
systematization of useful information for universities and their researchers seems to be
increasingly urgent and in that context the thematic digital libraries has a central relevance
and emerge as a new trend, regarding the systematization of specialized information. Thus,

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

the Unicamp Libraries System, considering the information needs of their researchers created
the Zika Digital Library (BDZ), which goal is to disseminate specialized scientific knowledge
about the diseases transmitted by Aedes Aegypti. The results of this project show the
importance of libraries in the social, scientific and cultural areas, as well as increasing the
visibility and importance of the librarian work, whose services has become increasingly
relevant in our society.
Keywords: Thematic digital libraries. Librarian professional performance. Zika Digital
Library.

1. Introdução
A velocidade com que o conhecimento científico é renovado é cada vez mais
impressionante. Novas descobertas são comunicadas em períodos de tempo cada vez menores,
o que torna o trabalho do cientista ainda mais desafiador, uma vez que muito do seu tempo é
despendido na localização e identificação desses conteúdos. Além disso, em função do
grande volume de informações disponíveis, a sua obtenção é outro grande desafio.
Nesse cenário, as chamadas Unidades de Informação, sobretudo as bibliotecas
universitárias, têm um papel fundamental, justamente porque cabem a elas o papel de realizar
a coleta, organização e disseminação de conteúdos que apresentem relevância para o
desenvolvimento das atividades de pesquisa, ensino e extensão universitária.
Com essa nova função, as bibliotecas universitárias deixam de ser vistas como
guardiãs do conhecimento e assumem notória participação social, contribuindo para o
desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, cultural e industrial. Diante disso, a
seleção e sistematização de informações úteis para as universidades e seus pesquisadores
parecem ser cada vez mais prementes e, nesse contexto, as bibliotecas temáticas assumem
importância central, uma vez que elas têm como propósito coletar, tratar e disseminar
conteúdos de uma determinada área, os quais se encontram dispersos em miríades fontes de
informação. Assim, as bibliotecas temáticas despontam como uma nova tendência, no que
concerne à sistematização da informação especializada.
Diante deste novo paradigma e, atendendo a uma necessidade informacional dos
pesquisadores da Rede Zika Unicamp – força tarefa criada para o enfrentamento dos impactos
provocados na saúde pública pelas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, o
Sistema de Biblioteca da Unicamp (SBU), enquanto órgão responsável pela disponibilização
de informações que respaldam o desenvolvimento qualificado das atividades de ensino,
pesquisa e extensão da Universidade, criou a Biblioteca Digital Zika (BDZ), cujo objetivo é
disponibilizar conteúdos científicos especializados que auxiliem no desenvolvimento de novas
pesquisas relacionadas ao enfrentamento das doenças transmitidas pelo mosquito.
Considera-se a BDZ um novo modelo para disponibilizar e disseminar informações
especializadas, já que, além de reunir e disponibilizar conteúdos científicos sobre o tema, a
biblioteca também conta com análises da produção científica, orientações sobre fontes de
financiamento, notícias veiculadas pela imprensa nacional e internacional, vídeos e outros
conteúdos informativos, descritores validados pelos pesquisadores da Unicamp ligados à
Rede Zika, sistema de alerta e chat on-line com bibliotecários para esclarecimento de dúvidas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

e solicitação de informações.
Além do mais, toda a organização do conteúdo foi realizada de acordo com os cinco
grupos de pesquisas da Rede Zika: Caracterização Molecular e Biológica; Mecanismos de
Imunopatogenicidade; Novas Metodologias de Diagnóstico; Estratégias de Bloqueio da
Transmissão e Controle do Mosquito; e Epidemiologia, Imunologia e Repercussões Clínicas,
de modo facilitar a recuperação dos conteúdos e otimizar o tempo das pesquisas, inaugurando,
assim, uma nova proposta de divulgação científica.
Diante do exposto, podemos conceituar biblioteca temática como a biblioteca que
reúne e possibilita o acesso a documentos que tratam especificamente sobre um assunto
central e seus derivados diretos. Por sua vez, biblioteca digital temática é a biblioteca temática
organizada, gerenciada e disponibilizada em formato digital.

2. Revisão de Literatura
Na sociedade atual, a informação tornou-se a matéria-prima necessária para a geração
de conhecimento e o desenvolvimento de todas as atividades do dia-a-dia; portanto, é natural
que, neste contexto, o papel das unidades informacionais acompanhe essas mudanças.
Assim, o fluxo da informação é tão importante quanto a própria informação em si,
sendo necessário, tendo em vista o grande volume informacional, a coleta, organização e
disponibilização de maneira que sirva de subsídio para a geração de novos conhecimentos.
De acordo com Santos, Duarte e Lima (2014, p.39):
Esse cenário reestrutura o processo de acesso e uso da informação, tanto na
perspectiva da rápida geração de novos conhecimentos, quanto na impossibilidade de
recuperação de todo o conhecimento produzido. Dessa maneira, o sujeito não
consegue recuperar tudo o que foi produzido, mesmo que isso fosse possível, essa
grande massa documental não seria utilizada na íntegra, pois existe uma rápida
obsolescência da informação.

Em decorrência disso, a comunicação científica precisa de mecanismos que permitam
sua disseminação de modo amplo e eficaz. Nesse contexto, as bibliotecas digitais temáticas
são importantes instrumentos de apoio à informação, uma vez que tem como objetivo reunir
conteúdos relevantes de um determinado assunto, contribuindo, assim, para o ciclo social da
informação proposto por Le Coadic (2004).

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Figura 1
Fonte: LE COADIC, Y-F. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos, 2004.
Outro fator que causa impacto nas pesquisas científicas é a dificuldade, por parte dos
pesquisadores, de localizar informações precisas e relevantes para seus estudos. Isso ocorre
não só por falta de tempo para realizar as pesquisas, mas também em virtude de motivos
como: desconhecimento das fontes de informação disponíveis em suas áreas de atuação,
dificuldade em estabelecer estratégias de busca eficientes ou até por não saber utilizar técnicas
de pesquisa em bases de dados.
Nesse contexto, o papel das bibliotecas universitárias ganha cada vez mais
importância, no que se refere ao apoio à pesquisa científica, já que cabe a elas disponibilizar
informações e conteúdos que respaldam o desenvolvimento qualificado das atividades de
ensino, pesquisa e extensão de suas comunidades acadêmicas. De acordo com Damasio
(2004):
As bibliotecas universitárias detém um papel essencial nos processos de pesquisa e
inovação tecnológica do país. Detém o conhecimento universitário e tem a principal
função de intermediárias entre o conhecimento científico e tecnológico e seus usuários
[...]

Diante desse cenário, o bibliotecário passa a ter um papel cada vez mais atuante nos
processos de investigação científica, devendo oferecer suporte informacional aos
pesquisadores da comunidade na qual a biblioteca está inserida. Witter (1999), em
consonância com esse pensamento, afirma que esses profissionais, através das organizações
as quais pertencem, procuram desempenhar o seu papel junto à sociedade, buscando o bemestar e melhorando a qualidade de vida dos cidadãos.
Iniciativas como a criação de bibliotecas digitais ou repositórios temáticos têm se

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revelado um importante auxílio às pesquisas de ponta realizadas nas universidades, pois têm
como objetivo suprir necessidades informacionais específicas de um determinado assunto e
seus derivados diretos, oferecendo acesso a informações atuais e de maneira rápida e precisa.

3. Materiais e métodos
A idealização da Biblioteca Digital Zika surgiu a partir de conversas entre o Sistema
de Bibliotecas da Unicamp (SBU) e a Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Universidade, a qual
coordena a Rede Zika-Unicamp cuja formação se dá por docentes e pesquisadores de
diferentes especialidades que buscam reunir soluções nas áreas de controle de inseto,
virologia, epidemiologia e imunologia, entre outras.
Posteriormente, a partir da identificação dessa demanda informacional, foram
realizados os procedimentos abaixo para a criação da BDZ:
a)

desenvolvimento do projeto a ser apresentado à Coordenadoria Geral da Universidade e
à Pró-Reitoria de Pesquisa, bem como a sua aprovação por esses órgãos;

b) estabelecimento de descritores e estratégias de busca para coleta de conteúdos;
c)

validação dos descritores pelos coordenadores da Rede Zika;

d) definição das bases de dados ou fontes de informação para a realização das pesquisas;
e)

realização das pesquisas de acordo com os procedimentos estabelecidos;

f)

definição do software para o armazenamento, gerenciamento e disponibilização dos
conteúdos;

g) idealização do layout e da interface da BDZ;
h) organização dos metadados recuperados nas pesquisas;
i)

alimentação da BDZ com os documentos selecionados, principalmente artigos;

j)

disponibilização dos conteúdos de acordo com as áreas de pesquisas;

k) atualização constante dos conteúdos.

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4. Resultados Parciais/Finais
Os resultados alcançados até o momento evidenciam a visibilidade e a importância da
Biblioteca Digital Zika para a comunidade científica. Fato esse que pode ser demonstrado
pelos bons resultados atingidos até momento. Em menos de dois meses do lançamento,
ocorrido em 02 de março de 2016, a BDZ já atingiu os seguintes resultados até o momento –
06 de maio de 2016:


disponibilização de mais de 620 documentos sobre o tema;



mais de 6.817 acessos à BDZ (em pouco mais de 02 meses);



acessos em mais de 20 países;



divulgação massiva da BDZ por diferentes veículos de comunicação (jornais e revista de
circulação nacional; agências de pesquisas científicas; rádios nacionais, boletins de
editoras internacionais, blogs e sites de instituições de ensino e pesquisa);



contatos de órgãos governamentais ligados à área da saúde solicitando apoio e parceria;



apresentação da BDZ em importantes instituições de ensino e pesquisa e outros órgãos
governamentais;



reconhecimento da comunidade científica interna e externa sobre a importância da BDZ.

Destaca-se, também, que além da procura por artigos científicos disponibilizados na
BDZ, há um grande número de acessos relacionados à análise da produção científica e fontes
de financiamento. Isso demonstra a importância da disponibilização desses tipos de
conteúdos. Diante disso, com os resultados parciais alcançados, percebe-se que a BDZ vem
cumprindo com a sua proposta de oferecer suporte informacional aos pesquisadores da força
tarefa Rede Zika para a busca de soluções no combate, prevenção e tratamento do Zika Vírus,
bem como a pesquisadores de diferentes instituições do Brasil e do exterior, que têm feito
amplo uso do portal da BDZ.

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5. Considerações Finais/Parciais
Ações como a criação da Biblioteca Digital Zika nos possibilitam demonstrar a
relevância das bibliotecas no contexto social, científico e cultural para a sociedade, além de
reforçar sua importância para as instituições de ensino, sobretudo no âmbito das
universidades, que é onde se concentra grande parte das pesquisas científicas.
A criação de bibliotecas digitais temáticas revela-se um produto de informação
extremamente relevante aos pesquisadores, não só da comunidade na qual está inserida, mas
também de outras instituições, cumprindo seu papel social ao disponibilizar conteúdos de
interesse público.
Assumindo uma postura pró-ativa junto ao processo de pesquisa científica, as
bibliotecas universitárias transcendem o papel tradicional – o de guardiã da informação – para
transformarem-se em parte atuante no processo de geração de novos conhecimentos.
O resultado disso, além da contribuição aos mais variados campos da ciência, é o
aumento da visibilidade, da importância e do destaque que o profissional bibliotecário e as
bibliotecas passam a ter em suas instituições.
Por fim, podemos perceber uma quebra de paradigmas que expande, cada vez mais, as
possibilidades de atuação da biblioteca e dos profissionais bibliotecários, tornando seus
serviços cada vez mais relevantes para a sociedade.

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6. Referências
DAMASIO, Edilson. O papel das bibliotecas universitárias e da informação para indústria e
negócios conforme a "Lei de Inovação" no contexto científico e tecnológico. 2004 . In: XIII
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias - SNBU, 2004, Oct. 17-23.
DIAS, E. W. Ensino e pesquisa em Ciência da Informação. Datagramazero, v. 3, n. 5, out.
2002.
SANTOS, Raquel do Rosário; DUARTE, Emeide Nobrega; LIMA, Izabel França DE. O
papel do bibliotecário como mediador da informação no processo de inclusão social e digital.
Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia, v. 9, n. 2, 2014.
LE COADIC, Y. F. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos, 2004.
WITTER, G. P. Leitura: textos e pesquisas. Campinas, S.P.: Alínea, 1999.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Martins, Marcio Souza; Bracch, Regiane Alcantara; Elie, Oscar; Marco, Michele Lebre de </text>
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                <text>O fenômeno da explosão informacional traz, às instituições de ensino e pesquisa, um grande desafio, que é o de extrair da enorme massa de dados, aquilo que parece ser relevante para o desenvolvimento de suas pesquisas e estudos. Diante disso, a seleção e sistematização de informações úteis para as universidades e seus pesquisadores parecem ser cada vez mais prementes e, nesse contexto, as bibliotecas digitais temáticas assumem importância central e despontam como uma nova tendência, no que concerne à sistematização da informação especializada para o acesso. Assim, o Sistema de Biblioteca da Unicamp, considerando as necessidades informacionais de seus pesquisadores e da sociedade criou a Biblioteca Digital Zika (BDZ), cujo objetivo é disponibilizar conteúdos científicos especializados que auxiliem no desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas ao enfrentamento das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti. Os resultados deste projeto demonstram a relevância das bibliotecas no contexto social, científico e cultural de nossa sociedade, além de aumentar a visibilidade e importância do trabalho do profissional bibliotecário.</text>
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                    <text>O LIVRO DIGITAL: HISTÓRICO, DEFINIÇÕES, VANTAGENS E
DESVANTAGENS
Juliani Menezes dos Reis (UFRGS) - juliani.reis@gmail.com
Helen Beatriz Frota Rozados (UFRGS) - hrozados@gmail.com
Resumo:
Apresenta a história do livro digital ou eletrônico, definições, vantagens e desvantagens.
Utiliza-se da pesquisa bibliográfica para levantar e analisar a história do livro digital, as
características dos formatos, softwares e aparelhos leitores existes. Descreve a história dos
aparelhos leitores e os fatos relacionados aos e-books que contribuíram para seu
desenvolvimento e propagação. Este texto tem como objetivo resgatar a história do livro no
formato digital englobando sua evolução em relação aos formatos e dispositivos até os dias
atuais. Conclui que o livro digital proporciona mudanças na forma de ler e escrever e que
essas mudanças facilitam o acesso à informação permitindo que os usuários desvendem suas
preferências.
Palavras-chave: Livro Digital. História do e-book. E-reader.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Acervos digitais e e-books

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1 Introdução
O livro evoluiu. Desde o papiro ao surgimento do e-book reinventou-se algumas
vezes percorrendo um longo caminho até era digital. Acompanhando a evolução do
homem e, o surgimento de novas tecnologias, o processo de produção do livro mudou,
culminando nas publicações digitais, exigindo adaptações aos novos formatos a ele
atrelados. O livro eletrônico proporciona diversas possibilidades e recursos intrínsecos
ao seu formato, podendo ser considerado um meio promissor de disseminação e
circulação de informações intelectuais e culturais.
Em um mundo de bits, o livro não perdeu suas características originais. Pelo
contrário, com ele é possível acreditar na possibilidade de democratização e
socialização da leitura. Observa-se que a questão principal não é mais o livro e sim o
conteúdo, a informação contida nele, independentemente de seu formato. Esse novo
formato de livro influencia diretamente as bibliotecas e os bibliotecários, por isso essa
discussão é necessária.
Visando conhecer e relatar a história do e-book, esse artigo tem o objetivo de
apresentar a revisão de literatura sobre o tema. Como abordagem metodológica optou-se
por uma análise documental, partindo da revisão de literatura fundamentada em itens
selecionados na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), Portal de
Periódicos da Capes, SCIELO, Google Schoolar, além de algumas notícias veiculadas
sobre o tema.

2 Em busca de uma definição
Convém dizer que, à primeira vista, pode parecer fácil definir e-book, livro
eletrônico ou digital, já que, aparentemente, é apenas um livro em formato digital.
Contudo, ainda não existe uma definição oficial de autoridades ou instituições
reconhecidas como autoridades sobre o assunto. A fim de contribuir com essa questão,
elencamos alguns conceitos de forma a facilitar a compreensão a respeito do tema,
visando uma definição mais completa e clara. Os termos e-book, livro eletrônico e livro
digital são usados como sinônimos. Para identificar o livro eletrônico, é utilizado,
preferencialmente, o termo e-book, com grafia em itálico e utilização de hífen, forma
recomendada pelos dicionários Aulete Digital e Dicionário de Biblioteconomia e
Arquivologia (AULETE; VALENTE, 200-; CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Paiva (2010, p. 84) explica a etimologia do termo: “[...] e-book, abreviação
inglesa de eletronic book, é um livro em formato digital, que pode ser lido em
equipamentos eletrônicos tais como computadores, PDAs ou até mesmo em celulares
que suportam esse recurso.”. Pinheiro (2011, p. 14) entende que o e-book [...] designa
uma publicação em formato digital que, para além de texto, pode incluir também
imagens, vídeo e áudio. Outras designações são livro digital ou livro digitalizado.” E
complementa: “Muitas vezes utiliza-se, erradamente, o termo ebook para designar um ereader.”, que é o aparelho leitor específico para livros digitais (PINHEIRO, 2011, p.
14). Conde e Mesquita (2008, p. 3) acrescentam que “E-books ou eletronic books são
publicações digitais ou livros eletrônicos e estão disponíveis na web em vários formatos
que podem ser descarregados para o computador através de downloads.”.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Procópio (2010) destaca que o e-book pode ser dividido em três partes: o
software reader, o dispositivo de leitura portátil e o livro em si. Já Gama Ramírez1
compreende que
O livro eletrônico se refere a uma publicação digital não periódica,
quer dizer, que se completa em um único volume ou em um número
predeterminado de volumes e que pode conter textos, gráficos,
imagens estáticas e em movimento, assim como sons. Também se nota
que é uma obra expressa em várias mídias armazenadas em um
sistema de computação. Em suma, o livro eletrônico se explica como
uma coleção estruturada de bits que pode ser transportada e
visualizada em diferentes dispositivos de computação. (2006, p. 12
apud AMORIM NETO; MENEZES, 2011, p. 4).

Mello Junior (2006) define as características técnicas relacionadas ao formato do
e-book, especificando que o livro eletrônico é uma edição não periódica, composta de
no mínimo 1000 caracteres por página, possui página correspondente ao formato de
página impressa de tamanho 14x21cm, mancha composta por 30 linhas de 70 caracteres
sem espaço, contém índice e paginação e, deve conter elemento obrigatório que
caracterize o texto eletrônico como livro. Tammaro e Salarelli (2008, p. 181-182)
compreendem que e-books são “[...] livros eletrônicos fora de linha (off-line),
normalmente em cederrom ou que exigem equipamentos e programas especiais para que
possam ser lidos, e outros que podem ser usados em linha.”.
É possível observar que as definições e caracterizações existentes na literatura
até o momento e apresentadas neste artigo, complementam-se, mas precisam ser
expandidas. Entre os autores citados não existe um consenso sobre a definição do livro
eletrônico, embora a maioria entenda que e-book é um livro em formato digital. A
complexidade da definição dá-se, em parte, pela ausência de normalização sobre o tema,
sendo o livro eletrônico aquele criado, produzido e comercializado exclusivamente em
meio eletrônico ou digitalizado, visando sua preservação.
A partir das definições apresentadas anteriormente, arriscamos propor uma
definição: o e-book, livro eletrônico, digital ou virtual, é um livro que existe
exclusivamente em formato digital, não periódico, que necessita de um aparelho leitor e
de um software para decodificação que viabilize sua leitura. Pode conter texto, imagem,
áudio e vídeo, permite a inclusão de comentários pelo leitor, bem como o controle e
ajuste de nuances de brilho, cor e tamanho da fonte.
Algumas dúvidas ainda pairam nesse emaranhado da era tecnológica e mostram
que é fundamental o estabelecimento de padronização da definição do e-book. Contudo,
independentemente das indefinições e das a respeito deste novo formato do livro, os ebooks continuam existindo e apresentam vantagens e desvantagens que precisam ser
ponderadas.
Uma das grandes vantagens do livro eletrônico é o mecanismo de busca inerente
a ele, que possibilita a pesquisa por palavras e, em poucos segundos, a obtenção do
resultado, não sendo necessário folhear o livro ou relê-lo. Tammaro e Salarelli (2008, p.

1

GAMA RAMÍREZ, Miguel. El libro electrónico en la universidade: testimonios y reflexiones. México:
Colégio Nacional de Bibliotecários; Buenos Aires: Alfagrama, 2006. P. 63-98. Apud AMORIM NETO;
MENEZES, 2011, p. 4.

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182), apontam que “A particularidade dos livros eletrônicos está em que conseguem
realizar uma busca rapidamente e navegar também entre textos multimídia.”.
Além disto, “O novo suporte do texto permite usos, manuseios e intervenções do
leitor infinitamente mais numerosos e mais livres do que qualquer uma das formas
antigas do livro.” (CHARTIER, 2008, p. 88). Além das citadas, é possível observar
outros benefícios e diferencias proporcionados pelo uso do livro digital e de aparelhos
leitores. Baseado em Procópio (2010, p. 26-27), apontam-se, no Quadro 1, alguns
recursos disponíveis.
Quadro 1 – Vantagens do e-book

Acesso a inúmeros títulos
Pesquisa rápida
Aparelho leve
Bloco de anotações
Ajuste de luminosidade (blacklight) e brilho
Dicionário
Rotação de tela
Criação de Biblioteca Pessoal

Marcador de página
Navegação entre textos
Leitura não-linear
Economia de papel
Conexão sem fio com a internet (wireless)
Ajuste de tamanho e tipo de fonte
Contribuição para a educação
Não está suscetível a deterioração por
agentes biológicos
Acesso às Bibliotecas Digitais e livrarias Grande capacidade de armazenamento e
on-line
memória expansível através de cartões de
leitura
Compatível com níveis de segurança Possui tamanho médio igual ao do livro em
(criptografia)
papel, 14x21cm
Aquisição facilitada
Bateria duradoura
Compatibilidade com diversos aparelhos
Leitura nas nuvens

Fonte: Adaptado de Procópio (2010).
Os e-books também podem ser utilizados nas escolas e nas universidades, no
ensino e na aprendizagem a distância, na educação de crianças, adolescentes e adultos.
A utilização de livros digitais didáticos pode tornar o ensino mais agradável aos
estudantes, devido a tecnologia que atrai os jovens e ao fato de que com pouco peso é
possível carregar milhares de livros. A criação de bibliotecas digitais pode contribuir
para a disseminação e socialização dos livros eletrônicos no meio estudantil. Procópio
(2010, p. 42), explana a respeito dos benefícios do livro eletrônico no meio acadêmico:
[...] há a comodidade do uso acadêmico dos e-readers, em que
enciclopédias e livros de referência podem ser facilmente
armazenados num único suporte eletrônico, incluindo aí a leitura de
periódicos técnicos ou mesmo de interesse geral, como jornais e
revistas [...] (PROCÓPIO, 2010, p. 42).

Outro aspecto a ser considerado é que o livro eletrônico colabora para a
preservação ambiental em detrimento do livro impresso, pela economia de papel gerada,
sendo também mínimo o gasto com energia. Em relação ao armazenamento, a grande
vantagem é que o espaço físico ocupado é o tamanho do próprio aparelho leitor. No
caso das bibliotecas é importante destacar que não é necessário manter estoques com
vários exemplares, facilitando a preservação da informação e o descarte de itens
obsoletos.

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Chartier (1998, p. 134, grifos do autor) comenta: “Com o texto eletrônico, enfim,
parece estar ao alcance de nossos olhos e de nossas mãos um sonho antigo da
humanidade, que se poderia resumir em duas palavras, universalidade e
interatividade.”. A tecnologia do livro eletrônico possibilita que os limites sejam a
imaginação de seus editores ao criá-lo, pois pode trazer consigo música, interação,
cores, ilustrações. A liberdade do leitor de conduzir sua leitura é potencializada,
podendo, escolher tamanho de letra, cor, layout e, inclusive, a não linearidade da leitura,
uma vez que o livro eletrônico é uma hipermídia. “O texto se expande, contrai-se, dá
voltas. As palavras pulsam, esticam-se e encolhem, desafiando a analogia do teclado
com a máquina de escrever [...]” (BEIGUELMAN, 2003, p. 39).
Os aspectos intrínsecos ao livro eletrônico, possíveis por intermédio dos avanços
tecnológicos, como formato, ampla e rápida difusão do conteúdo e fácil distribuição,
podem viabilizar a universalização do livro e, até mesmo, a possibilidade de existência
real de uma biblioteca universal. A internet pode ser uma grande aliada dos e-books e do
processo de universalização da leitura, ao propiciar que o leitor adquira um e-book em
uma livraria virtual e leia-o sem sair de casa. O crescimento da digitalização de livros
também poderá contribuir com a transposição do livro impresso para o digital e sua
democratização. Para Procópio (2010, p. 25),
[...] a revolução dos eBooks possibilita democratizar o acesso à leitura
a um nível ainda mais abrangente e de uma maneira extraordinária.
Centenas de livros e documentos importantes, e muitas vezes
dispersos, podem ser acessados com um simples clique.

Mas o e-book não tem só vantagens. Algumas desvantagens podem ser
apontadas. O ponto de vista do leitor é uma questão importante, já que o uso do e-book
está diretamente relacionado à sua preferência pessoal. Muitos leitores preferem sentir a
textura do papel, o cheiro, folhear as páginas, o que não terão em um e-book. Além
disto, há as dificuldades técnicas, como a necessidade de intermediação de um aparelho
para a leitura. Para viabilizar a leitura de um e-book é fundamental um computador,
notebook, tablet, smartphone, entre outros aparelhos capazes de lê-lo, sendo que o ereader (electronic reader) ou leitor eletrônico, é o aparelho de leitura específico para ebooks, que precisam ter sua bateria carregada, além da necessidade de um software para
sua decodificação, ou seja, um reader.
Por outro lado, computadores de mesa e outros dispositivos eletrônicos portáteis,
apresentam-se com um atraente custo-benefício, oferecendo diferentes funcionalidades,
o que pode induzir o leitor a optar por não adquirir aparelhos exclusivamente para
leitura. Somam-se a isto o crescimento e o barateamento de equipamentos eletrônicos
com acesso à Rede, nos diferentes segmentos econômicos da população, que permite a
ampliação do acesso ao livro eletrônico.
Nota-se que além das questões técnicas, há questões financeiras e econômicas
que permeiam esse processo. Os custos do aparelho, do software e do próprio livro
digital ainda são altos, o que torna o e-book impopular e até mesmo inviável para a
maioria da população. No contraponto, para os que têm recursos financeiros e se
interessam por essa tecnologia, esbarram no fato de que poucos títulos estão disponíveis
em formato eletrônico, não sendo, na maior parte das vezes, possível o leitor optar pela
versão impressa ou digital de determinado livro. Neste sentido, o mercado editorial
exerce controle total sobre a comercialização de e-books, sendo o processo de compra
de e-books em livrarias virtuais ainda burocratizado, exigindo competência tecnológica

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do leitor e paciência para efetivar a aquisição, podendo isto ser considerado um
empecilho a sua difusão.
Com o objetivo de resumir o que foi colocado e melhor clarificar a problemática,
elenca-se, no Quadro 2, as desvantagens relacionadas ao livro eletrônico.
Quadro 2 – Desvantagens do E-book

Preferência do leitor pelo formato impresso

Inexistência de interoperabilidade entre os
formatos de livros eletrônicos e aparelhos
Intermediação de aparelho de leitura
Leitura cansativa
Intermediação de software para leitura
Comercialização somente via internet,
prejudica os que não têm acesso
Alto preço
Exclusão digital
Analfabetismo tecnológico
Comercialização de poucos títulos em
formato digital
Necessidade de recarregar a bateria do Ausência de bibliotecas que realizam
aparelho leitor
empréstimo de e-books
Burocratização do processo de compra on- Possibilidade de aumento da pirataria,
line
plágio e falsificação
Maior controle por parte das editoras
Incerteza sobre preservação de dados em
formato digital
Certificação digital
Obsolescência tecnológica
Dúvidas sobre o futuro do direito autoral

Fonte: Reis (2013).

3 Histórico e evolução do livro digital
O e-book ou livro eletrônico não é algo tão recente como se pode pensar, “[...]
não é um assunto novo, não. Nem sequer é uma questão deste início de século. Já é um
assunto do século passado, embora o mercado, em si, só esteja se iniciando agora.”
(PROCÓPIO, 2010, p. 17). As ideias iniciais foram esboçadas em 1945, logo após a 2º
Guerra Mundial, pelo engenheiro e cientista americano Vannevar Bush (1890-1974),
diretor do Office of Scientific Research and Development. Ele acreditava que o
crescimento do volume de pesquisas e, consequentemente, o acúmulo de conhecimento
humano, deveria estar acessível, de forma que o tempo utilizado em realização de
pesquisas não fosse desperdiçado. Também defendia a necessidade de mudanças e
inovações no processo de registrar, armazenar e consultar as informações. Em seu
entendimento, estas inovações deveriam ser feitas pelos cientistas e trariam melhorias
na forma de utilizar as informações contidas nos registros científicos. Nas palavras de
Bush:
Se, desde a invenção dos tipos móveis, a raça humana produziu um
acervo total, em forma de revistas, correspondências, livros, folhetos
publicitários e jornais, equivalente a um bilhão de livros, tudo isto
comprimido poderia ser carregado em uma caminhonete. A mera
compressão, naturalmente, não é o bastante; necessitamos não somente
registrar e armazenar, mas também consultá-lo [...]. (BUSH, 2004, p. 5).

Em julho de 1945, Bush publicou na revista Atlantic Monthly um artigo
intitulado As we may think (Como podemos pensar), visando incentivar cientistas a
desenvolverem formas de tornar o estoque de conhecimento humano disponível e

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acessível. Neste artigo, Bush descreve uma fabulosa máquina, capaz de armazenar e
mostrar livros e documentos depositados em um tipo de microfilme. Essa máquina é o
Mémex (Memory Extension):
[...] um dispositivo que permitirá a uma pessoa armazenar todos os
seus livros, arquivos, e comunicações, e que é mecanizado de tal
forma que poderá se consultado com grande velocidade e
flexibilidade. Na verdade, seria um suplemento ampliado e íntimo de
sua memória. (BUSH, 2004, p. 10).

No Memex, os documentos poderiam ser acessados através da colocação do
microfilme em um compartimento. O usuário abriria e visualizaria, rapidamente, a
informação contida no microfilme, em um pequeno monitor. Os documentos
apareceriam dispostos na tela do Memex, sendo possível editá-los, copiá-los e salvá-los.
Os comentários poderiam ser acrescentados conforme a leitura do documento fosse
realizada e seria possível fazer o que denominou indexação associativa, atalhos
associativos e links entre os documentos. Também seria possível a inclusão de
documentos, “Livros de todo o tipo, imagens, publicações periódicas, e, diários, podem
ser introduzidos quando quiser.” (BUSH, 2004, p. 10).
A semelhança do dispositivo de Bush com os computadores, leitores e e-books
atuais é muito grande. Bush (2004, p. 10) descreve o Memex como uma máquina capaz
de permitir que “Quando o usuário move um pouco para a direita, pode folhear o livro
que está utilizando, página por página e com velocidade suficiente para que possa lê-las
facilmente.”. Observando os aspectos semelhantes do Memex com nossos dispositivos
modernos, pode-se pensar que este foi o precursor do e-book, um ancestral. Assim, a
máquina em si pode ser considerada como a precursora dos computadores de uso
pessoal e Vannevar Bush o idealizador teórico do livro eletrônico.
O cientista era um visionário que acreditava na possibilidade de criar uma
biblioteca universal, armazenar e recuperar o conhecimento produzido pela
humanidade. O Memex na prática não chegou a ser construído. Procópio (2010, p. 24,
grifos do autor), entende que “Tal máquina trazia consigo o conceito do acesso a uma
teia com servidores de conteúdo informacional interligada, que claramente Bush
considerava ser a biblioteca universal do futuro [e o que é hoje para nós a World Wide
Web].”. Mello Júnior (2006, p. 321) postula que o Memex “[...] era uma espécie de
prótese da memória humana, algo que nossos computadores pessoais já são [...]”.
Setenta anos atrás, Vannevar Bush previa a necessidade de realizar mudanças
inovadoras no que diz respeito à forma de armazenamento e disponibilização da
produção do conhecimento humano. Depreende-se que, já naquela época, Bush falava
da biblioteca do futuro. A esse respeito Tammaro e Salarelli (2008, p. 14, grifos do
autor) expõem que
O Memex de Vannevar Bush mostra a consciência de que as estantes
de uma biblioteca não são mais adequadas para recolher e conservar
um acervo, para uma pesquisa eficaz e para facilitar a criação de
novos conhecimentos. O Memex é um instrumento para estudiosos,
uma biblioteca pessoal. A primeira inovação do Memex está no
conceito de ‘depósito’ como sistema organizado, para permitir a
realização de determinadas funcionalidades. O depósito, que não se
pode considerar um simples arquivo da memória, gerencia o acervo e
o acesso a ele.

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Em 1971, Michael Hart – considerado o criador do livro eletrônico – deu os
primeiros passos para que a ideia do livro eletrônico se tornasse realidade. Ele digitou a
Declaração de Independência dos Estados Unidos, primeiro documento da história da
humanidade a se tornar um documento eletrônico. Mais tarde, fundou o Projeto
Gutenberg, biblioteca digital mais antiga do mundo que realiza digitalização de livros
em domínio público, arquiva-os e os disponibiliza gratuitamente. Em 2012 oferecia
mais de 38.000 livros eletrônicos gratuitamente, disponíveis em 42 idiomas, em
diversos formatos, não sendo necessário realizar registro no site para fazer download
(PROJETO GUTENBERG, 2012). A partir do Projeto Gutenberg, outros surgiram.
Alguns tiveram continuidade, sendo comercializados, outros não foram de interesse da
indústria tecnológica, nem do mercado editorial, ficando no nível de protótipos. Esses
projetos nortearam os passos de seus sucessores no que tange à padronização,
flexibilidade, funcionalidades e interoperabilidade dos equipamentos de leitura.
3.1 Aparelhos leitores
A história dos e-books confunde-se com a história e a evolução dos aparelhos
leitores. A fim de ilustrar essa evolução, a seguir elencamos alguns fatos significativos
sobre e-books e dispositivos de leitura de acordo com sua importância histórica e
pioneirismo (Quadro 3).
Quadro 3 - E-readers
1968

1992

1998

1998

2006

2007

2009

Dynabook: dispositivo portátil de leitura inventado pela
Sony. Possuía um teclado grande, tela em escala de cinza,
pesava 2 kg e era capaz de exibir documentos armazenados
localmente. Sua aparência influenciou o layout dos
notebooks.
BookMan Sony: pequeno dispositivo com uma unidade de
CD-ROM, memória interna e um pequeno teclado. Destinado
a consumidores, podendo ser considerado um precursor dos
PDAs existentes no final dos anos 90 e início dos anos 2000.
Rocket Ebook: primeiro e-book reader – considerado o
pioneiro. Tinha um ecrã luminoso preto e branco, com
capacidade de 16MB.
SoftBook: instrumento para negócios, convertia documentos,
manuais e documentação técnica para visualização em
campo. Aparelho sensível ao toque, com tela de LCD e
capacidade para 5.000 páginas de livros.
Sony Reader: primeiro e-reader com tecnologia de tinta
eletrônica, E-ink ou ePaper, proporcionando melhor conforto
na leitura (não reflete a luz), com bateria de longa duração. A
comercialização de e-readers e e-books intensifica-se.
Kindle da Amazon: comercializado o primeiro e-reader
com conexão com a internet. O sucesso do Kindle pode ser
atribuído à riqueza de títulos disponíveis na Amazon e na
facilidade de compra e downloads.
Nook: da Livraria Barnes &amp; Noble, é um e-reader com
tecnologia E-ink, leitura de cartão SD, tela colorida e internet
wi-fi. Os livros digitais podem ser emprestados a outros
usuários que possuam o mesmo aparelho.

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2010

2010

iPad: lançado pela da Apple, é um aparelho fino e leve, que
possui tela touchscreen, conexão Bluetooth, internet wi-fi e
3G, e apps exclusivos.
Galaxy Tab: lançado pela Samsumg, é um tablet com TV
digital, tela widescreen, formato anatômico e mais
capacidade de memória RAM.

Fonte: Assis e Samgreguio (2011); Blog Guia das Tecnologias (2010); Dalakov (2012);
Database Publishing Consultants (2011); Eknihy (2011); Kunze (2009); Mobility &amp;
Email Blog (2006); Padrini (2010); Procópio (2010); Rydlewski (2009); Vieira (2011).
Além dos aparelhos relacionados, existem alguns projetos e protótipos que
foram importantes para a evolução do livro eletrônico e merecem ser relacionados, pois
apesar de não serem tão conhecidos, contribuíram para que outros aparelhos surgissem e
fossem aprimorados a partir deles. São eles: Every Book Dedicated Reader, Sony Data
Discman, Glass Book Reader, AlphaBook, Go Reader, Q-Reader, AONEPRO Reader,
Librius - Millenium eBook, Xlibris, Cybook, eBookMan, HieBook, MyFriend, REB
1200, REB 1100. Para melhor ilustrar, a Figura 1 apresenta uma linha do tempo com os
acontecimentos que influenciaram a evolução do e-book até os dias atuais.
Figura 1 - Evolução do e-book

Fonte: Reis (2013).
Após 2010, outros aparelhos foram lançados com muitas inovações tecnológicas,
como o iPad da Apple, que já está na 5ª geração, e que em 2016 lançou o iPad Pro, com
mais capacidade de memória e melhor resolução de câmera. Atualmente, os aparelhos
estão cada vez mais modernos, possibilitando diversos recursos aos usuários. Hoje
podemos denominar de guerra dos e-books, a concorrência entre grandes as empresas
pela preferência do usuário. Destacamos que o consumidor só tem a ganhar, pois isso
beneficia-o, já que coloca a seu dispor diversas opções de aparelhos, de acordo com seu
“gosto e bolso”.
3.2 Aplicativos de Leitura
Conhecidos como softwares readers, aplicativos ou softwares de leitura são
fundamentais e indispensáveis para a realização da leitura do livro digital. Estes
softwares são desenvolvidos especificamente para a decodificação de arquivo na leitura
de documentos digitais: jornais, revistas e livros. Procópoio (2010, p. 45, grifos do
autor) esclarece que “[...] o reader é o software ou aplicativo desenvolvido para auxiliar
na leitura de livros nas telas de computadores portáteis ou de bolso [...].”. O autor relata
que são “[...] programas que podem ser instalados em computadores de mesa [PC,
Linux ou MAC], laptops, notebooks, em HanndHelds [computadores de mão, como os

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Pocketc PCs e os Palm Tops] e até em smartphones [como Nokia e o iPhone].”
(PROCÓPIO, 2010, p. 128).
Para Procópio (2010, p. 128) uma das vantagens da utilização de softwares de
leitura é que eles “[...] trazem dezenas de ferramentas que pretendem ou tentam
mimetizar o livro padrão.”. Contudo, os softwares de leitura são voláteis e modificados
conforme os lançamentos das empresas de tecnologia, que os atualizam para se
manterem neste mercado. A volatilidade contribui para que os e-books percam
interoperabilidade.
As empresas criam aplicativos de leitura específicos para seus aparelhos a fim de
obter notoriedade e diferenciação entre as concorrentes, garantir segurança contra
pirataria e chamar a atenção dos usuários com recursos diferentes. Desta forma, acirram
a competitividade com as demais empresas do ramo. Em contrapartida, a compra de
determinados aparelhos está vinculada a softwares e formatos específicos, sendo que o
usuário fica “preso” aos livros da empresa proprietária, já que o aparelho possui um
software que não é compatível com outros formatos de e-books.
O Quadro 4 apresenta alguns softwares readers mais importantes e conhecidos.
Quadro 4 - Softwares de Leitura
Readers
Adobe Digital
Editions

Empresa
Adobe
Systems

Adobe
Reader
Aldiko Book
Reader
Azardi
Calibre
eBook
Management
Epub Reader

Adobe
Systems
Google
Kovid
Goyal

FBReader
IBooks
Imaginaria

Livraria
Cultura
eReader
Kindle for PC
/ Kindle
Reader
Kobo Reader

MobiPocket
Reader

Apple
Livraria
da Vila e
Agencia
JWT
Livraria
Cultura

Descrição
Gerenciador de e-books gratuito. Permite leitura de
arquivos em ePub e pdf e compartilhamento entre
computadores e dispositivos de usuários cadastrados no
Adobe ID.
Aplicativo para leitura de arquivos digitais em formato pdf.
Aplicativo para Android que permite leitura de arquivos em
formato ePub.
Permite leitura de arquivos em formato ePub.
Software de leitura gratuito que possibilita o gerenciamento
e organização de uma biblioteca digital, sendo possível
catalogar e-books e convertê-los para o formato ePub.
Permite leitura em formato ePub no browser sem
necessidade de instalação de software adicional.
Software Opensource de leitura de ebooks para sistemas
Windows/Linux. Funciona em Android.
Possui loja virtual integrada ao ambiente de leitura.
Permite ao usuário fazer check-in em lugares citados em
livros, compartilhar o que está lendo e publicar comentários
e opiniões com amigos do Facebook e Twitter que o
utilizam.
Permite leitura de livros digitais em formato pdf e ePub.

Amazon

Lê arquivos em formato AZW.

Kobo

Disponível para iPad/iPhone/iPod Touch, possui uma
versão para PC, para leitura de livros em formato ePub. O
leitor pode compartilhar suas leituras nas redes sociais.
Lê arquivos em formato PRC utilizados em dispositivos
Palm. É compatível com diversos aparelhos de leitura como
BlackBerry.

Microsoft

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MS Reader

Microsoft

Nook

Barnes &amp;
Noble

Readers Hub
Saraiva
Digital
Reader
Stanza

Samsumg
Saraiva e
Siciliano

Aplicativo gratuito para leitura de e-books. Pode ser
utilizado em computadores de mesa e portáteis com o
sistema mobile do Windows.
Software disponível para iPhone, iPad, BlackBerry e PCs.
Possibilita que os usuários emprestem seus livros por 14
dias para outras pessoas.
Funciona no sistema operacional Android.
Aplicativo compatível com iPhone, iPod touch e iPad para
leitura de e-books em formato pdf e ePub.
Disponível para Windows, iPad, iPod touch e iPhone,
permite o download e partilha de milhares de livros.

Fonte: Adaptado de Pinheiro (201-); Procópio (2010); Tagiaroli (2010).
Atualmente, a maioria dos softwares de leitura para livros eletrônicos existentes
é gratuita, o que contribui para que o valor final do e-book ao consumidor seja mais
baixo. Alguns aplicativos são mais voláteis que outros e possibilitam a leitura de
arquivos em diversos formatos. Devido à rapidez com que surgem novos softwares de
leitura, não se pretendeu fazer um levantamento exaustivo sobre o assunto, apenas
destacar os aplicativos mais importantes e significativos.
3.3. Formatos
Existem diversos formatos de arquivos para leitura de livros digitais, alguns
específicos para e-readers, outros mais flexíveis, podendo ser utilizados tanto em
softwares para computadores de mesa, como em aparelhos portáteis. Os formatos de
arquivos, juntamente com os softwares, podem ser divididos em dois tipos: de
plataforma aberta – permitem leitura em diversos softwares e equipamentos; de
plataforma proprietária – criados exclusivamente para uso em aparelhos leitores e com
softwares específicos.
Os softwares de plataforma aberta apresentam vantagens aos usuários em
relação à plataforma proprietária, pois “Os formatos de arquivos de livros digitais mais
convergentes são quase sempre os de padrão aberto.” (PROCÓPIO, 2010, p. 146).
Destacamos o formato ePub, pois, ao que tudo indica, esse formato crescerá em número
de aplicativos e hardwares. Outra vantagem para os usuários é que ao “[...] utilizar
formatos padrões abertos para deixar à disposição livros digitais garante que o leitor não
precisa adquirir duas ou mais vezes o mesmo livro quando migrar para equipamentos de
plataformas diferentes.” (PROCÓPIO, 2010, p. 147). O autor entende que deve ser
considerado arquivo de livro eletrônico:
[...] apenas aqueles passíveis de serem lidos em softwares especiais de
leitura [os eBook Readers], com ferramentas como bookmarks,
procura, dicionários relacionados, hiperlinks etc., cujos títulos possam
ser levados em aparelhos portáteis [dedicados ou não]. (PROCÓPIO,
2010, p. 137).

É importante destacar que diversas livrarias oferecem e-books em mais de um
formato, geralmente em pdf e ePub. Normalmente, o próprio site que disponibiliza o
título, indica o software necessário para leitura do arquivo e direciona para o download.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Alguns dos formatos mais conhecidos e utilizados atualmente são o AZW, da Amazon
utilizado no Kindle, o ePub, sigla de Eletronic Publication (Publicação Eletrônica) é um
formato padrão universal e aberto, definido pela International Publishers Digital Forum
(IDPF) que também desenvolveu o OBE; LIT, da Microsoft, PDF (printable document
format), da Adobe; PRC/PDB, formatos utilizados em dispositivos Palm (TAGIAROLI,
2010; VIEGAS, 2012). Além dos formatos mencionados existem o eBook Pro, Xkml,
NetLibrary Reader, GlassBook Reader, Xmdf entre outros. A lista é extensa devido ao
crescente número de formatos que surgem. Uma pesquisa realizada por Procópio aponta
que passam de 30 tipos de formatos existentes (PROCÓPIO, 2010).
Para Procópio (2010, p. 135) “[...] um dos motivos de o livro eletrônico não ter
se tornado mais popular em menos tempo que se havia previsto é a existência de
dezenas de formatos de arquivos eletrônicos que podem conter textos.”. De fato, com a
infinidade de opções, o leitor pode ficar confuso em relação aos softwares e a sua
compatibilidade com os arquivos e o aparelho que possui. A padronização e a
normalização de seus formatos de arquivos possibilitariam sua universalização e
viabilizariam a interoperabilidade de entre e-books, além de facilitar a vida dos leitores.
Contudo, será que para as empresas detentoras do controle do comércio de ebooks seria interessante ter um único formato de arquivos? A resposta é não. Pois ao
possibilitar a compatibilidade do aparelho leitor com apenas um software de leitura e
somente com um formato de arquivo, as empresas evitam problemas relacionados à
pirataria, o que justifica o interesse em não perder esse controle. Desta forma, protegemse, garantindo a segurança do software, do aparelho e do arquivo, além de assegurar os
direitos autorais, ao controlar os sistemas de criptografia que evitam a pirataria. No
entanto, assim causam mais dificuldades aos leitores que precisam pesquisar e descobrir
qual é a melhor opção disponível conforme sua pretensão de leitura.

4 Considerações Finais
Comentando a respeito das discussões sobre a possível extinção dos livros
impressos, Tonnac (2010, p. 8) enfatiza que
[...] se o livro eletrônico terminar por se impor em detrimento do livro
impresso, há poucas razões para que seja capaz de tirá-lo de nossas
casas e de nossos hábitos. Portanto, o e-book não matará o livro –
como Gutenberg e sua genial invenção não suprimiram de um dia para
o outro o uso dos códices, nem este, o comércio dos rolos de papiros
ou volumina.

O que se observa é que não há precedentes históricos para uma ruptura tão
impactante na maneira de ler, já que as mudanças ocorridas no passado causaram
impacto, em geral, apenas no formato e no suporte, (do papiro ao pergaminho e,
posteriormente, ao papel). A maior mudança ocorreu com a passagem do livro em rolo
para o códex, mas nem por isso foi mais radical que a que vivemos atualmente.
Certamente, seus usuários devem ter tido grandes dificuldades de adaptação. Essas
mudanças na maneira de ler foram e são ocasionadas pela evolução da leitura e da
escrita que, neste caso, foi potencializada pela revolução eletrônica, que impulsiona e
desafia a nos adaptar a esses objetos novos, abrindo novas possibilidades de leitura,
facilitando o acesso à informação e permitindo, com isto, novos pensamentos e
aprendizagens.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Há de se considerar, também, que já existe muito material eletrônico em
domínio público e que universidades do mundo todo, inclusive o Brasil, hoje assinam
bases de e-books para seus usuários e que cada dia mais leitores descobrem as
funcionalidades dos livros digitais, desvendando suas preferências. Por tudo isso é
importante que bibliotecários tenham conhecimento a respeito dos livros digitais e
compreendam sua importância no contexto da sociedade informacional. Dessa forma os
serviços e produtos ofertados pela biblioteca estarão de acordo com as necessidades
informacionais dos usuários dos tempos atuais.

Referências
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta a história do livro digital ou eletrônico, definições, vantagens e desvantagens.Utiliza-se da pesquisa bibliográfica para levantar e analisar a história do livro digital, as características dos formatos, softwares e aparelhos leitores existes. Descreve a história dos aparelhos leitores e os fatos relacionados aos e  books que contribuíram para seu desenvolvimento e propagação. Este texto tem como objetivo resgatar a história do livro no formato digital englobando sua evolução em relação aos formatos e dispositivos até os dias atuais. Conclui que o livro digital proporciona mudanças na forma de ler e escrever e que essas mudanças facilitam o acesso à informação permitindo que os usuários desvendem suas preferências.</text>
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                    <text>O IMPACTO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS
Teresa Avalos Pereira (UNIFESP) - te_avalos@hotmail.com
Resumo:
O crescente uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na Educação vem
permitindo a aplicação de uma nova modalidade de ensino às pessoas: a Educação a Distância
(EaD). A Educação a Distância contribui para o avanço na área educacional, visto que o ensino
pode chegar a lugares do país nunca antes atingido. Por meio de contribuições teóricas de
estudiosos do tema, este trabalho tem como objetivo explorar as diversas formas de
experiências dessa rica modalidade de educação, incluindo o papel das Bibliotecas
Universitárias (BU) nesse contexto. O estudo mostra o número de alunos matriculados em
EaD, propõe refletir sobre o reconhecimento da EaD e coloca em discussão a necessidade que
alunos fora do campus precisarão para acessar serviços de biblioteca de uma maneira
diferente do que os estudantes tradicionais no campus. Sendo assim, a biblioteca precisa
oferecer políticas e serviços especificamente para estudantes matriculados em programas de
educação a distância.
Palavras-chave: Bibliotecas. Educação a distância. Tecnologia educacional.
superior. Projetos de Tecnologia de Informação e Comunicação
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Biblioteca universitária e EaD

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Educação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) têm transformado a maneira
como o mundo vive e pensa, dando acesso mais amplo da população a este meio, ganhando
papel de destaque em todas as modalidades de ensino. As TIC podem ser definidas como um
conjunto de tecnologias associadas com o processamento de informação, envio e recebimento
de mensagens (UNESCO, 2005). Na Educação a Distância (EaD) não é diferente. A EaD
também faz parte desse processo, pois utiliza os recursos tecnológicos para que ela aconteça.
Enquanto as tecnologias são um fator importante, os ambientes sociais em que elas
estão implementadas são igualmente importantes. As TIC não modificam o que aprendemos e
sim, o modo com aprendemos. Assim, o computador e especialmente a internet, como
ferramentas de apoio ao processo de ensino e aprendizagem, favorecem o desenvolvimento de
propostas interdisciplinares e cooperativas e estimulam uma postura investigativa em relação
ao conhecimento. (PEREIRA et al., 2016).
A EaD, surgiu da necessidade de levar informação e conhecimento ao maior número
de pessoas, em qualquer lugar e em qualquer hora. Segundo Belloni (2012), ela aparece como
uma solução e um caminho para a inovação, não apenas por responder às demandas de
democratização do acesso ao ensino, mas também por contribuir para a melhoria da qualidade
da educação.
Várias definições são dadas para Educação a Distância e, na perspectiva de Mattar
(2011), uma formulação que engloba elementos dessas definições é de que a EaD é uma
modalidade de educação, planejada por docentes ou instituições, em que os professores e
alunos estão separados fisicamente, no entanto, diversas TIC são utilizadas.
Nesse contexto, surgiu a justificativa para estudar esse tema, já que a Biblioteca
Universitária (BU) tem o compromisso de buscar excelência na área de atuação da informação
e pesquisa, promovendo e objetivando a educação de qualidade, dentro da ética e,
principalmente, tendo o estudante como personagem principal.
Os bibliotecários, interessados em divulgar o aproveitamento dessas novas tecnologias
de aprendizagem que surgem a cada dia e EaD, devem ter como meta estimular o
desenvolvimento de projetos nessa modalidade de ensino em todas as suas formas,
incentivando a prática de serviços para alunos, professores, pós-graduandos e a própria
instituição.
Nossa tarefa não é contemplar o que ninguém ainda contemplou, mas meditar sobre o
que o mundo tem diante dos olhos. Em conformidade com Lévy (2004), novas maneiras de
pensar e conviver são elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. Os
sistemas de informação e as redes de computadores estão desempenhando um papel
primordial na criação desse ambiente cooperativo e é através dessas ferramentas que se dará a
comunicação.
O presente estudo tem por objetivo, portanto, mostrar as possibilidades, procedimentos
e recomendações para o planejamento de implantação de serviços que podem ser oferecidos
aos alunos de nível superior pelas Bibliotecas Universitárias na Educação a Distância.

2 Revisão de literatura
2.1 Legislação da EaD
A Educação a Distância é algo recente no Brasil. O Decreto n.o 5.622, de 19 de
dezembro de 2005 regulamenta o art. 80 da Lei n.o 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
estabelecendo as diretrizes e bases da Educação Nacional. (BRASIL, 2005).

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O art. 2.º esclarece que a EaD pode ser ofertada para a educação superior, abrangendo
cursos e programas sequenciais, de graduação, de especialização, de mestrado e de doutorado.
O Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de Educação a Distância e da
Secretaria de Educação Superior, tem adotado uma postura de abertura para diálogos,
recebendo sugestões e refletindo sobre as questões. Apesar das limitações, verificamos na
legislação, o reconhecimento da EaD como modalidade educacional, o que minimiza as
rejeições, inclusive o uso das TIC como suporte aos cursos.
Anos depois da última regulação, os cursos superiores de ensino a distância no Brasil
tiveram diretrizes e normas de funcionamento atualizadas. O ministro da educação, Aloisio
Mercadante, homologou a resolução n.o 1, de 11 de março de 2016, do Conselho Nacional de
Educação (CNE), estabelecendo Diretrizes e Normas Nacionais para a oferta de Programas e
Cursos de Educação Superior na Modalidade a Distância:
Para os fins desta Resolução, a educação a distância é caracterizada como
modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica, nos processos de
ensino e aprendizagem, ocorre com a utilização de meios e tecnologias de
informação e comunicação, com pessoal qualificado, políticas de acesso,
acompanhamento e avaliação compatíveis, entre outros, de modo que se propicie,
ainda, maior articulação e efetiva interação e complementariedade entre a
presencialidade e a virtualidade “real”, o local e o global, a subjetividade e a
participação democrática nos processos de ensino e aprendizagem em rede,
envolvendo estudantes e profissionais da educação (professores, tutores e gestores),
que desenvolvem atividades educativas em lugares e/ou tempos diversos. (BRASIL,
2016).

Novas regras consolidaram o novo marco regulatório após intenso trabalho
envolvendo instituições como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep), a Secretaria de Educação Superior (Sesu) e a Secretaria de Regulação
(Seres). Inclusive, desde a publicação do documento, foi dado um prazo de 120 dias ao Inep e
à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para definir
parâmetros de qualidade para avaliação da EaD. A Universidade Aberta do Brasil (UAB), da
Capes, instituições públicas, privadas e comunitárias também foram participantes ativas do
processo. (PORTAL BRASIL, 2016)
A Biblioteca também foi mencionada nessa resolução:
A distinção entre polos, de que trata o parágrafo anterior, será especialmente
considerada a partir dos modelos tecnológicos e digitais adotados pela IES,
destinados ao aprendizado e descritos no PDI e PPI, compreendendo níveis
diferenciados de atividades, virtual ou eletrônica, aplicados aos processos de ensino
e aprendizagem, tipificação e natureza do acervo da biblioteca e dos equipamentos
dos laboratórios, conteúdo pedagógico, materiais didático e de apoio e interatividade
entre professores, tutores e discentes. (BRASIL, 2016).

Nesse contexto, a qualidade e validade dos programas devem ser mantidas. Para que
isso aconteça, as bibliotecas universitárias terão que fazer esforços consideráveis para ter seus
acervos e materiais de pesquisa à disposição dos seus alunos de EaD.

2.2 EaD no ambiente WEB
As contribuições advindas dos avanços tecnológicos, sem dúvida, influenciaram na
forma de pensarmos e agirmos e, como consequência, exige formação especializada,
organização do trabalho, produtividade e eficiência.

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Devem-se aproveitar os aparatos tecnológicos e estender a EaD aos mais remotos
cantos do país, pois é a tecnologia que está a serviço do homem e não o contrário.
(ALMEIDA, 2013).
Antigamente, falávamos de cursos a distância, conhecidos por Cursos por
Correspondência. Hoje, pode-se considerar que a EaD não é a distância e sim de aproximação.
No entender de Tori (2010), com um ambiente de ferramentas de tecnologias interativas:
twitter, redes colaborativas, compartilhamento, colaboração, coletivismo etc., a EaD é uma
educação que aproxima, ultrapassando fronteiras e quebrando paradigmas quanto ao
desenvolvimento de atividades mútuas, mesmo que se encontrem distante espacialmente. Os
alunos podem salvar, exportar e trabalhar configurações de um ambiente para outro; baixar,
vídeos e materiais didáticos, por exemplo.
Na educação presencial o aluno tem dia e horário para assistir às aulas. Na EaD, isso
não acontece. Os cursos podem ser totalmente online, com conteúdos que ficam na internet,
com interação do tutor, com flexibilidade de assistir quando o aluno puder, ou seja, o aluno
não perde a aula.
O estudante deve, nesse caso, administrar o seu tempo, organizar suas lições, entrega
de tarefas, enfim, dedicar-se pelo menos uma hora por dia. O autodidatismo mexe com
disciplina e traquejo de ferramentas de tecnologias, o que antes eram limitadas. O aluno vai
estudar sozinho e terá autonomia, escolherá dia, hora e lugar para estudar como bem lhe
convier.
As atividades síncronas, aquelas em que há um horário e dia certos para se conectar
com outros estudantes e o professor, ampliam o caráter social da aprendizagem, valorizam as
trocas e colaborações, favorecem a construção de valiosas comunidades virtuais, possibilitam
a interação entre alunos e tutores, através de chats, ferramentas de voz, como Skype, MSN,
hangout, videoconferência etc.
Nas atividades assíncronas, por outro lado, o aluno não tem uma disciplina tão rígida,
pois essas atividades podem ser feitas a qualquer hora. O acesso aos fóruns, mensagens,
glossário, diário etc. O material estará lá no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA),
como por exemplo, o Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment),
para o aluno acessar, estudar ou fazer exercícios no seu momento mais oportuno.
O avanço foi muito expressivo principalmente no que se refere às tecnologias móveis,
como celulares, smartphones, notebooks e modem 3G e 4G. Existem inúmeras ferramentas
utilizadas para canais de comunicação e/ou compartilhamento de materiais e, como o
Facebook, WhatsApp, Google Drive, Dropbox, YouTube, dentre outros. Isso posto, não é a
tecnologia que vai ajudar a romper com os modos tradicionais de se educar, e sim, a forma
como ela é utilizada.
Quando se pensa em montar qualquer curso, precisamos pensar no modelo, objetivo,
público alvo, cidadania digital e o quanto de tecnologia se vai colocar nisso. Esse conceito foi
batizado de tecnopedagogia, o que vai muito além de usar somente a pedagogia, e sim,
colocar a técnica. Nesse processo, a biblioteca universitária é considerada uma extensão da
sala de aula, o celeiro de novas tecnologias, devendo oferecer experiência multimídia,
tornando acessíveis seus recursos onde e quando necessários, para um número cada vez maior
de usuários online.

2.3 Serviços oferecidos pela Biblioteca Universitária aos alunos de EaD
A biblioteca universitária, em vista do exposto, deve dar condições de acesso online
dos serviços da Biblioteca para alunos de educação a distância. Para permitir o contato entre o
tutor e o aluno, por exemplo, precisa ter espaços físicos disponíveis e horários para
atendimento personalizado na Biblioteca. Salas de estudos individuais e em grupo,

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laboratórios, computadores, vídeos e outros recursos, postos à disposição na sede ou nos polos
descentralizados, conforme Censo EAD (2014), possibilitarão ao aluno que pode frequentar
esses espaços oportunidades de maior aproveitamento.
Algumas sugestões de implementação de serviços que a Biblioteca Universitária pode
dispor estão listadas a seguir. Em primeiro lugar, o aluno de EaD deve se cadastrar, preencher
o formulário com os dados, e-mail, matrícula etc. Entrando no site, na página principal, o
aluno terá informações recentes, links de acesso de consulta ao acervo, ícones e atalhos, tais
como:
 Lista de serviços, regulamento e disposição interna da biblioteca;
 Tutoriais que orientam como utilizar recursos digitais e serviços da biblioteca;
 Levantamento bibliográfico manual e automatizado – pesquisa em bases de dados de
artigos em revistas científicas;
 Auxílio à pesquisa – uma equipe de referência da biblioteca deve estar preparada para
responder perguntas e orientar o aluno para os recursos de que ele precisa, através de
e-mail, chat ou telefone.
 O estudante pode solicitar a assistência de quaisquer outros assuntos ou dificuldades;
 Serviço de comutação – artigos solicitados às bibliotecas nacionais e internacionais;
 Visitas orientadas – bibliotecas do sistema e seus acervos;
 Solicitação virtual de empréstimo do material bibliográfico – existem bibliotecas que
dispõem do serviço de entrega domiciliar. Neste caso, o aluno poderia usar um
formulário próprio, informando que é estudante de EaD;
 Empréstimo entre bibliotecas – quando a biblioteca não possui o material de interesse;
 Devolução de livros – autoatendimento, usando código de barra e/ou etiqueta de
identificação;
 Renovação e reserva de livros – pode ser feito online;
 Sugerir um título – o aluno pode sugerir a compra de um livro que não faz parte da
coleção, usando o espaço “Sugerir um Título” no portal da biblioteca;
 Acesso a artigos de jornal – artigos de periódicos, texto completo, e-books etc. na
coleção das bibliotecas devem estar disponíveis para os usuários da biblioteca fora do
campus. Oferecer suporte para acesso remoto a recursos eletrônicos;
 Acesso a outras bibliotecas – serviços de biblioteca de outros campi podem ser
fundamentais para o sucesso do estudante de EaD, adotando tantas seções quanto
forem necessárias à fundamentação do tema e do problema abordados;
 Orientações de como fazer os trabalhos acadêmicos – normalização bibliográfica de
dissertações, teses e artigos;
 Informação sempre! – alertas, boletins e notícias no portal da biblioteca;
 Promoção de eventos – palestras, exposições, apresentações etc.;
 Treinamento e capacitação – habilitar usuários na utilização das fontes de informação
em formato eletrônico, disponibilizadas para a comunidade acadêmica;
 Serviço de atendimento ao pesquisador (SAP) – se o aluno tiver alguma dúvida sobre
os serviços, pesquisa e recursos, pede-se para enviar e-mail ao setor responsável, ou
colocar sua questão em um link “Pergunte-nos!”, por exemplo.
A Secretaria de Educação a Distância apresenta um documento intitulado “Referenciais de
qualidade para Educação Superior a Distância”, para subsidiar atos legais referentes aos
processos de regulação, supervisão e avaliação da EaD. Orienta sobre instalações físicas da
Biblioteca; acervo atualizado, amplo e compatível com as disciplinas dos cursos ofertados;
materiais disponibilizados em diferentes mídias, sobre os profissionais de apoio presencial,

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atendimento a estudantes usuários, tutores e professores; salas disponíveis para estudo
individual e em grupo; acesso à internet. Enfim, os desafios são grandes, mas é fundamental e
urgente que as Bibliotecas Universitárias e Instituições de Ensino Superior em EaD se
atualizem para essa nova modalidade de ensino. (BRASIL, 2007).

3 Materiais e métodos
Os caminhos metodológicos utilizados neste trabalho foram:
 Formulação do problema ou lacuna: o que as Bibliotecas Universitárias podem
oferecer aos alunos de EaD, para dar suporte a essa nova modalidade de Ensino.
 Tipo de pesquisa quanto ao objetivo: estudo descritivo, exploratório;
 Levantamento bibliográfico: revisão da literatura e pesquisa documental em livros e
artigos (físicos e na internet), realizados por outros pesquisadores;
 Estratégia de busca: utilizaram-se as palavras-chave: “Educação a Distância” e
“Bibliotecas Universitárias”;
 Quanto à forma de abordagem: pesquisa qualitativa-quantitativa;
 Delineamento da pesquisa: trabalhos voltados à implantação de serviços no tocante ao
melhor atendimento de estudantes de Educação a Distância;
 Coleta de dados: buscou-se a história e legislação da EaD, pesquisou-se em sites do
Ministério da Educação, trabalhos de educadores e filósofos, dados da ABED
(Associação Brasileira de Educação a Distância). Elencaram-se também os serviços e
produtos que podem ser oferecidos pelas Bibliotecas Universitárias;
 Análise e interpretação dos dados: generalizar hipóteses e soluções para futuros
estudos.

4 Resultados parciais/finais
Dados do Censo da Educação Superior, realizados e divulgados pelo Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep (2014) demonstram
que:
 Com um aumento de 18%, os centros universitários apresentaram o maior crescimento
percentual em 2014 entre todas as organizações acadêmicas quando se compara com
2013;
 Os centros universitários também tiveram o maior crescimento em termos percentuais
no período de 2003 a 2014;
 53,2% das matrículas estão nas Universidades; 28,6% nas Faculdades; e 16,5% nos
Centros Universitários;
O número de alunos na modalidade a distância continua crescendo, atingindo 1,34 milhão
em 2014, o que já representa uma participação de 17,1% do total de matrículas da educação
superior:
 O número de matrículas em cursos de graduação presenciais cresceu 5,4% entre 2013
e 2014; na modalidade a distância, o aumento foi de 16,3%;
 As matrículas de cursos a distância tiveram o maior crescimento percentual registrado
nas Universidades (17,8%).

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 O número de concluintes, número de cursos e matrículas nos cursos de graduação
presenciais e a distância. (Tabela 1)
Tabela 1. Número de Concluintes, Número de Cursos e Matrículas nos Cursos de Graduação Presenciais e
a Distância - 2014

Concluintes
Graduação Graduação a
Presencial
Distância
336.215
189.788

Cursos
Graduação Graduação a
Presencial
Distância
11.858
1.365

Matrículas
Graduação Graduação a
Presencial
Distância
2.633.527
1.341.842

Nas Universidades Públicas tivemos um crescimento de 7,5% do ensino presencial e
2,1% no ensino a distância. Na graduação a distância, o Censo contabilizou 1,2 milhão de
matrículas apenas nas instituições privadas em 2014, aumento de 20,36% na comparação com
2013. Considerando também as Universidades Públicas, a EAD chegou a 1,3 milhão de
alunos, aumento de 16,32%, ante o ano de 2013.
O ritmo de crescimento do EAD em 2014 foi o maior em cinco anos. Depois de uma
forte aceleração nos anos entre 2007 e 2009, o ensino a distância vinha desacelerando e
chegou a registrar crescimento de 7,2% nas matrículas em 2013. (INEP, 2014).
De acordo com o SEMESP (2005), em sua 5ª. Edição do Mapa do Ensino Superior no
Brasil, o número de Instituições de Ensino Superior (IES) no Brasil esteve em constante
ascensão nos últimos 13 anos, com um crescimento total de 102,6%, sendo 108,2% nas IES
privadas e 71% nas públicas.
Em 2013, o setor da educação de nível superior decresceu cerca de 1% totalizando
2.391 instituições: 2.090 IES privadas e 301 públicas. A evolução das matrículas de nível
superior a distância registrou de 2009 e 2013, um crescimento de 37,5% - sendo um aumento
de 50% na rede privada e uma queda de 10,5% na pública (CENSO ABED, 2014).
No período de 2012 a 2013, o crescimento na rede privada alcançou 7,2% (932 mil
matrículas para 999 mil). No entanto, na rede pública ocorreu uma queda acentuada de 14,9%
nas matrículas (eram 182 mil matrículas em 2012 e chegou a 155 mil em 2013).
O número de alunos em cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) chegou a 220
mil em 2013, com um crescimento considerável de 8%, em relação a 2012. A maioria dos
alunos está cursando mestrado (60%).
No entender de Moran (2012), tanto em curso presencial quanto um a distância de
qualidade possuem os mesmos ingredientes: ambos dependem, em primeiro lugar, de
educadores maduros, intelectual e emocionalmente, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas,
que saibam motivar e dialogar. O grande educador atrai não só pelas suas ideias, mas pelo
contato pessoal. Alunos curiosos e motivados facilitam o processo, estimulam as qualidades
do professor, tornam-se interlocutores lúcidos e parceiros de caminhada do professoreducador.
Para termos cursos presenciais ou a distância de boa qualidade, é necessário termos
administradores, diretores e coordenadores que entendam as dimensões em que estão
envolvidos no processo pedagógico; que apoiemos professores inovadores, que equilibrem o
gerenciamento empresarial, o tecnológico e o humano, contribuindo para que haja um
ambiente de maior inovação, intercâmbio e comunicação. Um bom curso a distância não
depende de ambientes ricos de aprendizagem, e sim de ter material apropriado, professores
com conhecimento das tecnologias que serão utilizadas, uma boa infraestrutura física, salas,
bibliotecas informatizadas e bibliotecários capacitados.
No intuito de dar maior visibilidade à comunidade acadêmica, é preciso que haja
formação e treinamento de bibliotecários e outros funcionários envolvidos; oferecer formas
mais dinâmicas; abordagens caracterizadas por maior abertura; participação e colaboração de

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uma comunidade universitária mais interativa, para desenvolver capacidades necessárias aos
alunos na aquisição de novas competências.

5 Considerações parciais/finais
Mesmo que a educação a distância tenha uma história longa e diversificada, nos
últimos dez a quinze anos tem sido completamente transformada pelo surgimento da
tecnologia baseada na Web. Esta tecnologia tem tido um enorme impacto sobre todos os
aspectos da educação a distância.
Além de mudanças palpáveis nos processos de ensino e aprendizagem, biblioteca e
outros serviços de apoio também estão sendo desafiados por mudança. Este levantamento de
questões e possibilidades irá fornecer uma análise do impacto da tecnologia da Web em EaD,
bem como o seu impacto sobre o papel dos serviços de biblioteca para alunos a distância.
Os diversos serviços da BU devem ser acessados facilmente. Referência, circulação,
recursos de informação e instrução. É importante capacitar bibliotecários e técnicoadministrativos, pois, de acordo com Cooke (2005), só porque uma instituição oferece cursos
a distância não significa necessariamente que a sua biblioteca oferece uma gama completa de
serviços da Web para atender às necessidades dos alunos. Além disso, põe em séria questão se
algumas instituições estão fornecendo cursos de EaD, sem abordar adequadamente as
necessidades da biblioteca que dará suporte a eles.
Esta discussão tem que ser precedida pela constatação de que é inteiramente possível
fazer educação a distância (EAD) como profissional, sem ter uma atitude “científica”, isto é,
sem se preocupar com uma preparação sistemática e exaustiva no seu trabalho, sem a
manutenção de registros analíticos quantitativos e qualitativos das operações, e sem a
elaboração de relatórios finais que deixam bem claro o que funciona e não funciona e o
porquê. Não é possível atingir e manter um nível de qualidade por muito tempo porque a
improvisação constante, a comunicação oral precária e a dificuldade em poder comparar
dados (devido a não sistematização), não permitirão uma compreensão segura do processo, ou
sua evolução de forma sustentável.
Concluiu-se que há uma necessidade urgente para a EaD ser mais bem reconhecida e
apoiada, a fim de melhorar a qualidade de aprendizagem. Por isso, vários modelos/soluções
que podem ser implementadas, tanto no curto quanto em longo prazo, são propostos aqui, a
fim de fornecer soluções para a falta atual de serviços de informação aos estudantes de EaD,
pelas bibliotecas acadêmicas.
Como esta tendência continua a impactar a comunidade acadêmica em geral, haverá
mais oportunidades para as bibliotecas se envolverem em discussões sobre formas eficientes
para tornar o acesso prioritário para o longo prazo. O desafio é grande e o papel do
bibliotecário é de ser mediador da informação, aliando o uso das novas tecnologias para
melhor satisfazer estudantes presenciais e de Educação a distância, professores e
pesquisadores.

6 Referências
ALMEIDA, Marcus Garcia de; FREITAS, Maria do Carmo Duarte (organizadores). A Escola
no Século XXI - Volume 3: Virtualização das Relações: um desafio da gestão escolar:
paradigmas contemporâneos. Rio de Janeiro, Brasport, 2013 (Série: A escola do século XXI;
v.3).
BELLONI, Maria Luiza. Educação à distância e mídia-educação: da modalidade ao
método. Campinas: Autores Associados, 2001.

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BRASIL. Ministério da Educação. Decreto n. 5.622 de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta
o Art. 80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 2005. Disponível em:
&lt;http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/portarias/dec5.622.pdf&gt;. Acesso em: 1 mar. 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
(INEP). Censo da Educação Superior: 2014. Disponível em:
&lt;http://portal.inep.gov.br/web/censo-da-educacao-superior&gt;. Acesso em: 10 abr. 2016.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Ministério da
Educação. Resolução n. 1, de 11 de março de 2016. Estabelece Diretrizes e Normas Nacionais
para a Oferta de Programas e Cursos de Educação Superior na Modalidade a Distância.
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2016. Disponível em:
&lt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=35541res-cne-ces-001-14032016-pdf&amp;category_slug=marco-2016-pdf&amp;Itemid=30192&gt;. Acesso
em: 22 jun. 2016.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Referenciais de
qualidade para educação superior a distância. 2007. Disponível em:
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COOKE, Nicole A. The Role of Libraries in Web-Based Distance Education: an account and
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LÉVY, Pierre. As Tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da
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MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos; BEHRENS, Marilda. Novas tecnologias e
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O crescente uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na Educação vem permitindo a aplicação de uma nova modalidade de ensino às pessoas: a Educação a Distância (EaD). A Educação a Distância contribui para o avanço na área educacional, visto que o ensino pode chegar a lugares do país nunca antes atingido. Por meio de contribuições teóricas de estudiosos do tema, este trabalho tem como objetivo explorar as diversas formas de experiências dessa rica modalidade de educação, incluindo o papel das Bibliotecas Universitárias (BU) nesse contexto. O estudo mostra o número de alunos matriculados em EaD, propõe refletir sobre o reconhecimento da EaD e coloca em discussão a necessidade que alunos fora do campus precisarão para acessar serviços de biblioteca de uma maneira diferente do que os estudantes tradicionais no campus. Sendo assim, a biblioteca precisa oferecer políticas e serviços especificamente para estudantes matriculados em programas de educação a distância.</text>
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                    <text>O estudo do usuário e a aplicação de estratégias do marketing em
Bibliotecas Universitárias
Debora Cristina Bonfim Aquarone (ESPM) - deborabonfim@espm.br
Maria Daniela da Silva (ESPM) - daniela@espm.br
Resumo:
O presente artigo visa contribuir com as discussões existentes a respeito do marketing em
bibliotecas e relacioná-lo aos estudos de usuários, traçando paralelos com a pesquisa de
marketing. Considera também a importância da colaboração da Biblioteca Universitária na
fidelização de clientes da instituição em que atua, bem como apresenta os resultados obtidos
na pesquisa realizada pela Biblioteca ESPM SP. A coleta de dados foi feita por meio de
pesquisa quantitativa on-line. A análise dos resultados indicou quais serviços são os mais
utilizados, os que necessitam de ajustes e ampliação de divulgação, além de aferir a satisfação
dos usuários em relação à Biblioteca.
Palavras-chave: Marketing de serviços; Estudo do usuário; Marketing em bibliotecas;
Biblioteca universitária; ESPM
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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�1

O ESTUDO DO USUÁRIO E A APLICAÇÃO DE ESTRATÉGIAS DO
MARKETING EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Caroline Daniela dos Santos*
Debora Cristina Bonfim Aquarone
Maria Daniela da Silva***

RESUMO
O presente artigo visa contribuir com as discussões existentes a respeito do marketing em
bibliotecas e relacioná-lo aos estudos de usuários, traçando paralelos com a pesquisa de
marketing. Considera também a importância da colaboração da Biblioteca Universitária na
fidelização de clientes da instituição em que atua, bem como apresenta os resultados obtidos
na pesquisa realizada pela Biblioteca ESPM SP. A coleta de dados foi feita por meio de
pesquisa quantitativa on-line. A análise dos resultados indicou quais serviços são os mais
utilizados, os que necessitam de ajustes e ampliação de divulgação, além de aferir a satisfação
dos usuários em relação à Biblioteca.
Palavras-chave: Marketing de serviços; Estudo do usuário; Marketing em bibliotecas;
Biblioteca universitária; ESPM.

1 INTRODUÇÃO
A Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) nasceu em 1951, por meio de um
projeto de Rodolfo Lima Martensen, atendendo a um convite do Museu de Arte de São Paulo
(MASP), com o nome de Escola de Propaganda do MASP, ocupou, inicialmente, uma sala do
museu.
Com o slogan “Ensina quem faz”, a escola reunia profissionais do mercado para ministrar seu
curso livre; e mantém até o presente a filosofia de sempre associar teoria e prática, que hoje
caracteriza a maioria dos cursos superiores.
Em maio de 1979, já com o nome Escola Superior de Propaganda e Marketing, a Biblioteca
da ESPM da unidade São Paulo recebia o seu registro no Ministério da Educação, na
categoria especializada.
A Biblioteca da ESPM SP com as bibliotecas das unidades ESPM SUL e ESPM RIO formam
o Sistema de Bibliotecas ESPM (SBE). Além das responsabilidades inerentes a uma

*Tecnóloga em Gestão de Eventos, Bacharel em Biblioteconomia, Auxiliar de Biblioteca da Biblioteca da ESPM
SP.


Bacharel em Comunicação Social, Bacharel em Biblioteconomia, Especialista em Gestão da Informação
Digital, Bibliotecária Sênior responsável pela Biblioteca da ESPM SP.
***

Bacharel em Biblioteconomia, Bibliotecária Junior, responsável pela equipe de Atendimento da Biblioteca da
ESPM SP.

�2

Biblioteca Universitária especializada é esperado pela instituição que a Biblioteca seja
também referência na entrega de produtos, serviços e no relacionamento com o cliente, afinal
é o suporte acadêmico de uma instituição reconhecida no mercado como centro de excelência
no ensino da Comunicação, Marketing e Gestão.
A ESPM vem implantando novos métodos de gestão participativa e modernização das
estruturas operacionais, com o objetivo de melhorar ainda mais o nível de ensino e serviços
em todas as unidades da instituição.
Nesse contexto, a Biblioteca vislumbrou a oportunidade e momento adequado, em sintonia
com a estratégia da instituição, para dar continuidade ao processo de revisão e avaliação de
seus produtos e serviços iniciado em 2012.
Essa revisão contou com a participação de uma consultoria externa e foi apoiada pela direção
da Escola. Alguns serviços passaram a ser realizados por departamentos especializados, como
por exemplo, o processo de compra de itens para o acervo e outros foram descontinuados sem
que houvesse perdas significativas. Além disso, foi possível adequar as atividades às
competências dos funcionários e melhorar a oferta de serviços que atendessem as demandas
de estudantes e professores.
As bibliotecas universitárias no século 21 estão em processo de mudança impulsionadas pelo
rápido crescimento tecnológico e o exponencial crescimento da informação. Por isso,
precisam repensar seus modelos, espaços, coleções, serviços, papéis e responsabilidades de
seus profissionais. A Biblioteca Universitária desse século firma-se como gestora do
conhecimento e disseminadora da informação visando realizar atendimentos específicos
apoiando às atividades de ensino, pesquisa e extensão, dando ênfase ao desenvolvimento da
ciência, educação e cultura e passa a exigir que seus profissionais sejam curadores, editores,
autores, instrutores e especialistas em informação, trabalhando no sentido de desenvolver
habilidades de literacia bem como competências informacionais e aprendizagem
independente. A Biblioteca Universitária começa a deslocar-se do seu lugar de "suporte
acadêmico" para ser coadjuvante no processo de aprendizagem.
Nessa perspectiva, esse artigo pretende discursar sobre a importância do marketing em
bibliotecas e apresentar resultados do estudo aplicado pela Biblioteca ESPM SP em 2015,
com o intuito de avaliar o grau de satisfação, preferências e opiniões com relação ao
atendimento prestado, produtos e serviços oferecidos e instalações físicas.

2 MARKETING EM BIBLIOTECAS
Marketing em unidades de informação é um assunto ainda pouco abordado na literatura da
biblioteconomia, pois a maior parte das bibliotecas limita-se em satisfazer as necessidades dos
usuários que a procuram. De acordo com Amaral (2008), o conceito de marketing em
bibliotecas e unidades de informação ainda é fortemente rejeitado pelos profissionais da
biblioteconomia. Essa rejeição está diretamente relacionada à formação acadêmica que os
bibliotecários recebem no país, que há pouco tempo passa a contemplar o marketing como
uma de suas disciplinas. “Pode-se dizer que uma das marcas da Biblioteconomia é ter, desde
seus primórdios, uma grande preocupação com os usuários” (ARAÚJO, 2014, p. 28). No
Brasil, no entanto, a formação dos profissionais da biblioteconomia, segue o modelo norteamericano, onde as técnicas biblioteconômicas são dominantes. Priorizar a técnica no ensino

�3

da profissão reflete na sociedade como falta de prática em compreender as necessidades do
usuário. No caso das bibliotecas universitárias, soma-se o fator histórico que as primeiras
universidades surgiram na Idade Média, época em que as bibliotecas, instaladas em mosteiros,
tinham como objetivo exclusivo, a preservação de documentos.
Nas palavras de Cunha e Cavalcanti (2008, p. 53), a Biblioteca Universitária é aquela que “é
mantida por uma instituição de ensino superior e que atende às necessidades de informação
dos corpos docente, discente e administrativo, tanto para apoiar as atividades de ensino,
quanto de pesquisa e extensão”. Essa definição parece encerrar uma delimitação de atuação,
ou seja, não fica claro que a Biblioteca Universitária possa explorar seu acervo, produtos e
serviços de forma a conquistar e fidelizar seu público já que essa função é abarcada pelo
Departamento de Marketing da Instituição em conquistar e reter ou fidelizar estudantes.
O verbo fidelizar (vocábulo que já se encontra no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
faz parte do vocabulário especializado do Marketing e significa tornar um cliente fiel a um
produto ou marca. O principal objetivo da fidelização é reter os clientes, evitando que migrem
para a concorrência e aumentar o valor dos negócios que eles proporcionam. As empresas
desejam clientes fiéis para obter vantagens financeiras.
No caso da Biblioteca poder-se-ia traduzir essa fidelização como a certeza que o usuário tem
de que será bem atendido e de que encontrará o que busca. A fidelidade não se compra. A
fidelidade é conquistada através de atitudes que transmitam confiança, respeito, cuidado e
atenção com o outro. Esse é um processo contínuo de conquista da lealdade porque nenhum
cliente é fiel de vez em quando - nem para sempre. E por que fidelizar?
Segundo Kotler e Keller (2012), conquistar novos clientes custa entre 5 a 7 vezes mais do que
manter os já existentes. Então, o esforço na retenção de clientes é, antes de tudo, um
investimento. E Fournier e Mick1 (1999, apud LOVELOCK; WIRTZ; HEMZO, 2011, p. 69)
afirmam que a
satisfação do cliente é crucial para o conceito de marketing[...]. Agora é comum
encontrar declarações de missão elaboradas em torno da noção de satisfação, planos
de marketing e programas de incentivo que visam à satisfação como meta e
comunicações dirigidas a consumidores que proclamam o recebimento de prêmios
por realizações relativas ao nível de satisfação obtido do mercado.

O marketing na sociedade atual envolve identificação e satisfação das necessidades humanas
e sociais, pode ser formal ou informal, de acordo com Kotler e Keller (2012). Um bom
marketing é resultado de um processo de planejamento e execução, utiliza-se das mais
avançadas técnicas e ferramentas disponíveis, entre elas a pesquisa de marketing, com
finalidade de reunir informações que permitam mapear o perfil do cliente, focando em seus
hábitos, necessidades e demandas, a pesquisa de marketing.
A pesquisa de marketing capacita a organização a obter informações para reduzir os riscos da
tomada de decisão, bem como conhecer seus consumidores reais e potenciais e permite a
organização compreender o comportamento do consumidor. Pode ser considerada como um
instrumento de orientação para as ações de marketing de uma organização, pois estimula a dar
um maior foco ao cliente ou consumidor. É importante que a empresa realize pesquisas de
1

FOURNIER, Susane; MICK, David Glen. Rediscovering satisfaction. Journal of marketing, n. 63, out. 1999,
p. 5-23.

�4

marketing frequentemente com o intuito de detectar e corrigir, rapidamente, falhas que
possam comprometer a confiança do consumidor na marca.
O objetivo da pesquisa de marketing é conhecer e entender o cliente a ponto do produto ou
serviço possa se adequar a ele e vender-se sozinho. Essa definição nos remete à necessidade
de realizar o marketing em bibliotecas e assim como o marketing possui a pesquisa de
marketing como ferramenta para conhecer seu cliente, as bibliotecas devem aplicar estudos do
usuário para conhecê-lo a ponto de adequarem seus serviços e produtos às suas necessidades,
demandas e desejos.
A pesquisa de marketing e o estudo de usuário possuem pontos comuns, como o
planejamento, metodologias, aplicações e avaliação dos resultados, divergindo apenas no
ambiente em que são realizados: unidades de informação e mercados.
Atualmente, as unidades de informação necessitam compreender as mudanças de hábitos e
comportamentos de seus usuários mediante as tecnologias de comunicação e informação, que
se atualizam com frequência. Nesse contexto, as bibliotecas devem, cada vez mais, conhecer
seu usuário, seus hábitos e quais informações eles necessitam.
De acordo com Figueiredo (1994), os estudos de usuários são investigações realizadas para
saber se as necessidades de informação dos usuários de bibliotecas ou centros de informação
estão sendo satisfeitas adequadamente, bem como são utilizados para verificar para quais fins
os usuários usam informação e quais fatores afetam seu uso. Ainda de acordo com a autora,
esses estudos são canais de comunicação que se abrem entre a unidade de informação e a
comunidade a qual ela serve, permitindo a previsão da demanda ou mudanças necessárias.
Os estudos de usuários são aplicados também com o intuito de:
a) conhecer os hábitos e as necessidades de informação dos usuários: como fonte
para o planejamento da unidade de informação, voltada às necessidades e informa de
acordo com a necessidade de informação das comunidades de usuários a quem ela
atende;
b) avaliar os recursos das unidades de informação: busca conhecer o grau
utilização de cada um dos recursos existentes na unidade de informação para que
não sejam adquiridos documentos e nem sejam mantidos serviços não utilizados ou
cuja procura inexista;
c) medir a eficácia das unidades de informação: a partir do Estudo de Usuário, é
possível determinar como estão se cumprindo os objetivos da unidade;
d) adequar o espaço: as preferências dos usuários pelo uso de determinado espaço
devem ser levadas em conta no planejamento dos ambientes da unidade de
informação. Estes necessitam ser pensados de modo que possam sofrer modificações
no futuro, ou seja, devem ser flexíveis;
e) conhecer as necessidades da comunidade cientifica próxima: o que permite
disponibilizar informações atualizadas sobre os temas de pesquisa a elas pertinentes
e evitar duplicidades nas pesquisas;
f) segmentar mercado: para realizar programas específicos para grupos
específicos. (SANZ CASADO2, 1994 apud ROZADOS; PIFFER, 2009, p. 175).

Essas pesquisas podem colaborar também na implementação de adaptações e divulgação
efetiva dos serviços e produtos, pois permitem verificar quais deles são mais e menos
utilizados e/ou conhecidos, como são conhecidos e por quais categorias de usuários. Segundo
2

SANZ CASADO, Elias. Manual de estúdios de usuários. Madri: Fundación Germán Sanchez Ruipérez, 1994.

�5

Figueiredo (1994), os serviços de informação atendem às demandas corriqueiras dos usuários
mais frequentes, favorecendo-os em relação aos menos assíduos ou aos não-usuários.
Diversos fatores podem levar a subutilização de um produto ou serviço de informação.
Luban3 (1971 apud FIGUEIREDO 1994, p. 43), fez uma analogia com um não-consumidor e
assim definiu um não-usuário de um serviço de informação:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)
i)
j)

não conhece o seu produto;
não pode encontrar o seu produto;
não precisa do seu produto;
não entende o que o seu produto pode fazer por ele;
não espera bom serviço;
tem problema com o seu produto;
não conhece a sua marca;
não confia na sua marca;
pensa que o valor do seu produto não é competitivo;
simplesmente prefere outro produto competitivo.

Em pesquisa realizada em 2014 por Sueli Angelica do Amaral, Murilo Bastos da Cunha e
Edmundo Brandão Dantas, para o livro “Manual de estudo de usuários da informação”, na
base de dados Library and Information Science Abstracts (LISA), foram encontrados 12.000
registros utilizando a expressão user study, em todos os idiomas indexados pela base, no
período de 1970 a 2013, o que nos leva a compreender que o estudo de usuários é
expressivamente estudado pela biblioteconomia. Com a pesquisa, pode-se verificar também
que a literatura sobre o tema cresceu quantitativamente a cada década e a maioria dos
registros encontrados estão em inglês, enquanto a mesma busca na base de dados, refinada
pela língua portuguesa, levantou 262 documentos, durante o mesmo período. (CUNHA;
AMARAL; DANTAS, 2015).
É possível relacionar o aumento das pesquisas sobre o estudo do usuário à necessidade dos
bibliotecários compreenderem que além de necessidade, os usuários possuem desejos e entre
esses conceitos existe uma linha tênue.
Na ciência da informação, tenta-se diferenciar as necessidades, os desejos, as demandas, o uso
e os requisitos, conforme definição abaixo:
Desejo é o que o indivíduo gostaria de ter se o desejo for ou não realmente traduzido
em uma demanda a uma Biblioteca. O indivíduo pode necessitar de um item que ele
não deseja ou desejar um item que ele não necessita ou mesmo não deveria ter. Um
desejo, como uma necessidade, é uma demanda em potencial.
Demanda é o que indivíduo pede; mas precisamente, um pedido para um item de
informação que o indivíduo acredita desejar (quando satisfeita, a demanda pode
provar ou não ser um desejo depois de tudo). O indivíduo pode demandar
informação de que ele não necessita e, certamente, pode ter necessidade e desejo por
informação de que ele não demanda. A demanda é parcialmente dependente da
expectativa, que, por sua vez, depende parcialmente da provisão de uma Biblioteca
ou dos serviços de informação para satisfazê-la. Uma demanda é um uso em
potencial.
Uso é o que o indivíduo realmente utiliza. Um uso pode ser uma demanda satisfeita,
ou pode ser resultado de uma leitura casual (browsing) ou ocasional (por exemplo,
de uma conversa). A informação é reconhecida como uma necessidade ou um desejo
3

LUBANS, Jr. J. Non-use of academic library. College &amp; Research Libraries, v. 32, n. 5, sept. 1972, p. 62-66.

�6

quando recebida pelo indivíduo, apesar de não ter sido manifestada como uma
demanda. Os indivíduos pode utilizar somente o que está disponível, portanto, o uso
é fortemente dependente da provisão e acessibilidade da Biblioteca e dos serviços de
informação. Geralmente, o uso representa uma necessidade de algum tipo, apesar de
uma necessidade poder estar em conflito com outra (da mesma maneira, o uso de
heroína pode representar uma necessidade psicológica, embora seja
psicologicamente prejudicial). Usos podem ser indicadores parciais de demandas,
demandas de desejos e desejos de necessidades. A identificação torna-se
progressivamente mais difícil, desse o uso real até a identificação de uma
necessidade muitas vezes nebulosa e não articulada.
Requisito é um termo útil de ligação: pode significar o que é necessário, o que é
desejado, ou o que é demandado e pode, portanto, ser empregado para cobrir todas
as três categorias. Muitos estudos de necessidade têm sido, de fato, estudos de
requisitos. (LINE4, 1974, p. 87 apud CUNHA; AMARAL; DANTAS, 2015, p. 4).

Portanto, percebe-se muitos pontos comuns entre o estudo de usuários e a pesquisa de
marketing, evidenciando a importância do marketing na área da ciência da informação, já que,
“poderá contribuir no aprimoramento do desempenho da prestação de serviços de informação
direcionada para o atendimento e o relacionamento com os diversos públicos” (AMARAL,
2011, p. 97).
No próximo capítulo será apresentada uma análise baseada nos resultados obtidos no estudo
realizado pela Biblioteca ESPM SP.

3 ESTUDO DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECA ESPM SP
O sistema de Bibliotecas ESPM é composto pelas áreas de Gestão do acervo, Tratamento da
informação e Atendimento, sendo que essa última tem como missão o zelo pelo processo de
atendimento ao usuário, desde o entendimento de sua necessidade até seu acesso à fonte de
informação; é responsável pela circulação do material bibliográfico e a orientação na
utilização dos recursos informacionais que a Biblioteca oferece.
Lovelock, Wirtz e Hemzo (2011, p. 57), no livro “Marketing de Serviços” afirmam que as
expectativas dos clientes "se formam com base em um conjunto de diversos elementos, que
incluem serviço desejado, serviço adequado, serviço previsto e uma zona de tolerância que
fica entre os níveis de serviço desejado e adequado." O nível de compreensão que a Biblioteca
ESPM SP almejava obter com seu estudo de usuários era verificar se o serviço desejado pela
comunidade acadêmica estava sendo satisfeito.
Para realização desse projeto, a Biblioteca estudou uma população de 5% nas seguintes
categorias: funcionários administrativos, professores, estudantes de graduação e pósgraduação Stricto Sensu conforme o quadro abaixo.

4

LINE, Maurice. Draft definitions: information and libray needs, wants, demands and uses; a comment. ASLIB
Proceedings, v. 26, n. 2, 1974, p. 87.

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Quadro 1 – Universo da pesquisa

Categoria
Funcionários Administrativos
Professores
Estudantes Graduação
Estudantes Pós-Graduação (Stricto Sensu)

Quantidade
38
14
236
8

Fonte: elaborado pelos autores.

A pesquisa buscou avaliar produtos, serviços, acervo, atendimento e instalações físicas,
perguntando se o usuário conhecia (sim ou não), se utilizava (sim ou não) e se estava
satisfeito.
A coleta de dados foi feita por meio de pesquisa quantitativa on-line. Os questionários
elaborados na ferramenta de formulários do Google foram enviados aos grupos citados,
através da conta de e-mail da Biblioteca ESPM SP e foram obtidas 125 respostas no total.
Com a realização da pesquisa, pode-se observar que 25% dos entrevistados utilizam a
Biblioteca ao menos três vezes por semana e 46% utilizam semanalmente, com isso, verificase que as atualizações de comunicação da Biblioteca devem acontecer com frequência
semanal para que a média de público seja impactada.
No gráfico a seguir verifica-se quais são os serviços mais conhecidos e utilizados pelos
usuários:
Figura 1 – Gráfico de utilização dos serviços

Fonte: elaborado pelos autores.

O empréstimo de materiais, as bases de dados e bibliotecas virtuais destacam-se entre os
serviços ofertados. Pode-se atribuir isso ao fato do empréstimo ser um serviço chave de uma
Biblioteca e à ampla divulgação dos recursos virtuais que facilitam as pesquisas, otimizando
tempo e assegurando qualidade informacional, além dos treinamentos constantes sobre o uso
das bases de dados. A baixa utilização dos serviços Galeria de Imagem, ambiente on-line que
reúne imagens estáticas ou em movimento da área da Publicidade, como anúncios impressos,

��9

Essa percepção pode ser comprovada pela Comissão Própria de Avaliação – CPA da escola.
Desde 2004, a Biblioteca sempre teve notas máximas na avaliação do quesito atendimento.
Sobre as bases de dados, 70% dos entrevistados demonstram satisfação e comentam
positivamente as ofertas virtuais, entretanto, alguns selecionados apresentaram dúvidas na
utilização ou desconhecimento da oferta, o que nos leva a compreender que os treinamentos
de base de dados não estão sendo divulgados de maneira eficaz.
Tomando-se por base o questionamento sobre instalações físicas e equipamentos, 88% dos
entrevistados avaliaram como satisfatórios.
O gráfico a seguir representa a satisfação dos entrevistados em relação a diversidade de
assuntos presentes no acervo da Biblioteca ESPM SP.
Figura 3 – Gráfico de diversidade do acervo

Fonte: elaborado pelos autores.

Para 96% dos entrevistados a diversidade de assuntos no acervo está entre boa e excelente,
isso acontece devido a presença de temas além das bibliografias indicadas pelos cursos. A
pesquisa ao acervo no catálogo on-line da Biblioteca é considerada fácil por 62% dos
respondentes, enquanto 29% a considera difícil, indicando a necessidade de investimento em
treinamentos e divulgação desse serviço.
No que se refere ao sistema de penalidade por atraso na devolução, que consiste em aplicação
de multa diária e por material emprestado, 67% dos entrevistados considera como boa,
enquanto 27% acredita ser ruim ou péssima.
O gráfico a seguir demonstra como o usuário prefere contatar a Biblioteca em caso de
dúvidas:

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Figura 4 – Gráfico de informações da Biblioteca

Fonte: elaborado pelos autores.

Percebe-se que a maior parte dos entrevistados prefere o contato pessoalmente com a equipe
de atendimento o que mais uma vez demostra o alinhamento da equipe referente aos processos
de trabalho e a educação e simpatia, que por muitas vezes fideliza o cliente.
O questionário incluía uma pergunta aberta e opcional, com o objetivo de verificar quais
serviços ou produtos deveriam ser ofertados pela Biblioteca; muitas ações foram sugeridas
pelos usuários, dentre elas, eventos culturais, aumento de quantidade de itens e prazo de
empréstimo.
Rathmell5 (1974 apud LOVELOCK; WIRTZ; HEMZO, 2011, p. 19) afirma que “muitos
serviços destinam-se a criar valor durável para seus destinatários”. Nesse sentido é possível
identificar que os serviços prestados por uma Biblioteca Universitária podem e devem
conquistar o seu público, fidelizá-lo e criar um valor durável por meio da busca constante da
qualidade, adequação e atendimento às demandas.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que apesar do marketing em bibliotecas não ser amplamente divulgado e aplicado,
é de extrema importância para que os produtos e serviços ofertados cheguem ao público alvo.
Considera-se também a importância da colaboração da Biblioteca Universitária na fidelização
de clientes da instituição em que atua, identificando suas necessidades e desejos por meio do
estudo do usuário que assemelha-se às técnicas da pesquisa de Marketing.
O resultado da pesquisa do usuário da Biblioteca ESPM SP proporcionou à gestão da
Biblioteca realizar ajustes em alguns serviços a fim de atender melhor às necessidades de seus
usuários. Alguns deles já estavam em planejamento pela Biblioteca e ganharam forma após a
aplicação da pesquisa, como a continuidade do evento Caleidoscópio Cultural.

5

RATHMELL, John M. Marketing in the service sector. Cambridge, MA: Winthrop, 1974.

�11

A divulgação dos treinamentos de bases de dados, apresentações da Biblioteca e visitas
monitoradas também foi ampliada, visando alcançar toda a comunidade e desenvolver nela
habilidades informacionais a fim de realizar pesquisas em fontes confiáveis.
Outras melhorias adotadas foram o aumento da quantidade de itens a serem emprestados para
estudantes em fase de monografia, prazo de empréstimo para estudantes de pós-graduação e
ampliação de empréstimo de vídeos e games a toda comunidade acadêmica. Os livros de
exemplar único, cuja consulta é restrita à Biblioteca passaram a ser emprestados mediante
negociação de prazo de acordo com a necessidade do usuário.
Durante a elaboração desse artigo, a Biblioteca recebeu o convite do Núcleo de Práticas
Pedagógicas (NPP) para a realização de oficinas sobre a utilização de filmes em sala de aula,
propósito do boletim “Aula em Cena” criado pela Biblioteca a fim, também de divulgar o
acervo de filmes.
A oficina, destinada a professores das três unidades da ESPM, em São Paulo, Rio de Janeiro e
Porto Alegre teve como título “Aula em Cena: Como apresentar o tema da sua aula com as
lentes da 7ª arte?”. Na ocasião, a Biblioteca pode apresentar os livros do acervo que abordam
a linguagem cinematográfica e a importância do cinema como ferramenta didática bem como
o propósito em oferecer um serviço que auxilia os professores na elaboração das aulas e a
utilização de cenas – editadas pela equipe da Biblioteca – para dar suporte aos conceitos
trabalhados nas diversas disciplinas dos cursos da ESPM.
Outras sugestões seguem em estudo, como a criação de programas de benefícios progressivos
de acordo com a utilização do acervo, além do aumento do acervo para entretenimento.
Esse estudo também trouxe subsídio para a elaboração de novas ações e o fortalecimento dos
produtos e serviços que são considerados satisfatórios pelos usuários, além de oferecer
elementos para uma análise criteriosa e verificar quais formas de comunicação serão mais
efetivas para divulgar os produtos e serviços menos conhecidos.

REFERÊNCIAS
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integrada de marketing. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 18, n. 1, p. 3144, jan./abr. 2008. Disponível em: &lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/index&gt;. Acesso
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AMARAL, Sueli Angélica do. Marketing da informação: abordagem inovadora para entender
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jan./abr. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-19652011000100007&gt;.
Acesso em: 20 jan. 2016.
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. Perspectivas contemporâneas de estudos de usuários da
informação: diálogos com estudos de usuários, arquivos, bibliotecas e museus. In: CASARIN,
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2014. p. 19-43.

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CONTRIBUIDORES DA WIKIPÉDIA. Twitter. Wikipédia, a enciclopédia livre, 18 abr.
2016. Disponível em: &lt;https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Twitter&amp;oldid=45378245&gt;.
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CUNHA, Murilo Bastos da; AMARAL, Sueli Angélica do; DANTAS, Edmundo Brandão.
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INSTITUTO ANTÓNIO HOUAISS – UOL. Grande dicionário Houaiss de língua
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Minidicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.
LOVELOCK, Christopher H.; WIRTZ, Jochen; HEMZO, Miguel Angelo. Marketing de
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&lt;http://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/10387&gt;. Acesso em: 20 jan. 2016.

THE USER RESEARCH AND THE APPLICATION OF THE
MARKETING STRATEGIES IN ACADEMIC LIBRARIES
ABSTRACT
The present article seeks to contribute to the existing discussions about marketing in libraries
and relate it with the user researches, relating with the marketing research. Considering the
importance of the collaboration of the Academic library about the client loyalty in the
institution in which they operate, presenting the obtained results in the survey applied in the
Library of ESPM SP. The data collection was done through online qualitative research. The
analysis results indicated the most used services, the ones needing adjustments and
expansions about disclosures, in addition to measure the user satisfaction about the Library.
Keywords: Marketing services; User research; Marketing in libraries; Academic libraries;
ESPM.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente artigo visa contribuir com as discussões existentes a respeito do marketing em bibliotecas e relacioná-lo aos estudos de usuários, traçando paralelos com a pesquisa de marketing. Considera também a importância da colaboração da Biblioteca Universitária na fidelização de clientes da instituição em que atua, bem como apresenta os resultados obtidos na pesquisa realizada pela Biblioteca ESPM SP. A coleta de dados foi feita por meio de pesquisa quantitativa on-line. A análise dos resultados indicou quais serviços são os mais utilizados, os que necessitam de ajustes e ampliação de divulgação, além de aferir a satisfação dos usuários em relação à Biblioteca.</text>
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                    <text>O ENRIQUECIMENTO CULTURAL E SOCIAL PROMOVIDO PELA
BIBLIOTECA PARQUE DE MANGUINHOS PARA OS USUÁRIOS E A
COMUNIDADE

Monique Rodrigues dos Santos (Fiocruz) - moniquesantos86@hotmail.com
Mariana Acorse Lins de Andrade (UNIRIO) - mariacorse@hotmail.com
Resumo:
O artigo apresenta a Biblioteca Parque de Manguinhos e sua comunidade. Tem como objetivo
detectar se esse projeto trouxe algum enriquecimento cultural e social, de fato, para vida da
população, e qual o nível de satisfação que a população possui em relação à biblioteca. Seus
objetivos específicos são: identificar as transformações que ocorreram na comunidade com a
implantação da biblioteca e identificar as contribuições que a biblioteca propiciou para que
essas transformações ocorressem. Utiliza o método quali-quantitativo e as técnicas pesquisa
bibliográfica, pesquisa exploratória e questionário. Realiza estudo de usuário com a
metodologia sense-making, fazendo um levantamento da percepção dos visitantes em relação
ao atendimento de suas necessidades e benefícios proporcionados.
Palavras-chave: Biblioteca Parque de Manguinhos; Estudo de usuário; Sense-Making.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

1

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Com um projeto instigante e inovador, a Biblioteca Parque de Manguinhos sugere uma
proposta nobre e transformadora na comunidade e na vida de seus indivíduos. Este trabalho
investiga se a biblioteca atende, de forma satisfatória, as necessidades da comunidade local e
de seus arredores e quais transformações têm proporcionado.
Conforme a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, as bibliotecas parque
são bibliotecas públicas multifuncionais em áreas de risco, com acesso imediato e fácil à
informação. Ao encararem a transformação do conceito de leitura, apresentam espaços
dinâmicos que visam à construção de uma sociedade mais igualitária, aberta a todo tipo de
conhecimento (RIO DE JANEIRO, 2012, sem paginação).
Dessa forma, torna-se curioso avaliar se a proposta da biblioteca é uma realidade. A
biblioteca não possui uma missão explícita, então, por intermédio de entrevistas, dados,
contato com os bibliotecários e pesquisas realizadas, foi possível compreender sua
proposição, que é alcançar as necessidades e demandas da comunidade, não somente por meio
da leitura, mas por todo um processo no âmbito cultural e recreativo, objetivando a inclusão
social e o acesso à informação.
As bibliotecas estão propondo uma mudança de paradigmas no acesso à informação,
deixando de ser um local convencional, silencioso, para se tornarem um espaço informacional
com múltiplos formatos. Bibliotecas públicas só têm significado se contribuírem para
enriquecer a vida do usuário. É a partir dessa premissa que foram desenvolvidos o projeto das
Bibliotecas Parque, vinculadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)1 (RIO DE
JANEIRO, 2012, sem paginação).
Neste contexto, é fundamental que se observe se a biblioteca cumpre sua função e qual
seu impacto para a comunidade. Portanto, é necessário realizar um estudo que proporcione a
compreensão dos benefícios gerados para a comunidade. E, a partir daí, surge a ideia de
analisar a percepção dos usuários e da comunidade para analisar a relação existente entre eles
(usuários e comunidade) e a biblioteca.
Para que seja possível realizar esse trabalho, foi realizada uma entrevista dirigida com
perguntas objetivas para os usuários e para os moradores da comunidade, buscando assim,
observar e perceber se a implantação da biblioteca acarretou algum benefício real. Para fazer
essa observação, agregou-se uma metodologia baseada no Sense-Making de Brenda Dervin, e
como pilar para essa metodologia, recorre-se à pesquisa qualitativa e quantitativa. Nesta
perspectiva, a pesquisa qualitativa foi utilizada para que seja possível construir uma realidade
da comunidade e a quantitativa para servir de parâmetros para organizar e classificar esses
usuários.
O objetivo do artigo é detectar se esse projeto trouxe algum enriquecimento cultural e
social, de fato, para vida da população, e qual o nível de satisfação que a população possui em
relação à biblioteca. E os objetivos específicos são: identificar as transformações que
ocorreram na comunidade com a implantação da biblioteca e identificar as contribuições que a
biblioteca propiciou para que essas transformações ocorressem.
A motivação para esse estudo se originou durante o curso da disciplina intitulada
“Estudo de Usuário”, quando foi necessário escolher uma biblioteca para realizar um estudo.
A Biblioteca Parque de Manguinhos foi selecionada, pois sua inauguração era recente, além
de o local ter um novo propósito: de não ser apenas um lugar com espaços silenciosos e para a
leitura, e sim, também, um local que se aproxime mais de centros culturais. A partir disso,
houve o interesse por investigar o universo de usuários da Biblioteca Parque de Manguinhos,
1
PAC é um plano do governo federal que visa estimular o crescimento da economia brasileira, por meio do
investimento em obras de infraestrutura (portos, rodovias, aeroportos, redes de esgoto, geração de energia,
hidrovias, ferrovias, etc).

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pois o objetivo proposto por ela é algo inovador, de todas que já foram vistas até hoje, que é
ser um elemento cultural vivo, contribuindo para diminuir a violência e criando um espaço de
convivência com a comunidade.
Essa proposta despertou o interesse em compreender a biblioteca e estudar os usuários.
Todas as observações feitas sobre a referida biblioteca e usuários, no decorrer da disciplina,
instigaram o interesse em desenvolver o artigo, na busca de informações sobre o impacto no
âmbito do enriquecimento cultural e social para a comunidade e para a vida dos usuários.
Foi possível observar durante a pesquisa que a maioria das investigações sobre estudo
de usuário é feita em bibliotecas universitárias. Então, é importante ampliar as pesquisas
relacionadas ao estudo de usuário em bibliotecas públicas, uma vez que a missão dessas duas
bibliotecas e seu público são muito diferentes. Além disso, o Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias é um evento que comporta esta discussão, pois reúne muitos
profissionais da área.

2 Revisão de literatura
As Bibliotecas Parque são uma nova vertente das bibliotecas públicas, um novo
molde, um novo desenho, mas é importante compreender o que as bibliotecas públicas
representam para que seja possível compreender o novo modelo de bibliotecas que estão
surgindo.
A biblioteca pública tem que estar ligada à comunidade para se inteirar de suas
necessidades informacionais e levar informação as pessoas de menor poder aquisitivo.
Buscando o reconhecimento da biblioteca pública como gerador de uma comunidade
consciente, e obter dos profissionais atitudes, como mediadores de novas oportunidades para
que cada indivíduo tenha por meio da biblioteca condições informacionais e pleno gozo sobre
seus direitos e deveres de cidadãos, quebrando o estigma que a biblioteca é somente um local
com livros, mas enxergá-la também como um lugar de informação (SUAIDEN, 2009 apud
SILVA, 2012, p.28).
As bibliotecas públicas estão nesse momento passando, mundialmente, por
grandes transformações para atender a um novo conceito, que é contribuir
para enriquecer a vida do usuário. Elas assumem um papel fundamental na
formação do cidadão, com espaços modernos, dinâmicos, para contribuir
com o desenvolvimento e a criação de uma sociedade igualitária,
democrática e aberta a novas informações (SILVA, 2012, p.29).

Adriana Rattes, atual Secretária de Cultura, averiguou que no projeto do PAC das
comunidades havia espaços destinados a políticas culturais, e, a partir desse momento, pensou
no que poderia ser implantado naquela área, o que seria realmente necessário e efetivo.
Algumas ações foram implementadas: realizou-se uma viagem a Medellín, na Colômbia, pois
no momento a experiência de pacificação e requalificação na cidade estava sendo muito
elogiada; e, procurou-se por políticas adequadas para livros e leitura.
De acordo com Flusser (1980, p. 132), o público potencial pode vir a ser público
efetivo, mas o não-público jamais o será. O público potencial pode se tornar público efetivo
com uma maior difusão ou descentralização cultural, por exemplo, ou uma política de
democratização cultural. O não-público não será transformado, ele continuará a ser
marginalizado e esquecido. Para que uma biblioteca pública seja plenamente pública é
necessário que ela se volte para o não-público.
Jeanson (1973, p.30 apud FLUSER, 1980, p. 132) afirma que a reivindicação deve ser
que o não-público possa romper com o seu isolamento atual, sair do gueto situando-se de
maneira cada vez mais consciente no contexto social e histórico, liberando-se sempre mais
das mistificações que tendem a fazê-lo cúmplice das situações que lhe são infligidas.
Com a visita às bibliotecas foi possível observar que as políticas aplicadas eram muito

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funcionais com resultados excelentes, surgiu então, a ideia de pôr em prática nas Bibliotecas
Parque no Brasil.
Portanto, a Biblioteca Parque de Manguinhos, no Brasil, não é uma adaptação das
Bibliotecas Parque de Medellín: segundo Adriana Rattes é um modelo próprio que foi
construído, por meio de variadas observações feitas a partir das políticas de livro e leitura,
Planos Nacionais de livro e Leituras, políticas avançadas de bibliotecas, foi o somatório de
tudo que foi captado de positivo em cada um dos itens citados. E que estão em consonância
com a ideia de Flusser (1980, p.130).
E é o que as novas Bibliotecas Parque pretendem oferecer a seus usuários: leitura em
diferentes suportes, com grande oferta documental e eletrônica, ambientes agradáveis,
tornando a biblioteca um espaço importante e atraente para as pessoas (RIO DE JANEIRO,
2012, sem paginação).
É nesta visão ampla de cultura que reside à base conceitual das modernas Bibliotecas
Parque. A Biblioteca Parque de Manguinhos é a primeira de uma rede que a Secretaria de
Estado de Cultura do Rio de Janeiro implementou com o objetivo de estruturar um novo
patamar de atendimento às comunidades do estado (RIO DE JANEIRO, 2012, sem
paginação).
Inaugurada em abril de 2010, a Biblioteca Parque de Manguinhos, apesar de ser um
modelo próprio, inspirou-se no modelo colombiano de bibliotecas Parque de Medellín que
surgiu em 2006, com o conceito que integra bibliotecas e parques para leituras ao ar livre,
execução dos diversos segmentos sociais, culturais, educativas, cujo objetivo é melhorar a
qualidade de vida dos cidadãos. A Biblioteca Parque de Manguinhos possui 3.300m2 e foi
construída onde funcionava o antigo depósito de suprimentos do exército.
A Biblioteca Parque de Manguinhos pode ser caracterizada como uma biblioteca
pública multifuncional em área de risco, que oferece fácil acesso à informação, além de
imediato. Um espaço cultural e de convivência na comunidade, que assume um papel central
no processo de inclusão e transformação social, contribuindo para a redução da violência
(RIO DE JANEIRO, 2012, sem paginação).
A biblioteca trouxe para a população de Manguinhos, e seus arredores, incentivo à
cultura e despertou o prazer da leitura em: crianças, jovens e adultos. Em sua essência, a
Biblioteca Parque é um elemento cultural que atende a toda a população de Manguinhos e seu
entorno de uma forma acolhedora e diferenciada. Podemos observar esse conceito na
arquitetura, no acervo, nos mobiliários, nos agentes que estão trabalhando, nos horários e até
na programação de atividades (MEIRELLES, 2010, sem paginação).
Ela é um suporte para a população carente, que muitas vezes, não possui verba para se
locomover até bibliotecas ou instituições culturais. Com a implantação da Biblioteca Parque
de Manguinhos fica garantido o acesso à educação, leitura e ao conhecimento.
A superintendente de Leitura e Conhecimento da Secretaria de Estado de Cultura, Vera
Saboya, afirma em entrevista que a Biblioteca Parque de Manguinhos se assemelha a um
centro cultural, que, além de livros, tem espaço para todas as outras artes (NOÉ, 2010, sem
paginação). Dessa forma, o espaço não é destinado unicamente à leitura, mas a outros
trabalhos que agreguem cultura e informação para as pessoas, permitindo assim que se torne
um lugar de integração e troca de conhecimentos.
Baseada no conceito de que bibliotecas não devem ser somente espaços silenciosos,
mas lugares que se aproximem de centros culturais com ampla acessibilidade, a Biblioteca
Parque de Manguinhos realiza atividades culturais e de promoção de leitura nos mais diversos
suportes, visando estimular a produção, a fruição e a difusão das produções artísticas e,
especialmente, a viabilização do acesso à cultura (RIO DE JANEIRO, 2012, sem paginação).
Para isso, foram investidos cerca de R$ 8,7 milhões em recursos. Composta por uma
área de aproximadamente 2.300 m2, o espaço é multifuncional e conta com uma biblioteca

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digital; catálogo online; um acervo composto livros, filmes em mídia de DVD, música em
CD; sala de leitura; computadores com acesso à Internet e rede wi-fi; cineteatro com 200
lugares; jardim de leitura; brinquedoteca; acessibilidade aos portadores de necessidades
especiais, com acervo em braile em áudio e escrito; um setor de periódicos; sala multiuso;
além de scanner leitor de livros; cafeteria e uma sala denominada “Meu Bairro”, onde
moradores da região podem fazer reuniões. Existe ainda o Espaço Cultura, dedicado a leitura,
cursos, oficinas de alfabetização digital, capoeira, aulas de música como flauta, atividades
cívicas realizadas no espaço internou ou externo da biblioteca em datas cívicas e
comemorativas; pic-nic literário que é uma atividade ao ar livre onde livros são coletados por
intermédio de doações para o acervo da biblioteca; a revista Fator-X que é uma revista
produzida pela comunidade para a comunidade, com assessoria de profissionais capacitados;
além de estágios, intercâmbios, seminários, e atividades ligadas às crianças e aos jovens. A
biblioteca funciona de terça-feira a domingo de 10 às 20 horas.
A mesma possui 27 mil títulos em seu acervo. Existe também o PalavraLab –
Programa de Laboratórios da Palavra, que é voltado para o desenvolvimento de linguagens
nas diversas formas de produção textual; o PalavraLab está baseado em dois eixos principais:
laboratórios de desenvolvimento de linguagens e produção de conteúdos e promoção de
cursos e oficinas de escrita criativa.
De tudo o que a biblioteca disponibiliza, o que realmente faz a diferença são os
funcionários, que são treinados para estreitar os laços com os usuários, dessa forma ganhando
sua confiança e facilitando a relação biblioteca/usuário. Os bibliotecários têm a função não
somente de atender os usuários, mas também de entender o que realmente os atraiu até a
biblioteca, porque eles retornam ao local, o que eles mais gostam ali, chegando ao nível mais
pessoal, não ficando somente restrito a uma simples consulta ao bibliotecário. Os outros
funcionários também se enquadram nesse perfil, pois a maioria deles são moradores da
comunidade. Dessa forma, os usuários criam vínculos maiores com a biblioteca, sentindo-se a
vontade por estar naquele local.
Mediante os itens descritos é possível observar que a Biblioteca Parque de
Manguinhos é uma biblioteca especial que faz questão que seus usuários se sintam à vontade
para poder interagir melhor com o ambiente.

3 Materiais e métodos
Foi utilizado o método quali-quantitativo. Foram realizadas: pesquisa bibliográfica,
pesquisa exploratória e entrevista dirigida, utilizando a técnica sense-making.
Utilizou-se o método qualitativo e quantitativo, com a aplicação de uma entrevista
dirigida com perguntas semiabertas, permitindo aprofundamento do entrevistador nos tópicos
que ele julgar importantes, que foram realizadas tanto nos espaços da biblioteca quanto na
comunidade, procurando identificar quem são os usuários potenciais, identificar quem nunca
utilizou a biblioteca e o porquê, e tentar perceber os benefícios que a implantação da
biblioteca trouxe para cada usuário e para a comunidade.
A pesquisa qualitativa foi aplicada para que se possa perceber e entender sobre a
natureza geral de uma questão, abrindo espaço para a interpretação. De acordo com Neves
(1996, p.1), a pesquisa qualitativa costuma ser direcionada, ao longo de seu desenvolvimento;
além disso, não busca enumerar ou medir eventos e, geralmente, não emprega instrumental
estatístico para análise dos dados; seu foco de interesse é amplo e parte de uma perspectiva
diferenciada da adotada pelos métodos quantitativos. As pesquisas qualitativas têm caráter
exploratório: estimulam os entrevistados a pensar e falar livremente sobre algum tema, objeto
ou conceito. Fazem emergir aspectos subjetivos, atingem motivações não explícitas, ou
mesmo não conscientes, de forma espontânea.

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E a quantitativa, se deu por meio das entrevistas, pois é o método mais adequado para
apurar opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados, pois utiliza instrumentos
estruturados (questionários). Seu objetivo é mensurar e permitir o teste de hipóteses, já que os
resultados são concretos e menos passíveis de erros de interpretação. De acordo com
(GÜNTHER, 2006, p.203) na pesquisa quantitativa tenta-se obter um controle máximo sobre
o contexto, inclusive produzindo ambientes artificiais com o objetivo de reduzir ou eliminar a
interferência de variáveis interferentes e irrelevantes. Entre as variáveis irrelevantes e
potencialmente interferentes, incluem-se tanto atributos do pesquisador, por exemplo, seus
valores, quanto variáveis contextuais ou atributos do objeto de estudo que “não interessam”
naquele momento da pesquisa.
A pesquisa bibliográfica abrange “toda bibliografia já publicada relacionada ao tema
em estudo, desde livros, jornais, revistas, monografias, dissertações, teses, incluindo outras
fontes como eventos científicos, debates, meios de comunicação...” (FIGUEIREDO; SOUZA,
2011, p. 28). Esta pesquisa foi utilizada na elaboração da fundamentação teórica.
Foi realizada a pesquisa exploratória para compreender as necessidades e expectativas
dos usuários da biblioteca, como eles estão usando a biblioteca, se estão realmente usando, a
extensão do acesso, se o objetivo da biblioteca de ser um modelo multifuncional está sendo
seguido e se a biblioteca está satisfazendo a comunidade. A pesquisa exploratória consiste em
“investigações empíricas, com o objetivo de formulação de questões ou de um problema”
(FIGUEIREDO; SOUZA, 2011, p. 103). Ela tem tripla finalidade: “desenvolver hipóteses,
aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para realização
de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar conceitos” (FIGUEIREDO;
SOUZA, 2011, p. 103).
Realizou-se também a entrevista dirigida. Esta entrevista “segue um roteiro
preestabelecido, com perguntas previamente definidas. É um diálogo preparado com objetivos
definidos e uma estratégia de trabalhos determinada” (FIGUEIREDO; SOUZA, 2011, p. 120).
Entrevistou-se 30 pessoas. O conjunto de pessoas que respondeu contém usuários
cadastrados na biblioteca e moradores da comunidade. Partindo do principio que o objetivo do
trabalho é encontrar o enriquecimento cultural e social que ocorre na comunidade, não é
possível ater-se somente aos usuários que utilizam a biblioteca com uma maior assiduidade.
Cabe, também, questionar as pessoas que já foram até lá uma única vez e conseguiram obter
algum tipo de mudança em suas vidas. Portanto, a entrevista foi realizada na biblioteca e na
comunidade. Para obter essas informações formulamos um roteiro com 9 perguntas
direcionadas para o questionamento se a Biblioteca Parque de Manguinhos está ou não
realmente atingindo sua proposta e de que forma a vida dos usuários foi influenciada.
Quadro 1 - Elaboração do roteiro de entrevista
Questão 1

Questão 2
Questão 3
Questão 4
Questão 5
Questão 6
Questão 7

Identifica a frequência mensal, observando se as pessoas estão satisfeitas; se
voltaram à biblioteca e o nível de necessidade de busca informacional.
Questiona como o usuário chegou à biblioteca, como soube de sua existência.
Identificar qual a percepção da comunidade quanto à criação da biblioteca; o que eles
acham de ter uma biblioteca no seu bairro.
Identifica o que atrai o usuário para a biblioteca; avaliando assim, os setores que
devem ser melhorados e novos setores que devem ser criados para satisfazer o
usuário.
Identifica as ferramentas necessárias para atender os usuários e se ainda é necessário
criar mais algum espaço.
Identifica sugestões, mudanças ou algum tipo de melhoria que poderiam ocorrer na
biblioteca para facilitar seu acesso.
Refere-se às mudanças que possivelmente ocorreram na vida do usuário, se
ocorreram melhoras e quais foram elas.

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Questão 8

Observa a importância da biblioteca na vida do usuário e da comunidade, e o que
poderia ser feito para que aumente a aproximação entre ambos.
Questão 9
Abre espaço para que o usuário e a comunidade expressassem o que não foi aferido
ao longo do questionário, fazendo com que ele se aproximasse do entrevistador e
enriquecendo a entrevista com suas ideias, pensamentos e sugestões.
Fonte: elaborado pelos autores.

Durante a análise dos dados buscou-se destacar alguns casos que por meio do SenseMaking pôde ser captado de forma clara e interativa. Foram destacados 4 casos em especial
para que fique explícito o que é o SenseMaking, como ele funciona, e a lacuna existente entre
a biblioteca e seus usuários. O Sense-Making é o ato de construir, filtrar, referenciar, criar
factibilidade e transformar em tangível algo que antes era subjetivo (WEICK, 1995 apud
ABIB, 2010, p.75).
Dessa forma, identificaram-se os usuários por meio da participação, da conversa e do
diálogo, tentando perceber suas experiências e suas ideias, sendo assim, um trabalho
minucioso para absorver do usuário todas as suas reais ideias sobre a biblioteca. O SenseMaking busca descobrir as lacunas no usuário, pontos que não são visíveis somente por meio
de uma entrevista ou de uma aplicação de um questionário, e que deve ser captado,
perceptível por meio de um diálogo e de sensibilidade.
Ferreira (1997, p.2), define clara e objetivamente que o Sense-Making consiste na
pontuação de premissas teóricas e conceituais e outras tantas metodologias relacionadas, a
abordagem Sense-Making se propõe avaliar como pacientes/ audiências/ usuários/ clientes/
cidadãos percebem, compreendem e sentem suas interações com instituições, mídias,
mensagens e situações e usam a informação e outros recursos neste processo.
Devido a seu contingente ser formado por pessoas mais humildes e algumas vezes sem
escolaridade, foi necessário utilizar sensibilidade e um olhar detalhado para poder perceber o
que realmente a biblioteca significa para eles e observar a lacuna que existe entre eles. Com
essas características o Sense-Making é bem apropriado, pois foi a melhor forma encontrada
para absorver dos usuários daquela comunidade sua percepção sobre a Biblioteca Parque de
Manguinhos.

4 Resultados finais
Foi possível observar que em sua maioria os visitantes da biblioteca são pessoas entre
10 e 30 anos que moram na comunidade de Manguinhos e seus arredores. Observou-se,
também, que um grande número de frequentadores estuda no Colégio Estadual Compositor
Luís Carlos da Vila que fica bem próximo a biblioteca.
Ao redor da comunidade foram entrevistados jovens e adultos, de forma aleatória, que
se encontravam no entorno da biblioteca no momento em que ocorria a entrevista. Esse
público também foi abordado, pois como o referente trabalho fala do enriquecimento que a
biblioteca proporcionou a comunidade é possível que esse fator tenha ocorrido com alguma
pessoa que não seja frequentador assíduo da biblioteca e tenha ido lá poucas vezes, ou até
mesmo uma única vez. Todas as mudanças e transformações são válidas dessa forma é
necessário abordar todos os meios que possam disponibilizar o que estava sendo procurado
pelo entrevistador.
Abaixo apresenta-se a análise da entrevista.
Quadro 2 – Análise da entevista

1-Quantas vezes por mês você vem à Foi possível verificar que a frequência com que
os usuários vão a biblioteca ao mês é bem
biblioteca?

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a) 13% respondeu 1 vez
b) 10% respondeu 2 vezes
c) 13% respondeu 3 vezes
d) 20% respondeu 4 vezes
e) 44% respondeu mais de 4 vezes

elevada (mais de 4 vezes), mostrando assim, que
a biblioteca proporciona a ele algo que o atrai e
faz com que ele retorne.

2-Como foi seu primeiro contato com a O primeiro contato com a biblioteca em sua
maioria ocorreu por meio de amigos, sendo
Biblioteca Parque de Manguinhos?
possível observar que a troca de experiências
pode ter sido primordial para a ida do usuário a
47% respondeu amigos
biblioteca. O famoso “boca-a-boca” trouxe
20% respondeu meios de comunicação
visibilidade para a biblioteca despertando o
10% respondeu gosto por leitura
interesse dos usuários e da comunidade. Os
10 % respondeu curiosidade
meios de comunicação como TV, jornais, rádios
13% respondeu outros
vem em segundo lugar, como meio de
visibilidade e empatados a curiosidade e o gosto
pela leitura. Vale ressaltar os outros meios de
contato que por meio dos questionários foi
possível perceber que ocorreu por meio da
divulgação do Colégio Estadual Compositor Luís
Carlos da Vila situado a frente da Biblioteca
Parque de Manguinhos.
3-Você acha que foi bom ter uma biblioteca Por unanimidade os usuários acharam
fundamental a presença da biblioteca em sua
como essa na comunidade?
comunidade, oferecendo algo novo que muitos
não conheciam, pois muitos nunca tiveram
100% respondeu sim
acesso a atividades culturais como cursos,
palestras, peças de teatro e alguns nunca tiveram
contato com uma biblioteca.
4-Você gostaria que a biblioteca tivesse mais Observou-se que todos que responderam que
deveriam ter mais setores para atrair a população,
setores para atrair a população?
responderam os setores que faltam para atendêlos. Logo, fica nítido que o que ele quer como
70% respondeu sim
30% respondeu não
atração é o que ele precisa como necessidade.
70% dos usuários gostariam de outros setores
além do que a biblioteca já possui. Cursos
Quais?
profissionalizantes são os mais solicitados, sala
de jogos vem como segunda sugestão seguido de
29% respondeu cursos profissionalizantes
cursos em geral como inglês, desenhos,
24% respondeu sala de jogos
artesanato, salas de leituras individuais, e outros
19% respondeu cursos em geral
como eventos.
14% respondeu salas de leitura individuais
14% respondeu outros
5-Você acha que hoje a biblioteca possui todas Esses mesmos 70% não estão satisfeitos com os
as ferramentas necessárias para atender suas serviços oferecidos e solicitam que sejam criados
necessidades ou ainda falta algum espaço a ser outros setores e espaços. Em primeiro lugar vêm
os cursos profissionalizantes, em segundo salas
criado para lhe atender?
de jogos, seguido de cursos em geral, salas de
30% respondeu sim
leituras individuais, e outros como salas especiais
70% respondeu não
para deficientes físicos e palestras didáticas.
Pode-se constatar também que a biblioteca possui
em sua maioria um público jovem que tem
Se não possui, quais espaços faltam?
interesses bem específicos como cursos de
aprimoramento, sala de jogos para sua diversão,
34% respondeu cursos profissionalizantes
entre outros. A diversidade de necessidades vai
24% respondeu sala de jogos

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14% respondeu cursos diversos
14% respondeu salas de leitura individuais
14% respondeu outros
6-Você teria algumas sugestões ou mudanças
que gostaria que ocorressem na biblioteca e
que poderiam facilitar e ajudar mais as
pessoas que a frequentam? Se sim, quais?
50% respondeu sim
50% respondeu não
Sugestões:
34% atualização do acervo e novas bibliografias
20% manutenção do maquinário da biblioteca
13% atualização do acervo de CDs e DVDs
13% integração entre a escola e a biblioteca
13% divulgação dos eventos da biblioteca
7% melhoria na acessibilidade de deficientes

7-Você pôde notar que com a implantação da
biblioteca ocorreram algumas mudanças na
sua vida?
70% respondeu sim
30% respondeu não
Se sim, quais?
33% conhecer uma biblioteca
24% adquirir o hábito de leitura
19% desenvolver o hábito e o comprometimento
com os estudos
14% aprender uma profissão
10% ter acesso à bibliografia em braile

8-Você sente que a biblioteca faz parte da sua
vida, do seu dia-a-dia? Se não, o que você acha
que poderia ser feito para aproximar a

ao encontro da busca de interesses individuais de
cada pessoa que frequenta a biblioteca.
Em primeiro lugar, o que mais é solicitado pelos
usuários é a atualização de novas aquisições para
o acervo demonstrando assim que o usuário tem
interesse na composição do acervo da biblioteca,
outra reclamação encontrada foi devido à falta de
manutenção nos maquinários da biblioteca, como
computadores, televisões, DVDs, que se
encontram com defeito constantemente e como a
biblioteca recebe muitos usuários por dia
ocorrem filas a espera de utilizar esses aparelhos,
causando assim um transtorno para os usuários e
para a biblioteca. Outro setor da biblioteca muito
utilizado é a videoteca, logo o pedido de
atualização do acervo de CDs e DVDs também
foi encontrado, foi citado também como
sugestões uma melhor integração entre o Colégio
Estadual Compositor Luís Carlos da Vila e a
biblioteca, pois um grande percentual de
frequentadores da biblioteca pertence ao colégio,
fazendo-se necessário ampla divulgação para
atrair os alunos cada vez mais. Divulgação dos
eventos da biblioteca e melhoria no acesso a
deficientes também foram mencionados.
Em sua maioria é possível observar que a vida
dos usuários da biblioteca teve mudanças,
melhorias, enriquecimentos significativos mesmo
de forma individual a cada pessoa entrevistada.
Observa-se como fator interessante e que vem em
primeiro lugar foi o primeiro contato com uma
biblioteca, pois a maioria não conhecia nenhuma
biblioteca, ou devido à distância, ou por não
identificar que existiam bibliotecas, ou em
algumas vezes por acharem que deveriam pagar
para entrar em uma biblioteca. O hábito pela
leitura vem em seguida, pois algumas pessoas
foram à biblioteca para compreender o ambiente
e acabaram se apaixonando pela leitura e
incorporando isso a seu dia-a-dia. Outro ponto
importante foi desenvolver o hábito e o
comprometimento com os estudos, muitos
usuários acabam por adquirir esse costume por
terem um espaço adequado que uma biblioteca
pode proporcionar. Aprender uma profissão foi
outro fator levantado, com os cursos de teatro,
desenho, artesanato, etc. os usuários e a
comunidade podem aprender uma profissão, ter
acesso à bibliografia em braile trouxe
enriquecimento e mudanças para deficientes
visuais.
Em 80% dos casos a biblioteca já é parte
integrante da vida dos usuários e da comunidade,
dessa forma fica claro a importância de ter uma

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instituição como essa nesse local e como ela
atinge a vida dessas pessoas, eles têm a biblioteca
20% respondeu não
como segunda casa devido todo o conforto e
80% respondeu sim
comodidade que ela oferece.
Os 20% que não veem a biblioteca como parte
Fatores para aproximar a biblioteca à integrante de suas vidas, apontam alguns fatores
que possam unir mais a biblioteca ao seu usuário.
comunidade
50% respondeu mais setores para adultos
Mais setores para adultos, pois a biblioteca é
50% respondeu mais divulgação da biblioteca
voltada em sua maior parte para jovens e
adolescentes, e divulgação da biblioteca
juntamente a comunidade para promover mais
ações sociais e integração entre ambos.
9-Você acrescentaria algo que não foi A maioria dos usuários não acrescentou nenhuma
pergunta. Constata-se que isso se deve a faixa
perguntado?
etária dos entrevistados que em sua maioria são
jovens e ficam tímidos ao serem abordados por
40% respondeu sim
um desconhecido. Eles responderam facilmente
60% respondeu não
as questões direcionadas, mas essa, por ser uma
pergunta livre causou um pouco de insegurança.
Se sim, o quê?
Pode-se observar que as sugestões são de cunho
pessoal, cada indivíduo entrevistado direcionou a
25% onde reside
questão para suas necessidades, seus interesses,
25% se a biblioteca atende bem os deficientes
dessa forma o questionário aproxima o
25% satisfação no horário de atendimento
entrevistador do entrevistado para que seja
25% qual setor da biblioteca que mais gosta
possível observar seus desejos.
Fonte: elaborado pelos autores.
biblioteca da comunidade?

As questões 7, 8 e 9 privilegiam o Sense-Making aproximando o usuário e a
comunidade do entrevistador.
Foram relatados aqui quatro casos de destaque na aplicação do questionário e que
demonstram que a Biblioteca Parque de Manguinhos trouxe realmente enriquecimento
cultural e social para os usuários e para comunidade.
O caso 1 chamou bastante atenção, pois uma pessoa do sexo feminino de
aproximadamente 28 anos que teve seu primeiro contato com a biblioteca por meio de amigos
e ao chegar lá soube da existência de um curso de teatro que era oferecido pela biblioteca, ela
se inscreveu no curso e se apaixonou pelo teatro, hoje ela tem sua própria peça de teatro em
cartaz e trabalho na companhia que atua na biblioteca, passando de aluna a professora.
Outro caso que vale ressaltar, caso 2, é um jovem que aos 18 anos nunca havia entrado
em uma biblioteca. Ele estuda no colégio que se encontra em frente à biblioteca, o local
chamou sua atenção por sua estrutura, e por meio de amigos que falaram que aquele espaço
era uma biblioteca, ele teve interesse em compreender, logo se matriculou em cursos, mas o
que lhe chamou mais atenção foi o curso de desenho, rapidamente ele viu que tinha
habilidades e hoje tem o desenho como profissão, trabalha como chargista, caricaturista, entre
outros. Ele também é colaborador no curso da biblioteca e diz que aquele lugar foi um divisor
em sua vida.
Não tão expressivo, mas com mesmo grau de igualdade em importância, o caso 3,
mostra uma criança que nunca havia entrado em uma biblioteca e com esse contato ela aderiu
o hábito de leitura, conheceu os livros e hoje segundo ela não consegue mais viver sem ir à
biblioteca, ela vai à biblioteca quase que diariamente, faz empréstimos constantes. Por meio
desse relato é possível averiguar que a biblioteca proporcionou o acesso à leitura a esse
usuário.
Merece destaque o caso 4: um adolescente portador de deficiência visual que mora

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

bem próximo a biblioteca, ele nunca havia lido um livro completo devido a dificuldade de ter
acesso a acervos em braile. O adolescente ficou sabendo do acervo em braile por meio de
amigos que frequentavam a biblioteca, ele fez uma visita ao local conheceu o acervo da
biblioteca, podendo agora efetuar empréstimos, ler diversos livros nos espaços da biblioteca.
Além de integração cultural foi possível desenvolver a integração social, pois ele convive
agora com um maior número de crianças especiais ou não.
Todos os entrevistados que alegaram ter acontecido algo de especial em suas vidas
depois da implantação da biblioteca mereciam estar aqui relatados. Fica explicito que a
biblioteca realmente trouxe benefícios por menor que eles pareçam, sendo um divisor na vida
de cada pessoa agraciada.

5 Considerações finais
O levantamento bibliográfico feito para o desenvolvimento do trabalho permitiu
observar a raridade de literatura sobre a Biblioteca Parque, qual seria sua missão, qual seu
público-alvo, sua história, sua origem. Identifica-se a necessidade de publicações que possam
proporcionar o interesse no âmbito acadêmico, político e social possibilitando a biblioteca de
mostrar seu trabalho diferenciado junto à sociedade.
No decorrer do estudo foi possível observar que a Biblioteca Parque possui realmente
um diferencial em relação às outras bibliotecas no requisito meio de convivência e de acesso a
cultura. O espaço é muito cativante e os usuários e a comunidade têm acesso livre ao local,
todos têm um relacionamento agradável com os funcionários criando assim uma convivência
bem familiar, na biblioteca eles se sentem como se estivessem em casa. Ela realmente
viabiliza ao usuário um mundo diferente a realidade que eles vivem, pois como eles são em
sua maioria pessoas humildes que não carecem de verbas extras para terem acesso ao lazer,
como cinemas, teatros, parques, a biblioteca proporciona gratuitamente o que deveria ser
direito de todo jovem e adolescente.
Com o estudo observou-se que por unanimidade foi aprovada a criação da biblioteca
na comunidade de Manguinhos, pois ela foi um facilitador, uma porta aberta para que todos
pudessem de alguma forma enriquecer seu conhecimento, sua vida.
O trabalho teve como objetivo principal averiguar se ocorreram mudanças, melhorias
ou algum enriquecimento na vida dos usuários ou na comunidade com a implantação da
biblioteca naquele local, e por meio da entrevista e da aplicabilidade da metodologia do
Sense-Making ficou claro que definitivamente a biblioteca proporcionou benefícios para
muitas pessoas.
Os benefícios proporcionados são inúmeros e de diferentes estilos mais muito especial
e particular a cada entrevistado, algumas conseguiram aprender uma profissão por intermédio
das oficinas de teatro, desenho, artesanato, culinária, outros tiveram contato com uma
biblioteca pela primeira vez, alguns utilizam a biblioteca como meio de fugir da violência
doméstica ou por motivos de briga familiar constantes, houve os que se apaixonaram pelo
livro e pela leitura, e aqueles que nunca tiveram acesso à internet puderam ali fazê-lo.
Por meio desse estudo é importante relatar que a biblioteca atinge seu objetivo, sua
premissa, que é oferecer aos desfavorecidos o conhecimento, o acesso à informação. A
biblioteca é vista pela comunidade como um bem adquirido que deve ser cuidado, é para
muitos a extensão de sua casa ou em muitas vezes um local melhor que sua casa, é perceptível
o bem querer que todos têm com a biblioteca e com as pessoas que ali trabalham. Vale
ressaltar que o índice de não devoluções de livros, DVDs, CDs é quase zero; não são
encontrados danos nos acervos da biblioteca deixando claro que tudo é muito bem cuidado
pelos usuários. Alguns problemas são encontrados como maquinários com defeitos, acervo
desatualizado entre outros, esse problema se deve, pois a verba de manutenção da biblioteca

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

vem do Estado de forma precária, existindo dessa forma reclamações da parte dos usuários.
Fica claro que é primordial a biblioteca naquele local, pois contribui com a diminuição
dos índices de violência, os jovens não ficam mais ociosos, eles agora podem aprender uma
profissão, tem acesso a informação para entender o que é bom ou ruim entre outras vantagens
que a Biblioteca Parque de Manguinhos veio proporcionar.

6 Referências
ABIB, G. A qualidade da informação para a tomada de decisão sob a perspectiva do
sensemaking: uma ampliação do campo. Ciência da Informação, Brasília, v. 39, n. 3, p.7382, 2010. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v39n3/v39n3a06.pdf&gt;. Acesso em: 01
abr. 2016.
FERREIRA, Sueli Mara S. P. Design de biblioteca virtual centrado no usuário: a abordagem
do Sense-Making para estudos de necessidades e procedimentos de busca e uso da
informação. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 26, n. 2, p.1-4, 1997.
FIGUEIREDO, A. M. de; SOUZA, S. R. G. de. Como elaborar projetos, monografias,
dissertações e teses: da redação científica à apresentação do texto final. 4. ed. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2011.
FLUSSER, V. Uma biblioteca verdadeiramente pública. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v.9, n.2, p.131-138, 1980. Disponível em: &lt;
http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000002888&amp;dd1=d93b1 &gt;. Acesso em: 15
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GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa Qualitativa Versus Pesquisa Quantitativa: Esta É a Questão ?.
Psicologia: Teoria e Pesquisa, São Paulo, v. 22, n. 2, p.201-210, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2.pdf&gt;. Acesso em: 02 jan. 2013.
MEIRELLES, S. Primeira Biblioteca Parque do Brasil. São Paulo, 2010. Disponível
em:&lt;http://www.blogacesso.com.br/?p=2448&gt;. Acesso em: 03 dez. 2016.
NEVES, J. L. Pesquisa Qualitativa: características, usos e possibilidades. Caderno de
Pesquisas em Administração, São Paulo, v.1, n.3,1-5, 1996.
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em: &lt;http://archive.is/3KLY1&gt;. Acesso em: 01 dez. 2015.
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digital: um estudo da Biblioteca Parque de Manguinhos. 2012. 116 f. Dissertação (Mestrado)Curso de Ciência da Informação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
2012.

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                <text>O artigo apresenta a Biblioteca Parque de Manguinhos e sua comunidade. Tem como objetivo detectar se esse projeto trouxe algum enriquecimento cultural e social, de fato, para vida da população, e qual o nível de satisfação que a população possui em relação à biblioteca. Seus objetivos específicos são: identificar as transformações que ocorreram na comunidade com a implantação da biblioteca e identificar as contribuições que a biblioteca propiciou para que essas transformações ocorressem. Utiliza o método quali-quantitativo e as técnicas pesquisa bibliográfica, pesquisa exploratória e questionário. Realiza estudo de usuário com a metodologia sense-making, fazendo um levantamento da percepção dos visitantes em relação ao atendimento de suas necessidades e benefícios proporcionados.</text>
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                    <text>O EMPREGO DE DISPOSITIVOS MÓVEIS EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS DA REGIÃO DO CARIRI CEARENSE:
APROXIMAÇÕES SOB O PONTO DE VISTA DOS DISCENTES.

David Vernon Vieira (UFCA) - davidv.vieira@gmail.com
Maria Suellen Alves Lôbo (UFCA) - suellensuellen.lobo@gmail.com
Resumo:
As intervenções tecnológicas móveis se tornaram perceptíveis em todos os setores,
principalmente na área da educação, por intermédio dessa observação foi desenvolvido o
presente trabalho. O objetivo geral é analisar dados sobre o uso de dispositivos móveis por
estudantes universitários nas bibliotecas da região do Cariri Cearense. Em primeira instância
foram realizadas leituras bibliográficas sobre as atuais intervenções tecnológicas mobile no
âmbito educacional, para assim estabelecer delimitações necessárias para o enquadramento
da temática na região estudada, considerando as universidades e faculdades da localidade
com maior concentração de universitários, que foram submetidos a um questionário online,
resultando em uma amostra de cento e cinco discentes. Diante dessa pesquisa foi revelada a
potencialidade desses instrumentos de comunicação digital, porém ainda em fase de
adequação e reconhecimento sóbrio nesse meio. Pontifica-se, a necessidade de avaliar e
planejar intervenções para melhor uso dessas tecnologias, pois as mesmas se apresentam
como uma ferramenta irrefutável na promoção do conhecimento.
Palavras-chave: Dispositivos móveis. Biblioteca Universitária. Educação.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Dispositivos móveis em contexto acadêmico

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

RESUMO
As intervenções tecnológicas móveis se tornaram perceptíveis em todos os setores,
principalmente na área da educação, por intermédio dessa observação foi desenvolvido o
presente trabalho. O objetivo geral é analisar dados sobre o uso de dispositivos móveis por
estudantes universitários nas bibliotecas da região do Cariri Cearense. Em primeira instância
foram realizadas leituras bibliográficas sobre as atuais intervenções tecnológicas mobile no
âmbito educacional, para assim estabelecer delimitações necessárias para o enquadramento da
temática na região estudada, considerando as universidades e faculdades da localidade com
maior concentração de universitários, onde foram submetidos a um questionário online,
resultando em uma amostra de cento e cinco discentes. Diante dessa pesquisa foi revelada a
potencialidade desses instrumentos de comunicação digital, porém ainda em fase de
adequação e reconhecimento sóbrio nesse meio. Pontifica-se, a necessidade de avaliar e
planejar intervenções para melhor uso dessas tecnologias, pois as mesmas se apresentam
como uma ferramenta irrefutável na promoção do conhecimento.
Palavras-Chave: Dispositivos móveis. Biblioteca Universitária. Educação.

ABSTRACT
Mobile technological interventions have become noticeable in all sectors, especially in
education, through this observation was developed this work. The general objective is to
analyze data on the use of mobile devices by university students in the libraries of Cariri
Cearense region. In the first instance it was carried out bibliographic readings on current
mobile technological interventions in the education sector, so as to establish boundaries
necessary for framing the issue in the region studied, considering universities and location of
schools with the highest concentration of university students who were submitted to a
questionnaire online, resulting in a one hundred-five students sample. Given this research the
potential of these instruments of digital communication has been revealed, but also in
adaptation phase and sober recognition that environment. Pontificates is the need to evaluate
and plan interventions to better use of these technologies, because these are presented as
irrefutable tool in promoting knowledge.
Keywords: Mobile devices. Academic Library. Education.

1 Introdução
Os dispositivos móveis como os celulares, smartphones, laptops e tablets juntamente
com seus aplicativos, podem ser argumentados como a evolução da revolução informacional,
que apresenta de maneira singular sua forte influência por promover uma rápida
disseminação, adesão e manipulação da informação corrente em todo o mundo, agregada com
a conexão via Internet, que nos permite vivenciar a experiência ímpar de um ciberespaço, de
ser e viver no mundo pós-moderno. Logo, toda essa rede global conectada não poderia deixar
de causar efetivas mudanças no processo de aprendizagem acadêmica, fato esse, que
incentivou o presente estudo.
A impulsão da educação à distância nas últimas décadas, tem se destacado por sua
característica de mobilidade. Sua mutabilidade em rede vem sendo um fator de destaque para
as instituições de ensino, que busca intensificar os meios de transmitir e produzir
conhecimento científico. Quanto à isso, vem sendo trabalhado de forma integrada ao modelo
tradicional de educação, os dispositivos móveis que abrangem conceitos de design de

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

interface de comunicação virtual ou eletrônica. No entanto, isso não é apenas mais um serviço
oferecido pela instituição, mas sim um novo modelo capaz de compreender e atrair uma nova
geração de alunos, para um mundo acadêmico mais perto da realidade virtual de
entretenimento, fomentado principalmente pelas redes sociais, onde atualmente estão
inseridos. Para proporcionar um ensino à distância mais dinâmico, tem-se aderido à
comunicação móvel, o termo chamado mobile learning (m-learning), usado para facilitar o
acesso à informação em programas de ensino usando a mobilidade. Basicamente, o mlearning faz uso das tecnologias de redes sem fio, dos novos recursos fornecidos pela
telefonia celular, das linguagens XML, Java, do protocolo WAP, serviços de mensagens curtas
(SMS), da capacidade de transmissão de fotos, vídeos, web chamada, serviços de e-mail,
mensagem multimídia (MMS).
Para fomentar essa temática foram realizadas pesquisas bibliográficas sobre as atuais
intervenções tecnológicas mobile no âmbito educacional, podendo assim estabelecer
delimitações necessárias que instruíram o enquadramento da temática na região do Cariri
Cearense, considerando as universidades e faculdades da localidade com maior concentração
de universitários, entre elas: Universidade Federal do Cariri, Faculdade Leão Sampaio,
Faculdade Paraiso, Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte, Faculdade de Juazeiro do
Norte, Instituto Federal do Ceará – Juazeiro do Norte, Universidade Regional do Cariri,
Universidade Estadual Vale do Acaraú – Crato, onde obteve-se a aplicação de 105
questionários online, que permitiu alcançar todos os objetivos propostos.

2 O uso de dispositivos móveis pelos nativos digitais universitários
Os dispositivos móveis sofreram grandes transformações nas últimas décadas, agora
com telas maiores, design mais fino e consecutivamente mais leves, que permitem visualizar e
criar fotos, vídeos, textos em aplicativos instalados para proporcionar uma interação com
outros usuários destes aparelhos, por meio de acesso à internet, algo que virou um apontador
potencial de status social, principalmente entre os nativos digitais, que segundo Prensky
(2001) são denominados, os que mudaram radicalmente o seu comportamento em relação aos
alunos do passado e, para os quais, o sistema educacional não está totalmente preparado. Essa
geração de alunos representa a primeira que cresceu com esta realidade. Esses indivíduos
passaram suas vidas inteiras cercadas por computadores, videogames, players de músicas
digitais, câmeras de vídeo, telefones celulares e outras ferramentas da era digital. Logo, o uso
desses aparatos se tornou indispensável no seu cotidiano e foram incorporados em todas as
atividades envolvidas, o campo da educação institucional não ficaria fora desse
comportamento.
Alguns comportamentos caracterizam essa geração com mais propriedade,
como a necessidade de constante reconhecimento, a opção por padrões
informais e flexíveis, a individualidade como forma de expressão e a
busca intensa por ampliação da rede de relacionamentos. (OLIVEIRA, S.,
2010, p. 64).

Um beneficiador potencial no sucesso da inserção das tecnologias e serviços móveis
nas bibliotecas universitárias está amparado pelas populares redes sociais, que de acordo com
Arroyo-Vásquez (2009), dadas as possibilidades que as pessoas têm de se conectarem por
meio destes dispositivos umas com as outras e compartilharem recursos de forma instantânea.
Estamos diante de instituições historicamente reconhecidas: a biblioteca e
a universidade, ambas envolvidas com um só objeto – o conhecimento –
cabendo à primeira colecioná-lo e à segunda, produzi-lo, com um único
objetivo: sua socialização, visando à aplicabilidade no futuro e, quiçá, em
prol do desenvolvimento da humanidade. (CARVALHO, 2004, p. 104).

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

As bibliotecas universitárias precisam conhecer o potencial tecnológico que há em
torno do uso dos dispositivos móveis pelos usuários da geração Y, bem como as questões de
gestão de marketing que incentiva a associar o manuseio dos aparatos móveis de
entretenimento a possibilidade de potencializar seu uso na busca por conhecimento de
referencial seguro e institucional. Pois, segundo Ferreira (2010), o perfil do usuário também
sofre alteração diante dessas tecnologias. Os estudantes de hoje são membros de uma
geração digital, e esperam maior interação, como, por exemplo, entrar em contato com o
bibliotecário através de recursos da internet. Assim, a BU precisa reconhecer o usuário
como ponto central no planejamento e gerenciamento das atividades e, a partir desse
reconhecimento, passar, realmente, a considerá-lo no desenho de produtos e serviços.

2.1 O uso dos dispositivos móveis nas instituições de ensino de nível superior
As Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras já não podem mais ignorar a
presença das tecnologias móveis, além disso, as políticas educacionais e os projetos de ensino
do governo cada vez mais têm estimulado e viabilizado essa realidade. Dado que, o acesso a
Internet vem sendo utilizado pelo professor como uma ferramenta que possibilita o
envolvimento do aluno com as problemáticas do mundo e também com a área de interesse,
podendo, assim, discutir e pesquisar temas diversos na rede mundial de computadores
(BRIGNOL, 2004). Produzindo conteúdos digitais que são entregues/ enviados por meio de
um portal. Perrenoud (2000, p.128) também contribui afirmando que:
Formar para as novas tecnologias é formar o julgamento, o senso crítico, o
pensamento hipotético e dedutivo, as faculdades de observação e de
pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a
análise de textos e de imagens, a representação de redes, de procedimentos e
de estratégias de comunicação.

Capacitar os professores para potencializar o uso dessas ferramentas conjuntas,
internet e suporte móvel, ainda é um desafio, mas, que já começou a ser desvendado. Nessa
situação, o professor é desafiado a assumir uma postura de aprendiz ativo, crítico e criativo,
constante pesquisador sobre o aluno. Percebendo que o incentivo para pesquisar e suas
publicações no meio digital é só o inicio das inúmeras possibilidades que esse ambiente
oferece. Tendo em vista a possibilidade de videoconferência, chats, fóruns, listas de discussão, emails, entre outros, que oportunizam a criação de ambientes colaborativos e construtivistas de
aprendizagem até mesmo à distância. Moran (2002) ressalta que:
Hoje, ainda entendemos por aula um espaço e um tempo determinados. Mas,
esse tempo e esse espaço, cada vez mais, serão flexíveis. O professor
continuará "dando aula", e enriquecerá esse processo com as possibilidades
que as tecnologias interativas proporcionam: para receber e responder
mensagens dos alunos, criar listas de discussão e alimentar continuamente os
debates e pesquisas com textos, páginas da Internet, até mesmo fora do
horário específico da aula. Há uma possibilidade cada vez mais acentuada de
estarmos todos presentes em muitos tempos e espaços diferentes. (MORAN,
2002).

O uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), proporciona aos
professores e aos alunos refazerem seus pontos de vista, comunicarem-se e trocarem
experiências, buscando, dessa maneira, a resolução dos problemas da disciplina, bem como
apresentando e divulgando seu próprio pensamento, trocando informações e construindo
conhecimento, favorecendo o desenvolvimento pessoal, profissional e grupal, assim como a
compreensão da realidade a sua volta. (ALMEIDA, 2001).
Ao usufruir dos benefícios das TICs em modo mobile learning, permite que aluno

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possa absorver os conteúdos, mesmo nos períodos que esteja fora da sala de aula, o que pode
potencializar o seu aprendizado se as conexões entre o que ele aprende em sala e fora dela
puderem ser identificadas (MOURA, 2009; KUKULSKA-HULME, 2009; QUINTA, 2012;
LEDESMA, 2013). O aparato móvel é dotado de diversas funcionalidades. Onde alguns,
como os smartphones podem ser considerados uma miniatura de um computador, acerca de
suas configurações que são muito semelhantes às de um convencional, facilitando e
dinamizando o aprendizado dos alunos. Busca-se as informações de imediato, resultando em
um feedback em tempo real e permitindo uma participação ativa dos docentes.
(BOTTENTUIT JUNIOR et al, 2012).
A redução contínua dos custos das tecnologias móveis, a divulgação intensiva
relacionada à tecnologia de última geração e a existência cada vez maior de aplicativos
educacionais, têm sido elementos motivadores para a introdução de tais ferramentas, como
por exemplo, os tablets, na Educação Básica, notebooks como premiação pelo bom
desempenho no exame do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do
Ceará (SPAEC) em escolas de ensino médio da rede pública. Possibilitando e intensificando o
contato do aluno com os dispositivos móveis ligado a educação, antes mesmo de seu ingresso
ao ensino de nível superior. Considerando esses fatos, as IES precisam estar aptas a dar
continuidade a essa inclusão. Vale ressaltar, que é necessário mais que tecnologia para que a
qualidade do ensino seja garantida, ou seja, não adianta distribuir tecnologia sem ideologia,
sem formação, sem método, sem mudar o paradigma.

2.2 A contribuição dos dispositivos móveis nas bibliotecas universitárias
A importância da biblioteca universitária não se restringe, somente, ao seu acervo
interno, mas à sua capacidade de prover acesso para além das possibilidades de sua coleção
impressa. (MARCHIORI, 1996, p. 4). A biblioteca, independentemente do suporte do
documento e localização, passa a ser reconhecida por sua capacidade de acessar, recuperar,
comunicar e intercambiar informações, agregando valor ou até viabilizando pontos de
acesso nos quais o próprio usuário poderá, por meio de seu equipamento portátil, utilizar o
sistema da biblioteca para acessar a informação. (CARVALHO, 2004, p. 28).
O avanço das tecnologias e a chegada da internet promoveram alterações na atuação
dos serviços ofertados pelas bibliotecas. Contudo o processo de adoção destes dispositivos
requer uma mudança de atitude por parte do profissional dessa entidade, o bibliotecário. Que
deve assumir uma visão lúdica, oferecendo ao consulente universitário alternativas de tomar
para si a informação desejada de modo mais rápido e dinâmico. Logo, os dispositivos móveis
vêm se mostrando ferramentas apropriadas para a construção desse caminho, tendo em vista
que esse processo é irremediável e suas atividades já não estão somente relacionadas aos
afazeres de entretenimento, sabendo que a informação tende cada dia mais a circular no
ambiente virtual. Considerando, que essa rede globalizada é principalmente alimentada pelos
nativos digitais, que se apropriaram dos dispositivos móveis como uma ferramenta essencial
para sua locação nessa nova formação de comunicação.
A tecnologia antes vista como algo que tirava o sujeito do convívio social e
do contato coletivo, torna-se cada vez mais customizadora, assim os
ambientes tornam-se individualizados, mas não individualistas. Os
dispositivos, os aplicativos e suas interfaces podem ser cada vez mais
customizados e personalizados. Os ambientes ganham fotos, perfis e avatares
criando uma atmosfera mais humanizada, representando um ponto muito
positivo para a pedagogia centrada no aluno (TOTTI; GOMES; MOREIRA;
SOUZA, 2011, p. 2).

Muitos discutem a eficiência dessas ferramentas, tal fato acaba que inúmeras vezes a

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utilização desses serviços aconteça de forma errônea no meio da BU (Biblioteca
universitária). Pela ausência de um trabalho que sirva de guia tanto para os usuários
acadêmicos quanto para seus desenvolvedores. É essencial ter um propósito educacional e só
depois escolher a tecnologia que melhor se adequa ao plano de estudo universitário, sem
minimizar seus efeitos ou utiliza-las apenas como material complementar. Assim, o maior
desafio enfrentado pelas bibliotecas universitárias é o de criar um conteúdo digital atraente e
que ofereça serviços baseados no acesso a dispositivos móveis de forma que o usuário
encontre aquilo que ele necessite. (LIPPINCOT, 2010). Vislumbrando as inúmeras
potencialidades que pode promover as bibliotecas não apenas no espaço físico, mas também
no virtual.
No decorrer da última década do século XX, as bibliotecas universitárias,
vêm acompanhando a dinâmica de seu macro ambiente, e entram numa fase
de transição, buscando definir uma nova identidade, adaptar-se às mudanças
sociais, econômicas e tecnológicas que influem na questão da socialização
do conhecimento e conviver com dois modelos, aparentemente, antagônicos:
o da biblioteca convencional e o da virtual, já que por muito tempo os
átomos e os bits deverão estar presentes em nosso cotidiano. (CARVALHO,
2004, p. 90)

Desse modo, o progresso da ciência e da tecnologia deve ser aproveitado, pois permite
que a BU ofereça serviços eficientes à distância. Destaca-se, que os dispositivos móveis são
instrumentos que quando bem adaptados podem oferecer uma enorme flexibilidade diante dos
ofícios e produtos prestados, como o serviço de recomendação de novas obras, renovação,
referência, reserva de obras, alerta de multas por e-mail, serviço de empréstimo e devolução
via leitura de QR Codes, informações dinâmicas via redes sociais como Instagram, Twitter e
Facebook, mapas interativos de geolocalização, acessado por aplicativos personalizados e
certificado pela instituição de ensino de vínculo, com possibilidade de armazenamento de ebooks, revistas, artigos, áudio-livros, dentre outras categoriais de publicações científicas.

3 Materiais e métodos
Para a construção dessa literatura utilizou-se inicialmente uma pesquisa bibliográfica
para fundamentação teórica dos conteúdos aqui abordados. Para isso, foram utilizados os
seguintes termos: “dispositivos móveis”, “bibliotecas universitárias”, “nativos digitais”,
“mobile learning” e “metodologia de ensino em universidades”. Somado ao estudo
exploratório, com aplicação de questionário, que auxilia o pesquisador a solucionar e/ou
aumentar sua expectativa em função do problema determinado. (TRIVINÕS, 1987).
Richardson (1999, p.66) também afirma que “quando não se tem informação sobre
determinado tema e se deseja conhecer o fenômeno”, este tipo de estudo é o exploratório. Gil
(1999, p.43) complementa que “este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o
tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e
operacionalizáveis”. O caráter exploratório configura esta pesquisa, visto que se busca
abordar um tema pouco estudado na literatura em âmbito regional do Cariri Cearense.
A exploração de dados foi obtida a partir de questionário online aplicado entre 105
discentes, considerando as universidades e faculdades da região do Cariri Cearense com maior
concentração de universitários, entre elas: Universidade Federal do Cariri, Faculdade Leão
Sampaio, Faculdade Paraiso, Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte, Faculdade de
Juazeiro do Norte, Instituto Federal do Ceará – Juazeiro do Norte, Universidade Regional do
Cariri, Universidade Estadual Vale do Acaraú – Crato, no período de 2015.1.
A pesquisa quanti/qualitativa permitiu descrever dados em linguagem matemática que após
tabulados proporciona uma visão geral do fenômeno. Neste tipo de pesquisa cada dado e cada

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Figura 8. Os sistemas online utilizados pelas BU requerem desenvolvimento para dispositivos móveis
Concordo Totalmente

59

Concordo Parcialmente

38

Discordo

5

Discordo Totalmente

3
0

10

20

30

40

50

60

70

Fonte: Elaborado pelos autores.

Ao observar o conteúdo da figura 9, pode-se notar que 60 alunos concordam
parcialmente sobre o fato que os sítios web das instituições de nível superior da região do
Cariri Cearense não dão suporte para o acesso por meio de dispositivos móveis. Onde, 35
discentes já concordam totalmente com esse indicador. E apenas, 10 estudantes de 105
respondentes, discordam desse relato. De coerência com a figura 8, que revela situação
similar, mais em âmbito nacional, esta nona figura revela a concordância preponderante de
que os serviços para dispositivos móveis necessitam de uma atenção mais efetiva, que as
instituições devem demandar acompanhamento sistemático, tecnológico e pedagógico, para o
uso dessa mobilidade, maximizando os benefícios desse processo irrefutável. Somando-se o
CT= 33.3% + CP= 57.1% o valor total favorável à concordância sobre a deficiência dos sites
das IES aumenta para 90.4%.
Figura 9. As IES do Cariri não contam com versões específicas do site para dispositivos móveis
Discordo Totalmente

70

60

60
Discordo

50
35

40

Concordo
Parcialmente

30
20

10

10

Concordo Totalmente

0

Fonte: Elaborado pelos autores.

Tendo em reflexão esses dados numéricos, se faz essencial à criação de uma
metodologia para integrar configurações para os dispositivos móveis nesse campo de
informação virtual. Onde a administração das faculdades e universidades tem que entender a
importância desse tipo de investimento, sem se abster apenas da disponibilidade e
manutenção da rede móvel de conexão a internet, pois a mobilidade vai além de sua rede, ela
está ligada ao seu suporte, propondo a ruptura de barreiras físicas, tecnologias, de espaço e
tempo, globalizando o conhecimento.

5 Considerações Finais
Apesar da comprovação do crescente manuseio de dispositivos móveis com acesso à
internet e sua possibilidade/permissão de uso nas faculdades e universidades da região do

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Cariri Cearense, nota-se carência de integração para o uso adequado e motivador nas
atividades dentro das acadêmicas. Onde o maior incentivo das instituições, é a disponibilidade
de internet por rede Wi-Fi, considerando, que os usuários que utilizam esse serviço, na
maioria das vezes, não utilizam com o foco para aprendizagem, fazendo com que aquilo que
poderia ser um instrumento de auxílio ao conhecimento se torna apenas um meio de
comunicação ou de entretenimento, principalmente entre seu maior público, os jovens. Que
por sua vez, ainda trata com impopularidade o leitor de livro digital, que ficou em último
lugar como item de dispositivos móveis que possuem. Porém, se sobressaiu em relação ao
tablet, quando questionados sobre aparelhos e serviços que desejavam que fossem
disponibilizados na biblioteca de sua instituição, tendo em vista que o tablet é considerado
mais dinâmico que o leitor digital. O que aponta uma predisposição de acolhimento ao
suporte adequado para esse tipo de leitura, onde apresenta uma oportunidade formidável na
promoção dessas tecnologias e seu uso de maneira mais aprofundada nos estudos.
A pesquisa também possibilitou uma análise sobre os serviços ofertados pelas
bibliotecas, que em sua maioria não conta com versões para dispositivos móveis no seu sítio
web. Até mesmo a frequência às suas instalações físicas e a requisição de materiais impressos
demonstram pouca atratividade aos acadêmicos.
É imprescindível avaliar a introdução dos dispositivos móveis utilizados nas
instituições de ensino brasileiras, para assim, planejar intervenções de melhoria no seu uso,
pois as mesmas se apresentam como uma ferramenta irrefutável na promoção da inclusão
digital em larga escala, como um meio que buscar democratizar a educação para todos.
Acreditando que sua manipulação deve sim, levar a uma aproximação mais intensa na
disseminação do conhecimento, de maneira mais sistemática, orientada e supervisionada pelas
entidades de ensino.
Considerando, também as ações de marketing que devem ser desenvolvidas pelas
universidades e faculdades, pois são elementos decisivos na ascensão de um produto ou
serviço, a partir dessas ações elaboradas os universitários podem tomar conhecimento e
despertar o interesse por usar e requerer tecnologias móveis para o acesso ao conhecimento
científico. Mas, para que essa realidade aconteça de maneira ideal é necessário o
desenvolvimento de novos estudos, que apontem qual a melhor metodologia para cada setor e
público, visando à integração desses aparatos de forma mais proveitosa possível.

Referências
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produção escrita. São Paulo, 2001. (Apostila do curso do curso de formação de gestores
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FERREIRA, Sarah L. Enfrentando os desafios da cultura digital: a gestão da
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educação. São Paulo: Atlas, 1987.

Agradecimentos
À Fundação Cearense de Amparo à Pesquisa (FUNCAP), por incentivarem na realização
desta pesquisa científica.

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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O emprego de dispositivos móveis em bibliotecas universitárias da região do Cariri Cearense: aproximações sob o ponto de vista dos discentes. </text>
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                <text>As intervenções tecnológicas móveis se tornaram perceptíveis em todos os setores, principalmente na área da educação, por intermédio dessa observação foi desenvolvido o presente trabalho. O objetivo geral é analisar dados sobre o uso de dispositivos móveis por estudantes universitários nas bibliotecas da região do Cariri Cearense. Em primeira instância foram realizadas leituras bibliográficas sobre as atuais intervenções tecnológicas mobile no âmbito educacional, para assim estabelecer delimitações necessárias para o enquadramento da temática na região estudada, considerando as universidades e faculdades da localidade com maior concentração de universitários, que foram submetidos a um questionário online, resultando em uma amostra de cento e cinco discentes. Diante dessa pesquisa foi revelada a potencialidade desses instrumentos de comunicação digital, porém ainda em fase de adequação e reconhecimento sóbrio nesse meio. Pontifica-se, a necessidade de avaliar e planejar intervenções para melhor uso dessas tecnologias, pois as mesmas se apresentam como uma ferramenta irrefutável na promoção do conhecimento.</text>
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                    <text>O DIGITAL OBJECT IDENTIFIER (DOI) COMO DISSEMINADOR
DA INFORMAÇÃO POR MEIO DOS PERIÓDICOS CIENTÍFICOS
ELETRÔNICOS
Antonio Afonso Pereira Junior (UFMG) - antonioapjr@yahoo.com.br
Carla Daniella Teixeira Girard (UFOPA) - carlinhagirard@yahoo.com.br
Cristiane Marina Teixeira Girard (UNIR) - girardi_nha@hotmail.com.br
Erik André de Nazaré Pires (UFPA) - erikpires@ufpa.br

Resumo:
O presente estudo busca investigar a utilização do Digital Object Identifier (DOI) nos
periódicos científicos de Biblioteconomia e Ciência da Informação e, proporcionando novas
utilidades de integração com a Plataforma Lattes. Neste sentido, objetiva-se informar os
títulos existentes em Biblioteconomia e Ciência da Informação em formato eletrônico,
demonstrar a importância do DOI na integração com a plataforma lattes visando à garantia
de credibilidade autoral e analisar as características das publicações que possuem o DOI.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste estudo é bibliográfico, pesquisa
explicativa-descritiva. A partir do desenvolvimento da pesquisa, infere-se que de todos os
periódicos analisados (25 periódicos), apenas 5 deles utilizam o DOI, das quais 3 são de
Universidades do sul do país, 1 vinculada ao IBICT e a última a Universidade Federal de
Minas Gerais, o qual todas advém do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER).
Além disso, constatou-se que a Perspectiva em Ciência da Informação relacionada à
Universidade Federal de Minas Gerais, é a publicação que possui conceito maior na
Webqualis, Qualis A1. Todas produzem e divulgam textos inéditos de trabalhos de cunho
nacional e trabalham com artigos em diversos idiomas e são indexados em várias bases de
renome científico.
Palavras-chave: Digital Object Identifier. Biblioteconomia e Ciência da Informação.
Periódicos científicos.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Recursos de recuperação da informação

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Sabe-se que o Digital Object Identifier (DOI) é um identificador que possibilita serviços de
caráter complementar e que os metadados deste permite referenciar planos de identificação que
utilizam deste identificador. Tendo em vista esta perspectiva, a temática deste estudo é estudar este
identificador como disseminador da informação através dos periódicos científicos eletrônicos,
principalmente os voltados ao âmbito da Biblioteconomia e Ciência da Informação.
Os periódicos científicos atuam na comunicação científica, através de informações
científicas do que a comunidade produz enquanto conhecimento e avanço científico. Portanto,
atuam como disseminadores de informações científicas.
Partindo desta premissa, faz-se necessários identificadores que permitam a busca pela
informação de maneira eficiente e eficaz, já que vivemos uma era em que o tempo é bastante
precioso. Assim, é desenvolvido o DOI como identificador e facilitador desta busca de informações
de maneira mais veloz ao usuário. Mediante a isto, justifica-se este estudo.
Desta forma, questiona-se: o DOI enquanto identificador das publicações de
Biblioteconomia e Ciência da Informação possibilitam novas utilidades de integração com a
Plataforma Lattes? Para responder a esta indagação, pretende-se: a) informar os títulos existentes
em Biblioteconomia e Ciência da Informação em formato eletrônico; b) demonstrar a importância
do Digital Object Identifier na integração com a Plataforma Lattes visando a garantia de
credibilidade autoral e; c) analisar as características das publicações que possuem o DOI. Com o
objetivo geral de investigar a utilização do DOI nas publicações de Biblioteconomia e Ciência da
Informação e, proporcionando novas utilidades de integração com a Plataforma Lattes e os
específicos são: informar os títulos existentes em Biblioteconomia e Ciência da Informação em
formato eletrônico; Demonstrar a importância do DOI na integração com a Plataforma Lattes
visando à garantia de credibilidade autoral e Analisar as características das publicações que usam o
DOI.

2 Revisão de literatura
Na composição da revisão de literatura, são abordados os seguintes assuntos: periódicos
científicos, DOI e Plataforma Lattes, configurando dessa forma uma abordagem que a pesquisa traz
no seu cerne.
2.1 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS
Abordar sobre o que norteia a comunicação científica acaba sendo consequentemente uma
abordagem aos periódicos científicos, pois representam um veículo de suma importância na
disseminação da informação científica e na evolução da ciência e tecnologia. Conforme Dias (2006,
p. 51):
[...] os periódicos constituem um importante canal no âmbito da comunicação
formal: em muitas áreas, como nas ciências naturais, exatas e da vida, são
indubitavelmente o principal; em outras, como nas ciências sociais e humanas,
dividem com os livros esse posto, sendo muitas vezes suplantado por esses [...]

A etimologia do termo “periódico” tem sua origem latina denominada de periodus, cujo
significado representa espaço de tempo. Enquanto no latim originou-se da palavra publicatione, no
qual é o ato ou efeito de publicar. Percebemos que o periódico foi idealizado para publicações de
informações em uma freqüência regular (FACHIN; HILLESHEIM, 2006, p. 20).
Meadows (1999, p.8) suplementa esse sentido do termo periódico com a seguinte
explanação:
[...] entrou em uso comum na segunda metade do século XVIII e se refere a qualquer

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publicação que apareça a intervalos determinados e contenha diversos artigos de
diferentes autores. Para tornar ainda mais confusa à questão, a palavra serial [seriado
ou publicação seriada] apareceu no século XIX para designar qualquer publicação
editada em partes sucessivas e conexas. Em geral, journals (e magazines) são
periódicos, mas principalmente em humanidades há publicações seriadas que
desempenham muitas das funções de um jornal. Essas flutuações dos significados
das palavras não são exclusivas da língua inglesa. Em alemão, por exemplo, os
primeiros journals eram muitas vezes designados pela palavra Zeitung. Esta veio
posteriormente a ser mais associada com jornais e, a partir do século XIX, a palavra
Zeitschrift, passou a ser preferida nos títulos de revistas científicas.

Existem na literatura vários autores e instituições científicas que conceituam os periódicos,
bem como a nomenclatura de publicações seriadas. Para a ABNT (6021, 2015) uma publicação
periódica é aquela disponibilizada em qualquer suporte, com unidades sucessivas, designadas
numericamente e/ou cronologicamente, visando ser produzida continuamente. Para evidenciar suas
principais características e para diferenciação de outros tipos de materiais bibliográficos, a
explanação conceitual de Campos (1980) abarca esta temática, conforme este autor:
Periódicos são publicações que geralmente se apresentam em fascículos ou
brochuras, com freqüência regular, contendo vários assuntos, desde aqueles
especializados até os de ordem geral, abrangendo uma publicação específica ou a
população como um todo, sendo publicados de tempos em tempos, de forma
periódica e por um período indeterminado.

Como esclarece Stumpf (1996) no século XIX, os periódicos são reconhecidos como meio
de comunicação científica de credibilidade, consolidam-se como uma forma de registro da ciência.
Pois, os custos e a demora na publicação de livros; troca de correspondências e atas não conseguiam
sanar a necessidade de divulgar os resultados dos estudos científicos que emanavam nas
comunidades acadêmicas. Resultando na união de cientistas para resolver este impasse e decidirem
publicar suas pesquisas por partes, conjuntamente contando com a colaboração de diversos autores,
provindo na publicação dos periódicos científicos.
Os primeiros periódicos de cunho científico surgiram em Paris com o título Journal dês
Scavants, em 1965, e em Lodres, surge o Philosophical Transactionsofthe Royal Societyof London,
onde os membros da Royal Society divulgavam suas pesquisas. Estas duas publicações proviam
informações sobre a ciência de forma constante, tendo por função resumir livros, fatos culturais,
relatos de experimentos e observações científicas a fim de manter a sociedade européia informada,
mas também cada uma apresentava características próprias (MEADOWS,1999).
Referente ao Brasil, posteriormente a fundação da Imprensa Régia em 1808, são editadas
publicações relevantes para a sociedade e consta nos registros como precursores da publicação da
ciência nacional, destacando-se o periódico a “gazeta médica do Rio de Janeiro”, origina-se em
1862 e a “Gazeta médica da Bahia” publicado em 1866.
No século XIX e XX ocorreu à expansão da publicação de periódicos científicos, devido a
diversos fatores como: crescimento do número de cientistas, de revistas científicas, publicações
vinculadas com universidades, Estado e editoras comerciais; o avanço das Tecnologias da
Comunicação e Informação (TIC’s). Resultando no menor custo de editoração, na divulgação e
disseminação de informação (FREITAS, 2006).
Todos esses elementos permitiram a evolução de forma de publicação científica
demandando o formato eletrônico. Os trâmites no processo editorial e de publicação que ocorriam
no meio físico também devem ser abrangidos no meio eletrônico, apesar do recurso online
apresentar aspectos particulares vinculados ao suporte que contam com disponibilidade de acesso,
resgate de informações, critérios de interatividade e navegabilidade. Mas devem seguir parâmetros
balizados na tradição e legitimidade do periódico impresso: exibir política editorial, uma rigorosa
revisão de qualidade (Peer Review), dedicar-se a uma área específica, manter edições regulares, ter

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ISSN, DOI, apresentar instruções aos autores, não ter caráter departamental para citar alguns.
(GRUSZYNSKI, 2007).
2.2.2 Digital Object Identification e a Plataforma Lattes
O DOI não deve substituir sistemas de identificação como o International Standard Serial
Number (ISSN), para as publicações seriadas. O objetivo do DOI é oferecer serviços
complementares, e os metadados obtidos a partir de determinado DOI podem referenciar os
esquemas de identificação existentes. A partir desse identificador podem ser buscadas informações e
acionados serviços associados a determinado objeto. Ou seja, partindo do DOI, é possível recuperar
os metadados atualizados, como sua localização na Internet, seus autores ou quantidade de
publicações que fazem referência à entidade associada ao DOI. A resolução1 de um nome DOI pode
incluir a resolução para os valores associados, tais como a localização (URL), um endereço de email, outro nome DOI e metadados descritivos. A referência pode ser de vários tipos, e eles nem
sempre são diretamente acessíveis no formato de um arquivo digital ou outra manifestação, ou seja,
resolução pode ou não retornar uma instância do objeto. A resolução também pode envolver uma ou
mais operações de mapeamento intermediário (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR
STANDARDIZATION, 2012).
Para a atribuição do DOI aos artigos, obrigatoriamente, não há a necessidade de atribuição
prévia desse identificador ao periódico. No entanto, há forte orientação para que o DOI do artigo
seja composto pelo sufixo do periódico acrescido de identificação do artigo, mas isso não é
obrigatório. Logo, não há vinculação dos identificadores, porém é interessante buscar um padrão e
uniformidade na atribuição do DOI para artigos.
No nome DOI, o registro não diferencia maiúscula e minúscula, pois todos os nomes são
convertidos em maiúsculas no ato da inscrição. Do mesmo modo, na resolução o identificador é
reconhecido independentemente do uso de maiúscula ou minúscula. Por isso registros com os
mesmos caracteres são rejeitados, não importando registrá-los com maiúscula ou minúscula, sendo
uma opção segura na integridade dos dados. Vale ressaltar que o identificador DOI incorpora vários
tipos de caracteres! Na representação do DOI, recomenda-se que se use o termo “doi” minúscula
antecedendo o identificador separado por dois pontos, por exemplo: “doi: 10. 1006/jmbi. 1998.
2354”. Segundo a ISO 26324: 2012, quando exibido em navegadores Web, o nome do DOI pode ser
anexado para o endereço de um servidor proxy, para permitir a resolução do nome DOI por meio de
um hyperlink Web padrão. Para resolver um DOI através de uma hiperligação Web padrão, o nome
do DOI em si deve ser anexado ao endereço do servidor proxy. Neste caso o identificador “doi: 10.
1006/jmbi. 1998. 2354” deve remeter ao link:“http://dx.doi.org/10.1006/jmbi.1998.2354”. O DOI
deve ser sempre apresentado com URLs permanentes no ambiente on-line (CROSSREF, 2016).
- Quais são as vantagens do uso do DOI?
A diferença do sistema DOI em relação a outros sistemas de identificadores é que busca
oferecer identificadores acionáveis e interoperáveis que podem ser atribuídos a qualquer entidade
que esteja associada a direitos autorais no contexto da internet. O DOI proporciona as seguintes
vantagens estratégicas na sua adoção: 1 - obter identificadores persistentes para publicações; 2 aumentar a visibilidade e o acesso dos documentos publicados; 3 - possibilitar a transformação de
citações em links navegáveis; 4 - identificar publicações que referenciam a publicação em questão;
5 - promover a persistência do endereçamento na Web, caso o material precise ser movido ou
rearranjado; 6 - integrar formatos de dados, de modo que uma publicação em PDF, impressa ou em
HTML, possua o mesmo identificador; 7 - atualizar dinamicamente os metadados, aplicativos e
serviços, promovendo a recuperação de metadados atualizados; 8 - extender funcionalidades
associadas aos nomes DOI, tais como participação em novos serviços colaborativos, detecção de
plágio e verificação de atualização de versão dos documentos identificados; 9 - certificar
publicações, no caso do Currículo Lattes do CNPq.

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No ano de 2007 o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) realizou o contrato com a
International Digital Obejct Identifier Foundation para utilização na Plataforma Lattes, do Digital
Object Identication (DOI) este um instrumento de publicações nas redes sociais. Como todos os
artigos da Coleção Scielo, assim como os periódicos do SEER já possuíam o DOI. A sua inserção
no currículo lattes foi com a finalidade de certificação, proporcionando o acesso dos artigos pela
plataforma, garantindo o direito autoral, trazendo maior credibilidade na informação
registrada.(CNPq, 2007)
Para evidenciar a importância do currículo lattes no viés científico nacional, esclarece
Balancieri et al (2005, p. 70):
[...] é o conjunto de sistemas de conhecimento da Plataforma Lattes, uma arquitetura
de informações em CT&amp;I desenvolvida para o CNPq gerir suas atividades de
fomento e para integrar em um mesmo ambiente os diversos atores ligados ao
Sistema Nacional de Inovação do país. Além de viabilizar a interoperabilidade dos
sistemas de informação das agências federais, a Plataforma Lattes tem racionalizado
o processo de gestão de CT&amp; I.

Através desta explanação aludimos o quanto à implantação do DOI na Plataforma Lattes
representa um avanço na evolução da comunicação científica. Pois estabelece uma ligação entre o
currículo lattes e o site do artigo publicado. O DOI deve ser atribuído pela editora da publicação,
esta informa o número DOI de cada artigo.

3 Materiais e métodos
O procedimento metodológico e operacional é abordado primeiramente de um estudo
bibliográfico, segundo Forte (2006), esse tipo de pesquisa abrange o material que deve ser recolhido
submetido a uma triagem, a partir da qual é possível estabelecer um plano de leitura delineado e
conciso. A característica da pesquisa é do estilo explicativa-descritiva que na visão de Marconi e
Lakatos (2010) esse tipo de pesquisa visa ampliar generalizações, estruturar e definir modelos
teóricos, relacionar hipóteses em uma visão mais unitária do universo ou âmbito produtivo em geral
e gerar hipóteses ou ideias por força de dedução lógica.
Realizou-se uma pesquisa no qual se utilizou como referência os dados extraído do site da
Comissão Nacional de energia nuclear (CNEN), extraindo os títulos de periódicos científicos
brasileiros especializados em Biblioteconomia e Ciência da Informação no formato eletrônico que
apresentam o DOI nas suas publicações. Como se verifica no quadro a seguir.
Quadro 1 – Periódicos Nacionais de Biblioteconomia, Ciência da Informação e afins
Arquivistica. Net
Periódico
Descrição

Publicação semestral de trabalhos relacionados com a Arquivística ou estudos e pesquisas nos demais
campos ligados à Ciência da Informação.

http://www.arquivistica.net/ojs/index.php
Biblionline
Periódico científico que prioriza colaborações inéditas originadas de Trabalhos de Conclusão de Curso
TCC) na área de Ciência da Informação, principalmente em Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia. São
Descrição mbém aceitos para publicação artigos originados de Projetos de Pesquisas, Monitorias e Extensão. Informamos à
Comunidade Acadêmica que a Biblionline se encontra cadastrada na CAPES como qualis C.
http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio
URL
Periódico
Biblos - Revista do Departamento de Biblioteconomia e História
Publicação semestral, aceita trabalhos inéditos que apresentem resultados de estudos e pesquisas relacionados
Descrição

Possui
DOI?
(Sim ou
Não)
Não

URL
Periódico

Não

Não

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com as áreas da informação, tecnologia e afins.
http://www.seer.furg.br/index.php/biblos
Ciência da Informação
É uma publicação quadrimestral de trabalhos inéditos relacionados com a Ciência da Informação ou que
Descrição presentem resultados de estudos e pesquisas sobre as atividades do setor de informação em ciência e tecnologia.
Entende-se por Ciência da Informação a área interdisciplinar concernente ao estudo dos fenômenos ligados à
produção, organização, difusão e utilização de informações em todos os campos do saber.
http://revista.ibict.br/index.php/ciinf
URL
Periódico
DataGramaZero
Cada edição se propõe reunir textos, por afinidade temática, destinados às seções de artigos, comunicações e
Descrição ensões visando divulgar e promover perspectivas críticas fundamentadas em áreas interdisciplinares da Ciência da
Informação, tais como Informação e Sociedade, Informação e Políticas Públicas, Informação e Filosofia ou
Informação e Comunicação.
http://www.datagramazero.org.br
URL
Periódico
Em questão: Revista da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS)
Publicação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Descrição
substituição à Revista de Biblioteconomia &amp; Comunicação. É dirigida a pesquisadores, professores, profissionais
e estudantes das áreas de Informação e Comunicação e tem como objetivos:
a) divulgar estudos e resultados de pesquisas nos campos da Informação e Comunicação e áreas afins;
b) apresentar dossiês temáticos, reunindo a contribuição de especialistas nos respectivos campos.
revista Em Questão é de periodicidade quadrimestral, aceita originais em português, espanhol e inglês, publica
xclusivamente textos inéditos os quais poderão fazer parte das seguintes categorias, sem prejuízo de outras que
venham a ser consideradas adequadas
http://seer.ufrgs.br/EmQuestao/issue/view/1449/showToc
URL
Periódico
Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação
Tem como missão difundir o conhecimento novo e inovador em Biblioteconomia, Ciência da Informação,
Descrição
quivologia e áreas correlatas abrangendo interesses técnico-tecnológicos e humano-sociais. Está direcionada para
squisadores, docentes, discentes e demais profissionais. Recebe originais inéditos de artigos em Biblioteconomia,
iência da Informação, Arquivologia e áreas correlatas resultantes de pesquisa científica; originais de ensaios de
caráter teórico fundamentados em revisão de literatura; resenhas de livros de edições recentes.
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb
URL
Periódico
ETD: Educação Temática Digital
Descrição ublicação totalmente digital da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (FE/UNICAMP),
abrangendo áreas temáticas publicadas nas diferentes seções deste periódico, com textos completos digitais.
http://www.fae.unicamp.br/revista/index.php/etd
URL
Periódico
Inclusão Social
Periódico eletrônico semestral de trabalhos inéditos, no âmbito da inclusão social, com temas ligados a ações,
Descrição
programas, projetos, estudos e pesquisas voltados à problemática da inclusão dos cidadãos na sociedade da
informação
http://www.ibict.br/revistainclusaosocial/
URL
Periódico
Informação &amp; Informação
Revista do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. O periódico,
Descrição
ciado em 1996, publica contribuições inéditas em Ciência da Informação, Arquivologia, Biblioteconomia e áreas
interface, buscando incentivar debate interdisciplinar acerca dos fenômenos concernentes à informação. Todas as
edições estão acessíveis no Sistema Eletrônico de Editoração de Revista (SEER)
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/index
URL
Periódico
Informação &amp; Sociedade: estudos
Publicação do Departamento de Biblioteconomia e Documentação, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, da
Descrição
Universidade Federal da Paraíba

Cont.

URL
Periódico

http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies
JC – Email
Jornal
da
Ciência,
periódico
organizado
pela
Sociedade
Brasileira para o Progresso e Ciência, que traz notícias
Descrição
cientificas abrangendo várias áreas do conhecimento
http://www.jornaldaciencia.org.br/index2.jsp
URL
Periódico
Linc em Revista
Publicação do Laboratório Interdisciplinar em Informação e Conhecimento, um espaço interinstitucional e
Descrição ltidisciplinar, coordenado em parceria entre a UFRJ e o IBICT , voltado para a reflexão crítica sobre informação,

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Periódico

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
conhecimento e desenvolvimento, ante as transformações no mundo contemporâneo.
http://revista.ibict.br/liinc/index.php/liinc
Múltiplos Olhares em Ciência da Informação
Revista eletrônica, com publicação semestral de trabalhos inéditos relacionados à área de Ciência da
Descriçãonformação, abrangendo prioritariamente a Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia, produzidos por alunos da
graduação.
Serão aceitos artigos oriundos de trabalhos de conclusão de curso, projetos de pesquisa, projetos de iniciação
científica, relatos de atividades de monitoria, extensão e trabalhos de discentes apresentados em encontros
científicos.
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/about
URL
Periódico
Perspectivas em Ciência da Informação
Publicação quadrimestral da Escola de Ciência da Informação da Universidade de Minas Gerais (UFMG). Foi
Descrição nçada em 1996 em substituição à Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG. Divulga relatos de pesquisa,
udos teóricos, revisões de literatura, textos didáticos, relatos de experiências, traduções e resenhas em Ciência da
Informação, Biblioteconomia e áreas afins
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci
URL
Periódico
Perspectivas em Gestão &amp; Conhecimento
Perspectivas em Gestão &amp; Conhecimento tem por objetivo publicar trabalhos originais e inéditos relacionados
as temáticas Gestão e Conhecimento sob abordagens que priorizem diálogos inter/pluri/multi/transdisciplinares
Descrição
presentem contribuição para o desenvolvimento de novos conhecimentos e/ou para aplicação nos diversos setores
e organizações da sociedade.
http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/pgc/about/editorialPolicies#focusAndScope
URL
Periódico
Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia
Publicação semestral do Grupo de Pesquisa em Informação e Inclusão Social do IBICT. Publica resumos de
Descrição
rtigos de periódicos científicos eletrônicos, monografias, dissertações e teses acadêmicas, resenhas, recensões e
sumários correntes das revistas indexadas
http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/pbcib
URL
Periódico
Ponto de Acesso
Publicação do Instituto de Ciência da informação (ICI), da Universidade Federal da Bahia. Seu objetivo é
nar acessíveis, livre e gratuitamente trabalhos acadêmicos focados em temas no campo de estudos da Informação,
entre eles: Gestão da Informação e do Conhecimento; Inteligência Competitiva; Letramento Informacional;
Descrição rodução, Tratamento e Difusão da Informação e do Conhecimento; Sistemas e Redes de Informação; Políticas e
tratégias de Informação; Teorias da Informação; Biblioteconomia; Arquivologia; Bancos de Dados; Comunicação
da Informação Científica; Propriedade Intelectual; Tecnologias da Informação; Sociedade da Informação e do
Conhecimento; Economia da Informação; Informação, Poder, Democracia e Cidadania; Periódicos Científicos;
agem e Processo de Geração de Conhecimento; Linguagem Subliminar e Geração de Conhecimento; e outros a
tes correlatos. Além de artigos, debates e entrevistas, publica resenhas de publicações, de softwares e de modelos
de gestão de informação e conhecimento.
http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici
URL
Periódico
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina
Publicação anual de trabalhos inéditos relacionados à área da Ciência da Informação, abrangendo
Descrição pecificamente a Biblioteconomia, Arquivística e Documentação, ou textos que apresentem resultados de estudos e
pesquisas sobre atividades relacionadas ao movimento associativo (classe dos bibliotecários).
http://revista.acbsc.org.br/index.php/racb
URL
Periódico
Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação
A Revista é o órgão oficial de comunicação da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários,
ntistas da Informação e Instituições e tem como finalidades: a) constituir-se em periódico especializado da área de
Descriçãoblioteconomia, Ciência da Informação e conhecimentos afins; b) ser um veículo noticioso e informativo de eventos
feitos de associações e de outras instituições ligadas à área; e, c) preservar a memória profissional e constituir
instrumento para análises futuras
http://www.febab.org.br/rbbd/ojs-2.1.1/index.php/rbbd/index
URL
Periódico
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação
Publicação oficial do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU). Foi lançada no dia 13 de setembro de 2003
durante o III Ciclo de Palestras, organizado pela FEBAB e realizado no auditório da Biblioteca Central da
Descrição UNICAMP. Este periódico científico publica artigos inéditos, relatos de experiência, pesquisas em andamento e
resenhas. Compreende as áreas da Biblioteconomia, Ciência da Informação e áreas afins e é editado por
bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (SBU).
http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/sbu_rci
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Periódico
Revista Eletrônica Informação e Cognição

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Periódico

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Cont.

Com o objetivo de reunir em uma coletânea os trabalhos dos pesquisadores, do Brasil e do exterior, a respeito
relação que se estabelece entre informação e conhecimento no processo de aprendizagem, que surgiu a ideia da
criação de uma revista eletrônica internacional. Nasceu, assim, a Revista Eletrônica Informação e Cognição,
Descrição enquanto veículo para a pesquisa científica e filosófica voltada à Teoria da Informação, à Filosofia da Mente, à
ência Cognitiva e à Ciência da Informação. Cada edição da Revista Eletrônica Informação e Cognição se propõe
unir textos, por afinidade temática, destinados às seções de artigos, comunicações e recensões, visando a divulgar e
a promover perspectivas críticas fundamentadas em áreas interdisciplinares.
http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/reic
URL
Periódico
Reviu: revista informação e sociedade
paço para debates e apresentação dos novos desafios que surgem diante de nós, profissionais da informação que
uamos em universidades. É uma proposta para abrigar a análise crítica das novas tecnologias nascidas para acelerar
eiculação da informação e discutir a melhor forma de aproveitá-las no cotidiano do fazer bibliotecário.
Um
Descrição local onde podemos expor as inquietações, os medos e a curiosidade que essa nova situação acarreta e, quando
cessário, nos posicionando positiva ou negativamente, diante desses desafios informacionais, que substituem, por
vezes, de forma muita rápida, as ações que envolvem o ciclo da informação.
http://www.siglinux.nce.ufrj.br/~gtbib/site/
URL
Periódico
Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação
Publicação anual, organizada em textos temáticos, prioritariamente, do tipo revisão ou estado da arte, que
únem e analisam pesquisas brasileiras publicadas no campo da temática Ciência da Informação e Biblioteconomia.
Descrição temas selecionados e o período coberto em cada texto refletem a evolução e a maturidade atingida por cada tema,
dendo ,assim, variar de ano a ano. Os artigos são escritos por autor ou grupo de autores, especialmente convidados
pelo editores de cada fascículo ou indicados pelos grupos de trabalho (GTs) da ANCIB. Os temas não seguem
cessariamente os GTs, mas procuram dar espaço para tópicos nos quais a pesquisa atingiu volume e projeção. Os
textos são submetidos a um processo de avaliação, cabendo a decisão final aos Editores.
http://inseer.ibict.br/ancib/index.php/tpbci/index
URL
Periódico
Transinformação
Publica trabalhos inéditos que contribuam para o estudo e o desenvolvimento científico nas áreas da Ciência
Descrição da Informação e Ciências de domínio conexo. Periódico especializado está aberto a contribuições da comunidade
científica nacional e internacional.
http://revistas.puc-campinas.edu.br/transinfo/index.php
URL
Fonte: (BRASIL. Ministério da Ciência, tecnologia e inovação, 2015)

Neste sentido, foi necessário identificar os periódicos científicos na área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, apresentando algumas características destes periódicos.
Constam 25 periódicos científicos que possuem versão eletrônica, renome na área e publicados
regularmente. Mostram as seguintes informações: Título, URL, periodicidade e outras descrições.
A metodologia trabalha com etapas a serem seguidas visando atingir uma finalidade na
pesquisa. Conforme Marconi e Lakatos (2002, p. 15) a pesquisa “é um procedimento formal [...]
que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade que se
pretende estudar”.
A pesquisa configurou-se como bibliográfica, porque provem de material bibliográfico
para compor o arcabouço teórico e subsidiar a fundamentação da comunicação científica como o
trabalho de Meadows (1999) presente neste estudo.
O estudo caracteriza-se como explicativo-descritivo, no sentido explicativo pois preocupase em identificar na pesquisa fatores determinantes para a ocorrência de fenômenos (GIL, 2007),
isto é, explica as coisas através dos resultados oferecidos. Também de forma descritiva porque
pretende descrever os fatos e fenômenos de determinada realidade retratada. (TRIVIÑOS, 1987).
Inicialmente, identificaram-se os periódicos científicos brasileiros publicados na área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação em formato eletrônico. Para tanto, pesquisou-se na
internet, sites de busca, através de palavras-chave os títulos e links dos periódicos da área
anteriormente mencionada, todos de cunho científico.
Vale salientar que estas publicações seriadas estão sendo publicados regularmente, e após a
consulta em cada periódico e sites respectivos, definiu-se trabalhar com 5 periódicos que possuíam
DOI, que são: Em questão: revista da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Encontros Bibli: revista eletrônica de

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Biblioteconomia e Ciência da Informação; Informação &amp; Informação; Linc. Em Revista;
Perspectivas em Ciência da Informação dentro de um universo de 25 publicações seriadas.

4 Resultados parciais/finais
Na pesquisa encontrou-se um total de 25 periódicos nacionais de Biblioteconomia, Ciência
da Informação e áreas afins. Dentro do quesito de adotar o DOI na sua publicação, verificou-se que
5 apresentam este requisito. Segue a descrição dos mesmos.
Os periódicos científicos Em Questão, Encontros Bibli, Informação &amp; Informação, Liinc.
Em Revista e Perspectiva em Ciência da Informação. As três primeiras publicações têm
periodicidade quadrimestral, são vinculadas a Instituições Federais de Ensino Superior da região
sul: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC) e Universidade Estadual de Londrina(UEL). Os dois últimos são semestral do Instituto
Brasileiro de Ciência e Tecnologia (IBICT-UFRJ) e trimestral da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), seguindo a ordem respectivamente.
Todos os cinco periódicos apresentam características em comum: estão presentes no
Sistema SEER, aceitam artigos inéditos em âmbito nacional em vários idiomas e indexado em
diversas bases de dados de cunho científico. Dentro da perspectiva de estratificação da CAPES
referente à área de Ciências Sociais Aplicadas I apresentam Qualis A1 e B1.
O grande diferencial do sistema DOI, é fornecer identificadores acionáveis e interoperáveis
atribuídos por qualquer instituição vinculada ao contexto na internet de direitos autorais, entre eles
destaca-se a plataforma lattes do CNPq. Este estudo busca propor uma nova interação de dados para
fornecer informações visando garantir os direitos autorais e simultaneamente a visualização de
outras publicações dentro da Plataforma Lattes.
Através da colocação de Hiperlink interligado ao sistema do Currículo Lattes,
proporcionando que na verificação de um artigo ao clicar no nome do autor, possamos ter acesso ao
seu currículo e verificamos suas outras publicações, ocasionando um grande reconhecimento e
validação de fontes de informação, podendo ser testado este procedimento em um periódico da
Ciência da Informação-Biblioteconomia, que apresentam artigos também pautados na
multidisciplinaridade.

7. Considerações Finais
Na literatura percebemos que em relação à comunicação científica, as novas tecnologias de
Comunicação e Informação (TIC’S) e criação de outros mecanismos computacionais trouxeram
uma evolução na produção e disseminação de pesquisas científicas. Evidenciando no arcabouço
teórico, as primeiras formas básicas de comunicação até o amadurecimento e implantação dos
periódicos no âmbito científico. Este veículo, tanto no formato impresso como eletrônico, garantiu
o engrandecimento da Ciência e reconhecimento dos autores.
Neste estudo apontamos o incremento do DOI nas publicações seriadas como forma de
credibilidade de informações científicas e garantia dos direitos autorais, como este se tornou um
elemento de identificação crucial no fornecimento e integração de dados, que foi aderido na
Plataforma Lattes, permitindo que no acesso de um artigo científico e∕ou no currículo lattes tenha
uma numeração de identificação que estar presente no periódico no qual o artigo fora publicado.
Com o intuito de conhecer os periódicos da área de Biblioteconomia∕Ciência da
Informação que tenham o DOI, pesquisou-se e encontramos um universo de 25 publicações
seriadas, sendo que apenas 5 apresentam a identificação. Todas são produzidas por Universidades
Federais, estão presentes no Sistema SEER, trabalham com textos originais em diversos idiomas,
indexadas em várias bases de renome e possuem conceituação elevada na estratificação do Web
Qualis da CAPES.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Este estudo proporciona a verificação da área de Biblioteconomia∕Ciência da informação
nesta interação de dados, e busca elucidar a importância do reconhecimento de suas contribuições
nas pesquisas científicas bem como dos seus autores. Visa também propor um novo caminho
através dos periódicos científicos na integração de dados juntamente com a Plataforma Lattes
através do Hiperlink no nome do autor para verificação curricular e demonstração de outras
publicações da mesma autoria. Trazendo a tona novas veredas para evolução da Ciência e formação
de novos conhecimentos.

REFERÊNCIAS
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documentação- publicação periódica técnica e∕ou científica-Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT,
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FACHIN, G.R.B.; HILLESHEIM, A. I. de A. Periódico científico: padronizado e organizado.
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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>O Digital Object Identifier (DOI) como disseminador da informação por meio dos periódicos científicos eletrônicos. </text>
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                <text>Pereira Junior, Antonio Afonso; Girard, Carla Daniella Teixeira; Girard, Cristiane Marina Teixeira;  Pires, Erik André de Nazaré </text>
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                <text>O presente estudo busca investigar a utilização do Digital Object Identifier (DOI) nos periódicos científicos de Biblioteconomia e Ciência da Informação e, proporcionando novas utilidades de integração com a Plataforma Lattes. Neste sentido, objetiva-se informar os títulos existentes em Biblioteconomia e Ciência da Informação em formato eletrônico, demonstrar a importância do DOI na integração com a plataforma lattes visando à garantia de credibilidade autoral e analisar as características das publicações que possuem o DOI. A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste estudo é bibliográfico, pesquisa explicativa-descritiva. A partir do desenvolvimento da pesquisa, infere-se que de todos os periódicos analisados (25 periódicos), apenas 5 deles utilizam o DOI, das quais 3 são de Universidades do sul do país, 1 vinculada ao IBICT e a última a Universidade Federal de Minas Gerais, o qual todas advém do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER). Além disso, constatou-se que a Perspectiva em Ciência da Informação relacionada àUniversidade Federal de Minas Gerais, é a publicação que possui conceito maior na Webqualis, Qualis A1. Todas produzem e divulgam textos inéditos de trabalhos de cunho nacional e trabalham com artigos em diversos idiomas e são indexados em várias bases de renome científico.</text>
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                    <text>O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS EM INFORMAÇÃO EM
AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM: UMA PROPOSTA
EXPERIMENTAL

Daniel Cerqueira Silva (IF Baiano) - falecomdaniel@yahoo.com.br
Resumo:
Este estudo tem como objetivo mostrar quais são os impactos sofridos por participantes de um
curso de iniciação à Competência em Informação no formato EaD. Além disso, traz prenúncios
sobre como viabilizar um curso de Competência em Informação básico, sem custos diretos,
utilizado mão de obra reduzidíssima, carga horária baixa, mas capaz de elevar o nível de
Competência em Informação dos seus participantes. O método adotado para realização da
pesquisa foi o experimental e para tanto o estudo contou com 3 grupos acidentais de 43
voluntários: sendo um grupo experimental e outros dois de controle, totalizando 129
participantes. A pesquisa se desenvolveu em 4 etapas: pesquisa de elaboração do curso;
construção do Ambiente Virtual de Aprendizagem; tutoria e execução do curso; e utilização
grupos de controles. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários baseados em
cenários, nos quais os participantes do grupo experimental tinham suas Competências em
Informação testadas antes e depois do procedimento de intervenção. Foram encontradas
quantidades expressivas de notas mais altas após o tratamento de intervenção, todos os
índices utilizados nas estatísticas descritivas (moda, mediana, desvio padrão, variância,
amplitude) e inclusive a distribuição de frequências, apontaram para a superioridade das
notas do pós-teste do grupo experimental. Por fim, concluiu-se que foi possível desenvolver um
curso de Iniciação a Competência em Informação, no formato EaD, capaz elevar o nível de
Competência em Informação dos seus participantes.
Palavras-chave: Competência em Informação, EaD, Ambientes Virtuais de Aprendizagem
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS EM INFORMAÇÃO
EM AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM: UMA PROPOSTA
EXPERIMENTAL

Resumo
Este estudo tem como objetivo mostrar quais são os impactos sofridos por participantes de um
curso de iniciação à Competência em Informação no formato EaD. Além disso, traz
prenúncios sobre como viabilizar um curso de Competência em Informação básico, sem
custos diretos, utilizado mão de obra reduzidíssima, carga horária baixa, mas capaz de elevar
o nível de Competência em Informação dos seus participantes. O método adotado para
realização da pesquisa foi o experimental e para tanto o estudo contou com 3 grupos
acidentais de 43 voluntários: sendo um grupo experimental e outros dois de controle,
totalizando 129 participantes. A pesquisa se desenvolveu em 4 etapas: pesquisa de elaboração
do curso; construção do Ambiente Virtual de Aprendizagem; tutoria e execução do curso; e
utilização grupos de controles. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários
baseados em cenários, nos quais os participantes do grupo experimental tinham suas
Competências em Informação testadas antes e depois do procedimento de intervenção. Foram
encontradas quantidades expressivas de notas mais altas após o tratamento de intervenção,
todos os índices utilizados nas estatísticas descritivas (moda, mediana, desvio padrão,
variância, amplitude) e inclusive a distribuição de frequências, apontaram para a
superioridade das notas do pós-teste do grupo experimental. Por fim, concluiu-se que foi
possível desenvolver um curso de Iniciação a Competência em Informação, no formato EaD,
capaz elevar o nível de Competência em Informação dos seus participantes.
Palavras-Chave: Competência em Informação. EaD. Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Abstract
This study aimed to show what are the impacts suffered by participants in an introductory
course on Competency in Information on distance education format. In addition, it brings
forebodings about facilitating a racing course in basic information without direct costs, used
hand work very reduced, low workload, but able to raise the competence level of information
of its participants. The method adopted to conduct the study was experimental and both the
study included 3 accidental groups of 43 volunteers: one experimental group and two control,
totaling 129 participants. The research was developed in four stages: preparation of the course
of study; construction of the Virtual Learning Environment; mentoring and implementation of
the current; and use control groups. Data collection was conducted through questionnaires
based on scenarios in which study participants had their skills in Information tested before
and after the intervention procedure. Found significant amounts of higher grades after
treatment intervention, all the indexes used in descriptive statistics (mode, median, standard
deviation, variance, range) and even the distribution of frequencies, pointed to the superiority

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of notes posttest the experimental group. Finally, it was concluded that it was possible to
develop an Initiation Program Competency in Information on distance education format, able
to raise the competence level of information of its participants.
Keywords: Information Literacy. Distance Education. Virtual Learning Environments

1 Introdução
Mesmo com a quantidade expressiva de estudos realizados sobre Competência em
Informação no Brasil, especialmente a partir dos anos 2000, percebe-se que ainda são escassas
as pesquisas nacionais que visem à consecução de métodos e estratégias voltadas às práticas
de promoção destas competências. Apesar de algumas universidades brasileiras já
disponibilizarem a disciplina “Competência Informacional” em seus currículos, tal fenômeno
ocorre de forma pontual, sendo raros os programas abertos ao público e mais escassos ainda
no formato EaD. “Pode-se considerar que o conceito bem como os programas de
desenvolvimento de competência informacional estão ainda em construção. (CENDÓN;
COSTA, 2012, p.11).
No plano prático, a intersecção da EaD com a Competência em Informação ainda se
encontra em um estágio rudimentar já que existe pouca divulgação sobre instituições de
ensino que tenham adotado a Competência em Informação em seus planos de
desenvolvimento educacional. Assim, buscou-se a implantação de um curso experimental de
Iniciação a Competência em Informação no formato EaD, esperando-se assim a aprendizagem
do uso eficaz, autônomo e crítico da informação por parte dos seus participantes.

2 Revisão de literatura
Destarte o trabalho em questão partiu da realização de um experimento cujo objetivo foi
avaliar os impactos sofridos por participantes de um curso de Iniciação a Competência em
Informação com todos os requisitos básicos ou seja, foram elaborados os conteúdos, os
exercícios, as avaliações, e as atividades que contaram com o acompanhamento de tutores
para orientar os participantes ao longo das aulas.
O curso de extensão de Iniciação a Competência em Informação contou com uma carga
horária de 40 horas e a sua construção foi baseada em tutoriais de Information Literacy
consagrados em universidades estrangeiras como: Finding Information on the Internet: A
Tutorial, da University of California, o TILT: Texas Information Literacy da University of
Texas, Tutorial da Literacia da Informação da Universidade de Évora, My Learning Essentials
da University of Manchester. Da mesma maneira, foram realizadas pesquisas documentais
com o intuito de conhecer e adotar Padrões de Competência em Informação de instituições
internacionais. Para tal, foram utilizados os seguintes documentos:
 Diretrizes sobre desenvolvimento de Habilidades em Informação para a
aprendizagem permanente, elaborada pela Seção de Habilidades em Informação da
Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA);
 Padrões de Competência em Informação da IFLA;

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 Padrões de Competência em Informação para o Ensino Superior da ACRL
(Association of College &amp; Research Libraries) /ALA (American Library
Association)
 Handbook for Information Literacy Teaching (HILT) da Cardiff University;
 O Media Education e o Manual de Alfabetização midiática e informacional, ambos
na UNESCO.
Portanto, a estrutura do Curso foi criada por meio da plataforma de Ensino a Distância da
Universidade Federal da Bahia (Moodle) e teve como referência os programas e os padrões
supracitados, levando em consideração os conteúdos, as metodologias e os exercícios
utilizados nestas iniciativas.

3 Materiais e métodos
Para a condução da pesquisa, foi adotado o método experimental clássico sugerido por
Creswel:
Quadro 1 – P rojeto de pré-teste e pós-teste com grupo de controle
Projeto tradicional e clássico, este procedimento envolve uma designação aleatória dos
participantes a dois grupos. É aplicado tanto um pré-teste quanto um pós-teste aos dois grupos,
mas o tratamento é proporcionado apenas ao Grupo A experimental.
Grupo A R_______________O1_________X____________O2
Grupo B R_______________O1______________________O2

Fonte: adaptado de Creswell. 2008, p. 195
Ao se transpor os elementos do quadro acima para a realidade aplicada neste trabalho
é possível observar que: O grupo A R = equivaleu a 43 participantes acidentais submetidos ao
evento experimental; O grupo B R = equivaleu a 43 participantes acidentais não submetidos
ao curso, que será o grupo de controle; X = “Curso de Iniciação a Competência em
Informação no formato EaD” variável única deste estudo; O1 = Questionário de avaliação
pré-intervenção; O2 = Questionário de avaliação pós-intervenção. O instrumento de coleta de
dados utilizado foi o questionário, aplicado em momentos distintos. Primeiramente foi
aplicado um questionário inicial, denominado “Nivelamento 1”, cujo objetivo era captar o
nível de Competência em Informação dos participantes antes da intervenção. Posteriormente,
foi aplicado outro questionário ao final do curso, chamado de “Nivelamento 2”. Tais
questionários foram adaptados com base em uma ferramenta chamada TRAILS (Tool for
Real-time Assessment of Information Literacy Skills) utilizada especificamente para a
avaliação de Competências em Informação.
O universo da pesquisa foi constituído por 129 participantes acidentais, distribuídos
em um grupo de intervenção (GE) e dois grupos de controle: o Grupo de Controle 1 (GC1) e o
Grupo de Controle 2 (GC2), cada um com 43 participantes, admitindo-se, como requisito
mínimo, possuir o ensino médio completo. Tais indivíduos foram captados por meio de

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anúncios publicitários, veiculados em listas de e-mail e em Redes Sociais. A caracterização
dos sujeitos da pesquisa ficou da seguinte forma: no Grupo Experimental 46,51% foram
alunos de cursos de graduação, seguidos por 30,23% com o curso de graduação completo, e
20,93% que já concluíram um curso de pós-graduação lato sensu, isto é, um curso de
especialização. Quanto ao restante, ou seja, 2,33%, eram doutorandos. Outra constatação
importante é a origem geográfica do aluno, sendo então contabilizadas nove localidades,
cobrindo as regiões do Nordeste (BA, SE, PE, CE, PB), Sudeste (MG, SP, RJ) e Centro-Oeste
(Distrito Federal). Dos 43 participantes, 55,8% são da Bahia, em seguida vem Minas Gerais
(9,3%), Sergipe (9,3%) e São Paulo (9,3%). Vale ressaltar que a faixa de idade deste grupo,
foi de 19 a 48 anos, e a idade média, foi de 34 anos. No Grupo de Controle 1: uma parte dos
43 questionários deste grupo, mais precisamente 15, foram entregues pessoalmente a alguns
participantes. Esse possuiu estudantes de nível médio, 65,12%, especialistas com 16,28 %,
estudantes de graduação 6,98%, mestres com 6,98% e pessoas com graduação completa
fechando com 4,65%. Quanto à localização geográfica dos participantes podemos afirmar que
100% foram do Estado da Bahia. O Grupo de Controle 2, possuí uma configuração muito
similar a do Grupo Experimental, uma vez que é composta por estudantes de graduação
(18,6%), pessoas com nível superior (23,3%), alunos com pós-graduação lato sensu (41,86%)
e stricto sensu (mestrado 16,3%). A distribuição geográfica dos participantes compreende
90,7% do Estado da Bahia, completado por e 2,3% de Minas Gerais, Rio de Janeiro e
Maranhão, respectivamente. Aqui houve um participante residente na Inglaterra representando
também 2,3%. Tal como no Grupo Experimental, aqui a idade média foi de 34 anos e a faixa
de idade variou entre 22 a 49 anos.

4 Resultados parciais/finais
Por se tratar da utilização do método experimental, fez-se necessário realizar análises
estatísticas detalhadas, a fim de se obter resultados mais precisos. Para facilitar a apresentação
dos resultados valeu-se da estatística descritiva e representação gráfica com perspectiva de
que estas possam ajudar a evidenciar similaridades ou disparidades entre os resultados dos
participantes da pesquisa.
Estatística Descritiva
Com o objetivo de sintetizar os valores das notas obtidas pelos participantes, foi
elaborada uma tabela que proporcionasse uma condição mais favorável à realização de
comparações e análises. A seguir estão dispostos os dados descritivos nos três grupos
pesquisados onde foram reveladas as medidas de tendência central: média, moda, mediana,
bem como as medidas de dispersão: amplitude, desvio-padrão, variância, formando o
conjunto de oito colunas. Foram colocados também os valores máximos de mínimos das notas
de cada um dos grupos, a linha inicial refere-se às notas dos testes realizados antes da
intervenção (nivelamento1) e a linha posterior corresponde aos dados alcançados após a
intervenção(nivelamento 2), formando “um par” de resultados que representa um resumo de
cada um dos três grupos, sucessivamente:

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Tabela 1 - Estatística descritiva: comparação dos grupos pesquisados

Controle 2

Controle 1

Experimental

GRUPO/
QUESTIONÁRIO

MÉDIA

MODA

MEDIANA

AMPLITUDE

Nivelamento 1

6,3

6,0

6,0

3,0

Nivelamento 2

6,7

6,5

6,5

4,0

3,7

Nivelamento 1
Nivelamento 2
Nivelamento 1
Nivelamento 2

DESVIO
PADRÃO

VARIÂNCIA

MÁXIMO

MÍNIMO

1,0

1,0

8,0

5,0

6,5

1,7

2,8

10

3,5

4,5

4,0

0,8

0,8

7,0

3,0

2,5

3,5

5,5

1,2

2,3

8,0

2,5

5,5

5,5

5,5

3,0

0,8

0,6

7,0

5,2

4,5

5,0

5,0

1,3

1,7

4,7

8,0

4,0
2,5

Fonte: pesquisa empírica, 2015.
A análise inicial dos dados descritivos permitiu inferir que:
No Grupo Experimental nota-se uma diferença muito baixa entre as médias dos testes
de pré e pós-intervenção, acontecendo o mesmo entre os valores da moda e da mediana; no
caso dos valores da amplitude, do desvio padrão e da variância ocorreu o contrário, havendo
diferenças numéricas representativas, conforme a Tabela 1.
No Grupo de Controle 1 observa-se que todos os indicadores entre os dois testes são
diferenciados. É nítido que os melhores indicadores de tendência central foram obtidos no
teste pré-intervenção, acontecendo o mesmo com os índices de dispersão.
Já no Grupo de Controle 2, tal como no Grupo Experimental, percebeu-se diferença bastante
discreta entre os valores das médias e das medianas, mas todos os valores das medidas de
dispersão também tenderam significativamente a ser maiores no pós-teste.
Ao se comparar os 6 testes aplicados, é perceptível que o pós-teste do Grupo
Experimental proporcionou os melhores índices de tendência central, e apresentou os maiores
valores de dispersão com desvio padrão 1,7 e variância 2,8. Esse quadro representa um
indício de que parte deste grupo (47%) não conseguiu reagir bem ao tratamento (participação
no curso) estando possivelmente vulneráveis aos elementos de validade interna (SILVA e
PINTO, 1989), (comprometimento, assimilação, interesse e disciplina) e por isso não se
equiparou ao rendimento médio da outra parte (53%).Vale ressaltar a semelhança de
comportamento entre o Grupo Experimental e o Grupo de Controle 2, visto que em ambos foi
detectada uma diferença discreta entre as médias (6,3 e 6,7 no Grupo Experimental; 5,5 e 5,2
no Grupo de Controle 2).
A melhor nota entre as máximas, levando em consideração todos os testes, foi 10,0 no
nivelamento 2 do Grupo Experimental e a pior, foi 7 ocorrendo tanto no nivelamento 1 do
Grupo de Controle 1 quanto no nivelamento 1 Grupo de Controle 2. A melhor nota entre as
mínimas, foi 5 registrada no nivelamento 1 do Grupo Experimental e a pior foi 2,5 no
nivelamento 1 do Grupo de Controle 1 e no nivelamento 2 do Grupo de Controle 2. A maior

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média e a maior variância alcançada pelo Grupo Experimental no pós-teste, permitem inferir
que o tratamento empregado, (Curso de Iniciação à Competência em Informação) tenha
surtido algum efeito transformador nesse grupo.
Apesar das medidas da Tabela 1 serem precisas, percebe-se que não é possível notar o
rendimento dos participantes de forma específica, já que as medidas de tendência central ou
de dispersão generalizam o comportamento das turmas, impedindo que sejam percebidos
detalhes sobre o desempenho dos participantes durante o experimento. Portanto, a fim de se
perceber melhor a ocorrência das notas e visando uma segurança maior à interpretação dos
dados, buscou-se a elaboração de distribuição de frequências. A tabela de distribuição de
frequências procura realçar o que há de essencial na distribuição dos dados e também tornar
possível o uso de técnicas analíticas para sua total descrição, até porque a Estatística tem por
finalidade específica analisar o conjunto de valores, desinteressando-se por casos isolados
(CRESPO, 2004).

Representação Gráfica
Em seguida, está um gráfico de distribuição de frequência referente a todos os grupos
trabalhados: nivelamento 1 e 2 do Grupo Experimental e nivelamento 1 e 2 dos Grupos de
Controle 1 e 2, respectivamente.

Nº de participantes

Gráfico 1 - Comparação das distribuições de frequências entre todos os grupos
40
35
30
25
20
15
10
5
0

2Ⱶ4
4Ⱶ6
6Ⱶ8
8Ⱶ10
GEN1

GEN2

GC1N1

GC1N2

GC2N1

GC2N2

Grupos pesquisados

Fonte: pesquisa empírica 2015
Ao observar as barras verticais correspondentes aos respectivos grupos pesquisados e
compará-las com as respectivas faixas de notas da legenda, é possível interpretar que o Grupo
Experimental obteve o melhor rendimento entre todos os grupos independente de ter sido no
nivelamento 1 ou 2 com 17 participantes na faixa 8-10. Em seguida, o Grupo de Controle 2
aparece com 2 participantes com notas no intervalo entre 8-10 e por último vem o Grupo de
Controle 1 que teve 1 participante nesta mesma faixa.
Esta representação permitiu inferir que os resultados dos testes de nivelamento podem
estar ligados ao nível de escolaridade dos grupos e as variáveis interna (SILVA E PINTO,
1989) dos participantes (compromisso, motivação, dedicação e assimilação). Tal afirmação
procede pelo fato de que no Grupo Experimental, em, que houve boa participação de
estudantes de nível superior e pessoas com nível superior completo, observou-se o melhor
desempenho de notas. Em seguida o Grupo de Controle 2 houve grande incidência de pessoas
com especialização e nível superior completo foi aquele que mais se aproximou do Grupo

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Experimental. Entretanto, no Grupo de Controle 1, cuja predominância foi de alunos de nível
médio, foi percebido o pior desempenho de notas.
Em relação ao Gráfico 1, uma observação importante é notar o avanço de notas no
Grupo Experimental, já que por meio das barras azuis averigua-se que após a participação dos
alunos no curso de Iniciação a Competência em Informação o número daqueles que
conseguiram obter notas na faixa de 8 a 10 sai de 5 no pré-teste para 12 no pós-teste,
alcançando-se mais que o dobro do tamanho da barra, e isso pode ser considerada uma forte
evidência sobre a eficácia da intervenção empregada (curso de formação em Competência em
Informação).
Os índices obtidos por meio da estatística descritiva e da distribuição de frequências
apontaram um acréscimo de média sutil 6,3 para 6,7 no desempenho do Grupo Experimental
nas fases pré-teste e pós-teste, respectivamente. Diante de tal fato foi realizado o teste de T de
Student para amostras relacionadas, cujo resultado confirmou não haver diferenças entre estas
médias do ponto de vista estatístico, acontecendo o mesmo com as médias 5,2 e 5,5 do Grupo
de Controle 2. No entanto, as diferenças entre as variâncias 1,0 e 2,8 respectivamente,
juntamente com os resultados das distribuições de frequências, sendo 27,91% do nivelamento
2 contra 11,63 % do nivelamento 1, correspondente a faixa de notas (8Ⱶ10),) indicam uma
melhoria direta de 16,28% das notas após a intervenção.
Diante da diferença estatisticamente insignificante, foi admitido um desenho
metodológico chamado de “Plano pós-teste e grupo de controlo” (SILVA e PINTO, 1989),
cujo desenho se apresenta da seguinte forma:
A X ܱଵ
A ܱଶ
Onde: A é designação aleatória, X é o elemento de intervenção ܱଵ e ܱଶ são os grupos
pós-teste experimental e de controle, respectivamente. Sobre essa condição Silva e Pinto,
(1989 p. 224) revelam que: “Trata-se do plano experimental porventura mais simples e eficaz,
já que dispensa o pré-teste sem por isso ser afectado quer no plano da validade interna quer no
plano da validade externa”. E ainda inteiram que: “Também do ponto de vista do teste de
significância este plano reveste-se de grande simplicidade bastando uma simples estatística t
de diferença de médias” (SILVA; PINTO, 1989 p. 224).
Dessa maneira, o primeiro estudo foi configurado a partir da comparação entre as
médias do pós-teste do Grupo Experimental e o Grupo de Controle 1, ficando notória a
diferença entre as médias sendo 6,7 do pós-teste do grupo de controle contra 3,7 do grupo de
controle.
O segundo estudo também obedeceu ao plano “Pós-teste e grupo de controlo”
(SILVA; PINTO, 1989), configurando-se a partir da comparação entre as médias do pós-teste
do Grupo Experimental e o Grupo de Controle 2. A partir da aplicação deste desenho
metodológico foi possível constatar novamente a superioridade na média do pós-teste do
Grupo Experimental sendo 6,7 do Grupo Experimental contra 5,2 do Grupo de Controle 2.
É importante dizer que estes dois estudos são os mais seguros no que diz respeito à
prevenção de ameaças a validade interna e externa conforme abordado por Silva e Pinto
(1989). Dentro desse contexto ainda é válido considerar as diferenças porcentuais ao se cruzar
as faixas de notas de 8 a 10 do nivelamento 2 do Grupo Experimental com esta mesma faixa
de notas do Grupo de Controle 1 sendo possível observar 27,91% contra 2,33% (diferença de
25,58%). Da mesma forma ocorre o mesmo realizando o cruzamento do Grupo Experimental
com o grupo de controle 2 observa-se 27,91% contra 4,65%, respectivamente, resultando na
diferença de 23,26%. Tal condição permite alegar que o Curso de Iniciação à Competência em
Informação gerou impactos positivos nos participantes da pesquisa, já que foi justamente a
matriz pós-intervenção do grupo experimental a zona que reuniu as melhores notas, conforme
consta em todos os índices dos testes realizados.

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5 Considerações parciais/finais
O presente estudo permitiu perceber e identificar os efeitos práticos que um curso de
Competência em Informação pode provocar a um determinado grupo de indivíduos. Em
relação ao objetivo geral da pesquisa, é possível afirmar que o uso do método experimental se
mostrou apropriado para isolar a variável em questão, que neste caso foi o próprio curso de
iniciação à Competência em Informação, possibilitando assim, compreender que as
implicações da pesquisa não sofreram interferências de fatores alheios àqueles previamente
planejados. Inclusive o trabalho foi realizado com dois grupos de controle diferentes para que
dessa forma, fosse possível obter conclusões mais seguras possíveis. A realização dos pré e
pós-teste expressaram os rendimentos das turmas, sendo possível constatá-los por meio das
distribuições de frequência e das estatísticas descritivas. Sendo assim, tais procedimentos
permitiram:
- Demonstrar a viabilidade e a eficácia do ensino da competência em informação no
formato EaD: nesse sentido foi possível constatar que a montagem e execução das atividades
do curso foram possíveis sem maiores complicações, ainda que não tivessem sido feitos
grandes investimentos e nem contado com o quantitativo de pessoal adequado. Mesmo com
tal insuficiência, foi possível manter o curso até o seu final, com 43 cursistas ativos. A
eficácia do programa pode ser constatada pelo bom índice de aprovação dos participantes já
que apenas 4 não conseguiram obter rendimento suficiente para tal.
- Identificar fatores que favoreceram ou dificultaram a inserção e a adoção do curso de
Competência em Informação na modalidade a distância, sendo válido salientar que: a
utilização do formato EaD, o planejamento, a execução das aulas, as avaliações e a aceitação
dos participantes foram fatores que favoreceram diretamente o acontecimento e a conclusão
do curso. Já os investimentos e o pessoal foram fatores dúbios: já que a possibilidade de
garantir o funcionamento do curso até o final, sem investimentos diretos e com baixíssimo
contingente de pessoal foram fatores que ajudaram a viabilizar o acontecimento da pesquisa.
Em contrapartida, se o curso recebesse um investimento que possibilitasse a aquisição de
equipamentos para gravação de áudio e vídeo, ou que permitisse a contratação de pedagogos,
designer gráficos, conteudistas ou mais tutores, por exemplo, certamente poderia ter sido
elaborado um Ambiente Virtual mais incrementado e o atendimento ao aluno poderia ter
ganhado mais agilidade ainda. Sumarizando os resultados do experimento realizado, foi
possível observar as seguintes constatações:
É possível confeccionar e operacionalizar um Curso de Iniciação à Competência em
Informação, eficaz, sem custo direto, e com mão de obra reduzidíssima obtendo resultados
significativos;
Um curso de 40 horas foi suficiente para formar um conteúdo sinteticamente
abrangente, capaz de elevar o nível de Competência em Informação dos seus participantes;
O formato EaD mostrou-se bem apropriado para a aprendizagem das competências em
informação, inclusive para pessoas que nunca tiveram a experiência com esta modalidade de
ensino, nem com a própria Competência em Informação;
43 pessoas foram diretamente beneficiadas com a realização do curso, sendo que 39
tiveram suas competências informacionais realmente elevadas;
Foram necessários 318 dias corridos para que uma pessoa apenas fizesse a toda
montagem do curso, contando com o apoio de uma coordenadora e mais um tutor, para a
operacionalização das aulas e a resolução de alguns trâmites burocráticos.
Acima de tudo, este trabalho mostrou o potencial e a capacidade que o bibliotecário

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tem para fomentar as práticas de ensino da competência em informação, inclusive no formato
EaD.
Os resultados da pesquisa mostraram a eficácia do curso criado que possibilitou a
elevação do nível de competência em informação dos seus participantes. Esse quadro além de
contribuir para o desenvolvimento de estudos e ações pragmáticas da competência em
informação no Brasil, reafirma também o prenúncio de uma nova perspectiva de atuação deste
profissional, que no passado ensinava a buscar e usar a informação nas bibliotecas e que agora
pode também ensinar as pessoas como se relacionar com o universo informacional da
atualidade, sobretudo a internet.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Este estudo tem como objetivo mostrar quais são os impactos sofridos por participantes de um curso de iniciação à Competência em Informação no formato EaD. Além disso, traz prenúncios sobre como viabilizar um curso de Competência em Informação básico, sem custos diretos, utilizado mão de obra reduzidíssima, carga horária baixa, mas capaz de elevar o nível de Competência em Informação dos seus participantes. O método adotado para realização da pesquisa foi o experimental e para tanto o estudo contou com 3 grupos acidentais de 43 voluntários: sendo um grupo experimental e outros dois de controle, totalizando 129 participantes. A pesquisa se desenvolveu em 4 etapas: pesquisa de elaboração do curso; construção do Ambiente Virtual de Aprendizagem; tutoria e execução do curso; e utilização grupos de controles. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários baseados em cenários, nos quais os participantes do grupo experimental tinham suas Competências em Informação testadas antes e depois do procedimento de intervenção. Foram encontradas quantidades expressivas de notas mais altas após o tratamento de intervenção, todos os índices utilizados nas estatísticas descritivas (moda, mediana, desvio padrão, variância, amplitude) e inclusive a distribuição de frequências, apontaram para a superioridade das notas do pós-teste do grupo experimental. Por fim, concluiu-se que foi possível desenvolver um curso de Iniciação a Competência em Informação, no formato EaD, capaz elevar o nível de Competência em Informação dos seus participantes.</text>
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                <text>O objetivo deste trabalho é identificar os artigos do código de ética do bibliotecário que podem ser adaptados para atender às relações que se estabelecem durante a realização das atividades de serviço de referência virtual. Os resultados indicam que o serviço de referência virtual é afetado pelas fragilidades das relações humanas, pelas possibilidades de acesso de usuários e bibliotecários a recursos tecnológicos e também por aspectos sociais e culturais dos atores envolvidos nesse serviço. As conclusões indicam que cabe às bibliotecas compreender a realidade da comunidade a que atendem e, também, buscar o encurtamento das distâncias existentes entre profissionais e usuários. O trabalho destaca a necessidade da revisão de artigos do código de ética proposto pelo Conselho Federal de Biblioteconomia para que tal código seja visto como um instrumento atualizado quanto às diferentes relações que se estabelecem no dia a dia dos bibliotecários.</text>
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                    <text>O BIBLIOTECÁRIO E SUA ATUAÇÃO NA GESTÃO DE CONFLITOS:
ESTUDO DE CASO DO SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS DA
UNIVASF

Ana Paula Lopes da Silva (UNIVASF) - anapaula.llopes@hotmail.com
Lucídio Lopes de Alencar (UNIVASF) - lucidio.alencar@univasf.edu.br
Thyanne Michelle Ferreira Alves (UNIVASF) - thyanne.michelle@univasf.edu.br
Luciana Souza Oliveira (UNIVASF) - luciana.souza@univasf.edu.br
Resumo:
Identifica e avalia a atuação do bibliotecário na função de coordenador de Unidade de
Informação, no que tange ao processo de gestão de conflitos e as estratégias adequadas para
lidar com essas situações, tendo como referencial, o Sistema Integrado de Bibliotecas da
Univasf. Como procedimento metodológico utilizou-se a aplicação de questionário online aos
gestores das bibliotecas do Sistema para verificar as principais causas de conflitos e seu
gerenciamento. Os dados obtidos demonstraram que a frequência de conflitos nas bibliotecas
do SIBI são ocasionais e quando ocorrem, os bibliotecários adotam como estratégia, a
conciliação, reunindo os envolvidos, de modo a criar um clima organizacional favorável ao
diálogo, evitando que situações de divergências se posterguem e interfiram na produtividade
da equipe.
Palavras-chave: Conflitos. Gestão de conflitos. Bibliotecário. Unidades de informação.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão de Pessoas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A biblioteca universitária assim como as demais organizações tem em sua base de
atuação os recursos humanos que são primordiais ao desenvolvimento institucional,
principalmente no que se refere à prestação de serviços e atendimento aos usuários.
Nesse contexto, torna-se ambiente propício à geração de conflitos, pois um grupo de
pessoas constitui-se em um complexo de personalidades, comportamentos e percepções
diferenciadas que quando confrontadas podem prejudicar o trabalho em equipe e refletir
consequências diretas na qualidade do atendimento.
Dubrin (2003 apud PEREIRA et al., 2009, p. 5) define conflito como um método de
discordância entre “indivíduos ou grupos nas organizações, quando as partes envolvidas
exercem poder na busca de metas ou objetivos valorizados e obstruem o progresso de uma ou
várias metas”. Choques de objetivos e metas podem decorrer de problemas de gestão, pois
indicam a inconsistência dos ideais da organização perante os colaboradores e apontam a
necessidade de intervenção do gestor. Nas bibliotecas, este papel de mediador de conflitos
cabe ao bibliotecário.
Quando isso ocorre na biblioteca, qual a postura do bibliotecário como gestor diante
das situações de conflitos? Que medidas são adequadas para a contenção de conflitos numa
instituição? Esses questionamentos compõe a problemática desta pesquisa.
Objetiva-se no trabalho identificar e avaliar a atuação do bibliotecário, na função de
coordenador de Unidade de Informação (UI), no que tange ao processo de gestão de conflitos
e as competências adequadas para lidar com essas situações, tendo como referencial, o
Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI) da Universidade Federal do Vale do São Francisco
(UNIVASF).
O trabalho pretende contribuir para a melhoria no processo de gestão dos recursos
humanos nas bibliotecas do SIBI/UNIVASF, na medida em que abordará conflitos no
relacionamento interpessoal da equipe, bem como as competências utilizadas pelos
bibliotecários para sanar situações conflituosas.

2 Revisão de literatura
2.1 O contexto das organizações
Para compor um sistema que funcione ordenadamente é preciso a realização de um
trabalho conjunto. Deste modo, surge a organização que consiste na união de pessoas,
métodos e recursos para atingir objetivos. Na concepção de Cury (2000, p.116) “[...] a
organização é um sistema planejado de esforço cooperativo no qual cada participante tem um
papel definido a desempenhar e deveres e tarefas a executar”.
Vivemos numa sociedade de organizações, que são constantemente evidenciadas no
cotidiano seja por intermédio de serviços ofertados em hospitais, restaurantes e hotéis ou pela
utilização dos serviços bancários e instituições educacionais. De acordo com Maximiano
(2004, p.27) “as organizações são grupos sociais deliberadamente orientados para a realização
de objetivos, que, de forma geral, se traduzem no fornecimento de produtos e serviço”.
A fim de desenvolver as atividades e concretizar os objetivos adequados à sociedade,
as organizações devem ser bem estruturadas e desta forma, estão inseridas dentro de um
espaço e interagem com ele, em uma troca mútua de influências, valores e atitudes
constituindo uma cultura dentro da organização, logo:
a cultura organizacional é um conceito essencial à construção das estruturas
organizacionais. Percebe-se, então, que a cultura de uma organização será um
conjunto de características que a diferencia em relação a qualquer outra. A cultura
assume o papel de legitimadora do sistema de valores, expressos através de rituais,
mitos, hábitos e crenças comuns aos membros de uma organização, que assim

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
produzem normas de comportamento genericamente aceitas por todos. (PIRES;
MACEDO, 2006, p.88)

Corroborando com o exposto acima, Chiavenato (2005, p.165) define o termo
apresentado (cultura organizacional), como cultura corporativa, determinada por aspectos
culturais (normas e expectativas), seguidos por todos os integrantes da organização. A cultura
organizacional “representa as percepções dos dirigentes e funcionários da organização e
reflete a mentalidade que predomina na organização. Por essa razão, ela condiciona a
administração das pessoas.” Portanto, todo esse sistema deve ser bem elaborado e ordenado,
com o propósito de funcionar de maneira harmoniosa.
Chiavenato (2005) discorre sobre a hipótese de que os seres humanos são providos de
cultura, por serem integrantes de algum sistema cultural. Os indivíduos julgam as outras
culturas com base em sua própria vivência. Assim, com a diversidade de opiniões e pontos de
vista diferentes, constrói-se um campo propício, nas organizações, ao surgimento de conflitos.
Ainda de acordo com Chiavenato (2006), existem alguns fatores que promovem a
integração do homem à organização, como a formação de uma cultura organizacional atenta
às relações interpessoais. No que se refere a essas relações, surge a questão: em uma
organização, como gerenciar um grupo tendo em vista que possuem aspectos distintos (ideias,
crenças, costumes, regras, técnicas, etc.), a fim de solucionar conflitos de trabalho?
Em termos gerais, tendo em vista que a Administração Pública tem por objetivo
trabalhar a favor do interesse coletivo e da prestação de serviço de qualidade, é imprescindível
uma maior atenção quanto à gestão de pessoas nas instituições do poder público. De modo
específico, nos setores dentro das organizações pública de ensino, como por exemplo, as
bibliotecas, essa tarefa é responsabilidade dos coordenadores/diretores que devem gerenciar e
solucionar os conflitos existentes na equipe.
2.2 Uma abordagem sobre conflitos
A convivência em sociedade exige dos seres humanos a superação de conflitos
provenientes de questões: políticas, econômicas e socioculturais. Os conflitos estimulam a
discussão e a avaliação de situações - problemas. Normalmente, sentimentos de disputa,
inveja e competição podem acabar ocasionando ruptura entre pessoas que trabalham em
equipe.
A etimologia da palavra conflito vem do latim conflictu que significa choque, embate,
discussão, antagonismo, oposição, momento crítico. Se realizarmos uma investigação na
história da humanidade observaremos que a convivência em sociedade é formada por
inúmeros confrontos, desde a disputa por territórios e poder ou ainda riquezas que fazem parte
da vida da civilização humana, afinal cada indivíduo tem interesses e objetivos distintos.
A gestão de conflitos numa organização pode envolver fatores administrativos,
psicológicos ou financeiros. Cabe ao gestor, observar às mudanças constantes de
comportamento do grupo de trabalho, no intuito de identificar prováveis dissonâncias na
execução dos serviços . Stadles e Pampolini ratificam que:
o gestor deve estar atento às formações de “panelinhas”, às fofocas, aos boatos e a
redução de produtividade dos seus colaboradores. Tudo isso pode ser indício de que
alguma coisa não vai bem. Algo precisa ser feito, pois a perda é considerável num
ambiente onde as pessoas vivem em conflito. ( 2014, p.146).

Os fatores mencionados anteriormente podem causar prejuízos no desempenho da
equipe de trabalho de forma coletiva e individual. É necessário que os conflitos sejam
detectados e resolvidos pelo gestor, pois eles podem trazer mudanças positivas para a
instituição e crescimento da equipe ou provocar a ruína do grupo e desarmonia na
organização. Stadles e Pampolini (2014, p.148) afirmam ainda ser fundamental ao
administrador de situações conflituosas “maximizar os efeitos construtivos e minimizar os
efeitos destrutivos para sua instituição”.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Os conflitos podem ser divididos
pessoal e externos, referentes a
intraorganizacional e interorganizacional
contraditório é algo inerente a natureza
gravidade do conflito:

em: internos, relacionados aos dilemas de ordem
níveis: interpessoal, intragrupal, intergrupal,
(CHIAVENATO, 2014), percebe-se então que o
humana. O mesmo autor destaca três níveis de

Conflito percebido - as partes percebem e compreendem que o conflito existe por
que sentem que seus objetivos são diferentes dos objetivos dos outros e que existem
oportunidades para interferência ou bloqueio. É o conflito latente que as partes
percebem que é potencial.
Conflito experienciado - quando provoca sentimentos de hostilidade, raiva, medo,
descrédito entre uma parte e outra. É o conflito velado, quando é dissimulado, oculto
e não manifestado externamente com clareza.
Conflito manifestado - é representado pelo comportamento de interferência ativa ou
passiva por pelo uma das partes. É o chamado conflito aberto que se manifesta sem
qualquer dissimulação (CHIAVENATO, 2014, p. 389).

Para resoluções de conflitos é preciso identificar quais foram às motivações que
desencadearam o enfrentamento entre os envolvidos e buscar anulação dos antagonismos
existentes.
2.3 O bibliotecário e a gestão de conflitos
O SIBI é um órgão suplementar subordinado ao Gabinete da Reitoria da Univasf e tem
o objetivo de integralizar e padronizar os serviços de todas as bibliotecas da Universidade.
A estrutura organizacional do SIBI é orientada por um regimento interno, no qual
estão estabelecidas, as relações administrativas entre a Direção do Sistema e seus diversos
setores, divididos em: Coordenação Técnica, Chefia de Processos Técnicos, Chefia de
Referência e Informação e Chefia das Bibliotecas Setoriais.
A Univasf é uma Instituição de Ensino Superior (IES) multicampi, com atuação em
três Unidades da Federação (UF): Pernambuco (Petrolina – Sede e Ciências Agrárias), Bahia
(Juazeiro, Sr. do Bonfim e Paulo Afonso) e Piauí (São Raimundo Nonato), composta por 06
bibliotecas. No campus Petrolina Sede, está localizada a Biblioteca Central, onde funciona a
Direção do SIBI e nos demais campi localizam-se as bibliotecas setoriais, todas coordenadas
por bibliotecários.
Nesta perspectiva, as bibliotecas universitárias dão suporte as atividades acadêmicas e
são espaços sociais onde pesquisadores, docentes e discentes, vão em busca de fontes de
informações que possam subsidiar os estudos e projetos de pesquisas.
A equipe de atendimento dessa clientela precisa passar por treinamentos,
capacitações, deve possuir conhecimento técnico relacionado aos serviços de rotina, aptidão
para relacionamento interpessoal, capacidade para trabalho em equipe e algumas habilidades
cognitivas para captar as necessidades dos usuários que, na maioria das vezes, chegam a
biblioteca sem saber expressar a sua demanda informacional, assim como, sem conhecer o
funcionamento do setor.
A manutenção da qualidade do serviço está ligada diretamente a capacidade de
interação do grupo e liderança do gestor que deve comunicar-se com a equipe, mantendo um
diálogo com o grupo de trabalho.
A esse respeito, Eduvirges (2013, p.10) diz: “Nas unidades de informação, uma boa
comunicação é fundamental que o gerente realize entre os funcionários e usuários, pois o
gestor além de realizar uma comunicação clara e flexível, deve saber ouvir e trocar ideias
entre todas as pessoas”.
Liderar com diálogo, motivação e compreensão para que as relações fluam
naturalmente sem pressão e exigências, lidar com a equipe, estar aberto a novas ideias, prezar
pela qualidade do serviço, são habilidades essenciais à gestão.
Na função de gestor em UI, o profissional bibliotecário deve está preparado para lidar

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com qualquer tipo de embate que venha a surgir com a equipe de trabalho, atuando como
mediador em situações conflituosas, de modo a evitar reflexos negativos na prestação de
atendimento aos usuários. Inoue e Oliveira (2007, p.392), destaca que é “papel do
administrador/ gerente da biblioteca saber administrar conflitos e criar um ambiente de
trabalho onde o conflito possa ser usado como um impulsionador do crescimento e
produtividade”.
Silva (2005) aponta este profissional como “controlador de distúrbios”, pois busca
resolver divergências do grupo em UI, destacando algumas competências a serem
desenvolvidas pelo gestor de biblioteca, tais como:
• Empreendedor - alerta às demandas da UI, planejar novos projetos;
• Líder - capacidade de coordenar, aplicar objetivos, fazê-los cumprir;
• Planejador – traçar estratégias para cumprir metas, contratar, realocar pessoas;
• Monitor - orientar a equipe;
• Avaliar desempenhos - estar atento à qualidade do serviço, treinando a sua equipe;
• Saber delegar - distribuir tarefas às pessoas certas.
A geração de conflitos deve ser alvo de investigação no âmbito das chefias de
bibliotecas, ressaltando-se como responsabilidades dos administradores das bibliotecas
universitárias:
[...] às ofertas de oportunidades de capacitação, qualificação contínua, às ofertas de
apoio e de manifestação de reconhecimento dos progressos individuais dos
trabalhadores, à promoção de avaliações periódicas da performance e à satisfação de
sua equipe de trabalho.” (SILVEIRA, 2009, p.138, grifo do autor).

No papel de gerente/líder, cabe ao bibliotecário assumir o compromisso de
desenvolver ações de qualificação contínua e gestão de pessoas que promovam o crescimento
da equipe, evitando a existência de desacordo entre os colaboradores.

3 Materiais e métodos
A pesquisa constitui-se em estudo de caso, pois investiga e descreve uma situação
específica de determinada instituição, a Univasf por meio do Sistema Integrado de
Bibliotecas. Segundo Yin (2005, p. 20) esta estratégia de pesquisa contribui “[...] com o
conhecimento que temos dos fenômenos individuais, organizacionais, sociais, políticos e de
grupos, além de outros fenômenos relacionados”.
Apresenta abordagem qualitativa baseada na seleção dos dados obtidos e identificação
de seus inter-relacionamentos, busca-se a compreensão do objeto pela percepção dos atores
envolvidos, proporcionando espaço à reflexão do pesquisador. O estudo se apoia em pesquisa
bibliográfica com vistas a explorar conceitos da área de gestão de conflitos.
O universo da pesquisa é composto pelo SIBI/UNIVASF, tendo como população os
bibliotecários atuantes nas coordenações das seis Unidades de Informação dos campi:
Petrolina e Ciências Agrárias – PE, Juazeiro, Senhor do Bonfim e Paulo Afonso – BA e São
Raimundo Nonato – PI,.
A coleta de dados foi realizada utilizando questionário elaborado na plataforma
“Google drive”. Esse instrumento de coleta, segundo Gil (1999, p.128) pode ser definido
como a “técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de
questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões,
crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas, etc”.
O Instrumento de pesquisa, constituído por (6) seis questões (perguntas fechadas,
porém com espaço para comentários) com abordagem da temática identificação e
gerenciamento de conflitos foi disponibilizado aos Coordenadores das Bibliotecas do SIBI,
em formato online.

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4 Resultados finais
Dentre as diversas atribuições do coordenador de unidades informacionais, além de
aptidão para liderança e gestão de pessoas, está a administração de conflitos. Nessa
perspectiva, os dados coletados estão evidenciados, conforme demonstrado abaixo.
No gráfico 1 identificou-se que 83,3% dos respondentes informaram que a ocorrência
de conflitos se efetua de forma esporádica, enquanto 16,7% afirmaram que sempre ocorrem
conflitos. Desta forma, ratifica-se a ideia da biblioteca como ambiente propício à ocorrência
de conflitos, assim como nas demais organizações.
Os funcionários que atuam nestes Centros de Informação, além de lidar com os
colegas de trabalho, devem também saber conduzir o atendimento ao mais diverso público
que se utiliza dos serviços da biblioteca e que certamente influencia no curso das atividades
de trabalho da equipe.
Na avaliação, constatou-se que cada bibliotecário do Sistema se depara, embora não
constantemente, com situações conflituosas, sendo necessário, portanto, intensificação e
orientação da equipe quanto aos prejuízos trazidos pelos conflitos a imagem da instituição, a
qualidade do serviço prestado e ao bem-estar do próprio grupo. Para tanto, o bibliotecário
deve procurar capacitar-se constantemente quanto à temática de gestão de conflitos. E
certamente, um dos primeiros passos e mais importante nessa gestão é identificar as causas
desses embates surgidos no ambiente de trabalho, como foi questionado aos bibliotecários do
SIBI/UNIVASF.
Gráfico 1 - Frequência dos conflitos no ambiente de trabalho.

Fonte: Elaborado pelos autores (2016)

Quanto a origem desses conflitos, das opções listadas na pergunta (gráfico 2) foi
possível detectar que as alternativas: Divergências de opinião / diferenças culturais e
Conflitos antigos não resolvidos foram as mais citadas com 66,7%. Das alternativas seguintes:
Falta de cooperação/ Grupo pouco unido e Falha na comunicação e má interpretação de
informações foram assinaladas por 50% da população contemplada no estudo. Por sua vez,
33,3% apontaram como causadores de conflito os Problemas pessoais não relacionados com
o trabalho, Indivíduos com fraco desempenho e Outros motivos, como por exemplo,
“usuário insatisfeito com o atendimento” e “funcionário com trabalhos fora da
organização”. Os resultados restantes são pequenos em ordem de grandeza, mas podem ser
analisados no gráfico.
Os confrontos de ordem externa e nível interpessoal, citados na discussão sobre
conflitos e trazidos por Chiavenato (2014) são os mais frequentes nas bibliotecas do SIBI.
Essas situações apresentam solução delicada, pois fogem ao conhecimento operacional da
organização que detém o bibliotecário e parte para a necessidade de trabalhar a educação e
valores na equipe para o alcance de um objetivo comum.

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Gráfico 2 - Origem de conflitos no trabalho.

Fonte: Elaborado pelos autores (2016)

No que diz respeito a forma de identificação desses conflitos, os resultados apontaram
que 83,3% dos gestores consultados identificaram o conflito nas Unidades de Informação, por
meio da Percepção do clima organizacional desarmonioso /discussões. No entanto, para
16,7% o conflito é percebido por intermédio da Informação advinda de outros funcionários.
O bibliotecário em seu papel de gestor deve ser um exímio observador para identificar
situações de conflito. Muitas vezes, por medo de se prejudicar no trabalho e perante a chefia,
a equipe camufla a ocorrência de conflitos ou situações que podem gerá-los. Isso impede que
o bibliotecário trabalhe com a prevenção desses conflitos que é de extrema importância para a
manutenção de um clima organizacional adequado na instituição.
Gráfico 3 - Identificação de conflitos.

Fonte: Elaborado pelos autores (2016)

Já estabelecido o conflito é preciso solucioná-lo, foi investigado perante os
coordenadores do SIBI, as ações tomadas diante desta questão (gráfico 4).
Os dados obtidos revelaram que 83,3% dos gestores consultados reúnem os
envolvidos na situação de conflito para uma conversa, já 16,7% informam que aguardam a
intensificação do problema para tomar decisões.
Atuar como conciliador é, certamente, a função inicial e mais adequada a ser utilizada
pelo bibliotecário antes de qualquer outra tomada de decisão, a exemplo de: advertências e
demissões. Deve-se procurar unir a equipe em função do ideal da organização e das
competências gerenciais e não deixar que pequenos desentendimentos ganhem força e se
tornem conflitos prejudiciais ao trabalho.

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Gráfico 4 - Formas de resolução de conflitos.

Fonte: Elaborado pelos autores (2016)

Abaixo, é possível avaliar algumas dessas competências no âmbito da população
investigada como podemos inferir mediante a análise das proposições listadas. A mais
recorrente, com 100% de alusão, foi a competência de saber ouvir, depois a capacidade de
negociação que ficou com margem significativa de escolha com 83,3%, a comunicação
alcançou 66,7% da preferência dos respondentes e a liderança apareceu com apenas 16,7%.
Assim, as competências mais citadas estão relacionadas diretamente com o ato de
escutar, o que exige do gestor uma postura de moderador, pois será ele o responsável por
guiar os conflitantes e negociar soluções.
Gráfico 5 - Competências utilizadas pelos gestores na resolução de conflitos.

Fonte: Elaborado pelos autores (2016)

As competências mencionadas, bem como outras necessárias a resolução de conflitos
podem ser desenvolvidas pelos bibliotecários por meio de formação e capacitação.
Observando a representação gráfica abaixo, verificou-se que ao serem questionados se a
formação acadêmica do bibliotecário o habilita a lidar com situações de conflitos nas
organizações, foram obtidos os seguintes percentuais:
 83,3% disseram que não, visto que necessitam de cursos e capacitações para aprimorar
conhecimentos sobre como superar situações conflituosas no âmbito organizacional;
 16,7% afirmam que sim, porque durante o período acadêmico foram contemplados na
graduação, componentes curriculares como: Teoria Geral da Administração e
Organização, Planejamento e Administração de Bibliotecas, assim como Estágios
Supervisionados em instituições públicas e privadas que possibilitaram a abordagem
teórica e prática da mediação de situações conflituosas.

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Gráfico 6 - Formação acadêmica e administração de conflitos.

Fonte: Elaborado pelos autores (2016)

A maioria dos coordenadores do Sistema de Bibliotecas da Univasf, embora atuem
satisfatoriamente na gestão de conflitos, ainda encontram-se inseguros quanto à intervenção
nos confrontos da equipe, refletindo a necessidade de capacitação.
Vale ressaltar que a Universidade oferece anualmente Plano de Capacitação para os
servidores, nas áreas de Desenvolvimento Gerencial, Gestão Administrativa e Gestão de
Pessoas, oferecendo cursos voltados à temática de conflitos como: Liderança e
Desenvolvimento de Equipes, Relações Interpessoais no Trabalho e Desenvolvimento das
Competências Individuais.

5 Considerações finais
Pela análise das respostas ficou clara a necessidade de aperfeiçoamento do
bibliotecário para gerir conflitos, cabendo ao profissional que busca desempenhar com
excelência a função de administrador de Unidade de Informação, desenvolver competências
latentes e trabalhar limitações. Para Berg (2012, p.18), “ o conflito nos tempos atuais é
inevitável e sempre evidente. Entretanto, compreendê-lo, e saber lidar com ele, é fundamental
para o seu sucesso pessoal e profissional”.
Nesse sentido, em relação ao objetivo do trabalho foi constatado nos resultados que
além da competência de negociação associada a capacidade de liderança, comunicação,
mediar e resolver conflitos (saber ouvir) foram mencionadas pelos gestores do SIBI, como
imprescindíveis para contenção de conflitos nas bibliotecas da Univasf.
Portanto, identificou-se que os conflitos não são frequentes nas bibliotecas do SIBI,
contudo quando ocorrem, os bibliotecários adotam como estratégia, a conciliação, reunindo
os envolvidos, de modo a criar um clima organizacional favorável ao diálogo, evitando que
situações de divergências se posterguem e interfiram na produtividade da equipe.

6 Referências
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Curitiba: Juruá, 2012.
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos: o capital humano das organizações. 8. ed.
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EDUVIRGES, Joelson Ramos. O Profissional bibliotecário como gestor de unidades de
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                <text>Identifica e avalia a atuação do bibliotecário na função de coordenador de Unidade de Informação, no que tange ao processo de gestão de conflitos e as estratégias adequadas para lidar com essas situações, tendo como referencial, o Sistema Integrado de Bibliotecas da Univasf. Como procedimento metodológico utilizou-se a aplicação de questionário online aos gestores das bibliotecas do Sistema para verificar as principais causas de conflitos e seu gerenciamento. Os dados obtidos demonstraram que a frequência de conflitos nas bibliotecas do SIBI são ocasionais e quando ocorrem, os bibliotecários adotam como estratégia, a conciliação, reunindo os envolvidos, de modo a criar um clima organizacional favorável ao diálogo, evitando que situações de divergências se posterguem e interfiram na produtividade da equipe.</text>
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                    <text>NOVAS TECNOLOGIAS DE USO EM NUVENS APLICÁVEIS ÀS
BIBLIOTECAS
Francisco Carlos Paletta (USP) - fcpaletta@usp.br
Marcos Luiz Mucheroni (ECA-USP) - mucheroni.marcosl@gmail.com
José Fernando Modesto Silva (USP) - fmodesto@usp.br
Resumo:
Na atualidade, a crescente produção de conteúdo digital, e a consequente geração de dados
ocorrem sobre forte influência tecnológica. Neste cenário, nota-se que diversas bibliotecas de
abrangência global ocupam papel de destaque e atuam como referência no uso de recursos
computacionais e tecnológicos em desenvolver seus Serviços de Informação ao usuário.
Encontram-se apoiadas, com destacada evidência pela Online Computer Library Center
(OCLC). O objetivo deste artigo é destacar o desenvolvimento de serviços em nuvens e sua
aplicação no ambiente da Web Semântica. Em termos metodológicos, desenvolve-se um texto
descritivo, que a partir de uma revisão de literatura, descreve projetos e conceitos que
abordam estas novas tecnologias.
Palavras-chave: : Dados Ligados; Web Semântica; Mecanismos de Busca; VIAF; OCLC
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Acervos digitais e e-books

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

NOVAS TECNOLOGIAS DE USO EM NUVENS APLICÁVEIS ÀS
BIBLIOTECAS

Resumo
Na atualidade, a crescente produção de conteúdo digital, e a consequente geração de dados
ocorrem sobre forte influência tecnológica. Neste cenário, nota-se que diversas bibliotecas de
abrangência global ocupam papel de destaque e atuam como referência no uso de recursos
computacionais e tecnológicos em desenvolver seus Serviços de Informação ao usuário.
Encontram-se apoiadas, com destacada evidência pela Online Computer Library Center
(OCLC). O objetivo deste artigo é destacar o desenvolvimento de serviços em nuvens e sua
aplicação no ambiente da Web Semântica. Em termos metodológicos, desenvolve-se um texto
descritivo, que a partir de uma revisão de literatura, descreve projetos e conceitos que
abordam estas novas tecnologias.
Palavras-chave: Dados Ligados; Web Semântica; Mecanismos de Busca; VIAF; OCLC
Abstract
Nowadays the growing production of digital content and the consequent generation of data
occur under a strong influence of technology. In this scenario, it is noted that several libraries
plays an important role as a reference in the use of computer and technological resources in
developing Library Services for users supported by the Online Computer Library Center
(OCLC). The purpose of this article is to highlight the development of the Library Services in
the cloud and its application in the Semantic Web environment. In terms of methodology, we
developed a descriptive text, which from the literature review, presents projects and concepts
that address the use of these new technologies.
Keywords: Linked Data; Semantic Web; Search Engines; VIAF; OCLC

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Introdução
Na atualidade, a crescente produção de conteúdo digital, e a consequente geração de
dados ocorrem sobre forte influência tecnológica. Aspectos que tornam necessário
investimentos na criação e no aperfeiçoamento de ferramentas que envolva o processo de
captura e de validação dos dados, sua análise, organização, tratamento e armazenamento, bem
como o acesso permanente a informa digital.
O processo de curadoria dos dados deve abranger uma série de atividades que se inicia
pela determinação das corretas estruturas de dados que devem ser mapeados em diferentes
arquivos. Para este fim, é preciso incluir esquemas de metadados com objetivo de prover
longevidade e integração dos dados com os instrumentos de seus processos e análises. Sem a
adoção de metadados explicitos, a interpretação dos dados torna-se apenas implicitas. A
curadoria digital tem como foco a seleção, preservação, manutenção, coleção e arquivamento
dos dados digitais. Dados perdidos e não estruturados impossibilitam a sua coleta,
recuperação e integração com outros dados, em um ambiente de Web Semântica.
Neste cenário, em especial, nota-se que muitas bibliotecas de abragência global podem
ser visualizadas como modelo ou exemplo de casos por possuirem seus principais serviços
desenvolvidos sob influências tecnológicas. Estas bibliotecas, também se encontram apoiadas,
com destacada evidência, pela OCLC (Online Computer Library Center), criada em 1978,
como uma cooperativa sem fins lucrativos, com a finalidade de compartilhar tecnologias,
pesquisas e ideias inovadoras no ambiente das bibliotecas. No cenário mundial torna-se uma
importante referencia para o desenvolvimento de produtos, serviços e processos baseados em
tecnologias para bibliotecas (GOBDY; WANG; MIXER, 2015).
Deve-se entender "núvens" como plataformas e serviços de armazenamento
disponíveis em larga escala com acesso via Web, que é uma plataforma sobre a Web, onde o
armazenamento deve ser permanente (por exemplo, usando dispositivos de armazenamento
tipo storage, que garante este aspecto) e onde os serviços devem estar disponíveis de forma
amigável aos usuários. Neste contexto, o objetivo deste artigo é destacar o desenvolvimento
de serviços em nuvens e, ainda, a sua aplicação no ambiente da Web Semântica, bem como,
ressaltar os projetos bibliotecários envolvidos com o ambiente semântico.
Também, destaca-se a importância de desenvolver uma complexa teoria para o uso de
"software robôs" - é importante notar que uso deste robôs também chamados de agentes
inteligentes estão em pleno desenvolvimento - que lhes permitam vasculhar a Web por meio
do conceito de Linked Data (Dados Ligados), capazes de apoiar a tomada de decisões precisas
e confiáveis, e como esse conceito afeta os serviços bibliotecários. Em termos metodológicos,
desenvolve-se um texto descritivo que, baseado em revisão de literatura, descreve projetos e
conceitos que abordam os termos tratados.

A OCLC e os projetos para Web Semântica
A OCLC - Online Computer Library Cente, participa ativamente do Consórcio
Mundial da Web (World Wide Web Consortium - W3C), e em diversos projetos e ações
relacionadas ao desenvolvimento de sistemas que usam a tecnologia da Web Semântica. Citase comoexemplo: Schema Bib Extend Community Group (importante para decidir as
definições indexadas no Schema.org); o FIAF (Virtual International Authority File); e o FAST
(Faceted Application of Subject Headings). Ademais, a instituição promove recomendações
orientadas para organizações como a Google, o Yahoo, a Microsoft, e o Yandex, bem como, a
Wikipedia.

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O Grupo Extendido da Comunidade Bib(Schema Bib Extend Community Group)
O projeto do Schema Bib Extend Community Groupem é um grupo de trabalho que
tem a missão de discutir e preparar propostas que ampliem o esquema “schema.org” de
maneira a melhor representar a marcação e o compartilhamento da informação bibliográfica.
A OCLC desempenha papel ativo na criação e nas atividades do grupo cujo desenvolvimento
de propostas envolve emplementar vocabulário para Linked Data (OCLC, 2016).
O uso do Schema.org na descrição de recursos bibliográficos é uma maneira de
compartilhar dados estruturados sobre esses recursos na Web. O Schema é um vocabulário
genérico projetado para descrever a maioria das "coisas" encontráveis na Web, para tanto,
alguns procedimentos na nomeação de tipos e propriedades têm de ser feitas, quando
comparado com um vocabulário específico de um único domínio.
Por exemplo, no ambiente bibliográfico espera-se que os livros tenham uma
propriedade chamada "título", enquanto que no Schema.org usa-se o termo "nome". Além
disso, há procedimentos na granularidade de detalhes que podem ser descritos com o Schema,
em comparação com a riqueza dos vocabulários bibliográficos específicos. Esse domínio dos
detalhes bibliográficos específicos iria complicar o carácter genérico adotado pelo Schema.
Apesar disto, o Schema desenvolve um processo de descrição dos recursos bibliográficos em
detalhe suficiente para ser compreendido pelos mecanismos de busca e da Web em geral. O
Schema.org é um vocabulário que também pode ser representado em RDF (Resource
Description Framework), por todas as sinalizações RDF, como RDF/XML (W3C, 2015).
Como exemplo ilustrativo, apresenta-se na Figura 01 um modelo geral de
relacionamentos de uma coleção de páginas wiki (um conjunto de páginas interligadas, que
podem ser acessada e o seu conteúdo editado), que demonstram a marcação proposta para
uma obra em vários tipos. A finalidade é mostrar o uso de vocabulário e os exemplos de
marcação. O exemplo refere-se a um livro, com inclusão de link para uma descrição
conceitual da obra da qual é um exemplo, além de link para uma descrição do mesmo livro na
base de dados bibliográfica do WorldCat.org.
O exemplo da Figura 1 foi extraído da proposta desenvolvida pelo Schema Bib
Extend Community Group. O modelo é uma estrutura parcial de visualização das relações de
dados. Permite observar que os recursos bibliográficos não podem ser descritos
detalhadamente, tanto quanto desejado na implementação do catálogo bibliográfico
tradicional. Isto é por razões de clareza, concisão, etc. Trata-se ainda de proposta com um
protótipo experimental construído sobre um ambiente semântico.
O Schema adota, em seus processos de estruturação e ligação dos dados, o VIAF Virtual International Authority File, que a partir de sua criação, em 2012, evolui para se tornar
um serviço OCLC de importante referencia para identificação e localização de autores e dos
processos de controle de autoridade desenvolvidos no fluxo de trabalho de catalogação
realizada em bibliotecas. É um projeto que combina vários arquivos de nome de autoridade
em um único serviço de nome de autoridade. Ao longo do tempo, o número de agências
bibliográficas participantes tem crescido. Das 19 agências localizadas em 22 países, saltou
para 34 agências de 29 países (a partir de julho de 2014). O número de bibliotecas nacionais
cresceu para vinte e quatro (24), com um adicional de 11 bibliotecas nacionais provedoras de
dados para o VIAF. Está contribuição se dá, portanto, através de agências bibliográficas,
biblioteca nacionais, consórcios de bibliotecas, e/ou acordos institucionais (MURPHY, 2012).

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Figura 01 – Modelagem de Relacionamento de Recursos Bibliográfico no Schema.org

Fonte: W3C – Schema.org. https://goo.gl/TSMlVy

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VIAF – Virtual International Authority File
O serviço internacional da OCLC foi projetado para acesso compartilhado, e
uniformizado aos catalogos de autoridade criados pelas principais agências bibliográficas do
mundo (embora limitado nesta etapa experimental para consulta aos nomes de pessoas). Sua
concepção foi pensada como um dos componentes essenciais da Web Semântica, e que
permite presentar os nomes de pessoas na forma alfabética e de língua do usuário.
A longo prazo, o VIAF pretende incluir os registros de autoridade de muitas outras
bibliotecas de maneira a compor um serviço global, e livremente disponível na rede. Mediante
o relacionamento dos diferentes nomes de uma mesma pessoa ou organização deve tornar o
VIAF em um meio apropiado para que uma ampla comunidade de bibliotecas e de agências
bibliográficas possam redimensionar seus dados bibliográficos para atender os usuarios que o
utilizam em diferentes línguas.
A OCLC para viabilização do VIAF, desenvolveu um software especial de comparação
de nomes, construído com base no WorldCat Identities (http://worldcat.org/identities) que é
um serviço que fornece uma página de informações resumidas existente no WorldCat
(atualmente cerca de 30 milhões de nomes), incluindo nomes de pessoas, organizações e
personagens fictícios. No exemplo de consulta constatnte da Figura 2, utilizou-se o nome de
Albert Einstein, sendo listados nas várias formas do nomes adotados pelas bibliotecas
participantes do projeto VIAF.
O VIAF se basea no trabalho realizado com o FRBR (Requisitos Funcionais para
Registros Bibliográicos) destinado ao agrupamento de registros bibliográficos. A Figura 02
ilustra as características do VIAF.
Figura 02 - Interface de Consulta do VIAF para identificação de Nome de Passoa

Fonte: viaf.org

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Os critérios de comparação do VIAF incluem o exame dos nomes e sua associação
com as obras registras em multíplos catálogos bibliográficos nacionais e o WorldCat da
OCLC. Os registros de autoridade do VIAF se constroem a partir das informações extraídas
durante o processo de comparação de dados e inclui elementos dos registros fonte de
autoridade e bibliográfico. Adere a aplicação do Linked Data, aplicado ao registro
bibliográfico. O VIAF é um projeto modelar de adoção do conceito do Linked Data aplicável
à nuvem.

FAST – Faceted Application of Subject Headings
O FAST é uma lista de aplicações terminológicas facetadas por assunto, surgida em
1998, derivada do cabeçalho de assunto utilizado pela Library of Congress e que,
inicialmente, visou descrever tematicamente recursos da Web em esquema simples de
metadados. Para tanto, adotou o padrão Dublin Core para operar sob oito facetas distintas:
tópicos, geográfico, nome pessoal, nome da entidade coletiva, forma, cronológico, título
(como sujeito e nome de grupo). Cada faceta pode ser mapeada por um elemento específico
do padrão Dublin Core (QIANG, 2008).
O objetivo de adaptar a Lista de Cabeçalhos de Assunto da Library of Congress LCSH, com uma sintaxe simplificada, para criar o FAST foi para aproveitar o rico
vocabulário de LCSH e, ao mesmo tempo, criar um esquema de fácil compreensão, controle,
aplicação e uso. Dada a sua concepção de origem, o esquema mantém compatibilidade com
LCSH e qualquer conjunto válido de cabeçalhos do LCSH podem ser convertidos aos
elementos do FAST. As dificuldades de uso do LCSH também se encontram no FAST, porém
há novas possibilidades de aplicação impulsionadas pelo crescimento da web. Aspectos que
forçam mudanças nos sistemas de controle bibliográfico de maneira a torná-los mais fáceis de
utilizar. A interface de pesquisa do FAST é amigável. Na Figura 3, ilustra-se sua interface de
busca, ao consultar o termo “Machado de Assis”.
Figura 03 – Interface de Consulta do FAST

Fonte: http://goo.gl/OQa0OM

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Outro aspecto a destacar no FAST é a sua disponibilidade como Linked Data,
aproveitando a abordagem de dados publicados e que aumenta a utilidade da informação na
Web. Principalmente ao estabelecer referências de busca para pessoas (exemplo da Figura3),
lugares, coisas, etc., de maneira mais consistente e passível de ligação entre domínios.

A Web Semântica e o Uso de Novas Tecnologias de Nuvens em Bibliotecas
Considerando-se os avanços tecnológicos da última década, e ao texto publicado por
Berners-Lee e outros autores em 2001, delineando os objetivos, que ainda eram ideais, sobre
ferramentas e um novo conceito de Web - a Web Semântica. No mencionado artigo, os autores
manifestavam-se:

“A Web Semântica irá trazer estrutura ao conteúdo significativo de páginas
Web, criando um ambiente onde agentes de software de roaming a partir de
uma página para outra podem facilmente realizar tarefas sofisticadas para os
usuários. ... não é uma Web separada, mas uma extensão do atual, na qual é
dado significada à informação, permitindo que computadores e pessoas
possam para trabalhar em cooperação. Os primeiros passos para tecer a Web
Semântica a partir da estrutura Web existente já está em andamento. Num
futuro próximo, estes desenvolvimentos darão início a uma nova
funcionalidade significativa como as máquinas se tornam muito mais capazes
de processar e "entender" os dados que eles simplesmente exibem no
presente" (BERNERS-LEE, HENDLER E LASSILA, 2001).

É importante entender que os autores ainda descreviam um cenário hipotético, baseado
em chamadas telefônicas e que, só hoje, podem ser pensadas como aplicativos operados em
smartphones, reduzindo o volume de dispositivos próximos ao seu “agente” humano que
podia buscar a uma chamada urgente para um médico, seguida de logísticas complexas na
marcação de consultas e prescrições destinadas a um parente idoso. Na atualidade este
processo, pode ser feito por meio de um WhatsApp, mas ainda com mediação de um agente
humano. A indagação é se o crescimento das tecnologias e o uso das nuvens podem mudar
isto?
Em um futuro proximo, estes detalhes poderão ser gerenciados automaticamente por
"software robôs" (softbots), rodando em uma Web mais inteligente, na identificação de
nomes, endereços, e avaliações de prestadores de serviços orientados a área da saúde e às
companhias de seguros, por exemplo.
Evoluções tecnológicas a partir de agentes inteligentes dependerá, em grande parte,
do desenvolvimento do Linked Data na Web e da existência de serviços mais estruturados e
complexos para o tratamento de dados em nuvens.
A adoção de novas tecnologias, surgidas a partir da linguagem XML (Extensible
Markup Language), transformando-se em gramáticas RDF (Resource Description
Framework) e depois em ontologias - taxonomia de conceitos com atributos e relações que
proporcionam um vocabulário consensual para definir redes semânticas formadas por
unidades de informação interrelacionadas –e que especificariam as régras lógicas para que os
agentes de software reconheçam e classifiquem cada conceitos (PEROJO; LEÓN, 2005).
São aspectos que geram estimulos ao desenvolvimento de uma inovação aberta a partir
dos recursos de informação de bibliotecas, arquivos, museus e outras instituições culturais. A
Web se converte em um espaço global de dados e, neste sentido, as bibliotecas participam
publicando seus dados por meio do uso das tecnologias RDF, além das licenças abertas, para
potencializar serviços inovadores desenvolvidos por terceiros, reutilizando seus dados. O
Linked Data tem um efeito fundamental nos arquivos, bibliotecas e museus que não é outro
que a de ampliar o âmbito de aplicação dos dados que geram o chamado LAM (Library,

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Archives and Museum), e sobre tudo, o sentido de ampliar os pontos de vista ede análises da
informação (SAORÍN, 2012).
A Web Semântica pode ser compreendida como uma extensão da Web existente,
porém contemplando a informação que adquire significado mediante o uso de metadados para
prover uma descrição e categorização semântica de seu conteúdo e possibilitar uma razoável
automatização. De maneira geral, pode-se dizer que um metadado é um dado que se encarrega
de manter no registro seu significado, contexto ou propósito enquanto um objeto de
informação, de forma a poder descobrir, entender, extrair e administrar esse objeto. Ademais,
os esquemas de metadados, e o W3C ao desenvolver o RDF, viabilizaram uma infraestrutura
para descrição de recursos na web que é mais que um formato de metainformação, é um
"metamodelo de metadados" que permite codificar distintos esquemas de metadados e,
ademais, criar outros vocabulários específicos por meio de uma linguagem de descrição RDF
(RDF Schema ).
A declaração original de princípios para Linked Data, é discutida em detalhes técnicos
no tópico seguinte, interessa agora saber como uma rede de declarações estruturadas, ou um
"conjunto de dados expressos usando um vocabulário” pode ter um modelo que identifique
entidades como "coisas" que as pessoas comuns entendem (Berners-Lee, 2006).
De maneira simplificada, os dados ligados referem-se a "coisas" que apontam para outras
"coisas". Assim, os princípios de Linked Data ou Dados Ligados também estipulam a
necessidade de recursos como a autoria, no exemplo de dados associado ao dramaturgo
inglês do século XVI, “William Shakespeare” para que seja confiável qualquer ligação
persistente e acessível na Web.
As enciclopédias e outras referências podem satisfazer esta necessidade na Web de
Documentos, mas estruturadas de tal forma que só os humanos possam lê-las e as buscas em
infinitos arquivos podem ser demoradas e redundantess se não forem auxiliadas por máquina.
Deve-se ressaltar que, a introdução de novos instrumentos de tratamento dos dados
como a Resource Description e Access (para catalogação bibliográfica), o XML e as
tecnologias da Web Semântica em geral, viabilizam a ideia de criar ligações entre os dados
que permitam a compreensão de seu significado por computadores, tende a se expandir em
popularidade. Neste momento, a informação encontrada em ambos os ambientes: catálogos
bibliográficos e a Web é geralmente legível e compreensível, mas não otimizadas para
acompreensão total pela máquina.
É assim que uma representação na Web Semântica pode ser compreendida por alguém
que deseja fazer uma busca confiável, mas com um modelo computacional de busca de
"coisas" que os seres humanos se lembram e reconheçam como sendo verdadadeiras e
significativas. Em outras palavras, as convenções da Web Semântica para descrever entidades
devem ter um efeito que estabeleçam ligações claras entre um texto a alguma "coisa" no
mundo.
No exemplo citado, o autor "William Shakespeare” mencionado na descrição da obra
"Hamlet" apresentado na Figura 4, está corretamente identificado como o nome do autor e
ícone literário Inglês, e não como o nome de algum animal ou de alguma banda de rock, e
representa o conhecimento sobre o autor de Hamlet que perdura para além de uma única
indicação em um documento individual qualquer.

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Figura 4 – Descrição detalhada de um registro em um grafo

Fonte: Adaptação de Godby, Wang, Mixer, 2015.
Como Tim Berners-Lee e seus colaboradores disseram na citação mencionada neste
texto, a Web Semântica não é separada a partir da Web de Documentos, mas é sim, uma
extensão dela. Evidência de sua coexistência é apresentada na Figura 4, trata-se de uma
captura de tela de uma pesquisa realizada no Google para o termo “Hamlet”.
À esquerda é mostrada uma lista ordenada de documentos, produzidos pela
correspondência encadeada de textos nos quais o usuário consulta as versões atualizadas de
períodos variados.
Os algoritmos de recuperação de informação codificam tais informações sem nenhuma
compreensão do mundo real no qual os textos são subentendidos, enquanto à direita está um
display construído a partir de um modelo estruturado do Conhecimento.
Não é questão de demonizar ou idolatrar o mecanismo de busca do Google, ele tem
uma função delimitada de busca, não oferece uma estrutura que a Web Semântica poderá ter
daqui para frente. Pode-se observar estes conceitos com buscas estruturadas e não estruturadas
de conhecimento, conforme apresentado na Figura 5.

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Figura 5 – Busca estruturada e não estruturada sobre Hamlet de Shakespeare.

Fonte: Godby; Wang; Mixer, 2015.
Os grafos anunciados como sendo utilizado pelo Google, as vezes chamado de "ficha
do conhecimento" ou “diagrama de conhecimento”, mostra ser diferente de uma lista de
documentos. Traz informações relacionadas ao termo pesquisado diretamente na página de
resultados da busca, como dados demográficos de cidades, datas de aniversário de pintores ou
informações sobre alguma obra ou escritor. Em suma, o sistema fornece informações
estruturadas e detalhadas sobre um determinado tema, além de uma lista de links para outros
sites. O objetivo é fornecer aos usuários as informações necessárias para responder às suas
dúvidas sem que tenham de navegar para outros sites.
Em relação ao exemplo da Figura 4, se refere a entidade do mundo real "Hamlet", e
não apenas uma relação de texto procurada ao “pé da letra” pelo mecanismo de busca do
Google, usando grafos ou não. Não estabelece, por exemplo, uma relação de autoria típica
encontrada no projeto de Linked Data do VIAF. Ele é construído sob um processo de
mineração de fatos, em fontes de dados, como Freebase, Wikipedia e o CIA World Factbook.
A inscrição apresentando apenas a informação mais confiável que pode ser através de
algoritmos de descoberta.
A partir de 2012, o Google já tinha gerado registros de Conhecimento para 500
milhões de entidades, que são enriquecidas com outros 3,5 milhões de indicações extraídas do
Knowledge Graph (PATEL, 2016).
Um sistema experimental atualiza o Knowledge Graph montada em uma rede de
entidades e relacionamentos de entradas variadas e utiliza algoritmos de aprendizagem para
fazer avaliações de qualidade e remover duplicatas, mesclar indicações sobre uma
determinada entidade de diferentes fontes, e fazer inferências que podem ser traduzidas em
mais declaraçõesprocessáveis pelas máquinas (DONG, 2014).

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Considerações Finais
A modelagem de dados bibliográficos em uma forma que os mecanismos Web
entendam podem colaborar para maior visibilidade das bibliotecas. Espaços provedores de
conteúdo ou de dados nos quais as pesquisas por informação estão agora mais provável de
começara emergirem em bibliotecas, com armazenamento em nuvens.
Neste contexto, é que se descreve as contribuições da OCLC na aplicação do conceito
de Linked Data em nuvem, que produzem modelos e conjuntos de dados em RDF de variados
recursos amplamente referenciados e publicados pela comunidade de bibliotecas, incluindo o
WorldCat, o VIAF, o FAST e outros dados codificados no formato Schema.org. Formato aliás,
que subsidia os principais mecanismos de busca para a exibição estruturada de dados
descritivos.
As experiências da OCLC dedicadas aos dados ligados em nuvem serão benéficas para
bibliotecários, arquivistas, cientistas da informação e de profissionais interessados em
modelar descrições bibliográficas como ligações de dados na Web Semântica.
Assim, se a biblioteca passa a utilizar dados vinculados para apresentar os seus
recursos informacionais na Web, uma pesquisa de um livro, por exemplo, pode apresentar um
gráfico semelhante ao mostrado no Knowledge Graph do Google, contemplando informações
sobre o livro e sua disponibilidade de consulta. Links para o autor e o editor e outras
informações sobre o livro seriam disponibilizadas por uma interface gráfica. As bibliotecas já
coletam e gerenciam tais informações, agora as possibilidades descritas possibilitam que elas
tornem mais úteis essas informações na Web, para os usuários. Esse é, aliás, o próximo passo
para o qual caminha a Biblioteconomia.

Referências
BERNERS-LEE, T. Linked Data. Disponível em:
http://www.w3.org/DesignIssues/LinkedData.html. Acesso em: 02 abr. 2016.
BERNERS-LEE, T.; HENDLER, J.; LASSILA, O. The Semantic Web. A new form of Web
content that is meaningful to computers will unleash a revolution of new possibilities.
Scientific
American,
May
2001.
Disponivel
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http://wwwsop.inria.fr/acacia/cours/essi2006/Scientific%20American_%20Feature%20Article
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Na atualidade, a crescente produção de conteúdo digital, e a consequente geração de dados ocorrem sobre forte influência tecnológica. Neste cenário, nota-se que diversas bibliotecas de abrangência global ocupam papel de destaque e atuam como referência no uso de recursos computacionais e tecnológicos em desenvolver seus Serviços de Informação ao usuário. Encontram-se apoiadas, com destacada evidência pela Online Computer Library Center (OCLC). O objetivo deste artigo é destacar o desenvolvimento de serviços em nuvens e sua aplicação no ambiente da Web Semântica. Em termos metodológicos, desenvolve-se um texto descritivo, que a partir de uma revisão de literatura, descreve projetos e conceitos que abordam estas novas tecnologias.</text>
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                    <text>NORMAS TÉCNICAS SOBRE INFORMAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO:
IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
Vítor Vasata Macchi Silva (UFRGS) - vasata@hotmail.com
Andreia Petró da Rosa (UFRGS) - andreia.petro@hotmail.com
Resumo:
Apresenta os resultados do estudo que identificou e caracterizou as normas técnicas
publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que possuem como foco a
área de informação e documentação. Apresenta a ABNT, sua origem, contexto de criação,
missão e contribuições para o desenvolvimento do país. Conceitua a normalização enquanto
processo e salienta a importância do estabelecimento de normas para a fruição da
comunicação científica. Três etapas compõem o método de trabalho: identificação e
caracterização das normas sobre informação e documentação; elaboração da matriz de
interações das normas-alvo do estudo; e identificação e caracterização dos documentos
utilizados como referências normativas. Destaca aspectos abordados pelas normas e, também,
o vínculo existente entre elas. Identifica que apenas uma norma brasileira da área conta com a
aprovação da InternationalOrganization for Standardization (ISO). A partir da matriz de
interações, aponta que a norma ABNT NBR 10719, sobre relatórios técnicos e científicos, é a
norma que apresenta maior número de relacionamentos com as demais normas da área.
Observa que quatro normas técnicas citam como referências normativas documentos que
foram substituídos ou cancelados. Identifica que referências normativas utilizadas pelas
normas da área sofreram poucas alterações nos últimos dezessete anos. Ressalta que apenas
uma
dessas
referências
normativas
conta
com
a
aprovação
da
InternationalElectrotechnicalCommission (IEC). Conclui que mudanças em tecnologia da
informação impactam pouco nas normas da área de informação e documentação.
Palavras-chave: Normas técnicas. ABNT. Informação. Documentação.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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Introdução

A adoção de padrões normativos para elaboração de qualquer trabalho científico
facilita a sua posterior divulgação, pois um documento estruturado de modo adequado,
seguindo padrões reconhecidos, lhe confere cientificidade e qualidade (CRESPO;
RODRIGUES, 2011). A normalização pode ser vista, desta forma, como um processo de
formular e aplicar normas para acesso sistemático a uma atividade específica (SANTOS,
1982).
No que tange o processo de normalização, a Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT) evidencia o seu papel quando destaca que sua missão é prover a sociedade
brasileira de conhecimento sistematizado, por meio de documentos normativos, que permita a
produção, a comercialização e uso de bens e serviços de forma competitiva e sustentável nos
mercados interno e externo, contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico e,
também, para a proteção do meio ambiente e a defesa do consumidor (ABNT, 2013).
Com relação às intenções das normas técnicas, Crespo e Rodrigues (2011) destacam
que essas objetivam a normalização e padronização de produtos e serviços disponíveis no
mercado visando, fundamentalmente, a qualidade. Assim, segundo essas autoras, a expedição
de uma norma técnica pode ser vista como o resultado de um processo indicativo que afere, a
produtos e serviços, qualidade e confiabilidade. Santos (1982) complementa quando afirma
que os objetivos das normas são a simplificação, a intercambialidade, a comunicação, a
adoção racional de símbolos e códigos, a economia geral, a segurança e, também a defesa do
consumidor e a eliminação de barreiras comerciais.
A partir dos aspectos citados, evidencia-se a importância da constante atualização das
normas técnicas, tendo em vista o atendimento dos objetivos a que se propõem, os quais estão
relacionados, fundamentalmente, à qualidade de produtos e processos. Neste cenário, é
importante, também, que as normas sejam sistematicamente revisadas de modo a manter a
coerência e a consistência entre si. Isso se justifica para que as normas sejam vistas como
documentos atualizados e exaustivos em relação aos aspectos que são abordados. Neste
cenário, destaca-se que os problemas de pesquisa que orientam o desenvolvimento deste
trabalho são: Quais são as normas técnicas propostas pela ABNT que possuem como foco a
área de informação e documentação? Quais são os relacionamentos que são estabelecidos
entre essas normas a partir da seção de referências normativas presente em cada uma delas?
Destaca-se, ainda, que o objetivo geral deste trabalho é evidenciaras referências normativas
utilizadas pelas normas da área de informação e documentação. Os objetivos específicos, por
sua vez, são identificar e caracterizar as normas da área vigentes no ano de 2016 no Brasil e,
também, suas referências normativas.
As próximas seções deste trabalho apresentam: (i) a revisão da literatura que enfoca o
tema normas técnicas; (ii) os materiais e métodos utilizados para o desenvolvimento do
trabalho; (iii) o desenvolvimento do estudo, que engloba a discussão dos resultados obtidos; e
(iv) as considerações finais sobre o estudo desenvolvido.

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Revisão de literatura

Fundada em 28 de setembro de 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas –
ABNT – corresponde a entidade privada sem fins lucrativos que se caracteriza como o Foro
Nacional de Normalização, segundo informações de seu website. Quanto a sua origem, a
ABNT remonta aos anos que se seguiram a Revolução de 1930,quando da criação da
Comissão Central de Compras pelo Decreto nº 19.512 de 20 de dezembro de 1930, a qual
deveria centralizar as compras do governo federal, bem como estabelecer padrões e normas
para os fornecedores de produtos e serviços. Tal comissão, no entanto, acabou por não
funcionar, mas abriu precedentes para a criação de comissões e departamentos que
sequencialmente e associadamente conduziram a criação da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT, 2011). Concomitantemente à origem da ABNT, encontra-se o
desenvolvimento da indústria e das obras do concreto armado, sendo, inclusive, a NB 1 –
Cálculo e Execução de Obras de Concreto considerada a primeira Norma Técnica Brasileira
(ABNT, 2011).
No que concerne a atuação da ABNT, destaca-se que essa associação se responsabiliza
pela publicação das Normas Brasileiras – ABNT NBR – as quais se constituem em
documentos normativos que apresentam especificações para elaboração de documentos
técnicos e científicos e, também, para produção, comercialização e uso de bens e serviços
(ABNT, 2014). Sua atuação se estende ainda enquanto membro da International Organization
for Standardization – ISO, da Comisión Panamericana de Normas Técnicas – Copant, da
Asociación Mercosur de Normalización – AMN e da International Electrotechnical
Commission – IEC(ABNT, 2014).
A missão da ABNT é contribuir para o desenvolvimento técnico, cientifico e de
mercado, para a defesa do consumir e proteção do meio ambiente e para segurança de todos
os cidadãos (ABNT, 2014). A este propósito, ressalta-se que a ABNT constitui uma
instituição fundamental ao desenvolvimento do país enquanto produtor de informação, de
bens e serviços, ao passo que contribui para disseminação da informação, bem como para o
aprimoramento de processos e técnicas de produção por meio da normalização.
A normalização, enquanto processo, pode ser conceituada como uma atividade de
elaboração, difusão e aplicação de normas. As normas, por sua vez, estabelecem prescrições
neutras e objetivas a serem seguidas comumente e repetitivamente a fim de solucionar e
prevenir problemas reais ou potenciais e efetivar resultados (ABNT, 2014). Destaca-se ainda
que, enquanto documentos, as normas são estabelecidas por consenso e aprovadas por
instituições, sendo o seu uso voluntário (ABNT, 2014).
Quanto aos benefícios decorrentes da normalização, destaca-se principalmente a
garantia das características desejáveis de produtos e serviços (ABNT, 2014). De modo
consonante, no âmbito da documentação, a normalização assegura as características
desejáveis para composição e apresentação de documentos. Segundo Rodrigues, Lima e
Garcia (1998), a normalização de documentos consiste em um fator de eficiência para
transferência de informações, visto que é capaz de intermediar a comunicação, a circulação e
o intercâmbio de ideias a partir da uniformização da escrita e da possibilidade de acesso
sistemático às informações. Essas autoras destacam ainda que a normalização suscita nos
pesquisadores a preocupação concomitante quanto o conteúdo do documento e quanto a sua
apresentação. Isso ocorre, pois a normalização estabelece uma relação de interdependência
quanto à aplicação das normas e à organização e fruição da comunicação científica
(RODRIGUES; LIMA; GARCIA, 1998).

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

conteúdo de cada uma delas.
A etapa (ii) correspondeu à fase que buscou identificar os relacionamentos existentes
entre as normas. Para tanto, foi necessária a leitura dessas normas para que pudessem ser
observadas as referências normativas utilizadas em cada publicação. Assim, a partir da
identificação dos relacionamentos existentes entre as publicações, pode-se criar uma matriz de
interações que evidencia as conexões existentes entre as normas referidas.
Por fim, na etapa (iii), a partir dos resultados obtidos nas etapas (i) e (ii), foram
identificados os documentos que servem como referências normativas para as normas de
informação e documentação. Em comum, tais publicações caracterizam-se por não apresentar,
em seu título, o termo “informação e documentação”.

4

Resultados

Esta seção divide-se conforme as etapas definidas na seção de procedimentos
metodológicos: (i) Identificação e caracterização das normas sobre informação e
documentação; (ii) Elaboração da matriz de interações das normas-alvo do estudo; (iii)
Identificação e caracterização dos documentos utilizados como referências normativas.
4.1

Identificação e caracterização das normas sobre informação e documentação

As normas técnicas contempladas por este estudo correspondem àquelas publicadas
pela ABNT que apresentam o termo informação e documentação em seu título. Para
identificação dessas normas, foi realizada, em 22 de Abril de 2016, uma busca no catálogo da
ABNT para que fossem recuperadas as normas técnicas relacionadas ao tema. Após a
execução de tal busca no catálogo da Associação, foram identificados 19 documentos.
Posteriormente à leitura dos títulos dos resultados, identificou-se que uma das respostas
correspondia a uma emenda da norma ABNT NBR 10719 publicada no ano de 2015. Desta
forma, identificou-se que existem 18 normas que atendem aos critérios pesquisados. O
Quadro 1 apresenta as 18 normas que estavam em vigor na data pesquisada e, também, o ano
de publicação da última edição de cada uma delas.

n

Identificação

1

ABNT NBR 6021

2

ABNT NBR 6022

3

ABNT NBR 6023

4

ABNT NBR 6024

5
6
7

ABNT NBR 6025
ABNT NBR 6027
ABNT NBR 6028

8

ABNT NBR 6029

9

ABNT NBR 6034

Título
Informação e documentação – Publicação periódica técnica
ou científica – Apresentação
Informação e documentação – Artigo em publicação
periódica científica impressa – Apresentação
Informação e documentação – Referências – Elaboração
Informação e documentação – Numeração progressiva das
seções de um documento – Apresentação
Informação e documentação – Revisão de originais e provas
Informação e documentação – Sumário – Apresentação
Informação e documentação – Resumo – Apresentação
Informação e documentação – Livros e folhetos –
Apresentação
Informação e documentação – Índice – Apresentação

Ano de
publicação
2015
2003
2002
2012
2002
2012
2003
2006
2004

�5

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
n

Identificação

Título

Ano de
publicação

Informação e documentação – Guias de unidades
2005
informacionais – Elaboração
Informação e documentação – Citações em documentos –
11 ABNT NBR 10520
2002
Apresentação
Informação e documentação – Número padrão internacional
12 ABNT NBR 10525
2005
para publicação seriada – ISSN
Informação e documentação – Relatório técnico e/ou
13 ABNT NBR 10719
2015
científico – Apresentação
14 ABNT NBR 12225
Informação e documentação – Lombada – Apresentação
2004
Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos –
15 ABNT NBR 14724
2011
Apresentação
Informação e documentação – Projeto de pesquisa –
16 ABNT NBR 15287
2011
Apresentação
Informação e documentação – Pôsteres técnicos e científicos
17 ABNT NBR 15437
2006
– Apresentação
Informação e documentação – Número Padrão Internacional
18 ABNT NBR ISO 2108
2006
de Livro (ISBN)
Quadro 1– Normas técnicas sobre informação e documentação em vigor em Abril de 2016 e
seus respectivos anos de publicação
Fonte: os autores
10

ABNT NBR 10518

A partir da análise do Quadro1, pode-se identificar que apenas uma norma, a ABNT
NBR ISO 2108, corresponde a uma norma ISO. Tal aspecto indica que essa norma atende aos
requisitos da International Organization for Standardization, entidade internacional que
publica documentos com o intuito de padronizar elementos constituintes de diversos campos
técnicos. A partir disto, constata-se que todas as demais normas foram elaboradas pela ABNT
para que fosse padronizado, no Brasil, o modo de elaborar e a apresentar distintos elementos
da área de informação e documentação.
4.2

Elaboração da matriz de interações sobre as normas-alvo do estudo

A etapa 2 correspondeu à fase de elaboração da matriz de interações das normas
contempladas pelo estudo. Para tanto, foi necessário consultar as normas listadas no Quadro 1
para que fossem identificadas as publicações utilizadas como referências normativas para
esses documentos. A Tabela 1 evidencia a matriz gerada. Esta é dividida em referências que
apresentam “informação e documentação” em seu título e referências que não apresentam tal
denominação.

�6

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1

x

x

x
1

6
5
4
1
1
9
2
1
2
3
10
9
7
3
4
67

ISO 8601

ISO 3166-1

ISO 2709

ISO 639-2

IBGE. Normas de
apresentação tabular

CÓDIGO de Catalogação
Anglo-Americano

ABNT NBR 105222

ABNT NBR 105211

ABNT NBR 6033

ABNT NBR 6032

ABNT NBR 5892

ABNT NBR ISO 2108

ABNT NBR 15437

ABNT NBR 15287

ABNT NBR 14724

ABNT NBR 12225

ABNT NBR 10719

ABNT NBR 10525

ABNT NBR 10520

ABNT NBR 10518

x
x

Demais referências normativas

Total

x

ABNT NBR 6034

ABNT NBR 6029

ABNT NBR 6028

x

x

ABNT NBR 6027

x

ABNT NBR 6025

ABNT NBR 6024

ABNT NBR 6022

ABNT NBR 6021

ABNT NBR 6023

ABNT NBR 6021
ABNT NBR 6022
ABNT NBR 6023
ABNT NBR 6024
ABNT NBR 6025
ABNT NBR 6027
ABNT NBR 6028
ABNT NBR 6029
ABNT NBR 6034
ABNT NBR 10518
ABNT NBR 10520
ABNT NBR 10525
ABNT NBR 10719
ABNT NBR 12225
ABNT NBR 14724
ABNT NBR 15287
ABNT NBR 15437
ABNT NBR ISO 2108
Total

Referências normativas sobre informação e documentação

ISO/IEC 15420

Normas sobre informação e documentação

Tabela 1–Matriz de
interações: Normas
sobre informação e
documentação e
respectivas referências
normativas.
Fonte: os autores

x

x
x

x
x

x

x

x
x
x

x

x

x

x

x

x

x
x

x

x

x
x

x

x

1

x

1

x

x

x

x

x

x

x
x
x

x
x

x
x

x

x
x

x
x

7

6

x

x

x

x

x

x
x

x

x
x
x

5

6

x
-

6

4

-

6

-

6

2

-

5

-

-

-

-

1

1

1

2

2

x
1

1

x
1

x
1

“ABNT NBR 10521: Numeração internacional para livro – ISBN – Procedimento. Rio de Janeiro, Brasil, 1988.” substituída por “ABNT NBR ISO 2108: Informação e documentação –
Número Padrão Internacional de Livro (ISBN). Rio de Janeiro, Brasil, 2006.” em 22/08/2006.
2
“ABNT NBR 10522: Abreviação na descrição bibliográfica – Procedimento. Rio de Janeiro, Brasil, 1988.” cancelada em 30/09/2003.

�7

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A partir da análise das normas técnicas sobre informação e documentação, puderam
ser identificadas algumas particularidades. Uma delas corresponde ao fato de três normas não
possuírem a seção de referências normativas. São elas: a ABNT NBR 6025:2002, sobre
revisão de originais e provas; a ABNT NBR 6028:2003, sobre resumo; e a ABNT NBR
12225:2004, sobre lombadas. Como análise, conclui-se que tal fato possibilita que essas
normas possuam certa independência das demais, visto que quaisquer alterações nas outras
não acarretarão em alterações nesses documentos.
Além do aspecto anteriormente citado, destaca-se também o fato das normas ABNT
NBR 6029 e ABNT NBR 10525 fazerem referência a uma norma que já foi substituída, a
ABNT NBR 10521; e das normas ABNT NBR 6023 e ABNT NBR 10520 fazerem referência
a uma norma cancelada, a ABNT NBR 10522. Tais aspectos indicam que atualizações nessas
normas podem ser necessárias, visto que elementos que constituem suas referências
normativas podem ter sofrido alterações ou, então, podem ter sido cancelados.
Destaca-se, também, o fato de sete normas não servirem de referência a nenhuma
outra. São elas: a ABNT NBR 6025, sobre revisão de originais e provas; a ABNT NBR 6029,
sobre livros e folhetos; a ABNT NBR 10518, sobre guias de unidades informacionais; a
ABNT NBR 10719, sobre relatório técnico e/ou científico; a ABNT NBR 14724, sobre
trabalhos acadêmicos; a ABNT NBR 15287, sobre projeto de pesquisa; a ABNT NBR 15437,
sobre pôsteres técnicos e científicos. Além das normas anteriormente citadas, ainda há a
ABNT NBR ISO 2108, que não serve de referência normativa a nenhuma outra. No entanto,
se observada a substituição indicada pela ABNT, da ABNT NBR 10522 por essa norma
ABNT NBR ISO, a norma sobre número padrão internacional de livro (ISBN) passará a servir
de referência normativa para duas outras publicações.
Por fim, destaca-se que a norma que possui maior número de relações com as demais é
a ABNT NBR 10719, sobre relatórios técnicos e científicos, a qual apresenta 8 normas e 2
publicações como referências normativas. Tal fato, no entanto, pode ser considerado
plausível, visto que tais relatórios correspondem a documentos que, em geral, requerem alto
grau de formalismo em sua construção e apresentação.
4.3

Identificação e caracterização dos documentos utilizados como referências
normativas

A partir da análise do Quadro 1 pode-se identificar que, no Brasil, estão em vigor
dezoito normas técnicas sobre elaboração e apresentação de elementos vinculados a
informação e documentação. De modo complementar, a partir da análise da Tabela 1, pode-se
identificar que tais normas utilizam como referências normativas doze documentos não
caracterizados pela ABNT como da área de “informação e documentação”. Entre esses,
encontram-se a ABNT NBR 10521, sobre numeração internacional para livro, substituída pela
ABNT NBR ISO 2108; e a ABNT NBR 10522, sobre abreviação na descrição bibliográfica,
cancelada desde 2003. A partir disto, foi identificado que atualmente estão em vigor dez
publicações utilizadas como referências normativas pelas normas sobre informação e
documentação. O Quadro 2 apresenta essas dez publicações e, também, o ano de publicação
da última edição de cada uma delas.

�8

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
n

Identificação

1

ABNT NBR 5892

2

ABNT NBR 6032

3

ABNT NBR 6033
CÓDIGO de Catalogação
Anglo-Americano
IBGE. Normas de
apresentação tabular
ISO 639-2

4
5
6
7
8
9
10

Documento
Norma para datar – Procedimento
Abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas –
Procedimento
Ordem alfabética – Procedimento

Ano de
publicação
1989
1989
1989

Código de Catalogação Anglo-Americano

20043

Normas de apresentação tabular

1993

Codes for the representation of names of languages
Information and documentation – Format for information
ISO 2709
exchange
Codes for the representation of names of countries and their
ISO 3166-1
subdivisions – Part 1: Country codes
Date elements and interchange formats – Information
ISO 8601
interchange – Representation of dates and times
Information technology – Automatic identification and data
capture techniques – Bar code simbology specification –
ISO/IEC 15420
EAN/UPC
Quadro 2 – Publicações utilizadas como referências normativas pelas normas
informação e documentação
Fonte: os autores

1998
2008
2013
2004
2009
sobre

A partir da análise do Quadro 2 pode-se identificar que 50% das publicações que
servem como referências normativas para as normas sobre informação e documentação foram
publicadas anteriormente ao ano de 1999. Tal indicador aponta que ocorreram poucas
alterações nesses documentos nos últimos 17 anos, em especial naqueles publicados no Brasil
– o Código de Catalogação Anglo-Americano, publicado em 2004, a Norma de apresentação
tabular, publicada em 1993, e as normas brasileiras ABNT NBR 5892, ABNT NBR 6032 e
ABNT NBR 6033, publicadas no ano de 1989.
Além do aspecto anteriormente identificado, pode-se observar que as três normas
brasileiras apresentadas no Quadro 2 (a ABNT NBR 5892, a ABNT NBR 6032 e a ABNT
NBR 6033) são caracterizadas como “Procedimento”. Tal aspecto indica que tais normas
prescrevem procedimentos a serem tomados para que sejam apresentadas informações
relacionadas a datas, abreviação de títulos e ordem alfabética. O fato de não apresentarem em
seu título a designação da área que contemplam, por sua vez, contribui para que se infira que
isso ocorre devido à possibilidade de tais normas serem utilizadas por distintas áreas do
conhecimento.
Por fim, observa-se também que apenas uma norma, a ISO/IEC 15420, é publicada em
conjunto com a International Electrotechnical Commission (IEC). A partir de tal observação,
pode-se inferir que a área de informação e documentação é pouco afetada por mudanças
tecnológicas, visto que nenhuma norma brasileira da área aborda o tema tecnologia da
informação e apenas uma referência normativa faz menção a tal tema.

3

As normas ABNT NBR 6021, ABNT NBR 6023 e ABNT NBR 6034 apresentam como referências normativas as edições de
1983 e 1985 do Código de Catalogação Anglo-Americano.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

5

Considerações finais

O presente estudo buscou realizar um levantamento que evidenciasse as referências
normativas utilizadas pelas normas da área de informação e documentação. Para tanto, foi
elaborado um procedimento metodológico dividido em três fases. A primeira fase
responsabilizou-se por identificar e caracterizar as normas que se relacionam com informação
e documentação; a segunda por elaborar a matriz que evidencia as interações existentes entre
as normas contempladas pelo estudo; e a terceira por identificar os documentos utilizados
como referências normativas que não apresentam o termo “informação e documentação” em
seu título.
Os resultados indicaram que normas como a ABNT NBR 6029, a ABNT NBR 10525,
a ABNT NBR 6023 e a ABNT NBR 10520 fazem referência a normas já canceladas ou
substituídas. Tal aspecto indica que atualizações nessas quatro normas são necessárias, visto
que elementos que constituem as referências normativas podem ter sofrido alterações. Além
disto, o estudo apontou também que a norma ABNT NBR 10719, sobre relatórios técnicos e
científicos, é a que apresenta maior número de relacionamentos com as demais normas da
área.
Com relação às publicações utilizadas como referências normativas pelas normas
sobre informação e documentação, pode-se identificar que essas, em geral, sofreram poucas
alterações nos últimos 17 anos. Além disto, foi identificado também que, dos documentos
analisados, apenas uma norma, a ISO/IEC 15420, é publicada em parceria com a IEC. Tal
característica permite que se infira que mudanças em tecnologias da informação pouco
impactam em normas técnicas da área.

6

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. ABNT NBR 5892:
Norma para datar – Procedimento. Rio de Janeiro, Brasil, 1989.
______. ABNT NBR 6021: Informação e documentação – Publicação periódica científica
impressa – Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2015.
______. ABNT NBR 6022: Informação e documentação – Artigo em publicação periódica
científica impressa – Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2003.
______. ABNT NBR 6023: Informação e documentação – Referências – Elaboração. Rio de
Janeiro, Brasil, 2002.
______. ABNT NBR 6024: Informação e documentação – Numeração progressiva das seções
de um documento – Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2012.
______. ABNT NBR 6025: Informação e documentação – Revisão de originais e provas. Rio
de Janeiro, Brasil, 2002.
______. ABNT NBR 6027: Informação e documentação – Sumário – Apresentação. Rio de
Janeiro, Brasil, 2012.

�10

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

______. ABNT NBR 6028: Informação e documentação – Resumo – Apresentação. Rio de
Janeiro, Brasil, 2003.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. ABNT NBR 6029:
Informação e documentação – Livros e folhetos – Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2006.
______. ABNT NBR 6032: Abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas –
Procedimento. Rio de Janeiro, Brasil, 1989.
______. ABNT NBR 6033: Ordem alfabética – Procedimento. Rio de Janeiro, Brasil, 1989.
______. ABNT NBR 6034: Informação e documentação – Índice – Apresentação. Rio de
Janeiro, Brasil, 2004.
______. ABNT NBR 10518: Informação e documentação – Guias de unidades
informacionais – Elaboração. Rio de Janeiro, Brasil, 2005.
______. ABNT NBR 10520: Informação e documentação – Citações em documentos –
Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2002.
______. ABNT NBR 10525: Informação e documentação – Número padrão internacional
para publicação seriada – ISSN. Rio de Janeiro, Brasil, 2005.
______. ABNT NBR 10719: Informação e documentação – Relatório técnico e/ou científico
– Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2015.
______. ABNT NBR 12225: Informação e documentação – Lombada – Apresentação. Rio de
Janeiro, Brasil, 2004.
______. ABNT NBR 14724: Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos –
Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2011.
______. ABNT NBR 15287: Informação e documentação – Projeto de pesquisa –
Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2011.
______. ABNT NBR 15437: Informação e documentação – Pôsteres técnicos e científicos –
Apresentação. Rio de Janeiro, Brasil, 2006.
______. ABNT NBR ISO 2108: Informação e documentação – Número Padrão Internacional
de Livro (ISBN). Rio de Janeiro, Brasil, 2006.
______. Conheça a ABNT. 2014. Disponível em: &lt;http://www.abnt.org.br/abnt/conheca-aabnt&gt;. Acesso em: 22. abr. 2016.
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______. História da normalização brasileira. Rio de Janeiro: ABNT, 2011. Disponível em:
&lt;http://www.abnt.org.br/images/pdf/historia-abnt.pdf&gt;. Acesso em: 22 abr. 2016.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

______.Importância/Benefícios. 2014. Disponível em:
&lt;http://www.abnt.org.br/normalizacao/o-que-e/importancia-beneficios&gt;. Acesso em: 22 abr.
2016
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Missão. 2014.
Disponível em: &lt;http://www.abnt.org.br/m3.asp?cod_pagina=951&gt;. Acesso em 22 abr. 2016.
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49036">
                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49037">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An account of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49038">
                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta os resultados do estudo que identificou e caracterizou as normas técnicas publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que possuem como foco a área de informação e documentação. Apresenta a ABNT, sua origem, contexto de criação, missão e contribuições para o desenvolvimento do país. Conceitua a normalização enquanto processo e salienta a importância do estabelecimento de normas para a fruição da comunicação científica. Três etapas compõem o método de trabalho: identificação e caracterização das normas sobre informação e documentação; elaboração da matriz de interações das normas-alvo do estudo; e identificação e caracterização dos documentos utilizados como referências normativas. Destaca aspectos abordados pelas normas e, também, o vínculo existente entre elas. Identifica que apenas uma norma brasileira da área conta com a aprovação InternationalOrganization for Standardization (ISO). A partir da matriz de interações, aponta que a norma ABNT NBR 10719, sobre relatórios técnicos e científicos, é a norma que apresenta maior número de relacionamentos com as demais normas da área. Observa que quatro normas técnicas citam como referências normativas documentos que foram substituídos ou cancelados. Identifica que referências normativas utilizadas pelas normas da área sofreram poucas alterações nos últimos dezessete anos. Ressalta que apenas uma dessas referências normativas conta com a aprovação da InternationalElectrotechnicalCommission (IEC). Conclui que mudanças em tecnologia da informação impactam pouco nas normas da área de informação e documentação.</text>
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                    <text>NOITE DE GALA, SAMBA NA RUA: UM PASSEIO PELAS MUITAS
FACES DE CHICO BUARQUE – RELATO DA IX SEMANA DO LIVRO
E DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA

Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Luciana Gonçalves Souza (UFMG) - lucianags9@gmail.com
Resumo:
Esse relato discorre sobre os acontecimentos da IX Semana do Livro e da Biblioteca da
Universidade Federal de Lavras (IX SLBU/UFLA), realizado de 20 a 23 de outubro de 2014 e
que teve como tema “Um olhar sobre a obra de Chico Buarque”, foi desenvolvido por uma
comissão organizadora multidisciplinar, composta por servidores da Biblioteca Universitária
da UFLA (BU/UFLA) em parceria com docentes e discentes da instituição e com escolas de
Lavras- MG. A programação foi composta por aula-espetáculo, exposições, minicurso, oficina,
debate de filme e atrações musicais, com a finalidade de unir eventos culturais e acadêmicos,
aproximando, cada vez mais, o público universitário da programação da Semana, p
possibilitando a disseminação da vida e obra do homenageado.
Palavras-chave: Promoção de evento. Cultura. Semana do Livro e da Biblioteca (SLBU).
Chico Buarque.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Semana Nacional do Livro e da Biblioteca foi instituída pelo Decreto nº 84.631, de 9 de
abril de 1980, com início em 23 de outubro e término em 29 do mesmo mês. Conforme o decreto,
nessa semana, atividades folclóricas e culturais devem ser levadas a efeito em todo o país.
Na Universidade Federal de Lavras (UFLA), esse evento recebe o nome de Semana do Livro e
da Biblioteca da UFLA. Trata-se de uma realização da UFLA e é organizada, anualmente, pela
Biblioteca Universitária (BU/UFLA), que instituiu uma comissão interdisciplinar para os preparativos
do evento. Em 2014 estava em sua 9ª edição (IX SLBU) e as comemorações foram realizadas no
período de 20 a 23 deste mesmo mês. O tema escolhido para a IX SLBU foi a obra de Chico Buarque,
em virtude da comemoração dos 70 anos do grande artista brasileiro. As atividades propostas tiveram,
como principal objetivo, incentivar o gosto pela leitura e pelas manifestações artísticas e culturais,
promovendo assim a democratização do conhecimento, fator decisivo para o pleno exercício da
cidadania e inclusão social.
Os objetivos da IX SLBU são: difundir o prazer pelo hábito de leitura; tornar acessível o livro
e as tecnologias de informação; promover a integração entre o ambiente universitário e comunidade de
Lavras e região; divulgar o papel da Biblioteca da UFLA, como instrumento de democratização,
permitindo o acesso ao conhecimento e à informação; aproximar as práticas acadêmicas e o
conhecimento científico, junto aos eventos realizados pela biblioteca; tornar a biblioteca um espaço
agradável de convivência entre seus usuários e servidores; ultrapassar as fronteiras do espaço físico
tradicional da Biblioteca, tornando-a uma importante via de promoção da cidadania, por meio de
projetos que favoreçam o gosto pela leitura, a criatividade e o processo de aprendizagem. O evento
contou com aproximadamente 2.000 visitantes, sendo discentes da UFLA e das demais escolas
participantes, servidores, docentes e comunidade em geral.
2 Ações para desenvolvimento do evento
Com o propósito de atingir os objetivos do evento, foram executadas as seguintes ações:
divulgação da programação junto ao Sistema de Comunicação da UFLA; reuniões periódicas,
juntamente com a diretoria da Biblioteca da UFLA e outros setores envolvidos; debate e aprovação da
programação, confecção de convites e demais peças publicitárias; seleção e convite para os docentes e
demais colaboradores para realização de palestras, minicursos e atrações culturais; criação de uma
página do evento no site da BU/ UFLA, para divulgação e inscrição dos participantes, nas atividades
ofertadas pela semana; contato com as escolas de Lavras para que os estudantes enviassem material
educativo sobre Chico Buarque, a ser apresentado nas exposições no hall da Biblioteca Universitária e
na Biblioteca Itinerante – Ônibus UFLA; preparação e organização da Aula-espetáculo sobre Chico
Buarque; seleção de perguntas sobre vida e obra de Chico Buarque para a criação de um Quiz, no site
(www.biblioteca.ufla.br/slbu); preparação e organização para a exibição do filme “Budapeste”;
preparação e organização para as atrações culturais, realizadas no Setor de Circulação da Biblioteca;
divulgação do projeto “Biblioteca Itinerante – Ônibus UFLA”, na entrada do anfiteatro da Biblioteca
Universitária; organização da equipe para dar suporte às visitas das escolas à Biblioteca; preparação e
organização da homenagem aos servidores da biblioteca; preparativos para o lançamento do “Projeto
Saber+”, destinado aos servidores; conferência, divulgação e premiação aos ganhadores do Quiz. Os
projetos desenvolvidos para o evento foram, normalmente, adotados como o resultado de uma ou mais
considerações estratégicas. Na IX SLBU foram executadas várias atividades visando à melhoria da
programação durante a semana.
2.1 Abertura: aula-espetáculo sobre Chico Buarque
Na abertura da IX SLBU foi realizada a aula-espetáculo “Noite de gala, samba na rua – um
passeio pelas muitas faces de Chico Buarque”, ministrada pelo poeta, crítico e professor Igor Alves,
acompanhado dos músicos Gabriel Resende, Lucas Sales, Jéssica Máximo e Bona Garcia.
A aula-espetáculo percorreu, de forma lúdica e panorâmica, a vida e obra desse celebrado
artista de nosso país. À medida em que Igor Alves contava um pouco sobre diferentes aspectos das
músicas, livros e peças de Chico, os músicos de São João Del Rei, interpretavam canções que já

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figuram na memória afetiva e cultural do povo brasileiro. A noite foi, enfim, para celebrar esse
mistério que emerge entre a letra e a música, o samba e a rua.
A Aula-espetáculo foi a grande atração da semana, com um público estimado em mais de 320
pessoas, o que evidenciou o tamanho sucesso da mesma. O público ali presente pode desfrutar de
momentos prazerosos ao ouvir a boa música desse ícone da cultura popular brasileira e muitos saíram
de lá emocionados.
2.2 Exposição: “Chico, um pouco de tudo”
O objetivo das exposições foi apresentar as muitas vertentes e artes de Chico Buarque. A
comissão foi redistribuída e houve o levantamento das principais obras, premiações, honrarias e outras
curiosidades dessa personalidade.
2.2.1 Parceiros de Chico Buarque
Nesse tópico são apresentadas algumas parcerias entre o artistas e amigos, personalidades que
desenvolveram atividades e foram importante na carreira de Chico Buarque: Edu Lobo: recordista de
canções é o parceiro de Chico nos musicais. Os dois são autores, por exemplo, de Beatriz e Valsa
brasileira. Chico Buarque e Edu Lobo, inspirado no poema “A Túnica Inconsútil”, da lavra de Jorge de
Lima, de 1938, compuseram aquele que é, provavelmente, o melhor disco de trilha-sonora concebido
para balé no Brasil; Caetano Veloso: parceiro de Chico nas canções: Vai levando e Como um samba de
adeus. Gravaram juntos “Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo”. É um disco gravado em um show
no Teatro Castro Alves, Salvador, em novembro de 1972. Recentemente, Caetano Veloso fez
homenagem em seu perfil do Instagram, ao amigo Chico Buarque de Hollanda, por também entrar na
casa dos 70. "Chico chega aos setenta (e até agosto sou apenas um ano mais velho do que ele, prazer
de dois meses a cada ano). O Brasil é capaz de produzir um Chico Buarque: todas as nossas fantasias
de autodesqualificação se anulam. Seu talento, seu rigor, sua elegância, sua discrição são tesouro
nosso", escreveu; Milton Nascimento: possui 4 músicas com Chico Buarque, “Léo”, “Levantados do
chão”, “O cio da terra” e “Primeiro de maio”; Vinícius de Moraes: fez poucas parcerias com Chico,
porém com êxitos que ficaram para sempre em nosso melhor cancioneiro; Tom Jobim: foi a maior
inspiração de Chico. Trabalharam juntos em 13 músicas; Tom Jobim e Chico Buarque tinham muito
em comum. Ambos nasceram no Rio de Janeiro, iniciaram e abandonaram o curso de Arquitetura e
foram tema da escola de samba Mangueira. Seus pais, Jorge Jobim e Sérgio Buarque de Holanda,
ambos escritores, foram amigos. Mas, acima da amizade e da parceria, a música de Tom Jobim é a
referência maior para Chico Buarque. Chico disse certa vez: “Tudo o que eu fiz na minha vida foi para
o Tom”. Nada mais natural, portanto, que Chico expressasse sua admiração na música “Paratodos”:
“O meu pai era paulista/ Meu avô, pernambucano/ O meu bisavô, mineiro/ Meu tataravô, baiano/
Meu maestro soberano/ Foi Antônio Brasileiro”; Chico começou a carreira em festivais. Tom já não
gostava muito, achava sem importância. Tom Jobim só participou em duas edições do Festival
Internacional da Canção (FIC), porque a promotora, a TV Globo, pressionava os compositores a se
inscrever. Nas duas vezes, o maestro foi envolvido em episódios lamentáveis - e em ambas as
ocasiões, seu parceiro era Chico Buarque, que possui em seu arquivo muitas fitas com melodias de
Tom Jobim, nas quais ele nunca pôs letra. Nem vai colocar, agora que Tom não está mais aqui. Chico
sente falta da discussão, até das paródias, do único parceiro que ele tinha que convencer que a letra
estava boa. Chico já fez músicas com Dominguinhos, Fagner, Djavan e com instrumentistas, como seu
violinista Luiz Cláudio Ramos e o pianista Cristóvão Bastos. Com este, para muitos, bastou a única
canção “Todo o sentimento”; Carlinhos Vergueiro: detém a maior proximidade com Chico, pois, além
da parceria em duas canções, é parceiro de Chico também no campo de futebol; Toquinho: compôs
com Chico Buarque sua segunda canção a ser gravada, Lua cheia. Em 1969 acompanhou Chico
à Itália, país onde, até hoje, se apresenta regularmente; Compuseram juntos a canção Samba pra
Vinícius, em homenagem a Vinícius de Moraes, que tanto os ajudou e muito contribuiu para a
moderna música popular brasileira; Francis Hime: da parceria maravilhosa de Chico Buarque e
Francis Hime nasceram as canções "Meu Caro Amigo", "Trocando Em Miúdos", "Pivete", "Atrás da
Porta" com Francis e Elis e "Quadrilha". A importância de Chico Buarque para a Música Popular
Brasileira pode ser definida de várias formas. Em muitas ocasiões, o artista combativo não hesitou em
estabelecer parcerias e abrilhantar ainda mais o cenário musical brasileiro.

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2.2.2 Obra literária de Chico Buarque
Destacando-se como escritor desde os tempos de escola, Chico Buarque se tornou ícone
também na literatura brasileira. Ao longo de sua trajetória, acumulou três (polêmicos) Prêmios Jabuti –
com Estorvo, Budapeste e Leite Derramado -, que levantaram uma grande discussão sobre o tráfico de
influência dentro da premiação, com direito a uma petição online - "Chico, devolve o Jabuti!" – e o
boicote por parte de grandes editoras. De qualquer maneira, suas obras são sucesso de público e têm
uma vendagem mínima de 500 mil exemplares no Brasil. Veja a seguir os livros publicados pelo
músico (A OBRA..., 2014).
a) A banda: manuscritos de Chico Buarque de Hollanda: primeira publicação do autor, em
1966, A Banda é um songbook composto por partituras e letras de composições de Chico e pelo conto
Ulisses, de Carlos Drummond de Andrade (INSTITUTO BRASILEIRO ARTE E CULTURA, 2014);
Gota D'água: publicado em 1973, em parceira com Paulo Pontes, trata-se de uma adaptação
contemporânea e contextualizada no cenário nacional da tragédia grega Medeia, escrita após a versão
de Oduvaldo Vianna Filho para a televisão. Inicialmente Chico e Paulo Pontes compuseram a peça de
teatro, que depois foi transcrita para o livro (LITERATURA..., 2010);
b) A bordo do Rui Barbosa: livro-poema que trata com delicadeza a presença do
analfabetismo na sociedade. Redigido entre 1963-1964, com ilustrações Vallandro Keating, projeto
gráfico Dalton de Luca, José Roberto Graciano e Ricardo Ohtake. Foi publicado em 1981 pela Editora
Palavra e Imagem (HOMEM, 2014a); A fazenda modelo: do ano de 1974, essa obra é considerada
uma “novela pecuária”. Em A Fazenda Modelo Chico faz analogia à sociedade contemporânea,
utilizando uma fazenda como cenário e personagens bovinos. Adélia Bezerra de Menezes resume a
história com as palavras: “Trata-se de uma parábola sobre o poder, a respeito das formas de
dominação social sobre o rebanho humano [...]”. (MENEZES, 1980 apud HOMEM, [201-]b);
c) Chapeuzinho amarelo: em alusão ao conto: Chapeuzinho Vermelho, Chico retrata a história
de uma menina que busca transformar sua vida em contos de fadas. O blog Livros para ler e reler
descreve a história: “apresenta uma heroína que [...] enfrenta os conflitos presentes na criança
moderna que, muitas vezes, se deixa dominar pelo medo e esse medo de tudo a impede de viver
enquanto criança, isolando-a do mundo, dos prazeres da infância e da alegria de viver” (LIVROS
PARA LER E RELER, 2011). Essa obra foi publicada em 1979 e relançada em 1998, pela Editora
José Olympio. Contém ilustrações do chargista e caricaturista Ziraldo. Também foi premiada em 1979,
com o selo Altamente Recomendável para Crianças - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil
(FNLIJ); em 1998 com o Prêmio Jabuti de Melhor Romance do Ano;
d) Estorvo: primeiro romance escrito por Chico, Estorvo apresenta a história de um homem
que se vê em situação de fuga, em busca de um caminho a seguir, que enfrenta e reflete sobre diversas
situações reais e cotidianas. Durante a história, debatem-se temas como segurança, liberdade e
relações sociais. Foi adaptado para os cinemas em 2000 (HOMEM, 2014). Essa obra recebeu, em
1992, o Prêmio Jabuti de melhor romance do ano;
e) Benjamim: o texto narra a vida de um homem que sofre uma grande decepção amorosa e
não consegue se desvincular da história que culminou na morte trágica de sua amante. Sem conseguir
esquecê-la, Benjamim é levado anos depois a viver uma nova, porém similar, versão da história, com
uma mulher que acredita ser a filha de sua amada. O romance foi lançado em 1995 e adaptado para os
cinemas em 2003 (SOUZA, 2013). Benjamim vendeu cerca de 80.000 exemplares, foi traduzido para
seis idiomas e lançado em oito países;
f) Budapeste: o livro de 2003 apresenta a transição da história de um escritor anônimo do Rio
de Janeiro, que possui uma estrutura de vida estável, mas vazia. Durante uma viagem, condições
adversas o levam a Budapeste e lá desenvolve o fascínio por uma mulher e pela cultura local,
condições que levaram à criação de um prestigiado romance, que envolve suas duas histórias
amorosas. O romance foi adaptado para os cinemas em 2009. Premiações: em 2004, Prêmio Passo
Fundo Zaffari &amp; Bourbon de Literatura - melhor romance em língua portuguesa, publicado entre 2003
e 2004 – 11ª Jornada Nacional de Literatura e com o Prêmio Jabuti de Melhor Livro do Ano de
Ficção;
g) Leite derramado: um velho homem narra sua vida em um leito de hospital. Revive os
momentos de ascensão e decadência de sua família. Leyla Perrone-Moisés resume a obra: “Uma saga
familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do

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Brasil dos últimos dois séculos” (PERRONE-MOISÉS, 2009). A obra foi traduzida para as línguas
alemã, espanhola, francesa, inglesa e italiana. Obra premiada em - 2009 - Prêmio Jabuti de Melhor
Livro do Ano de Ficção e Prêmio Bravo! Prime de Cultura.
Por fim, essa exposição contou com a apresentação de um breve resumo sobre os livros, em
um módulo de exposição que ficou localizando entre a Ala I e III da Biblioteca Universitária, o que
proporcionou expressiva visibilidade. Além disso, nas cristaleiras da Ala II foi disponibilizada uma
exposição com várias curiosidades sobre o artista, como o seu amor pelo futebol e também, produções
infantis, menções da discografia e uma biografia resumida.
2.2.3

Filmes

O cinema é uma das artes em que Chico Buarque esteve inserido, sendo que vários de seus
livros foram adaptados e rodados como filmes.
a) Benjamin: o filme se baseia no romance homônimo, o terceiro do famoso compositor e
escritor brasileiro Chico Buarque. Benjamim é a quarta obra literária de Chico Buarque, seguindo-se à
novela alegórica Fazenda Modelo (1974), o livro infantil Chapeuzinho Amarelo (1979) e o romance
Estorvo (1991), este adaptado para o cinema por Ruy Guerrano filme homônimo. Lançado em
dezembro de 1995. As duas idades de Benjamim Zambraia são repartidas na tela entre Paulo José, (O
Padre e a Moça, Macunaíma, Todas as Mulheres do Mundo, O Rei da Noite, Policarpo Quaresma), e
Danton Melo. Cleo Pires estreia como atriz assumindo a dupla responsabilidade de interpretar Ariela
Masé e Castana Beatriz, pivôs trama. O figurinista empreendeu uma pesquisa em revistas e filmes de
época, inclusive estrangeiros, como o clássico Morte em Veneza, de Luchino Visconti. Mas as
principais soluções saíram mesmo de suas longas conversas com a diretora Monique Gardenberg e da
consulta ao livro e ao roteiro. A princípio, Paulo José não queria fazer o papel de Benjamim Zambraia.
Alegou problemas de saúde, argumentou que era mais velho que o personagem. Danton Mello teve
que emagrecer quase 10 quilos à base de ginástica aeróbica e dieta alimentar para ganhar os contornos
de um galã dos anos 1960. E teve que observar atentamente o trabalho do ator Paulo José. Danton
Mello e Paulo José trabalharam juntos na caracterização do modo de andar, com aquelas hesitações
que exprimem a insegurança do personagem. Até a imitação de Elvis Presley, coisa que só cabia a
Danton fazer diante das câmeras, Paulo não se furtou a experimentar no set (GLOBO, 2003);
b) Estorvo: Ruy Guerra confessa que ele também se incomoda com Estorvo, o filme que
adaptou do livro de Chico Buarque de Holanda. É um filme difícil, incômodo. O próprio Guerra
concorda. Mas é um filme que precisava ser feito e ele se orgulha de ser o autor. Uma obra radical,
que retoma a chama das mais importantes de sua carreira (RUY...., 2010). Estorvo é um filme
experimental. Tem ritmo fragmentado, personagens estranhos, cenas esquisitas, imagens delirantes e
atmosfera de pesadelo. O fiapo de enredo é o mesmo do livro. Um personagem sem nome acorda com
a campainha de seu apartamento. Não sabe se conhece o sujeito que vê pelo olho mágico e, sem
motivo aparente, inicia uma fuga desesperada. Topa com a ex-mulher, com a irmã por quem nutre
sentimentos incestuosos, com uma junkie ninfomaníaca e com tipos grotescos. O virtuosismo estético
serve para o diretor ressaltar a confusão do protagonista e do mundo. Sobre o filme Estorvo: "É um
filme a 300 quilômetros por hora na contramão", definiu a atriz Marieta Severo. "Tão moderno que
nasceu clássico", elogiou a produtora Mariza Leão, de Guerra de Canudos. "Muitos irão defendê-lo
apaixonadamente e outros não saberão como reagir", aposta o cineasta Cacá Diegues, de Orfeu
(EDUARDO, 2010);
c) Quando o carnaval chegar: Chico Buarque atuou em “Quando o carnaval chegar” (1972),
interpretando o personagem Paulo. A trilha sonora do filme é composta, em sua maior parte, por Chico
Buarque. Conta também com a participação de Maria Bethânia, Nara Leão, entre outros grandes
nomes da música brasileira. O filme narra o cotidiano de uma trupe integrada por três cantores
populares sem sucesso. O empresário consegue um contrato para cantarem no carnaval oficial e, a
partir daí, surgem conflitos relacionados com as pressões que sofrem por parte da contratante, na
pessoa de seu representante. As ameaças da organização geram na trupe uma discussão sobre a
validade de cantar para o rei ou para o povo (QUANDO..., 2014);

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d) Certas Palavras: documentário produzido por meio de entrevista com o cantor e compositor
Chico Buarque de Hollanda, ilustradas por vinte de suas canções mais representativas, interpretadas
pelo mesmo e por destacados artistas de sua geração (CERTAS..., 1980);
e) Para viver um grande amor: inspirado no musical Pobre menina rica, de Carlos Lyra e
Vinícius de Morais, Para viver um grande amor é o sétimo filme de Miguel Faria Jr. O filme é uma
fantasia que mostra uma cidade abandonada sendo ocupada por favelados, que criam uma nova
sociedade (FARIA JÚNIOR, 1983);
f) Os saltimbancos trapalhões: no filme, ao invés de animais, temos artistas de circo,
explorados pelo dono do circo. O roteiro, escrito por Chico em parceria com Antonio Pedro (o diretor
da primeira montagem teatral), traz o inesquecível quarteto “os Trapalhões” como humildes
funcionários do circo Bartholo, que se tornam sucesso graças à capacidade de fazer o público rir. O
filme foi dirigido por J. B. Tanko e lançado em 1981, sendo considerado um dos melhores filmes do
grupo Os Trapalhões. São mantidas duas músicas do original: História de uma Gata e Minha Canção.
Chico adapta a canção Todos Juntos, alterando-a para o contexto circense, e Bicharia, que aqui, vira
Rebichada (ESPECIAL..., 2013);
g) Ópera Do Malandro: Chico Buarque se inspirou no clássico de John Gray e no musical A
Ópera dos Três Vinténs, de Berthold Brecht e Kurt Weill, para desenvolver, junto com Ruy Guerra e
Orlando Senna, o filme Ópera do Malandro. O longa, que leva a direção de Ruy Guerra, trata da vida
de um controvertido personagem real da vida brasileira nos anos 40, tido como um "malandro"
encantador. Ópera do Malandro tem como trilha sonora as músicas de Chico Buarque de Hollanda,
entre elas A Volta do Malandro, Las Muchachas de Copacabana, Desafio do Malandro, Pedaço de
Mim, Tema de Geni, O Meu Amor, e o Tango do Covil (OPERA..., 2014);
h) O Mandarim: o filme conta a história da música popular brasileira desde a primeira metade
do século, centrado na figura mítica do cantor Mário Reis, interpretado pelo ator Fernando Eiras. Para
narrar essa história participam alguns dos principais compositores e intérpretes brasileiros, como
Gilberto Gil, Gal Costa, Edu Lobo, Raphael Rabello, Chico Buarque, Caetano Veloso, não apenas
como atores mais como responsáveis por 80 % da trilha sonora. Eles vivem na pele de outros grandes
mestres da MPB, como Sinhô, Tom Jobim, Noel Rosa, Ismael Silva, Carmem Miranda e Villa Lobos.
O mandarim tem também importância documental histórica: é a única aparição do violonista Raphael
Rabello e do ator cômico Costinha, ambos falecidos em 1995 (O MANDARIM, 1995);
i) Budapeste: Chico Buarque levou dois anos para concluir o livro "Budapeste", o qual o
filme é baseado. Foram ao todo sete tratamentos de roteiro, sendo que Rita Buzzar apenas o
apresentou a Chico Buarque após ter escrito três versões. A estátua de Lênin foi construída
especialmente para o filme. Se dependesse do diretor Walter Carvalho, o compositor Chico Buarque
seria o ator principal do trabalho (BUDAPESTE, 2014). Dentro da programação da IX SLBU, no dia
21 de outubro de 2014, a partir das 18 horas, o filme foi exibido no anfiteatro da Biblioteca
Universitária. Logo em seguida, os professores Márcio Noberto Farias (DEF) e Luciana Azevedo
Rodrigues (DED) comandaram uma discussão sobre o mesmo, baseado na obra homônima de Chico
Buarque. Na fala inicial dos professores Farias e Rodrigues, houve um agradecimento ao diretor e aos
servidores da Biblioteca Universitária pelo convite para participar da SLBU e pelo apoio ao projeto
Cinema com vida, que visa a trazer para a universidade a cultura cinematográfica. A professora
Luciana comentou sobre as edições passadas do projeto, listando alguns filmes e diretores que já
foram trabalhados. Frisou-se que a discussão ao final da exibição, teria o objetivo de fazer uma leitura
coletiva da obra. Logo em seguida à projeção do filme, os professores Farias e Rodrigues procuraram
“desconstruir os mistérios da obra” e discutir os significados e nuances de certas cenas. Algumas
questões, objeto de análise foram: qual o significado do filme? Qual história é contada?; a importância
das palavras na obra; as cenas de nudez, em especial quando mostra o corpo da personagem Tereza,
grávida e com várias palavras escritas na barriga. Uma imagem poética e delicada; a cena da estátua
esquartejada de Lenin, que não aparece no livro e segundo os professores serviu para propósitos
estéticos do cineasta responsável pelo filme (nesse momento, um senhor da plateia ofereceu sua
própria interpretação da cena, fazendo referência a uma ópera de Mozart); cenas chaves da obra,
quando aparecem imagens difusas ou espelhadas; ambientação do filme nas cidade de Budapeste e Rio
de Janeiro e a questão do personagem principal ter esposas e filhos desses dois lugares; o fato do
diretor Walter Carvalho ser um fotógrafo e por isso seus filmes sempre terem uma belíssima
fotografia, demonstrada em algumas de suas obras como, por exemplo, Cazuza, Carandiru e Janela da

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alma; a peculiaridade de ser um filme brasileiro com muitas legendas, pois parte dos diálogos ocorrem
em húngaro; a aparição de Chico Buarque no final do filme, numa entrada ao estilo Hitchcock, que
também fazia pequenas participações em suas obras cinematográficas.
Os professores também frisaram que não fazia sentido comparar filme e livro, pois são duas
linguagens muito diferentes. Por volta das 21:20 a discussão foi encerrada e os professores fizeram um
convite para a participação no projeto Cinema com Vida, realizado no Museu de História Natural da
UFLA, no campus histórico.
2.2.4 Peças de teatro de Chico Buarque
a) Roda-Viva: Chico Buarque inicia sua trajetória como dramaturgo em 1967, com a peça
intitulada Roda-viva. A obra, que apresenta elementos autobiográficos, é usada para quebrar o estigma
que Chico carregava de “bom moço da música popular brasileira”. O espetáculo conta a história de
Benedito Silva, um músico de pouco talento, que se rende à indústria do entretenimento para
conseguir fama e sucesso. Ao longo da encenação, Benedito consegue sucesso meteórico, por meio de
sua entrada para o show business. Após mudar de nome por duas vezes, Benedito é levado ao suicídio.
Após o ocorrido, Juliana, esposa de Benedito, assume a condição de estrela pré-fabricada e dá
continuidade ao jogo de interesses financeiros ligado ao show business. A peça foi marcada pela
perseguição da ditadura. Em 1968, o Teatro Galpão em São Paulo é invadido por um grande grupo
ligado ao Comando de Caça aos Comunistas. Na ocasião, o grupo invadiu o teatro, realizou uma
grande quebradeira, além de agredir fisicamente os artistas. No mesmo ano, no Rio Grande do Sul, as
agressões e a quebradeira se repetem e o espetáculo é censurado. O responsável pela censura, Mario F.
Russomano, declarou que Chico Buarque "criou uma peça que não respeita a formação moral do
espectador, ferindo de modo contundente todos os princípios de ensinamento de moral e de religião
herdados de nossos antepassados";
b) Calabar: o elogio da traição: Em 1972, juntamente com Ruy Guerra, Chico Buarque de
Hollanda escreve a peça intitulada Calabar: o elogio à traição. A ideia central do espetáculo era criar
uma interpretação da passagem histórica, na qual holandeses ocuparam o Nordeste açucareiro entre os
anos de 1630 e 1654. O objetivo da peça era demonstrar que todos os envolvidos naquele episódio
foram, de algum modo, traidores. Deste modo, Chico e Ruy Guerra tentam desmistificar a idéia de
que, como contam os livros sob ótica portuguesa, apenas Calabar teria sido o único grande traidor.
Infelizmente, a peça foi vista como ameaça, pela ótica da ditadura de Médici na época. Deste modo, o
governo optou por censurar o espetáculo. No ano seguinte, 1973, um grande investimento financeiro
foi realizado para que o espetáculo pudesse ser encenado, entretanto, às vésperas da estreia, o texto da
peça foi reexaminado e definiu-se uma nova censura. Com isso, o elenco foi dispensado. Apenas em
1980 conseguiu-se, sob a direção de Fernando Peixoto, realizar a peça como um espetáculo;
c) Gota d´água: em 1975, Chico Buarque, juntamente com Paulo Pontes, partindo da ideia do
dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, morto no ano anterior, escrevem a peça Gota d´água. Uma
recriação de Medéia, de Eurípedes, num espaço suburbano de um conjunto habitacional do Rio de
Janeiro, a peça demonstra três reflexões básicas: a primeira em relação à concentração de riquezas e a
marginalização política do Brasil, a segunda trata da necessidade do povo retomar o posto de centro da
cultura nacional e, por fim, a ideia de que o uso da palavra deveria ser fundamental para a expressão
teatral. A encenação não teve problemas com a ditadura e, em dezembro de 1975, sob a direção de
Gianni Ratto, foi um sucesso de público. Na história dessa peça, há dois enredos paralelos. Um deles
de natureza passional, conta a história de Joana. Uma mistura de amor e ódio mostra-se presente nesse
primeiro enredo, no qual Joana é abandonada por seu companheiro, o sambista Jasão de Oliveira. O
outro enredo narra uma história que revela a exploração dos moradores do conjunto habitacional da
Vila do Meio-dia. Esse enredo faz alusão direta aos problemas vividos naquela época, devido ao
fracasso do Sistema Financeiro de Habitação, uma das principais bandeiras da ditadura militar. Mesmo
tendo recebido inúmeros cortes efetuados pela censura, a peça Gota D´água recebeu o Prêmio Molière,
importante prêmio para espetáculos de teatro na época. Todavia, Chico e Gianni, os autores,
recusaram-se a receber o prêmio, em resposta à censura de outros espetáculos na época;
d) Os Saltimbancos: Chico Buarque, em 1977, adapta “Os saltimbancos” texto do italiano
Sergio Bardotti, que fora inspirado pelo conto “Os músicos de Bremen” dos irmãos Grimm. O
musical, destinado ao público infanto-juvenil, buscava discutir sobre as formas de organização social,

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num momento em que se começava a falar sobre abertura política. O musical foi outro grande sucesso
de público e, inclusive, recebeu sucessivas montagens. No musical, há figuras animalescas que
representavam facções da população. O burro representava aqueles que trabalhavam no campo, a
galinha era o reflexo da classe operária, o cachorro representava os militares e a gata, os artistas.
Enquanto isso, havia o barão que era a personificação da elite que, na ótica do espetáculo, era vista
como o principal inimigo dos animais;
e) Ópera do malandro: em 1978, Chico Buarque faz sua última criação dramatúrgica, a Ópera
do Malandro. Inspirada na Ópera do Mendigo, de John Gay e na Ópera dos três vinténs, de Bertolt
Brecht, a Ópera do Malandro contextualiza-se com o período em que o Brasil está no final do Estado
Novo, em 1940. O espetáculo conta a história de um período que marca o fim de uma era e o início de
outro. O bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, é marcada pela presença de vários velhos malandros. Com
o fim de uma época e o início de outra, ao malandro da Lapa só restam dois destinos: o primeiro é se
marginalizar e ser destruído pelo sistema e o outro é se aburguesar e aprender a aplicar golpes sobre os
menos favorecidos. O espetáculo também, faz alusão ao fim da década de 70, período que também
marcou o início do fim de uma era ditatorial.
2.3 Exposição: “Os saltimbancos nas escolas de Lavras e região”
Os Saltimbancos constituiu-se em um musical elaborado por Chico Buarque no ano de 1977,
tendo por base uma adaptação do disco infantil do italiano Sergio Bardotti, que por sua vez inspirou-se
na fábula Os músicos de Bremen, dos célebres Irmãos Grimm. Sergio Bardotti escreveu sua adaptação
em 1976, nomeando-a I Musicanti. A obra foi criada em colaboração com o argentino, radicado na
Itália, Luis Enríquez Bacalov. Chico tomou conhecimento do disco infantil em 1976, quando visitou a
Itália para participar de um festival de MPB em Roma. Apesar de inicialmente dedicada ao público
infantil, a obra ultrapassa essa barreira graças às letras inteligentes e seu conteúdo político-social.
O enredo envolve quatro bichos que abandonam seus donos por causa dos maus tratos, o
jumento que não aguenta mais carregar tanto peso sem recompensa alguma, um cachorro que está
muito velho para guardar a casa, uma galinha que não consegue mais botar ovos e uma gata que está
cansada de servir como companhia de luxo de sua patroa. Eles se juntam e partem para a cidade em
busca do sonho de se tornarem artistas. Na verdade, deixam pra trás a opressão que sofrem de seus
“patrões” e vão à busca da liberdade.
Nessa alegoria política, o burro representaria os trabalhadores do campo; a galinha, a classe
operária; o cachorro, os militares; e a gata, os artistas. O Barão, inimigo dos animais, é a
personificação da elite, ou dos "detentores dos meios de produção". Assim, na época dos irmãos
Grimm, os quatro animais representavam as diferentes classes do povo; os seus donos, os
regentes feudais desse tempo. Bremen, uma cidade livre Hanseática onde não existia feudalismo, era o
local natural para se viver sem amos. Bremen recorda essa história, por meio de
uma estátua de bronze de dois metros de altura, ao lado da Câmara Municipal. No contexto brasileiro,
os quatro animais também representavam a estratificação das classes sociais e os donos dos animais, o
governo ditatorial da época. No período da Ditadura Militar, tornou-se comum a estratégia de
compositores utilizarem discursos metafóricos para burlar a censura, sendo um recurso muito utilizado
por Chico, que teve inúmeras de suas obras censuradas.
O espetáculo teve uma montagem histórica no teatro Canecão, no Rio de Janeiro, em 1977 e teve
como elenco de estreia Marieta Severo (a gata), Miúcha (a galinha), Pedro Paulo Rangel (o cachorro)
e Grande Otelo (o burro). Faziam parte do coro infantil Bebel Gilberto, filha de João
Gilberto e Miúcha, Isabel Diegues, filha de Nara Leão (que interpretou a gata no disco) e Cacá
Diegues e, ainda, Sílvia Buarque, filha de Marieta Severo e Chico Buarque. A montagem recebeu
indicação para o Prêmio Mambembe de melhor ator para Pedro Paulo Rangel, Grande Otelo e Marieta
Severo, mas acabou ganhando na Categoria Especial, que premiou Chico Buarque pela adaptação da
obra. A peça ganhou ainda o prêmio Apca ( Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor
espetáculo.
A música exerce função fundamental dentro da peça teatral. Mais do que suscitar a
superficialidade das músicas infantis, as letras abordam verdadeiros planos de conscientização, de
reflexão e de poesia. Em uma das letras mais famosas, História de uma gata, Chico faz um desabafo
sobre o período da Ditadura Militar: “Me diziam a todo momento / Fique em casa não tome vento/Mas

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é duro ficar na sua /quando a luz da lua/tantos gatos pela rua /que de noite saem cantando assim/Nós
gatos já nascemos pobres /Porém já nascemos livres”. Ou seja, era difícil “ficar na sua”, enquanto
diversas pessoas estavam nas ruas lutando pela queda do regime militar. Na música Bicharia há um
trecho que ainda hoje pode ressoar na situação atual do país: “Era uma vez (e é ainda), certo país (e é
ainda)/Onde os animais eram tratados como bestas (são ainda, são ainda)/Tinha um barão (tem
ainda)/Espertalhão (tem ainda)/ Nunca trabalhava então achava a vida linda (e acha ainda, e acha
ainda) / O animal é paciente, mas também não é nenhum demente/Quando o homem exagera, bicho
vira fera, e ora vejam só.
Em 1981, o grupo humorístico “Os Trapalhões’ lançaram também sua versão, Os
Saltimbancos Trapalhões. Dirigido por J. B. Tanko, foi considerado pela crítica como o melhor filme
do grupo e uma das maiores bilheterias do quarteto. No filme, ao invés de animais, temos artistas de
circo, explorados pelo dono do circo. Os Trapalhões são apresentados como humildes funcionários do
circo Bartholo, que se tornam sucesso graças à capacidade de fazer o público rir. Percebendo que são o
grande sucesso do circo e cansados de viver sob exploração do Barão, fogem para a cidade almejando
melhores condições de trabalho, buscando o sucesso como artistas. A cidade dos sonhos, ao invés de
Bremen, vira Hollywood. A seguir alguns trabalhos das escolas de Lavras e região que estiveram em
exposição.
Figura 1 - Trabalhos enviados por escolas de Lavras e região

O projeto de releitura da obra de Chico Buarque previa a participação de escolas públicas e
particulares de Lavras. Nesse sentido, foram realizados contatos via telefone e email, previamente,
informando e convidando-as a participarem e contribuírem com trabalhos realizados pelos estudantes
de todas as faixas etárias. Posteriormente, um ofício-convite foi entregue em mãos a várias escolas.
Houve ainda uma reunião com a Secretaria de Educação, onde a mesma se comprometeu em divulgar
o projeto às escolas, reforçando a parceria da Biblioteca Universitária com as escolas de Lavras. Os
Saltimbancos é um musical com estrutura tradicional, onde as músicas, todas com funções bem
definidas, vão ajudando a desenvolver a história. A canção de abertura prepara o público para o que
vem pela frente, em seguida cada animal-personagem se apresenta e todos juntos expressam seus
objetivos e sonhos. Ao final, mostrando que juntos somos fortes, os animais explodem em sentimentos
de alegria e vitória. As canções trazem informações suficientes pra ompreensão da história. Por meio
do jogo de palavras, da sonoridade e das rimas, as crianças se envolvem muito fácil com a obra. Já os
adultos se ligam mais pelo significado das letras, o duplo sentido das canções e a qualidade do
material.
2.4 Exposição: “Chico e o eu feminino”
Esse projeto teve como objetivo apresentar a dupla face trovadoresca de Chico Buarque: a voz
lírica feminina e a representação da mulher por um eu masculino, ambas as vozes envolvidas nas
relações de amor. Utilizando-se do seu lirismo crítico, romântico, e de sua sensibilidade musical,
Chico Buarque nos mostra em suas composições certa exaltação das mulheres, geralmente
incompreendido pelos homens, e muitas vezes criticado pela sociedade. Essa abordagem é percebida
nas muitas músicas compostas por esse profundo conhecedor dos problemas dessa classe que ao
mesmo tempo pode despertar sentimentos de amor e ódio (SZATKOVSKI, 2005).
Após o levantamento das músicas relacionadas ao tema desse projeto, foram desenvolvidas
artes com imagens de mulheres e frases das musicas de Chico Buarque. Essa exposição foi
disponibilizada na ala II, próxima ao acervo de livros.

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Figura 2 – Trecho da exposição: “Chico e o eu feminino”

As músicas de Chico Buarque revelam as virtudes da mulher valorizadas sob o prisma do
homem. Qual homem nunca usou uma de suas canções para tentar conquistar uma mulher? E qual
mulher nunca se identificou com o tema de alguma música de Chico? Não é somente ao romantismo
de suas composições que se deve a atração e influência que exerce sobre as mulheres, mas por saber
decifrar os anseios e as angústias, os medos, os sonhos e os sentimentos mais íntimos do universo
feminino em suas letras acompanhadas por melodias que traduzem e dão sentido a essas emoções.
Essa valorização da mulher como ser humano por parte de Chico é revelada na grande quantidade de
canções que direta ou indiretamente, revelam comportamentos tidos como inaceitáveis por fugirem
dos padrões aceitos pela sociedade (JOSÉ, 2012).
Chico Buarque é considerado o compositor da alma feminina. Afirma-se que ninguém
compreendeu a mulher e os afetos por ela representados tão bem quanto ele. Uma de suas qualidades
sempre elogiadas é a capacidade de compor aproveitando-se do "eu-lírico" no feminino, em que
mulheres, com vários nomes, profissões e histórias de vida são amadas, abandonadas, prostituídas,
estigmatizadas, retratando temas do cotidiano com notável poesia e beleza. Em muitas de suas canções
dá voz a diferentes mulheres: à mulher idealizada, à submissa, à libertária, à liberada, à libertina
(SANTOS, 2012).
2.5 Visitas
Após contato inicial, as escolas foram instruídas a agendarem visitas à Biblioteca
Universitária. As escolas que visitaram as exposições, com estudantes do ensino médio, assistiram a
uma breve apresentação sobre a vertente política de Chico Buarque.
Chico nos vingava com o domínio mais puro e perfeito da poesia que nos parecia perdida.
Depois nos vingou com suas provocações sutis e inteligentíssimas ao regime militar que a todos nós
oprimia. Não tínhamos voz nem talento para o enfrentamento, Chico tinha. Estávamos todos ali, com
ele, por meio dele, também repetindo que o pior ia passar e que amanha seria outro dia. E parece que
Chico nos ouvia. Pois a cada dia compunha mais, duelava mais, nos representava mais e melhor, nos
enchia de brios e esperanças. (PIMENTEL, 2006, p. 54 apud PAULSE, 2009).
A vertente política de Chico foi abordada na forma de música, com o enfoque: composições
que levam à reflexão; constante questionamento e oposição contra verdades preestabelecidas e
tomadas como absolutas (repressão, cultura de massa, ideologias, autenticidade); transformação social
através de letras de protesto; canções politizadas e conscientizadoras; descaracterizava a manipulação
dos governos à população que deveria ser conhecida por ser pacífica e ordeira (visão de opositores
como comunistas e baderneiros); figuras de linguagem (ironia e metáforas) como veículo de
transmissão de alerta, de questionamento. Os estudantes das escolas visitantes tiveram a oportunidade
de conhecer o ônibus do Projeto Biblioteca Itinerante - ônibus UFLA, que esteve estacionado em
frente ao anfiteatro da Biblioteca. As visitas foram guiadas pelos membros da Comissão Organizadora

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e houve, durante o dia, atividades lúdicas e pedagógicas.
Como a finalidade de utilizar a música como alternativa na construção do conhecimento, a
Biblioteca da Universidade Federal de Lavras, dentro da programação IX SLBU, promoveu durante
todo o dia 22 de outubro a “Oficina Chico Buarque”, com atividades didático-pedagógicas, baseadas
em temas transversais ao ensino de língua portuguesa, história e literatura, adequadas aos diversos
níveis de ensino para os estudantes de Lavras e cidades do entorno. Foram realizadas as seguintes
atividades: 1. Educação Infantil – Reconto da história “Chapeuzinho Amarelo” – dramatização:
atividades de pintura e colagem com fantoches, desenhos (lobo e Chapeuzinho), giz de cera, cola e
papel crepom. Faixa etária: 4 à 7 anos; 2. Ensino Fundamental I – Reconto da história “Chapeuzinho
Amarelo” – vídeo, atividade que explora a oralidade do texto com jogo do “Troca sílabas” e caça
palavras. Os materiais usados foram vídeo, ficha de sílabas, caça palavras. Faixa etária: 8 à 11 anos; 3.
Ensino Fundamental II – Vendo a banda passar: atividades de interpretação e compreensão da música
“A Banda” e atividade de jogo “Complete se for capaz”. Os recursos utilizados foram vídeo da música,
letra da música e jogo (tabuleiro e palavras). Faixa etária: 12 à 15; 4. Ensino Médio - Palestra sobre o
contexto histórico da construção de muitas músicas de Chico Buarque. Ações de soletrar Chico /
conhecendo Chico – Quiz.
Segundo Sales (2014), no Canal do Educador, as atividades lúdicas contribuem e oportunizam
às crianças momentos de expressão, criação e de troca de informação, além de trabalhar a cooperação.
A equipe de monitoria dessa atividade buscou propor aos visitantes, ações que os deixassem à vontade,
para que, por meio da troca de experiências com outros colegas, da criatividade e da busca de
soluções, eles conseguissem construir seu próprio conhecimento.
2.6 Desenvolvimento do website e Jogo virtual “Eu conheço Chico Buarque”
Criar canal de comunicação evento/usuários, oferecendo conteúdos relacionados ao tema da
SLBU, informar o usuário das atividades e obter feedback dos participantes. Com o crescente número
de usuários conectados, a internet se tornou uma importante ferramenta de comunicação, sendo assim,
é importante que um evento dessa proporção ofereça soluções virtuais de comunicação e interação. O
site http://biblioteca.ufla.br/slbu9/ foi desenvolvido e hospedado em servidor web, ficando disponível
a todo público interno e externo a Universidade. O conteúdo apresentado no site é informativo e
retrata o tema escolhido para a IX SLBU, que nesse ano foi Chico Buarque. Foram coletadas
informações sobre a vida de Chico Buarque, sua obra (discografia, filmes, teatro, livros), entre outras
informações como as parcerias com outros artistas. O website foi um meio de comunicação relevante
para divulgar a IX SLBU e consolidar as informações pertinentes ao evento. Além disso, armazena
tudo o que foi tratado em cada ano na SLBU, o que proporciona uma melhor análise histórica sobre o
que pode ser abordado nos próximos anos, sendo feitas as melhorias necessárias.
O Jogo virtual teve como objetivo estimular e incentivar a participação da comunidade
acadêmica na XI SLBU, com novas formas de aprendizagem e avaliação. Aprimorar a metodologia
aplicada por meio de recursos midiáticos, motivando e atraindo o interesse pelo assunto tratado na
SLBU, estimulando a competitividade entre os participantes. Cada participante teve que acessar o site
da SLBU na área específica que contém o Jogo Virtual (Quiz). Assim, deveria informar seu login
(matrícula) e senha (CPF) para iniciar o jogo. O Quiz continha15 questões que deveriam ser
respondidas com limite de tempo de 20 minutos. Ao final, foi feito um ranking com as maiores
pontuações dos participantes, que seriam premiados com um brinde da Biblioteca. Assim, para
desenvolver o Quiz, foram necessários os materiais a seguir: servidor para hospedagem do site e banco
de dados; aplicações para hospedagem: software wamp; plataforma Wordpress para desenvolvimento
do site; plugins do Wordpress para auxiliar na elaboração do Quiz; questões sobre o tema abordado
que foram inseridas no Quiz. Por ter sido lançado há pouco tempo, o jogo virtual não teve a
participação de muitas pessoas, levando em consideração a quantidade de participantes presenciais do
evento. Torna-se necessária maior divulgação e premiações mais atrativas para os participantes.
2.7 Atrações Culturais
O objetivo de atrações culturais temáticas foi trazer um pouco da obra de Chico Buarque em
um espaço de grande circulação da biblioteca. Dessa forma, os usuários puderam dedicar alguns

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minutos para prestigiar essas atrações, sem que seus estudos ficassem comprometidos, já que as
atrações aconteceram no horário de almoço ou jantar, momento em que muitos aproveitavam para um
rápido descanso. Chico Buarque é uma das personalidades mais marcantes na música popular,
literatura e cultura do Brasil. Está entre os nomes mais importantes no panorama da literatura
brasileira, além de sua relevância para nossa música ser indiscutível. Sendo assim, a IX SLBU
reconheceu o momento propício para trazer ao seu ambiente, alguns momentos de descontração para
seus usuários, seja com um pequeno repertório musical, instrumental e de vozes. No dia 21, terçafeira, no horário do almoço, no Setor de Circulação da biblioteca, a atração cultural da IX SLBU
contou com a participação do Prof. Dr. Luis Marcelo Tavares de Carvalho (DCF) e seus convidados
Tevico Fersi, Binho Sebá, Stephano Xavier e Arielle Albuquerque. O público que ali passava pode
descontrair um pouco ao som de grandes clássicos de Chico Buarque. Na quarta-feira, dia 22, no Setor
de Circulação da Biblioteca, aconteceu a apresentação do Coral Vozes do Campus e da Orquestra de
Câmara da UFLA, quando foram executadas músicas populares e eruditas. Na quinta-feira, dia 23, às
12 horas, no setor de circulação da biblioteca, a atração cultural ficou por conta do Grupo musical
PG3, formado pelos estudantes Yuri Max de Carvalho, Cláudio Vinícius, Leandro Matioli e Pedro
Guimarães. Eles apresentaram canções de Chico Buarque, utilizando os instrumentos: flauta
transversal, bandolim, gaita e escaleta.
. As atrações culturais foram importantes por divulgar, difundir e homenagear o grande artista
brasileiro Chico Buarque, por ocasião da comemoração de seu aniversário de 70 anos. Grande parte
dos usuários demonstrou interesse pelas atrações culturais apresentadas durante a semana. Eventos
como esses deveriam se repetir ao longo do ano, como forma de incentivo à leitura, lazer e cultura.
2.8 Minicurso “O que não tem medida, nem nunca terá: a música e a poesia de Chico Buarque”
O minicurso teve por objetivo fazer reflexões sobre algumas músicas de Chico Buarque, com
o intuito de demonstrar as nuances presentes em várias fases de sua criação, presentes na música e na
poesia e oferecer aos estudantes da UFLA a oportunidade de ampliar conhecimentos acerca de sua
trajetória e sua contribuição para a cultura brasileira. A Banda, Bárbara, Meu namorado, Sobre todas
as coisas, Mar e Lua, Olhos nos olhos, Rosa dos ventos, Apesar de você e outras canções foram
utilizadas para demonstrar a relação entre a música e a literatura. "[...] a relação entre canção popular e
literatura, no Brasil [...] não se deve a uma aproximação exterior em que melodias servem de suporte a
inquietações ‘cultas’ e letradas, mas à demanda interior de uma canção que está a serviço do estado
musical da palavra, perguntando à língua o que ela quer e o que ela pode." (José Miguel Wisnik, Sem
Receita, 2004). “Se quiserem compreender esse período extremamente complexo de nossa vida
artística os compêndios literários terão que se entender com o mundo discográfico.” (Augusto de
Campos, Balanço da bossa e outras bossas, 1974). A SLBU tem como uma das finalidades, unir
atrações culturais a eventos acadêmicos, aproximando cada vez mais o público universitário para o
evento. Sendo assim, considerou-se a importância de trazer um minicurso de caráter acadêmico para a
semana. O minicurso foi ministrado pelo Prof. Dr. Rodrigo Garcia Barbosa (DCH).
2.9 Projeto Saber +
O Projeto Saber+ tem como objetivo levar informações diversas de forma didática e
descontraída para os servidores da Biblioteca da UFLA. Visa a trazer aos servidores da biblioteca,
uma série de palestras de conteúdos profissionais, saúde ou conhecimentos gerais. Algumas sugestões
de palestras são: motivação no trabalho (encerramento da IX SLBU); como conduzir um deficiente
visual; recebendo um estrangeiro na Biblioteca; dicas de leitura; dicas de português; cuidando do seu
sorriso; sopa de letrinhas, o que significa as abreviaturas da UFLA. A seleção do assunto a ser
abordado e instrutores, conforme a temática, é de extrema importância e visa a atender temáticas de
interesse dos servidores e do setor. Para ocasião do lançamento do Projeto contamos com a
colaboração da Prof. Isabel Cristina Silva – PUC Minas, com o tema: “Aprender a aprender no
trabalho”. Segundo a professora, competência é capacidade de agir eficazmente em um determinado
tipo de situação, apoiada em conhecimentos, habilidades e atitudes. Nesse sentido, expôs que a
BU/UFLA é puro conhecimento, é uma “escola” para o desenvolvimento de técnicas e habilidades
para a formação de competências. É um espaço de produção e valorização da aprendizagem. Esse

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

projeto é de grande importância, pois proporciona aos servidores um momento de reflexão sobre
temas, que o auxiliarão no desempenho de suas atividades e na vida pessoal.
8 RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES
Chico Buarque é uma das personalidades mais marcantes na música popular, na literatura e na
cultura do Brasil. Além de sua relevância para a música ser indiscutível, Chico se situa entre as
personalidades brasileiras mais importantes.
A IX SLBU trouxe um aprendizado, de forma interativa e prazerosa, onde se uniu o
conhecimento acadêmico à apresentação musical, de forma descontraída, atraindo assim, diferentes
públicos e dando mais visibilidade à Semana, tanto no âmbito acadêmico quanto na comunidade de
Lavras e região, sobre a vida e a obra de Chico Buarque. Para o sucesso de sua realização foram
imprescindíveis o comprometimento e os esforços da comissão organizadora em cada detalhe, além
das parcerias com as escolas de Lavras e com os professores e estudantes da UFLA, para que a
programação pudesse ser tão diversificada e atrativa. Outro aspecto importante da IX SLBU foi a
consolidação da Biblioteca Itinerante – Ônibus UFLA que, ultrapassando as fronteiras do espaço
tradicional da Biblioteca Universitária e incentivando o hábito e o prazer pela leitura, levou ao
conhecimento da comunidade de Lavras e região, a vida e a obra do grande homenageado,
desenvolvendo atividades lúdicas e culturais, com a temática de Chico Buarque.
Enfim, a SLBU teve a finalidade de unir atrações culturais aos eventos acadêmicos, atraindo o
público universitário. Foi possível atingir os objetivos propostos, que foram os de divulgar, relembrar
momentos marcantes de nossa história e proporcionar mais conhecimento acerca da vida e obra de
Francisco Buarque de Holanda ou, simplesmente, Chico Buarque, um grande brasileiro.
REFERÊNCIAS
A OBRA literária de Chico Buarque. Rolling Stones, [20--]. Disponível em:
&lt;http://rollingstone.uol.com.br/galeria/obra-literaria-de-chico-buarque/#imagem0&gt;. 13 out. 2014.
BUDAPESTE (livro). In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:
&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Budapeste_(livro)&gt;. Acesso em: 02 set. 2014.
CERTAS Palavras com Chico Buarque. Disponível em: &lt;http://www.cineplayers.com/filme/certas-palavras-comchico-buarque/12339 &gt;. Acesso em: 2 out. 2014.
DUDAPESTE. Disponível em: &lt;http://www.adorocinema.com/filmes/filme-181473/curiosidades/&gt;. Acesso em:
&gt;. Acesso em: 2 out. 2014.
EDUARDO, C. Ruy Guerra: “Fiz o estorvo para sacudir o marasmo. Época, Rio de Janeiro, 15 dez. 2010.
FARIA JÚNIOR, M. Para viver um grande amor. Disponível em:
&lt;http://www.chicobuarque.com.br/construcao/cin_amor.htm &gt;. Acesso em: 2 out. 2014.
PAUSE, C. G. Cantando a resistência, construindo identidade: análise das canções de Chico Buarque. In:
SEMANA DE PESQUISA EM ARTES, 3., 2009, Rio de Janeiro. Anais eletrônicos... Rio de Janeiro: UERJ,
2009.
GLOBO. 30 set. 2003. Disponível em: &lt;http://www.chicobuarque.com.br/critica/crit_fbenj_res.htm&gt;. Acesso
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HIRMES, M. R. Especial ‘chico buarque’: os saltimbancos. Ms Zieg, 7 maio 2013. Disponível em:
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&lt;http://www.ibacbr.com.br/?dir=acervo&amp;pag= biblioteca&amp;opc=02116&gt;. Acesso em: 2 set. 2014.
JOSÈ, I. Chico Buarque e o universo feminino em suas canções. Obvious: [S. l.], 2012. Disponível em:
&lt; http://lounge.obviousmag.org/arte_liberdade_e_sub versao/2012/07/chico-buarque-e-o-universo-feminino-emsuas-cancoes.html#ixzz3mZbht0uW&gt;. Acesso em: 15 nov. 2014.
LITERATURA E CINEMA. Gota d’água. 2010. Disponível em:
&lt;http://literarioecinematografico.blogspot.com.br/2010/05/gota-dagua.html&gt;. Acesso em: 02 set. 2014.
LIVROS PARA LER E RELER. Chapeuzinho amarelo: Chico Buarque de Holanda. 2011. Disponível em:
&lt;http://livrospralerereler.blogspot.com. br/2011/07/chapeuzinho-amarelo-chico-buarque-de_16.html&gt;.Acesso
em: 2 set. 2014.
NETSABER. Budapeste. Disponível em: &lt;http://www.netsaber.com.br/resumos /ver_resumo_c_1137.html&gt;.
Acesso em: 02 set. 2014.
O MANDARIM. Disponível em: &lt;http://www.chicobuarque.com.br/construcao/ cin_mandarim.htm &gt;. Acesso
em: 2 out. 2014.
OPERA do Malandro. Disponível em: &lt;http://tvbrasil.ebc.com.br/cineibermedia/ episodio/opera-do-malandro&gt;.
Acesso em: 2 out. 2014.
PERRONE-MOISÉS, Leyla. Leite derramado: Chico Buarque. Disponível em:
&lt;http://www.leitederramado.com.br/wordpress/?p=47&gt;. Acesso em: 02 set. 2014.
QUANDO o Carnaval Chegar. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:
&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Quando_o_Carnaval_Chegar &gt;. Acesso em: 2 out. 2014.
RUY Guerra faz de "Estorvo" um filme incômodo. Disponível em:
&lt;http://www.terra.com.br/cinema/drama/estorvo.htm &gt;. Acesso em: 2 out. 2014.
SANTOS, M. A. A. T. O eu lírico em Chico Buarque: da submissão à transgressão e a incidência de múltiplos
aspectos do feminino. 2012. 167f. Dissertação (Mestrado em Estudos Literários)- Universidade Federal de
Goiás, Goiânia, 2005.
SOUZA, F. Resumo do livro “Benjamim”. 19 jul. 2013. Disponível em:
&lt;http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/4394162&gt;. Acesso em: 02 set. 2014.
SZATKOVSKI, I. V. A dupla face trovadoresca de Chico Buarque: o eu feminino e a representação da
mulher. 2005. 148f. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira)-Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 2005.

ANEXO – Camiseta promocional

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Noite de gala, samba na rua: um passeio pelas muitas faces de chico buarque – relato da IX Semana do Livro e da Biblioteca Universitária da UFLA.</text>
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                <text>Ribeiro, Nivaldo Calixto; Souza, Luciana Gonçalves </text>
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                <text>Esse relato discorre sobre os acontecimentos da IX Semana do Livro e da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras (IX SLBU/UFLA), realizado de 20 a 23 de outubro de 2014 e que teve como tema “Um olhar sobre a obra de Chico Buarque”, foi desenvolvido por uma comissão organizadora multidisciplinar, composta por servidores da Biblioteca Universitária da UFLA (BU/UFLA) em parceria com docentes e discentes da instituição e com escolas de Lavras- MG. A programação foi composta por aula-espetáculo, exposições, minicurso, oficina, debate de filme e atrações musicais, com a finalidade de unir eventos culturais e acadêmicos, aproximando, cada vez mais, o público universitário da programação da Semana, possibilitando a disseminação da vida e obra do homenageado.</text>
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                    <text>MOTIVAÇÃO NO TRABALHO: um estudo sobre a motivação dos
bibliotecários líderes do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI)
do Instituto Federal Goiano.

Johnathan Pereira Alves Diniz (IF Goiano) - johnathan.diniz@ifgoiano.edu.br
Bethânia Oliveira Silva (IF Goiano) - bethania.silva@ifgoiano.edu.br
Joseane Pereira Alves Diniz (IF Goiano) - joseane.pereira@ifgoiano.edu.br
Hevellin Estrela (Ifgoiano) - hevellin.estrela@ifgoiano.edu.br
Anderson Sousa da Silva (IF GOIANO) - anderson.sousa@ifgoiano.edu.br
Leonardo Henrique Silva (IF Goiano) - leonardo.hds@hotmail.com
Resumo:
O presente trabalho objetivou avaliar os níveis de motivação dos bibliotecários líderes das
bibliotecas do Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBI do Instituto Federal Goiano – IF Goiano
e captar quais são os fatores de desmotivação que os afetam. O método utilizado para
conhecer o nível motivacional dos bibliotecários líderes, foi o estudo de caso, a pesquisa
exploratória e descritiva, além da aplicação de um questionário, baseado no motivograma,
desenvolvido por Maslow. O SIBI conta atualmente com 50 servidores, porém o universo da
pesquisa limitou-se aos bibliotecários em cargo de liderança, totalizando nove profissionais.
Na análise dos resultados foi constatado que a maioria dos servidores são jovens. Que entre os
servidores entrevistados, 4 estão no exercício de liderança de equipes de 3 a 5 anos. Todos
lideram no máximo 10 pessoas. Os 5 pontos que mais desmotivam os servidores foram, em
ordem decrescente: horário de trabalho; comunicação com a chefia, cobrança diferenciada
entre os pares; pressão por resultados, comunicação dos pares, infraestrutura da empresa e
relacionamento com as áreas de apoio. Pela bibliografia consultada, nota-se que motivação é
algo pessoal, porém as instituições podem proporcionar situações que estimulem a motivação,
e com as respostas do questionário, percebe-se que os profissionais estão carentes desses
estímulos. Faz-se necessário um desenvolvimento nas relações interpessoais para que eles
sintam-se mais interessados no ambiente de trabalho. Os demais fatores analisados, segundo a
Pirâmide de Maslow, estão bem próximos e não afetam tanto a motivação da equipe de líderes
do SIBI.
Palavras-chave: 1. Motivação. 2. Bibliotecários
interpessoais. 5. Estudo de caso.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão de Pessoas

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líderes.

3.

IF

Goiano.

4.

Relações

�1

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1 Introdução
O fator motivacional é imprescindível para o sucesso das organizações. Uma equipe
motivada faz total diferença quando o líder participa e contribui com as atividades
desenvolvidas, para que a equipe atinja seus objetivos. Um líder motivado contribui para o
sucesso e crescimento da organização na qual ele está inserido. De acordo com Steve
Chandler e Scott Richardson (2011), nenhum líder, seja ele gerente, pai ou professor é capaz
de motivar as pessoas se ele próprio não estiver motivado, calmo e centrado. Trazer a equipe
motivada é algo que cabe ao líder, ele deve possuir o dom da arte de influenciar pessoas, com
a finalidade de atingir os objetivos da instituição. Devido a isso, a questão da liderança é um
tema amplamente abordado na administração e está em ascensão dentro da biblioteconomia,
pois se percebe a sua importância no gerenciamento de pessoas dentro das bibliotecas.
Apesar de atuarem em espaços cada vez mais diversificados, os profissionais
bibliotecários estão mais presentes nas bibliotecas, inclusive nos cargos de gerência, pois de
acordo com o artigo 6º da Lei n° 4.084, dentre as funções atribuídas aos bibliotecários, está à
organização e administração das bibliotecas, ou seja, somente o bibliotecário pode estar à
frente de uma biblioteca, pertença ela a um órgão público ou privado (BRASIL, 1962).
Exercer o papel de líder pode ser uma das diversas responsabilidades dos profissionais
bibliotecários. Ao chegarem para executar suas atividades esses profissionais se deparam com
inúmeros problemas como: falta de orçamento próprio e definido, acervo desatualizado e
incompleto, falta de recursos humanos, inabilidade para lidar com as funções de liderança, o
que pode gerar desmotivação, entre outros problemas.
O presente trabalho objetivou avaliar os níveis de motivação dos bibliotecários líderes
das bibliotecas do Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBI do Instituto Federal Goiano – IF
Goiano e identificar quais são os fatores de desmotivação que os afetam.
A decisão de abordar esse tema deveu-se da necessidade de conhecer como os
bibliotecários que estão à frente das bibliotecas lidam com a motivação de suas equipes. Essa
investigação abordará a liderança, que transcende as funções gerenciais. Na situação de
liderança exige-se extrema motivação do profissional, pois se trata de uma influência
interpessoal, em que se usa o processo de comunicação direcionando com finalidade de
atingir metas. O gestor deve assumir novas responsabilidades, ir além do ambiente da
biblioteca, tornar-se útil a organização, mostrar resultados, fazer com que a biblioteca seja
notada e também ser notado. Ou seja, “[...] as habilidades e conhecimentos para o
desempenho das tarefas gerenciais de sistemas de informação são e serão, cada vez mais,
necessárias. No entanto, este gerente deverá apresentar o perfil de um líder”. (SANTOS,
2000, p.115).

2 O Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI)
O SIBI foi regulamentado pela Resolução do Conselho Superior do IF Goiano
(Resolução CS nº 010 de 21/02/2014), onde a finalidade é a integração entre as unidades,
otimizando a utilização e a gerência de acervos das bibliotecas, sendo ainda responsável pela
definição de normas e diretrizes que visam subsidiar as políticas de bibliotecas no âmbito do
IF Goiano, na prestação de serviços e produtos de informação, de forma a atender as
demandas de ensino, pesquisa e extensão. Está ligada diretamente a Pró-Reitoria de Ensino
(PROEN) e subordinada a supervisão de coordenação de bibliotecas.
Integra o SIBI atualmente oito (08) bibliotecas situadas nos campi, quatro (04)
bibliotecas situadas nos campi avançados e a parte administrava situada na Reitoria,
totalizando um sistema que possui, em média, treze mil usuários, sendo a maior parte
constituída por estudantes, servidores docentes e técnico-administrativos. O SIBI atende
também à comunidade geral, que circunda a instituição.
Para que possamos atender melhor os nossos usuários devemos ter um quadro de
servidores que satisfaça a demanda, porém a realidade não é bem assim como pode ser

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observado no quadro abaixo:

Terceirizados

Bibliotecas

TécnicoAdministrativo
(demais
cargos)

Estagiários

Bibliotecários

Auxiliares de biblioteca

Quadro 1: Servidores do SIBI

Cedidos
(outros
órgãos)

Campus Campos Belos
Campus Ceres

02
-

02

03

04

02

-

Campus Iporá
01

03

01

-

-

01

Campus Morrinhos

02

01

02

-

01

01

Campus Posse

01*

-

-

-

-

-

Campus Rio Verde

02

02

03

01

-

-

Campus Trindade

01

01

-

-

-

-

Campus Urutaí

01

01

05

-

-

01

Reitoria
Campus Avançado
Cristalina
Campus Avançado
Hidrolândia

01
-

01
-

-

-

-

-

01

-

-

-

-

-

Campus Avançado Catalão
Campus Avançado Ipameri

01

01

-

-

-

-

-

01

-

-

-

-

13

11

14

05

03

03

Total
Total Geral

49

Fonte: elaborado pelos autores

Já quando analisamos a liderança exercida nas bibliotecas do SIBI temos a seguinte
realidade:
Quadro 2: Liderança nas bibliotecas do IF Goiano

Bibliotecas

Bibliotecário Líder

Liderança exercida por não
bibliotecários

Campus Campos Belos

-

1

Campus Ceres

1

-

Campus Iporá

1**

-

1

-

1**

-

-

1

Campus Morrinhos
Campus Posse
Campus Rio Verde

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Campus Trindade
Campus Urutaí
Reitoria
Campus Avançado Cristalina
Campus Avançado Hidrolândia
Campus Avançado Catalão
Campus Avançado Ipameri
Total

1**

-

1

-

1***

-

-

1

1**

-

1**

-

-

1

9

4

Fonte: elaborado pelos autores.
**Liderança sem gratificação.
***Supervisor do SIBI

Nota-se que, como os demais sistemas de bibliotecas, o SIBI atualmente possui o
quadro de Recursos Humanos reduzido, o que não condiz com as suas necessidades. Algumas
bibliotecas são gerenciadas por servidores não graduados em Biblioteconomia, contrariando o
que diz expressamente artigo 6º da Lei n° 4.084 de 1962 do Conselho Federal de
Biblioteconomia.

3 Motivação
O tema motivação vem sendo muito discutido dentro das organizações, sabe-se que
sem ela os resultados podem ser catastróficos. Para atingir metas com sucesso é necessário
que a equipe esteja motivada. “A motivação representa um dos assuntos mais atuais, portanto,
mais debatidos em qualquer contexto, seja ele de trabalho ou não” (BERGAMINI, 2008, p.
205). Mesmo sendo um aspecto importante e ao mesmo tempo crítico dentro das
organizações, em muitos casos a motivação dos funcionários é deixada em segundo plano
dentro do ambiente de trabalho. As organizações devem mudar essa visão, pois a parte mais
prejudicada com a falta de motivação não são os funcionários, mas sim a organização.
Existem vários conceitos para motivação, dentre eles podemos destacar:
A palavra motivação deriva do latim motivus, movere, que significa
mover. Em seu sentido original, a palavra indica o processo pelo qual
o comportamento humano é incentivado, estimulado ou energizado
por algum tipo de motivo ou razão. O comportamento humano sempre
é motivado. Sempre há um motor funcionando, que movimenta o
comportamento humano. De vez em quando o motor fica em ponto
morto ou para de funcionar e a pessoa fica desmotivada
(MAXIMIANO, 2006, p. 147).
Para o autor a motivação é a interação entre motivos internos do indivíduo e estímulos
externos causados por uma situação. Deve-se levar em consideração o seguinte fato, em
muitos casos, pessoas se direcionarão a executar algo, porém elas não estão verdadeiramente
motivadas. Simplesmente executarão determinada tarefa pelo fato de poderem sofrer uma
coerção ou receberem uma recompensa. Dessa forma a motivação não é algo interno,
necessitou-se de um motivo externo para fazê-lo agir. Outra observação é que uma pessoa não
pode motivar a outra. Principalmente na motivação para o trabalho, dependerá do significado
que o próprio trabalho tem para o indivíduo (BERGAMINI, 2006). Vergara (2000) apresenta a
motivação como algo intrínseco a cada pessoa, a motivação surge das necessidades interiores
e nos leva a buscar algo. Além disso, Vergara (2000, p. 42) também afirma que “ninguém
motiva ninguém. Podemos receber estímulos externos que podem estimular ou ate provocar a
motivação”

3.1 Teorias motivacionais

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Existem inúmeras teorias da motivação e vários conceitos, porém três recebem grande
destaque, são elas: 1) “A pirâmide de necessidades”, de Maslow; 2) “A teoria dos dois
fatores”, de Herzberg; 3)“A teoria da expectativa”, de Vroom. Neste estudo será utilizado A
pirâmide das necessidades, de Maslow.

3.1.1. A pirâmide de necessidades de Maslow
Abraham Maslow é um dos mais conhecidos teóricos motivacionais. Maitland (2002,
p. 5) afirma que, “Abraham Maslow, foi um psicólogo americano que acreditava que todos os
indivíduos apresentavam uma hierarquia de necessidades que precisavam ser satisfeitas”.
Ele desenvolveu uma pirâmide de necessidades humanas que ficou conhecida como a
Pirâmide de Maslow, composta pelos seguintes grupos de necessidades: básicas (ou
fisiológicas), de segurança, sociais (ou de amor), estima e autorrealização. Maitland (2002, p.
5) apresenta bem esses grupos de necessidade,
De acordo com Maslow, as necessidades primordiais de um indivíduo são conseguir
ar, alimentos e água em quantidades suficientes para sua sobrevivência
(necessidades fisiológicas). Após essas terem sido atingidas, não há motivação para
mais ar, alimento e comida, mas sim para as necessidades de segurança. Assim que
essa pessoa percebe que está livre de qualquer ameaça de perigo ou ataque, suas
motivações voltam-se para as necessidades sociais: amizades e tudo mais que estiver
relacionado. Um indivíduo que superou as necessidades de autoestima e alcançou o
reconhecimento por parte de outros indivíduos volta-se para satisfazer as
necessidades de autorrealização, até que estas estejam saciadas tanto quanto possível
e ele, com isso, sinta-se realizado. No entanto, se as necessidades situadas em um
nível inferior deixam repentinamente de serem atendidas, o indivíduo direcionará
novamente sua motivação para elas. Assim, por exemplo, um homem está em uma
esquina, conversando com um amigo, satisfazendo suas necessidades sociais. Se,
porventura, um louco brandindo uma faca chegar até ele, as necessidades de
segurança desse homem não estarão mais satisfeitas, uma vez que ele não se
encontra livre da ameaça de perigo ou ataque. Com isso, ele foge – muito mais
preocupado em resolver as necessidades de segurança, localizadas em um nível mais
baixo, do que as de nível mais alto, como as sociais.

Figura 1 – Pirâmide de Maslow

Fonte: Chiavenato (2004).
Conforme Bergamini (2008), a teoria de Maslow afirma que para motivar pessoas é
necessário que elas estejam com sentimentos de carência ou desejos. Dessa forma o indivíduo
move-se em direção a níveis mais elevados de realização.

3.2 Liderança e motivação em bibliotecas
De acordo com Newstrom (2008, p. 157), “liderança é o processo de influenciar e
apoiar outras pessoas para que elas trabalhem entusiasticamente para a obtenção de

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determinados objetivos.” E em bibliotecas isso não é diferente, nota-se que as organizações
exigem cada vez mais dos profissionais que estão na gerência de bibliotecas, cobra-se
profissionais completos, que ultrapassem a barreira do trabalho técnico. Dessa forma os
bibliotecários que estão em posição de gestores devem possuir habilidades como, ser
inovador, ser comunicativo e principalmente ser um líder. O tema liderança tem sido abordado
com mais veemência dentro da biblioteconomia, devido a sua importância na evolução de
equipes em bibliotecas.
Ao expressar o termo líder muitos associam ao gerente, cabe salientar que existem
diferenças entre um líder e um gerente. De acordo com o site Mundo Carreira (2016):
O líder é uma pessoa que possui algumas características básicas para ocupar o cargo.
Dentre as competências esperadas estão boa capacidade de se comunicar, de gestão e
visão estratégica. Quando ele domina a comunicação, consegue passar com clareza a
mensagem para seus liderados, transmitindo segurança e confiança sobre o deve ser
feito. Os líderes que conseguem identificar pontos fortes nas pessoas, não encontram
dificuldades em entregar determinado trabalho para a pessoa certa para executá-lo.Um

líder com boas habilidades estratégicas é antenado, se esforça para prever o que
acontecerá e busca soluções para tal divergência. Tem espírito inovador e consegue
manter o foco nas pessoas. A busca pelo desenvolvimento de seus liderados,
mantendo a equipe unida, focada e motivada, é uma de suas obstinações.

Conforme o mesmo site o gerente possui características diferentes no comando da
equipe:
O gerente costuma ter uma visão em curto prazo e não gosta muito de novidades,
pois acredita ser uma ameaça ao seu ambiente de trabalho. Ele não procura inovar e
faz com que seus subordinados executem as tarefas sempre da mesma maneira, além
de ser mais centralizador e evitar fugir da sua zona de conforto. Ele prioriza o
processo que deve ser seguido à risca. Outro detalhe é que o gerente visa buscar os
recursos financeiros, já o líder faz com que as pessoas o sigam de maneira natural,
por conta de sua influência positiva na empresa.

Atualmente as organizações demonstram a necessidades de que os gestores em
bibliotecas ajam como líderes, nota-se tal necessidade na seguinte definição das atribuições do
profissional bibliotecário realizada por Kumar (apud Tarapanoff, 1997):
[…] sua responsabilidade na alfabetização em computação e informação para as
massas. Dentre as várias habilidades levantadas necessárias para o profissional
bibliotecário estão, as de ser: inovador, criativo, líder, comunicador, negociador,
empresário, especialista na busca (seletiva) informacional, diante da explosão da
informação, e especialmente em redes (participar no processo de globalização).

O requisito liderança é cada vez mais exigido nas organizações. Ao se ingressarem no
mercado de trabalho grande parte dos profissionais da informação se choca com essas
exigências, pois a maioria não possui treinamento e nem experiências prévias para atuarem
como líderes, dessa forma encontram dificuldades em suas rotinas com a equipe. Porém o
profissional possui a oportunidade de aprender e desenvolver essa habilidade. A liderança
pode ser aprendida e deve ser bem orientada para produzir resultados satisfatórios. Por muito
tempo acreditou-se que a liderança seria uma habilidade nata, porém os estudos mostram o
contrário. Chiavenato (2005, p. 201) diz: “A liderança não é uma habilidade privativa de
alguns poucos superdotados. Ela tem de ser aprendida e incorporada ao comportamento do
gerente para fazer parte de seu cotidiano”. Sendo assim, os profissionais que estão gerindo
equipes em bibliotecas devem desenvolver tal habilidade.
O líder deve promover a motivação de cada indivíduo de sua equipe, sendo essa uma
de suas principais funções, pois assim ele poderá compreender melhor as necessidades de
cada membro. Para isso é importante que o líder tenha um bom conhecimento da sua equipe,
seus desejos e necessidades com a finalidade de estabelecer metas e desafios. Paul Hersey

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(1976, p. 22) corrobora com a afirmação ao escrever que: “Se um indivíduo deseja influir no
comportamento de outra pessoa, é necessário primeiro, compreender quais são, nesse
momento, os motivos ou as necessidades mais importantes dessa pessoa”.
Sendo assim, o papel do líder dentro das organizações é desenvolver meios que
possam motivar sua equipe. No entanto, para motivar é necessário estar motivado. O
profissional que exerce a função de liderança deve ser capaz de identificar aquilo que lhe
motiva primeiramente, só assim descobrirá meios para contribuir com a motivação de seus
liderados. Como o líder é uma referência para seus liderados, ele deve mostrar motivação e
persistência diante dos obstáculos, é ele que sustenta a motivação da equipe. Um líder
desmotivado acarreta consequências trágicas para a instituição. Segundo Abreu (2006):
Uma das mais fortes tentações que um líder tem em sua jornada é a vontade de
desistir. Quantas vezes isso já não deve ter passado pela sua cabeça? Creio que todos
os líderes, de fato, vivem este tipo de experiência. Podem até não declarar
publicamente, mas, lá no seu íntimo, isso já deve ter sido uma opção pensada.

Em suma, o bibliotecário líder deve possuir uma série de habilidades e competências, para
isso é necessário que esse profissional primeiramente esteja disposto a assumir os desafios da
sua função. Por outro lado a organização deve preservá-lo e desenvolver meios para mantê-lo
sempre motivado, pois só é possível manter a motivação, enquanto se vê motivos para realizar
o que se está fazendo. Segundo Silva (200X), “Um líder só é perdido pela empresa quando ele
não tem mais espaço de crescimento. Sente-se desmotivado, sem utilizar todos os potenciais
ou, pelo menos, parte dele, não se sente reconhecido”.

4 Materiais e métodos
O método utilizado para identificar o nível motivacional dos bibliotecários líderes das
bibliotecas do IF Goiano foi o estudo de caso. Segundo Araújo et al. (2008), o estudo de caso
trata-se de uma abordagem metodológica de investigação especialmente adequada quando
procuramos compreender, explorar ou descrever acontecimentos e contextos complexos, nos
quais estão simultaneamente envolvidos diversos fatores. Utilizou-se, ainda, neste artigo a
pesquisa exploratória e pesquisa descritiva. Gil (1999) considera que “a pesquisa exploratória
tem como objetivo principal desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em
vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos
posteriores”. Já para Malhotra (2001), “a pesquisa exploratória é usada em casos nos quais é
necessário definir o problema com maior precisão”. O seu objetivo é prover critérios e
compreensão. Segundo Gil (1999) “as pesquisas descritivas têm como finalidade principal a
descrição das características de determinada população ou fenômeno, ou o estabelecimento de
relações entre variáveis”.
Para o levantamento dos dados aplicou-se um questionário com perguntas fechadas e
uma (01) aberta, com a finalidade de conhecer o perfil de cada líder e as causas de
desmotivação.
Para realizar o levantamento do nível motivacional, na elaboração do questionário
utilizou-se como referência o motivograma desenvolvido por Maslow, que consiste em um
instrumento de perfil de motivação individual, baseado na teoria de necessidades de Maslow,
conforme defende Andrade (2006). No motivograma ou levantamento da motivação
individual, o pesquisado recebeu um questionário composto de trinta (30) perguntas com duas
(02) respostas. Cada uma delas apresentou duas alternativas possíveis. O participante podia
atribuir 2 ou 3 pontos à alternativa que considerasse mais significativa, dependendo do grau
de sua importância comparada com a alternativa menos cotada. Esta recebeu nota 0 ou 1,
dependendo dos pontos que foram atribuídos à primeira, já que a pontuação das duas deveria
somar sempre 3 pontos. Cada necessidade no motivograma é representada por uma letra ,
constatam-se então após a tabulação das respostas, as necessidades mais presentes do

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QUADRO 4 – Pontuação e percentuais do motivograma
Necessidades não satisfeitas
Necessidades fisiológicas

Total de pontos
150

%
19

Necessidades de segurança

145

18

Necessidades sociais

204

25

Necessidades de estima

117

14

Necessidades de autorrealização

194

24

810

100

TOTAL

Fonte: elaborado pelos autores.

Observando o quadro quanto às necessidades menos satisfeitas, identificou-se foram
as sociais (X), e as de autorrealização (Z). As necessidades de fisiológicas (V) e de segurança
(W) obtiveram pontuações aproximadas e por fim a menor pontuação coube às necessidades
de estima (Y).
Pode-se notar que a equipe de líderes do SIBI IF Goiano é composta por pessoas jovens, a
maioria entre 28 e 35 anos de idade e um servidor tem entre 20 e 27 anos de idade. Com
pouco tempo de atuação dentro da instituição, 6 servidores trabalham entre 0 e 2 anos no IF
Goiano, enquanto 2 servidores estão de 3 a 5 anos e apenas um servidor está a mais de 8 anos
no Instituto, o que demonstra que a maioria não possui muita experiência em liderança de
equipe. Na pergunta de quanto tempo o servidor líder exerce a função de liderança na vida
profissional, 4 responderam de 3 a 5 anos, 2 servidores estão de 0 a 2 anos, 2 servidores
exercem a mais de 8 anos e 1 servidor de 5 a 8 anos.
A falta de experiência para liderança é um fator que pode contar como negativo, pois
pode acarretar dificuldades no processo de liderança. As equipes são relativamente pequenas,
os 9 servidores responderam que lideram de 0 a 10 pessoas. Observou-se que muitas das
bibliotecas possuem um quadro de funcionários reduzidos e equipes incompletas, em umas
faltam auxiliares de bibliotecas e em outras o próprio bibliotecário, o que pode sobrecarregálos prejudicando o andamento das atividades dentro da unidade de informação.
Os 5 pontos que mais desmotivam os servidores foram, em ordem decrescente: horário
de trabalho; comunicação com a chefia, cobrança diferenciada entre os pares; pressão por
resultados, comunicação dos pares, infraestrutura da empresa e relacionamento com as áreas
de apoio.

6 Considerações parciais/finais
Pelo motivograma podem-se observar as necessidades mais latentes para esses
profissionais, as menos satisfeitas foram as sociais (X) que no ambiente do trabalho são,
necessidades de conquistar amizades, manter boas relações, ter superiores gentis dentre
outras. As necessidades de autorrealização (Z) recebeu pontuação bem significativa, voltada
para o trabalho são definidas como, desafios no trabalho, necessidade de influenciar nas
decisões, autonomia etc.
Posteriormente as necessidades fisiológicas (V) e as de segurança (W) que obtiveram
resultados aproximados e são representadas no trabalho como, necessidade de horários
flexíveis, conforto físico, intervalos de trabalho, representando as fisiológicas e o emprego
estável, plano de saúde, seguro de vida representando as de segurança.
A menor pontuação coube a necessidades de estima, mostrando as necessidades de
sentir-se digno, prestígio e reconhecimento, poder e orgulho, no mundo corporativo seria
responsabilidade pelos resultados, reconhecimento por todos, promoções ao longo da carreira.
Nas respostas dadas, pela pergunta aberta, as principais foram relacionadas à: atuação
dos superiores, tanto no quesito de reconhecimento do exercício da função quanto as
prioridades dadas ao setor. Foi citado que servidores remanejados às bibliotecas desconhecem

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o trabalho desenvolvido pelo setor, impactando na atuação da equipe toda, uma vez que a
tendência desses servidores, por estarem desmotivados, é não contribuir com as atividades
desenvolvidas pelas bibliotecas. Muitas dessas decisões partem da alta gestão, que talvez por
desconhecimento das atividades realizadas pelo setor, encaminham esses servidores às
bibliotecas.
Foi citado ainda, que o papel de líder da biblioteca é visto como uma atribuição
inerente ao cargo de bibliotecário, pressupondo que as ações de liderança são pertinentes ao
cargo e que quando desenvolvidas, os profissionais estariam aptos a exercê-la. Apesar de que
a etimologia da palavra “biblioteconomia” remeta a organização e administração de
bibliotecas, a atribuição no quesito de liderança deve ser estudada e amadurecida
profissionalmente para que possa vir a ser efetivamente desenvolvida pelos profissionais. A
alta gestão deveria preparar o profissional, realizando algum curso de capacitação para
conhecer os procedimentos administrativos, para formar líderes que possam atuar de forma
efetiva em suas bibliotecas.
Ainda dentro das respostas dadas em relação à pergunta aberta, citaram que a distância
da família contribui muito para a desmotivação na realização das funções, muitos pensam na
possibilidade da redistribuição (transferência para outro órgão) e até mesmo tentar um novo
concurso público para estar próximo aos entes. Isso acarreta problemas sérios na formação de
uma equipe forte e unida. A falta de isonomia dentro do serviço foi outro agravante citado,
pois em algumas unidades, os bibliotecários recebem gratificação e em outras não o recebem.
As atividades são as mesmas, mas em algumas unidades do IF Goiano a gestão local entende
que o bibliotecário é o líder e não haveria necessidade de fornecer gratificação a uma
atribuição inerente a ele, ocasionando grande desmotivação por parte do profissional.
Fica claro que a motivação é algo pessoal, porém as instituições podem proporcionar
situações que estimulem a motivação e pelas respostas obtidas, pode-se notar que, esses
profissionais estão carentes desses estímulos. Faz-se necessário um desenvolvimento nas
relações interpessoais para que eles se sintam mais interessados no ambiente de trabalho.
Porém esse é um dos fatores mais complicado de ser desenvolvido, pois vai da própria relação
do servidor para com o outro. Outro fator com pontuação bem próximo ao social é a
autorrealização, que estão interligados, por isso tem números tão próximos. Os fatores de
necessidades fisiológicas e segurança também têm um resultado próximo e pela pontuação
recebida indica certa irrelevância na desmotivação. E o fator de estima, com o menor
resultado, também não afeta tanto a motivação da equipe de líderes do SIBI.

Referências
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In:
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BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO, CIÊNCIA E GESTÃO DA INFORMAÇÃO DA REGIÃO SUL, 12.
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http://rabci.org/rabci/sites/default/files/Bibliotecario _id.pdf . Acesso em: 06 mar. 2016.
JACQUES, A. P. O. Competências gerenciais de bibliotecários com foco na gestão de
pessoas: um estudo em bibliotecas universitárias públicas na cidade do Rio de Janeiro, 2015.
81 f. Monografia (Bacharel em Biblioteconomia) – Centro de ciências Humanas e sociais da
Universidade Federal do
Estado
do
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de Janeiro. Disponível em:
&lt;http://www.unirio.br/unirio/cchs/eb/arquivos/tccs-acima-de-9/TCC%20Ana%20Paula%20
Oliveira%20Jacques.pdf &gt; Acesso em: 01 abr. 2016.
MAITLAND, Iain. Como motivar pessoas. São Paulo: Nobel, 2002.
MALHOTRA, N. Pesquisa de marketing. 3.ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
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MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria Geral da Administração: da revolução
urbana à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2006.
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&lt;http://www.mundocarreira.com.br/lideranca/entenda-qual-diferenca-entre-lider-e-gerente/ &gt;
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aos bibliotecários-gestores que atuam em bibliotecas universitárias: um estudo dos
profissionais de Goiânia – GO. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado. Anais eletrônico... Gramado: [s.n.], 2012. p. 1-15.
Disponível em: &lt; http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QYJ.pdf &gt;. Acesso em: 05 mar.
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http://carreiras.empregos.com.br/seu-emprego/o-papel-do-rh-na-formacao-de&lt;
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�12

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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VERGARA, Sylvia Constant. Gestão de pessoas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente trabalho objetivou avaliar os níveis de motivação dos bibliotecários líderes das bibliotecas do Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBI do Instituto Federal Goiano – IF Goiano e captar quais são os fatores de desmotivação que os afetam. O método utilizado para conhecer o nível motivacional dos bibliotecários líderes, foi o estudo de caso, a pesquisa exploratória e descritiva, além da aplicação de um questionário, baseado no motivograma, desenvolvido por Maslow. O SIBI conta atualmente com 50 servidores, porém o universo da pesquisa limitou-se aos bibliotecários em cargo de liderança, totalizando nove profissionais. Na análise dos resultados foi constatado que a maioria dos servidores são jovens. Que entre os servidores entrevistados, 4 estão no exercício de liderança de equipes de 3 a 5 anos. Todos lideram no máximo 10 pessoas. Os 5 pontos que mais desmotivam os servidores foram, em ordem decrescente: horário de trabalho; comunicação com a chefia, cobrança diferenciada entre os pares; pressão por resultados, comunicação dos pares, infraestrutura da empresa e relacionamento com as áreas de apoio. Pela bibliografia consultada, nota-se que motivação é algo pessoal, porém as instituições podem proporcionar situações que estimulem a motivação, e com as respostas do questionário, percebe-se que os profissionais estão carentes dessesestímulos. Faz-se necessário um desenvolvimento nas relações interpessoais para que eles sintam-se mais interessados no ambiente de trabalho. Os demais fatores analisados, segundo a Pirâmide de Maslow, estão bem próximos e não afetam tanto a motivação da equipe de líderesdo SIBI.</text>
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                    <text>MODELAGEM E IMPLANTAÇÃO DE PROGRAMA DE
COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
Maria Helena Segnorelli (UNICAMP) - mhelenas@unicamp.br
Valéria Santos Gouveia Martins (UNICAMP) - valeria@unicamp.br
Regiane Alcantara Bracchi (Unicamp) - regiane@unicamp.br
Resumo:
A explosão da informação desencadeada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação
requerem novas habilidades de acesso, avaliação e organização da informação, principalmente
em ambientes mediatizados pelas tecnologias digitais. Ao mesmo tempo, nas sociedades onde
o conhecimento tem um papel central, não tem sido suficiente o acesso para o processamento
e organização da informação, sendo necessária a modelação e transformação para criar novos
conhecimentos para usá-la como fontes de novas ideias. As típicas habilidades requeridas para
esta dimensão são habilidades de investigação e resolução de problemas, que levam a algum
ponto de definição, busca, avaliação, seleção, organização, análise e interpretação da
informação. O objetivos do presente trabalho são: conceber a modelagem de um programa de
competência em informação para o Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU) e implementar
de acordo com os preceitos estabelecidos. Os procedimentos metodológicos propostos são de
natureza qualiquantitativa, sendo do tipo descritiva exploratória. A modelagem do método foi
embasado nos conceitos de Belluzzo e no Relatório "Euroreferencial em Información y
Documentación, v.1 - Competencias y aptitudes de los profesionales europeos de información y
documentación", sobre a temática Competência Informacional. Os instrumentos utilizados
para coleta e tratamento dos dados foram entrevista, pesquisa em fontes de informação e
Software Excel. Os resultados obtidos foram: Modelagem do Programa de Competência em
Informação para o SBU, onde foi concebido duas vertentes, os profissionais da informação e
usuários; Implantação do Programa de Competência em Informação.
Palavras-chave: Gestão por Competência;
Universitárias

Competência

Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão do Conhecimento e da Informação

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

em

Informação;

Bibliotecas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

MODELAGEM E IMPLANTAÇÃO DE PROGRAMA DE
COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
Resumo:
A explosão da informação desencadeada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação
requerem novas habilidades de acesso, avaliação e organização da informação, principalmente
em ambientes mediatizados pelas tecnologias digitais. Ao mesmo tempo, nas sociedades onde
o conhecimento tem um papel central, não tem sido suficiente o acesso para o processamento
e organização da informação, sendo necessária a modelação e transformação para criar novos
conhecimentos para usá-la como fontes de novas ideias. As típicas habilidades requeridas para
esta dimensão são habilidades de investigação e resolução de problemas, que levam a algum
ponto de definição, busca, avaliação, seleção, organização, análise e interpretação da
informação. Os objetivos do presente trabalho são: conceber a modelagem de um programa de
competência em informação para o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) e implementar
de acordo com os preceitos estabelecidos. Os procedimentos metodológicos propostos são de
natureza qualiquantitativa, sendo do tipo descritiva exploratória. A modelagem do método foi
embasada nos conceitos de Belluzzo e no Relatório "Euroreferencial em Información y
Documentación, v.1 - Competencias y aptitudes de los profesionales europeos de información
y documentación", sobre a temática Competência Informacional. Os instrumentos utilizados
para coleta e tratamento dos dados foram entrevista, pesquisa em fontes de informação e
Software Excel. Os resultados obtidos foram: Modelagem do Programa de Competência em
Informação para o SBU, onde foi concebido duas vertentes, os profissionais da informação e
usuários; Implantação do Programa de Competência em Informação.
Palavras-Chave: Gestão por Competência; Competência em Informação; Bibliotecas
Universitárias

Abstract:
The information explosion triggered by information and communication technologies
require new skills access, evaluation and organization of information, especially in
environments mediated by digital technologies. At the same time, in societies where
knowledge has a central role, it has not been enough access for processing and
organizing information, modeling and transformation is necessary to create new
knowledge to use it as a source of new ideas. Typical skills required for this dimension
are research skills and problem solving, leading to a set point, search, evaluation,
selection, organization, analysis and interpretation of information. The objectives of
this work are: design modeling a competence program information for the SBU and
implement in accordance with established principles. The proposed methodological
procedures are quali-quantitative nature, being of exploratory descriptive. The
modeling method was based on the concepts of Belluzzo and Report "Euroreferencial
in Información y Documentación, v.1 - Competencias aptitudes y de los profesionales
europeos of información y documentación" on the subject information literacy. The
instruments used for collecting and processing the data were interview, research
information sources and Excel software. The results were: the Competence in
Information Program modeling for the SBU, which was designed two parts,
information professionals and users; Implementation of Competency in Information
Program.
Key words: Competence Management; Competence in information; University
libraries

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Nos últimos anos as instituições educacionais públicas e privadas lançaram-se em uma
busca de métodos e técnicas que as ajudassem a melhorar a qualidade da educação brasileira
em todos os níveis e modalidades. Nesse processo de desafio e reflexão, em que os governos
vem adotando políticas de modernização, implementando sistemas de informação, inclusive
tornando digitais suas inúmeras bases de dados, adentramos na era do conhecimento em rede
em que formas padronizadas e eficientes são requisitadas para se extrair conhecimento e
potencializar a inteligência pública.
Neste contexto o Prof. Murilo Bastos em seu artigo “Construindo o futuro: a biblioteca
universitária brasileira em 2010” analisa os fatores que podem impactar o futuro das
bibliotecas universitárias e indaga sobre o contexto do ensino superior.
As Bibliotecas e o Ensino Superior passaram por fusões, terceirização, oferta de
produtos e serviços como bibliotecas digitais, aumento do alunado da graduação e pósgraduação, crescimento de EAD, impactando tanto em espaço físico quanto em produtos e
serviços, pois se tornaram organizações complexas com múltiplas funções. Seu propósito
fundamental é o mesmo, mudança comportamental em buscas informacionais. A internet onipresente - se tornou o maior depósito de informações do mundo um bilhão e 800 milhões
de pessoas com acesso a internet em 2010. Mesmo antes da web ter sido criada em 1994, as
bibliotecas digitais foram criadas.
A explosão da informação desencadeada pelas Tecnologias de Informação e
Comunicação requerem novas habilidades de acesso, avaliação e organização da informação,
principalmente em ambientes mediatizados pelas tecnologias digitais. Ao mesmo tempo, nas
sociedades onde o conhecimento tem um papel central, não tem sido suficiente o acesso para
o processamento e organização da informação, sendo necessária a modelação e transformação
para criar novos conhecimentos para usá-la como fontes de novas ideias. As típicas
habilidades requeridas para esta dimensão são habilidades de investigação e resolução de
problemas, que levam a algum ponto de definição, busca, avaliação, seleção, organização,
análise e interpretação da informação.
As TIC's proporcionam ferramentas úteis para manejar muitos dos processos dessa
atividade, tais como integrar a informação, conhecer como funciona um modelo e as relações
entre seus elementos e finalmente, gerar novas informações chaves que anima os estudantes a
desenvolver seu próprio pensamento nesta subdimensão que são: a criatividade, a inovação, a
resolução de problemas e tomada de decisão.
A grande massa de informação disponível e a proliferação de bases de dados exigem
encontrar e organizar rapidamente a informação e desenvolver certa habilidade de seleção da
informação. Dessa forma, o conceito de alfabetização informacional se centra neste processo
(Antunes, 1996), e pressupõe que um estudante entenda primeiro, e logo define claramente a
informação que embasa a uma pergunta ou tarefa determinada. Saber como identificar
digitalmente as fontes de informação consideradas de modo efetivo e eficiente para a solução
do problema, uma vez que a informação é localizada, é fundamental que o estudante seja
capaz de avaliar a quanto útil e valiosa é a fonte e seus componentes para uma tarefa
determinada, assim como ser capaz de organizar dados e informações digitais eficazmente de
modo que possa ser usada.
Marshall Mcluhan em sua obra de 1964, intitulada “Os meios de comunicação como
extensão do homem”, retrata esse contexto, ponderando que “toda tecnologia gradualmente
cria um ambiente humano totalmente novo”, traçando paralelos entre a primeira revolução
industrial até a era eletrônica, demonstrando com exemplos fartos a necessidade de estudos
sobre os meios de comunicação como introdutores de novos hábitos, tais como: mudanças

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

conceituais na relação entre as pessoas e os aspectos do trabalho; novos formatos na
comunicação de massa e na palavra escrita e falada; formas de aglomerações nas organizações
sociais e nas institucionais; nos meios de produção agrícola, de vestuário dentre outros; e,
finalmente, até na saúde mental do homem.
A partir desses novos cenários, há que se refletir sobre o significado atual da
competência e habilidades do profissional da informação. A competência do indivíduo não é
um estado, não se reduz a um conhecimento ou Know-how específico. Le Boterf (1995) situa
a competência numa encruzilhada, com três eixos formados pela pessoa (sua biografia,
socialização), pela sua formação educacional e pela sua experiência profissional. A
competência é o conjunto de aprendizagens sociais e comunicacionais, nutridas pela
aprendizagem e formação, tendo como vazão o sistema de avaliações. Ainda segundo este
autor, competência é um saber agir responsável e que é reconhecido pelos outros. Implica
saber como mobilizar, integrar e transferir os conhecimentos, recursos e habilidades, num
contexto profissional determinado.
Neste sentido e em consonância com o avanço da Universidade no que tange aos
aspectos de desenvolvimento e expansão do ensino, da pesquisa e extensão, no âmbito
nacional e internacional, o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) tem procurado atuar de
forma convergente neste novo cenário, buscando fomentar a produção de novos
conhecimentos por meio da disseminação de informações técnicas, científicas, culturais e
históricas, atuando como propulsor das atividades de ensino, pesquisa e extensão. E para que
tal ação possa ser viabilizada, estabelece em seu plano de gestão o "Programa de Competência
em Informação".
Desta forma, o presente trabalho tem como objetivos: conceber a modelagem de um
programa de competência em informação para o SBU e implementar de acordo com os
preceitos estabelecidos.

Caracterização do SBU
O Sistema de Bibliotecas da UNICAMP, criado através da Deliberação CONSU-A-30,
de 25 de novembro de 2003, como órgão complementar da Universidade, diretamente
subordinado à Coordenadoria Geral da Universidade (CGU), tem como finalidades:
I - dar suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão;
II - definir a política de desenvolvimento dos diferentes acervos que compõem as bibliotecas
da Universidade;
III - possibilitar à comunidade universitária e à comunidade científica o acesso à informação
armazenada e gerada na UNICAMP;
IV - promover intercâmbio de experiências e acervos.
Em seu regimento, artigo 4ª, aprovado através da Deliberação CONSU-A-15/2013,
compete ao Sistema de Bibliotecas da UNICAMP:
I - adotar padrões ou critérios de organização e administração de sistemas de informação;
II - elaborar e encaminhar à Administração da Universidade sua proposta orçamentária;
III - executar o orçamento gerindo recursos financeiros, tanto orçamentários quanto de outras
fontes;
IV - emitir parecer sobre aquisição de material bibliográfico para a Universidade;
V - emitir parecer, quando solicitado, sobre ingresso e seleção de profissionais e auxiliares da
área, bem como afastamentos para participação em eventos e cursos afins;
VI - promover o aperfeiçoamento dos profissionais integrantes do SBU;
VII - realizar a incorporação de todos os materiais bibliográficos adquiridos para o SBU,
inclusive através de convênios, e torna-los acessíveis;
VIII - cadastrar e disseminar a produção técnico-científica gerada na Universidade,

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

assessorando quanto à apresentação técnica das publicações;
IX - integrar-se a sistemas nacionais e internacionais de informação, visando o acesso e a
divulgação da produção técnico-científica gerada pela Universidade.

Principais Indicadores do SBU











Número de Bibliotecas do SBU - 29
Livros eletrônicos – 331.017
Publicações periódicas impressas e eletrônicas – 40.630
Teses e Dissertações – 42.770 (todas disponíveis digitalmente)
Bases de dados eletrônicas: 532 bases que disponibilizam dezenas de milhões de
registros referenciais e em texto completo. Essas bases contêm informações
produzidas pelas melhores instituições científicas e editoras do mundo.
Outros Indicadores: O acervo de periódicos da Universidade abrange um universo de
17.074 títulos, sendo 6.371 correntes. Participa do Programa de Biblioteca Eletrônica,
que disponibiliza mais de 25.000 títulos de periódicos eletrônicos de revistas
científicas internacionais e nacionais, possibilitando uma consulta rápida e atualizada a
toda comunidade da UNICAMP.
Orçamento anual para aquisição de fontes de pesquisa: R$ 15.0000.000,00
Biblioteca Digital: disponibiliza artigos, fotografias, ilustrações, obras de arte, revistas,
registros sonoros, teses, vídeos e outros documentos de interesse ao desenvolvimento
científico, tecnológico e sócio cultural.
Repositório Institucional da Produção Científica: O Repositório da Produção
Científica e Intelectual da Unicamp tem por objetivo reunir e disseminar a produção
intelectual, acadêmica e cultural da universidade e preservar sua memória
institucional, além de contribuir para ampliar a visibilidade da instituição e dos seus
pesquisadores em âmbito nacional e internacional.

2 Revisão de Literatura
Sistemas de Gestão do Conhecimento
Entende-se por conhecimento, segundo Dumont (2006), a informação interpretada, ou
seja, o que cada informação significa e que impactos no meio cada informação pode causar,
de modo que ela possa ser utilizada para importantes ações e tomada de decisão.
Dumont (2006), ainda traça como objetivos da gestão do conhecimento: tornar
acessíveis grandes quantidades de informação corporativa, compartilhando as melhores
práticas e tecnologias; permitir a identificação e o mapeamento dos ativos de conhecimento e
de informações ligados a qualquer organização, seja ela com ou sem fins lucrativos (Memória
Organizacional); apoiar a geração de novos conhecimentos, propiciando o estabelecimento de
benefícios administrativos; dar vida aos dados, tornando-os utilizáveis e úteis, transformandoos em informação essencial ao nosso desenvolvimento pessoal e comunitário; organizar e
acrescentar lógica aos dados de forma a torná-los compreensíveis.
O processo de aprendizagem organizacional tem se destacado como um dos temas
emergentes para o ambiente no qual as organizações encontram-se inseridas, constituindo-se
em um importante instrumento na formulação e o desenvolvimento de estratégias que atuam
na forma de rede. Ao incorporar a aprendizagem na definição de seus propósitos corporativos,
as organizações que atuam em rede passam a incorporar um conjunto de interesses que
perpassam as questões de cunho meramente econômico, atendendo, assim, às necessidades e

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

inteligência artificial, o que proporciona uma base de conhecimento em aprendizado e
aprimoramento contínuos, os sistemas de gestão do conhecimento ganham poder no
fornecimento de análises complexas e tendências da organização. Além disto, estas aplicações
permitem simular processos de negócio complexos e testar diversos cenários, oferecendo um
meio seguro de avaliar e aperfeiçoar os planos de ação propostos antes que eles sejam
implementados, entendendo as tendências verificadas no passado, fazer previsões quanto ao
futuro ou compreender melhor o funcionamento de seus negócios.
Portanto, segundo Dumont (2006), gestão do conhecimento é o processo sistemático de
identificação, criação, renovação e aplicação dos conhecimentos que são estratégicos na vida
de uma organização. É a administração dos ativos de conhecimento das organizações.
“Permite saber o que a organização sabe”.
A gestão do conhecimento leva as organizações a mensurar com mais segurança a sua
eficiência, a tomar decisões acertadas com relação à melhor estratégia a ser adotada em
relação aos seus clientes, concorrentes, canais de distribuição e ciclos de vida de produtos e
serviços, saber identificar as fontes de informação, administrar dados, informações e saber
gerenciar seus conhecimentos.

Inteligência Organizacional
A inteligência organizacional se dá pela gestão da informação e pela gestão do
conhecimento, sendo que suas definições:
“A gestão do conhecimento atua diretamente com os fluxos informais da
organização; seu foco é o capital humano intelectual corporativo e sua ação é restrita
à cultura e comunicação corporativa, ou seja, o que não está explicitado. Na
literatura, utiliza-se de forma recorrente a expressão conhecimento tácito. Assim
defende-se que gestão do conhecimento pode ser definida como um conjunto de
estratégias para criar/construir, adquirir/apreender, compartilhar/socializar e
usar/utilizar ativos do conhecimento, bem como para aplicar métodos, técnicas,
instrumentos e ferramentas que apoiem esse conjunto de estratégias”. (VALENTIM;
GELINSKI, 2005, p. 2)
“A gestão da informação atua diretamente com os fluxos formais da organização;
seu foco é o negócio da organização e sua ação é restrita as informações
consolidadas em algum tipo de suporte (impresso, eletrônico, digital, etc.), ou seja, o
que está explicitado. Desse modo, pode-se definir a gestão da informação como um
conjunto de atividades para prospectar/monitorar, selecionar, filtrar, tratar, agregar,
valor e disseminar informação, bem como para aplicar métodos, técnicas,
instrumentos e ferramentas que apoiem este conjunto de atividades”. (VALENTIM,
2008, p. 18)

O desenvolvimento econômico, social e tecnológico dos países tem exigido uma postura
mais agressiva das organizações frente aos objetivos, buscando maior agilidade e confiança
nas próprias decisões, pois trabalhar com ambiente significa trabalhar com mudanças e a
aceleração dessas mudanças numa organização é considerada uma vantagem competitiva que
agrega valor aos produtos ou serviços oferecidos, bem como proporciona sua sobrevivência
sustentada.
Sustentabilidade, vantagem competitiva, capital intelectual são as principais
características dos novos sistemas produtivos automatizados e de relação do trabalho, também
entendido como a base da Era da Informação.
Dumont (2006) menciona em seu texto sobre a Era da Informação:
“[...] disponibilizar aos gestores públicos acesso ao sistema de inteligência
em um local onde todas as informações estarão reunidas e relacionadas é a base para

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
o processo de geração do conhecimento do negócio, proporcionando uma gestão
pública moderna, baseada em: resultado de indicadores, previsões de cenários,
análise de riscos, auditorias, avaliação do desempenho governamental,
desenvolvimento de metas públicas, análises comparativas e aplicação de outras
técnicas existentes. ” Dumont (2006, p.152)

Partindo dos pressupostos abordados pelos autores, as modernas organizações tendem a
incorporar em seu corpo estratégico, assim como nas linhas de negócio, as competências do
profissional da informação, permitindo desta forma o tratamento, a disponibilização, o acesso
e a mediação da informação, para posterior composição do fluxo de comunicação, tanto no
sentido vertical, quanto no horizontal.
Assim como afirma Cândido; Valentim; Contani (2005) e Valentim; Gelinski (2005):
“Se a informação e o conhecimento têm papel fundamental nos ambientes
corporativos, porque todas as atividades desenvolvidas, desde o planejamento até a
execução das ações planejadas, assim como o processo decisório, são apoiadas por
dados, informação e conhecimento”. (CÂNDIDO; VALENTIM; CONTANI, 2005,
p. 1)
“Se a falta de uma estrutura organizacional sensível e atenta à gestão da informação
impede a sinergia entre os diferentes setores, tanto em virtude do excesso como da
falta de informação, ou mesmo o acesso de forma inadequada aos conteúdos
informacionais pode levar os membros da organização a trabalhar com elevados
níveis de tensão e imprecisão”. (VALENTIM; GELINSKI, 2005, p. 2)

Competência em Informação
O desenvolvimento da Competência em Informação, segundo Belluzzo (2008), requer
um tratamento que envolve desde a compreensão da informação em seu sentido amplo e as
exigências das sociedades humanas, dependendo fundamentalmente da educação,
recomendando-se que haja um trabalho integrado entre educadores e bibliotecários no sentido
de:
 Preparação de diretrizes básicas para iniciativas conjuntas sob o enfoque das
necessidades da sociedade da informação e dos princípios da Competência em
Informação, uma atividade intra-curricular;
 Definir as condições para que tais iniciativas possam ser apoiadas por políticas e pelas
comunidades assistidas;
 Implementar e criar mecanismos de manutenção e avaliação das práticas pedagógicas
e informacionais.
Belluzzo, ainda, ressalta que o conceito de competência traz à tona várias concepções,
porém, vamos entendê-la como sendo um composto de duas dimensões distintas: a primeira,
um domínio de saberes e habilidades de diversas naturezas que permitem a intervenção
prática na realidade e, a segunda, uma visão crítica do alcance das ações e o compromisso
com as necessidades mais concretas que emergem e caracterizam o atual contexto social.
Desse modo, fundamentando-nos nessa dupla dimensão da competência é que situamos a
Competência em Informação ou Information Literacy (CI). É uma área onde o processo de
ensino e aprendizagem deve centrar-se e constitui um processo contínuo de interação e
internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas como
referenciais à compreensão da informação e da sua abrangência, em busca da fluência e das
capacidades necessárias à geração do conhecimento novo e sua aplicabilidade ao cotidiano
das pessoas e das comunidades ao longo da vida (BELLUZZO, 2004). A implementação
desse processo na escola dependerá, em parte, mediante o manejo das tecnologias da
informação e da comunicação, da utilização de métodos válidos de pesquisa, porém,
sobretudo por meio do pensamento crítico e da racionalidade humana. Nesse cenário,

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

certamente, tem importância o uso da Aprendizagem Significativa de Ausubel e da concepção
dos mapas conceituais como abordagens teóricas e instrumentos de apoio ao desenvolvimento
de estratégias e das ações pedagógicas, congregando esforços conjuntos entre a biblioteca e a
escola (BELLUZZO, 2007).

3 Materiais e Métodos
Os procedimentos metodológicos propostos para o desenvolvimento do trabalho são
de natureza qualiquantitativa, sendo do tipo descritiva exploratória. A modelagem do método
foi embasada nos conceitos de Belluzzo e no Relatório "Euroreferencial em Información y
Documentación, v.1 - Competencias y aptitudes de los profesionales europeos de información
y documentación", sobre a temática Competência Informacional. Os instrumentos utilizados
para coleta e tratamento dos dados foram:
 Entrevista com os Diretores de Biblioteca do SBU, visando o levantamento das
demandas de qualificação dos profissionais da informação;
 Pesquisa em fontes: Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), onde foi
levantado as competências e habilidades do profissional da informação; perfil
do profissional estabelecido na carreira da Universidade de Campinas, gestão
por competência: competência individual e competência organizacional
(UNICAMP); Planejamento estratégico do SBU; CoInfo (Declaração de
Maceió, Manifesto de Florianópolis e Carta de Marília).
 Software Excel para coleta e tratamento dos dados.

4 Resultados Parciais/Finais
Os resultados do trabalho estão elencados de acordo com as etapas estabelecidas nos
procedimentos metodológicos, alinhados aos objetivos propostos.
 Etapa 1- Modelagem do Programa de Competência em Informação para o
SBU, onde foi concebido duas vertentes, os profissionais da informação e
usuários. A partir de uma necessidade de aprendizado o programa apresenta um
ponto de convergência que são os recursos informacionais e após se segmenta
para as necessidades de aprendizado mais específicas, conforme demonstra as
Figuras 2 e 3.
 Etapa 2 - Implantação do Programa de Competência em Informação: esta fase
foi desenvolvida a partir das necessidades informacionais demandadas, onde
foram classificadas por modalidade de qualificação e após, foi elaborado uma
agenda com as propostas de qualificação, conforme demonstra o Quadro 1.
Salientamos que esse Programa recebeu menção honrosa em concurso organizado pela
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), durante a realização
do Seminário Internacional do Portal de Periódicos Capes, evento que ocorreu de 10 a 12 de
novembro de 2015, em Brasília.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
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Figura 2 - Modelagem do Programa de Competência em Informação

Fonte: Elaboração Própria

Figura 3 - Programa de Competência em Informação - Necessidades Específicas

Fonte: Elaboração Própria

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Quadro 1 - Implantação do Programa de Competência em Informação
MODALIDADE

DATAS

CURSOS

PROGRAMA DE
CAPACITAÇÃO (GT)

TARDES DE
ATUALIZAÇÃO SBU:
Ciclo de Palestras

TEMA
Dia do
Bibliotecário e
Abertura do
Programa de
Qualificação SBU

Curso de Inglês
Instrumental
(Equipe SBU) –
Supervisão e Apoio:
AFPU
Curso Modular:
Elaboração de
artigos, Elaboração
de Projetos (Revista
Profissionais da
Unicamp, Prêmio
PAEPE, SIMTEC)
Curso de
Qualificação in
Company: FRBR
Treinamentos
Coleções Digitais do
SBU e CAPES Consulte
programação
Gerenciadores
Bibliográficos
(EndNote, Zotero
etc.) - Consulte
programação

Serviço de
Referência:
conceitos e
reflexões e novos
caminhos para a
inovação (Sueli)
Profissionais com
Participação em
Projetos
Internacionais:
Rosana e Isabella
Papel da
Biblioteca na Gestão
Científica
(Sandra/IFGW)

INÍCIO DA
CAPACITAÇÃO

PÚBLICO ALVO

APOIO

19/03/2015

Bibliotecários do
SBU, Estagiários de
Biblioteconomia,
Técnicos em
Biblioteconomia

Coordenadoria SBU
e CGU

06/04/2015

Auxiliares/Técnicos
de Biblioteconomia
/ Administrativo

SBU/AFPU

A Definir

01/06/2015

Profissionais da
Unicamp

Bibliotecários
Catalogadores SBU

SBU/G4

SBU/AFPU/FEBAB

Março a Junho

Bibliotecários de
Referência

GT de Capacitação e
Fornecedores

Abril a Junho

Bibliotecários de
Referência

GT de Capacitação e
Fornecedores

Abril

Profissionais da
Informação

Coordenadoria SBU

Abril

Profissionais da
Informação

Coordenadoria SBU

Maio

Profissionais da
Informação

Coordenadoria SBU

�11

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Fator de Impacto
e Índice H
Rankings
Nacionais e
Internacionais
Gestão dos
Direitos de
Propriedade (DRM)
Plataformas
Colaborativas
(Google Docs etc.),
Ferramentas de
apresentação
(SlideShare,
PowerPoint, Prezi)
Marketing, Mídias
Sociais (RSS,
Facebook, Twitter) e
Introdução de
Arquivo nas Nuvens
AGENDA
CULTURAL

Maio

Profissionais da
Informação

Coordenadoria SBU

Junho

Profissionais da
Informação

Coordenadoria SBU

Junho

Profissionais da
Informação

Coordenadoria SBU

Julho

Profissionais da
Informação

SBUDTI/AFPU/CCUEC

Julho

Profissionais da
Informação

SBUDTI/AFPU/CCUEC

Público em Geral

SBU/Campus
Tranquilo/Unidades

Clique aqui para
Acessar a
Programação
2º SEMESTRE PREVISÃO
MODALIDADE

EVENTOS

IFLA
FE (Profa. Heloisa)
em parceria com o
SBU
Seminário
Internacional:
Modelos de Gestão
de Bibliotecas
Universitárias
Encontro dos
Técnicos em
Biblioteconomia
Fórum
Permanente:
Repositório
Institucional

CURSOS

Cursos Específicos
para os Profissionais
de TI
Cursos Específicos
para os Profissionais
de RH e
Administrativos
Cursos Específicos
para os Profissionais

Agosto

Bibliotecários

SBU/AFPU

2ª Quinzena de
Agosto

Profissionais da
Informação

FE/SBU

Outubro

Profissionais da
Informação

VRERI/SBU

Setembro

Técnicos em
Biblioteconomia

SBU/AFPU

Novembro

Profissionais da
Informação

CGU/SBU/SIARQ

Setembro

Analistas de
Sistemas

SBU/AFPU

Setembro

Técnicos em RH e
Profissionais de
Administração

SBU/AFPU

Setembro

Técnico de Áudio e
Video

SBU/AFPU

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
de Áudio e Video
Curso de
Especialização:
Gestão de Unidades
de Informação
Cursos Específicos
para os Profissionais
de Preservação de
Materiais
Bibliográficos
A biblioteca
universitária:
histórico,
contextualização
dentro da estrutura
da universidade,
contextualização
dentro do Sistema
de Bibliotecas,
hierarquia, os
serviços/tarefas que
serão realizados em
bibliotecas
universitárias da
competência do
técnico, da
importância do
atendimento ao
público

Agosto

Bibliotecários

SBU/AFPU/PUCCAM
P

Setembro

Profissionais da
Informação

SBU/AFPU

Setembro

Técnicos em
Biblioteconomia

SBU/AFPU

Fonte: Elaboração Própria

Com a programação estabelecida obteve-se os indicadores em 2015:
 40 treinamentos em bases de dados efetuados no período de março a setembro de
2015;
 690 usuários e profissionais da informação capacitados;
 03 "Tardes de Atualização" oferecidas no período de março a setembro de 2015;
 183 profissionais da informação capacitados;
 A partir de 2016 serão computados os indicadores para a agenda cultural.

5 Considerações Parciais/Finais
O Sistema de Bibliotecas da Unicamp vem, ao longo do tempo, estabelecendo parcerias e
convênios em nível nacional, visando melhorar as formas de atendimento a comunidade
acadêmica da UNICAMP, a constante otimização no uso dos recursos informacionais, a
formação de redes colaborativas, consórcios, entre outras ações. Contudo, a excelência
presente no cenário internacional deve ser englobado e ser o objeto de análise, uma vez que
este momento de globalização tem requisitado esta expansão para o cenário internacional,
tendo como objetivo conhecer a composição de suas estruturas e como estas instituições estão
se reorganizando mediante as mudanças globais que se apresentam.
Sabemos que devemos transformar as bibliotecas em lugares que promovam a

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

convivência e o debate de ideias. Devemos, ainda, promover o aperfeiçoamento constante dos
nossos acervos e das técnicas de tratamento e organização da informação e o mais importante:
devemos trabalhar com afinco para desenvolver em nossos alunos e professores habilidades
na busca e seleção de informação de qualidade, as quais ofereçam ampla possibilidades de
desenvolvimento pessoal e profissional.

6 Referências
ANTUNES, W. de A. Biblioteca e sistema de ensino. Boletim ABDF Nova Série, Brasília,
v.9, n.2, p.121-125, abr./jun. 1986
BELLUZZO, R. C. B. et al. Information literacy: um indicador de competência para a
formação competente de professores na sociedade do conhecimento. Educação Temática
Digital, Campinas, v.6, n.1, p.81-99, dez. 2004.
BELLUZZO, R. C. B. Construção de mapas: desenvolvendo competências em informação e
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CHOO, Chun Wei. A organização do conhecimento: como as organizações usam a
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Eliana Rocha. São Paulo: SENAC, 2003.
CUNHA, M.B. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010. Ciência
da Informação, Brasília, v.29, n.1, p.71-89, jan./abr. 2000.
DAVENPORT, T.; PRUSAK, L. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não basta
para o sucesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998. 316p.
DUMONT, D.M.; RIBEIRO, J.A.; RODRIGUES, L.A. Inteligência pública na era do
conhecimento. Rio de Janeiro: Revan, 2006. 332p.
FONSECA, E. N. (org.) Bibliometria: teoria e prática. São Paulo: Cultrix, 1986. 135p.
MOTTA, P.R. Gestão contemporânea: a ciência e a arte de ser dirigente. 7. ed. Rio de
Janeiro, 1996. p. 111-142.
MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. 18.ed. São Paulo:
Cultrix, 2000
VALENTIM, M.L.P.(org.) Informação, conhecimento e inteligência organizacional. 2. ed.
Marília,SP: FUNDEPE Editora, 2006. 282p.
_______________
Informação e conhecimento em organizações complexas. In:
______(org). Gestão da informação e do conhecimento. São Paulo: Polis, 2008. p.11-25.
________________; GELINSKI, J. V. V. Gestão do conhecimento como parte do processo de
inteligência competitiva. Informação&amp;Sociedade: estudos, João Pessoa, v.15, n.2, p.1-12,
jul./dez. 2005. Disponível em: &gt; http://www.informacaoesociedade.ufpb.br&gt;. Acesso em 20
fev. 2015.

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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A explosão da informação desencadeada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação requerem novas habilidades de acesso, avaliação e organização da informação, principalmente em ambientes mediatizados pelas tecnologias digitais. Ao mesmo tempo, nas sociedades onde o conhecimento tem um papel central, não tem sido suficiente o acesso para o processamento e organização da informação, sendo necessária a modelação e transformação para criar novos conhecimentos para usá-la como fontes de novas ideias. As típicas habilidades requeridas para esta dimensão são habilidades de investigação e resolução de problemas, que levam a algum ponto de definição, busca, avaliação, seleção, organização, análise e interpretação da informação. O objetivos do presente trabalho são: conceber a modelagem de um programa de competência em informação para o Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU) e implementar de acordo com os preceitos estabelecidos. Os procedimentos metodológicos propostos são de natureza qualiquantitativa, sendo do tipo descritiva exploratória. A modelagem do método foi embasado nos conceitos de Belluzzo e no Relatório "Euroreferencial em Información y Documentación, v.1 - Competencias y aptitudes de los profesionales europeos de información y documentación", sobre a temática Competência Informacional. Os instrumentos utilizados para coleta e tratamento dos dados foram entrevista, pesquisa em fontes de informação e Software Excel. Os resultados obtidos foram: Modelagem do Programa de Competência em Informação para o SBU, onde foi concebido duas vertentes, os profissionais da informação e usuários; Implantação do Programa de Competência em Informação.</text>
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                    <text>Metodologia para avaliação da Base de Teses e Dissertações como
estratégia para prospectar seu povoamento
Lúcia Elaine Brandão de Souza (UFAM) - br_lucia@yahoo.com.br
Celia Regina Simonetti Barbalho (UFAM) - celia.simonetti@gmail.com
Angela Emi Yanai (UFAM) - emi_aey@yahoo.com.br
Resumo:
A disponibilização e a divulgação das teses e dissertações dos programas de pós-graduação
das universidades representa um elemento importante no âmbito da oferta de informação
científica. Esta pesquisa trata da metodologia para avaliação da Base de Teses e Dissertações
da Universidade Federal do Amazonas (TEDE/UFAM), como estratégia para prospectar seu
povoamento. Assim, o estudo delimitou-se aos programas de pós-graduação (PPG) da UFAM
ofertados em Manaus com cursos de mestrado e/ou doutorado, no período de 2008 a 2014.
Identificou-se inúmeras divergências entre as informações disponibilizadas na CAPES e no
TEDE/UFAM, dificultando o processo de coleta e tratamento dos dados dos trabalhos
defendidos e do que está efetivamente publicado na base. Desta maneira, verificou-se que
estão disponíveis aproximadamente 67,5% do total de teses e dissertações defendidas pelos 34
PPG da UFAM, considera-se um valor significativo avaliando as inúmeras dificuldades e
barreiras encontradas para divulgação dos trabalhos produzidos na universidade. A partir dos
resultados desta pesquisa foi possível criar e testar uma metodologia para a realização e
viabilização de trabalhos desta natureza, contribuindo para que os gestores da biblioteca
digital de teses e dissertações possam prospectar ações que visem o povoamento total das
teses e dissertações defendidas em suas instituições de ensino a partir de um efetivo
planejamento e sensibilização das coordenações dos PPG.
Palavras-chave: Biblioteca digital. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFAM.
Divulgação da Ciência.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A intensificação crescente das tecnologias de informação e comunicação tem
viabilizado uma variedade de elementos que ampliam e agilizam a capacidade de divulgação
da informação em todos os níveis e setores da sociedade. No âmbito acadêmico e científico,
essa situação cria possibilidades que favorecem sobremaneira a divulgação de resultados de
pesquisa. Com isso, a sociedade se apropria das inovações geradas e também se conscientiza
dos resultados dos investimentos públicos.
A concepção de espaços para promover a geração de conhecimento, em especial pelo
contato com pesquisas já realizadas no âmbito dos programas de pós-graduação brasileiros, se
configurou como uma política implantada nas universidades públicas cujo foco se constituiu
na criação de dispositivos que possibilitem o aumento da visibilidade do conhecimento
produzido.
Induzida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES), por meio da Portaria nº. 013/2006, a qual determinou que as instituições públicas
de ensino superior disponibilizassem “[...] obrigatoriamente, as teses e dissertações
defendidas a partir de março de 2006” (GUIMARÃES, 2006, p. 1), as universidades
brasileiras passaram a tornar obrigatória a entrega desta produção científica em formato
digital e impressa, e compuseram mecanismos para disponibilizá-la em ambiente virtual, uma
vez que a publicação eletrônica passou, inclusive, a ser um critério de avaliação dos
Programas de Pós-Graduação (PPG) pela CAPES/MEC.
Neste cenário, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), aliando a necessidade
de divulgação do conhecimento produzido no âmbito institucional com a necessidade de
estabelecer aproximação com a comunidade e atender ao dispositivo legal constituído pela
CAPES, criou por meio da Resolução CONSEP Nº 010/2007, a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD) para a disponibilização integral desses recursos na expectativa de
ampliar significativamente o acesso às teses e dissertações por meio de uma plataforma digital
aberta.
Nos nove anos de existência, a BDTD/UFAM, atualmente denominada como Base de
Teses e Dissertações (TEDE/UFAM), não constituiu um efetivo estudo de suas coleções,
visando conhecer os trabalhos que ainda não foram publicados na plataforma, com o intuito
de que, de posse dessas informações, possa estabelecer estratégias para a disponibilização
integral dos trabalhos produzidos no âmbito dos PPG.
Considerando, portanto que a disponibilização de teses e dissertações representa um
elemento importante no âmbito da oferta de informação científica, se faz necessário
estabelecer metodologias que possam favorecer a ampliação do povoamento destes
repositórios. Sendo assim, esse estudo tem como objetivo compor uma metodologia para
análise das coleções de teses e dissertações a partir do levantamento dos PPG da instituição;
da identificação das teses e dissertações defendidas pelos PPG da instituição; do cotejamento
entre o que está depositado e o que foi defendido e da composição de uma lista das teses e
dissertações que necessitam povoar as coleções.
Deste modo, este artigo dispõe sobre as etapas e os resultados obtidos pelo estudo
acima descrito partindo de uma revisão de literatura sobre a comunicação científica e a
divulgação do conhecimento, a biblioteca digital brasileira de teses e dissertações, além de
dispor sobre a trajetória da experiência da UFAM no que tange a implantação deste recurso
informacional. Dispõe ainda dos procedimentos executados para compreender a
representatividade dos programas de pós-graduação no TEDE/UFAM de modo a viabilizar a
composição de estratégias que visem a inserção de 100% das teses e dissertações defendidas
nos PPG.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

2 Revisão de literatura
2.1 Comunicação científica e divulgação do conhecimento
A rede mundial de computadores (Internet), amparada na evolução continua das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), desde o final dos anos 90, vem alterando
profundamente a sociedade, criando uma comunicação global rápida e flexível, aproximando
pessoas e instituições.
Essas mudanças têm alterado também o meio de divulgação do conhecimento gerado
nas universidades e instituições de pesquisa superando aqueles que eram os mais usados até
então, a saber: os periódicos na forma tradicional, impresso. Ademais, para se ter acesso a eles
era necessário pagar elevados valores, o que, muitas vezes, inviabilizava o trabalho do
pesquisador. Outra alternativa para se obter acesso aos periódicos, se consubstanciava por
meio das assinaturas mantidas pelas bibliotecas universitárias e especializadas, as quais
criaram mecanismos para efetuar compras em rede, compartilhada, mas mesmo assim o custo
de manutenção das coleções impressas foram se tornando inexequíveis.
Diante desse cenário, “[...] associações de pesquisadores e de bibliotecas
especializadas e acadêmicas, passam a buscar alternativas ao crescente custo de assinaturas
imposto pelos publicadores comerciais [...]” (MARCONDES; SAYÃO, 2009, p. 14), uma vez
que para os pesquisadores é importante disseminar os resultados de suas pesquisas para que
outros atores possam ter acesso ao conhecimento, usá-los e disseminá-los. Essa troca de
informações faz parte da comunicação científica, e quanto mais acessível é o conhecimento
científico, melhor para o pesquisador e para a instituição.
Para Marcondes e Sayão (2009) a Internet tornou-se a melhor alternativa para a
divulgação de resultados de pesquisas considerando, dentre outros aspectos, ser esta uma
forma menos custosa a qual possibilita um alcance mundial. Isso, porque essa ferramenta
facilita a comunicação entre os pesquisadores independente da distância geográfica. Dessa
forma, a Internet possibilitou, dentre outras coisas, um novo modo de disseminar o
conhecimento científico, tornando-o mais visível, acessível e mais conhecido.
Corroborando com tal questão, Rosa e Gomes (2010, p. 18) acrescentam que “[...] tão
importante quanto à pesquisa em si, é a sua disseminação, e que esta só poderá ser
reconhecida como legítima quando for comunicada [...]”. De fato, a exposição dos autores
reforça o principio de que uma pesquisa não se esgota na conclusão dos trabalhos e
configuração de seus resultados, mas sim na ampla propagação dos saberes obtidos por meio
dela, motivo pelo qual tão importante quanto investigar é disseminar seus resultados.
Outrossim, Lawrence afirma que:
Livre disponibilidade on-line de literatura científica oferece benefícios substanciais
para a ciência e a sociedade. Para maximizar o impacto, minimizar a redundância e
acelerar o progresso científico, o autor e os editores devem ter como objetivo tornar
a pesquisa de acesso fácil. (LAWRENCE, 2001, p. 3, tradução nossa).

Tão importante quanto pesquisar e divulgar é preservar o conhecimento gerado para
que, no futuro, seja possível perceber as nuances da evolução de uma teoria, por exemplo.
Para que isso ocorra com a máxima eficiência e eficácia são necessários meios que
possibilitem tanto a preservação como a divulgação do conhecimento em periódicos
eletrônicos, bibliotecas digitais, repositórios, dentre outros.
Nesse contexto, as bibliotecas digitais de teses e dissertações (BDTD), plataformas de
acesso aberto (Open Access) onde são disponibilizados teses e dissertações defendidas pelos
Programas de Pós-Graduação das universidades brasileiras reconhecidos pela CAPES/MEC,
se fortaleceram.

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Amparadas pelo Open Access (OA), arquivos abertos em meio eletrônico que
disponibilizam diversos materiais, de forma livre, em diferentes formatos, os repositórios
institucionais ainda se viram auxiliados por vários instrumentos que surgiram no diversificado
ambiente cibernético, como o ArXiv (http://arxiv.org/), criado por Paul Ginsparg, em 1991.
Trata-se de um repositório onde, atualmente, são disponibilizados mais de um milhão de
arquivos preprints de forma gratuita.
Neste cenário evolutivo que contribui significativamente para aproximar pessoas e
favorecer a troca de saberes, as bibliotecas digitais de teses e dissertações prosperaram
amparando a construção do conhecimento científico.
2.2 Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações – BDTD
As bibliotecas digitais de teses e dissertações brasileiras foram criadas,
principalmente, a partir da iniciativa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT), o qual, em parceria com a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia
Espacial (FUNCATE) lançou em 2005 o primeiro edital com o objetivo de apoiar a
implantação e instalação de bibliotecas digitais nas instituições públicas que ofereciam
programas de pós-graduação reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (CAPES) (PINTO, 2005).
Esse foi um importante passo para a criação de bibliotecas digitais de teses e
dissertações no Brasil, as quais visam, dentre outros aspectos, à ampliação da visibilidade
nacional e internacional da produção científica brasileira e o aperfeiçoamento do fluxo da
comunicação científica e tecnológica das instituições de ensino superior (IES).
Pouco tempo após a iniciativa do IBICT/FUNCATE, em 2006, a CAPES, por meio da
Portaria nº 013/2006 determinou que:
[...] os programas de mestrado e doutorado deverão instalar e manter, até 31 de
dezembro de 2006, arquivos digitais, acessíveis ao público por meio da Internet,
para divulgação das dissertações e teses de final de curso [...]. Os arquivos digitais
disponibilizarão obrigatoriamente as teses e dissertações defendidas a partir de
março de 2006 [...]. No acompanhamento e avaliação dos programas de pósgraduação serão ponderados o volume e a qualidade das teses e dissertações
publicadas, além de dados confiáveis sobre a acessibilidade e possibilidade de
download [...]. (GUIMARÃES, 2006, p. 1-2).

A partir do ato legislador da CAPES e com o apoio do IBICT, por meio do Sistema de
Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações (TEDE), as IES empenharam-se em implantar
suas bibliotecas digitais de teses e dissertações onde dispuseram esta importante produção
científica nacional.
Atualmente, 101 instituições utilizam o TEDE, desenvolvido e mantido pelo IBICT,
integrando à Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) que, ao reunir em
um único portal o acesso ao conteúdo disponibilizado pelas instituições, permite que de forma
gratuita, a sociedade tenha conhecimento da ciência produzida no país pelos organismos
públicos de ensino superior e de pesquisa.
A BDTD do IBICT (http://bdtd.ibict.br/) segue os preceitos da Iniciativa de Arquivos
Abertos (OAI), sendo assim, atua de forma interoperável, o que permite que diversas bases de
dados diferentes troquem informações entre si, possibilitando ampla e célere disseminação da
informação. (DIEKANIAK, 2008).
Dessa forma, quando um usuário realiza uma pesquisa na BDTD, seu sistema faz uma
busca nas bibliotecas digitais que integram a base de dados. A resposta à pesquisa são as teses
e dissertações que estão depositadas nessas bibliotecas. As instituições que integram a BDTD
funcionam como provedoras de dados, permitindo a coleta pelo IBICT dos metadados de

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374,801 documentos distribuídos entre: 2 artigos; 100.435 teses; e, 274.364 dissertações.
Neste contexto, se insere a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFAM, que
ao corroborar com a Biblioteca Digital Brasileira, oferece visibilidade a produção científica
institucional.
2.3 Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Amazonas
Em março de 2007, por meio da Resolução CONSEP Nº 010/2007, foi criada a
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFAM, considerando:
[...] a Portaria nº 13, de 15 de fevereiro de 2006, da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) [...] a importância e o
interesse em preservar e difundir, através da Internet, as teses e dissertações
produzidas no âmbito dos Programas de Pós-Graduação da UFAM [...] a
necessidade de estabelecer normas e procedimentos para a submissão e depósito das
teses e dissertações. (UFAM, 2007, p. 1)

Nesse mesmo ato legislador foi estabelecido que o acervo da BDTD/UFAM seria
constituído de teses e dissertações, em formato eletrônico, oriundas dos cursos dos PPG
stricto sensu da UFAM. Determina ainda a Resolução que o aluno-autor deverá entregar a
Secretaria do PPG em que está matriculado, o formato impresso e eletrônico de seu trabalho,
acompanhado do Termo de Autorização para Publicação de Tese e Dissertação preenchido e
devidamente assinado. O não atendimento ao dispositivo legal se configura como elemento
impeditivo para a expedição de diploma.
Todavia, entendendo que em certos casos as teses e dissertações geram patentes,
artigos ou outros trabalhos em processo de publicação, portanto não devem ter seu conteúdo
disponibilizado de forma completa, a fim de não ferir os direitos autorais essa mesma
Resolução estabelece que:
A disponibilização do texto, completo ou parcial, de tese ou dissertação na
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFAM, em formato eletrônico,
somente será feita mediante autorização do aluno-autor, expressa no Termo de
Autorização, em conformidade com a Lei Federal nº 9.610, de 19/02/1998, que
dispõe sobre direitos autorais. (UFAM, 2007, p. 1).

O cumprimento do disposto na legislação institucional contou com a parceria do
Sistema de Bibliotecas (SISTEBIB), o qual acolhia o material disponibilizado pelos PPG e
efetuava a inserção dos metadados e objetos digitais na base de dados.
No entanto, em virtude de problemas técnicos com a BDTD/UFAM gerados inclusive
pela ausência de atualização da plataforma pelo gestor nacional do sistema, o recurso entrou
em desuso em função das dificuldades encontradas para o acesso aos dados que estavam
armazenados, apresentando com frequência erros e impossibilitando a atualização.
A partir de meados de 2013, o SISTEBIB prospectou a implementação deste produto e
deu prosseguimento a uma série de ações que conduziram, em maio de 2015, ao lançamento
da Base de Teses e Dissertações – TEDE/UFAM (http://tede.ufam.edu.br/), constituída com os
dados migrados da antiga BDTD, novos outros que foram inseridos na plataforma DSpace
disponibilizada pelo IBICT. O trabalho, realizado em parceria com a Pró-Reitoria de Inovação
Tecnológica e o Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC) da UFAM,
permitiu que as produções dos PPG voltassem a ter visibilidade.
Nesse ínterim, para qualificar os metadados publicados no TEDE/UFAM foram feitas
análises das teses e dissertações e quando necessário foram realizadas correções e adequações

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para normalizar os dados dos trabalhos, facilitando assim a recuperação da informação.
Atualmente o TEDE/UFAM, está em fase de teste com a modalidade de auto depósito.
Nessa modalidade os próprios alunos-autores irão colocar seus trabalhos, para isso terão que
aceitar a “Licença de Distribuição Não-Exclusiva”. O autor pode também escolher autorizar
que seu trabalho seja utilizado para uso comercial e se permite ou não alterações, por meio da
Licença Creative Commons.
O TEDE/UFAM, ao utilizar o software DSpace, o que permite que a base esteja
indexada no Portal Brasileiro de Publicações Científicas em Acesso Aberto – OASISBr e na
Red Federada de Repositorios Institucionales de Publicaciones Cientifica – LA
REFERENCIA, que abrange a produção da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador,
México, Peru, Venezuela e El Salvador, aumentando dessa forma a visibilidade das teses e
dissertações publicadas na base.

3 Materiais e métodos
Este estudo, com características de uma pesquisa quantitativa, se configurou pela
coleta, organização e análise dos dados visando atender ao principal objetivo estabelecido,
qual seja compor uma metodologia para análise das coleções de teses e dissertações do
TEDE/UFAM.
Deste modo, apresenta um enfoque exploratório-descritivo, uma vez que a pesquisa
exploratória “[...] não requer a elaboração de hipóteses a serem testadas no trabalho,
restringindo-se a definir objetivos e buscar mais informações sobre determinado assunto de
estudo.” (CERVO, 2007, p.63). Ainda segundo o autor, na pesquisa descritiva as variáveis em
estudo não sofrem manipulação pelo pesquisador.
Assim sendo, para que se alcançassem os objetivos estabelecidos foram analisados,
classificados e interpretados, sem a interferência do pesquisador, o quantitativo de teses e
dissertações publicadas no TEDE/UFAM.
A coleta ocorreu por meio da pesquisa documental que, de acordo com Gil (2008, p.
51), “[...] vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda
podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa”. Foi realizado um
levantamento, na Plataforma Sucupira da CAPES, dos PPG da UFAM sendo levantados os
seguintes dados: nome do programa, ano de criação, área de conhecimento, cursos oferecidos,
nível dos cursos, resultados da última avaliação da CAPES e situação em que se encontra o
programa. Essas informações foram coletadas em junho de 2015 e foram organizadas em
planilha do software Excel.
No caderno de Indicadores Memória da Pós-Graduação, disposto pelo sistema de
avaliação da CAPES e na Plataforma Sucupira foi verificado o quantitativo de teses e
dissertações defendidas pelos 34 PPG da UFAM. O levantamento desses dados ocorreu em
abril de 2016 seguindo as seguintes etapas: na Plataforma Sucupira foi levantado os dados
quantitativos das teses e dissertações defendidas nos anos de 2013 e 2014 e no período de
2008-2012 estes dados foram coletados do Caderno de Indicadores Memória da PósGraduação, da CAPES. Deste modo foram coletados o total de defesas realizadas anualmente
por cada PPG da UFAM referente ao período de 2008 a 2014, e as informações foram
organizadas em planilha no software Excel.
O quantitativo de teses e dissertações publicadas no TEDE/UFAM foi coletado, a
partir de cada subcomunidade, que corresponde a um PPG. A busca foi realizada acessando
Navegar por – Comunidades e Coleções – Unidade Manaus – Subcomunidade, o que
possibilitou ordenar a coleção por data de defesa tornado possível verificar o quantitativo
anual.

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De cada PPG foi coletado o ano de defesa, nome do autor, título e tipo de trabalho
(tese ou dissertação) defendido. Esses dados foram organizados em planilha no software
Excel. Em seguida foi realizado a confrontação do que foi produzido com o que está
efetivamente publicado no TEDE/UFAM, analisando nos dados coletados o nome do autor,
título e tipo de trabalho defendido.
A partir dessa comparação foi possível constituir uma lista de cada PPG com nome do
autor, título, tipo de trabalho e ano das teses e dissertações que não estão publicadas no
TEDE/UFAM.
Os resultados, apresentados a seguir para demonstrar que a metodologia adotada gerou
os efeitos desejados, corroborarão para as estratégias de povoamento que serão constituídas
pelos gestores do TEDE/UFAM.

4 Resultados finais
4.1 Programas de Pós-Graduação da UFAM
Atualmente, a UFAM oferece 42 PPG stricto sensu, distribuídos em diferentes áreas
do conhecimento, incluindo o PPG Ciências e Tecnologia para Recursos Amazônicos que é
ofertado no município de Itacoatiara/AM. Destes, 21% são cursos na área de Ciências Exatas
e da Terra (9 PPG), 17% na área de Ciências Humanas (7 PPG) e outros 62% distribuídos
entre: Ciências da saúde, Ciências Sociais e Aplicadas, Engenharias, Multidisciplinar,
Ciências Agrárias e Ciências Biológicas (26 PPG).
Observa-se, no Gráfico 1, que dos 42 PPG, 23 oferecem somente cursos de Mestrado
Acadêmico (55%) e o restante disponibilizam formação em nível de Mestrado Acadêmico e
Doutorado, Mestrado Profissional ou apenas Doutorado.

Em vista do disposto no Gráfico 1, delimitou-se a pesquisa apenas aos programas
ofertados em Manaus com cursos de mestrado e/ou doutorado, podendo ser Mestrado
Profissional (MP) ou Acadêmico (M). O período de estudo definido compreende os anos de
2008 a 2014. Dessa forma, os programas cuja criação ocorreu após esse período não fizeram
parte da pesquisa.
Os PPG em rede também não fizeram parte da pesquisa, uma vez que esses programas
seguem um regimento que estabelece outros critérios de depósito das teses e dissertações, o
que implica que o depósito pode ser realizado ou não no TEDE/UFAM.
Dois PPG que estão em processo de desativação e outros dois que foram desativados

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foram incluídos na pesquisa, pois as teses e dissertações defendidas por esses programas
foram publicadas no TEDE/UFAM, são eles, respectivamente: PPG Ciências de Alimentos,
PPG Diversidade Biológica, PPG Contabilidade e Controladoria e PPG Desenvolvimento
Regional.
Ressalta-se que dois cursos mudaram sua nomenclatura, o PPG Patologia Tropical que
é atualmente denominado Ciências da Saúde e o PPG Engenharia de Recursos na Amazônia
designado presentemente como Ciências e Engenharia de Materiais (COSTA JÚNIOR, 2015).
Para atender aos objetivos da pesquisa, considerando as especificidades citadas, foram
levantados dados de 34 PPG. Desses, 21 oferecem apenas cursos de Mestrado Acadêmico
(62%) e o restante Mestrado Acadêmico e Doutorado ou apenas Mestrado Profissional, como
observa-se no Gráfico 2.

A distribuição apontada no Grafico 2 conduziu a análise referente ao resultado das
avaliações oficial do orgão nacional de modo a permitir uma visão ampla sobre a situção de
cada programa considerando que as produções depositadas no TEDE/UFAM é objeto de
exame. O exame da situação de cada PPG permitirá estabelecer prioridades quando da
composição de estratégias de povoamento.
4.2 Avaliação da CAPES
Os PPG são avaliados trienalmente pela CAPES desde 1998 sendo esta uma forma de
manter a qualidade dos cursos (CAPES, 2014). Segundo a Portaria nº. 013/2006 da CAPES
dentre os itens avaliados “[...] serão ponderados o volume e a qualidade das teses e
dissertações publicadas, além de dados confiáveis sobre a acessibilidade e possibilidade de
download.” (GUIMARÃES, 2006, p. 2).
Dessa forma, buscou-se conhecer as notas dos PPG/UFAM pesquisados de acordo
com a última avaliação da CAPES para os referidos programas. Alguns PPG já foram
desativados ou estão em processo de desativação, portanto as notas desses PPG referem-se à
última avaliação realizada pela CAPES.
A nota do PPG Ensino de Ciências e Matemática, criado em 2014, é referente àquela
que foi constituída quando da proposta que foi apresentada a CAPES, uma vez que a última
avaliação trienal corresponde ao período de 2010-2012.
Dos PPG pesquisados nove receberam nota 4 (26%) e apenas um recebeu nota 5 (3%),
PPGI – Informática. Dois receberam nota 2 (6%) e estão em processo de desativação, a saber:
PPGDIVBIO – Diversidade Biológica e PPGCAL – Ciências de Alimentos. Os demais
receberam nota 3, representando 65% dos 34 PPG pesquisados, de acordo com o Gráfico 3.

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De acordo com a Portaria nº. 013/2006 da CAPES a disponibilização, via Internet, das
teses e dissertações dos PPG é obrigatória e quando isto não ocorre, deve ser apresentada
justificativa de ausência de depósito. Dessa forma, no acompanhamento e avaliação dos PPG
pela CAPES é levado em consideração à publicidade dos trabalhos finais dos cursos dos PPG,
bem como o volume e qualidade das teses e dissertações publicadas. Portanto, a
disponibilização desses trabalhos no TEDE/UFAM contribui com a nota de avaliação dos
PPG, assim como atende ao artigo 5 da Portaria nº. 013/2006 da CAPES referente a trabalhos
que foram financiados com verba pública, determinando que estes devem ser dispostos para a
sociedade que os financiou.
4.2 Teses e dissertações defendidas e as publicadas no TEDE/UFAM
Para demonstrar os resultados da pesquisa, foram utilizados os PPG que, segundo a
CAPES, tem mais de cem defesas no período de 2008 a 2014, a saber: PPGCASA – Ciências
do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia (152); PPGCIFA – Ciências Florestais e
Ambientais (112); PPGE – Educação (150); PPGEP – Engenharia de Produção (194); PPGI –
Informática (162); PPGSSEA – Saúde, Sociedade e Endemias nas Amazônia (131); e,
PPGSCA – Sociedade e Cultura na Amazônia (150). A decisão pela apresentação parcial dos
dados se deve em função dos resultados expostos se configurarem como um elemento de
validação da metodologia proposta.
A Figura 1 ilustra como foram organizadas as informações coletadas das teses e
dissertações dos PPG. O exemplo apresenta os trabalhos do PPGCASA, onde foram
organizadas informações essenciais para identificação do trabalho, como: nome do autor,
título, ano de defesa e tipo de trabalho (tese ou dissertação).
Após a organização dessas informações verificou-se no TEDE/UFAM se esses
trabalhos estavam publicados e essa informação foi inserida (SIM ou NÃO) ao lado de cada
registro. Usando o recurso de filtro do software Excel contabilizou-se o número de teses e
dissertações publicadas no TEDE/UFAM.
Posteriormente foram identificadas as teses e dissertações que não estão publicadas no
TEDE/UFAM e as informações destas foram repassadas para outra planilha, dividida por
PPG, constituindo assim lista de todas as teses e dissertações que não constam na base de
dados.

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Figura 1- Teses e Dissertações do PPGCASA

Fonte: Dados da pesquisa (2016).
O quadro a seguir ilustra o comparativo de teses e dissertações defendidas e
publicadas no TEDE/UFAM. De acordo com a pesquisa, no período de 2008 a 2014, os
PPG pesquisados defenderam 223 teses e 2.352 dissertações, das quais estão publicadas
TEDE/UFAM 148 teses e 1.589 dissertações, representando, aproximadamente 67,5%
todos os trabalhos defendidos na âmbito dos 34 PPG pesquisados no período em estudo.

as
34
no
de

Quadro 1 - Comparativo das teses e dissertações – CAPES e TEDE/UFAM
Teses e Dissertações
Teses e Dissertações
Teses e Dissertações
Defendidas
Publicadas
não publicadas no
PROGRAMA
2008-2014
2008-2014
TEDE/UFAM
(CAPES)
(TEDE/UFAM)
152
109
43
PPGCASA
112
77
35
PPGCIFA
150
97
53
PPGE
194
138
56
PPGEP
162
92
70
PPGI
131
78
53
PPGSSEA
162
88
74
PPGSCA
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Alguns PPG se destacaram quanto à representatividade no TEDE/UFAM, ainda que
seja baixo o número de defesas, são poucos os trabalhos desses PPG que não estão publicados
no TEDE/UFAM (Quadro 2).
A composição da lista com as teses e dissertações que não estão publicadas no
TEDE/UFAM somam 75 teses e 763 dissertações que foram defendidas após a criação do
recurso, porém ainda não foram disponibilizadas na base.

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Quadro 2 – PPG com maior representatividade no TEDE/UFAM
Dissertações
Dissertações
Dissertações não
Defendidas
Publicadas
publicadas no
PROGRAMA
2008-2014
2008-2014
TEDE/UFAM
(CAPES)
(TEDE/UFAM)
33
26
7
PPGCF
31
25
6
PPGEC
38
31
7
PPGFIS
41
39
2
PPGL
12
9
3
PPGO
57
50
7
PPGPSI
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Ressalta-se que vários PPG foram criados antes de 2006, ano em que a CAPES
estabeleceu legislação exigindo a disponibilização das teses e dissertações em meio digital e a
BDTD/UFAM foi criado em 2007 a fim de atender esta demanda.
O PPGCC – Contabilidade e Controladoria, que já foi desativado têm dissertações
publicadas em 2014, dentro do período pesquisado, porém só foram encontrados dados
referentes ao número de defesas desse PPG no Caderno de Indicadores da Memória da PósGraduação até o ano de 2012. Por estar desativado esse PPG não consta na Plataforma
Sucupira onde poderia ser levantado o quantitativo das dissertações defendidas em 2013 e
2014. Apesar de não ser possível encontrar o número de defesas do PPGCC na Plataforma
Sucupira, sabe-se que as defesas ocorreram, pois as dissertações estão publicadas no
TEDE/UFAM, no entanto não foi possível comparar com dados oficiais da CAPES.
As estatísticas de download e de acesso do TEDE/UFAM ainda não estão disponíveis
na plataforma, mas são contabilizadas por meio da ferramenta Google Analytics. A equipe do
CTIC juntamente com o SISTEBIB, responsáveis pelo TEDE, estão trabalhando para que, em
breve, possa ser disponibilizado ao público em geral as estatísticas de acesso e download
diretamente na base de dados.
Segundo a Figura 2, em 2015, as estatísticas de acesso apontam que o Brasil é o país
que mais acessou o TEDE/UFAM, seguido dos Estados Unidos da América (EUA) e outros
lugares não identificados.

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Figura 2: Estatística de acesso TEDE (Jan. 2015 a Dez. 2016)

Fonte: Google Analytics/ TEDE (2016).
Os dados expostos na Figura 2, retirados da estatística produzida pelo Google
Analytics, dimensionam a abrangência da visibilidade das teses e dissertações produzidas
pelos PPG da UFAM.

5 Considerações Finais
Durante a pesquisa foi possível encontrar várias divergências tanto nas informações
dispostas pela CAPES quanto nas que estão no TEDE/UFAM. Isso dificulta, em parte, a
composição exata do que foi defendido e do que está efetivamente publicado na base.
Ainda assim, a composição de uma lista com os trabalhos defendidos pelos PPG a fim
de comparar com os trabalhos publicados é um importante instrumento para análise das
coleções da base de teses e dissertações. Uma vez que, por meio da lista é possível verificar se
esses trabalhos estão publicados na base, ao mesmo tempo, caso existam, pode-se corrigir
erros nos metadados dos trabalhos disponíveis na base.
Visando alcançar a exatidão dos metadados, a Plataforma Lattes (http://lattes.cnpq.br/)
pode servir como uma ferramenta importante na verificação dos dados das teses e
dissertações, pois, em geral, o aluno-autor mantem um Currículo Lattes com informações
atualizadas.
Durante a realização da pesquisa foi possível observar que diversos fatores
contribuíram para que o número de teses e dissertações publicadas no TEDE/UFAM não seja
igual ao número de trabalhos defendidos pelos PPG, tais como:
• a não entrega da cópia da tese ou dissertação em formato digital por parte do
autor do trabalho;
• não autorização do autor para publicação no TEDE/UFAM; e
• trabalhos que foram entregues, mas que apresentam problemas na leitura do
CD em que este foi disponibilizado.

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O TEDE/UFAM disponibiliza aproximadamente 67,5% do total de teses e dissertações
defendidas pelos 34 PPG pesquisados. É um número expressivo considerando as dificuldades
e barreiras enfrentadas para disponibilização de trabalhos gerados no âmbito da universidade.
A análise das coleções do TEDE/UFAM proporcionou, além do que se pretendia ao
comparar as teses e dissertações defendidas, segundo disposto pela CAPES, a correção e
adequações na normalização dos dados dos trabalhos publicados na base.
O estudo viabilizou o conhecimento efetivo dos trabalhos que demandam ser incluídos
no TEDE permitindo que a equipe coordenadora deste trabalho prospectar ações que visem
povoar a base de dados com a integralidade das teses e dissertações defendidas a partir de um
efetivo planejamento e sensibilização dos coordenadores do PPG.
Ademais, para além desta questão, o objetivo do trabalho atingiu sua plenitude uma
vez que criou e testou uma metodologia para a realização de trabalhos desta natureza,
contribuindo para que os gestores das bibliotecais digitais de teses e dissertações possam
prospectar ações que visem o povoamento total das teses e dissertações defendidas em suas
instituições de ensino.
Espera-se que outros estudos sejam realizados a fim de melhorar os métodos de
análise das coleções de base de teses e dissertações empregados nessa pesquisa,
proporcionando assim a qualificação dos trabalhos publicados, melhorando a recuperação
desses documentos, favorecendo dessa forma a disponibilização e disseminação do que é
produzido no âmbito dos PPG das instituições de ensino.

6 Referências
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A.; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6. ed.
São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 162 p.
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR.
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Acesso em: 15 dez. 2015.
______. Plataforma Sucupira. 2015. Disponível em: &lt; https://sucupira.capes.gov.br/&gt;.
Acesso em: 16 jun. 2015.
COSTA JUNIOR, Mário Noberto da. Programas de Pós-Graduação [mensagem pessoal].
Mensagem recebida por &lt;lu.elainebrandao@gmail.com&gt; em 22 jun. 2015.
DIEKANIAK, Gisele Vasconcelos et al. Uso do padrão MARC em bibliotecas universitárias
da região Sul do Brasil. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da
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GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
GUIMARÃES, Jorge Almeida. Portaria nº 013, de 15 de fevereiro de 2006. Brasília:
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Acesso em: 15 dez. 2015.
MARCONDES, Carlos Henrique; SAYÃO, Luis Fernando. À guisa de introdução:

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

repositórios institucionais e livre acesso. In: SAYÃO Luis Fernando et al. (Org.).
Implantação e gestão de repositórios institucionais: políticas, memória, livre acesso e
preservação. Salvador: EDUFBA, 2009. p. 9-21. Disponível em:
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PINTO, Lauro Eduardo de Sousa. Sala de imprensa. Brasília, 2005. Disponível
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&lt;http://conselhos.ufam.edu.br/attachments/article/38/res0102007sep.pdf&gt;. Acesso em: 6 maio
2016.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <description>A language of the resource</description>
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                  <text>Português</text>
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                <text>Souza, Lúcia Elaine Brandão de; Barbalho, Celia Regina Simonetti; Yanai, Angela Emi </text>
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                <text>A disponibilização e a divulgação das teses e dissertações dos programas de pós-graduação das universidades representa um elemento importante no âmbito da oferta de informação científica. Esta pesquisa trata da metodologia para avaliação da Base de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Amazonas (TEDE/UFAM), como estratégia para prospectar seu povoamento. Assim, o estudo delimitou-se aos programas de pós-graduação (PPG) da UFAM ofertados em Manaus com cursos de mestrado e/ou doutorado, no período de 2008 a 2014.Identificou-se inúmeras divergências entre as informações disponibilizadas na CAPES e no TEDE/UFAM, dificultando o processo de coleta e tratamento dos dados dos trabalhos defendidos e do que está efetivamente publicado na base. Desta maneira, verificou-se que estão disponíveis aproximadamente 67,5% do total de teses e dissertações defendidas pelos 34 PPG da UFAM, considera-se um valor significativo avaliando as inúmeras dificuldades e barreiras encontradas para divulgação dos trabalhos produzidos na universidade. A partir dos resultados desta pesquisa foi possível criar e testar uma metodologia para a realização e viabilização de trabalhos desta natureza, contribuindo para que os gestores da biblioteca digital de teses e dissertações possam prospectar ações que visem o povoamento total das teses e dissertações defendidas em suas instituições de ensino a partir de um efetivo planejamento e sensibilização das coordenações dos PPG.</text>
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                    <text>MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS APLICADO AOS
BIBLIOTECÁRIOS-CHEFES DA UFRGS
Alexsander Borges Ribeiro (Ufrgs) - alexribeirocrb10@gmail.com
Resumo:
Relaciona a função de Bibliotecário-chefe com a de negociador de recursos físicos, humanos,
financeiros e materiais para sua unidade. Classifica os Bibliotecários do Sistema de Bibliotecas
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul como negociadores ou potenciais negociadores.
Problematiza a ausência do ensino da Gestão por Competência na Biblioteconomia, bem como
as conseqüências das GAPs de competência em negociação. Apresenta estudo de natureza
quantitativa, com método de pesquisa descritiva, estratégia do tipo estudo de caso e
instrumento de coleta virtual na forma de questionário. Identifica, junto às atuais chefias de
bibliotecas setoriais da UFRGS, as competências necessárias para ser um negociador, bem
como as competências existentes dos atuais chefes de bibliotecas. Propõe ações de
capacitação que tornem os Bibliotecários mais competentes em negociação, a partir da
interpretação dos resultados do estudo. Conclui que, de uma forma geral, os respondentes
acreditam possuir diversas competências que julgam importantes, mas ainda há GAPs de
competência.
Palavras-chave: Mapeamento de competências. Gestão por competências. Biblioteconomia.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão de Pessoas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS APLICADO AOS
BIBLIOTECÁRIOS-CHEFES DA UFRGS

RESUMO
Relaciona a função de Bibliotecário-chefe com a de negociador de recursos físicos, humanos,
financeiros e materiais para sua unidade. Classifica os Bibliotecários do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul como negociadores ou potenciais
negociadores. Problematiza a ausência do ensino da Gestão por Competência na
Biblioteconomia, bem como as consequências das gaps de competência em negociação.
Apresenta estudo de natureza quantitativa, com método de pesquisa descritiva, estratégia do
tipo estudo de caso e instrumento de coleta virtual na forma de questionário. Identifica, junto
às atuais chefias de bibliotecas setoriais da UFRGS, as competências necessárias para ser um
negociador, bem como as competências existentes dos atuais chefes de bibliotecas. Propõe
ações de capacitação que tornem os Bibliotecários mais competentes em negociação, a partir
da interpretação dos resultados do estudo. Conclui que, de uma forma geral, os respondentes
acreditam possuir diversas competências que julgam importantes, mas ainda há gaps de
competência.
Palavras-chave: Gestão por Competência – Negociação Coletiva – Biblioteconomia

ABSTRACT
Relates the Librarian chief function with the negotiator of physical, human, financial and
material for your unit. Sorts Librarians Libraries System of the Federal University of Rio
Grande do Sul as negotiators or potential negotiators. Questions the lack of education
management by competence in librarianship, and the consequences of competence gaps in
trading. It presents quantitative study, with descriptive method of research, study type strategy
case and virtual collection instrument in the form of a questionnaire. Identifies with the
current heads of sectoral libraries of UFRGS, the skills needed to be a negotiator and the
existing skills of the current heads of libraries. Proposes training activities that make them
competent Librarians under negotiation, from the interpretation of the study results. It
concludes that, in general, respondents believe they have different skills that deem important,
but there is still gaps of competence.
Keywords: Competence Management - Collective Bargaining - Library

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1 Introdução
O presente trabalho é parte de uma pesquisa que visa acompanhar o tema da gestão
por competências em bibliotecas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). A
primeira etapa da pesquisa se iniciou com o mapeamento das competências dos bibliotecárioschefes da Ufrgs, no ano de 2010. A etapa posterior, entre 2011 e primeiro semestre de 2016,
serviu para o acompanhamento da produção na área do estudo e aplicação da gestão por
competência na Ufrgs, bem como planejamento da terceira etapa, que reaplicará um
formulário aos bibliotecários-chefes em 2017, de forma a permitir uma comparação entre os
anos. O artigo então se destina a apresentar o que foi feito até a presente data, agregando
informações que começaram a ser colhidas e interpretadas em 2010.
Ao longo dos 7 últimos anos, o currículo do curso de Biblioteconomia da Ufrgs
contemplou diversas disciplinas que preparam os futuros Bibliotecários para funções
gerenciais, tais como “Administração Aplicada à Ciência da Informação”, “Gestão de
Recursos Informacionais” e “Gerência e Consultoria de Sistemas de Informação”. Em outras
faculdades de Biblioteconomia a realidade não foi muito diferente. Porém, a negociação e a
gestão de competências sempre foram pouco estudadas, o que contribuiu para a formação de
Bibliotecários despreparados ou pouco preparados para a negociação e para os eventos que
devem enfrentar enquanto chefes de suas unidades. Temos então um gestor que pode precisar
negociar, pois os recursos da sua unidade de informação (financeiros, materiais, humanos,
físicos) dependem da sua atuação junto às chefias, órgãos e conselhos superiores, mas que não
foi preparado para a negociação.
O estudo de 2010 partiu da hipótese de que os Bibliotecários da Ufrgs assumiam a
função de Bibliotecário-chefe sem as necessárias competências da negociação. Também foi
realizado um mapeamento das competências existentes dos chefes de bibliotecas da época,
onde se evidenciou gaps (aportuguesado como lacunas, vazio ou defasagem) de
competências. O estudo recomendou uma série de ações à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas
da Ufrgs (Progesp/Ufrgs) na gestão de pessoas com vistas a eliminar as gaps de competência.
Entre 2011 e o primeiro semestre de 2016 o estudo também analisou as estratégias e
ações da Progesp/Ufrgs para eliminar as gaps de competências.

2 Revisão de literatura
Apresenta as principais pesquisas publicadas sobre negociação, competência e gestão
por competência, subsidiando a discussão dos resultados alcançados.
2.1 Negociação, Competência e Gestão por Competência
Os seres sociais negociam tudo e constantemente. Os dois principais motivos para o
incentivo dessas negociações são: (1) para criar algo novo que nenhuma das partes poderia
fazer por si só ou (2) para resolver um problema ou uma disputa entre as partes. Durante a
negociação as partes envolvidas se aproximam, deixando suas divergências de lado para
alcançar a um acordo de benefício mútuo (LOREGIAN, 2010 1; LEWICKI; SAUNDERS;
MILTON, 2010, p. 18). Misoczky (2010, p. 6) diz que a aproximação entre as partes pode ser
ocasionada pela realização de um ou mais dos seguintes movimentos ou práticas: acordo,
barganha, coerção, emoção ou raciocínio lógico. A definição de negociação que levamos em
consideração, para efeitos desta pesquisa, foi a do Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (DEPARTAMENTO..., 1999, p. 2):
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a negociação é uma prática que expressa as relações de poder entre os atores
sociais, manifestando-se sob diferentes modalidades - diplomática, política,
trabalhista, entre empresas ou administrativa. É também um procedimento de
solução de conflitos bastante disseminado nas sociedades contemporâneas.

Para que um Bibliotecário-chefe obtenha os recursos que sua unidade de informação
necessita ou mesmo que consiga a cooperação de um colega subordinado é preciso que ele
seja competente. Zarifian (2001, p. 68) argumenta que “a competência é o tomar iniciativa e o
assumir responsabilidade do indivíduo diante de situações profissionais com as quais se
depara”. Assumir responsabilidades torna-se um diferencial, exprime uma atitude, que para
Zarifian evidencia competência. Já Duque (2008, p.1) diz que “as atitudes são disposições
favoráveis ou desfavoráveis relativamente a objetos, pessoas e acontecimentos, ou em relação
a alguns dos seus respectivos atributos”.
A competência, que pode ser aprendida ou melhorada através de treinamento, baseiase em 3 dimensões interdependentes: Conhecimento (que é um conjunto de informações que a
pessoa possui pela experimentação), Habilidade (que é o talento natural ou aperfeiçoado, que
ao praticarmos gera bons resultados) e Atitude (que é o querer ser e querer agir) (GRANT,
1975 apud NERI, 1999, p. 16; GRAMIGNA, 2002, p. 18; RABAGLIO, 2006, p. 22). A
aprendizagem, seja ela individual ou coletiva, natural ou induzida, é o meio pelo qual são
desenvolvidas as competências humanas, enquanto o desempenho da pessoa no trabalho
representa uma manifestação da sua competência, ou seja, uma expressão daquilo que a
pessoa aprendeu (CARBONE, et al, 2006, p. 54 apud BRANDÃO, 2009).
Nossa sociedade encontra-se em constante transformação (social, econômica,
tecnológica e cultural), mas o ritmo está cada vez mais acentuado, se compararmos com os
anos 50, por exemplo. Isso faz com que as organizações sintam, cada vez mais, a necessidade
de inovar em produtos, serviços e modelos de gestão. Para fazer frente aos desafios que
surgem diariamente, novos modelos gerenciais são desenvolvidos. Um deles é o da Gestão
por Competência, proposto para desenvolver e integrar pessoas em torno da estratégia, de
objetivos e de metas organizacionais (BRANDÃO, 2009, p. 19). De acordo com o art. 2º,
inciso II, do Decreto 5.707, de 23 de fevereiro de 2006, a Gestão por Competência é “gestão
da capacitação orientada para o desenvolvimento do conjunto de conhecimentos, habilidades
e atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos
objetivos da instituição (BRASIL, 2006)”.
Daólio (2007)2 diz que fazer Gestão por Competências é focar as políticas e práticas
de Recursos Humanos nas competências, mapeando as competências consideradas essenciais,
construindo modelos ou perfis de competência e aplicando tais modelos com o uso de
ferramentas e técnicas adequadas. Para Rabaglio (2001, p.8) a gestão por competências é a
“forma mais eficaz para fazer gestão de pessoas”, visto que aproxima os objetivos
organizacionais e pessoais, alinhando esforços para que as competências humanas possam
gerar e sustentar as competências organizacionais necessárias à consecução dos objetivos
estratégicos da organização (CARBONE, et al, 2006 apud BRANDÃO, 2009). Surge como
uma alternativa onde a gestão dos recursos humanos é realizada de acordo com a contribuição
do indivíduo para o sucesso do negócio, considerando fatores como conhecimentos,
habilidades, atitudes, desempenho e resultados. Essa tecnologia de gestão é apresentada como
uma catalisadora das energias da organização, à medida que alinha a gestão de recursos
humanos ao contexto e à estratégia da empresa e ajuda na harmonização de interesses
(RIBEIRO e GUIMARÃES, 1999).
A primeira etapa da Gestão por Competência é a formulação da estratégia
organizacional, onde são definidas a Missão (razão pela qual a organização existe), Visão (o
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que a organização espera alcançar) e os objetivos estratégicos (qual a situação que a
organização espera atingir após um certo período de tempo) (SOUZA, 2001 apud
BRANDÃO, 2009, p.21). São definidos então os indicadores de desempenho e as metas
(valores que devem ser alcançados de forma a contribuir para a concretização dos objetivos).
A segunda etapa diz respeito ao diagnóstico de competências, que abrange a
identificação das competências necessárias, o inventário das competências existentes e o
mapeamento do gap de competências, como respectivo plano de captação e/ou
desenvolvimento. O mapeamento objetiva identificar o que temos do que deveríamos ter. Na
ausência de ações que visem acabar ou minimizar os gaps de competências, esta lacuna tende
a crescer, pois, como explicado anteriormente, a sociedade se modifica e novas competências
emergem. Da mesma forma, algumas competências se tornam obsoletas com o tempo,
tornando o mapeamento um dever periódico (GREEN, 1999 apud BRANDÃO e BAHRY,
2005). A terceira etapa começa com a captação, que se refere a inserção de competência no
ambiente interno, advindas do ambiente externo, por meios de ações (de capacitação, por
exemplo). Também faz parte desta etapa o desenvolvimento de competências, que visa o
aprimoramento interno das competências existentes. O aprimoramento surge da aprendizagem
(no nível individual) e através da pesquisa (no nível organizacional) (BRANDÃO e
GUIMARÃES, 2001; CARBONE, 2005 apud BRANDÃO, 2009, p. 23). A quarta etapa é a
do acompanhamento e avaliação, onde, através do monitoramento, é possível corrigir falhas.
Esta etapa funciona como uma espécie de feedback e retroalimenta as demais etapas com
informações que permitem verificar a competência, através do desempenho (Brandão, 2009,
p. 23). A quinta e última etapa é a da retribuição. É a etapa onde a organização reconhece o
mérito dos mais produtivos e os premia, de forma a incentivar os demais a moldarem o perfil
o mais próximo do considerado ideal pela organização (BRANDÃO, 2009, p. 24).
Rossi (2012) detalhou os passos para obter uma boa revisão de literatura sobre a
gestão por competência em bibliotecas, sendo que tal estudo serviu de base para outro mais
elaborado, feito em conjunto com colegas, em 2014. Cruz et al. (2013) resgataram conceitos e
estudos acerca da gestão por competência e a aplicação ao campo da Biblioteconomia. Rossi,
Costa e Pinto (2014) realizaram um estudo em que fazem um resgate da aplicação da gestão
por competências na Biblioteconomia, entre os anos de 1989 e 2010. Os autores também
identificaram quais as competências eram consideradas essenciais por um grupo de
bibliotecários das universidades catarinenses. Não se pretende aqui esgotar a literatura sobre o
assunto produzida entre 2011 e 2016, pois uma recuperação dos trabalhos sobre gestão por
competência no repositório Lume da Ufrgs, alcança o total de 9.648 resultados, em pesquisa
feita em 6 maio de 2016. Uma análise profunda na literatura disponível no Lume
possivelmente identificará outros trabalhos.
O estudo produzido em 2010 e analisado a seguir, trouxe como sugestão a implantação
da gestão por competências na Ufrgs. Contudo, a estratégia da Pró-Reitoria de Gestão de
Pessoas da Ufrgs começou pela criação de sua Escola de Desenvolvimento de Servidores da
Ufrgs (EDUFRGS). A Edufrgs, adotou um Levantamento de Necessidades de Capacitação
(LNC), que por sua vez merece análise oportuna. Para produção da terceira etapa do estudo
sobre Gestão por Competências, deve-se analisar novamente as informações de 2010 para
formulação do instrumento de coleta para a terceira etapa, submissão do novo instrumento em
2017. Um comparativo antes/depois pode ser útil para observar se o LNC está eliminando os
gaps de competência. O instrumento de coleta de dados, utilizado em 2010, parece seguir
adequado, quando em comparação com os trabalhos e estudos produzidos após a aplicação do
mesmo.

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3 Materiais e métodos
Apresenta os materiais e métodos utilizados, tais como: método empregado, população
e amostra, técnicas, instrumentos e procedimentos de coleta de dados e procedimentos de
análise.
3.1 Método empregado:
A pesquisa de 2010 era caracterizada como descritiva, pois sugeriu ao final melhorias
nas práticas, por meio da análise de dados coletados por questionários. O estudo era de
natureza “quantitativa”, pois utilizou um instrumento de coleta de dados, com 12 questões
fechadas e com 3 questões abertas, mas sem uso de entrevistas. A estratégia de pesquisa
utilizada foi o Estudo de Caso, pois o local da pesquisa era específico: Sistema de Bibliotecas
Universitárias da Ufrgs (SBU/Ufrgs).
3.2 População e amostra:
Os participantes do estudo foram os Bibliotecários-chefes do SBU/Ufrgs, não
existindo, portanto, a escolha de uma amostra. A decisão de analisar este grupo deu-se pelo
fato de que os mesmos tinham experiência para opinar sobre que competências são
necessárias para o cargo que ocupavam e sobre quais as competências deveriam ser
desenvolvidas para a formação de substitutos, quando necessário, bem como oportunizar que
os mesmos fizessem uma autoavaliação. Dos 28 Bibliotecários-chefes, 25 eram mulheres e 3
eram homens, sendo que apenas 2 dos 28 colegas tinham menos de dois anos de experiência
em chefia de Biblioteca Universitária.
3.3 Técnicas, instrumentos e procedimentos de Coleta de Dados e procedimentos de análise:
No dia 11 de agosto de 2010 foram enviados convites para as Bibliotecas do Colégio
Aplicação e Biblioteca da ONU. Ambas eram (e ainda são) pertencentes ao SBU/Ufrgs, mas
foram descartadas do estudo por terem características diferentes das setoriais. O instrumento
de coleta foi aprovado com sucesso. O instrumento de coleta de dados3 era composto por 15
questões (todas elaboradas pelo autor com base em sua experiência profissional como
Bibliotecário e com os conhecimentos adquiridos ao longo do curso) e encontrava-se
disponibilizado no Google Docs, um pacote de aplicativos da empresa Google, que além de
ser uma ferramenta confiável era gratuita no período da coleta. As questões fechadas visavam
descobrir que competências o Bibliotecário(a)-chefe deve possuir para ser um(a) bom(boa)
negociador(a) e quais ele possui atualmente. Demarco explica que o mapeamento das
competências serve para identificar e gerenciar gaps de competências (lacunas, defasagem,
etc.) presentes na organização. Essas gaps resultam da diferença entre o que a organização
deveria possuir e o que, de fato, possui (DEMARCO, 2009, p. 9). Mapear competências
significa identificar as competências técnicas e comportamentais que são pré-requisitos para o
atingimento das estratégias da organização (RABAGLIO, 2006, p. 25). Nas questões abertas,
foi solicitado que o respondente descrevesse um evento inesperado, onde sua participação
mereceu um destaque positivo (mesmo que o problema não tivesse sido resolvido, por culpa
de outras pessoas, ou a oportunidade tenha sido perdida). Foi solicitado que não informasse
3

https://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dEozWXZMWFpOaTNwQUl3Qm9Ea
W82Ync6MQ

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nomes, nem local de trabalho, limitando-se a citar o problema/oportunidade que surgiu,
quantas pessoas se envolveram, se ele/ela influenciou pessoas, se usou sua autoridade para
impor sua vontade, se sentiu vergonha de propor uma ideia, etc. Nos mesmos moldes foi
solicitado também que descrevesse um evento inesperado, onde sua participação deixou a
desejar (mesmo que o problema tenha sido resolvido por outras pessoas ou a oportunidade
tenha sido aproveitada por meio de ideias de outros integrantes da equipe dele/dela).
Finalizava, então, com uma questão aberta, que visa ampliar a participação do (a) entrevistado
(a), oferecendo-lhe a oportunidade de contribuir com sugestões, críticas, etc.
O instrumento de pesquisa foi submetido às chefias das 28 bibliotecas setoriais do
SBU/Ufrgs, na tarde do dia 11 de agosto de 2010, por meio do envio de um e-mail contendo
apresentação do aluno, detalhes sobre a pesquisa e link para o questionário online. Foi
explicado que a pesquisa possuía apenas 15 perguntas, de forma a economizar o tempo dos
participantes. A coleta de dados foi encerrada no dia 28 e se alcançou o total de 19
participantes, o que corresponde a 68% do total.

4 Resultados parciais
Apresenta os resultados obtidos até o momento.
4.1 Pesquisa sobre bibliotecários negociadores (2010)
No estudo de 2010 foram cruzadas as informações sobre as competências consideradas
importantes e mapeada as competências existentes (CHA – Conhecimento, Habilidade e
Atitude). Assim, por meio de uma autoavaliação, os próprios bibliotecário-chefes se julgaram
competentes ou pouco competentes em determinadas questões. Para ilustrar algumas questões
foram utilizados gráficos do tipo radar, que mostram em verde o nível de competência
existente e em vermelho o nível pleno de competência. As questões foram renomeadas para
“a”, “b”, “c”, “d”, “e”, “f” e “g”. A existência do gap de competência verifica-se pela
visualização do vermelho, uma vez que um grupo plenamente competente deveria possuir um
gráfico totalmente verde. Da mesma forma, um grupo totalmente incompetente mostraria um
gráfico totalmente vermelho. Outro aspecto que deve ser considerado é de que enquanto
alguns afirmaram ser plenamente competentes em todos os itens, outros afirmaram ter
dificuldades em vários itens no total. Assim, se fossemos criar um gráfico radar para cada
respondente, chegaríamos a situação em que alguns teriam gráficos totalmente verdes e outros
com o vermelho atingindo quase a totalidade.
No que se refere às habilidades, evidencia-se maior dificuldade em reconhecer pessoas
que possam contribuir com a obtenção de recursos.

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Fonte: Dados da pesquisa
Nas atitudes, os bibliotecários-chefes não costumam influenciar seus superiores na
obtenção de recursos.

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Fonte: Dados da pesquisa
Finalmente, no que se refere aos conhecimentos o item que recebeu pior avaliação foi
o conhecimento sobre técnicas de negociação. Sendo que os recursos para as unidades de
informações são obtidos mediante negociações, torna-se um problema o pouco conhecimento
sobre o assunto.

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Fonte: Dados da pesquisa
A última questão era aberta e abria um canal entre pesquisador e pesquisado, para
comentários, críticas ou sugestões sobre o instrumento de coleta, sobre a pesquisa ou sobre o
tema do trabalho. As manifestações no espaço reforçam a certeza de que o tema é pertinente e
até mesmo “estritamente necessário” aos Bibliotecários-chefes.

5 Considerações parciais
A participação das chefias de bibliotecas do SBU/Ufrgs no estudo de 2010 foi alta
(quase 70%), o instrumento de coleta mostrou-se adequado, estável e gerou um retorno bem
satisfatório, demonstrando acerto na escolha do mesmo. A forma de coleta também foi
acertada, pela economia e facilidade que apresentou. O trabalho considerou como
competências essenciais aquelas apontadas por 85% ou mais das chefias participantes da
pesquisa.

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Assim, os conhecimentos necessários seriam “Conhecer técnicas de
negociação/negociação coletiva; Conhecer a biblioteca (estrutura, funcionamento, produtos e
serviços, por exemplo) para ter argumentos e ideias nas prováveis discussões que terá com
superiores e subordinados; Conhecer sua equipe (concepções de chefe ideal, ideias de cada
um, personalidades, potencialidades e defeitos); Conhecer as metas da biblioteca, relatórios
existentes, horários dos subordinados, folgas que cada membro da equipe costuma tirar;
Conhecer a cultura organizacional da biblioteca, do centro/instituto/faculdade ao qual está
subordinada e da Ufrgs (estratégias adotadas por servidores para obter vantagens, valores
vigentes, mentalidade dos servidores técnicos e corpo docente, se existe ou não diplomacia
entre setores, por exemplo); e, Conhecer superiores (saber o que eles esperam do(a)
Bibliotecário(a)-chefe, personalidades, melhor forma de influenciá-los de forma a obter mais
recursos para sua equipe, por exemplo).”
Já as habilidades essências seriam “Raciocinar rapidamente (saber improvisar frente a
eventos – oportunidades/ameaças que surjam em reuniões, por exemplo); Saber influenciar
superiores para melhorias das condições de trabalho do setor que dirige; Saber negociar com
outros setores (articular/pactuar posições sobre reivindicações de espaços físicos, metas
institucionais, recursos – financeiros/humanos/etc., em reuniões de conselhos de unidades, por
exemplo, frente a ideias/projetos que prejudiquem ambos os setores); Ter bom senso (saber o
limite para as reivindicações em cada situação e que essas reivindicações podem gerar
prejuízos para outro setor); Saber ser político “no bom sentido” (saber a hora de reivindicar, a
hora de suspender uma reivindicação e a hora de manter seu setor despercebido, deixando a
reivindicação para um momento mais propício); Ser estável e impessoal nas negociações, sem
alcançar a frieza (controlar o nervosismo, raiva, ansiedade, etc.); e, Saber reconhecer /
identificar pessoas poderosas/influenciadoras, visando obter apoio e/ou vantagens para sua
equipe de trabalho nas negociações.”
As atitudes fundamentais indicadas pelos bibliotecários-chefes eram: “Demonstrar
agilidade na formulação dos pensamentos e na exposição dos mesmos (em reuniões,
contribuir com ideias ou rebater críticas injustas de forma ágil), bem como dar feedback aos
demais interessados tão logo seja possível; Demonstrar paciência nas negociações (ser
tolerante, saber ouvir críticas e aguardar sua vez de falar); Ser empático com as demais
pessoas (saber se colocar no lugar do outro); Ser produtivo nas negociações que participar (ter
a capacidade de propor soluções que contentem as partes, de forma a finalizar tal negociação
no menor tempo possível); e, Tomar a iniciativa da negociação quando visualizar um
impasse/conflito entre seus subordinados/algum subordinado e pessoa de fora da equipe/sua
unidade e outra unidade, etc.”
De uma forma geral, os respondentes acreditavam possuir diversas competências que
julgam importantes, mas ainda existiam gaps de competência, que estabeleciam a necessidade
de serem criadas ações de capacitação voltadas para o aprimoramento ou desenvolvimento de
competências. As atitudes e habilidades apresentaram gaps mais elevados em comparação
com os conhecimentos, o que nos permitia supor que diante de eventos inesperados
(oportunidades X ameaças) os Bibliotecários-chefes sabiam o que devia ser feito, mas não o
faziam por falta de atitude ou por não conseguirem fazer. Por outro lado, alguns respondentes
pecaram pela modéstia e mesmo acreditando não ter determinadas competências, demonstrou,
em outras questões, alta competência no enfrentamento de problemas ou no aproveitamento
de oportunidades. Da mesma forma, se identificou colegas que se julgavam competentes, mas
davam exemplos que evidenciam suas gaps de competências.
Os resultados alcançados no estudo de 2010 davam a convicção de que o mesmo
poderia ser utilizado como ponto de partida para ações de capacitação, contribuindo assim
com o desenvolvimento ou aprimoramento de competências para negociação aos
bibliotecários do SBU/Ufrgs. Entretanto em 2013 a Progesp/Ufrgs criou a Escola de

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Desenvolvimento de Servidores da Ufrgs (Edufrgs), com uma estratégia diferente. Ao invés
de adotar uma gestão por competências que partisse do mapeamento de competências e
posterior oferta de cursos, optou por realizar estudos de levantamento de necessidades. O
próximo estudo se propõe a também comparar os efeitos positivos e negativos da adoção de
estratégia diversa.

Referências
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técnicas para mapeamento de competências. Revista do Serviço Público, v.56, n.2, p.179194,
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(Doutorado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações). Universidade de Brasília.
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&lt;http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_arquivos/59/TDE-2009-03-13T151957Z3736/Publico/2009_HugoPenaBrandao.pdf&gt;. Acesso em: 20 set. 2010.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Mapeamento de competências aplicado aos bibliotecários-chefes da UFRGS.</text>
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                <text>Ribeiro, Alexsander Borges </text>
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                <text>Relaciona a função de Bibliotecário-chefe com a de negociador de recursos físicos, humanos, financeiros e materiais para sua unidade. Classifica os Bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul como negociadores ou potenciais negociadores. Problematiza a ausência do ensino da Gestão por Competência na Biblioteconomia, bem como as conseqüências das GAPs de competência em negociação. Apresenta estudo de natureza quantitativa, com método de pesquisa descritiva, estratégia do tipo estudo de caso e instrumento de coleta virtual na forma de questionário. Identifica, junto às atuais chefias de bibliotecas setoriais da UFRGS, as competências necessárias para ser um negociador, bem como as competências existentes dos atuais chefes de bibliotecas. Propõe ações de capacitação que tornem os Bibliotecários mais competentes em negociação, a partir da interpretação dos resultados do estudo. Conclui que, de uma forma geral, os respondentes acreditam possuir diversas competências que julgam importantes, mas ainda há GAPs de competência.</text>
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                    <text>Mapeamento da produção cientifica da UFG: uma pesquisa para
povoamento do repositório institucional.
Claudia Oliveira de Moura Bueno (UFG) - claudia_bueno@ufg.br
Resumo:
O objetivo principal deste trabalho é povoar o Repositório Institucional da UFG por meio da
coleta dos artigos científicos publicados pelos pesquisadores da UFG, buscando como
referência os programas de pós-graduação, no caso em questão os dois programas conceito
CAPES 6 - Ecologia e Evolução e em Geografia. Este trabalho tem como hipótese saber se
estes programas vão atender, de maneira satisfatória, a demanda de povoamento do RI/UFG.
Para tal foram traçados os seguintes objetivos específicos: definir a ordem dos programas de
pós-graduação a serem contemplados; localizar os artigos dos pesquisadores; ordenar os
pesquisadores de acordo com o número de publicações em revistas internacionais, em cada
programa; obter a autorização do pesquisador; dar visibilidade à produção científica dos
docentes dos programas de pós-graduação das UFG.
The main scope of this work is to populate the UFG Institutional Repository by gathering
scientific articles published by UGF researchers, having as reference the Institution’s
Post-Graduate Programs, namely, the two CAPES 6 concept – Ecology and Evolution and in
Geography. The hypothesis of this work is to determine if these programs will meet, in a
satisfactory manner, the demand for populating the UFG Institutional Repository. Therefore,
the following specific objectives were designed: to define the order of the Post-Graduation
Programs that will be analyzed; to locate the articles from researchers; to rank researchers
according to the number of publications in international magazines on each program; to obtain
the authorization from the researchers; to give visibility to the scientific production of the
Post-Graduation Program UFG.
Palavras-chave: Repositorio institucional. Produção
institucional. Scientific production.
communi
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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científica. UFG - Repositorios
Institutional repository. Scientific

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1 Introdução
A ciência como conhecimento público, ou seja, fruto do debate e do confronto
de ideias e conceitos, concretiza-se materialmente quando o cientista publica sua
contribuição pessoal, corrigida e purificada pela crítica recíproca em um documento,
seja, por exemplo, um livro ou artigo de periódico (RAMOS, 1994, p. 340). Depreendese, assim, que a produção científica da universidade se constitui das publicações de
todos os seus pesquisadores, em todas as áreas do conhecimento.
No Brasil, a produção científica advém, em sua expressiva maioria, dos
Programas de Pós-Graduação. E na Universidade Federal de Goiás (UFG) não é
diferente, posto que a produção científica é uma das matérias-primas das universidades.
Cunha (2008, p. 294) se refere à produção científica como “o volume dos documentos
gerados, onde se encontram registradas e disseminadas as descobertas numa área da
ciência”.
A universidade é o lócus de geração de conhecimento, em especial na pósgraduação, sendo a pesquisa parte essencial dos requisitos básicos para a formação de
pessoal qualificado.
Demo (1993, p. 127) afirma que a “alma da vida acadêmica é constituída pela
pesquisa, como objetivo científico e educativo, ou seja, como estratégia de geração de
conhecimento e de promoção da cidadania”. Os programas de pós-graduação
desempenham esse papel fundamental na geração de novos conhecimentos, uma vez
que concentram e orientam as pesquisas científicas. Diante dos investimentos
concedidos e dos resultados obtidos, espera-se, como contrapartida, a divulgação de
resultados nas mais variadas formas, seja por meio da divulgação em eventos ou por
meio de publicações (PINTO, 2006).
As revistas científicas constituem um dos canais de comunicação científica mais
usuais para divulgação do conhecimento.
Targino (2000, apud MATTOS, 2012, p. 194) afirma que a circulação da
informação é vital para a ciência, pois permite o intercâmbio de ideias. Ela engloba as
atividades associadas à produção, disseminação e uso da informação, e quando
efetivada, a
comunicação científica passa a ser formadora do estoque universal de
conhecimentos.
Desde a publicação do Journal de Sçavans, por Denis Sallo, na França, cujo
primeiro fascículo apareceu em 5 de janeiro de 1665, considerado o primeiro periódico,
a produção científica tomou novos rumos em sua forma de divulgação, disseminando
cada vez mais uma maior quantidade de informações publicadas.

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A atividade científica é um ciclo de troca de informações onde os autores são
tanto produtores, quando publicam seus trabalhos, quanto consumidores, quando leem e
adquirem conhecimentos com base em outros trabalhos. Dentro desse ciclo de troca de
informações, os periódicos científicos se destacam como canais formais de
comunicação, tendo em vista a dinâmica das publicações em forma de artigo científico.
Diante de um contexto acadêmico e da importância dos artigos científicos, nasce
a iniciativa de coletar os artigos científicos de autoria dos pesquisadores da UFG, com o
intuito de reunir essas fontes de informações que refletem o impacto da universidade na
sociedade e povoar o Repositório Institucional.
Em 2006 foi criada, na UFG, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações, a
precursora do repositório digital.
Esta pesquisa tem por hipótese saber se os programas vão atender, de maneira
satisfatória, a demanda de povoamento do RI/UFG.
Para testar a hipótese, definiu-se que o objetivo principal deste trabalho é povoar
o RI/UFG por meio da coleta dos artigos científicos publicados pelos pesquisadores da
UFG, buscando como referência os programas de pós-graduação da instituição.
Com esse intuito, os seguintes objetivos específicos foram traçados:
a) definir a ordem dos programas de pós-graduação a serem contemplados;
b) localizar os artigos dos pesquisadores;
c) ordenar os pesquisadores de acordo com o número de publicações em revistas
internacionais, em cada programa;
d) obter a autorização do pesquisador;
e) dar visibilidade à produção científica dos docentes dos programas de pósgraduação das UFG.

2 Revisão de literatura
O registro da produção científica se deu com o nascimento do periódico
científico, na segunda metade do século XVII, quase ao mesmo tempo na França e na
Inglaterra, no seio das sociedades científicas (MEADOWS, 1999, p. 7).

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A pesquisa é o fundamento sobre o qual se constrói uma ciência, e os artigos
científicos são registros importantes para o estudo da visibilidade da produção
científica.
Segundo Leite (2009, p. 13), inseridos no coração do movimento mundial em
favor do acesso aberto à informação científica, os repositórios institucionais constituem
de fato inovação no sistema de comunicação da ciência e no modo como a informação é
gerenciada.
Os repositórios constituem, portanto, um serviço de informação científica que
contempla a reunião, armazenamento, organização, preservação, recuperação e a ampla
disseminação da informação científica gerada na instituição. Para Leite (2009, p. 21),
“uma das definições mais conhecidas sobre repositório institucional é a que o considera
um conjunto de serviços oferecidos pela universidade aos membros de sua comunidade,
com vistas ao gerenciamento e disseminação do material digital criado pela instituição e
por seus membros”.
Rosa (2009, p. 233) afirma que tal serviço “é essencialmente um compromisso
organizacional com a gestão destes conteúdos digitais, inclusive preservação de longo
prazo, quando apropriado, bem como organização e acesso ou distribuição”.
Na UFG, a formação do repositório digital ocorreu em 2005, com a criação da
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações; em 2009, a implantação do repositório
institucional, com os artigos científicos existentes nas revistas publicadas pela
universidade; na sequência, a inserção dos trabalhos de conclusão de curso de
graduação. Hoje, já é possível perceber os benefícios dele decorrentes, como o aumento
na visibilidade e o prestígio da instituição. A melhora no ranking Webometrics, em que
subiu 6 posições no ranking nacional, passando da 26ª posição para a 20ª em menos de
um mês. No momento, procura-se alcançar o principal objetivo que ronda um
repositório institucional: ter processos de comunicação científica efetivos e eficientes,
segundo Leite (2009), sempre lembrando que, mais que uma ferramenta, o repositório,
ainda segundo o mesmo autor, deve ser visto como uma manifestação da reestruturação
do sistema de comunicação científica. Leite (2009) reforça que as instituições
acadêmicas no mundo todo utilizam repositórios institucionais e o acesso aberto para
gerenciar as informações cientificas provenientes das atividades de pesquisa e ensino,
neste caso os RI tem contribuído imensamente para o aumento do prestígio da
instituição e do pesquisador.

3 Materiais e métodos
Esta é uma pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa, realizada nas
Plataformas Lattes do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e na Sucupira da

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Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A amostra
constitui-se dos 72 programas de pós-graduação da UFG.
Na plataforma Sucupira, identificaram-se os programas de pós-graduação, seus
conceitos CAPES e os docentes permanentes do ano de 2015, enquanto que, na
Plataforma Lattes utilizaram-se os currículos dos professores permanentes. Para a
seleção da produção de cada docente permanente, observou-se a data de admissão na
UFG; para povoamento no repositório institucional (RI) a publicação de cada docente
antes da admissão na UFG foi somente contada, mas não será utilizada.
Com a existência de vários programas de pós-graduação, foi necessário
estabelecer critérios para a definição de um cronograma que contemplasse os melhores
programas, sendo eles os seguintes: a) programa de pós-graduação com maior conceito
CAPES, segundo avaliação trienal 2010; b) número de artigos publicados em revistas
estrangeiras; e c) número de docentes permanentes por programa. Em caso de empate no
conceito CAPES, o programa com maior publicação de artigos em revistas
internacionais será contemplado primeiro. Se houver, em um mesmo programa,
docentes com a mesma quantidade de artigos publicados, o que tiver maior quantidade
de artigos publicados em revistas estrangeiras será contemplado.
Dessa forma, foram selecionados para a pesquisa, de acordo com os critérios,
os programas constantes do Quadro 1, a seguir:
Quadro 1 – Ordem da seleção dos programas com conceito CAPES 6 e 5
Nome

do
programa de
graduação / Modalidade
Ecologia e Evolução - Acadêmico

Conceito CAPES

Ordem de análise

6

1º

Geografia - Acadêmico

6

2º

Ciência Animal - Acadêmico

5

3º

Ciências Ambientais - Acadêmico

5

4º

Medicina Tropical e Saúde Pública Acadêmico
História - Acadêmico

5

5º

5

6º

Educação - Acadêmico

5

7º

5

8º

Matemática
Profissional

em

rede

Nacional

pós-

–

Para a coleta de dados, será usada uma planilha Excel, com as seguintes
variáveis: nomes dos docentes, vínculo com a UFG, ano de ingresso na UFG, total de
artigos publicados, quantidade de artigos publicados na UFG, quantidade de artigos de
acesso aberto encontrados, quantidade de artigos de acesso restrito encontrados,
quantidade de artigos não encontrados.

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Gráfico 3. Programa de Pós-graduação em Geografia

Fonte: Dados da pesquisa.
4.5 Povoados no RI/UFG
Foi-se trabalhando um programa por vez, sendo o de Ecologia e Evolução o
primeiro. Com o levantamento dos docentes e da produção científica do programa,
passou-se para o agendamento da reunião, com uma reunião mensal, a primeira reunião
com professores ocorreu em 1/6/2015, com a presença de 90% dos docentes
permanentes. A apresentação do projeto foi aceita com entusiasmo e satisfação, ocasião
em que foi solicitada autorização para os 19 docentes desse programa de Ecologia e
Evolução. Até o momento, maio de 2016, somente 5 docentes devolveram o documento.
São 25 artigos inseridos no RI/UFG.

5 Considerações parciais
Definir a ordem dos programas, localizar os pesquisadores na Plataforma
Sucupira, consultar as referências no Curriculum Lattes e definir o pesquisador para
iniciar o povoamento do RI, todo esse levantamento transcorreu rapidamente. Na
primeira etapa, com os cursos conceitos 6 e 5, a hipótese testada é a de que os
programas não atenderam de maneira satisfatória a demanda de povoamento do
RI/UFG. O retorno é muito lento e o povoamento não se faz sem as autorizações. No
programa de Geografia, a reunião não ocorreu na data agendada, por falha do
coordenador, ficando, o curso, para ser trabalhado ao final da pesquisa. Estuda-se, na
UFG, que uma opção, para melhorar a quantidade de artigos no RI seria povoar todos os
artigos de acesso aberto, já recuperados e informar posteriormente o autor. No
momento, são 124 artigos disponíveis para consulta no RI.

6 Referências

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COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL
SUPERIOR. Disponível em: &lt; https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/ &gt;. Acesso em:
05 maio 2015.

CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO E
TECNOLÓGICO. Disponível em: &lt; http://www.cnpq.br/ &gt;. Acesso em: 05 maio
2015.

CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira.
Dicionário de biblioteconomia e arquivologia. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2008.
DANUELLO, Jane Coelho; GUIMARÃES, José Augusto Chaves. Produção científica:
docente em tratamento temático da informação nos cursos de Biblioteconomia do
Mercosul: uma análise preliminar. Transinformação, Campinas, v.17, n. 2, 153-168,
maio/ago. 2005.

DEMO, Pedro. Desafios modernos da educação. 13. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.
LEITE, Fernando César Lima. Como gerencias e ampliar a visibilidade da informação
científica brasileira: repositórios institucionais. Brasília, DF: IBICT, 2009. 120 p.

MATTOS, Ana Maria et al. Análise da produção intelectual registrada na escola de
administração/ufrgs de 2009 até 2011. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado, Rs. Anais... Porto Alegre:
UFRGS, 2012. p.1-13. Disponível em:
&lt;http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/61065/000864605.pdf?sequence=1&gt;.
Acesso em: fev. 2016.

MEADOWS, Arthur Jack. A comunicação científica. Tradução de Antonio Agenor
Briquet de Lemos. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros, 1999.

PINTO, A. L. A. Pontifícia Universidade Católica de Campinas e a produção
científica. Transinformação, Campinas, v. 18, n. 1, p. 49-62, jan./abr. 2006.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

RAMOS, Marcos Gonçalves. Modelos de comunicação e divulgação científicas: uma
revisão de pressupostos. Ciência da Informação, Brasília, v. 23, n. 3, p. 340, set./dez.
1994.

ROSA, Flávia Garcia. Implantação do repositório institucional da Universidade
Federal da Bahia: uma política de acesso à produção cientifica. In: SAYÃO, Luís
(Org.) Implantação e gestão de repositórios institucionais: politicas, memoria, livre
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TARGINO, Maria das Graças. Comunicação científica: uma revisão de seus elementos
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Disponível em: &lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/326/248&gt;.
Acesso em: fev. 2016.

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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O objetivo principal deste trabalho é povoar o Repositório Institucional da UFG por meio da coleta dos artigos científicos publicados pelos pesquisadores da UFG, buscando como referência os programas de pós-graduação, no caso em questão os dois programas conceito CAPES 6 - Ecologia e Evolução e em Geografia. Este trabalho tem como hipótese saber se estes programas vão atender, de maneira satisfatória, a demanda de povoamento do RI/UFG. Para tal foram traçados os seguintes objetivos específicos: definir a ordem dos programas de pós-graduação a serem contemplados; localizar os artigos dos pesquisadores; ordenar os pesquisadores de acordo com o número de publicações em revistas internacionais, em cada programa; obter a autorização do pesquisador; dar visibilidade à produção científica dos docentes dos programas de pós-graduação das UFG.</text>
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                    <text>LEITURA DRAMÁTICA NA BIBLIOTECA – EM LIBRAS E
PORTUGUÊS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA AÇÃO DE
EXTENSÃO.

Inês Conceição da Silva (UFG) - ines.biblio@gmail.com
Resumo:
“Leitura dramática na Biblioteca” é um projeto de extensão, que utiliza o conhecimento de
alunos partipantes de oficinas de leitura dramática, com a apresentação dos textos na
biblioteca. Prezando pela participação de amplo público, e lembrando que a unidade
acadêmica onde a biblioteca está inserida abriga alunos surdos, as apresentações acontecem
também em libras. A leitura dramática vem servindo também para facilitar o envolvimento
coletivo entre alunos e biblioteca. Busca-se unir a leitura e o teatro, trazendo novas
expectativas aos leitores sobre a leitura, o texto, além de ampliar o leque de atividades
desenvolvidas
pela biblioteca de Letras e Linguistica.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Projeto de extensão. Atividade cultural. Leitura
dramática.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Acessibilidade (produtos, serviços e tecnologia)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A universidade acolhe pessoas com todo tipo de experiência, construídas no decorrer
de sua vida, do meio social onde vivem. Devemos considerar que lidamos com um público
heterogêneo, com diferentes expectativas e necessidades em relação ao novo meio em que
está inserido. A biblioteca, dentro deste meio, deve contribuir para que estes desenvolvam
competências que os tornem autônomos e críticos na busca e uso da informação, dentro ou
fora do ambiente acadêmico.
Para além das rotinas de organização, recuperação, acesso e uso das informações em
suas diferentes fontes, a biblioteca pode também desenvolver outras atividades de mediação
que contribuam para a formação dos usuários.
Desenvolvendo, ou apoiando atividades sobre a leitura, a biblioteca pode trabalhar não
somente a leitura enquanto técnica, mas principalmente, construir sujeitos leitores, “leitores
do mundo”, “leitores de ações”, capazes de interpretar e construir novos conceitos a partir de
uma realidade social, da produção cultural e intelectual, dos acontecimentos cotidianos,
tornando-se então protagonistas sociais.
A leitura teatral possibilita práticas sociais de leitura diferenciadas. No contexto de
incentivo à leitura, a ideia é que os textos lidos teatralmente despertem a interesse do público
para outras leituras. Ressalta-se ainda que “os sujeitos leem o texto a partir de um
determinado contexto social e produzem representações sociais sobre os elementos presentes
neste texto teatral” (LOBO, 2011).
O projeto de extensão “Leitura dramática na biblioteca” foi criado em agosto de
2015,surgiu para trazer ao ambiente uma nova maneira de apresentar a leitura de textos. Para
a realização do projeto, criou-se a parceria com outro projeto de extensão, entitulado
“Técnicas de leitura dramática”, oferecida por uma docente do curso de letras a alunos
interessados, onde, os alunos aprenderiam as técnicas de leitura dramática nas oficinas com a
docente, e a partir disso, realizassem apresentações periódicas na biblioteca.
Considerou-se ainda o ambiente em que a biblioteca está inserida – Faculdade de
Letras – que oferece o curso de Libras, possuindo grande concentração de alunos surdos, nos
propomos a ampliar a leitura dos textos, com a participação de intérpretes de libras, de modo
a garantir que a atividade cultural não possuísse barreiras de acessibilidade quanto ao seu
público.
Busca-se trazer ao espaço da biblioteca universitária uma ferramenta que visa
incentivar o hábito da leitura através dos encantos da mediação oral, facilitando o
envolvimento coletivo com a leitura, contribuindo para a melhoria da interpretação e condição
leitora do público, que passa a enxergar o texto com um olhar lúdico, ao mesmo tempo em
que o relaciona com a realidade em que vive. O esperado é que além de contribuir para a
formação destes sujeitos protagonistas sociais, ao mesmo tempo em que trabalhamos na
divulgação da biblioteca e da leitura.

2 Revisão de literatura
Em todo o decorrer de sua história, as bibliotecas universitárias possuem práticas que
privilegiam o compromisso com a comunidade acadêmica, nas técnicas de organização,
armazenamento, recuperação e uso da informação, no entanto, Ferreira (2012), nos chama à
reflexão sobre de que maneira as bibliotecas tem atuado nas ações de extensão universitária,
ampliando sua atuação. A autora afirma que de maneira geral, as bibliotecas universitárias
vem atuando nas atividades de extensão no papel de disponibilizar informações, sem maiores
contatos com a comunidade que atende. Percebe-se então a necessidade de:
situar as bibliotecas universitárias como um espaço de

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cidadania, construído por meio de experiências de extensão
planejadas para e com os grupos e sujeitos sem vínculos
formais com a Academia, mas que moram no entorno e por
vezes possuem acesso precário à informação, sobretudo em
função das condições socioeconômicas que marcam a vida
cotidiana de parte significativa da população brasileira.

Gomes e Santos (2014) falam sobre a importância de que as bibliotecas universitárias
realizem atividades que “favoreçam a ação cultural, cognitiva e social dos sujeitos”,
possibilitando um espaço de diálogo, estimulando a interação também entre os usuários,
oferecendo espaço de fala para os usuários:
essa perspectiva, a biblioteca universitária pode ser
verdadeiramente entendida como um espaço propício à
construção do conhecimento, um ambiente de acolhimento aos
sujeitos que têm suas necessidades específicas de informação,
apresentando-se, assim, como um elo entre eles e deles com o
conhecimento, apoiando mais diretamente o desenvolvimento
social, cognitivo e cultural do público acadêmico, como
também da sociedade em geral.

A leitura teatral vem para possibilitar práticas sociais de leituras diferenciadas, pois na
medida em que o espectador assiste à leitura, estão presentes visualidades, diálogos, inerentes
à arte teatral que juntamente com as palavras, dão uma nova interpretação ao texto. Devemos
considerar ainda que os sujeitos envolvidos no processo da leitura dramática, também lêem os
textos a partir de um contexto social, produzindo também representações sociais durante sua
interpretação (LOBO, 2011):
O autor vê o que o ator não pode ver, já que necessita da
visualidade do seu texto por meio da montagem do espetáculo,
o espectador vê aquilo que o ator não vê, sua expressão, seus
movimentos, os efeitos de suas palavras, e o ator recebe da
platéia o que não é dito, mas sentido com efeito intangível. A
presença do outro constitui e modifica diariamente o
espetáculo.

Para Gomes e Santos (2014), transmutar um texto teatral em leitura cênica é operar
com as mesmas ferramentas dos estudiosos em literatura, mas tendo em vista outro suporte,
pois a partir das teorias teatrais a interpretação do texto tende a se tornar mais densa e criativa,
principalmente quando reflexões do texto são compartilhadas pelos alunos durante os ensaios,
gerando mais dramaticidade na sua interpretação, atingindo mais intensamente o público a
quem se apresenta.
Na proposta de ações por bibliotecas universitárias, devemos considerar ainda a
realidade da universidade hoje: segundo dados do Portal Brasil (2012), entre os anos de 2000
e 2010, a quantidade de pessoas com deficiência matriculadas na educação superior aumentou
933,6% (de 2.173 em 2000 para 20.287 em 2010), exigindo que essas instituições conheçam e
preparem-se para receber esse público. Segundo levantamento realizado pelo Núcleo de
Acessibilidade da Universidade Federal de Goiás (UFG), entre os anos de 2008 e 2012 houve
um crescimento de 233% no ingresso de pessoas deficientes na instituição, o que reforça a
necessidade de adequar produtos e serviços para receber esse público. Um novo levantamento
foi realizado em 2015, pelo mesmo Núcleo:

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Quadro 1- Docentes e discentes com deficiência na UFG

Fonte: Núcleo de Acessibilidade UFG (2015)

Corradi e Vidotti (2008) lembram que elementos inclusivos não devem ser esquecidos
pelas bibliotecas universitárias – órgãos de grande importância na pesquisa, formação e
desenvolvimento acadêmico. É a acessibilidade informacional que irá permitir aos usuários
com deficiência usufruir da informação com as mesmas condições oferecidas aos demais.
Ressaltam a inclusão de diferentes tipos de usuários, com todas as suas necessidades e
potencialidades, e em diversos contextos sociais, lembrando que o acadêmico é um dos mais
importantes, considerando sua formação intelectual e a contribuição deste cidadão para o
desenvolvimento social.

3 Materiais e métodos
As oficinas de leitura dramática foram idealizadas por uma docente da unidade – Sueli
Maria Regino, em um projeto entitulado “Técnicas de leitura dramática”, com o objetivo de
melhorar as técnicas de leitura, e aumentar a capacidade de interpretação dos discentes,
através de exercícios de corpo e voz.
Foi realizada uma parceria com a mentora das oficinas, criando então o projeto
“Leitura dramática na biblioteca”, onde, após as oficinas, as leituras seriam realizadas
bimestralmente na biblioteca.
Os contos são escolhidos livremente pelos componentes do grupo, que realizam ensaio
semanal. Estes contos são traduzidos para a libras durante os ensaios, e apresentado nas duas
línguas.
A divulgação é realizada através de cartazes, além das redes sociais do Sistema de
Bibliotecas.
Cada apresentação tem previsão de duração de até duas horas, sendo uma para
apresentação do grupo, e o restante para uma roda de conversa com o público. Ao final das
apresentações serão aplicados questionários de avaliação. Os questionários contemplam as
seguintes questões:
1. Você conhecia a leitura dramatizada?
2. Você é surdo?
3. Algum sinal não foi compreendido? Se não, procure a organização do evento.
4. Acha importante ler e sinalizar contos pra crianças e adultos? Por quê?
5. Atribua uma nota de 1 a 5, onde, 1 corresponde a totalmente insatisfeito e cinco a
totalmente satisfeito:

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Nesta questão foram incluídos os tópicos: “Satisfação das expectativas”, “Dimensão da carga
horária” e “Ambiente”.
6. Sobre o evento, deixe suas críticas e sugestões
7. Quer sugerir temas para eventos futuros? Deixe aqui.

4 Resultados parciais/finais
Até o momento, foram realizadas duas apresentações. Na primeira, tivemos
dificuldades quanto à organização do evento: os ensaios precisaram ser feitos rapidamente,
não havia material para divulgação (que aconteceu logo após a greve das universidades
federais, em 2015).
A segunda apresentação foi realizada em maio/2016, com uma equipe de 8 leitores
(alunos do curso de letras), foi solicitado a participação de intérpretes de libras, mas
verificando a indisponibilidade para a realização do trabalho, alunos do curso de letras/libras
que já estavam participando do projeto se disponibilizaram a interpretar os contos em língua
de sinais. Nesta edição, foi possível ampliar a divulgação, com cartazes e pelas redes sociais
do Sistema de Bibliotecas, e da universidade.
Figura 1 - Apresentação de leitura dramática

Fonte: A autora (2016)
Figura 2 - Apresentação de leitura dramática

Fonte: A autora (2016)

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Figura 3 - Apresentação de leitura dramática

Fonte: A autora (2016)

Alguns pontos importantes a se destacar após a avaliação (esta avaliação foi aplicada
após a segunda apresentação):
Embora a maioria tenha respondido que não conheciam a leitura dramatizada, nos
surpreendeu a pouca diferença entre os que conheciam:

Embora com a tradução em libras, poucos surdos estiveram presentes na apresentação:

Os dois alunos surdos responderam no questionário que algum sinal na interpretação

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dos contos não foi entendido, no entanto, a organização do evento não foi procurada para
esclarecer as dúvidas.
Em resposta à questão: “Acha importante ler e sinalizar contos pra crianças e adultos?
Por que?”, todos responderam positivamente, destaque para algumas contribuições:
"Sim, é uma forma artística de promover a inclusão"
"Acho importante, pois isto suscita o interesse à libras para ouvintes e faz o surdo ter acesso
aos contos, além de divulgar a literatura surda"
"Sim. É importante para que possam abstrair e fazer conexões com o cotidiano. É ótimo para
trabalhar as hipóteses e resoluções de problemas.”
"Ficou ótimo do evento, compreendi que sinalizados são lindos de adaptações para surdos"
Em relação à satisfação de expectativas, a maioria teve sua expectativa “totalmente
satisfeito”:

Sobre a dimensão da carga horária, a maioria mostrou-se totalmente satisfeito:

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Em relação ao ambiente, a maioria assinalou estar totalmente satisfeito:

Em relação às críticas e sugestões, houve comentários que demonstram a expectativa
de que outras apresentações sejam realizadas, e o evento ampliado: “O evento foi ótimo”,
“Sendo um evento pioneiro, me pareceu bom”, “Sugiro que promova mais leituras”, “Deve
acontecer mais vezes e em vários horários e locais para que haja conhecimento do evento em
toda a UFG, e não somente na letras”.
Algumas observações foram feitas em relação ao som e conforto do ambiente: “O som
poderia ser elétrico, o barulho do ambiente atrapalha um pouco”, “Acho que deveria ter mais
cadeiras", “Um outro horário para que mais pessoas participem.”
Recebemos sugestões para promoção de eventos sobre “literatura surda”, “poesia
modernista”, “poesias e contos”, “comédias e teatros”.

5 Considerações parciais/finais
A ação “Leitura dramática na biblioteca” deverá continuar, sendo recadastrada como atividade
de extensão regularmente. O resultado das avaliações demonstrou que o público a percebeu de
maneira positiva, seja como uma atividade cultural, de promoção de leitura, ou de inclusão. A
equipe do projeto buscará se aprimorar para as novas apresentações considerando também as
críticas recebidas nestes questionários, como por exemplo, a apresentação em ambiente mais
silencioso, com mais cadeiras, e fazendo uso de microfones, se necessário. Ressaltamos a
importância de que essas atividades tenham a participação de intérpretes de libras, alunos
surdos estão sendo convidados a participar do grupo, incluindo-os também no processo de
criação das apresentações, aproximando-os da literatura e da biblioteca.

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6 Referências
BRASIL. Portal Brasil. Ensino superior no Brasil tem Record de matriculas nos últimos
anos. Disponível em: &lt;http://www.brasil.gov.br/educacao/2012/10/ensino-superior-do-brasiltem-recorde-de-matriculas-nos-ultimos-anos&gt;. Acesso em: 01/06/2014.
CORRADI, J.A.M.; VIDOTTI S.A.B.G. Acessibilidade em ambiente informacionais
digitais de bibliotecas universitárias: foco em usuários com diferentes condições sensoriais
auditivas. In: Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, XV ., 2008, São Paulo,
2008.Disponível
em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/anais/site/pdfs/3583.pdf&gt;.
Acesso em: 14/06/2014.
FERREIRA, Rubens da Silva. Transpondo muros, construindo relações: uma reflexão sobre
bibliotecas universitárias e extensão no Brasil. Rev. Digit. Biblio. Cienc. Inf., v.9, n.2, p. 7578, jan./jun. 2012. Disponível em:
http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/1912/pdf_21. Acesso em:
12/04/2016.
GOMES, Henriette Ferreira; SANTOS, Raquel Rosário dos. Atividades de mediação para
leitura e escrita: uma análise dos níveis de mediação em experiências realizadas por
bibliotecas de universidades públicas. Ci.Inf., Brasília, DF, v.43 n.2, p.257-271, maio/ago.,
2014. Disponível em: http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/1408. Acesso em: 12/04/2016.
LOBO, Andrea Maria Favila. A leitura dramática na formação do artista docente. Moringa, v.
2, n. 2, p. 41-52, jul./dez. 2011.
NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE UFG. Relatório julho. 2015. Disponível em:
https://acessibilidade.ufg.br/up/211/o/Relatorio_DPEE-SECADI_FINAL_Julho_de_2015.pdf.
Acesso em: 01/05/2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Leitura dramática na biblioteca – em libras e português: relato de experiência de uma ação de extensão.</text>
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                <text>Silva, Inês Conceição da </text>
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                <text>Leitura dramática na Biblioteca” é um projeto de extensão, que utiliza o conhecimento de alunos partipantes de oficinas de leitura dramática, com a apresentação dos textos na biblioteca. Prezando pela participação de amplo público, e lembrando que a unidade acadêmica onde a biblioteca está inserida abriga alunos surdos, as apresentações acontecem também em libras. A leitura dramática vem servindo também para facilitar o envolvimento coletivo entre alunos e biblioteca. Busca-se unir a leitura e o teatro, trazendo novas expectativas aos leitores sobre a leitura, o texto, além de ampliar o leque de atividades desenvolvidas pela biblioteca de Letras e Linguistica.</text>
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                    <text>INVENTÁRIO EM BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA E RECOMENDAÇÕES
Tatiana Rossi (UFSC) - tatiana.rossi@ufsc.br
Resumo:
Objetiva-se relatar a experiência ao inventariar o acervo da Biblioteca Setorial do Centro de
Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina e apontar recomendações sobre
esta atividade para outras bibliotecas. Utilizou-se o Sistema Pergamum, computadores e
leitores óticos para coletar o acervo de livro, folheto, catálogo, material de aula, monografia de
graduação e especialização, tese, dissertação, CD-ROM, DVD e norma técnica. Expõem-se
sugestões para realização de inventário em biblioteca. Conclui-se que o inventário é
importante para proteção do patrimônio e sem o engajamento da equipe não é possível a
execução de todo o processo.
Palavras-chave: Inventário – acervo. Biblioteca universitária. Sistema Pergamum.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A biblioteca é composta de um acervo físico que tem circulação frequente. É
imprescindível que este acervo físico reflita os dados constantes no sistema para que se possa
localizá-los com assertividade.
A fim de que se tenha uma boa gestão deste acervo e mantenha sua consistência “[...] é
necessário que se faça, periodicamente, inventário nas coleções a fim de detectar possíveis
falhas e perdas.”. Além disto, serve de “[...] base para o planejamento e tomada de decisões
necessárias à administração da biblioteca.”. (ZANI et al., 2007, p. 98-99).
Inventariar é “1. fazer o inventário. 2. relacionar, catalogar, listar (série de coisas) [...]”
(HOUAISS; VILLAR; FRANCO, 2009, p. 1104). E inventário é apontado como uma “[...] 3.
Lista discriminada, registro, relação, rol de mercadorias, bens, etc. 4. Descrição ou
enumeração minuciosa. [...]” (FERREIRA, c1999, p. 1132).
É importante inventariar o acervo da biblioteca a fim de:
• validar o material disponível no sistema com aquele disponível no acervo físico;
• proteger o patrimônio;
• embasar o desenvolvimento de coleções;
• identificar os materiais do acervo que estão danificados e com divergências;
• averiguar a ordem de classificação;
• constatar o índice de perda;
• detectar possíveis falhas.
Neste trabalho tem-se por objetivo relatar a experiência dos servidores da Biblioteca
Setorial do Centro de Ciências Agrárias (BSCCA) da Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC) ao inventariar seu acervo e apontar algumas recomendações para execução de tal
atividade.
A BSCCA faz parte do sistema de bibliotecas da UFSC denominado Biblioteca
Universitária (BU/UFSC). Tem como missão “Prestar serviços de informação na área de
Ciências Agrárias, às atividades de ensino, pesquisa, extensão e administrativa da UFSC,
contribuindo com a melhoria da qualidade de vida”, os dados abaixo, também retirados do site
institucional (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2016) registram o
histórico, acervo e serviços da BSCCA:
Criada em 1976, é um núcleo de armazenamento e disseminação da informação no
âmbito de Agrárias. Localiza-se no térreo do prédio do Centro de Ciências Agrárias (CCA),
ocupando uma área construída de 540m2. Dispõe de uma sala de estudo individual, cinco salas
de estudo em grupo, salão de leitura (totalizando 185 lugares), seis computadores com acesso
a Internet para pesquisa acadêmica e acesso a bases de dados, cinco netbooks/notebooks, nove
tablets, rede wirelles, autoempréstimo, escâner planetário, sala de coordenação e
administração e espaço para atendimento e balcão de empréstimo.
Abriga o acervo composto de livros, folhetos, periódicos, teses, dissertações, normas,
CDs, DVDs e fitas de vídeo totalizando mais de 43.000 exemplares. Além de dispor de
diversas bases de dados de teses e dissertações, normas, periódicos e livros online para acesso
dos usuários.
A Biblioteca oferece os serviços de consulta local; empréstimo domiciliar; empréstimo
entre bibliotecas; comutação bibliográfica; orientação à pesquisa e normalização de trabalhos
técnico-científicos; serviço de referência; levantamento bibliográfico automatizado; visita
orientada; indexação de artigos de periódicos nacionais na área de agrárias; capacitações
quanto ao uso de bases de dados, Portal de Periódicos CAPES, recursos do Portal da
BU/UFSC, sistema Pergamum, fontes de informação, normalização de artigos e trabalhos
acadêmicos, citação, referência; supervisão de estágios curriculares na área de

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Biblioteconomia; etc.
É aberta à comunidade em geral, porém o empréstimo domiciliar e entre bibliotecas é
restrito às pessoas que possuem vínculo com UFSC.
Para atender o requisito do primeiro parágrafo da Constituição (BRASIL, 1988) o qual
indica que o poder público e a comunidade protegerá o patrimônio cultural brasileiro por meio
de inventários, a BSCCA realiza o inventário periodicamente e descreve o relato de
experiência e recomendações, sendo estes os objetivos do artigo.

2 Revisão de literatura
Para o conhecimento adequado e avaliação do estado da coleção da biblioteca o
inventário é considerado uma das principais atividades (PIEROTTI; NEILS, 1985) porque
“Um acervo consistente e atualizado é uma das principais premissas de uma biblioteca”
(ZANI, et al., 2007, p. 98).
Inventário é a “verificação ou confirmação da existência de materiais ou bens
patrimoniais da empresa” (CHIAVENATO, 2005, p. 133). A fim de proteger o patrimônio
público brasileiro as bibliotecas devem inventariar periodicamente seu acervo para poder
identificar “[...] material danificado, rasurado, desaparecido, fora do lugar, ou de outra
Biblioteca, possibilitando intensificar as campanhas de conscientização, de preservação dos
volumes, além de detectar mais rápida e facilmente as obras que precisam de substituição.”
(MOSER; CASAS; LEMOS, 2008, p. 60).
O inventário manual é moroso e afeta demasiadamente o atendimento, já um
inventário automatizado minimiza estes problemas, é mais ágil, confiável e otimiza os
recursos disponíveis (ZANI et al., 2007). No estudo de Pierotti e Neils (1985) é possível
verificar o confronto que as autoras fazem sobre o inventário tradicional (manual) e rotativo
(realizado por computador) apontando o inventário rotativo como tendo melhor desempenho
do que o tradicional, ocupando menor tempo e possuindo margem de erro praticamente nula.
Com o auxílio do sistema é possível criar uma imagem do acervo, ou seja, é gerada
uma lista no sistema de todos os materiais que preenchem os pré-requisitos definidos, estes
materiais são confrontados com aqueles coletados fisicamente no acervo possibilitando
avaliar a coleção da biblioteca.
Os materiais que se encontram emprestados, não são contabilizados, pois o sistema
entende que este material existe, tendo em vista que se encontra em posse de algum usuário, e
deverá ser devolvido ou substituído, em caso de perda.
Existem alguns relatos e estudos de inventários desenvolvidos em bibliotecas.
Localizou-se os relatos de experiências da Universidade Federal de Minas Gerais (2006),
Biblioteca de Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (ANJOS et al., 2006), Universidade de
São Paulo (ZANI et al., 2007), Universidade Regional de Blumenau (MOSER; CASAS;
LEMOS, 2008), a postagem da Universidade de São Paulo (2011), além do manual do
Sistema Pergamum.
No caso da Universidade de São Paulo (ZANI et al., 2007) foi descrito o Sistema de
inventário automatizado para as bibliotecas do SIBi/USP e não apresenta números da efetiva
coleta dos dados.
Sentiu-se necessidade de pesquisar o índice de perda aceitável dos materiais para ter
um parâmetro da coleta de dados realizada na BSCCA, porém não se conseguiu obter um
nível exato para bibliotecas. Os dados coletados referem-se a loja de departamentos com
índice médio de 2,62%, Super/Hipermercados variando entre 1,29% a 2,05%, Farmácias e
Drogarias 0,52% e Outros com índice de 2,54% (PIOTTO; FÁVER; ANGELO, 2004;
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SUPERMERCADOS, 2007). Angelo (2015) publicou um
índice de perda no varejo médio de 1,77% no ano de 2009 e em 2013 foi relatado o índice

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médio de perda de 2,52% (ABRAS ECONOMIA, 2014).
As bibliotecas, assim como locadoras de vídeo, por exemplo, teriam uma forma
diferenciada de mensurar o índice de perda tendo em vista que os materiais não são
comercializados, são realizados empréstimos com devoluções em data prevista. Então estes
materiais tem um fluxo diferenciado possuindo diversas entradas e saídas do mesmo item em
períodos diversos.
Segundo Moser, Casas e Lemos (2008, p. 92) “[...] não se define o que é considerado
um indicador para perdas/furtos/extravios do acervo em Bibliotecas.”. Esses autores, no relato
do inventário, indicam um índice de perda de 1,66% na Biblioteca Central, o qual foi dividido
pelos 14 anos sem coleta de dados resultando em um percentual de 0,11% ao ano, além das
duas outras bibliotecas que tiveram perda de 0,009% cada uma. Também foi destacado neste
relato erros e divergências do acervo de 0,33%, considerado insignificante pelos autores
(MOSER; CASAS; LEMOS, 2008) ficando como embasamento para as coletas realizadas em
outras bibliotecas.

3 Materiais e métodos
A BSCCA já havia realizado o inventário da coleção de periódicos em 1995 e dos
livros em 1999 e acredita-se que tenha ocorrido uma coleta em 2004 devido a um exemplar
ter sido localizado com “situação” “excluído” e motivo “inventário” com data de 13/04/2004,
porém sem outros registros exatos para confirmação.
Em 2012 com alteração nos quadros de direção da BU/UFSC e chefia da BSCCA, foi
unificado o desejo de inventariar o acervo desta biblioteca.
O gerenciamento dos serviços na BSCCA é automatizado utilizando-se o Sistema
Pergamum que é um sistema informatizado de gerenciamento de dados, direcionado aos
diversos tipos de Centros de Informação. É utilizado em mais de 220 Instituições brasileiras
desde 1997 (PERGAMUM, 2015). Este sistema possui um item denominado “Inventário” no
qual é possível fazer o gerenciamento do inventário, criando uma imagem do acervo e
comparando-a com o acervo coletado fisicamente possibilitando atender aos requisitos da
Constituição (1988) e necessidades da biblioteca.
Inicialmente foi realizada a leitura do manual de execução disponibilizado pelo
Sistema Pergamum ([200?]) e em conjunto com o servidor da Divisão de Informática da
Biblioteca Universitária (BU/UFSC) iniciou-se os estudos em julho de 2012 para execução do
inventário.
Primeiramente foi coletado e analisado o acervo das normas, após a realização de
ajustes necessários foi possível concretizar o inventário em 2012, o qual se repetiu em 2015 e
2016, com perspectiva de inventário anual dos materiais1: fitas de vídeo; CD; DVD; livro,
folheto, catálogo, material de aula; monografia de graduação e de pós-graduação; dissertação
e tese. Estes materiais tem um inventário para cada tipo de material ou, quando agregados, por
materiais semelhantes.
Antes da coleta é realizada a leitura de estante certificando-se que o material se
encontre efetivamente em seu local. A coleta de dados é realizada pela leitura do código de
barras da etiqueta feita pelo leitor óptico, no programa “Bloco de Notas” do notebook, para
melhor mobilidade, o arquivo é salvo com a denominação do material que está sendo coletado
e pessoa responsável pela coleta.
Diariamente são feitos backups dos arquivos os quais são reiniciados no dia
subsequente. Após o término da coleta de cada tipo de material o arquivo é carregado no
1

O acervo de periódicos não foi coletado em nenhum destes inventários devido a falta de etiqueta. Está sendo
realizada a conferência título a título, exemplar a exemplar, dos mais de 20mil fascículos, os quais estão
recebendo a etiqueta de identificação e código de barras desde 2012.

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Sistema Pergamum e realizada as confrontações necessárias. São analisadas as estatísticas e
relatórios de materiais anormais (exemplar que não existe, que é de outra biblioteca) e
desaparecidos, buscando as inconsistências em conjunto com a equipe e avaliando os dados
finais.

4 Resultados dos inventários realizados na BSCCA
Antes de realizar a coleta dos dados do inventário de 2012 foi realizada a leitura de
estante e separados os materiais que necessitavam de restauração. Durante a coleta de dados,
que foi de 300 por hora por pessoa, ocorrida nos dias 11 a 13/07 (com a biblioteca em
atendimento) e 23 a 27/07 (com a biblioteca fechada para leitura de livro, folheto, catálogo e material
de aula) sentiu-se a necessidade de:
a) revisar os materiais identificados com tarja azul (empréstimo diário) e tarja
vermelha (consulta local) – os materiais de tarja azul foram extinguidos
completamente em dezembro de 2014 e foram identificados com tarja vermelha os
materiais sugeridos como bibliografia básica;
b) substituir as etiquetas de formato antigo ou que dificultaram a leitura - substituídas
todas as etiquetas que tiveram dificuldade de leitura e ao longo dos anos continuam
sendo substituídas as etiquetas em formato antigo;
c) eliminar os livros e folhetos fotocopiados – solicitado compra para substituição,
foram excluídos os exemplares que possuíam originais e alocados em setor
separado àqueles que não possuíam exemplar original;
d) adequar a situação e localização dos materiais no sistema – alteração total via
sistema.
Os pontos a), b) e c) foram realizados no decorrer dos meses que se seguiram devido
ao volume de trabalho e retorno do semestre letivo. O item d) foi possível executar via
sistema alterando a situação e localização dos materiais lidos no sistema (quadro 1) para
“situação” “Disponível no acervo” e “localização” “Disponível no acervo”, exceto as normas,
CDs e DVDs que tem “localização” como “Balcão de empréstimo”.
Quadro 1 – Situações e localizações dos materiais em 2012
Tipo de material
Situação identificada
Norma
Disponível no acervo
CD-ROM

Disponível no acervo
Preparo técnico

DVD

Disponível no acervo
Preparo técnico
Disponível no acervo
Não localizado
Disponível no acervo
Preparo técnico
Não localizado
Acervo Inativo
Exposição
Restauração externa
Restauração interna
Digitalizando
Disponível no acervo

Fitas de vídeo
Livro
Folheto
Catálogo
Material de aula

Monografia de graduação

Localização identificada
Disponível no acervo
Balcão de empréstimo
Referência
Disponível no acervo
Balcão de empréstimo
Referência
Disponível no acervo
Disponível no acervo
Balcão de empréstimo
Disponível no acervo
Balcão de empréstimo
Setor Vega
Referência
Encadernação

Disponível no acervo

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e pós-graduação
Dissertação e Tese

Não localizado
Restauração externa
Restauração interna
Disponível no acervo
Não localizado
Acervo inativo
Restauração interna

Disponível no acervo

Fonte: Dados do autor

A quantidade de exemplares coletados de cada material, a quantidade de materiais
desaparecidos e o percentual de perda total e anual constam na tabela 1 a seguir:
Tabela 1 – Quantitativo de material no sistema, coleado e desaparecido no inventário de 2012
Tipo de material
Qtde
Qtde
% perda
% perda
coletado
Desaparecido
total
anual
Norma
37
0
0
0
CD-ROM
168
0
0
0
DVD
136
1
0,74
0,06
Fitas de vídeo
121
2
1,65
0,13
Livro
513
Folheto
4
19309
2,68
0,21
Catálogo
0
Material de aula
0
Monografia
de
7
345
2,03
0,16
graduação
0
e pós-graduação
Dissertação e Tese
3
1510
0,53
0,04
5
21655
540
2,49
0,19
Total
Fonte: Dados do autor
Nota: O “% perda anual” refere-se ao “% perda total” dividido pelos treze anos em que não foi
realizado o inventário.

O índice de perda mais expresso foi de 2,68% para o inventário de livro, folheto e
catálogo (perda 517 dos 19309), seguido da monografia de graduação e pós-gradação, 2,03%
(perda de 7 dos 345 materiais), a fita de vídeo foi de 1,65% (2 de 121), DVD de 0,74% (1 de
136) e por fim a tese e dissertação com índice de 0,53% (perda de 8 em 1510).
O índice de perda total foi de 2,49% e deve ser observado com parcimônia levando em
consideração que o inventário não era realizado na BSCCA há 13 anos. Se esse índice fosse
diluído nestes anos o percentual de perda anual será de 0,19% ao ano.
Devido ao tempo empreendido nas análises dos relatórios, conferências de
divergências e materiais desaparecidos (normalmente duas ou três conferências para cada tipo
de material) e outras necessidades levantadas durante o inventario decidiu-se que as próximas
coletas seriam realizadas em janeiro/fevereiro de cada ano. Em 2013 pela proximidade da
última coleta não teve inventário e em 2014 também decidiu-se por não realizá-la devido ao
mal funcionamento e inatividade da antena antifurto, a qual foi substituída em novembro de
2014.
No decorrer de julho de 2012 a janeiro de 2015 foram localizados 49 exemplares que
haviam sido “excluídos” pelo inventário 2012, os materiais estavam na Divisão de
Desenvolvimento de Coleções e Tratamento da Informação (DECTI) para alterar
classificação; reservados na mesa da chefia para análise de alguma inconsistência;
emprestados para usuário sem passar pelo sistema; na empresa que fazia a restauração do

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

acervo sem ter sido alterada a situação no sistema; tramitando no malote ou fora encontrado
na estante, possivelmente no meio de outro exemplar.
O inventário de 2015 foi realizado entre os dias 26/01 a 06/02 e teve problema logo no
início dos testes devido a utilização do “dígito verificador” na leitura das etiquetas e não
reconhecimento pelo sistema web instalado em 2014 pelo Pergamum. Porém, após a abertura
de chamado de atendimento 97109 para resolução do problema, foi solucionado e o inventário
teve prosseguimento.
Neste ano, contabilizou-se a quantidade de leitura de estantes por hora que foi de 1500
exemplares e a média de coleta foi de 490 materiais por hora por pessoa, acredita-se que seja
porque as etiquetas com dificuldade de leitura e antigas já haviam sido substituídas, além da
anotação exata das pausas durante as coletas.
Enquanto se fazia a coleta neste ano foram separados 84 materiais que necessitavam
de pequenos reparos, fotocopiados, etiquetas que se referiam a outros exemplares, não
conseguiam ser lidas pelos leitores e identificadas com tarjas azuis (empréstimo diário abolido
em dezembro de 2014). Os 770 exemplares emprestados não foram contabilizados no
inventário.
A quantidade de exemplares coletados de cada material, a quantidade de materiais
desaparecidos e o percentual de perda total e anual constam na tabela 2 a seguir.
Tabela 2 – Quantitativo de material no sistema, coleado e desaparecido no inventário de 2015
Tipo de material
Qtde
Qtde
% perda
% perda
coletada
Desaparecida
total
anual
Norma
30
0
0
0
CD-ROM
246
0
0
0
DVD
134
0
0
0
Fitas de vídeo
22
0
0
0
Livro, Folheto, Catálogo
21146
48
0,23
0,12
Material de aula
24
0
0
0
Dissertação e Tese
1651
2
0,12
0,06
23253
50
0,35
0,18
Total
Fonte: Dados do autor
Nota: As monografias de graduação e pós-graduação foram digitalizadas e eliminadas do acervo da
BSCCA. O material de aula foi separado de “livro, folheto e catálogo” porque se referia apenas aos
notebooks, netbooks e tablets. O “% perda anual” refere-se ao “% perda total” dividido pelos dois anos
entre o último inventário e este.

O índice de perda total em 2015 foi de 0,35%. Dividindo esse total entre os dois anos
do último inventário (julho de 2012) até este (janeiro/fevereiro de 2015), o percentual de
perda anual equivale-se ao identificado em 2012, 0,18% ao ano.
Por conta da coleta de dados e contato direto com o acervo sentiu-se a necessidade de
execução das atividades descritas a seguir, todas realizadas a contento:
a) digitalizar teses e dissertações duplicadas;
b) identificar e excluir teses e dissertações fotocopiadas;
c) separar os materiais que não tiveram empréstimo de nenhum exemplar entre
01/01/2005 a 01/01/2015 para um novo setor, denominado “Armazém”
O inventário de 2016 foi realizado entre os dias 27/01 a 05/02, sendo que a biblioteca
se manteve fechada do dia 01 a 05/02. A quantidade de exemplares coletados de cada
material, a quantidade de materiais desaparecidos e o percentual de perda total e anual
constam na tabela 3 a seguir.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Tabela 3 – Quantitativo de material no sistema, coleado e desaparecido no inventário de 2016
Tipo de material
Qtde coletada Qtde Desaparecida % perda total
Norma
30
0
0
CD-ROM
267
0
0
DVD
145
0
0
Livro, Folheto, Catálogo
17870
45
0,25
Material de aula
24
0
0
Dissertação e Tese
1446
0
0
Todos materiais do setor Armazém
3023
4
0,13
22805
49
0,38
Total
Fonte: Dados do autor

O índice de perda total em 2016 foi de 0,38%. No ano de 2015 foram removidos do
acervo de livro/folheto praticamente 800 exemplares de “Boletim Técnico” e “Circular
Técnica” da Embrapa, Epagri, Iapar, entre outros, que possuíam ISSN e, erroneamente,
vinham sendo cadastrados e mantidos no acervo de livro/folheto. Acredita-se que dos 45
exemplares faltantes, quase sua totalidade sejam destes materiais que acabaram sendo
cadastrados como periódicos, mas que, por esquecimento, não tiveram a “situação” de
livro/folheto alterada para “excluído”. Portanto, a perda real pode ter sido, novamente, uma
média de 0,18%. Esse fato será verificado após a indexação de todos esses fascículos de
periódicos, esperado para 2018.

5 Recomendações para realização de inventários
A partir da experiência pessoal, conversa com profissionais que costumam executar
inventários e leituras, especialmente a metodologia para inventário da Universidade Federal
de Minas Gerais (2006), Manual do Sistema Pergamum ([200-?]), postagem da Universidade
de São Paulo (2011), inventário do Pergamum web (2013), foi possível indicar alguns passos
a serem seguidos:
O primeiro passo para iniciar o inventário do acervo é identificar no sistema os tipos
de materiais que a biblioteca possui e a quantidade cada item.
O segundo passo é identificar os equipamentos necessários e disponíveis:
computador/notebook com acesso ao Sistema; programa tipo bloco de notas (contenha
arquivo formato .txt); e, leitores de código de barras (com padrão de coleta, “enter” ou “tab”).
Pode-se também utilizar o coletor de dados (tipo palm).
O terceiro passo é verificar se todos os itens a serem inventariados possuem código de
barras compatível ao leitor óptico ou digitação.
O quarto passo é definir alguns pontos que seguem:
a) a biblioteca vai ficar aberta ou fechada?
� se ficar aberta é preciso decidir se terá acesso com restrições ao acervo. Para isto
deve-se coletar os dados do material antes de emprestá-los, reservar os materiais
que forem devolvidos no período e prever uma equipe para permanecer no
atendimento;
� se ficar fechada é preciso avisar a comunidade com antecedência e lembrar de
alterar as datas de devolução dos materiais para época posterior a coleta;
b) o inventário será total ou parcial?
� pode-se executar o inventário parcialmente separando-o por áreas do
conhecimento, por tipo de material, entre outras;
� se for total é executado de uma única vez;
c) quantas contagens serão executadas?

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d)

e)

f)

g)

h)

� por insegurança ou para certificação de que a coleta está correta pode-se definir
várias coletas de um mesmo material, por exemplo uma manual e outra
escaneada ou escanear duas vezes e confrontar para certificar-se de que o
quantitativo é idêntico;
ordenação do tipo de material a ser inventariado?
� realizar os testes iniciais com material que tenha pouca quantidade;
� definir qual tipo de material será feito primeiro, para materiais com quantitativo
menor pode-se prever a execução por apenas um funcionário, porém para um
quantitativo maior será necessário dividir o acervo prevendo onde iniciará e
finalizará a parte de cada um;
quais funcionários trabalharão no inventário e quais ficarão no atendimento, se
preciso?
� é importante ter conhecimento da equipe para estabelecer o tempo de duração e a
divisão para a coleta dos dados.
tempo de duração?
� pode-se prever uma média de 490 exemplares por hora, em caso do acervo
organizado e etiquetado. Com este dado é feito uma estimativa de tempo para
cada material e consequentemente o período total.
será realizado de forma isolada ou em duplas?
� pode-se definir a melhor forma para cada funcionário. Alguns preferem trabalhar
sozinhos, para outros facilita o trabalho em dupla (enquanto um coleta o outro
puxa o material e observa na tela se o dado foi coletado).
será realizado todos no mesmo horário de trabalho ou dividido em turnos?
� em caso de disponibilidade de equipamento para toda a equipe pode-se
estabelecer um horário único, porém, com redução de quantidade de
equipamentos disponíveis pode-se efetuar a coleta em turnos diferentes.

Estabelecido estes passos, ainda recomenda-se atenção em alguns pontos em caso de
coleta com leitores:
a) o arquivo deve ter nome sugestivo para que possa recuperar com facilidade
(LivrosFulano001-338 ou LivrosEstante1);
b) salve o arquivo constantemente;
c) se a coleta durar mais de um dia faça backup dos arquivos diariamente ou
descarregue os dados no sistema, com isto evita-se perda de registro;
d) lembre-se de marcar o local a cada pausa realizada para, no retorno, reiniciar onde
parou;
e) observe constantemente se o dado está sendo coletado;
f) durante a coleta pode-se reservar os materiais que tiveram leitura difíceis ou
caracteres não numéricos (para trocar etiqueta), estão danificados (para
restauração), são fotocópias, possuem tarjas de identificação a serem
revistas/conferidas, estão com conteúdo desatualizado (como legislação que não
seja utilizada para pesquisa histórica). Contudo, antes de reservar faça a leitura do
material.
No caso de utilização do Sistema Pergamum, observe que a data inicial cadastrada no
sistema deve ser a data em que se inicia a coleta dos dados e a data final deve ser preenchida
apenas quando se esgotarem todas as possibilidades de localização e ajustes. O carregamento
dos arquivos pode ser feito quantas vezes forem necessários, desde que a data final não tenha
sido preenchida. Após o carregamento dos dados coletados pode-se emitir as estatísticas e
relatórios que melhor condizerem à realidade da biblioteca.

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A seguir estão expostos as estatísticas e relatórios gerados pelo Sistema Pergamum,
versão web. Para esta informação foi tomado como base o documento divulgado no Encontro
do Pergamum (2013) e a experiência da autora no sistema:
� conferir todos os dados incluídos no inventário = relatório 1;
� conferir os materiais incluídos no inventário e também lidos no acervo = relatório 2;
� averiguar se carregou e quais arquivos carregou no sistema = estatística 3;
� verificar estatisticamente quais materiais foram lidos = estatística 4;
� verificar estatisticamente quais materiais não foram lidos = estatística 5;
� verificar estatisticamente os materiais desaparecidos = estatística 6;
� conferir materiais desaparecidos por ordem de classificação = relatório 7;
� conferir materiais desaparecidos por ordem alfabética = relatório 8;
� verificar situações de exemplares alterados durante o inventário = relatório 9;
� verificar localizações de exemplares alterados durante o inventário = relatório 10;
� conferir se algum material lido no inventário foi emprestado = relatório 11;
� conferir se algum material foi devolvido com data de devolução retroativa = relatório
12;
� conferir se algum material devolvido foi lido no inventário = relatório 13;
� identificar os materiais lidos que não constavam nos parâmetros iniciais = relatório
14;
� verificar se tem material de outra biblioteca = relatório 15;
� conferir se algum material lido estava emprestado = relatório 16;
� verificar se algum material lido não consta na base = relatório 17;
� conferir os materiais na ordem em que foram lidos relatório 18.
Pela experiência, ainda utilizando-se do Sistema Pergamum, sugere-se que:
� os materiais devolvidos durante a realização do inventário não devem ser coletados,
porém, tem-se o relatório 13 para fazer esta conferência;
� com relação ao relatório 15 é importante averiguar se realmente pertence a outra
biblioteca ou se foi lido erroneamente;
� no caso do relatório 16 é relevante verificar se o material está mesmo na estante,
recuperá-lo e proceder a devolução, conferir se foi gerada multa para o usuário e
seguir a política institucional.
� algum material identificado como não constante na base (relatório 17) pode ser
devido a erro no momento da leitura, por exemplo, o leitor ter eliminado alguns
caracteres, ou lido outro número. Verifique no arquivo “.txt” qual material foi lido
antes e depois daquele exemplar, por meio deles identifique o número de chamada e
localize o material “não existente” na estante para conferência;
� os relatórios mais dispendiosos são o 7 e 8 e por isso deve ser realizada várias
conferências. Em caso de uma sequencia grande de materiais não lidos, averiguar se
não foi esquecido de coletar uma prateleira ou carregar algum arquivo. Para novas
conferências carregue o arquivo de materiais localizados e gere novo relatório para
que o sistema proceda a exclusão dos materiais localizados para o próximo relatório.
Durante o processo do inventário é salutar anotar algumas informações que comporão
o relatório final a ser preparado para a direção ou como relato geral. Com base na
metodologia para inventário da Universidade Federal de Minas Gerais (2006) adaptou-se para
a UFSC coletando da seguinte forma:

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Quadro 2 – Informações sobre o inventário
Biblioteca:
Responsável pelo inventário:
Data de teste:
Erros ocorridos:
Período de execução do inventário:
Forma de acesso dos usuários durante o período do
inventário:
Quantidade de computadores utilizados:
Quantidade de leitores de código de barras utilizados:
Quantidade de pessoas envolvidas na leitura:
Quantidade de pessoas envolvidas na análise dos
relatórios:
Quantidade de material separado para restauração
externa:
Quantidade de material separado para substituição de
etiqueta:
Quantidade de material separado por estar irreparável:
Quantidade de material separado por ser fotocópia:
Alteração de localização:
Alteração de situação:
TIPO DE
MATERIAL

Nº
INVENTÁRIO

DATA
COLETA

QTDE
ACERVO

____/____/____
____/____/____ a ____/____/____
Aberta de ____/____/____ a ____/____/____
Fechada de ____/____/____ a ____/____/____

De: __________ Para: __________ Qtde: _____
De: __________ Para: __________ Qtde: _____
QTDE
EXEMPLAR

QTDE EX.
DESAPARECIDO
OU ANORMAL

DATA
NOVA
COLETA

QTDE EX.
FALTANTE

CD-ROM
Dissertação e
Tese
DVD
Livro, Folheto,
Catálogo
Material
de
aula
Norma
Armazém
Total:

INFORMAÇÕES DOS RELATÓRIOS
Situação alterada
Localização alterada
Emprestados após início inventário
Devolvidos com alteração da data de devolução
Devolvidos após o início do inventário e lidos
Lidos a mais (não foram carregados na configuração
inicial)
Pertencentes a outra biblioteca
Emprestados que estão no acervo
Não existem na base de dados

Qtde

MOTIVO

Fonte: Adaptado de Universidade Federal de Minas Gerais (2006)

6 Considerações parciais/finais
O inventário permitiu detectar falhas e verificar se o material informado pelo sistema
como “disponível no acervo”, realmente se encontrava na estante, mantendo assim o
equilíbrio do acervo.
Esta é uma forma de proteção do patrimônio que permite o estudo do acervo

�11

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embasando o desenvolvimento de coleções, identificação de materiais danificados e
rasurados, verificação de possíveis divergências na etiqueta de identificação, averiguação de
materiais extraviados, ordenação dos materiais nas estantes, entre outros.
No decorrer do inventário foram detectadas algumas inconsistências no Sistema, o
qual foi ajustado a tempo para executar o inventário a contento.
O resultado do inventário foi satisfatório. Percebeu-se no primeiro inventário, em
comparação aos outros inventários, uma quantidade maior de materiais que estavam
danificados; desordenados em comparação com o sistema; eram fotocópias; necessitavam de
ajuste na etiqueta; entre outros. Após a realização do inventário com frequência anual
percebe-se a desenvoltura para a realização do mesmo.
Constatou-se a relevância desta atividade, que deverá ser realizada anualmente na
BSCCA.
Foi muito importante a compreensão desta relevância e engajamento de toda a equipe
para a execução do inventário, pois, sem a cooperação e auxílio de todos não seria possível.

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CHIAVENATO, Idalberto. Administração de materiais: uma abordagem
introdutória. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Aurélio século XXI: o dicionário da língua
portuguesa. Rio de Janeiro (RJ): Nova Fronteira, c1999.
HOUAISS, Antonio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de
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MOSER, Evanilde Maria; LEMOS, Maria Genoveva; CASAS, Jane Cristina. O inventário do
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Regional de Blumenau (Furb): relato de experiência. Revista Digital de Biblioteconomia &amp;
Ciência da Informação, Campinas, v. 6, n. 1, p. 84-100, jul./dez. 2008. Disponível em:

�12

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EM ADMINISTRAÇÃO FEA-USP, 7., 2004, São Paulo. Anais eletrônicos... São Paulo:
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12 out. 2015.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <name>Title</name>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49037">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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            <element elementId="39">
              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49039">
                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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            <element elementId="45">
              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <elementText elementTextId="49040">
                  <text>UFAM</text>
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              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="40">
              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49041">
                  <text>2016</text>
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            <element elementId="44">
              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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                  <text>Português</text>
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              <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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    <itemType itemTypeId="8">
      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Inventário em biblioteca universitária: relato de experiência e recomendações.</text>
              </elementText>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Objetiva-se relatar a experiência ao inventariar o acervo da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina e apontar recomendações sobre esta atividade para outras bibliotecas. Utilizou-se o Sistema Pergamum, computadores e leitores óticos para coletar o acervo de livro, folheto, catálogo, material de aula, monografia de graduação e especialização, tese, dissertação, CD-ROM, DVD e norma técnica. Expõem-se sugestões para realização de inventário em biblioteca. Conclui-se que o inventário éimportante para proteção do patrimônio e sem o engajamento da equipe não é possível a execução de todo o processo.</text>
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                    <text>INTERAÇÃO ENTRE PLANOS DE ENSINO DIGITAIS E
BIBLIOTECA: UMA EXPERIÊNCIA NA FACULDADE DE MEDICINA
DA UFRGS

Shirlei Galarça Salort (UFRGS e UNISINOS) - shirleisalort@yahoo.com.br
Resumo:
O presente trabalho trata-se de um relato de experiência que apresenta os procedimentos
realizados na Biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul durante a atualização do seu Banco de Dados SABi para a aquisição de bibliografias dos
cursos de graduação indicadas nos planos de ensino disponíveis em meio digital. Bem como,
apresenta as contribuições da disponibilização dos planos de ensino em rede para a atividade
de desenvolvimento de coleções realizada na biblioteca e alguns problemas encontrados ao
longo desta, como referências inexatas, incompletas ou inexistentes, ou ainda em quantidade
insuficiente para as avaliações externas, que dificultam o trabalho realizado na biblioteca. Tais
dificuldades poderão ser comuns a outras instituições, contribuindo assim, para uma maior
reflexão sobre o envolvimento do bibliotecário no aprimoramento de outros bancos de dados
da universidade que sejam de uso das bibliotecas. Considerando como possíveis soluções aos
problemas encontrados, a realização de atividades de “educação de usuários” voltadas para os
professores e alterações no Sistema de Planos de Ensino.
Palavras-chave: Desenvolvimento de coleções, Biblioteca, Plano de ensino
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
De acordo com as demandas educacionais atuais, as quais a tecnologia é forte aliada
aos processos de gestão nas universidades, a interação entre planos de ensino digitais e
bibliotecas universitárias faz-se cada vez mais presente a fim de otimizar os processos de
aquisição dos livros necessários ao desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e
extensão.
Para tanto, o presente trabalho além de relatar a experiência da atualização do banco
de dados na Biblioteca da Faculdade de Medicina a partir da interação com os planos de
ensino digitais que compõem a grade curricular dos cursos de graduação, tem como objetivo
apresentar algumas dificuldades encontradas ao longo desse processo, que possam ser comuns
a outras instituições, a fim de compartilhar a experiência e propor uma reflexão sobre a
participação do profissional bibliotecário na composição dos sistemas utilizados pelas
bibliotecas. Bem como, apresenta algumas possíveis soluções para minimizar os problemas
encontrados ao longo da tarefa de atualização do Sistema de Automação de Bibliotecas
(SABi).
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) disponibiliza seus planos de
ensino (PEs) em meio digital e em rede desde 2010. Esse modo informatizado de
apresentação, além de permitir que o documento siga uma estrutura mais padronizada e de
possibilitar uma relação mais dinâmica com o arquivo, facilita o acesso aos diferentes setores
que necessitam interagir com ele, como é o caso das bibliotecas.
A Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFRGS e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
(Biblioteca FAMED/HCPA) faz parte do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (SBUFRGS), que comporta 33 bibliotecas distribuídas nos Campus da
UFRGS. Ela é tecnicamente subordinada à Biblioteca Central e administrativamente
subordinada à Faculdade de Medicina com apoio do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Conforme o Regimento atual da Faculdade de Medicina, ela é o órgão responsável por
organizar, conservar e manter atualizado o acervo de material bibliográfico referente aos
temas que integram os programas de ensino, pesquisa e extensão na área de ciências da saúde,
bem como a produção intelectual do corpo docente e técnico-científico da UFRGS e do corpo
clínico e assistencial do HCPA.

2 Revisão de literatura
A Biblioteca FAMED/HCPA compõe e utiliza o mesmo sistema de registro
bibliográfico das demais bibliotecas do SBUFRGS, o SABi que utiliza o formato MARC
(Machine-Readable Cataloging). Entretanto, foram adotados alguns campos próprios para
atender às necessidades específicas da universidade, como é o caso dos campos “902” e
“192”. O “902” identifica a disciplina citada no plano de ensino de um curso de graduação e
sua classificação: Bibliografia Básica Essencial (BBE); Bibliografia Básica (BB);
Bibliografia Complementar (BC); conforme apresenta a figura 1. Também pode indicar uma
parte do registro, por exemplo, os volumes. Já o campo “192” refere-se ao registro de
autoridade correspondente (figura 2), ou seja, à disciplina registrada.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Figura 1- Registro bibliográfico de livro citado em plano de ensino de disciplina do curso
de Medicina

Fonte: Sistema de Automação de Bibliotecas (SABi)- interface GUI de catalogação.

Figura 2- Exemplo de registro de autoridade de uma disciplina de Curso

Fonte: Sistema de Automação de Bibliotecas (SABi)- interface GUI de catalogação

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Como colocam Strehl et al. (2010, p. 108):
Os registros de autoridades contendo as informações necessárias das
disciplinas são preenchidos automaticamente, via sistema, pela gerência
do SABi a partir dos dados registrados no Sistema de Graduação. Estes
registros de autoridades não podem ser criados por bibliotecários do
SBU e são alterados pela gerência do SABi à medida que os dados de
disciplinas sofrem alterações, dispensando rotinas manuais de correção.
O campo 192 contém o nome, a sigla e o código de disciplina de cursos
de graduação da UFRGS e contempla exatamente os dados que
individualizam uma dada disciplina no Sistema de Graduação.
Para atualizar o banco de dados e preencher os campos “902” das bibliografias
indicadas nos planos de ensino dos cursos de graduação da Faculdade de Medicina,
atualmente, se acessa os planos que estão disponíveis em meio digital, identifica-se as
literaturas da graduação e realiza-se a inclusão no SABi daquelas citadas pela primeira vez. E
com o auxílio do relatório das já registradas, exclui-se o campo “902” referente àquelas que
deixaram de fazer parte dos programas de ensino.

2.1 Planos de ensino digitais
Conforme apresenta Viero (2010), “Plano de ensino é o documento elaborado pelo
docente para guiar o desenvolvimento de uma atividade de ensino e que, depois de elaborado,
deverá passar pela avaliação das Comissões de Graduação para, então, ser disponibilizado aos
discentes e a toda comunidade acadêmica.” A autora declara que quando impressos
apresentavam uma rotina maçante e demorada de validação, arquivamento e disponibilização
para a comunidade acadêmica. O que se pode compreender que também dificultava o trabalho
de aquisição do material bibliográfico sugerido pelos docentes.
Foi então que em 2009 na UFRGS, começou a se planejar a disponibilização dos
planos de ensino em meio digital, que culminou com sua implantação no primeiro semestre de
2010. A partir de então, podemos dizer que atualmente, como bem considera Viero (2010):
“Na UFRGS, o registro eletrônico dos planos de ensino tem se mostrado ferramenta eficiente
na otimização do tempo e do trabalho dos agentes administrativos, no amplo acesso da
comunidade acadêmica às informações e na padronização dos documentos institucionais.”
A disponibilidade em rede dos PEs digitais facilita o serviço de atualização dos bancos
de dados das bibliotecas, e por consequência outros serviços, como o desenvolvimento de
coleções, principalmente no que se refere à compra do material bibliográfico, assim como
possibilita a conexão entre os sistemas automatizados, que futuramente poderão se integrar
para uma atualização automática do Sistema de Bibliotecas.
As bibliotecas além de se preocuparem com o atendimento às demandas acadêmicas
devem buscar atingir ou em alguns casos manter, o conceito máximo em suas categorias de
análise quanto à avaliação da educação superior proposta pelo Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
Como também apresenta Soares (2002, p. 95) a biblioteca é um dos indicadores de
avaliação da graduação, grifo meu:

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As comissões, a partir de um conjunto de indicadores, avaliam: (a)
organização didático-pedagógica de cada curso; (b) adequação das
instalações físicas; (c) adequação das instalações especiais
(laboratórios, oficinas, salas ambiente e outros); (d) qualificação do
corpo docente (titulação, regime de trabalho, plano de cargos e salários
– PDI – produção e produtividade intelectual, experiência profissional,
relações professor-aluno e outros); (e) bibliotecas (acervo,
livros,
periódicos, acesso a redes, adequação ambiental).
No que se refere à graduação, por exemplo, a nota máxima concedida referente ao
acervo de livros, objeto da análise, se dá a partir do seguinte critério estabelecido pelo INEP
(2015) para as cadeiras obrigatórias:
Quando o acervo da bibliografia básica, com no mínimo três títulos por
unidade curricular, está disponível na proporção média de um exemplar
para menos de 5 vagas anuais pretendidas/autorizadas, de cada uma das
unidades curriculares, de todos os cursos que efetivamente utilizam o
acervo, além de estar informatizado e tombado junto ao patrimônio da
IES.
Por isso, considera-se importante a atualização constante do banco de dados da biblioteca,
principalmente para as bibliografias básicas utilizadas nos programas de ensino, bem como
uma maior intervenção ou participação do bibliotecário no que se refere à criação das
condições necessárias ao correto preenchimento das informações bibliográficas nos PEs.

3 Materiais e métodos
Esta etapa consiste na descrição do processo de atualização do banco de dados SABi a
partir da análise dos planos de ensino. Para isso, optou-se por dividi-lo em três passos: sendo
o primeiro a identificação bibliográfica, o segundo a emissão do relatório do que já está
registrado e o último, o comparativo entre o que está no PE e o que está no SABi e a
atualização dos campos propriamente dita.
O primeiro passo, para a atualização é identificar as cadeiras que compõem a grade
curricular de determinada graduação e coletar as informações bibliográficas constantes nos
PEs, que podem ser acessadas através do Portal do Servidor, mediante Login e Senha.
Logo, se escolhe os departamentos referentes a cada graduação e os referidos
programas a serem analisados. Neste item tem-se listadas todas as disciplinas referentes ao
departamento eleito (figura 3) e em seus planos é possível ter acesso às indicações literárias.
O segundo passo é imprimir o “relatório de livros por disciplina” para ver o que já está
registrado como Bibliografia Básica Essencial, Básica e Complementar em cada curso (figura
4).

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Figura 3- Exemplo de relatório de disciplinas e seus respectivos planos de ensino por
Departamento

Fonte: Portal do Servidor da UFRGS.

Figura 4- Exemplo de Relatório de livros por disciplina de graduação

Fonte: Sistema de Automação de Bibliotecas (SABi)- interface Web para relatórios.

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Por último, traça-se um comparativo entre o que está registrado nos planos de ensino e
o que já está no SABi, e a partir daí faz-se a verificação do “902” no banco de dados. Excluise o “902” das bibliografias que não pertencem mais aos PEs e se inclui as novas citadas.
Caso alguma delas ainda não esteja registrada no SABi, deverá ser incluída com o “902” em
uma planilha “Sugestão”, para que possa-se criar um pedido de compra, que será realizado
posteriormente no módulo de aquisição (Bibliograd). Quando necessário faz-se também as
alterações de status (BBE, BB e BC).

4 Resultados
Uma vez que os planos de ensino da UFRGS já estão informatizados em um banco de
dados específico, no qual são registradas as cadeiras dos cursos das unidades acadêmicas, a
Biblioteca FAMED/HCPA consulta esse banco semestralmente para atualizar os referenciais
teóricos curriculares. Entretanto, a experiência relatada refere-se às atividades realizadas até o
segundo semestre de 2015. Sendo que nesse último, foram revisadas 682 referências citadas
nos PEs de 100 cadeiras de Medicina e Nutrição que compõem o conjunto das graduações de
responsabilidade da Faculdade de Medicina. Visto que, algumas disciplinas da Medicina são
ministradas no Instituto de Ciências Básicas da Saúde, essas sob a responsabilidade desta
unidade, terão suas bibliografias atualizadas no SABi por sua biblioteca, o mesmo ocorre com
as cadeiras optativas oferecidas em outras unidades acadêmicas.
Entretanto, algumas dificuldades para a realização da tarefa de inclusão das referências
no SABi são frequentemente encontradas, pois se por um lado temos a vantagem da
acessibilidade aos PEs, por outro, verificamos que é preciso aprimorar o preenchimento dos
mesmos. Muitas vezes, eles apresentam indicações de bibliografias desatualizadas e/ou
esgotadas no mercado, o que dificulta o desenvolvimento das coleções, pois estas, embora
incluídas no SABi, não poderão ser adquiridas. Há também a ocorrência de referências
incompletas ou inexatas, conforme mostra a figura 5, ou até mesmo a inexistência de livros
(item obrigatório nas avaliações feitas pelo MEC).
Tais dificuldades obrigam muitas vezes, o bibliotecário a realizar uma investigação
mais aprofundada sobre a obra citada de forma incompleta, e em outros o contato com o
professor responsável para esclarecimentos, o que despende um período de tempo maior para
a realização da atividade.
Com relação ao fato de o banco de dados ser compartilhado entre outras bibliotecas do
SBUFRGS, há também a preocupação de que se a mesma obra tiver o campo “902”
preenchido de forma errada por uma das bibliotecas, isso poderá comprometer a aquisição do
material, pois no módulo Bibliograd a referência poderá não ser recuperada.
Nota-se também que há certa confusão por parte dos professores quanto ao
preenchimento das bibliografias no sistema dos planos de ensino (SPE), principalmente, no
que se refere à distinção de livros, periódicos e outros materiais e não há um padrão de
preenchimento que estabeleça a quantidade mínima de referências necessárias para os status
(BB e BC) de acordo com as instruções do INEP para as avaliações da graduação.

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Figura 5- Exemplo de Bibliografias registradas nos Planos de Ensino

Fonte: Portal do Servidor da UFRGS- Referência bibliográfica de um dos PEs do curso de Medicina.

De acordo com as dificuldades apontadas, verifica-se a necessidade de um maior
envolvimento do profissional bibliotecário para a resolução das mesmas (seja a partir da
sugestão de algumas alterações no SPE que poderão minimizá-las, como a criação de campos
de ajuda que esclareçam para os professores a importância da precisão das informações para o
trabalho realizado na biblioteca, bem como, a decomposição da referência em diferentes
campos, com itens de preenchimento obrigatório, seguindo uma ordem de inclusão) ou
através de atividades de educação de usuários 1na interação com o SPE.
Entretanto, sabe-se que é bastante difícil reunir os docentes de todos os departamentos
para uma atividade de educação de usuários coletiva presencial, ainda mais na área médica,
por isso, talvez possa ser mais adequado realizar orientações expositivas on-line para otimizar
o uso do SPE. A elaboração de fóruns de discussão on-line se configura como opção para
esclarecimento de dúvidas.

5 Considerações finais
A atualização e inclusão da literatura dos PEs da graduação no sistema SABi é
1

Entende-se por “educação de usuários”, a definição dada por Dias e Pires (2004, p. 38) “[...]
o processo pelo qual o usuário interioriza comportamentos adequados em relação ao uso da
biblioteca e desenvolve habilidades de interação permanente com sistemas de informação”.

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fundamental para o desenvolvimento das coleções que subsidiam as atividades de ensino,
pesquisa e extensão da Universidade, pois é a partir destes registros que a Biblioteca Central
através do sistema Bibliograd (aquisição), distribui os recursos para a compra dos materiais
bibliográficos. Propiciando a atualização e manutenção dos acervos de acordo com as
necessidades de informação das unidades acadêmicas.
O fato de os planos de ensino estar disponíveis em meio digital e em rede
possibilitando o acesso de diferentes setores da universidade, contribui significativamente
para esse trabalho realizado nas bibliotecas, devido à economia de tempo possibilitada pelo
fácil acesso a esses documentos.
Entretanto, alguns problemas se mostraram evidentes durante a atualização do SABi a
partir da análise dos PEs na Biblioteca FAMED/HCPA, que propiciaram uma reflexão sobre a
necessidade de maior envolvimento do bibliotecário para aprimorar o SPE. A partir de tais
problemas, como referências inexatas, incompletas ou inexistentes, ou ainda em quantidade
insuficiente, bem como a não distinção dos tipos de documentos (livros, periódicos), verificase a importância de um aperfeiçoamento do SPE, para que possa melhor se adequar às
necessidades de informação da biblioteca e para que os professores não confundam os
diferentes tipos de materiais (livros, periódicos e outros). Viabilizando a obtenção das
quantidades mínimas ideais de cada livro para os diferentes status (BB e BC), possibilitando,
portanto, que os materiais bibliográficos estejam de acordo com as orientações do MEC para
avaliação da graduação.
Nesse contexto, talvez a disponibilização de campos de ajuda que esclareçam para os
docentes a importância do correto preenchimento das referências bibliográficas dos PEs para
o trabalho da biblioteca, possam auxiliar no sentido de gerar esforços para criar uma
informação mais precisa, minimizando assim, a necessidade de o bibliotecário realizar contato
com os professores para o esclarecimento de dúvidas devido à ocorrência de dados
incompletos ou inexatos. Proporcionando também uma economia de tempo de ambos os
profissionais e evitando o retrabalho. Ainda, com relação às alterações no SPE, talvez o
desmembramento ou separação de alguns campos que compõem as referências, a inclusão de
itens de preenchimento obrigatório como ISBN, e o estabelecimento de uma ordem de
inclusão dos dados para cada referencial proposto, possa auxiliar os professores a não se
esquecer de algumas informações importantes como ano, título, ISBN, tipo de material (livro,
periódico, outros), volume, entre outros tão importantes e necessários para garantir o processo
de aquisição da literatura essencial.
Por fim, destaca-se também como possível solução, as atividades de “educação de
usuários” voltadas para os professores, por exemplo, a criação de orientações expositivas online, uma vez que estas poderão influenciar positivamente na atualização dos sistemas e em
suas demais atividades derivadas.
No entanto, a fim de auxiliar na resolução das dificuldades encontradas, a Biblioteca
Central da UFRGS criou oficialmente a partir da Portaria 2553 de 08 de abril de 2016, o
Grupo de Trabalho em Bibliografia de Graduação (GTBibliograd), para discutir, refletir e
propor soluções sobre as diferentes questões apontadas pelas bibliotecas do SBUFRGS, uma
vez que os problemas encontrados no processo de atualização dos dados refletem diretamente
no desenvolvimento das coleções.

6 Referências
DIAS, M. M. K.; PIRES, D. Usos e usuários da informação. São Carlos: EDUFSCAR,
2004. (Série Apontamentos).
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

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Anísio Teixeira – INEP. Diretoria de Avaliação da Educação Superior - DAES. Instrumento
de avaliação de cursos de graduação – presencial e a distância. Brasília: INEP, 2015.
Disponível
em:
&lt;
http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_cursos_graduacao/instrumentos/201
5/instrumento_cursos_graduacao_publicacao_agosto_2015.pdf
&gt;. Acesso em: 07 abr. 2016.
SOARES, Maria Susana Arrosa. Avaliação da graduação: avaliação do MEC. In: SOARES,
M. S. A. (Coord.). A educação superior no Brasil. Brasília: CAPES, 2002. p. 93-96
STREHL, Letícia et al. O método BiblioGrad para avaliação de acervos de livros de
graduação: instrumento para gestão de recursos para aquisição em um sistema de bibliotecas
universitárias. Brasília, Ciência da Informação, v. 39, n. 3, p.105-115, set./dez. 2010.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Faculdade de Medicina.
Regimento interno : DECISÃO Nº 067/2005. Porto Alegre: FAMED, 2006. Disponível em:
&lt; http://www.famed.ufrgs.br/index.php/famed/regimento &gt; Acesso em: 07 abr. 2016.
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2553 de 08 de abril de 2016. Porto Alegre: UFRGS, 2016.
VIERO, Andreia Farencena. Registro eletrônico dos planos de ensino. In: Workshop de
Tecnologia da Informação das IFES, 4., 2010. Rio de Janeiro. [Anais...]. Rio de Janeiro:
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Disponível
em:
&lt;
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/22942/000741726.pdf?sequence=1
&gt;.
Acesso em: 29 fev. 2016.

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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Interação entre planos de ensino digitais e biblioteca: uma experiência na Faculdade de Medicina da UFRGS.</text>
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                <text>O presente trabalho trata-se de um relato de experiência que apresenta os procedimentos realizados na Biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul durante a atualização do seu Banco de Dados SABi para a aquisição de bibliografias dos cursos de graduação indicadas nos planos de ensino disponíveis em meio digital. Bem como, apresenta as contribuições da disponibilização dos planos de ensino em rede para a atividade de desenvolvimento de coleções realizada na biblioteca e alguns problemas encontrados ao longo desta, como referências inexatas, incompletas ou inexistentes, ou ainda em quantidade insuficiente para as avaliações externas, que dificultam o trabalho realizado na biblioteca. Tais dificuldades poderão ser comuns a outras instituições, contribuindo assim, para uma maior reflexão sobre o envolvimento do bibliotecário no aprimoramento de outros bancos de dados da universidade que sejam de uso das bibliotecas. Considerando como possíveis soluções aos problemas encontrados, a realização de atividades de “educação de usuários” voltadas para os professores e alterações no Sistema de Planos de Ensino.</text>
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                    <text>INTELIGÊNCIA ACADÊMICA COMO SUPORTE PARA TOMADA DE
DECISÃO: formação de pesquisadores na UFAM
Celia Regina Simonetti Barbalho (UFAM) - celia.simonetti@gmail.com
Angela Emi Yanai (UFAM) - emi_aey@yahoo.com.br
Cláudia Daniele de Souza (UC3M) - claudia_zenaro@yahoo.com.br
Resumo:
Examina o papel da inteligência acadêmica no ambiente das instituições de ensino superior. A
formação de pesquisadores constitui-se como foco deste estudo, sobretudo a partir dos dados
da iniciação científica e da pós-graduação stricto sensu da Universidade Federal do Amazonas,
adotada como exemplo para demonstrar o uso de informações institucionais para a tomada de
decisão. Discute teoricamente os elementos inerentes a inteligência acadêmica, formação de
pesquisadores, iniciação científica e pós-graduação com o intuito de compor elementos que
favoreçam a percepção dos pontos focais empregados no estudo. A partir da configuração dos
resultados obtidos, a UFAM poderá prospectar ações que visem ampliar a relação entre a
iniciação científica e a pós-graduação stricto sensu, permitindo ampliar a capacidade de
formação de pesquisadores, assim como, seu desempenho no sentido de consolidar o papel da
Universidade Federal do Amazonas no ambiente onde atua, favorecendo o cumprimento de
sua missão e seu papel na vasta região Amazônica.
Palavras-chave: Inteligência acadêmica. UFAM. Pós-graduação. Iniciação científica
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A dinâmica do contexto contemporâneo tem demandado das organizações a adoção de
ações proativa que favoreçam o atendimento da comunidade para a qual dirigem seus serviços
e produtos considerando que as contínuas mudanças nos ambientes impetram uma
capacidade, cada vez maior, de adaptação estratégica.
Para que tais adaptações ocorram, são necessários mecanismos que viabilizem a
seleção, captura, avaliação, análise, síntese, reestruturação, formatação e assimilação de
informações relacionadas às condições dos ambientes externo e interno da organização. Essas
informações, por sua vez, devem gerar conhecimento para oportunizar a geração de bens e
serviços, que propiciem uma atuação competitiva e oportuna no contexto onde elas se inserem
convergindo para sua sobrevivência e crescimento.
Deste cenário não estão isentas as instituições sem fins lucrativos, sobretudo as
instituições públicas de ensino superior, as quais vem sofrendo uma variedade de pressões
emergentes que estão relacionadas ao encolhimento de inscrições, ao aumento dos custos, aos
espaços para captação de recursos externos cada vez mais competitivos, os modelos
brasileiros de avaliação externa, os quais envolvem o INEP para graduação e a CAPES para
pós-graduação, as necessidades de seleção de pessoas qualificadas para atuarem em todos os
seus processos, a atenção aos requisitos regulamentares que estão relacionados as
determinações dos órgãos de controle existentes no país e, mais recentemente, a crise
econômica que envolve o Brasil impactando em significativos cortes dos recursos públicos
destinados a sua manutenção. (HUGHES; WHITE, 2005)
Choo (2003) afirma que tal capacidade organizacional em processar informação sobre
seu ambiente, gerando conhecimento que possibilite sua adaptação eficaz às mudanças
externas, é característica das empresas inteligentes que atuam de forma proativa no contexto
globalizado. Isto significa que as organizações necessitam gerir processos de informação de
modo a transformá-la em conhecimento com vistas a aprender com o meio ambiente, bem
como a ele se adaptar.
Diante estas questões, o artigo fornece uma breve visão geral de abordagens
estratégicas para a gestão no ensino superior a partir do uso do processamento de informações
que gerem conhecimento sobre a própria instituição, os quais poderão viabilizar o aumento
dos esforços estratégicos para tornar a instituição mais engajada no contexto onde atua.
Tomando por arquétipo a formação de pesquisadores, o estudo se apropria do exemplo
da Universidade Federal do Amazonas para promover uma reflexão entre os resultados do
programa de iniciação científica e a relação com a pós-graduação stritu sensu, na expectativa
de corroborar para a percepção de como o uso da informação pode favorecer a composição de
trajetórias estratégicas que beneficiem a gênese deste importante processo que compete a
universidade brasileira.

2 Revisão de literatura
2.1 Inteligência acadêmica
Os aspectos teóricos que envolvem a Inteligência Acadêmica (IA) estão pautados nos
princípios da Inteligência Competitiva (ICo), processo amplamente empregado pelo setor
produtivo pautado em atividades que incluem um conjunto de processos legais e éticos para a
coleta, organização, análise e uso de informações de alto valor agregado para favorecer a
tomada de decisão e auxiliar as organizações na gestão de riscos em seu ambiente.
No que pese a origem dos princípios da abordagem serem pautados na ICo, a qual

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

possui uma sólida base teórica amplamente disponível na literatura, inclusive relatos de casos
de sucesso, a IA ainda é empregada no ambiente universitário com alguma suscetibilidade,
tendo em vista que as origens se reportam ao ambiente lucrativo.
As instituições de ensino superior têm atuado no contexto da inteligência competitiva
sobretudo no seu aspecto formativo, ou seja, na disponibilização de ações que envolvam o seu
ensino e pesquisa.
Entretanto, a National Association of State Universities and Land-Grant Colleges,
convencida de que as universidades estaduais americanas estavam enfrentando algumas das
maiores mudanças em sua história, encomendou um estudo para o W. K. Kellogg Foundation
com o intuito de estabelecer recomendações para o futuro das instituições de ensino superior
estaduais dos EUA. O relatório, denominado de Returning to our Roots: The Engaged
Institution (2001), destacou que as universidades desenvolvem seus planejamentos
estratégicos, os quais são dependentes do desvelamento de forças e fraquezas, ameaças e
oportunidades elementos que, por sua vez, nada mais são do que a coleta, organização, análise
e uso de informações de alto valor agregado (HUGHES; WHITE, 2005). Em outras palavras,
o planejamento estratégico é um processo de avaliação realista da organização e seu ambiente,
o qual se constitui a partir dos princípios empregados pelos processos de Inteligência
Competitiva.
Hughes e White (2005) afirmam ainda que a aplicação da inteligência competitiva em
ambientes de ensino superior é limitada, em grande medida por uma confluência de fatores:
falta de recursos, baixo vinculação das complexas estruturas organizacionais das instituições
de ensino superior, a falta de uma orientação para o emprego das técnicas de ICo em
instituições sem fins lucrativos ou ainda a discordância geral sobre o que inteligência
competitiva realmente seja.
O emprego do termo Inteligência Acadêmica também esta associado aos processos de
aprendizagem sendo equivocadamente ligado com as questões relacionadas a inteligência
educacional, motivo pelo qual há uma carência de estudos no país.
Na literatura internacional também existem poucos estudos que analisaram a
necessidade das instituições de ensino superior atuarem no sentido de desenvolver um amplo
processo universitário para a coleta, análise e divulgação de informações para lidar de forma
mais adequada e eficaz com as crescentes ameaças às suas operações de negócios.
Friedel e Rosenberg (1993), citados por Hughes e White (2005), identificaram a
necessidade de instituições de ensino superior a incorporarem técnicas de exploração
ambiental em seu planejamento estratégico e atividades de tomada de decisões para melhorar
a qualidade das decisões organizacionais.
Barrett (2010), ao examinar a temática, destaca que embora as técnicas de ICo tenham
sido adotadas com sucesso no ambiente produtivo, ainda existe muitas resistências no
ambiente das universidades para empregá-las em seus processos de gestão. A autora destaca
ainda técnicas que podem ser empregadas como o benchmarking pode ser aplicada para
identificar e mapear as melhores práticas nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e
inovação ou ainda os chamados jogos de guerra (War Games), utilizados para auxiliar a
instituição a agir em momentos de crise ou em um evento surpresa.
Hughes e White (2005), apresentam as etapas para o desenvolvimento das atividades
de Inteligência Acadêmica nas instituições de ensino superior, conforme dispõe a Figura 1.

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XIX Seminário
rio N
Nacional de Bibliotecas Universitárias
Univ
BIBLIOTECA UNIVERSIT
RSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE
ADE INSTITUCIONAL

Figura 1. Modelo de Inteligê
nteligência Acadêmica
Planejamento e
Definição de
Metas

Toma
omada de
Dec
Decisão

Disseminação

Coleta e
organização

Analise

Fonte: Adaptado de Hughes e White
Whi (2005)

Para os autores o primeiro
pr
passo no modelo de inteligência
cia en
envolve identificar os
principais tópicos ou objetiv
bjetivos do esforço de pesquisa pretendida. Eles
les de
destacam ainda que os
próprios funcionários e professores
profe
são, muitas vezes, as melhores fontes de informação, uma
vez que transportam uma riqueza
r
de informações sobre ambientes
tes internos
int
e externos da
universidade.
A segunda etapa envolve
en
determinação de fontes de inform
nformação para que seja
executada a coleta e organiz
rganização das informações. A terceira etapa envolve
env
a utilização de
várias técnicas científicas
cas e não científicas para gerar insights ou inferências
inf
a partir da
informação recolhida. A diss
isseminação abarca a divulgação das informaçõ
rmações para os principais
decisores dentro da universi
iversidade, uma vez que a informação se torna
rna inteligência,
in
quando a
pessoa certa recebe ass info
informações corretas e, finalmente, as incorpo
corpora nos processos de
tomada de decisão (HUGHE
GHES; WHITE, 2005).
Diante o exposto,
sto, para
pa efeito deste estudo, considera-se Inteligê
nteligência Acadêmica um
processo organizacional
al qu
que investiga o ambiente externo à universidade,
unive
bem como
diagnostica o seu ambien
mbiente interno organizacional, com o prop
propósito de descobrir
oportunidades e reduzir
ir os rriscos, visando o estabelecimento de estratég
stratégias de ação a curto,
médio e longo prazo.
Considerando que este
es artigo assume como exemplo a formaç
ormação de pesquisadores
pelas instituições de ensino
nsino ssuperior, por meio do cotejamento entre
re a in
iniciação científica e a
pós-graduação, faz-se necessário
necess
permitir o amplo entendimento doo que, de fato, se configura
o preparo do investigador.

squisadores
2.2 Formação de pesquisa
A preparação de rec
recursos humanos para pesquisa se constitui
stitui em alicerce para o
progresso científico e tecnológico.
tecnol
Essa missão tem que ser compreendid
eendida como instrumento
importante para a transforma
sformação da sociedade. A formação de pesquisado
uisadores está relacionada
ao convívio em um grupo
upo de pesquisa, à vivência com a área, o levantam
antamento de hipóteses e a
tentativa de obter soluções.
ções.
Até a década dee 196
1960, o Brasil dispunha de um número reduzid
eduzidíssimo de cientistas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

(REZENDE, 2006). Somente a partir da implantação da pós-graduação stricto sensu, organizada sob as formas de mestrado e doutorado, - é que começou a preocupação com a
formação dos pesquisadores. Por esse motivo ainda não são numerosos os estudos
institucionais relacionados às trajetórias científicas, que abordem, em detalhe, o processo de
formação de pesquisadores desde a iniciação científica e sua continuidade na pós-graduação,
tratando ademais as especificidades de cada área de conhecimento. A maior parte da literatura
nacional aparece como subtema de outros maiores como: a formação da comunidade
científica (SCHWARTZMAN, 1979), a profissão acadêmica (BALBACHEVSKY, 2000), a
produtividade científica (LETA, LANNES; DE MEIS, 1998) e o perfil da ciência
(LOUZADA, SILVA FILHO 2005).

2.2.1 Iniciação científica
Uma universidade não pode se limitar a formar alunos. Ela precisa, também, produzir
conhecimento. Precisa, portanto, formar pesquisadores. Este processo poderia e deveria
iniciar-se no curso de graduação (COSTA et al., 2012). Os programas de Iniciação Científica
(IC) fazem parte dos deveres institucionais, permitindo ao graduando optar por assuntos que
lhe interessam e podem ser desenvolvidos ao longo do tempo (FAVA-DE-MORAES, FAVA,
2000).
A iniciação científica possui contribuições marcantes para o desenvolvimento do
Brasil ao longo da história. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2014) a
IC é a raiz do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Nasceu em 1951 para tentar estimular a pesquisa nas universidades e foi a primeira
modalidade de bolsa que surgiu. De acordo com Massi e Queiroz (2011) a Iniciação Científica
do aluno de graduação é muito mais do que o simples entrar em um novo ambiente de
trabalho, onde será instruído e aprenderá novas técnicas e conceitos. Ciente de que a ciência
tem uma cultura própria, que a diferencia dos demais ambientes, vivenciá-la implica em
conhecer e fazer parte do processo de construção do conhecimento, trabalhar com formas
orais e escritas de instrução e difusão do conhecimento e vislumbrar a importância dos fatos
construídos provenientes desse processo.
Acredita-se que, uma vez o aluno tenha participado do processo de iniciação à
pesquisa durante a graduação e se interessado em ingressar no mestrado, estaria levando
consigo experiência teórica e prática que o ajudaria no desenvolvimento de suas atividades na
pós-graduação. Para Cury (2004) a pesquisa e o ensino, se realizados na graduação por
intermédio da IC, permitem o ingresso dos estudantes aos níveis seguintes de forma mais
proveitosa, uma vez que tenham sido melhores capacitados durante esse processo. Foi,
inclusive, a iniciação científica que impulsionou a pós-graduação no Brasil, que nasceu logo
na sequência.

2.2.2 Pós-graduação
Diferentemente dos cursos de graduação que estão voltados, principalmente, para a
formação profissional, a pós-graduação stricto sensu se volta para a formação acadêmica
traduzida especificamente no objetivo de formação de pesquisadores (SAVIANI, 2007). No
Brasil, hoje, os cursos de pós-graduação são centrais para a atividade de pesquisa.
A pós-graduação possui papel estratégico e se constitui como base na preparação de
recursos humanos de alto nível, que atuarão principalmente em universidades, centros de
pesquisa científica e tecnológica e empresas. Tem contribuído consideravelmente para a
formação de recursos humanos qualificados e para o desenvolvimento científico do Brasil,
condição reconhecida como requisito para assegurar sua independência econômica. Além

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

disso, por meio da pesquisa, a pós-graduação brasileira contribui para a consolidação da base
científica nacional, uma das principais premissas que possibilitam o aperfeiçoamento do
sistema educacional como um todo (OLIVE, 2002).
Como o ingresso no mestrado e no doutorado são indicadores de continuidades dos
bolsistas de iniciação cientifica na carreira científica, podem ser medidos através, por
exemplo, da metodologia bibliométrica.

3 Materiais e métodos
O delineamento metodológico deste trabalho é composto pela revisão de literatura
sobre inteligência acadêmica e formação de pesquisadores. No que tange a pesquisa
quantitativa, utilizou-se a análise bibliométrica, sendo que a coleta e a recuperação dos
metadados da iniciação científica foram realizadas na base Lira da Universidade Federal do
Amazonas (UFAM) e dos programas de pós-graduação da UFAM, na Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações.
Desta forma, os dados da iniciação científica foram extraídos da base Lira, o sistema é
usado na instituição por professores para submeter e gerenciar os projetos de iniciação
científica. A pesquisa compreende o período de 2008 a 2015, uma vez que, o Portal possui
apenas informações a partir de 2008 e os projetos de 2016 ainda não foram concluídos,
portanto, optou-se em trabalhar nesta pesquisa até o ano de 2015, totalizando 5401 projetos de
iniciação científica em 7 anos.
Os dados da pós-graduação foram extraídos da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações da UFAM (BDTD/UFAM). Implantada em 2007, por meio da Resolução nº 10
de 2007, que institui normas e procedimentos para submissão de teses e dissertações na
Instituição, a fim de atender a Portaria nº 13, de 15 de fevereiro de 2006 da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a qual estabelece a obrigatoriedade
da divulgação digital das teses e dissertações produzidas pelos programas de doutorado e
mestrado reconhecidos no Brasil. Assim, desde o ano de implantação até 2015, foram
depositadas 2275 teses e dissertações na BDTD/UFAM, para a pesquisa delimitou-se o
período de 2008 a 2015, obtendo o total de 2062 teses e dissertações.
Os metadados foram extraídos e fornecidos pelo Centro de Tecnologia da Informação
e Comunicação (CTIC) da UFAM, tratados no software VantagePoint e as representações
gráficas, elaboradas no Excel.

4 Resultados parciais/finais
O Programa de Iniciação Científica (IC) na UFAM é coordenado pela Pró-Reitoria de
Pesquisa e Pós-Graduação, tem como objetivo integrar os alunos da graduação a pesquisa
científica, assim como estimular a integração entre a graduação e a pós-graduação.
A UFAM iniciou o Programa de IC a partir de 1988 em parceria com o Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), tendo como finalidade “[...] apoiar a
política de Iniciação Científica desenvolvida nas Instituições de Ensino e/ou Pesquisa, por
meio da concessão de bolsas de Iniciação Científica (IC) a estudantes de graduação integrados
na pesquisa científica” (CNPq, 2016, p.1). A partir de 2003, a Fundação de Amparo a
Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) também passa a incentivar a IC no Amazonas,
por meio de concessão de bolsa (PRO-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO,
2016).
Nesta pesquisa, analisou-se o período 2008 a 2015 (Figura 2), período este, disponível

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ADE INSTITUCIONAL

no sistema de submissão
ão de projetos
p
da UFAM e que possui 5399 registro
egistros.

Número de projetos IC

jetos do
d Programa de Iniciação Científica por anoo
Figura 2. Número projetos
950
900
850
800
750
700
650
600
550
500
450
400
350
300
250
200
150
100
50
0

946
830

860
816

667

469
406

405

Anos

Fonte: Dados da pesquisa.

O período de 2010
010 a 2013 mostra o crescimento nos projetos
tos e cconsequentemente no
fomento à pesquisa de IC na UFAM. A CT&amp;I no Amazonas desenvolve
nvolveu significativamente
com a criação da FAPEAM
EAM em 2003, alcançando ótimo desempenho
ho 2013.
201 Neste período, os
investimentos superam a mar
marca dos R$ 769,3 milhões, resultando noo incremento
incre
de 1000% no
número de bolsas destina
estinadas à pesquisa, assim como, no aumen
aumento da formação e
aprimoramento de pesquisad
quisadores no estado (AMAZONAS, 2014). Este ce
cenário pode justificar
aumento de projetos dee IC na UFAM e o seu ápice em 2013 (Figura 2).
Além do fomento
to ori
oriundo da FAPEAM (47%), a IC na UFAM,
M, também
ta
contou com o
financiamento do CNPqq (40%
(40%) e da própria instituição (2%), conforme
rme pode
po ser observado na
Figura 3.
mento da IC na UFAM
Figura 3. Fontes de fomento

FAPEAM
CNPQ
Voluntário
UFAM

Número de projetos IC

Fonte: Dados da pesquisa.

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A pesquisa mostrou que 72% dos alunos de graduação participaram da IC apenas uma
vez, 22% duas vezes e 5% participaram de três projetos. A participação dos discentes na IC
“[...] permite introduzir os estudantes de graduação, potencialmente mais promissores, nas
atividades acadêmicas e de pesquisa, além de estimular os orientadores/pesquisadores à
produção científica [...]” (FREITAS et.al., 2016, p. 2). Pesquisa realizada por Freitas et al.
(2016) na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apontou que mais de 20% dos
alunos que já haviam participado da iniciação científica estavam em algum programa de pósgraduação, destes, 13% estavam fazendo mestrado na UFPE.
Desta forma, a participação nos programas de IC mostra-se de suma importância para
a formação do indivíduo no que diz respeito à formação profissional e acadêmica, uma vez
que, abre oportunidade para o mercado de trabalho, introduz para a pesquisa científica e para
pós-graduação. A Figura 4 apresenta as principais áreas dos projetos IC na UFAM:
Figura 4. Principais áreas dos projetos da IC na UFAM

Agronomia

Quimica dos Produtos
Naturais

Psicologia
240
210
180
150
120
90
60
30
0

Educacao

Servico Social

Ciencias Humanas

Zootecnia

Quimica Analitica

Farmacia
Ciencia da Computacao

Fonte: Dados da pesquisa.

Os projetos de IC da UFAM apresentam ênfase principalmente na área de Agronomia
(211), seguida da área de Química de Produtos Naturais (145) e Educação (116). Fator que
pode estar relacionado ao maior número de doutores nestas áreas, uma vez que, o orientador
doutor pode orientar até 5 projetos, deste, 3 com indicação à bolsa e 2 voluntários; o
orientador mestre, por sua vez, pode orientar até 2 projetos com indicação à bolsa e 1
voluntário.
Segundo os dados da plataforma Sucupira em 2016, a UFAM é a segunda instituição
na região Norte com o maior número de programas e cursos de pós-graduação e a primeira no
estado do Amazonas (36), sendo estes: 21 mestrados, 1 doutorado, 2 mestrados profissionais e
12 mestrados/doutorados. Desta forma, conforme a Figura 5, BDTD/UFAM conta com 1863
dissertações e 199 teses depositadas.

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Figura 5. Tipo de documento
umentos da Pós-Graduação da UFAM

199

Dissertação
Tese

1863
Fonte: Dados da pesquisa.

A partir de 2008
008 inicia-se
i
o crescimento de depósitos de teses
t
e dissertações
defendidas na UFAM (Figura
(Figur 6). Observa-se maior crescimento em
m 2013
201 com 383 defesas,
destes 7% são do Program
rograma de Pós-Graduação em Engenharia
ria de Produção, 6% da
Biotecnologia e 6% em
m Ciências
Ciê
do Ambiente e Sustentabilidadee na A
Amazônia. O ano de
2013 foi o que apresentou
tou maior
m
número de trabalhos tanto na IC quanto
uanto na pós-graduação, e
nos anos subsequentes mostr
mostram diminuição gradativa nos índices.
Figura 6. Número de defesas por ano na Pós Graduação da UFAM

Fonte: Dados da pesquisa.

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A partir da Figura 7,
7 verifica-se que os programas de pós-graduaç
raduação (PPG) da UFAM
com maior representatividad
tividade na BDTD/UFAM são o PPG-Engenharia
nharia de Produção (146),
PPG-Biotecnologia (131)
31) e P
PPG-Ciências do Ambiente e Sustentabilidad
ilidade na Amazônia (125)
No que tange ao doutoram
utoramento na UFAM, o programa que mais se destaca é PPGBiotecnologia com 90 teses, seguido do PPG-Agronomia Tropical (28).
Figura 7. Principais Program
rogramas de Pós-Graduação da UFAM com mais
ais do
documentos

Programa de Pós-Graduação

Engenharia de Produção
Biotecnologia
Ciências do Ambiente e Sustent
tentabilidade na Amazônia
Educação
Informática
Sociedade
ade e Cultura na Amazônia
Agronomia Tropical
Ciências
cias Florestais e Ambientais
Saúde, Sociedadee e Endemias na Amazônia
Química

0

15

30

45

60

75

90 105 120 135 150

Número de documen
mentos
Fonte: Dados da pesquisa.

Cabe destacar que o PPG-Biotecnologia é um programa mult
multidisciplinar e multiinstitucional sob a coordena
rdenação da UFAM, além de ter um papel importante
impo
para a Região
Amazônica, por contribuir
ibuir com
c
as PD&amp;I vinculadas à fauna e flora
ra da A
Amazônia. Dentre as
instituições que fazem parte da parceria multi-institucional, estão:: Universidade
Univ
de Brasília,
Fundação de Medicina Tropi
Tropical do Amazonas, Instituto de Pesquisaa em Patologias Tropicais,
Fundação Fiocruz, Universid
iversidade Federal do Rio de Janeiro, Universidad
rsidade de Ribeirão Preto,
EMBRAPA, SUFRAMA,
A, C
Centro de Biotecnologia da Amazônia,
a, FUCAPI,
FU
Fundação de
Hematologia e Hemoterapia
terapia do Amazonas - HEMOAM, Instituto Nacional
Naci
de Pesquisa da
Amazônia - INPA e a Univer
niversidade de São Paulo – USP (PPGBIOTEC,
EC, 22015).
Outro programaa de ddestaque no âmbito nacional e na UFAM,
M, é o PPG-Informática.
Criado em 2001 e reconhec
onhecido/credenciado pela CAPES em 2003,, sendo
sen o único PPG da
UFAM com conceito 5 no Q
Qualis da CAPES, estando entre os melhores
lhores programas do Brasil
na área.
Ademais, verifica-se
se que 109 alunos fizeram IC, chegaram
m a fazer
f
o mestrado na
UFAM. Portanto, destaca-se
se que o estudo realizado por de Aragón,
n, Martins
Mar
e Velloso (1999
apud MASSI; QUEIROZ,
OZ, 2010,
20
p. 184) apontam que o aluno que fez PIBIC
P
tem seis vezes
mais oportunidade de entrar para pós-graduação do que um aluno que
ue nunca
nun participou da IC.
Os autores destacam ainda que “[...] o prazo médio de transição
ção entre
en
a conclusão da
graduação e o ingresso no mestrado,
m
para um ex-bolsista PIBIC, é de 1, 2 ano, enquanto para
os não bolsistas chega a 6, 8 anos em média”.

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É interessante destacar, ainda, alguns dos objetivos do Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC): contribuir para a formação de indivíduos para a
pesquisa, maior estímulo na articulação entre a graduação e pós-graduação, assim como, a
contribuir para redução do tempo médio de titulação de mestres e doutores (CNPq, 2016). A
fim de alcançar estes objetivos e assim diminuir o tempo de titulação de mestres e doutores no
país, o CNPq tem fomentado desde a década de 50 a IC, buscando estimular o discente de
graduação a pesquisa científica (CABRERO, COSTA, HAYASHI, 2003 apud MASSI;
QUEIROZ, 2010). É notória a contribuição da IC para a pós-graduação no que tange a
redução do tempo de conclusão e evasão, maior qualidade nos trabalhos realizados, tal como,
apresentam um desempenho melhor na seleção de admissão ao mestrado ou doutorado,
possuem maior desenvoltura para trabalhos em equipe e habilidade para falar em público,
impactando tanto na vida acadêmica ou profissional destes indivíduos (FAVA-DE-MORAES,
FLAVIO; FAVA, 2000).

5 Considerações parciais/finais
A UFAM é a instituição que apresenta maior número de PPG no estado, e a segunda
maior no âmbito da Região Norte. Desta forma, a IC e a pós-graduação stricto sensu na
instituição são de suma importância para o desenvolvimento do estado do Amazonas, assim
como, para a Amazônia, pois, está diretamente ligada a formação de recursos humanos para a
PD&amp;I e a qualificação dos indivíduos para atuarem nas organizações localizadas na região.
A Inteligência Acadêmica, ainda é pouco difundida no meio acadêmico, uma vez que,
historicamente não é um setor competitivo. Todavia, as mudanças na sociedade, como, o
aumento do número e da qualidade das universidades privadas e as constates greves, falta de
recursos e infraestrutura nas universidades públicas brasileiras, tem levado muitos jovens a
optarem pelas universidades privadas para sua formação na graduação e pós-graduação.
Portanto, a inteligência acadêmica é um forte aliado para os gestores das universidades para
tomada de decisão no que se refere ao planejamento, parcerias estratégicas e distribuição de
recursos na instituição.
A partir da configuração dos resultados obtidos, a UFAM poderá prospectar ações que
visem ampliar a relação entre a iniciação científica e a pós-graduação strictu sensu,
permitindo ampliar a capacidade de formação de pesquisadores, ampliando assim o maior
desempenho no sentido de consolidar o papel da Universidade Federal do Amazonas no
ambiente onde atua, favorecendo o cumprimento de sua missão e seu papel na vasta região
Amazônica.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49037">
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Documentação&#13;
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              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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            <element elementId="39">
              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                  <text>UFAM</text>
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              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                  <text>2016</text>
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              <description>A language of the resource</description>
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                  <text>Português</text>
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              <description>The nature or genre of the resource</description>
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                  <text>Evento</text>
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                <text>Inteligência acadêmica como suporte para tomada de decisão: formação de pesquisadores na UFAM.</text>
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                <text>Barbalho, Celia Regina Simonetti; Yanai, Angela Emi; Souza, Cláudia Daniele de </text>
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                <text>Examina o papel da inteligência acadêmica no ambiente das instituições de ensino superior. A formação de pesquisadores constitui-se como foco deste estudo, sobretudo a partir dos dados da iniciação científica e da pós-graduação stricto sensu da Universidade Federal do Amazonas, adotada como exemplo para demonstrar o uso de informações institucionais para a tomada de decisão. Discute teoricamente os elementos inerentes a inteligência acadêmica, formação de pesquisadores, iniciação científica e pós-graduação com o intuito de compor elementos que favoreçam a percepção dos pontos focais empregados no estudo. A partir da configuração dos resultados obtidos, a UFAM poderá prospectar ações que visem ampliar a relação entre a iniciação científica e a pós-graduação stricto sensu, permitindo ampliar a capacidade de formação de pesquisadores, assim como, seu desempenho no sentido de consolidar o papel da Universidade Federal do Amazonas no ambiente onde atua, favorecendo o cumprimento de sua missão e seu papel na vasta região Amazônica.</text>
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                    <text>INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO:
REDUZINDO ESFORÇOS REPETITIVOS E AUTOMATIZANDO
WORKFLOWS DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA PERÍODO DE 2012/2016

Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Simone Assis Medeiros (UFLA) - siamedeiros@biblioteca.ufla.br
Eliana J. Bernardes (UFLA) - eliana@biblioteca.ufla.br
Rosiane Maria Oliveira (UFLA) - rosianemaria@biblioteca.ufla.br
Maria da Consolacao Rodrigues Gonçalves (UFLA) - mconsolacao@biblioteca.ufla.br
Resumo:
Este trabalho discorre sobre a experiência da Biblioteca Universitária (BU) da Universidade
Federal de Lavras (UFLA) na implantação de inovações que, apoiadas pelas tecnologias de
informação e comunicação (TIC’s), contribuíram, significativamente, para a melhoria dos
serviços e produtos ofertados, reduzindo esforços repetitivos e automatizando seus workflows,
adaptando às novas demandas dos seus usuários, gerando confiança na equipe. Como ações
metodológicas para identificarmos a aceitação e uso dos serviços pela comunidade acadêmica,
foram analisadas as estatísticas de uso, frequência de usuários, índices do Google, entre
outros recursos detalhados no percurso metodológico deste trabalho. As análises e seus
resultados contribuíram para o desenvolvimento de novos projetos e investimentos para a
aquisição de novos produtos para a Biblioteca ou para a renovação dos existentes.
Palavras-chave: Inovação tecnológica. Gestão de bibliotecas. Bibliotecas universitárias.
Recursos de informação.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Os aspectos relacionados aos processos de aquisição de conhecimento, aprendizagem e
inovação têm sido, intensamente, abordados no contexto da gestão organizacional. Neste cenário,
crescente importância tem sido atribuída aos processos de geração do conhecimento e aprendizagem
como mecanismo de inovação, fortemente associado ao alcance da evolução, prestação de serviços e
vantagens competitivas.
Inovação pode ser considerada como o desenvolvimento e implementação de novas ideias de
pessoas que em um determinado período de tempo se converte em transações num contexto
institucional (VAN DE VEN, 1986). O processo de inovação implica mais do que o surgimento de
ideias criativas, implica também, o processo prático de implementação e difusão destas ideias em algo
prático.
Em determinados contextos, a inovação pode ser vista como um processo racional pelo qual os
gestores tomam decisões sobre a adoção do que consideram como sendo as “melhores práticas”
baseadas em objetivos avaliados por meio da existência de técnicas e práticas. Uma vez criadas novas
práticas, as regras de implementação devem ser redefinidas. São exemplos desta visão os modelos seis
sigmas, implantação de Customer Relationship Management / Gerenciamento de Informações dos
Clientes (CRM), ou modelos de gestão do conhecimento tradicionais.
A inovação é um processo dinâmico e de decisão que é, por natureza, interativo e recursivo,
mediada por uma série de fatores sociais e organizacionais (SWAN; CLARK, 1992). Este processo é
influenciado, não apenas por julgamentos sobre a eficiência técnica, mas também pela crença
subjetiva, as interpretações e os conhecimentos de diferentes grupos e atores sociais, tanto dentro
como fora da organização. Nesse contexto, “inovação é uma nova ideia implementada com sucesso,
que produz resultados econômicos.” (KOSSOY, 2006).
No contexto abordado, este trabalho em tela, discorre sobre a experiência da Biblioteca
Universitária (BU) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), entre os anos de 2012 e 2016, na
implantação de inovações que, apoiadas pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC’s),
contribuíram, significativamente, para a melhoria dos serviços e produtos oferecidos, reduzindo
esforços e automatizando seus workflows, adequando-se e adaptando-se às novas demandas dos seus
usuários.
A inovação como um cumulativo e interativo conjunto de episódios, atividades e
coincidências, onde os múltiplos atores, multiplicam formas do conhecimento e de tarefas
organizacionais desempenhando um papel, importantemente, interativo (CLARK, 2003), pode
contribuir para atender as novas demandas de novos usuários?
Entende-se que este trabalho justifica-se, pois, como mencionado por Oliveira (2014) as
bibliotecas não devem ficar alheias aos avanços tecnológicos e em um mundo cada vez mais dinâmico,
precisam redefinir suas missões, objetivos e metas, adequando-os às reais necessidades e interesses de
seus usuários para que possam atender as expectativas dos clientes. Foi constatado que bibliotecas que
se apegam aos modelos tradicionais de operação ou preferem manter o status quo avançarão
vagarosamente e laboriosamente neste século, relacionando-se cada vez menos com seus clientes e,
em última instância, perdendo o apoio necessário para continuar operando, perdendo de vista as
mudanças das necessidades e expectativas dos clientes (WEINGAND, 2007).
Diante do exposto, as inovações adotadas na BU durante o período de 2012 a 2016 foram: o
sistema de geração automática de ficha catalográfica da BU, com dados fornecidos pelo próprio autor;
o sistema de emissão de Guia de Recolhimento da União (GRU); o sistema de reserva de espaços; a
automação do processo de aquisição; a integração dos sistemas de informção; o sistema de gestão do
acervo com tecnologia de radiofrequência (RFID); a manutenção do empréstimo de netbooks; o
Repositório Institucional da UFLA (RIUFLA); o Programa de Capacitação de Novos Usuários
(PCNU); o sistema de gerenciamento do Espaço de Pesquisa Virtual (EPV) I; padronização de capas
de CD-ROM e DVD; Serviço de Referência Virtual (SRV); aprimoramento do uso de redes sociais; o
Serviço de Busca e Descoberta; e a Biblioteca Itinerante - ônibus UFLA.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

2 REFERENCIAL TEÓRICO
De acordo com Fernandez-Villavicencio (2009) com as mudanças tecnológicas,
principalmente depois do desenvolvimento da Internet, a gestão de biblioteca apresenta agora novos
desafios, mas também grandes oportunidades. Segundo ele, em tempos de escassez de informação, as
bibliotecas eram as únicas a oferecer o acesso a recursos informacionais organizados. Com o acesso
generalizado à informação digital, os usuários mudaram a sua forma de buscar informações, tornandose mais autônomos. Agora, eles são mais dependentes do uso da tecnologia e, em muitos casos, não
necessitam da mediação do bibliotecário ou da biblioteca. Dessa forma, é essencial que as bibliotecas
busquem alternativas para se enquadrar neste novo cenário, alinhando-se às novas oportunidades
tecnológicas surgidas.
Segundo Oliveira (2014), a utilização das TIC’s tem possibilitado às bibliotecas o
oferecimento de novos serviços na sua comunidade. Para Oliveira et al. (2012) tornar acessíveis as
novas ferramentas inovadoras de busca e acesso à informação propiciou à biblioteca uma nova leitura
do seu papel junto aos usuários.
Segundo Morigi e Pavan (2004), o cenário da sociedade da informação que se lança uma luz
tênue sobre a questão das mudanças comportamentais, em que, no ambiente das bibliotecas e outros, a
mediação dos significados compartilhados passa a ser realizada mediante o auxílio do computador,
com a utilização das TIC’s, gera diferentes embates, entre os quais uma nova cultura surge entre os
próprios bibliotecários em suas atividades caracterizam-se pelas transformações nos processos
interacionais, envolvendo novas práticas profissionais em relação às formas de gerenciamento da
informação, dos serviços prestados e na interação com os usuários.
Diante desse contexto de mudanças cognitiva dos bibliotecários, as organizações têm
intensificado a busca de estratégias que lhes dê vantagem competitiva. Acompanhando a necessidade
de inovar no ambiente das bibliotecas, de forma a antender da melhor forma possível os usuários, ao
corpo administrativo e aprimoramento das suas estruturas, tornou-se essencial e evidente.
Inovar é ter uma ideia que outras intituições ainda não tiveram e implantá-la com sucesso.
Refere-se à percepção de uma nova demanda dos clientes ou uma nova maneira de produzir um
produto ou ofertar um serviço. A inovação faz parte da estratégia das organizações e seu foco, no
âmbito das bibliotecas, deve ser a criação de valor para seus usuários. Essa inovação contínua requer
planejamento, gestões do conhecimento, tecnológica e administrativa, pois, a inovação não pode ser
considerada um fenômeno único, mas um processo longo e cumulativo de um grande número de
tomada de decisões organizacionais e processos, que envolve desde a fase de geração de uma nova
ideia até a sua implementação.

3 METODOLOGIA
Nesta sessão elencam-se os procedimentos metodológicos para a implantação das soluções
inovadoras na BU, nos últimos cinco anos. Enumeram-se ainda as estratégias utilizadas para atender a
demanda crescente dos usuários em relação aos serviços da instituição, apresentando uma breve
descrição destes projetos inovadores. Não é objeto deste texto explorar as minúcias metodológicas de
cada projeto, mas, apresentá-los como estratégias de uma gestão inovadora.
Na sistematização dos serviços apresentados neste relato de experiência utilizou-se a revisão
bibliográfica e a pesquisa exploratória. Para cada novo serviço houve o planejamento da implantação,
a captação dos recursos financeiros, a elaboração das normas de processamento técnico e de uso, a
circulação, a divulgação e a manutenção, quando necessário.
Os processos são cíclicos, pois as adaptações são constantes levando-se em consideração o
aprimoramento das normas que os envolvem. Alterações nos processos, bem como a implantação das
soluções inovadoras, quando pertinente, passaram por discussões com os profissionais dos setores de
tecnologia, patrimônio, financeiro e, em algumas circunstâncias, jurídico da instituição.
Os percursos metodológicos são apresentados de forma simplificada na descrição de cada
solução inovadora, visto que cada uma delas somaram um roll de procedimentos, estudos e estratégias
e caminhos distintos em cada implementação.

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4 RECURSOS E SERVIÇOS INOVADORES
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA

IMPLANTADOS

NA

A BU vem se consolidando, ao longo dos anos, como referência para as atividades de ensino,
pesquisa e extensão, desenvolvidas na UFLA. Além disso, por tratar-se de um organismo pertencente
a uma instituição pública, a BU presta serviços para segmentos variados da população de Lavras e
região, sobretudo aqueles vinculados ao sistema educacional (OLIVEIRA; OLIVEIRA; AMARAL,
2014). Assim, foram desenvolvidos diversos recursos e serviços apoiados pelas TIC’s, os quais
contribuíram para criação de novos serviços e produtos, além da melhoria dos já ofertados, reduzindo
esforços e automatizando seus workflows. A seguir, apresentam-se uma breve descrição das inovações
adotadas no período de 2012 a 2016.

4.1 Sistema de geração automática de ficha catalográfica da BU, com dados fornecidos
pelo próprio autor
O aumento dos cursos de pós-graduação stricto sensu na UFLA e o consequente aumento da
demanda pela catalogação na fonte motivaram a pesquisa por um sistema de geração automática de
ficha catalográfica. Para a execução do projeto, houve pesquisas sobre a existência de sistemas
similares em outras instituições e sobre as definições dos campos da ficha.
Este projeto foi planejado e desenvolvido, em 2014, pela Comissão Técnica (CT) da BU,
sendo a instância deliberativa para questões administrativas, técnicas e financeiras, além de assessoria
da Diretoria em assuntos de planejamento, gestão e outros de natureza técnica da Biblioteca.
O sistema disponibiliza um formulário para que o usuário preencha seus dados e obtenha sua
ficha catalográfica em formato .doc, sem a necessidade de contato direto com a Biblioteca. Esta
medida torna o usuário independente e possibilita que ele faça eventuais ajustes na ficha catalográfica,
por
exemplo,
a
alteração
do
número
de
páginas.
O sistema de ficha foi desenvolvido utilizando basicamente 5 (cinco) tecnologias: HTML,
JAVASCRIPT, PHP5, JAVA, IREPORT. A interface do usuário foi concebida utilizando HTML e
JAVASCRIPT, no lado do servidor utilizou, inicialmente, PHP5 para gerar o documento em formato
PDF, entretanto identificou-se a necessidade de gerar documento em formato editável, a fim de
atender a esta demanda foi necessário utilizar também as tecnologias JAVA e IREPORT.
O sistema de geração automática de ficha catalográfica foi bem aceito pela comunidade
acadêmica, considerando os benefícios proporcionados, tais como: independência e agilidade na
obtenção da ficha e consequente agilidade nos trâmites pós-defesa; extensão do serviço aos alunos dos
cursos de graduação e pós-graduação latu sensu. Outro benefício do ponto de vista da gestão de
pessoas foi a liberação de um bibliotecário para poder prestar outros serviços à comunidade
acadêmica.

4.2 Sistema de emissão de Guia de Recolhimento da União (GRU)
Conforme Regulamento da BU “Art. 47 O atraso na devolução de material emprestado
acarreta em multa, por dia corrido de atraso e por título, inclusive sábados, domingos e feriados.”
(UFLA, 2015).
O pagamento dessa multa é realizado por meio da GRU, sendo um boleto pago em banco
credenciado. Antes, a emissão da GRU era feita manualmente pelo próprio usuário com auxílio do
servidor da Biblioteca, sendo o preenchimento de todos os campos da guia, realizados diretos no site
do Tesouro Nacional, um procedimento complexo que implicava em diversas falhas e elevado
consumo de tempo dos usuários e servidores da BU.
A fim de simplificar esse processo foi disponibilizado no site da Biblioteca, o software de
geração de GRU, com propósito de simplificar esse processo. Por meio do software, os usuários
preenchem apenas as informações básicas de nome completo, CPF e valor da multa. As demais
informações já foram inseridas automaticamente. O software se conecta ao sistema do Tesouro
Nacional, responsável por gerar a GRU. O software foi desenvolvido utilizando as tecnologias HTML
e JS para interface do usuário e PHP para interface do servidor (processamento).

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Desde a implantação do software de geração de GRU, em 2013, que não há problemas com o
boleto da GRU emitido com dados incorretos, principalmente em campos que referem à UFLA e à
BU, além de ter eliminado os conflitos com os usuários, principalmente por envolver questões
financeiras, bem como disponibilizar os servidores da BU para outros tipos de atendimentos.

4.3 Sistema de reserva de espaços da BU
A BU disponibiliza agendamento de reserva de seu anfiteatro, com capacidade de 120 lugares,
e sua sala de cursos, com capacidade de 40 lugares, para comunidade da UFLA, para fins acadêmicos.
Esse agendamento era realizado manualmente na Secretaria da Biblioteca, mas diante da crescente
demanda por esses espaços, tornou-se inviável a gestão manual dos agendamentos.
Para facilitar o processo para usuários e servidores foi adotada uma solução de reserva de
recursos online. A ferramenta Booked PHP (open source) foi adaptada às necessidades da Biblioteca.
Com a ferramenta adaptada, inicialmente, foram inseridos os recursos disponíveis e realizada a
importação de todos os usuários da BU para a ferramenta, posteriormente, foram definidos os
responsáveis pela liberação das reservas e finalmente o sistema foi disponibilizado.
Em pouco tempo de funcionamento foram notados diversos benefícios, entre eles o aumento
da transparência no processo e redução significativa no tempo dispensado a gestão dos recursos. Outra
vantagem com a implantação do sistema, é que os servidores da BU recebem, semanalmente, por email, a grade de eventos, melhorando assim, o atendimento aos usuários, pois podem esclarecer mais
sobre os eventos promovidos na BU.

4.4 Automação do processo de aquisição via Pergamum
O constante crescimento da UFLA, impulsionado pela criação de novos cursos de graduação;
a demanda da Coordenadoria de Desenvolvimento do Acervo (CDA) da BU por um processo mais
qualificado, eficiente e eficaz; e ainda, o conhecimento e a prática da utilização dos demais módulos
do sistema de gerenciamento de bibliotecas Pergamum, alavancaram a utilização do “módulo
aquisição” para a construção da Política de Formação e Desenvolvimento do Acervo
(PFDA/BU/UFLA), centrada nos objetivos da comunidade acadêmica: ensino, pesquisa e extensão e,
consequentemente do 1° processo de compra de material bibliográfico, utilizando o módulo de
aquisição do Pergamum.
Antes da automação, as indicações eram feitas por meio de listas isoladas, enviadas pelos
docentes e seus departamentos. Alguns problemas decorriam dessa forma de indicação: não havia
período delimitado para as indicações; as referências indicadas nas listas eram muito incorretas - por
não terem campos definidos -, necessitando, muitas das vezes, de re-trabalho da equipe da Biblioteca
para organizá-las, enfim, toda a dificuldade de um trabalho extenso e manual.
Em 2013, iniciaram-se as atividades de aquisição de materiais via Pergamum. Para isso, foram
elaborados os documentos necessários para instrumentar a aprovação e realização do pregão
eletrônico: edital, termo de referência, justificativas, etc. Concluída essa fase, realizado o pregão e
definidos os fornecedores vencedores do certame, deu-se início a mais uma etapa.
Realizou-se o planejamento de todo o processo de aquisição que abordou, desde a
comunicação aos departamentos da data de abertura do processo no sistema Pergamum, para que
fizessem suas indicações; curso de capacitação de técnico-administrativos e participação em
assembleias departamentais para capacitação dos docentes; preparação de todo o processo de compra
para lançamento do pregão eletrônico até a fase de disponibilização do acervo nas estantes. Cabe
ressaltar nesse planejamento, a capacitação oferecida às secretarias dos cursos, a fim de otimizar o
processo de indicação de obras a serem adquiridas.
O processo em sua totalidade se deu de forma satisfatória, principalmente por se tratar de um
projeto-piloto, com problemas pontuais aceitáveis dentro dessa perspectiva.
Inserido no contexto de conscientização/envolvimento dos agentes/atores, outro diferencial foi
a tentativa de maior aproximação e, consequentemente mais participação dos docentes, principalmente
daqueles que não haviam solicitado quantidade compatível de títulos e exemplares para adequação de
suas bibliografias no processo de 2013. Foi desenvolvido um grande trabalho de cooptação nas
assembleias departamentais, a fim de explicar a sua importância, demonstrar e orientar passo a passo o

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processo. A iniciativa foi muito bem sucedida, havendo grande receptividade por parte do corpo
docente.
Em 2015 não houve edital, criando-se a pretensão de um novo certame para 2016, dando
continuidade às ações dos últimos anos. Uma das grandes expectativas para o novo processo é a
integração do sistema de gerenciamento adotado pela Biblioteca com o Sistema Integrado de Gestão
(SIG). Nos processos anteriores, o docente fazia a indicação/atualização no SIG e refazia operações
similares no processo de requisição do Pergamum. Vale lembrar que os períodos de disponibilidade
para essas ações nos dois sistemas são distintos. A integração possibilitará ao docente que, ao indicar
e/ou atualizar as ementas das disciplinas ministradas por ele no SIG esteja, automaticamente,
“alimentando” o sistema da Biblioteca, que captará essas informações, sem a necessidade de ele – o
docente – requisitar os títulos daquela disciplina novamente, como das vezes anteriores, o que trará
avanços significativos quanto ao tempo, reduzindo esforços repetitivos e aprimoramento em todos os
níveis, uma vez que o sistema será interoperável “inteligente”, limitando o número de indicações tanto
para bibliografia básica como para complementar, a saber, 3 (três) e 5 (cinco) títulos,
respectivamente, proporcionando atualização das ementas, entre outros critérios.

4.5 Integração dos sistemas de informação da BU
Os sistemas de tecnologia da informação estão cada vez mais presentes no cotidiano das
pessoas, constantemente são desenvolvidos novos sistemas e isso cria um desafio, o de integrar toda
essa massa de informação. Atualmente, o principal sistema de informação utilizado pela BU é o
Pergamum, portanto a maior parcela das integrações acontece com o mesmo. O Pergamum
disponibiliza diversas interfaces, tais como SPs e Webservices, que facilitam a integração com
sistemas terceiros. Na BU existem vários recursos de sistemas de informação integrados, como pode
ser visto na Figura 1:
Figura 1 - Integração de sistemas de informação BU

Fonte: Dados da pesquisa

A figura acima exibe as principais integrações entre os sistemas utilizados por usuários e
servidores da BU. Os principais objetivos dessas integrações são promover a melhoria do desempenho
do setor, a redução de custos, de duplicidades de esforços e de burocracia, de conflitos entre os
sistemas, pois é estabelecida uma única estrutura para a gestão, ligada às estratégias e objetivos
corporativos, aumentando assim, a confiabilidade da informação.

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Acompanhando o entendimento de Hoffman (2015), a excelência em gestão tem como
alicerce um conjunto de conceitos necessários à excelência do desempenho, os quais estão diretamente
relacionados com a melhoria do desempenho organizacional, entendendo fazerem parte do sistema de
gestão global da organização que, em geral, contempla outros elementos, como gestão financeira,
gestão de pessoas, gestão estratégicas e outros.

4.6 Sistema de gestão do acervo com tecnologia RFID
Com a crescente expansão dos cursos e do número de alunos da UFLA, a equipe da BU
percebeu a necessidade de modernizar e agilizar os serviços oferecidos ao público da instituição. Para
alcançar esse objetivo, em 2012, foi elaborado o projeto “Sistema de Radiofrequência (RFID):
segurança, identificação e gerenciamento do acervo da BU/UFLA” com a finalidade de revitalizar a
segurança e o monitoramento do acervo de forma rápida, periódica e precisa, visando assegurar o
patrimônio público e otimizar o serviço de empréstimo e consequentemente, melhorar a qualidade do
atendimento prestado.
Sobre o tema Oliveira, Oliveira e Amaral (2014) descrevem que outros objetivos mais
específicos também foram traçados, a saber: a) dotar a biblioteca de infraestrutura antifurto inovadora,
adequada e compatível com o atual acervo; b) aferir periodicamente o acervo, possibilitando a
realização de inventário de forma rápida e eficiente, ação não realizada nos últimos 10 anos, a qual
permitirá conhecer o estado real de perdas do acervo; c) monitorar o acervo, facilitando a localização
das obras deslocadas frequentemente pelos usuários; d) agilizar o processo de empréstimo das obras
por meio de equipamentos adquiridos; e) minimizar o número de exemplares desaparecidos no acervo.
A implantação desse sistema durou, aproximadamente, dois anos e foi estruturada em 4
(quatro) etapas: a) levantamento de fornecedores de tecnologia RFID; b) aquisição de etiquetas e
equipamentos de radiofrequência; c) etiquetagem do acervo da Biblioteca e; d) treinamento da equipe
de servidores e usuários da Biblioteca.
Com a utilização da tecnologia RFID, houve melhoria na segurança e no monitoramento do
acervo, otimização do serviço de circulação de material por meio do autoempréstimo e autodevolução,
mais autonomia para o usuário e liberação de servidores para realizar outras atividades no setor.

4.7 Aprimoramento do projeto de empréstimo de computador portátil
O serviço de empréstimo de computador portátil, caracterizado de netbook, faz parte da
política de inclusão digital da UFLA, lançado durante a VI Semana do Livro e da Biblioteca (SLBU)
da UFLA, em outubro de 2011. Este projeto é de grande relevância para os usuários da BU, tendo em
vista que atende às seguintes necessidades:
a) o usuário mais carente que, não dispondo de renda para comprá-lo, tem a oportunidade de
usá-lo por empréstimo domiciliar durante 10 (dez) dias corridos, com a possibilidade de renovação e
reserva;
b) o usuário que dispõe de seu próprio computador, seja netbook, notebook ou desktop, mas
encontra-se em manutenção, tem a possibilidade de realizar empréstimo domiciliar também por 10
(dez) dias corridos, com possibilidade de renovação e reserva;
c) o usuário dispõe ainda de alguns exemplares para empréstimo interno, de uso exclusivo na
biblioteca, geralmente para realizar atividades acadêmicas de curto prazo, tais como downloads e
digitação.
Esse projeto iniciou com 80 computadores (OLIVEIRA et al., 2012), em seguida o número de
exemplares passou a ser de 130, sendo 125 destinados ao empréstimo domiciliar e 5 para uso
exclusivo na biblioteca. Em 2016, o Centro de Educação à Distância (Cead) da UFLA disponibilizou
mais 60 exemplares para compor o acervo da BU.
Desde a sua implantação, já foram realizados 11.732 empréstimos, 6.905 renovações e 11.668
devoluções, considerando ainda, que no período de 2011 a 2016, houve longos períodos de greve dos
servidores técnico-administrativos em educação e docentes. É interessante destacar que, apesar da alta
rotatividade de empréstimo domiciliar desse recurso tecnológico, aos cuidados de diferentes usuários
da BU, o equipamento apresenta baixo índice de danos técnicos. Também vale reforçar que o número

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de netbooks disponíveis já não é suficiente para atender a toda a demanda de usuários da Biblioteca,
tendo em vista o crescimento da universidade.
Esse projeto inovador, nos serviços de empréstimo domiciliares em bibliotecas, que
proporciona o acesso ao computador fora dos espaços da universidade, serviu como referência para
implantação ou estudos de viabilização do serviço em outras universidades.

4.8 Repositório Institucional
Os repositórios são ferramentas importantes para a gestão da informação e do conhecimento
nas instituições e para os envolvidos no processo de fomento à pesquisa. Por isso, torna-se importante
garantir o acesso permanente e confiável da produção científica, proporcionando maior visibilidade às
pesquisas desenvolvidas nas instituições (FURTADO; ESMIN; OLIVEIRA, 2014).
Na perspectiva de promover o desenvolvimento de recursos e a infraestrutura de informação
em ciência e tecnologia para a produção, a socialização e a integração do conhecimento científicotecnológico, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em parceria com a
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), lançou o edital de chamada FINEP/PCAL/XBDB, no
intuito de apoiar projetos de implantação de Repositório Institucional (RI) nas instituições públicas de
ensino e pesquisa, seja federais, estaduais e municipais, de modo a possibilitar o registro e
proporcionar maior visibilidade e disseminação da produção científica dessas instituições.
A UFLA, como instituição centenária de ensino, pesquisa e extensão, sempre foi grande
produtora de conhecimento científico, porém carecia de formas de divulgação mais aprimoradas dessa
produção para a comunidade acadêmica, bem como para a sociedade.
Visando ampliar a forma de divulgação da produção acadêmica da UFLA, em dezembro de
2011, por meio de um projeto de Mestrado Profissional em Administração Pública, uma servidora,
lotada na BU, aderiu ao edital FINEP/PCAL/XBDB para implantação de um projeto piloto do RI em
um dos departamentos da instituição.
O projeto, denominado RIUFLA, envolveu 3 (três) etapas para implantação: planejamento,
implementação e funcionamento. Essas etapas envolveram questões como: definição da equipe
técnica; formulação da Política Institucional de Informação (PII) da UFLA; definição e criação de
comunidades, subcomunidades e coleções; instalação e configuração do software DSpace no servidor;
definição dos metadados; treinamento da equipe; definição das políticas de gerenciamento do
RIUFLA; definição das licenças; alimentação das coleções; ações de promoção e divulgação do
projeto no departamento piloto. O lançamento oficial do RIUFLA aconteceu em fevereiro de 2013,
após a divulgação foram realizadas ações de promoção e divulgação do projeto nos demais
departamentos da instituição.
Até o momento, foram disponibilizados no RIUFLA, mais de 9.000 mil documentos, entre
dissertações, teses, monografias, artigos, capítulos de livros e outros, ocupando no Brasil a 17ª posição
no Ranking Web of World Repositories em janeiro de 2016. Mais de 87 mil buscas foram realizadas na
plataforma e ocorreram aproximadamente 3,7 milhões de visualizações de arquivos.

4.9 Programa de Capacitação de Novos Usuários (PCNU)
O Programa de Capacitação de Usuários (PCU) é uma iniciativa da BU em capacitar seus
usuários na utilização de recursos informacionais com mais eficiência e eficácia, buscando um melhor
desenvolvimento das atividades acadêmicas (UFLA, 2016). O PCU é dividido em 6 (seis) módulos,
sendo: Programa de Capacitação de Novos Usuários (PCNU) - Recepção de Calouros; Normalização
de trabalhos acadêmicos; Normalização bibliográfica; Fontes de informação e estratégias de buscas;
Portal de Períodicos da Capes; e Bases de dados do Portal de Periódicos da Capes.
Desde 2004 até 2013, ofertou-se o módulo do Programa de Capacitação de Novos Usuários
(PCNU), por meio de palestra presencial para os discentes ingressantes dos cursos de graduação da
UFLA, com o objetivo de informá-los sobre as normas, o acervo, os serviços e produtos da Biblioteca,
bem como os direitos e os deveres do usuário.

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De acordo o Regulamento da BU:
Art. 20 A habilitação na BU é pré-requisito para que o usuário, vinculado à UFLA,
tenha o direito ao empréstimo domiciliar e demais serviços com normas específicas.
§1º Todo usuário com direito ao empréstimo domiciliar, previsto no Art. 18, é
habilitado no Setor de Referência ou por meio do Programa de Capacitação de
Novos Usuários (PCNU). [...]
Art. 21 A habilitação por meio do PCNU é obrigatória para os alunos dos cursos de
graduação, realizado nas modalidades presencial ou virtual, cujo objetivo é
apresentar as normas da Biblioteca Universitária e seus serviços. (UFLA, 2015).

Essas palestras foram oferecidas apenas na modalidade presencial até o 1º semestre de 2013,
pois essa modalidade tornou-se inviável para os servidores da BU atenderem à demanda de alunos que
iniciavam a cada semestre, com o crescimento significativo de vagas ofertadas pela universidade.
Conforme Oliveira et al. (2014):
[...] eram ofertadas, em média, 30 a 40 palestras por recepção, com
aproximadamente 40 inscritos. A quantidade de palestras era exaustiva para os
poucos servidores que tinham habilidade em falar em público, além de não ser
possível oferecer a mesma quantidade de palestras para os três turnos da
universidade (manhã, tarde e noite). Outro fator que gerava um entrave era com
relação às chamadas para novas matrículas que ocorria durante um longo prazo dos
inícios dos períodos e uma boa parte dos usuários chegava à universidade após as
palestras.

Diante disso, surgiu a necessidade de desenvolver alternativas que pudessem alcançar o maior
número de usuários possíveis em menos tempo, então que foi elaborada a capacitação na modalidade
virtual.
A partir do 2º semestre de 2013, o PCNU passou a ser ofertado também à distância, sendo
criado por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais da área de biblioteconomia,
pedagogia e ciência da computação onde foram incluídos em uma plataforma web conteúdos textuais e
de multimídia acessíveis por meio do site da Biblioteca.
A equipe da BU projetou um sistema web para o PCNU, que atendesse tanto à
modalidade virtual quanto à presencial. Na modalidade virtual do PCNU, foi
disponibilizado o curso com as informações sobre a BU para os calouros,
juntamente com a aplicação de um questionário de avaliação do conteúdo aprendido,
formado por um banco de perguntas e respostas disponibilizadas aleatoriamente para
cada participante, e criação da senha da biblioteca, para utilizar os serviços
oferecidos. Na modalidade presencial, os próprios usuários interessados realizam
suas inscrições pelo PCNU, escolhendo participar em uma das palestras presenciais
com data e horário previamente definidos e com limite máximo de 100 inscritos por
palestras (OLIVEIRA et al., 2014).

Alguns resultados obtidos foram: participação de um maior número de alunos nos cursos de
capacitação, redução da sobrecarga de trabalho no Setor de Referência no início de cada semestre
letivo e oferta ininterrupta do curso de capacitação. Dessa forma, conclui-se que a educação à
distância, para o caso do PCNU, foi uma alternativa eficaz e eficiente para massificar o serviço de
orientação ao usuário e oferecer informações sobre o funcionamento da Biblioteca.

4.10 Sistema de gerenciamento do Espaço de Pesquisa Virtual (EPV) I
O EPV I constitui-se de uma importante infraestrutura e funciona como instrumento de apoio
para as atividades de ensino, pesquisa e extensão, oferecendo 80 computadores com acesso à Internet
para uso/estudo individual, destinados aos usuários com vínculo ativo na UFLA. Uma solução de
automatização foi estudada pela equipe de TI da BU para tornar mais dinâmico e independente o
acesso dos usuários para utilizarem os computadores desse espaço, no qual é gerenciado por
servidores da BU.Inicialmente, uma busca foi realizada na web selecionando diferentes soluções que

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atendessem às demandas de gestão do EPV. Dentre os requisitos para escolha do sistema, destacaramse: possibilidade de customização, geração de relatórios, controle das máquinas remotamente e
autenticação. Além disso, o sistema não poderia gerar custos para a Biblioteca, o que tornou a procura
e a escolha pelo sistema mais restrita.
Para realizar a escolha da solução mais adequada, os sistemas escolhidos foram instalados nos
computadores da Coordenadoria de Recursos Tecnológicos (CRT) , simulando uma rede em pequena
escala. Assim, foram feitos vários testes para seleção do sistema que melhor adaptasse às regras do
EPV.
Optou-se por utilizar um sistema open source para não acarretar custos para o setor. O sistema
escolhido, o Cyber Café Administration (Cybera), foi customizado, configurado e implantado no EPV.
A base de dados com informações de matrícula e senha foram importados do Pergamum para o banco
de dados do Cybera. Assim, os usuários conseguiriam autenticar seu acesso para uso dos
computadores no EPV inserindo sua matrícula como login e sua senha sendo a mesma utilizada para
empréstimos.
A princípio o sistema atendeu as expectativas. No entanto, passado um tempo, ocorreram
problemas relacionados com a integração de dados. O banco de dados utilizado pelo sistema
Pergamum era diferente do banco de dados do sistema Cybera do EPV, o que dificultou a integração
dos dados em tempo real. Dessa forma, o acesso dos usuários no momento da autenticação foi
comprometido. Além disso, a base de dados do sistema do EPV não comportou adequadamente a
quantidade de dados importada da base Pergamum, deixando o acesso ao sistema lento.
Com isso, analisou-se a possibilidade de trocar a base de dados do sistema do EPV para a
mesma utilizada no Pergamum, porém o processo de recodificação seria muito dispendioso não
havendo garantia de que o sistema pudesse funcionar corretamente, o que poderia acarretar em outros
problemas de inconsistências. Sendo assim, o sistema foi desinstalado e outra alternativa de
autenticação tem sido estudada para automatizar a gestão dos serviços do EPV.

4.11 Serviço de Referência Virtual (SRV)
Com o avanço da tecnologia da informação, as bibliotecas colocaram seus serviços na web,
facilitando bastante a comunicação entre o usuário e biblioteca.
A análise dos serviços de referência e informação, disponibilizados através dos sites
das bibliotecas universitárias, demonstra um crescimento significativo entre os
ambientes tradicionais e os ambientes virtuais. O modelo de referência virtual
permite ao usuário uma forma de estabelecer comunicação com a biblioteca a um
custo mais reduzido, especialmente os usuários remotos. (CARVALHO; MILMAN,
2008).

Com a necessidade de seguir essas evoluções tecnológicas e expandir o serviço de referência
além do ambiente físico, disponibilizando informação rápida e precisa para o usuário, independente do
local em que se encontre, a BU, por meio do Programa de Bolsa Institucional de Ensino e
Aprendizagem (PROAT) da UFLA, criou-se o projeto denominado de “Serviço de Referência Virtual”
(SRV), com a orientação de uma bibliotecária-documentalista e a participação de 2 (dois) bolsistas do
PROAT e um ténico em informática.
O objetivo desse projeto consistiu em fornecer um novo meio de comunicação entre o usuário
e a BU, visando atender às expectativas deste usuário atual, que, acostumado às novas tecnologias,
espera-se serviços mais modernos e práticos por parte das bibliotecas.
Assim, o atendimento do SRV foi criado para ser realizado via chat, por meio de um software
livre, o Mibew Messenger, que possibilita a troca de informações em tempo real, para atender a
comunidade universitária e em geral, mantendo a mesma qualidade do serviço já oferecido
presencialmente e agilizando a transmissão de informação.
As etapas para implantação do SRV na BU foram: levantamento bibliográfico; análise de
software; testes internos na biblioteca com software escolhido; criação de política de atendimento;
elaboração e atualização das possíveis perguntas frequentes; estabelecimento do horário de
atendimento; capacitação dos servidores envolvidos no projeto; por último, divulgação do novo

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serviço para comunidade acadêmica da UFLA. A partir da implantação do SRV, os usuários tiveram
mais benefícios, como a resposta imediata de seu problema.
Quanto aos procedimentos metodológicos, utilizou-se a técnica de estudo de caso por permitir
um conhecimento mais detalhado sobre o fenômeno e o contexto delimitado e também foi realizada
uma pesquisa de opinião com 220 usuários.
Acredita-se que com o SRV, via chat, os usuários passaram a procurar mais a BU para
esclarecer suas dúvidas, ampliando o atendimento da biblioteca para vários outros usuários.

4.12 Uso e aprimoramento em redes sociais
As redes sociais estão mudando a forma como as organizações trabalham, usando conexões
autênticas e de confiança como estratégia competitiva, ou seja, para divulgar informações, melhorar a
prestação de serviços/produtos e facilitar o acesso a informação (HUNT, 2010). Nesse contexto, em
2010, iniciou-se a participação da BU nas mídias sociais consideradas mais populares e com maior
índice de participação de seus usuários, criando os seguintes perfis (fanpages):
a) Facebook: em 25 de outubro de 2010 foi criado o perfil da BU. Devido ao grande número de
pedidos de amizade, em janeiro de 2012, todos os amigos do perfil foram migrados para uma
fanpage. Hoje, possui 6.348 curtidas/seguidores, sendo 56% do sexo feminino e 44% do
masculino. A média semanal de alcance das publicações é de 64,2% dos seguidores, um valor
considerável de visualização dos posts da Biblioteca; A atualização da fanpage acontece
semanalmente, com média de 3 (três) posts por semana;
b) Twitter: em janeiro de 2010 foi criado o perfil da BU. Atualmente, possui 348 seguidores,
segue 124 perfis de outras bibliotecas, instituições de ensino e outras fontes de informação no
Twitter e já postou 558 tweets. No início de sua criação, o Twitter da BU foi muito utilizado
para divulgar as novas teses e dissertações da UFLA inseridas na Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD), que foi substituida pelo Repositório Institucional (RIUFLA) em
fevereiro de 2012. Os outros “tweets” foram sobre assuntos relacionados principalmente sobre
a UFLA e replicas das publicações dos outros perfis da BU/UFLA em outras mídias sociais;
c) YouTube: em julho de 2011 foi criado o canal da BU/UFLA. Atualmente, o canal possui 13
vídeos publicados, com alcance de 1.399 visualizações no total e 7 inscritos. O seu objetivo é
divulgar os vídeos instrucionais dos serviços prestados pela BU, tais como autoempréstimo,
reserva, renovação, emissão de GRU, elaboração de ficha catalográfica, entre outros;
d) WhatsApp: em 29 de maio de 2015 foi criado o grupo da BU no aplicativo Whatsapp com a
participação dos servidores da Biblioteca. O objetivo desse grupo é a troca de informação e
comunicação entre os servidores da ativa. Nessa mídia, os participantes têm a oportunidade de
comentar sobre assuntos profissionais e de interesse particular. A participação no grupo é
opcional, por isso nem todos os servidores da BU fazem parte do grupo, então, toda
informação de interesse profissional também é veiculada em uma lista de discussão via e-mail
institucional.
Além dos perfils nas mídias sociais citadas, ainda serão estudadas as possibilidades de criação
de perfil no Flickers, mídia de hospedagem e partilha de imagens fotográficas; e no Instagram, rede
social de imagens, que possibilita tirar fotos com o celular, aplicar efeitos e compartilhar com seus
amigos ou seguidores.
Pela análise realizada na BU, pode-se perceber que os recursos advindos da Internet estão
sendo usados em concretude pela Biblioteca, pois são perceptíveis as vantagens desse uso, tendo como
principais resultados uma maior interação com o usuário, agilidade na comunicação, maior rapidez na
divulgação e acesso as informações e maior visibilidade da Biblioteca (MEDEIROS et al., 2016).

4.13 Serviço de busca e descoberta
Este projeto tem como objetivo desenvolver e implantar o serviço de busca e descoberta da
UFLA, pelos servidores da CRT da BU. As principais finalidades são: facilitar a recuperação de
materiais bibliográficos impressos, disponíveis no acervo da BU; popularizar o RIUFLA; dinamizar o
uso de conteúdos assinados pela UFLA, periódicos, bases de dados e ABNT Coleção; promover o

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portal de vídeoaulas do Cead; aumentar o acesso às revistas publicadas pela instituição, disponíveis no
SCIELO; possibilitar o aumento de citações de trabalhos dos autores da universidade; e desenvolver
critérios de relevância em conformidade com a demanda da UFLA, adotando um índice único de
recuperação da informação, Figura 2.
Figura 2 - Índice único: serviço de descoberta

Fonte: adaptado de Maranhão (2011, p. 3).

Inicialmente, foi realizado o levantamento das tecnologias e ferramentas que poderiam ser
melhor utilizadas diante dos recursos solicitados. Foram analisadas somente tecnologias gratuitas e
open source.
Para o desenvolvimento do recurso foram projetadas 5 (cinco) etapas: levantamento
bibliográfico; planejamento de demanda e dos recursos; desenvolvimento com arquitetura MVC
(Model-View-Controler), utilizando as tecnologias: HTML, JAVASCRIPT, CSS-BOOTSTRAP para
o lado cliente, e para o lado servidor, PHP5, JAVA, SOLR, POSTGRES, juntamente com diversas
bibliotecas oferecidas por estas tecnologias; testes e divulgação; avaliação.
Atualmente, este projeto está na etapa de testes, faltando sua conclusão para divulgação e
posterior avaliação. Com relação à essa solução inovadora, a intenção primeiramente é atender a
demanda da UFLA e em seguida, apresentar mais uma alternativa às diversas instituições públicas ou
privadas do país e não competir com as demais soluções disponíveis no mercado, que já são
ferramentas consolidadas e com inúmeros outros recursos.

4.14 Biblioteca Itinerante - ônibus UFLA
O projeto denominado “Biblioteca Itinerante - ônibus UFLA” foi lançado durante a VIIISLBU
da UFLA, em outubro de 2013. O principal objetivo desse projeto, que tem como público alvo
crianças, adolescentes e adultos de cidades vizinhas, da zona rural e dos bairros periféricos de Lavras,
é promover a cidadania por meio da educação e da cultura, favorecendo o processo de formação
social. Visa ultrapassar as fronteiras do espaço tradicional da BU e incentivar o hábito e o prazer pela
leitura, na comunidade de Lavras e região, oferecendo empréstimo de livros, exposições didáticocientíficas e atividades lúdicas e culturais. O projeto é gerenciado pelo Setor de Marketing e
Comunicação da CAU/BU.
Cabe mencionar que no projeto inicial da Biblioteca Itinerante, as visitas eram quinzenais,
sendo o roteiro divulgado no site da BU. Para ter acesso aos empréstimos é necessário ser sócio da
Biblioteca Itinerante. O horário de funcionamento firmado foi das das 8 às 12 horas, às terças-feiras.

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A Biblioteca Itinerante, embora seja uma inovação em Lavras e região, buscou oferecer um
espaço de referência cultural para a população dos locais atendidos pelo projeto. Entretanto, por
melhores que sejam os resultados, o ônibus não substitui o espaço físico da BU. Mas, ao ser utilizado
adequadamente como instrumento de difusão e incentivo à leitura, contribuie na formação do cidadão
e na disseminação do livro e da cultura, ampliando a frequência de usuários em bibliotecas púbicas e
estimulando a capacidade crítica dos seus usuários.
O projeto ganhou grande aceitação da comunidade lavrense, de escolas de bairros vizinhos e
moradores próximos ao local de parada ônibus que se mobilizavam para participar das visitas. Porém,
devido à necessidade de reestruturação dos ônibus e da equipe da BU, atualmente, o projeto está
suspenso, atendendo a demandas eventuais.

5 CONCLUSÕES
O relato de experiência em tela, apresentou as iniciativas da equipe da BU, no período de 2012
a 2016, em inovar seus serviços e produtos, em função do aumento de usuários e das novas demandas,
hoje, mais autônomos quanto ao uso das TIC’s. Destacou-se a necessidade de inovação como algo
altamente relevante no ambiente informacional.
No contexto abordado, é observado que a implantação de soluções inovadoras, apoiadas pelas
TIC’s, contribuíram, significativamente, para a melhoria dos serviços e produtos oferecidos, reduzindo
esforços e automatizando seus workflows, se adequando e adaptando-se às novas demandas dos seus
usuários.
Por meio, do relato foi possível identificar a necessidade de planejamento da implantação de
qualquer serviço, novo produto ou mesmo de aprimoramento daqueles já existentes. Cabe ainda,
mencionar a necessidade de avaliar periodicamente a aceitação e uso dos serviços por seus utilizadores
para identificar falhas, demandas de melhorias/ajustes e análise dos próximos investimentos.
É importante mencionar que a participação em eventos da área teve retornos positivos para os
profissionais bibliotecários da UFLA. Pois, além de novos conhecimentos adquiridos com a exposição
das conferências, das mesas redondas, das feiras dos fornecedores, das apresentações dos trabalhos
orais e posters, da participação nas reuniões técnicas possibilitou obtenção de outros olhares às
atividades da Biblioteca, bem como, continuar caminhando para a prestação de serviços inovadores
em nossas rotinas.
As conclusões deste relato não pretendem abranger todos os casos relacionados à inovação no
ambiente da BU. Isto é, não são generalizáveis para todas as situações e contextos, mesmo porque
refletem resultados relacionados a experiência de uma única biblioteca. Elas apontam para possíveis
soluções que, talvez, possam servir de ponto de partida para outras instituições que tenham demandas
semelhantes.

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                <text>Este trabalho discorre sobre a experiência da Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal de Lavras (UFLA) na implantação de inovações que, apoiadas pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC’s), contribuíram, significativamente, para a melhoria dos serviços e produtos ofertados, reduzindo esforços repetitivos e automatizando seus workflows, adaptando às novas demandas dos seus usuários, gerando confiança na equipe. Como ações metodológicas para identificarmos a aceitação e uso dos serviços pela comunidade acadêmica, foram analisadas as estatísticas de uso, frequência de usuários, índices do Google, entre outros recursos detalhados no percurso metodológico deste trabalho. As análises e seus resultados contribuíram para o desenvolvimento de novos projetos e investimentos para aaquisição de novos produtos para a Biblioteca ou para a renovação dos existentes.</text>
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                    <text>INFORMATIZAÇÃO DAS BIBLIOTECAS DO INSTITUTO FEDERAL
DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PARÁ (IFPA):
SISTEMA PERGAMUM, DA CONCEPÇÃO À AÇÃO

Adélia de Moraes Pinto (IFPA) - adelia.pinto@ifpa.edu.br
Gisela Fernanda Monteiro Danin (IFPA) - gisela.danin@ifpa.edu.br
Doris Campos Mendonca (IFPA) - doris.ifpa@gmail.com
Resumo:
O presente artigo propõe relatar o processo de implantação da informatização das bibliotecas
do IFPA utilizando o Sistema Pergamum. Inicia com o histórico de informatização do acervo
das Bibliotecas até os dias atuais, desde a sua implantação até a necessidade da formação de
uma rede integrada de bibliotecas. Em seguida descreve o Sistema Integrado de Bibliotecas
Pergamum, conceituando-o e caracterizando-o de forma generalizada. Segue com as
conceituações e teorias sobre redes de bibliotecas, até a abordagem sobre a implantação da
rede informatizada de bibliotecas do IFPA com um relato de experiência da informatização dos
acervos das bibliotecas com o sistema Pergamum. Os resultados mostram os impactos
positivos da implantação do sistema nas bibliotecas do IFPA, tanto para os funcionários da
instituição, que passam a lidar com um serviço formalizado e organizado, quanto para os
usuários, com a facilidade de acesso às obras e a melhoria na qualidade do serviço.
Palavras-chave: 1. Biblioteca - automação 2. Sistemas de recuperação de informação 3.
Bibliotecas - IFPA 4. Pergamum Sistema Integrados de Bibliotecas 5.
Administraçã
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A grande revolução tecnológica nas bibliotecas tem impulsionado este departamento a
integrar modernas tecnologias da informação aos seus produtos e serviços. O uso dessas
novas tecnologias, associadas ao tradicionalismo do processamento técnico, ampliaram os
benefícios para uma melhor gestão, distribuição e recuperação da informação pelos
bibliotecários e usuários.
Assim, com o advento das novas tecnologias, é cada vez mais comum que as bibliotecas
possam investir em serviços de gerenciamento e em redes de cooperação. Neste contexto foi
realizada a implantação do Sistema Pergamum nas Bibliotecas do Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), com a intenção de possibilitar a ampliação
do acesso à informação. Esta ação permite aos usuários a consulta ao acervo das bibliotecas,
além de facilitar a recuperação da informação pela internet e beneficiar o atendimento e
qualidade nos serviços prestados pelos funcionários desta área de ação da instituição. As
unidades de informação (bibliotecas, centros e sistemas de informação e de documentação)
têm como propósito a prestação de serviços para os indivíduos e de forma coletiva, a toda
sociedade, feita de forma tangível (produtos impressos) ou intangível (de forma virtual – em
linha, pela Internet). Isto caracteriza a busca de uma modernização destas unidades e de novas
formas de atender o usuário final.
Para que ocorra a modernização de um sistema de biblioteca, faz-se necessário:
implementar um modelo organizacional de gestão do conhecimento mediante a aquisição de
um sistema de informação para a gestão do acervo; agilizar e aumentar a eficiência neste
gerenciamento; possibilitar a precisão na recuperação da informação que, vinculado a
ferramentas tecnológicas, favorecem o desenvolvimento de atividades informacionais e
possibilitam maior rapidez na prestação de serviços a sua comunidade. Conforme Côrte et al
(2002, p. 27), “às bibliotecas está reservado o papel de repensar suas atividades e funções,
adaptando-se aos novos modelos organizacionais e extraindo das tecnologias disponíveis o
substrato para a melhoria na prestação de serviços e na utilização eficaz de informações”.
Foi neste contexto, já citados nos parágrafos anteriores, e após um prolongado estudo,
envolvendo levantamento de dados, exposição do projeto de modernização do sistema de
biblioteca e de reuniões com o reitor e a gerência de tecnologia e informação do instituto, que
se fez a sugestão e recomendação técnica à aquisição do sistema Pergamum, desenvolvido
pela PUC/PR, para a modernização dos serviços e implantação do sistema de Bibliotecas do

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

IFPA. O Pergamum - Sistema Integrado de Bibliotecas - é um sistema informatizado de
gerenciamento de dados, direcionado aos diversos tipos de Centros de Informação
(INFORMAÇÕES, 2016).
Motivados por construir este processo modernizador, alguns representantes da equipe de
bibliotecários do IFPA, ainda no ano de 2010, apresentaram à reitoria desta instituição um
projeto de reorganização do sistema vigente, composto com objetos delineadores de todos os
processos de informatização, que possibilitaram conhecer e apontar condições e necessidades
das bibliotecas. Esta foi a base que deu origem ao levantamento dessas necessidades e
posterior implantação da versão web do Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum,
contribuindo significativamente para a entrada dessas bibliotecas na era tecnológica.
Para Pena e Maciel (2002, p. 2),
A incorporação de novas tecnologias pelas bibliotecas universitárias brasileiras é de
vital importância para o incremento de pesquisas que resultarão em novas
tecnologias que, de uma forma ou de outra quando disponibilizadas e aplicadas,
influenciarão diretamente na melhoria da qualidade de vida de toda comunidade em
sua área de influência.

Além de possibilitar as atividades e serviços mencionados, foram considerados
importantes para a seleção desta ferramenta os seus recursos, potencialidades, capacidades,
normalização e padronização. Outros aspectos, como o uso do padrão MARC 21, ISO 2709 e
Protocolo Z39.50, custo de aquisição e manutenção, potencial de utilização, personalização,
instalação, testes e garantias do software, suporte técnico e manutenção com qualidade,
eficiência e eficácia, condições de treinamento e documentação do sistema também foram
avaliados.
O presente artigo relata a implantação do sistema de administração de bibliotecas do
IFPA e como essa nova estrutura trouxe benefícios à comunidade. É demonstrado, de forma
prática, que a utilização de novas tecnologias proporciona uma nova maneira de organização e
armazenamento padronizado. Além disso, viabiliza o acesso e uso de informação e impulsiona
o desenvolvimento e crescimento de nossos usuários, funcionários e da Instituição de forma
geral.

2 Revisão de literatura
A implantação e utilização de novas tecnologias proporcionam uma maneira de
organização e armazenamento padronizado, viabilizando o acesso e uso de informação, além

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

de impulsionar o desenvolvimento e crescimento das pessoas e principalmente das
instituições.
Para Côrte et al (2002, p. 61) “os recursos para acesso à informação, sem dúvida
alguma facilitam muito o processo de trabalho do profissional” e também influenciam na
maneira de organização das bibliotecas e sua instituição. É neste contexto que inserimos o
IFPA.
A evolução da Tecnologia da Informação (TI) tem atingido a área da Ciência da
Informação e conseqüentemente as bibliotecas, que vem evoluindo tecnologicamente para
atender a demanda de usuários. No Brasil, a automação das bibliotecas começou na década de
90, mas em muitas bibliotecas começou-se a pensar sobre informatização por volta de 1970
(EKPENYONG, 1997). Côrte et al. (2002, p. 64) refere-se ao desenvolvimento de sistemas:
as décadas de 1970 e 1980 foram marcadas pelo desenvolvimento de sistemas para
automação nas instituições públicas. Era a época dos computadores de grande porte,
recurso pessoal capacitado. No final da década de 1980, iniciasse o processo de
abertura de mercado de informática e as soluções desenvolvidas em computadores
de grande porte começam a migrar para os microcomputadores. Surgem os pacotes.
É mais fácil e barato adquirir um produto pronto do que capacitar a equipe
internando seu desenvolvimento. A década de 1990 consolida essa posição. Início do
novo século: introdução da filosofia de software livre, o custo elevado de
manutenção, treinamento e upload e das versões associados ao sentimento de que, ao
comprar o produto, a empresa não detém o programa-fonte e fica na dependência
total do fabricante.

Neste contexto percebe-se que a história da informatização em bibliotecas não é longa.
Segundo Viana (2016, p. 46), “a automação dos serviços de bibliotecas começou a acontecer
no Brasil somente a partir dos anos 1980”. Conforme Ohira (1992, p. 234), nesse período “a
automação começou a sair do nível embrionário e experimental para aproximar-se do
operacional”. A evolução dos computadores nas bibliotecas é descrita por Drabenstott e
Burman (1997, p. 4) por meio das seguintes gerações:
Primeira geração: últimos 15 anos, aplicando-se o computador e tecnologias de
comunicação
para
atividades
de
organização
de
bibliotecas
e
recuperação/disseminação da informação.
Segunda geração: surgem os vendedores/agentes comerciais com apoio à
manutenção de sistemas integrados locais.
Terceira geração; iniciando-se com a criação de estações de trabalho, com
mediadores/especialistas para aplicação de uma série de softwares, habilitando
manipulação de uma pesada carga seletiva e interativa desta riqueza de informação
pelos usuários individuais.

Burin, Lucas e Hoffmann (2004, p. 2) consideram que "A finalidade da informatização
é agilizar e aumentar a eficiência e a precisão na recuperação da informação". Segundo
Gusmão e Mendes (2000, p. 3),
a quantidade de informações geradas a partir da aceleração tecnológica, torna
deficiente os meios tradicionais de registro, armazenamento e recuperação da

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
informação. A biblioteca, como canal essencial para o progresso, é forçada a
melhorar constantemente o fluxo de informações vitais ao pleno desenvolvimento da
sociedade. Desse modo, a automação torna-se uma ferramenta indispensável à
melhoria dos serviços e agilização do funcionamento das mesmas.

Neste âmbito, percebe-se que a informatização das bibliotecas veio para suprir as
necessidades de recuperação da informação, visando tornar ágil e aumentar a eficiência dos
serviços prestados pelas unidades de informação. Para Ferrari e Vicentini (2008, p. 9) “com os
recursos tecnológicos disponíveis, mesmo que a instalação da biblioteca seja pequena, ou
modesta, é muito importante que os catálogos estejam disponíveis na internet”, possibilitando
que o usuário perceba as melhorias nos serviços oferecidos.
No processo de implantação de um sistema informatizado de unidades de informação,
deve-se seguir uma metodologia agregadora de valores aos serviços prestados pela Instituição
para que o investimento em softwares venha automatizar os serviços prestados aos usuários,
tornando-o mais adequado possível. Para Couto (2005, p. 107),
deve ser o mais suave possível para todos os envolvidos – equipe responsável, staff
da biblioteca e usuários. Para que isso ocorra, deve haver um planejamento com toda
a equipe, ou seja, fornecedor do novo software e os responsáveis por essa tarefa
dentro da biblioteca.

O processo de avaliação dos softwares existentes no mercado, na experiência de
informatização do IFPA, conforme descrito por Campregher, Oliveira e Thiry (2001), deu-se
por meio de um grupo de bibliotecários que fizeram um levantamento dos softwares
existentes, a nível nacional. Este levantamento foi realizado com base em literatura, visita as
home pages e as bibliotecas que já haviam passado por este processo e, quando possível, com
a demonstração dos mesmos.
Côrte et al. (2002, p. 33) diz que:
Em que pesem todos os fatores internos e externos, podemos afirmar que,
metodologicamente, a realização de um estudo para a seleção e escolha de um
software deve privilegiar as seguintes etapas: a) revisão de literatura; b) definição
técnica necessária da instituição; c) análise de documentos que registram
experiências semelhantes; d) análise de catálogos, prospectos, folders e
documentação sobre os softwares disponíveis no mercado; e) acesso a informações
disponíveis em sites específicos na internet; f) análise das empresas prestadores de
serviços na área; g) contatos com instituições no mercado; h) contatos com
fabricantes de softwares; i) visitas a usuários para verificar o grau de satisfação, bem
como os problemas detectados quando da implantação, acompanhamento e
manutenção dos serviços; j) troca de informações com técnicos e bibliotecários de
instituições públicas e privadas; k) a análise real da biblioteca e do arquivo, seu
acervo, usuários, capacidade institucional, serviços e produtos oferecidos;
capacidade tecnológica e computacional da instituição; m) análise da idoneidade das
instituições detentoras dos produtos, evitando a contratação de uma empresa sem
história e credibilidade no mercado.

Estes itens foram levados em consideração e após as etapas necessárias ao processo de
escolha o software recomendado foi o Pergamum. Foi elaborado pelos bibliotecários um

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

projeto de modernização do sistema de bibliotecas do IFPA, que foi submetido, para as
devidas avaliações e considerações, ao magnífico Reitor para que, junto com a Diretoria de
Tecnologia, Informação e Comunicação (DTIC), dessem um parecer e encaminhamentos
seguintes. Esse processo de implantação do software na IFPA durou em torno de 2 (dois) anos,
envolvendo todo o processo de avaliação, efetivação de compra, treinamento e ajustes.
Ao modernizar os serviços e processos gerenciais em um sistema de biblioteca
objetiva-se a implantação de um modelo organizacional de gestão do conhecimento. Nesse
contexto, a aquisição de um sistema de informação para a gestão do acervo e serviços agiliza
e aumenta a eficiência e a precisão na recuperação da informação e possibilita maior agilidade
na prestação de serviços a comunidade. Levando em consideração os resultados positivos
alcançados com esta ferramenta tecnológica, Oliveira (2008) corrobora com essa ideia quando
diz que:
As bibliotecas realizam atividades de diversas naturezas e contam com vários
recursos que vão de simples computadores de busca até programas desenvolvidos,
especificamente, para cumprir rotinas de gerenciamento. Tais atividades visam
atingir os mais variados objetivos, onde se destaca como meta de maior relevância
para a biblioteca, atender às necessidades informacionais dos usuários, como
empréstimos, reservas, renovações, serviços de referência entre outros. A
modernização das bibliotecas está diretamente ligada à automação de rotinas e
serviços, o que possibilitou, entre outras vantagens, uma infraestrutura de
comunicação, que agiliza e amplia o acesso à informação pelo usuário. Observa-se
que essas mudanças ainda estão ocorrendo, e são bastante notórias no universo das
bibliotecas de universidades. (OLIVEIRA, 2008, p. 16).

Além disso, o sistema escolhido permite um acompanhamento efetivo de todas as
bibliotecas dos campi pela administração através de um conjunto de estatísticas a serem
disponibilizadas também pelo Pergamum Web, tendo em vista que o IFPA conta hoje com 16
unidades e dois pólos que futuramente devem assumir o status de campus.

3 Materiais e métodos
Em 29 de dezembro de 2008 foi instituído pela lei federal nº. 11.892 o Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará - IFPA. Com essa lei, o IFPA deixa de ser
Centro Federal de Educação Tecnológica - CEFET, que ofertava os níveis e modalidades de
educação profissional, ou seja, o básico, técnico e o tecnológico, e passa a ofertar cursos
superiores. Com essa institucionalização, o IFPA começou a ofertar mais cursos e a
interiorizar campi, e os sistemas, principalmente o da biblioteca, não eram suficientes para as
novas demandas.
Em virtude disto, em dezembro de 2009 foi encaminhada por uma equipe de

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bibliotecários a proposta de modernização do sistema de bibliotecas à reitoria do IFPA. Neste
processo foi justificada a necessidade da implantação de um sistema automatizado para o
gerenciamento dos serviços técnicos de forma integrada, tendo em vista a nova estrutura da
instituição.
No momento da pesquisa e definição de software adequado, foram observados
diferentes critérios e metodologias, disponíveis no quadro 1.
Quadro 1 - Critérios e metodologias observados para seleção do sistema de bibliotecas
CRITÉRIOS
METODOLOGIA
 software pronto, testado, instalado e, de
preferência, funcionando;

 Estudos em literatura específica e de instituições
no Estado que já utilizam;

 software que contemple as necessidades das
bibliotecas e de acordo com a plataforma
tecnológica da instituição;

 propostas encaminhadas pelas empresas
fornecedoras de software para bibliotecas;

 com capacidade de ampliação e atualização;

 experiências adquiridas por outras bibliotecas;

 com manutenção garantida e segura;

 contato com os fabricantes de softwares;

 Que atenda os requisitos imprescindíveis e
desejáveis de conversão retrospectiva, formato
MARC.

análise situacional e real das bibliotecas nas
questões referentes aos serviços e produtos
oferecidos.

Após análise, levantamento de softwares (Aleph, Ortodocs e Pergamum), exposição do
projeto de modernização e reunião com o Reitor e a Gerência de Tecnologia e Informação do
instituto, recomendou-se a aquisição do sistema Pergamum, desenvolvido pela PUC/PR, para
a modernização dos serviços e implantação do sistema de bibliotecas do IFPA. Para essa
sugestão foi levado em conta algumas metodologias, como estudos em literatura específica e
de instituições no estado que já utilizam o sistema, propostas encaminhadas pelas empresas
fornecedores de software para bibliotecas, experiências adquiridas por outras bibliotecas,
contato com os fabricantes de software e análise situacional e real das bibliotecas nas questões
referentes aos serviços e produtos oferecidos.
Em março de 2010 foi elaborado o projeto que orientava a locação do sistema
Pergamum nas diversas bibliotecas do IFPA, as etapas e metas que deveriam ser cumpridas, o
detalhamento dos equipamentos, serviços para todos os campi do instituto e treinamentos
necessários para os bibliotecários e auxiliares de biblioteca.
Em abril de 2010 foi aprovada a implantação do sistema Pergamum pela reitoria do
IFPA. Em maio aconteceu a assinatura do contrato para cessão de direito de uso do sistema,
adequação da rede da biblioteca, sendo a expansão na capital e implantação nos demais
campi, além dos treinamentos em AACR2 e MARC 21 para a equipe de bibliotecários. Em 15

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de agosto do mesmo ano o sistema foi implantado e, em seguida, o treinamento no sistema
Pergamum na versão 8.0 (circulação de materiais, usuários/ unidade organizacional,
catalogação, relatórios, aquisição e parâmetros).
A partir deste momento iniciou-se o processamento técnico de todo o material
bibliográfico. O novo sistema permitia a migração dos dados do antigo para ele, entretanto,
visto que o sistema antigo não trabalhava de acordo com os padrões internacionais de
catalogação formato MARC 21, a equipe de bibliotecários decidiu que seria mais viável que
não ocorresse a migração. Concomitante a está atividade houve a programação da migração
das matriculas dos usuários para o sistema, buscando integralizar com o SCA (secretária
acadêmica) e com o SIAPE.
Como os treinamentos foram curtos e rápidos, e as dúvidas começaram a aparecer na
prática, foi realizado no Campus Belém uma escala de uma semana para cada dois
bibliotecários dos demais campi do interior ajudar a equipe já pertencente do Campus da
capital. Isso, além de ajudar a tirar dúvidas e corrigir algumas falhas, contribuiu
significativamente na inserção dos dados bibliográficos do campus Belém.
A partir de 2014 alguns campi já iniciaram seus trabalhos no sistema, como Santarém,
Castanhal e Tucuruí, seguidos, em 2015, por Abaetetuba, Belém e Marabá Industrial. Outros
campi, como Ananindeua, Cametá, Óbidos, Paragominas, Parauapebas e Breves, que surgiram
recentemente, precisam superar a fase de estruturação de pessoal e logística para que, então,
possa utilizar o sistema. Os campi Bragança e Conceição do Araguaia tem o acervo inserido
no sistema, mas a circulação não está funcionando por falta de pessoal. Já para Altamira,
Marabá Rural e Itaituba falta estrutura, pessoal e logística.

4 Resultados
Ao observar o processo de informatização das bibliotecas do IFPA, pode-se dizer que
houve como ponto negativo a falta de padronização no cadastro de “autoridades” e de
“assuntos” antes de iniciar o processo de implantação do sistema. Assim, começaram a ficar
visíveis vários erros referentes ao serviço de catalogação, oriundos não da falta de
conhecimento técnico, mas da falta de padronização institucional.
Em determinados aspectos o AACR2 permite variação, mas a instituição precisa
definir os parâmetros adequados. Contudo, isso não foi definido, o que resultou em vários
erros observados, ocasionados por divergências nas decisões particulares dos profissionais
envolvidos quanto à composição do acervo. Para sanar este problema, nos procedimentos foi

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instituída uma comissão de bibliotecários objetivando criar essa padronização de forma
integrada para que seja aplicada em todos os campi. Assim será possível colocar a base
disponível em toda a rede do catálogo Pergamum.
Pode-se destacar que no período da implantação do sistema no IFPA, a PUC/PR já
trabalhava com a versão web 8.0, totalmente virtual, não precisando da visita técnica da
PUC/PR para configurar o sistema. Houve uma orientação da equipe de TI da PUC/PR para
nossos analistas e, assim, foi configurado o servidor central do IFPA para o Pergamum. Com
isso, o sistema pode funcionar em todos os campi, sendo o Instituto o pioneiro na região norte
do Brasil a utilizar esta versão.
Este modelo facilitou a gestão de serviços desde o bibliotecário até o usuário, visto
que o material bibliográfico é inserido no sistema e pode ser visualizado nos diversos campi.
O usuário pode realizar empréstimos de forma presencial na biblioteca onde se encontra a
obra desejada, mesmo não pertencendo diretamente ao campus ao qual a biblioteca pertence,
responsabilizando-se, contudo, pela devolução da obra na biblioteca (campus) de origem.
Além disso, os usuários podem realizar solicitações de levantamento bibliográfico, consultas,
reservas e até renovações de obras on-line.
O modelo proporcionou, também, a resolução de problemas de gestão, sendo possível
controlar com eficiência e eficácia o processo de circulação, bem como a aquisição dos
materiais bibliográficos. A catalogação passou a ser inserida de acordo com os padrões
internacionais (MARC 21, ISO 2709 e protocolo Z39.50), possibilitando o intercambio
bibliográfico e catalográfico com as demais instituições
Por outro lado, por se tratar de um sistema web, o modelo é totalmente dependente de
conexão com a Internet. Quando a rede não está em pleno funcionamento, os serviços internos
da biblioteca e de atendimento ao publico são interrompidos, gerando a insatisfação dos
usuários.
O que ainda precisa ser trabalhado dentro da Instituição é o comprometimento da
equipe de TI e de alguns profissionais de informação com o modelo. Embora seja mantido
pelo Instituto, não há pessoal de TI disponível para atendimento referente ao sistema. Para
solucionar problemas, a biblioteca precisa consultar a equipe de TI da PUC/PR. Isto garante
uma resposta exata, porém não imediata. O mesmo ocorre na limitação de alguns
profissionais bibliotecários que não buscam conhecimento sobre o modo de desenvolver suas
atividades no sistema, resultando em ineficiência na utilização de serviços que atingem
principalmente os usuários.

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5 Considerações finais
A aquisição de um software é um aspecto importante a ser avaliado quando se inicia o
processo de automação dos serviços de biblioteca. O suporte técnico dado pela equipe da
Rede Pergamum, nas soluções das dificuldades encontradas na utilização do sistema e na
capacitação técnica dos profissionais envolvidos, através dos cursos, treinamentos e reuniões,
contribuiu para um maior conhecimento e desenvolvimento do Sistema. Além disso, a adoção
do Formato de Intercâmbio Bibliográfico e Catalográfico pelo sistema de informação, que
busca controlar, tratar e disseminar de forma cada vez mais eficiente a "explosão
bibliográfica" pode contribuir para que se estabeleça a tão esperada integração dos sistemas
de informação locais, regionais, nacionais e internacionais.
Assim pode-se dizer que com apenas 6 (seis) anos, desde o início da implantação, o
projeto de informatização das bibliotecas do IFPA atingiu seu objetivo. Embora ainda haja
impasses, o sistema já pode ser utilizado em todos os campi do Instituto.
Foi garantida a eficiência dos serviços de administração da Coleção, tendo sido
possível administrar os acervos com facilidade.
Quanto à satisfação dos usuários que utilizam os serviços das Bibliotecas do IFPA,
pode-se dizer que o sistema dá acesso para realizar suas próprias pesquisas, reservar e renovar
obras, consultar histórico de empréstimos e débitos, incluir suas áreas de interesse, entre
outros. Ao utilizarem o sistema de administração do Acervo, os usuários tiveram a
oportunidade de agregar maior conhecimento com base nos recursos informacionais das
bibliotecas e utilizá-los com mais efetividade e independência, além do aumento obtido nos
aspectos que se referem à credibilidade, confiabilidade e precisão dos dados.
Os serviços oferecidos aos usuários estão sendo mantido na melhor escala possível,
excetuando-se alguns casos já destacados no decorrer deste artigo.
Pode-se afirmar que a implantação do sistema está em fase de adaptação em alguns
campi e num estagio mais avançado em outros campi, ou seja, apenas em situação de
verificação de erros e correções de políticas e padronizações internas. É possível afirmar
também que já houve muito sucesso na utilização do sistema, buscando atender as
necessidades das bibliotecas e de seus usuários nas disponibilizações de novos serviços e
recursos de informação via web. Por fim, as fases vindouras serão parte de adaptações
internas necessárias ao perfeito andamento da administração do sistema.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O presente artigo propõe relatar o processo de implantação da informatização das bibliotecas do IFPA utilizando o Sistema Pergamum. Inicia com o histórico de informatização do acervo das Bibliotecas até os dias atuais, desde a sua implantação até a necessidade da formação de uma rede integrada de bibliotecas. Em seguida descreve o Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum, conceituando-o e caracterizando-o de forma generalizada. Segue com as conceituações e teorias sobre redes de bibliotecas, até a abordagem sobre a implantação da rede informatizada de bibliotecas do IFPA com um relato de experiência da informatização dos acervos das bibliotecas com o sistema Pergamum. Os resultados mostram os impactos positivos da implantação do sistema nas bibliotecas do IFPA, tanto para os funcionários da instituição, que passam a lidar com um serviço formalizado e organizado, quanto para os usuários, com a facilidade de acesso às obras e a melhoria na qualidade do serviço.</text>
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                    <text>IMPORTÂNCIA DOS REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS PARA A
DIVULGAÇÃO INSTITUCIONAL E A DEMOCRATIZAÇÃO DO
ACESSO AOS RESULTADOS DE PESQUISAS CIENTÍFICAS: UMA
PERCEPÇÃO INTERNACIONAL DOS ATORES ENVOLVIDOS EM
SEU GERENCIAMENTO

Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Eliana J. Bernardes (UFLA) - eliana@biblioteca.ufla.br
Fernanda Vasconcelos Amaral (UFLA) - fernandaamaral@biblioteca.ufla.br
Resumo:
O presente trabalho tem como objetivo de levantar as vantagens e desvantagens da criação
dos Repositórios Institucionais (RIs) em universidades, as dificuldades enfrentadas e a
relevância dos repositórios no contexto da divulgação científica e do movimento de acesso
aberto à informação. Adotou-se como instrumento para coleta de dados uma entrevista de
abordagem qualitativa, com questões abertas, que foram enviadas aos RIs de universidades
situadas nos 5 continentes com a intenção de elaborar um panorama sobre a situação dos RIs
a nível internacional e abordar sua importância para a divulgação institucional e a
democratização do acesso aos resultados de pesquisas científicas. A escolha das instituições
participantes foi pautada na posição de destaque que ocupavam no Ranking Web of World
Repositories no segundo semestre de 2015.
Palavras-chave: Acesso aberto. Repositórios institucionais.
internacional.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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Internacionalização. Panorama

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Os repositórios institucionais (RIs) foram implantados nas universidades com a missão
de substituir as Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações e ampliar a gama de documentos
disponibilizados eletronicamente pelas universidades. Dessa forma, além dos trabalhos
produzidos na pós-graduação Stricto Sensu, os RIs também tornam acessíveis todo tipo de
documento produzido pelo corpo docente, discente e técnico-administrativo da instituição,
tais como artigos publicados em periódicos e eventos, capítulos de livros, relatórios, entre
outros.
Por ser um instrumento relativamente novo no contexto brasileiro, os RIs ainda
necessitam de pesquisa para medir sua eficácia e importância no processo de divulgação da
comunicação científica. Muitas vezes, é necessário fazer um trabalho de conscientização
perante os gestores das universidades para garantir a liberação de recursos orçamentários,
humanos e tecnológicos que garantam a manutenção e melhoria dos RIs.
Por isso, o presente trabalho tem o objetivo de levantar as vantagens e desvantagens da
criação dos RIs, as dificuldades enfrentadas e a relevância dos repositórios no contexto da
divulgação científica e do movimento de acesso aberto à informação.
O que motivou esta pesquisa está intimamente relacionado a um processo de
identificação e replanejamento de ações que garantam a sustentabilidade e continuidade da
implantação do Repositório Institucional da Universidade Federal de Lavras (RIUFLA).
Dessa forma, o RIUFLA se manterá como uma importante ferramenta estratégica para
promover a produção científica da universidade, contribuindo para a visibilidade e
internalização da instituição.
Para sustentação conceitual desta pesquisa, no referencial teórico, foi necessário
revisitar a literatura sobre a origem do movimento de acesso aberto, perpassando por algumas
iniciativas desse movimento e o histórico da implantação do RIUFLA.

2 Origem do movimento de acesso aberto
A informação científica, gerada em universidades e escolas superiores, na maioria das
vezes financiada com recursos públicos, é frequentemente publicada em periódicos
especializados, gerando altos custos de assinatura para instituições e pesquisadores. Muito se
tem debatido para solucionar este problema, como por exemplo o movimento de acesso
aberto, que propõe o acesso irrestrito e livre de cobranças a artigos científicos. Este
movimento remonta a mais de trinta anos com o lançamento do Projeto Gutenberg, por
Michael Hart, em 1971.
Na cidade de Budapest, em 2002 a Iniciativa de Acesso Aberto de BudapesteBudapest Open Access Initiative (BOAI) iniciou uma campanha mundial a favor do acesso
aberto a todas as publicações científicas referendadas por pares. Esta iniciativa buscou reunir
projetos já existentes no âmbito do acesso aberto.
Esta iniciativa, não inventou a ideia do OA. Pelo contrário, procurou
deliberadamente reunir projetos já existentes para explorar como poderiam
“trabalhar em conjunto para conseguir o mais amplo, profundo e rápido
sucesso”. Mas a BOAI foi a primeira iniciativa a usar o termo “open access”
para este propósito, a primeira a articular uma definição pública, a primeira a
propor estratégias complementares para atingir o OA, a primeira a
generalizar o apelo ao OA a todas as disciplinas e países, e a primeira a ser
acompanhada por financiamento significativo. (BUDAPEST OPEN
ACCESS INITIATIVE, 2012).

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A Budapest Open Access Initiative propõe duas formas para possibilitar o acesso
aberto à informação científica: a da Via Verde e a da Via Dourada conforme relatado por
Alves (2008, p. 133):
A primeira estratégia é a de auto-arquivamento – via verde (green road), que
trata do arquivamento que poderá ser realizado pelos próprios autores de
artigos científicos já publicados ou aceitos para publicação, obtendo
autorização (sinal verde) dos editores que os aceitaram para que possam
disponibilizar em um servidor de arquivo aberto. A segunda estratégia trata
de via dourada (golden road), que abrange os periódicos científicos
eletrônicos cujo acesso aberto a seus conteúdos é garantido pelos próprios
editores. Sendo assim, a publicação em ambiente de acesso aberto está
assegurada no próprio periódico.

Outros manifestos a favor do acesso aberto foram a Declaração de Bethesda, a
Declaração de Berlim, o Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação
Científica no Brasil e o Projeto Creative Commons. Segundo Freire (2011) em outubro de
2003, a Declaração de Berlim promoveu a Internet como um instrumento funcional para a
base do conhecimento científico global e estabeleceu medidas para as quais os agentes
públicos - instituições de pesquisa, agências de financiamento à pesquisa, bibliotecas, museus
- necessitam adotar. Dentre elas, o mandato de armazenamento da literatura científica
produzida com recursos públicos, em repositórios digitais interoperáveis e de amplo acesso à
sociedade.
Desde então, várias ações tem sido devolvidas pelo mundo para garantir o acesso
aberto às publicações científicas, a exemplo, a criação do Repositório Científico de Acesso
Aberto de Portugal (RCAAP), em julho de 2008. Foi a partir dessa data que registaram-se
progressos significativos no movimento de acesso aberto em Portugal. Expandiu-se de forma
significativa a rede de repositórios das instituições de ensino e investigação portuguesas
(diretório), disponibilizou-se um vasto portfólio de serviços eletrônicos e houve um
considerável incremento na mobilização da comunidade acadêmica. Em menos de dois anos,
o projecto RCAAP firmou-se e ganhou visibilidade e reconhecimento a nível nacional e
internacional. O projeto RCAAP procura ainda consolidar uma visão holística e integrada do
movimento de acesso aberto promovendo ações de divulgação, promoção e formação e
desenvolvimento de parcerias nacionais e internacionais para a expansão dos serviços
disponibilizados (CARVALHO; MOREIRA; SARAIVA, 2013).
Na mesma esteira, o Projeto Facilitate Open Science Training for European Research
(FOSTER), iniciado em fevereiro de 2014 e com a duração prevista de 24 meses,
buscou promover, por meio de formação e disseminação da informação, o conhecimento
e as práticas de acesso aberto, dados abertos e ciência aberta, junto aos participantes do
Espaço Europeu de Investigação (EEI), possibilitando assim apoiar o cumprimento das
políticas e regras de participação relacionadas com o Acesso Aberto estabelecidas pela
Comissão Europeia para o Horizonte 20201, articulando diferentes métodos e ações de
formação, desde a presencial, o uso de e-learning até mesmo, a autoaprendizagem,
buscando atingir o maior número de participantes no EEI e acomodar as diferentes
necessidades e práticas de formação nos vários países e disciplinas científicas. Outro Projeto,
com vista ao alinhamento com a política do Horizonte 2020 foi o Open Access Policy
1

“Um programa de financiamento de pesquisa e inovação de €80 bilhões (2014 -2020). Uma resposta para a
crise econômica através do investimento em empregos do futuro e crescimento. Ele compreende as preocupações
das pessoas sobre subsistência, segurança e meio ambiente” (VENTURINI, 2015).

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Alignment Strategies for European Union Research (PASTEUR4OA), iniciado em fevereiro
de 2014, apoiou e incentivou o desenvolvimento de políticas de acesso aberto e dados
abertos na União Europeia .
No Japão, o Ministério de Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia instituiu a
“Declaração do acesso aberto”, com o objetivo de fomentar a distribuição de informações
acadêmicas. Nesse documento são determinadas claramente as responsabilidades do governo
e agências de financiamento público, dos pesquisadores, das universidades e instituições de
pesquisa, da sociedade acadêmica, das editoras e das bibliotecas universitárias (JAPÃO,
2009).
Na Oceania, em uma decisão que passou a ser válida desde janeiro de 2013, a agência
de fomento da Austrália, a Australian Research Council (ARC), instituiu a sua política de
acesso livre aos resultados das pesquisas financiadas por esta agência. De acordo com esta
nova política, tornou-se obrigatório o depósito, em um repositório de acesso livre, de todas as
publicações resultantes de projetos de pesquisas apoiados pela agência, observando-se um
período não superior a doze meses da sua publicação (KURAMOTO, 2013).
Na América do norte, por meio do memorando aos chefes de departamento e agências
de fomento a pesquisa do Estados Unidos, John P. Holdren, diretor executivo da Casa Branca
sobre Política Científica e Tecnológica, expôs que o governo americano está empenhado em
garantir que, de qualquer forma e com o menor número de restrições possíveis e coerentes
com a legislação, os resultados diretos de pesquisa científica financiada pelo governo devem
ser colocados em domínio do público, da indústria e da comunidade científica. Esses
resultados incluem publicações revisadas por pares e dados digitais. No documento o diretor
afirma que a investigação científica apoiada pelo Governo catalisa avanços inovadores que
podem conduzir a economia. Os resultados dessas pesquisas podem se tornar o combustível
para novos insights e são ativos para o progresso em áreas como saúde, energia, ambiente,
agricultura e segurança nacional. O acesso ao conjunto de dados digitais resultantes da
investigação financiada pelo governo permite que as empresas concentrem recursos e esforços
para compreender e explorar as novas descobertas (HOLDREN, 2013) .
Outra iniciativa interessante foi a do Senado Argentino que aprovou por unanimidade
uma norma que obriga as instituições científicas que recebem financiamento público a
facilitar o acesso aberto às pesquisas científicas com a criação de repositórios institucionais de
acesso aberto, dando origem ao projeto de desenvolvimento de uma rede de repositórios
institucionais de publicações científica chamado “LaReferencia” (COMUNIDADE REA
BRASIL, 2013).
Segundo Freire (2011), no Brasil, várias manifestações em apoio ao movimento de
acesso aberto foram conduzidas pela comunidade científica brasileira, dentre as quais
destacam-se as declarações de São Paulo, Florianópolis, Salvador e do Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e a Carta da 6ª Conferência Luso-brasileira de
Acesso Aberto. Ainda para consolidar o compromisso do Brasil em apoio à essas
manifestações, segundo Medeiros (2013) em 2007, foi apresentado ao Congresso Nacional, o
Projeto de Lei nº 1120/200744, que estabelece parâmetros para uma política nacional de
acesso livre à informação.

3 Breve histórico do RIUFLA
Os repositórios são ferramentas importantes para a gestão da informação e do
conhecimento nas instituições e para os envolvidos no processo de fomento à pesquisa. Por
isso, torna-se importante garantir o acesso permanente e confiável da produção científica,
proporcionando maior visibilidade às pesquisas desenvolvidas nas instituições (FURTADO;
ESMIN; OLIVEIRA, 2014).

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Em dezembro de 2011, foi feito um levantamento sobre alguns dados da UFLA, como
a sua produção científica dos últimos cinco anos entre artigos, dissertações e teses, a
quantidade de periódicos e de livros publicados, a relação de cursos de pós-graduação, o
levantamento de bolsistas produtividade e a proposta de cronograma de implantação do
projeto piloto do RIUFLA, os quais foram enviados ao Ibict. Em 2012, a UFLA, mediante a
adesão ao edital de chamada da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
Além desses dados, foi encaminhado um termo de compromisso institucional assinado
pelo reitor, onde a universidade se propõe:
a) promover e viabilizar as ações necessárias para a implantação do RI compatível
com o modelo de interoperabilidade Open Archives;
b) estabelecer uma política institucional de informação visando garantir a alimentação
do RI por parte de seus pesquisadores após a contratação do projeto;
c) constituir e manter uma equipe composta por técnicos de informação e informática
que se responsabilizará pela implantação e operação do RI;
d) manter conexão permanente com a Internet para garantir o acesso ao RI, a fim de
possibilitar a coleta automática periódica de metadados a ser realizada pelo IBICT Ibict.
Segundo Medeiros e Ferreira (2014) a partir daí, foi elaborada a Política Institucional
de Informação do RIUFLA onde consta a política de conteúdo, a política de
submissão/depósito, a política de acesso à informação, a política de preservação digital. Nela
são abordados os critérios de disponibilização e elaboração das linhas de trabalho para
sensibilização e divulgação do projeto à comunidade científica.
Atualmente, o RIUFLA disponibiliza mais de 9.000 mil documentos, entre
dissertações, teses, monografias, artigos, capítulos de livros e outros, ocupando no Brasil a 17ª
posição no Ranking Web of World Repositories. em janeiro de 2016. Mais de 87 mil buscas
foram realizadas na plataforma e ocorreram aproximadamente 3,7 milhões de visualizações de
arquivos2.

4 Materiais e métodos
Na realização deste trabalho, adotou-se como instrumento para coleta de dados uma
entrevista de abordagem qualitativa, com questões abertas, que foram enviadas aos RIs de
universidades situadas nos 5 continentes: América, Europa, Ásia, África e Oceania. O
objetivo dessa entrevista foi elaborar um panorama sobre a situação dos RIs a nível
internacional e abordar sua importância para a divulgação institucional e a democratização do
acesso aos resultados de pesquisas científicas. O roteiro das entrevistas, bem como, sua
tradução, está disponível nos anexos A e B desta pesquisa.
A escolha das instituições participantes foi pautada na posição de destaque que
ocupavam no Ranking Web of World Repositories. Ao todo, foram 64 questionários enviados
e apenas 6 respostas foram obtidas. Apesar da baixa taxa de retorno, foi possível obter
representantes de 4 continentes: América (Brasil e Colômbia), Europa (Bélgica e Espanha),
África (Egito) e Oceania (Austrália). Apenas o continente asiático ficou sem representação.
Para manter o sigilo das informações repassadas pelas instituições as suas
identificações, os nomes originais foram substituídos, sem nenhuma ordem, pelo termo
“Instituição” na apresentação dos resultados.

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Dados de 26/02/2016. Mais informações: &lt;http://repositorio.ufla.br/statistics&gt;.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

5 Resultados
Na pesquisa, os RIs foram considerados um importante instrumento dentro do
contexto do movimento de acesso aberto à informação. Com o crescente aumento dos custos
de aquisição de periódicos científicos, os repositórios são uma alternativa para que as
bibliotecas universitárias disponibilizem fontes de informação confiáveis, sem
comprometerem seu orçamento com o pagamento de onerosas assinaturas de acesso a bases
de dados e periódicos de editoras comerciais.
Uma questão levantada foi o fato da maioria das pesquisas científicas serem
financiadas pelo poder público, sendo, portanto, um direito do cidadão ter acesso gratuito aos
resultados dessas pesquisas. Segundo a responsável por um RI em uma universidade belga
[...] a filosofia do movimento de acesso aberto é também para alcançar uma
distribuição justa dos recursos que permitem esta pesquisa ser realizada. É
importante que os contribuintes tenham acesso à investigação científica que
financia, não só por razões éticas, mas também porque o desenvolvimento da
pesquisa científica depende do apoio da população. A informação científica
deve ser acessível ao público que poderá ler, traduzir e popularizar essa
informação e, assim, levar a ciência a um público mais amplo.
(INSTITUIÇÃO 4).

A entrevista questionou também sobre as vantagens e desvantagens da
implantação de RIs. As principais vantagens elencadas foram:
a) aumento da visibilidade dos pesquisadores e da instituição a nível internacional;
b) preservação da memória intelectual da universidade;
c) possibilidade de busca por meio do Google e do Google Scholar;
d) URL permanente para documento;
e) novos indicadores para medir o impacto de um documento;
f) aumento do número de citação;
g) rápida disponibilização da informação gerada por uma pesquisa;
h) maior facilidade para detectar plágio;
i) alguns RIs possuem recursos para facilitar a identificação do nome de autores,
esclarecendo ambiguidades.
O número de desvantagens apontadas pelos participantes da pesquisa foi bem menor e
inclui:
a) descentralização das estatísticas de acesso, por exemplo, um mesmo documento
poderá ser acessado via RI ou via periódico;
b) necessidade de tempo do pesquisador para repassar periodicamente para o RI os
documentos gerados pela pesquisa;
c) necessidade de acordo com os editores de alguns documentos (o caso mais comum
são artigos publicados em periódicos de acesso pago);
d) e os pesquisadores devem entender e aceitar os preceitos do movimento de acesso
aberto e das licenças Creative Commons.
Sobre as barreiras enfrentadas pelos RIs, as principais dificuldades apontadas foram
orçamento deficiente, falta de recursos humanos e problemas tecnológicos da plataforma
utilizada. Alguns entrevistados citaram também a resistência de alguns pesquisadores, que
não estão de acordo com alguns princípios do movimento de acesso aberto ou não tem
comprometimento para depositar a sua produção científica nos RIs.
Na questão sobre exigir obrigatoriedade do deposito da produção científica
institucional, todos os entrevistados concordam que este mecanismo facilitaria as atividades

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

desenvolvidas pelo RI e aumentaria o volume de documentos depositados. Contudo, o assunto
foi considerado delicado por abarcar direitos de copyright, além de ser necessária a instituição
de uma política institucional por parte da universidade.
O entrevistado brasileiro comentou que teses e dissertações já possuem legislação
específica que obriga o depósito. Esta obrigatoriedade foi determinada pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na Portaria nº 013, de 15 de fevereiro
de 2006, a qual institui que
Art. 1º Para fins do acompanhamento e avaliação destinados à renovação
periódica do reconhecimento, os programas de mestrado e doutorado
deverão instalar e manter, até 31 de dezembro de 2006, arquivos digitais,
acessíveis ao público por meio da Internet, para divulgação das dissertações
e teses de final de curso.
[...]
Art. 5º O financiamento de trabalho com verba pública, sob forma de bolsa
de estudo ou auxílio de qualquer natureza concedido ao Programa, induz à
obrigação do mestre ou doutor apresentá-lo à sociedade que custeou a
realização, aplicando-se a ele as disposições desta Portaria. (CAPES, 2006).

Dessa forma, no caso de dissertações e teses, os RIs brasileiros alcançaram um grande
avanço e podem facilmente recolher os trabalhos finais produzidos pelos programas de
mestrado e doutorado. No caso da UFLA, esta portaria permitiu que fosse oficializado nos
trâmites de pós-defesa da universidade a obrigatoriedade do discente entregar um arquivo em
formato PDF para ser inserido no RIUFLA tão logo os trâmites sejam concluídos. Em média,
30 dias uteis após a defesa de uma dissertação ou tese, o trabalho já está disponível para ser
acessado on-line.
Foi criado, contudo, um documento nomeado “Termo de autorização do RIUFLA”,
através do qual o autor explicita seu consentimento ou sua restrição quanto a liberação de seu
arquivo. Nele o discente pode decidir manter o arquivo retido ou liberá-lo para publicação.
Caso ainda esteja pendente a publicação em periódicos pagos de artigos gerados pela pesquisa
devolvida no mestrado ou na graduação, o discente pode decidir manter o arquivo retido pelo
período máximo de um ano. Nesta situação, o RIUFLA publica inicialmente somente os
metadados do trabalho (título, resumo, palavras-chaves, etc.) e após o término do período de
restrição, o arquivo é disponibilizado. Quando o trabalho gera patente, o tempo de restrição
sobe para até dois anos e o arquivo e os metadados são publicados posteriormente. Em 2015,
aproximadamente 62% dos arquivos foram publicados assim que os trâmites de pós-defesa
foram concluídos; 37% tiveram os metadados publicados, mas, por motivo de publicação em
periódico, o arquivo ficou retido a pedido do autor por até um ano; e menos de 1% teve tanto
o arquivo quanto os metadados retidos por um período de até 2 anos a espera da conclusão do
registro de patente gerado pela pesquisa3.
Por fim, as 2 últimas questões da entrevista foram sobre a importância dos RIs para
auxiliar as universidades no processo de internacionalização e no alcance de melhores
posições no Ranking Web of Universities, que mede a presença das instituições acadêmicas no
ambiente web. Todos os entrevistados concordaram que os RIs possuem um papel de
destaque por aumentar o acesso e visibilidade da produção científica da instituição e
propiciarem a possibilidade de criação de projetos colaborativos entre universidades distantes
geograficamente.

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Dados de 04/02/2016, retirados das planilhas de controle de atividades do RIUFLA.

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6 Considerações parciais/finais
Os repositórios institucionais estão se tornando cada vez mais uma ferramenta
estratégica para as universidades e as bibliotecas, promovendo a visibilidade e o acesso à
produção científica.
Nesse trabalho, buscamos confirmação de ações adotadas em outros continentes que
possibilitam a sustentabilidade de seus repositórios. Suas percepções foram fundamentais para
o desenvolvimento de novas estratégias a serem adotadas pela equipe técnica do RIUFLA.
Esta pesquisa não teve a pretensão de abordar a percepção de todos os gestores no
cenário mundial, mas, de uma parcela representativa de instituições de destaque no Ranking
Web of World Repositories, nos cinco continentes, de forma que fosse possível apontar as
vantagens e desvantagens dos RIs, além da contribuição para a melhoria de nossas rotinas na
gestão do RIUFLA.
Em relação as dificuldades apontadas pelos entrevistados, foi interessante verificar
que questões como deficiência da plataforma digital utilizada e escassez de recursos humanos
e orçamentários são problemas não só de países em desenvolvimento, como é o caso do
Brasil, mas também dos gerenciadores de RIs localizados no chamado 1º mundo, como
Europa e Oceania.
A pesquisa também mostrou que, a despeito da popularização do movimento de
acesso aberto, ainda há muito trabalho de conscientização a ser realizado junto a comunidade
acadêmica. Uma das queixas entre os entrevistados foi a falta de compromisso por parte de
alguns docentes em encaminhar suas produções acadêmicas para os RIs. Alguns dos motivos
citados foram excesso de trabalho e desinteresse. No primeiro caso, o docente já possui
muitas obrigações e não teria tempo para listar e encaminhar sua produção. No segundo caso,
ainda existe uma noção de que o importante é a divulgação feita pelos periódicos científicos
(que geram mais prestígio para o pesquisador) e o depósito nos RIs é visto como algo
secundário.
Esta visão pode ser observada também entre os discentes de pós-graduação da UFLA,
pois alguns optam por colocar sua dissertação ou tese como restrita no RIUFLA pelo período
de até um ano por terem uma possibilidade de talvez publicarem um artigo baseado no
trabalho em uma periódico pago ou grande fator de impacto. Contudo, caso a publicação não
ocorra, o resultado da pesquisa terá ficado um ano inacessível e, portanto, sem possibilidade
de ter ganho visibilidade e citações por parte de outros trabalhos.
Com relação ao desenvolvimento desta pesquisa podemos citar como dificuldade o
tempo de respostas da equipe das instituições envolvidas, pois iniciamos os primeiros
contatos em outubro de 2015 e apenas em janeiro e fevereiro de 2016 obtivemos respostas
suficientes para a elaboração desse trabalho. Além disso, muitos repositório não apresentam
claramente o contato direto com os gestores e, sim uma seção de perguntas e respostas. Outra
barreira foi a língua, em especial as de origens orientais. Podemos citar também a
inexistência de padrão de usabilidade e estética das páginas inicias do repositórios.
Por fim, como sugestão para próximos trabalhos, indicamos o desenvolvimento de
uma pesquisa sobre avaliação dos RIs, em uma esfera internacional, com critérios bem
definidos, no intuito de identificar inovações e recursos que possam ser adotados nos RIs
nacionais.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

REFERÊNCIAS
ALVES, V. B. A. Open archives: via verde ou via dourada? Ponto de Acesso, Salvador, v. 2,
n. 2, p. 127-137, ago. /set. 2008. Disponível em:
&lt;http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/1780/2172&gt;. Acesso em: 24
fev. 2016.
BUDAPEST OPEN ACCESS INITIATIVE. Dez anos depois da Budapest Open Access
Initiative: estabelecendo o acesso aberto como padrão. Budapest, 2012. Tradução realizada
pelo Gabinete de Projetos Open Access dos Serviços de Documentação da Universidade do
Minho. Disponível em: &lt;http://www.budapestopenaccessinitiative.org/boai-10translations/portuguese&gt;. Acesso em: 24 fev. 2016.
CARVALHO, J.; MOREIRA, J. M.; SARAIVA, R. O RCAAP e a evolução do Acesso
Aberto em Portugal. In: RODRIGUES, E; SWAN, A.; BAPTISTA, A. A. Uma década
de acesso aberto na UMinho e no mundo. Minho: Universidade do Minho, 2013. p. 151172.
COMUNIDADE REA BRASIL. Argentina aprova lei de acesso aberto à informação
científica. REA, 2013. Disponível em: &lt;http://www.rea.net.br/site/argentina-aprova-lei-deacesso-aberto-a-informacao-cientifica/&gt;. Acesso em: 25 fev. 2016.
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Portaria nº 013, de 15 de fevereiro de 2006. Institui a divulgação digital das teses e
dissertações produzidas pelos programas de doutorado e mestrado reconhecidos. Disponível
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Acesso em: 4 fev. 2016.
FREIRE, J. D. CNPq e o acesso aberto à informação científica. 2011. 275 f. Tese
(Doutorado em Ciência da Informação)-Universidade de Brasília, Brasília, 2011.
FURTADO, T. B.; ESMIN, A. A. A.; OLIVEIRA, N. Técnica de recomendação e
recuperação de conteúdo para repositórios institucionais baseado na universidade federal de
lavras (UFLA). In: CONFERÊNCIA LUSO-BRASILEIRA SOBRE ACESSO ABERTO, 5.,
2014, Coimbra. Anais eletrônicos… Coimbra: Universidade de Coimbra, 2014.
HOLDREN, J. P. Increasing access to the results of federally funded scientific research.
Washinfgton, 2013. Disponivel em:
&lt;https://m.whitehouse.gov/sites/default/files/microsites/ostp/ostp_public_access_memo_2013
.pdf&gt;. Acesso em 25 fev. 2016.
JAPÃO. Ministério de Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia. Declaração sobre o
Acesso Aberto. Tóquio, 2009. Disponível em:
&lt;http://www.mext.go.jp/b_menu/shingi/gijyutu/gijyutu4/toushin/attach/1283016.htm&gt;.
Acesso em: 24 fev. 2016.
KURAMOTO, H. ARC adota política de acesso livre na Austrália. Blogo do Kuramto,
2013. Disponivel em: &lt;https://kuramoto.wordpress.com/2013/01/08/arc-adota-politica-deacesso-livre-na-australia/&gt;. Acesso em: 24 fev. 2016.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

LEITE, F. C. L. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica
brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília, DF: IBICT, 2009.
MEDEIROS, S. A. et al. Ações de continuidade e sustentabilidade da implantação do
Repositório Institucional da Universidade Federal de Lavras (RIUFLA). Cadernos de
Biblioteconomia Arquivística e Documentação, Lisboa, n. 2, p. 153-156, jul./dez. 2014.
MEDEIROS, S. A. et al. Gestão do conhecimento na sociedade da informação: repositório
institucional da Universidade Federal de Lavras In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado. Anais... Gramado: FURGS, 2012.
MEDEIROS, S. A. Política pública de acesso aberto à produção científica: o caso do
Repositório Institucional da Universidade Federal de Lavras. 2013. 272 p. Dissertação
(Mestrado profissional em Administração Pública) - Universidade Federal de Lavras, 2013.
MEDEIROS, S. A.; FERREIRA, P. A. Implantação de repositório institucional: o caso da
Universidade Federal de Lavras. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 18., 2014, Belo Horizonte. Anais eletrônicos... Belo Horizonte:
SB/UFMG, 2014. Disponível em: &lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/trabalhos/194-2094.pdf&gt;. Acesso em: 26 nov. 2014.
MEDEIROS, S. A.; FERREIRA, P. A. Política pública de acesso aberto à produção científica:
um estudo sobre a implementação de repositórios institucionais em instituições de ensino
superior. Perspectivas em Gestão &amp; Conhecimento, João Pessoa, v. 4, n. 2, p. 195-217,
jul./dez. 2014.
SERVIÇOS DE DOCUMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE DO MINHO. Relatório de
atividades. Minho, 2014. Disponível em: &lt;http://docplayer.com.br/12172206-Relatorio-deatividades.html&gt;. Acesso em: 25 fev. 2016.
VENTURINI, P. Horizonte 2020: o Programa da União Europeia para Pesquisa e
Inovação - Aberto para o mundo. Brasília: CNPQ, 2015. Slides. Disponível em:
&lt;http://www.cnpq.br/documents/10157/f83e4847-6f58-484c-8d9b-3f0095547138&gt;. Acesso
em: 25 fev. 2015.
Anexo A – Roteiro de entrevista
1. Como você compreende a relevância dos princípios do movimento do acesso livre em
prol da divulgação da produção científica?
2. Os repositórios institucionais (RI) atualmente estão se tornando uma ferramenta
estratégica para as universidades, promovendo a visibilidade e o acesso à produção
científica. Quais as vantagens e desvantagens dessa implantação para a universidade?
E para os pesquisadores?
3. Você percebe alguma barreira na implantação do RI nas Universidades? Quais seriam
estas barreiras?
4. Qual a sua opinião quanto à exigência da obrigatoriedade do depósito da produção
científica em repositórios institucionais?

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

5. O objetivo original do Ranking Web é promover a presença na Web das instituições
acadêmicas, apoiando-as para aumentar significativamente a transferência de
conhecimento científico e cultural gerada pelas universidades a sociedade. Você
acredita que com a implantação do RI a instituição poderá aumentar sua visibilidade e
assim ser melhor classificada no Ranking?
6. Em sua opinião a implantação de RI contribuir para o projeto de internacionalização
de uma universidade? Em que sentido?
Anexo B – Interview Script
1. How do you understand the relevance of the principles of the open access movement
regarding the development of scientific research?
2. Institutional repositories (IR) are currently becoming a strategic tool for universities,
promoting the visibility and the access to scientific production. What are the
advantages and disadvantages of this deployment to the university and for
researchers?
3. Do you notice any barrier in the implementation of an IR at universities? What are
these barriers?
4. What is your opinion regarding the requirement of mandatory deposit of scientific
production in institutional repositories?
5. The original purpose of the Web Ranking is to promote Web presence of academic
institutions, supporting them to significantly increase the transference of scientific and
cultural knowledge generated by universities to society. Do you believe that with the
implementation of an IR the institution may increase its visibility and therefore be
better classified in the ranking?
6. In your opinion the implementation of an IR may contribute to the internationalization
project of a university? In what sense?

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Importância dos repositórios institucionais para adivulgação institucional e a democratização do acesso aos resultados de pesquisas científicas: uma percepção internacional dos atores envolvidos em seu gerenciamento. </text>
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                <text>O presente trabalho tem como objetivo de levantar as vantagens e desvantagens da criação dos Repositórios Institucionais (RIs) em universidades, as dificuldades enfrentadas e a relevância dos repositórios no contexto da divulgação científica e do movimento de acesso aberto à informação. Adotou-se como instrumento para coleta de dados uma entrevista de abordagem qualitativa, com questões abertas, que foram enviadas aos RIs de universidades situadas nos 5 continentes com a intenção de elaborar um panorama sobre a situação dos RIs a nível internacional e abordar sua importância para a divulgação institucional e a democratização do acesso aos resultados de pesquisas científicas. A escolha das instituições participantes foi pautada na posição de destaque que ocupavam no Ranking Web of World Repositories no segundo semestre de 2015.</text>
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                    <text>IMPLEMENTAÇÃO DO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA
(UNILA).

Nilson Carlos Vieira Junior (UNILA) - nilson.junior@unila.edu.br
João Vitor Vieira Gelinski (UNILA) - joao.gelinski@unila.edu.br
Resumo:
A estruturação de repositórios institucionais por universidades contribui para a promoção do
seu prestígio, melhoria nos rankings de avaliação e, consequentemente, aumento de sua
relevância e influência. Para a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA),
cuja missão institucional é representada pela formação de recursos humanos que venham a
contribuir com a integração latino-americana, com o desenvolvimento regional e com o
intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina, as ferramentas para
aumentar o tempo de preservação e ampliar o acesso à informação têm vital importância.
Espera-se que o repositório venha a contribuir para o acesso livre de informações; facilitar a
gestão da informação disponível em meio digital; preservar a memória institucional e ampliar
a visibilidade e uso da produção intelectual desenvolvida na universidade. Este estudo visa
apresentar as etapas de criação do RI-UNILA: contextualizando a Universidade Federal da
Integração Latino-Americana (UNILA); resgatando na literatura especializada informações
para o suporte teórico do trabalho; apresentando, por fim, as etapas de implementação do
repositório.
Palavras-chave: Repositório Institucional. Implementação. UNILA. Pesquisa bibliográfica.
Software Dspace.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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                <text>Vieira Junior, Nilson Carlos; Gelinski, João Vitor Vieira </text>
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                <text>A estruturação de repositórios institucionais por universidades contribui para a promoção do seu prestígio, melhoria nos rankings de avaliação e, consequentemente, aumento de sua relevância e influência. Para a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), cuja missão institucional é representada pela formação de recursos humanos que venham a contribuir com a integração latino-americana, com o desenvolvimento regional e com o intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina, as ferramentas para aumentar o tempo de preservação e ampliar o acesso à informação têm vital importância. Espera-se que o repositório venha a contribuir para o acesso livre de informações; facilitar a gestão da informação disponível em meio digital; preservar a memória institucional e ampliar a visibilidade e uso da produção intelectual desenvolvida na universidade. Este estudo visa apresentar as etapas de criação do RI-UNILA: contextualizando a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA); resgatando na literatura especializada informações para o suporte teórico do trabalho; apresentando, por fim, as etapas de implementação do repositório.</text>
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                    <text>IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE FICHA CATALOGRÁFICA DA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA COM DADOS
FORNECIDOS PELO PRÓPRIO AUTOR

Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Eliana J. Bernardes (UFLA) - eliana@biblioteca.ufla.br
Lucas Timóteo Silva (UFLA) - lucastimoteo90@gmail.com
Resumo:
O objetivo desse relato é apresentar como foi a implantação de um sistema de geração
automática de ficha catalográfica na Biblioteca Universitária da UFLA, com dados fornecidos
pelo próprio autor. A execução do projeto exigiu uma logística bastante complexa de recursos,
visto que houve a necessidade de pesquisar sobre sistemas similares existentes e definição dos
campos da ficha catalográfica e o cumprimento de várias etapas. Com a implantação do
sistema foi possível automatizar essa rotina, reduzindo filas de atendimento, dar celeridade
aos trâmites pós-defesa de teses e dissertações, além de possibilitar a realocação de um
profissional, anteriormente, dedicado exclusivamente a esta atividade.
Palavras-chave: Catalogação na fonte; Representação descritiva; Fichas catalográficas
automáticas.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Recursos de recuperação da informação

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

1

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A ficha catalográfica contém as informações bibliográficas necessárias para a
identificação do documento na fonte. Traz informações fundamentais para a identificação e a
recuperação do documento, tais como autor, título, local, número de páginas, assunto, etc. É
confeccionada por profissional bibliotecário conforme o Código de Catalogação AngloAmericano vigente. Deve ser impressa no verso da folha de rosto das publicações. A ficha
catalográfica é um serviço de catalogação na fonte, exigida pela UFLA para dissertações e
teses de seus programas de pós-graduação, não sendo obrigatória para monografias e
trabalhos de conclusão de curso ( TCC´s).
Anteriormente, para a obtenção da ficha catalográfica das dissertações e teses, era
necessário já ter ocorrido a defesa e o autor devia enviar seu arquivo por e-mail, juntamente
com a cópia da ata de defesa e com a sugestão das palavras-chave a serem utilizadas. No caso
das publicações da universidade, a solicitação deveria ser enviada por e-mail, juntamente com
o arquivo e as sugestões das palavras-chave. Este serviço não era prestado para as
monografias e TCCs. Com a concretização desse projeto o usuário passou a ter autonomia
para o preenchimento e elaboração da sua própria ficha catalográfica. Para as publicações da
universidade, livros e outros, a elaboração permaneceu da mesma forma.
O objetivo desse relato é apresentar como foi a implantação de um sistema de geração
automática de ficha catalográfica na biblioteca universitária da UFLA, com dados fornecidos
pelo próprio autor.
O projeto se justificou devido ao aumento de programas de pós-graduação na UFLA e
ao consequente aumento da demanda de fichas catalográficas na Coordenadoria de Produtos e
Serviços. Com o funcionamento do Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica
foi possível aos servidores se dedicarem à atividade de depósito de arquivos no Repositório
Institucional da UFLA e ao atendimento ao usuário.

2 Referencial teórico
A catalogação é atividade primordial numa biblioteca, propiciando ao usuário
recuperar os objetos informacionais de que necessita. Para Mey (2009, p.7) a catalogação é
definida como
[...] o estudo, preparação e organização de mensagens, com base em registros do
conhecimento, reais ou ciberespaciais, existentes ou passíveis de inclusão em um ou
vários acervos, de forma a permitir intersecção entre as mensagens contidas nestes
registros do conhecimento e as mensagens internas dos usuários.

Na definição dicionarizada, o verbo catalogar significa “1. Inscrever em catálogo e 2.
Agrupar e classificar elementos” (FERREIRA, 2004), o que remete a uma atividade anterior à
consolidação de bibliotecas modernas como conhecemos, embora outrora tenha sido
totalmente diferente das atuais, tanto em forma quanto em tecnologia, conforme corroborado
por Baptista (2006, p. 1)
Dos antigos papiros aos livros, ao advento da literatura periódica, os materiais foram
se diversificando cada vez mais, o que determinou, por outro lado, a necessidade
constante de aperfeiçoamento nas práticas de catalogação. A proliferação de regras
ao longo do tempo, culminando na criação das Regras de Catalogação
AngloAmericanas (AACR), já no século XX, refletem bem essa necessidade.

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

2

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Historicamente, considerando a evolução dos diferentes suportes da escrita,
depreende-se que tenha havido uma evolução nas formas de se acessar os materiais desejados.
Estruturas alusivas a catálogos foram encontradas em muitas bibliotecas da antiguidade,
conforme nos informa Mey (1995, p. 12)
Uma das mais antigas listas de livros de que se tem conhecimento data de 2.000
A.C., encontrada em um tablete de argila, com 62 títulos. No entanto, não se sabe a
finalidade da lista, ou se teria sido usada como catálogo.[...] Em escavações no
Egito foram encontrados tabletes de argila, escritos em língua babilônica, datados de
1.400 A.C., e que se referiam a títulos de obras. Mas ainda se desconhece se seriam
propriamente um catálogo.

A atividade de catalogação realizada na antiguidade é ilustrada por Mey (1995, p. 13)
Calímaco um dos sábios de Alexandria, elaborou seus Pínakes [Tabulas], cerca de
250 A.C., onde registrava o número de linhas de cada obra e suas palavras iniciais,
assim como dados bibliográficos sobre os autores. Não se sabe ao certo se o trabalho
de Calímaco era uma bibliografia ou um catálogo, ou se servia a ambas as
finalidades.

A evolução da catalogação é um processo longo que percorreu séculos até culminar
nas formas de catálogo como conhecido atualmente. Uma grande pesquisa sobre esta
evolução foi feita por Ruth French Strout e citada na obra Introdução à Catalogação, de Eliane
Serrão Alves Mey, de 1995. Ortega (2011, p.46) resume esta evolução
[...] da Idade Antiga até o início do século XX, ocorreram as seguintes iniciativas na
produção de catálogos e bibliografias: catalogação de partes de documentos, uso de
remissivas, construção de índices de autor e de assunto, entrada de autores pessoais
pelo sobrenome, reunião de livros relativos à mesma obra, adaptação das normas às
necessidades locais, e, por fim, a confeccção de fichas para possibilitar o registro das
diversas informações sobre um documento e a sua atualização constante. Estas
iniciativas compõem um conjunto de metodologias que são emblemáticas da
anterioridade das reflexões e operações documentárias com que se defrontam hoje
muitos dos setores da chamada ‘sociedade do conhecimento’.

Os dados descritivos são retirados do documento e transcritos em uma ficha
catalográfica ou em um registro no formato MARC, durante o processo da catalogação,
visando à recuperação pelo usuário.
Não obstante a evolução de fichas catalográficas manuscritas e impressas para os
registros bibliográficos legíveis por máquina, é grande o uso de ficha catalográfica impressa
nos trabalhos acadêmicos, considerando sua recomendação feita pela NBR 14724/2011, que
em seu item sobre o verso da folha de rosto diz “Deve conter os dados de catalogação-napublicação, conforme o Código de Catalogação Anglo-Americano vigente”(ABNT, 2011, p.
7).

3 Procedimentos metodológicos
A execução do projeto exigiu uma logística bastante complexa de recursos, visto que
houve a necessidade de pesquisar sobre sistemas similares existentes e definição dos campos
da ficha catalográfica.
A Comissão Técnica, instância deliberativa para questões administrativas, técnicas e
financeiras, e assessoria da Diretoria em assuntos de planejamento, gestão e outros de
natureza técnica, composta pelos chefes de setores, cinco bibliotecários e um técnico em

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

3

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

tecnologia da informação, planejou e desenvolveu as atividades desse projeto. Além disso, a
colaboração dos demais bibliotecários da universidade, como também, dos pós-graduandos
que fizeram os primeiros testes foi de fundamental importância para a conclusão do sistema.
Segundo Cristianini, Moraes Castro (2010) existem muitos serviços de catalogação na
fonte encontrados nos sites de bibliotecas universitárias e a maior parte deles disponibiliza um
formulário para o preenchimento pelo usuário com os dados da publicação necessários para a
catalogação e o envio da ficha catalográfica se faz por e-mail após alguns dias. Algumas
bibliotecas possibilitam o agendamento de uma entrevista para coletar os dados para a
elaboração da ficha e outras disponibilizam e-mail para contato em caso de necessidade de
obtenção da ficha.
Ainda, segundo o relato de Silva (2008), há sistemas que disponibilizam um
formulário onde o preenchimento é realizado pelo usuário e, após a confecção da ficha, pelo
bibliotecário, o usuário por meio de um sistema específico, identifica quando a ficha de sua
tese ou dissertação foi concluída.
No sistema desenvolvido pela equipe da Biblioteca da UFLA, optamos por eliminar a
primeira interação com o usuário ou o armazenamento da ficha, por entender que pode ser
replicada a qualquer momento. Além disso, a expectativa era que a ficha fosse gerada no
editor “.docx”, pois, após eventuais correções na dissertação ou tese possibilitaria ao usuário
alteração de número de páginas ou outros pequenos acertos.
O sistema foi desenvolvido utilizando basicamente 5 tecnologias: HTML,
JAVASCRIPT, PHP5, JAVA, IREPORT. A interface do usuário foi concebida utilizando
HTML e JAVASCRIPT, no lado do servidor foi utilizado inicialmente PHP5 para gerar o
documento em PDF, entretanto identificou-se a necessidade de gerar documento em formato
editável, afim de atender a esta demanda foram utilizadas também as tecnologias JAVA e
IREPORT.
A divulgação e o envolvimento da comunidade acadêmica foram fundamentais para o
sucesso do projeto. Foram utilizados para divulgar o sistema: o e-mail, as listas de discussão,
o Sistema UFLA de Comunicação (site e internet) e os canais de comunicação da Biblioteca
(TV indoor, rede social, site).
Cabe mencionar que o vídeo instrucional foi preparado em parceria com o Laboratório
de Educação Conectada do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal
de Lavras (Leduc/DCC/UFLA).
Foi preparado um cronograma, Quadro 1, com o objetivo de estabelecer a
representação gráfica do tempo que foi investido em cada determinada etapa ou atividade no
âmbito desse projeto. Esta ferramenta ajudou a controlar e visualizar eficientemente o
progresso do trabalho.
Quadro 1- Ações e etapas

X
X

X

X

X

X

X
X

X

X

2015

X

X

Dez.

X

Nov.

Solicitação de alteração da instrução
normativa da PRPG

X

X

X

Out.

8

X

Set.

Parecer da comissão técnica;

X

X

Ago.

7

X

Jul.

6

Definição dos tipos de trabalhos que o
sistema confeccionará a ficha;
Programação do sistema;

Jun.

5

Maio

Definição de rotinas do sistema;

Abr.

4

2

Mar

3

Estudo de viabilidade de implantação do
sistema;
Identificação de universidade que
utilizam sistemas similares;
Seleção do formato do sistema;

Fev.

1

Jan.

Ações 2014/2015

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

4

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
9

Testes;

X

X

10

Correções;

X

X

11

X

X

12

Avaliação por todos bibliotecários da
UFLA;
Novos Testes;

X

X

13

Novas correções;

X

X

14

Construção de uma página no site da
biblioteca com informações sobre a
confecção da Ficha
Configurar
e-mail
com
resposta
automática informando sobre o sistema;
Delegar confecção de ficha catalográfica
de livros para Coordenadoria de
Processos Técnicos
Passar
senha
do
e-mail
ficha@biblioteca.ufla.br
para o bibliotecário responsável
Divulgação no sistema UFLA de
comunicação
Acompanhamento pela Coordenadora de
Produtos e Serviços
Conferência das primeiras fichas no
momento de entrega das teses e
dissertações nos trâmites pós-defesa
Redação do relato de experiência

15
16
17
18
19
20
21

X

X

X

X

X

X
X
X
X
X
X
X

X

X

X
X

Fonte: Dados da pesquisa

Neste trabalho também foi utilizada uma entrevista estruturada de caráter exploratório
e de coleta de informações, com questões abertas, visando a sondagem da posição dos
usuários que prepararam a ficha catalográfica com o sistema de geração automática com
dados fornecidos pelos mesmos.

4 Diretrizes para o preenchimento do formulário de geração automática de ficha
catalográfica
Com o objetivo de dinamizar os trâmites pós-defesa, as fichas catalográficas para
dissertações e teses passaram a ser elaboradas por meio do Sistema de Geração Automática de
Ficha, com dados de identificação da obra fornecidos pelo próprio autor. Com essa inovação,
as fichas para trabalhos de conclusão de curso para graduação, monografias e relatórios de
estágios também foram disponibilizadas.
No sistema de elaboração da ficha catalográfica pelo autor é preciso apenas preencher
os campos com os dados da obra, conforme orientações da Quadro 2. Os dados fornecidos
para geração da ficha são de responsabilidade do usuário. O programa faz a ordenação e
formatação correta dos dados de identificação da obra, apresentando a ficha finalizada e
normalizada, em um arquivo.doc, disponível para download e/ou impressão. Nesse formato,
não há número de classificação do conteúdo.
Quadro 2 - Diretrizes para o preenchimento e geração automática de ficha catalográfica
Campos

Descrição / exemplos

Nome do Autor*

É o responsável direto pela redação da obra. Apenas as letras iniciais em
maiúsculo.
Exemplo:
Maria

Nome do meio

Digite os primeiros sobrenomes, incluindo as preposições (se for o caso).
Exemplo:
Souza de

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5

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
Sobrenome do autor*

Digite seu último sobrenome. Utilize sempre o sobrenome da forma que você
costuma publicar seus trabalhos. Apenas as letras iniciais em maiúsculo.
Exemplos:
Autor: Maria Souza de Oliveira
Sobrenome: Oliveira
Autor: Adriano Gonçalves Bernardes Júnior
Sobrenome: Bernardes Júnior
Autor: Júlio Moreira Neto
Sobrenome: Moreira Neto
Autor: Alexandre Rodrigues Sobrinho
Sobrenome: Rodrigues Sobrinho

Título do trabalho*

Informe o título do seu trabalho conforme consta na ata de defesa. Caso
tenha termo científico, selecione-o e marque o itálico. Não usar pontuação.
Digite apenas a letra inicial em maiúsculo ou para nomes próprios.

Subtítulo do trabalho

Informe o subtítulo do seu trabalho conforme consta na ata de defesa. Caso
tenha termo científico, selecione-o e marque o itálico. Não usar pontuação.
Usar maiúsculo somente para nomes próprios.

Trabalho ilustrado

Marque esta opção, caso seu trabalho possua ilustrações.

Trabalho

Selecione o tipo de trabalho (tese, dissertação, TCC, monografia, relatório de
estágio, etc…)

Nome do orientador*

Digite o nome do seu orientador e nomes/sobrenomes do meio, se for o caso.
Seguindo as mesmas orientações de autores. Não incluir títulos como Prof.,
Dr. ou Msc.

Ano de publicação

Registre o ano em que o trabalho foi entregue (inserir o ano com quatro
dígitos).
Exemplo: 2015

Ano de defesa

Registre o ano em que o trabalho foi defendido (inserir o ano com quatro
dígitos).
Exemplo: 2015

Número de páginas

Registre o número total de páginas.

Assuntos *

Informe no mínimo três e no máximo cinco palavras-chave do seu trabalho.
Registre palavras ou expressões que representam o conteúdo do seu trabalho.
Evite termos redundantes ou repetitivos. Não incluir pontuação.

* Campos de preenchimento obrigatório.
Fonte: Universidade Federal de Lavras (2016)

O atendimento das fichas para demais obras editadas na UFLA, livros, textos
acadêmicos, anais de eventos, são preparadas pela equipe da Coordenadoria de Processos
Técnicos da Biblioteca Universitária.

5 Resultados
O Sistema de elaboração de ficha catalográfica com dados fornecidos pelo próprio
autor surgiu com a demanda de atender um grande número de solicitações de fichas
catalográfica para teses e dissertações, crescente a cada ano. Considerando que este sistema
foi implantado a pouco mais de um ano, foram selecionados, aleatoriamente, 30 pósgraduandos que prepararam a ficha catalográfica de suas teses ou dissertações com a
finalidade de relatarem sua experiência com o recurso.
A pesquisa de opinião indicou a imagem de uma determinada população de 220
usuários, a qual pode apontar informações sobre esse produto. Assim, o pós-graduando X,
considerou o sistema ótimo e que facilitou bastante o processo. Na mesma esteira o pósgraduando y e t, fizeram ponderações similares dizendo que o sistema foi eficiente e agilizou
o processo dos trâmites pós-defesa.
No mesmo contexto, o pós-graduando R, expôs que percebeu a elaboração da ficha
catalográfica como muito fácil de ser feita, de fácil acesso e que a Biblioteca Universitária da

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

6

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

UFLA deveria continuar nesse sistema, já que facilita e elimina um pouco a burocracia para a
entrega das obras.
Noutro giro, porém com o mesmo foco a pós-graduando H, discurso sobre o novo
sistema de geração automática da Ficha, afirmando que é prático, rápido e eficiente.
Apresentou ainda sugestões que considerou um exemplo de praticidade e de sustentabilidade
(pois agiliza o processo e gasta menos dinheiro/papel), além de e diminuir a burocracia e,
principalmente, a necessidade excessiva de papéis e de um CD com o resumo/abstract.
Concluindo seu depoimento, indicou que tudo seria mais prático se pudesse ser enviado
eletronicamente. Afinal, a sociedade está na era digital e 'digitalização de documentos' deve
ser aproveitada para produzir menos lixo e gastar menos recurso.
Para compor a avaliação do sistema, foi realizada uma pesquisa com 220 usuários da
Biblioteca Universitária, utilizando uma escala ordinal em que o respondente assinalou uma
alternativa de 1 (UM) a 10 (DEZ), a fim de avaliar o quanto está satisfeito com o serviço. Para
os usuários que não tivessem condições de avaliar, bastaria marcar opção no formulário de
“Não tenho condições de avaliar”. É importante mencionar que, quanto mais próximo do
número 1(UM) o usuário se posicionasse, menos ele estaria satisfeito, e quanto mais próximo
do número 10(DEZ) se posicionasse, mais satisfeito estaria.
É importante considerar que, dos 220 usuários que responderam o questionário, 117
não souberam avaliar o sistema, 53% da população inquerida, como pode ser observado no
Gráfico 1. Esse resultado pressupõe que os respondentes podem ser alunos de graduação ou
pós-gradução que não tiveram contato com o sistema no decorrer do seu curso ou
simplesmente o desconhecem, provocando a necessidade do desenvolvimento de ações
estratégicas de divulgação.

Fonte: Dados da pesquisa

Considerando, os questionários que registraram sua percepção sobre o sistema,
identificamos que 34,6% avaliaram com nota máxima, 23,46% com nota 9, 20,48% com a
nota 8. Os demais se posicionaram entre as notas 1 a 7. Com os resultados podemos observar
que o recurso obteve grande aceitação pela comunidade acadêmica.

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

7

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

6 Conclusão
A catalogação na fonte para trabalhos acadêmicos é recomendada pela NBR
14724/2011 e exigida para dissertações e teses defendidas na UFLA sendo facultativa para as
monografias e TCCs. Entretanto, o crescimento do número de cursos de pós-graduação sem
contrapartida no número de bibliotecários, torna esta tarefa inviável de ser realizada,
manualmente, em tempo hábil sem prejuízos de tempo para os autores.
O sistema de elaboração de ficha catalográfica propiciou independência e agilidade ao
aluno de pós-graduação na obtenção de sua ficha catalográfica, ao mesmo tempo que permite
que os alunos de graduação também sejam atendidos. Além desses benefícios, este sistema
libera um bibliotecário para se dedicar a outras atividades, resultando em melhor
aproveitamento dos recursos humanos da biblioteca.
Do ponto de vista técnico, este sistema garante estatísticas mais precisas de seu uso.
Uma vez que a ficha é gerada automaticamente pelo sistema, verificou-se uma redução da
circulação de usuários no setor responsável pela elaboração das fichas, tendo como benefícios
também a redução de ruídos provocados e interrupções de atividades de cunho técnico.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14724:
Informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro,
2011.
BAPTISTA, D. M. A catalogação como atividade profissional especializada e objeto de
ensino universitário. Informação &amp; Informação, Londrina, v. 11, n. 1, jan. / jun. 2006.
CRISTIANINI, G. M. S.; MORAES, J. de S.; CASTRO, M. A. S. Sistema para geração
automática de ficha catalográfica para teses e dissertações: mais autonomia para o usuário. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16., Rio de Janeiro.
Anais... Rio de Janeiro: UFRJ, 2010. Disponível em:
&lt;http://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0070/trabalhos /final_293.pdf&gt;. Acesso em: 25
jan. 2016.
MEY, E. Introdução à catalogação. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros, 1995.
MEY, E. S. A.; SILVEIRA, N. C. Catalogação no plural. Brasília, DF: Briquet de Lemos/
Livros, 2009.
ORTEGA, C. D. Do princípio monográfico à unidade documentária: exploração dos
fundamentos da Catalogação. Liinc em Revista, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 43-60, mar.
2011. Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/liinc&gt;. Acesso em: 23 dez. 2015.
SILVA, A. C. et al. Sistema de solicitação de ficha catalográfica SIB-UnP. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 15., São Paulo. Anais... São Paulo:
USP, 2008. Disponível em: &lt;http://www.sbu.unicamp.br/
snbu2008/anais/site/pdfs/3109.pdf&gt;. Acesso em: 25 jan. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. Diretrizes para o
preenchimento do formulário de Geração Automática de Ficha Catalográfica. 2016.
Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.ufla.br/?page_id=3206&gt;. Acesso em: 10 jun. 2016.

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O objetivo desse relato é apresentar como foi a implantação de um sistema de geraçãoautomática de ficha catalográfica na Biblioteca Universitária da UFLA, com dados fornecidos pelo próprio autor. A execução do projeto exigiu uma logística bastante complexa de recursos, visto que houve a necessidade de pesquisar sobre sistemas similares existentes e definição dos campos da ficha catalográfica e o cumprimento de várias etapas. Com a implantação do sistema foi possível automatizar essa rotina, reduzindo filas de atendimento, dar celeridade aos trâmites pós-defesa de teses e dissertações, além de possibilitar a realocação de um profissional, anteriormente, dedicado exclusivamente a esta atividade.</text>
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                    <text>IDENTIFICAÇÃO DE REQUISITOS DE QUALIDADE DEMANDADOS
POR USUÁRIOS DE BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: UM ESTUDO
DE CASO

Vítor Vasata Macchi Silva (UFRGS) - vasata@hotmail.com
Andreia Petró da Rosa (UFRGS) - andreia.petro@hotmail.com
Ana Cláudia da Costa Leite (UFRGS) - anaclaudialeite94@gmail.com
Rodrigo Silva Caxias Sousa (UFRGS) - rodrigo.caxias@ufrgs.br
Resumo:
Propõe melhorias relacionadas aos requisitos mais valorizados pelos usuários da Biblioteca
Central de uma Universidade Federal identificados a partir de um estudo de usuários. Objetiva
identificar o perfil dos usuários que frequentam essa Biblioteca e, também, os requisitos que
esses mais valorizam em unidades de informação. Cinco etapas compõem o método de
trabalho. São elas: caracterização do cenário; elaboração e aplicação do questionário;
identificação do perfil dos usuários; identificação dos requisitos valorizados pelos usuários; e
proposição de melhorias à Biblioteca. A metodologia utilizada para identificação dos requisitos
é a proposta por Ribeiro et al. (2001). Os resultados indicam que a maioria dos usuários não
utiliza o acervo disponível e, também, que as mesas de estudo correspondem ao principal
motivo para ida dos usuários à Biblioteca. Os resultados indicam, ainda, que “Infraestrutura” é
a categoria mais valorizada pelos usuários da Biblioteca em estudo. Além destes aspectos, os
resultados apontam que os requisitos mais valorizados pelos usuários desta Biblioteca são
“disponibilizar salas fechadas para trabalhos em grupo”, “disponibilizar computadores para
pesquisa” e “disponibilizar rede wi-fi”. As propostas de melhoria se relacionam a esses
requisitos. Aponta que o atendimento das propostas listadas pode contribuir para a melhoria
da percepção dos usuários com relação aos serviços oferecidos pela Biblioteca.
Palavras-chave: Estudos de usuários. Universidade Federal. Biblioteca Central.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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Introdução

A biblioteca, ao ser vista como uma organização que busca constantemente alcançar
os resultados pretendidos (MACIEL; MENDONÇA, 2006), necessita da implantação de
processos que objetivem a melhoria contínua em relação à prestação de serviços. A
possibilidade de investigações relacionadas a essas organizações se constituem, desta forma,
em estratégias que possibilitam à biblioteca competir, com maior acerto, no ambiente de
inovações e incertezas que caracterizam a dinâmica de mercado das instituições sem fins
lucrativos. Ademais, conforme pontuam Maciel e Mendonça (2006), observar o
funcionamento das bibliotecas se constitui em uma forma de facilitar seu gerenciamento, de
acrescentar qualidade aos seus produtos e serviços e, também, de evidenciar o seu papel junto
às comunidades e seus usuários.
Nesse sentido os estudos de usuários se consolidam como alternativas que tem como
objetivo saber o que os indivíduos necessitam em matéria de informação, ou saber se as
necessidades de informação por parte dos usuários de uma biblioteca estão sendo satisfeitas
de maneira adequada (FIGUEIREDO, 1994). Complementarmente, Figueiredo (1994) aponta
que, a partir destes estudos, pode-se verificar por que, como e para quais fins os indivíduos
usam informação e, também, quais fatores afetam seu uso. Sanz Casado (1994), por sua vez,
define o estudo de usuários como um conjunto de estudos que procura tratar qualitativa e
quantitativamente os hábitos de informação dos usuários mediante a aplicação de distintos
métodos. Quanto às aplicações desses estudos, o autor destaca que essas podem se relacionar
com aspectos como o conhecimento dos hábitos e necessidades de informação dos usuários e
a adequação do espaço destinado aos usuários.
Estudos que considerem contribuições metodológicas de distintas áreas do
conhecimento tem se consolidado como uma dinâmica recorrente na Ciência da Informação.
Neste cenário, o Desdobramento da Função Qualidade, do inglês Quality Function
Deployment (QFD), corresponde a um método que, segundo Ferreira (1997), pode ser
utilizado para planejar, projetar e estruturar uma biblioteca moderna para os padrões de
qualidade existentes, oriundo de uma interface que observa os processos de gestão a partir das
áreas de engenharia e administração. A partir disto, aponta-se que a pesquisa aqui proposta se
vale de etapas iniciais do QFD, a qual é utilizada de modo a identificar os aspectos mais
valorizados pelos usuários e direcionar as tomadas de decisão gerenciais da Biblioteca em
estudo.
Tais aspectos implicam em interpretar que o planejamento inicial da biblioteca pode
requerer atualizações em função das condições em que a unidade de informação se encontra
(FIGUEIREDO, 1994). Em contextos com tais características, os estudos de usuários têm
como proposição rever aspectos centrais em relação aos tipos de serviços oferecidos, às
estruturas organizacionais existentes, ao número de profissionais disponíveis e, também, aos
recursos necessários para que a biblioteca cumpra a sua missão. Partindo destes aspectos,
aponta-se que o estudo aqui proposto se fez necessário em função do desconhecimento do
perfil e das necessidades de informação dos usuários da Biblioteca em análise, implicando em
dificuldades relativas à realização de tarefas relacionadas à administração dessa unidade de
informação. Dentre as dificuldades encontradas, está a ausência de um plano de identificação
de requisitos que contemple a opinião dos usuários e que possa ser utilizado para orientar a
alocação de recursos humanos e financeiros. Espera-se, desta forma, que a alocação dos
recursos a partir da priorização dos requisitos contribua para a melhoria da percepção dos
usuários a respeito dos produtos e serviços a eles oferecidos.
A partir dos elementos apresentados, pontua-se que o tema deste trabalho relaciona-se

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

com o estudo de usuários da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul. Tal estudo procura responder aos seguintes problemas de pesquisa: Qual o perfil dos
usuários que frequentam essa Biblioteca? Quais os requisitos que esses usuários mais
valorizam em unidades de informação? De modo complementar, destaca-se que o objetivo
geral deste trabalho é propor melhorias relacionadas aos requisitos mais valorizados pelos
usuários da Biblioteca a partir de um estudo de usuários. Os objetivos específicos são
identificar o perfil dos usuários que frequentam essa Biblioteca e, também, os requisitos que
esses mais valorizam em unidades de informação.
As próximas seções deste trabalho apresentam: (i) o referencial teórico que embasa o
estudo; (ii) o método de trabalho proposto para identificar o perfil e os requisitos mais
valorizados pelos usuários da Biblioteca; (iii) o desenvolvimento do trabalho, que engloba as
etapas de estruturadas para proposição de melhorias relacionadas aos requisitos mais
valorizados pelos usuários; e (iv) as considerações finais sobre o trabalho desenvolvido.

2

Revisão de literatura

A administração de bibliotecas tem como finalidade assegurar que todas as funções
desempenhadas no âmbito da unidade, independente do caráter (administrativo, técnico ou de
serviços), sejam desenvolvidas com eficiência e eficácia, em consonância com a missão, os
objetivos e as metas da instituição (MACIEL; MENDONÇA, 2006). A partir disso, segundo
Maciel e Mendonça (2006), o planejamento, o controle e a avaliação constante do
desempenho das bibliotecas configuram atividades de suma importância para sua vitalidade.
De modo complementar, Maciel e Mendonça (2006) destacam que o acúmulo de
funções gerenciais, técnicas e informacionais por parte dos bibliotecários e, também, a falta
de conhecimento desses profissionais sobre o histórico da biblioteca e sobre a comunidade a
qual a biblioteca se dispõe a atender, constituem barreiras para administração das bibliotecas
(MACIEL; MENDONÇA, 2006). Essas autoras apontam ainda que o planejamento e a
elaboração de políticas de bibliotecas devem perpassar pelo estudo da comunidade de
usuários. Tal estudo, segundo essas autoras, deve apresentar um diagnóstico do perfil dos
usuários e indicar suas principais características, seus desejos e necessidades informacionais,
seus hábitos de leitura e de frequência à biblioteca e tudo mais que for conveniente conhecer.
Carvalho (2004) aponta que, dentro de um espaço universitário, é indispensável que
haja o espaço de biblioteca, pois considera esse um dos espaços facilitadores da
aprendizagem, visto que possibilita a troca de conhecimentos literários entre alunos,
professores e funcionários. Além disto, segundo esse autor, a estrutura de uma biblioteca
universitária só pode se tornar qualificada e eficaz se alimentada corretamente pela
universidade que a rege. Afinal, essa estrutura não é autônoma, mas sim completamente
dependente da universidade. De modo complementar, quanto à relação existente entre
universidade e biblioteca, Ferreira (1980) destaca que pelo tipo e pela qualidade dos serviços
prestados pela sua biblioteca, é possível medir-se o grau de desenvolvimento de uma
universidade, pois já não se admite, em nossos dias, a possibilidade de um trabalho intelectual
sério sem que o mesmo seja calcado em fontes bibliográficas atualizadas.
Quanto às bibliotecas centrais universitárias, Ferreira (1980) destaca que a biblioteca é
o órgão que centraliza ou coordena de direito, ou de fato, as atividades biblioteconômicas e
documentárias da universidade. A biblioteca central é vista, assim, como a administradora do
sistema de todas as bibliotecas da universidade. Para uma universidade, possuir uma

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biblioteca central implica em ganhos, pois é esse núcleo que irá coordenar outras bibliotecas
setoriais. Isso, segundo Ferreira (1980), faz com que determinados funcionários se destinem a
tarefas de cunho administrativo das bibliotecas, e outros se destinem aos cuidados gerais de
acervo e usuários e observem aspectos como aquisição, desbastamento de coleção e serviço
de referência. Diante dessa diversidade de aspectos e considerando a segmentação dos
públicos e atividades nas bibliotecas centrais os estudos de usuários se constituem em um
instrumento de gestão fundamental à administração de bibliotecas.
Os estudos de usuários são necessários para conhecer e traçar o perfil dos usuários das
unidades de informação, permitindo reconhecer e identificar como as atividades podem ser
desenvolvidas e administradas para que os níveis de satisfação apresentados pelos usuários
sejam sempre elevados (NEVES; ANDRADE, 2012). Esses estudos são vistos, desta forma,
como canais de comunicação que se abrem entre a biblioteca e a comunidade a qual ela serve
(FIGUEIREDO, 1994). Desta forma, segundo Figueiredo (1994), os estudos de usuários
podem ser entendidos como estudos necessários para ajudar a biblioteca na previsão da
demanda ou da mudança da demanda de seus produtos ou serviços, o que permite que sejam
alocados os recursos adequados, considerando a conjuntura na qual a biblioteca encontra-se
inserida.
Quanto às funções dos estudos de usuários, Sanz Casado (1994) afirma que estes
estudos subsidiam a avaliação dos recursos e da eficácia dos centros de informação,
identificam adequações necessárias, relacionadas ao espaço físico e infraestrutura, e permitem
reconhecer grupos homogêneos de usuários para posterior realização de treinamentos
direcionados às necessidades específicas de cada grupo de indivíduos. Araújo (2008), por sua
vez, ressalta que os estudos de usuários servem de instrumento para elaboração de um
diagnóstico da situação atual. Sendo assim, apresentam um panorama da situação atual e
permitem projeções para o futuro.
A pesquisa de mercado executada na etapa inicial do Quality Fuction Deployment
(QFD) corresponde a uma atividade que deve ser realizada para ouvir a voz dos clientes, para
realizar o desdobramento da qualidade demandada por esses e, também, para identificar a
importância dos itens da qualidade demandada por esses indivíduos (RIBEIRO et al., 2001).
No âmbito das bibliotecas, tal pesquisa pode ser realizada, então, para identificar os aspectos
que os usuários dessas unidades de informação mais valorizam nesses espaços. Como
contribuição, destaca-se que a identificação de tais fatores pode direcionar a alocação dos
recursos e contribuir para a melhoria da satisfação dos usuários com relação às bibliotecas.

3

Materiais e métodos

Nesta seção são descritos: o (i) método de pesquisa e o (ii) método de trabalho
utilizados neste estudo. A partir destas seções são descritas a metodologia de pesquisa
utilizada e, também, as etapas estruturadas para que os objetivos propostos sejam atingidos.

3.1

Caracterização do método de pesquisa

Esta é considerada uma pesquisa aplicada, pois são investigados os meios pelos quais
se pode desenvolver e aprimorar produtos, processos ou sistemas, com vistas à satisfação de
uma necessidade específica e reconhecida (MIGUEL, 2012). Além disto, tal estudo também é
considerado exploratório, pois busca identificar e/ou descrever características ignoradas até o

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Na terceira etapa foi identificado o perfil dos usuários da Biblioteca em análise. Para
compilação e análise dos dados obtidos nos questionários, foi utilizado o software excel. A
apresentação dos resultados, por sua vez, privilegiou a apresentação percentual das
distribuições observadas.
Na etapa 4 foram identificados os requisitos mais valorizados pelos usuários da
unidades de informação em estudo. Para compilação e análise dos dados levantados nos
questionários, também foi utilizado o software excel. A metodologia utilizada para
identificação dos itens (requisitos) de qualidade demandada pelos usuários da Biblioteca em
estudo foi a proposta por Ribeiro et al. (2001). Tal metodologia indica que a priorização dos
requisitos deve ocorrer a partir da pontuação atribuída pelos usuários às categorias de
requisitos (no caso: infraestrutura; serviços; atendimento; acervo; e acessibilidade). O
detalhamento da metodologia proposta por esses autores é realizado na seção 4.4.
A quinta etapa objetivou a proposição das melhorias a serem implantadas de forma a
atender aos requisitos mais valorizados pelos usuários. Para proposição de tais melhorias,
foram utilizados os resultados obtidos e apresentados nas etapas 3 e 4 do método de trabalho.

4

Resultados

Esta seção divide-se conforme as etapas estruturadas na caracterização do método de
trabalho: (i) caracterização do cenário; (ii) elaboração e aplicação do questionário; (iii)
identificação do perfil dos usuários; (iv) identificação dos requisitos valorizados pelos
usuários; e (v) proposição de melhorias à Biblioteca.

4.1

Caracterização do cenário

A caracterização do cenário onde foi realizado o estudo foi dividida em duas seções
distintas: (i) ambiente externo e (ii) ambiente interno. A primeira apresenta informações
relativas à Universidade onde se encontra a Biblioteca; a segunda, por sua vez, informa
aspectos relacionados aos setores da Biblioteca e suas atribuições.
4.1.1 Ambiente externo
No que diz respeito à Biblioteca Central (BC), destaca-se que esta Biblioteca
corresponde a um órgão suplementar da Universidade, o qual corresponde ao órgão integrador
e coordenador das Bibliotecas setoriais da Instituição. Destaca-se, ainda, quanto ao acervo que
a Biblioteca gerencia, que 82,40% das quase 900 mil obras disponibilizadas pela
Universidade correspondem a livros. Os usuários aptos a utilizar as Bibliotecas da
Universidade, por sua vez, correspondem a aproximadamente 30 mil alunos, sendo que, deste
montante, aproximadamente 67% correspondem a alunos de graduação.

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4.1.2 Ambiente interno
A BC possui seis setores que administram atividades externas e internas. As atividades
externas se caracterizam pela coordenação de todo o conjunto de Bibliotecas da Universidade.
As atividades internas, por sua vez, são realizadas pelos setores, os quais são divididos em:
• Direção: a qual administra o Sistema de Bibliotecas da Universidade e, também, a
Biblioteca Central;
• Núcleo de Aquisição: setor que faz a gestão e operacionalização de processos de
aquisição, desfazimento e descarte de materiais bibliográficos;
• Departamento de Serviços aos Usuários: setor que oferece produtos e serviços aos
usuários, de modo a auxiliar na recuperação, no uso e na produção de informações;
• Departamento de Processos Técnicos: setor que realiza o tratamento da informação
e seleção de doações;
• Departamento de Obras Raras: setor que realiza o processamento técnico e a guarda do
acervo de obras raras, bem como o atendimento aos pesquisadores destas obras;
• Laboratório de Conservação: setor que se responsabiliza pela preservação,
conservação e restauração das obras da Biblioteca Central.

4.2

Elaboração e aplicação do questionário

Para elaboração do questionário a ser aplicado, a equipe de trabalho reuniu-se com o
objetivo de identificar quais requisitos (aspectos de avaliação) deveriam ser analisados em
cada uma das categorias. Nesta tarefa, a equipe preocupou-se em listar os principais aspectos
que poderiam interferir na ida dos usuários à Biblioteca para atender suas necessidades de
informação. Além disto, destaca-se que nem todos os requisitos listados no questionário
correspondem a elementos que podem ser encontrados na Biblioteca. Com isto, buscou-se
identificar se a unidade em análise pode incorporar alguns elementos que atualmente não são
oferecidos, mas que são importantes para os usuários. Como exemplo, podem ser citados os
requisitos “oferecer atendimento noturno” e “oferecer serviços de digitalização e reprografia
(xerox)”.
Além dos aspectos citados, destaca-se que a elaboração do questionário procurou
obedecer a metodologia proposta por Ribeiro et al. (2001) que propõe, entre outros aspectos,
que o número de requisitos em cada categoria deve ser aproximadamente o mesmo. Assim, as
categorias foram organizadas de modo a apresentar sempre quatro ou cinco requisitos,
quantidade considerada suficiente pela equipe de trabalho para observar os itens prioritários
para os usuários. A aplicação do questionário, por sua vez, ocorreu durante o mês de Junho de
2015. A abordagem era aleatória e os usuários eram convidados a responder o questionário
quando achassem melhor. Além disto, destaca-se que as abordagens ocorreram nos turnos da
manhã e da tarde e, também, que 20 usuários aceitaram participar da pesquisa.

4.3

Identificação do perfil dos usuários

A identificação do perfil dos usuários ocorreu a partir da análise das respostas obtidas
nos questionários aplicados. Neste âmbito, destaca-se que a idade média dos respondentes foi
de 31,3 anos e que 55% dos respondentes eram do sexo feminino. Quanto ao nível de

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escolaridade, destaca-se que 70% dos respondentes possuíam nível superior incompleto. Com
relação ao vinculo dos usuários com a Universidade, destaca-se que 60% dos respondentes
corresponderam a alunos de graduação. Quanto às áreas de interesse, destaca-se que os
respondentes afirmaram possuir maior interesse nas áreas de Ciências Sociais Aplicadas
(41,2% do total de respondentes) e Ciências Humanas (35,3%).
Quanto à frequência de uso da Biblioteca, destaca-se que o levantamento indicou que
60% dos respondentes afirma frequentar a Biblioteca mais de uma vez por semana, enquanto
20% afirmam frequentar a Biblioteca uma vez por semestre em média. Com relação à
identificação dos motivos que levam os usuários à Biblioteca Central, destaca-se que esses
deveriam ser avaliados da seguinte maneira: o motivo mais importante deveria possuir
importância “1”, o segundo mais importante deveria possuir importância “2” e assim
sucessivamente. A partir disto, a importância dos motivos que levam os usuários à Biblioteca
foi analisada a partir da soma dos inversos dos pesos atribuídos pelos respondentes, proposta
por Ribeiro et al. (2001). Assim, por exemplo, se 5 respondentes classificaram um item como
2º, 1º, 4º, 2º, 2º, a soma dos inversos resulta na Equação 1. Desta forma, em um cenário com 5
respondentes, caso todos esses considerassem um aspecto como o mais importante, o
somatório do inverso dos pesos seria igual a 5.
Equação 1 – Exemplo de soma dos inversos

1 1 1 1 1
+ + + + = 2,75
2 1 4 2 2

Fonte: Adaptado de Ribeiro et al. (2001)

A partir dos dados levantados nos 20 questionários respondidos, foi identificado que o
motivo que mais leva os usuários à Biblioteca é “utilização de mesas de estudo”, o qual
recebeu peso 9,75. Após esse motivo apareceram “uso de tecnologias” (peso 7,28), “consulta
ao acervo” (4,98), “ambiente silencioso” (4,83) e “busca de informação junto aos
bibliotecários” (2,83). Percebe-se, a partir destes aspectos, que os maiores pesos se referem à
infraestrutura da Biblioteca – aspecto que demonstra uma tendência, por parte dos usuários,
de utilização do espaço físico e dos recursos tecnológicos, em detrimento de aspectos como
atendimento e consulta ao acervo.
Com relação ao comportamento de busca da informação dos respondentes, pode-se
identificar que 88,2% dos usuários afirmam que buscam informações através de pesquisa no
Sistema de Bibliotecas da Universidade, enquanto 11,8% afirmaram que percorrem as
estantes quando necessitam buscar alguma informação na Biblioteca. A partir destes
resultados, pode-se perceber que tais resultados estão alinhados à análise que indica o baixo
peso atribuído à atividade de busca de informação junto aos bibliotecários. Nesta questão
destaca-se, ainda, que a opção de consulta ao bibliotecário não foi assinalada por nenhum dos
respondentes. A partir dessas respostas, pode-se inferir que, majoritariamente, os usuários da
Biblioteca em estudo apresentam um comportamento autônomo de busca à informação.
Quanto à utilização do acervo pelos respondentes, pode-se identificar que 44,4% dos
respondentes afirmaram não utilizar o acervo da Biblioteca, enquanto 38,9% dos respondentes
afirmaram utilizar o acervo disponível para fins acadêmicos.

4.4

Identificação dos requisitos valorizados pelos usuários

A identificação dos requisitos valorizados pelos usuários ocorreu a partir da
metodologia proposta por Ribeiro et al. (2001). Tal metodologia propõe que a equipe de

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pesquisa pode organizar as respostas a serem avaliadas no questionário quantitativo em
estrutura de árvore, a qual deve refletir o desdobramento da qualidade demandada. O Quadro
1 apresenta a árvore da qualidade demandada estruturada pela equipe de trabalho.
Quadro 1 – Árvore da qualidade demandada organizada pela equipe de trabalho
Nível primário
Nível secundário
Nível terciário
Disponibilizar computadores para pesquisa
Disponibilizar mesas para estudo individual
Planejamento
Infraestrutura
Disponibilizar rede wi-fi
Disponibilizar salas fechadas para trabalhos em grupo
Disponibilizar acervo impresso para empréstimo
Capacitar usuários para uso de bases de dados
Processo
Serviços
Oferecer serviços de normalização de trabalhos acadêmicos
Oferecer serviços de digitalização e reprografia (xerox)
Oferecer agendamento para consulta a obras raras
Oferecer atendimento à noite (18h às 22h)
Oferecer atendimento aos sábados (8h às 12h)
Processo
Atendimento
Fornecer auxílio nas pesquisas realizadas
Oferecer atendimento online (chat)
Oferecer atendimento multilíngue
Disponibilizar obras recentes de sua área de interesse
Disponibilizar obras em bom estado de conservação
Planejamento
Acervo
Disponibilizar obras raras para consulta
Possuir acervo digital
Possuir sinalização fácil de ser entendida
Ser fácil de ser acessada (portas amplas, rampas, poucos degraus)
Planejamento
Acessibilidade
Possuir piso tátil (piso em alto relevo para caminhada segura)
Ser acessível a Pessoas com Deficiência (PcD)
Disponibilizar tecnologias assistivas (lupas, leitores de tela)
Fonte: elaborado pelos autores

A partir da análise do Quadro 1, pode-se perceber que a equipe de trabalho classificou,
no nível primário, os itens a serem avaliados em “planejamento” ou “processo”. No nível
secundário, por conseguinte, os requisitos foram classificados conforme as categorias
estabelecidas pela equipe de trabalho: infraestrutura, serviços, atendimento, acervo e
acessibilidade. O nível terciário, por sua vez, evidenciou os requisitos selecionados para
serem avaliados pelos usuários.
Quanto ao desdobramento da metodologia utilizada, Ribeiro et al. (2001) apontam
que, no questionário fechado, podem ser atribuídos pesos aos itens de qualidade demandada.
Para tanto, esses autores apontam que o questionário fechado pode questionar a importância
que o cliente (no caso o usuário) atribui a cada item do nível secundário. Além disso, segundo
esses autores, dentro de cada item do nível secundário, o questionário fechado pode avaliar a
importância atribuída aos desdobramentos terciários identificados pela equipe de trabalho.
Segundo Ribeiro et al. (2001), a atribuição dos pesos aos itens da qualidade
demandada do nível secundário pode ocorrer em termos comparativos, a partir da solicitação
de que o respondente enumere os itens mais importantes (primeiro, segundo, terceiro, etc.). A
partir disto, segundo esses autores, os pesos de cada item do nível secundário podem ser
obtidos a partir da soma dos inversos. Apropriando-se disso, foi utilizada essa metodologia
para identificar o peso atribuído pelos respondentes às categorias. A Tabela 1 apresenta os
pesos para o nível secundário identificados na Biblioteca em estudo.

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Tabela 1 – Pesos atribuídos pelos usuários às categorias de requisitos (nível secundário da
árvore da qualidade)
Nível secundário (Categoria)
Peso identificado na pesquisa
Infraestrutura
12,57
Serviços
7,03
Atendimento
6,70
Acervo
9,57
Acessibilidade
5,23
Fonte: elaborado pelos autores

A partir da análise da Tabela 1, pode-se identificar que os usuários atribuíram peso
maior à categoria Infraestrutura e peso menor à categoria Acessibilidade. Tal aspecto deve-se,
possivelmente, às características da Biblioteca, visto que seu acervo físico é composto
essencialmente por obras de maior relevância histórica do que científica e, em sua maioria, é
restrito à consulta local.
Quanto aos pesos absolutos dos itens do nível terciário, esses autores afirmam que
esses pesos podem ser identificados a partir da média aritmética das respostas de todos os
respondentes (RIBEIRO et al., 2001). Ainda segundo Ribeiro et al. (2001), os graus de
importância atribuídos pelos respondentes aos itens terciários da qualidade demandada devem
ser transformados em pesos percentuais. Este procedimento, segundo esses autores, assegura
que cada bloco terá o seu peso corretamente atribuído.
Para montagem da árvore da qualidade demandada que evidencia os pesos atribuídos
pelos usuários, deve-se proceder, então, da seguinte forma:
• Primeiro: alocar os pesos das categorias do nível secundário na célula correspondente
à categoria.
• Segundo: calcular o somatório dos pesos do nível secundário e alocar na célula
correspondente. No caso, o valor alocado foi 41,10.
• Terceiro: calcular o percentual de cada “peso da categoria” sobre o somatório de pesos
e alocar na célula “peso %” de cada categoria. Por exemplo, para a categoria
“infraestrutura”: (12,57/41,10 = 30,58%).
• Quarto: alocar a média aritmética dos pesos dos requisitos atribuídos pelos
respondentes nas células correspondentes aos requisitos.
• Quinto: calcular o somatório do peso dos requisitos de cada categoria e alocar na
célula corresponde ao total da categoria. Por exemplo: para a categoria “acervo”, (6,78
+ 6,83 + 4,94 + 6,11 = 24,66).
• Sexto: calcular o peso % de cada requisito. Para tanto, nessa etapa deve-se multiplicar
o peso do requisito pelo peso % da categoria e dividir esse resultado pelo peso total do
requisito. Posteriormente, deve-se multiplicar o resultado obtido por 100. A Equação 2
apresenta, como exemplo, o cálculo realizado para o requisito “Disponibilizar
computadores para pesquisa”.
Equação 2 – Exemplo do cálculo do Peso % de cada requisito
30,58%
6,65 ∗
∗ 100 = 7,85
25,91
Fonte: elaborado pelos autores

A Tabela 2 apresenta os pesos atribuídos pelos 20 respondentes às categorias e,
também, aos requisitos analisados neste trabalho.

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Tabela 2 – Árvore da qualidade demandada e pesos atribuídos pelos usuários às categorias e
aos requisitos
Nível
Peso
Peso
Nível terciário
Peso %
secun- caterequisito
dário
goria
(máximo 7)
Disponibilizar computadores para pesquisa
6,65
7,85
Disponibilizar mesas para estudo individual
6,00
7,08
Infraes
12,57
trutura
Disponibilizar rede wi-fi
6,50
7,67
Disponibilizar salas fechadas para trabalhos em grupo
6,76
7,98
Total categoria
25,91
30,58%
Disponibilizar acervo impresso para empréstimo
5,95
3,61
Capacitar usuários para uso de bases de dados
6,06
3,67
Servi7,03
Oferecer serviços de normalização de trabalhos acadêmicos
5,33
3,23
ços
Oferecer serviços de digitalização e reprografia (xerox)
5,84
3,54
Oferecer agendamento para consulta a obras raras
5,05
3,06
Total categoria
28,23
17,11%
Oferecer atendimento à noite (18h às 22h)
5,85
3,40
Oferecer atendimento aos sábados (8h às 12h)
5,95
3,46
Atendi
6,70
Fornecer auxílio nas pesquisas realizadas
6,06
3,52
mento
Oferecer atendimento online (chat)
4,71
2,73
Oferecer atendimento multilíngue
5,50
3,20
Total categoria
28,06
16,30%
Disponibilizar obras recentes de sua área de interesse
6,78
6,40
Disponibilizar obras em bom estado de conservação
6,83
6,45
Acervo 9,57
Disponibilizar obras raras para consulta
4,94
4,67
Possuir acervo digital
6,11
5,76
Total categoria
24,66
23,28%
Possuir sinalização fácil de ser entendida
6,79
2,83
Ser
fácil
de
ser
acessada
(portas
amplas,
poucos
degraus)
5,95
2,48
Acessibilida 5,23
Possuir piso tátil (piso em alto relevo para caminhada segura)
5,37
2,24
de
Ser acessível a Pessoas com Deficiência (PcD)
6,95
2,90
Disponibilizar tecnologias assistivas (lupas, leitores de tela)
5,47
2,28
Total categoria
30,52
12,73%
Soma41,10
tório
Fonte: elaborado pelos autores

A partir da análise da Tabela 2 pode-se perceber que o maior peso % foi atribuído ao
requisito “disponibilizar salas fechadas para trabalhos em grupo”. Além disto, destaca-se que
o requisito que obteve menor peso % foi o requisito “possuir piso tátil (piso em alto relevo
para caminhada segura)”. A partir da análise dos resultados, pode-se observar que os
requisitos mais valorizados pelos usuários se relacionam com a Infraestrutura da Biblioteca.
Isso se justifica, pois os usuários privilegiaram, em suas respostas, a categoria
“Infraestrutura”.

4.5

Proposição de melhorias à Biblioteca

A partir da valorização fornecida pelos respondentes aos requisitos e categorias
avaliadas neste estudo de usuários, foram observados aspectos que podem ser aprimorados na
Biblioteca, os quais se relacionam com a Infraestrutura da Biblioteca. Os requisitos mais
valorizados foram: “disponibilizar salas fechadas para trabalho em grupo”, as quais não são
disponibilizadas atualmente; “disponibilizar computadores para pesquisa”, os quais são

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apenas cinco máquinas; e “disponibilizar rede wi-fi”, a qual atualmente é disponível apenas
para alunos e funcionários da Universidade. A partir destes elementos, foi sugerido à direção
da Biblioteca considerar esses aspectos para que o espaço atenda de modo mais satisfatório
aos aspectos considerados mais importantes pelos usuários da Biblioteca analisada.

5

Considerações finais

O objetivo desse trabalho se constituiu na proposição de melhorias relacionadas aos
requisitos mais valorizados pelos usuários da Biblioteca Central da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, a partir de um estudo de usuários. Os objetivos específicos, por sua vez,
eram identificar o perfil dos usuários que frequentam essa Biblioteca e, também, os requisitos
que esses mais valorizam em unidades de informação. Tendo por base esses elementos, foi
elaborado um método de trabalho dividido em cinco etapas. Os resultados obtidos em cada
uma das etapas são apresentados a seguir.
Na etapa 1 foi realizada a caracterização do cenário onde foram identificadas
informações relacionadas aos ambientes externo e interno à Biblioteca Central da
Universidade. Tal etapa identificou, assim, elementos como contexto e atribuições. Na etapa 2
foi elaborado e aplicado o questionário que visou identificar o perfil e os requisitos dos
usuários que frequentam a Biblioteca. Na etapa 3 foi realizada a identificação do perfil dos
usuários. Neste âmbito, destaca-se que o perfil médio dos respondentes caracterizou-se pelos
seguintes aspectos: possuir idade média de 31,3 anos, possuir nível superior incompleto e ser
aluno de graduação da Universidade onde se situa a Biblioteca.
Na quarta etapa foi identificada a categoria e, também, os requisitos mais valorizados
pelos respondentes. Neste âmbito, destaca-se que os usuários atribuíram importância maior à
categoria “Infraestrutura”, a qual teve peso 31% maior do que a segunda categoria mais
valorizada (12,57 para Infraestrutura e 9,57 para Acervo). Quanto aos requisitos, destaca-se
que aqueles que obtiveram peso percentual maior foram “disponibilizar salas fechadas para
trabalhos em grupo”, “disponibilizar computadores para pesquisa” e “disponibilizar rede wifi”. Tais resultados, assim como aqueles que evidenciaram o perfil dos respondentes,
evidenciaram a autonomia dos usuários em seu comportamento de busca informacional. Isso
se justifica, pois foram observados pesos maiores relacionados à infraestrutura da Biblioteca,
a qual engloba mesas, computadores e redes. Pode-se inferir, assim, que tais resultados
demonstram uma tendência, por parte dos usuários, de utilização do espaço físico e dos
recursos tecnológicos, em detrimento de aspectos como atendimento e consulta ao acervo.
Na quinta etapa foram propostas melhorias a serem implantadas na Biblioteca em
análise. Neste âmbito, pode-se destacar que as melhorias propostas se relacionaram com a
disponibilização de salas para estudo em grupo, com a disponibilização de mais computadores
para pesquisa e, também, de rede wi-fi que possa ser acessada pelo público geral. Por fim,
espera-se que, a partir da incorporação dos aspectos citados na rotina da Biblioteca Central da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sejam melhorados os serviços oferecidos e,
também, a percepção dos usuários em relação a essa unidade de informação.

6

Referências

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Enacib. São Paulo. 2008. p. 1-14. Disponível em:

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text> Silva, Vítor Vasata Macchi; Rosa, Andreia Petró da; Leite, Ana Cláudia da Costa ; Sousa, Rodrigo Silva Caxias </text>
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                <text>Propõe melhorias relacionadas aos requisitos mais valorizados pelos usuários da Biblioteca Central de uma Universidade Federal identificados a partir de um estudo de usuários. Objetiva identificar o perfil dos usuários que frequentam essa Biblioteca e, também, os requisitos que esses mais valorizam em unidades de informação. Cinco etapas compõem o método de trabalho. São elas: caracterização do cenário; elaboração e aplicação do questionário; identificação do perfil dos usuários; identificação dos requisitos valorizados pelos usuários; e proposição de melhorias à Biblioteca. A metodologia utilizada para identificação dos requisitos é a proposta por Ribeiro et al. (2001). Os resultados indicam que a maioria dos usuários não utiliza o acervo disponível e, também, que as mesas de estudo correspondem ao principal motivo para ida dos usuários à Biblioteca. Os resultados indicam, ainda, que “Infraestrutura” é a categoria mais valorizada pelos usuários da Biblioteca em estudo. Além destes aspectos, os resultados apontam que os requisitos mais valorizados pelos usuários desta Biblioteca são “disponibilizar salas fechadas para trabalhos em grupo”, “disponibilizar computadores para pesquisa” e “disponibilizar rede wi-fi”. As propostas de melhoria se relacionam a esses requisitos. Aponta que o atendimento das propostas listadas pode contribuir para a melhoria da percepção dos usuários com relação aos serviços oferecidos pela Biblioteca.</text>
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                    <text>GESTÃO SUSTENTÁVEL DE BIBLIOTECAS: o uso do planejamento
estratégico no Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI) para
atender as demandas do Plano de Desenvolvimento Institucional do
Instituto Federal Goiano

Johnathan Pereira Alves Diniz (IF Goiano) - johnathan.diniz@ifgoiano.edu.br
Bethânia Oliveira Silva (IF Goiano) - bethania.silva@ifgoiano.edu.br
Joseane Pereira Alves Diniz (IF Goiano) - joseane.pereira@ifgoiano.edu.br
Hevellin Estrela (Ifgoiano) - hevellin.estrela@ifgoiano.edu.br
Luciane Silva de Souza Prudente (IF Goiano) - luciane.prudente@ifgoiano.edu.br
Dênis Junio Almeida (IF Goiano) - denis.dj.almeida@hotmail.com
Resumo:
Os Institutos Federais tiveram uma grande reformulação a partir de 2008 e toda a sua
estrutura organizacional foi modificada. A presença de bibliotecas se fez mais necessária e
importante para o desenvolvimento do aprendizado de todos os envolvidos. O Instituto Federal
Goiano não ficou indiferente frente a essas mudanças, e conta hoje com quase dez mil alunos e
doze campi, com quase todos com Bibliotecas atuantes. Com isso viu-se a necessidade da
criação do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI), para que as ações e desenvolvimento
ocorressem de forma conjunta e organizada. O SIBI do IF Goiano foi regulamentado em 2014 e
busca consolidar-se dentro da estrutura organizacional com ações em conjunto, através do
planejamento estratégico e do desenvolvimento institucional. O presente trabalho visa
descrever, através do estudo de percepção feito nas reuniões do SIBI e da pesquisa
bibliográfica, as ações previstas para o sistema de bibliotecas e através de um feedback, por
meio das reuniões, buscar o aperfeiçoamento ou aprimoramento de diferentes ações, tanto por
parte do gestor, quanto por parte dos bibliotecários. Aborda a descrição das metas previstas
para o SIBI, demonstrando a importância do planejamento estratégico para que essas ações
possam ocorrer. A linha de gestão participativa prioriza o comprometimento dos servidores
com o SIBI, evidenciando a necessidade de desenvolver a participação dos envolvidos nas
atividades bibliotecárias.
Palavras-chave: Planejamento estratégico. Desenvolvimento Institucional. Constituição do
Sistema de Bibliotecas. IF Goiano.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O Instituto Federal Goiano (IF Goiano) foi criado por meio da Lei 11.892, de 29 de
dezembro de 2008, juntamente com outros 37 Institutos Federais de Educação, Ciência e
Tecnologia. As novas instituições são fruto do reordenamento e da expansão da Rede Federal
de Educação Profissional e Tecnológica, iniciados em abril de 2005. É uma autarquia federal
detentora de autonomia administrativa, patrimonial, financeira, didático-pedagógica e
disciplinar, equiparado às universidades federais. Oferece educação superior, básica e
profissional, pluricurricular e multicampi, especializada em educação profissional e
tecnológica nas diferentes modalidades de ensino. Atende atualmente cerca de dez mil alunos.
A Instituição oferece Cursos Superiores de Graduação (Tecnólogos, Bacharelados e
Licenciaturas) e de Pós-Graduação (Lato sensu e Stricto sensu). Também são oferecidos
cursos de educação profissional técnica de nível médio, o IF Goiano atua preferencialmente
na forma integrada, atendendo também ao público de jovens e adultos, por meio do Programa
Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de
Educação Jovens e Adultos (Proeja).
Cabe ao IF Goiano e aos demais Institutos Federais o compromisso do
desenvolvimento integral do cidadão trabalhador. Por meio do potencial instalado nas antigas
unidades pelas quais o Instituto é agora constituído, este deve responder de forma rápida e
eficaz às demandas crescentes por formação profissional, por difusão de conhecimentos
científicos e tecnológicos e de suporte aos arranjos produtivos locais.
As bibliotecas carregam consigo a obrigatoriedade de fornecer o suporte informacional
para a comunidade da instituição na qual está inserido, haja vista que a informação é uma das
principais demandas atuais do mundo acadêmico, desta maneira este profissional imbui-se da
responsabilidade de ofertar, disseminar e compartilhar informações com precisão,
responsabilidade e comprometimento.
O desafio de constituição e consolidação de uma instituição com a amplitude de ação
do IF Goiano, que atua desde o ensino médio/técnico, passando pelo ensino superior
tecnológico, pela licenciatura, pelo bacharelado e programas de mestrado e doutorado, pela
forte expansão de sua rede pelo interior do Estado e, consequentemente, pela expansão de sua
oferta de vagas à população, demonstra a determinação em viabilizar, ampliar e consolidar a
Instituição como referência no ensino público de qualidade. As áreas técnico-administrativas e
pedagógicas devem estruturar-se para fazer frente aos desafios presentes, tendo em
perspectiva a totalidade de sua missão, mesmo que inicialmente não efetive toda a
potencialidade dos serviços e produtos exigidos.
O Sistema Integrado de Bibliotecas do IF Goiano (SIBI), regulamentado pela
Resolução do Conselho Superior (CS) nº 010, de 21/02/2014, visa atender às necessidades de
administração, normatização, desenvolvimento de acervos, projeção e previsão de custos e
estabelecimento de políticas de desenvolvimento da área, subsidiando as ações da
administração superior da Instituição de Ensino e usuários internos desde as Pró-Reitorias e
demais setores até o atendimento aos alunos, passando pela interlocução com as DireçõesGerais dos campi e campi avançados, Coordenações de Curso, servidores docentes e técnicoadministrativos.
É necessário frisar a importância do SIBI, como área sistematicamente presente nos
processos de avaliação, tanto institucional como de cursos superiores e programas de PósGraduação Stricto sensu, seja por comissões de especialistas do Ministério da Educação
(MEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (INEP) e da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O SIBI tem como
eixo nortear as ações que demandam a oferta de serviços, acervos e coleções e a gestão de
informação, documentação e recursos que remetam à preservação, organização e

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

disponibilização da memória institucional.
É dever do SIBI participar do processo de ensino-aprendizagem de forma planejada e
eficiente. É importante construir um diferencial que agregue valores para desenvolver
competências na busca do cumprimento da missão das bibliotecas do IF Goiano.
Algumas ações do SIBI são enquadradas, em termos de urgência de execução, como
curto, médio e longo prazo, visando atender às demandas e possíveis problemas que surgirem
ao longo das atividades. Para obter a real dimensão da importância da avaliação das políticas
do SIBI, é importante a elaboração de diagnósticos no contexto das bibliotecas para detectar
as possíveis falhas e propor mudanças e/ou melhorias. Duas questões que são importantes de
serem destacadas: a primeira questão relaciona-se a necessidade periódica da realização
concomitante de estudo de comportamento informacional da comunidade escolar e
acadêmica, objetivando com isto o conhecimento completo das necessidades de informação
da mesma, bem como, dos níveis de satisfação do atendimento destas necessidades por parte
das bibliotecas do SIBI.
A segunda questão é a realização de planejamento das ações das bibliotecas e o
desenvolvimento de uma cultura organizacional do contexto bibliotecário. Tal prática é
importante, pois o conhecimento das visões e das práticas organizacionais permite gerenciar,
com maior eficiência e eficácia o processo de mudanças e implantação das ações/soluções
elencadas, quando da realização da avaliação.
A partir destas questões, o presente estudo abordará a experiência do IF Goiano na
construção do Plano de metas, onde as constantes transformações sociais, culturais,
tecnológicas, econômicas e políticas terão respostas consistentes e constantes, sempre no
sentido do atendimento de qualidade das necessidades de informação dos usuários e do apoio
ao crescimento da ciência e da tecnologia. A avaliação do planejamento será constante, e
tendo um dos seus fundamentos a gestão participativa, característica que possui o Sistema
Integrado de Bibliotecas. O Planejamento do SIBI visa atender as demandas suscitadas no
Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que é o documento que rege as políticas do IF
Goiano.
O SIBI defende a premissa de que o espaço que cada biblioteca ocupa no fazer da
instituição, deve-se ao fazer dos servidores que nelas atuam, assim sendo, os Bibliotecários
devem estar ancorados não só no conhecimento técnico que a formação profissional requer,
mas também no desenvolvimento de habilidades e atitudes ligadas às questões sociocultural,
política e ambiental. A integração que o SIBI propõe trará benefícios a todos os usuários e
farão as bibliotecas ganharem papel de destaque nas ideias e no bem estar social dos cidadãos.

2 Revisão de literatura
Com a mudança constante dos cenários econômicos no mundo, inclusive no Brasil,
surgem alguns fatores negativos sobre os quais deverá se concentrar a atenção dos gestores.
Questões como reduzido crescimento econômico, globalização, regulamentação
governamental, inflação, escassez de alguns recursos, devem alertar as organizações para a
utilização e aperfeiçoamento para o planejamento. No Brasil, apesar de grande parte das
instituições públicas já estarem utilizando a metodologia do Planejamento Estratégico, ainda
pairam dúvidas sobre o que realmente este vem a ser e como deve ser formulado. A maior
dúvida diz respeito a uma acentuada tendência para a utilização dos termos “Planejamento
Estratégico” e “Planejamento a Longo Prazo” como se fossem sinônimos.
A metodologia do Planejamento a Longo Prazo foi desenvolvida nos Estados Unidos
na década de 50, com profunda influência da tecnologia de planejamento dos países com
economia planejada a longo prazo. Em conseqüência disso, na opinião de BOWER (1966), os
planos a longo prazo tornaram-se projeções de lucro (para dez anos ou mais) sem muita

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

utilidade, representados por uma enorme quantidade de papel e uma limitada quantidade de
pensamento estratégico. Tais planos não permitem antever a realidade ambiental futura.
Na metade dos anos 60, foi introduzida a metodologia do Planejamento Estratégico
mediante proposições do prof. Igor Ansoff, dos pesquisadores do Stanford Research Institute e
dos consultores da McKinsey Consulting Co. (TAYLOR, 1975). KOTLER (1975), um dos
defensores da sua utilização, propõe o seguinte conceito: “O Planejamento Estratégico é uma
metodologia gerencial que permite estabelecer a direção a ser seguida pela Organização,
visando maior grau de interação com o ambiente”. A direção engloba os seguintes itens:
âmbito de atuação, macro políticas, políticas funcionais, filosofia de atuação, macro
estratégia, estratégias funcionais, macro objetivos, objetivos funcionais.
O grau de interação entre uma organização e o ambiente, que pode ser positivo, neutro
ou negativo, é variável dependendo do comportamento estratégico assumido pela organização
perante o contexto ambiental. Há uma forma melhor de se pensar no futuro. É preciso mudar
o vocabulário que usamos para pensar e falar sobre como orientar nossos negócios. Planejar é
a palavra apropriada para se projetar um conjunto de ações para atingir um resultado
claramente definido, quando se tem plena certeza da situação em que as ações acontecerão e
controle quase absoluto dos fatores que asseguram o sucesso no alcance dos resultados.
Nesse sentido, as bibliotecas são organizações complexas, com múltiplas funções e
uma série de procedimentos, produtos e serviços. O grande avanço tecnológico das últimas
décadas faz com que seu papel tenha que ser reavaliado e que serviços diferenciados tenham
que ser oferecidos. A biblioteca necessita acompanhar este processo de renovação,
capacitando-se para contribuir decisoriamente nas tarefas de ensino, pesquisa e extensão;
tornando-se referência na busca de informação e ideias, ou contentando-se (como ainda
acontece em muitos casos) com a tarefa menor de ser apenas um depósito de livros ou uma
sala de leitura e estudos opcionais.
As bibliotecas das Instituições de Educação Superior veem-se diante da exigência de
assumirem novas competências impostas pela Sociedade do Conhecimento. Nesse
sentido, deixam de ser apenas repositório de informações e passam a trabalhar com
políticas que focam a satisfação do usuário e a contribuição das suas ações na
melhoria dos processos e dos resultados de formação dos alunos. (LUBISCO, 2011,
p. 13)

Para que a reflexão estratégica e a tomada de decisão permeiem o comportamento da
unidade e/ou Biblioteca, as metas de desempenho precisam ser estabelecidas não somente
para a unidade como um todo, mas também para cada uma das seções dentro da estrutura da
unidade. Somente quando todos os chefes de seções são responsáveis pelos resultados
específicos e os objetivos de cada seção fornecem suporte para os objetivos da Biblioteca, é
que o processo se completa para garantir que a organização como um todo está no caminho
escolhido e que cada parte da unidade sabe o que precisa executar. Neste sentido faz-se
necessário o comprometimento de cada seção em busca de atingir seus objetivos específicos,
permitindo à Biblioteca atingir os seus também.
Sobre a forma de implementação do planejamento estratégico, cada biblioteca, definirá
as fases de implantação. Mañas (2001) afirma que “a era do conhecimento trouxe às
organizações pessoas com visão e pensamento mais conceituais” e estratégicos, com
capacidade para assimilar e implementar mudanças mais facilmente. Aqueles “que não se
adaptaram a essas novas condições vivem uma era de pobreza que tende a se aprofundar”
(MAÑAS, 2001, p.39).
Porém, nas bibliotecas existem muitas barreiras a serem eliminadas, desde a gerência
da unidade até o comportamento de cada pessoa envolvida neste processo. É necessário
atualizar-se em relação ao universo de trabalho. Viver intensamente cada processo dentro de

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

seu ambiente de trabalho, sempre com dedicação e empenho para tornar muito mais fácil a
aplicação do Planejamento Estratégico.
De acordo com Almeida (2000), “O planejamento não é um acontecimento, mas um
processo contínuo, permanente e dinâmico, que fixam objetivos, define linhas de ação,
detalha as etapas para atingi-los e prevê os recursos necessários à consecução desses
objetivos”.

3 Materiais e métodos
O eixo teórico tem o início de um dialogar científico e descritivo sobre esta temática
que engloba uma descrição tipológica acerca das bibliotecas dos Institutos Federais, desta
forma, faz-se um recorte investigativo para o IF Goiano. A entrevista estruturada, com
questionários, não se fez necessário devido, primeiramente, a uma caracterização teórica
sobre a instituição e posteriormente a realização de um estudo das condições atuais das
bibliotecas por meio de diagnóstico O que houve, na verdade, foi uma entrevista não
padronizada, definida por Rampazzo (2010, p.114) sendo, “aquela em que se realiza uma
conversa informal”.
Buscou-se com os resultados das reuniões com os bibliotecários realizar um estudo, na
tentativa de obter a percepção dos mesmos, com relação ao papel do profissional da
informação e das suas respectivas bibliotecas. Apropria-se neste artigo da definição de Marçal
(2005) para o estudo de percepção:
O que um Estudo de Percepção (Perception Study) faz é exatamente trazer a
percepção do outro sobre o trabalho que estamos realizando e fornecer um feedback
para aperfeiçoar nossas futuras ações. A rigor, um estudo de percepção é um
importante instrumento de feedback para qualquer ação (MARÇAL 2005, p. 44).

Entende-se por percepção, dentre várias definições: “[...] ato ou efeito de perceber. 1.
Faculdade de aprender por meio de sentidos ou da mente [...]. 2. Consciência (de alguma
coisa ou pessoa), impressão ou intuição perceber” (HOUAISS, 2009, p.1470).
Desta maneira, as reuniões com os bibliotecários e demais servidores das Bibliotecas
do IF Goiano proporcionaram a obtenção de informações não registradas em fontes
documentais institucionais, ou seja, a percepção, o conhecer, o saber, pois se tratou do
expressar a formulação de um sistema de bibliotecas atuante.
As reuniões possibilitaram também um diálogo entre profissionais de todas as
bibliotecas do Instituto, ocorrendo uma aproximação entre partes integrantes de uma mesma
instituição, que enfrenta no atual momento mudanças dos mais variados patamares
(organizacionais, estruturais, recursos humanos, entre outros), desta forma, com os estudos
realizados, foi possível realizar um feedback para o aperfeiçoamento ou aprimoramento de
diferentes ações, tanto por parte do gestor, quanto por parte dos bibliotecários.
A junção do aporte teórico institucional e as reuniões realizadas proporcionaram uma
interação de indicadores de cunho valioso à Instituição que obtêm desta forma registros
documentais da pesquisa realizada, interação entre os diferentes segmentos institucionais e
contribuições científicas, oriunda das produções e publicações acadêmicas.
O estudo se deu através da pesquisa bibliográfica, pois se trata de um levantamento de
uma boa parte da bibliografia já publicada na área, disponíveis em livros, revistas,
publicações eletrônicas e avulsas e imprensa escrita, e através de estudos elaborados por
outras Instituições de Ensino que já implantaram uma Rede de Bibliotecas.

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4 Resultados parciais/finais
A atividade de planejar faz parte de nosso cotidiano, seja no âmbito pessoal, nas
relações sociais, em nosso ambiente profissional ou em relação com os governos e a
Administração Pública. Planejamento, é definido como um processo que, considerando a área
de atuação, os elementos, o tempo, as unidades organizacionais e suas características, se
desenvolve para o alcance de uma situação desejada de modo mais eficiente, eficaz e efetivo,
com a melhor concentração de esforços e recursos.
A ferramenta que auxilia a alta administração permitindo nortear ações gerenciais da
organização, dentro de um plano previamente determinado de metas a alcançar, e estratégias,
diminuindo com isso, a possibilidade de tomada de decisões equivocadas, num mercado
extremamente competitivo, é o planejamento estratégico. Portanto o SIBI elaborou um Plano
de Metas, baseado no planejamento estratégico do IF Goiano, atendendo aos propósitos do
Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).
O Plano de Metas do SIBI está pautado nas principais ações a serem desenvolvidas à
consolidação de um processo de atualização de recursos, tanto humanos como tecnológicos,
em fase de planejamento. Neste sentido, consideramos que este plano é somente uma peça no
planejamento global do SIBI e deve ser integrado uniformemente ao planejamento de cada
biblioteca nos campi, respeitando as particularidades de cada uma.
As metas estão divididas em eixos, cada uma delas com uma série de ações que visam
alcançar o objetivo proposto para cada uma:
Gestão do SIBI;
Melhoria dos serviços e produtos;
Gestão de pessoas: educação continuada aos servidores das bibliotecas;
Formação, desenvolvimento, atualização e manutenção do acervo;
Implantação de sistema de segurança dos acervos e compromisso com a inovação
tecnológica;
 Implantação da biblioteca digital e repositório institucional do IF Goiano; e
 Pesquisa Acadêmica.







A responsabilidade por estas ações está dividida de acordo com os objetivos do SIBI e,
em princípio será compartilhada entre a Coordenação do SIBI e as Coordenações de
Bibliotecas dos campi. No entanto, acreditamos que ao serem integradas ao Planejamento
Global surgirá a necessidade de implantar departamentos, referidas na estrutura do SIBI, para
o perfeito acompanhamento das metas. Para efetivação de algumas destas ações estamos
propondo uma estruturação nas funções/atividades realizadas pelas bibliotecas, para que todas
possam trabalhar em rede.
Eixo 1: Gestão do SIBI
 Objetivo: Dar continuidade às ações para consolidação da Gestão do SIBI.
 Ações:
1. Elaborar fluxograma do Sistema de Gestão do SIBI;
2. Uso da ferramenta Redmine para os processos do SIBI;
3. Definição dos indicadores de desempenho;
4. Elaboração do Planejamento estratégico do SIBI;
5. Construção do Plano Anual de Gestão Orçamentária do SIBI, anualmente, em data
estipulada pelo IF Goiano a ser encaminhada às Direções de Ensino dos campi e à PROEN;

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6. Incentivar a revisão e atualização das atividades bibliotecárias;
7. Implantação da Base do SIBI, na Reitoria da instituição.
Responsabilidade: Supervisão do SIBI
Eixo 2: Melhoria dos serviços e produtos
 Objetivos:
 Aprimorar a qualidade dos serviços e produtos ofertados, com foco nas novas
tecnologias para integrar as bibliotecas às atividades de ensino, pesquisa e
extensão;
 Fortalecer a imagem do SIBI frente ao IF Goiano e comunidade externa.
 Ações:
1. Realizar diagnósticos e avaliação dos acervos, produtos e serviços ofertados e processos
desempenhados pelas bibliotecas;
2. Promover ações de integração das bibliotecas com a comunidade escolar e acadêmica,
visando atender suas demandas;
3. Aplicar técnicas de promoção em marketing (propaganda, publicidade, atmosfera e contato
pessoal) nas bibliotecas;
4. Fortalecer a imagem do Sistema junto à Comunidade interna e externa, por meio de folders,
banners, redes sociais, etc.
Responsabilidade: Supervisão do SIBI e Coordenações de Biblioteca dos campi.
Eixo 3: Gestão de pessoas - educação continuada aos servidores das bibliotecas
 Objetivo: Dar continuidade às ações do Programa de Capacitação dos Servidores e
Colaboradores do SIBI
 Ações:
1. Mapeamento das necessidades de reciclagem e/ou atualização de conteúdo para melhor
execução dos serviços prestados;
2. Mapeamento das equipes capacitadas a oferecer tais cursos;
3. Elaboração do conteúdo dos cursos;
4. Divulgação e implementação dos cursos;
5. Realizar anualmente o Encontro de Servidores do Sistema Integrado de Bibliotecas do IF
Goiano.
Responsabilidade: Coordenação do SIBI; Divisão e Comunicação, Treinamento &amp; Cultura.
Eixo 4: Formação, desenvolvimento, atualização e manutenção do acervo
 Objetivos:
 Garantir a manutenção, atualização e preservação do acervo informacional das
bibliotecas.
 Implantar a Política de Desenvolvimento de Coleções do SIBI;
 Aprimorar o crescimento racional dos acervos das bibliotecas.
 Ações:
1. Promover ações que garantam a manutenção, atualização e divulgação do acervo
informacional das bibliotecas (em qualquer suporte);

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2. Desenvolver metodologia para aquisição e avaliação de e-books etc. no âmbito do SIBI;
3. Adquirir livros eletrônicos de interesse da comunidade acadêmica;
4. Regulamentar e implantar Política de Desenvolvimento de Coleções às Bibliotecas do
Sistema;
5. Atender as especificações do MEC relativas ao acervo;
6. Desenvolver acervos que atendam às necessidades dos usuários.
Responsabilidade: Coordenação do SIBI; Divisão de Formação e Desenvolvimento de
Coleções; Núcleo de Serviços aos Usuários, Referência e Circulação;
Eixo 5: Implantação de sistema de segurança dos acervos e compromisso com a inovação
tecnológica
 Objetivos:
 Dar continuidade ao processo de modernização das Bibliotecas.
 Implantar efetivamente o Pergamum em todas unidades;
 Estabelecer diretrizes, implantar e avaliar as definições para inserção de dados na base
do Pergamum;
 Implantar um sistema único de proteção e segurança dos acervos das unidades do
SIBI;
 Identificar novas tecnologias para incremento da automação.
 Ações:
1. Instalação do Software Pergamum em todas as bibliotecas do IF Goiano;
2. Promover atividades de sensibilização dos servidores para utilização do sistema;
3. Realizar treinamento de bibliotecários e auxiliares para utilização do software nas
atividades das bibliotecas;
4. Fazer a capacitação dos bibliotecários para o gerenciamento integrado do software e dos
procedimentos;
5. Elaboração do Manual de Catalogação do SIBI;
6. Estruturação da Unidade de Gestão e Automação, na Reitoria, para adequação às atividades
de suporte à informatização do Sistema Pergamum;
7. Comunicação com a Diretoria de Gestão e Tecnologia da Informação (DGTI) para absorção
das atividades de suporte e rotinas de atualização de novas ferramentas do Software
Pergamum;
8. Divulgação dos benefícios conseguidos com sua implantação para o SIBI e para o IF
Goiano.
9. Aquisição de Sistema de segurança e proteção dos acervos a todas unidades do SIBI;
10. Aplicação de recursos em novas tecnologias que propiciem a disseminação da informação.
Responsabilidade: Coordenação do SIBI; Divisão de Gestão e Automação, Divisão de
Cooperação Técnica e Coordenações de Biblioteca.
Eixo 6: implantação da biblioteca digital, repositório institucional e o Portal de
Periódicos do IF Goiano
 Objetivos:
 Gerenciamento das atividades de manutenção e divulgação da Biblioteca Digital
no âmbito do IF Goiano e alimentação das bibliotecas mantidas através de
Cooperação Técnica com outras instituições.
 Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD)


Ações:

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1. Criação da Biblioteca Digital no âmbito do Ensino à Distância (EaD)
2. Mapeamento dos cursos de pós-graduação Stricto Sensu do IF Goiano;
3. Criação de uma Plataforma para abrigar a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
(BDTD) do IF Goiano;
4. Negociação com a Pró-Reitoria de Pesquisa Pós-Graduação e Inovação (PROPPI) para
publicação de Portaria orientando a obrigatoriedade de submissão das Teses e Dissertações à
BDTD;
5. Capacitação das equipes que alimentarão a BDTD em cada Biblioteca;
6. Divulgação da BDTD a todos os campi do IF Goiano por meio do e-mail institucional, site
do IF Goiano e site do SIBI.
 Repositório Institucional do IF Goiano
 Objetivo: Implementação e divulgação do Repositório Institucional do IF Goiano.
 Ações:
1. Elaborar estudos de plataforma para abrigar o Repositório Institucional do IF Goiano;
2. Apresentar modelo a ser implantado no IF Goiano.
 Portal de Periódicos do IF Goiano
 Objetivos: implantar o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER) para
gerenciar as revistas online do IF Goiano.
 Ações:
1. Disponibilizar uma plataforma única que abrigará todos os periódicos do IF Goiano;
2. Promover treinamentos sistemáticos às equipes que abrigarão suas revistas no sistema OJS;
3. Oferecer apoio quanto à operacionalidade do sistema e atribuição do número de ISSN para
cada revista.
Responsabilidade: Supervisão do SIBI.
Eixo 7: Pesquisa Acadêmica
 Objetivo:
 Efetivar o uso do Portal de Periódicos da CAPES, Bases de dados assinadas pelo IF
Goiano e do Sistema Pergamum;
 Orientação aos usuários da comunidade acadêmica na utilização dos recursos do portal
e na configuração para acesso remoto.
 Ações:
1. Promover a capacitação dos bibliotecários e auxiliares para conhecerem a ferramenta de
busca do Portal Capes e das bases da Proquest;
2. Capacitar os docentes a utilizarem o Portal e as demais ferramentas de busca disponíveis;
3. Promover treinamentos contínuos à comunidade acadêmica;
4. Realizar estudos de usuários, visando à otimização das plataformas;
5. Adquirir novas bases de dados que auxiliem nosso usuário a realizar as buscas acadêmicas;
6. Promover treinamentos aos usuários para usarem o Sistema Pergamum.
7. Criar manual de normalização de trabalhos acadêmicos:
 Ações:
 Formar comissão para criar o manual de trabalhos acadêmicos do IF Goiano;
 Solicitar a colaboração de docentes, que atuam nas disciplinas de Metodologia
Científica;

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 Publicar o material e destinar à toda comunidade do IF Goiano.
Responsabilidade: Supervisão do SIBI, Divisão de Comunicação, Treinamento &amp; Cultura e
Divisão de Cooperação Técnica.
Como em qualquer instituição, o processo de planejamento deve ocorrer de forma
semelhante. Embora se deva respeitar certas peculiaridades próprias do setor público, o
planejamento no âmbito SIBI trata dos mesmos aspectos que todo plano deve ter: objetivos e
metas, meios de realização e meios de avaliação e controle.
A boa execução das metas e a ampliação da captação de recursos financeiros são
fatores essenciais para tornar uma instituição pública mais sólida e apta a cumprir sua missão.
Por isso, no setor público a perspectiva financeira, em vez de estar focada no lucro, está
orientada para a execução do orçamento.
Na busca pela gestão eficiente dos recursos públicos, pelo aprimoramento da gestão
por meio de práticas gerenciais e para maximizar o uso desses recursos, uma parcela é gerida
de forma descentralizada. Com a descentralização dos recursos do SIBI nos campi, o objetivo
é dinamizar os processos internos com o pressuposto de que os departamentos conhecem a
real hierarquia de suas necessidades e poderão gerenciar, juntamente com a Direção-Geral e a
de Ensino os recursos contribuindo para o aumento da eficiência do gasto do recurso público.
Assim, é fundamental que os gestores do IF Goiano planejem, conheçam,
acompanhem, e se estruturem em favor do melhor desempenho dos elementos que possam
servir como base para a definição de novas possibilidades de incrementos orçamentários para
manutenção de suas atividades.
Por consequência espera-se a melhoria na prestação de serviços das bibliotecas. Com
recursos destinados às bibliotecas, propicia melhores resultados nas avaliações das diversas
variáveis e elementos que compõem os índices que classificam o ensino no Brasil. É essencial
que o IF Goiano construa políticas focadas na melhoria das bibliotecas, políticas essas, que
devem ser norteadas pelos princípios da administração pública gerencial, uma vez que seu
foco recai sobre o alcance de resultados e prestação de serviços públicos de qualidade, com
eficiência.

5 Considerações parciais/finais
O planejamento estratégico, ou plano de metas, das ações do SIBI para a gestão 20162019, surgiu de reuniões sistemáticas realizadas ao longo do ano de 2015 e evidenciou a
necessidade de expandir as atividades do SIBI, que até o momento se restringiu a questões
operacionais das bibliotecas. É importante que o Sistema esteja devidamente constituído
porque é necessário institucionalizar a política de aquisição e formação e desenvolvimento de
coleções e demais atos normativos de funcionamento das bibliotecas.
O SIBI visa atender da melhor forma a comunidade do IF Goiano, colaborando para
que a Instituição possa alcançar a excelência na qualidade do ensino e fornecendo
instrumentos para pesquisa e aprendizado aos usuários, sejam internos ou externos, a fim de
oferecer suporte especializado para otimizar a produção científica, acadêmica e escolar,
seguindo diretrizes estabelecidas pelo MEC, bem como também, atender as necessidades
informacionais dos usuários e dar apoio ao ensino de qualidade.
As metas propostas pelo SIBI reportam a questões múltiplas que envolvem desde o
histórico da implantação das bibliotecas e arquivos, às alterações sofridas ao longo do tempo
pela própria Instituição e, mais recentemente, à transformação em Instituto Federal. A
estrutura atual das bibliotecas do IF Goiano revela grandes discrepâncias em relação a
investimentos, serviços, infraestrutura e acervos, não correspondendo às demandas crescentes

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e multifacetadas. São imprescindíveis esforços e recursos demandados à consecução dos
objetivos.
A Equipe está disposta a implantar novos paradigmas na área de bibliotecas. As
necessidades são urgentes e a demanda deve ser atendida para consequentemente
adicionarmos, dentro da estrutura do IF Goiano, soluções à comunidade. O SIBI tem o desafio
de evidenciar a importância do trabalho das bibliotecas no contexto do ambiente acadêmico e
escolar da Instituição. As ações devem ter embasamento com a área pedagógica, para que as
mesmas realizem um trabalho profissional e alcancem os objetivos propostos. No campo da
gestão, o trabalho será baseado em uma administração participativa, produtiva e flexível.
A linha de gestão participativa priorizará o comprometimento dos servidores com o
Sistema Integrado de Bibliotecas, evidenciando a necessidade de desenvolvê-lo com a
participação dos servidores envolvidos na atividade.
É dever do SIBI oferecer recursos para que a comunidade acadêmica, escolar e geral,
possam usufruir das bibliotecas, participando do processo de ensino-aprendizagem de forma
pensada, planejada e consequente. É necessário construir um diferencial que agregue valores
para desenvolver competências na busca do cumprimento da missão das bibliotecas do IF
Goiano.

6 Referências
ALMEIDA, M. C. B. de. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. Brasília,
DF: Briquet de Lemos, 2000.
BOWER, M. The will to manage. New York: MacGraw-Hill, 1966.
HOUAISS, A.; VILLAR, M. S. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2009.
LUBISCO, N. M. L. (Org.). Biblioteca universitária: elementos para o planejamento,
avaliação e gestão. Salvador: EDUFBA, 2011. 263 p.
KOTLER, P. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 1975.
MAÑAS, A. V. Estratégia nos negócios: conceitos, alternativas e casos. In: CAVALCANTI,
M. (Org.). Gestão estratégica de negócios: evolução, cenários, diagnóstico e ação (com
estudos de casos nacionais e internacionais). São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001.
p.31-63.
MARÇAL, R. Estudo de percepção. RI Global, n. 91, p.44-45, set. 2005. Disponível em: &lt;
http://www.firb.com/upload/artigo/139.pdf&gt;. Acesso em: 21 abr. 2016.
RAMPAZZO, L. Metodologia científica: para alunos dos cursos de graduação e pósgraduação. 5. ed. São Paulo: Loyola, 2010. 142. Revista EDICIC, v.1, n.3, p.127-142,
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TAYLOR, B. Strategies for planning. Long Range Planning: Elmsford, 1975. p.27-40.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Diniz,Johnathan Pereira Alves et al.</text>
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                <text>Os Institutos Federais tiveram uma grande reformulação a partir de 2008 e toda a suaestrutura organizacional foi modificada. A presença de bibliotecas se fez mais necessária e importante para o desenvolvimento do aprendizado de todos os envolvidos. O Instituto Federal Goiano não ficou indiferente frente a essas mudanças, e conta hoje com quase dez mil alunos e doze campi, com quase todos com Bibliotecas atuantes. Com isso viu-se a necessidade da criação do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI), para que as ações e desenvolvimento ocorressem de forma conjunta e organizada. O SIBI do IF Goiano foi regulamentado em 2014 e busca consolidar-se dentro da estrutura organizacional com ações em conjunto, através do planejamento estratégico e do desenvolvimento institucional. O presente trabalho visa descrever, através do estudo de percepção feito nas reuniões do SIBI e da pesquisa bibliográfica, as ações previstas para o sistema de bibliotecas e através de um feedback, por meio das reuniões, buscar o aperfeiçoamento ou aprimoramento de diferentes ações, tanto por parte do gestor, quanto por parte dos bibliotecários. Aborda a descrição das metas previstas para o SIBI, demonstrando a importância do planejamento estratégico para que essas ações possam ocorrer. A linha de gestão participativa prioriza o comprometimento dos servidores com o SIBI, evidenciando a necessidade de desenvolver a participação dos envolvidos nas atividades bibliotecárias.</text>
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                    <text>GESTÃO DO CONHECIMENTO E GESTÃO DO CONHECIMENTO
CIENTÍFICO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: uma revisão
atual

Marcello Mundim Rodrigues (UFU) - marcellomundim@ufu.br
Resumo:
A pesquisa desenvolvida buscou apresentar primeiramente os principais conceitos sobre a
Gestão do Conhecimento, sua aplicação em Instituições de Ensino Superior e,
respectivamente, entre suas bibliotecas. Também se deu ênfase à Gestão do Conhecimento
Científico, uma vez que o ambiente acadêmico em que bibliotecas estão imersas exige atitudes
e ações diferenciadas de seus gestores, assim como mudanças de paradigmas em sua cultura
organizacional para que haja enquadramento dos setores à realidade da instituição. Focou-se
principalmente no compartilhamento do conhecimento entre as pessoas, no seu
desenvolvimento de competências, na sua cooperação e colaboração, na preservação da
memória e cultura organizacional, enfim, numa gestão focada na inovação e na aprendizagem.
Concluiu-se que as práticas da Gestão do Conhecimento e da Gestão do Conhecimento
Científico podem criar grandes vantagens competitivas à instituição que as aplica
corretamente, mas que essas instituições e seus respectivos gestores precisam estar sempre
atentos às demandas reais de seu ambiente interno e externo, buscando implementar novas
práticas e serviços que contribuam para o desenvolvimento pessoal, profissional, institucional
e humano de todos os envolvidos no processo e progresso educacional.
Palavras-chave: Gestão do Conhecimento. Gestão do Conhecimento Científico. Bibliotecas
Universitárias. Planejamento. Cultura Organizacional.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão do Conhecimento e da Informação

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FRQKHFLPHQWR� QmR� VLJQLILFD� WmR� VRPHQWH� WHU� H� REWHU� FRQKHFLPHQWR�� PDV� VDEHU� WUDQVIRUPi�OR�
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FRQKHFLPHQWR�H[SOLFLWR�H�ID]r�OR�YLVtYHO��IDFLOLWDQGR�R�DFHVVR�H�XVR�GH�FRQKHFLPHQWR�
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UHIHUrQFLD� H� VXD� HTXLSH� HVWHMDP� FLHQWHV� H� H[HUoDP� VHX� SDSHO� GH� HGXFDGRUHV� H� VH� SUHRFXSHP�
FRP� R� FRPSDUWLOKDPHQWR� GR� FRQKHFLPHQWR�� VHQGR� HOH� WpFQLFR�RUJDQL]DFLRQDO� LQWHUQR � RX�
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H[SHULrQFLDV�H�LQIRUPDo}HV�&gt;���@´��
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DSUHQGL]DJHP� RUJDQL]DFLRQDO� ±� H� WDPEpP� WLSRV� GH� LQWHOLJrQFLD� FRJQLWLYD��
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6LOYD� ������S���� �³&gt;���@�D�RUJDQL]DomR�SUHFLVD�WHU�FODUR�TXDO�R�VDEHU�TXH�GHWpP��TXDO�R�GH�TXH�
QHFHVVLWD�SDUD�DWLQJLU�RV�VHXV�REMHWLYRV�H�TXDO�R�VDEHU�UHOHYDQWH�TXH�GHYH�VHU�JHUHQFLDGR´��2V�
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4XDGUR���±�3DVVRV�GD�LPSOHPHQWDomR�GD�*&amp;�HP�ELEOLRWHFDV�H�VHUYLoRV�GH�LQIRUPDomR��

)RQWH��3RUXPEHDQX� ������S���� �DGDSWDGR�SRU�%HP�H�&amp;RHOKR� ���� ��

4XDGUR���±�(OHPHQWRV�EiVLFRV�SDUD�*&amp;�HP�%8V��

)RQWH��&amp;DVWUR� ������S����� ��

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7DYDUHV�DILUPD�TXH�D�FXOWXUD�RUJDQL]DFLRQDO�WUDWD�VH�GH��
&gt;���@� XP� FRQMXQWR� GH� VROXo}HV� REVHUYiYHLV�� GLVFHUQtYHLV� H� LGHQWLILFiYHLV�� UHODWLYDV� j�
VREUHYLYrQFLD�� PDQXWHQomR�� H� FUHVFLPHQWR� GH� XP� JUXSR� GHOLPLWDGR�� TXH�
GHQRPLQDPRV� HPSUHVD�� (VVH� FRQMXQWR� GH� VROXo}HV� p� XP� DJORPHUDGR� GH� DVSHFWRV�

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3(5(,5$��2/,9(,5$��������S����� ��

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H�RX�H[WHUQD�HQWUH�HTXLSHV��D�GHVPRWLYDomR�GH�VHUYLGRUHV��D�WURFD�GH�IXQFLRQiULRV�HQWUH�VHWRUHV�
RX� VXD� VDtGD� GD� LQVWLWXLomR�� D� IDOWD� GH� XP� DPELHQWH� IDYRUiYHO� j� WURFD� GH� H[SHULrQFLDV�� HQWUH�
RXWURV��
&gt;���@� SDUD� LQFHQWLYDU� D� FULDomR�� R� FRPSDUWLOKDPHQWR� H� D� XWLOL]DomR� GR� FRQKHFLPHQWR��
ID]�VH�QHFHVViULD�D�H[LVWrQFLD�GH�XP�FRQWH[WR�FDSDFLWDQWH��RX�VHMD��XP�HVSDoR�ItVLFR��
YLUWXDO�RX�PHQWDO��RQGH�VHMD�FRQVWUXtGD�XPD�UHGH�GH�LQWHUDo}HV�IXQGDGD�QD�FRQILDQoD�
H� QD� VROLFLWXGH� HQWUH� DV� SHVVRDV� GD� RUJDQL]DomR�� e� LPSRUWDQWH�� SRLV�� TXH� D�
RUJDQL]DomR� FULH� PHFDQLVPRV� TXH� IDFLOLWHP� RV� SURFHVVRV� GR� FRQKHFLPHQWR� HQWUH� R�
PDLRU�Q~PHUR� GH�LQGLYtGXRV��SDUD�HYLWDU�TXH�D�VDtGD�YROXQWiULD� RX�QmR �GH�XP�GRV�
VHXV�PHPEURV�SRVVD�FRPSURPHWHU�D�FRQWLQXDomR�GDV�DWLYLGDGHV�FRUSRUDWLYDV�� 921�
.52*+��,&amp;+,-2��121$.$�������DSXG�'8$57(��3$,9$��6,/9$��������S���� ��

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PHOKRU�VXDV�IHUUDPHQWDV��RX�VHMD��VHX�FRUSR�GRFHQWH�H�WpFQLFR�SDUD�GHVHQYROYHU�FRQKHFLPHQWR�
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OLYURV� FRPR� IRQWHV� GH� SHVTXLVD� H� VH� ID]� QHFHVViULD� SDUD� D� FRQWULEXLomR� H� IRPHQWR� GR� HVWXGR�
FRQWLQXDGR� HP� *&amp;� H� *&amp;&amp;� SRU� SURILVVLRQDLV� GD� LQIRUPDomR�� 7HYH� D� %8� FRPR� VHX� REMHWR� GH�
HVWXGR�H�EXVFRX�UHVSRQGHU�R�VHJXLQWH�SUREOHPD��TXDLV�VmR�RV�HVWXGRV�DWXDLV�TXH�GLVFXWHP�RV�
SDUDGLJPDV� GD� *&amp;�H� GD�*&amp;&amp;� FRP�IRFR�HP� %8V�H�TXDO�D�LPSRUWkQFLD� GHVVHV�HVWXGRV� SDUD�R�
GHVHQYROYLPHQWR� GH� XPD� FXOWXUD� RUJDQL]DFLRQDO� IRFDGD� QR� FRPSDUWLOKDPHQWR� GR�
FRQKHFLPHQWR�HP�,(6�H�VXDV�8,V"�

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&amp;RQKHFLPHQWR� &amp;LHQWtILFR´� H� ³%LEOLRWHFD V ´� GXUDQWH� D� FRQVXOWD�EXVFD� QDV� EDVHV� GH� GDGRV�
HVFROKLGDV��2�PRWLYR�GHVVD�HVFROKD�VH�Gi�SHOD�UHOHYkQFLD�GHVVHV�DVVXQWRV�SDUD�R�HVWXGR�TXH�VH�
SUHWHQGLD�UHDOL]DU��$V�EDVHV�RX�SRUWDLV�HVFROKLGRV�SDUD�D�SHVTXLVD�IRUDP��3RUWDO�GH�3HULyGLFRV�
GD� &amp;DSHV�� 6FLHOR�� *RRJOH� $FDGrPLFR�� %5$3&amp;,� H� %LEOLRWHFD� 'LJLWDO� %UDVLOHLUD� GH� 7HVHV� H�
'LVVHUWDo}HV� GR� ,%,&amp;7�� 7HQWRX�VH� IXJLU� GH� DUWLJRV� TXH� WUDWDYDP� GD� *HVWmR� GD� ,QIRUPDomR�
*, �� *&amp;� HP� 2UJDQL]Do}HV�� (PSUHVDV� H�RX� ,QVWLWXLo}HV�� VDOYR� DV� GH� (QVLQR� 6XSHULRU�� *&amp;�
DSOLFDGD�D�%LEOLRWHFDV�'LJLWDLV��HWF���PDQWHQGR�VH�R�IRFR�QD�EXVFD�SRU�WH[WRV�TXH�WUDWDYDP�GD�
*&amp;�H�*&amp;&amp;�HP�%8V��

��5HVXOWDGRV�SDUFLDLV�ILQDLV�
&amp;RQFOXLX�VH��SRUWDQWR��TXH�DV�SUiWLFDV�GD�*&amp;�H�GD�*&amp;&amp;�SRGHP�FULDU�JUDQGHV�YDQWDJHQV�
FRPSHWLWLYDV�j�LQVWLWXLomR�TXH�DV�DSOLFD�FRUUHWDPHQWH��PDV�TXH�HVVDV�H�VHXV�JHVWRUHV�SUHFLVDP�
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                <text>A pesquisa desenvolvida buscou apresentar primeiramente os principais conceitos sobre a Gestão do Conhecimento, sua aplicação em Instituições de Ensino Superior e, respectivamente, entre suas bibliotecas. Também se deu ênfase à Gestão do Conhecimento Científico, uma vez que o ambiente acadêmico em que bibliotecas estão imersas exige atitudes e ações diferenciadas de seus gestores, assim como mudanças de paradigmas em sua cultura organizacional para que haja enquadramento dos setores à realidade da instituição. Focou-se principalmente no compartilhamento do conhecimento entre as pessoas, no seu desenvolvimento de competências, na sua cooperação e colaboração, na preservação da memória e cultura organizacional, enfim, numa gestão focada na inovação e na aprendizagem. Concluiu-se que as práticas da Gestão do Conhecimento e da Gestão do Conhecimento Científico podem criar grandes vantagens competitivas à instituição que as aplica corretamente, mas que essas instituições e seus respectivos gestores precisam estar sempre atentos às demandas reais de seu ambiente interno e externo, buscando implementar novas práticas e serviços que contribuam para o desenvolvimento pessoal, profissional, institucional e humano de todos os envolvidos no processo e progresso educacional.</text>
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                    <text>GESTÃO DE DESEMPENHO POR COMPETÊNCIAS: APLICAÇÃO DO
FEEDBACK 360 GRAUS - QUAIS SÃO SEUS PONTOS FORTES E
SEUS DESAFIOS?

Nivaldo Calixto Ribeiro (UFLA) - nivaldo@biblioteca.ufla.br
Márcio Barbosa de Assis (UFLA) - marcio.assis@biblioteca.ufla.br
Simone Assis Medeiros (UFLA) - siamedeiros@biblioteca.ufla.br
Resumo:
Este relato tem como objetivo apresentar a experiência da aplicação do método de avaliação
de desempenho baseado na técnica 360 graus na Biblioteca Universitária da UFLA (BU/UFLA).
Como essa técnica consiste no princípio do feedback de múltiplas fontes, os colaboradores
receberam feedbacks de diversos colegas ao seu redor, incluindo de seus pares de trabalho,
superiores e subordinados. Neste tipo de avaliação é considerada também a avaliação que o
próprio servidor faz de si mesmo (autoavaliação). Os resultados parciais da avaliação foram
confidenciais. Os colaboradores tiveram acesso apenas ao resultado final da avaliação, porém
não souberam quem o avaliou. O instrumento de coleta de dados foi um questionário, sem
identificação do respondente, distribuído em três etapas: 1. avaliação dos colegas e
autovaliação; 2. Avaliação dos chefes e autoavaliação dos mesmos; 3. autoavaliação da equipe.
Ainda, 10 servidores escolhidos aleatoriamente foram convidados a manifestar suas
impressões sobre esse processo. Após a análise dos dados concluiu-se que a avaliação 360
graus pode proporcionar uma nova perspectiva, um feedback de como os colaboradores vem
realizando suas atividades e colaborando com o setor, possibilitando os próprios avaliarem seu
desempenho e a buscar por melhoria de suas atividades.
Palavras-chave: Avaliação de desempenho. Avaliação 360 graus. Gestão de Biblioteca
Universitária.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão de Pessoas

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1 INTRODUÇÃO
Atualmente, no serviço público, a avaliação de desempenho tem ganhado grande
importância para os servidores e também para as instituições. Nas duas situações esse recurso
possui grande valor, pois para o colaborador, além de obter progressão funcional, tem a
oportunidade de receber retorno sobre seu desempenho, possibilitando a melhoria deste.
Possibilita ainda atender ao princípio da eficiência1, instituído pela Emenda Constitucional nº
19/98, e para as organizações, cria a possibilidade de desenvolver o potencial de cada
colaborador, e com isso, gerando melhores resultados organizacionais.
Na Universidade Federal de Lavras (UFLA), a avaliação de desempenho foi instituída
por meio da Resolução CUNI 015/2009 que apresenta o Programa de Avaliação de
Desempenho dos Servidores Técnico-Administrativos da UFLA (PAD/UFLA), cumprindo a
Lei 11.091/2005 e as suas alterações (Lei 11.233/2005, Lei 11.784/2008, Lei 12.772/2012 e o
Decreto 5.825/2006), que dispõem sobre a estruturação do Plano de Carreira dos Cargos
Técnico Administrativos em Educação.
O PAD/UFLA tem por objetivo promover o desenvolvimento institucional, a política
de gestão de pessoas e a qualificação dos serviços prestados à comunidade.
Neste contexto, o objetivo deste trabalho é apresentar a experiência da aplicação do
método de avaliação de desempenho baseado na técnica 360 graus na Biblioteca Universitária
da UFLA (BU/UFLA), uma proposta complementar ao PAD/UFLA. Realizada pela primeira
vez no setor essa técnica possibilitou receber feedbacks simultâneos de diversas fontes. Esse
processo inclui várias etapas: autoavaliação da equipe, desempenho individual dos servidores
e uma delas é o retorno da comunidade das quais os serviços são prestados. Neste relato não
serão mencionados resultados referente à avaliação da comunidade e dos fornecedores.
Entende-se que todos ganham quando os serviços são avaliados desta forma, pois nem
sempre é possível ter a visão de todos os pontos de vistas. Assim, foram apontadas falhas
passíveis de correção que não foram notadas por uma avaliação unilateral, podendo aprimorar
os serviços prestados por cada setor. É importante mencionar que essa iniciativa surgiu de
uma ideia mencionada por um dos servidores da Biblioteca no “Projeto UFLA+: soluções
inovadoras”. O Projeto UFLA+ Soluções Inovadoras é uma consulta pública promovida pela
UFLA para prospectar inovações na instituição por meio da participação social.
Para Dourado (2010), segundo as disposições constitucionais em vigor, servidores
públicos são todos aqueles que mantêm vínculo de trabalho profissional com os órgãos e
entidades governamentais, integrados em cargos ou empregos de quaisquer delas: União,
estados, Distrito Federal, municípios e suas respectivas autarquias, fundações, empresas
públicas e sociedades de economia mista. Apesar da definição, e esta experiência ter sido
realizada em um órgão da administração pública, neste relato serão identificados esses
profissionais com uma expressão mais genérica “colaboradores”, pois no quadro de recursos
humanos da BU/UFLA há funcionários terceirizados.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
Na década de 1980, a partir de um contexto instável nos negócios, com diversos
desafios oriundos da competitividade e a necessidade de manterem-se no mercado com
crescimento econômico e social, as organizações começaram a buscar estratégias; entre elas, a
1

“Dever da eficiência é o que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições com presteza,
perfeição e rendimento funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não se contenta
em ser desempenhada apenas como legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório
atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros.” (MEIRELLES, 2015, p. 60).

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implantação de ferramentas para a avaliação de desempenho (PHILADELPHO; MACÊDO,
2007).
Segundo Marras (2011, p. 166),
[...] a avaliação de desempenho foi criada basicamente para acompanhar o
desenvolvimento cognitivo dos empregados durante sua permanência na
organização e especificamente para medir o seu nível de conhecimento, habilidades
e atitudes.

Assim, apesar da subjetividade de certos critérios, esse autor considera os aspectos
cognitivos e comportamentais da equipe em um processo avaliativo. Segundo Borges e Gross
(2013), os serem humanos constantemente avaliam uns aos outros e a si mesmos,
independente se consciente ou não. Pois é intrínseco fazer julgamentos sobre as circunstâncias
da natureza que cercam a humanidade (FREUD, 1987). O ato de avaliar faz parte do ser
humano e relaciona-se às suas decisões. Segundo Lucena (1992, p. 35) “todo ato humano é o
resultado de um processo de avaliação, que gera conseqüências no desdobramento do
julgamento feito ou da decisão tomada”. Assim, acredita-se ser de grande relevância a
avaliação de desempenho nas instituições, pois é imprescindível que a mão-de-obra seja cada
vez mais qualificada e orientada aos objetivos organizacionais.
Existem vários métodos para a aplicação de uma avaliação de desempenho, por
exemplo: atribuição de graus, avaliação de atividades, avaliação participativa por objetivos,
avaliação 360 graus, competências, comparativo, escalas gráficas, escolha forçada, frases
descritivas, incidentes críticos, lista de verificação, pesquisa de campo, entre outras.
A avaliação 360 graus tem-se mostrado muito eficiente, pois é um “modelo que visa
obter maior número de informações sobre o desempenho do funcionário, a partir da ampliação
da quantidade de pessoas que o avaliam” (BRANDÃO et al., 2008, p. 883).
Nesse modelo, o colaborador é avaliado por diversas pessoas que interagem em seus
processos de trabalho, como seu superior hierárquico, subordinados, colegas da equipe, e, em
alguns casos, até por fornecedores, inclusive pelo próprio colaborador (auto-avaliação), por
isso é conhecida também como Feedback 360 graus, avaliação de múltiplas fontes ou ainda
Feedback estruturado. Segundo Chiavenato (2010) e Marras (2011), cada colaborador é
avaliado por todos que tenham contato com ele (subordinados, superiores, pares, clientes
internos e externos, fornecedores). São produzidas diferentes informações na promoção do
desenvolvimento individual.
O intuito é que a avaliação seja realizada por todos os membros, assim obtêm-se um
resultado muito mais amplo e coerente do que quando é realizada por somente uma pessoa,
pois os envolvidos compartilham a responsabilidade pelo processo, sendo que situações
incompatíveis apresentadas por um avaliador é diluída no montante das avaliações. Para
Brandão et al. (2008) a avaliação 360 graus tem muito a contribuir no diagnóstico de
competências. A avaliação 360 graus é uma das “formas mais eficientes e eficazes para apoiar
o desenvolvimento humano e organizacional, desde que utilizada corretamente” (VERAS,
2015).
Porém, para Oliva e Ferra (2008), nas organizações nem sempre as avaliações são
realizadas de forma sistemática, mas muitas vezes de maneira informal, sobretudo nas
empresas “menores”, sendo que a avaliação de desempenho dos colaboradores é realizada
pelo gestor, a partir de metas pré-estabelecidas ou comportamentos desejados.
Para ser eficaz, a avaliação de desempenho deve ser condicionada aos objetivos da
organização, e os colaboradores devem orientar seus comportamentos a esses fins, com o
intuito de cumprir as metas propostas, e assim, atingir tais resultados (BORGES; GROSS,
2013). Para Marras (2011) o objetivo da avaliação de desempenho é alcançar o
desenvolvimento do indivíduo, desenvolver seus talentos, estimulando suas potencialidades

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para alcançar os objetivos esperados. Ao se aplicar uma avaliação de desempenho, tem-se
como objetivo verificar se o colaborador está atendendo às necessidades da organização, de
acordo com os princípios e ideais da mesma, ou ainda, como mencionam Brandão et al.
(2008), servem também ao propósito de identificar as competências existentes na empresa.
Para Chiavenato (2010), a avaliação 360 graus promove uma perspectiva de futuro
mais promissora, com grandes possibilidades de crescimento individual (MARRAS, 2011) e
coletivo. Chiavenato (2010) menciona que, apesar da responsabilidade do desenvolvimento
individual ser do próprio colaborador, a empresa também deve participar desse processo, já
que o desenvolvimento pessoal trará benefícios para a própria organização. A avaliação
também tem esse intuito, de aprimoramento e estímulo à capacitação.
Borges e Gross (2013) salientam que quando um colaborador é adequadamente
avaliado e tem a oportunidade de vislumbrar tal resultado, ele passa a se sentir mais motivado
a buscar maior crescimento individual. Quando ocorre uma avaliação de desempenho de
maneira eficiente, a consequência é provocar o interesse na busca de desenvolvimento, pois a
avaliação de desempenho produz uma influência direta que auxilia na busca de
aperfeiçoamento dos colaboradores. Por outro lado, os mesmos autores apresentam que na
ausência da avaliação, a tendência é que os colaboradores fiquem acomodados em suas
funções, pois essa anuência dá-se pela falta de um retorno específico apresentando a real
condição do funcionário, referente ao seu trabalho, sua produtividade, se está trabalhando e
produzindo de forma adequada ou não, na percepção de seus gestores. Pois se não há um
retorno de seu desempenho, como saber o que é necessário melhorar?
Pontes (2010) enfatiza que o feedback é fundamental, pois o desenvolvimento
individual só será despertado se o mesmo tiver a oportunidade de vislumbrar os resultados.
Portanto, havendo um retorno adequado ao colaborador, os resultados tendem a ser
satisfatórios, pois o colaborador se sentirá valorizado e motivado quando tem acesso aos
resultados. O feedback deve ser claro e objetivo, não deixando dúvidas sobre a veracidade da
avaliação. O feedback é a essência da avaliação de desempenho, pois irá ajudar o trabalhador
a conhecer a opinião alheia, saber como está seu trabalho na organização, é a oportunidade de
saber se está cumprindo o que lhe foi atribuído, como suas atividades está sendo vista. Como
o feedback é um processo de troca de informações, o funcionário tem a chance de
conscientizar-se de como está sendo percebido na execução de suas atividades, claro, com a
finalidade de ajudá-lo a corrigir possíveis falhas que porventura estejam equivocadas.
Por outro lado, Felippe (2015) corrobora que, sem o adequado feedback aos
colaboradores envolvidos, a avaliação não tem sentido, como a própria autora enfatiza, “tudo
vai por água a baixo”, pois perde-se a oportunidade do funcionário conscientizar-se sobre suas
atitudes e seu desempenho, se estão adequados ou não ao esperado. Souza (2015) apresenta
como vantagem do processo de avaliação 360 graus a possibilidade da mudança de
comportamento do funcionário após a apreensão de sua postura e produtividade.
Felippe (2015) relaciona algumas vantagens da avaliação 360 graus, como
apresentadas a seguir:
a) possibilita resultados mais confiáveis e isentos de influências pessoais; b)
possibilita a visão da performance do avaliado sob diferentes ângulos; c) promove
maior aceitação, pois os colaboradores percebem como um processo mais justo e
confiável; d) possibilita um maior controle da coerência do avaliador nos diferentes
pareceres que emite.

Contudo, para que se alcance a consistência desejada, é necessário que todo o processo
seja claro e objetivo, sobretudo no momento da análise. É fundamental que exista a descrição
das competências almejadas, assertividade na comunicação aos avaliados, a confiança dos
colaboradores, sendo que o sigilo das informações seja plenamente outorgado. Todo o grupo
deve estar envolvido e comprometido no desenvolvimento da avaliação (FELIPPE, 2015). Ou

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seja, deve haver maturidade da equipe, a fim de filtrar os aspectos e interesses pessoais para
que não prejudique os resultados do trabalho.

3 PERCURSO METODOLÓGICO
Nesta sessão elencam-se os procedimentos metodológicos para a realização desse
relato de experiência e da avaliação 360 graus, bem como as estratégias utilizadas para
alcançar os objetivos geral e específicos, apresentando uma descrição do estudo e das técnicas
adotadas. Esta pesquisa caracteriza-se como descritiva e aplicada.
Segundo Gil (2010) a pesquisa descritiva tem como objetivo principal a descrição das
características de determinado fenômeno e também a busca de recursos para melhorar as
práticas sem entrar no mérito de seu conteúdo. E, é aplicada, por se referir a um Programa de
Avaliação de Desempenho da equipe da BU/UFLA, com perspectiva de ser apropriada pela
instituição, de modo a servir como reflexão e contribuição para evolução do processo
avaliativo de desempenho funcional (GOMES, 2010).
Quanto aos meios de investigação, utilizou-se a técnica de estudo de caso por permitir
um conhecimento mais detalhado sobre o fenômeno e o contexto delimitado. Yin (2015)
afirma que o estudo de caso representa uma investigação empírica e compreende um método
abrangente, com a lógica do planejamento, da coleta e da análise de dados. Segundo, ainda,
este autor, o estudo de caso único pode ser classificado como crítico e revelador.

3.1 POPULAÇÃO E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
A avaliação 360 graus envolveu todos os colaboradores da BU/UFLA. Como
instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado, sem identificação do
respondente, distribuído em três etapas de perguntas. Adotou-se uma escala ordinal de 10
pontos, para avaliação das perguntas, à qual quanto mais próximo do número 10 (dez) melhor
a avaliação e quanto mais próximo de O (zero) pior a avaliação daquele critério. A 1ª etapa foi
direcionada aos colaboradores sem cargo de chefia, para avaliação dos pares e a sua
autoavaliação, conforme os critérios disposto na Quadro 1.
Quadro 1 - Avaliação do Servidor

Fonte: Adaptado de Universidade Federal de Lavras (2009)

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A 2ª etapa foi direcionada aos chefes de setores, com os critérios dispostos no Quadro
2. Da mesma forma os chefes de setores, também avaliaram os colaboradores lotados em suas
coordenadorias e se autoavaliaram.
Quadro 2 - Avaliação do Servidor ocupante de Cargo de Chefia

Fonte: Adaptado de Universidade Federal de Lavras (2009)

Para compor a avaliação 360 graus, os colaboradores também avaliaram um grupo de
itens relacionado à autoavaliação da equipe, correspondente ao PAD/UFLA, Resolução CUNI
nº 015/2009. Nessa ocasião, adotou-se uma escala ordinal de 5 (cinco) pontos, como disposto
na Quadro 3. Esse questionário foi enviado, preliminarmente, por e-mail, e com a média das
avaliações dos grupos, foi agendada uma reunião para discutir os resultados.
Quadro 3 - Autoavaliação da Equipe

Fonte: Universidade Federal de Lavras (2009)

A construção do questionário baseou-se na literatura utilizada para este estudo, em
informações levantadas da pesquisa documental, no modelo de questionário utilizado em
pesquisas de instituições públicas e no PAD/UFLA (2015) no que tange aos elementos,
critérios constitutivos e pressupostos.

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3.2 COLETAS DE DADOS
Os dados foram coletados no mês de outubro de 2015 e para essa ação os
procedimentos utilizados foram: contatos pessoais, por meio de uma reunião, com toda a
equipe, para convidar os colaboradores a participarem desse formato de avaliação. O próximo
passo foi a marcação de datas, horários e locais para aplicação ou envio do questionário.
A aplicação do questionário 1 e 2 realizou-se de forma presencial, nos setores de
trabalho ou outro local, previamente determinado, por um dos coordenadores não vinculados
à lotação dos colaboradores respondentes. Durante a aplicação da avaliação, os colaboradores
foram orientados sobre algumas vedações do código de ética do servidor público como
permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem
pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com
colegas hierarquicamente superiores ou inferiores. Segundo as recomendações do PAD/UFLA
(2015) é necessário ser imparcial e objetivo, pois a avaliação não é um ajuste de contas; é um
relatório sobre o trabalho de alguém. Mesmo que não gostemos de alguém, seria injusto não
reconhecer suas boas qualidades; da mesma forma que favorecer alguém porque nos é
agradável é falsear uma realidade objetiva.
Para facilitar a avaliação 360 graus a equipe da BU/UFLA foi dividida em 7 (sete)
grupos: Diretoria; Coordenadoria de Desenvolvimento do Acervo; Coordenadoria de
Processos Técnicos; Coordenadoria de Atendimento ao Usuário – Manhã; Coordenadoria de
Atendimento ao Usuário – Tarde/Noite; Coordenadoria de Produtos e Serviços (Repositório
Institucional) e Coordenadoria de Recursos Tecnológicos. Todos os servidores avaliaram e
foram avaliados anonimamente dentro do seu grupo. É relevante considerar que o diretor,
secretário e os Técnicos em Tecnologia da Informação (TI) foram avaliados em todos os
grupos por estarem envolvidos com as atividades de toda a equipe da BU/UFLA. Seguindo a
recomendação do PAD/UFLA (2015) consideramos equipe para fins desta avaliação o setor
com até 15 colaboradores, como foi o caso da Coordenadoria de Atendimento ao Usuário,
dividida em dois grupos.

3.3 ANÁLISES DOS DADOS
Considerando que a avaliação 360 graus promove o feedback simultâneo das diversas
fontes em seu redor, o colaborador foi avaliado por seus pares de trabalho, superiores,
subordinados, ficando a etapa de avaliação dos usuários internos e externos e fornecedores
para outra oportunidade. Neste tipo de avaliação é considerada também a avaliação que o
próprio servidor faz de si mesmo. Os resultados parciais da avaliação foram confidenciais. Os
colaboradores tiveram acesso apenas ao resultado final da avaliação, porém não souberam
quem o avaliou.
A tabulação dos dados ocorreu por meio da criação de uma matriz no Excel,
desenvolvida exclusivamente para atender às especificidades do instrumento de coleta de
dados, composto por 20 variáveis de natureza qualitativa. No que diz respeito à estatística
descritiva, foi utilizada a técnica da verificação de médias com o intuito de obter uma visão
geral dos resultados, como se pode observar no Gráfico 1. É importante destacar que, nas
ocasiões em que foram entregues questionários de algum colaborador em branco, estes foram
desprezados para se evitar o mascaramento dos resultados, o que poderia negativar a
avaliação de um colaborador.

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Gráfico 1 - Resultado individual da avaliação 360 graus / Colaborador

Fonte: Dados desta pesquisa

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Para preservar a identificação dos colaboradores, os nomes originais foram
substituídos, sem nenhuma ordem, por personalidades da literatura, poetas, críticos,
romancistas ou outros. A seguir a legenda com os critérios adotados para análise do
desempenho do colaborador.

Neste relato, optamos por apresentar apenas a média dos resultados individuais dos
colaboradores da equipe, por item, e a percepção dos mesmos em participar da avaliação 360
graus. Ao observar os resultados, relacionado ao critério “Iniciativa para encaminhamento ou
solução de problemas”, identificamos que a média da avaliação foi 9,4. Sobre o critério
“Apresenta trabalhos tecnicamente corretos’ chegamos à pontuação 9,6; quanto ao item
“Realiza as tarefas dentro do tempo estabelecido” o resultado foi 9,57; para a questão
“Colabora com os colegas e chefes na realização de trabalhos” foi de 9,63; a opção “É assíduo
/ pontual / permanece no setor” foi de 9,39; a alternativa “Utiliza com zelo os materiais e
apenas para fins profissionais (internet, telefone, impressões e outros) foi de 9,51; no que se
refere a “Transmite informações claras e precisas seja pessoal ou virtualmente” foi 9,53;
“Apresentação pessoal” foi de 9,87; “Tem motivação / vontade, busca o melhor para a
Biblioteca e não poupa esforços para isso” foi de 9,36; “É flexível em tarefas e sabe se
adaptar a mudanças” foi de 9,32; “Está sempre disponível e disposto” foi de 9,59; “Está
integrado aos outros servidores e à biblioteca e sua missão (Relacionamento interpessoal)” foi
de 9,53; “Tem colaborado para o crescimento da Coordenadoria / Biblioteca” foi de 9,48; “É
organizado e procura organizar os ambientes à sua volta” foi de 9,47; “Tem conduta ética
(evita comentários desabonadores sobre, colegas e a instituição, trata igualmente todos os
usuários, são leais às normas do setor e outros)” foi de 9,57; “Trabalha com alta produtividade
e procura sempre melhorá-la” foi de 9,38; “É proativo, gerando retornos de informação
construtivos e provendo novas ideias” foi de 9,26; “É capacitado para exercer a função que
desempenha” foi de 9,83; “Possui habilidade e iniciativa necessárias para desenvolver
atividades com independência” foi de 9,57; “Participa de grupos de trabalho, reuniões,
comissões, eventos promovidos pela BU/UFLA, cursos ou similares” foi de 9,19. Podemos

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constatar que a média das notas se posicionaram acima de 9, o que no ponto de vista da
equipe de análise se configura como um excelente resultado, porém, compreendemos que
falhas podem ter ocorrido durante o período de aplicação.
Por fim, 10 (dez) servidores foram selecionados, aleatoriamente, independente do
cargo, para manifestar sua percepção sobre a aplicação da avaliação 360 graus na BU/UFLA.
Assim, apresentamos algumas respostas e passamos a analisar seus comentários, substituindo
sua identidade pelo termo “colaborador”.
O Colaborador 9, expôs que acredita que o principal resultado da avaliação 360 graus
foi proporcionar uma nova forma de fazer uma autoavaliação mais aprofundada, um feedback
de como vem realizando suas atividades e colaborando com o setor como um todo, além do
relacionamento com os colegas. Estimulou também, a seu ver, a melhoria no trabalho em
equipe, ficando claro que a colaboração no setor deve ser constantemente aperfeiçoada. Em
relação a avaliar outros colegas, afirmou que nem sempre é possível atribuir notas com
justeza, uma vez que, na maioria dos itens, avaliaram somente de acordo com a sua
percepção. Também considerou delicado atribuir notas numéricas (mais objetivas) em uma
avaliação que muitas vezes passa por critérios subjetivos. Sugeriu que uma nova forma de
fazer a avaliação seria atribuindo conceitos como: insatisfatório – regular – bom – satisfatório
(apenas um exemplo). Por fim, considerou a avaliação positiva e acredita que ela será
aprimorada conforme forem surgindo necessidades de adequação visando atender melhor o
objetivo a que ela se propõe.
Nessa mesma esteira o Colaborador 8, citou que considerou esse processo de
avaliação interessante, mas também ponderou que é um pouco complicado avaliar o outro e
mais ainda as pessoas com quem não trabalha todo o tempo. Acredita que é uma avaliação
que deve continuar a ser realizada e que será aprimorada com o tempo e trará bons resultados.
Em seu relato, o Colaborador 7, pontuou que em outro momento, quando esteve se
especializando em micro e pequenas empresas, teve a ocasião de conhecer a avaliação 360
graus. Naquela oportunidade foi amplamente discutida pelos colegas do curso, sendo a
maioria deles, de empresas privadas. Expôs que devido ao seu conhecimento sobre a técnica
de avaliação 360 graus, uma preocupação inicial, de certa forma considerada exagerada por
este colaborador, quando tomou conhecimento que a biblioteca iria, em caráter experimental,
aplicá-la. Na época em que tomou conhecimento da técnica lhe ficou claro que era um modelo
novíssimo e que se aplicaria a empresas privadas para chefes de setores e de líderes de turma
para mudanças de comportamentos empresariais, uma vez que o modelo de avaliação não se
permite atitudes drásticas por não obter dados conclusivos. Continuando seu discurso, o
Colaborador 7, apresentou 4 opiniões divergentes e não definitivas para uma conclusão que
acrescente para futuras avaliações: “1. a duração e o formato de reunião para a avaliação
deixou claro e evidente o protecionismo que colegas tem, característica do serviço público; 2.
toda percepção que tive no processo me fez ser mais crítico. Com pequenos ajustes, a
autoavaliação, só por si, já vale a reaplicação; 3. avaliação institucional, quando feita
segundo o rito, me parece mais eficiente e; 4. até o momento, avaliação 360 graus feita na
biblioteca, ainda não tomei conhecimento de nenhum resultado que poderia assumir uma
nova resultante”. Finalmente, expôs que são sempre positivas atitudes que tirem os servidores
de seu ambiente de conforto para uma reflexão mais aprofundada do seu papel profissional
dentro de um contexto mais crítico.
Para o Colaborador 3, a Avaliação 360 graus foi um mecanismo importante para a
democratização da avaliação do servidor, por oferecer o ponto de vista não só dos gestores e
chefes de setor como também dos colegas de trabalho que estão mais próximos do servidor
avaliado. Dessa forma, a avaliação tornou-se mais imparcial (por oferecer pontos de vista de
diversas pessoas) e concedeu a oportunidade para que os servidores apontassem os pontos
fortes e a melhora de cada colega. Além disso, o questionário utilizado abrangeu mais itens a

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serem analisados do que a avaliação tradicional utilizada pela PAD/UFLA. Contudo, este
colaborador apontou que um ponto delicado na avaliação é que, mesmo estando em um
mesmo setor, nem sempre o servidor trabalhou próximo o suficiente de um colega para ser
capaz de avaliá-lo em alguns itens. Um segundo ponto é o risco de questões pessoais distorcer
a avaliação, ou seja, o servidor indicar notas altas para colegas com quem tem uma boa
relação pessoal e notas baixas para os colegas com quem não possui muita afinidade.
Noutro giro, porém sem mudar o foco, o Colaborador 1 expôs que a avaliação
contribuiu para detectar falhas estruturais tanto operacional, como físicas e de recursos
humanos. O dados avaliados "mostra" as ações a serem corrigidas e os melhoramentos
necessários para a instituição alcançar os objetivos e as metas estabelecidas.
O Colaborador 5, entendeu que a avaliação 360 graus teve como objetivo principal
aperfeiçoar os serviços prestados por meio de opiniões e críticas daqueles que trabalham
juntos. Considerou que este método é bastante interessante, visto que, problemas e sugestões,
daqueles que convivem juntos em ambiente de trabalho, para solucioná-los costumam ser
bem úteis para o aprimoramento de suas atividades laborais. Ponderou que as notas colocadas
no papel num primeiro instante podem ser “mentirosas”. Uma nota alta dada num momento
de maior sinergia do grupo pode esconder possíveis falhas, assim como uma nota muito baixa
pode ser reflexo de algum conflito ocorrido num momento, imediatamente, anterior à
avaliação. Diante destes possíveis problemas com as notas, esse colaborador julgou
fundamental a conversa entre os membros do grupo no momento posterior a revelação dos
números. Sua primeira impressão sobre esta conversa foi que os membros do seu grupo
estavam tímidos para exporem suas opiniões diante das notas, mas acredita que esta timidez
está atrelada ao fato de ter sido a primeira vez que houve a avaliação em questão.
Diante das respostas dos colaboradores e da análise e descrição dos autores,
identificou-se como pontos fortes e fracos/desvantagens dessa avaliação expostas por meio
das proposições exposta no Quadro 4:
Quadro 4 - Pontos fortes e fracos/desvantagens
Vantagens
a) otimiza a produtividade do setor;

Desvantagens
a) mudança cultural, pois a avaliação passa
de um processo unilateral para um feedback
multilateral, onde avaliam e são avaliados
por outras colegas de trabalho;
b) orienta o desempenho do colaborador;
b) dificuldade de compreensão dos
benefícios a todos os colaboradores e os
ganhos com esse processo de avaliação;
c) identifica os critérios a serem melhorados c) dificuldades em avaliar seus chefes
no desempenho dos avaliados;
imediatos ou colegas, seja por ausência de
entendimento sobre o propósito da avaliação
ou pela falta de uma visão holística ou
sistêmica da organização (Biblioteca).
d) contribui com o desenvolvimento pessoal d) incipiente experiência de alguns
e profissional;
colaboradores no papel de avaliadores
e) permite resultados mais seguros e sem
opiniões pessoais;
f) demonstra uma análise da atuação do
avaliado sob diferentes óticas;
g) promove maior aquiescência, por ser um
processo mais justo e confiável.

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Não obstante, para o sucesso da avaliação 360 graus é necessário informar os
colaboradores sobre todo o processo e sensibilizar as pessoas envolvidas que precisam se
identificar com a ideia e aderir conscientemente ao projeto. Essa técnica pode trazer muitos
benefícios tanto às pessoas avaliadas quanto a organização, porém, precisa ser planejada em
um ambiente democrático, com objetivos claros, com comunicação eficiente, com uma equipe
racional e pessoas bem dispostas a receberem os resultados com críticas que colaborarão para
o desempenho individual. Antagônico às intenções inicias da predisposição da técnica pode
trazer frustrações, intrigas, ausência de respostas, erros no diálogo funcional, perda de tempo
entre outros, inclusive o fracasso do projeto.
4 CONCLUSÃO
As organizações têm buscado métodos eficientes de administrar seu potencial humano,
sendo a avaliação de desempenho uma ferramenta importante na mensuração e
desenvolvimento das pessoas. Cabe ressaltar que mudanças de procedimentos ou
instrumentos no serviço público são rodeadas de etapas e níveis de decisões coletivas. Por
isso, essa técnica foi aplicada apenas como complemento do PAD/UFLA 2015.
A avaliação de desempenho 360 graus é percebida como uma ferramenta que
possibilita uma maior precisão em seus resultados por ser considerado um modelo mais
completo de avaliação existente se comparado aos outros métodos existentes. Logo, o modelo
mais completo pode ser considerado também o mais complexo em função do custo e do
tempo de aplicação.
No ponto de vista institucional, as informações levantadas por este estudo ofereceram
a possibilidade de rever procedimentos dos setores e gerar perspectiva de melhorar a forma de
aplicação para obter melhores resultados no seu sistema de avaliação futuramente. Com
relação à visão dos avaliados percebeu-se certo receio quanto a verdadeira finalidade do
processo, muitas vezes conexo à pouca experiência com esse tipo de técnica.
Um dado relevante identificado na avaliação é que ela possibilitou ampliar questões
que ficam obscuras na avaliação de desempenho aplicada pela instituição, como exemplo,
pontualidade. Na avaliação institucional existe apenas o critério assiduidade, o colaborador
pode ser assíduo, mas não pontual. Outro ponto relevante é que, com o resultado, foi possível
fazer uma autoavaliação do que precisa ser melhorado em vários setores e serviços.
Quanto às dificuldades enfrentadas citamos a ação de avaliar os colegas que não
trabalham diretamente no setor, como foi o caso do administrador, TI´s e outros. Apesar de
serem colaboradores que prestam atendimento geral na BU, a maioria das questões do
questionário abordou atividades muito específicas que, somente, os colegas do próprio setor
ou o chefe tem condições de avaliá-lo melhor. Outra questão apontada por alguns servidores
foi que consideraram injustas algumas notas atribuídas, com pontuação baixa em
produtividade ou pontualidade. Isso pode ter ocorrido por não conhecer com exatidão as
atividades desempenhadas por aquele colega, ou mesmo por conflitos pessoais ou por
divergência de horários do setor.
Ainda, com relação aos limites e/ou dificuldades encontradas para execução da
Avaliação 360 graus, identificamos que, dos 41 colaboradores da BU/UFLA, 4 não
responderam ao instrumento de coleta de dados, em função de afastamentos legais como
férias, licença para tratamento da própria saúde ou outros.
Concluso, adotar um formato padrão que atenda a todas as instituições é utópico. É
inegável que não se tenha um modelo pronto para administrar um órgão público ou qualquer
outra instituição. É necessário que se busque sempre por soluções, como fonte de valorização
e realização dos indivíduos que colaboram de uma forma ou de outra com a organização.

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agora é hora? Disponível em: &lt;http://www.mariainesfelippe.com.br/artigos/ artigos.asp?
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LUCENA, M. D. da S. Avaliação de desempenho. São Paulo: Atlas, 1992.
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MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. 41. ed. atual. São Paulo: Malheiros,
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&lt;http://www.rhportal.com.br/artigos/rh.php?rh=Implantando-Avaliacao-360Graus&amp;idc_cad=txqn66rwc/&gt;. Acesso em: 20 dez. 2015.

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2015. 290 p.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Ribeiro, Nivaldo Calixto; Assis, Márcio Barbosa de; Medeiros, Simone Assis </text>
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                <text>Este relato tem como objetivo apresentar a experiência da aplicação do método de avaliação de desempenho baseado na técnica 360 graus na Biblioteca Universitária da UFLA (BU/UFLA). Como essa técnica consiste no princípio do feedback de múltiplas fontes, os colaboradores receberam feedbacks de diversos colegas ao seu redor, incluindo de seus pares de trabalho, superiores e subordinados. Neste tipo de avaliação é considerada também a avaliação que o próprio servidor faz de si mesmo (autoavaliação). Os resultados parciais da avaliação foram confidenciais. Os colaboradores tiveram acesso apenas ao resultado final da avaliação, porém não souberam quem o avaliou. O instrumento de coleta de dados foi um questionário, sem identificação do respondente, distribuído em três etapas: 1. avaliação dos colegas e autovaliação; 2. Avaliação dos chefes e autoavaliação dos mesmos; 3. autoavaliação da equipe. Ainda, 10 servidores escolhidos aleatoriamente foram convidados a manifestar suas impressões sobre esse processo. Após a análise dos dados concluiu-se que a avaliação 360 graus pode proporcionar uma nova perspectiva, um feedback de como os colaboradores vem realizando suas atividades e colaborando com o setor, possibilitando os próprios avaliarem seu desempenho e a buscar por melhoria de suas atividades.</text>
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                    <text>GESTÃO COMPARTILHADA: AVALIAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO
TRABALHO PEDAGÓGICO DA BIBLIOTECA COM BASE NOS
INDICADORES DO MEC

Maira Nani França (UFU) - mairanani@hotmail.com
Patricia de Oliveira Portela (ufu) - patriciap@ufu.br
Resumo:
Apresenta uma retrospectiva do processo de avaliação de cursos no país, com ênfase nas
bibliotecas. Divulga as atividades que o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de
Uberlândia (SISBI/UFU) tem desenvolvido nos últimos anos, referente à avaliação de cursos
pelas comissões do Ministério da Educação (MEC). Descreve a parceria firmada com
Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da universidade e com sua Divisão de Projetos
Pedagógicos (DIPED) buscando contribuir com a melhoria da eficácia e qualidade das
atividades de ensino e obter o conceito de excelência do MEC. Apresenta a consultoria
prestada pelos bibliotecários de atendimento do SISBI/UFU, aos coordenadores de cursos de
graduação da universidade, referente à elaboração e/ou revisão das bibliografias básica e
complementar dos Projetos Pedagógicos. As ações descritas neste documento não se encerram
com a apresentação do mesmo, na verdade trazer estas considerações à tona, faz com que os
esforços sejam canalizados para se conquistar cada vez mais resultados satisfatórios pela
biblioteca, tanto nas avaliações promovidas pela Comissão Própria de Avaliação, quanto nas
avaliações conduzidas pelos representantes do MEC, visando a melhoria na qualidade da
educação do país.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias - Avaliação MEC; Fichas de disciplinas – Análise;
Projetos pedagógicos - Eficácia. Gestão compartilhada. Política instituci
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Com a promulgação da lei1 que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior (SINAES), com a finalidade de ampliar permanentemente a eficácia institucional,
dentre outras, os profissionais bibliotecários das instituições de ensino superior foram
impulsionados a buscar formas de se adequarem às exigências do Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)2, a fim de prover as bibliotecas de
estrutura, acervo e recursos tecnológicos no sentido de assegurar resultados positivos nas
avaliações dos cursos das faculdades, centros universitários ou universidades a que estavam
vinculadas, bem como oferecer serviços que pudessem apoiar significativamente a formação
do seu público acadêmico.
Dentre os componentes que constituem o SINAES, destaca-se a avaliação dos cursos
de graduação por meio de instrumentos e visitas in loco, analisada no presente trabalho a
partir das contribuições do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia
(SISBI/UFU) no processo de avaliação institucional. Uma das iniciativas dos profissionais da
informação do SISBI/UFU foi o investimento na formação por meio da participação em
eventos e capacitação em cursos na área, descritos a seguir.
Em 2008, aconteceu em Salvador, BA o Seminário Avaliação da Biblioteca
Universitária Brasileira com objetivo de discutir questões sobre a verificação interna de
bibliotecas universitárias brasileiras, validando um modelo3 para sua avaliação a fim de
evidenciar a sua real situação dentro da instituição subsidiando as atividades de planejamento
e gestão, além de ter sido uma oportunidade de apresentar uma devolutiva ao INEP a respeito
dos instrumentos oficiais utilizados para avaliação das unidades informacionais no país.
O modelo apresentado foi aperfeiçoado e levado para novas análises no II Seminário
Avaliação da Biblioteca Universitária Brasileira4, realizado em 2012, na cidade de Goiânia,
GO. Neste evento, além das discussões sobre gestão e planejamento de bibliotecas
universitárias e, validação do instrumento de avaliação, foi divulgada a iniciativa da diretoria
da Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) em reativar os Encontros
Regionais de Bibliotecas Universitárias, com o primeiro acontecendo no Ceará para atender as
demandas das regiões Nordeste e Norte e discutida a possibilidade de realização de outros
encontros que pudessem contemplar as demais regiões do país.
Por ocasião do Seminário, aconteceu uma reunião da CBBU com os gestores das
bibliotecas universitárias e na oportunidade foi levantada a possibilidade de a Universidade
Federal de Uberlândia (UFU) sediar um Encontro que pudesse contemplar parte da região
Sudeste, região Centro-Oeste e Distrito Federal, com a organização sob a responsabilidade do
SISBI/UFU, tendo em vista a significativa representatividade da instituição na reunião.
Independentemente dos eventos acima citados, para bem representar a unidade
informacional no recebimento das visitas de Comissões do MEC, em abril de 2013, os
bibliotecários das áreas de atendimento e aquisição do SISBI/UFU participaram do curso
Bibliotecas Universitárias Avaliação do MEC, promovido pela Federação Brasileira de
Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB). Assim, a
atividade que era, até então, desempenhada de modo a, simplesmente, responder as
indagações de cada comissão, tendo cada uma a sua peculiaridade, passou a ser estruturada e
1

Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004. Cf. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.861.htm.
Órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela avaliação do sistema educacional brasileiro
(BRASIL, 2004).
3
O modelo original foi proposto na pesquisa de doutorado de Lubisco (2007). O modelo discutido e aprimorado
pelo grupo está publicado em Seminário Avaliação da Biblioteca Universitária Brasileira (2008) e Lubisco
(2011).
4
Cf. página eletrônica do evento em Seminário Avaliação da Biblioteca Universitária Brasileira (2012).
2

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

conduzida, pela equipe do SISBI/UFU, pautada nas orientações, discussões e análises críticas
advindas da participação nos eventos e curso da área.
A partir dos estudos referentes ao Instrumento de avaliação de cursos de graduação
presencial e a distância, do MEC (BRASIL, 2015), criou-se uma nova frente de trabalho no
SISBI/UFU a fim de facilitar aos coordenadores de cursos o preenchimento de formulário no
Sistema e-MEC5, no que compete aos indicadores referentes à biblioteca, tendo em vista a
autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento nos graus de tecnólogo,
licenciatura e bacharelado para as modalidades presencial e a distância.
A ação por parte da biblioteca foi implementada através de parceria firmada com a
Divisão de Projetos Pedagógicos (DIPED) da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da
instituição, no sentido de prestar consultoria aos docentes/coordenadores de curso sobre as
exigências do MEC na elaboração das bibliografias básica e complementar das fichas de
disciplinas dos Projetos Pedagógicos de Cursos (PPC), bem como orientá-los quanto a
preparação para recebimento das comissões durante a visita à biblioteca.
Esta iniciativa fortaleceu-se diante da comprovação de insucessos nos momentos das
visitas do MEC, às bibliotecas do SISBI/UFU, em que as consultas por amostragem das obras
listadas nas fichas de disciplinas muitas vezes constatavam títulos inexistentes no acervo ou
quantidade insuficientes para o número de vagas/ano oferecidas, além de edições ou datas de
publicações desatualizadas.
Concomitantemente às providências de adequação das bibliografias dos PPC e
orientação aos docentes, o SISBI/UFU se preparava para sediar em 2013 o Encontro Regional
de Bibliotecas Universitárias (ERBU)6, regiões Sudeste 1 (Minas Gerais e Espírito Santo),
Centro-Oeste e Distrito Federal, com o tema A eficácia da avaliação e planejamento das
Bibliotecas Universitárias no processo de tomada de decisão. Constava na programação do
evento que aconteceu na UFU, nos dias 3 e 4 de outubro de 2013, uma mesa redonda
intitulada Eficácia na avaliação de cursos nas instituições da qual participaram a facilitadora
do curso sobre avaliação do MEC, bibliotecária Miriam Q. Rocha com a apresentação
Avaliação institucional e a atuação do bibliotecário, o sociólogo e representante do MEC
Rodrigo Fraga Massad, responsável pela gestão do Banco de Avaliadores do SINAES, com a
palestra O Sistema Nacional da Avaliação da Educação Superior – SINAES e o docente
Robson Luiz de França, da Faculdade de Educação da UFU discorrendo sobre O processo de
avaliação: apontamentos de elementos de intenção governamental x realidade. O assunto
gerou um enfático debate, instalando-se esclarecimentos sobre os processos de avaliação
formativa da educação de um lado, e de outro a análise dos aspectos ético-políticos e
filosóficos da avaliação, não apenas aos bibliotecários do SISBI/UFU, mas também aos
profissionais da informação de Uberlândia e região.
Registrar historicamente e divulgar as ações que o SISBI/UFU tem desenvolvido nos
últimos anos referente à avaliação de cursos, é o propósito deste trabalho, que visa contribuir
com a melhoria da eficácia e qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão,
buscando a obtenção do conceito de excelência do MEC.

2 Revisão de literatura
A educação brasileira é norteada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)
com base nos princípios da Constituição, com destaque para: “Compete privativamente à

5

Sistema eletrônico de solicitação e acompanhamento dos processos que regulam, avaliam e supervisionam a
educação superior no Brasil instituído pela Portaria Normativa 40 (BRASIL, 2007a).
6
Cf. página eletrônica do evento em Encontro Regional de Bibliotecas Universitárias: Sudeste 1, Centro-Oeste e
Distrito Federal (2014).

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União legislar sobre [...] diretrizes e bases da educação nacional 7” (BRASIL, 1988). A
primeira LDB do Brasil8 que regulamentava a autorização de cursos superiores foi revogada
pela Lei 9.394, atual LDB. Em seu capítulo IV, art. 46º, propõe que: “a autorização e o
reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de instituições de educação superior,
terão prazos limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de
avaliação.” (BRASIL, 1996b).
De acordo com Bertolin (2004), foi com o Programa de Avaliação da Reforma
Universitária (PARU), criado pelo MEC no ano de 1983 e desativado em 1984, que surgiram
as primeiras ideias de avaliação do ensino de graduação no país. O programa priorizava a
gestão das Instituições de Ensino Superior (IES) bem como produção e disseminação do
conhecimento.
Em 1986, o MEC lançou o Grupo Executivo de Reforma da Educação Superior
(GERES) com propostas de se estabelecer comissões especialistas para avaliação dos cursos
de graduação e de aplicação de testes padronizados aos alunos formandos, resistida pela
comunidade acadêmica da época (BERTOLIN, 2004). O autor destaca que algumas
universidades como Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual (UNICAMP) iniciaram,
a partir de 1986, experiências de autoavaliação9. Em 1993, foi lançado pelo MEC, o sistema
nacional de autoavaliação, de adesão voluntária, cujo desenvolvimento era definido pela
própria instituição, denominado Programa de Avaliação Institucional das Universidades
Brasileiras (PAIUB) (BARCELOS; GOMES, 2004).
As avaliações periódicas das instituições e dos cursos de ensino superior por
comissões do MEC e a aplicação de exames nacionais10 para avaliar o desempenho dos
alunos, em 1995, foram regulamentadas no art. 3º da Lei 9.131, revogada pela Lei 10.861, que
institui o SINAES e a respeito das avaliações delibera que “a avaliação dos cursos de
graduação utilizará procedimentos e instrumentos diversificados, dentre os quais
obrigatoriamente as visitas por comissões de especialistas das respectivas áreas do
conhecimento” (BRASIL, 2004a). Visando a melhoria da qualidade da educação superior o
SINAES determina três modelos de avaliação:
a) avaliação das Instituições de Educação Superior (AVALIES) que se desdobra
em duas etapas, sendo a autoavaliação coordenada pela Comissão Própria de
Avaliação (CPA) da instituição e a avaliação externa realizada por comissões
do INEP, conforme as diretrizes estabelecidas pela Comissão Nacional de
Avaliação da Educação Superior (CONAES);
b) avaliação dos cursos de graduação realizada por visitas in loco;
c) avaliação de desempenho dos estudantes pelo ENADE (BRASIL, 2004a, grifo
nosso).
O Decreto 3.860, de 9 de julho de 2001, que dispõe sobre a organização do ensino
superior e avaliação de cursos já determinava que a análise das condições de oferta seria

Referendando a constituição de 1934 “Compete privativamente à União [...] traçar as diretrizes da educação
nacional” (BRASIL, 1934).
8
Instituída pela Lei 4.024 (BRASIL, 1961).
9
Este também é um dos componentes que constituem o SINAES, conforme será apresentado a seguir.
10
Destaca-se o Exame Nacional de Cursos (ENC), popularmente conhecido como Provão, aplicado nos anos de
1996 a 2003, cujos procedimentos foram estabelecidos pelo Decreto 2.026, de 10 de outubro 1996. Em 2004,
com a Lei 10.861, foi instituída a aplicação anual do Exame Nacional de Desempenho (ENADE) do
SINAES, em substituição ao ENC (BRASIL, 2004a). Ressalta-se que o decreto acima citado considera como
uma das condições de oferta de curso, acervo (livros e periódicos), horário de funcionamento, modernização
de serviços e adequação ambiental das bibliotecas (BRASIL, 1996a).

7

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efetuada nos locais de funcionamento por comissões especialistas11 a considerar entre outras
exigências as condições das bibliotecas, atenção para acervo especializado, inclusive
eletrônico, acesso aos sistemas de informação e às redes de comunicação, funcionamento e
modernização dos meios de atendimento (BRASIL, 2001).
Em 2006, o decreto acima citado foi revogado pelo Decreto 5.773, que regulamenta,
supervisiona e avalia as instituições e os cursos de educação superior. O referido documento
reitera que as visitas devem ser realizadas in loco para os processos de credenciamento12 e
recredenciamento13 de instituições de educação superior e nos processos de autorização,
reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos graduação e sequênciais14
(BRASIL, 2006). Quanto à biblioteca destaca as seguintes áreas a serem consideradas: acervo
(livros, periódicos, vídeo, DVD, CD, CD-ROM, assinaturas eletrônicas), formas de
atualização e expansão do acervo e sua correlação pedagógica com os cursos, espaço físico,
horário de funcionamento, pessoal técnico administrativo e serviços.
Dias Sobrinho (2010) reconhece a avaliação como um meio de se conquistar
transformações desejadas, não só na educação superior, mas para a sociedade de modo geral.
Ainda mostra a interação entre reforma e transformação, no sentido de que a avaliação é um
dos motores importantes de reforma e que toda mudança reflete no processo avaliativo. As
transformações ocorridas na educação e na sua avaliação repercutem na mudança da
sociedade, na economia e no mundo do conhecimento e a biblioteca universitária tem papel
essencial neste processo, contribuindo com a promoção do aprofundamento dos
compromissos e responsabilidades sociais firmados na política institucional
Embora identificados os benefícios da avaliação, para o autor, há que se admitir a
tendência nos últimos anos do desvio do caráter educativo de diagnóstico e melhora das
avaliações, relacionados com metas políticas e econômicas dos governos na função de
controlar a eficácia das instituições. Entende-se a avaliação da educação como realmente
edificante, valendo-se das colocações de Dias Sobrinho (2010, p. 218):
a avaliação se completa quando vai além dos índices e escalas comparativas
e engendra questionamentos a respeito das significações e valores, interroga
sobre as causas e investe em programas e ações para superar os problemas e
deficiências. Por isso, não está somente voltada ao já realizado; precisa estar
aberta à construção do futuro, a novas interpretações e possibilidades.

Considerando esta colocação, o SISBI/UFU analisa os resultados das
avaliações não somente para que os conceitos sejam cada vez melhores, mas para que as
bibliotecas ofereçam cada vez mais condições favoráveis para subsidiar uma formação de
qualidade à comunidade acadêmica.

11
12

13

14

Devidamente designadas pelo presidente do INEP (2002). Os critérios para composição da comissão de
avaliação são definidos na Lei 10.870, de 19 de maio de 2004 (BRASIL, 2004b).
Os cursos a distância passaram a fazer parte deste processo pelo Decreto 5.622 que regulamenta o art. 80 da
LDB. Ressalta-se que o decreto acima citado, descreve a biblioteca como um dos serviços de suporte e
infraestrutura devendo estar “adequada, inclusive com acervo eletrônico remoto e acesso por meio de redes
de comunicação e sistemas de informação, com regime de funcionamento e atendimento adequados aos
estudantes de educação a distância.” (BRASIL, 2005).
Em janeiro de 2014, o INEP publicou um instrumento que subsidia os atos credenciamento e
recredenciamento em um único documento denominado Instrumento de Avaliação Institucional Externa para
os atos de Credenciamento, Recredenciamento e Transformação de Organização Acadêmica, na modalidade
presencial.
O Decreto 6.303, de 12 de dezembro de 2007 altera dispositivos dos Decretos 5.622 e 5.773 (BRASIL,
2007a).

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3 Materiais e métodos
Para que o trabalho de análise das fichas de disciplinas pela equipe do SISBI/UFU
tomasse forma, a coordenadora da Divisão de Atendimento ao Usuário (DIAUS) e o
bibliotecários de atendimento das bibliotecas UFU, no primeiro semestre de 2013,
sensibilizaram os representantes da DIPED/PROGRAD discutindo questões a respeito das
visitas do MEC à biblioteca, bem como a postura dos docentes em relação à formação das
bibliografias básica e complementar das fichas de disciplinas, considerando a
qualidade/quantidade do material informacional disponível para os discentes em relação suas
reclamações registradas nos relatórios da CPA e os resultados medianos das avaliações dos
cursos de graduação, no que se referia à biblioteca. Após algumas reuniões, foi firmada a
parceria (gestão compartilhada) entre o SISBI e a DIPED/PROGRAD para capacitação dos
docentes e avaliação das fichas pelos bibliotecários, iniciada a partir do momento em que o
coordenador de curso procurasse a DIPED para preenchimento do formulário no sistema eMEC.
Com a PROGRAD ficou acordada a participação de representantes do SISBI/UFU em
uma das reuniões do Conselho de Graduação (CONGRAD) 15 com a finalidade de prestar
esclarecimentos sobre a elaboração das bibliografias básica e complementar das fichas de
disciplinas conforme orientações do Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação
Presencial e a Distância, publicado em maio de 2012 pelo INEP16, bem como repassar
orientação sobre solicitação de livros para compor o acervo das bibliotecas, no Sistema de
Gerenciamento de Aquisição de Material Informacional (SIGAMI) 17.
Em 22 de novembro de 2013 foi divulgado e entregue aos conselheiros, na reunião do
CONGRAD, um Memorando Circular do SISBI/UFU com as recomendações para elaboração
ou readequação das fichas de disciplina dos Projetos Pedagógicos, elaborado com base no
instrumento vigente do INEP e nas experiências dos bibliotecários quanto ao recebimento das
comissões de avaliadores do MEC. Além da participação no CONGRAD, os representantes
do SISBI foram convidados a participar de reuniões de colegiado das faculdades e institutos e
seminários de integração de docentes ingressantes para prestar esclarecimentos e orientações
e, sanar dúvidas pontuais, diretamente aos docentes daquelas unidades, sobre o tema em
questão.
Com o desenvolvimento do serviço de análise quantitativa 18 e qualitativa19 das fichas
de disciplinas, pelos bibliotecários, foi elaborado um formulário com parâmetros de avaliação,
servindo como um relatório (feedback) de análise para os docentes20. A dinâmica da atividade
passou a figurar da seguinte forma:

15

16

17

18

19

20

Órgão consultivo e deliberativo da UFU no que diz respeito à graduação. Fazem parte deste Conselho o
reitor, o vice-reitor, o pró-reitor de graduação, coordenadores dos cursos de graduação, representantes
técnico-administrativos e representantes discentes.
Atualizado em junho de 2015. A única diferença entre os documentos de 2012 e 2015 é a publicização dos
procedimentos de cálculo, a ser aplicado pelos avaliadores do MEC, para identificar a média de títulos da
Bibliografia Básica (BRASIL, 2015).
Software desenvolvido pela equipe do SISBI/UFU, em parceria com o Centro de Tecnologia de Informação
(CTI) da universidade, em 2010.
Levantamento da quantidade de exemplares por biblioteca, das obras que compõem as bibliografias das
fichas.
Recomendações dos elementos que devem constar nas fichas e normalização das referências conforme
NBR6023 da ABNT, em vigor.
Disponível também na página do SISBI/UFU, nos links Serviços&gt;Recebimento de Comissão do MEC para
avaliação dos cursos. Cf. http://www.bibliotecas.ufu.br/node/713.

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a) o coordenador de curso procura a DIPED para preencher o formulário do
sistema e-MEC a fim de agendar a visita do MEC para autorização,
reconhecimento ou renovação de reconhecimento do curso;
b) a DIPED encaminha o coordenador à DIAUS a fim de que este solicite revisão
das bibliografias das fichas de disciplinas;
c) a coordenação da DIAUS repassa as fichas para o bibliotecário de atendimento
conforme a área de conhecimento e biblioteca onde o curso está lotado;
d) as fichas passam pelas análises acima citadas, e são devolvidas ao coordenador
de curso, com cópia para DIPED, juntamente com o parecer do bibliotecário
responsável pela revisão (Anexo A);
e) o coordenador em parceria com os docentes providencia readequação das
fichas, conforme recomendação do parecer e as reencaminha à DIPED para
preenchimento do formulário e-MEC, solicitando agendamento da visita.
A visita da comissão do MEC, às bibliotecas, acaba por promover uma maior
interação entre as equipes dos setores do SISBI/UFU. Desta forma, quando é agendada uma
visita, a DIAUS repassa a data aos bibliotecários de atendimento que por sua vez solicitam ao
Setor de Seleção e Aquisição a listagem das obras em processo de aquisição referente ao
curso a ser avaliado e prioridade de registro daqueles títulos recém-adquiridos. Também é
solicitado, prioridade de processamento técnico, ao Setor de Catalogação e Classificação.
No momento da visita, os servidores de atendimento auxiliam os bibliotecários na
localização das obras solicitadas pela comissão, apresentação de alguns serviços, como:
localização de materiais especiais da Seção de Multimeios e utilização das novas tecnologias
disponíveis e demais demandas que, porventura, possam surgir.
Realizada a visita, a DIPED encaminha à DIAUS o relatório final emitido pelos
avaliadores do MEC, que após análise e recorte das observações referentes à biblioteca, como
nota final do curso, nota específica da dimensão três do instrumento do INEP e informações
referentes à infraestrutura, repassa uma síntese a toda equipe do SISBI, via lista interna de
discussão, expondo os êxitos e problemas diagnosticados, a fim de se construir novas
estratégias (ação corretiva) para sanar as dificuldades encontradas e atingir melhores
resultados nas próximas avaliações.
Além desta devolutiva, a coordenação da DIAUS acompanha as reclamações e
sugestões dos usuários registradas no relatório de avaliação institucional, gerenciado pela
CPA, cruzando os dados com o relatório da visita da comissão do MEC, objetivando
identificar as fragilidades do SISBI, transformando-as em futuras metas de gestão21.
Como ação de melhoria, além do curso de capacitação Avaliação do Mec (FEBAB)
oferecido aos bibliotecários, que permitiu uma reflexão maior referente a disponibilização e
acesso à informação por intermédio de seu acervo bibliográfico e virtual, a equipe do SISBI
firmou parceria (gestão compartilhada) com os docentes visando a obtenção da excelência
(conceito 5) nos indicadores 3.6 (bibliografia básica), 3.7 (bibliografia complementar) e 3.8
(periódicos especializados) do instrumento do MEC e consequentemente, a melhoria da
qualidade dos produtos oferecidos. Assim, o Setor de Seleção e Aquisição passou a adquirir
para títulos de livros da bibliografia básica (mínimo 3), um exemplar a cada 5 vagas anuais
ofertadas; para bibliografia complementar, 2 exemplares de cada título (mínimo 5) e o Setor
21

Avaliando os últimos relatórios observou-se que o ponto que merece maior atenção se refere ao acervo. Sobre
a expressividade do acervo, Cagnoli (2002 apud OLIVEIRA, 2010, p. 216) afirma que “a medida da
excelência da Biblioteca está no quanto os recursos e serviços apoiam as atividades de ensino-aprendizagem
e pesquisa na IES.” Ainda sugere alguns critérios a se considerar na avaliação de coleção como: amplitude,
profundidade, variedade, atualidade, relevância, equilíbrio e crescimento. Sobre atualidade, pondera
observando que esta é relativa, de acordo com as diferentes disciplinas, ou seja, que não se deve avaliar a
área de humanidades com os mesmos critérios utilizados para informática, administração ou medicina.

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de Atendimento implantou um novo serviço na página eletrônica: a disponibilização para os
discentes, de listagens com no mínimo 20 títulos de periódicos assinados ou disponíveis na
internet (corrente pelo menos nos últimos 3 anos), por curso22, apresentadas aos
representantes do MEC durante a visita.
A avaliação das bibliografias básica e complementar das fichas de disciplinas dos PPC
de cursos foi tema de palestra do ERBU, promovido pela CBBU, realizado pelo SISBI/UFU
em 2013, intitulada Avaliação do MEC: desafios e perspectivas do Sistema de Bibliotecas da
UFU. Na oportunidade, foram apresentadas algumas recomendações, com base nas
experiências da equipe do SISBI na preparação e no recebimento das comissões, bem como o
formulário de avaliação elaborado pelos bibliotecários.

4 Resultados parciais/finais
A gestão realizada em parceria com os vários atores da universidade, visando um
objetivo comum, como ampliar permanentemente a eficácia institucional, é uma excelente
estratégia para alavancar resultados e reafirmar os compromissos e as responsabilidades
sociais firmados na política institucional. Especificamente, neste estudo em questão, de modo
geral, identificou-se uma receptividade satisfatória por parte dos docentes dos cursos de
graduação da UFU referente a este novo serviço, que vem surtindo efeitos positivos
evidenciados nos resultados apresentados pelas avaliações do MEC (Anexo B), por meio dos
registros favoráveis à estrutura e dinâmica de funcionamento das bibliotecas.
Diante da especificidade desta atividade, a verificação quantitativa das obras no
catálogo online, realizada por profissionais bibliotecários capacitados para lidar com as
peculiaridades dos registros bibliográficos, acaba por resultar-se mais eficaz e ágil do que
pelas secretarias de cursos ou docentes.
Não se pode deixar de considerar os questionamentos de alguns coordenadores, quanto
às recomendações elaboradas pela biblioteca (Memorando Circular), com base no instrumento
do INEP, quanto aos indicadores da dimensão 3 (infraestrutura). Representantes da biblioteca,
quando convidados para participar da reunião do CONGRAD, enfatizaram que o documento
com as orientações de elaboração das fichas de disciplina, elaborado pelos bibliotecários do
SISBI/UFU a partir das recomendações do INEP (BRASIL, 2015), está em constante
construção e todas as reflexões e análises a respeito do entendimento do processo avaliativo
são saudáveis e conduzem a um aprimoramento e melhoria dos serviços prestados.
Na verdade, não há uma rejeição à ação da Biblioteca, e sim discordância em alguns
pontos do próprio instrumento, uma vez que há um único parâmetro para avaliar todos cursos,
sem se respeitar a especificidade de cada um, principalmente àqueles das áreas de Ciências
Humanas e Sociais Aplicadas, conforme manifestação de alguns de seus representantes
corroborando o posicionamento de Oliveira, quando discorda de um único padrão para
autorização, reconhecimento e recredenciamento de curso.
Parece grave e insuficiente ter um único instrumento para avaliar as
diferentes IES e suas respectivas bibliotecas, ou seja, o instrumento é o
mesmo para universidades, faculdades isoladas, centros universitários e os
demais tipos de IES, mesmo que a missão e a definição legal seja diversa.
Desta maneira homogeneíza o que é diverso e desqualifica e desconsidera as
singularidades. (OLIVEIRA, 2010, p. 219).

Assim, o posicionamento do SISBI/UFU é de que se cumpra o que está posto e se
trabalhe no sentido de conquistar padrões mais flexíveis considerando o planejamento e a
22

Cf. http://www.bibliotecas.ufu.br/node/555.

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proposta pedagógica dos cursos e recursos da instituição, em consonância com os objetivos,
metas e ações da universidade (política institucional).
Todo o trabalho em favor de preparação das bibliotecas para receber a visita da
comissão do MEC traz benefícios para a universidade como um todo, pois promove o
exercício de trabalho conjunto em prol de um resultado, tendo em vista a aproximação dos
coordenadores de curso e docentes/técnicos em assuntos educacionais (DIPED)/corpo
administrativo da biblioteca/setores de aquisição e de atendimento. Desenvolver atividades
com uma equipe multidisciplinar (gestão compartilhada) é uma oportunidade para atuar com
excelência de modo a prever e prover soluções para problemas complexos ou pontuais, em
prol de um objetivo comum. O simples fato de se planejar o recebimento da visita já traz
aspectos positivos considerando a possibilidade de o coordenador se inteirar melhor dos
processos da biblioteca, das atividades por ela promovida, de seus recursos e serviços, sendo
um disseminador para os discentes e demais docentes, e ainda colaborar diretamente com o
desenvolvimento do acervo.

5 Considerações parciais/finais
As ações explicitadas neste trabalho não se encerram com a apresentação do mesmo,
na verdade trazer estas considerações à tona, faz com que os esforços sejam canalizados para
se conquistar cada vez mais resultados satisfatórios pela biblioteca, e consequentemente pela
universidade, tanto nas avaliações promovidas pela CPA, quanto nas avaliações conduzidas
pelos representantes do MEC, visando a melhoria na qualidade do ensino em consonância
com a finalidade do SINAES.
O aprimoramento do serviço de consultoria prestado pelo SISBI, aos docentes, na
revisão das fichas de disciplina, vem do posicionamento da DIPED e dos docentes, de forma a
suscitar melhor entendimento das recomendações a que se estão submetendo. Corroborando
com Dias Sobrinho (2010) destaca-se que um dos grandes desafios, de ações como esta, é
encontrar o ponto de equilíbrio entre a avaliação formativa e a regulação controladora.
Não se deve entender a avaliação como pura mensuração de dados, mas como
estímulo à biblioteca para bem subsidiar, não somente os cursos de graduação, mas também
contribuir com as atividades de pesquisa e extensão desenvolvidas no âmbito da universidade,
“acompanhando as mudanças tecnológicas, culturais e sociais”, como apontado na missão do
SISBI/UFU (2010), como uma excelente oportunidade de se fazer conhecer, considerando sua
inserção política nos planos estratégicos e processos de avaliação da instituição.

6 Referências
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para avaliação do MEC. In: SEMINARIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITARIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal: UFRN, 2004. Disponível em:
&lt;http://pt.slideshare.net/Iasp/preparando-sua-bibliotecaparaavaliacaodomec&gt;. Acesso em: 30 mar.
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BERTOLIN, Julio C. G. A transformação do SINAES: da proposta emancipatória à Lei híbrida.
Avaliação: revista da avaliação institucional da educação superior, Sorocaba; Campinas, v. 4, n. 4,
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2014. Disponível em: &lt;http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/22/consti.htm&gt;. Acesso em:
21 abr. 2016.
BRASIL. Decreto nº 2.026, de 10 de outubro de 1996. Estabelece procedimentos para o processo
e avaliação dos cursos e instituições de ensino superior. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11
out. 1996a. Disponível em:
&lt;http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&amp;pagina=1&amp;data=11/10/1996&gt;.
Acesso em: 24 abr. 2016.
BRASIL. Decreto nº 3.860, de 9 de julho de 2001. Dispõe sobre a organização do ensino superior,
a avaliação de cursos e instituições, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília,
DF, 10 jul. 2001. Disponível em: &lt;http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2001/decreto3860-9-julho-2001-342382-publicacaooriginal-1-pe.html&gt;. Acesso em: 12 maio 2016.
BRASIL. Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro 2005. Regulamenta o art. 80 da Lei no 9.394, de
20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 2005. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/Decreto/D5622.htm&gt;. Acesso em: 14
maio 2016.
BRASIL. Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006. Dispõe sobre o exercício das funções de
regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de
graduação e seqüenciais no sistema federal de ensino. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10
maio 2006. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20042006/2006/decreto/D5773compilado.htm&gt;. Acesso em: 14 maio 2016.
BRASIL. Decreto 6.303, de 12 de dezembro de 2007. Altera dispositivos dos Decretos nos 5.622,
de 19 de dezembro de 2005, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 5.773, de
9 de maio de 2006, que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão... Diário
oficial da União, Brasília, DF, 13 dez. 2007a. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/decreto/D6303.htm&gt;. Acesso em: 14
maio 2016.
BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as diretrizes e bases da educação
nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 dez. 1961. Disponível em:
&lt;http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722publicacaooriginal-1-pl.html&gt;. Acesso em: 21 abr. 2016.
BRASIL. Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995. Altera dispositivos da Lei nº 4.024, de 20 de
dezembro de 1961, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 nov. 1995.
Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9131.htm&gt;. Acesso em: 21 abr. 2016.

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BRASIL. Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004. Institui o Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior – SINAES e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15
abr. 2004a. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20042006/2004/lei/l10.861.htm&gt;. Acesso em: 18 abr. 2016.
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de educação superior e dos cursos de graduação e dá outras providências. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 20 maio 2004b. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.870.htm&gt;. Acesso em: 14
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execução da avaliação das instituições de educação superior e das condições de ensino dos cursos
de graduação. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 abr. 2002. Disponível em:
&lt;http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=03/04/2002&amp;jornal=1&amp;pagina=1
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regulação da educação superior no sistema federal de educação. Diário Oficial da União,
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&lt;http://www.scielo.br/pdf/aval/v15n1/v15n1a11.pdf&gt;. Acesso em: 20 abr. 2016.
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LUBISCO, Nídia Maria Lienert. La evaluacion em La biblioteca universitária brasileira:
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OLIVEIRA, Nirlei Maria. A bilioteca das instituições de ensino superior e os padrões de
qualidade do MEC: uma análise preliminar. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v. 7, n.2, p. 207-221, jul./dez. 2002. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/409/22&gt;. Acesso em: 14 maio
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SEMINÁRIO AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA BRASILEIRA, 2008,
Salvador. Biblioteca universitária brasileira: instrumento para seu planejamento e gestão,
visando à avaliação do seu desempenho. Salvador: EDUFBA, 2009. Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ufba/588/3/Biblioteca%20universitaria%20brasileira.pdf&gt;
. Acesso em: 18 abr. 2016.
SEMINÁRIO AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA BRASILEIRA, 2., 2012,
Goiânia. Anais... Goiânia: UFG, 2012. Disponível em: &lt;http://sabu.bc.ufg.br/pages/38918anais&gt;. Acesso em: 18 abr. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Sistema de Bibliotecas. Missão. Uberlândia,
2010. Disponível em: &lt;http://www.bibliotecas.ufu.br/missao&gt;. Acesso em: 10 abr. 2016.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ANEXO A – Modelo de Parecer SISBI/UFU – Análise de Fichas de Disciplinas

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ANEXO B – Resultados apresentados pelas avaliações do MEC

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>UFAM</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Gestão compartilhada: avaliação e organização do trabalho pedagógico da biblioteca com base nos indicadores do MEC. </text>
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                <text>França, Maira Nani; Portela, Patricia de Oliveira </text>
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            <name>Coverage</name>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Apresenta uma retrospectiva do processo de avaliação de cursos no país, com ênfase nas bibliotecas. Divulga as atividades que o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (SISBI/UFU) tem desenvolvido nos últimos anos, referente à avaliação de cursos pelas comissões do Ministério da Educação (MEC). Descreve a parceria firmada com Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da universidade e com sua Divisão de Projetos Pedagógicos (DIPED) buscando contribuir com a melhoria da eficácia e qualidade das atividades de ensino e obter o conceito de excelência do MEC. Apresenta a consultoria prestada pelos bibliotecários de atendimento do SISBI/UFU, aos coordenadores de cursos de graduação da universidade, referente à elaboração e/ou revisão das bibliografias básica e complementar dos Projetos Pedagógicos. As ações descritas neste documento não se encerram com a apresentação do mesmo, na verdade trazer estas considerações à tona, faz com que os esforços sejam canalizados para se conquistar cada vez mais resultados satisfatórios pela biblioteca, tanto nas avaliações promovidas pela Comissão Própria de Avaliação, quanto nas avaliações conduzidas pelos representantes do MEC, visando a melhoria na qualidade da educação do país.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                  <elementText elementTextId="49583">
                    <text>FORMAÇÃO E GESTÃO DE COLEÇÃO DE INSTRUMENTOS
CIENTÍFICOS DO DEPARTAMENTO DE FÍSICA - INSTITUTO DE
CIENCIAS EXATAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS
GERAIS/UFMG.

Gislene Rodrigues da Silva (UFMG) - gislene@fisica.ufmg.br
Shirley Maciel Silva (UFMG) - bibliodf@fisica.ufmg.br
Daniele Vieira Nunes (UFMG) - d.v.n.biblio12@gmail.com
Resumo:
Criado em 1963 o Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
abriga um conjunto expressivo de instrumentos científicos, passíveis de constituírem uma
coleção, nos moldes do que define a literatura especializada. Percebendo a necessidade de
preservação da memória institucional e por ser uma antiga aspiração de pesquisadores da
instituição, e também baseada em outras iniciativas nacionais e internacionais, parte desses
objetos já se encontram dispostos na biblioteca da instituição e em outros setores/laboratórios,
incluindo a Sala de Demonstrações de Física. A proposta é inventariar, catalogar e
disponibilizar cerca de 150 objetos para que a comunidade acadêmica e demais integrantes do
público em geral tenham conhecimento e acesso a esse riquíssimo acervo que conta a história
da evolução da física ao longo dos anos. O objetivo do presente trabalho é descrever o projeto
que está em andamento, parceria entre a Biblioteca Prof. Manoel Lopes de Siqueira e a Sala
de Demonstrações do Departamento de Física/UFMG.
Palavras-chave: Memória institucional. Instrumentos Científicos. Departamento de Física da
Universidade Federal de Minas Gerais. Preservação do acervo. Biblioteca
Pro
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016

Eixo Temático: Responsabilidade política técnica e social

FORMAÇÃO E GESTÃO DE COLEÇÃO DE INSTRUMENTOS
CIENTÍFICOS DO DEPARTAMENTO DE FÍSICA - INSTITUTO DE
CIÊNCIAS EXATAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS
GERAIS/UFMG

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Modalidade da apresentação: Comunicação oral

RESUMO
Criado em 1963 o Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
abriga um conjunto expressivo de instrumentos científicos, passíveis de constituírem uma
coleção, nos moldes do que define a literatura especializada. Percebendo a necessidade de
preservação da memória institucional e por ser uma antiga aspiração de pesquisadores da
instituição, e também baseada em outras iniciativas nacionais e internacionais, parte desses
objetos já se encontram dispostos na biblioteca da instituição e em outros setores/laboratórios,
incluindo a Sala de Demonstrações de Física. A proposta é inventariar, catalogar e
disponibilizar cerca de 150 objetos para que as comunidades acadêmicas e demais integrantes
do público em geral tenham conhecimento e acesso a esse riquíssimo acervo que conta a
história da evolução da física ao longo dos anos. O objetivo do presente trabalho é descrever o
projeto que está em andamento, parceria entre a Biblioteca Prof. Manoel Lopes de Siqueira e
a Sala de Demonstrações do Departamento de Física/UFMG.
Palavras-Chave: Memória institucional. Instrumentos Científicos. Departamento de Física da
Universidade Federal de Minas Gerais. Preservação do acervo. Biblioteca Prof. Manoel Lopes
de Siqueira.

ABSTRACT
In the Department of Physics at Federal University of Minas Gerais (UFMG) there are an
expressive collection of scientific instruments that can constitute a collection, with the need to
preserve the institutional memory and it’s an old aspiration of the institution, and also based
on other national and international initiatives such objects were stored in the library of the
institution and in other sectors with the objective to inventory them, catalog them and make
them available to the researcher and the community in general to have knowledge and access
to this rich collection that tells the history of the evolution of the physics over the years, the
proposal is to identify, catalog and make available about 150 objects. The objective of this
study is to describe the project that is under way in partnership between Prof. Manoel Lopes
de Siqueira Library and Sala de Demonstrações at Department of Physics / UFMG.
Keywords: Institutional memory. Scientific instruments. Departamento de Física of
Universidade Federal de Minas Gerais. Collection preservation. Prof. Manoel Lopes de
Siqueira library.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Uma das atribuições da Biblioteca Prof. Manoel Lopes de Siqueira, também conhecida
como “Biblioteca da Física” tem sido coletar, identificar, preservar e expor os instrumentos
científicos do departamento de física, passíveis de formarem uma coleção, pois eles
constituem fonte de pesquisa e investigação histórica. Sendo assim, é importante reunir a
coleção para preservar a memória institucional. Além disso, alguns desses instrumentos
tornaram-se obsoletos e o seu desaparecimento pode constituir a perda de uma parte intrínseca
do conhecimento da evolução da ciência.
Os objetivos do presente trabalho são:
- coletar, inventariar, catalogar e disponibilizar sob forma de exposição os instrumentos
científicos pertencentes ao Departamento de Física da UFMG, distribuídos em seus
setores/Laboratórios, Biblioteca e Sala de Demonstrações.
- disponibilizar a coleção, em exposição permanente, em vitrines localizadas em pontos
estratégicos da instituição, com acesso ao público especializado e para a comunidade em
geral.
- produzir catálogo impresso e eletrônico contendo imagens do registro fotográfico
profissional, incluindo especificação técnica de cada objeto;
- preservar a memória dos objetos científicos adquiridos e utilizados pelo/no departamento
para o ensino e pesquisa em física;
Como resultados pretendidos da implantação do projeto, destacamos:
- a contribuição para a pesquisa nacional e internacional sobre a cultura de instrumentos
científicos;
- a valorização da herança cultural da ciência;
- a preservação da identidade institucional.
De acordo com documentação administrativa, disponível nos arquivos da instituição
os instrumentos científicos do departamento de Física da UFMG foram adquiridos através de
investimentos/recursos concedidos pela Administração Central da UFMG, CNPq, Comissão
Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), Banco Interamericano de
Desenvolvimento e Fundação Rockefeller e destinados ao desenvolvimento de pesquisas na
área de física. De acordo com documentação obtida nos arquivos administrativos às linhas de
pesquisa em física na universidade iniciaram-se concretamente em torno de 1970,
anteriormente havia apenas pesquisa em físico-química na Faculdade de Filosofia. De 19761980 há a consolidação da pesquisa e adota-se a linha de pesquisa de transições de fase e
ferroeletricidade, de 1981-1985 implanta-se a linha transições de fase em materiais
ferroelétricos e materiais com fases incomensuráveis. Em 1986 uma nova linha de pesquisa
em implantação: semicondutores. Após 1986 surgem às linhas: transições de fase estruturais
(principalmente materiais ferroelétricos) e transições de fase incomensuráveis. Atualmente o
departamento possui as seguintes linhas de pesquisa e laboratórios: estrutura eletrônica de
sólidos; superfícies e nano-estruturas; estados eletrônicos, materiais magnéticos e
propriedades magnéticas; superfícies e interfaces; películas e filamentos; astrofísica do meio
interestelar; estrutura de líquidos e sólidos, cristalografia; galáxias; física clássica e física
quântica, mecânica e campos; física da matéria condensada; métodos matemáticos da física;
aplicações tecnológicas dos nanomateriais de caborno; astrofísica solar; fisiologia

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cardiovascular; astrofísica estelar; fisiologia cardiovascular; física estatística e
termodinâmica; teoria geral de partículas e campos; biofísica; física atômica e molecular;
astronomia; Átomos e moléculas especiais; Biofotônica; computação; criogenia;
cristalografia; Epitaxia de Feixe Molecular (MBE); Espectroscopia Hiperfina; Espectroscopia
Raman; Estrutura Eletrônica; Física de Partículas; Física de Sistemas Biológicos; Física de
Superfícies; Física Estatística; Fluídos Complexos; Fotônica; Informação Quântica
(InfoQuant); Litografia por feixe eletrônico; Nano-Espectroscopia (LNS); Nanodispositivos e
Sensores; Nanomateriais - Análise de dados; Nanomateriais – Produção; Nanomateriais –
Química; Nanoscopia; Nanoscopia Ultra Alto Vácuo; Óptica Infravermelho; Óptica Quântica
I; Óptica Quântica II; Óptica Quântica III; Preparação de filmes finos; Radicais Livres;
Ressonância Magnética; Semicondutores; Termohidrodinâmica; Transição de fase”
Sendo grande a quantidade de pesquisas e laboratórios instituídos ao longo dos anos,
pode-se perceber que os instrumentos são de fundamental importância, pois por meio deles é
possível compreender a história da ciência e a evolução da física ao longo do tempo,
formando assim a memória departamental, já que a instituição tem se preocupado em
preservar o seu passado com o objetivo de repassar esse conhecimento para às gerações
sucessoras.
Outro fator de motivação para o desenvolvimento do Projeto é a comemoração dos 50
anos da implantação do Programa de Pós-Graduação em Física e os 40 anos da existência do
Departamento em suas atuais instalações. Portanto, a organização do acervo de peças
utilizadas pelos pesquisadores da instituição será uma coleção que representará um elo entre o
fazer da ciência no passado e o fazer da ciência no presente e futuro.

2 Revisão de literatura
A preservação da história de uma instituição é de fundamental importância para
formação de sua memória.
Memória é essencialmente um ato de evocação, isto é, o ato de recuperar
mentalmente a imagem; portanto, é um ato de representação do real que se dá
através de imagens mentais, pois o passado enquanto tal não volta. Ele retorna
apenas na lembrança a evocação/lembrança dessa imagem se dá através de
diferentes suportes de memória que podem ser de natureza iconográfica, fotográfica,
álbuns, etc.; de natureza objetal, com os diversos tipos de objetos materiais
associados a uma determinada memória e que compõe o universo dos bens ou
patrimônios materiais; de natureza perceptiva e sensorial, quando desencadeada por
idéias/ associações, e de natureza do universo da “memória dos sentidos”, sons,
ruídos e cheiros que compõem o rico e diversificado universo denominado de bens
ou patrimônios imateriais. (FÉLIX, 2002, p. 23).
A memória, como propriedade de conservar certas informações, remete-nos em
primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às quais o homem pode
atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas.
(BIZELLO apud LE GOFF, 1990, p. 423).

A formação de uma coleção também se faz necessária para organização das peças
científicas:

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De modo geral, uma coleção pode ser definida como um conjunto de objetos
materiais ou imateriais (obras, artefatos, mentefatos, espécimes, documentos
arquivísticos, testemunhos, etc.) que um indivíduo, ou um estabelecimento, se
responsabilizou por reunir, classificar, selecionar e conservar em um contexto seguro
e que, com frequência, é comunicada a um público mais ou menos vasto, seja esta
uma coleção pública ou privada. (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013, p. 32).

Os objetos científicos do departamento de física fazem parte de um patrimônio
cultural da instituição
O patrimônio cultural é considerado aqui como aquele conjunto de produções
materiais e imateriais do ser humano e seus contextos sociais e naturais que
constituem objeto de interesse a ser preservado para as futuras gerações. (SANTOS;
BRASIL; GRANATO, 2008, p. 2).

Logo o patrimônio cultural da Ciência e Tecnologia ganha significado, definido por
Granato e Oliveira (2012, p. 318):
Consideramos partes integrantes desse tipo de patrimônio o conhecimento científico
e tecnológico produzido pelo homem (aspectos intangível), além de todos aqueles
objetos que são testemunhos dos processos científicos e do desenvolvimento
tecnológico.

Tendo como base teórica o autor Jotta (2015) para compreender o significado de
instrumentos científicos, pode-se dizer que:
Objetos oriundos de instituições de pesquisa, laboratórios, universidades e museus.
Adquiridos no âmbito das universidades, com a finalidade de ensino e pesquisa.
Esses objetos alimentam o processo de produção do conhecimento, podemos
entender essas coleções como artefatos reunidos por meio da dinâmica de
construção e disseminação do saber. Esses artefatos que hoje respondem por
documentos foram, durante décadas, aparatos para demonstração, ensino e pesquisa
no campo da ciência e da tecnologia, estando intimamente relacionados com
sucessos e fracassos de cientistas. No caso dos instrumentos científicos, sua
existência está relacionada à ciência e aos avanços obtidos através de seu uso como
modelos de ensino ou como instrumentos de pesquisa.
Além do estudo técnico e histórico, os instrumentos científicos incorporam coleções
com temáticas das mais variadas como aspecto estético, conceitos teóricos do seu
funcionamento ou a “característica global da sua função” (JOTTA apud GUEDES
2015, p. 33).

No Brasil e no mundo, destacam-se relevantes iniciativas de organização e estudo dos
objetos relativos à ciência, pois as instituições têm se preocupado com a conservação e
divulgação de seu patrimônio científico. Sobressaem inciativas brasileiras como: Museu
Dinâmico de Ciência e Tecnologia (MDCT) instituição que é responsável pela guarda,
conservação de instrumentos técnicos e científicos do Departamento de Física e da Faculdade
de Engenharia da Universidade Federal de Juíz de Fora (UFJF).
Outro destaque brasileiro é o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) que é
uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), essa
instituição foi criada no dia 8 de março de 1985 na cidade do Rio de Janeiro e possui um dos
mais importantes acervos de objetos científicos do país, de acordo com o site do museu, os

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instrumentos de sua coleção foram utilizados em serviços e pesquisas de grande importância
para o Brasil como a determinação e a transmissão da hora oficial do país.
O Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro
Preto (UFOP) possui um projeto de levantamento do acervo científico e tecnológico em
Minas Gerais, esse plano integra a ação nacional coordenada pelo Museu de Astronomia e
Ciências Afins do Rio de Janeiro (MAST), financiado pelo Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Brasil com o objetivo de levantar o
acervo científico de diversas instituições para a preservação das coleções e a comunicação
entre as organizações que possuem esse tipo de acervo.
Entre 2006 e 2013 foi desenvolvido um tesauro, que está em constante atualização,
com o objetivo de descrever os objetos científicos de diversas áreas do conhecimento, o
chamado Thesaurus de Acervos Científicos em Língua Portuguesa foi criado por uma rede de
instituições de Portugal e do Brasil coordenado pelo Museu Nacional de História Natural e da
Ciência (Universidade de Lisboa) e pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de
Janeiro (MAST), esse projeto foi financiado pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT)
de Portugal e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
do Brasil.
Projetos não menos importantes aconteceram também em escolas secundárias como
exemplo temos a coleção de instrumentos antigos do laboratório de física da Escola Estadual
Bento de Abreu de Araraquara (EEBA), Coleção de instrumentos científicos do museu
escolar colégio Marista Arquidiocesano em São Paulo e Conjunto de objetos de ensino do
laboratório de física do Colégio Pedro II do Rio de Janeiro.
Nesse sentido, existem também inciativas internacionais como a comissão
internacional chamada Scientific Instrument Commission – SIC que visa incentivar a pesquisa
acadêmica sobre a história dos instrumentos científicos, a preservação e documentação das
coleções de instrumentos, bem como a sua utilização no âmbito da disciplina mais ampla da
história da ciência. Esta comissão tem como objetivo promover o interesse na preservação da
memória desses objetos, para incentivar a discussão sobre o tema por meio de seminários,
simpósios, workshops e também incentivar publicações sobre o tema.
Destaca-se internacionalmente uma inciativa da França a Association de Sauvegarde et
dÉtude des Instruments Scientifiques et Techniques de l'Enseignement – L’ASEISTE que foi
criada com a missão de preservação e valorização da herança de instrumentos científicos da
física de mais de cinquenta instituições, dentre elas: escolas, faculdades, universidades,
museus franceses e estrangeiros.
Uma coleção que tem grande relevância internacional é a do Museu de Ciência e
Cultura da Universidade de Harvard - Harvard Museums of Science &amp; Culture- que possui
uma coleção histórica de instrumentos científicos - collection of historical scientific
instruments of Harvard University – que tem a missão de preservar, documentar e cuidar de
mais de 20.000 instrumentos que retratam a história do ensino de ciências e pesquisa em
Harvard desde o período colonial até o século XXI.

3 Materiais e métodos
A metodologia para desenvolver este projeto, consiste em realizar um inventário para a
identificação desses instrumentos.

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A preservação desse patrimônio tem como objetivo a conservação da memória
institucional. Segundo Funari; Carvalho (2009, p.7), os patrimônios são importantes
portadores de mensagens, [...] são usados pelos autores sociais para produzir significado.
Os instrumentos científicos, em contrapartida, tornam-se obsoletos cada vez mais rápido e o
desaparecimento do seu conteúdo documental pode constituir a perda de uma parte
intrínseca do conhecimento. A noção de conservação aparece como uma primeira etapa
necessária a garantir a salvaguarda desses instrumentos de caráter histórico. (GRANATO;
SANTOS; MIRANDA, 2005, p. 246).

Os instrumentos científicos são provenientes dos laboratórios de pesquisa em física, o
departamento possui cerca de 150 peças que estão na biblioteca e em outros setores da
unidade, parte desses objetos se tornaram obsoletos ao decorrer do tempo e a sua conservação
é importante, pois resgata e preserva a memória do Departamento de Física da UFMG, a sua
formação e preservação se devem ao seu valor científico e histórico, sendo que o mesmo gera
e dissemina conhecimento.
As etapas do projeto serão:
- elaborar ficha técnica para descrição dos objetos, baseada em modelos já desenvolvidos e
disponibilizados na literatura (exemplo: ficha técnica elaborada pelo projeto tesauros de
acervos científicos em língua portuguesa e Observatório do Valongo);
- reunir as peças que farão parte da coleção;
- analisar qual o seu estado de conservação;
- higienizar cada peça observando a preservação de suas características originais;
- fotografar os instrumentos para fins de criação do inventário;
- disponibilizar, a imagem eletronicamente, inicialmente em área de acesso restrito a um
grupo de docentes/pesquisadores e técnicos para obter a identificação das peças;
- descrever o instrumento de acordo com a ficha elaborada;
- fotografar os instrumentos profissionalmente;
- Implantar QR code (código QR) nas peças científicas;
- produzir e disponibilizar catálogo online com as imagens dos objetos e descrição dos
mesmos;
- produzir e disponibilizar catálogo impresso;
- realizar uma exposição permanente dos objetos nas áreas de maior destaque/circulação do
departamento de física.
Para realização do projeto farão parte da equipe:
- 2 bibliotecárias da biblioteca do Departamento de Física da UFMG que irão fazer o trabalho
técnico da área de Ciência da Informação;
- 1 graduanda do curso de Biblioteconomia da UFMG que também irá contribuir com o
conhecimento técnico e será orientada pelas profissionais bibliotecárias;
- 1 pesquisadora da área de física que fotografará o acervo de instrumentos;
- 1 docente do departamento que disponibilizará imagens das peças para fins de identificação
do acervo por parte da comunidade do Departamento de Física;
- docentes, pesquisadores, técnicos e discentes, voluntários que irão ajudar a inventariar o
acervo e fazer a interlocução técnica;
- equipe da Sala de Demonstrações do departamento que contribuirá com a logística de
disponibilização das peças.

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Cronograma proposto:

2016
ATIVIDADES

Dia

D
mês
abr.

Reunir as
peças

0
1a 30

M
mês
A
mai.
x

1 a 15

Fotografar as
peças para
inventário

5 a 31

Disponibilizar
os objetos
online para
inventário

1 a 30

Inventário dos
objetos
Fotografia
profissional
dos objetos
Elaboração do
catálogo
online

1 a 30

M
mês
J
jul.

M
mês
J
ago.

M
mês
A
set.

M
mês
S
out.

M
mês
O
nov.

M
N

X
0

Analisar
estado de
conservação e
higienizar

M
mês
M
jun.

x
X

1

X

x
X

0

X

X

X
X

0

X

X

X
X

0
1 a 31

X

X

X

X
0

1 a 31

Organização
0
da exposição
1 a 31
Abertura da
2
exposição dos 8 a 30
instrumentos
no dept. e
disponibilizaç
ão do catálogo
online

4 Resultados parciais/finais

X

X
X

X

X
X

X

X
X

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Como resultado do presente trabalho, busca-se formar e disponibilizar coleção de
instrumentos científicos que até então não estava completamente acessível ao público
especializado, à comunidade acadêmica e o público em geral, permitindo a preservação da
memória e a evolução do fazer científico ao longo dos anos no Departamento de Física da
UFMG.

5 Considerações parciais/finais
A preservação e pesquisa do patrimônio de ciência e tecnologia é um grande desafio
que as instituições enfrentam no Brasil, nesse sentido é importante tornar público e preservar
a memória institucional, e o inventário é uma das formas de concretização dessa preservação e
por meio dele é possível propiciar o desenvolvimento de outras formas de garantir que a
posteridade tenha acesso a essa Coleção.
O presente projeto permite a oportunidade de trabalhar um acervo museológico dentro
de uma biblioteca especializada o que leva a concluir que é possível haver
interdisciplinaridade entre as áreas da Ciência da Informação: Biblioteconomia, Museologia e
Arquivologia, contribuindo para desenvolver maiores conhecimentos e técnicas dentro dessas
áreas do conhecimento humano.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Criado em 1963 o Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abriga um conjunto expressivo de instrumentos científicos, passíveis de constituírem uma coleção, nos moldes do que define a literatura especializada. Percebendo a necessidade de preservação da memória institucional e por ser uma antiga aspiração de pesquisadores da instituição, e também baseada em outras iniciativas nacionais e internacionais, parte desses objetos já se encontram dispostos na biblioteca da instituição e em outros setores/laboratórios, incluindo a Sala de Demonstrações de Física. A proposta é inventariar, catalogar e disponibilizar cerca de 150 objetos para que a comunidade acadêmica e demais integrantes do público em geral tenham conhecimento e acesso a esse riquíssimo acervo que conta a história da evolução da física ao longo dos anos. O objetivo do presente trabalho é descrever o projeto que está em andamento, parceria entre a Biblioteca Prof. Manoel Lopes de Siqueira e a Sala de Demonstrações do Departamento de Física/UFMG.</text>
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                    <text>FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES PARA
E-BOOKS
Robson Dias Martins (UERJ) - rdias100@hotmail.com
Resumo:
As bibliotecas universitárias brasileiras são instituições em constante evolução nos processos
de gestão da informação impulsionados, principalmente, pelos progressos tecnológicos que
alteram a forma de selecionar, adquirir, armazenar, organizar, gerenciar e disseminar a
informação oriunda da natureza digital. Essas mudanças alteram a comercialização, o acesso
e a difusão do conhecimento humano através dos e-books e provoca nas bibliotecas a
necessidade de se adaptarem as mutações do mercado editorial. Nesse contexto, surgem
possibilidades inovadoras de atuação no cenário da formação e desenvolvimento de coleções
digitais. Nesse panorama, o presente estudo enfoca a formação de acervos dos e-books nas
bibliotecas universitárias públicas do Brasil. Considerando que a seleção e aquisição de
recursos digitais compreendem uma gama de questões especificas que necessitam de estudos
para proporcionar facilidades na compra, gerenciamento, difusão e acesso. Diante desse
painel, essa pesquisa objetiva apresentar um arcabouço teórico acerca do tema que convenha
para colaborar com o processo decisório dos bibliotecários responsáveis pela aquisição dos
e-books.
Palavras-chave: Formação e desenvolvimento de coleções eletrônicas; E-books; Livros
digitais.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016

Eixo Temático:

Responsabilidade Política, Técnica e Social

FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES
PARA E-BOOKS

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Modalidade da apresentação: Comunicação oral
RESUMO
As bibliotecas universitárias brasileiras são instituições em constante evolução nos
processos de gestão da informação impulsionados, principalmente, pelos progressos
tecnológicos que alteram a forma de selecionar, adquirir, armazenar, organizar,
gerenciar e disseminar a informação oriunda da natureza digital. Essas mudanças
alteram a comercialização, o acesso e a difusão do conhecimento humano através
dos e-books e provoca nas bibliotecas a necessidade de se adaptarem as mutações
do mercado editorial. Nesse contexto, surgem possibilidades inovadoras de atuação
no cenário da formação e desenvolvimento de coleções digitais. Nesse panorama, o
presente estudo enfoca a formação de acervos dos e-books nas bibliotecas
universitárias públicas do Brasil. Considerando que a seleção e aquisição de
recursos digitais compreendem uma gama de questões especificas que necessitam
de estudos para proporcionar facilidades na compra, gerenciamento, difusão e
acesso. Diante desse painel, essa pesquisa objetiva apresentar um arcabouço
teórico acerca do tema que convenha para colaborar com o processo decisório dos
bibliotecários responsáveis pela aquisição dos e-books. O caminho metodológico
aplicado nessa pesquisa foi a revisão de literatura sobre a formação e o
desenvolvimento de coleções para e-books. Foram investigados objetos
relacionados com a temática proposta e a pesquisa ocorreu nos campos das
Ciências da Informação, mais especificamente, da Biblioteconomia. Foram
analisados documentos no transcorrer de todos os tempos, optando-se por materiais
escritos a partir dos anos 2000. Esse modelo de pesquisa possibilita ampliar a
proporção do conhecimento existente através do uso de novos aspectos acerca do
assunto abordando novas temáticas sobre um mesmo tópico. Os resultados obtidos
possibilitaram o mapeamento dos predicados necessários para a construção de uma
forma inovadora de selecionar e adquirir os e-books contribuindo, dessa forma, para
facilitar o trabalho dos profissionais da informação que lidam com a gestão de
acervos digitais.
Palavras-chave: Formação e desenvolvimento de coleções eletrônicas; E-books;
Livros digitais.
ABSTRACT
Brazilian university libraries are institutions evolving in information management
processes driven primarily by technological advances that change the way you
select, acquire, store, organize, manage and disseminate information coming from
the digital nature. These changes alter the marketing, access and dissemination of
human knowledge through the e-books in libraries and causes the need to adapt to
changes in publishing. In this context, there are innovative possibilities for action in
the setting of training and development of digital collections. In this scenario, this
study focuses on the formation of e-book collections in public university libraries in
Brazil. Whereas the selection and acquisition of digital resources comprise a range of
specific issues that need studies to provide procurement of facilities, management,
dissemination and access. In view of this panel, this research aims to present a
theoretical framework on the subject that serves to assist in the decision-making
process of the librarians responsible for the acquisition of e-books. The

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

methodological approach used in this study was a literature review on the formation
and development of collections for e-books. objects were investigated related to the
proposed theme. The research took place in the fields of Information Sciences, more
specifically, of librarianship in the course of all time, opting for written materials from
the years 2000. This research model enables to expand the proportion of existing
knowledge through the use of new aspects on the subject addressing new issues on
the same topic. The results enabled the mapping of predicates needed to build an
innovative way to select and purchase the e-books and thereby contributes to
facilitate the work of information professionals who deal with the management of
digital collections.
Keywords: Ebooks; digital books, Training and development of collections.

1 Introdução
As bibliotecas universitárias brasileiras estão protagonizando mudanças
significativas na sua atuação junto à sociedade. Diversas modificações estão
ocorrendo nos serviços e produtos oferecidos para sua clientela graças as
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) surgidas nas últimas décadas. O
acréscimo do formato digital às coleções é uma realidade que envolve
transformações na seleção, na aquisição e no gerenciamento de seus acervos. Esse
cenário possibilita uma mutação revolucionária no desempenho das bibliotecas junto
à comunidade, possibilitando a ampliação e a democratização do acesso às
informações e ao conhecimento.
A partir da utilização das TICs, o homem tem percebido e participado da
transição dos livros dos papéis para os bytes. Essa alteração de suporte provoca
mudanças nos padrões de armazenamento, aquisição, gerenciamento e
disseminação da informação, bem como, nos modelos dos negócios que envolvem a
compra dos conteúdos informacionais.
Essas alterações ocorrem com o intuito das bibliotecas se adaptarem aos
avanços das tecnologias da informação a não se tornarem obsoletas no cenário
acadêmico. Além disso, busca-se aperfeiçoar o fluxo da informação dentro das
universidades, proporcionando maior rapidez e melhores condições de acesso ao
conhecimento. Atendendo dessa forma, as demandas do meio universitário.
Para que isso aconteça de fato, é fundamental a criação de mecanismos que
facilitem o processo de gestão nas bibliotecas universitárias brasileiras. Assim
sendo, este estudo pretende analisar as bases teórico-conceituais em que são
formadas as coleções dos acervos digitais, apresentando os modelos aplicados para
aquisição dos e-books com a finalidade de contribuir para a discussão da
necessidade de construção de novas diretrizes para selecionar, adquirir e gerir a
compra desses materiais.
O constructo das inovações na forma de adquirir os e-books se faz necessário
devido ao impasse existente entre os interesses dos editores, das bibliotecas e dos
usuários. Os empecilhos que existem, atualmente, dificultam a aquisição desses
materiais e inibem a expansão do uso dos e-books nas unidades informacionais
acadêmicas. Há uma lógica da proteção autoral e da manutenção de riqueza das

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corporações editoriais que levam aos fornecedores de conteúdo a desenvolverem
estratégias tecnológicas e gerenciais que bloqueiam ou impedem o acesso às
informações de natureza digital para as bibliotecas e seus clientes. Nessa
perspectiva, um produto que deveria facilitar a difusão do conhecimento humano
enfrenta diversas barreiras para propagação das informações.
Dentro do panorama apresentado, percebe-se uma ruptura nos pilares da
Biblioteca e da Biblioteconomia que é a disponibilização irrestrita da informação para
seus usuários. Além disso, os modelos aplicados, atualmente, pelo mercado editorial
provocam gastos excessivos pelo Governo. Isso ocorre, principalmente, pelas
cláusulas contratuais que impedem o empréstimo dos e-books entre bibliotecas, ou
seja, compra-se os mesmos títulos com recursos da mesma origem sem a
possibilidade de dinamizar o acesso aos conteúdos. Esse fator impacta os recursos
governamentais e dificultam a livre circulação da literatura digital entre as unidades
informacionais e seus clientes.
Justifica-se a relevância desta pesquisa tendo em vista a escassez de
estudos científicos sobre o tema no Brasil na contemporaneidade.
A opção por trabalhar a formação e o desenvolvimento de coleções dos ebooks está relacionada com a multiplicidade de objetos informacionais digitais
existentes no mercado, entre eles destacam-se: periódicos, livros, bases de dados,
documentos digitalizados e outros. Diante da abundância dos documentos oriundos
dos recursos eletrônicos e digitais tornou-se necessária a opção por delimitar o
estudo em um grupo elegendo-se os e-books. Essa escolha ocorreu por esse tipo de
suporte estar apresentado divergências entre os membros do mercado editorial e,
dessa forma, torna-se um problema para os bibliotecários das universidades na
formação e no desenvolvimento de suas coleções.
Esse desígnio está baseado na percepção da necessidade de aperfeiçoamento
da gestão deste suporte informacional. Ele possui características, complexidades e
especificidades que carecem de estudos no meio acadêmico. Essas particularidades
serão apresentadas e discutidas no transcorrer desta pesquisa.
O objetivo principal desta investigação é proporcionar subsídios substanciais aos
bibliotecários que trabalham com a seleção e a aquisição dos e-books. A partir do
conhecimento teórico acerca das particularidades que circundam a compra desses
livros, os profissionais da informação possam aperfeiçoar as práticas e os processos
que envolvem essa área da Biblioteconomia. Nesse sentido, pretende-se contribuir
para uma reflexão sobre as bases fundamentais da seleção e aquisição dos e-books
buscando o aperfeiçoamento das práticas aplicadas atualmente.

2 Revisão de literatura
A história das bibliotecas mostra que no transcorrer da evolução da
humanidade, as transformações nos suportes de registro do conhecimento fazem
parte da trajetória da escrita e contribuem para o desenvolvimento do conhecimento,
das ciências e do progresso humano (MARTINS, 2016).
A utilização das tecnologias de informação e comunicação proporcionam
alterações no modo de escrever, publicar, adquirir, comercializar, circular e ler os
livros na sociedade contemporânea. Dessa forma, os procedimentos de produção,

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

transmissão, comercialização e uso da informação são modificados com a utilização
da natureza digital.
Essas mutações proporcionam um novo modo de pensar e agir das bibliotecas e
provoca um repensar do profissional bibliotecário, que deve estar propenso para as
novas possibilidades de atuação do mercado contemporâneo. Nessa perspectiva, a
inserção dos e-books nas unidades informacionais altera as formas de ação do
profissional da informação, no tangente aos procedimentos que envolvem as
relações com os outros atores do mercado editorial, principalmente, nas inclusões
entre as bibliotecas e os fornecedores.
Nesse sentido, a realização de debates sobre as formas de produzir,
comercializar e consumir a informação digital se fazem necessárias. O estudo das
novas possibilidades oriundas das tecnologias se torna pertinente e a avaliação dos
modelos de negócios praticados pelo mercado se fazem essenciais para um projeto
de expansão dessa natureza informacional nas bibliotecas universitárias.
Acredita-se, que a partir do aperfeiçoamento do diálogo entre os atores do
mercado editorial, pode-se melhorar os processos que circundam as atividades de
formação de coleções digitais. Contudo, a contenda entre esses personagens está
em fase de deliberação, os papéis estão sendo desenhados e as funções
delimitadas. Assim sendo, torna-se primordial o acréscimo da discussão dessa
contenta em nossa sociedade.
Ações que busquem a ampliação do debate em torno da melhora dos
procedimentos que envolvem a seleção, aquisição e gerenciamento dos e-books,
nos diversos ambientes em que ele pode atuar, sejam nas bibliotecas, nas editoras,
nos fornecedores, nos clientes etc... devem ser desenvolvidos com o intuito de
democratizar o acesso ao conteúdo informacional digital, bem como, melhorar o
fluxo informacional da comunicação científica disponibilizada virtualmente por
intermédio dessa natureza informacional.
Durante a evolução dos suportes de informação percebem-se mudanças
significativas nos modelos aplicados pela sociedade para armazenamento dos
conteúdos informacionais. Observa-se características distintas entres os
documentos impressos e os documentos digitais. A primeira grande diferença entre
os modelos está relacionado com a posse dos livros. Enquanto os documentos
tradicionais eram considerados manufaturas, ou seja, as bibliotecas compravam os
materiais materializados e podiam determinar seus fins através dos processos pelos
quais os documentos passariam nas unidades informacionais. Eles poderiam ser
inseridos, descartados, doados etc... os bibliotecários exerciam o poder sobre a
informação. Nesse aspecto, a formação de coleções era centrada nos livros em um
mundo fechado e, muitas vezes, velado. Com os e-books ocorre uma ruptura de
processos, os documentos tornam-se serviços, compra-se bases de livros, ocorre a
servitização das bibliotecas. Nesse panorama, há ausência da posse física dos
materiais, as unidades informacionais se desmaterializam e, com isso, passam a
funcionar em qualquer lugar e em qualquer momento, ou seja, ocorre uma
transformação temporal e espacial no atendimento informacional. Além disso, ocorre
uma multiplicidade de possibilidades para os leitores. Enquanto nos livros impressos
existia um único processo de aprendizagem que ocorria através da leitura, nos ebooks acontece a multissensorialidade com possibilidades de leitura, áudio, vídeo,
hologramas etc. Nessa perspectiva, a aquisição dos e-books se tornam centradas
nas pessoas e as bibliotecas se tornam Glocais – globais e locais.

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Adiante, percebem-se outras características distintas entre a formação e o
desenvolvimento de coleções de livros impressos e e-books. Para Vergueiro (2010)
aplicando o modelo de Edward os documentos físicos abarcam os seguintes
processos para formação de acervos: Estudo da comunidade; política de seleção,
seleção propriamente dita; aquisição, desbastamento e avaliação. Isso deve ocorrer
em um processo cíclico e ininterrupto. Essa metodologia de trabalho é melhor
visualizada a partir da Figura 1 que demonstra o processo de desenvolvimento de
coleções de acervos tradicionais. Além dessas características oriundas da formação
de coleções impressas temos outra especificidade característica do suporte
informacional impresso que é o acesso aos livros. Eles aconteciam diretamente nas
estantes ou indiretamente através de solicitação nos balcões de atendimento.
Figura 1
impressos

–

Processo

de

desenvolvimento

de

coleções

de

materiais

Fonte: Vergueiro (2010)
Martins (2016) afirma que existem especificidades oriundas da natureza
digital. Para o autor, além da avaliação de assunto, usuário, documento e preço,
normalmente, utilizadas na seleção e aquisição dos livros impressos existem outras
para os e-books, são elas: planejamento das demandas; estudos dos modelos de
negócios; criação de política de conteúdo; aspectos operacionais; interface gráfica
de fácil uso; suporte técnico; gestão dos direitos de propriedade e preservação
digital, ou seja, são elencadas diversas características a serem avaliadas na compra
desses materiais.

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Serra (2015) vai adiante na questão do acesso. Ela afirma a necessidade de
estudos das plataformas e dos conteúdos disponibilizados pelo mercado. A seguir
demonstramos na Figura 2 a representação dos passos para acessar os e-books
através das plataformas. Na imagem percebe-se que a estrutura para acessar o
conteúdo informacional é, totalmente, distinta do acesso aos livros impressos, ou
seja, novos elementos devem ser avaliados no momento da seleção e da aquisição
desse modelo de suporte informacional. Assim sendo, devem ser consideradas as
estruturas tecnológicas, os hardwares, as redes, autenticação de usuários, compra
e/ou assinatura de plataformas, ou seja, ocorrem novas características a serem
avaliadas
Figura 2 – Acesso aos e-books por
plataformas

Fonte: Serra (2015)
Ainda sobre acesso, verificamos que os e-books provocam uma alteração da
terceira lei da Biblioteconomia. Ela trata que para cada livro, o seu leitor. Com os
documentos digitais essa questão é ampliada e o mesmo livro pode ter vários
leitores ao mesmo tempo. Assim sendo, há um acréscimo do uso dos conteúdos
informacionais e quebras das barreiras geográficas e espaciais são desmanteladas
conforme comentadas anteriormente. Na figura 3 percebe-se a representação do

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modelo clássico onde o livro impresso é único e só pode ser emprestado para um
usuário. Enquanto na figura 4 são apresentados novos modelos de acesso aos
conteúdos. Nessa figura, compreende-se que o acesso pode ser múltiplo e ilimitado.
Figura 3 – Empréstimo de livros
impressos

Fonte: depositphotos http://pt.depositphotos.com/28488907/stock-illustration-kidsborrowing-books-in-the.html
Figura 4 – Formas de acesso aos e-books

Fonte: Serra (2015)

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A partir do entendimento das diferenças existentes entre os suportes
informacionais impressos e digitais, as bibliotecas, os bibliotecários e os demais
membros do mercado editorial necessitam readequar seus processos,
procedimentos e gestão de acervos, bem como, reformular as práticas de
comercialização dos e-books. É necessário o entendimento, por parte dos diversos
atores desse mercado, que a mudança de suporte informacional requer novas
formas de atuação. Deve ocorrer um reordenamento das formas de acesso que
gerará impacto na disseminação da comunicação informacional dentro das
bibliotecas universitárias.
A reformulação dos processos que envolvem a gestão dos e-books deverá
impactar na expansão dessa natureza informacional na sociedade contemporânea.
As peculiaridades que envolvem a seleção e aquisição dos e-books requer um
repensar dos bibliotecários que cuidam da gestão das unidades informacionais.
Assim sendo, torna-se fundamental a aplicação de técnicas oriundas da
administração e da engenharia de produção para contribuir com o setor de formação
e de desenvolvimento de coleções. Nesse aspecto, os profissionais da informação
devem criar mecanismos, políticas, parâmetros, diretrizes e ações que colaborem
para o aperfeiçoamento da gestão dos e-books nas bibliotecas acadêmicas.

3 Materiais e métodos
A metodologia utilizada pretende apresentar os procedimentos formais, como
métodos de pensamento reflexivo através do tratamento científico para demonstrar a
importância do estudo. O panorama analisado abarcou a pesquisa bibliográfica de
materiais elaborados sobre os temas: formação e desenvolvimento de coleções
digitais, aquisição e seleção dos e-books. A averiguação foi realizada através da
revisão da literatura nos campos das Ciências da Informação, mais especificamente,
da Biblioteconomia voltando-se para a área da formação e do desenvolvimento de
coleções. Esse modelo de pesquisa possibilita ampliar a proporção do conhecimento
existente através do uso de novos aspectos acerca do assunto (LEANDRO, 2013).
Segundo Lakatos e Marconi (2011) “a pesquisa bibliográfica ou de fontes
secundárias é um levantamento de toda a bibliografia publicada em livros, revistas e
demais publicações”. Manzo (1971) afirma que “a bibliografia pertinente fornece
subsídios para explorar novas ideias, onde os problemas ainda não se cristalizaram
suficientemente”. Nesse contexto, pretende-se através de um modelo cientifico
apresentar novas perspectivas acerca do assunto investigado.
As fontes de pesquisa utilizadas foram: livros, artigos de periódicos,
dissertações, teses e trabalhos apresentados em eventos encontrados na plataforma
Descubra, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Além disso, foram
analisados sites diversos ligados ao tema e pesquisadas as bases de dados Science
Direct, EBSCP, Wiley, Emerald, BRAPCI, Scielo e E-lis. Foram investigados termos
em inglês e português, nos campos títulos (titles), palavras-chave (keywords) e
resumo (abstracts). O estudo abarcou a literatura nacional e internacional, ao longo
de todos os anos, dando preferência aos trabalhos publicados a partir dos anos
2000. Contudo, obras anteriores foram utilizadas devido ao caráter referencial e/ou
clássico e colaboraram no desenvolvimento do arcabouço teórico dessa pesquisa.
A partir dos dados recuperados foi criada a suposição dessa investigação. Ela
baseia-se na perspectiva de que o acréscimo de conhecimento acerca do assunto

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formação e desenvolvimento de coleções dos e-books contribui para aprimorar a
tomada de decisão dos bibliotecários que trabalham nessa área. Possibilitando desta
forma, melhorar e simplificar a formação de acervos. A concepção desta proposta
visa reduzir custos, otimizar recursos, simplificar processos, respeitar direitos,
armazenar dados, proteger conteúdos e ampliar acessos. Nesse sentido, pretendese melhorar a aquisição dos e-books nas bibliotecas da academia. A partir da
evolução na formação e no desenvolvimento de coleções digitais almeja-se que a
biblioteca coopere para a expansão do uso dos e-books na sociedade contribuindo
para a democratização do acesso a informação digital.

4 Resultados parciais/finais
A literatura sobre as características para aquisição dos e-books no Brasil ainda é
tímida. Não há um entendimento de como o mercado deve atuar e inúmeros autores
consideram que a seleção e a aquisição devem seguir os mesmos modelos dos
documentos impressos. Contudo, esse estudo vem apresentando características que
diferenciam os suportes informacionais e apresentam predicados que contribuem
para reforçar a necessidade da construção de políticas distintas para cada natureza
informacional. Nesse cenário, sobressai o trabalho de Cunha (1999) que arrola os
aspectos que devem ser destacados e pensados, em relação à seleção de objetos
digitais, são eles:


Variedade de formatos: o especialista em desenvolvimento de
coleções necessita considerar os diversos formatos;
 Conceito de biblioteca: a biblioteca universitária não é apenas física, a
tarefa de desenvolvimento de coleções incluirá funções relativas às
atividades de hiperligações para mapear os recursos informacionais
externos;
 Pagamento pela informação: será necessário conhecer os detalhes
relativos às modalidades de contratação para acessar a informação,
ou seja, os processos que envolvem os negócios se tornam de
extrema importância para a área de formação de coleções;
 Esforços cooperativos: com o objetivo de reduzir os custos da
duplicação de acervos eletrônicos, em diversas universidades, haverá
campo propício para ações cooperativas mediante convênios; a
coleção local não será mais o foco primário de atenção, o mesmo
objeto deverá ser acessado por todos e;
 Novas mídias e equipamentos: para otimizar o uso do documento
digital será necessário maior conhecimento de hardware e software
por parte dos técnicos de desenvolvimento de coleções.

Adiante, a International Federation of Library Associations and Institutions
(IFLA, 2013), com o objetivo de colaborar com o trabalho dos bibliotecários que
atuam no campo do desenvolvimento de coleções, elaborou um guia para as
bibliotecas acadêmicas, especialmente, destinado às coleções de recursos
eletrônicos. Ele tem o intuito de conscientizar sobre os pontos principais que as
bibliotecas deverão considerar para formação das coleções eletrônicas onde são
destacados os principais pontos:


Viabilidade técnica: disponibilidade (acesso remoto, acesso
autônomo), autenticação, compatibilidade, armazenamento e
manutenção (acesso remoto, acesso local), plataformas de acesso
aos recursos eletrônicos;

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





Funcionalidade e confiabilidade: recuperação da informação,
descarga de conteúdo, exportação e descarga, interface, integração;
Apoio do provedor: capacitação dos usuários, demonstração de
produtos, suporte técnico, relatório de estatística, Personalização do
serviço, provisão de dados bibliográficos (Marc), segurança da
informação e política de armazenamento;
Fornecimento: modelo de compra (assinatura ou pago por consulta),
opções de acesso, armazenamento, cotas de manutenção e direitos
de cancelamento e;
Licenças:
licençasmodelo
padrão,
legislação
vigente,
responsabilidade pelo uso não autorizado, definição de usuários
autorizados, definição de sítios autorizados, reembolsos, prazo do
contrato, idioma de licença, cumprimento com as leis vigentes na
jurisdição que se encontra a biblioteca, caso seja um consórcio.

Os aspectos apresentados referem-se aos recursos digitais de uma maneira
geral. Contudo, entende-se que cada objeto digital possui especificidades de sua
natureza. Nesse sentido, é fundamental a criação de políticas especificas para o ebook.
Pontes (2015) aborda a aquisição de e-books para bibliotecas universitárias e
relata que existe a necessidade de criação de uma política institucional especifica
para a natureza informacional digital que deve contemplar os seguintes aspectos:














Direitos de licenciamento – questão da exclusividade;
Preservação de conteúdos digitais;
Formas de acesso;
Modelos de negócios / contratação;
Formatos de registro (pdf. E-pub. Mobi. Azw ...;
Mediação com uso de dispositivos específicos (e-readers,
tablets);
Controle de uso (indicadores);
Forma de entrega e e-lending (GRM – DRM);
Instituições públicas devem seguir a legislação n. 8.666/1993;
Capacitação de gestão de vários contratos;
Recursos institucionais para disponibilização e preservação do
acervo digital;
Orçamento disponível para aquisição e;
Vantagens institucionais para a aquisição de acervo digital.

A partir dos relatos de Cunha (1999), IFLA (2013) e Pontes (2015)
compreende-se a necessidade de aperfeiçoamento das bibliotecas na criação de
políticas para expandir a natureza digital em unidades de informação. Para tanto,
outras questões devem ser avaliadas pela área de formação e de desenvolvimento
de coleções para e-books. Assim sendo, essa pesquisa apresenta alguns tópicos
que carecem de debate na área da Biblioteconomia:
 Estudos de usuários traçando o perfil do público real, potencial e virtual.
Incluindo os alunos de estudo à distância. Com os e-books ocorrem rupturas
geográficas e temporais que devem ser avaliadas no processo de seleção e
aquisição;
 Diagnóstico do cenário em que a biblioteca está inserida. Devem-se verificar
aspectos geográficos, sociais, econômicos e tecnológicos. Essas questões
são fundamentais para a criação de acervos digitais. Afinal, deve ser

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
















analisado se o público tem acesso as novas tecnologias, se possui redes que
facilitem o acesso aos e-books, se possuem computadores, tablets e/ou
outros aparelhos para leitura de livros digitais essa são algumas questões a
serem avaliadas;
Busca contínua em suprir as expectativas e as necessidades dos clientes da
informação, independentemente da localização da informação e do cliente, ou
seja, os e-books devem facilitar o intercâmbio de informações entre
bibliotecas e usuários. Nesse sentido, devem ser eliminadas as barreiras
protecionista impostas pelos editores nos modelos aplicados atualmente.
Diagnóstico e descrição dos fornecedores disponíveis no mercado.
Analisando as vantagens competitivas que cada um apresenta. O
conhecimento profundo dos fornecedores torna-se elemento fundamental no
processo de aquisição dos e-books. As melhores plataformas, os melhores
preços, o maior quantitativo de liberação de uso são algumas das questões a
serem avaliadas;
Planejamento orçamentário com previsão para gastos atuais e futuros. Devese formalizar as fontes de recursos disponíveis e as formas de pagamentos
para manutenção das coleções. Lembrando-se da importância de adquirir e
mantê-las, tanto as impressas como as digitais. É preciso considerar as taxas
de manutenção, as assinaturas e os custos com hardwares, softwares,
treinamentos, cursos e pessoal;
Racionalização e otimização dos recursos financeiros, humanos e
tecnológicos através da operação planejada;
Descrição completa das bases e averiguação da disponibilidade de
customização das interfaces;
Descrição dos modelos de negócios, apresentando as vantagens e
desvantagens de cada padrão. A partir da informação os gestores poderão
obter dados para facilitar a tomada de decisão;
Criação de política de acesso e acessibilidade, contemplando acesso
multiusuário e formas de promoção aos portadores de necessidades
especiais. Uma das maiores vantagens dos e-books são a ampliação do
acesso e da acessibilidade. Contudo, isso é dificultado pelas DRMs impostas
pelas editoras. Nesse sentido, é primordial que as bibliotecas exerçam o
poder de comprador e exijam a liberação de acesso multiusuários. Somente
dessa forma, haverá vantagens significativas com a compra do suporte
informacional digital;
Elaboração de planos de ação em relação à seleção, aquisição, descarte,
desbaste e avaliações futuras, das coleções existentes, novas e passíveis de
obtenção;
Respeito às especificidades e especificações de cada natureza informacional;
Estabelecimento da obrigação do fornecimento de metadados para recursos
eletrônicos. Essa característica facilita o processamento técnico dos materiais
adquiridos e agiliza a liberação de acesso aos conteúdos informacionais;
Concepção de mecanismos para avaliar pontos fortes e fracos das coleções
através do uso de medidas objetivas de julgamento. A métrica deve ser usada
amplamente nas estatísticas de uso dos e-books;
Racionalização do espaço tecnológico. Da mesma forma que nos espaços
físicos há o problema do uso dos espaços devemos avaliar os espaços

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






tecnológicos, ou seja, vale a pena adquirir tudo ocupando espaços
desnecessários?;
Compartilhamento de recursos e estabelecimento de consórcios/redes de
trabalho. O intercâmbio de instituições reduz custos e amplia acessos;
Formalização de mecanismos e critérios para intercâmbio de materiais
informacionais digitais;
Estabelecimento de mecanismos para preservação das coleções físicas e
digitais;
Descrição das formas de backup: mídia fixa ou backfile;
Acompanhamento do surgimento de novos suportes de informação, não se
limitando aos suportes existentes e;
Respeito à legislação vigente no país.

Esses predicados buscam atender as demandas das bibliotecas, na atualidade,
através da concretização de parâmetros para aquisição dos e-books. Pretende-se
dessa forma, formar coleções que satisfaçam as necessidades dos clientes. Almejase, a construção de acervos de qualidade que contribuam para o desenvolvimento
das pesquisas e auxiliem na transferência da comunicação científica nas
universidades.
No contexto apresentado, a política de formação e desenvolvimento de coleções
para e-books deve contemplar procedimentos políticos, tecnológicos, de
gerenciamento dos conteúdos, recursos e acesso, necessita ainda, abarcar
questões relacionadas com o design de produtos, abranger motes arrolados com a
proteção aos direitos autorais, a propriedade intelectual, a segurança dos dados e a
preservação digital.
Para concretização desse modelo de política é imprescindível à realização de
planejamento a curto, médio e longo prazo dos procedimentos necessários para sua
concepção. Neles devem constar ações para sua consecução verificando as
previsões
orçamentárias,
a
organização,
distribuição,
estruturação,
compartilhamento, parque tecnológico, bem como, os responsáveis pelas tarefas.
Além disso, é fundamental o conhecimento do mercado editorial, dos atores da
cadeia produtiva dos livros e dos modelos de negócios nacionais e internacionais.
Essa política deve servir como um guia ou suporte para bibliotecários, auxiliando
para a tomada de decisão na aquisição de objetos virtuais. Nesse sentido, ela busca
melhorar as práticas de trabalho, buscando aprimorar as afinidades entre os atores
do mercado editorial.

5 Considerações parciais/finais
Considera-se que novas demandas surgiram para a área de formação e de
desenvolvimento de coleções com a introdução dos e-books no mercado editorial.
Nesse aspecto, observa-se que inovações de gestão são fundamentais para o
processo decisório das bibliotecas universitárias brasileiras. Nesse sentido, essa
pesquisa procurou abordar novos predicados essenciais para a seleção e aquisição
dos e-books. Contudo, consideramos importante aliar características tradicionais da
Biblioteconomia com técnicas da Administração e da Engenharia de Produção no
processo de formação de coleções de acervos digitais.
Apreciando a literatura biblioteconômica compreende-se a necessidade da

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delimitação de critérios gerais para todos os formatos de documentos e outros para
modelos específicos. A partir dessa constatação observamos que os critérios
específicos devam ser:
 Delimitação da missão e dos objetivos da biblioteca;
 Estudo de usuários com a delimitação de suas preferências e necessidades;
 Identificação dos pontos fortes e fracos da coleção com o objetivo de
manutenção da qualidade do acervo;
 Avaliação de uso da coleção com o intuito de adquirir as demandas reais;
 Autoridade do autor, editor e/ou fornecedor com a finalidade de adquirir
materiais dos especialistas das áreas;
 Cobertura do tema abrangendo os vários aspectos que o cercam;
 Atualidade do acervo para as áreas que dela necessitar e;
 Preço compatível com o mercado.
Os critérios específicos para e-books foram abordados durante o transcorrer
dessa investigação. Finalizamos reforçando alguns critérios consideramos
fundamentais para a concretização da formação e do desenvolvimento de coleções
de e-books com qualidade, são eles:
 Delimitação de critérios para infraestrutura tecnológica adequada. Engloba-se
hardware, software e redes de telecomunicações;
 Determinação dos tipos de formatos a serem adquiridos (ASCII, PDF, HTML);
 Estruturação de política de acesso e acessibilidade que busque facilitar o
acesso e o intercâmbio de conteúdos informacionais;
 Criação ou aquisição de plataformas que democratizem o acesso, facilitem o
uso e possibilite a interação entre os sistemas e os usuários;
 Análise de recursos além da leitura. Ex. áudio, vídeo, hologramas etc.;
 Concepção dos direitos de propriedade e de autoria;
 Estruturação das condições de manutenção do sistema;
 Disponibilização de estatísticas on-line;
 Estudo dos modelos de negócios buscando os melhores preços com as
melhores condições e;
 Aspectos relacionados com a conservação e a preservação de dados digitais.

6 Referências
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v.28, n.3, p. 257-268, 1999.
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SERRA, Liliana.Gusti. Tipos de fornecedores de e-books, na visão das
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>As bibliotecas universitárias brasileiras são instituições em constante evolução nos processos de gestão da informação impulsionados, principalmente, pelos progressos tecnológicos que alteram a forma de selecionar, adquirir, armazenar, organizar, gerenciar e disseminar a informação oriunda da natureza digital. Essas mudanças alteram a comercialização, o acesso e a difusão do conhecimento humano através dos e-books e provoca nas bibliotecas a necessidade de se adaptarem as mutações do mercado editorial. Nesse contexto, surgem possibilidades inovadoras de atuação no cenário da formação e desenvolvimento de coleções digitais. Nesse panorama, o presente estudo enfoca a formação de acervos dos e-books nas bibliotecas universitárias públicas do Brasil. Considerando que a seleção e aquisição de recursos digitais compreendem uma gama de questões especificas que necessitam de estudospara proporcionar facilidades na compra, gerenciamento, difusão e acesso. Diante desse painel, essa pesquisa objetiva apresentar um arcabouço teórico acerca do tema que convenha para colaborar com o processo decisório dos bibliotecários responsáveis pela aquisição dos e-books.</text>
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                    <text>Estágio profissional na Cornell University Library – CUL:
impressões e reflexões
Sandra Maria Carlos Cartaxo (UNICAMP) - scartaxo@ifi.unicamp.br
Erin R B Eldermire (CUL) - erb29@cornell.edu
Resumo:
O propósito desse artigo é descrever as principais impressões e reflexões decorrentes do
estágio realizado na Cornell University Library - CUL através do programa de Mobilidade de
Funcionários Técnicos Administrativos da Universidade Estadual de Campinas (Edital VRERI
051/2015). Para tanto apresento uma breve introdução, a dinâmica de trabalho, os
mecanismos adotados pela CUL para garantir o acesso a informação e também o suporte dado
pelas equipes das bibliotecas para atingir esse objetivo. Iniciativas da CUL na área de
preservação da informação também são citadas, assim como, o trabalho desenvolvido no que
se refere aos pontos de acesso a informação. A Cornell University Library tem um papel
importante na promoção, divulgação e visibilidade do conhecimento criado na universidade,
para tanto apresento o trabalho realizado com repositórios da produção científica e também
de curadoria digital com vistas a potencializar a cooperação interna e externa dos seus
recursos humanos. Apresento também a atuação da CUL no sentido de garantir a sua
comunidade, bibliotecas com espaços e estruturas que favoreçam o aprendizado e a
convivência. Ao final faço algumas considerações e recomendações que me parecem viáveis e
aplicáveis à nossa realidade.
Palavras-chave: Intercâmbio internacional, colaboração internacional, Cornell University
Library
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Perfil profissional e práticas renovadoras

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Desde os seus primórdios as bibliotecas atuam no sentido de preservar, promover e
garantir o acesso às informações. Por muito tempo esse era um dos principais papeis
atribuídos às bibliotecas. O acesso às informações, o desenvolvimento de pesquisas e a
produção de novos conhecimentos tem como base o importante papel das bibliotecas na vida
acadêmica de milhares de estudantes e pesquisadores ao redor do mundo.
Realizar esse estágio nos Estados Unidos e acompanhar mais de perto a dinâmica de
outra universidade proporcionou-me uma visão mais abrangente da dificuldade que as
universidades brasileiras possuem em avançar e serem reconhecidas globalmente. Aspectos
culturais, sociais, econômicos e políticos do Brasil podem desfavorecer nossas universidades
na medida em que enfrentamos e temos que superar problemas de ordem estrutural,
burocrática e de formação educacional da nossa sociedade. Diante da magnitude desses
problemas, avançar e obter reconhecimento acadêmico internacional não é uma tarefa trivial.
Apesar disso, acredito que existe um esforço institucional por parte da UNICAMP em superar
tais obstáculos e o programa de Internacionalização almejado pela universidade é um exemplo
prático dessa busca. Após essa vivência, acredito que o intercâmbio internacional pode ser um
caminho para fortalecer os sistemas educacionais e de ciências no Brasil, mais do que isso,
acredito que incluir os diversos atores nessa busca poderá se revelar no futuro como uma
importante estratégia para o desenvolvimento da UNICAMP e outras instituições.
A minha busca através dessa experiência era compreender e vislumbrar novas
possibilidades para a nossa biblioteca e também para o Sistema de Bibliotecas da Unicamp –
SBU. Os principais objetivos que motivaram a realização do estagio na Cornell University
Library foram:
_ Garantir o acesso e fomentar o uso de todas as informações e coleções disponíveis na
Universidade;
_ Apoiar de forma mais efetiva as pesquisas e estudos realizados pela comunidade na
Universidade por meio da atuação dos profissionais da Biblioteca;
_ Melhorar os pontos de acesso e os sistemas pelos quais são feitos as pesquisas às fontes de
informação acadêmica;
_ Viabilizar o acesso das produções científicas da UNICAMP.
Após uma breve contextualização, cada uma dessas razões serão exploradas.

2 Intercâmbio internacional
A experiência do estágio aqui relatado foi realizado na Cornell University Library CUL através do programa de Mobilidade de Funcionários Técnicos Administrativos da
Universidade Estadual de Campinas (Edital VRERI 051/2015). Fundada em 1865, a Cornell
University é uma instituição privada e está localizada em Ithaca, no Estado de New York, nos
Estados Unidos. Cornell administra outros campus e programas em diferentes cidades e
regiões nos Estados Unidos e também em Doha (Qatar) e em Roma (Itália). Em 2013 contava
com 1628 docentes, 8103 funcionários, 21593 estudantes nos níveis graduação e pósgraduação. No seu corpo docente há 43 membros que foram laureados com o prêmio Nobel e
é uma das mais concorridas universidades dos EUA, sendo constantemente ranqueada entre as
melhores universidades nos EUA e também no mundo (CORNELL, 2015).
As bibliotecas da CUL atuam em diversas frentes e estão na vanguarda em várias
delas, as quais pode-se destacar as áreas de tecnologia da informação, serviços de preservação
digital, desenvolvimento de coleções, serviços de aprendizagem e gestão. A CUL é também
mantenedora do arXiv.org, primeiro repositório online criado e o mais importante repositório

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de preprints disponível nos dias de hoje, em 2014 o servidor do arXiv.org alcançou um
milhão de artigos depositados (VAN NOORDEN, 2014). Esse repositório de preprints é
referência na área de física, matemática, ciência da computação, etc. Meu primeiro contato
com o arXiv.org foi ainda durante um estágio na graduação, desde aquela época, primórdios
dos anos dois mil é que passei acompanhar mais de perto os avanços da CUL. Motivo pelo
qual, em 2015 escolhi a CUL para realizar esse estágio.
Esse intercâmbio internacional vem ao encontro das mudanças e desafios com as quais
as instituições de ensino e pesquisa de todo o mundo vêm enfrentando no sentido de sustentar
sua reputação internacional, a manutenção de colaborações globais em pesquisa, a captação
de recursos e a qualificação da pesquisa (ADAMS e GURNEY, 2016). Nesse contexto, as
colaborações profissionais podem favorecer a troca de experiências, o desenvolvimento de
habilidades e competências que possibilitem às bibliotecas oferecerem todo o suporte a
comunidade universitária.

3 Dinâmica de trabalho
O estágio na Cornell University Library - CUL da Universidade de Cornell (Cornell
University) em Ithaca (New York) aconteceu no período de 05/10 à 29/10/2015. As
Bibliotecas da área de Veterinária e Física foram ao longo desse período o meu “escritório
base”. A partir do plano de trabalho que apresentado, foi proposto um itinerário de reuniões,
visitas técnicas, participação em grupos de trabalho, workshops e um congresso com
bibliotecários da área de Ciências do Estado de New York. Ao final realizei uma apresentação
para os bibliotecários de Cornell sobre o Brasil, a UNICAMP, o programa de
internacionalização, o trabalho das nossas bibliotecas e também o trabalho que realizamos na
Biblioteca do Instituto de Física “Gleb Wataghin” – IFGW.
Na apresentação, os bibliotecários da CUL se surpreenderam com a disponibilidade e
diversidade de periódicos e bases de dados que temos acesso. Expliquei que o acesso a muitos
títulos de periódicos e bases de dados também é feito através do Portal Capes. O Portal Capes
foi uma novidade para a maioria dos bibliotecários, disseram que não possuem nenhum Portal
com tamanha abrangência nos Estados Unidos e consideraram essa iniciativa brasileira muito
interessante.
A minha rotina de trabalho durante esse período foi atestada através de uma carta de
Cornell que comprovou as atividades realizadas durante o estágio, bem como, no itinerário
com todos os compromissos agendados para o período. Essa carta foi utilizada, juntamente
com os cartões de embarque e relatório que apresentei a VRERI (Vice-Reitoria de Relações
internacionais) para prestação de contas à UNICAMP que concedeu meu afastamento e
também uma bolsa no valor de quatorze mil reais para realização do estágio. Todas as
atividades propostas foram uma excelente oportunidade para trocar conhecimentos e
experiências profissionais com colegas de diferentes áreas, setores e funções. A variedade de
assuntos tratados e a visão diferente das muitas pessoas com as quais tive contato foram
enriquecedoras, mudando minha perspectiva sobre diversos assuntos.
Assim como ocorre no âmbito do Sistema de Bibliotecas da Unicamp, os
bibliotecários das 15 bibliotecas da CUL também costumam atuar em grupos de trabalho. A
constituição dos grupos se dá por área, por exemplo, bibliotecários da área de Ciências,
Bibliotecários da área de Humanidades ou por interesses comuns como o caso do Grupo de
Trabalho para Gerenciadores bibliográficos (bibliotecários que ministram oficinas – Zotero,
Mendeley, EndNote1, etc.).
Os grupos de trabalho são muito atuantes e, particularmente, gostei muito do modo
1

Gerenciadores de referências

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como se organizam e das ferramentas de trabalho que costumam utilizar. Um exemplo disso é
o Confluence2, esse sistema é um dos principais ambientes utilizados pelos grupos para
colaborarem e compartilharem informações, nessa ferramenta os integrantes possuem logins
individuais e podem armazenar as notas das reuniões, agendas, ideias, arquivos, documentos,
opiniões, etc. Tudo fica documentado em um único local e todos os integrantes têm acesso.
Nas reuniões, o WebEx3 é a ferramenta mais utilizada, esse sistema permite que uma pessoa
possa acompanhar e participar da reunião a distância – vídeo conferência. A ferramenta
PollEverywhere4 e a EasyPolls5 também foram muito utilizadas durante os workshops e
apresentações, através delas, é possível criar um Quiz ou propor assuntos para discussão - as
pessoas presentes, através do celular por exemplo, votam em umas das opções. Essas
ferramentas tornavam as discussões muito mais interativas, essa variedade facilita a
comunicação entre todos da universidade e também o contato com pessoas de outros lugares
ou instituições que as utilizam. Existe um custo, tanto para “assinatura” das ferramentas como
para aquisição de equipamentos que suportem essa utilização. Contudo, pelo uso que fazem
de todas essas ferramentas no dia-a-dia, me pareceu ser um investimento que vale a pena.

4 Resultados parciais/finais
4.1 Garantia de Acesso a Informação x Suporte e atuação das Bibliotecas
Para garantir o acesso a informação as bibliotecas de Cornell University Library atuam
nas seguintes frentes:
_ Ensino: as bibliotecas atuam no sentido de formar estudantes com “information literacy
skills”, ou seja, estudantes que desenvolvem competências em informação. O objetivo é que
esses estudantes se tornem conscientes do tipo de informação necessária para sua pesquisa e
as fontes de informação da área que precisam consultar para obter o melhor entendimento
sobre o assunto. Os serviços oferecidos seriam: guias, tutoriais, workshops e o atendimento
personalizado aos estudantes, professores e pesquisadores.
_ Pesquisa: se refere ao acesso aos periódicos, bases de dados, coleção impressa,
“information delivery” - através da recuperação rápida de livros, periódicos e outros recursos
no catálogo, empréstimo entre bibliotecas através do “Borrow Direct” – um sistema de
solicitação de livro e entrega rápida entre as bibliotecas das universidades Brown, Columbia,
Cornell, Dartmouth, Harvard, Pensilvânia, Chicago, Johns Hopkins, MIT, Duke, Princeton e
Yale; gerenciadores bibliográficos, suporte para envio de plano de dados de pesquisa para
agências de financiamento.
_ Publicações: oferecem suporte para publicações em fontes de acesso aberto, copyright –
consultoria sobre como obter o melhor tipo de licença para o trabalho a ser publicado,
digitalização, metadados – orientam para que façam a melhor escolha na descrição do
conteúdo, multimídia, impacto da pesquisa – guias, tutorias e atendimento personalizado para
os estudantes e pesquisadores avaliar o impacto da suas pesquisas.
_ Conecções: Library Liaisons Program – liaisons librarians são bibliotecários especialistas
de áreas que fornecem suporte para a investigação, instrução e comunicação científica e todo
tipo de consulta informacional nas Bibliotecas. Além disso, promovem workshops com
especialistas de acordo com o interesse da unidade.
2
Software para criação de documentação de forma colaborativa. Outras informações, consulte:
https://www.atlassian.com/software/confluence
3
Utilizado para vídeo-conferência, ferramenta importante especialmente para colaboração com outras instituições. Outras informações,
consulte: https://www.webex.com/
4
Permite o usuário criar enquetes e consultas para um número grande de pessoas (https://www.polleverywhere.com/)
5
Ferramenta para criar enquetes gratuitas (https://www.easypolls.net/)

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_ Serviço ao público: promovem a divulgação e o compartilhamento público do
conhecimento gerado em Cornell através do repositório institucional DigitalCommons@ILR;
Analisando as frentes de trabalho da Cornell University Library conclui-se que os
serviços oferecidos pelas Bibliotecas estão voltados para atender a atividade fim da
universidade. O Library Liaisons Program é um novo conceito de atuação do bibliotecário
nas universidades e instituições de ensino. Esse novo processo de trabalho exige profissionais
mais engajados, que possam atuar no ensino, divulgação, comunicação científica, tecnologia
da informação, investigação e desenvolvimento de coleções, estabelecimento de parcerias,
avaliação, gestão de dados e projetos. Para que tal atuação seja uma realidade, os
bibliotecários de Cornell realizam workshops para atualização e troca de experiências. Tive a
oportunidade de participar de um workshop “AllLiaison’s Meeting” com todos os
bibliotecários liaisons de Cornell. O workshop durou duas horas, além de curtas
apresentações com temas específicos, como por exemplo, o resultado de um Survey aplicado
em Cornell sobre os interesses e anseios da comunidade, houve uma dinâmica de grupo para
discussão de cinco temas. Os cinco temas foram escolhidos a partir da sugestão dos dez temas
listados a seguir:
1. Promover o pensamento crítico;
2. Novas formas de publicação;
3. Gestão de dados de pesquisa;
4. Promover a visibilidade da Faculdade e Bolsas de Estudo;
5. Usando os espaços da Biblioteca para promoção e criação de ambientes de aprendizado e
comunidades de prática;
6. Direitos do Autor;
7. Organizando arquivos pessoais de pesquisa (algumas agências de financiamento nos
Estados Unidos já exigem um plano de gerenciamento dos dados do projeto de pesquisa
apresentado);
8. Facilitar a interdisciplinaridade e colaboração na Pesquisa;
9. Impacto na pesquisa;
10. Apoiar o ciclo de investigação completa.
O objetivo desses encontros periódicos é que todos apliquem no trabalho as melhores
práticas e ao mesmo tempo traz ao grupo a oportunidade de discutir temas importantes para a
comunidade. Todo esse esforço está centrado no tipo de informação que a comunidade tem
necessidade e então, a partir disso, discuti-se quais mecanismos são necessários para garantir
o acesso a essas informações. Além disso, busca-se formalizar as redes de colaboração entre
unidade. Por exemplo, a compra de livros para a Physical Science Library é exclusivamente
feita para livros eletrônicos (ebooks), assim como todos os outros materiais dessa área, uma
vez que em 2010 as bibliotecas da área de Ciências da CUL, Biblioteca de Engenharia e
Física se tornaram bibliotecas virtuais, não há coleções, mas há duas bibliotecárias que
atendem e prestam serviços para essas disciplinas, de acordo com Solla (2010) “the decision
to change the Library Model from a place with books to a space for Discovery of resources
was a strategic move whose time had come”. Contudo, a aquisição também pode ser feita para
materiais impressos ou eletrônicos dependendo da necessidade e a escolha das unidades. Por
ser uma instituição privada, a compra de livros ou mesmo assinatura de periódico ou base de
dados pode acontecer a qualquer momento. No caso da compra de livros, as bibliotecas
podem realizar um pedido e num prazo de no máximo uma semana já estão com o livro em
mãos. No caso das assinaturas, existe um comitê de bibliotecários de área que analisa e avalia
as solicitações e somente após essa avaliação a seção “Acquisitions and E-Resource Licensing

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Services” realiza a compra ou assinatura. Cornell também assina bases de dados de e-books,
mas há preferência para a compra perpétua. Nesse último caso, da compra perpétua, os ebooks podem ser adquiridos por pacote (package) ou por título (single) dependendo da
necessidade. A aquisição dos metadados dos e-books também é considerada no momento da
aquisição, e quando existe essa opção, os metadados são adquiridos e todas as informações
são importadas para o catálogo. Em outras situações o acesso ao material é feito através das
plataformas dos editores ou através do sistema de descoberta da CUL.
Para gestão do grande volume assinaturas e aquisições, a CUL utiliza o Intota, produto
da Proquest que oferece recursos para gestão dos processos de aquisição dos diversos tipos de
materiais, inclusive os de formato eletrônico. O Intota6 permite o acompanhamento da fase
de seleção, aquisição, catalogação, descoberta e avaliação dos materiais adquiridos pelas
bibliotecas.
Como pode-se observar, existe todo um trabalho que antecede o uso propriamente dito
e o acesso à informação. Esse processo prevê atividades desde o desenvolvimento de
coleções, aquisição, preparação do material até a disponibilização da informação no catálogo,
no sistema de descoberta, nos sites das bibliotecas e todos os outros mecanismos de
divulgação existentes.

4.1.2 Preservação digital
Dada a rapidez tecnológica e a diversidade de mídias e formatos existentes, a
preservação digital é o caminho mais seguro para garantir que coleções de imagens,
documentos, livros e outros materiais estejam disponíveis para futuras gerações. Existe um
esforço institucional em Cornell para garantir essa preservação. Atualmente a CUL conta com
profissionais de TI e bibliotecários que se dedicam especialmente à essas questões. Esses
profissionais trabalham no sentido de criar estratégias para viabilizar a preservação de todos
os materiais considerados importantes para a universidade.
Uma das prioridades em Cornell é investir e garantir uma infra-estrutura confiável e
segura de hardware e software que permitam o armazenamento e o acesso das coleções. Na
visão da maioria dos profissionais com quem conversei a esse respeito, as decisões de
preservação digital e as estratégias para implementação de um plano de ação de sucesso
devem prever que haverá altos custos para sua manutenção e, portanto, a instituição deve estar
disposta a arcar com esses custos. Cornell tem uma infraestrutura de pessoal e tecnológica
bem consolidada e a CUL trabalha também de modo a criar e gerir conteúdos acadêmicos
digitais e ferramentas de aprendizagem, ensino e pesquisa. O compartilhamento de conteúdos
acontece de vários modos, um exemplo seria através dos repositórios mantidos pela
universidade. Nessa área de preservação pode-se citar os seguintes serviços:
_ Conservação : tratamento, conservação e restauro de materiais raros e únicos no âmbito das
bibliotecas do sistema;
_ Consutoria digital : serviço unificado para digitalização, metadados, diretos do autor, diretos
de propriedade intelectual, publicações eletrônicas, repositórios - um exemplo é o
desenvolvimento e apoio do programa de subsídios para coleções digitais em artes e ciências
através da parceria da CUL com o Google.
_ Serviços de comunicação científica: planejamento de negócios, desenvolvimento de
políticas e de avaliação e de suporte para arXiv, eCommons, Project Euclid 7e também
iniciativas de publicações eletrônicas.
6

Produto da Proquest que oferece recursos para gestão dos processos de aquisição para bibliotecas (http://www.proquest.com/productsservices/intota.html)
7
Um projeto sem fins lucrativos de parceria internacional voltado para bibliotecas acadêmicas, editores acadêmicos independentes,
sociedade e estudiosos da área matemática e estatística. Originalmente criado para ser uma plataforma para pequenos editores acadêmicos –
o objetivo era proporcionar uma solução viável e rentável de mudança dos periódicos em formato impresso para o formato eletrônico.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

_ Web design – interface e design gráfico levando em conta as necessidades do usuário, tais
como, usabilidade, acessibilidade, modelos CUL (marca);
Além disso, Cornell possui um repositório considerado “dark archives”, ou seja, um
repositório que armazena várias coleções mas que não permite acesso público. A finalidade de
repositórios com a característica “dark archives” é preservar e garantir o acesso as coleções
caso haja algum problema ou desastre. O CULAR – Cornelll University Library Archival
Repository Service tem essa finalidade. Os demais repositórios de Cornell: eCommons,
Scholarship@cornell law, DigitalCommons@ILR e arXiv.org possuem uma infraestrutura
separada do CULAR, seguem as mesmas diretrizes em termos de infra-estrutura tecnológica
mas atendem a propósitos diferentes, são de acesso público. Os conteúdos desses repositórios
ainda não estão preservados no CULAR.

4.2 Pontos de acesso a informação

Prover pontos de acesso a informação é tão, ou ainda, mais importante do que o
desenvolvimento de coleções e a própria aquisição de conteúdos, uma vez que se os pontos de
acesso não forem eficientes, muitas obras e recursos deixarão de ser utilizados por falta de
conhecimento da comunidade. Se considerarmos o aumento de obras e recursos eletrônicos
disponíveis atualmente, esses pontos de acesso se tornam ainda mais importantes do que já
foram no passado, quem não se lembra das diferentes entradas das fichas catalográficas nos
catálogos manuais das bibliotecas?
O trabalho realizado na CUL traz consigo essa preocupação, em 2015 a CUL contava
com uma equipe com 30 profissionais de Tecnologia da Informação/Computação. Além do
trabalho de preservação digital da informação, os serviços de Tecnologia da Informação
aplicados a CUL estão voltados principalmente para sistemas específicos de bibliotecas,
serviços de descoberta, programação web, desenvolvimento e integração de software,
arquitetura de repositórios e serviços. No que diz respeito ao acesso a informação e serviços,
esses profissionais atuam juntamente com bibliotecários para viabilizar pontos de acesso mais
eficientes. A escolha desses pontos de acesso leva em consideração as necessidades da
comunidade, que também é consultada no momento do desenvolvimento ou mesmo no teste
de algum serviço ou produto da CUL.
Alguns recursos de TI utilizados no âmbito da Cornell University Library seriam o
Drupal8, Blacklight9, Solr10 , Hydra11 ( a CUL é um parceiro no desenvolvimento do Hydra e
busca juntamente com outras instituições padronizar e simplificar repositórios digitais e
fluxos de trabalho), Google Analytics e Piwik12 e Bootstrap13. As ferramentas utilizadas para
coordenar projetos dessa área seriam: Jira14; Confluence15; Hipchat16 e o Webex17. Segundo
um dos diretores de TI de Cornell, essa abordagem de web design se ajusta automaticamente
em diferentes dispositivos móveis e diferentes tamanhos de tela. Atualmente o site
library.cornell.edu é criado em Drupal, mas se utilizarmos os recursos de pesquisa e clicar por
exemplo, em livros, estaremos acessando o catálogo em Blacklight. O catálogo Blacklight por
sua vez está integrado ao WordlCat, ao consórcio BorrowDirect e ao ILLiad (ILL) um serviço
8

Gerenciamento de conteúdos dos sites (https://www.drupal.org/)
Desenvolvimento de pesquisa de interface única para usuários (https://www.projectblacklight.org)
10
Utilizado de base para indexação e busca (https://www.lucene.apache.orgh.solr)
11
Desenvolvimento de repositórios (https://www.projecthydra.org)
12
Ferramenta para analisar dados de uso dos websites
13
É o quadro CSS principal que utilizam no Drupal, Blacklight e Hydra(https://www.getbootstrap.com)
14
Para acompanhamento de problemas (atlassian.com/software/jira)
15
Software wiki para criação de documentação de forma colaborativa (https://www.atlassian.com/software/confluence)
16
Para bate-papo que é integrado com o Jira (https://www.hipchat.com)
17
Para vídeo-conferência, muito utilizado especialmente pela colaboração com outras instituições(https://www.webex.com)
9

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de empréstimo entre bibliotecas para as bibliotecas conveniadas na OCLC (cooperativa de
bibliotecas global). Essa integração permite o empréstimo de livros em qualquer uma das
bibliotecas conveniadas ao BorrowDirect e ao ILLiad (ILL). Se buscarmos no mesmo site
library.cornell.edu algum assunto e clicarmos em artigos, esse resultado nos remeterá ao
resultado do sistema de descoberta Summon (mesmo utilizado na UNICAMP) e recuperará
somente artigos com texto completo. O conteúdo do catálogo da CUL não está indexado no
Summon, essa decisão teve como objetivo facilitar a visualização dos resultados para o
usuário e apresentar os resultados das pesquisas de modo mais estruturado e mais clean. Essa
ideia de estruturar os resultados por sua taxonomia foi baseada na ideia do “bento box”, um
tipo de “marmita” japonesa para uma pessoa com repartições para cada tipo de alimento. A
elaboração dessa taxonomia de resultados de buscas e organização dos websites da CUL é
resultado de um trabalho de cooperação que considera a Expertise dos analistas, dos
bibliotecários e as demandas da comunidade. Esse trabalho conjunto tem resultado em pontos
de acesso a informação mais eficientes que favorecem a descoberta e o acesso à informação e
aos novos recursos disponíveis na universidade.

4.3 Produção científica institucional x compartilhamento e cooperação
A Cornell University Library tem um papel importante na promoção, divulgação e
visibilidade do conhecimento criado da universidade. Além de dar suporte ao aprendizado,
ensino e pesquisa, as bibliotecas de Cornell também realizam serviços de divulgação e
comunicação científica. Dentro do escopo de divulgação e comunicação científica, destaco, a
manutenção dos repositórios para divulgação do conhecimento da comunidade de Cornell e o
trabalho de curadoria digital com projeto VIVO que busca reunir em um mesmo local todo o
potencial intelectual dos recursos humanos da universidade com vistas a potencializar o
compartilhamento do conhecimento e a cooperação entre os pares.
Atualmente Cornell conta com 3 repositórios:
_ DigitalCommons@ILR: mantido “P. Martin Catherwood Library” que reunepublicações da
“School of Industrial and Labor Relations”
_ Scholarship@cornell Law: mantido pela “Cornell Law Library” que armazena e
disponibiliza a produção científica da “Cornell Law School”
_ eCommons: mantido pela “Cornell University Library”, este é o repositório institucional
oficial da universidade e possui coleções e publicações de todas as unidades.
Os repositórios DigitalCommons@ILR e o Scholarship@cornell Law são iniciativas
das unidades de ensino “School of Industrial and Labor Relations” e “Cornell Law School”
respectivamente. Ambos utilizam o software proprietário Digital Commons
(http://digitalcommons.bepress.com/) para armazenar e disponibilizar conteúdo, há um custo
anual para esse serviço que é mantido pelas faculdades. A inserção de dados é feita pelas
bibliotecas, ambos organizam o conteúdo por coleções (assuntos). Não há uma política de
depósito das publicações no website em ambos os casos, mas há um FAQ no respositório da
Law School. A empresa Bepress18 é a proprietária do software Digital Commonse é
responsábel por todo o suporte dado as bibliotecas e também pela atualização tecnológica e
sistema de backupsdos repositórios.
O eCommons é o repositório institucional oficial da universidade que reune a
produção intelectual e artística de Cornell. O repositório utiliza o software livre Dspace19
18

A empresa Bepress mantêm um portal único que reúne todo o conteúdo dos repositórios mantidos no Digital
Commons, através desse portal é possível realizar uma busca integrada em todo conteúdo depositado no Digital
Commons. Na página inicial dos repositórios há um mapa mundi que acompanha em tempo real o momento e o
local dos downloads.
19
Software livre utilizado para criação de repositório de dados (http://www.dspace.org/)

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(mesmo utilizado no repositório da UNICAMP), todo o serviço de infra-estrutura tecnológica
para garantir a confiabilidade e segurança no armazenamento e o acesso das coleções ao
público é realizado pela equipe de TI da CUL. Os storages que armazenam os dados possuem
um espelho em Ithaca e outro na cidade New York, além disso, todos os dados são mantidos
em “cloud” - em nuvens. A inserção dos dados no repositório é feita pelos bibliotecários das
unidades. Há no website do repositório a política do eCommons que abrange informações
sobre as coleções, depósito, acesso, privacidade, suporte para preservação, entre outras
informações. Há também uma seção com informações sobre direitos e responsabilidades do
depositário e da CUL. Existe a opção de pesquisa “Browse” na qual é possível selecionar as
comunidades e coleções, ano, autor, título, assuntos e tipo de documentos. O repositório prevê
o depósito de vários tipos de materiais, tais como artigos, capítulos, livros, proceedings,
apresentações, vídeos e outros. O acesso é publico e não há solicitação de senha para baixar
os arquivos, apenas algumas coleções estão restritas e podem ser acessadas somente pelas
máquinas de Cornell. O repositório eCommons também contempla o depósito dos chamados
“datasets” – conjunto de dados referente ao projeto de pesquisa desenvolvido com recursos
públicos do Estado. Atualmente nos Estados Unidos um número crescente de agências de
fomento exige que os pesquisadores enviem junto com o projeto de pesquisa, um plano de
gestão dos dados de pesquisa. Esse plano de gestão de dados de pesquisa é um item
obrigatório dentro do projeto e prevê que ao final o pesquisador é obrigado a divulgar esses
dados em um repositório. A política do eCommons define que o pesquisador deve se
responsabilizar pelos dados e pedir a autorização de outros pesquisadores envolvidos na
pesquisa antes de divulgar o conjunto de dados para acesso público no repositório. Diante da
necessidade de divulgação do conjunto de dados de pesquisa nos repositórios, as bibliotecas
de Cornell atuam no sentido de dar o suporte aos pesquisadores na elaboração do plano de
gestão dos dados e também na organização desses dados para divulgação no repositório. Essa
disponibilização dos conjuntos de dados de pesquisa ainda é algo em desenvolvimento e está
relacionado com a busca da chamada Open Science – Ciência Aberta. Por ser uma prática
recente inclusive nos Estados Unidos há ainda lacunas no que diz respeito ao plano de gestão
de dados que o pesquisador deve submeter as agências. De acordo com a opinião de alguns
bibliotecários há ainda muitos pontos e diretrizes que necessitam ser mais bem definidos pelas
agências para que os pesquisadores não tenham tantas dúvidas ao criar esse plano de gestão
de dados.
Seguindo ainda essa linha de divulgação e comunicação científica em que a CUL está
atuando, tem-se a Rede Vivo, este seria também um exemplo de um trabalho de Curadoria da
Informação (Data Curation) na Universidade de Cornell. Vivo é uma plataforma de web
semântica de código aberto que permite a descoberta de informações sobre pessoas,
departamentos, cursos, bolsas de estudo e publicações. Essa possibilidade de descoberta
pretende dar subsídios para a colaboração entre pesquisadores em todas as áreas do
conhecimento. O objetivo é reunir em um único local, informações sobre “Research and
Expertise”, ou seja, é possível localizar nessa plataforma pessoas que trabalham e são
especialistas em determinadas áreas e linhas de pesquisa. A plataforma foi criada pela
Universidade de Cornell e, em 2009 a Universidade da Florida recebeu um prêmio para
expandir a plataforma, permitindo, assim, a pesquisa e descoberta entre instituições. Hoje,
instituições dos Estados Unidos e do exterior passaram a adotar o Vivo. A plataforma fornece
análise e visualização de ferramentas de rede para maximizar o uso dos dados inseridos em
Vivo. Essas ferramentas permitem a visualização de dados sobre o indivíduo, sobre a
instituição e também níveis globais de cooperação. A Universidade de Cornell assinou por
dois anos o Symplemetic20, uma ferramenta desenvolvida por uma empresa londrina que
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Base de dados que permite importar metadados, automatizando a captura e reduzindo a entrada manual de
dados em sistemas de informação de universidades e instituições de pesquisa (http://symplectic.co.uk/)

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permite importar metadados, automatizando a captura e reduzindo a entrada manual de dados
em sistemas de informação de universidades e instituições de pesquisa. Com essa assinatura,
toda a comunidade de Cornell teve acesso ao Symplemetic, permitindo assim, que a
plataforma Vivo fosse alimentada de forma automatizada. Atualmente existem muitas
ferramentas na Web para “Research Networking (RN)” - Redes de Pesquisadores. O objetivo
dessas redes é essencialmente facilitar o desenvolvimento de novas colaborações, um
exemplo disso no Brasil é a plataforma Lattes. Voltando ao caso de Cornell, fica claro que
embora a plataforma Vivo tenha sua importância, a universidade, por meio dos profissionais
da CUL atuam e cooperam no projeto ORCID. A Cornell é uma instituição filiada da ORCID,
assim como a UNESP, única instituição brasileira filiada até o momento. O ORCID é uma
iniciativa internacional aberta que envolve universidades, editores, agências de fomento e
outras instituições. O objetivo é criar um identificador único e permanente para o pesquisador.
Esse identificador busca a uniformidade sistêmica nos perfis de autores e instituições de modo
a permitir a conectividade de atividades e resultados de pesquisas. Como se vê, bibliotecários
e analistas trabalham num nível local, mas atuam e cooperam para uma solução global de
identificação de autores e instituições.

4.4 Bibliotecas: espaços de aprendizado e convivência
Pode-se dizer que as bibliotecas em Cornell são o centro da vida universitária. A
Cornell University Library possui 15 bibliotecas e um Anexo – Library Anex. A CUL conta
com um acervo de oito milhões de exemplares e presta diversos serviços a comunidade. A
maioria dos serviços já foi citada nesse relatório. A universidade possui prédios grandiosos e
as bibliotecas possuem espaços bem estruturados e equipados. Além da infra-estrutura dos
prédios, as calçadas e o entorno dos prédios em toda a universidade são acessíveis a qualquer
pessoa, inclusive aquelas com limitações de mobilidade. Nos pontos mais movimentados, há
semáforos com som para atender a necessidade de pessoas com deficiência visual - mesmo
nos ônibus da Universidade, há o anúncio sonoro da parada para que possam se orientar. O
ônibus que atende a universidade possui suporte para bicicletas, de modo que é possível
transportar a bicicleta até a universidade se o percurso for muito longo para ir “pedalando”.
Além dos altos investimentos para manutenção do acervo impresso e eletrônico, as bibliotecas
oferecem infraestrutura para uso de equipamentos eletrônicos tais como celulares e notebooks.
Todas as mesas de estudo ou mesas de centro possuem tomadas que muitas vezes estão
acopladas aos abajures. Algumas bibliotecas realizam o empréstimo de notebooks e todas
possuem computadores para consulta. A maioria das bibliotecas possuem salas com
computadores para uso da comunidade que são utilizadas para oficinas e workshops
oferecidos pela biblioteca ou por professores da faculdade. Além disso, existem espaços com
televisão e infraestrutura para vídeo conferência, rede sem fio para todos, inclusive visitantes.
Os espaços das bibliotecas são muito utilizados e procurados por toda a comunidade.
Com ambientes confortáveis e temperatura adequada, mesmo no inverno quando a
temperatura é abaixo de zero – os ambientes são aquecidos. Os jardins são muito bem
cuidados, as bibliotecas utilizam muito a iluminação externa e a vista para os jardins dentro
das bibliotecas é simplesmente maravilhosa. Diante do aumento do uso de fontes eletrônicas e
o baixo índice de empréstimo e consulta de materiais – principalmente das coleções de
periódicos, muitas bibliotecas estão optando em enviar os materiais para o Library Anex e
transformar os ambientes das bibliotecas em espaços de convivência e aprendizado. O Library
Anex armazena coleções que possuem um índice baixo de circulação de empréstimo, o espaço
foi construído em 1978 e já houve duas ampliações, uma em 1997 e outra em 2004. É um
grande galpão que além de preservar as coleções também oferece proteção e segurança
adequada para todo o material da universidade. O valor histórico de toda a coleção é

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imensurável. Apesar de ser um galpão, o prédio possui uma infraestrutura adequada de
temperatura e controle de sujividade do acervo, já que conta com um sistema de filtro. Além
disso, o Library Anex fornece documentos eletrônicos e realiza empréstimo quando os
materiais são solicitados (o material pode ser retirado no local ou enviado para a biblioteca em
que o usuário esteja ligado). O anexo conta com uma sala de leitura local, equipado com
acesso a rede sem fio, terminais de consulta, copiadora, impressora e leitores de microfichas e
microfilmes.
Em Cornell os ambientes de estudo, de aprendizado, de compartilhamento do
conhecimento, de cooperação e convivência são muito valorizados. A universidade investe
nesses ambientes, comparar as bibliotecas de Cornell com a maioria das bibliotecas do Brasil
é simplesmente ter um choque de realidade, uma vez que, seria muito difícil falar em
infraestrutura adequada para muitas delas já que até o básico já está sendo difícil de obter nas
bibliotecas brasileiras. Precisamos nos debruçar nesses problemas e superá-los o quanto antes
se buscamos realmente contribuir com o desenvolvimento sustentável da nossa sociedade.

5 Considerações finais
Temos muito a avançar no Brasil, nossa estrutura é engessada, burocrática e muito
pouco eficiente. É um atraso que impacta o desenvolvimento do ensino e da pesquisa no país.
Somente para citar algo básico, nossos processos para aquisição de livros e assinaturas de
periódicos são morosos. Os cortes de recursos para infraestrutura e recursos humanos são uma
realidade para a maioria das universidades públicas do país. Enquanto isso, universidades
como Cornell compram um livro logo após o pedido e os seus alunos e professores os têm em
mãos em uma semana. Talvez tenhamos que avançar mais 100 anos de desenvolvimento para
ter uma estrutura como a de Cornell que completou 150 anos em 2015.
Por outro lado, temos iniciativas importantes no Brasil, o Portal Capes foi considerada
a mais bem sucedida delas já que atende instituições de ensino e pesquisa de todo o Brasil.
Em Cornell e nas universidades dos Estados Unidos, há um esforço no sentido de fomentar a
cooperação e o compartilhamento de boas práticas, experiências e o fortalecimento ou criação
de comunidades de prática. No Brasil tendemos a realizar o trabalho isoladamente, não temos
o hábito de compartilhar e criar ações conjuntas entre instituições para superar problemas
comuns.
A troca de experiências entre profissionais de instituições com realidades tão
diferentes mostrou que há muitos problemas comuns a superar do que poderia se imaginar
num primeiro momento. Sendo assim, uma ação com benefícios para ambas as instituições.
De um lado, os profissionais de Cornell passaram a ter uma visão mais aprofundada da
própria CUL na medida em que se preparavam para me receber e organizaram o itinerário e as
atividades do que faria lá. Esse trabalho de selecionar profissionais que pudessem
compartilhar as melhores práticas foi um processo de autoconhecimento desses profissionais
da CUL, que passaram a conhecer melhor o que outros colegas realizavam e também uma
oportunidade deles terem uma visão de alguém de fora. Esse intercâmbio de conhecimentos,
de cultura e experiências contribuiu de maneira muito mais profunda do que se esperava
também para os profissionais da CUL, ao passo que existiram muitos momentos de reflexões
compartilhadas acerca de problemas comuns. De modo que a colaboração internacional se
mostrou o caminho mais curto para busca de soluções de problemas que são globais.
No Brasil, muito trabalho nos espera e precisamos começar logo. Não há tempo a
perder. Nossa sociedade carece de melhorias em várias áreas e as nossas universidades
precisam continuar a formar pessoas capazes de superar e mudar a realidade que nos cerca.

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Nesse sentido, as bibliotecas, todas elas, escolares, públicas, universitárias tem muito a fazer e
muito a transformar. Finalizamos aqui essas reflexões com um trecho de Lankes (2015):
“Temos bibliotecas para que nossas comunidades possam aprender. Para que nossas comunidades
possam melhorar, para que nossas comunidades possam construir coisas novas” 21

6 Referências
Adams, J.; Gurney, K. A. The implications of international research collaboration for UK
Universities. London: Digital Science, 2016. Digital Research Reports. Disponível em: &lt;
file:///C:/Users/User/Downloads/Digital_Research_Report_Collaboration.pdf &gt;. Acesso em:
3 maio 2016.
CORNELL UNIVERSITY. Disponível em: &lt; https://www.cornell.edu/ &gt;. Acesso em: 14
maio 2015.
Lankes, R. D. Vamos pensar juntos uma nova Biblioteconomia? Expect more. [palestra] In :
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 26., 2015,
São Paulo. Anais... São Paulo, 2015. Disponível em: &lt;
https://www.youtube.com/watch?v=UdjodFWOPUU &gt;. Acesso em: 2 maio 2016.
SOLLA, L. 2010: A Space Odyssey. Kaleidoscope, Dec. 2010. Disponível em:
&lt;https://www.library.cornell.edu/staffweb/kaleidoscope/volume19/december2010.html&gt;
Acesso em: 3 maio 2016
VAN NOORDEN, R. The arXiv preprint server hits 1 million articles. Nature, 30 Dec. 2014.
Disponível
em:
&lt;http://www.nature.com/news/the-arxiv-preprint-server-hits-1-millionarticles-1.16643&gt; . Acesso em: 3 maio 2016.

21

Fala de Lankes durante a palestra ao Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação em 2015.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O propósito desse artigo é descrever as principais impressões e reflexões decorrentes do estágio realizado na Cornell University Library - CUL através do programa de Mobilidade de Funcionários Técnicos Administrativos da Universidade Estadual de Campinas (Edital VRERI 051/2015). Para tanto apresento uma breve introdução, a dinâmica de trabalho, os mecanismos adotados pela CUL para garantir o acesso a informação e também o suporte dado pelas equipes das bibliotecas para atingir esse objetivo. Iniciativas da CUL na área de preservação da informação também são citadas, assim como, o trabalho desenvolvido no que se refere aos pontos de acesso a informação. A Cornell University Library tem um papel importante na promoção, divulgação e visibilidade do conhecimento criado na universidade, para tanto apresento o trabalho realizado com repositórios da produção científica e também de curadoria digital com vistas a potencializar a cooperação interna e externa dos seus recursos humanos. Apresento também a atuação da CUL no sentido de garantir a sua comunidade, bibliotecas com espaços e estruturas que favoreçam o aprendizado e a convivência. Ao final faço algumas considerações e recomendações que me parecem viáveis e aplicáveis à nossa realidade.</text>
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                    <text>ESTUDO DOS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE REFERÊNCIA DA
BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
TRIÂNGULO MINEIRO

Alejandro de Campos Pinheiro (UFTM) - alejandrocampos29@gmail.com
Resumo:
Pretende-se por meio desta pesquisa, identificar o perfil dos usuários reais dos serviços de
referência da biblioteca central da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, conhecer quais
são as demandas pelos serviços ofertados e se o serviço de referência atende as suas
expectativas no aspecto de direcionamento para a informação desejada. Utilizou-se da técnica
da observação como metodologia para avaliar o comportamento do usuário perante a
realização dos serviços oferecidos pelo setor de referência como a orientação ao uso das bases
de dados e o levantamento bibliográfico. Para identificar os usuários que utilizam os serviços
de referência de forma presencial, consultou-se uma lista de presença, no qual o usuário após
ser atendido, o preenche com os seguintes dados: nome, assinatura, e-mail, curso e período e
o tipo de serviço solicitado. Assim, por meio desse “livro de registro” é possível analisar
quantitativamente e identificar superficialmente o perfil dos usuários que utilizam os serviços
de referência presencial. Os resultados mostraram que os usuários reais do serviço de
referência são predominantes do sexo feminino, os graduandos da área da saúde são os que
mais o utilizam e que alguns serviços devem ser repensados de modo a se adequar a
necessidade e realidade do usuário. Concluiu-se ainda que, os bibliotecários do Setor de
Referência são profissionais que contribuem para a mediação entre a informação e o usuário.
Palavras-chave: Serviços de informação – Estudo de usuários. Bibliotecas universitárias –
Estudo de usuários. Biblioteca – Serviço de referência. Universidade Federal
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos nas diversas áreas do conhecimento têm contribuído para que
a humanidade fosse contemplada em satisfazer as suas necessidades, seja em âmbito pessoal
ou profissional. Aparelhos eletrônicos como tablets, smartphones associado aos softwares
aplicativos proporcionaram comodidade e facilidade aos indivíduos em diversos aspectos,
como a realização de transações bancárias, deslocamento em vias urbanas por meio de mapas
digitais, entretenimento, entre outros.
Essas tecnologias influenciaram para a mudança de comportamentos e hábitos das
pessoas, intensificaram o uso e acesso a Internet, as redes sociais e fizeram refletir que, as
instituições, empresas e organizações devem se adaptar a essa atual conjuntura, muitas vezes
exigida inclusive pelo próprio consumidor.
O fluxo informacional gerado e disseminado pelas tecnologias de informação e
comunicação (TIC’s) tem produzido muita informação, inclusive aquelas com caráter
duvidoso, sem confiabilidade e fidedignidade. Essa incerteza tem provocado dúvidas ao
indivíduo, em relação aos critérios das fontes de informação, quais realmente apresentam
idoneidade suficiente para servir como base de informação confiável e crível?
Visto esse novo boom de informação no século XXI, os bibliotecários são os
profissionais da informação com o conhecimento apropriado para orientar, selecionar,
disseminar informações confiáveis àquele indivíduo caracterizado como a razão de ser de uma
biblioteca: o usuário.
Os usuários possuem anseios, habilidades, demandas informacionais comuns ou
peculiares que precisam ser investigadas. Dessa forma, o bibliotecário precisa identificar se a
biblioteca está cumprindo com a sua finalidade ao atender as necessidades do consulente seja
nos aspectos de organização, preservação, acesso, orientação, normalização e disseminação da
informação/acervo.
A biblioteca central da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) oferta
diversos serviços aos seus usuários, desde empréstimo de livros a orientação à normalização
bibliográfica de trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses. Alguns dos serviços são
ofertados e caracterizados como serviço de referência que segundo Anjos et al (2002, p. 90)
significa
servir e auxiliar os usuários quando da recuperação da informação, buscando
identificar e suprir as necessidades informacionais dos mesmos. Assim sendo, o
serviço de referência constitui-se em uma atividade da biblioteca na qual a demanda
de pesquisa e consulta ocorre com mais frequência.

O serviço de referência pode ser considerado o primeiro contato que o usuário
estabelece com o bibliotecário, seja com a finalidade em esclarecer uma dúvida, elaborar uma
pergunta ou solicitar a realização de um atendimento mais específico e individual. É neste
momento, que se inicia o processo de referência, que segundo Jahoda (1989) apud GROGAN,
(1995, p. 50) “abrange a totalidade de passos dados pelo bibliotecário de referência ao
responder as questões que lhe são apresentadas”.
Embora seja notória a contribuição da tecnologia para facilitar o acesso à informação,
ainda percebe-se que, muitos usuários possuem dificuldades em consultar bases de dados
eletrônicas, efetuar estratégias de buscas para a realização de levantamento bibliográfico,
adequar trabalhos acadêmicos de acordo com as normas técnicas entre outros.
[...] a rápida atualização da tecnologia ainda é uma realidade distante de muitas
pessoas, uma vez que existem disparidades socioeconômicas, impedindo que
diversas camadas da população possuam condições para a aquisição dos aparelhos

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
eletrônicos, sejam eles antigos ou de última geração, ampliando assim, a
desigualdade social e a exclusão digital no mundo contemporâneo (PINHEIRO,
2014, p. 159).

Assim, pretende-se por meio desta pesquisa, identificar o perfil dos usuários reais dos
serviços de referência da biblioteca central da Universidade Federal do Triângulo Mineiro,
conhecer quais são as demandas pelos serviços ofertados e se o serviço de referência atende as
suas expectativas no aspecto de direcionamento para a informação desejada.
1.1 Histórico e descrição da Biblioteca Central da Universidade Federal do Triângulo
Mineiro
A história da biblioteca ocorre concomitante com o surgimento da Faculdade de
Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM), por meio do decreto n. 35.249, de 24 de março de
1954. O primeiro espaço ocupado foi em uma sala localizada na antiga sede da FMTM e
posteriormente transferiu-se para o Campus I. Visto a expansão da instituição, construiu-se
uma sede própria para a biblioteca em 1981, ocupando então uma área de 1.372 m2 e em
homenagem ao frade capuchinho Frei Eugênio Maria de Gênova, passou a ser denominada
Biblioteca Frei Eugênio.
Desde o período da sua inauguração até o ano de 1988, o curso de Medicina era a
única graduação ofertada pela FMTM. Já no ano de 2005, a instituição contava com as
graduações em Enfermagem, Terapia Ocupacional e Biomedicina; com a pós-graduação em
Patologia e Medicina Tropical e Infectologia, além de uma escola técnica de 2ª grau em saúde.
Neste ano, a FMTM foi transformada em Universidade, passando a se chamar Universidade
Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) de acordo com a Lei nº 11.152, de 29 de julho de 2005
(ALMEIDA; SILVA, 2013).
Em 2009, a biblioteca passou por um processo de ampliação e modernização de sua
infraestrutura e espaço físico passando a ocupar uma área de 2.408 m2, no qual se encontra
dividida em cinco pavimentos: no subsolo encontram-se disponíveis aos usuários: terminais
de informática, salas de estudos colaborativos e está localizada a sala no qual há a inclusão de
teses e dissertações na biblioteca digital; no primeiro piso está a recepção, onde ocorre o
empréstimo de chaves para a guarda de materiais e devolução de livros, a reprografia e o
Setor de Referência; no segundo piso localiza-se a sala da diretoria, sala de aquisição e
processamento técnico do acervo; no terceiro piso está localizado o acervo de livros para
empréstimo e devolução, terminais de informática com acesso à Internet e ambiente para
estudo individual; no quarto piso encontra-se o setor de periódicos e salas de estudo em
grupo.
A biblioteca Central funciona de segunda a sexta feira de 7h30min às 22h15min e aos
sábados das 7h30min as 13h55min, atende os alunos de graduação, especialização, mestrado,
doutorado, comunidade externa e os colaboradores da instituição. O seu acervo é constituído
por 63.307 mil exemplares entre livros, teses, monografias e dissertações e possui ainda
assinaturas de 984 títulos de periódicos, além do acesso a revistas eletrônicas e bases de dados
nacionais e internacionais. A biblioteca disponibiliza aos usuários pontos de acesso à Internet
por meio dos terminais de informática e via wi-fi, orientação a pesquisas, normalização de
trabalhos e espaço para a realização de estudos e leitura.
A gestão da unidade é realizada pela diretora da biblioteca que conta ainda com uma
bibliotecária em cada setor: processamento técnico, a aquisição do acervo, setor de periódico
e uma na biblioteca digital de teses e dissertações. No setor de Referência, dois bibliotecários
são os responsáveis para que o seu funcionamento seja de forma integral, ininterrupto, a fim
de atender as necessidades dos usuários que utilizam o espaço nos três turnos.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

2 REVISÃO DE LITERATURA
O referencial teórico para o presente trabalho foi contextualizado a partir das
subdivisões propostas: estudo de usuários e serviço de referência. Entende-se que, a
biblioteca, como organismo em constante crescimento necessita se adaptar e acompanhar as
tecnologias sem se abster das fontes tradicionais, desde que as mesmas contemplem e
satisfaçam as necessidades informacionais dos indivíduos que a utilizam: o usuário. Para isso,
evidencia-se a importância de conhecer o perfil desse usuário com o intuito de verificar se a
biblioteca está cumprindo com a sua missão institucional.
Além dos tradicionais serviços ofertados pelas bibliotecas, o serviço de referência vem
crescendo e tornando também um canal informal de comunicação, que permite ao usuário,
além de utilizar os serviços de levantamento bibliográfico, orientação a pesquisa, relatar de
forma a vontade as suas dúvidas, seus anseios e identificar se a biblioteca atende as suas
expectativas.
2.1 Estudo de usuários
Estudo de usuários são investigações com o objetivo de conhecer melhor o perfil do
consulente, identificar as suas necessidades de informações, avaliar se os produtos e serviços
ofertados pela biblioteca atendem a finalidade determinada e analisar o comportamento do
usuário no processo de busca e uso da informação.
O estudo de usuários contribui para um estreitamento de relações entre a biblioteca e a
comunidade, uma vez que permite conhecer melhor os usuários reais e potenciais, além de ser
uma forma de comunicação entre os mesmos, de modo que o bibliotecário possa compreender
a dimensão da utilização dos produtos e serviços ofertados pela biblioteca e suas possíveis
demandas. Esse instrumento é essencial para auxiliar na gestão da biblioteca, pois permite que
os recursos necessários sejam direcionados adequadamente.
Segundo Dias e Pires (2004, p. 13) esses estudos têm como objetivos:
explicar um fenômeno observado de uso ou necessidade expressa de informação;
compreender o comportamento dos usuários quanto ao uso da informação;
controlar o fenômeno e aperfeiçoar o uso da informação oferecendo condições
essenciais;
identificar as relações causais entre o uso da informação e outros aspectos
associados;
melhorar o serviço de informação como subsídio ao planejamento e à definição de
produtos e serviços, escolhendo o tipo de serviço de informação que melhor se
adequa às diferentes circunstâncias;
analisar as motivações e as atitudes, isto é, os valores, os desejos de informação
expressos e não-expressos e a imagem dos serviços de informação e dos
especialistas.

Ainda conforme as autoras supracitadas, a realização de estudo de usuários pode
ocorrer por diversos fatores, nos quais se destacam:
o usuário deve ser visto como a razão fundamental dos serviços de informação;
subsidiar o processo de planejamento e avaliação de sistemas de informação e a
elaboração de relatórios e projetos;
verificar a satisfação das necessidades dos usuários por parte do serviço de
informação;
conhecer a natureza e o conteúdo da informação necessitada (variável e complexa;
diferem na essência bem como na forma) para planejar adequadamente o
desenvolvimento de coleções e o compartilhamento de recursos informacionais;

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
dimensionar a demanda futura para diminuir o nível de incerteza bibliográfica no
momento da seleção do material. (DIAS; PIRES, 2004, p. 13-14)

A realização de estudo de usuários precisa ser uma das ações a serem priorizadas nas
bibliotecas, pois por meio dele será possível reunir informações relevantes que possam
influenciar em futuras tomadas de decisões em relação aos produtos e serviços ofertados ou
aqueles que serão desenvolvidos. É por meio do estudo de usuários que é possível identificar
um dos critérios importantes para avaliar a eficácia e a qualidade do serviço prestado pela
biblioteca: a satisfação.
O conhecimento do usuário é indispensável tanto para planejar novos serviços de
informação como aprimorar os serviços já existentes, uma vez que todos os serviços
de uma unidade de informação são voltados para os usuários. É por meio dos
estudos de usuários que será possível identificar quem usa o serviço (usuários reais)
e quem não usa (usuários potenciais) [...].( DIAS; PIRES, 2004, p. 30)

Em virtude da aproximação inerente que ocorre entre o bibliotecário do Setor de
Referência e o usuário, durante a realização de algum serviço, a presente pesquisa pretende
verificar se o estudo de usuário a ser realizado nesse ambiente possibilitará compreender
melhor os anseios, desejos e demandas do consulente e identificar quais são suas expectativas
em relação ao serviço de referência.
2.2 Serviço de referência
Originado ao final do século XIX, nas bibliotecas públicas norte-americanas, o serviço
de referência, inicialmente, era relacionado às obras da biblioteca que não poderiam ser
emprestadas. O bibliotecário colocava essas obras a disposição do público em local específico
para a realização de consulta. Com o decorrer dos anos, essa perspectiva de ligação com o
acervo modificou e o serviço de referência recebeu novas atribuições. Tornou-se híbrido, ao
aliar o serviço tradicional com as tecnologias de comunicação e informação e interpessoal, ao
compreender a importância de personalizar o atendimento ao seu usuário.
Pasquarelli (1996, p. 38) apud Alves e Vidoti (2006, p. [2]) ressalta que “as atividades
desenvolvidas pelo Serviço de Referência foram sendo alteradas e incrementadas em virtude
do aparecimento de novas tecnologias”.
[...] como uma alternativa aos meios e necessidades atuais surge o SRID [Serviço de
Referência e Informação Digital], realizado por bibliotecas digitais, disponibilizado
via World Wide Web e que possibilita consulta a um profissional da informação com
respostas mais elaboradas aos questionamentos do público potencial (ALVES;
VIDOTI, 2006, p. [2]).

Segundo Grogan (1995) o serviço de referência envolve uma relação pessoal face a
face que o torna o mais humano dos serviços da biblioteca e muitas vezes considerado o
primeiro contato de fato com o bibliotecário. Tradicionalmente incumbido em desempenhar
funções mais específicas da área como o processamento técnico, aquisição do acervo, o
serviço de referência necessita de que o profissional da informação responsável por essa
atribuição fuja do estereótipo característico arraigado pela sociedade.
o profissional da informação deve possuir além de habilidades específicas,
qualidades interpessoais (paciência, humildade, simpatia, criatividade, confiança,
entre outras) que deixem o usuário à vontade para expor as suas dúvidas e
questionamentos. Cabe ao bibliotecário ter a percepção de que os usuários possuem

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
características particulares e são diferentes na forma de se expressar e se comunicar
(PINHEIRO, 2015, p. [1]).

Em virtude das facilidades propiciadas pelo computador e o seu acesso à internet, o
bibliotecário de referência começou a realizar novas atribuições, como a de educador no uso
de recursos informacionais on-line. Dessa forma, destaca-se o desenvolvimento de
treinamentos, cursos e palestras sobre os novos recursos aos estudantes universitários
(PINTRO; INOMATA; RADOS, 2014, p. 147).
No ambiente acadêmico, os cursos de capacitação de usuários tomaram proporções
significativas, uma vez que os usuários precisam estar aptos para a realização de busca e
recuperação da informação/documento visto a grande quantidade de fontes informacionais
disponibilizadas no formato impresso e digital. Dessa forma, de acordo com Dias et al (2004)
apud (PINTRO; INOMATA; RADOS, 2014, p. 147) “o bibliotecário assume função
primordial em seu papel educativo, o que exige que também esteja capacitado e apresente
competências para executar as atividades com qualidade”.
O serviço de referência da biblioteca central da UFTM possibilita que o usuário
esclareça suas dúvidas, expresse sua demanda, solicite informações ao bibliotecário pelo
telefone, e-mail ou pessoalmente com a finalidade de auxiliá-lo e orientá-lo na busca pela
informação pertinente. Além disso, promove os seguintes serviços a sua comunidade:
visitação técnica, orientação à pesquisa, auxílio na normalização de trabalhos acadêmicos,
treinamento para uso em bases de dados, comutação bibliográfica, catalogação na fonte e
levantamento bibliográfico.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A diversidade de métodos de coleta de informação existentes permite com que o
pesquisador selecione aquele mais pertinente ou que se melhor adéqua ao seu objeto de
pesquisa. Em determinadas situações, nem sempre se utiliza apenas de um instrumento de
coleta de dados, pois as informações nele reunidas podem não ser o suficiente para responder
a pergunta inicial. Na Biblioteconomia, o questionário, entrevista, grupo focal e a técnica de
Delphos são alguns exemplos dos mais tradicionais instrumentos utilizados para compilação e
análise dos dados. Outro método que é comumente utilizado por médicos, psicólogo e
publicitário, mas que também se aplicam ao ambiente das bibliotecas é a técnica da
observação.
A observação é a ação de observar, de olhar detidamente. É a técnica por meio da
qual o pesquisador capta a realidade observada. [...] É considerada fundamental na
pesquisa qualitativa, podendo ser utilizada para coletar vários tipos de dados
comportamentais ou interacionais. Exige bastante preparo do observador, que o
mesmo estará atento a condutas humanas, captadas através dos sentidos auditivo e
visual. Naturalmente, podem ocorrer distorções, ou mesmo concentração em algum
aspecto nem sempre o mais relevante (CUNHA; AMARAL; DANTAS, 2015, p.
289).

A técnica da observação possui diversas modalidades, tais como: observação
espontânea não estruturada; observação participante não sistemática e observação sistemática
ou estruturada. Entende-se por observação espontânea não estruturada “é aquela em que são
extraídas conclusões, utilizando o mínimo de controle na obtenção dos dados observados”
(CUNHA; AMARAL; DANTAS, 2015, p. 289). Além disso, esse método:
[...] a) é "útil para o fornecimento de ideias iniciais e opiniões, que podem
levar a uma hipótese mais explícita";

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
b) permite o registro de acontecimentos simultaneamente com sua ocorrência
espontânea;
c) permite o registro de situações típicas;
[...](CUNHA, 1982, p. 13)

Como as orientações a pesquisa ocorre junto com o bibliotecário de uma maneira
informal, a técnica da observação é a mais apropriada para avaliar o comportamento do
usuário perante a realização dos serviços oferecidos pelo setor de referência como a
orientação ao uso das bases de dados e o levantamento bibliográfico.
Os serviços realizados pelo setor de Referência da biblioteca da UFTM são
previamente agendados, por e-mail, telefone ou pessoalmente, os quais são destinados
1h30min para a sua realização. O atendimento ao usuário pode ser presencial ou online,
individualizado, em dupla ou em grupo de acordo com a sua necessidade.
Neste estudo foram analisados apenas os usuários que utilizam o serviço de referência
na forma presencial, que segundo Accart (2012, p. 13)
A expressão ‘serviço de referência presencial’ designa um lugar físico, um espaço
onde as pessoas são recebidas e onde lhes são fornecidas informações, seja este
espaço na biblioteca, no serviço de documentação ou no arquivo, em lugar de ou
junto com um serviço a distância.

Para identificar os usuários que utilizam os serviços de referência de forma presencial,
o Setor de Referência possui uma lista de presença, no qual o usuário após ser atendido, o
preenche com os seguintes dados: nome, assinatura, e-mail, curso e período e o tipo de
serviço solicitado. Assim, por meio desse “livro de registro” é possível analisar
quantitativamente e identificar superficialmente o perfil dos usuários que utilizam os serviços
de referência presencial. O período utilizado para a presente análise foi de fevereiro de 2015 a
fevereiro de 2016, uma vez que foi designado um novo bibliotecário de referência para o
noturno a fim de desempenhar essa função.
A técnica da observação foi utilizada com os usuários que utilizam o serviço de
referência presencial, de forma a respaldar os dados coletados, já que o profissional
responsável por realizar tal metodologia é o bibliotecário da instituição, que manteve postura
ética adequada durante a coleta e análise dos dados. Dessa forma, constata-se que os dados
compilados são verossímeis e apresentam a fidedignidade para serem analisados.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Por meio da compilação dos dados obtidos na lista de presença, do Setor de
Referência, elaboraram-se tabelas de forma a facilitar a análise dos dados e avaliar as suas
relações com os serviços prestados por este setor.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

TABELA 1 – Usuários da graduação
Graduação

NB1
1
2
5
4
9
2

Geografia
Medicina
Psicologia
Enfermagem
Fisioterapia
Nutrição
Terapia
Ocupacional
Educação Física
7
Biomedicina
Serviço Social
26
Engenharia
Química
Letras
2
Total
58
Fonte: Elaborado pelo autor, 2016.

Serviços de Referência
LB
OP
20
76
27
23
37
42
23
61
24
1
12
11

VO
40
27
-

Sexo
M F
1
42 54
3
49
20 30
21 94
1
33
1
24

Usuários
atendidos
1
96
52
84
115
34
25

1
5
3
2

1
5
-

-

4
1
-

5
9
29
2

9
10
29
2

154

220

6
73

4
67

4
367

8
505

A ascensão feminina no meio acadêmico já é um crescente nos últimos anos e
conforme corroborado pelo Portal Brasil (2016), as mulheres já são maioria nas universidades
e em cursos de qualificação. De acordo com os dados apresentados pela TABELA 1, o
número de usuários dos serviços de referência acompanha a estimativa nacional, no qual há a
prevalência de estudantes de graduação do sexo feminino.
Os cursos que utilizam mais esses serviços são Fisioterapia, Medicina e Enfermagem,
respectivamente, enquanto as graduações nas áreas de Humanas ou Engenharias apresentaram
pouco ou nenhum usuário que utilizassem tal serviço.
TABELA 2 – Usuários do mestrado
Mestrado

N.B.
6
1
1

Não identificado
Educação Física
Educação
Atenção a Saúde
Inovação
2
Tecnológica
Total
10
Fonte: Elaborado pelo autor, 2016.

Serviços de Referência
L.B
O.P.
22
10
1
3
13
1
-

V.O.
40
-

Sexo
M F
8 30
1
1
12 44
2

Usuários
atendidos
38
2
56
2

-

-

-

1

1

2

26

24

40

23

78

101

Em consonância com a missão institucional de “atuar na geração, difusão, promoção
de conhecimentos e na formação de profissionais conscientes e comprometidos com o
desenvolvimento socioeconômico, cultural e tecnológico, proporcionando a melhoria da
qualidade de vida da população”, o setor de referência da biblioteca da UFTM atende os
usuários dos cursos de mestrado e doutorado em diversas áreas do conhecimento.
De acordo com a TABELA 2 e confirmado pela TABELA 1, a maioria dos usuários
dos serviços de referência do mestrado são do sexo feminino, com a predominância do
Mestrado em Educação. Por ser um curso criado mais recentemente e pelo fato dos
1

NOTA: Nas tabelas, os serviços são identificados pelas siglas NB (Normalização Bibliográfica); LB
(Levantamento Bibliográfico); OP (Orientação a Pesquisa) e VO (Visita Orientada).

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

professores que ministram disciplinas nesse curso terem solicitados a visitação orientada
previamente, acredita-se que justifica o significativo número dos usuários que procuram os
serviços de referência. A visita orientada “consiste na apresentação da biblioteca para as
turmas iniciantes, assim como dos recursos/serviços que ela oferece” (UNIVERSIDADE
FEDERAL DO TRIANGULO MINEIRO, 20--).
TABELA 3 – Usuários do doutorado
Doutorado

N.B.
Não identificado
Medicina
Total
Fonte: Elaborado pelo autor, 2016.

Serviços de Referência
L.B
O.P.
5
1
1
6
1

V.O.
-

Sexo
M F
6
1
7

Usuários
atendidos
6
1
7

De acordo com a TABELA 3, os usuários do doutorado que utilizam os serviços de
referência são do sexo feminino, porém, a demanda é ínfima em relação aos consulentes dos
outros níveis de escolaridade o que sugere as seguintes indagações: Desconhecem os serviços
ofertados? Não necessitam dos serviços? Não atende as suas expectativas? Essas inquietações
sugerem a necessidade de que esse estudo seja aprofundado em outro momento.
TABELA 4– Usuários do curso técnico
Curso técnico

N.B.

Técnico em
Enfermagem
Total
Fonte: Elaborado pelo autor, 2016.

Serviços de Referência
L.B
O.P.

V.O.

Sexo
M F

Usuários
atendidos

2

7

48

17

40

57

2

7

-

17

40

57

A busca por uma rápida qualificação profissional na tentativa de aumentar as
possibilidades de inserção no mercado de trabalho leva muitos indivíduos a procurar os cursos
técnicos. Os alunos do curso Técnico em Enfermagem, de maioria do sexo feminino, são os
usuários que mais utilizam os serviços de referência da biblioteca da UFTM. A valorização
dos professores do curso Técnico em Enfermagem para o uso do espaço, produtos e serviços
oferecidos pela biblioteca, juntamente com a parceria realizada com o bibliotecário, justifica
os números apresentados pela TABELA 4. Novamente, por meio da visita orientada, o
usuário conhece melhor o ambiente da biblioteca, suas normas, regulamentos, produtos e
serviços podendo usufruir de todas as potencialidades que lhe são ofertadas.
TABELA 5 – Comunidade externa
Comunidade
externa
N.B.
Médico
Servidor público
Professora
1
Residente
1
Total
2
Fonte: Elaborado pelo autor, 2016.

Serviços de Referência
L.B
O.P.
1
3
1
2
5
2

V.O.
-

Sexo
M F
1
4
3
1
1
8

Usuários
atendidos
1
4
3
1
9

De acordo com a TABELA 5, mesmo que seja timidamente, alguns usuários
pertencentes à comunidade externa utiliza o serviço de referência e a maioria é do sexo
feminino. Independente se o usuário possui vínculo com a instituição ou não, o bibliotecário

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

de Referência se encontra a disposição para responder perguntas e direcionar o consulente
para a informação adequada.
O bibliotecário realiza a entrevista de referência, com o intuito de compreender melhor
o que lhe foi solicitado. Durante essa entrevista, um diálogo informal é estabelecido,
permitindo observar o comportamento do usuário perante a realização do serviço. A
Normalização Bibliográfica, Levantamento Bibliográfico e Orientação a Pesquisa são
atividades desenvolvidas, geralmente, de maneira individualizada, deixando o usuário à
vontade em expor suas dificuldades, expectativas e objetivos para o bibliotecário. A partir
dessa personalização no atendimento do serviço de referência foi possível identificar as
principais dificuldades do usuário a encontrar a informação desejada.
Durante os atendimentos realizados, percebeu-se que os usuários não possuem
familiaridade com o uso das bases de dados online. Desconhecem quais são as bases de dados
mais relevantes da área, sentem dificuldades em como realizar as estratégias de buscas para
encontrar artigos, fazer download e relatam que algumas bases possuem uma interface de
difícil navegação.
Constatou-se que os usuários não conhecem em sua totalidade os serviços oferecidos
pela biblioteca, especialmente aqueles de responsabilidade do Setor de Referência. Muitos
usuários solicitam os serviços de referência quando estão quase finalizando a graduação e
enfatizam que se soubessem que a biblioteca desenvolvia serviços de orientação a
normalização e orientação a pesquisa teriam comparecido nos primeiros períodos. Verifica-se
então, que a divulgação desses serviços para a comunidade acadêmica é falha e não atinge a
todos os interessados.
Cabe ao bibliotecário, por meio de análise do perfil do seu público, utilizar o
produto mais adequado que seja relevante em satisfazer as necessidades de
informação do usuário. O profissional da informação deve ser ousado e criativo no
uso dos recursos tradicionais como também para desenvolver outros produtos e/ou
serviços (OLIVEIRA; PINHEIRO, 2015, p. [7]).

Observa-se que, os treinamentos de capacitação para o uso das bases de dados e/ou
para a realização de levantamento bibliográfico têm contribuído para que o usuário se torne
mais autônomo em sua pesquisa. No entanto, é necessário que haja uma reflexão por parte dos
bibliotecários, sobre o período adequado para a realização desses treinamentos, visto que,
quando destinado aos alunos dos primeiros períodos da graduação pouco absorvem sobre as
funcionalidades das bases de dados ou mal compreendem como elaborar um trabalho
acadêmico dentro das normas técnicas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo mostrou que as atividades realizadas pelos bibliotecários do Setor
de Referência da biblioteca contribuem para o desenvolvimento da competência
informacional do usuário. Treinamento para o uso em base de dados online, orientação para
normalização de trabalhos acadêmicos e metodologias para a realização do levantamento
bibliográfico são alguns dos serviços que buscam satisfazer as necessidades informacionais e
colaboram para a autonomia do usuário. “[...] as atividades de referência devem refletir os
objetivos da instituição em que fazem parte, estando, portanto integradas aos demais setores
do sistema de informação, funcionando até como uma peça-chave já que lida com a base do
sistema, o usuário.” (SIQUEIRA, 2010, p. 121).
Para conhecer o público que utiliza os serviços de referência, as suas necessidades,
expectativas e avaliar os serviços prestados, realizou-se um estudo de usuários. Por meio
deste estudo concluiu-se que os usuários reais do serviço de referência são predominantes do

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sexo feminino, os graduandos da área da saúde são os que mais o utilizam e que alguns
serviços devem ser repensados de modo a se adequar a necessidade e realidade do usuário.
[...] Se pensarmos no contexto tradicional da biblioteca, especialmente as do setor
público, não teremos dificuldade em constatar que a maioria ainda privilegia a
organização sistemática dos serviços e as operações técnicas em detrimento ao
atendimento ao usuário. Como querermos identificar a demanda, ou mesmo
incorporar sistemas e técnicas supostamente melhores, se não somos capazes de
olhar para o usuário? (SIQUEIRA, 2010, p. 121).

Percebeu-se ainda que, os bibliotecários do serviço de referência da biblioteca central
da UFTM são fundamentais como mediadores entre a informação e o usuário. Demonstram
domínio nas habilidades técnicas durante o processo de referência e auxiliam o usuário para
formular e tornar mais precisa a consulta apresentada.

REFERÊNCIAS
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Lemos, 2012.
ALMEIDA, Maira Silveira de; SILVA, Rachel Inês da. O impacto do Programa de Expansão
e Reestruturação das Universidades Federais (REUNI) na Biblioteca da Universidade Federal
do Triângulo Mineiro. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. Anais ... FEBAB: Florianópolis, 2013. p.
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ANJOS, Cláudia Regina dos et al. O serviço de referência da biblioteca do Instituto de
Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR/ UFRJ e seu programa de capacitação
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&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/view/10569/8640&gt;. Acesso em: 30 abr.
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CUNHA, Murilo Bastos da. Metodologias para estudos de usuários de informação científica e
tecnológica. Revista de Biblioteconomia de Brasília. Brasília, v. 10, n. 2, p. 5-20, jul./dez.
1982.
CUNHA, Murilo Bastos da.; AMARAL, Sueli Angelica do; DANTAS, Edmundo Brandão.
Manual de estudo de usuários da informação. São Paulo: Atlas, 2015.
DIAS, Maria Matilde Kronka; PIRES, Daniela. Usos e usuários da informação. São Carlos:
Edufscar, 2004.
GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasilia: Briquet de Lemos, 1995.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

OLIVEIRA, Paulo Vítor; PINHEIRO, Alejandro de Campos. O boletim informativo das
bibliotecas do colégio São Francisco Xavier no município de Ipatinga (MG) como ferramenta
de contribuição na disseminação seletiva da Informação. In: SEMINARIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 18., 2014, Belo Horizonte. Anais ... Universidade
Federal de Minas Gerais: Belo Horizonte, 2014, p. [1-16]. Disponível em:
&lt;https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wp-content/uploads/trabalhos/429-1900.pdf&gt;. Acesso em:
2 maio 2016.
PINHEIRO, Alejandro de Campos. A contribuição do serviço de referência para a
competência informacional do usuário. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO,26., 2015, São Paulo. Anais ... FEBAB: São
Paulo, 2015, p. [1-3]. Disponível em:
&lt;http://sisconev.com.br/Uploads/CBBD15/Trab14400178620150320_000000.pdf&gt;. Acesso
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PINHEIRO, Alejandro de Campos. A exclusão digital e sua interferência no processo de
desenvolvimento em competência informacional dos usuários da biblioteca do Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/MG) do município de Matozinhos. Encontros
bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação. Florianópolis, v. 19, n.
41, p. 157-174, set./dez. 2014. Disponível em:
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PORTAL BRASIL. Economia e Emprego. Mulheres são a maioria em universidade e cursos
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http://www.uftm.edu.br/paginas/carrega/cod/1/t/APRESENTACAO&gt;. Acesso em: 2 maio
2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Estudo dos usuários dos serviços de referência da Biblioteca Central da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. </text>
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                <text>Pinheiro, Alejandro de Campos </text>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Pretende-se por meio desta pesquisa, identificar o perfil dos usuários reais dos serviços de referência da biblioteca central da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, conhecer quais são as demandas pelos serviços ofertados e se o serviço de referência atende as suas expectativas no aspecto de direcionamento para a informação desejada. Utilizou-se da técnica da observação como metodologia para avaliar o comportamento do usuário perante a realização dos serviços oferecidos pelo setor de referência como a orientação ao uso das bases de dados e o levantamento bibliográfico. Para identificar os usuários que utilizam os serviços de referência de forma presencial, consultou-se uma lista de presença, no qual o usuário após ser atendido, o preenche com os seguintes dados: nome, assinatura, e-mail, curso e período e o tipo de serviço solicitado. Assim, por meio desse “livro de registro” é possível analisar quantitativamente e identificar superficialmente o perfil dos usuários que utilizam os serviços de referência presencial. Os resultados mostraram que os usuários reais do serviço de referência são predominantes do sexo feminino, os graduandos da área da saúde são os que mais o utilizam e que alguns serviços devem ser repensados de modo a se adequar a necessidade e realidade do usuário. Concluiu-se ainda que, os bibliotecários do Setor de Referência são profissionais que contribuem para a mediação entre a informação e o usuário.</text>
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                    <text>ESTRATÉGIAS EM EaD NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Neiliane Alves Bezerra (UFC) - neiliane.bezerra@ufc.br
Maria Marlene Rocha de Sousa (UFC) - mmarlene@ufc.br
Margareth Figueiredo Nogueira Mesquita (UFC) - margamesq@hotmail.com
Resumo:
Apresenta resultado de estudo com objetivo de analisar, em termos estratégicos, o potencial
das dimensões do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SB/UFC) para
ofertar serviços adequados às necessidades da Educação à Distância (EaD). O Plano Nacional
de Educação (PNE) 2014-2024, Lei nº 13.005 contempla estratégias e ações para alcançar as
metas da EaD de expandir vagas na educação superior. Apoiando-se na abordagem da ecologia
da informação busca-se conhecer o ambiente informacional da biblioteca, utilizando a Análise
SWOT para coletar informações do seu ambiente interno e externo que servirão como insumo
para a elaboração de estratégias informacionais. A pesquisa é classificada como exploratória e
utilizou a entrevista não dirigida como instrumento de coleta de dados. Como considerações
parciais, após a análise das entrevistas constatamos que os conteúdos informacionais de
acesso aberto, como o Repositório Institucional (RI) e de acesso restrito como livros
eletrônicos, foram considerados pontos fortes e quanto aos pontos fracos percebidos no
SB/UFC para a atuação em EaD, um dos aspectos mais enfatizados foi o desconhecimento da
metodologia de estudo-ensino e as tecnologias usadas em EaD, por parte dos bibliotecários.
Palavras-chave: 1. Estratégia em EaD. 2. Processos e ferramentas. 3. Bibliotecas
Universitárias. 4. Tecnologia da informação. 5. Ecologia da informação.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Biblioteca universitária e EaD

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Educação à Distância (EaD) é conceituada como uma modalidade de ensino
mediada pelas modernas tecnologias da comunicação e informação que possibilitam o acesso
a recursos didáticos sistematicamente organizados, em diferentes suportes de informação,
utilizados isoladamente ou combinados, podendo ocorrer encontros presenciais. (BRASIL.
MEC, 2007).
O aumento da demanda pela EaD na educação superior é considerado bastante
expressivo e os temas mais abordados concentram-se no ajuste entre os fatores
epistemológicos, tecnológicos e metodológicos que influenciam a qualidade da aprendizagem
tanto no ensino presencial como à distância. A forma como os alunos constroem seus
conhecimentos está relacionada ao campo epistemológico, já os fatores tecnológicos se
referem à infraestrutura técnica e tecnológica, por sua vez, os fatores metodológicos estão
ligados às práticas didático-pedagógicas. (ZANONI; BACCARO, 2008).
O equilíbrio entre os três fatores exige autonomia, cooperação e interação entre
discentes, docentes, tutores, coordenadores, gestores; planejamento por parte das instituições
de ensino no que diz respeito ao acompanhamento, supervisão, orientação, treinamento,
material didático, estrutura física; infraestrutura tecnológica para vencer a distância e permitir
a interatividade. (FERREIRA, 2014).
O Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, Lei nº 13.005 que entrou em vigor
em 25 de junho de 2014, estabelece como meta para a educação superior a distância, elevar a
taxa bruta de matrícula para cinquenta por cento e a taxa líquida para trinta e três por cento da
população de dezoito a vinte e quatro anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para,
pelo menos, quarenta por cento das novas matrículas, no segmento público. A pretensão é
ampliar a oferta de vagas, por meio da expansão e interiorização da rede federal de educação
superior, da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e do sistema
Universidade Aberta do Brasil (UAB), considerando a densidade populacional.
A UFC, em consonância com o PNE, inclui em seu Plano de Desenvolvimento
Institucional (PDI) metas e ações voltadas para a EaD. (UFC, 2013). Os cursos de graduação
a distância são ofertados pelo Instituto UFC Virtual em parceria com outras unidades
acadêmicas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e com os governos do Estado e dos
municípios, através do projeto nacional Universidade Aberta do Brasil (UAB), que visa à
expansão do ensino superior a distância para regiões onde não há acesso hábil a cursos
superiores na modalidade presencial.
A disponibilização de fontes de informação como livros, periódicos, artigos,
monografias, teses, dentre outros formatos, em suporte impresso ou digital são
imprescindíveis ao processo de aprendizagem, uma vez que permitem ao aprendiz construir
novos conhecimentos, de maneira autônoma, fazendo leituras, dialogando com autores e
ideias, reinterpretando, transformando e construindo novos conceitos.
Levando-se em conta que uma das características essenciais da EaD é a flexibilidade
de tempo, espaço e comodidade que favoreçam o processo de aprendizagem, surge a
necessidade de analisar até que ponto a estrutura da biblioteca está adequada para ofertar
serviços na modalidade de ensino a distância.
Pensando a partir da abordagem da ecologia da informação de Davenport (1998),
planejar o ambiente informacional para EaD constitui um grande desafio e não se limita à
aquisição de modernas e potentes tecnologias da informação e comunicação. Como gerenciar
esse ambiente informacional na perspectiva da ecologia da informação? Que mudanças devem
ser realizadas no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SB/UFC) para
que o mesmo possa atuar respeitando as características tecnológicas e metodológicas do
ambiente virtual de aprendizagem?

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Para saber quais mudanças devem ser providenciadas é preciso conhecer a realidade
do SB/UFC, isto é, todas as dimensões que lhe dão sustentação. Daí, recorre-se a Kotler
(1998), análise dos ambientes internos e externos, a fim de se levantar pontos fracos, fortes,
ameaças, oportunidades (análise SWOT/FOFA) e combiná-los na formulação de objetivos
estratégicos e metas a serem alcançadas no atendimento de usuários de EaD.
Partindo dessa reflexão, elege-se como objetivo desse estudo analisar, em termos
estratégicos, o potencial das dimensões do SB/UFC, para ofertar serviços adequados às
necessidades da EaD.

2 As Bibliotecas universitárias das IFES e a EaD
Na modalidade de educação à distância, docentes e discentes estão separados
fisicamente no tempo e/ou no espaço, conectados por tecnologias da informação e
comunicação, podendo haver ou não encontros presenciais. O Decreto 5.622, em seu artigo
primeiro, define educação a distância como
modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de
ensino aprendizagem ocorre com a utilização de meios de tecnologias da informação
e comunicação, com estudantes e professores, desenvolvendo atividades educativas
em lugares ou tempos diversos.

Os processos de ensinar e aprender, em grande parte, são mediatizados por meio de
materiais didáticos, considerados um potente e significativo meio para a aquisição do
conhecimento,
por ser construído com uma linguagem preocupada com a aprendizagem dos alunos,
uma vez que é ele que, na maioria das vezes, é a fonte de estímulo dado ao aluno, no
sentido de levá-lo a aprender através das informações adquiridas em suas leituras,
bem como estimulá-lo a buscar outras leituras complementares, dentro de um ritmo
próprio diz. (FONSECA, 2013. p.105).

A preocupação com a qualidade do material didático na educação a distância tem
papel fundamental, diz Correia (2013, p.125), “uma vez que comporta a organização, o
desenvolvimento e a dinâmica de todo o processo de ensino e aprendizagem, além de prever
grande parte das estratégias didático-pedagógicas”. Ferreira (2013) e Correia (2013) destacam
que o material didático deve permitir ao aluno estender seus conhecimentos para além do que
está proposto, indicando, por exemplo, bibliografias complementares e atividades extras que
auxiliem o aluno a continuar sua pesquisa e aprendizado de forma autônoma.
As leituras complementares, enquanto parte de um processo de aprendizagem autônomo,
são realizadas quando o aprendiz sente que há uma lacuna no seu conhecimento e busca
informações para preenchê-la. Esse processo é continuo. É no momento de busca de fontes de
informação que o aluno de educação à distância necessita de um entorno documental para a
provisão de material impresso ou digital como livros, periódicos, teses, dissertações, dentre
outros necessários à aprendizagem e à produção do conhecimento científico. (BRASIL,
2007).
A biblioteca, aliada às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s), traz
grandes possibilidades para a EaD, provendo serviços que conferem a melhoria da qualidade
da aprendizagem e da formação acadêmica. Logo, destaca-se a relevância da biblioteca como
centro de recursos que agrega valor à aprendizagem à distância. E encontra-se na literatura da
área da Ciência da Informação e Biblioteconomia muitos estudos que tratam da gestão da
informação adequada ao ambiente virtual da EaD.
É pertinente para o contexto da biblioteca universitária a abordagem da ecologia da

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informação, que segundo Davenport (1998) é uma perspectiva holística da abordagem do
gerenciamento da informação que consiste em assimilar alterações repentinas no mundo dos
negócios e adaptar-se às realidades sociais sempre mutantes.
Bibliotecários coletam, analisam, processam, armazenam e disseminam informações e
ainda se preocupam com a maneira como as pessoas criam, disseminam, compreendem, e
usam a informação. Esse ciclo pelo qual passa a informação precisa ser planejado na
perspectiva da ecologia da informação que como nos informa Devenport (1998), enfatiza o
ambiente da informação em sua totalidade, levando em conta os valores e as crenças
empresariais sobre informação (cultura); como as pessoas realmente usam a informação e o
que fazem com ela (comportamento e processos de trabalho); as armadilhas que podem
interferir no intercâmbio de informações (política); e quais sistemas de informação já estão
instalados apropriadamente (sim, por fim a tecnologia).
Os serviços de informação para apoiar o processo de aprendizagem em EaD não
devem supervalorizar a tecnologia, mas todos os componentes do ambiente organizacional
que influenciam, qualitativamente, nesse fluxo de informação. Na realidade o que tem se
mostrado nos estudos, é que a tecnologia é valorizada em detrimento do potencial humano.
No Brasil, um dos estudos mais citados sobre a participação da biblioteca no contexto
da EaD é o modelo de gestão da informação on line proposto por Blatmann (2001), em cursos
oferecidos à distancia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dentre os estudos
mais recentes, Silva e Reis (2014) realizaram uma pesquisa com o objetivo de identificar a
participação dos bibliotecários de universidades federais junto à modalidade de cursos à
distância. Das 50 universidades federais envolvidas com a EaD, em todas as regiões do Brasil,
apenas 5 sistemas de bibliotecas informaram que estão atuando de alguma forma nesse
contexto.
A forma como a modalidade a distância vem ocorrendo nas universidades leva a uma
reflexão segundo o estudo de Silva e Reis (2014, p. 25) sobre os seguintes aspectos:
as atividades desenvolvidas ocorrem na sua maioria através do pagamento de bolsas,
sem maiores responsabilidades por parte da instituição em relação ao trabalhador,
por se tratar de um serviço terceirizado, acarretando dessa forma a precarização das
relações de trabalho; o desenvolvimento das atividades são comumente acrescidas à
carga de trabalho dos profissionais envolvidos, sem o devido redimensionamento em
termos de dedicação específica para a modalidade EAD; os recursos humanos
necessitam de capacitação para o desenvolvimento das atividades; a infraestrutura
tecnológica das bibliotecas nem sempre têm condições atender às novas demandas
devido à dificuldade de atualização dos recursos tecnológicos e de profissionais com
conhecimentos específicos nas tecnologias para o ambiente de EAD.

Recentemente no estudo de Sena e Chagas (2015) foram diagnosticados as bibliotecas
universitárias existentes nos polos de EaD, em Santa Catarina. A pesquisa revelou que “o
modelo adotado nos polos lembra mais o de um depósito de materiais produzidos pelos
cursos, sendo insignificante o trabalho de disseminação de informações desenvolvidos alí”.
(SENA; CHAGAS, 2015, p.176). Para os autores, é preciso a construção de parâmetros de
qualidade que contribuam para a estruturação das bibliotecas dos polos de apoio presencial.
Costa, Santos, Barbosa (2015) analisaram as bibliotecas dos polos em Ead, ofertados
pela UFMG. A pesquisa revelou a necessidade de equipar tais bibliotecas com coleções vastas
e variadas, conforme as bibliotecas dos polos em EaD, conforme as bibliografias básicas dos
cursos, orientação e treinamentos de usuários sobre como utilizar os produtos e serviços on
line já existentes, pois o desconhecimento dos alunos sobre esses recursos leva a subutilização
dos mesmos.
O Ministério da Educação homologou, no Diário Oficial da União em 10/03/2016, a
resolução do Conselho Nacional de Educação dispondo sobre as novas diretrizes e normas

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para EaD. O documento se constitui como marco regulatório dessa modalidade de ensino e foi
considerado um avanço por parte daqueles que participaram dos debates desde 2012.
(BRASIL. MEC. 2016).
Uma das mudanças do MEC é a exigência das instituições de ensino realizarem
planejamento único tanto para o ensino presencial como para a EaD. Outra mudança
importante se dá no caso dos polos, que passam por flexibilização em seu credenciamento,
dependendo fundamentalmente do projeto político-pedagógico. Além disso, a legislação passa
a permitir o compartilhamento de um polo entre várias instituições. Em relação ao material
didático, a mudança se constitui em relação à ausência de obrigatoriedade de manter livros
impressos nos polos de apoio. Agora os mesmos podem ter uma biblioteca digital
condicionada à eficiência da conexão para acesso remoto. (UFC VIRTUAL, 2016).
Na modalidade de Educação a Distância
toda a relação de ensino e aprendizagem requer o uso de material didático
pedagógico, utilizando múltiplas linguagens: verbal, textual, hipertextual ou
hipermidiática. O material didático inclui as atividades pedagógicas e seus recursos
(livro, texto, vídeo, áudio, imagem, entre outros), articulados com as dinâmicas
formativas, cujas concepções e estratégias pedagógicas devem contribuir para a
melhoria da formação do estudante, que, por sua vez, deve ter assegurado seu
acompanhamento pedagógico pelo professor e tutor, do mesmo modo a
possibilidade de compartilhamento de sua formação com os colegas, a fim de
contribuir para sua formação de qualidade, que propicie-lhe desenvolvimento
cognitivo, crítico, ético e social do estudante. (BRASIL. MEC. 2016, p. 27).

A biblioteca ao se inserir como unidade de informação prestadora de serviços em EaD,
deve conhecer seu microambiente, isto é, seus pontos fortes e fracos como insumo para a
formulação de estratégias a serem executadas através de um planejamento cujo objetivo seja
melhorar a gestão dos serviços prestados e, consequentemente, a elevação da qualidade da
aprendizagem e satisfação dos usuários.
Kaplan e Norton (2002) ao falarem de alinhamento estratégico enfatizam que a
essência de qualquer estratégia é proporcionar valor para o cliente, descrevendo uma
combinação de atributos de produtos e serviços, de relacionamento com os clientes e de
imagem corporativa. É a estratégia que define o diferencial da empresa entre seus
concorrentes, com a finalidade de atrair, reter e aprofundar relacionamentos com os clientes.
No caso das unidades de informação, também a estratégia se aplica, devendo
considerar, acima de tudo, o relacionamento com o usuário/cliente a base para efetuar
mudanças e alterações para a melhoria da qualidade dos produtos e serviços, pois “qualquer
estratégia deve ter como essência proporcionar valor para o cliente, descrevendo uma
combinação de atributos de produtos e serviços, de relacionamento com os clientes e de
imagem corporativa”. (KAPLAN; NORTON, 2002, p. 82).
Segundo Spudeit; Führ (2011, p. 42)
as unidades de informação (bibliotecas, centros e sistemas de informação e
documentação), apesar de serem organizações sociais sem fins lucrativos, prestam
serviços tangíveis e intangíveis para a sociedade, por meio de operações que
requerem também a definição e aplicação de estratégias. Essas unidades sofrem
influências do mercado, da globalização e das tecnologias, da mesma forma que
empresas que produzem resultados financeiros.

Desta forma, necessitam de planejamento que na visão de Almeida (2000, p. 2), não se
trata de “um acontecimento, mas um processo contínuo, permanente e dinâmico que fixa
objetivos, define linhas de ação, detalha as etapas para atingi-los e prevê os recursos
necessários à consecução desses objetivos”.

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O sucesso cumprimento da missão de uma organização depende da criação de um elo
entre macro e microambiente. Segundo Oliveira (1997), a análise ambiental deve ter como
premissas o ambiente e suas variáveis relevantes, de modo a detectar as oportunidades a
usufruir e as ameaças a evitar; ter pleno conhecimento dos seus pontos fortes e fracos no
enfrentamento dessa situação; proceder à análise interna e externa de forma integrada,
contínua e sistemática.
Portanto, considerou-se nesse estudo análise SWOT uma poderosa ferramenta de
planejamento estratégico, cuja sigla – SWOT – origina-se das iniciais das palavras inglesas
Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats
(ameaças), justamente os quatro pontos a serem analisados. A identificação e a análise dos
pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças fornecem a base para a tomada de decisão
estratégica.
A análise SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer análise de cenário (ou análise
de ambiente), sendo usada como base para a gestão e o planejamento estratégico de uma
corporação ou empresa, mas podendo, por causa de sua simplicidade, ser empregada em
qualquer tipo de análise de cenário. Ela é um sistema simples para posicionar ou verificar a
posição estratégica da empresa no ambiente em questão. Essa análise de cenário se divide em
ambiente interno (forças e fraquezas) e ambiente externo (oportunidades e ameaças).

3 Materiais e métodos
A presente pesquisa é considerada quanto a abordagem em qualitativa, pois os dados
foram colhidos por meio de perguntas abertas, em entrevistas individuais e não se preocupa
com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um
grupo social.
A pesquisa qualitativa preocupa-se com aspectos que não podem ser quantificados,
trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o
que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que
não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (MINAYO, 2001).
A pesquisa é classificada quanto a natureza em uma pesquisa aplicada pois objetiva
gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos.
Onde envolve verdades e interesses locais. Quanto ao objetivo ela é considerada exploratória
por proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito.
(GIL, 2007).
De acordo com Deslauriers (1991, p.58), o desenvolvimento da pesquisa é
imprevisível. O conhecimento do pesquisador é parcial e limitado. O objetivo da amostra é de
produzir informações aprofundadas e ilustrativas: seja ela pequena ou grande, o que importa é
que ela seja capaz de produzir novas informações.
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi a entrevista que se constitui uma
técnica alternativa para se coletarem dados não documentados sobre determinado tema.
Também é denominada não-diretiva, pois o entrevistado é solicitado a falar livremente a
respeito do tema pesquisado. Ela busca a visão geral do tema. É recomendada nos estudos
exploratórios. A entrevista foi aplicado individualmente, aos bibliotecários gestores de cada
unidade que compõe o SB/UFC, para montar uma lista de pontos fortes e fracos, ameaças e
oportunidades. Uma das vantagens desse instrumento é a oportunidade de obtenção de dados
que não se encontram em fontes documentais e que sejam relevantes e significativos. Ainda
segundo o autor, a limitação desse instrumento consiste na incompreensão por parte do
informante, do significado das perguntas da pesquisa, que pode levar a uma falsa
interpretação. (LAKATOS; MARCONI, 2010, p. 181).
No primeiro momento, foram coletados dados sobre pontos fortes e fracos, ameaças e

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oportunidades. No segundo momento, todas as informações foram julgadas e selecionadas
para se eliminar as repetições e possíveis incongruências. Com esse procedimento se pretende
obter uma visão do macro e microambiente do SB/UFC. O último passo consiste no
julgamento dos itens coligidos na matriz SWOT.

4 Resultados parciais/finais
Os dados aqui apresentados tomaram por norte o objetivo do trabalho que é analisar, em
termos estratégicos, o potencial das dimensões do SB/UFC, para ofertar serviços adequados
às necessidades da EaD. A seguir no quadro 1, apresentaremos a análise SWOT, fruto da
pesquisa.
a) Pontos fortes
Conforme as informações coletadas e constantes no quadro abaixo, foram
mencionados como pontos fortes os conteúdos informacionais de acesso aberto, como o
Repositório Institucional e de acesso restrito como livros eletrônicos.
Convém destacar, que a gestão documental do acervo do SB/UFC tem o suporte
tecnológico do Sistema Pergamum que permite o controle e a indexação de documentos
eletrônicos como imagens ou textos em qualquer formato, possibilitando o vinculo de
imagens ou links com o documento integral que podem ser acessados off campus, por meio do
catálogo on line que também foi apontado como um recurso que o usuário de Ead pode
utilizar para buscar informações.
Tendo como foco a percepção das necessidades dos usuários e as possibilidades que o
ensino a distância oferece “é que os bibliotecários, como gerenciadores de informações,
buscam atuar de forma flexível, ou seja, integrar, compartilhar os recursos informacionais e
tecnológicos como meio para enfrentar a situação presente”. (PIZZANI et al. 2011, p. 158).
A Comissão de Educação de Usuários (CEU) que atua na promoção da competência
em informação na Universidade foi citada como um ponto forte. A CEU realiza, a cada início
de semestre sob demanda, o Projeto Descobrindo a biblioteca, programação de recepção dos
recém-ingressos, que inclui cursos e palestras com a finalidade de desenvolver as
competências informacionais desse público-alvo.
As ações da Comissão de Educação de Usuários incluem orientações para os alunos
que estão elaborando monografias, dissertações e teses, quanto à padronização de trabalhos
acadêmicos e à elaboração de citações e referências de acordo com as normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Disponibiliza na home page da biblioteca tutoriais e templates (modelos préformatados) que auxiliam na elaboração de trabalhos acadêmicos, guia de normalização e
gerenciadores de referências (MORE, EndNote) e por último, não menos importante, a
imagem institucional da UFC como referência nacional junto a comunidade acadêmica.
No quadro 1, abaixo, será apresentado os pontos fortes do Sistema de Bibliotecas da
UFC em relação a EaD.
b) Pontos fracos
A concepção de serviços que focam o uso de tecnologias que dão suporte ao
desenvolvimento do estudante da modalidade de ensino a distancia, não representa uma
simples mudança no uso de ferramentas, mas requer do bibliotecário, o entendimento e a
compreensão de como se processa o ensino-aprendizagem mediado por máquinas.

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Exige-se um profissional que cada vez mais saiba trabalhar com equipes virtuais, onde
pessoas distantes fisicamente possam formar grupos cada vez mais interativos. Um
profissional que saiba aglutinar competências visando à inteligência coletiva do grupo mais
do que a genialidade individual.
Dentre as debilidades do SB/UFC para a atuação em EaD um dos aspectos mais
enfatizados foi o desconhecimento dessa metodologia e as tecnologias usadas em EaD, por
parte dos bibliotecários.
Outro obstáculo apontado foi a carência de bibliotecários capacitados em
metodologias de educação de usuários em EaD, para orientação no acesso a informações cada
vez mais numerosas que podem levar a dispersão na navegação, essa competência visa à
compreensão dessas informações, sua análise e principalmente sua síntese. A dificuldade de
contato com os alunos dessa modalidade de ensino e desconhecimento das bibliotecas dos
polos foram detectados também como pontos fracos.
No quadro a seguir apresenta-se a análise dos ambientes internos e externos do
Sistema de Bibliotecas da UFC em relação a EaD.
Quadro 1: Análise SWOT do SB/UFC
AMBIENTE INTERNO

AMBIENTE EXTERNO

Pontos Fortes

Pontos fracos

Ameaças

Oportunidades

Repositório Institucional
(RI);
Portal CAPES;
Livros eletrônicos;
Catálogo on line
Pergamum;
Treinamentos de usuários;
Comissões Especializadas
de Estudos;
Guias, tutoriais,
templates;
Divulgação de informação
na home page da UFC;
Explorar as ferramentas
do UFC Virtual
(plataforma EAD);
Possibilidade para o
usuário participar dos
treinamentos;
Treinamentos sistemáticos
de usuários;
Maior visibilidade da
biblioteca.

Carência de bibliotecários
capacitados em metodologia
de educação de usuários em
EaD;
Dificuldade de contato com
os alunos da modalidade
EaD;
Desconhecimento da
realidade das bibliotecas dos
polos;
Ausência de gratificação
financeira para os
bibliotecários tutores;
Carência de bibliotecários
na Comissão de usuários
para a demanda de
treinamentos.

Descontinuidade das
políticas públicas
educacionais;
Problemas com acesso á
Internet;
Resistência do pessoal
da biblioteca em atuar
nessa modalidade.

Programas de expansão do
Ensino Superior;
Fomento da pesquisa em
EaD;
Estrutura física dos polos
compartilhada;
Parcerias entre instituições
de ensino;
Aperfeiçoamento de
acordo com os avanços das
TICs;
Trocas de saberes e
conhecimentos acerca das
mídias e tecnologias em
EaD;
Incentivo a busca pela
CoInfo dos bibliotecários;
Interação com STI;
Procura de treinamento de
usuários em EaD;
Cooperação entre a BU e a
UFC virtual;
Política educacional
favorável;
Programas de qualificação
e capacitação para
servidores em EaD;
Novo nicho de atuação
para os bibliotecários da
UFC (tutorias).

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.

c) Oportunidades

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A UFC inclui em seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) objetivos
estratégicos, ações e metas alinhadas
aos programas de expansão do ensino superior
como parte das políticas do MEC; fomento da pesquisa em EaD; estrutura física dos polos
que não são mais obrigados a manter uma biblioteca com materiais impressos e sim digitais,
podendo ser compartilhada com várias instituições de forma cooperativa; parcerias entre
instituições de ensino com a finalidade de transpor as barreiras físicas e temporais; avanços
tecnológicos que permite m cada vez mais ambientes de aprendizagem interativos,
colaborativos, motivadores e desafiadores; troca de saberes e conhecimentos acerca das
mídias e tecnologias em EaD; incentivo à educação continuada do profissional bibliotecário.
A formação continuada do bibliotecário não é assunto novo e conforme Cunha (2000,
p.2):
surgiu de uma idéia de mudança, de valorização e diversificação de suas atividades.
Esta idéia está ligada à qualidade do trabalho, a mais profissionalismo, a uma maior
consciência profissional, a diversificação das funções e do espaço de atuação deste
profissional.

Portanto, é vital para o profissional da informação investir em sua educação, num
processo de formação permanente no qual a troca de informação e conhecimento ocorram em
velocidade similar ao do crescimento quase ilimitado das informações disponíveis em rede.
Pode-se observar conforme o quadro 1 que foram apontadas ainda como oportunidade
uma maior interação entre biblioteca e Secretaria de Tecnologia de Informação (STI) da UFC;
procura de treinamentos pelos usuários em EaD que buscam mecanismos que os
proporcionem filtrar tanta informação disponibilizada; interação da biblioteca universitária
com UFC virtual, uma vez que detém os instrumentos tecnológicos e metodológicos próprios
do ambiente virtual de aprendizagem; política educacional favorável e voltadas para o
incentivo e continuidade da estrutura física, tecnológica e dos recursos disponíveis que
favoreçam a EaD e programas de qualificação e capacitação de servidores ofertados pela PróReitoria de Gestão de Pessoas corrobora para a educação continuada. Conforme quadro 1
acima.
d) Ameaças
Descontinuidade das políticas públicas educacionais, redução de recursos financeiros,
problemas com acesso à Internet. Dentre as ameaças apontadas pelos entrevistados, a redução
de investimentos públicos na área educacional constitui um fator preocupante. A redução de
recursos financeiros tem reflexos na qualidade dos serviços e na probabilidade de se recorrer a
investimentos do setor privado, precarizando na contratação de docentes qualificados, tutores
e infraestrutura física, conforme as análises constantes no quadro 1 acima.

5 Considerações parciais/finais
O objetivo desse estudo foi conhecer o potencial do SB/UFC para responder às
demandas dos usuários dos cursos de EaD. A adesão do SB/UFC a esse contexto deve ser
integrada às estratégias, objetivos e metas do PDI da UFC e não se resume a um sonho ou
aspiração dos bibliotecários. Deve ser também uma perspectiva de ação integrada ao Plano de
Desenvolvimento Institucional (PDI) da Biblioteca Universitária, bem como da instituição
como um todo. O presente estudo será entregue ao diretor do SB/UFC para apreciação e
convocação de equipe para elaborar os objetivos estratégicos.
A biblioteca é parte do sistema universitário que por sua vez opera em um

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macroambiente formado por sistemas políticos, legais, econômicos, tecnológicos, sociais que
atuam de forma muito dinâmica, criando oportunidades, ameaças ou restrições para os
administradores no microambiente das organizações.
Sendo um subsistema universitário, a biblioteca não tem autonomia para abraçar a EaD
sem levar em conta os sistemas macroambientais com os quais se relaciona, mas pode ser
proativa, na elaboração de objetivos estratégicos que a ajudem a se adaptar às mudanças.
Dentre os pontos fortes da biblioteca, a disponibilização de conteúdos digitais com
acesso remoto é um serviço que já está efetivado, mas é preciso ainda conhecer a necessidade
e a competência informacional dos usuários.
Na abordagem da ecologia da informação o humano tem primazia sobre o tecnológico.
Conforme Davenport (1998), o engano das empresas é investir demasiadamente em
tecnologia e muitas delas aprenderam a partir de experiências dolorosas que computadores e
redes de comunicação melhores não conduzem necessariamente a um aperfeiçoamento dos
ambientes de informação, pois os mesmos são modelados pelas as pessoas que pensam,
inovam e dialogam.
Ao se estender os projetos de educação de usuários para os usuários de EaD deve-se,
antes de tudo, apostar no potencial humano e não no tecnológico. Para tanto, essa decisão não
deve ser imposta, mas a partir do diálogo, negociação e planejamento por parte de quem
executa os serviços.
É necessário que os bibliotecários adquiram competências em programas de educação
de usuários utilizando as metodologias próprias do ambiente virtual. Assim, um dos maiores
desafios parece ser a falta de diálogo entre o pessoal do pedagógico e os profissionais da
informação no sentido de trocarem os saberes e conhecimentos que redundem na qualidade da
EaD. Enquanto bibliotecários, docentes, discentes, pessoal de TI, gestores, tutores,
permanecerem isolados em suas áreas de conhecimento não será possível construir um projeto
de Ead na perspectiva da ecologia da informação.
Considera-se que o aluno de EaD, enquanto usuário do SB/UFC, está na invisibilidade.
Sabe-se que ele existe e que procura os serviços da biblioteca. São usuários potenciais, mas
ainda não há serviços direcionados às suas demandas, conforme a modalidade de ensino.
A análise revelou que se conhece pouco sobre os usuários da EaD, qual o seu
comportamento informacional, quais as suas demandas. Por outro lado, os recursos
tecnológicos da biblioteca foram destacados como pontos fortes. Essa informação revela que é
preciso que se estabeleça um diálogo entre os discentes, docentes, tecnólogos e os
profissionais da informação no planejamento de ambientes informacionais para qualquer
modalidade de ensino.
A gestão de ambientes informacionais, como no contexto das bibliotecas
universitárias, exige o equilíbrio entre a valorização do potencial humano, tecnologias e
políticas educacionais sem perder de vista a disseminação da informação com foco na missão
institucional.

6 Referências
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Brinquet de Lemos, 2000.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Estratégias em EAD na biblioteca universitária da Universidade Federal do Ceará. </text>
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                <text>Bezerra, Neiliane Alves; Sousa, Maria Marlene Rocha de; Mesquita, Margareth Figueiredo Nogueira </text>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>Apresenta resultado de estudo com objetivo de analisar, em termos estratégicos, o potencial das dimensões do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SB/UFC) para ofertar serviços adequados às necessidades da Educação à Distância (EaD). O Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, Lei no 13.005 contempla estratégias e ações para alcançar as metas da EaD de expandir vagas na educação superior. Apoiando-se na abordagem da ecologia da informação busca-se conhecer o ambiente informacional da biblioteca, utilizando a Análise SWOT para coletar informações do seu ambiente interno e externo que servirão como insumo para a elaboração de estratégias informacionais. A pesquisa é classificada como exploratória e utilizou a entrevista não dirigida como instrumento de coleta de dados. Como considerações parciais, após a análise das entrevistas constatamos que os conteúdos informacionais de acesso aberto, como o Repositório Institucional (RI) e de acesso restrito como livros eletrônicos, foram considerados pontos fortes e quanto aos pontos fracos percebidos no SB/UFC para a atuação em EaD, um dos aspectos mais enfatizados foi o desconhecimento da metodologia de estudo-ensino e as tecnologias usadas em EaD, por parte dos bibliotecários.</text>
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                    <text>EMPRÉSTIMO INTERBIBLIOTECÁRIO NA BIBLIOTECA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS
Vagner Almeida dos Santos (UFGD) - vagnerbibliotecario@hotmail.com
Eduardo da Silva Alentejo (UNIRIO) - alenteju@gmail.com
Resumo:
Aborda o empréstimo interbibliotecário como uma das principais atividades da cooperação
bibliotecária. Analisa a cooperação entre bibliotecas como uma das alternativas para
superação de dificuldades econômicas e ampliação das condições de acesso à informação.
Pesquisa nas bibliotecas universitárias da Universidade Federal da Grande Dourados e na
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul o funcionamento do empréstimo entre
bibliotecas a partir do acordo de cooperação técnica entre as duas instituições. Este contrato
entre as duas universidades pode ser considerado um acordo de cooperação bibliotecária em
que o empréstimo interbibliotecário é a principal atividade desenvolvida em conjunto. O
resultado demonstra que cada biblioteca universitária está cooperando e sendo beneficiada
pela cooperação com os empréstimos entre suas bibliotecas, justificando assim a manutenção
do acordo.
Palavras-chave: Empréstimo interbibliotecário;
universitárias.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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cooperação

bibliotecária;

bibliotecas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Esse artigo aborda a cooperação bibliotecária entre bibliotecas universitárias voltadas
para uma de suas principais atividades que é o empréstimo interbibliotecário. A cooperação
entre entidades bibliotecárias é um assunto pouco explorado no Brasil, mas em nível
internacional têm pautado reflexões em eventos científicos, escolas de Biblioteconomia e
Documentação e consequentemente, possibilitado recuperar algumas publicações sobre esse
tema.
O problema dessa reflexão indaga: qual a principal contribuição do empréstimo
interbibliotecário como atividade cooperativa? Para isso buscou enquanto objetivo maior
examinar na literatura as principais atividades da cooperação bibliotecária; como objetivos
particulares, verificar se os elementos do acordo de “cooperação técnica” entre Universidade
Federal da Grande Dourados (UFGD) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
(UEMS) representam cooperação bibliotecária e analisar a atividade de empréstimos
interbibliotecas entre as duas instituições cooperantes.
A motivação para escrever este texto surge a partir da trajetória profissional de um dos
autores enquanto bibliotecário na UFGD. Durante os cinco últimos anos surgiu a necessidade
de pesquisar e compreender melhor a parceria entre as bibliotecas universitárias das duas
instituições mencionadas.
A realização desse trabalho se justifica a partir da necessidade de promover estudos
sistemáticos no sentido de possibilitar reflexões sobre atividade de cooperação entre
bibliotecas universitárias de esferas de governos diferentes, analisando particularmente a
atividade objeto do acordo de cooperação feita entre elas.
A partir da realização desse estudo no lócus de pesquisa, colocou-se em discussão, um
tipo de acordo interinstitucional que ainda não havia sido focalizado como assunto de estudo
dessa natureza. Evidencia por tanto, que o desenvolvimento dessa atividade sem a devida
sistematização favorece o desenvolvimento improvisado e inviabiliza condições para
avaliação do funcionamento e os resultados.
Neste sentido, este trabalho apresenta alguns elementos para avaliar se a parceria está
trazendo benefícios em prol das comunidades acadêmicas envolvidas. A partir de alguns
pressupostos encontrados na literatura e considerando a constatação no lócus dessa pesquisa
sobre o desenvolvimento do acordo, pode-se então, afirmar que o pacto surge como
alternativa possível para manutenção e ampliação dos serviços bibliotecários nas duas
instituições.
A pesquisa destaca os aspectos favoráveis desse pacto para promover e divulgar o que
está dando certo na relação de cooperação, já que o contrato de “cooperação técnica” existente
é por tempo determinado. A partir da análise dos resultados desse estudo, é possível afirmar
que a parceria está sendo frutífera, ajudando os usuários das duas universidades na obtenção
na informação que precisa além da que sua biblioteca possui.

2 REVISÃO DE LITERATURA: COOPERAÇÃO E EMPRÉSTIMO ENTRE
BIBLIOTECAS
Apesar de ainda não se noticiar grande volume de publicação sobre o tema cooperação
bibliotecária, as ações cooperativas com o objetivo de trocar recursos e serviços
informacionais, são desenvolvidas por bibliotecas, sistemas bibliotecários e redes de
informações. A ideia de cooperação nesta área está baseada em acordo voluntário
expressamente firmado em documento com finalidade específica entre duas ou mais pessoas
e/ou instituições bibliotecárias com a expectativa de trocar produtos e serviços de informações
de modo que ambas as partes podem ser beneficiadas.

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Merlo Vega (1999) explica que cooperação bibliotecária tem um conceito amplo, mas,
quando empregado na Biblioteconomia, cooperação designa basicamente as atividades
realizadas entres duas ou mais bibliotecas com objetivos específicos a partir de acordo
previamente firmado.
A ideia de cooperação quando concebida de forma abrangente, aliada ao uso da
ferramenta internet pode ampliar as possibilidades de ações cooperativas na disseminação da
informação (MERLO VEGA; SORLI, 1998). Quando a cooperação bibliotecária se refere às
ações para troca de produtos e serviços de informação, a rede mundial de computadores
potencializa ainda mais o desenvolvimento dessa atividade.
Considerando, por exemplo, o empréstimo entre bibliotecas, vantagens como acesso
aos catálogos eletrônicos disponíveis remotamente que, uma vez consultados pelos usuários
interessados, ajuda a decidir pela solicitação ou não do material que procura nas entidades
cooperantes (MERLO VEGA, 1999).
Já na catalogação cooperativa em rede, uma obra somente deve ser representada uma
vez. Os demais participantes da rede importam para sua máquina por meio de protocolo
padronizado e recebem o registro semipronto, faltando neste caso atribuir-lhe informações
que veicula o item à instituição biblioteca que o registro importado pertence.
Como principal justificativa para desenvolver a cooperação bibliotecária, Megán Wals
(1996) parte do princípio que, após a ‘explosão da informação’ no Século XX, as bibliotecas
não puderam mais sozinhas atender as necessidades informativas de todos os usuários.
Duas das principais razões, apontadas por Orera Orera (2000) e que motiva a
cooperação bibliotecária, decorre da diminuição dos orçamentos das bibliotecas e majoração
nos preços dos documentos como um todo. Corroborando com um desses aspectos, Carvalho
(1982) destaca as consequências dos avanços científicos, tecnológicos e a insuficiência de
recursos para aquisição, são também fatores que motivam a cooperação no contexto das
bibliotecas universitárias.
Gómes Hernandés (2002, p. 161, tradução nossa) escreve que os “objetivos da
cooperação bibliotecária consistem em possibilitar e potencializar os três grandes desafios que
se enfrentam hoje nas bibliotecas: eficácia, eficiência e competitividade para melhorar os
serviços”. Essa atividade ainda pode ser classificada de acordo com os objetivos e por
categorias para este mesmo autor e a partir da abrangência geográfica para Merlo Vega
(1999).
Do pondo de vista das finalidades, a cooperação pretende tratar do acesso e uso dos
recursos de informação; dados bibliográficos para representação das fontes de informações e;
promoção formativa de pessoal para trabalhar em entidades bibliotecárias. Quanto ao alcance
ela pode acontecer em nível local, regional, nacional ou internacional (MERLO VEGA,
1999).
As contribuições de Orera Orera (2000) e de Cunha (2015) se localizam na explicação
de que a cooperação bibliotecária pode ajudar as unidades a superarem insuficiências de
recursos para atender diversas demandas. Então, racionalizar recursos e aumentar o leque de
opção para acesso à informação são dois dos principais aportes presentes na literatura
examinada em que a cooperação bibliotecária tem trazido para as bibliotecas universitárias.
2.1 COOPERAÇÃO PARA EMPRÉSTIMO INTERBIBLIOTECÁRIO
Empréstimo interbibliotecário é um tipo de empréstimo de materiais de informação
que se realiza entre bibliotecas diversas, de uma mesma instituição ou instituições diferentes,
podendo essas unidades pertencer uma rede de bibliotecas formalmente criadas ou não.
Consiste basicamente na possibilidade de compartilhar maioria das vezes materiais
bibliográficos entre as bibliotecas cooperantes para atender seus usuários que não encontram

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na sua.
Também chamado de empréstimo pessoal, [ou empréstimo domiciliar], por Gómez
Hernández (2002), segundo ele, tem a função de possibilitar acesso e uso de materiais e
cópias encontrados em uma determinada unidade bibliotecária que não a de origem do usuário
que necessita da informação.
Orera Orera (2000), Martín e Angelozzi (2010) e Merlo Vega (1999) entendem que
empréstimo interbibliotecário é uma das várias formas de atividades por meio do qual se
realiza a cooperação bibliotecária. Para Gómez Hernández (2002) esta é também uma das
atividades da cooperação bibliotecária que ele classifica como intercâmbio.
Essa categoria envolve dois tipos de operacionalizações básicas, a troca e o
empréstimo interbibliotecário. Merlo Vega (1999) reconhece que a atividade de empréstimo
interbibliotecário é uma das formas mais antigas de cooperação bibliotecária. Deste modo,
pode-se compreender que está atividade está apoiado na cooperação bibliotecária, de modo
que não é possível falar do primeiro e não mencionar a segunda.
Moralejo Álvarez, Marquina Garcia e Abad Hiraldo (1989) explicam que uma das
principais razões para o empréstimo interbibliotecário é a redução de custos com compra de
material. Pautado em aspectos econômicos, Campello (1985) entende que o empréstimo
interbibliotecário decorre da impossibilidade das bibliotecas universitárias preencherem suas
coleções com todas as informações demandadas. Isso se soma as limitações econômicas
características dessas bibliotecas. Assim, as razões econômicas são as principais motivações
para a cooperação, o que justifica a necessidade de promover a atividade de empréstimo
interbiblitecário (CAMPELLO, 1985); (MERLO VEGA, 1999); (GÓMEZ HERNÁNDEZ,
2002).
O empréstimo interbibliotecário do ponto de vista das finalidades segundo Merlo Vega
(1999) e García Reche (2006) é uma atividade cooperativa baseada em serviços.
Fundamentado em autores como (Magán, 1996) e (Varela, 1987), esse autor destaca que além
do empréstimo interbibliotecário, o desenvolvimento de coleções; a catalogação
compartilhada e; a cooperação na conservação são as mais difundidas atividades da
cooperação bibliotecária. Essas são quatro atividades que possuem forte presença na rotina
das bibliotecas universitárias.
O principal objetivo do empréstimo entre bibliotecas é ampliar a difusão das coleções
baseado em um planejamento e organização para que a atividade aconteça eficientemente
(MERLO VEGA, 1999). Na literatura sobre o tema, consta que a internet é um recurso que
muito contribui para a realização do empréstimo interbibliotecário. Merlo Vega (1999)
destaca que com o uso da internet, tem-se o empréstimo interbibliotecário facilitado a partir
principalmente do uso dos catálogos em linha para consulta e, da possibilidade de solicitação
on-line de material para empréstimos.
A realização de empréstimo interbibliotecário depende de uma adequada estrutura
coordenada para a correta aplicação (MERLO VEGA, 1999). Uma das condições para que o
empréstimo interbibliotecários se realize segundo Moralejo Álvarez; Marquina Garcia e Abad
Hiraldo (1989) e Merlo Vega (1999) é a manutenção de um catálogo coletivo para que os
usuários encontrem a informação desejada antes de solicitá-la diretamente à unidade de
informação requerida. Outro requisito que Merlo Vega (1999) afirma ser fundamental para
que essa atividade cooperativa aconteça é a existência de um regulamento claro constando o
ônus e os bônus para os usuários e as entidades participantes.
Um exemplo de oferta de serviço cooperativo tendo o empréstimo interbibliotecário
como um dos principais serviços oferecidos é a REBIUN 1. Vários autores como Ruiz Chacón
1

Rede de bibliotecas universitárias espanholas. REBIUN é um organismo estável, no qual estão representadas
todas as bibliotecas universitárias e científicas da Espanha. É composta pelas bibliotecas das 76 universidades
membros da CRUE (50 universidade pública e 26 de nível universitário privado) e do CSIC (Conselho Superior
de Pesquisas Científicas). Disponível em: &lt;http://goo.gl/7sldOP&gt; Acesso em: 03 fev. 2016.

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(2005), Merlo Vega (1999), García Reche (2006), Méndez Martíne, Ruz Baños e Aldehuela
Serra (2004) e Herrera Morillas e Pérez Pulido (2015) recorreram a essa rede para
exemplificar o funcionamento desse importante fenômeno da cooperação bibliotecária.
Na REBIUN existe um grupo de trabalho voltado para atividades afins, inclusive
empréstimo interbibliotecário. O grupo se empenha na otimização do serviço, melhorando o
tempo de respostas das solicitações de empréstimos, aperfeiçoando o catálogo coletivo,
revendo manuais etc. Este mesmo grupo também se empenha em aprimorar as atividades do
catalogo coletivo, repositório, patrimônio bibliográfico e estatísticas (REDE, 2016).
Na composição dos elementos básicos para o funcionamento das redes bibliotecárias,
destacam-se dentre outros, quatro funções básicas a saber: desenvolvimento de coleções;
catalogação compartilhada; ações de preservação e empréstimo interbibliotecário
(MORILLAS, PÉREZ PULIDO, 2015 apud VARELA et al., 1988). Neste sentido,
empréstimo interbibliotecário se confirma como uma das principais atividades da cooperação
e colaboração bibliotecária.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo empírico e de natureza exploratória focaliza as bibliotecas universitárias
UFGD e UEMS a partir de análises feitas nos relatórios de empréstimos interbibliotecários no
momento em que elas participam de um acordo para compartilhamento de espaço e acervos
entre si.
Os públicos alvos para o qual se destinam os serviços analisados são as comunidades
universitárias da UFGD e UEMS. Os favorecidos diretamente pela parceria em questão são
usuários que procuram espontaneamente usar as bibliotecas compartilhadas. Até então não
existiu um programa permanente de capacitação e incentivo ao uso dos possíveis benefícios
que esse acordo feito pelas duas universidades pode trazer paras as duas universidades.
Nesta pesquisa, as informações levantadas sobre o serviço de circulação entre as duas
instituições ocorreu por meio da geração de relatórios com esses dados no sistema de
gerenciamento bibliotecário em cada biblioteca universitária2. Essas informações permitiram
verificar quem usou a atividade prevista no acordo de ‘cooperação técnica’ e o volume de
materiais que foram emprestados nesta relação. Para isso, elegeu quatro segmentos em cada
uma das universidades sendo, os alunos de graduação; os alunos de pós-graduação; os
docentes e os servidores não docentes.
Os relatórios apresentam informações quantitativas de circulação de empréstimos que
as bibliotecas universitárias efetuaram entre si no período de outubro de 2012 a março de
2016. Quanto aos procedimentos de apreciação das informações levantadas baseiam-se na
descrição, análise e comparação dos dados obtidos para apresentar a situação do acordo no
que se refere à atividade cooperativa em questão – o empréstimo interbibliotecário.
3.1 LÓCUS DA PESQUISA
O contexto institucional da pesquisa envolve as duas universidades públicas do
município de Dourados. Uma é a UFGD, terceira universidade pública do estado e segunda da
esfera federal a ser instituída no Mato Grosso do Sul. Situada no sul do estado, atende as
demandas da grande área conhecida como Região da Grande Dourados. Foi criada em 2005 e
implantada em 2006, e hoje possui quarenta e dois cursos de graduação e vinte e oito de pósgraduação.
2

Os sistemas de gerenciamentos bibliotecários das duas instituições são considerados “caseiros” ou não
corporativos. Apresentam falhas de projetos de ordem estruturais que implicam em várias limitações, algumas
delas referem-se à geração de relatórios exatos para cada demanda da gestão de suas bibliotecas universitárias.

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A UEMS é a única universidade pública da esfera estadual desse estado. Antes de ser
UEMS era a Universidade do Estado de Mato Grosso (UEMT), porque antes do
desmembramento do estado pertencia ao Mato Grosso (MT). A UEMS foi fundada na década
de 1990 e, hoje no campus de Durados possui dezesseis cursos de bacharelado e licenciatura,
seis cursos de pós-graduação stricto sensu, além de outros espalhados pelas cidades dos
estados.
Os campus das universidades, conhecidos como Cidade Universitária, distam quatorze
quilômetros do centro de Dourados. Devido à proximidade geográfica, as duas instituições
são separadas apenas pela a rua que marca a linha divisória, o que favorece as relações
cooperativas interinstitucionais. Além de suas bibliotecas, essas universidades desenvolvem
outras atividades de forma cooperativa e colaborativas a exemplo do ENEPEX3 que acontece
anualmente dentro do projeto de extensão e parceria de estágio contemplados o projeto de
ensino.
A UEMS foi quem começou a construir o prédio que hoje é de propriedade da UFGD.
Estava em andamento à edificação de um prédio destinado a construção de sua biblioteca até a
criação da universidade federal. Com o nascimento da nova universidade, resultado do
desmembramento do campus avançado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(MS), a área da então biblioteca em construção, passou a pertencer à recém-criada
universidade, mas com o prédio inacabado e terreno que até então era de propriedade da
UEMS, entrou na negociação com a então UFGD.
Por falta de recursos, a universidade estadual não conseguiu finalizar a obra. Não
podendo concluir, as duas instituições fizeram um acordo ficando estabelecido que a federal
terminaria a construção do prédio da biblioteca, ficaria com a propriedade do terreno e em
troca cederia mil metros de área para a UEMS em outro local no mesmo campus, além
fornecer espaço para alocação da Biblioteca da UEMS no prédio da nova Biblioteca da
UFGD.
A nova Biblioteca Central da UFGD foi inaugurada no final de 2012 onde começaram
a funcionar as duas unidades bibliotecárias que se mantém até hoje. A biblioteca da UEMS
ocupa o espaço firmado no acordo de modo que acervos e gestão dela e da Biblioteca da
UFGD são desenvolvidos separada e independentemente.
As duas principais razões prescritas no documento pacto além das questões iniciais já
citadas que norteiam a convivência das duas bibliotecas universitárias prevê o
“compartilhamento de espaço físico, de área e acesso compartilhado de acervos bibliográficos
no prédio da Biblioteca Central da UFGD” (UNIVERSIDADE, 2014). A efetivação junto aos
usuários do compartilhamento dos materiais de informação ocorre por meio dos empréstimos
interbibliotecários, objeto desta pesquisa.

4 RESULTADOS FINAIS
A partir da revisão de literatura sobre tema, ficou evidente que o acordo de
“cooperação técnica” formalizado entre as bibliotecas da UFGD e UEMS para
compartilhamentos dos recursos informacionais, dada sua finalidade, permite caracterizá-lo
como cooperação bibliotecária expressa na literatura internacional. Isso porque o pacto
firmado é voluntário, cujas causas estão ligadas a fatores econômicos; tem objetivos comuns;
está tipificada na categoria de intercâmbio ou troca de serviços com objetivo de compartilhar
recursos informacionais, no caso, o espaço das bibliotecas e documentos bibliográficos.
3

Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão que acontece na Cidade Universitária em Dourados, encontro
organizado pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e pela Universidade Federal da Grande Dourados.
Disponível em: &lt;http://www.enepex.com.br/site/&gt;. Acesso em 10 mar. 2016.

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Se a limitação de recursos é uma das razões que leva essa atividade acontecer,
consequentemente sua principal contribuição é a ampliação de acervos para atender uma
comunidade usuária sem aumento de custos econômicos para a instituição bibliotecária que
está promovendo o serviço.
A segunda análise versa sobre o levantamento dos dados de circulação de empréstimos
interbibliotecas. Após análise e descrição dos relatórios que informam sobre o fluxo de
circulação dos empréstimos interbibliotecas entre as duas universidades, destacam-se os
resultados gerados desde a instalação da nova estrutura para comportar as duas bibliotecas.
Essa análise servirá para avaliar se o acordo está apresentando efeitos em termos
práticos ou não, olharmos particularmente para a atividade de empréstimos de materiais
bibliográficos conforme previu o contrato de cooperação técnica entre as duas instituições,
dentro da perspectiva da cooperação entre bibliotecas de instituições diferentes.
A tabela seguinte apresenta o volume de empréstimos que cada biblioteca universitária
efetuou para a comunidade acadêmica da sua instituição cooperante. Para proceder à
interpretação dos dados considerou-se cada um dos quatros segmentos de usuários do serviço
dentro de cada universidade.
Tabela 1 - Quantidade de empréstimos interbibliotecários de materiais bibliográficos que as
bibliotecas UFGD e da UEMS efetuaram entre si.
SEGMENTOS

UFGD para UEMS

UEMS para UFGD

18308

9835

Aluno de pós-graduação

228

720

Docente

1031

217

Servidores não docente

528

95

20095

10867

Aluno de graduação

TOTAL

Fonte: Dados extraídos dos sistemas de gerenciamento bibliotecário da UFGD e da UEMS.
Considerando as informações da tabela 1, nota-se que o volume geral de empréstimos
interbibliotecas efetuados pela UFGD foi maior, representando quase o dobro do que ela
recebeu da UEMS. Analisando por segmento, a UEMS somente realizou mais atendimentos
do que recebeu se considerar o segmento ‘alunos de pós-graduação’ da UFGD sendo
atendidos pela estadual.
Significa dizer que o número de estudantes de pós-graduação da universidade federal
atendidos pela UEMS representa cerca de três vezes mais do que o número de atendimento
recebido pela universidade estadual nesta mesma categoria. Isso pode se justificar devido ao
fato de a UFGD possuir um quantitativo maior neste segmento, uma vez que atualmente são
vinte e oito cursos de pós-graduação, enquanto a UEMS em Dourados possui apenas seis
cursos neste nível. Por isso em números absolutos, a Biblioteca da UEMS atende mais a da
UFGD do que é atendida no segmento da pós-graduação.
Nos demais segmentos, a Biblioteca da UFGD atende mais do que é atendida em
número total de empréstimos: os atendimentos feitos aos alunos de graduação da UEMS pela
biblioteca da federal representam quase o dobro do atendimento dos alunos da UFGD
atendidos pela Biblioteca da UEMS. São cerca de 440 empréstimos mensais em média que a
Biblioteca da UFGD fez à comunidade acadêmica da universidade estadual contra 238
atendimentos mensais que a Biblioteca da UEMS fez para os discentes da UFGD.
Já o segmento docente da UEMS recebeu cerca de cinco vezes mais empréstimos

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quando comparados aos docentes da UFGD atendidos pela Biblioteca da UEMS. Quanto aos
servidores não docentes, têm-se os da UEMS fazendo empréstimos na Biblioteca da UFGD
próximo de cinco vezes o número que esse segmento da federal recebeu da biblioteca da
estadual.
Em números absolutos, os quatro segmentos da UEMS atendidos pela Biblioteca da
UFGD somam 20095 empréstimos efetuados nestes três anos e cinco meses, contra 10867 que
a biblioteca da universidade estadual fez para a comunidade de usuários da UFGD. Logo, isso
evidencia a existência de troca mais ou menos equilibrada de serviços de empréstimos
interbibliotecários, satisfazendo assim, o que propõem uma cooperação bibliotecária.
A fotografia abaixo mostra o balcão de atendimento e acesso às bibliotecas da UFGD e
UEMS. Todo o espaço pertence à Biblioteca da UFGD, mas é a área comum aos usuários das
duas universidades quando procuram qualquer uma das duas bibliotecas. Ao fundo do balcão
em vermelho, tem-se a porta de acesso ao espaço reservado à Biblioteca da UEMS.
Fotografia 1 – Fotografia da Biblioteca Central da UFGD, mostrando ao fundo a porta de
acesso ao espaço destinado a Biblioteca da UEMS.

Fonte: o autor (fotografia tirada em 13 de março de 2016).
O fluxo de empréstimos interbibliotecários embora aconteça nos dois sentidos entre as
bibliotecas universitárias cooperantes, a Biblioteca da UFGD é responsável pelo maior
volume de atendimentos absolutos dessa modalidade de empréstimos. Relativizando o
número de empréstimos interbibliotecas nessa parceria, verifica-se que a Biblioteca da UFGD
possui estrutura com melhores condições e capacidade para atender tais demandas.
Conta com uma composição de quase 47 mil títulos e 120 mil exemplares de acervo,
uma biblioteca com três pisos, médio espaço de circulação e atendimento, sala de informática
e banheiros no primeiro piso; médio espaço para acervo ao lado de salas de estudos em grupos
além de setores de processamento da informação no segundo piso e mezanino com cabines
para estudo individual no terceiro piso. Tudo isso para atender 42 cursos de graduação, 28 de
pós-graduação além dos professores e servidores não docentes do campus para atender essas
demandas. Além disso, tem mais os 20 mil atendimentos feitos à comunidade universitária da
UEMS que contabiliza média de 5875 atendimentos/ano. Nestas condições, naturalmente atrai
mais usuários em busca de informação.
Já a Biblioteca da UEMS conta com uma estrutura que possui acervo com cerca de 20
mil títulos e 46 mil exemplares em um espaço reduzido, poucas salas para servidores atender
16 cursos de graduação e seis de pós-graduação, os docentes desses cursos e servidores não
docentes do campus, além da demanda de quase 11 mil empréstimos interbiblioteca totais

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feitos à comunidade acadêmica da UFGD (cooperante) representando assim uma média de
3177 atendimentos/ano.
Considerando a estrutura em face da capacidade de atendimento com empréstimos
interbibliotecários, a da Biblioteca da UEMS apresenta condições reduzidas em relação à
Biblioteca da UFGD, mas ainda sim manteve uma média de atendimentos/ano significativa se
comparado com as condições encontradas na biblioteca da federal relacionadas ao volume de
atendimentos feito à UEMS. Não se observou, contudo, razões significativas que caracterize a
relação de cooperação desequilibra no que respeita a oferta e atendimentos para qualquer um
dos lados.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este breve estudo permitiu uma visão geral do empréstimo interbibliotecário dentro da
proposta de cooperação interinstitucional. A partir das informações encontradas na literatura
da Biblioteconomia ficou evidente que essa cooperação bibliotecária tem sido objeto de
reflexão em muitos países. Já o empréstimo interbibliotecário é uma de suas atividades mais
recorridas quando se trata de necessidades para superar as limitações de recursos no âmbito da
biblioteca universitária.
A noção de empréstimo interbibliotecário que Merlo Vega (1999) e Gómez Hernández
(2002) apresentam foi encontrada no acordo firmado entre as bibliotecas da UFGD e UEMS
em função de suas razões. Os motivos que levaram as instituições desse estudo a assinarem o
contrato cooperativo se relacionam principalmente à insuficiência de recursos e/ou
minimização de investimentos na edificação de suas bibliotecas e, a decisão do uso
compartilhado de recursos bibliográficos como consequência do acordo inicial.
Por meio da análise dos relatórios de fluxo de empréstimo interbibliotecário entre as
duas bibliotecas universitárias estudadas constatou-se que esse tipo de prestação de serviço
está beneficiando as duas comunidades universitárias mais ou menos de forma equilibrada.
Inicialmente a UEMS foi favorecida com a barganha, ao receber um terreno em troca
do prédio da biblioteca inacabada desde a década de 1990. Depois firmou o acordo que lhes
garantiu o direto de ocupar por 20 anos o espaço da Biblioteca da UFGD para instalação da
sua. A comunidade acadêmica da UEMS apesar de não possuir uma biblioteca para chamar de
sua, pode usar a Biblioteca da UFGD para o empréstimo de materiais que não pertencem
instituição estadual, mas está disponível para seu uso. Da mesma forma, seu espaço da
biblioteca está aberto para comunidade universitária da universidade federal.
A UFGD também ganhou ao herdar o prédio da biblioteca já iniciado no passado e o
terreno em que está construída. Dispondo de mais recursos naquele momento para criação e
ampliação da nova universidade, inaugurou a construção que hoje está instala a Biblioteca
Central da UFGD.
Além disso, com a Biblioteca da UEMS alocada dentro da Biblioteca da UFGD, tem
favorecido as duas comunidades acadêmicas que podem usar ambos os espaços para estudo
individual e coletivo favorecendo o compartilhamento de recursos informacionais, troca de
experiências beneficiando assim a ampliação da rede de relacionamento acadêmico que os
usuários podem ter.
Por fim, o breve estudo propôs refletir particularmente sobre a atividade de
empréstimo interbibliotecário na perspectiva da cooperação bibliotecária envolvendo apenas
duas instituições bibliotecárias de universidades públicas. Torna-se indispensável novos
estudos para aprofundar esta pesquisa de modo que o lócus de investigação envolva um
número maior e mais representativo de bibliotecas universitárias.

6 REFERÊNCIAS

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cion.ucm.es/info/multidoc/multidoc/revista/num10/paginas/pdfs/Lorera.pdf&gt; Acesso em 07
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REDE DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS ESPANHOLAS. Disponível em:
&lt;http://www.rebiun.org/queesrebiun/Paginas/default.aspx&gt; Acesso em: 03 fev. 2016.
RUIZ CHACÓN, Gisela. Gestión de colecciones en entornos consorciados: modelos de catálogos colectivos y organización de recursos electrónicos. El profesional de la información,
v. 14, n. 3, mao-jun, p. 174-189, 2005.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS. Acordo de cooperação técnica.
Disponível em: &lt;http://www.ufgd.edu.br/convenios/acordos-de-cooperacao-tecnica&gt;. Acesso
em: 05 dez. 2014.

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                <text>Aborda o empréstimo interbibliotecário como uma das principais atividades da cooperação bibliotecária. Analisa a cooperação entre bibliotecas como uma das alternativas para superação de dificuldades econômicas e ampliação das condições de acesso à informação. Pesquisa nas bibliotecas universitárias da Universidade Federal da Grande Dourados e na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul o funcionamento do empréstimo entre bibliotecas a partir do acordo de cooperação técnica entre as duas instituições. Este contrato entre as duas universidades pode ser considerado um acordo de cooperação bibliotecária em que o empréstimo interbibliotecário é a principal atividade desenvolvida em conjunto. O resultado demonstra que cada biblioteca universitária está cooperando e sendo beneficiada pela cooperação com os empréstimos entre suas bibliotecas, justificando assim a manutenção do acordo.</text>
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                    <text>EMPRÉSTIMO DE SACOLA RETORNÁVEL JUNTO AOS LIVROS
NUMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DO ESPÍRITO SANTO:
RELATO DE EXPERIÊNCIA

Danielly Crystine Peixoto (UVV) - daniellypeixoto@yahoo.com.br
Marcileia Seibert de Barcellos (IFES) - marcileia.seibert@ifes.edu.br
Resumo:
Considerando o papel educativo que a biblioteca universitária deve realizar com seus usuários,
o projeto objetiva conscientizar o público que frequenta a Biblioteca Central e utiliza o serviço
de empréstimos de livros, para que esses sejam capazes de compreender seu importante papel
na preservação do meio ambiente, fazendo-os refletir sobre suas atitudes no dia a dia,
modificando o hábito de usar sacolas plásticas para acondicionar seus livros, substituindo-as
por sacolas retornáveis, colaborando, assim, com a diminuição de intoxicação do ecossistema e
com foco na sustentabilidade. Este trabalho tem o intuito de identificar, após uma avaliação
final, onde se realizou um estudo de caso, com pesquisa exploratória, através de relatórios do
Sistema Pergamum, a quantidade de usuários que optaram pela prática de empréstimos das
sacolas ecológicas, bem como identificar possíveis sinistros, além de fazer uma avaliação
quanto à durabilidade do material com que foram confeccionadas as sacolas, nesses últimos
quatro anos de uso. Pretende-se, com tais ações, não somente informar a comunidade
acadêmica sobre os prejuízos que as sacolas plásticas lançadas no meio ambiente têm causado
ao nosso habitat natural, como também oferecer-lhes alternativas para substituí-las a médio e
longo prazo, bem como disponibilizar uma vasta programação que mobilize nossos usuários de
forma a reconhecer a responsabilidade social que todo cidadão deve ter.
Palavras-chave: Sacola Retornável 1. Preservação do meio ambiente 2. Empréstimo 3.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Planejamento Estratégico e Sustentabilidade

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Biblioteca torna-se uma instituição democrática por excelência ao prestar serviços
de informação para os usuários de sua comunidade acadêmica e também ao conscientizá-los
na compreensão do seu papel enquanto sujeitos históricos e cidadãos capazes de integrar-se
plenamente numa sociedade que vive constantes transformações.
Nesse sentido, o projeto, a princípio, consistiu na conscientização do público que
frequenta a Biblioteca Universitária Central da Universidade Vila Velha (UVV) e utiliza o
serviço de empréstimos de livros, com foco na sustentabilidade e ação social voltada à
valorização do meio ambiente. Com a elaboração dessa proposta, espera-se que os usuários da
Biblioteca Central sejam capazes de compreender seu importante papel quanto o equilíbrio e a
preservação do meio ambiente e, ainda, de refletir sobre suas atitudes no dia a dia,
modificando o hábito de usar sacolas plásticas para acondicionar seus livros, substituindo-as
por sacolas retornáveis, colaborando com a diminuição de intoxicação do meio ambiente.
Diante disso, pretende-se aprimorar os serviços oferecidos pela Biblioteca Central, a
fim de fazer com que nosso usuário reflita sobre a importância da preservação ambiental e do
consumo sustentável, de forma a perceber a relevância do uso da sacola ecológica retornável,
em vez de sacolas plásticas, conscientizando os usuários sobre os impactos da produção
excessiva de lixo no meio ambiente, visando que os mesmos repensem acerca de suas atitudes
cotidianas, produzindo e estilizando sacolas retornáveis, para armazenar de forma segura o
material emprestado e que deverá ser devolvida junto com o livro no momento da devolução
de seu empréstimo.
Em sintonia com o papel educativo que a biblioteca universitária deve realizar e com a
necessidade de conscientizar seus usuários, pretendemos não somente informar nossa
comunidade acadêmica sobre os prejuízos que as sacolas plásticas lançadas no meio ambiente
têm causado ao nosso habitat natural, como também oferecer-lhes alternativas para substituílas a médio e longo prazo, bem como disponibilizar uma vasta programação que os mobilize
de forma a contribuir com a responsabilidade social que todo cidadão deve ter.

2 Biblioteca x Sustentabilidade
A biblioteca é um espaço no qual há um vasto repositório de informações oriundas das
mais diversas produções literárias, as quais estão disponíveis para consulta e que contribuem
para a aprendizagem permanente. Segundo José Barboza Mello (1972), a origem de sua
palavra vem do “grego biblion, livro, e theke, caixa, cofre, armazém ou depósito de livros.
[...] Acervo formado por livros gravados em placas de argila, pedras ou metais. [...]”
(MELLO, 1972, p. 212).
Wilson Martins (2001) relata que a história das bibliotecas físicas antecede a criação
dos livros na forma impressa como se conhece hoje, e é, até mesmo, anterior aos seus
manuscritos. Elas tiveram sua origem como depositárias de informações em suportes como
tabletes de argila - bibliotecas “minerais”-, e também em rolos de papiros, pergaminhos e
códices - bibliotecas “animais e vegetais”, respectivamente. Ao longo do tempo, essas
transformações ocorridas fizeram com que a visão de que as bibliotecas eram “depósito de
livros” foi deixando de existir e nos últimos anos este estigma foi dando lugar a um conceito
novo de que a biblioteca é um espaço de transmissão da cultura e do conhecimento,
disponibilizando a comunidade o acesso a seu acervo.
A criação da Universidade é o maior acontecimento medieval, que decide o destino de
toda a civilização. Hoje, as atividades exigidas à Biblioteca são totalmente diferentes daquelas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

realizadas antigamente. Na sociedade do conhecimento, a biblioteca universitária passa por
um momento importante no que se refere ao seu papel de apoio ao processo educacional.
As Bibliotecas Universitárias são organizações complexas com inúmeras funções e
serviços que foram desenvolvidos ao longo do tempo, dessa forma, fica evidente que a
Biblioteca, com todas as transformações realizadas, carrega em si uma responsabilidade de
assumir o papel social de forma perene, visto que sua principal atividade é transmitir cultura.
Diante do exposto, o ambiente de uma Biblioteca não é visto somente como depósito,
mas também como um espaço que exerce as funções educacional, informacional, cultural e de
lazer, além da consciência cidadã. Ainda nesse contexto, em que a Biblioteca se torna
importante no processo cultural e cidadão, é importante uma reflexão sobre atividades
sustentáveis, principalmente aquelas práticas que podem fazer parte da rotina das bibliotecas,
com a intenção de promover uma consciência ambiental. É notável a urgência de uma
consciência ecológica, considerando os problemas e as agressões praticadas ao planeta. Nesse
momento, a Biblioteca entra como colaboradora para a educação ambiental, incorporando
práticas sustentáveis nas pequenas atividades diárias (ARRUDA; GOMES, 2011).
Há mais de 10.000 anos é que surgiam as primeiras embalagens, as quais eram
utilizadas como simples recipientes para guardar água ou estocar alimentos. Tais utensílios,
nada mais eram que as cascas de coco ou conchas do mar, usadas em seu estado natural, sem
qualquer beneficiamento. Ainda hoje, existem muitos materiais reutilizáveis no mundo, tais
como no passado, e temos plena consciência de que, se nos esforçarmos, será possível
vivermos sem os descartáveis vindos do plástico, através da conscientização do passado e
presente, para a preservação do futuro da nossa geração (A HISTÓRIA..., 2007).
Por isso, entendemos que a utilização de sacolas plásticas para acondicionamento de
material bibliográfico após o empréstimo por parte dos usuários, tinha que ser revista, uma
vez que tal prática prejudica o meio ambiente. Sabemos, por exemplo que um simples saco
plástico é derivado de petróleo e sua degradação no ambiente pode levar séculos. Depois de
usadas, muitas sacolas são descartadas de maneira incorreta, aumentando a poluição e
entupindo bueiros que escoam as águas das chuvas ou indo parar nas matas e oceanos, sendo
ingeridas por animais que morrem sufocados ou presos nelas. Pouquíssimas chegam a ser
recicladas. (BRASIL, 2016).
Diante de tais informações, nos articulamos e elaboramos o projeto, além de urgir em
nós, bibliotecários, a necessidade de fazermos algo em benefício do nosso meio ambiente.
Movidos por tais pensamentos e por pedidos de nossos dirigentes, surgiu a ideia de
substituirmos nossas sacolas plásticas descartáveis por sacolas não descartáveis (retornáveis).

3 Materiais e métodos
A implantação do empréstimo das sacolas retornáveis na UVV foi previamente
elaborada em comum acordo com a Direção da Biblioteca e foi aprovada preliminarmente
pela Vice-Reitoria e com a ciência do Setor de Comunicação Institucional. O objetivo da
proposta operacional de empréstimo das sacolas retornáveis foi algo experimental, sendo que
foram encontrados muitos desafios na realização de tal trabalho, os quais foram estudados
com toda a cautela necessária.
Num primeiro momento, as sacolas retornáveis foram cadastradas no Sistema de
Gerenciamento de Bibliotecas (Pergamum), num único acervo, e foram gerados aos poucos
seus respectivos exemplares. Após tal procedimento, anexamos uma etiqueta de identificação
para leitura do código de barras em um pequeno bolso transparente, confeccionado
especificamente para a efetuação do empréstimo domiciliar deste item. (FIGURA 1).

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Figura 1 – Código de barras para empréstimo
Fonte: Comunicação Institucional – UVV (2012)
O empréstimo domiciliar das sacolas retornáveis foi facultado aos alunos de graduação e aos
funcionários da Instituição, que poderiam retirá-las, por empréstimo, juntamente com seu
material bibliográfico impresso (livros), por um período de sete dias úteis. Já os alunos de
pós-graduação e professores poderiam retirá-las, juntamente com seu material bibliográfico
impresso, por empréstimo, por um período de 14 dias úteis. Porém, os usuários só poderiam
retirar uma sacola retornável quando acompanhada de seu material bibliográfico impresso,
por empréstimo. Ou seja, não seria permitido o empréstimo somente de sacolas retornáveis.
Caso o usuário devolvesse o material bibliográfico atrasado, ele teria que efetuar o
pagamento de uma multa de R$1,00 (um real) por exemplar e por dia (exceto sábados e
domingos e feriados). Em caso de sinistro da sacola retornável, o usuário de posse da
responsabilidade de tal material deverá justificar-se pessoalmente no Setor de Atendimento ao
Usuário e/ou com alguma bibliotecária de plantão.
Tais atividades iniciaram em meados do ano de 2012, e consistiu num primeiro
momento numa fase experimental e de adaptações, mas com o projeto já implantado e em
pleno vapor, surgiu a necessidade de averiguação dos resultados esperados. Avaliação do
material que foi confeccionado as sacolas retornáveis, quantificar o número de empréstimos
dessas sacolas juntos aos seus livros entre outros detalhes que pudemos explanar mediante à
nossa pesquisa.
Inicialmente, sabemos que dar início a uma pesquisa, em qualquer campo do
conhecimento humano, é como partir a uma viagem instigante e desafiadora, pois traz consigo
uma sensação do novo em confronto com o desconhecido, ou seja, urge o preenchimento de
algo que se encontra insuficiente, e até escasso, na nossa área de estudo. A pesquisa, segundo
José D'Assunção Barros (2007), é uma atividade para dar-se prosseguimento a esse processo,
ou melhor, a essa viagem em busca do desconhecido ou do preenchimento de certas lacunas
do âmbito científico.
Em parte, demonstrar-se-á também como uma pesquisa do tipo levantamento, que
apresenta a vantagem da investigação direta da realidade, de certa maneira econômica e
rápida, ao permitir entrevistar os sujeitos, cujas opiniões se desejam conhecer. Nessa
perspectiva, Antônio Carlos Gil (1999, p. 20) afirma que “[...] as pesquisas deste tipo se
caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer [...]
procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do
problema estudado para em seguida [...] obter as conclusões correspondentes dos dados
coletados.”

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Sacolas Retornáveis
3 3

11

24
Excluídas
Rasgadas
Alça Solta
Manchas

Descosturadas

98

Gráfico 4 – Situação das sacolas
Fonte: Elaborada pelo autor
Das 420 sacolas existentes, 33%, ou seja, 139, apresentaram algum tipo de defeito,
sendo 112 sacolas que estão sem condições de utilização, o que corresponde 26,6% do total e
27 sacolas, 6,4% foram levadas para reparo.
Com as sacolas cada vez mais sofrendo os desgastes naturais, à medida que aparecem
os problemas, as sacolas são afastadas no Sistema Pergamum, com isso, a quantidade de
sacola disponível para o empréstimo diminuiu fazendo com que o número de alunos atendidos
também diminuísse. Diante desse novo cenário, com as sacolas desgastadas, é necessário que
ocorra a substituição por novas sacolas. Mesmo com a substituição do material, os códigos
cadastrados no sistema serão os mesmos, mantendo assim o histórico dos empréstimos
realizados. As sacolas que estão em situação de excluídas foram sacolas perdidas por alunos e
que também serão substituídas. As sacolas estragadas (rasgadas, manchadas) serão
descartadas, pois muitas delas não estão em condições de uso. Já as sacolas com problemas na
alça ou descosturadas foram enviadas para o conserto, retornando então, para utilização diária.

5 Considerações parciais/finais
Enfim, concluímos então que este projeto de substituição de sacolas plásticas por
sacolas retornáveis é de extrema importância para nossa comunidade acadêmica, uma vez
que, tal ação, não somente serve para informar nossa comunidade acadêmica sobre os
prejuízos que as sacolas plásticas lançadas no meio ambiente têm causado ao nosso habitat
natural, mas também oferecer-lhes alternativas para substituí-las a médio e longo prazo, bem
como disponibilizar uma vasta programação que mobilize nossos usuários de forma a
contribuir com a responsabilidade social que todo cidadão deve ter.
O foco da conscientização da comunidade acadêmica usuária da Biblioteca Central da
UVV para redução, a princípio, e substituição possível, após essa avaliação final através de
nossa pesquisa, mostrou que nosso público está mais antenado quanto à preservação do meio
ambiente e esse foi um fator motivador para que mais ações sejam desenvolvidas por nossa
biblioteca, no que tange o meio ambiente.
Campanhas de divulgação do serviço são realizadas ao longo do ano com o objetivo de
conseguir uma adesão maior a esse hábito por parte dos usuários de nossa Biblioteca. As

�8

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ações realizadas pela Biblioteca para a preservação do acervo reforçam ainda mais a
importância do projeto “Sacolas Retornáveis”, visto que, além do desgaste natural causado
pela grande rotatividade dos livros, temos observado que muitas vezes o material é devolvido
sem etiqueta, com a capa úmida e suja. O controle racional e sistemático de condições
ambientais não reduz apenas os problemas de degradação, mas também e, principalmente,
evita seu agravamento.
Sendo assim, acreditamos que nosso projeto aumentou valores que às vezes são
esquecidos e deixados de lado por nossos usuários, valores esses que são importantes na
formação dos indivíduos, para que eles tenham uma visão mais ampla do mundo ambiental,
visem um entendimento pleno sobre a longevidade dos livros e documentos enquanto bens
culturais e sejam formadores de opinião para a geração futura.

6 Referências
ARRUDA, Ylka Danielle Lima Prado de; GOMES, Oriana Gonçalves. Educação Ambiental
na Biblioteca. XIV Encontro Regional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação,
Ciência da Informação e Gestão da informação. São Luís, MA, 16 a 22 de janeiro de 2011.
A HISTÓRIA das embalagens. 2007. Disponível em:
&lt;http://www.inovaembalagens.com.br/link.php?id=26&gt;. Acesso em: 15 abr. 2016.
BARROS, José D'Assunção. O projeto de pesquisa em história: da escolha do tema ao
quadro teórico. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Saiba mais. Disponível em: &lt;
http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/producao-e-consumosustentavel/saco-e-um-saco/saiba-mais&gt;. Acesso em: 15 abr. 2016.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 15. ed. Rio de Janeiro: J.
Zahar, 2002.
MARTINS, Wilson. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da biblioteca.
3. ed. São Paulo: Ática, 2001.
MELLO, Jose Barboza. Síntese histórica do livro. Rio de Janeiro: Leitura, 1972.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Considerando o papel educativo que a biblioteca universitária deve realizar com seus usuários, o projeto objetiva conscientizar o público que frequenta a Biblioteca Central e utiliza o serviço de empréstimos de livros, para que esses sejam capazes de compreender seu importante papel na preservação do meio ambiente, fazendo-os refletir sobre suas atitudes no dia a dia, modificando o hábito de usar sacolas plásticas para acondicionar seus livros, substituindo-as por sacolas retornáveis, colaborando, assim, com a diminuição de intoxicação do ecossistema e com foco na sustentabilidade. Este trabalho tem o intuito de identificar, após uma avaliação final, onde se realizou um estudo de caso, com pesquisa exploratória, através de relatórios do Sistema Pergamum, a quantidade de usuários que optaram pela prática de empréstimos das sacolas ecológicas, bem como identificar possíveis sinistros, além de fazer uma avaliação quanto à durabilidade do material com que foram confeccionadas as sacolas, nesses últimos quatro anos de uso. Pretende-se, com tais ações, não somente informar a comunidade acadêmica sobre os prejuízos que as sacolas plásticas lançadas no meio ambiente têm causado ao nosso habitat natural, como também oferecer-lhes alternativas para substituí-las a médio e longo prazo, bem como disponibilizar uma vasta programação que mobilize nossos usuários de forma a reconhecer a responsabilidade social que todo cidadão deve ter.</text>
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                    <text>ELABORAÇÃO DE CRITÉRIOS DE VALORAÇÃO PARA OBRAS
DOADAS PARA FINS DE PATRIMONIAMENTO E
DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES

Suzana Mingorance (UNILA) - su_mingo@hotmail.com
Resumo:
Este trabalho pretende apresentar um Relato de Experiência sobre Elaboração e implantação
de critérios de valoração para livros doados para o Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal da Integração Latino-Americana - UNILA. Estes critérios foram elaborados com o
objetivo de atender as necessidades do Setor de Patrimônio para fins contábeis. O texto
também apresenta a metodologia utilizada para sua instauração e inserção na Política de
Desenvolvimento de Coleções. Através de um quadro explicativo apresenta o procedimento
para atingir o critério de valor a partir das características físicas e dados relacionados à
publicação do material bibliográfico doado, possibilitando a atribuição do valor independente
de análise do conteúdo literário.
Palavras-chave: Patrimônio. Política de Desenvolvimento de Coleções. Critérios de Valoração.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este trabalho pretende apresentar um Relato de Experiência sobre Elaboração e implantação de critérios de valoração para livros doados para o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana - UNILA. Estes critérios foram elaborados com o objetivo de atender as necessidades do Setor de Patrimônio para fins contábeis. O texto também apresenta a metodologia utilizada para sua instauração e inserção na Política de Desenvolvimento de Coleções. Através de um quadro explicativo apresenta o procedimento para atingir o critério de valor a partir das características físicas e dados relacionados à publicação do material bibliográfico doado, possibilitando a atribuição do valor independente de análise do conteúdo literário.</text>
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                    <text>EDUCAÇÃO E GÊNERO EM PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS
BRASILEIRAS: um estudo a partir da base Educ@

Denise Regina Quaresma da Silva (UFRGS) - denisequaresmadasilva@gmail.com
Helen Rose Flores ( UFRGS) - helen.flores@ufrgs.br
Resumo:
O texto inicialmente conceitua Gênero e após discutir como o tema relata um estudo sobre a produção bibliográfica
sobre Educação e Gênero disponível na Base de Dados Educ@, e publicada de 2010 a 2014. Trata-se de estudo
bibliométrico que analisa os artigos incluídos na base eletrônica Educ@: publicações online de educação
(http://educa.fcc.org.br), foi escolhida como fonte de informações, tendo em vista os 36 títulos de periódicos sobre
Educação que arrola, bem como o fato de utilizar a metodologia SciELO (Scientific Eletronic Library Online http://www.scielo.br), que possui recursos de busca que possibilitam a recuperação de artigos digitais de origem
nacional em formato integral. Como estratégia de busca foi utilizado índice de artigos, sendo nele eleitos os seguintes
termos assim combinados: (1) “educação” and (2) “gênero” e (3) “gênero e educação”. A busca resultou na
localização de 37 artigos que foramanalisados. Os resultados mostram um crescimento no número de
artigos sobre Educação e Gênero constantes na base Educ@ nos anos de 2013 e 2014, o que reflete
expansão da área, sendo uma de suas expressões o crescimento da produção científica. Na área de Educação, a
discussão sobre Gênero precisa ser incentivada para ampliar os horizontes de todos os envolvidos (docentes,
discentes e demais participantes da escola), diminuir os preconceitos e incentivar o respeito a diversidade.
Palavras-chave: Estudo biblimétrico. Educação e gênero.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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1 Introdução
O interesse em estudar o tema Educação e Gênero surgiu a partir do Seminário
Introdução aos Estudos de Gênero e Educação, realizado durante o Mestrado em Educação na
Unilassale (RS).
Para constituir a população desse estudo, escolheu-se o artigo científico como fonte
de dados, uma vez que esse formato de literatura representa atualmente o tipo de publicação
mais aceito pela comunidade científica.
Silva (2004) citado por Silva e Hayashi (2008) afirma que a maioria da produção
técnica e científica é publicada em periódicos científicos que os artigos arbitrados e
publicados em periódicos constituem o padrão de disseminação da pesquisa científica nas
diversas áreas do conhecimento e constituem os indicadores do desenvolvimento científico de
um país ou do desempenho individual de um cientista ou instituição. O periódico científico é
considerado pela autora o principal modelo dentre os canais de comunicação da ciência,
representando o espaço de divulgação dos registros dos resultados de pesquisa e elaboração
teóricas.
O objetivo deste estudo é localizar artigos que tratem do tema Educação e Gênero,
publicados durante o período de 2010 a 2014, identificando os periódicos onde foram
publicados, autoria individual ou múltipla e aspectos tratados.

2 Revisão de literatura
Inicialmente buscamos identificar o significado de Gênero a fim de subsidiar a
discussão sobre o tema, e encontramos em Scott (1994) citada por Carvalho (2011) a
afirmação de que gênero é a organização social da diferença sexual percebida, não
significando que reflita ou implemente diferenças físicas fixas e naturais entre homens e
mulheres, esclarecendo que gênero é o saber que estabelece significados para as diferenças
corporais, sendo que estes variam de acordo com as culturas, os grupos sociais e no tempo, já
que o corpo não determina univocamente como a divisão social será estabelecida.
Corroborando esta ideia temos a afirmação de Meyer (2004) de que o conceito de
gênero remete a todas as formas de construção social, cultural e lingüística que diferenciam
mulheres de homens, incluindo processos que produzem seus corpos, distinguindo-os e
nomeando-os como corpos dotados de sexo, gênero e sexualidade. Para ela o conceito de
gênero privilegia o exame dos processos que instituem essas distinções biológicas,
comportamentais e psíquicas percebidas entre homens e mulheres, nos afastando de
abordagens que tendem a focalizar subordinações que seriam derivadas do desempenho de
papéis, funções e características culturais estritas de mulheres e homens, para aproximar-nos
de abordagens que tematizam o social e a cultura, em sentido amplo, como sendo constituídos
e atravessados por representações múltiplas, provisórias e contingentes de feminino e de
masculino e que, ao mesmo tempo, produzem e/ou ressignificam essas representações.
As considerações de Vianna e Finco (2009) complementam esta definição ao afirmar
que ultrapassar a desigualdade de gênero pressupõe a compreensão do caráter social de sua
produção, a maneira como nossa sociedade opõe, hierarquiza e naturaliza as diferenças entre
os sexos, reduzindo-as às características físicas tidas como naturais e, consequentemente,
imutáveis. Implica perceber que essa visão é reforçada pelas explicações oriundas das ciências
biológicas e também pelas instituições sociais, como a família e a escola, que não reconhecem
o processo de construção dessas preferências, sempre passíveis de transformações.
Uma vez que a disciplina falava de Educação e Gênero procuramos subsídios para
discutir o tema, e no texto de Oliveira (2011) lemos sobre a importância da discussão sobre
Gênero na Educação, ao falar do sofrimento oriundo das relações onde as diferenças não são

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respeitadas. Estas relações não envolvem somente alunos, mas do corpo pedagógico, os
docentes, os prestadores de serviço para a escola e nós mesmos. Ensinar sobre formas de se
relacionar de modo diferente do que é estabelecido, é contribuir para uma maior compreensão
da diferença, “prevenindo” assim os preconceitos arraigados ao senso comum. E esse é o
papel da educação, que a partir de um viés científico e laico deve disseminar a discussão sobre
a importância de compreender as diferentes formas de relação, ensinar o respeito. Ressalta o
fato de que quando falamos de preconceitos falamos de violência.
Ainda falando o estudo de Educação e Gênero encontramos no texto de Meyer
(2004) a lembrança de que educar envolve o conjunto de processos pelos quais indivíduos são
transformados ou se transformam em homens e mulheres no âmbito de uma cultura e que esta
engloba as práticas de significação lingüística e os sistemas simbólicos através dos quais os
significados (que permitem a mulheres e homens conhecer e nomear seus corpos como corpos
sexuados e, com isso, entender suas experiências e delimitar modos de ser e de viver). Alem
disto tais estudos deveriam levar-nos a perguntar mais frequentemente quais posições de
sujeito a linguagem destas políticas e programas está produzindo e legitimando para mulheres
e homens, pais e mães, filhos e filhas e, consequentemente, que sujeitos de gênero elas estão
constituindo e educando.
Após a busca de material instigou-nos conhecer a produção bibliográfica disponível
sobre o assunto, e refletimos sobre a importância de saber o que foi publicado e ter acesso aos
documentos.
Para o desenvolvimento de qualquer área do conhecimento é fundamental que a
literatura produzida esteja visível para os pesquisadores e estudiosos. Assim sendo, os dados
sobre a produção científica tem sido cada vez mais objeto de estudos quantitativos –
considerados estudos bibliométricos. Conforme a definição constante nos Descritores em
Ciências da Saúde (DeCS) publicados pela BIREME, onde bibliometria é definida como: "O
uso de métodos estatísticos na análise de um corpo de literatura para revelar o
desenvolvimento histórico de campos de assuntos e padrões de autoria, publicação e uso.
Antigamente chamada bibliografia estatística". Os estudos da literatura produzida por uma
instituição, uma área do conhecimento ou um tema pressupõe o estabelecimento de variáveis
ou aspectos a serem mensurados, a partir da definição do que se quer medir.
Araújo (2006), sintetizando o texto de Vanti (2002) explica que bibliometria envolve
a aplicação de técnicas estatísticas e matemáticas para descrever aspectos da literatura e de
outros meios de comunicação (análise quantitativa da informação). Inicialmente conhecida
como “bibliografia estatística” (termo cunhado por Humlme em 1923), o termo foi
mencionado por Ortlet em 1934 no seu “Traité de Documentation”, sendo popularizado
apenas em 1969 a partir de um artigo de Pritchard que discutia a polêmica “bibliografia
estatística ou bibliometria”.
Estudos bibliométricos traçam um perfil de uma área do conhecimento, contudo são
sempre imagens parciais, devidos as limitações estabelecidas pelo pesquisador, tais como:
tipo de documentos, fontes de indexação, área geográfica, período de tempo, etc., sendo
também possível combinações destes enfoques.
A partir da discussão anterior podemos dizer que este é um estudo bibliométrico
descritivo, com resultados baseados em informações fornecidas a partir de um recorte da
literatura científica sobre Educação. Naseer e Mahmood (2009) mencionam que a
bibliometria inclui dois tipos de estudos: descritivos e avaliativos. Os estudos descritivos
referem-se à produtividade obtida pela contagem de livros, periódicos e outros formatos de
comunicação, enquanto que os estudos avaliativos estão relacionados ao uso da literatura por
meio da contagem de referências e citações em trabalhos de pesquisa.

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3 Materiais e métodos
A base eletrônica Educ@: publicações online de educação (http://educa.fcc.org.br),
foi escolhida como fonte de informações, tendo em vista os 36 títulos de periódicos sobre
Educação que arrola, bem como o fato de utilizar a metodologia SciELO (Scientific Eletronic
Library Online - http://www.scielo.br), que possui recursos de busca que possibilitam a
recuperação de artigos digitais de origem nacional em formato integral.
Na Figura 1 pode ser vista a página da base Educ@ disponível na internet, podendo
ser visualizadas as opções da busca iniciais, para periódicos, artigos e relatórios. Observa-se
contudo que na data de realização da consulta a opção relatórios ainda não estava disponível.

Figura 1 - Página da base Educ@
Fonte: Educ@. Disponível em: http://educa.fcc.org.br. Acesso em 11 maio 2015.

Como estratégia de busca foi utilizado índice de artigos, sendo nele eleitos os
seguintes termos assim combinados: (1) “educação” and (2) “gênero” e (3) “gênero e
educação”. A escolha foi feita a partir da consulta ao índice disponível na base e o recorte
temporal compreendeu o período de 2010 a 2014, com a utilização da seguinte expressão
limitadora: 2010 or 2011 or 2012 or 2013 or 2014.
Para registro dos dados foi criada uma planilha eletrônica como o uso do software
Excell, nela foram incluídas colunas para registro das variáveis a serem analisadas: (1) Título
do periódico porque indica o reflexo da aceitação editorial para publicação de estudos sobre
gênero; (2) Autor ou autores, para que pudéssemos identificar a preferência por autoria
individual ou coletiva; (3) Ano de publicação do artigo porque permite identificar tendência,
trajetória, utilização e aceitação de estudos de gênero por parte das revistas; (4) Palavraschave escolhidas pelos autores para representar o/os assuntos discutidos no texto, que
possibilita a identificação dos aspectos sobre o tema central encontrados nos textos; (5) Título
do artigo, que embora não fosse uma variável a ser analisada, poderia eventualmente facilitar
sua localização, caso fosse necessário retornar ao mesmo para dirimir dúvidas. Não foi
necessária submissão do projeto do presente estudo a nenhum Comitê de Ética em Pesquisa,

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Nesta lista se destaca o periódico Educar em Revista que publicou o maior número
de artigos sobre Educação e Gênero durante o período pesquisado (8 artigos). Segundo
informação constante em seu site o periódico Educar em Revista é publicado pelo Setor de
Educação da Universidade Federal do Paraná e destina-se a publicação de trabalhos científicos inéditos que tratem de temas relacionados à Área de Educação.

Características temáticas dos artigos
Para determinação da temática discutida nos artigos analisados foram utilizadas as
palavras-chave estabelecidas pelos autores, tendo em vista que na opção "pesquisa de artigos"
não foi possível localizar descritores utilizados para indexá-los na base.
Na Tabela 2 encontram-se listados os 82 termos ou expressões selecionados a partir
das palavras-chave, bem como o número de ocorrências encontradas nos artigos.
Tabela 2 - Palavras-chave
Assunto
Ação social
Atividade docente
Atividades laborais
Avaliação
Barbie
Ciências
Classe
Classe socioeconômico
Conflitualidades
Corpo
Cuidado-educação
Cultura e educação
Desigualdade de gênero
Desigualdades sociais
Diálogo
Diferenças sexuais
Discursos de gênero
Docência
Educação
Educação de jovens e adultos
Educação escolar indígena
Educação especial
Educação feminina
Educação física
Educação física escolar
Educação formal
Educação indígena
Educação infantil
Educação médica
Educação sexual
Educação superior

Ocorrência
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
10
2
1
1
2
1
1
1
1
7
1
3
1

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Escola
Escrita
Esporte
Estereótipo
Estereótipos de gênero
Estilo
Estudos de gênero
Formação
Formação docente
Gênero
Gênero e educação
Gênero e sexualidade
Gênero na educação infantil
História da educação
Imagem
Infância
Intervenção pedagógica
Juventude
Kaxinawá
Literatura
Manuais escolares
Masculinidade
Masculinidade e feminilidade na docência
Matemática
Metodologia arqueológica foucaultiana
Mídia impressa
Modos
Moratória social
Mulheres
Pedagogias de gênero
Política educacional
Pós-estruturalismo
Prática docente
Práticas corporais
Práticas de numeramento
Preconceito de gênero
Processo de ensino-aprendizagem
Relações criança-criança
Relações de gênero
Relações raciais
Representação
Revistas
Sexualidade
Significações
Situação de pobreza
Socialização
Superdotação
Teatro

1
1
1
1
1
1
1
1
2
22
1
1
1
1
1
3
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
5
1
1
1
2
1
1
1
1
1

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Trabalho docente
Voto
Xakriabá
Fonte: Dados do estudo

1
1
1

Nota-se que não há um controle de vocabulário para o estabelecimento de descritores
de assunto, cada autor estabelece as palavras-chave a partir do texto, ou de sua compreensão
sobre o tema, podendo eventualmente haver mais de um termo ou expressão que represente o
mesmo conceito, além do uso indiscriminado de singular e plural.
Todos estes fatores podem influir na quantidade de dados recuperados, ampliando ou
restringindo o número de artigos localizados.
A partir do termo Educação, por exemplo, pudemos localizar artigos cujas palavraschave são: Cuidado-Educação (1), Cultura e Educação (1), Educação (10), Educação de
Jovens e Adultos (2), Educação Escolar Indígena (1), Educação Especial (1), Educação
Feminina (2), Educação Física (1), Educação Física Escolar (1), Educação Formal (1),
Educação Indígena (1), Educação Infantil (7), Educação Médica (1), Educação Sexual (3),
Educação Superior (1), Gênero e Educação (1), Gênero na Educação Infantil (1), História da
Educação (1).
O mesmo acontece com o termo Gênero, a partir do qual encontramos: Desigualdade
de Gênero (2), Discursos de Gênero (1), Estereótipos de Gênero (1), Estudos de Gênero (1),
Gênero (22), Gênero e Educação (1), Gênero e Sexualidade (1), Gênero na Educação Infantil
(1), Pedagogias de Gênero (1), Preconceito de Gênero (1), Relações de Gênero (5).
Detectamos a partir destes dados que limitar a busca por qualquer um destes termos
ou expressões ao invés de Gênero do geral poderá empobrecer o resultado, limitando a
quantidade de artigos recuperados.

5 Considerações parciais/finais
Os resultados do estudo mostram um crescimento no número de artigos sobre
Educação e Gênero constantes na base Educ@ nos anos de 2013 e 2014, o que reflete
expansão da área, sendo uma de suas expressões o crescimento da produção científica. O
conteúdo da base é um reflexo da publicação científica e da política editorial das revistas
indexadas, mas é fundamental que os autores que estudam e discutem Educação e Gênero em
seus textos tenham uma produção contínua de qualidade que possibilite sua seleção pelos
editores das revistas e continuem alimentando a base.
Outro aspecto interessante é que embora em 10 artigos tenhamos tipo autoria
individual, podemos ver uma tendência crescente da autoria múltipla ou compartilhada.
Silva (2002, p. 1) a este respeito coloca que: Na ciência, a imagem do cientista como
um ser isolado faz parte do passado. Na atualidade, o processo de produção do conhecimento
científico requer associações, negociações, alinhamentos, estratégias e competências para
interligar o maior número de elementos que darão viabilidade à construção do conhecimento.
A quantidade de documentos de autoria múltipla encontrados na base corrobora a
afirmação acima e reforça a ideia de colaboração entre os pesquisadores.
O fato de que 18 dos 36 títulos de periódicos indexados (35 correntes e 1 encerrado)
terem aceito artigos sobre Educação e Gênero mostra que nas políticas editoriais dos mesmos
há espaço para o tema, e embora o número possa ser considerado pequeno num primeiro
momento, destacamos que somente foram analisados os últimos 5 anos das revistas.
Outra questão que pode ser levantada é o quanto os autores sabem ou precisam saber
mais sobre a política editorial do títulos ao qual pretendem submetem seus artigos. Saber a
classificação das revistas em índices como o Qualis, por exemplo, é importante para a seleção

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dos títulos, mas o que garante a publicação do artigo é a sintonia do texto submetido à revista
com sua política editorial.
Quanto ao assunto entendemos que ao limitar a basca a este campo limitamos
também o número de artigos recuperados, mas escolhendo a opção de Educação X Gênero
pela ocorrência das palavras, sem nenhuma limitação, esbarraríamos no mesmo problema que
temos no Google e em outros buscadores, que recuperam uma quantidade grande de
informação sem interesse, pois a ocorrência das palavras no texto não quer dizer que o
assunto esteja sendo discutido, pode ter sido apenas mencionado o termo ou expressão
associando-o a outro conceito. Como por exemplo gênero literário, gênero discursivo, etc.
A escolha de palavras-chave nem sempre representativas ou suficientemente claras
para representação do tema do artigo pode ser um fator de dispersão no momento da
recuperação dos dados, alguns termos ou expressões descontextualizados podem referir
conceitos diferentes daqueles que os autores quiseram exprimir ao selecioná-los.
Segundo Miguéis et al. (2013) o uso das palavras-chave potencia o acesso ao
conteúdo dos documentos para além da informação que é representada pelo título e resumo,
traduz o pensamento dos autores e mantém o contacto com a realidade da prática quotidiana,
acompanhando a evolução científica e tecnológica, que é refletida pelos documentos. A
investigação sobre a importância e características das palavras-chave tem incidido sobre a
eficiência na recuperação da informação; a extração automática a partir de diferentes
metodologias e algoritmos, o uso por parte dos autores e editores, a aplicação e utilização de
metatags e a comparação com os títulos, resumos, textos e descritores atribuídos.
Assim a escolha das palavras que representarão os artigos precisam de mais
investimento, ou seja, os autores devem dedicar a elas o tempo necessário para pensar por
exemplo: "como quero que meu artigo seja recuperado", ou "quem quero alcançar com este
texto?".
A questão terminológica as vezes parece "escapar" aos pesquisadores no momento de
divulgar sua produção, o óbvio para um pode ser estranho para outro, ou pelo menos passível
de interpretação diferente. Principalmente se estivermos lidando com pessoas de áreas de
conhecimento distintas, para quem termos iguais representam conceitos diferentes.
O tema mereceria um estudos mais aprofundado, envolvendo um número maior de
títulos e abrangência temporal, a fim de mapear com propriedade o que temos publicado sobre
Educação e Gênero, bem como a evolução das discussões sobre o tema. Outro aspecto que
não foi analisado nesta ocasião, mas é um tradicional foco de pesquisas bibliométricas é a
bibliografia citada nos artigos, que pode ampliar o angulo de abrangência de conteúdo, na
medida que mostra a idade da bibliografia, sua origem, e tipo de documentos envolvidos.
Na área de Educação, a discussão sobre Gênero precisa ser incentivada para ampliar
os horizontes de todos os envolvidos (docentes, discentes e demais participantes da escola),
diminuir os preconceitos e incentivar o respeito a diversidade.

6 Referências
BIREME. DECS: Descritores em Ciências da Saúde. Disponível em: http://decs.bvs.br/.
Acesso em 15 jun. 2009.
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GT Sociologia da Educação da ANPEd (1999-2009). Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro , v.
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http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v16n46/v16n46a06.pdf.
Acesso em: 13 maio 2015.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Educação e gênero em publicações científicas brasileiras: um estudo a partir da base Educ@. </text>
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                <text>O texto inicialmente conceitua Gênero e após discutir como o tema relata um estudo sobre a produção bibliográfica sobre Educação e Gênero disponível na Base de Dados Educ@, e publicada de 2010 a 2014. Trata-se de estudo bibliométrico que analisa os artigos incluídos na base eletrônica Educ@: publicações online de educação (http://educa.fcc.org.br), foi escolhida como fonte de informações, tendo em vista os 36 títulos de periódicos sobre Educação que arrola, bem como o fato de utilizar a metodologia SciELO (Scientific Eletronic Library Online -http://www.scielo.br), que possui recursos de busca que possibilitam a  recuperação de artigos digitais de origem nacional em formato integral. Como estratégia de busca foi utilizado índice de artigos, sendo nele eleitos os seguintes termos assim combinados: (1) “educação” and (2) “gênero” e (3) “gênero e educação”. A busca resultou na localização de 37 artigos que foramanalisados. Os resultados mostram um crescimento no número de artigos sobre Educação e Gênero constantes na base Educ@ nos anos de 2013 e 2014, o que reflete expansão da área, sendo uma de suas expressões o crescimento da produção científica. Na área de Educação, a discussão sobre Gênero precisa ser incentivada para ampliar os horizontes de todos os envolvidos (docentes, discentes e demais participantes da escola), diminuir os preconceitos e incentivar o respeito a diversidade.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>Descarte na coleção de periódicos da Biblioteca FAMED/HCPA
Helen Rose Flores (UFRGS) - helen.flores@ufrgs.br
Liana Franzen (UFRGS) - lfranzen@ufrgs.br
Romilda Aparecida Teofano (HCPA) - 00039078@ufrgs.br
Resumo:
Este trabalho relata a experiência de descarte de parte da coleção de periódicos da Biblioteca
FAMED/HCPA, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital de
Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Uma biblioteca universitária cuja especialidade envolve
Medicina (curso criado em 1898) e Nutrição (curso criado em 2000), fundada em 1900,
possuindo um acervo que data do final do século XIX. O desenvolvimento de coleções é uma
atividade importantíssima para o futuro da Biblioteca, cujo acervo cresce a partir da aquisição
de materiais selecionados dentro de uma política previamente estabelecida. A avaliação
sistemática da coleção deve ser entendida como um processo contínuo, observando-se o uso e
o interesse que o material disponível provoca, visto que o foco é a comunidade e o acervo deve
estar adequado às suas necessidades. Optou-se fazer a avaliação de descarte nos títulos
recebidos em doação, por não envolverem custos de aquisição para a Instituição. Até esta
etapa do processo foram excluídos 404 títulos de um total de 1.205 existentes inicialmente. O
acervo conta atualmente com 801 títulos, dos quais 71 ainda deverão ser analisados. Embora o
processo ainda não tenha sido concluído podemos afirmar que a atividade foi positiva para o
desenvolvimento de coleções da Biblioteca FAMED/HCPA, no que se refere ao desbastamento
da coleção de periódicos e consequente otimização de seu espaço físico. Além disto houve o
aprimoramento dos bibliotecários envolvidos, que passaram a conhecer melhor as
particularidades da coleção, bem como discutiram seu desenvolvimento e descarte.
Palavras-chave: Desenvolvimento de coleções. Descarte. Biblioteca Universitária. Periódicos
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Este trabalho relata a experiência de descarte de fascículos da coleção de periódicos,
recebidos em doação pela Biblioteca FAMED/HCPA, da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS) e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Uma biblioteca universitária cuja
especialidade envolve Medicina (curso criado em 1898) e Nutrição (curso criado em 2000),
fundada em 1900, possuindo um acervo que data do final do século XIX.
Algumas das características das bibliotecas universitárias são a dinamicidade e a
flexibilidade de suas ações, isto se aplica também em suas políticas de seleção e avaliação de
coleções, as quais fazem parte de seu acervo, a fim de garantir a sua adequação à comunidade
universitária, aos objetivos da biblioteca e da própria Instituição.
O desenvolvimento de coleções é uma atividade importantíssima para o futuro da
biblioteca, cujo acervo cresce a partir da aquisição de materiais selecionados dentro de uma
política previamente estabelecida, mas, se nada é descartado, o espaço físico para
armazenamento de suas coleções fica inviável.
O tamanho do acervo influi nas questões administrativas e financeiras da biblioteca
tendo em vista que envolve também acesso aos títulos. A avaliação sistemática da coleção
deve ser entendida como um processo contínuo, observando-se o uso e o interesse que o
material disponível provoca, visto que o foco é a comunidade e, portanto, o acervo deve estar
adequado às suas necessidades.

2 Revisão de literatura
As bibliotecas universitárias possuem a missão de prover a necessidade documentária
e informacional para apoiar as atividades da universidade, centrando seus objetivos nas
necessidades de informação de seu público.
Sobre este tema Miranda (2007, p. 3) coloca:
As bibliotecas universitárias atuam como órgãos de apoio
informacional, dando suporte às atividades de ensino, pesquisa
e extensão, com seus acervos quer centralizados ou
descentralizados (bibliotecas setoriais). Seus objetivos provêm
da finalidade da própria universidade.

Desta maneira, o crescimento e a atualização do acervo deverá ocorrer de maneira
racional e equilibrada para subsidiar efetivamente as necessidades da comunidade
universitária, conforme apontam Dias, Silva e Cervantes (2013). É essencial atribuir a devida
relevância ao desenvolvimento da coleção no processo de planejamento e tomada de decisões
em uma biblioteca. Segundo os mesmos autores é um trabalho de planejamento ininterrupto,
envolvendo as atividades de seleção, aquisição, desbastamento e avaliação constante.
Segundo Vergueiro (1989), a política de desenvolvimento de coleções irá funcionar
como parâmetros que contribuirá na tomada de decisão dos bibliotecários em relação à
escolha do material a ser adicionado ao acervo e à própria administração dos recursos
informacionais. A política fornecerá uma exposição do estado geral da coleção, demonstrando
o método para alcançar os objetivos e dar subsídios para os bibliotecários argumentarem com
as autoridades superiores, tanto para a liberação de novas aquisições como para recusas
incoerentes.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O acervo de uma biblioteca pode ser formado pela reunião de diferentes coleções
como, por exemplo, livros, periódicos, jogos, mapas, etc. Neste estudo vamos relatar uma
experiência de descarte de parte do acervo de periódicos de uma biblioteca universitária.
Conforme Miranda (2007) os periódicos são considerados uma fonte de informação
primária, sendo indispensáveis na divulgação dos resultados de pesquisas e relatos de
experiências recentes, facilitando o acompanhamento constante dos avanços em cada área.
Podem abordar assunto específico ou abranger mais de uma área do conhecimento,
dependendo da limitação de sua cobertura.
A atividade de descarte do acervo de uma biblioteca necessita de uma política de
desenvolvimento de coleções, onde os objetivos da instituição em que a biblioteca está
inserida estejam claros e explícitos. Por este motivo somente iniciamos o estudo sobre o
descarte na coleção de periódicos em 2012, após a divulgação do documento "Sugestão de
critérios para avaliação da coleção de periódicos na identificação de títulos passíveis de
descarte", contendo definições da Comissão de Alienação e Desfazimento de Material
bibliográfico da UFRGS, o qual está disponível internamente para uso restrito da Instituição,
mediante senha.
Em nossa unidade o descarte se fez necessário devido a questões como racionalização
do espaço físico disponível e necessidade de acomodação de outras coleções e setores da
biblioteca. Conforme Silva, Castro Filho e Quirino (1995) as questões de espaço físico são
relevantes, pois uma biblioteca não pode ser vista como depósito, onde as obras ficam
paradas, sem conservação e sem uso.
Sendo assim, no ato de renovar os espaços para armazenamento e para melhorar o
acesso dos usuários ao material, começa o processo de desbastamento, o qual deve ser
dinâmico e contínuo como apontam Dias, Silva e Cervantes (2013).
A expansão da coleção de periódicos recebidos através de doações não foi
acompanhada por uma política claramente definida, e seus critérios foram sendo modificados
através dos anos, mas nem sempre sendo registrados oficialmente. A coleção de periódicos da
biblioteca atualmente é formada principalmente por periódicos nas áreas de medicina e
nutrição, e identificamos que a falta de uma política clara de desenvolvimento da coleção
contribuiu fortemente para o alto índice de periódicos obsoletos e/ou sem importância
relevante para a área.
Para Miranda (2007, p. 3):
No tocante à formação de acervos de biblioteca o diferencial se
dá pela filtragem adequada das informações obedecendo a
padrões estabelecidos de seleção que garantam a
disponibilidade de obras confiáveis nos diversos suportes
informacionais. Assim sendo, é imprescindível conhecer as
necessidades da comunidade a fim de permitir um planejamento
com qualidade e eficácia no desenvolvimento e formação das
coleções
(...)
Para que a informação tenha qualidade é necessário que seja
relevante, confiável, atual, acessível, precisa, oportuna e deve
ser ajustada às demandas e expectativas dos usuários. O valor
da informação está associado à utilidade que ela apresenta para
o público a quem se destina.

Na criação da política do desenvolvimento de coleções é necessário que seja
estabelecido o objetivo para dar o direcionamento no crescimento do acervo, visando a
identificar critérios para o recebimento de doações, descarte e reposição de material.

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Foram excluídos do processo os títulos editados/publicados pela FAMED/UFRGS, os
títulos que pertenciam à Biblioteca do HCPA, antes da fusão das bibliotecas ocorrida em
1990, independentemente do tipo de aquisição, e os indexados pela Biblioteca
FAMED/HCPA na Base de Dados LILACS, em função de convênio interinstitucional entre a
UFRGS e a BIREME, listados no quadro a seguir:
Títulos FAMED
Anais da Faculdade de Medicina de Porto Alegre
Arquivos do Instituto de Anatomia
Arquivos de Medicina Preventiva
Bisturi
CAM
Informativo da Faculdade de Medicina
Revista dos Cursos
Revista de Medicina (Porto Alegre)
Revista de Medicina ATM
Temas de Nefrologia

Títulos LILACS
Acta Médica (Porto Alegre)
Jornal Brasileiro de Neurocirurgia
Medicina e Cirurgia
Movimento
Pesquisa Médica (Porto Alegre)
Revista AMRIGS
Revista HCPA
Revista do HPS
Revista Médica (Hospital São Vicente de Paulo)
Revista Médica da Santa Casa
Revista de Medicina da PUCRS
Revista de Psicanálise
Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

Quadro 1 - Relação dos títulos não incluídos no processo
Fonte: Dados do estudo

Todas as decisões tomadas levaram em conta que as alterações propostas resultaram
em atualizações nos registros bibliográficos existentes no catálogo da UFRGS, onde consta a
transcrição da coleção de periódicos.
O processo foi organizado em etapas, pelas quais passaram todos os títulos, conforme
segue:
Primeira etapa
Foram coletados alguns dados sobre os títulos, tais como:
• Número de consultas nas estatísticas de uso da coleção de periódicos reunidas
durante um período de 12 anos;
• Número de analíticas associadas ao título, definido a partir de consulta ao Catálogo
das Bibliotecas da UFRGS (SABi);
• Existência ou não do mesmo em outra biblioteca do Sistema de Bibliotecas da
UFRGS (SBUFRGS), a partir da consulta ao SABi;
• Ocorrência do título e fascículos em bibliotecas brasileiras nos catálogos coletivos
(CCN/IBICT e SeCS/BIREME);
• Indexação em alguma Base de Dados (Ex.: IMLA, LILACS, MEDLINE, etc.);
• Acesso aberto (SciELO, Governamentais, OMS, OPAS).
Segunda etapa
Após a análise dos dados foram selecionados para descarte:
• Títulos com uma média de menos de 10 consultas anuais e não indexados em
alguma base de dados;

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• Completeza da coleção (coleções com muitas falhas ou muito pequenas)
• Títulos com no máximo 100 analíticas associadas;
• Parte do título que possui acesso aberto on-line, permanecendo no acervo os
fascículos que estão disponíveis somente em papel;
• Título existente no acervo de outra biblioteca do Sistema de Bibliotecas da UFRGS.
Terceira etapa
Esta etapa revelou-se mais lenta, tendo em vista termos que esperar respostas aos
nossos contatos com outras bibliotecas para dar continuidade a cada atividade, e foi efetuada a
partir da seleção do título para descarte:
• Consulta ao catálogo da UFRGS para verificar se o título existe em outra biblioteca
do Sistema;
• Nos casos em que outra biblioteca do SBUFRGS possuía o título, verificamos suas
possíveis falhas e enviamos uma mensagem explicando nossa intenção de descarte,
perguntando do interesse em receber os fascículos faltantes para completar a sua
coleção;
• Em caso positivo foram feitas as devidas anotações e notas de transferência de
fascículos no sistema. Após efetuou-se o envio físico dos mesmos, os quais foram
empacotados e remetidos para a biblioteca;
• Em caso negativo os títulos foram localizados em outras bibliotecas através dos
catálogos coletivos (SeCS/BIREME e CCN/IBICT), a fim de verificar sua
existência e possíveis falhas nas coleções;
• Primeiramente foi verificada a existência do título na coleção da BIREME, para
detectar possíveis falhas em sua coleção, tendo em vista ser uma instituição com a
qual temos convênio;
• Caso a BIREME não possuísse o título localizamos o mesmo em outras bibliotecas
brasileiras, procurando identificar fascículos que ninguém tinha;
• Enviamos uma mensagem para a biblioteca recebedora explicando nossa intenção
de descartar determinados fascículos e perguntando se a outra biblioteca aceitaria
receber fascículos faltantes para completar a sua coleção;
• Em caso positivo demos baixa dos fascículos no sistema e os mesmos foram
empacotados e remetidos para a biblioteca;
• Tentadas todas estas alternativas e tendo recebido respostas negativas os fascículos
foram descartados, após darmos baixa dos mesmos no sistema.
Quarta etapa
No descarte parcial do título no acervo, ficamos somente com parte da coleção
disponível em papel. A parte atualmente disponível em acesso aberto, como SciELO,
Governamentais, OMS, OPAS, etc. deverá ser acessada em sua versão on-line. Anotações
foram feitas nos registros dos fascículos informando a baixa, possibilitando assim futuras
consultas. Nestes casos foi inserido o campo 856 no registro bibliográfico do título do
periódico para direcionar a consulta ao texto completo em meio eletrônico.
Após realizadas as baixas dos fascículos comunicou-se aos catálogos coletivos
CCN/IBICT e SeCS/BIREME, a retirada total ou parcial de nossa coleção, para fins de
atualização.

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Quinta etapa
Definido o número de analíticas existentes para cada título foi preciso estabelecer
uma rotina de correção dos registros bibliográficos das mesmas, bem como salvar em meio
eletrônico os artigos correspondentes, garantindo a possibilidade de futuras consultas uma vez
que não mais teríamos o material impresso.
Título integralmente excluídos do catálogo
Campo controle 008 - 23 Forma do item: neste
subcampo foi preciso acrescentar a opção s que
identifica documentos eletrônicos
Campo 245, inserir o subcampo h e preenche-lo com a
opção [recurso eletrônico]
Inserir o campo 510 nota de indexação
Inserir campo 773 para "analíticas sem pai", visto que
não teremos mais o título em nosso catálogo,
excluindo o campo LKR ANA* existente
Inserir campo 856 caso o artigo esteja disponível na
internet
Inserir campo LKR ITM*, referente a entrada de
ligação entre registros bibliográficos para indicar em
que volume físico está armazenado o arquivo com o
artigo completo

Título que continuam no catálogo
Campo controle 008 - 23 Forma do item: neste
subcampo foi preciso acrescentar a opção s que
identifica documentos eletrônicos
Campo 245, inserir o subcampo h e preenche-lo com a
opção [recurso eletrônico]
Campo 510 já consta no registro bibliográfico do
título do periódico
No caso de "analítica com pai" os dados da obra no
todo já estão registrados no campo LKR ANA*

Inserir campo 856 caso o artigo esteja disponível na
internet
Inserir campo LKR ITM*, referente a entrada de
ligação entre registros bibliográficos para indicar em
que volume físico está armazenado o arquivo com o
artigo completo, permanecendo o campo LKR ANA*
quando o texto em papel está localizado em outra
biblioteca do sistema
* LKR é um campo de ligação existente no software Aleph

Quadro 2 - Síntese das etapas seguidas para correção dos registros das analíticas
Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central. Manual de Registro
Bibliográfico do SABI. Disponível em: http://www.ufrgs.br/documenta/manuais-sabi/registro-bibliografico.
Acesso em: 14 abr. 2016.

4 Resultados parciais
O processo de descarte na coleção de periódicos da Biblioteca FAMED/HCPA teve
início após a divulgação, em 2012, de estudo realizado pela Comissão de Alienação e
Desfazimento de Material Bibliográfico da UFRGS, onde foram definidos os materiais
passíveis de descarte, bem como políticas da instituição para implementação da atividade.
Segundo consta no documento da referida Comissão:
Periódicos são materiais bibliográficos, porém não classificados
como permanentes. Isso desobriga a elaboração de processos
administrativos para sua retirada da coleção, embora requeiram
a observação de algumas rotinas no Sistema de Bibliotecas da
UFRGS.

Durante o período em que estivemos efetuando a análise dos títulos passíveis de
descarte, a atividade foi interrompida inúmeras vezes devido a outras demandas da Biblioteca.
Até o momento, dos 545 títulos passíveis de análise, foram analisados 474 títulos, conforme
dados do Gráfico 2.

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O acervo conta atualmente com 801 títulos, dos quais 71 ainda deverão ser analisados.
Embora o processo ainda não tenha sido concluído podemos afirmar que a atividade
foi positiva para o desenvolvimento de coleções da Biblioteca FAMED/HCPA, no que se
refere ao desbastamento da coleção de periódicos e consequente otimização de seu espaço
físico. Além disto houve o aprimoramento dos bibliotecários envolvidos, que passaram a
conhecer melhor as particularidades da coleção, bem como discutiram seu desenvolvimento e
descarte.

6 Referências
1. DIAS, Geneviane Duarte; SILVA, Terezinha Elizabeth da; CERVANTES, Brígida Maria
Nogueira. Políticas de informação nas bibliotecas universitárias: um enfoque no
desenvolvimento de coleções. RDBCI, Campinas, SP, v. 11, n. 1, p. 39-54, jan. 2013. ISSN
1678-765X. Disponível em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/572&gt;. Acesso em: 11 abr.
2016.
2. MIRANDA, Ana Cláudia Carvalho de. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas
universitárias. RDBCI, Campinas, SP, v. 4, n. 2, p. 1-19. jan. 2007 Disponível em:
&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/367&gt;. Acesso em: 11 abr.
2016.
3. SILVA, Márcia Regina; CASTRO FILHO, Cláudio Marcondes; QUIRINO, Paula Oliveira
Desbaste e descarte em bibliotecas universitárias: mapeamento da produção científica.
BJIS, Marília (SP), v. 6, n. 2, p. 49-64, jul./dez. 2012. Disponível em:
http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/bjis/article/view/2146/2377. Acesso em:
11 abr. 2016.
4. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Sistema de Bibliotecas.
Comissão de Alienação e Desfazimento de Material Bibliográfico. Descarte de periódicos
no SBUFRGS. Atualizado em junho de 2012.
5. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central. Manual
de
Registro
Bibliográfico
do
SABI.
Disponível
em:
http://www.ufrgs.br/documenta/manuais-sabi/registro-bibliografico. Acesso em: 14 abr.
2016.
6. VERGUEIRO, W. C. S. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis, 1989.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Este trabalho relata a experiência de descarte de parte da coleção de periódicos da Biblioteca FAMED/HCPA, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Uma biblioteca universitária cuja especialidade envolve Medicina (curso criado em 1898) e Nutrição (curso criado em 2000), fundada em 1900, possuindo um acervo que data do final do século XIX. O desenvolvimento de coleções é uma atividade importantíssima para o futuro da Biblioteca, cujo acervo cresce a partir da aquisição de materiais selecionados dentro de uma política previamente estabelecida. A avaliação sistemática da coleção deve ser entendida como um processo contínuo, observando-se o uso e o interesse que o material disponível provoca, visto que o foco é a comunidade e o acervo deve estar adequado às suas necessidades. Optou-se fazer a avaliação de descarte nos títulos recebidos em doação, por não envolverem custos de aquisição para a Instituição. Até esta etapa do processo foram excluídos 404 títulos de um total de 1.205 existentes inicialmente. O acervo conta atualmente com 801 títulos, dos quais 71 ainda deverão ser analisados. Embora o processo ainda não tenha sido concluído podemos afirmar que a atividade foi positiva para o desenvolvimento de coleções da Biblioteca FAMED/HCPA, no que se refere ao desbastamento da coleção de periódicos e consequente otimização de seu espaço físico. Além disto houve o aprimoramento dos bibliotecários envolvidos, que passaram a conhecer melhor as particularidades da coleção, bem como discutiram seu desenvolvimento e descarte.</text>
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                    <text>Cooperação para o acesso do trabalhador à informação e
conhecimento
Telma Tupy de Godoy (UNISOCIESC) - tel.godoy@gmail.com
Kazuo Hatakeyama (UNISOCIESC) - khatakeyama@uol.com.br
Resumo:
Este trabalho parte do pressuposto que a cooperação entre o Serviço Social da Indústria –
SESI e seu programa Indústria do Conhecimento – SESI-IC com a Fundição Tupy S/A é um
elemento importante para viabilizar o acesso à informação e aquisição do conhecimento. Tem
por objetivo relatar os resultados obtidos com as ações desenvolvidas no Projeto SESI/IC,
visando o acesso do trabalhador à informação e conhecimento. No aspecto metodológico, a
pesquisa que fundamentou esse trabalho é caracterizada como exploratória, descritiva, de
cunho quantitativo, qualitativo, fazendo uso do tipo estudo de caso. Utilizou como
instrumentos de coleta de dados os relatórios anuais de frequência, de empréstimos de
materiais da biblioteca e um questionário individual distribuído aos seus usuários, o que
permitiu identificar a necessidade, a busca e o uso da informação na perspectiva do modelo de
uso da informação. Concluiu que a implantação de uma unidade do projeto SESI/ IC, na
Fundição Tupy S/A, resultou na promoção do acesso à informação e conhecimento do
trabalhador da empresa. Verificou que os usuários da Biblioteca que fizeram uso efetivo da
informação tiveram satisfeitas as necessidades de compreensão e esclarecimento de
problemas; puderam determinar o que fazer; e, ainda, utilizaram como uso pessoal.
Palavras-chave: Necessidade e uso da informação. Acesso à
conhecimento.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão do Conhecimento e da Informação

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informação. Indústria do

�Cooperação para o acesso do trabalhador à informação e conhecimento

RESUMO
Este trabalho parte do pressuposto que a cooperação entre o Serviço Social da Indústria –
SESI e seu programa Indústria do Conhecimento – SESI-IC com a Fundição Tupy S/A é um
elemento importante para viabilizar o acesso à informação e aquisição do conhecimento. Tem
por objetivo relatar os resultados obtidos com as ações desenvolvidas no Projeto SESI/IC,
visando o acesso do trabalhador à informação e conhecimento. No aspecto metodológico, a
pesquisa que fundamentou esse trabalho é caracterizada como exploratória, descritiva, de
cunho quantitativo, qualitativo, fazendo uso do tipo estudo de caso. Utilizou como
instrumentos de coleta de dados os relatórios anuais de frequência, de empréstimos de
materiais da biblioteca e um questionário individual distribuído aos seus usuários, o que
permitiu identificar a necessidade, a busca e o uso da informação na perspectiva do modelo de
uso da informação. Concluiu que a implantação de uma unidade do projeto SESI/ IC, na
Fundição Tupy S/A, resultou na promoção do acesso à informação e conhecimento do
trabalhador da empresa. Verificou que os usuários da Biblioteca que fizeram uso efetivo da
informação tiveram satisfeitas as necessidades de compreensão e esclarecimento de
problemas; puderam determinar o que fazer; e, ainda, utilizaram como uso pessoal.
Palavras-chave: Necessidade e uso da informação. Acesso à informação. Indústria
do conhecimento.
ABSTRACT
Contribution of the knowledge to industry worker´s information
This research work parts from the presupposition that the cooperation between the SESIIndustry of Knowledge (SESI-IK) and the Fundição Tupy S/A (TFSA) is an important
element to become viable the access to the information and the acquisition of knowledge. This
paper has an objective to report results obtained of the access to the information of the
worker. Analyze the contributions of the SESI-IK Project for the access of the worker to the
information and knowledge. In the methodological aspect, the research is characterized as
exploratory, descriptive, quantitative, qualitative, making the use of the case study type.
Utilized as data collection tool the annual reports of attendance, the borrowing of materials
from the library and the personal questionnaire distributed to users, which allowed to identify
the needs, the search and use of information in the perspective of the model of use of
information. It has concluded that the implantation of the unit of SESI-IK project, in the
TFSA, resulted in the promotion of access to the information and knowledge of worker of the
foundry. It has noticed that the users of the library that made effective use of information had
as needs the comprehension and explanation of problem; determine what to do or how to do
thing and for own use.
Keywords: Needs of information. Use of information. Access to information.
Knowledge industry.

�1 INTRODUÇÃO
A sociedade mundial vive um momento dinâmico do ambiente econômico no qual, a
gestão pró ativa do conhecimento assume um papel central para a competitividade das
empresas e dos indivíduos. O recurso “conhecimento” adquire, neste contexto, cada vez mais
importância para o desempenho empresarial. Segundo Terra (2005), várias evidências
encontradas em diversos estudos mostram que a abertura econômica global vem impondo
importantes desafios às empresas brasileiras e aumentando a necessidade de investimento em
tecnologia, em educação e em gestão do conhecimento (GC). A velocidade para identificar e
responder com eficácia as alterações do mercado mundial reforça a importância do
conhecimento no processo de gestão das organizações atuais. Para que as experiências,
conhecimentos e expertises se tornem acessíveis para as empresas é importante que elas
adotem métodos de formalização desses saberes de maneira a possibilitar a criação de novas
competências e o estimulo à inovação, além da geração de valor para seus clientes (Rocha,
2010).
Araujo, apud Alvim (2006), assegura que a busca por informação se tornou
característica de uma sociedade marcada pelo processo de globalização de mercados,
velocidade dos avanços tecnológicos e pela competitividade sistêmica. O próprio conceito de
uma sociedade da informação reforça que ter informação ou, ao menos, ter garantido o acesso
a ela, passa a ser um diferencial de uma nova era.
A informação e o conhecimento tornaram-se os fatores mais importantes no ambiente
competitivo das organizações, sendo considerados os principais componentes para manter o
nível de competitividade, envolvendo produção, troca, venda de produtos e serviços (Romani
&amp; Borszcz, 2006). A relevância da informação é universalmente aceita; sua gestão e
aproveitamento estão diretamente relacionados ao sucesso desejado. A informação é também,
considerada e utilizada como um instrumento de gestão (Tarapanoff, 2001). Para Lira (2008),
o acesso à informação permite ao sujeito que com ela interage construir conhecimentos que
contribuam para gerar novas ideias, resolver problemas, tomar decisões e melhorar o
relacionamento interpessoal. Barreto (1994), afirma que a informação quando corretamente
assimilada, produz conhecimento e tem o poder de modificar o estoque mental de
informações do indivíduo trazendo benefícios para o seu desenvolvimento e também para o da
sociedade em que ele vive.
Nas organizações a busca pelo conhecimento, como fonte de inovação e obtenção de um
diferencial competitivo, traz a necessidade de ambientes para criação e compartilhamento do
conhecimento (Lira, Cândido, Araújo, &amp; Barros, 2008). A velocidade para identificar e
responder com eficácia as alterações do mercado reforça a importância da GC.
As empresas que atuam com base no conhecimento, estabelecem “suas ações na
compreensão do ambiente, de suas necessidades, e são alavancadas pelas fontes de
informação disponíveis e pela competência de seus membros” (Choo, 2006, p.31). O
conhecimento na empresa é construído por meio da interatividade das pessoas,
compartilhando informações e experiências que são transformadas em conhecimentos,
concebendo desta forma, o aprendizado e o desenvolvimento organizacional (Davenport e
Prusak, 2003).
A diversidade e coexistência de fontes e meios de acesso à informação desmistificam a
crença de que o advento das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) tornaria

�ultrapassados os meios e suportes convencionais como é o caso do livro. Ao contrário, a
experiência tem mostrado que a articulação das diversas mídias e suportes propicia a
ampliação do espaço de construção do conhecimento. O ato de ler como processo que
possibilita o acesso à informação e apropriação desta em conhecimento compreende, dentre
outros, a leitura de texto e imagem que se apresentam nas mais diversas mídias Serviço Social
da Indústria [SESI] (2008).
2 O USO DA INFORMAÇÃO
A busca, o processamento e a análise das necessidades dos usos da informação vêm se
tornando um componente importante de pesquisa em várias áreas, entre elas, a psicologia
cognitiva, sistemas de informação, tomada de decisão, antropologia social, aprendizagem
organizacional e difusão da inovação (Lira et al., 2008).
Os primeiros estudos de como as pessoas se comportam quando buscam e usam a
informação foram apresentados na conferência sobre informação científica da Royal Society,
em 1948. Naquela ocasião duas comunicações se destacaram: uma sobre o comportamento de
duzentos cientistas britânicos que serviam em órgãos do governo, universidades e institutos
particulares de pesquisa na busca da informação; e outra sobre o uso da biblioteca do Museu
de Ciência de Londres. Tais estudos foram patrocinados por associações profissionais que
precisavam elaborar seus programas para responder à explosão de informações científicas e
novas tecnologias, e “também foram iniciados por bibliotecários, administradores de centros
de informação e laboratórios, que precisavam de dados para planejar seu serviço...” (Choo,
2006, p.67).
Ao longo das décadas seguintes, o esforço de maior compreensão permitiu que as
fontes de informação fossem definidas como qualquer recurso que responda a uma demanda
de informação, produto ou serviço de informação, uma pessoa ou grupo de pessoas ou uma
organização. Elas abrangem manuscritos, documentos, dados ou registros, publicações
impressas e eletrônicas, pessoas, organizações, além de objetos, como amostras minerais,
obras de arte, que forneçam informações que possam ser acessadas para responder a certas
necessidades, desejos ou demandas (Periotto, 2010).
Choo (2006) relaciona o uso da informação com uma tríade: necessidade, busca e uso
da informação. A necessidade surge quando uma pessoa reconhece vazios em seu
conhecimento e em sua capacidade de dar significado a uma experiência. Na busca de
informação o indivíduo busca, intencionalmente, explicações que possam mudar seu estado de
conhecimento. E agem sobre várias influências, nos âmbitos cognitivo, afetivo e situacional.
A influência cognitiva tem origem em diferentes estratégias de busca de esclarecimento e são
ativadas para preencher diferentes lacunas do saber. No afetivo, o estado emocional e
psicológico determina diferentes preferências e métodos de buscar a informação. No âmbito
situacional, as características do trabalho determinam a maneira de acessar e usar os
resultados adquiridos. O uso da informação é o estágio final, é a seleção e o processamento
das informações que resultam em novos conhecimentos ou ações.
Para Davenport e Prusak (2003, p.61) GC é “o conjunto de atividades relacionadas à
geração, codificação e transferência do conhecimento”. Os autores afirmam que se baseia no
bom aproveitamento dos meios disponíveis na organização de forma orientada para o
conhecimento. A GC pode ser vista como um processo em analogia com a qualidade total,

�pois quem garante a qualidade é o próprio indivíduo, na execução de suas tarefas no dia-a-dia
de trabalho. Para estes autores o conhecimento é empregado nas organizações, quer elas
gerenciem ou não esse processo. Mas o emprego da GC implica na transferência formalizada,
sendo necessário o desenvolvimento de uso e aplicabilidade.
3 LOCAL DE PESQUISA
O Projeto SESI-IC é uma parceria do Departamento Nacional do Serviço Social da
Indústria - SESI/DN e Ministério da Educação - MEC, lançado em 2006, tem como proposta
permitir que o trabalhador e seus familiares tenham acesso à informação e apropriação do
conhecimento. Dos onze princípios que sustentam o projeto, o sétimo diz: “O projeto SESI –
IC organiza-se como centro de multimeios, com biblioteca, DVDteca, CDteca e Internet, onde
os sujeitos/usuários tem a oportunidade de acesso à informação e apropriação do
conhecimento” (SESI, 2008, p.3).
Na década de 1960 existiam duas bibliotecas na Fundição Tupy S/A. A primeira com
200 volumes – romances, aventuras, história, contos. E outra especializada na área metal
mecânico, situada no parque industrial da Tupy, no bairro Boa Vista. Seu acervo de 500
volumes era formado exclusivamente por livros técnicos, revistas, anais de congressos e
normas técnicas. A finalidade da biblioteca técnica era suprir as necessidades informacionais
dos seus pesquisadores e engenheiros atuantes na empresa (Crispim, 2009).
Em 2007, a Tupy firmou parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI) para
implantação do projeto SESI-IC. Para atender ao projeto foi construído um prédio para
abrigar a nova biblioteca no parque industrial da fundição. Sendo o SESI o responsável pela
construção do edifício, fornecimento de equipamento, mobília, montagem do acervo inicial
com cerca de 1.200 novos títulos entre romances, biografias, didáticos, autoajuda, literatura
infanto-juvenil, filmes de ficção, documentários, oito computadores para acesso à Internet,
assinaturas de jornais e revistas, pois “alcançar todos os grupos etários existentes fazia parte
da parceria entre a fundição Tupy e SESI” (Crispim, 2009, p.211).
4 ASPECTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa foi desenvolvida de forma exploratória descritiva, de cunho quantitativo e
qualitativo fazendo uso de: a) relatórios anuais de frequência e de empréstimos de materiais
entre 2006 e 2011; e b) resposta do questionário individual, elaborado a partir dos critérios da
“Proposta de diagnóstico de gestão do conhecimento em bibliotecas” de Castro (2005) e do
modelo de busca e uso da informação de Choo (2006), para a coleta de dados. Portanto, de um
estudo de caso realizado na Biblioteca Tupy/ SESI, unidade do SESI – IC, instalada na
Fundição Tupy S/A., Joinville, SC.
Para análise do objetivo de promover o acesso à informação aos colaboradores, como
dito acima foram utilizados os dados de frequência dos usuários e empréstimos de materiais
da Biblioteca Tupy/SESI (BTS), coletados por intermédio dos relatórios do período 2006 a
2011. A amostra sobre os empréstimos é ilustrada na tabela 1.

�Ano

Quantidade de empréstimos

Frequência de usuário

2006

1.470

609

2007

4.077

2.504

2008

25.921

21.396

2009

21.864

17.922

2010

22.221

18.163

2011

17.959

13.989

Tabela 1 - Identificação da amostra
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.98)

A frequência de acesso anual dos usuários demonstra acréscimo após um ano de
implantação do sistema de cooperação conforme ilustrado na figura 1.
Frequência de usuários
25000

21.396

20000
17.922

15000

18.163
13.989

10000

5000
0

609

2.504

2006

2007

2008

2009

2010

2011

Figura 1: Acesso à Biblioteca no período 2006 a 2011
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.65)

Quanto à retirada de materiais do acervo da BTS constatou-se o aumento do volume
de empréstimos de todos os tipos de materiais constantes da biblioteca, bem como no número
de acesso dos funcionários. Isso pode ser atribuído a implantação da nova biblioteca e as
ações empreendidas para atrais os usuários.
Em relação à utilização do serviço de empréstimo domiciliar de mídia impressa, DVD
e frequência dos usuários no período 2008 até 2011, percebe-se na análise dos relatórios que,
em 2008, a quantidade de empréstimos e frequência não apenas cresceu em relação a 2007,
como atingiu seu ápice de atendimento.
A questão que se impõe é a diminuição gradativa ou a tendência de queda dos totais
obtidos nos anos que se seguem. Um dos fatores que podem explicar essa variação seriam a
implantação (2008) e posterior suspensão (2009) da “Hora do Conto”, aos sábados, para os
filhos dos colaboradores que promovia a interação de funcionários e seus dependentes – ou
estratégia empresarial de abrir espaço para a inclusão de membros das famílias de seus
colaboradores. Tratava-se do contar ou da “contação” de histórias no espaço da biblioteca,
atividade realizada uma vez no mês para os filhos dos funcionários da fundição, dos três aos
doze anos de idade.

�A “contação” de histórias se caracterizava não apenas como incentivo à leitura; ela
permitia ainda a integração da criança no espaço de trabalho de progenitor (a) e o
fortalecimento da relação entre a empresa e a família de seus funcionários. Além disso, ela
ainda funcionava como uma forma da criança ter maior contato com o acervo de literatura
infanto-juvenil, o que contribuiu para o aumento da frequência em relação a 2007, em 754% e
os empréstimos em 535%. Vale lembrar que a promoção de atividades de estímulo à leitura
também é um dos princípios do projeto SESI – IC.
Em 2009 houve um declínio da busca por materiais e frequência na biblioteca, o que
pode ser atribuído às férias coletivas que a Fundição Tupy S/A concedeu aos seus
colaboradores em função da desaceleração da economia brasileira e também a suspensão da
atividade “Hora do Conto”.
Se a queda significativa do número de empréstimos e de usuários em 2009 pode ser
explicada pelas férias coletivas da empresa, o fenômeno de ligeira recuperação do ano
seguinte não se manteve como tendência de crescimento o que pode ser observado pelos totais
encontrados em 2011. Uma das explicações possíveis foi o fim da atividade “Hora do Conto”
ou o descontinuar de uma prática dinâmica, agregadora de usuários.
Para complementar os dados da pesquisa e identificar o tipo e nível de necessidade da
busca e uso da informação obtida na biblioteca, foi elaborado um questionário com base no
modelo de Choo (2006).
Adotou- se esse modelo, pois permite o mapeamento das necessidades, busca e usos
da informação obtidos pelos usuários de serviços de informação. A partir da análise da
proposta deste modelo foram definidas as perguntas. O questionário foi dividido em duas
partes, sendo a primeira com a caracterização geral do respondente: idade, sexo e
escolaridade; e a segunda parte “Busca e uso da informação”, com 17 perguntas.
Os critérios de avaliação das respostas da segunda seção foram: “sempre”, “muitas
vezes”, “às vezes”, “raramente” e “nunca”. A partir das respostas do questionário foi
desenvolvida a análise dos dados.
Na primeira seção, caracterização do respondente, observou-se que a faixa etária
variou entre 20 a mais de 50 anos, sendo que 48% encontram-se na faixa de 31 a 40 anos; em
segundo lugar vem à faixa de 21 a 30 anos, representando 30%, conforme ilustrado na tabela
2. A maioria são homens, representando 78% em relação às mulheres, conforme ilustrado na
tabela 2.
Faixa etária

Quantidade

%

Até 20 anos

1

2%

21 – 30 anos

15

30%

31 – 40 anos

24

48%

41 – 50 anos

7

14%

Mais de 50 anos

3

6%

Tabela 2 - Faixa etária dos respondentes
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.69)

�Quanto a frequência por gênero, a predominância foi do sexo masculino, tendo em
vista que a natureza industrial da empresa de fundição demanda intensa força de trabalho
muscular, conforme ilustra a tabela 3.
Sexo

Quantidade

%

Masculino

39

78%

Feminino

11

22%

Tabela 3 - Sexo dos respondentes
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.69)

Quanto a escolaridade 40% dos respondentes tem curso superior completo, 30% médio
completo e apenas 10% não concluíram o curso superior, conforme representado na tabela 4.
Escolaridade

Quantidade

%

Médio completo

15

30%

Técnico completo

10

20%

Superior completo

20

40%

Superior incompleto

5

10%

Tabela 4 - Respondentes por escolaridade
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.70)

Na segunda parte do questionário, no quesito busca e uso da informação, procurou-se
identificar a premência de conhecimento de acordo com o modelo adotado que considera
ainda níveis de necessidade e classes de uso da informação.
As deficiências ou falhas de conhecimento para o desempenho das tarefas
organizacionais e a tomada de decisões são o principal gerador de necessidade de informação
cognitiva. Para reconhecê-la têm-se as respostas das perguntas 1, 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 13,
explicitadas no quadro 1:
Necessidade
cognitiva

Questão
1
2
4
6
8
10
12
13

Perguntas
Você frequenta a BTS?
Você busca fontes de informação na BTS?
O material que você retira da BTS é para fins profissionais?
O material que você retira é para você?
A BTS facilitou seu acesso a livros e outras fontes de
informação?
Você comprava livros antes da implantação da BTS?
Você procura informação na BTS para melhorar a
compreensão de problemas particulares?
Você procura informação na BTS para determinar o que
fazer ou como fazer uma coisa?

Quadro 1 - Necessidade cognitiva
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.70)

�Situações sociais em que a informação satisfaz as necessidades afetivas ou emocionais
estão representadas nas perguntas 1, 2, 3, 5 e 12, conforme demonstradas no quadro 2.
Necessidade
afetiva ou
emocional

Questão
1
2
3
5
12

Perguntas
Você frequenta a BTS?
Você busca fontes de informação na BTS?
Você retira material da BTS para lazer?
O material que você retira é para família?
Você procura informação na BTS para melhorar a
compreensão de problemas particulares?

Quadro 2 - Necessidade afetiva ou emocional
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.71)

As perguntas 1, 2, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12 e 13 tratam da necessidade que levou o
respondente a buscar informação na biblioteca. Os materiais disponibilizados no acervo da
biblioteca são procurados pelos usuários em razão de uma necessidade de informação que
varia de acordo com a situação podendo ser para uma tarefa que está realizando, uma
necessidade de lazer, para familiares, resolver problemas particulares, tomada de decisão,
entre outros.
Para identificar o nível de necessidade de informação, foram elaboradas as perguntas,
conforme ilustrado no quadro 3.

Nível de
necessidade

Pergunta
3
4
5
13

Perguntas
Você retira material na BTS para lazer?
O material que você retira é para fins profissionais?
O material que você retira é para família?
Você procura informação na BTS para determinar o que fazer ou
como fazer uma coisa?

Quadro 3: Perguntas para coletar dados sobre o nível de necessidades
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.71)

Essas indagações relacionam-se com o nível de necessidade tipo “formalizado” e
“instrumental”, pois segundo Choo (2006, p.101), no primeiro estágio o indivíduo consegue
fazer uma descrição de sua necessidade, e o segundo ocorre quando a informação é usada para
que o usuário saiba como e o que fazer; está relacionada com a importância que ele atribui a
informação para determinar o que fazer ou solucionar um problema.
Percebe-se pelo resultado que a demanda existente por livros de literaturas, revistas e
quadrinhos (pergunta 3) foi atendida, pois 48% dos usuários da biblioteca utilizaram os
materiais para lazer. Quanto a busca para fins profissionais (pergunta 4) a maioria raramente
procura informação para esta necessidade. A demanda por livros técnicos, normas e
periódicos especializados já era suprida pela Biblioteca Técnica da Tupy antes da implantação
do projeto, e no momento de preenchimento do questionário apenas 22% buscavam
informações para esclarecimentos de problemas profissionais.
Na busca de informação instrumental, concluiu-se que 30% dos respondentes vão à
biblioteca com esta finalidade (pergunta 13). No que se refere a formalizar uma lacuna de
conhecimento pode-se observar que 42% emprestam livros para atender uma necessidade de
informação da família (pergunta 5).

�Os percentuais dos resultados das respostas “sempre” ou “muitas vezes” encontrados
em cada uma das perguntas estão na tabela 5.

Pergunta

Nível de necessidade de informação
Instrumental e formalizado

%de participantes
que responderam
sempre ou muitas
vezes
48%

3

Você retira material para lazer?

4

O material que você retira é para fins profissionais?

22%

5

O material que você retira é para família?

42%

13

Você procura informação na BTS para determinar o que fazer
ou como fazer uma coisa?

30%

Tabela 5 – Nível de necessidade de informação
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.72)

Entre os tipos de necessidade estão a “compreensão do problema”, ou seja, a
informação é utilizada para permitir uma melhor compreensão de um determinado problema e
“esclarecimento” é usada para criar um contexto ou para dar significado a uma situação.
Estão associadas com o tipo de necessidade esclarecimento e compreensão do
problema as perguntas relacionadas na tabela 6.

Pergunta

Tipo de necessidade de informação
Compreensão e esclarecimento

% de participantes que
responderam sempre ou
muitas vezes
66%

6

O material que você retira é para você?

7

Você encontra na BTS o material que deseja?

66%

12

Você procura informação na BTS para melhorar a
compreensão de problemas particulares?

24%

Tabela 6 – Tipo de necessidade de informação
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.74)

A busca da informação é então o processo pelo qual o indivíduo a procura de modo a
mudar seu estado de conhecimento, conforme os preceitos do modelo adotado: durante a
busca manifestam-se alguns comportamentos típicos, entre os quais identificar e selecionar as
fontes, extrair e avaliar a informação, estender, modificar ou repetir a busca. O usuário vai
procurar suprir a necessidade buscando informações a partir de basicamente duas fontes, as
formais e informais. Entre as formais estão as bibliotecas. Nesta pesquisa, o colaborador da
fundição busca na BTS. As perguntas que permitiram identificar a busca estão relacionadas na
tabela 7.

�Busca de informação
Pergunta
1
2
8
9
10
11

Você frequenta a BTS?
Você busca fontes de informação na BTS?
A BTS facilitou seu acesso a livros e outras fontes de
informação?
Você já tinha o hábito de frequentar outras bibliotecas
antes da implantação da BTS?
Você comprava livros antes da implantação da BTS?
Após a implantação do projeto SESI Indústria do
Conhecimento você passou a comprar livros?

% de participantes
que responderam
sempre ou muitas
vezes
64%
54%
86%
22%
20%
8%

Tabela 7 – Busca de informação
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.76)

Após a análise do percentual das respostas “sempre” e “muitas vezes” das perguntas 1,
2 e 8 percebe-se que o objetivo do projeto SESI – IC de facilitar ao trabalhador (a) e sua
família o acesso à informação disponível em mídia impressa e eletrônica e na Internet e a
apropriação do conhecimento foi atingido. Os resultados destas perguntas estão na tabela 7.
O uso da informação é o estágio final do modelo: a partir do reconhecimento de um
vazio em seu conhecimento, o indivíduo inicia a busca de informação e fará uso dela. O uso
envolve a seleção e o processamento; o usuário interpreta a informação encontrada, que pode
responder a uma pergunta, resolver um problema, tomar uma decisão, negociar uma posição
ou entender uma situação. O resultado da utilização da informação é, portanto, uma mudança
no estado de conhecimento do indivíduo e em sua capacidade de agir.
As perguntas 3, 4, 12, 13, 14, 15, 16 e 17, quadro 4, registram o uso da informação.
Uso da informação
Perguntas
3
4
12
13
14
15
16
17

Você retira material da BTS para lazer?
O material que você retira da biblioteca é para fins profissionais?
Você procura informação na BTS para melhorar a compreensão de problemas
particulares?
Você procura informação na BTS para determinar o que fazer ou como fazer uma coisa?
Você socializa os conhecimentos que adquire por meio da biblioteca com seus colegas de
trabalho?
Você tem oportunidade de apresentar seus conhecimentos de forma explícita?
Você participa de situações sistemáticas de troca de conhecimento?
Você relaciona os novos conhecimentos aos anteriores e os reorganiza gerando novos
conhecimentos?

Quadro 4 – Perguntas de sobre o uso da informação
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.78)

Para análise do uso da informação obtida na BTS foi utilizada a classificação
preconizadas por Taylor (1991). As perguntas e a classes estão descritas no quadro 5.

�Classes de uso
Pessoal. Criar
relacionamentos
Esclarecimento. Criar
contexto ou dar significado
Compreensão de problema.
Melhorar a compreensão de
problemas, e pessoal
Instrumental. Determinar o
que ou como fazer

Pergunta
3

Motivacional. Motivar,
manter um envolvimento
pessoal
Factual. Determinar os fatos
de um fenômeno ou
acontecimento
Confirmativa. Verificar outra
informação
Esclarecimento

14

4
12
13

15
16
17

Descrição
Você retira material da BTS para lazer?
O material que você retira da BTS é para fins
profissionais?
Você procura informação na BTS para melhorar
a compreensão de problemas particulares?
Você procura informação na BTS para
determinar o que fazer ou como fazer uma
coisa?
Você socializa os conhecimentos que adquire
por meio da biblioteca com seus colegas de
trabalho?
Você tem oportunidade de apresentar seus
conhecimentos de forma explícita?
Você participa de situações sistemáticas de
troca de conhecimento?
Você relaciona os novos conhecimentos aos
anteriores e os reorganiza gerando novos
conhecimentos?

Quadro 5 - Classes de uso da informação
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.78)

Na tabela 8 estão relacionados os percentuais das perguntas que identificaram o uso da
informação.

Pergunta
3
4
12
13
14
15
16
17

Uso da informação
Descrição
Você retira material da BTS para lazer?
O material que você retira da BTS é para fins
profissionais?
Você procura informação na BTS para melhorar
a compreensão de problemas particulares?
Você procura informação na BTS para
determinar o que fazer?
Você socializa os conhecimentos que adquire por
meio da biblioteca com seus colegas de trabalho?
Você tem oportunidade de apresentar seus
conhecimentos de forma explícita?
Você participa de situações sistemáticas de troca
de conhecimento?
Você relaciona os novos conhecimentos aos
anteriores e os reorganiza gerando novos
conhecimentos?

% de participantes
que responderam
sempre ou muitas
vezes
48%
22%
24%
30%
48%
32%
26%
46%

Tabela 8 - Uso da informação com os percentuais
Fonte: Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o acesso
do trabalhador a informação e conhecimento ( GODOY, 2012, p.79)

Os fatores que se destacam na busca e uso da informação são: esclarecimento, pessoal
e motivacional. Nas demais classes a informação é utilizada em quantidades similares.

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A premissa na qual se estrutura o projeto SESI- IC é o reconhecimento que a
necessidade de informação pode ser entendida como a percepção da diferença entre o estado
desejado e a situação real, ativando o processo de busca e decisão do pelo uso da informação
Como dito acima, esse projeto tem por objetivo promover a inclusão digital e o acesso às
fontes de informação estruturadas e se operacionaliza com a implantação de uma biblioteca
com acervo de literaturas de vários gêneros, quadrinhos, DVDs, e equipamentos para acesso à
Internet, concebidos especialmente para atender as lacunas existentes na promoção do acesso
à informação e ao conhecimento. O público alvo são os trabalhadores e seus dependentes.
Este estudo procurou demonstrar a importância de projetos como o
SESI–IC são relevantes para possibilitar o melhor acesso à informação e conhecimento. A
coleta e análise dos relatórios de frequência e de empréstimos de materiais, no período de
2006 a 2011, permite afirmar que o novo espaço e serviços oferecidos promoveram
significativo aumento do acesso à informação. Pode-se concluir que a implantação do projeto
atingiu seus objetivos principais.
As respostas às perguntas utilizadas para avaliar o nível de necessidade mostram que
os respondentes reconhecem a lacuna no próprio conhecimento e conseguem descrever sua
necessidade.
O estado emocional e psicológico determinam diferentes preferências e métodos de
buscar a informação. O resultado dessa pesquisa revelou que a necessidade pela informação
que possibilite uma melhor compreensão de algum problema e seu respectivo esclarecimento
é a que se destaca entre as demais, 66% dos respondentes busca a informação para dar um
significado à uma situação, a fim de alcançar um determinado objetivo. Na busca de
informação seja para os diferentes níveis e tipos de necessidade, 86%, dos usuários,
reconhecem que a Biblioteca Tupy/SESI promoveu o acesso à informação.
Concluiu-se que projetos como o SESI – IC mostram-se relevantes para possibilitar o
acesso à informação e conhecimento, e tanto do ponto de vista da empresa como da
comunidade o investimento pode proporcionar os resultados esperados. Cabe ressaltar que o
exemplo da “Hora do Conto” torna evidente que não basta disponibilizar o acesso à
informação. É fundamental que se promovam atividades de vivências destinadas à produção e
uso da informação voltada ao conhecimento, oferecer múltiplas possibilidades de leitura e,
com isso levar os usuários a ampliar seus conhecimentos e suas ideias.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, N. C. de. Análise do uso da informação por empresários de microempresas
alimentícias do Estado de Minas Gerais. In: VII ENANCIB, Marília, SP. 2006. Disponível
em: http://www.marilia.unesp.br/sistemas/enancib/viewpaper.php?id=62 Acesso em: 1 julho
2012.
BARRETO, A. de A. A questão da informação. São Paulo em Perspectiva, v.8, n.4,
out./dez. 1994.
CASTRO, G. Gestão do conhecimento em bibliotecas universitárias: um instrumento de
diagnóstico. 2005 160p. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Programa de

�Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 2005
CHOO, W.C. A organização do conhecimento: como as organizações usam a informação
para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. 2.ed. São Paulo,
SENAC, 2006.
CRISPIM, A. C. Relato de experiência: biblioteca TUPY SESI, projeto Indústria do
Conhecimento. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 14, n. 1,
p.206-215, jan./jun. 2009.
DAVENPORT, T. H.; PRUSAK, L. Conhecimento empresarial. 15.ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2003. 237p.
GODOY, T. A. T. de. Análise das contribuições da Indústria do Conhecimento para o
acesso do trabalhador à informação e conhecimento. 2012 102p. Dissertação (Mestrado
em Engenharia da Produção) – IST Instituto Superior Tupy. Programa de mestrado em
Engenharia da Produção, Joinville,SC, 2012
LIRA, W.S.; CÂNDIDO, G.A; ARAÚJO, G.M.; BARROS, M.A. A busca e o uso da
informação nas organizações. Perspectiva, ciência e informação, Belo Horizonte,
vol.13 n.1, p.166-179, jan./abr. 2008.
PERIOTTO, C. Análise e uso da informação em pequenas empresas de base tecnológica
incubadas no polo tecnológico de São Carlos, SP, 2010. Dissertação (mestrado) –
Universidade de São Carlos. Programa de pós-graduação em Ciência, Tecnologia e
Sociedade,
São
Carlos,
SP,
2010.
Disponível
em:
http://www.bdtd.ufscar.br/htdocs/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3312
Acesso em: 21 ago. 2012.
ROCHA, M. A. Gestão do conhecimento em bibliotecas: o caso do Sistema Integrado de
Bibliotecas da Univali, 2010. TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) – Curso de Graduação
em Biblioteconomia, UFSC, Florianópolis, 2010.
ROMANI, C.; BORSZCZ, I. (orgs) Unidades de informação: conceitos e competências.
Florianópolis: Ed. da UFSC, 2006. 133p.
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Progress in Communication Science. Norwood: Ablex Publishing, 1991
TERRA, J.C.C. Gestão do conhecimento. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 315p.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Cooperação para o acesso do trabalhador à informação e conhecimento. </text>
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                <text>Godoy, Telma Tupy de; Hatakeyama, Kazuo </text>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>Este trabalho parte do pressuposto que a cooperação entre o Serviço Social da Indústria –SESI e seu programa Indústria do Conhecimento – SESI-IC com a Fundição Tupy S/A é um elemento importante para viabilizar o acesso à informação e aquisição do conhecimento. Tem por objetivo relatar os resultados obtidos com as ações desenvolvidas no Projeto SESI/IC, visando o acesso do trabalhador à informação e conhecimento. No aspecto  metodológico, a pesquisa que fundamentou esse trabalho é caracterizada como exploratória, descritiva, de cunho quantitativo, qualitativo, fazendo uso do tipo estudo de caso. Utilizou como instrumentos de coleta de dados os relatórios anuais de frequência, de empréstimos de materiais da biblioteca e um questionário individual distribuído aos seus usuários, o que permitiu identificar a necessidade, a busca e o uso da informação na perspectiva do modelo de uso da informação. Concluiu que a implantação de uma unidade do projeto SESI/ IC, na Fundição Tupy S/A, resultou na promoção do acesso à informação e conhecimento do trabalhador da empresa. Verificou que os usuários da Biblioteca que fizeram uso efetivo da informação tiveram satisfeitas as necessidades de compreensão e esclarecimento de problemas; puderam determinar o que fazer; e, ainda, utilizaram como uso pessoal.</text>
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                    <text>CONSTRUÇÃO DE REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS: A
EXPERIÊNCIA DA USP - UNIDADES DE SÃO CARLOS E RIBEIRÃO
PRETO - (EESC, FDRP, ICMC, IFSC, IQSC/USP)

Teresinha das Graças Coletta (EESC USP) - coletta@sc.usp.br
Maria Helena Di Francisco (IFSC/USP) - mhelena@ifsc.usp.br
Juliana de Souza Moraes (ICMC/USP) - jumoraes@icmc.usp.br
Gracielli Batista Pepe (IFSC/USP) - gracielli@ifsc.usp.br
Leonardo Henrique da Silva Ruiz (FOB/USP) - leohsruiz@fob.usp.br
Edmar Martineli (USP) - edmar@sc.usp.br
Resumo:
Um repositório institucional foi criado pela equipe das bibliotecas do campus USP de São
Carlos em parceria com o Centro de Tecnologia da Informação de São Carlos. Seu objetivo foi
o armazenamento, a organização, a preservação e a disponibilização de documentos que
registram a memória histórica das unidades. Para a criação da sua estrutura de
representação, comum a todos os repositórios independente da unidade, foi usado o software
DSpace e outras ferramentas auxiliares. Dez coleções foram definidas para atender às
necessidades das unidades e o padrão de metadados utilizado foi o Dublin Core (DC). Por se
tratar de um repositório que abrange vários tipos de materiais e suportes, foi necessária a
customização de outros metadados. O processo de avaliação dos repositórios é contínuo,
visando aprimoramentos e ajustes, assim como o acompanhamento das inovações tecnológicas
e de sistemas para atualização de suas ferramentas de suportes.
Palavras-chave: Repositórios institucionais; Representação de informação;
Dublin Core; DSpace; Acesso aberto; Memória institucional
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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Metadados;

�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

CONSTRUÇÃO
DE
REPOSITÓRIOS
INSTITUCIONAIS:
A
EXPERIÊNCIA DA USP - UNIDADES DE SÃO CARLOS E RIBEIRÃO
PRETO - (EESC, FDRP, ICMC, IFSC, IQSC/USP).
Resumo
Um repositório institucional foi criado pela equipe das bibliotecas do campus USP de São
Carlos em parceria com o Centro de Tecnologia da Informação de São Carlos. Seu objetivo
foi o armazenamento, a organização, a preservação e a disponibilização de documentos que
registram a memória histórica das unidades. Para a criação da sua estrutura de representação,
comum a todos os repositórios independente da unidade, foi usado o software DSpace e outras
ferramentas auxiliares. Dez coleções foram definidas para atender às necessidades das
unidades e o padrão de metadados utilizado foi o Dublin Core (DC). Por se tratar de um
repositório que abrange vários tipos de materiais e suportes, foi necessária a customização de
outros metadados. O processo de avaliação dos repositórios é contínuo, visando
aprimoramentos e ajustes, assim como o acompanhamento das inovações tecnológicas e de
sistemas para atualização de suas ferramentas de suportes.

Palavras chaves
Repositórios institucionais; Representação de informação; Metadados; Dublin Core; DSpace;
Acesso aberto; Memória institucional.

Abstract
An institutional repository was created by the staff libraries of University of São Paulo, in São
Carlos campus, in partnership with the Information Technology Center. His goal was the
storage, organization, preservation and availability of documents that registry the historical
memory of these units. For the creation of its structure, which was common to all repositories,
it was used the DSpace software and other auxiliary tools. Ten collections were set to comply
with the needs of units, and the metadata standard used was the Dublin Core (DC). Because it
is a repository that covers various types of materials and supports, it required the
customization of others metadata. A continuous evaluation process is taking place aimed the
improvement and adjustments, in addition the monitoring of technological innovations and
systems to update their tool support.

Keywords
Institutional repositories; Information representation; Metadata; Dublin Core; DSpace; Open
Access; Institutional memory.

1 Introdução
O projeto de um repositório institucional para as unidades do campus de São Carlos e
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP nasceu da necessidade de tratamento,
armazenamento e preservação, e da vontade de tornar acessível, uma coleção de fotos da
biblioteca do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) que retrata toda a sua história. Ao longo
do seu planejamento, o projeto foi ampliado para abrigar diferentes coleções de documentos,
com objetivo principal de preservar a memória institucional do IFSC e, paralelamente,
disponibilizar tais documentos para a comunidade. O repositório ainda atenderia a Lei de

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transparência da informação, ampliaria a visibilidade e o acesso às atividades de ensino,
pesquisa e extensão desenvolvidas pelo IFSC.
Para o desenvolvimento do projeto buscou-se diferentes parcerias, além do apoio da
diretoria do IFSC. O Centro de Tecnologia da Informação de São Carlos (CeTI-SC),
experiente no desenvolvimento de repositórios, foi convidado a participar do projeto, assim
como as demais unidades do campus de São Carlos: Instituto de Química de São Carlos
(IQSC), Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), Escola de Engenharia
de São Carlos (EESC) e a Faculdade de Direito, situada no campus de Ribeirão Preto.
O projeto conjunto, baseado no trabalho inicial da equipe do IFSC, foi estruturado
como um grande repositório composto por diferentes tipos de coleção e seus respectivos
metadados, atendendo às necessidades e interesses das unidades envolvidas.
Até então poucas instituições utilizavam um repositório institucional com a finalidade
de preservar a memória histórica da instituição. Nesse sentido, pode ser citada a Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) que tem na
preservação o objetivo final do seu repositório institucional.
As definições para repositórios institucionais em muitas situações os relacionam
diretamente à informação científica produzida pela instituição, como cita Leite (2009, p. 21),
por exemplo:
Um repositório institucional de acesso aberto constitui, portanto, um serviço de
informação científica - em ambiente digital e interoperável - dedicado ao
gerenciamento da produção intelectual de uma instituição. Contempla, por
conseguinte, a reunião, armazenamento, organização, preservação, recuperação e,
sobretudo, a ampla disseminação da informação científica produzida na instituição.

Sob esse foco, a USP têm sido uma das pioneiras na criação de repositórios
institucionais voltados para a produção científica, como foi a criação da Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações da USP (BDTD)1 em 2001 e, posteriormente, em 2012, a da Biblioteca
Digital da Produção Intelectual da Universidade de São Paulo (BDPI)2, abrangendo, assim,
toda a produção científica produzida pelos seus docentes, pesquisadores, funcionários e
discentes.
Nesse sentido, pesquisando sobre repositórios institucionais e avaliando estruturas e
metadados de conhecidos repositórios, como o RepositóriUM3, da Universidade do Minho, o
LUME4 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Repositório Digital da
UFMG5 e o repositório temático do Acervo Histórico da Faculdade de Medicina Veterinária e
Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP)6, concluiu-se ser perfeitamente viável
e adequado criar um repositório institucional com coleções que tratassem da memória
histórica das unidades. Ao mesmo tempo, sabendo da importância de incluir também as
coleções de produção científica e de teses e dissertações nos repositórios das unidades, optouse pelo uso de uma ferramenta que além de permitir a criação das novas coleções sobre a
memória histórica, ainda possibilitasse a disponibilização de coleções já existentes da
produção científica (BDPI e BDTD) a partir da técnica de harvesting. Dessa maneira, o
repositório institucional seria formado por coleções de produção científica e coleções sobre a
memória histórica.
Iniciava-se assim, em 2013, a criação dos Repositórios Institucionais (RIs) das
Unidades do Campus USP de São Carlos e da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto, como
1

http://www.teses.usp.br/
http://www.producao.usp.br/
3
https://repositorium.sdum.uminho.pt/
4
http://www.lume.ufrgs.br/
5
https://dspaceprod02.grude.ufmg.br/dspace/
6
http://www.acervohistorico.fmvz.usp.br/
2

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um projeto conjunto, mas com a possibilidade de composição de coleções conforme a
necessidade e interesse de cada uma delas, sendo a memória histórica das mesmas o seu maior
enfoque.

2 Breve revisão de literatura
Armazenar, organizar, preservar e disseminar informação são as principais tarefas dos
sistemas de informação desde suas origens, independente da infraestrutura disponível, seja ela
manual ou automática. A evolução dos sistemas de informação, sob a perspectiva da
tecnologia, ofereceu e vem oferecendo continuamente mais e melhores opções para a
execução de cada uma dessas tarefas, impactando positivamente no atendimento ao seu
objetivo final: o acesso à informação.
Os Repositórios Institucionais (RIs) são exemplos dessa evolução, e tipos de sistema
de informação que além de armazenar, organizar, preservar e disseminar a informação
possibilita o acesso à informação na íntegra e em meio digital, imediatamente após a consulta.
Para o IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, os
repositórios institucionais são antes Repositórios Digitais (RDs), isto é, bases de dados on-line
que reúnem de maneira organizada um dado tipo de informação, para a qual estão vinculados
um ou mais arquivos, que podem ser de vários formatos. Os repositórios digitais podem ser
institucionais ou temáticos, sendo que os institucionais lidam com a produção científica de
uma determinada instituição e os temáticos com a produção científica de uma determinada
área do conhecimento (IBICT, 2016).
A princípio, os repositórios institucionais surgiram com o objetivo de ampliar a
divulgação e a visibilidade da produção científica de universidades e instituições de pesquisa
(FREITAS, 2015). A partir da compreensão dos repositórios institucionais como solução
simultânea para o conhecido paradoxo ‘usar e preservar’, o objeto dos RIs foi estendido a
outros tipos de informação que também começaram a ser agregados a esse tipo de sistema de
informação, tais como documentos históricos e imagens de arte, entre muitos outros.
Relacionado a esse ponto de vista, Lynch, já em 2003, entendia os repositórios
institucionais como sistemas mais amplos em termos de conteúdo quando os definia como um
“conjunto de serviços que uma instituição oferece aos membros de sua comunidade, visando
ao gerenciamento e disseminação dos materiais digitais criados pela instituição e pelos
membros de sua comunidade” (LYNCH, 2003 apud LEITE; COSTA, 2006, p. 213). Os
materiais digitais criados pelos membros de uma comunidade certamente englobam outras
coisas além da produção científica.
Dodebei (2009), Marcondes e Sayão (2010) e Sousa Filho et al. (2012), em suas
discussões sobre os repositórios institucionais, mencionam a caraterística do acesso aberto,
característica essa atribuída como fundamental na definição desse tipo de sistema.
Acesso aberto é a disponibilização de publicações na íntegra de forma livre e pública
na internet, que permite seu uso por qualquer usuário. Tais usos compreendem: a leitura, o
download, a cópia, a impressão, a distribuição, a busca ou o link com o conteúdo completo,
bem como a indexação ou o uso para qualquer outro propósito legal. A única ressalva é para a
reprodução e a distribuição, onde devem ser respeitados o direito do autor e a integridade do
seu trabalho, na forma de citação e indicação da autoria. (MOVIMENTO, 2016).
O acesso aberto vem ao encontro dos anseios da comunidade científica, insatisfeita
com o modelo tradicional de publicação científica, e da oportunidade de simplificação dos
processos de publicação que a evolução da tecnologia oferece. (COSTA; LEITE, 2016),
Entretanto, no que concerne à disponibilização de toda a produção científica, os gestores de
repositórios institucionais ainda se deparam com questões sobre os direitos autorais, na
medida em que nem toda a academia incorporou a filosofia do acesso aberto para publicar

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seus resultados de pesquisa e ainda mantém seus direitos autorais vinculados a empresas
comerciais de publicação científica.
Quando se menciona repositórios institucionais fala-se obrigatoriamente em maior
visibilidade das informações de uma instituição, do compartilhamento de informações, da
melhoria do processo de comunicação e também da questão da preservação dessas
informações. Esses tópicos estão sempre atrelados aos Ris, uma vez que são seus principais
benefícios.
A preservação é um tópico indispensável nas discussões para a construção dos
repositórios institucionais, e passa tanto pela preservação dos objetos originalmente em papel
e que foram digitalizados, como também pelos objetos que nasceram digitais, chamados de
nato-digitais.
A digitalização por si só não pode ser entendida como preservação. Ela amplia e
possibilita a universalização do acesso, proporciona diferentes saídas para os usuários, além
da simultaneidade do acesso, mas não pode ser vista como sinônimo de preservação. Assim
como também os documentos nato-digitais não se preservam por terem essa natureza.
Preservar, segundo Wheatley (2004), significa que as informações serão mantidas na
íntegra, sem danos, perdas ou alterações; serão encontradas e extraídas pelos usuários a partir
de servidores ou de arquivos; serão interpretadas e compreendidas pelos usuários e essas
ações terão longo prazo.
Para tanto, repositórios institucionais precisam ser detalhadamente planejados nos seus
vários aspectos, como: a estrutura de representação da informação e seus respectivos
metadados, a infraestrutura tecnológica, a divisão dos papéis dos diferentes usuários, os
processos de povoamento e, muito especialmente, as políticas, tanto de povoamento, como de
uso e de preservação das informações neles contidas.
Ainda, de acordo Wheatley (2004), os repositórios institucionais não são exclusivos do
contexto acadêmico, são sistemas para quaisquer tipos de instituições que desejam armazenar,
preservar e acessar suas próprias informações sejam elas de qualquer natureza.
Com essa breve contextualização e posicionamento diante da vasta literatura já
existente, esse trabalho compreende os repositórios institucionais como o modelo de sistema
de informação capaz de viabilizar o uso e a preservação simultaneamente, sem prejuízo de
nenhum, e em consonância com o movimento de democratização da informação, em especial
às produzidas por instituições públicas.

3 Materiais e métodos
Para desenvolver os RIs foi criado um grupo de trabalho. Esse grupo foi composto por
representantes das bibliotecas de cada unidade participante e também da equipe do CeTI-SC.
A coordenação geral ficou sob a responsabilidade da equipe de bibliotecários do IFSC. As
bibliotecas das unidades ficaram responsáveis pelo estudo e definição da estrutura de
representação das coleções, seus metadados e documentos de apoio; a equipe do CeTI-SC
ficou responsável pela questão do desenvolvimento, implementação e configuração do
software dos repositórios, além do suporte e manutenção pós-desenvolvimento.
3.1 Ferramentas de suporte
A escolha pelas ferramentas de suporte dos RIs foi baseada na experiência positiva da
USP quando da criação da Biblioteca Digital da Produção Intelectual (BDPI) em outubro de
2012; soma-se a isso a experiência adquirida da equipe do CeTI-SC. Outro ponto que
contribuiu para a escolha foi o fato do software ser um dos mais usados mundialmente para o
desenvolvimento de repositórios, o que garantiria também a possível interoperabilidade dos

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RIs com outros repositórios nacionais e internacionais.
Assim, o conjunto de ferramentas escolhido foi:
 Software DSpace7 (Hewlett Packard and MIT) que trata-se de uma plataforma
que permite o depósito e a disponibilização de documentos em qualquer
formato (texto, vídeo, áudio e dados) e a indexação do seu conteúdo. O DSpace
é implementado originalmente em Java e usou-se Banco de Dados
PostgreSQL.
Principais customizações realizadas:
 Principais interfaces com o usuário
 Customização da interface XMLUI (Edição de páginas xsl)
 Edição de código javascript
 Edição de páginas de estilo (CSS)
 Edição de figuras
 Edição de arquivo de tradução (Português, Espanhol e Inglês)
 Funcionalidades adicionadas ao DSpace
 Autenticação com senha única USP
 Vocabulário Controlado da USP
 Identificação de autores USP
 Visualizador de arquivos de vídeos integrado à página
 Personalização de buscas
 Fluxo de submissão (papéis para usuários)
 Depositante
 Revisor
 Publicador
 Intercâmbio de dados através do protocolo OAI-PMH8 - Open Archives
Initiative Protocol for Metadata Harvesting, o que permitiria que os metadados
pudessem ser coletados e compartilhados entre repositórios.
3.2 Estrutura de representação das coleções dos RIs e respectivos metadados
Foram desenvolvidas 10 novas coleções para comporem os RIs. Cada coleção é
formada por uma estrutura única de representação e metadados. O RI de cada unidade pôde
ser constituído com o número e tipo de coleção que melhor respondesse às suas necessidades,
políticas e interesses, com exceção para a coleção ‘Antônio Junqueira de Azevedo’, exclusiva
da FDRP. Além das novas coleções, ainda haveria a opção por mais duas coleções já
existentes na USP, a BDTD e a BDPI.
3.2.1 Definição das coleções




7
8

Coleção ‘Antônio Junqueira de Azevedo’: coleção específica da FDRP para tratar a
coleção recebida como doação da família Junqueira de Azevedo;
Clipping: conjunto de matérias divulgadas nas diferentes mídias sobre ensino,
pesquisa e extensão desenvolvido na unidade;
Eventos: registro dos eventos realizados na unidade, com sua participação direta ou
indireta;

http://www.dspace.org/
https://www.openarchives.org/pmh/

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







Material de divulgação: materiais criados e desenvolvidos pela unidade para a
divulgação das suas atividades de ensino, pesquisa e extensão;
Memória audiovisual: fotos, vídeos e áudios produzidos sobre a unidade e pela
unidade;
Memória documental: documentos antigos e/ou históricos sobre a unidade, cuja
seleção fica sob a responsabilidade de cada unidade;
Objetos educacionais: anotações de aula, apostilas, experimentos, softwares, entre
outros objetos de apoio ao ensino;
Prêmios: homenagens, placas, medalhas, entre outros tipos de prêmios recebidos pela
unidade ou por seus servidores;
Projetos: projetos de pesquisa e administrativos elaborados por servidores da unidade;
Relatórios: relatórios administrativos e das atividades de ensino, pesquisa e extensão,
produzidos na unidade.
E as coleções da USP já existentes e alimentadas para o RI por meio de harvesting:




Produção científica: produção científica, acadêmica, técnica e artística gerada pelas
pesquisas desenvolvidas na unidade; nesse caso alimentada a partir da BDPI;
Teses e dissertações: teses e dissertações defendidas na unidade; nesse caso
alimentada a partir da BDTD.

3.2.2. Definição dos metadados
Os metadados de cada uma das coleções foram definidos segundo o padrão Dublin
Core (DC) e sua escolha foi pautada nas mesmas razões para a escolha do software: a
experiência da USP com esse padrão e o fato de ser o mais usado mundialmente. A palavra
metadado significa dados sobre um dado, isto é, dados que descrevem um recurso de
informação. O Dublin Core é um vocabulário de metadados que se tornou padrão, formado
por um conjunto de elementos de metadados que podem descrever quaisquer tipos de
informação, uma vez que são flexíveis e podem se adaptar às particularidades de cada sistema
de informação (DUBLIN, 2016).
Inicialmente o grupo de trabalho formado pelas bibliotecas buscou identificar quais
eram os metadados necessários para representar as informações de cada uma das coleções,
uma vez que as mesmas reúnem um grande número de informações diferentes e também em
suportes diferentes.
Após a identificação desses metadados necessários, foi realizada uma avaliação do
documento resultante e a devida qualificação de cada metadado com seu correspondente no
padrão DC. Foi observado que informações importantes para a descrição de alguns recursos
não estavam contempladas o que fez com que o grupo de trabalho customizasse novos
metadados, como também ocorreu na ocasião da definição dos metadados da BDPI.
Os metadados customizados pelo grupo de trabalho passaram a ser identificados com a
sigla da unidade que sugeriu a criação, e depois de aprovados pelo grupo, foram identificados
como “usp.elemento”, para organização e documentação da história da estrutura de
representação. Os demais metadados retirados diretamente do padrão DC são identificados
como “dc.elemento”.
Para cada coleção foi definido um conjunto de metadados. O Quadro 1 ilustra o
conjunto de metadados para a coleção Eventos.

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Quadro 1 – Conjunto de metadados da coleção de Eventos.
Foi necessário gerar qualificadores para alguns metadados como para o nome do
campo, metadado DC, metadado customizado, informações sobre a necessidade de
repetitividade do campo, informações sobre sua obrigatoriedade, tipo de campo
(dropdown/picklist, texto ou data) e, por último, a etiqueta do campo com as informações para
sua padronização. Para os nomes dos campos foram feitas as versões em inglês e espanhol. O
Quadro 2, a seguir, exemplifica.
E

NOME DO
CAMPO

METADADO DUBLIN
ETIQUETAS DOS
REPETITIVO OBRIGATÓRIO TIPO DE CAMPO
CORE/CUSTOMIZADO
CAMPOS

Abrangência

dc.spatial

Acessibilidade do icmc.description.acessibility
original
Agencia de fomento dc.description.sponsorship

Texto

Dropdown/Picklist
X

Quadro 2 – Qualificações dos metadados.

Texto

Inserir a área geográfica de
alcance do documento em
questão. Dever ser preenchido,
preferencialmente, com a maior
área geográfica indicada ou
suspeita, de forma a abarcar
outras
áreas
geográficas
menores e também atendidas.
Caso a área geográfica alcançada
seja
pontual,
indicá-la.
Exemplos: Brasil; Estado de São
Selecionar
o
tipo
de
acessibilidade correspondente
Inserir o nome das Agências de
Fomento
conforme
padronização adotada pela
unidade, incluindo o número do
processo quando constar. Para
cada agência, clicar no botão
"Add". Exemplo 1: FAPESP
(09/08131-1) ; Exemplo 2: CNPq ;
Exemplo 3: FAPESP.

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Novamente a exemplo da BDPI, os ‘autores USP’ são identificados automaticamente a
partir da utilização do sistema corporativo da USP; de forma semelhante acontece com os
assuntos atribuídos aos recursos de informação com a possibilidade de uso do Vocabulário
Controlado do SIBi/USP.
3.3 Implementação dos repositórios institucionais
Após definição das coleções e dos seus respectivos metadados, a equipe do CeTI-SC
trabalhou no desenvolvimento do sistema dos repositórios. Os mesmos ficaram abrigados
temporariamente no servidor do CeTI-SC para testes e observações. Nesse período foram
realizados pilotos contemplando todas as etapas de povoamento dos repositórios, sejam elas, a
submissão, a revisão e a publicação de documentos das diferentes coleções, incluindo o
arquivamento do PDF. Também neste período, identificou-se inconsistências na estrutura de
representação das coleções e na definição de novos metadados.
Finalizados os testes, cada unidade buscou um local para hospedar o seu repositório e
foi iniciada a etapa de povoamento e a divulgação do repositório para toda a comunidade.
Tanto o site dos repositórios, como o endereço para o seu acesso mantém um padrão, e são
distinguidos pela logomarca e nome da unidade em questão.
3.3.1 Definição de políticas
Apesar dos RIs terem sido desenvolvidos com uma mesma estrutura, eles são
independentes e cada unidade definiu suas próprias políticas de povoamento para cada uma
das coleções. Muitas unidades envolveram outros setores além das bibliotecas, como as
equipes das áreas administrativas, acadêmicas e de comunicação para atuarem na tarefa de
povoamento dos seus repositórios, uma vez que as novas coleções criadas têm relação direta
com as informações geradas por essas diferentes áreas. Cada biblioteca responde pela
coordenação do repositório institucional da sua unidade, englobando inclusive o treinamento
das equipes envolvidas. A política de cada unidade pode ser encontrada no site de cada um
dos repositórios que, dentre outros tópicos, aborda também a questão dos direitos autorais.
3.3.2 Documentação
Para cada campo do RI foi definido uma etiqueta que continha informações para o
cadastramento de forma a padronizá-lo, entretanto, devido a diversidade de materiais cobertos
pelos RIs foi necessário padrões mais específicos de cadastramento das informações, e para
tanto, cada unidade ficou com a responsabilidade de elaborar o seu próprio tutorial de
cadastramento, conforme o seu entendimento. Tal documentação é imprescindível para manter
a consistência e a qualidade dos dados inseridos no repositório, bem como fundamental para o
treinamento das equipes envolvidas. A Figura 1, abaixo, ilustra uma parte do tutorial de
cadastramento do repositório institucional do IFSC.

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Figura1 – Parte do tutorial de cadastramento.

4 Resultados parciais e finais
Em outubro de 2015, durante a XV Semana do Livro e da Biblioteca realizada
conjuntamente entre as unidades do campus da USP de São Carlos, foram lançados os RIs que
já tinham sido implementados em servidores das suas próprias unidades; esses podem ser
consultados pelos seguintes endereços:




Repositório Institucional do ICMC: http://repositorio.icmc.usp.br/
Repositório Institucional do IFSC: http://repositorio.ifsc.usp.br/
Repositório Institucional do IQSC: http://repositorio.iqsc.usp.br/

Os demais repositórios estão na etapa final de implementação para o início de seu
povoamento efetivo.
As 12 coleções que podem compor o repositório institucional de cada uma das
unidades cobrem uma diversidade de tipos de documentos que registram não apenas a
produção técnico-científica de suas unidades, mas as atividades administrativas, de cultura e
extensão e a memória da instituição sob a forma de documentos, imagens e sons.
Atualmente os três RIs, acima citados, somam 6766 registros e 1333 visualizações em
seis meses. Esse número sempre será crescente, tanto pela ativação dos RIs da FDRP e EESC
em breve, como também pela enorme demanda existente nas unidades e a inserção dos
processos de povoamento na rotina diária das equipes envolvidas.
A experiência de desenvolver conjuntamente um repositório institucional tem sido
enriquecedora para todo o grupo de trabalho e o processo contínuo de povoamento tem
fomentado aprimoramentos e até mesmo identificado a necessidade de novas coleções, como,
por exemplo, a coleção de patentes e a coleção GestãoEESC, ambas em estudo.
Para um futuro próximo, o módulo de estatística está sendo desenvolvido e com a
adoção do sistema da Universidade do Minho de Portugal. Além disso, o registro dos RIs
junto ao IBICT9 e aos diretórios internacionais como Registry of Open Access Repositories
9

http://www.ibict.br/

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(ROAR)10, Directory of Open Access Repositories (OpenDOAR)11 está na dependência da
finalização da versão em inglês e em espanhol da documentação dos RIs. O grupo de trabalho
entende que tais registros são de suma importância, pois além de propiciarem maior
visibilidade, imprimem credibilidade aos repositórios.
Quanto aos metadados customizados pelo grupo de trabalho, esses têm sido
sistematicamente repassados à equipe responsável pelo desenvolvimento da BDPI, com o
objetivo de registrar o seu uso, padroniza-los e torna-los interoperáveis entre os sistemas,
especialmente entre os da própria USP.
Abaixo os sites dos RIs já implementados:

Figura 2 – Sites dos RIs.
5 Considerações finais
As unidades de ensino e pesquisa da Universidade de São Paulo possuem uma
quantidade incalculável de documentos que retratam a sua história. Em sua maioria, esses
documentos estão armazenados em arquivos próprios e com pouca ou nenhuma
acessibilidade, mesmo a universidade tendo uma atuação eficiente na gestão de arquivos.
A digitalização dos documentos que refletem a memória histórica da unidade e os
documentos nato-digitais, quando disponibilizados em um repositório institucional, tornam-se
acessíveis à qualquer pessoa, momento ou local, além da garantia de existência em longo
prazo. Os RIs aqui apresentados tornaram possíveis e acessíveis essas memórias.
Com o entendimento da necessidade constante de aprimoramento e de continuidade
desse trabalho, o grupo propôs avaliações contínuas dos RIs, assim como o acompanhamento
10
11

http://roar.eprints.org/
http://www.opendoar.org/

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imprescindível das inovações tecnológicas, dos modelos de sistemas e da atualização das
ferramentas utilizadas, por exemplo, a já identificada necessidade de migração para a versão
5.5 do software DSpace, o que viabilizará o aprimoramento do pacote estatístico e a criação
de um portal único para a busca integrada nos cinco repositórios institucionais.
A despeito de todos os benefícios citados, é importante salientar que será necessário
um contínuo investimento humano para a identificação e tratamento dos documentos
existentes nas unidades, que são entendidos como parte da memória histórica de cada uma,
lembrando, ainda, que os documentos de hoje serão os documentos da memória histórica de
amanhã.

6 Referências
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o Open Access Initiative Budapest. Transinformação, v.28, n.1, 2016. Disponível em:
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IBICT - INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA.
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03 maio 2016.
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brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília, DF: IBICT; 2009. Disponível
em:
&lt;http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/775/4/Como%20gerenciar%20e%20ampliar%20a%20
visibilidade%20da%20informa%C3%A7%C3%A3o%20cient%C3%ADfica%20brasileira.pdf
&gt;. Acesso em: 24 abr. 2016.
LEITE F.C.L.; COSTA, S. Repositórios institucionais como ferramentas de gestão do
conhecimento científico no ambiente acadêmico. Perspectivas em Ciência da Informação,
Belo Horizonte, v.11, n. 2, p. 206-219, 2006.
MARCONDES, C. H.; SAYÃO, L. F. À guisa de introdução: repositórios institucionais e
livre acesso. In: MARCONDES, C. H.; SAYÃO, L. F.; TOUTAIN, L. B.; ROSA, F. G. (Org.).
Implantação e gestão de repositórios institucionais: políticas, memória, livre acesso e
preservação. Salvador: EDUFBA, 2010.
MOVIMENTO Acesso Aberto. &lt;Disponível em: http://www.acessoaberto.org/&gt;. Acesso em:

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Um repositório institucional foi criado pela equipe das bibliotecas do campus USP de São Carlos em parceria com o Centro de Tecnologia da Informação de São Carlos. Seu objetivo foi o armazenamento, a organização, a preservação e a disponibilização de documentos que registram a memória histórica das unidades. Para a criação da sua estrutura de representação, comum a todos os repositórios independente da unidade, foi usado o software DSpace e outras ferramentas auxiliares. Dez coleções foram definidas para atender às necessidades das unidades e o padrão de metadados utilizado foi o Dublin Core (DC). Por se tratar de um repositório que abrange vários tipos de materiais e suportes, foi necessária a customização de outros metadados. O processo de avaliação dos repositórios é contínuo, visando aprimoramentos e ajustes, assim como o acompanhamento das inovações tecnológicas e de sistemas para atualização de suas ferramentas de suportes.</text>
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                    <text>CONSIDERAÇÕES SOBRE A IMPORTÂNCIA DE UMA POLÍTICA DE
SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS
Bruno Pacheco Coelho Leite (UFES) - brunopcleite@gmail.com
Resumo:
Esse artigo traz os conceitos de Engenharia Social, as estratégias de ataques utilizadas pelos
engenheiros sociais e os tipos de ameaças e vulnerabilidades que podem ser exploradas por
esses indivíduos. Além disso, relata quais ações são necessárias para o estabelecimento de
uma segurança da informação efetiva. Detalha o que vem a ser uma Política de Segurança da
Informação e os procedimentos necessários para dar ciência aos funcionários sobre a sua
existência. Apresenta um estudo de caso sobre a Política de Segurança da Informação nas
bibliotecas do Instituto Federal do Espírito Santo. Informa sobre as melhores maneiras para
prevenir possíveis perdas, danos e destruição das informações presentes nessas unidades de
informação. Os procedimentos utilizados para este estudo se alicerçam na realização de
pesquisa bibliográfica constituída por livros e artigos científicos pertinentes ao tema proposto.
Assim, busca analisar os efeitos de uma Política de Segurança da Informação nas Bibliotecas
do referido instituto, destacando-se os aspectos ligados a fatores humanos. Além disso, a
pesquisa teve como objetivos específicos levantar informações sobre a engenharia social,
identificar os tipos de ameaças e vulnerabilidades que contribuem para a ação dos
engenheiros sociais nessas bibliotecas e apresentar os propósitos de uma Política de
Segurança da Informação. Os resultados obtidos a partir desse estudo poderão ser úteis para
bibliotecas que apresentam características semelhantes e estão inseridas em instituições com
realidades similares.
Palavras-chave: Segurança da informação; Engenharia social; Bibliotecas.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Esse estudo1 traz uma proposta de visão que vá além de investimentos centrados em
segurança física e tecnológica, mas que se atente para os aspectos ligados a segurança
humana, considerada o elemento mais frágil dentro de uma organização.
Diante do imenso volume informacional gerado diariamente, as bibliotecas atentaramse para a adoção das tecnologias de informação e comunicação com o intuito de aperfeiçoar a
prestação de seus serviços. A partir dos avanços tecnológicos foi possível proporcionar uma
prática moderna de gestão para os bibliotecários. Além disso, contribuiu para que essas
unidades de informação ofertassem seus serviços para além de suas estruturas físicas.
A oferta de novos serviços advindos do uso das tecnologias da informação trouxe
questionamentos quanto aos aspectos relacionados à salvaguarda de suas informações.
Através dessas indagações a segurança da informação tem se mostrado como algo que tem
preocupado muito as organizações. Deve-se a isso a complexidade de estabelecerem-se
metodologias que garantam a proteção das informações por completo.
Conforme vão sendo estabelecidas as melhores práticas para a segurança da
informação, também são desenvolvidas táticas para burlá-las. Dessa forma, é preciso ter
ciência de que a segurança da informação não contempla somente investimentos em ativos
físicos e tecnológicos, é preciso acompanhar a contribuição dos recursos humanos na
exposição dessas informações e como os engenheiros sociais se aproveitam dessas
vulnerabilidades.
O estabelecimento de uma Política de Segurança da Informação tem o papel
fundamental de divulgar a filosofia da empresa em relação à segurança da informação e
direcionar as ações a serem tomadas pelos seus funcionários em situações de ameaças.
A atenção desse estudo está voltada para medidas que garantam a segurança da
informação nessas unidades de informação, tendo em vista o grande fluxo de pessoas que
passam diariamente por esses locais. Para tanto, essa pesquisa levanta informações sobre a
engenharia social, e realiza um estudo de caso que visa mostrar os tipos de ameaças e
vulnerabilidades que contribuem para a ação dos engenheiros sociais nessas bibliotecas. Além
disso, apresenta os propósitos de uma Política de Segurança da Informação.

2 Revisão de literatura
Essa seção apresenta uma revisão de literatura pertinente aos temas abordados nesse
estudo, na qual subsidia às análises e discussões frente aos dados coletados no marco
empírico.

2.1 Engenharia social e estratégias de ataque
De acordo com Fontes (2006, p. 120) o termo Engenharia Social refere-se ao “[...]
conjunto de procedimentos e ações que são utilizados para adquirir informações de uma
organização ou de uma pessoa por meio de contatos falsos sem o uso da força, do
arrombamento físico ou de qualquer brutalidade”. Por sua vez, um dos precursores e
especialista na área, Mitnick (2003, p. 6) diz que a Engenharia Social “usa a influência e a
persuasão para enganar as pessoas e convencê-las de que o engenheiro social é alguém que na

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Apresenta recortes pertencentes a um trabalho de conclusão de curso de Pós-Graduação lato sensu (Gestão
Estratégica da Tecnologia) submetido à Universidade Gama Filho, intitulado como “Política de segurança da
informação: estudo de caso das bibliotecas do Ifes”.

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verdade ele não é, ou pela manipulação”. E complementa dizendo que como resultado, obtêmse informações com ou sem o uso de recursos tecnológicos.
O engenheiro social consegue analisar o contexto em que se encontra a informação
desejada e espera até que a melhor oportunidade para a obter apareça. Não há um horário e
dia estabelecido para o ataque, ele aguarda o melhor momento para montar o cenário, seja
através de um encontro ou uma simples conversa. A partir do enredo criado ele consegue
retirar as informações sem que suas vítimas notem que estão sendo manipuladas para essa
finalidade (SILVA et al., 2012).
Nessa perspectiva, considera-se a Engenharia Social como uma forma de ataque, onde
o atacante consegue cativar pessoas e assim obter as informações desejadas sem que suas
vítimas percebam. Sendo assim, percebe-se a importância de se estabelecer procedimentos
que previnam a ação desses indivíduos em bibliotecas, tendo em vista a movimentação
constante de pessoas em busca de informações que atendam às suas necessidades. Entretanto,
é possível que pessoas mal-intencionadas obtenham informações privilegiadas, que cabem
somente aos bibliotecários conhecê-las.
O engenheiro social beneficia-se da simpatia e do poder de convencimento para
acessar as informações pretendidas. Assim, ao comunicar-se com algum empregado de
determinada instituição utilizar-se-á de alguns artifícios para envolver a vítima. Silva (2012)
relata que o encantamento por parte do contratado pelo novo emprego pode favorecer o
ataque do engenheiro social, tendo em vista sua dedicação e a vontade em mostrar-se
disponível em ajudar. Nesse caso, o novo funcionário deve ser instruído a respeito de como
agir no trabalho e saber lidar em situações de ameaças, para que não se torne alvo de ação do
engenheiro social.
Ao conhecer os meios utilizados pelo engenheiro social em seus ataques, torna-se
possível que as organizações se previnam contra possíveis investidas junto as suas
informações. Além disso, devem atentar-se para o comportamento de seus empregados,
principalmente para aqueles que de alguma forma demonstram descontentamento, pois os
mesmos, através de alguma motivação, poderão adulterar informações preciosas ou até
mesmo fornecê-las para pessoas mal-intencionadas.

2.2 Ameaças e vulnerabilidades
De acordo com Sêmola (2003), as ameaças constituem-se em agentes ou condições
que são responsáveis por danificarem e comprometerem as informações e seus ativos por
meio da exploração de vulnerabilidades. Ou seja, são situações em que se corre o risco de
perdas informacionais por meio de alguma vulnerabilidade existente. Sendo assim, Peixoto
(2006) classifica as ameaças em relação a sua intencionalidade, dividindo-as em grupos, a
saber:




Ameaças naturais – Ligadas aos fenômenos da natureza;
Ameaças involuntárias – Na maioria das vezes são causadas por erros,
acidentes, falta de energia entre outros. São inconscientes e suas causas
geralmente estão ligadas ao desconhecimento;
Ameaças voluntárias – Associam-se a Engenharia Social. Ocorrem pela ação
de seres humanos como hackers, invasores, espiões, ladrões, disseminadores de
vírus de computador, incendiários e são causadas de forma proposital
(PEIXOTO, 2006, p. 43).

Já no que se refere às vulnerabilidades, Sêmola (2003) afirma ser a representação de
uma fragilidade, que ao ser explorada por ameaças, permite a ocorrência de um incidente,
afetando as características das informações. A partir dessa ideia tem-se que somente as

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vulnerabilidades não geram incidentes, sendo preciso um agente causador ou condições
favoráveis (ameaças) para que essa situação ocorra.
Os exemplos de vulnerabilidades expostas por Sêmola (2003) são as seguintes:









Físicas – Instalações prediais mal elaboradas; falta de mecanismos para
combater incêndios; riscos de explosões;
Naturais – Desastres naturais, como enchentes, terremotos, tempestades, e
outros, como falta de energia, acúmulo de poeira, aumento de umidade e de
temperatura que podem danificar ou causar mau funcionamento dos
computadores;
Hardware – Falha no funcionamento dos recursos tecnológicos (desgaste,
obsolescência, má utilização) ou erros decorrentes da instalação;
Software – Problemas provenientes de erros ao executar a instalação ou na
configuração, que trazem como consequência, acessos indevidos, vazamento de
informações, perda de dados ou indisponibilidade do recurso quando necessário;
Mídias – CD’s, DVD’s, fitas, entre outros, podem ser perdidos ou avariados. A
radiação eletromagnética pode estragar diversos tipos de mídias magnéticas;
Comunicação – Acessos a locais em que não há permissão ou perda de
comunicação;
Humanas – Falta de treinamento de pessoal, vazamento de informações
confidenciais, falta de aplicações das rotinas de segurança, erros ou omissões;
ameaças terroristas, sabotagens, greves, vandalismo, roubo, destruição da
propriedade ou dados, invasões ou guerras (SÊMOLA, 2003, p. 48-49).

A descrição das particularidades de cada um dos termos acima contribui para a
compreensão de como essas condições/fragilidades comportam-se no contexto organizacional.
É importante ressaltar que nas duas ocasiões há a presença do fator humano como agente
causador de algum incidente que comprometa as propriedades pertencentes às informações.

2.3 Segurança da informação
O termo segurança envolve todas as ações praticadas junto às políticas, aos
procedimentos e às medidas técnicas para causar o impedimento de acesso não autorizado,
alterações, roubos ou danos físicos aos sistemas de informação (LAUDON; LAUDON, 2011).
No que tange à informação, Sêmola (2003, p. 45) afirma ser como um grupo de dados
utilizados “para a transferência de uma mensagem entre indivíduos e/ou máquinas em
processos comunicativos”.
Algumas medidas de segurança são estabelecidas para que a proteção da informação
seja efetuada de forma objetiva, prevenindo-se contra a ocorrência de incidentes. Para isso,
são utilizadas práticas, procedimentos e mecanismos que impeçam que ameaças explorem
vulnerabilidades. Conforme Sêmola (2003), essas medidas de segurança controlam o risco de
ataque ou limitam o seu impacto e caracterizam-se como:






Preventivas: medidas de segurança que tem como objetivo evitar que
incidentes venham a ocorrer. Visam manter a segurança já implementada por
meio de mecanismos que estabeleçam a conduta e a ética da segurança na
instituição. Como exemplos podemos citar as políticas de segurança, instruções
e procedimentos de trabalho, especificação de segurança, campanhas e palestras
da política de segurança (firewall, antivírus, configurações adequadas de
roteadores e dos sistemas operacionais etc.);
Detectáveis: medidas de segurança que visam identificar condições ou
indivíduos causadores de ameaças, a fim de evitar que as mesmas explorem
vulnerabilidades. Alguns exemplos são: análise de riscos, sistemas de detecção
de intrusão, alertas de segurança; câmeras de vigilância, alarmes, etc.;
Corretivas: ações voltadas à correção de uma estrutura tecnológica e humana

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para que as mesmas se adaptem às condições de segurança estabelecidas pela
instituição, ou voltadas à redução dos impactos: equipes para emergências,
restauração de backup, plano de continuidade operacional, plano de recuperação
de desastres (SÊMOLA, 2003, p. 49).

Aprofundando-se na literatura, Sêmola (2003) considera a Segurança da Informação
como uma prática de gestão de riscos de incidentes que garantam a proteção da informação
sobre os três princípios básicos que norteiam a implementação dessa prática:
confidencialidade, integridade e disponibilidade. Para isso, regras seriam definidas para
subsidiarem as ações a serem realizadas sobre todos os momentos do ciclo de vida da
informação: manuseio, armazenamento, transporte e descarte, favorecendo a identificação e o
controle de ameaças e vulnerabilidades.
Proteger a informação segundo Sêmola (2003) significa garantir:




Confidencialidade: Toda informação deve ser protegida de acordo com o grau
de sigilo de seu conteúdo, visando a limitação de seu acesso e uso apenas às
pessoas para quem elas são destinadas;
Integridade: Toda informação deve ser mantida na mesma condição em que foi
disponibilizada pelo seu proprietário, visando protegê-las contra alterações
indevidas, intencionais ou acidentais;
Disponibilidade: Toda informação gerada ou adquirida por um indivíduo ou
instituição deve estar disponível aos seus usuários no momento em que os
mesmos delas necessitem para qualquer finalidade (SÊMOLA, 2003, p. 45).

Fontes (2006) ainda acrescenta as seguintes propriedades:
 Auditabilidade: o acesso e o uso da informação devem ser registrados,
possibilitando a identificação de quem fez o acesso e o que foi feito com a
informação;
 Não repúdio de autoria: o usuário que gerou ou alterou a informação (arquivo
de texto ou mensagem de correio eletrônico) não pode negar o fato, pois existem
mecanismos que garantem sua autoria (FONTES, 2006, p. 12).

Verifica-se ao analisar os princípios acima, que o problema junto às práticas de
segurança de informação limita-se a aspectos pertencentes a dois mundos diferentes e por
vezes conflitantes: o mundo da tecnologia e o mundo dos seres humanos (SILVA, 2007).
Portanto, é preciso que se estabeleçam medidas de proteção que tenham como escopo a
segurança física, tecnológica e a humana, sendo esta última a mais complexa, pois envolve
características psicológicas, socioculturais, emocionais e outras inerentes ao ser humano, que
podem se manifestar de diferentes maneiras conforme a realidade de cada indivíduo.

2.4 Política de segurança da informação
De acordo com Fontes (2006) a política de segurança dispõe para todos os usuários
que de algum modo estão em contato com a informação qual é a filosofia da organização
sobre esse recurso, com o intuito de garantir que toda a informação da empresa e de seus
clientes esteja preservada contra possíveis perdas, danos, destruição e/ou mau uso.
Complementando as particularidades do termo, Caruso (2006) especifica que por política de
segurança considera-se política gerada, estabelecida e em contínuo processo de revisão,
aplicada a todos os níveis da organização, com regras de fácil compreensão e estrutura
gerencial e material de apoio a essa política, claramente mantida pela alta hierarquia. Nesse
sentido, Sêmola (2003) nos diz que a política deve ser personalizada, devendo-se estipular

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padrões, responsabilidade e critérios para o manuseio, armazenamento, transporte e descarte
das informações.
É importante ressaltar que de nada adianta o investimento na elaboração de uma
política de segurança da informação sem que haja a preocupação em divulgá-la. Essa falta de
publicidade tem sido um dos fatores que mais tem contribuído para que a política de
segurança da informação se torne ineficaz. Mesmo sendo uma das maiores vilãs, a falta de
comunicação não é o único problema presente. É preciso que as organizações personalizem
suas ações de defesa conforme o contexto em que seus ambientes se encontram, preocupandose sempre em revê-las. O objetivo dessa revisão é antecipar-se aos possíveis danos que podem
ser causados às informações.
Assim, conforme Caruso (2006) a política de segurança deve conter orientações claras
a respeito de alguns aspectos, tais como:








Objetivos da segurança: deve explicar de forma rápida e sucinta a finalidade
da política de segurança;
A quem se destina: deve definir claramente quais as estruturas organizacionais
e os ocupantes de funções aos quais a política se aplica;
Propriedade dos recursos: deve definir de forma clara as regras que regerão os
diversos aspectos relacionados com a propriedade de ativos de informações;
Responsabilidades: deve definir de forma clara quais os tipos de
responsabilidades envolvidas com o manuseio de ativos de informações, a quem
ele deve ser atribuído e quais os mecanismos de transferência;
Requisitos de acesso: deve indicar de forma clara quais os requisitos a serem
atendidos para o acesso a ativos de informações;
Responsabilização: deve indicar as medidas a serem tomadas nos casos de
infringência às normas;
Generalidades: nesta seção da política podem ser incluídos os aspectos que não
cabem nas demais. Pode-se incluir aqui uma definição dos conceitos
envolvidos, um glossário e uma indicação das normas acessórias (CARUSO,
2006, p. 57).

Ao desenvolver uma política de segurança da informação é importante que a
organização identifique os principais riscos que tornam suas informações suscetíveis a
ataques. Vale lembrar que a política de segurança deverá estabelecer os mecanismos e metas a
serem alcançados no que se refere à salvaguarda destas informações, além disso, necessita-se
realizar revisões periódicas sobre essas medidas haja vista o aprimoramento das técnicas de
ataques.

2.5 Bibliotecas
As bibliotecas se enquadram em diferentes categorias. Suas características variam
conforme a faixa etária e os públicos as quais se destinam. As bibliotecas objetos desse estudo
atendem desde alunos de ensino médio até alunos de pós-graduação. Dessa forma, possuem
características híbridas, tanto de bibliotecas escolares, que tem por objetivo principal a oferta
de livros e material didático para alunos e professores, quanto de bibliotecas universitárias,
que possuem como foco o fornecimento de infraestrutura bibliográfica e documental aos
cursos, pesquisas e serviços ofertados pela instituição onde essas se encontram (FONSECA,
2007).
De acordo com Tarapanoff (1982, apud DRUCKER, 1973), estudos realizados com
base na teoria das organizações permitem caracterizar a biblioteca como sendo uma
instituição ou organização de serviço sem autonomia própria. Dessa forma, os serviços
prestados por ela fornecem assistência bibliográfica e documental às funções de ensino,
pesquisa e extensão através da sua principal matéria-prima, a informação.

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No que tange a organização das coleções existentes em seus espaços, as bibliotecas
podem ser de dois tipos, centralizadas ou descentralizadas/departamentalizadas. São
centralizadas quando seus acervos são organizados e gerenciados por uma única direção, ou
seja, há uma biblioteca central que dá os comandos para serem executado pelas outras. Já as
descentralizadas/departamentalizadas, na qual se enquadram as bibliotecas desse estudo,
possuem acervos próprios em cada unidade de ensino da instituição e possuem autonomia nas
suas decisões (SILVA; ARAUJO, 2003).
Conforme apresentado acima, por ser tratar de uma organização de serviço próprio
sem autonomia, e por ter características de uma organização, necessita-se que a biblioteca
disponha de um suporte administrativo que atenda a toda sua estrutura. Para isso, é necessário
estabelecer um conjunto de medidas tais como legislação, regulamentação, definição clara dos
seus objetivos e responsabilidades, hierarquia, raio de influência, funções/atribuições e
coordenação (SILVA; ARAUJO, 2003).
Percebe-se que os bibliotecários exercem tanto as funções técnicas, quanto as
informacionais e administrativas. Isto se justifica em razão do contexto complexo em que as
organizações estão inseridas atualmente, exigindo habilidades que são desenvolvidas no diaa-dia, e que possibilitam a esses profissionais analisar e desenvolver soluções para os
problemas que envolvam suas bibliotecas (MACIEL; MENDONÇA, 2006).
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo – Ifes, possui
dezessete campi em funcionamento, e outros estão em processo de implantação2. Cada
campus é contemplado por uma biblioteca, que é administrada, em média, por dois
bibliotecários. Essas unidades de informação visam atender às necessidades informacionais
dos cursos de ensino médio integrados com técnicos, cursos de graduação e pós-graduação.
Através da implantação de um sistema de gerenciamento de bibliotecas, o
Pergamum®, os serviços prestados por essas bibliotecas foram aprimorados e como
consequência trouxeram agilidade no atendimento e processamento das informações. Porém,
a quantidade de pessoas atendidas diariamente é enorme, o que favorece a ocorrência de
possíveis falhas na operacionalização desse sistema, tais como alteração e divulgação das
informações registradas. Vale ressaltar que a base de dados do sistema Pergamum® é
compartilhada, ou seja, todas as bibliotecas do IFES possuem acesso, sendo permitida a
manipulação desses dados.

3 Materiais e métodos
Esse trabalho constitui-se de um estudo de caso. O objetivo geral da pesquisa foi
analisar os efeitos de uma Política de Segurança da Informação nas Bibliotecas do Ifes
destacando-se aspectos ligados a fatores humanos. Além disso, a pesquisa teve como
objetivos específicos levantar informações sobre a engenharia social, identificar os tipos de
ameaças e vulnerabilidades que contribuem para a ação dos engenheiros sociais nessas
bibliotecas e apresentar os propósitos de uma Política de Segurança da Informação.
Para a fundamentação teórica do trabalho foi realizada uma pesquisa bibliográfica com
o intuito de auxiliar na investigação dos assuntos pertinentes aos temas centrais desse estudo.
Assim, foram utilizados livros, normas e artigos científicos provenientes das áreas de
Tecnologia da Informação e Biblioteconomia.
O instrumento utilizado para a obtenção dos dados valeu-se da aplicação de um
questionário (QUESTIONÁRIO 1) de autoria própria composto por 15 (quinze) perguntas
baseadas na norma ABNT NBR ISO/IEC 27002:2005. Tal ferramenta contribuiu para a
evolução desse estudo.
2

Situação referente ao ano de 2013.

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Questionário 1 - Pesquisa sobe Política de Segurança da Informação

Questionário baseado na norma ABNT NBR ISO/IEC 27002:2005 - Tecnologia da informação
- Técnicas de segurança - Código de prática para a gestão da segurança da informação
Perguntas
Opções de resposta
Na instituição onde sua biblioteca está inserida há uma política de ( ) Sim
1 segurança da informação aprovada pela alta administração, publicada e ( ) Não
comunicada?
( ) Não sei
( ) Sim
A direção apoia ativamente a segurança da informação, atribuindo e
2
( ) Não
reconhecendo responsabilidades de forma explícita?
( ) Não sei
( ) Sim
É realizado um inventário de todos os ativos (físicos, tecnológicos e
3
( ) Não
humanos) atribuindo responsabilidade a um proprietário?
( ) Não sei
Há assinatura de termos que contemplem as responsabilidades dos ( ) Sim
4 funcionários em relação à confidencialidade, proteção dos dados, ética, ( ) Não
uso apropriado dos recursos e dos equipamentos da organização?
( ) Não sei
Há uma definição de perímetros e controles de acesso físico à biblioteca ( ) Sim
5 tais como paredes, portões de entrada controlados por cartão ou balcões ( ) Não
de recepção com recepcionista?
( ) Não sei
Há procedimentos documentados para atividades como inicialização e ( ) Sim
6 desligamento de computadores, geração de cópias de segurança ( ) Não
(backup), manutenção de equipamentos e tratamento de mídias?
( ) Não sei
O sistema de gerenciamento de biblioteca é alimentado corretamente ( ) Sim
7 através da checagem das entradas de dados permanentes (por exemplo, ( ) Não
nomes, endereços, telefones dos usuários)?
( ) Não sei
Há um canal de contato que seja de seu conhecimento que esteja sempre ( ) Sim
8 disponível e em condições de assegurar uma resposta adequada e ( ) Não
oportuna em relação a incidentes de segurança da informação?
( ) Não sei
Há planos desenvolvidos e implementados para a manutenção ou
( ) Sim
recuperação das operações referentes aos sistemas de gerenciamento de
9
( ) Não
bibliotecas que assegurem a disponibilidade da informação após a
( ) Não sei
ocorrência de interrupções ou falhas?
( ) Sim
Há um processo ordenado de encerramento de atividades que inclua a
10
( ) Não
devolução de equipamentos e retirada de direitos de acesso?
( ) Não sei
( ) Sim
Há treinamento apropriado para conscientização da importância de
11
( ) Não
mecanismos para a segurança da informação?
( ) Não sei
( ) Sim
Na biblioteca onde atua há segregação de funções e ambientes?
( ) Não
12
( ) Não sei
Há políticas, procedimentos e controles para proteger a troca de ( ) Sim
13 informações em todos os recursos de comunicação (inclusive correio ( ) Não
eletrônico, telefone e sistemas de informação)?
( ) Não sei
( ) Sim
Os servidores e usuários da biblioteca são orientados a seguir boas
14
( ) Não
práticas de segurança da informação na seleção e uso de senhas?
( ) Não sei
( ) Sim
15 Há políticas de mesa limpa e tela limpa (sem anotações à mostra)?
( ) Não
( ) Não sei
Fonte: elaborado pelo autor.

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A coleta dos dados ocorreu através da aplicação de questionário em formato
eletrônico. A proposta era de que pelo menos um representante (bibliotecário) de cada
biblioteca respondesse. Dessa forma, os entrevistados tiveram o prazo de uma semana para
responder as questões. Das dezessete bibliotecas para as quais o questionário foi
encaminhado, conseguiu-se a resposta de dez.

4 Resultados finais
Com o intuito de facilitar a apresentação dos dados coletados, optou-se por agrupar os
resultados conforme algumas orientações descritas pela norma ABNT NBR ISO/IEC 27002
(2005, p. 8) no que tange a códigos de prática para a gestão da segurança da informação.
 Política de segurança da informação. Quando perguntados se há uma política de
segurança da informação na instituição, somente 10% dos respondentes afirmaram ter
conhecimento de sua existência.
 Comprometimento da direção com a segurança da informação. De acordo com os
levantamentos, 30% dos entrevistados afirmaram que a direção apoia ativamente a
segurança da informação, atribuindo e reconhecendo responsabilidades de forma
explícita.
 Responsabilidade pelos ativos. No que tange as propriedades dos recursos, 60% dos
bibliotecários afirmam que são efetuados inventários que abranjam todos os ativos da
instituição, atribuindo responsabilidades a um proprietário.
 Segurança em recursos humanos. Diante das análises, 50% dos entrevistados
desconhecem a existência de termos que contemplem as responsabilidades dos
funcionários em relação à confidencialidade, proteção de dados, ética e uso apropriado
dos recursos e equipamentos.
 Procedimentos e responsabilidades operacionais. Somente 20% dos respondentes
afirmaram haver procedimentos documentados para atividades como inicialização e
desligamento de computadores, geração de cópias de segurança (backup), manutenção
de equipamentos e tratamento de mídias. A respeito da existência de políticas,
procedimentos e controles para proteger a troca de informações em todos os recursos
de comunicação, 50% dos entrevistados afirmaram existir.
 Controle de acessos. Em relação ao controle de acessos, 70% dos bibliotecários
afirmaram haver controles de acesso físico nas bibliotecas, tais como paredes, portões
de entrada ou balcões de recepção. Em contrapartida, apenas 30% dizem ocorrer um
processo ordenado de encerramento de atividades que inclua a devolução de
equipamentos e a retirada de direitos de acesso.
 Gestão de incidentes de segurança da informação. Quando perguntados se há um
canal de contato que possam consultar que assegure uma resposta adequada e oportuna
em relação a incidentes de segurança da informação, 70% dos respondentes afirmam
conhecê-lo.
 Gestão da continuidade do negócio. Por fim, 50% dos entrevistados afirmam haver
planos para a manutenção ou recuperação das operações referentes ao sistema de
gerenciamento de biblioteca que assegurem a disponibilidades da informação após a
ocorrência de interrupções ou falhas.
Além desses, foi possível compilar outro dado considerado importante para essa
pesquisa, onde 90% dos bibliotecários afirmaram não haver um treinamento apropriado para
conscientização da importância de mecanismos para a segurança da informação.

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5 Considerações finais
A pesquisa realizada mostrou que até o ano de 2013 havia o desconhecimento por
parte dos bibliotecários sobre a existência de uma Política de Segurança da Informação que
estivesse efetivamente implementada no Ifes.
Foi possível verificar também que nem todas as bibliotecas são contempladas por
inventários que atribuam responsabilidades pelos ativos a um responsável, deixando-os
vulneráveis para a prática de vandalismo e roubo. Além disso, não está estabelecido em todos
os campi à assinatura de termos que assegurem responsabilidades em relação à
confidencialidade, proteção dos dados, ética e uso apropriado dos equipamentos, permitindo
brechas para o vazamento de informações confidenciais, sabotagens e destruição de dados.
A pesquisa mostrou, que embora as bibliotecas façam parte da mesma instituição, não
está claro ainda para os bibliotecários, os procedimentos necessários para um relacionamento
consciente com as informações. Essa realidade tem relação com a distância geográfica
existente entre os campi, pois dificulta o acompanhamento de aplicações de rotina. Além
disso, cada campus possui características próprias de administração, norteadas pela realidade
da região onde este está inserido.
É notável, com base nesse estudo, a necessidade de treinamentos que conscientizem a
importância de mecanismos que garantam a segurança da informação nessas bibliotecas, pois
não há procedimentos que subsidiem às tomadas de decisões relativas ao gerenciamento
consciente das informações em situações de ameaças e vulnerabilidades.
O propósito de uma Política de Segurança da Informação, neste caso, visa orientar e
apoiar medidas necessárias para a gestão da segurança, estabelecendo padrões conforme a
filosofia da organização, abrangendo todas as estruturas do seu organograma. É possível
também que essa política seja personalizada conforme a demanda de cada setor.
Os resultados obtidos a partir desse estudo permitem concluir que as informações
pertencentes a essas bibliotecas não se encontram seguras. As vulnerabilidades humanas estão
presentes e a probabilidade da ocorrência de vazamentos de informações é alta. Esse trabalho
contribui para que as bibliotecas com características similares se atentem para a necessidade
de realizar ações que contemplem a segurança das suas informações.

Referências
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2007.
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Janeiro: Interciência; Niterói: Intertexto, 2006.

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Acesso em 10/09/2013.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>A language of the resource</description>
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                <text>Esse artigo traz os conceitos de Engenharia Social, as estratégias de ataques utilizadas pelos engenheiros sociais e os tipos de ameaças e vulnerabilidades que podem ser exploradas por esses indivíduos. Além disso, relata quais ações são necessárias para o estabelecimento de uma segurança da informação efetiva. Detalha o que vem a ser uma Política de Segurança da Informação e os procedimentos necessários para dar ciência aos funcionários sobre a sua existência. Apresenta um estudo de caso sobre a Política de Segurança da Informação nas bibliotecas do Instituto Federal do Espírito Santo. Informa sobre as melhores maneiras para prevenir possíveis perdas, danos e destruição das informações presentes nessas unidades de informação. Os procedimentos utilizados para este estudo se alicerçam na realização de pesquisa bibliográfica constituída por livros e artigos científicos pertinentes ao tema proposto. Assim, busca analisar os efeitos de uma Política de Segurança da Informação nas Bibliotecas do referido instituto, destacando-se os aspectos ligados a fatores humanos. Além disso, a pesquisa teve como objetivos específicos levantar informações sobre a engenharia social, identificar os tipos de ameaças e vulnerabilidades que contribuem para a ação dos engenheiros sociais nessas bibliotecas e apresentar os propósitos de uma Política de Segurança da Informação. Os resultados obtidos a partir desse estudo poderão ser úteis para bibliotecas que apresentam características semelhantes e estão inseridas em instituições com realidades similares.</text>
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                    <text>COMISSÃO TÉCNICA DE CATALOGAÇÃO DE RECURSOS
INFORMACIONAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA IMPLANTAÇÃO
NO INSTITUTO FEDERAL DO PARANA-IFPR

Elisete Lopes Cassiano (IFPR) - elisete.cassiano@ifpr.edu.br
Cler Rosane Coldebella Muraro (IFPR) - cler.muraro@ifpr.edu.br
Fabiane Ferreira (IFPR) - fabiane.ferreira@ifpr.edu.br
Hugo Avelar Cardoso Pires (IFPR) - hugo.pires@ifpr.edu.br
Resumo:
Observamos nas últimas décadas um aumento na produção e disseminação de documentos,
decorrente da evolução tecnológica. Nesse cenário o profissional da informação deve dispor de
ferramentas que assegurem a identificação, a organização e localização dos registros o
conhecimento. O uso de tecnologias no serviço de bibliotecas crescem de forma constante,
especialmente no que diz respeito a construção de formas de representação descritiva,
agilizando processos e facilitando a recuperação da informação. O processo de catalogação
requer a retirada de dados de um documento, os quais são transformados em uma ficha
catalográfica ou num registro em formato MARC para a formação de um catálogo e
consequente recuperação pelo usuário. O AACR2 serve como um padrão externo para inserir
conteúdo no formato MARC. Nesse contexto, o presente trabalho tem por objetivo apresentar
as estapas de criação de uma Comissão Técnica de Catalogação, bem como apontar as
dificuldades e vantagens de ter um grupo de trabalho voltado para a padronização dos acervos
das bibliotecas do IFPR. Dentre os objetivos específicos citamos: criação e divulgação de
regras de catalogação; checagem por relatórios das atividades relativas a catalogação;
orientação dos bibliotecários responsáveis pela catalogação na unidade; compartilhamento de
planilhas com informações básicas de catalogação; padronização das atividades de
catalogação. Por fim, aponta e analisa o estado atual da Comissão e sugere rotinas para que
todas as bibliotecas sigam o mesmo padrão e possam, dessa forma, oferecer de maneira
organizada e concisa o melhor trabalho para seus usuários, além de integrar o Catálogo da
Rede Pergamum.
Palavras-chave: 1. Catalogação Descritiva 2. Comissão de Catalogação 3. Bibliotecas IFPR
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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Documentação&#13;
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                    <text>COLABORADORES COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ATUANDO
EM BIBLIOTECAS: RELATOS DE EXPERIÊNCIAS DA BIBLIOTECA
CENTRAL DA UEPG EM PARCERIA COM A APAE DE PONTA
GROSSA - PR

Maria Luzia Fernandes Bertholino dos Santos (UEPG) - mluzia@gmail.com
Angela Maria de Oliveira (UEPG) - amolivei@uepg.br
Ivani Silva (UEPG) - ivsilva@uepg.br
Eunice Silva Novais (UEPG) - enovais@uepg.br
Vera Lucia Braga da Silva (UEPG) - vlbsilva@uepg.br
Joseani Maria Ferro (UEPG) - jmferro@uepg.br
Resumo:
Este relato apresenta a experiência vivenciada pela Biblioteca Central - unidade Campus de
Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no projeto de inclusão de portadores de
deficiência intelectual, do convênio firmado entre a Universidade e a Associação de Pais e
Amigos dos Excepcionais – APAE de Ponta Grossa, durante o período de 2007 a 2015, cujos
relatos se baseiam na experiência vivida com três estagiários, intitulados A, B e C.
Considerando que o processo deve respaldar-se nas três etapas de preparação, qualificação e
colocação, alguns questionamentos são apresentados em relação a essa inserção no ambiente
de trabalho. Os objetivos foram além de relatar a experiência, elencar os problemas que
ocorreram durante o período de atuação; indicar os encaminhamentos para sanar os referidos
problemas e apresentar os pontos positivos e negativos da experiência vivida. Concluiu-se que,
é possível contar com o apoio desse segmento social atuando como colaborador, que podem
desenvolver principalmente o relacionamento afetivo-social e se sentirem úteis e capazes de
realizar tarefas e aperfeiçoá-las ao longo de sua atuação. Os resultados, demonstraram uma
tentativa de promover a inserção dos estagiários no contexto social do trabalho.
Palavras-chave: Deficiência intelectual. Inclusão social. Biblioteca Universitária.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão de Pessoas

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�Introdução
Este trabalho relata a experiência com estagiários da APAE que atuaram na Biblioteca
Central, unidade Campus de Uvaranas, da Universidade Estadual de Ponta Grossa /UEPG
durante os anos de 2007 a 2015, como colaboradores da equipe de trabalho.
A grande questão que norteou esse relato respalda-se nas três etapas (preparação,
qualificação e colocação) que devem envolver esse processo ou seja, os estagiários enviados
estavam preparados para o mercado de trabalho? Qual o nível de qualificação necessária? Como
definir o perfil do estagiário para as seções e/ou vagas onde iriam atuar? Estava a equipe do
local, para onde foram destinados, preparada para acompanhar e conviver com esse segmento
de alunos? A questão da inclusão social deste segmento era um tema discutido com os setores
envolvidos?
A proposta deste relato justifica-se por apresentar situações reais e complexas
vivenciadas nas rotinas diárias durante o período de atuação do estagiário que exigiram das
chefias e servidores um processo de adaptação, compreensão e inserção numa realidade
desconhecida que exigia também dedicação e busca de alternativas para que esse convívio se
tornasse possível, prazeroso e produtivo, pois não houve um processo de orientação para que
os servidores lidassem com o portador de necessidade especial – deficiência intelectual.
O que se apresenta são fatos reais e atitudes, bem como ações empreendidas para
incorporar esses colaboradores, no processo de adaptação e capacitação como forma de preparálos para atuar no mercado de trabalho em sua vida futura.
O objetivo geral deste estudo, foi relatar a experiência na inclusão dos Portadores de
Necessidades especiais – deficiência intelectual, em uma das unidades na Biblioteca da
Universidade Estadual de Ponta Grossa e os objetivos específicos foram: elencar os problemas
que ocorreram durante o período de atuação; indicar os encaminhamentos feitos para sanar os
referidos problemas e apresentar os pontos positivos e negativos da experiência vivida.
Na sequência , após uma breve revisão de literatura, serão apresentados os fatos
ocorridos com três estagiários colaboradores, elencados como estagiário A, B e C.

Revisão de Literatura
De acordo com a ONU, cerca de 10% da população mundial, aproximadamente 650
milhões de pessoas, vivem com uma deficiência, das quais cerca de 80% dessas pessoas vivem
em países em desenvolvimento. Destacaram também que dentre as pessoas mais pobres do
mundo, 20% têm algum tipo de deficiência.
A Constituição Federal de 1988 e a Lei nº. 8.213/1991 (Lei da Previdência Social) são
os principais institutos que garantem a inclusão dos portadores de necessidades especiais no
mercado de trabalho, porém ainda se identifica que há falta de um programa de treinamento
para acolher e saber lidar com os problemas que poderão ocorrer nesse processo de inserção
social.
A Lei de Cotas para portadores de deficiência (Lei 8.213 de 24 de julho 1991), prevê,
no art. 93, que toda empresa com 100 ou mais funcionários deve destinar de 2% a 5%
(dependendo do total de empregados) dos postos de trabalho a pessoas com alguma deficiência.
De acordo com Grunspun (1999, p. 179):
retardo mental é uma condição de desenvolvimento interrompido ou incompleto da
mente, a qual é especialmente caracterizada por comprometimentos de habilidades
manifestadas durante o período do desenvolvimento, que contribuem para o nível

1

�global da inteligência, isto é, aptidões cognitivas, de linguagem, motoras e sociais,
iniciando-se antes de 18 anos de idade.

Santos e Costa (2003, p.1897) salientam que:
para as pessoas com deficiência possuírem uma formação adequada é necessário
proporcionar a elas ambientes, situações e recursos necessários para que sua
aprendizagem seja significativa, é necessário realizar adaptações de acordo com suas
necessidades.

Foram identificadas diversos trabalhos que relataram o tema relacionado à preparação e
a inserção da pessoas com deficiência o mercado de trabalho tais como: Mendes (2004);
Quintão (2005); Manzini (2006); Rodrigues et al. (2007); Abreu e Marques (2007); Bezerra
(2008); Carmo (2009); Carvalho- Freitas (2009); Moreira et al. (2009); Matos (2009); Luppi et
al. (2010); Toldrá et al. (2010); Figueira (2012); Lima et al. (2012); Santos e Costa (2013);
Oliveira (2015); Brito e Faria (2015); Marta (2016) entre outros.
Quintão (2005, p.76) realiza algumas reflexões sobre a pessoa portadora de deficiência
e sua relação com o social e é categórica ao afirmar que :
´não basta estar dentro´ - da escola, das instituições, da empresa, dos espaços públicos
e privados – para haver inclusão. É preciso desconstruir uma barreira subjetiva, muito
solidificada ao longo de nossa história e que nos torna mais míopes do que já somos.

Por outro lado, a educação profissional, parece não acompanhar a dinamicidade do
mercado de trabalho cada vez mais exigente quanto à qualificação do trabalhador. Dentre esses
fatores, as pessoas com deficiência mental recebem uma qualificação geralmente oferecida por
entidades filantrópicas, que seguem o modelo de oficinas protegidas com atividades
basicamente artesanais, não condizendo com as exigências do mercado de trabalho atual.
(SASSAKI, 1997).
Abreu e Marques (2007) consideram que a realidade do mercado de trabalho mostra-se
cruel com toda a sociedade e principalmente com o desempregado com deficiência. Destaca,
em sua pesquisa bibliográfica, que além da falta de qualificação de muitas pessoas com
deficiência existe a dificuldade da organização de enfrentar a diferença. Conclui a importância
da co-responsabilidade entre a pessoa com deficiência e a empresa nesse processo de inclusão.
E ainda complementam Abreu e Marques (2007, p.9)
É comum que no primeiro momento os funcionários da empresa tenham dificuldades
de relacionamento com as pessoas com deficiência. Por isso a etapa da sensibilização
precede a contratação e garante aprendizado ao grupo. A falta de informação gera
desconforto e dúvidas nos funcionários. Por isso, é importante receber bem este novo
integrante da equipe, principalmente com o ´bem-vindo´ facilitado por um
representante da área. É necessário ser claro e transmitir à equipe todas as informações
relativas ao colega com deficiência, qual a função que desempenhará, o que é esperado
do mesmo e o tratamento a ser dado. Devemos lembrar que o colaborador com
deficiência será mais um funcionário, e que fará ´parte da equipe´.

Barbosa (2009) considera que a nova definição e classificação de deficiência
intelectual está centrada no indivíduo – em suas potencialidades e limitações, no seu ambiente,
nas suas necessidades e nos apoios que devem ser acrescentados ou eliminados para lhe permitir
a construção de uma vida satisfatória
Carvalho-Freitas (2009) analisa as possíveis relações entre as formas como os gestores
vêm a deficiência, a adequação das condições de trabalho e a satisfação das pessoas com
deficiências em relação a aspectos relevantes para a manutenção da qualidade de vida no
trabalho, confirmando em seus resultados a existência de relações significativas entre as
2

�concepções de deficiência compartilhadas pelos gerentes e a adequação das condições e práticas
de trabalho na organização.
Para Pedroso e Shinohara (2010, p.144)
o trabalho com a pessoa com deficiência intelectual, deve ser efetuado por uma equipe
multidisciplinar, que realize empreendimentos de cunho educacional e terapêutico,
visando o desenvolvimento de habilidades e competências para a vida profissional,
mas que também, valorizem os aspectos afetivos envolvidos no processo de inclusão.
E ainda consideram importante atuações com os empregadores, orientando nas
formas de manejo com os funcionários com necessidades especiais, são importantes,
não apenas para o sucesso profissional do propósito (educando), mas também para a
formação de agentes multiplicadores dos valores de equidade social e inclusão,
possibilitando, desta forma, uma disseminação dos valores de cidadania.

Para Viana (2010, p.22):
A inserção dos deficientes no mercado de trabalho se constitui num dos meios de
viabilizar o processo de integração dessas na sociedade. Através do trabalho eles
podem demonstrar suas potencialidades, capacidades e competências, construir uma
vida mais independente e autônoma, contribuir para seu sustento e ter maiores
possibilidades de expandir suas perspectivas de vida, inclusive sob o aspecto dos
relacionamentos sociais.

Freitas e Marques (2010) relatam que o constructo social sobre a pessoa com deficiência,
também é um fator importante a ser considerado, quando realizamos uma leitura dos processos
de inclusão. Questões históricas e de pressupostos de normalidade são as bases de relação das
pessoas em relação à deficiência. Desta forma, a sociedade e as pessoas que vão ter contato
com o deficiente intelectual precisam ser trabalhadas para desmistificar paradigmas e ampliar
o conhecimento sobre as potencialidades e dificuldades que envolvem o universo da
deficiência.
Para Figueira (2012, p.16)
a sociedade é baseada em padrões e valores, que a incapacitam de lidar com o que é
considerado diferente, neste sentido, são os discursos apresentados na sociedade que
acabam por influenciar as mentalidades formando imagens, ideias e opiniões, criando
diversas representações sobre as pessoas com deficiência.

Ainda salienta Figueira (2012, p.17-18):
A sociedade deve adaptar-se à realidade de modo a incluir nos seus sistemas sociais
pessoas que apresentem incapacidades e necessidades específicas e, simultaneamente,
estas devem-se preparar para assumir os seus papéis na sociedade enquanto cidadãos
[bem como] [...] oferecer oportunidades de acesso a bens e serviços é essencial dentro
de um sistema que beneficie todos os seus cidadãos, de modo a adaptar as suas estruturas
e abrindo espaços conforme as necessidades específicas dos grupos, como o caso das
pessoas com deficiência, de modo a que estas sejam capazes de interagir e integrar-se
naturalmente na sociedade.

A literatura mostra que a legislação é clara e garante o direito, porém é necessário ter a
clareza do que caracteriza a deficiência intelectual, da necessidade de qualificação, da
adequação das condições de trabalho e a integração com a sociedade que deve adaptar-se
criando espaços e condições de trabalho para satisfação pessoal do deficiente.

3

�Materiais e Métodos
Este relato constitui-se numa pesquisa qualitativa, baseado em uma revisão bibliográfica
sobre o tema que aborda a inclusão do deficiente intelectual atuando no ambiente de trabalho.
Contempla ainda, transcrição dos relatos do Bibliotecário responsável pela unidade da
Biblioteca Central –campus de Uvaranas, onde os três estagiários da APAE atuaram, em
períodos distintos, de 2007 a 2015.

Resultados
Especificamente na UEPG, a inclusão de pessoas com necessidades especiais ocorreu
através de contrato firmado, em setembro de 2007, entre a Universidade Estadual de Ponta
Grossa – UEPG e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE da Escola de
Educação Especial Profa. Maria de Lourdes Canziani da cidade de Ponta Grossa, quando a
Universidade passou a oferecer estágio remunerado com objetivo de oportunizar aos alunos da
APAE, experiências práticas que possibilitassem a complementação do processo de formação
profissional, conforme o Projeto intitulado “Inclusão através do Trabalho.”
Foram disponibilizadas nove (09) vagas para vários setores da Universidade Estadual
de Ponta Grossa, distribuídas nos seguintes locais: Divisão de Materiais e Patrimônio;
Restaurante universitário centro; Seção de limpeza e zeladoria; Biblioteca Central Prof. Faris
Michaele; Restaurante Universitário campus de Uvaranas e Horticultura e Rouparia no Colégio
Agrícola. (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA. RESOLUÇÃO CA nº 319,
2007).
Segundo informações fornecidas pela assistente social da APAE, responsável pelo
projeto, o encaminhamento para as vagas respaldou-se na capacidade de aprendizagem e nas
limitações de cada indivíduo selecionado e de acordo com o grau de deficiência que se
enquadrasse nas atividades que iriam exercer nos órgãos/setores que se propuseram a recebêlos.
Desta forma, a Biblioteca Central – unidade Campus de Uvaranas, recebeu no período
de 2007 a 2015 03 (três) estagiários da APAE, na proposta de estar contribuindo para o
desenvolvimento da cidadania conforme preconiza Pedroso e Shinohara (2010).
No entanto, no início desse processo observou-se que havia despreparo dos funcionários
para receber a pessoa com essa deficiência e saber lidar com a limitação de cada um, surgindo
dificuldades para conduzi-los e orientá-los no ambiente de trabalho, conforme preocupação já
enfatizada por Abreu e Marques (2007) e Carvalho e Freitas (2009).
Ocorre assim, uma fase de observação e conhecimento de seu comportamento e
identificação das suas habilidades e grau de deficiência para executar tarefas compatíveis com
as suas possibilidades e limitações que pudessem aliar as tarefas possíveis com a rotina de
serviços da Biblioteca, já alertados de que suas principais habilidades eram manuais mecânicas.
Procedeu-se então uma fase de relacionamento e socialização citada por Vianna (2010).
Apresenta-se então, os relatos da Bibliotecária chefe da unidade, sobre os três
estagiários APAE, que colaboraram com a Biblioteca durante o período mencionado,
intitulados aqui como Estagiário A, B e C.
1º. Relato – Estagiário A
Características: sexo masculino na faixa etária de aproximadamente 20 anos, tempo
aproximado de atuação – 2 meses.
“___ Logo percebemos que não tinha condições de trabalhar com o público, visto
que o serviço que poderíamos designar à ele seria o controle da entrada e saída
de materiais da biblioteca e das chaves dos armários. Foi, então, designado
4

�para o setor de Encadernação, onde não se adaptou com o serviço e ainda não
houve receptividade do responsável pelo setor para acolhê-lo e instruí-lo.
Ainda observou-se que o seu comportamento pessoal precisa ser trabalhado
em conjunto com a assistência social da APAE, no sentido de desenvolver
regras de boas maneiras no ambiente de trabalho.”
Mediante os relatos à assistente social da APAE concluiu-se que o melhor
encaminhamento seria substituí-lo por outro aluno, intitulado aqui como estagiário B.
2º. Relato – Estagiário B
Características: sexo feminino na faixa etária de aproximadamente 17 anos. Tempo
aproximado de atuação – 2 anos e meio.
“___ De início observou-se que o estagiário B demonstrou-se esperto e com
facilidade de entender os processos do serviço de controle de entrada e saída
dos usuários e empréstimo de chaves do guarda-volumes. Porém também
apresentava comportamentos de: teimosia excessiva e falta de limites para
seguir as regras; apego exagerado por alguns colegas de trabalho; em alguns
momentos agressividade com outros colegas por ciúmes e ainda problemas
constantes com a higiene pessoal."
Mesmo com todos os problemas relatados, várias tentativas foram feitas, para tentar
sanar as dificuldades, tais como: muitas conversas com a estagiária e chefia imediata, com a
assistente social da APAE e até mesmo com a família na tentativa de amenizar as questões
elencadas, buscando a permanência da estagiária. Porém, devido a continuidade de reclamações
recebidas dos usuários, chegou-se à conclusão, que o desligamento seria a melhor decisão. Para
dar continuidade ao projeto a mesma foi substituída por outro aluno, intitulado aqui como
Estagiário C.
3º. Relato – Estagiário C
Características: sexo feminino, na faixa etária de aproximadamente 17 anos. Tempo
aproximado de atuação - 4 anos.
“___ Foi a estagiária que mais permaneceu no estágio, esperta,
aparentemente tranquila, com facilidade para aprender os serviços e
interessada. Os problemas observados não afetavam o desenvolvimento
do trabalho. No último ano de sua atuação passou a ter mudanças de
comportamento psicológico se tornando uma pessoa introspectiva e
afastando-se da convivência com a equipe. Novamente foi realizado o
contato com a assistente social da APAE, que informou que a mesma
estava tomando medicamentos que interferiam em seu comportamento,
porém nada foi feito para reverter esse quadro, e quando observou-se
que não tinha mais condições de manter a estagiária, pois já não
conseguia mais desenvolver as atividades que lhe foram atribuídas
solicitou-se o afastamento da mesma.”
Considera-se que apesar do desligamento dos estagiários ao fim de uma etapa de
colaboração, durante o período de convivência houve pontos positivos e negativos elencados
no quadro 1.

5

�Quadro 1 – Pontos positivos e negativos da atuação de estagiários APAE – na Biblioteca
Pontos positivos
Empenho da equipe em colaborar com a
proposta de inclusão desse segmento social.
Contatos e apoio da assistente social da
APAE.
Inserção o estagiário num contexto social de
trabalho.
Atribuição tarefas e responsabilidade ao
estagiário, melhorando sua autoestima.
Capacitação do estagiário para atuar no
mercado de trabalho.
Experiência de colaborar com um colega no
ambiente de trabalho, contribuindo para o seu
desenvolvimento.

Pontos negativos
Condutas de comportamento pessoal não
adequadas ao ambiente.
Falta de acompanhamento da família em
alguns momentos.
A limitação mecânica para atividades, pela
limitação intelectual.
A falta de compreensão do público externo
em respeitar as limitações
Desligamento a pedido por não se resolverem
as dificuldades encontradas.
Falta de orientação especializada com
treinamentos para a equipe que recebe o
deficiente intelectual que pode muitas vezes
não se propõe a colaborar com o estagiário.
Tentativa de mudar um quadro social, com Rotina de trabalho com atividades
mudanças de paradigmas da equipe da mecânicas, superior a 2 anos, podem ter
Biblioteca Central.
influenciado a desmotivação e falta de
interesse.

Considerações finais
Os oito anos de vivência da inserção de deficientes intelectuais nas atividades da
Biblioteca, sob a proposta do Projeto da APAE, para preparar seus alunos para o mercado de
trabalho, foi um período de grande experiência e aprendizado, pois quando existe a vontade, o
esforço e colaboração da equipe para atingir os objetivos propostos pelo projeto a inclusão é
possível.
Observou-se, no entanto, que é necessário realizar um trabalho de conscientização de
toda a equipe e contar com sua colaboração desde o período de adaptação e em todo o tempo
que possa durar o período de estágio, conforme preconiza Freitas e Marques (2010) reforçando
a questão dos paradigmas e dificuldades.
Pode-se afirmar que os servidores da equipe procuraram ajudar, orientar e contribuir
para a profissionalização e aprendizado dos estagiários, desde orientações básicas pessoais até
a capacitação para executar as atividades práticas rotineiras.
Observou-se ainda, que a cada novo estagiário que vinha atuar na Biblioteca, a
experiência anterior do servidor, contribuía para a condução para um novo relacionamento e
evolução desse processo. A abertura e aceitação positiva da equipe, tornou a inserção mais fácil
com resultados efetivos.
Outro detalhe a ser destacado é que, com inovações tecnológicas implantadas nos
serviços operacionais, algumas atividades não puderam mais ser exercidas pelos estagiários da
APAE, cujas contratações futuras desse segmento exigirão conhecimento básico de
informática.
Considera-se que as experiências mostraram que é possível contar com o apoio desse
segmento social atuando como colaborador, que podem desenvolver principalmente o
relacionamento afetivo-social e se sentirem úteis e capazes de realizar tarefas e de aperfeiçoálas ao longo de sua atuação. Percebe-se que, vão gradativamente perdendo a timidez e ficando
6

�desinibidos a medida em que se inserem na rotina e que seu desenvolvimento pessoal poderia
ser ainda melhor havendo a participação mais efetiva da família.
O acompanhamento e conversas sistemáticas entre os responsáveis e a assistente social,
que supervisiona os alunos, é um fator muito importante para orientação e encaminhamentos
que devem ser feitas no decorrer do estágio.
A inclusão social do deficiente intelectual ainda restringe-se ao trabalho mecânico, mas
de alguma forma pode fazê-lo sentir-se uma pessoa mais útil, contribuindo para sua autoestima
e enfrentamento de sua condição no contexto social.

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9

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Documentação&#13;
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                <text>Este relato apresenta a experiência vivenciada pela Biblioteca Central - unidade Campus de Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no projeto de inclusão de portadores de deficiência intelectual, do convênio firmado entre a Universidade e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE de Ponta Grossa, durante o período de 2007 a 2015, cujos relatos se baseiam na experiência vivida com três estagiários, intitulados A, B e C. Considerando que o processo deve respaldar-se nas três etapas de preparação, qualificação e colocação, alguns questionamentos são apresentados em relação a essa inserção no ambiente de trabalho. Os objetivos foram além de relatar a experiência, elencar os problemas que ocorreram durante o período de atuação; indicar os encaminhamentos para sanar os referidos problemas e apresentar os pontos positivos e negativos da experiência vivida. Concluiu-se que, é possível contar com o apoio desse segmento social atuando como colaborador, que podem desenvolver principalmente o relacionamento afetivo-social e se sentirem úteis e capazes de realizar tarefas e aperfeiçoá-las ao longo de sua atuação. Os resultados, demonstraram uma tentativa de promover a inserção dos estagiários no contexto social do trabalho.</text>
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                    <text>Clube do livro: uma inovação em Biblioteca Universitária
Nadia Ficht (PUCPR) - nadia.ficht@pucpr.br
Resumo:
O artigo a seguir busca descrever a implantação de um projeto, denominado Clube do Livro,
na Biblioteca da PUCPR Câmpus Maringá. O problema abordado neste artigo é pouca ou
nenhuma leitura por parte dos universitários, de livros de entretenimento, por vontade
própria. Observou-se que a leitura deste público na sua maioria são de obras relacionadas a
sua área de estudo, principalmente e algumas vezes apenas em períodos de avaliações. Os
objetivos deste trabalho são despertar o interesse pela leitura, nos universitários da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná (PUCPR) - Câmpus Maringá e auxiliar no desenvolvimento do
senso crítico destes acadêmicos.
Palavras-chave: Clube do Livro. Biblioteca Universitária. Leitura. PUCPR Câmpus Maringá.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
“Ler é condição sine qua non1 para a conquista da cidadania e participação social, para
o acesso a informação, veiculadas das mais diversas maneiras, bem como para o ingresso no
mercado de trabalho.” (MATOS; SANTOS, 2006, p.56).
A leitura oferece ao indivíduo inúmeros benefícios, os quais agregam na vida
acadêmica e cotidiana, são eles: boa dicção, melhor interpretação de fatos e textos, melhora na
escrita, além da constituição de um indivíduo crítico.
Estudos apontam que o brasileiro lê me média 4 livros por ano, um número baixo
comparado aos europeus que leem de 8 a 10 obras no mesmo período. Esses dados são
observados e comentados ano após ano, e pouco é realizado pelo estado para melhoria destes
números.
Baseando-se nestes números e na experiência ao longo de 12 anos em biblioteca
universitária, buscou-se identificar um serviço, o qual pudesse despertar em universitários o
interesse pela leitura.
O problema abordado neste artigo é pouca ou nenhuma leitura por parte dos
universitários, de livros de entretenimento, por vontade própria. Observou-se que a leitura
deste público na sua maioria são de obras relacionadas a sua área de estudo, principalmente e
algumas vezes apenas em períodos de avaliações.
É de suma importância, incentivar a leitura de outros assuntos a este individuo, assim
além de profissionais com amplo conhecimento na área, forma-se cidadãos críticos,
transformadores e com conhecimento cultural.
Os objetivos deste trabalho são despertar o interesse pela leitura, nos universitários da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) - Câmpus Maringá e auxiliar no
desenvolvimento do senso crítico destes acadêmicos.
A partir destes dados e fatos, foi criado na Biblioteca da PUCPR Campus Maringá o
“Clube do Livro”, projeto em parceria com os acadêmicos, onde periodicamente são
realizados encontros, onde um palestrante (este um leitor universitário), apresenta
determinado livro (escolhido pelos organizadores), e o grupo inicia o debate e discussão da
obra.
Um fator relevante no Clube do Livro é que os participantes, não precisam
necessariamente terem lido a obra em questão, ocorre um debate entre os leitores, e os demais
participantes questionam a obra, desde escrita, forma de apresentação entre outros, assim
aqueles que ainda não leram o livro saem do Clube com o interesse e curiosidade em realizar
a leitura.
O presente artigo é um estudo de caso, o qual estará descrevendo a implantação deste
projeto cultural, na Biblioteca da PUCPR Campus Maringá, em 2013.

2 Revisão de literatura
A leitura é um instrumento importante para a aprendizagem e formação de um povo,
através dela o indivíduo aumenta seu conhecimento, sua cultura, sua conscientização e senso
crítico do mundo ao seu redor.
“Um dos efeitos da leitura é o aprimoramento da linguagem, da expressão, nos níveis
individual e coletivo.” (SILVA, 1988, p.59).
A universidade enquanto formadora de profissionais e educadora de indivíduos, deve
participar e auxiliar no processo de incentivo à leitura, bem como criar projetos e serviços que
1

Expressão latina “sem o qual não pode ser”.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

“captem” os jovens para este fim.
[...] para a formação do leitor, é de fundamental relevância a participação do ‘outro’,
ou seja, a família, a escola e demais espaços envolvidos no ensino e prática da
leitura, que devem desenvolver atividades que desencadeiem, apoiem e orientem a
ação e reflexão do indivíduo, transformando-o em leitor. (MATOS; SANTOS, 2006,
p.63).

Pode-se dizer que ler é um pré-requisito para formação do ser humano, a leitura
auxilia no desenvolvimento pessoal e profissional, é um elemento de comunicação, desperta o
interesse em assuntos e temas diferenciados, aumenta a criatividade e desperta diferentes
visões de mesmos fatos. A leitura permite ao indivíduo compreender o mundo em que vive e a
adotar atitudes mais racionais.
A leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da
linguagem e da personalidade. Trabalhar com a linguagem é trabalhar com o
homem. [...] A leitura favorece a remoção das barreiras educacionais de que tanto se
fala, concedendo oportunidades mais justas de educação principalmente através da
promoção do desenvolvimento da linguagem e do exercício intelectual, e aumenta a
possibilidade de normalização da situação pessoal de um indivíduo.
(BAMBERGER, 1995, p.10-11)

Observa-se o quão necessária é a leitura para o desenvolvimento do indivíduo, o
“universitário leitor”, possui mais facilidade no aprendizado, melhor dicção, aumento da
criatividade na criação de textos, e grande melhoria na interpretação de fatos, seja escritos ou
falados.
A universidade, professores e equipe educadora devem auxiliar no processo de motivar
a leitura, despertar no acadêmico o interesse pela mesma.
“A primeira motivação para ler é simplesmente a alegria de praticar habilidades
recém-adquiridas, o prazer da atividade intelectual recém-descoberta [...]”. (BAMBERGER,
1995). Assim, as instituições, bibliotecas, docentes podem auxiliar neste processo de
“despertar” o interesse do universitário.

3 Materiais e métodos
O “Clube do Livro”, foi elaborado por um acadêmico do curso de direito da PUCPR
Campus Maringá em parceria com a bibliotecária local.
Seu objetivo é despertar o interesse pela leitura, gerar discussões temáticas entre os
acadêmicos, com o desafio de despertar o senso crítico e novos pensadores.
O artigo em questão relata, a pesquisa realizada, um estudo de caso, onde “busca
aprender a totalidade de uma situação e, criativamente, descrever, compreender e interpretar a
complexidade de um caso concreto”(MARTINS, 2006).
O Clube do Livro, ocorre periodicamente na Biblioteca da PUCPR Câmpus Maringá,
são encontros de aproximadamente quarenta minutos, onde um palestrante (este
acadêmico/leitor universitário) apresenta e abre para debates, uma obra lida recentemente.
Os títulos das obras são escolhidos pela comissão organizadora em parceria com os
universitários. Para cada encontro a biblioteca é decorada com cartazes, figuras, entres outros
itens que identificam o tema do livro além de atrair a atenção dos demais estudantes a
participar do encontro.
Este projeto contou com o apoio da instituição em questão, o núcleo de marketing
criou a logo do clube (Figura 1), disponibilizou brindes, como marcadores de página, sacolas
retornáveis e marcadores de página.

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Figura 1: Logo do Clube do Livro

Fonte: Biblioteca PUCPR Campus Maringá (2013)

Os organizadores criaram uma fanpage em redes sociais (Figura 2), a qual é atualizada
diariamente, com informações variadas como: próximos encontros, obras lançadas no
mercado nacional e internacional, curiosidades de autores, sorteio de brindes entre outros.
Figura 2: Fanpage do Clube do Livro

Fonte: Biblioteca PUCPR Campus Maringá (2013)

O primeiro encontro do Clube do Livro foi realizado no primeiro semestre de 2013,
este de cunho experimental, a obra abordada foi “A culpa é das estrelas”, do autor John Green.

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O acontecimento foi divulgado na fanpage, nos intervalos através de flyers. A
biblioteca foi toda decorada com tnt, figuras, frases, uma decoração simples, sem custos para
instituição, como mostra a Figura 3.
Figura 3: Decoração “A culpa é das estrelas”

Fonte: Biblioteca PUCPR Campus Maringá (2013)

O experimento foi de grande sucesso, onde nos meses seguintes já foram agendadas
novos encontros e livros a serem comentados, entre eles:
• Bruxos e Bruxas, de James Patterson (Figura 4);
• Inferno, de Dan Brown .
Em 2013 totalizaram três encontros do Clube do livro.
Figura 4: Decoração “Bruxos e Bruxas”

Fonte: Biblioteca PUCPR Campus Maringá (2013)

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Com a repercussão do projeto, para 2014 a previsão é de oito edições do clube do
livro, as obras abordadas foram escolhidas pelos participantes na última edição de 2013. Os
encontros ficaram definidos para: março, abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro e
novembro, algumas das obras escolhidas foram:
•
•
•
•

O mau começo, de Lemony Snicket;
O chamado do cuco, de Robert Galbrailth;
Queda de Gigantes, de Kenneth Martin Follett;
O pequeno príncipe, de Antonie Saint-exupéry entre outras.

As primeiras edições de 2014, obtiveram um número maior de participantes, estes com
mais sugestões e críticas relacionada a obra, observa-se a comparação da obra à realidade,
algo extremamente relevante, pois nota-se que os universitários estão mais observadores e
atentos aos acontecimentos cotidianos, situação esta não ocorrida em 2013.
As apresentações das obras, durante o encontro fica a critério do palestrante, a
biblioteca faz toda a decoração e prepara o ambiente para o encontro, com projetor de
multimídia.
O universo onde se realiza o Clube do Livro, é a cidade de Maringá-PR, no Campus da
PUCPR, a população alvo são os acadêmicos da própria instituição.
O Clube do livro, busca o incentivo à leitura e debates além de agregar para o
desenvolvimento cultural dos acadêmicos envolvidos.
A ideia central quando criado era de qualidade e não quantidade, buscava-se reunir
acadêmicos realmente interessados em leitura, onde gerasse debates e questionamentos sobre
as obras, e estes por sua vez, estariam disseminando o projeto e atraindo mais participantes.
Os participantes não precisam ter lido a obra a ser apresentada, este é o ponto alto do
Clube, apresenta-se o livro aqueles que leram debatem e criticam, e aqueles que não leram
saem do encontro com o interesse pela obra, despertando assim o interesse e motivação para
leitura.

4 Resultados parciais/finais
Em 2013 foram realizados três encontros, nestes obteve-se a participação de
aproximadamente 30 universitários por edição, dentre os quais a grande maioria haviam lido
as obras em questão. Após apresentação do livro, ocorriam alguns questionamentos, mas de
maneira simplificada e breve.
A cada encontro observou-se uma mudança no comportamento do grupo participante,
apareciam mais críticas e mais debates.
No início do ano letivo de 2014, foi realizada a divulgação do Clube do Livro, sendo a
primeira edição para março, além das redes sociais e cartazes foi ainda realizada uma
divulgação especial aos calouros da instituição.
A primeira edição foi sobre o livro, Mau começo (Figura 5), do autor Lemony Snicket,
é o primeiro livro de uma série denominada Desventuras em Série.

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Figura 5: “Mau Começo”

Fonte: Biblioteca PUCPR Campus Maringá (2014)

O resultado foi surpreendente, obtivemos 68 participantes, de diversos cursos, a
porcentagem de quem leu a obra foi equivalente aqueles que não leram. O encontro foi bem
diferenciado dos anteriores, os participantes já vinham com ideias formadas e as defendiam
durante o debate, mencionavam outras obras do mesmo autor, observou-se que pesquisaram e
se preparam para o encontro. Questionaram o nome do autor2.
Nesta quarta edição do Clube do Livro foi possível notar a evolução do público em
questão, ocorreram maiores questionamentos, foram demostrados outras visões da mesma
obra.
Na quinta edição realizada em abril de 2014, do livro O Chamado do Cuco (Figura 6),
os resultados foram novamente surpreendedores. Primeiramente a decoração para edição foi
bem chamativa, havia um grande número de acadêmicos e curiosos tentando entender o que
“era aquilo”. No encontro participaram mais 80 universitários, esta edição foi realizada no
saguão da PUCPR Câmpus Maringá, em torno da decoração. Os acadêmicos, questionavam o
mistério da obra em questão, discutiam seriamente sobre os possíveis “assassinos”, outros
criticaram a forma da escrita sendo como exaustiva, mas cativante entre outros vários
comentários.

2

Pseudônimo do escritor Daniel Handler.

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Figura 6: “O Chamado do Cuco”

Fonte: Biblioteca PUCPR Campus Maringá (2014)

O grupo inicial de participantes de 2013 (média de 30 universitarios) mantem-se no
projeto, esses completamente diferenciados dos novos participantes, são mais criticos,
observadores e participativos, os academicos que vão se aproximadando e iniciaram em 2014,
são mais timidos e cautelosos nos comentários, quando os fazem.

5 Considerações parciais/finais
Através da implantação deste projeto na Biblioteca da PUCPR Câmpus Maringá,
percebeu-se nos universitários locais, um maior interesse pela leitura e a participação de
grupos de leitura.
Nos acadêmicos que participam do projeto, foi possível observar um crescimento
crítico do indivíduo, a cada edição os participantes, vinham mais preparados, com prépesquisas sobre a obra e autores, com questionamentos relacionados ao cotidiano e
comparações a outras obras semelhantes.
O Clube do Livro na Biblioteca PUCPR Câmpus Maringá, auxiliou no processo
motivacional à leitura de obras de entretecimento, os acadêmicos procuram na biblioteca
obras de literatura, solicitam também os livros discutidos e os que serão abordados no Clube,
percebeu-se um interesse por parte dos acadêmicos em obras antes “esquecidas” no acervo.
Ressalta-se também um aumento do uso da biblioteca, esses acadêmicos participam
mais das atividades da instituição, envolvem-se em projeto, ocorreu uma sociabilidade entre
os acadêmicos, a qual é espalhada em todo bloco acadêmico.
“O ato de ler é, fundamentalmente, um ato de conhecimento, que implica perceber as
forças e as relações no mundo da natureza e dos homens, explicando-as. É um ato que leva ao
exercício da crítica [...].” (GRIGOLETTI, 1995, p.6).
6 Referências
BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. São Paulo: Ática, 1995.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

GRIGOLETTI, Marilda Pereira. Importância da formação de alunos leitores e algumas
observações na universidade. . 63 f. Monografia (Especialização em Didática do Ensino
Superior) – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 1995.
MATOS, Maria Afonsina Ferreira; SANTOS, Nayara Rute da Paixão. Do prazer ao saber:
memórias de leitura na comunidade acadêmica da UESB/Campus Jequié. In: TURCHI, Maria
Zaira; SILVA, Vera Maria Tietzmann. Leitor formado, leitor em formação: leitura literária
em questão. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2006.
MARTINS, Gilberto de Andrade. Estudo de caso: uma estratégia de pesquisa. São Paulo:
Atlas, 2006.
SILVA, Ezequiel T da. Leitura e realidade brasileira. 4.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto,
1988.

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Documentação&#13;
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                <text>O artigo a seguir busca descrever a implantação de um projeto, denominado Clube do Livro, na Biblioteca da PUCPR Câmpus Maringá. O problema abordado neste artigo é pouca ou nenhuma leitura por parte dos universitários, de livros de entretenimento, por vontade própria. Observou-se que a leitura deste público na sua maioria são de obras relacionadas a sua área de estudo, principalmente e algumas vezes apenas em períodos de avaliações. Os objetivos deste trabalho são despertar o interesse pela leitura, nos universitários da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) - Câmpus Maringá e auxiliar no desenvolvimento do senso crítico destes acadêmicos.</text>
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                    <text>BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E OS INDICADORES DO SINAES:
Estudo do caso UnB
Flor Maria Silvestre (UnB) - silvestreestela@gmail.com
Murilo Bastos da Cunha (UnB) - murilobc@unb.br
Resumo:
Este trabalho pretende obter resposta à seguinte questão: A Biblioteca Central da
Universidade de Brasília (BCE/UnB) cumpre com todos os indicadores do Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Superior (SINAES) para o bom atendimento das necessidades de
informação de seus usuários? Para fornecer resposta a esse questionamento, a metodologia
adotada foi a análise documentária a partir de fontes de informações, documentos da
Universidade de Brasília (UnB) e as publicações geradas pela Comissão Própria de Avaliação,
no período 2014, para dar resposta às dimensões dos instrumentos de avaliação do SINAES, a
saber: instalações físicas; instalações para o acervo e funcionamento; informatização. Tem-se
por pressuposto que se essas dimensões não forem cumpridas, o público-alvo da BCE/UnB
deixará de ser usuário e se converterá em não-usuário, tendo em vista não ter conseguido
satisfazer suas necessidades de informação naquela biblioteca. Os resultados mostram que a
BCE/UnB não está contribuindo no processo de ensino, extensão de os estudantes da UnB.
Palavras-chave: Avaliação de biblioteca. Biblioteca Universitária. Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Superior. Universidade de Brasília.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A organização da informação tem como objetivo facilitar a recuperação e o uso
oportuno da informação nos diversos contextos, para os quais as bibliotecas ofertam uma
variedade de serviços que geram custos inerentes de operação. O uso desses serviços dará
resposta aos serviços oferecidos pela biblioteca, há, contudo, um conjunto de membros do
público alvo que não utilizam física ou virtualmente os serviços das bibliotecas. Nesse caso,
esses indivíduos são identificados como “não-usuários”. Os lucros de uma empresa se mede
em relação à o número de clientes que compraram, então como menciona Srighar (1994) em
outras palavras, não só é tentar satisfazer e manter os clientes existentes, mas também tenta
atrair os não-usuários de seus produtos. É um jogo de sobrevivência e crescimento no
negócio.
Este trabalho pretende obter resposta à seguinte questão: A Biblioteca Central da
Universidade de Brasília (BCE/UnB) cumpre com todos os indicadores do Sistema Nacional
de Avaliação da Educação Superior (SINAES) para o bom atendimento das necessidades de
informação de seus usuários?
Muitos podem ser os fatores pelos quais os não usuários não acessam a um serviço ou
consumem um produto. Com as respostas dos objetivos e hipóteses pretende-se contribuir no
desenvolvimento da biblioteca universitária da UnB, brindando os recursos necessários para
focar seus serviços à os não-usuários, contribuindo está no cumprimento dos objetivos da
instituição de ensino superior (IES) ensino, pesquisa e extensão. Pelo exposto pretende-se dar
resposta a nosso objetivo por médio dos resultados apresentados pela UnB-CPA1, Comissão
Própria de Avaliação que foi instituída pela Lei 10.861/2004, que criou o Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Superior (SINAES), toda instituição concernente ao nível educacional
em pauta, pública ou privada o constituirá. É a comissão responsável por coordenar os
processos de avaliação interna das Instituições de Ensino Superior e pelo fornecimento de
informações solicitadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (INEP). Anualmente a CPA elabora o Relatório de Autoavaliação da instituição, com
informações sobre as dez dimensões de avaliação do SINAES. Para o presente estudo
considera-se o item que se refere a biblioteca.

2 Revisão de literatura
Apresentamos uma breve revisão de literatura sobre os conceitos fundamentais
da pesquisa, quais sejam, bibliotecas universitárias, a BCE-UnB, SINAES.

2.1. Bibliotecas universitárias – estudo de usuários
As bibliotecas universitárias (BU) constituem um recurso importante para
desdobramentos dessas capacidades como indica Amaral (2007). A BU visa atender as
necessidades de informação de todos os usuários (estudantes de graduação, estudantes de pósgraduação, professores e pesquisadores) deve ser de suporte no processo de construção do
conhecimento. Diante dessa situação nos perguntamos se a BCE/UnB realmente está
cumprindo seus objetivos de atender às necessidades de todos os seus usuários.
Todos os tipos de bibliotecas têm como objetivo comum satisfazer as necessidades de
informação dos seus usuários alvos. Mais tem usuários que não utilizam fisicamente ou
virtualmente os serviços das bibliotecas e, nesse caso são definidos como os “não usuários”.
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http://www.cpa.unb.br/

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Existe uma variedade de estudos sobre os usuários dos diferentes tipos de bibliotecas,
contudo, conforme menciona Dumont (1994), são pouco os esforços para estudos de não
usuários, apesar de serem esses uma realidade em todas as bibliotecas: a existência dos não
usuários.
Hoje os serviços prestados pelas bibliotecas em geral mudaram com o avanço da
tecnologia e as mídias sociais que proporcionam outras formas de aprender a lidar com a
informação. Uma nova geração de usuários que não utilizam os serviços tradicionais das
bibliotecas estáticas as quais se limitam a um espaço físico e com serviços básicos em muito
dos casos. Ao respeito Diógenes (2012) em sua pesquisa “A futura biblioteca universitária”,
nos indica num dos resultados a importância dos indicadores de: tecnologia, estudos de
necessidades de informações para atender às necessidades dos usuários envolvidos no
processo de ensino-aprendizagem desde as universidades.
Quanto ao usuário, a exigência deles para acesso cada vez mais rápido aos
serviços de informação oferecidos e a necessidade de conhecer o
comportamento do usuário são tendências expressivas que colocam o usuário
em posição de destaque e chama a atenção de que é a ele que a biblioteca
deve servir nas suas necessidades de informação de aprendizagem, ensino,
pesquisa e extensão, no âmbito da universidade. (DIÓGENES, 2012, p. 111).

Os usuários de bibliotecas universitárias (BU) são indivíduos ávidos de informação
são geralmente autossuficientes na tomada de decisões e toram-se, por sua vez, criadores e
coprodutores de informação e conteúdo, usuários autónomos que estão cada vez mais
familiarizados com as tecnologias, como descreve Cunha, Amaral, Dantas, 2015 em seu livro
estudos de usuários, tem uma outra forma de classificar a esses usuários é de acordo na
geração na que pertencem.
“Usuários da geração Y: também conhecida como geração do milênio ou geração da
internet. São os filhos da geração X, que nasceram entre 1980 e 1999. [...] Geração
num contexto de crescimento das tecnologias, sistemas de comunicação,
intensificação da TV como mídia. Por isso, têm mais intimidade com informática.
[...] fizeram várias aulas extraclasse na infância - inglês, esportes etc”.
(MAGALHÃES, 2010, p. 9)

Cunha (2015) menciona o importante de fazer um estudo de usuários de esse universo
amplio e diversificado com a finalidade de entender quais são suas necessidades e como ele
fazem para satisfaze-las, esses usuários são autônomos na busca e avaliação da informação a
biblioteca universitária em cuja faixa etária se situa tem que conhecer sim esta satisfazendo as
necessidades de esses usuários ou eles se convertiam em não usuários.
Existe uma variedade de estudos sobre os usuários dos diferentes tipos de bibliotecas,
contudo, conforme menciona Dumont (1994), são pouco os esforços para estudos de não
usuários, apesar de serem esses uma realidade em todas as bibliotecas: a existência dos não
usuários e quem é o não-usuário, são o público alvo de uma determinada biblioteca que por
diversas circunstancias não fazem uso dos serviços que apresenta uma biblioteca, no respeito
tem confusões ao pensar que fazer uso da biblioteca é só pegar os livro emprestado ou baixar
um artigo da bases de dados, fazer uso da biblioteca também é utilizar os espaços físicos,
fazer uso das cabines de internet. Em tal sentido é muito importante ter em consideração todos
os aspectos mencionados no primeiro contato dos alunos com a biblioteca este fato pode
definir se eles se tornarão usuários ou não-usuários. Quanto mais atrativo for um produto ou
um objeto mais ele chamará atenção como indica Rocha, Kafure (2014). “Produtos atrativos
funcionam melhor, quanto mais atrativos mais emoções positivas despertam, o que por sua

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

vez afeta o processo mental tornando o indivíduo mais criativo e resistente aos problemas”
(COSTA, 2009, p. 9).
Pelo exposto é muito importante conhecer como a BCE/UnB vem sendo avaliada no
componente de Auto avaliação Institucional, relativo ao ano de 2014, o qual foi elaborado sob
a coordenação da Comissão Própria de Avaliação (CPA/UnB) nos indicadores de
infraestrutura, serviços, coleções e informatização, pelo Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior (SINAES). O resultado do item BU é de suma importância no contexto
das bibliotecas universitárias.

2. UnB - Biblioteca Central (BCE) e SENAIS
Descrever o processo de avaliação interna da BCE/UnB implica refletir incialmente
sobre sua trajetória de 55 anos. No contexto da criação da Universidade de Brasília – UnB em
1962 passando por muitas circunstâncias políticas, sociais e culturais que historicamente a
constroem como o modelo de universidade no Brasil.
Na criação da UnB representa o passo por um dos três grandes momentos que
marcaram o desenvolvimento da educação superior no DF como menciona Sousa (2010), o
primeiro momento vai de 1962 a 1994, corresponde a gênese e instalação das primeiras
instituições – uma pública e as demais de natureza privada. É esse primeiro momento que
representaria a consolidação da UnB passando ela por reforma no seu plano inicial, mantendo
o pensamento dos grandes intelectuais formados nas salas de aulas na época do militarismo e
finalmente a UnB atende as demandas sociais de acesso na educação superior.
Agora universidade moderna que promove o ensino a pesquisa e a extensão como suas
finalidades essenciais da Universidade de Brasília descritas no estatuto e regulamento geral da
UnB. De acordo com o segundo item, do artigo 41, Capítulo V, Título II, do Estatuto da UnB,
publicado no DOU n. 7, de 11/01/94, e atualizado em 1º/7/2011.
A missão da BCE/UnB é muito clara: “Promover e garantir à comunidade
universitária o acesso à informação científica e o compartilhamento do conhecimento
científico no âmbito do Sistema de Bibliotecas da UnB, contemplando o ensino, a pesquisa e
a extensão” (BCE, 2011). Nesse sentido queremos conhecer de que maneira a BCE/UnB vem
contribuindo para a satisfação das necessidades de informação de seus usuários alvos, por
meio dos seus serviços e infraestrutura. A não satisfação dos usuários alvos poderia acontecer
por muitos fatores: desconhecimentos dos serviços, infraestrutura inadequada, bibliografia
desatualizada entre outros, o problema vai além ao fato de fazer um diagnóstico e conhecer as
causas do não uso da biblioteca o detalhe principal é que a BCE/UnB não estaria contribuindo
no desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão, os usuários alvos ao não satisfazerem
suas necessidades de informação. As necessidades insatisfeitas provocam não uso dos
serviços tornando-se os usuários alvos da BCE/UnB em não usuários de informação da
BCE/UnB.
Nesse sentido, vamos conhecer como a BCE/UnB tem sido avaliada no que se refere
as coleções e infraestrutura na última avaliação da UnB realizada através do Sistema Nacional
de Avaliação da Educação Superior (SINAES).
2.2 Avaliação das bibliotecas universitárias no SINAES
Desde 2004, a Instituições Educação Superior (IES) no Brasil é avaliada pelo
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), que abrange as instituições,

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL






nº de bibliotecas (central e setoriais);
acesso a bases de dados e bibliotecas virtuais;
nº de livros, periódicos e títulos em geral;
nº e condições de laboratórios de informática;

As perguntas na autoavaliação se complementam para uma visão geral da biblioteca,
por exemplo temos perguntas especificas sobre satisfação das necesidades de informação dos
usuarios “Qual o grau de satisfação dos usuários com relação ao sistema de acesso aos
materiais e a sua consulta, “Qual é a satisfação dos usuários com a quantidade, qualidade e
acessibilidade da bibliografia? ”. (BRASIL, 2004b) perguntas abertas que se caracterizam por
apresentar o parecer dos entrevistados as quais são confrontadas com os indicadores da
avaliação interna subsidiando informação para as melhoras das IES.

4.2 Avaliações dos cursos da graduação – bibliotecas universitárias
Conforme o Art. 4o do SINAES a avaliação dos cursos de graduação tem por objetivo
identificar as condições de ensino oferecidas aos estudantes, em especial as relativas ao perfil
do corpo docente, às instalações físicas e à organização didático-pedagógica, (BRASIL,
2004a). Com relação às bibliotecas são: o 3.6. Bibliografia básica, 3.7. Bibliografia
complementar, 3.8. Periódicos especializados (ver quadro 1).
Quadro 1 – Indicadores do SINAE para a biblioteca
Indicador

Conceito

3.6. Bibliografia básica
(Para fins de autorização, considerar o acervo da bibliografia básica disponível
para o primeiro ano do curso, se CSTs, ou dois primeiros anos, se
bacharelados/licenciaturas)
Nos cursos que possuem acervo virtual (pelo menos 1 título virtual por unidade
curricular), a proporção de alunos por exemplar físico passa a figurar da seguinte
Os conceitos
maneira para os conceitos 3, 4 e 5:
dos cursos
3.7. Bibliografia complementar
(Para fins de autorização, considerar o acervo da bibliografia complementar variam de 1 a 5
disponível para o primeiro ano do curso, se CSTs, ou dois primeiros anos, se
bacharelados/licenciaturas)
3.8. Periódicos especializados
(Para fins de autorização, considerar os periódicos relativos às áreas do primeiro
ano do curso, se CSTs, ou dois primeiros anos, se bacharelados/licenciaturas)
Fonte: Adaptada do INEP (2015)

Nesse caso, o instrumento da avaliação dos cursos de graduação só permite que o
avaliador externo verifique, conforme o descrito nos relatorios emitidos pelas IES, como
menciona Heloisa Brasil ( 2011).
O desenvolvimento de coleções nas bibliotecas universitarias mudou muito com
acesso à World Wide Web (WWW) as bibliotecas tradicionais agora são também digitais no
respeito Cunha(2010) no seu artigo intitulado “A biblioteca universitária na encruzilhada”
enfatiza as mudanças e adaptações que tem que assumir as bibliotecas universitárias como:
introdução do livro eletrônico e o surgimento de um novo acervo ligado à dados científicos (escience); o espaço físico da biblioteca; os produtos e serviços, enfatizando a referência digital,
o repositório eletrônico; as inovações e tecnologias que afetam a unidade de informação e, por
último, a importância da cooperação bibliotecária como elemento facilitador para a absorção

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dessas mudanças. A nosso ver todos os elementos mencionados por Cunha (2010) deveriam
ser considerados nos critérios de avaliações do SENAIS.

3 Materiais e métodos
A coleta de dados baseado na análise documentária a partir das publicações geradas pela
Comissão Própria de Avaliação (CPA), no período 2014, para dar resposta às dimensões dos
instrumentos de avaliação do SINAES, no referente ao item biblioteca considerando os itens de
instalações físicas; serviços, acervo, funcionamento e informatização.
O Relatório de Auto avaliação Institucional da Universidade de Brasília, é relativo ao ano de
2014, foi elaborado sob a coordenação da Comissão Própria de Avaliação (CPA/UnB) e baseia-se
na Nota Técnica INEP/DAES/ CONAES nº 65 publicada em 09 de outubro de 2014 3. O presente
relatório considera as dez dimensões previstas na lei do SENAIS. Apresentamos, a seguir, a
descrição dos indicadores do auto avaliação institucional que corresponde ao eixo 5: Infraestrutura
Física, dimensão 7, da BCE- UnB.

4 Resultados parciais/finais
BCE- UnB. Auto avaliação Institucional do SENAIS
Infraestrutura
A comunidade universitária foi consultada acerca da infraestrutura da UnB. No total,
foram dezoito quesitos relacionados a instalações físicas, biblioteca, espaços para lazer e
atendimento, recursos de tecnologia, entre outros, que professores, técnicos e alunos puderam
avaliar e sugerir melhorias. A seguir, apresentam-se os resultados dessa etapa do auto
avaliação (UnB, 2015, p. 171).
Quanto à infraestrutura da biblioteca, 15% dos estudantes disseram ser ruim; 22%
péssimo e 28% regular entre os docentes, 34% disseram ser regular. Entre os técnicos, as
respostas, em sua maioria, se dividiram entre boa (35%) e regular (31%). Os dados mostram
que os estudantes, docentes e técnicos percebem as instalações da BC como regular para
satisfazem suas necessidades. O indicador que refere na infraestrutura ótimo têm porcentagem
muito baixa.
Gráfico 2 – Infraestrutura da Biblioteca

Fonte: UnB (2015, p. 175)

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A Biblioteca se caracteriza por ser um lugar agradável, confortável, com iluminação
adequada, mesas confortáveis, tomadas suficientes, ventilação adequada, como indica Cunha
(2010) ela geralmente é abrigada em belos e espaçosos prédios, com áreas para salas de
leitura, para reuniões em grupo com o necessário silêncio e conforto para facilitar as tarefas
ligadas ao aprendizado e a interação com o conhecimento registrado e o, mas importante
atendendo a seus usuários alvos. Segundo as respostas do gráfico 02 a BCE/UnB não está
cumprindo com esses indicadores.
Outro dos indicadores do SINAES é “A quantidade de postos na biblioteca e salas de
leitura que são adequadas às necessidades dos usuários? ”. Os ambientes da BCE/UnB nos
últimos anos foram convertidos num lugar accessível para os “concurseiros” os quais ocupam
os espaços destinados para os estudantes como menciona Silva (2013) pode se dever ao grau
de dificuldade dos concursos para o ingresso na área pública e à grande concorrência, os
candidatos estão cada vez mais procurando formas de se preparar para tal, através de
cursinhos preparatórios, cursos via web, grupos de estudos, entre outros. Como nem todos
tem acesso, ou até mesmo não se encaixam em uma dessas opções citadas, preferem outros
meios, grande parte desse público recorre às bibliotecas públicas ou bibliotecas universitárias,
pois ali encontram um ambiente com espaço amplio, silencioso e para se prepararem. A
BCE/UnB, nesse caso estaria satisfazendo as necessidades de não usuários alvos.
Em relação aos serviços oferecidos pela Biblioteca, segundo os usuários alvos
principais os estudantes, um 24% opina que os serviços são regulares, 11% ruim, 10%
péssimo só um 38% opinam que os serviços são bons.

Gráfico 03 - Serviços oferecidos pela Biblioteca

Fonte: UnB (2015, p. 175)

Os serviços da biblioteca mudaram com o avanço da tecnologia e agora apresentam
outros novos serviços tecnológicos como as Cunha (2010, p. 13).
A biblioteca universitária existe porque presta serviços de atendimento no
campus, de forma presencial ou virtual. O atendimento presencial tenderá a

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decrescer à medida que os usuários passem a utilizar, de forma intensa e
variada, as inúmeras ferramentas disponíveis na chamada Web 2.0. A
biblioteca não ficou parada frente a esse avanço e, nos últimos anos, essas
ferramentas também passaram a ser usadas em nosso contexto. A nova
biblioteca 2.0 é centrada e dirigida para o usuário com aplicações de
interação, colaboração e tecnologias multimídias baseadas na internet.

A BCE oferece alguns produtos e serviços digitais apresentados no seu
site:[http://www.bce.unb.br/servicos-oferecidos/: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações;
Biblioteca Digital e Sonora (BDS); Repositório; Biblioteca Digital de Monografias de
Graduação e Especialização (BDM); Diretório de Periódicos Acadêmicos; LE UnB – Livros
eletrônicos da UnB, biblioteca digital destinada à publicação de livros eletrônicos produzidos
na UnB; Repositório de Objetos Digitais de Aprendizagem (RODA), Tradutor online
integrado ao site da BCE; Catálogo online, bases de dados.
Se os seus usuários alvos não satisfazem suas necessidades de informação, como se
pode observar no gráfico 3, inserimos as seguintes questões: A BCE tem um plano de
marketing? A BCE conhece como seus não usuários satisfazem suas necessidades de
informação? A coleção da BCE está atualizada? A infraestrutura da BCE é adequada? A BCE
faz estudos de usuários?
Na questão referida ao acervo da biblioteca, os dados mostram: 24% dos estudantes e
29% dos docentes julgaram regular, seguidos de 33% dos estudantes e 35% dos docentes
julgaram bons. As coleções da BCE/UnB não satisfazem as necessidades de informação de
seus usuários como se observa no gráfico 04. Só 14% de estudantes e 8% de docentes
julgaram as coleções como ótimas
Gráfico 04- Acervo da Biblioteca

Fonte: UnB (2015, p.177)

No outro componente citado constantemente no relatório da auto avaliação (UnB,
2015, p. 51). No item Apoio Institucional à Disciplina – 1° semestre de 2014. CPA /UnB
sinala: que o Acesso à bibliografia das disciplinas em bibliotecas da UnB obteve as
pontuações mais baixas.
Este bloco da avaliação discente foi o que obteve as médias mais baixas, se

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comparado ao restante da avaliação. Nenhum dos cinco itens avaliados
atingiu média igual ou superior a quatro, o que mostra uma fragilidade
institucional que deve ser tratada com atenção nas futuras ações de melhoria.
O item “Qualidade das instalações destinadas às aulas teóricas” foi o que
obteve o maior desempenho, com média de 3,69 na avaliação; já o aspecto
mais mal avaliado foi o “Acesso à bibliografia das disciplinas em bibliotecas
da UnB” (UnB, 2015, p. 51).

Gráfico 5 - Acesso à bibliografia das disciplinas em bibliotecas da UnB. UnB 1/2014

Fonte: UnB (2015, p. 51).

Os dados mostram o acesso às bibliografias das disciplinas na BCE/UnB não são
suficientes a o 25% declaram que são regulares e o 25% bons. As políticas de aquisições
BCE/UnB, deveriam estar em contato direto com as faculdades a fim de comprar material
bibliográfico com antecedência. Nesse indicador tampouco a BCE/UnB satisfaze as
necessidades de informação dos alunos e docentes.

5 Considerações parciais/finais
O presente trabalho buscou dar resposta na seguinte questão: A Biblioteca Central da
Universidade de Brasília (BCE/UnB) cumpre com todos os indicadores apontados pela
política do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) para o bom
atendimento das necessidades de informação de seus usuários? Pode-se observar que a
(BCE/UnB) não cumpre satisfatoriamente os indicadores do SINAES relacionados a
biblioteca universitária como mostra os resultados do último relatório de avaliação
institucional da UnB. Esses indicadores ainda são pouco utilizados no contexto bibliotecário
brasileiro e podem servir de insumos para complementar os estudos de usuários
tradicionalmente realizados no âmbito da BU. É claro que esses indicadores ainda precisam
de uma evolução, contemplando outros aspectos da biblioteca.
Os resultados mostraram, baseados na análise documentária, que no item
infraestrutura, serviços e coleções da BCE/UnB, os usuários a avaliam como regular, não
contribuiriam mais fortemente na promoção da pesquisa, ensino e extensão. No item

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infraestrutura poderia ter mudanças imediatas no referente às salas de estudo, se identifica a
seus usuários alvos. No item serviço é urgente a promoção e difusão a realização de um plano
de marketing contribuirão na identificação dos canais mais adequados para difundir os
serviços e benefícios. Na aquisição de novas coleções deveria ser coordenada com as
secretarias acadêmicas. A utilização do marketing é uma maneira de mostrar a importância da
biblioteca e fazê-la visível ante os olhos da comunidade acadêmica.
Em síntese, toda organização da informação tem como objetivo facilitar a recuperação
e uso oportuno da informação nos diversos contextos, para o qual as bibliotecas ofertam uma
variedade de serviços os quais geram custos inerentes de operação. O uso desses serviços dará
resposta na oferta oferecida pela biblioteca, mais tem um grupo de usuários que não faz uso
da biblioteca, como se pode observar nos resultados da avaliação externa da (BCE/UnB) no
SINAES, conhecer como os não usuários estão satisfazendo suas necessidades de informação
contribuirá grandemente para redirecionar um plano de satisfação de necessidades de
informação.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este trabalho pretende obter resposta à seguinte questão: A Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BCE/UnB) cumpre com todos os indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) para o bom atendimento das necessidades de informação de seus usuários? Para fornecer resposta a esse questionamento, a metodologia adotada foi a análise documentária a partir de fontes de informações, documentos da Universidade de Brasília (UnB) e as publicações geradas pela Comissão Própria de Avaliação,no período 2014, para dar resposta às dimensões dos instrumentos de avaliação do SINAES, a saber: instalações físicas; instalações para o acervo e funcionamento; informatização. Tem-se por pressuposto que se essas dimensões não forem cumpridas, o público-alvo da BCE/UnB deixará de ser usuário e se converterá em não-usuário, tendo em vista não ter conseguido satisfazer suas necessidades de informação naquela biblioteca. Os resultados mostram que a BCE/UnB não está contribuindo no processo de ensino, extensão de os estudantes da UnB.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: SUA FUNÇÃO SOCIAL ENQUANTO
LUGAR DE MEMÓRIA.
Clivea Farias Souto (UFRR) - cliveasou@hotmail.com
Resumo:
A universidade exerce uma importante função na sociedade, pois ela é um espaço fundamental
para a construção da identidade sociocultural de um país. A biblioteca universitária, enquanto
parte integrante dessa instituição, afirma-se como necessária para colaborar nessa
construção. Partindo dessa premissa, este trabalho tem o objetivo de apresentar a função
social da biblioteca universitária enquanto lugar de memória. A pesquisa realizada foi a
bibliográfica, com informações de teóricos que discorrem sobre o tema, apresentando a função
da universidade, a função social da biblioteca universitária, os conceitos de memória, cultura e
de identidade. Percebeu-se que cultura e identidade, consideradas fenômenos da organização,
da experiência e da ação humana por meio de símbolos, corroboram com ideias de valores,
sendo atitudes mentais da coletividade que criam vínculos e que passam a ser registrados na
memória.Vimos que é pelo movimento de apropriação de repertórios simbólicos que é possível
o sujeito e mesmo uma coletividade inteira construírem e consolidarem seus vínculos
identitários. Assim, aferimos que embora exista muitas vezes uma concepção equivocada a
respeito da função da biblioteca universitária, vista como um espaço estático, funcional e
operacional, pois muitos profissionais bibliotecários que nela atuam se tornam passivos diante
do verdadeiro papel que ela deve desempenhar, notamos a sua importância e que em
consonância com a função social da universidade desempenha lugar fundamental na
construção dos sujeitos sociais.
Palavras-chave: Universidade. Biblioteca Universitária. Lugar de memória.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Este trabalho pretende mostrar a função social da biblioteca universitária enquanto
lugar de memória destacando seu forte vínculo com a instituição maior da qual faz parte que é
a universidade.
Quando a universidade não desempenha a sua vocação primeira, que é a de servir a
sociedade, ela corre o risco de prestar-se de reprodução do poder e das estruturas existentes, e
não só a sua transformação, tornando-se funcional, operacional e passiva frente ao instituído
(CATANI; OLIVEIRA, 2001).
Dentro de um contexto como este, a biblioteca universitária também corre esse risco,
mas se esta cumprir o seu propósito de existir, ela poderá servir de base para a transformação
de mentalidades e consequentemente da sociedade, desconstruindo também certos conceitos
que lhe atribuem. Pois muitas vezes os profissionais bibliotecários que nela atuam se tornam
passivos diante do cotidiano acadêmico da sua universidade, onde só esperam o usuário nas
suas dependências físicas e não saem para conquistá-lo em seu meio acadêmico e virtual.
Na biblioteca são selecionadas, guardadas e disseminadas as produções culturais e
intelectuais de uma sociedade, e tais informações são necessárias para o desenvolvimento de
uma nação. Neste sentido, ela apresenta-se como lugar de memória.
Ao aprofundarmos a temática, citaremos teóricos que trabalham conceitos de
memória, conceitos de cultura, conceitos de identidade, e tais referências são necessárias para
nos fazer compreender a base do assunto proposto, levando-nos a refletir a respeito do valor
da biblioteca universitária.
Portanto, este trabalho está estruturado em cinco seções, sendo a primeira,
introdução, a qual apresenta a temática de estudo e o objetivo; a segunda seção, a revisão de
literatura que explicita alguns conceitos básicos acerca da função da Universidade, bem como
a função social da Biblioteca Universitária que discute também a temática acerca da
Biblioteca Universitária enquanto lugar de memória apresentando conceitos de memória, de
lugares de memória, assim como os conceitos de cultura e de identidade destacando a
Biblioteca. A seção três apresenta os materiais e os métodos utilizados para a construção do
estudo. A seção quatro apresenta os resultados parciais/finais da pesquisa, por fim as
considerações parciais/finais seguida das referências.

2 Revisão de literatura
2.1 A função da universidade
A universidade deve ser reconhecida como uma instituição que desempenha
importantes papéis para o desenvolvimento regional, sustentável e humano, na formação de
competências e de difusão da experiência cultural e científica da sociedade. Por este motivo se
pode considerar o "[...] lócus fundamental para a construção da identidade sociocultural de um
país" (MORAES, 1999, p. 56).
A universidade tem a missão não apenas de possibilitar aos alunos a obtenção de um
diploma, um emprego ou remuneração satisfatória, ela é também capaz de produzir novos
conhecimentos para serem aplicados à realidade social. Sua função se aplica à toda a
sociedade, em todos os níveis sociais, para que haja inclusão exercendo tanto uma função
social que realiza e exprime de modo determinado a sociedade de que faz parte. Ela não é
uma realidade separada e, sim, uma expressão historicamente determinada de uma sociedade
(CHAUÍ, 2001).
Além disso, a universidade deve ser capaz de retribuir o investimento que recebe da
comunidade, desenvolvendo estudos, pesquisas e projetos de extensão compatíveis com as

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reais necessidades da população em benefício comum, ou seja, ela deve contribuir para
minimizar os atuais problemas da sociedade.
A função da universidade na sociedade é inquestionável, como afirma Rodrigues
(2007, p.49): “Cabe a ela a liderança do sistema educacional, pois é de sua responsabilidade a
formação de sujeitos críticos, reflexivos, autônomos e éticos”.
Para Trindade (1994, p.3 apud DIAS SOBRINHO 2001, p.166) uma das mais
importantes funções da universidade é “estender, por equidade, a setores amplos da
sociedade, os conhecimentos gerados e acumulados na instituição”. Ou seja, a universidade
não produz para si mesma, pois sua função é social.
A universidade como geradora de conhecimento depende dos recursos
informacionais, organizados pela biblioteca. Neste sentido, nota-se um ciclo no qual uma
produz e a outra registra e divulga o que é produzido. Deste modo a biblioteca universitária
tem papel destacado na produção e difusão do conhecimento da universidade (RIBEIRO,
2007).
Conclui-se que a função da universidade é social e está intimamente ligada ao
desempenho social que a biblioteca universitária deve desenvolver.
2.2 Biblioteca universitária e sua função social
Ao entendermos a função social da universidade e a sua identidade histórica, podemos
afirmar que a biblioteca é parte de grande relevância desta instituição, pois nela encontram-se
os acervos que dão a base do conhecimento para a sociedade.
A biblioteca enquanto parte integrante da universidade deve atuar de forma
compromissada com o crescimento nacional e com a formação do indivíduo. Neste sentido,
Aquino (1996, p. 185-197 apud RIBEIRO, 2007, p. 203) destaca:
Universidade e biblioteca são agências sociais organizadas para atender as
necessidades da comunidade acadêmica e da sociedade de forma geral. Considerase, portanto, que desta relação surge uma unidade organizacional que reúne os
princípios da biblioteca e os da universidade, em diferentes momentos históricos e
posicionamentos sociais.

Enquanto agência social ela é moldada de acordo com os padrões, ideologias e
valores culturais que regem os modelos de universidade vigente e, por estar condicionada a
essa, ambas são reguladas pelo contexto social e político, ao longo da história de cada uma
(SILVA, 2010).
Sua função precisa contribuir decisivamente para o ensino, a pesquisa e a extensão,
assumindo, assim, seu papel social que é o de promover a infraestrutura documental e a
disseminação da informação em prol do desenvolvimento da educação, da ciência e da
cultura.
Do ponto de vista funcional a biblioteca é caracterizada como uma organização
prestadora de serviço de informação apoiando as atividades de ensino, aos docentes, aos
discentes e aos pesquisadores da universidade, pois em seu âmbito inicia o processo de
geração de conhecimento (RIBEIRO, 2007).
Neste sentido, as bibliotecas universitárias apresentam-se como lugar de memória, de
tradição e de práticas culturais. Assim, podemos entendê-la como espaço onde nosso
patrimônio material e imaterial é captado, preservado e disseminado.
2.3 Biblioteca enquanto lugar de memória
O trabalho desenvolvido pelas bibliotecas universitárias, na promoção de uma

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infraestrutura documental e na disseminação da informação, é fundamental para o
desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura de um país.
Em seu ambiente são guardados livros que contêm soluções para sanar as dúvidas.
No entanto, este precisa ser um espaço dinâmico e vivo, e com seu trabalho técnico tornar
acessível a herança da cultura de um povo captado em sua memória.

2.3.1 Conceitos de memória
De acordo com Jacques Le Goff “A memória, como propriedade de conservar certas
informações, remete-nos em primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às
quais o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa
como passadas” (LE GOFF, 1992, p. 423).
O estudo da memória passa da psicologia à neurofisiologia, cada aspecto seu
interessa a uma ciência diferente, sendo a memória social um dos meios basilares para se
abordar as dificuldades do tempo e da história (SILVA; SILVA, 2010).
Conforme Pierre Nora:
A memória é a vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em
permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento,
inconsciente de suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e
manipulações, susceptível de longas latências e de repentinas revitalizações (NORA,
1993, p. 9).

Para a Biblioteconomia e a Ciência da Informação há diversas maneiras de abordar o
termo memória, e para Oliveira e Rodrigues (2011), os estudos nessa área retratam a memória
em três categorias:
a) Categoria 1 - Memória humana: aborda a faculdade humana de conservar, recordar
e transmitir informações, sentimentos e experiências, bem como sua relação com os
processos cognitivos.
b) Categoria 2 - Memória artificial: fala sobre a memória exteriorizada como extensão
da memória humana, uma memória adicional possibilitada por recursos
tecnológicos, ou um procedimento técnico que permite sua fixação e facilita sua
recuperação, seja uma técnica mnemônica, um registro escrito ou um disco rígido.
c) Categoria 3 - Memória social: diz respeito aos registros da informação como
memória socialmente construída, representada e compartilhada por um grupo,
estejam eles institucionalizados (compondo os acervos de arquivos, bibliotecas e
museus) ou não.
Neste estudo, abordaremos brevemente o conceito de memória na perspectiva social,
que corresponde a etapa do processo informacional associada ao termo preservação, a partir
do pressuposto das informações ou dos documentos que possibilitam a reconstrução de parte
da memória de uma coletividade, seja um país ou uma instituição.
Para Gondar (2004, p. 4 apud HOLLÓS, 2010, p. 30) a memória social é vista em
caráter:
[...] transdisciplinar e se produz nos entrecruzamentos da filosofia, da psicologia,
das neurociências, das ciências da informação [...] atravessando suas fronteiras e
fertilizando um novo campo de problemas, onde o dissentimento resulta em novas
ideias.

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É nesta interação fronteiriça que ocorre a articulação da memória social, o que não se
dá apenas por meio de palavras verbalizadas ou grafadas, mas também por meio de imagens.
(CHAGAS, 2009).
Halbwachs (2004, p. 30) dá destaque às memórias coletivas que não deixam de
apresentar o seu aspecto social: “nossas lembranças permanecem coletivas, e elas nos são
lembranças pelos outros, mesmo que se trate de acontecimentos nos quais só nós estivemos
envolvidos, e com objetos que só nós vimos. É porque, em realidade, nunca estamos sós”.
Diante deste fato as bibliotecas reúnem o que é importante no que tange ao resultado
da memória social, tornando-se assim um lugar de memória.
2.3.2 O que são lugares de memória?
Bibliotecas, museus e arquivos são locais nos quais os cientistas da informação
exercem suas práticas. Considerados lugares de memória, bem como a memória das
instituições, resultam em apropriações dos conceitos de memória social e memória coletiva
bem como emprego de múltiplas extensões, tais como: instituições de memória, centros de
memória, arquivos de memória e entidade de memória.
O termo lugar de memória firmado por Nora (1993, p. 13) estabelece que eles
nascem e vivem do sentimento de que não há memória instintiva, de que é preciso criar
arquivos. Assim ele destaca que: “[...] se o que eles defendem não estivesse ameaçado, não se
teria, tão pouco, a necessidade de construí-los. Se vivêssemos verdadeiramente as lembranças
que eles envolvem, eles seriam inúteis”.
Vieira (2015) observa que quanto menos se vive a memória no interior, maior a
necessidade de suportes exteriores.
Nessas extensões, são constantes as referências a uma dinâmica da memória
possibilitada pela informação registrada levando a construção, reconstrução, formação,
manutenção, recuperação, preservação, conservação, valorização, incorporação, interação,
exclusão e destruição da memória (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2011).
Tal concepção destaca mais uma vez a função social da biblioteca, agora como lugar
de memória que é fruto de produções culturais e identitárias de um povo. Neste sentido, é
necessário fazermos uma breve abordagem dos conceitos de cultura e identidade.
2.3.3 Conceitos de cultura e identidade
O conceito de cultura, em seu uso antropológico, surgiu na Alemanha setecentista e
inicialmente estava relacionado à noção de alguma qualidade original, um espírito ou essência
que uniria as pessoas em nações e separaria as nações umas das outras (CUNHA, 2009).
Essa originalidade nasceria das diversas visões de mundo de diferentes povos,
chegando ao entendimento de que eles seriam os autores dessas visões, concepção que ainda
permanece.
Para Geertz (1989) a cultura seria como um conjunto de mecanismos de controle,
com planos, regras, instruções criadas para governar o comportamento do homem, sendo este
homem um animal, dependente de tais mecanismos para ordenar seu comportamento.
Compreendida como preocupação fundamental de todas as ciências humanas a
cultura enquanto objeto principal da antropologia é retratada no texto de Sahlins (1997), que
defende o seu conceito como fenômeno da organização da experiência e da ação humana por
meio de símbolos.
Com ideia semelhante Kuper (2002, p. 286) afirma que “cultura não é uma questão
de raça. Ela é aprendida, e não transmitida por genes”. Constituindo uma ideia de valores,

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uma atitude mental coletiva expressada por meio de símbolos.
Quanto a Jamesom (1993) este acredita que a cultura deve ser sempre vista como um
veículo ou um meio através do qual se dá o relacionamento entre grupos que perpetua as
ilusões óticas e o falso objetivismo desse relacionamento histórico. O autor ainda destaca que
em termos mais comuns, a identidade é concretizada por meio da participação na cultura.
Não há um discurso identitário único, coeso e completo em si mesmo, posto que, o
sujeito, através de seus posicionamentos, assume identidades múltiplas nos diversos
momentos e espaços onde sua história de vida adquire sentido e encontra ressonância.
(SILVEIRA, 2010)
A identidade está profundamente envolvida no processo de relações espaço-tempo e
no interior de diferentes sistemas de representação. Elas têm efeitos profundos sobre a forma
como as identidades são localizadas e representadas de modo que todas as identidades estão
localizadas no espaço e no tempo simbólico (HALL, 2006).
O autor aponta três concepções diferenciadas de identidades que refletem o processo
intelectual de mudança do conceito de identidade fixa para uma identidade mais plural. A
primeira é a identidade do sujeito do Iluminismo que se baseia numa concepção de indivíduo
totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação,
cujo “centro” consistia num núcleo interior. A segunda é a identidade de sujeito sociológico,
que refletia a crescente complexidade do mundo moderno e a consciência de que este núcleo
interior do sujeito não era autônomo e autossuficiente. E a última é a identidade do sujeito
pós-moderno que indispõe de uma identidade fixa, essencial ou permanente.
A identidade não surge somente de um “eu verdadeiro” e “único”, mas do diálogo
entre os conceitos, definições e práticas que são representadas pelos discursos de uma
cultura. E pelo nosso desejo consciente ou inconsciente de responder aos apelos feitos pelos
significados e de sermos interpelados por eles, de assumirmos as posições de sujeito
constituídas por nós e para nós. (SILVEIRA, 2010).
Neste sentido, Hall (1997, p. 26-27) nos apresenta seu entendimento a respeito da
maneira como as identidades são formadas:
O que denominamos “nossas identidades” poderia provavelmente ser melhor
conceituado como as sedimentações através do tempo daquelas diferentes
identificações ou posições que adotamos e procuramos “viver”, como se viessem de
dentro, mas que, sem dúvida, são ocasionadas por um conjunto especial de
circunstâncias, sentimentos, histórias e experiências única e particularmente nossas,
como sujeitos individuais. Nossas identidades são, em resumo, formadas
culturalmente.

França (2002) ressalta a necessidade de notar que a ideia de identidade é um
resultado que tem como elemento de sustentação, discursos, objetos e práticas simbólicas que
nos posicionam no mundo e que dizem nosso lugar em relação ao outro. Tais símbolos são
construídos por meio de relações, interpessoais que produzem os elementos culturais de um
povo.
A identidade não é um assunto apenas pessoal, ela necessita ser vivida no mundo, em
um diálogo com os outros. “De um ponto de vista subjetivo, a identidade é descoberta dentro
da própria pessoa, e implica identidade com os outros” (KUPER, 2002, p.296).
Apreende-se com essas abordagens, que cultura e identidade, são fenômenos da
organização, da experiência e da ação humana por meio de símbolos e estes são construídos a
partir de relações interpessoais que produzem os elementos culturais de um povo, corroboram
com ideias de valores sendo atitudes mentais da coletividade que criam vínculos e que passam
a ser registrados na memória.

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Diante disso, a biblioteca universitária se faz importante em seu papel social, como
espaço onde o patrimônio material e imaterial é captado, preservado e disseminado.

2.3.4 A Biblioteca
Pode-se definir as bibliotecas como um lugar de memória e de preservação do
patrimônio documental, considerando-a como: “um espaço dinâmico e vivo tendo como uma
das tarefas fundamentais colecionar, [...], inventariar e, finalmente, tornar acessível a herança
da cultura escrita” (CHARTIER, 2002, p.30).
Outrossim, às práticas de sociabilidade que se delimitam em torno e a partir de seu
espaço, as bibliotecas se mostram capazes de enunciar ou exibir uma série de construções
culturais cujos referenciais expressam de maneira significativa as estruturas históricas,
políticas, ideológicas e identitárias sobre os quais uma dada sociedade se constitui, nutre-se e
se valoriza (SILVEIRA, 2012).
Se analisada com a sutileza que merece, se torna um indicativo de que a missão das
bibliotecas, tal qual como outros lugares de memória, se apresentam como palcos de
encenação à dramaturgia da sociedade acolhendo, em virtude disso, “a identidade de uma
sociedade ou nação [que pode] ser espelhada por uma biblioteca, por uma reunião de títulos
que, em termos práticos ou simbólicos, faça as vezes de definição coletiva”. (MANGUEL,
2006; p.241 apud SILVEIRA, 2012 p. 12).
Assim compreendemos a importância da biblioteca no cumprimento da sua função
social enquanto lugar de memória e o que ela representa para perpetuar o que de fato é
relevante a nível de conhecimento e reconhecimento cultural e identitário de uma nação.

3 Materiais e métodos
Para o desenvolvimento deste trabalho realizamos a pesquisa bibliográfica, com o
intuito de responder ao seguinte questionamento: considerando que a biblioteca universitária é
o espaço onde nosso patrimônio material e imaterial é captado, preservado e disseminado,
qual a sua função social enquanto lugar de memória?

4 Resultados parciais/finais
Diante da abordagem teórico-conceitual foi verificado que cultura e identidade,
consideradas fenômenos da organização, da experiência e da ação humana por meio de
símbolos, corroboram com ideias de valores, sendo atitudes mentais da coletividade que criam
vínculos e que passam a ser registrados na memória.
Em consonância com a instituição maior da qual faz parte, que é a universidade, a
biblioteca universitária é o espaço onde nosso patrimônio material e imaterial é captado,
preservado e disseminado.
Neste sentido, foi possível aferir no estudo a função social da biblioteca universitária
enquanto lugar de memória, pois esta desempenha papel fundamental na construção dos
sujeitos sociais.

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5 Considerações parciais/finais
Ressaltamos, então, que as discussões apresentadas têm o intuito de refletir a função
social da Biblioteca Universitária enquanto lugar de memória, preservação e difusão do
conhecimento. A análise esboçada acerca dos conceitos de memória, cultura e identidade,
possibilita uma melhor compreensão da temática abordada. Embora exista muitas vezes a
concepção errada a respeito da função da biblioteca vista como um espaço estático, funcional
e operacional, devido à atuação passiva de seus profissionais bibliotecários, entende-se que
esta desempenha papel fundamental na sociedade.
Outrossim, vale ressaltar que, o trabalho teve o intuito de enfatizar a função social da
biblioteca universitária como lócus de memória na intenção de contribuir para preservação da
cultura e identidade da sociedade.

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                <text>A universidade exerce uma importante função na sociedade, pois ela é um espaço fundamental para a construção da identidade sociocultural de um país. A biblioteca universitária, enquanto parte integrante dessa instituição, afirma-se como necessária para colaborar nessa construção. Partindo dessa premissa, este trabalho tem o objetivo de apresentar a função social da biblioteca universitária enquanto lugar de memória. A pesquisa realizada foi a bibliográfica, com informações de teóricos que discorrem sobre o tema, apresentando a função da universidade, a função social da biblioteca universitária, os conceitos de memória, cultura e de identidade. Percebeu-se que cultura e identidade, consideradas fenômenos da organização, da experiência e da ação humana por meio de símbolos, corroboram com ideias de valores, sendo atitudes mentais da coletividade que criam vínculos e que passam a ser registrados na memória.Vimos que é pelo movimento de apropriação de repertórios simbólicos que é possível o sujeito e mesmo uma coletividade inteira construírem e consolidarem seus vínculos identitários. Assim, aferimos que embora exista muitas vezes uma concepção equivocada a respeito da função da biblioteca universitária, vista como um espaço estático, funcional e operacional, pois muitos profissionais bibliotecários que nela atuam se tornam passivos diante do verdadeiro papel que ela deve desempenhar, notamos a sua importância e que em consonância com a função social da universidade desempenha lugar fundamental na construção dos sujeitos sociais.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E AS REDES SOCIAIS: INTERAÇÃO
E TROCAS NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
Elaine Hipólito dos Santos Costa (Unifesp) - biblioteca.osasco@unifesp.br
Maria Claudia Ferreira Barbaresco (Unifesp) - barbarescomc@gmail.com
Maria Rosa Carnicelli Kushnir (Unifesp) - rosa.kushnir@unifesp.br
Andreas Leber (UNIFESP) - andreas.leber@unifesp.br
Resumo:
Com o avanço da internet, o contato entre pessoas de diferentes países se tornou mais
próximo. As redes sociais passaram a funcionar também como uma rede profissional virtual na
qual pessoas com o mesmo interesse debatem e compartilham novidades umas com as outras.
As bibliotecas, em busca de acompanhar o desenvolvimento tecnológico e serem ativas na
comunicação, estão usando ferramentas que permitem às instituições maior interatividade e
comunicação na relação com os usuários reais e potenciais, atingindo públicos inimagináveis.
O objetivo deste trabalho é analisar o uso de blog e facebook como ferramentas de
comunicação da biblioteca da Unifesp Campus Osasco - EPPEN e como eles podem colaborar
para compartilhamento e criação de conhecimentos e de Intelectuais coletivos, como espaços
de interação e trocas e sendo agentes na construção do conhecimento. Para tal, usaremos a
abordagem conceitual de Pierre Lévy.
Palavras-chave: Inovação. Redes Sociais. Bibliotecas Universitárias.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Acessibilidade (produtos, serviços e tecnologia)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
É recorrente lermos que as bibliotecas universitárias são recursos educacionais e que
devem promover o acesso à informação, auxiliando o tripé ensino-pesquisa-extensão. Porém,
ao aceitarmos que a biblioteca é um recurso, corremos o risco de vê-la apenas como um
acervo, uma depositária de livros.
A rápida evolução de ferramentas tecnológicas tem tornado obsoletas bibliotecas que
somente possuem acervos físicos e passam os dias à espera de usuários. Numa era de internet,
redes sociais, compras on-line, e-mail, smartphones e tablets, não é possível esperar os
usuários, as bibliotecas têm que inovar e buscar formas de interagir com eles.
Atualmente, as redes sociais estão presentes em todos os níveis e segmentos da
sociedade e, na ciência, não é diferente. Elas possibilitam maior interação entre os atores
envolvidos no processo – autores, leitores e editores – de maneira rápida, imediata e
interativa, apontando para novas práticas de comunicação e informação, ampliando a
visibilidade e alcance das pesquisas realizadas e sua disseminação para a comunidade
específica e sociedade em geral (PRÍNCIPE, 2013, p. 199).
Assim, nos questionamos sobre o papel das bibliotecas universitárias dentro do que
Lèvy chamou de “intelectuais coletivos”. E, ainda, se e como as redes sociais podem
contribuir para que a biblioteca seja um espaço de trocas e agente na construção de
conhecimentos.
A justificativa deste trabalho se dá por, estando em ambiente universitário,
percebermos um aumento na demanda por serviços e produtos virtuais, sendo as redes sociais
um canal que oferece interação entre a biblioteca e os usuários.
O presente trabalho tem por objetivo apontar a forma e a importância que as redes
sociais da biblioteca possuem no papel de construção do conhecimento coletivo, quando
compartilha informações e oferece produtos e serviços aos seus usuários.

2 Revisão de literatura
2.1 As bibliotecas universitárias
As bibliotecas universitárias fazem parte da infraestrutura acadêmica e sua relevância
vai além das avaliações do MEC ou de uma rotina de circulação (empréstimos, renovações e
devoluções) de materiais impressos e, ainda de modo incipiente, recursos multimeios ou
digitais. Os produtos e serviços oferecidos são diversificados e continuamente ajustados para
atender as demandas pedagógicas e acadêmicas da instituição na qual faz parte.
Cunha (2000) previa que a biblioteca universitária poderia ocupar o importante papel
de ser um dos suportes básicos na provisão de informação dentro dos programas de ensino à
distância. O sucesso das atividades de uma universidade virtual estaria relacionada à
dependência de um acervo digital para que houvesse ligação mais estreita entre os programas
de ensino formal e aqueles próprios do ensino à distância (CUNHA, 2000, p. 84).
Ainda para Cunha, nosso maior desafio seria o de acabar com aquilo que nos impede
de responder às necessidades de uma clientela em mudança, transformar os processos e
estruturas administrativas que caducaram e questionar as premissas existentes (CUNHA,
2000, p. 88).
No âmbito da comunicação científica, “as bibliotecas possuem duas funções básicas:
atuar como um arquivo de publicações e torná-las disponíveis para os sujeitos. Essas funções
são inter-relacionadas” (MEADOWS, 1999, p. 134). No caso específico da biblioteca
universitária suas funções estão voltadas para a comunidade acadêmica.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

As bibliotecas universitárias devem ser hoje, na concepção de González de
Gómez (2011, p. 240), parte das expectativas e possibilidades da construção dos espaços
comuns do conhecimento, aliando as potencialidades das tecnologias de informação com as
energias reflexivas e produtivas de seus processos infocomunicacionais, como sua
contribuição para tornar permeáveis e interativas as esferas públicas internas dos campos
disciplinares e as esferas práticas e instrumentais das complexas sociedades contemporâneas.
As bibliotecas como fundamentais instituições do conhecimento já eram parte da
aventura científica e participavam de algum modo da expansão da incipiente indústria
editorial, serão incorporadas e ressignificadas à luz das plurais funções que convergem na
universidade moderna (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2011, p. 227).

2.2 As redes sociais
A ideia de rede social começou a ser utilizada no início do século XX como forma de
identificar as relações entre os vários elementos de um sistema social nas suas diferentes
dimensões e o primeiro uso do termo “rede social” data de 1933, quando o psiquiatra Jacob
Levi Moreno apresentou a ideia da utilização de diagramas e matrizes para o estudo de
relações entre pessoas.
A noção de rede social também está sendo desenvolvida na Antropologia social tendo
em vista a análise e descrição daqueles processos sociais que envolvem conexões que
transpassam os limites de grupos e categorias (BARNES, 1987, p. 163).
Redes são instrumentos apropriados para a economia capitalista baseada na inovação,
globalização e concentração descentralizada; para o trabalho, trabalhadores e empresas
voltadas para a flexibilidade e a adaptabilidade; para uma cultura de desconstrução e
reconstrução contínuas, Castells (apud MARTINHO, 2003, p. 10).
Para Castells, a sociedade em rede busca esclarecer a dinâmica econômica e social da
nova era da informação. As relações que a empresa mantém com suas principais clientelas
podem tanto ser um diferencial de concorrência quanto seus produtos ou serviços principais; o
modo como a empresa distribui informações e sistemas é elemento essencial na força de suas
relações; estar conectada não é mais adequado: as relações empresariais e as comunicações
que as sustentam devem existir na trama da “rede”. O modelo global em rede abre a
infraestrutura informática da empresa a todas as principais clientelas, impulsionando a rede
para conquistar vantagem perante a concorrência (CASTELLS, 2011, p. 225).
Marteleto divide as redes em primárias e secundárias. As redes primárias dizem
respeito às relações significativas que uma ou mais pessoas estabelecem cotidianamente ao
longo de suas vidas (relações de familiaridade, parentesco, vizinhança, amizade, entre outros)
e que respondem ao processo de socialização dos indivíduos. O processo é autônomo,
espontâneo e informal (MARTELETO, 2009, p. 29). “As redes secundárias formam-se pela
atuação coletiva de grupos, instituições e movimentos que defendem interesses comuns (...)
Rede social é entendida como uma forma de ação coletiva, resultado de um processo social
mais amplo” (MARTELETO, 2009, p. 31).

2.3 Bibliotecas e redes
O tema bibliotecas universitárias e redes sociais é abordado na literatura de forma
ampla, como em Maness (2007, p. 48),
(…) muitas das funções das bibliotecas ao longo da história têm sido
proporcionar um lugar de reunião comum, um lugar de compartilhar
identidade, comunicação, e ação. Redes sociais permitiriam que

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bibliotecários e usuários não somente interagissem, mas compartilhassem e
transformassem recursos dinamicamente em um meio eletrônico. Usuários
podem criar vínculos com a rede da biblioteca, ver o que outros usuários têm
em comum com suas necessidades de informação, com base em perfis
similares, demografias, fontes previamente acessadas, e um grande número
de dados que os usuários fornecem.

Para Burke (2003), “a biblioteca aumentou de importância, assim como de tamanho
depois da invenção da imprensa. Dentro da universidade, começava a rivalizar com a sala de
conferências, pelo menos em certos lugares” (BURKE, 2003, p. 56). Ele ainda relata que
nessa época, algumas bibliotecas não-universitárias passaram a ser locais de “troca de
informações e ideias”.
Os espaços públicos das cidades facilitavam a interação entre homens de
ação e homens de conhecimento, entre nobres e artesãos, entre o trabalho de
campo e o gabinete, em suma entre diferentes conhecimentos. As formas de
sociabilidade tinham - e ainda têm - influência sobre a distribuição e até
mesmo sobre a produção do conhecimento (BURKE, 2003, p. 57).

Burke (2003) também trabalha o conceito de República das Letras ou Comunidade do
Saber, uma comunidade internacional dos estudiosos em que as diferenças de religião eram
transcendidas pela cooperação entre os pares.
Já Le Coadic (1996) fala sobre os atores da comunidade científica explicando como
elas funcionam. O pesquisador transfere gratuitamente as informações que tem e, em troca,
tem confirmações de indivíduos que querem se tornar cientistas. Segundo Castells (2011),
diante da renovação das tecnologias e do processamento, ocorrida no século XX, os suportes
passaram a apresentar alternativas de comunicação, devido a sua capacidade de convergência.
Assim, os usuários, antes meros consumidores da informação, se transformaram em usuárioscriadores, produzindo e questionando o conteúdo encontrado na rede. Para Castells:
Há uma grande interpenetração entre os meios de comunicação de massa
tradicionais e as redes de comunicação baseadas na internet. As mídias
tradicionais estão usando blogs e redes interativas para distribuir seu
conteúdo e interagir com a audiência, misturando modos de comunicação
verticais e horizontais (CASTELLS, 2011, p. xv).

Nesta perspectiva interacional, a biblioteca aparece como mediadora e colaboradora de
seus usuários. Maness (2007, p. 45) utiliza o termo “biblioteca 2.0” para definir “a aplicação
de interação, colaboração, e tecnologias multimídia baseadas em web para serviços e coleções
de bibliotecas baseados em web”.
A biblioteca passa, então, a ser o centro e componente de uma comunidade
colaborativa focada em descobertas, capaz de criar vínculos entre grupos e indivíduos. Para
Mondini,
Fazer parte de comunidade das Instituições de Ensino Superior estabelece
uma relação de pertencimento, reforça o vínculo institucional dos alunos
com a instituição e promove as interações sociais dos alunos em um âmbito
maior do que apenas a troca com os colegas do próprio curso (MONDINI et
al.,2012, p. 52).

Por sua vez, Alguliyev et al. (2015) trabalham o conceito de bibliotecas digitais, que
consistem em compartilhamento, troca, relacionamento, cooperação, o que revela os aspectos
sociocêntricos e sociotécnicos desse ambiente.

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2.4 Inteligência coletiva
Para tratar mais especificamente sobre o tema das interações sociais, será abordado o
conceito de Inteligência coletiva de Pierre Lévy. Para ele, esta é uma inteligência distribuída
por toda parte, valorizada, coordenada em tempo real, causando mobilização efetiva das
competências. A base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o
enriquecimento mútuo das pessoas (LÉVY, 2007, p.28).
Para Lèvy (2007, p. 30), ao valorizarmos o outro de acordo com seus saberes
contribuímos para mobilizá-lo, para desenvolver nele sentimentos de reconhecimento que
facilitarão, consequentemente, a implicação subjetiva de outras pessoas em projetos coletivos.
Para o autor, a coordenação das inteligências em tempo real baseia-se nas tecnologias
digitais da informação, possibilitando que a comunidade coordene suas interações no mesmo
universo virtual de conhecimentos (LÉVY, 2007, p. 29). Isso também torna necessário
identificar competências, ou seja, reconhecê-las em sua diversidade.
Assim, os saberes oficialmente válidos só representam uma ínfima minoria dos que
hoje estão ativos. Essa questão do reconhecimento é capital, pois ela não só tem por
finalidade uma melhor administração das competências nas empresas e nas coletividades em
geral, mas possui igualmente uma dimensão ético-política (LÉVY, 2007, p. 29).
Ao aceitar como fato que essa inteligência é valorizada e distribuída por toda parte,
Lévy propõe que passemos do fato ao projeto:
Pois essa inteligência tantas vezes desprezada, ignorada, inutilizada,
humilhada, justamente por isso não é valorizada. Numa época em que as
pessoas se preocupam cada vez mais em evitar o desperdício econômico ou
ecológico, parece que se dissipa o recurso mais precioso, a inteligência,
recusando-se a levá-la em conta, desenvolvê-la e empregá-la (LÉVY, 2007,
p. 29).

Então, pensamos em indivíduos “singulares, múltiplos, nômades e em via de
metamorfose”, que interagem (LÉVY, 2007, p. 31). Assim sendo,
Os intelectuais coletivos são as comunidades humanas comunicando consigo
mesmas, pensando a si próprias, partilhando e negociando permanentemente
suas relações e seus contextos de significações comuns (...). O mundo de um
intelectual coletivo não tem nada de estável e objetivo. Resulta de aberturas,
elaborações, usos e avaliações mutantes, continuamente reiteradas. De tal
modo que esse mundo deriva e transforma-se no ritmo das metamorfoses de
seu intelectual coletivo (LÉVY, 2007, p. 169- 70).

2.5 Biblioteca como fator para trocas, experiências e saberes
As interações sociais propiciam a formação de redes com pontos de convergência para
a troca de informações. Dessa forma, acredita-se que as redes sociais poderiam atuar,
principalmente, como um canal de comunicação entre a biblioteca e seus usuários e viceversa, bibliotecas e outras bibliotecas, e até mesmo entre os próprios usuários entre si
(AGUIAR, 2012, p. 64).
Existem sim desvantagens no uso de mídias sociais, porém, para ajudar na interação
com seu público elas cumprem um papel bem eficiente em comunicação. Afinal, através de
sua comunicação comumente mais informal e de caráter dinâmico, acabam por atrair visitas
que podem se tornar novos usuários da biblioteca (BIBLIOTECAS, 2013).

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De acordo com Nassi-Calò (2013), o uso de redes sociais em comunicação científica
pode ser assim resumido:
• as redes sociais podem ser usadas para selecionar informação relevante como filtros de
conteúdo;
• redes sociais estão sendo utilizadas por editores e publishers para recomendar e avaliar
artigos e outros conteúdos científicos, antes restrita a ambientes científicos e
instituições de pesquisa;
• as redes promovem interação entre todos os atores envolvidos no processo de
comunicação científica - publishers, editores, autores, leitores, e peer reviewers,
levando a ações cooperativas;
• redes sociais oferecem uma nova perspectiva para medir impacto científico que vai
além das citações, como referências compartilhadas, número de acessos e downloads
logo após a publicação, diminuindo o tempo de contagem de citações (2-5 anos);
• redes sociais também provêem novas possibilidades para a comunicação científica,
gerando novas formas de disseminação.
Corrêa usa o termo “consumidor 3.0”, para o sujeito que utiliza dispositivos
eletrônicos para resolver suas questões de informação, fazendo buscas a partir de smartphones
ou tablets conectados à Internet, independentemente de estar presencialmente em seu local de
trabalho ou de estudos. Este “consumidor” usa motores de busca como o Google para baixar
textos e documentos de seu interesse (CORRÊA, 2016, p. 63).
Em contraponto a isso, Correa apresenta a realidade das bibliotecas, uma realidade
analógica de empréstimo de livros. Assim, as bibliotecas precisam reinventar-se a fim de
acompanhar as transformações da sociedade digital, e isso exige muito mais uma revolução de
atitude do que uma revolução tecnológica (CORRÊA, 2016, p. 65).
Para a autora, as bibliotecas deveriam se transformar em lugares de aprendizado ativo,
experimental, com espaço para o diálogo e a criatividade coletivas. Experiências como as de
coworking e makerspaces já são realidade em muitos lugares mundo afora e estão apenas
começando a ser consideradas no Brasil (CORRÊA, 2016, p. 66).
Por tudo isso que foi exposto até aqui, a Biblioteca do Campus Osasco da Unifesp
criou um Blog em agosto de 2011. Inicialmente teve como preocupação a divulgação de uma
feira de livros que ocorreu naquele ano bem como algumas matérias relacionadas à periódicos
de acesso livre que havia nas áreas da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios
(EPPEN) da Unifesp.
Após esse momento inicial, e objetivando levar a informação até os usuários
quebrando o paradigma da Biblioteca que aguarda a vinda deles, iniciou-se a divulgação de
notícias relacionadas aos cursos da EPPEN, além de matérias de divulgação de produtos e
serviços da Biblioteca, algumas notícias de interesse público (como transporte e saúde
pública), tecnologia voltada aos negócios entre outras.
Além disso, em maio de 2013 foi criada a página da Biblioteca no Facebook, visando
disseminar informações e notícias entre o público da Biblioteca, a qual percebeu-se à época
que era em sua maioria usuária dessa rede social.

3 Materiais e métodos
Para desenvolver este trabalho, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, levantando a
literatura já produzida sobre o tema, analisando alguns conceitos básicos para os nossos
questionamentos (redes sociais, intelectuais coletivos, análise de redes sociais). Também
fizemos um estudo quantitativo ao analisarmos as métricas do blog da biblioteca (número de
acessos e localização geográfica dos acessos).

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As métricas aqui descritas foram retiradas tanto da página de administrador do blog
(feitas pelo blogger) quanto do Google Analytics, ao qual se iniciou as estatísticas a partir do
ano de 2014.

4 Resultados parciais/finais
No espaço do saber, cada descoberta é uma criação. Centro de produção e de
apreciação das qualidades, não se deixa reduzir nem a flutuações, nem a distribuições de
quantidades. No Espaço do saber, conhecer é, em um mesmo movimento, redefinir sua
identidade, observar e modificar configurações dinâmicas, entregar-se a uma dialética da
avaliação, da decisão e da reavaliação permanente dos critérios de avaliação. O instrumento
de conhecimento do Espaço do saber (...) não objetiva nada: serve de ponto de apoio a uma
perpétua retomada dos processos de criação e de significação. Ferramenta de conhecimento de
si e de valorização das possibilidades incita ao exercício da liberdade (LÉVY, 2007, p. 175).
O espaço biblioteca e a forma livro como estruturas dos processos de organização,
disseminação e uso da informação estão sendo confrontados com formas inovadoras de
digitalização e virtualização dos registros do conhecimento e da cultura.
Os processos sociais de generalização e intensificação do uso da informação nas
dinâmicas produtivas e organizacionais demandam colaboração dos que trabalham com
informação. A informação está em toda parte, e a necessidade de saber trabalhar com ela
também. Este duplo movimento parece estar produzindo não apenas importantes
oportunidades para a Biblioteconomia, mas também inovações nas práticas profissionais e nas
bibliotecas juntamente com as redes sociais.
Nesse sentido, em agosto de 2011 foi criado o blog da Biblioteca. Sua criação
inicialmente teve em vista somente a comunidade usuária da Biblioteca, mas, como a internet
ultrapassa fronteiras, com o Blog ocorreu o mesmo: dentre os 10 países em que ele obteve
maiores visualizações estão o Brasil (como seria o natural), Estados Unidos, Alemanha,
Malásia, Rússia, Portugal, França, Canadá, Reino Unido e China, além de mais 90 países, de
todos os continentes. Considerando-se que a Organização das Nações Unidas (ONU) é
composta por 193 países membros, o Blog da Biblioteca do Campus Osasco da Unifesp já
obteve visualizações em mais de 50% dos países membros da ONU.
Gráfico 1 - Distribuição geográfica de visualizações até 20/04/2016.

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No Gráfico 1 pode ser conferida a distribuição geográfica das visualizações
considerando-se os 10 países com maiores números delas bem como a soma dos demais
(cerca de 90 países compõem essa estatística).
Até o presente momento (segunda quinzena de abril), ele possui quase duas mil e
oitocentas (2.800) postagens e pouco mais de duzentas mil (200.000) visualizações.
Em maio de 2013 foi criada a página da Biblioteca no Facebook, pois percebemos que
essa rede social é amplamente utilizada pela nossa comunidade de usuários. Além de dar
publicidade às notícias veiculadas pelo Blog, traz também outras matérias de interesse dos
usuários, tais como tecnologia, publicações sobre estágios, de interesse público, além dos
serviços da Biblioteca. Possui cerca de 500 a 1.000 visualizações por semana, tendo sido
curtida por cerca de 700 pessoas.

5 Considerações parciais/finais
Existem muitos trabalhos sobre redes sociais em Bibliotecas sendo realizados em
países diferentes e ter acesso a esses exemplos de práticas são fundamentais para a melhoria
dos serviços e do perfil dos profissionais de Biblioteconomia no Brasil. Além disso, com esse
acervo de informações, é possível criar um bibliotecário atualizado e mais informado das
possibilidades da sua área.
De acordo com Aguiar (2012, p. 64) as interações sociais propiciam a formação de
redes com pontos de convergência para a troca de informações. Dessa forma, acredita-se que
as redes sociais poderiam atuar, principalmente, como um canal de comunicação entre a
biblioteca e seus usuários e vice-versa, bibliotecas e outras bibliotecas, e até mesmo entre os
próprios usuários entre si. Isso pôde ser observado em nossas redes sociais, pois elas servem
de canal para que os usuários possam entrar em contato, tirar dúvidas, fazer sugestões, e, em
dados momentos, outros usuários respondiam e ajudavam a quem tivesse dúvidas.
Isso é um exemplo de como a biblioteca pode ser parte de intelectuais coletivos e
deixar de ser um mero depósito de livros. As bibliotecas nas redes sociais são mais uma forma
de colaborar ativamente na construção do conhecimento de todos que conseguem acessá-la.
Sendo mais um canal de acesso para fomentar a inteligência coletiva.

6 Referências
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um estudo exploratório na UNESP, UNICAMP e USP. 184f. 2012. Dissertação (Mestrado
em Ciência da Informação na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo),
ECA/USP, São Paulo.
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Disponível em: &lt;http://www.noticiasbr.com.br/bibliotecas-de-universidades-publicas-usamredes-sociais-106294.html&gt;. Acesso em: 25 mar. 2016.

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BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar, 2003. 241 p.
CASTELLS, Manuel; CARDOSO, Fernando Henrique (pref.). A sociedade em rede. São
Paulo: Paz e Terra, 2011. 698 p. (A era da informação: economia, sociedade e cultura, v. I).
CORRÊA, E. C. D. Consumidor de informação 3.0. In: PRADO, Jorge do (Org.). Ideias
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MEADOWS, Arthur Jack. A comunicação científica. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros,
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Documentação&#13;
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                <text>Biblioteca Universitária e as redes sociais: interação e trocas na construção do conhecimento. </text>
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                <text>Costa, Elaine Hipólito dos Santos; Barbaresco, Maria Claudia Ferreira; Kushnir, Maria Rosa Carnicelli ; Leber, Andreas </text>
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                <text>Com o avanço da internet, o contato entre pessoas de diferentes países se tornou mais próximo. As redes sociais passaram a funcionar também como uma rede profissional virtual na qual pessoas com o mesmo interesse debatem e compartilham novidades umas com as outras. As bibliotecas, em busca de acompanhar o desenvolvimento tecnológico e serem ativas na comunicação, estão usando ferramentas que permitem às instituições maior interatividade e comunicação na relação com os usuários reais e potenciais, atingindo públicos inimagináveis. O objetivo deste trabalho é analisar o uso de blog e facebook como ferramentas de comunicação da biblioteca da Unifesp Campus Osasco - EPPEN e como eles podem colaborar para compartilhamento e criação de conhecimentos e de Intelectuais coletivos, como espaços de interação e trocas e sendo agentes na construção do conhecimento. Para tal, usaremos a abordagem conceitual de Pierre Lévy.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA NA PRAÇA: Uma atividade de extensão da Biblioteca
Prof. Iranilse Pinheiro da Escola Superior Madre Celeste
Mariana Claudia Teixeira Araujo (ESMAC) - araujo2323@gmail.com
Resumo:
A Biblioteca da Escola Superior Madre Celeste (ESMAC), tem por objetivo apoiar as atividades
de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas no âmbito acadêmico. Nesse sentido, a
biblioteca prof. Iranilse Pinheiro, que há pouco mais de quatro anos tem como uma das suas
atividades de extensão o projeto “Biblioteca na praça”, faz parte de um projeto maior
denominado “Ananindeua: um espaço de cultura” e atualmente faz parceria com os cursos de
Educação Física e Pedagogia. O projeto tem como proposta inicial ser de caráter integrador a
fim de promover para a comunidade do em torno da ESMAC, ações que possibilitem aos
participantes usufruir das atividades educativas e recreativas realizadas pela biblioteca e dos
cursos participantes que envolvem atividades de incentivo à leitura, à ludicidade, ao esporte e
ao lazer. No processo para implantação do projeto foi necessário realizar um levantamento das
necessidades da comunidade, capacitar, formar e aperfeiçoar os integrantes, bem como
aplicar posteriormente os conhecimentos assimilados durante os cursos. O interesse em
participar do projeto foi crescente, à medida em que evoluiu e se considerou a importância das
práticas educativas e de incentivo à leitura.
Palavras-chave: Biblioteca na praça. Biblioteca universitária. Extensão universitária.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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1 Introdução
O Projeto de extensão: “Biblioteca: um espaço de cultura e aprendizagem - Ano
2010”, evoluiu em 2015 para “Biblioteca na Praça”, que também faz parte de um projeto
maior “Ananindeua: um espaço de cultura”, iniciado em 25 de setembro de 2010. Até
setembro de 2015 somente os colaboradores que trabalhavam na biblioteca executavam o
projeto. Já em outubro de 2015, o curso de Pedagogia entrou como participante nas atividades
lúdicas e educativas e, em 2016, o curso de Educação Física trouxe as atividades de esporte e
lazer, com entendimento do grau de relevância e oportunidade para os profissionais e
acadêmicos colocarem em prática os estudos obtidos em sala de aula.
Biblioteca na praça surgiu da vontade de interagir, integrar e atuar de forma
participativa na comunidade com ações de cunho educativo e social. Dessa forma, a biblioteca
Prof. Iranilse Pinheiro vem desenvolvendo atividades de extensão com o intuito de agregar e
compartilhar com a comunidade atividades de leitura, esporte e lazer, por compreender que as
bibliotecas universitárias devem participar e criar projetos de extensão para comunidade em
que estão inseridas seja dentro ou fora de seu espaço acadêmico.
Para Vicentini et. al. (2007, p.2), “uma biblioteca deve servir a diferentes interesses e
classes sociais e ser um espaço onde se acumulam contradições, oposições, afirmações,
negações, tradições e inovações”. Por entender que a biblioteca é este espaço de contradições
e inovações que a realização de projetos se tornam de vital importância para o
desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária, proporcionando e oportunizando o
aprendizado e o acesso ao conhecimento a todas as classes sociais.
Nesse sentido, a biblioteca prof. Iranilse Pinheiro da ESMAC, que há pouco mais de
quatro anos tem como uma das suas atividades de extensão o projeto “Biblioteca na praça” faz
parte de um projeto maior denominado “Ananindeua: um espaço de cultura” em parceria com
os cursos de Educação Física e Pedagogia.
A partir de pesquisas realizadas, detectou-se que a comunidade envolvida é carente de
atividades de cunho educativo e cultural e também de espaços públicos gratuitos, além da
ausência de políticas públicas adequadas e responsáveis, que visem a melhoria na qualidade
de vida dos indivíduos. Assim, o projeto vislumbra em sua proposta ser de caráter integrador a
fim de promover para a comunidade do em torno da ESMAC ações que viabilizem condições
para usufruir de atividades educativas e recreativas realizadas pela biblioteca e pelos cursos
participantes. Essas atividades propostas são centradas no incentivo à leitura, esporte e lazer,
sendo realizadas pelos acadêmicos, que compartilham junto à comunidade as vivências e
experiências adquiridas durante seu aprendizado acadêmico.
Durante o período inicial foram elaboradas estratégias para perceber a demanda dos
prováveis usuários do projeto, bem como a adequação da infraestrutura e a receptividade das
crianças em relação às atividades oferecidas. As ações foram constituídas de várias etapas:
capacitação em oficinas, palestras, elaboração de formulários e divulgação e apresentação do
projeto a comunidade. De início, teve-se a recepção das crianças da comunidade para uma
manhã de contação de histórias, pinturas, vídeos oficinas, leitura e familiarização com o
ambiente criado em uma área de recreação da instituição, ou seja, um espaço não tradicional,
que gerou satisfação e encantamento.
O projeto também gerou interesse por parte de educadores, pais e membros da
comunidade, a ponto de muitas das atividades oferecidas atualmente serem ministradas por
pais e educadores que passaram a acreditar e frequentar a praça nos dias em que a biblioteca
se faz presente, fortalecendo a importância da instituição e da biblioteca para a comunidade
local.

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2 Revisão de literatura
A Lei de Diretrizes e Base da Educação (1996) e da Constituição Brasileira (1988),
institui que a Biblioteca Universitária está inserida nos requisitos de qualidade referente ao
processo avaliativo do Ministério da Educação (MEC) das Instituições de Ensino Superior
(IES). Assim, as IES estão voltadas para os processos de construção, gestão e disseminação
do conhecimento, com ênfase no aprendizado ao longo da vida, necessitando que indivíduos
desenvolvam competências em informação no qual as atividades de extensão tem grande
participação do progresso político, social e cultural, aprimorando competências profissionais e
contribuindo para a evolução social, a própria LDB (1996) e a constituição de (1988) “
estabelece que as Universidades devem obedecer ao princípio da indissociabilidade entre
Ensino, Pesquisa e Extensão, reconhecido como dimensões equivalentes e constitutivas da
prática acadêmica [...]
Como fator predominante neste processo os bibliotecários vem desenvolvendo de
forma tímida ações de extensão nas IES, a partir da concepção de que suas ações e atividades
tem ultrapassado o âmbito específico de atuação da biblioteca universitária no que se refere a
Instituição em que está inserida e na percepção e desenvolvimento relacionado ao ensino,
pesquisa e extensão. Segundo Carvalho (1972), que compreendia e defendia que a biblioteca
devia funcionar “[...] como uma fonte dinâmica de cultura, que deve atender as várias e
amplas necessidades de seus frequentadores, sejam eles crianças ou adultos, estudantes ou
pesquisadores” Com base neste entendimento e na atuação dos bibliotecários nas últimas
décadas percebe-se que a biblioteca há muito vem transcendendo o estereótipo do espaço
onde se deve apenas tratar do acervo e aguardar que seu público chegue a ele. Na verdade, é
comprovado que em todo o sistema educacional, é decisiva a influência da biblioteca como
parte integrante deste método, que a universidade dispõe de um grande instrumento para
atingir suas finalidades. Assim, como as IES devem estar voltadas para as necessidades
educacionais, culturais, científicas e tecnológicas do país, as bibliotecas devem trabalhar
visando a esses mesmos objetivos, condicionadas as finalidades fundamentais das IES.
Ferreira (1980, p.7) diz que “[...] não há sentido em universidades desvinculada da realidade
socioeconômica, as bibliotecas universitária só poderão ter sentido se estiverem em
consonância com os programas de ensino e pesquisa das universidades a que pertencem”.
Na realidade, percebe-se o trabalho de extensão como prática recorrente nas IES, mais
no contexto particular das bibliotecas o envolvimento direto ainda é recente, e lógico que de
forma indireta a biblioteca sempre contribuiu no desenvolvimento de iniciativas de extensão,
uma vez que, um dos objetivos é ser o suporte teórico necessário para a produção do
conhecimento científico que gera benefícios à sociedade. Entretanto, a participação ativa e o
contato direto com a comunidade externa às IES ainda pode ser considerado inseguro, diante
das inúmeras possibilidades de atuação que a biblioteca pode apresentar e desenvolver junto a
sociedade. Segundo Araújo e Casimiro, 2009, p.1:
Por meio da extensão universitária se concretiza a possibilidade de interferência e
mudança social na vida de um indivíduo, quando aliada à leitura, exerce uma valiosa
influência social. O hábito da leitura não nasce com o indivíduo [...]. Cabe ao bibliotecário,
nos projetos ligados à construção [...], empregar diversas técnicas de incentivo à leitura nas
comunidades participantes.
Seguindo o mesmo pensamento:
De modo geral, às bibliotecas universitárias compete, prioritariamente,
a prestação de serviços à comunidade acadêmica. E esse argumento
tem sido usado para justificar a ausência de atuação direta da

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biblioteca universitária junto à comunidade externa, sob a alegação de
que essa função seria preenchida pelas bibliotecas públicas e
comunitárias (MORALES; MESSIAS; OLIVEIRA, 2014, p. 5).
Carvalho (1972, p.3, grifo do autor):
As atividades das “Extensão Cultural” das bibliotecas são portanto,
uma programação extraordinária, mais não dispensável, se
considerarmos, que hoje, não se compreendem mais as bibliotecas
como um mero depósito de livros, mais como uma fonte dinâmica de
cultura [...]
Desta forma, como parte integrante e ativa no processo de ensino e aprendizagem, a
biblioteca, neste caso a biblioteca Prof. Iranilse Pinheiro da ESMAC vem atuando na
interação entre a IES e a comunidade na qual está inserida. Tornando-se o vínculo permanente
entre a universidade e os diversos setores da sociedade. Entendendo que as bibliotecas sempre
desempenharam importantes papéis neste processo e representante de um grande volume de
informações além de ponto estratégico no desenvolvimento cultural da sociedade, que a
construção de projetos de extensão em bibliotecas vieram a contribuir para o reconhecimento
e valorização como um espaço de conhecimento e cultura. Para Vicentini et. al. (2007, p.4):
Uma biblioteca deve servir indistintamente a diferentes interesses e classes sociais e
ser um espaço onde se acumulam contradições, oposições, afirmações, negações, tradições e
inovações. Esses espaços devem ser ocupados segundo as necessidades de sua comunidade e
proporcionar-lhes um clima favorável à implementação de programas de pesquisa, cultura e
lazer, independentemente das limitações de ordem econômica e social. A preocupação com a
cultura e lazer de uma comunidade também deve existir em uma Universidade que reflete e
agrega valores nos serviços prestados a milhares de pessoas que diariamente circulam em suas
instalações.
Com o objetivo de servir de forma distinta a comunidade em que está, a biblioteca da
ESMAC, desenvolve projetos de ações culturais que possibilitem o processo de construção,
gestão e disseminação do conhecimento. O Projeto “Ananindeua: uma cidade de leitores” e
“Ananindeua: um espaço de cultura” contribui por meio de ações com o desenvolvimento
educacional, social e cultural das crianças e adolescentes de Ananindeua. Além de
desenvolver a responsabilidade social de professores e acadêmicos dos cursos de graduação e
colaboradores da biblioteca da ESMAC.

3 Materiais e métodos
O projeto foi estruturado em 2010 para ser apresentado a comunidade dentro da
própria estrutura da IES na área de recreação e em 2015 evolui para sua apresentação na
praça. Com uma metodologia interativa e em constante mudança de acordo com a aceitação e
validação do público atendido, sendo divido em quatro momentos para sua efetivação.
Capacitar os colaboradores da biblioteca em oficinas para atender as crianças e
adolescente da comunidade, visando um melhor atendimento e qualidades nos serviços
oferecidos. Neste processo os colaboradores envolvidos nas atividades realizaram cursos de
contação de histórias, confecções de fantoches, oficinas de reciclagem, confecção de
brinquedos, montagem de livros e pintura facial além de palestras de orientação de como
entreter e envolver o público com intuito de como se aproximar da criança sem intimida-la.

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Além da necessidade de obter materiais e controlar os custo para a realização das
oficinas, arrecadação de materiais que poderiam ser reciclados como as garrafas de plásticos,
caixa de fósforos, rolos de papel higiênicos, cubas vazias de ovos entre outros.
Neste período também foram elaboradas planilhas e formulários para relatórios,
objetivando identificar o nível de conhecimento dos produtos e serviços que seriam oferecidos
pela biblioteca para a comunidade local. A elaboração de um questionário com questões
fechadas e abertas e ainda uma questão totalmente aberta para a possibilidade de inclusão de
sugestões ou informações complementares, se necessário. Os itens do questionário cobriam as
seguintes informações:
a) Identificação da categoria do usuário;
b) Identificação da comunidade de origem;
c) Frequência de uso da biblioteca;
d) Conhecimento e uso de uma biblioteca;
e) conhecimento dos serviços oferecidos pela biblioteca;
f) Como é sua biblioteca dos sonhos?
Após várias discussões com o grupo envolvido, ficou decidido que o projeto deveria
ter custo baixo e utilizar materiais da própria biblioteca e da instituição. Desta forma, o
investimento financeiro seria para divulgação do projeto como: impressão de folders,
panfletos e compra de material (pintura facial, lápis de cor, giz de cera, tinta guache, papel
A4). O processo de distribuição dos panfletos e folders aconteceram no próprio espaço da
biblioteca, na praça (que hoje acontece o projeto), nas escolas próximas, nas igrejas e nos
comércios da comunidade em torno da IES. Após todo os procedimentos concluídos a
implantação aconteceu em 25/09/2010 na área de recreação da faculdade 08h as 12hs, a ser
apresentado para a comunidade a cada três meses com as seguintes atividades:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)

contação de histórias;
apresentação de vídeos ( de acordo com a faixa etária);
apresentação de teatro ( de acordo com a faixa etária);
jogos educativos (xadres, damas, quebra-cabeças etc.)
pintura livre;
brincadeiras de rodas
e uma biblioteca repleta de livros ( de acordo com a faixa etária).

Utilizando-se dos recursos oferecidos pelo teatro, jogos, brincadeiras e tendo o livro
como fonte de inspiração para todas as atividades, o “biblioteca na praça” apresenta a leitura
como um dos principais instrumentos de inclusão social e promove a valorização dos
cidadãos, propiciando-lhes o exercício do direito de livre acesso à informação e contribuindo
para o desenvolvimento intelectual dos cidadãos.

4 Resultados parciais/finais
O Projeto “Biblioteca: um espaço de cultura e aprendizagem” e hoje “Biblioteca na
praça” supera expectativas a cada edição. Tendo em vista que em 2010 quando iniciou o
público atendido foi de 35 indivíduos no espaço de recreação da instituição:
a)
b)
c)

10 adultos na faixa etária de 20 a 60 anos;
20 crianças na faixa etária de 4 a 10 anos;
05 adolescentes na faixa etária de 12 a 15 anos.

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Em setembro de 2015 na 23ª edição a biblioteca atendeu um público de 260 no
período da manhã entre os horários de 8h00 as 12h00:
a)
b)
c)
d)

40 adultos na faixa etária de 20 a 60 anos;
40 crianças na faixa etária de 4 a 10 anos;
80 adolescentes na faixa etária de 12 a 15 anos;
100 adolescentes na faixa etária de 16 a 19 anos;

Imagem 1- Contação de história com Fantoche.

Fonte: Registro pessoal, 2011
Imagem 2 – Espaço de leitura, área de recreação da ESMAC

Fonte: Registro pessoal, 2011

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Imagem 3- Espaço de leitura na praça

Fonte: Registro pessoal, 2015
Imagem 4- Momento de leitura na praça

Fonte: Registro pessoal, 2015
A cada edição e ampliação do projeto conclui-se que o mesmo vem auxiliar e
corroborar com o conceito de uma biblioteca mais participativa e inclusiva, desestruturando as
barreiras tradicionais. Onde antes era uma biblioteca que servia para guarda de acervo, hoje é
compreendida como um órgão gerador de conhecimento e irrestrito a valorização dos
cidadãos, contribuindo ao exercício do direito de livre acesso à informação e ao mundo dos
livros e da leitura.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Nesse sentido, entende-se que a participação da comunidade torna-se mais frequente e
participativa e cada vez mais exigente na solicitação dos serviços, ainda percebe-se a
consistência dos participantes em cada edição, como também a capacidade de envolvimento
das mais diversas faixas etárias e grupos sociais. O que nós leva a refletir sobre a grandeza e
importância das atividades desenvolvidas bem como sua abrangência das mesmas.
A partir das análises das atividades oferecidas a cotação de histórias e uma das mais
procuradas não apenas por crianças, mas também por jovens, adultos e idosos. Em
decorrência desse fator desenvolveu-se técnicas de contações que atingissem não apenas
crianças mas também o público em geral.

5 Considerações parciais/finais
A participação das bibliotecas das instituições de ensino superior em projetos de
extensão torna-se importante para o crescimento de uma comunidade carente de espaços
públicos e de atividades de cultura, esporte e lazer. O projeto criado e desenvolvido pela
biblioteca da ESMAC vem oportunizando o aprendizado e o acesso ao conhecimento às
diversas camadas sociais e rompe com as barreiras e paradigmas existentes nas bibliotecas
universitárias, em que muitos membros da comunidade não utilizavam ou até mesmo
entravam para conhecer, por acreditar que apenas quem estava cursando uma graduação tinha
direito a frequentar seu espaço, hoje o público da comunidade externa utiliza parte dos
serviços e produtos o que vem a valorizar a importância da atuação das bibliotecas dentro da
comunidade que esta inserida. E atribuição da biblioteca oferecer suporte às diversas
atividades que priorizam o acesso à informação, à leitura e à cultura. Desta forma, conclui-se
que a biblioteca da ESMAC cumpriu parte de seu papel na sociedade, oferecendo apoio às
práticas de ensino, pesquisa e extensão.
Vale ressaltar que as experiências e vivências adquiridas com as atividades de extensão
são de extrema relevância para a evolução das relações no processo ensino aprendizagem e na
democratização e socialização do conhecimento, e contribui para minimizar as carências de
acesso a informação em relação à comunidade em que biblioteca está envolvida.
Assim sendo, considera-se que as promoções educativas e culturais são importantes
para as organizações e unidades de informação.

6 Referências
ARAÚJO, F. de P.; CASIMIRO, L. C. da S. R. A importância dos projetos de extensão
universitária na formação de cidadãos leitores. In: ENCONTRO NACIONAL DE
ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, CIÊNCIA E GESTÃO DA
INFORMAÇÃO, 32., 2009, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Unirio, 2009. Disponível
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COSTA, M. E. O. et al. Proposta de criação de um Centro de Extensão Universitária/Sistema
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SILVEIRA, F. J. N. da. Biblioteca como lugar de práticas culturais : uma discussão a partir
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VICENTINI, L. et al. O papel da biblioteca universitária no incentivo à leitura e promoção da
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A Biblioteca da Escola Superior Madre Celeste (ESMAC), tem por objetivo apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas no âmbito acadêmico. Nesse sentido, a biblioteca prof. Iranilse Pinheiro, que há pouco mais de quatro anos tem como uma das suas atividades de extensão o projeto “Biblioteca na praça”, faz parte de um projeto maior denominado “Ananindeua: um espaço de cultura” e atualmente faz parceria com os cursos de Educação Física e Pedagogia. O projeto tem como proposta inicial ser de caráter integrador a fim de promover para a comunidade do em torno da ESMAC, ações que possibilitem aos participantes usufruir das atividades educativas e recreativas realizadas pela biblioteca e dos cursos participantes que envolvem atividades de incentivo à leitura, à ludicidade, ao esporte e ao lazer. No processo para implantação do projeto foi necessário realizar um levantamento das necessidades da comunidade, capacitar, formar e aperfeiçoar os integrantes, bem como aplicar posteriormente os conhecimentos assimilados durante os cursos. O interesse em participar do projeto foi crescente, à medida em que evoluiu e se considerou a importância das práticas educativas e de incentivo à leitura.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA DIGITAL DE MONOGRAFIAS DA FACULDADE DE
ODONTOLOGIA DA UFRN: RECUPERAÇÃO E DEMOCRATIZAÇÃO
NA PRODUÇÃO ACADÊMICA

Mônica Karina Santos Reis (UFRN) - monicabiblioufrn@gmail.com
Hadassa Daniele Silva Bulhões (UFRN) - hadassabulhoes@gmail.com
Cecilia Isabel Santos (UFRN) - cecilia@bczm.ufrn.br
Resumo:
Discute a implantação de um repositório digital de monografias do Curso de Odontologia da
UFRN visando disponibilizar a qualquer usuário, a qualquer tempo, de qualquer lugar a
literatura produzida no âmbito acadêmico. Conceitua repositórios digitais como coleções
digitais que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso a produção intelectual de uma
determinada comunidade ou área do conhecimento, onde os documentos são disponibilizados
na Web sem custos para o usuário final. Destaca as principais vantagens na implantação dos
repositórios para autores e instituição. Conclui destacando a importância de aderir a
plataforma de acesso aberto visando uma maior promoção e desenvolvimento da Ciência.
Palavras-chave: Biblioteca Digital de Monografias. Repositórios Institucionais. Produção
Científica.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
Com a evolução das novas tecnologias disponíveis e o advento da WEB, novas ferramentas e
formas de comunicação, organização e preservação do conhecimento surgiram, facilitando a
disseminação do conhecimento. Esses avanços tecnológicos permitiram o surgimento de redes
de comunicação eletrônica, revolucionando os fluxos de informação, forma de acesso e troca
de informação, ampliando assim o espiral do conhecimento.
Até o início dos anos 90, os principais meios de acesso as produções intelectuais eram através
das revistas científicas. Weitzel (2006), afirma que as revistas científicas surgiram da
necessidade de trocas de experiências científicas entre os cientistas e pesquisadores visando
promover o desenvolvimento da ciência.
Com as iniciativas dos arquivos abertos e o movimento de acesso livre, as revistas científicas
passaram a dividir sua atenção com os Repositórios Digitais que surgem como alternativa ou
complemento dos sistemas tradicional de comunicação científica. Essa nova forma de
divulgação do conhecimento permitiu uma maior integração entre comunidades científicas e o
compartilhamento de ideias, experiências e do próprio conhecimento.
De uma forma sintética, repositórios digitais são coleções digitais que armazenam, preservam,
divulgam e dão acesso a produção intelectual de uma determinada comunidade ou área do
conhecimento, onde os documentos são disponibilizados na Web sem custos para o usuário
final.
As instituições de ensino superior são responsáveis por grande parte da produção científica do
país. As monografias aparecem como importante divulgadores de informação científica, visto
que, há no desenvolvimento de uma monografia muito esforço cognitivo, disciplina e
comprometimento por parte do aluno e muita exigência e controle por parte do professor,
além de que são avaliadas por uma banca examinadora (PETINARI, 2007).
Segundo Pavão (2010), “na sua grande maioria, os documentos gerados como produto de
pesquisa encontram-se dispersos dentro das instituições ou armazenados em bibliotecas, o que
pode dificultar o acesso devido às barreiras de tempo e espaço”. Os repositórios surgem como
forma de minimizar os problemas de acesso aos documentos, permitindo reunir, preservar e
divulgar, por meio de arquivos digitais, a produção científica de uma instituição.
Dessa forma, podemos entender que os repositórios digitais de acesso livre muito
colaborariam para disseminação da informação produzida e depositada até então apenas no
âmbito acadêmico, no suporte papel e de acesso limitado; as monografias (PETINARI, 2007).
A proposta desse artigo é a implantação de um repositório digital das monografias do Curso

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de Odontologia da UFRN. A Biblioteca da Faculdade de Odontologia não tem em seu acervo
as monografias produzidas pelos alunos da graduação em Odontologia, visto que o acervo não
comporta o grande número de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que são produzidos ao
final do curso. Com a implantação do repositório, a biblioteca ampliaria seu leque de serviços
oferecidos, possibilitando desta forma acesso dessas informações a qualquer usuário, a
qualquer tempo, de qualquer lugar, criando a perspectiva de se ter com apenas alguns cliques
a literatura produzida no âmbito acadêmico.

2 TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO E A COMUNICAÇÃO
CIENTÍFICA
Os trabalhos de conclusão de curso são documentos originados das disciplinas de final
de curso, como forma de avaliar e comprovar os conhecimentos e competências adquiridos
durante todo o curso. É uma forma de despertar o lado investigativo e reflexivo do aluno,
fazendo que ele deixe de ser mero ouvinte para ser um agente construtor de novos
conhecimentos. Geralmente o aluno desenvolve o tema com base em suas observações,
pesquisas, interesses e afinidades.
Petinari (2007) apresenta os trabalhos de conclusão e curso como trabalho escrito,
sistemático e completo tratando de tema específico (único) e delimitado; um estudo
pormenorizado no tratamento (profundidade), mas não extenso no alcance; exigindo
metodologia científica e trazendo contribuições importante, originais e pessoais para ciência.
Assim, entendemos que faz parte do papel do pesquisador divulgar os resultados de suas
pesquisas, gerando informação científica, que sabemos ser insumo básico para o
desenvolvimento científico e tecnológico de um país.
Até o início dos anos 90, os principais meios de acesso as produções intelectuais eram
através das revistas científicas. Com o surgimento da internet, muitas mudanças ocorreram
nos canais de comunicação científica. As facilidades de criação de ferramentas para
armazenamento e disponibilização de informação em meio eletrônico revolucionaram a forma
de fazer e comunicar ciência.

Essa disponibilidade on-line de estoques informacionais,

evidenciou novas formas para a comunicação científica, tanto para fins de armazenamento
quanto para disseminação e acesso a informação, dinamizando assim o processo de
comunicação científica.
A maioria dos TCC, documentos resultados de pesquisas, mesmo sendo produzidos

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primeiramente me meio eletrônico, são impressos e arquivados nos departamentos e
bibliotecas das Instituições de Ensino Superior (IES), o que dificulta o acesso e coloca
colocando em risco a preservação do documento a longo prazo. Para enfrentar esse cenário de
acesso limitado e mínima divulgação dos novos conhecimentos produzidos nos TCCs dentro
das IES, surge a necessidade de construir e implementar novos ambientes institucionais a fim
de reunir, organizar, armazenar, compartilhar, disseminar e preservar

informação e

conhecimento frutos desses trabalhos. Assim, os repositórios digitais de acesso livre, surgem
como alternativa para minimizar os problemas de acesso aos documentos, permitindo reunir,
preservar e divulgar, por meio de arquivos digitais, a produção científica da instituição.
Essa nova forma de divulgação do conhecimento permite, assim, uma maior
integração entre comunidades científicas e o compartilhamento de ideias, experiências e do
próprio conhecimento.

2.1 REPOSITÓRIOS DIGITAIS
Para o IBICT (2013):

Os repositórios digitais são bases de dados online que reúnem de
maneira organizada a produção científica de uma instituição ou área
temática, [...] proporcionam maior visibilidade aos resultados de
pesquisas e possibilitam a preservação da memória científica de sua
instituição [...].
O IBICT ainda destaca que os repositórios digitais podem ser institucionais ou
temáticos, onde os repositórios institucionais lidam com a produção científica de uma
determinada instituição, e os repositórios temáticos com a produção científica de uma
determinada área do conhecimento (IBICT, 2013).
Para Martins, Rodrigues e Nunes (2008, p. 2) repositório digital:

É aquele onde conteúdos digitais, recursos, estão armazenados e
podem ser pesquisados e recuperados para uso posterior. Um
repositório suporta mecanismos de importação, exportação,
identificação, armazenamento e recuperação de recursos digitais.
Marques e Maio (2013, p. 2), afirmam que os repositórios digitais surgem para:

Desenvolver uma cultura de publicação de informação científica em

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moldes que facilite a sua visibilidade, avaliação e crítica por parte
dos cientistas de uma determinada área do conhecimento ou
comunidade, cumprindo o objetivo de investigação, progresso e
difusão do conhecimento.
Corroborando com o IBICT (2013), Marques e Maio (2013) ainda afirmam que os
Repositórios Digitais se dividem em duas categorias, os Repositórios Institucionais e os
Repositórios Temáticos. Onde os Repositórios Temáticos tratam de coleções digitais de uma
área específica do conhecimento e os Repositórios Institucionais que “constituem coleções
digitais que armazenam, preservam, gerem e divulgam em livre acesso a produção intelectual
de comunidades académicas ou científicas” (MARQUES; MAIO, 2013, p. 3).
Segundo Marcondes e Sayão (2009, p. 9) o repositório institucional “é uma biblioteca
digital destinada a guardar, preservar e garantir livre acesso, via internet, á produção científica
no âmbito de uma dada instituição”. Ainda continua destacando que:
[...] são entendidos hoje como elementos de uma rede ou
infraestrutura informacional de um país ou de um domínio
institucional destinados a garantir a guarda, preservação a longo prazo
e, fundamentalmente, o livre acesso à produção científica de uma dada
instituição (MARCONDES; SAYÃO, 2009, p. 10).
De forma geral, entendemos que os repositórios digitais estão ligados ao contexto do
movimento de apoio ao livre acesso a informação científica e que, portanto, são criados para
facilitar o acesso a produção científica, sem custos para o usuário final, dando maior
visibilidade a produção intelectual e aos resultados de pesquisa de forma a organizar e manter
a memória institucional.
A construção dos repositórios digitais, em sua maioria, tem sido realizada nas
instituições de ensino e pesquisa. Isso por que está inteiramente ligado ao processo de
comunicação científica. Para a construção dos repositórios digitais, uma série de aspectos
deve ser levada em consideração, desde a aquisição dos kits tecnológicos, até a elaboração das
políticas de depósitos.
A maior vantagem da implantação de repositórios institucionais é oferecer acesso
irrestrito a documentos científicos, possibilitando um amplo uso dessas informações e assim
atingir um público bem maior do que o proposto pelas publicações nos canais formais
tradicionais.
Outra grande vantagem é que a visibilidade obtida através do depósito de uma
pesquisa científica em um repositório é percebida não somente pelo autor do documento, mas

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também a instituição à qual o pesquisador está vinculado. Outra vantagem para a instituição é
reunir em um só lugar todo o conhecimento gerado por ela, sem falar que os repositórios
oferecem estatísticas de acesso, download e upload dos documentos depositados permitindo a
instituição traçar planejamentos estratégicos a partir dessas informações (LEITE, 2009).
O país também se beneficia com a implantação de repositórios institucionais, pois a
produção científica brasileira encontra-se dispersa em diversas fontes de informações pelo
mundo, o que dificulta a divulgação de dados relativos ao desenvolvimento da Ciência no
Brasil e os repositórios institucionais possibilitam minimizar esses dados. Esses dados
estatísticos também servirão de subsídio para traçar melhores políticas de informação que
favoreçam o planejamento da Ciência no país (LEITE, 2009).

3 Materiais e métodos
Para implantação do repositório de monografias da BSO foi necessário a definição das
políticas e diretrizes que dizem respeito, principalmente, a aspectos técnicos, da instituição e
da comunidade envolvida da qual o repositório será destinado. O projeto de criação e
implantação da BDM da BSO, iniciado em março de 2015, foi executado em três etapas: o
planejamento, o desenvolvimento e a implantação.
A BSO enxergou uma oportunidade para criar um repositório de monografias dos
cursos de graduação em Odontologia nos mesmos parâmetros do Sistema de publicação
Eletrônica (TEDE) e da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRN (BDTD) cedidos
pelo IBICT, contando para tanto com a assessoria especial das bibliotecárias que compõem a
equipe do setor de Repositórios Digitais da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM/UFRN).
Para a implantação da Biblioteca Digital de monografias da BSO, foi utilizada a metodologia
e infraestrutura já existente do Repositório Institucional (RI) da UFRN. Os padrões de
metadados utilizados para submissão de documentos também será baseado no já existente
utilizado no RI da UFRN.
Serão depositados no repositório apenas os trabalhos de conclusão de cursos de
graduação dos alunos do curso de Odontologia da UFRN. A biblioteca será responsável por
implantar e manter o repositório. Para adicionar conteúdo ao DSpace, software utilizado pelo
RI, é necessário ter o direito de autor do material, ou a permissão para depositar os trabalhos,
portanto, todos os trabalhos de conclusão de curso apresentados deveram ter assinado o termo
de autorização repassando os direitos a Biblioteca para o deposito no repositório.
Futuramente, depois de estabelecida a rotina e o uso do repositório, repassaríamos aos alunos
concluintes a responsabilidade do depósito pelo auto arquivamento.

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Durante o planejamento foi realizado estudo de viabilidade através de análise técnica e
levantamento de requisitos com os usuários, decidindo-se por aproveitar o sistema orientado à
código aberto do TEDE/BDTD para enquadrá-lo à nova necessidade da instituição, a BDM.
No desenvolvimento foi utilizada toda infraestrutura (equipamento, sistema operacional,
aplicativo de proteção dos trabalhos a serem armazenados, código fonte e o banco de dados),
bem como as regras de negócio do sistema TEDE/BDTD (critérios, normas, validações).
A partir da documentação original foram identificadas todas as funcionalidades do
sistema e levantados os pontos a serem alterados através da reutilização do código fonte. Para
a implantação, em março de 2015, foi feita uma comunicação junto aos colegiados de
graduação e as coordenações do curso de Graduação em Odontologia, para a sensibilização
quanto à importância da biblioteca digital e da alimentação da base, através do envio dos
trabalhos monográficos à BSO-DOD.
Nessa etapa do processo a equipe de bibliotecários da BSO/DOD participou das
reuniões do colegiado de curso que tinham o propósito de criar a resolução que iria
regulamentar a elaboração do trabalho de conclusão de curso exigido para obtenção do grau
de Cirurgião Dentista. Nesse ciclo de reuniões foi formulada a Resolução no 01/2015CCO/UFRN 19/03/2015 que regulamenta a aplicação das normas para o Trabalho de
Conclusão de Curso (TCC) do Curso de Odontologia do Departamento de Odontologia da
UFRN e dá outras providências.
No que se refere a inclusão do arquivo na BDM da BSO/DOD a resolução apresenta
em seu parágrafo quarto a seguinte orientação: “§ 4° - Caso aprovado, o aluno deverá entregar
1 (uma) cópia do trabalho à Coordenação do Curso de Odontologia - UFRN, com as possíveis
correções sugeridas, no formato PDF, para arquivamento no Repositório Institucional, desta
Universidade.”(UFRN, 2015)
O responsável por alimentar o repositório da BDM foi o secretário da coordenação do
curso de Odontologia, sob a supervisão da equipe de bibliotecárias da BSO/DOD. No
primeiro mês da implantação e experiência de funcionamento da BDM, foram incluídas 49
monografias do curso de graduação em Odontologia.

4 Resultados parciais/finais
Com a implantação da BDM a BSO/DOD ganhou com a portabilidade e o espaço que
seria necessário para acomodar o acervo de monografias nas estantes já que o conteúdo
(digital) está armazenado em um servidor, acessível na internet, reduzindo assim os problemas

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

com espaço físico. Outro benefício alcançado está relacionado à imagem da biblioteca perante
a comunidade universitária, pois a BDM é ecologicamente correta por não consumir papel.
Ao final do primeiro semestre de implantação da BDM, o repositório já contava com cerca de
90 trabalhos de conclusão de curso, oriundos dos dois semestres do ano de 2014.2 e 2015.1.

5 Considerações parciais/finais
O crescimento da disponibilização dos documentos em meio digital é uma realidade e
o repositório digital é um grande aliado para administração desse fluxo. Os repositórios
digitais se constituem hoje como um dos principais atores no movimento de acesso livre a
informação científica e surge da necessidade de ampliar o acesso a comunicação científica e a
disseminação da informação, visando também a manutenção da memória institucional.
Com a implantação do repositório das monografias do Curso de Odontologia da
UFRN, a biblioteca ampliou seu leque de serviços oferecidos, possibilitando desta forma
acesso dessas informações a qualquer usuário, a qualquer tempo, de qualquer lugar, com
apenas alguns cliques a literatura produzida no âmbito acadêmico.
Grandes são as vantagens na implantação desse repositório, tanto para autores das
monografias, como para a instituição e, assim, para a promoção do desenvolvimento da
Ciência. A visibilidade proporcionada pelo repositório colaboraria para disseminação da
informação produzida e disseminada, até então, apenas no âmbito acadêmico. Permitindo
também a instituição reunir em um só lugar todo o conhecimento gerado por seus alunos, sem
falar que os repositórios oferecem estatísticas de acesso, download e upload dos documentos
depositados permitindo a instituição traçar planejamentos estratégicos a partir dessas
informações.
Vários países têm apoiado o movimento de acesso livre e adotado plataformas que
sigam as recomendações da Iniciativa dos Arquivos Abertos, para que assim, no futuro, seja
possível construir uma rede mundial de repositórios interoperáveis com acesso ao texto
integral dos documentos ali depositados, independentemente da origem do país de depósito,
tudo isso livre de custos e de barreiras de acesso, como o movimento de acesso livre ao
conhecimento científico almeja.

6 Referências
IBICT. Repositórios digitais. Sobre repositórios digitais. Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/informacao-para-ciencia-tecnologia-e-inovacao%20/repositoriosdigitais&gt;. Acesso em: 8 maio 2013.

�8

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

LEITE, F. C. L. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica
brasileira: repositórios institucionais e acesso aberto. Brasília: IBICT, 2009. Disponível em:
&lt;http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/4841/1/LEITE_ComoAmpliareGerenciar.pdf&gt;.
Acesso em: 8 maio 2013.
MARCONDES, C. H.; SAYÃO, L. F. À guisa de introdução: repositórios institucionais e
livre acesso. In: SAYÃO, L. F. (Org.). Implantação e gestão de repositórios institucionais:
políticas, memóri, livre acessoe e preservação. Salvador: EDUFBA, 2009.
MARQUES, A. M. N.; MAIO, S. R. S. Repositórios Institucionais. Disponível em:
&lt;http://repositoriosdigitais.web.simplesnet.pt/PDF'S/Artigo%20%20Repositorios%20Instituci
onais.pdf&gt;. Acesso em: 8 maio 2013.
MARTINS, A. B.; RODRIGUES, E.; NUNES, M. B. Repositórios de informação e ambientes
de aprendizagem: criação de espaços virtuais para a promoção da leteracia e da
responsabilidade social. Rede de bibliotecas escolares, n. 3, 2008. Disponível em:
&lt;http://www.rbe.min-edu.pt/news/newsletter3/repositorios.pdf&gt;. Acesso em: 8 maio de 2013.
PAVÃO, C. G. Contribuição dos repositórios Institucionais à comunicação científica: um
estudo na Universidade federal do Rio Grande do Sul. 2010. 152 f. Dissertação (Mestrado em
Comunicação e Informação) – Universidade federal do rio Grande do Sul. 2010.
PETINARI, V. S. Repositórios digitais de acesso livre de monografias na área da Ciência
da Informação. 2007. 117 f. Monografia (Graduação em Ciência da Informação) – Pontifícia
Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2007.
SANTOS JUNIOR, E. R. Repositórios institucionais de acesso livre no Brasil: estudos
DELFOS. 2010. 177f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade de
Brasília. Faculdade de Ciência da Informação, Brasília, 2010. Disponível em:
&lt;http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/5343/6/2010_ErnaniRufinodosSantosJunior.pdf&gt;.
Acesso em: 8 maio 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Centro de Ciências da Saúde.
Departamento de Odontologia. Resolução n. 01/2015, CCO/UFRN, de 19 de março de
2015. Regulamenta a aplicação das normas para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do
Curso de Odontologia do Departamento de Odontologia da UFRN e dá outras providências.
Natal: UFRN, 2015.
WEITZEL, S. R. O papel dos repositórios institucionais e temáticos na estrutura da produção
científica. Em questão, v. 12, n. 1, p. 51-71, jan./jun. 2006. Disponível em:
&lt;http://revistas.univerciencia.org/index.php/revistaemquestao/article/viewFile/3709/3497&gt;.
Acesso em: 8 maio 2013.

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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Biblioteca digital de monografias da Faculdade de Odontologia da UFRN: recuperação e democratização na produção acadêmica. </text>
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                <text>Discute a implantação de um repositório digital de monografias do Curso de Odontologia da UFRN visando disponibilizar a qualquer usuário, a qualquer tempo, de qualquer lugar a literatura produzida no âmbito acadêmico. Conceitua repositórios digitais como coleções digitais que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso a produção intelectual de uma determinada comunidade ou área do conhecimento, onde os documentos são disponibilizados na Web sem custos para o usuário final. Destaca as principais vantagens na implantação dos repositórios para autores e instituição. Conclui destacando a importância de aderir  plataforma de acesso aberto visando uma maior promoção e desenvolvimento da Ciência.</text>
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                    <text>Bem-vindos, Calouros! : novas fronteiras para as Bibliotecas do
SBU
Maria Helena Segnorelli (UNICAMP) - mhelenas@unicamp.br
Danielle Thiago Ferreira (UNICAMP) - danif@unicamp.br
Eliane Kiyomi Ohy (UNICAMP) - elianeko@unicamp.br
Neiva Gonçalves Oliveira (Unicamp) - neyva@unicamp.br
Márcia Regina Garbelini Sevillano (UNICAMP) - msevilla@unicamp.br
Resumo:
A rapidez na produção de informações nas últimas décadas faz com que sejam necessárias
adaptações primordiais e personalizadas para atender as necessidades da comunidade a qual
as Bibliotecas Universitárias estão inseridas, sendo necessário extrapolar as barreiras físicas,
indo ao encontro do usuário, a fim de apresentar a ele uma biblioteca viva e dinâmica, que
fomente o desenvolvimento crítico reflexivo, oferecendo ferramentas que auxiliem na solução
de problemas. A partir dessa abordagem, a Coordenação do Sistema de Bibliotecas da
Unicamp constituiu, em junho de 2014, um Grupo de Trabalho denominado GT de Capacitação
e Recepção aos Calouros com a finalidade de, dentre outros objetivos, desenvolver um
programa de recepção aos ingressantes. Após estudos, foram estabelecidos mecanismos que
possibilitassem aos alunos ingressantes reconhecer, nos primeiros contatos com a
Universidade, a importância da biblioteca na vida universitária, além de acolhê-los e
informá-los sobre produtos e serviços disponíveis. Essa ação possibilitou ir ao encontro dos
usuários reais e potenciais, transmitindo informações sobre o Sistema de Bibliotecas da
Unicamp, realizando o marketing dos serviços e produtos oferecidos e quebrando paradigmas
quanto à imagem construída de bibliotecas estáticas e passivas.
Palavras-chave: Marketing – Serviços de Informação 1. Serviços de Informação – Estudo de
usuários 2. Bibliotecas – Orientação aos usuários 3. Bibliotecas universitári
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016

Eixo Temático: 1. Gestão Sustentável

BEM-VINDOS, CALOUROS! : NOVAS FRONTEIRAS PARA AS
BIBLIOTECAS DO SBU

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Modalidade da apresentação: Comunicação oral

RESUMO
A rapidez na produção de informações nas últimas décadas faz com que sejam necessárias
adaptações primordiais e personalizadas para atender as necessidades da comunidade a qual as
Bibliotecas Universitárias estão inseridas, sendo necessário extrapolar as barreiras físicas, indo
ao encontro do usuário, a fim de apresentar a ele uma biblioteca viva e dinâmica, que fomente
o desenvolvimento crítico reflexivo, oferecendo ferramentas que auxiliem na solução de
problemas. A partir dessa abordagem, a Coordenação do Sistema de Bibliotecas da Unicamp
constituiu, em junho de 2014, um Grupo de Trabalho denominado GT de Capacitação e
Recepção aos Calouros com a finalidade de, dentre outros objetivos, desenvolver um programa
de recepção aos ingressantes. Após estudos, foram estabelecidos mecanismos que
possibilitassem aos alunos ingressantes reconhecer, nos primeiros contatos com a Universidade,
a importância da biblioteca na vida universitária, além de acolhê-los e informá-los sobre
produtos e serviços disponíveis. Essa ação possibilitou ir ao encontro dos usuários reais e
potenciais, transmitindo informações sobre o Sistema de Bibliotecas da Unicamp, realizando o
marketing dos serviços e produtos oferecidos e quebrando paradigmas quanto à imagem
construída de bibliotecas estáticas e passivas.
Palavras-Chave: 1. Marketing – Serviços de Informação 2. Serviços de Informação – Estudo
de usuários 3. Bibliotecas – Orientação aos usuários 4. Bibliotecas universitárias – Marketing.

ABSTRACT
The speed of information production in the last decades has made necessary that some library
services be adapted to meet specific needs of university libraries’ community members. In other
words, university libraries should be freed from the existing physical barriers to really include
members’ demands, with the objective of offering them a lively and dynamic library, which
promotes not only their reflexive and critical development but also the disposal of problemsolving tools. Based on this approach, the Coordinating Board of Unicamp’s Library System
put forth in June 2014 the Work Group “Training and Reception of New Students”, mainly
aimed at developing a reception program for incoming students. After some studies, we
established mechanisms that enabled new students, during their first contacts with the
university, to recognize the importance of the library in the university sphere, to be warmly
received and to get informed about the available products and services of university libraries.
Through this action, we addressed the needs of real and potential library members. We also
gave them further information on the Unicamp’s Library System, with the view of doing the
marketing of available services and products so as to overcome ancient and enduring paradigms,
according to which libraries are fundamentally static and passive.
Keywords: 1. Marketing - Information Services 2. Information Services - Study of users 3.
Libraries - Orientation users 4. University libraries – Marketing.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Biblioteca universitária é um organismo de extrema importância para a produção do
conhecimento junto à comunidade acadêmica. Porém, o panorama atual não comporta mais a
atuação de bibliotecas que tenham suas práticas focadas apenas nas tradicionais tarefas técnicas
voltadas à organização da informação e conservação de acervos, aliados ao atendimento de
usuários que procuram a biblioteca.
Faz-se necessário extrapolar as barreiras físicas da biblioteca, indo ao encontro do
usuário, a fim de apresentar a ele uma biblioteca viva e dinâmica, que fomente o
desenvolvimento crítico reflexivo, oferecendo ferramentas que auxiliem na solução de
problemas.
Neste contexto, a existência de um efetivo canal de comunicação, que promova a
mediação da informação e a interação permanente entre os bibliotecários, colaboradores e os
usuários é condição absoluta, o que, por sua vez, requer um olhar cuidadoso e principalmente
inovador.
A partir dessa abordagem, a Coordenação do Sistema de Bibliotecas (SBU) da
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) constituiu, em meados de junho de 2014, um
Grupo de Trabalho denominado GT de Capacitação e Recepção aos calouros composto por
colaboradores das diversas áreas do conhecimento, com a finalidade de, dentre outros objetivos,
desenvolver um programa de recepção aos calouros para a Universidade.
O desafio do Grupo de Trabalho era criar mecanismos que fizessem com que o aluno
desenvolvesse percepções para reconhecer, já nos seus primeiros contatos com a Universidade,
a importância da biblioteca na vida universitária.

2 Revisão de literatura
2.1 Evolução dos conceitos: marketing da informação e o estudo de usuário
Segundo Silveira (1987, p. 109), “de acordo com o conceito de marketing, o foco
principal da biblioteca é o usuário e não o bibliotecário; e o usuário é a razão da existência do
bibliotecário”. Diante deste pensamento e para fomentar as iniciativas do SBU e o trabalho aqui
proposto, foram levantadas algumas literaturas importantes sobre os estudos de usuários e
marketing da informação, que serão abordados a seguir.
Para conceituar ‘marketing da informação’, Amaral (2013, p. 11) traz a seguinte
definição “interesse em compreender as necessidades, percepções, preferências, padrões de
comportamento para se informar da audiência-alvo, com o intuito de oferecer produtos e
serviços de informação que os usuários demandam”.
Ou seja, seria a preocupação e o interesse da biblioteca/instituição pela satisfação do
usuário em entender e atender a comunicação/mensagem e o resultado deste relacionamento dos que demandam e os que oferecem a informação.

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Na Ciência da Informação, os estudos de usuários podem ser vistos como
instrumentos de planejamento e gestão no ambiente organizacional e este tipo de
estudo podem auxiliar os gestores responsáveis pela provisão de produtos,
serviços de informação aos seus usuários no ambiente organizacional. (AMARAL,
2013, p. 6).

Para se realizar estudos de usuários é necessário pensá-los sob duas abordagens: a
tradicional e a alternativa. Segundo Ferreira (1997) “na tradicional, tem-se a preocupação de se
saber o quanto e como um produto ou serviço é usado, necessitando saber também quais as
dificuldades e a satisfação relacionadas ao seu uso; e na abordagem alternativa os estudos são
focados e centrados na percepção do usuário”.
Diante dessas duas reflexões podemos dizer que existem pontos em comum nestas ações
e que segundo Rozados e Piffer (2009, p. 180) tem a ver com o foco dos dois conceitos que é a
“busca da satisfação do cliente/usuário, através do conhecimento de seus hábitos, preferências,
comportamento, necessidades e demandas”. Os autores completam dizendo que no contexto
das unidades de informação, os estudos de usuários assumem o mesmo papel que a pesquisa de
marketing assume em relação a outros mercados.
Trabalhar com a aplicação dessas técnicas, tanto de estudo de usuários quanto de
marketing são importantes para a área da Ciência da informação e segundo Amaral (2011, p.
97) “poderá contribuir no aprimoramento do desempenho da prestação de serviços de
informação direcionada para o atendimento e o relacionamento com os diversos públicos das
bibliotecas e/ou demais unidades de informação”.
Assim, a compreensão das necessidades do consumidor é um princípio fundamental na
prática mercadológica. No ambiente de informação não é diferente e Amaral (2013, p. 4)
completa recomendando que “a real contribuição do marketing se dá nesta área se os
profissionais aprenderem a realizar estudos de usuários com enfoque mercadológico, adotando
as técnicas de análise, pesquisa e segmentação de mercado e de análise do consumidor”.
Os fundamentos teóricos sobre estudo de usuários e sobre marketing da informação
defendem a ideia de aplicação dessas técnicas com o objetivo de valorizar a imagem dos
serviços de informação e do bibliotecário, criando novos canais de comunicação entre as
bibliotecas e suas comunidades.

2.2 Marketing da informação como forma inovadora para Bibliotecas
Podemos considerar segundo Amaral (2013, p. 12) “o marketing da informação como
uma abordagem inovadora da gestão da informação e do conhecimento, também contribuirá
para destacar o valor da atuação das unidades e profissionais da informação no desenvolvimento
da sociedade”.
As organizações responsáveis pela provisão de produtos e serviços de informação
devem estar preocupadas em manter um relacionamento em duas vias com os seus
públicos, em especial com os seus usuários, considerados clientes e/ou consumidores,
para conhecer seus perfis de interesse pelos produtos e serviços de informação a serem
oferecidos (AMARAL, 2013, p. 12).

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Assim, as Bibliotecas devem utilizar o potencial da infraestrutura das novas tecnologias
da informação e comunicação para o reconhecimento do valor agregado da informação e do
conhecimento nos seus processos organizacionais.
Nesta ideia, é preciso disponibilizar os produtos por meio de canais que possam atingir
os consumidores e satisfazer suas demandas. Para Rowley (2006, p. 9, tradução nossa), “a
distribuição, no sentido de oferecer o serviço certo, na hora certa e no lugar conveniente é
particularmente essencial no caso de serviços, pois o valor é considerado transitório”.
Continuando com Rowley (2006, p. 9, tradução nossa) ela defende que promoção tanto
pode ser divulgar ao público de uma organização os produtos novos ou os existentes, quanto
educar os consumidores sobre as características do produto, ou manter a sensibilização do
público sobre os produtos existentes.
Como recomendação para o estudo do marketing, temos que ter em mente que
a natureza do mercado da informação está em evolução contínua, todas as
organizações responsáveis pela provisão de produtos e serviços informacionais
precisam formar novas alianças estratégicas, identificar novos segmentos de mercado,
desenvolver novos produtos e novos relacionamentos com os seus públicos,
empregando um completo arsenal de estratégias, táticas, técnicas e instrumentos de
marketing para terem sucesso nesse ambiente de mudança de paradigmas na sociedade
(ROWLEY, 2006, p. 8, tradução nossa ).

Com relação às Bibliotecas Universitárias e sua atuação, estas devem apoiar as políticas
e práticas da Universidade a qual atende. Ou seja, estas devem ser parceiras estratégicas,
refletindo em como a biblioteca pode participar nos processos de geração de conhecimento na
Universidade. Portanto as bibliotecas devem assumir um papel proativo, colaborando
intensamente com docentes e pesquisadores, e outros órgãos que compõe a administração
superior. Tal colaboração faz com que seguramente a biblioteca esteja presente em todos os
momentos de diálogo institucional e de tomada de decisão.
Segundo Amante (2007, p. 3) “neste sentido, e com tais parcerias é possível transformar
a biblioteca num ambiente de aprendizagem de forma a colocá-la no coração da Universidade”.
A biblioteca deve participar das novas comunidades de aprendizagem, em novas formas de
gestão e disseminação do conhecimento e na prestação de serviços para públicos mais
diversificados, dispersos e nativos digitais.
…alterar a ‘cultura organizacional’ e a imagem da biblioteca universitária: de um
serviço que está disponível para os seus utilizadores, para um serviço que os procura;
de um local que oferece livros e lugares de leitura, para uma entidade que gere e
disponibiliza recursos informativos essenciais para o sucesso da actividade escolar,
pedagógica e científica (RODRIGUES, 1994, p 3).

Portanto, a biblioteca enquanto organização, precisa conhecer seus parceiros e o
ambiente em que se insere. Se agir dessa maneira, poderá com maior facilidade selecionar as
oportunidades para agir e se antecipar ao oferecer as informações de interesse de seus usuários.
Consequentemente, terá melhores condições para alcançar resultados positivos, ao satisfazer a
contento as necessidades de informação desses usuários e fazer melhor uso dos recursos
disponíveis (AMANTE, 2007).

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Assim, a capacidade do marketing da informação permite que a biblioteca possa se
instituir como organizações capazes de gerenciar a informação e o conhecimento na área em
que atua, e ações inovadoras são importantes para a visibilidade de seus produtos e serviços.

2.3

Tendências

Neste item sobre tendências e especificamente práticas inovadoras que impulsionam as
técnicas do marketing nas bibliotecas, temos como referência o documento Checking out of the
future, da American Library Association (HENDRIX, 2010) que traz estudo sobre as
perspectivas das Bibliotecas do século 21 diante das informações tecnológicas e mudanças da
sociedade.
Algumas dessas reflexões vão de encontro às novas possibilidades e serviços
bibliotecários que se faz necessário serem repensados e implantados diante deste novo conceito
de biblioteca do futuro.
Hendrix (2010), nos faz refletir sobre essas mudanças, a princípio no contexto norteamericano, mas que podem ser inspiradoras para as práticas brasileiras. Reflexões essas que
giram em torno das seguintes realidades:

- Tecnologia muda formas de informação tradicional;
- Digitalização muda cenário do acesso e uso da informação;
- Novos processos de informação estão mudando bibliotecas, serviços das bibliotecas
e bibliotecários;
- O futuro é colaboração. (HENDRIX, 2010, p. 4, tradução nossa)

A tecnologia é o principal item propulsor destas mudanças. As bibliotecas e os
bibliotecários terão um papel de mediadores e de facilitadores para o acesso ao conhecimento
na era digital. Os avanços tecnológicos e as redes sociais possibilitam às bibliotecas e aos seus
usuários oportunidades de se criar espaços digitais que oferecem serviços de biblioteca e
conteúdos relevantes de uma forma que atenda às necessidades de busca de informação, pois a
interação comunidade-bibliotecário deve ficar mais ativa e colaborativa. Com certeza, isto é a
tendência.
Finalizando tal revisão, apresenta-se mais um exemplo da American Library Association
(ALA) que lançou recentemente a campanha Libraries Transform1com o objetivo de aumentar
a consciência pública do valor e do impacto dos serviços oferecidos por bibliotecas e seus
profissionais. Nela, são mencionadas as principais tendências para o futuro das bibliotecas
como por exemplo, a internet das coisas e biblioteca como makerspace, entre outros.
Para ilustrar, vale a pena levantar aqui os exemplos de iniciativas nacionais e
internacionais inovadoras em Bibliotecas, apresentadas na pesquisa de Jerômino (2015):
1)Harvard Library Lab (EUA): projeto Library Innovation Podcasts (série de
entrevistas com bibliotecários inovadores);
2)Vancouver Public Library's (Canadá): projeto Inspiration Lab (laboratório de
1

http://www.ilovelibraries.org/librariestransform/

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inovação na biblioteca);
3)The Fashion Library (Amsterdã): biblioteca que empresta roupas;
4)Cambridge University Library (Inglaterra): projeto Library Collections (a
biblioteca reúne coleções da comunidade);
5)Human Library Organization (Diversos países): projeto de aprendizado por meio
das histórias de pessoas;
6)Biblioteca Pública de Kista (Estocolmo): vencedora do prêmio Public Library of
the Year Award 2015 (biblioteca pública mais inovadora);
7) Biblioteca das Coisas (EUA): bibliotecas públicas dos EUA emprestam até varas
de pescar para a comunidade;
8) Bibliotecas incomuns: iniciativas inovadoras pelo mundo;
9) Bibliotecas como “makerspaces”: espaços de inovação;
10) Design Thinking para Bibliotecas: projetos dos bibliotecários thinkers ;
11) Crowdsourcing em bibliotecas: bibliotecas colaborativas.
12) Projeto Ateliê Vivo (SP): biblioteca pública de modelagens de roupas
13) Biblioteca Pública Municipal Barreiros Filho: projetos comunitários
(JERONIMO, 2015, p.35).

Portanto, de acordo com PLANES SBU (2015, p. 11) “as necessidades de inovação e
mudanças parecem ser ainda mais evidentes no ambiente universitário, já que esse deve ser um
lugar de vanguarda quanto à produção de conhecimentos e concepção de novas ideias”. Assim
esta revisão intentou trazer algumas considerações importantes, literaturas norteadoras e ações
práticas sobre a importância da biblioteca na atualidade, no sentido de que as bibliotecas podem
e precisam ser colaborativas, inspiradoras e trabalhar com práticas inovadoras que é justamente
a proposta desta ação do SBU e que será apresentada mais minuciosamente no item a seguir.

3 Materiais e métodos
Após estudos ficou estabelecido que a estratégia a ser adotada fosse a de transpor os
muros da biblioteca e sair ao campus para ter contato direto com os usuários calouros. Este foi
o principal mote do Programa de Recepção aos Calouros do SBU.
Um aspecto importante do programa consistiu na elaboração de um projeto de
comunicação visual, o qual resultou na produção de banners, faixas e camisetas para serem
utilizadas pelos colaboradores que atuaram nas tendas/stands e que propiciasse ao público
acadêmico e a toda comunidade a identificação dos bibliotecários e colaboradores participantes
da ação de recepção aos calouros.
Em sintonia com os objetivos propostos, os fundamentos teóricos e os procedimentos
metodológicos delineados, e visando analisar a adoção rotineira dessa prática no Sistema de
Bibliotecas da Unicamp, buscou-se identificar a efetividade das ferramentas, bem como o uso
ou não de tecnologia, para o planejamento das próximas edições do Programa de Recepção aos
Calouros da Unicamp.
A seguir são relatadas as experiências com as duas edições do Programa.
No ano de 2015 as ações ocorreram nos dias 25 e 26 de fevereiro, no Campus Barão
Geraldo (Saguões da Diretoria Acadêmica e Centro de Memória da Unicamp) e Faculdade de
Ciências Aplicadas e no dia 27 de fevereiro: Faculdade de Odontologia de Piracicaba,

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Faculdade de Tecnologia/Colégio Técnico de Limeira.
Em 2016, as ações ocorreram nos dias 29 de fevereiro e 01 de março, no Campus Barão
Geraldo (Saguão da Diretoria Acadêmica) e nos demais campi (Limeira e Piracicaba) da
Universidade.
A estrutura envolvida para a implantação da ação consistiu num contingente de
aproximadamente oitenta colaboradores na primeira edição e cinquenta na segunda edição do
programa, previamente capacitados para oferecer acolhida de forma apropriada aos cerca de
três mil e quatrocentos alunos ingressantes. Além de tendas e stands montados em locais
estratégicos da Universidade, contendo pufes, mesas de apoio, tablets, banners e faixas de
identificação da ação.
Foi oferecido treinamento antecipado com o objetivo de fomentar a atuação dos
colaboradores com informações importantes, além da postura a ser adotada na abordagem dos
usuários. Além de prestar informações sobre localização, produtos e serviços das Bibliotecas
do SBU, algumas recomendações também foram elencadas, como por exemplo, o telefone para
situações de riscos e emergências, endereços dos Facebooks que concentram informações sobre
ação cultural e cotidiano da Universidade, dentre outros.
Nas tendas e stands, os novos alunos obtiveram informações referentes ao
funcionamento das bibliotecas que integram o SBU, bem como outras orientações sobre a rotina
da Universidade, como configuração para utilização da rede sem fio, além de ações que
promoveram a distribuição de brindes (squeezes, balas, calendários) e lançamento de
aplicativos elaborados para esse público específico (Unicamp Serviços, Unicamp Biblioteca e
Primeiras Impressões).
Cabe ressaltar que os colaboradores estavam identificados por camisetas especialmente
elaboradas para a ação e que foram distribuídos em três turnos entre as tendas e stands, tanto
para o atendimento quanto para apoio logístico.
Para a realização destas ações foi necessária a integração com diversos parceiros. Nessa
edição contamos com a parceria do Programa Campus Tranquilo (Coordenadoria Geral da
Universidade), do Centro de Computação (CCUEC), Instituto Confúcio (divulgação de suas
atividades e cursos), Instituto de Logosofia (doação de calendários), além da colaboração de
fornecedores na doação de água, squeezes e balas.
A parceria com as 29 bibliotecas do SBU para a execução das atividades e em toda
logística que envolve uma ação deste porte também foi efetiva.

4 Resultados parciais/finais
Além da distribuição de 1800 squeezes na edição de 2015 e 2200 na edição de 2016,
destacamos um aumento significativo no download do aplicativo “Unicamp Serviços” no
período das ações, além de grande aceitação dos demais aplicativos lançados.
Estimamos que acolhemos um público total de 5000 visitantes a cada edição, e podemos
afirmar a eficácia do Programa considerando-se os seguintes fatores:

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1. O programa foi apresentado no XI Encuentro de Bibliotecas y Editores de Bases de
Dados 2015 e recebeu premiação pelo terceiro lugar na modalidade inovação;
2. O Programa de Recepção aos Calouros recebeu votos de congratulações pelo
Conselho Universitário (CONSU) desta Universidade;
3. Podemos afirmar, empiricamente, que o aumento da frequência dos calouros nos
espaços das bibliotecas do SBU é o resultado das ações do Programa;
4. Houve redução na utilização de copos plásticos pela adoção dos squeezes por parte
dos ingressantes, o que contribui com a missão de sustentabilidade elencada nos
planejamentos estratégicos do SBU e Unicamp.
Embora não seja possível contabilizar a redução de custos com a execução deste
programa, alguns importantes fatores devem ser considerados:
1. Toda a ação ocorreu sem a necessidade de aporte financeiro por parte do SBU, tendo
em vista que os produtos oferecidos aos usuários (água, balas e squeeze), além dos itens
de comunicação visual (camisetas, banners, faixas e folders) foram custeados pelos
parceiros;
2. A ação promoveu a divulgação de fontes de informação adquiridas pela Universidade e
CRUESP e do Portal da Capes. Com isso a utilização destes instrumentos é mais
frequente e efetiva, resultando num retorno ao investimento da Universidade e governos
estadual e federal;
3. A produção do conhecimento gerado pela maior utilização das bibliotecas traz impacto
direto na geração de novos produtos e serviços, retornando em benefício à sociedade;
Além destes resultados positivos, também houve redução do tempo e agilidade na
execução do atendimento nos balcões das bibliotecas do SBU, visto que os calouros já recebem,
no primeiro contato com os colaboradores das ações, informações importantes para sua vida
acadêmica que receberiam apenas se comparecessem in loco em uma das bibliotecas do SBU.
Essas informações agilizam tanto a rotina do colaborador da biblioteca, como do próprio
ingressante, que se familiariza com a rotina universitária rapidamente, além de melhorar a
qualidade do atendimento prestado.

5 Considerações parciais/finais
O alto índice de desenvolvimento científico e tecnológico é resultante da era da
informação e do conhecimento, bem como das facilidades propiciadas pelos novos produtos e
serviços de informação oferecidos pelas bibliotecas do SBU.
Afirmamos que as ações contemplaram as expectativas imediatas além de considerarem
necessidades futuras. O Programa também contempla as recomendações dos planejamentos
estratégicos do SBU e Universidade.

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Isto posto, reconhecemos que o Programa está apto a ser totalmente replicável nas
Unidades de Ensino e Pesquisa que executam atividades de recepção aos calouros e até mesmo
em outras Universidades.

6 Referências
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CONGRESSO NACIONAL DE BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E
DOCUMENTALISTAS, 9., 2007, Açores. Informação para a cidadania, o
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AMARAL, S. A. Estudos de usuários e marketing da informação. Brazilian Journal of
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AMARAL, S. A. Marketing da informação: abordagem inovadora para entender o mercado e
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FERREIRA, S. M. S. P. Estudo de necessidades de informação: dos paradigmas
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HENDRIX, J. C. Checking out the future: perspectives from the library community on
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JERONIMO, V. Bibliotecários criativos: práticas inovadoras no contexto da atuação. 2015.
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PLANES SBU: planejamento estratégico: 2015-2019. Campinas, SP: UNICAMP/SBU, 2015.

RODRIGUES, E. As bibliotecas universitárias e a formação dos estudantes de engenharia no
domínio da documentação/informação. In: CONGRESSO NACIONAL DE

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BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS, 5., 1994, Lisboa.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A rapidez na produção de informações nas últimas décadas faz com que sejam necessárias adaptações primordiais e personalizadas para atender as necessidades da comunidade a qual as Bibliotecas Universitárias estão inseridas, sendo necessário extrapolar as barreiras físicas, indo ao encontro do usuário, a fim de apresentar a ele uma biblioteca viva e dinâmica, que fomente o desenvolvimento crítico reflexivo, oferecendo ferramentas que auxiliem na solução de problemas. A partir dessa abordagem, a Coordenação do Sistema de Bibliotecas da Unicamp constituiu, em junho de 2014, um Grupo de Trabalho denominado GT de Capacitação e Recepção aos Calouros com a finalidade de, dentre outros objetivos, desenvolver um programa de recepção aos ingressantes. Após estudos, foram estabelecidos mecanismos que possibilitassem aos alunos ingressantes reconhecer, nos primeiros contatos com a Universidade, a importância da biblioteca na vida universitária, além de acolhê-los e informá-los sobre produtos e serviços disponíveis. Essa ação possibilitou ir ao encontro dos usuários reais e potenciais, transmitindo informações sobre o Sistema de Bibliotecas da Unicamp, realizando o marketing dos serviços e produtos oferecidos e quebrando paradigmas quanto à imagem construída de bibliotecas estáticas e passivas.</text>
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                    <text>AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE
CIÊNCIAS AGRÁRIAS DA UFMG: UM ESTUDO DE USUÁRIO
Gracirlei Maria de Carvalho Lima (UFMG) - leleygmc@gmail.com
Nádia Cristina Oliveira Pires (UFMG) - piresaidan@gmail.com
Resumo:
Trata-se de um estudo de usuário da biblioteca do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG,
Campus Montes Claros. A abordagem adotada foi a quali-quantitativa que delineou como
objetivo analisar a satisfação dos usuários em relação aos produtos e serviços oferecidos pela
biblioteca do ICA/UFMG. A população da pesquisa foi 266 usuários. Os principais pontos do
resultado foram que a biblioteca é um espaço bem frequentado; os serviços mais utilizados
pelos usuários são os empréstimos domiciliares e renovação via web e os documentos mais
emprestados são os livros e periódicos. Conclui-se que a avaliação pode levantar dados para a
tomada de decisões quanto aos produtos e serviços oferecidos possibilitando ações positivas
para melhor satisfazer os usuários.
Palavras-chave: Estudo de usuário. Avaliação dos serviços. Biblioteca universitária
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Biblioteca do Instituto de Ciências Agrárias – ICA, Campus Regional de Montes
Claros foi criada em 1960 para atender à demanda do Curso Técnico em Agropecuária. Em
1998 a Biblioteca foi transformada em Biblioteca Universitária, com vistas à criação do curso
de Agronomia. Atualmente a biblioteca atende a cinco cursos de graduação: Agronomia,
Zootecnia, Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia Floresta, Engenharia de Alimentos e
Administração; três de mestrado: Mestrado em Produção Vegetal, Mestrado em Produção
Animal e Mestrado em Território, ambiente e sociedade; e os cursos de especialização em
Recursos Hídricos e ambientais e em Residência Agrária. Atende a um público de
aproximadamente 1774 usuários, estes estão categorizados em alunos de graduação,
especialização, mestrado, professores, funcionários técnico-administrativos e terceirizados.
Os usuários necessitam de informações específicas e têm diferentes necessidades
frente ao que a biblioteca oferece. Desta forma, os produtos e serviços oferecidos pela
biblioteca necessitam ser avaliados para se identificar os pontos fortes e fracos, que poderá
acarretar melhorias, criação ou descontinuidade dos mesmos.
Para isso faz-se necessário a realização de um estudo de usuário, cujo objetivo geral é
analisar a satisfação dos usuários em relação aos produtos e serviços oferecidos pela
biblioteca do ICA/UFMG. Tem como objetivos específicos: mensurar o grau de satisfação dos
usuários em relação aos produtos e serviços oferecidos pela biblioteca; identificar o
conhecimento dos usuários em relação aos serviços oferecidos pela biblioteca e conhecer as
necessidades dos usuários para o melhoramento dos serviços da biblioteca.

2 Revisão de literatura
A necessidade crescente por serviços de qualidade leva as instituições a buscarem
estratégias para satisfazerem seus usuários na busca por seus produtos e serviços. A avaliação
de bibliotecas tomando como base a opinião dos usuários é certamente um bom modo de
verificar seus principais pontos positivos e negativos.
Para medir a qualidade é preciso avaliar, e segundo Lancaster (1996, p.1), "uma
avaliação é feita não como um exercício intelectual, mas para reunir dados úteis para
atividades destinadas a solucionar problemas ou tomar decisões". Ao considerar a biblioteca
como "uma interface entre os recursos de informação disponíveis e a comunidade de usuários
a ser servida”. O autor ressalta que qualquer avaliação deve medir o êxito dessa interface.
Para uma adequada avaliação, pode-se utilizar de instrumentos que busquem conhecer
os produtos, serviços e usuários.
Os estudos de usuários são um dos instrumentos adequados para a avaliação da
qualidade da gestão de informações e dos canais utilizados para comunicá-las aos
utentes. É primordial que as decisões que envolvem gerir os recursos informacionais
de uma biblioteca sejam adequadas e estrategicamente tomadas, em benefício direto
de quem tem necessidade de informação. (MACULAN, 2007, et al. p.1).

O estudo de usuário é instrumento de grande importância por meio do qual se tem a
oportunidade de conhecer as necessidades dos usuários. Este estudo torna-se uma ferramenta
útil para o planejamento dos serviços, uma vez que, pode-se criar ou extinguir produtos e
serviços visando sempre melhorar a qualidade do atendimento. De acordo com
Figueiredo (1979, p. 79):

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
Estudos de usuários são investigações que se fazem para se saber o que os
indivíduos precisam, em matéria de informação, ou então, para saber se as
necessidades de informação, por parte dos usuários de um centro de informação
estão sendo satisfeitas de maneira adequada.

Para Dias e Pires (2004, p. 11) o estudo de usuários é "uma investigação que objetiva
identificar, e caracterizar, os interesses, as necessidades e os hábitos de uso de informação de
usuários reais e/ou potenciais de um sistema de informação".

3 Materiais e métodos
A pesquisa foi do tipo descritiva com abordagem quantitativa, com a metodologia
baseada em estatística com ênfase na mensuração de resultados, e qualitativa com o
aprofundamento na compreensão do grupo pesquisado. Por meio da pesquisa quantitativa
juntamente com a qualitativa é possível obter dados numéricos e opiniões do usuário.
Para coleta de dados foi utilizado o questionário (eletrônico) por melhor
corresponder aos objetivos do estudo proposto. O qual foi composto por um conjunto de
questões apresentadas às pessoas, sem interferência do pesquisador, além de apresentar
algumas vantagens como a possibilidade de atingir um grande número de pessoas.
(ALMEIDA, 2005, p.65)
O universo da pesquisa foi de 15%1 dos usuários do sistema de Biblioteca da UFMG
vinculados ao ICA, o que representa uma amostra de 266 usuários. Além do vínculo com o
ICA o usuário tinha que estar sem nenhuma pendência, nem com a instituição nem com o
Sistema de Biblioteca.
O questionário tinha 16 questões fechadas (múltipla escolha) e uma aberta, tendo
sido elaborado com o auxílio do software Google Drive®. As perguntas abordaram questões
como satisfação, perfil e uso da biblioteca. O formulário foi enviado via correio eletrônico ao
participante, os quais foram convidados a participar da pesquisa.
A elaboração da pesquisa começou em outubro de 2015 com a revisão de literatura,
elaboração do projeto e do formulário. O projeto de pesquisa foi submetido à Congregação2,
órgão de deliberação superior, do ICA e ao Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) 3 da UFMG
para aprovação. Logo após a aprovação dos respectivos órgãos, os formulários foram
enviados sendo que no mês de janeiro foi feita a análise e compilação dos dados.

4 Resultados finais
Foram 266 questionários enviados no período do mês de novembro de 2015 e desses
56 responderam. Das categorias que mais contribuíram com o questionário, foram os cursos
de graduação em Agronomia e Engenharia de Alimentos com 18% cada um. Em seguida com
16% foram os alunos de Administração, 12% os de Engenharia Florestal e 9% os servidores
técnico-administrativos. As outras categorias restantes atingiram uma média de 4%.
Quanto à frequência de uso da biblioteca, se destaca a quinzenal com 29%, seguidos
de 24% semanalmente, sendo que, os que utilizam a biblioteca diariamente e mais de uma vez
por semana atingem juntos 44%. As pessoas que não utilizam a biblioteca registram somente
3%.
1

Dados referente usuário cadastrado no sistema de biblioteca da UFMG com vinculo com o ICA em 06/2015..
Parecer ICA-280/2015
3
Projeto: CAAC 050 81151.8.0000.5149
2

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

satisfação por parte dos usuários. A intensificação de treinamentos sobre a busca ao catálogo
do sistema, orientação na localização do acervo e treinamentos ao Portal de Periódicos
CAPES, melhoraria ou poderia melhorar ainda mais a satisfação.
Em relação ao acervo da biblioteca, a utilização dos livros é muito grande. Algumas
reclamações são referente à necessidade de aquisição de livros na área de Administração
Pública, Geotecnologia, Engenharia de Alimentos e Engenharia Florestal.
Recentemente a biblioteca passou por uma reforma que, na medida do possível, sofreu
algumas alterações consideráveis. Uma delas foi o guarda-volumes que ficava do lado de fora
da biblioteca; instalação de tomadas em todas as cabines; a localização do acervo, que uniu as
coleções de periódicos e livros no salão central; a criação da sala de estudo em grupo;
realocação do Acervo do Sertão para uma sala maior, com cabines de estudo; criação de um
lounge para descanso; instalação de tomadas onde fosse possível; e pintura das paredes.
As instalações da Biblioteca agradam a maioria dos usuários, porém alguns se
queixam do calor e pedem ar condicionado, ou mais ventiladores que não façam barulho.
Reclamam também da sala de estudo individual que deveria ser maior.
Outro fator apontado foi a falta de conforto das cadeiras para se estudar por horas
assentado. Porém, as cadeiras que a biblioteca adquiriu recentemente são de boa qualidade e
adequadas para uso em espaços como bibliotecas e salas de aula. Campanhas de educação na
biblioteca devem ser intensificadas para resolver problemas de comportamento adequado e
também do cuidado e preservação do acervo.
A biblioteca possui quatro terminais para consulta ao catálogo de Bibliotecas da
UFMG, buscas em bases de dados e Portal de Periódicos CAPES, além de e-mails e redes
sociais. A biblioteca oferece esses terminais para consultas rápidas e não dispõe de espaço de
laboratório para o usuário fazer trabalhos, editoração de textos, apresentações de slides e
outros serviços. Metade dos usuários consideram esses terminais de consulta bom ou ótimo.
Mas a outra metade acha que deveria haver mais terminais e que esses terminais deveriam ter
um pacote de serviços office para editoração de textos, planilhas e apresentações. Porém, a
biblioteca pretende oferecer mais terminais de consulta nos mesmos moldes já existentes, pois
não possui espaço para terminais de pesquisa assentado.
O ICA oferece rede sem fio em quase todos os prédios. A maioria considera que a rede
sem fio da biblioteca é lenta e cai muito. O setor de informática será informado desses
resultados para melhoria do serviço.
Em relação ao atendimento na circulação a maioria está satisfeita. Apesar de ter
horário muito extenso e não fechar para almoço, a biblioteca possui um quadro limitado de
dois servidores auxiliares. Conta com dois estagiários e uma terceirizada, além dos
bibliotecários para cobrir o atendimento da circulação. Porém, treinamentos individualizados
deverão ser aplicados para manter o bom padrão de atendimento aos usuários.
Este estudo de usuários poderá nortear os projetos e planejamentos atuais e futuros,
dos profissionais que atuam na biblioteca, para melhoria, implantação e retirada, se for o caso,
de produtos e serviços oferecidos. É muito importante saber ouvir as demandas para seguir
adiante ou parar quando for preciso.

6 Referências
ALMEIDA, M. C. B. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed. rev.
ampl. Brasília: Briquet de Lemos, 2005.
DIAS, Maria Matilde Kronka; PIRES, Daniela. Usos e usuários da informação. São Carlos:
EdUFSCar, 2004.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Avaliações de coleções e estudos de usuários. Brasília:
Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal, 1979.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília: Briquet de Lemos,
1996.
MACULAN, B. et al. Levantamento de usos e usuários na biblioteca universitária do Curso
de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais. In: VII CINFORM - Encontro
Nacional de Ensino e Pesquisa da Informação, 2007, Salvador. Anais do VII CINFORM,
2007.

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Documentação&#13;
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                <text>Trata-se de um estudo de usuário da biblioteca do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG, Campus Montes Claros. A abordagem adotada foi a quali-quantitativa que delineou como objetivo analisar a satisfação dos usuários em relação aos produtos e serviços oferecidos pela biblioteca do ICA/UFMG. A população da pesquisa foi 266 usuários. Os principais pontos do resultado foram que a biblioteca é um espaço bem frequentado; os serviços mais utilizados pelos usuários são os empréstimos domiciliares e renovação via web e os documentos mais emprestados são os livros e periódicos. Conclui-se que a avaliação pode levantar dados para a tomada de decisões quanto aos produtos e serviços oferecidos possibilitando ações positivas para melhor satisfazer os usuários.</text>
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                    <text>AVALIAÇÃO DOS LIVROS ELETRÔNICOS PELOS PROFESSORES
NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Amélia Landim Barrocas (UFCE) - barrocas.amelia@gmail.com
Camila Barrocas Silveira (UFC) - camilabarrocas@yahoo.com.br
Resumo:
As novas tecnologias quebraram paradigmas na difusão e suportes da comunicação,
facilitando a produção e acesso à informação, principalmente no meio acadêmico. Nessa
perspectiva surge o livro eletrônico, o mais recente suporte librário, que vem se atualizando
ao longo dos séculos. É com essa ideia de inovação que, em 2009, a Universidade Federal do
Ceará/UFC passou a adquiri-los como mais uma opção de acesso à informação para o
Programa de Pós-Graduação. No intuito de conhecer o impacto de uso desse acervo, foi
realizada uma pesquisa, tendo como objetivo principal investigar a utilização efetiva desses
livros pelos professores dos programas de pós-graduação/UFC. Trata-se de um estudo de caso
em que se utilizou a metodologia quali-quantitativa, com uma amostragem não probabilística,
sob a sustentação de análise dos dados pelo método funcionalista. Os resultados
demonstraram que 33 % dos inquiridos não possuem conhecimento do acervo dos livros
eletrônicos da UFC. O principal motivo citado foi a falta de propagação. Os professores que
responderam ter conhecimento desse acervo, todavia informaram ter tomado ciência pelo site
da UFC. No quesito importância, os docentes que têm conhecimento desse acervo
responderam ser este importante, entretanto os que não têm conhecimento o avaliaram como
muito importante. Portanto, se presume que os objetivos da pesquisa foram atingidos, pois os
fatores que mais contribuíram para sua realização podem ser analisados e revertidos a favor
desse acervo.
Palavras-chave: 1. Livro eletrônico. 2. Bibliotecário. 3. Biblioteca híbrida.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
É notório o fato de que, desde os tempos das cavernas, o homem buscou meios
para se expressar, se comunicar e registrar sua história. E, à proporção que ele evolui,
evoluem também os meios de comunicação. Um desses exemplos é o livro, que muda de
suporte físico a cada modernização da humanidade, podendo atualmente ser acessado por
meios eletrônicos. Para as bibliotecas, esta nova modalidade trouxe mais comodidade aos seus
usuários, já que estes podem ser acessados durante as 24 horas do dia e a diversos exemplares
ao mesmo tempo por apenas um suporte, sem necessidade de pegar filas para realizar seus
empréstimos e fazer reservas para utilizá-los, pois um só exemplar está disponível a vários
usuários, simultaneamente. Consoante lembram Patriota e Cunha (2006), o livro eletrônico
enseja acessibilidade, sobretudo, com as políticas de inclusão as quais oferecem ao leitor
contato com vários livros ao mesmo tempo, possibilitando maior difusão da informação. Esta
nova modalidade faz com que as bibliotecas tradicionais se tornem híbridas, ou seja, materiais
impresso e digital convivendo em um mesmo espaço, unindo assim o melhor dos dois
mundos, o impresso e o digital, um complementando o outro (CUNHA, 1994). Essa nova
modalidade exige também outra atitude do profissional de Biblioteconomia, o bibliotecário, o
qual deve se alinhar às exigências que forem surgindo, se envolvendo nesse novo ciclo e
atuando como agente de mudança e provedor da informação (BENÍCIO, 2003). Ele deve
estar constantemente atualizado sobre os avanços tecnológicos e reunindo valor a estes
conhecimentos, pois ele será um elo entre os meios, as formas de acesso a informação e o
usuário.
O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceara/UFC, estão entre as
bibliotecas que aderiram a esta nova mídia para compor os seus acervos, os tornando
diversificados e proporcionando à comunidade universitária um novo meio de complementar
a pesquisa e o ensino. Essa nova aquisição, realizada pela UFC, despertou o interesse para a
realização de uma pesquisa, com o intuito de verificar se os professores da UFC estão
informados a respeito da existência desse acervo e como estes estão sendo recebidos e
utilizados pela docência. Que fatores são considerados importantes para o uso dos livros
eletrônicos comprados e disponibilizados no sistema de bibliotecas da UFC, pelos professores
dos programas de pós-graduação dessa Instituição, privilegiados com esse tipo de acervo?
Para responder a esta indagação, definiu-se como objetivo geral desta pesquisa: investigar os
fatores considerados determinantes para o uso, pelos professores dos programas de pósgraduação da Universidade Federal do Ceará, dos livros eletrônicos que fazem parte do
acervo do Sistema de Bibliotecas dessa Instituição. Decorrem deste os seguintes objetivos
específicos: identificar o grau de conhecimento dos professores dos programas de pósgraduação da UFC sobre a existência dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados no
Sistema de Bibliotecas dessa instituição e as estratégias de acesso e uso desse acervo;
investigar se professores de pós-graduação têm o habito de usar em suas atividades
acadêmicas e de pesquisa os livros eletrônicos adquiridos pela UFC para seus cursos; avaliar a
importância e a satisfação do uso do livro eletrônico do acervo das bibliotecas da UFC nas
atividades de pesquisas acadêmicas por parte dos professores de pós-graduação dessa
Academia.

2 Revisão de literatura
2 .1 Algumas consideração sobre o livro eletrônico
Desde seu surgimento o homem tentou comunicar-se por meio de pinturas
rupestres, entretanto em seus estudos Costa e Ferreira (2008) acrescentam que estas não eram

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consideradas escrita por não terem uma organização gráfica. Para chegar ao livro tal como o
conhecemos hoje ele passou por vários tipos e formas ao longo do tempo, tendo seu ápice
com a invenção da prensa de Gutenberg, com a impressão do primeiro livro a Bíblia Sagrada
e chegando ao seu segundo e grande momento com o livro eletrônico (COSTA; FERREIRA,
2008).
Com o surgimento do computador e da internet, a leitura se estendeu para outros
parâmetros, além da materialidade do papel, a ser realizado por meio de suportes digitais.
Com este avanço, o livro torna-se mais acessível, especialmente, com as políticas de inclusão,
onde o leitor pode estar em contato com vários livros, simultaneamente, possibilitando uma
maior difusão da informação.
Assim como o livro impresso, o livro eletrônico, também, teve suas fases de
transição, no processo de consolidação de um produto, com pretensões de substituir os átomos
pelos dígitos binários, buscando superar o livro tradicional, tanto na parte cultural quanto
comercial (SILVA, 2002).
O livro eletrônico é editado para disponibilização, via internet, portanto, difere do
livro impresso, por não passar pelos procedimentos tradicionais de edição e venda,
possibilitando, assim, que as editoras eliminem custos de impressão e comercialização, o que
reduz o seu preço em relação ao das publicações em papel. Permite, ainda, ao usuário, fazer
anotações, marcar trechos, pesquisar palavras ou regular a luminosidade da tela.
O Processamento da informação vem sendo alterado com a inserção das Novas
Tecnologias da Informação e Comunicação-NTCI’s, no que diz respeito ao seu
armazenamento, seleção, recuperação e disseminação. Velhos e sólidos paradigmas vêm
sendo alterados, causando uma grande revolução transformando e criando novas necessidades
de adaptabilidade.
A partir dessa reflexão, pode-se dizer que com o surgimento de um novo sistema
de informação, que no contexto da Biblioteconomia desponta como uma nova realidade de
disseminação, acesso e uso da informação em rede. Faz-se referência às bibliotecas virtuais,
eletrônicas, e digitais e hibridas, que agrupam suportes não-convencionais e facilitam a
disseminação da informação em tempo real, de forma que uma mesma informação pode ser
acessada por vários usuários ao mesmo tempo.
Dentro desta realidade, Ferreira (2009, não paginado), ressalta que:
a convergência dos avanços na computação e nas tecnologias de
comunicação tem tido um impacto significativo na maneira como os
sistemas de informação estão sendo criados, administrados e
utilizados. As bibliotecas, especificamente, estão incorporando novas
políticas de desenvolvimento de suas coleções e disponibilizando
novos produtos e serviços de informação na Internet.

Com a inserção dos livros eletrônicos nas bibliotecas passando também a fazer
parte do acervo, as bibliotecas passaram a ser híbridas, unindo assim o digital e o impresso,
agregando fontes e tecnologias diferentes.
Essa nova modalidade fez com que o profissional de Biblioteconomia também se
reinventasse, Benício (2003) ressalta que o Bibliotecário tem que agregar valor à informação
e não apenas em organizar para preservar, mas organizar para facilitar seu acesso, uso e
disseminação que atenda às necessidades advindas da Sociedade da Informação-SI.
Ainda podemos aferir que o bibliotecário da era digital tem que ter um diferencial
dos demais, deve ter uma visão proativa e criativa, estar sempre atualizado no que tem de
mais moderno, manuseando e propagando a informação.

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2.2 Resultados de pesquisas relacionadas ao uso de livros eletrônicos
Não podemos negar que o uso de livros eletrônicos vem crescendo de modo
extraordinário em todo o mundo. Entretanto, pouco se sabe sobre a preferência destes frente
aos tradicionais, qual o grau de satisfação dos usuários na adesão a esta nova modalidade.
Portanto, nesta seção pretende-se expor um estudo de literatura do uso de livros
eletrônicos e mostrando o comportamento dos usuários que aderiram a este novo suporte.
Em sua dissertação de mestrado Barrocas (2014) discorre que uso de livros
eletrônicos vem crescendo constantemente em todo o mundo de modo surpreendente.
Entretanto, ainda é uma incógnita sobre a preferência que este acervo tem frente ao tradicional
e o grau de satisfação dos usuários na adesão a esta nova ferramenta.
Em sua pesquisa sobre estudo de comportamento de consumo de livros digitais no
Brasil, Katz (2011) evidenciou que os entrevistados foram leitores de livros impressos e/ou
virtuais, e percebeu que os maiores incentivos para o uso dessa nova tecnologia são as
vantagens que ela proporciona como: a possibilidade de aumentar o tamanho da fonte, o tipo
de letra, a intensidade da luz, a possibilidade de ter o livro em tempo real ao seu lançamento,
o acesso a qualquer hora e em qualquer lugar e sua portabilidade. As desvantagens relatadas
por estes usuários foram: o apego ao livro tradicional, à experiência de ir a uma livraria
comprar um livro impresso, passear entre as estantes lotadas, sentir o cheiro do livro e folheálo e também o preço do livro digital.
Silva (2002) destaca em sua pesquisa que os hábitos culturais pertinentes ao livro
foram afetados com o surgimento do livro virtual, principalmente nos quesitos como
armazenamento, empréstimo e acesso.
Já Nogueira (2011), na inquirição para sua monografia, investigou o uso dos livros
eletrônicos do acervo disponibilizados pela Universidade Federal do Ceará na área de saúde e
constatou nos resultados das análises que quase a totalidade dos inqueridos, num total de 96%
tem preferência pela leitura em livro impresso. Somente 3 respondentes (ou 4%) disseram
preferir a leitura de livros eletrônicos.
Sirihal Duarte (2012) realizou uma pesquisa sobre o uso de livros eletrônicos
realizada pela Springer em 2008, com usuários de cinco instituições: Centro de Estudos de
Matemática e Computação de Amsterdam, Holanda; Universidade de Illinois, Estados
Unidos; Universidade de Muenster, Alemanha; Universidade de Turku, Finlândia; JRD Tata
Memorial Library Bangalore, Índia.
Tinha como principal objetivo compreender a aceitação de livros eletrônicos pelos
usuários, comportamento destes frente ao uso dos livros eletrônicos e suas percepções acerca
das vantagens e desvantagens deste acervo (SIRIHAL DUARTE, 2012).
Tal estudo constatou que entre 52% e 84% dos investigados em cada instituição
estavam cientes da disponibilidade dos livros eletrônicos em suas bibliotecas e que 58% e
80% dos investigados em cada instituição já tinham usado o livro eletrônico pelo menos uma
vez, quer por meio da sua biblioteca ou de outras fontes. Quanto ao uso dos livros eletrônicos,
os pesquisados mencionaram a preferencia por livros impressos como a principal razão para o
não uso dos livros eletrônicos. Inferiram que as principais vantagens do livro eletrônico giram
em torno da conveniência e acesso à informação. Destacaram também que a capacidade de
acessar um livro eletrônico a qualquer hora, em qualquer lugar e de acesso rápido e fácil é
muito gratificante. Entretanto, os entrevistados asseveraram suas preferências pelos livros
impressos para a leitura de capa a capa, mas reconheceram que os livros eletrônicos são úteis
para as necessidades específicas de pesquisa ou como suporte suplementar aos livros
impressos.
Foi solicitado também que os usuários fizessem uma comparação entre as
vantagens dos livros eletrônicos em relação aos livros impressos. Os pesquisados asseveraram

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que os livros eletrônicos apresentam vantagens em relação ao espaço adquirido para
armazenamento, acessibilidade, atualização do acervo, e facilidade de se fazer cópias.
Entretanto, os livros impressos apresentam vantagens em termos da facilidade de uso e do
prazer de leitura.
A Springer afirma também em seu relatório de 2008, que os livros eletrônicos
constituem uma parte crescente das coleções de bibliotecas universitárias e de pesquisa,
demonstrando as vantagens nas áreas de acessibilidade, funcionalidade e custo-benefício. Os
usuários finais estão começando a incorporar livros eletrônicos em sua experiência de
informação e hábitos de pesquisa.

3 Materiais e métodos
Este é um estudo de caso, em que se utilizou a metodologia quali-quantitativa,
com uma amostragem não probabilística, sob a sustentação de análise dos dados pelo método
funcionalista.
A efetivação da pesquisa empírica deu-se por meio de um questionário aplicado à
população de professores dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Ceará,
beneficiados pelo acervo de livros eletrônicos, com amostra constituída por 45 participantes,
distribuídos nos programas de pós-graduação dos centros, faculdades e institutos, a saber:
Física (Centro de Ciências), Tecnologia de Alimentos (Centro de Ciências Agrárias), História
(Centro de Humanidades), Direito (Faculdade de Direito), Economia (Faculdade de
Economia, Administração, Atuárias e Contabilidade), Enfermagem (Faculdade de Farmácia,
Odontologia e Enfermagem), Medicina Coletiva (Faculdade de Medicina), Comunicação
Social (Instituto de Cultura e Arte), POLEDUC (Representando os cursos de mestrado
profissional).
O instrumento de coleta de dados foi o questionário, elaborado e aplicado por
meio da ferramenta Google Docs, havendo ficado disponível durante 30 dias na Internet,
contabilizando-se as respostas enviadas só durante esse período. O período de aplicação dos
questionários foi de 09 de novembro a 09 de dezembro de 2013.
Após o levantamento dos dados, os mesmos foram organizados de maneira
coerente, de forma que fosse possível responder ao problema da pesquisa. Posteriormente, foi
realizada uma análise quantitativa em torno dos mesmos, indicando os resultados mais
significativos.
Para a tabulação dos dados, utilizou-se o programa Microsoft Excel, que permitiu
contabilizar e comparar os dados, bem como calcular os percentuais de cada questão de
acordo com as respostas fornecidas, além de possibilitar a criação de planilhas e gráficos.

4 Resultados finais
A pesquisa foi realizada com dois grupos de respondentes: os professores que
conhecem o acervo de livros eletrônicos e os que responderam não ter conhecimento deste.
Os resultados do estudo empírico foram estruturados consonantes com as
seguintes categorias:
a) Caracterização dos participantes.
O total de participantes da pesquisa que responderam aos questionários foi de 45
docentes.
Destaca-se que o maior número de respondentes são docentes dos seguintes
Programas de Pós-graduação: Enfermagem, com 20 %; seguido de Física, que obteve 15%; e

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5 Considerações finais
A pesquisa foi realizada no intuito de responder às considerações dos objetivos
específicos. No objetivo que buscou identificar o grau de conhecimento dos professores
de pós-graduação da UFC sobre a existência dos livros eletrônicos comprados e
disponibilizados pela instituição nos cursos por eles contemplados, evidenciou-se o fato de
que mais da metade dos docentes que participaram da pesquisa conhece o acervo. E em suas
respostas descritivas responderam que os fatores que mais os influenciaram para o
conhecimento deste foram: a gratuidade pelo portal da UFC; a ampla disponibilidade e a
praticidade.
Com relação ao objetivo de verificar se esses docentes conhecem as estratégias
de acesso e uso desse acervo, os achados da pesquisa evidenciaram que metade deles sabe
como ter acesso e como usá-lo. Nessa categoria, foi solicitado que fizessem comentários e
alguns deles responderam: falta de interesse; preferência pelo livro impresso; interface não
amigável e falta de divulgação do acervo.
Quanto ao objetivo de investigar se os docentes têm o hábito de usar os livros
eletrônicos em suas atividades acadêmicas, verificou-se que mais da metade desse público
jamais utilizou um livro desse acervo. Os fatores apontados para esse fato foram: prazer de
folhear um livro impresso; a relação de afetividade e prazer proporcionada por este. Em poder
desse resultado é possível concluir que esse público ainda não foi conquistado por essa nova
mídia, preferindo o livro analógico ao eletrônico.
O último objetivo analisado foi a importância e a satisfação no uso dos livros
eletrônicos dos acervos da UFC nas atividades acadêmicas nos programas de pósgraduação. A análise evidenciou que o grau de importância dos docentes que não conhecem
o acervo da UFC foi maior do que os que o conhecem. Daí ser lícito deduzir que os que o
conhecem o acharam pouco importante pelo fato de os livros não corresponderem às suas
expectativas, enquanto os docentes que não os conhecem têm a esperança de que estes
venham satisfazer suas necessidades.
Quanto ao quesito satisfação, mais da metade dos sujeitos investigados
responderam que estão satisfeitos com o acervo de livros eletrônicos. Em virtude do exposto
acima é notória certa divergência nas respostas oferecidas pelos sujeitos investigados.
Concluímos então que os fatores que mais influenciaram para o
conhecimento e uso desse acervo foram: a gratuidade pelo portal da UFC; a ampla
disponibilidade e a praticidade. E os que mais contribuíram para o desconhecimento
destes foram: preferência pelo livro impresso, falta de uma divulgação mais agressiva pela
instituição e o fato de o livro eletrônico precisar de um suporte para seu acesso. Portanto, se
presume que os objetivos da pesquisa foram atingidos, pois os fatores que mais contribuíram
para sua realização podem ser analisados e revertidos a favor desse acervo.

6 Referências
BARROCAS, A. L. Avaliação do uso de livros eletrônicos do acervo da Universidade
Federal do Ceará nos cursos de pós-graduação. 2014. 135 f. Dissertação ( Mestrado em
Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior) ) –Universidade Federal do Ceará,
Fortaleza, 2014. Disponível em: &lt;http://www.repositorio.ufc.br/ri/bitstream/riufc/8042/1/2014
_dis_albarrocas.pdf.&gt;. Acesso em: 28 mar. 2016.
BENÍCIO, C. D. Do livro impresso ao e-book: paradigma do suporte na Biblioteca
Eletrônica. João Pessoa: UFP, 2003.142 p.

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COSTA, R. R.; FERREIRA, T. C. P. A Importância da comunicação no contexto
empresarial. Caldas Novas, 2008, 69 p.
CUNHA, M. B. Construindo o futuro: a biblioteca universitária em 2010. Ci. Inf., Brasília,
DF, v. 29, n. 1, p. 71-89, jan./abr. 2000.
FERREIRA, José Rincon. A biblioteca digital. 2012. Disponível em: &lt;http://www.ime. usp
. br/~is/infousp/rincon/rincon.htm&gt;. Acesso em: 15 fev. 2015.
NOGUEIRA, J. S. Os livros eletrônicos e a informação em saúde: estudo de caso dos
estudantes da Faculdade de Ciências da Saúde (UFC). 2011. 71 p.
PATRIOTA, K. R. M. P.; CUNHA, J. R. C. Interatividade, Imersão e Leitura não-linear: os
novos meios e as novas linguagens. 2006. Disponível em: &lt;http://www.intercom.org.br/papers
/nacionais/2006/resumos/R0302-1.pdf&gt;. Acesso em: 20 fev. 2016.
SILVA, L. O. M. O Livro eletrônico: mudando paradigmas. Belém: 2002. Disponível em:
&lt;http://xa.yimg.com/kq/groups/19604823/501210 407/name/ O+livro +eletr% C3 %B4nico
+-+mudando+paradigmas.pdf &gt;. Acesso em: 08 mar. 2016.
SIRIHAL DUARTE, A. B. Livro eletrônico. ECI-UFMG, 2012 . Disponível em: &lt;http: //
www.google.com.br/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source =web&amp;cd=2&amp; ei=P0yUeqeH8HD0QHP6ICoCw&amp;usg= AFQj CNGjvRd1zQ TvvJ7Rze435tWm 6oar QQ &amp; sig
2=Azm-NPOadQj3FBds YPRm Ow&gt;. Acesso em: 07 mar. 2017.

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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As novas tecnologias quebraram paradigmas na difusão e suportes da comunicação,facilitando a produção e acesso à informação, principalmente no meio acadêmico. Nessa perspectiva surge o livro eletrônico, o mais recente suporte librário, que vem se atualizando ao longo dos séculos. É com essa ideia de inovação que, em 2009, a Universidade Federal do Ceará/UFC passou a adquiri-los como mais uma opção de acesso à informação para o Programa de Pós-Graduação. No intuito de conhecer o impacto de uso desse acervo, foi realizada uma pesquisa, tendo como objetivo principal investigar a utilização efetiva desses livros pelos professores dos programas de pós-graduação/UFC. Trata-se de um estudo de caso em que se utilizou a metodologia quali-quantitativa, com uma amostragem não probabilística, sob a sustentação de análise dos dados pelo método funcionalista. Os resultados demonstraram que 33 % dos inquiridos não possuem conhecimento do acervo dos livros eletrônicos da UFC. O principal motivo citado foi a falta de propagação. Os professores que responderam ter conhecimento desse acervo, todavia informaram ter tomado ciência pelo site da UFC. No quesito importância, os docentes que têm conhecimento desse acervo responderam ser este importante, entretanto os que não têm conhecimento o avaliaram como muito importante. Portanto, se presume que os objetivos da pesquisa foram atingidos, pois os fatores que mais contribuíram para sua realização podem ser analisados e revertidos a favor desse acervo.</text>
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                    <text>AVALIAÇÃO DE UM PROGRAMA PARA O DESENVOLVIMENTO DE
COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E INSTRUMENTALIZAÇÃO
PARA A PESQUISA CIENTÍFICA EM SAÚDE

Martha Silvia Martinez-Silveira (FIOCRUZ CPqGM) - martha.silveira@gmail.com
Ana Maria Fiscina Vaz Sampaio (Fiocruz/CPqGM) - fiscina@bahia.fiocruz.br
Adelvani Araújo Boa Morte (Fiocruz/CPqGM) - vania@bahia.fiocruz.br
Resumo:
Resumo: Os bibliotecários das bibliotecas especializadas, assim como os das bibliotecas
universitárias estão cada vez mais envolvidos no papel de instrutores e docentes,
proporcionando aos usuários os meios e as habilidades para atingir sua competência
informacional. Na área de saúde a busca de informação em base de dados bibliográficas, e o
manejo de informação científica faz parte do cotidiano do investigador, do profissional em sua
prática e dos alunos. Porém não é uma habilidade que dependa apenas de uma utilização
intuitiva, é necessário mais do que isso para um uso efetivo e producente. Um programa de
treinamentos continuados sobre temas chave para este público foi desenvolvido e aplicado por
mais de 4 anos na Biblioteca de Ciências Biomédicas Eurydice Pires de Sant’Anna. O objetivo
deste trabalho é avaliar este programa, através de um questionário aplicado aos assistentes.
Participaram da enquete de avaliação 270 pessoas das quais o 99% se mostrou satisfeito com
o programa e 98% recomendariam. Ao todo 23 diferentes cursos foram promovidos dos quais
participaram 307 pessoas, a grande maioria alunos da pós-graduação. Este tipo de programa
faz parte de algumas das intervenções efetivas que as bibliotecas podem ofertar aos seus
usuários, e integrar este tipo de conhecimentos aos programas acadêmicos, poderia ser mais
eficiente e necessário.
Palavras-chave: Competência em informação;
especializadas em saúde

Treinamento

de

usuários;

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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Bibliotecas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução

As bibliotecas especializadas da área de saúde tradicionalmente
cumpriram com o papel de treinar e ensinar aos usuários o manejo e a busca da
informação e a compreender o ciclo da comunicação científica (MATA, 2012).
Estas bibliotecas foram altamente impactadas pelo acesso online e surgimento
dos recursos tecnológicos de informação que mudaram o comportamento do
usuário. Se por um lado este usuário recorre cada vez menos à biblioteca para
utilizar a bibliografia in loco, por outro demanda serviços diferenciados para
lidar com essa tecnologia. Sabe-se que os usuários que contam com
bibliotecários para treiná-los e assisti-los no uso de recursos informacionais
tendem a ser mais confiantes no manejo da informação (SCHILLING;
APPLEGATE, 2007). Visto que a informação é muita, encontra-se
desorganizada e espalhada nos diferentes e incontáveis recursos na web, torna-se
muito difícil decidir e selecionar, agravado ainda pelo conhecido problema do
reduzido tempo disponível para buscas e seleção de artigos com que contam os
profissionais de saúde.
Na Biblioteca de Ciências Biomédicas Eurydice Pires de Sant´Anna
(BIEPS) vivencia-se este fenômeno de forma muito clara. Esta biblioteca está
inserida no Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (CPqGM), uma das unidades da
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) situada no estado da Bahia. Atende um tipo
de demanda de alta especialização na área de doenças infecciosas e parasitárias.
No CPqGM existem 11 laboratórios e 2 cursos de pós-graduação com mestrado
e doutorado, Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental e PósGraduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa, além de
cursos de especialização permanentes, e outros eventuais. A principal demanda
deste público são os artigos científicos e as bases de dados. Com o intuito de se
adaptar a tais demandas, alguns novos e diferentes serviços foram implantados,
tais como o que ora se descreve.
O programa “Treinamentos Continuados” está estruturado nos moldes do
programa existente na Biblioteca do National Institutes of Health (NIH), dos
Estados Unidos. Este programa, que foi conhecido em visita técnica a essa
biblioteca, é mais abrangente na atualidade e inclui alguns treinamentos à
distância, porém os objetivos e o formato permanecem. A Biblioteca do NIH
“oferece treinamento sobre como efetivamente encontrar, avaliar e gerenciar
informações usando os recursos eletrônicos da biblioteca” (NIH, 2016).
A ideia do programa consiste em oferecer aulas compactas, variadas,
contínuas e recorrentes sobre os mais diversos temas que envolvem a busca e
manejo da informação científica. A finalidade é ter um canal aberto que facilite
o desenvolvimento de CI, propicie a instrumentalização para a pesquisa
científica e a escrita de artigos científicos, teses e dissertações, em suma,
contribuir com a proficiência na investigação.
O programa implantado tem a seguinte configuração: tratam-se de

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

encontros curtos, com duração de 2 horas, com perfil de treinamento no uso dos
recursos, ou aulas teórico-práticas sobre o tema escolhido. Estes encontros se
sucedem de forma independente entre um e outro tema, mas, por sua vez, se
complementam e se repetem de acordo com a demanda. Quanto mais
interessados no assunto, isto é, maior número de inscritos ou de demanda não
atendida, mais vezes será repetido o tema. Por esta razão, apesar de serem
planejados para ocorrer uma vez por mês, pode haver alterações do calendário
com a repetição dentro do mesmo mês. Os assuntos de cada encontro são únicos,
e visam um conteúdo pontual, porém aprofundado, sobre um determinado tema.
Os assuntos abordados nos cursos, atualmente, são:
- “Manejo do PubMed” que se divide em dois níveis: básico e avançado.
Trata-se de uma interface de alta tecnologia, de acesso livre à principal base de
dados bibliográfica da área de saúde, a base Medline. Esta base, produzida pela
National Library of Medicine, dos Estados Unidos, é a mais completa e
consultada na área de saúde. Oferece diversos recursos de busca, a possibilidade
de armazenamento de pesquisas e de estratégias elaboradas pelo usuário,
propiciando a atualização constante mediante o recebimento de avisos de alerta
de novos artigos sobre o tema, assim como também o compartilhamento de
coleções ou listas de referências selecionadas pelo usuário. No nível avançado
aborda-se o uso do Medical Subject Headings (MeSH), que é o vocabulário
controlado de indexação da base Medline, e cujo uso permite buscas e
estratégias de alta complexidade e melhores resultados da busca.
- “Uso do EndNote”, trata-se de programa para gerenciamento das
referências. Serve para o armazenamento dos dados e dos textos completos da
bibliografia encontrada. Pode ser utilizado junto com programas de escrita,
como o Word, por exemplo, facilitando a formatação do trabalho científico,
normalizando as citações e referências, entre outras facilidades.
- “Uso do Portal da Capes”, principal portal de recursos de informação
científica no Brasil, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes), acessado na maioria das instituições acadêmicas públicas do
Brasil. Neste módulo se destacam a utilização das bases bibliográficas de saúde,
tais como PsicInfo (de psiciologia), CiNAHL (de enfermagem), Biological
Abstracts (biologia) e as multidisciplinares Web of Science e Scopus. Também
se enfatiza a busca de periódicos da área de saúde e demais recursos de
interesse.
- “Biblioteca Virtual em Saúde”, principal recurso de busca de informação
científica em saúde para América Latina e o Caribe, sobre o qual se ensina a
utilização da base de dados Lilacs, Medline, que também pode ser acessado
nessa interface, e demais bases disponíveis. Trata-se também sobre o recurso
Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e sua utilização para compor
estratégias de busca.
- “Zotero” é outro programa para manejo de referências, similar ao
EndNote, com a característica de ser de acesso gratuito e oferecer facilidades de

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

recuperação de dados diretamente da Web.
- “Uso de bases de dados bibliográficas em saúde”. Este módulo aborda
de forma geral, independente de uma base de dados em particular, o tema das
estratégias de busca. A compreensão de como construir estratégias, manejo de
vocabulários controlados, uso de palavras-chave, operadores booleanos, sintaxe
de busca e recursos oferecidos pela tecnologia das bases de dados.
- “Roteiro para apresentação de teses e dissertações”, aborda as normas de
apresentação, normas das citações e referências, explorando o uso do manual de
apresentação de teses e dissertações dos programas de pós-graduação. Também
se apresentam neste módulo alguns recursos menos utilizados do programa
Word que facilitam a escrita, como por exemplo o índice automático.
- “Revisão sistemática”, este módulo, devido a sua complexidade, ocupa
três horas, em lugar de duas. Aborda-se aqui sobre a metodologia deste método
científico de revisão, apresentam-se diversas ferramentas para sua confecção e
para sua publicação. As diversas partes do método são apresentadas e discutidas,
dando ênfase a etapa da busca dos documentos para a revisão. Estas buscas
sistemáticas abrangem não somente as bases de dados, mas também a literatura
cinzenta, e diversos outros recursos onde os trabalhos publicados ou não ,
podem ser localizados. Também se realiza um estudo avançado sobre as
estratégias de busca.
O programa foi inaugurado em 2011 e permanece ativo. Porém, ainda não
se logrou uma continuidade como planejada, devido às dificuldades enfrentadas
com a destinação de uma sala, a aquisição dos equipamentos, e especialmente
com a participação dos instrutores. O projeto conta atualmente com um único
instrutor, porém se prevê a participação de outros instrutores, especialistas em
outros assuntos relacionados com a tecnologia de informação em saúde. O ideal
é a frequência mensal, com a possibilidade de ocorrência excepcional quando
um novo tema e o instrutor estejam disponíveis.
A partir de 2016 o programa, já com maturidade suficiente, está
institucionalizado, o que permite prever um desenvolvimento maior para os próximos
anos. Conta-se com uma sala com capacidade para 20 pessoas, 20 laptops,
acesso à internet WiFi, ar condicionado, projetor e louça. Por tal razão o
momento é propício para efetuar um estudo de avaliação. Segundo Santos e
Casarin (2014) existem diversas formas de avaliação de CI, sendo que a maioria
estão centradas no usuário. Mas, faz parte também do processo, a avaliação do
programa em si, seu formato e conteúdo (MATA, 2012).
O objetivo do presente trabalho é avaliar os 4 anos de existência do
programa (2011 a 2015), usando para tal um questionário que foi elaborado no
começo do projeto, prevendo a necessidade de se ter um feedback dos
participantes.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

2 Revisão de literatura
Segundo a análise sobre o uso do conceito de competência em informação
na área de saúde feito por Vincent et al. (2014) a expressão em inglês
Information literacy vem sendo modificada desde seu surgimento com os
estudos de Paul Zurkowski em 1974.
Competência em informação (CI) é um conceito que abrange muito mais
que apenas habilidades de busca e manejo de informação. De forma ampla ser
competente em informação é ter a capacidade de ser autossuficiente em
aprendizagem ao longo da vida (DUDZIAK, 2003; VINCENT et al., 2014). Mas
para atingir essa competência o indivíduo deve entender como encontrar
informação, saber avaliá-la, e também saber produzi-la, através da escrita
científica (MATA, 2012; CAVALCANTE et al., 2012).
Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de
reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de
localizar, avaliar e usar efetivamente a informação... Resumindo, as pessoas
competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender. Elas
sabem como aprender, pois sabem como o conhecimento é organizado,
como encontrar a informação e como usá-la de modo que outras pessoas
aprendam a partir dela (AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989,
apud DUDZIAK, 2003, p. 26).

A Association of College and Research Libraries (2000) define algumas
características básicas ou padrões da competência em informação que devem
adquirir os estudantes do nível superior. Estas seriam: saber reconhecer a
necessidade, acessar a informação necessária, avaliar a informação criticamente,
incorporar ao conhecimento e usar para o propósito necessário de forma
individual ou em grupo e ainda entender as implicações econômicas e sociais da
informação usando-a de forma ética e legal.
Se bem sabe-se que estas habilidades somente podem ser adquiridas ao
longo dos anos de formação, e não apenas em treinamentos pontuais, o fato de
haver oportunidades como estas, disponíveis de forma continuada ao alcance das
pessoas que frequentam a biblioteca, o papel desta modalidade de ensino, toma
importância dentro deste contexto.
O envolvimento de bibliotecários como instrutores e docentes
facilitadores na conquista dessa competência não é novo e, apesar das mudanças
alavancadas pelas tecnologias, continua sendo de suma importância
(CAMPELLO, 2003). E para tal os bibliotecários devem também desenvolver
suas próprias competências (SANTOS, 2011).
Instituir um programa como o que se relata neste artigo, requer do
bibliotecário um preparo muito complexo. Não se trata apenas de saber utilizar
as tecnologias e treinar pessoas. No caso dos bibliotecários da área de saúde,
conhecimentos avançados fora da área de biblioteconomia são requeridos para
uma boa atuação na área (MENDONÇA, 2015). A sua participação em revisões
sistemáticas, que tem sido cada vez mais presente (MCGOWAN; SAMPSON,
2005; MCKIBBON, 2006) é uma delas. Martínez-Silveira (2011), destaca a

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

estes a maioria (34%) se declarou como “estudantes” (91 pessoas), seguidos dos
biólogos (16%), enfermeiros (11%), farmacêuticos (9%) e médicos veterinários
(7%). Os demais tinham profissões variadas da área de saúde tais como médicos,
nutricionistas, psicólogos, etc.
Com relação ao nível acadêmico dos alunos 80 (30%) tinham o 2o grau
completo, 74 (27%) a graduação, 30 (11%) a especialização, 63 (23%) o
mestrado, 9 (3%) o doutorado, 7 (2,6%) o pós-doutorado e 7 (2,6%) não
declararam. Quanto às instituições a grande maioria era da própria Fiocruz
(54%), seguidos da Universidade Federal da Bahia (29%) e da Escola Baiana de
Medicina e Saúde Pública (7%), e 10% das demais instituições da cidade e do
estado.
Foram 229 (85%) pessoas as que declararam estar estudando no momento
de participar do curso, a maioria (138 ou 60%) eram alunos da pós-graduação,
sendo que 81 (35%) são da própria instituição. São 35 do Mestrado em
Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa e 19 do Doutorado, 14 do
Mestrado em Patologia Humana e Experimental e 13 do Doutorado. Além
destes, havia mais 57 (32%) alunos de pós-graduação de outros programas,
sendo especialização (1), residência (11), mestrado (25), doutorado (19) e pósdoutorado (1). Os alunos dos mais diversos cursos de graduação totalizaram 85
(37%), e apenas 11 (5%) eram alunos de Biblioteconomia e Arquivologia.
Quanto à avaliação, a tabela 2 mostra que foi claramente positiva nos
aspectos perguntados.

Tabela 2. Avaliação da participação no programa
Pergunta

Sim (%) Não (%) NR (%)

Achou válida sua participação?

267 (99)

2 (0,7)

1 (0,3)

O conteúdo satisfez sua necessidade? 261 (96)

5 (1,8)

4 (1,5)

Recomendaria para outras pessoas?

2 (0,7)

3 (1,3)

265 (98)

NR = Não respondeu

Outros aspectos avaliados foram: o instrutor, o conteúdo, a sala e os
equipamentos. A tabela 3 mostra o resultado desta avaliação, que permitia
escolher uma nota de 0 a 10, sendo esta última a nota mais alta.

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Tabela 3. Notas dadas pelos participantes aos itens de avaliação
Nota

Instrutor Conteúdo Sala Equipamento

0

0

0

0

4

1 -1,5

0

0

0

0

2 - 2,5

0

0

1

2

3 - 3,5

0

0

1

1

4 - 4,5

0

0

3

1

5 - 5,5

2

2

9

12

6 - 6,5

3

3

5

5

7 - 7,5

21

7

24

20

8 - 8,5

1

34

69

38

9 - 9,5

41

52

43

43

10

200

161

113

130

NR

2

3

2

14*

NR = Não respondeu
* Destes, 5 responderam “Não se aplica”, pois usaram seu
próprio computador
O questionário também recolheu sugestões de novos temas para o
programa, sendo que 80 pessoas (30%) indicaram um ou mais temas, alguns dos
quais foram incorporados e outros estão em estudo, por se tratarem de
programas não específicos das competências da biblioteca, como é o caso de
programas para a análise estatística dos dados. Os assuntos mais requisitados
que ainda não estão incorporados ao programa foram o SPSS, EPIINFO e
STATA (todos de tratamento estatístico de dados), assim como também o
organizador de referências Mendeley.
5 Considerações finais
Há consenso da necessidade de possuir habilidades apropriadas e
conhecimento para o desenvolvimento do trabalho científico, e as bibliotecas e
os bibliotecários são importantes atores neste processo (MATA, 2012). Vincent
et al. (2012) ressaltam que “mestrandos e doutorandos devem ser preparados
para, entre outros, dominar e empregar conhecimentos científicos e tecnologias”
(p. 405). Porém, como bem observa Mata (2012), para implementar estes
programas é necessário planejamento, mas também apoio institucional, recursos
financeiros e humanos.
Este programa foi bem avaliado pelos participantes, mas houve um forte

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

apelo para a melhoria dos recursos, equipamentos e sala, quando 52% dos
participantes não deram a nota máxima, expressando dessa forma algum tipo de
insatisfação. Alguns participantes escreveram observações relativas a essa
insatisfação, das quais se ressalta as dificuldades com a conexão de internet, o
barulho, a falta de ar condicionado ou o tamanho da sala. Porém, com foi dito,
estas dificuldades foram sendo superadas nos últimos anos com o
aprimoramento da sala, dos equipamentos e da conexão wi-fi.
A frequência foi alta, mostrando que há interesse por parte do público, já
que em repetidas oportunidades houve lista de espera para assistir. Este é um
ponto importante se leva em consideração que a divulgação é bastante restrita.
Um correio eletrônico é distribuído para toda a comunidade da instituição, é
colocado por um ou dois dias um aviso na homepage, e atualmente está sendo
veiculado no Facebook do Instituto.
Outro aspecto que se comentou repetidamente foi com relação à duração
da aula, considerada curta, ou com muito conteúdo para o escasso tempo. Neste
sentido tratou-se de explicitar no começo de cada encontro que a proposta é a de
encontros rápidos, porque facilitam a participação para quem tem pouca
disponibilidade de tempo, para quem está “de passo” na biblioteca, ou para
quem quer reafirmar alguns conhecimentos que já possui. Se os encontros forem
transformados em aulas extensas, deixam de cumprir a natureza e proposta da
modalidade. Porém, procedeu-se a uma reavaliação do conteúdo para que não
resulte excessivo para aqueles que são totalmente novatos no tema.
Considera-se que é necessário dar continuidade ao programa, aumentar o
leque de assuntos integrando novos instrutores, inclusive de outras áreas
externas à biblioteconomia, para poder acatar as sugestões recebidas dos
participantes. Sua permanência, assim como a avaliação e comentários dos
participantes reafirma a convicção de que as atividades docentes na biblioteca,
tais como este programa, tem validade. Mas que também é necessário apontar
para um objetivo maior, concordando com Mata (2012) em que este e outro tipo
de programas de desenvolvimento de CI deveriam estar integrados “aos
objetivos da instituição, ao planejamento educacional, ao currículo e aos planos
de ensino” (p. 142).
6 Referências
ALMEIDA, M. G. G. O papel do profissional da informação bibliotecário no
apoio à prática da medicina baseada em evidências: olhares convergentes
entre profissões em Salvador. 2008. Dissertação (Mestrado em Ciência da
Informação) – Instituto de Ciência da Informação. Universidade Federal da
Bahia. Salvador, 2008

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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American Library Association, 2000. Disponível em:
&lt;http://www.ala.org/acrl/sites/ala.org.acrl/files/content/standards/standards.pdf&gt;
Acesso em: 10 abr. 2016.
CAMPELLO, B. O movimento da competência informacional: uma perspectiva
para o letramento informacional. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 32, n.
3, 2003. Disponível em: &lt;http:// www.scielo.br/pdf/ci/v32n3/19021.pdf&gt;.
Acesso em: 09 abr. 2012.
CAVALCANTE, L. E. et al. Competência em informação na área da saúde.
InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, Ribeirão Preto,
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DAVIDOFF, F.; FLORANCE, V. The informationist: a new health profession?
[editorial]. Annals of Internal Medicine, v. 132, n.12, p. 996-998, 2000.
DUDZIAK, E. A. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência
da Informação, v. 32, n. 1, p. 23-35, 2003.
GALVÃO, M. C. B.; LEITE, R. A. F. Do bibliotecário médico ao
informacionista: traços semânticos de seus perfis e competências.
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MARTÍNEZ-SILVEIRA, M. S. Bibliotecários são parceiros valiosos em
equipes de revisões sistemáticas. X CINFORM Encontro Nacional de Esino e
Pesquisa em Informação; Salvador, Bahia: UFBA; 2011.
MATA, M. L. da. Aspectos da avaliação da competência informacional em
instituições de ensino superior. Em Questão, Porto Alegre, v. 18, n. 1, p. 141 154, 2012.
MCGOWAN, J.; SAMPSON, M. Systematic reviews need systematic searchers.
Journal of the Medical Library Association, v. 93, n. 1, p. 74-80, 2005.
MCKIBBON, A. Systematic reviews and librarians. Library Trends, v. 55, n.
1, p. 202-215, 2006.
MENDONÇA, V. S. Competência em Informação e perfil dos bibliotecários
da área da saúde: investigando os hospitais universitários. 2015. 188f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Escola de Comunicação,
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2015.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH LIBRARY (USA). Training.
Disponível em: &lt;http://nihlibrary.nih.gov/resourcetraining/Pages/default.aspx&gt;.
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SANTOS, C. A.; CASARIN, H. C. S. Habilidades informacionais abordadas em
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&lt;http://www.ala.org/acrl/sites/ala.org.acrl/files/content/conferences/confsandpre
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VINCENT, B. R. L. et al. Competência em informação e uso do Portal Capes:
desafios para os programas brasileiros de pós-graduação em saúde coletiva.
Revista Brasileira de Pós-Graduação, Brasília, v. 9, n. 17, p. 401 - 421, 2012.
VINCENT, B. R. L. et al. Competência em informação: o conceito revelado em
estudos da área da saúde. RECIIS – Revista Eletrônica de Comunicação,
Informação e Inovação em Saúde, v. 8, n, 3, p. 376-388, 2014.
ZURKOWSKI, P. G. Information services environment: relationships and
priorities. Washington D.C.: National Commission on Libraries, 1974.

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text> Os bibliotecários das bibliotecas especializadas, assim como os das bibliotecas universitárias estão cada vez mais envolvidos no papel de instrutores e docentes,  proporcionando aos usuários os meios e as habilidades para atingir sua competência informacional. Na área de saúde a busca de informação em base de dados bibliográficas, e o manejo de informação científica faz parte do cotidiano do investigador, do profissional em sua prática e dos alunos. Porém não é uma habilidade que dependa apenas de uma utilização intuitiva, é necessário mais do que isso para um uso efetivo e producente. Um programa de treinamentos continuados sobre temas chave para este público foi desenvolvido e aplicado por mais de 4 anos na Biblioteca de Ciências Biomédicas Eurydice Pires de Sant’Anna. O objetivo deste trabalho é avaliar este programa, através de um questionário aplicado aos assistentes. Participaram da enquete de avaliação 270 pessoas das quais o 99% se mostrou satisfeito com o programa e 98% recomendariam. Ao todo 23 diferentes cursos foram promovidos dos quais participaram 307 pessoas, a grande maioria alunos da pós-graduação. Este tipo de programa faz parte de algumas das intervenções efetivas que as bibliotecas podem ofertar aos seus usuários, e integrar este tipo de conhecimentos aos programas acadêmicos, poderia ser mais eficiente e necessário.</text>
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/31/4417/SNBU2016_035.pdf</src>
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                    <text>AVALIAÇÃO DA COLEÇÃO DE LIVROS DIGITAIS E ELETRÔNICOS
(LDEs) EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Adriana Aparecida de Oliveira (UFJF) - jfadriana@gmail.com
Nanci Oddone (Unirio) - neoddone@gmail.com
Resumo:
A Biblioteca Universitária encontra-se inserida em um ambiente que propicia a inovação e
requer a agilidade e facilidade de acesso às informações. A coleção de livros digitais e
eletrônicos nas bibliotecas universitárias brasileiras tem se expandido de forma acelerada
apesar das dificuldades encontradas em relação aos altos valores das assinaturas e/ou
aquisição deste acervo, os modelos de negócios aplicados pelos fornecedores de conteúdo que
na maioria das vezes oferecem somente a assinatura e não a posse do do material. Diante
deste cenário, é necessário estabelecer métricas que possam evidenciar a importância no
investimento em coleções de livros digitais e eletrônicos nas bibliotecas e assim, justificar
perante a instituição o recurso utilizado na manutenção e ampliação dos investimentos. Livros
digitais e eletrônicos são tecnologias recentes nas bibliotecas universitárias brasileiras,
porém, seu uso já atingiu um nível de acessibilidade e penetração que requer procedimentos
para avaliação das coleções. Percebe-se a carência de estudos e de uma metodologia para
avaliação do uso dos livros digitais e eletrônicos nas bibliotecas universitárias brasileiras.
Palavras-chave: Livro digital. Livro eletrônico.
Desenvolvimento de coleções.

Biblioteca

universitária.

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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Avaliação.

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                <text>A Biblioteca Universitária encontra-se inserida em um ambiente que propicia a inovação e requer a agilidade e facilidade de acesso às informações. A coleção de livros digitais e eletrônicos nas bibliotecas universitárias brasileiras tem se expandido de forma acelerada apesar das dificuldades encontradas em relação aos altos valores das assinaturas e/ou aquisição deste acervo, os modelos de negócios aplicados pelos fornecedores de conteúdo que na maioria das vezes oferecem  somente a assinatura e não a posse do do material. Diante deste cenário, é necessário estabelecer métricas que possam evidenciar a importância no investimento em coleções de livros digitais e eletrônicos nas bibliotecas e assim, justificar perante a instituição o recurso utilizado na manutenção e ampliação dos investimentos. Livros digitais e eletrônicos são tecnologias recentes nas bibliotecas universitárias brasileiras, porém, seu uso já atingiu um nível de acessibilidade e penetração que requer procedimentos para avaliação das coleções. Percebe-se a carência de estudos e de uma metodologia paraavaliação do uso dos livros digitais e eletrônicos nas bibliotecas universitárias brasileiras.</text>
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                    <text>AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFGD: ESTUDO DE
CASO DE UM DE ESTUDO DE USUÁRIOS
Cibele Andrade Nogueira (UFGD) - cibele.andradenogueira@gmail.com
Maiyara Mino Kina (UNIGRAN) - kinamino73@gmail.com
Resumo:
Os estudos de usuário são ferramentas de grande importância para avaliar o nível de
satisfação dos usuários em relação aos serviços ofertados pela biblioteca. Através desta
ferramenta é possível perceber quais serviços precisam de melhorias, quais estão atendendo a
demanda informacional dos usuários e quais precisam ser repensados. Nesse sentido, houve
uma preocupação da equipe que atua na Biblioteca Central da Universidade Federal da
Grande Dourados em saber o que os usuários têm pensado a respeito dos serviços oferecidos
pela BC. Foi elaborado um questionário (através do Google Forms) e amplamente divulgado
pela Assessoria de Comunicação da instituição. Pelo fato do questionário ser muito extenso,
nesta pesquisa optou-se por abordar somente o perfil desses usuários, questões que tratam
propriamente dos serviços oferecidos pela biblioteca, wireless e redes sociais.
Palavras-chave: Estudo de usuários. Serviço de Referência. Avaliação de Serviços. Biblioteca
Universitária.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As avaliações de serviços de bibliotecas são classificadas em 4 tipos segundo
Lancaster (2004) – a primeira consiste em uma “escala” para saber em que nível de
desempenho o serviço está funcionando, a segunda serve para propor uma comparação de
desempenho entre várias bibliotecas ou serviços, a terceira serve apenas para justificar a
existência do serviço e, por fim, a quarta se baseia nas possíveis causas de ineficiência do
serviço, visando a elevar o nível de desempenho do serviço no futuro. O objetivo desta
pesquisa é apontar a importância do estudo de usuário para se desenvolver um trabalho com
foco total no usuário, pois muitas vezes, sem perceber são desenvolvidas ações para facilitar o
trabalho do bibliotecário, esquecendo-se o mais importante, que é o usuário. Se os serviços
prestados não estão atendendo as necessidades informacionais dele, é necessário repensar
algumas práticas, para que assim, o usuário se sinta satisfeito. A pesquisa se justifica pelo fato
de muitas vezes, o usuário não ser pensado como prioridade, seja na prestação de serviços,
seja no regulamento, ou na própria estrutura física da biblioteca. Em suma, o usuário deve ser
visualizado como um cliente. Nesse sentido, o estudo de usuário vem justamente para saber
qual é a opinião desse usuário/cliente em relação ao que vem sendo desenvolvido, pois,
muitas vezes o bibliotecário acaba se preocupando mais com aspectos técnicos e, deixando de
lado a interação com o usuário, que deveria ser a razão de ser das bibliotecas.
Mais do que enxergar o estudo de usuário como uma ação isolada, sem definir um
objetivo é cair no engano de que os dados obtidos servirão para mudar alguma coisa. É de
suma importância definir claramente os objetivos do estudo em questão: seja ele para avaliar
o acervo, avaliar a infraestrutura, avaliar o sistema de automação, as redes sociais, conhecer o
perfil dos usuários e mais além saber como atrair os usuários potenciais para a utilização do
espaço físico da biblioteca e os serviços que esta oferece.

2 Revisão de literatura
É fato que os estudos de uso e usuários fazem parte do serviço de referência e é
com base nos dados obtidos nessa ferramenta que é possível estabelecer diretrizes para as
ações já desenvolvidas ou futuras ações a serem implantadas no serviço de referência.
O termo bibliotecário de referência foi criado por Dewey em 1888, não utilizado em
bibliotecas públicas até o início do século XX. Por outro lado, mesmo com a expansão deste
serviço, as bibliotecas universitárias conseguiram expandir sua demanda de usuários, nos
Estados Unidos, graças ao impulso que os professores de ensino superior deram aos seus
alunos mandando-os buscarem conhecimentos além das fronteiras das salas de aula. Na
mesma época, na Grã-Bretanha, o progresso nas bibliotecas chegou de forma menos visível.
Este auxílio os usuários surgiu em intermeio do século XX.
Os estudos de uso e usuários possuem vários objetivos: avaliar o acervo, avaliar os
serviços oferecidos, conhecer o perfil do usuário real e suas necessidades informacionais, bem
como perceber meios de atrair os usuários potenciais. Figueiredo (1994) acerca do tema em
questão discorre que:

“Esses estudos são, assim, canais de comunicação que se abrem entre a
biblioteca e a comunidade a qual ela serve. São estudos necessários também
para ajudar a biblioteca na previsão da demanda ou da mudança de demanda
de seus produtos e serviços, permitindo que sejam alocados os recursos
necessários na época adequada.”

Por isso a importância desses estudos serem realizados com certa periodicidade para se
comparar quais eram as demandas em uma determinada época e quais são as demandas atuais.
Vale destacar a importância de o bibliotecário de referência ser meio que uma espécie

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

de “relações públicas” dentro da biblioteca. Grogan (2001) afirma que:

“É impossível estudar qualquer aspecto do processo de referência sem estar
informado de quanto o mesmo depende inevitavelmente para seu êxito dos
atributos pessoais do bibliotecário. Isso implica não os dotes profissionais,
como intimidade com as fontes de referência ou domínio das técnicas de
busca informatizadas, uma vasta cultura geral ou até mesmo a experiência
em lidar com os consulentes, mas aqueles atributos pessoais humanos, inatos
ou adquiridos, como simpatia, criatividade, confiança e outros mais.”

A empatia presente neste profissional deve ser um aspecto a ser muito desenvolvido, o
ato de se colocar no lugar do outro, tentando entender seus anseios e suas dificuldades é uma
das atitudes mais belas da profissão.
Podemos dizer de certa forma, que o estudo de usuários permite os mesmos a
externarem suas necessidades informacionais, sendo encorajados a entendê-las e a
divulgarem-nas, podendo assim, ser analisadas com relação à quais os seus objetivos quando
buscam devidas informações. Nota-se portando a ponte de comunicação entre a biblioteca
(centro informacional) para com seus utilizadores, auxiliando também a verificação de seus
serviços prestados e a correção dos mesmos.
Após o início destes estudos, em meados da década de 40, a biblioteca deixou de ser
passiva com relação aos usuários. Segundo Figueiredo (1994):
“A mudança foi no sentido de a biblioteca tornar-se mais ativa,
dinâmica, com a criação de novos serviços, ou com o aperfeiçoamento
de outros já prestados. [...] serviços novos, como o da disseminação
seletiva da informação, e os serviços de alerta, na forma de fichas,
boletins e conteúdos de periódico etc., foram criados com base em
perfis de usuários, isto é, a maneira mais direta e objetiva de atender às
necessidades individuais de cada usuário.”
Analisamos, na década de 30, que os bibliotecários do setor de referência das
bibliotecas eram chamados de profissionais do serviço de acompanhamento de leitura
(reader’s advisory service), figura chave para indicar as necessidades, preferências e
motivações para os usuários das bibliotecas na época.
Estes primeiros estudos de uso não analisavam o usuário com suas necessidades e sua
identificação correta. O usuário era visto apenas com funções mecânicas dentro da biblioteca.
A Conferência da Royal Society, em 1948, modificou a forma como os estudos de
usuários iam procedendo com o passar dos anos. Destacaram-se: acessibilidade para o acesso
à informação; percepção de volume excessivo de informação por falta da seletividade no
processo de aquisição da mesma; atualização, principalmente nas ciências, das informações
fornecidas; importância dos canais informais de comunicação; negligência na educação de
usuários e; a falta do marketing para os produtos oferecidos (GROGAN, 2001).
2.1 Estudos de usuários em Bibliotecas Universitárias
A partir do início do século XX é que nas Bibliotecas Universitárias dos Estados
Unidos passam a desenvolver a prestação do serviço de referência, de forma constante, já que
nessa época é que começa a ser proposto pelos professores o “estudo pela pesquisa”
(GROGAN, 2001). O bibliotecário precisava se antecipar as demandas que os usuários
começavam a criar.
O que de fato, deve ser feito até hoje, antecipação junto às necessidades dos usuários,
seja através de pesquisas de avaliação (estudo de uso e usuários), seja pelo contato direto com
o próprio usuário. É válido lembrar que a biblioteca universitária atende a vários segmentos
diferentes, dentre eles: acadêmicos (graduação e pós-graduação), docentes, técnicos-

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

administrativos e visitantes. E é nesse contexto que entra o trabalho do bibliotecário de
referência, figura muito importante que serve de elo/intermediação entre o que o usuário
procura e os caminhos que ele deve percorrer para poder encontrar o que se deseja.
Mais que se preocupar somente com o aspecto da informação em si é preciso que haja
uma preocupação também com a satisfação desse usuário. Se o ambiente da biblioteca tem
dado condições necessárias para que ele se sinta “acolhido” nesse local, se o mobiliário é
confortável, se a iluminação é boa, se há espaços para que ele possa estudar em grupo (onde o
silêncio não seja tão cobrado), se há um espaço mais calmo e silencioso em que ele possa
estudar individualmente, se a internet é boa para que ele possa navegar de maneira rápida,
enfim todos esses aspectos merecem uma atenção especial. Não adianta o acervo ser o mais
completo possível em todas as áreas do conhecimento, a quantidade de exemplares e títulos
atender a quantidade de acadêmicos, o sistema de automação da biblioteca ser o melhor e
mais eficiente se essas outras questões não estão suprindo as expectativas dos usuários.
Segundo Guinchat e Menou (1994): “O usuário deve ser a base da orientação e da
concepção das unidades e dos sistemas de informação, a serem definidos em função de suas
características, de suas atitudes, de suas necessidades e de suas demandas.” Pode-se dizer,
portanto, que a razão de existir de uma biblioteca é o seu usuário, pois para eles estão
direcionados todos e quaisquer atividades/serviços desta. O usuário é um elemento
fundamental de todos os sistemas de informação, visto que a única justificativa das atividades
deste sistema é a transferência de informação entre dois ou mais interlocutores distantes no
espaço e no tempo.
Ainda segundo Figueiredo (1994), os estudos de uso de bibliotecas universitárias
apresentam o seguinte quadro:
 Relativos a uma universidade;
 As avaliações adotadas nos estudos não são comparáveis, pois os estudos ora são
direcionados ao empréstimo, ora a coleção, alunos de graduação; os calouros apenas
etc.;
 Pelas variáveis não seres as mesmas, não podem ser comparadas entre si;
 Portanto, as estatísticas não se tornavam confiáveis.
É preciso conhecer o perfil de cada categoria de usuários, tentando suprir o que cada
um precisa dentro do seu contexto. É importante que o usuário se sinta o centro das atenções
da biblioteca, é fundamental que ele perceba que os serviços oferecidos são para suprir as
demandas dele. Por isso a importância de saber sua opinião através das avaliações. Mais do
que isso, é necessário que ele veja as mudanças (seja de prestação de serviço, seja mudanças
no ambiente físico ou digital) resultantes do próprio resultado das pesquisas.
Observamos seis importantes apontamentos com relação ao estudo de usuários, sendo
eles:
1. Adaptação dos sistemas de informação com relação aos hábitos de busca de
informação dos cientistas;
2. Existem diferentes necessidades informacionais devido aos diferentes perfis de
usuários;
3. As variáveis de língua, formato e nível da informação também são relevantes para com
a utilidade dos documentos e os interesses dos usuários;
4. A localização do documento deve ser feita para proporcionar acessibilidade ao
mesmo;
5. Diálogo inteligente dos profissionais para com os usuários para os mesmo obterem
confiança no sistema informacional da biblioteca;
6. Dificuldade dos usuários demonstrarem necessidade informacional para ser convertida
em demanda do serviço da informação.
De nada vale realizar estudos de usuários ano após ano e não se preocupar em desenvolver

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ações ou mudanças que representem a opinião desse usuário.

3 Materiais e métodos
As questões que orientaram essa pesquisa foram: os serviços prestados pela Biblioteca
Central da UFGD têm sido voltados para atender as necessidades informacionais dos
usuários? Os bibliotecários conhecem o perfil dos usuários que frequentam a biblioteca? Há
uma preocupação da parte dos bibliotecários com os usuários potenciais1?
A pesquisa é exploratória, caracteriza-se como estudo de caso, método quali/quantitativo, pois ao mesmo tempo em que se trabalharam as estatísticas, também foi
trabalhado o método quantitativo em algumas questões da avaliação.
A população pesquisada foram acadêmicos, docentes e técnicos administrativos da
Universidade Federal da Grande Dourados e da Universidade Estadual de Mato Grosso do
Sul2.
O instrumento de coleta de dados foi o questionário que foi disponibilizado na página
da Biblioteca através de um link e também foram impressos alguns questionários e deixados
no balcão de circulação.
A análise dos dados obtidos foi feita por meio de estatísticas e gráficos.

4 Resultados parciais/finais
O questionário consistiu em 22 questões, porém foram selecionadas para esta pesquisa
4 questões que trataram sobre o perfil dos usuários, 2 questões que dizem respeito as razões
do usuário frequentar a biblioteca e se ele possui conhecimento dos serviços que a biblioteca
oferece mais uma questão sobre como o usuário qualifica o atendimento prestados pelos
funcionários da biblioteca, 1 questão a respeito da qualidade do wireless e 1 questão sobre as
redes sociais.
A respeito do sexo 51,9% dos usuários que frequentam a biblioteca são do sexo
masculino, contra 48,1% do sexo feminino. Já a idade predominante dos usuários foi a faixa
etária de 15 a 25 anos, com 76,2%, seguido de 18% na faixa etária de 26 a 35 anos, 3% de 35
a 45 anos e 2,6% de 46 anos ou mais. Já a instituição que mais respondeu a pesquisa foi a
UFGD com 99,3% das respostas, contra 0,7% da UEMS colocar uma nota falando do
compartilhamento entre as duas instituições. Em relação ao vínculo do usuário na instituição
90,2 % declararam que estão na graduação, 4,9% técnicos-administrativos, 30,7% estão no
mestrado, 3, 5% são docentes, 0,5% no doutorado, 0,2% na especialização e 0,7% outros.
Não era obrigatório o preenchimento de nenhuma questão do questionário, e nas
questões da figura acima era possível assinalar mais de uma alternativa. O que se pode
observar é que a principal razão dos usuários frequentarem a biblioteca é para emprestarem
livros, seguido do estudo individual, na sequencia estudar em grupo, logo mais utilizar o wifi, utilizar o laboratório de informática, descansar, emprestar revistas e por último outras.
Cabe procurar saber, por exemplo, porque no empréstimo de revistas não houve um número
muito significativo de respostas, talvez isso se dê pelo fato dos periódicos não estarem
inseridos no sistema de automação da biblioteca, seja pelos usuários preferirem o acesso
Acerca dos usuários potenciais Faria (2010, p. 27) discorre que: “são todos os indivíduos inseridos na
comunidade da unidade de informação que podem utilizar os serviços e produtos de informação disponíveis, ou
seja, aqueles para quem os serviços estão disponíveis, ainda que eles não o utilizem efetivamente.”.
2
As bibliotecas da UFGD e da UEMS estão localizadas na Cidade Universitária e dividem o mesmo prédio por
um acordo criado há alguns anos atrás. O acervo da UFGD fica no primeiro andar, enquanto o acervo da UEMS
fica no térreo. Cada biblioteca possui seu próprio sistema de automação, porém é permitido ao acadêmico da
UFGD o empréstimo de materiais bibliográficos na biblioteca da UEMS e vice-versa.
1

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através do portal de periódicos da Capes, ou até mesmo por desconhecerem a possibilidade de
empréstimo desse material. Outro fator que merece destaque é o número significativo de
usuários que utilizam a biblioteca para descansar, há de se atentar para as medidas que a
biblioteca tem tomada para que esse usuário possa ter um local agradável e aconchegante para
descanso, pois muitos cursos da instituição são integrais, o acadêmico passa o dia todo na
universidade e entre uma aula e outra é na biblioteca que ele encontra um ambiente agradável
para descansar, seja pelo fato de ter ar-condicionado no ambiente ou pelo fato de terem sofás
no hall de entrada.

Figura 1 – Razões de frequentar a Biblioteca e Serviços que a Biblioteca oferece
Já sobre os serviços que a biblioteca oferece os usuários responderam que o serviço
mais conhecido é o empréstimo e devolução de materiais bibliográficos, seguido de acesso
aos computadores, confecção da 2ª via da carteirinha, acesso ao Portal de Periódicos
Capes, acesso às normas da ABNT, Biblioteca Digital de Teses e Dissertações,
Elaboração de ficha catalográfica, visitas orientadas, comutação bibliográfica,
treinamentos e outros. Um apontamento que se pode afirmar com base nas respostas é que
muitos serviços como as visitas orientadas, treinamentos, e a comutação bibliográfica
precisam de uma divulgação maior, uma vez que se o usuário desconhece a existência desses
serviços ele não irá utilizá-los.

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Figura 2 – Como você avalia o atendimento prestado na Biblioteca Central da UFGD
Através do gráfico acima é possível perceber que de modo geral, o atendimento
prestado na BC da UFGD foi bem avaliado. Principalmente no quesito da equipe que realiza
empréstimos e devoluções. O que de fato, é muito importante, pois o atendimento deve ser o
cartão de visitas da biblioteca. Quando o usuário é mal atendido, dificilmente esse voltará
para a biblioteca, ou sentirá certa barreira caso encontre dificuldades ou tenha dúvidas em
algum serviço. Quanto ao esclarecimento de dúvidas a qualificação foi considerada boa, o que
também pode ser considerado satisfatório. Como a equipe é formada por auxiliares,
assistentes administrativos, bibliotecários, estagiários e terceirizados há uma rotatividade de
pessoal muito grande, é necessário que as informações sejam sempre repassadas corretamente
para cada membro da equipe, para que possam dessa maneira esclarecer as dúvidas da
comunidade acadêmica, sejam elas da própria biblioteca, sejam sobre outros assuntos
pertinentes a universidade. No quesito agilidade também nota-se o destaque para a
qualificação “boa”, o que pode ser justificado pelo fato da equipe ter a preocupação em
poupar o tempo do acadêmico, que já é escasso, devido a grande gama de atividades que estes
possuem. Como nos demais quesitos a resolução de conflitos também foi considerada boa,
existe o regulamento da BC, e nele constam os deveres e os direitos dos acadêmicos, porém
existem situações excepcionais, cabe ao bibliotecário utilizar-se da empatia para que esses
conflitos sejam resolvidos.

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Figura 3 – Wireless e Redes Sociais
Em relação à qualidade da internet sem fio da Biblioteca é expressivo o número
apresentado no gráfico classificando como ruim 48,1% e 40% regular. O usuário precisa de
um wireless de qualidade para desenvolver suas pesquisas em seu notebook ou até mesmo
utilizar as redes sociais, seja de seu notebook ou de um smartphone. Até porque o laboratório
de informática da Biblioteca não consegue atender a quantidade de pessoas que frequentam a
biblioteca.
Já se tratando das redes sociais desde algum tempo a equipe da biblioteca vinha
percebendo a importância da comunicação via redes sociais para com os usuários. Visto que é
um meio de comunicação presente na vida de muitas pessoas, ao postar algum aviso ou dica
via rede social a visibilidade do que se deseja comunicar acaba sendo maior e mais eficaz do
que simplesmente postar as informações na página da biblioteca. Até mesmo pro serviço de
referência virtual seria muito útil a criação dessas redes, pois não haveria nem necessidade de
o usuário vir pessoalmente até a biblioteca ou ter que ligar para sanar alguma dúvida.

5 Considerações parciais/finais
O que se pode concluir, através dos resultados obtidos é que o estudo de usuário é uma
ferramenta essencial para descobrir o grau de satisfação dos usuários com os serviços
oferecidos, se eles possuem conhecimento desses serviços, se é necessário trabalhar mais com
a questão do marketing. No caso das principais razões dos usuários frequentarem a biblioteca
é esperado que o empréstimo fosse a principal razão, mas é perceptível a quantidade de
usuários que tem utilizado a biblioteca como ambiente de descanso e isso não torna esses
usuários menos importantes do que os que a utilizam para outras finalidades. É preciso pensar
em estratégias para que a biblioteca possa satisfazer a demanda desses usuários também, criar

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um espaço mais sofás e almofadas, fazer uso da criatividade. No caso dos serviços oferecidos
há um desconhecimento de certos serviços que seriam muito mais utilizados se fossem mais
bem divulgados, seja pela própria página da biblioteca no site da UFGD, seja através das
redes sociais.
Acredita-se que os serviços têm sido voltados para os usuários, observou-se que o
perfil desse usuário é quase que dividido entre homens e mulheres e a faixa etária dos 15 a 25
anos mostra que é um público bem jovem que está na graduação, sendo que a maioria é
vinculado à própria UFGD. É interessante desenvolver ações que cativem esse público a
frequentar mais o ambiente da biblioteca, saber mais sobre seu universo e suas necessidades,
promover ações culturais e exposições sobre temas que chamem a atenção desse público.
No quesito atendimento a equipe está de parabéns pelo trabalho prestado à
comunidade acadêmica e acredita-se que com os resultados obtidos a equipe estará mais
motivada ainda a realizar um trabalho com excelência.
Em relação à qualidade do wireless com base nos dados que se obteve já foram
providenciados repetidores de sinais wireless para serem colocados em pontos estratégicos do
prédio da biblioteca. Quanto às redes sociais será realizada uma reunião com a Assessoria de
Comunicação para saber mais detalhes sobre a política de criação de redes sociais por setores
específicos da instituição.
Espera-se que essa pesquisa tenha contribuído para posteriores estudos de usuários,
tanto na própria instituição para saber se houveram avanços, quanto em outras instituições.
Também é preciso desenvolver ações que possam trazer os usuários potenciais para a
biblioteca. Toda a comunidade acadêmica seja professores, alunos ou técnicos administrativos
deve se sentir inserida no contexto da biblioteca. Atender as demandas de cada um dos
segmentos é uma atitude que deve ser observada.
Outra sugestão é que essa avaliação da BC seja realizada com certa periodicidade
(semestralmente, anualmente) para que possa haver uma comparação dos resultados a fim de
saber se os aspectos que precisavam ser melhorados foram de fato, melhorados, os aspectos
que tiveram boas avaliações manterão o padrão. Enfim essa análise é primordial.

6 Referências
FARIA, Cleide Vieira de. Identificação das necessidades informacionais e comportamento
de busca dos usuários da biblioteca central da UFMG: ênfase nos alunos de graduação do
Instituto de Ciências Exatas e Instituto de Ciências Biológicas. 2010. 66f. Trabalho de
Conclusão de Curso (Especialização em Gestão Estratégica da Informação) – Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Estudos de uso e usuários da informação. Brasília:
IBICT, 1994. 154p.
GUINCHAT, Claire; MENOU, M. J. Introdução geral às ciências e técnicas da informação
e documentação. 2. ed. Brasília: IBICT, 1994. 540p.
GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos/Livros,
2001. 196p.

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                <text>Os estudos de usuário são ferramentas de grande importância para avaliar o nível de satisfação dos usuários em relação aos serviços ofertados pela biblioteca. Através desta ferramenta é possível perceber quais serviços precisam de melhorias, quais estão atendendo a demanda informacional dos usuários e quais precisam ser repensados. Nesse sentido, houve uma preocupação da equipe que atua na Biblioteca Central da Universidade Federal da Grande Dourados em saber o que os usuários têm pensado a respeito dos serviços oferecidos pela BC. Foi elaborado um questionário (através do Google Forms) e amplamente divulgado pela Assessoria de Comunicação da instituição. Pelo fato do questionário ser muito extenso, nesta pesquisa optou-se por abordar somente o perfil desses usuários, questões que tratam propriamente dos serviços oferecidos pela biblioteca, wireless e redes sociais.</text>
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                    <text>As mídias sociais nas bibliotecas das Universidades Federais do
Ceará e do Amazonas
Aurineide Alves Braga (UNIR/UPorto) - aurineideb@unir.br
Ana Roberta Sousa Mota (UFPB) - anarobertamota@gmail.com
Jacqueline Aparecida Souza (UFRN/UPorto) - jackebci@gmail.com
Fernando Bittencourt dos Santos (UFS) - fernandoubatuba@hotmail.com
Resumo:
O advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), sobretudo a internet,
proporcionou a construção de um novo ambiente infocomunicacional caracterizado por
transformações sociais e culturais relacionadas ao acesso, disseminação, produção, consumo e
uso dos meios de comunicação. Consequentemente, com uso das ferramentas web 2.0, como
blogs, facebook, twitter, youtube, potencializou a cultura de convergência, conceituada por
Henry Jenkins a partir do fluxo de conteúdos entre várias plataformas digitais e o cruzamento
de múltiplas mídias. Neste cenário, no qual surgem novas práticas sociais digitais,
questiona-se: as bibliotecas das universidades federais do Ceará e do Amazonas utilizam as
mídias sociais para se adaptar e modificar suas práticas comunicacionais? O objetivo deste
estudo foi verificar de que forma são adotadas as mídias sociais nas bibliotecas e,
especificamente, identificar quais redes sociais são utilizadas e como são convergentes. Para
sua realização, procedeu-se uma revisão bibliográfica em fontes convencionais e eletrônicas,
assim como uma breve análise dos websites das referidas instituições. Dessa forma,
constatou-se o uso recente de redes sociais, contemplando diferentes mídias, com distintos
dispositivos de acesso. Verifica-se a necessidade de ampliar estudos nesta temática, que
contemplem o compartilhamento e interatividade entre as bibliotecas universitárias e seus
usuários.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Mídias sociais. Cultura de convergência. Web 2.0.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Cultura e comportamento informacional

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

1

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Atualmente vivemos numa sociedade de intensas transformações, regida por uma
dinâmica, em que a informação, inovações tecnológicas e novas formas de comunicação têm
revolucionado a economia, a vida social, a política e as interações de toda ordem. Uma
sociedade em rede e em constante adaptação, influenciada largamente por uma cultura da
virtualização, cuja interação, participação e compartilhamento são reivindicadoras de um
novo modo de viver.
No que diz respeito aos atores sociais envolvidos nesse processo, a biblioteca é
entendida como partícipe na construção dessa sociedade, cuja matéria prima essencial, a
informação, precisa ser disponibilizada aos indivíduos, indo ao encontro do pensamento de
Gleick (2012, p.17), ao enfatizar que “a informação é aquilo que faz mover o nosso mundo: o
sangue e o combustível, o princípio vital. Impregna as ciências de cima abaixo, transformando
todos os ramos do conhecimento”. Dessa forma, a informação se constitui num “produto
humano e social” conforme afirma Passarelli et al (2014, p.83).
Ao longo do tempo, a biblioteca soube se posicionar mediante as demandas
provenientes de uma sociedade que necessita de informação tratada e de fácil acesso, para
produzir conhecimento mediante sua decodificação e utilização. Nestes termos, informação,
aqui reconhecida como objeto de estudo da Ciência da Informação, tem sua definição
consoante o entendimento de Silva (2006, p.25), a saber:
Conjunto estruturado de representações mentais e emocionais codificadas
(signos e símbolos) e modeladas com/pela interação social, passíveis de
serem registradas em qualquer suporte material (papel, filme, banda
magnética, disco compacto, etc.) e, portanto, comunicada de formas
assíncrona e multidirecionada.

Na sociedade contemporânea a comunicação nas bibliotecas dar-se-á mediante a
reconfiguração do seu ambiente, com a inserção das novas tecnologias, notadamente, com a
apropriação das mídias sociais como estratégia para expandir sua atuação e continuar como
mediadora, entre a produção do conhecimento e os usuários. Dessa forma, cabe às bibliotecas,
frente o impacto que as novas tecnologias digitais impõem, com sua diversidade e
complexidade, criar novos espaços que favoreça uma maior interação com a sociedade.
Nessa perspectiva, além de estrutura física, agora as bibliotecas dispõem de novos
recursos e estratégias virtuais que alteram fundamentalmente seu modus operandi; podem
ultrapassar o espaço físico das suas paredes e adentrar em um mundo virtual denominado
ciberespaço. (VIEIRA; CARVALHO; LAZZARIN, 2008).
Dentro desta perspectiva insere-se a biblioteca universitária que contribui para a
democratização da informação contemplando épocas, teorias, ciências e promovendo a
inclusão social, além de funcionar como fonte de lazer e conhecimento. Sua função primordial
é servir a comunidade acadêmica na qual está ligada, principalmente em suas investigações e
atendendo as necessidades informacionais dos pesquisadores e demais atores sociais na qual
esteja inserida.
Baseando-se nos resultados do estudo intitulado “Uma proposta de modelo baseado na
Web 2.0 para as Bibliotecas das Universidades Federais”, de autoria de David V. Vieira, Eliane
B. de Carvalho e Fabiana A. Lazzarin, com dados obtidos em 2008, momento em que os
autores observaram que ferramentas da Web 2.0 (wikis, redes sociais, RSS e tagging) são
ausentes de todas as bibliotecas pesquisadas, este estudo investigou a situação de duas
bibliotecas universitárias em 2015, acerca da adoção das mídias sociais no contexto estudado
e busca responder a seguinte questão de pesquisa: As bibliotecas das universidades federais
do Ceará e do Amazonas utilizam as mídias sociais para se adaptar e modificar suas práticas

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comunicacionais? Diante de tal questão, o objetivo do estudo é verificar de que forma são
adotadas as mídias sociais nas bibliotecas. Especificamente, identificar quais redes sociais são
utilizadas e como são convergentes. A escolha das referidas instituições foi feita de forma
randomizada e também pela familiaridade regional dos autores com as respectivas
universidades.
Para realização do estudo empreende-se uma revisão bibliográfica acerca do ambiente
virtual, com ênfase na internet, sobre a Web 2.0, Biblioteca 2.0 e comunicação nas bibliotecas
numa cultura de convergência.

2 A Internet e a Web 2.0 como forma de compartilhamento de informações
Estamos vivendo uma era denominada Sociedade da informação em que a Internet é
um caminho que permite o acesso a uma gama de informação das mais diversas possíveis.
Para corroborar com essa assertiva Vieira, Carvalho e Lazzarin (2008) observam que a
Internet é uma facilitadora e disseminadora da informação, ao compartilhar recursos, por
meio de sua rede interconectada e interoperativa.
Para Lévy (2000) a Internet se constitui num canal interativo que possibilita troca,
criação, geração e armazenamento de informação tornando possível a disseminação da
inteligência coletiva, onde nestas conexões são compartilhadas também práticas sociais e
culturais diversificadas que facilitam a colaboração entre as pessoas do mundo digital on-line.
Diante deste aspecto, as interações humanas foram afetadas por diversas formas de
comunicação: mensagens instantâneas, fóruns de discussão e redes sociais, de tal forma que a
Internet transformou-se em um espaço democrático de expressão e de acesso à informação
nas bibliotecas. Seus endereços eletrônicos direcionam os usuários para páginas e/ou links,
permitindo a interatividade e a participação coletiva, resultando na segunda geração de
serviços on-line, a Web 2.0. (VIEIRA; CARVALHO; LAZZARIN, 2008).
A Web 2.0 é chamada de participativa ou colaborativa e também conhecida como Web
Social. Destaca-se por ser dinâmica, interativa e permite ao usuário participar do conteúdo da
página. O usuário participa na construção da Web 2.0 a partir do momento que posta
comentários em notícias, nas redes sociais, envia imagens, edita páginas, compartilha
arquivos, faz uploads.
Na tentativa de explicar o que é a Web 2.0, Tim O’Reilly, presidente da O’Reilly
Media, publicou um artigo no qual define características que diferem a Web 2.0 da Web 1.0.
Esse trabalho é fruto de uma conferência de brainstorming1 ocorrida em 2004, entre a
O’Reilly e a MediaLive International. Segundo esse artigo, o primeiro passo é entender a web
como uma plataforma. Na Web 2.0 não há a necessidade de instalar softwares desktop, apenas
de executá-los, nem de baixar versões para sua atualização. Em relação aos usuários, são eles
que controlam os próprios dados. As competências centrais são baseadas em serviços,
arquitetura de participação, inteligência coletiva, entre outras. Os produtos geralmente são
divulgados de usuário para usuário e não por publicidade, é o que se chama de “marketing
viral”. Os aplicativos se tornaram “infowares” em vez de simplesmente softwares. Outra
característica é o fato dela não se limitar à plataforma PC.
Segundo O’Reilly, por ser uma web colaborativa, a 2.0 parte do princípio de que
quanto mais pessoas usarem os serviços eles se tornam melhores. Isso se chama “inteligência
coletiva” e foi a responsável por algumas empresas sobreviverem ao período de transição da
1

É uma ferramenta para geração de novas ideias, conceitos e soluções para qualquer assunto ou tópico num
ambiente
livre
de
críticas
e
de
restrições
à
imaginação.
(Disponível
em:
&lt;http://negociosdez.comunidades.net/index.php?pagina=1168714732_08&gt;. Acesso em: 06 jul. 2016).

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3

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web.

A inteligência coletiva por Pierre Lévy (2000) é uma inteligência reconhecida e
enriquecida mutuamente pelas pessoas, distribuída por toda parte, valorizada e coordenada em
tempo real. Ou seja, é construída pela cooperação.
Com a criação da internet os serviços das bibliotecas se modificaram e a proporção da
explosão bibliográfica acresceu à medida que as tecnologias de comunicação se
desenvolveram. A grande rede mundial ampliou as possibilidades de comunicação e pesquisa.
Neste sentido, Guimarães (2005, p. 159), ressalta que “com a introdução World Wibe Web, a
internet se tornou um dos principais recursos de comunicação no mundo atual.” Enquanto
Souto (2003, p.7), afirma que “com o uso do computador a literatura científica aumentou nos
últimos anos. As facilidades de acesso permitidas pela internet contribuíram para o aumento
dessa produção científica”. Fatores como estes contribuíram para a proliferação de: textos,
artigos, livros digitais, resenhas, relatórios, pré-prints, teses, dissertações, chats, e-mails,
videoconferências e sites, além dos multimídias, definidos pela Associação para Promoção e
Desenvolvimento da Sociedade da Informação (2007) como “tecnologias da informação que
permitem a utilização simultânea de vários tipos de dados digitais (textuais, visuais e sonoros)
no interior de uma mesma aplicação ou de um mesmo suporte” ao mesmo tempo em que a
internet facilitou o acesso à informação e a comunicação tornou também à medida e a
organização deste conteúdo um desafio para sociedade.
Na realização da conferência MediaLive e O’Reilly, em outubro de 2004 (http://
web2con.com) realizada pelas empresas de mídia, em São Francisco, surgiu a ideia de Web
2.0, em que o usuário participaria diretamente e de modo colaborativo na criação de conteúdo.
A ênfase não era mais a tecnologia, mas no entendimento de modo novo de utilizar a Internet.
Uma Web descentralizada, funcionando a partir de conteúdos postado em um determinado site
por meio de plataformas abertas, pode ser considerada uma nova concepção de internet – Web
2.0 ou Web Social. (BLATTMANN; SILVA, 2007). Concomitantemente, as repercussões
sociais motivadas a partir da utilização da Web 2.0 são reconhecidas por Primo (2007) ao
enfatizar que os processos de trabalho coletivo são potencializados e que o compartilhamento
de informação é efetivado.
Acerca do conceito de Web 2.0, Vieira, Carvalho e Lazzarin (2008, p.2) ressaltam “que
ainda necessita de uma melhor compreensão na área da Ciência da Informação, a aplicação do
pensamento e das tecnologias Web 2.0 aos serviços das bibliotecas”, e que sua utilização
caracteriza-a como Biblioteca 2.0. Assim, pode se evidenciar a aplicação de interação,
colaboração, e tecnologias multimídia baseados em Web para serviços e coleções de
bibliotecas. (MANESS, 2007). O autor ainda assinala que uma Biblioteca 2.0 é centrada no
usuário, oferece uma experiência multimídia, é socialmente rica e comunitariamente
inovadora. Ainda sobre este assunto, Blattmann e Silva (2007) enfatizam alguns exemplos de
recursos da Web 2.0 que podem ser usados pela Biblioteca 2.0, a saber: tecnologias de RSS,
blogs, streaming media (vídeos, podcasts), redes sociais, taggings, wikis, mensagens
instantâneas e formulários para interação com o usuário da biblioteca e o bibliotecário.
O desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e os novos
meios de disseminação da comunicação científica, disponíveis na web, representam para as
instituições de ensino uma das principais vitrines para divulgação da produção científica
institucional e de seus pesquisadores. Tendo como princípio a web como plataforma, a criação
da web 2.0, segunda geração de comunidades e serviços, proporciona-se a criação de
ferramentas multimídias de grande relevância na comunicação. Ainda sobre esta mesma linha
de considerações, Meirelles e Moura (2007) reforçam que na Web 2.0 há uma modificação
substancial no papel do usuário, agora reconhecido como interator, na qualidade de quem
interage, seleciona e controla as informações, passando de mero consumidor para um produtor
de conteúdo.

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No ambiente universitário, as bibliotecas estão aderindo cada vez mais as TIC como
ferramenta de disseminação do conhecimento e dos serviços oferecidos à comunidade
acadêmica. Nessa perspectiva, algumas das redes sociais, disponíveis na web 2.0, como o
Twitter, Facebook, LinkedIn e Slideshare tem se configurado de grande relevância na
disseminação de informações e serviços oferecidos para a comunidade acadêmica.
Um novo comportamento é exigido aos bibliotecários: o de mediador entre serviços
em plataformas digitais e seus usuários. Sobre mediação, Silva (2010, p.25) afirma que é
destinada, em especial, aos
info-incluídos e os born digital ou nativos da internet. Os serviços de informação
multiplicaram-se e complexificaram-se até se instalarem na internet e, aqui, a função
mediadora de comunicação no espaço social e a função mediadora institucional, com
as estratégias comunicacionais específicas dos respectivos actores e agentes, não
desapareceram, nem tendem, necessariamente, a desaparecer, mas podem
transformar-se e coexistir com um emergente novo tipo de mediação – deslocalizada
ou dispersa (na internet/redes conexas), institucional, colectiva, grupal, pessoal e até
anónima, interactiva e colaborativa. Possíveis traços caracterizadores, entre os quais
importa destacar a interação e os processos colaborativos, sociais, de participação
cívica, espontânea e militante.

Diante do contexto apresentado pelas novas tecnologias da informação e comunicação
em plataformas digitais, considera-se de extrema importância que as bibliotecas se adaptem a
esta cultura de convergência de novas mídias e que seus profissionais se aperfeiçoem para
oferecer novos serviços em novas plataformas e ferramentas que utilizam da inteligência
coletiva e compartilhamento de informações.

3 Comunicação nas bibliotecas e a cultura de convergência
Uma nova concepção de cooperação emerge através de uma inteligência coletiva, que
para (LÉVY, 2007, p. 28), é “uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente
valorizada, coordenada em tempo real, que resulta uma mobilização efetiva das
competências”. Os conteúdos passam a ser colaborados através de uma inteligência coletiva, e
tanto a comunidade quanto as organizações criam, gerenciam, editam e compartilham
conteúdos oriundos de uma cultura de convergência descrita por Jenkins (2008, p. 29) como
um “fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre
múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de
comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento
que desejam”. É oportuno enfatizar o poder de transformação da indústria midiática, a
coexistência entre diferentes mídias e a percepção de que a convergência está além da esfera
tecnológica, inserindo-se também na esfera do uso. O autor ainda refere-se que, cultura de
convergência implica também num “lugar onde as velhas e as novas mídias colidem, onde
mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder
do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis”.
Hopkins, Hare, Donaghey &amp; Abbott (2014) em seu estudo sobre a cultura da
participação em bibliotecas por meio da convergência digital em dispositivos móveis,
enfocam a importância das bibliotecas contemporâneas quanto ao seu enquadramento numa
rede integrada de comunicação. Ainda enfatizam que não há fronteiras nesse mundo digital,
pois as conexões são realizadas de todos os lugares e de muitas formas. O foco é integrar a
comunidade, proporcionar espaços para participação compartilhada e criar conteúdo cultural
originais. Ademais, demonstram outras possibilidades, quando ampliam o potencial destes
dispositivos para atuar nas atividades de divulgação da biblioteca, incrementar serviços e
aproximar o usuário ampliando a cultura participativa quando abre espaço para que haja

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compartilhamento de conteúdo. Apresenta uma ideia de ‘Biblioteca Hyperlinked’ para
caracterizar a cultura participativa.
A ideia de uma biblioteca híbrida permanece atual, compatibilizando serviços
tradicionais, estáticos, assíncronos com serviços interconectados por meio de uma rede de
computadores. Esse contexto nos direciona a fazer uma analogia com a assertiva de Jenkis
(2008, p. 30-31) quando afirma que “se o paradigma da revolução digital presumia que as
novas mídias substituiriam as antigas, o emergente paradigma da convergência presume que
novas e antigas mídias irão interagir de formas cada vez mais complexas”. Dessa forma,
entende-se que não haverá colapso nas bibliotecas tradicionais, mas uma necessária
reconfiguração nos seus processos de trabalho, por meio da convergência tecnológica, a qual
permitirá aos usuários da biblioteca amplo acesso para ampliar o uso da informação via
plataformas digitais para interagir, usando computador ou dispositivos móveis, como celulares
e tablets.
Dentre as diversas transformações, destacam-se as novas formas de interação e de
relações sociais que estão diretamente relacionadas às tecnologias de informação e
comunicação (TIC), que agregam ainda mais valor ao conteúdo informacional e às práticas de
comunicação de diferentes formas. (MUNIZ; LIMA 2013). Em síntese, as bibliotecas terão
que aproveitar as novas tecnologias móveis, potencializadas por este novo ambiente de
convergência das mídias. (HOPKINS et al,2014).

4 Materiais e métodos
Este artigo se utilizou dos resultados do estudo intitulado “Uma proposta de modelo
baseado na Web 2.0 para as Bibliotecas das Universidades Federais”, de autoria de David V.
Vieira, Eliane B. de Carvalho e Fabiana A. Lazzarin, com dados obtidos em 2008, nos quais
ferramentas da Web 2.0 (wikis, redes sociais, RSS e tagging) são ausentes de todas as
bibliotecas pesquisadas, inclusive demonstram que a realidade das Bibliotecas ainda é
baseada na estruturada Web 1.0, quando nas páginas web das Bibliotecas Universitárias
Federais há apenas a inclusão de espaços indicativos de informações básicas que uma
biblioteca precisa para divulgar na Internet: acervo; bases de dados; biblioteca digital de teses
e dissertações; catálogo online; contato (e-mail ou formulário); endereço das bibliotecas
setoriais; horário; links; normas da biblioteca; notícias; novas aquisições; periódicos.
Neste estudo os autores selecionaram dezoito bibliotecas universitárias federais, sendo
que de cada região escolheu-se uma amostra, como se segue: Sul, 3(três); Sudeste, 4(quatro);
Norte, 2(duas); Nordeste, 6(seis) e, Centro-Oeste, 3(três), constituindo-se o universo da
pesquisa.
Consequentemente, como parte da proposta deste estudo, procedeu-se a pesquisa
bibliográfica e documental em fontes impressas e eletrônicas, especificamente em portais de
bibliotecas universitárias e considerando o tempo exíguo para realização das análises, foram
selecionadas as bibliotecas da UFC (Universidade Federal do Ceará) e UFAM (Universidade
Federal do Amazonas), com o propósito de investigar a situação em 2015, acerca da adoção
das mídias sociais e/ou facilitação de acesso e compartilhamento por meio de dispositivos
móveis no contexto estudado. Foram consultadas também fontes primárias a exemplo de
livros, periódicos, anais de congressos, teses e documentos eletrônicos da Internet, entre
outros documentos congêneres, secundárias (Bases de dados textuais e referenciais como:
Lisa, Scielo, Scopus, Periódicos Capes, Web of Science, BRAPCI entre outras) e terciárias
(bibliografias, índices, catálogos coletivos, diretórios e outros) da área de Ciência da
Informação.
Oliveira (2007, p. 69) assinala que a principal finalidade da pesquisa bibliográfica é
proporcionar aos pesquisadores o contato direto com obras, artigos ou documentos que tratem

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do tema em estudo: “o mais importante para quem faz opção pela pesquisa bibliográfica é ter
a certeza de que as fontes a serem pesquisadas já são reconhecidamente do domínio
científico”. Ela se posiciona sobre a pesquisa documental: “a documental caracteriza-se pela
busca de informações em documentos que não receberam nenhum tratamento científico, como
relatórios, reportagens de jornais, revistas, cartas, filmes, gravações, fotografias, entre outras
matérias de divulgação”.

5 Resultados
Em contraponto aos resultados apresentados em 2008, o qual indicava que ainda havia
uma distância entre o modelo conceitual da Web 2.0 e a sua usabilidade entre páginas web das
bibliotecas universitárias federais pesquisadas, em 2015 os dados coletados apresentam a
seguinte realidade:
 Biblioteca da UFC – Universidade Federal do Ceará, dentre as dezessete
bibliotecas que compõem o Sistema, sete adotam mídias sociais, a saber:
o Biblioteca de Ciências Humanas (BCH) – está presente nas redes sociais em
sua página oficial no Facebook, Twitter e Pinterest. O primeiro perfil oficial da
BCH criado em rede social foi no Twitter (@bchufc), em abril de 2011. A
página no Facebook e Pinterest foram criadas recentemente. Pinterest é
uma rede social de compartilhamento de fotos e afiliado com
o Twitter e Facebook. Usuários do Sistema de Bibliotecas da UFC têm a opção
de realizar consultas, renovações e reservas de livros utilizando smartphone ou
tablet.
o Biblioteca do Campus de Russas (BCR) – adota o Facebook desde 2 de
março de 2015.
o Biblioteca de Ciências e Tecnologia (BCT) – adota o Twitter desde 12 de
março de 2010 e Facebook desde 01 de janeiro de 2012. Sobre o uso do
Facebook pelas unidades de informação, Godeiro e Serafim (2013) consideram
que o mesmo pode ser utilizado para criação de enquetes, sendo que esta
última propicia o feedback sobre os serviços que estão sendo oferecidos no
ambiente da biblioteca; sugestão de novas aquisições para a unidade de
informação feita pelos usuários; divulgação de eventos e cursos promovidos
pela biblioteca; vídeo aula sobre normalização bibliográfica, orientação quanto
ao uso dos serviços da biblioteca, entre outras; bate papo (chat) no qual
permite a interação síncrona com os usuários que estão on-line no Facebook,
auxiliando no serviço de referência e no esclarecimento de dúvidas, uma vez
que o bibliotecário de referência estará disponível para atendimento on-line e
publicação de novas aquisições de forma a divulgar os materiais adquiridos
pela biblioteca, através de compra e doação.
o Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS) – adota o Twitter desde 03 de
setembro de 2009.
o Biblioteca da Faculdade de Direito (BFD) – informa um endereço de Twitter
em sua página oficial, que nos remete para bdf_ufc. Não tem um Twitter
institucional. De acordo com Recuero e Zago (2009), o uso do Twitter para
acesso à informação é corrente tantos pelos usuários que parecem investir
tempo na busca e divulgação de informações para seus contatos, quanto por
veículos de mídia.
o Biblioteca da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e
Contabilidade (BFEAAC) – tem um Blog e indica que a fanpage oficial no
Facebook é a Biblioteca da FEAA/UFC.

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o Biblioteca do Campus de Quixadá (BCQ) – tem um Blog. Data de início não
identificada. Importante ressaltar que o blog teve grande aceitação na
Sociedade da Informação, pois é “fundamentalmente 2.0” (MANESS, 2007).
Para a Biblioteca 2.0 os blogs podem ser utilizados como outra forma de
publicar artigos e disseminar conhecimento científico podendo fazer parte do
acervo oficial da biblioteca. Farkas (2007) sugere que: os blogs podem permitir
que os bibliotecários coloquem mais de si mesmos e de sua biblioteca em seu
site ao publicarem artigos na área, escreverem mais sobre o que está
acontecendo em sua biblioteca e escreverem mais mensagens reflexivas sobre
o estado da profissão; um blog pode proporcionar um fórum para os
bibliotecários educarem seus usuários e ser um espaço ideal para a divulgação
de notícias e outras informações; muitos bibliotecários utilizam o blog para
compartilhar informações com colegas de todo o mundo, construir
comunidades e promover-se; os bibliotecários que fazem uso dos blogs, podem
aprimorar suas habilidades de escrita.
 Biblioteca da UFAM – Universidade Federal do Amazonas, não foi identificado em
sua página oficial na Internet nenhuma evidência de utilização de mídias sociais e/ou
facilitação de acesso e compartilhamento por meio de dispositivos móveis. Referente à
não utilização das ferramentas da Web 2.0, Rosa (2008, p.20) considera que:
A resistência por parte dos profissionais da informação, que se restringem à
utilização de recursos tradicionais, seja por dificuldade de adaptação, falta de
segurança, fatores pessoais e culturais, têm sido uma das dificuldades encontradas
na utilização das tecnologias disponíveis na Web 2.0. (ROSA, 2008, p.20).

Corroborando com a afirmação anterior, Abram (2006 apud MACHADO, 2010, p.3940), apresenta 23 pequenos exercícios que podem servir como solução para dificuldades
apresentadas por profissionais da informação em relação ao uso das ferramentas Web 2.0. Os
exercícios são divididos em programas de nove semanas, para que os tradicionais
bibliotecários aprendam a utilizam as ferramentas da Web 2.0. As atividades estão listadas
abaixo:
Semana 1- Introdução: Aprender a aprender:
a) Leia o blog e descubra sobre o programa;
b) Leia algumas sugestões de alunos e desenvolva seu próprio meio de
aprendizagem;
Semana 2 – Blogando
c) crie seu próprio blog e faça seu primeiro post;
d) registre o seu blog e comece a sua jornada 2.0;
Semana 3 – Fotos e imagens
e) explore o Flickr e aprenda como utilizar esse popular site de armazenamento
de imagens
f) divirta-se com o Flickr e descubra sobre Mashups;
g) poste no seu blog, algo tecnológico que lhe interessou essa semana;
Semana 4 – RSS e agregadores de notícias
h) aprenda sobre feeds de RSS e como configurar um leitor de notícias
i) encontre alguns blogs relacionados a Biblioteconomia e adicione ao seu leitor
de notícias;
Semana 5 – Semana de jogos

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j) brinque com geradores de imagens virtuais ou crie um avatar;
k) de uma olhada no catálogo Librarything e alguns de seus livros favoritos;
l) crie sua própria ferramenta de busca com Rollyo;
Semana 6 – Tagging, Folksonomia e Technorati;
m) Aprenda sobre tags e descubra sobre o Delicious;
n) Explore o Technorati e aprenda como trabalhar com tags em blogs;
o) leia algo sobre Web 2.0, Biblioteca 2.0 e o futuro das bibliotecas, poste em seu
blog suas opiniões;
Semana 7 – Wikis
p) aprenda sobe wikis e descubra como a biblioteca pode utilizar essa ferramenta;
q) adicione alguma entrada (termo) na wiki Learning 2.0 Sandbox;
Semana 8 – aplicações e ferramentas Online
r) dê uma olhada em alguma ferramenta de escritório online (processamento de
texto, planilha eletrônica);
s) explore as ferramentas da Web 2.0, brincar com elas, e escreva um post sobre
suas descobertas. (ABRAM, 2006 apud MACHADO, 2010, p. 39-40).
Evidenciou-se que, dentre as bibliotecas federais pesquisadas, apenas a UFC faz uso
das tecnologias presentes na web 2.0, o que favorece a aproximação, interação e participação
do usuário. Com as novas tecnologias, especificamente, com a apropriação das mídias sociais,
a biblioteca se expande e amplia seu raio de atuação, possibilitando a sua permanência como
mediadora entre a produção do conhecimento e o usuário. Desta forma, a biblioteca se
reconfigura e se moderniza para atender um público que demanda por uma atuação mais
dinâmica por parte da biblioteca.
Dessa forma, Imran (2011, p.59) assinala que:
[...] A Web 2.0 encoraja mudanças constantes e direcionadas, envolve os usuários na
criação de produtos físicos e virtuais, e serviços que estão sendo constantemente
avaliados, por meio de feedbacks, contribuições e conversas. Muitas bibliotecas ao
redor do mundo adotaram essas mudanças rapidamente e agora presenciamos a
proliferação de novos serviços e funcionalidades os quais eram desconhecidos até
alguns anos atrás.

Numa sociedade midiatizada, em que o ambiente virtual ocupa cada vez mais espaço
por meio das tecnologias de informação e comunicação, espera-se que em sua totalidade, as
bibliotecas universitárias federais brasileiras adotem os recursos das mídias sociais e os
dispositivos móveis com o propósito de disponibilizar à sociedade uma biblioteca conectada,
participativa e inclusiva, de modo que haja um aumento na divulgação das coleções, incentivo
à cultura participativa e ampliação das conexões com as comunidades on-line.

6 Considerações finais
Com a evolução das bibliotecas e o advento das TIC, as bibliotecas universitárias têm
se inserindo paulatinamente nos novos paradigmas da informação e comunicação em
plataformas digitais, algumas de forma pró-ativa utilizando as redes sociais para
disponibilizar maior acesso às informações a própria biblioteca. Porém, no escopo deste
estudo, percebe-se muitas lacunas a serem preenchidas, notadamente em relação a concepção
de um novo modelo convergente.
Pesquisas recentes realizadas em âmbito nacional e internacional demonstram que
recursos interativos 2.0 ainda são pouco utilizados no Brasil, diante deste prisma, a este
estudo constata essa afirmação. Fatores tecnológicos, humanos e sociais estão atrelados a isto.
Entretanto, nos espaços em que estes recursos estão sendo inseridos tem ocorrido maior

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aproximação e apropriação do utilizador sobre os conhecimentos buscados na Biblioteca. A
partir da Web 2.0, novos serviços são oferecidos e a comunicação é realizada em diversos meios,
o que nos leva a perceber que com a implementação e utilização de novas tecnologias, novos
desafios vêm sendo proporcionados, gerando consequente crescimento exponencial de recursos
disponibilizados, advindos de recentes necessidades identificadas, aumento das expectativas dos
utilizadores e múltiplas formas de comunicação. Esse tipo de comunicação, por meio de partilha
potencializa as formas de publicar, compartilhar e organizar a informação, além de ampliar
espaços e proporcionar maior interação entre os usuários durante este processo, acarretando numa
maior integração entre os participantes pelo facto dos usuários criarem, modificarem e
disseminarem conteúdos em ambientes multimídias.
A perspectiva apresentada obriga as bibliotecas universitárias a não estar distantes
dessa realidade e para que elas se insiram neste meio é preciso uma pró-ação do bibliotecário
e das instituições a quem estão ligados. É preciso perceber que os usuários estão circulando
nestes novos espaços e é lá que a biblioteca também deve estar para auxiliá-los e motivá-los
ao acesso e compartilhamento de informações produzidas. Deve haver uma maior interação
entre a biblioteca universitária e o utilizador para que ambos percebam que a troca é um
caminho que trará o diferencial competitivo. No mundo globalizado que vivemos esta troca é
necessária e para tanto se pressupõe que a vinculação de recursos de intermediação interativa
da informação possibilitadas pelo avanço das plataformas interativas, reconhecidas como web
2.0, possa não só aproximar os usuários dos serviços/produtos de informação promovidos pela
biblioteca, mas também retroalimentará o próprio sistema de informação na medida em que,
ao utilizar esses recursos interativos, utilizador e bibliotecário também estarão produzindo
novas informações que fazem parte da constituição da própria Biblioteca.
Conforme o objetivo proposto, verificar de que forma são adotadas as mídias sociais
nas bibliotecas e identificar quais redes sociais são utilizadas e como são convergentes,
constatou-se que a utilização de redes sociais ocorre de forma diversificada, contemplando
diferentes recursos informacionais, como texto, imagem, vídeo, blogs e, além disso, integram
diversificados dispositivos de acesso às plataformas digitais. Contudo, percebe-se a
necessidade de explorar a temática da cultura de convergência por parte das bibliotecas
universitárias, com vistas a aprimorar seus serviços a partir da perspectiva dos usuários como
consumidores e produtores de informação, considerando aspectos relacionados ao
compartilhamento, interatividade e participação.
Não é novidade que precisamos de mais profissionais bibliotecários atuando em
bibliotecas. Essa é uma grande deficiência do nosso país e consequentemente das regiões
norte e nordeste. Partindo dessa afirmação, é imperioso o conhecimento e/ou capacitação dos
profissionais da informação no uso das ferramentas da Web 2.0, de modo que, com isso, ele
possa tornar o ambiente da unidade de informação, um espaço interativo e convidativo para o
usuário, vindo a contribuir também para a otimização do fluxo da informação, tornando o
ambiente da biblioteca “tradicional” em uma biblioteca convergente com as inovações da
contemporaneidade.

7 Referências
ASSOCIAÇÃO PARA PROMOÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE DA
INFORMAÇÃO. (Portugal). Glossário da Sociedade da Informação. Lisboa: APDSI, 2011.
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São Paulo. Anais... São Paulo: USP, 2008. p. 1 - 13. Disponível em:
&lt;http://enancib.ibict.br/index.php/enancib/ixenancib/paper/view/3127/2253&gt;. Acesso em: 17
abr. 2016.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), sobretudo a internet, proporcionou a construção de um novo ambiente infocomunicacional caracterizado por transformações sociais e culturais relacionadas ao acesso, disseminação, produção, consumo e uso dos meios de comunicação. Consequentemente, com uso das ferramentas web 2.0, como blogs, facebook, twitter, youtube, potencializou a cultura de convergência, conceituada por Henry Jenkins a partir do fluxo de conteúdos entre várias plataformas digitais e o cruzamento de múltiplas mídias. Neste cenário, no qual surgem novas práticas sociais digitais, questiona-se: as bibliotecas das universidades federais do Ceará e do Amazonas utilizam as mídias sociais para se adaptar e modificar suas práticas comunicacionais? O objetivo deste estudo foi verificar de que forma são adotadas as mídias sociais nas bibliotecas e, especificamente, identificar quais redes sociais são utilizadas e como são convergentes. Para sua realização, procedeu-se uma revisão bibliográfica em fontes convencionais e eletrônicas, assim como uma breve análise dos websites das referidas instituições. Dessa forma, constatou-se o uso recente de redes sociais, contemplando diferentes mídias, com distintos dispositivos de acesso. Verifica-se a necessidade de ampliar estudos nesta temática, que contemplem o compartilhamento e interatividade entre as bibliotecas universitárias e seus usuários.</text>
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                    <text>AS DEZ SEÇÕES DO RDA: UMA ANÁLISE PRELIMINAR
Raildo de Sousa Machado (UNIFAP) - raildo@unifap.br
Resumo:
Expõe a imprescindível ligação entre os Functional Requeriments for Bibliographic Records
(FRBR) e o RDA – Recurso: descrição e acesso. O objetivo geral que norteou a construção do
presente trabalho buscou fazer um breve histórico dos FRBR e apresentar os conceitos
defendidos pelo modelo conceitual. Os objetivos específicos deram corpo a este trabalho e
procurou-se apresentar, a partir de documentos do Joint Steering Committee for Development
of RDA – JSC/RDA, as dez seções do RDA e suas subdivisões em capítulos. Fazer uma breve
descrição das seções e dos capítulos do RDA. O desenvolvimento deste trabalho se deu por
meio de pesquisa bibliográfica, por ter estudado as principais obras publicadas sobre o
assunto proposto, sendo livros, artigos de periódicos, sites na Internet. Utilizou-se, também, a
pesquisa exploratória que, por meio da pesquisa bibliográfica, proporcionou maior
familiaridade com as obras que tratam do assunto abordado, além de traduções para o
português de relatórios e artigos referentes aos FRBR e RDA.
Palavras-chave: Recurso: Descrição e Acesso – RDA. Functional Requeriments for
Bibliographic Records – FRBR. Códigos de catalogação. Catalogação
descritiva.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O que antes despontava apenas como uma possível substituição ao Código de
Catalogação Anglo-Americano, 2ª edição (AACR2), começa a sair da idealização de seu uso e
passa a ser uma necessidade para quem lida diariamente com a catalogação. O fato de que os
recursos informacionais mudaram já vem sendo discutido há muito tempo por diversos
autores. As mudanças provocadas por essas inovações também tornaram-se assuntos na vida
biblioteconômica, e por muitas vezes tem deixado catalogadores na difícil missão de
desvendar o caminho para descrever os tais novos suportes informacionais. Pode-se dizer que
a solução para tais enigmas começou a despontar em 1998 com a publicação do relatório dos
Functional Requeriments Bibliographic Records (FRBR), que propõe uma catalogação mais
direcionada ao conteúdo do recurso do que ao seu suporte ou sua forma, e principalmente uma
catalogação focada nas necessidades dos usuários. Mais tarde, seguindo a pretensão de
solucionar dificuldades na catalogação, nasce a necessidade de revisão do AACR2 para que os
novos suportes pudessem ser abarcados nas instruções de descrição. O que a princípio seria o
AACR3, deu lugar ao Recurso: Descrição e Acesso (RDA) que com a nova nomenclatura
aspira ao alcance internacional. O presente trabalho se propõe a fazer uma breve exposição
das dez seções e dos 37 capítulos que compõe o RDA, de forma concisa e mais clara possível.

2 Revisão de literatura
No decorrer do desenvolvimento da informação registrada, foram surgindo modelos de
registros com o objetivo de uniformizar as características necessárias para se registrar um
suporte informacional.
Para Fusco (2011, p. 20), “a catalogação consolida e ordena, de maneira lógica, os
dados de identificação e codificação, representando-os numa lista de nomes ou códigos que
estão associados à informação com dada finalidade”. Logo, a catalogação torna possível a
recuperação da informação registrada contida nas inúmeras Unidades de Informação (UI),
transformando simples objetos em verdadeiros aportes do conhecimento e para o
conhecimento. Dentre os modelos destaca-se o AACR2, lançado em 1967, tendo sua primeira
edição brasileira em 1969 e que supriu, sem lacunas, as necessidades que lhe cabiam naquele
período específico.
Para Mey (1995, p. 9), o catálogo é um canal de comunicação estruturado, que veicula
mensagens contidas nos itens, e sobre os itens, de um ou vários acervos, apresentando-as sob
forma codificada e organizada, agrupadas por semelhanças, aos usuários desse(s) acervo(s).
Desta forma, o catálogo é a ponte que liga as informações contidas nas UI aos usuários,
tornando assim, possível o controle bibliográfico e a recuperação da informação.
Ao longo da história do livro e dos demais suportes informacionais, ocorreram (e
ocorrem) consideráveis modificações nestes meios de armazenamento de informações, e o
fato de eles estarem cada vez mais presentes no dia a dia dos usuários, e não apenas no
ambiente das UI, bem como a necessidade de serem catalogados, atraem para si a necessidade
de ter um código para catalogar tais suportes, visto que “cada mudança na tecnologia
transformou o panorama da informação, e essa aceleração prosseguiu num ritmo que parece
incontrolável e incompreensível” (DARNTON, 2010, p. 41), diante destas transformações
fez-se necessário o estudo para a revisão do AACR2 e, posteriormente, a construção de um
novo código que obtivesse um desempenho ainda maior, já que o AACR foi criado em um
ambiente predominantemente de materiais impressos e de catálogos em fichas, e mesmo com
todas as atualizações perpetradas para atender as mudanças surgidas, chegou-se a um
momento em que foi imprescindível a revisão por completo do código, conforme afirma
Oliver (2011, p. 46).

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A necessidade de se ter um código que fosse maleável quanto às mudanças atuais bem
como as possíveis mudanças futuras, com a capacidade de adequar-se as diferentes agências
catalogadoras e a premência de se ter um código internacional despertaram o interesse de um
grupo de estudos, o Joint Steering Committee for Development of RDA, para a construção de
um novo código que fosse além das AACR2, já que
as AARC2 foram desenvolvidas originalmente como um código de catalogação de
livros e periódicos impressos, bem como outros documentos em papel. Embora
regras destinadas a outras mídias hajam sido enxertadas no código, nunca houve
uma metodologia coesiva e logicamente coerente da descrição de conteúdo, mídia e
suporte. Esta limitação dificultou a extensão das regras AACR2 para incluir a
descrição de novos tipos de recursos, principalmente os eletrônicos. A RDA oferece
uma estrutura extensível para a descrição de todos os tipos de recursos (OLIVER,
2011, p. 3).

Este novo código expande não apenas os suportes que é capaz de catalogar, mas,
também, sua área de atuação tornando-se um código internacional, como explica Oliver
(2011, p. 5):
Joint Steenring Committe for Development of RDA, que é o organismo responsável
pelo conteúdo da norma, [...] solicitou comentários a organizações internacionais,
bibliotecas nacionais e comissões nacionais de catalogação de outros países que
adotam as AACR2, bem como os que possuem seus próprios códigos nacionais de
catalogação. Este diálogo em âmbito internacional contribuiu para que fosse
alcançada a meta de tornar a RDA aplicável em contexto internacional.

O site do Joint Steering Committee for Development of RDA foi uma importante
ferramenta no desenvolvimento deste trabalho e é, também, uma importante fonte para
conhecer o RDA, por agregar em sua página na internet documentos referentes à construção
do código em questão. Outros importantes autores e suas bibliografias são citados e
referenciados ao longo deste trabalho.

3 Breve histórico dos FRBR
Como se verá mais adiante nas explanações sobre as seções e os capítulos do RDA, o
FRBR é uma ferramenta que foi a base para a construção de padrões, regras, orientações
presentes no RDA.
Os FRBR são um modelo conceitual. A esse respeito Mey e Silveira (2009, p. 17)
esclarecem que “modelo” pode ser considerado “como representação de algo; conceitual
implica a modelagem de coisas, processos ou abstrações, de forma a sintetizar e sistematizar
sistemas teóricos ou fenômenos com vistas à aplicação”, reforçando assim, o estabelecimento
dos FRBR não com a finalidade de se tornarem códigos de catalogação, mas de orientarem a
construção destes.
Na introdução do Functional Requirements for Bibliographic Records: Final Report
(IFLA, 1998) fica evidente as demais razões que motivaram a sua construção, dentre elas
pode-se destacar a questão do crescimento da catalogação cooperativa ou compartilhada, que
se tornou uma necessidade que começou a contar com a força das novas tecnologias que
deram impulso para a aplicação da catalogação compartilhada. A própria demanda causada
pela chegada das novas tecnologias formaram fatores que também influenciaram no exame
feito pela IFLA na catalogação prática e teórica em âmbito internacional, exame este que deu
resultado aos FRBR.

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3.1 Conceitos apresentados pelos FRBR
Nos FRBR são identificados três grupos de entidades. Oliver (2011, p. 23) expõe estes
grupos da seguinte forma:
Entidades do grupo 1:

produtos do trabalho intelectual ou artístico
entidades: obra, expressão, manifestação, item

Entidades do grupo 2:

os responsáveis pelo conteúdo intelectual ou artístico,
a produção física e a disseminação, ou a custódia das
entidades do primeiro grupo entidades: pessoas
físicas, pessoas jurídicas

Entidades do grupo 3:

Assuntos entidades: conceito, objeto, acontecimento,
lugar + mais todas as entidades dos grupos 1 e 2.

Estas entidades são subdividas em atributos, que são as características particulares de
cada entidade. Exemplificando os atributos pode-se desdobrar a entidade “manifestação”, que
tem como atributos a editora, o local de publicação, a data de publicação, etc.
Os FRBR dividem ainda as entidades em novos grupos, como mostrado na figura 1,
que demonstra as entidades do primeiro grupo:
Figura 1 – Grupo 1: entidades e relações primárias

Fonte: IFLA (1998, p. 13).

O grupo 1 apresenta as entidades obra, expressão, manifestação e item que Mey e
Silveira (2009, p. 19-20) definem da seguinte forma:
a) Obra: uma criação intelectual ou artística distinta, ou seja, o conteúdo intelectual
em si, independente de seu suporte ou de sua forma;
b) Expressão: a realização intelectual ou artística de uma obra, ou seja, a forma
como se expressa o conteúdo intelectual;
c) Manifestação: a materialização da expressão de uma obra, ou seja, a
representação de todos os objetos físicos que possuem as mesmas características,
tanto de conteúdo intelectual como de forma física;
d) Item: exemplificação única de uma manifestação; ou seja, o objeto físico que
permite ao usuário acessar o conteúdo intelectual ou artístico de uma expressão e de
uma obra.

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Os FRBR relacionam todas as entidades, fazendo com que cada uma delas seja,
também, assuntos de outras obras.
O grupo 2 é constituído pelos responsáveis pela concepção da obra. A figura 2 expõe
as entidades do grupo 2 e a forma que se relacionam com as entidades do grupo 1:
Figura 2 – Grupo 2: entidades e relações de responsabilidade

Fonte: IFLA (1998, p. 14)

As definições das entidades do grupo 2 são baseadas, também, em Mey e Silveira
(2009, p. 21):
a) Pessoa: um indivíduo, relacionado à criação ou a realização de uma obra ou de
uma expressão, ou assunto de uma obra. A entidade ‘pessoa’ também pode ser
responsável pela produção de manifestação, ou pela posse de um item;
b) Entidade coletiva: uma organização ou grupo de indivíduos, de caráter
permanente ou temporário, ou um governo territorial, que age unificadamente e se
identifica por um nome.

Detalhando as informações da figura 3, a entidade “obra” pode ser uma criação de
uma pessoa ou de uma entidade coletiva; uma expressão pode ser realizada por uma pessoa ou
uma corporação; uma manifestação pode ser produzida por uma pessoa ou uma corporação;
um item pode ser de propriedade de uma pessoa ou de uma corporação.
O grupo 3 estabelece os assuntos que compõem as entidades descritas no grupo 1. A
figura 3 mostra as entidades do grupo 3 e suas relações aplicadas.

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Figura 3 – Grupo 3: entidades e relações de assunto

Fonte: IFLA (1998, p. 16).

Mey e Silveira (2009, p. 22) definem as entidades do grupo 3 (conceito, objeto, evento
e lugar) da seguinte forma:
a) Conceito: uma noção ou ideia abstrata, sempre assunto de uma obra;
b) Objeto: uma coisa material, móvel ou imóvel;
c) Evento: uma noção ou ocorrência, como eventos históricos, época e períodos de
tempo;
d) Lugar: um local. E entidade ‘local’ pode abranger: locais terrestres e
extraterrestres, locais históricos e contemporâneos, características geográficas e
jurisdições geopolíticas, entre outros.

Lembrando que todas as entidades podem ser assuntos de uma obra e se relacionam
entre si fazendo com que quaisquer dados de uma obra buscados pelo usuário sejam
recuperados.
Os conceitos apresentados pelos FRBR são muito presentes nas seções e nos capítulos do
RDA, o que mostra sua importância na construção do novo código.

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4 Histórico do RDA
Considerando as mudanças nos suportes informacionais, várias ações ocorreram no
âmbito biblioteconômico objetivando acompanhar e usufruir dos benefícios das tecnologias
disponíveis, adequando-se a elas para melhor desenvolver atividades dentro das UIs e
buscando atender da melhor maneira possível o usuário, traçando metas para que os códigos
sejam de fácil uso e estejam de acordo com o que busca a comunidade que o utiliza.
Como parte destas ações, em 2004 deu-se início as revisões do AACR2 tendo como
alvo torná-las compatíveis e capazes de atender os catálogos em linha e padronizar o registro
de novos suportes, porém sem deixar de lado os antigos, presentes nas UIs antes da revolução
das novas mídias, uma vez que o AACR2 foi desenvolvido para catálogos em ficha,
destinadas à catalogação de livros, periódicos e demais materiais analógicos, principalmente
impressos. Ainda que os materiais impressos tenham sido a base para o desenvolvimento do
AACR deixaram de ser exclusividade nas bibliotecas, tendo, inclusive, que dividir espaço
com suportes não físicos, não palpáveis. Oliver (2011, p. 3) aponta que “embora regras
destinadas a outras mídias hajam sido enxertadas no código, nunca houve uma metodologia
coesiva e logicamente coerente da descrição de conteúdo, mídia e suporte” deixando, desta
forma, com que os novos suportes de conteúdos ficassem desprovidos de regras que os
catalogassem e tornassem seu acesso possível. Knight (2010, p. 2, tradução nossa) enfatiza
que as necessidades da revisão do AACR2
culminou na Conferência Internacional para os Princípios e Desenvolvimento Futuro
das AACR realizado em Toronto, em 1997. Alguns dos problemas que esta
conferência focou foram a melhoria no tratamento de uma série de recursos,
questões entre o conteúdo intelectual e o suporte deste conteúdo e a função das
regras de catalogação no ambiente online

Buscando, assim, uma adequação bem como uma ampliação das regras, com o intuito
de acomodar as novas mídias. Esta revisão resultaria no AACR3, que tinha como responsável
o Joint Steering Committee for Revision of AACR 27. Mey e Silveira (2009, p. 90) ressaltam
que “a revisão provocou mudanças substanciais e acarretou, em 2005, o desenvolvimento de
um sucessor do AACR2, o RDA”. Sob o encargo agora do Joint Steering Committee for
Development of RDA 28, este código salta os limites anglo-americanos e pretende consolidarse como um código internacional, visto que contou com a cooperação de vários códigos
nacionais, observando suas aplicações e necessidades regionais, permitindo sua flexibilidade e
seu uso internacional.
Modesto (2008) define o RDA como uma
proposta de padrão sucessora ao AACR2 [...], seu desenvolvimento caracteriza-se
por uma mudança na direção de ser um código internacional (ou de aceitação
global), que diferentemente do atual (em uso), não se regule por regras rígidas, mas
por diretrizes de ampla aplicação, e com foco centrado no usuário e nas suas
necessidades de informação”.

Sendo assim, as regras rigorosas do AACR2 darão lugar a um código que se propõe
oferecer padrões de fácil utilização e que adequa-se à realidade de todas as bibliotecas.
4.1 FRBR no RDA
Os modelos FRBR, FRAD (Functional Requirements for Authority Data) serviram de
base para a construção do RDA por terem uma grande aceitação por agências catalogadoras e
por terem se estabelecido como importantes modelos conceituais para a catalogação.

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Oliver (2011, p. 17) enfatiza que “estes modelos moldaram a estrutura da RDA e
influenciaram a linguagem empregada nas instruções”. Desta forma não há como usar o RDA
sem um conhecimento prévio dos conceitos aplicados nos FRBR e FRAD. A autora frisa
ainda que ao analisar as relações colocadas pelo RDA ficam claras a sua ligação com tais
modelos conceituais.
4.2 Estrutura do RDA
O RDA é composto de dez seções que se dividem em 37 capítulos, além dos
apêndices, tais apêndices não são tratados neste artigo. As seções e seus capítulos são
arranjadas conforme os atributos, as entidades e as relações definidas nos FRBR e FRAD.
Importante destacar que “os capítulos dentro de cada seção focarão em elementos de apoio a
tarefas específicas dos usuários: encontrar, identificar, selecionar ou obter ” (JSC/RDA, 2009,
tradução nossa), ficando assim evidente a associação dos FRBR e FRAD com o RDA. As dez
seções estão divididas em 4 seções (1 a 4) para atributos e 6 seções (5 a 10) para as relações.
4.2.1 Seções dos atributos
De forma simplificada, os atributos são as características das entidades. É por meio
dos atributos que os usuários formulam suas pesquisas para recuperarem as entidades que
necessitam. O relatório dos FBRB (1998) expõem que os atributos “caem em duas grandes
categorias” sendo elas:
1) as características físicas e/ou as características atribuídas no rótulo (informações
contidas na capa, folha de rosto, recipiente);
2) são os identificadores atribuídos a uma entidade e informações contextuais.
Considerando que os usuários usarão os atributos como elementos de recuperação de
informações, as 4 primeiras seções trazem orientações quanto ao registro de tais atributos e
estabelecerá, também, outras informações.
4.2.1.1 Seção 1: Registro de atributos de manifestação e item
Capítulo 1: os objetivos e princípios funcionais e instruções para os capítulos 2, 3 e 4,
bem como especificará os elementos para descrições e identificação de manifestações e item;
Capítulo 2: instruções para título, indicação de responsabilidade, indicação de edição e
demais informações que os usuários precisarão para confirmar se um determinado recurso
corresponde ao que foi pesquisado, ou distinguir entre dois ou mais recursos recuperados;
Capítulo 3: especifica os elementos que permitem ao usuário escolher o recurso que
apresenta as características físicas e/ou formato de sua preferência;
Capítulo 4: este último capítulo da primeira seção fornecerá as informações de
aquisição e quanto a forma de acesso e/ou obtenção do recurso, dentre tais informações cita-se
termos de disponibilidade, informações de contato, restrições de acesso.
4.2.1.2 Seção 2: Registro de atributos de obra e expressão
Capítulo 5: os objetivos e princípios funcionais e instruções para os capítulos 6 e 7,
bem como especificará os elementos para descrições e identificação de obra e expressão. O
capítulo traz, também, instruções para as elaborações de pontos de acesso autorizados;
Capítulo 6: instruções para títulos preferidos e variantes de títulos para uma obra, data,
lugar de origem da obra, idioma de expressões, etc. O capítulo também traz orientações para a
construção de pontos de acesso autorizados e variantes que representam uma obra ou

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expressão;
Capítulo 7: Instruções para o registro de atributos que os usuários precisam quando
escolhem um recurso para encontrar seus conteúdos exigidos. Atributos como natureza e
cobertura do conteúdo, público alvo, etc.
4.2.1.3 Seção 3: Registro de atributos de pessoa, família e entidade coletiva
Capítulo 8: os objetivos e princípios funcionais e instruções para os capítulos 9, 10 e
11, bem como especificará os elementos para descrições e identificação de pessoa, família e
entidade coletiva. O capítulo traz, também, instruções gerais para o registro de nomes e a
elaboração de pontos de acesso autorizado e variantes que representam pessoas, famílias e
entidades coletivas, além de datas e fontes correspondentes a estas entidades;
Capítulos 9, 10 e 11: Instruções para nomes preferidos e variantes de uma pessoa,
família ou entidade coletiva, assim como datas e lugares associados com tal pessoa, família ou
entidade coletiva, etc., informações como estas auxiliam os usuários na confirmação de que
um determinado recurso corresponde ao que foi pesquisado, ou na separação entre dois ou
mais recursos recuperados.
4.2.1.4 Seção 4: Registro de atributos de conceito, objeto, evento e lugar
Capítulo 12: os objetivos e princípios funcionais e instruções para os capítulos 13, 14,
15 e 16, bem como especificará os elementos para descrições e identificação de conceito,
objeto, evento e lugar, além de seus pontos de acesso autorizados e variantes.
Capítulos 13, 14, 15 e 16: Instruções para termos ou nomes preferidos e variantes de
conceito, objeto, evento ou lugar, tipo de conceito ou objeto, etc.
4.2.2 Seções das relações
As relações é o que liga uma entidade e a outra, ajudando assim os usuários fazerem
conexões entre as entidades recuperadas na sua pesquisa.
4.2.2.1 Seção 5: Registro de relações primárias
Capítulo 17: os objetivos e princípios funcionais e instruções para o registro de
relações primárias entre uma obra, uma expressão, uma manifestação e um item, além de
instruções no uso de identificadores, pontos de acesso autorizado e composições descritivas
para registro de relações primárias.
4.2.2.2 Seção 6: Registro de relações para pessoas, famílias e entidades coletivas associadas a
um recurso
Capítulo 18: os objetivos e princípios funcionais e instruções para os capítulos 19, 20,
21 e 22, bem como especifica elementos para as relações entre um recurso e uma pessoa, uma
família e uma entidade coletiva. Especifica, também, instruções para o uso de identificadores
e pontos de acesso autorizados para registrar estas relações e o uso de relações designatórias
para indicar a função desempenhada pela pessoa, família ou entidade coletiva em relação ao
recurso.
Capítulos 19, 20, 21 e 22: Instruções para relações entre obra, expressão, manifestação
e item, e as pessoas, famílias e corporações associadas ao item. Além de elementos que são
usados para identificar os criadores da obra, os editores, tradutores, etc., responsáveis pela

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expressão da obra, os produtores e publicadores da manifestação, os proprietários e
guardadores do item, etc. O capítulo 19 também inclui instruções adicionais aplicadas
especificamente a pessoas, famílias e entidades coletivas associadas a uma obra legal e uma
obra religiosa.
4.2.2.3 Seção 7: Registro de relações de assuntos
Capítulo 23: os objetivos e princípios funcionais e instruções para o registro de
relações de assunto. Este capítulo fornece também instruções para o uso de identificadores e
pontos de acessos autorizados para relações de assunto.
4.2.2.4 Seção 8: Registro de relações entre obras, expressões, manifestações e itens
Capítulo 24: os objetivos e princípios funcionais e instruções para o registro de
relações para os capítulos 25, 26, 27 e 28, bem como especifica elementos para as relações
entre obra, expressão, manifestação e item. Especifica, também, instruções para o uso de
identificadores, pontos de acesso autorizados e descrição de registro destas relações, e para o
uso de relações designatórias para indicar a natureza da relação.
Capítulos 25, 26, 27 e 28: Instruções para as relações entre obras, expressões,
manifestações e itens. Além de elementos que são usados para registrar relações entre uma
obra derivada e a sua fonte, uma reprodução e a manifestação original, etc.
4.2.2.5 Seção 9: Registro de relações entre pessoas, famílias e entidades coletivas
Capítulo 29: os objetivos e princípios funcionais e instruções para o registro de
relações para os capítulos 30, 31 2 32, bem como especifica elementos para as relações entre
pessoa, família e entidade coletiva. Especifica, também, instruções para o uso de
identificadores, pontos de acesso autorizados e descrição de registro destas relações, e para o
uso de relações designatórias para indicar a natureza da relação.
Capítulos 30, 31 2 32: Instruções para as relações entre pessoas, famílias e entidades
coletivas, bem como especifica os elementos que são usados para registrar relações entre
colaboradores, membros de uma família, parente e entidade coletiva subsidiária, etc.
4.2.2.6 Seção 10: Registro de relações entre conceitos, objetos, eventos e lugares
Capítulo 33: os objetivos e princípios funcionais e instruções para o registro de
relações para os capítulos 34, 35, 36 e 37, bem como especifica elementos para as relações
entre conceito, objeto, evento e lugar. Especifica, também, instruções para o uso de
identificadores, pontos de acesso autorizado e descrição de registro destas relações, e para o
uso de relações designatórias para indicar a natureza da relação.
Capítulos 34, 35, 36 e 37: Instruções para as relações entre conceitos, objetos, eventos
e lugares, bem com especifica os elementos que são usados para registrar relações entre
conceitos amplos e restritos, etc.

5 Considerações parciais/finais
A catalogação descritiva atravessa um período de mudanças, de adequações que
exigem estudo e empenho para que esta importante atividade continue exercendo seu
imprescindível papel dentro da biblioteconomia.
A necessidade da ampla explanação dos FRBR na seção 3 justifica-se no capítulo 4,

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uma vez que cada seção e cada capítulo do RDA tem uma ligação visível e inseparável dos
tais requisitos funcionais, como fica evidente nos enunciados de cada seção do código. O que
se depreende no decorrer do trabalho é que entender os FRBR é requisito para se entender a
importância do RDA. Importante ressaltar que frequentemente as descrições dos capítulos do
RDA trazem a tona que a finalidade de suas instruções é fazer com que o usuário final
confirme que um determinado recurso corresponde ao que foi pesquisado, ou faça distinção
entre dois ou mais recursos recuperados aquele que mais lhe serve, deixando claro assim que
o novo código, assim como os FRBR, buscam facilitar a recuperação e acesso das obras
presentes nas UI’s e fora delas também.
Apesar de o RDA já está sendo usado por algumas bibliotecas, por exemplo, a Library
of Congress (LC), é importante destacar que as seções relacionadas aos conceitos, eventos,
lugares e relacionamentos de assuntos ainda estão em desenvolvimento. Mesmo diante da não
completude do desenvolvimento do RDA, chegou o momento em que a comunidade
biblioteconômica no Brasil, e principalmente a comunidade catalogadora, precisa a começar a
tomar medidas consistentes para o estudo e aplicação deste importante código que é o RDA,
mesmo o RDA já estando em uso por algumas bibliotecas, a LC, por exemplo, as seções
relacionadas aos conceitos, objetos, eventos, lugares e relacionamentos de assuntos ainda
estão em desenvolvimento.

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Pellizzari. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
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Documentação&#13;
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                <text>Expõe a imprescindível ligação entre os Functional Requeriments for Bibliographic Records (FRBR) e o RDA – Recurso: descrição e acesso. O objetivo geral que norteou a construção do presente trabalho buscou fazer um breve histórico dos FRBR e apresentar os conceitos defendidos pelo modelo conceitual. Os objetivos específicos deram corpo a este trabalho e procurou-se apresentar, a partir de documentos do Joint Steering Committee for Development of RDA – JSC/RDA, as dez seções do RDA e suas subdivisões em capítulos. Fazer uma breve descrição das seções e dos capítulos do RDA. O desenvolvimento deste trabalho se deu por meio de pesquisa bibliográfica, por ter estudado as principais obras publicadas sobre o assunto proposto, sendo livros, artigos de periódicos, sites na Internet. Utilizou-se, também, a pesquisa exploratória que, por meio da pesquisa bibliográfica, proporcionou maio  familiaridade com as obras que tratam do assunto abordado, além de traduções para o português de relatórios e artigos referentes aos FRBR e RDA.</text>
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                    <text>As Contribuições da Gestão de Pessoas por Competências para as
Bibliotecas Universitárias: um enfoque organizacional
Margarida dos Santos Valente Cruz (UFAM) - santos_margarida@hotmail.com
Maricelia Ferreira dos Santos (UFAM) - mariceliafs@hotmail.com
Resumo:
A forma de gerir pessoas pelas organizações vem passando por profundas transformações, já
que em plena Era da Informação, o grande diferencial e vantagem competitiva são as pessoas.
Este estudo tem como objetivo verificar a importância da Gestão de Pessoas por Competências
como processo de mudança na gestão das bibliotecas universitárias, visando contribuir para
reflexão e oferecer novas formas de pensar e agir a respeito da gestão de pessoas. No que se
refere aos procedimentos metodológicos adotados, destaca-se a elaboração do trabalho a
partir de um estudo explanatório de natureza qualitativa, realizado de forma descritiva e
explicativa, eminentemente bibliográfico, tendo em vista conhecer as formas de contribuição
científica que se realizaram sobre a gestão de pessoas, bem como os diferentes estudos
conceituais a respeito das competências e sua contribuição como um instrumento auxiliar aos
profissionais bibliotecários para mostrar-se mais eficiente e eficaz frente às demandas sociais.
Com isso, pode-se inferir que, a Gestão por Competências surge como uma resposta
alternativa de mudança e capacitação, trazendo consigo reflexões importantes sobre o papel
das pessoas, expresso pelo desempenho profissional, além de se mostrar como um meio de
aproximar os objetivos individuais e organizacionais, apresentando um conjunto de
alternativas alinhadas ao cenário moderno e competitivo das bibliotecas universitárias,
enquanto organizações.
Palavras-chave: Gestão de Pessoas; Gestão por Competências; Bibliotecário
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão de Pessoas

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Tendo em vista as constantes mudanças no ambiente das organizações, observa-se a
necessidade de uma participação mais efetiva no intuito de tornar a biblioteca universitária
mais ágil e responder melhor as necessidades informacionais de seus clientes e
conseqüentemente da sociedade. Percebe-se que um dos desafios atuais das bibliotecas
universitárias é mostrar-se mais eficiente e eficaz frente às demandas sociais.
A relevância deste estudo está no reconhecimento de que há uma necessidade das
bibliotecas estarem organizadas e fortalecidas estrategicamente para responder com
excelência às demandas da sociedade, que está cada vez mais exigente de qualidade dos
serviços prestados.
Neste contexto, a Gestão de Pessoas por Competências surge como uma resposta
alternativa de mudança e capacitação, trazendo consigo reflexões importantes sobre o papel
das pessoas, o significado do trabalho e a educação continuada dos profissionais
bibliotecários.
A gestão de pessoas encontra-se em processo de transformação, na medida em que os
sistemas tradicionalmente utilizados como referencial, centrados no processamento de tarefas
administrativas e rotineiras, regras e regulamentos vêem demonstrando fragilidades diante do
ambiente de mudança das bibliotecas.
Neste contexto, se faz relevante promover um papel mais proativo dos profissionais.
Assim, a participação dos gestores de pessoas torna-se peça fundamental na definição das
estratégias e tomada de decisão, além de ter políticas de gestão de pessoas claramente
definidas e constantemente revisadas.
No entanto, é a partir dessa premissa que é possível visualizar a Gestão de Pessoas por
Competências como instrumento de diferencial para oferecer alternativas eficientes de gestão.
O objetivo consiste na apresentação de um modelo capaz de apresentar novas formas
de pensar e agir a respeito da gestão de pessoas, estruturado a partir do conceito de
competências, fundamentado em conhecimentos, habilidades e atitudes.
Portanto, a pesquisa tem como objetivo analisar a necessidade de um modelo de
Gestão de Pessoas, tendo como base os principais conceitos e abordagens referentes ao tema,
como forma de estabelecer uma estratégia articulada de mudança para as bibliotecas
universitárias e seus gestores.
A aplicabilidade do modelo é testada a partir da análise do tema no sentido de garantir
mudanças no paradigma de gestão de pessoal. Portanto, a Gestão por Competências deve ser
vista como parte de um sistema maior de gestão organizacional, sendo importante que esteja
em perfeita sintonia com a estratégia organizacional (missão, visão e valores), visando
alcançar a eficiência e eficácia de seus objetivos.
A Gestão por Competências pode ser considerada um importante instrumento da
gestão de pessoas e na prática, poderá oferecer às bibliotecas, meios singulares de lidar com o
cotidiano, contribuindo para potencializar a gestão, a certificação profissional, retenção de
talentos e atendimento eficaz à sociedade.
No que se refere aos procedimentos metodológicos adotados, destaca-se a elaboração
do trabalho a partir de um estudo explanatório de natureza qualitativa, realizado de forma
descritiva e explicativa, eminentemente bibliográfico, tendo em vista conhecer as formas de
contribuição científica que se realizaram sobre a gestão de pessoas, bem como os diferentes
estudos conceituais a respeito das competências e sua contribuição como um instrumento
auxiliar a gestão da biblioteca universitária e desenvolvimento das competências
profissionais, para mostrar-se mais eficiente e eficaz frente às demandas sociais.
E, por último, apresenta a discussão quanto aos resultados obtidos que apontam a
apreensão dos conhecimentos socializados e as recomendações advindas, pois todo o material

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

busca um repensar para a questão problemática que é identificar a importância da
implementação da Gestão por Competências como processo de mudança nas bibliotecas
universitárias.

2 Aspectos Fundamentais da Moderna Gestão de Pessoas
Na chamada Era da Informação, época em que se vive atualmente, cuja característica
principal são as mudanças que se tornaram rápidas e imprevistas, o desafio maior passa a ser a
produtividade do conhecimento e sua utilidade, então, nesse processo de mudança as pessoas
e suas competências passam a ser a principal base da organização.
Segundo Chiavenato (1999, p. 7), a moderna gestão de pessoas se baseia em três
aspectos fundamentais:
As pessoas como seres humanos: dotadas de personalidade própria, com
comportamentos, pensamentos, vontades individuais, possuidores de conhecimentos,
habilidades e atitudes indispensáveis no desempenho profissional.
As pessoas como ativadores inteligentes de recursos organizacionais: como fonte
ativa essencial à dinâmica da organização, contribuindo com suas competências, experiências
e não como agentes passivos, inertes.
As pessoas como parceiros da organização: pessoas com perspectiva de vida pessoal
e profissional que investem na organização todo seu potencial para conduzi-la à excelência e
ao sucesso, já que o alcance dos objetivos da empresa lhes permitem alcançar seus próprios
objetivos individuais, isto é, na expectativa de colher retornos desses investimentos.
Dessa forma, a moderna gestão de pessoas reconhece que o principal ativo da
organização são as pessoas, ou seja, seres humanos dotados de personalidade própria,
diferentes entre si, com uma história de vida particular, além de possuírem conhecimentos,
habilidades e atitudes indispensáveis. E por isso, cria condições subjetivas que favoreçam as
relações, acreditando que todo o potencial de inovar, servir e crescer nasce do talento de seus
colaboradores, que precisam ser tratados de acordo com a individualidade que apresentam.
No entanto, faz-se necessário que as bibliotecas universitárias admitam que haja
desafios a enfrentar, mas que devam assumir valores éticos, respeitando seus profissionais
bibliotecários e demais parceiros, vendo-os como uma nova espécie de sócios para o
crescimento da organização e a necessidade de desenvolvimento profissional para alcance dos
objetivos e atendimento eficiente e eficaz de seus clientes.
Para Gil (2006), os desafios enfrentados pelos gestores de Recursos Humanos podem
ser classificados em ambientais, organizacionais e individuais. O primeiro refere-se a forças
externas às organizações, que influenciam o seu desempenho. Os organizacionais decorrem de
problemas internos da organização, no que se refere aos avanços tecnológicos,
competitividade, cultura organizacional, entre outros. Já os desafios individuais estão
relacionados à maneira como as empresas se posicionam em relação aos empregados.
Assim, as organizações bem sucedidas proporcionam aos seus empregados um
ambiente de trabalho acolhedor e agradável, com plena autonomia e liberdade e não apenas
funcionários vistos como um número.
Para Seráfico (2000, p. 63), as organizações não dispensam o mesmo tipo de
tratamento aos diversos recursos, já que “Umas dão maior importância aos recursos
financeiros; outras colocam em destaque as máquinas e equipamentos. Há outras, porém, que
entendem a organização como um ente vivo, em que as pessoas é que fazem as coisas
ocorrerem.”
O referido autor, diz que por mais que se reconheçam os avanços da tecnologia e as
vantagens de informatização, até agora não se conseguiu produzir algo que substitua a
criatividade e a flexibilidade do ser humano. No entanto, há tipos de gestores que depositam

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todo seu investimento na renovação do parque mecânico, tecnológico, e muitas vezes até
cometem negligências com as pessoas, como se cada indivíduo se assemelhasse às máquinas,
móveis e equipamentos.
O grande desafio está em administrar de forma mais participativa, criando
oportunidades para que as pessoas influenciem decisões que as afetarão, onde os profissionais
sejam tratados com mais atenção, manifestando seus pontos de vista e suas idéias, cooperando
com seus talentos, habilidades e concorrendo para o alcance de resultados comuns, já que os
seres humanos é que conferem vida à organização.
Portanto, é de grande relevância essa ênfase em uma cultura mais participativa e
democrática dentro da biblioteca, que reconheça o potencial de cada profissional, sendo vistas
como parceiras da organização, tendo mais liberdade na escolha de tarefas e dos métodos para
executá-las, trabalhando em equipe e participando dos processos de tomada de decisão.
De acordo com Dutra (2002, p.25), o envolvimento e comprometimento das pessoas
com os objetivos estratégicos e negócios passou a ser vital para: a produtividade e nível de
qualidade dos produtos e serviços, velocidade na internalização de novas tecnologias,
otimização da capacidade instalada, criação de oportunidades para a aplicação das
competências organizacionais, velocidade de resposta para o ambiente/cliente.
Por outro lado, criar e promover uma cultura organizacional voltada para a
responsabilidade pela educação continuada é o que assegura um verdadeiro diferencial
competitivo, já que essa nova fronteira estará mais ligada ao conhecimento, inovação e,
portanto, ao capital intelectual.
Nesse sentido, a preocupação em educar, treinar, motivar, liderar bibliotecários,
desenvolvendo um espírito empreendedor e participativo, oferecendo oportunidade de plena
realização pessoal e crescimento profissional implicará no alcance da missão, visão e
objetivos institucionais.
Por outro lado, vale destacar que a Gestão de Pessoas consiste em várias atividades e
interações entre partes com um objetivo e dentro de parâmetros previamente definidos,
também conhecidos como processos de gestão.

2.1 Gestão de Pessoas por Competências
Nos últimos anos a competência tem sido objetivo de diferentes estudos conceituais,
devido sua importância para o desempenho nas relações sociais e no exercício de atividades
dos profissionais. A competência das pessoas fundamenta-se na aprendizagem de novas
formas de pensar e agir diferentemente dos modelos tradicionais de gestão para obter maior
eficiência e eficácia para a organização.
Nesse sentido, pode-se dizer que competências dizem respeito às capacidades e
experiências adquiridas por um profissional de qualquer área do conhecimento que quando
colocadas em prática agregam valor tanto às pessoas quanto à organização.
De acordo com Dutra (2002, p. 23), a competência pode ser entendida como uma
relação de agregação de valor como contribuição efetiva entre pessoas e organização. De um
lado, encontra-se a organização com um conjunto de competências que lhe são próprias, que
transfere seu patrimônio de conhecimentos para as pessoas, enriquecendo-as e preparando-as
para enfrentar novas situações profissionais e pessoais, quer na organização ou fora dela.
De outro lado, encontram-se as pessoas, que possuem um conjunto de competências
que podem ou não estar sendo aproveitada pela organização, que ao desenvolverem sua
capacidade individual, transferem para a organização seu aprendizado, capacitando a
organização para enfrentar novos desafios e manter suas vantagens competitivas.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Retomando o mesmo autor, podem-se apresentar quatro grandes fases do uso do
conceito de competências, que foram classificadas em função da abrangência e do impacto na
gestão de pessoas:
Na primeira fase, entre final dos anos 70 e início dos anos 80, os conceitos de
competência eram aplicados a pessoas tidas como estratégicas, servindo como base para
orientar os processos de seleção e desenvolvimento de pessoas. A grande crítica efetuada a
esse procedimento era que se aplicava a mesma caracterização de competência a todas as
pessoas indistintamente.
Ao longo dos anos 80, ao incorporaram os conceitos de competência surgem escalas
de diferenciação por nível de complexidade, o que marca a segunda fase. Entretanto, surgiram
alguns desconfortos devido ao vinculo da competência a fatores que não garantiriam uma
base sólida para o futuro, baseado na ligação da competência a trajetórias de sucesso e
desvinculo em relação aos objetivos estratégicos, bem como a necessidade de utilização do
conceito para as demais políticas e práticas de gestão de pessoas da empresa, como
remuneração, avaliação e carreira.
Esse desconforto conduziu ao surgimento da terceira fase, dando início ao conceito de
competência integrando gestão de pessoas com os objetivos estratégicos. Com isso, as
competências humanas já não seriam derivadas das trajetórias de sucesso, uma vez que o
sucesso de ontem não é garantia do sucesso de amanhã, mas dos objetivos estratégicos e das
competências organizacionais. Observa-se, durante a década de 90, a rápida evolução do uso
do conceito de competência no aprimoramento da gestão de pessoas, oferecendo aos gestores
um conjunto de instrumento de gestão e a possibilidade de acompanhar as repercussões de
suas decisões.
No entanto, a forma como as pessoas absorvem os conceitos de competência para
orientar seu próprio desenvolvimento cria certo desconforto, levando à quarta fase, a da
apropriação pelas pessoas dos conceitos de competência.
Nessa última fase, percebe-se que as instituições que conseguiram grandes avanços na
gestão de pessoas trabalharam aprimorando seus sistemas de gestão de pessoas e estimularam
as pessoas a construírem seus projetos de carreira e desenvolvimento profissional. Assim, fazse necessário compreender que, as pessoas ao lidarem com maior complexidade estão
desenvolvendo-se para si mesmas, e não somente para a empresa, não importando seu destino
futuro na organização ou no mercado.
Muitos autores procuram discutir essa questão de competências, já que as
organizações modernas estão cada vez mais preocupadas em direcionar os investimentos no
desenvolvimento humano, de modo que eles agreguem valor tanto para as pessoas quanto
para eles.
De acordo com alguns autores as competências são definidas e focadas no indivíduo,
ou seja, os aspectos fundamentais da competência se limitam a conhecimentos, habilidades e
experiências que possibilitam um profissional desenvolver uma dada função em um tempo
determinado, objetivando alcançar um determinado fim.
Segundo Green (1999, p. 7), “Uma competência individual é uma descrição escrita de
hábitos de trabalhos mensuráveis e habilidades pessoais utilizados para alcançar um objetivo
de trabalho.”
De acordo com Becker e Mark (2001, p.183):
A competência refere-se às características de um indivíduo, em termos de
conhecimentos, capacidades e personalidade, que afetam diretamente o respectivo
desempenho no trabalho. O conceito de competência individual tem longa tradição
do campo da administração. Boa parte desse trabalho se concentrou nos lideres e nos
gerentes gerais.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Com efeito, para atuar de forma eficiente e inovadora dentro de uma sociedade repleta
de transformações, o profissional bibliotecário deve estar capacitado com esse conjunto de
características, que lhe darão uma base sólida, já que os desafios a enfrentar exigem um
profissional com maior amplitude de conhecimento e flexibilidade de ação em relação a essas
mudanças.
Para Rabaglio (2001, p.3), competência refere-se à “[...] um conjunto de
conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos que permitem ao indivíduo
desempenhar com eficácia determinadas tarefas, em qualquer situação.”
Nesse sentido, o conhecimento refere-se às informações assimiladas e estruturadas
pelo indivíduo, que lhe permitem entender o mundo, ou seja, a dimensão do saber; A
habilidade, que está relacionada ao saber fazer, ou seja, a capacidade de aplicar e fazer uso do
conhecimento adquirido para atingir um objetivo específico; E por último, é a atitude, com a
dimensão do querer saber fazer, que corresponde aos aspectos sociais e afetivos relacionados
ao trabalho.

Conhecimentos

Informação
Saber o quê
Saber o por que

COMPETÊNCI
AS
Habilidades

Técnica
Capacidade
Saber fazer

Atitudes

Interesse
Determinação

Dimensões da Competência
Fonte: Durand(2000, apud Brandão e Guimarães (adaptado)).

Conforme pode ser observado acima, as três dimensões estão interligadas, pois não
basta somente adquirir conhecimento sobre algo, é necessário colocá-lo em prática, buscando
entender como e o que deve ser feito diante das questões, e também é indispensável a
determinação incentivada pelo interesse de querer fazer, isto é, em posicionar-se diante da
situação ou função a ser desenvolvida, constituindo, dessa forma, elementos importantes e
fundamentais para o alcance dos resultados organizacionais.
Por outro lado, outros autores acreditam que, as competências não se referem apenas
às capacidades do indivíduo, mas relacionam as competências individuais, esse processo
contínuo de aprendizagem, com o ambiente organizacional, ou seja, o enfoque não é no
conjunto de qualidades que o indivíduo possui e sim no que ele realiza no trabalho.
Nesse contexto, Prahalad e Hamel (1997, apud Mascarenhas, 2009, p. 185) abordam a
competência organizacional como sendo uma articulação de recursos organizacionais, um
aprendizado da organização, um saber-fazer coletivo e complexo, especialmente no que diz

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respeito á coordenação de diversas habilidades de produção e à integração de múltiplas
correntes de tecnologia.
Estes autores tratam do conceito de competências no nível organizacional, referindo-se
à competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades, tecnologias, sistemas e
gerências inerentes a uma organização.
Em contrapartida, Fleury e Fleury (2001, p. 190), fizeram uma conexão entre as duas
correntes citadas acima e definiram competência como sendo “[...] um saber agir responsável
e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos,
habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”.
Nesse sentido, essas combinações sinérgicas de conhecimentos, habilidades e atitudes,
que são expressas pelo desempenho profissional dentro de determinado contexto da
organização, agregam valor tanto às pessoas quanto para as organizações.
Dessa forma, Mascarenhas (2009, p.177), ratifica esse conceito quando diz que a
gestão das competências é um referencial que busca integrar o conceito de competência
individual ao conceito de competência organizacional. Para o autor, a vinculação estreita e
direta do desempenho individual e funcional com as metas estratégicas é substituída pela
associação e coordenação das competências individuais, que devem ser integradas à
construção de competências coletivas consideradas relevantes à organização.
Segundo Barbalho (2004),
As competências envolvem características que delineiam o modo de agir de cada
profissional e, sobretudo, de buscar uma atuação que dignifique ofazer amparado no
saber consciente e, acima de tudo, pertinente com as expectativas geradas pelo perfil
de demanda do público que deve ser atendido.

Isso pode contribuir como um instrumento auxiliar aos bibliotecários para
delineamento e desenvolvimento das competências, possibilitando maior compreensão das
necessidades em diversas situações dos conhecimentos, habilidades e atitudes e ainda no
planejamento e desenvolvimento das tarefas, conforme os objetivos e estratégias
organizacionais, que estão diretamente ligadas com as demandas informacionais.
Dessa forma, para o alcance eficiente e eficaz da referida missão enquanto profissional
da informação acredita-se que essa ligação apresenta-se como um modelo de referência e
estratégia para os bibliotecários direcionarem suas ações, treinamento, gestão de carreira,
avaliação de desempenho e formalização de alianças estratégicas, entre outras, para captação
e desenvolvimento de competências necessárias.
De acordo com Oderich e Lopes (2001, apud Barbalho, 2004), os limites impostos
pelo ambiente institucional e pela dinamicidade dos espaços organizacionais pode salientar
um conjunto de competências gerenciais que servem como direção para construir modelos
específicos em cada contexto. Este novo sistema de liderança proposto divide-se em
habilidades, conhecimentos e valores, representados no quadro a seguir.

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Habilidades

Conhecimentos

Refletir e analisar

Análise pessoal e do contexto

Diferenciar-se
do
papel
desempenhado no momento

Contexto para um processo
sistemático de trabalho de
adaptação

Saber ouvir
Impor limites e saber lidar com
eles
Autoridade

Contexto para a intervenção

Atitudes
Aumento da
adaptação

capacidade

de

Paixão pela sabedoria
Exame dos valores
Dilemas morais da liderança

Conhecimentos
de
temas,
processos, instituições e políticas
relevantes

Criar e aproveitar associações
Orquestrar o
diversidade

conflito

e

a

Inspiração
Criatividade e curiosidade
Coragem e resistência
Modelo do novo perfil de liderança
Fonte: Oderich e Lopes (2001, apud Barbalho, Célia Regina Simonetti, 2004).

Para o alcance eficiente e eficaz da sua missão, acredita-se que a gestão de
competências apresenta-se como um modelo relevante nas bibliotecas universitárias, já que
faz parte de um sistema maior de gestão organizacional, tratando-se de um processo contínuo
que toma como referência a estratégia da instituição e direcionam as ações de recrutamento e
seleção, treinamento, gestão de carreira, avaliação de desempenho e formalização de alianças
estratégicas, entre outras, para captação e desenvolvimento das competências necessárias para
atingir objetivos. Esse processo, além de promover o envolvimento de empregados, discentes,
docentes, gera um impacto positivo cumulativo dessas ações sobre desempenho
organizacional.
De acordo com Rossi, Costa e Pinto (2014), apesar de haver pequenas variações entre
as organizações, cada biblioteca é livre para prestar os serviços que melhor atendam a sua
demanda. Segundo os referidos autores, estudos desenvolvidos por diversos autores indicam
que os serviços de informação mais característicos são:
a) capacitação: treinamentos focados na utilização do sistema, bases de dados,
normalização, direito autoral, inclusão digital, educação ao usuário, entre outros;
b) comutação bibliográfica: permite a obtenção, mediante pagamento antecipado, de
cópias de documentos técnico-científicos disponíveis nos acervos debibliotecas
conveniadas;
c) levantamento bibliográfico: recuperação de materiais bibliográficos específicos para a
necessidade informacional;
d) normalização bibliográfica: visa padronizar os documentos de acordo com uma
determinada norma;
e) processo de referência/assistência informacional: entrevista com o usuário para
identificar e buscar as necessidades informacionais, resposta a informações
bibliográficas factuais, auxílio na busca e na recuperação de materiais bibliográficos
(pessoal, onlineou telefone).
Nesse sentido, pode-se entender que uma competência não é somente um estoque de
capacidades, mas como um saber agir responsável e reconhecido, que segundo Ruas (2004,
p.40), “[...] estas capacidades assumem a condição de competências somente no momento em
que são mobilizadas para a realização de uma ação específica”.

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Desta forma, o fato das pessoas deterem conhecimentos, qualificações não é
suficiente, pois competência é colocar em prática, em determinado contexto o que se sabe, ou
seja, traduz-se em ação, mobilizar os conhecimentos.
Devido à concorrência cada vez mais acirrada no cenário atual, as bibliotecas
universitárias necessitam monitorar e aprimorar constantemente suas políticas de
gestão, uma vez que fatores como satisfação dos usuários, qualidade em serviços,
gerenciamento eficiente da produção entre outros, são fundamentais para o sucesso e
sobrevivência em longo prazo. Para isso, as organizações devem adotar uma política
de gestão coerente com seus próprios objetivos, levando em consideração fatores
ambientais internos e externos, a fim de permitir que seus serviços agreguem valor
ao atendimento, diferenciando-o da concorrência e, conseqüentemente, encantando e
fidelizando os usuários. (SILVA; SCHONS; RADOS, 2006, p. 16)

Assim, entende-se que a biblioteca universitária é um organismo complexo e gerenciála torna-se um desafio, por isso, aplicar a gestão de competências é uma forma de agregar
valor aos serviços e, também, aos colaboradores para para proporcionar qualidade aos
serviços prestados pelas biblioteca, alcançando assim o objetivo da instituição.

2.2 Desenvolvimento de Gestores
Outro fator relevante é a preocupação com o desenvolvimento e capacitação dos
gestores de bibliotecas universitárias. O aprimoramento de competências técnicas ou
comportamentais, de quem está à frente dos cargos de liderança, depende da prática e cultura
de cada organização.
Algumas organizações se lançam em estratégias audaciosas para as quais não estão
preparadas devido, muitas vezes, à falta de capacitação de seus profissionais, isso vai gerando
problemas cumulativos com seus clientes e público-alvo. Nesse sentido, Costa (2007, p. 190),
diz que “[...] o vínculo estreito entre estratégias e capacitação é um dos segredos das empresas
ou entidades e instituições bem sucedidas.”
O mesmo autor aponta algumas estratégias de novos estilos de liderança, a saber:
a) Liderança focalizadora, comprometida com visão, missão, princípios e valores;
b) Liderança facilitadora, como técnico e torcida ao mesmo tempo;
c) Liderança mentora, zelando pelo desenvolvimento profissional, pessoal e humano de
sua equipe;
d) Liderança do não herói – os heróis são as pessoas de equipe e não seu chefe;
e) Liderança negociadora, buscando bom relacionamento;
f) Liderança disposta a buscar, estabelecer e manter alianças e parcerias;
g) Liderança disposta a aprender e a ensinar continuamente.
Com isso, podemos observar que os benefícios a serem alcançados pelos gestores não
serão poucos, indo desde os de ordem pessoal: melhoria de desempenho, na autoestima e
autoimagem; também para a organização, como melhoria na eficácia e na eficiência de seus
processos; para a equipe, que receberá líderes melhores e mais preparados; e também, clientes
ou fornecedores mais satisfeitos com o bom atendimento recebido.
Para Dessler (2003, p. 150), “Desenvolvimento de gerencial é qualquer tentativa de
melhorar o desempenho gerencial pela divulgação de conhecimentos, mudança de atitudes ou
aumento de habilidades.” Essas capacidades contribuem para melhorar o conhecimento, a
confiança e o poder do líder, além de possibilitar a interação entre o líder e o ambiente social
e organizacional.
O autor supracitado enfatiza também, que com este processo haverá maior ênfase no
esclarecimento dos objetivos de negócio e dos resultados esperados do programa, ligação
mais clara entre o programa e a missão da empresa, envolvimento dos gestores de alto

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escalão, especificação de competências e conhecimentos concretos em lugar de simples
atitudes, e complementação dos métodos tradicionais de desenvolvimento (palestras,
simulações, etc.) com métodos mais realistas, como projetos de aprendizagem de ação.
Reforçando esse conceito, Vergara (2009, p. 74), afirma que a liderança é a
capacidade de exercer influência sobre indivíduos e grupos. Por isso, pode-se dizer que nem
todo chefe é líder e que nem todo líder é chefe. Há pessoas que mesmo ocupando cargos de
chefia não conseguem exercer a liderança, se fazem obedecidas por coação ou por interesse de
pessoas a quem chefiam e outras que exercem influência independente de ocuparem cargos de
chefia.
Nesse sentido, o papel dos gestores torna-se fundamental para conduzir sua equipe na
busca da excelência no desempenho de suas atividades, estimulando-as para o alcance da
missão, visão e objetivos institucionais. Entretanto, devem estar conscientes que cada pessoa
é um todo integrado de natureza física, intelectual, emocional e espiritual, e por isso, não esta
exclusivamente operando máquinas, mas gerenciando pessoas.
Essa relação encadeará não somente no desenvolvimento dos líderes, mas também, na
construção da capacidade de liderança em outras pessoas, possibilitando compromisso entre
os indivíduos, cooperação e criação de valor para a organização.
Diante do exposto, se aprende e desenvolve tudo isso fazendo uso de sua experiência
cotidiana, buscando a qualificação através dos programas de desenvolvimento, valorizando a
aprendizagem contínua, colocando em prática tudo o que aprendeu e aderindo às mudanças
necessárias à melhoria de seu desempenho.
Portanto, investir no desenvolvimento dos gestores de bibliotecas, através de
programas de desenvolvimento de liderança é vantagem em todas as áreas, tanto em
produtividade, competitividade, conhecimento técnico, quanto em clima organizacional, além
de estarem melhorando o desempenho futuro da organização.
Muitos profissionais bibliotecários ainda não encaram a esfera da gestão de pessoas
como aliada estratégica, mas como atribuições essencialmente burocráticas e operacionais,
precisando ainda criar medidas para estimular e desenvolver o potencial de seus profissionais,
gerando oportunidades para as pessoas desenvolverem suas habilidades e colaborar na tomada
de decisões.
Dessa forma, por meio de ações gerenciais, o gestor de bibliotecas universitárias
precisa desenvolver as competências dos bons profissionais, não esquecendo que possuem
expectativas, com desejos de valorização e reconhecimento, de evoluir e da certeza de ter seu
trabalho dignificado.

3 Considerações finais
Diante das inúmeras transformações sociais, econômicas, políticas e culturais pelas
quais passa a sociedade contemporânea, que resultam num processo de reestruturação das
organizações, procurando modificar-se, definindo uma nova atitude em decorrência dos
avanços causados pela rápida modernização e globalização e do impacto dessa reestruturação
que se materializa por intermédio de racionalização organizacional e técnicas que incorporam
no ambiente das bibliotecas universitárias novas tecnologias e modelos de gestão.
Foi possível constatar que a Gestão de Pessoas é um tema de grande importância, já
que as organizações enquanto bibliotecas universitárias são constituídas por pessoas, que
definem visão e propósito e tantas outras decisões e ações, assumindo um relevante papel no
desenvolvimento organizacional. Assim, a competitividade é vista hoje na forma de valorizar
a educação, desenvolvendo o capital intelectual das pessoas, transformando-as em fator de
diferenciação da organização, ampliando, dessa maneira, sua capacidade de competir por
meio do desenvolvimento das competências.

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Nesse sentido, a Gestão de pessoas por Competências, cada vez mais avança
produzindo importantes inovações nas organizações e, sobretudo, as iniciativas em curso
apontam uma mudança de cultura, uma evolução baseada na importância de valorizar e
desenvolver os maiores talentos que são as pessoas. Assim, as bibliotecas universitárias
também devem desenvolver estratégias justas, inovadoras e democráticas, de forma que os
colaboradores possam estar permanente e continuamente aperfeiçoando suas habilidades e
conhecimentos, para que possa prestar um serviço de qualidade que atenda as necessidades de
seus clientes com eficiência e eficácia.
Dessa forma, o estudo sistematizado foi relevante e significativo quanto à aquisição de
novos conhecimentos e entre as propostas metodológicas que a compõem, a Gestão por
Competências se apresenta como uma visão alternativa aos critérios tradicionais na gestão das
bibliotecas universitárias, o que nesse contexto experimenta um processo de amadurecimento
que altera cada vez mais sua postura e procedimentos frente à chamada sociedade da
informação e com isso poderá se utilizar do modelo de Gestão por Competências como
parâmetro de mudança para o cumprimento de sua missão e alcance da excelência na
prestação de serviços de qualidade.
O desafio está relacionado à utilização de tais instrumentos associados a práticas de
aprendizagem coletiva, desenvolvimento de pessoas e gestão do conhecimento, entre outras,
que ofereçam múltiplas oportunidades de crescimento profissional, além de estimular os
profissionais bibliotecários a desenvolver coletivamente competências, mas também a
compartilhá-las, gerando valor tanto a elas mesmas quanto à organização.
Assim, os avanços serão bastante relevantes e apontam na direção de um futuro
promissor, entretanto, restam importantes desafios, já que o processo de mudança pressupõe a
estreita vinculação entre as melhorias de gestão introduzidas que atendam as expectativas da
sociedade. Portanto, o modelo de gestão aqui ajustado e proposto, se bem utilizado, poderá ser
uma resposta eficiente para o enfrentamento de inúmeros problemas existentes e que,
rapidamente poderia elevar o padrão de gestão das bibliotecas universitárias.
Vale ressaltar que esta pesquisa em momento algum teve a pretensão de esgotar o
tema abordado e nem mesmo tirar conclusões definitivas acerca do assunto, sendo possível
um estudo mais aprofundado proveniente de outras fontes. Portanto, recomenda-se que
estudos sobre a gestão por competências devam ser explorados, analisados e compreendidos,
ampliando as informações coletadas e, conseqüentemente, melhor aproveitando para futuras
pesquisas.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A forma de gerir pessoas pelas organizações vem passando por profundas transformações, já que em plena Era da Informação, o grande diferencial e vantagem competitiva são as pessoas. Este estudo tem como objetivo verificar a importância da Gestão de Pessoas por Competências como processo de mudança na gestão das bibliotecas universitárias, visando contribuir para reflexão e oferecer novas formas de pensar e agir a respeito da gestão de pessoas. No que se refere aos procedimentos metodológicos adotados, destaca-se a elaboração do trabalho a partir de um estudo explanatório de natureza qualitativa, realizado de forma descritiva e explicativa, eminentemente bibliográfico, tendo em vista conhecer as formas de contribuição científica que se realizaram sobre a gestão de pessoas, bem como os diferentes estudos conceituais a respeito das competências e sua contribuição como um instrumento auxiliar aos profissionais bibliotecários para mostrar-se mais eficiente e eficaz frente às demandas sociais. Com isso, pode-se inferir que, a Gestão por Competências surge como uma resposta alternativa de mudança e capacitação, trazendo consigo reflexões importantes sobre o papel das pessoas, expresso pelo desempenho profissional, além de se mostrar como um meio de aproximar os objetivos individuais e organizacionais, apresentando um conjunto de alternativas alinhadas ao cenário moderno e competitivo das bibliotecas universitárias, enquanto organizações.</text>
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                    <text>AS CONTRIBUIÇÕES DA BIBLIOTECA NA FORMAÇÃO ESCOLAR:
UMA ALTERNATIVA PARA ALUNOS COM DIFICULDADES EM
LEITURA E ESCRITA

Fabiana Sala (IFSP) - fabibuel@gmail.com
Resumo:
A biblioteca escolar, centro dinâmico de informação da escola, deve fazer parte dos recursos
utilizados para o processo de ensino aprendizagem. Inserir a biblioteca no processo de ensino
é ofertar aos alunos a possibilidade de ampliar o conhecimento através dos diversos materiais
disponíveis no acervo. A ação educativa da biblioteca escolar deve ser pensada e gerenciada
visando à sua interação com o ensino e aprendizagem. Ocupando as discussões educacionais
da atualidade, as dificuldades de aprendizagem configuram-se como um tema recorrente e
inquietante, dentre as diferentes formas de manifestação das dificuldades de aprendizagem. A
dificuldade em leitura, por sua vez, pode interferir no rendimento escolar e/ou no desempenho
das atividades diárias da criança que exigem habilidades de leitura. Nessa conjuntura, o
presente estudo está voltado para as ações de mediação da leitura que são desenvolvidas pelas
Bibliotecas da Rede de Bibliotecas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de
São Paulo, no sentido de verificar se estas propostas têm surtido efeito na melhoria deste
quadro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa em que, os sujeitos de pesquisa que farão parte
da coleta de dados são os atores que participam da Rede de Bibliotecas do Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, sendo que esses atores estão geograficamente
dispersos em todo o Estado de São Paulo.
Palavras-chave: Biblioteca escolar; Dificuldades de aprendizagem; Leitura; Escrita.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Perfil profissional e práticas renovadoras

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Biblioteca escolar se constitui num espaço de aprendizagem por excelência
quando desenvolvidas ações que devem estar em consonância com os objetivos delineados pela
escola. Nesse sentido, como espaço de aprendizagem, a biblioteca deve estar sustentada pela sua
proposta pedagógica, que norteará as práticas desenvolvidas nessa unidade de informação. Assim,
o planejamento dessa proposta deve estar centrado nas ações e atividades que a biblioteca
desenvolve para a formação do aluno.
Dentre as ações consideradas por Campello (2003), relevantes para a formação
do aluno, aquelas voltadas para o incentivo à leitura e o letramento informacional, aliada ao
desenvolvimento do senso ético e cidadão conforme concepção de Morigi, Vanz e Galdino (2015)
são efetivamente as que possuem cunho de ação pedagógica na biblioteca escolar, visto que
possibilita o aluno desenvolver e/ou ampliar o interesse pela leitura, a capacidade de compreensão
da necessidade, localização, seleção e interpretação da informação de forma crítica e responsável,
bem como a formação do senso ético e cidadão.
Inserir a biblioteca no processo de ensino é ofertar aos alunos a possibilidade de
ampliar o conhecimento através dos diversos materiais disponíveis no acervo. Para isto, é
necessário que a biblioteca disponibilize de profissionais habilitados para o desenvolvimento de
práticas pedagógicas que incentivem os alunos no uso dos materiais disponíveis para pesquisa,
incentivando-os não só o uso para fins de pesquisa como também desenvolvendo práticas que lhes
ensine o gosto pela leitura literária.
Deste modo, este estudo tem por finalidade verificar de que forma as ações
realizadas pela biblioteca podem auxiliar na formação escolar de alunos com dificuldades em
leitura e escrita.
Ocupando as discussões educacionais da atualidade, as dificuldades de
aprendizagem configuram-se como um tema recorrente e inquietante, dentre as diferentes formas
de manifestação das dificuldades de aprendizagem, as mais reconhecidas são representadas pelas
dificuldades de aquisição das habilidades de leitura, de escrita e de matemática, as quais são
consideradas dificuldades de aprendizagem verbal (GUERRA, 2002). A dificuldade em leitura,
por sua vez, pode interferir no rendimento escolar e/ou no desempenho das atividades diárias da
criança que exigem habilidades de leitura.
Nessa conjuntura, o problema investigado por esta pesquisa está voltado para as
ações de mediação da leitura que são desenvolvidas pelas Bibliotecas da Rede de Bibliotecas do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, no sentido de verificar se estas
propostas têm surtido efeito na melhoria deste quadro.
Desse modo, o problema desta pesquisa está delineado da seguinte forma: as
ações de incentivo à leitura desenvolvidas pelas Bibliotecas da Rede de Bibliotecas do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo contribuem na formação escolar de
alunos com dificuldades em leitura e escrita?
A biblioteca escolar – centro dinâmico de informação da escola – assim
definido por Campelo (2006), deve fazer parte dos recursos utilizados para o processo de ensino
aprendizagem, pois dentre as várias atribuições que esta tem no ambiente educacional,
destacamos:
 Permear o processo de ensino aprendizagem, através da sua inserção nas atividades
desenvolvidas, disponibilizando as informações necessárias para a formação do hábito de
leitura no aluno e consolidando a habilidade de leitura dos professores;
 Adequar-se às necessidades informacionais da comunidade escolar, de acordo com o perfil
dos usuários e do projeto pedagógico estabelecido pelo centro educacional;
 Disponibilizar os recursos informacionais adequados para o desenvolvimento pleno das
atividades escolares, através de rigoroso critério de seleção dos itens que irão compor o
acervo da biblioteca;

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL



Favorecer o desenvolvimento do currículo estabelecido pela escola e aprimorar a
habilidade da leitura através de programação diversificada e dinâmica, oferecendo
materiais para a leitura recreativa e informativa;
 Orientar nas pesquisas e trabalhos escolares, através de estratégias que estimulem a
curiosidade e o desenvolvimento da análise crítica dos fatos, contribuindo assim para a
construção do conhecimento;
 Dinamizar o ambiente da biblioteca e mediar às informações, para que os usuários possam
sentir-se estimulados a frequentar a biblioteca;
 Contribuir para uma completa formação dos indivíduos, através de informações
atualizadas e contextualizadas, de acordo com exigências da sociedade moderna e de cada
indivíduo.
Desta forma, para o desenvolvimento pleno dos indivíduos no ambiente escolar,
é imprescindível a inserção de uma biblioteca que seja atualizada, dinâmica e atenda às
necessidades do plano de ensino estabelecido pela escola a qual está inserida.
Para Furtado (2015, p.2) “A biblioteca escolar é fundamental dentro do sistema
educacional de um país, pois, como parte integrante do sistema de informação, pode colaborar
consideravelmente para a adoção desses novos paradigmas”. A partir de um planejamento
estratégico para a inserção desta nas atividades desenvolvidas nas escolas, há a possibilidade de
transformação da realidade, fazendo com que a biblioteca escolar possa atuar de forma efetiva no
sistema educacional, cumprindo seu papel dentro da sociedade da informação.
Assim sendo, verificar as contribuições das ações de incentivo à leitura
realizadas pela Biblioteca na formação escolar de alunos com dificuldades em leitura e escrita
constitui-se no principal objetivo deste estudo.

2 Revisão de literatura
2.1 Retrospectiva Histórica da Biblioteca Escolar
De acordo com Battles (2003), Aristóteles pode ser considerado o pioneiro em
criar biblioteca com características escolares. O modelo de biblioteca proposto por ele era voltado
para fins educativos, onde, estudiosos e alunos se reuniam em volta das obras para estudá-las e,
assim, promover a colaboração mútua para o progresso do setor científico, tecnológico e literário.
As bibliotecas em escolas primárias começaram e ser implantadas aos poucos e,
de acordo com Hebrard (2004), por volta de 1800 na França, começa a surgir as primeiras escolas
que incorporam em seu ambiente, instalações parecidas com as bibliotecas escolares da
atualidade. Os armários-bibliotecas, como eram denominados, tinham como função principal a
preservação dos materiais, pois, “os professores não sabiam administrar seu patrimônio
instrumental, preservá-lo dos desgastes do tempo e das manipulações dos alunos”. (HEBRARD
2004, p. 17).
Aos poucos as bibliotecas começaram a ser utilizadas para outras finalidades,
dando início a uma nova concepção de biblioteca escolar. De armário para guarda e preservação
dos materiais à disseminadora das informações, foi assim que aos poucos as bibliotecas das
escolas primárias começaram a ser utilizadas como instrumento de apoio pedagógico e
promovendo o incentivo à leitura tanto aos alunos quanto aos familiares destes.
Um dos pioneiros no Brasil a associar biblioteca e escola, foi Fernando de
Azevedo ao assumir a direção da Instrução Pública do Distrito Federal em 1927. De acordo com
Vidal (2004), dentre as várias modificações que Azevedo fez no processo de ensino, uma em
particular merece atenção, que foi a criação de bibliotecas para usufruto dos professores e alunos
das escolas primárias.
Anísio Teixeira em 1931, ao assumir a direção da Instrução Pública do Rio de
Janeiro, criou a Biblioteca Central de Educação, que tinha como objetivo principal incentivar o
intercâmbio de obras e coordenar as atividades de bibliotecas escolares.

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A missão inicial das bibliotecas implantadas nas escolas era proporcionar aos
alunos e professores o contato com os livros, onde cada um tinha a liberdade de escolher a obra
que mais lhe agradasse, incentivando-os a adquirir o gosto pela leitura. De forma a respeitar o
ritmo individual de aprendizagem, os alunos eram incentivados a buscar livros para leitura
silenciosa. (VIDAL, 2004, p. 193).
Constatada a necessidade das bibliotecas no processo de ensino, a comunidade
escolar representada por associações de pais e mestres, resolveu fazer campanhas para adquirir
materiais para a criação de bibliotecas nas escolas primárias que não disponibilizavam deste
recurso. Segundo Vidal (2004), para a organização das bibliotecas de suas escolas, os professores
e diretores contavam com a colaboração das editoras e livrarias, associações de pais e mestres e
ainda organizavam festivais para adquirir mais recursos para suas bibliotecas.
As funções atribuídas às bibliotecas escolares vão sendo modificadas de acordo
com as necessidades do sistema educacional vigente. Sua funcionalidade é a prática da leitura
como também criar o gosto e o hábito de ler. Como acrescenta Carvalho (1972, p.9):
A biblioteca escolar tem como objetivos específicos facilitar o ensino, fornecendo
material bibliográfico adequado tanto para o uso dos professores como para uso dos
alunos; desenvolve neste o gosto pela boa leitura, habituando-os ao utilizar os livros;
desenvolver-lhes a capacidade de pesquisa, enriquecendo sua experiência pessoal,
tornando-os, assim hábitos a progredir nas profissões para as quais estão sendo
preparados.

Deve estar incluída no planejamento pedagógico da escola, com o objetivo a
estimular a capacidade sócio-educacional das crianças, através das atividades como: gincanas,
feira de ciências, saraus etc. Seu acervo constitui-se principalmente de obras de referência,
informação e recreação.

2.2 O Projeto Político-pedagógico da Escola
Os paradigmas atuais da educação propõem uma educação visando à formação
cidadã e participativa do aluno, ajudando-o “[...] a enfrentar o mundo atual como cidadão
participativo, reflexivo e autônomo, conhecedor de seus direitos e deveres [...]”. (BRASIL, 1997,
p. 5). Nesse contexto, a escola como instituição educativa, em tese, deveria ter na sua
intencionalidade a qualidade do ensino para a formação do educando.
A qualidade do ensino, proposta pela escola, é essencial estar vinculada à sua
filosofia e autonomia, de acordo com o fazer coletivo e participativo dos profissionais da
educação, abrangendo a sua função social. Então, todos esses requisitos deverão estar contidos no
projeto político pedagógico da escola que norteará os atores da escola para esse mesmo fim. Este
documento deve definir as diretrizes coletivas de uma gestão democrática do ensino.
A biblioteca escolar pela sua função pedagógica e social deve estar inserida na
elaboração do projeto político-pedagógico da escola, estimulando a formação do aluno no que
tange à construção e à apropriação do conhecimento e, por conseguinte, à sua formação integral,
de acordo com o planejamento pedagógico das séries, elaborado pelos professores, e da proposta
pedagógica organizada pela biblioteca. Nesse sentido, trata-se, portanto, da busca de uma
‘qualidade’ para a educação, voltada para a construção do conhecimento e que reconhece a
importância deste para a emancipação dos sujeitos e o exercício da cidadania [...] (SANTIAGO,
1998, p. 160).
Assim, em Macedo (2005, p. 248-271) é afirmado que a construção do projeto
político-pedagógico da escola, tendo a participação da biblioteca escolar com sua proposta
pedagógica definida, contribuirá para a qualidade do ensino e a autonomia da biblioteca no
ambiente escolar.

2.3 A Proposta Pedagógica da Biblioteca Escolar
O Manifesto IFLA/UNESCO para Biblioteca Escolar, elaborado pela

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International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) e aprovado pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em sua Conferência
Geral de novembro de 1999, traz como missão que [...]
A biblioteca escolar promove serviços de apoio à aprendizagem e livros aos
membros da comunidade escolar, oferecendo-lhes a possibilidade de se tornarem
pensadores críticos e efetivos usuários da informação, em todos os formatos e meios.
As bibliotecas escolares ligam-se às mais extensas redes de bibliotecas e de
informação, em observância aos princípios do Manifesto UNESCO para Biblioteca
Pública. (INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND
INSTITUTIONS, 2015, p. 1).

Baseado na missão do Manifesto da Unesco, é da responsabilidade do
bibliotecário, planejar ações para habilitar os alunos a aprender e apropriar se das habilidades que
serão desenvolvidas ao longo da sua vida. Assim, o planejamento deve ser pensado, visando à
continuidade do aluno também na vida acadêmica, aproximando a biblioteca escolar da biblioteca
universitária.
Nesse sentido, a Biblioteca da escola deverá elaborar a sua proposta pedagógica
para nortear a prática desenvolvida nessa unidade de informação. Considera-se como proposta as
ações concretas a serem executas durante determinado período de tempo com a devida
intencionalidade, assim, será descrita doravante. A IFLA (2000) define que a biblioteca escolar
deve apoiar os objetivos educacionais na missão e no currículo da escola, tornando-a
imprescindível ao uso dos recursos exigidos no processo de ensino e aprendizagem.

2.4 A Função Educativa da Biblioteca Escolar
A ação educativa da biblioteca escolar deve ser pensada e gerenciada visando à
sua interação com o ensino e aprendizagem.
De acordo com Campello (2010), a biblioteca é um espaço de aprendizagem
nesse processo. Como educador, o profissional bibliotecário deve propiciar as condições
necessárias para a clareza dessa função, pois é nesse espaço, mesmo que informal, que o
bibliotecário interage com o aluno de maneira que a sua orientação e mediação contribuam para
transformação qualitativa na formação do educando.
A literatura da área de Educação e de Ciência da Informação aponta a relação
entre o ensino e a biblioteca para a formação educativa do aluno. Vidal (2004) demonstrou que no
período da Escola Nova, entre 1920 e 1930, a biblioteca escolar desenvolvia atividades de
incentivo à leitura e dinamizava esse espaço firmando seu papel educativo.
Sobre esse assunto, vale mencionar que Campello (2003, p. 1) também faz
referência à função educativa da biblioteca escolar presente na fala de Lourenço Filho, quando ele
dialoga sobre a complementação do ensino e da biblioteca. A autora ainda apresenta a sua revisão
de literatura, 1960-2002, sobre a leitura como ação pedagógica da biblioteca escolar.
Esse pensamento dos autores reflete a necessidade e importância da biblioteca
escolar para educação e também demonstra, subjetivamente, que o convívio do aluno com a
biblioteca legitima a sua função educativa e o papel educativo do bibliotecário.
Nesse sentido, para viabilizar a frequência do aluno nesse ambiente é
necessária a presença do profissional bibliotecário, que atue em parceria com os professores, a fim
de mediar, incentivar e despertar, através de ações pedagógicas, o acesso à informação e à
apropriação do conhecimento pelo convívio do aluno com esse espaço.
A leitura incentivada sob a ótica da formação do leitor permite o estímulo livre
e prazeroso do contato do aluno com o livro desde as séries iniciais. Pode-se citar atividades
como: a hora do conto, estratégia para despertar o interesse pela história contada; a “leitura livre”
na biblioteca, em que o leitor escolhe as histórias de sua preferência; a autoprodução do aluno
para criar a sua história; a reconstrução e releitura das histórias pelo leitor são recursos que
integrados e valorizados pelas práticas pedagógicas da sala de aula e da biblioteca despertam para
o prazer da leitura como produção e alimenta a imaginação criativa do leitor.

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Integrados por diferentes saberes, os educadores também poderão possibilitar a
troca de conhecimento entre si, ao permitir que essa ação educativa propicie novos conhecimentos
às suas práticas profissionais, pois na visão da pedagogia autônoma “[...] quem ensina aprende ao
ensinar e quem aprende ensina ao aprender [...]” (FREIRE, 2006, p. 23).

3 Materiais e métodos
Em relação aos procedimentos metodológicos visando à coleta e à análise de
dados, optou-se pela pesquisa qualitativa, uma vez que possibilita enfocar o significado do
comportamento do indivíduo ou de uma organização. A pesquisa tem como objetivo principal,
verificar as contribuições das ações de incentivo à leitura realizadas pela Biblioteca na formação
escolar de alunos com dificuldades em leitura e escrita, e pareceu-nos que os métodos qualitativos
se ajustariam melhor aos propósitos do estudo.
Escolheu-se dentre os diferentes métodos qualitativos o Discurso do Sujeito
Coletivo (DSC), segundo proposta elaborada por Lefrèvre e Lefrèvre,
Para aplicar o método DSC, Lefrèvre e Lefrèvre (2003, p.17) utilizaram
algumas técnicas, a saber:
1. Expressões-Chave (ECH): as expressões-chave servem para comprovar a veracidade das
idéias centrais e das ancoragens. É com a matéria-prima das expressões-chave que se
constroem os discursos do sujeito coletivo.
As expressões-chave (ECH) são pedaços, trechos ou transcrições literais do
discurso, que devem ser sublinhadas, iluminadas, coloridas pelo pesquisador, e que revelam a
essência do depoimento ou, mais precisamente, do conteúdo discursivo dos segmentos em que se
divide o depoimento (que, em geral, correspondem às questões de pesquisa) (LEFRÈVRE;
LEFRÈVRE, 2003, p.17).
2. Idéia Central (IC): a idéia central é a descrição direta do sentido de um depoimento ou de
um conjunto de depoimentos.
A idéia central (IC) é um nome ou expressão lingüística que revela e descreve,
da maneira mais sintética, precisa e fidedigna possível, o sentido de cada um dos discursos
analisados e de cada conjunto homogêneo de ECH, que vai dar nascimento, posteriormente, ao
DSC (LEFRÈVRE; LEFRÈVRE, 2003, p.17).
3. Ancoragens (AC): a ancoragem é a figura metodológica (inspirada na teoria das
representações sociais) que indica a teoria, o pressuposto, a ideologia e o conceito que
estão subjacentes as práticas cotidianas e profissionais do indivíduo, mesmo que
inconscientemente.
[...] é a manifestação lingüística explícita de uma dada teoria, ideologia, ou crença
que o autor do discurso professa e que, na qualidade de afirmação genérica, está
sendo usada pelo enunciador para enquadrar” uma situação específica (LEFRÈVRE;
LEFRÈVRE, 2003, p.17).

O DSC é um método que se caracteriza pela reconstrução do discurso, a partir
de diferentes discursos-sínteses, que analisados em conjunto, formam uma representação social.
A construção dos discursos se dá pela junção de fragmentos das respostas dos
entrevistados. Esses fragmentos são denominados de expressões-chave, e se constituem, após
análise, na identificação da(s) ideias(s) central(is) em torno do objeto expresso por meio do
discurso. Assim, a(s) ideias(s) central(is) são resultado do conjunto de expressões-chave, mais
claramente observadas nas respostas dos sujeitos pesquisados.
O DSC traduz o essencial do conteúdo discursivo. Esses mesmos sujeitos são
os sujeitos coletivos, pois o seu depoimento a sua fala, enquanto atores sociais expressam o
discurso de muitos sujeitos coletivos, “em síntese, o DSC é como se o discurso de todos fosse o
discurso de um” (LEFRÈVRE; LEFRÈVRE, 2003, p.83).
Dessa forma, pode-se afirmar que através de uma abordagem qualitativa é
possível reconstruir as representações sociais que se constituem na vivência das relações objetivas

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dos atores sociais, e que lhe atribuem significados.
De fato, quando se quer conhecer o pensamento de uma comunidade sobre um dado
tema, é preciso realizar antes, de mais nada, uma pesquisa qualitativa, já que, para
serem acessados, os pensamentos, na qualidade de expressão da subjetividade
humana, precisam passar, previamente, pela consciência humana (LEFRÈVRE;
LEFRÈVRE, 2003, p.9).

Discurso do Sujeito Coletivo captura a variedade das experiências da população
estudada, por meio de respostas às entrevistas, tornando um único discurso o discurso de muitos.

3.1 Universo da Pesquisa
O universo de pesquisa a ser estudado será composto pela Rede de Bibliotecas
do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo.
Levou-se em consideração para a escolha do universo de pesquisa, a
necessidade de verificar os impactos das ações realizadas pelas bibliotecas na formação escolar de
alunos com dificuldades em leitura e escrita.
Atualmente, fazem parte da Rede 31 Bibliotecas.

3.2 Sujeitos da Pesquisa
Os sujeitos de pesquisa que farão parte da coleta de dados são os atores que
participam da Rede de Bibliotecas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São
Paulo, sendo que esses atores estão geograficamente dispersos em todo o Estado de São Paulo.

3.3 Instrumento de Pesquisa
O instrumento de coleta de dados será um questionário estruturado e composto
por questões abertas, além das questões de identificação dos respondentes, referentes aos temas
constantes nos objetivos estabelecidos no projeto de pesquisa.
O questionário tem a função de coletar informações de forma informal, de um
indivíduo ou grupo sobre um determinado fato, situação ou fenômeno. É um instrumento que
reúne uma série de perguntas que podem ser abertas ou fechadas, destinadas aos respondentes que
compõem os sujeitos de pesquisa anteriormente mencionados.
Marconi e Lakatos (1996, p.88) definem o questionário como uma técnica e,
também, como um instrumento de coleta de dados. Esclarecem ainda, que é:
[...] constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por
escrito e sem a presença do entrevistador. Em geral, o pesquisador envia o
questionário ao informante, pelo correio ou por um portador; depois de preenchido,
o pesquisado devolve-o do mesmo modo.

O questionário será constituído por uma lista de questões abertas, no qual,
procurou-se obter um conjunto expressivo de dados ou material discursivo, de modo que possa
receber um tratamento qualitativo, conforme a técnica proposta, buscando-se, dessa forma,
atender aos objetivos anteriormente propostos.
3.4 Procedimentos de Coleta de Dados
Para definir os procedimentos de coleta de dados, por meio do questionário,
levaram-se em consideração os recursos financeiros existentes, a distância entre o pesquisador e

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os respondentes, que como mencionado anteriormente, encontram-se geograficamente dispersos
no âmbito do Estado, e os equipamentos e recursos de informática disponíveis.
Antes da entrega dos questionários aos sujeitos de pesquisa, será aplicado um
pré-teste, justamente para checar a qualidade do instrumento de coleta de dados, isto é, se as
questões estão bem formuladas quanto à clareza e objetividade.
Os pesquisadores que compõem o grupo de sujeitos de pesquisa selecionados
serão contatados, por telefone e/ou correio eletrônico e, em seguida, a pesquisa será apresentada.

3.5 Procedimentos de Análise de Dados
Como procedimento de análise de dados será utilizado a técnica do Discurso do
Sujeito Coletivo (DSC).
O DSC como técnica de processamento de dados com vistas à obtenção do
pensamento coletivo dá como resultado um painel de discursos de sujeitos coletivos, enunciados
na primeira pessoa do singular, justamente para sugerir uma pessoa coletiva falando como se
fosse um sujeito individual de discurso (LEFRÉVRE; LEFRÉVRE, 2003, p.32).
Tendo retornado os questionários devidamente preenchidos para a tabulação
dos dados deve-se seguir, rigorosamente na ordem, os seguintes passos, propostos por Lefrévre e
Lefrévre (2003, p.46).
Primeiramente, as questões serão analisadas isoladamente, ou seja, será
analisada inicialmente a questão 1 de todos os respondentes, em seguida, a questão 2 de todos os
respondentes e, assim, sucessivamente. Cada resposta será colocada integralmente no Instrumento
de Análise de Discurso 1 (IAD 1) na coluna de expressões-chave, como pode ser observado no
exemplo abaixo.
IAD 1
Expressões-chave
Idéias centrais
Ancoragem
Respondente 1 Questão 1
(Copiar resposta integralmente)
Respondente 2 Questão 1
(Copiar resposta integralmente)
Instrumento de Análise de Discurso, adaptado do texto de Lefrévre; Lefrévre (2003, p.47).

Em seguida, serão identificadas e destacadas, em cada uma das respostas, as
expressões-chaves das idéias centrais e, quando for o caso, as expressões-chave das ancoragens.
O terceiro passo consistirá em identificar as idéias centrais e, quando for o caso,
as ancoragens, a partir das expressões-chaves, colocando as idéias centrais e ancoragens
identificadas, nos seus lugares correspondentes no IAD 1, conforme mostrado anteriormente.
As ancoragens, diferentemente das idéias centrais, que estão sempre presentes
nos depoimentos, só são consideradas, na metodologia do DSC, quando estiverem concreta e
explicitamente presentes nesses depoimentos, o que nem sempre acontece (LEFRÉVRE;
LEFRÉVRE, 2003, p. 50).
Dando procedimento, as idéias centrais e as ancoragens de mesmo sentido ou
sentido equivalentes serão identificadas e agrupadas. Assim, cada grupo deverá ser diferentemente
classificado, o que consistirá em criar uma idéia central ou ancoragem síntese, que expresse, da
melhor forma possível, todas as idéias centrais ou ancoragens de mesmo sentido.
A partir daí, deverá ser construído o Discurso do Sujeito Coletivo e, para isso, é
fundamental o uso do IAD 2, Instrumento de Análise de Discurso 2. Deverá ser utilizado tantos
IAD 2 quantos forem os agrupamentos identificados.
Deste modo, será copiado do IAD 1 todas as expressões-chave do conforme é
mostrado a baixo.

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IAD 2
1ª Ideia central
Expressões-chave

DSC

Respondente 1
Respondente 2
Instrumento de Análise de Discurso, adaptado do texto de Lefrévre; Lefrévre (2003, p.54).

Enfim, para a construção do DSC, propriamente dito, será preciso “sequenciar
as expressões-chave obedecendo a uma esquematização clássica do tipo: começo, meio e fim ou
do mais geral para o menos geral e mais particular” Lefrévre; Lefrévre (2003, p.55).
Essa forma de apresentação de resultados de pesquisa, é fácil perceber, confere
muita naturalidade, espontaneidade, vivacidade ao pensamento coletivo, o que contrasta
fortemente com as formas clássicas de apresentação de resultados, típicas da pesquisa
quantitativa, como tabelas, gráficos, percentuais, etc., que refletem uma ruptura radical entre a
vida real e a vida pesquisada (LEFRÉVRE; LEFRÉVRE, 2003, p. 32).
A técnica de pesquisa do DSC permite romper a atual dicotomia entre a
pesquisa do pensamento humano e o pensamento humano, tal como ele ocorre e se exibe na vida
real.
“A ligação entre as partes do discurso ou parágrafos, deve ser feita através da
introdução de conectivos que proporcionam a coesão do discurso como: assim, então, logo, enfim,
etc.” Lefrévre; Lefrévre (2003, p.55).
Tanto particularismos como repetições de ideias serão eliminados na construção
do Discurso do Sujeito Coletivo. Para a construção final do DSC deverá ser utilizado todo o
material coletado das expressões-chave.

4 Resultados parciais/finais
A leitura quando é desprovida da crítica pode ser considerada como uma
simples aquisição mecânica de informações e argumentos. Desse modo, é fundamental que, a
capacidade de leitura desenvolva a capacidade crítica do leitor.
Quando a capacidade crítica do leitor é desenvolvida, ele pode se apropriar
da informação, um processo onde o leitor passa a fazer parte da produção e/ou construção de
um novo texto, no qual o leitor “[...] é entendido como co-autor, uma vez que não se concebe
um texto que exista por si só, sem a presença dele” (ALMEIDA JUNIOR, p. 97).
Ao longo da formação escolar, as escolas e Bibliotecas desenvolvem
diversas atividades de leitura visando o desenvolvimento crítico dos alunos.
Nesse sentido, essa pesquisa busca identificar quais são as ações práticas
que são desenvolvidas pelas Bibliotecas da Rede de Bibliotecas do Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, no sentido de verificar se estas propostas têm
surtido efeito na melhoria deste quadro.
Este estudo encontra-se em fase inicial. Em um primeiro levantamento,
buscou-se mapear as atividades práticas de ações de incentivo à leitura realizadas pela Rede
de Bibliotecas do IFSP, no qual foram identificadas: Hora do conto; Indicações de Leitura;
Propaganda de eventos e obras na Internet (blogs, redes sociais); Sites de compartilhamento;
Homenagens ao autor; Rodas de leitura; Mostras de livros; Clubes do livro; Concursos
literários; Oficinas de leitura e escrita; Semana do livro e da biblioteca; Sarau; Declamação de
poesias; Representação teatral; Carro Biblioteca e Caixa estante.
Esse primeiro levantamento, foi realizado de forma informal e as
informações das atividades desenvolvidas pelas bibliotecas foram mapeadas por meio de
pesquisa em sites institucionais das Bibiotecas da Rede. No entanto, com o desenvolvimento
da pesquisa pretende-se seguir os procedimentos metodológicos propostos para melhor

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atender ao própósito da pesquisa que pretende identificar se as ações de incentivo à leitura
desenvolvidas pelas Bibliotecas da Rede de Bibliotecas do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia de São Paulo contribuem na formação escolar de alunos com
dificuldades em leitura e escrita.

5 Considerações parciais/finais
A prática da leitura no país ainda não conquistou os níveis indicados e
desejados. Grande parte da população brasileira permanece em uma posição periférica no que
diz respeito à leitura.
A biblioteca escolar, centro dinâmico de informação da escola, deve fazer
parte dos recursos utilizados para o processo de ensino aprendizagem. Inserir a biblioteca no
processo de ensino é ofertar aos alunos a possibilidade de ampliar o conhecimento através dos
diversos materiais disponíveis no acervo. Desse modo, a ação educativa da biblioteca escolar
deve ser pensada e gerenciada visando à sua interação com o ensino e aprendizagem.
No contexo de complexidade em que a leitura está inserida atualmente, as
ações relacionadas à mediação da leitura realizadas pela equipe de bibliotecários da Rede de
Bibliotecas do IFSP pode ser destacada como essencial no processo de formação escolar, pois,
fornecem a comunidade escolar o acesso à informação e à leitura de forma democrática e com
rigorosa qualidade.
Para que ocorra o desenvolvimento pleno do leitor no ambiente escolar, é
imprescindível a inserção de uma biblioteca que seja atualizada, dinâmica e atenda às
necessidades do plano de ensino estabelecido pela escola a qual está inserida.
As ações de medição de leitura que vem sendo desenvolvidas pelos
bibliotecário da Rede de Bibliotecas do IFSP vem contribuindo significativamente para o
processo de formação escolar, pois permitem: Permear o processo de ensino aprendizagem;
Adequar-se às necessidades informacionais da comunidade escolar; Disponibilizar os recursos
informacionais adequados para o desenvolvimento pleno das atividades escolares; Favorecer
o desenvolvimento do currículo estabelecido pela escola e aprimorar a habilidade da leitura
por meio de uma programação diversificada e dinâmica, oferecendo materiais para a leitura
recreativa e informativa; Orientar nas pesquisas e trabalhos escolares; Dinamizar o ambiente
da biblioteca e Contribuir para uma completa formação dos indivíduos, através de
informações atualizadas e contextualizadas, de acordo com exigências da sociedade moderna
e de cada educando.
Desse modo, realizar um planejamento estratégico e inserir estas atividades
mediadoras no cotidiano escolar, possibilita a transformação da realidade, e faz com que com
que a biblioteca escolar possa atuar de forma efetiva no sistema educacional, cumprindo seu
papel dentro da sociedade da informação.

6 Referências
ALMEIDA JÚNIOR, O. F. Leitura, mediação e apropriação da informação. In. SANTOS, J. P.
(Org.). A leitura como prática pedagógica na formação doprofissional da informação.
Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2007;
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São Paulo: Planeta do Brasil, 2003;
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Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997;

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parâmetros para bibliotecas escolares. Belo Horizonte, 2010;
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aperfeiçoamento. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO,
5., 2003a, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: Escola de Ciência da Informação da UFMG, 2003;
________. et al. A biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica. 2. ed. Belo Horizonte:
Autêntica, 2006;
CARVALHO, D. Q. Bibliotecas escolares: manual de organização e funcionamento. Rio de Janeiro:
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FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34. ed. São Paulo:
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FURTADO, Cássia. A biblioteca escolar brasileira no sistema educacional da sociedade da
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GUERRA, Leila Boni.- A criança com dificuldades de aprendizagem: considerações sobre a
teoria – modos de fazer. Rio de Janeiro: Enelivros, 2002;
HEBRARD, Jean. As bibliotecas escolares. In: MENESES, Maria Cristina (Org.). Educação,
memória, historia: possibilidades, leitura. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2004. p. 15-204;
INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND INSTITUTIONS.
Manifesto IFLA/UNESCO para biblioteca escolar. Tradução de Neusa Dias de Macedo. Edição em
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LEFRÈVRE; Fernando; LEFRÈVRE, Ana Maria Cavalcanti. O discurso do sujeito coletivo: um
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MACEDO, Neusa Dias de (Org.). Biblioteca escolar brasileira em debate: da memória profissional
a um fórum virtual. São Paulo: Senac, 2005;
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica. São Paulo:
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MORIGI, Valdir José Samile; VANZ, Andréa de Souza; GALDINO, Karina. O bibliotecário e suas
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Disponível em: &lt;http://revista.acbsc.org.br/index.php/racb/article/view/390/480&gt;. Acesso em: 9 julho
2015;
SANTIAGO, Anna Rosa Fontella. Projeto político-pedagógico da escola: desafio a organização dos
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construção possível. 5. ed. Campinas, SP: Papirus, 1998 p. 157-178. (Magistério: formação e trabalho
pedagógico);
VIDAL, Diana Gonçalves. Bibliotecas escolares: experiências escolanovistas nos anos de 1920 e
1930. In: MENESES, Maria Cristina (org.). Educação, memória, história: possibilidades, leitura.
Campinas, SP: Mercado das Letras, 2004.p. 187-211.

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                <text>A biblioteca escolar, centro dinâmico de informação da escola, deve fazer parte dos recursos utilizados para o processo de ensino aprendizagem. Inserir a biblioteca no processo de ensino é ofertar aos alunos a possibilidade de ampliar o conhecimento através dos diversos materiais disponíveis no acervo. A ação educativa da biblioteca escolar deve ser pensada e gerenciada visando à sua interação com o ensino e aprendizagem. Ocupando as discussões educacionais da atualidade, as dificuldades de aprendizagem configuram-se como um tema recorrente e inquietante, dentre as diferentes formas de manifestação das dificuldades de aprendizagem. A dificuldade em leitura, por sua vez, pode interferir no rendimento escolar e/ou no desempenhodas atividades diárias da criança que exigem habilidades de leitura. Nessa conjuntura, o presente estudo está voltado para as ações de mediação da leitura que são desenvolvidas pelas Bibliotecas da Rede de Bibliotecas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, no sentido de verificar se estas propostas têm surtido efeito na melhoria deste quadro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa em que, os sujeitos de pesquisa que farão parte da coleta de dados são os atores que participam da Rede de Bibliotecas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, sendo que esses atores estão geograficamentedispersos em todo o Estado de São Paulo.</text>
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                    <text>As bibliotecas universitárias brasileiras nas nuvens: plataformas de
serviços para gerenciamento de bibliotecas
Fabiana John Tonding (UFRGS) - fabianatonding@terra.com.br
Samile Andrea de Souza Vanz (UFRGS) - samilevanz@terra.com.br
Resumo:
Os softwares de gerenciamento de bibliotecas evoluíram constantemente ao longo dos anos
desde a primeira até a quarta geração; configurando os sistemas mais usados na atualidade no
Brasil, os sistemas de gerenciamento integrado (ILS). A próxima geração, denominada
plataforma de serviços de bibliotecas (LSP), vem crescendo internacionalmente, com
perspectivas de implantação no Brasil. A partir de um levantamento bibliográfico, o presente
trabalho identifica as características das plataformas de serviços de bibliotecas, relaciona seus
principais fornecedores e prospecta sobre a utilização destas soluções nas bibliotecas
universitárias brasileiras. Conclui que as plataformas de serviços de biblioteca incorporam
características que atendem as demandas das bibliotecas universitárias brasileiras em um
cenário que inclui o ensino a distância e o suporte aos diferentes recursos informacionais
disponíveis e necessários.
Palavras-chave: Informatização de bibliotecas. Sistemas de gerenciamento de bibliotecas.
Plataformas de serviços de bibliotecas. Computação em Nuvem.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Biblioteca universitária e EaD

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As bibliotecas universitárias necessitam vencer desafios gerados por mudanças
significativas em suas funções, em seus ambientes e nas demandas de seus usuários. A
tecnologia é uma das ferramentas que apoiam as bibliotecas na busca de formas de trabalho e
de prestação de serviços mais apropriadas. A explosão informacional, o aumento da oferta e da
procura por publicações eletrônicas, a diversidade de documentos fora do tripé livro-periódicotese/dissertação, a escassez de recursos financeiros e de pessoal das bibliotecas, a redução de
leitores na biblioteca, a diminuição de empréstimo de itens físicos das coleções, a concorrência
com ferramentas de busca como Google e outros sistemas equivalentes, o aumento do uso de
dispositivos móveis contra a redução do uso de computadores e a introdução de novos padrões
técnicos (como RDA, BIBFRAME, FRBR, Dublin Core, OpenURL) são fenômenos atuais que
fazem a biblioteca questionar seus objetivos e rumos. Davenport (1998 apud CÔRTE et al.,
1999, p. 242), comentou “às bibliotecas está reservado o papel de repensar suas atividades e
funções, adaptando-se aos novos modelos organizacionais e extraindo das tecnologias
disponíveis o substrato para a melhoria na prestação de serviços e na utilização eficaz de
informações”.
A indústria estrangeira de automação de bibliotecas, atenta às demandas de seu mercado,
passou a oferecer, a partir de 2012, novos sistemas para gerenciamento de bibliotecas. Esses
sistemas são desenvolvidos com tecnologias recentes, providos através de serviços em nuvem
e oferecem funcionalidades mais completas e modernas para gerenciamento unificado dos mais
diversos recursos de informação hoje existentes nas bibliotecas - sejam eles impressos,
eletrônicos ou digitais.
O uso destes novos sistemas para gerenciamento de bibliotecas vem se propagando nos
últimos anos no cenário internacional, principalmente em instituições de ensino superior e de
pesquisa. Na literatura técnica especializada e na área comercial, estas novas soluções aparecem
com as denominações: next generation library systems, webscale management solutions,
uniform management systems, unified resources management systems ou library services
platforms. No Brasil, o nome destes novos sistemas ainda não está consolidado, mas observamse as expressões “nova geração de sistemas para bibliotecas”, “sistemas de próxima geração” e
“plataformas de serviços de bibliotecas”. Neste trabalho adota-se o nome “plataforma de
serviços de biblioteca” e a correspondente sigla LSP - do inglês, library services platform. A
escolha desse nome se dá por dois motivos. Primeiramente pelo fato de que a qualidade de
“novo(a)” e de “próximo(a)” usada nas outras denominações tende a se degradar no tempo e
perder sua significação em poucos anos. O segundo motivo leva em conta a escolha feita por
Marshall Breeding, um dos autores mais importantes neste tema, que também denomina os
novos sistemas como library services platform.
A partir de um levantamento bibliográfico, o presente trabalho tem por objetivo
identificar as características das plataformas de serviços de bibliotecas, relacionar seus
principais fornecedores e prospectar sobre a utilização destas soluções nas bibliotecas
universitárias brasileiras. Nas seções a seguir estes objetivos são detalhados.

2 As gerações dos sistemas para gerenciamento de bibliotecas
A evolução dos sistemas para gerenciamento de bibliotecas tem sua trajetória pautada
pelo surgimento e disponibilização de novas tecnologias, que permitem que os sistemas sejam
modernizados, visando atender as necessidades técnicas e informacionais contemporâneas das
bibliotecas e de seus usuários. Rowley (2002) estabelece um enquadramento dos sistemas de
informatização de bibliotecas em quatro gerações. A primeira se caracterizava por sistemas com

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foco na catalogação e na circulação, não havendo integração entre os módulos. Na segunda
geração, os fabricantes passaram a preocupar-se com a interligação de módulos, mas as
interfaces ainda eram rudimentares e a utilização dos sistemas dependia de menus. Apareceram
as primeiras possibilidades de exportação e importação de registros, porém restritas a sistemas
específicos. A terceira geração de sistemas para gerenciamento de bibliotecas disponibilizou
relatórios padronizados e a opção para a biblioteca definir aqueles de seu interesse. A utilização
de cores, janelas, ícones e menus, tornou a interface gráfica e mais amigável. Já na quarta
geração, a importação e exportação de registros passou a ser totalmente integrada e facilitada,
a arquitetura cliente-servidor permitiu o acesso a outros servidores da internet e os usuários
finais podiam consultar os catálogos a partir de múltiplas mídias.
Atualmente no Brasil, as soluções para gerenciamento de bibliotecas mais utilizadas
pelas universidades enquadram-se na quarta geração, como por exemplo, os softwares Aleph
(Ex Libris), Pergamum (PUCPR) e Sophia (Prima), cujas primeiras versões, projetadas com
base na arquitetura cliente-servidor surgiram no final dos anos 90 e início dos anos 2000,
acompanhando o crescimento da Internet. Cabe constatar que “No mundo da automação de
bibliotecas, os ciclos dos produtos muitas vezes são mais longos do que os das tecnologias da
informação” (BREEDING, 2011, p. 33, tradução nossa), tendo em vista que alguns produtos
existentes do mercado atual passaram por mais de uma geração, evoluíram ao longo de sua
existência, renovando-se tecnologicamente, até chegar à quarta geração, com versões
compatíveis, por exemplo, com a estrutura cliente-servidor.
Os sistemas utilizados atualmente nas bibliotecas acadêmicas brasileiras, e classificados
por Rowley (2002) como de quarta geração oferecem, de forma geral, funcionalidades nas áreas
de catalogação, circulação, aquisição, controle de periódicos, gerenciamento e, por último, mas
não menos importante, busca e recuperação de informações. São denominados no meio
profissional, genericamente, como a) sistemas para gerenciamento de bibliotecas - por
suportarem as atividades de administração das bibliotecas, b) sistemas de informatização ou
automação de bibliotecas - por permitirem a realização das rotinas e serviços das bibliotecas
com apoio de recursos de hardware e software e, mais especificamente como c) sistemas
integrados de bibliotecas, tradução de Integrated Library Systems (ILS, sigla também utilizada
neste trabalho) – por integrarem banco de dados e interface de utilização. Os sistemas
integrados para gerenciamento de bibliotecas (ILS), cujas funcionalidades foram desenvolvidas
com foco apenas em recursos impressos, como livros e periódicos, concentraram os esforços
da indústria internacional por alguns anos.
A educação superior passou por mudanças importantes nos últimos anos e a realidade
das bibliotecas que atendem às instituições desse segmento vem mudando significativamente.
O ensino à distância e a ampliação dos suportes de informação são alguns elementos desse novo
contexto, no qual, acadêmicos, professores e pesquisadores dependem de uma ampla
infraestrutura de recursos de informação, com variedade de fontes e mídias. Para
desenvolvimento do ensino e da pesquisa na universidade, os usuários necessitam apoiar-se no
acervo local da biblioteca, pesquisável via os ILS e em outras fontes, como bases de dados,
periódicos e livros eletrônicos, repositórios institucionais e a internet de um modo geral.
A insatisfação com a falta de uma ferramenta de busca unificada, o tempo necessário
para pesquisa nas diversas fontes e a necessidade de conhecer os detalhes de acesso e interfaces
fizeram com que surgissem os sistemas de descoberta e entrega:
[...] no início desta década surgem os Web Scale Discovery Systems, denominados
neste trabalho, em tradução livre, de serviços de descoberta em rede ou apenas
serviços de descoberta. O princípio básico dos serviços de descoberta é fornecer um
índice único de metadados [...] previamente coletados que permita uma busca
unificada substituindo a busca federada, ou seja, a busca em cada uma das bases

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provedoras de conteúdos, utilizada até então. Hospedados local ou remotamente,
disponibilizam uma variedade de informações que podem incluir todo tipo de
conteúdo licenciado, conteúdo local e o próprio catálogo da biblioteca, tudo
combinado num índice único. (PAVÃO, 2014, p. 16)

Os sistemas de descoberta, além da busca em si, também permitem acesso ao texto
completo dos documentos eletrônicos que a instituição possui na mesma interface, sem
necessidade de acessar o site de origem – processo identificado como de “entrega” (em inglês
utiliza-se a expressão discovery and delivery). As bibliotecas que implementam sistemas de
descoberta, em geral, os combinam com os seus sistemas para gerenciamento, usando o primeiro
para as funções de busca e recuperação de informações e o segundo para as atividades
operacionais da biblioteca. Complementando os sistemas para gerenciamento de bibliotecas, as
soluções de descoberta e entrega tornaram-se obrigatórias para as bibliotecas preocupadas em
oferecer serviços de qualidade aos usuários, assegurando acesso ágil e relevante a todo conteúdo
que dispõem.
A Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), em 2011, foi pioneira
no Brasil na implantação do sistema de descoberta Primo produzido pela Ex Libris (VIANA,
2016, p. 71-72). No entanto, ainda há poucas bibliotecas universitárias utilizando sistemas de
descoberta no Brasil.
Por um lado, os sistemas de descoberta solucionam a busca integrada e o acesso a toda
coleção da biblioteca. Por outro, os softwares do tipo ILS, para gerenciamento das bibliotecas,
não suportam o conteúdo eletrônico e digital, devido ao número crescente de fontes, à variedade
e à complexidade de opções de aquisição e licenciamento, às necessidades específicas de registro,
catalogação e fornecimento (circulação e entrega ao usuário) destes recursos. Para gerenciamento
deste espectro de materiais, no que diz respeito às atividades e competências administrativas, de
processos técnicos e de prestação de serviços envolvidas, as bibliotecas precisam, além dos
softwares de bibliotecas do tipo ILS, munir-se de um conjunto de sistemas e ferramentas
adicionais, que atendam às novas demandas. Nesse contexto surgem os sistemas chamados
plataformas de serviços de bibliotecas, modelados para atender as atuais necessidades das
bibliotecas.
Observa-se desde 2012, principalmente entre bibliotecas universitárias e de pesquisa dos
Estados Unidos e Europa, uma crescente substituição dos sistemas integrados de bibliotecas pelas
plataformas de serviços de bibliotecas. As características das LSP não se enquadram na categoria
quarta geração estabelecida por Rowley (2002), justificando a criação de uma quinta geração,
denominada por Viana (2013) como “Nova geração”, conforme observa-se a seguir:
Figura 1 – Gerações de sistemas para gerenciamento de bibliotecas

Fonte: VIANA (2013)

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Evidencia-se uma grande mudança nos atributos que caracterizam a nova geração de
sistemas em comparação à quarta geração. Dentre as características mencionados por Viana
(2013), destaca-se a computação em nuvem, fator tecnológico de maior importância e influência
na concepção dos novos sistemas para gerenciamento de bibliotecas – o que foi previamente
evidenciado por Breeding (2012, p. 32):
De todas as tendências tecnológicas que tenho acompanhado nos últimos anos, a
computação em nuvem é a de maior visibilidade e está em condições de transformar
mais radicalmente a forma de tecnologia das bibliotecas. Eu vejo que estamos em um
dos principais pontos de mudança, no qual a tecnologia renovará o convencional.

Cabe ainda ressaltar que os modelos brasileiros para avaliação de softwares de
bibliotecas estabelecidos por Côrte e colaboradores (1999) e por Café, Santos e Macedo (2001)
são aplicáveis aos sistemas de quarta geração. Eles foram utilizados por muitas bibliotecas
brasileiras como referência e apoio ao processo de seleção dos sistemas de informatização que
hoje utilizam. Estes modelos de análise ainda são válidos se aplicados às opções de software do
mercado nacional e dos ILS de forma geral, mas tornam-se obsoletos quando submetidos às
plataformas de serviços de bibliotecas que possuem características funcionais inovadoras e são
desenvolvidas com tecnologias atuais. Com enfoque atual, Viana (2014) apresentou um
levantamento de critérios para avaliação de plataformas de serviços de bibliotecas subdivididos
em gerenciais e financeiros, biblioteconômicos, computacionais e baseados em serviços e
processos. No meio internacional, por sua vez, há iniciativas de metodologias de avaliação
como a da Ken Chad Consulting que mantém um site, disponível no endereço
https://libtechrfp.wikispaces.com/, para discussão de especificações de softwares para
bibliotecas, incluindo sistemas integrados de bibliotecas (ILS), serviços de descoberta,
plataformas de serviços de bibliotecas (LSP) e sistemas para gerenciamento de recursos
eletrônicos (ERM).

3 Plataformas de serviços de bibliotecas – surgimento e suas premissas tecnológicas
Os primeiros sistemas do tipo plataformas de serviços de bibliotecas surgiram no início
desta década no mercado internacional, contemplando o gerenciamento de todos os materiais
das coleções - impressos, eletrônicos e digitais - múltiplos formatos de metadados e a mudança
para utilização de serviços hospedados em nuvem. No artigo “Future of library systems”, Carl
Grant (2012a) afirma que muitas bibliotecas estão em processo de avaliação da eficiência das
ferramentas de automação que utilizam para prestação de serviços dentro e fora de seus limites
físicos. Se por um lado, na maioria das bibliotecas, os serviços são mediados por sistemas
integrados para gerenciamento de bibliotecas, os ILS, por outro, estão as ofertas de uma nova
geração de sistemas, batizados por Marshal Breeding como “library services platforms (LSP)”.
Breeding (2012) destaca que as plataformas de serviços de bibliotecas são um dos
principais norteadores da indústria de automação de bibliotecas, que devem permanecer no
mercado nos próximos dez anos e que estão em condições de dar início a um ciclo de migrações.
Estes produtos diferem substancialmente dos ILS e não podem ser enquadrados na mesma
categoria. Entre as características que os distinguem estão o gerenciamento de materiais
impressos e eletrônicos, utilização de bases de conhecimentos globais ao invés de bases de
dados locais, implementações através do modelo Sofware as a Service (SaaS) em arquiteturas
multi-tenant e o provisionamento de um conjunto de APIs (Interface de Programação de
Aplicativos) que permitem interoperabilidade e extensibilidade. A biblioteca necessita utilizar
uma variedade de sistemas além do ILS para gerenciar todos seus recursos e serviços; portanto,
a implementação dessa nova plataforma pode substituir muitos sistemas, incluindo os ILS, as

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ferramentas para gerenciamento de recursos eletrônicos (ERM), os “resolvedores de links
OpenURL” e os sistemas para gerenciamento de coleções digitais.
Uma das características transformadoras dos novos sistemas é que as bibliotecas deixam
de operar suas próprias instalações de produtos de automação e passam a utilizar serviços
hospedados, incluindo Software as a Service e implementações baseadas em infraestruturas
providas através de computação em nuvem (BREEDING, 2012). Para compreensão e
identificação das plataformas de serviços de bibliotecas é necessário definir os conceitos de
SaaS, computação em nuvem e software multi-tenant, explanados a seguir.
Software as a Service (em português, Software como Serviço) é um modelo de utilização
de sistemas no qual o software é desenvolvido e hospedado pelo fornecedor e o acesso do
usuário final é por meio da internet. O consumidor, nesse caso, a biblioteca, paga para utilizar
o serviço por um determinado tempo ou demanda. Todos os clientes utilizam o mesmo sistema,
sem customizações para necessidades específicas e, quando o fornecedor inclui novas
funcionalidades ao sistema, elas ficam automaticamente disponíveis para os usuários. O
fornecedor é responsável pela manutenção dos servidores, máquinas onde o sistema está
instalado, de modo que a biblioteca fica livre deste tipo de atividade (GRANT, 2012a).
O conceito de computação em nuvem foi bem definido pelo National Institute of
Standards and Technology (2011, p. 2, tradução nossa) como:
[...] um modelo para acesso a rede sob demanda, ubíquo e conveniente para um pool
compartilhado de recursos computacionais configuráveis (como por exemplo redes,
armazenamento, aplicações ou serviços) que podem ser rapidamente provisionados e
lançados com mínimo esforço de gerenciamento ou interação com o provedor de
serviços.

A computação em nuvem, inicialmente vista como a solução de todos os problemas que
afligem as bibliotecas, esteve no topo das expectativas de tecnologias nos anos de 2010 e 2011,
conforme o Hype Cycle Special Report do grupo Gartner (2010, 2011). Segundo Leite (2015,
p. 25), “a computação em nuvem tem um componente hype, um componente de onda, mas ela
é definitiva sob o ponto de vista do formato de trabalho e do formato de utilização de
tecnologia”. Grant (2012b) comenta que usando o mesmo conceito de computação em nuvem,
no ramo de sistemas de bibliotecas, há empresas que se limitam a oferecer Software as a Service
como sua solução de computação em nuvem, enquanto que há outras organizações que
realmente oferecem softwares com novas funcionalidades e novas arquiteturas.
As plataformas de serviços de bibliotecas ainda incluem a proposta do modelo de
software chamado multi-tenant ou “multi-inquilino”, uma aplicação que atende a diversos
clientes. A arquitetura multi-tenant é essencial para um ambiente em nuvem, pois permite que
vários clientes compartilhem os mesmos recursos físicos, mas permaneçam logicamente
isolados. A vantagem é a redução de custos de desenvolvimento e manutenção, uma vez que
estes são compartilhados.
Além das características técnicas das implementações baseadas em nuvem, com modelo
de SaaS e arquitetura multi-tenant explanados anteriormente, as plataformas de serviços de
biblioteca apresentam outro aspecto importante em relação a abordagem que os fornecedores
adotaram para o desenvolvimento de suas soluções. Grant (2012a, p. 7-8) estabelece três
abordagens:
a) Nova concepção: algumas empresas, em função das mudanças tecnológicas e das
demandas das bibliotecas, concluíram ser fundamental criar um novo produto, de
modo a acomodar necessidades atuais, integrar perfeitamente os fluxos de trabalho
independentemente do tipo de material (impresso, eletrônico e digital), garantindo
eficiência e eficácia às atividades das bibliotecas. Disto, surge o ponto negativo: em

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função do tempo e recursos para o desenvolvimento, as primeiras versões poderiam
não contemplar algumas funcionalidades. Aliado ao fato de que algumas destas
empresas possuem um conjunto de soluções já estabelecidas no mercado, que devem
ser mantidas e atualizadas, é considerado arriscado por parte dos fornecedores
desenvolver um produto totalmente novo, pois pode deixar clientes já conquistados,
bem como os usuários dos novos produtos, insatisfeitos. Sistemas que se enquadram
nesta abordagem são, por exemplo: Alma (Ex Libris, a ProQuest Company), Intota1
(ProQuest) e WorldShare Management Services (OCLC).
b) Evolução: fornecedores que seguem esta linha - como por exemplo a Innovative que
desenvolve o Sierra - reutilizam parte dos sistemas que possuem, e os aperfeiçoam
para criar uma solução com novas funcionalidades. A decisão destas empresas
apoia-se na dificuldade de desenvolver produtos totalmente novos, e de que as
mudanças que as bibliotecas impõem são mais de cunho evolutivo do que
revolucionário e que os custos não compensam os ganhos. Por parte das bibliotecas,
também há aquelas que entendem que mudanças são necessárias de forma rápida e
substancial, com custo razoável e sem abandonar aquilo que funciona. Se o
fornecedor não oferece uma solução com fluxos de trabalho integrados e facilitados,
assim como os sistemas do tipo “nova concepção”, esta não deve ser a melhor opção
para bibliotecas que desejam dar suporte às coleções eletrônicas e digitais. Cabe a
biblioteca uma avaliação sobre o trabalho, o tempo, o custo e os benefícios entre
migrar para o modelo mais novo e eficiente ou buscar por soluções com abordagem
“evolução”.
c) Software livre: o software livre teve visibilidade no mercado de sistemas para as
bibliotecas por algum tempo, originando sistemas da categoria ILS como o
Evergreen e o Koha. Em relação às plataformas de serviços de bibliotecas há
esforços por parte da Kuali Foundation que oferece o Open Library Environment
(OLE). No que diz respeito ao caráter dos itens a e b acima, o OLE enquadra-se
como um sistema de nova concepção, com desenvolvimento totalmente novo.

4 Características funcionais e tecnológicas
As plataformas de serviços de bibliotecas possuem inúmeras características, conforme
descrição de Breeding (2015, p. 8, tradução nossa):
Uma plataforma de serviços de biblioteca permite às bibliotecas adquirir e gerenciar suas
coleções, abrangendo vários formatos de conteúdo, desde itens físicos até materiais eletrônicos.
Estes produtos suportam vários processos de aquisição, incluindo a compra de itens permanentes,
aqueles com licenças pagas e assinaturas, e aqueles selecionados em fontes de acesso aberto.
Oferece um ambiente de gerenciamento de metadados, contemplando vários esquemas conforme
apropriado para cada um dos respectivos formatos de materiais, incluindo no mínimo os padrões
MARC e Dublin Core. Uma plataforma de serviços de biblioteca pode incluir um serviço de
descoberta integrado ou fazer uso de uma interface de descoberta adquirida, apoiando-se em
APIs e outros protocolos de interoperabilidade. As plataformas de serviços são oferecidas através
de uma estrutura multi-tenant, com interfaces via web para acesso aos funcionários e usuários.
Estes produtos proporcionam acesso a bases de conhecimento que representam o corpo de
conteúdo de informação além da coleção específica da biblioteca.

A seguir as características principais das plataformas de serviços são detalhadas:
_________________________

1

A ProQuest pretende, em 2016, descontinuar o Intota e integrá-lo ao Alma, desenvolvido pela Ex Libris, a
ProQuest Company (ENIS, 2016).

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Unificação de fluxos de trabalhos
As bibliotecas atualmente possuem diversos silos de informação, tais como, o sistema
para gerenciamento de bibliotecas para o acervo convencional, o catálogo da biblioteca, os
repositórios institucionais ou temáticos, as interfaces para acesso aos periódicos eletrônicos e
e-books, as bases de dados, sistemas para gerenciamento dos recursos eletrônicos, etc. Os
diferentes acervos e sistemas geram duplicação de dados e de trabalho, assim como uma
diversidade de caminhos e de interfaces para gerenciamento, busca e acesso a estes recursos.
Alguns exemplos que ilustram as soluções unificadas suportadas pelas plataformas de serviços
de bibliotecas são:
- O processo de aquisição de materiais impressos e eletrônicos pode ser gerenciado
usando a mesma plataforma e fluxo, adaptando-se às exigências de um ou outro material –
enquanto um livro será recebido, uma fonte eletrônica será ativada; enquanto um item será
cadastrado, uma fonte terá sua licença de uso registrada. Além disto, as LSP suportam os
modelos de licenciamento de materiais eletrônicos: aquisição perpétua, assinaturas de pacotes
ou títulos específicos, Patron (Demand) Driven Aquisition (aquisição orientada ao
usuário/demanda ou PDA/DDA).
- No que diz respeito à catalogação dos recursos de informação, os padrões podem ser
usados de forma híbrida: dependendo do recurso, pode-se ter um registro em formato MARC21
ou Dublin Core. A funcionalidade de catalogação passa a ser chamada em inglês de “Metadata
management”, ou seja, gerenciamento de metadados. A tradicional divisão entre registro de
catalogação e registro de coleção física aplicada ao ILS, passa a ser denominada nas plataformas
de serviços como informação de metadados e informação de inventário, sendo que este
inventário engloba os registros necessários para os itens físicos e para os materiais eletrônicos
(nesse caso, registros de coleções, portfólios e serviços).
- O termo Circulação é ampliado para o termo, em inglês, “fulfillment”, que equivale a
atendimento, e pode ser efetivado com atividades como provisionamento de um pedido de
reserva, empréstimo de um item físico, digitalização de um artigo, envio de um material para
outra biblioteca.
Interatividade
As plataformas de serviços sinalizam atividades que aguardam por ação de seus usuários
(no caso, gestores, bibliotecários e auxiliares da equipe), tais como, pedidos de aquisição
aguardando aprovação, ativações de fontes eletrônicas pendentes, pedidos de empréstimo cujos
itens devem ser localizados no acervo e separados para os solicitantes, etc. O usuário também
pode, em algumas situações, atribuir a responsabilidade de execução de uma atividade para
outro operador. Esta interação que a LSP propicia, diferentemente do caráter estático dos
sistemas tradicionais para gerenciamento de bibliotecas, dá agilidade ao processo, torna a
plataforma uma ferramenta de organização do fluxo de trabalho para a equipe, permitindo
divisão, atribuição e sinalização de tarefas.
Compartilhamento
O conceito de compartilhamento está amplamente aplicado às plataformas de serviços
de bibliotecas, de modo a evitar o retrabalho de edição de metadados, visando a simplificação
dos processos de aquisição e de catalogação. Neste sentido, a LSP oferece opções de importação
de registros a partir de um grande catálogo de fontes provenientes de editores, agregadores e
bibliotecas, como Library of Congress, British Library, Harvard University, entre outras. Nesse
repositório de registros para compartilhamento estão disponíveis dados bibliográficos, de
autoridades e de fontes eletrônicas. Os dados descritivos e de acesso das fontes eletrônicas,
providos pelos fornecedores de conteúdo, são reunidos em uma base de conhecimento - em

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inglês, “knowledge base (KB)” - mantida pelo fornecedor da plataforma de serviços. A
disponibilidade destas ferramentas de compartilhamento de dados resulta na simplificação,
economia de tempo e redução de custo nos processos de aquisição, edição de registros e controle
de autoridades.
Implementações SaaS em arquitetura multi-tenant
As plataformas de serviços de bibliotecas são providas através de infraestrutura em
nuvem, com arquitetura multi-tenant e uso do modelo Software como Serviço; resultando em
redução de custo, tempo e envolvimento das áreas de TI e das bibliotecas das instituições
usuárias. Com esta modelagem, não há servidores locais para instalação do software, o acesso
ao sistema é totalmente via web, reduzindo o custo de aquisição e de manutenção de
infraestrutura de hardware e software para a instituição usuária. Outro aspecto importante é que
os sistemas providos neste modelo tendem a ser frequentemente atualizados, de forma mais
rápida e tranquila, pois são gerenciados de forma centralizada. Isto não é observado em
instalações locais, comumente utilizadas pelos ILS, onde variáveis como hardwares, sistemas
operacionais, bancos de dados, versões do software em si e disponibilidade das equipes
envolvidas comprometem o processo de atualização. Sendo a manutenção, ampliação e
atualização do sistema (hardware e software) responsabilidade do fornecedor das plataformas
de serviços, fica a equipe da instituição usuária desonerada destas tarefas, dando condições para
ela desenvolver atividades criativas e proativas, condizentes com uma abordagem
contemporânea de prestação de serviços pelas bibliotecas.
Interoperabilidade e extensibilidade
As plataformas de serviços de bibliotecas suportam APIs (Interface de Programação de
Aplicativos) que permitem o desenvolvimento de extensões para a solução de modo a atender
necessidades específicas da biblioteca e/ou da instituição usuária, assim como integrar a
plataforma com outras aplicações e sistemas do ambiente local.
Dados, análises e relatórios
As LSP contemplam soluções de “business intelligence” (BI) que permitem reunir todos
dados controlados pelo sistema e oferecem um conjunto de ferramentas para análise e geração
de relatórios. Com as ferramentas BI, a biblioteca pode, com facilidade e intuição, combinar os
mais diversos dados e obter os relatórios que necessita com o objetivo de auxiliar em suas
tomadas de decisão. Atualmente, com a escassez de recursos financeiros para investimentos
vivenciada pelas bibliotecas esta capacidade é essencial para estabelecer prioridades e rumos à
atividade.
Sistemas de descoberta
As plataformas de serviços de bibliotecas integram-se aos sistemas de descoberta para
oferecer aos usuários as funções de busca, localização e acesso aos recursos informacionais,
não possuindo uma interface própria para este fim; diferentemente dos ILS que contemplam os
tradicionais catálogos de bibliotecas, chamados OPACs. Os serviços de descoberta não têm uma
relação direta com os dados de usuários e suas atividades (pedidos de aquisição, reservas,
empréstimos, pedidos de digitalização, etc) gerenciadas através das LSP; sendo necessário criar
esta interrelação através de APIs.
Alguns fornecedores de plataformas de serviços também oferecem serviços de
descoberta, como pode ser verificado no Quadro 1.

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Quadro 1 - Opções de plataformas de serviços de bibliotecas e de serviço de descoberta
Plataforma de Serviços de
Serviços de Descoberta
Biblioteca (LSP)
WorldShare Management Services WorldShare Discovery Service
Alma
Primo com Primo Central
Kuali OLE
Nenhum
Intota
Summon
Sierra
Encore
Fonte: adaptado de BREEDING (2015, p. 24)

Software Livre de Descoberta

VUFind, Blacklight
VUFind

Assinatura e valores
Comercializadas através do modelo de negócio de assinatura, as plataformas de serviços
de bibliotecas diferem-se dos ILS com instalação local, pois estes aplicam um valor inicial de
licenciamento e uma taxa de manutenção e atualização anual. As implementações do tipo SaaS
são normalmente oferecidas através de assinaturas anuais cujos valores dependem do tamanho
e da complexidade da instituição. Nos valores das assinaturas estão embutidos custos de
hardware, sistemas operacionais, infraestrutura de data center e de pessoal técnico, sendo, em
geral, superior às taxas de manutenção associadas com os sistemas instalados localmente. No
entanto, o custo total das implementações de LSP, quando todas as despesas e investimentos
são calculadas, equiparam-se as cobradas pelos ILS.
Usando as plataformas de serviços, “as bibliotecas deixarão de ser organizações reativas
e prestadoras de serviços genéricos para se tornarem proativas e prestadoras de serviços
altamente personalizados”, proferiu Carl Grant em sua apresentação feita para bibliotecas
universitárias brasileiras durante o evento “Alma Solution Day”, realizado em São Paulo no
início de março de 2016.

5 Principais fornecedores
Com base no levantamento de Breeding (2015, p. 27-36), abaixo são apresentados os
principais fornecedores de soluções de plataformas de serviços de bibliotecas e alguns detalhes
de suas trajetórias e produtos LSP.
Alma






Fornecedor: Ex Libris, a ProQuest Company1
2009 – Início do desenvolvimento
2012 – Instituição pioneira: Boston College
Dezembro 2014 – 370 instituições com contratos assinados e 150 bibliotecas em
produção, sendo a maioria bibliotecas universitárias.
Novembro 2015 – primeira apresentação e demonstração do Alma para bibliotecas
universitárias brasileiras2

Intota
 Fornecedor: ProQuest
 2011 – Início do desenvolvimento
_________________________

1

Em dezembro de 2015, a Ex Libris foi adquirida pela ProQuest e passou a ser chamada Ex Libris, a ProQuest
Company (nota das autoras).
2
O evento “Alma Solution Day”, realizado em São Paulo, em 17/11/2015, para bibliotecas universitárias, teve
apresentações de gerentes da Ex Libris (Israel, Estados Unidos e Brasil) e de Carl Grant, Associate Dean,
Knowledge Services e Chief Technology Officer da University of Oklahoma Libraries (nota das autoras).

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 2013 – Lançamento da versão inicial do Intota
 2014 – 31 instituições usuárias de outras aplicações ProQuest com contratos assinados
 2015 – Lançamento da versão completa do Intota 1
Kuali OLE (Open Library Environment)
 Software livre, desenvolvido através de diversas iniciativas com fundos da The Andrew
W. Mellon Foundation
 Agosto 2014 – Instituições pioneiras: Lehigh University e University of Chicago
 Agosto 2014 – Foi criada a empresa comercial KualiCo, mas sem impactos sobre o
projeto Kuali OLE até o final de 2014
Sierra
 Fornecedor: Innovative Interfaces
 2011 – Início do desenvolvimento
 2012 – Instituição pioneira: Bloomfield Township Public Library
 Dezembro 2013 – 336 instituições usuárias
 Março 2014 – Innovative adquire a VTLS
 Dezembro 2014 - 560 instituições com contratos assinados e 495 bibliotecas em
produção
WorldShare Management Services
 Fornecedor: OCLC
 2009 – Início do desenvolvimento do chamado Web-scale Management
 2010 – Craven-Pamlico-Carteret Regional Library System com o serviço em
produção
 Dezembro 2014 – 340 instituições com contratos assinados e 270 bibliotecas em
produção
O Quadro 2 a seguir apresenta uma síntese do número de instalações e contratos das
plataformas de serviços de bibliotecas:
Quadro 2 – Instalações de LSP por fornecedor até dezembro de 2014
Plataforma de Serviços de
Instalações
Biblioteca (LSP)
Alma
150
Intota
0
Kuali OLE
2
Sierra
495
WorldShare Management Services
270
Total
917
Fonte: adaptado de BREEDING (2015, p.13)
* dados corrigidos em relação à tabela original

Contratos
370
31*
10
560
340
1311*

6 Considerações finais
Autores como Breeding (2012) e Rowley (2002) já comentaram que a transição para os
sistemas de nova geração é um processo delicado para os fornecedores e para as bibliotecas,
tendo em vista que estas não aceitam transições brutas e forçadas. Por este motivo, os
fornecedores mais atentos e com recursos e infraestrutura necessários dividem seus esforços
entre o desenvolvimento, a manutenção e o suporte aos produtos já existentes, assim como
________________________

1

A ProQuest pretende, em 2016, descontinuar o Intota e integrá-lo ao Alma, desenvolvido pela Ex Libris, a
ProQuest Company (ENIS, 2016).

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

canalizam energias para o desenvolvimento e marketing de suas novas soluções, pois falhar
com seus produtos tradicionais pode resultar na perda de credibilidade e prejuízos na
prospecção de novos negócios.
Observa-se há alguns anos a oferta das plataformas de serviços de biblioteca por
fornecedores internacionais. Ano a ano, inúmeras bibliotecas vêm incorporando estas
plataformas, devido a demanda crescente de gerenciamento de acervos cada vez mais
diversificados e em função das tecnologias modernas por elas empregadas. De fato, como
mencionou Viana (2016, p. 77), é necessário dispor de um levantamento atualizado das
bibliotecas universitárias no Brasil, no que diz respeito ao número de unidades existentes, tipos
e números de acervos, situação de automação, avaliação dos sistemas e tecnologias que
utilizam, verificação de expectativas de melhorias de serviços e processos, necessidade e planos
de mudança de sistemas de informatização.
Acredita-se que este trabalho propicia aos bibliotecários e gestores das instituições de
ensino superior um levantamento preliminar de informações com vistas ao conhecimento,
compreensão e amadurecimento técnico em relação a essa emergente tecnologia que está
começando a chegar no Brasil.

7 Referências
BREEDING, Marshall. A cloudy forecast for libraries. Computers in Libraries, v. 31, n. 7,
p. 32-34, Sept. 2011. Disponível em: &lt; L&gt;. Acesso em: 20 abr. 2016.
______. Agents of change: automation product vendors are poised for a major transition.
Library Journal, v. 137, n. 6, p. 30-36, Apr. 2012. Disponível em:
&lt;http://www.thedigitalshift.com/2012/03/ils/automation-marketplace-2012-agents-of-change/&gt;.
Acesso em: 31 ago. 2015.
______. Library services platform: a mature genre of products. Library Tecnology Reports,
Chicago, v. 51, n. 4, May/June 2015. Disponível em: &lt;
https://journals.ala.org/ltr/issue/viewIssue/509/259&gt;. Acesso em: 21 abr. 2016.
CÔRTE, Adelaide Ramos e et al. Automação de bibliotecas e centros de documentação: o
processo de avaliação e seleção de softwares. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p.
241-256, set./dez. 1999 . Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019651999000300002&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 7 abr. 2016.
CAFE, Lígia; SANTOS, Christophe Dos; MACEDO, Flávia. Proposta de um método para
escolha de software de automação de bibliotecas. Ciência da Informação, Brasília, v. 30, n.
2, p. 70-79, maio/ago. 2001 . Disponível em
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019652001000200009&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 3 abr. 2016.
ENIS, Matt. All systems go. Library Journal, 6 Apr. 2016. Disponível
em:&lt;http://lj.libraryjournal.com/2016/04/technology/all-systems-go-library-systemslandscape-2016/&gt;. Acesso em: 19 abr. 2016.
GARTNER. Gartner's 2010 hype cycle special report evaluates maturity of 1,800 technologies.
Gartner, Stamford, 7 Oct. 2010. Newsroom. Disponível em:
&lt;http://www.gartner.com/newsroom/id/1447613&gt;. Acesso em: 31 ago. 2015.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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Gartner, Stamford, 10 Aug. 2011. Newsroom. Disponível em:
&lt;http://www.gartner.com/newsroom/id/1763814&gt;. Acesso em: 31 ago, 2015.
GRANT, Carl. The future of library systems: library services platforms. Information Standards
Quarterly, v. 24, n. 4, Fall 2012a. Disponível em:
&lt;http://dx.doi.org/10.3789/isqv24n4.2012.02&gt;. Acesso em: 31 ago. 2015.
______. Thoughts from Carl Grant: impressions of the new library service platforms - part 1,
2012b. Disponível em: &lt;http://thoughts.care-affiliates.com/2012/10/impressions-of-new-libraryservice.html&gt;. Acesso em: 31 ago.2015.
LEITE, Cesar. Ninguém escapa da nuvem. Amanhã, v. 30, n. 314, p. 24-32, ago./set. 2015.
Disponível em:
&lt;http://www.processor.com.br/Documentos/Entrevista%20Cesar%20Leite_Revista%20Amanha
_ago_15.pdf&gt;. Acesso em: 8 set. 2015
NATIONAL INSTITUTE OF STANDARDS AND TECHNOLOGY. The NIST definition of
cloud computing: recommendations of the National Institute of Standards and Technology.
Gaithersburg: NIST, set. 2011. 7 p. (NIST Special Publication 800-145). Disponível em:
&lt;http://csrc.nist.gov/publications/nistpubs/800-145/SP800-145.pdf&gt;. Acesso em: 31 ago. 2015.
PAVÃO, Caterina Marta Groposo. Comportamento de busca e recuperação da informação
em serviços de descoberta em rede no contexto acadêmico. 2014. 225 f. Tese (Doutorado
em Comunicação e Informação). Programa de Pós-Graduação em Comunicação e
Informação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2014. Disponível em:
&lt; http://hdl.handle.net/10183/96705&gt;. Acesso em: 3 abr. 2016.
ROWLEY, Jennifer. A biblioteca eletrônica. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 2002. 399 p.
VIANA, Michelângelo Mazzardo Marques. Nova geração de sistemas para uma nova
geração de bibliotecas. 2013. 50 slides. Disponível em: &lt;http://pt.slideshare.net/miquemv/novageracao-desistemasparabibliotecas2013viana&gt;. Acesso em: 4 abr. 2015.
______. Sistemas de informação para bibliotecas universitárias: os requisitos dos gestores,
dos bibliotecários e da equipe de tecnologia. 2014. 63 slides. Minicurso apresentado no XVIII
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, Belo Horizonte, 2014. Disponível em:
&lt;http://pt.slideshare.net/miquemv/sistemas-de-informao-para-bibliotecas-universitrias-anlisemulticritrios-2014&gt;. Acesso em: 8 abr. 2015.
______. Uma breve história da automação de bibliotecas universitárias no Brasil e algumas
perspectivas futuras. Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação, Brasília, v. 9, n.
1, p. 43-86, jan./jun. 2016. Disponível em:
&lt;http://periodicos.unb.br/index.php/RICI/article/view/15688/12852&gt;. Acesso em: 6 abr. 2016.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Os softwares de gerenciamento de bibliotecas evoluíram constantemente ao longo dos anos desde a primeira até a quarta geração; configurando os sistemas mais usados na atualidade no Brasil, os sistemas de gerenciamento integrado (ILS). A próxima geração, denominada plataforma de serviços de bibliotecas (LSP), vem crescendo internacionalmente, com perspectivas de implantação no Brasil. A partir de um levantamento bibliográfico, o presente trabalho identifica as características das plataformas de serviços de bibliotecas, relaciona seus principais fornecedores e prospecta sobre a utilização destas soluções nas bibliotecas universitárias brasileiras. Conclui que as plataformas de serviços de biblioteca incorporam características que atendem as demandas das bibliotecas universitárias brasileiras em um cenário que inclui o ensino a distância e o suporte aos diferentes recursos informacionais disponíveis e necessários.</text>
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                    <text>ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO: ESTUDO DE CASO VOLTADO AO
PERFIL DO PROFISSIONAL DE INFORMAÇÃO
Maria Irene da Fonseca e Sá (UFRJ) - mariairene@facc.ufrj.br
Beatriz Mattos Caires (UFRJ) - beatrizmttos@gmail.com
Resumo:
Este trabalho apresenta em primeiro plano, a metodologia e o levantamento bibliográfico de
artigos, livros e outros trabalhos acadêmicos das áreas de Arquitetura de Informação, Estudo
de Usuário, Usabilidade e Modelagem e Mapeamento de Processos. A posteriori discorre
através de um estudo de caso sobre as atividades de mapeamentos de processos, Usabilidade
e Arquitetura de Informação na fase inicial de um projeto voltado para a criação de um
website com o intuito de viabilizar a gestão documental e fluxo de informações entre
diferentes entidades e com isto, demonstrar a multidisciplinaridade dos envolvidos e o perfil
do profissional de informação. O trabalho é fechado com as considerações da execução de
processos através dos pontos fortes e relevantes do projeto e o despertar de interesse de
profissionais de informação para outro campo de atuação, tendo em vista as mudanças que o
perfil desta área de atuação já sofreu desde seu início, e aponta para uma postura profissional
mais dinâmica e empreendedora, necessária no meio empresarial.
Palavras-chave: Arquitetura de Informação. Usabilidade. Modelagem
Profissional da Informação. Multidisciplinaridade.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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de

Processos.

�1

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016
Eixo Temático: Ecologia da informação
ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO: ESTUDO DE CASO VOLTADO
AO PERFIL DO PROFISSIONAL DE INFORMAÇÃO
Modalidade da apresentação: Comunicação oral
ABSTRACT
This paper presents in the foreground, the methodology and the literature of articles, books
and other academic works in the areas of Information Architecture, User Study, Usability and
Modeling and Process Mapping. The post elaborates through a case study on the activities of
mapping processes, Usability and Information Architecture in the initial phase of a project
aimed at creating a website in order to facilitate document management and flow of
information between different entities and that demonstrate multidisciplinarity of those
involved and the professional profile of information. The work closes with considerations of
process execution through strong and relevant points of the project and the awakening of
information professionals interest to another playing field, given the changes the profile of
this area has suffered since its beginning, and points to a professional approach more dynamic
and entrepreneurial, necessary for business.
Keywords: Information Architecture. Usability. Process Modeling. Information Professional.
Multidisciplinarity.

1 Introdução
No início das origens do homem, a troca de experiências era feita de maneira muito
lenta ou era até mesmo inexistente. Nômades, os primeiros seres humanos não registravam
seus feitos e rotinas, ou reforçavam o aprendizado em como caçar, se proteger de outros
animais e se defender entre eles mesmos e de eventos externos, como invernos, escassez de
alimentos entre outras alterações climáticas. Dado certo tempo, o homem primitivo passou a
registrar seu cotidiano nas paredes de sua caverna. Deixou de ser nômade, passou a cultivar
frutas, produzir armas (consideradas hoje rudimentares), adestrar e criar animais. O que
sabemos sobre esses homens pré-históricos ainda é pouco, porém o sabemos graças às marcas
deixadas nas paredes das cavernas que habitavam.
Milhares de anos depois surgem as grandes populações. É visto que a informação
concentra-se nas mãos de poucos, sejam estes monarcas, parlamentares, religiosos. E por
somente alguns deterem o conhecimento, estes detêm e controlam os demais, aqueles que não
sabem e tudo que podem fazer é acreditar e aceitar. Como vemos nos três casos abaixo:
No primeiro, baseado na mitologia grega temos a lenda de Teseu que entraria no
labirinto no qual ninguém sabia sair. Ariadne ciente da situação entregou à Teseu um novelo,
para que ele pudesse encontrar a saída. E após matar o Minotauro ele conseguiu facilmente
encontrar a saída daquele lugar. A sensação é similar ao compararmos o labirinto e seus
infinitos caminhos com o as infinitas possibilidades do hipertexto no World Wide Web. Como
Lara Filho (2003, p. 1) explica que em ambas as situações as opções surgem de
Forma quase imediata, por sua estrutura não linear, fragmentada em mosaicos e
limites não visíveis, bifurcações que levam a diferentes caminhos. Por tudo isto é
muito pouco provável que um mesmo caminho seja repetido duas vezes. Mas um
labirinto também pode ser lúdico, extremamente rico em suas variações e surpresas,
onde a ambiguidade e o acaso levam-nos a lugares nunca antes visitados. O
hipertexto mostra-se como uma enciclopédia feita por milhões de autores, sem um

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Figura 2: O desenho de Escher como metáfora para definição de informação

Fonte: Relativity (ESCHER, M.C., 1953)
Neste sentido, Gutenberg dá o pontapé inicial com a invenção da prensa móvel,
automatizando a produção em massa e levando a informação (impressa) para um número
maior de pessoas. A partir deste marco as próximas revoluções e guerras culminaram no
acúmulo de informações e as transformações sociais, políticas, econômicas e culturais
passaram a acontecer em ritmo cada vez mais acelerado.
O volume informacional cresce exponencialmente, dos registros em rolos de papiro,
passando pelos telégrafos e os inúmeros tipos de correios até ao WWW. O peso da informação
é tamanho que vemos um novo tipo de sociedade nascer, aquela que vive em torno da
informação e a busca de maneira frenética e continua, ansiando sempre por mais e mais. Ao
longo deste percurso, no qual as sociedades se desenvolvem e com ela a informação, que
ganha destaque até torna-se o ponto central da sociedade atual, a sociedade do século XXI,
também conhecida como sociedade da informação. A informação se transforma em objeto de
consumo com a crescente necessidade de ser coletada, armazenada, recuperada, manipulada,
controlada e disponibilizada.
Com esforços sobre controle da produção bibliográfica do mundo, Paul Otlet e Henry
La Fontain, (1910), são os belgas responsáveis pela Classificação Decimal Universal (CDU),
o Repositório Bibliográfico Universal e o projeto Mundaneum, frente à explosão bibliográfica
da época. Estavam preocupados em criar algum tipo de organização que abarcasse todo esse
conhecimento e no Tratado da Documentação, Otlet faz especulações sobre a comunicação
online, a conversão de voz em escrita e vice-versa, além de lançar o conceito de hipertexto
(POZZATTI, 2014).
Conexão generalizada, difusão massiva da informação, fim da relação única de
emissor e receptor. Novas relações de poder em torno do acúmulo, manuseio, difusão e
manipulação da informação. Assim nasce a semente da Arquitetura de Informação que se
baseia na lógica da origem da arquitetura, da programação e estruturação do espaço pensando
no uso que lhe será dado, nas limitações de quem circula por lá e qual o objetivo deste espaço.
Esta transformação desponta com as novas tecnologias de Informação e Comunicação
(TIC) e a criação de novos sistemas como os Sistemas de Recuperação da Informação (SRI)
que obrigam a sociedade atual a repensar os aspectos que moldam a gestão da informação,
tanto do conteúdo quando de sua disposição. Tendo em vista a competitividade mercadológica
e a ciência de que o uso da informação permeia todos e quaisquer fluxos existentes, uma
gestão estruturada garante vantagens sob a concorrência de mercado.

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Diante disto, observa-se a necessidade de investigar o perfil do profissional de
informação designado a fazer o serviço de mapear, modelar, processar e gerir toda essa
informação e investigar para quem são feitos esses serviços. Há o intuito de averiguar a
existência de conteúdos teóricos que busquem fomentar e embasar características e
conhecimentos que este profissional deve ter, visando o desenvolvimento de um perfil
profissional ligado à compreensão, implementação e gestão focada nos fluxos e controles
informacionais produzidos dentro de uma organização.
Este trabalho almeja também, analisar o campo de atuação de serviços em informação
levando em consideração, a demanda do mercado atual que vislumbra nos serviços
terceirizados, maior possibilidade de profissionais capacitados e focados em prazos e
qualidade de serviços.
O presente estudo foi dividido nas seguintes etapas: na introdução, discorre-se sobre a
formação da sociedade até os dias atuais com o intuito de sinalizar o valor e a importância que
a informação recebe no momento presente e explicitar o quanto se faz necessário o perfil de
um profissional voltado para a área de documentação e informação. Na sequência,
conceituamos os termos que serão abordados ao longo do trabalho apoiados na literatura
científica. Em seguida, é descrita a teoria das etapas de uma consultoria com a prática, através
de um estudo de caso ao qual expomos experiências do campo de atuação. Por fim, nas
considerações finais são apontadas oportunidades e o quanto ainda deve ser desenvolvido.
A justificativa para o desenvolvimento da pesquisa advem da denominada sociedade
da informação. Vivemos em meio ao ritmo acelerado de progressos sociais, econômicos e
culturais. A globalização e as novas tecnologias influenciam estes setores fazendo da
informação um instrumento vital de competitividade. Neste contexto, devemos analisar as
questões que tangem a formação do profissional da informação e de sua alocação no mercado
de trabalho no âmbito do gerenciamento informacional, que exige do profissional da
informação maior desenvoltura no conhecimento geral da organização na qual está inserido.
Desta forma, o presente estudo se justifica pelo interesse de investigar outro campo de
atuação para os profissionais da informação, fora dos contextos tradicionais, e evidenciar as
etapas iniciais de um projeto de Arquitetura de Informação em uma área especificamente
voltada à Engenharia e à Arquitetura.

2 Revisão de literatura
A bibliografia fala que inserido num mercado privado e competitivo no qual muitas
organizações utilizam sistemas de informação e de sua gestão para auxiliar a alta
administração nas tomadas de decisão e para que esta informação seja filtrada e recuperada
faz-se necessário alguém capacitado. Segundo Ferreira (2003, p. 43) se por um lado, as
organizações já dispõem de sistemas de informação por outro, muito conteúdo relevante ainda
é descartado e devido ao excesso produzido muito se perde, pois não é devidamente indexado
e armazenado. Para afirmar tal aspecto Ferreira (2003, p. 44) diz que:
No atual ambiente de mudanças, informação é vital. Mas a experiência mostra que
não é só de quantidade e de abrangência de informação que vivem as organizações.
Muito mais importante é a qualidade da informação. Mesmo sem entrar nos aspectos
da tecnologia da informação, pode-se perceber que não se trata aqui apenas de uma
questão de “força bruta”, isto é, de poder de processamento e sofisticação de
software e hardware. Trata-se de uma questão de “inteligência”, ou seja, da
habilidade para transformar a imensa massa de dados operacionais que correm nas
veias da empresa diariamente em informações consistentes que agreguem valor ao
negócio.

Após discorrer sobre a existência de outro campo de atuação para os profissionais da
informação, faz-se necessário contextualizar sob quais condições ele pode ser executado.
2.1 Definição de Arquitetura de Informação
Arquitetura de Informação (AI) segundo o Institute of Information Architecture (IAI):

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Definimos arquitetura de informação como a arte e a ciência de organizar e catalogar
websites, intranets, comunidades online e software de modo que a usabilidade seja
garantida. À medida que a informação prolifera de forma exponencial, a usabilidade
vem se tornando o fator crítico de sucesso para websites e aplicações. Uma boa AI
estabelece as fundações necessárias para que um sistema de informação faça sentido
para seus usuários.

O termo Arquitetura de Informação foi cunhado na década de 1970 por Richard
Wurman. Ele levanta a questão da não informação frente ao acúmulo de dados, ao qual se
refere ao usar o termo “ansiedade de informação”, também titulo de sua obra. O desafio é
transformar toda a avalanche de dados em compreensão. E afirma que “Arquitetura de
Informação é sobre a capacidade de tornar o complexo claro, com ênfase na compreensão, em
oposição ao estilo.” (WURMAN, 1993, p.43).
Segundo Agner (2012, p.90), o “foco da AI é o projeto de estruturas (ambientes
informacionais) que fornecem aos usuários recursos necessários para transformar suas
necessidades em ações e para atingir seus objetivos com sucesso”. Por isso, Agner considera
a Arquitetura de Informação uma atividade inserida no campo do ergodesign.
Os bibliotecários Peter Morville e Louis Rosenfeld, em 1998, através do livro
“Information Architecture for the World Wide Web”, foram os primeiros a estruturar a
Arquitetura de Informação, e materializá-la sob a forma de organização de websites. Segundo
Macedo (2014, p. 70), para eles a AI consiste em:
 Criar e combinar esquemas de organização nos quais se encontrem mecanismos de
busca, rotulação de conteúdos e navegação dentro de sistemas de informação.
 Design estrutural de um espaço de informação a fim de facilitar a realização de
tarefas (tasks) e o acesso intuitivo a conteúdos.
 É a arte e a ciência de estruturar e classificar websites e intranets a fim de ajudar as
pessoas a encontrar e a gerenciar informação.
 É uma disciplina emergente e uma comunidade de prática (community of
practice), focada em trazer para o contexto digital os princípios de design,
arquitetura e biblioteconomia.
Macedo (2014, p. 37) traduz o princípio básico de AI a partir da Semantic Studios,
empresa de consultoria voltada para Arquitetura de Informação, Experiência do Usuário e
findability fundada por Morville, como a busca pelo equilíbrio entre os três fatores: Conteúdo,
Contexto (do negócio) e Usuários, como pode ser visto na figura3.
Segundo Agner (2012, p. 18) a navegação significa “se movimentar através do espaço”
e assim, a navegação “inclui o movimento virtual através de espaços cognitivos - que são
espaços formados por dados, informações e pelo conhecimento que daí emerge”.
A navegação dentro de um website, em sua home page (primeira página) deve conter
as informações que interessam ao usuário, conforme explicam os pesquisadores de interfaces
Nielsen e Tahir (apud AGNER, 2012, p. 62), as categorias de informações que devem entrar
na primeira página precisam ser escolhidas de acordo com o contexto da empresa e o interesse
que esta empresa possui em relação ao usuário e/ou cliente.
Para Rosenfeld e Morville (1998) há uma esquematização de como a interface deve
ser para que se adeque a maneira com a qual o usuário navega em um website. As estruturas
organizacionais deste modo são hierárquicas, envolvendo hipertextos, todos estes trazidos da
mesma base de dados, como é mostrado na figura 4.
O sistema de navegação é o componente da Arquitetura de Informação responsável
pela organização da informação de forma a contextualizar e oferecer flexibilidade de
movimentos, através da possibilidade de “avançar” e “voltar” dentro do website, bem como,
dispor de hipertextos para complementar o conteúdo encontrado. Macedo (2014, p. 23-24) diz
que a função de um sistema organizacional é definir as regras de classificação e ordenação das
informações que serão apresentadas, categorizando todos os conteúdos oferecidos, no qual o

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“principal desafio é organizar a informação de uma forma facilmente compreensível e que
ajude os usuários a encontrarem o que precisam para atingir seus objetivos”.
Segundo Rosenfeld e Morville (1998) para que um sistema de navegação possa ser
considerado bom, deve-se a todo o momento responder a três perguntas básicas: “Onde
estou?”, “Onde estive?”, “Aonde posso ir?”. Segundo Agner (2012, p.100) os sistemas de
navegação compõem-se de três subsistemas: a navegação global, local e contextual. Veja a
figura 5.
Figura 3: AI = CONTENT + BUSINESS CONTEXT + USERS

Fonte: Semantic Studios (2016)
Figura 4: Estrutura organizacional e transação com o hipertexto

Fonte: Macedo (2014)
Figura 5: A posição mais comum dos sistemas de navegação

Fonte: Agner (2012, p. 23)
2.2 Usabilidade
Usabilidade, segundo o IAI: “Usabilidade é a eficiência, eficácia e satisfação com a
qual os públicos do produto alcançam objetivos em um determinado ambiente”.
À medida que a informação prolifera de forma exponencial, a usabilidade vem se
tornando o fator crítico de sucesso para websites e aplicações. Um produto bem projetado
envolve muito mais que apenas um conteúdo de qualidade – facilidade de uso, desempenho e
design gráfico também são importantes. A satisfação subjetiva, a “agradabilidade”, tanto
estudada por Don Norman, também faz parte desse todo.
Segundo Norman e Nielsen, fundadores do Nielsen Institute, as principais heurísticas
da Usabilidade são: ser fácil de aprender; ser eficiente na utilização; ser fácil de ser recordado;

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ter poucos erros; ser subjetivamente agradável. E os principais princípios são: visibilidade;
feedback; mapeamento; consistência.
Para Agner (2012, p. 49) o Ergodesign é uma área de Interação Homem computador
em relação à usabilidade. De acordo como o grupo técnico de Ergodesign e Usabilidade de
Produtos, da Informação e da Interação Humano-Computador da ABERGO - Associação
Brasileira de Ergonomia: “(...) a usabilidade trata da adequação entre o produto e as tarefas a
cujo desempenho ele se destina, da adequação com o usuário que o utiliza e da adequação ao
contexto em que será usado”.
Segundo Macedo (2014, p. 27), experiência do usuário pode ser considerado como o
composto de todos os fatores que influenciam a relação entre o usuário final e uma
organização, especialmente quando um produto ou serviço modera essa relação.
Já segundo Saconatto (2014, p. 45) faz-se necessário “entender os fatores mais amplos
que influenciam a experiência do usuário (...). Assim como compreender a ciência cognitiva
por trás da ação do usuário”. Nesta relação também se incluem os “objetivos da empresa, as
relações econômicas, as respostas emocionais e a interação social pode sobrecarregar as
respostas comportamentais e perceptivas dos consumidores”.
Um ambiente fértil para o desenvolvimento das tecnologias com as quais convivemos
é o Xerox Palo Research (Xerox Parc). Steve Johnson afirma que “seria legítimo dizer que o
idioma moderno nasceu ali” (JOHNSON, 2001, p.39), pois os produtos tecnológicos ali
desenvolvidos foram o início do que o autor considera a “fusão de tecnologia e arte”, a
criação da interface: “Softwares que dão forma à interação entre usuário e computador”
(JOHNSON, 2001, p.17).
2.3 Mapeamento e Modelagem de Processos
Segundo Paim (2009, p. 79) os dados, as informações e os conhecimentos têm
importância para a gestão de processos, pois neles estão contidos os fluxos que se vinculam à
coordenação do processo, também são estocados ao longo dos processos e permitem que a
organização aprenda. Para Paim (2009, p. 38-39) “processos e competências são dois lados da
mesma moeda, já que as competências que devem se manifestar correspondem perfeitamente
às atividades que precisam ser executadas e que requerem intervenção do homem”. Logo,
competências envolvem as etapas de elaboração da arvore preliminar de competências,
levantamento dos conhecimentos necessários para realizar os processos, levantamento
disponíveis na organização, tratamento e analise dos dados, planejamento de treinamento,
avaliação e aprendizado. Na melhoria de processos, destaca-se a separação entre o
planejamento, que se refere à especialização da gestão e a execução do trabalho para a
definição logica de homem, posto e tarefa. (PAIM, 2009, p.38) E os ciclos de melhorias de
processos permitem que ao longo do tempo, a gestão de processos possa aprender com os
resultados anteriores.
2.4 O Profissional Arquiteto de Informação
Segundo Agner (2012, p. 78) o arquiteto de informação seria o profissional
responsável pela produção do mapa indicativo do local onde se encontra a informação, de
modo a fazer com que todos os usuários possuam um caminho para chegar à informação
desejada. Para Agner a
Profissão emergente do novo milênio, a arquitetura de informação envolve a análise,
o design e a implementação de espaços informacionais, como sites, bancos de dados,
bibliotecas, etc. A visibilidade da arquitetura de informação a partir da segunda
metade dos anos 90 coincidiu justamente com o momento em que a internet atingiu
massa crítica.

Para Rosenfeld e Morville (1998) os arquitetos de informação:
● devem tornar o complexo claro, transformar a informação em algo compreensível
para outros seres humanos.
● humanizar a tecnologia focando nas pessoas.

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● organiza padrões inerentes da informação.
● criar estruturas ou mapas de informação que permite a outros encontrem seu
caminho para o conhecimento.
Para se tornar eficaz, a AI deve atuar como uma instância mediadora entre os
interesses dos usuários, do cliente, do time gráfico e da equipe de programação. No centro de
uma complexa rede de ideias diferentes e de pontos de vista divergentes, o arquiteto de
informação emprega um arsenal de técnicas - combinadas à sua capacidade de comunicação
interpessoal - para traduzir as necessidades e os objetivos dos usuários aos demais.
Para Agner (2012, p. 83) “o arquiteto de informação deve se preparar para ser um
profissional polivalente e pronto para o que der e vier”. Sendo assim, diferentes áreas de
atuação podem contribuir para o sucesso da AI como processo:
A psicologia, a ciência da computação, a educação, ciências cognitivas, design
gráfico e desenho industrial, design instrucional, sociologia, antropologia,
engenharia de software, modelagem e administração de dados, ergonomia e IHC,
entre outras (AGNER, 2012, P. 84).

Ainda segundo Agner (2012, p. 69-70) o projeto de criação de sites é um complexo
trabalho de equipe, com implicações estratégicas. Sendo assim, as empresas devem estar
preparadas para alocar recursos financeiros, técnicos e humanos para o processo do projeto. E
as empresas quem não tem esta visão podem acabar tendo problemas de competitividade.
Por isso, as empresas precisam investir em equipes multidisciplinares de
profissionais comprometidos com a inovação e a mudança. Entre designers,
redatores, arquitetos de informação, programadores, profissionais de marketing e
especialistas, é necessário dar destaque para o usuário, como um efetivo membro da
equipe (sem ele, o site será um emaranhado de ideias aleatórias a respeito dos
negócios da empresa) (AGNER, 2012, p.69).

Quanto ao perfil do arquiteto de informação levantado por Reis (2007, p. 223), este é
um profissional jovem, que vive nos centros metropolitanos do país com alto grau de
instrução na area de humanas e desenvolveu seus conhecimentos em AI de forma autodidata.
Segundo Reis (2007, p. 223) trata-se de um profissional que não segue quaisquer
metodologias existentes nos projetos que executa, atuando como arquiteto de informação com
base em suas próprias experiências e metodologias. Reis (2007, p. 223) afirma que “são
necessários três componentes para se legitimar uma profissão: estabelecer uma metodologia,
desenvolver um corpo teórico que suporte esta metodologia e desenvolver um sistema de
educação para formar futuros profissionais”.

3 Materiais e métodos
O presente estudo fundamenta-se na revisão bibliográfica necessária à compreensão e
ao desenvolvimento do tema. O buscador utilizado foi o Google e as buscas foram feitas em
revistas especializadas como: Ciência da Informação, Scielo e DataGramaZero. Também
houve grande acompanhamento do Blog de Arquitetura de Informação. Para a recuperação da
informação foram utilizados os termos: arquitetura de informação, usabilidade, estudo do
usuário, mapeamento e modelagem de processos, profissional da informação, dentre outros.
A metodologia escolhida para ser utilizada no trabalho é a de Estudo de Caso na qual,
segundo Dias (2009, p. 33) caracteriza-se por “um estudo de caso é uma investigação
empírica que estuda um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real, especialmente
quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes”.
No trabalho o estudo de campo foi realizado presencialmente por parte de uma das
autoras que teve a oportunidade de participar do desenvolvimento de um website voltado para
gerenciamento documental, bem como de entrega e envio de informações para destinatários
específicos de acordo com uma tabela de matriz de permissões, na qual, dependendo do
profissional e da entidade em que trabalha poderá acessar poucos, vários ou todos os
documentos disponíveis.

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Houve algumas restrições na coletas de dados, como por exemplo, a não autorização
de divulgar o website, as entidades e parte de como o trabalho foi realizado, como comentar
sobre reuniões e decisões importantes para o design e desenvolvimento do projeto.
No entanto, foram permitidas pesquisas de opinião sobre o perfil do profissional da
equipe de documentação, responsável pelo manejo de toda documentação e requisição, envio
e troca de informações com as demais entidades envolvidas.
A população de amostragem compreende entidades esportivas internacionais,
funcionários de órgãos públicos de âmbito municipal, estadual e federal, empresas privadas de
projetos arquitetônicos nacionais e internacionais, construtoras privadas e empreiteiras
nacionais e por fim empresas privadas especializadas em gerenciamento de projetos e obras.
Estas últimas empresas se uniram em um consorcio e se tornaram o ponto focal para o
desenvolvimento do website que será deixado como legado para futuros projetos e
acompanhamento de obras no Município do Rio de Janeiro e funcionará também como um
repositório de relatórios técnicos, plantas, fotos de campos e demais documentos usados para
ao longo de qualquer projeto de construção e revitalização arquitetônico, paisagístico e civil
na cidade do Rio de Janeiro.
Neste contexto, o website foi pensado para suprir as necessidades atuais, visando fluxo
de informações e documentos como também para se tornar um repositório das obras que
estarão por vir. Todos os órgãos, entidades e empresas foram ouvidos para a criação do
website, contudo a Rio Urbe e a Prefeitura do Rio de Janeiro tornaram-se os principais
clientes do website.

4 Resultados parciais/finais
No inicio de 2013 foi aberta uma licitação no município do Rio de Janeiro para que
uma empresa especializada em gerenciamento de obras pudesse ajudar a prefeitura a gerenciar
as obra que possuem um âmbito internacional, voltadas às diferentes modalidades esportivas.
Quando o processo de licitação foi encerrado, a empresa vencedora, citada daqui para frente
como gerenciadora, começou a participar ativamente das transações informacionais para que
pudesse apoiar a prefeitura nas tomadas de decisões. Em pouco tempo, percebeu-se que, com
exceção da massiva troca de e-mails e repasses de atas de reuniões, não existia quaisquer
estruturas preparadas para o armazenamento de toda a documentação gerencial produzida.
Documentação esta que engloba: atas de reunião, fotos de campo, estudos específicos de solo
e topografia e os diversos relatórios técnico emitidos ao longo das obras. Somente as plantas
de projetos seriam manuseadas pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.
Com o intuito de melhorar a gestão documental, foi criado um website, ao qual
gerenciadora e prefeitura teriam acesso. Na home page havia ícones das diferentes
modalidades de esportes e ao selecionar um ícone, o usuário encontraria uma pagina cheia de
pastas como as do Windows Explorer. Cada pasta continha um título dedicado ao tipo de
documento contido. Acontece que qualquer um que tivesse acesso ao website podia editar e
criar novas pastas e como o numero de profissionais que tinham acesso estava aumentando,
rapidamente o website tornou-se muito confuso. Havia inúmeras pastas, muitas com nomes
idênticos e nem sempre os documentos eram armazenados adequadamente. Muitas pastas
eram duplicadas e outras simplesmente sumiam. Acessos foram limitados para que estes erros
não voltassem a acontecer, contudo, percebeu-se o acumulo de e-mails e documentos
transacionando de forma informal. Foi então que a gerenciadora decidiu criar um website, no
qual todas as organizações envolvidas teriam um tipo de acesso e executariam suas funções.
Primeiro foram realizadas as reuniões gerenciais para garantir que os envolvidos de
todas as entidades utilizariam o novo website para acessar documentos e informações sobre as
obras. Em seguida, aconteceram as reuniões estratégicas, lideradas pela gerenciadora. Como
os processos de uma organização para outra são diferentes as reuniões eram feitas

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separadamente. Com estas reuniões estruturaram-se os mapas de processos de cada grupo
operacional. O período total entre reuniões e a produção dos mapas levou cerca de três meses.
Os mapas de processos foram validados pelas equipes operacionais, assim como a assinatura
de todos os envolvidos confirmando o uso exclusivo do website.
O programa utilizado para a estruturação dos mapas de processos foi o MindMaple
uma vez que este é um programa livre e de fácil manuseio. O estagiário da equipe de Suporte
e Desenvolvimento (SD) foi quem comentou pela primeira vez sobre o MindMaple e ele foi
facilmente instalado nas maquinas necessárias à realização do mapeamentos de processos.
A gerenciadora dividiu-se em três grupos multidisciplinares: o primeiro grupo formado
por engenheiros de diferentes ramos da engenharia, arquitetos, paisagistas, publicitários e
administradores para gerenciar as obras junto à Rio Urbe e Prefeitura; o segundo grupo
formado por arquitetos, pedagogos, bibliotecários, arquivistas e profissionais sem curso
superior completo responsáveis por criar um vocabulário controlado para que todos os
documentos inseridos no website pudessem ser facilmente recuperados e, após a criação do
que veio a se chamar Código de Nomenclaturas, foi realizado um retrabalho para identificar e
listar cada documento que se encontrava na base de dados do website anterior, renomeá-lo de
acordo com o Código de Nomenclaturas; e o terceiro grupo menos multidisciplinar por conter
profissionais de tecnologia ficou responsável pela entrega do site. Quando o website se
encontrava na fase beta os documentos organizados foram migrados para o novo site.
Aos poucos o website foi sendo liberado para as equipes operacionais de cada
organização. Este processo se dava da seguinte maneira: o terceiro grupo liberava uma
determinada aba do site e informava ao segundo grupo, que realizava uma rápida avaliação e
em seguida marcava um treinamento específico para os profissionais que viriam a usar o
trecho específico do website. Após o treinamento das equipes externas era também marcado
um treinamento para o primeiro grupo da gerenciadora.
Uma vez que o website foi entregue oficialmente, os grupos da gerenciadora se
desfizeram e foi tomado um novo sistema de separação por frentes. Como eram muitas obras,
os profissionais foram separados em equipes de aproximadamente oito profissionais de
diferentes campos de atuação para cada obra e realocados para trabalhar no canteiro de obras.
Nestas novas equipes encabeçava um coordenador geral, abaixo deste um engenheiro civil
para avaliar a obra, um engenheiro de produção para avaliar o desempenho da obra, um
engenheiro responsável pela verificação das medições e ratificações, um arquiteto para
verificar os projetos entregues, alguém da equipe de Documentação e Informação (DI) para
manter o fluxo de informações, orientar sobre o website e classificar e armazenar os projetos
recebidos, um técnico em edificações para apoiar o engenheiro civil em campo, um estagiário
de engenharia ou arquitetura para ser instruído e um ponto focal administrativo para pedido de
material de escritório e Equipamento de Proteção Individual (EPI).
Os processos dentro do website passaram a ocorrer de forma regular e frequente, sendo
utilizados por todos os profissionais das organizações envolvidas. Os motivos de erros mais
frequentes registrados foram: falha ao subir ou baixar algum documento por queda de energia
(muito frequente em obras), erro ao subir algum documento devido à nomenclatura estar
divergente do vocabulário controlado utilizado, com base no Código de Nomenclaturas, erro
ao encontrar algum documento por estar na aba errada ou não ter o perfil permitido para
acessar determinado documento.
Cada perfil de usuário da organização tem uma visualização diferenciada dos
documentos. Isto é controlado pelo status dos documentos. Somente a gerenciadora tem
acesso a todos os status. Os status são:
 Neutro para os documentos inseridos. Prefeitura e Rio Urbe tem a visualização;
 Liberado para campo quando os documentos são liberados para serem
executados.Construtoras tem a visualização;

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 Cancelado quando o documento não será executado pela construtora. Empresas
projetistas tem a visualização;
 Superado para documentos executados. Todos os envolvidos tem a
visualização.
O fluxo de informações e recebimento de documentos ocorre da seguinte maneira no
website:
 As organizações responsáveis pelas entregas de pranchas, projetos e estudos de
terreno e estudos arquitetônicos solicitam à equipe de DI abertura de janela
para envio destes documentos, indicando a quantidade de documentos a serem
enviados. Assim que o sistema contabiliza o número informadoo, ele fecha a
janela para o projetista e é considerada uma entrega;
 As organizações internacionais esportivas, Prefeitura e Rio Urbe recebem um
e-mail de alerta informando-lhes que foram inseridos no website documentos
que precisam ser liberados para execução em obra. A liberação geralmente é
feita durante as reuniões de projetos, nas quais são discutidas a viabilidade de
execução. Se liberado o status dos documentos, são alterados para “liberado
para campo” (status do sistema) ou se não é liberado, o documento é
desconsiderado e o status inserido é de “cancelado”. Quando cancelado o alerta
volta para as organizações projetistas e eles devem refazer o processo;
 Quando o status do documento é inserido como “liberado para campo” as
construtoras recebem o mesmo e-mail de alerta informando que novos
documentos estão disponíveis para a execução na obra. Caso a construtora
avalie que alguma parte do projeto não pode ser executado, o status do
documento passa para o status de “restrito” e o documento volta para a fase
inicial na qual é enviado um alerta para a empresa projetista que deverá refazer
o projeto e retornar a enviá-los. Caso o documento seja utilizado na obra ele
recebe o status de “superado”;
 Com o status de “superado” todas as organizações conseguem visualizar os
documentos utilizados para a execução da obra e podem realizar suas
avaliações através do website;
 A primeira avaliação é por parte da gerenciadora que avalia o processo de
execução, avalia diretamente o que tem sido feito na obra, com o que foi
executado através dos documentos superados;
 Esta avaliação é repassada para a Prefeitura e Rio Urbe para leitura e
questionamentos e posteriormente repassada também para as demais entidades
envolvidas, como organizações publicas de fórum estadual e federal
5 Considerações parciais/finais
O mapeamento e tratamento de conteúdo mostraram-se imprescindíveis em dois
momentos: ao iniciar o projeto de website onde foram apontados objetivos, metodologia e o
arranjo de como cada entidade entregaria sua documentação e em como e para quem toda a
informação contida seria apresentada. E também para averiguar se haviam brechas e erros
tanto em relação ao mecanismo de busca do sistema quanto em relação à rotulação e/ou
esquema de organização com o intuito de saná-los e melhorar a usabilidade do site para todos.
Desta forma, os profissionais de informação necessitam estar treinados na disciplina de
Análise e Modelagem de processos.
No período de treinamentos, o processo iniciava por treinar a equipe que faria uso do
website para depois formar a equipe interna, da própria gerenciadora. Este fato foi prejudicial
em diversos momentos, pois as equipes externas sabiam mais sobre o site do que os próprios
entes da gerenciadora e, portanto, a falta de conhecimento por parte dos profissionais internos

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gerou ruídos sobre a possível má gestão da empresa que justamente estava voltada para
gestão. Novamente, é imprescindível conhecimento sobre gestão de processos, de forma a
adequar os processos às necessidades empresariais e cultura das organizações. Saber lidar
com gestão de mudanças também é importante.
Comunicação extensiva e constante com o cliente, e também com parceiros das
demais entidades envolvidas, torna-se essencial para que todos estejam falando a mesma
língua e que estejam cientes das atividades uns dos outros, mesmo que cada profissional seja
de uma organização distinta. Esta relação próxima gera empatia e reconhecimento entre
profissionais e enfatiza o quanto o trabalho de um depende dos demais para que o fluxo de
documentos e informações funcione corretamente. Os profissionais de informação devem
possuir as habilidades de trabalhar colaborativamente e de saber lidar com os clientes e
parceiros da prestação dos serviços.
Quanto às dificuldade de comunicação destaca-se a atuação da equipe de suporte e
desenvolvimento. Por não participarem efetivamente de reuniões e por não entenderem o
contexto geral das atividades de cada entidade, esta equipe se mostrou bastante reativa a
mudanças tanto internas quanto externas. Foram observados problemas: em liberar e criar
acessos ao website e em apoiar a resolução de questões simples como entrar em contato, tanto
presencial quanto virtual, com as demais equipes de suporte e desenvolvimento envolvidas
para ajudar em questões como filtros restritivos internos de algumas entidades e
funcionalidades do JAVA ou mesmo sobre versões do Google Chrome e Internet Explorer. O
profissional de informação deve estar preparado para lidar com aspectos de tecnologia de
informação e comunicação, de forma a manter diálogo com as equipes de tecnologia da
informação e comunicação e buscar a integração das mesmas.
Houve dificuldades na comunicação interna entre membros da equipe de
documentação e informação. Algumas devido à falta de conhecimento mínimo necessário, ou
por serem profissionais de outras áreas, ou mesmo profissionais desinteressados com a área
em que atuam. A comunicação interna numa equipe é fundamental para o sucesso de qualquer
atividade. Assim, o profissional de informação que chefiar a equipe deve ter liderança para
que possa prover as condições necessárias à execução do projeto que está sob sua
responsabilidade. Em alguns casos faz-se necessário treinamento dos membros da equipe.
O desenvolvimento de um site necessita da atenção de diferentes profissionais de
diferentes áreas de atuação para que cada profissional identifique possíveis erros que possam
ocorrer e pontos de melhorias, como foi feito quando ao alterar o status de um documento os
interessados por esta alteração serem sinalizados por e-mail. O termo arquiteto de informação
é um termo guarda-chuva que deve envolver profissionais de diversas áreas. O profissional de
informação deve estar pronto para trabalhar de modo cooperativo.
Neste caso, o profissional de informação mostra-se importante ao longo do processo,
pois é ele quem verifica junto às diversas organizações envolvidas o fluxo de informações
repassadas, se os documentos estão corretos e também se eles se tornaram ao longo do
processo o principal ponto focal do sítio da gerenciadora. O profissional de informação é o
principal gerenciador do repositório onde fica armazenado o conteúdo do website e para tal
necessita ter conhecimento profundo dos perfis de clientes a atender e dos recursos de
organização da informação a ser gerenciada.
Em uma equipe multidisciplinar todos os pontos de vista são analisados e a troca de
conhecimentos é crucial para o rápido progresso do desenvolvimento do website e também
colabora para a boa divulgação do site, tornando-o o ponto de encontro entre organizações,
além de tornar-se um meio formal de troca de documentos e informações.
Conclui-se que, para o efetivo desenvolvimento de um website, o contexto
multidisciplinar enriquece todo o processo e assim questões relativas à capacitação
profissional adequada para a execução da atividade devem ser consideradas.

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6 Referências
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Este trabalho apresenta em primeiro plano, a metodologia e o levantamento bibliográfico de artigos, livros e outros trabalhos acadêmicos das áreas de Arquitetura de Informação, Estudo de Usuário, Usabilidade e Modelagem e Mapeamento de Processos. A posteriori discorre através de um estudo de caso sobre as atividades de mapeamentos de processos, Usabilidade e Arquitetura de Informação na fase inicial de um projeto voltado para a criação de um website com o intuito de viabilizar a gestão documental e fluxo de informações entre diferentes entidades e com isto, demonstrar a multidisciplinaridade dos envolvidos e o perfil do profissional de informação. O trabalho é fechado com as considerações da execução de processos através dos pontos fortes e relevantes do projeto e o despertar de interesse de profissionais de informação para outro campo de atuação, tendo em vista as mudanças que o perfil desta área de atuação já sofreu desde seu início, e aponta para uma postura profissional mais dinâmica e empreendedora, necessária no meio empresarial.</text>
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                    <text>Arquitetura da informação digital : estudo em websites de
bibliotecas universitárias de Mato Grosso do Sul
Cibele Andrade Nogueira (UFGD) - cibele.andradenogueira@gmail.com
Orlando de Almeida Filho (Banco do Brasil (BB)) - oa.filho@gmail.com
Resumo:
Com um olhar biblioteconômico aliado aos princípios de Rosenfeld e Morville, a pesquisa
busca analisar a Arquitetura da Informação Digital (AID) dos websites de bibliotecas
universitárias de Mato Grosso do Sul - Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD,
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Universidade Estadual de Mato Grosso
do Sul – UEMS, Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Universidade para o
Desenvolvimento da Região do Pantanal. - UNIDERP. Nesse sentido, procura descobrir como
essas bibliotecas universitárias utilizam os recursos da AI em seus portais e se o fazem de
maneira eficaz, garantindo, assim, o foco no usuário. Caracteriza-se como uma pesquisa
exploratória e descritiva, tendo como instrumento de coleta de dados a observação dos
websites. De posse dos resultados obtidos, constata-se que as bibliotecas pesquisadas utilizam,
de certa maneira, os princípios da arquitetura da informação (organização, busca, navegação e
rotulagem), porém, não o fazem de forma plena. Dessa forma, a pesquisa propõe algumas
sugestões, como, a implantação do quarto princípio da AID, isto é, o sistema de busca, bem
como o aperfeiçoamento dos demais sistemas para a melhoria da AID em seus websites.
Palavras-chave: Arquitetura da Informação. Ambientes Informacionais Digitais. Bibliotecas
Universitárias. Usabilidade
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Arquitetura da informação (usabilidade, ergonomia, entre outros)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Devido à consolidação da produção e oferta de informações digitais, armazenadas e
disponibilizadas em diversos formatos eletrônicos, a Arquitetura da Informação Digital – AID
passa a ser visualizada como importante campo de estudo, sobretudo nos processos de busca,
acesso, tratamento, organização, uso e recuperação de informação.
Nesse sentido, os websites aparecem como um campo a ser investigado, por se
caracterizarem como ambiente informacional digital, campo em que a AID atua.
A Biblioteconomia, enquanto subárea da Ciência da Informação1 busca através do
alinhamento de sua prática interdisciplinar com o uso intensivo das Tecnologias da
Informação e Comunicação - TICs, uma melhor condução quanto aos aspectos inerentes à
informação. Tal movimento, nos leva em um primeiro momento a concordar com Capurro e
Hjörland (2007, p. 149 apud ALMEIDA FILHO, 2009, p. 28) quando dizem que: “[...] o que
torna a informação especialmente significativa na atualidade é sua natureza digital”.
É nesse enfoque que o estudo sobre a Arquitetura da Informação – AI em websites de
Bibliotecas Universitárias – BUs ganha olhares teóricos e práticos, pois as questões que muito
frustram a maioria dos usuários no processo de recuperação dessas informações é saber onde
encontrá-las dentro de um portal2; qual o caminho a ser percorrido; se a informação procurada
atende às suas expectativas e se está acessível aos que possuem alguma limitação visual.
A maioria das pessoas responsáveis por esses portais, muitas vezes, não sabem que
para possuir um ambiente digital de fácil navegação e de boa recuperação de informações
devem ser levados em consideração alguns passos que serão vistos mais adiante. Se os
princípios propostos por Rosenfeld e Morville3, grandes nomes na área de análise dos
elementos da AI (navegação, rotulação, busca e recuperação) fossem observados no momento
da criação do portal, as necessidades informacionais dos usuários estariam sendo mais bem
atendidas, fazendo com que eles possuíssem maior intimidade com o website e voltassem a
realizar suas pesquisas no mesmo ambiente. Dessa forma, atenderia a questão da usabilidade 4,
pois de nada vale ter um website repleto de informações úteis para o público a quem esse site
se destina, se esse público não faz uso das informações que têm disponíveis.
Deve-se levar em conta no uso da AID, as experiências dos indivíduos, o conteúdo a
ser disponibilizado e o contexto em que esses usuários se encontram. Porém, não se deve
deixar de disponibilizar determinado tipo de conteúdo por ir contra alguma ideologia que o
bibliotecário possua e faz-se de grande importância que esses conteúdos sejam de qualidade.
A questão que rege essa pesquisa é saber se as Bibliotecas Universitárias de Mato
Grosso do Sul utilizam de maneira eficaz os recursos da AI em seus websites. O objetivo é
avaliar a interface das bibliotecas estudadas nessa pesquisa, de acordo com os princípios da
AI estabelecidos por Rosenfeld e Morville e propor sugestões para a melhoria dessas
1

Conforme delimitação de áreas de conhecimentos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e
Tecnológico – CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior – CAPES.
2
“O portal é por definição um web site, uma forma original de sistema hipermídia distribuído, criado por Tim
Bernes-Lee, para permitir a pesquisa e o acesso direto a documentos e informações publicadas em computadores
que formam a rede Internet, através de um browser e do protocolo de comunicação Hypertext Text Transfer
Protocol (HTTP)”. WINCKLER; PIMENTA (2002, apud SANTOS; SÁ, 2012, p.6)
3
Louis Rosenfeld e Peter Morville, formados em Ciência da Informação e Biblioteconomia, a partir do
aparecimento dos primeiros sites da Web, estavam convencidos de que eram os bibliotecários os profissionais
mais competentes e melhor habilitados a organizar, classificar e rotular informações na rede e, assim, tomaram
emprestada a expressão de Wurman, criando a disciplina de Arquitetura da Informação para a World Wide Web.
(SANT’ANNA, 2009, p.25)
4
Nielsen (1994, apud , SANTOS; ROCHA 2012, p.7) considera a usabilidade como:
[...] um conceito que busca definir as características de utilização, do desempenho e da satisfação dos usuários,
na interação e na leitura das e nas interfaces computacionais, na perspectiva de um bom sistema interativo.

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interfaces. A pesquisa se justifica pelo fato de muitos websites de bibliotecas não
apresentarem com clareza informações básicas essenciais ao usuário, o que na maioria das
vezes faz com que este não retorne novamente a esse ambiente, já que outrora não se sentira
satisfeito pelo modo de disponibilização dessas informações, seja pela falta ou pelo excesso
de informações, tornando o site confuso. As hipóteses levantadas são: as bibliotecas
universitárias têm se preocupado com a organização de seus websites? As pessoas que
possuem algum tipo de necessidade especial ou alguma limitação visual são pensadas no
momento da criação dos websites? A BU conta com o apoio de uma equipe multidisciplinar
na construção e manutenção de seu website?
Outro ponto discutido nesta pesquisa, através da literatura estudada, é que o
bibliotecário é considerado um dos, se não, o profissional mais capacitado para atuar na área
de AID, pois sua formação é composta por disciplinas que são comuns a essa área, bastando
apenas que ele se alie, através de uma especialização ou de cursos, à área de Tecnologia da
Informação – TI.

2 Revisão de literatura
2.1 Bibliotecas Universitárias
As Bibliotecas Universitárias possuem o objetivo geral das universidades: incentivo à
pesquisa, ensino e extensão, logo, devem promover ações que visem a cobertura dessas três
grandes áreas de suma importância no desenvolvimento acadêmico. Além dos serviços
tradicionais (como empréstimos, devoluções, consultas ao acervo, entre outros) deve haver
uma divulgação de outros serviços oferecidos, que muitas vezes os usuários desconhecem
como treinamento ao uso de bases de dados, visitas orientadas, disseminação seletiva da
informação, promoção de eventos culturais e científicos. Tudo isso para que o usuário se sinta
cada vez mais pertencente a utilizar esse espaço que é voltado justamente para ele. O usuário
de biblioteca universitária merece atenção no sentido de haver uma preocupação maior (da
parte do bibliotecário) em fornecer a informação que este necessita e facilitar o processo de
recuperação dessas informações. E isso não deve se dar somente nos sistemas de
gerenciamento de bibliotecas, mas também no próprio site em que a biblioteca está inserida,
em suas redes sociais. Tonar o caminho que o usuário tem de percorrer para localizar o que ele
necessita é uma forma de serviço de referência, que acaba sendo pouco trabalhada, pois já é
subentendido que tudo que o usuário necessita ele irá encontrar no catálogo da biblioteca.
Todavia, às vezes informações úteis como horário de atendimento, equipe, contato, entre
outras, são informações que podem facilitar muito a vida não só dos usuários reais, como
também dos potenciais.
2.2 Arquitetura da Informação em website
A AI muito se relaciona com os ambientes informacionais digitais, pois seu objeto de
estudo consiste na organização, através de toda uma sistemática, desses ambientes para
facilitar a encontrabilidade das informações e até mesmo propor um layout mais agradável
esteticamente, no caso dos websites. Davenport (2002, p. 200), acerca do tema discorre que
“em um sentido mais amplo, a arquitetura da informação simplesmente se constitui de uma
série de ferramentas que adaptam os recursos às necessidades da informação”.
Consequentemente, não há lógica em se criar um ambiente informacional, o qual não se
baseia em nenhuma necessidade ou expectativa almejada por quem irá utilizar-se desse
ambiente. É o website que deve se adequar ao usuário e não o contrário, pois, caso não haja
essa adequação do ambiente, o primeiro não possuirá um bom índice de usabilidade e

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acessibilidade. O website deve ser um atrativo para a comunidade, tanto interna, quanto
externa, possuir informações úteis, ser intuitivo, conter atualizações constantes de conteúdo,
possuir um layout agradável, possuir uma boa recuperação de informações, serviços
oferecidos, links das redes sociais, todos esses fatores são de grande importância para se obter
uma boa AID.
2.3 Ambientes informacionais digitais em bibliotecas universitárias
Os ambientes informacionais digitais são sistemas de informação presentes no meio
digital. Caracterizam-se por possuir a entrada, o processamento e a saída de informações,
assim como a retroalimentação. Vale ressaltar que a Web 2.0 5 muito contribuiu para a
dinamização desses ambientes, pois é muito mais interativa que a Web 1.0, bem como
incentiva a colaboração e o compartilhamento de informações. Nesse sentido, pode-se
destacar ainda:
A importância de direcionar informações específicas para usuários específicos está
sendo reconhecida principalmente na Web 2.0, em que ferramentas estão sendo
desenvolvidas para personalizar informações em larga escala. Cada usuário possui
um contexto distinto, e isso deve ser levado em consideração (CAMARGO;
VIDOTTI, 2011, p. 18).

Uma particularidade dos ambientes informacionais digitais é a Interação HumanoComputador (IHC), na qual se destacam o desejo do usuário em relação ao sistema e o que de
fato o sistema pode oferecer (CUSIN, 2010). Quanto mais se conhece sobre as necessidades
informacionais dos usuários, mais o sistema de informação poderá satisfazê-las e mais
personalizável será esse ambiente.
De acordo com Camargo (2010, p. 72):
Pode-se considerar que os ambientes ou sistemas inseridos na plataforma Web pode
abordar tanto o gerenciamento sob a perspectiva do usuário, quanto sob a
perspectiva funcional da empresa. Isso deve depender do tipo de ambiente que será
construído, o qual deve atender as necessidades da organização e/ou do indivíduo
responsável pelo desenvolvimento do ambiente.

No caso que trata esta pesquisa, os ambientes devem ser pensados sob a perspectiva do
usuário, pois é quem fará uso desses ambientes. O indivíduo responsável por esse ambiente
precisa estar atento às dificuldades que os usuários encontram nesses locais e deve propiciar a
eles uma facilidade maior em interação com esse local.
Conforme Vechiato (2010), o usuário e seu contexto, sua cultura, suas necessidades, a
sociedade em que está inserido, todos esses fatores devem ser sempre pensados em um
ambiente informacional, da mesma forma o fluxo de informações nesses ambientes também
deve ser levado em conta, existindo esse ambiente em meio digital ou físico.
A partir das ideias de Camargo e Vidotti (2011), os ambientes informacionais digitais
devem se caracterizar pela acessibilidade, usabilidade, metadados, política, interoperabilidade,
preservação, ferramenta de busca, personalização e customização.
A acessibilidade sugere que qualquer pessoa, independentemente de suas limitações
5

A Web 2.0 pode ser definida aqui como um ambiente informacional digital, muito mais dinâmico,
interativo e personalizável do que a Web inicial (1.0), o que realmente importa na web 2.0 é a
interação entre o usuário e internet, a customização, as experiências do usuário, a colaboração e o
compartilhamento.

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físicas, possa ter alcance ao conteúdo na íntegra, da mesma maneira que uma pessoa comum.
Já a usabilidade propõe uma boa interação do usuário com o site, quanto mais simples de
navegar, organizado, com o mínimo de erros, conteúdo atualizado que o website possuir, mais
utilizado ele será. Os metadados relacionam-se com a representação do conteúdo, são
basicamente os dados que o compõem. A política determina os padrões a serem adotados no
website.
Já a interoperabilidade está relacionada com os metadados e aponta as regras para que
o compartilhamento das informações seja possível em qualquer sistema. A preservação
estabelece meios para que o portal esteja sempre funcionando ao longo do tempo. A
ferramenta de busca é de suma importância em qualquer ambiente informacional, pois é
através dela que o usuário pode obter as informações de que necessita, de acordo com suas
experiências. E, por fim, a personalização e customização é a capacidade do site se adequar as
preferências do usuário, para que ele próprio possa obter um ambiente que lhe agrade,
aproveitando o que lhe é útil. Todos os conceitos apresentados estão presentes no quadro a
seguir, de autoria própria, baseado nas características e recursos de ambientes informacionais
digitais apresentados por Camargo e Vidotti (2011, p. 63).
Quadro 1: Conceitos e definições presentes nos ambientes informacionais digitais
CONCEITO
DEFINIÇÃO
Boa interação do usuário com o site
Usabilidade
Dados que representam o conteúdo
Metadados
Padrões adotados
Política
Aponta padrões para que o compartilhamento de
Interoperabilidade
informações se dê em qualquer sistema
Estabelece meio para o funcionamento do portal com o
Preservação
passar do tempo
Permite que o usuário possa obter as informações de que
Busca
necessita, baseando-se em suas experiências
Personalização
e Capacidade do website em permitir que o usuário o
adeque às suas preferências
customização
Fonte: Autoria própria

Os ambientes informacionais digitais serão vistos de forma mais detalhada a seguir,
são sistemas de informação em meio digital, onde ocorrem os processos de entrada,
processamento, saída e retroalimentação (feedback) em meio digital.
Os ambientes informacionais digitais de BUs, seu website por exemplo, devem seguir
os padrões que a AI propõe para que se tornem mais agradáveis e consequentemente passem a
ser utilizados com maior frequência, visto que a experiência que o usuário obteve utilizando
esse sistema será positiva, e esse usuário poderá inclusive recomendar a outro que utilize esse
website.

3 Materiais e métodos
O método utilizado na pesquisa foi a observação dos portais, destacando os sistemas
propostos: organização, navegação, rotulagem e busca. Caracteriza-se como uma pesquisa
exploratória, descritiva e observacional.
Acerca do método observacional, Fachin (2003) observa que: “[...] fundamenta-se em
procedimentos de natureza sensorial, como produto do processo em que se empenha o
pesquisador no mundo dos fenômenos empíricos”.
Para Gil (2002, p.77) a pesquisa exploratória é definida como:

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Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade
com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir
hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo
principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições.
Como o tema abordado é muito recente e pouco discutido ainda, o objetivo da
pesquisa é explorar, discutir um pouco mais sobre o assunto, que é de grande importância na
área especificada pela pesquisa (bibliotecas universitárias).
O autor em relação às pesquisas descritivas ainda declara que:
As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição de
características de determinada população ou fenômeno ou, então, o
estabelecimento de relações entre variáveis. São inúmeros os estudos
que podem ser classificados sob este título e uma de suas
características mais significativas está na utilização de técnicas
padronizadas de coleta de dados, tais como questionário e a
observação sistemática. (GIL, 2002, p.42)
A pesquisa é caracterizada exploratória por apresentar um tema recente, que
atualmente vem ganhando mais destaque. É descritiva, pois descreve as características,
através da observação, dos websites analisados.

4 Resultados parciais/finais
Verificou-se, através da observação dos portais, se eles apresentam informações
básicas, tais como o nome da biblioteca, endereço, horário de funcionamento; se apresentam o
regulamento da biblioteca, bem como a equipe que nela atua; se possuem um portal próprio;
se trazem notícias ou avisos atualizados; se possuem opções de alteração do contraste ou
tamanho da fonte da página, se possuem os quatro sistemas que compõe a AI de um site
(organização, navegação, rotulação e busca).
Foram pesquisados os websites de quatro BUs de Mato Grosso do Sul, sendo uma
federal, uma estadual e duas particulares, a saber: Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul – UFMS, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, Universidade Católica
Dom Bosco – UCDB e Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do
Pantanal – UNIDERP.
O sistema de organização será representado pela cor vermelha, o de navegação pela cor
verde e o de rotulação pela cor azul e o de busca pela cor rosa.

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Figura 1 – Interface do website da Biblioteca UEMS

Fonte: http://www.uems.br/biblioteca

O site apresenta o sistema de navegação, rotulação e organização. O sistema de busca
é ausente, talvez por achar que a busca já se dá no catalogo, porém uma busca no próprio site
facilita muito na recuperação da informação. A página está em um link bem no início do site
da instituição, o que se torna fácil de ser localizada. Não foram encontrados links de redes
sociais, nem algum tipo de contato. O layout do site é agradável. Seria interessante que a
página trouxesse algum link com notícias da própria biblioteca e da instituição. Não foi
encontrado nenhum link de personalização de fonte ou contraste da página, dificultando assim
o acesso a usuários com problemas de visão.

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Figura 2 – Interface do website da Biblioteca UFMS

Fonte: http://biblioteca.sites.ufms.br/

O sistema de busca se faz presente, o site possui publicações de notícias atualizadas,
assim como várias informações úteis como treinamentos, tutoriais, contato. A biblioteca
possui canal no youtube e perfil no facebook. Possui um link com perguntas e respostas e
outro link com fotos. Não foram encontrados botões de personalização da página. O layout é
agradável e as informações são fáceis de ser encontradas.

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Figura 3 – Interface do website da Biblioteca UCDB

Fonte: http://site.ucdb.br/campus/3/biblioteca/588/

O website apresenta apenas três dos princípios analisados, sendo que o sistema de
busca é encontrado somente no catálogo online. O website não conta com informações úteis
como a equipe da biblioteca, por exemplo. Não foi possível identificar algum e-mail ou
telefone para contato também, o que dificulta a comunicação. Possui um ícone de rede social
apenas, no caso twitter. Para se chegar à página da biblioteca é preciso olhar o mapa do site da
UCDB, onde o link Biblioteca está inserido. Sugere-se a inclusão de um campo de busca no
site da biblioteca, um campo para contato e o acréscimo de notícias. O layout é agradável, a
combinação das cores utilizadas é boa. O uso de outras redes sociais como instagram,
facebook, entre outras facilitaria a comunicação com os usuários. Não foram encontradas
opções de personalização da página.

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Figura 4 – Interface do website da Biblioteca da UFGD

Fonte: http://portal.ufgd.edu.br/setor/biblioteca

O website possui um layout agradável, possui todos os princípios de AI, todavia a
busca não é exclusiva à página da biblioteca, mas sim de todo o site da instituição. O link da
biblioteca está bem visível no canto direito da tela. Não possui links de redes sociais
específicos da biblioteca, apenas da universidade. Em alguns links falta atualização de
informações. Apresenta telefones e e-mails para contato, bem como a equipe de funcionários
subdivididos por setor. Também possui espaço para informes, mas até o momento não há
nenhuma publicação. A página possui a opção de botões personalizáveis para ajuste do

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tamanho da fonte, porém não há botões para ajuste do contraste da tela.
Figura 5 – Interface do website da Biblioteca da UNIDERP

Fonte: http://www.uniderp.br/uniderp/ver_pagina.aspx?CodPagina=211

O website possui o sistema de rotulação, navegação e organização. O layout é bem
agradável. Possui informações bem interessantes como estatísticas sobre o acervo, periódicos
por área do conhecimento. Os botões personalizáveis de aumento e diminuição da fonte se
fazem presente. A página da biblioteca pode ser facilmente encontrada no canto esquerdo do
portal da instituição a que pertence. Não foram encontrados links de redes sociais, nem a
publicação de notícias.

5 Considerações parciais/finais
A partir da observação dos websites pesquisados, sob a perspectiva dos quatro
sistemas propostos por Rosenfeld e Morville, apontam-se algumas colocações. Apenas um
dos websites possui sistema de busca no próprio conteúdo do site (Biblioteca da UFMS), e
talvez isso se dê pelo fato do bibliotecário pensar que o usuário somente buscará informações
no catálogo, e não considerando a possibilidade do usuário, procurar por outras informações
sobre a biblioteca, tais como: regulamento, horário de funcionamento, equipe, manual de
monografias, entre outros.
Ressalta-se que a maioria dos websites apresenta essas informações, porém deve-se
procurar por elas intuitivamente, uma vez que, se houvesse o sistema de busca, bastaria
digitar o conteúdo desejado e ele viria de forma mais rápida e eficaz, o que se pode afirmar
que talvez se ocorra pela falta de uma equipe multidisciplinar trabalhando nesses websites.
Outro aspecto é a disponibilização de notícias nos sites das bibliotecas pesquisadas, o
único website pesquisado que disponibiliza notícias atualizadas com certa regularidade é o
website da biblioteca central da UFMS. A interação entre o bibliotecário e usuário deveria ser
maior, a maioria dos websites em questão disponibiliza telefone e/ou e-mail para contato,
contudo um atendimento on-line seria de grande utilidade em todos eles.

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A personalização e customização é um recurso presente somente no site da biblioteca
da UNIDERP, também, e que se fosse implantado nesses websites faria muito sucesso, pois
para o usuário possuir um ambiente personalizável, além de aumentar a acessibilidade, faz
com que ele se sinta parte desse ambiente.
Todavia, os sites, de maneira geral, estão bem organizados, embora cada um precise
atentar para algum aspecto em especial e trabalhar com o marketing, pois de nada vale ter um
ótimo website, seguindo todos os princípios da AI, se não for para ser utilizado, o que está
interligado com a questão da usabilidade, pois o site só será utilizado se o usuário possuir, a
partir de suas experiências, uma boa interação com o portal.
A pesquisa procurou identificar nos websites os sistemas de organização, rotulação,
navegação e busca. Os três primeiros sistemas citados estão presentes em todos os sites
observados, precisam somente de algumas melhorias que o bibliotecário responsável pelo
website deverá resolver juntamente com o pessoal de tecnologia da informação, e professores
deverão implantar o sistema de busca, que é essencial para qualquer tipo de portal. Porém, de
modo geral, pode-se afirmar que as BUs de MS utilizam-se dos princípios propostos pela AI,
mesmo que os desconheçam, somente não o fazem de forma eficaz, e através da literatura
estudada é possível afirmar também que o bibliotecário pode ser considerado um dos
profissionais mais habilitados para atuar na área de AI. Dos websites analisados, os que
possuem uma inter-relação com as redes sociais, são os sites da UFMS e UCDB.
O que se precisa ter em mente é que a realização de pesquisas sobre o uso desses
websites, destacando aspectos positivos e negativos, sugestões e críticas, é um fator essencial
para que os mesmos possam ser melhorados. A aliança entre bibliotecário e um profissional
da área de informática é fundamental. Pois o bibliotecário deverá propor as melhorias para o
portal, enquanto o profissional de tecnologia da informação deverá executá-las.
Vale ressaltar que todos os recursos e sugestões propostos nessa pesquisa tem apenas
um objetivo: melhorar a experiência do usuário com o ambiente informacional digital dessas
bibliotecas através do uso dos recursos da Arquitetura da Informação, uma vez que o foco de
toda e qualquer biblioteca, principalmente a universitária é a comunidade acadêmica.

6 Referências
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2016.
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Documentação&#13;
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                <text>Com um olhar biblioteconômico aliado aos princípios de Rosenfeld e Morville, a pesquisa busca analisar a Arquitetura da Informação Digital (AID) dos websites de bibliotecas universitárias de Mato Grosso do Sul - Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Universidade para o Desenvolvimento da Região do Pantanal. - UNIDERP. Nesse sentido, procura descobrir como essas bibliotecas universitárias utilizam os recursos da AI em seus portais e se o fazem de maneira eficaz, garantindo, assim, o foco no usuário. Caracteriza-se como uma pesquisa exploratória e descritiva, tendo como instrumento de coleta de dados a observação dos websites. De posse dos resultados obtidos, constata-se que as bibliotecas pesquisadas utilizam, de certa maneira, os princípios da arquitetura da informação (organização, busca, navegação e rotulagem), porém, não o fazem de forma plena. Dessa forma, a pesquisa propõe algumas sugestões, como, a implantação do quarto princípio da AID, isto é, o sistema de busca, bem como o aperfeiçoamento dos demais sistemas para a melhoria da AID em seus websites.</text>
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                    <text>APOIO AO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NOS CURSOS
DE POS-GRADUAÇÃO: uma realidade na Biblioteca da EESC/USP
Elenise Maria de Araujo (USP-EESC) - elenisea@sc.usp.br
Teresinha das Graças Coletta (EESC USP) - coletta@sc.usp.br
Luis Fernando Costa Alberto (EESC-USP) - lfcalberto@usp.br
Resumo:
A dinâmica de construção e transmissão dos conhecimentos na sociedade perpassam as
atividades das Bibliotecas Universitárias que possibilitam a geração e distribuição eficiente da
informação, e dispõe de instrumentação metodológica para apoiar a gestão do processo de
ensino aprendizagem. A Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos-USP pioneira no
desenvolvimento de Programas de Educação de Usuário desde 1997, apoia disciplinas de
graduação, pós-graduação stricto e lato sensu em vários departamentos. Com equipe
qualificada a Biblioteca assumiu em 2016 a coordenação compartilhada da disciplina de
preparação pedagógica SEL5720 do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino da
pós-graduação em Engenharia Elétrica da EESC. Implantada na modalidade híbrida, a
disciplina segue o modelo Integrative Learning Design Framework, adaptado por Araujo
(2009), que visa ampliar as habilidades e competências inerentes à prática docente como
pedagogia e didática. A disciplina foi oferecida para 30 alunos e contou com a participação de
8 especialistas em temas elencados na ementa. As tarefas propostas foram idealizadas
respeitando a sequência lógica e o grau de complexidade. Os estudantes estiveram envolvidos
com: fóruns de discussões no Moodle; síntese de textos da bibliografia básica que subsidiaram
a discussão em sala com os especialistas; realização de questionários de avaliação dos alunos
e da disciplina; elaboração do plano de ensino e de uma aula didática sobre tema específico
para a avaliação final com rubrica pré-estabelecida. Os resultados parciais apontam que as
estratégias e o modelo utilizados foram relevantes para o desempenho dos alunos na aquisição
de novas habilidades de formação pedagógica.
Palavras-chave: Gestão do conhecimento. Formação pedagógica – Ensino Superior. Modelo
estendido ILDF. Design Instrucional. Estratégias e Tecnologias educacionais.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Biblioteca universitária e EaD

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016

Eixo Temático: SNBU-2016
Eixo 3 - Ecologia da Informação
f.

Biblioteca universitária / EaD.

APOIO AO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NOS CURSOS
DE POS-GRADUAÇÃO: uma realidade na Biblioteca da EESC/USP

Modalidade da apresentação: Comunicação oral

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

RESUMO
A dinâmica de construção e transmissão dos conhecimentos na sociedade perpassam
as atividades das Bibliotecas Universitárias que possibilitam a geração e distribuição eficiente
da informação, e dispõe de instrumentação metodológica para apoiar a gestão do processo de
ensino-aprendizagem. A Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos-USP pioneira no
desenvolvimento do Programa de Educação de Usuário (PEU) desde 1997, apoia disciplinas
de graduação, pós-graduação stricto e lato sensu em vários departamentos. Com equipe
qualificada a Biblioteca assumiu em 2016 a coordenação compartilhada de uma disciplina de
preparação pedagógica do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino da pós-graduação em
Engenharia Elétrica da EESC. Implantada na modalidade híbrida, a disciplina segue o modelo
Integrative Learning Design Framework On-line, adaptado por Araujo (2009), que visa
ampliar as habilidades e competências inerentes à prática docente como pedagogia e didática.
A disciplina foi oferecida para 30 alunos e contou com a participação de 8 especialistas em
temas elencados na ementa. As tarefas propostas foram idealizadas respeitando a sequência
lógica e o grau de complexidade. Os estudantes estiveram envolvidos com: fóruns de
discussões no Moodle; síntese de textos da bibliografia básica que subsidiaram as discussões
em sala com os especialistas; realização de questionários de avaliação dos alunos e da
disciplina; elaboração do plano de ensino e de uma aula didática sobre tema específico para a
avaliação final com rubrica pré-estabelecida. Os resultados parciais apontam que as
estratégias e o modelo utilizados foram relevantes para o desempenho dos alunos na aquisição
de novas habilidades de formação pedagógica.
Palavras-Chave: Gestão do conhecimento. Formação pedagógica – Ensino Superior. Modelo
Estendido do ILDF. Design Instrucional. Estratégias e Tecnologias educacionais.

ABSTRACT
The dynamics of construction and transmission of knowledge in society pervade the
activities of university libraries that enable the generation and efficient distribution of
information, and offers methodological instrumentation to support the management of
teaching and learning process. The Library of the School Engineering of São Carlos-USP
(EESC) pioneered the development of the User Education Programs (PEU) since 1997,
supports undergraduate courses, stricto graduate and sensu in various departments. With
qualified staff the Library took over in 2016 the shared coordination of the discipline
Pedagogical Preparation, which is part of a program of the graduation in Electrical
Engineering at EESC for improving the teaching skills of post-graduation students. Implanted
in a hybrid mode, the discipline follows the Integrative Learning Design Framework model,
adapted by Araujo (2009), which aims to increase the skills and competencies inherent in
teaching practice as pedagogy and didactics. The course was offered to 30 students and with
the participation of 8 experts on topics listed on the syllabus. The proposed tasks were
designed respecting the logical sequence and the degree of complexity. Students were
involved in: discussion forums in Moodle; preparation of synthesis texts of basic
bibliography that supported the discussion in the room with experts; filling up complete
evaluation questionnaires of students and discipline; preparation of teaching plan and a
didactic lesson on a specific theme for the final evaluation with pre-established rubric. Partial
results show that the chosen strategies and the chosen model were relevant to the
performance of students in the acquisition of new pedagogical training skills.
Keywords: Knowledge Management. Teaching training - higher education. Model extended

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ILDF. Instructional Design. Educational strategies and technologies.

1 Introdução
O desenvolvimento da tecnologia da informação e da comunicação impulsiona o
sistema educacional para modificações estruturais quanto às estratégias de ensinoaprendizagem, adaptando-se para tanto, aos novos procedimentos e técnicas didáticas
oriundas dos ambientes virtuais de aprendizagem.
O processo de ensino-aprendizagem na sociedade da informação amplia suas
intervenções a partir do uso das novas tecnologias, no entanto, discute-se em profundidade as
funções dessas ferramentas como um dos componentes do ambiente de aprendizagem e não
um meio em si.
Davenport (1998, p.12) ao definir ecologia da informação, enfatiza o “ambiente da
informação em sua totalidade” que envolve os aspectos culturais, de comportamento e
processo de trabalho, da política e da tecnologia que fundamentalmente estão baseados na
“maneira como as pessoas criam, distribuem, compreendem e usam a informação”.
DAVENPORT (1998, p.14).
Os modelos tradicionais de transmissão e acesso ao conhecimento no âmbito
acadêmico são paulatinamente substituídos, e uma nova forma de interagir e adquirir novos
conceitos e saberes se instala na sociedade e, consequentemente, o planejamento do ambiente
de aprendizagem deve guiar-se por uma abordagem ecológica de gerenciamento mais prático
e comportamental da informação.
O conceito de ecologia da informação aplicado ao processo de ensino e aprendizagem
nas Instituições de Ensino superior assume proporções epistemológicas, considerando em
primeira instância as atuais configurações administrativas e hierárquicas do sistema de
Ensino. Torna-se essencial repensar a complexidade da administração informacional que
perpassa todo o processo educacional e que exige reestruturações significativas para uma
abordagem centrada no ser humano e na geração e distribuição eficiente da informação.
Nesse contexto, a Biblioteca Universitária, que vem se ocupando há tempos do
tratamento, recuperação e difusão do conhecimento científico produzido no âmbito da
Universidade, torna-se um importante centro de apoio ao processo de ensino-aprendizagem. A
dinâmica de construção e transmissão de novos conhecimentos perpassam as atividades
diárias das Bibliotecas que facilitam o acesso e o uso da informação assim como dispõem de
instrumentação metodológica apropriada para apoiar a gestão do processo de ensino
aprendizagem.
O Serviço de Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de
São Paulo (EESC-USP) assume essa nova função no processo de ensino aprendizagem
colaborando com os docentes e coordenadores de cursos de graduação e pós-graduação da
Unidade. A equipe apoia efetivamente a execução de disciplinas de graduação, pós-graduação
stricto e lato sensu junto aos departamentos, responsabilizando-se por palestras e
treinamentos sobre os recursos informacionais disponíveis e oferecendo subsídios que
fundamentam a pesquisa e a elaboração de trabalhos acadêmicos.
Em 1998, a Biblioteca apresentou durante o SNBU – Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias, realizado em Fortaleza- CE, o Programa de Educação de UsuáriosPEU que engloba atividades em forma de palestras, treinamentos e disciplinas de metodologia
da pesquisa bibliográfica. (COLETTA et al., 1997).
Esse apoio teve início em 1997 por meio de disciplinas dos programas de pósgraduação para a Engenharia Mecânica e estendeu-se a outros programas de pós-graduação da
Unidade, em formato de disciplinas ou apresentações de módulos específicos de acordo com a

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demanda.
Em 2016 o PEU ampliou ainda mais seu escopo oferecendo apoio à disciplina
SAA0338 – Palestras e Seminários em Iniciação Científica em Engenharia Aeronáutica, com
a participação em 5 (cinco) das 8 (oito) aulas programadas pelo professor responsável pela
disciplina.
A experiência e Know-how da Biblioteca da EESC em organizar cursos e palestras
foram fatores decisivos para assumir em 2016 a tarefa de elaborar e conduzir o processo de
design instrucional de uma disciplina de formação pedagógica do Programa de PósGraduação em Eng. Elétrica da EESC-USP. Essa disciplina cadastrada no Programa de
Aperfeiçoamento do Ensino – PAE da USP está descrita nas Portarias GR Nº 3588, de
10/5/2005, alterada pelas Portarias GR-4391/2009 e GR-4601/2009 (UNIVERSIDADE DE
SÃO PAULO, 2005), e se destina a aprimorar a formação de pós-graduandos para a atividade
didática em cursos de graduação, ensino médio ou fundamental.
Essas ações além de atender à demanda das novas Diretrizes Curriculares da EESC,
(Escola de Engenharia de São Carlos, 2014) vêm também consolidar o papel da Biblioteca
enquanto apoio ao processo de ensino aprendizagem, como preconiza o modelo CRAI Centro de Recursos para el Aprendizaje y la Investigación que segundo Castro Filho e
Vergueiro (2011, p.32) “as bibliotecas universitárias devem estar inseridas nesse processo,
uma vez que sua missão é facilitar o acesso e a difusão dos recursos de informação e
colaborar nos processos de criação do conhecimento a fim de viabilizar os objetivos da
universidade”.
A docência no ensino superior é um caminho comumente previsto para muitos dos
alunos de pós-graduação que após atingirem os títulos de qualificação optam por trabalhar na
função de educadores e precisam lidar com os mais diversos contextos educacionais. Entendese assim que o trabalho docente inicia-se a partir do desenvolvimento de competências
específicas respaldadas em princípios teóricos consolidados.
No entanto, o processo de ensino-aprendizagem assume com o crescimento das
tecnologias de informação e comunicação uma nova dimensão pedagógica denominada
Educação a Distância (EAD), que supera os limites do espaço e do tempo e incorpora os mais
diversos recursos tecnológicos para a concretização dos objetivos educacionais. A partir dessa
nova perspectiva, o processo educativo on-line, transforma a prática pedagógica que passa a
ser sustentada em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) e envolve as particularidades
dos indivíduos, estilos e ritmos de aprendizagem, preferências e diferenças sociais e culturais.
Para Palloff e Pratt (2002) a EAD propõe novas abordagens e competências do
professor ao assumir o papel de facilitador, incentivando os alunos ao longo do processo de
aprendizagem cujas diretrizes e estruturas foram construídas coletivamente com uma equipe
multidisciplinar de profissionais e membros da comunidade universitária.
Nesse contexto, os professores das instituições de ensino superior, públicas ou
privadas, assumem a responsabilidade direta pelo planejamento e execução de novas
alternativas pedagógicas, e buscam aliar de forma eficaz, os recursos tecnológicos à tarefa de
ensinar, promovendo discussões e executando propostas de remodelação das técnicas de
ensino no ambiente virtual ou com características híbridas.
Segundo Turra et al. (1998), os pré-requisitos para a gestão satisfatória do
planejamento de ensino envolvem a capacitação do professor para elaborar um projeto
pedagógico que está vinculado diretamente ao conhecimento das reais necessidades do aluno,
do ambiente escolar, da disponibilidade de recursos instrucionais, do envolvimento dos atores
desse processo (professor e aluno), da qualidade do plano de ensino e do material didático.
A Universidade de São Paulo atenta a essas novas demandas regulamentou em 10 de
maio de 2005, com a Portaria GR 3588, o Programa de Aperfeiçoamento de Ensino (PAE)
destinado exclusivamente aos alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado) matriculados

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nas Unidades de Ensino que tem como objetivo aprimorar a formação desses alunos para
atividades didáticas de graduação. O PAE é opcional aos alunos de pós-graduação da USP,
exceto àqueles que são contemplados pela bolsa demanda social da CAPES e consiste em
duas etapas: preparação pedagógica e estágio supervisionado em docência.
Na etapa de preparação pedagógica, a Unidade de Ensino conforme sua estrutura pode
desenvolver as seguintes modalidades:
[...] uma disciplina de pós-graduação que oferece créditos e aborda
especificamente questões da Universidade e do Ensino Superior; um
conjunto de conferências, com especialistas da área de Educação,
condensadas num tempo menor, tendo como tema as questões do Ensino
Superior; núcleo de atividades, envolvendo preparo de material didático,
discussões de curriculum, de ementas de disciplinas e planejamento de
cursos, coordenadas por professores. (UNIVERSIDADE DE SÃO

PAULO, 2005).
Quanto ao estágio supervisionado em docência, o interessado se inscreve na Unidade
de Ensino da área de conhecimento pertinente ao seu curso para realizar atividades em
disciplinas de graduação. A aprovação nesse estágio supervisionado fica condicionada à
comprovação da Preparação Pedagógica. (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2005).
Na EESC-USP, o Programa de Pós-Graduação do Departamento de Engenharia
Elétrica se destaca ao oferecer uma disciplina segundo os pré-requisitos do PAE que visa
aprimorar a formação dos alunos para a atividade didática e prepará-los para assumir tarefas
como o planejamento de ensino, produção de material didático, uso de estratégias e
tecnologias educacionais assim como aperfeiçoar as técnicas de oratória e apresentação em
público.
Descreve-se a seguir, o referencial teórico que sustenta o planejamento do design
instrucional da disciplina SEL5720: Preparação Pedagógica: Estratégias de Ensino em
Engenharia Elétrica e a metodologia adotada para a execução das atividades didáticopedagógicas desenvolvidas na modalidade híbrida, com encontros presenciais, tarefas e
laboratório experimental no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

2 Revisão de literatura
Nas últimas décadas despontam novos modelos de design instrucional que assumem a
tarefa de orientar o processo de criação e desenvolvimento de cursos nas modalidades de
imersão on-line ou híbridas. Destaca-se a proposta de Dabbagh e Bannan-Ritland (2005)
sobre o modelo de design instrucional – Integrative Learning Design Framework – ILDF online que é uma adaptação construtivista do tradicional modelo ADDIE (analyse, design,
development, implementation and evaluation) (MOORE; KEARSLEY, 2008).
Esses novos modelos de cursos on-line ou híbridos correspondem a toda ação
intencional e sistemática de ensino que se relaciona transdisciplinarmente com as demais
áreas do conhecimento utilizando as tecnologias de informação e comunicação para alcançar
os objetivos propostos.
O sucesso da prática educacional à distância ou apoiada em ambientes virtuais
depende também da elaboração de um projeto pedagógico coerente, flexível e sistêmico, que
gerencie inúmeras variáveis, levando em consideração, o contexto sociocultural dos alunos e
da instituição em que se insere.
Dentre essas variáveis pode-se citar: os objetivos, os modelos pedagógicos, as
estratégias e as tecnologias instrucionais do curso como um todo e de suas partes; as

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habilidades de alunos e professores no domínio das ferramentas tecnológicas; a ênfase na
aprendizagem colaborativa, no trabalho em equipe, na prática experimental e na resolução de
problemas; condições para um ambiente educativo que incentiva a reflexão crítica e integrada
sob as múltiplas perspectivas das questões técnicas e conceituais; a interatividade na
comunicação e na construção de conhecimentos.
O modelo de design ILDF On-line é baseado na integração de múltiplas perspectivas
do processo de design e desenvolvimento instrucional, para produtos, usos, processos de
pesquisa e avaliação que serão incorporados nas atividades de aprendizagem em ambientes
on-line. Esse modelo sustenta a articulação e a interação entre seus componentes: os modelos
pedagógicos, as estratégias instrucionais e as tecnologias de aprendizagem, de forma flexível
e integrada à estrutura para um curso on-line.
Quanto ao caráter pedagógico, esse modelo foca primariamente a abordagem
construtivista, mas alguns de seus processos foram testados também em modelos
behavioristas ou comportamentais. Desta forma, o processo global de design instrucional a
partir desse modelo é possível em diferentes enfoques teóricos pedagógicos.
Dabbagh e Bannan-Ritland (2005) sugerem que as atividades de aprendizagem, como
centro que apoia e habilita as estratégias instrucionais, devem colaborar para a resolução de
problemas, colaboração, reflexão, exploração e exposição de múltiplas perspectivas, geração
de hipóteses assim como outras atividades de aprendizagem exploratória e dialógica
(conversacional). As estratégias instrucionais foram identificadas e classificadas por Dabbagh
e Bannan-Ritland (2005) em 3 grupos (exploratórias, dialógicas e de encorajamento ou apoio)
que representam os pontos essenciais para efetivamente implementar o modelo pedagógico
baseado no construtivismo ou na cognição situada.
Atualmente estão disponíveis várias tecnologias de aprendizagem que apoiam a
implementação de ambientes de aprendizagem exploratórios, dialógicos e interacionais e online, dentre as quais se destacam os hipertextos e hipermídia, gráficos, animações, interfaces
de manipulação direta, áudio e vídeo digitais, que representam poderosas ferramentas para
apresentação de casos autênticos, problemas e ambientes on-line que os autores acreditam ser
essenciais para efetivar o modelo pedagógico baseado no construtivismo (DABBAGH;
BANNAN-RITLAND, 2005)
Araujo (2009) propôs uma ampliação do modelo ILDF de Dabbagh e Bannan-Ritland
(2005) e apresentou uma metodologia para a construção de disciplinas ou cursos em 3 fases
(exploração, enactment e avaliação) e com 4 elementos essenciais (objetivos, modelos
pedagógicos, estratégias e tecnologias educacionais). Apresentado na figura 1 o modelo
intitulado “Modelo Estendido do ILDF” ou simplesmente, “e-ILDF” pode ser aplicado em
disciplinas na modalidade on-line ou híbrida.

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Figura 1 – Modelo e-ILDF
Fonte: Adaptado de Araujo e Oliveira Neto (2010, p.73)
No centro da figura, encontra-se o professor que representa o principal agente no
processo de planejamento e desenvolvimento do framework. Os quadrantes do ciclo que
correspondem ao conjunto de componentes do modelo ILDF, em sentido horário são: os
objetivos educacionais (Ob) baseados na taxonomia de Bloom et al. (1983) para o domínio
cognitivo do conhecimento; os modelos pedagógicos e suas respectivas características
instrucionais (MP); as estratégias (E); as tecnologias educacionais (T) sendo que todos eles
podem ser subdivididos em múltiplas perspectivas e variar de (1, 2, ... n), conforme as
escolhas do professor e os propósitos da disciplina.
Para entender a funcionalidade do modelo, faz-se necessário descrever abaixo
suscintamente suas fases: fase de exploração: compreender o processo de investigação e
documentação de todas as informações relacionadas ao cenário instrucional. O professor
nessa fase registra os insights e informações relacionadas ao processo de ensinoaprendizagem providenciando a reflexão e análise; reúne informações sobre o contexto
instrucional, assegurando que importantes fatores serão levados em conta no planejamento;
analisa as características do público alvo, e quais estratégias mais adequadas para promover o
engajamento e entendimento do conteúdo.
Durante a fase de enactment, o professor segue 4 etapas:
Etapa 1- define o objetivo geral e os específicos (Ob1 a Obn) do curso e de cada
unidade de ensino, adequando as necessidades do planejamento curricular da instituição;
Etapa 2- seleciona os modelos pedagógicos (MP1 a MPn) e suas respectivas
características instrucionais analisando a relação desses elementos com as orientações
pedagógicas da instituição de ensino ou com as próprias convicções sobre o processo de
ensino-aprendizagem. A seleção dos modelos pedagógicos é um processo flexível nesse
modelo e-ILDF, pois, durante essa etapa, o professor pode escolher mais de uma abordagem
teórica sobre a aprendizagem (comportamental, construtivista, cognitivista, sócio-cognitivista
entre outras);
Etapa 3- selecionar as estratégias educacionais (E1 a En), que podem assumir um

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caráter exploratório, dialógico ou de encorajamento descritos no modelo ILDF on-line por
Dabbagh e Bannan-Ritland (2005);
Etapa 4- selecionar as tecnologias educacionais (T1 a Tn) encontradas na web ou no
próprio ambiente virtual de aprendizagem (AVA) que se constituem em ferramentas potentes
para viabilizar o processo de ensino-aprendizagem.
Na fase de avaliação são determinados os propósitos, resultados desejados e métodos
de avaliação da aprendizagem, incorporando a avaliação formativa e revendo ciclos que
resultam na efetiva implementação e resultados previstos.
O modelo e-ILDF, quando utilizado para aprendizagem on-line ou híbrida, sugere que
o professor utilize um protocolo para elaboração, organização e disposição de atividades
dialógicas e interacionistas como: os chats, conferências on-line e os fóruns de discussões.
(ARAUJO; OLIVEIRA NETO, 2014). Para efetivar o uso desse modelo apresenta-se uma
matriz (figura 2) que permite ao professor mapear e reunir todas as informações e conceitos
previstos na ementa a ser cumprida.

Figura 2: Matriz de planejamento de ensino no modelo e-ILDF
Fonte: autoria própria

3 Materiais e métodos
A disciplina objeto deste relato é intitulada SEL5720: Preparação Pedagógica:
Estratégias de Ensino em Engenharia Elétrica e tem como objetivo geral fornecer subsídios
aos pós-graduandos conhecimentos nas áreas de formação pedagógica para que possam
desenvolver e aprimorar as habilidades necessárias à prática docente.
Vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da EESC-USP, a
disciplina representa 90 horas-aula (6 créditos) sendo que 18 horas são destinadas a aulas
teóricas, 18 para aulas práticas e seminários e 54 horas de estudo. Dividido em 9 semanas, o
conteúdo programático foi disponibilizado pela equipe da Biblioteca, no Ambiente Virtual de
Aprendizagem implementado usando Moodle e hospedado no STOA1. (Figura 3)
Os professores utilizaram a matriz de planejamento (Figura 2) para a organização dos
conceitos, definição da sequencia das unidades, indicação da bibliografia básica de cada tema,
seleção de leituras complementares para subsidiar a participação dos alunos nas discussões
1

O projeto STOA é uma rede de colaboração dos estudantes, professores, funcionários e ex-membros da
Universidade de São Paulo (USP) que visa promover interação e uma identidade digital de fácil acesso para
usuários USP e da comunidade externa.

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em fóruns on-line e presenciais. Para preenchimento da coluna “tecnologias educacionais”
(figura 2) os professores buscaram dentre os recursos existentes no Moodle, ferramentas mais
adequadas para atingir os objetivos pretendidos. Assim, em 3 unidades de ensino, incluíramse vídeos temáticos, disponíveis no site de compartilhamento YouTube. Para completar a
matriz elaboraram-se também os critérios de avaliação dos alunos, descrevendo os requisitos
mínimos a serem atingidos e o valor de cada tarefa proposta. O conteúdo programático foi
elaborado pelos professores e os especialistas convidados que entregaram suas apresentações
com antecedência para inclusão no Moodle. Para cumprir os objetivos específicos de
desenvolver nos participantes as habilidades necessárias para o planejamento,
desenvolvimento e avaliação das estratégias e tecnologias educacionais no ensino superior, o
projeto final apresentado foi um planejamento completo de uma disciplina segundo o modelo
e-ILDF (ARAUJO, 2009).

Figura 3: Interface da disciplina SEL5720-6 no STOA
O conteúdo programático da disciplina aborda temas essenciais como: as Diretrizes
curriculares nacionais do curso de engenharia e Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional –LDB (BRASIL, 1996); o processo didático-pedagógico do ensino superior;
Didática na formação de professores; competências pedagógicas no ensino superior;
estratégias de ensino-aprendizagem; planejamento de ensino e objetivos educacionais;
modelos de design instrucional; princípios de elaboração de material didático; tecnologias
educacionais para situações presenciais, híbridas e on-line; processo de avaliação da
aprendizagem; introdução aos ambientes STOA e Moodle e técnicas de apresentação e
oratória.
A avaliação dos alunos inclui as atividades desenvolvidas em sala de aula e a
participação no ambiente virtual, sendo que a soma destas avaliações compõe a média final na
disciplina. Dentre as atividades solicitadas destacam-se a preparação de um plano de aula
sobre o seu tema da tese ou dissertação, seguindo o modelo design instrucional proposto na
disciplina; inserção do material didático produzido pelo próprio aluno no laboratório Moodle
criado especificamente para essa disciplina e uma prova didática realizada com o objetivo de
avaliar a capacidade de planejamento de aula e de comunicação do aluno, assim como seu

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conhecimento da matéria e sua capacidade de síntese.
Para incrementar a avaliação da disciplina foi elaborado um questionário de auto
avaliação dos alunos que também apontaram os pontos fortes e fracos da disciplina e a
opinião sobre as estratégias utilizadas pelos coordenadores e os palestrantes convidados.

4 Resultados parciais
A disciplina SEL5720 oferecida no primeiro semestre de 2016 envolve a participação
de 30 alunos de pós-graduação e de especialistas convidados que abordam todos os temas
descritos na ementa da disciplina como, por exemplo: competências do professor, Sistema
Nacional de Ensino, Processo seletivo de professores em instituições públicas e privadas de
ensino médio, técnico e superior, Processo de avaliação e jogos em sala de aula, Ambientes de
simulação para aprendizagem e Metodologia PBL- Problem Based Learning.
O material didático e os recursos educacionais são ordenados em unidades temáticas
no Moodle e incluem textos, vídeos, apresentações em slides em Power Point da Microsoft
Office® e hiperlinks para leituras complementares (Figura 4) As unidades da disciplina são
estruturadas de acordo com os respectivos objetivos educacionais e englobam além do
material didático produzido pelos professores convidados, a indicação de tarefas de leitura e
resumo de textos científicos que tratam do tema a ser apresentado na próxima aula. A
solicitação de leitura prévia desses textos corresponde a uma estratégia educacional de
exploração, prevista no modelo ILDF (Araujo, 2009) e visa oferecer aos alunos maior contato
com o tema a ser apresentado pelo especialista e desenvolver a habilidade de síntese e
avaliação. A estratégia dialógica adotada para interação no ambiente virtual foi a discussão em
fóruns temáticos com a participação dos especialistas convidados. Para concretização desta
proposta, os alunos receberam instruções preliminares para uso e execução das atividades
assim como o apoio técnico para a manipulação das ferramentas disponíveis no Moodle.

Figura 4: Organização da disciplina no Moodle
As tarefas propostas na disciplina foram realizadas em sequência lógica e de grau de
complexidade crescente, totalizando 2 fóruns de discussões no Moodle relacionados às

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unidades 2 e 3, além do fórum de notícias e de dicas sobre ferramentas do ambiente virtual; 1
(um) questionário de auto-avaliação e de avaliação da disciplina; 6 (seis) tarefas, que
correspondem à postagem de um resumo do texto indicado para leitura; 1(uma) aula didática
apresentando o projeto final da disciplina submetido à avaliação dos professores segundo
rubrica pré-estabelecida.

5 Considerações parciais/finais
A realização da disciplina SEL5720 foi uma relevante experiência para a Biblioteca da
EESC que assumiu efetivamente seu papel enquanto centro de apoio ao processo de ensino
aprendizagem. O envolvimento da Biblioteca nessa disciplina representa um importante passo
para adequar-se ao modelo CRAI exposto por Castro Filho e Vergueiro (2011), que requer
diferentes configurações das estruturas administrativas, de serviços e de mudanças atitudinais
e culturais, que auxiliem os professores e alunos no processo de ensino-aprendizagem.
A equipe da Biblioteca está envolvida há 20 anos na elaboração de disciplinas de
pesquisa bibliográfica sempre contou com o apoio institucional e com a credibilidade dos
órgãos responsáveis pela formação de alunos em níveis de pós-graduação stricto e lato sensu.
A parceria entre os docentes titulares e os bibliotecários da EESC para a execução dessa
disciplina SEL5720 além de representar a continuidade do trabalho educativo desenvolvido
há anos junto à comunidade acadêmica, tem a oportunidade de perpetuar-se visto o interesse
da Instituição que estuda as diretrizes curriculares visando melhorias quanto ao caráter
didático-pedagógico dos cursos que mantém.
O modelo e-ILDF aplicado na disciplina reuniu todos os componentes essenciais para
desenvolvimento de novas competências e a partir da dinâmica da disciplina os alunos
puderam vivenciar a prática docente ao construir planos de ensino e tomar conhecimento de
técnicas e princípios que sustentam a tomada de decisão, o gerenciamento e a avaliação do
processo de ensino e aprendizagem, seja na modalidade presencial ou on-line.
Esse modelo foi aplicado anteriormente em cursos da UNICENTRO do Paraná no
período de 2012-2015, e em 3 edições do curso de pós-graduação lato sensu do Departamento
de Engenharia de Produção, validando sua eficiência e agregando significativa importância ao
processo de gestão do conhecimento e da aprendizagem. Espera-se que o compartilhamento
dessa experiência da Biblioteca da EESC possa ser replicado nas demais universidades
brasileiras, em prol da melhoria do ensino em nosso País.
O uso desse modelo híbrido de ensino, requerer dos profissionais envolvidos
conhecimentos das Tecnologias da Informação e Comunicação e propicia o uso adequado
desse tipo de recurso em detrimento da produção de material de papel impresso, o que confere
maior sustentabilidade ao projeto didático-pedagógico da Instituição.
O processo de adequação da Biblioteca Universitária ao ambiente de informação da
Instituição para cumprir os requisitos do processo educacional representa também, assumir de
forma prática e responsável, uma abordagem ecológica do gerenciamento da informação para
a melhoria da sociedade contemporânea.

Referências
ARAUJO, Elenise Maria de. Design instrucional de uma disciplina de pós-graduação em
Engenharia de Produção: uma proposta baseada em estratégias de aprendizagem
colaborativa em ambiente virtual. 217 f. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de
São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos. 2009.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ARAUJO, E. M.; OLIVEIRA NETO, J. D. Um novo modelo de design instrucional baseado
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Formação &amp; Tecnologias, Lisboa, v.3, n.1, p.68-83, 2010.[Online]. Disponível em: &lt;
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ARAUJO, E.M.; OLIVEIRA NETO, J.D. de. Tecnologia educacional e design instrucional.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A dinâmica de construção e transmissão dos conhecimentos na sociedade perpassam as atividades das Bibliotecas Universitárias que possibilitam a geração e distribuição eficiente da informação, e dispõe de instrumentação metodológica para apoiar a gestão do processo de ensino aprendizagem. A Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos-USP pioneira no desenvolvimento de Programas de Educação de Usuário desde 1997, apoia disciplinas de graduação, pós-graduação stricto e lato sensu em vários departamentos. Com equipe qualificada a Biblioteca assumiu em 2016 a coordenação compartilhada da disciplina de preparação pedagógica SEL5720 do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino da pós-graduação em Engenharia Elétrica da EESC. Implantada na modalidade híbrida, a disciplina segue o modelo Integrative Learning Design Framework, adaptado por Araujo (2009), que visa ampliar as habilidades e competências inerentes à prática docente como pedagogia e didática. A disciplina foi oferecida para 30 alunos e contou com a participação de 8 especialistas em temas elencados na ementa. As tarefas propostas foram idealizadas respeitando a sequência lógica e o grau de complexidade. Os estudantes estiveram envolvidos com: fóruns de discussões no Moodle; síntese de textos da bibliografia básica que subsidiaram a discussão em sala com os especialistas; realização de questionários de avaliação dos alunos e da disciplina; elaboração do plano de ensino e de uma aula didática sobre tema específico para a avaliação final com rubrica pré-estabelecida. Os resultados parciais apontam que as estratégias e o modelo utilizados foram relevantes para o desempenho dos alunos na aquisição de novas habilidades de formação pedagógica.</text>
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                    <text>APLICAÇÃO DA ISO 14001 EM BIBLIOTECAS: SISTEMA DE
GESTÃO AMBIENTAL NA BIBLIOTECA CENTRAL DA
UNIVERSIDADE POSITIVO

Paulla Rosane dos Santos Coelho Pereira (UP) - paulla.pereira@outlook.com
Joelma Marques Silva (UP) - joelma.silva@up.edu.br
Resumo:
É visível que a consciência ambiental cresceu nos últimos anos; a concepção da norma ISO
14001 foi um reflexo da preocupação das organizações com os danos por elas provocados,
tanto no setor da indústria quanto no setor de serviços. A norma prescreve as diretrizes da
implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) nas instituições que pretendem
diminuir seus impactos ambientais negativos, na natureza e na sociedade. A Universidade
Positivo foi a segunda universidade brasileira a obter a certificação ISO 14001,
implementando o SGA a todas as suas áreas. O presente trabalho tem por objetivo demonstrar
quais processos foram desenvolvidos (ou melhorados) na Biblioteca Central, com o objetivo de
adequá-la aos padrões exigidos internacionalmente.
Palavras-chave: ISO 14001. Certificação ambiental. Biblioteca universitária
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As consequências das atividades oriundas do homem no planeta, como o acúmulo de
lixo e a alteração climática atual, vieram a ocasionar o aumento da conscientização dos
cidadãos em escala mundial. Órgãos de controle internacionais desenvolveram normas
visando à priorização de procedimentos que possam minimizar, ou até mesmo evitar o
impacto ambiental de seus produtos e serviços.
Além da contribuição ambiental, essas práticas de controle de impacto são bem vistas
pela sociedade em geral, agregando valor e aumentando a competitividade da empresa no
mercado. A preservação ambiental não é um empecilho, mas uma vantagem estratégica sobre
outras empresas. Além de agregar valor aos serviços e produtos oferecidos, auxilia na
preservação do ecossistema, e, a longo prazo, pode diminuir os custos de manutenção da
empresa, por meio da economia de recursos.
Diversas diretrizes internacionais foram estabelecidas para orientar as instituições na
direção da sustentabilidade; dentre as mais conhecidas, se destaca o conjunto de normas ISO
14000, desenvolvido pela International Organization for Standardization (ISO), e que
determina as diretrizes para gestão ambiental em empresas.
A Universidade Positivo foi a segunda do país – e a primeira do Paraná – a obter a
certificação ISO 14001. Um esforço conjunto de todos os setores da Universidade, o que
requer permanente vigilância, para que sejam mantidos os níveis de excelência exigidos.
Nesse contexto, a Biblioteca Central também precisou adequar seus procedimentos para
contribuir para a obtenção e manutenção dessa certificação. É um processo minucioso, devido
às suas grandes proporções. A presente pesquisa tem por objetivo demonstrar as principais
alterações implantadas pela equipe de gestão, para o alcance das metas e manutenção do nível
exigido.

2 Revisão de literatura
Considerando o escopo do presente trabalho, a discussão teórica apresenta conceitos
nos três tópicos de interesse aqui relatados: a Universidade Positivo e sua Biblioteca Central;
uma rápida introdução à norma ISO 14001, principal norma ambiental de abrangência
internacional; e as definições do que é um Sistema de Gestão Ambiental.

2.1 A Biblioteca Central da Universidade Positivo
O Grupo Positivo é uma holding paranaense, sediada na cidade de Curitiba, atuante
nos ramos de educação, setor editorial e de informática. A Universidade Positivo é uma dessas
empresas, fundada em 1988, então sob a alcunha de “Faculdades Positivo”. Tornou-se
“Centro Universitário Positivo” em 1998, ampliando a oferta dos cursos de graduação de
cinco para dezoito. Em 2000, a unidade foi transferida para o Campus Ecoville, em Curitiba,
projetado especialmente para a instituição, em um espaço de quase 500 mil metros quadrados.
No ano de 2008 foi autorizada, pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) a transição de
Centro Universitário para Universidade, resultando na Universidade Positivo como é
conhecida hoje. Atualmente oferta trinta cursos de graduação, três doutorados, alguns
mestrados e dezenas de programas de especialização, extensão e MBA. O campus atende
cerca de 20 mil alunos (UNIVERSIDADE POSITIVO, 2016).
A Biblioteca Central é localizada nesse Campus. Com projeto arquitetônico

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desenvolvido especialmente com essa finalidade, é sediada em prédio próprio, que apresenta
oito pavimentos e ocupa cerca de 6.300m². Abriga atualmente um acervo de 120 mil
exemplares e 6 mil periódicos; apresenta cinco acervos especiais, dentre eles a coleção do exembaixador e ministro Roberto Campos e o acervo especial sobre Direito Internacional e
Arbitragem. Tem capacidade de atender, simultaneamente, 830 estudantes sentados,
distribuídos nas 24 salas de estudo em grupo, 60 cabines de estudo individual e mesas
coletivas. Abriga 29 colaboradores, sendo esses responsáveis por procedimentos técnicos,
administrativos e atendimento às comunidades interna e externa, cerca de 20 colaboradores de
outros setores, lotados em algumas salas específicas da unidade, e 5 zeladoras responsáveis
pela limpeza e manutenção do ambiente.

2.2 A ISO 14001
A International Organization dos Standardzation (ISO), entidade internacional que
estabelece normas para os mais diversos processos e produtos organizacionais, lançou em
1993 o primeiro conjunto de normas com enfoque exclusivamente ambiental. A série ISO
14000 tem por objetivo aperfeiçoar o gerenciamento empresarial, com foco no impacto
ambiental de seus processos (ISO, 2015).
Os procedimentos sugeridos por esse conjunto de normas não são obrigatórios, mas
sim diretrizes que apontam os resultados esperados na melhoria dos processos que impactam
o ambiente de alguma forma. Sua aplicação implica em transformações sociais vantajosas,
visto que a sociedade do entorno é quem recebe o impacto derivado da empresa em questão;
se a empresa gera impacto positivo, isso se reflete na sociedade, seja por meio de ações
efetivas, seja pela mudança de comportamento dos próprios funcionários, ou na diminuição
dos impactos físicos visíveis para a área em questão. Sua adoção também é um fator relevante
no mercado atual, pois demonstra a preocupação da empresa com seus efeitos no ambiente;
assim, coopera, ainda, com a internacionalização institucional: com o destaque para a
preocupação ambiental, diversas organizações estrangeiras sugerem, ou mesmo impõe, a
aplicação da norma como requisito para efetivação de parcerias.
A norma 14001, especificamente, é a responsável por estabelecer as políticas
ambientais, os procedimentos para implementá-las, e a forma de mensuração dos resultados:
[...] especifica os requisitos para um sistema de gestão ambiental que
uma organização pode usar para aumentar seu desempenho ambiental.
Esta norma é destinada ao uso por uma organização que busca
gerenciar suas responsabilidades ambientais de uma forma
sistemática, que contribua para o pilar ambiental da sustentabilidade.
(ABNT, 2015, p.1)
Estruturada em duas partes distintas – a definição dos termos e sua aplicação e as
orientações para uso da norma – a ISO 14001 teve sua última atualização publicada em
outubro de 2015.
É importante ressaltar que a ISO 14001 é a única das normas ambientais que pode ser
certificada. No Brasil, essa certificação é atribuída por meio de empresas de auditoria
internacionalmente capacitadas, credenciadas pelo Instituto Nacional de Metrologia,
Qualidade e Tecnologia (INMETRO); elas possuem respaldo para orientar, auditar e emitir
certificações para as instituições interessadas que preencham os requisitos normativos
(POMBO; MAGRINI, 2008). Apesar desses requisitos a serem fixados pela ISO, o caminho
que leva à obtenção do reconhecimento internacional, o plano de ação, é variável. Não é

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indicado um formato específico para implementação do sistema, especialmente devido à
variedade de organizações e seus diferentes objetivos e tipos de impacto. A ISO 14001
estipula as metas e o tipo de mensuração, mas não implica em uma única e correta conduta
para lograr êxito nessa empreitada.
A norma descreve alguns fatores que devem ser considerados durante o planejamento
e a implementação. Um fator que recebe destaque é que a empresa, ou setor da empresa que
deseja aplicar os princípios descritos, precisam do apoio da chamada “Alta Direção”, ou seja,
os executivos responsáveis pelas tomadas de decisão:
O sucesso de um sistema de gestão ambiental depende do comprometimento
de todos os níveis e funções da organização, começando pela Alta Direção.
[...] A Alta Direção pode efetivamente abordar seus riscos e oportunidades,
integrando a gestão ambiental aos processos dos negócios da organização, o
direcionamento estratégico e à tomada de decisão, alinhando-os com outras
prioridades de negócios e incorporando a governança ambiental em seu
sistema de gestão global. (ABNT, 2015, p.ix)

Sem essa assistência, a probabilidade de sucederem situações incontornáveis e/ou impeditivas
é elevado. E a Alta Direção age por meio da autorização, da criação e da instauração do
Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

2.3 O Sistema de Gestão Ambiental
O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pode ser definido como “uma ferramenta de
identificação e solução de problemas, baseada no conceito de melhoria contínua, que pode ser
implementada em uma organização de muitas formas diferentes, dependendo do setor de
atividade e das necessidades administrativas” (PEROTTO; CANZIANI; MARCHESI;
BUTELLI, 2008, p.518, tradução nossa). Oliveira e Pinheiro atribuem uma definição mais
completa:
O sistema de gestão ambiental com base na Norma ISO 14001 tem como
objetivo prover as organizações de elementos de um SGA eficaz que possam
ser integrados a outros requisitos da gestão e auxiliá-las a alcançar seus
objetivos ambientais e econômicos. A finalidade geral é equilibrar a proteção
ambiental e a prevenção de poluição com as necessidades socioeconômicas.
(OLIVEIRA; PINHEIRO, 2010, p.52)

O SGA também pode ser definido como “uma referência certificável em forma de
requisitos que exigem uma série de procedimentos e iniciativas, sem determinar como devem
ser executados, além de exigir que a legislação ambiental local seja cumprida.” (OLIVEIRA;
PINHEIRO, 2010, p.52).
Assim, podemos entender o SGA como um sistema estabelecido para direcionar as
atividades da instituição, com o intuito de minimizar seus impactos ambientais. Esse sistema é
formalizado por meio de um documento, o qual deve ser disponibilizado publicamente (ISO,
2015), e que contém todas as decisões institucionais referentes ao estabelecimento de sua
política ambiental, dos índices e indicadores que serão utilizados para a mensuração e dos
aspectos ambientais por ela provocados, e seus impactos.
A ISO 14001 descreve que a correta abordagem de construção e implantação do SGA
se baseia no conceito de Ciclo PDCA: Plan, quando é realizado o planejamento das metas e
dos processos para alcançá-las; Do, a implementação propriamente dita; Check, que é o

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monitoramento dos processos; e Act, a ação contínua (ABNT, 2015). O Act do ciclo PDCA é
uma das principais características do SGA, pois ele constitui um sistema de melhoria
contínua. A partir do momento da implantação do sistema, ele precisa ser constantemente
monitorado, de forma a acompanhar se as atividades descritas no programa de implementação
estão atingindo os resultados esperados e para que a melhoria promovida pelo sistema
aumente progressivamente.
É responsabilidade do Comitê de implantação do SGA:
a) a definição do escopo do projeto e de sua implantação;
b) a elaboração da política ambiental;
c) a identificação dos aspectos e dos impactos ambientais;
d) a verificação dos requisitos legais aplicáveis ao projeto (legislações que possam vir
a interferir ou colaborar com o projeto);
e) o planejamento das ações;
f) a forma e a frequência das auditorias;
Após alguns anos de planejamento, o estabelecimento do SGA e de seu comitê
responsável, e de mudanças na política institucional, doze unidades do Grupo Positivo
receberam a certificação ISO 14001, em 2013; entre elas, a Universidade Positivo
(UNIVERSIDADE POSITIVO, 2014).

3 Materiais e métodos
O presente trabalho foi baseado em breve revisão de literatura, onde podemos apontar
a importância da preocupação ambiental e aplicação da norma ISO 14001; da observação
empírica do objeto de estudo, uma vez que ambas as autoras são bibliotecárias naquela
unidade; e da revisão bibliográfica de documentos institucionais. Esta revisão foi possível
devido à Universidade Positivo reunir todas as informações sobre o SGA da empresa, bem
como sobre os impactos ambientais de cada atividade desenvolvida no Campus, tanto em um
portal específico na internet (http://www.up.edu.br/blogs/sga/), quanto em uma planilha
denominada Levantamento de Aspectos e Impactos Ambientais (LAIA), disponível para
acesso de todos os colaboradores por meio da intranet corporativa.

4 Resultados parciais/finais
Os colaboradores da Universidade Positivo são conscientizados da importância das
atitudes ambientalmente corretas, desde o primeiro dia de trabalho. Há um dia de treinamento,
chamado “Ambientação”, que abrange todos os cargos da empresa: zeladoria, cargos técnicos,
administrativos e corpo docente. Nele, participam representantes do SGA, que ministram um
curso básico, explicando a importância do Sistema para a empresa, e as atitudes mínimas
esperadas dos novos funcionários enquanto parte da instituição. Além do próprio comitê, são
disponibilizados diversos canais de comunicação entre os colaboradores, para sanar dúvidas
ou realizar denúncia de comportamento inadequado que possa ser presenciado.
O monitoramento da implantação do SGA é realizado por meio de três auditorias
internas, durante o ano. Elas visam garantir que os padrões de qualidade sejam observados, e
que os colaboradores continuam cientes de seus papéis na manutenção e melhoria do sistema.
As auditorias internas são exigidas pela Norma ISO 14001, para identificar mudanças que
possam influenciar na eficácia e na eficiência do programa então implementado, e para servir
de base comparativa em relação às auditorias anteriores. Há, ainda, uma auditoria externa,
anual, realizada pela empresa responsável pela emissão da certificação internacional, que

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garante a continuidade da validade do certificado.
O SGA estabelece, como parte do escopo normativo, uma planilha que aponta quais
são os aspectos ambientais (as atividades que interagem com o ambiente) e os impactos
decorrentes (modificação ambiental, positiva ou negativa, diretamente ligada aos aspectos)
das atividades de cada setor da instituição. Essa planilha auxilia no monitoramento e na
avaliação das ações em cada área.
A UP é dividida em blocos, e cada bloco pode abrigar um ou mais setores. O comitê de
SGA responsabiliza cada gestor de bloco pela observação da manutenção dos parâmetros
elencados na política ambiental da empresa. A Biblioteca Central constitui um bloco único por
si só, e, apesar de abrigar três outros pequenos setores, sua gestão fica a cargo da bibliotecária
coordenadora. A planilha de aspectos e impactos da biblioteca encontra-se resumida no
Quadro 1, abaixo:
Quadro 1: Atividades, aspectos e impactos ambientais da Biblioteca Central – UP
Atividade

Aquisição de livros, multimídias,
periódicos impressos e online;
Atendimento aos usuários;
Empréstimo de livros e guardavolumes; Cobrança de multas;
Geração de cartões de usuários;
Comut; Conservação e reparo de
impressos; Controle de pessoal;
Exposições culturais; Geração de
estatísticas; Implantação de novos
materiais; Preparo físico; Inserção e
controle de referência; Atualização
do site; Atividades administrativas
em geral

Aspecto Ambiental
Geração de resíduos sólidos
recicláveis (plástico, papel,
metal, vidro, borracha etc.)

Impacto Ambiental
Contaminação do solo e/ou
água /redução da vida útil de
aterros

Geração de resíduos sólidos não
Contaminação do solo e/ou
recicláveis (giz, embalagens,
água /redução da vida útil de
CD, carga de caneta, etiquetas
aterros
etc.)

Geração de resíduos sólidos
perigosos (tonner, cartucho,
contaminados com produtos
químicos ou metais pesados)

Contaminação do solo e/ou
água /redução da vida útil de
aterros

Consumo de papel

Redução de recursos

Contaminação do solo e/ou
Geração de resíduos sólidos não
água /redução da vida útil de
recicláveis (papel higiênico)
aterros
Uso de sanitários

Geração de efluente sanitário

Contaminação da água

Geração de efluente sanitário

Redução de recursos naturais
- alto consumo de água

Uso de lâmpadas, computadores,
climatizadores, filtros

Uso de energia elétrica

Redução de recursos naturais
- alto consumo de
eletrecidade

Limpeza e manutenção

Emprego de produtos
químicos/de limpeza

Redução de recursos naturais
- contaminação da água

Fonte: Universidade Positivo

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Assim, os seguintes processos foram significativamente modificados, de forma a
minimizar os impactos da Biblioteca Central e atender aos requisitos do SGA:
a) Rotinas energéticas: todos os colaboradores são treinados para identificar problemas e
maximizar o uso da energia elétrica na biblioteca. Isso ocorre na observação e reporte
de lâmpadas queimadas; responsabilidade por manter apagadas as luzes das salas que
não estão em uso; observação do desligamento dos ares-condicionados e ventiladores;
desligamento dos computadores fora de uso, em especial em dias de menor público na
unidade;
b) Rotinas contra o desperdício de água: uso de torneiras de pressão ajustável em todas as
pias da unidade; uso de sanitários e mictórios com descargas de baixo fluxo;
treinamento dos colaboradores para observação, e imediato reporte, acerca de
vazamentos de torneiras e vasos sanitários;
c) Coleta seletiva para resíduos recicláveis, não recicláveis e perigosos: há classificação
de cores e adesivos identificadores para cada tipo de resíduo permitido nas lixeiras; há
placas explicativas em pontos estratégicos, com a descrição dos diversos tipos de
resíduos. A zeladoria é responsável pela inspeção do material, para garantir que não há
mistura de resíduos (como papéis com grampos e espiral plástica, por exemplo).
Resíduos perigosos são separados para tratamento especial por empresa responsável.
d) Limpeza consciente: a equipe de zeladoria é orientada ao uso consciente de produtos
de limpeza, e a diminuição do desperdício;
e) Substituição de copos descartáveis por copos duráveis. Ainda na Ambientação, cada
novo colaborador recebe uma caneca para uso permanente no setor;
f) Incentivo à aplicação da tecnologia QR Code. Com esse sistema, o qual deve ser
baixado em smartphones ou tablets, pesquisadores fazem a leitura digital da
localização do acervo, sem a necessidade do uso de rascunhos, e tornando possível a
manutenção de históricos de pesquisas;
g) Uso inteligente do papel, quando o verso em branco de folhas impressas é utilizado
por colaboradores, e por usuários que preferem anotar, manualmente, o endereço dos
materiais nas estantes;
h) Treinamento: periodicamente, as práticas relacionadas ao sistema são reforçadas aos
colaboradores em grandes encontros na Universidade.
i) Fixação: todo colaborador mantêm, anexado em seu crachás funcional, um pequeno
lembrete, , onde consta o resumo das principais atitudes ambientais positivas e o
endereço do portal do SGA e da planilha LAIA.
É sempre enfatizada a importância da colaboração individual, onde cada funcionário é
tão responsável pela manutenção do sistema e pelo seu sucesso quanto seu gestor direto e o
comitê do SGA. A ênfase no trabalho em equipe e na participação de todos rende frutos: nos
últimos dois anos (2014 e 2015) a Biblioteca Central acumulou a melhor pontuação na
avaliação interna, entre os blocos da Universidade.

5 Considerações finais
A elaboração e adoção do SGA como requisito fundamental para obtenção da
certificação ISO 14001 é um procedimento que requer grande esforço inicial e vigilância

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contínua em sua manutenção. As diretrizes, que partem do grupo diretor responsável pela
aplicação normativa, devem fazer parte da instrução dos colaboradores da empresa, de forma
a tornarem-se indissociáveis das atitudes esperadas por eles.
Aplicar o SGA não é um processo fácil ou simplório, mas é gratificante aferir seus
resultados, atestando a colaboração na diminuição dos impactos ambientais da instituição. A
Biblioteca Centra credita à colaboração e ao empenho dos funcionários o sucesso na tarefa de
tornar a instituição uma referência no que tange à sustentabilidade. Há sempre espaço para o
aprimoramento de processos, mas acredita-se que as ações tomadas até então são satisfatórias.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 14001:
Sistema de Gestão Ambiental – Requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, 2015. 51
p.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 14000:
Environmental management. Genebra: ISO, 2015. Disponível em:
&lt;http://www.iso.org/iso/home/standards/management-standards/iso14000.htm&gt;. Acesso em:
12 abr. 2015.

OLIVEIRA, Otávio J.; PINHEIRO, Camila Roberta Muniz Serra. Implantação de sistemas de
gestão ambiental ISO 14001: uma contribuição da área de gestão de pessoas. Gest. Prod., São
Carlos, v.17, n.1, p.51-61, 2010. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/pdf/gp/v17n1/v17n1a05&gt;. Acesso em: 09 abr. 2016

PEROTTO, Eleonora; CANZIANI, Roberto; MARCHESI, Renzo; BUTELLI, Paola.
Environmental performance, indicators and measurement uncertainty in EMS context: a case
study. Journal of Cleaner Production, n.16, p.517-530, 2008. Disponível em:
&lt;https://www.researchgate.net/publication/223215843_Environmental_performance_indicator
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2016.

POMBO, Felipe Ramalho; MAGRINI, Alessandra, 2008. Panorama de aplicação da norma
ISO 14001 no Brasil. Gest. Prod., São Carlos, v.15, n.1, p. 1-10, jan./abr., 2008. Disponível
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UNIVERSIDADE POSITIVO. Relatório de sustentabilidade 2013. Curitiba: Universidade
Positivo, 2014. Disponível em: &lt;http://positivo.com.br/instituto/sustentabilidade/meioambiente.php&gt;. A cesso em: 11 abr. 2016.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

UNIVERSIDADE POSITIVO. Sustentabilidade. Curitiba: Universidade Positivo, 2016.
Disponível em: &lt;http://www.up.edu.br/sustentabilidade&gt;. Acesso em: 11 abr. 2016.

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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Pereira, Paulla Rosane dos Santos Coelho; Silva, Joelma Marques</text>
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                <text>É visível que a consciência ambiental cresceu nos últimos anos; a concepção da norma ISO 14001 foi um reflexo da preocupação das organizações com os danos por elas provocados, tanto no setor da indústria quanto no setor de serviços. A norma prescreve as diretrizes de implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) nas instituições que pretendem diminuir seus impactos ambientais negativos, na natureza e na sociedade. A Universidade Positivo foi a segunda universidade brasileira a obter a certificação ISO 14001, implementando o SGA a todas as suas áreas. O presente trabalho tem por objetivo demonstrar quais processos foram desenvolvidos (ou melhorados) na Biblioteca Central, com o objetivo de adequá-la aos padrões exigidos internacionalmente.</text>
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                    <text>Aplicativo móvel “Bibliotecas USP”: a biblioteca universitária de
bolso
Anderson Santana (USP) - desantana.anderson@gmail.com
Elisabeth Adriana Dudziak (USP) - elisabeth.dudziak@sibi.usp.br
Jun Okamoto Jr. (USP) - jokamoto@usp.br
Ricardo Amaral Faria (USP) - ricardo.faria@sibi.usp.br
Daniel Jorge Caetano (USP) - daniel.caetano@dt.sibi.usp.br
Sibele de Fausto (USP) - sibele.fausto@dt.sibi.usp.br
Resumo:
O presente trabalho descreve o processo de desenvolvimento do aplicativo "Bibliotecas USP"
tanto na sua primeira versão (lançada em dezembro de 2014) como sua segunda versão,
lançada em agosto de 2015 com melhorias incorporadas. O aplicativo, desenvolvido pelo
Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo em
parceria com a Superintendência de Tecnologia da Informação, teve como foco o crescente
uso de dispositivos móveis pelos usuários das bibliotecas que tem gerado um profundo efeito
sobre a forma como se busca, acessa e processa as informações. Através de uma análise de
logs de uso durante o ano de 2015 foi possível obter como resultados parciais dados
quantitativos relativos aos usos anual, mensal, por dia da semana e por horários, além dos
termos mais buscados no aplicativo. Por fim, considera-se que as bibliotecas precisam se
apropriar dos recursos tecnológicos existentes, aproximando-se efetivamente das
necessidades de acesso e uso da informação da sua comunidade de usuários.
Palavras-chave: Aplicativos móveis; Tecnologias digitais; Tecnologias para bibliotecas; USP;
Sistema Integrado de Bibliotecas
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Dispositivos móveis em contexto acadêmico

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São
Paulo (DT/SIBiUSP) em parceria com a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI)
iniciou em setembro de 2014 o planejamento para desenvolvimento de um aplicativo que
permitisse a busca no banco de dados bibliográfico da Universidade. Tal proposta fazia parte
de um projeto maior que previa o desenvolvimento de aplicativos móveis para serviços
direcionados à comunidade USP em geral. Figuravam entre os aplicativos já desenvolvidos:
cardápio dos restaurantes universitários, agenda de eventos da Universidade e notícias.
No entanto, era sentida uma demanda emergente por um aplicativo que permitisse a
busca nos acervos da Universidade de forma prática e rápida. Portanto, uma equipe da STI,
liderada pelo Prof. Jun Okamoto Jr.1 da Escola Politécnica da USP propôs ao SIBiUSP, que
vinha identificando parceiros para a criação de soluções móveis, o desenvolvimento de uma
aplicação móvel que oferecesse à comunidade a busca e a identificação da localização dos
materiais bibliográficos existentes nos acervos das Bibliotecas USP.
Tal solução permitiria maior mobilidade e liberdade ao usuário, uma vez que, por meio
de seu celular ou tablet, poderia acessar a qualquer tempo o catálogo bibliográfico da USP e
localizar uma determinada obra que precisasse por meio de alguns simples toques na tela.
Assim, teve início o desenvolvimento do aplicativo, intitulado Bibliotecas USP, e sua
primeira versão foi ar em dezembro de 2014. Atualmente o aplicativo está na sua segunda
versão, que foi ao ar em agosto de 2015.
Nesse sentido, este trabalho objetiva apresentar a experiência do Aplicativo Biblioteca
USP, inserindo essa inovação no ambiente tecnológico vivenciado atualmente pelas bibliotecas
– em especial as bibliotecas universitárias.

2 A evolução das tecnologias da biblioteca para os dispositivos móveis
Há pouco mais de meio século, a Associação das Bibliotecas Americanas (American
Library Association – ALA) apresentou sua visão da biblioteca do século 21 (Library 21) na
Feira Mundial do Século 21 (Century 21 World’s Fair), realizada entre 21 de abril e 21 de
outubro de 1962 em Seattle, Washington - evento este que atraiu quase 10 milhões de visitantes.
Segundo a ALA, a exposição Biblioteca 21 foi projetada principalmente para prever o papel da
tecnologia nas bibliotecas do futuro, e a estrela da exibição foi o à época ultramoderno
computador UNIVAC (acrônimo para UNIVersal Automatic Computer), modelo Solid State 90,
da Sperry-Rand, divisão da Remington-Rand. Revolucionário, o computador era capaz de
fornecer determinadas informações com rapidez e ser programado para imprimir partes de
textos armazenados eletronicamente (GORDON; LIEBERMAN, 1962).
Meio século depois, o ambiente do futuro percebido pela mesma ALA (2008) já mostra
um cenário totalmente diferente daquele da exposição de 1962, quando o UNIVAC, com suas
mais de 3 toneladas de peso (SMIL, 2006), representava a revolução para as bibliotecas. Ainda
evoluindo, a revolução digital não mostra sinais de desaceleração, levando a instituição a criar,
através de seu escritório para Políticas de Tecnologia da Informação (American Library
Association’s Office for Information Technology Policy - OITP), o Programa de Bibliotecas da
América para o século 21 (Program on America’s Libraries for the 21st Century) em 2008. O
programa já publicou vários relatórios de tendências abordando a evolução das tecnologias da
informação e suas implicações para o futuro das bibliotecas.
Em um destes relatórios, Hendrix (2010) discorre como a tecnologia muda as formas
tradicionais de informação, e que qualquer instituição, incluindo as bibliotecas, deve avaliar o
1

Prof. Jun Okamoto Jr.: http://lattes.cnpq.br/4185679659611455

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

seu lugar num mundo cada vez mais online. De fato, um estudo da ALA em 2010 apontou que
66% das bibliotecas públicas ofereciam e-books para seus usuários (acima de 55% no ano
anterior), estimando ainda que 83% das bibliotecas ofereciam conteúdo de áudio online, e cerca
de 63% ofereciam vídeos online, levando à constatação de que as coleções das bibliotecas não
são compostas unicamente de unidades físicas para empréstimo e consulta, mas cada vez mais
são transmitidas via online, on-demand ou baixadas.
Nesse cenário progressivamente virtual, Hendrix (2010) destaca, entre outras
tendências, a crescente popularidade da computação móvel (mobile computing), indicando que
muitos especialistas insistem que no futuro toda a computação pessoal será móvel. Esta
tendência tem profundo efeito sobre a forma como os usuários buscam, acessam e processam
informações, na medida em que o aparato das tecnologias de comunicação e informação (TIC),
ao migrar para dispositivos móveis e sem fio, propiciam maior liberdade aos usuários, com o
acesso à informação, tornando-se independentes de restrições físicas ou temporais. Para
Hendrix (2010, p. 9), os usuários dessas novas tecnologias tornaram-se "nômades digitais",
engajando especialistas em diversas áreas, como sociólogos e antropólogos, no estudo de como
as comunicações móveis afetam a dinâmica da interação humana. A autora adverte que os
bibliotecários devem considerar tais mudanças e oportunidades propiciadas pela computação
móvel e seu papel para as bibliotecas do futuro.
De acordo com dados do Pew Research Center (MADDEN et al, 2013), cerca de 37%
dos adolescentes com idades entre 12 e 17 anos possui um smartphone e três quartos deles usam
dispositivos móveis para acessar a internet pelo menos ocasionalmente. E, segundo o relatório
Horizon Report, da NMC (New Media Consortium) (JOHNSON et al, 2015), comunidade
internacional de especialistas em tecnologias educacionais, sobre as perspectivas tecnológicas
e seu impacto nas bibliotecas acadêmicas e de pesquisa em todo o globo, prevê-se que em 2020
80% da população adulta mundial será usuária de smartphones. Essa prevalência de dispositivos
móveis mudará substancialmente a forma como os indivíduos interagem com a informação,
sublinhando a importância de reconhecer novos comportamentos na busca, acesso e uso da
informação.
Os usuários da biblioteca desenvolvem novas expectativas relacionadas aos conteúdos
e serviços das bibliotecas, que devem ajustar sua estrutura tecnológica para continuar a evoluir,
considerando uma variedade de plataformas portáteis e levando em conta o desenvolvimento
de sites ajustados para dispositivos móveis, aplicativos, catálogos e e-books, bem como
ferramentas de descoberta que atendam aos usuários através de alertas SMS e de mídia social
(JOHNSON et al, 2015).
Outro relatório da ALA (VOLLMER, 2010) explora com mais detalhe esse cenário
tecnológico das bibliotecas face ao advento dos dispositivos móveis com grande potencial de
aplicação em serviços de informação. Os dispositivos móveis executam aplicativos cada vez
mais complexos, por meio da interação com serviços em nuvem, que possibilitam reproduzir
multimídia, permitindo a interatividade do usuário com várias ferramentas e conteúdos.
Bluetooth, telas multi touch, smartphone, sites móveis, sistemas de posicionamento global
(GPS), wi-fi, bem como mensagens de texto (Short Message Service – SMS), envio de arquivos
de imagens, textos, sons, etc. são exemplos das várias utilidades dos dispositivos móveis, que
são cada vez mais "always on", isto é, sempre conectados, além de integrados em um só
dispositivo de comunicação.
A conectividade pervasiva, a criação de perfis online, reconhecimento de local e
integração estreita com as redes sociais tornam as tecnologias móveis instrumentos com grande
potencial de aplicação em serviços de informação. Cada vez mais as Bibliotecas estão utilizando
as tecnologias móveis para a prestação de seus serviços, oferecendo também o acesso móvel a
seus sites e catálogos online. O Quadro 1 sumariza a gama de serviços móveis que as bibliotecas
podem oferecer aos seus usuários.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Quadro 1: Serviços móveis de bibliotecas
Serviço
Catálogos online de
acesso público
(OPAC)

Descrição

Exemplo

Acesso ao catálogo através de sites
otimizados para dispositivos móveis

Biblioteca Pública de Nova
Iorque (New York Public
Library) http://m.nypl.org/

Aplicações móveis

Aplicativos para celular que
possibilitam colocar os itens em
espera, também fornecendo
informações sobre horários e
localização de bibliotecas locais

Biblioteca do Distrito de
Columbia (District of
Columbia Public Library)
http://dclibrarylabs.org/proj
ects/iphone/

Conteúdos móveis

Coleções de terceiros em parcerias
com bibliotecas para disponibilizar
áudio books, e-books, cursos de
idiomas em áudio, streaming de
música, filmes, imagens e outras
multimídias que podem ser acessadas
em dispositivos móveis.

Biblioteca da Universidade
de Duke (Duke University
Library)
http://itunes.apple.com/app/
dukemobile/id306796270?
mt=8

Capacitação e
instrução

Oferecimento de materiais didáticos e Projeto “Research First
recursos educacionais da biblioteca via Aid” da Universidade da
plataformas móveis.
Carolina do Leste (East
Carolina University)
http://www.ecu.edu/csdhs/laupuslibrary/researchfi
rstaid.cfm

Serviços de
mensagens (SMS)

Notificações via SMS para uma
variedade de propósitos como
informar novos itens disponíveis,
lembretes de datas, números de
telefone e localização, etc.

Referência por
mensagens SMS

Serviço de atendimento de referência Biblioteca da Universidade
por SMS, ideal para perguntas simples de Yale (Yale University
que exigem respostas rápidas.
Library)
http://www.library.yale.edu/
science/textmsg.html

Biblioteca Pública de
Cleveland (Cleveland
Public Library)
http://cpl.org/?q=node/1225
8

Fonte: adaptado de Vollmer (2010)

2.1 No Brasil
Este novo cenário que se apresenta para as bibliotecas está em vias de se tornar realidade
também no Brasil. A última Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios realizada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relacionada à inclusão digital e agregando
dados referentes às TIC (PNAD-TIC) apontou o forte incremento do acesso online por

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

dispositivos móveis no país: entre 2013 e 2014 o acesso online através de dispositivos
eletrônicos diferentes do computador disparou 155,6%, de 4,2% para 10,5% dos lares.
Enquanto o percentual de acesso por microcomputador recuou de 88,4% para 76,6%, o acesso
à internet por celular saltou de 53,6% para 80,4% no mesmo período. Ainda segundo a PNADTIC, 77,9% da população, ou 136,6 milhões de pessoas com 10 anos ou mais, possuíam telefone
celular para uso pessoal. Esse contingente cresceu 142,8% desde 2005, considerando que mais
da metade (52,5%) da população rural possuía celular, sendo que nas áreas urbanas esse
percentual chegou a 82,3% (GROSSMAN, 2016).
Essa proliferação massiva dos dispositivos móveis impõe às bibliotecas brasileiras os
mesmos desafios de ajustes e inovações em sua estrutura tecnológica enfrentados pelas suas
congêneres estrangeiras. Segundo Souza (2011), na utilização de dispositivos móveis ocorre
um processo multidirecional, em que usuários, bibliotecários e outros profissionais exploram
novas formas de relacionamento e viabilizam o desenvolvimento de serviços inovadores, que
atendem aos anseios da comunidade. De acordo com Bastos (2014), o aplicativo mobile é um
recurso extra, com potencial de uso por muitas pessoas, devendo ser oferecido como outros
serviços da biblioteca, sendo um diferencial para os usuários que utilizam o acesso remoto com
mais frequência.
Já surgem bons exemplos da adoção de tecnologias móveis em bibliotecas do Brasil,
conforme verificado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 2, na Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)3 e na UNIVATES4, todas instituições
localizadas no Estado sul-riograndense. Tais iniciativas são auspiciosas e apontam o caminho
para as demais bibliotecas brasileiras.

3 Materiais e métodos
Apresentaremos a seguir os procedimentos adotados para o desenvolvimento do
aplicativo móvel Bibliotecas USP, um produto criado em parceria pelo DT/SIBiUSP e a
STI/USP.
A estrutura de planejamento dessa aplicação possui duas equipes distintas trabalhando
em duas frentes de desenvolvimento:
1 – Equipe STI: responsável pelo desenvolvimento da interface, imagens, estrutura do
aplicativo e sua gestão nas plataformas de distribuição;
2 – Equipe DT/SIBi: responsável pelo desenvolvimento de uma aplicação de software
que fizesse a entrega dos dados bibliográficos em uma estrutura legível pelo aplicativo
desenvolvido pela STI.
O planejamento previu duas versões para o aplicativo:
1ª. Versão (2º Semestre/2014 – Lançamento até Dezembro/2014): Contemplava
as seguintes funcionalidades para o aplicativo:
a) Busca no acervo: busca no acervo físico e em bibliotecas digitais da
universidade;
b) Lista de resultados com identificação da localização no acervo: ao
realizar uma busca, é possível salvar resultados selecionados e criar uma
lista de referências;
c) Exportação da Lista: com base nos dados salvos na lista de referências é
possível enviar os dados referenciais dos itens salvos;
d) Busca por ISBN (International Standard Book Number – Número Padrão
UFRGS: http://www.ufrgs.br/ufrgs/noticias/universidade-lanca-aplicativo-para-dispositivos-moveis
PUC-RS: http://www.pucrs.br/biblioteca/apps/
4
UNIVATES: https://www.univates.br/noticias/17732-biblioteca-da-univates-conta-com-aplicativo-paradispositivos-moveis
2
3

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Internacional de Livro) utilizando a câmera do celular/tablet:
funcionalidade que permite ao usuário ler um ISBN com código de barras
por meio da câmera do seu dispositivo e lançar automaticamente uma
busca no catálogo USP para verificar se o item existe ou não em alguma
Biblioteca;
e) Geolocalização das Bibliotecas: utilizando o sistema de localização
geográfica (Latitude e Longitude) foi criado um mapa com todas as
Bibliotecas da USP e permitindo, assim, que o usuário possa localizar
aquela mais próxima;
f) Informações das Bibliotecas: foram incluídas no aplicativo informações
sobre o SIBiUSP e as Bibliotecas do Sistema (endereços, telefones, emails, áreas temáticas, horário de funcionamento), permitindo ainda que
o usuário selecione a sua biblioteca preferida, fazendo com que os
resultados apresentados sejam somente dela.
2ª. Versão: Contempla as seguintes funcionalidades adicionais (1º
Semestre/2015 – Lançamento da 2ª Versão Agosto/2015):
a) Integração com o sistema de autenticação da Universidade: a USP utiliza
um sistema de senha única para autenticação em todos os seus sistemas
corporativos, portanto a integração do aplicativo a esse sistema facilitaria
o processo de reconhecimento do usuário por utilizar a senha a qual ele
está mais habituado;
b) Gestão da conta do usuário: por conta da utilização da senha única, o
aplicativo permitiria ao usuário acompanhar seus empréstimos, renovar
obras em seu poder, reservar e cancelar reservas de itens.
Na primeira reunião de planejamento foi definido o cronograma de trabalho para a
primeira versão do aplicativo, que previu entregas semanais e/ou quinzenais de partes da
infraestrutura de dados. Reuniões de controle aconteciam entre 15 e 30 dias.
O objetivo inicial definido foi o desenvolvimento do aplicativo para dispositivos móveis
que utilizam o sistema operacional IOS da empresa Apple (iPhone, iPad, iPod e iPodTouch) e
seu lançamento se deu em dezembro de 20145. A versão para dispositivos que utilizam o sistema
operacional Android da empresa Google foi desenvolvida com base na programação realizada
para IOS e teve seu lançamento realizado em fevereiro de 20156.

Aplicativo Bibliotecas USP na loja eletrônica da Apple, iTunes: https://itunes.apple.com/br/app/bibliotecasusp/id944696808?mt=8
6
Aplicativo Bibliotecas USP na loja eletrônica da Google, Google Play:
https://play.google.com/store/apps/details?id=br.usp.bibliotecas_usp
5

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Figura 1: Telas da 1ª Versão do Aplicativo

Fonte: Telas obtidas da 1ª Versão IOS do Aplicativo

O aplicativo executado no dispositivo móvel é o componente mais proeminente do
sistema, mas não o único. Um outro componente, executado em um servidor de aplicações da
universidade, foi desenvolvido com o propósito de permitir que as buscas sejam processadas
rapidamente e minimizar a necessidade de transferência de dados pela rede. Esse componente,
denominado Servidor de Aplicação Móvel, recebe as requisições do aplicativo móvel e, a partir
das informações fornecidas, compõe e executa a lógica completa de busca nas diversas bases
de dados que compõem o acervo do SIBiUSP.
Essa estratégia permite que as buscas, a seleção de informações e a padronização das
mesmas sejam processadas por um equipamento servidor de alta capacidade e alta velocidade,
enviando pela Internet apenas a quantidade necessária de informações para o aplicativo móvel.
Como decorrência, mesmo dispositivos móveis sem muita capacidade de processamento e
memória são capazes de apresentar, com desempenhos similares, os mesmos resultados. Em
termos de benefícios adicionais, a centralização das buscas permite que as mesmas sejam
registradas – para posterior análise e proposição de melhorias na aplicação –, além de reduzir
drasticamente o consumo de bateria por parte do aplicativo móvel, uma vez que o
processamento mais complexo é realizado exclusivamente no servidor.
Logo após o lançamento da primeira versão do aplicativo as equipes da STI e DT/SIBi
iniciaram o desenvolvimento da segunda versão do aplicativo. Tal versão traria inúmeras
novidades, a principal delas seria a possibilidade de o usuário gerenciar seus empréstimos,
renovações e reservas pelo aplicativo. Para tanto, seria necessário que o aplicativo permitisse a
autenticação do usuário.
Essa segunda fase exigiu uma significativa expansão das funções do Servidor de
Aplicação Móvel. Uma vez que o sistema passaria a manipular – e transferir pela Internet –
dados e solicitações dos usuários, fez-se necessária a criação de uma infraestrutura de
comunicação segura. Essa infraestrutura inclui não apenas a camada de comunicação segura
por meio do protocolo HTTPS7 (Hyper Text Transfer Protocol Secure - Protocolo de
7

Hyper Text Transfer Protocol Secure: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hyper_Text_Transfer_Protocol_Secure

�7

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Transferência de Hipertexto Seguro), mas também a integração com o sistema de autenticação
corporativo da Universidade de São Paulo.
Tal integração mostrou-se um desafio, visto que os mesmos usuários possuíam cadastros
com nomes e senhas diferentes no sistema de bibliotecas, em relação ao sistema corporativo. A
solução final para o problema de autenticação envolveu mudanças tanto no aplicativo móvel
quanto no servidor, além de ajustes na base de dados dos sistemas da biblioteca para que haja
correlação entre os usuários dos dois sistemas de autenticação.
Desafios adicionais envolveram a fragmentação das informações operacionais dos
vários sistemas e a disparidade de informações de disponibilidade em tempo real. No primeiro
caso, a maioria das operações requisitadas pelo usuário deve ser precedida de uma infinidade
de checagens de sanidade; no outro caso, o problema se manifestava pela inconsistência entre
as informações de disponibilidade de publicações, contrapondo o dado fornecido pelo sistema
de buscas ao fornecido pelo sistema de reservas – ainda que ambos os sistemas tenham sido
desenvolvidos pelo mesmo fornecedor.
Superados todos os desafios, a segunda versão foi lançada em agosto de 2015,
simultaneamente para os dois sistemas operacionais (IOS e Android).
Figura 2: Telas da 2ª Versão do Aplicativo

Fonte: Telas obtidas da 2ª Versão IOS do Aplicativo

4 Resultados parciais/finais
O aplicativo Bibliotecas USP teve uma boa repercussão nas mídias da Universidade de
São Paulo tendo sido matéria nas editorias Sala de Imprensa 8 e página principal da
Universidade9.
Em termos de uso, o aplicativo está instalado em mais de cinco mil dispositivos com
sistema operacional Android e mais de quatro mil com IOS.
SIBi lança versão 2.0 do aplicativo “Bibliotecas USP”: http://www.usp.br/imprensa/?p=52163
SIBiUSP lança segunda versão do aplicativo móvel ‘Bibliotecas USP’: http://www5.usp.br/96774/sibiusplanca-segunda-versao-do-aplicativo-movel-bibliotecas-usp/
8
9

���10

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Figura 4: Nota do aplicativo Bibliotecas USP na Google Play

Fonte: Aplicativo Bibliotecas USP na Google Play

Com base nas resenhas recebidas da comunidade, as equipes têm planejado o
desenvolvimento de uma terceira versão do aplicativo, porém ainda sem data definida para
lançamento. Todo o processo de planejamento, desenvolvimento e implantação do dispositivo
móvel Bibliotecas USP descrito neste trabalho envolveu diferentes setores técnicos do
SIBiUSP, corroborando a afirmação de Johnson et al (2015) sobre a necessidade de ajuste da
estrutura tecnológica dos serviços de informação para o atendimento de novas demandas dos
usuários. Os resultados preliminares obtidos apontam para o que Souza (2011) e Bastos (2014)
observam em relação à utilização de dispositivos móveis, que passam a ser um recurso extra da
biblioteca oferecido aos seus usuários, em um novo processo multidirecional em que usuários,
bibliotecários e outros profissionais envolvidos (como o setor de TI) exploram novas formas de
relacionamento e viabilizam o desenvolvimento de serviços inovadores no atendimento às
demandas da comunidade.

5 Considerações parciais/finais
Os resultados obtidos com o aplicativo Bibliotecas USP têm sido bastantes satisfatórios
para o SIBiUSP.
O uso pela comunidade ainda é baixo, levando-se em consideração um universo de
94.875 alunos de graduação e pós-graduação10, todavia campanhas de incentivo ao uso têm sido
planejadas para todo o início de semestre letivo, além de material promocional.
As Bibliotecas da Universidade são os principais difusores do aplicativo e têm também
auxiliado na divulgação. E os relatos delas obtidos, somados às resenhas nas lojas eletrônicas
da Apple e Google, têm auxiliado o planejamento de uma terceira versão, que inclua por
exemplo o envio de mensagens por meio de tecnologia Push 11 (transmissão de dados de uma
rede interna ou um serviço baseado em nuvem para o dispositivo móvel de um usuário). Por
meio de Push, seria possível enviar alertas aos usuários de data de vencimento das obras
emprestadas, chegada de uma obra reservada ou avisos gerais da Biblioteca.
Tal desenvolvimento demandaria muitas horas de desenvolvimento pelas equipes
envolvidas, todavia, agregaria uma solução amplamente desejada pela comunidade.
Do ponto de vista do papel da Biblioteca e do Bibliotecário, tecnologias de comunicação
e informação como esta permitem uma aproximação maior do usuário à Biblioteca,
demonstrando a ele uma atenção mais responsiva e compromissada às suas demandas.
Nesse sentido, as bibliotecas precisam se apropriar dos recursos tecnológicos existentes,
aproximando-se efetivamente das necessidades de acesso e uso da informação da sua
comunidade de usuários. Ademais, as parcerias internas das instituições são fundamentais tanto
para o desenvolvimento de aplicações, como para a integração de sistemas. E as bibliotecas têm
10
11

USP em Números 2015: https://uspdigital.usp.br/anuario/
Definição de tecnologia Push: http://www.pcmag.com/encyclopedia/term/49977/push-technology

�11

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muito a contribuir no que tange o desenvolvimento de produtos focados nos usuários.

6 Referências
ALA - AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. America's Libraries for the 21st Century.
Washington, D.C. : ALA, 2008. Disponível em:
&lt;http://www.ala.org/advocacy/pp/prog/century&gt;. Acesso em: 26 abr 2016.
______. Libraries Connect Communities: Public Library Funding &amp; Technology Access
Study 2009-2010. S.l.: ALA; Center for Library &amp; Information Innovation, University of
Maryland, 2010. Disponível em: &lt;http://www.ala.org/plinternetfunding&gt;. Acesso em: 26 abr
2016.
BASTOS, T.R. Aplicativos para dispositivos móveis e seu uso em bibliotecas: uma visão
das experiências em âmbito internacional. Goiânia, Universidade Federal de Goiás, 2014.
Trabalho de Conclusão de Curso. Disponível em:
&lt;http://repositorio.bc.ufg.br/handle/ri/10806&gt;. Acesso em: 26 abr 2016.
GORDON, M.; LIEBERMAN, I. Library 21: ALA's Exhibit at the Seattle World's Fair. ALA
Bulletin, special issue, p. 230-232, March, 1962. Disponível em:
&lt;http://cdm15015.contentdm.oclc.org/cdm/ref/collection/p15015coll3/id/4962&gt;. Acesso em:
26 abr 2016.
GROSSMAN, L. O. IBGE: acesso à Internet pelo celular dispara 155% no Brasil.
Convergência Digital, 06 abr., 2016. Disponível em:
&lt;http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=site
&amp;infoid=42048&amp;sid=14&gt;. Acesso em: 26 abr 2016.
HENDRIX, J. C. Checking out the future: perspectives from the library community on
information technology and 21st-century libraries. Washington, D.C.: ALA Office for
Information Technology Policy, 2010. (Policy Brief, n. 2). Disponível em:
&lt;http://www.ala.org/offices/sites/ala.org.offices/files/content/oitp/publications/policybriefs/ala
_checking_out_the.pdf&gt;. Acesso em: 26 abr 2016.
JOHNSON, L. et al. NMC Horizon Report: 2015 Library Edition. Austin, Texas: The New
Media Consortium, 2015. Disponível em: &lt;http://cdn.nmc.org/media/2015-nmc-horizonreport-library-EN.pdf&gt;. Acesso em: 26 abr 2016.
MADDEN, M. et al. Teens and Technology 2013. Washington, D.C.: Pew Research Center’s
Internet &amp; American Life Project, 2013. Disponível em:
&lt;http://www.pewinternet.org/files/oldmedia/Files/Reports/2013/PIP_TeensandTechnology2013.pdf&gt;. Acesso em: 26 abr 2016.
SMIL, V. Transforming the twentieth century: technical innovations and their
consequences. Oxford: Oxford University Press, 2006. 368 p.
SOUZA, M.I.F.; TORRES, T. Z.; AMARAL, S.F. Bibliotecas digitais e dispositivos móveis:
acesso a novos espaços de aprendizagem. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24., Maceió,
2011. Anais. Disponível em:

�12

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

&lt;https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/898118/1/Bibliotecasdigitais.pdf&gt;.
Acesso em: 26 abr 2016.
VOLLMER, T. There’s an app for that! Libraries and mobile technology: an introduction
to public policy considerations. Washington, D.C.: ALA Office for Information Technology
Policy, 2010. (Policy Brief, n.3). Disponível em:
&lt;http://www.ala.org/offices/sites/ala.org.offices/files/content/oitp/publications/policybriefs/m
obiledevices.pdf&gt;. Acesso em: 26 abr 2016.

Agradecimentos

Contribuíram para o desenvolvimento do aplicativo: Vagner da Silva Machado (STI/USP Desenvolvimento), Jean Carlo de Souza Silva (STI/USP - Desenvolvimento), Allan Rodrigo
de Lima da Silva (DT/SIBiUSP - Infraestrutura), Zacharias Gadelha (DT/SIBiUSP Infraestrutura), Dra. Maria Fazanelli Crestana (Chefe Técnica do SIBiUSP), Mariza Leal de
Meirelles Do Coutto (Ex-Chefe Técnica do SIBiUSP), Tiago Rodrigo Marçal Murakami
(DT/SIBi Apoio Tecnológico) e Profa. Dra. Sueli Mara Soares Pinto Ferreira (FFCLRP/USP –
Ex-Chefe Técnica do SIBiUSP)

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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Santana, Anderson; Dudziak, Elisabeth Adriana; Okamoto Junior, Jun; Faria, Ricardo Amaral; Caetano, Daniel Jorge; Fausto, Sibele de.</text>
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                <text>O presente trabalho descreve o processo de desenvolvimento do aplicativo Bibliotecas USP tanto na sua primeira versão (lançada em dezembro de 2014) como sua segunda versão, lançada em agosto de 2015 com melhorias incorporadas. O aplicativo, desenvolvido pelo Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo em parceria com a Superintendência de Tecnologia da Informação, teve como foco o crescente uso de dispositivos móveis pelos usuários das bibliotecas que tem gerado um profundo efeito sobre a forma como se busca, acessa e processa as informações. Através de uma análise de logs de uso durante o ano de 2015 foi possível obter como resultados parciais dados quantitativos relativos aos usos anual, mensal, por dia da semana e por horários, além dos termos mais buscados no aplicativo. Por fim, considera-se que as bibliotecas precisam se apropriar dos recursos tecnológicos existentes, aproximando-se efetivamente das necessidades de acesso e uso da informação da sua comunidade de usuários.</text>
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                    <text>APLICABILIDADE DO MARKETING NOS WEBSITES DAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DE MATO GROSSO DO SUL
Tatiana Franco Dalla Santa (UFGD) - tatianafranco@ufgd.edu.br
Orlando de Almeida Filho (Banco do Brasil (BB)) - oa.filho@gmail.com
Resumo:
Busca perceber se as bibliotecas universitárias de Mato Grosso do Sul aplicam as ferramentas
do marketing em seus websites. A importância da pesquisa reside em mostrar como o
marketing pode fornecer subsídios para a funcionalidade, navegabilidade e usabilidade desses
ambientes informacionais digitais. Foram utilizadas as técnicas metodológicas de pesquisa de
campo, observação e aplicação de questionário, fundamentadas no método descritivo e
exploratório. Constatou-se que todas as bibliotecas estudadas aplicam elementos de marketing
em seus websites, mas, não os exploram de forma padronizada, minimizando as
potencialidades funcionais que o marketing oferece para um bom funcionamento e usabilidade
de um website. Fator relevante foi saber que há pouca investigação e discussão sobre o
marketing em bibliotecas universitárias, bem como sua aplicabilidade no ambiente virtual.
Palavras-chave: Marketing. Biblioteca Universitária. Websites.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Marketing da Sustentabilidade (Divulgação ou disseminação?)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O marketing em ambientes informacionais digitais é uma ferramenta que visa
proporcionar meios de potencializar os serviços oferecidos e consequentemente, conquistar e
fidelizar um número maior de usuários nesses ambientes.
O objetivo principal desta pesquisa é analisar a aplicabilidade do marketing nos
websites das bibliotecas universitárias do Mato Grosso do Sul, desdobrando-se nas seguintes
especificidades: identificar as ferramentas de marketing, que são de potencial aplicação ao
contexto das bibliotecas; verificar quais ferramentas estão sendo aplicadas e avaliar a
contribuição de tais ferramentas quanto à facilidade de navegação no website e sua
consequente implicação na eficiência dos serviços da biblioteca.
A biblioteca universitária tem a finalidade de prestar serviços de informações à
comunidade acadêmica, isto é, estimular, apoiar e desenvolver o saber em seus múltiplos
aspectos, por meio das atividades que desenvolve no âmbito acadêmico. O marketing em
bibliotecas acontece quando esse conjunto de estratégias e ação é voltado para adequar os
produtos e serviços às necessidades dos usuários.
A internet é uma rede versátil de relacionamentos entre as pessoas e organizações.
Portanto, esse ambiente, se configura como um facilitador na divulgação de informações e
como ferramenta na implementação de ações de marketing. Os websites pessoais ou
institucionais se tornaram uma extensão da pessoa/organização que representa e, por isso, é
um canal de interação eficiente entre as instituições e seus clientes. O marketing em ambiente
virtual vem a contribuir neste contexto para a legitimação desse relacionamento, da troca de
informações necessária entre a pessoa e/ou instituição com seu público.
Portanto, é importante pensar que a biblioteca de hoje existe além do seu espaço físico,
pois o ambiente virtual tornou-se um imperativo no contexto de oferta dos serviços da
biblioteca. Isto é, um meio de comunicação eficaz entre o usuário e a unidade de informação.
O website da biblioteca é mais um local de promoção da informação e a utilização de
ferramentas de marketing tem fundamental contribuição com o objetivo de promover os seus
produtos e serviços.

2 Revisão de literatura
O marketing pode ser visto como interdisciplinar por ser facilmente aplicado
em qualquer ramo do conhecimento, e em organizações com ou sem fins lucrativos. Em todos
os conceitos apresentados sobre marketing, são extraídas as essências que mais se aproximam
da biblioteca, cabe destacar ainda, que são poucas publicações que abordam o assunto de
marketing nas bibliotecas universitárias.
Com relação aos ambientes, Churchill e Peter, (2000, p. 304), comentam que “enquanto a
principal meta do marketing para uma empresa é trazer lucros, o marketing em organizações
sem fins lucrativos é direcionado para outros objetivos, como incentivar o uso dos serviços da
organização”. Nota-se que na biblioteca, os serviços devem gerar demandas através do
processo de busca à informação mediada e orientada pelo profissional bibliotecário. Amaral
(1996, p. 3) acrescenta que “quando a unidade de informação está orientada para o marketing,
sua filosofia de atuação se volta para o atendimento, com ênfase na função de troca, mediante
ações administrativas visando aos objetivos organizacionais”. Esses objetivos se referem aos
produtos/serviços ofertados pela biblioteca para que venham atender as necessidades de seu
público, em razão da amplitude da “troca”.
O Prof. Dr. Edmund Jerome McCarthy criou o mix de marketing ou composto de
marketing, que é um grupo de variáveis que pode ser colocado em prática nas bibliotecas
universitárias para direcionar a demanda para seus produtos e serviços. Essa ferramenta

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possui quatro elementos conhecidos como os 4 Ps: produto, praça, promoção e preço. O
quadro abaixo traz uma relação no contexto da biblioteca universitária.
Quadro 1: Composto de marketing sob o prisma da biblioteca universitária
Elementos do composto de
marketing (4 ps)

Contexto da Biblioteca Universitária

Livros, revistas, jornais, serviço de referência, computadores, ambiente para
leitura entre outros.
Ponto de distribuição dos produtos e serviços, localização da biblioteca e
Praça
endereço eletrônico.
Informar sobre a existência da biblioteca através da propaganda utilizando
Promoção
diversos suportes (comunicação direta e indireta, cartazes, folders, brindes etc)
Preço
Reposição de material ou multa a ser paga, confecção de cartão da biblioteca.
Fonte: Adaptado de Matta (2007, p. 125)
Produto

O produto é o elemento mais fácil de ser aplicado nas bibliotecas universitárias,
podendo ser físico ou um serviço. Sobre a prestação de serviço, Las Casas (1991, p. 90),
afirma que “deve priorizar o bom desempenho para a preservação da imagem institucional
[...] prestar bons serviços já é um diferencial devido a falta de preparo da concorrência”,
devido a isso, esse elemento envolve e gera demanda do produto/serviço certo para atender e
satisfazer seus usuários estabelecidos de acordo com os objetivos da Instituição.
Pode-se atribuir a praça (ponto de distribuição) a localização física da biblioteca
universitária, sua localização dentro da universidade deve ser privilegiada e de fácil acesso
para a comunidade acadêmica. O site da biblioteca universitária também é um ponto de
distribuição de serviço e para informar os usuários os produtos disponíveis.
A promoção refere-se aos meios utilizados para dar conhecimento dos produtos e
serviços e os três objetivos da promoção é de informar por meio da comunicação pessoal,
folders e no ambiente web; persuadir os usuários a utilizarem as salas de leitura e de tudo
que a biblioteca tem a oferecer e sempre lembrar o público alvo sobre a importância dos
produtos e serviços da biblioteca para formação do conhecimento. (MCCARTHY, 1982).
O preço é um dos elementos mais difícil de ser aplicado em ambientes sem fins
lucrativos, como é o caso das bibliotecas de universidades públicas ou privadas. Mas,
podemos agregar a esse elemento as multas cobradas em virtude dos atrasos das devoluções
dos produtos, o serviço de comutação e a taxa que algumas universidades cobram para
confecção de cartão de usuário.
2.1 Marketing em websites de Bibliotecas Universitárias do Mato Grosso do Sul
Os websites das bibliotecas universitárias tem se tornado um forte ponto de
distribuição para difundir os produtos e oferecer serviços para a comodidade dos usuários.
Esse ambiente requer atenção dos bibliotecários na sua construção, atualização e das
informações que são disponibilizadas, sobre isso, Rowley (2002, p. 200), recomenda que:
Antes de iniciar um projeto de criação de um sítio na Rede é preciso identificar com
clareza seus objetivos, que definirão o conteúdo e desenho da página [...] Para que
tenha uma eficácia permanente, é preciso que os recursos estejam disponíveis para
atualização, avaliação e manutenção.

Pois, um site, sem um planejamento orientado pelo marketing, pode se tornar apenas
mais uma página na web com informações desordenadas. A interface do website das
bibliotecas universitárias deve projetar uma leitura rápida, conter em suas páginas categorias
significantes (de acordo com as necessidades de seu público). Para Camargo e Vidotti (2011,
p. 57) “Os usuários experientes e frequentes tendem a ficar irritados com exageros visuais,

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pois têm objetivos definidos e apreciam menus de textos detalhados e rápidos. Já os usuários
novatos e ocasionais tendem a se sentir intimidados com menus de texto”.
Enfim, espera-se que a interface seja eficiente, fácil e concisa privilegiando o público
experiente e novato. Nesse sentido, Lévy (1999, p. 47) salienta que “Dependendo do ponto de
vista, tudo é engenharia ou tudo é marketing. A questão é sempre a de estender, por meio de
conexões e traduções, a rede sociotécnica que passa pela máquina”. O autor se refere ao fato
dos usuários compreenderem e saber utilizar o sistema com facilidade do modo eficaz e
eficiente. Para isso é necessário que seja desenvolvida quatro etapas na elaboração de um site,
são elas:
 Diagnóstico institucional: reunir informações por meio da observação e entrevista
com os que fazem parte da empresa para definir o quê o site almeja, para qual tipo de público
e se a empresa está preparada para o feedback que a empresa terá. Importante que esse
levantamento esteja documentado;
 Planejamento: coletar e tratar os dados que irão conter no site, delimitar o conteúdo,
explicitar o objetivo e missão, treinamento da equipe que vai gerir o site, essa equipe muitas
vezes é vinculada à empresa, tudo dentro de um cronograma passível de mudanças conforme
as exigências da instituição.
 Construção do website: mobilizar os envolvidos sobre a transparência dos
elementos, itens indispensáveis: logotipo da empresa (imagem ou frase), aspectos visuais (cor,
fonte e tamanho da letra, links e estruturação), recurso de busca/localizar e serviços online.
Recomenda-se atenção quanto a ética nas informações que será disponibilizadas.
 Manutenção: atualização das informações, monitoramento da eficiência do site,
mudanças no layout que não causam impactos negativos nos usuários. Essa etapa visa garantir
a funcionalidade do site. Para auxiliar no desenvolvimento do website, Amaral e Guimarães
(2008), sugerem as seguintes funções: “função informacional, promocional, instrucional,
referencial, pesquisa e função de comunicação.” Para maior aproximação do objeto de
pesquisa as funções apresentadas acima foram adaptadas para este conforme o quadro 2:
Quadro 2: Funcionalidades de marketing e suas definições
Funcionalidades

Definições
Informar a comunidade acadêmica e aos que buscam informação sobre o nome da
biblioteca, história, missão e objetivo, pessoas que trabalham na biblioteca, horário
Função Informacional de atendimento, telefone e fax, e-mail, localização da biblioteca, eventos da
instituição e externos que seja de interesse dos usuários e produtos e serviços
oferecidos.
Por meio da comunicação pessoal, folders e no ambiente web buscar promover a
Função Promocional
biblioteca e seu website e sorteio de brindes aos que participarem das enquetes.
Instruir como navegar no site e no ambiente físico com mapa, regulamento, vídeos
de treinamento para consulta ao acervo e tutorias sobre o uso dos serviços e
Função Instrucional
produtos.
Links para outras fontes de informação existentes no website, tais como: acesso a
bases de dados; links para mecanismos de busca, para websites de outras
Função Referencial
bibliotecas, para materiais de referência (dicionários, enciclopédias), para
periódicos eletrônicos, para websites de instituições.
Serviços e produtos oferecidos on-line no website da biblioteca, tais como: catálogo
Função de Pesquisa
on-line, lista dos periódicos assinados, serviço de renovação e reserva,
disponibilizar material bibliográfico on-line e serviço de referência on-line.
Fidelizar a interação entre biblioteca, bibliotecário e usuários com dinamicidade
dos serviços oferecidos, disponibilização de formulários para cadastro de usuários,
Função de
comunicados, coletar opinião/satisfação pelos serviços, coletar sugestões e críticas,
Comunicação
pesquisar opinião sobre o website, coletar sugestão de compra para novas
aquisições.
Fonte: Adaptado de Amaral e Guimarães (2008).

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As funções propostas acima são instrumentos base para análise dos websites das
bibliotecas universitárias de Mato Grosso do Sul, no capítulo e seções de análise será
apresentado o resultado da funcionalidade desses websites.
2.2 O bibliotecário e o marketing
Pelo fato do marketing ter surgido no contexto lucrativo, muitos bibliotecários
resistem a sua aplicação nas bibliotecas. Esse paradigma esta sendo rompido a partir dos
cursos de Biblioteconomia, que em sua estrutura curricular encontra-se o marketing como
disciplina ou no conteúdo de outras disciplinas. No passado o bibliotecário era visto como
mero guardador de livros e devido às novas competências e habilidades desse profissional,
que lhes foram atribuídos como mediador da informação, arquiteto da informação, entre
outras denominações.
Devido o marketing ser um conjunto de atividades que envolve planejamento,
estratégias, monitoramento e por auxiliar nas tomadas de decisão, recomenda-se ao
bibliotecário gestor o papel de implantar o planejamento orientado pelo marketing para
agregar valor às atividades desenvolvidas por esse profissional, Amaral (1996, p. 7),
argumenta sobre a importância da
[...] adoção do marketing em unidades de informação é vista como uma forma de
valorizar o profissional da informação, melhorando a sua imagem mediante o uso
aprimorado de técnicas para fazer trocas adequadas, quebrando as barreiras na
comunicação entre as unidades de informação e seus usuários para melhor satisfazer
as necessidades informacionais desses usuários.

As competências (saber fazer) e as habilidades (como fazer) do profissional
bibliotecário orientada pelo marketing em ambientes informacionais digitais irá proporcionar
novas maneiras de classificar, tratar, organizar, estruturar, recuperar e disponibilizar as
informações para seus usuários. Sabe-se que devido à globalização uma pessoa ocupa apenas
um cargo e desenvolve varias funções, sobre essa perspectiva, que esse profissional
aprimorou seus conhecimentos para atender a ansiedade informacional de seu público-alvo,
com objetivo de informar e mediar uma informação de credibilidade.
Por isso, não é difícil agregar a esse profissional mais essa habilidade e competência,
pois seja no ambiente tradicional ou na web seus instrumentos principais de trabalho serão a
informação e a mediação. No website da biblioteca universitária, um planejamento orientado
pelo marketing fornecerá subsídios para esse profissional sobre o que fazer e como fazer para
promover a biblioteca universitária.

3 Materiais e métodos
A pesquisa é fundamentada na revisão bibliográfica, tendo como base a
literatura que trata do tema em questão, pesquisa de campo por utilizar questionário com
perguntas abertas e fechadas, com método descritivo e de cunho exploratório, os dados
obtidos para esta pesquisa foram coletados por meio da observação feita semanalmente no
período de janeiro, fevereiro e março de 2016 nas páginas dos websites da Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS; Universidade Federal da Grande Dourados –
UFGD; Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS; Universidade Católica Dom
Bosco – UCDB e Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal UNIDERP.
Para sistematizar esta pesquisa foram utilizadas as funções informacional,

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promocional, instrucional, referencial, de pesquisa e de comunicação proposto pelo marketing
para verificar a funcionalidade dos websites das bibliotecas universitárias, com propósito de
observar a aplicabilidade do marketing desses websites.

4 Resultados parciais/finais
Foram utilizados os sistemas funcionais: informacional, promocional, instrucional,
referencial, de pesquisa e de comunicação que são interdependentes e interligados pela
usabilidade dos website propostos por Amaral e Guimarães (2008), para analisar os websites
das bibliotecas universitárias situadas em Mato Grosso do Sul.
Quadro 3: Funcionalidades dos websites
Funções
proposta
para análise

Elementos das funções encontradas nos websites das Bibliotecas Universitárias de MS
UFMS

Informacional

Contatos, Serviços,
treinamentos,
históricos de
aquisições, horário
de funcionamento.

Promocional

Nenhum

Instrucional

Tutorias

Referencial

Pesquisa
Comunicação

Base de dados online, periódicos
eletrônicos,
repositório
institucional, livros
eletrônicos.
Catálogo on-line,
reserva e renovação,
periódicos.

UFGD

UEMS

Finalidade da
biblioteca,
horário de
Serviços
funcionamento,
equipe e novas
aquisições.
Nenhum
Nenhum
Regulamento e
guia rápido do Regulamento
usuário
Periódicos
eletrônicos,
Repositório
Nenhum
institucional.

Nenhum

UCDB
Nome da
biblioteca,
horário de
funcionamento
serviços.
Nenhum
Nenhum

UNIDERP
Nome da
biblioteca,
apresentação,
informatização e
novo guia
ortográfico.
Nenhum
Regulamento e
manual de
monografia

Base de dados.

SARE, participação
em rede, base de
dados, periódicos
eletrônicos e links

Consulta ao
acervo.

Acervo

Consulta ao
acervo.

Consulta acervo.

Ficha
catalográfica,
Sugestões

Nenhum

Nenhum

Nenhum

Fonte: Elaborado pelos autores (2016).

Como foram apresentados todos websites das bibliotecas universitárias pesquisados,
utilizam de alguns dos itens das funcionalidades propostas pelo marketing, todavia, não foram
suficientes para esta pesquisa destacar uma como modelo a ser seguido, o que se evidenciou
foi a necessidade de aperfeiçoar as páginas dos websites de acordo com o instrumento
informacionais.
Para identificar as funcionalidades nas páginas, foi adotado cores para associar as
funções, ficou da seguinte maneira:
Função Informacional: roxo
Função Promocional: Verde
Função Instrucional: Vermelho

Função referencial: Marrom
Função de Pesquisa: Amarelo
Função de Comunicação: Preto

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Análise do website da biblioteca da UFMS

PESQUISA

INSTRUCIONAL

REFERENCIAL

INFORMACIONAL

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No website da biblioteca da UFMS foi identificado que existe uma preocupação em
deixar seus usuários informados, utilizando dos recursos da função informacional com
informações sempre sendo atualizadas. O item biblioteca esta no menu superior do site da
UFMS e ao clicar abre outra página, ou seja, o website biblioteca da UFMS é a única das
pesquisadas que possui seu próprio site próprio e que tem a imagem da biblioteca, os itens
estão bem rotulados e a funcionalidade desse site é o que mais se aproxima do proposto
correspondente ao marketing. O usuário conseguirá fazer uma leitura rápida e compreender os
itens do site. A função promocional não foi identificada, o nome da biblioteca, mapa,
formulários e outros elementos das funções também não.
Análise do website da biblioteca da UFGD

PESQUISA

COMUNICAÇÃO

INSTRUCIONAL

REFERENCIAL

INFORMACIONAL

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Como pode ser observado os itens do site da biblioteca da UFGD estão organizados de
modo que o usuário possa fazer uma leitura rápida do website e terá facilidade em navegar,
pois os itens estão claros. No site da UFGD o item biblioteca esta localizado na parte direita e
com apenas um clic entra na página da biblioteca.
Durante a análise foi observado que não houve nenhuma mudança no site e não
informa o nome da biblioteca, as funções informacional, instrucional, referencial, pesquisa e
comunicação foram encontradas, porém há necessidade de ser mais explorada.
Análise do website da biblioteca da UEMS

PESQUISA
INSTRUCIONAL

INFORMACIONAL

Diante das poucas funcionalidades encontradas ao entrar na pagina da UEMS fica
evidente a necessidade e importância de um planejamento e implantação do marketing nesse
website, como se nota esta pagina apresenta poucas das funcionalidades básicas, e parece
estar em construção. Apesar de serem encontradas no site as funções informacional,
referencial e pesquisa, a funcionalidade desse site deixa a desejar em vários aspectos, tais
como: não informar o nome, horário de funcionamento, local, mapa e sugestões que são de
grande importância para um bom funcionamento do wesite de biblioteca.

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Análise do website da biblioteca da UCDB

PESQUISA
INFORMACIONAL

REFERENCIAL

A Universidade Católica Dom Bosco não criou uma página própria para sua
biblioteca, portanto, o que deveria ser um site da biblioteca é apenas um atalho interno do site
da universidade, no qual é apresentado informações referentes a biblioteca.
Como o objetivo desta pesquisa não é discutir páginas próprias ou links de website
internos ou externos foi considerado está página como website da biblioteca.
Ao entrar no site da UCDB o usuário terá dificuldades em localizar a opção biblioteca,
pois esta dentro do item campus. A página não apresenta a função promocional e foram
identificadas as funções: informacional, referencial e pesquisa, porém de maneira
insatisfatória, por não ter explorado o espaço com as funcionalidades de modo que o usuário
não precisasse ficar navegando para encontrar a pagina da biblioteca.
Não é possível entrar direto na página da biblioteca da UCDB, somente pelo site da
UCDB.

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Análise do website da biblioteca da UNIDERP

PESQUISA
INFORMACIONAL

REFERENCIAL

INSTRUCIONAL

Na figura acima podem se perceber que a página é toda textual e não foi explorado as
funções de marketing promocional e comunicacional. É necessário utilizar a barra de rolagem
para encontrar o item biblioteca que fica à direita do site da UNIDERP.
Observou-se durante a pesquisa o website da biblioteca mudou a ordem das
informações e a cor de alguns dos itens, todavia, para esta análise a mudança sofrida pelo site
não enriquece as funcionalidades do marketing.
Análise do questionário
Somente dois questionários (pública e privada) retornaram. Quanto à formação dos
gestores, A não respondeu e B possui mestrado em Biblioteconomia.
Sobre a participação do bibliotecário no planejamento e construção dos websites, A diz
que “trabalhou uma equipe formada de bibliotecários, analista de sistema e jornalista”, diante
da resposta percebe-se que houve a união de profissionais de áreas diferentes, porém muito
importante para construção de um website.
A e B utilizam ferramentas do marketing para promover seus websites. A acrescentou
que existe “assessoramento de uma jornalista”, reforçando a participação desse profissional
para disponibilização de informação em seu ambiente web. Disseram ainda que foi feito
estudo acerca da Arquitetura da Informação para estruturar a informações no website. Esse
estudo é muito importante no layout da página, Camargo e Vidotti (2011, p. 24), afirmam que,
A arquitetura informação é uma área do conhecimento que oferece uma base teórica
para tratar aspectos informacionais, estruturais, navegacionais, funcionais e visuais
de ambientes informacionais digitais por meio de um conjunto de procedimentos
metodológicos a fim de auxiliar no desenvolvimento e no aumento da usabilidade de
tais ambientes e de seus conteúdos.

De acordo com a definição apresentada pelas autoras, destacam-se os seguintes termos

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“tratar”, “estruturais”, “navegacionais”, “funcionais” e “visuais” que são palavras-chave para
nortear um bom desenvolvimento do website.
Segundo A e B, não há um feedback entre a biblioteca e o usuário por meio do
website. Sobre o principal objetivo e meta do website, gestor A simplificou com a seguinte
resposta: “informativo, explicativo”, o gestor B respondeu: “disponibilizar acervo on-line
(acervo da biblioteca), informações sobre serviços oferecidos pela biblioteca”.
A última questão sobre a importância de um chat denominado: pergunte ao
bibliotecário, o gestor A respondeu que “através dos contatos já temos essa interação com o
usuário”, o website da biblioteca A participa de redes sociais. O gestor da B diz que “sim, para
troca de informações e tomar conhecimento da real necessidade dos usuários”. Ambos
reconhecem que é necessário esse serviço de referência nos websites.
O resultado do questionário revelou que os gestores das bibliotecas universitárias já
estão preocupados em ter um planejamento orientado pelo marketing, e as funções propostas
pelo marketing são de fundamental importância para que os bibliotecários possam tornar um
website de biblioteca universitária mais um meio de consulta, informação, promoção,
interação e dinamicidade.

5 Considerações parciais/finais
O marketing envolve planejamento, troca, satisfação, interação, necessidade, desejo,
criatividade, comunicação e percepção. Sua finalidade é obter e manter clientes identificando
seu público alvo, com propósito de atingir metas organizacionais através da satisfação dos
clientes, ou seja, oferecer serviços e produtos certos para pessoas certas.
O estudo demonstra a importância que os websites têm como meio de comunicação
com seus usuários, sejam eles reais ou potenciais e por meio da análise feita com os
instrumentos funcionais: informacional, promocional, instrucional, referencial, de pesquisa e
de comunicação proposta pelo marketing e de questionário foi possível identificar e analisar
que as bibliotecas universitárias de Mato Grosso do Sul (UFMS, UFGD, UEMS, UCDB e
UNIDERP) utilizam algumas das ferramentas de marketing em seus websites.
As funções de marketing são exploradas pelos websites sem um planejamento ou
padrão a ser seguido, verificou-se uma deficiência nos websites em relação à função
promocional, pois nenhuma das páginas apresenta esta função, subtende-se que isso seja por
não haver uma preocupação em obter e manter os usuários nesse ambiente. A função de
comunicação é pouco explorada e apenas o website da biblioteca da UFGD utiliza essa função
para ter um feedback de seus produtos e serviços, essa função é fundamental no website para
a comunidade acadêmica informando-lhes sobre palestras, sugestões, encontros, atendimentoon-line entre outros.
Com base nos dados coletados acredita-se que o propulsor dos websites das bibliotecas
universitárias do Mato Grosso do Sul é a consulta ao acervo on-line e consequentemente
outros itens foram colocados para preencher o espaço da interface.
Os websites das bibliotecas universitárias devem ter a finalidade de prestar serviços de
informações à comunidade acadêmica, estimular, apoiar e desenvolver ações em seus
múltiplos aspectos para satisfazer as necessidades informacionais de seus usuários, sob essa
perspectiva à função informacional, instrucional, referencial e de pesquisa são utilizadas por
todos websites das bibliotecas universitárias pesquisadas, acredita-se que a utilização dessas
funções seja para atender as necessidades informacionais de seus usuários e aumentar a
demanda de uso desses websites.
Esta pesquisa tem uma contribuição relevante para a Ciência da Informação, por
abordar assuntos de pouca publicação e com resultados satisfatórios tanto da análise quanto
do questionário, no qual é constatada a aplicabilidade das ferramentas do marketing nos

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websites e pelo fato dos bibliotecários das respectivas bibliotecas reconhecerem a importância
de suas participações e o uso do marketing nos websites.
Por meio desta pesquisa espera-se que haja incentivo para que surjam novas pesquisas
com este contexto, a fim de verificar possíveis mudanças nos websites, com o propósito de se
fazer um comparativo entre esta e uma próxima pesquisa.
A internet se tornou um mecanismo muito importante nas bibliotecas universitárias e visando
um bom atendimento, que contemple a interação entre bibliotecário e usuário, dinamicidade
dos serviços oferecidos pela biblioteca universitária, o ambiente virtual, necessariamente os
websites, transformou-se de fato em uma ferramenta indispensável à biblioteca universitária,
pois numa sociedade em que as pessoas se comunicam pelo MSN, enviam torpedos, whatsapp
por celular, deixam recados no facebook, instagram entre outras redes sociais, as bibliotecas
universitárias não pode ficar off-line.

6 Referências
AMARAL, Sueli Angelica do. Marketing e desafio profissional em unidades de informação.
Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 3, 1996. Disponível em:
&lt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/452/411&gt;. Acesso em: 02 fev. 2016.
AMARAL, Sueli Angelica do; GUIMARÃES, Tatiara Paranhos. Websites de unidades de
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Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, n. 26, 2º sem. 2008.
Disponível em: &lt;http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/download/7195/6642&gt;.
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Arquitetura da informação: uma abordagem prática para o tratamento de conteúdo e
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LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Marketing de serviços. São Paulo: Atlas, 1991.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: 34, 1999.
MATTA, Rodrigo Octávio Beton. Marketing e websites: recomendações para produzir e
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MCCARTHY, Edmund Jerome. Marketing. Tradução José Ricardo Brandão Azevedo. Rio
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ROWLEY, Jennifer. A biblioteca eletrônica. Tradução Antonio Agenor Briquet de Lemos.
Brasília: Briquet de Lemos, 2002. 399 p.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Busca perceber se as bibliotecas universitárias de Mato Grosso do Sul aplicam as ferramentas do marketing em seus websites. A importância da  pesquisa reside em mostrar como o marketing pode fornecer subsídios para a funcionalidade, navegabilidade e usabilidade desses ambientes informacionais digitais. Foram utilizadas as técnicas metodológicas de pesquisa de campo, observação e aplicação de questionário, fundamentadas no método descritivo e exploratório. Constatou-se que todas as bibliotecas estudadas aplicam elementos de marketing em seus websites, mas, não os exploram de forma padronizada, minimizando as potencialidades funcionais que o marketing oferece para um bom funcionamento e usabilidade de um website. Fator relevante foi saber que há pouca investigação e discussão sobre o marketing em bibliotecas universitárias, bem como sua  aplicabilidade no ambiente virtual.</text>
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                    <text>ANÁLISE DAS INCOERÊNCIAS DAS TESES E DISSERTAÇÕES
PUBLICADAS NA BDTD DA UFC, EM RELAÇÃO ÀS NORMAS DA
ABNT: JULHO A DEZEMBRO DE 2015

Weslayne Nunes de Sales (UFC) - weslaynesales@gmail.com
Aline Rodrigues de Lima Mendes (UFC) - alinemendes.ufc@gmail.com
Resumo:
Analisar trabalhos de conclusão dos cursos de mestrado e doutorado, quanto aos aspectos de
normalização bibliográfica estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), inseridas na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do
Ceará (UFC) no ano 2015. As produções foram avaliadas com base em cinco normas de
Informação e Documentação que estavam em vigor na época em que os trabalhos foram
defendidos: Elaboração de Referências (NBR 6023:2002); Numeração progressiva das seções
de um documento escrito (NBR 6024:2012); Sumário (NBR 6027:2012); Resumo (NBR
6028:2003) e Citações em documentos (NBR 10520:2002). O método de pesquisa utilizado foi
o descritivo. Buscou-se embasamento teórico em estudos já publicados sobre o assunto, nas
orientações fornecidas sobre normalização pela ABNT, além de documentos e relatórios que
tratam da normalização da comunicação cientifica. Conclui-se que todos os cursos de
pós-graduação envolvidos neste estudo apresentam incoerências com as normas da ABNT,
sendo os trabalhos dos cursos de Agronomia e Zootecnia os que possuem os dois maiores
percentuais de incoerências, em contrapartida aos cursos de Engenharia de Pesca e
PRODEMA, com os dois menores percentuais de incoerências.
Palavras-chave: Normalização. Publicações científicas. Associação Brasileira de Normas
Técnicas. Universidade Federal do Ceará – Pós-graduação.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A produção de Trabalhos de Conclusão de Curso é indispensável ao aluno que está
finalizando um curso de nível técnico, de graduação ou pós-graduação. O tipo de trabalho
pode variar conforme o nível de escolaridade, as exigências da instituição de ensino ou até
mesmo dos critérios estabelecidos pelos docentes. O fato é que estas produções, por diversas
vezes, são responsáveis por tirar o sono e a tranquilidade de discentes, que, além de se
preocuparem com o conteúdo a ser trabalhado, necessitam dar uma atenção especial às
normas gramaticais e normas de elaboração de trabalhos acadêmicos, que precisam estar
alinhadas para garantir o equilíbrio entre o conteúdo e a forma.
No Brasil, a instituição responsável por elaborar tais normas é a Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT). Criada em 1940, é reconhecida pela sociedade brasileira e
confirmada pelo governo federal como Foro Nacional de Normalização. Várias instituições de
ensino estabelecem como obrigatório o cumprimento dessas normas na elaboração dos
trabalhos acadêmicos produzidos por seus discentes.
As produções científicas exercem papel imensurável para a emergência do Estado.
Pesquisas inovadoras surgem a cada ano, engrandecendo as produções bibliográficas e
incorporando-se a pesquisas já existentes, para somar novos conhecimentos. Com a finalidade
de proporcionar maior acesso a essas informações, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações (BDTD) integra em um único portal os sistemas de informações de teses e
dissertações existentes no país, fornecendo ao usuário um catálogo nacional com trabalhos
dessa natureza; contudo, a BDTD disponibiliza somente metadados dos trabalhos, ficando a
disponibilização do documento integral por conta da instituição de origem. No caso da
Universidade Federal do Ceará (UFC), os trabalhos são publicados na BDTD/ UFC, sendo
que as responsabilidades pela publicação são divididas entre o autor, o próprio programa de
pós-graduação – na figura do secretário –, a biblioteca – na figura do bibliotecário catalogador
–, e, por fim, pela administração do sistema.
O presente estudo faz uma avaliação dos trabalhos publicados na BDTD/ UFC, quanto
aos aspectos de normalização acadêmica estabelecidos pela ABNT, a fim de verificar a
harmonização existente ou não entre eles. Durante a análise, levou-se em consideração a
compatibilidade das produções acadêmicas em relação a 5 (cinco) normas da ABNT. São elas:
Elaboração de Referências (NBR 6023:2002); Numeração progressiva das seções de um
documento escrito (NBR 6024:2012); Sumário (NBR 6027:2012); Resumo (NBR
6028:2003); e Citações em documentos (NBR 10520:2002). O resultado da avaliação foi
tabulado e os dados comparados estatisticamente.
Desse modo, sob a justificativa de que a melhoria da qualidade destes interfere
diretamente na qualidade dos serviços de recuperação da informação oferecidos pela BCT,
buscamos responder a seguinte pergunta: como melhorar os trabalhos de dissertações e teses
quanto aos aspectos de normalização?

2 Normalização de trabalhos acadêmicos e a Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT)
Apresentamos, como conceito para normalização, aquele trazido pelo próprio Foro
Nacional de Normalização “o processo de formulação e aplicação de regras para a solução ou
prevenção de problemas, com a cooperação de todos os interessados, e, em particular, para a
promoção da economia global” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
[2016?]). As normas da ABNT são corriqueiramente estigmatizadas; entre as principais
alegações pronunciadas pelo público acadêmico, ouvimos com frequência que: “as normas

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mudam todos os anos”; “somos obrigados a fazer tudo do jeito da norma”; contudo, essas
frases são falsas e refletem tão somente a falta de familiaridade de grande parte do público
com a normalização.
Quanto à atualização das normas, sabe-se que as mesmas deveriam ocorrer em
períodos regulares. Contudo, temos normas que vigoram há mais de dez anos, como é o caso
da NBR 15437, que se encontra em vigor desde 2006, e as normas 6028 e 6034, que vigoram
desde 2003 e 2004, respectivamente; isso para citar apenas exemplos do Comitê Brasileiro de
Informação e Documentação, mais conhecido como CB-014.
Outro ponto bastante questionado no cotidiano de quem trabalha com normalização de
trabalhos acadêmicos é a questão da obrigatoriedade do uso das normas da ABNT. Essa
informação, porém, pode ser facilmente desmentida ao se fazer uma visita ao site da
instituição, a qual afirma que “as normas são de uso voluntário, isto é, não são obrigatórias
por lei, e então é possível fornecer um produto ou serviço que não siga a norma aplicável no
mercado determinado” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, [2016?]).
Contudo, algumas instituições acadêmicas optam por exigir que os trabalhos produzidos por
aqueles que estejam vinculados a ela sigam rigorosamente as normas em questão; mas esse
não é o caso da Universidade Federal do Ceará, que até o fechamento deste artigo não define
como obrigatório o cumprimento das normas do Fórum Brasileiro de Normalização.
As normas são elaboradas e revisadas de acordo com a demanda da sociedade e
inclusive com participação aberta a todos os interessados no assunto. Elas existem para trazer
facilidade às produções, e tornar mais simples o intercâmbio de informações. A importância
da normalização consiste ainda em possibilitar a divulgação dos dados técnicos obtidos e
analisados, registrando-os em caráter permanente, de modo a facilitar sua recuperação nos
diversos sistemas de informação utilizados. Segue-se a estes uma série de outros objetivos que
podem ser observados na figura a seguir:
Figura 1 – Objetivos da Normalização

Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, [2016?]
De acordo com o exposto acima, fica perceptível que o prejuízo maior com a não
normalização é do próprio autor do trabalho que tem uma redução drástica na qualidade da
produção e que pode encontrar maior dificuldade na disseminação das informações
produzidas, uma vez que sofre um comprometimento na eficácia da recuperação da
informação.
Facilitar a circulação de informações (dados) em diferentes fontes e evitar duplicidade,
são dois dos diversos motivos que Melo et al. (2012) apontam como premissas básicas da

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importância de normalizar a comunicação científica.
A padronização das produções cientificas torna menos complexa a comunicação, pois
ameniza as barreiras impostas pela diversidade de línguas, culturas e realidades sóciohistóricas, haja vista que as normas facilitam a disseminação, o acesso, a leitura e a
compreensão de textos científicos (GOMES, 1999).
Melo et al. (2012, p.3) afirmam que “as instituições e até mesmo seus orientadores
têm suas próprias preferências, utilizando-se de diferentes normas. Acredita-se que tal fato
persiste pela pluralidade de normas”.
Não raro, encontramos nos mais diversos meios de comunicação guias de
normalização de trabalhos acadêmicos, que buscam facilitar a sua normalização. Os guias
disponíveis na Internet em sua grande parte são baseados nas normas da ABNT. No caso do
sistema de bibliotecas da UFC, não é diferente. A equipe desempenha esforços para
possibilitar ao usuário familiaridade com as normas de elaboração de trabalhos acadêmicos,
conforme estudaremos com mais detalhes no capítulo seguinte.

3 Incentivo à normalização de trabalhos acadêmicos na UFC mediante esforços
das Comissões Especializadas de Estudos (CEES)
A Universidade Federal do Ceará possui um sistema de biblioteca grandioso, que
totaliza 17 bibliotecas divididas em todos os campi da IES, sendo 13 na capital cearense e
quatro no interior.
Sob uma gestão participativa, os bibliotecários dividem-se em Comissões
Especializadas de Estudos (CEES) de acordo com seus interesses e preferências, de forma
voluntária. Tais comissões foram estudadas por Bezerra et al. (2014), que elencaram as
comissões de acervo, acessibilidade, catalogação, educação do usuário, eventos,
normalização, serviços e de pessoal como as principais já criadas no Sistemas de Bibliotecas
da UFC. De acordo com os autores supracitados, as CEES foram criadas como parte das
ações do planejamento estratégico para o quadriênio 2003-2007.
Até os dias atuais, as comissões continuam existindo, traçando novas metas e
encarando novos desafios. Para o assunto aqui tratado, vale ressaltar os trabalhos realizados
por duas comissões em específico: a de educação de usuário e a de normalização. Tais
comissões exercem papel fundamental no que diz respeito ao incentivo e apoio à
normalização de trabalhos acadêmicos; a primeira elaborando, organizando e ministrando
cursos e palestras sobre o assunto, e a segunda com elaboração de documentos que orientam
os usuários na elaboração de trabalhos acadêmicos. Em diversas oportunidades, ambas
trabalham em parceria, com objetivo de atingir o maior número possível de pessoas e para
oferecer serviços cada vez mais aperfeiçoados.
Discentes, docentes, demais servidores e público em geral podem obter no site do
SB/UFC diversos documentos que orientam sobre a normalização, todos eles tendo como
parâmetro a ABNT. São tamplates, slides explicativos sobre as principais normas do CB 14 –
comitê da ABNT destinado especificamente a estudo, revisão, elaboração de normas de
Informação e Documentação. Durante todo ano, a comissão de educação de usuários organiza
atividades voltadas para o incentivo à pesquisa e produção científica; são realizadas palestras,
workshops, cursos e outras atividades que orientam para o uso de bases de dados,
gerenciadores de referências, produção de artigos científicos, elaboração de referências,
resumos, citações, sumários e outros.
Além de todas essas atividades, a Biblioteca de Ciências e Tecnologia (BCT)
disponibiliza o serviço de correções de referências e conta com uma equipe de bibliotecários
que se revezam no horário de 7:30 às 21:00 horas, para atender ao público em suas questões
relativas às normas de elaboração de trabalhos acadêmicos e outros assuntos.

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Tem-se, porém, um grande obstáculo a ser transpassado por aqueles que buscam uma
padronização nos trabalhos acadêmicos produzidos pela UFC, que é o próprio distanciamento
dos gestores da instituição em relação ao rigor nas cobranças ligadas a esses aspectos.
Ao tratar do assunto, Moura (2009) realizou em seu trabalho de dissertação uma
investigação acerca dos registros relativos à normalização existente na UFC, e constatou que
em 1981 a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação procurou estabelecer padrões mínimos
para a redação e citações dos trabalhos produzidos; para tanto designou uma equipe formada
por dois professores doutores experientes na área de orientação de trabalhos, além de uma
professora especialista e de uma bibliotecária para elaboração de uma manual o qual
denominou-se “Manual de Normas para Redação e Apresentação de Tese, Dissertação e
Monografia”
Ainda de acordo com Moura (2009), houve outro momento marcante para a
normalização de trabalhos acadêmicos da UFC, que foi o Fórum Nacional de Padronização e
Divulgação da Produção Científica, no ano de 2001. Diversos profissionais estiveram
reunidos para desenvolver uma padronização para as publicações da IES.
Já em 2004, continua a autora supracitada, o SB/UFC “constitui uma comissão para
desenvolver um manual destinado à normalização da apresentação da produção científica”
(MOURA, 2009, p.52). Tal comissão já foi citada no início deste capítulo, mas devido à sua
relevância para o trabalho em questão, expõe-se a seguir os principais documentos elaborados
pela mesma: Guia de Normalização de Trabalhos Acadêmicos da UFC; templates com modelo
de trabalhos acadêmicos (em Word e Libre Office); tutoriais para apresentação de trabalhos
acadêmicos; citações, paginação de trabalhos acadêmicos, como fazer referências e outros
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, [2012?].
Quanto aos treinamentos de normalização ofertados pela Comissão Especializada de
Estudos em Educação de Usuários (CEU), Melo et al (2012) realizaram um estudo que, entre
outros aspectos, buscou a caracterização do público envolvido nesses treinamentos e
verificou-se que maior parte dos participantes eram alunos de pós-graduação, ou seja, 109
pessoas o equivalente a 50% do público. Em contrapartida, os docentes representaram a
menor quantidade de participação – apenas seis professores, o que equivale a 2,8% dos
participantes. No ano em que a pesquisa foi realizada, os autores afirmam que, somando o
público dos treinamentos de normalização das bibliotecas de Ciências e Tecnologia (BCT),
Ciências Humanas (BCH) e da Faculdade de Economia, Administração, Atuaria e
Contabilidade (BFEAAC), atingiram um patamar de 320 participantes. Em 2015, tivemos um
público formado por 164 participantes, 71 deles atendidos na BCT (UNIVERSIDADE
FEDERAL DO CEÁRA, 2016), uma redução evidente no número de participantes, fenômeno
atribuído à greve que atingiu os servidores da UFC.

4 Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Ceará (UFC)
De acordo com o Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia (IBICT) [2006?], o
Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações (TEDE) tem por objetivo
proporcionar a implantação de bibliotecas digitais nas instituições de ensino e pesquisa e, com
isso, sua integração à Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD)
A BDTD encontra respaldo legal na Portaria nº 13, de 15 de fevereiro de 2006, emitida
pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O documento
citado estabelece que teses e dissertações produzidas em programas de pós-graduação
reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) sejam disponibilizadas em formato digital.
Em cumprimento ao exposto, a UFC vem disponibilizando uma série de trabalhos produzidos
em seus cursos de pós-graduação stricto sensu. Em números temos:

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Tabela 1 – Cursos de pós-graduação atendidos pela Biblioteca de Ciências e
Tecnologia da UFC
CURSO
Agronomia/Fitotecnia
Agronomia/Solos e Nutrição de Plantas
Bioquímica
Biotecnologia (Rede Nordeste de
RENORBIO)
Biotecnologia e Recursos Naturais
Ciência da Computação

DISSERTAÇÕES
80
85

TESES
36
2

144
– 0

94
X

0
111

0
21

Ciência e Tecnologia de Alimentos
Desenvolvimento e Meio Ambiente

118
195

13
14

Ecologia e Recursos Naturais

57

15

Engenharia Agrícola

142

37

Engenharia de Pesca

84

25

Geografia

119

37

Geologia

34

14

Química

154

63

Química Inorgânica
Química Orgânica
Zootecnia

37
13
167

30
12
0

Zootecnia-PDIZ

0

74

TOTAL

1540

487

Biotecnologia

Fonte: Dados da pesquisa.

A biblioteca de Ciências e Tecnologia é a maior biblioteca, em termos de número de
exemplares, espaço físico e de atendimento aos usuários do SB/UFC. A seguir o método
utilizado para realização desta pesquisa.

5 Materiais e métodos
Utilizou-se como objeto de avaliação teses e dissertações dos cursos de pós-graduação
atendidos pela Biblioteca de Ciências e Tecnologia da UFC, Fortaleza-CE, campus do Pici,
publicados no período de julho de 2015 a dezembro de 2015. Quais sejam: Programa de PósGraduação em Agronomia/Fitotecnia; Agronomia/Solos e Nutrição de Plantas; Bioquímica;
Ciência e Tecnologia de Alimentos; Ciência da Computação; Ecologia e Recursos Naturais;
Engenharia Agrícola; Engenharia de Pesca; Geografia; Geologia; Desenvolvimento e Meio
Ambiente; Química; Biotecnologia (Rede Nordeste de Biotecnologia - RENORBIO);
Zootecnia; Integrado em Zootecnia-PDIZ; totalizando 14 cursos de pós-graduação.
Os trabalhos publicados pelos cursos atendidos pela BCT/UFC representam 20,62% de
todos os trabalhos depositados na BDTD/UFC; os trabalhos publicados no período de julho a
dezembro de 2015 (100 trabalhos) representam 1,07% do total de publicações.
Contudo, consideramos que, embora a amostra investigada neste trabalho represente
apenas 1,07% de todas as publicações da BDTD/UFC, ela representa 4,93% de todos os
trabalhos publicados pelos cursos que são atendidos pela BCT/UFC, o que nos leva a

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acreditar que é uma margem confiável.
Os trabalhos incluídos na amostra selecionada foram analisados individualmente e as
informações coletadas foram tabuladas de modo que possibilitasse uma visualização clara dos
dados alcançados. As normas aplicadas na investigação foram: Elaboração de Referências
(NBR 6023:2002); Numeração progressiva das seções de um documento escrito (NBR
6024:2012); Sumário (NBR 6027:2012); Resumo (NBR 6028:2003); e Citações em
documentos (NBR 10520:2002).
Dos 100 trabalhos publicados no período que compreende o estudo, somente 97
puderam ser de fato analisados, pois dois deles estavam com status “retido” e outro não pôde
ser localizado na base.
Desse modo, a pesquisa se caracteriza quanto à abordagem em quantitativa, uma vez
que avalia individualmente 97 trabalhos publicados no segundo semestre de 2015; quanto aos
objetivos, apresenta caráter descritivo que, de acordo com Gil (2010, p. 27), “tem como
objetivo a descrição das características de determinada população”, ou seja, busca descrever
fatos e fenômenos de uma determinada realidade.

4 Resultados parciais/finais
Para Rampazzo (2002), a comunicação científica deve seguir as orientações das técnicas de
redação, quais sejam: estrutura do trabalho acadêmico; forma gráfica do texto, citação; notas
de rodapé e referências. Os resultados desta pesquisa mostram uma falta de padronização nos
trabalhos analisados, pois em todos eles foi possível encontrar incoerências em relação às
normas da ABNT em maior ou menor percentual. Os três cursos com maiores índices de
incoerências podem ser visualizados no Gráfico 1, que se segue:
Gráfico 1 - Cursos com maiores percentuais de incoerências

Fonte: Dados da pesquisa.

Em contrapartida, os cursos com menor percentual de incoerências foram: Engenharia
de Pesca; Prodema e Ecologia e Recursos Naturais. Observe o Gráfico 2 abaixo:

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Gráfico 2 - Cursos com menores percentuais de incoerências

Fonte: Dados da pesquisa.

Separando os trabalhos entre teses e dissertações, tem-se nestas o maior percentual de
incoerências, que podem ser percebidas em relação à norma de Elaboração de Referências
(NBR 6023:2002), com 96,15% dos trabalhos apresentando alguma discrepância, seguida da
norma de Numeração progressiva das seções de um documento escrito (NBR 6024:2012),
com 92,30% dos trabalhos apresentando algum tipo de incompatibilidade com a norma,
conforme Gráfico 3.
Gráfico 3 - Dissertações

Fonte: Dados da pesquisa.

Nas teses analisadas, o maior percentual de incoerências se repete com a Norma 6023,
que resultou em um percentual de 100% de incoerência, seguida da norma de Sumário (NBR
6027:2012), com 97, 82% das incoerências. No Gráfico 4 a seguir, os resultados podem ser
visualizados com maior detalhe.

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Gráfico 4 - Teses

Fonte: Dados da pesquisa.

De modo generalista, podemos afirmar que cada trabalho de dissertação analisado
nesta pesquisa apresenta 83,45% do seu formato incompatível com as normas da ABNT,
enquanto que cada tese traz 82,60 de incompatibilidade.

7 Considerações finais
Embora a amostra estudada seja um pequeno percentual de todos os trabalhos
publicados na BDTD, o estudo representa um passo importante para buscar respostas que
expliquem um número tão alto de incoerências, pois o que representa 1,07% de todos os
trabalhos publicados na biblioteca digital, representa também 100% de todos os trabalhos
publicados pelos 14 cursos investigados no período de julho a dezembro de 2015, e todos eles
com algum tipo de incoerência em relação às normas da ABNT.
Ressaltamos, porém, que o espaço de tempo que compreendeu a amostra coincide com
quatro meses de greve que atingiu o serviço público da UFC, comprometendo, portanto, a
realização de cursos e treinamentos de normalização realizados pela equipe da biblioteca de
Ciências e Tecnologia.
Outro fator que deve ser levado em consideração é o que alguns cursos simplesmente
ignoram as normas da ABNT – no que diz respeito à elaboração de referências – e optam por
trabalhar com outras regras como Vancouver e APA. O caso mais evidente que temos é o
curso de Ecologia e Recursos Naturais, que adota para suas referências padrões Vancouver.
Ao término do estudo, lançamos algumas perguntas: qual a causa de um número tão
alto de incoerências? Deve-se exigir que o bibliotecário filtre os trabalhos enviados para a
BDTD, de modo que só sejam publicados aqueles cuja a normalização atenda às exigências
da instituição é solução para este problema? O que a BDTD tem proporcionado: maior
visibilidade aos trabalhos publicados ou um inchaço no volume das publicações
despadronizadas?
Propomos estudos futuros que abordem uma metodologia explicativa e compreenda
um espaço de tempo em que as comissões de normalização e educação de usuários estejam
em seu melhor momento, ou seja, atinjam um grande número de usuários nos treinamentos
oferecidos e acessando o material produzido por elas. E acreditamos que um posicionamento
rígido da direção da IES em relação à padronização dos trabalhos deva ser tomada. Propomos
ainda estudos comparativos, tanto institucional (avaliando cursos atendidos por outras

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bibliotecas) quanto interinstitucional (avaliando trabalhos publicados na BDTD de outras
instituições federais).
Este último talvez possa ser a pesquisa mais importante para encontrar respostas, pois,
ao nos depararmos com percentuais menores que os aqui encontrados, possamos investigar
quais decisões estão sendo tomadas no sentido de aumentar a qualidade das comunicações
científicas e adaptá-las à nossa realidade.
Uma alternativa interessante seria buscar parcerias com professores e coordenadores
de cursos, para que estes participem mais dos treinamentos de normalização e induzam seus
alunos ao mesmo, pois, como já mencionado neste trabalho, um estudo de Melo et al (2012)
informa que docentes têm pouca adesão aos treinamentos.

8 Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e
documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
______. NBR6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro,
2002.
______. NBR 6024: numeração progressiva das seções de um documento escrito:
apresentação, 2012.
______. NBR 6027: sumário: apresentação, 2013.
______. NBR 6028: resumo: apresentação, 2003.
______. Normalização: definição. [2016?]. Disponível em: &lt;
http://www.abnt.org.br/normalizacao/o-que-e/o-que-e&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
BEZERRA, N. A. et al. Gestão participativa: o caso das comissões especializadas de estudo
do sistema de bibliotecas da Universidade Federal do Ceará – UFC. In.: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 28., 2014, Belo Horizonte. Anais...
Belo Horizonte: [s.n], 2014. p.1-21. Disponível em: &lt; https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/wpcontent/uploads/.../457-2299.pdf&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
CAPES. Portaria nº 013, de 15 de fevereiro de 2006: Institui a divulgação digital das teses e
dissertações produzidas pelos programas de doutorado e mestrado reconhecidos. 2006.
Disponível em: &lt;www.capes.gov.br&gt;. Acesso em: 12 jun. 2008.
INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA.
Biblioteca Digital de Teses e Dissertação. O que é? Brasília, DF: [S.l], [2006?]. Disponível
em: &lt; http://bdtd.ibict.br/vufind/Contents/Home?section=what&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.
GIL. A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
GOMES, H. F. A normalização do trabalho científico: algumas reflexões sobre a indicação
das fontes na documentação pessoal do autor e no texto final. In: MATOS, M. T. N. B. Saúde
e informação. Salvador: EDUFBA, 1999. p. 97-105.
MELO, A. C. A. U. et al. A Normalização de trabalhos acadêmicos na Universidade Federal

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

do Ceará. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17.,
2012. Gramado. Anais... Gramado: [s.n], 2012. Disponível em:
&lt;www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QDF.pdf&gt;. Acesso em: 03 fev. 2016.
MOURA, E. M. V. de. Normalização das teses e dissertações no contexto da biblioteca
digital. 2009. 138f. Dissertação (Mestrado em Políticas Públicas e Gestão da Educação
Superior) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2009.
RAMPAZZO, L. Metodologia científica para alunos dos cursos de graduação e pósgraduação. São Paulo: Loyola, 2002. 139 p.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. Comissão Especializada de Estudo em Educação
de Usuários. Relatório Geral 2015. Fortaleza, 2016.
______. Biblioteca Universitária. Normalização de trabalhos acadêmicos. Fortaleza,
[2012?]. Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.ufc.br/servicos-e-produtos/1188-orientacaopara-a-normalizacao-de-trabalhos-academicos&gt;. Acesso em: 14 abr. 2016.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Sales, Weslayne Nunes de; Mendes, Aline Rodrigues de Lima</text>
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                <text>Analisar trabalhos de conclusão dos cursos de mestrado e doutorado, quanto aos aspectos de normalização bibliográfica estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), inseridas na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Ceará (UFC) no ano 2015. As produções foram avaliadas com base em cinco normas de Informação e Documentação que estavam em vigor na época em que os trabalhos foram defendidos: Elaboração de Referências (NBR 6023:2002); Numeração progressiva das seções de um documento escrito (NBR 6024:2012); Sumário (NBR 6027:2012); Resumo (NBR 6028:2003) e Citações em documentos (NBR 10520:2002). O método de pesquisa utilizado foi o descritivo. Buscou-se embasamento teórico em estudos já publicados sobre o assunto, nas orientações fornecidas sobre normalização pela ABNT, além de documentos e relatórios que tratam da normalização da comunicação cientifica. Conclui-se que todos os cursos de pós-graduação envolvidos neste estudo apresentam incoerências com as normas da ABNT, sendo os trabalhos dos cursos de Agronomia e Zootecnia os que possuem os dois maiores percentuais de incoerências, em contrapartida aos cursos de Engenharia de Pesca e PRODEMA, com os dois menores percentuais de incoerências.</text>
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                    <text>ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO DAS
BIBLIOTECAS NAS INSTITUIÇÕES DE FORMAÇÃO DOS
TRABALHADORES TÉCNICOS EM SAÚDE NOS PAÍSES AFRICANOS
DE LÍNGUA OFICIAL PORTUGUESA (PALOP)

Anderson Leonardo de Azevedo (FIOCRUZ) - a994a@hotmail.com
Resumo:
O tema abordado neste trabalho reflete os resultados parciais da dissertação do autor
defendida em 2016, cujo objetivo foi analisar as condições em que se encontram as bibliotecas
das instituições de formação de trabalhadores técnicos em saúde dos Palop, com as quais a
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio mantém parcerias de cooperação internacional,
a fim de subsidiar as ações de cooperação desenvolvidas pela mesma, no âmbito da Rede
Internacional de Educação de Técnicos em Saúde. Os resultados da pesquisa mostraram que:
a maior parte dos trabalhadores nas bibliotecas não tem formação específica para a atividade;
os recursos físicos são insuficientes, como ainda o espaço e a localização das bibliotecas; os
recursos tecnológicos carecem de melhoria, incluindo-se o acesso a Internet. Concluiu-se que
as condições apresentadas pelas bibliotecas pesquisadas são insuficientes para oferecer
suporte à formação da força de trabalho em nível técnico, como ainda, para subsidiar a
atividade docente, uma vez que, além da insuficiência e desatualização das obras disponíveis,
há também precariedade nas instalações, mobiliário e equipamentos.
Palavras-chave: Palop. Formação técnica em saúde. Biblioteca
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O tema abordado é referente às condições em que se encontram as bibliotecas das
instituições de formação de trabalhadores técnicos em saúde dos Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa (PALOP) - Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e
Príncipe -, com as quais a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) mantém
parcerias de cooperação técnica internacional1.
É oportuno esclarecer que a expressão 'cooperação técnica' se refere à relação não
comercial, de trocas de conhecimentos e técnicas entre diferentes países, devido ao interesse
mútuo entre as partes, ainda que estas sejam marcadas pela desigualdade (BRASIL, [2012?]).
Ao tratar da cooperação técnica internacional (CTI), a Agência Brasileira de
Cooperação (ABC) explica que
O Brasil entende a cooperação técnica internacional como uma opção estratégica de
parceria, que representa um instrumento capaz de produzir impactos positivos sobre
populações, alterar e elevar níveis de vida, modificar realidades, promover o
crescimento sustentável e contribuir para o desenvolvimento social.
A CTI é compreendida como um importante instrumento de desenvolvimento, que
auxilia o país a promover mudanças estruturais nos seus sistemas produtivos e a
superar restrições que dificultem seu crescimento. As ações de [Coordenação Geral
de Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento] CGPD constituem
importante instrumento de política externa, do qual o Brasil tem-se servido para
assegurar presença positiva e crescente em países e regiões de interesse primordial.
[...] A CGPD brasileira se faz pela transferência de conhecimentos técnicos e
experiência do Brasil, em bases não comerciais, de forma a promover a autonomia
dos parceiros envolvidos. Para tanto se vale dos seguintes instrumentos:
consultorias, treinamentos e a eventual doação de equipamentos (BRASIL, [2012?]).

A CGPD é também denominada de Cooperação Sul-Sul ou Cooperação Horizontal,
evidenciando uma relação mais estreita com os países em desenvolvimento, que carecem de
recursos suficientes e de know-how, e que poderiam se beneficiar das experiências
acumuladas pelo Brasil (BRASIL, [2012?].
A relação de cooperação com os Palop figura entre as prioridades da CGPD, que
incluem também: oferta de apoio à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP),
que, além dos Palop, inclui Brasil, Portugal e Timor-Leste; e o incremento das iniciativas de
cooperação triangular com países desenvolvidos e organismos internacionais, entre outros
(BRASIL, [2012?]).
A CTI pode envolver diferentes tipos de organizações, incluindo órgãos
governamentais, organismos intergovernamentais, organizações não governamentais (ONG),
fundações, instituições de ensino e empresas privadas, entre outras (BRASIL, [2012?]).
Enquadra-se nessa parceria a EPSJV, unidade técnico científica da Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ), cuja atuação junto aos Palop envolve o apoio à educação de técnicos em saúde,
marcadamente por meio do "[...] acesso à informação científica e tecnológica", o que induz à
necessidade de "[...] estruturação, [...] fortalecimento e [...] modernização dos acervos
bibliográficos especializados" (EPSJV, [200-]).
A EPSJV, no âmbito da cooperação técnica com os Palop, objetiva contribuir para a
qualificação de docentes na área de saúde pública, enfatizando aspectos de gestão, vigilância
epidemiológica e administração hospitalar, e "[...] desenvolver processos de formação
profissional em saúde pública nos níveis médio e superior" (STAUFFER; NORONHA;
1

Tema de dissertação defendida pelo autor em fevereiro de 2016.

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RUELA, 2014, p. 77).
A biblioteca adquire representatividade nas instituições de ensino, porém, o papel
desempenhado por essas unidades segue acompanhado por diferentes visões, sendo estas
[...] invariavelmente distorcidas [...]. Ora é lugar sagrado, onde se guardam objetos
também sagrado (sic), para desfrute de alguns eleitos, ora, sob uma óptica menos
romântica, é apenas uma instituição burocratizada, que serve para consulta e
pesquisa, assim como para armazenar bolor, cupins e traças. Para poucos, aqueles
que a freqüentam assiduamente, ela constitui o local do encontro com o prazer de
ler, conhecer, informar-se.
[...] a maioria das pessoas desconhece o verdadeiro papel de uma biblioteca em suas
vidas e, portanto, na vida da comunidade. E esta afirmação se aplica tanto aos
usuários potenciais quanto àqueles que de um modo ou outro têm responsabilidade
pelo seu funcionamento (FRAGOSO, 2002, p. 124-5).

Essa visão leva ao subaproveitamento desses espaços, devido às condições precárias
em que são mantidas as bibliotecas, como ainda, à sua pouca valorização, inclusive no
ambiente acadêmico. Nesse sentido, não raro, faltam bibliotecários, ou o acervo é insuficiente
e desatualizado, ou ainda, os usuários se limitam à utilização dos serviços oferecidos em
ocasiões em que estes são absolutamente indispensáveis, evidenciando despreparo e
desinteresse (FRAGOSO, 2002).
Entretanto, a biblioteca escolar agrega duas finalidades básicas, quais sejam: a
educativa, em que reforça a ação de alunos e professores, e a cultural, em que contribui para a
educação formal dos indivíduos (FRAGOSO, 2002).
Nesse contexto, as bibliotecas representam importante repositório de informações para
a formação prática e acadêmica dos profissionais de saúde, uma vez que oferecem condições
de organização da informação em diferentes tipos de mídias. Diante da importância de que se
revestem as bibliotecas, como principal meio de organização do acervo bibliográfico, e da
necessidade de a EPSJV cumprir com seu papel na cooperação com os Palop, este estudo
pretende mostrar as condições em que se encontram essas bibliotecas, a fim de subsidiar as
ações de cooperação desenvolvidas pela EPSJV, no âmbito da Rede Internacional de
Educação de Técnicos em Saúde da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (RETSCPLP).
Considerando-se a convergência entre os objetivos da CTI, da CGPD, da EPSJV e da
RETS-CPLP, que indicam a importância que as bibliotecas das instituições de formação de
trabalhadores técnicos em saúde dos Palop têm para o desenvolvimento dos alunos, docentes
e das atividades de ensino e pesquisa, propôs-se a seguinte questão como problema de
pesquisa: em que condições se encontram as bibliotecas das instituições de ensino dos Palop,
com as quais a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) mantém parcerias de
cooperação internacional?
Assim, o objetivo geral do estudo foi analisar as condições em que se encontram as
referidas bibliotecas, a fim de subsidiar as ações de cooperação desenvolvidas pela EPSJV, no
âmbito da Rede Internacional de Educação de Técnicos em Saúde (RETS-CPLP).

2 Revisão de literatura
Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) são os países da África
que possuem como língua oficial o português, sendo eles: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Os Palop apresentam diferenças entre vários aspectos, como, por exemplo, população
e território, entre outros. Contudo, esses países guardam uma herança semelhante que é o fato

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de terem sido colônias de Portugal, até meados da década de 1970, e manterem a língua
portuguesa como idioma oficial. Esse período colonial deixou marcas políticas, econômicas,
sociais e culturais, com inúmeros desafios a serem vencidos por esses países (PEREIRA,
2009).
Nesse sentido, o apoio internacional, mediante acordos de cooperação torna-se
fundamental para que os Palop melhorem seu desempenho e atinjam a sustentabilidade, de
forma a prover melhor qualidade de vida à sua população (ZIMBA; MUELLER, 2008). No
caso específico da saúde, a formação de profissionais poderá prover melhor distribuição dos
recursos humanos em saúde (RHS), melhor qualificação e capacitação desses profissionais, o
que deverá refletir no acesso e na qualidade da assistência prestada à população. A melhoria
do acesso e da qualidade da assistência se refletem na redução da mortalidade infantil e
materna, na morbimortalidade, no combate a doenças infecciosas e transmissíveis, entre
outros aspectos, possibilitando melhor distribuição dos recursos financeiros em outras áreas,
incluindo-se a educação, tornando disponível força de trabalho em condições de contribuir
com a qualidade de vida da população.
A formação profissional e a educação técnica surgiram com maior ênfase no período
da Revolução Industrial, quando era necessário preparar os indivíduos para atuar no ambiente
industrial, com conhecimentos e domínio de técnicas específicas. A educação profissional,
atualmente, em uma perspectiva dominante, se destina à preparação do indivíduo para o
trabalho (CAMPELLO; LIMA FILHO, 2008). A educação profissional em saúde,
acompanhando a orientação da educação profissional, considera a escola como "[...] espaço
privilegiado para o desenvolvimento de práticas e conteúdos de saúde visando à formação dos
futuros trabalhadores" (PEREIRA; LIMA, 2008, p. 182).
A educação profissional em saúde, portanto, aborda aspectos técnicos específicos do
campo da saúde, acrescidos de outros que embasam o seu desenvolvimento, visando dotar os
profissionais de conhecimentos apropriados, qualificando-os para atuar no âmbito da saúde,
seja nas instituições de assistência à saúde, seja no âmbito da comunidade.
A formação de trabalhadores técnicos em saúde tem sido um aspecto importante na
África, de modo geral, uma vez que a carência de profissionais de saúde é bastante acentuada.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que entre os 57 países que apresentam déficit
de RHS, 36 estão localizados na África (DUSSAULT et al., 2010).
Martins (2010) explica que o déficit de RHS na África envolve problemas referentes à
quantidade de profissionais e também à sua distribuição no território africano.
As condições históricas dos países, como colônias de Portugal, e aquelas vigentes por
ocasião da independência de cada um permitem inferir que a educação foi relegada a plano
inferior. A prática de colonização portuguesa na África obedecia a interesses particulares,
envolvendo, necessariamente, a geração de receita pelas colônias e outros de caráter político,
uma vez que Portugal precisava se fortalecer perante outros países europeus, entre eles, a GrãBretanha. Para os colonizadores a educação da população local não era importante, uma vez
que, precisavam manter a força de trabalho sob controle para terem trabalhadores disponíveis
para a agricultura e a extração florestal (LAINS, 1998).
Em relação às instituições de ensino nos Palop deve-se ressaltar que Portugal não
previu ou articulou qualquer ação para a educação da população local durante grande parte do
período colonial. A partir da década de 1950 pequena parte da população das colônias
portuguesas conseguiu acesso à educação superior fora do seu país de origem, inclusive em
Lisboa, quando o governo em tentativa de conter as ações pró-independência facilitou o
acesso destes às suas instituições de nível superior. Um exemplo do desenvolvimento tardio
dos países africanos quanto à abertura de escolas de nível superior é o de Angola, que
somente em 1962 criou a instituição Estudos Gerais Universitários de Angola, mantido sob a
tutela das universidades portuguesas (FONSECA, 2014).

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A despeito da pouca disponibilidade de dados acerca das instituições de ensino nos
Palop, a Cooperação Internacional da EPSJV/Fiocruz identifica, por meio dos acordos de
cooperação vigentes, 33 instituições distribuídas nos cinco países do grupo distribuídas da
seguinte forma: 15 escolas em Angola, uma em Cabo Verde, uma na Guiné-Bissau, 15 em
Moçambique e uma em São Tomé e Príncipe.
Ao abordar as bibliotecas no âmbito das instituições de ensino dos Palop, relatório
elaborado pela World Health Organization (2009) indica que a sua precariedade é um ponto
comum, sendo que:
a) em Angola foi estimada a existência de cerca de dez bibliotecas, sendo uma em cada
Escola Técnica Provincial, totalizando cinco escolas; uma na Faculdade de
Medicina da Universidade Agostinho Neto, uma na Escola Nacional de Saúde
Pública, uma no Instituto Nacional de Saúde Pública e uma no Instituto Médio de
Saúde de Moxico; apenas a biblioteca da Faculdade de Medicina está totalmente
estruturada e conta com acesso à Internet;
b) em Cabo Verde foi constatada a existência de computadores no âmbito nacional,
regional e distrital, porém, sem indicação da existência de bibliotecas e sua
quantidade;
c) na Guiné-Bissau foi constatada a carência de bibliotecas, livrarias e centros de
documentação em geral;
d) em Moçambique, foi estimada a existência de, aproximadamente, 17 bibliotecas em
saúde, distribuídas entre as escolas de ensino superior e médio, que têm cursos na
área da saúde, entretanto, não foram citadas as bibliotecas passíveis de controle por
ONG e outros órgãos, como, por exemplo, a OMS, o que leva a crer que esse
número pode ser superior; os computadores existentes estão alocados nos serviços
centrais, sendo que o acesso a Internet somente ocorre em cerca de 50% das regiões
e distritos locais;
e) em São Tomé e Príncipe também foi relatada a carência de bibliotecas.
Nos cinco países foi identificada precariedade da infra-estrutura relativa a
telecomunicações, eletricidade, equipamentos de informática e acesso à Internet (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2009). Essas condições dificultam o acesso à informação para
os profissionais de saúde, com especial destaque para aqueles que atuam nas zonas rurais
desses países. Possivelmente, as condições de difusão do conhecimento e de intercâmbio de
informações e materiais também sofrem impacto negativo, uma vez que há dificuldade de
comunicação entre os profissionais e as instituições.
Outro fator preocupante revelado pelo relatório da World Health Organization (2009) é
referente à falta de profissionais com formação específica para atuar nas bibliotecas. Isso
induz a que as bibliotecas tenham uma gestão inadequada, acervo insuficiente ou
desatualizado, organização e conservação comprometidas, além de desestimular o acesso dos
usuários desses espaços.

3 Materiais e métodos
A pesquisa foi caracterizada como descritiva, bibliográfica, documental e de campo,
com abordagem quali-quantitativa.
O fenômeno estudado foi referente ao levantamento das condições em que se
encontram as bibliotecas das instituições de ensino dos Palop, que oferecem suporte à
formação dos técnicos em saúde, com as quais a EPSJV mantém parcerias de cooperação
internacional.
A pesquisa bibliográfica foi realizada na biblioteca da própria instituição de ensino
(Fiocruz/EPSJV), contemplando livros e outros periódicos, como ainda, por meio eletrônico,

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utilizando os seguintes termos de pesquisa: Palop, biblioteca, cooperação internacional,
formação técnica, trabalho em saúde, trabalhadores em saúde e educação.
A pesquisa documental foi realizada em documentos da Fiocruz/EPSJV, que tratam da
parceria para cooperação internacional com os Palop, suas características e objetivos, visando
identificar os aspectos das bibliotecas que constituem pontos de interesse para o cumprimento
e aprimoramento das condições dessas parcerias.
A pesquisa de campo foi direcionada aos trabalhadores das bibliotecas das escolas dos
Palop que têm parceria com a EPSJV, mediante um questionário composto por cinco blocos
de questões abertas e fechadas.
A coleta dos dados foi feita pelo próprio pesquisador por meio eletrônico, mediante
envio de e-mail, contendo o questionário de pesquisa, a cada uma das instituições dos Palop
com as quais a EPSJV mantém parceria. Foram abordados os trabalhadores das 33 bibliotecas
das instituições de ensino com as quais a EPSJV mantém parceria.
A análise dos dados foi realizada mediante codificação das variáveis qualitativas,
visando promover uma apresentação mais estruturada e favorecer a análise em relação com o
contexto onde ocorre a atuação dos trabalhadores e se encontram instaladas as bibliotecas.
Sob o aspecto quantitativo foram utilizados cálculos de estatística descritiva, buscando
dimensionar e comparar os dados levantados, visando traçar um cenário que demonstre as
condições dos recursos disponíveis nas instituições selecionadas para estudo.
O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da
Fiocruz/EPSJV. Ainda, foram assegurados aos participantes, por meio do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), a participação espontânea, a desistência a
qualquer momento sem penalização ou questionamentos, o sigilo quanto à identidade dos
respondentes, mediante apresentação de resultados globais da pesquisa, entre outros aspectos
pertinentes à Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) nº 466, de 2012 (BRASIL,
2012).
O TCLE foi encaminhado aos participantes juntamente com o instrumento de coleta de
dados, sendo solicitado a estes o retorno de ambos os documentos assinados e digitalizados,
por meio eletrônico.

4 Resultados da pesquisa
Foram enviados 33 questionários às instituições de ensino técnico de saúde dos Palop,
no mês de julho de 2015. O prazo inicial para devolução era até 30 de julho de 2015, porém,
devido à demora e ao baixo retorno dos instrumentos preenchidos, optou-se por estendê-lo até
17 de agosto de 2015. A despeito do prolongamento do prazo, retornaram apenas oito
questionários preenchidos, por instituições de cinco países dos Palop, correspondendo a
24,24% do total de 33 questionários enviados. Esses oito questionários constituíram a mostra
final analisada no estudo. Os respondentes foram identificados por letras do alfabeto, visando
garantir o sigilo quanto a sua identidade.

4.1 Resultados parciais da pesquisa
O número de cursos e de alunos em cada instituição foi distinto, sendo que a
instituição A informou ter quatro cursos e 1.623 alunos, as instituições B, C e F informaram
oito cursos cada, sendo que B não informou o número de alunos, C indicou 2.434 alunos e F
450 alunos; D e E não apresentaram a informação; G indicou 12 cursos com 864 alunos e H
dois cursos e 55 alunos.
Foram informados pelos pesquisados o total de 46 cursos, sendo que a maior parte
desses cursos se concentra em Enfermagem Geral (13,04%), Análises Clínicas/Laboratório

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(13,04%), Farmácia (10,87%) e Radiologia (8,69%), totalizando 45,64% do total de respostas
apresentadas pelos pesquisados.
Entre os pesquisados, sete confirmaram a existência de bibliotecas nas instituições de
ensino em que atuam, enquanto um deles não respondeu a questão. Todos os pesquisados
revelaram atuar como bibliotecários, o que permitiu identificar que esses trabalhadores têm
idades entre 32 e 55 anos; a maioria (75%) é constituída por indivíduos do sexo masculino;
predomina a formação acadêmica de nível superior entre esses trabalhadores (75%), sendo
que apenas um trabalhador (12,50%) (F) declarou ter formação específica para a função, ou
seja, formação em Ciências Documentais, Arquivos, Museus e Bibliotecas.
A quantidade de trabalhadores nas bibliotecas variou entre um e quatro trabalhadores,
sendo que apenas um pesquisado declarou ter formação específica para a atividade (F) e cerca
de metade (B, D, E, F) desses trabalhadores receberam capacitação para atuar na função. Os
pesquisados foram unânimes em reconhecer a necessidade de formação/capacitação para o
exercício da função.
O acervo disponível nas instituições pesquisadas revelou disparidade significativa em
relação aos tipos e quantidades de materiais. A maior parte do acervo existente nas
instituições pesquisadas é composta por livros, sendo que as revistas e periódicos foram
informadas apenas nas instituições A, E e F; DVD nas instituições B, E, F e H; CD nas
instituições E e F; boletins e folhetos apenas na instituição do respondente A.
Os recursos físicos disponíveis nas bibliotecas também revelaram disparidade em
relação a vários aspectos. Apenas três unidades (B, F, G) entre as oito bibliotecas das
instituições pesquisadas, correspondentes a cerca de um quarto (25%) da amostra, foram
consideradas pelos respondentes como detentoras de espaços adequados. As demais unidades
revelaram localização inadequada (E, H), assim como tamanho do espaço (A, C, H) e
deficiência nos recursos físicos (B, C, D, E, G, H), prejudicando a distribuição, organização e
conservação do acervo, bem como, o atendimento aos usuários. Foi citada também a falta de
recursos tecnológicos (fotocopiadoras, impressoras e computadores) (C, D, E), além da
ausência ou dificuldade de acesso à Internet mencionada por todos os pesquisados.

4.2 Discussão
Em relação ao número de cursos e alunos de cada instituição foi impossível tecer
qualquer comentário, dada a disparidade entre elas e a abstenção de respostas. Contudo, foi
possível observar que há uma diversidade de cursos ofertados pelas instituições de ensino,
que, possivelmente, buscam suprir as necessidades locais, uma vez que a qualidade da
formação e o desequilíbrio geográfico na distribuição de RHS foram evidenciados em todos
os países dos Palop (DUSSAULT et al., 2010; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE,
2008, 2009a, 2009b; 2009c; NEVES; FRONTEIRA; DUSSAULT, 2010; SIDAT;
FRONTEIRA; DUSSAULT, 2010; SILVA; FRONTEIRA; DUSSAULT, 2010).
Acerca dos responsáveis pelas bibliotecas pode-se observar que são adultos jovens, a
maior parte composta por indivíduos do sexo masculino, com formação, em sua maioria, de
nível superior e tempo de trabalho significativo nas instituições. O exercício da função
também mostrou estabilidade desses profissionais na função.
A quantidade de trabalhadores nas bibliotecas foi variada, não parecendo haver relação
entre a quantidade de cursos e alunos para o dimensionamento de pessoal. Apenas um desses
trabalhadores revelou ter formação na aera da Biblioteconomia. A fragilidade da formação
acadêmica parece ressaltada nesse aspecto, corroborando as informações de diferentes autores
acerca da baixa qualidade e da falta de acesso ao ensino nos Palop (FRONTEIRA;
GUERREIRO; DUSSAULT, 2010; LORENZONI, 2008; MORIGI; SOUTO, 2005;
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2008, 2009a).

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Em termos gerais, aspectos que denotam as deficiências existentes nas bibliotecas são
referentes à sua localização inadequada, espaço restrito e mobiliário insuficiente e
inadequado, afetando a organização e a conservação do acervo, assim como as condições de
trabalho e o atendimento aos usuários (FRAGOSO, 2002).
Os recursos tecnológicos são escassos, observando-se que apenas três dos pesquisados
informaram ter acesso a Internet. No contexto educacional, isso resulta em limitação na
atualização das informações e no desenvolvimento acadêmico (MORIGI; SOUTO, 2005).
A ausência de conhecimentos específicos para atuação nas bibliotecas é reconhecida
pelos pesquisados. Essa falta de conhecimento é acompanhada pela falta de recursos
humanos, físicos e tecnológicos nas unidades representadas pelos pesquisados, pois há forte
evidência de subdimensionamento desses recursos.

5 Considerações finais
Consoante o objetivo proposto no estudo, convém destacar que as condições
apresentadas pelas bibliotecas pesquisadas são insuficientes para oferecer suporte à formação
da força de trabalho em nível técnico, como ainda, para subsidiar a atividade docente, uma
vez que, além da insuficiência e desatualização das obras disponíveis, há também
precariedade nas instalações, mobiliário e equipamentos disponíveis.
Convém ressaltar que uma limitação importante do estudo foi o pequeno número da
amostra analisada, porém, diante do histórico dos países do grupo dos Palop é bastante
provável que essa situação encontre semelhança nas demais instituições que não participaram
da pesquisa. Contudo, recomenda-se cautela no uso e na extrapolação dos resultados obtidos
nesta pesquisa, uma vez que os governos desses países parecem estar se empenhando em
melhorar a qualidade da formação dos RHS e sua distribuição geográfica, visando atingir
melhores condições de vida para toda a população.
A importância da biblioteca como recurso pedagógico tem sido pouco evidenciada,
porém, a oportunidade que esse espaço oferece aos usuários, especialmente estudantes,
precisa ser melhor utilizada. Nesse sentido, as próprias instituições de ensino relegam a
segundo plano a constituição desses espaços e a sua atualização.
A biblioteca deixa de ser entendida como recurso para a facilitação do processo de
ensino-aprendizagem quando não é utilizada como recurso pedagógico, quando seu uso não é
incentivado, ou mesmo quando não é gerida adequadamente e seu acervo e instalações são
preteridos ou ignorados.
No contexto dos Palop, a saúde carece de ações básicas e poderia ser favorecida com o
conhecimento de experiências bem-sucedidas em outros locais, provenientes de países que já
enfrentaram ou enfrentam situações semelhantes. A biblioteca, nesse sentido, seria uma
influência altamente positiva, permitindo o acesso a informações atualizadas e já
experienciadas, com demonstração de erros e acertos, além da possibilidade de reprodução de
bons resultados ou de adaptação de experiências já realizadas. Para isso, a atenção constante à
sua finalidade e ao perfil dos usuários deveriam ser a base da valorização necessária a esse
espaço e à formação dos alunos.

6 Referências
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de dezembro de 2012. Disponível em:
&lt;http://conselho.saude.gov.br/resoluções/2012/Reso466.pdf&gt;. Acesso em: 5 abr. 2014.
BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Agência Brasileira de Cooperação. Sobre a

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34f.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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Cooperação da OMS com os países 2009-2013. Guiné-Bissau. República do Congo, 2008.
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O tema abordado neste trabalho reflete os resultados parciais da dissertação do autor defendida em 2016, cujo objetivo foi analisar as condições em que se encontram as bibliotecas das instituições de formação de trabalhadores técnicos em saúde dos Palop, com as quais a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio mantém parcerias de cooperação internacional, a fim de subsidiar as ações de cooperação desenvolvidas pela mesma, no âmbito da Rede Internacional de Educação de Técnicos em Saúde. Os resultados da pesquisa mostraram que: a maior parte dos trabalhadores nas bibliotecas não tem formação específica para a atividade; os recursos físicos são insuficientes, como ainda o espaço e a localização das bibliotecas; os recursos tecnológicos carecem de melhoria, incluindo-se o acesso a Internet. Concluiu-se que as condições apresentadas pelas bibliotecas pesquisadas são insuficientes para oferecer suporte à formação da força de trabalho em nível técnico, como ainda, para subsidiar a atividade docente, uma vez que, além da insuficiência e desatualização das obras disponíveis, há também precariedade nas instalações, mobiliário e equipamentos.</text>
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                    <text>ANÁLISE DA PRODUÇÃO E COLABORAÇÃO CIENTÍFICA DO
INSTITUTO DE QUÍMICA DA UNESP
Ana Carolina Gonçalves Bet (UNESP/IQ) - abet@iq.unesp.br
Maria Irani Coito (UNESP/FCFAR) - irani@fcfar.unesp.br
Roniberto Morato do Amaral (UFSCar) - roniberto@ufscar.br
Resumo:
A área de Química é considerada pelo governo brasileiro como uma das áreas prioritárias para
a pesquisa científica. O objetivo da pesquisa foi analisar a produção científica no período de
1976 a 2014, a fim de identificar seu desenvolvimento científico para futuras decisões em
políticas em C&amp;TI, visando à maximização dos recursos recebidos aplicados ao
desenvolvimento científico e tecnológico. O método de pesquisa utilizado foi o estudo de caso
exploratório e a unidade caso o Instituto de Química da Unesp, localizado em Araraquara-SP.
A amostra analisada compreendeu 707 registros bibliográficos referentes à produção
científica indexada na Web of Science, no período de 1976 a 2014. Como técnica de analise
utilizou-se a analise bibliométrica com o apoio do software VantagePoint versão 5.0. O
resultado obtido foi um conjunto de indicadores sobre: 1) Evolução das publicações; 2)
Distribuição da produção científica por estratos do sistema Qualis; 3) Ranking das publicações
por autores; 4) Principais temáticas abordadas e suas correlações; e 5) Colaboração científica.
Conclui-se a partir da discussão dos resultados alcançados que a biblioteca universitária, por
intermédio da produção de estudos métricos, pode contribuir para o processo de tomada de
decisão ao prover insights com base em indicadores de produção científica sobre o
desempenho das atividades de ensino pesquisa e extensão.
Palavras-chave: Química. Produção científica. Indicadores de colaboração científica. Análise
bibliométrica.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária (BU) cumpre com o papel de mediadora nas Instituições de
Ensino superior disponibilizando infraestrutura e na prestação de serviços para apoiar às
atividades de ensino, pesquisa, extensão, memória e cultura. Por intermédio, da oferta de
conteúdos e do desenvolvimento de produtos de informação, como por exemplo, estudos
métricos, envolvendo a análises da produção científica entre outras atividades. De acordo com
Silva et al. (2011) essa atuação proporciona uma abordagem de integração do Bibliotecário
com os pesquisadores e especialistas, o que viabiliza a apresentação dos resultados da análise
do estado da arte das pesquisas em desenvolvimento em suas áreas e locais de trabalho,
identificando os avanços da ciência.
A avaliação da atividade científica utilizando-se dos Indicadores Bibliométricos é
fundamental para o reconhecimento da qualidade da produção da pesquisa científica e
tecnológica de uma instituição de ciência e tecnologia (ICT). Segundo Costa, et al. (2012) os
Indicadores Bibliométricos são classificados como: Indicadores de qualidade científica,
Indicadores de atividade científica, Indicadores de impacto científico, Indicadores de
associações temáticas, Indicadores de coautoria, entre outros.
O estado de São Paulo apresenta uma significativa contribuição para o
desenvolvimento cientifico na área de química no Brasil. Entre as instituições que se
destacam é possível identificar o Instituto de Química da UNESP (IQ/Unesp) localizado em
Araraquara-SP, que mantém cursos de Graduação nas áreas de Química e Engenharia Química
e de Pós-Graduação em Química e em Biotecnologia, com qualidades reconhecidas por
órgãos supervisores governamentais e não governamentais. Devido à importância das
iniciativas de pesquisa, ensino e extensão desempenhadas pelo IQ/Unesp, se faz necessário
acompanhar os resultados dessas iniciativas por intermédio da análise da sua produção
científica. Esse conhecimento poderá contribuir para a verificação da sintonia entre as
temáticas da produção cientifica com as pesquisas realizadas no Instituto. E ainda, para as
atividades de gestão dos cursos de graduação e pós-graduação.
Visando contribuir para o reconhecimento da Biblioteca Universitária como produtora
de estudos métricos, e no apoio a tomada de decisões junto às atividades de ensino, pesquisa e
extensão. O objetivo deste artigo é elaborar e analisar um conjunto de indicadores
bibliométricos, que possibilite caracterizar a produção científica do IQ/Unesp. O método
utilizado foi o estudo de caso, a unidade caso foi o departamento A e a amostra analisada, por
intermédio da Bibliometria automatizada, foi composta de 707 registros bibliográficos
recuperados junto a base de dados Web of Science.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
As agências de fomento aos projetos de pesquisa como: FAPESP, CNPq, entre outras
exigem dos pesquisadores, a divulgação de seus trabalhos em periódicos, com avaliação por
pares, representação e qualidade científica em suas áreas de atuação. Essas Agências também
exigem dos pesquisadores, a divulgação dos resultados das pesquisas em veículos de acesso
aberto como forma de prestação de contas a sociedade, que contribui com parte dos
financiamentos de suas pesquisas. A avaliação dos resultados dos projetos de pesquisa,
realizadas pelas agências de fomento, ocorrem por intermédio dos estudos métricos da
ciência, como por exemplo, da Bibliometria.
Silva, Hayashi, Hayashi (2011) chamam a atenção da importância das métricas para
avaliação da produtividade científica. Segundo Wormell (1998) e Vanti (2002) estes estudos

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

avaliam a relevância da pesquisa e o seu impacto na literatura em determinado período de
tempo. Para Mugnaini; Jannuzzi e Quoniam, (2004) os indicadores bibliométricos cumprem a
finalidade de apontar resultados imediatos e medir a produtividades de comunidades
acadêmicas.
Portanto o estudo métrico da ciência, nas diversas áreas de conhecimento, tem um
papel fundamental na análise da produção científica das Instituições de Ensino Superior
através do qual é possível identificar tendências, crescimento, produtividade, impactos e
dispersão da produção científica. Seus indicadores são mecanismos de mensuração,
crescimento, avaliação e retratam o grau de desenvolvimento de uma área do conhecimento
(SANTIN, 2011). Os indicadores também servem para indicar o estado da arte do crescimento
quantitativo e qualitativo no ranking de publicações do departamento A.

3 METODO E DESENVOLVIMENTO
O método de pesquisa utilizado foi o estudo de caso do tipo exploratório Yin (2001
apud GIL, 2007) com abordagem quantitativa. A unidade caso foi o Instituto de Química da
UNESP (IQ/UNESP), campus de Araraquara-SP, que compreende os departamentos:
Bioquímica e Tecnologia, Físico-Química, Química Analítica, Química Inorgânica e Química
Orgânica. Devido a limitação de recursos como tempo e conhecimento da moldura analítica, a
pesquisa iniciou-se com a escolha aleatória de um dos departamentos para análise,
denominado neste artigo como Departamento A. A amostra dos dados foi composta por um
conjunto de 707 registros bibliográficos referente à produção científica indexada na Base de
dados Web of Science no período de 1976 a 2014.
O desenvolvimento da pesquisa compreendeu as etapas: 1) a coleta dos registros
bibliográficos; 2) Tratamento dos dados; 3) Elaboração e análise dos indicadores
bibliométricos. A etapa da coleta compreendeu a aplicação da expressão de busca elaborada a
partir dos nomes dos docentes vinculados ao Departamento A, no formato de citação
identificado na Plataforma do Curriculum Lattes. Em seguida foi escolhida como fonte de
informação, a Base de Dados Web of Science, por ser multidisciplinar e referência em estudos
métricos da ciência. Os registros bibliográficos coletados foram submetidos ao tratamento e à
análise bibliométrica utilizando o Software VantagePoint v. 5.0. As informações relacionadas
aos autores e a Instituição foram padronizadas e a elaboração dos indicadores envolveu a
criação de listas de frequência e de ocorrência, e ainda, de matrizes, que foram transferidas
para os programas Excel e Gephi, a fim de fornecer representações gráficas sobre a
colaboração científica na forma de rede, visando maximizar a percepção dos relacionamentos
entre as variáveis observadas.
Para a avaliação qualitativa da produção científica foi construída matrizes contendo a
relação entre a fonte de publicação e o nome dos docentes. Nesta etapa, todos os periódicos
constantes na Web of Science foram submetidos à pesquisa na Base de Dados Web Qualis
para identificação dos Estratos Qualis (CAPES, 2016a), o qual corresponde aos qualificadores
A1; A2; B1; B2; B3; B4; B5 e C. Os periódicos não classificados pelo Qualis da área de
Química foram classificados como “Outros”.
A amostra de 707 registros bibliográficos foi fracionada em três períodos de tempo
para uma visão geral da evolução das publicações indexadas na Web of Science e coletados
em 06/01/2016, considerando o ano da primeira publicação encontrada na base de dados 1976
até o ano de 2014. Em seguida foi analisado o período de 2001 a 2014, e em um terceiro
momento foi analisado o período de 2011 a 2014 para identificar quais áreas do conhecimento
o departamento apresenta maior destaque. O período final da pesquisa foi em 2014, uma vez
que o ano de 2015 os artigos ainda estavam sendo indexados na base de dados.

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Os 707 registros bibliográficos, referentes à publicação de artigos recuperados no
período de 1976 a 2014 e indexados na Web of Science, comporam a amostra analisada neste
artigo, conforme é apresentado na Tabela 1. Todos os artigos recuperados em duplicatas foram
excluídos.
Tabela 1: Número total de artigos recuperados, por período analisado.
Período

Número de artigos

1976-2014

707

2001-2014

533

2011-2014

201

Fonte: Elaborado pelos autores.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Evolução das publicações
A Figura 1 externaliza a evolução das publicações relacionadas ao departamento A, é
possível observar que no período de 1976 a 1991 ela foi estável. Esse fenômeno pode estar
relacionado ao número reduzido de pesquisadores no Departamento A, ou ainda, a falta de
rotina de publicação em revistas indexadas na base de dados Web of Science, devido a
existência de avaliação tanto de cursos como da produção docente com exigências a nível
qualitativo e quantitativo nos formatos vigentes. A partir de 1992, surgiram os sistemas de
avaliação do Ensino Superior pelo MEC (BRASIL, 2004), e a Avaliação da Pós-graduação
pela CAPES (FURTADO e HOSTINS, 2014), e como consequência à exigência da produção
cientifica no meio acadêmico com base na avaliação dos Cursos de Graduação e PósGraduação e sua produção cientifica, seria possível justificar o crescimento da produção
cientifica até o ano de 1999.
Figura 1: Evolução das publicações do Departamento A do IQ/Unesp.

Fonte: Elaborada pelos autores.

A partir do ano 2000 observa-se uma alternância de crescimento e queda da produção
científica até o ano de 2014, esse fato pode estar relacionado à política econômica do Brasil,
que contingenciou o apoio financeiro ao ensino e à pesquisa. No período de crescimento
(2000-2002) podemos apontar que houve um incentivo maior na distribuição de verbas para o
ensino superior e bolsas de pesquisa para a pós-graduação. Logo em seguida, (2003-2005)

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ocorreu uma queda, devido ao período de reestruturação governamental, assim, de 2005-2008
novamente observamos um crescimento significativo na produção do Departamento A. Dessa
forma, nota-se que a cada queda há um período de reestabelecimento da produção cientifica,
sempre ligada ao incentivo financeiro à pesquisa. O IQ/Unesp possui dois Programas de PósGraduação de excelência pela CAPES (CAPES, 2016b). Com isso, o número de bolsas de
estudos desses programas é maior do que os programas com pontuação inferiores,
contribuindo dessa forma, para a rápida recuperação da produção científica em pequenos
intervalos de crise política e econômica. Esse fenômeno ocorrido nos vários períodos de crise
das políticas sociais e econômicas do país, como a expansão do ensino superior, o
contingenciamento e corte dos recursos financeiros para as Universidades tem sido reportado
por vários autores na literatura (AMARAL, 1999, 2003; CHAVES, 2015; SCHWARTZMAN,
2000, 2013).
O indicador apresentado na Figura 2 possibilita identificar a evolução das publicações
do Departamento A em relação às publicações do IQ/Unesp. É possível observar que o
Departamento A apresenta picos de performance acima do IQ/Unesp a partir de 2010, que
pode estar relacionado à excelência dos Programas de Pós-Graduação e a alta produtividade
dos docentes do Departamento A.
Figura 1: Evolução das publicações no período anali sado.

Fonte: Elaborada pelos autores.

O Sistema de Avaliação da Pós-Graduação conduzido pela CAPES valoriza a
publicação de artigos em periódicos classificados no sistema Qualis e os indexados na Base
de Dados Web of Science.
De acordo com Bastos (2010, p.1),
QUALIS é o conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da
qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação. Foi concebido
para atender as necessidades específicas do sistema de avaliação e é baseado nas
informações fornecidas por meio do aplicativo Coleta de Dados. Como resultado,
disponibiliza uma lista com a classificação dos periódicos utilizados pelos
programas de pós-graduação para a divulgação da sua produção. A estratificação da
qualidade dessa produção é realizada de forma indireta. Dessa forma, o Qualis afere
a qualidade dos artigos e de outros tipos de produção, a partir da análise da
qualidade dos veículos de divulgação, ou seja, periódicos científicos. (BASTOS,
2010, p.1)

Visando identificar os esforços em publicações realizadas pelos pesquisadores do
IQ/Unesp, foi elaborado o indicador apresentado na Figura 3, que externaliza a evolução da

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produção do Departamento A com base na tipologia das publicações. Podemos observar que
os resultados apresentados na Figura 2 corroboram com os resultados da Figura 3, um
crescimento significativo das publicações tanto em artigos científicos como em proceedings,
dando visibilidade e credibilidade ao IQ/Unesp.
Figura 2: Evolução das publicações do Departamento A por tipologia (periódico e
proceedings).

Fonte: Elaborada pelos autores.

4.2 Distribuição da produção científica do Departamento A por estratos do
sistema Qualis
O indicador apresentado por intermédio da Figura 4 possibilita a visualização dos
esforços na publicação de artigos científicos do Departamento A. É possível identificar que
uma parte significativa desses esforços está concentrada em artigos classificados pelo sistema
Qualis da área de Química (CAPES, 2016a). Também, é possível identificar o perfil de
publicação de cada um dos docentes do Departamento A. Entre os perfis, merece destaque o
docente A e B, que publicam em quantidade significativa, com pontuação nos estratos Qualis
da área de Química, com maior número de artigos nos estratos A1, A2, B1 e B2. O item
“Outros” compreende os periódicos que não foram classificados pelo sistema Web Qualis da
área de Química.
Há um resultado considerável de publicação classificadas nos estratos Qualis A1, A2 e
B1. Esse fato pode estar relacionado ao tipo de publicação e informação sobre os tópicos
abordados. De acordo com a Quadro1, é possível observar que a análise bibliométrica é
indispensável para quantificar os níveis de desempenho em relação ao autor e sua
produtividade (MACIAS-CHAPULA, 1998, p. 135).

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Figura 3: Podução científica por docente do Departamento A

Fonte: Elaborada pelos autores.
Quadro 1: Podução científica por docente do Departamento A.
A1

A2

B1

B2

B3

B4

Outros

Docente A

127

65

63

14

3

3

88

Docente B

111

31

53

9

2

2

46

Docente C

22

0

32

11

0

0

50

Docente D

9

5

5

3

0

0

21

Docente E

17

0

13

0

0

0

15

Docente F

15

3

12

3

0

0

7

Docente G

12

0

10

3

0

0

13

Docente H

0

0

2

2

0

0

23

Docente I

5

1

2

3

0

0

13

Docente J

3

3

3

1

0

0

6

Docente K

3

0

3

1

0

0

6

Docente L

6

1

2

0

0

0

3

Docente M

5

0

2

1

0

0

2

Docente N

1

0

2

0

0

0

8

Docente O

0

0

5

1

0

0

0

Docente P

4

0

0

0

0

0

1

Docente Q

0

0

0

0

0

0

4

0

1

0

0

0

0

0
Docente R
Fonte: Elaborado pelos autores.

4.3 Distribuição da produção entre os periódicos com estrato Qualis
A amostra de 707 artigos foi distribuída entre os estratos do sistema Qualis da área de
Química, e a partir desse procedimento foi possível construir os indicadores apresentados por
intermédio da Figura 5. De acordo com Mugnaini; Jannuzzi; Quoniam (2004 p.124):
Indicadores são medidas para avaliar a produtividade científica de comunidades científicas, a
efetividade/impacto da pesquisa. [...] e cumprem a finalidade de apontar resultados imediatos
e impactantes constituindo-se na terminologia corrente das políticas públicas em indicadores
produtos e medidas de impacto das políticas. São indicadores de impacto ou de efetividade

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social quando se referem a desdobramentos de fomento as atividades de Ciência e Tecnologia
como o fator de impacto de publicações.

Assim, nesta análise percebe-se o comportamento, na quantidade da produção
científica, entre os docentes e os periódicos por eles selecionados para a divulgação dos
resultados de suas pesquisas, classificando-os em indicadores de produção, indicadores de
impacto e indicadores de avaliação.
Na figura 5 observa-se o Indicador de produtividade científica de artigos dos docentes
do Departamento A por estrato Qualis e o indicador de impacto na distribuição dos periódicos
por estrato Qualis da área de Química.
Figura 4: Distribuição da produção científica entre os estratos Qualis.

Fonte: Elaborada pelos autores.

O Indicador de produtividade nos mostra que os docentes publicaram em periódicos
entre todos os estratos Qualis. Já o Indicador de impacto dessa produção, com base no estrato
Qualis, chama a atenção para publicações de artigos em estrato A1 e também para um número
expressivo de publicações em periódicos classificados como “Outros”, que podemos analisar
da seguinte forma: a) por não constarem na Base de Dados WebQualis; b) por serem eventos
como Symposium, Proceedings, Abstracts, etc. c) alguns periódicos constam na Base de
Dados Web of Science, porém, não possuem avaliação do Fator de Impacto no Journal of
Citation Report por terem recebidos poucas citações na Base de Dados Web of Science.
Os assuntos publicados nos periódicos apresentam correlação com as linhas de
pesquisas do Departamento A. Dessa forma, observamos que à medida que diminuem o
número de publicações por periódicos no ranking temos um Indicador Dispersão, ou seja, os
assuntos referentes aos artigos publicados possuem enfoque fora do escopo específico da
temática e do ranking dos periódicos. Assim, através do estudo de análise de conteúdo,
também podemos chamar estes periódicos de conteúdo multidisciplinar.

4.4 Ranking das publicações dos docentes do Departamento A
Ao analisar a distribuição das publicações dos docentes do Departamento A (Figura 6
e Quadro 2) ficou evidente o princípio da Lei de Lotka, que descreve a produtividade, onde
podemos observar autores publicando muitos artigos e autores publicando poucos artigos.
Dessa forma, quanto mais consolidada estiver uma área de pesquisa, maior é a probabilidade

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de se produzirem múltiplos artigos em dado período de tempo (KLEINUBING, 2010). Neste
artigo, três autores publicaram constantemente os resultados de suas pesquisas, ao passo que,
os demais autores mantiveram-se num ritmo estável de produção. Os autores A, B e C
apresentaram um número expressivo de publicações. Este fenômeno pode estar relacionado ao
grau de colaboração, tanto em nível nacional como internacional dos docentes (Quadro 2).
Esta afirmação fica evidente na Tabela 3, onde os autores A, B e C apresentam publicações e
participação em eventos em colaboração com vários países e, dessa forma, há o aumento da
produção científica no Departamento A. Os resultados mostraram que o crescimento da
produção do Departamento A está distribuído em função do tempo em que o pesquisador está
vinculado a Instituição. Outro fator que contribui para este crescimento também pode estar
relacionado com os projetos de pesquisas e suas temáticas desenvolvidas no Departamento A.
Figura 6: Ranking das publicações dos docentes do Departamento.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Quadro 2: Contribuição do Departamento nas publicações dos países, indexadas na Web of Science.
Brasil França Canada Portugal Itália Alemanha Espanha Japão
71
75
10
15
19
0
6
306
Autor A
52
11
19
14
7
3
1
252
Autor B
3
0
3
0
0
0
0
110
Autor C
8
1
0
9
2
3
0
34
Autor D
3
0
3
0
0
0
0
45
Autor E
0
0
0
0
1
1
3
40
Autor F
2
0
4
0
0
0
0
37
Autor G
0
0
0
0
0
0
0
26
Autor H
0
0
0
0
0
3
0
19
Autor I
0
0
11
0
0
4
1
11
Autor J
0
0
0
0
0
0
0
13
Autor K
0
1
0
0
0
0
0
12
Autor L
10
0
0
0
0
0
0
0
Autor M
0
0
0
0
1
0
0
6
Autor N
0
0
0
0
0
1
0
7
Autor O
0
0
0
0
0
0
0
5
Autor P
4
0
0
0
0
0
0
0
Autor Q
1
0
0
0
0
0
0
0
Autor R
Fonte: Elaborado pelos autores.

República Estados
Tcheca
Unidos
8
1
4
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
5
0
0
0
0
0
0

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4.5 Principais temáticas abordadas e suas correlações
Foi possível identificar temas estratégicos distribuídos entre as linhas de pesquisa do
Departamento A, atuando em parceria com autores das áreas de Ciência e Tecnologia
representadas entre Universidades e Instituições de pesquisas nacionais e internacionais, com
a finalidade de desenvolvimento de projetos de pesquisas. A Figura 7 externaliza as principais
temáticas abordadas pelos docentes do Departamento A e sua correlação. A seguinte moldura
analítica pode ser aplicada à Figura 7: 1) o tamanho das esferas esta relacionado a frequência
da temática; 2) as linhas e suas espessuras às correlações entre as temáticas, quanto maior a
espessura da linha maior a correlação.
Figura 7: Correlação entre as principais temáticas estudadas no período analisado.

Fonte: Elaborada pelos autores.

4.6 Colaboração Científica
De acordo com Maia, Zanotto e Caregnato (2011) "a colaboração científica é um
fenômeno complexo que pode ser definido como a interação entre dois ou mais cientistas",
dessa forma, os estudos e as relações entre os autores definem o grau de participação e tipo de
colaboração. Alejandro e Norman (2006, p. 2) definem rede como:
Entende-se por Rede um grupo de indivíduos que, de forma agrupada ou individual,
se relacionam uns com os outros, com um fim específico, caracterizando-se pela
existência de fluxos de informação. As redes podem ter muitos ou poucos atores e
uma ou mais categorias de relações entre pares de atores. Uma Rede é composta por
três elementos básicos: nós ou atores, vínculos ou relações e fluxos.

A Figura 8 foi construída levando em consideração as dez Instituições mais relevantes,
ou seja, que mais apresentaram colaboração com o Departamento A. No que diz respeito às
redes de colaboração, as análises mostraram que os docentes publicaram em autoria e
coautoria compartilhada com Universidades brasileiras e estrangeiras. Os docentes mais
produtivos são os que mais publicam em coautoria.

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Figura 8: Rede de colaboração do Departamento A com as Universidades

Fonte: Elaborada pelos autores.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados deste artigo corroboram com o objetivo proposto, foi possível descrever
e analisar o perfil da produção científica dos docentes do Departamento A do IQ/Unesp.
Durante o desenvolvimento das análises alguns questionamentos emergiram sobre a
necessidade da padronização dos nomes dos docentes e também do nome do IQ/Unesp. Os
modos diferentes de grafar os nomes nas autorias e coautorias nos diversos artigos publicados
dificultaram sua recuperação no momento da coleta e também no tratamento dos dados para a
elaboração dos indicadores.
Constatou-se que a produção científica está concentrada num conjunto de periódicos
nacionais e internacionais indexados na base de dados Web of Science. A participação dos
docentes na produção científica em colaboração com outros países evidenciou a significativa
internacionalização das pesquisas realizadas no IQ/Unesp.
Finalmente, a pesquisa trouxe avanços quanto ao estabelecimento dos indicadores para
um melhor entendimento do comportamento da produção cientifica do IQ/Unesp. Ao fornecer
informações de valor agregado sobre o crescimento e iniciativas de colaboração científica

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associadas à política de apoio do Instituto aos grupos de pesquisas, fomentadas por meio de
programas de apoio via agências FAPESP e CNPQ.
Este artigo aponta para estudos futuros em outras Bases de Dados com possibilidades
de extrair novos indicadores sobre o desenvolvimento da pesquisa na área de química tendo
em vista que a Web of Science apresenta limitação na quantidade de periódicos indexados. E
ainda, a utilização de métricas individuais de autoria e coautoria em redes de colaboração
cientifica com a finalidade de mapear as temáticas da produção por diferentes níveis de
colaboração, com base em temáticas ou países.
Conclui-se a partir da discussão dos resultados alcançados que a biblioteca
universitária, por intermédio da produção de estudos métricos, pode contribuir para o
processo de tomada de decisão ao prover insights com base em indicadores de produção
científica sobre o desempenho das atividades de ensino pesquisa e extensão.

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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="49037">
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A área de Química é considerada pelo governo brasileiro como uma das áreas prioritárias para a pesquisa científica. O objetivo da pesquisa foi analisar a produção científica no período de 1976 a 2014, a fim de identificar seu desenvolvimento científico para futuras decisões em políticas em C&amp;TI, visando à maximização dos recursos recebidos aplicados ao desenvolvimento científico e tecnológico. O método de pesquisa utilizado foi o estudo de caso exploratório e a unidade caso o Instituto de Química da Unesp, localizado em Araraquara-SP. A amostra analisada compreendeu 707 registros bibliográficos referentes à produção científica indexada na Web of Science, no período de 1976 a 2014. Como técnica de analise utilizou-se a analise bibliométrica com o apoio do software VantagePoint versão 5.0. O resultado obtido foi um conjunto de indicadores sobre: 1) Evolução das publicações; 2) Distribuição da produção científica por estratos do sistema Qualis; 3) Ranking das publicações por autores; 4) Principais temáticas abordadas e suas correlações; e 5) Colaboração científica. Conclui-se a partir da discussão dos resultados alcançados que a biblioteca universitária, por intermédio da produção de estudos métricos, pode contribuir para o processo de tomada de decisão ao prover insights com base em indicadores de produção científica sobre o desempenho das atividades de ensino pesquisa e extensão.</text>
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                    <text>A VISÃO DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECA CENTRAL DA PUCPR
EM RELAÇÃO AO USO DE LIVROS ELETRÔNICOS NA
UNIVERSIDADE

Teresinha Teterycz (PUCPR) - teresinha.teterycz@pucpr.br
Resumo:
A evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) revolucionou o formato do
suporte da escrita que, absorvida pelo texto digital, transformou também o suporte físico do
livro, suporte que de acordo com pesquisas ainda não tem total aceitação pelos leitores. O
presente estudo tem como objetivo geral investigar qual é a visão dos usuários da Biblioteca
Central da PUCPR em relação ao uso de livros eletrônicos na universidade. Os objetivos
específicos são: a) verificar se os usuários conhecem o acervo de livros eletrônicos disponíveis
na biblioteca; b) verificar quais os fatores que pesam de forma positiva e/ou negativa no uso
desse material; c) analisar qual é a preferência dos usuários em relação ao livro impresso e/ou
eletrônico. A metodologia contempla um aporte teórico a partir da literatura sobre o assunto,
com isso o método adotado é o estudo de caso. Como instrumento de pesquisa para coleta dos
dados foi aplicado um questionário com questões abertas e fechadas. Diante dos resultados e
do panorama apresentado considera-se que os objetivos do presente estudo foram alcançados,
pois possibilitam visualizar ações que a biblioteca pode adotar, como por exemplo: a) reforçar
a divulgação do acervo eletrônico desenvolvendo campanhas em parceria com os docentes da
instituição; b) ampliar as capacitações para o uso do acervo eletrônico oferecendo cursos de
EaD; c) incluir no acervo de livros eletrônico títulos que se assemelham com os indicados nas
bibliografias dos Projetos Pedagógicos dos Cursos.
Palavras-chave: Estudo de usuários. Bibliotecas universitárias. Livros eletrônicos. Pontifícia
Universidade Católica do Paraná.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Estudos de usos e usuários de serviços de informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) revolucionou o
formato do suporte da escrita que desde a sua concepção passou por várias transformações no
que diz respeito ao suporte físico. Das paredes das cavernas aos tabletes de argila, evoluindo
para o papiro, o pergaminho, o papel e hoje ao suporte eletrônico, consequentemente o mesmo
aconteceu com formato do livro.
Na visão de Oliveira (2013, p. 22): “a evolução da escrita interfere na evolução do
livro e vice-versa”. A escrita como é conhecida foi absorvida pelo texto digital – o hipertexto
– que com o auxílio das TICs permite “o enriquecimento da obra com imagens, vídeos, sons
ou links” (OLIVEIRA, 2013, p. 23), possibilitando ao leitor a interação com o texto.
O uso de livros técnicos no formato eletrônicos tornou-se prática recorrente nas
instituições de ensino superior. Esse tipo de material didático com conteúdo dinâmico,
interativo e visual vem de encontro com o perfil dos estudantes da era digital, pois esses
“tendem a reagir melhor a aprendizagem baseada em contexto interativo e dinâmico”
(BIDARRA et al., 2012, p. 91).
Devido a essa evolução, a biblioteca universitária organizadora e disseminadora do
conteúdo técnico e científico que tem como meta “atender as necessidades de informação de
seus clientes”, deve empenhar-se para assegurar “a eficiência e eficácia de seus serviços e
produtos”, adotando políticas de desenvolvimento de coleções e de acessibilidade à
informação (GUSMÃO, 2009, p. 293). “Os e-books são uma alternativa para as bibliotecas
manterem-se atuantes, participativas, inovadoras e com processo de comunicação ativo
permanente com os seus usuários” (JULIANI; FELDMAN; LIMA, 2015, p. 314).
No entanto, no ambiente das bibliotecas a inserção desse novo formato impacta
diretamente em duas questões: no desenvolvimento de coleções que exige planejamento em
vista dos altos custos ainda praticados pelo mercado editorial de livros eletrônicos e também
na educação dos usuários que requer trabalhar a aceitação das novas mídias, pois essa
transição provocou reações favoráveis e contrárias devido à necessidade de adaptação a uma
nova cultura.
O leitor ainda está na fase de adaptação a essa nova possibilidade de leitura e precisa
desenvolver aptidões não exigidas pelo livro impresso. “Fala-se inclusive em uma nova
alfabetização, mais complexa, pois além de saber ler, o leitor precisa saber usar algum tipo de
aparelho eletrônico que possibilite a ele fazer esta leitura” (OLIVEIRA, 2013, p. 37).
Considerando alguns estudos percebe-se que a aceitação desse novo tipo de suporte
ainda é um pouco nebulosa, pois de acordo com essas pesquisas, a expressiva venda de
publicações eletrônicas colocou o Brasil em 10o lugar entre os catálogos de livros digitais do
mundo (e-BOOKS, 2013; SIMÃO, 2013 apud JULIANI; FELDMAN; LIMA, 2015, p. 314).
A comercialização de livros eletrônicos cresceu 1.260% entre 2008 e 2010, causando uma
reviravolta no mercado livreiro impresso. “Alguns analistas chegaram a afirmar que os ebooks ultrapassariam os livros impressos até 2015”, no entanto, as vendas digitais perderam
força (LIVRO..., 2015, p. 4).
Estudos recentes como da Associação de Editores Americanos mostram que a venda
de e-books teve queda de 10% nos primeiros meses de 2015. E de acordo com pesquisas, “os
leitores jovens, considerados nativos da cultura digital ainda preferem ler o livro impresso”.
(LIVRO..., 2015, p. 4). Uma pesquisa realizada neste ano pela American University com
estudantes dos EUA, Japão, Alemanha e Eslováquia constatou que 92% dos universitários
preferem livros impressos (DELCOLLI, 2016), o que mostra a resistência para o uso do livro
eletrônico no meio universitário.
O Sistema Integrado de Bibliotecas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
(SIBI/PUCPR) disponibiliza para seus usuários as bases de dados Ebrary, Biblioteca Virtual

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

3.0 e Cengage Learning, e com o propósito de prestar serviços de qualidade e buscar a
satisfação permanente de seus usuários, tem como perspectiva ampliar o acervo de livros
eletrônicos. Porém, pautando-se nas estatísticas de uso observa-se que a utilização desse tipo
de fonte de informação está aquém do esperado.
Diante do contexto teórico e prático exposto, o presente estudo tem como objetivo
geral investigar qual é a visão dos usuários da Biblioteca Central da PUCPR em relação ao
uso de livros eletrônicos na universidade. Os objetivos específicos são: a) verificar se os
usuários conhecem o acervo de livros eletrônicos disponíveis na biblioteca; b) identificar
quais os fatores que pesam de forma positiva e/ou negativa no uso desse material; c) analisar
qual é a preferência dos usuários em relação ao livro impresso e/ou eletrônico.

2 O livro eletrônico e a biblioteca universitária
A revolução tecnológica trouxe um novo formato não só para a escrita mas para o seu
suporte que de impresso passou para o digital. Para esse novo formato de livro encontramos
na literatura nomenclaturas como: e-book, livro eletrônico e livro digital. No entanto, até
então não se tem um conceito único para o novo formato do livro tradicional.
Em relação ao termo e-book, considerando a questão de Procópio (2010, p. 135) que
questiona se “um simples arquivo eletrônico com texto pode ser considerado um eBook?”, são
apresentados a seguir conceitos de diferentes autores sobre o novo formato do livro.
O termo livro eletrônico ou e-book (eletronic book) “designa uma publicação em
formato digital que, para além do texto, pode incluir também imagens, vídeo e áudio. Outras
designações são livro digital ou livro digitalizado. Muitas vezes utiliza-se, erradamente, o
termo e-book para designar um e-reader” (PINHEIRO, 2011, p. 14).
Para Oliveira (2013, p. 37):
o e-book é formado pelo conteúdo, aplicativo e suporte. O conteúdo é o texto criado
pelo autor para representar suas ideias, pesquisas ou relatar um fato histórico; o
aplicativo é o software utilizado para ler o e-book [...] e o suporte é o hardware, ou
seja, o e-reader, computador, tablete, smartphone, cada um com suas características
próprias.

Cordón-Garcia (2011, p. 17) define livro eletrônico como todo arquivo em formato
digital e que pode conter elementos: textuais, sonoros e visuais, podendo ser consultado em
computador, e-reader, tablete, smartphone e outros.
Corroborando Almeida (2012 apud MAGALHÃES; CERAVOLO, 2015, p. 122)
afirmam que:
livro digital é uma propriedade intelectual composta por diferentes componentes
(software, dados, voz, imagem) e que não precisa necessariamente ser
disponibilizado em mídia física para ser alienada ou fruída por meio de diferentes
plataformas tecnológicas digitais.

Oddone (2013) apresenta a diferença entre livro eletrônico e livro digital: “livros
digitais são aqueles que estão disponíveis na web em versões html, txt ou pdf”. Para sua
visualização é necessário estar conectado à internet e um programa de navegação. Já os livros
eletrônicos “são aqueles que estão disponíveis em versões epub, mobi, azw e ios, entre outros.
Para lê-los é preciso de websites especializados, baixar arquivos com o conteúdo dos livros”.
As definições contempladas compreendem o e-book como livro em formato digital,
porém não são consideradas definitivas pois, existem peculiaridades próprias e mais
complexas desse tipo de publicação não mencionadas que de acordo com Reis (2013, p. 30)
essa complexidade “se dá, em parte, pela ausência de normalização sobre o tema, pois, o livro

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eletrônico pode ser criado, produzido e comercializado exclusivamente em meio eletrônico,
ou pode ser digitalizado, visando sua preservação, como no caso dos livros raros”.
Diante das abordagens apresentadas, é possível concluir que a diferença entre livro
eletrônico e livro digital está centrada no suporte das Tecnologias de comunicação e
informação da forma de acesso.
Em relação à inserção do livro eletrônico nas bibliotecas para Serra (2012) já é uma
realidade sem retorno e as bibliotecas devem pensar essa inserção com o intuito de cumprir a
função de preservação de publicações e disponibilização ao público.
Uma questão a ser enfatizada nesse sentido é a mudança das regras de avaliação do
Ministério da Educação (MEC) com relação aos livros eletrônicos, que de acordo com essas
regras, “para conseguir uma nota de avaliação 3, por exemplo (numa escala de 1 a 5), uma
instituição de ensino precisa ter pelo menos um exemplar dos títulos exigidos como
bibliografia básica para cada grupo de 10 a 15 alunos (CAMPASSI, 2012)”. Já para a
bibliografia complementar a exigência é de, “pelo menos cinco títulos por unidade curricular,
com dois exemplares de cada título ou com acesso virtual” (BRASIL, 2015, p. 30, grifo
nosso).
Isso só mostra que as bibliotecas deverão investir cada vez mais na inclusão de livros
eletrônicos em seus acervos.

3 Materiais e métodos
Diante do propósito desta pesquisa que é obter informações sobre o uso de livros
eletrônicos no meio universitário, caracterizando um contexto específico, o método adotado
nesta pesquisa é o estudo de caso pautando-se na afirmação de Yin (2010, p. 22) que
conceitua “como método de pesquisa o estudo de caso é usado em muitas situações, para
contribuir ao nosso conhecimento, dos fenômenos individuais, grupais, sociais, políticos e
relacionados”.
Como instrumento de pesquisa para coleta dos dados foi aplicado um questionário,
que na definição de Gil (2006, p. 2) é uma “técnica de investigação composta por um número
mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o
conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações
vivenciadas, etc”.
No caso desta pesquisa foram aplicados 200 questionários aos alunos do Câmpus
Curitiba da Escola de Arquitetura e Design; Escola de Comunicação e Artes; Escola de
Direito; Escola de Educação e Humanidades; Escola de Medicina; Escola de Negócios;
Escola Politécnica e Escola de Saúde, Agrociências e Biotecnologia, contemplando assim,
todas as áreas do conhecimento. A distribuição foi aleatória considerando o critério de os
pesquisados não serem calouros, pois esses ainda não teriam tempo hábil para o conhecimento
do ambiente acadêmico e de pesquisa.

4 Resultados finais
A coleta dos dados foi efetivada no período de 07 a 21 de março de 2016, utilizando
para tal questionário com questões abertas e fechadas.
Para a análise dos resultados dividiu-se o estudo em quatro categorias: a) identificação
das áreas de conhecimento a que os participantes estão vinculados; b) conhecimento dos
acervos de livros eletrônicos disponíveis na biblioteca; c) uso de livros eletrônicos e; d) visão
dos participantes sobre o uso de livros eletrônicos.
4.1 Identificação das áreas de conhecimento a que os participantes estão vinculados

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Dos 200 questionários distribuídos retornaram 154, e conforme o Gráfico 1 a Escola
Politécnica destacou-se com maior quantidade de participantes totalizando 27%, seguida da
Escola de Educação e Humanidades com 17%, Escola de Negócios com 15%, Escola de
Direito 12%, Escola de Saúde, Agrociências e Biotecnologia 11%, Escola de Medicina 10%,
Escola de Arquitetura e Design 6% e por último a Escola de Comunicação e Artes com 2% de
participantes.
Gráfico 1 – Participantes por área do conhecimento

Fonte: as autoras, 2016.

4.2 Conhecimento do acervo de livros eletrônicos disponíveis na biblioteca
A biblioteca divulga constantemente o acervo de livros eletrônicos utilizando-se de
canais de comunicação tais como: intranet, site da biblioteca, palestras de calouros, exposição
de livros, entre outros. Entretanto as estatísticas de uso das bases de dados disponíveis para os
usuários demonstram pouca demanda desse tipo de acervo, fato este que motivou as questões
desta categoria.
Quando indagados sobre terem conhecimento da existência do acervo de livros
eletrônicos nota-se que a maioria, em sua totalidade 67%, sabe que a biblioteca disponibiliza
esse tipo de material, enquanto que 33% desconhecem (Gráfico 2).
Gráfico 2 – Conhecimento das bases de dados oferecidas pela biblioteca

Fonte: as autoras, 2016.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Com base no Gráfico 3, constatou-se que 58% dos pesquisados sabem que podem
acessar o acervo mesmo estando fora do ambiente da universidade, no entanto 42% não
conhece essa possibilidade. Essa constatação levanta a necessidade de dar mais atenção à
divulgação do recurso de acesso remoto.
Gráfico 3 – Acesso remoto

Fonte: as autoras, 2016.

Ainda nessa categoria, buscou-se saber se os canais de divulgação utilizados pela
biblioteca têm alcançado seu objetivo e constatou-se que as formas de comunicação que mais
têm surtido efeito na divulgação do acervo são as orientações na própria biblioteca com 30%,
seguidas de indicação de professores com 25%, site da biblioteca com 20%, palestras de
calouros com 8%, divulgação no Eureka (intranet) com 5%, divulgação nas capacitações e email marketing com 3% e por último ficou a exposição de e-books com 2%. Observou-se que
5% dos participantes tomaram conhecimento através de colegas (Gráfico 4).
Gráfico 4 – Conhecimento do acervo de livros eletrônicos disponibilizados pela Biblioteca

Fonte: as autoras, 2016.

Ao analisar quais bases de dados são as mais usadas pelos usuários (Gráfico 5), os
resultados evidenciam que a base de dados Biblioteca Virtual foi a mais citada entre os

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pesquisados que já fizeram uso de tipo de fonte, mesmo tendo uma quantidade de títulos
disponíveis inferior ao Portal da CAPES e a Ebrary. Acredita-se que tal situação prende-se ao
fato do acervo dessa base de dados disponibilizar títulos que fazem parte e/ou são mais
próximos das bibliografias dos cursos. Entretanto o que merece atenção é a quantidade dos
que afirmaram nunca terem feito uso desse tipo de fonte de informação que é de 38% dos
participantes.
Gráfico 5 – Acesso e uso de bases de dados

Fonte: as autoras, 2016.

4.3 Uso de livros eletrônicos
Quando interrogados sobre o uso de livro eletrônico na realização de suas atividades
acadêmicas percebe-se que somente 4% fazem uso desse formato, 30% afirmaram que usam
somente o livro impresso e 66% afirmaram que usam ambos os formatos (Gráfico 6). No
entanto ao analisar o resultado do Gráfico 7, infere-se que o uso “ambos” indicado pelos
participantes no gráfico anterior referem-se aos artigos, teses e dissertações.
Gráfico 6 – Utilização de livros eletrônicos

Fonte: as autoras, 2016.

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Gráfico 7 – Uso de materiais bibliográficos on-line

Fonte: as autoras, 2016.

Tendo em vista que o maior número dos pesquisados fazem parte da geração “nativos
digitais” supõe-se que os mesmos não têm dificuldade com o uso das novas tecnologias. No
entanto, analisando o Gráfico 8 nota-se um dado intrigante, pois 59% dos participantes não
sabem como fazer uso de livros eletrônicos, o que mostra a necessidade de ampliar a
capacitação no uso das bases de livros eletrônicos.
Gráfico 8 – Sabem fazer uso de livros eletrônicos

Fonte: as autoras, 2016.

Questionados se os professores sugerem o uso de livros eletrônicos, o resultado foi que
51% dos docentes tem essa prática (Gráfico 9). Isso indica que a biblioteca pode fazer um
trabalho em conjunto com os docentes no incentivo ao uso desse tipo de formato.

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Gráfico 9 – Indicação de livros eletrônicos por professores

Fonte: as autoras, 2016.

4.4 Visão dos participantes sobre o uso de livros eletrônicos
Na opinião dos participantes sobre os fatores que influenciam o uso de livros
eletrônicos os resultados indicam que os pontos positivos mais citados foram: portabilidade,
facilidade de acesso, facilidade de armazenamento e compartilhamento. Quanto aos aos
fatores negativos, o fator não gostar de ler em meio eletrônico foi o que teve mais destaque
com 37%, seguido da necessidade de energia elétrica para os equipamentos e restrição de
títulos, ambas com 24%, dificuldade de uso de eletrônicos com 11% e barreira linguística com
4% (Gráfico 10).
Observa-se que o fator que mais influencia negativamente o uso de livros eletrônico é
“Não gostar de ler em meio eletrônico”. Outros fatores negativos que devem ser
considerados é a “restrição de títulos”, o que leva a repensar o desenvolvimento da coleção
desse tipo de material e a “dificuldade de uso de equipamentos eletrônicos”, que indica a
necessidade de reforçar a capacitação para o uso dos recursos eletrônicos.
Gráfico 10 – Fatores que influenciam o uso de livros eletrônicos na formação acadêmica

Fonte: as autoras, 2016.

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Quando questionados se a biblioteca deve disponibilizar livros eletrônicos ao invés de
impressos, percebeu-se que a maioria, 77%, sugere ambos os formatos, 14% dos participantes
não aceitam e apenas 9% concordam em acervo totalmente eletrônico. Entretanto ao serem
questionados sobre substituir os títulos da bibliografia de seu curso de formato impresso para
online 89% afirmaram que não deixariam de usar o impresso, somente 11% dos pesquisados
concordam em trocar o formato do acervo. Observa-se assim, que a biblioteca deve usar o
acervo de livros eletrônicos como mais uma alternativa, mantendo o acervo de livros
impressos.
Gráficos 11 e 12 – Preferência pelo livro impresso ou eletrônico

Fonte: as autoras, 2016.

5 Considerações finais
O resultado deste estudo vem de encontro com as pesquisas que de modo geral
apontam a resistência dos leitores pelo livro eletrônico e os motivos para tal são semelhantes.
Nas questões que abrangem a categoria do objetivo que é analisar o conhecimento
quanto à existência do acervo eletrônico, percebeu-se que a maioria dos participantes
desconhece o acervo em questão. Diante desse resultado pode-se inferir que os canais de
divulgação utilizados pela biblioteca não têm atingido seu objetivo, necessitando desenvolver
outras formas de divulgação.
No que se refere ao objetivo que é a identificação dos fatores que pesam de forma
positiva e/ou negativa no uso desse material, fica evidente a “resistência” ao uso do livro
eletrônico expressados nos fatores: não gostar de ler na tela, necessidade de energia para
equipamentos de leitura e principalmente no item dificuldade de uso, já que a biblioteca
oferece capacitações para a utilização desse tipo de acervo. Quanto a restrição de títulos
percebe-se que é necessário que o desenvolvimento da coleção do acervo online deve estar
atrelado especialmente aos títulos da bibliografia dos Projetos Pedagógicos dos Cursos, o que
na prática é uma tarefa difícil, pois as principais publicações que normalmente são indicadas
nas ementas das disciplinas não fazem parte dos títulos oferecidos pelos editores. Ainda
dentro dessa questão merece destaque o caso dos títulos que por políticas de distrato entre
autores e editores são retirados da base, fato este que prejudica os professores que indicaram
esses títulos para bibliografias das disciplinas. A solução é a biblioteca fazer aquisição de
bases de dados que disponibilizam a categoria de aquisição permanente.

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Na análise da categoria que avalia a preferência dos usuários percebe-se que a maioria
dos pesquisados, totalizando 89%, não deixaria de fazer uso do livro impresso em detrimento
do eletrônico, o que reforça a resistência dos participantes ao formato eletrônico e a
necessidade da biblioteca disponibilizar o acervo em formato híbrido para assim atender
satisfatoriamente seus usuários.
Diante dos resultados e do panorama apresentado considera-se que os objetivos do
presente estudo foram alcançados, pois possibilitam visualizar ações que a biblioteca pode
adotar, como por exemplo: a) reforçar a divulgação do acervo eletrônico desenvolvendo
campanhas em parceria com os docentes da instituição; b) ampliar as capacitações para o uso
do acervo eletrônico oferecendo cursos de EaD; c) incluir no acervo de livros eletrônico
títulos que se assemelham com os indicados nas bibliografias dos Projetos Pedagógicos dos
Cursos.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) revolucionou o formato do suporte da escrita que, absorvida pelo texto digital, transformou também o suporte físico do livro, suporte que de acordo com pesquisas ainda não tem total aceitação pelos leitores. O presente estudo tem como objetivo geral investigar qual é a visão dos usuários da Biblioteca Central da PUCPR em relação ao uso de livros eletrônicos na universidade. Os objetivos específicos são: a) verificar se os usuários conhecem o acervo de livros eletrônicos disponíveis na biblioteca; b) verificar quais os fatores que pesam de forma positiva e/ou negativa no uso desse material; c) analisar qual é a preferência dos usuários em relação ao livro impresso e/ou eletrônico. A metodologia contempla um aporte teórico a partir da literatura sobre o assunto, com isso o método adotado é o estudo de caso. Como instrumento de pesquisa para coleta dos dados foi aplicado um questionário com questões abertas e fechadas. Diante dos resultados e do panorama apresentado considera-se que os objetivos do presente estudo foram alcançados, pois possibilitam visualizar ações que a biblioteca pode adotar, como por exemplo: a) reforçar a divulgação do acervo eletrônico desenvolvendo campanhas em parceria com os docentes da instituição; b) ampliar as capacitações para o uso do acervo eletrônico oferecendo cursos de EaD; c) incluir no acervo de livros eletrônico títulos que se assemelham com os indicados nas bibliografias dos Projetos Pedagógicos dos Cursos.</text>
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                    <text>A USABILIDADE DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES EM
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS DO ESTADO DO
CEARÁ

Ana Cristina Azevedo Ursulino Melo (UFC) - anacristina@ufc.br
Aline Vieira Nascimento (UFC) - alinevn33@gmail.com
Thelma Marylanda Silva de Melo (UECE) - thelma.melo@uece.br
Resumo:
O artigo apresenta um estudo comparativo sobre a evolução do uso do Portal de Periódicos da
CAPES sob a perspectiva das bibliotecas universitárias públicas do estado do Ceará. A
pesquisa de cunho quantitativo analisa a usabilidade do portal nas IES públicas do Ceará no
período de 2005 a 2014. Os dados foram coletados por meio de pesquisa no portal através do
sistema de GEOCAPES de estatística. Como resultados, evidencia-se a qualidade de uso do
Portal e a evolução na usabilidade na Universidade Federal do Ceará houve uma grande
evolução na estatística de uso enquanto que na Universidade Estadual do Ceará houve uma
estagnação e porque não dizer, um decréscimo. Atesta que a maioria dos atributos de
usabilidade do Portal está qualificada em níveis acima da média na UFC e baixo da média na
UECE, As conclusões apontaram para a necessidade de mais treinamentos e divulgação do
portal na UECE.O presente estudo de usabilidade do Portal é um importante instrumento de
avaliação institucional de uso deste sistema de informação. O referencial teórico foi composto
pelo levantamento da literatura vigente sobre a usabilidade do Portal de Periódicos. Os
resultados obtidos evidenciaram que ainda há muito por ser feito em relação à divulgação,
sendo necessário desenvolver urgentemente mecanismos para ampliar o acesso e uso do
Portal junto à comunidade científica das Universidades.
Palavras-chave: Periódicos Eletrônicos. Portal
Bibliotecas universitárias.

de

Periódicos

da

Capes.

Usabilidade.

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Arquitetura da informação (usabilidade, ergonomia, entre outros)

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1 Introdução
O Portal de Periódicos da Capes foi lançado há mais de quinze anos, com o objetivo
de suprir as necessidades de acesso à informação e solucionar problemas que afetavam as
coleções das bibliotecas universitárias nas décadas de 1980 e 1990, que sempre estavam
defasadas ou atrasadas, em virtude da crise do mercado editorial de produções científicas e da
expansão dos periódicos eletrônicos. Então, no ano 2000, surgiu efetivamente o Portal de
Periódicos da Capes, com o objetivo de democratizar o acesso à informação, facilitar a
pesquisa por meio do uso de bases de dados on-line e reduzir as desigualdades regionais no
acesso à ciência.
Daí a necessidade de expandir e divulgar o acesso a essa plataforma, tornando sua
usabilidade o objetivo maior de toda instituição de ensino superior. Baseado nesse objetivo,
apresentamos um estudo comparativo sobre a evolução do uso do portal entre as bibliotecas
universitárias públicas do estado do Ceará, UFC e UECE. A pesquisa de cunho quantitativo
analisa a usabilidade do portal nas duas maiores IES públicas do Estado do Ceará, no período
de 2005 a 2014, considerado suficiente para analisar se houve evolução ou estagnação nos
últimos 10 anos. Os dados foram adquiridos no site do Portal de Periódicos da Capes, no link
do GeoCapes, que nos disponibilizou a pesquisa de acessos ao portal no período de 2005 a
2014.
O presente estudo é um importante instrumento de avaliação institucional de uso desse
sistema de informação, e suas conclusões apontaram para a necessidade de mais treinamentos
e divulgação do portal para as duas instituições, mas com maior empenho na UECE, que, de
acordo com as análises, ficaram com muito abaixo das expectativas de usabilidade.

2 Revisão de literatura
2.1 Usabilidade, conceitos e história
A usabilidade é um atributo das interconexões, que faz considerações quanto à
qualidade do uso. Para Jakob Nielsen (1993), a usabilidade é um conceito que procura definir
as propriedades de utilização, do desempenho e da satisfação dos usuários, interagindo com as
interfaces computacionais, na busca de uma interação entre eles. Essas características podem
ser facilmente relacionadas aos atributos da ISO 9241-11 (1998), que define a usabilidade
como, “um conjunto de atributos de software relacionado ao esforço necessário para seu uso e
para o julgamento individual de tal uso por determinado conjunto de usuários”. Já para Dias
(2003, p. 29), “usabilidade é uma qualidade de uso de um sistema, diretamente associada ao
seu contexto operacional e aos diferentes tipos de usuários, tarefas, ambientes físicos e
organizacionais”.
Segundo os estudiosos, a usabilidade surgiu na década de 80, do século XX, como um
conceito utilizado inicialmente pela Ergonomia e a Psicologia, para analisar um produto em
relação ao comportamento positivo de seu usuário, em termos de sua qualificação. Com o
estabelecimento da Internet e o surgimento de novos produtos eletrônicos/digitais pautados
em ambientes virtuais ou enquanto sistemas interativos, esse conceito passou a compor várias
disciplinas. Em seu livro Usability Engineering (1993, p. 26), Nielsen nos apresenta os cinco
atributos de usabilidade: facilidade de aprendizado, eficiência de uso, facilidade de
memorização, baixa taxa de erros e satisfação subjetiva. Porém, quando utilizamos a
usabilidade em relação à ciência da informação, segundo Figueiredo (1999), tais estudos
objetivam entender as necessidades, preferências e opiniões dos usuários sobre dos serviços
que lhes são oferecidos ou que possam vir a ser oferecidos. Portanto, entendemos que esses
“Estudos de Usabilidade” se convergem para os “Estudos de Usuários”, já que ambos têm a

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mesma preocupação em melhorar a interação do usuário com o sistema, bem como a sua
satisfação com a adequação desse sistema. Isso significa que a preocupação das bibliotecas
universitárias em oferecer um produto com boa usabilidade permite ao usuário atingir o seu
objetivo (sendo mais eficaz), mas não de qualquer forma, e sim conseguir obter um resultado
pretendido com eficiência (ou seja, com qualidade, evitando perdas e desperdícios,
minimizando os erros).
Nesse contexto, Bohmerwald (2005) afirma que, se uma pesquisa acerca de um
sistema de informação e seus usuários abordasse características tanto dos “Estudos de
Usuários” quanto dos “Estudos de Usabilidade”, apontar-se-ia para a convergência de uma
análise mais completa. E, nessa perspectiva, muitos pesquisadores da área da Ciência da
Informação já vêm contribuindo acerca do fazer dialógico. Entre eles, Paiva e Ramalho
(2006), Baptista e Cunha (2007), Araújo e Curty (2008), Martinez et al. (2009) e Costa e
Ramalho (2010). E se atentarmos ao fato de que a usabilidade se tornou um tema
mundialmente explorado na Ciência da Computação, pela Engenharia de Software, esse tema
também foi apercebido nesta última década pela Ciência da Informação como objeto ou
fundamentação teórico-metodológica para seus estudos, como asseguram Costa e Ramalho
(2010, p. 136). Dessa forma, a usabilidade teve sua origem voltada à interação homem com
máquinas, com produtos tecnológicos, não necessariamente interação entre pessoas por meio
desses produtos ou interação com fins à comunicação e informação. Esses estudos se
consolidaram na evolução do trabalho de quase duas décadas de pesquisadores da Ciência da
Computação e Engenharia de Software e de usabilidade. Sobre o contexto específico
brasileiro de estudo da usabilidade no campo da Ciência da Informação, esta investigação
contribui para a compreensão da dinâmica da qualidade do uso de um sistema de informação
científica, a partir da análise do desempenho e da satisfação dos seus usuários das instituições
pesquisadas UFC e UECE nesse artigo.
2.2 A Comunicação Científica e o uso dos Periódicos
As comunidades científicas sempre se preocuparam em divulgar os resultados de suas
pesquisas, para garantir a perpetuação, o progresso da Ciência e também a legitimação dentro
de um campo do saber (Bourdieu), inicialmente feito por meio de cartas, jornais cotidianos,
folhetins entre os membros das comunidades, e, posteriormente, de revistas periódicas.
O periódico científico tem seu surgimento datado do século XVII, mas foi a partir da
Segunda Guerra Mundial que o periódico passou a ser objeto sistemático de estudo para a
comunicação científica. Ao publicar, o cientista realiza importantes funções da ciência, como,
por exemplo, registrar a informação gerando mais conhecimento, levar a comunicação entre
os cientistas, garantir o reconhecimento público pela descoberta científica e possibilitar o
avanço e a continuidade da ciência.
A comunicação situa-se no próprio coração da ciência. É para ela tão vital quanto a
própria pesquisa, pois a esta não cabe reivindicar com legitimidade este nome
enquanto não houver sido analisada e aceita pelos pares. Isto exige, necessariamente,
que seja comunicada (MEADOWS, 1999).

Dessa forma, a legitimidade da pesquisa se faz após a sua publicação em meios aceitos
pelas comunidades científicas, que, de acordo com Crespo e Caregnato (2004), “a publicação
de uma pesquisa é indispensável para que ela seja legitimada [...] e constitui um dos
elementos que compõem a base da comunicação científica”.
Desde a sua origem, que de acordo com Meadows (1999) é incerta, os processos que
envolvem a comunicação científica evoluíram. Inicialmente por intermédio do CD-ROM e
internet, porém, o uso de recursos eletrônicos onerou os custos com a comunicação científica,

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dificultando o acesso às publicações, conforme corroboram as palavras de Cuenca e Tanaka
(2003) [...] O maior inconveniente do acesso on-line naquela época (década de 80),
principalmente para os países de Terceiro Mundo, era a precariedade das telecomunicações,
além, é óbvio, do seu alto custo.
Após a década de 1980, as redes de computadores deram um salto nas suas
tecnologias, o que possibilitou melhoria no uso e acesso às publicações científicas, tendo
como principal meio de comunicação, entre pares, o periódico.
Este surgiu a partir de 1662, com as primeiras sociedades científicas, como a Royal
Society of London, que são responsáveis pelo surgimento dos primeiros periódicos como o
Journal des Savants ou Sçavans e o Philosophical Transactions1of the Royal Society of
London, “[...] e os cientistas começaram a escrever artigos em vez dos livros” (PRICE, 1976,
p. 5). De acordo com Pinheiro (1997, p. 65), os encontros dessas sociedades científicas se
caracterizavam como um dos primeiros registros do surgimento dos periódicos científicos e
da sua importância para as comunidades se comunicarem entre si, o que se confirma nas
palavras de Meadows (1999, p. 5), “[...] entre um pequeno círculo de amigos que poderiam
analisá-las e, quando conveniente, testá-las e depois enviar a resposta”.
No Brasil, os primeiros registros de periódicos datam de 1862 e 1866, com os
pioneiros Gazeta Médica do Rio de Janeiro e Gazeta Médica da Bahia, respectivamente.
O constante incentivo da usabilidade do Portal de Periódicos da CAPES nas IES, no
Brasil, se faz importante e vem ao encontro do pensamento de Jakob Nielsen (1993), quando
assegura que a usabilidade é um conceito que busca definir as características de utilização,
desempenho e satisfação dos usuários, na interação com as interfaces computacionais, na
perspectiva de um bom sistema interativo. Ou seja, se faz necessário incentivar nossa
comunidade universitária a utilizar essa importante ferramenta para se obter uma informação
precisa e rápida, visando a melhoria na qualidade da produção científica brasileira.
Nesse sentido, diante da importância do portal paras IES no Brasil, corroboramos com
Correa et al. (2008, p. 130) na afirmação de que:
O Portal representa a evolução de um modelo baseado no uso de documentos
impressos, que atendia a um número restrito de instituições e indivíduos, para um
modelo eletrônico que ampliou e democratizou o acesso à informação científica,
favorecendo tanto os pesquisadores de grandes centros quanto os de universidades
distantes. Ele constituiu-se em uma iniciativa determinante para a inclusão da
comunidade científica e acadêmica brasileira no processo de comunicação científica
internacional, proporcionando acesso on-line às pesquisas científicas realizadas no
mundo e, consequentemente, oferecendo insumos para a produção científica e
tecnológica nacional.

Daí, o porquê de as Bibliotecas Universitárias terem ganhado uma nova “roupagem na
disseminação de seus serviços e produtos por meio das tecnologias de informação e
comunicação com o uso do Portal de Periódicos da Capes, pois as bases de dados disponíveis
servem de ferramentas de pesquisa nas bibliotecas, influenciando a inovação tecnológica nas
instituições de ensino superior, que, segundo Ribeiro (2002), dimensiona das mudanças dadas
pelas bibliotecas universitárias na década de 1990 e:
[...] deram um grande salto em relação à informação. Serviços como empréstimo,
reserva, aquisição e catalogação [...]. Neste contexto, as bibliotecas adotaram novas
tecnologias de acesso à informação visando subsidiar os cursos de graduação, pós1

Com o desenvolvimento da ciência e consequentemente a explosão de informações, as revistas passaram a se
especializar, o Philosophical Transactions, considerado o precursor do moderno periódico científico, sentiu a
necessidade de especificar cada vez mais suas publicações à medida que a área se especializava (MEADOWS,
1998, p. 1-33).

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graduação e as pesquisas desenvolvidas por seus usuários. Entre essas novas
tecnologias estão as bases de dados que mudaram do suporte papel para um novo
suporte: CDROM (CompactDiscRead Only Memory) e online.

Nesse cerne, reforçamos a importância da promoção do Portal de Periódicos nas
bibliotecas universitárias públicas, que via web nos disponibiliza o acesso gratuito a
importantes fontes de informações.

3 Materiais e métodos
Utilizou-se o método comparativo, de cunho quantitativo, sobre os dados
disponíveis no link do GeoCapes, sob as perspectivas de duas bibliotecas universitárias
públicas do estado do Ceará, no período de 2005 a 2014.
A amostra analisou 10 anos de uso do portal nas instituições Universidade Federal do
Ceará (UFC) e Universidade Estadual do Ceará (UECE). Podemos perceber que, dada a
consistência dos dados, a amostra pode ser considerada válida.
Os dados analisados foram elencados dos dados estatísticos, primeiramente dentre os
dez estados que mais acessaram a base em 2014, em seguida um comparativo entre as
instituições públicas no Nordeste, e, posteriormente, entre as instituições UFC e UECE.

4 Resultados parciais/finais
Em relação à coleta dos dados referentes à estatística de uso do portal, foram
utilizados dados do GeoCapes no período de 2005 a 2014.
1. Análise das instituições brasileiras que mais acessaram o portal em 2014
Ao mesmo tempo em que a CAPES investe na ampliação do acervo, percebemos um
aumento no uso do Portal de Periódicos. Segundo dados do próprio portal, os acessos
passaram de 1,7 milhões em 2001 para 44 milhões em 2014. Esse aumento é perceptível
quando observamos, na Tabela abaixo, as instituições que mais acessaram o portal em 2014.
Tabela 1 - As Maiores Instituições Usuárias do Portal de Periódicos da CAPES em 2014
Nº

Sigla

1
2
3

USP
UNICAMP
UNESP

4
5

UFRGS
PUC/RS

6
7
8
9
10
11
12
13

UFRJ
UFSC
UFMG
UFPR
UFSCAR
UNB
UFC
UNIFESP

Nome Completo da Instituição

Universidade de São Paulo
Universidade Estadual de Campinas
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Filho
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal de Minas Gerais
Universidade Federal do Paraná
Universidade Federal de São Carlos
Universidade de Brasília
Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal de São Paulo

Participação
%

18,74
5,28
4,25
4,14
3,83
3,71
3,25
2,67
2,00
1,85
1,84
1,68
1,62

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hipóteses para essa discrepância:
a) a queda na estatística vislumbrada na UECE poderia estar associada à greve ocorrida
em 2008 e 2009; à falta de bibliotecários para ministrar os treinamentos para uma
quantidade de usuários que aumentou, consideravelmente, e com isso gerando
demanda para outras atividades realizadas pelos mesmos no setor de referência, o que
ocasionou poucos treinamentos. A reforma da Biblioteca Central Prof. Antônio
Martins Filho, no período de julho de 2007 a julho de 2009, foi outra consequência na
baixa pelo uso e, por conseguinte, não houve condições mínimas para realizá-los. Já na
UFC, houve um acréscimo no quadro de bibliotecários na instituição e um aumento
significativo no número de treinamentos;
b) a questão da dificuldade de acesso remoto pela comunidade por meio da instalação de
Proxy poderia ser outro agravante. Na UFC foi adquirido o acesso remoto por
intermédio da Rede CAFe (Comunidade Acadêmica Confederada), mas na UECE
continua acessando pelo Proxy;
c) a barreira linguística, pois, prioritariamente, o portal contempla a língua inglesa; para
esse item, a UFC oferece à sua comunidade acadêmica cursos de línguas, o que já
repercute positivamente na questão da barreira linguística;
d) a falta de divulgação do portal na UECE por parte dos docentes e o uso de
bibliografias específicas, portfólios ou outras fontes de informação; na UFC tem
havido um grande esforço para divulgar o portal por meio de chamadas nos sites das
bibliotecas e redes sociais.

5 Considerações parciais/finais
Mediante a análise dos dados da pesquisa, podemos concluir que para a UFC, a
usabilidade do portal é tida como positiva, enquanto que, para a UECE, considerou-se que há
muito a ser trabalhado para alcançar o bom uso do portal nessa instituição, necessitando mais
empenho por parte da equipe em tornar o uso do portal eficiente e eficaz. Dessa forma,
conforme o referencial teórico nos aponta, a usabilidade do Portal de Periódicos da CAPES
foi qualificada como muito útil, necessária e adequada à sua utilização pela comunidade
acadêmica em geral, principalmente pelos docentes, permitindo que estes atinjam seus
objetivos de pesquisa e docência com eficiência e eficácia. Em outras palavras, observamos
com a pesquisa a importância da usabilidade do portal para produção acadêmica institucional.
Isso significa dizer que o uso do portal é de extrema importância para que a
comunidade acadêmica obtenha a informação a tempo e hora, satisfazendo suas necessidades
informacionais na perspectiva da construção/desenvolvimento do próprio conhecimento.
Durante a realização da investigação, observamos e levantamos possíveis situações
recomendáveis. Dessa forma, indicamos tais recomendações no que tange à realização de
novas pesquisas complementares, bem como algumas sugestões às instituições relacionadas
ao contexto geral de uso do portal. Essa pesquisa comprova a necessidade da realização e
divulgação de Estudos de Usuários, principalmente na UECE, com o foco na usabilidade do
Portal por toda comunidade acadêmica.
Também levantamos algumas hipóteses com o intuito de aumentar o acesso nas
instituições pesquisadas. São elas:
a) intensificar ações de massificação do uso do Portal, com a realização de
treinamentos e seminários para manter o interesse dos usuários;
b) reestruturação desses treinamentos de forma a estimular efetivamente os
professores e os discentes a conhecer e utilizar os programas de capacitação no uso
dos recursos informacionais;

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c) melhorar a questão da dificuldade ao acesso remoto na UECE;
d) realização e divulgação sistemática de Estudos de Usabilidade sobre o portal, com
aporte dos Estudos de Usuários;
e) melhorar a questão da barreira linguística dos discentes, incentivando a procura por
cursos de língua inglesa;
f) utilizar as redes sociais para divulgar o portal e seus serviços, com o intuito de
atingir a comunidade discente.

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                  <text>SNBU - Edição: 19 - Ano: 2016 (UFAM - Manaus/AM)</text>
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                <text>O artigo apresenta um estudo comparativo sobre a evolução do uso do Portal de Periódicos da CAPES sob a perspectiva das bibliotecas universitárias públicas do estado do Ceará. A pesquisa de cunho quantitativo analisa a usabilidade do portal nas IES públicas do Ceará no período de 2005 a 2014. Os dados foram coletados por meio de pesquisa no portal através do sistema de GEOCAPES de estatística. Como resultados, evidencia-se a qualidade de uso do Portal e a evolução na usabilidade na Universidade Federal do Ceará houve uma grande evolução na estatística de uso enquanto que na Universidade Estadual do Ceará houve uma estagnação e porque não dizer, um decréscimo. Atesta que a maioria dos atributos de usabilidade do Portal está qualificada em níveis acima da média na UFC e baixo da média na UECE, As conclusões apontaram para a necessidade de mais treinamentos e divulgação do portal na UECE.O presente estudo de usabilidade do Portal é um importante instrumento de avaliação institucional de uso deste sistema de informação. O referencial teórico foi composto pelo levantamento da literatura vigente sobre a usabilidade do Portal de Periódicos. Os resultados obtidos evidenciaram que ainda há muito por ser feito em relação à divulgação, sendo necessário desenvolver urgentemente mecanismos para ampliar o acesso e uso do Portal junto à comunidade científica das Universidades.</text>
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                    <text>A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
DIANTE DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Rejane Sales de Lima Paula (UNIR) - paula.rejane23@gmail.com
José Lucas Pedreira Bueno (UNIR) - rejane.lima@unir.br
Resumo:
Este trabalho tem como objetivo trazer algumas contribuições acerca da representação social
da biblioteca universitária como parte instrumental do processo educativo diante da educação
inclusiva. Para tanto, parte-se do pressuposto de que, a biblioteca universitária é um dos
elementos imprescindíveis para o desenvolvimento social e cultural do sujeito em formação.
Para tal, procuramos descrever o papel social da biblioteca, a partir das políticas inclusivas
voltadas para a biblioteca, como a Lei Nº 10.861 – Avaliação da Educação Superior (SINAES)
de 14 de abril de 2004 que esclarece a contribuição da biblioteca para o ensino, a pesquisa e a
extensão. Metodologicamente, este trabalho se baseia em uma revisão de literatura
bibliográfica, a qual discute à luz da literatura existente a temática abordada. Por tanto,
espera-se que este trabalho contribua com o desenvolvimento potencial da biblioteca como
agente mediadora da informação e possa possibilitar ao sujeito em formação à essência do
letramento informacional.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Educação Inclusiva. Representação Social da
Biblioteca.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Acessibilidade (produtos, serviços e tecnologia)

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
No decorrer do Século XX, o desenvolvimento tecnológico e o acesso à informação
permitiram ao sujeito em formação apropriar-se do conhecimento armazenado nas
bibliotecas, sem a necessidade de dirigir-se pessoalmente a elas, devido à evolução e a
disponibilização da tecnologia nas Instituições de Ensino Superior (IES), e as cobranças sobre
as bibliotecas universitárias terem tomado grandes proporções, tornando-as um dos principais
ambientes de informações atualizadas, facilitando o acesso aos diferentes tipos de usuários,
embora nem todos tenham consciência disso.
Para tanto, informações precisas têm se mostrado de grande valia na construção do
conhecimento, e por meio das mídias digitais, tornou-se mais fácil buscar essas informações
em tempo real. Por isso, pode-se afirmar que a biblioteca não é apenas um local móvel de
acesso à informação, do conhecimento, de um saber ou até mesmo de uma conduta, mas,
sobretudo um laboratório de cultura, educação e um espaço para a iniciação à vida que vem se
adaptando ao seu público.
Neste contexto, Corradi (2011, p.28) apresenta a viabilização do “acesso e uso das
informações hipermídia e multilíngue valendo-se da acessibilidade homem-computador”,
onde a acessibilidade deve englobar meios físicos e virtuais, facilitando a inserção do sujeito
em formação na comunidade a qual está inserida.
E nesse bojo, é possível desenvolver o potencial da biblioteca como agente difusora da
informação, e desta forma valorizar a identidade cultural de um povo, é valorizar a
informação. Por isso, entende-se que a relevância da biblioteca universitária se dá quando se
encontra a resposta do vínculo entre a biblioteca e sociedade, já que por meio da biblioteca é
possível criar hábitos e comportamentos, criando desta forma uma relação de ordem cultural e
informacional.

2 Revisão de literatura
Para efeito desse trabalho será realizado um levantamento bibliográfico sobre o
conceito da biblioteca universitária, será descrito também as políticas voltadas para a
biblioteca com o intuito de promover sua função inclusiva e igualitária para todos.
Assim sendo, a Biblioteca Universitária (BU) é considerada como uma entidade
social, que tem por finalidade atender às necessidades de estudo e pesquisa dos professores,
alunos que estão vinculados a instituições de ensino superior, além de servir de suporte

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

informacional a comunidade em geral.
Belluzzo (2004) aponta a biblioteca como, sendo um local acesso à informação de
acordo com as necessidades do usuário; e essa disponibilização poderá estabelecer os ideais
da democracia (BELLUZZO, 2004, p. 78).
Isto confirma que a biblioteca possibilita a acessibilidade como um processo dinâmico,
associado não só ao desenvolvimento tecnológico, mas principalmente ao desenvolvimento da
sociedade.
Castells (2000 p. 17) corrobora ao salientar que:
A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo
introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede. Essa
sociedade é caracterizada pela globalização das atividades econômicas
decisivas do ponto de vista estratégico, por sua forma de organização em
redes; pela flexibilidade e instabilidade do emprego e pela individualização
da mão-de-obra. Por uma cultura de virtualidade real construída a partir de
um sistema de mídia onipresente, interligado e altamente diversificado.

Para corroborar com esta pesquisa iremos destacar os programas desenvolvidos pelo
Ministério da Educação e Cultura (MEC), os quais no decorrer do tempo vêm favorecendo a
aplicabilidade dos recursos informacionais e a usabilidade da biblioteca que se baseia na
educação inclusiva e na dimensão dos programas geridos para a educação do ensino superior
constante no Plano Nacional de Educação (PDE) estabelecida pela Lei nº. 10.172/2001 que
estipula uma política de estratégia para a promoção, a renovação e desenvolvimento nas
universidades para uma educação igualitária capaz de suprir uma necessidade premente do
desenvolvimento de competências que habilite os sujeitos a aprender e apreender o saber a
ele transmitido.
E em vista disso, Mazzoni e Torres (2001) destacam os requisitos mínimos de
acessibilidade arquitetônica e urbanística da biblioteca em razão da efetivação das
legislações existente:
a)
Adequações de acessibilidade para usuários com limitações
associadas à motricidade:
b)
Independência do uso do mouse, como dispositivo apontador;
c)
Independência do uso do teclado, com via software;
d)
Independência do uso simultâneo de várias teclas,
e)
Flexibilidade no tempo de resposta, na interação com o sistema.
f)
b) Adequações de acessibilidade para usuários com limitações
associadas à audição:
g)
Materiais audiovisuais devem ser legendados, tanto com legendas em
texto com em Libras;
h)
Opções para controle de volume;

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

i)
Acesso visual à informação sonora,
j)
Serviço para a transcrição em textos de documentos digitais orais.
k)
c) Adequações de acessibilidade para usuários com limitações
associadas à visão:
l)
Ampliação da imagem e modificação dos efeitos de contraste na tela;
m) Independência do uso do mouse como apontador, com um uso maior
do teclado;
n)
Uso do software (Dosvox e Virtual Vision) para a leitura de tela, ao
qual está associado a sintetizador de voz;
o)
Opção para o acesso à informação,
p)
Opções para acesso à informação em Braille, seja na forma de texto
impresso, seja por intermédio do periférico linha Braille.

SASSAKI (2005) apud FONSECA (2012, p. 3), também traz a seguinte corroboração
ao destacar diferentes aspectos em relação à acessibilidade ao enfatizar que:
a) Acessibilidade arquitetônica: construção de espaços sem barreiras,
obstáculos que possam impedir a liberdade de movimentos de vir e ir de
qualquer pessoa;
b) Acessibilidade comunicacional: ausência de barreiras comunicacionais,
nas suas mais diferentes formas;
c) Acessibilidade metodológica: quando não há obstáculos nos métodos e
nas
técnicas de estudo, adaptações curriculares;
d) Acessibilidade instrumental: uso de tecnologia assistiva, de forma que os
deficientes não encontrem bloqueios que os possibilitem de utilizarem certos
objetos;
e) Acessibilidade programática: “sem barreiras invisíveis embutidas em
políticas públicas (leis, decretos, portarias, resoluções, medidas provisórias
etc.), em regulamentos (institucionais, escolares, empresariais, comunitários
etc.) e em normas de um geral;
f) Acessibilidade atitudinal: indivíduos das comunidades devem ser
conscientizados da importância do convívio entre todos, sem distinção de
cor, raça, sexo, idade e presença ou ausência de deficiências.

Assim, é necessário que as bibliotecas possuam os requisitos básicos que sejam
capazes de oferecer aos usuários as múltiplas possibilidades de acesso para a ampliação do
conhecimento.
A eliminação de barreiras arquitetônica e a disponibilização da informação e
comunicação nos espaços físico das bibliotecas deve ser uma realidade com vistas a promover
a inclusão social e democrática de todos perante uma sociedade igualitária respeitando a
dignidade e direitos citado no Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Em vista disso, as discussões sobre respeito à diversidade e os direitos de igualdade
para todos, vem oportunizar de forma decisiva a conquista de mudanças de paradigmas na
biblioteca universitária.
Para tanto, a biblioteca universitária é um dos espaços de educação inclusiva, capaz de

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

oferecer um serviço de qualidade e acessível de acordo com as normas da Associação
Brasileira das Normas Técnicas aos usuários com deficiência.
Diante disso, o Ministério da Educação (MEC) vem desenvolvendo ações voltadas
para a inclusão dos sujeitos na universidade a fim de garantir os direitos das pessoas com
deficiência por meio de acessibilidade ampla e articulada através do Projeto Incluir.
Portanto, é imprescindível que haja a promoção desses diferentes tipos de
acessibilidade na biblioteca universitária, para que os indivíduos com limitações possam ser
e, se desenvolver na sociedade em que vivem igualmente com as outras pessoas.
Para ampliar o entendimento quanto às políticas inclusivas voltadas para a biblioteca
tem-se a Lei Nº 10.861 – Avaliação da Educação Superior (SINAES) de 14 de abril de 2004
que esclarece “a contribuição da biblioteca para o ensino, a pesquisa e a extensão”,
assumindo, assim, a função social de prover a infraestrutura documental e promover a
disseminação da informação, em prol do desenvolvimento da educação, da ciência e da
cultura.
Outro ponto a destacar neste contexto da educação inclusiva da biblioteca se baseia na
dimensão dos programas geridos para a educação do ensino superior constante no Plano
Nacional de Educação (PDE) estabelecida pela Lei nº. 10.172/2001 que estipula uma política
de estratégia para a promoção, a renovação e desenvolvimento nas universidades para uma
educação igualitária capaz de suprir uma necessidade premente do desenvolvimento de
competências que habilite os sujeitos em formação a aprender e apreender o saber a ele
transmitido.
Assim, a acessibilidade na biblioteca pode ser considerada como a eliminação das
barreiras da exclusão social, tais como: informacional, econômica, política, cultural, entre
outras, representando ao sujeito um significado importante para a disponibilidade de
informação e comunicação aos conteúdos em formatos alternativos.
Desse modo, a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 traz a seguinte uma
contribuição valiosa, quando explicita que:
A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida
familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e
pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas
manifestações culturais (BRASIL, 1996).

Nas bibliotecas universitárias, esta acessibilidade era vista apenas como “portas
abertas” para a comunidade interna e externa na qual está inserida e, atualmente, precisa estar
devidamente amparada pela legislação e normas de acessibilidade vigentes, como NBR

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

9050:20041 e Lei 10.098/002.
Para tanto, a Associação Brasileira de Normas Técnica (ABNT) - NBR 9050: 2004
destacam as regras que devem se seguidas nas bibliotecas universitárias como as vagas de
estacionamento e sinalizações, conforme as figuras a seguir:
Figura 1: Símbolo Internacional de Acesso Fonte:

Fonte: ABNT NBR 9050 (2004)

Figura 2: Símbolo internacional de pessoas com deficiência visual

Fonte: ABNT NBR 9050 (2004)

Figura 3: Símbolo internacional de pessoas com deficiência auditiva

Fonte: ABNT NBR 9050 (2004)

Quanto à acessibilidade informacional, é necessário que os espaços informacionais
(bibliotecas) sejam criados ou adaptados, a fim de proporcionar aos usuários Portadores de
Necessidades Especiais (PNE) maior acessibilidade por meio das tecnologias assistiva, como
1
2

Norma Brasileira de Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.

Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas
portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
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os materiais em Braille ou em libra e interpretes.
Para Torres, Mazzoni e Alves (2000, p. 86), enfatizam que a acessibilidade da
informação deve compreender a usabilidade tecnológica e,
[...] atender a distintas categorias de usuários são os programas de
reconhecimento da fala. Embora essa tecnologia esteja sendo aperfeiçoados,
vários produtos já estão sendo comercializados. Entre os seus possíveis
usuários, estão pessoas com deficiência de coordenação motora para digitar,
pessoas com deficiência visual e qualquer pessoa que prefira ditar em vez de
digitar.

Diante disso, Fialho e Silva (2012), destacam que é necessário as bibliotecas
universitárias possuírem softwares como:
a)
DosVox: Programa de comunicação por meio de síntese de voz.
b)
Delta Talk: Software que permite a interação com o computador de
maneira bem natural e apresenta a opção de escolha de três vozes diferentes.
c)
Virtual Vision: efetua a leitura de todo conteúdo selecionado pelo
usuário, até mesmo as planilhas, tabelas e sites na Internet.
d)
Jaws: Está entre os leitores de tela mais populares mundo, com
interface em português.
e)
Openbook: diferentemente de outros softwares o texto pode ser
convertido para o formato MP3.

De acordo com MAZZONI et. al (2001, p.31):
Dentro da estrutura de uma biblioteca universitária, a acessibilidade deve ser
vista tanto em aspectos urbanísticos (estacionamento, caminhos de acesso
etc.), em aspectos arquitetônicos (iluminação, ventilação, espaço para
circulação entre ambientes, banheiros, rampas adequadas etc.) e aspectos de
informação e comunicação (sinalização, sistemas de consulta e empréstimos,
tecnologia de apoio para usuários portadores de deficiências, sistemas para
acesso remoto etc).

Com a entrada de um número significativo de Pessoas com deficiência no ensino
superior gratuito, o papel das bibliotecas universitárias em contribuir com o ensino, pesquisa e
extensão ficou ainda maior. Não devemos mais contribuir apenas com os usuários comuns,
pensando em arquitetura com escadas cinematográficas, mobiliários inadequados e tecnologia
desatualizada. É necessário ir além. A biblioteca universitária deve inserir em seu processo
inclusivo desde o aspecto físico até o atitudinal se baseando na dimensão urbanística,
arquitetônica, comunicacional e instrumental para a promoção, renovação e desenvolvimento
de uma educação igualitária.
Dessa forma, as informações devem estar disponíveis e acessíveis a todos, uma vez

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

que, a inclusão de pessoas, segundo (FREIRE 2008, p.12), “é um movimento educacional,
mas também social e político que vem defender o direito de todos os indivíduos [...]”.

3 Materiais e métodos
Esta pesquisa trata-se de uma pesquisa bibliográfica tendo em vista o fato de que a
pesquisa visa discutir a representação social da biblioteca e também poderá ser caracterizado
como uma pesquisa descritiva do ponto de vista dos objetivos descritos a partir da abordagem
apresentada.
Diante disso, Ferrão (2008, p 103) descreve a pesquisa bibliográfica como “a consulta
de todas as fontes secundárias relativas ao tema que foi escolhido para a realização do
trabalho”. Rudio (2009, p.71) considera a pesquisa descritiva como “[...] aquela interessada
em descobrir e observar fenômenos, procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los”.
Para tanto, o referencial teórico terá como base os recursos bibliográficos, bem como:
livros, base de dados, portais e outros.

4 Resultados parciais
Como resultado esperado pretende-se destacar o papel social da biblioteca
universitária diante da construção do conhecimento do sujeito em formação. É esperado,
também, mostrar os vários tipos de instrumentos que podem ser úteis para a inclusão do
sujeito baseando-se na utilização da tecnologia.

5 Considerações parciais
Percebe-se que a biblioteca é uma instituição social com condições necessárias para o
desenvolvimento da cidadania do sujeito através de seus materiais bibliográficos,
audiovisuais e outros meios que disponibiliza a comunidade educacional, constituindo assim,
parte integral do sistema educativo que participa estimulando e facilitando seus objetivos,
metas e fins.
Logo, os ambientes digitais tornou-se um dos principais meios de acesso às pessoas
com deficiências frente às tecnologias de informação e comunicação, o qual, através do
espaço privilegiado da biblioteca podem se inter-relacionar com os serviços e suportes
oferecidos prol do desenvolvimento da educação e cultural.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Nesta percepção é razoável compreender que é possível construir um acervo dinâmico
de recursos educacionais digitais capazes de propagar o conhecimento, cujo objetivo é
modificar as relações sociais e culturais do indivíduo.
Por isso, pode-se afirmar que a utilização da tecnologia como apoio ao ensino
possibilita a interação da comunidade escolar com a biblioteca como um dos meios da
“realização das atividades do cotidiano; como mediadora da comunicação; serve como
instrumento de armazenagem e busca de informações, além de ser um instrumento para a
disseminação de informações, pelas publicações de materiais” para o usuário interativo², uma
vez que, as que atividades desenvolvidas nas bibliotecas ganharam novas dimensões na
ampliação dos serviços de tratamento da informação.
Portanto, a biblioteca não é apenas um local de transmissão do conhecimento, de um
saber ou até mesmo de uma conduta, mas, sobretudo um laboratório de cultura, educação e
um espaço para a iniciação à vida que pode ser ampliado quando estabelece a significação do
indivíduo para o mundo que o cerca.
A biblioteca enquanto centro de informação tem que fazer o possível para transmitir e
disseminar a informação de forma satisfatória, uma vez que a tecnologia propõe facilidades
de serviços e acesso à informação.
Nessa perspectiva, é necessário que a biblioteca venha apropriar-se de seu papel, e que
seja capaz de servir de instrumento e direcionar o indivíduo no convívio com a leitura e a
informação, estabelecendo assim uma relação de bem-estar ao inserir as modernas tecnologias
do acesso à informação, e desta forma criar hábitos e comportamentos à sociedade.
Consequentemente a biblioteca só será capaz de interagir com a sociedade no seu
processo de seu desenvolvimento social caso estejam comprometidas a se adequar ao seu
público e as novas demandas da sociedade.

6 Referências
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edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2004.
Disponível em: &lt;
http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_gen
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BRASIL, Lei nº 10.172 de 09 de janeiro de 2001. Plano Nacional de Educação. Disponível
em: &lt; http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/L10172.pdf.&gt; Acesso em: 20 de março de 2016.
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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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de março de 2015.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Este trabalho tem como objetivo trazer algumas contribuições acerca da representação social da biblioteca universitária como parte instrumental do processo educativo diante da educação inclusiva. Para tanto, parte-se do pressuposto de que, a biblioteca universitária é um dos elementos  imprescindíveis para o desenvolvimento social e cultural do sujeito em formação. Para tal, procuramos descrever o papel social da biblioteca, a partir das políticas inclusivas voltadas para a biblioteca, como a Lei No 10.861 – Avaliação da Educação Superior (SINAES) de 14 de abril de 2004 que esclarece a contribuição da biblioteca para o ensino, a pesquisa e a extensão. Metodologicamente, este trabalho se baseia em uma revisão de literatura bibliográfica, a qual discute à luz da literatura existente a temática abordada. Por tanto, espera-se que este trabalho contribua com o desenvolvimento potencial da biblioteca como agente mediadora da informação e possa possibilitar ao sujeito em formação à essência do letramento informacional.</text>
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                    <text>A RELEVÂNCIA DO FACEBOOK COMO FERRAMENTA DE
COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÃO JURÍDICA
Eliane Maria da Silva Jovanovich (UEL) - emsjovanovich@yahoo.com.br
Resumo:
O presente artigo trata do compartilhamento de informação jurídica no Facebook,
especialmente as postagens da página do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ)
da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O estudo foi desenvolvido no EAAJ com 53
alunos/estagiários do 5º ano do curso de Direito, matriculados nas disciplinas de estágio
obrigatório. O objetivo do estudo foi verificar o uso e a relevância da informação jurídica
postada na fanpage do EAAJ . Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, utilizando as
abordagens quantitativa e qualitativa. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário e
um formulário para a análise dos perfis no Facebook dos estagiários. O questionário foi
dividido em três partes, onde a primeira parte buscou levantar o perfil dos alunos/estagiários,
a segunda parte destacou a questão do compartilhamento e a terceira versou sobre os
conteúdos postados no Facebook. Pode-se verificar que com a ferramenta Facebook é possível
compartilhar notícias, informações, vídeos, fotografias e
informações relevantes que
subsidiam o desenvolvimento das atividades dos alunos/estagiários e dos operadores do
Direito . E ainda que a página do EAAJ no Facebook tornou-se um instrumento capaz de dar
suporte aos docentes/advogados, alunos/estagiários e funcionários que atuam nesse escritório
da UEL.
Palavras-chave: Facebook. 2. Informação jurídica 3. Compartilhamento de Informação
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As tecnologias de informação e comunicação estão sendo aprimoradas e incidem em
novos rumos para os recursos da Internet, circunstâncias que possibilitam mudanças no setor
econômico, social e cultural, com reflexos na vida de todos os indivíduos. Com a internet, a
massificação dos meios de comunicação propiciaram um número maior de pessoas
conectadas entre si e interagindo, formando as redes sociais. Nesses ambientes, na concepção
de Brown, Broderick e Lee (2007), a comunicação flui de uma forma natural, com muita
flexibilidade, principalmente pelo fato da amplitude de assuntos em função dos interesses e
das relações. Consoante com esse crescimento surgiram as mídias sociais digitais que foram
aprimoradas e atualmente são grandes aliadas na disseminação de informações e uma
excelente ferramenta de visibilidade para as instituições. A mídia Facebook se tornou uma
ferramenta importante para o compartilhamento de informações, proporcionando maior
visibilidade na rede, em consequência, é comum vermos bibliotecas com perfis nas mídias
sociais, engajadas nas redes sociais digitais.
Considerando essas particularidades, este estudo foi desenvolvido no Escritório de
Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com
os alunos/estagiários. O objetivo do estudo foi verificar o perfil, o uso e a relevância da
informação jurídica postada na fanpage do EAAJ.
Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, utilizando as abordagens quantitativa
e qualitativa. Considerando que durante a pesquisa a instituição entrou em grave, 53
alunos/estagiários do 5º ano do curso de Direito, matriculados nas disciplinas de estágio
obrigatório no EAAJ da UEL, participaram deste estudo. A coleta de dados foi realizada em
duas etapas, na primeira etapa foi utilizado um questionário, que foi dividido em três partes:
1a.) levantou-se o perfil dos alunos/estagiários; 2a.) destacou-se especificidades do
compartilhamento e 3a.) versou sobre os conteúdos postados no Facebook. Na segunda etapa
da coleta empregou-se um formulário para a análise dos perfis no Facebook dos estagiários do
EAAJ.
O Facebook, como uma das mídias sociais de maior impacto na Internet, tem a missão
de “[...] oferecer às pessoas o poder da partilha, tornando o mundo mais aberto e interligado”.
(FACEBOOK, 2014, p.1). Esta mídia social está a cada dia mais presente na vida das pessoas,
inclusive nos dispositivos móveis, por isso a página do EAAJ, foi selecionada para ser
pesquisada.

2 O COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÃO JURIDICA NO FACEBOOK
Na sociedade contemporânea, as tecnologias de informação e comunicação trazem
consigo benefícios e desafios. As tecnologias propiciaram um novo ambiente. O ambiente
virtual provocou uma mudança significativa com relação à interação social dos indivíduos
através das redes sociais existentes no ciberespaço. Nesse ambiente, as mídias sociais
surgiram a partir da necessidade da própria sociedade, permitindo que as redes sociais
também pudessem ser desenvolvidas nos espaços digitais. As redes sociais virtuais são
ambientes em que um volume expressivo de dados e informações circulam com muita rapidez
e possibilitam o compartilhamento de informações.
Para os autores Lemos e Lévy (2010, p.101), “O desenvolvimento de comunidades e
redes sociais on-line é provavelmente um dos maiores acontecimentos dos últimos anos,
sendo uma nova maneira de se fazer sociedade”. A internet criou uma nova forma de
organização social, que foi transportada para as comunidades em redes (CASTELLS, 1999) e

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

as mídias sociais são as ferramentas que oportunizam esse tipo de comunidade. Na concepção
de Lévy (2004, p.29) as redes devem ser pensadas como uma inteligência coletiva, “[...] uma
inteligência distribuída em toda a parte, valorizada incessantemente, coordenada em tempo
real, que leva a uma mobilização efetiva dos conhecimentos” e de seu compartilhamento.
A palavra "compartilhamento" possui diversos sinônimos, como por exemplo,
disseminação, troca, divulgação, distribuição, transferência de informações, etc. Autores como
Alcará et al. (2009) e Davenport (1998) adotam o termo compartilhamento da informação, o
qual também é empregado nesta pesquisa. No atual cenário, a relevância da tecnologia em
todo o processo de compartilhamento da informação é inegável e reconhecida por Davenport
e Prusak (1998) quando dissertam sobre a transferência de conhecimento e garantem que sem
o uso das tecnologias, esse processo não poderia ocorrer com tanta intensidade, como
acontece com o uso das ferramentas propiciadas pela tecnologia de informação e
comunicação. Aqueles que compartilham não precisam estar presentes num lugar e podem ser
relativamente desconhecidos entre si, ou ser conhecidos apenas pelo compartilhamento de
informações.
O compartilhamento de informação é um processo social complexo, depende muito da
motivação, que envolve a boa vontade e conforme Kalman, Monge e Fulk (2002) a
informação é um recurso que não conseguimos com facilidade extrair das pessoas, é algo que
não se pode forçar. Pesquisas desenvolvidas por Cross, Borgatti e Parker (2002) divulgam que
os indivíduos compartilham informações com maior facilidade com pessoas que eles já
conhecem e interagem.
Compartilhar informação é o ato de partilhar, o que para Davenport (1998) é "[...] um
ato voluntário" que visa colocar as informações à disposição dos outros. Para o autor, "o
vocábulo compartilhamento implica vontade" por parte do emissor (DAVENPORT, 1998,
p.115). Nos dias atuais, o compartilhamento de informações jurídicas é uma ação
importantíssima e fundamental na vida dos operadores do Direito.
Alguns órgãos do governo mantêm uma rotina de postagens em suas páginas de
Facebook com o objetivo de compartilhar informações jurídicas num processo ágil de
disseminação de informação, por meio da internet e aproveitam o potencial das mídias
sociais. Observa-se, também, a veracidade dessas informações, pois os conteúdos postados
são de fontes confiáveis, com credibilidade.
As fanpages no Facebook, como é o caso do da página do EAAJ, auxiliam “[...] no
cumprimento da determinação constitucional de publicidade dos atos oficiais e jurídicos a
partir do momento em que permite, com uma simples busca, que qualquer página de sua base
de mais de 50 milhões de documentos seja facilmente encontrada, por qualquer cidadão
brasileiro” (JUSBRASIL, 2014, p.1).
Com a finalidade de compartilhar e dar a publicidade que os atos oficiais demandam, é
necessário que sejam compilados de forma a torná-los acessíveis para o compartilhamento
dessas informações jurídicas. Para que se efetive o compartilhamento de informação em
mídias sociais, é necessário que as redes sejam interativas e colaborativas e favoreçam um
fluxo das informações partilhadas.
3 O FACEBOOK DO EAAJ
O Facebook é uma ferramenta de destaque no ambiente virtual. Maness (2007) indica
alguns caminhos para a adoção de redes sociais digitais pelas bibliotecas:

Redes sociais permitiriam que bibliotecários e usuários não somente
interagissem, mas compartilhassem e transformassem recursos
dinamicamente em um meio eletrônico. Usuários podem criar vínculos com
a rede da biblioteca, ver o que os outros usuários têm em comum com suas
necessidades de informação, baseado em perfis similares, demografias,

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fontes previamente acessadas, e um grande número de dados que os usuários
fornecem. (MANESS, 2007, p. 48).

O Facebook desempenha diversos papéis como: agenda, compras, encontros,
empregos, é um ambiente de debates e também de exibicionismo. É uma realidade construída
através dos meios de comunicação veiculados na internet e com os dispositivos móveis tem
aumentado, significativamente, seu impacto e abrangência. O Facebook permitiu que esse
compartilhamento, não só de informações como também da vida privada, se desse de forma
mais rápida, interativa e participativa, uma vez que o conteúdo da rede é exclusivamente
aquilo que os usuários postam.
Como o mundo virtual é um ambiente dinâmico, o Facebook está investindo,
atualizando e possibilitando o acesso por outros aplicativos que atendam às demandas,
principalmente dos que utilizam os aparelhos móveis (mobiles). No Brasil, segundo
pesquisas,
a maioria dos usuários brasileiros (72%) prefere se conectar a Internet
por smatphone e tablets, um bilhão de usuários (81%) acessa a rede a
partir de aparelhos móveis. No entanto, de acordo com o Facebook, a
ferramenta “Messenger” é utilizada “por mais de 200 milhões de
pessoas”, ou seja, um quinto dos usuários móveis do site. E mais
recentemente o Facebook adquiriu o aplicativo What’sApp, recurso
multiplataforma que possibilita a comunicação por mensagem de
texto/imagem/vídeo e voz. (FACEBOOK, 2014, p.1).
Várias são as mídias sociais existentes, segundo pesquisas desenvolvidas por
Kirkpatrick (2011), dentre as mídias, o Facebook é a plataforma de rede social que mais
cresce em número de usuários. Rosa e Santos acreditam que o Facebook:
[...] pode ser considerado, simultaneamente, a reprodução de uma sociedade
global conectada e uma via ou espaço aberto para essa livre expressão de
qualquer indivíduo conectado, independente das fronteiras do tempo e do
espaço. (ROSA; SANTOS, 2013, p.173).

Fundado em 1973, o Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos é um órgão
suplementar da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Caracteriza-se como um Escritório
Escola e tem como missão o trabalho social e o estágio curricular obrigatório. Existem duas
dimensões que abrangem a missão do EAAJ:

1. O trabalho Social: O EAAJ oferece o serviço de assistência jurídica à
população economicamente carente de Londrina e seus distritos, permitindo
que estas pessoas tenham acesso à justiça e ao exercício da cidadania. Esta
dimensão permite ao EAAJ ficar em sintonia com as finalidades descritas
no Estatuto da UEL, reforçando a responsabilidade social da Universidade.
2. O Estágio Curricular Obrigatório: Seguindo as Diretrizes Curriculares do
MEC e o Projeto Político Pedagógico do Curso de Direito da UEL, o EAAJ
atua como campo de Estágio Curricular Obrigatório para as atividades de
prática jurídica aos alunos do 4º e 5º ano do curso, nas seguintes opções:
Direito Penal e Processo Penal, Direito Civil e Processo Civil e Direito do

Trabalho e Processo do Trabalho.
É através do Escritório que o estagiário toma conhecimento da
realidade da advocacia. Pelo atendimento direto da população
economicamente carente, orientado e supervisionado por professores,
o acadêmico passa a conhecer os problemas sociais, culturais e
econômicos da realidade brasileira. (UEL, 2014, p.1).

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O atendimento é gratuito para os cidadãos que se enquadram nos critérios do EAAJ. A
dinâmica do escritório funciona da seguinte maneira:

O cliente procura o EAAJ queixando-se do seu problema, nas áreas Cível,
Penal, Trabalhista e Empresarial, é feito uma triagem jurídica prévia, pelos
professores. Posteriormente uma ficha é preenchida pela secretaria para
detectar sua situação sócio-econômica, procedendo ao agendamento prévio
de data/horário. Os casos são distribuídos aos alunos/professores, conforme
área de atuação ou opção de estágio. Após agendamento de data e hora, o
aluno munido da ficha para atendimento, faz a entrevista com o cliente,
anotando os dados necessários, solicitando documentos, elaborando
procuração; tudo, sob a orientação do professor. Com a orientação prévia do
professor, após providenciados todos os documentos, pelos clientes, o aluno
redigirá a petição, seguida da correção pelo professor. Após essas
providências, a ação é ajuizada. Todos os atos processuais, tais como,
despachos, audiências, contestações, embargos, recursos e contra-razões de
recursos, são acompanhados pelo aluno responsável pelo caso, juntamente
com o professor. (UEL, 2014, p. 1).

A página do EAAJ no Facebook foi oficializada em 2012. A bibliotecária e uma
professora do EAAJ são as responsáveis por postarem informações pertinentes (recuperadas
de portais oficiais da área jurídica na Internet), bem como as informações da biblioteca. O
Facebook do EAAJ (figura 1), é administrado pela biblioteca e tem como coadministradores
dois professores do curso de Direito. O propósito da página do EAAJ, no Facebook, é
compartilhar informações jurídicas atualizadas, buscando informações em sites de
credibilidade, pois a confiabilidade nas informações disponibilizadas devem ser sempre foco
para compartilhar as postagens.
Figura 1 – Fanpage do EAAJ no Facebook

Fonte: https://www.facebook.com/EAAJUEL/

O Facebook é uma plataforma de rede social muito utilizada por pessoas, instituições
e empresas. É um ambiente informal, uma mídia social poderosa que possibilita a sua
utilização nas mais diversas atividades. Pesquisas desenvolvidas pela Global Web Índex
(2014) revelaram que a frequência no site estava diminundo e de acordo com a pesquisa, a
plataforma teria tido uma queda de 6% nos usuários ativos.

2 Materiais e métodos

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É uma pesquisa de natureza descritiva, com abordagens quantitativa e qualitativa.
Considerando que durante a pesquisa a instituição entrou em greve, 53 alunos/estagiários do
5º ano do curso de Direito, matriculados nas disciplinas de estágio obrigatório no EAAJ da
UEL, participaram deste estudo. A coleta de dados foi realizada em duas etapas, na primeira
etapa foi utilizado um questionário, que foi dividido em três partes: 1a.) levantou-se o perfil
dos alunos/estagiários; 2a.) destacou-se especificidades do compartilhamento e 3a.) versou
sobre os conteúdos postados no Facebook. Na segunda etapa da coleta empregou-se um
formulário para a análise dos perfis no Facebook dos estagiários do EAAJ.

3 Resultados parciais/finais
Foram elencadas variáveis relevantes que identificam o perfil dos alunos/estagiários, a
fim de que se tenha conhecimento das características do grupo pesquisado. Nesse sentido, foi
dada ênfase para os seguintes atributos: sexo, área do Direito em que fazem estágio,
ocupação, endereço e estado civil, porém endereço e estado civil foram menos relevantes, mas
importantes para algumas considerações.
Enquanto a maioria dos pesquisados participa de mais de uma rede virtual,
encontramos quatro alunos/estagiários que não participam de nenhuma, esses quatro
alunos/estagiários não foram considerados para efeito desta pesquisa. O fato de quatro pessoas
não fazerem uso das mídias sociais também pode ser uma forma de afirmação social, pois
com a tecnologia presente na vida cotidiana, é quase impossível encontrar uma pessoa que
tenha acesso a um celular ou um computador com internet e que não participe de nenhuma
rede social (DORNELLES, 2008).
Pesquisas realizadas por Dornelles (2008) revelaram que o uso das mídias sociais
geravam status e uma nova forma de sociabilização foi criada com as redes sociais. Ficar fora
deste contexto dificultava o processo de interação com outras pessoas. Neste sentido,
podemos inferir que muitas das interações acontecem devido à grande exposição dos
indivíduos, onde diversas informações disponibilizadas por meio dos perfis no Facebook,
como as preferências, exposição de ideias, fotos, informações nos murais, geram ao mesmo
tempo interação e entretenimento por meio das várias funções e dos diversos recursos
oferecidos pelo Facebook (ROSA; SANTOS, 2013).
Nesse ambiente que é usualmente conhecido como ambiente virtual, são executadas
várias atividades, e a questão das identidades podem ser visíveis ou veladas, dependendo dos
papéis sociais (normas) e das ações sociais (CASTELLS, 1999). A seção de perfil do
Facebook disponibiliza a informação que o usuário preencheu nos seus dados de perfil e que
deseja partilhar com os seus amigos. No grupo pesquisado, pudemos observar que não houve
uma predominância quanto ao sexo, uma vez que 26 alunos/estagiários são do sexo masculino e
27 do sexo feminino, retratando um grupo bem homogêneo, nesse aspecto. A faixa etária dos
indivíduos varia entre 21 e 44 anos, sendo que 43 alunos/estagiários têm entre 21 e 24 anos, dez
entre 25 e 44 anos, destacando apenas um estagiário com idade acima dos 40 anos, o que nos
leva a considerar uma comunidade jovem.
Dos participantes, 50 são solteiros, dois casados e um em união estável, o que foi
confirmado também na pesquisa de perfil do Facebook. A prevalência de alunos/estagiários
solteiros corresponde a 94,3% dos pesquisados, o que nos leva a crer que os jovens buscam,
primeiramente, a realização pessoal e profissional, deixando o casamento para um segundo
plano. O casamento para esses jovens não é prioridade, nem momentaneamente um projeto de
vida (ZORDAN; FALCKE; WAGNER, 2009).
Dentre as áreas do Direito, a que possui mais alunos/estagiários atuantes é o Direito
Civil e Processo Civil (29) 54,71%, seguido de Direito Penal e Processo Penal (13) 24,52% e,

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na sequência, Direito do Trabalho e Processo do Trabalho (11) 20,75%, como apresentado no
gráfico 1.
Gráfico 1 – Distribuição percentual dos alunos/estagiários nas áreas do Direito

Direito do Trabalho e Processo
do Trabalho

20,75%

24,52%

Direito Penal e Processo Penal

54,71%

Direito Civil e Processo Civil

Fonte: Dados da pesquisa

A área do Direito Civil e de Processo Civil apresenta um número maior de
alunos/estagiários atuando, por ser uma subárea do Direito Privado, e ser baseada nos direitos
fundamentais do indivíduo (REALE, 1984), abrangendo os direitos individuais, direitos
obrigacionais, direitos associativos, direitos reais, direitos das sucessões e direito comercial.
Dos 53 alunos/estagiários pesquisados, 88,68% são oriundos de cidades do estado do
Paraná, e 11,32% são do interior do estado de São Paulo, de cidades próximas à Londrina,
conforme ilustrado na figura 6.
Figura 6 – Percentual dos alunos/estagiários por Estado
11,32%

Paraná
São Paulo

88,68%

Fonte: Dados da pesquisa.

O curso de Direito, assim como outros cursos da UEL, recebem muitos estudantes de
outras cidades, inclusive de outros estados. Observou-se que dos 53 pesquisados, 47
alunos/estagiários são do Paraná, oriundos da cidade de Londrina (33) 62,26%, conforme
representado na figura 7.
Figura 7 – Cidades paranaenses de origem dos alunos/estagiários

6,38%

Londrina

2,12%2,12% 2,12%
2,12%2,12%
2,12%
2,12%

Cambé
Ibiporã
Apucarana
Congonhinhas
Assaí
Maringá

8,51%

Porecatu
Primeiro de Maio
70,21%

Fonte: Dados da pesquisa.

Ribeirão do Pinhal

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Alunos/estagiários do estado de São Paulo somam 6 que representam 11,32% do total de
53 alunos/estagiários e estão distribuídos conforme figura 8.
Figura 8 – Alunos/estagiários oriundos do Estado de São Paulo
16,7%

16,7%

Americana
Bauru
16,7%

16,7%

Jales
Lençóis Paulista
Marília
São José do Rio Preto

16,7%

16,7%

Fonte: Dados da pesquisa.

Um número significativo (33 - 62,36%) são londrinenses, enquanto 14 (26,41%) são
oriundos de outras cidades do estado do Paraná, 6 alunos/estagiários (11,32%) são do interior do
estado de São Paulo, de cidades próximas a Londrina, conforme ilustrado na figura 9.
Figura 9 – Distribuição geográfica dos alunos/estagiários por cidade/estado.

Fonte: Dados da pesquisa.

Verificamos que no grupo de 53 alunos/estagiários, 47% (25) alunos/estagiários
conhecem a página do EAAJ no Facebook, pois apesar de serem apresentados e orientados
pela biblioteca no início de cada ano letivo, onde todas as informações a respeito do EAAJ
são repassadas, 53% dos alunos/estagiários (28) a desconhecem.
Dos 25 alunos/estagiários que conhecem a página do EAAJ, 23 dos que acompanham
as informações postadas no Facebook, são motivados pelo conteúdo das postagens. Destacam
diversos atributos, tais como: informações do EAAJ, informações sobre a UEL, credibilidade
da página, informações da biblioteca, informações atualizadas e relevantes do Direito,
informações sobre o estágio, enquanto 16 disseram não acompanhar as postagens.
O ato de curtir uma informação postada no Facebook significa que a pessoa apreciou a
informação e/ou compartilha da mesma idéia. O “curtir” é uma forma de comunicação não
verbal entre pessoas no Facebook. Diante de tal assertiva, buscou-se então saber se os
pesquisados “curtem” as informações postadas na página do EAAJ.
Dentre os respondentes, 17 participantes afirmaram que “curtem” as informações
postadas na fanpage do EAAJ e as justificativas para as “curtidas” são: compartilha conteúdos
importantes, informações atualizadas, a página oferece informações relevantes.
Com a análise dos dados, podemos inferir que os alunos/estagiários curtem as
informações que acham importantes; o diferencial é que eles não têm o hábito da maioria das

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pessoas que por diversas vezes curtem tudo que é postado, e muitas vezes, nem fazem a
leitura da mensagem no todo.
O Facebook modificou suas formas de interação, a companhia atribuiu um botão
conforme figura 10 com diversas reações, o que presume-se que vai melhorar a interação na
rede. Em uma entrevista dada por Zuckerberg (2015), os usuários querem o botão porque
sentem a necessidade de expressar sua empatia (ou não) na rede social, surgindo, desta forma,
surge uma nova maneira de interação.
Figura 10 – Botão de reação do Facebook

Fonte: https://www.facebook.com/EAAJUEL/

Um grupo de 20 pesquisadas que “não curtem” afirmaram não ter essa prática por falta
de interesse e por não acessarem, frequentemente, o Facebook. Alguns depoimentos dos
participantes da pesquisa se destacaram, como por exemplo: “não tenho uma conduta de curtir
nem compartilhar nada no Facebook” (est.7)1, “não há razão para curtir, mas sim para ler a
informação” (est.23), “informações normais leio, mas não sinalizo com “curtir” (est.28).
Verificando os dados da pesquisa, observamos as diversas justificativas apresentadas
para não sinalizarem com o curtir. Podemos deduzir que sejam decorrentes, principalmente,
do hábito e da especificidade do grupo, já que os alunos/estagiários preferem somente fazer a
leitura da notícia. A fala de um estagiário nos chamou a atenção: “Não gosto dos conteúdos
das notícias veiculadas, falta uma crítica, e não apenas o texto que compartilha as
informações” (est.35).
Os dados postados no Facebook pelo EAAJ são geridos pela bibliotecária e por uma
professora do EAAJ, sendo responsáveis apenas pelas postagens, pois as condutas de não
emitir crítica estão regulamentadas no manual de utilização das mídias sociais que foi
elaborado pela bibliotecária do EAAJ.
Um ponto preocupante apontado pelos alunos/estagiários é com relação ao não
conhecimento da fanpage. No grupo pesquisado, 16 alunos/estagiários afirmaram não
conhecer a fanpage do EAAJ no Facebook, alegaram que as informações não aparecem na
sua timeline2, e ainda justificaram a falta de divulgação da fanpage. Devido às restrições
indicadas, constatamos que é necessária uma maior divulgação da fanpage para abranger um
número maior de alunos/estagiários.
Ao abordar a pertinência dos conteúdos postados na fanpage do EAAJ, 23
participantes afirmaram que as informações jurídicas postadas são adequadas, enquanto 12
1

Os alunos/estagiários receberam uma sigla e um número para individualizá-los e manter o sigilo
sobre sua identificação.
2
A timeline que em tradução livre significa linha do tempo, é um aplicativo disponível no ambiente do
Facebook que tem como finalidade, criar uma linha em ordem cronológica de todas as ações no
Facebook.

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disseram que as postagens são impertinentes. Foi constatado que esses 12 que não
acompanham as postagens, fazem parte dos 20 que “não curtem” as informações postadas.
Uma parcela dos alunos/estagiários que acredita que os conteúdos postados no
Facebook são pertinentes justificou que são informações de grande relevância para os
estudantes do escritório, são notícias atuais e confiáveis, mesmo tendo a consciência de que
no ambiente virtual existem vários obstáculos que dificultam investigar a credibilidade dos
conteúdos compartilhados.
Os participantes que confiam nos conteúdos postados pelo EAAJ afirmam que os
mesmos são pertinentes e que cumprem o propósito de uma página jurídica, bem como as
publicações são consoantes com as atividades a serem exercidas pela instituição de função
pública e social, o que por sinal são desempenhadas satisfatoriamente, além de contemplar
conteúdos apropriados sobre as diversas áreas do direito e sobre a UEL.
Os 12 alunos/estagiários que não consideram os conteúdos pertinentes não
justificaram suas respostas. As postagens do Facebook do EAAJ são, na sua maioria, de
natureza jurídica e os conteúdos institucionais visam informar sobre o estágio, sobre a relação
entre o EAAJ, a biblioteca, a universidade e o mundo jurídico.
Quando verificamos o uso efetivo das informações postadas no Facebook do EAAJ,
observamos que 11 respondentes disseram já ter utilizado efetivamente as informações, ou
seja, 2 alunos/estagiários utilizam diariamente, 4 quinzenalmente, e 5 mensalmente, enquanto
23 dos respondentes não utilizam, de fato, as informações compartilhadas pelo EAAJ.
Sobre o compartilhamento de informações jurídicas, especificamente do Facebook do
EAAJ, 10 pessoas afirmaram compartilhar, 29 não compartilham, e 14 não responderam. Os
que compartilham afirmam que o fazem porque as informações chegam instantaneamente
pelos amigos através das redes sociais e compartilham informações por julgarem importantes,
ou quando acham que mais pessoas deveriam tomar ciência de tal informação jurídica.
Os alunos/estagiários que não compartilham as informações jurídicas alegam,
principalmente, que não possuem o hábito de utilizar a plataforma, não conhecem a fanpage,
bem como não acompanham a página e os conteúdos, não possuem na sua rede pessoas
interessadas por informação jurídica por não serem da área, e por isso, não compartilham.
Para alguns pesquisados o Facebook não tem essa finalidade.
Por conseguinte, 19 pesquisados responderam que é importante conhecer os gestores
de conteúdos, por ser um fator a mais a contribuir para a credibilidade da página. A
responsabilidade de quem posta é grande e deve ser preocupação da instituição, afinal se algo
for disseminado indevidamente a instituição é quem cai em descrédito. Diante desses fatores,
é importante conhecer a competência do profissional, sua capacitação, até para não influenciar
nas postagens e dar credibilidade. Um número expressivo de pesquisados (32) disse não ver
relevância em saber quem são os gestores pois os conteúdos postados no Facebook são mais
importantes
Apesar de um número considerável de alunos/estagiários (21) terem respondido não
conhecer o Facebook do EAAJ e não compartilhar as informações jurídicas postadas, 32
alunos/estagiários acham importante que se mantenha o perfil do EAAJ no Facebook,
alegando que a página tem o papel de levar ao público conhecimentos jurídicos e ser uma
ferramenta de compartilhamento de informações relevantes. Justificam, ainda, que é uma
ferramenta, um canal e um meio prático para que se veicule informações e que a comunicação
entre as informações jurídicas e os alunos/estagiários devem ser mantidas, gerando então uma
grande interação e reciprocidade nesse ambiente virtual.
Para uma instituição como o EAAJ que tem uma responsabilidade social, utilizar as
mídias sociais como a plataforma Facebook é ter um grande aliado no contato com a
comunidade estudantil e com a comunidade externa, proporcionando visibilidade e
esclarecendo eventuais dúvidas da sociedade como um todo, disseminando informações

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gerais, desde o funcionamento do EAAJ, até informações mais complexas. Nesse contexto as
pessoas sentem necessidade de estarem conectadas nas redes sociais em ambientes virtuais e a
pesquisa revelou que a maioria dos respondentes parecem sentir essa necessidade, uma vez
que utilizam o Facebook.
Os assuntos de interesse mais citados pelos alunos/estagiários foram: regras do EAAJ,
sobre a biblioteca, temas polêmicos da atualidade, direito de família, inovações em
jurisprudência, jurisprudências da justiça do trabalho, legislação, curiosidades jurídicas, casos
mais recorrentes no próprio EAAJ, redução da maioridade penal, assuntos relacionados à
UEL, Londrina, e ao próprio escritório, sobre trabalho do legislativo em temas polêmicos,
como redução da maioridade penal e sobre as operações como a lava jato, temas que estão
sendo tratados no legislativo, terceirização, com textos opinativos e não apenas notícias.
Observamos que os alunos/estagiários, além de sugerirem assuntos específicos da área
jurídica, ainda recomendam assuntos que tratem do EAAJ, pois desta forma eles teriam
acesso a todas as informações que envolvam o seu dia a dia.
Verificamos que os motivos que levam os alunos/estagiários a curtir e adicionar a página do
EAAJ aos seus perfis é o fato da página ser satisfatória às suas necessidades informacionais e
compartilhar informações com temas adequados.

4 Considerações parciais/finais
O ato de disseminar e compartilhar informações jurídicas é o responsável por grande
parte da propagação de conteúdos, das interações e da reciprocidade nas comunidades, e o uso
das mídias sociais agiliza esse processo. Quando uma informação jurídica é postada na rede,
ela já vem (re) compartilhada por outro indivíduo ou instituição, lembrando que cada usuário
que compartilha algo permite que seu ciclo de amigos visualize, curta, comente, e desta
forma, tenha acesso ao mesmo conteúdo.
Toda essa interação e reciprocidade advêm das facilidades propiciadas pelas mídias
sociais que são ferramentas (plataformas) que possibilitam a geração de capital social na rede.
O Facebook é uma plataforma de relacionamento bastante utilizada, por ser adequada nas
configurações das redes sociais, tem uma abrangência de visibilidade enorme, é uma
ferramenta poderosa de divulgação para as instituições, empresas, etc.
Se por um lado o grupo pesquisado apresenta particularidades consideradas específicas
da área do Direito, como por exemplo, o fato de alguns estagiários apenas fazerem as leituras
das informações jurídicas e não compartilharem qualquer tipo de informação jurídica, por
outro, um número significativo de estagiários que compartilha informações jurídicas interage
com seus amigos da rede. As informações jurídicas que se movimentam pela rede são
utilizadas pelos estagiários para sanar dúvidas ou complementar ideias de forma a agregar
valor nas atividades realizadas por eles, no seu dia a dia. Muitas das informações jurídicas são
utilizadas nos processos, ou até mesmo nas questões pessoais, seja na resolução de problemas
ou simplesmente na obtenção de conhecimento. As informações postadas na página do
Facebook do EAAJ são relevantes, servindo como aporte e auxiliando no desenvolvimento de
suas atividades, seja para complementar um processo teoricamente, ou na sua argüição, o que
contribui efetivamente nesse processo de compartilhamento.
Atualmente, com as mídias sociais digitais, pertencer a uma rede social no ambiente
virtual proporciona aos cidadãos um maior contato com outras redes ou grupos diferenciados,
de forma a atender a ânsia e a necessidade de pertencimento às redes sociais existentes no
ambiente virtual.
Sugere-se que outros estudos sejam feitos com esta comunidade a fim de analisar a
rede desses estagiários, utilizando metodologias próprias de análise de redes, mapear os

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diversos atributos referentes ao compartilhamento de informação jurídica na rede, de forma a
incentivar novos projetos e pesquisas na Ciência da Informação para que esta venha a dialogar
com as demais áreas envolvidas.

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&lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1677-

�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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                <text>O presente artigo trata do compartilhamento de informação jurídica no Facebook, especialmente as postagens da página do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O estudo foi desenvolvido no EAAJ com 53 alunos/estagiários do 5o ano do curso de Direito, matriculados nas disciplinas de estágio obrigatório. O objetivo do estudo foi verificar o uso e a relevância da informação jurídica  postada na fanpage do EAAJ . Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, utilizando as abordagens quantitativa e qualitativa. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário e um formulário para a análise dos perfis no Facebook dos estagiários. O questionário foi dividido em três partes, onde a primeira parte buscou levantar o perfil dos alunos/estagiários, a segunda parte destacou a questão do compartilhamento e a terceira versou sobre os conteúdos postados no Facebook. Pode-se verificar que com a ferramenta Facebook é possível compartilhar notícias, informações, vídeos, fotografias e informações relevantes que subsidiam o desenvolvimento das atividades dos alunos/estagiários e dos operadores do Direito . E ainda que a página do EAAJ no Facebook tornou-se um instrumento capaz de dar suporte aos docentes/advogados, alunos/estagiários e funcionários que atuam nesse escritório da UEL.</text>
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                    <text>A PESQUISA AÇÃO COLABORATIVA COMO INSTRUMENTO DE
TRANSFORMAÇÃO DAS PRÁTICAS CULTURAIS EM BIIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS : O CASO DA BIBLIOTECA DE CIÊNCIAS E
TECNOLOGIA DA UFC

Ana Cristina Azevedo Ursulino Melo (UFC) - anacristina@ufc.br
Aline Vieira Nascimento (UFC) - alinevn33@gmail.com
Resumo:
Aborda o processo das práticas culturais em Bibliotecas Universitárias, em diferentes aspectos
como incentivo a cultura através de várias ferramentas, com o objetivo de dinamizar as
práticas culturais na Biblioteca de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Ceará e
sua inserção no novo contexto de incentivo a cultura e a leitura. Enfatiza a importância da
Biblioteca Universitária como agente cultural, mostrando os requisitos necessários e as
ferramentas que o bibliotecário pode utilizar nesse processo de ação cultural. No referencial
teórico abordou-se a questão da responsabilidade social e o papel do bibliotecário nesse
contexto, bem como a análise do papel dos bibliotecários como agentes culturais. No decorrer
da prática das ações da pesquisa foram observadas importantes questões acerca da
articulação entre pesquisa e formação. Observou-se ainda que: os bibliotecários tornaram-se
mais participativos e motivados, que os usuários interagiram com as ações, que a pesquisa
proporcionou manifestações de autoestima dos funcionários da biblioteca fazendo com que as
ações fossem reconhecidas como elementos facilitadores para melhora o diálogo junto aos
usuários. As conclusões enfatizaram a importância do papel social nas bibliotecas onde o
desenvolvimento de ações culturais delineia como o bibliotecário pode exercer de maneira
eficaz o papel de agente cultural, conseguindo, por meio delas, aliar o implemento do seu
trabalho a outras formas de contribuição social e cultural.
Palavras-chave: Ação Cultural. Práticas renovadoras. Bibliotecas Universitárias.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Perfil profissional e práticas renovadoras

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As Bibliotecas Universitárias são órgãos que buscam a interação com o meio em que
estão inseridas, atentas às mudanças, potencializando seus serviços e produtos, desenvolvendo
novos produtos, para atender com competência seus usuários.
Nesse sentido, a temática da ação cultural é de extrema importância no
desenvolvimento dessas habilidades por possibilitar vários tipos de ações como a educativa,
informativa, complementar e lúdica. Pois a ação cultural é vista como o ponto de partida
fundamental para a realização da criação de algo novo em seu espaço de cultura, sendo um
novo olhar, ou um novo modo em se trabalhar às atividades propostas pela instituição e seus
usuários e colaboradores. A ação cultural também pode gerar a transformação no processo
educativo, possibilitando uma troca de informações para temas de interesse coletivo.
Através dessas ações culturais biblioteca universitária deverá exercer uma
participação mais efetiva em eventos e projetos voltados ao resgate cultural, promovendo
ações que visem à mediação da informação no processo político-educativo, no qual seus
usuários e, principalmente a comunidade em geral, possas passar de meros receptores a
produtores de cultura, participando da discussão sobre essas questões.
Dessa maneira, a biblioteca universitária estaria rompendo com seus paradigmas
tradicionais dentro da universidade, deixando de ser apenas um suporte ou uma extensão das
salas de aula e pela mesmice do zelo pelo acervo impresso. Tornando a biblioteca em um
espaço prazeroso, atraente, dinâmico, de livre acesso à leitura e ao conhecimento, voltada
também para a produção cultural.
Partindo desses aspectos elaborou-se uma pesquisa-ação na Biblioteca de Ciências e
Tecnologia da Universidade Federal do Ceará com o objetivo mostrar algumas ações
desenvolvidas na biblioteca, com o intuito de reforçar a importância do seu significado para o
desenvolvimento da ação cultural na prática.
Essas ações culturais têm como objetivo promover a informação, aumentar a
frequência dos usuários e comunidade em geral. Disseminando a cultura, incentivando à
leitura, dinamizando o uso do acervo, bem como incentivando como melhor utilizar o espaço
físico da biblioteca.

2 Revisão de literatura
2.1 Responsabilidades Social e o Papel do bibliotecário
A Percepção, os princípios éticos e os valores morais nos fazem refletir sobre a
importância da responsabilidade social no âmbito das bibliotecas universitárias levando
sempre em consideração sua equipe, usuários e todos que com ela se relacionam.
Responsabilidade social nas IES deve ser uma preocupação constante no fazer
bibliotecário nas Bibliotecas universitárias em virtude da sua missão de organizar, preservar e
disseminar a informação para a produção do conhecimento e da necessidade de levar a
informação para fora do espaço físico das bibliotecas. E por serem organizações criadas e
mantidas para dar sustentação aos pilares das universidades que são o ensino, a pesquisa e a
extensão.
Nesse sentido corroboramos com Freire e Araújo (1999), quando afirma que o
profissional da informação pode praticar a responsabilidade social facilitando para sociedade,
a comunicação do conhecimento para aqueles que dela necessitam em resposta à globalização.
Cabendo a esses profissionais da informação a ampliação das suas competências a fim
de agregar valor aos serviços que prestam aos usuários, pois essas competências são
essenciais ao efetivo funcionamento das organizações do conhecimento.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Para Cunha (2003), nossa profissão é essencialmente social , que somos profissionais
de mediação e de contato. Precisamos ir além das funções técnicas e nos engajarmos mais
nas funções sociais e culturais, a fim de colaborarmos para o desenvolvimento social na
construção de uma sociedade mais justa, contribuindo assim para uma inclusão social, cultural
e digital da sociedade.
O Fato é que para conseguir desempenhar o seu papel social e educativos as
Bibliotecas universitárias precisam estar preparada para atender seus usuários e a
comunidade geral que a freqüentam, oferecendo não apenas o acesso a informação em
diversos formatos como também disponibilizando o acesso à cultura que os cerca.
De acordo com Araújo (2010), na atualidade, o saber possui força inigualável e os
indivíduos querem poder participar ativamente desse processo permanente de acesso e
compartilhamento de conhecimento, no eterno ciclo aprender a aprender. E dessa forma a
responsabilidade social juntamente com a gestão de políticas de informação nos possibilitam
estudos que tem como foco as questões sociais que contribuem para uma sociedade mais
solidária e justa.
Isso significa dizer que o agir do bibliotecário pode ocasionar mudanças muito
significativas ao ambiente no qual atua; entretanto, é preciso que desenvolva competências e
procure incentivar que os usuários também os façam. E são essas competências que irão
influenciar no seu trabalho como intermediário da informação e do conhecimento, tornando
usuários hábeis e incluídos na sociedade. E assim, para que o bibliotecário haja com
responsabilidade social se faz necessário:
colocar-se de forma ativa diante de sua responsabilidade social como educador. Não
basta apenas realizar procedimentos técnicos (classificar, catalogar e indexar), estes,
sem dúvida, são muito importantes para a formação do profissional. Entretanto, os
bibliotecários devem ir além destes saberes e atividades técnicas, precisam buscar
elementos teóricos ligados às ciências humanas, que fortaleçam a sua condição de
cidadãos e profissionais. (MORAGI;VANZ e GALDINO, 2002, p.141).

Contudo, sabemos que se faz necessário trabalharmos em conjunto para que possamos
realizar ações que beneficiem os indivíduos e para que os bibliotecários de bibliotecas
universitárias trabalhem a consciência cidadã, é imprescindível pensar e analisar conforme o
contexto no qual está inserida e isso significa dizer que devemos observar as necessidades da
sociedade.
Ou seja, o bibliotecário deve estar absorto na realidade na qual está inserida, a fim de
propiciar os usuários que buscam o acesso a informação consigam interagir e integrar à
realidade que os cercam a finalidade de transformá-la.
2.2 Bibliotecários como agente cultural (Ação cultural na biblioteca universitária)
A ação cultural é um processo impulsionado pelo agente, uma atividade mediadora
habitada entre a cultura ativa e os povos, sem que esta ultrapasse a visão do mundo de seus
sujeitos com outras culturas. Para Freire (1982) a tarefa que se coloca ao agente cultural, é a
de, partindo da visão local, tomada como um problema, atuar no sentido de que os sujeitos
consigam observá-la criticamente e disso resulte na sua inserção cada vez mais consciente na
realidade em transformação.
O agente, mediador no processo da ação cultural, procura conectar o artista, à arte, à
coletividade, ao indivíduo e aos recursos econômicos, a fim de sensibilizar os sujeitos para a
criação, dando-lhes recursos para repelir a homogeneização cultural, e, se possível, abrir-lhes
condições para tornarem-se artistas. (COELHO NETO, 1989). O que não se deve esquecer é
que o agente cultural também é um formador de opinião, mesmo que sua postura seja neutra,

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

o fato de estar realizando a ação gera uma postura diante dos envolvidos.
A prática da ação cultural deve estar unida a atividades relacionadas à cultura como
arte, música, dança, literatura e remete a uma reflexão por parte dos envolvidos como afirma
Coelho Neto (1989): “A ação cultural não pode perder de vista seu propósito de atuar em
favor da construção do discernimento, da liberdade e da capacidade de significação do mundo
pelos indivíduos, distinguindo-se frontalmente da fabricação” e pontua ser “um processo com
início claro e armado, mas sem fim especificado”(COELHO NETO, 1989).
Para a biblioteca universitária a ação cultural pode ser vista como uma contribuição à
formação e promoção da cultura proporcionada aos usuários das diversas unidades de
informação. Nesse contexto o bibliotecário atua como agente de cultura, mediador,
“responsável por promover a ligação entre instâncias de produção de bens culturais e o
público” (MARTINS, 2010)
É um campo de atuação amplo que propicia ao bibliotecário diversificar as atividades
desenvolvidas na biblioteca que podem beneficiar a sociedade no sentido de alavancar a
produção cultural nas universidades.
O bibliotecário deve atentar-se às diversas possibilidades de desenvolvimento de
atividades oferecidas aos usuários e ter a sensibilidade de compreender as necessidades e
carências informacionais de seus usuários, fazendo uso e combinando várias técnicas e
recursos que resultem na conscientização do que se quer atingir na sua comunidade usuária.
De acordo com MILANESI (2002, p.96) a promoção da cultura é um dos objetivos da
biblioteca e complemento para a formação cultural ofertada aos indivíduos, mas que
raramente as atividades que envolvem a ação cultural incluem também a biblioteca.
Para o bibliotecário o trabalho de ação cultural exige leituras diferenciadas das
realizadas na graduação, uma formação complementar às disciplinas do curso de
biblioteconomia que induzam o profissional à reflexões e trocas de experiências conforme
citou Cabral (1998, p.42):
“a ação cultural pressupõe uma relação igualitária e democrática e a perfeita
interação entre os agentes e os grupos, exigindo a busca constante de metodologias
alternativas que favoreçam o diálogo e a participação. Estas devem possibilitar o
envolvimento dos sujeitos em todas as etapas de execução do trabalho, para que
possam decidir conjuntamente e trocar experiências, politizando o processo
educativo para formar cidadãos ativos e participantes”.

Para viabilizar o trabalho de agente cultural o bibliotecário poderia formar equipes
voltadas para este fim e readaptar o fluxo de informações, a estrutura organizacional, sem
burocracias, facilitando a comunicação entre os envolvidos.
E essa ação de interferência das BU's para a realização de ações culturais ocorre pelas
ações dos bibliotecários, que pode atuar como um agentes culturais na promoção de
atividades na biblioteca contribuindo para ampliar sua visibilidade e importância para a
sociedade, adequando o espaço da biblioteca para diversas atividades lúdicas em momentos
adequados para a realização das mesmas, dando assim um diferencial para quem a visita.

3 Materiais e métodos
A pesquisa utilizou-se de uma metodologia participativa da pesquisa-ação, baseada em
Thiollent (2011, p. 8) que considera esse tipo de pesquisa como um “conjunto de
procedimentos para interligar conhecimento e ação”, visando extrair da ação novos
conhecimentos que irão transformar a situação-problema.
Ainda segundo Thiollent (2011) :
Uma pesquisa pode ser qualificada de pesquisa-ação quando houver realmente uma

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ação por parte das pessoas ou grupos implicados no problema sob observação. Além
disso, é preciso que a ação seja uma ação não trivial, o que quer dizer uma ação
problemática merecendo investigação para ser elaborada e conduzida (THIOLLENT,
2011, p.15).

Esse método de pesquisa incide basicamente na busca de exemplificar os problemas
sociais e técnicos, que são cientificamente relevantes, reunindo na mesma ação os
pesquisadores, os envolvidos na situação-problema , parceiros interessados e por fim outros
atores nessa transformação da realidade, com o objetivo de formular respostas sociais,
educacionais, técnicas e/ou políticas adequadas.
Deste modo, a pesquisa-ação nortea-se em função de objetivos de transformação onde
se planeja, implementa-se, descreve-se e avalia-se uma mudança com o objetivo de melhorar
a sua prática, aprendendo mais, no correr do processo, tanto a respeito da prática quanto da
própria investigação (TRIP, 2005).
A abordagem da pesquisa-ação se caracteriza segundo Thiollet (2011), pela
identificação do problema a partir dos sujeitos que identificam e o vivenciam, pesquisadores e
grupo participante, para construção de movimentos consensuados de caráter social,
educacional, técnico, capazes de responder com maior eficiência aos problemas reais através
de ações facilitadoras que gerem impactos positivos.
O campo de pesquisa foi escolhido em função da referida biblioteca realizar na prática
essa função de ação cultural com seus usuários e a comunidade que frequentam a biblioteca
para estudos e pesquisas no local.
A investigação foi realizada na Biblioteca de Ciências e Tecnologia da Universidade
Federal do Ceará em Fortaleza, com a finalidade de promover o acesso a informação e o
incentivo a cultura e leitura. Consideramos nossa amostra cerca de 6.000 usuários que
atendemos diariamente na biblioteca e as 60 crianças que fazem parte da Escola de nível
fundamental I da universidade denominada Unidade Federal de Educação Infantil Núcleo
de Desenvolvimento da Criança - UUNDC que atende aos filhos dos servidores da UFC e
foram convidadas para participar das atividades de incentivo a leitura.
O plano de ação para implantação das ações iniciou-se com a sensibilização dos
sujeitos da pesquisa, através da idéia “Visite a BCT”, “Venha pra BCT”. Esta imagem se
vinculava ao conceito de que o acolhimento se daria, a partir da um processo de mudança da
subjetividade dos sujeitos trabalhadores, no caso os bibliotecários. Ressalta-se a importância
da clareza dos objetivos da pesquisa pelos sujeitos participantes e os critérios de avaliação,
além da garantia da continuidade da ação que assegurasse a participação dos usuários como a
população no estudo.

4 Resultados parciais/finais
No decorrer da prática das ações da pesquisa pudemos observar importantes questões
acerca da articulação entre pesquisa e formação, o que nos possibilitou enumerar alguns
achados:
O comportamento dos bibliotecários diante dos processos formativos-reflexivos
propostos pela pesquisa era, inicialmente, de descrença, expresso na indisposição física e
mental para a abordagem das questões relativas ao seu trabalho, tornaram-se mais
participativos e totalmente envolvidos nas ações.
O comportamento dos usuários que também tornaram-se mais participantes dessas
ações.
O desenvolvimento de competências dentre os servidores da biblioteca, como
atividades artísticas, também serviu como incentivo na participação das ações.

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A pesquisa proporcionou manifestações de autoestima dos funcionários da biblioteca,
de oportunidades de reconhecimento de si mesmos como construtores de conhecimento e da
própria profissão, que resultaram em ganhos para o desenvolvimento da autonomia.
As ações foram reconhecidas como elementos facilitadores para melhora o diálogo
junto aos usuários.
As ações e ferramentas são construídas a partir de reuniões periódicas dos
bibliotecários e servidores, onde é possível discutir e apresentar propostas que dinamizem o
processo de uso da informação na pesquisa acadêmica e científica.
E os resultados obtidos podem ser observados nas ações culturais descriminadas a
seguir:
Cine Clube da BCT
As Seções funcionam todas as segundas feiras as 18:00 no auditório da Biblioteca, as
divulgações são feitas na própria biblioteca, no Twiter e na página do Facebook da biblioteca.

No inicio as seções eram iniciadas com poucos usuários, e depois de um ano de
funcionamento, o auditório fica lotado, dependendo do tipo de filme que será exibido após as
seções convidamos um professor da área abordada no filme para fazer um debate. Também
enviamos certificados aos usuários que assistem ao filme.
Campanhas de Preservação do Acervo
A Campanha “Cuide do livro, Preserve o saber”, realizada desde 2006, tem como
objetivo divulgar junto à comunidade acadêmica os cuidados necessários para a conservação
dos livros, visando combater hábitos de manuseio que provocam o desgaste dos acervos de
nossas bibliotecas, compondo o rol de Projetos Sustentáveis da UFC.

O que podemos perceber é que “A Campanha de Preservação do Acervo” vem a cada
ano sensibilizando mais a comunidade universitária. Destacam-se durante essa campanha os

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cuidados que devem ser tomados com os livros impressos, dada à fragilidade do suporte
papel. E na biblioteca de Ciências e Tecnologia a equipe prepara a cada campanha, exposições
com livros deteriorados de uma forma bem irreverente com o objetivo de mostrar o que fazer
para preservar os livros da biblioteca.
A Biblioteca todo ano durante a A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT),
promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Biblioteca de Ciências e
Tecnologia realiza uma série de atividades durante essa semana como:
Exposição Seara na Biblioteca
A Seara da Ciência da UFC, através de sua exposição na Biblioteca procurou estimular
a curiosidade pela ciência, cultura e tecnologia, mostrando suas relações com o cotidiano e
promovendo a interdisciplinaridade entre as diversas áreas do conhecimento.

A exposição teve uma grande e gratificante repercussão, os usuários observaram a
exposição, fizeram questionamentos, participaram das experiências realizadas durante os dias
que ocorreram a exposição, interagem com o mundo do saber, despertando para a criatividade
e se envolvem com a pesquisa.
Curso de Cálculo na Biblioteca
Durante a Semana de 2014 foi oferecido um minicurso sobre Fundamentos de
Cálculo para os alunos da universidade. Houve uma grande procura dos alunos, e as
inscrições foram tantas que foram abertas duas turmas.

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Apresentação cultural Grupo Oré Anacã
Também durante a Semana de Ciência e Tecnologia o Grupo de Dança Oré Anacã ,
que é um grupo de dança popular da Universidade Federal do Ceará (UFC). O Grupo
encontra-se cadastrado como um projeto de Cultura e Arte da Pró-Reitoria de Extensão da
UFC e sob a coordenação do Prof. Ms. Marcos Campos, docente do Instituto de Educação
Física e Esportes (IEFES).

Mostra de Trabalhos de Extensão
Ainda durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia alunos de graduação da
Universidade foram convidados para apresentar seus trabalhos acadêmicos aprovados e
apresentados nos Encontros Universitários da Instituição

Outubro Rosa na Biblioteca
A Biblioteca também incentiva Campanhas nacionais como Outubro Rosa, Novembro
Azul, etc.

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E oferece seu espaço da biblioteca para escritores fazer o lançamento de livros,
com o intuito de incentivo à leitura.

Campanhas de incentivo a leitura com Crianças
Onde apresentamos para as crianças contação de histórias, apresentações de fantoches
e o incentivo à leitura oferecendo o acesso aos livros infantis

5 Considerações parciais/finais
As bibliotecas universitárias devem estar preparadas para oferecer ações culturais,
contribuindo assim para o desenvolvimento e promoção da competência em informação,
assim como a formação cultural do cidadão usuário dessas bibliotecas. Dessa forma deve
fomentar a perspectiva da investigação científica, com objetivos que englobem a promoção de
ações culturais, indo bem mais além das fontes de informação nos contextos acadêmico e
científico.
O trabalho coletivo e cooperativo realizado pela Biblioteca de Ciências e Tecnologia
mostra-se bastante eficaz neste sentido, identificando demandas, fazendo parcerias com
professores, construindo a idéia de que também as BU's podem contribuir na formação dos
usuários como cidadãos. O desafio maior é introduzir essas ações culturais como partícipes do
ideal de autonomia e criticidade da formação acadêmica dos alunos.
A realização de ações culturais no ambiente da biblioteca contribui para ampliar sua
visibilidade e importância para a sociedade. Além do que, essas ações ajudam a avigorar as
práticas educativas desenvolvidas pelas universidades e faculdades.
Concluímos enfatizando que sendo o bibliotecário um profissional que
tradicionalmente já atua como mediador a realização de ações culturais não está distante,
como alguns pensam, de seu papel social fundamental e que para realizar tais ações ele
precisa estar disposto a ter contato com o lúdico e usar ao máximo sua criatividade.
O desenvolvimento de ações culturais delineia como o bibliotecário pode exercer de
maneira eficaz o papel de agente cultural, conseguindo, por meio delas, aliar o implemento do
seu trabalho a outras formas de contribuição social e cultural.

6 Referências
ANGEL, J. B. La ivestigación-acción: un reto para el professorado. Barcelona: INDE

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ARAÙJO, Claudialyne de. A Responsabilidade social no projeto “estação do livro”: leitura na
praça. Disponível em: &lt;
http://books.google.com/books?id=MD61OKmlB5EC&amp;printsec=frontcover&amp;=hl=ptBR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=onepage&amp;q&amp;f=false &gt; Acesso em: 22 mar. 2016.
CABRAL, Ana Maria Rezende. Ação cultural: possibilidades de atuação do bibliotecário. In:
VIANNA, Márcia Milton; CAMPELLO, Bernadete; MOURA, Victor Hugo Vieira. Biblioteca
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SEMINÁRIO PROMOVIDO PELA ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS E ASSOCIAÇÃO DOS
BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS,1998, Belo Horizonte.
COELHO NETO, José Teixeira. O que é ação cultural . São Paulo: Brasiliense, 1989. 94 p.
CUNHA, Miriam Vieira da O Papel social do bibliotecário. Encontros Bibli: Revista
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FREIRE, Isa Maria ; ARAUJO, Vânia Maria Rodrigues Hermes de. A responsabilidade social
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MARTINS, Ana Amélia Lage. Mediação: reflexões no campo da Ciência da Informação.
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THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Aborda o processo das práticas culturais em Bibliotecas Universitárias, em diferentes aspectos como incentivo a cultura através de várias ferramentas, com o objetivo de dinamizar as práticas culturais na Biblioteca de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Ceará e sua inserção no novo contexto de incentivo a cultura e a leitura. Enfatiza a importância da Biblioteca Universitária como agente cultural, mostrando os requisitos necessários e as ferramentas que o bibliotecário pode utilizar nesse processo de ação cultural. No referencial teórico abordou-se a questão da responsabilidade social e o papel do bibliotecário nesse contexto, bem como a análise do papel dos bibliotecários como agentes culturais. No decorrer da prática das ações da pesquisa foram observadas importantes questões acerca da articulação entre pesquisa e formação. Observou-se ainda que: os bibliotecários tornaram-se mais participativos e motivados, que os usuários interagiram com as ações, que a pesquisa proporcionou manifestações de autoestima dos funcionários da biblioteca fazendo com que as ações fossem reconhecidas como elementos facilitadores para melhora o diálogo junto aos usuários. As conclusões enfatizaram a importância do papel social nas bibliotecas onde o desenvolvimento de ações culturais delineia como o bibliotecário pode exercer de maneira eficaz o papel de agente cultural, conseguindo, por meio delas, aliar o implemento do seu trabalho a outras formas de contribuição social e cultural.</text>
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                    <text>A NECESSIDADE DO USO DO DESCARTE NO ACERVO DA
BIBLIOTECA PROFº ALBERTO CARLOS BARBOSA - IFRJ – CAMPUS
NILÓPOLIS

Cintia Luciano de Paiva (IFRJ) - cintia.paiva@ifrj.edu.br
Cassia Nogueira Santos (Ifrj) - cassia.santos@ifrj.edu.br
Josiane Borges Pacheco (IFRJ Nilópolis) - josiane.pacheco@ifrj.edu.br
Heloisa Souto de Lima (IFRJ) - heloisa.lima@ifrj.edu.br
Resumo:
Destaca a importância da política de descarte para o acervo da Biblioteca do Instituto Federal
do Rio de Janeiro - Campus Nilópolis. Para o conhecimento da atual realidade do acervo será
apresentado o diagnóstico dos problemas principais e quais as soluções para alcançar um
acervo necessário para a sua comunidade. Demonstra a importância da prática do descarte; e
aborda a revisão de literatura e a metodologia a ser usada para realização deste trabalho.
Conclui que, a proposta de política de descarte é um instrumento necessário para gestão,
proporcionando um acervo com boas condições de uso e pertinente para seus usuários,
principalmente, para as bibliotecas mistas.
Palavras-chave: Proposta de descarte; Política de descarte; Biblioteca do Instituto Federal do
Rio de Janeiro - Campus Nilópolis; Bibliotecas mistas.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Formação e desenvolvimento de coleções presenciais e virtuais

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�XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A NECESSIDADE DA PRÁTICA DO DESCARTE NO ACERVO DA
BIBLIOTECA PROFº ALBERTO CARLOS BARBOSA - IFRJ –
CAMPUS NILÓPOLIS
Cássia Rosania Nogueira dos Santos
Cintia Luciano de Paiva
Heloisa Souto de Lima
Josiane Borges Pacheco

Resumo
Destaca a importância da política de descarte para o acervo da Biblioteca do Instituto Federal
do Rio de Janeiro - Campus Nilópolis. Para o conhecimento da atual realidade do acervo será
apresentado o diagnóstico dos problemas principais e quais as soluções para alcançar um acervo
necessário para a sua comunidade. Demonstra a importância da prática do descarte; e aborda a
revisão de literatura e a metodologia a ser usada para realização deste trabalho. Conclui-se que
a proposta de política de descarte é um instrumento necessário para gestão, proporcionando um
acervo com boas condições de uso e pertinente para seus usuários, principalmente, para as
bibliotecas mistas.
Palavras – chave - Proposta de descarte; Política de descarte; Biblioteca do Instituto Federal
do Rio de Janeiro - Campus Nilópolis; Bibliotecas mistas.
Abstract
Highlights the importance of discard policy for the Biblioteca do Instituto Federal do Rio de
Janeiro - Campus Nilópolis. To the knowledge of the current reality of the collection diagnosis
of the main problems will be presented and what the solutions to achieve a necessary assets to
their community. It demonstrates the importance of disposal practice; and addresses the
literature review and the methodology to be used for this work. It concludes that the proposed
disposal policy is a necessary tool for management, providing a collection of good working
conditions and relevant to its users, mainly for mixed libraries.
Keywords: Proposal for disposal; Disposal policy; Biblioteca do Instituto Federal do Rio de
Janeiro - Campus Nilópolis; mixed libraries

1

Introdução

As bibliotecas dos Institutos Federais têm uma grande importância dentro do ensino
médio, técnico, superior e de pós-graduação. O seu acervo é composto pelas informações
técnicas e científicas, com objetivo de atender os seus discentes, docentes e funcionários da
instituição.
1

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O acervo da biblioteca tem como finalidade ter informações úteis para os seus usuários
e ser compatível com a filosofia da instituição, apresentando no momento crescimento
desacelerado e sem critério de avaliação dos itens no acervo, por conseguinte os itens são
avaliados como inadequados, ocupando um lugar de um livro sem qualidade para sua
comunidade.
Manter um acervo com qualidade, adquirido de acordo com as necessidades dos seus
usuários, constitui um procedimento eficaz. Dentro da disciplina de Desenvolvimento de
Coleção existe o descarte, que frequentemente é temido por alguns bibliotecários e para sua
realização, é preciso ter coragem. Segundo Mayrink (1984), manter um acervo atualizado, com
material pertinente, com alto índice de uso, só irá beneficiar o usuário e a organização.
Nesse contexto, o descarte é importante, pois considera alguns pontos relevantes como
a falta de atualização, frequência do uso da obra, administração de espaço, doações não
compatíveis com a missão da biblioteca, materiais como monografia e dissertações que
deveriam estar nos repositórios institucionais e a falta de uma política de seleção.
Vergueiro (1995), afirma que o processo de desenvolvimento de coleção não está
somente baseado em critérios de custo-benefício, mas, sobretudo, em políticas de seleção,
aquisição, avaliação e desbastamento onde são consideradas, também, desde as características
inerentes ao campo de conhecimento no qual a seleção ocorre às particularidades específicas
dos clientes e do próprio ambiente no qual o serviço de informação se localizam.
No entanto, se o processo de seleção fosse desenvolvido, com as informações sobre os
critérios de incorporação de cada item, isso seria útil para orientar as decisões de descarte e
haveria como saber a razão pela qual um item foi selecionado no passado. “Na prática o
processo de seleção é o fazer, e a política, as diretrizes de como fazer, garantindo a coerência
de cada ação desse fazer. ” (WEITZEL, 2013)
Nesse contexto, é importante ressaltar a importância dessa pesquisa que está inserida no
campo de desenvolvimento de coleções, considerando as suas características particulares, tendo
como seu principal enfoque o descarte, e como objetivo geral: identificar as através de uma
amostra a necessidade da prática de descarte. Objetivo específico a saber: mostrar a importância
da prática do descarte dentro do universo das bibliotecas do IFRJ.
Contudo, ainda existem vários problemas com o acervo, assim como: livros com várias
edições desatualizadas; livros que não saem para empréstimos há mais de cinco anos; títulos de
livros com vários exemplares que não são utilizados pelos usuários; relatórios de estágio,
dicionários desatualizados, conforme a nova norma da língua portuguesa; vários periódicos
avulsos recebidos como doação; monografias e dissertações que deveriam estar em um local
apropriado, além da falta de espaço.
Neste intuito, vale ressaltar a falta de uma política de descarte no IFRJ e que o acervo
do Campus Nilópolis é apenas uma amostra diante de um universo das bibliotecas do Instituto.

2

Revisão de literatura

Segundo Figueiredo (1993), entende –se como descarte, a seleção negativa de material
bibliográfico existente em uma biblioteca e que não atende mais às necessidades do usuário.
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Podendo resultar em remanejamento, doação ou permuta, venda ou eliminação. É uma etapa do
processo de desenvolvimento de coleções como define Evans (2000). É um processo “tão”
importante, aliás, que deve ser encarado com muita seriedade, sem medo, mas, também, sem
traumas. (VERGUEIRO, 1989).
Os principais fatores para o descarte foram destacados por Figueiredo (1993), que
podem ser resumidos nos seguintes itens: Espaço físico, mudanças de campo de interesse,
material obsoleto, condições físicas, itens que não tem circulação nos últimos 3 à 5 anos, cujo
objetivo será sempre o de incrementar a qualidade da coleção e sua acessibilidade.
Em relação ao desenvolvimento de coleções, “o descarte parece ser aquele cercado com
mais dúvidas e preconceitos. Afinal – pergunta-se o bibliotecário – quando descartar? E para
quê? “ Vergueiro (1989). É uma atividade que traz uma série de complexidade, dentre as quais
Figueiredo (1993), são citadas algumas barreiras que os profissionais enfrentam:
a) Psicológica – os bibliotecários foram treinados a conservar o material bibliográfico e há
sempre a ideia de que alguém poderá precisar dele um dia;
b) Política – às vezes pode não ser conveniente ou oportuno tal desbastamento, ou quando
se pergunta ao usuário, geralmente em bibliotecas universitárias, a resposta é “ pode
desbastar as coleções dos outros professores, a minha parte é o mínimo de que necessito
para que ensino;
c) Tempo – é uma tarefa muito trabalhosa e exige tempo para ser bem executada;
d) Legal – Os problemas são maiores por não se poder desbastar material permanente, i.e.,
materiais bibliográficos; e
e) Status – Tamanho ainda é considerado importante, diz alguma coisa quanto a qualidade
da coleção da biblioteca
Existem duas metodologias primárias para o descarte de uma coleção: uma qualitativa
e outra quantitativa. O método qualitativo é, em grande parte, fundada em decisões do
bibliotecário. Estes métodos incluem a experiência do bibliotecário, interpretações de política,
currículo, custo, percepções de necessidades, o valor, o uso futuro, e assim por diante. Portanto,
os métodos qualitativos devem ser aplicados principalmente para aquisição, e os métodos
quantitativos deverão ser baseados em estatísticas de circulação e de pesquisa, idade do livro
sendo aplicados principalmente para política de descarte. (ZUBER, 2015).
No entanto, Figueiredo (1993) indica os seguintes critérios para a tomada de decisão:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)

Duplicatas;
Doações indesejadas ou não solicitadas;
Livros obsoletos, especialmente em ciências;
Edições ultrapassadas por revisões correntes;
Livros infectados, sujos, gastos;
Livros com letras pequenas, papel quebradiço, páginas extraviadas;
Volumes de coleção, não necessários e não usados; e
Periódicos sem índice (não aplicável às coleções de periódicos brasileiros).

O descarte representa uma decisão final de análise da situação de cada item, a definição
de que o mesmo já não preenche aquelas condições que justificaram a sua aquisição, porque as
necessidades informacionais da comunidade se modificaram. (VERGUEIRO, 1989).
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Descarte é o ato de retirar definitivamente do acervo de uma unidade de informação os
materiais que não são mais pertinentes aos usuários.
Vergueiro (1995), o descarte é um processo no qual o material bibliográfico, após ser
avaliado, é retirado da coleção circulante para ser doado a outras instituições, ou ser eliminado
do acervo, possibilitando a otimização do espaço.
É importante reconhecer que o descarte é apenas uma parte do processo de
desenvolvimento de coleção, que por sua vez é uma parte da totalidade do trabalho que faz com
que a biblioteca se torne a parte importante da sua comunidade. A coleção é a parte mais
tangível de serviço de qualquer biblioteca (LARSON, 2008, tradução nossa).
Conforme Miranda (2007), para formação e expansão de seu acervo, a biblioteca deve
estabelecer sua política de desenvolvimento de coleções que será materializada em documento,
no qual serão levadas em consideração, dentre outros, os seguintes dados essenciais: os
objetivos da biblioteca, o estado atual da coleção, as necessidades informacionais da
comunidade a ser servida, os orçamentos e outros recursos informacionais disponíveis. Deve
constar no documento a indicação da responsabilidade nas decisões para a seleção do acervo,
ou seja, se deve haver uma comissão.
O descarte é um elemento essencial, mais muitas vezes esquecido dentro da política
de desenvolvimento de coleções. É essencial porque ajuda a melhorar o acesso aos recursos da
biblioteca. (ALA, 2002)
Slote (1989) emprega a expressão “período de tempo na estante”, para se referir à
extensão de tempo em que um livro permanece na estante entre um empréstimo e outro.
Descreve vários outros métodos que podem ser empregados para levantar dados de tempo na
estante, que dependem grandemente do tipo de sistema de circulação adotado. O método do
tempo na estante é essencialmente o mesmo da UDC. Slote alega ser possível obter dados
confiáveis de tempo na estante, em determinado acervo, apenas com 500 transações
consecutivas.

3

Composição do seu acervo

Atualmente, a Biblioteca do Campus Nilópolis apresenta um acervo composto de livros
técnicos e científicos, periódicos doados, trabalhos de conclusão de curso (TCCs da graduação
e pós - graduação), dissertações, relatórios de estágio, teses, CDS, DVDS, obras de referências,
a saber: guias, dicionários, enciclopédias, manuais etc. A divisão da coleção compreende as
áreas de ciências exatas e da terra, ciências sociais aplicadas, ciências humanas, ciências
tecnológicas, linguística, letras, literaturas e artes. Até a presente data, a biblioteca possui em
sua totalidade acerca de 15.000 exemplares destinados à sua comunidade.
A biblioteca, de modo geral, lida com problema de espaço e sofre com as suas estruturas
e muitas vezes com obras que não são utilizadas, ocupando assim, um espaço do que realmente
seja pertinente para sua comunidade.

4

Materiais, métodos e resultados Parciais/Finais

A inspeção foi realizada através de uma pequena amostra do acervo de química,
totalizando o universo de 687 exemplares de 62 títulos, como também, os relatórios de estágio
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de todas áreas da biblioteca, trabalhos de conclusão de curso, dissertações, periódicos, livros de
referência desatualizados, livros fora do acervo (capas e folhas soltas, títulos rabiscados), livros
da área do mestrado profissional do ensino de ciências, sendo indicados quais os verdadeiros
problemas do descarte, que a saber será demonstrada a realidade do problema existente do
acervo e identificando as possíveis soluções futuras para um acervo que atenda as reais
necessidades da sua comunidade.
Para isto, serão identificados os seguintes itens:
•

Identificação dos títulos e da qualidade de exemplares;

•

Títulos com edições desatualizadas;

•

Análise das condições de uso do livro;

•

Verificação da última data de empréstimo;

•

Levantamento dos títulos que fazem parte da bibliografia básica do curso

Atualmente, a realidade do acervo da biblioteca de química e dos demais itens foi necessário
a realização de um diagnóstico, onde serão identificados os verdadeiros itens que deverão ser
descartados.
Foram analisados os estados em que se encontram as obras: se está “ótimo”, “bom” ou
“ruim”. Foi verificado se os livros fazem parte da bibliografia básica do curso, se as edições
dos mesmos títulos estão sendo consultadas e, por conseguinte, foi feita a identificação dos
livros que estão há mais de 05 anos sem sair para os empréstimos. Portanto, os dados analisados
demonstram a necessidade e a importância desta proposta de descarte no IFRJ – Campus
Nilópolis.
Será verificado o total de livros que compõe o acervo, o estado físico das encadernações, a
possibilidade de ser substituído por outro exemplar ou não, os livros com várias edições que
não são mais relevantes pelos usuários e os livros da língua portuguesa que passaram por
atualizações, como também os dicionários, vários periódicos avulsos, relatórios de estágio,
dissertações e trabalho de conclusão de curso que deveriam ser entregues por meio eletrônico,
e a verificação dos livros que fazem parte das grades curriculares dos cursos, ou seja, o
mapeamento de todo acervo.
Segundo Weitzel (2013), o diagnóstico faz parte do planejamento. É preciso mapear todo o
acervo em termos de áreas e subáreas, idioma e idade.
O diagnóstico será verificado através dos métodos quantitativos e qualitativos. No método
quantitativo aborda os seguintes critérios, a saber:
- Tamanho da coleção por categorias (assunto, data da aquisição, data de publicação, língua
e tipo de material);
- Média de crescimento corrente;
- Tamanho em relação a outras variáveis (números de volumes per capita e por item
circulação);
- Despesas com coleção (gastos per capita e em relação ao orçamento total).
No qualitativo enfoca os seguintes critérios:
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- Avaliação comparativa – com listas básicas ou coleção de instituições similares;
- Método impressionista – consideração importante porque usa como medida a opinião do
usuário, o que é subjetivo por ser uma medida de valor. Para esse tipo de avaliação, o
envolvimento de especialistas e bibliotecários é fundamental, sendo importante a opinião de
várias pessoas para se chegar ao consenso;
- Condição física – obras danificadas ou gastas pelo excesso de uso;
- Idade – a obsolescência varia conforme a área. Em algumas, a idade tem pouca influência
quanto o valor da obra;
- Importância histórica da obra;
- Citações em outras publicações;
- Cobertura – disponibilidade de material similar sobre determinado assunto.

Os resultados da pesquisa são apresentados pelo gráfico 1, 2 e as tabelas 1, 2, 3, 4 e 5.

Gráfico 1. Demonstração dos livros de química

Fonte: Autor

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Gráfico 2. Demonstração dos livros danificados

DANIFICADOS

DESCARTE
303

TOTAL DE
"RUIM"
427

BIBLIOGRAFIA
BÁSICA
124

Fonte: Autor

De acordo com gráfico 2, o levantamento dos livros danificados são 124 exemplares que
fazem parte dos títulos que constam na bibliografia do curso. Neste caso, eles devem ser
substituídos por outros exemplares por intermédio de compras.
Os 303 exemplares que não constam na bibliografia básica e que foram observados
como ruins, devem ser descartados, entretanto, antes desse processo definitivo, deverão passar
por uma comissão.
Abaixo serão abordadas as tabelas abaixo para entendimento da proposta de descarte.

Tabela 1 - Os livros que não foram emprestados após o ano de 2010.

TÍTULOS

ANTERIOR AO ANO
2010 (EXEMPLARES)

CONSTA NA BIBLIOGRAFIA
BÁSICA
(TÍTULOS)

21

119

04

Fonte: autor

A amostra do curso de química, verificou-se um total de 687 itens, do qual 119
exemplares não foram emprestados ao ano anterior de 2010 e não sendo mais consultados até
os dias de hoje. Neste caso, a proposta indica que os livros considerados BONS, caso não façam
parte da relação dos livros indicados dos cursos avaliados pelo MEC, sejam doados a uma
instituição que tenha interesse em adquirí-los. Caso façam parte da relação, deve-se questionar
junto à instituição o porquê de estar na relação e o porquê dos mesmos não estarem saindo para
empréstimo.

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Tabela 2 - Edições desatualizadas x última data de empréstimo.
TÍTULOS

BIBLIOGRÁFIA
BÁSICA

EXEMPLARES
COM EDIÇÕES
DESATUALIZADAS

ÚLTIMA DATA DE
EMPRÉSTIMO

04

SIM – 03

35

ANTERIOR A 2009 - 01

NÃO - 01
SUPERIOR A 2009 - 03
Fonte: Autor

No total de títulos listados na amostra 04, apresentaram edições desatualizadas e,
simultaneamente, 03 desses títulos não foram emprestados há cinco anos, também pertencentes
à bibliografia básica do curso.
Neste caso, não convém descartá-los sem passar antes pela comissão.

Tabela 3 - Livros da área do mestrado da Biblioteca do IFRJ – Campus Nilópolis
LIVROS DA ÁREA DO MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO DE
CIÊNCIAS
TÍTULOS

650

EXEMPLARES

6500

Fonte: autor.

O acervo referente ao curso citado é de grande quantidade, com vários exemplares,
muito pouco utilizados e praticamente novos, em que se pode definir como “ótimo”. Neste caso,
será proposto para cada título 03 exemplares e o restante, como proposta, devem ser doado após
as suas devidas baixas no registro e patrimônio.

Tabela 4 - Relatórios, livros de referência, monografias, dissertações e periódicos que fazem
parte do acervo da Biblioteca do IFRJ – Campus Nilópolis
QUANTIDADES (aproximadas)
RELATÓRIOS DE ESTÁGIO

225

LIVROS DE REFERÊNCIA

28

MONOGRAFIAS

320

DISSERTAÇÕES

60

PERIÓDICOS

3600

Fonte: autor.

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No acervo da biblioteca constam itens que devido a sua natureza não deveria ficar na
biblioteca, mais sim em um setor de arquivo, como é o caso dos relatórios de estágio, das
dissertações e das monografias. Se a exigência que os itens permaneçam na biblioteca vigorar,
neste caso, será sugerido, que os itens sejam enviados para compor o seu acervo por meio
digital, pois, assim, se economizaria espaço, já que muitos deles são em grandes volumes, como
é o caso do relatório de estágio.
Tabela 5 – Livros fora do acervo – Biblioteca do IFRJ – Campus Nilópolis

LIVROS FORA DO ACERVO
CAPAS SOLTAS

512

FOLHAS SOLTAS

266

FALTANDO PÁGINAS

45

RABISCADOS

31

TOTAL

854

Fonte: autor

Pelo fato do acervo não ter o serviço de restauração, muitos livros que foram ficando
danificados não voltaram para estante, criando hoje um grande volume de livros que precisam
de reparo, ou serem descartados. Esses reparos compreendem capas e folhas soltas, falta de
páginas, rabiscos com caneta. Neste caso, serão propostas novas compras para substituição dos
mesmos.

5

Considerações Finais

Descarte em bibliotecas é um tema pouco abordado na área de Biblioteconomia e
Ciência da Informação, mas devido às necessidades da sua prática, torna-se um método de
solução dentro de um assunto tão abrangente que é o desenvolvimento de coleção. Portanto, o
trabalho mostra a necessidade de se desenvolver uma prática de descarte e com diagnóstico, a
revisão de literatura e a metodologia a ser utilizada, que será de grande importância para
realização de um trabalho mais específico com uso das políticas e critérios para sua realização.
Contudo, envolve a questão das cobranças do profissional bibliotecário que sempre será
questionado sobre o seu ato na hora do descarte, nesta hora deverá ser levado em consideração
a sua conduta, ou seja, a ética profissional.
De acordo com amostra que se encontra no acervo do Campus Nilópolis, esta proposta
evidencia a importância do estudo da aplicação da política de descarte, especificamente no
contexto de obter um acervo com livros de bom uso de informações realmente necessárias para
os seus usuários.
No diagnóstico, demostra a realidade do acervo e de acordo com os objetivos da
instituição, os livros que fazem parte das bibliografias básicas, que não estão em condições de
uso, deverão ser substituídos.
9

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Enfim, a realização e a eficiência de uma proposta de política de descarte de materiais
informacionais serão adotadas conforme os objetivos da instituição, não permitindo que o
acervo da biblioteca seja retirado sem a sua devida avaliação enquanto se mostrarem
necessários à sua comunidade.

6

Referências

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http://www.ala.org/offices/sites/ala.org.offices/files/content/publishing/editions/samplers/doll
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VERGUEIRO, Waldomiro. Desenvolvimento de Coleções. São Paulo: Polis: APB, 1989.
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10

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>A necessidade do uso do descarte no acervo da Biblioteca Prof°  Alberto Carlos Barbosa - IFRJ – Campus Nilópolis.</text>
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                <text>Paiva, Cintia Luciano; Santos, Cassia Nogueira; Pacheco, Joseane Borges; Lima, Heloisa Souto de.</text>
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                <text>Destaca a importância da política de descarte para o acervo da Biblioteca do Instituto Federal do Rio de Janeiro - Campus Nilópolis. Para o conhecimento da atual realidade do acervo será apresentado o diagnóstico dos problemas principais e quais as soluções para alcançar um acervo necessário para a sua comunidade. Demonstra a importância da prática do descarte; e aborda a revisão de literatura e a metodologia a ser usada para realização deste trabalho. Conclui que, a proposta de política de descarte é um instrumento necessário para gestão, proporcionando um acervo com boas condições de uso e pertinente para seus usuários, principalmente, para as bibliotecas mistas.</text>
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                    <text>A INTEROPERABILIDADE DO LUME COM OS SISTEMAS DE
INFORMAÇÃO DA UFRGS
Janise Silva Borges da Costa (UFRGS) - bdigital@cpd.ufrgs.br
Caterina Groposo Pavão (UFRGS) - caterina@cpd.ufrgs.br
Manuela Klanovicz Ferreira (UFRGS) - manuelakf@cpd.ufrgs.br
Zaida Horowitz (UFRGS) - zaida@cpd.ufrgs.br

Resumo:
O trabalho aborda a interoperabilidade do Lume, Repositório Digital da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com outros sistemas de informação da
Universidade, com os objetivos de automatizar e impulsionar o seu povoamento com
documentos digitais produzidos na Universidade, minimizar inconsistências, evitar o
retrabalho e, consequentemente, manter a integridade e uniformidade dos dados. Descreve
as implementações realizadas no Lume, desenvolvido na ferramenta DSpace, para permitir
a sincronização com fontes de dados que possuem padrões distintos de registro e de
atualização dos dados.
ABSTRACT
This work addresses the interoperability of Lume, Digital Repository of Federal University
of Rio Grande do Sul, with other information systems of UFRGS. The goals of
interoperability are automate and improve Lume’s population with digital documents
produced by University community, minimize inconsistences, avoid the rework, and keep the
data integrity and uniformity. It describe the implementation of the Lume synchronization
with data sources that have distinct patterns of records and data update. Lume repository
uses the DSpace tool.
Palavras-chave: Repositórios
Interoperabilidade.

institucionais.

Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

DSpace.

Sistemas

de

informação.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
O Centro de Processamento de Dados da UFRGS (CPD) desenvolve e mantém
sistemas de informação nas várias áreas de atuação da Universidade, alguns dos quais mais
antigos, concebidos para serem executados em computadores isolados e em redes locais.
Como resultado da prática adotada no passado, em que os sistemas eram desenvolvidos para
atender a demandas específicas de cada uma das áreas da Universidade, tem-se a
fragmentação dos dados, cuja consequência é a dificuldade de obtenção de informações
confiáveis e consolidadas, em virtude de possível inconsistência de dados armazenados em
diferentes sistemas.
Os avanços proporcionados pelas tecnologias da informação e comunicação (TIC), no
entanto, possibilitam a interoperabilidade entre os sistemas, de forma a evitar o retrabalho e a
duplicação de dados, proporcionando sua consistência e uniformidade.
Integrar sistemas de informação distintos, mas que manipulam uma porção comum de
dados, não é tarefa trivial. Por mais que trabalhem com um conjunto comum de dados, cada
sistema é desenvolvido para solucionar um problema distinto e, portanto, sua construção e
arquitetura são voltadas para uma perspectiva particular. Neste sentido, a adoção de normas e
interfaces de comunicação padronizadas no desenvolvimento destes sistemas de informação é
imprescindível para assegurar a comunicação transparente entre sistemas.
Este trabalho apresenta a estratégia e as ações implementadas para a interoperabilidade
do Lume1, repositório digital, com alguns dos sistemas de informação da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), considerando que esses sistemas armazenam
informações que a Universidade tem interesse em disponibilizar em acesso aberto. A
interoperabilidade é vista como um facilitador no processo de automatizar ao máximo o
povoamento do Lume com documentos digitais produzidos na UFRGS, com o intuito de
otimizar este processo, bem como garantir a completeza, consistência e integridade dos dados.
Está organizado da seguinte forma: a seção 2 aborda aspectos teóricos acerca de
repositórios institucionais; a seção 3 apresenta o Lume, Repositório Digital da UFRGS; a
seção 4 apresenta os sistemas de informação que são fontes de dados para o Lume; a seção 5
trata da importação de dados dos vários sistemas de informação da Universidade para o Lume
e a seção 6 traz as considerações finais do trabalho.

2 Repositórios institucionais (RI)
É crescente o número de instituições brasileiras e estrangeiras que têm criado seus
repositórios para armazenamento e acesso permanente e confiável à produção científica
gerada em seu âmbito e para aumentar a visibilidade e uso dos respectivos documentos.
Os RI, ao utilizarem metodologia de arquivos abertos (Open Archives Initiative),
visam exatamente promover o acesso aberto à informação científica e acadêmica e, sobretudo,
possibilitam armazenar, preservar e divulgar a produção intelectual, aumentando o impacto e
a visibilidade das pesquisas desenvolvidas na instituição. (CAMARGO; VIDOTTI, 2006).
Do ponto de vista mais conceitual, constituem-se em autênticos sistemas de gestão de
conteúdos, uma vez que além dos documentos em si, oferecem à comunidade acadêmica um
conjunto de serviços para a gestão da produção institucional. (DIRETRIZES..., 2007).
Destacam-se, dentre eles, as estatísticas de acessos e de downloads dos documentos,
viabilizadas pelo uso do DSpace - Institutional Repository System2, ferramenta amplamente
utilizada no desenvolvimento de repositórios institucionais, de acordo com o The Directory of
1
2

Lume, Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, http://www.lume.ufrgs.br
DSpace Institutional Digital Repository System, http://www.dspace.org

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Open Access Repositories - OpenDOAR3.
Os repositórios caracterizam-se, portanto, como ferramentas de gestão da informação e
do conhecimento importantes não só no contexto da instituição, assim como contribuem com
subsídios para as instituições de fomento à pesquisa. Apresentam ainda indicadores relevantes
para melhorar a posição da instituição em rankings como, por exemplo, o Webometrics
Ranking of World Universities4, o qual apresenta o resultado de uma análise da presença das
universidades e instituições de pesquisa na web.

3 Sobre o Lume
O Lume, denominação atribuída ao Repositório Digital da UFRGS, não é diferente e
tem dentre seus principais objetivos reunir, preservar, divulgar e garantir o acesso confiável e
permanente aos documentos científicos, técnicos e acadêmicos produzidos na Universidade,
ampliando sua difusão e uso.
Adota, atualmente, a versão 1.8.1 do DSpace instalada em um servidor Linux. Esta foi
a ferramenta escolhida por tratar-se de software livre que supre todas as propriedades que
advêm das necessidades de divulgação das universidades, incluindo de forma nativa as
seguintes características:
a) facilidade de tradução e internacionalização;
b) facilidade de customização e adequação às necessidades internas;
c) utilização de um padrão de armazenamento de metadados universal e extremamente
difundido e aceito, o Dublin Core;
d) facilidade de indexação do seu conteúdo pelos principais sites de busca (p. ex.,
Google, Bing e etc.);
e) compatibilidade com qualquer tipo de documento ou acervo que esteja em formato
digital;
f) navegação, pesquisa e consulta intuitiva, por meio de uma interface uniforme que
não depende do usuário conhecer o conteúdo do repositório;
g) exposição do conteúdo completo do repositório para harvesting automatizado,
mediante um protocolo de comunicação e consulta aberto, o Open Archives
Initiative Protocol for Metadata Harvesting (OAI-PMH)5.
Um repositório é composto por metadados e objetos digitais. No Lume, os metadados
seguem o padrão Dublin Core qualificado - Dublin Core Metadata Initiative6.
Para garantir o acesso permanente aos documentos digitais, independente de qualquer
mudança de endereço do servidor, utiliza-se o Handle System7, serviço fornecido pela
Corporation for National Research Initiatives (CNRI), que consiste em atribuir
identificadores persistentes para cada documento digital garantindo que, mesmo que o
endereço do servidor do repositório digital mude, os recursos possam continuar sendo
referenciados univocamente.
A interoperabilidade com outros repositórios digitais e/ou outros sistemas de
informação externos à Universidade é viabilizada pelo uso do protocolo de coleta de
metadados da iniciativa de arquivos abertos OAI-PMH, permitindo a transferência de dados
entre eles.

3

The Directory of Open Access Repositories - OpenDOAR, http://www.opendoar.org/
Ranking Web of World Universities, http://www.webometrics.info/
5
Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting, http://www.openarchives.org/pmh/
6
Dublin Core Metadata Initiative, http://www.dublincore.org/documents/usageguide
7
The Handle System, http://www.handle.net/
4

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4 Sistemas de informação da UFRGS
A iniciativa de interoperar dados entre o Lume e outros sistemas da Universidade teve
início quando da implantação do Repositório, em janeiro de 2008, com a inclusão das teses e
dissertações pertencentes aos acervos do Sistema de Bibliotecas da UFRGS (SBUFRGS) e,
portanto, devidamente descritas no Sistema de Automação de Bibliotecas (SABi).
Com a ampliação da abrangência do Lume outros sistemas passaram a alimentá-lo.
Para aproveitar o processo de descrição, arquivamento e revisão das informações realizado
nos sistemas fonte, a importação desses dados para o repositório institucional é feita de forma
automatizada, por meio de extensões do DSpace.
Os sistemas que têm suas informações coletadas e disponibilizadas para a comunidade
por meio do Lume são descritos a seguir.
4.1 Sistema de Automação de Bibliotecas (SABi)
O SABi realiza a gerência integrada das atividades e serviços das 32 bibliotecas e do
catálogo on-line da UFRGS, por meio dos módulos de Aquisição, Catalogação, Itens,
Periódicos e Circulação de Coleções. Adota padrões e normas internacionais para registro de
dados bibliográficos, MARC 218, e para intercâmbio de registros, ISO 27099 e ANSI/NISO
Z39.210. Utiliza o software Aleph 500 e o banco de dados Oracle, instalados no sistema
operacional RedHat.
A Universidade, por intermédio do seu Sistema de Bibliotecas, tem priorizado, ao
longo dos anos, a coleta, registro e disseminação da produção intelectual institucional (PI) no
SABi. Os tipos de produção registrados na base de dados, atualmente, contemplam 48
categorizações, para os quais foram criados códigos, conforme a necessidade de identificá-los
e contabilizá-los separadamente, manifestada pelas bibliotecas, pesquisadores e órgãos da
Administração Central da Universidade.
A coleta da PI pelas bibliotecas e seu registro no SABi são prioridade no SBUFRGS.
O trabalho sistemático das equipes neste sentido tem fortalecido e consolidado o SABi como
instrumento de controle da PI e vem subsidiando a Administração Central na identificação dos
indicadores de produtividade, os quais possibilitam dimensionar resultados mediante produtos
acadêmicos produzidos no âmbito da Universidade.
Os dados relativos registrados no SABi são compartilhados com outros sistemas da
Universidade, tais como: Avaliação institucional, Progressão docente, Relatório de Atividades
Docentes, entre outros, além do Lume. Os registros de PI que povoam as comunidades do
Lume são transferidos diariamente por meio de harvesting incremental.
O uso do SABi como fonte de informações de PI, integrado a diversas ferramentas e
sistemas, tem incentivado a comunidade universitária a entregar, regularmente, suas
produções nas respectivas bibliotecas para o devido registro na base de dados. No que
concerne às equipes das bibliotecas, salienta-se a necessidade e importância da consistência
dos registros na base, principalmente no que diz respeito à atribuição da autoria e
classificação correta do tipo de produção, conforme as políticas e procedimentos do
SBUFRGS relativos ao registro da PI da UFRGS, a fim de conferir confiabilidade ao produto
final.

8

MARC Standards, http://www.loc.gov/marc/
ISO Standards, http://www.iso.org/iso/iso_catalogue.htm
10
NISO Standards, http://www.niso.org/apps/group_public/projects.php
9

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4.2 Sistema de Acervo Fotográfico
É um sistema web para registro, armazenamento e consulta a arquivos fotográficos em
formato JPG. Foi desenvolvido em PHP, utilizando um banco de dados SQL Server, ambos
instalados no sistema operacional Windows.
As fotos são descritas e armazenadas pelos respectivos órgãos/setores da Universidade
responsáveis pelos acervos. O arquivamento é feito por meio do preenchimento de formulário
com os dados da foto e do carregamento da imagem.
É importante destacar que a disponibilização das fotos em formato digital contribui
muito para a preservação dos acervos físicos pois, desta forma, é possível evitar o manuseio
do documento e, consequentemente, a sua deterioração. Este sistema é atualizado pelos órgãos
da Universidade que o utilizam.
4.3 Sistema de Eventos Institucionais (SEI)
O desenvolvimento do Sistema de Eventos Institucionais teve início em 2009, por
ocasião da organização do XXI Salão de Iniciação Científica (SIC), o qual serviu como
“piloto” do sistema, abrangendo as etapas de submissão de trabalhos; a avaliação dos
orientadores; a homologação das instituições externas; a inscrição de participantes; a
organização das sessões de apresentação de trabalhos; a escolha de trabalhos premiados, entre
outras. Até então, as informações referentes aos Salões de IC eram geridas por meio de um
sistema específico para o Salão e que não servia aos demais eventos da Universidade.
O objetivo principal do SEI é disponibilizar um ambiente flexível, que possa ser usado
para gestão dos diversos tipos de eventos promovidos pela Universidade como, por exemplo,
conferências, seminários, congressos, salões, entre outros. Além disto, a disponibilização
on-line dos trabalhos dos eventos tem evitado a publicação dos anais em papel.
O sistema foi desenvolvido em PHP, com vasto uso de orientação a objetos, usando o
framework Yii. A base de dados do SEI é o servidor SQL Server que dá suporte à base de
dados institucional da Universidade, o que permite acesso direto a todas as informações de
suporte que podem ser necessárias nos diversos tipos de eventos que o sistema irá gerir. Tanto
o portal em PHP como o banco de dados SQL Server estão instalados no sistema operacional
Windows. Além dos metadados relativos aos eventos como um todo e aos trabalhos
específicos de cada evento, os arquivos originais dos autores (pôsteres, resumos e etc.)
também são mantidos.
Em 2010 foi iniciado o projeto de criação do Portal de Eventos Institucionais, um
ambiente integrado que permite ao usuário acessar todos os serviços que estão à sua
disposição. O sistema é responsável por identificar o perfil do usuário em cada evento
disponível no sistema (participante, orientador, avaliador de trabalhos, organizador, gerente,
etc.) e permitir o acesso aos serviços para o respectivo perfil.
A solução adotada para o SEI não é desenvolver um sistema genérico, no sentido de
que deva prever todos os casos, e sim um sistema adaptável. Neste aspecto, o mecanismo de
serviços e perfis é de extrema utilidade, permitindo a criação de novos serviços, ao invés da
modificação dos já existentes, o que mantém a complexidade do sistema baixa e facilita sua
adequação para novas situações. O mecanismo em que o sistema de adaptação se baseia é
também bastante simples e depende apenas da execução de consultas SQL para liberar
serviços, associar serviços a perfis, associar perfis a pessoas e assim por diante. (CANTO et
al., 2011).
Neste sistema a atualização das informações é feita desde o cadastramento até o
fechamento do evento no sistema. Depois do fechamento do evento, suas informações não são
mais modificadas. A partir deste momento todos os trabalhos apresentados serão transferidos

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automaticamente para o Lume povoando a comunidade Eventos UFRGS.
4.4 Sistema de Legislação
O Sistema de Legislação da UFRGS foi criado com o objetivo de cadastrar e
disponibilizar as decisões do Conselho Universitário (CONSUN) e as resoluções do Conselho
de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE). É um sistema web desenvolvido em PHP, utilizando o
framework Yii e banco de dados SQL Server.
As decisões e resoluções cadastradas no sistema podem ter três tipos de
relacionamento entre si: alterar, citar e revogar. Cada uma tem o respectivo arquivo PDF,
escaneado a partir da versão impressa, com reconhecimento OCR. Além disso, é possível
incluir um arquivo com a versão consolidada de uma decisão ou resolução que tenha sido
alterada. O sistema é atualizado pelo CEPE e CONSUN.
4.5 Acervos com submissão manual
O registro de informações que ainda não estão disponíveis nos sistemas acima
mencionados ou em outro utilizado na Universidade é realizado mediante o uso da opção de
auto-arquivamento da ferramenta DSpace, a qual é disponibilizada para usuários previamente
autorizados e autenticados pelo sistema LDAP, válido para a autenticação de todos os
sistemas da Universidade.
Os usuários são autorizados a depositar itens em coleções específicas mediante o
preenchimento de formulário próprio de submissão permitindo, assim, o controle dos itens
depositados. Esta opção é viabilizada por meio das políticas de autorizações do DSpace.
O auto-arquivamento (self-archiving), é uma das características dos repositórios
institucionais e, de acordo com a Budapest Open Access Initiative (BOAI)11, é o depósito de
um documento digital em um website de acesso público, preferencialmente um repositório
que esteja em conformidade com o modelo da Iniciativa dos Arquivos Abertos (OAI). Este
conceito está relacionado com o depósito de artigos científicos pelos próprios autores,
revisados por pares. Não deve ser confundido, portanto, com auto-publicação. Os objetivos do
auto-arquivamento, consonante com os repositórios de acesso aberto, são maximizar o acesso
público aos resultados de pesquisa e aumentar a visibilidade, uso e impacto da pesquisa
científica.
Café e Lage (2002) afirmam que “o auto-arquivamento não restringe o ato de
depositar um documento exclusivamente ao autor do texto eletrônico, mas admite igualmente
a submissão por terceiros, desde que autorizada pelo autor”. Desta forma será proporcionada
maior autonomia aos interessados em depositar documentos no Lume e, paralelamente a isto,
tornar mais ágil o povoamento do repositório sem, contudo, prejudicar a qualidade dos
metadados, já que o DSpace possibilita níveis de revisão até a liberação do depósito para
acesso público.
No Quadro 1 são relacionadas as comunidades/subcomunidades/coleções que integram
o Lume, atualmente, com a indicação da respectiva fonte dos dados.

11

Budapest Open Access Initiative: Frequently Asked Questions,
http://www.earlham.edu/~peters/fos/boaifaq.htm

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Quadro 1. Fonte dos dados que alimentam as comunidades, subcomunidades e coleções do Lume.
Comunidades
Acervos

Subcomunidades/Coleções
CEME - Centro de Memória do Esporte
Instituto de Física

Sistema Acervo Fotográfico
Sistema de Legislação

Museu Universitário

Sistema Acervo Fotográfico

Setor de Patrimônio Histórico

Sistema Acervo Fotográfico

UFRGS TV

Trabalhos acadêmicos e
técnicos

Auto-arquivamento DSpace e
Sistema SABi

Legislação UFRGS

TelessaúdeRS

Eventos UFRGS

Fonte dos dados

Sistema SABi
Auto-arquivamento DSpace

Feira de Ensino e Popularização da Ciência FEPOP

Sistema de Eventos Institucionais

Feira de Iniciação Científica

Sistema de Eventos Institucionais
e Sistema SABi

Feira de Inovação Tecnológica - FINOVA

Sistema de Eventos Institucionais

Salão de Ensino

Sistema de Eventos Institucionais

Salão de Extensão

Sistema de Eventos Institucionais

Salão de Iniciação Científica

Sistema de Eventos Institucionais
e Sistema SABi

Apostilas
Relatórios Técnicos e de Pesquisa
Trabalhos de Conclusão de Curso de
Especialização

Sistema SABi

Trabalhos de Conclusão de Curso de
Graduação
Traduções
Produção intelectual

Artigos de Periódicos
Entrevistas
Livros e Capítulos de Livros
Propriedade Intelectual - Patentes

Sistema SABi

Resenhas
Trabalhos de Eventos
Teses e dissertações

Teses e Dissertações defendidas na UFRGS

Sistema SABi

Teses e Dissertações não defendidas na
UFRGS
Recursos educacionais

Auto-arquivamento DSpace

A inclusão de novas comunidades, subcomunidades e coleções tem sido realizada de
forma gradativa. Quando identificado o interesse e/ou a necessidade de registro e
disponibilização de determinada coleção, iniciam-se as reuniões com os responsáveis pelo
acervo para identificar as peculiaridades do mesmo e as necessidades específicas de
recuperação. A partir desta etapa, são definidos os metadados para descrição dos documentos,

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criado o formulário de registro dos mesmos, definidos os índices e filtros que serão utilizados
para busca, os formatos de apresentação das informações recuperadas, bem como a estrutura
da comunidade, subcomunidade ou coleção. Desta maneira, pretende-se atender às
particularidades dos tipos de documentos e qualificar a recuperação da informação.

5 Importação de dados para o Lume
A importação dos dados dos sistemas citados na seção anterior é realizada de forma
diferenciada, levando em conta a periodicidade com que os mesmos são incluídos.
No caso do SABi, do Sistema de Acervo Fotográfico e do Sistema de Legislação a
importação dos dados é realizada diariamente, permitindo inclusive a atualização daqueles
que já foram importados anteriormente. No caso do SEI, a importação é feita por demanda,
normalmente ao final de cada evento que se deseja disponibilizar.
O processo de importação dos dados é realizada por meio de scripts PHP que
consultam as informações nos diferentes sistemas e, em etapa subsequente, os seguintes
passos são executados:
1) criação de log do processo de importação que permite salvar o andamento da
importação para detectar possíveis erros ocorridos durante o mesmo;
2) criação de links na pasta assetstore - neste diretório o DSpace salva os arquivos e
é neste diretório que ele espera encontrar os arquivos, então foram feitos links
simbólicos do Linux dentro da pasta assetstore que fazem referência aos arquivos
nos sistemas fonte, evitando a cópia dos arquivos;
3) execução do processo de carga dos metadados do banco de dados do sistema fonte
para o banco de dados do Lume, convertendo os metadados para o formato Dublin
Core. Para inserir um item no Lume com seus respectivos metadados e referências
aos arquivos são acessadas as seguintes tabelas do banco de dados do DSpace,
nessa ordem:
I. public.item
II. public.handle
III. public.collection2item
IV. public.bitstream
V. public.bundle
VI. public.item2bundle
VII. public.bundle2bitstream
VIII. public.metadatavalue
IX. public.resourcepolicy
Neste ponto são executados quatro comandos fornecidos pelo DSpace e localizados
dentro da pasta bin do diretório de instalação da respectiva ferramenta. São esses os passos 4,
5, 6 e 7.
4) execução do comando cleanup do DSpace para limpar arquivos antigos;
5) execução do comando filter-media do DSpace para criar as miniaturas
(thumbnails) das imagens e PDFs que irão aparecer na busca de registros;
6) execução do comando index-update do DSpace para atualizar os índices de
pesquisa para os novos itens;
7) execução do script sub-daily do DSpace, que envia os e-mails com os novos itens
das coleções para os respectivos assinantes e, por fim,
8) envio do arquivo de log para a gerência do Lume, caso ocorra algum erro em um
dos passos da importação de dados.

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A Figura 1 ilustra os sistemas que interoperam com o Lume.

Acervo
Fotográfico

Eventos
Institucionais

Legislação

Figura 1. Visualização da interoperabilidade do Lume com os sistemas de informação da UFRGS.

No diagrama estão representados os vários sistemas que alimentam o Lume e a relação
entre eles.
Com a popularização da utilização de recursos audiovisuais para complementar e
enriquecer trabalhos, além da própria necessidade do arquivamento e divulgação de vídeos e
áudios relacionados a eventos e a teses e dissertações, por exemplo, o Lume conta cada vez
mais com itens que contêm arquivos audiovisuais.
Tendo em vista o crescimento deste tipo de material identificado nos documentos
incluídos no Lume e a necessidade de otimizar o acesso aos mesmos, foi adotado o servidor
de streaming open source Plumi12, o qual permite o streaming de vídeos do repositório, não
demandando o download completo do arquivo nem de um programa adicional. Esta
ferramenta tem se mostrado capaz de reproduzir diversos formatos de vídeo para praticamente
todos os dispositivos com acesso à internet existentes, tais como, browsers, tablets e
telefones. Atualmente a inclusão de vídeos do Lume no Plumi é realizada de forma manual e
está em estudo uma forma de automatizá-la.

6 Considerações finais
As soluções que vêm sendo gradualmente adotadas com relação à interoperabilidade
do Lume com os sistemas de informação da Universidade consolidam a recomendação
12

Plumi video sharing, https://plone.org/products/plumi

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explícita no Plano de Desenvolvimento de Tecnologia de Informação (PDTI), elaborado pela
Universidade para o período de 2011 a 2015, sobre a necessidade da adoção de soluções
institucionais que permitam a disponibilização das informações geradas pelos diversos órgãos
gestores da UFRGS de forma integrada, a fim de evitar a redundância de dados e a
proliferação de informações sem a garantia de sua procedência, confiabilidade e
responsabilidade. (UNIVERSIDADE ..., 2011).
A integração e o compartilhamento de dados entre os diversos sistemas têm se
mostrado extremamente positivos, sobretudo pelo aproveitamento dos metadados, evitando o
retrabalho e reduzindo a possibilidade de erros e/ou inconsistência dos mesmos. A
manutenção do dado em um único sistema é fundamental como meio de resguardar sua
consistência e veracidade.
A disponibilização dos documentos produzidos na UFRGS, no Lume, por sua vez,
amplia a visibilidade das pesquisas e pesquisadores e, consequentemente, da Instituição, além
de garantir o acesso e maximizar a divulgação da produção institucional.
A interoperabilidade entre diferentes sistemas atualmente é, acima de tudo, uma
necessidade, permite a comunicação direta e transparente com informações corretas e
instantâneas, a fim de otimizar esforços para disponibilizar a quantidade de informações,
imprescindíveis para a gestão e visibilidade das Instituições de Ensino Superior e tornar
públicos os resultados das pesquisas desenvolvidas na Universidade, contribuindo para a
socialização do conhecimento.

7 Referências
CAFÉ, L; LAGE, M. B. Auto-arquivamento: uma opção inovadora para a produção científica.
DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação, v. 3, n. 3, jun. 2002. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000001051&amp;dd1=abb47&gt;. Acesso em:
15 mar. 2016.
CAMARGO, L. S. A.; VIDOTTI, S. A. B. G. Elementos de personalização em repositórios
institucionais. 2006. Trabalho apresentado na 1ª Conferência Iberoamericana de Publicações
Eletrônicas no Contexto da Comunicação Científica, Brasília, 2006.
CANTO, F. H. et al. Sistema de Eventos Institucionais. 2011. Trabalho apresentado no 5º
Workshop de Tecnologia da Informação das Instituições Federais de Ensino Superior,
Florianópolis, 2011. Disponível em:
&lt;http://www.vwticifes.ufba.br/modulos/submissao/Upload/33171.pdf&gt;. Acesso em: 15 abr.
2016.
DIRETRIZES para a criação dos repositórios institucionais nas universidades e organizações
de educação superior. Pontifícia Universidad Católica de Valparaíso, Valparaíso, 2007.
Disponível em:
&lt;http://eprints.rclis.org/bitstream/10760/13512/3/Directrizes_RI_portugues.pdf&gt;. Acesso em:
30 mar. 2016.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Plano de Desenvolvimento de
Tecnologia de Informação (PDTI): relatório final 2011-2015. 2011. Disponível em:
&lt;http://www.ufrgs.br/ufrgs/a-ufrgs/pdti-plano-diretor-de-tecnologia-da-informacao&gt;.
Acesso em: 28 mar. 2016.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O trabalho aborda a interoperabilidade do Lume, Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com outros sistemas de informação da Universidade, com os objetivos de automatizar e impulsionar o seu povoamento com documentos digitais produzidos na Universidade, minimizar inconsistências, evitar o retrabalho e, consequentemente, manter a integridade e uniformidade dos dados. Descreve as implementações realizadas no Lume, desenvolvido na ferramenta DSpace, para permitir a sincronização com fontes de dados que possuem padrões distintos deregistro e de atualização dos dados.</text>
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                    <text>A INTEGRAÇÃO DA ALFABETIZAÇÃO INFORMACIONAL (ALFIN)
NA FORMAÇÃO DO ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO: ANÁLISE DE
INICIATIVAS NO BRASIL E NA ESPANHA

Maria da Graça Gomes Almeida (UFBA) - mggomes@ufba.br
Resumo:
Este trabalho tem como finalidade analisar, descrever e apreciar como a Alfabetização
Informacional (ALFIN) está sendo implementada em bibliotecas de universidades públicas no
Brasil e na Espanha e como ela pode ser integrada à formação do estudante universitário. Este
estudo é fundamentado por um quadro teórico articulado com a pesquisa de campo em 33
bibliotecas de universidades públicas federais do Brasil e em 28 universidades públicas da
Espanha. A análise dos dados empíricos realiza-se por meio de uma abordagem quantitativa,
aliada à qualitativa. Apesar de diferentes autores terem a mesma opinião de que a integração
da ALFIN na formação do estudante universitário deve ser por meio do currículo acadêmico,
os resultados sugerem que as universidades e suas bibliotecas estão encontrando dificuldade
para implantar a educação para a ALFIN, de forma sistemática e, mais ainda, de forma
escalonada em diferentes níveis, integrada com as disciplinas acadêmicas.
Palavras-chave: Alfabetização informacional. Competências informacionais.
curricular. Espanha. Brasil. Universidade. Educação superior.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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Integração

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo foi compreender a Alfabetização Informacional (ALFIN) e, mais
especificamente, como implantá-la de forma estável, progressiva e de amplo alcance na
formação do estudante universitário. Com a finalidade de contribuir com o processo
educacional das universidades e de suas bibliotecas, propondo um conjunto de diretrizes e
recomendações para apoiar o desenvolvimento das competências informacionais durante a
etapa universitária do aluno.
A Alfabetização Informacional, tradução literal do termo em inglês Information Literacy, é
amplamente difundida como um processo de aquisição e desenvolvimento de conhecimentos,
habilidades, atitudes e valores em relação ao procedimento de acessar, avaliar, organizar,
interpretar e utilizar, de maneira crítica e ética, a informação (ACRL, 2000). A ALFIN surge
com base em múltiplos fatores sociais e tecnológicos e incide, principalmente, na formação
do estudante, uma vez que é um elemento propulsor para a compreensão do universo
informacional e para o desenvolvimento do pensamento crítico e do processo de pesquisa.
Por um lado, os alunos estão chegando à universidade com muitas carências em relação à
busca, avaliação e ao uso da informação científica como mostram os estudos de Marzal
García-Quismondo e Calzada-Prado, 2003; González Rivero e Santana Arroyo, 2008; Head e
Eisenberg, 2010; Connaway e Dickey, 2010, entre outros. Por outro lado, a biblioteca
universitária já atua na formação de seus usuários, oferecendo capacitação para o uso da
biblioteca, de seus serviços e de seus recursos informacionais. Porém, a capacitação de
usuários oferecida pela biblioteca para a busca e uso da informação nas universidades,
geralmente, ofertada de maneira opcional, em muitos casos, por meio de esforços dispersos da
biblioteca, não alcança a todos os estudantes e não lhes dar a oportunidade de praticar de
forma contínua as competências informacionais.
Considerando-se que a universidade e sua biblioteca devem dar igualdade de oportunidades a
todo estudante de formar-se com competências informacionais, neste trabalho procurou-se
investigar e encontrar respostas para as seguintes perguntas: Como as universidades e suas
bibliotecas estão integrando a ALFIN em seus currículos e/ou formação de seus usuários?
Quais são as principais estratégias e/ou formatos utilizados? Que requisitos ou fatores
conduzem a um entorno favorável e/ou são necessários para integrar a ALFIN no currículo
acadêmico? Quais são as principais limitações e como superá-las para lograr sua efetiva
integração na universidade?
Ressalta-se que esta comunicação é uma síntese dos principais resultados obtidos na pesquisa
originalmente apresentada como uma tese, intitulada “La Integración de la Alfabetización
Informacional (ALFIN) en la Formación del Estudiante Universitario: análisis de iniciativas
en Brasil y España”, defendida em abril de 2014, no Programa de Doutorado em
Documentação: arquivos e bibliotecas no entorno digital, da Universidade Carlos III de
Madri, na Espanha.

2 METODOLOGIA
A pesquise foi desenvolvida no contexto da educação superior e seu recorte incidiu no âmbito
das bibliotecas de universidades públicas e presenciais do Brasil e da Espanha. Trata-se de

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

uma pesquisa exploratória e descritiva que teve como finalidade analisar, descrever e
compreender o processo de integração da ALFIN na formação do estudante universitário.
Como procedimento para a análise dos dados empíricos, adotou-se uma abordagem
quantitativa e qualitativa, ou seja, a forma híbrida. Também foi utilizado o método
comparado, com vistas a verificar as similitudes e divergências entre os fenômenos estudados
no Brasil e na Espanha, assim como na teoria exposta por meio da revisão da literatura.
Foram enviados 59 questionários para as bibliotecas universitárias brasileiras, dos quais,
retornaram 33 (55,9%) e, na Espanha, foram enviados 47 e retornaram 28 (59,6%),
compreendendo uma porcentagem superior a cinquenta por cento em ambos países. O
questionário foi estruturado em três partes, a primeira abordou os aspectos generais da
formação de usuários na biblioteca; a segunda tratou sobre a organização e execução de
programas ou atividades específicas de ALFIN na universidade e a terceira destacou as
barreiras e retos que limitam a implantação da ALFIN universidade.
Com a finalidade de complementar os dados obtidos por meio dos questionários, realizou-se
uma entrevista semiestruturada e em profundidade em três universidades espanholas que
lograram, no momento de revisão curricular, integrar a educação da ALFIN de forma
institucional em todos os cursos de graduação.

3 REVISÃO DA LITERATURA
A ALFIN no contexto da universidade é difundida por meio das bibliotecas universitárias. A
biblioteca universitária tem investido na formação de seus usuários para o uso da biblioteca,
de seus recursos e serviços. Porém, a educação para o desenvolvimento de competências
informacionais, mediante atividades opcionais, não sistemáticas, de curta duração e não
alinhadas formalmente com qualquer disciplina ou titulação não chega a todos os estudantes.
Bernhard (2002) argumenta que, em virtude de seu caráter optativo, as atividades de ALFIN
oferecidas pelas bibliotecas e de escolha do estudante não chegam a mais de que uma
proporção relativa do alunado. Assim, é necessária uma formação formal que assegure que
todos os estudantes se beneficiem dessa formação. McGuinness (2007) destaca que a natureza
ad hoc e não estruturada da educação da ALFIN, que ocorre por meio de sessões desenhadas
para satisfazer uma necessidade de informação particular, identificada pelo professor em sua
classe, não garante a viabilidade de manter essa oportunidade de formação em longo prazo.
Complementando essa ideia, MacDonald, Rathemacher, Burkhardt (2000) sinalizam que,
apesar de que esse modelo de instrução personalizada chegue a um grande número de
estudantes, nessas sessões curtas de ALFIN, a informação pode ser pouco assimilada pelos
estudantes. Também pode ocorrer que seja duplicada/repetida para alguns alunos, outros
podem receber somente uma formação mínima e outros nenhuma.
São muitas as críticas na literatura de que a educação da ALFIN desde a biblioteca
universitária tem sido pouco abrangente e que a formação não contempla o momento da
necessidade de informação do estudante em seu contexto de aprendizagem. Dudziak (2005,
p.70) argumenta que “a falta de engajamento e a não adaptação ao contexto são fatores que
levam ao fracasso muitos programas de competências informacionais implementados por
bibliotecários mesmo com o apoio dos docentes”. Curzon (2004) sinaliza que os programas de
ALFIN fracassam porque na maioria das universidades são implantados de forma isolada pela
biblioteca.

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Nessa perspectiva, a oferta da ALFIN deve ocorrer por meio do currículo acadêmico. Esse
enfoque é apoiado por várias instituições e autores individuais, por exemplo ACRL (1999,
2000), Rockman et al. (2004), Lau e Cortés (2006) e Area Moreira (2007). A ACRL (1999)
recomenda que a biblioteca deve promover a educação da ALFIN relacionada e integrada com
as disciplinas acadêmicas. Bernhard (2002) destaca a conveniência de uma formação ofertada
de forma progressiva ao largo de toda a carreira universitária. Sharma (2007) aponta que a
falta de oportunidades contínuas de aprendizagem das competências informacionais
fragmenta o processo de ALFIN na universidade.
Assim, para promover a formação em ALFIN, autores, em diferentes países, têm destacado
distintas estratégias formativas. Area Moreira (2007, p. 11-12) menciona quatro
possibilidades: a oferta de disciplina específica de ALFIN comum a todas os cursos da
universidade; a oferta de disciplinas ou seminários opcionais com valor de créditos
acadêmicos; a oferta de conteúdos específicos da ALFIN distribuídos transversalmente entre
distintas disciplinas de uma mesma titulação, assim como a oferta de cursos pontuais.
Gómez Hernández e Benito Morales (2001, p.14) recomendam “introducir la ALFIN como
contenido de aprendizaje y evaluación dentro de las distintas asignaturas de los planes de
estudio”. Basulto Ruíz (2008, p.33) destaca que a inserção no currículo por meio de uma
disciplina é a opção de maior consenso na literatura “[…] porque motiva el aprendizaje de las
habilidades en los estudiantes a partir de la necesidad de resolver un problema o tarea
académica”.
A sua vez, Wang (2011, p.704) utiliza os termos: extracurricular (um curso fora do currículo
acadêmico, ou seja, não alinhado com qualquer unidade ou curso), intercurricular (sessões,
cursos ou conferências programadas dentro da unidade curricular de uma titulação
acadêmica), intracurricular (integrada em uma titulação através da colaboração entre
professores e bibliotecários) e stand-alone (um curso independente dentro dos planos de
estudo). Enquanto Dudziak (2009) destaca as seguintes modalidades: genérica (ações
voluntárias, extracurriculares, independentes), paralela (atividades complementarias às
disciplinas ou titulações específicas) e integrada (atividades que são parte integrante do
currículo/curso/disciplina).
Porém, as bibliotecas universitárias enfrentam muitas dificuldades para integrar a formação
em ALFIN ao currículo acadêmico. A pesquisa de McGuinness (2009) realizada em
universidades irlandesas destaca que, em sua maioria, a formação da ALFIN é implantada de
forma independente pelas bibliotecas e elas utilizam os modelos tradicionais, que não são
integrados no currículo acadêmico. Outra pesquisa realizada por Jiyane e Onyancha (2010)
em bibliotecas universitárias e em departamentos de Biblioteconomia e Documentação, na
África do Sul, destaca que as bibliotecas têm dificuldades para atrair os estudantes para os
programas de formação, uma vez que os programas não são formais, tampouco obrigatórios.
Julien, Tan e Merillat (2013) detectaram muitas barreiras, entre elas, as dificuldades de
integração da ALFIN no currículo, a falta de comunicação com o corpo docente, a falta de
apoio institucional e a falta de tempo dos bibliotecários.
Implantar e manter um programa de ALFIN na formação do estudante ainda representa um
grande reto para as universidades e suas bibliotecas. Mas, a educação para a ALFIN deve ser
um objetivo a ser alcançado, uma vez que, nos dias de hoje, ela é essencial e sempre aporta
benefícios para o aluno. Julien e Boon (2004) realizaram uma investigação com o objetivo de

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identificar os resultados da formação em ALFIN tanto para os estudantes como para as
universidades e destacaram como resultados importantes a “diminuição da ansiedade” e um
“aumento da confiança”, quer dizer, a aquisição de um maior domínio pessoal sobre o
universo informacional. Em outro estudo realizado na Universidade de Granada, para avaliar
e diagnosticar os níveis de competências e habilidades em informação em estudantes de
graduação, os autores destacaram que “[…] probablemente cuanto más se entrene al
alumnado en una competencia determinada y mayor nivel vayan adquiriendo en ella, mayor
será la importancia y el valor que le den a la misma” (PUERTAS VALDEIGLESIAS; PINTO
MOLINA, 2009, p.10).
A incorporação da ALFIN por meio do currículo acadêmico é destacada na literatura como
uma das formas mais adequadas para que o aluno desenvolva e pratique as competências
informacionais durante sua etapa universitária. Porém, essa forma de integração depende de
políticas institucionais que reconheçam a ALFIN como uma prioridade de aprendizagem
institucional e da estreita colaboração entre professores e bibliotecários, valorizando o
trabalho interdisciplinar.

4 A ALFABETIZAÇÃO INFORMACIONAL NA FORMAÇÃO
ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO NO BRASIL E NA ESPANHA

DO

Adotando o modelo de Centro de Recursos para a Aprendizagem e a Informação (CRAI), as
bibliotecas espanholas integram a Rede Espanhola de Bibliotecas Universitárias (REBIUN),
enquanto as bibliotecas universitárias brasileiras, em nível nacional, ainda não estão
agrupadas por meio de uma rede formalizada. Contam com o apoio da Comissão Brasileira de
Bibliotecas (CBBU), a qual tem, entre outras atribuições, a missão de representar as
bibliotecas universitárias juntamente aos organismos governamentais e à comunidade
científica brasileira.
Com relação à oferta formativa, tanto no Brasil como na Espanha, as bibliotecas universitárias
oferecem as tradicionais atividades de formação de usuários (visitas guiadas, cursos
especializados, aulas e/o conferências em disciplinas a pedido do professor e palestras sobre
os serviços da biblioteca). Porém, em relação aos cursos e/ou sessões específicas de ALFIN
(determinar o alcance, acessar, avaliar, organizar e utilizar a informação), na Espanha, a
grande maioria (96,4%) das bibliotecas oferta esse tipo de atividade, enquanto as brasileiras
ainda são uma minoria (48,5%).
A ALFIN está presente nas linhas do plano estratégico de 15 (45,5%) bibliotecas brasileiras
das 33 que participaram da pesquisa, enquanto das 28 bibliotecas espanholas, 82,1% (23)
especificaram as competências informacionais em seus planos estratégicos. Ressalta-se que a
ALFIN na Espanha está concebida como uma competência genérica recomendada pela
Conferência de Reitores das Universidades Espanholas (CRUE) para ser integrada com a
alfabetização informática, na formação de todos os estudantes universitários.
Com relação às estratégias utilizadas para integrar as atividades de ALFIN na formação dos
estudantes, em ambos países, são similares:

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Quadro 1 - Tipos de atividades de ALFIN
Tipos de actividades
Número de
Número de
universidades - Universidades - España
Brasil
Sesiones cortas dentro de
5
22
asignaturas
Participan en asignaturas
8
8
específicas de ALFIN
Curso sin reconocimiento de
12
19
créditos
Curso con reconocimiento de
6
16
créditos
Fonte: Almeida, 2014, p.301

Porém, as bibliotecas universitárias espanholas já estão significativamente mais adiantadas
em relação a oferta dessas atividades. Das 33 bibliotecas brasileiras participantes da pesquisa,
48,5% (16) oferecem alguma atividade de ALFIN, embora somente 11 planificam de forma
específica por meio de um plano ou programa. Na Espanha, das 28 universidades
participantes, 96,4% (27) estão oferecendo algum tipo de atividade e, entre elas, 20 (71,4%)
possuem um programa definido para o desenvolvimento das competências informacionais dos
estudantes.
A implantação da ALFIN no currículo acadêmico é um processo dificultoso. Mesmo as
bibliotecas espanholas que estão investindo esforços para desenvolver as competências
informacionais de seus estudantes, por um lado, um número significativo delas ainda não
conseguiu implantar ações formais por meio do currículo. Por outro lado, são destacáveis as
poucas iniciativas institucionais, ou seja, três universidades oferecem ALFIN, em nível
básico, de forma transversal e obrigatória para todos os alunos de graduação de primeiro
semestre. Ressalta-se que, entre as bibliotecas brasileiras pesquisadas, não foram detectados
indícios de iniciativas de ALFIN com as características de uma estratégia de carácter
institucional, obrigatória para todos os cursos de graduação.
Para ajudar a superar as carências informacionais dos estudantes, a formação em ALFIN deve
estar articulada por meio do marco curricular e deve contar com o apoio dos órgãos de
governo da universidade, tanto políticos como administrativos. Essa afirmação está em
consonância com o que explicitaram os participantes desta pesquisa em ambos países quando,
em sua maioria, sugerem que a forma mais eficaz de implantar a ALFIN na universidade seria
através do currículo acadêmico. Defendem como estratégia de integração, tanto no Brasil
(60,6%) como na Espanha (57,1%), disciplinas específicas e/ou cursos integrados ao projeto
pedagógico do aluno.
A educação para a ALFIN por meio do currículo é fundamental porque capacita praticamente
cem por cento dos alunos, ajuda a obter uma relação mais fluida entre professores,
coordenadores e bibliotecários, assim como a trabalhar mais próximos dos estudantes e
detectar mais facilmente suas necessidades, assim como indicaram os participantes desta
pesquisa que implantaram a ALFIN de forma institucionalizadas em suas universidades.
Como amplamente mostra a literatura publicada e as iniciativas de ALFIN implantadas nas
universidades espanholas, podem-se destacar várias modalidades de integração da ALFIN que
dependem diretamente do apoio institucional, tais como: uma disciplina específica e
transversal a todos os cursos, uma disciplina específica integrada em um determinado curso,

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cursos breves integrados formalmente como parte de disciplinas obrigatórias, sessões
integradas formalmente como parte de uma ou várias disciplinas obrigatórias e cursos com
reconhecimento de créditos acadêmicos.
Referente ao conteúdo da formação em ALFIN, nas bibliotecas brasileiras, as temáticas estão
relacionadas com o domínio de conhecimentos acerca da busca da informação,
particularmente do uso das fontes e da recuperação da informação, além dos conhecimentos
sobre a biblioteca universitária, suas instalações, recursos e serviços. Enquanto as temáticas
“identificar a necessidade de informação” e “avaliar a informação” são menos ofertadas. Nas
bibliotecas espanholas, todas as temáticas relativas à ALFIN, em maior ou menor grau, estão
contempladas na maioria das bibliotecas pesquisadas. Os temas “apresentação de citações e
referências”, “seleção de recursos de informação”, “fontes de informação e recuperação da
informação online ou impressa”, “planificação de estratégias de busca”, são ofertados por
mais de 80% das bibliotecas, enquanto “identificação da necessidade de informação”,
“critérios de avaliação da informação” e “uso ético da informação” foram sinalados por mais
de 70% das bibliotecas.
A principal modalidade de oferta das atividades de ALFIN nas bibliotecas brasileiras é a
presencial (93,8%), enquanto nas espanholas combinam a presencial com a virtual (74,1%).
Em relação ao lugar onde a formação é oferecida, tanto no Brasil como na Espanha, as
bibliotecas utilizam espaços variados como a sala de formação da biblioteca, a aula de
informática e as salas de aula convencionas. Com relação ao número de horas de formação, o
total geral em cada curso/titulação na maioria das bibliotecas brasileiras é de menos de cinco
horas. Na maioria das bibliotecas espanholas, a duração média aproximada está entre menos
de cinco horas e entre cinco e dez.
No que diz respeito ao perfil dos participantes da capacitação, em ambos países, a maioria das
bibliotecas oferece formação para os alunos em geral, tanto de graduação como de pósgraduação. Porém, na Espanha, as sessões dentro de disciplinas, específicas ou não, são mais
ofertadas para alunos de graduação.
Com relação ao perfil dos formadores de ALFIN, destaca-se que a formação é oferecida por
ou com a participação do bibliotecário tanto no Brasil como na Espanha, na maioria das
bibliotecas pesquisadas. Porém, é importante pontuar que o envolvimento dos bibliotecários
nas atividades de formação nas bibliotecas analisadas é baixo, uma vez que, tanto no Brasil
como na Espanha, um número muito pequeno de profissionais atua na educação de usuários.
No Brasil, mais da metade (18) das bibliotecas conta com menos de dez bibliotecários
dedicados a educação de usuários e, na Espanha, mais de uma terça parte também conta com
menos de dez formadores.
Os bibliotecários cada vez mais são e continuarão sendo os principais interessados e
responsáveis por esse tipo de alfabetização, como sinalizam os participantes desta pesquisa,
tanto no Brasil (66,7%) como na Espanha (64,3%), quando afirmam que a responsabilidade
de fomentar a ALFIN na universidade recai, principalmente, sobre as bibliotecas. Porém, é
importante ressaltar que, em muitos países, o bibliotecário não possui o status de professor,
como é o caso do Brasil e da Espanha, nesse contexto a colaboração entre professor e
bibliotecário é um elemento essencial na implantação da ALFIN por meio do marco
curricular.
Com relação às principais barreiras para a implantação da ALFIN na universidade, o grande
desafio enfrentado pelas bibliotecas está relacionado com a compreensão do conceito da

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ALFIN. Tanto para as bibliotecas brasileiras (78,8%) como para as espanholas (82,1%), a
ALFIN não se utiliza e não se compreende plenamente, o que reforça a necessidade de
estabelecer um diálogo sobre a ALFIN nesses espaços de aprendizagem. Outras barreiras mais
destacadas pelos bibliotecários foram a falta de pessoal, a escassa colaboração entre docentes
e bibliotecários e a falta de claridade sobre em quem recai a responsabilidade principal para
fomentar a ALFIN na universidade.

5 DIRETRIZES PARA PROMOVER A ALFABETIZAÇÃO INFORMACIONAL
NA FORMAÇÃO DO ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO
O desenvolvimento desta pesquisa por meio dos procedimentos metodológicos seguidos nos
permite inferir que, para integrar as competências informacionais na formação do estudante
universitário de forma estável, progressiva e extensiva (para todo o alunado), o
programa/projeto de ALFIN deve sustentar-se nas seguintes bases:


todo estudante universitário deve ter igualdade de oportunidades para formar-se com
as competências informacionais;



a educação específica da ALFIN deve ser caracterizada como uma estratégia
institucional e curricular para garantir sua permanência ao longo do tempo;



a formação em ALFIN deve ser planificada e programada;



o processo educativo da ALFIN deve ser colaborativo (construído em equipe) e de
docência corresponsável, isto é, de responsabilidade compartida entre professores e
bibliotecários para garantir uma formação integral (teoria e prática) e contextual
através das disciplinas acadêmicas;



a docência da ALFIN deve ser uma prática que forme o aluno para uma aprendizagem
ativa e autônoma, avançando em complexidade através do currículo acadêmico.

Para implantar a educação da ALFIN formalmente na universidade, é necessário o
desenvolvimento de um programa e/ou plano de ação e, para isso, é aconselhável que a
biblioteca consiga que a universidade forme um grupo de trabalho multidisciplinar, ou seja,
formado por distintos representantes da comunidade universitária (por ex.: bibliotecários,
professores, estudantes, pedagogos, informáticos etc.), de preferência, instituído pelos órgãos
de governo da universidade com a missão de discutir, trocar ideias, experiências e
desenvolver estudos, uma vez que no planejamento de um programa/plano para implantar a
ALFIN na formação do estudante universitário é importante:
 Analisar o contexto institucional
Na planificação do programa ALFIN, é necessário fazer uma análise da cultura da instituição
e de sua comunidade de aprendizagem. Do mesmo modo, é muito importante detectar
fortalezas, oportunidades, debilidades e ameaças (LAU; CORTÉS, 2006), indicando as ações
que podem ser empreendidas para aproveitar os fatores positivos, assim como as ações para
contrastar os elementos negativos, isto é, avaliar todos os inconvenientes (em termos
humanos, econômicos e de recursos materiais disponíveis). É importante também pesquisar a
percepção, a presença/reconhecimento e a prática atual da ALFIN na universidade para

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responder perguntas como: Que é a ALFIN na universidade? Que deveria ser a ALFIN na
universidade e por quê? Onde está situada a ALFIN na universidade? A ALFIN é um
requisito do item biblioteca na avaliação da qualidade dos cursos de graduação? A ALFIN
está presente em algum documento de carácter institucional (planos estratégicos ou em outras
políticas institucionais etc.)? Que estão fazendo a universidade e a biblioteca? As iniciativas
de ALFIN existentes estão vinculadas com as políticas institucionais? Quais são as
competências da ALFIN trabalhadas pelos professores através das disciplinas acadêmicas?
Quais são as principais necessidades de ALFIN dos estudantes?
 Definir políticas e a estratégia de integração
Com base na Teoria da ALFIN construída ao longo dos anos por distintos organismos e
autores (como ACRL, 2000, 2006; SCONUL, 2011; Lau e Cortés, 2006; Secker e Coonan,
2011, entre outros) e nos resultados da análise do contexto institucional, é fundamental definir
as competências informacionais e os conteúdos que deverão ser desenvolvidos no contexto da
graduação e da pós-graduação. Para integrar as competências informacionais de forma
integral (teoria e prática), o modelo que conforma uma situação ideal, conforme análise da
literatura e os resultados desta pesquisa, é o modelo de sessões integradas em disciplinas do
currículo acadêmico. Por um lado, as sessões integradas implicam uma aprendizagem no
contexto das disciplinas e podem proporcionar ao aluno, desde o início de sua primeira
qualificação até o final de sua formação acadêmica, uma capacitação sistemática. Por outro
lado, deve ser uma estratégia institucional para que chegue a todos os alunos e permita
contemplar o aspecto de progressão dos conteúdos por meio das disciplinas e em momentos
da formação do aluno que requerem uma intervenção mais direta e explicita dos conceitos
dessa alfabetização, tais como:


no momento da incorporação do aluno na universidade (em uma disciplina do primeiro
semestre): a transição do aluno do ensino médio ao ensino superior requer uma
atenção especial por parte da universidade para ambientá-lo ao universo e a cultura da
aprendizagem acadêmica, assim como para que ele conheça e aprenda a usar os
recursos e as fontes de informação básicas de seu campo de estudo, entenda a natureza
e a influência da informação no desenvolvimento da aprendizagem acadêmica, assim
como aprenda a usar de forma eficiente grandes bibliotecas, seus serviços e produtos;



no avanço dos estudos (em uma disciplina de semestres intermediários): é no momento
do aluno conhecer com mais profundidade as bases de dados por área do
conhecimento. Cada vez mais, o processo de ensino-aprendizagem está centrado nas
técnicas de pesquisa, de modo que o aluno necessita conhecer e utilizar, de forma mais
elaborada, bases de dados específicas em sua disciplina, conhecer as características da
pesquisa, o rigor científico, as questões da propriedade intelectual e o uso de normas e
recursos para citar e organizar referências;



no momento da elaboração do projeto de fim da graduação (no último semestre ou no
semestre onde esteja fixada a disciplina metodologia da pesquisa ou horas créditos
destinadas ao trabalho de conclusão do curso): seria no momento da preparação do
aluno para o trabalho final de graduação, com uma intervenção mais específica e
direcionada a fortalecer os conceitos da ALFIN até então trabalhados nas disciplinas
anteriores e para reforçar e solucionar dúvidas sobre os requisitos de informação e
documentação necessários, que exige um trabalho de investigação.

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Como reforço, na pós-graduação, é recomendável a integração dos conteúdos da ALFIN
também em uma disciplina e poderá seguir a mesma metodologia adotada na graduação,
poderia ser na disciplina “Metodologia da Pesquisa” ou outra que se considere adequada na
grade curricular do mestrado e do doutorado. Essa estratégia de implantação da ALFIN, por
meio de sessões integradas, se molda e aplica por meio de uma série de sessões como parte de
uma disciplina acadêmica e por meio da colaboração entre professores e bibliotecários.
 Desenhar a proposta de integração
O plano/proposta de integração fundamentada na análise do contexto institucional deve
estabelecer as metas e as linhas de atuação do programa de ALFIN na universidade. Entre
outras características, o plano de ação deverá contemplar a missão, justificativa, metas e
objetivos, resultados de aprendizagem e conteúdos básicos, a estratégia de integração, os
recursos humanos necessários, as metas para a formação de formadores, as formas promoção
e difusão, os recursos necessários e o cronograma. O plano/proposta de ALFIN definido
deverá ser apresentado às autoridades acadêmicas, sejam reitores ou vice-reitores ou à
instância acadêmica pertinente para sua aprovação final e posteriores deliberações. Com a
devida aprovação institucional, o plano/ proposta deverá ser apresentado e discutido em todas
as instâncias necessárias (ex: conselho deliberativo da biblioteca, departamentos, comitês,
coordenações acadêmicos e de estudantes).
 Estabelecer mecanismos de articulação, coordenação e colaboração
A partir do momento em que se consiga o apoio da comunidade acadêmica para a proposta de
integração da ALFIN, começam as ações de articulação nos cursos e disciplinas, assim como
a coordenação, organização e a planificação específica dos planos docentes e das atividades.
Esta é considerada como uma das fases mais complexas do processo de integração da ALFIN
por meio das disciplinas acadêmicas. Com o devido respaldo institucional, a equipe
responsável pela ALFIN deverá estabelecer os contatos necessários com os representantes de
todas as instâncias acadêmicas envolvidas no projeto (ex.: representantes de graduação e pósgraduação, biblioteca, faculdades e centros, serviço de informática, departamento de apoio
educacional, vice-reitorias/departamento de desenvolvimento de pessoas, coordenação
estudantil etc.) com o objetivo de instituir equipes de aprendizagem e aplicação da ALFIN em
diferentes campi da universidade.
 Implementar e avaliar
No modelo proposto (sessões integradas em disciplinas acadêmicas), os responsáveis pela
planificação e docência da ALFIN serão os professores das disciplinas integradoras e os
bibliotecários envolvidos no processo. Esses profissionais serão os encarregados de integrar
os conteúdos da ALFIN ao conteúdo das disciplinas e definir: os objetivos, os métodos, as
atividades, os recursos didáticos e os instrumentos de valoração e avaliação da aprendizagem.
Na preparação das classes e atividades, recomenda-se ter em conta os princípios
metodológicos mencionados por Area Moreira (2007, p. 14), uma vez que estão definidos de
acordo com os princípios da aprendizagem ativa, tais como partir dos conhecimentos prévios
do estudante, planificar atividades que permitam ao estudante aprender por meio da
experiência, favorecer tanto o trabalho individual como em grupo, adaptar os conteúdos às
necessidades do campo científico de cada titulação, avaliar continuamente, entre outros. A
avaliação, esta deve estar presente no momento da planificação das classes por meio da
avaliação diagnóstica, para detectar o nível de ALFIN dos alunos e da definição dos

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resultados de aprendizagem, assim como durante todo o processo de execução das mesmas.
Com o objetivo de proporcionar a máxima informação para melhorar o processo de ensinoaprendizagem, reajustando constantemente os objetivos, planos e programas, métodos e
recursos.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com o contexto estudado, esta pesquisa mostra que as universidades e suas
bibliotecas estão utilizando distintas modalidades de formação em ALFIN (sessões, cursos
breves e disciplinas), tanto de carácter genérico (atividades extracurriculares) e paralelo
(atividades complementárias às titulações e/o disciplinas) como integrado (atividades
incorporadas formalmente como parte do currículo), de forma individual ou combinada para
garantir a progressão dos conteúdos. Porém, a integração da ALFIN na formação do estudante
universitário nas universidades pesquisadas ainda não é uma tendência generalizada. As
universidades e suas bibliotecas, devido a seus problemas estruturais, culturais e/ou humanos,
encontram muitas dificuldades para integrar a educação para a ALFIN de forma extensiva,
estável e escalonada em diferentes níveis.
Para integrar a ALFIN de forma estável, progressiva e que dê igualdade de oportunidades a
todos os estudantes, é necessário desenvolver uma estratégia institucional de ALFIN com base
na análise da cultura da instituição, de sua comunidade de aprendizagem e da definição de um
marco de competências informacionais alinhadas com um conjunto de conteúdos básicos,
para serem integrados formalmente ao currículo acadêmico.
Assim, esta pesquisa ratifica que a educação da ALFIN na universidade recai, principalmente,
sobre a biblioteca universitária e exige um esforço maior, transcende seus limites, uma vez
que é recomendada por políticas e diretrizes educacionais internacionais e nacionais e, sendo
assim, é um compromisso de toda a universidade. Deve estar integrada ao currículo macro
planteado pela universidade e, para isso, depende dos gestores da universidade e de todos os
que se encarregam do ensino-aprendizagem e da formação.
A educação da ALFIN formalmente integrada no currículo acadêmico exige que a biblioteca
universitária assuma uma nova perspectiva no âmbito de sua ação educativa, a qual necessita
estrategicamente reorganizar-se e potenciar suas estruturas, principalmente em relação aos
recursos humanos e a capacitação complementaria destes para poder ensinar as competências
informacionais de forma corresponsável com os professores.
Com base nesses resultados, recomenda-se que as universidades: reconheçam e defendam a
integração da ALFIN na formação do estudante universitário; que estabeleçam uma comissão
institucional de trabalho multidisciplinar formada por distintos representantes da comunidade
universitária; que definam políticas de competências e de conteúdos da ALFIN; que
desenvolvam um plano de ação institucional; que implantem a ALFIN de forma transversal e
obrigatória através do currículo acadêmico; assim como potenciem, adéquem e reorganizem
as bibliotecas universitárias para essa finalidade.
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A integração da alfabetização informacional (ALFIN) na formação do estudante universitário: análise de iniciativas no Brasil e na Espanha.</text>
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                <text>Este trabalho tem como finalidade analisar, descrever e apreciar como a Alfabetização Informacional (ALFIN) está sendo implementada em bibliotecas de universidades públicas no Brasil e na Espanha e como ela pode ser integrada à formação do estudante universitário. Este estudo é fundamentado por um quadro teórico articulado com a pesquisa de campo em 33 bibliotecas de universidades públicas federais do Brasil e em 28 universidades públicas da Espanha. A análise dos dados empíricos realiza-se por meio de uma abordagem quantitativa, aliada à qualitativa. Apesar de diferentes  autores terem a mesma opinião de que a integração da ALFIN na formação do estudante universitário deve ser por meio do currículo acadêmico, os  resultados sugerem que as universidades e suas bibliotecas estão encontrando dificuldade para implantar a educação para a ALFIN, de forma sistemática e, mais ainda, de forma escalonada em diferentes níveis, integrada com as disciplinas acadêmicas.</text>
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                    <text>A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A BIBLIOTECONOMIA: PERCEPÇÕES
DOS BIBLIOTECÁRIOS DO IFB
Grazielle Pereira (IFB) - 1938961@etfbsb.edu.br
Resumo:
Este artigo refere-se a um estudo descritivo-exploratório da percepção dos bibliotecários do
IFB em relação à educação inclusiva e o papel das bibliotecas neste contexto. Apresenta uma
pesquisa bibliográfica acerca do tema educação inclusiva no Brasil, oferecendo uma evolução
histórica da busca pela inclusão de pessoas com deficiências. São propostos conceitos ligados
à biblioteconomia e sua função na sociedade da informação. Há uma explanação sobre a Rede
Federal de Ensino no Brasil, que tem tido seu momento de crescimento com a criação dos
institutos federais. O objetivo do artigo é conduzir uma reflexão sobre como as bibliotecas
devem atuar com vistas a atender usuários com algum tipo de deficiência.
Palavras-chave: Educação inclusiva. Inclusão social. Biblioteconomia. Bibliotecário. Acesso à
informação.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Perfil profissional e práticas renovadoras

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A BIBLIOTECONOMIA: PERCEPÇÕES
DOS BIBLIOTECÁRIOS DO IFB
Resumo: Este artigo refere-se a um estudo descritivo-exploratório da percepção dos bibliotecários do IFB em
relação à educação inclusiva e o papel das bibliotecas neste contexto. Apresenta uma pesquisa bibliográfica
acerca do tema educação inclusiva no Brasil, oferecendo uma evolução histórica da busca pela inclusão de
pessoas com deficiências. São propostos conceitos ligados à biblioteconomia e sua função na sociedade da
informação. Há uma explanação sobre a Rede Federal de Ensino no Brasil, que tem tido seu momento de
crescimento com a criação dos institutos federais. O objetivo do artigo é conduzir uma reflexão sobre como as
bibliotecas devem atuar com vistas a atender usuários com algum tipo de deficiência.
Palavras-chave: Educação inclusiva. Inclusão social. Biblioteconomia. Bibliotecário. Acesso à informação.
Abstract: This article refers to a descriptive exploratory study of perception of IFB librarians in relation to
inclusive education and the role of libraries in this context. It presents a literature about inclusive education issue
in Brazil, offering a historical evolution of the search to include people with disabilities. They are proposed
concepts related to librarianship and their role in the information society. There is an explanation of the Federal
Education Network in Brazil, which has had its moment of growth with the creation of federal institutions. The
aim of this paper is to conduct a reflection on how libraries should act in order to meet users with a disability.
Keywords: Inclusive education. Social inclusion. Librarianship. Librarian. Access to information.

1 Introdução
O momento atual em que se vive as sociedades é marcado pelo acesso ou não-acesso à
informação. É possível que a informação permeia e conduz a vida das pessoas. Portanto,
bibliotecas e centros de informação, de uma forma geral, devem cumprir o papel de conduzir
os indivíduos no acesso a informações que possam suprir suas necessidades, sejam elas de
cunho informativo, acadêmico ou mesmo cultural.
Sob esta perspectiva, a biblioteconomia é a técnica que busca identificar, armazenar,
organizar e disseminar conteúdos informacionais. Para essa técnica se concretize é necessário
que barreiras sem superadas, a fim de oferecer acesso informacional a todas as pessoas. É
através deste conceito que pode-se pensar numa sociedade em que a informação seja
democrática e de acesso igualitário.
A educação inclusiva, por sua vez, busca formas, estratégias para que as pessoas com
diferenças, sejam estas físicas ou intelectuais, possam acessar a educação, não permitindo que
isso aconteça de forma isolada das demais pessoas que possuem determinada deficiência. Vale
ressaltar, que as barreiras ser identificadas e corrigidas, a fim de promover práticas educativas
com eficiências.
Num ambiente escolar, para que as bibliotecas possam cumprir o seu papel de mediar
a informação do aluno ao professor, por exemplo, é necessário os profissionais que atuam
neste setor estejam atentos a sua função de democratizar acesso, bem como devem saber
reconhecer o papel fundamental de reconhecer as diferentes necessidades informacionais dos
seus usuários e a condição em que estes se encontram.
Portanto, o objetivo deste trabalho é identificar em que medida os profissionais da
informação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB) estão
preparados para atuar num ambiente educacional em que existam usuários com necessidades
específicas.

2 A educação inclusiva no Brasil

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O censo demográfico brasileiro aponta que cerca de 23,9% da população total, tem
algum tipo de deficiência – visual, auditiva, motora e mental ou intelectual. De acordo com
censo (OLIVEIRA, 2010). Como mostra a Figura 1:

Figura 1 – A deficiência no Brasil. Fonte: IBGE (2010)

Praticar a educação inclusiva em um país de dimensões continentais, com realidades
diversas é um desafio para o Estado e para educadores de todo o Brasil. De acordo com
especialistas, a inclusão deve começar em sala de aula. Essa afirmação deve-se ao fato de que
é na formação das crianças que está a postura da sociedade mais adiante. De acordo com
Rosane Carneiro et al (2009, p. 153):
Quanto maior a convivência, sem discriminações, maior a inclusão. Através do
relacionamento entre os indivíduos diferentes entre si, previsto na sociedade
inclusiva, é que se constrói e se fortalece a cidade. A inclusão, então, nunca poderá
ser vista como um favor, de colar “para dentro” da sociedade quem está fora, mas
como uma troca. Todos saem ganhando, pela convivência entre as diferenças e a
transformações da sociedade em busca da realização de todos.

Historicamente, as pessoas com deficiência passaram muito tempo em total exclusão e
segregação. A partir da década de 1950 é que se tiveram os primeiros esforços da sociedade
pela prática não-discriminatória, iniciando um movimento de integração. Na integração, que
vigorou até o surgimento de sociedade inclusiva na década de 90,0 a sociedade começa a
abrir-se à presença das minorias, especialmente as pessoas com deficiência. No entanto,
segundo Carneiro et al (2009, p. 154), as pessoas com deficiência deviam se esforçar para
pertencer à sociedade. Assim, foram oferecidos a elas reabilitação, escolas e turmas especiais,
acesso arquitetônico em locais públicos, postos de trabalho diferenciados.
Portanto, mesmo com o mérito de iniciar o movimento de modificação da mentalidade
das pessoas, a integração mantinha formas de segregação, pois as deficiências não eram
aceitas, e a sociedade é que precisa estruturar-se para fornecer todas as condições de bemviver aos cidadãos. Muitos estudiosos salientam que a sociedade vive a mudança do
movimento integracionista para o inclusivista. E, é claro, que estas mudanças são lentas e
graduais, além de repleta de conflitos.
Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/1996)
propõe-se uma adequação das escolas brasileiras para atender satisfatoriamente a todas
crianças. Diferenças étnicas, sociais, culturais ou de qualquer ordem passam a ser foco do
discurso de inclusão escolar (KASSAR, 2011, p. 71, grifo nosso). Como afirma a autora:
“Um discurso de educação inclusiva toma corpo no pais, de modo que profissionais que
atuavam na Educação Especial passam, pouco a pouco, a utilizar o termo ‘inclusão’ no lugar
da bandeira da ‘integração’. ”
A LDB/1996 dispõe: “o estabelecimento, pela União, em colaboração com os Estados,
com o Distrito Federal e com os Municípios, de competências e de diretrizes curriculares para
a educação infantil, o ensino fundamental e o médio, devem contemplar o alunado com

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necessidades especiais. ” (BRASIL, 1996) De acordo com Carvalho (2007, p. 76), o órgão do
MEC responsável pela educação especial tem procurado se articular com as Secretarias de
Educação dos Estados, Municípios e do Distrito Federal e, ainda, com as ONGs que
promovem atendimento especializado.
Como atesta Kassar (2011, p. 62), as escolas públicas brasileiras têm se surpreendido
com a presença de alunos com deficiências matriculados em suas turmas, em diferentes níveis
de ensino. Essa situação é resultando de uma política denominada “educação inclusiva”, que
tem sido implantada explicitamente em 2003.
Para oferecer sustentação da proposta inclusiva, o Decreto 6.571/2008 dispõe sobre o
atendimento educacional especializado e modifica as regras do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
(FUNDEB) para garantir recursos àqueles alunos que efetivamente estejam matriculados em
escolas públicas e recebendo atendimento educacional especializado. É neste sentido que é
formulada, em 2009, a Resolução nº 4, que institui as Diretrizes Operacionais para o
Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial,
e estabelece as formas possíveis desse atendimento. Como postula, a Resolução afirma em
seus artigos 1º, 2º e 3º:
Art. 1º Para implementação do Decreto nº, os sistemas de ensino devem matricular
os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento
Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou
em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de
instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos.
Art. 2º O AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno
por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias
que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e
desenvolvimento de sua aprendizagem.
Parágrafo único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se recursos de
acessibilidade na educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo
dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos
materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos
sistemas de comunicação e informação, dos transportes e dos demais serviços.
(BRASIL, 2009, p. 17)

Com a finalidade de fomentar a política de construção de sistemas educacionais
inclusivos, que formem educadores num sistema de multiplicadores, a Secretaria de Educação
Especial do MEC aponta um crescimento significativo nas matrículas da educação especial
nas classes comuns do ensino regular. (KASSAR, 2009, p. 73). De acordo com a autora os
dados apresentados pela secretaria demonstram que os objetivos têm sido alcançados, no
entanto, que é necessário olhar para a cada escolar e identificar os diferentes desafios que
devem ser enfrentados.
E para o alcance deste objetivo faz-se urgente que romper com o paradigma que
conduz a história da educação no Brasil, em que pessoas são segregadas pelas condições que
estas apresentam. Portanto, fica evidente que Estado e sociedade civil devem se unir a fim de
tentar garantir plenas condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem de
todas as pessoas.

3 As bibliotecas e o seu papel na sociedade da informação
Os conceitos de biblioteca e de biblioteconomia tem mudado com o passar do tempo e
com as novas tecnologias da informação e da comunicação, se adaptando, portanto, às
necessidades de informação das pessoas, que são cada vez mais rápidas e em maior volume, já
que produção de estoques de conhecimento também tem aumentado. Em suma, a

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biblioteconomia é a ciência ou a técnica que buscar oferecer controle ao que produzido como
forma de conhecimento registrado pelo homem. Atualmente, há ainda as bibliotecas físicas,
mas há também as bibliotecas virtuais, digitais e eletrônicas, que oferecem acesso à
informação através de serviços remotos, links, acervo eletrônicos, entre outros.
De acordo com Yves-François Le Coadic (1996, p. 25), a biblioteconomia não é uma
ciência, nem uma técnica rigorosa, mas sim uma prática de organização caracterizada por sua
unidade. Divide-se em três grandes domínios: acervos (documentos); leitores (público) e
espaços (estabelecimentos físicos ou não). Segundo os autores para que a biblioteconomia se
consolide não é possível dissociar esses três elementos.
Segundo Vieira (2014, p. 2), o conceito norte-americano de biblioteconomia é que esta
tem a missão de aplicar a tecnologia e a teoria para a seleção, organização, gerenciamento,
preservação, disseminação, criação e utilização das coleções de informações por todos e em
todos os formatos.
É possível afirmar que a prática biblioteconômica está diretamente ligada à história da
humanidade, sendo influenciada por uma série de revoluções tecnológicas. Portanto, a história
da biblioteconomia é a história do registro da informação, sendo impossível dissocia-la de um
conjunto amplo que é a própria história do homem. De acordo com Milanesi (1983, p. 16), na
medida da produção do registro informativo, o homem engendrou sistemas – tão rudimentares
quanto a informação registrada – para não dispersá-la:
era preciso reter a informação em algum suporto concreto; consequentemente,
tornou-se imprescindível a preservação desses suportes – os documentos – bem
como a organização deles. Quanto mais documentos produzidos, maior a exigência
de controle. A resposta à explosão informativa do século XX foi a utilização do
computador para ordenar a informação registrada. Ou seja, quanto mais o homem
gera documentos, mais os profissionais especializados no controle da informação
buscam instrumentos e técnicas que permitem a cada homem encontrar o dado que
procura. (MILANESI, 1983, p. 16-17)

Ranganathan (1892-1972), nascido na Índia, matemático e bibliotecário, foi
considerado o “pai da biblioteconomia” no país, propôs em 1931 as chamadas por ele de
“cinco leis da biblioteconomia”. São elas: 1. Os livros são para usar. 2. A cada leitor o seu
livro. 3. A cada livro o seu leitor. 4. Poupe o tempo do leitor. 5. A biblioteca é um organismo
em crescimento. Esses pressupostos potencializam uma biblioteca para ser além de uma
acumuladora de conhecimentos registrados, uma instituição social. A autora diz: “biblioteca
como órgão capaz de romper as muralhas da exclusão, deixando sua condição de depósito
morto de livros para se transformar em centro de cultura. ”
Considerando essas prerrogativas, Côrte e Bandeira (2011, p. 9), as bibliotecas de
instituições escolares devem atual como órgão auxiliar da escola, facilitando aos alunos o
livre acesso a documentos bibliográficos, bem como orientação clara e precisa para estudo,
para a solução de problemas e dos deveres de classe, ou, ainda, incrementar as pesquisas.
No âmbito social, às bibliotecas escolares e universitárias compete, prioritariamente,
prover acesso à comunidade acadêmica de recursos de informação relevantes, de modo a
subsidiá-la no desenvolvimento de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Sob esta
perspectiva, Silveira (2010, p. 2) atesta que no contexto brasileiro a grande maioria das
bibliotecas reflete o descaso social mais amplo pelas pessoas com deficiência, sendo seus
produtos e serviços para aqueles usuários fisicamente e intelectualmente “perfeitos”. Neste
sentido a autora afirma:
As raras iniciativas para sua integração configuram-se, na maioria dos casos, como
soluções de paternalismo, medidas assistencialistas, retirando do indivíduo o seu
direito de conviver em igualdade de condições com outros membros da comunidade
universitária. No Brasil, praticamente inexiste biblioteca universitária que incorpore
ao seu planejamento garantias de acesso pleno a deficientes físicos, prevalecendo
barreiras arquitetônicas em suas instalações. O conjunto de recursos informacionais,

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representado por itens componentes dos acervos, também é projetado visando ao
atendimento daquela comunidade de usuários julgada fisicamente "normal",
resultando daí a inacessibilidade parcial e, na maioria das vezes, total à informação
disponibilizada pela biblioteca, devido aos suportes utilizados para seu registro ou à
inexistência de tecnologias alternativas especialmente desenvolvidas para propiciar
utilização por usuários deficientes visuais. (SILVEIRA, p. 2)

Portanto, no Brasil quase inexiste bibliotecas que incorporem ao seu planejamento e
rotina de trabalho garantias de acesso pleno a pessoas com deficiência, prevalecendo as
barreiras arquitetônicas às suas instalações, bem como barreiras informacionais, ou seja,
documentos em suportes e formatos que garantam o acesso a pessoas com alguma condição
diferenciada. É possível comprovar também essa afirmativa de que não há cumprimento de
acesso total a pessoas com deficiências em bibliotecas que pouco se tema de literatura
científica na área, apresentando um cenário bem desolador com referência ao tratamento
ineficiente e ineficaz dispensado ao público constituídos pelos usuários com algum tipo de
deficiência.
É necessário que bibliotecários que atuam em instituições escolares, como agentes da
educação que são, conheçam os dispositivos legais que se referem à educação inclusiva e suas
implicações, bem com deve se apropriar de normas técnicas de acessibilidade como a NBR
9050/2004 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.

4 As bibliotecas do IFB
A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica está presente em
todo território nacional, com a oferta de cursos de qualificação, técnicos, superiores de
tecnologia, licenciaturas, e programas de pós-graduação lato sensu e scrito sensu. (BRASIL,
2015). Cerca de 35 (trinta e cinco) institutos federais compõem essa rede, que também conta
com universidades tecnológicas, CEFETS e escolas técnicas vinculadas a universidades. Cada
instituição desta tem aproximadamente 10 (dez) campi. Em cada campus há bibliotecas que
tem a função de atender as necessidades informacionais de seus usuários, entre alunos e
servidores. Espera-se dessas unidades algumas características mínimas: acervo adequado à
oferta de cursos do campus, bem como em vários suportes informacionais (impresso,
eletrônico e digital); estrutura mínima para receber seus usuários; apoio em atividades de
consulta a fontes de informação; clareza no seu papel fundamental em subsidiar as atividades
de ensino, pesquisa e extensão dos institutos. Essas unidades contam, em sua maioria, com 2
(dois) profissionais bibliotecários, sendo que um deles é responsável por coordenar as
atividades e articular a biblioteca com os demais setores pedagógicos.
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB) foi criado em
29 de dezembro de 2009 e, atualmente, conta com 10 (dez) campi em diversas regiões
administrativas, a saber: Brasília, Ceilândia, Estrutural, Gama, Planaltina, Riacho Fundo,
Samambaia, São Sebastião, Taguatinga e Taguatinga Centro. No Estatuto do IFB consta a
seguinte missão: Oferecer ensino, pesquisa e extensão no âmbito da Educação Profissional e
Tecnológica, por meio da inovação, produção e difusão de conhecimentos, contribuindo para
a formação cidadã e o desenvolvimento sustentável, comprometidos com a dignidade humana
e a justiça social. O IFB iniciou suas atividades incorporando a Escola Agrícola do Governo
do Distrito Federal, localizada na região administrativa de Planaltina. Na primeira fase de
expansão surgiram os campi Brasília, Gama, Taguatinga e Samambaia. Com a segunda fase
surgem as unidades Riacho Fundo, São Sebastião e Taguatinga Centro. Na terceira e última
fase são criados os campi Ceilândia e Estrutural. (IFB, 2015)
Em cada escola há uma biblioteca que, administrativamente, ocupa no organograma de
campus uma coordenação, sendo subordinada à Direção de Ensino, Pesquisa e Extensão de
cada campus. As coordenações de biblioteca se articulam internamente aos demais setores e

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também estão associadas à Coordenação Geral de Bibliotecas que é um organismo da Reitoria
do IFB e é responsável por apoiar todas bibliotecas do IFB e buscar uma unidade e
padronização dos produtos e serviços prestados.

3 Materiais e métodos
É um estudo de caráter qualitativo, com uma abordagem descritivo-exploratória. O
universo da pesquisa são os bibliotecários do IFB e a amostra foi definida aleatoriamente e, de
um universo de 18 (vinte e dois) bibliotecários, foram selecionados 7 (sete) respondentes a
um questionário enviado por email a todos os profissionais, contendo 13 (treze) perguntas
fechadas e 5 (cinco), abertas. Os dados foram coletados entre os dias 25/11 e 03/12/2015.

4 Resultados parciais/finais
Foram realizadas perguntas que buscaram traçar um perfil do profissional bibliotecário
do IFB. A média de idade é de 28 anos, sendo que os mais jovens têm 24 anos e os mais
velhos têm 31 anos. Dos 7 profissionais, 2 estão participando de programas de mestrado
acadêmico e 5 tem especialização. No que se refere ao tempo de vínculo com o IFB tem-se o
seguinte quadro: 2 profissionais tem até 1 ano; 1 profissional tem de 1 a 2 anos; 2 profissional
tem 2 a 3 anos; 2 profissionais tem mais de 3 anos de instituição. Há 2 profissionais do
Campus Riacho Fundo; 1 do campus Estrutural; 1 do campus Samambaia; 1 do campus
Taguatinga; 2 do campus São Sebastião. 4 profissionais atuam como coordenadores de
bibliotecas e 3 atuam apenas como bibliotecários.
Quando perguntados sobre o conhecimento de leis, decretos e atos normativos sobre
educação inclusiva e acessibilidade, apenas 1 declarou não ter conhecimento de nenhuma lei.
Um bibliotecário do campus Riacho Fundo declarou: “Conheço o Decreto 5.296/2004 trata
das deficiências e dos direitos da pessoa com deficiência, foi um marco para a área”. Um
profissional do campus Samambaia afirmou: “Há leis acerca de acesso físico de uma pessoa
aos ambientes, à locomoção (direito de ir e vir); no caso de cegos, de entrada com o cão guia
em quaisquer tipos de locais; no caso de uma escola, atendimento especializado de acordo
com a necessidade que o aluno possui, entre outros.” O bibliotecário do campus Taguatinga
detalhou seu conhecimento da seguinte forma: Norma brasileira ABNT NBR 9050 que trata
da acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Um dos
bibliotecários do campus São Sebastião afirmou: “A própria constituição federal que
estabelece garantia para criação de programas de atendimento especializado para portadores
de deficiência e leis que asseguram atendimento prioritário, bem como normas gerais para a
promoção da acessibilidade dos portadores de deficiência e/ou mobilidade reduzida.
E a LDB que trata dos direitos da criança deficiente.” Outro bibliotecário do campus São
Sebastião afirmou: Conheço apenas a NBR 9050, que trata da acessibilidade a edificações,
mobiliário, espaços e equipamentos urbanos e que foi atualizada recentemente (2015).
No que se refere a programas de capacitação e cursos sobre o assunto, os
bibliotecários com mais de 3 anos no IFB declararam ter participado de cursos oferecidos pela
instituição, a saber: curso de libras, utilização de softwares para usuários cegos. O
bibliotecário do campus Riacho Fundo, que atua no IFB entre 2 a 3 anos, declarou ter
participado do último Fórum Distrital de Educação Inclusiva, ocorrido no IFB neste ano.
No que diz respeito ao conhecimento da norma 9050/2004, 100% dos bibliotecários
afirmaram ter conhecimento da norma. O bibliotecário do campus Taguatinga afirmou: “A
norma aborda, dentre vários ambientes, a questão da acessibilidade dentro das bibliotecas.
Questões como dimensões dos balcões de consulta/atendimento, distância entre as estantes
para que o cadeirante possa se locomover no corredor são discorridas na norma.”

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Ao indagar se há nas bibliotecas de atuação usuários com alguma deficiência, apenas 1
bibliotecário declarou não receber público com esta condição. Foram apontadas deficiências
motoras, auditivas e visuais. 4 bibliotecas oferecem espaço em que usuários com deficiência
conseguem percorrer o ambiente na sua totalidade. Estas mesmas bibliotecas possuem
elevador ou rampa e também sinalização tátil. 4 bibliotecas possuem acervo em Braille,
Audiolivro e Impressora em Braille. Há em 5 bibliotecas profissionais que podem se
comunicar através da Língua Brasileira de Sinais, em nível básico.
O último item do questionário solicitou ao bibliotecário que discorresse brevemente as
suas impressões de como as bibliotecas devem apoiar práticas de educação inclusiva. O
resultado foi o seguinte:
Campus de atuação

Estrutural

Riacho Fundo

Samambaia

São Sebastião

Taguatinga

5 Considerações finais

Impressões – Educação Inclusiva e Bibliotecas
Há um longo caminho a percorrer. Percebo que as
construções dos IFs já possuem os padrões para
acessibilidade, mas creio que os profissionais da área
de biblioteconomia não tem conhecimento nem
qualificação suficiente na área.
Acredito que pensar a educação inclusiva sobre o
ponto de vista das bibliotecas é um desafio, mas,
também algo urgente, uma vez que, todos os usuários
devem ter acesso ao conhecimento, independente
deste ter deficiência ou não.
Acredito que nós em primeira instância devemos
procurar adquirir conhecimento sobre acessibilidade.
As bibliotecas devem se informar acerca de normas,
materiais, capacitações aos servidores, ou seja, tudo
o que pode ser oferecido aos usuários com
necessidades específicas e procurar oferecer o que
for possível, de forma que todos os usuários tenham
acesso de maneira igualitária aos serviços de
informação.
As bibliotecas são uma extensão das instituições de
ensino, portanto devem estar envolvidas nas políticas
educacionais a respeito da educação inclusiva. As
bibliotecas devem garantir que seu espaço e serviços
sejam abertos a todo e qualquer usuário. A
preocupação inicial deve ser a aquisição e
disponibilização de recursos multimídia e livros
especiais para deficientes, e adequação da estrutura
física e mobiliária, bem como preparar os
profissionais para lidar com este público.
Por fim, é necessário que os profissionais da
biblioteca realizem atividades de mediação que
visem
contribuir
com
o
desenvolvimento intelectual, inclusão e incentivo à
socialização dos usuários especiais.
O apoio da biblioteca só é possível com a integração
entre professores e bibliotecários. A questão de
capacitar os servidores em relação treinamento em
livras é complicado, pois somente com o treino é
possível manter o aprendizado. É fácil esquecer
quando você não pratica.
Quadro 1: Construção do autor.

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Conclui-se que considerar as bibliotecas nas práticas de educação inclusiva é algo
urgente e necessário, pois possível pensar em inclusão no âmbito escolar se o aluno puder
acessar conteúdos que possam subsidiar suas práticas educacionais. Vale ressaltar que
profissionais bibliotecários devem estar atentos a esta demanda, ou seja, procurar se apropriar
do assunto, no que diz respeito a leis, tratados, normas e outros, a fim de que usuários com
algum tipo de deficiência tenham acesso à informação, assim como os demais usuários.
Há um caminho longo a ser percorrido, mas essa necessidade deve ser enfrentada de
forma constante. Ao estruturar um edifício de biblioteca, o profissional bibliotecário deve
acompanhar a execução da atividade, utilizando os conhecimentos adquiridos, a fim que as
barreiras físicas possam ser eliminadas ou minimizadas. No que tange o acesso a textos,
conteúdo técnico-científico, bibliotecários devem representar a demanda desses usuários,
buscando formas de aquisição de material em Braille, audiolivros, softwares sintetizadores de
voz, entre outros. É só com medidas dessa natureza é que se pode falar em que as bibliotecas
tem cumprido o seu papel ao praticar também a educação inclusiva.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este artigo refere-se a um estudo descritivo-exploratório da percepção dos bibliotecários do IFB em relação à educação inclusiva e o papel das  bibliotecas neste contexto. Apresenta uma pesquisa bibliográfica acerca do tema educação inclusiva no Brasil, oferecendo uma evolução histórica da busca pela inclusão de pessoas com deficiências. São propostos conceitos ligados à biblioteconomia e sua função na sociedade da informação. Há uma explanação sobre a Rede Federal de Ensino no Brasil, que tem tido seu momento de crescimento com a criação dos institutos federais. O objetivo do artigo é conduzir uma reflexão sobre como as bibliotecas devem atuar com vistas a atender usuários com algum tipo de deficiência.</text>
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                    <text>A DEMOCRATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO:
REGULAMENTAÇÃO E EXPANSÃO DO REPOSITÓRIO
INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
(RIUNIR)

Rejane Sales de Lima Paula (UNIR) - paula.rejane23@gmail.com
Fabiany Moraes Andrade (UNIR) - fabiany@unir.br
Leonel Gandi Santos (UNIR) - gandeleo@unir.br
Erica Elaine Costa (UNIR) - erica.costa@unir.br
Resumo:
O presente trabalho objetiva apresentar a proposta de implementação e expansão do
Repositório Institucional da Universidade Federal de Rondônia (RIUNIR). Para tal, será
descrito a regulamentação do RIUNIR, a sua criação, que fora originária de um projeto piloto
iniciado no Campus de Ariquemes, sob o apoio da Biblioteca Central (BC) e da Diretoria de
Tecnologia da Informação (DTI) da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
Metodologicamente, este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa de caráter exploratório,
no que diz respeito à instalação e manutenção das produções intelectuais produzidas na UNIR
por meio do software DSpace. Almeja-se, frente a este desafio proposto, regulamentar e
expandir efetivamente o RIUNIR, com intuito de inter-relacionar-se com repositórios ativos da
Amazônia brasileira, precisamente nos estados da região norte do País para elevar a
visibilidade da produção acadêmica da Amazônia.
Palavras-chave: Repositório Institucional. RIUNIR. DSpace.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Repositórios institucionais

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A Universidade Federal de Rondônia - UNIR é uma Instituição de Ensino Superior (IES)
pública do Estado de Rondônia. Foi criada em 08 de Julho de 1982 pela Lei nº 7011, a partir
da criação do Estado de Rondônia pela Lei Complementar nº 47 de 22 de dezembro de 1981.
Atualmente a UNIR possui 55 cursos de graduação, distribuídos nos seguintes campi:
Ariquemes, Cacoal, Guajará-Mirim, Ji-Paraná, Porto Velho, Presidente Médici, Rolim de
Moura e Vilhena. Também existem 12 cursos de Pós-graduações, sendo 10 de Mestrado e dois
de Doutorado, concentrados no Campus de Porto Velho, sede administrativa, onde estão a
Reitoria e Pró-reitorias. A Pró-reitoria de Graduação (PROGRAD) por sua vez concentra a
maior parte dos cursos de graduação totalizando 28.
Segundo dados da Diretoria de Registro acadêmicos (DIRCA, 2016), a UNIR conta
com “15.759 alunos ativos”. Suponhamos que a cada quatro anos, cerca de 15.000 discentes
concluam cursos na UNIR. Pergunta-se: será que teremos espaço, em longo prazo, para o
armazenamento de todo o material produzido?
E quanto às produções institucionais de relevância histórica, criadas pelo corpo técnico
e docente, como armazená-las? Visto que, conforme informações obtidas no Portal da
transparência (BRASIL, 2015), a UNIR possui 1.295 servidores, dentre técnicos e
professores. Será que os arquivos físicos disponíveis suportarão, em longo prazo, toda a
documentação produzida?
Certamente serão necessários mecanismos de preservação e armazenamento digitais, tais
como os softwares que originam os Repositórios Institucionais (RI) que podem armazenar
tanto documentos administrativos, quanto acadêmicos de um modo geral.
A regulamentação de uma ferramenta digital, como o Repositório Institucional da
Universidade Federal de Rondônia (RIUNIR) e sua expansão, é de grande relevância, em
razão da importância do acesso à informação no que se refere à necessidade de registro,
guarda, preservação e disseminação da documentação prioritariamente científica, produzida
pela Universidade, por meio dos recursos digitais. Além de auxiliar na otimização de espaço
físico, os recursos digitais facilitam o trabalho dos profissionais que trabalham com a
informação, dentre eles: o bibliotecário, o pesquisador, o professor etc. Poupando o tempo de
busca documental e preservando a produção.
Para que isto ocorra, é necessária a elaboração de trabalhos que envolvam a comunidade
acadêmica e sua posterior publicação em meios eletrônicos. Sendo conveniente que a
indexação do material produzido seja feita por bibliotecários, dada à similaridade dos serviços

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de classificação, organização e recuperação de dados, realizados em bibliotecas.
No que diz respeito à instalação e manutenção de sistemas com a finalidade de
preservação e democratização da produção científica e intelectual da comunidade acadêmica,
dependemos do importante trabalho do setor de Tecnologia da Informação (TI) institucional.
Para realizar a análise dos dados, outras etapas descritas foram desenvolvidas através dos
seguintes objetivos específicos: a) relatar a importância da preservação da memória
institucional e dar mais visibilidade da literatura produzida; b) auxiliar à Educação e Ensino a
Distância (EAD); c) buscar subsídios para a melhoria do repositório.
A proposta da presente pesquisa tem como objeto de estudo verificar os processos de
regulamentação e expansão do RIUNIR, tomando como fio condutor as informações
adquiridas durante o processo de implantação-teste, seu desenvolvimento, suas dificuldades e
como o mesmo se encontra estruturado nos dias de hoje.

2 Revisão da literatura
A respeito dos Repositórios Fachin et. al. (2006, p. 5) relata que: “podem ser formados por
todo tipo de documento produzido na Universidade”, tais como: Teses, Dissertações,
Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação e Especialização, Projetos de Pesquisa,
Projetos de Implantação, Relatórios Técnicos, Artigos, Resumos, Resenhas, Capítulos de
livros, Atas de reuniões, Planos de Aula, Projetos Políticos Pedagógicos. Dentre outros, a
depender da avaliação dos pares, relevância institucional e autorização autoral ou até mesmo
autorização editorial, quando se tratar de livros e artigos já publicados.
Para um pleno funcionamento dos Repositórios Institucionais, faz-se necessário à criação
de “uma política de informação [que cubra] os objetivos, diretrizes, práticas e intenções
organizacionais que servem para fortalecer as decisões locais”, juntamente com a
padronização dos trabalhos e facilite a gestão da informação. (TOMAÉL; SILVA, 2007, p. 4).
Sobre a democratização da produção científico-intelectual de uma determinada
instituição, encontra-se em discussão o Projeto de Lei (PL) 1.120/2007 que dispõe sobre o
processo de disseminação da produção técnico-científica pelas instituições de ensino superior
no Brasil e dão outras providências, o conselho nacional decreta:
Art. 1º As instituições de ensino superior de caráter público, assim como as
unidades de pesquisa, ficam obrigadas a construir os seus repositórios
institucionais, nos quais deverão ser depositados o inteiro teor da produção
técnico-científica conclusiva do corpo discente, com grau de aprovação, dos

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cursos de mestrado, doutorado, pós-doutorado ou similar, a produção
técnico-científica conclusiva do corpo docente dos níveis de graduação e
pós-graduação, assim como a produção técnico-científica, resultado das
pesquisas realizadas pelos seus pesquisadores e professores, financiadas
com recursos públicos, para acesso livre na rede mundial de computadores
– INTERNET. (BRASIL, 2007, p.1).

O acesso a toda produção técnico-científica das Instituições Publicas de Ensino
Superior, parece justa, mas a obrigatoriedade ainda gera muitas discussões. Pois deve existir
a preocupação com trabalhos dignos de patente, bem como as invenções científicas. O ato de
obrigatoriedade das produções soa impositivo, disponibilizar livremente as publicações deve
ser uma atitude consciente em benefício da sociedade.
As publicações de acesso livre não devem se caracterizar como pouco relevantes, por
isso, se faz necessária à revisão entre os pares. Nos casos dos Trabalhos de Conclusão de
Curso, por exemplo, deve haver aprovação e indicação da banca, pois, o nome da instituição
juntamente com professores orientadores estará em evidência.
Vale lembrar que os Repositórios Institucionais, com base no software Dspace,
Segundo Santos e Souza (2013), trabalham com interoperacionalidade, isto significa que
outras bases de dados institucionais, como as gerenciadas pela Editora da Universidade
Federal de Rondônia (EDUFRO), podem ser vinculadas ao RI. Os periódicos institucionais e
eventos são bons exemplos disso. Desta forma, os RI's não representam mais um meio de
publicação e sim de divulgação de conteúdo, já publicados e principalmente de
armazenamento e preservação digital. Ou seja, não concorrem com editores e periódicos
institucionais eletrônicos, ao contrário proporcionam mais visibilidade.
As informações sistematizadas em repositórios estão disponíveis em meios eletrônicos, já
publicadas e/ou aprovadas, e grande parte distribuída em grandes grupos, tornando a
manipulação dessas informações aperfeiçoada com a utilização dos recursos da computação,
facilitando o seu processamento e seu compartilhamento. E para assim atender a necessidade
dos pesquisadores, que em virtude de estarem em sua maioria, conectados à internet, o
Repositório permite uma independência na pesquisa e facilidade na recuperação da
informação que é um fator muito relevante.
Segundo (LEITE, 2009, p. 76) é recomendável a condução de um projeto-piloto
“antes do lançamento oficial na instituição, o repositório passe por um período de atividade
experimental”, de modo a identificar dificuldades e funcionalidades do sistema. Nesta etapa
deve se escolher um departamento ou setor da Instituição que possua pré- disposição para
iniciar os trabalhos com o Repositório, no qual sua equipe deve participar de treinamentos

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

para conhecimento da ferramenta, juntamente com a TI institucional sob supervisão do gestor
do projeto.

3 Materiais e métodos
A pesquisa que norteou o trabalho foi inicialmente exploratória e evoluiu para
explicativa, pois, “além de registar e analisar os fenômenos estudados, [buscou] identificar
suas causas, seja através da aplicação do método experimental [...], seja através da
interpretação possibilitada pelos métodos qualitativos”. (SEVERINO, 2007, p. 123).
Para a coleta de dados, foi utilizada a observação participante, visto que, alguns de
seus pesquisadores participam do processo de planejamento e implementação da Política
Institucional de Informação e da implantação do Repositório Institucional.
O referencial teórico embasou-se em recursos bibliográficos, bem como: livros, base
de dados, portais e outros repositórios online. A investigação dos procedimentos adotados
para a regulamentação e expansão do RIUNIR, deu-se por meio de estudo de caso, na qual,
analisaram-se

as

páginas

&lt;http://www.ri.unir.br/jspui/&gt;

da
e

UNIR

e

do

&lt;www.unir.br&gt;.

próprio

repositório,

Checaram-se

respectivamente:

também

documentos

institucionais, dialogaram-se por telefone, e-mail, chats e redes sociais para a coleta e troca de
informações, entre bibliotecários e técnicos de Informática da Instituição.

3.1 Repositório Institucional na UNIR
Com o intuito de preservar, armazenar e recuperar a produção intelectual e científica
da UNIR a TI institucional adotou no ano de 2014, o software livre Dspace customizado e
divulgado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), para a
criação experimental do RIUNIR, em atendimento ao Projeto Piloto do Campus de
Ariquemes, sob o apoio da Direção do Campus e da Diretoria e alguns bibliotecários do
Sistema de Bibliotecas (SIBI) da UNIR que pleiteavam um RI.
Outra questão relevante para implantação do Repositório foi a Carta de Belém,
encaminhada a todos os reitores das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) da
Amazônia brasileira, oriunda da I Reunião de Repositórios da Região Norte, promovida pela
Biblioteca Central da Universidade Federal do Pará (UFPA), em 27 de maio de 2014, em
favor de uma rede interligada de repositório, na qual a UNIR pretende integrar-se para que
seus pesquisadores ganhem maior visibilidade no cenário mundial.

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As primeiras Comunidades e Coleções do Repositório Institucional da UNIR foram
criadas no segundo semestre de 2014 nos Campi de Ariquemes, Cacoal e Porto Velho, e no
segundo semestre de 2015 no Campus de Ji-Paraná. Durante o mesmo ano criou-se, através de
uma comissão, sob Portaria nº 166/GR/UNIR, de 02/03/2015 da Magnifica Reitora da UNIR,
a proposta de Política de Funcionamento do Repositório Institucional, na qual além das
diretrizes para seu funcionamento, criou-se um modelo de termo de autorização para a
inserção de documentos no repositório e adotou-se o nome RIUNIR, através de uma enquete
eletrônica encaminhada via e-mail para que os servidores lotados nesta Instituição pudessem
escolher o nome que melhor representasse o Repositório. Cabe salientar que apesar dos
procedimentos adotados pela comissão responsável pela proposta de Política de
regulamentação do Repositório, ainda não foi submetida ao Conselho competente da
Universidade Federal de Rondônia para apreciação e necessária aprovação, o que seria de
extrema importância para a expansão do RIUNIR.
Sabe-se que a tramitação de políticas institucionais, na maioria das Instituições
Federais de Ensino Superior (IFES), são burocráticas e não caminham ao mesmo passo que as
práticas. Porém, nada impediu que a atual administração do RIUNIR, composta
(provisoriamente) de 3 (três) Bibliotecários e um Técnico de Informática promovessem
métodos para a regulamentação e expansão do RIUNIR. Tais como: a criação de comunidades
para os demais campi da UNIR no primeiro quadrimestre de 2016 que ainda não possuíam,
Comunidades e Coleções, seguido da elaboração e disseminação de um tutorial que auxilia na
submissão e publicação de trabalhos no RIUNIR. Destinados aos bibliotecários lotados nos
campi, para os quais, criaram-se Comunidades e Coleções.

4 Resultados parciais
Atualmente, conforme detalhado na imagem 1 – Comunidades do RIUNIR, o
repositório possui oito Comunidades que representam as cidades, onde há Campus da UNIR,
a saber: Ariquemes, Cacoal, Guajará Mirim, Ji-Paraná, Porto Velho, Presidente Médici, Rolim
de Moura e Vilhena.

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Imagem 2 – Comunidades, subcomunidades e Coleções do Campus de Cacoal

Fonte: RIUNIR (2016). Disponível em: &lt; http://www.ri.unir.br/jspui/community-list&gt;

Conforme dados da (RIUNIR, 2016), ao explorar cada comunidade, percebe-se que a
página online do repositório recebeu 2.006 visitações de outubro de 2015 a abril de 2016.
Entre visitantes residentes no Brasil (1.952) e no exterior (54). Isto significa que o repositório
em questão possui alguma visibilidade internacional, apesar do número pequeno de
indexações ao comparar-se ao quantitativo de cerca de 17.000 indivíduos que compõe a
comunidade acadêmica e estão passíveis de produções institucionais. As estatísticas
necessitam de aprimoramento técnico, não sendo possível identificar quantos downloads
houveram. No entanto, nota-se que existem consulentes interessados nos benefícios do acesso
livre do RIUNIR.

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5 Considerações parciais
Com o intuito de obter recursos para subsidiar a expansão e a regulamentação do
RIUNIR, submeteu-se no primeiro semestre de 2016 um projeto ao Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, referente à chamada pública, denominada
MCTI/CNPQ Nº 01/2016 - Universal. Porém, caso não seja contemplado, o projeto pode ser
submetido à Diretoria de Gestão de Recursos (DGP) da UNIR em prol de recursos que
cercearão o desenvolvimento do RIUNIR.
Diante da alta demanda de produções institucionais, a UNIR certamente necessitará de
recursos humanos para povoar as coleções de seu repositório e promover o melhoramento
técnico da ferramenta adotada para a construção do RI.

Por isso, a importância da

participação em treinamentos de nossos Bibliotecários e Técnicos de Informática, a serem
ministrados preferencialmente por representantes do IBICT. Considerando que são
fomentadores da tecnologia relacionada aos Repositórios no Brasil para que possamos elevar
o RIUNIR a um patamar internacional, disponibilizando-o na conceituada relação da
OpenDOAR (2016). Na região norte apenas a Universidade Federal do Pará (UFPA) integra a
relação da openDOAR. No entanto oficialmente outros repositórios estão em fase de
implementação na Amazônia, incentivados pelo IBICT para que ocorra uma interrelacionação entre os repositórios ativos na região norte, são eles: O Museu Paraense Emílio
Goeldi (MPEG), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Fundação Universidade
Federal e Rondônia (UNIR), conforme citado por Pena e Aires na 6ª CONFOA, (PENA;
AIRES, 2015, p. 2).
Uma das ações que facilitará a internacionalização do repositório é a vinculação ao
Google scholar que promoverá maior visibilidade das produções científicas da Amazônia,
auxiliando o ensino, a extensão e a pesquisa à distância.
Nota-se que existem significativas pendências para um pleno funcionamento do RI,
apesar de importantes ações terem sido planejadas e parcialmente executadas em benefício da
expansão do repositório, espera-se a regulamentação da política de funcionamento do
RIUNIR, através dos órgãos superiores da UNIR para a oficialização e efetivo
desenvolvimento de seu repositório.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

6 Referências
BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei, nº 1.120 de 2007. Dispõe sobre o
processo de disseminação da produção técnico-científica pelas instituições de
ensino
superior
no
Brasil
e
dá
outras
providências.
Disponível
em:&lt;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=352237&gt;.
Acesso em: 10 mar. 2014.

BRASIL. Portal da Transparência, Governo Federal. Servidores Civis e Militares do poder
executivo Federal: por órgão de exercício do servidor. Brasília, DF, 2016. Disponível em:
&lt;http:// http://transparencia.gov.br/servidores/OrgaoLotacaoListaOrgaos.asp?CodOS=15000&amp;Pagina=1&gt;. Acesso em: 16 abr. 2016.
DIRCA. Total de acadêmicos. UNIR: Porto Velho, 2016.
FACHIN, G. R. B. et. al. Coord. Relato do simpósio comunicação científica: desafios da
inclusão digital. R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., Florianópolis, n. 22, 2º sem. 2006.
LEITE, Fernando C. L. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica
brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília: Ibict, 2009.
______. et al. Repositórios Institucionais: Boas praticas para a construção de repositórios
institucionais da produção científica. Brasília: Ibict, 2012. Disponível em:
&lt;http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/703/1/Boas%20pr%C3%A1ticas%20para%20a%20con
stru%C3%A7%C3%A3o%20de%20reposit%C3%B3rios%20institucionais%20da%20produ
%C3%A7%C3%A3o%20cient%C3%ADfica.pdf&gt;. Acesso em: 10 fev. 2014.
OpenDOAR. Directory of Open Access Repositories. Disponível em:
&lt;http://www.opendoar.org/&gt;. Acesso em: 17 abr. 2016.
PENA, Maria das Graças da Silva; AIRES, Albirene de Sousa. Rede de Repositórios da
Região Norte. In: CONFERENCIA LUSO BRASILEIRA SOBRE ACESSO ABERTO, 6.,
Salvador, 2015. Resumos...Salvador: UFBA, 2015.
RIUNIR. Página inicial: comunidades do repositório. Disponivel em:
&lt;http://www.ri.unir.br/jspui/&gt;. Acesso em: 10 abr. 2016
SANTOS, Marcelo Rocha; SOUZA, Brisa Pozzi de. Implantação de repositório institucional
no Instituto Federal do Espiríto Santo: o caso do campus Venda Nova do Imigrante. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 25., 2013. Florianópolis, SC. Anais...Florianópolis, SC, 2013.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 23. ed. rev. e atual.
São Paulo: Cortez, 2007.
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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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INFORMAÇÃO, 8., 2007, Salvador-BA, 2007. Disponível em: &lt;
http://www.enancib.ppgci.ufba.br/artigos/GT5--142.pdf&gt;. Acesso em: 05 jul. 2016.
UNIR. A Universidade. Porto Velho, 2016. Disponível em:
&lt;http://www.unir.br/?pag=submenu&amp;id=260&amp;titulo=A%20Universidade&gt;. Acesso em: 10
abr. 2016.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>O presente trabalho objetiva apresentar a proposta de implementação e expansão do Repositório Institucional da Universidade Federal de Rondônia (RIUNIR). Para tal, será descrito a regulamentação do RIUNIR, a sua criação, que fora originária de um projeto piloto iniciado no Campus de Ariquemes, sob o apoio da Biblioteca Central (BC) e da Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Metodologicamente, este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa de caráter exploratório, no que diz respeito à instalação e manutenção das produções intelectuais produzidas na UNIR por meio do software DSpace. Almeja-se, frente a este desafio proposto, regulamentar e expandir efetivamente o RIUNIR, com intuito de inter-relacionar-se com repositórios ativos da Amazônia brasileira, precisamente nos estados da região norte do País para elevar a visibilidade da produção acadêmica da Amazônia.</text>
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                    <text>A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInfo) COMO UM RECURSO
DIDÁTICO PEDAGÓGICO E INSTITUCIONAL – O WEBSITE
LABIRINTO DO SABER COMO FONTE DE INFORMAÇÃO, DE
PESQUISAS E PRÁTICAS

Regina Celia Baptista Belluzzo (UNESP) - rbelluzzo@gmail.com
Marcia Rosetto (FAU USP) - mrosetto@usp.br
Gloria Georges Feres (Unesp/Marilia) - ggeorgesferes@yahoo.com.br
Resumo:
A questão da sustentabilidade parece ser um dos principais movimentos sociais iniciados
nesses últimos 60 anos sendo representado em três pilares: desenvolvimento econômico,
desenvolvimento social, e salvaguarda do meio ambiente. Nessa esfera está incluída a área da
educação e a UNESCO estabeleceu o período de 2005 a 2014 como a “Década da Educação
para o Desenvolvimento Sustentável (DEDS)”, com o objetivo de alertar a sociedade sobre a
importância dessa temática e a necessidade de um envolvimento mais enfático das pessoas e
organizações com os propósitos locais e em nível mundial. Nesse contexto se insere a questão
do desenvolvimento das competências compatíveis com um mundo em constante mudança
exigindo das pessoas e das organizações a necessidade da Competência em Informação
(CoInfo), que é uma vertente transversal às outras competências necessárias. Assim, é um
fator preponderante que deve estar contemplado no planejamento estratégico de uma
biblioteca, em especial na universitária que é o objeto de análise nesse momento. A partir
desse cenário, o projeto de desenvolvimento do Website Labirinto do Saber tomou forma com
o intuito de propiciar um locus com informações sobre essa temática para os profissionais da
informação e outros interessados. Além disso, intenta ser também um canal de divulgação e
compartilhamento de experiências, práticas e de pesquisas realizadas pela comunidade
nacional e internacional.
Palavras-chave: Competência em Informação. Website Labirinto do Saber. Biblioteca
Universitária. Sustentabilidade. Planejamento estratégico
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A questão da sustentabilidade parece ser um dos principais movimentos sociais
iniciados nesses últimos 60 anos com inúmeras proposições como a da Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que inseriu essa temática
em 1968 na Conferência Intergovernamental sobre o Meio Ambiente. Primeira, de vários
outros eventos realizados por essa organização, em 1992 foi estabelecida a “Agenda 21” para
o desenvolvimento sustentável como resultado do evento “Rio Earth Summit” (Rio de Janeiro
(Brasil). A partir do Século XXI, foram realizados os eventos “Millenium Summit”, em 2000
(Nova York, Estados Unidos), e o “Johannesburg World Summit on Sustainable
Development”, em 2002 (Johannesburg, África do Sul), sendo consolidados e agrupados em
três pilares as questões relativas à sustentabilidade: desenvolvimento econômico,
desenvolvimento social, e salvaguarda do meio ambiente como partes interdependentes e
mutuamente intercambiantes (UNESCO and Sustainable Development, 2005). Esses pilares
vem sendo representados de várias formas, como exemplificado na Figura 1, e inseridos nas
práticas organizacionais.1
Figura 1 - Tripé da Sustentabilidade proposta pela UNESCO

Fonte: Adaptado pelas autoras: Tripés: Econômico - Promover a excelência e manter padrões éticos
de alto nível; Social - Engajamento da comunidade e promoção da responsabilidade social;
Ambiental - Desenvolvimento da prática da organização verde e minimizar emissões para o
aquecimento global. 2

Segundo Matsuura (2005, p.1), “Sustentabilidade é um preceito moral, e também um
conceito científico. Está intimamente ligada com a questão da paz, dos direitos humanos e da
equidade, e incluindo a ecologia e o aquecimento global. Estando conectada às ciências
naturais, econômicas e políticas, é também uma questão cultural”. Conforme Barbieri (2010,
1

Os estudiosos dessa área identificam que o marco inicial da sustentabilidade ocorreu a partir da década de
1970, sendo fundamental a publicação do relatório da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento (CMMAD), editado em 1987, e mais conhecida como Comissão Brundtland (Nosso Futuro
Comum) (BARBIERI, 2010).
2
https://www.google.com.br/search?hl=ptA imagem utilizada encontra-se Disponível em:
BR&amp;site=imghp&amp;tbm=isch&amp;source=hp&amp;biw=1539&amp;bih=736&amp;q=sustentabilidade+simbolo&amp;oq=susten&amp;gs_l=i
mg.1.4.0l10.1673.4596.0.6616.16.7.4.5.2.0.85.333.7.7.0....0...1ac.1.64.img..0.8.185.VUZSgbHghVg#hl=ptBR&amp;tbm=isch&amp;q=3+pilares+da+sustentabilidade&amp;imgdii=Q_9OVIvst9swnM%3A%3BQ_9OVIvst9swnM%3A
%3B4rAAk4A5aF8LRM%3A&amp;imgrc=Q_9OVIvst9swnM%3A Acesso em: 06/04/2016.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

p. 149), “Na sociedade atual, os valores ligados ao desenvolvimento sustentável e o respeito
às políticas ambientais têm sido institucionalizadas em maior ou menor grau nos diversos
países pela mídia, pelos movimentos sociais e ambientalistas, e governos. Como resposta a
essas pressões institucionais, surgem novos modelos de organizações inovadoras e
sustentáveis”. Para o autor, uma organização sustentável é a que simultaneamente procura ser
eficiente em termos econômicos, mas respeitando a capacidade de suporte do meio ambiente e
promovendo a inclusão social em sintonia com as dimensões da sustentabilidade.
Nessa esfera está incluída a área da educação. Em 2002, durante a Assembleia Geral
das Nações Unidas (ONU), foi instituída a resolução 57/254 que estabeleceu o período de
2005 a 2014 como a “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (DEDS)”, 3
com o objetivo de alertar a sociedade sobre a importância da sustentabilidade e a necessidade
de um envolvimento mais enfático das pessoas e organizações com os propósitos locais e em
nível mundial, considerando ser esse programa uma excelente oportunidade para reforçar as
diferentes áreas de competências e desenvolver a convergência de esforços dos governos,
educadores e de estudantes para integrar o tema nos sistemas educacionais em todos os níveis
formais e não formais. Competências podem ser caracterizadas como a disposição individual
para o autodesenvolvimento que inclui elementos relativos a atitudes cognitivas, afetivas,
voluntárias e motivacionais e que se interconectam. No entanto, as competências também
podem ser desenvolvidas e adquiridas durante ações embasadas em experiências e reflexões
(UNESCO and Sustainable Development, 2005). Nesse sentido, a inserção da questão da
sustentabilidade pode estar inserida em programas curriculares que incluam, por exemplo, o
desenvolvimento de competências em tarefas interdisciplinares, de cooperação em grupos
heterogêneos, programas interculturais, e manuseio de vários tipos de informação e mídias.
Em pesquisa realizada através de trabalhos publicados no período de 2001 a 2010 no
periódico International Journal of Sustainability in Higher Education (IJSHE) para verificar
como a sustentabilidade vinha sendo conduzida na esfera da educação em nível superior, foi
possível conhecer exemplos de como as universidades estavam inserindo esse componente em
seus planejamentos. A partir dos textos recuperados, analisados e categorizados em dez áreas,
constatou-se que a questão das competências e o desenvolvimento profissional estavam
identificados como um dos tópicos importantes a ser inserido nos planos de ação (WALS,
2014). Na área da Ciência da Informação em pesquisa realizada por Zins (2007), verificou-se
também que o tema competência vinha se confirmando como um elemento importante nos
programas de capacitação do profissional de informação e dos usuários para o uso competente
da informação. Os resultados apontaram para a inserção da Competência em Informação
como uma disciplina a ser considerada nos cursos e pesquisas. Na Tabela 1 encontram-se
relacionadas as diferentes denominações identificadas para essa disciplina.
Tabela 1 – Ciência da informação e Competência em Informação (CoInfo)

3

Nome da Categoria

Nome da disciplina

Informação/Sociedade aprendiz

Competência em Informação

Treinamento

Habilidades para o uso da Informação

As quatro (4) vertentes estabelecidas pelo DEDS foram: Promoção da educação básica; Reorientar e revisar os
programas educacionais; Desenvolver a compreensão e conscientização pública; Promover capacitações práticas
(UNESCO and Sustainable Development, 2005).

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Uso da Informação &amp; usários

Competência em Informação e em
Tecnologias

Competência em Informação &amp;
Educação

Competência em Informação

Questões Sociais

Competência em Informação, Aprendizado ao
longo da vida

Dimensões sociais

Informação educacional/Informação científica

Disciplinas Sócio – Culturais

Competência em Informação

Fonte: (ZINS, 2007). Síntese elaborada pelas autoras.

Em conformidade com o alinhamento dessas propostas já em 2002 a Federação
Internacional de Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA) lançava durante a
Assembleia Geral, realizada em Glasgow (Irlanda), a “Declaração sobre Bibliotecas e
Desenvolvimento Sustentável”, contemplando os seguintes princípios: 1 - Todos os seres
humanos tem o direito fundamental a um ambiente adequado para sua saúde e bem estar; 2Reconhece-se a importância de um compromisso com o desenvolvimento sustentável para
satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as capacidades do futuro; 2- Afirmase que os serviços de bibliotecas e informação promovam o desenvolvimento sustentável ao
assegurar a liberdade de acesso à informação. (IFLA. Declaración acerca de las Bibliotecas y
el Desarrollo Sostenible, 2002).
Além disso, dentre os vários outros tópicos identificados na declaração, é indicado
que:
 Os profissionais das bibliotecas e informação reconhecem a importância da educação,
em suas diversas modalidade, para todos. Os serviços de biblioteca e informação
atuam como portais do conhecimento e da cultura. Oferecem acesso a informação, às
ideias e às obras da imaginação em diversos formatos, apoiando o desenvolvimento
pessoal de todos os grupos etários assim como a sua participação ativa na sociedade
nos processo de tomada de decisões.
 Os serviços de bibliotecas e informação prestam um apoio essencial à aprendizagem
ao longo da vida, à tomada independente de decisões e ao desenvolvimento cultural de
todos. Mediante as suas vastas coleções e variedade de suportes informacionais
oferecem orientação e oportunidade de aprendizagem. Os serviços de bibliotecas e
informação ajudam as pessoas a melhorar suas competências educativas e sociais,
condições imprescindíveis à sociedade da informação e para uma participação
sustentável na democracia. As bibliotecas devem fomentar os hábitos de leitura, a
competência em informação e promoverem a educação, o conhecimento público e as
oportunidades de capacitação.
A partir dessas diretrizes emanadas pelos programas da UNESCO e IFLA e de estudos
sobre a questão da sustentabilidade, fica evidenciada a importância quanto à questão do
desenvolvimento de competências compatíveis com um mundo em constante mudança
exigindo das pessoas e das organizações a necessidade da Competência em Informação
(CoInfo), que é uma vertente transversal às outras competências necessárias. Assim, é um

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fator preponderante que deve estar contemplado no planejamento estratégico de uma
biblioteca, em especial na universitária que é o objeto de análise nesse momento. A CoInfo
compreende uma das áreas em que o processo de ensino e aprendizagem está centrado e
constitui-se num conjunto de ações que promove a interação e internalização de fundamentos
conceituais, atitudinais e de habilidades específicas. Essas ações são essenciais à
compreensão da informação, e de sua abrangência, na busca de fluência e capacidades
necessárias à geração de novos conhecimentos e sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e
das comunidades ao longo da vida (BELLUZZO, 2004).
Na esfera da biblioteca acadêmica, conforme pesquisa realizada por Uribe Tirado
(2012), apenas 53,5% do universo analisado apresentava algum tipo de programa de
aprendizagem em relação à Competência em Informação. A partir dos dados coletados, o
autor propôs uma classificação das bibliotecas, Tabela 2, por tipo de atividades de formação e
que pode auxiliar na tomada de decisão por parte das bibliotecas em seus planejamentos
estratégicos.
Tabela 2 - Classificação dos níveis de comprometimento em Competência em Informação
(CoInfo) proporcionados pelas bibliotecas universitárias brasileiras
Nível de
comprometimento

Tipo de atividades em CoInfo

COMPROMETIDAS

Programas de CI. Nivel 2 : cursos na biblioteca para desenvolver a CI
: o instrumental + aprendizado ao longo da vida + pensamento crítico; e
cursos/módulos específicos inseridos oficialmente nos currículos de
distintos programas acadêmicos-carreiras para formar de maneira
transversal e disciplinar nessa competência.

EM CRESCIMENTO

Programas de CI. Nivel 1: cursos na biblioteca para desenvolver a CI :
o instrumental + aprendizado ao longo da vida + pensamento crítico.

INICIANDO

Educação de Usuários. Nivel 2 : capacitação em serviços oferecidos
pela biblioteca e alguns cursos bastante instrumentais para a busca da
informação : utilização de catálogos/bases de dados, apesar de se poder
notar um princípio de análise da necessidade de mudança nesta forma
tradicional de educação.

DESCONHECEDORAS

Educação de Usuários. Nivel 1: somente capacitação para o uso de
alguns serviços e do catálogo. Não há indicação da presença de
programas de desenvolvimento de CI.

Fonte: URIBE TIRADO, 2012 (Elaborado pelas autoras).

Dessa forma, a partir desse cenário, o projeto de desenvolvimento do Website
Labirinto do Saber tomou forma com o intuito de propiciar um locus onde informações sobre
a temática em foco e relacionadas à mesma estivessem consolidadas e disponíveis para os
profissionais da informação e outros interessados. Além disso, intenta ser também um canal
de divulgação e compartilhamento de experiências, práticas e de pesquisas realizadas pela
comunidade nacional e internacional.

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2 Competência em Informação como um recurso didático, pedagógico e
institucional
A UNESCO identifica, juntamente com as organizações voltadas para a área de
informação, que o intercâmbio livre das ideias e do conhecimento ser um dos principais
sustentáculos para um mundo sustentável. A participação e integração social, a liberdade de
expressão e a salvaguarda dos valores democráticos estariam totalmente dependentes do
acesso à informação, que juntamente com a comunicação e o conhecimento são o coração do
progresso da humanidade em nível local, nacional, regional e global. Informação e
tecnologias da comunicação, novas e tradicionais, podem propiciar o nível elevado que se
espera para beneficiar milhares de pessoas em todas as regiões do mundo. Dessa forma,
promover a “Sociedade do Conhecimento” fundamentada em princípios de acesso livre e
universal à informação, a preservação da diversidade cultural e o acesso à educação de
qualidade são concepções básicas dos principais objetivos da “Agenda do Milênio”
(UNESCO and Sustainable Development, 2005). Nesse sentido, os centros multimídia, os
telecentros comunitários, as bibliotecas, os arquivos, os serviços de informação e as redes são
as bases desse desenvolvimento, assim como a existência de profissionais da área de
informação e comunicação devidamente
capacitados, para, juntamente com outros
profissionais, oferecerem a sustentabilidade necessária para os projetos organizacionais
propostos.
Segundo Cunha (2010), as bibliotecas universitárias são organizações complexas com
uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram sendo desenvolvidos ao longo do
tempo. Porém, devido ao impacto da tecnologia digital vem perdendo a sua supremacia na
realização desse papel. Nesse novo contexto, conforme o autor, serviços inovadores tem
evoluído dentre eles a provisão de espaços para o aprendizado, criação de metadados, serviços
de referência digital, seleção e escolha de recursos digitais, coleta e digitalização de materiais
de arquivo, manutenção de repositórios digitais, e ensino da competência em informação.
Seguindo esses preceitos de mudanças é fundamental a inserção no planejamento da
biblioteca a promoção de cursos para a formação de usuários, e ter em conta que essa questão
é estratégica e também um valor agregado a esses usuários. Conforme Bernhard (2002), a
Competência em Informação inclui uma série de habilidades necessárias durante os estudos
superiores e que estão agrupadas em dez (10) grupos: 1- Identificação da necessidade da
Informação; 2- Criação e organização da informação; 3- Estratégias de busca de informação;
4- Habilidades em tecnologia de informação; 5- Avaliação e tratamento da informação; 6Utilização e comunicação da informação; 7- Aspectos éticos e sociais; 8- Atitude ativa junto
ao processo de aprendizagem ao longo da vida; 9- Crítica aos meios de comunicação; 10Autoavaliação.
Para o desenvolvimento de um programa de Competência em Informação (CoInfo)
pressupõe-se a existência de profissionais qualificados para propor um projeto apoiado em
bases pedagógicas a fim de contemplar o estudo do contexto, análise de características e
peculiaridades dos usuários, especialmente suas necessidades de informação. Como pode ser
constatado nos resultados de pesquisa realizada por Uribe Tirado (2012), as bibliotecas
universitárias brasileiras ainda apresentam tímidas e fragmentadas ações no que se refere à
promoção da CoInfo, devido talvez à falta de políticas ministeriais e acadêmicas. Dessa
forma, é importante que os profissionais e a comunidade tenham consciência da
responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento de potencialidades cognitivas e da
atitude científica, porém, em articulação com as atividades acadêmicas e com o apoio de

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abordagens adequadas. A formação em CoInfo é um dos principais desafios das bibliotecas
universitárias frente à possibilidade de acesso aos recursos de informação que os meios
digitais proporcionam e é necessário se conhecer e aplicar os melhores critérios de seleção e
avaliação da informação para recuperar de forma mais pertinente e com maior qualidade.
Dessa forma, conforme as proposições identificadas, os profissionais devem conhecer
o contexto social, em nível nacional e internacional, os processos organizacionais de ensino e
de pesquisa existentes, articulados aos processos de aprendizagem e de avaliação da
qualidade, assim como as formas de melhora contínua devem ser pressupostos para trabalhar
em instituições educativas com programas de ensino alinhadas com as dimensões: social,
econômica e ambiental, as quais compreendem os pilares definidos em programas de
sustentabilidade. Nesse sentido, as bibliotecas universitárias, em especial, conforme
proposição na Figura 2, devem desenvolver ações estratégicas que integrem essas dimensões
e inserindo a Competência em Informação como uma ação transversal a todas outras ações e
como parte integrante da capacitação permanente dos formadores de uma comunidade de
aprendizagem (professores de diferentes disciplinas, bibliotecários, informáticos, entre
outros), e alunos.
Figura 2 - Desenvolvimento de Programas de CoInfo versus Tripé da
Sustentabilidade proposta pela UNESCO

Fonte: Elaborado pelas autoras.
Competências representam potenciais a serem desenvolvidos em contextos de relações
significativas, prefigurando ações a serem realizadas em determinado âmbito de atuação. Elas
fornecem a condição de se exercer a autonomia intelectual, condição essencial para as
exigências das capacidades de: iniciativa, decisão, domínio cultural (geral e técnico), domínio
lógico (saber pensar e resolver) e psicológico (perceber os significados e significações),
permitindo aprender a aprender, assimilando, criticando e aprimorando o conhecimento
especializado. Na esfera da área de informação, a UNESCO (2014) identifica que usar
tecnologias, os vários tipos de mídias e provedores de informação são variáveis que devem

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ser consideradas para o acesso à informação e conhecimento. Nesse sentido propôs um
conjunto de diferentes tipos de competências delineadas como “Competências em Informação
e Mídias – CIM”, com ênfase na Competência em Informação (CoInfo), e que devem ser
consideradas para subsidiar o desenvolvimento de programas de formação e de reciclagens
contínuas.
Na América Latina informações sobre o estado da arte nessa área podem ser
consultadas no portal organizado por Alejandro Uribe Tirado 4. No Brasil estudos e
experiências são elaboradas desde os anos 2000 registrados em artigos de periódicos,
trabalhos em eventos, entre outras fontes. Um overview quanto às atividades realizadas nesse
período é descrito no livro “Competência em informação: de reflexões às lições aprendidas”
(BELLUZZO; FERES 2013), e que referenciam as várias abordagens do emprego da CoInfo
como elemento estratégico no desenvolvimento das pessoas e organizações, organizados em
três eixos: 1- Trajetórias da Inserção do Tema da Competência em Informação no Brasil como
parte das Linhas de Gestão da FEBAB; 2- Formação e Atuação do Profissional da Informação
e a Transversalidade da Competência em Informação; 3- Aplicações e Lições Aprendidas com
Programas Institucionais no Contexto Brasileiro. Além disso, vários tipos de encontros
também foram realizados nesse período oferecendo espaços diferenciados para que os
profissionais analisassem com maior profundidade o tema, sendo que em alguns deles,
proposições de manifestos e cartas foram apresentadas consolidando-se como indicadores
para subsidiar o desenvolvimento de políticas e práticas de aprendizagem. Entre as
manifestações encontra-se a “Carta de Marília” emitida em setembro de 2014, 5 e que, dentre
os tópicos arrolados, exprime a necessidade do compartilhamento de experimentações e
vivências aplicáveis à realidade brasileira com o propósito de se elaborar diretrizes para a
inserção da CoInfo nos vários níveis educacionais, incluindo nesse processo as unidades e
serviços de informação. Dessa forma, cabe aos gestores de informação e do conhecimento,
incluindo as bibliotecas universitárias, conhecerem as necessidades de informação de sua
comunidade e construírem processos que propiciem o desenvolvimento de competências
apropriadas em distintos ambientes.
Com base nessas proposições, verificou-se a importância de se realizar um Website
especifico que pudesse congregar informações sobre a Competência em Informação,
incluindo grupos de estudo e comunidades de prática de forma prospectiva e interativa. Dessa
forma, foi desenvolvido o projeto de organização do Website Labirinto do Saber tendo como
missão central ser um “Núcleo de Pesquisa e de Aprendizagem em Gestão da Informação,
Gestão do Conhecimento e Competência em Informação”. Formado por um grupo de
profissionais com experiência em pesquisa e ensino no âmbito da articulação entre diferentes
áreas do saber ciência da informação, comunicação, educação e administração, busca alcançar
o desenvolvimento social e a inovação in continuum apoiados em conhecimento e aplicação
de instrumentos e metodologias que auxiliem os profissionais na sociedade para atuarem
como formuladores de políticas públicas, gestores, e empreendedores para enfrentar as
múltiplas realidades e desafios, conforme as dimensões delineadas na Figura 3.
Busca também promover espaços de reflexão e formação em diferentes dimensões e
modalidades estabelecendo vínculos e relações interativas e colaborativas entre pessoas,
organizações, áreas do conhecimento em diferentes contextos, níveis e âmbitos, além de
contribuir para o aprendizado na gestão ética, crítica e efetiva da informação e do
4
5

Disponível em: http://alfiniberoamerica.blogspot.com.br Acesso em: 10 de abril de 2016.
Disponível em: http://www.valentim.pro.br/GICIO/Textos/Carta_de_Marilia_Portugues_Final.pdf Acesso em:
10 de abril de 2016.

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conhecimento na sociedade contemporânea. Para isso, estabeleceu o espaço “Observatório”
composto de uma comunidade de prática e grupo de pesquisa com a participação de pessoas
que possam compartilhar interesses comuns e troca de competências e vivências entre os seus
participantes, estimulando a aprendizagem e geração de novos conhecimentos. Tendo como
aporte essas ações estratégicas, espera-se contribuir para uma articulação efetiva com os
gestores das bibliotecas universitárias a fim de adotarem a CoInfo como um parâmetro
norteador de sua missão, visão e valores na mediação da informação para a construção de
conhecimento junto à comunidade acadêmica.
Figura 3 - Dimensões do Website Labirinto do Saber

Fonte: www.labirintodosaber.com.br

3 Materiais e métodos
Seguindo a tendência quanto ao uso das tecnologias digitais para estabelecer espaços
com conteúdos especializados e com interatividade, e a partir dos estudos em CoInfo
consolidados em nível internacional e nacional, foi elaborado um plano de ação para a
construção e instalação do website na esfera dessa temática denominado Labirinto do Saber.
O website tem por objetivo proporcionar um ambiente diferenciado com uma estrutura que
permita consolidar informações, estabelecer links com outros sítios e publicações, e criação de
grupos de pesquisa para refletir e articular a CoInfo como um fator essencial para o

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desenvolvimento de estudos, pesquisas e práticas em ambiente acadêmico. Para uma maior
dinamização foi projetado também um “Observatório” com uma metodologia que proporciona
a criação de uma comunidade de práticas, instrumentalizado a partir do Facebook para
estabelecer uma interatividade com profissionais interessados no tema. As etapas para o
desenvolvimento do projeto estão descritas a seguir:
 Estabelecer plano de ação contemplando a missão, os valores e objetivos que se
pretendia alcançar.
 Efetivar contatos com especialistas em comunicação/marketing e designer de websites.
 Elaborar a arquitetura de informação para o website.
 Contatar empresa especializada para a organização do website.
 Selecionar e organizar os conteúdos e seus links de acordo com a arquitetura da
informação elaborada.
 Estabelecer parâmetros para gestão e manutenção técnica.
 Realizar teste com o modelo piloto e efetivar ajustes.
 Lançar o Website para acesso público.
O Labirinto do Saber está organizado com a seguinte estrutura: Institucional,
Observatório, Aprendizagem, Referencias, Projetos &amp; Publicações, Destaques, Contato. Para
cada tópico, há subtópicos que os interessados poderão navegar e ter acesso aos conteúdos
identificados.

4 Resultados parciais/finais
Como resultado das etapas desenvolvidas, como descrito no item 3, o Website
Labirinto do Saber, Figura 4, foi lançado em 05 de dezembro de 2015. A partir da divulgação
entre os pares e outras comunidades interessadas, foi possível iniciar a construção do grupo de
especialistas interessados e que farão parte da Comunidade de Prática, tópico que integra o
Observatório. Encontra-se em fase de organização o Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em
Competência em Informação (GECi), com o intuito de iniciar estudos de forma sistematizada
conjuntamente com outros pesquisadores na área e poder ser um instrumental de apoio aos
gestores de bibliotecas e unidades de informação, em especial as bibliotecas universitárias, a
fim de que possam ser consideradas como organismos multifacetados com novas propostas
que estão diretamente relacionadas com as competências acumuladas, a inserção e integração
com o meio, além da capacidade inovativa para participar do ambiente social como um todo
(ARRUDA, 2009).
Figura 4 - Website Labirinto do Saber

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Fonte: www.labirintodosaber.com.br

5 Considerações parciais/finais
Tomando-se como marco o início do século XXI, mediante sistematização de
informações e o conhecimento disponibilizado no Website envolvendo estudos e vivências
sobre a Competência em Informação no Brasil, busca-se contribuir para uma melhor
compreensão desse tema, oferecendo-se um novo locus como instrumento referencial sobre a
matéria. Conforme a Missão explicitada no Labirinto do Saber, espera-se inspirar os
profissionais que atuam na gestão das bibliotecas universitárias, pessoas e comunidades em
geral a desenvolverem o seu potencial mediante o acesso e uso inteligente da informação para
a construção de conhecimentos com inovação em diferentes realidades sociais
contemporâneas: o exercício da cidadania, o aprendizado ao longo da vida com qualidade de
vida, responsabilidade social, participação e compartilhamento, autodesenvolvimento, ética e
legalidade, pontos considerados estratégicos e integrantes nas dimensões estabelecidas em
programas de sustentabilidade.

6 Referências
ARRUDA, R. G. Unidades de informação e sustentabilidade: requisitos para organizações do
conhecimento, o caso Embrapa. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação,
Nova Série, São Paulo, v.5, n. 1/2, p. 28-41, jan-dez. 2009.
BARBIERI, J. C. et al . Inovação e sustentabilidade: novos modelos e proposições. RAE, São
Paulo, v.50, n. 2, p. 146-154, abr./jun. 2010.
BELLUZZO, R.C.B.; FERES, G. G. F. Competência em informação: de reflexões às lições
aprendidas. São Paulo, SP: FEBAB, 2013. Disponível em: http://goo.gl/hMmJYe Acesso em:
05 abril 2016.

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BERNHARD, P. La formación en el uso de la información: una ventaja en la Educación
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CUNHA, M. B. Da A biblioteca universitária na encruzilhada. DataGramaZero Revista de
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A questão da sustentabilidade parece ser um dos principais movimentos sociais iniciados nesses últimos 60 anos sendo representado em três pilares: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, e salvaguarda do meio ambiente. Nessa esfera está incluída a área da educação e a UNESCO estabeleceu o período de 2005 a 2014 como a “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (DEDS)”, com o objetivo de alertar a  sociedade sobre a importância dessa temática e a necessidade de um envolvimento mais enfático das pessoas e organizações com os propósitos locais e em nível mundial. Nesse contexto se insere a questão do desenvolvimento das competências compatíveis com um mundo em constante  mudança exigindo das pessoas e das organizações a necessidade da Competência em Informação (CoInfo), que é uma vertente transversal às outras competências necessárias. Assim, é um fator preponderante que deve estar contemplado no planejamento estratégico de uma biblioteca, em especial na universitária que é o objeto de análise nesse momento. A partir desse cenário, o projeto de desenvolvimento do Website Labirinto do Saber tomou forma com o intuito de propiciar um locus com informações sobre essa temática para os profissionais da informação e outros interessados. Além disso, intenta ser também um canal de divulgação e compartilhamento de experiências, práticas e de pesquisas realizadas pela comunidade nacional e internacional.</text>
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                    <text>A BIBLIOTECA À LUZ DOS PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DE
ANÍSIO TEIXEIRA: PERFIL E ATUAÇÃO NO ÂMBITO ESCOLAR
Grazielle Pereira (IFB) - 1938961@etfbsb.edu.br
Resumo:
O artigo objetiva traçar a visão de Anísio Teixeira acerca da biblioteca e seu exercício no
ambiente escolar. A primeira sessão contextualiza e define termos ligados à Biblioteconomia e
à Documentação. A segunda, por sua vez, expõe uma breve consideração referente à trajetória
acadêmica e profissional de Anísio Teixeira e também apresenta os pressupostos filosóficos da
educação deste pensador frente as novas tecnologias da comunicação, problematizando a
influência destas no processo cultural. Neste sentido, o autor propõe reflexões sobre o papel
dos professores, a fim de que estes possam atender às demandas da complexa sociedade
contemporânea. Como organização que oferece apoio às práticas pedagógicas, Anísio Teixeira
observa o papel da biblioteca como repositório de documentos intelectuais produzidos pelo
homem, bem como atesta a importância de atuação dessa como promotora e difusora cultural.
Palavras-chave: Biblioteconomia. Educação. Anísio Teixeira. Escola Nova.
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Organização e tratamento da informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Seja para fortalecer ou enfraquecer a comunicação, as tecnologias estão presentes na
vida do homem desde tempos remotos. Recentemente, a preocupação com o acesso à
informação tem crescido, uma vez que, os dados disponíveis são demasiadamente volumosos.
Neste contexto, há novas demandas para profissionais ligados ao tratamento, à
organização e ao controle da informação. Portanto, o bibliotecário atravessa um período de
mudança no tipo de informação a ser tratada e no perfil do usuário que é atendido em suas
bibliotecas.
Um visionário e com características gerenciais marcantes, Anísio Teixeira, educador
brasileiro contemporâneo, apresentou uma série de preocupações acerca das tecnologias da
informação e como seriam os impactos dessas nas salas de aulas, além disso, o autor colocou
algumas recomendações de ações a serem adotadas frente às novas técnicas de comunicação.
Nestas indicações comportamentais a serem adotadas pelas escolas e pelo professor, Anísio
Teixeira expõe suas opiniões acerca dos livros, das bibliotecas e do futuro dessas.

2 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação
O termo Biblioteconomia tem origem francesa Bibliothéconomie, sendo utilizado pela
primeira vez em 1841 para fazer referência ao conjunto de técnicas de organização e gestão de
bibliotecas. Segundo Yves-François &amp; Le Coadic (1996 apud VIEIRA, 2014, p. 1), a
Biblioteconomia não é uma ciência, nem uma técnica rigorosa, mas sim uma prática de
organização. De acordo com esses autores, a biblioteconomia depende de três elementos para
se consolidar: dos documentos, que envolve a constituição e o desenvolvimento de coleções,
sua conservação e o tratamento técnico (catalogação, indexação); dos espaços físicos, que é o
conjunto de questões administrativas; dos leitores, que abrange a recepção, a comunicação e o
acesso aos documentos por parte dos usuários da informação.
A terminologia “biblioteca”, pode ser considerada uma coleção de livros e outros
suportes informacionais organizados de forma que atendam às necessidades informacionais
das pessoas. Atualmente, pode-se encontrar dois tipos principais de bibliotecas: as físicas e as
virtuais. Tradicionalmente, as primeiras possuem espaço e acervo físico, local onde podem ser
encontrados livros, manuais, jornais, revistas, materiais audiovisuais. As bibliotecas virtuais,
por sua vez, são formadas por documentos eletrônicos como e-books, arquivos txt, pdf, entre
outros.
No que se refere à tipologia de biblioteca por tipo de usuário, encontram-se,
principalmente, as seguintes: públicas, especializadas, universitárias, escolares e infantis. Sob
o enfoque deste trabalho, merece atenção a biblioteca escolar que, segundo Côrte e Bandeira
(2011, p. 6) serve de suporte aos programas educacionais, atuando como um centro dinâmico,
participando em todos os níveis e momentos, do processo de desenvolvimento curricular e
funcionando como laboratório de aprendizagem integrado ao sistema educacional. Segundo as
autoras, a biblioteca exerce, com suas atividades, um papel político, educativo, cultural e
social, contribuindo para:
ampliar as oportunidades de educação e conhecimento dos alunos; colocar à
disposição dos alunos acervos e informações que complementam o currículo escolar;
promover e facilitar o intercâmbio de informações; promover a formação integral do
aluno; tornar-se um ambiente social, cooperativo e democrático; facilitar a ampla
transmissão da arte, da ciência e da literatura; promover a integração entre aluno,
professor, ex-alunos e pais.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Imagem 1: Exemplo de biblioteca escolar. Fonte: http://modelo.edu.br/estrutura/biblioteca-escolar/

Desde a Antiguidade, as sociedades têm demonstrado preocupação de registro de suas
produções, seja para guarda e preservação de suas identidades, seja para a disseminação de
suas proposições e ideologias. Para suprir essas necessidades, ao longo dos séculos, existiram
instituições e profissionais responsáveis por gerir essas informações. Na Idade Média, por
exemplo, foram os monges. No século XIII, homens da nobreza foram os responsáveis por
formar as primeiras bibliotecas nacionais. Com o surgimento da prensa de tipos móveis, por
volta de 1440, por Johannes Gutemberg, há um impulso na produção da imprensa através da
ampliação de distribuição de informações, que foram decisivos para comprometer o
monopólio da Igreja sobre as produções editoriais. Na era moderna, tem-se a consolidação do
livro como instrumento de pesquisa e fonte de disseminação de ideias. (VIEIRA, 2014, p. 11).
Em virtude do crescimento e disseminação do conhecimento registrado,
principalmente, após a Segunda Guerra Mundial, surge uma nova atividade que veio a se
denominar Ciência da Informação. É um campo dedicado a questões científicas e de prática
profissional, voltadas para os problemas da efetiva comunicação e registros do conhecimento
entre os seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do uso e das
necessidades de informação. (SARACEVIC, 1996, p. 47 apud OLIVEIRA, 2011, p. 16).
Anísio Teixeira no texto “Cultura e Tecnologia” (1971, p. 14) ressalta: “é tal do
progresso humano que desejamos trazer aqui, à maneira de introdução à nossa palestra sobre
tecnologia e cultura, a fim de sublinhar o perigo de estarem as tecnologias limitando, se não
destruindo, a inerente natureza transcendente e crítica do pensamento. ”
Neste caso, fica evidente que o autor não era reticente ao uso das tecnologias, no
entanto, considerava que, se usadas de maneira inadequada e sem a criticidade necessária, esta
poderia se tornar um perigo para o pensamento humano e para o desenvolvimento das ideias.
No que se refere à biblioteca, ao problematizar como deveria ser a unidade de
informação da Universidade do Distrito Federal e a formação dos professores, Tomazetti
(2000, p. 1, grifo nosso) afirma:

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A biblioteca era concebida como suporte fundamental a cada centro, uma vez que
deveria contar com um acervo de ‘livros do conhecimento histórico e presente da
educação’. Porém, Anísio dava um realce especial à biblioteca de revistas, dedicada
à problemática educacional, devendo estar em condições de tomar conhecimento do
que se está fazendo e estudando, relatando e pesquisando em parte substancial do
Brasil.”

A partir do fragmento acima, pode-se depreender que Anísio Teixeira valorizava o
aspecto documental e histórico dos documentos de uma biblioteca, bem como considerava de
suma importância a manutenção de periódicos que mostrassem a realidade atual da educação
no Brasil. Entende-se periódico como veículo de informação cuja a finalidade seja consista
em publicar notícias científicas, em um meio de divulgação do conhecimento que se origina
das atividades de pesquisa. (MIRANDA; PEREIRA, 1996, p. 375).

3 Pressupostos de Anísio Teixeira frente à cultura, ao livro e ao microfilme
Anísio Spínola Teixeira (1900-1971) foi um educador brasileiro que travou diversas
lutas pela educação em momentos em que esta gozava de pouco reconhecimento social. O
educador fez a opção pela educação em detrimento da carreira eclesiástica e política,
propriamente dita. Como afirma Saviani (2013, p. 221-222):
Apesar de ter tido oportunidades tentadoras de se projetar em outras atividades,
Anísio Teixeira optou pela educação, elegendo-a como a questão central do plano de
reforma da sociedade e de constituição nacional. Nesse sentido ele vai considerar a
educação elemento-chave do processo de inovação e modernização da sociedade que
em alguns contextos ele denomina processo revolucionário. Portanto, para ele, a
educação aparecia como elemento-chave no processo revolucionário.

Privilégio das elites, a educação, segundo Anísio, era um direito de todos e não jamais
objeto de exclusividade da burguesia brasileira e é sob estas prerrogativas que ele escreve
textos como “Educação é um direito”, “Educação não é privilégio” (SAVIANI, 1971, p. 222).
Ao ocupar cargos públicos vinculados à educação, Anísio Teixeira propunha um
partido para o qual a primeira necessidade fosse a difusão da cultura e do esclarecimento
público dos problemas brasileiros e de suas possíveis soluções. De acordo com Clarice Nunes
(2010, p. 21): “O que este partido procuraria garantir era um padrão mínimo de educação e de
informação, a defesa e manutenção da saúde e os direitos sociais elementares da honra, como
o da subsistência, trabalho e conforto relativo. ”

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Imagem 2: Anísio Teixeira. Fonte: Jornal de Todos os Brasis

Através dessas ações, Teixeira tentava mostrar que a carência do indivíduo não era
algo inerente a ele, mas, sim, fruto da omissão dos governos, como ressalta Nunes (2010, p.
23): “defendeu a educação como instrumento de superação de uma carência que não é do
indivíduo, mas da cultura erudita que lhe faz falta. [...] desigualdade entre as pessoas não era
dada. Era feita. ”
Base teórica do pensamento de Anísio Teixeira, a concepção de John Dewey reforçava
a necessidade de mudança social e de democracia posta na infância. Teixeira salientava que os
ideias democráticos não deviam ter apenas o viés político, mas devia ressaltar a
democratização da cultura, abrindo espaço para a arte, por exemplo. Fica evidente que, além
de se inspirar em teorias do John Dewey e da Escola Nova, Anísio Teixeira também
experimentou a reflexão através das ações em favor da educação brasileira. (NUNES, 2010, p.
44).
No texto “Os mestres de amanhã”, publicado originalmente em 1963, Anísio Teixeira
afirma que o professorado está a sofrer mudanças pela mudança pelo desenvolvimento
tecnológico, que gera complexidade à sociedade moderna. De acordo com ele, a cada
tecnologia, há um alargamento no espaço entre os indivíduos e a comunicação torna-se mais
impessoal. (TEIXEIRA, 2004, p. 143)
As tecnologias de acesso a informação, segundo Anísio Teixeira (1971, p. 20), se
deram da seguinte forma:
As duas primeiras grandes experiências, em nosso Ocidente, na vida presidida pela
grande aventura de ideias e por uma pobre e elementar tecnologia, na Grécia, e da
vida dominada ainda por ideias, mas já servida de vigorosas tecnologias, em Roma,
ambas ruíram sob o impacto da invasão dos bárbaros [...]. Na Idade Média,
guardando muito da civilização escrita das duas civilizações, com a herança judaica
renovada por Cristo. [...] É com o período moderno que a substituição da vida
instintiva humana pelas tecnologias se consuma completamente, e o homem começa
a ser verdadeiramente produto dessas tecnologias.

Após estas considerações de caráter histórico, o autor mostra que o período
tipográfico, de que resultou a sociedade oral, e depois escrita, na sociedade do impresso, até

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chegar à era dos novos meios de maciços e plurais da comunicação humana entrelaçam-se às
estruturas sociais, influenciando-as profundamente(TEIXEIRA, 1971, p. 20). É por conta
desse poder que o impresso exerceu que em 1559, a Sagrada Congregação da Inquisição
Romana publicara o primeiro Índice dos Livros Proibidos (INDEX). Tratava-se de livros que
a Igreja considerava perigosos para a fé e a moral dos católicos. (MANGUEL, 2012, p. 320)
Como ressalta Anísio, cada cultura registrou as produções com as possibilidades que
tinha. A cultura oral se consolidava através da fala, sendo de grande importância e evidência a
figura do orador nestas sociedades. A Idade Média valoriza e aprofunda essa cultura com a
dialética escolástica. É no século XIV, com o descobrimento da tipografia que se desenvolve
as primeiras iniciativas da cultura da palavra impressa. No entanto, como mesmo atesta o
autor, essa tecnologia levou tempo para ser difundida: “Quanto aos livros ainda no século
XVIII, mais de 50% era latim.” Portanto, a cultura tipográfica só atinge o seu apogeu no
século XIX. (TEIXEIRA, 1971, p. 21)
Frente ao microfilme1 o autor faz a seguinte afirmação: “Considero microfilme como
descoberta equivalente à do livro. [...] a nossa religião cristã é, por excelência, a religião do
livro. (TEIXEIRA, 1971, p. 21). Como ressalta Anísio Teixeira (1971), a tipografia geral o
individualismo e dá definitivo impulso à existência pessoal das criaturas, difundindo o saber
fazendo dele algo verdadeiramente universal, permitindo, assim, que as culturas difundidas se
distribuam por todo o planeta. Como revela Anísio Teixeira (1971, p. 21):
Por isto mesmo, as nações que lograram chegar ao pleno desenvolvimento da cultura
foram as que tiveram completo acesso às culturas do passado. A sobrevivência da
cultura antiga na biblioteca de Alexandria2 permitiu a continuidade da cultura na
Idade Média. Gutenberg permitiu a continuidade da Idade Média na Renascença e
no mundo moderno, mas limitou-a à Europa, onde se localizam as bibliotecas.

Ao falar da influência das tecnologias no comportamento humano, Anísio Teixeira
(1971, p. 23) recorre à McLuhan que considera que toda e qualquer nova ferramenta –
impresso, microfilme – que estenda os sentidos e faculdades humanas cria novo clima e
ambiente cultural, que passa a comandar a percepção, a ação e o sentimento do homem,
normalmente, estando ele sem consciência dessas intervenções e, portanto, impotente para
estabelecer controle e reforma, se necessário. Além disso, fica claro que o processo cultural
atravessa transições a ponto das tecnologias se confundirem e se misturarem.
De acordo com Setton (2015, p. 95), as mídias são capazes de mudar a nossa visão de
mundo. A imprensa mudou o mundo da cultura da oralidade do mesmo modo como a
virtualização tem reorganizado os grupos e, também, favorecendo um retorno à oralidade e à
simultaneidade.
Desde os tempos mais remotos das culturas de tecnologia escrita, as bibliotecas e os
professores têm cumprido, juntamente com demais organizações – universidades, Igreja,
centros de documentação – seu papel de guardiães do conhecimento, com o intuito de que
tudo fosse conservado e cultivado. Sai dos muros da escola e das bibliotecas a incumbência de
1

É a reprodução extremamente reduzida de documentos, textos, figuras etc. Foi tido, durante muito tempo, como
solução para a organização, preservação, busca e recuperação das informações. Hoje ele ainda permanece como
a melhor forma de preservação de documentos. (MORAES, 2002, p. 6).
2
Foi idealizada e construída por Alexandre, em 331 a.C., para celebrar suas grandes conquistas e com a missão
de conter toda a sabedoria acumulada pelo mundo grego. Porém, Alexandre morreu antes de terminar a sua obra.
O acervo da biblioteca, considerado o maior acervo de ciência e cultura da Antiguidade, chegou a cerca 700 mil
volumes entre rolos de papiros e pergaminhos reunidos ao longo de sete séculos. A biblioteca possuía 10 salas
para os usuários, e seu acervo era organizado em prateleiras com etiquetas, onde constavam o nome do
proprietário, do revisor e do editor com a finalidade de facilitar a busca da informação. Em 640 da Era Cristã, a
Biblioteca de Alexandria foi totalmente destruída por um incêndio causado pelos árabes, o terceiro de sua
história. (VIEIRA, 2014, p. 9)

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informar, como atesta:
Com a expansão dos meios de comunicação, o mestre perdeu esse antigo poder,
passando a ser apenas um contribuinte para a formação do aluno, que recebe, em
relativa desordem, por esses novos meios de comunicação, imprensa, rádio e
televisão, massa incrível de informações e sugestões provenientes de uma
civilização agitada por extrema difusão cultural e em acelerado estado de mudança.
(TEIXEIRA, 2014, p. 144)

De acordo com a Teixeira (2014, p. 145), o aluno cada vez mais deverá sair de um
estudo em programas substancialmente teóricos e, neste caso, a biblioteca desta escola deverá
acompanhar essas mudanças, não sendo apenas um repositório de informações, mas, sim, um
ambiente dinâmico de promoção cultural. E, para isto, deverá dispor de elementos que não
sejam apenas os livros recomendados pelo professor, mas que se faça uso de outras
ferramentas como a televisão, o cinema e a arte. Neste sentido, o autor afirma:
Se a biblioteca, de certo modo, já fizera do mestre um condutor dos estudos do aluno
e não propriamente o transmissor da cultura, os novos recursos tecnológicos e os
meios audiovisuais irão transformar o mestre no estimulador e assessor do estudante,
cuja atividade de aprendizagem deve guiar, orientando-o em meio às dificuldades da
aquisição das estruturas e modos de pensar fundamentais da cultura contemporânea
de base científica [...] (TEIXEIRA, 2014, p. 146)

Na prática dos bibliotecários escolares deve ficar evidente a necessidade deste de
exercerem suas atividades em colaboração com os professores. De acordo com Campello
(2005, p. 58), nota-se que: “[...] para exercerem seu papel educativo de forma adequada, [os
bibliotecários] precisam trabalhar com o apoio da equipe pedagógica e dos professores. ”
Pode-se afirmar que, em consonância com os postulados de Anísio Teixeira,
especialistas na área de biblioteconomia e ciência da informação, como Araújo e Dias (2011,
p. 119) afirmam que o profissional bibliotecário da sociedade da informação ainda não existe;
ele será construído a partir da convivência reflexiva com a era da informação e suas
ferramentas.

4 Materiais e Métodos
O método utilizado neste trabalho é do tipo pesquisa bibliográfica que busca
investigar na literatura científica elementos que apresentem evidências para a
argumentação. A análise dos dados é feita através de estudos documentais.
5 Considerações parciais/finais
Anísio Teixeira, ao se referir ao papel das bibliotecas, não o fez de maneira superficial,
ou seja, apenas indicando a importância dessas unidades para as instituições, mas realizando
apontamentos de como estas devem atuar no âmbito educacional, seja para formação de
professora, seja para incentivo à leitura e apoio às práticas pedagógicas. Pode-se inferir que,
de acordo com o pensador, a biblioteca deve extrapolar o nível técnico que rege a sua
organização, e refletir sobre a matéria-prima que é responsável por salvaguardar.
De acordo com Setton (2015, p. 99) não há mais como pensar o conhecimento de
maneira linear, hierarquizada e absolutamente previsível, pois, segundo a autora, tudo está em
processo e em fluxo de desenvolvimento.
Para os educadores, inclusive, os bibliotecários, fica o desafio de atravessar essas
mudanças com propostas criativas frente às mudanças nas formas de comunicar-se, pois é só

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com posturas proativas que é possível garantir espaço social e profissional na sociedade do
presente do futuro. É sob esta égide que deve ser construída o planejamento de uma unidade
de informação, que leve em consideração o dinamismo das relações que se estabelecem no
fluxo das informações.

6 Referências
ARAÚJO, Eliany Alvarenga; DIAS, Guilherme Ataíde. A atuação profissional do
bibliotecário no contexto da sociedade da informação: os novos espaços de atuação. In.:
OLIVEIRA, Marlene de. Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e
espaços de atuação. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. p. 109-120.
CAMPELLO, Bernadete Santos. Letramento informacional: função educativa do bibliotecário
na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. (Coleção Biblioteca Escolar).
CÔRTE, Adelaide Ramos e; BANDEIRA, Suelena Pinto. Biblioteca escolar. Brasília: Briquet
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MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. Tradução: Pedro Maia Soares. 2. ed. São
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MIRANDA, Dely Bezerra de; PEREIRA, Maria de Nazaré Freitas. O periódico científico
como veículo de informação: uma revisão de literatura. Ciência da Informação, Brasília, v.
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da Informação e biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. 2. ed. Belo
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Janeiro, v. 55, n. 121, jan./mar. 1971, p. 12-37.
TEIXEIRA, Anísio. Mestres do amanhã. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 85, n.
209/210/211, jan./dez. 2004.
TOMAZETTI, Elisete M. Anísio Teixeira: alguns apontamentos em comemoração ao
centenário de seu nascimento. Revista do Centro de Educação UFSM, Santa Maria, v. 25, n.
2, 2000. Documento online. Disponível em: &lt;http://coralx.ufsm.br/revce/revce/2000
/02/a1.htm&gt;. Acesso em: 04 jun. 2015.

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VIEIRA, Ronaldo. Introdução à teoria geral da biblioteconomia. Rio de Janeiro: Interciência,
2014.

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                <text>O artigo objetiva traçar a visão de Anísio Teixeira acerca da biblioteca e seu exercício no ambiente escolar. A primeira sessão contextualiza e define termos ligados à Biblioteconomia e à Documentação. A segunda, por sua vez, expõe uma breve consideração referente à trajetória acadêmica e  profissional de Anísio Teixeira e também apresenta os pressupostos filosóficos da educação deste pensador frente as novas tecnologias da  comunicação, problematizando a influência destas no processo cultural. Neste sentido, o autor propõe reflexões sobre o papel dos professores, a fim de que estes possam atender às demandas da complexa sociedade contemporânea. Como organização que oferece apoio às práticas pedagógicas, Anísio Teixeira observa o papel da biblioteca como repositório de documentos intelectuais produzidos pelo homem, bem como atesta a importância de atuação dessa como promotora e difusora cultural.</text>
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                    <text>A BIBLIOTECA ENQUANTO ESPAÇO-TEMPO DE APRENDIZAGENS
E DE DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS: O CASE DE UMA
BIBLIOTECA DO IFRS

Luciane Alves Santini (IFRS) - lua.santini@gmail.com
Cledes Antonio Casagrande (Unilasalle, Canoas) - cledes.casagrande@lasalle.org.br
Resumo:
Este trabalho se propõe a investigar a biblioteca como espaço-tempo de aprendizagens e de
desenvolvimento de competências, em especial a competência informacional. Consiste em uma
pesquisa de mestrado em fase inicial, no PPG de Educação, que tem como intenção investigar
o papel e o potencial da biblioteca de uma instituição de ensino no desenvolvimento de
competências e habilidades em informação. Caracteriza-se como um estudo de caso de
abordagem qualitativa, que tem como foco investigar em que medida pode a biblioteca de uma
instituição de ensino configurar-se enquanto espaço-tempo de aprendizagens e de
desenvolvimento de competências informacionais. Realizamos um levantamento bibliográfico
no qual procuramos discutir a importância do conceito de aprendizagem, de autonomia, e de
aprender a aprender, no horizonte das ações desenvolvidas em uma biblioteca de uma
instituição de educação superior. Procuramos delimitar, no âmbito desta pesquisa, o conceito
de competência, em especial o de competência informacional, identificando as correntes
teóricas que fundamentam a competência em informação e definindo-a a partir deste
levantamento. O estudo de caso será realizado em um campus do IFRS juntamente aos
docentes do campus que serão convidados a responder a um questionário on-line, também
será realizada uma entrevista semiestruturada com o bibliotecário. Buscamos, ao final dessa
pesquisa, demonstrar como, tanto a biblioteca quanto os bibliotecários, podem atuar como
mediadores entre a informação e seu usuário de forma efetiva, fazendo com que a biblioteca
se torne um espaço pedagógico.
Palavras-chave: Competência
Educação.

informacional.

Letramento.

Biblioteca.

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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Aprendizagem.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Este trabalho se propõe a investigar a biblioteca como espaço-tempo de aprendizagens
e de desenvolvimento de competências, especialmente a competência informacional. Para tal,
faremos um estudo de caso de uma biblioteca do Instituto Federal do Rio Grande do Sul
(IFRS), como elemento capaz de exemplificar o que se procura demonstrar. Cabe explicarmos
que a criação dos Institutos Federais iniciou-se em 2008 devido a criação de um novo modelo
de instituição de educação profissional e tecnológica pelo Ministério da Educação. Os
Institutos federais estão presentes em todos os Estados, oferecendo ensino médio integrado,
cursos técnicos, cursos superiores de tecnologia, bacharelados, engenharias, licenciaturas e
pós-graduação. São instituições ainda em implantação e que estão estruturando suas
bibliotecas e sistemas de bibliotecas. Dessa forma, na presente pesquisa, almejamos investigar
o papel e o potencial dessa biblioteca na aprendizagem e no desenvolvimento de
competências em informação nos alunos que a utilizam.
Esta investigação, ainda em fase inicial, trata-se de um estudo de caso de abordagem
qualitativa, que será feito com base em um levantamento bibliográfico sobre o tema. Além
disso, cumpre informar que esta pesquisa de Mestrado insere-se na linha de pesquisa
denominada “Culturas, Linguagens e Tecnologias da Educação”, do Programa de PósGraduação em Educação do Unilasalle de Canoas.
A relevância do tema escolhido se demonstra na sociedade atual com o surgimento e a
proliferação da internet e das redes sociais, no qual há um fluxo intenso e constante de
informação. Nesse contexto, passamos a ser expostos diariamente a uma imensa quantidade
de informações, muitas vezes incompletas e até contraditórias. O avanço das novas
tecnologias de informação e comunicação (TIC) tornou possível o acesso à informação
independentemente de barreiras geográficas ou cronológicas, o que culminou com
questionamentos sobre a função, a organização e a ação das bibliotecas das instituições de
ensino. Além disso, a facilidade de acesso à informação tornou-se um ponto crucial para o
desenvolvimento do conhecimento. Isso nos leva ao menos a duas considerações importantes:
por um lado, não podemos ignorar que a informação, disponível em grande quantidade, é
essencial para a aprendizagem e o desenvolvimento de novos conhecimentos. Já por outro, há
de se considerar que nem toda a informação disponível é coerente e confiável, ou seja, essa
informação não necessariamente contribuiria para o progresso do conhecimento válido. Esse
novo contexto social leva-nos a refletir acerca de qual é o papel das instituições de ensino no
desenvolvimento dos discentes, para torna-los capazes de buscar e selecionar informações
válidas e seguras, além de serem capazes de transformar tais informações em conhecimento.
A biblioteca como parte essencial de uma instituição educativa precisa estar inserida
nessa nova perspectiva e auxiliar, na condição de um espaço de aprendizagem, no
desenvolvimento de ações que levem ao desenvolvimento de aprendizagens significativas e
de novos conhecimentos. Desta forma, acreditamos que o desenvolvimento da competência
informacional pode auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem no âmbito escolar,
facilitando o acesso e a utilização da informação de forma mais eficiente e eficaz.
Para o desenvolvimento desta pesquisa procuramos demonstrar a importância do
desenvolvimento da aprendizagem, da autonomia e do aprender a aprender para que seja
possível o efetivo desenvolvimento da competência informacional nos estudantes. Essas
teorias possibilitam verificar o papel da biblioteca e dos bibliotecários e sua função educativa
na tentativa de responder à questão proposta por esta pesquisa: Em que medida pode a
biblioteca de uma instituição de ensino configurar-se como espaço-tempo de aprendizagens e
de desenvolvimento de competências informacionais?

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2 Revisão de literatura
Procuramos mapear a literatura acerca do desenvolvimento da aprendizagem, da
autonomia e do aprender a aprender para que seja possível o efetivo desenvolvimento da
competência informacional nos estudantes. Além disso, essas teorias possibilitam verificar o
papel da biblioteca e dos bibliotecários e sua função educativa na tentativa de responder à
questão proposta por esta pesquisa.
Acreditamos que o processo da aprendizagem é de suma importância à formação dos
sujeitos, à construção de si mesmo e ao desenvolvimento da autonomia pessoal. Trata-se de
um processo vital, fundamental à manutenção e ao desenvolvimento da vida humana e da
própria sociedade. A aprendizagem desenrola-se ao longo da vida, sendo um processo
contínuo e ininterrupto, em que os novos elementos são integrados a um eu que vai
estruturando-se gradativamente. Dessa maneira, podemos afirmar que
O homem se pode definir como ser que aprende. Não surge ele feito ou préprogramado de vez. Sua existência não é por inteiro dada ou fixa; ele a constrói a
partir de imensa gama de possibilidades em aberto. Nasce no seio de uma cultura
viva, que só é tal à medida que assumida como desafio de permanente reconstrução
pela atribuição dos sentidos que imprime a seu convívio em sociedade e na
estruturação da própria personalidade. (MARQUES, 2000, p. 15).

Dessa forma, no contexto desta pesquisa, buscamos entender o processo de
aprendizagem fundamentando-nos na teoria de pensadores dessa área. Primeiramente
abordaremos o processo de aprendizagem a partir da teoria desenvolvida por Jean William
Fritz Piaget (1896-1980), um epistemólogo suíço e pesquisador do conhecimento. O trabalho
desenvolvido por Piaget procurou responder a uma “[...] questão fundamental (de ordem
epistemológica) que se refere à natureza da inteligência, qual seja: como se constrói o
conhecimento?” (PALANGANA, 2001, p. 71). O processo de construção do conhecimento
deriva da relação “[...] entre o sujeito que busca conhecer e o objeto de ser conhecido.”
(PALANGANA, 2001, p.29).
Na teoria desenvolvida por Piaget, a aprendizagem desenvolve-se ao longo de quatro
fases que são fortemente influenciadas pela maturação biológica e pela consequente formação
de estruturas cognitivas que se desenvolvem de forma sequencial nos estágios de
desenvolvimento cognitivo. Assim, a maturação e a formação das estruturas cognitivas
fornecem as condições necessárias para uma aprendizagem efetiva (MARQUES, 2000). Além
disso, todas as fases da vida, desde o nascimento até a morte, influenciam o desenvolvimento
humano e a aprendizagem. Na teoria piagetiana a base do conhecimento está na constituição
das estruturas operatórias, que são desenvolvidas ao longo dos estágios de desenvolvimento
cognitivo. Destacamos, no contexto dessa teoria, a aprendizagem e ao desenvolvimento, no
qual “O desenvolvimento é um processo mais geral, ligado à totalidade das estruturas de
conhecimento e cada elemento de aprendizagem ocorre como uma função sua.”
(PALANGANA, 2001 p. 83). Ainda referente à aprendizagem e ao desenvolvimento,
sabemos que ambos os processos dependem da assimilação do sujeito, sendo tal atividade
assimilativa que nos proporciona a estrutura necessária para que as estruturas cognitivas
possam atingir a compreensão. Na teoria o conhecimento constitui-se “[...] na interação do
sujeito com o mundo externo (dos objetos e das pessoas). Contudo, fica patente em sua teoria
uma destacada importância ao aspecto funcional do pensamento, o que denota prioridade ao
processo de desenvolvimento.” (PALANGANA, 2001, p. 83), sendo nesse processo de
interação que acontece o desenvolvimento.
Piaget tem um entendimento semelhante ao de Kant no que se refere à relação sujeito
e objeto na construção do conhecimento. Ambos admitem “[...] a existência de estratégias
(condições) inatas – próprias do sujeito – por meio das quais tem início o processo de

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interação e consequentemente o desenvolvimento da estrutura cognitiva.” (PALANGANA,
2001, p. 39). Dessa maneira, a teoria de Piaget aproxima-se da teoria de Kant no que diz
respeito à ênfase dada à atividade do sujeito e também na necessidade de explicar
racionalmente esse processo.
A aprendizagem pode ser caracterizada por vários pontos de vista e, no contexto desta
investigação, interessa-nos estudá-la não só do ponto de vista do processo de aprendizagem
como demonstrado por Piaget, mas também sob o ponto de vista do desenvolvimento da
autonomia e da capacidade de aprender a aprender. O ser humano fundamentalmente um ser
que aprende, que constrói e reconstrói a si mesmo e ao seu próprio mundo, por meio de
processos de aprendizagem, Desta forma, a efetivação da emancipação implica,
necessariamente, que passemos “[...] pelo desenvolvimento da racionalidade, pelo
intercâmbio entre os sujeitos no sentido de transformação de sua autocompreensão como
pessoas que vivem com outros, que respeitam as regras estabelecidas e o princípio do
entendimento mútuo.” (PAVIANI, 2013 p. 87-88).
Já a consolidação do processo de aprender a aprender se dá pela unificação dos “[...]
processos da socialização, da individualização e da singularização do sujeito, os homens
aprendem uns dos outros, constituem-se em sujeitos sociais concretos da aprendizagem [...]”
(MARQUES, 2000, p.16). Os processos de aprendizagem, como instâncias de constituição
dos sujeitos e das sociedades, precisam desenvolver uma série de capacidades ou
competências nos indivíduos que aprendem. Nessa perspectiva, entendemos que os processos
formativos necessitam também ser orientados ao desenvolvimento da autonomia dos
estudantes. Originalmente, o conceito de autonomia está ligado ao de esclarecimento proposto
por Kant (2005) no texto denominado “Resposta à pergunta: o que é esclarecimento?”. Nesse
texto, Kant afirma que o “[...] esclarecimento [Aufklärung] é a saída do homem de sua
menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu
entendimento sem a direção de outro indivíduo.” (KANT, 2005, p. 63). Além de Kant também
resgatamos o pensamento de Adorno (1995, p. 143) que acreditava a “[...] emancipação
significa o mesmo que conscientização, racionalidade.”. Assim para Adorno a percepção de
que o esclarecimento é o resultado da “[...] instrução e da educação escolar e sociocultural,
através da leitura, que produz a capacidade de reflexão crítica e o entendimento racional do
mundo.” (VILELA, 2007, p. 230). Dessa forma, Vilela (2007, p. 224) acredita que a “[...]
principal tarefa da escola é desenvolver nos alunos a capacidade de pensar e de tomar
decisões”. Essa formação faz com que o sujeito desenvolva autonomia para questionar e
refletir, buscar o que deseja e aprender a aprender de forma independente e na relação com os
outros.
Com base nos processos de aprendizagem, o homem desenvolve-se no sentido de
tornar-se uma “[...] pessoa singularizada ao ser penetrado pelo conjunto dos sentidos sociais e
culturais e neles estruturar-se de forma distintiva e autônoma. A aprendizagem é esse
entrelaçamento da personalidade de cada um e do mundo sociocultural.” (MARQUES, 2000,
p. 29) e sem esse entrelaçamento a tradição não se mantém nem se origina. Os processos de
aprendizagem dependem das relações entre sociedade e indivíduo. Nesse sentido, acreditamos
que é por meio da aprendizagem que “[...] as experiências de vida se fazem experiência
interior de formação e reconstrução da identidade pessoal.” (MARQUES, 2000, p. 30). A
formação do homem é constituída tanto pelo âmbito social quanto pelo coletivo, mas é na
aprendizagem que este se individualiza.
Esse processo de aprendizagem singularizado pode ser explicado com base na teoria
desenvolvida por Piaget como sendo uma equilibração na qual os fatores que causaram o
desequilíbrio desencadeiam a construção de novos conhecimentos e, consequentemente, a
criação de estruturas permanentes. Além disso, nessas novas estruturas permanentes é
possível, segundo Marques (2000, p. 43), destacar pontos específicos “[...] onde se distinguem

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os conhecimentos pontuais em que se reconstrói, no plano individual e na proporção da
singularidade de cada um, o conhecimento socialmente compartilhado nas ciências, na ação
ético-política ou nas artes.”. Dessa forma, acreditamos que, para o desenvolvimento do
aprender a aprender, devemos buscar formas de aprendizagem na qual seja possível ter um
[...] papel ativo de potenciação do desenvolvimento cognitivo, prático-moral e
expressivo-estético, que assegure as condições para o domínio, individual e coletivo,
das sempre outras situações a enfrentar no mundo dos conhecimentos socialmente
compartilhados, no espaço social de convívio em grupos e no respeito e afirmação
das identidades pessoais, vale dizer, no relacionamento com a busca da verdade no
mundo das objetivações culturais, com as normas que regem o mundo social e com a
liberdade expressiva do mundo da subjetividade singularizada. (MARQUES, 2000,
p. 45).

Acreditamos que a aprendizagem voltada para desenvolver a autonomia e a
capacidade de aprender a aprender possui um papel de grande importância na sociedade atual.
Evidenciamos que é por meio da aprendizagem que o sujeito singulariza-se, ou seja, é pela
aprendizagem que
[...] o sujeito capta os elementos da situação, constrói seus próprios tipos de
referências práticas e teóricas, sem ficar em posição de dependência em relação aos
poderes estabelecidos. O eu competente significa, assim, a capacidade de autoafirmação de cada qual na posição singular que ocupa e na coragem de se orientar e
se organizar no mundo. (MARQUES, 2000, p. 47).

No horizonte do que temos postulado neste trabalho investigativo, entendemos que a
experiência formativa depende de vários fatores e é central ao desenvolvimento da capacidade
de aprender a aprender ou da competência de se autoformar. Além disso, acreditamos que a
formação para a reflexão crítica e para o desenvolvimento da autonomia pode ocorrer em
múltiplos espaços e tempos no ambiente escolar. Em outras palavras, partimos do pressuposto
de que a instituição escolar, em seu todo, deve consistir em espaço-tempo privilegiado à
realização de experiências formativas. Além disso, s processos educacionais estão baseados na
aprendizagem com base no desenvolvimento de competências e a escola tem como finalidade
possibilitar o desenvolvimento de competências por meio do desenvolvimento das disciplinas
(MACEDO, 1999).
Para tal, procuramos definir, no âmbito dessa pesquisa, o conceito de competência
como uma forma de desenvolver a aprendizagem, a fim de contextualizar como a biblioteca
pode exercer o papel de espaço de aprendizagem e de desenvolvimento da competência
informacional. No âmbito desta pesquisa, utilizaremos a noção de competência conforme
Perrenoud (1999, p. 20-21) esclarece: “As competências, no sentido que será aqui utilizado,
são aquisições, aprendizados construídos, e não virtualidades da espécie.”. Assim, para o
desenvolvimento de competências, precisamos de estímulos e de formas de aprendizados que
nos auxiliem nessa ação, sendo necessário aprendermos a identificar e localizar informações
pertinentes (PERRENOUD, 1999). Além disso, precisamos aprender esquemas de
mobilização dos conhecimentos que nos possibilitem utilizá-los de forma intensa, caso
contrário, estaremos apenas mobilizando conhecimentos sem formar competências. Assim,
para que consigamos desenvolver competências requer precisamos “[...] mobilizar recursos,
cooperar, coordenar pontos de vista, envolver-se e se deixar ser envolvido, transformar em
vontade aquilo que começou como uma intenção e que há de terminar como uma boa
realização.” (MACEDO, 2008).
O desenvolvimento de competências envolve vários aspectos, como a formação de
esquemas, a mobilização deles e, também, a estabilização dessas competências. A
estabilização só acontece, segundo Perrenoud (1999, p. 23), “[...] quando a mobilização dos

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conhecimentos supera o tatear reflexivo ao alcance de cada um e aciona esquemas
constituídos.”. Esse processo de estabilização assemelha-se com a teoria de Piaget, em que
existe uma dependência entre os estágios de desenvolvimento cognitivo, isto é, para se
avançar para o próximo estágio, é necessário que o anterior esteja consolidado.
Podemos sintetizar o conceito de competências, segundo Macedo (2002), com base
nas características de tomada de decisão, de mobilização de recursos e do saber agir, no
sentido de construção, de coordenação e de articulação de esquemas de ação ou de
pensamento. Além disso, podemos relacionar competência à capacidade de utilizar os
conhecimentos no momento certo e com a capacidade de “[...] relacionar, pertinentemente, os
conhecimentos prévios e os problemas [...]” (PERRENOUD, 1999, p. 32).
Nesse contexto, a escola tem como desafio possibilitar aos alunos que os objetivos e
conteúdos sejam transmitidos “[...] de um modo interdependente ao desenvolvimento dos
recursos ou procedimentos para essa assimilação.” (MACEDO, 2008), proporcionado, com
isso, uma aprendizagem significativa. E, dessa maneira, ainda conforme Macedo (2008), a
escola precisa “[...] antecipar, instruir, transmitir, hoje, aquilo que as crianças hão de precisar
mais tarde, quando se tornarem adultas, quando forem nos substituir (espera-se, para melhor).
Considerar o ser como tornar-se pede uma reflexão sobre as relações entre presente, passado e
futuro.”.
A informação sempre ocupou um papel importante no desenvolvimento da sociedade,
mas atualmente ela passa a ocupar um lugar de destaque. Conforme Dudziak (2003, p. 23), “A
informação passou a ser reconhecida como elemento-chave em todos os segmentos da
sociedade. Tal é sua importância que se manter informado tornou-se indicador incontestável
de atualidade e sintonia com o mundo.”. Nesse contexto, precisamos não só ter acesso à
informação, mas, principalmente, sermos capazes de nos relacionarmos com a informação de
forma crítica e conseguir transformá-la em conhecimento. Conforme Varela (2005, p. 2),
estamos inseridos em uma nova “[...] sociedade que busca o conhecimento e novos modelos
que possibilitem interpretar e compreender o mundo.”. Isso fez com que novas formas de
interação surgissem e, assim, precisamos repensar o papel dos profissionais que fazem a
mediação entre o pesquisador e a informação, sobretudo no ambiente escolar.
Bari (2010) ressalta que a educação tem papel importantíssimo na capacitação das
pessoas para que possam usufruir de forma competente do conhecimento produzido pela
humanidade. Para tal, é necessário que “[...] as pessoas adquiram competências para localizar,
avaliar e usar informações, o que implica, por parte dos bibliotecários, em ações mais
complexas, pois as pessoas, além de tornarem-se leitores, necessitam ser competentes para
aprender por meio da informação.” (CAMPELO, 2010, p. 185). A competência
informacional1 pode auxiliar no desenvolvimento de pessoas aptas a utilizarem a informação
de forma autônoma e eficiente.
Assim, entendemos que um modo de auxiliar na formação dos estudantes consiste em
proporcionar situações de aprendizagem que lhes auxiliem a desenvolver certa classe de
competências, especialmente a competência informacional no que se refere a bibliotecal. Ao
desenvolver essas competências também se busca estimular a autonomia dos discentes não só
no que diz respeito a busca e ao acesso, mas principalmente no emprego da informação
recuperada. Desta forma, a competência em informação é mais do que somente acessar a
informação, mas sim compreendê-la e incorpora-la aos conhecimentos de cada um. Para
Doyle (1994, apud DUDZIAK, 2010, p.4):

A expressão ‘information literacy’é amplamente utilizada no Brasil como ‘competência informacional’,
segundo Guasque (2010, p. 83), “[…] conforme se observa nos trabalhos de Campello (2002), Miranda (2004),
Belluzzo (2005), Silva et al. (2005), Lins &amp; Leite (2008), Vitorino (2008), Liston &amp; Santos (2009), Vitorino &amp;
Piantola (2009), dentre outros.”.
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As competências mais elevadas de aprendizado incluem a formulação de questões, a
avaliação da informação de acordo com sua pertinência e exatidão, a organização da
informação e, finalmente, a aplicação da informação para responder as questões
originais – o último e mais valioso passo no processo.

A Associação Bibliotecária Americana (ALA) lançou em 1989, no relatório final do
Presidential Comunitee on Information Literacy, o seguinte entendimento do que pressupõe
ser uma pessoa competente informacionalmente:
[...] deve ser capaz de reconhecer quando necessita de informação e possuir a
capacidade de localizar, avaliar e utilizar de forma eficaz a informação necessária.
[...] Os indivíduos competentes em informação são aqueles que aprenderam a
aprender. (ALA2, 1989, tradução nossa).

Como a definição da ALA é bastante ampla, alguns autores da área passaram a utilizar
a definição do que é competência informacional do seguinte modo:
[...] um processo de aprendizagem contínuo que envolve informação, conhecimento
e inteligência. É transdisciplinar, incorporando um conjunto integrado de
habilidades, conhecimentos, valores pessoais e sociais, permeia qualquer fenômeno
de criação, resolução de problemas e/ou tomada de decisões. (DUDZIAK, 2003, p.
29).

Kuhlthau (1999) define a competência em informação como sendo a habilidade
individual de construir sentido, estando inserido em um ambiente rico em informação. Essa
definição pode ser complementada com a afirmação de Campello (2010) que acredita que é
imprescindível estimular os alunos a pensarem de forma lógica e criativa.
Quanto ao papel da biblioteca no desenvolvimento dessas competências, concordamos
com a afirmação de Dudziak (2001, p.73) que “[...] as bibliotecas enfrentam o desafio de se
transformarem de mero repositório de informações, em agentes provocadores de mudanças
educacionais”. Para tanto, é necessário que haja uma integração com as demais áreas ligadas
ao ensino-aprendizado e que estes profissionais estejam dispostos a trabalhar de forma
construtivista para capacitar os alunos nestas novas formas de acesso, recuperação e avaliação
da informação. Além disso, a preocupação dos bibliotecários em auxiliar seus usuários sempre
esteve presente, inicialmente com a educação de usuários e as atividades de instrução
bibliográfica. Campelo (2009, p. 38) reforça essa ideia a partir das origens da biblioteconomia
na prática da educação de usuários, quer dizer, na capacitação para utilização do acervo da
biblioteca, afirmando que “[...] na concepção biblioteconômica, essa necessidade estava
baseada na premissa de que o conhecimento possa ser comunicado, isto é, que o usuário possa
aprender com a informação”. Esses serviços buscam, ainda hoje, instrumentalizar o usuário
no uso da coleção e das fontes de informação. Já a competência informacional, na concepção
de Dudziak (2001, p. 59), vai além da instrumentalização da técnica de busca, pois “[...] se
refere ao aprendizado ao longo da vida, assumindo que os processos investigativos e de
construção de conhecimento permeiam todas as ações, são aplicáveis a qualquer situação, seja
junto a sistemas formais, seja junto a sistemas informais.”. A competência informacional deve
preparar o usuário para procurar pela informação, mas também para como ele utilizará a
informação recuperada, assim como habilitá-lo a pesquisar em várias fontes, sabendo utilizar
a informação recuperada de forma a elaborar um texto próprio (BARI, 2010). Assim,
acreditamos que a competência informacional relaciona-se de forma direta
“[…]a person must be able to recognize when information is needed and have the ability to locate, evaluate,
and use effectively the needed information. […] information literate people are those who have learned how to
learn.” (ALA, 1989).
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[...] ao aprendizado e à capacidade de criar significado a partir da informação.
Pessoas competentes em informação reconhecem sua necessidade, sabem como e
onde achar a informação, sabem avaliar e selecionar as informações mais relevantes,
sabem organizar a informação de modo a criar novas idéias e interpretações, sabem
usar a informação para a construção de conhecimentos importantes para o bem
comum. (DUDZIAK, 2001, p. 61).

Além disso, Dudziak (2001) destaca a concepção do movimento da competência
informacional no estímulo ao aprender a aprender, levando o pesquisador a procurar o
aprendizado ao longo da vida. Assim, a competência informacional “[...] compreende não só a
capacitação no uso das ferramentas de recuperação da informação, como também o
entendimento do uso dos recursos e fontes, explorando os conceitos fundamentais e as
habilidades ligadas à tecnologia da informação [...]” (DUDZIAK, 2001, p. 62). Por
conseguinte, a competência informacional pode contribuir no êxito da aprendizagem e da
autonomia do aluno. Além disso, acreditamos que pode auxiliar no desenvolvimento do hábito
da leitura, do pensamento crítico e de se manter atualizado, utilizando adequadamente
ferramentas e estratégias de busca (DUDZIAK, 2001).
No entanto, para que o desenvolvimento da competência seja possível Kuhlthau (1999,
p. 9) acredita que é necessário que as escolas se adaptem para que consigam “[...] preparar seu
aluno para o uso inteligente da informação disponível através da tecnologia [...]. O processo
de aprendizagem a partir de uma ampla variedade de fontes é o desafio crítico para as escolas
na sociedade da informação”. Para Silva et al. (2005, p. 32), “Decorre daí um novo conceito
que vem ganhando a forma de movimento mundial de bibliotecários, conscientes da
necessidade de mudança na relação biblioteca-aprendizagem na sociedade contemporânea,
que põe ênfase no acesso à informação nas redes”. Além disso, Souza (2009, p. 22) destaca
que o ensino atual está “[...] voltado para os processos de construção de conhecimento, com
ênfase no ‘aprender a aprender’ como um processo contínuo que depende da competência do
aluno” e essa competência tanto no uso quanto na apropriação é que fará com que a
informação seja transformada em conhecimento.
Também acreditamos na relevância de que as bibliotecas sejam “[...] espaços de
mediação e produção de sentido, nos quais ocorre a articulação entre o produtor (autor) e o
receptor (usuário) [...]” e onde o bibliotecário passa a “[...] ser o mediador, garantindo
condições de adequação entre a informação recebida/recuperada e o usuário para que ela
possa ser apropriada e transformada em conhecimento” (SOUZA, 2009, p. 28). Nesse caso,
acrescenta Souza (2009, p. 28), “[...] o bibliotecário mediador estará propiciando ‘espaço’ de
aprendizagem durante a realização de suas pesquisas.”.
De acordo com Kuhlthau (1999, p. 10), o “[...] papel do bibliotecário é colaborar no
ensino e aprendizagem, fornecer acesso à informação e gerenciar o programa da biblioteca.”,
possibilitando o desenvolvimento da competência informacional. Isso vem ao encontro,
segundo Dudziak (2003), dos conceitos trabalhados anteriormente, no que diz respeito a ações
de estímulo à formação de alunos autônomos na busca, recuperação e utilização da
informação. Para isso, a biblioteca precisa ser proativa, segundo Silva et al. (2005), e se
inserir nas novas demandas de informação, atuando como uma facilitadora de novas
aprendizagens. De forma ainda mais ampla, Kuhlthau (1999, p. 10) esclarece que a “[...]
competência é habilidade de construir sentido por si mesmo, em um ambiente rico em
informação.”. Assim, acreditamos que a biblioteca pode ser um espaço de aprendizagem com
a atuação do bibliotecário como mediador auxiliando dessa forma na

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Aprendizagem dos processos de busca e de uso da informação, e não somente do
assunto diretamente vinculado à pesquisa. Buscar e usar a informação devem ser
conteúdos de aprendizagem e de avaliação vinculados à experiência de sala de aula.
Tal aprendizagem exige revisão da concepção de ensino-aprendizagem e a
necessidade de desenvolvimento do pensamento reflexivo. (GUASQUE, 2012, p.
159).

Destacamos que para se exercer de fato esse papel é necessário que haja uma parceria
entre os profissionais, como reforça Campelo (2009, p.46) “Na cooperação aumenta o
relacionamento entre bibliotecário e professor, que trabalham juntos para ampliar as
oportunidades de aprendizagem dos alunos”.

3 Materiais e métodos
Pretendemos, ao longo do percurso dessa pesquisa, responder ao seguinte
questionamento: Quais as possibilidades da biblioteca de uma instituição de ensino
configurar-se como espaço-tempo de aprendizagens e de desenvolvimento de competências
informacionais? Para tanto, estabelecemos como objetivos específicos:
a) Discutir a importância do conceito de aprendizagem, de autonomia, e de aprender a
aprender enquanto condições para a educação ao longo da vida, no horizonte das ações
desenvolvidas em uma biblioteca de uma instituição de educação superior.
b) Discutir, no âmbito desta pesquisa, o conceito de competência, em especial o de
competência informacional, verificando as correntes teóricas que os fundamentam.
c) Analisar, por meio de um estudo de caso, como a biblioteca de uma instituição de
educação superior pode auxiliar efetivamente na aprendizagem e no desenvolvimento
de competências, especialmente a competência informacional, caracterizando-a como
um espaço de aprendizagem.
A orientação metodológica do estudo proposto é de um estudo de caso. De acordo com
Yin (2001, p. 39), utilizamos este tipo de pesquisa quando se deseja “[...] entender um
fenômeno da vida real em profundidade [...]”. O estudo de caso pode ainda ser caracterizado,
segundo Gil (2002, p. 57-58), como um “[...] estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos
objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente
impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados.”. Ainda para Yin (2001,
p. 32), “Um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno
contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o
fenômeno e o contexto não estão claramente definidos.”. A partir dessas definições,
acreditamos que, ao estudar a relação docente-biblioteca desse campus, teremos uma amostra
de como pode se desenvolver a atuação da biblioteca em conjunto com os docentes,
inserindo-a como um espaço de desenvolvimento da competência informacional.
Com a finalidade de averiguar a possibilidade de atuação da biblioteca como espaço
de desenvolvimento da competência informacional realizamos um levantamento bibliográfico
a partir da seleção de teses e dissertações e abrangeu a literatura nacional, em língua
portuguesa. Primeiramente pesquisamos no Portal de Teses e dissertações da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes) e os
termos pesquisados foram competência, letramento, informação e biblioteca aplicados ao
resumo dos trabalhos. Após, realizamos outra pesquisa com o termo competência
informacional desta vez o tipo de pesquisa realizada foi a simples. Em todas estas pesquisas
selecionamos as que tinham maior pertinência para o problema desta pesquisa, isto é, a
capacidade de se desenvolver habilidades e competências relacionadas com a recuperação da
informação dentro do espaço da biblioteca de uma instituição de ensino e aplicando se estes
critérios foram selecionadas apenas nove teses e dissertações. Em consequência da baixa

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recuperação, optamos por ampliar a base referencial pesquisando-se na Biblioteca Digital
Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), do Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia
(IBICT). Foram realizadas pesquisas da mesma forma que a realizada no Portal de Teses da
Capes e foram recuperados 59 registros com o termo competência informacional. Na pesquisa
avançada o termo competência foi aplicado ao resumo e biblioteca ao assunto, sendo
recuperados 5 registros. Com os termos letramento aplicado ao resumo e biblioteca no
assunto, recuperamos 6 registros. Aplicando os filtros já mencionados na pesquisa realizada
anteriormente, chegamos ao resultado de quatorze teses e dissertações. No entanto duas se
repetiram em ambas as pesquisas e, desta forma, constituímos o corpus a partir de 22 teses e
dissertações dentro do âmbito desta pesquisa. Foi realizada também uma pesquisa na Base de
Dados EBSCO para recuperação de artigos científicos que abrangem o período de 2009 até
2015. Nessa busca, foram utilizados os mesmos termos da pesquisa no Portal da Capes. Foi
realizado uma delimitação da pesquisa na sua abrangência para se restringir a estudos sobre a
competência informacional relacionada a área da educação.
Este trabalho investigativo será complementado pelo estudo de caso de uma Biblioteca
do IFRS, no qual percebemos a necessidade de haver uma ação de desenvolvimento da
competência informacional. Por ser uma instituição nova, que está estruturando suas
bibliotecas e, sendo que este campus e sua biblioteca está em expansão, aproveitamos a
oportunidade para estudar e diagnosticar esta necessidade e o que a literatura da área pode
contribuir no desenvolvimento desta ação. Desta forma, procuraremos demonstrar, a partir do
estudo de caso da Biblioteca de um Campus do IFRS a possibilidade de se desenvolver,
naquele espaço, competências na busca recuperação de informações confiáveis.
Realizaremos a análise qualitativa dos dados coletados, tanto bibliográficos quanto os
derivados do estudo de caso, utilizando a técnica da análise do conteúdo de Bardin (2006).
Esta será realizada em suas três etapas: pré-análise; exploração do material; e tratamento dos
resultados, inferência e interpretação. Na primeira etapa será realizada uma leitura geral que
estabelecerá o primeiro contato com os conteúdos coletados para verificar se o texto está
dentro das delimitações estabelecidas na seleção do corpus. Na segunda etapa serão definidas
as categorias, mediante unidades temáticas. Franco (2005, p. 39) entende que essa unidade de
registro é a mais indicada para ser utilizada em estudos que envolvam “[...] representações
sociais, opiniões, expectativas, valores, conceitos, atitudes e crenças”. Na última etapa onde
serão realizados o tratamento dos resultados, inferência e interpretação as categorias temáticas
serão submetidas a operações de decomposição de cada conteúdo identificado nas entrevistas.

4 Resultados parciais/finais
A pesquisa está em construção e não apresenta resultados definitivos no estado em que
se encontra. No entanto, almejamos investigar o papel e o potencial da biblioteca de uma
instituição de ensino no desenvolvimento de competências e habilidades em informação nos
alunos que a utilizam. Para tanto, procuraremos: discutir a importância do conceito de
autonomia, de aprendizagem e de aprender a aprender, no horizonte das ações desenvolvidas
em uma biblioteca; delimitar, no âmbito desta pesquisa, os conceitos de habilidades e
competências; analisar a influência das tecnologias da informação e comunicação (TIC) na
busca e recuperação da informação; identificar as correntes teóricas que fundamentam a
competência em informação e defini-la a partir deste levantamento; caracterizar a biblioteca
como um espaço de aprendizagem.
Pretendemos, ao final desta investigação, descobrir em que medida pode a biblioteca
de uma instituição de ensino configurar-se enquanto espaço-tempo de aprendizagens e de
desenvolvimento de habilidades e competências informacionais.

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5 Considerações parciais/finais
A presente investigação ainda se encontra numa fase inicial, mas pretende se traçar
uma linha condutora que deverá construir o caminho desde a importância do desenvolvimento
da autonomia, de aprendizagem e de aprender a aprender, no horizonte das ações
desenvolvidas em uma biblioteca para o desenvolvimento do discente, passando pelos
conceitos de competência, aprendizagem e as influências das tecnologias da informação e
comunicação até chegar ao tema principal, a competência Informacional.
Acreditamos que a biblioteca pode assumir tal papel, mas para tanto é imprescindível
que o bibliotecário esteja inserido no espaço educacional e atue juntamente com os docentes.
Percebemos que, algumas vezes, essa atribuição encontra muita resistência por parte da
comunidade acadêmica, pois esta nem sempre reconhece o bibliotecário como um profissional
envolvido no processo educacional. No horizonte da pesquisa que estamos realizando,
acreditamos que o bibliotecário pode contribuir nos processos de aprendizagem no
desenvolvimento da competência informacional, pois sua formação habilita-o a auxiliar o
usuário nas suas necessidades informacionais, orientando-o na busca e na seleção de fontes de
pesquisa, ajudando-o na tradução de termos da linguagem natural para as linguagens
documentárias, criando condições para que desenvolva sua autonomia no uso das mais
diversas fontes de pesquisa e de ferramentas digitais.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este trabalho se propõe a investigar a biblioteca como espaço-tempo de aprendizagens e de desenvolvimento de competências, em  especial a competência informacional. Consiste em uma pesquisa de mestrado em fase inicial, no PPG de Educação, que tem como intenção investigar o papel e o potencial da biblioteca de uma instituição de ensino no desenvolvimento de competências e habilidades em informação. Caracteriza-se como um estudo de caso de abordagem qualitativa, que tem como foco investigar em que medida pode a biblioteca de uma instituição de ensino configurar-se enquanto espaço-tempo de aprendizagens e de desenvolvimento de competências informacionais. Realizamos um levantamento bibliográfico no qual procuramos discutir a importância do conceito de aprendizagem, de autonomia, e de aprender a aprender, no horizonte das ações desenvolvidas em uma biblioteca de uma instituição de educação superior. Procuramos delimitar, no âmbito desta pesquisa, o conceito de competência, em especial o de competência informacional, identificando as correntes teóricas que fundamentam a competência em informação e definindo-a a partir deste levantamento. O estudo de caso será realizado em um campus do IFRS juntamente aos docentes do campus que serão convidados a responder a um questionário on-line, também será realizada uma entrevista semiestruturada com o bibliotecário. Buscamos, ao final dessa pesquisa, demonstrar como, tanto a biblioteca quanto os bibliotecários, podem atuar como mediadores entre a informação e seu usuário de forma efetiva, fazendo com que a biblioteca se torne um espaço pedagógico.</text>
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                    <text>A BIBLIOTECA E AS ESTRATÉGIAS OPEN ACCESS: A
INTERATIVIDADE NA COLABORAÇÃO CIENTÍFICA
Gesialdo Silva do Nascimento (UFABC) - gesialdo.nascimento@ufabc.edu.br
Resumo:
Esse texto aborda o relato de experiência obtido durante o processo de pesquisa de campo
realizado na Universidade de São Paulo (USP) e analisa as técnicas de implementação das
estratégias Open Access (OA) nas rotinas desta instituição, que tem a importante participação
do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBiUSP) e na criação
deste ecossistema de comunicação, em que as multiplataformas são utilizadas para garantir o
acesso à produção intelectual da organização através das tecnologias de informação e
comunicação. Essas técnicas são utilizadas para garantir a interatividade na colaboração
científica através da formação de comunidades virtuais, apoio às disciplinas e disponibilização
de toda a produção acadêmica, que ganha potencialidade no virtual. As metodologias
utilizadas para análise deste processo são o estudo de caso, análise do discurso e a empiria.
Assim apresentamos o momento histórico vivido na cibercultura onde os processos são
reconstruídos com a ajuda das tecnologias e proporcionam a participação de vários agentes na
interatividade e na colaboração científica.
Palavras-chave: Cibercultura 1. Hibridismo cultural 2. Comunicação científica 3. Pesquisa
científica 4. Redes de colaboração 5.
Área temática: Eixo 3 - Ecologia da Informação
Subárea temática: Ferramentas de comunicação e colaboração científica

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

ABSTRACT
This paper addresses the experience report obtained during the process of field research
conducted at the University of São Paulo (USP) and analyzes the implementation of technical
strategies Open Access (OA), routines of the institution which has the important role of the
Integrated Libraries of the University of São Paulo (SIBiUSP) in creating this ecosystem of
communication, where the multi-platform are used to ensure access to intellectual output of
the organization through information and communication technologies. These techniques are
used to ensure interactivity in scientific collaboration by forming virtual communities, support
disciplines and availability of all academic production, earning potential in the virtual. The
methods used to analyze this process are the case study, discourse analysis and empiricism. So
we present the historical moment lived in cyberculture where processes are reconstructed with
the help of technology and provide the participation of various agents on interactivity and
scientific collaboration.
Keywords: Cyberculture 1. Cultural hybridity 2. Scientific communication 3. Scientific
research 4. Collaborative networks 5.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1. Introdução
Este texto aborda o relato de experiência obtido durante o processo de pesquisa de
campo que ainda está em andamento, além de apresentar as metodologias e as estratégias
utilizadas para analisar o processo de reconstrução ocorrido na Universidade de São Paulo
(USP). Esta organização reconstruiu sua comunicação com a sociedade na cibercultura
através das estratégias Open Access (OA), e demonstra como este processo tem a importante
participação do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBiUSP),
que gerencia as ferramentas de comunicação e colaboração científica que modifica as relações
da biblioteca com a comunidade interna e externa a universidade.
Esse ecossistema utiliza-se de multiplataformas para disseminar a informação
científica, propiciando hibridez no acesso as bibliotecas que trabalham as plataformas OA
como sistema para permitir a interação e a colaboração científica, fazendo a gestão das
tecnologias que ficam sobre sua responsabilidade e que são:
O Portal de busca integrada1 é uma interface que reúne toda produção intelectual
científica da USP, ela promove o acesso integrado a publicações através de hiperlinks,
independente de seu formato e local de produção, portanto uma ferramenta que dá visibilidade
aos conteúdos e gerencia os resultados de acesso.
O Portal de revistas científicas2 é um serviço de uma biblioteca digital para apoiar na
filosofia do acesso livre. Os periódicos da universidade utilizam a plataforma para reunir,
organizar e registrar o acesso às publicações.
A Biblioteca digital da produção intelectual3 garante a preservação da memória
institucional e permite a gestão e disseminação da produção científica gerada pelas pesquisas
da organização. Todas essas ferramentas estão interoperáveis com sistemas similares de
acesso livre nacionais e internacionais.
O discurso científico na atualidade tem no movimento OA e na utilização da cultura
digital um facilitador para propagar o acesso ao conhecimento através da internet e assim criar
comunidades virtuais em favor da colaboração para o desenvolvimento da ciência. As
estratégias foram apresentadas à comunidade nos encontros em Budapest (2002)4, Bethesda
(2003)5, e Berlim (2003)6.
A dinâmica do OA é de um conceito, uma estratégia e um modelo de negócio que
busca a interoperabilidade dos sistemas na garantia do acesso livre a toda produção da
academia através das plataformas digitais com as vias verde e dourada. Estas duas estratégias
permitem a disponibilização da literatura de caráter científico e o surgimento de um
ecossistema de comunicação. O ambiente da biblioteca é inserido em todo o discurso de
inovação tecnológica, tanto no ambiente físico quanto no acesso a seu acervo através da rede.
Desta forma as universidades proporcionam outra experiência temporal e de acessibilidade
com a comunicação, a cultura, a recepção, a circulação de informações e sua reprodução, a
colaboração entre pesquisadores e o consumo de conteúdos midiáticos na condição glocal,
onde a existência de infraestrutura de rede e de comunicação possibilitam a conexão entre o
humano e a máquina em diferentes locais transformando experiência humana na cibercultura.
1

Disponível em: &lt;http://buscaintegrada.usp.br&gt;
Disponível em: &lt;http://www.revistas.usp.br/wp/&gt;
3
Disponível em: &lt;http://www.producao.usp.br/&gt;
4
Disponível em: &lt;http://www.budapestopenaccessinitiative.org/&gt;
5
Disponível em: &lt;http://legacy.earlham.edu/~peters/fos/bethesda.htm&gt;
6
Disponível em: &lt;http://openaccess.mpg.de/Berlin-Declaration&gt;
2

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

O SIBiUSP gerencia a infraestrutura e a sustentabilidade das técnicas que permitem
que o acesso livre aconteça sendo a configuração material, simbólica e imaginária do
processo. A cooperação é a condição nas novas formas de hibridismo vigente, onde os
processos se intercalam para ganhar dinamismo, preservar e disseminar informação para a
sociedade, estas que são a base para o desenvolvimento social e intelectual ao longo da
história. Para Levy (1998, p.17) “A multiplicação dos meios mecânicos de transporte e a
constituição de uma imensa rede de comunicação modifica totalmente a nossa relação com o
espaço”. O discurso do acesso livre foi à linguagem que surgiu nesta instituição e nela
recebeu o nome de “acesso aberto”, que significa a livre disponibilização de toda a literatura
de caráter científico. O movimento foi sendo apresentado à comunidade acadêmica nos
últimos anos e seus valores institucionais e identidade são modificados nesse processo em que
ganham uma nova ideologia.
A rede faz a interconexão das configurações e permite que a escrita, o audiovisual e a
realidade virtual sejam utilizados por uma ampla comunidade, criando a interação e a
colaboração, além de representar o principal ator para disseminar conhecimento e validar a
produção técno-científica, cabe ressaltar o surgimento das infovias, que representam para Le
Coadic (2004, p.96) as “auto-estradas eletrônicas, “infovias” que transmitirão rapidamente
enormes volumes de textos, sons e imagens.”
Em uma velocidade instantânea, as rotinas da organização ganham uma dinâmica que
possibilita o acesso remoto a toda gama de produtos, o que multiplica e insere novos atores no
processo. A memória institucional é preservada, para Trivinho (1998, p.19) “tais condições,
culturais só poderiam corresponder a um grau avançado de aperfeiçoamento das máquinas de
comunicação e a um alto desenvolvimento de seu funcionamento conjunto.” A socialização
desta produção através das tecnologias de informação e comunicação é:
Uma nova forma social, a sociedade de rede está se constituindo em torno do
planeta, embora sob uma diversidade de formas e com consideráveis diferenças em
suas consequências para a vida das pessoas, dependendo de história, cultura e
instituições. (CASTELLS, 2003, p. 225).

O discurso implantado é o do acesso livre através de uma política de informação
que fomenta o intercâmbio, cujo grande propósito é dar audiência à ciência produzida nas
dependências da universidade. A interdisciplinaridade é trabalhada através das áreas de
conhecimento que na atualidade estão entrelaçadas, sendo repensadas para facilitar a
comunicação que passa por significativas modificações.
As ciências estão organizadas em campos específicos de pesquisas, estruturadas em
redes de pesquisadores que interagem por intermédio de publicações, conferências,
seminários e associações acadêmicas. Porem, além disso, as ciências
contemporâneas caracterizam-se pela comunicação on-line como característica
permanente de seu trabalho. (CASTELLS, 1999, p. 166).

Essa é a grande reconstrução ocorrida na cibercultura e que precisa ser analisada
através de pesquisa empírica e questões que buscam explicações sobre o estágio atual de
nossa sociedade, assim as seguintes indagações são utilizadas:

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1)
Como as estratégias OA em universidades púbicas brasileiras modificam o modelo de
concepção institucional e o acesso à produção intelectual?
a)
b)
c)

Conferem significação social e politica às estratégias OA na USP?
Transformam a comunicação organizacional e científica nessa universidade?
Possibilitam a construção do OA na USP?
O desenvolvimento de tecnologias capazes de transmitir mensagens por ondas
eletromagnéticas, junto com a emergência das organizações nacionais e
internacionais de administração do espaço das ondas eletromagnéticas,
impulsionaram o avanço da globalização da comunicação. (THOMPSON, 2013,
p.207).

As bibliotecas – enquanto instituição –, passam por transformações com o advento da
utilização das tecnologias no desenvolvimento de suas atividades. Para Maciel (2006, p.46)
“antes de qualquer definição sobre a estrutura há que determinar a missão da biblioteca e os
objetivos nessa missão”. A constante busca por informações e por especialistas em uma
determinada área de conhecimento necessita de suporte desta organização para que junto com
a comunicação e a sociabilidade ganhem maior acessibilidade. A utilização do seu espaço para
propagar a disseminação dos conteúdos produzidos pela pesquisa faz aumentar a necessidade
de atualização dos profissionais bibliotecários para que esses possam trabalhar com novos
dados de fluxo informacional, com isso a instituição ganha visibilidade e uma identidade
própria. Para Willinsky (2006, p.85, tradução livre do autor) a “cooperação permitirá a
biblioteca participar mais diretamente da publicação de revistas para garantir o acesso para
pesquisa e novas bolsas de estudos”.
A colaboração entre pares e o trabalho em equipe tem grande impacto na comunicação
e demonstra a cooperação entre as áreas científicas e as pessoas que dominam determinado
assunto, enquanto a biblioteca faz a interconexão e disponibiliza a literatura para uso de todos.

2. Justificativa
O acesso à informação científica passa por transformações através da implantação das
estratégias OA na estrutura universitária, sendo um insumo de grande importância para a
nação que através de políticas públicas pode garantir que os conteúdos produzidos com verbas
públicas e dentro das universidades mantidas com dinheiro do Estado tenham a visibilidade
necessária e sejam acessados pela população.
O desenvolvimento científico e tecnológico é altamente dependente do acesso à
informação científica. Trata-se de um processo realimentado, que permite o acesso
às informações científicas demandadas pelas pesquisas científicas, que por sua vez
proporciona a geração de novas informações, resultados e provenientes das
pesquisas realizadas no pais, que são disseminadas e darão subsídios a novas
pesquisas, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. (KURAMOTO, 2014, p.
258).

O tratamento pelo qual estas informações passam garante sua confiabilidade na
reutilização e serve como mecanismo de avaliação da instituição e de seus profissionais no
mercado competitivo, abrindo o ambiente para que o complexo mundo da cooperação
científica possibilite a atuação do profissional bibliotecário em um novo ambiente híbrido e
complexo que intercala várias formas de divulgação, disseminação e inserção nos processos
de cooperação científica, mostrando a importância do profissional no organograma da
instituição.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A qualidade da informação científica é validada pelo processo de revisão pelos
pares. As diferenças nos padrões de comunicação da pesquisa são determinadas pelo
ethos nas comunidades científicas de cada divisão do conhecimento. (COSTA, 2006,
p.46).

O vetor da virtualização é o modelo que se apresenta para os produtos ciberculturais
existentes e que permite a ampla circulação dos objetos infotecnológicos utilizados nas
multiplataformas do SIBiUSP, essas ferramentas garantem o acesso igualitário para toda a
comunidade sobre a produção intelectual da USP sendo restrito aos membros da instituição o
acesso à bases pagas e com contratos:
A noção de virtual de que esta virtualização deriva diz respeito à premissa segundo a
qual o que não está disponível no recorte da tela é virtual em relação ao que nela se
apresenta, bastando ser provocado (através dos ícones, dos menus, dos links, etc.)
para aparecer plenamente, vale dizer, para logo assumir o plano da visibilidade,
saindo, pois, de seu estado de “latência” virtual. (TRIVINHO, 1999, p.86).

O capitalismo tardio traz para o contexto científico uma outra realidade mais
competitiva na busca por financiamentos e na participação de novos atores que de forma
coletiva dão continuidade às pesquisas na busca de significações na atualidade e permitem
que a biblioteca tenha em seu ambiente produtos com acesso aberto e produtos com acesso
restrito à comunidade uspiana.
Realizar um experimento, por exemplo, requer normalmente hoje em dia uma gama
de conhecimentos e o acesso a recursos consideráveis (em termo de pessoal e
finanças) que se situam além das possibilidades de uma única pessoa.
O trabalho em equipe tem grande impacto tanto na comunicação formal quanto na
informal. Em pequenos grupos, ou em colaboração entre pares, todos os
participantes podem ter uma visão razoável do projeto de pesquisa. (MEADOWS,
1999, p.109).

A instantaneidade que as tecnologias permitem faz com que a colaboração aconteça de
forma fácil, onde as estratégias OA são utilizadas para da significação os objetivos que
buscamos apresentar com esta investigação são:
Objetivos gerais
a.
Conceituar as estratégias interdisciplinares – teóricas e práticas – do OA em
universidades públicas brasileiras.
b. Compreender a significação – social e política – que este fenômeno está
provocando no acesso a produção científica no ciberespaço.
Objetivos Específicos
a.
Identificar o porquê da utilização do modelo OA e se estas estratégias
aumentam a visibilidade, o acesso, a utilização e o impacto da produção intelectual
acadêmica, cultural, científica e técnica.
b. Avaliar se as políticas de acesso livre da USP estão garantindo o acesso gratuito,
público e aberto ao conteúdo integral da produção intelectual da comunidade
acadêmica da instituição. (NASCIMENTO; TRIVINHO, 2015, p.9).

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Esses objetivos buscam explicar o entrelaçamento que está ocorrendo entre as
disciplinas e as novas formas de se constituir comunidades no acesso à produção acadêmica.
Após a dominância transhistorica do mar, da terra e do ar (sobretudo conjugados), e
para além deles, o final do século XIX registra mantida a mesma perspectiva de
abordagem a inserção, na cultura, do espectro eletromagnético com o oceano
dromológico invisível de fluxos simbólicos e imaginários. (TRIVINHO, 2007, p.55).

A sociabilidade através da interação cria comunidades virtuais que permitem a
colaboração e a cooperação que quebrou a barreira dos produtos e das direções na troca
sujeito-objeto e demostra como a sociedade atual está híbrida no seu contexto vivido, onde a
participação de vários agentes na construção coletiva do conhecimento cria demanda pelo
acesso à produção intelectual.
É uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada,
coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das
competências. Acrescentemos à nossa definição este complemento indispensável: a
base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento
mútuos das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas.
(LEVY, 2011, p.29).

A velocidade é espantosa na socialização dos processos colaborativos e na
retransmissão desde conteúdos para outras pessoas e a biblioteca faz a ponte de ligação entre
estas pessoas em qualquer lugar que elas estejam.

3. Metodologia e Análise
As metodologias utilizadas para comprovar as questões de pesquisa e conceituar as
estratégias interdisciplinares do OA são a análise do corpus e a crítica reflexiva, que
conjuntamente com a empiria, trazem um olhar diferenciado sobre o tema apresentando as
configurações que com a cibercultura são acessíveis para toda a sociedade. Esse novo fluxo
permite a colaboração e a distribuição entre vários agentes e modifica a dinamicidade na
produção de conhecimento. Para Pêcheux, (2015, p.43) “logo; um real constitutivamente
estranho à univocidade lógica, e um saber que não se aprende não se ensina, e que, no entanto,
existe produzindo efeitos”.
A análise recai sobre o corpus produzido durante o processo de implementação do OA
na USP e o discurso assumido pelos que representam a instituição. Sendo um esforço dela
para promover sua produção técnico-científica e o trabalho colaborativo entre os
pesquisadores. A colaboração científica é um trabalho coordenado com resultados e produtos
feitos com responsabilidade e mérito compartilhado em coautorias, estes trabalhos são feitos
através dos colégios invisíveis com cooperação interpessoal, institucional e internacional.
Em contrapartida, as novas TICs estabeleceram plataformas de governo eletrônico
que se consolidaram no mapeamento das atividades técnico-cientificas dos sistemas
nacionais de inovação, produzindo fontes de informação indisponíveis antes do
advento da internet e, mais recentemente, sistemas de conhecimento que
multiplicaram os recursos de gestão do conhecimento em CT&amp;I. (BALANCIERI, et
al, 2005, p.75).

A colaboração científica, por sua característica cognitiva e organizacional, tem uma
alta produtividade para as áreas de conhecimento e a dinâmica de suas relações. Com o
surgimento dos campos interdisciplinares a colaboração e o compartilhamento aumentam a
inter-relação entre os atores, cujos padrões de financiamento influenciam na formação e

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permitem que o acesso aconteça, para Suber (2012, p.30, tradução livre do autor) “mesmo as
mais ricas bibliotecas acadêmicas no mundo sofrem graves lacunas de acesso”. Os
relacionamentos que estas estratégias trazem para a produção técnico-científica em índices de
cooperação são calculados no aumento das citações, nos downloads de artigos produzidos
pela organização e no número de acessos aos documentos.
Em razão do retorno do logicismo a nossas próprias práticas, tais questões foram de
fato completamente evitadas em favor de uma referência teoricista ao “discurso da
ciência” (no caso, o materialismo histórico), que foi concebido como um ponto de
antagonismo único e exclusiva em relação à ideologia dominante. (PÊCHEUX,
2014, p. 95).

O conjunto de elementos empíricos que representam o objeto de estudo e contam todo
o processo que modificou o discurso institucional são:
1)
informação;

A documentação produzida para garantir a política local de acesso à

2)
universidade:
a)
b)
c)
d)
e)
f)

Os softwares utilizados para disponibilizar a produção intelectual da
Biblioteca Digital da produção Intelectual da USP;
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP;
Brasiliana USP;
E-aula USP;
Portal de Revista da USP;
A rede colaborativa Stoa – rede social da USP.

3)
A interface integrada de busca (sistema Primo) que permite a integração de
conteúdos eletrônicos em uma única interface de busca e entrega de resultados.
A hibridização cultural e a interdisciplinaridade que envolvem o processo ocorrido na
reconstrução das formas de interação entre o ecossistema de comunicação da USP e seus
usuários representam uma ferramenta facilitadora na aquisição de conteúdos, para Levy
(1993, p.52) “desta forma, quanto mais se houvesse dominado determinados aplicativos, mais
a aprendizagem dos outros tornava-se rápida e fácil uma vez que a experiência adquirida
podia ser reempregada.” Essas metodologias buscam explicar o processo de implementação
das estratégias OA na USP que na cibercultura reconstruíram a articulação entre a
comunicação organizacional e a comunicação científica para aumentar a liberdade de uso
através das tecnologias implantadas no SiBi-USP.

4. Considerações finais
A cibercultura permite a reconstrução científica que na interdisciplinaridade trabalha
para disseminar o conhecimento produzido pelas organizações e influenciar na modificação
da ideologia quanto ao seu acesso. O OA na USP é o início de um processo onde os
indivíduos que representam essa organização têm um importante papel em sua disseminação.
O direito à informação está sendo construído e a produção de conhecimento deve trazer
retorno para a sociedade. O capitalismo na sua forma de gerar excedente tem no
conhecimento um mercado potencial tendo sempre, surgirá a necessidade de gerenciamento
dos conteúdos produzidos e a sua regulamentação.
Estamos num mundo em constante mutação, em que as organizações precisam

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repensar formas de criar relações com a sociedade e apresentar alternativas para o acesso, a
preservação e a sociabilidade da produção acadêmica. A interação traz para dentro de seu
ambiente a participação de vários atores que fazem o trabalho colaborativo sobre um
determinado tema com visões diferentes sobre ele.
Multiplicam-se as relações sociais e o mundo ganha novos espaços de atuação, onde a
imagem institucional e sua identidade são lembradas. As plataformas gerenciadas pelo
SIBiUSP são a ponte para esse mundo e trazem responsabilidade aos usuários, que também
ganham com a possibilidade de acesso remoto a toda a produção.
A biblioteca ganha um novo horizonte que modifica seu ambiente e as possibilidades
de integração de todos com seu espaço trazendo para esse contexto a realidade que a
velocidade de acesso no espaço-tempo através da tecnologia em rede possibilita para as ações
individuas. O uso da informação através de plataformas amigáveis traz uma grande
visibilidade para a produção acadêmica e permite a formação de comunidades que visem a
discussão e a troca de informação respeitando os direitos autorais.
O mercado capitalista voltado para a ciência tem em seu modelo de negócio a
possibilidade de trabalhar unificando ações que possibilitem a disponibilização de serviços
alinhados com a nova realidade que se desenha quando ao acesso aberto as publicações e o
modelo que tem restrições quanto ao acesso de materiais específicos. A avaliação acadêmica é
facilitada com a utilização destas ferramentas que podem medir o grau de relevância que as
pesquisas têm nas comunidades acadêmicas através da interação que apresentam nas
plataformas OA, o acompanhamento das práticas permite a reavaliação sobre a necessidade de
novas formas de interação mais efetivas.
A interoperabilidade garante que um número maior de participantes do processo
colaborativo em qualquer lugar com acesso local e global ganhe visibilidade. E a gestão
destes recursos sejam melhoradas para tornar públicas as informações produzidas na
instituição. O modelo de negócio que o OA pratica está em consonância com as práticas já
implantadas na biblioteca, uma grande oportunidade para os profissionais de informação que
têm a possibilidade de facilitar o acesso à produção intelectual de sua instituição.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Esse texto aborda o relato de experiência obtido durante o processo de pesquisa de campo realizado na Universidade de São Paulo (USP) e analisa as técnicas de implementação das estratégias Open Access (OA) nas rotinas desta instituição, que tem a importante participação do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBiUSP) e na criação deste ecossistema de comunicação, em que as multiplataformas são utilizadas para garantir o  acesso à produção intelectual da organização através das tecnologias de informação e comunicação. Essas técnicas são utilizadas para garantir a interatividade na colaboração científica através da formação de comunidades virtuais, apoio às disciplinas e disponibilização de toda a produção acadêmica, que ganha potencialidade no virtual. As metodologias utilizadas para análise deste processo são o estudo de caso, análise do discurso e a empiria. Assim  apresentamos o momento histórico vivido na cibercultura onde os processos são reconstruídos com a ajuda das tecnologias e proporcionam a participação de vários agentes na interatividade e na colaboração científica.</text>
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                    <text>A BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES COMO
APOIO À GESTÃO DO CONHECIMENTO ESTRATÉGICO DA
MARINHA

Eliane de Freitas Ferreira (DPHDM) - nuedff@gmail.com
Leniza de Faria Lima Glad (DPHDM) - leglad2010@gmail.com
Eliana Espirito Santo (MB) - eliana.marinha@gmail.com
Resumo:
A Rede de Bibliotecas Integradas da Marinha (Rede BIM) incorpora conteúdos digitais em seu
sistema de gerenciamento de acervos, dentre eles a produção científica da Instituição, o que
possibilitou a implementação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Marinha do
Brasil (BDTD-MB). A iniciativa reveste-se de importância à medida que a Biblioteca Digital
apresenta várias vantagens, dentre elas, o controle, a preservação e a difusão da mentalidade
marítima por meio da sua produção científica. O desenvolvimento do BDTD-MB definiu-se com
a criação de uma política com procedimentos regulando o depósito dos trabalhos científicos
produzidos pelos seus profissionais e, para a inserção dos conteúdos à Base, categorizou o
conhecimento em 22 áreas e 168 sub-áreas, utilizadas na Gestão de Pessoas dessa Força, a fim
de que seu desenvolvimento seja alinhado às questões estratégicas da Instituição. Este artigo
apresenta a importância da utilização do BDTD-MB como apoio à Gestão do Conhecimento, em
decorrência do mapeamento estratégico, e oferece uma visão detalhada de toda produção e
seu acompanhamento por indicadores de desempenho, além de centralizar a informação,
possibilitando o aumento de visibilidade para o público interno e externo. A BDTD-MB, num
processo contínuo, fornecerá o acesso às informações institucionais, a construção do
conhecimento e sua conversão em um conhecimento novo e a busca da inovação, além da
redução da perda do conhecimento organizacional.
Palavras-chave: Biblioteca Digital. Gestão do Conhecimento. Repositório Institucional.
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Gestão do Conhecimento e da Informação

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2016

Eixo Temático: Gestão sustentável

A BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES COMO APOIO À
GESTÃO DO CONHECIMENTO ESTRATÉGICO DA MARINHA

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Modalidade da apresentação: Comunicação oral
RESUMO
A Rede de Bibliotecas Integradas da Marinha (Rede BIM) incorpora conteúdos digitais em
seu sistema de gerenciamento de acervos, dentre eles a produção científica da Instituição, o
que possibilitou a implementação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Marinha do
Brasil (BDTD-MB). A questão desse estudo é como a implementação da BDTD-MB pode
apoiar a Gestão do Conhecimento Estratégico da Instituição. A iniciativa reveste-se de
importância à medida que a Biblioteca Digital apresenta várias vantagens, dentre elas, o
controle, a preservação e a difusão da mentalidade marítima por meio da sua produção
científica. O desenvolvimento do BDTD-MB definiu-se com a criação de uma política com
procedimentos regulando o depósito dos trabalhos científicos produzidos pelos seus
profissionais e, para a inserção dos conteúdos à Base, categorizou o conhecimento em 22
áreas e 168 sub-áreas, utilizadas na Gestão de Pessoas dessa Força, a fim de que seu
desenvolvimento seja alinhado às questões estratégicas da Instituição. Este artigo apresenta a
importância da utilização do BDTD-MB como apoio à Gestão do Conhecimento, em
decorrência do mapeamento estratégico, e oferece uma visão detalhada de toda produção e
seu acompanhamento por indicadores de desempenho, além de centralizar a informação,
possibilitando o aumento de visibilidade para o público interno e externo. A BDTD-MB, num
processo contínuo, fornecerá o acesso às informações institucionais, a construção do
conhecimento e sua conversão em um conhecimento novo e a busca da inovação, além da
redução da perda do conhecimento organizacional.
Palavras-Chave: Biblioteca Digital. Gestão do Conhecimento. Repositório Institucional.

ABSTRACT
The Navy Libraries Integrated Network (BIM Network) incorporates digital content in your
collections management system, including the scientific production of the institution, which
enabled the implementation of the Brazilian Navy Digital Library of Theses and Dissertations
(BDTD-MB). The question of this study is how the implementation of BDTD-MB can
support the institution of the Strategic Knowledge Management. The Digital Library has a
great importance with several advantages, among them, the control, preservation and
dissemination of maritime mentality through its scientific production. The development of the
BDTD-MB was defined with the creation of a policy with procedures regulating the deposit
of the scientific works produced by its employees and, for the insertion of the content in the
Base, the knowledge was categorized in 22 areas and 168 sub-areas used by the Navy People
Management so that their development is aligned with the strategic issues of the Institution.
This article shows the importance of using the BDTD-MB as support to Knowledge
Management, due to the strategic mapping, and provides a detailed overview of the entire
production and follow-up by performance indicators, and centralizes the information,
enabling increased visibility for internal and external public. The BDTD-MB, in a continuous
process, will provide the access to institutional information, the construction of knowledge
and its conversion into a new knowledge and the pursuit of innovation, in addition to reducing
the loss of organizational knowledge.
Keywords: Digital Library. Knowledge Management. Institutional Repository.

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
As Tecnologias da Informação (TI) proporcionam o acesso remoto aos catálogos dos
acervos das bibliotecas, possibilitando ao leitor localizar a existência de itens, sem precisar
dirigir-se até o local, para saber se o item está emprestado, conhecer a data prevista de
devolução e inclusive fazer reservas. A mais recente contribuição da TI incorporada às rotinas
das bibliotecas é a leitura digital, que representa uma grande evolução no desempenho dos
seus serviços, pois permite uma maior utilização do seu acervo, e o que é melhor, sem retirar
o livro da estante. As obras em suporte digital, reunidas em coleções, passaram a atender as
demandas dessa leitura digital, por meio das bibliotecas digitais. De acordo com Andrade e
Araújo (2013, p. 2);
As bibliotecas digitais disponibilizam aos seus usuários uma diversidade de serviços
e produtos, permitindo assim, um melhor aproveitamento das informações
recuperadas. O papel das bibliotecas digitais é disponibilizar objetos digitais aos
seus usuários, com o objetivo de atender as necessidades informacionais destes,
permitindo uma melhor recuperação, acesso e uso da informação.

Em 2014, a Rede de Bibliotecas Integradas da Marinha (Rede BIM) passou a integrar
o conteúdo digital no sistema de gerenciamento de acervos, com a inclusão de artigos de
periódicos, livros digitais, mapas, trabalhos de fim de curso, teses e dissertações, o que
possibilitou a implementação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Marinha do
Brasil (BDTD-MB) para reunir a produção científica da Marinha.
As bibliotecas da Rede BIM são de diversas áreas de conhecimento, e apoiam os
Centros de Ensino Profissional Naval, Institutos de Pesquisa e as Organizações Militares
Orientadoras Técnicas (OMOT), atuando como uma interface entre os recursos de informação
disponíveis nos seus acervos e a comunidade de usuários da Marinha do Brasil (MB).
A iniciativa reveste-se de importância à medida que a Biblioteca Digital apresenta
várias vantagens, dentre elas, o controle, a preservação e a difusão da mentalidade marítima
por meio da sua produção científica:
Além da facilidade do uso desta tecnologia, o número de informações e documentos
publicados em formato digital e o número de usuários que utilizam e se beneficiam
com este recurso cresce a cada dia em grande percentagem. Ainda mais, os dados
gerados por bibliotecas digitais constituem informações significativas que, quando
direcionadas e tratadas para um projeto de GC, podem oferecer indicadores para
tomada de decisão e planejamentos específicos das instituições, auxiliando na
avaliação e contribuindo para o aumento da visibilidade na sua excelência, bem
como expandindo o acesso aos resultados de seus trabalhos para as comunidades
nacionais e internacionais. (BARBEDO; RIBEIRO, 2015, p. 2)

Como a implementação da BDTD-MB pode apoiar a Gestão do Conhecimento
Estratégico da Instituição? De acordo com a Barbedo e Ribeiro (2015):
O papel de bibliotecas digitais na GC é muito significativo. De acordo com Chen
(2004), para pesquisadores em biblioteca digital, há uma necessidade de transformar
o acesso da informação na criação do conhecimento. Em lugar de serviços, como
provedor da informação, segundo o autor, dessas bibliotecas poderiam se tornar
repositórias de conhecimento pela categorização efetiva, análise e organização de
índices de bibliotecas digitais. Criação ontológica, thesaurus automáticos ou
generalização de títulos de assuntos, mapeamento do conhecimento,
desenvolvimento e modelagem de usuários são todas áreas que poderiam ser

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
reservadas às bibliotecas digitais para fornecer serviços mais úteis e personalizados
e, assim, formar parte do programa de pesquisa de biblioteca digital esboçado,
contribuindo para dar respostas às questões estratégicas nas instituições.

O BDTD-MB categorizou o conhecimento em 22 áreas e 168 sub-áreas, utilizadas
pela Marinha, para a Gestão de Pessoas, em processos de admissão em concursos, capacitação
a nível de Pós-graduação, competências técnicas para Universidade Corporativa, definição de
responsabilidades técnicas para normatização de procedimentos etc., a fim de que seu
desenvolvimento seja alinhado às questões estratégicas da Instituição. A utilização da
biblioteca digital é ferramenta para apoiar o mapeamento estratégico do conhecimento, visto
que além de atender objetivos de dar acesso à informação, oferece um panorama detalhado de
toda produção da organização.
Este trabalho orientou-se na experiência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(INPE), que desenvolveu sua Biblioteca Digital, com o objetivo de transformá-la em recurso
efetivo para o mapeamento do conhecimento e geração de indicadores de produção intelectual
referente ao Instituto. E realizou-se também um levantamento bibliográfico, a fim de verificar
a existência de metodologias sobre a utilização das Bibliotecas Digitais como apoio à Gestão
do Conhecimento Organizacional. A pesquisa foi direcionada a publicações nacionais
localizadas na base de dados Scielo e no Google, utilizando os seguintes termos: Biblioteca
Digital X Gestão do Conhecimento X Repositórios Institucionais.

2 Gestão do Conhecimento
Na atual Sociedade do Conhecimento1, o acesso às informações é um dos fatores que
possibilita a construção do conhecimento, do conhecimento novo e das inovações. As
iniciativas para a gestão desses conhecimentos são fundamentais para qualquer instituição que
pretende estar inserida nesse novo contexto. Por meio da Rede BIM é possível compartilhar
recursos informacionais das Organizações Militares (OM) da MB. Assim, é relevante
desenvolver suas unidades de informação e bibliotecas, que reúnem os conhecimentos
acumulados e a memória da própria instituição.
Na nova economia o desenvolvimento intelectual, as ideias criativas e inovadoras
passaram a ser fonte de vantagens e riquezas para os indivíduos, organizações e nações.
Sendo assim, um novo fator ganha importância: o conhecimento. As organizações que
souberem como melhor geri-lo, obterão sucesso ou sobreviverão na Sociedade do
Conhecimento.
Destarte, a Gestão do Conhecimento nas empresas privadas pode proporcionar
vantagem competitiva. No setor público, pode proporcionar também, além dos objetivos
relacionados, a melhoria no desempenho organizacional e oportunidades de melhorias em
outras questões relevantes para a sociedade, tais como a transparência das informações,
acesso, cidadania etc.
Nas empresas privadas, a Gestão do Conhecimento pode proporcionar vantagem
competitiva quando melhora a qualidade de produtos e serviços, aumenta a
satisfação dos clientes, inova processos, eleva a produtividade e, consequentemente,
aumenta a rentabilidade e o desempenho em relação à concorrência. Já no setor
público, essa finalidade é bem mais ampla, isto é, transcende a finalidade de
melhorar o desempenho organizacional e vai até o tratamento de temas relevantes
para a sociedade, com o mínimo de recursos e com tempestividade. (BATISTA,
“Sociedade do Conhecimento”, na qual o recurso econômico básico não é mais o capital nem os
recursos naturais ou a mão-de-obra, mas sim “o conhecimento”; uma sociedade na qual os trabalhadores do
conhecimento desempenharão um papel central (DRUCKER, 1993, p. 7 apud NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p.
51)

1

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL
2006, p. 187).

Como integrante do setor público a MB deve considerar, estrategicamente, o
conhecimento como seu mais relevante ativo. Da mesma forma, como as práticas que estejam
relacionadas à Gestão do Conhecimento, devem ser consideradas a partir de uma perspectiva
estratégica. A troca de informações e conhecimento agrega valor aos serviços da instituição.
Por conseguinte, encontrar meios para facilitar ou promover a transferência de conhecimento
é um fator estratégico. Então, o desafio está em gerir a rede e os fluxos de conhecimento na
organização, mapeando, captando, (re)criando, sistematizando e disseminando aqueles que
sejam relevantes para o cumprimento de sua missão. Nesse contexto é que se apresenta a
Rede BIM como uma ferramenta de apoio para essa gestão.

3 Rede Bibliotecas Integradas da Marinha – Rede BIM
Criada em 2003, a Rede BIM visa à integração e o intercâmbio do acervo de todas as
bibliotecas existentes no âmbito da Marinha, em uma única base de dados. A Rede utiliza o
Sistema Pergamum2 como gerenciador de bibliotecas, proporcionando consulta única, com
maior rapidez em pesquisas, padronização no processamento técnico e a eficiência no
atendimento aos usuários. A Rede BIM proporciona ampla disponibilização dos conteúdos
online, servindo ao propósito de promover a preservação e acesso livre ao conhecimento,
alinhado aos compromissos do acesso aberto.
Atualmente a Rede BIM3 reúne 45 bibliotecas de OM distribuídas em todo território
nacional. A Gerência e a Coordenação da Rede são de competência da Diretoria do
Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha – DPHDM, executada pela Biblioteca da
Marinha. Compete à Biblioteca da Marinha prestar assessoria e suporte através dos
treinamentos às OM participantes da Rede.
Portanto, a Rede BIM possibilita à MB e aos demais órgãos usuários economia de
recursos humanos e financeiros e a economicidade no processamento técnico dos materiais,
que pode ser realizado de única vez em uma biblioteca e reaproveitado pelas demais. No
aspecto financeiro, a MB paga somente uma licença do sistema de gerenciamento para toda a
Rede, sem limitação ao quantitativo de bibliotecas integrantes. Em termos materiais, uma
biblioteca não precisa adquirir todas as publicações de interesse de seus usuários, pois existe
um intercâmbio de títulos entre as bibliotecas.

4 A inserção de material digital na Rede BIM
A DPHDM desenvolveu, por meio da Rede BIM, o acesso às coleções digitais com a
implementação do programa “A leitura a um clique do mouse”. Foi uma iniciativa de
incentivo à leitura, por meio do acesso às coleções digitais de livros, artigos de periódicos,
mapas, coleções de revistas, teses e dissertações, com seu conteúdo completo, no sistema de
gerenciamento de dados Pergamum. O intuito foi a inclusão desses materiais no mesmo
catálogo coletivo da Rede, complementando a coleção de impressos com a coleção digital.
Tammaro e Salarelli (2008, p. 118 apud SILVA FILHO, 2013, p. 2) destacam que “entre
biblioteca tradicional e biblioteca digital coloca-se a biblioteca híbrida, onde são usados tanto
fontes de informação eletrônica quanto em papel”.
A gerência da Rede optou, portanto, pelo modelo da biblioteca híbrida, justamente por
2

Pergamum é o software de gerenciamento de acervos desenvolvido pela Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUC-PR).
3
Conforme informações disponíveis em: &lt;https://www1.mar.mil.br/dphdm/bibliotecas/redebim/biblioteca-integrantes&gt;. Acesso em: 02 abr. 2016.

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entender que foi a melhor forma de proporcionar aos seus usuários fontes de pesquisa em
papel e material digital, por meio da busca em um só catálogo, com objetivo de alcançar
públicos cada vez maiores, dar visibilidade a todo acervo da Rede, possibilitando maior
acessibilidade e minimizando as barreiras físicas. Enfim simplificando a busca das
informações para o pesquisador.
O acesso às coleções de conteúdo digital do programa “A leitura a um clique do
mouse”, possibilitou a implantação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Marinha
do Brasil (BDTD-MB), com o objetivo de reunir a produção científica desta Força Armada,
conforme descrito na metodologia deste trabalho.
O diferencial na implementação do BDTD-MB é a utilização das áreas de
conhecimento como descritores de assunto, alinhando a sua produção científica às áreas
delimitadas pela Marinha.

5 A estrutura das áreas de conhecimento da MB
A base do BDTD-MB provém da estrutura das 22 áreas de conhecimento da MB e 168
sub-áreas, organizadas da seguinte forma:
a) Áreas de conhecimento: Abastecimento; Administração; Aeronáutica; Assistência
Social; Assuntos marítimos; Engenharia naval; Ensino; Estudos militares; Finanças;
Fuzileiros Navais; Hidrografia e navegação; Tecnologia da informação; Obras civis;
Operações navais; Patrimônio histórico e cultural; Pessoal; Saúde; Sistema de armas;
Telecomunicações; Defesa nacional; Multidisciplinar; Ciência, tecnologia e inovação.
b) Sub-áreas: Administração de produção; Administração de setores específicos
(Gastronomia); Administração de setores específicos (Hotelaria); Ciência e tecnologia de
alimentos; Logística de material; Administração; Auditoria; Direito aplicado às licitações,
contratos, tributos e patrimônios; Estatística; Gestão do documento; Gestão de projetos;
Gestão pública; Planejamento orçamentário; Plano Diretor; Aeronáutica; Aviação Naval;
Serviço Social; Teologia; Assuntos marítimos e portuários; Direito marítimo; Segurança do
tráfego aquaviário; Tecnologia em sistema de navegação; Desenho industrial; Eletrotécnica;
Engenharia de materiais e metalúrgica; Engenharia de produção; Engenharia elétrica;
Engenharia industrial; Engenharia mecânica; Engenharia mecatrônica; Engenharia naval;
Engenharia nuclear; Engenharia química; Estruturas navais; Máquinas e motores; Mecânica e
marcenaria; Ciências e Matemática; Educação; Educação física; Letras; Liderança; Magistério
(civil e militar temporário); Pedagogia; Psicologia (exceto área clínica); Seleção de pessoal;
Tecnologia educacional; Estado-Maior; Inteligência; Política e estratégia; Ciências
econômicas e contábeis; Direito financeiro; Intendência; Armamento, máquinas e motores do
Comando dos Fuzileiros Navais; Artilharia; Comunicações; Condução de viatura militar;
Defesa química-bacteriológica-nuclear em ambiente terrestre; Engenharia militar; Guerra
anfíbia; Infantaria; Mecânico de viatura militar; Música, corneta e tambor; Operações de paz;
Operações especiais; Operações humanitárias; Operações ribeirinhas; Paraquedismo;
Segurança de áreas e instalações; Segurança pessoal; Artes gráficas; Cartografia; Geofísica e
geologia; Hidrografia; Meteorologia; Navegação; Oceanografia física; Sinalização náutica;
Sensoriamento remoto; Banco de dados; Ciência da computação; Computação gráfica;
Criptografia; Engenharia de computação; Engenharia de software; Governância de tecnologia
da informação; Guerra cibernética; Redes de computadores; Segurança da informação;
Arquitetura e urbanismo; Engenharia; Engenharia costeira e portuária; Engenharia sanitária;
Ações de guerra naval; Adestramento; Guerra eletrônica; Manobras, reparos e sinais;
Mergulho; Operações; Patrulha naval; Submarino; Superfície; Controle naval do tráfego

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marítimo; Análise de imagens aplicadas à Inteligência operacional; Arqueologia; Arquivo e
gestão de documentos; Biblioteconomia; Museologia; História; Gestão de pessoal civil;
Gestão de pessoal militar; Direito; Identificação; Biologia (área médica); Enfermagem;
Farmácia; Fisioterapia; Fonoaudiologia; Medicina; Medicina veterinária; Nutrição;
Odontologia; Psicologia (área clínica); Terapia ocupacional; Armamento; Eletrônico;
Mecatrônica; Química; Sistema de armas; Potência pulsada; Telecomunicações; Ciência
política; Direito aplicado às operações militares; Direito internacional humanitário; Direito
internacional público; Doutrina de comando e controle; Doutrinas marítima e naval;
Economia e indústria de defesa; Estratégia, estratégia marítima e estratégia naval; Estudos de
operações militares; Geopolítica; Gestão estratégica; Jogos de guerra e de crise; Logística
militar naval; Planejamento estratégico de defesa; Planejamento militar; Política de defesa
nacional, marítima nacional e naval; Processo de tomada de decisão; Relações internacionais;
Gestão ambiental; Comunicação social; Acústica submarina; Biotecnologia marinha; Ciência
ambiental; Controle e automação; Ecologia marinha; Engenharia de produção aplicada à
pesquisa operacional e gestão da inovação; Engenharia oceânica; Engenharia submarina;
Ergonomia; Física; Matemática aplicada; Metrologia e qualidade; Nanotecnologia;
Oceanografia química, biológica e acústica; Pesquisa e desenvolvimento de materiais;
Processos decisórios; Propriedade intelectual; Sistemas inerciais.
Desta forma, o BDTD-MB se desenvolverá com uma terminologia padronizada,
construindo assim sua taxonomia.

6 Criação da BDTD-MB na Rede BIM
Segundo Medeiros (2013), no contexto governamental, as universidades e órgãos de
pesquisa estão implementando seus repositórios e Bibliotecas Digitais, a fim de promover o
acesso, o armazenamento e a divulgação das informações produzidas em seu âmbito
institucional, assim como a transparência aos investimentos feitos em pesquisa.
Na Marinha, a produção científica está dispersa em Instituições de Ensino, Centros de
Pesquisa e OMOT, responsáveis pela supervisão dos cursos de Pós-graduação realizados em
Instituições de Ensino Superior no País e no Exterior.
Na iniciativa de centralizar o conhecimento científico da Marinha de forma sistemática
na Rede BIM, a Gerência da Rede, a princípio, planejou orientar as bibliotecas quanto a
correta inserção dos trabalhos no sistema de Pergamum, com a finalidade de exportá-los para
o Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações (TEDE)4, plataforma de
integração da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), desenvolvido
pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT).
Entretanto, a PUC-PR apresentou como alternativa o protocolo OAI-PMH (Protocol
for Metadata Harvesting), que permite a interoperabilidade dos conteúdos armazenados em
arquivos abertos, como recurso para simplificar a migração de dados entre o sistema
Pergamum e a plataforma do IBICT, ou seja, a inserção realizada em uma única vez na base
de dados e replicada no repositório do BDTD do IBICT.
O desenvolvimento do BDTD-MB definiu-se com a criação de uma política com
procedimentos regulando o depósito da produção científica de toda a Marinha. Para a
realização dessa ação apresenta-se o seguinte quadro:

4

TEDE foi criado com o objetivo de apoiar as Instituições de Ensino Superior (IES) que ainda não
implementaram bibliotecas digitais de teses e dissertações. As IES poderão com ele efetuar a publicação
eletrônica de teses e dissertações e gerar suas bibliotecas digitais locais (PERGAMUM, 2009).

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Quadro 1 - Etapas da implementação estratégica do BDTD-MB
Etapas
Planejamento

Descrição das etapas

Fases

Política do BDTD-MB

Fase 1 - Procedimentos para depósito das publicações; e
Fase 2 - Disseminação da Política.
Execução
Processamento técnico na Fase 1 - Padronização da catalogação (MARC21); e
Rede BIM
Fase 2 - Realização de treinamentos.
Controle
Mensuração dos resultados Fase 1 - Criação de indicadores de desempenho; e
Fase 2 - Avaliação dos resultados.
Fonte: Adaptado de Gonçalves; Costa; Voguel (2010, p. 154)

6.1 Etapa de Planejamento - Política do BDTD-MB:
Fase 1 – Procedimentos para depósito das publicações:
Aprimoramento do Plano de Capacitação de Pessoal (PLACAPE), por intermédio do
controle e avaliação da produção científica de seus profissionais.
PLACAPE é o documento elaborado pelas OMOT, segundo modelo próprio, que
inclui a relação dos cursos e estágios extra-MB, relacionados com as áreas de
conhecimento de sua responsabilidade, que poderão ser efetuados pelo pessoal da
MB a fim de qualificá-los para o desempenho dos diferentes cargos, funções ou
incumbências previstos, para o desenvolvimento de projetos e pesquisas de interesse
estratégico da MB. (BRASIL, 2010)

Foi proposta em 2015 a alteração da norma n° 305, documento direcionado para o
sistema de planejamento de pessoal, da Diretoria Geral de Pessoal da Marinha (DGPM-305),
que dispõe sobre o PLACAPE, onde se definiu os procedimentos para o depósito da produção
científica no BDTD-MB:
a) Produção dos alunos vinculados às OMOT em Instituições de ensino extra-MB:
- Depositado pelo próprio autor na Biblioteca da OMOT, com a cópia da aprovaçāo do
trabalho pela Instituiçāo de ensino no corpo da obra, juntamente com o termo de autorização
de publicidade da obra pela Rede BIM; e
- Depositado pelo próprio autor na Biblioteca da Marinha, no caso da OMOT nāo
possuir Biblioteca ou estar localizada fora da área do Comando do Primeiro Distrito Naval
(Com1°DN)5, com os mesmos procedimentos mencionados no item I.
b) Produção dos trabalhos de conclusão de cursos do Sistema de Ensino Naval (SEN)
deverão ser inseridos no BDTD-MB pela Biblioteca da OM que promoveu o curso.
Nessa política, atribuíram-se responsabilidade às OMOT, aos autores e às bibliotecas
depositárias. As OMOT serão responsáveis pela orientação sobre o depósito do trabalho em
acesso aberto junto às bibliotecas da Rede. As bibliotecas depositárias terão prazos
estipulados para a inserção dos trabalhos no Sistema Pergamum, além do recolhimento e
arquivamento dos termos de autorização de publicidade. Em relação aos autores, passa a ser
compulsório o depósito do trabalho na Rede BIM, com exceção de material sigiloso ou
5

A área de jurisdição do Com1°DN abrange os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

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patente, a indicação de palavras-chaves quanto ao assunto da pesquisa e o enquadramento em
uma das 22 áreas de conhecimento estratégico da MB e 168 sub-áreas previstas na norma
DGPM-305.
Fase 2 – Disseminação da Política:
A proposta de alteração da norma que DGPM-305 para o desenvolvimento do BDTD,
será divulgado em Boletim de Ordens e Notícias da MB (BONO) e por Ofício às Bibliotecas da
Rede e OMOT com o cronograma para que os trabalhos dos últimos cinco (5) anos sejam
inseridos na base. Em um segundo momento, as bibliotecas deverão incluir na base da Rede o
conteúdo retrospectivo, com suas coleções digitais de teses e dissertações.
6.2 Etapa de Execução – Processamento técnico na Rede BIM:
Fase 1 - Padronização da catalogação (MARC21):
O protocolo OAI-PMH foi adotado pela Gerência da Rede para a integração ao BDTD
do IBICT, fazendo-se necessário o preenchimento obrigatório dos campos 007 (Recurso
eletrônico) e os 655 (Termo de Índice - Gênero/Forma), na versão 8.1.1 do Pergamum. Por
ocasião do “upload” do conteúdo digital, definiu-se como padrão dos arquivos a extensão
PDF.
Fase 2 - Realização de treinamentos:
Destinado às equipes das bibliotecas da Rede, incluindo orientações quanto à
catalogação, o vocabulário controlado e os procedimentos relativos ao depósito dos trabalhos.
O treinamento será inicialmente priorizado às seguintes OM com cursos de Pósgraduação do SEN:
- Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA);
- Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW);
- Centro de Instrução e Adestramento Almirante Newton Braga (CIANB);
- Escola de Guerra Naval (EGN);
- Escola Superior de Guerra (ESG); e
- Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM).
6.3 Etapa de Controle - Mensuração dos resultados:
Fase 1 – Criação de indicadores de desempenho:
A mensuração dos resultados será por meio da implementação dos indicadores de
desempenho da produção científica da MB, por área de conhecimento, que serão apresentados
anualmente pela Gerência da Rede, no evento de capacitação intitulado “Workshop do
PLACAPE”, organizado pela Diretoria de Ensino da Marinha (DEnsM), e coordenado pela
Diretoria Geral do Pessoal da Marinha (DGPM).
Fase 2 – Avaliação dos resultados:
O objetivo da avaliação dos resultados é possibilitar ao gestor a priorização dos cursos
por áreas de conhecimento, considerando o mapeamento da produção científica das OMOT, a
fim de efetuar ações para fomentar a pesquisa nas áreas estratégicas definidas pela MB, que

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

apresentam lacunas de conhecimento, além de viabilizar o acompanhamento dos cursos das
áreas que possuam índices inferiores à meta de capacitação estipulada pela DGPM.

7 Resultados parciais/finais
A proposta do BDTD-MB de reunir a produção científica gerada pelos seus
profissionais resulta em muitos benefícios para a Organização, dentre elas, o aprimoramento
do controle de avaliação de desempenho do seu pessoal por meio da divulgação dos
resultados dos trabalhos realizados nos cursos previstos no PLACAPE, justamente por
centralizá-los e, ainda, a possibilidade de aumentar a visibilidade para o público interno e
externo.
Neste projeto, visualizam-se várias vantagens à MB, como redução de custos com
armazenamento e gestão; desenvolvimento de uma base exclusiva com temas específicos à
realidade naval; atualidade/diversidade dos temas produzidos; demonstração das atividades de
Pesquisa,
Desenvolvimento
e
Inovação
(PD&amp;I)
na
área
de
Defesa;
preservação/disponibilização da produção em meio digital; troca de dados entre diferentes
sistemas pelo formato MARC21; melhor avaliação dos cursos do SEN pelo MEC/CAPES;
difusão da mentalidade marítima; expectativa de tornar-se referência brasileira na área militarnaval; e mapeamento da produção científica.

8 Considerações parciais/finais
A utilização BDTD-MB como apoio à Gestão do Conhecimento Estratégico da
Instituição é viável em decorrência do mapeamento estratégico do conhecimento, em que
oferece uma visão detalhada de toda produção da Organização, e seu acompanhamento pelos
indicadores de desempenho.
O apoio à Gestão do Conhecimento estratégico da Instituição se dá por meio dos dados
gerados pelos indicadores da sua produção científica, que oferecem subsídios para um plano
de Gestão Estratégica na MB.
A BDTD-MB favorecerá, num processo contínuo, o acesso às informações
institucionais, a construção do conhecimento e sua conversão em um conhecimento novo e a
busca da inovação, além da redução da perda do conhecimento organizacional.
9 Referências
ANDRADE, R. L.V.; ARAUJO, W. J. Política de desenvolvimento de coleções em bibliotecas
digitais: relato de experiência. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. Anais.
Florianópolis, SC: FEBAB, 2013.

BARBEDO, S. A. D. D.; RIBEIRO; M. L. A biblioteca digital do INPE como ferramenta
de apoio para mapeamento estratégico do conhecimento. 2005. Disponível em:
&lt;http://mtcm16c.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/ePrint@80/2005/12.02.12.34/doc/barbedo21.pdf&gt;. Acesso
em: 25 mar. 2016.

BATISTA, F. F. O governo que aprende: implementando a Gestão do Conhecimento no

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Executivo Federal. In: STAREC, C.; GOMES, E.; BEZERRA, J. (Org.). Gestão estratégica
da informação e inteligência competitiva. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 185-194.

BRASIL. Diretoria-Geral do Pessoal da Marinha. DGPM-305: normas para o sistema de
planejamento de pessoal da Marinha. Brasília, DF, 2010.

GONÇALVES, A. R.; COSTA, M. C. A.; VOGUEL, N. M. A implantação do processo de
Gestão do Conhecimento em uma organização: um estudo de caso Petrobrás-Abastecimento.
In: RODRIGUEZ Y RODRIGUEZ, M. V. (Org.). Gestão do conhecimento e inovação nas
empresas. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2010.

MANUAL TEDE: Pergamum - sistema integrado de bibliotecas. Disponível em:
&lt;http://www.dphdm.mb/download &gt;. Acesso em: 02 de abr. de 2016.

NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas
japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

SILVA FILHO, R. C. Biblioteca universitária híbrida: adequação a nova realidade
Informacional. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTO
E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. Anais. Florianópolis, SC:
FEBAB, 2013.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>A Biblioteca Digital de Teses e  Dissertações como apoio a gestão do conhecimento estratégico da Marinha.</text>
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                <text>Ferreira, Eliane de Freitas; Glad,  Leniza de Faria Lima ; Santo, Eliana Espirito </text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>A Rede de Bibliotecas Integradas da Marinha (Rede BIM) incorpora conteúdos digitais em seu sistema de gerenciamento de acervos, dentre eles a produção científica da Instituição, o que possibilitou a implementação da Biblioteca. Digital de Teses e Dissertações da Marinha do Brasil (BDTD-MB). A iniciativa reveste-se de importância à medida que a Biblioteca Digital apresenta várias vantagens, dentre elas, o controle, a preservação e a difusão da mentalidade marítima por meio da sua produção científica. O desenvolvimento do BDTD-MB definiu-se com a criação de uma política com procedimentos regulando o depósito dos trabalhos científicos produzidos pelos seus profissionais e, para a inserção dos conteúdos à Base, categorizou o conhecimento em 22 áreas e 168 sub-áreas, utilizadas na Gestão de Pessoas dessa Força, a fim de que seu desenvolvimento seja alinhado às questões estratégicas da Instituição. Este artigo apresenta a importância da utilização do BDTD-MB como apoio à Gestão do Conhecimento, em decorrência do mapeamento estratégico, e oferece uma visão detalhada de toda produção e seu acompanhamento por  indicadores de desempenho, além de centralizar a informação, possibilitando o aumento de visibilidade para o público interno e externo. A BDTD-MB, num processo contínuo, fornecerá o acesso às informações institucionais, a construção do conhecimento e sua conversão em um conhecimento novo e a busca da inovação, além da redução da perda do conhecimento organizacional. </text>
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                    <text>A AVALIAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR E SEUS REFLEXOS NA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: UM RELATO DAS
TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NA BIBLIOTECA CENTRAL DA
UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL A PARTIR DA PUBLICAÇÃO
DO DECRETO Nº 2.026/1996

Marcos Leandro Freitas Hubner (UNIR) - marcos.hubner@unir.br
Ana Carolina Araujo Kuhn (UNIR) - anacarolinakuhn@gmail.com
Pedro Ivo Silveira Andretta (UNIR) - pedro.andretta@unir.br
Resumo:
No ano de 1996, ocorreram importantes avanços na educação brasileira decorrentes da
publicação de novas leis. Em outubro daquele ano, foi promulgado o Decreto nº 2.026/1996,
que estabeleceu os procedimentos para a avaliação dos cursos e instituições de ensino
superior e, em dezembro, promulgou-se a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (Lei nº 9.394/96). A partir da criação da avaliação dos cursos de ensino superior, as
bibliotecas universitárias passaram por transformações a fim de adequar-se às novas
exigências legais. O presente artigo faz uma análise das mudanças ocorridas na Biblioteca
Central da Universidade de Caxias do Sul após a publicação do Decreto nº 2.026/1996. A
promulgação deste Decreto representou um marco qualitativo na história da Biblioteca
Central da Universidade de Caxias do Sul, a qual deixou de ser simples armazenadora de
suportes informacionais e passou a desempenhar o seu verdadeiro papel de disseminadora da
informação. Os investimentos na Biblioteca Central intensificaram-se acarretando melhorias
no acervo, nos espaços físicos e no quadro de profissionais. Houve, portanto, um incremento,
qualitativo e quantitativo do acervo, um aprimoramento dos recursos humanos e uma
qualificação dos espaços internos da Biblioteca, com a criação de ambientes adequados para o
estudo individual e em grupo.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Biblioteca: História. Brasil: Decreto 2.026/1996.
Ensino Superior: Avaliação MEC
Área temática: Eixo 1 - Gestão sustentável
Subárea temática: Políticas Institucionais

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

A AVALIAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR E SEUS REFLEXOS NA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: UM RELATO DAS TRANSFORMAÇÕES
OCORRIDAS NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE DE CAXIAS
DO SUL A PARTIR DA PUBLICAÇÃO DO DECRETO Nº 2.026/1996

RESUMO
No ano de 1996, ocorreram importantes avanços na educação brasileira decorrentes da publicação de novas leis.
Em outubro daquele ano, foi promulgado o Decreto nº 2.026/1996, que estabeleceu os procedimentos para a
avaliação dos cursos e instituições de ensino superior e, em dezembro, promulgou-se a nova Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96). A partir da criação da avaliação dos cursos de ensino superior, as
bibliotecas universitárias passaram por transformações a fim de adequar-se às novas exigências legais. O
presente artigo faz uma análise das mudanças ocorridas na Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul
após a publicação do Decreto nº 2.026/1996. A promulgação deste Decreto representou um marco qualitativo na
história da Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul, a qual deixou de ser simples armazenadora de
suportes informacionais e passou a desempenhar o seu verdadeiro papel de disseminadora da informação. Os
investimentos na Biblioteca Central intensificaram-se acarretando melhorias no acervo, nos espaços físicos e no
quadro de profissionais. Houve, portanto, um incremento, qualitativo e quantitativo do acervo, um
aprimoramento dos recursos humanos e uma qualificação dos espaços internos da Biblioteca, com a criação de
ambientes adequados para o estudo individual e em grupo.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Biblioteca: História. Brasil: Decreto 2.026/1996. Ensino Superior:
Avaliação MEC

1 Considerações Iniciais
O ano de 1996 representou um marco significativo na educação brasileira, seja por
meio da publicação do Decreto nº 2.026, de 10 de outubro de 1996, que estabeleceu
“procedimentos para o processo e avaliação dos cursos e instituições de Ensino Superior”,
assim como a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº
9.394 de 20 de dezembro de 1996). Acontecimentos esses que marcaram positivamente o
rumo das bibliotecas universitárias no Brasil, que passaram a receber fortes investimentos
visando à qualificação de seus serviços e espaços.
Nesse contexto este relato de experiência se fixará na descrição de aspectos do
Decreto nº 2.026/1996 assim como mudança do instrumento avaliação institucional ocorrida
entre os anos de 2004 e 2015, apontando como estes marcos foram corresponsáveis pelas
transformações ocorridas na Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul. Nesses
termos, convém, declararmos a participação autoral nesse estudo de um de seus diretores, que
esteve a frente do referido Sistema de Bibliotecas por 14 anos, tendo acompanhado não só
mais de 300 comissões de avaliadores, mas também principalmente os reflexos políticos,
tecnológicos e administrativos-gerenciais no período, escrevendo a dissertação “A biblioteca
universitária na formação acadêmica: história da Biblioteca Central da Universidade de
Caxias do Sul e sua relação com a aprendizagem e o sucesso acadêmico”.
A Universidade de Caxias do Sul situa-se na região serrana do Rio Grande do Sul e,
em dezembro de 2013, oferecia 85 cursos de Graduação, com 94 habilitações e 223 opções de
ingresso, 70 cursos de Especialização, 14 de Mestrado e quatro de Doutorado, os quais
somavam em torno de 34.000 alunos A Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul
foi criada em 1970 e, no decorrer de 44 anos de história, passou por diversas transformações
em seus espaços e acervo, visando a atender as exigências legais e as demandas da

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comunidade acadêmica, bem como adequar-se às novas tecnologias da informação.
Isso posto, dividimos a apresentação do relato em três seções: “As Bibliotecas
Universitárias e o Decreto nº 2.026/1996”, “A mudança no instrumento de avaliação das
instituições” e os “Reflexos do Decreto nº 2.026/1996 na Biblioteca Central da Universidade
de Caxias do Sul”.

2 As Bibliotecas Universitárias e o Decreto nº 2.026/1996
As bibliotecas universitárias no Brasil refletem a própria história da educação
brasileira (PELA, 2006). Desse modo, o Decreto nº 2.026/1996, marcou uma fase de avanços
na condução da biblioteca universitária como também na gestão do ensino superior,
atualizando e renovando as perspectivas instauradas pela reforma universitária de 1968.
A reforma universitária de 1968 omitiu a participação das bibliotecas no processo
educativo, de tal modo, que estas foram relegadas a uma posição coadjuvante no ensino
superior. O regime militar que governava o país, conforme descreve Lubisco (2002), atendeu
à pressão social pela criação de mais vagas nas universidades, todavia, os prejuízos em
relação à qualidade do ensino foram enormes.
Com o fim do governo militar, no ano de 1985, as universidades clamavam por maior
autonomia, que fora alcançada por meio da Constituição Federal de 1988. Contudo, havia
ainda a necessidade de garantir qualidade ao ensino superior brasileiro, fixando uma
metodologia de avaliação.
O Decreto nº 2.026 de 10 de outubro de 1996 fixou os procedimentos de avaliação dos
cursos superiores no Brasil e atribuiu um papel relevante às bibliotecas nesta avaliação. O
artigo 6º, inciso V do Decreto nº 2.026/1996, determinava que, para a avaliação dos cursos de
graduação, a análise das condições de oferta pelas instituições de ensino superior dever
considerar “as bibliotecas com atenção para o acervo bibliográfico, inclusive livros e
periódicos, regime de funcionamento, modernização dos serviços e adequação ambiental”.
As bibliotecas universitárias a partir disso, passaram a estar no cerne do planejamento
das universidades. Conforme Lubisco (2002), a inclusão da biblioteca como uma das
variáveis de avaliação das condições de ensino dos cursos de graduação deve ser reconhecida
como uma decisão relevante do Ministério da Educação.
A partir da publicação do Decreto no ano de 1996, a comissão de professores
designada pelo Ministério da Educação passou a analisar três grandes indicadores em uma
biblioteca universitária, sendo que cada um destes indicadores apresentava uma série de
aspectos que deveriam ser averiguados. Os três indicadores eram os seguintes: espaço físico,
acervo e serviços.
O processo de avaliação dos cursos e instituições de ensino superior consiste na visita
técnica de três professores credenciados e selecionados pelo Ministério da Educação (MEC)
às universidades, centros universitários e faculdades com o objetivo de avaliar um curso
superior específico, ou mesmo a própria instituição de ensino, para fins de autorização,
reconhecimento e renovação de reconhecimento dos cursos e das instituições.
Ao analisar o espaço físico, os avaliadores, durante a visita in loco, deveriam verificar
as instalações para o acervo, considerando a área física; as condições de armazenamento do
acervo (iluminação, extintor de incêndio, sistema antifurto, sinalização); as condições de
preservação (manutenção preventiva e corretiva, umidade correta, sistema antimofo); o acesso
ao acervo por parte dos usuários1; abrangência do horário de funcionamento da biblioteca;
1
O acesso ao acervo deveria ser de livre acesso, algo praticado da Biblioteca Central desde a sua criação.
Inclusive o acesso livre ao acervo é uma das ideias preconizadas por Ranganatham em sua obra - As Cinco Leis
da Biblioteconomia.

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instalações para estudos individuais; salas para estudo em grupo; áreas reservadas para
consultas e estudo individual de professores e alunos e para consulta à biblioteca local e
remota, bem como instalação elétrica para uso de computadores do próprio usuário; acesso
aos usuários com necessidades especiais.
Ao realizar a avaliação do acervo, a comissão avaliadora precisaria percorrer o acervo
e analisar:
1) os livros, verificando a existência de títulos e exemplares em número suficiente para
a quantidade de alunos matriculados no curso e para a proposta pedagógica do mesmo;
2) os periódicos, avaliando a existência de assinaturas em número suficiente para a
proposta pedagógica do curso;
3) os programas de informatização do acervo e dos serviços de catalogação, controle
de periódicos, reserva e empréstimo, comutação, consulta ao catálogo local e remoto,
preferencialmente com o protocolo Z-39.502 ou similar;
4) as bases de dados;
5) o acervo multimídia, verificando os suportes disponibilizados (microfichas, slides,
DVD, CD-ROM, fitas de vídeo, disquetes e respectivos equipamentos) e a quantidade de
títulos em número suficiente para atender à proposta pedagógica do curso;
6) jornais e revistas, os quais não deveriam ser somente locais ou regionais, mas
também de circulação nacional;
7) a existência de uma política de aquisição, expansão e atualização do acervo com o
objetivo de contemplar a proposta pedagógica do curso.
Ao analisar os serviços, a comissão avaliadora averiguaria o horário da biblioteca,
considerando a compatibilidade do horário de funcionamento da mesma com os turnos de
aula do curso avaliado. Além disso, o serviço de acesso ao acervo (qualidade do serviço de
consulta e empréstimo do acervo destinado ao curso), o quadro de pessoal técnico e
administrativo (qualificação e quantidade adequada ao funcionamento da biblioteca e às
necessidades dos professores e alunos do curso) e o apoio à elaboração de trabalhos
acadêmicos (ficha catalográfica e normalização bibliográfica) também seriam avaliados.
Cabe destacar que foi a partir das avaliações do MEC que surgiu a preocupação com o
acesso dos usuários com necessidades especiais às bibliotecas, visto que a acessibilidade era
uma variável de avaliação. Além disso, a inclusão do item “informatização do gerenciamento
das bibliotecas” impulsionou a automatização dos serviços da biblioteca, pois, até então, a
maioria das bibliotecas ainda trabalhava com catálogos de fichas em papel.

3 Instrumento De Avaliação
No ano de 2005, ocorreu uma alteração significativa no Instrumento de Avaliação das
avaliações realizadas pelo MEC, em especial nos indicadores relativos à biblioteca. Foram
criados dois instrumentos específicos, um para avaliar as Instituições de Ensino Superior, o
qual passou a subsidiar os atos de credenciamento, recredenciamento e transformação da
organização acadêmica3 e outro específico para avaliação de cursos, subsidiando os atos
autorizativos de cursos – autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento – nos
2

O protocolo Z39.50 é um protocolo de comunicação entre computadores desenhado para permitir pesquisa e
recuperação de informação - documentos com textos completos, dados bibliográficos, imagens, multimeios - em
redes de computadores distribuídos.
3
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SINAES. Instrumento de Avaliação Institucional Externa:
Subsidia os atos de credenciamento, recredenciamento e transformação de organização acadêmica (presencial).
Brasília, 2014. Disponível em: &lt;
http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_institucional/instrumentos/2014/instrumento_instituci
onal.pdf &gt;. Acesso em: 01 maio 2015

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graus de tecnólogo, de licenciatura e de bacharelado para a modalidade presencial e a
distância4. Desta forma, o instrumento que havia sido criado a partir do Decreto 2.026/1996
foi desmembrado em duas partes, com finalidades específicas.
As avaliações institucionais, no tocante à biblioteca, passaram a contar com somente
três indicadores: infraestrutura física, serviços e informatização, plano de atualização do
acervo, concentrando, dessa forma, os aspectos a serem avaliados em cada critério no seu
respectivo indicador.
Para as avaliações de curso, a mudança foi mais significativa. Somente três
indicadores passaram a ser analisados nas bibliotecas, porém bem menos criteriosos que os
empregados entre os anos de 1996 e 2004. A avaliação começou a considerar, somente, a
bibliografia básica, a bibliografia complementar e os periódicos.
A alteração dos critérios fica mais compreensível a partir da análise dos quadros
contendo os critérios utilizados até 2004 e os novos critérios que passaram a vigorar a partir
do ano de 2005.
Critérios a partir do ano de 2005 para
avaliação de cursos

Critérios até o ano de 2004
Critérios
Espaço
Físico

Aspectos a serem avaliados

Pesos

Critérios

Pesos

Bibliografia básica

100

Instalações para o acervo

40

Bibliografia complementar

100

Instalações para estudos individuais

30

Periódicos especializados

100

Instalações para estudos em grupos

30

Livros

30

Periódicos

20

Informatização

20

Base de Dados
Multimídia

Acervo
Critérios a partir do ano de 2005 para
Avaliação Institucional
Critérios

Pesos

Infraestrutura Física

100

5

Serviços e Informatização

100

5

Plano de Atualização do Acervo

100

Jornais e revistas

10

Política de aquisição, expansão e
atualização

10

Horário de funcionamento

45

Serviço de acesso ao acervo

35

Pessoal técnico e administrativo

15

Apoio na elaboração de trabalhos
acadêmicos

5

Serviços

Quando comparado com o instrumento de avaliação utilizado entre os anos de 1996 a
2004, esta alteração representou um retrocesso para as bibliotecas, pois naqueles anos muitos
aspectos importantes eram levados em consideração na atribuição do conceito, tais como
4

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SINAES. Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação
presencial e a distância Brasília, 2015. Disponível em: &lt;
http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_cursos_graduacao/instrumentos/2015/instrumento_ava
liacao_cursos_graduacao_presencial_distancia.pdf &gt;. Acesso em 01 maio 2015

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acessibilidade, espaço físico, entre outros. Sabe-se que uma biblioteca é muito mais do que
livros e periódicos, entretanto muito aspectos importantes na constituição de uma biblioteca
universitária foram negligenciados no novo instrumento de avaliação.

4 Reflexos do Decreto nº 2.026/1996 na Biblioteca Central da Universidade de
Caxias do Sul
As bibliotecas da Universidade de Caxias do Sul, assim como as de outras instituições
de ensino superior, passaram por mudanças significativas a partir do Decreto nº 2.026/1996.
Os acervos foram ampliados, qualitativa e quantitativamente, o espaço físico passou por
grandes transformações e novos serviços foram colocados à disposição da comunidade
acadêmica. Na Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul, houve um incremento
notável na utilização do acervo, tanto através de empréstimos quanto na consulta de obras in
loco.
A mudança mais perceptível ocorreu no processo de aquisição de livros. Até o ano de
1995, a Universidade mantinha uma média anual de compra em torno de 3 mil exemplares de
livros. Após aquele ano, houve um incremento de cerca de 70% em relação ao ano anterior,
passando de 3.288 exemplares adquiridos para 5.600 exemplares em 1996.
O crescimento da compra de livros representou um salto significativo no volume de
exemplares da Biblioteca (gráfico 1), culminando com a compra de 69.414 exemplares no ano
2000. Neste total está incluída a compra de quatro coleções particulares que, naquele ano,
deram origem às Coleções Especiais da Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul.
Gráfico 1 – Total de aquisições de livros do SiBi-UCS no período de 1991 a 2013
Aquisições de livros
SiBi-UCS - 1991 a 2013
69.414

46.817

Aquisições

43.243

42.462
38.398

37.186
29.042

28.505

26.248

23.453

21.513

21.598
16.325

1.871 2.158 2.680

5.365

3.288

5.600

10.596

7.842

13.338

15.382

1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

Anos

Fonte: Sistema de Bibliotecas-UCS

Até o final do ano de 1997, o acervo do Sistema de Bibliotecas (SiBi-UCS) era
composto por cerca de 147 mil exemplares de livros. Passados 10 anos, o total de livros
existentes no SiBi-UCS atingiu, aproximadamente, 490 mil exemplares. A aquisição de livros
considera o número de exemplares adquiridos pelo Sistema de Bibliotecas (SiBi-UCS) e não
somente pela Biblioteca Central pois, até o ano de 1998, quando se iniciou o processo de

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Ao realizar uma análise preliminar, tanto do gráfico 2, o qual apresenta o número de
empréstimos, como do gráfico 3, que detalha o número de usuários que acessaram a BICE,
percebe-se que ambos tiveram seus picos entre os anos 2003 e 2004. Após estes anos, houve
uma redução gradual tanto no número de empréstimos como no número de acessos à
Biblioteca. Credita-se esta redução ao crescente uso da Internet e à disponibilização on-line de
informações. Esta redução não é fato isolado da Biblioteca Central, ou mesmo da
Universidade de Caxias do Sul, pois se trata de um fenômeno mundial.
A redução da utilização das bibliotecas acadêmicas é relatada por Appleton;
Stevenson; Boden (2011) no contexto estadunidense, que a justificam em função da
disponibilização de informações on-line, não sendo, desta forma, necessário ir às bibliotecas
para encontrá-las. Nos Estados Unidos, esta redução ocorreu principalmente nos anos
noventa, chegando a diminuir cerca de 70% o número de empréstimos de livros em algumas
bibliotecas universitárias (APPLETON; STEVENSON; BODEN, 2011).
Na Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul, os empréstimos mantiveramse estáveis a partir do ano de 2005, não apresentando a redução significativa que ocorreu não
somente nos Estados Unidos.
A Internet representou uma mudança significativa na dinâmica da Biblioteca, pois,
além de oportunizar o acesso à informação de maneira ágil e precisa, quando conhecida a
fonte, determinou o motivo de muitos usuários deixarem de frequentar seus espaços, uma vez
que conseguem acessar a informação de casa, do trabalho, ou seja, de qualquer local. A
informação não ficou mais restrita aos recursos informacionais disponíveis na Biblioteca. Aos
profissionais da Biblioteca compete prestar orientações quanto aos locais (sites) onde estão
disponíveis informações confiáveis e de acordo com os interesses do usuário.
Com o aumento significativo de usuários portando computadores pessoais em suas
visitas à Biblioteca, percebeu-se a necessidade de disponibilizar acesso à Internet via sistema
WireLess (sem fio). A BICE foi o primeiro local da Universidade de Caxias do Sul a
disponibilizar acesso à Internet via sistema WireLess e, desta forma, todos os usuários
passaram a ter a oportunidade de acessar a Internet diretamente de seus computadores
pessoais. Esta medida agregou qualidade informacional aos trabalhos acadêmicos
desenvolvidos nos espaços da Biblioteca.
As comissões de avaliadores do MEC possuem grande importância no processo de
qualificação dos serviços e espaços das bibliotecas, a partir do momento em que sugerem e
exigem melhorias nas mesmas, bem como nos demais espaços da universidade. Entretanto,
em determinados momentos, as comissões não dão a devida atenção a melhorias
implementadas por uma biblioteca. Como exemplo deste tipo de episódio, pode-se citar o
caso da disponibilização das primeiras bases de dados pela Universidade em 1998, às quais
não era dada muita relevância pelos avaliadores, que se detinham no acervo físico de livros e
periódicos. Somente em meados dos anos 2000, os avaliadores passaram a exigir das
bibliotecas acesso às bases de dados.
Em 2011, além das bases de dados, os usuários da Biblioteca passaram a contar com
uma nova fonte informacional: uma base de livros digitais em Língua Portuguesa. Os
impactos do uso desta nova fonte informacional puderam ser percebidos no ano seguinte à sua
disponibilização, pois, em 2012, os números de empréstimos de livros impressos
apresentaram uma sensível redução em comparação ao ano anterior. No ano de 2011, houve
911.435 operações de empréstimo na BICE, enquanto que, em 2012, foram 846.184
operações de empréstimo, representando uma redução de aproximadamente 7%.
Assim como ocorreu com as bases de dados que eram negligenciadas pelas comissões
de avaliação no final da década de 1990, hoje o mesmo ocorre em relação às bases de livros
digitais, porém com um agravante: o INEP/MEC, desde fevereiro de 2012, aceita que os

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livros digitais sejam considerados como parte integrante do acervo, contudo muitos
avaliadores os desconsideram.
O efeito positivo do Decreto 2.026/1996 ainda hoje é percebido nas bibliotecas
universitárias, pois as instituições de ensino superior ainda mantêm fortes investimentos em
suas bibliotecas, visando à obtenção de melhores conceitos de seus cursos ou mesmo das
instituições como um todo. O mesmo pode ser percebido na Biblioteca Central da UCS, a
qual continua a receber recursos com o objetivo de qualificar seus serviços e ambientes,
tornando a Biblioteca um espaço ainda mais aprazível aos seus usuários.

5 Considerações Finais
Neste relato de experiência apresentamos como a publicação do Decreto 2.026/96
representou um marco de qualidade para as bibliotecas universitárias ao exigir uma série de
itens que contribuíram para o aperfeiçoamento das suas instalações e acervo, assim como
alguns aspectos do desmembramento e dissolução de seu instrumento de avaliação. Nesse
movimento, articulamos os reflexos dessas ações junto uma biblioteca universitária
especifica, a saber, a Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul.
Na Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul, como vimos, as melhorias
propiciadas pelo Decreto foram perceptíveis especialmente devido ao incremento do acervo, à
ampliação e aprimoramento dos espaços e às adequações para a acessibilidade dos usuários.
Entretanto, lamentavelmente, esse crescimento e expansão perdeu força com a mudança na
sistemática de avaliação ocorridas desde 2005, quando foram reduzidos os indicadores do
processo avaliativo, principalmente quando da avaliação de cursos.
Atualmente, nas avaliações de cursos, as bibliotecas são avaliadas somente em três
indicadores: bibliografia básica, bibliografia complementar e periódicos. Sendo que esta
redução representa um prejuízo não somente para as bibliotecas universitárias, mas para o
ensino superior como um todo, isso porque, as bibliotecas universitárias não apenas refletem
o desenvolvimento educacional, tal como exposto por Pelas (2006), mas também a refrata.
Desse modo, ao considerarmos a redução dos investimentos na qualificação das
bibliotecas, teremos, com o decorrer do tempo, a uma perda de qualidade nos serviços e
espaços físicos das bibliotecas universitárias. Prejuízos que culminaram no enfraquecimento
das instituições de ensino superior no que concerne a produção, compartilhamento e
preservação do conhecimento.

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universitárias. Rio de Janeiro: Interciência; Niterói: Intertexto, 2006.
XERRI, E. G. Da Universidade da Serra à Universidade de Caxias do Sul/RS: (1950-2002): o
pensar e o construir da universidade na serra gaúcha. Porto Alegre, 2012. 312 f. : Tese
(Doutorado) - Pontífica Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Programa de PósGraduação em Educação, 2012.

THE HIGHER EDUCATION EVALUATION AND ITS EFFECTS ON THE
UNIVERSITY LIBRARY: A REPORT ON THE CHANGES THAT HAPPENED
AT THE CENTRAL LIBRARY OF THE UNIVERSITY OF CAXIAS DO SUL
FROM THE PUBLICATION OF THE DECREE NO. 2.026/1996
ABSTRACT
In 1996, very important advances happened in Brazilian education resulting from the publication of new laws. In
October that year, the decree no. 2.026/1996 was promulgated and, in December, the new law of Directives and
Bases of National Education was promulgated (law no. 9.394/96). With the creation of the Higher Education
Evaluation, the University Libraries have gone through transformations to adjust to the legal requirements. The
present article makes an analysis of the changes that occurred in the Central Library of the University of Caxias
do Sul, which has gone from information storing to perform its real role as knowledge disseminator. The
investments in the Central Library were intensified leading to an improvement in the collections, in the physical
space and in the professional staff. There was, therefore, a qualitative and quantitative increase in the collection,
a qualitative improvement in the human resources and a qualification in the internal space of the library, with the
creation of suitable spaces for individual and group studies.
Key words: Academic Library. Library: history. Brazil: Decree 2.026/1996. Higher Education: Evaluation MEC

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                <text>No ano de 1996, ocorreram importantes avanços na educação brasileira decorrentes da publicação de novas leis. Em outubro daquele ano, foi promulgado o Decreto no 2.026/1996, que estabeleceu os procedimentos para a avaliação dos cursos e instituições de ensino superior e, em dezembro, promulgou-se a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no 9.394/96). A partir da criação da avaliação dos cursos de ensino superior, as bibliotecas universitárias passaram por transformações a fim de adequar-se às novas exigências legais. O presente artigo faz uma análise das mudanças ocorridas na Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul após a publicação do Decreto no 2.026/1996. A promulgação deste Decreto representou um marco qualitativo na história da Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul, a qual deixou de ser simples armazenadora de suportes  informacionais e passou a desempenhar o seu verdadeiro papel de disseminadora da informação. Os investimentos na Biblioteca Central intensificaram-se acarretando melhorias no acervo, nos espaços físicos e no quadro de profissionais. Houve, portanto, um incremento, qualitativo e quantitativo do acervo, um aprimoramento dos recursos humanos e uma qualificação dos espaços internos da Biblioteca, com a criação de ambientes adequados para estudo individual e em grupo.</text>
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                    <text>A atuação do profissional de informação e a responsabilidade
social no enfrentamento da epidemia do vírus Zika: relato de caso
Maria de Fatima Moreira Martins Correa (ICICT/FIOCRUZ) - fatima.martins@icict.fiocruz.br
Resumo:
O enfrentamento da epidemia associada ao vírus Zika e complicações decorrentes
destacam-se, hoje, como um grande desafio para a comunidade científica, gestores e
profissionais de saúde no mundo. Esta questão se reveste de importância substancial, devido à
complexidade de inúmeras questões a serem investigadas e discutidas. O objetivo deste relato
é descrever a experiência da criação da Biblioteca Temática “Aedes Informa” com o objetivo
de reunir referências bibliográficas sobre os vírus Zika e Chikungunya disponíveis nas bases
de dados Lilacs, Pubmed, Scielo, Scopus e Web of Science, desenvolvida no Zotero, um
software livre utilizado para gestão e compartilhamento de referências. Em linhas gerais, a
biblioteca temática apresenta-se como um instrumento fundamental à pesquisa científica,
colocando à disposição o conteúdo atualizado sobre as descobertas científico-tecnológicas,
incluindo as publicações e principais periódicos científicos. Percebeu-se, a partir da
experiência existe uma necessidade urgente de ações de responsabilidade social da
biblioteconomia no campo da saúde, fortalecendo assim, a solidariedade global, uma vez que
os resultados são essenciais para o desenvolvimento de intervenções.
Palavras-chave: Responsabilidade social; Análise bibliometrica; Infecções pelo vírus Zika;
Doenças Transmissíveis Emergentes
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Serviços de referência presencial e virtual

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                <text>A atuação do profissional de informação e a responsabilidade social no enfrentamento da epidemia do vírus Zika: relato de caso.</text>
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                <text>Correa, Maria de Fatima Moreira Martins </text>
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                <text>O enfrentamento da epidemia associada ao vírus Zika e complicações decorrentes destacam-se, hoje, como um grande desafio para a comunidade científica, gestores e profissionais de saúde no mundo. Esta questão se reveste de importância substancial, devido à complexidade de inúmeras questões a serem investigadas e discutidas. O objetivo deste relato é descrever a experiência da criação da Biblioteca Temática “Aedes Informa” com o objetivo de reunir referências bibliográficas sobre os vírus Zika e Chikungunya disponíveis nas bases de dados Lilacs, Pubmed, Scielo, Scopus e Web of Science, desenvolvida no Zotero, um  software livre utilizado para gestão e compartilhamento de referências. Em linhas gerais, a biblioteca temática apresenta-se como um instrumento fundamental à pesquisa científica, colocando à disposição o conteúdo atualizado sobre as descobertas científico-tecnológicas,incluindo as publicações e principais periódicos científicos. Percebeu-se, a partir da experiência existe uma necessidade urgente de ações de responsabilidade social da biblioteconomia no campo da saúde, fortalecendo assim, a solidariedade global, uma vez que os resultados são essenciais para o desenvolvimento de intervenções.</text>
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                    <text>A ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO EM EMPRESAS PRIVADAS DO
SETOR DE SERVIÇOS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE
TREINAMENTO COMERCIAL

Ana Carolina Nogueira (EBSCO) - ana_canogueira1@yahoo.com.br
Resumo:
O debate sobre a atuação profissional do bibliotecário tem sido intensificado nos últimos anos
em consequência de uma série de marcos legais e de avanços tecnológicos. Buscando
contribuir com este cenário, apresenta-se um relato de experiência de duas bibliotecárias que
atuam como treinadoras comerciais em uma empresa privada do setor de serviços de
informação. A partir desse relato são identificadas habilidades e competências necessárias aos
bibliotecários para atuarem em uma empresa privada do setor de serviços de informação.
Busca contribuir para a discussão sobre os currículos dos cursos de Biblioteconomia no que se
relaciona ao perfil profissional do bibliotecário nos dias atuais.
Palavras-chave: capacitação de usuários; serviços de informação, atuação profissional;
Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Perfil profissional e práticas renovadoras

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
A atuação do bibliotecário tem sido tema de debates intensos nos últimos anos
(EGGERT-STEINDEL; HENRIQUE; MUSSE, 2002). O foco da atenção está voltado para
este tópico por algumas razões, entre elas: a disponibilidade de informação em meios
diferentes da já tradicional biblioteca: só no Brasil são 94 repositórios institucionais que
utilizam a plataforma DSpace (DSPACE, 2016) e a tendência é um aumento de repositórios
para a adequação das instituições de ensino superior à portaria do Ministério da Educação n.
1.224 de 2013 (OLIVEIRA, SILVA, NASCIMENTO, 2014); o surgimento de suportes de
informação diferentes dos já tradicionais livros em papel (TAMMARO, SALARELLI, 2008)
e por fim, o surgimento de legislação nacional (BRASIL, 2010) que estabelece a presença de
bibliotecários em todas as bibliotecas escolares em território nacional.
Tais debates contribuem para a evolução da área, mas a presença tímida de estudos de
caso ou relatos de experiência torna, por vezes, a discussão limitada. Buscando contribuir
neste sentido, este artigo tem como objetivo principal: demonstrar o contexto da atuação do
bibliotecário através da literatura científica, apresentando um cenário histórico e atual desta
atuação, bem como um relato de experiência de duas bibliotecárias, que serão identificadas
como bibliotecária I e bibliotecária II, inseridas no mercado de trabalho em um contexto
diferente comparado ao modelo tradicional. Também apresentam um quadro com as principais
habilidades e competências que podem ser requisitadas aos bibliotecários de hoje e que
deveriam fazer parte
da discussão da atualização dos currículos dos cursos de
Biblioteconomia.

2 Revisão de literatura
2.1 Contexto
O presente trabalho retrata a atuação de duas bibliotecárias que trabalham em uma
empresa privada do setor de serviços de informação. Determina-se como empresa privada
“aquelas que não são de propriedade do estado, seu proprietário possui todos os direitos sobre
ela.” (CAMARGO et al., 2014, p. 3)
E sobre o setor de seviços, Kotler e Keller, estabelecem que serviço "é qualquer ato ou
desempenho, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer a outra e que não resulta
na propriedade de nada [...] que pode ou não estar ligado a um produto concreto" (2006, p.
397). Uma empresa neste setor, atua portanto, oferecendo serviços muitas vezes intangíveis, o
que é a forma mais recorrente de oferta quando se trata de empresas nas quais a informação,
algo intangível, é seu principal ativo.
2.2 O perfil do bibliotecário
O perfil do bibliotecário é um tema estudado pelos próprios profissionais da área com
o intuito de apresentar e divulgar os diferentes campos de atuação em que os mesmos podem
ser inseridos. No ano de 1989, a bibliotecária Suzana P. M. Mueller publicou um artigo sobre
o tema e indicou as diversas atividades praticadas por estes profissionais, como a função do
bibliotecário-educador, o profissional para dar suporte ao estudo e à pesquisa, função de
planejamento e administração de recursos informacionais, entre outros. Segundo a mesma,
“na medida que novos meios e técnicas se tornam disponíveis para o exercício da profissão,
tornam-se necessários novas competências e atitudes.” (1989, p. 64)
Eggert-Steindel, Henrique e Musse em seu artigo publicado em 2002 estudam as
atividades dos primeiros profissionais de biblioteconomia em Santa Catarina, além de
comentarem também sobre a importância da troca de experiências entre profissionais e alunos
em formação:

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

Os relatos [...] podem oferecer ao aluno em formação e aos profissionais
atuantes, a oportunidade em conhecer de viva voz a experiência profissional
daqueles que contribuíram na constituição de uma Biblioteconomia local,
regional e nacional. (2002, p. 10)

Mais tarde, são percebidas mudanças relevantes nas atividades tradicionais praticadas
pelos bibliotecários com o advento das novas tecnologias. São elas que ajudam a ampliar os
possíveis ambientes de trabalho deste profissional, não o limitando mais a trabalhar somente
em bibliotecas. Mota e Oliveira (2011) classificam como Mercado Informacional Existente e
Não Ocupado as empresas privadas de bases de dados, área de atuação das autoras deste
relato de experiência. Em 2012, em um artigo escrito por estudantes de biblioteconomia e
uma professora da Universidade Federal do Ceará, são listados alguns desses possíveis
ambientes de trabalho: “bibliotecas, centros de documentação, arquivos, editoras, livrarias,
agências de publicidade, centros de preservação e restauração de documentos e obras de arte,
TV, emissoras de rádio e jornal, organização das bases de dados virtuais, cartórios, museus,
fóruns, discotecas, etc.” (PINHEIRO et al., 2012, p. 2). Nota-se, portanto, uma diversificação
crescente na percepção de atuação do bibliotecário.
2.3 Competências e habilidades
Com base no descrito acima, o advento das novas tecnologias trouxe a necessidade de
desenvolvimento por parte dos bibliotecários de diferentes habilidades e competências. Neste
contexto atual, Lima e Lima (2009, p. 2) citam algumas das novas qualificações requeridas
aos bibliotecários: “domínio das novas tecnologias, novas concepções em políticas gerenciais,
difusão e produção do conhecimento, compreensão nas intenções e necessidades dos usuários,
conhecimento de idiomas e capacidade de inovação.” Essas mesmas autoras apontam que o
bibliotecário tem uma competência social cujo o objetivo é de aproximar a biblioteca da
comunidade, inserindo-a desta forma na Sociedade da Informação.

3 A evolução da atuação do bibliotecário
Os primeiros bibliotecários que se tem conhecimento foram os homens eruditos, que
deveriam ser das letras ou eclesiásticos e que ocupavam cargos de maior importância na
sociedade da época. De acordo com Figueiredo e Souza (2007, p. 11), “não existia nenhuma
teorização à qual eles eram submetidos para terem direito de executarem as atividades.” Suas
funções eram estritamente de conselheiros e auxiliares dos usuários no processo de
recuperação da informação.
Segundo Fonseca (2007), a formação do bibliotecário iniciou-se formalmente na École
Nationale des Chartes em 1821 e em 1887, em New York, Estados Unidos, na School of
Library Economy, Columbia University. No Brasil, o primeiro curso data de 1911, criado pela
Biblioteca Nacional. Os cursos que se seguiram até o início da década de 60 estavam focados
na parte técnica, com a regulamentação da profissão surgiu a preocupação de um currículo
mínimo que envolvesse além da parte técnica, a formação mais cultural e ligada ao
humanismo. Sendo assim, neste primeiro momento, observa-se que a formação do
bibliotecário estava ligada intrinsecamente as atividades desempenhadas nas bibliotecas. Aqui
a visão tradicional de um profissional que somente tem o dever de preservar o conhecimento
sem se preocupar em evoluir intelectualmente fica evidente.
Atualmente, Eggert-Steindel, Henrique e Musse (2002) indicam que a maioria dos
cursos está focada em como lidar com o novo paradigma do acesso à informação. As autoras
comentam que ao estudarem a história oral de 7 profissionais, dos primeiros vinculados à

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biblioteconomia no cenário Catarinense, tais já indicavam “a amplitude” do campo de atuação
do bibliotecário. Aspecto também apontado por Abreu e Campello, em 2000, que
comentavam sobre pesquisas que indicavam “novos ambientes no mercado de trabalho.”
Fonseca (2007), em um trecho de seu livro intitulado “Introdução à Biblioteconomia”
trata sobre a missão do bibliotecário e, em cerca de 3 páginas, uma ideia central é recorrente:
a atuação do bibliotecário para o estímulo à leitura, através de livros e, por consequência, de
bibliotecas.
Conforme mencionado anteriormente, a inserção das tecnologias da informação no
ambiente biblioteconômico trouxe novos paradigmas a serem trabalhados pelos bibliotecários.
Não há mais como desvencilharmos o computador, os sistemas de automação de bibliotecas,
outros equipamentos, etc. da realidade vivida pelas bibliotecas e seus usuários. O mundo
digital chega para facilitar e melhorar o acesso à informação. Lopes (2004) afirma que
essa nova dimensão da informação, aliada ao desenvolvimento tecnológico,
desvincula a informação de espaços restritos e de monopólios profissionais,
possibilita autonomia aos usuários e demanda uma nova postura dos
bibliotecários que passam a ter seu campo de atuação ampliado e
redimensionado. (2004, p. 10)

Neste momento, o cargo bibliotecário começa a ganhar alguns complementos e
alterações para que possam ser visualizadas as múltiplas tarefas desempenhadas pelo
profissional. Atualmente, podem ser encontrados bibliotecários com diferentes designações,
como, por exemplo, Gestor da Informação - aqui entende-se que “este profissional tem a
função de facilitar o acesso aos recursos informacionais tornando o processo de organização e
recuperação mais rápido e acessível à sociedade”(LIMA &amp; LIMA, 2009, p. 31). Outros
termos também utilizados são “analista da informação” ou “analista de documentação” que
tem o objetivo de enfatizar o relacionamento do bibliotecário com a informação, não somente
o tratamento desta mas também a importância de desenvolver e aprimorar a sua
democratização para os usuários.
Em 2014, Santa Anna e Pereira em seu artigo sobre a ampliação do campo de atuação
do bibliotecário, mencionam uma nova faceta - a do Consultor Informacional. Segundo os
autores
o ramo da consultoria proporciona flexibilidade, liberdade e, principalmente,
estabilidade ao profissional. Estabilidade porque ao desvincular-se do
tradicional ‘serviço de carteira assinada’, o bibliotecário expande suas
atividades, consolidando-se como um prestador de serviço. (2014, p. 163)

Novamente lida-se com a saída do bibliotecário do seu ambiente tradicional para um
ambiente mais dinâmico e atual. No próximo item, apresentaremos o relato de duas
bibliotecárias que vivenciam esta mudança de ambiente de trabalho nos dias atuais.

4 O mercado atual: relato de duas bibliotecárias
Baseado nas informações apresentadas nos itens anteriores, este capítulo tem o
objetivo de relatar a experiência de duas bibliotecárias que atuam no mercado de trabalho
desempenhando funções fora dos padrões da biblioteca tradicional. Ambas trabalham na
mesma empresa, mas possuem cargos com tarefas diversas.
A bibliotecária I é formada pela Universidade Federal Fluminense, possui
especialização em Gestão de Documentos Eletrônicos e MBA em Gestão do Conhecimento.
Atualmente, tem 34 anos e atua na área há 11 anos. No início de sua carreira, começou a

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trabalhar em uma empresa privada que exportava livros e periódicos para instituições de
ensino e bibliotecas internacionais. Mais tarde, ocupou o cargo de Bibliotecária de Aquisição
no setor de aquisição de uma empresa de economia mista como prestadora de serviços. Aqui,
ela realizava a aquisição de assinaturas de periódicos internacionais nos formatos impresso e
online, além de aquisição de assinatura de bases de dados. Neste emprego, percebeu a
importância de ter o domínio da língua inglesa e de estar atualizada com os produtos de
informação oferecidos, pois lidava diretamente com os editores via email ou telefone.
Dois anos mais tarde, foi contratada pela empresa multinacional na qual exerce como
uma de suas principais atividades - o treinamento de bases de dados de pesquisa de editores
internacionais. O intuito desses treinamentos é apresentar o conteúdo científico
disponibilizado por estes editores assim como as diversas ferramentas de pesquisa que podem
ser utilizadas pelos estudantes, professores, pesquisadores em geral que atuam nas instituições
acadêmicas do país.
A preparação da bibliotecária para esta nova atividade se objetivou no conhecimento
de todas as bases, os seus respectivos conteúdos e também de suas ferramentas. Sua principal
preocupação é de apresentar aos participantes dos treinamentos informações que possam
ajudá-los em suas pesquisas futuras. Juntamente com esta atividade, foi desenvolvido um
relacionamento direto com os contatos dos editores, além da análise das estatísticas de uso das
bases de dados, atendimento aos clientes, entre outros.
Nesta etapa foi de suma importância o conhecimento da língua inglesa, o
aprimoramento no desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas usando técnicas
avançadas de busca com o uso dos operadores booleanos (and, or e not), símbolos de
truncagem, recursos de refinamento, etc. e o estudo das ferramentas de pesquisa oferecidas
pelos editores. De acordo com a bibliotecária, sua contratação foi uma solicitação das
instituições acadêmicas que sentiam a falta de um profissional especializado nos treinamentos
com uma linguagem acessível para os usuários.
Outro aspecto também destacado, refere-se a atualização quanto as redes sociais, que
permitem o compartilhamento das informações científicas, o conhecimento de novos termos
utilizados pelos editores como o DOI (Digital Object Identifier), além de estar atenta as
necessidades dos participantes do treinamento. De acordo com o relato da bibliotecária I, as
dúvidas surgem de detalhes apresentados. Às vezes, o participante está mais interessado em
conhecer um gerenciador de referência bibliográfica do que a base que está sendo
apresentada. É importante que se tenha conhecimento sobre as políticas do editor, quais são os
critérios para a disponibilização dos artigos científicos, a política do open access, etc. É
possível ser surpreendida com questões que nunca foram trabalhadas. O objetivo é sanar as
dúvidas que possam ajudar o participante no futuro.
Trabalhar em um ambiente totalmente contrário ao ambiente de uma biblioteca
tradicional pode trazer diversos desafios para o bibliotecário, ao mesmo tempo que aprimora
outras áreas até então não desenvolvidas pelo profissional.
A bibliotecária II é formada pela Universidade de Brasília, possui especialização em
Gestão do Relacionamento com o Cliente. Atualmente, tem 27 anos e tem 6 anos de atuação.
Iniciou sua carreira como Arquiteta de Informação, atuando no apoio de
desenvolvimento de versões móveis de interfaces de autoatendimento de um banco nacional.
Em seguida, atuou em 3 bibliotecas universitárias privadas em diferentes frentes: suporte a
plataformas DSpace e OJS, setor de multimeios e setor de referência.
Em setembro de 2012, começou a trabalhar na empresa multinacional como treinadora
comercial, suas principais atribuições nesta posição são: desenvolver o plano de capacitação
presencial e virtual para os clientes no Brasil e em alguns outros países na América Latina,
desenvolver materiais de suporte localizados e prestar orientações no que tange o universo da

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biblioteconomia à equipe de vendas e demais setores internos da instituição, bem como aos
demais colegas bibliotecários.
Várias habilidades foram desenvolvidas graças a um campo completamente diferente:
planejamento e coordenação de agenda de treinamentos presenciais, o que envolve um
planejamento logístico detalhado que observa recursos, tempo e distâncias. O
desenvolvimento de habilidades interpessoais e técnicas de oratória foram fundamentais para
o desempenho das atividades de treinamento e apresentação dos produtos comercializados.
Fluência em inglês e espanhol foram essenciais para conhecer os produtos em detalhe e
comunicar-se nos territórios hispânicos. No aspecto tecnológico, foram necessários
conhecimentos de edição de documentos, planilhas e apresentações, ferramentas de gravação
e edição de vídeos, uso de plataformas de capacitação virtual e de gestão de mídias sociais.
Apresenta-se a seguir um quadro que sintetiza as habilidades e competências
necessárias observadas a partir da rotina de trabalho das bibliotecárias que apresentam este
relato:
Quadro 1 - Resumo de habilidades e competências identificadas nas atividades de treinamento
comercial em uma empresa privada do setor de serviços de informação
Aspectos técnicos

Aspectos tecnológicos

Aspectos de gestão

MARC21, DublinCore,
metadados em geral

Softwares de edição de texto,
planilhas e apresentações

Gestão de projetos

OAI-PMH, z39.50 e outros
protocolos de interoperabilidade

Softwares de criação e edição de
tutoriais

Gestão de logística

Normalização

Software de capacitação virtual

Rotinas administrativas

Métricas modernas e
comunicação científica

Softwares de gestão de
relacionamento com o cliente
(Customer relationship manager)

Gestão do relacionamento
com o cliente

Fontes de informação

Softwares de gestão de redes
sociais

Gestão de marketing

Softwares de repositórios
Fluências em outros idiomas,
institucionais e de gestão de
notadamente o inglês e espanhol
publicações
Análises estatísticas

Gestão de coleções

Softwares para coleta de estatísticas
Rotinas administrativas
de uso (COUNTER)

Fonte: As autoras.

Com base na experiência relatada e no quadro de habilidades e competências
apresentado, é possível afirmar que o mercado informacional necessita de profissionais cada
vez mais capacitados e dispostos a desenvolver novas características que auxiliem e
influenciem sua atuação. A informação permeia as mais diversas atividades e com isso surgem
novas áreas de atuação, cabe aos bibliotecários e às escolas de Biblioteconomia prestarem
atenção aos movimentos desse mercado em constante mutação para acompanhar esse fluxo.

5 Considerações parciais/finais

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Observa-se que muito tem sido discutido quanto à mudança dos ambientes de
trabalho do bibliotecário e que exemplos desta atuação fora do ambiente tradicional são
necessários para cristalizar tal discussão. Este trabalho buscou apresentar dois exemplos de
bibliotecárias que encontram-se fora de um contexto tradicional de atuação, com atividades
focadas no campo de treinamento comercial. Nota-se que existe um conjunto de habilidades e
competências que alinham-se à formação do bibliotecário e também à atuação como treinador
comercial. Apresentou-se um quadro que resume tais habilidades e competências para apoiar
futuras discussões curriculares dos cursos de Biblioteconomia e para instigar a reflexão dos
profissionais que estão no mercado para reconhecer as habilidades e competências que já
desenvolveram e aquelas que precisam ser aprimoradas.
Percebe-se que o bibliotecário precisa estar em constante atualização, sempre
atento as novidades que poderão contribuir em suas atividades profissionais. A construção de
sua identidade na sociedade dependerá de suas atitudes, são elas que ajudarão a demonstrar o
seu valor como profissional. As autoras buscaram demonstrar que os bibliotecários podem e
devem ampliar sua atuação no mercado de trabalho.

6 Referências
ABREU, Vera Lúcia Furst Gonçalves; CAMPELLO, Bernadete Santos. Graduação em
biblioteconomia: a formação do profissional da informação para o século XXI. Perspect.
cienc. inf., Belo Horizonte, v. 5, n. especial, p. 93 - 103, jan./jun.2000. Disponível em:
&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/558&gt; Acesso em: 10 fev.
2016.
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Brasil, Brasília, DF, 25 maio 2010. Disponível em:
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FONSECA, Edson Nery da. Introdução à Biblioteconomia. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos,
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EGGERT-STEINDEL, Gisela; HENRIQUE, Ivonir Terezinha; MUSSE, Sueli Carvalho.
Práticas bibliotecárias: a formação, a auto-formação e atuação dos primeiros bibliotecários
catarinenses. Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 12, n. 2, 2002. Disponível
em: &lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000001463&amp;dd1=804cb&gt; Acesso em:
10 fev. 2016

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2006.
LIMA, Cátia Cristina de; LIMA, Katiane de. A auto-imagem do bibliotecário versus a visão
social: uma análise da valorização profissional. 2009. 83f. Trabalho de Conclusão de Curso
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LOPES, Fabio Leandro Cerícola. O novo perfil do bibliotecário. 2004. 46 f. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação) - Departamento de Biblioteconomia e Documentação,
Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2004. Disponível em:
&lt;http://rabci.org/rabci/node/36&gt;. Acesso em: 16 fev. 2016.
MOTA, Francisca Rosaline; OLIVEIRA, Marlene de. Formação e atuação profissional. In:
OLIVEIRA, Marlene de (Org.). Ciência da informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e
espaços de atuação. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. Perfil do bibliotecário, serviços e responsabilidades
na área de informação e formação profissional. R. Bibliotecon., Brasília, v. 17, n. 1, p. 63-70,
jan./jun. 1989. Disponível em:
&lt;http://www.brapci.inf.br/_repositorio/2011/07/pdf_aa5a44ef6f_0017684.pdf&gt;. Acesso em:
10 fev. 2016.
OLIVEIRA, Maria das Graças Gonçalves de; SILVA, Julianne Teixeira e; NASCIMENTO,
Clodemir da Costa. O arquivo do CCHLA/UFPB e a adequação às portarias nº 1.224/13 e nº
1.261/13 determinadas pelo Ministério da Educação. Archeion Online, [S.l.], v. 2, n. 2, dez.
2014. Disponível em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/archeion/article/view/22761/12619&gt;. Acesso em: 15
mar. 2016.
PINHEIRO, Ana Cleide Lucio et al. Os diversos espaços de atuação para o profissional
bibliotecário. Múltiplos Olhares em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 2, n. 2, out.
2012. Disponível
em:&lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/moci/article/view/1698&gt;. Acesso em: 12
fev. 2016.
SANTA ANNA, Jorge; PEREIRA, Gleice. Ampliando o campo de atuação bibliotecária: o
bibliotecário como consultor informacional. Revista ACB: Biblioteconomia em Florianópolis,
Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 163-173, jul./dez. 2014. Disponível em:
&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/956&gt;. Acesso em: 01 mar. 2016.

�8

XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

TAMMARO, Anna Maria; SALARELLI, Alberto. A biblioteca digital. Brasília: Briquet de
Lemos, 2008.

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                <text>O debate sobre a atuação profissional do bibliotecário tem sido intensificado nos últimos anos em consequência de uma série de marcos legais e de avanços tecnológicos. Buscando contribuir com este cenário, apresenta-se um relato de experiência de duas bibliotecárias que atuam como treinadoras comerciais em uma empresa privada do setor de serviços de informação. A partir desse relato são identificadas habilidades e competências necessárias aos bibliotecários para atuarem em uma empresa privada do setor de serviços de informação. Busca contribuir para a discussão sobre os currículos dos cursos de Biblioteconomia no que se relaciona ao perfil profissional do bibliotecário nos dias atuais.</text>
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                    <text>O Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, em sua décima nona versão, voltou
a pulsar na Amazônia após 27 anos e ser realizado pela primeira vez em solo
manauara.
Instalados no coração da Amazônia Brasileira e as margens do Rio Negro, discutiu-se a
temática da sustentabilidade e buscou-se refletir sobre o modo como a biblioteca
universitária deve atuar para apoiar a plena implantação das demandas de um projeto
de formação humana que seja comprometido com as gerações presentes e futuras de
nosso país.
A sustentabilidade está diretamente relacionada ao uso inteligente dos recursos
existentes (especialmente os informacionais) de modo a assegurar o equilíbrio e o
bem-estar da sociedade como um todo.
Partindo do principio indiscutível, de que a informação é elemento basilar para o
processo de formação, compete à biblioteca universitária executar atividades para
consolidar e incrementar o projeto de formação humana assumido pela instituição de
ensino superior onde ela está inserida, ostentando o compromisso responsável com a
sua sustentabilidade.
Neste sentido, a Comissão Organizadora tem o prazer de dispor os trabalhos
apresentados no XIX SNBU, evento que se configura como um espaço singular de
integração dos bibliotecários brasileiros que atuam nas bibliotecas universitárias e que
estão, ao longo de 38 anos construindo ativamente, por meio deste encontroso
conhecimento, a convivência social e científica e a integração entre todos, debatendo
diversas questões que envolvem estes organismos promotores do desenvolvimento
humano.
Importantes e instigantes trabalhos foram apresentados no XIX SNBU oriundos de
todas as partes do nosso diverso país, promovendo e promoveram um verdadeiro
dabacuri (cerimônias indígenas realizadas para troca de bens) onde foram debatidas
de forma irretorquível os eixos que ampararam a temática do evento, a saber:Gestão
sustentável; Responsabilidade Política, Técnica e Social e Ecologia da Informação.
Foram expostos 180 trabalhos, sendo 55 em pôster e 125 em apresentações orais, os
quais compõem, com o texto integral, estes Anais que revelam a discussão ampliada,
dos diversos olhares dos atores envolvidos com as questões dos eixos eleitos.
Esperamos que as discussões suscitadas pelos trabalhos apresentados nestes Anais
sirvam como instrumentos para uma ampliar as discussões científica, social e política
que aconteceram e possibilitem compartilhar o conhecimento gerado.

Boa leitura!

�Temáticas
Considerando a amplitude e complexidade do tema A biblioteca universitária
como agente de sustentabilidade institucional, bem como o exposto na
justificativa e nos objetivos estabelecido para o XIX Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias, os eixos temáticos para desenvolver a aproximação
entre as vertentes em pauta e as questões postas em exame serão:
Eixo 1 - Gestão sustentável
Temática que compreende discussões acerca da condução da biblioteca
universitária pelos caminhos da ação institucional, onde serão agrupados
trabalhos de natureza teórico-prática.
Neste eixo poderão ser tratados os subtemas relacionados a:
a.

Políticas Institucionais;

b.

Planejamento Estratégico e Sustentabilidade;

c.

Gestão do Conhecimento e da Informação;

d.

Avaliação e Gestão Pública em Serviços de Informação;

e.

Gestão de Pessoas;

f.

Acessibilidade (produtos, serviços e tecnologia);

g.

Marketing

h.

Eco-arquitetura e segurança em bibliotecas.

Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Temática em que poderão ser abordados assuntos que apresentem e discutam
a atuação da biblioteca universitária a partir das suas ações de planejamento
de estruturação, execução e dos resultados de suas atividades para o
desempenho da institução.
Neste eixo poderão ser tratados os subtemas relacionados a:
a.

Organização e tratamento da informação;

b.

Formação e gestão de coleções de todas as naturezas;

c.

Formas e suportes de organização;

�d.

Cultura e comportamento informacional;

e.

Educação de usuários e de competências informacionais;

f.

Estudos de usos e de usuários de serviços de informação;

g.

Serviços de referência presencial e virtual;

h.

Perfil profissional e práticas renovadoras;

i.

Recursos de recuperação da informação;

Eixo 3 - Ecologia da Informação
Temática em que poderão ser abordadas as questões ligadas à prestação de
serviços de informação centrada nos usuários, a partir da percepção da relação
ambiental interna e externa, onde serão agrupados trabalhos de natureza
teórico-prática.
Neste eixo poderão ser tratados os subtemas relacionados a:
a.

Repositórios institucionais;

b.
Arquitetura da informação (usabilidade, interface, entre outros), e
ferramentas de descoberta e metabuscadores;
c.

Ferramentas de comunicação e de colaboração científica;

d.

Dispositivos móveis em contexto acadêmico;

e.

Biblioteca universitária / EaD.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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